Você está na página 1de 26

ABORDAGEM CLÍNICA DO PACIENTE IDOSO

Professor Adjunto da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará - UFC Coordenador do Centro de Atenção ao Idoso do Hospital Universitário Walter Cantídio da UFC

João Macêdo Coelho Filho

O cuidado do Idoso como uma Prioridade Por muito tempo, o envelhecimento da população e o cuidado do idoso foram entendidos como temas de interesse de países desenvolvidos. Com o aumento da população geriátrica em todo o mundo, a atenção ao idoso vem sendo percebida cada vez mais como uma prioridade também para os países em desenvolvimento, como o Brasil. A rigor, desde a década de 60, a maioria, em termos absolutos, dos idosos do mundo já residia nesses países, o que deverá se acentuar nas próximas décadas. Uma característica marcante do aumento do número de idosos nos países em desenvolvimento diz respeito à rapidez com que vem ocorrendo. De acordo com a OMS, a consolidação do envelhecimento de uma população ocorre quando sua proporção de pessoas idosas duplica de 7% para 14%. Este fenômeno ocorreu em países europeus durante o período de mais de um século, enquanto que no Brasil ocorrerá em menos de 40 anos. Embora o aumento do número de idosos no Brasil seja mais intenso nas regiões Sul e Sudeste, regiões menos desenvolvidas deparam-se também com processo rápido de envelhecimento de suas populações. A proporção atual de idosos no Brasil e no Ceara é de aproximadamente 10%. Projeções indicam que atingirá 15% no ano 2020. O aumento rápido e substancial do número de idosos impõe, portanto, a necessidade urgente de desenvolvimento de programas e serviços no Brasil voltados ao atendimento das necessidades específicas das pessoas idosas. Intenciona-se, assim, assegurar que as pessoas tenham vida ativa e livre de incapacidade na idade madura. Neste sentido, as práticas de atenção à saúde do idoso exercem um papel fundamental e devem ser assumidas como prioridade para o Sistema Único de Saúde (SUS). Conceitos Fundamentais Envelhecimento Envelhecimento é um processo de declínio progressivo da capacidade adaptativa e compensatória frente a eventos estressores. Pode também ser entendido, em outras palavras, como processo de limitação progressiva da capacidade homeostática

(homeoestenose). Ainda que o envelhecimento seja um continuum, presente na vida humana desde o nascimento, ou mesmo, desde a vida intra-uterina, seus efeitos fazem-se notar a partir da idade dos trinta anos e ganham maior visibilidade na idade avançada. Este conceito de envelhecimento como continuum é importante para lembrar que se trata de um processo construído ao longo da vida. Assim, envelhecimento não é algo que diz respeito apenas aos velhos, mas aos indivíduos em todas as faixas etárias. Os efeitos do envelhecimento na idade avançada, portanto, são em grande parte resultantes das condições de vida em idades precedentes, e não um atributo específico da velhice. A velhice costuma receber a culpa por eventos adversos comuns nesta etapa da vida, mas a rigor estes são decorrentes em grande parte do tipo de vida levado pelo individuo. Assim, a velhice é apenas o ponto no tempo onde muitos problemas, adquiridos ao longo da vida, podem eclodir em toda sua plenitude. Portanto, a velhice per se não é causa de doenças, nem se constitui uma doença. A intensidade dos efeitos do envelhecimento decorre do equilíbrio entre eventos estressores (agressores) ou eventos protetores (adaptativos ou compensatórios). Quanto maior o potencial adaptativo/compensatório de um indivíduo frente a um evento estressor, menor a intensidade dos efeitos do envelhecimento. Isto se aplica tanto ao plano clínico, biológico, quanto social. Exemplificando, um medicamento anti-hipertensivo prescrito em dose habitual para um idoso (indivíduo em uma faixa etária em que se torna mais evidente o efeito do envelhecimento), pode ter um efeito hipotensivo muito além do esperado em conseqüência da debilidade de mecanismos compensatórios, como o aumento da freqüência cardíaca (por disfunção de nó sinusal, por exemplo). Outro exemplo, agora no campo social. A aposentadoria funciona para muitos como evento estressor, e pessoas que não desenvolvem mecanismos adaptativos nesta fase da vida (engajarse em novos projetos, por exemplo) podem sofrer sérias conseqüências, como declínio físico e mental. Medida fundamental para fazermos frente ao envelhecimento seria a intensificação das respostas adaptativas do indivíduo e da sociedade. A potencialização da força muscular proximal dos membros inferiores é um bom exemplo de reforço da capacidade adaptativa do idoso. Na mesma direção, estaria o desenvolvimento de programas sociais para o idoso. Idoso Definir precisamente o que é ser idoso não é tarefa muito fácil. O critério mais utilizado baseia-se exclusivamente na dimensão cronológica. Assim, seria idoso todo indivíduo com idade de 60 anos ou mais, nos países em desenvolvimento, ou 65 anos ou mais, nos países desenvolvidos. Embora bastante objetivo, este critério é meramente operacional e não guarda qualquer relação com a biologia e epidemiologia da idade avançada. O efeito do tempo não é exatamente o mesmo para todas as pessoas, dependendo da complexa interação da cronologia com uma série de outros fatores, incluindo genética, ambiente, hábitos e estilos de vida. Nesta perspectiva, um indivíduo com 55 anos de idade pode se apresentar em uma situação

Não Pega as roupas e se veste sem qualquer ajuda. Ainda que a população geriátrica seja extremamente heterogênea. que podem ser tanto de natureza biológica (um medicamento. As atividades da vida diária contemplam aquelas necessárias para nossa sobrevivência ou auto-cuidado (referidas como Atividades Básicas da Vida Diária AVDs). mas que a impede de deslocar-se e conseqüentemente de sair sozinha de casa.). As AVDs e AIVDs podem ser avaliadas mediante o uso da Escala de Katz e Lawton. Capacidade funcional diz respeito à habilidade de o idoso exercer as atividades da vida diária. incluindo a de natureza mental. tornando-se dependente. Esse exercício implica condições físicas e cognitivas. BANHO Não recebe ajuda ou somente recebe ajuda para uma parte do corpo. veste-se e retorna sem qualquer ajuda (pode usar andador 2. fazer compras. quanto social. Ademais. locomover-se.AIVDs). Sim 0. culturais e ético-filosóficos. o manejo de problemas clínicos no idoso tem como característica o fato de ser particularmente modulado por aspectos sociais. hipotireoidismo. Não Vai ao banheiro.KATZ 1. Sim 0. VESTIR-SE 3. e aquelas que dizem respeito à convivência e interação com a comunidade (referidas como Atividades Instrumentais da Vida Diária . hipertensão. muito mais do que o número de doenças que apresenta. vestir-se. as AIVDs incluem: usar o telefone. e dislipidemia. Para melhor entendimento desse princípio. viajar. tomar banho. tomemos o seguinte exemplo. Capacidade Funcional: o foco do cuidado geriátrico Um elemento fundamental para a definição de saúde no idoso é a sua capacidade funcional. usa o banheiro. uma intervenção cirúrgica etc. pode-se afirmar que os traços que mais conferem especificidade a uma pessoa idosa são: maior ocorrência de incapacidade e morbidade. AVALIAÇÃO DE ATIVIDADES BÁSICAS DA VIDA DIÁRIA . . conter urina e fezes. respectivamente. Uma senhora idosa que tem somente osteoartrose dos joelhos. como aposentadoria ou perda de um ente querido.muito mais próxima da condição de fragilidade que caracteriza muitos idosos do que um outro de 70 anos. preparar as refeições. está em condições de saúde bem mais desfavorável do que uma outra com diabetes. gerenciar as finanças e tomar medicamentos. exceto para amarrar os sapatos 1. maior vulnerabilidade a intercorrências clínicas e efeitos de agentes agressores. Por sua vez. 1. mas compensados e sem nenhum comprometimento na realização das AVDs. As AVDs incluem: alimentar-se.

Capaz de viajar exclusivamente acompanhado. Gerontologist 1970. Capaz de preparar pequenas refeições. Capaz de fazer compras. Capaz de tomar os remédios. Capaz de tomar os remédios na dose certa e na hora certa. 1. Trabalho Doméstico . Completamente incapaz de preparar qualquer refeição. Compras 4. Capaz de fazer compras. Sim 0. 10: 20-30. Completamente incapaz de viajar. discar. exclusivamente acompanhado. 0. CONTINÊNCIA 6. se fornecido transporte. Capaz de realizar trabalho doméstico pesado (como esfregar o chão). Sim 0.HIGIENE PESSOAL ou bengala ou segurar em barras). Cash HR et al. Capaz de administrar suas necessidade de compra. mas necessita de ajuda com cheques e no pagamento de contas. Completamente incapaz de administrar dinheiro. ALIMENTAÇÃO 6 PONTOS= Katz S. Capaz de dirigir seu próprio carro ou viajar sozinho de ônibus ou táxi. Não Controla completamente urina e fezes 1. Capaz de realizar trabalho doméstico leve. Dinheiro Opções Capaz de ver os números. Não Come sem ajuda (exceto para cortar carne ou passar manteiga no pão) 1. Medicações 7. Completamente incapaz de realizar qualquer trabalho doméstico. preencher cheques e pagar contas. Completamente incapaz de fazer compras. TRANSFERÊNCIA Consegue deitar na cama. sentar na cadeira e levantar-se sem ajuda (pode usar andador ou bengala) 1. 1) (3) (2) (1) (3) (2) (1) (3) (2) (1) (3) (2) (1) (3) (2) (1) (3) (2) (1) (3) (2) (1) 2) (3) (2) (1) (3) (2) (1) (3) (2) (1) (3) (2) (1) (3) (2) (1) (3) (2) (1) (3) (2) (1) 2. mas necessita de um telefone especial ou de ajuda para encontrar os números ou para discar. Capaz de administrar suas necessidades de compra. Capaz de responder o telefone. Viagens 3. receber e fazer ligações sem ajuda. Preparo de refeições 5. Não 5. Sim 0. mas necessita de lembretes ou de alguém que os prepare. mas incapaz de cozinhar refeições completas sozinho. Telefone 6. Completamente incapaz de tomar remédio sozinho. Sim Não 4. Adaptado de: INDEPENDÊNCIA TOTAL PARA FAZER AS AVDs 4-5 PONTOS = DEPENDÊNCIA PARCIAL 3 OU MENOS PONTOS = DEPENDÊNCIA IMPORTANTE AVALIAÇÃO DE ATIVIDADES INSTRUMENTAIS DE VIDA DIÁRIA – LAWTON Itens 1. mas necessita de ajuda nas tarefas pesadas. Capaz de planejar e cozinhar refeições completas. Downs TD. Completamente incapaz no uso do telefone.

Autonomia diz respeito à habilidade de tomar decisões por conta própria. Este é um grupo-alvo para intervenções de reabilitação e de cuidado multidisciplinar. 1999 O grupo de autônomos e independentes constitui a maioria (aproximadamente 83%) dos idosos. Aqui não se observa com nitidez as características do cuidado geriátrico e a rigor a maioria dos membros desse grupo pode ser atendida em serviços para adultos.5% A s s i s t ê n c i a AUTÔNOMO / INDEPENDENTE car 82. Independência funcional significa a habilidade de executar sem ajuda tarefas do dia-a-dia. O grupo intermediário (11% da população geriátrica) compõe-se de idosos apresentando comprometimento da capacidade de realizar determinadas AVDs. podemos estratificar a população idosa em três grupos. em recuperação de fraturas. em estágios pós-AVC (acidente vascular cerebral). de acordo com a representação esquemática abaixo: A u t o c u i d a d o ALTAMENTE DEPENDENTES (não se alimenta e não anda) Múltiplas e graves morbidades Várias AVDs comprometidas 5. com disfunção cognitiva em fase inicial. São parcialmente dependentes de ajuda. Atividades de promoção de saúde e autocuidado devem ser amplamente incentivadas nesse grupo. não genuinamente designados para idosos.7% Coelho Filho JM. os quais apresentam características funcionais praticamente iguais às dos indivíduos adultos. sendo tipicamente representados por idosos recentemente hospitalizados. O grupo de idosos autônomos e independentes é integrado principalmente por idosos mais jovens (menos de 75 anos). as quais podem inclusive trazê-los de volta para a condição de autonomia e independência. portadores de depressão. entre outros. o que requer condições físico-motoras e cognitivas. valores e condições. com base em suas preferências.De acordo com a capacidade funcional.8% INTERMEDIÁRIO Algumas AVDs comprometidas Quadro mental ou orgânico 11. .

Assim. sem os clássicos sinais e sintomas da doença. quedas pode ser a manifestação desde doenças neurológicas até infarto agudo do miocárdio. Assim. usuários de sonda ou gastrostomizados. A manutenção da independência e prevenção da incapacidade constituem objetivo central do cuidado do idoso. atitudes. Este princípio justifica o fato de muitos sintomas não serem contornados quando se aborda terapeuticamente um único problema. Terceiro. é comum o hipotireoidismo manifestar-se no idoso mediante apenas quadro de esquecimento e confusão mental. Quarto. um jovem que se apresenta de forma aguda com confusão mental. à luz do conhecimento científico atual. o grupo de idosos altamente dependentes é composto por aqueles que necessitam de ajuda para realizar todas as AVDs. particularmente susceptíveis a intervenções das práticas de saúde. Exemplificando. tem muito mais chance de . uma tarefa fundamental seria o adiamento ao máximo de seu aparecimento. Princípios e Características da Apresentação de Doenças no Idoso As peculiaridades da apresentação de doenças no idoso devem ser amplamente conhecidas pelo clínico. em comparação a um idoso na mesma situação. Pneumonia em um paciente idoso não raramente apresenta-se na forma de quedas e confusão mental. um grande número de doenças apresenta-se mediante um número relativamente restrito de sinais e sintomas comuns no idoso.Por último. Primeiro. As principais seriam: as rotas da doença (doenças crônicas não controladas ou bem manejadas levando a comprometimento funcional). e a rota do ambiente (fatores do ambiente físico e cultural determinando acidentes. o que faz com que determinados sintomas possam ser decorrentes de várias causas. A seguir. Existem varias rotas de determinação da incapacidade. Quando a incapacidade não pode ser totalmente evitada. Integram esse grupo idosos em estágios avançados de doenças crônicas. visando otimizar a qualidade do cuidado dos pacientes geriátricos. discutem-se algumas dessas peculiaridades. portadores de síndrome de imobilização. os quais representam 6% da população geriátrica. entre outros. um determinado órgão ou sistema associado a um determinado sintoma é menos provável de ser a sede do problema que leva a este sintoma no idoso do que no jovem. A “queixa principal” no idoso muitas vezes não pode ser definida. hábitos e estilos de vida deletérios). a rota da fragilidade (alterações anatômicas e funcionais instalam-se na velhice independente da doença aumentando a vulnerabilidade a eventos mórbidos e incapacidade). Tonturas podem representar uma hemorragia digestiva ou quadro de depressão. Uma longevidade modelo seria aquela em que se vive até uma idade extrema com o menor tempo possível com incapacidade. com grave disfunção cognitiva. idosos são com freqüência acometidos por múltiplos problemas. Segundo. A primeira e última rotas são. Requerem para seu cuidado equipe multidisciplinar e atendimento preferencialmente no domicílio. a apresentação de doenças no idoso costuma ocorrer de forma atípica. restritos ao leito.

sem qualquer relação com infecção respiratória. o que tem importantes implicações para a prescrição de fármacos para este grupo etário. pelo menos um medicamento e aproximadamente 20%.ter como causa um quadro primariamente do sistema nervoso central. artrite gotosa. não entender como sendo decorrentes da velhice determinadas alterações patológicas. mas a manutenção ou restauração da capacidade funcional. não se deve entender como patológicas determinadas alterações presentes no processo fisiológico do envelhecimento. É freqüente a situação em que. doenças no idoso manifestam-se com freqüência de forma mais precoce no idoso do que jovem. Estima-se que . na maioria das vezes. o objetivo central do cuidado geriátrico. A não internalização deste princípio pode fazer com que o médico experimente um sentimento de frustração ao cuidar de pessoas idosas. Uma infecção leve pode descompensar de forma exagerada a glicemia em um paciente com diabete melito tipo II. No caso do idoso. doença pulmonar obstrutiva crônica ou insuficiência cardíaca. Sétimo. O uso de anti-hipertensivos impõe redução do risco absoluto de eventos vasculares maior no idoso do que no jovem. podendo inclusive culminar com coma hiperosmolar. A farmacocinética e farmacodinâmica das drogas apresentam características especiais com o envelhecimento. com repercussões em termos de aumento da morbi-mortalidade e custos. seja possível obter impacto significativo no bem-estar e satisfação do paciente idoso e seus familiares. não é a cura. Oitavo. uma causa fora do sistema nervoso central. Sexto. Quinto. Assim. retenção de fezes. Utilização de Medicamentos em Idosos Aspectos Farmacológicos do Envelhecimento Utilização e prescrição de medicamentos representam um dos elementos mais importantes da atenção à saúde das pessoas idosas. em face da limitação dos mecanismos compensatórios (homeostase) na idade avançada. muitos idosos apresentam estertores nas bases dos pulmões. A maioria dos idosos (80%) utiliza. múltiplas e crônicas. Assim. mesmo se trabalhando com objetivos modestos (“ganhos mínimos’”). o quadro poderia em boa parte dos casos ser decorrente de infecção urinária. quatro ou mais medicamentos. Nono. de forma contínua. É sempre valioso evitar a atribuição de sintomas à velhice. um princípio inverso do anterior. as diversas modalidades de tratamento ou mesmo de prevenção costumam ter impacto até maior nos idosos. Um idoso com artralgia provavelmente tem na articulação afetada quadro de osteoartrose. e não propriamente um “reumatismo da idade”. entre outras causas. ou seja. devido à presença de enfermidades e incapacidade. idosos são mais vulneráveis do que os jovens às conseqüências das doenças. A freqüência de reações adversas a medicamentos no idoso é duas a três vezes maior do que em jovens.

Distribuição de drogas. significando que para muitos fármacos não se dispõe de informações sobre eficácia e segurança na idade avançada. é observada em muitos idosos. Redução de níveis plasmáticos de proteínas. Como conseqüência. quando confinados ao leito. É importante mencionar que a meia-vida de uma droga está diretamente relacionada ao volume de distribuição. Como implicação prática de diminuição de secreção salivar e da motilidade esofágica. da motilidade no idoso. além de outros fatores. Este é um fator adicional para justificar a necessidade de seleção cuidadosa de medicamentos a serem utilizados na prática geriátrica. Mudanças fisiológicas e anatômicas do trato digestivo superior. Absorção de drogas. para a maioria das drogas. Com efeito. É possível que. representam os elementos que definem a duração de seu efeito em um determinado indivíduo. podem ter sua absorção prejudicada no idoso. e de anticolinérgicos que contribuem para a diminuição. alteração da motilidade esofágica. drogas em pessoas idosas podem apresentar maior duração e intensidade do efeito. O volume de distribuição refere-se à quantidade de droga no corpo como um todo. notadamente albumina. ainda mais. conseqüentemente. Todos estes parâmetros encontram-se modificados na idade avançada. bem documentadas no idoso. como cetoconazol e suplementos de ferro. Este é o caso de uso de antiácidos. recomenda-se que idosos deglutam cápsulas e comprimidos com razoável quantidade de líquido e com cabeceira da cama suficientemente elevada. em relação à quantidade no plasma. as quais têm importantes particularidades na idade avançada. Como exemplo. Estas incluem diminuição de secreção salivar. podem levar à alteração na absorção de drogas com o avançar da idade. O significado clínico destas alterações na absorção de drogas não tem sido. drogas que são melhor absorvidas em meio ácido. pode-se observar menor quantidade de droga ligada à proteína (fração inativa) e maior quantidade de fração livre (ativa). o envelhecimento não implique per se em relevante comprometimento do processo absortivo. Doenças coexistentes e as próprias drogas em uso. retardo do esvaziamento gástrico. no entanto. aumento na incidência de efeitos adversos. O efeito de determinada droga no organismo depende diretamente de sua farmacocinética e farmacodinâmica. O volume de distribuição é dependente do grau de ligação da droga a proteínas plasmáticas.10% a 31% dos internamentos hospitalares de pessoas com 65 anos ou mais sejam decorrentes de reações adversas a medicamentos. Aumento de fração livre pode. redução de secreção ácida do estômago e diminuição de fluxo sanguíneo e superfície absortiva do intestino delgado. Há evidência de que a . Idosos são freqüentemente excluídos de ensaios clínicos randomizados. e. claramente estabelecido. bem como da composição corporal do indivíduo. podem adicionalmente comprometer a absorção na idade avançada. elevando o pH gástrico. resultar em maior toxicidade da droga. por sua vez. Juntamente com metabolismo e clearance de uma determinada droga.

o que levaria a aumento de sua concentração plasmática. tolbutamida e outros agentes hipoglicemiantes). Dentre estas drogas. ciprofloxacina. Um indivíduo de 65 anos teria uma redução de 40 a 45% do fluxo sanguíneo hepático quando comparado com um de 25 anos de idade. Níveis de albumina baixos no idoso são particularmente presentes quando da ocorrência de doenças e condições subjacentes. O clearance de drogas do organismo. aumenta diretamente com o avançar da idade. resultando em exacerbação de determinado efeito farmacológico. o deslocamento de uma droga por uma outra pode ser incrementado. a qual tem reconhecidamente no idoso maior potencial de toxicidade. observa-se no idoso tendência à redução da primeira fase do metabolismo de drogas excretadas pelo fígado. Sabe-se que a proporção corporal de tecido adiposo aumenta com o envelhecimento. conseqüentemente. Declínio da atividade metabólica hepática com o avançar da idade é bem descrito. É comum na prática geriátrica a prescrição de drogas que competem por sítio de ligação à albumina (exemplos: warfarina. é importante mencionar digoxina. digoxina e aminoglicosídeos. resultando em prolongamento de sua meia-vida. Outro parâmetro que determina o volume de distribuição de um fármaco corresponde à composição corporal do indivíduo. de 36% entre jovens femininos para 48% entre idosos femininos). K+ . incluindo má-nutrição. amitriptilina. A água corporal total. por sua vez. Como resultado. São drogas lipossolúveis: cimetidina. Drogas que seguem tal padrão requerem no idoso particular atenção com a dosagem. como ácido acetilsalisílico. resultando em maior biodisponibilidade das mesmas. Excreção de drogas. infecção. definido como o volume plasmático do qual uma determinada droga é completamente removida por unidade de tempo. encontra-se diminuída no idoso. é exercido fundamentalmente pelo fígado e rim.fração livre de algumas drogas. . uma vez que a massa muscular diminui com o envelhecimento. que a função renal declina com o envelhecimento. Este é o caso de benzodiazepínicos. O rim é reconhecidamente o órgão mais envolvido na excreção de drogas. Se o nível plasmático desta encontra-se reduzido. Metabolismo de drogas. significando dizer que drogas hidrossolúveis tendem a apresentar na população geriátrica menor volume de distribuição. sendo este aumento maior no sexo masculino (de 18% entre jovens masculinos para 36% entre idosos masculinos. sulfoniluréias e barbitúricos. naproxene e valproato. O menor volume de distribuição desta droga ocorreria também em decorrência de sua ligação a Na+. O comprometimento da capacidade metabólica resultaria fundamentalmente de alteração do volume e fluxo hepáticos. Sabe-se. a qual deve ser teoricamente menor do que a habitualmente preconizada para indivíduos jovens. processos crônicos e câncer em estágio avançado. de longa data. Drogas lipofílicas tendem. a apresentar maior volume de distribuição em pessoas idosas.adenosinatrifosfatase.

então. é menor no idoso do que em indivíduos jovens. incluindo diminuição do número ou da afinidade de receptores. A redução da massa renal é da faixa de 25 a 30% ao longo da vida e do fluxo renal 1% por ano após a idade de 50 anos. Assim. fundamental para o manuseio adequado de drogas no idoso. do número de glomérulos funcionantes. Por exemplo. A resposta do organismo a fármacos em idosos é diferente daquela observada em indivíduos jovens e isto estaria relacionado a aspectos ligados a receptores. por motivos operacionais. com efeito deletério sobre a função renal (ex. o mesmo ocorrendo em relação à resposta a beta-bloqueadores. a resposta cronotrópica de isoproteronol. administrado por via intravenosa. da taxa de filtração glomerular e habilidade de concentrar e diluir a urina. A creatinina é um produto do tecido muscular. digoxina. cimetidina. Mensuração de clearance de creatinina é. quando da prescrição para o idoso de drogas com eliminação renal. Aspectos farmacodinâmicos. torna-se difícil obter urina de 24 horas. vancomicina. decorrentes de estudos animais e humanos. é a tendência à redução da eliminação renal de drogas. eventos pós-receptores e efeito de mecanismos homeostáticos. Fonte: Cockcroft & Gault. não é incomum encontrarmos níveis séricos normais de creatinina em idosos com função renal já efetivamente comprometida.São descritos redução da massa renal. sotalol. do fluxo plasmático renal. Uma fórmula bastante utilizada é a seguinte: Clearance de creatinina = (140 – Idade) x Peso (Kg) 72 x creatinina sérica Nas mulheres. principalmente aquelas com ação cardiovascular e no sistema nervoso central. pode-se fazer uso de fórmulas e nomograma que permitem estimar o clearance de creatinina levando-se em conta potenciais mudanças com a idade. que podem se somar a condições patológicas comuns no idoso. Alteração da resposta de receptores beta-adrenérgicos com a idade encontra-se bem documentada. cefalosporinas e quinolonas.: hipertensão arterial). o clearance de creatinina é 85% do valor calculado. Alterações farmacodinâmicas com o avançar da idade são relatadas com diversas drogas. Dado que pessoas idosas apresentam uma redução de massa muscular. Existem diversas explicações para este achado. atenolol. bem como alterações estruturais no nó sinusal. A conseqüência destas alterações. Quando. São exemplos de tais drogas: gentamicina. Diminuição na resposta de receptores beta-2 com o . os níveis séricos de creatinina podem superestimar a função renal. Isto é particularmente necessário para drogas com limitada janela terapêutica. lítio. de importância prática que se considere a necessidade de ajuste de doses ou aumento de intervalo entre estas. portanto. 1976 É. as quais podem levar mais facilmente a sérios efeitos adversos. um agonista beta-1.

É bem descrito. a prescrição de benzodiazepínicos no idoso deve ser judiciosa. Semelhante raciocínio pode ser aplicado ao sistema dopaminérgico. é. opiáceos e warfarin) observa-se aumento de resposta com a idade. Por outro lado. não somente pela resposta que pode ser maior. o que implica em maior susceptibilidade ao desenvolvimento de sintomas extrapiramidais quando da exposição a drogas com ação anti-dopaminérgica. por exemplo. para muitos. Com efeito. freqüentemente comprometido no idoso. por exemplo. não tem sido tradição em nossa formação profissional enfatizar a necessidade de uma abordagem abrangente do paciente idoso. prescrever um medicamento sintomático como flunarizina ou cinarizina. estaria envolvida. deste segmento da população. História e exame físico detalhados são neste grupo etário especialmente importantes para o estabelecimento de um plano de diagnóstico e tratamento. cujo associação com sintomas extrapiramidais é bem conhecida. O mesmo aplica-se à prescrição de analgésicos como morfina. mas acredita-se que diminuição de síntese de fatores de coagulação. como também pelas suas peculiaridades farmacocinéticas.: benzodiazepínicos. Mais fácil. que não necessariamente tem grande expressão clínica. o cuidado do idoso é geralmente superficial e fragmentário. comprometimento do sistema colinérgico no envelhecimento. Prescrição Racional de Medicamentos para o Idoso A abordagem do paciente idoso requer diligência por parte do médico. O tempo que isto requer é muitas vezes incompatível com o esquema de trabalho do médico. temperatura corporal e controle postural. particularmente aqueles dependentes de vitamina K. Outros mecanismos homeostáticos podem alterar-se com o envelhecimento. como aqueles envolvidos na regulação do volume intravascular. ainda que básicas. Assim. É interessante notar que para receptores de algumas drogas (ex. uma vez que pode teoricamente agravar problemas de memória ou levar a quadros confusionais. levando a disfunção cognitiva. .envelhecimento é também sugerida e isto poderia correlacionar-se com o desenvolvimento tardio de asma brônquica. o que tem importantes implicações clínicas. A maior resposta anti-coagulante com uso de warfarin em idosos tem mecanismo ainda não suficientemente esclarecido. Declínio observado em determinados neurotransmissores precisa também ser considerado quando da prescrição de fármacos com potencial inibição dos mesmos. tendendo ocorrer aumento de seu volume de distribuição e maior penetração pela barreira hematoencefálica. O uso de drogas anticolinérgicas em idosos deve ser minimizado . de modo que grande parte dos médicos tem pouca habilidade no manejo de casos geriátricos. mesmo em doses que no jovem dificilmente traria maiores conseqüências. Os serviços de saúde também não estão estruturados para atender as demandas. do que investigar clinicamente as várias e intrigantes causas de tontura.

sendo um quarto dos quais potencialmente sérios.: integração social de idoso isolado e inativo que tem problemas de insônia). como também aqueles cujo uso requer rigorosa supervisão médica. Muitas vezes. Por terem também problemas múltiplos. onde outras intervenções estariam mais indicadas (ex.Os problemas enfrentados pelos idosos. onde cada um prescreve drogas relacionadas à sua área de atuação. se considerarmos que até três quartos de pacientes idosos podem cometer erros quanto ao cumprimento do esquema posológico prescrito. A visita a um médico é normalmente acompanhada da expectativa de prescrição de algum medicamento. Automedicação no Brasil inclui o uso tanto de medicamentos para os quais não se faz necessária a prescrição médica (ex. Meidcamentos Inadequados para o Idoso Os fatores anteriormente mencionados convergem para a tendência ao uso desproporcional e inadequado de medicamentos entre a população idosa. por serem múltiplos e complexos. A prescrição de fármacos para situações. Lista de Medicamentos Inadequados para o Idoso Droga Agentes analgésicos Propoxifeno Oferece poucas vantagens analgésicas e eventos adversos de Justificativa . Isto é crítico. à margem de qualquer prescrição médica. mas também da mídia e representantes de companhias farmacêuticas. Um aspecto dos mais problemáticos no uso de medicamentos em países não desenvolvidos é o acesso não controlado a ampla variedade de medicamentos. trazem para alguns profissionais de saúde sentimento de impotência em enfrentá-los. passa a ser uma maneira comum de superar tal sentimento. Esta pressão procede dos próprios pacientes e/ou suas famílias. prescrições não se fazem acompanhar de reavaliação sistemática de resultados e de plano que assegure a correta adesão ao esquema posológico proposto. Médicos encontram-se permanentemente sob pressão para prescrever fármacos. resultando em listas extensas de medicamentos sem nenhuma articulação entre si.: analgésicos comuns). os idosos tendem a visitar simultaneamente diferentes médicos. Uma lista de medicamentos considerados inadequados para o idoso (critérios de Beers) foi desenvolvida e deve servir de referência para o clínico visando minimizar os efeitos indesejáveis de fármacos na idade avançada. tendo como resultante elevada incidência de efeitos adversos. e dada a fragmentação do cuidado médico entre especialidades. As conseqüências destas práticas são potencialmente catastróficas. Sir William Osler chegou a enfatizar que “o desejo de tomar medicamento é talvez a característica que melhor distingue o homem dos animais”.

causando sedação e aumento da incidência de quedas e fraturas. propantelina. Devem ser evitadas. especialmente quando da apresentação com meia-vida curta Hipoglicemiante com meia-vida prolongada. com melhor perfil farmacológico para o idoso. Tem outros efeitos adversos não encontrados em outros anti-hipertensivos disponíveis Pode causar hipotensão ortostática. pode causar Síndrome de Secreção Inadequada de ADH Agentes cardiovasculares Digoxina em altas doses Metildopa Inibidores de agregação plaquetária Dipiridamol Hipoglicemiantes orais Clorpropamida Agentes antiespasmódicos Hioscina.125mg/dia. exacerbar depressão e sensação de boca seca. ciclobenzaprina. Outros anti-inflamatórios nãohormonais mais seguros são disponíveis. A redução do clearance de creatinina em idosos aumenta o risco de efeitos adversos. piroxican) Relaxantes musculares Relaxantes musculares e antiespasmódicos (carisoprodol. causam efeitos anticolinérgicos. Benzodiazepínicos com meia-vida intermediária ou curta são preferíveis Idosos apresentam maior sensbilidade aos benzodiazepínicos. A maioria desses medicamentos é muito pouco tolerada por idosos. Em doses baixas. usados por tempo prolongado e com ação anti-COX pouco seletiva (naproxen. disfunção renal.outras drogas narcóticas Meperidina Antinflamatórios não-hormonais Indometacina Fenilbutazona Anti-inflamatórios não-hormonais com meia-vida prolongada. exceto no tratamento de arritmias atriais Pode causar bradicardia. especialmente para uso prolongado . diciclomina. com elevado risco de hipoglicemia no idoso. triazolam: > 0. metocarbamol) Agentes sedativos Flurazepan Diazepan Clordiazepóxido Benzodiazepínicos de meia-vida curta em altas doses (lorazepan: > 3mg/dia.25mg/dia) Meprobamato Agentes antidepressivos Amtriptilina Fluoxetina Pode causar confusão mental e metabólito tem sérios efeitos centrais Dentre os anti-inflamatórios não-hormonais é o que produz mais eventos adversos no sistema nervoso central Pode causar agranulocitose. A dose não deve exceder 0. distúrbios do sono e agitação. sendo as doses menores efetivas e mais seguras Ansiolítico com elevado efeito sedativo e causa dependência Tem importante efeito anticolinérgico e causa sedação. Alto potencial em causar lesão gastro-intestinal. alprazolan: > 2mg/dia. alcalóides beladona Têm efeito anticolinérgico pronunciado e efetividade incerta. sedação e astenia. a eficácia é questionável Benzodiazepínicos com meia-vida prolongada em idosos. como sertralina e citalopran. não devendo ser antidepressivo de escolha em idosos Meia-vida prolongada e risco de estimulação excessiva central. Há alternativas no grupo dos Inibidores Seletivos de Recaptação de Serotonina (ISRS). comuns em idosos. Ademais. aumentar a pressão arterial e insuficiência cardíaca.

hidroxizina Agentes laxativos Laxativos estimulantes em uso prolongado (bisacodil. Use tratamento farmacológico somente após medidas não-farmacológicas terem sido consideradas ou tentadas. Entretanto. 163: 2716-24) * Não incluídos originalmente nos Critérios de Beers. dexclorfeniramina. além de tentar definir as causas da insônia. procure. ainda. especialmente no idoso. muitas vezes limitada. e pelo uso comum no Brasil. antes de prescrever um medicamento indutor do sono. Princípios da Prescrição de Medicamentos para o Idoso A observação de alguns princípios relacionados à prescrição de medicamentos para o idoso é também de grande importância para o clínico. e somente quando o benefício claramente sobrepõe-se ao risco. Muitos idosos estão em uso de medicamentos com eficácia incerta. Por exemplo. orientar medidas de higiene do sono. porém com potencial de efeitos adversos. como silêncio e temperatura adequada no ambiente do quarto. de acordo com estudos epidemiológicos. difenidramina. Anti-histamínicos não-anticolinérgicos devem ser preferidos em idosos para o tratamento de reações alérgicas Lista baseada nos Critérios de Beers (Arch Intern Med 2003. mas aqui assinalados pelo autor pela evidência de sua associação com efeitos extrapiramidais. Vale mencionar. Isto é importante para evitar o empilhamento de medicamentos direcionados para o alívio de sintomas ou problemas relacionados a outros medicamentos. Inicie sempre o medicamento com doses menores do que as habituais para o adulto e aumente a dose lentamente (“comece devagar e vá devagar”). do idoso. Prescreva ou mantenha o menor número possível de medicamentos e esquemas posológicos simplificados. Laxativos osmóticos (lactulose.Agentes anti-histamínicos Clorfeniramina. sena) Óleo mineral Agentes inibidores da secreção ácida Cimetidina Miscelânea Cinarizina – Flunarizina** Derivados de ergot (mesilato de codergocrina) Podem exacerbar a disfunção intestinal. que muitos são dispendiosos. Adotar . prometazina. mudanças relatadas na distribuição e clearance da droga são variáveis entre os indivíduos e muitos requerem doses plenas. podendo causar efeitos extrapiramidais Não há evidência de sua efetividade Têm efeito anticolinérgico pronunciado e podem causar confusão mental e sedação. lactitol. Certifique se os sintomas apresentados não são devidos a uma outra droga. macrogol) devem ser preferidos no idoso Grande potencial para aspiração pulmonar Pode causar efeitos adversos centrais. incluindo confusão mental Eficácia incerta como anti-vertiginosos. comprometendo a renda. cáscara sagrada.

que pode se tornar inviável com a ausência de informações como nome dos medicamentos em uso. desinteresse). A dificuldade na identificação de depressão no idoso reside no fato de que. De maneira geral. impondo ao clínico a necessidade de identificá-los prontamente e manejá-los de forma efetiva. O(a) senhor(a) está de bom humor a maior parte do tempo? (não) 6. evitar a retenção de medicamentos no trajeto até o estômago. imobilidade. Idosos são particularmente vulneráveis à esta complicação por conta da ocorrência comum de redução da secreção salivar. A adoção de tabelas com letras grandes. Pode-se. apresentação e posologia. solidão. mais frequentemente do que no jovem. Isto é especialmente importante na consulta médica. em face de serem comum na população geriátrica situações que podem interferir na adesão ao tratamento. são medidas que podem ser adotadas. o(a) senhor(a) costuma se sentir feliz? (não) Não . O(a) senhor(a) está geralmente aborrecido(a)? (sim) 5. Solicite ao paciente e a família para conduzirem um papel contendo os medicamentos em uso. alterações na deglutição e motilidade esofágica. Depressão Uma vez que depressão no idoso é comum e está associada a uma série de eventos adversos. choro fácil. como incapacidade. uso de caixinhas e a responsabilização de um terceiro para lembrar os horários.um esquema posológico simplificado é também fundamental. entre outros. dispepsia). O(a) senhor (a) abandonou muitas das coisas que fazia ou gostava de fazer? (sim) 3. costuma se manifestar mediante queixas somáticas ou inespecíficas (dor. deve ser pronta e sistematicamente reconhecida e tratada. astenia. muito mais do que mediante sintomas de humor deprimido (tristeza. déficit cognitivo. diminuição da acuidade visual. De maneira geral. maior tempo de hospitalização e maior mortalidade. com esta medida. O(a) senhor(a) acha sua vida sem sentido atualmente? (sim) 4. A mais utilizada é a Escala Geriátrica de Depressão. A utilização de escalas de sintomas pode ser útil para o rastreamento e diagnóstico de depressão em idosos. O(a) senhor(a) se sente inseguro(a) achando que alguma coisa de ruim vai lhe acontecer? (sim) 7. como uso de vários medicamentos. ESCALA GERIÁTRICA DE DEPRESSÃO – Versão com 15 ítens Sim 1. o(a) senhor(a) está satisfeito(a) com a vida? (não) 2. levando a casos graves de esofagite e estenose. Alguns Problemas Clínicos Geriátricos Alguns problemas de saúde são especialmente comuns em pessoas idosas. Instrua a ingestão de comprimidos ou cápsulas com muita água e sempre na posição de pé ou sentada. amplamente validada e com boa sensibilidade e especificidade para o diagnóstico desta condição clinica. cansaço fácil.

são mais indicados o cloridrato de sertralina e citalopram. Tratamento não farmacológico. Disfunção cognitiva Queixas de memória são bastante freqüentes no idoso. Muitos casos de depressão no idoso podem também estar associados a determinados medicamentos. Cognição diz respeito principalmente à memória. Para caracterizar a relevância deve-se procurar detalhar a queixa. O segundo passo é avaliar formalmente a memória. julgamento. incluindo socialização e psicoterapia. Desses. Um grande objetivo na avaliação da queixa de memória é definir se está ou não relacionada a um quadro de demência. O(a) senhor(a) acha que sua situação não pode ser melhorada? (sim) 15. linguagem e gnosia. deve ser também considerado. O(a) senhor(a) se sente bem disposto(a)? (não) 14. A primeira tarefa do clínico é definir a relevância e magnitude da queixa de esquecimento.: gelo. mas também contempla outros domínios. O tratamento farmacológico da depressão no idoso é feito. planta) e pedir ao paciente para decorar.8. como orientação no tempo e espaço. como primeira escolha. O(a) senhor(a) acha que vale à pena estar vivo hoje? (não) 12. mediante o uso dos inibidores seletivos de recaptação de serotonina. Após 3 minutos. solicita-se ao mesmo que mencione as três palavras. Por exemplo.O(a) senhor(a) prefere ficar em casa ao invés de sair e fazer alguma outra coisa? (sim) 10. O Teste do Relógio consiste em solicitar ao paciente que desenhe . praxia. O MiniCog consiste em nomear três palavras não relacionadas (ex. leão. O(a) senhor(a) tem mais dificuldades para lembrar das coisas do que a maioria das pessoas? (sim) 11. O(a) senhor(a) acha que a maioria das pessoas está em melhores condições do que o(a)senhor(a)? (sim) Escores : 0 a 4 pontos – Eutímicos (não deprimidos) 5 a 10 pontos – Depressão leve ou moderada 11 a 15 pontos – Depressão grave ou severa É importante lembrar que a depressão cujo primeiro episódio ocorre na idade avançada pode estar associada a quadro de demência. Uma forma rápida seria aplicar o Mini-Cog e o Teste do Relógio. por sua meia-vida prolongada. O relato de que em um determinado dia não foi capaz de acertar o caminho de volta para a casa é um dado muito indicativo de disfunção cognitiva a requerer maior investigação. Isto é feito mediante testes cognitivos. O(a) senhor(a) costuma se sentir menos útil com a idade que tem hoje? (sim) 13. e menos indicada a fluoxetina. uma queixa de esquecimento de nomes de pessoas com as quais se tem um contato muito esporádico é menos importante do que não lembrar o nome do Presidente da República. O(a) senhor(a) costuma se sentir desamparado(a)? (sim) 9. os quais precisam ser cuidadosamente revistos.

verbo e predicado (1 ponto) Peça para copiar o desenho. ou não consiga desenhar o relógio e/ou colocar corretamente os ponteiros. como orientação. Caso o paciente não nomeie as três palavras. memória imediata e de evocação. De 100 peça para subtrair 7. coloque os números (especifique que não precisa ser em algarismos romanos) e depois os ponteiros marcando 11 horas e 10 minutos. Dê 1 ponto para cada acerto.um relógio (faça o gesto com a mão de um círculo). Para os com menos de oito anos de escolaridade. Repita sucessivamente até completar cinco subtrações. nem lá”. Retire 1 ponto para cada objeto não citado. (1 ponto) TOTAL: . (3 pontos) Peça para seguir o comando escritos no papel: “Feche os olhos”. dobre ao meio. LINGUAGEM 9 pontos Aponte o lápis e o relógio e peça para nomeá-los.) (01 ponto) Bairro ou rua próxima (01 ponto) Cidade (01 ponto) Estado (01 ponto) REGISTRO 3 pontos Mencione três palavras não relacionadas (GELO. Repita até que ele aprenda e diga que mais adiante você irá perguntar novamente. linguagem e praxia. (1 ponto) Escreva uma sentença com sujeito. PLANTA) e peça para repetir. LEÃO. sugere-se déficit cognitivo. (1 ponto) Peça para seguir um comando em três etapas: “Pegue este papel com a mão direita. A realização destes dois testes não demora mais do que 10 minutos. e ponha no chão”. devendo-se passar para o Mini-Exame do Estado Mental (MEEM). atenção. Mini-Exame do Estado Mental Anotar a data do exame è ORIENTAÇÃO (1 ponto por resposta certa) 10 pontos Dia da semana (01 ponto) Mês (01 ponto) Dia do mês (01 ponto) Ano (01 ponto) Hora aproximada (01 ponto) Local onde estamos (específico) (01 ponto) Este local fica onde ? (instituição. nem ali. 18 pontos. ATENÇÃO E CÁLCULO 5 pontos / / / / Série de “7”. Dê um ponto para cada resposta correta. A pontuação máxima do MEEM é de 30 pontos. MEMÓRIA DE EVOCAÇÃO 3 pontos Peça para repetir as três palavras. que avalia domínios cognitivos. clínica.. O ponto de corte sugerido para diagnóstico de demência em indivíduos com mais de oito anos de escolaridade é de 24 pontos. (2 pontos) Peça para repetir: “Nem aqui.

como orientação. como: analgésicos (ex. Vestibular (ex. doenças metabólicas.Fonte: Folstein et al. linguagem. Raramente uma queda no idoso é decorrente de uma única causa. infecções. é importante verificarmos se preenche os critérios diagnósticos para demência. J Psych Res 1975. 12(3): 189-198 Se o idoso tem queixa cognitiva e esta queixa foi documentada pelos testes.: vertigem posicional paroxístico) Propriocepção (neuropatia periférica. Alguns medicamentos podem estar associados à ocorrência de quedas. deficiência de vitamina B12). degeneração macular). assim como intervenção em múltiplos aspectos do paciente. praxia. Os idosos são especialmente sujeito a quedas porque com o avançar da idade ocorrem alterações na marcha e equilíbrio postural. Quedas Quedas são comuns em idosos e devem ser particularmente investigadas quando ocorrem mais de duas vezes em um período de seis meses. fraqueza muscular). doenças cérebro e cardiovasculares). As repercussões das quedas podem ser catastróficas. . O idoso com déficit cognitivo documentado ou suspeita de demência deve ser submetido à avaliação mais detalhada. glaucoma.: demência) Neuromotor (ex. Esta é definida como uma síndrome em que há perda de memória (necessariamente) e pelo menos um outro domínio cognitivo. problemas nos pés. Sistêmico (hipotensão postural. Musculoesquelético (artrite.: Doença de Parkinson) Visão (ex. o que implica abordagem global e individualizada. gnosia ou alterações comportamentais. inclusive com realização de exames laboratoriais e de imagem (tomografia ou ressonância magnética crânio-encefálica). cardiovascular e função cognitiva. como fraturas de fêmur e traumatismo craniano.: catarata. psicotrópicos (benzodiazepínicos de ação prolongada. O equilíbrio e a marcha dependem da interação complexa do sistema neuromuscular.: narcóticos). São causas de queda: Fatores intrínsecos (os sete principais) • • • • • • • Processamento central (ex.

Imobilidade Imobilidade (restrição ao leito ou cadeira) deve ser evitada no idoso. os quais devem ser indicados apenas quando condições neurológicas são fortemente sugeridas pela história e exame físico. O mesmo em relação à tomografia computadorizada ou ressonância magnética crânio-encefálica. anti-hipertensivos.antidepressivos tricíclicos). ser submetido à anamnese e exame físico completos. havendo medidas que. portanto. e dosagem de enzimas cardíacas são solicitados quando doença cardíaca é uma suspeita. etc. causadores de Os fatores extrínsecos que contribuem para a ocorrência de quedas são: • • Ambientais (pesos escorregadios. eletroencefalograma.: descer escadas. A solicitação de exames depende de cada caso. degraus. medicamentos manifestações extrapiramidais (cinarizina. tapetes no chão.). O paciente idoso com queda deve. ecocardiograma. Electrocardiograma. não havendo uma lista rígida que deve ser sempre solicitada. são sérias e lentas para serem revertidas. São elas: descondicionamento do sistema cardíaco (balanço hídrico. descer de um ônibus alto). uma vez adotadas. podem contribuir para minimizar sua ocorrência no idoso. redução do débito . levantar-se de cadeiras baixas. Medidas para Prevenção de Quedas no Idoso Intrínsecas • • • • Tratar causas subjacentes Otimizar o uso de medicamentos Programa de terapia física (inclui reabilitação vestibular) Programa de atividades físicas Extrínsecas • • • • Reduzir os riscos ambientais (especialmente dentro do domicílio) Melhorar iluminação O esquema abaixo pode servir de referência Resultam de uma complexa interação entre fatores intrínsecos e extrínsecos. flunarizina. Quedas não representam uma condição inevitável. haloperidol). dado que suas conseqüências instalam-se rápidas. Situações que exigem mais do controle postural e da mobilidade (ex.

rigidez (osteoartrose. As causas de incontinência urinária potencialmente reversíveis podem ser lembradas mediante a palavra mnemônica DIAPPERS (“fraldas” em inglês). muscular. Imobilidade. úlceras de pressão. medicamentos). etc. aumento da freqüência cardíaca). dor (óssea. se isto não for possível. ou. diabetes insipidus. distúrbio eletrolítico. psicotrópicos. A primeira tarefa do clínico frente a um idoso com incontinência urinária é definir se é um problema causado por um fator transitório ou potencialmente reversível. tromboflebite e tromboembolismo.cardíaco. comum no idoso frágil Impactação fecal (fecaloma) hipercalcemia. As causas estabelecidas. significando: Delirium Infecção Atrofia Pharmaceutical Psicológico Excesso de débito urinário Restrição ao leito ou cadeira Stool (fezes) É a causa mais comum de incontinência em pacientes hospitalizados Infecção urinária sintomática (assintomática não está associada) Uretrite e vaginite atróficas Medicamentos (diuréticos. Costuma não ser relatado. tonturas e co-morbidades (incluindo depressão e ansiedade). O clínico deve avaliar detalhadamente as causas da imobilidade e implementar estratégias para revertê-la. minimizar seus efeitos deletérios. analgésicos opióides). anemia. As principais causas de imobilidade são fraqueza muscular (desnutrição.). hipotensão postural e quedas. entre outros. Incontinência Urinária Incontinência urinária é um problema que muitas vezes causa constrangimento e reclusão do idoso. Fatores psicológicos – depressão Causado por hiperglicemia. doenças metabólicas. por sua vez. o que pode fazer com que passe despercebido na consulta de pacientes idosos. fraqueza e hipotrofia muscular. polimialgia reumática. compreendem: . miopatias). Doença de Parkinson. ou se é decorrente de uma causa estabelecida.

O uso de antibiótico nesses casos é indicado para tratamento quando há infecção urinária sintomática. Descreve-se a seguir elementos de um plano nesta perspectiva. Apresenta-se por meio de eliminação freqüente de pequena quantidade de urina. em geral. que constitui a porta de entrada no SUS (nível primário de atenção). Eventualmente. O paciente sente vontade de urinar e não dá tempo chegar ao sanitário. Pacientes com incontinência urinaria por causa estabelecida devem ser avaliados e conduzidos por especialista (urologista ou uroginecologista). Nos idosos masculinos. O desenvolvimento súbito de incontinência urinária. O tratamento é feito com medidas comportamentais e fármacos. por exemplo). pode-se fazer uso de estrógenos tópicos. se necessário. O volume residual é grande e pode-se ter bexiga palpável ao exame. está associada à incontinência por transbordamento pela retenção urinária. aumento da próstata e retenção de fezes. mediante procedimento cirúrgico. O tratamento é por meio de técnicas para aumento das micções (pressão suprapúbica. mediante cateterização vesical intermitente. especialmente se acompanhado de desconforto suprapúbico / perineal. Em homens. a qual deve ser monitorizada quanto a seus efeitos anticolinérgicos. de forma mais efetiva. O Idoso no Programa de Saúde da Família O núcleo central da atenção ao idoso deve ser o Programa de Saúde da Família (PSF). cálculos. tumores e divertículos vesicais. ou. por exemplo).Hiperatividade do músculo detrusor (urgência miccional) é o tipo mais comum em pacientes idosos de ambos os sexos. determinando a chamada “bexiga neurogênica”. ou de forma contínua para profilaxia de infecções urinárias recorrentes. O tratamento é realizado com exercícios para a musculatura pélvica e. O tratamento é. Quando há vaginite atrófica com irritação uretral presente. Incontinência por transbordamento é a causa menos comum de incontinência. ainda que em articulação com o clínico. estreitamento uretral e contratura do colo vesical. O volume residual de urina nesses casos é pequeno. Em aproximadamente 70% dos casos pode coexistir com hiperatividade do detrusor. sendo causada por obstrução prostática. Caracterizase por eliminação involuntária de urina após aumento da pressão abdominal (após tosse ou riso. Incontinência de esforço é a segunda causa mais comum de incontinência na mulher idosa. as causas principais são: cistite. deve ser investigado por cistoscopia. Organização da Atenção ao Idoso A organização da atenção integral à saúde do idoso nos diferentes níveis de atenção apresenta-se atualmente como uma grande tarefa para o Sistema Único de Saúde (SUS). Ultrasonografia é importante para investigar hidronefrose associada. indesejáveis no idoso. A indicação de avaliação urodinâmica é também decidida pelo especialista. Neste . É causada por distúrbio neurológico. cirúrgico. Obstrução uretral é mais comum em idosos masculinos. O volume residual é elevado. é mais comum ocorrer após prostatectomia radical. ou de hematúria. como a oxibutinina (5-15mg/dia).

atende-se a grande maioria das pessoas idosas. Toda a ESF deve estar treinada para o atendimento básico dos problemas clínicos mais prevalentes no idoso. de forma contínua e diante de uma clientela adstrita. Durante as visitas domiciliares pelos agentes comunitários de saúde (AGS). das quais 400 seriam idosos. Cada equipe de saúde da família (ESF) pode estimar o número de idosos sob sua responsabilidade. atenderia 4000 pessoas. devem ser identificados como necessitando de atendimento prioritário na UBASF os idosos com o seguinte perfil: • • • • • • • • • • • • • • • Idade de 80 anos ou mais Morando sozinhos (relativo) Morando em domicílio multigeracional (relativo) Viúvo recentemente Portadores de Depressão Avaliam como RUIM a saúde (relativo) Comprometimento cognitivo Quedas Parcial ou totalmente dependente para AVDs Teste “Levante-se e Ande” positivo Internamento(s) nos últimos seis meses Medicamentos inadequados Polifarmácia Risco Nutricional Hipertensão e/ou diabete melito descontrolados Também necessitam de avaliação prioritária na UBASF idosos que apresentarem: • • Mudanças nas AVDs desde a última visita Mudanças no peso e apetite . Deve-se assegurar em cada Unidade Básica de Saúde da Família (UBASF) uma cesta básica de medicamentos necessários e adequados para o manejo desses problemas. através do seguinte cálculo: Número de famílias sob responsabilidade da ESF= X Número médio de pessoas em cada família = 4 Número total de pessoas = 4 x X Número total aproximado de idosos = 10% x (4 x X) Exemplificando: uma ESF responsável por 1000 famílias.nível.

nutricionista e assistente social. em estado pós-condições agudas. Deverão ser assumidos pelas ESFs em parceria com as Equipes Gerontológicas (NGGs) e um Programa de Atendimento Domiciliar. O Idoso em um Centro Regional Especializado Os idosos atendidos em nível primário que preencherem determinados critérios serão encaminhados para o nível secundário. sendo integrados por equipe multidisciplinar constituída minimamente por médico. quedas e depressão. em casos especiais. a serem implantados em âmbito regional e idealmente inseridos em um centro de especialidades (policlínica). interesse pelas coisas. osteoporose. • • • • Rastreamento de maus tratos. dislipidemias. as seguintes ações de promoção de saúde devem ser desenvolvidas em todas as áreas de abrangência das ESFs: • • • • • Imunização para gripe. Internamento domiciliar estaria indicado para pacientes com síndrome de imobilidade.• • • • Mudanças na memória (esfera mental) Mudanças no ânimo. Orientação quanto à segurança no domicilio e prevenção de quedas. humor. Atividade física para idosos. diabetes. representado por Núcleos de Geriatria e Gerontologia (NGGs). terapeuta ocupacional. Suporte a cuidadores de idosos altamente dependentes. Grupos de socialização. fisioterapeuta. câncer de próstata. catarata. Suplementação de cálcio e vitamina D. tétano e. com doenças terminais e com doenças agudas com potencial de serem tratadas em domicílio. enfermeiro. incluindo: • • • Idade avançada: 80 anos ou mais Múltiplos problemas de saúde (polipatologia) Múltiplos medicamentos (polifarmácia) . Quedas ou problemas para caminhar Problemas com intestino ou controle da urina Por sua vez. Orientação nutricional. satisfação com a vida. Devem ser encaminhados para este nível particularmente aqueles idosos que necessitam de avaliação geriátrica especializada. doença cardíaca. Os NGGs representarão a retaguarda da atenção ao idoso realizada pelas ESFs. pneumonia. Rastreamento de câncer de mama.

uma boa parte dos idosos atendidos no nível secundário deverá ser reencaminhada ao nível primário. equipamentos e recursos humanos específicos e adequados para a prestação de assistência à saúde de idosos de forma integral e integrada aos demais níveis. Depois de estabilizados clinicamente. D. • • • As atividades clínicas neste nível incluem: atendimento clínico através de consultas ambulatoriais ou em um hospital-dia instalado nos NGGs. alteração de memória). São particularmente elegíveis para atendimento nesse serviço idosos portadores de condições que necessitam de investigação. manejo e processo de reabilitação mais especializados.• Investigação e manejo de distúrbios cognitivos e/ou comportamentais (demências. depressão grave. Detalhes do plano de atenção à saúde do idoso. Trata-se de uma unidade com condições técnicas. proposição e monitoramento de políticas de atenção ao idoso. consultas em domicílio e práticas de reabilitação. Investigação de queixas complexas Comprometimento funcional (dependência parcial ou total para AVDs) Manejo especializado de problemas especiais: D. treinamento e educação continuada de profissionais de saúde no campo da atenção à saúde do idoso. Uma vocação dos Centros de Referência é também a realização de investigações científicas. internamento domiciliar e hospitalar em enfermaria especializada e integrada. É tarefa fundamental do Centro de Referência colaborar formalmente com as Secretarias Municipal e Estadual de Saúde no delineamento. assim como a necessária articulação com outros setores. instalações físicas. Além da atividade clínica e de reabilitação. O Idoso em uma Instituição Terciária O nível terciário de atenção é representado por um Centro de Referência em Assistência à Saúde do Idoso. encontram-se na representação esquemática da Figura 1. cabe aos NGGs dar apoio técnico do trabalho de atenção ao idoso desenvolvido pelas ESFs. atendimento ambulatorial hospitalizado. como previsto por Portaria do Ministério da Saúde (GM/MS No. Parkinson. como hospital-dia. contemplando inclusive outras modalidades e estratégias assistenciais. podendo ser submetidas ao cuidado somente pelas ESF ou ao cuidado compartilhado entre os dois níveis.Alzheimer. . 702/2002). O Centro de Referência contempla diversas modalidades assistenciais.

Enfermeiro . .. Médico Enfermeiro Fisioterapeuta Terapeuta Ocupacional Nutricionista Assistente Social FORMAÇÃO / EDUCAÇÃO CONTINUADA PESQUISA INVESTIGAÇÃO E MANEJO CLÍNICO DE CASOS ESPECIAIS (DOENÇA DE ALZHEIMER. Promoção de Saúde Cuidado de Problemas Prevalentes (10!!) Suporte a famílias e cuidadores Rastreio de Maus tratos Plano de Atenção Integral ao Idoso ALÔ...) REABILITAÇÃO SUPERVISÃO e SUPORTE / RETAGUARDA DOS CENTROS DE ESPECIALIDADES . Terapeuta Ocupacional . . . Nutricionista . PARKINSON. Assistente Social CENTRO DE ESPECIALIDADES ASSISTÊNCIA Dça.1 SF SF SF . IDOSO 2 NÚCLEOS DE GERIATRIA E GERONTOLOGIA Equipe Gerontológica . Fisioterapeuta . Alzheimer Casos mais complexos REABILITAÇÃO Internamento Domiciliar Ministério Público / OAB SUPERVISÃO e SUPORTE / RETAGUARDA DAS EQUIPES COMPARTILHAMENTO DO CUIDADO COM AS ESQUIPES HOSPITAL REGIONAL .... . 3 Coordenação da Política Municipal de Atenção ao Idoso Co-Gestão Município/UFC Centro de Referência Equipe Gerontológica . Médico .. . Enfermaria Integrada 4 ..

2003 . T.K. Blass. Coelho Filho JM. Churchill Livingstone... Rev Saúde Pública 2004. & Tinetti. . 38 (4): 557-64.G. ed. Oxford University Press.R. 2006. clínica e terapêutica. Mcgraw -Hill Professional. São Paulo. 2000. Editora Guanabara Koogan. Ouslander. & Papaléo Netto.. Second Edition. & Wilcock. H. 2ª.G. Age and Ageing 2001.F. Hazzard. 2ª. M... R.B. Williams. A. ed. Halter. Oxford Textbook of Geriatric Medicine. 33(5): 445-453..L. C. Sixth Edition. Tratado de Geriatria e Gerontologia. L. B. M. Evans. 2003. Geriatria: fundamentos. G. Coelho Filho JM. Rev Saúde Pública 1999. E. Rev Saúde Pública 1999. F.C.. Appraising clinical trial evidence for elderly people: special considerations. Editora Atheneu. Tallis. Brocklehurst´s Textbook of Geriatric Medicine and Gerontology. A.. J. Carvalho Filho. E. 33(5): 445-453.L. 2ª ed. & Cunha.. J. 2004.M. Rocha.P.ed. 2005.V.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Freitas. Fillit. Epidemiologia do envelhecimento no Nordeste do Brasil: resultados de inquérito domiciliar. Coelho Filho JM & Ramos LR. M.: Michel. J. Modelos de serviços hospitalares para casos agudos em idosos. Perfil de utilização de medicamentos por idosos em área urbana do Nordeste do Brasil. G. T.. Rio de Janeiro. Cançado. Coelho Filho JM. 2ª. Neri. 30(2): 117-19. J. Principles of Geriatric Medicine and Gerontology. R.V. & Brocklehurst's. J. W.M. U. J-P. São Paulo. Py. Sinais e Sintomas em Geriatria. Gorzoni. L. Guimarães. . Beattie. S. Editora Atheneu. 2ª ed. Fifth Edition.