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AGES FACULDADE DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS BACHARELADO EM DIREITO

JANE ANGELICA OLIVEIRA SANTOS

O DIREITO NA SOCIEDADE NANOTECNOLÓGICA

Paripiranga 2011

JANE ANGELICA OLIVEIRA SANTOS

O DIREITO NA SOCIEDADE NANOTECNOLÓGICA

Monografia apresentada no curso de graduação em Direito da Faculdade AGES como um dos pré-requisitos para a obtenção do título de bacharel em Direito. Orientadora: Thomasi. Profª. M.Sc. Tanise Zago

Paripiranga 2011

JANE ANGELICA OLIVEIRA SANTOS

O DIREITO NA SOCIEDADE NANOTECNOLÓGICA

Monografia apresentada como exigência parcial para obtenção do título de Bacharel em Direito, à Comissão Julgadora designada pelo Colegiado do Curso de Graduação da AGES – Faculdade de Ciências Humanas e Sociais. Paripiranga, 03 de junho de 2011 .

BANCA EXAMINADORA Profª. Tanise Zago Thomasi Faculdade de Ciências Humanas e Sociais - AGES Prof. Celso Eduardo Melo Faculdade de Ciências Humanas e Sociais - AGES Prof. Rusel Marcos Batista Barroso Faculdade de Ciências Humanas e Sociais - AGES

ensinaram-me a fazer as melhores escolhas. mostraram-me que a honestidade e o respeito são essenciais à vida. A eles. que em nenhum momento mediram esforços para realização dos meus sonhos. devo a pessoa que me tornei. .Dedico esta monografia a Josefa Gois e Ednilson Góis. e me guiaram pelos caminhos corretos.

apesar da distância. A meus tios. acima de tudo. Josefa e Ednilson. tias e primos. obrigada pela força.AGRADECIMENTOS Agradeço em primeiro lugar. . pela contribuição para o meu crescimento. Aos funcionários. inteligência suprema que nos permite estar aqui neste espaço e por me reservar saúde e proteção. À Faculdade AGES. pela atenção e disposição. pelo empréstimo de livro. por proporcionar a mim e a todos os ageanos uma formação de qualidade. pela paciência. pelo brilhantismo ao ensinar e. obrigada pela contribuição para que eu chegasse até aqui. a Deus. Elthon Nunes. em especial Tânia Couto. e que me ensinaram que para viver é preciso ser perseverante. por acreditar em minha capacidade. tanto escolar quanto moral. que me criaram e proporcionaram minha educação. Professora Tanise Zago. À orientadora e coordenadora. A meu noivo. está sempre me apoiando em minhas decisões. Aos professores. obrigada pelo conhecimento transmitido. que. Aos meus amigos da faculdade. Aos meus pais. Roberta Carvalho e Juliano Franklin.

já que .Na atualidade. seja o próprio homem ou dos demais seres vivos. é importante que se faça uma reflexão idônea de seus verdadeiros benefícios e malefícios. comprometendo a atual e as gerações. diante de todas as demais ciências que surgem. incluindo os prejuízos para o meio ambiente.constatado que este é um fator determinante na saúde da população em geral. RAMOS & THOMASI .

Os conceitos. que a cada dia o sujeito vem fazendo uso da tecnologia de maneira desvelada. Assim. com as consequências que podem vir da inserção dos processos de radicalização da modernização. pautada no princípio da precaução. legislações e princípios serão abordados de forma que destaquem a nanotecnologia pode apresentar riscos a partir da utilização de novas propriedades que os materiais “nano” podem adquirir. o presente tem como finalidade realizar uma breve análise relativa à necessidade de elaboração de elementos normativos que objetivam orientar o uso da nanotecnologia no Brasil. visto que não existe legislação específica que regulamente o uso da nanotecnologia. já que estes materiais são alterados tecnologicamente em sua estrutura.RESUMO O presente trabalho objetiva destacar a necessidade da criação de uma legislação específica aplicada à nanotecnologia. bem como contemplar a obrigação de uma apurada análise de riscos antes da colocação de nanomateriais no ambiente. ou seja. sem se preocupar com o futuro e com o ambiente. viver em estado de insegurança provoca discussões ligadas aos riscos da nanotecnologia é até então incipiente. o presente estudo visa oportunizar aos acadêmicos o acesso a informações sobre a aplicabilidade da nanotecnologia no âmbito de seus benefícios e malefícios. Nesse sentido. é possível refletir criticamente a respeito da “sociedade de risco”. precaução. nanotecnologia. Para tanto. PALAVRAS-CHAVE: direito ambiental. com os capítulos expostos. do ponto de vista científico e jurídico. . Assim.

with the foregoing chapters. this is intended to perform a brief analysis about the necessity of elaborating the normative elements that aim to guide the use of nanotechnology in Brazil. principles and laws will be addressed in a way that highlight nanotechnology which may present risks from the use of new materials properties that ‘nanomaterials’ may get. the consequences that can come from the insertion of radicalization processes of modernization. based on the precautionary principle. Therefore. The concepts. nanotechnology.ABSTRACT This work aims to highlight the necessity of creating a specific legislation applied to nanotechnology. To this end. living in a state of insecurity leads to discussions related to the risks of nanotechnology that is fledgling. as well as to contemplate the obligation of a detailed analysis of risk before putting nanomaterials on the environment. KEYWORDS: environmental law. without worrying about the future and the environment. since there is no specific legislation governing the use of nanotechnology. . from the point of the scientific and legal view. caution. it is possible to reflect critically about the ‘risk society’ that the individual is making use of technology so unveiled every day. Thus. In that sense. this study aims to create opportunities to the academic students’ access to information about the applicability of nanotechnology in the context of its benefits and harms. as these materials are changed technologically in their structure. in other words.

............................................................................37 4........................................................ Brasil Escola... Disponível em: < http://www...... Délton Winter de....................................................................2 Aplicabilidade da Nanotecnologia............htm>...................................2....................................... 20__..pdf>.. Os riscos ecológicos e a sua gestão pelo Direito Ambiental.......................................................... Disponível em: < http://www............................ Acesso em 25 de abril 2011.........SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO.........com/biologia/hipotese-gaia..........................27 3.1 Considerações Gerais .....unisinos......................21 3.......... 49 CARVALHO.......................... 2006..........38 4.... 51 ......12 2...........................................24 3...................................brasilescola....... 48 REFERÊNCIAS...44 5 CONCLUSÃO ..................................................................... Acesso em 21 de abril 2011............... Unisinos.2 Desvantagens da biotecnologia para humanidade.........10 2 MEIO AMBIENTE ECOLOGICAMENTE EQUILIBRADO...................................2 Benefícios e prejuízos...........1.........................21 3.............................................1 Biotecnologia: avanços tecnológicos e inovações..............31 4 REGULAMENTAÇÃO JURÍDICA DA NANOTECNOLOGIA..........26 3.................50 REDAÇÃO.....................br/publicacoes_cientificas/images/stories/pdf_estjuridicos/v 39n1/art02_winter.................................................... Hipótese Gaia................................................2 Nanotecnologia: conceitos e aplicações.....................28 3.....................1..........2............1 Vantagens da biotecnologia para humanidade..................2 Princípios do Direito Ambiental..1 Conceitos..................18 3 NOVAS TECNOLOGIAS: biotecnologia e nanotecnologia...................................................................

É possível traçar exemplo de cunho tecnológico. tanto no domínio técnico quanto no econômico e social. ela parece inevitável. o objetivo é destacar a necessidade da criação de uma legislação específica aplicada à nanotecnologia. Assim. em que se aplicou a pesquisa jurídico-teórica. gerará. é ainda impossível contestar exatamente a questão referente ao momento em que essa "revolução nanotecnológica" surgiria. Diversos caminhos de pesquisa estão em curso atualmente. Então. levando um tempo maior para que esta revolução se dê. pode-se dizer que mesmo sendo considerado um tempo pequeno. Nesse sentido. que problemas apareçam no decorrer das pesquisas.10 1 INTRODUÇÃO Falar de Nanotecnologia é perceber que a sociedade está inserida em um mundo tecnológico evoluído e em função disso. por outro lado. pautada no princípio da precaução. já que. o qual provocou e ainda provoca muitas discussões. se esta tecnologia for efetivamente instituída. embora parte da teoria apresentasse suficientemente desenvolvida e de estarem certos de sua viabilidade. vários e complicados problemas técnicos a serem resolvidos. Mas. ao voltar para o final dos anos 1930. uma revolução imensa nos dias atuais. bem como contemplar a obrigação de uma apurada análise de riscos antes da colocação de nanomateriais no ambiente. Nesse sentido. tinha. seguramente irá muito além da revolução causada pelas revoluções industriais da mecânica e da informática. para realização dos estudos sobre o tema O Direito na Sociedade Nanotecnologica se fizeram necessárias as pesquisas jurídicas relativas às novas tecnologias e o meio ambiente. Então. ainda. Assim. no entanto. Pode ocorrer. o presente trabalho apresenta a importância e a atualidade do tema O Direito na Sociedade Nanotecnologica dentro do campo jurídico. requer muita cautela. segundo BECK (1999). cuja solução não era exatamente conhecida. os sujeitos sociais estão em uma “Sociedade de Risco”. sendo que os estudos e pesquisas referentes ao tema favorecerão aos estudiosos e profissionais da área de Direto. neste. como: a fabricação da bomba atômica. tempo necessário para que aconteça uma primeira inovação tecnológica terminante. Se a Nanotecnologia for totalmente legalizada e sem que haja estabelecimento do princípio de precaução. realizando estudos e análise . Muitos dos cientistas que realizam pesquisas na área da nanotecnologia enfatizam que tal revolução levará de 10 a 20 anos. a duração e a quantidade de esforços a serem gastos para se alcançar o sucesso são. apenas suposições. Nesse sentido.

livros. Mateo (1991). pois é uma tecnologia que requer mais estudos. Engelmann & Filho (Pessini (2007). Constituição Federal (1988) entre outros). No capítulo Meio Ambiente Ecologicamente Equilibrado está registrado o contexto histórico referente ao processo de apropriação da natureza pelo homem. é importante destacar que a nanotecnologia não está regulada por nenhuma legislação específica brasileira. As Novas Tecnologias: Biotecnologia e Nanotecnologia. sem perceber que os recursos são esgotáveis. A pesquisa abrangerá revistas científicas. enfatizando que ambas fazem parte de um mundo inovador. então. Capra (2005). Beck (1999). Além disso. já que na natureza tudo está interligado e quando uma cadeia é destruída os outros setores naturais sofrem com a “queda”. o qual vem retirando as riquezas naturais. faz-se necessário rever essa inclusão. pode-se elucidar que o princípio da precaução deve ser a base da nova legislação.11 do marco teórico como Milaré (2007). mas que possuem dois lados: o benéfico e o maléfico. Portanto. Canotilho (1995). Morin (2007). os quais possibilitam refletir sobre o papel da lei dentro do âmbito do meio ambiente. Regulamentação Jurídica da Nanotecnologia e a conclusão. Todas as partes estão destinadas ao estudo da Nanotecnologia e sua aplicabilidade. Com relação ao capítulo referente à Regulamentação Jurídica será possível destacar a necessidade de uma regulamentação legal referente à inserção da nanotecnologia na sociedade. Meio Ambiente Ecologicamente Equilibrado. significando uma ameaça ao meio ambiente e ao homem. bem como salvaguardar a sociedade. revistas e artigos publicados em sites especializados. Assim. Fernandes (1987). Pode-se dizer que a busca incansável do sujeito social com relação ao desenvolvimento de tecnologias possibilita o aprofundamento das tecnologias existentes. enfatizando a natureza da biotecnologia e da nanotecnologia. os quais estão divididos da seguinte forma: Introdução. Antunes (2007). Em As Novas Tecnologias: Biotecnologia e Nanotecnologia serão apresentadas as noções iniciais. sendo assim. . Para apresentação do trabalho se fez necessária a divisão dos capítulos. possibilitando a abertura de um debate jurídico/legal com a finalidade de cuidar das novas tecnologias. não existindo responsabilização segundo os ditames do direito ambiental. neste também serão destacados os princípios do direito ambiental.

. surgem discussões sobre o desmatamento da Amazônia. o qual faz uso do seu saber para a destruição da natureza. a qual institui a Política Nacional do Meio Ambiente. percebe-se que alguns seres humanos ainda não levam em consideração o ambiente e se sentem na posição de superioridade. com base na Lei 6. Porém. 1994. 02). química e biológica. o significado da palavra ecologia vem do grego “oikos” e quer dizer estudo da casa. Com resultado degradante. influências e interações de ordem física. do verde e dos rios. já que suas ações exercem influência no local em que vive e os efeitos dessas ações se voltam para ele. . para que exista um meio ambiente ecologicamente equilibrado é preciso levar em consideração os elementos naturais. artificiais e culturais que são os aspectos fundamentais para o desenvolvimento da vida. p. 3º I contêm o conceito referente ao meio ambiente. aproveitando ao máximo a posição dominante que é estar diante da natureza. a qualidade da água. tanto o estudo do lugar onde moramos como também da “casa de todos”. No momento que se usa o termo ecologia remete ao pensamento relativo à defesa dos animais. as mudanças climáticas. sem que existam limites na ação irresponsável do sujeito. Ao trazer a discussão para o campo jurídico.] a interação do conjunto de elementos naturais. É importante destacar que. Nesse sentido. o qual pode ser concebido como um conjunto de condições. pois de acordo com a sua significação e/ou conceituação trata-se de um conjunto de forças e condições que cercam e influenciam os seres vivos e as coisas em geral. nota-se que a humanidade vem buscando melhores condições de vida. leis. não existe espaço para vida sem um ambiente adequado. do planeta Terra. assim como não há ambiente se não há vida. Percebe-se que o conceito firmado pela Lei 6. mas para que isso se concretize o meio ambiente é explorado e consequentemente vai surgindo a sua destruição. ou seja.938/81 dialoga com o do Professor José Afonso da Silva.. o qual conceitua meio ambiente como: “[.938/81. Com passar dos tempos.12 2 MEIO AMBIENTE ECOLOGICAMENTE EQUILIBRADO Trabalhar com o tema meio ambiente é traçar por um caminho longo. quando há respeito à natureza em todos os sentidos. que permite abrigar e reger a vida em todas as suas formas. percebe-se que no art. mas. o ser humano está cuidando de si próprio. Nesse sentido. artificiais e culturais que propiciem o desenvolvimento equilibrado da vida em todas as suas formas” (MACHADO.

das Filipinas e do Pacífico fato que explica a frequência com que o país oriental sofre abalos sísmicos e a magnitude com que isso acontece. sendo temas prioritários no âmbito das autoridades políticas e cientificas da área.13 a sobrevivência nas grandes cidades. TV e internet. pois o Japão possui usina nuclear. pois a radiação ainda está em um nível muito acima do aceitável e inclusive já contaminou diversos alimentos que são cultivados nesta cidade. pois o terremoto ocorrido no Japão com certeza foi uma tragédia de proporções gigantescas e de grande sofrimento para toda a população desse país. pior. Percebese que os japoneses terão que enfrentar muitos desafios. sua formação é cheia de falhas. tsunamis e até mudanças na rotação do planeta. bem como quais as ações que os homens devem realizar para não perder seu habitat. O cenário depois do terremoto ocorrido no Japão no dia 11 de março de 2011 é um cenário de horror e tristeza. Segundo informações dos noticiários do jornal. o nível de radiação segundo o governo japonês baixou. Basicamente. entre outras questões relacionadas à preservação do meio ambiente. podendo causar também deslizamentos de terra. formadas há milhões de anos. causando muitos estragos e mortes. perder a oportunidade de viver. as usinas nucleares da cidade de Fukushima estão trabalhando para manter seus reatores resfriados tentando assim evitar uma tragédia ainda maior. O tremor que conseguiu ser o pior acontecimento em território japonês já possui classificação de 7º pior terremoto da história. ficando entre três placas tectônicas Eurasiana. mas ainda é perigoso para a saúde da população de Tókio e das cidades vizinhas. ao todo dois reatores já tiveram problemas nesta cidade e situação está crítica. O quadro de destruição minutos depois do terremoto é um cenário que poderia ser fruto de um filme. Por isso. Cada placa resulta de "colagens" de placas anteriores. este terremoto está sendo considerado um dos piores desastres naturais de todos os tempos. é a movimentação dessas falhas que provoca terremotos. De acordo com as notícias do Japão 2011 mais recentes já foram encontrados dois mil corpos na cidade de Myagi. Acontecimento este que deixou a população amedrontada não somente pela ação da natureza. É importante destacar um acontecimento atual que deixou a população de todos os países em estado de choque. a qual . bem como os levando para a morte. mas também pelo que pode acontecer com o depois. levando os indivíduos ao campo da reflexão sobre o que está acontecendo com a natureza. Sabe-se que este país é banhado pelo Oceano pacífico. alguns já falam na probabilidade ter uns 10 mil corpos só nesta cidade (G1. ficção científica. 2010) Com a citação pode-se destacar que a natureza está mudando a rotina dos sujeitos sociais. A destruição no Nordeste do Japão foi imensa. já que depois deste terrível terremoto. mas o acontecimento é real.

1 Contextos históricos: humano X meio ambiente Há muitos anos o ser humano possuía uma interação com o meio ambiente de forma harmoniosa. A estruturação do capitalismo do século XX só foi possível com a Revolução Industrial iniciada na Inglaterra no século XVIII. só retirava dela aquilo que fosse necessário a sua sobrevivência. O ocorrido no Japão não é um fato isolado. Quando ela retorna. é preciso gerar mais energia”. a partir do momento que o sujeito deixou de ser nômade.14 tem forte poder radioativo. fundando colônias. uma das preocupações é com a localização da central nuclear em Sergipe: nas proximidades do rio São Francisco. Uma coisa é devolver essa água para o mar. pois George Parkins Marsh2. fixando-se em determinado local. está aquecida e provoca impacto. com intuito de explorar sem que se pensasse no futuro. 2 (1801 – 1882) linguista. tendo como consequência surgimento de doenças e acidente natural. diplomata e conservacionista. mas é importante que a sociedade fique atenta para não ser prejudicada futuramente. Porém. “É uma fonte de energia que atende à necessidade de ampliação da matriz energética do país. fonte de água que abastece vários Estados nordestinos. cuja vazão de água é menor e o sistema mais frágil” (BRABEC. Assim. pois os objetivos em construir usinas hidrelétricas ou até mesmo a nuclear provocam modificação significativa no ambiente e no dia-a-dia dos sujeitos sociais. ao trazer a discussão para o estado de Sergipe percebe-se que implantar uma usina nuclear é perigo. respeitando-o e nutrindo admiração pela natureza. mas percebe-se que a vontade do ser humano em possuir todos os bens naturais e modificá-los conduz a população para caminhos tortuosos. Para Luiz Carlos. intensificando ainda mais o processo de separação do homem com a natureza. já existia a preocupação no tocante à degradação do meio ambiente. ele se afastou do meio natural. do Departamento de Física da Universidade Federal de Sergipe (UFS) e especialista em Engenharia Nuclear. dando surgimento ao que chamamos de civilizações. nessa época. cidades. 2010). pois este estado está em uma situação geográfica que necessita ser pensada. . onde se busca o progresso tecnológico e o regresso natural. Com tal projeto muitas são as discussões1 sobre o assunto e ainda não se tem um ponto definitivo para tal implantação. em sua a obra O homem e a natureza destaca a questão do 1 Conforme explica à professora Ana Figueiredo Maia. afirma. além de mudar a rota da natureza. 2. Para o país crescer nos próximos anos. Notase que. e outra é quando se trata de um rio. provocando contaminação na água e no ar. aprendeu a cultivar a terra e domesticar animais. a implantação da central nuclear no Nordeste é uma opção que deve ser considerada. abrindo espaço para um novo mercado de consumo. “Uma grande quantidade de água é necessária para movimentar as turbinas e resfriar a usina. Energia e desenvolvimento econômico estão interligados.

FONTE: http://juliosimoes. de acordo com a história.br/homem-x-meio-ambiente. mas não é. mesmo sofrendo agressões pela intervenção do sujeito social.blog. As fotos parecem até uma piada. O fato é que. o ser humano acreditou. que a natureza era capaz de regenerar-se. Acesso em: 12 abril 2011. Observe na figura a evolução humana na área da destruição da natureza. a qual argumenta que a vida surgiu no fundo do oceano e na segunda foto um quadro degradante da sociedade. acreditava-se também que o desenvolvimento da . por muito tempo. pois o homem realmente vem jogando lixo e todo material que não serve mais nos rios. Na primeira foto tem-se a evolução do ser humano. Além disso.15 desequilíbrio ecológico como uma das causas da destruição de algumas civilizações antigas e alerta a humanidade quanto ao perigo de o mesmo erro ser cometido. como pode ser visto na primeira foto. uma pequena canoa sobre uma aglomeração de lixo flutuando nas águas do rio.

Milaré declara: [. por onde quer que observar. mas o fato é que a terra é um sistema todo organizado. as quais são infinitas. p. para satisfazer-se. (BRASIL ESCOLA. 20__). pois o homem. do outro lado. que dia pós dia ganha espaço nas preocupações da sociedade [. Para ele. a qual possui recursos limitados. Observa-se que a dúvida sobre a origem e o destino do ser humano não tem possível resposta. Para ter chegado a essas conclusões. Não é possível saber em que ponto nos encontramos da História do Homem e do planeta Terra. p. sem que as intervenções realizadas possam preservar o meio ambiente. Ela caminha no mesmo passo da eterna perquirição da Filosofia: ‘De onde viemos e para onde voltaremos?’ (MILARÉ. A disputa não é benéfica.. como as outras teorias sugerem. a Terra teria uma capacidade própria de controlar e manter as condições físicas e químicas propícias para ela através de mecanismos de retroalimentação. Lovelock. nem sempre sensibilizando a sociedade e os seus dirigentes (MILARÉ. está buscando os bens naturais. 2007. Para Lovalock.]. os fatores bióticos teriam o controle sobre os abióticos. sendo estes limitados. pois ninguém sabe e não se tem nenhum registro sobre tal fato..]. Mas. 2007. 54). Assim. Basta atentar para as fontes de informação para ver que as agressões ao ambiente desfilam diuturnamente nos noticiários.. em que cada parte depende da outra3. Aliás. e não o contrário. está à natureza. Milaré argumenta que: A questão ambiental. levantando a hipótese de que a Terra seria um organismo vivo.16 ciência pudesse solucionar os problemas ambientais provocados pelo progresso. para explicar o fato de todos os seres vivos estarem ligados entre si e com o ambiente físico. realizou pesquisas comparativas entre a atmosfera da Terra e a de outros planetas. Segunda a hipótese. juntamente com a bióloga Lynn Margulis. Assim: 3 A hipótese Gaia é uma tese criada em 1969 pelo investigador britânico James E. a cada momento. agora. a qual é responsável pelo equilíbrio da Terra. a poluição do ar e a erosão dos solos começaram a deixar de ser um problema localizado para se tornar outro. . em dimensões mundiais. “a Terra precisa ser entendida e estudada como um sistema fisiológico fechado.. visto que o sujeito social está o tempo todo em busca de uma satisfação que nunca chega ao fim e. é oportuno ressaltar que mesmo sem saber a sua origem e destino o ser humano não cuida da natureza. da mesma forma que o médico estuda a interdependência das funções orgânicas do corpo humano”. proporcionando as condições ideais de sobrevivência para os seres vivos. A destruição da natureza é consequência da ação humana. Nesse contexto. a problemática ambiental está na ordem do dia. Lovelock. O tempo passa e com ele a natureza. Tal fato é uma questão de vida ou morte. é a vida na Terra que cria as condições para a sua sobrevivência. Com isso. não haveria uma resposta categórica para essa indagação: qual o destino próximo do ecossistema planetário e da espécie humana?. No contexto da década de 60 percebeu-se que os problemas socioambientais aumentaram. De fato. 55). para satisfazer suas vontades e múltiplas necessidades. deparamos-nos com inúmeros e variados problemas ambientais à nossa volta.

nos deparamos com os riscos globais. os de natureza ecológica. tanto as consequências positivas quanto as negativas desencadeiam efeitos de dimensões globais (CARVALHO.. naquilo que a dogmática jurídica denomina interesses transindividuais (difusos – grupo indeterminado ou indeterminável – e coletivos – grupo determinado). .17 Sem dúvida. dependerá do que se faz. uma sociedade é mais que um contexto: é o todo organizador de que fazemos parte. coletivo. em detalhado estudo. Mas o risco global das mudanças climáticas é. 2007. p. No contexto social e natural as ações humanas têm retornos. consequentemente. é o conjunto das diversas partes ligadas a ele de modo inter-retroativo ou organizacional. estamos abusando dos recursos da Terra. Nessa linha de pensamento. pode-se dizer que a sociedade está vivendo este momento. Nota-se que o problema não é individual. para que estas possam se somar e atingir o todo. Os filhos de nossos filhos correm risco de entrar neste mundo já carregando o peso da dívida criada por seus antepassados. ’ Na sequência dos riscos. ‘Estamos nos alimentando de porções que pertencem às gerações ainda não nascidas. a perda da diversidade biológica e. o mais iminente e. mas sim. pois a causa sempre dá origem a uma consequência e estas podem prejudicar os sujeitos sociais. pois mesmo sendo pobres ou ricos todos correm risco. se estas estiverem isoladas uma das outras. pois todas as ações humanas têm consequência: Este ‘efeito bumerangue’ caracteriza os riscos das atividades pós-industriais e. Assim. Quando o autor cita a questão do perigo nuclear. por isso. o mais temido (MILARÉ. 37). e certas qualidades ou propriedades das partes podem ser inibidas pelas restrições provenientes do todo (MORIN. Dessa maneira.. pois a usina nuclear localizada no Japão está causando um grande estrago no planeta. Todos os seres humanos são responsáveis pelo equilíbrio natural. empresa. Na era da globalização (pós-industrialismo). 2007. de certo modo os ‘efeitos limiares’ ou imprevisíveis de novas tecnologias. ou seja. portanto. há particularmente entre as nações mais carentes de tecnologia e vítimas de enfermidades econômicas endêmicas. 58). pois cada um em sua casa. Morin destaca: O global é mais que o contexto. provocando surgimento de doenças e destruição natural. algumas iminentes. O planeta Terra é mais do que um contexto: é o todo ao mesmo tempo organizador e desorganizador de fazemos parte. que o diplomata peruano Oswaldo de Rivero. entre eles o incremento exagerado da população mundial. 2006). [. cada um deve fazer sua parte. já que estamos em um ecossistema. onde tudo está interligado.] Algumas ameaças. chama de ‘países inviáveis do século XXI. talvez. As partes prejudicam o todo. O todo tem qualidades ou propriedades que não são encontradas nas partes. cidade. p. Dalton Wintera de Carvalho citando Beck (1992) destaca o “efeito bumerangue”. encontramos o perigo nuclear. os quais têm a capacidade de atingir um número indeterminado de sujeitos.

. VI . p. incumbe ao Poder Público: I . 1988). é necessário cumprir a legislação e atentar para os temas relativos ao meio ambiente e ao cotidiano das pessoas. [. pois a natureza é limitada e por possuir esta característica muitos desastres aconteceram. Nesse sentido.2 Princípios do Direito Ambiental Então se faz necessário por em prática os Princípios do Direito Ambiental.. na forma da lei. cujo princípio 1 expõe que “[. o qual está diretamente ligado à proteção do meio ambiente. as práticas que coloquem em risco sua função ecológica. impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. caso o ser humano continue com o processo de destruição ambiental. pois é um direito humano fundamental. II . Rio 92.preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas. métodos e substâncias que comportem risco para a vida.. provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais à crueldade [.. consagrado nos Princípios 1 e 2 da Declaração de Estolcomo e reafirmado na Declaração do Rio. VII . 225 deixa claro que o meio ambiente deve ser preservado: Art.Para assegurar a efetividade desse direito.proteger a fauna e a flora. bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida.. vedadas.Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado.controlar a produção.promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente. 2007. . Assim.18 A Constituição Federal – CF em seu art.] V . 2.. a qualidade de vida e o meio ambiente. proferida na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. sendo este responsabilidade de todos.] (CF. a comercialização e o emprego de técnicas. § 1º .] os seres humanos constituem o centro das preocupações relacionadas com o desenvolvimento sustentável. Têm direito a uma vida saudável e produtiva em harmonia com o meio ambiente” (ANTUNES.preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético. todos os seres vivos sofrerão as consequências que poderão levar à morte. sendo resultado de seu egoísmo. 225 . 27).

recebe toda a sua inspiração” (ANTUNES. Princípio da Precaução (Prudência e Cautela). exceto se existir a certeza de que as mudanças não ocasionaram reações adversas. Assim. com base na imprecisão nascem os Princípios do Direito Ambiental. as quais ainda não foram objeto de legislação específica. 23). pessoa física ou jurídica. 225 CF/88. Princípio da Responsabilidade e Princípio do Poluidor Pagador. p.] o que observa no Direito Ambiental é o crescimento de províncias específicas que se multiplicam em uma verdadeira metástase legislativa” (ANTUNES. Pelo Princípio da Responsabilidade o poluidor. O Princípio Democrático garante ao cidadão o direito à informação e a participação na elaboração das políticas públicas ambientais. 2007. . é a partir desse princípio que surgem os outros: sub-princípios constitucionais. ou seja.. do primeiro. já que se percebe variação dos acontecimentos que prejudicam a natureza. estes uns dos principais instrumentos de proteção ao meio ambiente. “é a base capaz de dar sustentação ao caput do artigo 225 da Constituição Federal que. O Princípio da Prevenção é muito parecido com o Princípio da Precaução. Princípio do Equilíbrio. pois é através dele que as matérias. Princípio do Desenvolvimento. fato esse que dificulta o exercício judicial. já que nem sempre a ciência pode dar à sociedade respostas conclusivas e relativas à inocuidade de determinados procedimentos. os Princípios do Direito Ambiental são: Princípio da Dignidade da Pessoa Humana. Sua execução ocorre nos fatos em que os impactos ambientais já são conhecidos. p. 25). porém ele próprio não se constitui um direito. 2007.. Princípio do Limite.19 Assim “[. O princípio da Dignidade da Pessoa Humana serve de alicerce para a composição de um direito. ficando certo a obrigatoriedade do licenciamento ambiental e do estudo de impacto ambiental (EIA). legislativos e administrativos que efetivam o princípio. penais ou administrativas. Princípio Democrático. responde por suas ações ou omissões em prejuízo do meio ambiente. Assim. Imediatamente. de forma que a ele devem ser assegurados os mecanismos judiciais. Nesse sentido a jurisprudência exerce a função de proteção do meio ambiente. ou princípios setoriais e do Direito Ambiental. Nesse sentido. Princípio da Prevenção. verificando caso a caso. ficando sujeito a sanções cíveis. O Princípio da Precaução põe em evidência a vedação de intervenções no meio ambiente. conforme prevê o § 3º do Art. a responsabilidade por danos ambientais é objetiva. podem ser tratadas pelo Poder Judiciário e pelos diferentes operadores do Direito. porém com este não se confunde.

Além disso. seus fins e mecanismo de formulação e aplicação) levam em consideração que os recursos ambientais são finitas. devendo adotar a solução que busque alcançar o desenvolvimento sustentável. de forma gratuita. VIII da Lei 6. ao fazer uso.938/81 (31 de agosto de 1981. dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente. hospitalares e líquidos. do recurso ambiental está provocando um enriquecimento ilícito. a qual precisa pensar em todas as implicações que podem ser desencadeadas por determinada intervenção no meio ambiente. se utiliza. ou seja. o faz em menor escala. sendo que seu dever é estabelecer parâmetros mínimos a serem observados em casos como emissões de partículas. destinação final de resíduos sólidos. Neste existem dois tipos de princípios: O Princípio do Usuário Pagador. sons. como o meio ambiente é um bem que pertence a todos. boa parte da comunidade nem utiliza um determinado recurso ou. somente aqueles que dele se beneficiaram e o Princípio do Poluidor Pagador obriga quem poluiu a pagar pela poluição causada ou que pode ser causada.20 Os Princípios do Usuário Pagador e do Poluidor Pagador expressos no Art. O Princípio do Equilíbrio está voltado para a Administração Pública. . ora resultando sua escassez. sua produção e consumo provocam reflexos ora resultando sua degradação. 4º. assim sendo. visto que. O Princípio do Limite também está ligado à Administração Pública. ruídos. visando sempre promover o desenvolvimento sustentável. que estabelece que quem utiliza o recurso ambiental deve suportar seus custos. dentre outros.

A OMPI também incentiva a negociação de novos tratados internacionais e a modernização das legislações nacionais (RIBEIRO. pode ser benéfica ou maléfica para o meio ambiente. também. assegurar a cooperação administrativa entre as uniões de propriedade intelectual (União – Convenção – de Paris. microorganismos e todo material biológico que possa ser assimilado a microorganismos. bem como despeja nela o que não lhe serve mais. o Acordo de Madri. 2008). a própria OMPI teria sugerido anteriormente outra definição de biotecnologia: tecnologia que usa ou causa mutações orgânicas em animais. o que seja biotecnologia.21 3 NOVAS TECNOLOGIAS: biotecnologia e nanotecnologia 3. Ele é responsável pelo que há de bom ou ruim. plantas e microorganismos) e outros materiais biológicos. etc. Suíça. a qual. Sua função é: estimular a proteção da Propriedade Intelectual em todo o mundo mediante a cooperação entre os Estados. . social e cultural. a biotecnologia compreende todos os desenvolvimentos tecnológicos alusivos a organismos vivos (o que inclui animais. De acordo com a OMPI4 (Organização Mundial da Propriedade Intelectual) colocou-se que. gerenciado pela ciência. de caráter intergovernamental. encontramos algumas dificuldades para estabelecer o aspecto legal. o sujeito social vem introduzindo a tecnologia.. plantas. Todos vivem em equilíbrio. A palavra biotecnologia “é formada por três pequenas palavras de origem grega: bio – que 4 A OMPI foi criada em 1967. Porém. pois sobrevive retirando da natureza seu sustento. células e microorganismos ou enzimas). Contudo. depende da situação. Genericamente. para efeitos da Propriedade Industrial.1 Biotecnologia: avanços tecnológicos e inovações A natureza é composta por vários seres vivos os quais fazem parte de um ecossistema. Nesse contexto pode citar um avanço tecnológico: a biotecnologia. a biotecnologia consiste no processamento industrial de materiais pela ação de agentes biológicos (tecidos animais ou vegetais. com sede em Genebra. organismos vivos ou seus derivados para fabricar ou modificar produtos ou processos para utilização específica no processo de produção industrial. proporcionando a vida ou morte. e é um dos 16 organismos especializados do sistema das Nações Unidas. Nesse contexto está o homem com suas ações benéficas e/ou maléficas sobre o mundo natural. Diante do quadro de apropriação natural. e estabelecer e estimular medidas apropriadas para promover a atividade intelectual criadora e facilitar a transmissão de tecnologia relativa à propriedade industrial para os países em desenvolvimento em vista de acelerar o desenvolvimento econômico. a União – Convenção – de Madri. O termo biotecnologia tem como significado qualquer aplicação tecnológica que utilize sistemas biológicos.

A Biotecnologia tem como objetivo criar produtos que favoreçam a humanidade por meio da utilização de processos biológicos. compreende a manipulação de microorganismos. tecnos . c) o uso das técnicas de regeneração in vitro e do DNA recombinante (FERNANDES. Em seu senso mais restrito as biotecnologias estão associadas ao emprego das técnicas modernas de biologia molecular e celular. e logos – que significa conhecimento. Acesso em: 14 de abril 2011).com. pois seguia o passo da tentativa/erro.br. fazendo cruzamentos de ervilhas com diferentes cores de flores no jardim de um monastério (http://www. Ela não nasceu como fruto da tecnologia. Desta maneira. pães. toda atividade que envolva a aplicação dos conhecimentos de fisiologia. alguns anos atrás. pois existiam civilizações que já faziam uso da biotecnologia. lidando também na produção de vinhos. . levando os agricultores a esperar a produção por várias gerações de culturas para que começassem a ter rendimento. p. O termo biotecnologia passou a ser utilizada no século XX” (Disponível em: http://www. objetivando alcançar benefícios nas colheitas. objetivando a obtenção de processos e produtos de interesse. a presença da biotecnologia estava quando Sumérios e Babilônios iniciaram a produção de bebidas alcoólicas por meio da fermentação de grãos de cereais.ufpb. as quais iam surgindo nas plantas. Outros conceitos de biotecnologias: a) a utilização de sistemas celulares para a obtenção de produtos e desenvolvimento de processos (CNPq). se fazia a seleção do material observando as características. Acesso em: 26/05/2011). fazia cruzamentos controlados entre seres vivos. 1987.representa o uso prático da ciência. Então. mas o domínio deste conhecimento aconteceu de forma gradativa a partir das leis da herança desenvolvidas pelo monge austríaco Johann Gregor Mendel5. com as ações de Mendel foi possível o desenvolvimento das técnicas da biologia molecular. 3). é considerada como técnica biotecnológica. queijos. plantas e animais. Ele deu início a um verdadeiro avanço científico na área da biotecnologia.anbio. Assim: 5 Mendel conseguiu desvendar os segredos da hereditariedade.22 significa vida. Mas. esta foi aprimorada com os avanços tecnológicos. cervejas e derivados lácteos. Esta. Assim.br/. bioquímica e genética. a ação do cruzamento era lenta. trazendo vantagens. gerando inúmeras possibilidades. em seu sentido mais amplo. Para isso.bioinfo. Naquele tempo o homem já utilizava essa tecnologia. por vezes chamada engenharia genética. b) a aplicação dos princípios científicos e de engenharia para o processamento de materiais por agentes biológicos proporcionando produtos ou serviços. A biotecnologia.

Mas. 2003). o gene que codifica a característica que se pretende obter está ligado a outro gene que não é desejado e são herdados simultaneamente. Assim. reduzir os custos da alimentação e proteger o ambiente de alguns contaminantes químicos. também este processo se foi tornando cada vez mais rentável e assim. o queijo. É apenas possível cruzar espécies próximas e compatíveis. mas o mais provável é que se vá ligar à humanidade no futuro. com o desenvolvimento da Genética Molecular já é possível vencer estas desvantagens. percebe-se que. se nunca apareceu uma variedade com resistência a determinado factor. Sobre a biotecnologia em pleno século XXI é possível destacar diversos produtos no mercado. De posse da biotecnologia o homem irá ampliar a produtividade. usados no passado e que ainda se utilizam no presente. além de muito lentos. como tudo na vida tem seu lado bom e ruim. também é provável que provoque vários problemas para a humanidade.23 À medida que a genética se foi desenvolvendo. É oportuno ressaltar que existe quem encontre vantagens e quem lhes encontre desvantagens. tolerância a determinadas condições como a seca ou o excesso de sal. resistência a insetos. como por exemplo: a cerveja. rápida e flexível. Porém. identificando o gene responsável por uma determinada especialidade. sendo que atualmente está passando por grande expansão. o pão. 2003). o procedimento de seleção artificial e cruzamentos controlados. porém. bactérias. os quais são provindos da ação da biotecnologia. por exemplo. entre outros (SARAIVA. Mas. isto é. não é possível introduzir essa resistência o que torna a colheita mais vulnerável e com menor rendimento. durante este processo este organismo passa a obter à resistência almejada e ao mesmo tempo manter as suas outras características sem herdar um gene que não é desejado. A tecnologia transgênica é muito mais flexível. copiá-lo e botar a cópia noutro organismo. foi possível desenvolver variedades com resistências específicas a alguns vírus. . o vinho. dependem também de vários fatores. o vinagre entre muitos outros. extraí-lo. na alface a resistência a insetos pode ser adquirida conjuntamente com a tendência de apresentar um sabor amargo (SARAIVA. torna-se faz necessário enfatizar que o desenvolvimento da biotecnologia no futuro dependerá da direção que o ser humano lhe ofertar. Nesse sentido. Muitas vezes. o processo citado é por vezes chamado de "Biotecnologia Moderna". vão envolvendo uma série de cruzamentos entre indivíduos por gerações sucessivas até alcançarem as características almejadas. como: Só se podem obter características que já tenham surgido nalgum indivíduo.

1 Vantagens da biotecnologia para humanidade Uma das principais características das biotecnologias é a sua amplitude e sua ação multidisciplinar. Estas técnicas. que funcionam a baixas temperaturas. reduzem os custos ecológicos. pode-se dizer que as biotecnologias só podem ser consideradas apropriadas a partir do momento que favorecem o desenvolvimento sustentável. Contudo. Em meio a variadas aplicações da biotecnologia. proporcionarem benefícios mensuráveis aos destinatários. no genoma de uma determinada planta. admitem a proliferação rápida e massas de genótipos superiores estáveis e isentos de doenças. serem ambientalmente seguras. e de matériasprimas renováveis. nas duas últimas décadas vem existindo um maior grau de admissibilidade em considerar a matéria viva e seus elementos constitutivos como objetos patenteáveis. a nova biotecnologia testou os limites do sistema de patentes e dele recebeu uma resposta inicialmente negativa. . através do uso de catalisadores biológicos.1.Reduzem a dependência de combustíveis fósseis nos países de clima quente e/ ou tropical. e enquanto processos adaptáveis a diferentes objetivos. sobressaem aquelas ligadas à transferência de genes de organismos diferentes para a inclusão de características como a resistência de pragas e patógenos e a estresses abióticos. Além disso. . quando associadas com procedimentos de cultura de tecidos. .Oferecem processos produtivos mais rentáveis que os processos tradicionais e. outras aplicações objetivam aumentar a eficiência fotossintética ou a produção de metabólitos e constituintes importantes do ponto de vista nutricional e farmacêutico.Contribuem para uma economia ecologicamente mais sustentável. sendo tecnicamente fáceis no atual contexto de desenvolvimento técnico-científico do país. 3. através do uso de soluções de base biológica. Neste sentido. Nesse sentido. socioeconomicamente e culturalmente aceitáveis no atual estágio de desenvolvimento do país.24 Ao adquirir o poder de transformar o modo como a vida se expressa. a biotecnologia tradicional e a biotecnologia moderna oferecem à sociedade uma série de importantes vantagens econômicas e ambientais: . através da produção e do aproveitamento da energia de biomassa.

reagentes e produtos farmacêuticos (antibióticos e hormônios com maior grau de pureza e a um menor custo podem ser produzidos com técnicas biotecnológicas). A biotecnologia é utilizada atualmente em vários lugares. 1910-1940 Síntese de glicerol. aumento da produtividade e diminuição de poluição ambiental. . o tomate Flavr Savr. 2007). como: 6. Deste modo.C.000 a. chega aos supermercados dos EUA. um dos maiores benefícios das técnicas de cultura de tecidos vegetais para o melhoramento de plantas perenes está ligado à possibilidade de prender e fixar os elementos aditivos e não aditivos da variância genética por meio da difusão clonal.Cohen e Boyer transferem um gene de um organismo para outro. vinagre). A probabilidade de manipulação de sistemas in vitro para a clonagem de genótipos superiores de espécies vegetais depende de uma série de fatores.O Projeto Genoma. como: a compreensão e domínio de conceitos básicos em fisiologia do desenvolvimento. é concluído.25 . Sabe-se que. 1940-1950 . etanol.Pasteur mostra que a fermentação é causada por microrganismo. 1953 .000 a. C.A insulina humana é produzida por engenharia genética. Perceber o problema e evitar antes que aconteça deve ser a ação dos sujeitos que lidam com a biotecnologia. que identificou o mapa genético humano. Novas táticas surgem com objetivo de proliferar a ação clonal. como promovem o aparecimento de produtos mais saudáveis e seguros (Alentejo litoral. acetona e ácido cítrico. são realizadas vacinas. . . com fins medicinais e terapêuticos.Antibióticos são produzidos em larga escala por processos fermentativos. 1875 d. vários testes . 2.O arroz geneticamente modificado é criado e 2003 . seja nas industriais e/ou nos campos científicos. No meio da evolução.C.Wilson e Crick revelam a estrutura do DNA.O primeiro alimento geneticamente modificado. Alguns acontecimentos deixaram marcas no processo de desenvolvimento da Biotecnologia. 1073 . Além disso. 1922 . 2000 .Beneficiam a produção de substâncias de valor acrescentado. 1880-1910 .Sementes híbridas de milho começam a ser comercializadas. favorecem não só a criação de novos mercados. percebe-se que a agricultura vem se destacando com o melhoramento da qualidade vegetal.Bebidas alcoólicas (cerveja e vinho) são produzidas por sumérios e babilônios.Panificação e bebidas fermentadas são utilizadas por egípcios e gregos. atualmente.Surgimento da fermentação industrial (ácido láctico. Desse modo. 1982 . bem como para a fixação de ganhos genéticos e novas abordagens para provocar mudança genética são condições essenciais para o melhoramento das plantas. 1994 .

2 Desvantagens da biotecnologia para humanidade Como na vida tudo tem uma causa e uma consequência. . a partir destes dados. 2007). com a aplicação de soluções e processos derivados da biotecnologia ocasiona. Na verdade. trazer problemas aos consumidores e desafiar o equilibro natural da natureza: -Poluição biológica: a polinização contribui para contaminação das plantas convencionais pelas plantas transgênicas. -Alteração da cadeia alimentar. mas aventuram-se cenários como a extinção de certas espécies e a destruição de cultivos. do seu impacto no futuro. ao contrário das plantas convencionais.O produto transgênico (são organismos a cujas células foram adicionadas células de outros seres vivos. natureza a agricultura. os problemas que lhes estão associados são muito semelhantes àqueles revelados pelos alimentos convencionais. contudo. Há quem preveja.1. -Diminuição da biodiversidade: as plantas transgênicas sobrevivem mais facilmente em ambientes hostis. . pode-se citar que a técnica da biotecnologia não é totalmente benéfica para a humanidade. Nesse sentido. riscos para a saúde.26 para diagnósticos e novos tratamentos de doenças genéticas e adquiridas podem ser realizados. Assim. -Perigo de contaminação: a polinização cruzada de plantas usadas apenas para a alimentação e plantas modificadas para a criação de farmacêuticos e químicos pode constituir um perigo para a saúde pública.Todos os riscos são conhecidos e mantidos a um nível seguro pelos investigadores e cientistas (Alentejo litoral. a sua uniformidade genética deixa também os cultivos mais expostos a pragas e outras calamidades. Os resultados desta provável interacção ainda não são conhecidos. pois. . o desaparecimento de várias espécies convencionais. abordada à luz dos seguintes dados: . 2007). para que sejam mais resistentes a pragas de insetos e para que se conservem mais facilmente) só chega ao mercado depois da avaliação. em pesquisas e estudos. -Aumento da diversidade de reações alérgicas (Alentejo litoral. pois a introdução de variedades transgênicas na agricultura pode. é importante ressaltar que tal possibilidade deve ser.Não são conhecidos quaisquer problemas específicos de saúde provocados pelo consumo de alimentos transgênicos. contudo. 3. já que pode trazer prejuízos ambientais.

a grande questão é que hoje o progresso técnico e econômico é considerado irreversível. além desses. política e econômica dos países e resultado. tendendo a estar cada vez mais fracionados em diversos estágios ou níveis de aperfeiçoamento e desenvolvimento pelo mundo todo. a tecnologia é útil. desde computadores até aparelhos da medicina e outros tantos itens que possuem alta tecnologia. De fato. p. p. Assim. pode-se destacar o nanômetro. dessa forma. pois a tecnologia consegue mexer com o meio ambiente e com isso desequilibra o planeta. inserta nas situações mais corriqueiras do cotidiano. O primeiro se dá ao fato de que a humanidade tem acesso de forma rápida a vários acontecimentos e conseguem resolver problemas rapidamente. A partir da imagem abaixo pode perceber o quão pequeno é o nanômetro. Percebe-se que o desenvolvimento tecnológico e econômico tem dois lados: o bom e o ruim. de acordo com a realidade social. Ela está presente em muitos elementos eletrônicos. 163). que terá a função de conformar e regular criteriosamente todas essas diferenças (DIAFÉRIA. funcionando como mola propulsora ou fator determinante da evolução humana. este é simples. 3. pois “a tecnologia possibilitou uma grande integração das comunicações” (CAPRA. 22-23). basta dizer que ele equivale a um bilionésimo de metro. na emergência de uma realidade complexa totalmente nova para o direito. metro e quilômetro. é percebível que a humanidade corre risco. já que as experiências podem sair do controle dos cientistas e provocar um desastre ecológico ou até mesmo mundial. 2005. ou seja. mas isso não explica realmente o que é o nanômetro. A matemática trabalha com as medidas: centímetro. É ruim porque o maior prejudicado é a natureza.27 Mesmo sabendo que as desvantagens estão sendo monitoradas. 2007. . Assim: Consequência decorrente do exercício dessas novas atividades.2 Nanotecnologia: conceitos e aplicações A nanotecnologia é uma tecnologia que já faz parte da vida das pessoas há muito tempo. uma vez que o desenvolvimento das técnicas e das ciências tende a ser uma realidade cada vez mais constante. um nanômetro é uma medida como qualquer outra.

os quais são invisíveis aos nossos olhos. Ou seja.7cm) seria maior do que a Lua. seria o mesmo que comparar uma bola de futebol com a Lua (JORDÃO.br/2539-o-que-e-nanotecnologia-. independentemente. não é mesmo? Através desta comparação. Nesse sentido. da inclusão da microeletrônica e de suas diversas aplicações no campo civil e militar.htm#ixzz1K6kfqFdl A tecnologia tem força para aumentar medidas numa mesma proporção.1 Conceitos As inovações de maior força.17). a tendência da nanotecnologia é controlar mais e mais a matéria manufaturada. indubitavelmente. Fantástico. a relação entre um nanômetro e uma moeda de 1. o produto final. 3.16 . uma moeda de 1 centavo (que mede aproximadamente 1. 2009. afinal.2 cm. por exemplo. os sensores de choque mecânico dos air-bags utilizados nos automóveis são gravados diretamente nos chips. a expressão nanotecnologia “se refere a uma série de técnicas utilizadas para manipular a matéria na escala de átomos e moléculas que para serem enxergadas requerem microscópios especiais” (PALMA.com.2.tecmundo. 2009). Ao aumentar o nanômetro ele deveria ficar com o tamanho de uma bola de futebol. Portanto. são necessárias máquinas muito precisas para trabalhar com componentes tão pequenos. nas últimas décadas. Em compensação. Essa tecnologia só existe em laboratórios e indústrias com equipamentos de alta precisão. foram provenientes. fica bem claro o porquê da alta complexidade ao se trabalhar na escala de nanômetros. p.28 http://www. Não falta referência sobre os aspectos econômicos e técnicos de computadores e microprocessadores e suas inúmeras aplicações em quase todos os setores das atividades .

colocando a sociedade diante da incerteza quanto aos riscos para o meio ambiente e à saúde humana (ENGELMANN & FILHO. engendrar. 2010. Além disso. e pode ser aplicada nos mais diversos setores econômicos.. põem ser consideradas um dos pilares da nova revolução tecnológica do século XXI. [.. Assim. Outro conceito esclarece o termo nanotecnologia: É a capacidade potencial de criar coisas a partir do mais pequeno. mas também manipular as coisas. 51). no entanto. vírus e átomo são objetos que vão de menos de 1 nm átomos) para cerca de 100 nanômetros (grandes moléculas como o ADN). usando as técnicas e ferramentas que estam a ser desenvolvidas nos dias de hoje para colocar cada . objetivando esclarecer o tema. Essa nova tecnologia. apud. Por isso visualização da importância das novas tecnologias como o microscópio scanning tunneling e a força atômica microscópio. aditivos. comunicações. como medicina. Falar de nanotecnologia é destacar que a tecnologia está presente nas ações humanas. 53). Segundo a publicação The ethics and politics of nanotechnology da Unesco (2006. de acordo com Engelmann e Filho: As nanotecnologias. techne que equivale a ofício. técnicas de manipular a matéria na dimensão do átomo.] é investigação conduzida à escala nanométrica (10-9 metros. ou um bilionésimo de um metro. ver. a qual é utilizada em diversos estudos. que significa anão. 2010. Eles são demasiado pequenos para ver a olho nu. Baseado nesse argumento pode-se destacar outro conceito sobre a nanotecnologia. ANO. p.5) há uma forma simples e ampla de definir a nanotecnologia: ‘[. cosméticos. pois está associada a medir. não só para ver. PALMA.000 nm de diâmetro). deriva à amplitude de suas aplicações e ao pontencial de inovação. não fazem jus à mesma atenção dos pesquisadores e os recursos reservados para incentivar pesquisas e análises críticas sempre foram.] Moléculas. os autores Engelmann e Filho destacam a origem da palavra nanotecnologia para que se possa perceber sua significação. logos que expressa conhecimento. apontada como uma oportunidade ímpar para o desenvolvimento econômico. p.. eletrônica. As sequelas sofridas pela sociedade. e continuam sendo. causar e aplicar materiais em escala nanométrica: A palavra nanotecnologia deriva do prefixo grego nanos. engenharia. p. purificação da água e agricultura” (SHATKIN. um cabelo humano é de aproximadamente 20. sendo propícia ao desenvolvimento como também põe o meio ambiente em risco. p.. Palma citando Shatkin destaca que “a nanotecnologia é uma escala da tecnologia e não um tipo desta. pois. conjeturar. 17). escassos. Dando continuidade. nesta pequena escala (ENGELMANN & FILHO. O ponto de partida para o termo nanotecnologia é a dimensão da intervenção humana sobre a matéria. Para referência. ou mesmo com microscópios que usam luz visível.29 humanas. percebe-se que a nanotecnologia é resultado da intervenção humana sobre a matéria.

A nanotecnologia representa. MARCATO E TEIXEIRA. incríveis vantagens para a humanidade. biologia e engenharias. portanto. 2000). Marcato e Teixeira: O prefixo “nano” está relacionada a uma escala de medida em que um nanômetro é um bilionésimo do metro ou um milionésimo de milímetros. Ela é multidisciplinar. Por exemplo. Nesse sentido. A nanotecnologia é tão revolucionaria porque controla tais fenômenos para ter novas propriedades e funções que atualmente já fazem parte do nosso cotidiano (DURÁN. fala-se realmente sobre alguns poucos átomos e moléculas. teria também importantes consequências econômicas. Mesmo estando relacionada a estruturas muito pequenas. O termo “tecnologia” refere-se ao desenvolvimento e produção de novos materiais O mundo nano está governado por várias regras que diferem daquelas que afetam nossas vidas ao nível macroscópico. Assim. a nanotecnologia causa benefícios enormes. a nanotecnologia é a tecnologia utilizada para manusear mecanismos muito pequenos. enquanto que os tamanhos das moléculas estão sujeitas ao número de átomos e da maneira que estes se ligam. o resultado será uma nova revolução industrial. Para efeito de ilustração. enquanto que as bactérias são ao redor de micrômetros (1micrômetro = 1. mas se o uso for visto como forma de dominação sem pensar nas consequências a tecnologia não servirá para ajudar o mundo. p.000 nanômetros de espessura sendo possível observar estruturas nesta escala apenas com auxílio de técnicas microscópicas modernas.000 nm). física. pode causar danos à natureza e ao homem.30 átomo e cada molécula no lugar desejado. Percebe-se que quando se fala de escala nanométrica. Sabe-se que os tamanhos dos átomos possuem diferença conforme os elementos químicos. sociais. ambientais e militares. . Além disso. artigo. Por esta razão. reunindo várias áreas de conhecimento. favorecendo a criação de estruturas funcionais que teriam sido inconcebíveis utilizando tecnologia convencional. pois com a nanotecnologia tem seu lado grandioso e “mágico”. um fio de cabelo tem cerca de 100. para destruí-lo. os vírus que causam a gripe comum e outras doenças possuem um diâmetro de várias dezenas a centenas de nanômetros. para Durán. tais como: química. permitindo atingir o que em alguns anos atrás era apenas ficção. 01). mas sim. é agora um dos campos mais importantes mundialmente. Fatores que não têm importância ou que seriam inconcebíveis no mundo macro apresentam uma grande significância ao nível nanométrico. Se conseguirmos este sistema de engenharia molecular. mas também graves riscos (Euroresidentes. Os conceitos conduzem ao campo da reflexão. Sabe-se que a aplicação responsável das novas tecnologias pode ser útil para a humanidade e provocar um bem maior.

isto é. 2 – Incrementos da produtividade da agricultura 3 – Tratamentos de água e remediação ambiental 4 . [. ou seja.Poluição do ar e remediação 8 – Construção 9 – Monitoramento da saúde 10 – Vetores. concentração de poder e democracia de Ramos e Thomasi: [. pelo fato de não poder ser visualizada a olho nú.31 3. sendo: a energia. Com base na citação nota-se que o uso da nanotecnologia é um tema que vem sendo amplamente discutido juntamente com a sociedade quanto a possíveis riscos como contaminação do meio ambiente e mesmo de lançamento de produtos nano que apresentem toxicidade elevada. 09-10).. sua auto-replicação [..2. de acordo com o artigo intitulado Desenvolvimento nanotecnológico: risco.2 Benefícios e prejuízos Percebe-se que a nanotecnologia é uma nova técnica de escala. esta se torna agravada. 2005)... detecção e controle de pragas. esta nova possibilidade idêntica à biotecnologia traz consigo novas polêmicas e a necessidade de novas regulamentações. de modo que não tem como travar ou recusar essa nova tecnologia. p. além de toda a informação necessária para seu uso. produção e conversão de energia. pode-se dizer que a nanotecnologia está presente em vários aspectos da vida dos seres humanos. agricultura e diagnóstico de doenças. a qual tem condição de reduzir uma substância a uma bilionésima parte de um metro. Além disso..] Quanto à invisibilidade. Observe os “dez mais” usos da nanotecnologia: “Os dez mais” Usos da Nanotecnologia 1 – Armazenamento. fazendo uso de equipamentos especiais como os microscópios STM e SPM.].. Assim. além do que exige equipamentos ultramodernos. O que resta é exigir uma profunda investigação e conhecimento desses novos produtos de maneira que venha trazer somente grandes benefícios para a sociedade. o mesmo ocorrendo com seu movimento. já que em razão de seu minúsculo tamanho (nanômetro). pois possui capacidade de ultrapassar barreiras até então intransponíveis. . Alguns estudos mostram algumas áreas promissoras da nanotecnologia. Por este panorama pode-se notar a importância dos estudos em nanotecnologia no mundo atual. 10-9 metros. o que dificulta a observância de seus efeitos. como muros e a própria pele humana e por último. diferentemente das demais tecnologias. (ALVES.] (RAMOS & THOMASI.Diagnóstico e screening de doenças 5 – Sistema de “entrega de drogas” (drug delivery) 6 – Processamento e armazenamento de alimentos 7 .

portanto imortalizada. para ocupar o lugar de sua esposa morta em um acidente de barco. componentes de marca-passo cardíacos. a criogenia. 48). que inclui até a ideia de formar uma mente computadorizada. em âmbito molecular. evidencia-se um alto recobrimento dos interelencados. na vida real. pois. criar um robô com características humanas. tocar piano. tais como tempo de vida. Nesta tem uma “roboa” Naomi. Nesse sentido. os microprocessadores dos computadores ou dos lasers semicondutores de nossos CDs e DVDs. por exemplo. Nesse sentido. entre outro. p. segundo eles. com diferentes pontos das chamadas políticas públicas. conservando em parte as competências”(BECK. o cérebro eletrônico do robô também tem os mesmos gostos e aptidões. se assim não for. como. livre da carne mortal. parte de uma visão pós-humana. da Rede Globo que passa a ocupar o horário das sete. mas. Sabe-se que a nanotecnologia é a capacidade de criar e manipular materiais de escala nanométrica. A genética. os riscos da modernização preparam o caminho a uma nova repartição parcial do poder. dialogando com esse texto.32 Analisando os “dez mais” usos. a clonagem. criada pelo médico e amante da robótica Ícaro. antes algo que deve ser superado. mas somente maleabilidade humana e liberdade morfológica (PESSINI. Os pós-humanistas não acreditam que a biologia seja um destino. a nanotecnologia. 2007. sobre o avanço da robótica destaca-se que no mundo já existem fatos que antes eram considerados como ficção. Assim. prejuízos futuros prejudicarão a humanidade. ela é considerada como um dos principais focos das ações realizadas no tocante à pesquisa. escrita por Walcyr Carrasco. tradução nossa). “Nesta medida. interpretada por Flávia Alessandra. não existe ‘lei natural’. sobre os avanços pode-se dizer que: Estamos começando a considerar seriamente possibilidades de transumano através de melhoramentos biotecnológicos das capacidades humanas biológicas. desenvolvimento e inovação nos países industrializados. interpretado por Mateus Solano. mas se faz necessário respeitar limites e possuir ética. Destarte. Com as mesmas feições da amada. pode-se citar a novela "Morde & Assopra". 1999. tipo de personalidade e inteligência. O mundo está inserido numa nova tecnocientífica. porque. pois acreditava-se ser impossível. todos. a cibernética e as tecnologias de computador são. É possível destacar que a sociedade atual vive em meio às estruturas nanotecnológicas tais como: microeletrônicos. . Os avanços são importantes.

Contudo. pois o novo causa inquietação e também preocupações. porque não reclama. tem uma que se chama Aiko. leio tudo o que posso a respeito. 2011. filtros e mosquiteiros poderiam diminuir este problema.. nos Estados Unidos. porém. A fabricação molecular pode ser auto-contida e limpa: uma única caixa ou uma simples mala poderia conter tudo o que é necessário implementar. pois muitos fatos acontecem com fruto do desejo humano. Agora. A nanotecnologia molecular poderia fabricar equipamentos baratos e avançados para a investigação médica e no campo da saúde. os computadores seriam extremamente baratos. Muitas localidades ainda carecem de energia elétrica. pois a humanidade precisa conhecer os limites de cada avanço. No Japão. Ela faz faxina e café para seu criador. Os novos produtos tecnológicos permitiriam que o impacto ambiental em actividades humanas fosse muito menor. um cientista teve a mesma atitude de Ícaro. A maioria do consumo de água é usada nos sistemas de produção e na agricultura.33 Para que a atriz. 2000). em muitos dos casos nem todos têm acesso a elas. Muitas zonas do mundo não poderiam desenvolver rapidamente uma infraestrutura de fabricação ao nível dos países mais desenvolvidos. É o casamento perfeito. mas se faz necessário criar políticas públicas que “controlem a criação humana”. mas esse tipo de robô já existe desde 2007. Produtos simples como tubos. Mesmo com os dados em evidência pode-se destacar o uso da Nanotecnologia molecular (MNT) nos processos de produção e fabricação. de Ray Kurzweil. As doenças infecciosas causam problemas em muitas partes do mundo. Para ajudar a compreender esse universo. A nanotecnologia molecular tem a capacidade de contribuir para redução de uma boa parte de todos os problemas sociais. não tem salário. Ele fala sobre a possibilidade de dar toda a munição para uma máquina ser capaz de desenvolver nossas sinapses. E fiquei surpreendida quando descobri que. Soa como inatingível para nós. sabe-se que esta discussão é algo que vai perdurar por muito tempo.. Com a nanotecnologia. Uma das consequências positivas seria uma maior disponibilidade de fármacos mais avançados (Euroresidentes.) A fala da atriz proporciona a reflexão sobre os avanços tecnológicos. estou lendo o livro "A Era das Máquinas Espirituais". pudesse realizar o trabalho necessitou estudar sobre robótica e argumenta: Nunca me interessei por robótica. os problemas sanitários e a . seja ele benéfico ou maléfico. sendo que esta tem condição de resolver muitos dos problemas atuais: A escassez de água é um problema sério e crescente. de desenvolver consciência e sentimentos. como: a pobreza material. A fabricação de produtos através da produção molecular poderia mudar este facto. Mas. Flávia. (Palmeira. A informação e a comunicação são ferramentas úteis. não discute a relação. equipamentos elétricos e aparelhos para armazenar a energia solar permitiria o uso de energia solar como fonte primária e abundante de energia. A degradação ambiental é um problema grave em todo o mundo. a construção de forma eficaz e barata de estruturas ligeiras e resistentes. de forma a levar a cabo a revolução industrial a nível de povoação.

isto é. Capeamento de vidros e aplicações antierosão a metais. por ser barato surgirão medidas administrativas de controle comercial que. por sua vez. além disso. Mas para isso deve levar em consideração alguns pontos como: a nanotecnologia causará mudanças na estrutura da sociedade e no sistema político e econômico. Material para proteção (“screening”) contra raios ultravioletas. Por essa razão. é indispensável perceber os riscos e evitá-los. quando estes se tornam calculáveis por respostas institucionais adequadas. percebem-se alguns produtos e serviços no mercado com fonte nanotecnologia. 13). Sabe-se que a nanotecnologia tem como contribuição a fabricação de protótipos com uma grande variedade de produtos bastante eficazes. Assim. Raquetes e bolas de tênis. entendê-los e em seguida. Tratamento tópico de herpes e fungos. poderá originar uma procura no mercado negro. deve-se. A chegada repentina da fabricação poderá não dar tempo suficiente para ajustarem-se as suas implicações. visto que os últimos passos necessários para aumentar a tecnologia serão mais simples que os primeiros. no entanto. válvulas cardíacas. Para tal. o que algumas “empresas farmacêuticas já utilizam da nanotecnologia para aumentar a eficácia de medicamentos e reduzir efeitos colaterais” (ALMEIDA. tais como: tecidos resistentes a manchas e que não amassam. podendo ser fabricados produtos menores. mesmo não resolvendo todos os problemas sociais. atingindo a humanidade desprevenida com os riscos que tal impacto acarreta. é que surge o risco. é imprescindível uma preparação adequada para prever seus riscos. Como exemplo. Diversas aplicações na medicina como cateteres. potentes e numerosos. ela poderá vir a ser a causa de uma nova corrida ao armamento entre dois países concorrentes. como. com uma diferença destacável. Produtos para limpar materiais tóxicos. Filtros de proteção solar. poderá baratear os produtos. estabelecer planos de ação para preveni-los. visto que tornarse-ia fácil traficar produtos pequenos e bastante perigosos. É importante destacar que. Produtos cosméticos. A fabricação é rápida. no caso da nanotecnologia o grande impacto será perceptível em apenas alguns anos. antecipadamente. e muitos deles terão sido planificados durante o próprio processo. p. Para que se pudesse desfrutar dos extraordinários benefícios da nanotecnologia. 2009. podendo provocar danos ao meio ambiente. marca-passo. Sistemas de filtração do ar e da água.34 ignorância da humanidade. implantes ortopédicos. Almeida argumenta: A partir do momento em que são concebidas respostas institucionais para os perigos. Ulrich Beck cita os primórdios da navegação . Ela pode reduzir o sofrimento humano inerente aos problemas sociais. Percebe-se que a nanotecnologia molecular é um avanço tão importante que inclusive até poderia ser comparada à Revolução Industrial. Pó antibactéria.

] o desenvolvimento das forças produtivas. Alguns deles suportam riscos existenciais. os riscos devem ser vistos como resultados de um possível dano. Porém. ou seja. um problema coletivamente solúvel (BECK. segundo Beck. 1999.. É importante destacar que uma única abordagem (comercial. porém. outros. Em virtude disso se faz necessário evitar a imposição de soluções aparentemente óbvias e simples em problemas únicos. outros poderiam provocar imensas mudanças sem a destruição da nossa espécie. Pode-se ressaltar que alguns dos riscos possuem sua origem na falta de pouca regulação. isto é. Uma resposta rigorosa ou demasiada em qualquer dos riscos supracitados daria à origem a outros riscos de natureza diferenciada. de acordo com Almeida (2009). p. As combinações de diversos riscos deveriam aumentar a gravidade de cada um. isto é. p. como um problema que afetava e ameaçava a existência de empreendimento comercial intercontinental. de forma que desempenhou um papel fundamental para o otimismo desenvolvimentista. Assim.35 comercial intercontinental. Assim. este se transforma em risco. Àquele tempo. informação livre) não poderá evitar todos os riscos da nanotecnologia. 89). a industrialização. 6). A humanidade vive em uma “sociedade de risco” e. apud. apud. Nesse momento cai-se a resposta institucional para o perigo. 2009. o risco era entendido como ousadia e estava umbilicalmente ligado à noção de segurança. o processo de distribuição das competências dos riscos foi negociado e institucionalizado. Almeida citando Breck destaca: [. poder-se-á ameaçar a continuidade da humanidade. Entre os séculos XVIII e XX.. ALMEIDA. Quando este destino individual passou a ser visto como a possível experiência comum de um determinado grupo. sendo este fruto de uma decisão. p. Para os primeiros comerciantes e aventureiros que se lançavam à conquista do desconhecido. Cada solução necessita ter em conta o impacto que teria sobre outros riscos. A partir do momento que os danos fogem do controle humano passa a ser considerado como perigo. necessitando “repensar a relação entre a natureza e a sociedade” (BECK. o que pode ser entendido como um perigo. ALMEIDA. pois engloba as decisões de outros grupos e organização. Sabe-se que a própria descoberta de alguns prováveis perigos da nanotecnogia pode ser tão grande que a sociedade não terá . É importante destacar que o Centro de Nanotecnologia Responsável já identificou determinados riscos mais preocupantes da nanotecnologia. isto é. o progresso sempre esteve umbilicalmente ligado à possibilidade de compensação dos seus efeitos colaterais através de um programa institucionalizado (BECK. 07). na sua excessiva regulação. 2009. havia uma grande probabilidade de seus navios naufragarem. criou-se uma caixa comum destinada a pagar uma indenização em caso de naufrágio. militar. Diferentes tipos de regulação serão necessários em diferentes casos. Assim. pode ser entendida como o processo de surgimento dos riscos e das respostas institucionais a eles.

Tecer um fio condutor entre todos os riscos demanda um planejamento bastante cuidadoso. prevenindo os riscos à saúde da população e das ameaças ao precário equilíbrio do meio ambiente.tanto em curto prazo como em médio prazo são consideráveis. uma vez que se estima que poderiam interferir nas funções vitais. Tudo isso legalmente regulamentado. o foco é deslocar a discussão sobre o uso da nanotecnologia. para a análise dos atores sociais e econômicos. Mas se percebem muitas implicações ao meio ambiente com relação à toxidade e à biodegrabilidade das nanoparticulas e os efeitos delas a saúde das diversidades de espécies incluindo a humana . envolvidos com a legislação que exige o licenciamento ambiental para todas as atividades econômicas. economicamente vantajosas. socialmente benéficas e eticamente aceitáveis. É importante destacar que não se trata de impedir o progresso científico e tecnológico.36 condição de assumir o risco de diferentes métodos para impedi-lo. sujeitas à análise e avaliação por parte do Sistema Nacional do Meio Ambiente – SISNAMA. mas sim zelar pela vida humana. mas também ambiental e biologicamente seguras. Então. os avanços tecnológicos devem ser não somente tecnicamente possíveis. . a favor ou contra. O assunto é complexo dados os vazios no conhecimento da nanotecnologia. Assim.

]. Nesse sentido. eficiência máxima na administração privada e pública – invasão da privacidade constituem alguns dos aspectos contraditórios e desafiantes das novas tecnologias. como lixos tóxicos. existindo a necessidade de regulamentação de 6 6 Art. com a capacidade de diminuir as mazelas e desgraças existentes alienados aos sofrimentos humanos e de outros. pelo chamado efeito bumerangue (RAMOS E THOMASI. engenharia genética.CF/88 – A saúde é direito de todos e dever do Estado. qualificação – desqualificação da mão de obra. como: microeletrônica. econômicas e políticas. Assim. onde opostos convivem naturalmente. Emprego – desemprego. ou trabalharem sob condições desumanas (RAMOS E THOMASI. raio laser. p. proteção e recuperação. privacidade e preservação do meio ambiente.. ou seja. de um lado. serão atingidos de uma maneira ou de outra. pois a administração destes e suas consequências sociais. 04).] e que todos um dia. diz que se passou ‘de la solidaridad de la miseria a la solidaridad del miedo’ [.37 4 REGULAMENTAÇÃO JURÍDICA DA NANOTECNOLOGIA Nos últimos tempos. nas áreas de saúde6 e segurança no trabalho. relegadas ao status de coisas. sem o mais básico direito fundamental – a dignidade de pessoa humana -. novos materiais.. quando não são prejudicadas com riscos ambientais.. diversos avanços tecnológicos foram inseridos no mercado. . garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção. processos e as atividades econômicas e administrativas. energia fotovoltaica. como argumentam Ramos e Thomasi: Vivemos em uma sociedade contraditória. Avaliar os riscos deve ser uma prioridade nos dias atuais. 12). transformando produtos. racionalização total – alienação completa dos processos de trabalho. precisam estar estreitamente pautadas com políticas de saúde pública. 196 da Constituição Federal . fibras ópticas e outras. Nesse contexto é primordial que existam acordos sobre princípios éticos sobre a dignidade humana. mais cedo ou mais tarde. em especial. p. debates parlamentares e de decisões políticas. autonomia. observamos os detentores de riquezas e consequentemente da concentração de poder. Ramos e Thomasi enfatizam que: Os riscos ‘decorrentes do desenvolvimento econômico e tecnológico é também o problema de uma forma de pensar e fazer ciência na modernidade’ [. a obrigação de não ferir e fazer o bem. populações inteiras responsáveis pela produção dos ganhos destes.. tanto que Beck. Os riscos intrínsecos na inclusão de novas tecnologias no âmbito social exigem um diálogo constante. Os efeitos de sua utilização em escala global vêm sendo tema de reuniões científicas.

p. 4. atua como condição de possibilidade operacional do Direito para a formação de uma comunicação jurídica acerca do risco. A comunicação sobre o risco no Direito Ambiental é instrumentalizada pela distinção entre prevenção e precaução. já que a nanotecnologia nasce como um avanço tecnológico “de maneira que são utilizadas técnicas para manipular a matéria na escala de átomos e moléculas. Enquanto os riscos concretos são geridos pela máxima da prevenção. os abstratos o são pela precaução (MATEO. exigindo medições biomédicas e de engenharia sanitária. para orientar as intervenções reguladoras. impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. os riscos concretos e os riscos abstratos” (CANOTILHO. 225 da Constituição Federal “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. p. Assim. gerando um dever de preventividade objetiva. bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida. 1995. 40).38 padrões de exposição. Essas seriam as funções de um observatório de nanotecnologia. evidentemente. no decorrer das últimas décadas tem-se intensificado a necessidade de uma ruptura entre estes. 1991. sejam como promessa de medicamentos mais eficazes.1 Considerações Gerais O caput do art. 04).” Percebe-se a imposição. evitando os riscos. esta técnica deve estar pautada no princípio da precaução em face de evidências incompletas e de incerteza quanto aos riscos de conhecimentos científicos incompletos impõe-se para a segurança da população até que se crie um processo compreensivo de regulação. p. cosméticos milagrosos ou até mesmo na confecção de tecidos e tintas mais potentes” (RAMOS & THOMASI. 93). peculiar ao Direito Ambiental. prevenção e intervenção. de forma autônoma e específica. . Nesse sentido. a noção do risco incide em uma importante forma de comunicação para evitar os danos ambientais. de uma regra de antecipação aos danos ambientais. Embora a prevenção e a precaução terem sido abordadas como princípios jurídicos sinônimos durante o surgimento do Direito Ambiental. dando margem à formação de vínculos com o futuro: Esta ênfase preventiva. A distinção entre estes dois princípios “capacita o Direito a gerir.

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Nota-se que o Princípio da Prevenção “aplica-se a impactos ambientais já conhecidos e dos quais se possa, com segurança, estabelecer um conjunto de nexos de causalidade que seja suficiente para a identificação dos impactos futuros mais prováveis” (ANTUNES, 2005, p. 35). Assim sendo, a programação normativa desencadeada pela prevenção recai sobre aqueles riscos ambientais cujo conhecimento científico vigente é capaz de determinar relações concretas de causa e consequência. Como argumenta Beck: o “efeito bumerangue”. Já o sentido normativo do Princípio da Precaução foi trazido pelo Princípio 15 da Declaração do Rio em 1992, nos seguintes termos:
Para que o ambiente seja protegido, serão aplicadas pelos Estados, de acordo com as suas capacidades, medidas preventivas. Onde existam ameaças de riscos sérios ou irreversíveis não será utilizada a falta de certeza científica total como razão para o adiamento de medidas eficazes em termos de custo para evitar a degradação ambiental (ACPO, 20__).

Pode-se observar que o sentido de prevenção apresentado pelo texto detém uma acepção lato sensu, devendo ser corretamente interpretado como precaução. Dessa forma, o Princípio da Precaução tem sua aplicação condicionada aos contextos de incerteza científica, em que não haja segurança acerca das prováveis consequências de uma atividade ou produto. Nesse sentido, a sociedade atual vive momentos de riscos, os quais são consequências de um mundo capitalista, o qual busca ganhar sempre e em meio do querer e poder está à tecnologia com seus avanços, beneficiando e/ou prejudicando os seres humanos. Então, é importante destacar que a sociedade perceba a importância de conhecer os riscos e preveni-los para que os impactos ambientais não sejam fatais. Nesse contexto, Ramos e Thomasi enfatizam:
O risco aumentou consideravelmente e a ciência deve acompanhar esta evolução na tentativa de manter o controle social e oferecer proteção aos bens jurídicos constitucionais – saúde, meio ambiente equilibrado – basicamente, já que todos os demais envolvidos, bem como seus aspectos econômicos, sociais, culturais e éticos, que condizem com sua vida pessoal e a concentração de poder que estão submetidos (RAMOS & THOMASI, p. 06).

É necessário preservar o meio ambiente e consequentemente a vida, bem como é oportuno versar sobre o direito da sociedade civil de desempenhar o controle no campo da mudança e das inovações tecnológicas. Atualmente, mesmo com estes avanços e, é por causa deles que há a necessidade de institucionalizar o aprendizado social e avaliar os riscos e as oportunidades no que concerne a operação das condições de incerteza. É essencial avaliar

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diariamente o papel da nova tecnologia na melhora ou piora da situação social, diminuindo ou aumentando as desigualdades, a exclusão e a degradação do meio ambiente. Dessa avaliação a nanotecnologia não é livre, pois, mesmo sendo uma ciência nova, a qual ainda está na fase histórica “quando as políticas adotadas determinam seu controle a partir dos instrumentos disponíveis” (RAMOS & THOMASI, p. 06), pois nem mesmo os cientistas que dela utiliza “não conhecem seus reais e efeitos proveitos ou malefícios. Investigam sua aplicação e indícios fortes acusam sua utilidade na área farmacologia, cosmético mais recentemente vestuários e utilidades domésticas” (RAMOS & THOMASI, p. 06). Por ainda estar na fase histórica se faz necessário e urgentemente levantar questões que provoquem discussões sobre a nanotecnologia no âmbito social, pois as consequências de sua ação sobre o ambiente pode ser fatal, pois:
A reatividade dos nanomateriais, a depender do seu revestimento, pode causar danos químicos ao tecido que estiver em contato. Tal reatividade é divida à presença de radicais livres, que são átomos que possuem um número reduzido de elétrons. Estes átomos ‘furtam’ elétrons de células vizinhas para aperfeiçoar sua própria estrutura, criando, assim, outro radical livre. Este novo radical livre também irá ‘furtar’ elétrons das outras células, e assim por diante, gerando uma reação em cadeia. A formação de radicais livres é comum em um organismo saudável, onde existem, inclusive, enzimas responsáveis pela sua eliminação. Porém, tais processos ocorrem localmente e em um ambiente quimicamente eliminação. Os radicais danosos, cujos efeitos são intensificados por fatores exógenos (nanopartículas reativas, radiação, raios solares, e.g.), prejudicam tal equilíbrio químico do organismo e podem contribuir para formação de tumores (SWISS REINSURANCE, apud. ALMEIDA, 2009, p. 17-18).

Com base na citação nota-se que o perigo de uma reação contra o corpo do ser humano é grande, daí a nonotecnologia, ou seja, a sua nanopartícula ser um tema que emana muitas discussões entre os especialistas. Sabe-se que a humanidade vive em busca de prazeres e da estética perfeita, para isso é capaz de fazer qualquer coisa para atingir seu objeto. A nanotecnologia vem saciar esse desejo. Porém é mister que, com a inclusão de cosméticos, protetores solares e bronzeadores fazem uso da nanomateriais, sejam observados e analisados os prol e contra, pois o ser humano fica vulnerável a um acidente e podendo chegar à morte ou a contrair uma doença que o faça padecer por muito tempo sofrendo. Há uma ênfase exagerada, devido a interesses e objetivos comerciais, nos impactos supostamente revolucionários das novas tecnologias, enquanto, na realidade, ocorrem avanços apenas incrementais, baseados em áreas solidamente estabelecidas como: semicondutores, ciência coloidal, novos materiais, etc. O que torna necessário estabelecer

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uma distinção entre ficção científica e extrapolação da evolução provável e possível. Neste contexto, importa frisar que possíveis avanços viriam juntos com progressos da nanotecnologia, de forma sinérgica e não isoladamente, pois é necessário levar em consideração a ética, ou seja, o respeito o outro. Assim:
É urgente cultivar, junto com a ousadia científica, a prudência ética. Que seriam chamadas ‘qualidades humanas fundamentais’ que não devemos manipular? Além disso, com a questão ambiental tivemos como legado o aprendizado da humanidade e respeito diante da natureza, [...] (PESSINI, 2007, p. 49).

É importante que se pense no outro, tenha compaixão, perceba que visando somente o lucro e o avanço tecnológico sem verificar as causas e consequências podem provocar muitas mortes e até mesmo dar fruto a uma humanidade rica em tecnologia e pobre em saúde. É caso de se pensar! Refletir sobre o que se quer com os avanços tecnológicos, se é para ajudar a população ou para acabar com a raça humana? Sabe-se que o avanço tecnológico, no caso, a nanotecnologia, pode ter solução para problemas mais urgentes como: redução da pobreza, fome e mortalidade infantil, degradação ambienta e até mesmo a cura de muitas doenças como malária e AIDS. O objetivo é ser utilizada como um instrumento de melhoria para a vida humana. Mas, é importante que não visualize somente seus benefícios sem olhar os males que pode causar, pois:
As oportunidades de desenvolvimento deste setor se tornam todos os dias mais vastas e representam um grande potencial de inovação tecnológica. Não está claro, no entanto, quais riscos advindos dos produtos articulados em escala nano ao meio ambiente e aos seres vivos. Não é ainda compreensível se tais partículas, por serem extremamente pequenas, podem adentrar na cadeia alimentar, ou como podem afetar as florestas e a qualidade do ar, [...]. Quando o tamanho é em nano, a presença de moléculas individuais se torna relevante, uma vez que podem existir efeitos químicos e/ou físicos os quais não estão presentes em escalas maiores. Há muito que se sabe que o resultado de toxicidade é progressivamente maior conforme a dimensão das partículas diminui. Por estas razões, os riscos da nanotecnologia não podem ser estudados com base na toxicidade presente nos mesmos materiais em macro escala, ou seja, não se pode tratar os nanomateriais como equivalentes aos materiais de tamanho macro (PALMA, 2009, p. 17-18).

Nota-se que a exposição às partículas da nanotecnologia pode provocar danos à saúde humana, pois afeta as cavidades nasais, cérebros e pulmões. De acordo com a Lei de Crimes Ambientais – 9605/98 causar danos a saúde humana ou de animais é crime, pois:
Art. 54 - “Causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam resultar em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou a destruição significativa da flora - Pena de reclusão, de um a quatro anos, e multa.”

referindo-se ao gerenciamento adequado dos riscos desconhecidos da ação sobre a qual ainda não se têm certezas científicas a respeito de seus efeitos no meio ambiente. pois o que se percebe é que o Brasil: Não possui normas que atendam o nível de complexidade da nanociência e nem marco regulatório para nanotecnologia. seja no âmbito nacional como no internacional. Sua aplicação e destino. a autonomia da pesquisa e o potencial libertador intrínseco aos conhecimentos científicos e tecnológicos também se perdem. [.] os procedimentos de segurança atualmente existentes no campo da nanociência no Brasil são de caráter voluntário e dependem da consciência de cada pesquisador. A ciência e tecnologia constituem apenas meios e instrumentos e não podem ser vistas como algo que dita as regras. o qual se institucionalizou no Direito Ambiental. como a ação da nanotecnologia ensejam. se neste procedimento ela for empregada para impedir a liberdade dos outros. Com isso. sendo uma lei internacional. Apenas ao passo que forem acompanhadas por mudanças nas relações sociais e culturais poderá a sociedade. comunicação e de interação social permanente. Situação que não pode perdurar por muito tempo. ou seja. um dos papeis da ciência é racionalizar o desconhecido. quando assim o exigir a autoridade competente. pois a legislação necessita abranger todos os países. devem ser objeto de diálogo. Nesse contexto. esta deve buscar estabelecer regras que possam limitar e proteger a vida. os cientistas renunciarão a sua própria criatividade.42 § 3º. presente em diversos instrumentos de direito ambiental internacional. 2009. No entanto. faz-se necessário que leis sejam criadas com objetivo de atender essa nova demanda de ações científicas. medidas de precaução em caso de risco de dano ambiental grave ou irreversível (LEI DE CRIMES AMBIENTAIS – 9605/98). o outro é apenas um alvo. como um todo. do ponto de vista jurídico. A insegurança provinda das mudanças sociais discutidas ao longo deste trabalho e da utilização de novas tecnologias até então com efeitos desconhecidos. comum a todos. o que coloca em risco a sociedade (PALMA. Assim. p. Incorre nas mesmas penas previstas no parágrafo anterior quem deixar de adotar. já que se tem justiça. pois os cientistas precisam ter normas que disciplinem suas ações no tocante ao uso da nanotecnologia. depender da consciência do pesquisador não é bom. . Incontestavelmente. É necessário respeitar a vida. a complexidade da nanotecnologia.. pois ele visa a seu próprio interesse. portanto. perdendo a visão de conjunto do processo social.. na necessidade de adoção de práticas mais eficazes e seguras. Sabe-se que existe o princípio universal da precaução. 19). beneficiar-se das inovações.

Assim: Algumas observações e sugestões foram pontuadas. então. ao meio ambiente e à segurança em todo seu ciclo de vida e garantir que os instrumentos legislativos de implementação reflitam as características particulares dos nanomateriais. Nesse contexto. ‘a solicitação de aplicação do princípio: sem segurança não há mercado’. mas do outro estão os industriais que visam o lucro. mas sim possibilitar que esses riscos possam ocorrer numa escala de tempo-espaço suficiente para que os mesmos sejam gerenciados. a qual solicita à Comissão Europeia (disponível em: http://ec. levando em consideração os riscos possíveis que os nanomateriais manufaturados e as nanotecnologias podem representar. 20__). em especial. os consumidores e o meio ambiente possam estar expostos’. nas áreas de saúde e segurança de trabalho e na preservação do meio ambiente. Nota-se. pois o foco é a vida. Nota-se que de um lado está o ambientalista a favor da resolução. são necessários estudos de impacto ambiental. para os quais os trabalhadores. que o princípio da precaução não é um mero redutor dos preservacionistas com objetivo de impedir o surgimento de novas técnicas. Para isso. tais como a preservação da dignidade humana. toda legislação relevante para garantir a segurança para todas as aplicações de nanomateriais em produtos com potenciais impactos à saúde. ‘o qual pede para que a Comissão reveja.europa. a autonomia e a obrigação de não ferir e fazer o bem.eu/research. não concordam com o voto.43 Nesse sentido. . responsável pela elaboração das questões legislativas. realizados em todos os países. por exemplo. revisar a legislação. como também a avaliação pelos órgãos ambientais dos riscos potenciais da atividade e o desenvolvimento de trabalho conjunto capaz de possibilitar a instalação de atividades de avançada tecnologia nestes países. No entanto. ou seja. mas é importante que se priorize a vida. alegando prejuízo. como. no prazo de dois anos. entra a função do princípio da precaução no Direito Ambiental internacional. a adoção do “Princípio de Precaução” face às incertezas e riscos provindos da aplicação de conhecimentos incompletos seria ditada por um acordo básico sobre os princípios éticos. Acesso em: 15/05/2011). A favor e contra são opiniões que vão sempre existir. a qual não é drenar inovações tecnológicas. O cuidar é a palavra chave. o equilíbrio. Outro fato importante sobre o objetivo de impor regras ao uso da nanotecnologia é a resolução aprovada na Europa. mas a indústria aconselhou que o uso impróprio de regulamentos poderia prejudicar o crescimento econômico europeu (RINALDI. Os grupos ambientalistas e de consumo aprovaram o voto. o princípio é um controlador do desenvolvimento sustentável para que se opere a sustentabilidade tão almejada pela humanidade.

neste primeiro momento. no intuito de manter a uniformidade. acidentalmente prejuízo que possa vir a acontecer será. Nesse parâmetro enfatizam: Em conformidade com o princípio de precaução. p. será necessário se submeter a processos de autorização ambiental em cada um desses países.2 Aplicabilidade da Nanotecnologia Inicialmente. irreparável. que constitui-se na ‘febre do momento’. deve ser instituído internacionalmente. já que. em que as leis devem proteger a todos e não visar os interesses de poucos. Somente regras internacionais serão eficientes. sendo interessante trabalhar a hipótese de uma convenção internacional sobre a nanotecnologia. através de uma Convenção Internacional com objetivo de avaliar as Novas Tecnologias e após esta é mister a elaboração de um tratado. 16). é oportuno destacar a importância do caráter preventivo da legislação ambiental no mundo contemporâneo. não cogentes com . com a inclusão da nanotecnologia na sociedade é preciso rever todo o processo e estabelecer limites para que os riscos sejam previstos e assim evitar prejuízos. como se afirmou. para evitar que algum país permita algo e outros não. A semelhança do que acontece com inúmeros tratados. recomendações de organizações internacionais. um protocolo mínimo – principalmente se tratando da nanotecnologia. protocolos facultativos não obrigatórios.44 Assim. se faz mister que a legislação se organize cada vez mais no tocante as disposições que visem evitar a ocorrência do dano ambiental. Então. Preventivo (educativo ou informativo) do que no repressivo (ou punitivo). em muitos casos. para limitar sua expansão. A razão de ser nada mais é do que a irreparabilidade da grande maioria dos danos causados ao meio ambiente. Com base na citação é oportuno destacar que a sociedade não pode ficar à disposição de um pequeno grupo. regulamentação e fiscalização para as novas tecnologias. De tal modo. quando serão identificados todos os aspectos e possíveis impactos ao meio ambiente (tendo em vista a atividade específica a ser realizada com a nanotecnologia). de forma segura (RAMOS & THOMASI. 4. O tratado entre os países necessita ter uma norma obrigatória comum a todos. ou tratados internacionais.

não há provas científicas sobre qual a causa que está na origem dos danos. c) ou ainda quando apesar de existirem danos provocados ao meio ambiente. Nesse sentido. sabe-se que o princípio da precaução assumiu uma abrangência global na Declaração do Rio de Janeiro sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento. Com base na citação é possível notar o cerne do princípio da precaução destacado por Antunes. pois em seu Princípio 15 o objetivo é proteger o meio ambiente. em virtude de ter esse caráter de prevenção. Assim. da manipulação e do uso seguros dos organismos vivos modificados resultantes da biotecnologia moderna que possam ter efeitos adversos na conservação e no uso sustentável da diversidade biológica. Assim.45 Códigos de Conduta. conforme Aragão. pode-se dizer que no ano de 2000 no mês de Janeiro aconteceu uma Conferência das Partes à Convenção relativa à Diversidade Biológica.19). Diretrizes de Boas Práticas para que ocorra um avanço gradual na regulamentação internacional de novas tecnologias. o objetivo do presente Protocolo é de contribuir para assegurar um nível adequado de proteção no campo da transferência. e enfocando especificamente os movimentos transfronteiriços (BERGER FILHO.32). Então. não há provas científicas sobre o nexo de causalidade ente uma causa possível e os danos verificados (2002. que possam vir a ocorrer. Como já foi citado. p. destaca-se que o princípio da precaução é o princípio jurídico ambiental pronto para lidar com circunstâncias nas quais o meio ambiente seja alvo e venha sofrer graves impactos provocados pela inserção de novos produtos e tecnologias que “ainda . em que não exista o risco de em um país ser permitindo algo e em outro não. p. levando em conta os riscos para a saúde humana. manipulação e utilização seguras de organismos modificados vivos resultantes da biotecnologia moderna. Nesta foi possível adotar Protocolo sobre Biossegurança relacionada à transferência. em que “a dúvida sobre a natureza nociva de uma substância não deve ser interpretada como se não houvesse risco” (2006. 20__). O objetivo trazido pelo texto do protocolo é o da precaução: Artigo 1º: De acordo com a abordagem de precaução contida no Princípio 15 da Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. vem sendo aplicado em diversos tratados internacionais multilaterais. b) quando havendo já danos provocados ao ambiente. mas se receia apesar da falta de provas científicas. devem existir três circunstâncias que justificam a aplicação do princípio da precaução: a) quando ainda não se verificaram quaisquer danos decorrentes de uma determinada atividade. sendo uma ação de prever situações de destruição da natureza. quando se encontra em dívida.

). mesmo se opondo à forte pressão por crescimento econômico e pelo desenvolvimento da ciência e tecnologia com vistas ao mercado. pela indeterminação (inexistência de informação e de parâmetros para definir o potencial de dano). com objetivo de legalizar a situação dos avanços tecnológicos.14). p. p. Assim. Nesses casos. mas ao mesmo não exista prova contrária. mesmo sem uma possível comparação com eventos já ocorridos. 2006. O princípio da precaução visa à durabilidade da sadia qualidade de vida das gerações humanas e à continuidade da natureza existente no planeta”. Sabe-se que. p. em relação ao conhecimento de um determinado tempo. com a legislação firme e sustentada nesse princípio.56). para Aragão (2002. Isso para o direito representa uma mudança de paradigma. pois o principio da precaução pode ser aplicado quando não existe prova do dano possível. seja ele remoto ou próximo. como: A ação deve ser antecipada diante da incerteza científica e da suspeita de danos sérios e irreversíveis. “não se trata da precaução que tudo impede ou que em tudo vê catástrofe ou males. Conforme Machado (2003. em que se prevêem situações que podem destruir o meio ambiente e consequentemente prejudicar o ser humano. Então. O risco de dano. Nesse sentido. podem-se enfatizar algumas características comuns na bibliografia especializada. ou como observa Machado “em dúbio pró sanitas et natura”.46 não possuam uma acumulação histórica de informações que assegurem. . irreversível e/ou acumulativo.19) podemos falar de uma espécie de “in dúbio pro ambiente”. pelo contrário.33. e amplia a aplicação de dois conceitos conhecidos pelo sistema jurídico: a prudência e a responsabilidade. (ARTIGOS. O debate sobre uma possível equação do princípio da precaução: “Incerteza Científica + suspeita de dano = ação de precaução (preventiva e antecipatória). contudo. A prudência diante da incerteza pode ser invocada como argumento para evitar possíveis danos irreversíveis projetados abstratamente. o princípio da precaução se justifica pela necessidade de tomada de decisão antecipada. ou mesmo diante da ausência de parâmetros para demonstrar cientificamente a amplitude dos danos possíveis e as relações de causa e efeito. p. não será possível inserir uma nova tecnologia sem antes ver quais impactos podem causar. a sociedade não será prejudicada no tocante ao impedimento do desenvolvimento. por sua vez deve ser potencialmente sério (em alcance geográfico e/ou períodos de tempo). A incerteza é gerada pelo desconhecimento. Várias são as configurações que proporcionam a definição sobre o princípio da precaução. a humanidade será protegida por uma lei que permitirá prever os impactos negativos. 2006. quais as consequências que poderão advir de sua liberação no ambiente” (ANTUNES. claramente. pode-se dizer que o princípio da precaução é basicamente focado para o futuro. mas.

Nesse contexto. p. para que possa realizar suas escolhas de maneira consciente e segura. daí surge a necessidade de aliar o direito ambiental ao direito internacional. p. mesmo com a presença de contestações no plano científico sobre os efeitos nocivos de determinada atividade ou substância sobre o meio ambiente. Só o fato de não correr riscos é inteiramente justificada. já que este é uma ação global. pois não há. de acordo com Derani (1997. no entanto. Exemplo exato do que foi argumentado é a nanotecnologia. bem como. Assim. a “existência digna.47 A responsabilidade que fundamenta a aplicação do principio da precaução está voltada para uma amplitude temporal até então desconsiderada pelo direito. havendo somente suspeitas e preocupações (sérias. Como também. sejam elas um tratado ou convenção. Essa nova arquitetura dos valores do Direito pode ser observada no Princípio da equidade intergeracional defendido por Edith Brow Weiss (Machado. precisão científica acerca dos efeitos ligados ao meio ambiente e ao ser humano. A orientação que passou a ser seguida é a de que. pois se no dia em que possa ter certeza científica absoluta das consequências prejudiciais de determinadas atividades potencialmente degradadoras. consecutivo. Daí. em termos de meio ambiente. É direito de todos os cidadãos dar seu parecer no tocante à matéria desta natureza. sem dúvida). favoreçam a aplicação do princípio da precaução. . como a necessidade de uma única norma para todo o mundo. que objetivem regulamentar o tema em questão e. Porém. para evitar o turismo nanotecnologico. a atividade ou substância em questão necessitará ser impedida ou rigorosamente controlada. é mister destacar que a existência de um elemento normativo desta natureza contribuirá para a adoção de práticas mais eficazes. o direito à sadia qualidade de vida. tão em evidência quando se trata de direito ambiental. os direitos das gerações futuras vinculadas aos deveres da geração presente. indispensáveis à existência digna do ser vivo. que oferecessem proteção da dignidade da pessoa humana e do próprio desenvolvimento social almejado. é importante ressaltar que o direito de viver num meio ambiente ecologicamente equilibrado vem da compreensão de que este está essencialmente ligado ao direito à vida. os danos por ela provocados serão já nessa ocasião irreversíveis. ter acesso às informações. presente o perigo de dano grave ou irreversível. 1994. 255). Por fim.37). é aquela obtida quando os fatores ambientais contribuem para o bem-estar físico e psíquico do ser humano”. é urgente a necessidade de elaboração de regras internacionais. esta realidade só será possível ao passo em que tais práticas sejam regulamentadas. a precaução protege-se contra os riscos.

porém tem como desafio maior nortear a ação do sujeito. diante da insegurança. uma vez que o ser humano. se aceitar de forma banal todas as ameaças do mundo.48 5 CONCLUSÃO O Direito Ambiental é para todos. mas requer cautela. acaba tomando atitudes de degradação do meio ambiente. visando à implantação de políticas voltadas ao desenvolvimento sustentável. no decorrer deste trabalho. torna-se irrefutável a necessidade de adoção de regras que regulamente a ação humana. as lacunas existentes no ordenamento jurídico brasileiro quando se discute a temática da nanotecnologia. a nanotecnologia. os quais podem levar o humano à morte. ligado à consolidação de políticas que objetivem o desenvolvimento sustentável. destaca-se a urgência na elaboração de normas e diretrizes regulamentadoras que norteiem o trabalho com nanotecnologia e que efetivamente possibilitem a aplicação do princípio da precaução como fundamento legal e como elemento de análise obrigatória quando da tomada de decisões. garantindo um meio ambiente sadio e equilibrado a esta e às futuras gerações. Neste contexto. pois. Assim. para que aceitar tudo que se impõe sem questionar e estabelecer limites? O futuro da atual sociedade é promissor. com a finalidade de gerar o desenvolvimento social e econômico. destaca-se o princípio de precaução como uma tentativa de regulamentação dos riscos. Sabe-se que a sociedade vive em meio a momentos de riscos. Assim. o não cumprimento de tal princípio mantém a sociedade refém de práticas duvidosas em prol do “desenvolvimento”. acredita-se que. a ausência de estudos capazes de garantir a sua segurança ou malevolência há necessidade de cautela. mas defende-se um progresso responsável. é melhor morrer. . Não coube a este trabalho destacar que a evolução tecnológica é um todo mal. Mas é imprescindível que todos fiquem atentos para os riscos que podem ser evitados. Neste termo. sobre os avanços tecnológicos. especialmente a cautela jurídica. no caso. pois avançar sem prevenir riscos e cuidar da vida não faz sentido. No entanto. ou seja. Posto isso. Porém. pois se viver é estar de bem com a natureza e consigo mesmo. De fato. busca-se a aplicação de princípios constitucionais e a construção de um ambiente ecologicamente equilibrado que possibilite a todos maior qualidade de vida. percebe-se. não se tem conhecimento se a nanotecnologia efetivamente trará riscos à saúde das pessoas e ao próprio meio ambiente.

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distúrbios grandes e indesejáveis no equilíbrio ecológico da biosfera. Natural ou criado pelo homem. conquistou o poder de transformar de inúmeras maneiras e em escala sem precedentes o meio ambiente. por constituírem o aspecto mais relevante que afeta o bem-estar dos povos e o desenvolvimento do mundo inteiro. à nossa volta. na terra e nos seres vivos. . moral. e Considerando a necessidade de um ponto de vista e de princípios comuns para inspirar e guiar os povos do mundo na preservação e na melhoria do meio ambiente. que lhe dá sustento físico e lhe oferece a oportunidade de desenvolver-se intelectual.O homem carece constantemente de somar experiências para prosseguir descobrindo. progredindo. de 5 a 16 de junho de 1972. tal faculdade pode causar danos incalculáveis aos seres humanos e ao seu meio ambiente. Tendo-se reunido em Estocolmo. no ar. Aplicada errada ou inconsideradamente.A proteção e a melhoria do meio ambiente humano constituem desejo premente dos povos do globo e dever de todos os Governos. A longa e difícil evolução da raça humana no planeta levou-a a um estágio em que. 3 . inventando. 2 . se usada de modo adequado. os males crescentes produzidos pelo homem em diferentes regiões da Terra: perigosos índices de poluição na água. pode dar a todos os povos os benefícios do desenvolvimento e o ensejo de aprimorar a qualidade da vida. com o rápido progresso da Ciência e da Tecnologia. e enormes deficiências. até mesmo o direito à própria vida.53 ANEXOS Anexo A: Declaração de Estocolmo DECLARAÇÃO DE ESTOCOLMO SOBRE O AMBIENTE HUMANO (Estocolmo/junho/72) A Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente. é o meio ambiente essencial para o bem-estar e para gozo dos direitos humanos fundamentais. PROCLAMA QUE: 1 . Em nossos dias sua capacidade de transformar o mundo que o cerca. prejudiciais à saúde física.O homem é ao mesmo tempo criatura e criador do meio ambiente. criando. social e espiritualmente. Aí estão. destruição e exaustão de recursos insubstituíveis.

acompanhado de calma mental. criar um mundo melhor. desenvolve a Ciência e a Tecnologia e. 7 . 6 . São amplas as perspectivas para a melhoria da qualidade ambiental e das condições de vida. através de seu trabalho árduo. Também a cooperação internacional se torna necessária para obter os recursos que ajudarão os países em desenvolvimento no desempenho de suas atribuições.A consecução deste objetivo ambiental requererá a aceitação de responsabilidade por parte de cidadãos e comunidades. Milhões de pessoas continuam vivendo muito abaixo dos níveis mínimos necessários a uma existência humana decente. a associação humana é o que existe de mais preciosa. 5 . a capacidade do homem para melhorar o meio ambiente aumenta dia a dia. . Pela ignorância ou indiferença podemos causar danos maciços e irreversíveis ao ambiente terrestre de que dependem nossa vida e nosso bem-estar. 4 . o homem deve usar seu conhecimento para. objetivo que se deve procurar atingir em harmonia com os fins estabelecidos e fundamentais da paz e do desenvolvimento econômico e social em todo o mundo. Aos governos locais e nacionais caberá o ônus maior pelas políticas e ações ambientais da mais ampla envergadura dentro de suas respectivas jurisdições. especialmente no seu ambiente de vida e de trabalho. da Ciência e da Tecnologia. em beneficio de todos os povos e das gerações futuras. os problemas ambientais são causados. De tudo o que há no mundo.Nos países em desenvolvimento. devido a sua amplitude regional ou global ou ainda por afetarem campos internacionais comuns. continuamente transforma o meio ambiente. A Conferência concita Governos e povos a se empenharem num esforço comum para preservar e melhorar o meio ambiente. em eqüitativa partilha de esforços comuns. darão forma ao ambiente do mundo futuro.O crescimento natural da população suscita a toda hora problemas na preservação do meio ambiente. poderemos conseguir para nós e para a posteridade uma vida melhor em ambiente mais adequado às necessidades e esperanças do homem. O que precisamos é de entusiasmo. saúde e saneamento. devem esforçar-se para reduzir a distância que os separa dos países em desenvolvimento. somando seus valores e seus atos. sem alimentação e vestuário adequados. Tornou-se imperativo para a humanidade defender e melhorar o meio ambiente. Para chegar à liberdade no mundo da Natureza. Com o progresso social e os avanços da produção. com ela colaborando. Indivíduos e organizações. e de trabalho intenso mas ordenado. pelo subdesenvolvimento. Um número crescente de problemas. Por conseguinte. os países industrializados. de empresas e instituições. no meio ambiente criado pelo homem. tais países devem dirigir seus esforços para o desenvolvimento. na maioria. É ela que impulsiona o progresso social e cria a riqueza. exigirá ampla cooperação de nações e organizações internacionais visando ao interesse comum. cônscios de suas prioridades e tendo em mente a premência de proteger e melhorar o meio ambiente.54 mental e social do homem. Com mais conhecimento e ponderação nas ações. abrigo e educação.Atingiu-se um ponto da História em que devemos moldar nossas ações no mundo inteiro com a maior prudência. Com idêntico objetivo. mas políticas e medidas adequadas podem resolver tais problemas. tanto para as gerações atuais como para as futuras. onde os problemas ambientais estão geralmente ligados à industrialização e ao desenvolvimento tecnológico. em atenção às suas conseqüências ambientais.

A esse respeito. 5 . 2 . Em conseqüência. em quantidade ou concentrações tais que não possam ser neutralizadas pelo meio ambiente de modo a evitarem-se danos graves e irreparáveis aos ecossistemas. 7 . 4 . incluídas a flora e a fauna silvestres. devem ser preservados em benefício das gerações atuais e futuras. a água. especialmente. em um meio ambiente de qualidade tal que lhe permita levar uma vida digna. sempre que possível. a discriminação. para as gerações presentes e futuras.Deve ser mantida e. de 5 a 16 de junho de 1972.Os recursos não renováveis da Terra devem ser utilizados de forma a evitar o perigo do seu esgotamento futuro e a assegurar que toda a humanidade participe dos benefícios de tal uso. incluídos o ar. Deve ser apoiada a justa luta de todos os povos contra a poluição. para a preservação e melhoria do ambiente humano através dos vinte e três princípios enunciados a seguir. 3 .Os países deverão adotar todas as medidas possíveis para impedir a poluição dos mares por substâncias que possam por em perigo a saúde do homem. o solo. mediante um cuidadoso planejamento ou administração adequada. a segregação racial. à igualdade e ao desfrute de condições de vida adequadas. prejudicar os recursos vivos e a vida marinha.O homem tem o direito fundamental à liberdade. atendendo à necessidade de estabelecer uma visão global e princípios comuns. gozar de bem-estar e é portador solene de obrigação de proteger e melhorar o meio ambiente. a flora e a fauna e.Os recursos naturais da Terra. bem assim o seu “habitat”. restaurada ou melhorada a capacidade da Terra de produzir recursos renováveis vitais.Deve-se por fim à descarga de substâncias tóxicas ou de outras matérias e à liberação de calor. 6 . parcelas representativas dos ecossistemas naturais. que sirvam de inspiração e orientação à humanidade. causar danos às possibilidades recreativas ou interferir com outros usos legítimos do mar. deve ser atribuída importância à conservação da natureza. a opressão colonial e outras formas de opressão e de dominação estrangeira permanecem condenadas e devem ser eliminadas. .O homem tem a responsabilidade especial de preservar e administrar judiciosamente o patrimônio representado pela flora e fauna silvestres. ao planificar o desenvolvimento econômico. que se encontram atualmente em grave perigo por uma combinação de fatores adversos. as políticas que promovem ou perpetuam o “apartheid”.55 EXPRESSA A COMUM CONVICÇÃO QUE: PRINCÍPIOS A Assembléia Geral das Nações Unidas reunida em Estocolmo. expressa a convicção comum de que: 1 .

mediante a transferência maciça de recursos consideráveis de assistência financeira e tecno1ógica que complementem os esforços dos países em desenvolvimento e a ajuda oportuna. assim. em benefício de sua população. melhorar as condições ambientais. tendo em mira evitar repercussões prejudiciais ao meio ambiente e a obtenção do máximo de benefícios sociais. de vez que se deve levar em conta tanto os fatores econômicos como os processos ecológicos. econômicos e ambientais para todos.Deve-se aplicar a planificação aos agrupamentos humanos e à urbanização. a melhor maneira de atenuar suas conseqüências é promover o desenvolvimento acelerado. assim como a necessidade de lhes ser prestada. 14 .O desenvolvimento econômico e social é indispensável para assegurar ao homem um ambiente de vida e trabalho favorável e criar.A planificação racional constitui um instrumento indispensável. maior assistência técnica e financeira internacional para esse fim.As políticas ambientais de todos os países deveriam melhorar e não afetar adversamente o potencial desenvolvimentista atual e futuro dos países em desenvolvimento. tendo em conta as circunstâncias e as necessidades especiais dos países em desenvolvimento e quaisquer custos que possam emanar. 12 . quando solicitada. 16 . 15 . visando chegar a um acordo. de modo a que fique assegurada a compatibilidade do desenvolvimento. deveriam ser aplicadas políticas demográficas que representassem os direitos humanos fundamentais e contassem com a aprovação dos governos interessados. a inclusão de medidas de conservação do meio ambiente. 11 . quando necessária.As regiões em que exista o risco de que a taxa de crescimento demográfico ou as concentrações excessivas de população. as condições necessárias à melhoria da qualidade de vida. 13 . nem obstar o atendimento de melhores condições de vida para todos. 9 . ou em que a baixa densidade de população possa impedir o melhoramento do meio ambiente humano e obstar o desenvolvimento. em seus planos de desenvolvimento.As deficiências do meio ambiente decorrentes das condições de subdesenvolvimento e de desastres naturais ocasionam graves problemas. devem ser abandonados os projetos destinados à dominação colonialista e racista. A esse respeito. os Estados deveriam adotar um enfoque integrado e coordenado da planificação de seu desenvolvimento. a estabilidade de preços e pagamento adequado para comodidades primárias e matérias-primas são essenciais à administração do meio ambiente. para fazer frente às possíveis conseqüências econômicas nacionais e internacionais resultantes da aplicação de medidas ambientais.Deveriam ser destinados recursos à preservação e melhoramento do meio ambiente. . com a necessidade de proteger e melhorar o meio ambiente humano. para conciliar as diferenças que possam surgir entre as exigências do desenvolvimento e a necessidade de proteger e melhorar o meio ambiente.A fim de lograr um ordenamento mais racional dos recursos e.Para os países em desenvolvimento. os Estados e as organizações internacionais deveriam adotar providências apropriadas. na Terra. para esses países. 10 .56 8 . prejudiquem o meio ambiente ou o desenvolvimento.

bem informada e de uma conduta responsável dos indivíduos. administrar e controlar a utilização dos recursos ambientais dos Estados. de 3 a 14 de junho de 1992. reafirmando a Declaração da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano. 18 . A esse respeito. adotada em Estocolmo em 16 de junho de 1972. no que se refere à responsabilidade e à indenização das vítimas da poluição e outros danos ambientais. inspirada no sentido de sua responsabilidade. com o objetivo de estabelecer uma . 19 . devem ser utilizadas a ciência e a tecnologia para descobrir. 21 . em condições que favoreçam sua ampla difusão.De acordo com a Carta das Nações Unidas e com os princípios do direito internacional. desde que as atividades levadas a efeito. não prejudiquem o meio ambiente de outros Estados ou de zonas situadas fora de toda a jurisdição nacional 22 . de acordo com a sua política ambiental.É indispensável um trabalho de educação em questões ambientais. evitar e combater os riscos que ameaçam o meio ambiente. sem que constituam carga econômica excessiva para esses países. dispensando a devida atenção ao setor das populações menos privilegiadas.57 17 . 20 . a fim de facilitar a solução dos problemas ambientais.Como parte de sua contribuição ao desenvolvimento econômico e social. tendo se reunido no Rio de Janeiro. para assentar as bases de uma opinião pública. das empresas e das comunidades. tanto nacionais como multinacionais. em todos os casos será indispensável considerar os sistemas de valores predominantes em cada país.Sem prejuízo dos princípios gerais que possam ser estabelecidos pela comunidade internacional e dos critérios e níveis mínimos que deverão ser definidos em nível nacional. dentro da jurisdição ou sob seu controle. causem às zonas situadas fora de sua jurisdição.Deve ser confiada. com o fim de melhorar a qualidade do meio ambiente. os Estados têm o direito soberano de explorar seus próprios recursos. especialmente naqueles em desenvolvimento. relativamente à proteção e melhoramento do meio ambiente. e buscando avançar a partir dela. mas que possam ser inadequados e de alto custo social para os países em desenvolvimento. visando tanto às gerações jovens como os adultos. Anexo B: Declaração do Rio de Janeiro. 23 . a investigação científica e medidas desenvolvimentistas. e o limite de aplicabilidade de padrões que são válidos para os países mais avançados. Declaração do Rio de Janeiro sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável A Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. às instituições nacionais competentes. em toda a sua dimensão humana.Deve ser fomentada. as tecnologias ambientais devem ser postas à disposição dos países em desenvolvimento. o livre intercâmbio de informação e de experiências científicas atualizadas deve constituir objeto de apoio e assistência. que as atividades realizadas dentro da jurisdição ou sob controle de tais Estados.Os Estados devem cooperar para continuar desenvolvendo o direito internacional. a tarefa de planificar. para solucionar os problemas ambientais e para o bem comum da humanidade. no sentido dos problemas ambientais. em todos os países.

porém diferenciadas. especialmente dos países menos desenvolvidos e daqueles ecologicamente mais vulneráveis. Princípio 6 Será dada prioridade especial à situação e às necessidades especiais dos países em desenvolvimento. Princípio 9 Os Estados devem cooperar no fortalecimento da capacitação endógena para o desenvolvimento sustentável. nosso lar. Princípio 8 Para alcançar o desenvolvimento sustentável e uma qualidade de vida mais elevada para todos. proclama que: Princípio 1 Os seres humanos estão no centro das preocupações com o desenvolvimento sustentável. trabalhando com vista à conclusão de acordos internacionais que respeitem os interesses de todos e protejam a integridade do sistema global de meio ambiente e desenvolvimento. proteção e restauração da saúde e da integridade do ecossistema terrestre. e mediante a intensificação do desenvolvimento. Os países desenvolvidos reconhecem a responsabilidade que lhes cabe na busca internacional do desenvolvimento sustentável. Considerando as diversas contribuições para a degradação do meio ambiente global. de acordo com a Carta das Nações Unidas e com os princípios do Direito Internacional. Princípio 7 Os Estados irão cooperar. da adaptação. Princípio 3 O direito ao desenvolvimento deve ser exercido de modo a permitir que sejam atendidas equitativamente as necessidades de desenvolvimento e de meio ambiente das gerações presentes e futuras. como requisito indispensável para o desenvolvimento sustentável. têm o direito soberano de explorar seus próprios recursos segundo suas próprias políticas de meio ambiente e de desenvolvimento. Princípio 2 Os Estados. Princípio 5 Todos os Estados e todos os indivíduos. em harmonia com a natureza. As ações internacionais na área do meio ambiente e do desenvolvimento devem também atender aos interesses e às necessidades de todos os países. e a responsabilidade de assegurar que atividades sob sua jurisdição ou seu controle não causem danos ao meio ambiente de outros Estados ou de áreas além dos limites da jurisdição nacional. os Estados devem reduzir e eliminar os padrões insustentáveis de produção e consumo. incluindo as tecnologias novas e inovadoras. da difusão e da transferência de tecnologias. a proteção ambiental constituirá parte integrante do processo de desenvolvimento e não pode ser considerada isoladamente deste. os setores-chaves da sociedade e os indivíduos. irão cooperar na tarefa essencial de erradicar a pobreza. .58 nova e justa parceria global mediante a criação de novos níveis de cooperação entre os Estados. em espírito de parceria global. os Estados têm responsabilidades comuns. e promover políticas demográficas adequadas. mediante o aprimoramento da compreensão científica por meio do intercâmbio de conhecimentos científicos e tecnológicos. reconhecendo a natureza integral e interdependente da Terra. para a conservação. Têm direito a uma vida saudável e produtiva. Princípio 4 Para alcançar o desenvolvimento sustentável. a fim de reduzir as disparidades de padrões de vida e melhor atender às necessidades da maioria da população do mundo. tendo em vista as pressões exercidas por suas sociedades sobre o meio ambiente global e as tecnologias e os recursos financeiros que controlam.

Princípio 14 Os Estados devem cooperar de forma efetiva para desestimular ou prevenir a realocação e a transferência.59 Princípio 10 A melhor maneira de tratar as questões ambientais é assegurar a participação. Princípio 13 Os Estados irão desenvolver legislação nacional relativa à responsabilidade e à indenização das vítimas de poluição e de outros danos ambientais. de acordo com suas capacidades. de forma a possibilitar o tratamento mais adequado dos problemas da degradação ambiental. com a devida atenção ao interesse público e sem provocar distorções no comércio e nos investimentos internacionais. tendo em vista a abordagem segundo a qual o poluidor deve. Princípio 11 Os Estados adotarão legislação ambiental eficaz. Princípio 16 As autoridades nacionais devem procurar promover a internacionalização dos custos ambientais e o uso de instrumentos econômicos. Os Estados irão também cooperar. será efetuada para as atividades planejadas que possam vir a ter um impacto adverso significativo sobre o meio ambiente e estejam sujeitas à decisão de uma autoridade nacional competente. em particular para os países em desenvolvimento. Será proporcionado o acesso efetivo a mecanismos judiciais e administrativos. inclusive no que se refere a compensação e reparação de danos. acarretando custos econômicos e sociais injustificados. na medida do possível. o princípio da precaução deverá ser amplamente observado pelos Estados. de maneira expedita e mais determinada. de atividades e substâncias que causem degradação ambiental grave ou que sejam prejudiciais à saúde humana. de todos os cidadãos interessados. Princípio 15 Com o fim de proteger o meio ambiente. As medidas de política comercial para fins ambientais não devem constituir um meio de discriminação arbitrária ou injustificável. colocando as informações à disposição de todos. arcar com o custo da poluição. cada indivíduo terá acesso adequado às informações relativas ao meio ambiente de que disponham as autoridades públicas. deverão refletir o contexto ambiental e de meio ambiente a que se aplicam. Os Estados irão facilitar e estimular a conscientização e a participação popular. bem como a oportunidade de participar dos processos decisórios. Princípio 18 . por atividades dentro de sua jurisdição ou sob seu controle. no desenvolvimento do Direito Internacional no que se refere à responsabilidade e à indenização por efeitos adversos dos danos ambientais causados. no nível apropriado. As normas ambientais. As normas aplicadas por alguns países poderão ser inadequadas para outros. Princípio 12 Os Estados devem cooperar na promoção de um sistema econômico internacional aberto e favorável. em áreas fora de sua jurisdição. ou uma restrição disfarçada ao comércio internacional. No nível nacional. Quando houver ameaça de danos graves ou irreversíveis. propício ao crescimento econômico e ao desenvolvimento sustentável em todos os países. Princípio 17 A avaliação do impacto ambiental. As medidas internacionais relativas a problemas ambientais transfronteiriços ou globais devem. e os objetivos e as prioridades de gerenciamento. Devem ser evitadas ações unilaterais para o tratamento dos desafios internacionais fora da jurisdição do país importador. basear-se no consenso internacional. como instrumento nacional. a ausência de certeza científica absoluta não será utilizada como razão para o adiamento de medidas economicamente viáveis para prevenir a degradação ambiental. para outros Estados. inclusive informações acerca de materiais e atividades perigosas em suas comunidades. em princípio.

Princípio 23 O meio ambiente e os recursos naturais dos povos submetidos a opressão. Todos os esforços serão envidados pela comunidade internacional para ajudar os Estados afetados. oportunamente. dominação e ocupação serão protegidos. por definição. os ideais e a coragem dos jovens do mundo devem ser mobilizados para criar uma parceria global com vista a alcançar o desenvolvimento sustentável e assegurar um futuro melhor para todos. por conseguinte. notificação prévia e informações relevantes acerca de atividades que possam vir a ter considerável impacto transfronteiriço negativo sobre o meio ambiente. Princípio 27 Os Estados e os povos irão cooperar à boa-fé e imbuídos de um espírito de parceria para a realização dos princípios consubstanciados nesta declaração e para o desenvolvimento progressivo do Direito Internacional no campo do desenvolvimento sustentável. e se consultarão com estes tão logo seja possível e à boa-fé. sua cultura e seus interesses. . Princípio 21 A criatividade. Princípio 26 Os Estados solucionarão todas as suas controvérsias ambientais de forma pacífica. e oferecer condições para sua efetiva participação no alcançamento do desenvolvimento sustentável. bem como outras comunidades locais. de conformidade com a Carta das Nações Unidas. Sua participação plena é. em virtude de seus conhecimentos e de suas práticas tradicionais. Princípio 25 A paz. respeitar o direito internacional aplicável à proteção do meio ambiente em tempos de conflitos armados e irão cooperar para seu desenvolvimento progressivo. Princípio 24 A guerra é. Princípio 20 As mulheres têm um papel vital no gerenciamento do meio ambiente e no desenvolvimento. portanto. aos Estados potencialmente afetados. o desenvolvimento e a proteção ambiental são interdependentes e indivisíveis. Os Estados devem reconhecer e apoiar adequadamente sua identidade. utilizandose dos meios apropriados. Os Estados irão. quando necessário.60 Os Estados notificarão imediatamente outros Estados acerca de desastres naturais ou outras situações de emergência que possam vir a provocar súbitos efeitos prejudiciais sobre o meio ambiente destes últimos. têm um papel vital no gerenciamento ambiental e no desenvolvimento. prejudicial ao desenvolvimento sustentável. Princípio 22 Os povos indígenas e suas comunidades. essencial para se alcançar o desenvolvimento sustentável. Princípio 19 Os Estados fornecerão.

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