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Elementos de Retórica (1999) por Radamés Manosso © Copyright 1999 Radamés Manosso Versão para RocketEdition eBooksBrasil.com

Considerações iniciais O escopo da Retórica O mito do discurso básico O elenco dos recursos retóricos Taxonomias de recursos retóricos Sentido próprio e sentido figurado Retórica e Estilística Retórica e Teoria de Informação CATEGORIAS Comunicabilidade Legibilidade Acessibilidade Processabilidade Atratividade Quantidade de informação Conotação Sentido imediato Sentido preferencial Propriedade Estilo Concisão Ênfase Atenuação e agravamento Anomalia Sociabilidade Definição Sofística Dualidades do discurso Taxonomias RECURSOS RETÓRICOS Alegoria Editoriais Elipse Entoativos e gestuais Iconia Ironia Metáfora Metaplasmos Metonímia Ordem Ortográficos Oxímoro Repetição Rima Segmentação Título Trocadilho Outros recursos Qualidades notáteis

MIMÉTICA Elementos da narrativa Fábula Tempo Foco Ponto de vista Continuidade Descrição A narrativa noticiosa e a literária Formas narrativas Recursos retóricos em narração RETÓRICAS NOTÁVEIS Da Monografia Da Influência Do Jornalismo Da Oratória Da Literatura BIBLIOGRAFIA Recursos na Internet .

Feitas as correções de rota necessárias. considerando que matérias como a Lógica e a Lingüistica. ou a mero apêndice da estética literária. etc. Mas há outros modos de progresso do conhecimento. o que há de errado com a Retórica? Ela não é matéria digna de atenção? Algum preconceito esmagador paira sobre ela? A Retórica estará intrinsecamente impedida de alcançar o estatuto de ciência? Há quem diga que a evolução do conhecimento se dá por saltos qualitativos. Um fato é certo: a Retórica não está completa. o que inclui abordar desde o bate-papo no bar da esquina até o discurso filosófico mais denso. De tudo que na Retórica venha de postulação estética ou moral e de tendências para a normatividade. mas extende-la até os seus limites naturais. com certeza a Retórica ganhará novo alento. Então por que tantos séculos sem evolução significativa? Em especial. que nem de longe se comparam aos que dispomos hoje. Mesmo as tentativas atuais de revitaliza-la padecem deste mal. Mais surpreendente é a hibernação milenar em que a Retórica ingressou após seu período áureo. Em terceiro. Não se disse tudo que há para dizer e muito do que foi dito merece reparos. didático. Digo que isto é válido quando o conhecimento anterior tem alguma premissa refutável que abala suas fundações. passando pelo jornalístico. Moral e Estética sempre contaminaram a Retórica. Por que só na segunda metade do século XX surgiram novas contribuições notáveis à Retórica? Afinal. É por estas vias que julgo possível um avanço do conhecimento retórico. não não é o caso da Retórica. expurgo. mesmo sendo objeto de furiosa exegese e matéria de estudo das melhores cabeças por séculos. o que me parece. Nem todos os limites da Retórica foram demarcados. literário.A renovação da Retórica É surpreendente a Retórica ter surgido pujante há mais de dois mil anos. Há o que ainda não foi abordado. numa época de parcos recursos de análise. desbravamento. Não limita-la à oratória da persuasão e do debate. Primeiro generaliza-la. Em segundo. Há o progresso por generalização. .. nascidas no mesmo berço já atingiram o estatuto de ciência moderna. por ruptura. o progresso por expurgo e também por desbravamento.

Radamés Manosso .

Podendo ser vista como arte. literários. etc. Existe um outro modo de entender a Retórica. tais como regras de uso ou supressão e formas construtivas. A Delimitação do campo Delimitar o campo da Retórica requer se embrenhar numa selva de senões. com a Estilística da língua. sua funcionalidade. Existe o discurso para um uso. poréns e todavias e o resultado a pouco leva. um fim. é específico. como conhecimento. pode ocorrer que em dado contexto a eficácia repouse justamente no discursar mal. mas uma Retórica literária. Para que a comunicação seja eficaz supõe-se que vise a objetivos. Uma premissa básica permeará todo nosso trabalho: Não existe um discurso geral. com a Lógica. mas insuficiente sem a excelência trazida pelo talento. com a Psicologia. uma função. um receituário do discursar para qualquer circunstância. Existem discursos jornalísticos. A Retórica neste sentido não é uma arte do bem discursar. inespecífico. A Retórica não estipula estes objetivos. não como estudo. oratória. argumentativa. sem estilo. com a Sociologia. e publicitária. mas como arte. apropriada por não haver quem a reinvindique. E quando mudarem os objetivos do jornalismo mudará sua Retórica. não há uma Retórica geral. publicitários. se o que se faz é codificar. outra jornalística. um discurso básico.O escopo da Retórica A Retórica se ocupa dos meios formais que tornam a comunicação específica e/ou eficaz. diferenciado.. senão geralmente. Há matéria situada em terra de ninguém. argumentativos. Assim. peculiar. É um conhecimento sobre tais categorias. além de categorias relacionadas a isto. Idem para os demais discursos. oratórios. com a Teoria Literária. de modo que não basta munir-se da melhor técnica para produzir o melhor discurso. Por vezes a especificidade não é a adequada. etc. Há matéria em litígio quanto a posse. e de dispositivos de análise que permitam ver o que ele tem de específico. se o que se faz é decodificar. Eles devem estar colocados anteriormente para que haja possibilidade de fazer Retórica. sua excelência. se é eficaz. A técnica é componente decisivo para o sucesso. que é particularizado. A especificidade nem sempre leva a eficácia.. pois. uma arte do discurso eficaz. sua eficácia. A Retórica como estudo é a busca do conhecimento dos meios formais que tornam possível a moldagem do discurso à necessidade visada. sem peculiaridades. Agora. é bom lembrar que nenhuma arte prescinde do talento. O esforço aqui foi no sentido de restringi-lo para que não se tenha a impressão que a Retórica é . Há matéria fazendo interface com a Lingüística. didáticos. suas características.

uma matéria inter disciplinar. ou um conhecimento a serviço exclusivo da literatura. Tem de ser tudo isso e um pouco mais e precisa se precaver a todo custo da tentação da normatividade. dos juízos estéticos. E fica-se por isto que mais é discussão ociosa. sejam quais forem. basta folhear por alto as páginas do livro. . do moralismo e do compromisso com estilísticas. ou sobre a arte da persuasão. Para saber o que se entende por Retórica aqui. ou sobre a arte da eloqüência. A Retórica não deve se limitar a ser apenas um conhecimento sobre os recursos de Retórica.

Novamente o distinguido do vulgar pelo uso ou não de formas fixas. desprovido de Retórica. Mesmo nos discursos onde a preocupação com a forma é secundária. que é a presença dos ornamentos que garante a beleza e a nobreza. identificado do discurso Novamente belo sendo Figuras de ornamentação Existe também uma idéia batida que os recursos de Retórica existem para ornamentar o discurso. Já o discurso é particularização. de um grau zero da escritura. sem Retórica. tese que tem como premissa a existência do discurso nu. pois. O mito nasce a partir de duas atitudes. Foi assim na Retórica Antiga. Óbvio. Os recursos de Retórica não são o ornamento. de um jeito natural. se existem. sem hipérbato. sem as figuras de ornamentação e um discurso elevado. e não é pela sua presença que se funda essencialmente a beleza e a nobreza. chama-se de falta de estilo não usar certas formas. Para piorar dizem que este discurso cru é baixo e/ou feio. de uma linguagem essencialmente não-literária. se ornamentado. são a própria matéria prima da forma. sem iconia. primário. A segunda é a crença que se pode distinguir o elevado do baixo. o belo do vulgar. Servem inclusive para ornamentar. sem alegoria. no belo e no feio. da nobreza. A primeira consiste em chamar de estilo o que se julga o bom estilo e sua falta o que se julga o mau estilo.O mito do discurso básico Existe o mito de um discurso de referência. Também . lá estão os recursos de Retórica exercendo as mais diversas funções. de um discurso inespecífico. ali da atenuação ou agravamento. Discursos sem metáfora. Num discurso assim seria impossível germinar literatura. Aqui a serviço da economia. sem estilo. unicamente a partir do uso ou não desta ou aquela forma sem atentar para sua excelência. Concebia-se que existia um discurso baixo. sem ornamentação. são algo no mínimo muito exótico e raro. Inespecífica é a linguagem. o discurso baixo era próprio da plebe e o elevado. de um modo normal de discursar. enquanto objeto de estética. Assim o discurso básico geralmente é apresentado como aquele que não tem o bom estilo porque não usa as formas essenciais ao bom estilo. acolá da ênfase. atualização de uma potencialidade. massa plástica informe e potencial. sem elipse. os recursos de Retórica ocorrem no discurso elevado e no baixo. proximamente do discurso científico. A índole aristocrática da Retórica Antiga nunca permitiu a seus seguidores enxergar que o discurso plebeu é igualmente bem ornamentado. o literário do não-literário. São pau para toda obra. que dentro de certas balizas se amolda aos objetivos a que se destina. Este grau zero seria o antípoda literário. Modernamente surgiu o conceito de grau zero da escritura.

. São básicos e não opcionais ou supérfluos. ao discurso de pretensão racional. é associado ao poético. Seria de um pedantismo insuportável. A ausência de Retórica do discurso claro deve ser lida como ausência de tropos. A presença de Retórica deve ser lida como uso abundante de tropos. se associa o discurso claro ao discurso científico. Já o discurso figurado. cuja principal virtude é a clareza. ao literário. São a própria carne da forma. Considerar que o uso de tropos é essencial ao poético. É impensável uma linguagem sem metáfora. a obscuridade. e de um discurso impregnado de Retórica. Os recursos de Retórica não são meros ornamentos do discurso. sem elipse. Os preconceitos embutidos nesta tradição podem ser resumidos no seguinte: Considerar que o uso de tropos sempre prejudica a clareza. Esta pesada herança clássica que impregnou a Retórica de moralismo e Estética precisa ser superada para que a Retórica entre em uma nova fase.existem os discursos de alto valor estético mas pobres em recursos de Retórica. cuja virtude é a opulência. Implicita ou explicitamente. sem metonímia. Linguagem racional e linguagem da paixão Seguindo a mesma linha da tese do discurso básico. Considerar que o uso de tropos é característica essencial do discurso emotivo. a plurissignificação. em alguns casos. há uma tradição de conceber a existência de um discurso desprovido de Retórica.

alusão. Já é discutível a relevância de se relacionar todos os casos particulares da repetição. antimetábole. não podem ser considerados recursos. Pode-se atenuar com metonímias. elipse.. A segunda: relevância. Do mesmo modo a repetição. A formação de um elenco de recursos retóricos Pela disparidade que existe entre as ocorrências a que se pode chamar recurso. comparação. Isto indica que embora haja divergências acerca da definição compreensiva de recurso retórico há certo consenso sobre quais sejam os recursos retóricos mais relevantes. busca-se uma definição que enquadre todas as ocorrências elencadas. epânodos. metonímia. Se os elencos de recursos citados por cada autor são diversos entre si isto não se deve tanto à variação da definição compreensiva de recurso retórico autor a autor. Algumas importantes: A primeira limitação: o recurso tem que ser uma forma e não característica de formas. ironia.. pleonasmo. sua caracterização será sempre uma tarefa indelegável do entendimento. epíforas e etc. Com isto. epanalepses. silepse. Em parte. limitações podem ser propostas. Nos diversos tratados de Retórica notáveis temos diferentes entendimentos do que seja recurso retórico.O elenco dos recursos retóricos As definições compreensivas para recurso retórico são feitas sempre tentando se adequar a um elenco sub-entendido de ocorrências. Relevância é questão subjetiva. desses tratados é possível obter um elenco comum de recursos. A tradição pressiona neste sentido. por exemplo. Não se dá o contrário: definir recurso retórico para depois gerar o elenco. Por exemplo: pode-se dizer que a metáfora tem relevância indiscutível para citação. sinédoque. Não são muitos os casos em que a relevância é unanimamente aceita. . metáfora. há acordo sobre a definição extensiva do conceito. com repetição. ou seja. com elipses. Todorov e Grupo Nü obtemos um elenco comum formado por: alegoria. Não há algoritmo para caracterizar recursos retóricos. hipérbole. mas à relevância que o autor atribui a cada recurso em particular. pois. Mesmo assim. Estabelecido o elenco de ocorrências. pensar em recurso retórico sem pensar em metáfora. etc. Um recurso deve ter relevância. epanáforas. zeugma. como foi feito na retórica tradicional que criou epanadiploses. as citações de Tavares. Apesar disso. atenuação e agravamento. o que torna difícil. por exemplo. Cruzando. primeiro para ser citado. em segundo para ser distingüido quando é caso particular de uma classe que também pode ser entendida como recurso retórico. há várias formas capazes de atenuar ou agravar. antanáclase. epanástrofes. por exemplo. hipérbato. por causa disso as listas de recursos retóricos costumam ser diferentes entre si. litotes.

Não deve ser estabelecida a partir de postulação estética e moral. .A terceira: a relevância tem que ser estabelecida a partir da utilidade do recurso para especificar e dar eficácia ao discurso no seu uso.

da antanáclase. A antanáclase para Tavares é figura de construção. considerável dispêndio de esforço para classifica-los. O quadro abaixo mostra como cada classificação faz a correspondência dos recursos com categorias lingüísticas: . para Todorov é figura semântica e para o Grupo Nü é Metassemema. para Todorov é anomalia semântica e para o Grupo Nü é Metassemema. o que é visível pelo quadro de correspondências que segue: A relevância e a pertinência da analogia Lingüística/Retórica parece inegável. Em alguns casos este dispêndio drenou toda a atenção dos retóricos e o que deveria ser uma prática acessória tornou-se no escopo principal da Retórica. Os problemas com este critério são de consistência. O pleonasmo para Tavares é figura de construção. A alusão para Tavares é figura de pensamento. inclusive este.Taxonomias de recursos retóricos A abundância de recursos retóricos é característica da maioria dos tratados de Retórica. a de Todorov e a do Grupo Nü . da comparação e do pleonasmo. O traço comum das três classificações é o estabelecimento de uma analogia entre Retórica e Lingüística. Tomamos a classificação dada por Hênio Tavares como sendo a tradicional. houve tradicionalmente. Para fins de análise consideremos três classificações notáveis: a tradicional. para Todorov é anomalia semântica e para o Grupo Nü é Metalogismo de supressão-adjunção. A de Todorov e do Grupo Nü são classificações matriciais. A comparação para Tavares é figura de pensamento. Provavelmente em função desta abundância e da disparidade entre os recursos retóricos. para Todorov é anomalia semântica e para o Grupo Nü é um metalogismo de adjunção. Analisemos os casos da alusão.

Tavares está certo. é um recurso de sintaxe. o Grupo Nü está certo. Tradicionalmente. Em resumo. logo. Quando ocorre como repetição o pleonasmo se manifesta no nível sintático. . Quando ocorre como redundância o pleonasmo se manifesta no nível semântico. Todorov está certo. logo. cabe em qualquer uma das três classes e o critério da analogia com a lingüística não é consistente. O conceito designado por 'pleonasmo' é o mesmo nas três classificações. supra sintático. o pleonasmo. Todorov o considera semântico e o Grupo Nü.O exemplo do pleonasmo é o mais eloqüente. Então por que a divergência? O problema está na inconsistência do critério. logo. Quando ocorre como repetição de mensagem o pleonasmo se manifesta no nível supra-sintático.

apesar da imparcialidade típica e necessária ao conhecimento científico. Ele carrega uma conotação positiva. pois. Não há muito o que criticar na adoção dos conceitos de sentido próprio e figurado. na acepção tradicional não é próprio ao contexto. mas nunca mais que esporadicamente. A Retória tradicional é impregnada de moralismo e estetização e até a geração de categorias se ressente disso. O sentido próprio. 'primeiro'? Pela lógica da Retórica tradicional. em 'Maria é uma flor' diz-se que 'flor' tem um sentido próprio e um sentido figurado. Um exemplo: o retórico que tenha . O que é criticável é a atribuição de status diferenciado para cada uma das categorias. e que em leitura imediata leva à mesma mensagem que se obtém pela decifração da metáfora. etc. não.'. vemos conotações de valor sendo atribuídas a categorias retóricas a partir de considerações totalmente externas à Retórica. com os mesmos argumentos. por que não chama-lo de 'natural'. Alguns autores o julgam.Sentido próprio e sentido figurado Há uma tradição de afirmar que certas ocorrências de discurso possuem sentido próprio e sentido figurado. O sentido dito figurado é o do enunciado que substitui a metáfora. O conceito do sentido próprio nasce do mito da existência da leitura ingênua. Esta tendência para atribuir status às categorias é uma constante do pensamento antigo. logo. é verdade. Tradicionalmente o sentido próprio carrega uma conotação de sentido 'natural'. sentido 'primeiro'. O sentido figurado é visto como anormal. o que comumente ocorre. é o sentido figurado que possibilita a correta interpretação do enunciado e não o sentido próprio. O sentido figurado é o mesmo de 'Maria. mulher bela. além disso. Geralmente os exemplos de tais ocorrências são metáforas. pois. como sendo o sentido preferencial. O sentido próprio é o mesmo do enunciado: 'parte do vegetal que gera a semente'. é natural. afinal. cuja índole era hierarquizante. O sentido tradicionalmente dito próprio. mas nem sempre. em algumas teorias modernas. mas ao termo. sempre corresponde ao que definimos aqui como sentido imediato do enunciado. esta inversão de perspectiva não é possível. o sentido figurado está impregnado de uma conotação desfavorável. Ainda hoje. Assim. 'primeiro' é o sentido figurado. Invertendo a perspectiva. O sentido próprio. Se o sentido figurado é o 'verdadeiro' para o enunciado. ela abre um caminho de abordagem do fenômeno da metáfora. primeiro. poderíamos afirmar que 'natural'. que ocorre esporadicamente. sempre buscando uma estrutura piramidal para o conhecimento. o que se extende até hoje.

originalidade. .para si a convição que a qualidade de qualquer discurso se fundamenta na sua novidade. tenderá a descrever os recursos retóricos como 'desvios da normalidade'. o que lhe interessa é pôr os recursos retóricos a serviço de sua concepção estética. pois. imprevisibilidade.

um epílogo. É preciso avaliar a normatividade de forma conseqüente. A confusão entre fatos de estilo e fatos retóricos levou alguns retóricos a dizer que os recursos retóricos eram próprios à linguagem da paixão. enfim. Na história da Retórica. Quando se escrevia nos tratados de Retórica que o discurso deve ter um exórdio. pela exuberância. estava-se a definir estilo. já que nem todos diferenciam uma de outras. O estilo bizantino era entendido como aquele que prima pela opulência. inclusive. Desatentos. constantemente os retóricos se ocuparam de estabelecer estilos. etc. nem a Estilística definem estilos. uma partição. enfim. O estilo ático era entendido como aquele que prima pela concisão. contenção. Mas é a estilística que estabelece se a concisão é desejável no discurso. Baseavam-se para isto na constatação que o discurso produzido em condições emocionais tensas costuma ser rico em tropos..Retórica e Estilística A Retórica se ocupa daquilo que torna o discurso específico e de como esta especificidade contribui para a eficácia. A Retórica é um instrumento. o discurso enxuto. estes retóricos não percebiam que o estilo ático também é rico em recursos retóricos. Normatividade e Retórica A Retórica não existe para baixar normas sobre como deve ser o discurso. o que se estende à Retórica. Daí julgavam que os recursos retóricos eram sempre próprios para as finalidades ornamentais do estilo bizantino e só para elas. etc. uma argumentação. Neste sentido nem a Retórica. as estilísticas gozam de má fama entre alguns. O equívoco se explica a partir da dicotomia que se praticava na Retórica Antiga entre o estilo ático e o bizantino. harmonioso. Os retóricos antigos entendiam que dois discursos sobre o mesmo tema. por exemplo. o que é concisão. Por serem normativas. como obte-la. sendo esta a diferença básica para com o discurso racional. que efeitos dela se tira. um em estilo ático e outro em estilo bizantino se diferenciavam basicamente pelo uso exacerbado de recursos retóricos no de estilo bizantino. Este tipo de confusão levou a equívocos como o de considerar os recursos retóricos como 'figuras de ornamentação'. É . Isso compete às estilísticas. um discurso barroco. Quando se dizia que o discurso deve ser claro. Também ocorreu de se confundir fatos de estilo com fatos de Retórica. A Retórica diz. racionalidade.. Já a Estilística. pois ela não é em essência ruim ou boa. onde o lógico é substituido pelo analógico. porém. se ocupa das especificidades típicas. elevado. Novamente uma característica de estilo é generalizada indevidamente em lei retórica. das estilísticas. definia-se um estilo. enquanto área de conhecimento.

Quer dizer. O poema tinha de ser rimado. O jornal. Para facilitar esta tarefa virtuosista criaram as licenças poéticas: encadeamentos. diástoles. . Citemos como exemplo as regras de versificação dos parnasianos. para não macular um aspecto da forma criava-se licenças de efeito até cômico que deterioravam a forma em outro aspecto. que é um discurso escrito a muitas mãos não teria unidade sem o seu Manual de Estilo. etc. Mas nem toda normatividade é maligna. metrificado. ritmado segundo formas fixas. palavras supérfluas para completar metro.certo que temos exemplos em que ela descambou para o dogmatismo e produziu efeitos desastrosos.. sístoles. inversões sintáticas bruscas.

ruído possuem na Teoria da Informação. Antes disso são traduzidas . Informação é a redução da previsibilidade. Absurdos como os enumerados acima resultam do desconhecimento do sentido específico que os conceitos informação. que divergem consideravalmente do sentido comum destes termos. Surgiram afirmações absurdas e cômicas. Alguns exemplos: Quanto mais raro um termo. simplesmente porque eram citadas como resultados da Teoria da Informação. Se uma língua natural tem redundância de 55% pode-se excluir ao acaso 55% de suas unidades significativas sem perda do conteúdo. Então a pergunta: no que a Teoria da Informação pode contribuir para o desenvolvimento da Retórica? Talvez possamos responder analisando o que aconteceu em outras áreas. é redução das probabilidades de escolha. pois foram o resultado de uma assimilação mal digerida dos conceitos que a Teoria da Informação usa. isto interressa à Retórica. porém. maior seu valor informativo. É o caminho inverso da tendência natural para a desorganização. A Teoria da Informação quer quantificar o significante consumido em cada mensagem. A Teoria da Informação considera que as mensagens não são transmitidas na sua forma original. Uma mensagem previsível não traz informação nenhuma. Desde que foi criada houve inúmeras tentativas de transplantar suas conclusões para outras áreas do conhecimento para as quais ela não havia sido concebida.Retórica e Teoria de Informação A Teoria da Informação foi desenvolvida num ambiente de engenharia para a solução de problemas técnicos de telecomunicações relativos a transmissão de informação. que é o princípio da entropia. As línguas naturais são redundantes. resultou em rejeição pelo paciente. A preocupação da Teoria da Informação é transmitir informação. mais informativo. Analisemos esses sentidos específicos: O conceito de informação na Teoria da Informação Informação nesta teoria é vista como quantidade de significante após tradução para um código otimizado. Informação é a organização do caos. Quanto maior a taxa de novidade de uma mensagem. redundância. Em princípio. A maioria dos transplantes. que ganharam status de ciência. o mais economicamente possível.

mais bits. grosso modo. aos signos originais mais comuns se atribui um número binário de menos dígitos. Não quer dizer que eles sejam mais informativos quando se entende informação como significado. A diferença de eficiência entre o código real e o ideal é o que se chama de redundância do código. numa estatística do discurso todos ocorrem o mesmo número de vezes. pois os signos mais comuns ocorrem mais. para ser transmitidos. Isso é natural para se economizar tempo de transmissão. Mas não se pode dizer que é possível eliminar 55% de seus signos sem perder sentido. Ruído para a Teoria da Informação Na Teoria da Informação ruído é a diferença entre a quantidade de informação . Quando se diz na Teoria da Informação que signos raros são mais informativos. que possui mais elementos que os necessários à realização econômica dos discursos. quer-se dizer que na linguagem artificial de transmissão eles são representados por números binários mais extensos. Se forem representados por números binários de menos dígitos ocuparão menos tempo de transmissão. No código ideal suposto pela Teoria da Informação os signos são equiprováveis. Já os raros. O conceito de redundância é uma comparação entre o código real e o código ideal no tocante ao aspecto de economia de meios de transmissão. Aos signos mais raros se atribui os números binários com mais dígitos. Redundância para a Teoria da Informação A Teoria da Informação compara os códigos reais com um código ideal. abundância não é redundância. Isto não tem absolutamente nada a ver com a eficiência dos signos raros na comunicação humana. quer dizer. que são representados por números binários mais extensos. que teria as características perfeitas para a economia de transmissão. No código real cada signo tem uma probabilidade diferente dos demais para ocorrer no discurso. Quando se diz que um código tem redundância de 55% segundo a Teoria da Informação isso quer dizer que seu desempenho no tocante a economia de transmissão é apenas 45% do máximo teórico que só se alcança com um código ideal. O código ideal é de economia máxima. O código real terá uma eficiência avaliada por um percentual em relação ao código ideal. por ocorrerem pouco não prejudicarão a economia da transmissão.para uma linguagem artificial otimizada onde cada signo do código original é associado a um número binário. Nesta tradução. pois. Partindo dos conceitos que utilizamos neste livro podemos dizer que um código com redundância de 55% é abundante. é o número de dígitos binários que uma mensagem consome para ser transmitida na forma traduzida para uma linguagem binária otimizada. Informação para a Teoria de Informação. e consomem mais informação.

. Isto corresponde a uma quantificação do que entendemos por ruído supressivo neste livro.emitida e a recebida.

Mas olhando bem. muitas questões modernas já estavam presentes nas discussões do período clássico. a Retórica ganhou novos campos em que atuar. Ficaram de fora os recursos retóricos e categorias da Mimética que tem espaço próprio em outras áreas.Novo enfoque. abordamos inúmeras categorias diretamente relacionadas à Retórica. Nesta área. velhos temas Com a explosão dos meios de comunicação de massa. . da publicidade. do ensino.

Discurso É a exteriorização. Código É o sistema que possibilita a construção de discursos formado por uma gramática e um léxico. Gramática É o conjunto de regras pelas quais se relacionam os signos do léxico e com as quais se constroem os discursos. onde a mensagem é transferida integral. deformantes ou concorrentes. Signo É a exterioridade convencionalmente portadora de significado. Contexto É a situação que circunda o ato comunicativo. que porta a mensagem. Léxico Ou repertório é o conjunto de signos que pertencem ao código.Comunicabilidade Comunicabilidade é a qualidade do ato comunicativo otimizado. Mensagem É o conteúdo.A Transmissão correta implica em identidade entre a mensagem mentada pelo emissor e pelo receptor. ou remetente é o portador da mensagem a ser transferida. É um símbolo de seu significado. . Receptor Ou destinatário é aquele a quem se destina a mensagem. esforços de decifração e compreensão. Domínio Ou background ou competência é a parte do código que receptor/emissor domina. a atualização das potencialidades do código que veicula a mensagem.A rapidez supõe que se pratica o ato pela via mais curta. Pode-se falar numa comunicabilidade de código e de discurso. correta. Elementos da comunicação Emissor Ou fonte. A economia supõe que não são necessários retornos. o significado que se deseja transferir.A transmissão integral supõe ausência de ruídos supressivos. rápida e economicamente.

a atualização. Um tradutor recebe a mensagem. O tradutor é um emissor mas não um codificador primário. Ruído É uma ocorrência externa ao ato comunicativo que surge na fase da transmissão ou recepção e que leva à perda total ou parcial da mensagem e/ou sua deformação. Sintonia É a preservação da atenção mútua entre emissor e receptor durante a transmissão da mensagem. Compreensão É a extração da mensagem a partir do discurso decifrado. recodifica-a num novo código e novo discurso e o emite dando continuidade a transmissão. Transmissão É a jornada do discurso da emissão à recepção. Decodificação É a passagem do discurso interiorizado à mensagem. É supressivo se elimina o discurso em parte ou totalmente. Recepção É o ato da interiorização do discurso pelo receptor. a exteriorização do discurso. Decifração É o reconhecimento do signo enquanto tal e de suas funções gramaticais no discurso. É formado por decifração e compreensão. Tradução Surge eventualmente durante a transmissão. É deformante se altera o discurso e conseqüentemente a mensagem. Canal Ou meio é o suporte físico da transmissão do discurso. É concorrente se disputa com o discurso a atenção do receptor. Estocagem . Contato É o estabelecimento da atenção mútua entre emissor e receptor. Emissão É a realização. concorrente ou supressivo. O ruído pode ser deformante.Codificação É o ato de concepção do discurso. decodifica.

Intercala-se eventualmente na transmissão. É o caso do discurso escrito em que a recepção pode se dar muito depois da emissão. Danos à comunicabilidade ocorrem em todas as etapas do processo comunicativo, da codificação à compreensão. O dano ocorrido em uma etapa pode ter sido gerado em outra. O tipo de dano causado pode ser: Supressão total ou parcial da mensagem no processo. Deformação da mensagem. Perda de produtividade (velocidade menor, esforço maior.) A comunicabilidade pode ser dividida em partes: Pronunciabilidade: Qualidade do ato comunicativo oral otimizado para a elocução. É interesse típico do radialista, por exemplo. Audibilidade: Qualidade do ato comunicativo oral otimizado para a audição. Também interessa ao rádio. Legibilidade: qualidade do ato comunicativo escrito otimizado para a leitura. É típica questão para editores e jornalistas. Processabilidade: qualidade do ato comunicativo otimizado para o processamento, para a compreensão. É típicamente do interesse da didática, do ensaio, por exemplo. Acessibilidade: qualidade do ato comunicativo escrito otimizado para a leitura seletiva.

Fatores que prejudicam a comunicabilidade

Legibilidade
A leitura é um ato de percepção, tradução, decifração e compreensão. Percepção de signos visuais, de uma ordem espacial, da diagramação. Tradução, pois, na leitura se opera a permuta de um código visual para um código lingüístico. Decifração porque envolve reconhecer o signo enquanto tal. Compreensão porque, decifrado o signo é preciso extrair dele a mensagem. Legibilidade é a qualidade do ato comunicativo otimizado para a produtividade da leitura.

Qualificação do leitor
Consideremos dois casos extremos de leitor. Um que chamaremos qualificado, outro, o desqualificado. O leitor qualificado tem alta inteligência verbal, alta competência gramatical e lexical, está habituado a leituras, enquanto lê sua atenção pouco se volta para a decifração. Tem método e disciplina ao ler. O leitor desqualificado tem pouca inteligência verbal, pouco domínio do léxico e da gramática, pouca experiência de leituras e maus hábitos ao ler. Assim, quando falamos em legibilidade convém citar de que nível de leitor tratamos. Um texto ilegível ao leitor desqualificado pode não o ser ao qualificado.

Tipos de leitura
Decifratória/automática A decifratória é aquela em que a atenção e o esforço do leitor se dissipa principalmente na decifração. É típica dos que estão se familiarizando com o código como os que estão se alfabetisando e os que aprendem uma segunda língua. Não ocorre só entre leitores desqualificados. Fatores externos ao ato da leitura podem tornar o texto ilegível criando dificuldades mesmo para o leitor qualificado. A leitura silábica é o caso extremo da leitura decifratória. A leitura automática é aquela em que se dissipa mínimo esforço consciente na decifração. Supõe leitor qualificado e texto otimizado para a leitura. Vocal/mental A leitura vocal pode ir da sua forma mais apurada, a recitação com esmeros de entoação ao murmúrio entre dentes. A leitura mental pode reproduzir no nível mental uma recitação a plena voz ou se afastar disso rumo a uma leitura mais rápida que foge da entoação. Fonológica/ideogrâmica

Na leitura seletiva há interesses prévios estabelecidos. linha a linha. Psicológicos: atenção. bloqueios psicológicos. Depois porque a atenção não se dissipa diante da lentidão da entrada de signos. ausência de ruídos. Leitura produtiva Leitura produtiva é rápida. Se eles chegam a isto pelo treinamento ou pela natureza da visão que possuem é matéria para a fisiologia da visão. frase. É a região mais nítida do campo visual. estado emocional. palavras chave. Primeiro porque não se perde tempo com a decifração consciente. praticada tanto verbal como mentalmente. Estes leitores obtém velocidades de leitura maior. conforto. Metodológicos: abrangência da zona nítida. bem pequena em relação ao campo total da visão. O signo visual é convertido em fonema. dispensa releituras. motivação. Ambientais: iluminação. Na leitura ideogrâmica a tendência é de velocidades de leitura maiores. Integral/seletiva Integral é a que se dá palavra por palavra. palavra. em especial. Um maior automatismo aumenta a velocidade da leitura. Começando com os inerentes ao ato: Fatores que influenciam a produtividade da leitura Fisiológicos: acuidade visual. envolve a tradução de um código visual para um código acústico. Só localizados os elementos de interesse é que o leitor passa para uma leitura linha a linha.A leitura fonológica. egocentrismo. é captado como signo visual remetendo ao significado sem a passagem pelo linguístico. o signo visual que é grafemático. mentalização. tendência à réplica. automatismo. Na leitura ideogrâmica. atitude crítica. leitura seletiva Zona nítida corresponde à região do campo visual captada pela fóvea do olho. com boa compreensão. A seletiva inicia com uma busca prévia de elementos de interesse. É assunto para experimentação determinar a possibilidade de leituras integralmente visuais. Para isto acontecer há fatores relacionados ao ato de ler e fatores externos a ele. Relata-se que certos leitores conseguem enquadrar mais grafemas na zona nítida por fixação dos olhos que outros. a partir de signos grafemáticos. O automatismo melhora com o treinamento . leitura visual. Considera-se que a leitura ideogrâmica é típica do leitor qualificado. preconceitos. ou visual. que a pratica associada com a fonológica tendendo mais para uma ou para outra dependendo da situação. Intelectuais: divagação.

óbvio. É de se cogitar se depende de fatores como a inteligência verbal ou outras aptidões pessoais. . Tipos esguios. sua acuidade visual é boa. Adornos que escondem o traço básico do grafema. Outros textos devem ser lidos com visão crítica nem que isto signifique interromper a leitura em vários pontos. A leitura visual é mais rápida que a fonológica. sua leitura é automática. Em princípio a interiorização de um signo visual é mais rápida que o tempo para a elocução da palavra que o designa. a leitura seletiva é mais produtiva. aqueles em que há desproporção entre medidas ortogonais entre si. Quando sacrificar a produtividade Nem sempre a leitura mais rápida é a ideal. por exemplo. a abrangência da zona nítida é máxima. sem bloqueio psicológico contra a leitura em si ou ao assunto do texto. não divaga. sem tendência à réplica. Um romance policial. mentalizada. motivado. quando o leitor é qualificado para o nível do texto. abstraindo tudo que na entoação reduz a velocidade. Legibilidade de edição A legibilidade de edição envolve fatores externos ao ato de ler que otimizam a produtividade da leitura no nível gráfico. (camuflagem) Tipos bojudos. ou seja. aqueles em que a área dos vazados e das reentrâncias é mínima em relacão à área do tipo. Casos de má legibilidade de edição Ligados à decifração Mistura de padrões de letras. A leitura mais produtiva ocorre quando os fatores externos que influem no ato de ler estão otimizados. Desde que se aceite uma pela outra. A leitura visual não será ideal para textos dramáticos e poéticos onde a máxima fruição se dá quando são recitados e a leitura recria toda uma entoação. está atento. A leitura mentalizada tende a ser mais veloz que a vocal porque nela é possível ignorar apuros de entoação. é seletiva. só é lúdico se lido página a página e não apenas no ponto em que se desvenda a identidade do criminoso. controla o ímpeto à crítica. Para certos textos sugestivos talvez. tende para o visual. ou seja. Outros textos são melhor fruídos com leitura integral. A leitura seletiva é mais rápida que a integral. tranqüilo.e com a competência linguística. não se fecha em si. com a conseqüente perda de compreensão envolvida. seja melhor liberar a divagação. não tem preconceito contra a leitura em si ou ao assunto do texto.

Corpo da letra carregado de informação. (camuflagem) Abreviaturas. Siglas que não podem ser lidas como palavras. Falta de alinhamento na margem esquerda. onduladas. Números altos em notação decimal. Letras amontoadas e/ou encostadas. Escrita vertical. Letras desalinhadas. Variações de tamanho das letras na linha. (estilização) Suprimir contornos da letra (camuflagem) Baixa resolução. . Linhas inclinadas. Fundo carregado de informação. oblíquas. da frase. Terminar a linha no meio da sílaba. Ligados à recepção: Tamanho reduzido dos grafemas. da palavra da locução. Palavra que não cabe dentro da zona nítida da visão. Letras afastadas.Tipos de traço fino. (camuflagem) Sequências de letras com padrões semelhantes. Baixo contraste de cor entre letra e fundo (camuflagem). Alteração do traço básico do grafema.

Uso de títulos esclarecedores. Hiper-texto. O hiper-texto. que facilita o acesso à informação. . A informação deve ter uma parte do discurso a ela dedicada e só uma parte. Unidade temática das partes. cujas funções equivalem às do título num texto convencional. Medidas para melhorar a acessibilidade: Máxima segmentação do texto. possível no texto informatizado permite a movimentação rápida pelas partes do texto que são nomeadas por variáveis de glossário. Ordem entre as partes.Acessibilidade A acessibilidade é a qualidade do texto otimizado para a leitura seletiva.

Abundância de recursos de semântica aberta. Na sua qualificação computa-se sua inteligência verbal. Categorias que silogismos. O que torna um discurso difícil? Há duas esferas a considerar: a da forma e a do conteúdo. aumentam a dificuldade: definições. Distanciamento entre termos sintáticos dependentes. Frases parentéticas. Complexidade crescente: reduz a dificuldade. sua memória imediata. Frases subordinadas. Background progressivo: reduz a dificuldade. mais fácil o discurso. Na esfera formal: Dificuldades de processamento: Frases longas. classificações. . sua atenção difusa. Desconexidade entre as partes: uma lista caótica é mais difícil de memorizar que uma lista de ítens interrelacionados. Aspectos da processabilidade relacionados com o significado: Familiaridade: A familiaridade com o significado diminui a dificuldade. sua competência linguística. Densidade de novidade: menor taxa de novidade. Abundância de elipses. Dificuldades de competência: Abundância de raridades de léxico e sintáticas. Abstração aumenta a dificuldade.Processabilidade Um discurso difícil é aquele que só se afigura como de boa comunicabilidade ao receptor qualificado. remissões.

quer dizer. A diferenciação tem de ser pronunciada o suficiente para ser percebida. Num caso a iniciativa da busca do contato é do receptor. um cartaz de rua. talvez passe despercebida.A diferenciação fica mais visível em ambiente de baixa informação. Há dois caso extremos de postura do receptor com relação ao discurso emitido. Para o ponto de entrada é indispensável diferenciação das demais partes do texto. em especial. O ponto de entrada deve ser acessível. Daí a necessidade de captar a atenção e o interesse desse leitor. A tradição criou convenções editoriais que funcionam como pontos de entrada. Pontos de Entrada Um ponto de entrada é uma parte do discurso que se diferencia das demais. o parágrafo. sua resistência a discursos cuja assimilação envolva esforço mental é grande. É o caso. A melhoria da atratividade envolve o uso de recursos formais ou de conteúdo. do leitor que abre um livro de seu interesse para estudo ou lazer. diferenciado e ter o potencial de atrair a atenção do leitor para ser a primeira parte do texto a ser lida. em função de seu interesse particular. Alta informação camufla a diferenciação. O jornalismo sabe bem que é por aí que o leitor começa qualquer leitura. por exemplo. Para tornar o texto atraente é preciso levar em consideração que quando o leitor não está predisposto à leitura o contato inicial com o texto é feito por atenção difusa. um objeto heterogêneo entre outros homogêneos. Noutro extremo temos o texto que o leitor não está propenso antecipadamente a ler. tais como. . sem concentração ou objetivo de leitura estabelecido. Se não for perceptível não surte efeito. o subtítulo. Uma diferenciação tipográfica de dez por cento no tamanho. e que pelas suas características é por ela que o receptor inicia o contato com o discurso. O cartaz de rua é o tipo do texto que necessita de boa atratividade para surtir o seu efeito comunicativo. ao contrário de uma diferenciação em que o tamanho do diferenciado dobre. o título. a legenda. Diferenciação O que é diferenciado tende a atrair a atenção. a capitular. por exemplo. Para discursos que são recebidos em condições tipicamente distensas como é o caso da leitura de uma revista de atualidades é preciso ter em mente que o receptor nessas situações tem uma inércia considerável.Atratividade Atratividade é a qualidade do discurso otimizado para estimular o travamento de contato com o receptor e na seqüência a manutenção da sintonia. como por exemplo.

Fatores de conteúdo que melhoram a atratividade Introdução direta do tema: Quando o tema. Recursos de Retórica. Nas páginas iniciais de um livro. Indiferenciação afugenta. Texto passível de leitura numa só acomodação visual da retina tem maiores chances de leitura. paráfrases. tipografia pouco diferenciada. antes que a atenção seja drenada para outro ponto de interesse. por si. É a solução clássica. Exemplos: Escrita vertical. etc.. revistas. maior. O leitor começa ler pela tipografia No centro de atenção da página. Baixa legibilidade afugenta. Com tipografia relativamente maior. citações.Direção preferencial de leitura Sabe-se que a atenção do leitor é um pouco maior: Nas páginas ímpares. é atraente pode-se apresenta-lo no ponto de entrada do discurso. etc... O exemplo ilustrativo: . equilibrada. etc. Despertar a curiosidade pelo suspense: Esta solução envolve respeitar as regras para o sucesso do efeito do suspense. Falta de segmentação afugenta. O uso de recursos de Retórica nos pontos de entrada do discurso podem melhorar a atratividade. Numa linha diagonal que começa no canto superior esquerdo e termina no canto inferior direito da página. produtiva. Acessibilidade atrai. Fatores formais que influenciam na atratividade Discurso longo afugenta o receptor. texto camuflado. Os mais usados: trocadilhos. Fora desta faixa diagonal tem-se as chamadas zonas mortas. O centro de atenção da página é uma região localizada um pouco acima do centro geométrico da página identificada como o ponto onde se posiciona a zona nítida da visão ao travar o primeiro contato com a página. iconias.

Destacando no ponto de entrada uma ou mais das seguintes Propriedades do tema: Raridade.Um caso típico. dramático. Possibilidade de empatia com o receptor. o pitoresco. o exótico. Matéria de interesse humano. Possibilidade de envolvimento do receptor. . Atualidade. pitoresco. Aspectos atraentes do conteúdo. notável que ilustre o tema atrairá a atenção para o tema se colocado no ponto de entrada do discurso. Novidade. O curioso. Proximidade ao receptor.

Quantidade de informação Há dois modos de entender a informação: como significante e como significado. que ocupa espaço de estocagem e tempo de transmissão. A escolha está ligada a fatores como economia de transmissão. pela frase. por exemplo. informação é discurso tomado como coisa. que é composto por unidades discretas nos seus diversos níveis. sintático. Quantidade de informação Escolhida uma categoria para unidade de informação. quer dizer. Entendida como significante. como objetividade que veicula mensagem. Informação enquanto significado A quantificação da informação enquanto significado enfrenta vários impasses. pode-se optar pelo fonema. As unidades de informação devem ser consideradas de mesma extensão. pela palavra. fonológico. Assim. unidade de informação é definida a partir da escolha arbitrária de uma categoria num dos níveis e cujos eventuais segmentos menores que a formam não tem a característica comum do nível e de qualquer segmento superior. repertório e estocagem. Como significante é o modo que adota a Teoria da Informação. Escolhida a categoria para unidade de informação temos em cada código um conjunto de unidades de informação que chamamos repertório. pelo sintagma. Unidade de informação Para o discurso lingüístico. se a palavra é escolhida como categoria para unidade de informação é porque não pode ser segmentada em unidades menores a que se possa atribuir características de palavra. É necessário resolver questões como: Enquanto significado a informação é segmentável ou ao menos mensurável? Há como definir uma unidade de informação significativa? Tomemos como exemplo um caso mais simples: a lista telefônica. pelo morfema. Conforme a escolha que se faz para a unidade de informação pode haver diferenças de extensão entre uma unidade e outra no mesmo repertório. morfológico. Suponhamos que a unidade mínima de significação de uma lista telefônica sejam os dados . ocupam um mesmo espaço de estocagem e um mesmo tempo para transmissão. quantidade de informação é o número de unidades presentes no discurso. No lingüístico. O problema é a escolha da categoria para servir de unidade. gráfico. Esta consideração é apenas metodológica.

Mas um verbete pode ter extensão muito maior que outro. No exemplo da lista telefônica poderíamos definir densidade como a razão entre o número de usuários cadastrados e o número de grafemas da lista. o sobejamente conhecido. A densidade é uma função da escolha das unidades de informação significativa e significante. Neste caso a quantidade de informação contida numa lista telefônica será o número de usuários cadastrados. seu endereço e seu número de telefone. eles é que serão considerados unidade de informação. Assim a quantidade de informação de uma enciclopédia seria seu número de verbetes. E as informações nele contidas são relevantes? A maioria dos discursos. De modo semelhante poderíamos estipular como unidade de significação da enciclopédia o verbete. o dispersivo. Como definir a unidade de informação significativa num romance? numa reportagem? num ensaio? A escolha da unidade mínima significativa é condicionada por fatores como o grau de síntese que se considera adequado. não oferece uma solução viável e inequívoca para a quantificação da informação significativa como a lista telefônica. do relevante se exclui o óbvio. de detalhes pode ser considerada uma unidade de significação se os detalhes não são considerados relevantes. Normalmente.cadastrais do usuário: seu nome. De modo análogo. Pode-se distinguir a informação significativa pela relevância. o redundante. o supérfluo. densidade de informação significativa relevante é a razão entre esta quantidade de informação significativa relevante e a quantidade de informação significante. Densidade de informação significativa É a razão entre a quantidade de informação significativa. Uma descrição minuciosa. . e a quantidade de informação enquanto significante. Se forem. excluídas as redundantes. o trivial.

Caso se use 'música sertaneja' subentende-se uma música de boa qualidade. situações. Para contextos formais existem equivalentes próprios. Palavras ligadas a dados contextos A palavra só é adequada ou tolerável em dadas situações. um estilo Exemplos: gírias. O referente é o mesmo para todos os emissores. uma região. A palavra é típica de um grupo. ocasiões. tipos de discurso. Os dois termos apontam para o mesmo referente mas aparecem nos discursos em distribuição complementar. jargões. nos contextos em que se usa um não se usa outro. Para um historiador o burguês é o morador do burgo que capitalizado desencadeia a revolução industrial. regiões? Que sentido ela assume em dado contexto. Quando se usa 'música caipira' fica subentendido que se julga tal música de má qualidade. Palavras com referente mutável contexto a contexto. impressões a ela se aderem em função de suas características de uso? . Vejamos algumas ocorrências relacionadas à conotação.Conotação Nem toda palavra é neutra. Exemplo: o chulo. Para um marxista o burguês é o explorador da sociedade. via de regra. Este perfil é a conotação da palavra. uma época. ou seja. receptor a receptor Exemplo: a palavra 'burguês'. pois nestes contextos eles são tolerados. Isso se deve a impressões e opiniões agregadas a cada termo acerca do referente. Conceito de conotação As classes de palavras acima citadas tem características de uso próprias em função de opiniões e impressões a ela aderidas. Se as gírias.. épocas. de uso geral. para dado grupo? Que juízos. Conotação é a resposta a perguntas como: é de uso geral ou restrito a contextos. são execradas pela comunidade conservadora é porque a comunidade não aceita o grupo que as pratica e não por execração à gíria em si. etc. Para um adepto da contracultura o burguês é o símbolo da decadência da sociedade de consumo. Termos referencialmente sinônimos mas não efetivamente sinônimos Um exemplo: 'música sertaneja' e 'música caipira'. regionalismos. seja dos usuários em relação ao referente que elas simbolizam ou dos usuários em relação ao subgrupo de usuários que as praticam. Os termos que são marca de um grupo ficam impregnados das impressões e opiniões que a comunidade reserva ao grupo. Os termos considerados chulos só costumam aparecer em contextos informais. de baixa índole. grupos. Isso se deve à conotação. Mas cada emissor agrega à palavra que o designa diferentes impressões e opiniões. de significado único e preciso.

.Toda vez que uma palavra conotada é usada em situação fora de seu perfil típico de uso o resultado é estranhamento. de que algo está errado no discurso. etc. formal. tem um perfil de uso adequado. A ênclise dos pronomes átonos é considerada formalíssima. A voz passiva é evitada no jornalismo atual.. Pelos exemplos. sensação no receptor de uma inadequação. arcaica. Conotação de categorias de língua Partindo de alguns exemplos do português: A segunda pessoa de tratamento no português é considerada rara. se conclui que as categorias da língua também são conotadas. própria da poesia. por alguns até pedante.

Sentido imediato
Sentido imediato é aquele que resulta de uma leitura imediata, que com certas reservas poderia ser chamada de leitura ingênua ou leitura de máquina de ler. Uma leitura imediata é aquela em que se supõe a existência de uma série de premissas que restringem a decodificação tais como: As frases seguem modelos completos de oração da língua. O discurso é lógico. Se a forma usada no discurso é a mesma usada para estabelecer identidades lógicas ou atribuições, então, tem-se uma identidade lógica e atribuição respectivamente. Os significados são os encontrados no dicionário. Existe concordância entre termos sintáticos. Abstrai-se a conotação. Supõe-se que não há anomalias lingüísticas. Abstrai-se o gestual, o entoativo e o editorial enquanto modificadores do lingüístico. Supõe-se pertinência ao contexto. Abstrai-se iconias. Abstrai-se alegorias, ironias, paráfrases, trocadilhos, etc.. Não se concebe locuções, frases feitas. Supõe-se que o uso do discurso é comunicativo. Abstrai-se o uso expressivo, cerimonial. Admitindo as premissas acima o discurso fica indecifrável, ininteligível ou compreendido parcialmente toda vez que nele surjam elipses, metáforas, metonímias, oxímoros, ironias, alegorias, anomalias, etc.. Também passam desapercebidas as conotações, as iconias, os modificadores gestuais, entoativos, editoriais, etc.. Não existe o leitor absolutamente ingênuo, que se comporte como uma máquina de ler, o que faz do conceito de leitura imediata apenas um pressuposto metodológico. O que existe são ocorrências eventuais que se aproximam de uma leitura imediata, como quando alguém toma o sentido literal pelo figurado, quando não se capta uma ironia, ou fica-se perplexo diante de um oxímoro. Há quem chame o discurso que admite leitura imediata de grau zero da escritura, identificando-a como uma forma mais primitiva de expressão. Este grau zero não tem realidade, é um pressuposto. Os recursos de Retórica são anteriores a ele.

Sentido preferencial
Para compreender o sentido preferencial é preciso conceber o enunciado descontextualizado ou em contexto de dicionário. Quando um enunciado é relizado em contexto muito rarefeito, como é o contexto em que se encontra uma palavra no dicionário dizemos que ela está descontextualizada. Nesta situação o sentido preferencial é o que na média, primeiro se impõe para o enunciado. Óbvio, o sentido que primeiro se impõe para um receptor pode não ser o mesmo para outro. Por isso a definição tem de considerar o resultado médio, o que não impede que pela necessidade momentânea consideremos o significado preferencial para dado indivíduo. Algumas regularidades podem ser observadas nos significados preferenciais. Por exemplo: o sentido preferencial de 'porco' costuma ser: 'animal criado em granja para abate, etc.', e não o de 'indivíduo sem higiene'. Em outras palavras, o sentido que admite leitura imediata se impõe sobre o que teve origem em processos metafóricos, alegóricos, metonímicos. Mas esta regra não é geral. Vejamos o seguinte exemplo: 'Um caminhão de cimento'. O sentido preferencial para a frase dada é o mesmo de 'caminhão carregado com cimento' e não o de 'caminhão construído com cimento'. Neste caso o sentido preferencial é o metonímico, o que vai contra a tese muito propalada que o sentido 'figurado' não é o ' primeiro significado da palavra'. Também é comum o sentido mais usado se impor sobre o mais raro. Para certos termos é difícil estabelecer o sentido preferencial. Um exemplo: Qual o sentido preferencial de 'manga'? O de 'fruto' ou 'parte da roupa'?

Propriedade
Propriedade é a característica do discurso ou do termo cujo significado é totalmente adequado para o contexto em que se aplica. No significado considere-se também a conotação. A impropriedade altera a mensagem.Causa dano. Há impropriedades sutis e outras em que o dano é considerável. Há impropriedades típicas em todos os idiomas. Os manuais de gramática normativa estão sempre advertindo contra elas. No português, como exemplo, é tradicional a impropriedade que consiste em usar 'inflação' no lugar de 'infração', ou 'flagrante' no lugar de 'fragrante'. Nestes exemplos a confusão resulta da semelhança fonológica entre os termos trocados. A impropriedade fica constatada pela inadequação da mensagem ao contexto ou pela incoerência da mensagem resultante. Para sanar o dano causado pela impropriedade é preciso haver alguma previsibilidade de correção. No caso das impropriedades tradicionais a previsibilidade deriva da própria tipicidade da ocorrência.

Propriedade total
O discurso com propriedade total é um sonho que naufraga diante de problemas como: Noções novas que ainda não tem o signo próprio. Noções que admitem matizes na caracterização. Exemplos abundantes temos na filosofia onde muitas noções são questão de litígio quanto à definição, logo, para cada matiz da noção seria necessário um signo próprio. Signos conotados tornam-se impróprios em contextos culturais novos ou diferenciados dos típicos. Para solucionar problemas de propriedade pode-se usar soluções como: Criar neologismos. Fazer uso ressalvado. Definir o termo antes de usa-lo quando ele não tem o perfil desejado, para que não seja confundido com outras possibilidades de significação. Estas definições ora ampliam, ora reduzem, ora modificam o espectro comum de significação. Uso de tropos. Um tropo, por vezes, expressa melhor uma mensagem que um enunciado que admite leitura imediata.

Uso ressalvado

Sinonímia Sinonímia é a equivalência de nomes quanto ao significado. Sinonímia para tropos Ao falar em sinonímia para tropos o que está em questão. na acepção de fulano . etc.. para sugerir um equivalente imediato de um tropo é preciso recorrer a enunciados bem mais . mais próprias que termos que admitem leitura imediata. em certos casos. As metáforas são impropriedades apenas diante de uma leitura imediata. Na metáfora do exemplo. pois. mas há semelhanças. Propriedade aproximada Ao dizer 'Ficou sem abrigo' onde caberia 'Ficou sem casa' pratica-se uma impropriedade parcial. via de regra. Propriedade e recursos retóricos Há uma longa tradição de se considerar metáforas. Há meios para efetuar a ressalva. então recorre a um uso impróprio mas faz a ressalva para que o uso seja tomado com significação diferenciada. 'abrigo' não tem o mesmo espectro de significação de 'casa'. A metáfora 'Maria é uma flor' diz muito mais que 'Maria é bela'. ironias. é o sinônimo do tropo que admite leitura imediata. as metáforas podem ser próprias ao contexto.. Ocorreu uma permuta de semelhantes. que não é igualmente tropo. Não totalmente.. A metáfora tem seu algoritmo próprio de decifração que dissipa o ilogismo e. 'flor' representa mesmo parte de um vegetal e não se está dizendo que Maria é vegetal. Se já é raro encontrar dois termos com mesma extensão e compreensão. Boa parte do que se rotula como sinonímia é apenas propriedade aproximada. pelo contrário traz conotação diferenciada. Esta tradição se lastreia no hábito de afirmar que só se tem sentido próprio quando é admissível a leitura imediata. O que costuma impedir a sinonímia total é a conotação. Assim diz-se que na metáfora 'Maria é uma flor' não há sentido próprio em 'flor' porque este signo só é pertinente a partes de vegetais e não a mulheres. o que tem seus efeitos retóricos. É rara a sinonímia perfeita. balizas: 'com reservas'.' Ocorrências como esta são casos de uso ressalvado de signos. Mas não se faz metáforas para que sejam lidas pelo modo imediato. Quem discursa não encontra a solução própria. Daí que. 'como dizem'. precisamente. na maioria dos casos. mais raro ainda é que tenham também mesma conotação. tais como: uso de aspas no discurso escrito. Para muitos casos esta forma branda de impropriedade não traz dano. metonímias. alegorias como portadores de sentido impróprio. Uma das características dos tropos é sua concisão.É comum ouvir: 'O termo tal.

O resultado nem sempre é satisfatório. . tanto do ponto de vista da propriedade como do ponto vista estético.extensos.

O estilo torna o discurso mais que específico. Também há regularidades que caracterizam o modo regional. Para compor um estilo o emissor lança mão do uso regular de recursos de Retórica. do sem retorno. as estilísticas estão ligadas e derivam de valores estéticos e morais.Há regularidades que distingüem o formal do informal. é adoção continuada da mesma solução para o mesmo contexto. é repetição insistente de uma característica. de regras de seletividade. o modo padrão. O estilo é considerado num nível acima dos recursos de Retórica. Estilística Uma estilística é um conjunto de preceitos para a composição de um estilo. o oral do escrito. Certas regras de estilística são adotadas para se beneficiar de uma eficácia e/ou especificação maior trazida pela norma. Não se deve confundir estilo com o recurso da repetição. o discurso com retorno. Existem estilos pessoais. torna-o típico. Há muitos tratados em que estilística se funde com Retórica. se bem que há quem prefira limitar a Estilística aos estilos individuais. Estes tipos de regularidade podem ser abordados pela Estilística. Um exemplo é a Poética de Aristóteles que além de ser um tratado de Mimética é uma estilística da tragédia grega. de escolas. de grupo. Pratica-se por racionalidade.Estilísticas são criadas e praticadas com funções diversas. tais como: Padronização. Há também um sentido para Estilística que é o de estudo dos estilos. o espontâneo do elaborado. para uniformizar a apresentação.Estilo Estilo é regularidade observável no discurso. . Adotar por norma o que a Retórica recomenda. É comum a Estilística ser confundida com a Retórica em função justamente de muitas vezes a estilística se apoiar nas conclusões da Retórica para formular seus preceitos. de uso ou supressão. o modo popular. de época. Via de regra. por princípio estético de unidade.

Concisão de discurso A concisão de discurso é avaliada no nível da forma e do conteúdo. O que não está dentro do campo de interesse prejudica a concisão e será considerado supérfluo. ortográficas. Para a avaliação no nível do conteúdo é preciso estabelecer algumas premissas sobre: A ordem de grandeza da quantidade de significante esperada para o discurso. Predomínio de palavras lexicais sobre as gramaticais. Uso de metonímias elípticas. Por exemplo: 'Entrou no banheiro. ou por implicação semântica. enxaguou-se. dispersivo. ensaboou-se. O grau de síntese desejado. Substituição equivalente. devido às suas funções existe um grau de síntese ótimo. Condensação. alheio. desligou o chuveiro e secou-se com a toalha.Concisão Há dois tipos básicos a considerar: concisão de código e concisão de discurso.' Pode-se substituir o texto anterior por 'Tomou banho de chuveiro. lógicas e outras. Como obter concisão Uso de elipses. Um livro de história pode contar um crime numa frase. A concisão ótima será aquela em que não se discursa sobre o que é óbvio. A elipse elimina o que é previsível pela forma do discurso. Quando permuta-se 'precipitação pluviométrica' por 'chuva' ganha-se em concisão sem alterar a referência. A substituição equivalente elimina a abundância. Ganha-se concisão aumentando o grau de síntese. É o uso da síntese. O jornal do dia do crime o noticiará em uma coluna. A substituição pode ser uma generalização equivalente. ligou o chuveiro.' Supressão de redundâncias e abundâncias. Os autos do inquérito sobre o crime o descreverão em várias páginas. Uma frase pode ser considerada longa para título de uma notícia e concisa demais para ser o lide da notícia. O background externo do receptor. Diz-se que um código ou discurso é mais conciso que outro quando comunica o mesmo com menor extensão. mas para cada discurso. Pode haver concisão nos três casos. Há o costume de dizer 'código conciso' ou 'discurso conciso' quando tal código ou discurso é mais conciso que a média de sua classe. O campo de interesse do discurso. . trivial para o receptor. Concisão é uma qualidade relativa e subjetiva dos códigos e discursos. Isto inclui as sintáticas. narrativas.

do trivial.Supressão do óbvio. . do dispersivo. do supérfluo.

Uso de balizas: 'É bom frisar'. corpo diferenciado. Uso de ocorrências fáticas próprias: 'Preste atenção'. itálico. etc. Ênfase por gradação: O último termo de uma gradação ascendente ou o primeiro de uma gradação descendente são enfatizados. 'Veja lá'. família de tipos diferenciada. cor diferenciada. . Repetição. sublinhado. Entoação e/ou gestual diferenciados. Ênfase pela posição: A posição inicial e final são mais enfáticas. negrito.Ênfase Enfatizar é criar condições para que uma parte do discurso receba maior atenção do receptor que as outras partes e em função disso este atribua um status diferenciado.. Uma das formas de obter ênfase é por diferenciação perceptível e atrativa. Recursos de ênfase: Editoriais: uso de maiúsculas. 'Não custa lembrar'. ao referente expresso pela parte. uma valoração privilegiada.

o jumento não é de todo destituido de inteligência. ascendentes ou descendentes. Esta valoração e a resposta emocional.. Repetição: agrava se repete o que agrava. de entoação e gestual. Conotação pode agravar ou atenuar. aceitação/reprovação. Entoação e gestual expressivos: uma entoação expressiva conforme ao que suscita a mensagem pode agravar o impacto psicológico. tipografia diferenciada. . mas o grau de inteligência nele é considerado muito baixo comparativamente a outros seres. podem ser atenuadas ou agravadas pelas características do discurso que veicula a mensagem. Metáforas. pois. além de uma resposta emocional. gravidade. Ex. Uma entoação e um gestual que tendem para a neutralidade emocional atenuam. Comparações idem. Um caso notável de comparação que intensifica: 'Inteligente como um jumento'. adjuntos adverbiais e adnominais podem agravar ou atenuar conforme o caso. ênfase. etc. Volume de texto maior está associado com maior importância. O que é recebido antes. Corpo tipográfico relativamente maior está associado por convenção a maior importância do que se veicula.: 'Sou bela?' 'Não és feia'. convencionalmente é considerado mais importante. Ironia agrava. Nestas comparações não se pode dizer que temos ironia. Metonímias atenuam ou agravam conforme o caso.) podem sugerir importância. manipulação psicológica. Isso decorre de transferências icônicas. bastante subjetivas e contextualizadas. moldura. Litotes atenua. Antíteses agravam. podem agravar ou atenuar conforme o caso. 'Bonito como um dragão'. Precisão atenua ou agrava conforme o caso. Há meios para atenuação ou agravamento nos diversos extratos do discurso como segue: Ordem de emissão. atenuam ou agravam conforme o caso. Iconias: podem atenuar ou agravar conforme o caso. Ênfase: atenua ou agrava conforme enfatize o que atenua ou o que agrava. Sintáticos: apostos. Destaques gráficos (cor diferenciada. Ordem temática: Ordens gradativas.Atenuação e agravamento Ao receber uma mensagem o receptor lhe atribui valores como: importância. atenua se repete o que atenua. convenções editoriais. em especial as hipérboles.

Dramatização agrava.Avaliações subjetivas podem atenuar ou agravar. Paralelismo narrativo agrava. Presentificação agrava. Empatia agrava. Imprevisibilidade agrava. Sumarização atenua. Suspense agrava. . Imparcialidade do narrador atenua. Envolvimento agrava. Ponto de vista neutro atenua.

Incompreensão. Por exemplo: se alguém escreve uma palavra errada segundo a ortografia oficial. trocando um 's' por um 'ç' ou um 'c' é porque há semelhança entre os fonemas representados pelo 's' e pelos 'ç' e 'c'. da má codificação. da intenção. conotativas e estilísticas. de manifestações inconscientes da psique. ocasião. Via de regra. a metáfora entre as anomalias se lastreia no fato que embora a metáfora possa produzir efeitos como estranhamento. As unânimes são as que permanecem como anomalia em qualquer contexto. Diante de uma anomalia o receptor se vê na contingência de suplanta-la para continuar a decodificação. A anomalia resulta do lapso. As anomalias podem ser ortográficas. só se caracterizam como anomalia em dados contextos. Indecifrabilidade. Esta decisão de não incluir. Reprovação. por exemplo. Não costuma haver variantes aceitas para ortografia. Tipos de anomalias Ortográficas: Resultam da discordância com as regras ortográficas vigentes. do litígio entre opiniões opostas. as normas ortográficas são estabelecidas. As anomalias levam a uma ou mais das consequências seguintes: Estranhamento.Anomalia Anomalias do discurso são ocorrências que ferem regras estabelecidas e aceitas pela comunidade da língua. incompreensão. metaplasmo ou recurso retórico com sentido figurado. ou no caso de anomalias estilísticas. Exemplos: anomalia . grupo. prosódicas. isto não é uma sua característica essencial e sua natureza diverge sensivelmente do que aqui é tratado como anomalia. Isso é feito pela busca de uma possibilidade de substituição que tem de ser compatível com o contexto. por vezes. Equívoco. variante lingüística aceita. como gramáticos normativos. Geralmente as possibilidades de substituição são de algum modo assemelhadas à anomalia. gramaticais. semânticas. As parciais. da falta de domínio do código. Para uma ocorrência ser considerada anomalia é preciso descartar a hipótese de tratar-se de neologismo. Prosódicas: Resultam do afastamento dos padrões fonológicos e entoativos vigentes para o discurso oral. Existem anomalias prosódicas unânimes e parciais. jornalistas. divulgadas e preservadas pelos cultuadores do padrão culto do idioma. para dados grupos. Ato falho: É a anomalia que resulta de desatenção. editores. que podem ser chamadas de estilísticas.

O defeito se observa no nível da mensagem. Anomalia prosódica parcial: 'vamo fazê'. Conotativas: É o uso do termo com conotação imprópria ao contexto. Exemplo: 'Estraçalhadores de taturanas se adensam como microvilosidades estapafúrdeas'. No português pode ocorrer o solecismo de número. contexto a contexto. mas não cita-se ocorrências deste tipo. na frase: 'Eu e ele fomos ao parque'. Solecismo O solecismo é um caso de anomalia gramatical. diante da impossibilidade de o verbo concordar com dois sujeitos díspares. Os padrões de estilo ditam qual dentre as variantes gramaticais deve ser usada. Exemplo: 'Assisti ao filme'. Exemplo: 'Um e outro foram à feira'. O solecismo neste caso é normativo.' A norma do idioma padrão prescreve o uso da mesóclise: 'Dir-te-ei'. grupo a grupo. Os padrões de estilo variam época a época. Outro solecismo de código no português é o que ocorre envolvendo nomes que na origem tem um gênero mas designam conceitos a que se atribui gênero diferente. Este tipo de anomalia geralmente não vai além do pitoresco. Semânticas: É um discurso gramatical do qual se obtém uma mensagem incoerente e/ou incompleta e/ou equivocada.. No português. Em outros casos a solução é meramente arbitrária. um grupo. já considerada a possibilidade de significação figurada. De regência: É a anomalia paradigmática de co-ocorrência.. Há três tipos de solecismo: De concordância: Anomalia paradigmática de flexão. Exemplo: 'A populosa São Paulo'. Exemplo: 'Direi-te . É uma solução gramatical. Gramaticais: São as frases que não se amoldam a nenhum modelo aceito pela língua já considerada a hipótese de elipse. Estilísticas: É a ocorrência que não segue o padrão de estilo de uma época. Em alguns casos podem adotar o mecanismo da silepse. Exemplo: 'Eu fez tudo'. Há a hipótese de solecismos de tempo e modo. Estes solecismos estruturais não são considerados anômalos. de gênero.prosódica unânime: 'Amazonás'. de pessoa. um contexto. 'São Paulo' é nome que se origina de conceito . 'Pernambucô'. por exemplo. que consiste em concordar com a idéia associada a conjunção das partes. De colocação: É a anomalia sintagmática. A norma do idioma padrão prescreve que neste uso o verbo assistir não é acompanhado de preposição. Por vezes a caracterização da anomalia estilística é polêmica e subjetiva pois existem questões de litígio entre os usuários da língua sobre o que é o correto ou não. Quem além dos dadaístas fazem uso deles? As impropriedades são anomalias semânticas. Solecismos de código: Há solecismos estruturais na língua.

com gênero masculino que se aplica a conceito do gênero feminino. Outro solecismo de código ocorre quando o elemento é de um gênero e a classe que o contém é de outro ou quando aquilo a que é comparado é de outro. Exemplos: ' Ele é uma personagem' e ' Ele é uma máquina'. Os solecismos de discurso geralmente se restringem a alguns casos típicos. É típico o solecismo de número que coloca o singular no lugar do plural, o de pessoa que coloca a terceira pessoa no lugar da segunda, tanto que no português há uma tendência dominante para as flexões de segunda pessoa serem substituídas totalmente pelas de terceira. Silepse: Semelhante ao solecismo de concordância é a silepse. A diferença é que o mecanismo da silepse faz a concordância com um conceito de algum modo. vinculado ao termo determinante da flexão. Além do solecismo, que é um tipo de anomalia gramatical bastante comum há outras mais drásticas como: 'Ao bola pai menino a pediu o'. Uma anomalia como a do exemplo é uma raridade só encontrável, por exemplo, em discursos de usuários que não dominam o código e que estão acostumados a idiomas com estrutura muito diferenciada. O anacoluto, quando praticado de modo não intencional e sem função pode ser considerado anomalia gramatical.

Ambigüidade
A ambigüidade pode ser classificada como anomalia. É a admissibilidade de mais de um sentido para um só enunciado em dado contexto. Na ambigüidade a opção por um dos sentidos possíveis é uma questão indecidível. A ambigüidade pode ocorrer por lapso ou intenção. Vejamos tipos de ambigüidades: Sintáticas Falta de morfema separador sintático para delimitar termos sintáticos. O determinado admite mais de um determinante. A ambigüidade deriva da sintaxe de colocação. Exemplo: 'Paulo esqueceu a senha do cartão, que ele cancelou.' Cancelou o cartão ou a senha? Um termo admite mais de uma função sintática. Exemplo: 'Protesto contra a impunidade e lentidão da justiça'. '... e lentidão da justiça' pode ser lido como oração coordenada ou como termo enumerado junto com a 'impunidade'.

Elipses imprevisíveis. Concordância com mais de um determinado. Exemplo: 'João, o Carlos fez a sua parte'. No português é clássica a ambigüidade envolvendo a segunda e a terceira pessoa do discurso devido o verbo ter a mesma flexão para as duas pessoas. Semânticas: .Gerada por termos polissêmicos. Ocorre quando os dois sentidos de um termo polissêmico resultam pertinentes no contexto. O signo pode ser tomado como significante ou como significado, ou seja pode haver uso ou menção. Nos dois casos o sentido é pertinente. Tanto o sentido imediato como o figurado são pertinentes. O termo tem duas conotações diferentes, cada uma levando a uma possibilidade de interpretação pertinente. Trocadilhos. Alguns são ambígüos. Tropos de semântica aberta podem criar ambigüidades. Contextualidade dos enunciados ambígüos Um enunciado pode ser ambígüo num contexto e não o ser em outro. A frase 'João, o Carlos já fez a sua parte' só é ambígüa se no contexto em que for lançada não houver como discernir se a parte referida é a do João ou do Carlos. A ambigüidade, toscamente falando, é o oposto da polissemia. Enquanto a ambigüidade é a existência de mais de um sentido em dado contexto, a polissemia é a existência de mais de um sentido num contexto de dicionário, que é algo próximo da ausência de contexto. Se a ambigüidade for considerada fora de contexto passa por polissemia.

Sociabilidade
Sociabilidade é a qualidade do discurso otimizado para o desempenho social. Algumas categorias a ela pertinentes: Gíria: São palavras e construções de uso corrente entre grupos sociais diferenciados, não raro marginais, e só nestes grupos. A gíria é um fenômeno antropológico. Nos grupos que a praticam a gíria desempenha uma função especial: é a senha da confraria. Serve como marca de grupo. Como, via de regra, estes grupos são marginais na sociedade e assumem postura de afronta aos valores da maioria a gíria torna-se estigmatizada. É obrigatória e apreciada no seio do grupo. Fora dele é rejeitada. A mesma segregação que a sociedade reserva ao grupo, reserva à gíria do grupo. Gíria não é léxico. Por dois motivos: não é praticada e aceita por toda a comunidade da língua. Segundo: sua permanência é duvidosa, embora seja comum a gíria ser assimilada pela sociedade quando o grupo que a pratica conquista aceitação ou ao menos tolerância. Nesses casos a gíria se converte em léxico. Palavra-tabu: É aquela que as regras de conduta social estabelecem que não deve ser pronunciada, por vezes, em ocasião alguma, noutras só em ocasiões específicas ou por iniciados. É evidente que existem ocasiões em que as palavras tabu são pronunciadas, pois, o usuário precisa conhece-la para saber que não pode pronuncia-la. Há palavras-tabu relacionadas à religião e outras à etiqueta. As religiosas são tabu porque se julga estejam investidas do sagrado ou só passíveis de uso por iniciados. As de etiqueta costumam se referir ao que se julga impuro, obsceno. Via de regra, a palavra-tabu é proibida por se referir a um assunto tabu. A pronúncia de uma palavra-tabu se constitui numa transgressão de conduta reprovada socialmente. Esta reprovação tem uma escala variável de intensidade segundo o contexto em que se dá a transgressão, podendo chegar à punição. Calão: Ou palavrão, ou o chulo, é uma classe de palavras-tabu que se referem: às práticas e tabus sexuais e ao que com isso se relaciona: coito, órgãos genitais, prostituição, o que se considera perversão, esperma, etc.. ou à excreção biológica e o que com ela se relaciona: fezes, urina, pênis, ânus, vagina, latrina, etc.. A reprovação ao calão oscila numa escala que vai da tolerância à punição. A reprovação aumenta com a formalidade, a solenidade, a publicidade, a sublimidade do contexto do discurso. A tolerância aumenta com a informalidade, a intimidade, a privacidade do discurso.

exceto. O idioma sofre variações regionais. tão impregnada deles está a língua. 'vagina'. e seu sinônimo polido da linguagem culta. Costuma ser exemplo de vivacidade popular na criação de ditos espirituosos. Clichê pode ser uma frase ou um fragmento de frase como por exemplo um substantivo e seu adjetivo. 'ânus'. Como regra pode-se dizer . Normalmente o calão deriva da linguagem popular.. Uma questão vem ao se admitir a necessidade de eliminar o clichê do discurso: Frase feita é clichê? Frase feita é a frase que consagrada pelo uso se lexicalizou. referencialmente sinônima ao calão seja aceitável mesmo em contextos formais? Numa análise sincrônica a tendência é a de dizer que a qualificação como calão é arbitrária. O critério da supressão do desgastado pode ser perigoso pois não considera outros atributos de certos clichês como lirismo. portanto criticável. Com elas o chingador atribui ao chingado as características de impureza e perversão sexual tipicamente associadas ao calão. E caso se aceite que o conceito em si é válido. da gíria. sem constrangimentos. O chingamento com calão: Cada língua dispõe de uma série de palavras e locuções com calões usadas para chingar. atratividade. comunicabilidade. das mais subjetivas. No contexto da sexualidade o uso do calão tem seu papel como liberador da libido. A frase feita se repete em contextos semelhantes sem alterações. por classe social e por classe de escolaridade. Por outro lado há clichês que são pedantes. Clichê: Clichê é um conceito estético. etc.Os sinônimos não reprovados do calão: Geralmente o calão tem um ou mais sinônimos que se usam como solução polida nas ocasiões em que o referente do calão está sendo abordado. No discurso espontâneo a eliminação do clichê é difícil. Quer dizer não é o calão é uma palavra conotada. humor. Idioma padrão: Um quesito relevante à sociabilidade do discurso é a sua pertinência ou não às formas e estilo do idioma padrão. O que se julga como clichê não deve ser usado nos discursos. as de concordância sintática. aristocrática. uma conotação que seu sinônimo polido não carrega. o que reforça a tese da eliminação. palpabilidade. Numa análise diacrônica vê-se que geralmente a origem do calão difere da de seu sinônimo polido. à qual se atribui um juízo estético negativo por julga-la repetitiva e desgastada. O uso do calão como catarse: O uso do calão tem sua função expressiva para o alívio de tensões emocionais acumuladas. de mau gosto. julgar a que ele se aplica também é questão de estética. Por exemplo: ao se tratar de anatomia usa-se 'pênis'. O que determina que uma palavra seja conotada como calão e outra.

Existe a influência da cultura hegemônica sobre a satélite. na literatura mais conservadora quanto a questões linguísticas. antes da incorporação definitiva ao léxico local passam por um processo de acomodação. locução. em que não ocorre intercâmbio cultural entre regiões e classes há a tendência para o idioma padrão diferir significativamente das demais variantes. Existe o caso da influência cultural pelo intercâmbio constante. Arcaísmo: É o signo de uso corrente no passado mas que por razões ligadas ao dinamismo da língua caiu no desuso. daí adotar-se o signo já usado no outro idioma. embora igualmente eficientes na função de comunicar. Modismo: Modismo é uma forma ou estilo que num dado momento da vida social passa a ser usado intensamente. estes assimilam os padrões de excelência das classes hegemônicas. Há a tendência para ele substituir o regional e o popular. culturais e intelectuais. que vem da sua associação a algum fato social em destaque. O idioma padrão é cultivado na escola. Como obedece aos mecanismos que regem as modas seu uso segue uma curva de ascensão. A cultura satélite tende a prestigiar o que se relaciona com a cultura hegemônica. Nas sociedades atuais. É de uso corrente no grupo para o qual o referente que representa tem alto valor cultural. É a existência do idioma padrão que origina o estigma que acompanha as formas e estilos populares. Entenda-se por populares o praticado pelas classes economicamente desfavorecidas e menos escolarisadas e que contrastam com o idioma padrão. A sociabilidade do estrangeirismo está associada com a eceitação ou rejeição dos valores culturais da cultura externa de onde ele provém. com a penetração dos meios de comunicação e a frequência mais generalizada à escola há a tendência para a disseminação do idioma padrão para além das fronteiras onde é gerado. pois. Atribui-se o rótulo de certo para o idioma padrão e de errado para o popular.que o idioma padrão é o aceito pelos usuários mais escolarisados da classe socialmente dominante da região hegemônica. Jargão: É a palavra. A característica do modismo é a atualidade. que geralmente se auto-investem em guardiães da pureza da língua. no jornalismo mais sisudo. Não só a classe que impõe o idioma padrão pratica o rótulo como os próprios membros das classes populares. Há casos em que fatos culturais novos não dispõe de termo próprio no idioma local. Quando perde a atualidade cai no desuso. A característica do jargão é a especificidade. Um usuário pode falar de um modo e julgar correto outro. especialmente de prosódia e ortografia. O jargão é típico dos grupos profissionais. Para o resto da comunidade da língua seu uso e conhecimento é uma raridade. Os estrangeirismos são adotados por razões diversas. É tutelado pelos gramáticos normativos. Em sociedades politica e socialmente fechadas. As conotações mais comuns que se agrega ao . frase feita ou outro signo de uso restrito a um grupo reduzido. Estrangeirismo: Os estrangeirismos. Aceitação não significa uso sistemático. apogeu e queda.

'.: 'Nestes temos pede deferimento. Cesar'.. mas apenas cumprir um cerimonial típico no estabelecimento do contato social. A função comunicativa pode estar presente num protocolo. Também há casos em que se julga que o signo é a própria coisa.. Via de regra. Por exemplo: 'Bom dia'.. 'massa'. não significa do mesmo modo que os enunciados de uso comunicativo. Neologismo: É o signo que se lexicalizou recentemente. o que torna problemático seu uso para o discurso público de largo espectro. Palavra-ônibus: São palavras de larguíssimo espectro de significação. impressões e sensações. mas sempre em caráter secundário. Ex. e são usadas para ajuizar valores. As conotações que costumam a ele se agregar são: negativas: elitismo. As liturgias existem em função de complexos mecanismos antropológicos. 'legal'. As frases cerimoniais são típicas para dados usos no convívio social. 'Ave. Ocorre sem variações.'. as necessárias à concordância gramatical. mas corresponder a um uso.'. A origem dos protocolos comumente está no uso comunicativo. As palavras-ônibus são conotadas pejorativamente por alguns segmentos. via de regra é pouco conhecido. se originou num enunciado comunicativo. 'No aguardo de suas providências. Geralmente tem origem na gíria. Protocolo: Protocolos são frases de uso cerimonial. É o protocolo presente nos rituais. que as consideram como palavras tapa-buraco para a pobreza de léxico do emissor. Liturgia: É um caso especial de protocolo. por exemplo. positivas: modernidade... 'Quebre a perna'. Os discursos administrativos sempre trazem exemplos fartos de protocolos. o que é inversamente proporcional à precisão do significado. . Quando se diz 'bom dia' a intenção nem sempre é desejar um bom dia ao receptor. Noutras julga-se que o uso da liturgia pode modificar a realidade. O neologismo. reformismo. 'Meus protestos de elevada estima. por ser de incorporação recente. O protocolo precisa de uma análise semântica diferenciada.arcaísmo são a de pedantismo e caducidade. exceto. Por vezes julga-se que a liturgia tem poder de invocar o sagrado. pois. 'Bom dia'. Exemplos: 'bacana'. No uso protocolar a propriedade não está em evocar um objeto.. renovação. o protocolo é frase feita.

Essencialidade para a definição. Não se extrapola o background dado. Tais restrições. de modo unívoco em dado contexto. O modo escolhido deve ser relevante para tornar a definição eficaz ao que se destina. Suficiência do conjunto. Não trivialidade no background dado. Estabelecer a posição ocupada pelo conceito numa taxonomia para os conceitos do universo considerado. Do que se disse podemos concluir: Se um enunciado define X. Cada parte que compõe a definição deve ser necessária. A conjunção das partes é suficiente para delimitar o conceito. Distingüir no que ele se diferencia dos demais objetos considerados no universo do contexto. Exigir que a definição remeta à essência do conceito. acrescentando condições como: Necessidade para as partes. Podem ser exigidas caso a caso. Uma definição boa para uma função pode não o ser para outra. contudo. . Há modos diversos de delimitar um conceito. Uma definição boa para um contexto pode não o ser para outro. Outro enunciado pode definir X. quer dizer não incluir na definição o que se supõe conhecido. de modo intelegível para dado background e de modo eficaz para dada função. Ela não pode ser ambigüa. para obter definições mais econômicas. Poderíamos deixar o conceito de definição mais restrito e mais rigoroso. igualmente. tais como: Relacionar suas propriedades. só define X no contexto. dizer o que ele é. de modo absoluto e não comparativo.Definição Definição é um enunciado que delimita um conceito na sua exata extensão e compreensão. são dispensáveis.

As funções da definição Pode ser uma ou mais das seguintes: Nomear o conceito. tem permanência. suas propriedades. é definição. 'Animal racional' é uma definição para homem num contexto da zoologia. se a definição é nome. Não se confunda uma definição classificatória com definição dentro da taxonomia. Definição analítica: É aquela que delimita o conceito relacionando seus atributos. Definição por exclusão: É a que diz o que o conceito não é numa classe. Definir uma classe dentro de uma taxonomia é determinar sua posição dentro da taxonomia. Dar a conhecer as características do conceito. O nome é signo para o conceito. Nome: É uma palavra ou locução que define um conceito. Equivalência de definições: Duas definições se equivalem quando se referem ao mesmo conceito. se é pela definição que ele é tornado público. Neste caso sua função é a de transmitir um conhecimento. o que pode não ser suficiente para que o receptor delimite o conceito. reprodutibilidade e aceitação. A forma de uma definição analítica é uma conjunção de proposições. Para ser válida é necessário que o conceito definido seja classe complementar da classe negada. O caso particular mais notável é a definição aristotélica onde o conceito é definido citando o gênero próximo e a diferença específica. . Definição classificatória: É um tipo de definição analítica que se vale dos critérios de uma taxonomia. A equivalência mais praticada é aquela que relaciona o nome a uma definição analítica. Evidenciar as relações do conceito com outros conceitos do universo do contexto. Estabelecer o conceito. Contextualidade de definições Um enunciado só é definição estabelecido o contexto em que se aplica e suposto um background mínimo de quem a usa. que pode ter pouco valor num contexto metafísico. Gênero próximo é a classe taxonômica mais restrita a que pertence o conceito e diferença específica o que o diferencia dentro do gênero essencialmente. logo. Ditingüir o conceito num universo dado. e que tem com o conceito uma relação simbólica. Além disso é necessário que se saiba o que seja 'animal' e 'racional'. São muito comuns os enunciados que evidenciam equivalências de definição.

Está vendo?' 'Ser' e 'nada' são indefiníveis. Agora. Os conceitos delimitados por 'estratégia'. mas que para ser compreendido depende dum conhecimento prévio do que deveria estar sendo dado a conhecer pelo enunciado. Não entenda-se o prefixo 'pseudo' como pejorativo. Se quem recebe o enunciado acima sabe a que se refere 'estratégia' e não sabe a que se refere 'estrategista' julgará a definição acima válida. Definição ostensiva: É uma categoria que diverge em natureza das definições até aqui abordadas. No dicionário. Contextual: Aplica-se o conceito a um contexto em que ele se adequa. 'estrategista' pertencem a uma mesma raiz conceitual. Para esta palavra dá-se definição usando referências que não dependam do conhecimento prévio da raiz. De outro modo.Exemplo: 'Homem é um animal racional'. se o receptor carece do conhecimento da raiz comum aos conceitos teremos uma definição circular de 'estrategista'. É o ato de fazer conhecer na objetividade a que o nome se refere. É uma definição analítica incompleta. O que ele significa é que tais ocorrências não se coadunam com o que aqui se entende por definição. para entender a definição circular o conceito tem que ser conhecido nos termos em que a definição deveria estar dando a conhecer. Exemplificação: Cita-se um caso de ocorrência do conceito. escolhe-se uma palavra num grupo de mesma raiz. Há um caso especial de definição circular que é aquela que envolve o conhecimento acerca de conceitos que formam grupos de mesma raiz conceitual. As demais palavras do grupo são definidas em função desta. Seja o enunciado: 'O estrategista é aquele que se ocupa da estratégia'. definimos o conetivo 'e' enquanto coisa da lingüística através de um enunciado onde se usa 'e'. Este tipo de definição é típica do dicionário. por exemplo. Exemplos: 'Precisão é a delimitação precisa dos limites'. Exemplo: 'Uma vaca? Vaca é aquele bicho lá no pasto. impraticáveis. Definição circular: É o enunciado em que se procura definir um conceito. Se quem usa o dicionário encontra uma definição com este tipo de circularidade terá de buscar a . Pelo contrário. 'estratégico'. o que não quer dizer que sejam inúteis. Não temos uma definição circular quando. para dados contextos são suficientes e práticas. Ppseudo-definições: Perífrase: É a citação de um ou outro atributo essencial do conceito. Intuitiva: É uma mera aproximação sem rigor.

Quer dizer. A definição n pode ser feita com referências a conceitos primários e a quaisquer conceitos delimitados pelas definições precedentes. A primeira definição do grupo é estabelecida com referências unicamente a conceitos primários. ou seja. Na equivalência circular ocorre apenas uma mutação cosmética da definição. No tempo em que se julgava a terra chata era uma heresia. Outros casos particulares de definição: Definição extensiva: quando usa-se o . são introduzidos sem definição. como se faz nos dicionários. é aquela em que não se agrega a informação nova que o receptor carece. Por esta falácia resultam inúteis os dicionários e os livros didáticos. 'inflamação do estômago'. Consistem de um conjunto ordenado de definições. Um ou mais conceitos costumam ser considerados primários. que em algum ponto da cadeia de equivalências de definição se interpõe para tirar o receptor do labirinto de palavras que remetem a palavras. Grupos de definições concatenadas: Ocorrem tipicamente nas teorias científicas e matemáticas. Os grupos de definições concatenadas são organizados por background crescente. A falácia existe quando se desconsidera a existência da definição ostensiva. mas geralmente conveniente. Uma equivalência circular. Geralmente se escolhe para conceitos primários os mais evidentes e simples. provavelmente porque nem todos sabem que o nome gastrite define uma inflamação do estômago. ou circunlóquio. o que não acrescenta nada ao conhecimento. Dizer: 'A terra é um planeta redondo' é uma redundância hoje. As informações constantes em cada lado da equivalência são basicamente as mesmas. que são explicadas por outras até que retornamos à palavra inicial. Mas dizer que práticas deste tipo são inúteis é um erro que supõe pensar que todos saibam que gastrite é uma inflamação do estômago. Quando digo 'Gastrite é uma inflamação do estômago' estou praticando uma equivalência que se reduz ao princípio da identidade. A utilidade das equivalências de definições: Existe uma falácia que diz ser inútil qualquer equivalência de definições porque elas se reduzem à fórmula 'A é A'. Quando digo: 'Gastrite é uma inflamação do estômago' estou estabelecendo uma equivalência entre um nome. 'gastrite' e uma definição analítica.entrada lexical em que se rompe a circularidade Equivalência circular de definições: Quando se pratica uma equivalência de definições na maioria das vezes o que se pretende é apresentar uma alternativa a quem recebe o discurso para que este possa delimitar o conceito. Realmente a redução existe. que todos conhecem a natureza das coisas e o significado dos nomes. Não acontece a informação nova. A falácia da circularidade da busca dos significados: Consiste em pensar que é impossível se conhecer o significado das palavras porque este significado é elucidado pela prática de equivalências de definição. o significado de uma palavra é explicado com outras palavras. o que não é absolutamente necessário. A segunda definição pode se referir a conceitos primários e ao conceito delimitado pela definição l.

mas que expressam estados . não oferecem meios de equivalência por sinonímia. quando praticada entre nomes. Numa equivalência de significados se estabelece que dois signos designam o mesmo conceito. no segundo caso pedimos uma definição de significado. então. Por exemplo: 'Europeu é o inglês..' estamos praticando uma equivalência de significados ou de conceitos. o francês. etc. Um elemento se presta à definição do seguinte ou o antecessor formando uma cadeia de definições até atingir o primeiro ou último elemento da série quando. Não é para todos os enunciados que o estabelecimento da equivalência de significado é simples como no acima citado. o italiano e etc. pela própria lógica da definição recursiva atinge-se uma condição de encerramento para o procedimento. por exemplo. Definição de significado de signos: Se perguntarmos 'O que é um carro?' e 'O que significa 'carro'?' no primeiro caso estamos pedindo uma definição de conceito. Define-se o elemento n remetendo ao elemento de ordem imediatamente inferior ou superior conforme o caso. Há casos em que a equivalência de significados se confunde com a de conceitos. os pronomes.. Das interjeições pode-se dizer que não significam. para o qual também serve a definição recursiva. ou seja. Não há como dizer se na frase 'Carro é um veículo motorizado de quatro rodas.'. Um exemplo temos no modo como definimos neste livro nível taxonômico. As palavras gramaticais. como os conetivos. pois. Definição compreensiva: quando cita-se os atributos genéricos do definido. Para responder a segunda pergunta poderíamos dizer: 'Carro é um automóvel?'. ambas são formalmente idênticas.recurso de citar todos os tipos possíveis do definido. praticarmos uma equivalência de significados. Com uma resposta assim quem perguntou pode ter enriquecido o seu conhecimento sobre o léxico do português. mas não acrescentou nada ao seu conhecimento sobre as máquinas que são chamadas por 'carros' e também por 'automóveis'. Numa equivalência de definições de conceito se estabelece que duas definições são pertinentes ao mesmo conceito. Ex.: 'Europeu é o nascido na Europa'. em geral. A sinonímia costuma ser usada mais como equivalência de significados que como equivalência de conceitos. Definição essencial: quando cita-se as características essenciais do definido. também chamada sinonímia. os artigos. Definição rercursiva: usada para definir o elemento n genérico de uma sequência ordenada. o alemão.

O dicionário supõe que 'e' está entendido como signo. etc. Também não há nenhum objeto relacionado ao signo 'e' assim como existe um objeto relacionado com o signo 'carro'. Uma outra solução que o dicionário adota é o da definição contextual. logo como conceito e nos propõe a equivalência com uma definição analítica para uma categoria lingüística. Das frases cerimoniais e protocolares pode-se dizer que não significam como as palavras lexicais. . que são ditas porque é próprio serem ditas em tais situações. Apresenta-se vários contextos típicos do uso do 'e' .emocionais. mas que tem uma função social em dadas situações.. Por último é bom lembrar que quando se estabeleçe a equivalência de significado entre 'carro' e 'automóvel' esta equivalência se limita à referência.' O que o dicionário faz neste caso é dar uma equivalência de conceitos em vez de equivalência de significados. Procurando no dicionário encontraremos na entrada 'e': 'conjunção que representa operação lógica de conjunção entre termos sintáticos. o que rompe com a sinonímia se exigirmos total similaridade entre os signos. Como se pode então responder à pergunta 'O que quer dizer 'e'?' O conetivo 'e' não tem sinônimos no português. que aqui consideramos uma pseudo-definição. Não estão considerados os aspectos conotativos de cada signo.

Por exemplo: uma contradição camuflada pode ser encarada como sofisma se quem avalia a contradição a julgar sutil. A versão pode parecer verdadeira mas nem por isso vai ser chamada automaticamente de sofisma. O tipo de semelhança que determina o sofisma geralmente é aquela relacionada com a forma lógica do enunciado. Para isso. analogias. O lapso pode ser do emissor e/ou do receptor. Também é comum entender como sofisma aqueles enunciados aparentemente verdadeiros em função de induções mal feitas. a falsa analogia. Outro pode considerar a contradição grosseira e rotula-la como simples mentira. O melhor é deixar a definição em aberto ou então recorrer a uma definição extensiva do tipo: sofisma é a petição de prinçípio. Uso de forma elaborada leva a uma conotação de credibilidade. O sofisma nasce do lapso ou da intenção de iludir. Impossível em função da disparidade entre os sofismas tradicionais e indesejável porque fecha o conceito de sofisma a futuras inclusões. Um exemplo: a versão de um criminoso tentando se livrar da acusação do crime. Sofisma De modo aproximado sofisma é o enunciado falso que parece verdadeiro numa compreensão superficial. contradição. induções e argumentos. A especificação exata do tipo de semelhança com a verdade que caracteriza o sofisma não é possível nem desejável. Em enunciados que se respaldem em premissas filosóficas a caracterização do sofisma pode ficar impossível. provavelmente em função da contigüidade que sempre existiu entre lógica e epistemologia na história do pensamento. classificações..Sofística Sofística é o estudo das generalizações possíveis sobre erros formais com definições. a contradição camuflada ou etc. Tradicionalmente nem todo enunciado que pareça verdadeiro é considerado sofisma. . Há outros enunciados que parecem verdadeiros mas não costumam ser arrolados como sofisma. Isso depende da acuidade de cada um. A forma do silogismo tem a ela associada uma conotação de credibilidade. Fatores que favorecem o efeito de ilusão do sofisma: Uso de forma de silogismo. em primeiro lugar temos que nos retringir à classe das questões que podem ser refutadas pela via lógica. Segundo: Não há critérios objetivos para definir o que seja uma coisa que parece verdadeira. A caracterização de um sofisma é subjetiva. equívoco.

. usando uma tabela-verdade. O sofisma de Zenão é clássico para ilustrar que certos sofismas de indução só são desmontados com o avanço do conhecimento. percorrida metade da distância será necessário percorrer metade da distância restante e assim sucessivamente de modo que para cobrir uma distância será necessário realizar uma sequência infinita de etapas. que são as induções por excelência praticadas pelos cientistas. devido a simplicidade com que se prova o erro de indução. que 'se' significa 'se e somente se'. por exemplo. de infinitésimo e outras noções que podem ser usadas para desmontar o sofisma. nem sempre há como dizer se a confusão ocorreu no nível da forma ao tomar o impossível pelo improvável ou por uma má indução de fatos da objetividade. Supõe-se. O enunciado 'A terra é o centro do universo' já passou por boa indução. o que pode ser mostrado com os recursos da lógica formal. que para percorrer infinitos espaços infinitesimais não é necessário um tempo infinito. Em função das dificuldades epistemológicas envolvidas em afirmar o que é uma . Há casos em que é difícil discernir se um sofisma é formal ou material. por isso tradicionalmente fala-se nos sofismas de indução que resultam de premissas mal induzidas. Na época em que Zenão lançou seu sofisma não haviam sido formuladas as noções de continuidade. Hoje podemos afirmar que o movimento é contínuo e não discreto. Pelo sofisma de Zenão se afirma que o movimento é impossível supondo que para percorrer uma distância é necessário primeiramente percorrer a metade da distância. etc. Sua falsidade vém da falsidade das premissas. A questão começa a ficar complexa quando nos avizinhamos de questões limite da epistemologia. Pessoas que não são rigorosas no raciocínio praticam estas operações. por exemplo. Um exemplo: ao se confundir um fato improvável com um fato impossível. que resultou em considerar impossível fato que na verdade não o é. que o improvável é impossível. Ora. Sofismas formais/sofismas materiais Um sofisma é formal quando as premissas que o sustentam são válidas e sua falsidade deriva de mau uso das regras de inferência lógica. Também é preciso considerar que a qualidade de uma indução depende do estágio em que se encontra o conhecimento da objetividade. como as que estabelecem em que condições são válidas as induções amplificadoras. Um sofisma é material se resulta falso mesmo sendo validado pelos critérios da lógica formal.Arredondamentos. que quase tudo significa tudo. Sofismas de indução Por vezes as premissas resultam de induções. Existem sofismas de indução cuja invalidade é aceita sem maior discussão. Uma indução amplificadora é aquela que extrapola suas conclusões para além daquilo que foi observado.

Da primeira pela própria camuflagem e do segundo pela impossibilidade de aplicação do algoritmo para oxímoro. Assim sendo qualquer contadição também é uma contrariedade. Obviamente uma das duas proposições. As contradições tem a forma 'A é não A'.indução mal feita. Os enunciados contrários de um sofisma de contrariedade tem de estar explícitos no discurso para que se caracterize o sofisma unicamente pela análise do discurso. exceto o da falsa analogia. Tipos de sofisma Os tipos a seguir são os mais notáveis. então não A'. Uma relação de contrariedade entre as proposições A e B pode ser expressa pela sentença: 'se A então nãoB e se B. O possível pode ser improvável. Há distanciamento entre as proposições contrárias de modo que a memória da primeira já se desvaneceu ao ser apresentada a segunda. Elas podem declarar o impossível e o possível. De possibilidades Consideremos proposições que se referem a coisas da objetividade. A contrariedade é sutil e exige atenção para detecção. A relação não é exaustiva. O sofisma da contrariedade camuflada se resume à fórmula 'A é B'. Contrariedade camuflada Consiste na conjunção de proposições onde a aceitação de uma implica na negação da outra. A ou B em separado pode ser verdadeira. aqui não se faz referência a sofismas de indução. impossível'. provável e certo. Os sofismas de possibilidade confundem as noções: Exemplos: 'Tudo que é improvável é falso. A camuflagem ocorre quando: A premissa que revela a contrariedade é desconhecida ou desconsiderada pelo receptor. A falsidade se aplica à conjunção. que é apresentado apenas formalmente. sem que isto seja visível de imediato. O que se disse sobre sofismas de contrariedade pode ser dito sobre sofismas de contradição camuflada. A revelação da contrariedade exige o estabelecimento de uma seqüência longa de implicações. . A contrariedade camuflada difere da contrariedade flagrante e do oxímoro.

Este tipo de sofisma é também sofisma de implicação. Esta fonte pode ser a tradição. Se X implica Y então não Y implica não X. De implicação Consiste basicamente em dizer que X implica Y quando na verdade isto não ocorre. verdadeiro'.'Tudo que é provável é certo.. . Se a tese é falsa então as premissas também o são.. etc. ou Y implica X. 'Existe indivíduo que atende à proposição. pois considera que a autoridade da fonte implica na veracidade do enunciado. então todo indivíduo atende à proposição'. Os sofismas de possibilidade e quantificação poderiam ser chamados de sofismas de arredondamento e enunciados do seguinte modo: 'O que está próximo de zero ou próximo de 100% pode ser arredondado para zero e 100% respectivamente'. A ilusão do sofisma é criada na maioria das vezes porque X e Y apresentam alguma relação de contigüidade que é tomada por relação de implicação. ou má se de má fonte. Os sofismas mais comuns desta classe: Ad hominem: Argumento que prova tese usando premissas que não a implicam. Ou X antecede Y. então nenhum indivíduo atende à proposição'. De quantificação São os ligados a declarações de existência. 'Nem todo indivíduo atende à proposição. a posição da autoridade. etc. a maioria. Se X implicaY então não X implica não Y.A rigor todos os sofismas são sofismas de implicação. Se X é contíguo a Y então X implica Y. Transferência de credibilidade A proposição é considerada boa porque vem de boa fonte. Se a tese é verdadeira então as premissas também o são.: 'O cigarro não faz mal porque o João disse isso'. Os aqui considerados são aqueles em que o erro de implicação está mais evidente. Ex. Se X implica Y então Y implica X. ou nãoY implica não X. ou comumente lhe é contíguo.

ou vice-versa. As partes são pesadas'. Exemplos: 'O todo é pesado. Estatísticos 'A qualidade do indivíduo é a qualidade média do grupo'. Se não X então Y'. 'As partes são leves. Do mesmo modo não ficará calvo se lhe tirarem todos os cabelos'. O enunciado verdadeiro seria: 'Se não X então Y ou A ou B ou C . X tem a propriedade P. Falsa analogia Consiste no transplante inconsistente de conclusões de um contexto a outro. dois e três cabelos ao total dos cabelos. Falta de prova em contrário A proposição é considerada verdadeira pela ausência de prova da sua falsidade. tampouco tirando-lhe dois ou três. Aqui extrapola-se o que é válido para um. A falsa analogia extrapola a similaridade entre duas situações para além da sua validade. A confusão no sofisma de maniqueísmo consiste em tomar por relação de contrariedade complementar o que é contrariedade simples. É a forma redutível a: 'A é verdadeira porque A é verdadeira'. logo Y também a possui. Petição de princípio É o argumento que prova a tese assumindo a sua veracidade como premissa. Exemplo: 'Tirando-lhe um cabelo não ficará calvo. .. O conjunto é leve'. O sofisma do maniqueísmo se expressa como: 'Se X então não Y. Genericamente: X é similar a Y.'. Composição/divisão São os que atribuem ao todo o que é próprio das partes ou às partes o que é próprio do todo.Do maniqueísmo Sejam X e Y proposições pertinentes num mesmo domínio e não complementares..

Há muitas possibilidades: Atribuir ao comparado.' Um sofisma semântico não deve ser confundido com ambigüidade. num recurso de retórica semântico. No sofisma semântico temos um só sentido.A petição de princípio é um argumento inválido. Numa palavra polissêmica que se refere ao conceito A ou ao conceito B atribuir ao conceito A as características do conceito B. ora como significado. Não há porque discutir racismo. o que significa que não é possível provar a proposição com ele. ou vice-versa. onde a ilusão vém de se tomar um termo num sentido quando se deveria toma-lo em outro. Tomar o signo ora como signo mesmo. o que não impede de a proposição ser verdadeira. Aqui há dois sentidos para conhecer. A ambigüidade se caracteriza pela possibilidade de pelo menos dois sentidos para o mesmo enunciado. sendo a escolha por um dos sentidos questão indecidível no contexto. Confunde-se uso com menção. ora como significante. logo não conheces teu pai'. que é falso mas aparentemente verdadeiro. Atribuir ao termo conotações diferentes no mesmo contexto. Exemplo: 'Não conheces este homem velado. Parte-se das características de um termo tais quais elas são num contexto A para critica-las num contexto B. A petição de princípio eficaz como sofisma sempre envolve camuflagem. Este sofisma ocorre muito nas críticas filosóficas. ou vice-versa. características do comparante que não são pertinentes a ambos. É teu pai. Não há porque discutir sobre palavras. De conjunção/disjunção Atribui-se a um termo o que só pode ser atribuído quando em conjunção com . Num termo que admite leitura imediata e leitura figurada atribuir ao conceito evocado pela leitura figurada características do conceito evocado pela leitura imediata ou vice-versa. O sofisma só funciona quando se opta por um nas duas ocorrências. Exemplo: '' Racismo' é só uma palavra. onde o conceito a que se refere o termo sofreu mutação. Nestes casos é preciso estabelecer uma cadeia de impicações para desmontar a petição de princípio Semânticos Consistem em confundir o receptor quanto ao sentido em que é usado dado termo. Caso se opte por atribuir ao enunciado o sentido que anula o sofisma o resultado é uma anomalia.

Num quadro resumo temos: Certo = Forte = Verdadeiro Provável = Forte = Falso Improvável = Fraco = Falso Impossível = Fraco = Falso O enunciado 'Ele está mentindo porque é um mentiroso contumaz' é um enunciado falso na lógica bivalente F/V. . ou seja. logo deve ser punido'. logo forte. Improvável: enunciado com probabilidade menor que 0. Também pode-se considerar que o enunciado é uma simplificação por analogia de: 'Ele deve estar mentindo porque mentiu sempre nas situações semelhantes precedentes'. Se admitirmos que os enunciados tem uma probabilidade associada a eles. Sofismas em outras lógicas Os sofismas acima foram considerados à luz da lógica bivalente do falso e do verdadeiro. Neste caso o termo 'fazer mal' só é pertinente ao enunciado se estiver em conjunção com o termo 'intencionalmente'. então o enunciado é certo ou provável. Mas há outra opção para classificar os enunciados.5 e maior que 0. Quem transmite doença contagiosa faz mal ao outro. Impossível: enunciado com probabilidade igual a zero. é um sofisma ad hominen. O limite entre o provável e o improvável é arbitrário. mas se a premissa que o sustenta é verdadeira. verdadeiro na lógica bivalente é o enunciado que tem probabilidade 100% e falso todo enunciado com probabilidade menor que 100%. se ele é realmente mentiroso contumaz. Também poderíamos classificar os enunciados como fortes ou fracos. Exemplo: 'Quem faz mal a outro merece punição. Exemplo: 'O que se compra no mercado come-se.outro. O que falta à primeira premissa é a conjunção com o enunciado: 'mas não tal qual vém'. Provável: enunciado com probabilidade maior ou igual a 0. como abaixo: Certo: enunciado com probabilidade l. onde fracos são os impossíveis e os improváveis e fortes são os prováveis e os certos. Comerei carne crua'.5 e menor que l. Comprei carne crua.

. Nestes contextos a dicotomia falso/verdadeiro nem sempre é a ideal para balizar a decisão.Há certos contextos em que decisões devem ser tomadas a partir da análise de enunciados como o anterior. Pode ocorrer que a dicotomia forte/fraco seja mais conveniente. Nesta direção o enunciado sobre o mentiroso contumaz deixa de ser sofismático.

Este fato.Dualidades do discurso Algumas características do discurso são determinadas por dualidades como as colocadas na seqüência. Supressão do chulo e de outras palavras tabu. O oral e o escrito O fato do discurso ser oral ou escrito condiciona bastante suas características. está acima da média dos demais discursos. É raro alguém falar como se escrevesse. um terceiro código. A edição tem o seu potencial retórico que no oral não pode ser aproveitado. No escrito temos a edição presente como modificadora do lingüístico. para suprimir as deficiências de assimilação do receptor. abstraindo a entoação. exceto se o receptor pedir ao emissor que faça isto. Existem padrões sociais de excelência de comportamento. No escrito o leitor pode retornar a uma parte do texto que não captou. em função das limitações da escrita para reproduzir o entoativo e o gestual. no geral. o que não é possível para discursos sem retorno. Existe o discurso mais formal que outro. dos três. No oral está presente a entoação. Alguns padrões de excelência para o discurso formal. que acrescenta à comunicação um segundo código e em alguns casos também o gestual. Vejamos algumas inerentes a um e outro: No oral não existe a possibilidade do retorno do discurso. Não há o discurso absolutamente formal. Já no escrito a entoação e o gesto tem de ser abstraidos. extensivos ao modo de discursar. No oral temos uma comunicação com três códigos sobrepostos. faz com que os profissionais da palavra como os que atuam no tele jornalismo procurem colocar nos discursos orais uma taxa maior de redundância que a usada no escrito. que em certas ocasiões são mais solicitados que em outras. persiste apenas o lingüístico. Na maioria dos casos o emissor de um discurso oral lança mão aos recursos gestuais e entoativos de comunicação. O formal e o informal A formalidade e a informalidade são categorias sociológicas que exercem sua influência na forma do discurso. No escrito. A formalidade do discurso é uma característica relativa. É básica para o discurso formal. Normalmente diz-se que um discurso é formal quando sua formalidade. . A formalidade do discurso é consequência da conduta social do emissor.

clareza. definido. O espontâneo e o elaborado A diferença básica entre o discurso espontâneo. barbarismos. o equívoco. Redundância: costuma ser alta no espontâneo. típico das situações de relacionamento social em que se cobra alto desempenho do emissor. Desconexidade: comum no espontâneo. O discurso público tem um destinatário indefinido. No formal são vedadas especialmente as variantes populares.Supressão das anomalias formais. em tempo real e o elaborado é que no primeiro a emissão ocorre concomitante com a codificação e no segundo há uma defasagem de tempo entre a codificação e a emissão. Hesitações: são comuns no espontâneo. volume num nível equilibrado. o anacoluto. nem intenso demais. Em função disso algumas características . Imprecisão: comum no espontâneo. no elaborado não. Desorganização: comum no espontâneo.. O informal caracteriza-se por uma certa tolerância com o que o formal reprova. Equívocos: mais comuns no espontâneo. se coloca o discurso informal. associadas à falta de certas qualidades pessoais de quem as use. Segurança: Deve-se suprimir a hesitação. etc. o que permite os processo da revisão e da versão. organização e outras características consideradas virtudes de estilo são exigidas no discurso formal. No discurso formal é vedado a ocorrência de solecismos. Precisão. Anacolutos: comuns no espontâneo. Impropriedades: comuns no espontâneo. típico das ocasiões distensas do convívio social. ambigüidades. nem fraco. coletivo. O público e o privado O discurso privado tem um destinatário único. Respeito ao idioma padrão. Se o discurso for oral exige-se boa dicção. Algumas características de um e outro discurso: Retificação: no espontâneo são comuns as retificações. Em oposição ao discurso formal.

nos mesmos moldes que se faz o arbítrio das características do receptor. pois não há possibilidade de confirmar a transmissão.diferenciam um de outro. No discurso com retorno é mais abundante o uso de apóstrofos e vocativos. Em certos casos estas referências são arbitradas. deitado. Existe a suposição de vincula-lo a um grupo. na banheira. No discurso sem retorno o emissor tem que se preocupar bem mais com a clareza. No discurso com retorno é mais abundante a presença de elipses drásticas. em que não se faz referência ao contexto que os circunda. . Algumas características: No discurso com retorno são comuns as ocorrências fáticas. Um exemplo deste arbítrio ocorre quando um apresentador de televisão diz: 'Você. No discurso com retorno são comuns referências ao contexto circundante. Mas é claro que há espectador assistindo o programa em pé. tratando-o como uma entidade vazia de atributos. No discurso público é comum a ausência de referências ao contexto circundante do receptor. O discurso se torna mais pessoal. a comunicabilidade em geral. o que lhe dá alguns contornos de definição. O arbítrio geralmente se baseia em suposições de tipicidade. opta-se pelas formas gramaticais menos ligadas à pessoa. Existe a suposição que faz a abstração máxima do receptor. Existe a possibilidade do tratamento impessoal. telespectador. aí sentado em sua poltrona. a precisão. Existe a possibilidade de abstrair as características mais particulares do receptor ou então arbitrar estas características. no jornalismo mais sisudo e existe a possibilidade de um tratamento mais pessoal.' O apresentador está se fixando na idéia que é típico assistir televisão sentado numa poltrona.. comum. Emissor e receptor trocam de papéis constantemente ao longo do discurso que neste caso passa a condição de diálogo. No discurso público há diversas maneiras de supor o destinatário. que se tornam previsíveis em função da maior contextualização do discurso. etc. por exemplo. exceto o de ser receptor. como é comum na publicidade. Impessoalidade: É a característica do discurso em que são abstraídas ao máximo as características do receptor e do emissor. Com retorno e sem retorno O discurso com retorno é aquele em que receptor e emissor interagem mutuamente.

O falado espontâneo informal privado com retorno versus o escrito elaborado formal público e sem retorno A seguir colocamos uma listagem das características que servem para diferenciar a forma mais distensa do discurso de sua forma mais tensa . Ocorrências metalinguísticas. Comuns as ocorrências fáticas. Falta de organização. Comum a retificação do discurso. Comuns as hesitações. Induções fonológicas espontâneas. Características típicas do discurso falado-espontâneo-informal-privado-com retorno: Abundância de interjeições e outras manifestações do uso expressivo. Imprecisão. Uso de elipses drásticas. Comuns as anomalias discursivas. Redundância alta. . Uso de variantes de pronúncia distintas do idioma padrão. Fusão do linguístico com o entoativo e o gestual. Comuns os equívocos. Referências ao contexto circundante. Uso de anacolutos. Comum a desconexidade.

A antanáclase para Tavares é figura de construção. Tomamos a classificação dada por Hênio Tavares como sendo a tradicional. para Todorov é anomalia semântica e para o Grupo Nü é Metalogismo de supressão-adjunção. Analisemos os casos da alusão. O quadro abaixo mostra como cada classificação faz a correspondência dos recursos com categorias lingüísticas: . da antanáclase. o que é visível pelo quadro de correspondências que segue: A relevância e a pertinência da analogia Lingüística/Retórica parece inegável. para Todorov é figura semântica e para o Grupo Nü é Metassemema. Em alguns casos este dispêndio drenou toda a atenção dos retóricos e o que deveria ser uma prática acessória tornou-se no escopo principal da Retórica. a de Todorov e a do Grupo Nü . Os problemas com este critério são de consistência. da comparação e do pleonasmo. O pleonasmo para Tavares é figura de construção. considerável dispêndio de esforço para classifica-los. para Todorov é anomalia semântica e para o Grupo Nü é um metalogismo de adjunção.Taxonomias de recursos retóricos A abundância de recursos retóricos é característica da maioria dos tratados de Retórica. A comparação para Tavares é figura de pensamento. Para fins de análise consideremos três classificações notáveis: a tradicional. houve tradicionalmente. A alusão para Tavares é figura de pensamento. inclusive este. O traço comum das três classificações é o estabelecimento de uma analogia entre Retórica e Lingüística. para Todorov é anomalia semântica e para o Grupo Nü é Metassemema. A de Todorov e do Grupo Nü são classificações matriciais. Provavelmente em função desta abundância e da disparidade entre os recursos retóricos.

. Todorov o considera semântico e o Grupo Nü. o pleonasmo. logo. Quando ocorre como repetição o pleonasmo se manifesta no nível sintático. O conceito designado por 'pleonasmo' é o mesmo nas três classificações. Em resumo. logo. é um recurso de sintaxe. logo.O exemplo do pleonasmo é o mais eloqüente. Todorov está certo. Então por que a divergência? O problema está na inconsistência do critério. Tavares está certo. cabe em qualquer uma das três classes e o critério da analogia com a lingüística não é consistente. o Grupo Nü está certo. supra sintático. Quando ocorre como repetição de mensagem o pleonasmo se manifesta no nível supra-sintático. Quando ocorre como redundância o pleonasmo se manifesta no nível semântico. Tradicionalmente.

A dificuldade de reduzir as disparidades da lista e classificar os itens é milenar. Preferimos abandonar as terminologias conhecidas. existem inúmeras ocorrências no universo do discurso. Aqui os recursos foram apenas listados. seletividade ou supressão e formas construtivas que tornam o discurso eficaz e/ou específico. Isto não é uma definição. Mais recentemente surgiram novas terminologias ligadas a novos critérios de classificação. todas díspares entre si que poderiam constar em nossa listagem dos recursos relevantes. É mera aproximação. Leia mais em O elenco dos recursos retóricos. Muitos dos recursos aqui citados. . pois. Um tratamento mais detalhamento da questão da classificação está em Taxonomias para os recursos retóricos.A definição de recurso retórico Recursos de Retórica são opções de uso. Na verdade dificilmente chegaremos a uma definição precisa do que seja um recurso retórico. Criar uma lista extensa é simples. em função das dificuldades com os critérios de classificação adotados. tradicionalmente foram arrolados como figuras de linguagem ou como tropos.

'Casa de ferreiro. Excelência da alegoria contextualizada Será melhor quando: . Alegoria contextualizada Intuitivamente: a alegoria contextualizada ocorre quando um enunciado passível de leitura imediata transmite um significado impróprio ou deslocado do contexto extraverbal em que é lançado fazendo o receptor pensar num segundo enunciado apropriado ao contexto que guarda com o primeiro uma relação de similaridade. devem ser pertinentes a uma mesma classe de enunciado genérico. O enunciado substituído. ou substituto. Pode-se levantar questão sobre se a decifração de uma alegoria contextualizada é o enunciado particular adequado ao contexto ou o genérico que é classe para os dois elementos particulares da alegoria. Enunciado substituído: 'Não desista que ela há de ceder'. 'Mais vale um pássaro na mão que dois voando'.Alegoria A alegoria se assemelha à metáfora em muitos pontos. Poderia até ser considerada uma metáfora de tipo III.. espeto de pau'.' Enunciado alegórico: 'Água mole em . Um exemplo baseado num ditado popular: Imaginemos um amigo se queixando a outro por não conseguir conquistar a amada.. Os dois enunciados da alegoria. Os três elementos da alegoria contextualizada são: O enunciado alegórico. o substituto e o substituído. O enunciado genérico.'. Cada receptor adotará a solução que julgar conveniente. Ambos são pertinentes. Os ditados populares são alegorias contextualizadas: 'Água mole em pedra dura. O outro lhe diz: 'Água mole em . Resolvemos considera-la isoladamente em função de sua relevância e particularidades.. tanto bate até que fura'.. Enunciado genérico: 'A perseverança quebra lentamente as resistências'.

Será que Kafka. Para a alegoria de Kafka não está determinado o contexto em que ela se aplica. . O enunciado alegórico atenua/intensifica com mais eficácia que o substituído. Trata-se de uma alegoria com semântica aberta. Neste caso a situação é bem diversa da que ocorre na emissão das alegorias contextualizadas. Alegoria não contextual Consideremos o livro 'A Metamorfose' de Kafka. Numa certa manhã o personagem Gregor Samsa acorda transformado num repulsivo inseto. por própria conta e risco. É o leitor que deve.O enunciado alegórico é mais característico do enunciado geral. criativa. definir o que substitui o enunciado alegórico Kafkiano. gênio da literatura. O enunciado é forma nova. que também é recurso de Retórica que consiste em dizer uma coisa querendo dizer outra. pretendia exclusivamente contar uma pitoresca história de um homem que se transformou em inseto? É provável que estejamos diante de um recurso literário.

Coluna tipográfica Uma questão básica de legibilidade é determinar o tamanho do segmento de linha tipográfica. que é a oral. A largura ideal da coluna é uma questão a ser determinada experimentalmente em função do perfil de leitores visados. que ocupa grande área da página deixando vazias apenas as margens. pois edição é técnica e arte. Seus efeitos retóricos resultam da sua forma. a mancha pode ser: densa. da sua textura e da posição que ocupa na página. rarefeita se os tipos são delgados e/ou espalhados. etc. É provável que a dimensão ideal seja aquela que origina de uma a três acomodações visuais otimizadas por segmento durante a leitura. ou em outros termos a largura da coluna tipográfica. Uma acomodação visual otimizada é aquela em que a fóvea do olho capta o máximo de grafemas que é possível para a natureza e o treinamento da visão do leitor. uma arte plástica. Convenções editoriais básicas . linearidade que na sua forma primária. do corpo tipográfico usado e de fatores diversos como os técnicos e estéticos. Pode ser maciça se não há segmentação e espaços vazios internos e vazada no caso contrário. provável. Na medida do possível não vamos tocar em questões pertinentes exclusivamente ao domínio das artes plásticas. taxa de informação. Quanto á textura. Sabe-se que um segmento longo prejudica a legibilidade. maciça. No discurso longo a linha tipográfica é segmentada por razões diversas: para acomoda-la às dimensões da página. porque a visão periférica perdeu contato com a margem esquerda.Editoriais Para uma abordagem da edição que esgotasse o assunto seria necessário invadir jurisdição alheia. Seria necessário abordar questões como composição. é temporal e na escrita é espacial. Linha tipográfica Resulta da linearidade do discurso linguístico. um muito curto também. por razões estéticas.. proporção. se os tipos tendem para o negrito e/ou estão concentrados. Mancha tipográfica É a superfície ocupada pelo texto na página. simetria. densa. harmonia.. No segmento curto desperdiça-se a capacidade da fóvea. para otimizar a legibilidade. etc. A mancha tipográfica clássica e conservadora é a retangular. No segmento longo o leitor tem dificuldade para encontrar o início do segmento seguinte ao retornar a vista para a margem esquerda do texto.

posfácio. Há casos em abundância em que o texto é concebido abstraindo a edição. famílias de tipos. sublinhado. tais como: prefácio. A edição como modificadora do discurso Assim como a entoação no discurso oral. estrofe. A codificação é concomitante à edição e esta chega a condicionar aquela. orelha. Os grafemas devem ser apresentados ao leitor sempre na mesma posição relativa ao eixo da linha tipográfica. Vejamos alguns: De diferenciação: Corpo tipográfico. bibliografia. Os segmentos de linha devem ser retos e horizontais. O romance clássico é um exemplo disso. O referencial para estabelecer as posições relativas é a visão do leitor. glossários. Se o discurso ocupar mais de uma página deve haver progressão girando as páginas no sentido anti-horário. De segmentação: Parágrafo. Diante de duas páginas lado a lado a progressão se dá da esquerda para a direita. dedicatórias. Vejamos algumas convenções: Na linha tipográfica o discurso deve progredir da esquerda para a direita. Exemplo: grafar em itálico um termo que não se aceita a conotação. que ficará a cargo do editor. Há um divórcio entre a codificação e a edição. basicamente. cronologia e legendas. espaços em branco. No jornalismo e na publicidade a situação se inverte. ou que se deseja enfatizar. notas. a edição pode ser modificadora do discurso escrito. . negrito. De legibilidade: Alinhamentos. diferenciados do todo. verso. Podem ser de vários tipos. O status da edição Em certos textos a edição é uma categoria enjeitada. Os boxes.A escrita ocidental segue várias convenções. sendo vedada a rotação. boxes. numerações e marcadores. apêndices. Os segmentos de linha tipográfica são ordenados uns sobre os outros de forma que o discurso progrida de cima para baixo. Os segmentos de linha tipográfica devem ser alinhados na vertical à esquerda e preferencialmente também a direita. citações. itálico. A linha tipográfica pode ser segmentada. A obediência ou a transgressão a estas convenções gera fatos retóricos. Recursos de Retórica editoriais Há inúmeros recursos retóricos editoriais. são unidades independentes de texto.

Define-se um soneto como o poema com quatro estrofes.Verso O verso é um recurso de edição típico do discurso de intenção poética. Verso é um segmento de linha tipográfica do discurso de intenção poética. Uma definição geral para estrofe a partir da edição seria: segmento de texto de intenção poética que produz uma mancha tipográfica maciça formada por mais de um verso. na sua origem o verso era entendido como compasso de entoação. A definição do verso como recurso de entoação apresenta o defeito de não ser geral porque há versos com pausas internas de entoação e versos com o chamado encadeamento. de métrica e de edição. . Existe a possibilidade de defini-lo a partir da entoação: verso é uma parte do discurso de intenção poética delimitado por duas pausas nítidas seguidas de entoação. duas com quatro versos e duas com três versos e não se estabelece critério algum sobre o que seja uma estrofe. embora um não seja essencialmente ligado ao outro. Há estrofes com mais de um período sintático e estrofes encadeadas. de modo que a edição é a única geral. uma licença poética de estilística da versificação que consiste em emendar a entoação de dois versos seguidos. Com a evolução histórica da poesia surgiram os versos brancos. Muitos versos podem ser definidos como compassos de métrica ou mesmo compassos de rima clássica. Estrofe Uma definição restrita e sintática para a estrofe seria: parte do discurso de intenção poética formada por versos que constituem um período sintático completo. a estrofe admite licenças poéticas. Esta definição a partir da edição é a mais geral para o verso. sem métrica. As licenças poéticas que contaminam as definições de verso e estrofe são fruto de uma estética que primava pela rigidez numa cláusula e por ser frouxa em outra. Restrita porque como para o verso. Há poesia sem verso e verso fora da poesia. Efetivamente.

Elipse
Genericamente, elipse é a supressão de uma parte do discurso que pode ser prevista no contexto. A elipse ocorre em vários níveis do discurso, tais como: Ortográfico: abreviaturas, siglas, aspas na construção de colunas. Morfológico: elisões: 'Zé' por 'José', 'pneu' por 'pneumático'. De morfemas presos: 'mono, di e trissílabos', 'otorrinolaringologista'. Mimético: suprimir passagens da narrativa. Lógico: suprimir passagens de uma seqüência de implicações. Na elipse eufemística: suprime-se uma parte devido ao seu impacto. Exemplo: 'É um grande filho da ...' A elipse clássica é a sintática que consiste em suprimir um ou mais termos sintáticos de um dos modelos completos de oração da língua. Para ser praticada a elipse exige a previsibilidade, o que implica na aceitação de algumas premissas: Da gramaticalidade: o enunciado elíptico, na sua forma completa é gramatical. Da pertinência contextual: o enunciado elíptico, na sua forma completa é pertinente ao contexto. Da maior probabilidade: Entre as alternativas prováveis para preencher a lacuna deixada pela elipse será válida a mais provável. Da regra da distribuição: é o caso do zeugma. O que foi dito no primeiro enunciado não se repete nos subseqüentes mas considera-se que o efeito se distribui sobre eles. O zeugma é uma regra convencional. Há casos de zeugma posterior, que são aqueles em que o explícito vem por último. A forma elíptica de dar resposta a perguntas não deixa de ser uma forma de zeugma.

Zeugma
O zeugma é formado por uma frase completa e uma ou mais frases elípticas, sendo que a completa sempre é colocada por primeiro. A condição ideal é aquela em que as frases elípticas sucedem imediatamente a completa. Um distanciamento entre a frase completa e as elípticas do zeugma traz problemas de processamento. O que se pode suprimir na elipse : O que já foi dito. É o zeugma. O que se prevê pela concordância sintática com termos explícitos. É o caso da elipse dos pronomes no português que são

sub entendidos pela flexão de pessoa do verbo da frase. O que se prevê pelas limitações gramaticais de substituição. É um tipo de elipse em que o termo elíptico é previsível independente do contexto. Exemplo: 'E espero seja a última.' O que não faz parte do foco da frase. O foco da frase é a única parte dela que não se elide. A continuação de uma série infinita. Por exemplo: 3,333... Um caso particular de elipse é a simplificação após primeira ocorrências. É típica no jornalismo. Na primeira citação usa-se o nome completo da personalidade e da segunda em diante apenas uma elipse, por economia.

As funções da elipse
A elipse tem duas funções: a econômica, de concisão. Dizer mais com menos ou não repetir, no caso do zeugma. A segunda é o eufemismo. Suprime-se o que causa impacto.

A excelência da elipse
Será tanto melhor quanto mais previsível. Se for usada com intenção de economia será tanto melhor quanto mais extensa a parte elíptica relativamente à parte explícita.

Entoativo-gestuais
No discurso falado se sobrepõe três códigos: a língua, a linguagem entoativa e a gestual. É discutível a separação entre língua e entoação mas vamos mante-la por questão metodológica. Entoação é o que resulta da definição do timbre, da altura, da intensidade e da duração dos sons da fala. O gestual resulta da postura, da fisionomia e dos gestos. Eventos de entoação e gestual nem sempre são signos. A entoação/gestual comunicativa convive com a expressiva. Também se distingue a entoação/gestual naturais do convencional. Ainda se distingue o intencional do espontâneo, o autêntico do representado. Geralmente se associa a entoação/gestual comunicativa à convenção e a entoação/gestual expressiva à naturalidade. É assunto para estudo determinar se todas as entoações/gestuais comunicativos são convencionais e se todas as expressivas são naturais. Tem-se como certo que certas entoações/gestuais comunicativas imitam entoações/gestuais expressivos.

Tipos de signos entoativos/gestuais
Arbitrários. Exemplo: dizer 'sim' oscilando a cabeça na vertical. Imitativos: Exemplo: pedir afastamento repelindo com a mão um hipotético objeto a frente. Associativos: podem ser metafóricos ou metonímicos conforme a associação que os gera seja uma relação de semelhança ou contigüidade respectivamente. Exemplo: dizer que se tem o domínio da situação imitando o gesto de quem segura rédeas nas mãos. As entoações/gestos expressivos resultam do reflexo, da exteriorização de estado emocional, da personalidade, do instinto, de razões biológicas. A entoação, a postura, a fisionomia, os gestos nos transmitem: Impressões sobre a personalidade. Impressões sobre o estado emocional. Impressões sobre a condição física. No caso de comunicativos, mensagens. Por ser mais versátil e privilegiada, a língua costuma se impor, no discurso falado como código principal, cabendo à entoação e ao gestual funções de reforço,

caberá aos diretores e atores definir a entoação por critérios próprios. Enquanto dramaturgos e roteiristas não publicarem seus textos acompanhados de uma partitura para a entoação. a falta de registro da entoação é sentida. Coisa muito saudável. são paupérrimas em recursos para representar entoação. Já em textos que servem ao preparo de representações como o script de teatro e o roteiro de cinema. redundância. Interações entre a língua e os códigos entoativos e gestuais A entoação e o gesto interagem com a língua de várias formas. Geralmente veiculam idéias simples como 'sim' e 'não' ou então representam grupos de idéias análogas como as palavras-ônibus o fazem. No escrito a representação da pausa compete à vírgula. Um modificador de interesse particular é a ironia gestual/entoativa. Por exemplo: as mãos crispadas podem significar intensidade. Os códigos entoativo e gestual são mais pobres em recursos que a língua . Entoação e discurso escrito As ortografias. persistência. fervor. O ponto de interrogação representa esta modulação. As ortografias só representam a entoação quando a estrutura da língua depende da entoação como único recurso à construção do discurso. via de regra. Por exemplo: dizer 'sim' e ao mesmo tempo oscilar a cabeça na vertical. Complementação: O discurso linguístico se completa com o entoativo e o gestual. etc. Por exemplo. mesmo os comunicativos. Por exemplo: Citar certa palavra que se deseja destacar com volume mais intenso ou colocada entre pausas. Nela o discurso linguístico afirma algo mas uma entoação/gestual diferenciada nega o discurso linguístico. A inexistência de ortografia para elementos de entoação. principalmente os mais utilitários. ódio. ou com entoação silábica. . no português as frases interrogativas orais são formadas com uma modulação própria de altura no final da frase. não chega a ser problema em muitos tipos de texto.complementação. Os discursos codificados especialmente para o escrito abstraem a entoação para não depender dela. Ainda no português. Quando se verte um discurso oral para o escrito a entoação se perde. dirão alguns. Modificação: O entoativo e o gestual atuam sobre o linguístico modificando-o.. Por exemplo dizer 'Sabe qual a minha resposta?' e em seguida oscilar a cabeça na horizontal. É algo semelhante à função dos adjetivos e advérbios. Tem-se reforço. modificação. Ênfase: O entoativo e o gestual enfatizam partes do discurso linguístico. Vejamos: Reforço. os elementos de uma enumeração são distinguidos por pausas entre eles.

Ela distingüe os termos sintáticos de uma enumeração. Quando ele não se verifica causa estranhamento.Pausa Justamente o silêncio é um dos recursos mais ricos de expressividade da entoação. desconfiança.. uma decepção. Quando alguém diz: 'Que mulher'. por exemplo. É a entoação que carrega o principal da mensagem. a entoação e os gestos devem ser conformes ao que suscita a mensagem do discurso. . reprovação. o enunciado é apenas o suporte da entoação. o sentido do enunciado só se evidencia pela entoação. métrica. atenuação/agravamento. A pausa também dá conformidade expressiva. uma admiração. A entoação pode agregar à frase uma reprovação. Princípio da conformidade expressiva Há um princípio bastante disseminado que supõe a conformidade entre o que se expressa e o que se comunica. Por este princípio não é aceitável dar uma notícia triste com o semblante sugerindo felicidade ou vice-versa. ou seja. Rompe a dependência de um termo do seu contigüo. Pode ajustar a ocorrência do discurso às ocorrências do contexto circundante. etc. ou seja. A pausa pode criar suspense. Faz-se pausa porque ela tem função linguística. Redução ao entoativo/gestual Há certas ocorrências de discurso em que o lingüístico se torna suporte do entoativo ou do gestual. Mas faz-se pausa também com função retórica. uma aprovação.

Esta associação pode derivar de uma relação de semelhança ou contigüidade. estilístico. entoativo. antigüidade. O efeito se deve à memória cultural e não à observação do significante. tenham uma relação arbitrária com seu significado. O melhor exemplo é a onomatopéia. A classe de sons do significante é semelhante à classe de sons significada. Teremos iconia quando usarmos a tipografia gótica para criar o logotipo de um produto cuja imagem está associada à idéia de tradição. fonológico. pela contigüidade entre um e outro o receptor do discurso tende a transferir para o significado os juízos que lhe suscita o significante. uma iconia fonológica: as palavras 'mugido'. mimético. Um exemplo: usar a tipografia gótica num logotipo de produto cuja imagem está associada à idéia de modernidade. não importando que sejam equivocados. impressões e opiniões. 'piado'. Enquanto coisa. 'miado' tem uma fonética do significante semelhante à classe de sons a que se refere o significado.Embora. ortográfico. Transferência icônica Pode o significante como coisa modificar o significado? Sim. . gestual. os signos linguísticos.Iconia O signo é um portador de significado e também coisa da objetividade. Temos uma iconia por semelhança. Iconia conotativa: É aquela que se deve à atributos agregados ao significante pela convenção cultural. em sua maioria. Por exemplo: a tipografia gótica está ligada a evocações de tradição. Iconia é uma associação harmoniosa que se induz entre os efeitos suscitados pela observação do significante e seu significado. espontânea ou intencionalmente. Anti-iconia: Trata-se do efeito oposto. esta arbitrariedade é reduzida. Alguns tipos de iconia: Iconia natural: É aquela que deriva da observação direta do significante em si. Quando se deseja tirar proveito deste fato como recurso de Retórica é preciso considerar que os juízos suscitados pelo significante que interessam são os assumidos pelo público alvo do discurso. no geral. Nestes casos temos iconia. Seria o caso em que o suscitado pelo significante contrasta com o significado. Tomando por exemplo a onomatopéia. nos suscita sensações. por exemplo. gramatical. A iconia ocorre em vários níveis: gráfico. em certos casos. Em vez de harmonia produzimos contraste.

então. Diz-se que vogais abertas são alegres. etc. Com o passar dos anos pode passar a evocar tradição. É preciso tomar cuidado com estas verdades. Uma tipografia recém criada pode vincular-se a idéia de modernidade por uns tempos. Usa significantes que evocam as qualidades que se deseja agregar à idéia referida. tristes. que vogais nasais deprimem. não é válido afirmar que vogais anteriores são claras e vogais posteriores escuras.Muitas verdades duvidosas foram estabelecidas sobre efeitos suscitados por significantes. o que não ocorre a todo mundo. . por exemplo. Assim. O inventário dos efeitos suscitados por significantes envolve observação experimental do comportamento coletivo e só vale para um contexto e uma época. A diferença entre a transferência icônica e a iconia é que na primeira ao significado não se atribui a qualidade do significante anteriormente à observação do significante. Transferência icônica. Na iconia a qualidade em questão já é considerada pertinente ao significado antes da observação do significante. não para todos ao menos. A publicidade é usuária constante do recurso da transferência icônica. Poetas simbolistas lembravam de cores diante de certas vogais. avaliando se elas surgem da observação do comportamento coletivo ou da experiência individual. vogais fechadas. é a incorporação ao significado de alguma característica ou valor do seu significante.. A qualidade da forma faz crer na qualidade do conteúdo designado.

onde o emissor deixa transparecer a contrariedade através do contexto do discurso. O que diferencia a ironia do enunciado falso simples é a sinalização da contrariedade. A função da ironia geralmente é crítica e impressionista. Na mimese do ponto de vista. Um caso particular relevante de ironia é a mimese irônica. No caso de mimese de estilo. leva-se a entender que o estilo adequado não é tal. .Ironia É a afirmação de algo diferente do que se deseja comunicar. ou entoativa ou gestual. ser diferente'. Dizer ironicamente que alguém é virtuoso implica numa impressão: 'é um mau exemplo' e numa crítica: 'devia mudar. mas o que se pretende comunicar é uma crítica ao que se mimetiza. via contexto. que dele se discorda. dá a entender que se reprova a gíria e. Ironiza-se o excesso e o reprovável. Imita-se o estilo ou o ponto de vista de outrem. edição. Torna-se mais intensa quanto mais extrema a relação de oposição entre o falso atribuído e o verdadeiro. Assim uma ironia entre o 'belo' e o 'feio' é menos extrema e intensa que entre o 'lindo' e o 'horrível'. entoação ou gesto ou outro. Há também o uso irônico de termos a que se reserva alguma crítica quanto a conotação. A ironia é um recurso usual de humor. geralmente sutil. ou por meio da alguma diferenciação editorial. provavelmente. quem a pratica. Por exemplo: usar ironicamente uma gíria. geralmente o contrário.

O atributo explícito. Ou se atribui a um referente algo que não lhe diz respeito ou se classifica o referente numa classe a que não pertence. etc. caso contrário. 'peso' é um atributo marcado de 'elefante'. ou seja. um lapso. Quando a baliza de comparação está ausente a estrutura sintática da metáfora de tipo I fica igual à usada para estabelecer identidades. O atributo implícito deve ser pertinente ao comparante e ao comparado. . O comparante. Daí a metáfora ser vista como uma impertinência na leitura imediata. O algoritmo da metáfora comporta até quatro elementos: O comparado. uma impropriedade ou outro fenômeno.Metáfora A intuição de que estamos diante de uma metáfora começa quando ao fazer uma leitura imediata nos deparamos com uma impertinência. no mínimo que o define. O atributo explícito só aparece em metáforas de segundo tipo. Sejam as frases: 'Quintilano é o autor de 'Instituições Oratórias". em que sempre está ausente o atributo comum. o objetivo da metáfora é dar expressividade a uma atribuição. A metáfora é uma comparação elíptica. a cultura convenciona que o atributo marcado é um símbolo de seu sujeito e/ou vice-versa. A decifração fica mais encaminhada se o comparante possuir atributos marcados. mas não o atributo na sua essência. 'tal qual'.. O atributo implícito. Atributo marcado É aquele que tem com seu sujeito uma relação simbólica. o atributo explícito pertinente ao comparante. Assim como na comparação. Em muitos casos também faltam as balizas de comparação: 'como'. Se a aplicação for plausível teremos a metáfora. Constatada a impertinência o receptor da mensagem irá aplicar à situação um algoritmo metafórico. Para tanto temos que nos balizar no contexto selecionando entre os atributos possíveis aquele ou aqueles mais plausíveis. Assim 'altura' é um atributo marcado de 'girafa'. 'Aristoteles é genial'. mas seguido das modificações e/ou acréscimos que decorrem de sua ligação com o comparante. Determinar o atributo implícito é a própria decifração da metáfora.

pois. 'perfumosa'.' Imaginemos as frases acima proferidas num contexto em que 'Maria' é uma mulher. A determinação do atributo implícito nem sempre é simples. etc. 'mulher' e 'flor' são classes disjuntas. Um mesmo exemplo sob vários enunciados: 'Maria é uma flor. Em função disso a metáfora numa leitura imediata aparece como impertinência. O comparante: 'flor'. Pela leitura imediata concluímos que estamos diante de uma impertinência. O significado de 'Quintiliano' é considerado eqüivalente ao de 'autor de 'Instituições Oratórias". O algoritmo da metáfora consiste em determinar: O comparado: 'Maria'.'Maria é uma flor'. Esta semelhança entre as formas sintáticas não é ocasional. Na terceira frase temos uma metáfora. A metáfora é um recurso de semântica aberta e em certos casos as incertezas quanto ao atributo implícito são grandes. Eqüivalência redutível a uma relação tautológica do tipo 'A é A'.' 'Maria flor. Metáforas tipo II . por exemplo. É uma atribuição. 'suave'. A primeira frase serve para o estabelecimento de uma relação de eqüivalência. Na segunda frase o que se estabelece é uma relação determinado-determinante.. Metáforas tipo I É a que explicita comparado e comparante. Pelo mesmo tratamento relaxado das relações entre as coisas surgem os sofimas de arredondamento.' 'Maria é como uma flor. 'delicada'. A forma sintática das três frases é a mesma. Sendo a metáfora uma comparação elíptica ela nos é apresentada pela mesma forma que se usa para estabelecer identidades. O termo 'genial' é determinante de 'Aristóteles'.' 'Maria: uma flor. É provável que alguma operação mental menos rigorosa que as operações lógicas estabeleça que o semelhante pode ser tratado como idêntico. A pertinência ao contexto é fundamental. O atributo implícito: provavelmente 'bela'.

Um segundo exemplo: 'Amargo regresso'. etc. 'Ficar gelado de medo'. Um caso particular é aquele em que ao comparante se atribui características do comparado. 'desagradável'. 'O basset é um salsichão de patas'. Metáfora original e metáfora lexicalizada A metaforização é um processo de vasto uso na criação de léxico. Quando digo 'Maria é uma flor' estou sugerindo que o enunciado seja . A metáfora lexicalizada. Atributo implícito: capacidade de gerar impressões fortes e enérgicas. Comparante: 'temperatura'. Comparado: 'regresso' Comparante: 'sabor' Atributo explícito: 'amargo'. Atributo implícito: capacidade de abrir portas. Metáforas tipo III O comparante substitui o comparado. Pela metáfora não se compara apenas objetos.É aquela que explicita comparado e atributo explícito. Uma metáfora. 'Chorar lágrimas de sangue'. quando surge pode se vulgarizar a ponto de se converter em léxico. etc. Comparado: 'solução'. deixa de existir como metáfora. a rigor. Exemplos: 'O homem é um caniço pensante'. Assim são metáforas: 'Correr como raio'. Comparante: 'chave'.. Exemplo: 'A chave do problema'. caminhos. Atributo implícito: 'ruim'. mas também fenômenos. Em muitos casos a percepção da origem metafórica chega a se dissipar.. Atributo explícito: 'quente'. Comparado: 'cor'. Exemplo: 'cor quente'.

onde 'Maria' continua a designar uma mulher e 'flor' continua a designar um vegetal. Um caso notável da hipérbole é aquele que se gera a custa de arredondamentos. Isso gerou a clássica concepção dos tropos como 'palavra tomada em outro sentido'.decodificado por um algoritmo metafórico. que tipo. o processo de lexicalização originado a partir de tropos. O termo 'flor' passará a ser signo para a Maria. Se a comunidade começar a chamar a Maria sempre por 'flor' teremos uma lexicalização. Essta concepção designa. Geralmente a hipérbole apela para o maravilhoso. Alguns exemplos: 'Cuspir fogo pela boca'. em muitos . Comparante: 'Um século'. Hipérbole A hipérbole é um caso especial de metáfora usada para passar uma impressão de grau extremo. Por exemplo: 'Demorou um século'. Hipérbole é a metáfora em que o comparante se caracteriza por ser um extremo em relação ao comparado. Um exemplo: 'Moro onde não mora ninguém'. O comparante é um arredondamento extremado que se relaciona com o comparado. 'Maria' continua a designar a Maria e 'flor' continua a designar a flor. ou seja. 'chorar lágrimas de sangue'. na metáfora original nem comparado. O agregado de significação pela metáfora Ao dizer 'Maria é uma flor' consideremos uma das intenções seja dizer 'Maria é bela'. A metáfora agrega significação ao discurso relativamente ao enunciado próprio que vém da sua decifração. Comparado: 'Tempo da demora'. O comparado cabível seria 'onde quase ninguém mora'. 'Comer o pão que o diabo amassou'. que grau. Atributo implícito: 'demora'. insubstituível. O exemplo. O Comparante é um extremo na classe dos eventos demorados da qual faz parte o comparado. no nível imediato é uma contradição. Designava um objeto e passou a designar outro. Mas por que então usar a metáfora e não o termo próprio? Ocorre que pela metáfora não se diz apenas que 'Maria é bela' mas também como é esta beleza. Na metáfora original não há nenhuma alteração de sentido dos signos nela envolvidos. nem comparante sofrem mutação ou transferência de sentido. Este agregado de significação é que torna a metáfora um recurso espetacular de expressão. a rigor. Neste caso estamos diante de uma lexicalização que teve origem numa metáfora. Será justo dizer que 'flor' passou por uma transferência de sentido.

a impropriedade. A metáfora não está presa a uma forma. não a enquadra. que não precisa ser mínima como é a palavra. o oxímoro. . Se quer evitar a repetição do termo próprio Se quer comparações palpáveis.. Metáfora não precisa ser palavra. A definição aristotélica da metáfora A definição aristotélica da metáfora: palavra tomada em outro sentido. O caso mais frustrado seria aquele em que X e Y são tão díspares que a única semelhança que se pode imputar aos dois é a do ser. O termo próprio não tem a conotação desejada. A metáfora intensifica/atenua. Se quer drenar a atenção para o significante. Se busca a novidade. As funções da metáfora A metáfora é usada quando: Não há termo próprio para a situação. embora seja pertinente à metáfora.casos por outros recursos. Pela metáfora se obtém palpabilidade.' ou 'Maria flor. mas uma unidade semântica.' ou 'Maria é como uma flor..' Nas três formas subsiste a mesma metáfora. Comparações desconcertantes O enunciado 'X é Y' se não admitir leitura imediata sempre dá em metáfora. A qualidade de uma metáfora está associada à semelhança induzida entre os elementos X e Y. Os atributos implícitos são muito pertinentes ao comparado. Os atributos implícitos são muito característicos do comparante. Outros recursos de estilo se enquadram na definição aristotélica de metáfora como o ato falho. A excelência da metáfora Será tanto melhor quando Os atributos implícitos inferidos são muitos. Posso dizer: 'Maria é uma flor. Diante de frases deste tipo nossa mente começa a trabalhar automaticamente na busca de uma semelhança entre X e Y até encontrar uma razoável que viabilize a metáfora. a ironia.

a alegoria. ora impertinências lógicas. o oxímoro e alguns trocadilhos formam um grupo de recursos de Retórica semânticos a que se chamou de tropos. tais como. Os tropos tem a característica de parecerem impertinências numa análise superficial. ora contextuais. . Metáfora é um algoritmo analógico.. etc. 'como'. A diferença entre comparação e metáfora é que na metáfora o atributo comum está elíptico. 'tal qual'.Metáfora não se diferencia da comparação pelos termos de comparação típicos. a ironia. Tropos A metáfora. juntamente com a metonímia.

Os metaplasmos são praticados nos diversos níveis do linguístico: gráfico. . Na maioria esmagadora dos casos os nomes e os neologismos se formam a partir de palavras existentes.Metaplasmos Genericamente. as vezes esta defectividade é suprimida com um metaplasmo. é exercício de criatividade sobre a língua. e morfológicos: Prótese. sem pretensão de classificar nem de ser exaustivo. Os mecanismos de criação de léxico e gramática costumam ser os mesmos com que se fazem os metaplasmos. raramente arbitrários. Realmente assim é para o signo enquanto coisa. imitando Quintiliano. síncope. por vários meios. diérese. mas uma parte dos metaplasmos criados se difunde pelo uso e acaba levando à alterações diacrônicas do idioma.A arbitrariedade na criação de léxico e gramática é a exceção.. etc. podemos dizer. Metaplasmos clássicos: São típicos na poesia anterior ao modernismo. fonológico. ortográfico. um metaplasmo é uma alteração intencional do código. Cobertura de defectividade: Quando o código é defectivo. muitos deles derivados de mecanismos de associação de significados. Além disso existe uma relação estreita entre a criação de metaplasmos para uso retórico e a criação de léxico e gramática. como são as onomatopéias.. A seguir. Caso típico é a criação de palavras a partir de morfemas da língua. a larga maioria dos signos linguísticos tem relação arbitrária com seu significado. gramatical. apócope. Costumam ser divididos em fonológicos: Elisão. Criação de léxico e gramática Saussurre já dizia que tirando algumas exceções de signos linguísticos icônicos. sinérese. alguns tipos de metaplasmo: Icônico: O metaplasmo cria uma iconia. etc. Elíptico: Resultam da elipse de parte de um termo. que liberdade total para criar palavras só tiveram aqueles homens boçais dos primeiros tempos que nomeavam conforme a primeira sensação que lhes causava o cotato com as coisas. Visam basicamente a regularizar a métrica. De extrapolação: O metaplasmo vem de extrapolação das características do código. Aqui são classificados alguns mecanismos pela relação entre a origem e o resultado. Nosso interesse está focado no uso retórico dos metaplasmos. Um exemplo: uma empresa de laticínios deu a um de seus produtos o nome de 'mumu'. Já com relação aos mecanismos de formação de nomes e neologismos.

Neste sentido a simbolização lingüística raramente é arbitrária. 'surfar'.Por elipse: Elimina-se parte da origem. A origem da simbolização lingüística geralmente é metafórica ou metonímica. Por polissemia: Metafórica. Siglas: 'ONU' por 'Organização das Nações Unidas'. Um símbolo é uma coisa que representa outra coisa convencionalmente em dados contextos da cultura. Por junção: Afixação. irônica. A rigor estamos diante de dois símbolos. Por polissemia é criada boa parte do léxico de Informática. Por criação arbitrária. metonímica. Justaposição: Exemplo: 'guarda-chuva'. geralmente. não arbitrária. Condensação: Exemplo: 'embora' por 'em boa hora'. 'web'. Não há manipulação retórica da acomodação prosódica. Na linguística a simbolização tem uma característica especial: o símbolo é palavra e como tal na maioria dos casos tem uma relação arbitrária com a coisa simbolizada. Mas o significante que origina o símbolo. o segundo é o sentido imediato. se referia a outra coisa. Assim se a locução 'calcanhar de Aquiles' simboliza a fraqueza é inegável a arbitrariedade da relação entre o significado 'fraqueza' e o significante 'calcanhar de Aquiles' mas igualmente é inegável a não arbitrariedade entre o significado 'fraqueza' e o significado imediato de 'calcanhar de Aquiles'. Acomodação prosódica São as alterações fonológicas de um vocábulo para melhor se adaptar às tendências dominantes de pronúncia do idioma. A relação entre a coisa significada e seu significante geralmente é arbitrária. O caso mais comum é o dos afixos que são morfemas. a algo que mantinha com o simbolizado uma relação especial. o primeiro é a palavra tomada como coisa. Por derivação gramatical. 'menu'. por exemplo. original da palavra. A simbolização é uma categoria antropológica. que é uma área fervilhante no aspecto lingüístico. Simbolização A criação de léxico é criação de símbolos. As leis que as regem são as da lingüística. Exemplo: 'pneu' por 'pneumático'. Não deixa de ser um mecanismo de elipse. Sua ocorrência é típica para os termos que são incorporados ao léxico por empréstimo. Por empréstimo de outro léxico. alegórica. arbitrária. eventualmente icônica. As acomodações prosódicas estão fora do domínio retórico. na origem do processo. Frase feita . Basta lembrar de termos como 'mouse'.

Ou frase lexicalizada. exceto. Exemplos: 'Dar com burros n'água. ganhando condição de léxico. as flexões de concordância necessárias ao contexto.' 'Matar cachorro a grito'. . A frase feita é repetida sem alterações. ou grupo fraseológico é uma frase que se consagrou pelo uso repetido em contextos semelhantes.

Ex. A coisa por seu símbolo. O substituído. Os elementos deste algoritmo são: O substituto. a leitura imediata de uma metonímia nos revela uma impertinência. Ex. Ex. O continente pelo conteúdo. A relação de contigüidade. O efeito pela causa. Ex. Alguns casos notáveis: A parte pelo todo. O leitor tentará resolve-la usando um algoritmo próprio para metonímias. Neste tipo de metonímia é comum o enunciado metonímico tornar-se símbolo do seu substituto. 'Cidade luz'. Decifração: 'Leu poesias do Drummond'.: 'Respeite-lhe os cabelos brancos'.: 'Ficou sem teto'. A espécie pelo indivíduo. deve ser pertinente a ele.: 'O homem foi à lua'. ao referente que atende a dupla condição de ocupar a posição do substituto e manter com este uma relação de contigüidade. Tipos de metonímias Normalmente são classificadas pelo tipo de relação que vincula o substituído ao substituto. . O autor pela obra. Substituído: 'poesias do Drummond'. A decifração. Ex. Substituídos: 'Castro Alves' e 'Paris'. Ex. Um exemplo: 'Leu Drummond'. Substituído: 'casa'. É a perífrase. Ex. A decifração depende do contexto.: 'Poeta dos escravos'. A coisa por um seu atributo. Substituído: 'velhice'. ou seja. Substituído: 'Nazismo'.: 'A suástica paira sobre a Europa'. Substituto: 'Drummond' Relação de contigüidade: 'Drummond é o autor das poesias'.Metonímia Como acontece com a metáfora.: 'Um litro de leite'. Substituído: 'Um quadro pintado pelo Portinari'.: 'Leiloaram um Portinari'. Decifrar a metonímia consiste em chegar ao substituído. Substituído: 'alguns astronautas'.

Substituído: 'O porta-voz da Presidência'. Ou seja. Substituído: 'os imigrantes'. pois. Um exemplo: 'Após o incêndio ficou sem casa'. para esta pessoa identificar outras ocorrências de metonímia que lhe sejam apresentadas. Tentativas para delimitar a metonímia Se apresentarmos alguns exemplos do que se entende por metonímia a uma pessoa que nunca estudou Retórica não será difícil. A metonímia que usa 'primaveras' é comum e batida.. obra/autor e etc. continente/conteúdo. concerto. Analisemos o seguinte exemplo: 'Completou quinze anos'. o que dificulta a redução da disparidade. Ex.O local pela coisa. O singular pelo plural: 'O imigrante povoou o norte'. Se a escolha da parte fosse arbitrária poderíamos obter boas metonímias dizendo: 'Ficou sem janela' ou 'Ficou sem parede' ou 'Ficou sem soalho'. O primeiro enunciado é a decifração das duas metonímias que lhe seguem. Para a metonímia ser bem sucedida algumas condições a mais precisam ser observadas. Quando se usa a metonímia . 'Hoje. Mas não é o que acontece. A matéria pela coisa: 'Trajava um pano de primeira'.Também não se diz ' Amputou um dedo' no lugar de 'Amputou uma mão' emmbora a relação 'dedo'/'mão' seja do tipo parte/todo. Mas já não se ouve 'Queimou uma Edison' no lugar de 'Queimou uma lâmpada' embora 'lâmpada'/'Edison' gozem da mesma relação obra/autor que existe nas metonímias válidas. Este enunciado pode ser substituido por uma metonímia: 'Ficou sem teto'. A metonímia que usa 'invernos' não é adequada para substituir a que usa 'primaveras'. Só em princípio. Na primeira temos uma personificação. Observando uma boa amostragem de metonímias podemos induzir alguns tipos como: parte/todo. dali por diante. A dificuldade decorre de questões como: Dizer que uma metonímia se forma permutando a parte pelo todo é uma informação relevante mas não suficiente para gerar metonímias adequadas porque não é toda parte que substituindo o todo produz o efeito desejado. É comum ouvir: 'Leu Aristóteles'. 'Completou quinze primaveras'. na segunda temos uma equivalência de quantidades. Por exemplo: a metonímia 'triste madrugada' tem uma tradução bem diversa da metonímia 'um quilo de batatas'. São metonímias do tipo parte pelo todo. boa parte das metonímias não se sobrepõe perfeitamente em significado às suas decifrações. No programa: Stravinski'. Cada tipo apresenta peculiaridades e é razoavelmente distinto dos demais. Substituído: 'roupa'. 'Completou quinze invernos'.: 'O Palácio do Planalto divulgou nota'. Modificação da mensagem pela metonímia Em princípio no enunciado metonímico o substituto equivale em significação ao substituído. mas é muito difícil dar-lhe uma definição compreensiva. é simples reconhecer intuitivamente uma metonímia.

Na verdade todas as características de 'homem' são pertinentes a 'alguns astronautas'. redução. Ênfase. Modificação. Interface da metonímia com a metáfora Alguns casos de metonímia se assemelham à definição da metáfora. É o caso do exemplo 'Completou quinze primaveras'. Na metonímia 'O Brasil está clamando' procura-se amplificar a dimensão do fato. 'Homem' é um conceito semelhante à 'alguns astronautas'. O que descarta o enquadramento do enunciado como metáfora é a falta da intenção de comparar. Ampliação. No exemplo encontramos a metonímia. Agregado de conotação. Na metonímia 'Ficou sem teto' a dimensão do fato que envolve a perda de uma casa fica reduzida ao seu aspecto mais dramático. Muitos eufemismos/disfemismos são metonímas. Um exemplo: 'O homem foi à lua'. Poderíamos dizer tratar-se de uma metonímia hiperbólica. Atenuação/agravamento. Também ocorre economia quando o enunciado metonímico tem significação mais extensa que a do enunciado próprio. Com a metonímia das 'primaveras' a mensagem além de afirmar um fato dá um juízo de valor sobre o fato. O substituto é 'homem enquanto espécie' e o substituído é 'alguns astronautas'. Uma metonímia em que o substituto é menos extenso que o substituído se presta à economia. As funções da metonímia Economia. A metonímia tem este potencial modificador da mensagem relativamente ao enunciado próprio.das 'primaveras' o discurso ganha um acréscimo de significação que não teria se fosse usado o enunciado não metonímico. A metonímia 'O Brasil todo está clamando' não é equivalente por completo ao significado de 'Os brasileiros todos estão clamando'. Também é plausível considerar o enunciado como uma metáfora. Dizer 'Ficou sem teto' está mais próximo de 'Ficou desamparado' do que de 'Ficou sem casa'. Nesta metonímia o clamor se extende para além do seu sítio natural. Metonímia e sentido preferencial . Variar para não repetir. Alguns tipos de modificação notáveis que a metonímia pode operar: Redução. ampliação do espectro de significação do enunciado próprio.

Quem haveria de usar as formas: 'Volume de leite que se contém em uma garrafa'. 'Uma garrafa de leite'. 'uma caixa de tomates'. Exemplificando: As metonímias do tipo continente-conteúdo. 'Quantidade de biscoitos que cabem num pacote'.Pela própria definição a metonímia é um enunciado que pode ser substituido por um enunciado equivalente e que admite leitura imediata. O enunciado 'um quilograma de carne' é mais pitoresco. É uma metonímia do tipo: número de unidades de medida por quantidade. Que seria da concisão sem a metonímia num caso como este? . Certos tipos de metonímia se impuseram de tal modo que a forma não metonímica que os substitui nunca é usada. 'um pacote de biscoitos'. 'Tomates em quantidade para encher uma caixa'. Um enunciado para substituir a metonímia seria: 'Quantidade de massa de carne idêntica à da massa do protótipo padrão armazenado no Bureau Internacional de Pesos e Medidas'.

visual. que arcará com os benefícios ou prejuízos disto. No discurso oral esta ordem não está a critério de quem ouve mas de quem emite. de cima para baixo e virando as páginas no sentido anti-horário. Diante de uma página de jornal o leitor selecionará de acordo com sua vontade a ordem de leitura.. A exceção é a dos discursos orais sobrepostos. O caso mais notável é a ordem alfabética. por exemplo. Essa liberdade do leitor não é incontrolável nem arbitrária. Considerando conhecida a ordem de recepção é possível pensar num outro nível de ordenação que admite duas possibilidades: pelo significante ou pelo significado. pelo corpo tipográfico maior. Ordenação pelo significante É aquela em que a ordem das partes do discurso se estabelece a partir de características do significante. No discurso escrito é o leitor que decide a ordem de interiorização. No discurso escrito a ordem de emissão é espacial. convenciona-se que se escreva da esquerda para direita. Ordem de emissão É aquela que rege a emissão dos signos do discurso. É o problema típico do jornalismo que tem de encontrar a melhor solução para ordenar no espaço títulos. Uma decisão vital sobre ordem de edição é como distribuir na página partes do discurso segmentado. subtítulos. Há dispositivos de Retórica para manipular sua vontade. legendas. No discurso oral é linear e temporal. cada signo é emitido individualmente numa seqüência ao longo do tempo. etc. uma . No oral a ordem de recepção coincide com a de emissão. seguindo as regras da atratividade. Romper ou não com as convenções é decisão para quem edita. quando mais de uma mensagem é veiculada no mesmo lapso de tempo. ou seja.Ordem O uso retórico da ordem é vasto Há vários tipos de ordem a considerar. Esta convenção é consequência da linearidade do discurso linguístico. É provável que um leitor comece a leitura pelo título. pelo texto de menor extensão. A ordem de emissão escrita é muito influenciada pela convenção. Ordem de recepção É aquela que rege a interiorização do discurso. Na escrita ocidental. é uma ordem de edição. textos. Basta lembrar dos quartetos da ópera lírica ou da música coral. Exceção se faz à liberdade do ouvinte para concentrar sua atenção num ou noutro discurso nos casos de sobreposição.

Algumas ordens gradativas: de prioridades: usada no jornalismo por exemplo para a redação de notícias. de familiaridade: Vai-se do mais familiar para o menos. o esôfago. nas gradações ascendentes. eufemismo. A ordem sintática é determinada: .. de importância. se ascendente. o estômago e etc. de preferências. Ordem sintática É aquela dos termos sintáticos que se verifica nos limites do período. e grau menor nas descendentes. mas que termina dando ao significado uma ordem neutra. de complexidade: É típica da didática que ordena as partes em ordem crescente de complexidade. Ordenação temática São as que dizem respeito não ao significante. Topográfica: Organiza segundo a seqüência em que as partes se apresentam no percurso de uma rota. Gradativas: São aquelas em que o sucedâneo tem grau maior que o anterior. de background progressivo: Também típica da didática que só apresenta uma parte quando os pressupostos necessários a sua compreensão já foram colocados anteriormente. Exemplo: se quisermos descrever o aparelho digestivo uma ordem topográfica possível seria começar pela boca. Convencionais: por exemplo. de impacto psicológico: Se for descendente será disfemismo. depois a faringe. como as de emissão e recepção. Aleatória: É na verdade a negação da ordem. Serve para obtenção de neutralidade ou quando a ordem não é um objetivo. É típica da narração. Causal: Organiza-se pondo a parte que é consequência sucedendo a que lhe é causa. a alfabética. entendido este como grupo de termos sintáticos interrelacionados. que a rigor não é uma ordenação de temas mas de fonemas. mas ao significado.ordenação pelos grafemas iniciais correspondentes do discurso. ou vice-versa. Algumas ordens temáticas importantes: Temporal: organiza-se o discurso pela coordenada de época associada às suas partes. egocêntrica: Vai-se do mais caro ao ego do receptor para o menos. É típica da descrição.

As agramaticais podem ser ambíguas ou inintelegíveis. estéticos. A parte a que se atribui maior valor é o foco da frase. cada função sintática está onde é mais comum estar. A avaliação é subjetiva. O final é a solução que se adota quando se pretende gerar expectativa. que se sobressai pela importância.pela gramática. prioridade ou outro critério que as organize numa escala de valor. pela estilística: donde resultam ordens conformes ou não aos padrões estilísticos vigentes. O começo é preferível quando deseja-se fixar a atenção do receptor de imediato com algo de impacto. É a solução típica do jornalismo. que facilita o processamento. O deslocamento do foco para uma posição enfática pode prejudicar a comunicabilidade do período. A comunicabilidade da ordem sintática será maior na ordem direta. pela Retórica. Ordens sintáticas equivalentes: são aquelas que para os mesmos termos sintáticos remetem ao mesmo referente. geralmente porque se julga seja mais usual e/ou de mais fácil processamento. pois. não são interpolados apostos e sendo mais usual não drena atenção para o significante. é necessário recodificar o período. etc.. Geralmente são menos usuais e de processamento mais difícil. Hipérbatos: são as ordens equivalentes à ordem direta. . Para enfatizar o foco através da ordem sintática deve-se ter em vista que as duas posições mais enfáticas são o começo e o final. Em certos casos para conciliar as duas pretensões: comunicabilidade e ênfase. donde resultam ordens gramaticais e agramaticais. o determinante é contíguo ao determinado. situando o foco numa função sintática que possa assumir posição enfática sem prejuízo à comunicabilidade. abstraídos os nuances conotativos. Ordem direta: É aquela indicada pelos gramáticos como referencial. Ordem sintática e foco do período As partes do período sintático podem ser ordenadas em função da importância. impacto. O que é foco para um pode não o ser para outro.

títulos. pois remetem a palavras. entoação. legibilidade. etc. etc. de forma correta. grafia de variantes de pronúncia. uso de grupos de grafemas (maiúsculas. se fonológica. deveria atender um mínimo de preceitos como: um fonema para um grafema e um grafema para um fonema. que é uma forma traduzida da forma oral.). generalidade. metalinguagem. alta legibilidade.Ortográficos Antes do enfoque retórico para a questão ortográfica vamos comentar algo sobre a ortografia em si. As ortografias que usam o alfabeto romano são fonológicas.) Ortografia padrão É aquela que independente de suas qualidades leva a referência oficial de forma socialmente preferida. frases. os grafemas mais simples e de traço rápido legados aos fonemas mais usados. Uma ortografia pode adotar como unidade mínima o fonema. racionalidade. significação e estilo). etc.' Uma ortografia racional. o que nos servirá de ponto de partida para propósitos posteriores. Também pode ter representação unitária para categorias superiores à palavra.). uma versão cursiva para o conjunto de grafemas o mais possível parecida com a versão tipográfica. horários. univocidade. apartes. entre outras. que em geral remetem a idéias. a sílaba. estrangeirismos. facilidade de aprendizado. A unidade mínima terá como correspondente na emissão visual. A ortografia padrão se associa umbilicalmente ao idioma padrão. economia. Ortografia racional Todos que já se defrontaram com as dificuldades de aprendizado e as imperfeições das ortografias correntes. para foco (citações. abreviaturas. unidade de estilo gráfico para o conjunto de grafemas. como locuções. nomes. Ortografias que usam como unidade mínima a palavra. unidades métricas. datas.. simplicidade. minúsculas.. etc. o grafema. a palavra. encraves. com alguma reserva podem ser chamadas ideogrâmicas. tanto que oficialmente não se considera grafias . diálogo. do 'se escreve como se lê. ressalvas (de conotação. provável. segmentação do texto. o morfema.. É o sonho da ortografia racional. Uma ortografia é um conjunto de regras que disciplinam a emissão do discurso na sua forma escrita. sonham com uma ortografia que tivesse qualidades tais como simplicidade. remissões.. escrita. regras para grandezas numéricas (numerais.

variantes culturais. crítica ou especulação. os fonemas que só são representados por dígrafos. pode-se grafar variantes de pronúncia. a entoação é esquecida completamente pelas regras ortográficas. Isso se explica porque na sua origem a ortografia foi estabelecida por grupos que detinham o privilégio da escrita e que se identificavam com a forma padrão do idioma. etc.. As ortografias padrão são obra coletiva. A ortografia padrão tem alta sociabilidade. fruto de um processo longo que valoriza a tradição. que precisam ser preenchidas pelo usuário. . A ortografia padrão abstrai a entoação. os fonemas que possuem mais de um grafema. Recursos retóricos ortográficos Muito do que se pode chamar de recursos retóricos ortográficos envolvem de algum modo a transgressão da ortografia padrão. É esta transgressão que permite aproximar. Assim no vocabulário ortográfico brasileiro registra-se 'mulher' mas não 'muié'. o discurso escrito da fala. os grafemas que representam mais de um fonema. O desvio do padrão é chamado de erro. É pela transgressão que se produzem efeitos de estranhamento.. tais como: foco narrativo. em especial se por desconhecimento do padrão. etc. ocasiões raras. Por outro lado autores podem estabelecer suas próprias convenções ortográficas para grafar aspectos do discurso não cobertos pela ortografia padrão. por exemplo.para variantes regionais ou populares de pronúncia. racional e simplificada. geralmente por editores. mesmo a comunicativa. daí resultar pouco econômica. Algumas características da ortografia padrão ocidentais: Privilégio do idioma padrão: considera-se que a ortografia deve reproduzir no escrito apenas a variante padrão do idioma. salvo as exceções em que a entoação é o meio único que o código utiliza para estabelecer a comunicação. Prova disso são as intermináveis exceções à regra. omissões. É bem aceita e o que dela se afasta é reprovado. Transgredindo a ortografia padrão. uso de metalinguagem. os dígrafos. segundo critérios próprios. As ortografias padrão tem lacunas.

um ponto de vista. faz-se a conjunção de duas proposições onde uma é a negação ou implica na negação da outra. O oxímoro é um recurso de semântica aberta. porque se finge que estão certas. Uma afirmativa. . mas sob outra visão tudo está errado. Quem o emite abre possibilidades de decifração. ou seja. Ao se dizer 'conseguiu o impossível' evidencia-se que aquilo que se julgava impossível apenas parecia impossível. Para dissipar a contradição o receptor é levado a fazer hipóteses tais como: Que a natureza do referente tratado no oxímoro é diferente daquela que se supõe no nível imediato. É lançado para que se decifre e decifra-lo envolve dissolver a contradição. O que diferencia o oxímoro da contradição propriamente dita é a intencionalidade do primeiro. Quando se diz: 'tudo certo como dois e dois são cinco' é plausível supor que sob certo prisma as coisas estão certas porque parecem certas. no oxímoro a idéia é deixa-lo bem visível.Oxímoro É um enunciado contraditório a primeira vista. outra negativa. O que se diz verdadeiro sob um aspecto. Quando se diz: 'reparar o irreparável ultraje' está se pondo em evidência a impossibilidade do ultraje ser reparado. Deve-se tomar o enunciado em duas acepções. Cabe a quem o assimila fechar as lacunas. O oxímoro é uma contradição no nível da leitura imediata. a proximidade dos termos contraditórios. não o é sob outro. a visibilidade flagrante e a admissibilidade de uma decifração. Quando Drummond nos fala em 'Claro Enigma' é plausível supor que aquilo que se julga um enigma na verdade não o é ou que o próprio conceito de enigma é um embuste. Evidenciar a contraditoriedade. Enquanto na contradição propriamente dita houve o lapso ou a intenção de escamoteamento. obrigando quem quer assimila-lo a refletir sobre o porque de sua presença.

Por exemplo: no português o dígrafo 'ss'. sua concentração.. Para criar rima. proximidade. bom ou mau. ' Porque o conceito surge repetidas vezes ao longo do discurso. palavras. Perceção do repetido Para surtir efeito. Para criar redundância. perguntado sobre o que lia. Isso depende de vários fatores.. B e C.. Melhora com a atratividade do elemento que se repete.. tipicidade.. A porque . ritmo. Para estes podemos dizer que a percepção da repetição melhora devido a fatores como: atratividade. monotonia.. Há três casos de repetição: Repetição de formas de mesma função. sua atenção.Repetição A repetição como recurso de Retórica é praticada em diversos níveis: fonológico. Neste caso pratica-se para sugerir obcessividade. Por ser uma repetição estrutural da língua..' Por não se usar o zeugma. C porque . as vezes sobrepostas. Repetição de palavras de largo uso como a das classes gramaticais fechadas (artigos. Vários fatores determinam a atratividade. Não há redundância. preposições. ênfase e freqüência. a repetição tem que ser percebida.. Para retomar um conceito provisoriamente inconcluso ou não desenvolvido por razões didáticas. palavras'. Outros fatores estão ligados à codificação. entre eles a raridade. Um exemplo: Hamlet. gramatical. gráfico. . tais como: Icônica. Igualmente são redundantes. pronomes) só é percebida se houver outro fator favorável como proximidade e/ou . raridade. São ocorrências redundantes. Para criar trocadilho. B porque . Por exemplo: uma biografia de Sheakespeare não conseguirá evitar contínuas repetições da palavra ' Sheakespeare. diz: 'Palavras.. Para enfatizar. Entre esses fatores estão os ligados à qualificação do receptor. etc. Exemplo: 'Há três razões: A. Repetição de formas com diferentes funções. Poucas palavras ocorrem muito e muitas palavras ocorrem pouco. etc. Repetição de funções sob diferentes formas. suas qualidades de observador. Um exemplo: 'Come para viver ou vive para come?' A repetição é praticada por razões diversas. Esta é a regra geral do léxico..

à estranheza.frequência alta.: 'Banco do Desenvolvimento do Estado do Rio Grande do Sul. Exemplo: 'Chove chuva'. Repetição: qualidade ou defeito? A repetição pode surtir efeito positivo ou negativo conforme a impressão que suscita. etc. de descuido na elaboração. de tal modo que há comicidade temos o pleonasmo. Um enunciado é a negação do contrário do outro. por exemplo. um ritmo. pela entoação. se é um ritmo ela cria a expectativa da próxima repetição. ou seja não se faz rima literária separada por mais de dois versos. Neste caso uma parte do enunciado é implicação óbvia da outra. . nos casos de maior afastamento usava o esquema ABBA. A rima literária. ou seja. se cria-se atmosfera. Repetir ou usar sinônimos? Nos discursos em que um conceito é citado diversas vezes o emissor tem de escolher entre repetir sempre o mesmo signo para designa-lo ou então usar sinônimos. A decisão é estética. Maior número de repetições. 'frígida neve'. A ênfase se consegue de vários modos: pela posição. A percepção do repetido melhora com a proximidade dos elementos repetidos. 'Faça o bem. de prolixidade. Não há regras infalíveis para detectar quando a repetição descamba da qualidade para o vício.. cria-se uma regularidade. A avaliação é toda subjetiva. O efeito não seria percebido. 'Pleonasmo de repetição é redundante e repetitivo'. O efeito é positivo se produz-se iconia. o que em si catalisa a percepção. No caso de repetir corre o risco de cair no excesso. mais possibilidades de percepção do efeito. Melhora com a frequência das repetições.' Já a repetição de palavras raras é percebida mesmo sem proximidade ou frequência. A rima literária. leva ao pedantismo. Se a repetição é periódica. Melhora com a ênfase sobre a repetição. O efeito é negativo quando o que se suscita é impressão de excesso. de limitação da qualificação do codificador. Ex. um excesso. se enfatiza. que é uma posição enfática. não faça o mal'. à inadequação contextual. Pleonasmo de trivialidade. por exemplo. é colocada no final do verso. por vezes. Exemplo: 'Subir para cima' que equivale a 'subir e ir para cima'. A solução oposta. Pleonasmo Quando o efeito da repetição extrapola certo limite subjetivo e a repetição é considerada uma trivialidade. 'cadáver mudo'. Há dois tipos de pleonasmo: Pleonasmo de repetição. pela tipografia. um supérfluo.

Na língua. provavelmente movida pelo mesmo princípio de ordem e unidade que norteava o uso da rima.B. Métrica Métrica é uma regularidade quanto ao número de sílabas de cada segmento de discurso compreendido entre duas pausas nítidas de entoação. leveza. Em linguagens não lineares há outras possibilidades de simetria. pressa..A caracterização do pleonasmo é contextual e subjetiva.C.C. A poesia anterior ao modernismo valorizava o ritmo das sílabas intensas.... É repetição periódica do número de sílabas. a repetição simétrica tem a forma geral .. que classificamos como trocadilho.. insegurança. vagar. fraca. impacto. intensa. O enunciado 'Comer comida' não pode ser rotulado como pleonasmo fora de um contexto. calma. Em literatura o ritmo mais comentado é o da intensidade das sílabas do discurso mas pode-se falar num ritmo das rimas se o poema tem rimas ocorrendo em posições fixas. A antimetábole é ao mesmo tempo repetição simétrica e trocadilho. fraca . Há autores que apontam iconias relativas aos ritmos das sílabas intensas. Chegaste/ Tu vinhas fatigada e triste/ e triste e fatigado eu vinha. fraca. é próprio a textos que sugerem velocidade.. que é linear. Redundância . é mais adequado para significados relativos a equilíbrio. Pode-se comer outras coisas além de comida.. fraca. ou num ritmo da métrica. é mais adequado a significados relativos a desequilíbrio. da estrofe e pela origem musical da poesia.A. suavidade.. do metro.. segurança.. fraca. Ritmo Ritmo é a repetição periódica de uma seqüência chamada compasso. persistência. Quiasmo Quiasmo é repetição simétrica. violência. distanciamento. Para que ocorra sistematicamente é preciso intenção e elaboração.B. O ritmo quaternário: intensa.. fraca. etc..A. Assim: O ritmo binário: intensa. Um exemplo: 'Cheguei. O ritmo nos discursos espontâneos é esporádico e acidental.' Olavo Bilac. Um caso especial de repetição simétrica é a antimetábole. O ritmo ternário: intensa.

Temos abundância porque são necessários dois elementos para uma só função. As variantes existem em função da inércia que faz o idioma se transformar no sentido da economia. Exemplo: No nível fonológico: As variantes prosódicas 'fomo'. ótimo'. o mesmo significado é veiculado três vezes. etc. Neste caso o idioma utiliza mais fonemas que o necessário ao cumprimento da função. Intencionalmente. noutros qualidade. anomalias. ela é praticada como uma precaução contra danos à transmissão causados por ruídos. Em certos casos é considerada defeito. o sintático. Existe uma redundância de código que é inerente a estrutura da língua. desatenção. Para elimina-la poderia ser usada a forma: 'Faço'. Outro exemplo no nível ortográfico: 'ss' no português é um dígrafo que representa o fonema sibilante 's' em algumas palavras. Os elementos que permanecem tem a propriedade de se distinguir de outros . Um exemplo: 'Eu faço'. neste caso dois elementos iguais. A redundância aqui é no nível semântico. Os fonemas 's' finais são abundantes na caracterização da primeira pessoa do plural do verbo.É a repetição de funções com ou sem repetição de formas e pode se dar em diversos níveis: o fonológico. O elemento abundante pode hipoteticamente ser eliminado sem inviabilizar a função. mas não uma redundância de grafemas. Existem e com elas se convive. Cada idioma tem suas redundâncias estruturais. A abundância igualmente à redundância também ocorre no nível de código e de discurso. a não ser que se altere a estrutura da língua. São elementos que juntos e só quando juntos desempenham uma função. Para este enunciado existe alternativa não redundante e não se fere a estrutura da língua com este ganho de concisão. Muitas das redundâncias de língua não apresentam alternativa concisa. Abundância É a característica da forma que apresenta mais elementos que os hipoteticamente suficientes para o cumprimento de sua função. tanto que podem ser eliminados sem que se perca a função. pois. A redundância de discurso pode ocorrer espontânea ou intencionalmente. 'viajamos' e 'voltamos' ilustram uma abundância fonológica estrutural da língua. Temos uma repetição de grafemas. Redundância de discurso é aquela que resulta da liberdade do emissor para escolher entre as várias possibilidades gramaticais válidas na língua. é a junção dos dois e só dos dois que cumpre a função. incompreensão. excelente. Em outros casos sua função é dar ênfase a uma mensagem. Um exemplo: 'Muito bem. Esta frase no português tem uma redundância estrutural que é a determinação do sujeito da oração tanto no pronome como na flexão do verbo. o semântico.. 'viajamo' e 'voltamo' dos verbos 'fomos'.

um dos quesitos para a suficiência é o da distinção.elementos de mesma classe. . Nela nenhum elemento do discurso poderia ser suprimido sem prejuízo à mensagem. Todos os elementos teriam função distintiva. Uma linguagem artificial otimizada para a economia seria livre de redundâncias e abundâncias. No exemplo das variantes dos verbos do português fica claro que o 's' não é necessário no papel de distinguir aquela forma de outras flexões para o verbo. quer dizer.

'tântalo'. 'firma'. inclusive. Mas a associação existe. A rima tem por característica drenar considerável atenção sobre o significante. Igualdade de métrica. Praticamente não há manual de estilística que não prescreva o expurgo da rima na prosa. Difusas: 'tártaro'. 'extrato'. Igualdade quanto a colocação de acentos de intensidade. Anteriores: 'copo'. Rima é repetição no nível fonológico. 'prima'. de tal modo que é quase inevitável rotular o discurso rimado como discurso de intenção poética.Rima Genericamente. 'fina'. reforçada por uma longa tradição de poesia rimada e também pela estranha regra estilística da indiferenciação fonológica na prosa. 'cópia'. Aliteração é a repetição difusa de fonemas. Rima clássica é aquela que se verifica entre palavras. No discurso espontâneo a rima só ocorre esporádica e acidentalmente. Aristóteles já dizia que não é assim. Alguns exemplos de rimas entre palavras: Posteriores: 'rima'. Praticada sistematicamente dá ao discurso uma impressão de ordem. 'tratado'. para surtir efeito a rima tem de ser percebida. Para que ocorra sistematicamente e em posições fixas. Praticada de forma periódica cria expectativa no receptor que passa espera-la nas posições fixas. quando temos a mesma seqüência de fonemas a partir da vogal mais intensa. na parte posterior da palavra. rima é toda semelhança fonológica entre as partes do discurso. Talvez nenhum recurso de Retórica esteja tão associado ao discurso de intenção poética quanto a rima clássica. . Sendo repetição. que se pode fazer rima em qualquer modalidade de discurso e que não é a presença da rima que converte o discurso em poesia. de unidade. do distanciamento entre os termos rimados. a frequência das rimas e a ênfase sobre ela. Isso depende de fatores como atratividade dos termos rimados. 'cópula'. como na poesia clássica é preciso intenção e em certos casos até virtuosismo. para que apesar de elaborado transpareça naturalidade. 'lima'. Também pode ser arrolada como caso de rima.

O discurso é segmentado no nível do significante geralmente para acompanhar uma segmentação no nível do significado. ou seja. 'Mudando de assunto . Diferenciação editorial.. As funções do parágrafo podem ser de atratividade.Segmentação O discurso é segmentado em unidades discretas em todos os níveis linguísticos: no fonológico. Por exemplo: 'Vamos à outra parte .'.' Interpolação de títulos. se a segmentação do parágrafo tem por correspondência uma segmentação temática. Mudança de linha. no morfológico. Nesse caso a função só se cumpre se o parágrafo for uma unidade temática. Segmentação pelo significante No discurso oral a segmentação se dá por recursos como: Pausas. Mas há casos que isso não ocorre.. Parágrafo.. Por exemplo: o verso e a estrofe são recursos de segmentação no nível do significante que podem corresponder ou não a segmentações no nível do significado. com ou sem recuo para a direita. A segmentação do discurso pode se dar na área do significante e/ou do significado. Pontuação. Um verso ou uma estrofe com encadeamento não correspondem a um segmento temático. Interpolação de títulos.. Caixas. no sintático e no semântico. Além da segmentação com funções lingüísticas há segmentações retóricas e segmentções estilísticas. Parágrafo O parágrafo é um recurso de edição. . No discurso escrito a segmentação se dá por: Espaços em branco. Uma diferença relevante entre segmentação lingüística e retórica é o fato que a retórica se dá também num nível superior ao gramatical. Mudança de página. Pode ser também de acessibilidade. O parágrafo funciona como ponto de entrada para o texto. Balizas. Consiste em segmentar o discurso após a conclusão de um período sintático iniciando o segmento novo alinhado na margem esquerda. no gráfico.

Pedro. Por exemplo: ao praticarmos uma segmentação temática beneficiamos a acessibilidade.Há quem defina o parágrafo como a unidade temática mínima. o travessão. porém. mas isto só é válido para uma parcela dos parágrafos observados. Outros exemplos: No discurso escrito segmentando a palavra. perde-se em comunicabilidade. Paulo e José se apresentem'. Nos apostos: 'Aristóteles. No oral a pontuação se caracteriza pelo uso da pausa. No escrito há vários grafemas que caracterizam pontuação. A segmentação é usada meramente por respeito a uma tradição. ponto e vírgula. outra retórica e uma terceira que é estilística. Como as conjunções por natureza se destinam a delimitar orações as vírgulas são redundantes. uma locução. Segmentação e comunicabilidade A segmentação pode aumentar ou restringir a comunicabilidade dependendo do modo como é praticada. Além destes temos outros que apresentam outras funções acumuladas com a de pontuar. um termo sintático. um conceito. o termo sintático. mal feito'. Se divide-se uma palavra em dois segmentos de linha na hora da edição prejudica-se a pronunciabilidade. Alguns exemplos de pontuação lingüística no português: Nas enumerações: 'João. Por isso no jornalismo evita-se dividir palavras. a locução.. Contudo a regra consta nos manuais de gramática normativa. uma oração. Pontuação Pontuação é um tipo de segmentação. ponto. Separar provérbios em hemistíquios: 'Quem usa as cabeças. Exemplos de pontuação estilística no português: Colocar entre vírgulas conjunções adversativas: 'Fez. etc. Há uma pontuação lingüística. Aqui a pontuação serve para distingüir as partes de uma enumeração. o de exclamação. As funções retóricas da pontuação podem ser: . é autor dos Tópicos'. o grande filósofo grego. a oração. Por exemplo: vírgula. nomes. Como regra geral pode-se afirmar que a segmentação prejudica a comunicabilidade toda vez que rompe uma unidade. os dois pontos. locuções e termos sintáticos em dois segmentos de linha. seja ela uma palavra. São exemplos o ponto de interrogação. não usa os pés'.

Na estruturação em níveis pratica-se a segmentação na segmentação. Os segmentos de topo são de nível 1. enfatizar o que se coloca entre pausas ou contestação estilística quando se rompe com uma norma de estilo. Marcadores específicos para status. Certos autores usam do expediente da eliminação da pontuação com objetivo de reduzir a comunicabilidade do discurso. Os segmentos de nível 2 tratam todos do tema relacionado ao segmento de nível 1 que os contém. Segmentos intermediários: os que estão contidos num segmentos superior e contém segmentos inferiores. Neste caso os segmentos de nível 1 tratam do tema genérico do discurso. Podemos para cada segmento atribuir um número ordinário de nível. . Os segmentos de nível 2 são os que só são contidos por segmentos de nível l. Os segmentos de nível três só são contidos em segmentos de nível 2 e l e assim sucessivamente. mas só por texto. ou seja. segmenta-se os segmentos. Tipografia específica para o texto. Os segmentos de nível 3 tratam todos do tema relacionado ao segmento de nível 2 que os contém. Numa estruturação em níveis identificamos três tipos de segmentos: Segmentos de ponta: os que não são formados por segmentos menores. as vezes intransponíveis. Também há estruturações em nível que refletem uma taxonomia. Isto tem sido usado em literatura deliberadamente. Estruturação em níveis Tanto na segmentação pelo significante como na pelo significado pode haver estruturação em níveis.Determinar a entoação. No discurso escrito o nível do segmento na estruturação pode ser caracterizado por: Tipografia específica para o título. E assim por diante. Segmentos de topo: os que não estão contidos num segmento maior. à decifração. O desrespeito às regras de pontuação lingüística pode trazer danos a comunicabilidade na medida que cria obstáculos. Geralmente a estruturação em níveis se corresponde com uma hierarquia temática.

A cada segmento de uma estruturação em níveis é possível atribuir um status que pode ser correspondido a um número ordinal de status. Status de um segmento é um valor a ele atribuído relativamente aos demais. Exemplo típico de atribuição de status é a sequência: tomo. alínea. capítulo. Um segmento numa estruturação por nível tem um número ordinal de nível e outro de status. embora o de status não possa ser maior que o de nível. . ou a um nome. artigo. parágrafo. que não precisam ser iguais.

A convenção estabelece tradicionalmente que a primeira parte de um discurso escrito a ser lida é seu título. O título é a primeira parte do discurso que o leitor busca. Neste papel de ponto de entrada para o texto o título ganha a responsabilidade de fixar o receptor. linhas em branco antes e depois. Ser curto. no cabeçalho do texto. está na primeira página de um livro. pois. É uma parte ativa do discurso. o que é uma virtude para nomes. itálico. Esta situação ocorre algumas vezes em discursos cujo título não pode ser excluído sob pena de alterar ou impedir a inteligibilidade do discurso como um todo.. Para ele a edição reserva corpo tipográfico maior ou outro recurso de destaque como negrito. independente de decisão consciente e atenção concentrada. curto o suficiente para ser lido numa só acomodação visual da retina. Este é um dogma moderno para títulos que tem a ver com a atratividade. O título como recurso de acessibilidade Para um discurso ter o máximo de acessibilidade ele deve ser ao máximo segmentado e cada segmento identificado facilmente quanto a sua natureza. sublinhado. O título pode cumprir este papel de esclarecer a natureza do discurso que nomeia. Nesta função funciona como uma referência ao tema. O título como recurso de atratividade Naqueles tipos de discurso em que o contato e a sintonia do receptor precisam ser conquistados o título desempenha um papel de destaque. No discurso escrito diversos recursos de edição são criados para facilitar o acesso do receptor ao título. O título fazendo o esclarecimento temático do texto a que se liga.Título Um título é um segmento isolado do discurso que cumpre uma ou mais destas funções: É um nome para o discurso. O título. Há várias formas de esclarecimento temático: . via de regra. É um recurso de acessibilidade que presta um esclarecimento temático sobre a natureza do discurso que nomeia. possibilita uma leitura automática. etc. a parte do discurso que se lê primeiramente. É um recurso de atratividade que funciona como ponto de entrada no discurso. no cabeçalho da página. Isto melhora a atratividade. De preferência. O título curto é melhor para a memorização.

Metonímico: se refere a algo contíguo ao tema. sua parte de maior importância. pois. Olho Olho é um segmento relativamente bem menor que o segmento principal que se refere ao segmento principal esclarecendo-lhe a natureza do referente. informativo e objetivo. Títulos de notícias são um caso especial de títulos temáticos. . são a revelação do foco da notícia. Alegóricos: O título é uma alegoria ao tema. São exemplos os livros cujo título é o nome do protagonista. atratividade.Genérico. Podem ser considerados metonímicos. O título noticioso é o núcleo da notícia. Exemplo: 'A Metamorfose' ou 'O Processo'. É típica do ensaio. O olho. no jornalismo tem a função de esclarecer o tema do texto. Olho é um texto um pouco mais longo que o título. Por exemplo: 'Arte Poética' e 'Arte Retórica'. O título atrai e o olho esclarece. impacto.

Permuta de funções sintáticas. São os qui pro quos. 'Ou o Brasil acaba com a saúva ou a saúva acaba com o Brasil'.Trocadilho O trocadilho resulta de uma semelhança formal entre dois enunciados.: 'Em vão os sonhos se vão'. Atribuir o mesmo determinado da atribuição anterior próxima. O termo elíptico por outro. Tipos de trocadilho Fonológicos Resultantes da alteração na colocação das pausas. Entre homófonos: Exemplo: 'Sem conserto do piano não há concerto'. Exemplos: 'Come para viver ou vive para comer?'. Exemplo: 'Qual o nome do produto?' 'É Sem Nome'. É a antimetábole. como ocorre na cacofonia. Usar o mesmo termo duas ou mais vezes num enunciado. Contextuais. É a antanáclase. um deles elíptico. Um trocadilho fonológico pode ser visto como rima. Exemplo: 'Mineira gostosa'. Entre parônimos: Exemplo: Os integralistas diziam: 'Deus. Exemplo: 'Homem grande' versus 'grande homem'. Slogan de um restaurante de comida mineira. Os trocadilhos elípticos não deixam de ser um tipo de ambigüidade intencional. Exemplos: 'Dever de ver'. Entre polissemias: Exemplo: 'O que você faz aqui? Nada. Alguns trocadilhos relacionam uma paráfrase com seu parafraseado. Pátria e Família'. Ex. 'Lavrador lavra dor'.' Slogan de uma escola de natação. por vezes. Sintáticos Permuta de posições. em cada uso com sentido diferente. Semânticos O sentido imediato pelo sentido largo. Pátria e Família' e o Barão de Itararé contra atacava: 'Adeus. semelhança que pode chegar à identidade. Inclui o caso da locução pela frase não entendida como locução. O trocadilho pode ser intencional ou acidental. O signo pelo significado. Exemplo: 'Dizer . 'Por cada' versus 'porcada'.

Há ainda o caso do trocadilho em que o efeito resulta da relação que media os dois enunciados. Há trocadilhos com intenção crítica. inesperado pelo emissor resulta no chulo. . No exemplo do trocadilho do Barão de Itararé: 'Adeus. Neste trocadilho 'mais' se refere à mensagem e 'menos' ao discurso. geralmente da paráfrase para o parafraseado.. onde se deseja transferir para um enunciado o suscitado pelo outro. Pátria e Família' o cômico resulta da relação de oposição extrema entre a paráfrase e o parafraseado. etc. O trocadilho resulta de se atribuir 'menos' à mensagem. Funções do trocadilho O efeito do trocadilho resulta da observação de duas formas semelhantes com sentidos de algum modo relacionados. Cacofonia É o trocadilho fonológico acidental e cômico em que o enunciado elíptico implícito. no grotesco.mais com menos'. obsceno.

.. A silepse como solução para a concordância dos termos compostos: 'Eu e ele fizemos tudo'.. ' Gritado .' Indicação de ordem: 'Primeiramente .'..' não há estranhamento. Indicar foco. Os verbos discendi são exemplo: 'Disse ele:'. Concorda com a idéia de conjunto.' Neste exemplo não há como prever se houve intenção ou lapso. Via de regra a concordância se dá com um termo hipotético..'. Exemplo: 'A dupla não fez nada. implícito mas previsível. Em certos casos é difícil discernir se a silepse tem característica de recurso de Retórica ou de anomalia. Este exemplo é de uma hipálage lexicalizada. Alguns exemplos: Sinalização para ênfase: 'É bom frisar . Hipálage A hipálage é um recurso de Retórica ou uma anomalia do discurso? Quando digo: 'Enfiou o chapéu na cabeça. Ficaram parados. 'Enfiou a cabeça no chapéu' produz-se estranhamento. se digo..' Indicar entoação: 'Pausadamente . Existe uma pseudo-silepse que surge quando um nome pede concordância diferente da que o conceito que ele representa pede.. O conceito 'cidade' pede concordância no feminino. Uma ou mais flexões da frase discordam do termo sintaticamente ligado. Exemplo: 'A populosa e dinâmica São Paulo'.'. A silepse é mais comum como anomalia e como solução para o problema de concordância dos termos compostos. Silepse A silepse numa leitura imediata é uma anomalia de concordância..'. Neste exemplo o verbo não concorda com nenhum dos dois sujeitos. 'Por fim . O conceito 'São Paulo' pede concordância no masculino. 'Ressalto que .....' Índice de segmentação: 'Vamos à outra parte . Na maioria das ocorrências a silepse não é recurso de Retórica. A . Ao contrário..Outros recursos Balizas Balizas do discurso são frases que parafraseiam as funções de diversos recursos de Retórica. que não funciona como recurso de Retórica mas como forma padrão. A substituição não causaria prejuízo à mensagem. que poderia substituir com pertinência o termo discordante..

talvez se a gente . o covarde seus feitos inveja. É uma atribuição impertinente onde o que se atribui é pertinente ao que está contíguo na estrutura da frase. Diferem no fato que na elipse a parte ausente é previsível. Não. da frase elíptica se extrai um sentido completo. nela é que desejo morar. para possibilitar plurissignificação. ' Os termos 'Essas criadas de hoje'. Há três modos de ocorrência da hipálage: como anomalia. E se eu fizer . não. Na Retórica clássica há uma definição de anacoluto que preferimos arrolar como um caso particular de retomada.. Falta-lhe termos sintáticos. não é então recurso de Retórica. Anacoluto É a frase incompleta..' 'O forte.. As ocorrências como padrão linguístico geralmente derivam de uma anomalia que se consagrou no uso.. Como no processo de colocar o chapéu na cabeça o deslocamento é realizado pelo chapéu sob o ponto de vista da subjetividade de quem observa o chapéu entra na estrutura da frase como agente. talvez esteja na psico-linguística. No discurso espontâneo o anacoluto surge em função de má codificação.. Geralmente.. É típica do discurso oral informal. como forma típica padrão e como recurso de Retórica.explicação para o estranhamento. ou porque começou a emitir sem ter em mente o final. Exemplos: 'Essas criadas de hoje. a falta se dá no final do enunciado. Por ser sintaticamente incompleto o anacoluto fica semânticamente incompleto.' Bloqueia-se a continuidade do enunciado para fins de atenuação. Exemplo: 'Hum. '. 'O forte' e 'A rua onde moras' são postos em destaque pela citação desligada de outros termos sintáticos. Ocorre porque o emissor se arrepende da solução que iniciou. Um exemplo: 'Para bom entendedor. a hipálage deriva de uma confusão de atribuição de funções sintáticas. Apesar de incompleta.' 'A rua onde moras.. No caso 'enfiar' tem sentido de 'colocar'. Quando ocorre como anomalia. As frases são construídas de modo a considerar algo como agente e algo paciente. não se pode confiar nelas. Logo depois vem a frase . Como recurso retórico o anacoluto ocorre quando a suspensão do enunciado é intencional e deixa a continuação apenas sugerida pelo contexto. que também é frase incompleta. quer dizer .. vejamos. O anacoluto assemelha-se à elipse. geralmente de tempo real. Enquanto recurso de Retórica a hipálage tem mecanismo semelhante ao da metonímia. ou por se arrepender do que começou.

Há três tipos de enumeração: Aditiva. Para rememorar um termo cuja determinação ficou em suspenso após uma digressão. Enumeração ordenada: é aquela em que a disposição dos elementos na seqüência admite algum tipo de ordem. Enumeração na enumeração: há casos em que um ou mais elementos da enumeração são enumeração. Hipoteticamente pode-se supor uma enumeração caótica. o que prejudicaria a comunicabilidade. Geralmente os elementos de uma enumeração são comuns a uma classe.. e C devido a . Quando isso ocorre temos uma enumeração com paralelismo de similaridade. Para enfatizar uma determinação. Exemplo: 'Só um progresso importa. de deturpações. Enumeração classificada: Quando os termos da enumeração são classes de uma taxonomia... Diferencia-se da enumeração com paralelismo pois. A porque . B e C. Optativa não exclusiva. Enumeração Enumeração é a seqüência de pelo menos dois elementos de mesmo status sintático no discurso. B porque . aquela em que os elementos são totalmente disjuntos. Exemplo: 'A juventude de hoje. esta Retórica agora . como conter todos os elementos do universo considerado e não haver interseção de domínios. O anacoluto citado pela Retórica clássica é uma forma de retomada com fim enfático. Se isto é possível na prática é questão duvidosa. Não é resultado de codificação defeituosa. Exemplo: 'A Retórica que por longos séculos foi objeto de exegese...'. Representada pela conexão 'e/ou'.. O que dizer dela?' . de adaptações às necessidades de época. o progresso justo'.. no paralelismo não existe a obrigatoriedade de atender às regras que definem uma taxonomia.. Tipicamente representada pelo conetivo 'e'.. A retomada se dá por motivos diversos como: Para desenvolver o tema sem o uso de parênteses.onde se encaixariam e onde são substituídos por pronomes. Retomada Retomada é a segunda introdução de um elemento sintático como ocorre no exemplo: 'Os motivos são A. É um recurso de ênfase. Optativa exclusiva. Representada pelo conetivo 'ou'.'.

O termo 'tinha uma pedra' serve a dois adjuntos. a seguinte num grau superior ao anterior se ascendente e o contrário de descendente.' Paralelismo de contraste Ou Antítese é a referência num mesmo discurso a objetos que mantém uma relação de contrariedade. é aberta. Gradação de determinantes É a seqüência de atribuições a um determinado.' F. Para caracterizar o paralelismo basta apenas a citação dos contrários em partes contíguas do discurso. Exemplo: 'É um tédio que é até do tédio. pouquíssimo.D. o que é e o que deveria ser. Neste sentido podem ser chamados de paralelismo a equivalência de definição e o sofisma da contrariedade camuflada. Atribuição reflexiva Ocorre quando se faz uma atribuição de qualidade sobre a própria qualidade. por isso nem tudo que pode-se chamar de paralelismo tem proveito retórico. O proveito costuma aparecer quando existe uma relação adicional entre os opostos ou similares que compõe o parelelismo.Superposição sintática Ocorre quando um termo sintático desempenha função dupla no período.' C. o feio. o belo e o feio. Como a definição de paralelismo é aberta também não se considera em que . Redobro sintático Ocorre quando o terceiro termo sintático tem com o segundo a mesma relação que o segundo tem com o primeiro.' C. Exemplos: 'Dizer mais com menos'. bonito lhe parece'. que amava . o moral e o imoral. Exemplo: 'No meio do caminho tinha uma pedra no meio do caminho.. é muito pouco. etc. o esperado e o acontecido. Alguns exemplos de relação adicional: Os opostos são: a realidade e a aparência.. o prometido e o acontecido. Exemplo: 'É pouco. o utópico e o pragmático. Paralelismo de similaridade É a sucessão de partes do discurso que tem entre si uma relação de similaridade de conteúdo.. que amava Raimundo. A primeira é paralelismo de similaridade e o segundo de contraste. etc. Um objeto referido é o oposto do outro como o bom e o mau. A definição de paralelismo. Pessoa.. 'A quem ama.de Andrade.D. Exemplo: 'João que amava Maria. é mais que pouco. aqui. de Andrade.

evitando assim a retomada deste correlato mais tarde para introduzir a informação. afirmação de um ou outro. Assim como no parêntese sintático a parte do segundo discurso que sucede o parêntese é a continuação da parte que o antecede.' No exemplo dado 'Maria' é o comparado.' 'Maria e a flor. todos explícitos: o comparado. 'Aristóteles escreveu 'Arte Retórica'. O parêntese prejudica o processamento do discurso. belas uma e outra. um dos maiores filósofos gregos.condição os opostos são inseridos no discurso. A parte que sucede o parêntese é a continuação da parte que o antecede. suspende uma construção para retomala mais adiante. O parêntese é uma digressão. É possível o parêntese dentro do parêntese. Comparação É formada por três elementos. algumas frases que contém a mesma comparação: 'Maria é bela como uma flor. Parêntese Parêntese no nível sintático consiste na intercalação de um trecho de discurso entre duas partes do mesmo período ou mesma oração. Parêntese num nível superior ao sintático é a intercalação de um trecho de discurso entre duas partes de um segundo discurso cujo núcleo temático é diferente. Para substituí-lo por uma construção sem parênteses será necessário o uso de uma retomada.' 'Maria com a beleza da flor. Ele foi um dos maiores filósofos gregos'. negação de ambos ou outras possibilidades de onde também resultará também efeito retórico. a 'beleza' é o atributo e 'flor' o comparante. Uma informação que se deseja passar é dada logo após a citação do que lhe seja correlato. O parêntese pode ser usado como recurso de concisão. escreveu 'Arte Retórica". o comparante e o atributo. um desvio do núcleo temático.' 'Maria tem a beleza da flor. Pode haver afirmação de ambos. Se dissesse só 'Maria é bela' as . A comparação dá expressividade à atribuição. Como exemplo. o enunciado parentético: 'Aristóteles. obrigando assim o receptor a uma retenção provisória de termos sintáticos órfãos. pois. Como exemplo.

Um exemplo: Hamlet. minimiza/maximiza ou outra dualidade que altere a valoração que se supõe haver em torno do pré-existente. Neste caso o recurso principal usado é a hipérbole. no gramatical.características da beleza não estariam delineadas. Quando a paráfrase visa produzir humor chama-se paródia. Formalmente a plurissignificação é semelhante à ambigüidade. atenua/agrava. Fazer caricatura. A comparação atenua/agrava conforme o caso. . no estilístico. no mimético. com alteração do grau de síntese. O objetivo de uma comparação é criar uma atribuição expressiva. visando atualizar. no semântico. O resumo é uma paráfrase de conteúdo. Criticar o preexistente ao criar uma versão que enfatiza. O atributo é muito característico do comparante. ao responder sobre o que lia: 'Palavras. Paráfrase É o discurso produzido semelhante a outro preexistente. Já na plurissignificação ambos os sentidos são válidos.. Uma paráfrase mimética é a dos discursos que veiculam a mesma fábula. no fonológico. e havendo semelhança de estilo. etc. Plurissignificação É a admissibilidade de mais de um significado válido para o mesmo enunciado. palavras. Na ambigüidade a duplicidade de significado tem efeito negativo. A paráfrase pode-se dar em diversos níveis do discurso: no gráfico. hipetrofia/atrofia. O comparante atua como determinante do atributo. A paráfrase é praticada com várias intenções: Adaptar uma mensagem a outro contexto. palavras'. extrapola. ou adequar ao contexto novo. Não se consegue discernir qual das duas possibilidades é a válida. A comparação torna palpável a relação entre o comparado e o atributo nos apectos de qualidade e quantidade. Isso se obtém quando: O atributo é muito pertinente ao comparado. As funções e a excelência da comparação são próximas às da metáfora.

' 'Palavras são palavras. no verso deparamos com a afirmação: o que se diz no verso desta folha é falso. em especial no discurso filosófico.' Tautologia É o enunciado que resulta sempre verdadeiro. O exemplo de Russel foi o seguinte: 'Numa folha de papel está escrito: o que se diz no verso desta folha é falso. Não se volta para um receptor.Paradoxo É um enunciado indecidível quanto sua veracidade ou falsidade. As características principais do uso expressivo são: Externa estados de ânimo.' 'Não existe filosofia perene. apenas palavras. Exemplos: 'Cada um é o que é.' Os paradoxos de Russel são muito usados. além de efeito retórico que é o nosso interesse. Ao virar a folha. o que ocorre em função da forma e independente de verificação externa ao discurso. o que traz problemas filosóficos mal vislumbrados.' Um exemplo vindo da antigüidade: 'Epimênides diz que todos os atenienses são mentirosos. logo . ela . Ocasionalmente pode lançar mão de signos não expressivos. Paradoxos de Russel: Chamados por Bertrand Russel de paradoxos das classes são proposições sobre proposições que resultam falsas quando aplicadas a si mesmas. Alguns exemplos: 'Só sei que nada sei. geralmente originados a partir de ocorrências do uso comunicativo.' 'O que está feito está feito.. Epimênides é ateniense. ' 'Ou é ou não é. Não é comunicação.' Interjeição Interjeições são ocorrências típicas do uso expressivo da linguagem. propriamente. não importa a veracidade de suas variáveis. A interjeição não veicula uma mensagem. logo o que ele diz é uma mentira e os atenienses não são mentirosos.. Emprego de signos próprios.

Uso de palavras tabu. Por exemplo: 'Puxa'. Há ocorrências que ora se dão como interjeição. Neste caso há uma polissemia. É comum as ocorrências serem símbolos. Unicamente externa um estado emocional. . Nestes exemplos há uma mensagem presente na leitura imediata. em que uma das possibilidades de uso do termo é expressiva e outra comunicativa. 'Caramba'. só que veicular esta mensagem não é o objetivo da interjeição. Ocorrências não morfológicas São os meios que se lança mão para reproduzir classes de sons não morfológicos. pois. 'Bang' é o símbolo que nos quadrinhos representa o som típico de um disparo de arma de fogo. Exemplo: 'Por Deus'. Há ocorrências de discurso totalmente expressivas e outras totalmente comunicativas. Quando alguém chinga outro estamos diante de um uso ao mesmo tempo expressivo e comunicativo. Comunicativo porque há intenção de passar uma mensagem ao receptor. Uma característica relevante da interjeição é sua brevidade. tais como: 'Bum'. 'Pelas barbas do profeta'. 'Droga'. Expressivo porque o chingamento resulta do estado emocional em que se encontra o emissor. como os palavrões. ' Diabos'. Por exemplo: Quando alguém dá uma topada numa pedra e solta um palavrão temos um uso todo expressivo. 'ai'. 'splash'. Imitam sons não fonológicos associados aos estados emocionais que externam. 'ui'.é índice de um estado de ânimo. Por exemplo: 'uau'. 'crac'. 'Nossa'. Exemplos típicos são vistos nos quadrinhos. A origem das interjeições: Interjeições são signos. 'plaft'. As interjeições que usam palavras tabu. Mas também há ocorrências em que os usos se interseptam. ora como signos do uso comunicativo. Formam-se por mecanismos diversos como: icônico. Tipos de interjeição: Há ocorrências que só aparecem no discurso como interjeições. Há ocorrências não morfológicas no escrito e no oral. A partir de enunciados comunicativos correlatos com o estado de ânimo em questão. tem a característica adicional de serem uma ruptura da sociabilidade. o palavrão não se dirige a ninguém. Por exemplo: 'ai'. não é usado para citar o disparo mas para substituir o disparo na sua ocorrência. 'ui'. pois. É símbolo mas não é signo.

os trocadilhos. as aliterações. Da redundância. É uma regra do discurso elaborado. Dos desvios do idioma padrão. O jornalismo sempre se coloca esta regra e sempre a descumpre. os sons da fala raramente imitam com perfeição sons não fonológicos. Do calão. Das referências de contexto circundante. Típica do discurso público. Algumas notáveis: Da indução fonológica: é típica da prosa quando esta evita as rimas. Existem inúmeras regras de supressão para o discurso. mas classes de sons. do regionalismo. as iconias fonológicas. as repetições. sisudo. Do clichê: É típica do discurso de pretensão bem comportada. É típica do discurso elaborado sem retorno. da reticência. Do raro. assim como os fonemas. Daí. os ecos. O difícil é chegar a um acordo sobre a que se aplica o conceito do clichê. A representação perfeita geralmente não é possível. geralmente as ocorrências não morfológicas serem símbolos verbais fonológicos não muito fiéis à classe de sons que procuram imitar.As ocorrências não morfológicas. da gíria. No discurso espontâneo as induções ocorrem de forma assistemática. as métricas. não representam sons. Regras de supressão A Retórica não se funda só no que se diz mas também no que não se diz. os ritmos. Típica das ocasiões em que se deseja passar impressão de segurança. pois. Da contradição e outras transgressões à lógica formal quando estas transgressões não podem ser interpretadas como recursos de Retórica semânticos. Das ocorrências fáticas e metalinguísticas. É uma regra típica dos discursos que pretendem servir a um espectro largo de receptores. arbitrárias. Das anomalias. ou seja. a relação deixa de ser icônica para se tornar convencional. Todas as regras de supressão relacionadas acima são típicas de algum tipo de . Do anacoluto. eliminas-se do discurso tudo que leva a indução de semelhanças ou repetições no nível fonológico do discurso. Costumam ser em parte icônicas e em parte. do jargão. Do que prejudica a comunicabilidade. Depois que uma ocorrência não morfológica se converte em símbolo esta imitação imperfeita que ela realiza deixa de ser relevante. pois.

discurso com pretensões específicas. O substituto é . colchetes. não podendo ser encaradas como válidas em geral. ou melhor. 'Escute bem. multiplique por três'. Nesta situação a retificação ganha função crítica.'. A retificação é típica do discurso espontâneo distenso mas há certos casos em que é praticada intencionalmente no discurso elaborado... Exemplo: 'Você multiplica por dois. Nestas ocorrências de retificação intencional costuma haver alguma relação entre o que se apaga e o que lhe substitui. etc. Exemplos: 'Quer dizer . Ocorrências fáticas Uma ocorrência fática é um trecho do discurso que visa a tratar do andamento do ato comunicativo tal como: Verificação de contato e sintonia. Por exemplo: uso de parênteses. os mecanismos costumam ser convenções editoriais. o pretendido e o alcançado. Retificação É toda ocorrência que apaga uma ocorrência anterior. No escrito. o verdadeiro e o falso. 'Ficou claro?' As ocorrências fáticas são típicas do discurso espontâneo com retorno. Ocorrência metalingüística Ocorrências metalinguísticas são trechos do discursos que tratam do código que está em uso. caracterizam a condição de uso ou menção do fragmento por eles delimitado. No discurso elaborado sem retorno as ocorrências fáticas costumam ser suprimidas. seja enquanto signo.. 'Não usei a palavra certa . 'Entendeu?'.' Verificação de transmissão. quer dizer. Um caso particular de retificação é a retificação gradativa. barras.. convencionalmente.' Retificações.. Por exemplo: ' aqui se fala da palavra 'tal' e não do que ela se refere'. Exemplos: 'O que quer dizer tal palavra?' ''tal palavra' é muito sonora. Nestes casos é comum uma palavra ser tomada não como intrumento do código mas como coisa. Exemplos: 'Alô'. a aparência e a realidade. Quando ocorre sem intenção resulta de idas e vindas do entendimento. Tanto no oral como no escrito podem ser usadas balizas metalingüísticas. Por isso cria-se mecanismos para distinguir quando um fragmento de discurso está sendo usado ou mencionado. A relação pode ser. por exemplo.' Nas ocorrências metalingüísticas é comum ser necessária a distinção entre uso e menção. enquanto significante ou enquanto significado. apóstrofos.

Na função apelativa. se busca um ganho de intimidade pela reiteração da exclusividade do discurso. O vocativo é praticado com função fática e/ou apelativa. ' João.semelhante em natureza ao apagado mas diferente em grau. como se o receptor dissesse: é para você que estou falando. pare'. Na função fática visa a confirmar a transmissão. ' Meu caro. . Vocativo Vocativo é toda invocação do receptor. vê se me entende'. Exemplos: 'Você. é de você que estamos precisando'.

'Amor quente' é uma metáfora sinestésica e impressionista. 'sendeiro luminoso'. Os exemplos dados são metáforas. mas em verdade são apenas uma propriedade destes recursos. Situações evocando sensações e vice-versa: 'amargo regresso'. 'doce música'. ou uma situação. para o receptor. do concreto. Impressionismo: O impressionismo ocorre quando uma situação. . Exemplos: 'tempestade furiosa' (metáfora). normalmente são arroladas como recursos de Retórica. do preciso. 'voz áspera'. 'triste madrugada' (metonímia). Personificação: É a atribuição de características humanas a coisas não humanas. Todos os exemplos dados são metáforas sinestésicas. sensação. Materialização: É o recurso que associa uma noção abstrata a algo concreto. ou uma impressão. 'determinação férrea'. Há muitos casos de sobreposição de característica. Os exemplos dados são metonímias. Exemplos: Sensações evocando sensações: 'cor quente'. Sinestesia: Sinestesia é a propriedade de um discurso que gera uma associação entre uma sensação e outra sensação. Palpabilidade: É a característica do discurso que traz o conceito para a área do familiar. 'imagem do medo'. Sensações evocando impressões: 'sabor de pecado'. 'comportamento frio'. Exemplos: 'Triste madrugada' é uma metonímia prosopopéica e impressionista.Qualidades notáteis As características abaixo. do mensurável. 'sentimentos úmidos'. Emoções evocando sensações: 'amor quente'. ou mesmo impressão se associa a uma impressão. 'música sensual'. Exemplos: 'amor sólido'. Os exemplos são metáforas.

representações e fábulas. Lendas. Folclore. Chamaremos discurso narrativo aquele em que a narração predomina. Mitos. as categorias da narração: foco.. Memórias. Os aspectos que interessam à Mimética são o modo como se narra. . Textos para teatro. espaço. Romances. Roteiros para cinema. A teoria da ficção faz parte da Mimética. novelas e contos. tempo. Fábulas. tais como: Discursos historiográficos. Geralmente a narração se alterna com a descrição.Mimética A Mimética se ocupa de discursos narrativos. etc. Reportagens de acontecimentos. É raro o discurso integralmente narrativo. os critérios de eficácia e excelência da narração. a dissertação e a dramatização. personagem.

Efetivamente ocorrida no universo ficcional. Onírica. ações e situações formando um todo organizado e hipotético. mas que no decorrer da narrativa possa se mostrar como não consumada no universo ficcional. que não é dado em si. Revelação: é o que ocorre quando um dos agentes da narração. Ação cardeal: É aquela que não pode ser suprimida sem comprometer a inteligibilidade global da fábula. É aquela fruto de uma ficção dentro da ficção estabelecida por algum dos agentes da ficção. Imaginária. O discurso narrativo ou representação ou fábula é o ponto de partida para a construção do universo ficcional. ações e situações que formam um todo organizado não veraz. Podemos até imaginar o universo ficcional se estendendo para além de onde é possível ver pela janela do discurso. o que não deixa de ser saudável em certos casos. O que extrapolamos para além dos dados do discurso é por nossa conta e risco. Situação: É a ordem vigente dos elementos do universo ficcional em dada coordenada de tempo ficcional. o que para a Mimética é um atributo contingente. Proposição: É a tripla situação anterior. situação posterior. Alguns tipos notáveis de episódio: Inversão de tendência: Por exemplo: O herói consegue inverter as expectativas que apontavam para o seu fracasso em expectativa para a vitória. Hipotética. Representada. Se o discurso nos remete a um universo ficcional em certos aspectos análogo ao universo objetivo diremos que ele possui uma dimensão realista. Este exemplo citado recebe o nome de peripécia. Ação: São as mudanças que ocorrem na situação do universo ficcional. É aquela que resulta do sonho de um dos agentes da ficção. Mera divagação. Universo ficcional: É uma criação subjetiva intuida a partir de uma ficção formado por entidades. ação. É aquela que por algum imperativo da ficção se supõe consumada.Elementos da narrativa Ficção: É o discurso narrativo ou representação ou fábula que nos remete a uma construção subjetiva onde figuram entidades. A ação pode ter vários aspectos: Consumada. Episódio: É qualquer fragmento de narração formado por ao menos uma proposição. o . o narratário. Os agentes da ficção podem representar dentro da ficção. mas por aspectos. É um tipo de episódio útil para a obtenção de clímax.

Podemos dizer que cada ato se constitui num núcleo. Um tipo de revelação é o reconhecimento. a idade adulta e a velhice do protagonista. Temos vários núcleos narrativos neste romance. o leitor. A peça teatral 'Peer Gynt' de Ibsen. Confronto: É o encaminhamento irreconciliável para a disputa entre dois agentes da narrativa.personagem. Catástrofe: É o fato de dimensões trágicas no universo ficcional. Pode-se dizer que uma parte da narrativa é um núcleo desde que nela seja localizada uma característica que se preserva nos limites da parte. Neste romance o narrador acompanha a história de um personagem de cada vez. passa-se em três épocas. por isso a determinação de um núcleo é uma questão subjetiva. em três atos. cada um ligado a um dos personagens do romance. Na tragédia grega. . Núcleo narrativo: É uma parte da narrativa em que se prioriza a abordagem de determinado objeto. O tipo mais comum e notável de núcleo é o que se desenvolve em função de personagens. Dano: É o fato que cria um desequilíbrio no universo ficcional que por vezes condiciona toda a ação. toma conhecimento de um fato que redireciona os caminhos da ação. Por exemplo: o romance 'Cem Anos de Solidão' de Garcia Marquez. Não há uma baliza precisa para determinar que nível de generalização deve ser empregado para caracterizar um núcleo. ocorre catástrofe no clímax. por exemplo. Para não se enxergar núcleos e mais núcleos numa narrativa é preciso considerar apenas aquelas priorizações de abordagem mais gerais. onde um dos agentes da narração toma conhecimento da identidade de outro. Podemos dizer que isso caracteriza um núcleo. respectivamente a infância.

Tipos de fábula Aristotélica Aristóteles foi pioneiro no estudo da Mimética. clímax. O herói é convocado para restaurar o status quo reparando o dano. Nem os mestres gregos da tragédia seguiram a risca os preceitos aristotélicos da tragédia perfeita. Aristóteles propôs um modelo de fábula que pode ser resumido em duas regras básicas: Unidade de tempo. Estas duas regras definem a questão da fábula. ação e espaço. O herói enfrenta a peleja final quando. Sua obra 'Arte Poética' permanece até hoje como marco para a Retórica. Divisão em partes: prólogo. O dano é uma ação que desequilibra o status quo perfeito. complicação. O herói passa por uma ou mais provas qualificatórias. A 'Arte Poética' é ao mesmo tempo um tratado de Mimética e um tratado normativo de Estética teatral. O herói parte para o território inimigo na intenção de reparar o dano. no geral. Um resumo das suas regras: A fábula começa com uma situação de status quo equilibrado. acrescido da compreensão das relações entre as partes deste conjunto. . O herói se defronta com o inimigo em várias pelejas que antecipam a peleja final.Fábula É o conjunto completo de ações e situações de uma narrativa. desenlace e epílogo. Proppiana Propp estudou a estrutura dos contos folclóricos russos e concluiu que eles seguiam algumas regras que ele identificou e relacionou. O herói recebe a ajuda do coadjuvante. a Mimética e para a Teoria Literária e Teatral. Na 'Arte Poética' Aristóteles dá a receita da tragédia grega e lança os conceitos fundamentais de Mimética. recupera o bem que havia provocado o dano. Para as outras questões da tragédia há outras definições. mas suas colocações acerca da Mimética permanecem válidas. O herói bate em retirada fustigado pela perseguição do inimigo. então.

Resume as características formais típicas da narrativa com largo espectro de aceitação. O herói chega à terra natal mas não é reconhecido. Abundância de ação e emoção. Desencadeamento: Sucede o prólogo. Verossimilhança interna. Na seqüência conplicação-clímax deve ter uma inversão de tendência. O herói é reconhecido. Unidade de ação. Ter um falso final. Envolvimento. que vem sendo usada exaustivamente na literatura da massa e em outras modalidades narrativas. É um momento de aumento de tensão que fixa a atenção do receptor em definitivo à narrativa. O herói peleja com os usurpadores e os derrota. As partes da fábula de massa Prólogo: É a parte inicial da narrativa em que é colocada a situação inicial. Não há de ser encontrada com todos os seus elementos de caracterização. De massa A narrativa de massa é um pressuposto metodológico. Continuidade. Causalidade. desencadeamento. Ter um anti-clímax. Presentificação..O herói vence o inimigo e deixa o território inóspito. Necessidade. Background otimizado para o público alvo. Maniqueísmo. Unidade de caráter dos personagens. Restabelece-se o status quo original. As características: Presença das seguintes partes: prólogo. Sociabilidade. . Imprevisibilidade. É onde ocorre a ação cardeal que determina todas as demais ações cardeais da fábula. clímax e epílogo. Final que não frustrante para o envolvimento. Desencadeamento com objetivo a atingir. Analisando a estrutura do conto propiano não podemos deixar de ver sua semelhança evidente com o mito de Ulisses. complicação. desenvolvimento.

As dificuldades do personagem com quem o receptor simpatiza. Equivalência narrativa É a característica de dois discursos narrativos ou representações que remetem à mesma fábula. Incontáveis discursos podem ser proferidos contendo a fábula de Hamlet.Desenvolvimento: Sucede o desencadeamento. A complexidade da ação. Dificilmente algum se igualará ao realizado por Sheakespeare. Complicação: É parte do desenvolvimento. A fábula subsiste além do discurso que a contém. O acirramento dos conflitos. Epílogo: Sucede o clímax. O clímax desata o nó que se apertava continuamente na complicação e que fora atado no desencadeamento. A velocidade da ação. . mas todos equivalentes no potencial de portar a fábula sobre o príncipe. É a parte em que se verifica intensificação contínua. É a parte central da narrativa que contém a maioria das ações cardeais. Uma mesma fábula admite incontáveis ordens de apresentação. Os obstáculos ao atingimento dos objetivos. o Príncipe da Dinamarca. Ordem de apresentação É aquela pela qual se dá a conhecer as ações e situações que formam a fábula. A proximidade de certo objetivo. O que se intensifica na complicação? Uma ou mais das características seguintes: O envolvimento do receptor. Começa num dado ponto dele e termina com ele imediatamente antes do clímax. Clímax: É a parte da ação em que se dão as ações que resolvem o processo que se complicava. Insere a situação posterior a este. A excitação das emoções do expectador.

Narração contraida.Tempo Para tratar das questões miméticas de tempo temos que considerar dois relógios: o da realidade e o do universo ficcional. justa e dilatada É justa se a duração da atualização coincide com a duração da ação. Mede-se num relógio solidário ao universo ficcional. Época de atualização: Ou de recepção é a coordenada de tempo real associada ao ato da recepção do discurso ou representação. contraida ou dilatada é preciso supor que o tempo de atualização é fixo e conhecido para todas as leituras. Época de narração: É a coordenada de tempo ficcional associada hipoteticamente ao ato da narração. O primeiro mede o tempo objetivo. o segundo o tempo fictício. o que é falso. baseada no desempenho do leitor médio que executa uma leitura integral. Época de ação: É a coordenada de tempo ficcional associada hipoteticamente à ação narrada. Duração da ação: É o lapso de tempo ficcional em que ocorre a ação narrada. vocalizada e dramatizada nos discursos diretos. O narrador a pratica rememorando os fatos e livre das contingências do momento da ação. Contorna-se o problemas supondo uma duração de atualização média. Há coincidência de época de ação com época de narração. Para dizer se uma narrativa é justa. . Contraida se a duração da atualização é menor que a de ação e dilatada se ocorre o contrário. Narração pretérita: É a que hipoteticamente ocorre após a consumação dos fatos narrados. Narração em tempo real: É aquela que hipoteticamente ocorre paralela com a ação. Duração da atualização: É o lapso de tempo real em que ocorre a atualização da narrativa pelo leitor/espectador. Época e duração Época de criação: Ou de emissão é a coordenada de tempo real associada ao momento da criação do discurso pelo autor.

Foco Questões de foco são as que dizem respeito às condições em que se dá o ato narrativo. embora seja comum o discurso destinar-se diretamente ao receptor. Narrador e narratário são tipos especiais de personagens. um personagem de pouca atuação ou mesmo apenas observador. Do mesmo modo pode-se falar em: Narratário-personagem: O narratário está inserido no universo ficcional. idéias que são do personagem que está acompanhando. A narrativa primária é externa à fábula. Como personagens podem ter história.. principalmente estilo. mesmo quando estão excluídos da ação. uma entidade imaginária que não deve ser confundida com o autor do discurso. Dramatização . Narratário: É o hipotético receptor do discurso narrativo. entidade igualmente imaginária que não deve ser confundida com o receptor. Narração primária e narrativa na narrativa: É comum narrativa um personagem se por a narrar. A primeira é a condição de narrador-personagem. via discurso direto. Transferência: É o que ocorre quando o narrador toma por suas as impressões. Hipoteticamente tem história. ideologia e no caso do narrador. etc. aparência. reações. aparência. Narrador-etéreo: É o narrador que não está inserido no universo narrativo. Há dois tipos de interação opostas do narrador com o universo narrativo. caráter. A diferença desta narrativa para a primária é que a narração de personagem é uma ação da fábula. Narrador: É o hipotético emissor do discurso narrativo. Este narrador pode ser um protagonista. embora seja comum este assumir o papel de narrador. como se vagasse no éter e as contingências do universo narrativo não o atingissem nem ele tampouco pudesse interagir com o universo narrativo. como um personagem específico ou como uma entidade abstraida de todos os atributos que não sejam o de receber a narrativa. Narrador.personagem: É o narrador que está inserido no universo narrativo sobre o qual narra. Narratário-etéreo: O narratário etéreo está a margem do universo narrativo. caráter. Pode ser construído de diversas formas pelo autor: como uma platéia. como um grupo diferenciado.

Tipos clássicos de narrador e narratário O Narrador etéreo clássico: Este narrador pode ser definido pelas seuintes características: Não tem história. nem participa dela. do narratário. Premonitiva: O narrador sabe o que se dará mais adiante. Omnisciência: É a característica do narrador que não encontra limitações à sua ciência da narrativa. É onisciente e onipresente. Procura criar a ilusão que a época de narração coincide com a da leitura. De qualquer modo o efeito é atingido: reproduzir o que se passa hipoteticamente na cena sem filtragem. Os meios da língua para reproduzir o que se passa no universo narrativo se limitam a reprodução de discursos e precariamente sons não fonológicos. Compete a quem lê um discurso direto imagina-lo como a voz dos personagens ou como a voz do narrador reproduzindo a fala dos personagens. pronunciamentos. nem caráter. passa ou passará no universo narrativo. A dele ou a do personagem que acompanha. monólogos. etc. Podemos citar a ciência do narrador.. pensamentos. aparência. Subjetiva: É a do narrador que hipoteticamente penetra na subjetividade de um ou mais personagens da narrativa. Abstrai seu contexto circundante. . mas tem ideologia e estilo. Ciência É o grau de conhecimento sobre o que se passou. manchetes. Omnipresença: É o atributo do narrador que não está atrelado a um ponto de vista que o limita. dos personagens. do leitor. Daí o discurso direto ser a reprodução hipotética de diálogos. São tipos notáveis de ciência do narrador: Perceptiva: o que o narrador sabe é fruto do que pode a percepção saber. Não se refere ao narratário. Não faz transferências. colocando-se sempre onde for mais conveniente aos objetivos da narrativa.Ou discurso direto é uma forma construtiva da narrativa que pretende eliminar a figura do narrador pondo o leitor em contato direto com o universo narrativo. cartas. Não interfere na trama. Tem omnisciência subjetiva extensiva a todos os personagens.

Tem um papel secundário na trama. aparência. ideologia e estilo. Tem história.O Narrador personagem observador: Suas características principais são: Pertence ao universo narrativo. nem caráter. O narrador personagem atuante: Tem história. É quase um observador. Confunde-se com um leitor genérico. ideologia e estilo. O Narratário etéreo clássico: Não tem história. nem aparência. caráter. aparência. Desempenha um papel destacado na trama. . Abstrai-se seu contexto circundante. caráter. nem ideologia.

. rotação vertical. oblíquo. Quanto ao foco: próximo. Quanto a solidariedade ao ponto de vista do personagem: desvinculado. Podemos falar em ponto de vista do narrador. Quanto à profundidade de campo: estreito. largo. rotação horizontal (panorâmica) Cine-verdade Zoom Deslocamento de foco Variação de profundidade de campo Quanto a resolução: definido. de baixo. Quanto a altura relativa da linha do horizonte: de cima. solidário. de ponta-cabeça ou outro. Ponto de vista do espectador no cinema Quanto à proximidade do objeto: .Ponto de vista Ponto de vista é a hipotética condição de observação em que se dá o conhecimento da narrativa por quem a frui. plano americano. granulado. Quanto à inclinação da moldura: horizontal. distante. distante. translação vertical ou horizontal. Quanto à área de abrangência referida ao homem: close. plano geral. vista humana. rotação da moldura. do personagem e do receptor. próximo. Quanto a mobilidade: fixo. do narratário. vertical. desfocado por setores.

. Faz-se necessário mostrar toda mudança de direção. retorno. para só depois usar planos que não mostrem o conjunto. Esta linha tem dois sentidos possíveis. A convenção deve ser mantida ao longo da representação. Continuidade de movimentos dos objetos O expectador em todos os momentos da representação mantém-se a par das informações relevantes sobre a trajetória física dos objetos da cena. Continuidade de ponto de vista A cada momento da representação existe uma coordenada de espaço associada . Assim uma narrativa com continuidade de sentido de trajetória pode não ter continuidade de direção de trajetória. se um objeto da ação está em avanço ou recuo. Para mante-la é preciso iniciar a cena com planos que estabeleçam as posições relativas. fuga.. convencionalmente associado a recuo. fuga ou confronto. para direita. Continuidade de posições dos objetos O espectador em todos os momentos da representação está a par das posições relativas dos objetos da cena entre si. progresso. um positivo que convencionalmente podemos associar a avanço. A relevância da ciência da trajetória dos objetos da cena na maioria dos casos se limita a manter o espectador informado sobre o sentido do movimento. qual indica fuga e qual confronto. para cima. etc. A trajetória de um objeto pode ser associada a uma linha imaginária contínua dentro do universo narrativo que muda de direção para esquerda.Continuidade Continuidade é a característica de uma representação que possibilita ao receptor a ciência das condições de posição e movimento dos objetos da cena e dos pontos de vista nela inseridos. O problema clássico para este tipo de continuidade ocorre no cinema. Para darlhe a ciência da direção dos objetos no universo narrativo a questão é mais complexa. para baixo. etc. deve ser estabelecida na primeira tomada a convenção para qual sentido representa avanço e qual representa recuo. Para esses casos de narrativa em que o importante é a identificação da dualidade relacionada com o movimento. Para que o receptor se mantenha ciente do sentido do movimento basta seguir a regra que manda o ponto de vista do espectador não cruzar o eixo da ação sem o conhecimento do expectador. etc. e um negativo. conforme o caso e que se chama eixo da ação. É o da reunião de múltiplos personagens que conversam entre si com a cena sendo registrada através de planos fechados. partida ou retorno.. ou qualquer outra dualidade relacionada com a escolha de um sentido para o eixo da ação. confronto. A ciência do sentido de movimento dos objetos em cena difere da ciência da direção dos objetos da cena.

vindo do ponto de fuga da perspectiva até passar pela câmara quase roçando-a. se o ponto de vista se desloca de plano a plano. Assim. no próximo plano o carro aparecerá visto por trás em afastamento. Para ter ciência das posições ocupadas pelos objetos da cena o expectador tem que ter ciência primeiramente do posicionamento de seu ponto de vista.aos pontos de vista da narrativa. o expectador o imaginará percorrendo uma trajetória contínua durante os cortes. Continuidade de trajetória do ponto de vista do espectador O espectador tenderá a atribuir ao seu ponto de vista características humanizadas. Um dos mais notáveis para os problemas de continuidade é o ponto de vista do expectador. . pois é a partir dele que discerne os demais posicionamentos relativos. se deslocando da esquerda para a direita na direção do ponto de fuga da perspectiva. Por isso há quem adote uma continuidade de trajetória do ponto de vista de espectador que consiste em dar a impressão que o ponto de vista de espectador é humanizado. Por exemplo: se a câmara filma o aproximação de um carro da esquerda para a direita.

enquanto indivíduo ou tipo. conforme o caso. Nessa classificação dois tipos se ressaltam: a descrição geográfica e o retrato. Narrar é dizer o que acontece. Organizam as partes segundo uma taxonomia. da ação. Tanto que os conceitos de descrição e narração são mais pressupostos metodológicos que resultado da observação experimental dos discursos. Enquanto uma .Descrição É rara a ocorrência da descrição isolada da narração e vice-versa. Há descrições: Topográficas. Narrar é dar ao conhecimento através do discurso sobre a mutação das coisas. Os tipos de ordenação são muitos e incluem também o caso da ausência de ordem. Semelhanças da descrição com a narração Descrição e narração são categorias de uma mesma classe. É discurso sobre o que é. O retrato trata das aparências do ser humano. Explicam a função e o funcionamento das partes. tanto físicas como de caráter e ideologia. A descrição geográfica trata das aparências das coisas não humanas tal qual se dão à percepção. Há descrições: Classificatórias. Fisiológicas. Tipos de descrição Tradicionalmente as descrições são classificadas pelo assunto que abordam. De background progressivo. Descrição é um tipo de discurso que dá ao conhecimento do receptor uma situação vigente no universo narrativo considerado. Uma outra forma de classificar as descrições é pelo critério da ordem que elas usam para apresentar as partes do discurso. Organizacionais. Um outro critério de classificação é o das características do que se descreve sobre o objeto. É discurso acerca do que é imutável ao longo da ocorrência dos fenômenos. é o universo de objetividades. Em ordem atenuante ou agravante. Explicam as relações entre as partes. De complexidade crescente. que não raro. A narração trata dos fatos.

a outra explana as mutações da situação. Ambas são referência a um universo que pode ser o universo objetivo. .explana. dá ao conhecimento uma situação.

A narrativa literária tem mais liberdade quanto a ordem.A narrativa noticiosa e a literária Há dois modos notáveis de narrar que chamamos arbitrariamente de noticioso e literário. Sumarização: A narrativa noticiosa procura ser o mais possível sumarizada. geralmente contraída. Ordem de apresentação: A narrativa noticiosa prefere a ordenação por importância decrescente. Os dados prioritários da ação são revelados de imediato. seu indício. envolvimento. produtividade. dilatada. dar concisão. ao contrário da narrativa literária que tem nessas categorias um dos seus objetivos centrais. Pode ocorrer narração em tempo real. Empatia. que não faz transferências. para criar suspense usa ordem de importância crescente. Vejamos as características de cada uma em relação a várias categorias: Dramatização: A narrativa noticiosa não dramatiza. se impressiona e opina. o envolvimento e a presentificação. Na narrativa literária dramatização é freqüente. A narração pode ser contraída. justa. sua consequência. Narrador: A narrativa noticiosa prefere o narrador etéreo. No geral a narrativa noticiosa busca neutralidade. Nela o uso dos tempos não favorece a presentificação e o envolvimento. manipulação psicológica. neutro. Ponto de vista: A narrativa noticiosa busca o mais possível um ponto de vista neutro. etc. crítica. É comum preferir o detalhamento para criação de atmosferas. As vezes. Comumente faz transferências. No geral evita a ordem por importância decrescente. A narrativa literária não tem esta preocupação. A literária busca ludicidade. etc. A literária comumente tem ponto de vista comprometido com um personagem. . com uma tendência do narrador. Metonímias narrativas: A narrativa noticiosa pouco recorre a metonímias. Na narrativa literária o narrador é criado com mais liberdade. A narrativa comumente usa de metonímia com finalidades diversas: atenuar. É comum usar ordem cronológica e favorecer a criação de clímax.. conforme a necessidade do envolvimento e presentificação. Tempos: A narrativa noticiosa usa narração pretérita. que não se impressiona. envolvimento.. A narrativa literária desfruta de maior liberdade no uso dos tempos. nem opina. Pelos nomes não se deve concluir que a narrativa noticiosa não aparece na literatura e que a narrativa literária não é usada em jornalismo ou em outro tipo de discurso. agravar. concisão. presentificação: A narrativa noticiosa evita a empatia. Geralmente prefere narrar o fato tal qual e não por seu detalhe. Pode ser etéreo ou engajado à cena.

O romance 'Cem Anos de Solidão'. geralmente. No romance o convívio do leitor com a narrativa é maior. Esta característica de extensão condiciona outras características de cada tipo de narrativa. Ser leve. mas truncado por intervalos. o conto tende a ser mais sintético. análises sofisticadas. A diferença mais visível entre um conto. da novela e do romance. Os limites são fluidos e subjetivos. é um caso típico de romance pluri-nuclear. Por ser curto. o convívio é mais curto mas cumprido sem interrupção. tais como: Ser curta. Crônica A característica marcante da crônica moderna é o fato dela ser redigida para publicação em jornal. o conto é mais versátil para temáticas que admitem um tratamento menos extenso. ou seja. por ser mais curto. já o romance mais analítico. enquanto o romance é mais versátil para a abordagem de temas que exigem maior extensão no tratamento. Como pede o jornalismo: textos curtos que não agridam a inércia do leitor típico. de Gabriel Garcia Marquez. Neste romance os núcleos se desenvolvem em função dos personagens. Estas características tornam o conto diferenciado do romance na questão do envolvimento do leitor. Por ser curto o conto costuma ter um núcleo de ação restrito enquanto o romance admite vários núcleos com raio de ação mais vasto. nem tampouco outro com cem mil palavras de conto. via de regra pode ser lido de uma só vez com facilidade. já o romance. para ser lido integralmente sem interrupção apresenta dificuldade ao leitor médio. uma novela e um romance é a extensão física. No conto. enquanto formas narrativas é a comparação. Isto a condiciona em muitas de suas propriedades. Ao longo do livro o autor dedica atenção ora a um ora a outro personagem e no final temos várias biografias interligadas pelos laços familiares dos personagens. novela é a narrativa de extensão média e o romance a de longa extensão.Formas narrativas Conto/Novela/Romance Um modo produtivo de tratar do conto. Pela extensão conto é a narrativa curta. mas os problemas de definição só aparecem nas zonas de interface. Na crônica não se faz raciocínios tortuosos. . Ninguém há de chamar um discurso narrativo com menos de dez mil palavras de romance. Pode-se dizer que um conto longo pode ser confundido com uma novela curta e que uma novela longa passa por romance curto. Noutros casos o problema é mais simples. por exemplo. Romance mono-nuclear e pluri-nuclear Existe uma dificuldade considerável em certos casos para se ter unanimidade sobre o que seja um núcleo narrativo num dado romance. O conto.

. A crônica deve ser algo como a sobremesa do jornal. onde dificuldades de processamento e compreensão afugentam o leitor. Ser contemporânea. E no jornalismo deseja-se manter a fidelidade do leitor. o leitor encontra na crônica um pouco de entretenimento para relaxar.sínteses maciças. Afugentado uma vez ele dificilmente volta. Uma narrativa não se comunica e não depende da outra. simplicidade.. Os temas para a crônica devem estar preferencialmente no próprio jornal em que ela está impressa. Após o contato com as coisas duras da vida. As ações de cada narrativa não causam alteração no perfil dos personagens comuns do seriado. supõe-se. Como texto para jornal. que num jornal geralmente abundam. Seriado Um seriado é um conjunto de narrativas ou representações com as seguintes características: Estanqueidade. tais como: concisão. realiza-se em condições distensas. Ser relativamente fiel aos preceitos estilísticos do jornalismo. etc. Ser lúdica. a crônica se contamina da exigência de contemporaneidade típica do jornalismo. A leitura da crônica.

O substituto é mais sintético/analítico segundo a necessidade. o que faz caracterização da metonímia narrativa uma questão subjetiva. Economia. Para caracterizar um trecho da narrativa como metonímico é preciso supor o que constitui o núcleo temático.Recursos retóricos em narração Iconia Simplificadamente: são semelhanças induzidas entre o que se narra e o como se narra. O conseqüente pela causa. típico. O detalhe pelo conjunto. Variedade. mais abrangente de realizar a cena. O substituto dá variedade a narrações que se repetem. O substituto atenua/agrava o impacto da narração. Usar ponto de vista tipo close para diálogos íntimos. que é genérico. ao menos em parte o núcleo temático da ação. mais objetivo. O indício pelo fato. Por modo metonímico entende-se aquele que hipoteticamente substitui o modo direto. Tipos de metonímia narrativa: O substituto é um caso particular do substituído. O substituto é esteticamente preferível. Para caracteriza-la é preciso supor que há um modo mais genérico. Tipos notáveis: A parte pelo todo. praticados com funções diversas. Metonímia Uma metonímia narrativa é a parte da narrativa onde está ausente. Para não repetir a mesma solução. mais direto.Exemplos: Ação intensa e rápida narrada com planos rápidos. mas que está a ele ligada por uma relação de contigüidade . . Funções notáveis: Agravar/Atenuar conforme o caso. O substituto mais conciso que o substituído. Há vários tipos.

Elipse Elipse narrativa é a supressão parcial ou total de trechos da narrativa. É praticada com funções diversas. Alegoria A literatura nos dá exemplos abundantes de narrativas alegóricas. Paráfrase Também na literatura temos vários exemplos de paráfrase narrativa. Atenuação/agravamento. . Suprime-se o trivial. o que não é de interesse. conforme o caso. Entre as notáveis temos: Economia. o supérfluo.

Os discursos são particulares.A Retórica como instrumento Assim como não há um discurso genérico não há uma Retórica genérica. . Um critério de excelência bom para o discurso jornalístico pode ser péssimo para o discurso poético e vice-versa. Se a Retórica se propõe a definir condições de excelência para o discurso deve se ater às necessidades e objetivos do discurso. Diante disso a abordagem deve ser feita caso a caso. específicos para dados fins.

o que se vê no capítulo próprio. Na abordagem das causas. Passemos a exposição de alguns critérios consagrados: Unidade temática A monografia deve se ocupar de um só tema. Como tratamos de regras geralmente aceitas é bom registrar as exceções: na notícia. relatório. efeitos. é a parte da monografia que a começa e que cumpre uma ou mais das seguintes funções: . Introdução Ou exórdio. notícia. quanto mais restrito melhor. só efeitos. na dos efeitos.Da Monografia Monografia é um discurso dissertativo curto de tema único e restrito. Por que unidade temática? Pela produtividade: a atenção se concentra num só tema para esgota-lo. como na Retórica clássica. se as partes tiverem interligação fica impossível suprimir uma parte da matéria. para atender necessidades de espaço no jornal. Embora a unidade temática seja parte da própria definição de monografia esta regra precisa ser frisada por causa de tendências dispersivas que rondam o discurso. Tal diversidade torna quase impossível estabelecer uma Retórica de monografias. As partes devem se organizar segundo uma ordem conveniente ao objetivo visado. As ordens possíveis são muitas. A divisão em partes deve ser acompanhada de recursos de segmentação que permitam identifica-las. pronuciamento de ocasião. só causas. Exemplo: uma monografia que aborda certo problema pode se dividir em definição. ou lide. o que é necessário as vezes. esta regra não é seguida. cada uma abordando uma divisão do tema. reportagem. causas e soluções. palestra. por exemplo. Muitos discursos se enquadram nesta definição bastante genérica como: redação escolar. etc. Divisão em partes A monografia deve se dividir em partes. procurando estabelecer critérios de excelência suficientemente gerais para atender a discursos tão díspares entre si. como no jornalismo. As ligações podem ser feitas usando balizas de ligação. o parágrafo e os capítulos. Deve-se estabelecer uma ligação fluida entre as partes para que resulte uma impressão de continuidade. Qualquer tentativa neste sentido terá que se basear no geralmente aceito e geralmente válido. Dentro da parte vale a regra da unidade temática. tais como. pois.. A ligação estabelece a ponte entre uma parte e outra e impede a percepção do salto.

Acaba quando termina Acabar quando termina. 'Terminou?'. Desenvolvimento Ou exposição é a parte central e mais extensa da monografia. ou seja. Angariar simpatias. . Se houver tese ela deve ser provada. no jornalismo procura-se ordenar as partes de modo que o mais interessante. esta é uma das virtudes que o receptor espera do discurso. o receptor deve estar satisfeito. Encerramento Ou peroração. onde o tema é trabalhado. Se o tema comporta subdivisões elas devem ser apresentadas segundo uma ordem conveniente. No jornalismo considera-se que a tendência do leitor abandonar o texto sempre é maior nas partes iniciais. 'e o resto?' Para isto algumas regras tem de ser observadas. Atrair a atenção do receptor. tese. Lançar o elemento novo. extra. É a parte que se coloca por último na monografia e deve cumprir uma ou mais das seguintes funções: Lançar o apelo. tais como: as expectativas geradas tem de ser dissipadas. Por isso. A Retórica clássica recomenda para as monografias argumentativas a seguinte ordem de argumentos: 2-1-3. ou outra solução que dê ao final um destaque e faça o receptor encerrar a monografia com impressão positiva. Concluir. primeiro os argumentos médios.Sinalizar que o discurso começa. interessante. nos discursos persuasivos. Para monografias que visam à persuasão recomenda-se ordens gradativas ascendentes. inesperado. importante. para rememorar e/ou preparar o apelo. Dissipar animosidades. Fixar o interesse do receptor. . quando no discurso coloca-se o ponto final. objetivo. no caso de matéria de discussão. Acenar ao receptor com a informação do término da monografia. como na Retórica clássica. Resumir o que foi desenvolvido. Estabelecer o tema. no meio os mais fracos e por último os melhores. prioritário fique por primeiro. saciado e não fará perguntas do tipo: 'E daí?'. quer dizer. Sintetizar o exposto.

Explanação: É o discurso que dá ao conhecimento do receptor determinado assunto. O grau de elaboração do argumento. Os meios que importam à Retórica para atingir estes fins são: a explanação. se compreendidos ganham uma conotação de qualidade superior. a postulação. quer dizer. Argumento: É um discurso formado por proposições em que uma é a tese. Argumentação lógica: É o discurso que prova teses. As melhores premissas são aquelas encaradas pelo receptor como evidentes ou como postulados que ele não questiona. Argumentos complexos são mais difíceis de compreender. ao menos. a exemplificação. Seus instrumentos são a indução e a dedução. a argumentação lógica e para-lógica e a persuasão pelo discurso. O sucesso do argumento como recurso de influência depende de fatores como: As premissas são melhor aceitas que a tese. a síntese. do ponto de vista da influência. Refutação: É o argumento que prova a contraditória da tese do oponente num debate. a análise. em especial recursos psicológicos. Argumentação para-lógica: É o discurso que leva a uma prova aparente de uma tese por usar de sofismas. A suscetibilidade do receptor a raciocínios lógicos. incitar à ação. a classificação.Da Influência Por influenciar entenda-se convencer. nem sempre validade à luz da lógica é sinônimo de capacidade de convencer. Postulação: Para a lógica um postulado é um enunciado aceito sem prova. O sucesso do argumento para convencer depende da qualidade das premissas. A Retórica se ocupa da especificidade da argumentação para a influência. Persuasão: É o discurso que influencia por meios outros que não a argumentação. nenhum tem status diferenciado de modo que a ele se deva atribuir a condição de postulado. O que é aceito dispensa prova. pois. Seus recursos são a definição. outra ou mais são as premissas. . mover. os enunciados se interrelacionam e cada um é provado a partir das consequências lógicas dos demais. em que fica provada a veracidade da tese a partir de implicações lógicas das premissas. A lógica estabelece os critérios de validade para argumentos. Argumenta-se se a tese não é aceita. mas. sua veracidade não é demonstrada através de argumento. Por outro lado. Em princípio qualquer enunciado da teoria pode ser postulado. aliciar. a enumeração. A lógica também nos diz que entre os enunciados que compõe uma teoria consistente.

quer dizer não se busca uma conclusão. mas plausível. conquistar simpatias. O postulado deve ser simples Hipótese: Hipótese é um enunciado não veraz. incorre-se no risco deste exigir prova do postulado e postulado não se prova. Produtividade na conversação significa ludicidade. Formalidade limitada em alguns casos ao respeito à etiqueta. discussão e debate. A conotação do receptor relativamente a hipóteses. Predomínio da explanação. desabafo. respeito à etiqueta. Se o receptor é avesso a hipóteses o argumento nelas baseado fica com a eficácia comprometida. uma vitória. As características da conversação: Pluralidade temática. Auto-afirmação. relaxamento. um acordo. Lúdica. exteriorização. . ausência de argumentação. Temas escolhidos a partir das necessidades de exteriorização das partes e/ou das conveniências protocolares do contexto. Catarse. O sucesso de argumentos que se baseiam em hipóteses como premissa depende de fatores como: A plausibilidade da hipótese. Hipóteses pouco plausíveis ou julgadas pouco plausíveis comprometem a eficácia do argumento.Quando se pratica a postulação como recurso de Retórica da influência o postulado deve ser escolhido não ao acaso. melhor o conceito de produtividade neste caso é outro. colóquio. uma solução. Ausência de conflito. Isso decorre de suas funções sociais e psicológicas. assumido como não veraz. mas por critérios como: O postulado deve ser evidente ao receptor. Nenhum compromisso com a produtividade. As funções da conversação: Travar contato. Níveis do diálogo em tempo real Por ordem crescente de tensão psicológica os níveis são: conversação. Se o postulado não é evidente para o receptor. Desorganização. Conversação É o caso mais distenso do diálogo. Ausência de objetivo discursivo.

A arte da discussão é a dialética. O discurso ganha em produtividade. Espírito desarmado. Objetivo discursivo. Debate É o caso mais tenso do diálogo. Coordenação. fonte de conflito entre as partes. Predomínio da explanação. uma certa dose de função comunicativa e já bastante função política. Suas características: Unidade temática. Discussão É o diálogo que visa a trabalhar um tema que pode ser. No colóquio predomina a função comunicativa. A argumentação é a ferramenta básica. . Não há possibilidade de solução que contemple ambas as partes. Táticas de debate: Omitir o que não convém. o que para alguns além de uma técnica de discurso é um método filosófico. Preocupação com a produtividade. Número mínimo de participantes.. que julgam necessária a vitória de uma das partes. protocolares. No debate os argumentos do oponente. A discussão tem pouca função psicológica. Obrigatoriamente extrair uma conclusão. Existe uma motivação que é a troca de informações sobre um tema. Nas discussões grupais alguém tem de coordenar e moderar. Há tendência para a formalidade. Colóquio No colóquio há busca de unidade temática. Para otimização das discussões em grupo convém observar o seguinte: Agendar a discussão com antecedência e divulgar o tema. Evitar a dispersão do tema. inclusive. ruins ou bons. são alvo de refutação sistemática do oponente. A preocupação com a produtividade é grande. A argumentação é sua ferramenta básica. restrito aos que terão participação ativa. tensão e eventualmente formalidade. Horários rígidos de início e término. não raro nas suas formas mais capciosas. O objetivo do debate é o desmonte das posições do oponente.Cerimoniais. acompanhada da persuasão. Tende para a organização.

laudatórios e etc. As posições vão se delineando com o avanço da dicussão. para o que domina. Desvalorizar. Distinguir: concordar sob um aspecto. em vez de refutar.. uma favorável e outra inaceitável ao oponente. Na discussão. ou valorizar o que lhe favorece. Contra argumentos fortes não pedem refutação e sim outros argumentos fortes e contrários. reduzindo a questão a duas alternativas. A publicidade também se ocupa de convencer.Atenuar. No debate. Usar termos vagos. Criticar o uso de hipóteses como coisa deslocada da realidade. não o compromete. Protelar declarações que não lhe convém. pode acontecer dela iniciar sem posições prévias assumidas. imprecisos. Tomar cuidado com recursos grosseiros como superlativos. minimizar. Induzir o oponente a aceitar uma premissa que logo em seguida será usada contra ele. incitar à ação. Fazer parecer que seus argumentos se lastreiam em argumentos geralmente aceitos. Desviar o assunto para o que lhe convém. Agravar. Levar as hipóteses do oponente a conclusões absurdas. Defender-se atacando. via de regra. Criar clima de urgência para concluir quando a argumentação se encaminha favoravelmente. tem pouco tempo e pouco espaço para veicular a mensagem. Negar a consequência da tese do oponente. mas também há casos em que a influência visada é a sobre a platéia que acompanha o debate. O discurso publicitário. importância. Negar a tese em si. aliciar. se busca a influência sobre o oponente. Nem sempre estes tipos de diálogo visam a influenciar. Levar a tese do oponente a um dilema. Noutros casos o objetivo do debate é a competição pura. por exemplo.. . por vezes. Retorquir: Usar o argumento do oponente contra ele. dispersivos quando a clareza. Se particulariza por características como: Limitação de extensão. ou desvalorizar o que lhe prejudica. Assumir tese refutável desde que isto seja conveniente. a precisão e a objetividade são inconvenientes. etc. Publicidade A Retórica publicitária é um caso particular da Retórica da influência. negar sob outro a que se dará valor maior de prioridade. Polarizar.

Deve evocar qualidades que se deseja associar ao produto. ou seja. Tem de ser memorisável. simples. Não usar chavões. Ser original. pessoal. Aos emotivos. Ter sonoridade. uma palavra de poucas sílabas. Regras para marcas Marca é nome. hipérboles. A publicidade atual gira muito em torno da marca. ou ao menos. tendo em vista seu potencial de atratividade. ser coloquial. a persuasão. Ser impessoal. do texto publicitário.Importância da forma escrita. Usar frases afirmativas e interrogativas. realizar uma transferência icônica. Pronúncia simples. Usar frase nominais. Ser elíptico. termos técnicos. Regras para títulos de texto Predomínio de palavras lexicais. a persuasão predomina. Regras para slogans Ser curto. Ser curto. O receptor é . Para convencer se vale da argumentação e da persuasão. Deve. No geral. A publicidade tende a privilegiar a edição. informal. Tipografia discreta. Não repetir fonemas. Será repetido inteminavelmente. portanto. Predomínio de palavras lexicais. para ser persuasiva deve buscar intimidade com o público. deve ser uma iconia. de preferência. do slogan. Usar formas de tratamento pessoais. Regras para texto publicitário A linguagem publicitária. Não transparecer demagogia. Ortografia que não deixe margem a dúvidas sobre o modo de pronunciar. Para cada caso e cada tipo de público pode calhar melhor a argumentação ou a persuasão. Ser sintético. Aos racionais calha melhor a argumentação.

as condições em que ele é lido são tipicamente distensas e textos longos. mesmo nos extratos menos qualificados do público alvo. faze-lo crer que sua adesão ao apelo o torna superior em status. Os os meios não formais que a publicidade lança mão são muitos e escapam aos objetivos desta Retórica. quase todos psicológicos. O discurso publicitário deve ser tão curto quanto permitir a natureza do que se veicula ..tratado por 'você'. afagar o ego do leitor. Quanto ao conteúdo. O discurso publicitário deve ter boa comunicabilidade. Na linguagem publicitária aproveita-se neologismos. Para o fim deixa-se o apelo. pois. qualificação. faze-lo identificar-se com o apelo. deixando o melhor por último. até gírias. pouco comunicativos afugentam a atenção do leitor. maçudos. envolve-lo emocionalmente. sempre na busca da intimidade Para o texto publicitário valem as regras para monografias. a incitação. modismos. etc. o discurso lança mão de uma série de artifícios de persuasão. . tais como. desenvolver encadeando argumentos e persuasões. buscar a sua simpatia. Começar atraindo a atenção.

deixando a critério do leitor a valoração sobre eles. que procura manter para o público a mesma cara. Para textos em geral Restrinja-se aos substantivos e verbos. Adequação ao perfil do leitor: O discurso jornalístico procura se colocar no nível do seu leitor típico. Simplicidade: A simplicidade deriva da pretensão do jornalismo de ampliar ao máximo o seu espectro de público potencial. descontraida. impregnado da fobia à perda de tempo quer tudo otimizado para economiza-lo. algumas delas enumeradas na seqüência. sendo que para isso tem de ser acessível à faixa menos qualificada deste espectro. . chegamos a algumas conclusões comuns. uma leitura seletiva. Estilo gráfico: A imagem gráfica é alvo de grande atenção do jornalismo. raramente com objetivos precisos estabelecidos. Atratividade: Dada a forma como o discurso jornalístico é lido. Regras práticas discurso jornalístico Coletando em diversos manuais informações sobre como deve ser o discurso jornalístico. via de regra. Vejamos alguns deles: Objetividade: Objetivo é o discurso que dá ao conhecimento do leitor a situação e os fatos tais quais são. Evite adjetivos e advérbios. Concisão: A concisão é uma exigência do leitor que. O fato é que este princípios norteiam toda a Retórica do discurso jornalístico. só alterando-a após análise cuidadosa e em função da necessidade de seguir as tendências dominantes. Comunicabilidade: A boa comunicabilidade evita qualquer dificuldade para o leitor assimilar o texto. Se são princípios utópicos ou mesmo de fachada isto é questão para discussão filosófica. Indução fonológica zero: É uma regra de estilo bastante difundida. o que evita indispor o leitor com a leitura. frases curtas. a competência linguística. Palavras curtas. a atratividade é considerada uma qualidade capital para o jornalismo. a sociabilidade. isso inclui ajustar o background. Respeito ao idioma padrão: Esta regra é uma função da busca da sociabilidade.Do Jornalismo Arbitremos a existência de alguns princípios legítimos que norteiam o jornalismo sóbrio. textos curtos. parágrafos curtos.

Não usar neologismos. Buscar o equilíbrio entre o discurso formal e o coloquial. modismos. Evitar frases subordinadas e coordenadas. Não separar grupos fraseológicos. mesma página. Não repetir em títulos de mesma matéria. Regras para títulos Ser curto. palavras. mesmo assunto. Suprimir anomalias linguísticas. Organizar o texto do mais prioritário para o menos. Nos noticiosos. Para ganhar em imparcialidade é preciso evitar as formas conotadas . Evitar a passiva. sintaxes. A possibilidade do discurso realmente imparcial é uma questão filosófica. Os segmentos de linha de um título devem ter tamanhos harmonizados entre si. jargões. Controlar a conotação dos termos usados. Imparcialidade Discurso imparcial é o que explana sobre um tema sem agregar sensações. partes de nome próprio. idéias. impressões e opiniões acerca do tema. Não usar superlativos e absolutos. Uma frase para cada idéia. chulos. Usar ordem sintática direta. O que nos motiva aqui são os meios retóricos para melhorar a imparcialidade de um discurso. raridades. Não separar em sílabas no título. o termo de seus adjuntos. A tipografia do título em corpo maior que a do texto. Usar frases afirmativas. sejam elas do emissor ou de qualquer outro. conter o foco da notícia. Ser impessoal. Isso envolve a manipulação de fatores relativos à: Conotação. Preferir o ponto às conjunções. regionalismos. Independência entre parágrafos que possibilite a supressão dos que se julgar necessários. Evitar artigos. gírias. arcaísmos. Não repetir. Ser atraente. Usar verbos no presente do indicativo. Não usar clichês. partes de locuções em segmentos de linha do título. Evitar as negativas. Usar voz ativa. preferindo sempre os de conotação mais neutra.

altera o status da mensagem enfatisada. A ênfase deve ser evitada. Transferência icônica. ambas com potencial de influir na valoração do leitor. Tendo uma extensão. família de tipos. Atenuação/agravamento. .que agregam valoração ao significado. extensão e ordem. Se a notícia existe é porque se fez a escolha de publica-la. pois. edição. Impossibilidade da imparcialidade absoluta Usando como exemplo a notícia jornalística. que é um dos tipos de discurso para qual a imparcialidade tem importância especial. Deve ser evitada. Ordem. A impossibilidade de uma imparcialidade absoluta se evidencia pelo fato que qualquer notícia tem sempre existência. o que em si é atribuição de valor jornalístico ao fato que ela veicula. todas escolhas a que será atribuído valor pelo leitor. o leitor associará à extensão um valor. Para obter imparcialidade é preciso evitar todos os artifícios que atenuam ou agravam a valoração da mensagem. Ênfase. A transferência icônica altera a valoração do significado. etc.. Tendo uma edição a notícia apresentará uma série de soluções como corpo tipográfico. a notícia apresentará uma de edição e uma temática.

muito lenta ou muito rápida. repete-se as últimas palavras que antecederam o titubeio. Isto envolve um bom desempenho não só na sua parte linguística. Problemas de qualidade da voz: voz fanhosa. É o linguístico que deve predominar. . O orador precisa conhecer as expectativas de sua platéia para se beneficiar disto. Para obter o melhor resultado o orador tem que zelar pela sua aparência. Exemplos: 'né'. 'hum'. A velocidade de entoação influi na comunicabilidade. Defeitos a evitar Titubeio. Tem de ser bem emitido. Velocidade inadequada de entoação. No discurso oratório é marcante a sua característica performática. Má dicção. A velocidade ideal é determinada na prática. O titubeio prejudica a imagem do orador. parecer uma arte da dissimulação.Da Oratória Oratória é a arte do discurso público em tempo real. mas também na entoação e no gestual. Caso extremo do titubeio é a gagueira. que não resultam nítidos e diferenciados ao ouvido do receptor. O receptor associa ao titubeio a insegurança de personalidade. Por vezes. bem redigido. Pausas de pronúncia que não coincidem com pausas sintáticas. entre outras coisas. cuja única função é preencher a lacuna de um titubeio. pois o ouvinte pode fazer uma transferência icônica a partir da aparência do orador para o conteúdo do discurso. muito aguda ou grave. em certos casos. Pronunciar expressões. faz a oratória. Não basta que ele tenha sido bem planejado. Esta regra. Usar do gestual e do entoativo como código hegemônicos. Para o melhor resultado do discurso oratório a imagem do orador tem que ser tal que desperte na platéia a impressão por ele desejada. 'ahn'. É a pronúncia inadequada dos fonemas. de moralidade duvidosa. Volume muito fraco ou intenso. Caso notável é a pausa provocada por falta de ar. Uso de variantes de prosódia conotadas pejorativamente pela platéia.

não é a metáfora que estabelece o poético. em muitas de suas ocorrências é comum a Retórica literária ser a mesma do que se mimetiza. época a época. Não está congelado no Olimpo das idéias platônicas a espera que um estudioso diligente o resgate. Primeiro tomar um corpus geralmente aceito para observação. Sendo a literatura mimética. apelativa. a discussão. escola a escola. Então. apelativa. uma linguagem literária distinta essencialmente de todo o resto dos discursos. Em literatura se mimetiza o formal e o informal. estabelecer o que é geralmente válido para o corpus. Não é a 'opacidade' de um recurso retórico. nem um suposto 'desvio' a um modo normal de discursar que fundam o literário. Um discurso só ganha o estatuto de literário por um juízo de valor estético. Nunca haverá meio de definir universalmente o que seja o literário. Não existe um estilo. Para compor o discurso literário o escritor lança mão dos mesmos recursos que estão disponíveis para a criação dos demais discursos. figuras que causam estranhamento e figuras sem estranheza nenhuma. Assim a Retórica da literatura nestes casos será a Retórica do jornalístico. fática. a gíria. emotiva. o arcaísmo. literariedade é questão de opinião. Não há estilos exclusivamente literários. Primeiro porque o literário na maioria dos casos mimetiza todas estas funções. Quem estabelece o corpus literário de alto nível que precisamos é a crítica dos leitores mais qualificados. Segundo porque pode se dar que a função poética se estabeleça justamente a partir de suas funções referencial.. etc. O que é o literário sob uma Estética pode ser o antípoda do literário para outra. o colóquio e o debate. no caso. Felizmente é assim. então a linguagem tem um uso poético. líquida e certa. A literariedade não é uma atribuição unânime. o oratório. Depois. discursos. autor a autor. Exemplificando: A literatura dita . Enfim. Não é a rima nem o verso que estabelecem a poesia. A definição do literário não está dada a priori de uma Estética que a suporte. como estabelecer uma Retórica literária? Só há um método razoavelmente válido. o elevado. Decididamente não há formas essencialmente literárias. etc. o conciso. No discurso literário podemos encontrar o estilo culto. Agora isso não significa de modo algum que este uso quando ocorre sempre ocorre apartado de outros usos como as funções referencial. o racional. O literário é definido obra a obra.. Não há recursos retóricos essencialmente literários. o jornalístico. Assim. o opulento. o espontâneo e o elaborado. Ela pode ser matéria prima para gerar objetos estéticos.Da Literatura Das retóricas particulares a literária é a mais aberta. metalingüística. Função poética da linguagem Se entendermos função como uso. do debate. o opaco e o claro. por isso a mais difícil de delimitar. do colóquio.

. que deriva de uma proposta estética formalista radicalizada e postulação estética não combina com conhecimento científico.engajada só tem sua função poética cumprida na medida que cumpre sua função apelativa. Quem diz que a função poética da linguagem acontece quando o discurso se ocupa de si mesmo. está praticando uma redução brutal. quando temos discurso sobre discurso. quando o que está em jogo é exclusivamente a forma. A literatura naturalista só cumpre sua função poética se cumprir a sua função referencial de dar a conhecer uma realidade.

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uol.1961 .ocupa-se da informática Outras obras do autor: Faces (poesia) em http://sites.br/radamesp e Haicais Polacos (poesia) em http://sites.engenheiro . mas não para os leitores de RocketEditions e navegantes da Internet) .com.O Autor Radamés Manosso .com..uol.curitibano .inédito em papel (também em pergaminho.br/radamesh .

com Dezembro .1999 eBooksBrasil pdf: eBooksBrasil.RocketEdition TM www.ebooksbrasil.org — Abril 2008 .