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Introdução à Interação Humano-Computador Teorias de IHC – Engenharia Semiótica

Professora: Raquel Oliveira Prates http://www.dcc.ufmg.br/~rprates/ihc \
Aula 1: 14/05

Crítica à Engenharia Cognitiva
• de Souza (2005 – seção 3.5):
– Objetivo: Alcançar a menor distância semântica e articulatória do significado desejado pelo usuário – Linguagem de interface e significados do designer são fixos – Significado pretendido e compreendido pelo usuário depende do contexto da comunicação (não é fixo) – Idealização do usuário e seus significados – Engenharia Cognitiva e os trabalhos que surgem com base nela não apresentam COMO usar as distâncias semânticas e articulatórias no design ou avaliação

R. O. Prates – 2006 - 2

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O que é Semiótica? • Disciplina que estuda signos.2 2 .2 Alguns Conceitos de Semiótica interpretante interpretante semiose ilimitada interpretante codificação “Meu tipo ideal é o dos morenos” mensagem (signos) decodificação canal R. Prates – 2006 . Prates – 2006 . O. O. significação e comunicação – Signo: tudo aquilo que signifique algo para alguém – Sistema de significação: processo pelo qual uma determinada cultura associa sistematicamente um conjunto de expressões a um conjunto de conteúdos – Comunicação: processo pelo qual os indivíduos ou grupos pertencentes a uma cultura exploram (e ocasionalmente violam ou subvertem) os sistemas de significação que ela disponibiliza para interagir com outros indivíduos ou grupos R.

Prates – 2006 . O.2 Solução do Designer Criatividade modelo pretendido da aplicação Usuários. suas formas de trabalho e necessidades Conhecimento técnico projetista R.Engenharia Semiótica • O sistema é uma comunicação do designer para usuário em tempo de interação • O sistema representa o designer (preposto do designer ou designer’s deputy) • A comunicação designer-usuário é uma metacomunicação: – Metacomunicação: comunicação sobre comunicação • Unilateral: – designer para usuário R. Prates – 2006 .2 3 . O.

O.Teoria da Engenharia Semiótica modelo pretendido da aplicação modelo percebido da aplicação projetista Esta é a minha interpretação sobre quem você é.2 Exemplo – Visão do projetista • Interpretação: os alunos da disciplina de Programação Linear (graduação) têm dificuldades em consolidar o aprendizado sobre o Método Simplex – Alunos dão mais importância à execução do método do que ao seu entendimento • Grande número de operações algébricas • Erros nestas operações são propagados • Exercícios feitos extra-classe: pode dificultar esclarecimento de dúvidas que surgem • Solução: Oferecer aos alunos um sistema que os permita focar no entendimento do Método Simplex. Prates – 2006 . usuário contexto R. durante a resolução de exercícios • O sistema executa as operações algébricas • O aluno pode tirar dúvidas sobre o método no próprio sistema R. O. Este é o meio sistema que eu projetei para você. de que formas prefere fazê-lo e por quê. o que eu entendi que você quer ou precisa contexto fazer. Prates – 2006 . e esta é a forma que você pode ou deve usá-lo para conseguir atingir os objetivos incorporados na minha visão.2 4 .

você deverá dizer qual é o próximo.Exemplo – Solução e Meta-comunicação Ampliar: Sistema de apoio ao aprendizado do Método Simplex “Se tiver dúvidas. Prates – 2006 . O.2 5 . Exemplo: Entendimento do aluno sobre o Ampliar R.” “Agora você deve escolher uma variável para sair da base.” “Após terminado este passo. Prates – 2006 . O.” R.” “Cabe a você solicitar a execução dos cálculos necessários” “Aqui está o que você já fez na resolução do seu problema. posso te ajudar.2 Exemplo – Entendimento da Meta-comunicação Usuário capta a meta-mensagem do projetista à medida que interage com o sistema.

2 usuário Artefato Intelectual • A rigor. O. apoiando-o na aplicação do método em horário extra-classe Modelo percebido: Legal! Posso resolver minha lista de exercícios usando o Ampliar. qualquer artefato que seja resultado da engenhosidade humana e um exercício intelectual. vamos diferenciar aqueles que têm como resultado um artefato físico. O. Prates – 2006 . Assim.2 6 . que teve aulas sobre o Método Simplex a consolidar o aprendizado deste.Meta-comunicação pelo Ampliar Modelo pretendido: Sistema para auxiliar o aluno da disciplina de PL. Prates – 2006 . não preciso me preocupar com os cálculos e posso tirar minhas dúvidas. daqueles que têm um artefato linguístico (que chamaremos de artefato intelectual). • No entanto. R. Contexto: execução de exercícios meio projetista Contexto: Disciplina de PL R.

O. O.Artefatos Físicos R. verbais. auditivos. Prates – 2006 . ou outro que possa ser interpretado por regras semânticas) – Artefato só atinge seu objetivo se seus usuários podem formulá-lo utilizando o sistema linguístico em que o artefato foi codificado R. visuais.org/GoodDesign.jnd. Prates – 2006 .html Artefato Intelectual • Definição de artefato intelectual: – Codificar um entendimento ou interpretação de um problema – Codificar um conjunto específico de soluções percebida para o problema – A codificação tanto do problema quanto de suas soluções é fundamentalmente linguística (i. Baseado no sistema de símbolos.2 7 .e.2 http://www.

O. O. Prates – 2006 .2 Elementos de uma Teoria • Ontologia – Fundamentos conceituais – Sobre o quê se quer saber? • Epistemologia – Condições do conhecimento: Que tipo de conhecimento se pode adquirir? • Metodologia – Procedimentos para geração de conhecimento: Como se adquire o conhecimento • Axiologia – Valores e compromissos: Que julgamentos críticos guiam e explicam o perfil da teoria e de seus objetos? R.2 8 .Exemplos de Artefatos Intelectuais R. Prates – 2006 .

Significados computacionais podem ser deduzidos. A origem e destino dos significados computacionais são os humanos. os humanos só podem ser abduzidos. O. 2006 9 . 3. • Axiologia: Que julgamentos críticos guiam e explicam a teoria? Axiologia: teoria? – Sistemas computacionais são artefatos intelectuais. • Methodologia: Como o conhecimento pode ser adquirido? Methodologia: adquirido? – Significados humanos são dependentes do contexto em que surgem. R. Identifique problema único Coloque em perspectiva Resolva o problema (único) Artefato Mundo Conhe cimento R.2 Perspectiva de Design Schön: Reflection in Action Design como uma atividade epistêmica PROBLEMA 1. gerados por humanos para outros humanos.2 Método Critério de Avaliação Figura cedida por C. Prates – 2006 . • Epistemologia: Que tipo de conhecimento se pode adquirir? Epistemologia: adquirir? – O conjunto completo de significados humanos nunca se pode saber. sistemas de significação e comunicação mediados pelo computador. O. S. Prates – 2006 . e logo métodos qualitativos são usados. 2. porém o conjunto completo de significados processáveis computacionalmente sim.Engenharia Semiótica como Teoria • Ontologia: O que se quer saber? Ontologia: – Aspectos relacionados com signos que podem ser processados computacionalmente e signos. de Souza.

2 (Hix e Hartson. Prates – 2006 . apud Preece et al. diferentemente de signos humanos.Lições da Semiótica • Sobre signos – Signos podem sempre ser interpretados de (indefinidas) diferentes maneiras daquelas pretendidas pelos designers.) R. Prates – 2006 . porém parte da comunicação consiste em se utilizar de signos for a do sistema (e. signos computacionais não podem evoluir livremente. 1989. O.g: piadas. O. metáforas. 2002)) 10 . • Sobre Sistemas de Significação – Aplicações computacionais podem apenas capturar um pequeno e seleto conjunto de sistemas de significação disponíveis na cultura do usuário – Além disso. • Sobre comunicação – Seres humanos utilizam os sistemas de significação para se comunicar. etc.2 Modelo Estrela Análise Funcional/Tarefas Implementação Prototipação Avaliação Especificação de Requisitos Design Conceitual/Formal R.

O.Ferramentas Epistêmicas • Avaliação é central para o desenvolvimento de sistemas centrados no usuário (modelo estrela) • Avaliação envolve: – Conhecimento e sua constante interpretação – Métodos apropriados • Ferramentas Epistêmicas (Engenharia Semiótica): – Ferramentas para geração de conhecimento cujo objetivo é ajudar designers a identificar e colocar em perspectiva os elementos de situações de design únicas. Sistemas colaborativos.g. Prates – 2006 .2 Resumo sobre Engenharia Semiótica 1. etc). É uma teoria de HCI – Uma teoria interpretativa (i. Projeto de pesquisa ainda em andamento R. Oferece aos designers ferramentas epistêmicas – Soluções elaboradas com conhecimento criado através de ferramentas epistêmicas só valham para cada problema (design) específico – Ferramentas epistêmicas podem gerar conhecimento que possa ser aplicado para um classe ampla de problemas de design (e. O.2 11 . Em linha com a perspectiva de design de Schön’s 3. Prates – 2006 .e não preditiva) – Privilegia métodos qualitativos de pesquisa 2. R. desenvolvimento por programador-final. 4.

• Schön. An interview with Donald Schön by John Bennett. • Norman. 16.html R.mss/design_as_comun. D. New York. Interacting with Computers. 2005 • de Souza. Design as Communication.) Bringing Design to Software. S. C. 2005. Issue 6.2 12 .Cambridge. O. Prates – 2006 . O. C. A. Prates – 2006 . The MIT Press. The semiotic engineering of humancomputer interaction. Vol. J. In Terry Winograd (ed. Semiotic engineering: Bringing designers and users together at interaction time. Essay published at http://www.Norman: Design como Comunicação • Avanço pensar na interação como uma comunicação designer-usuário • Entendendo o que tem por trás do design: as razões e não apenas ações e métodos http://www.org/dn.org/dn. NY. S. Addison-Wesley. D. and Bennet. (Capítulos 1 a 3).2 Referências • de Souza. (1996) Reflective Conversation with Materials. R.html.jnd. MA.mss/design_as_comun. 2005.jnd.