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De acordo com a Resolução do C.F.M.

número 1595 de 18/05/2000 informamos que não existe nenhum potencial conflito de interesse nesta apresentação.

Marcos Brazão Especialista em Medicina do Esporte pela SBME - AMB Especialista em Cardiologia pela SBC – AMB Mestre em Cardiologia pela Universidade Federal Fluminense Coordenador da C. Técnica de Med. Desportiva do Cremerj Membro da C. Técnica de Cardiologia do Cremerj

HIPERTENSÃO ARTERIAL E EXERCÍCIO

Conceitos fundamentais Atividade física – Segundo definição de Caspersen , AF é qualquer movimento corporal ou atividade muscular esquelética que resulta em gasto energético. Ex.: subir escadas comuns (ao invés de escadas rolantes), Atividades domésticas : jardinagem, varrer, etc.. Atividades laborativas : carteiro, contínuos, etc..

Conceitos fundamentais Exercício – caracteriza-se por ser uma atividade programada, elaborada, repetitiva e sistematizada. Ex.: Caminhar 5 vezes por semana, 30 minutos por dia, com uma velocidade de 4 a 6 km/hora .

Conceitos fundamentais Tipos de Exercício Os exercícios aeróbicos são aqueles que envolvem grandes grupos ou musculares, com duração entre 20 e 40min, capazes de elevar o consumo de oxigênio várias vezes acima do nível de repouso, que é 1 MET. Os melhores exemplos destes exercícios são caminhar, correr, pedalar e nadar.

: Corrida de 100m rasos no atletismo. . Ex.Conceitos fundamentais Tipos de Exercício Aneróbicos – são exercícios em que quase não existe troca gasosa entre o organismo e o meio ambiente durante sua execução.

BENEFÍCIOS DO EXERCÍCIO SOBRE OS FATORES DE RISCO CORONARIANO Sedentarismo Obesidade Diabetes mellitus Tabagismo? Hipertensão arterial Dislipidemias .

induzida pelo treinamento aeróbico Sensibilidade à insulina Óxido nítrico endotelial Treinamento aeróbico Estimulação simpática para coração e arteríolas Excreção urinária de sódio Prostaglandina E Atividade da renina plasmática Pressão arterial sistêmica .Possíveis mecanismos implicados na redução da PA em repouso.

vasc. . perif.N.C. Simpático D. S.Mitocôndrias Enzimas oxidativas Efeitos do Exercício na HA Vascularização muscular Gasto energético Miocárdico Sensibilidade barorreflexa Acúmulo de Ácido láctico Influências Idade Tempo de evolução da HA HVE Órgãos alvos Ativ. e Resist..

67. da PA abaixo dos níveis Bennett et al . p. 2000. v. (Efeito subagudo do exercício) Forjaz et al . 97–103. 5.Hipotensão pós-exercício Após sessão única de exercícios pré-existentes em repouso. v.Blood Press Monit. 1984.Clin Sci (Lond). p. 255–262. Forjaz e col demonstraram a persistência desse efeito durante as 24 horas. .

.Exercício e hipertensão arterial EFEITOS DO EXERCÍCIO Uma redução da PA pode ser esperada de 4 a 8 semanas. A redução esperada é em torno de 10 à 15 mmHg para a PAS e de 5 à 10 mmHg para a PAD. Reduções adicionais são obtidas se o paciente é obeso e perde pelo menos 10% do seu peso inicial.

EXERCÍCIO NA PREVENÇÃO DE H.ARTERIAL .

menor o risco de apresentar HA. v. Barengo et al – J. p. 293 299 .23.2005 . Hypertens.EXERCÍCIO NA PREVENÇÃO DE HA Quanto mais treinado o individuo.

1983. Paffenbarger et al . J. Epidemiol.Paffenbarger et al 15 mil ex-alunos Harvard University 6 a 10 anos de follow-up Fisicamente ativos = 35% menos risco de HA do que os sedentários.Am.117:245-257 .

EXERCÍCIO NO TRATAMENTO DA H.ARTERIAL .

30.Exercício e hipertensão arterial Meados da década de 60 Exercícios – hipertensão arterial leve ou moderada Boyer J. . p.L. v. v. 1970. 27. 49–53. Hanson J. 131. 193–206.S. 213. Hoje – exercícios HA severa – reduções de 7 a 10% na PAS e PAD Hagberg et al – Sports Med. p.Circ Res. p.JAMA. . 1970. v. . 2000.

Exercícios aeróbicos e HA estágio 3 PA > 180/110 + HVE Programa de exercícios aeróbicos de intensidade moderada 32 semanas Resultado – melhora da PA. 2000 .PF – Coron.Artery Disease. HVE diminuição dos medicamentos Kokkinos.

C. abaixo de 60% da F. Estudo randomizado – hipertensos leves sem medicação Grupo I – “exercício-placebo” (controle)– ginástica calistênica com F. 81:1560-7 .C.Hipertensão arterial e exercício Exercícios aeróbicos e hipertensão Martin e cols. máxima Grupo II – exercícios aeróbicos Martin e cols – Circulation 1990.

81:1560-7 .Hipertensão arterial e exercício Exercícios aeróbicos e hipertensão Resultados: da PAS e PAD no grupo de exercícios aeróbicos. o que não ocorreu no grupo controle. Martin e cols – Circulation 1990.

“Prova de Esforço e prescrição do exercício” .A.A pressão arterial elevada parece responder positivamente às atividades aeróbicas prolongadas e regulares.1994) . 1993) Os exercícios parecem ser mais úteis no controle da H. (Hanson. ( Pollock & Wilmore. leve podendo ocorrer diminuições significativas após 6 a 8 semanas de treinamento aeróbico.

Canadense de Cardiologia . 2006 .Recomendações sobre Exercício na HA Soc.abril 2006 Variáveis a serem observadas F I T T Freqüência .4 a 7 vezes por semana Intensidade Tempo Tipo .Ciclismo .Natação não competitiva O exercício deve ser utilizado como coadjuvante no tratamento da HA Canadian Hypertension Education Program Recommendations – April.30-60 minutos Exercício dinâmico .Caminhada.Moderada . jogging .

Deve ser sempre associado a exercícios aeróbicos. EXERCÍCIOS MAIS EFICAZES NA H. foi derrubado o conceito de que o treinamento de força era totalmente contra-indicado para o paciente hipertenso.A. .Treinamento de força e HA Nos últimos anos. ele não pode ser considerado o único tipo de exercício no tratamento da HA.AERÓBICOS . Entretanto.

O exercício é efetivo para todos os hipertensos ? A resposta é NÃO. Somente 75% dos hipertensos são responsivos ao exercício devido a fatores genéticos e herança familiar. .

1–6.Eur J Appl Physiol Occup Physiol. 78. v.NHO e cols. – mulheres hipertensas c/ história familiar positiva para HA tiveram menor redução da PA após treinamento físico do que as hipertensas sem história familiar de HA. 1998. p. . Nho et al .

18–23. p. ID e DD para a ECA. Após 9 meses de treinamento – indivíduos com genótipo DD apresentaram queda menos significativa da PAS e PAD do que hipertensos com Genótipo II ou ID. 1999. – magnitude da queda da PA em indivíduos hipertensos com genótipo do tipo II.Hypertension. Hagberg et al . . 34. v.Hagberg e cols.

Normas do A.S. (1995) Intensidade inicial – entre 55% a 65% do VO2 máx = 60 a 80% da FC máxima Intensidade final 75% do VO2 máx = 85% da FC máxima .C.M.

DOENÇA CORONARIANA E EXERCÍCIO .

EXERCÍCIO NA PREVENÇÃO PRIMÁRIA DE DAC .

INTENSIDADE DE EXERCÍCIOS Exercícios Moderados .107:3109-17. .Circulation. 2003.40 a 60% VO2 de pico ou 4 a 6 METs Exercícios Vigorosos > 60% VO2 de pico OU > 6 METs Thompson PD et al .

colesterol .EFEITOS ANTIATEROGÊNICOS Sensibilidade à insulina Das elevações da PA EXERCÍCIO HDL.colesterol Adiposidade (tronco e abdomem) Triglicerídios LDL .

Shear stress Elevação da Oxido nitrico.breves ou prolongados fluxo sang.sintetase Efeitos sobre a função endotelial Elevação do óxido nítrico Vasodilatação Melhora da função endotelial Inibição dos processos aterogênicos Inibição do processo inflamatório Inibição da agregação plaquetária .

das enzimas que neutralizam os radicais livres.Alterações da função endotelial Produção de óxido nítrico Relaxamento das fibras musculares lisas do endotélio Inibição da agregação plaquetária Inbição das células inflamatória Diminuição da apotose celular Aumento da ativ. e conseqüente redução da atividade inflamatória .

Condicionamento Físico e Cardiologia Desportiva. Ergometria. Robe. Fisiologia do Exercício.Exercícios (reabilitação cardíaca) ↓ freqüência e gravidade de reinfarto ↑ autoconfiança ↑a capacidade funcional do sistema cardiovascular ↑ a tolerância ao esforço ↓ sintomas e quantidade de medicamentos Leite. Ed. Paulo Fernando. 2000 .

A atividade física e o exercício previnem o aparecimento de DAC ? .

D. I-Min e col.A. subir escadas) Lee. JAMA.1992 a Maio de 1995 Follow-up até – Março de 1999 Atividades leves a moderadas (Caminhada. 2001.C.372 mulheres saudáveis acima de 45 anos(coorte) Admissão no estudo – Set. E EXERCÍCIO 39.285:1447-1454 .

I-Min e col. JAMA. E EXERCÍCIO Conclusão : Mesmo atividades leves a moderadas estavam associadas a menor risco de DAC. também. fumantes e com níveis altos de colesterol). 2001.285:1447-1454 .D.A. Lee.C. Essa associação esteve presente. em mulheres com alto risco para DAC (obesas.

D.E.jogging. natação vigorosa.N Engl J Med 2002. .C.347:716-25. .743 mulheres pós-menopausa (50 a 79 anos) Caminhada Exercícios vigorosos (aeróbicos.A. E EXERCÍCIO Women’s Health Initiative Observational Study 73. tênis) Horas sem exercício (sentadas) Manson J.

C.347:716-25.D. . E EXERCÍCIO Women’s Health Initiative Observational Study No início do estudo nenhuma tinha diagnóstico de doença CV ou câncer. .A. Manson J.F.E. Preenchimento detalhado de questionários sobre A.N Engl J Med 2002.

347:716-25. Manson J. E EXERCÍCIO Women’s Health Initiative Observational Study Resultados : Foram detectados 345 casos de DAC e 1551 eventos CV Conclusão: A caminhada e atividade física vigorosa estavam associadas a uma redução de risco de DAC e essa relação não variou com a raça ou índice de massa corporal.C.D. .E. .A.N Engl J Med 2002.

O exercício previne reestenose coronariana em pacientes angioplastados ? .

ESTUDO ETICA .

com DAC submetidos à angioplastia ou implante de stent em uma (60%) ou duas (31%) coronárias epicárdicas nativas.ESTUDO ÉTICA 118 pac. Média de idade = 57 ± 10 anos Grupo T (treinamento) = 59 Pacientes randomizados em 2 grupos Grupo C (controle) = 59 .

embora não a reincidência de reestenose não tenha se alterado. R. 60% do VO2 de pico – 6 meses Folow-up 33 ± 7 meses Resultados : O treinamento físico moderado melhorou a capacidade funcional e qualidade de vida após PTCA ou stent. Bellardinelli.ESTUDO ÉTICA Grupo T (treinamento) Exercícios 3 a 6 X por semana.37:1891–900 . O Grupo T apresentou menor número de eventos CV e menor nº de re-internações. et al .J Am Coll Cardiol 2001.

Praticar exercício/AF é arriscado ? .

N Engl J Med 1993.: Indivíduos não habituados à prática de exercício.4. Obs.7.1% apresentaram IAM Imediatamente após o exercício.: Indivíduos não habituados à prática de exercício. Willich .1194 indivíduos .1228 indivíduos .“PARADOXO” DO EXERCÍCIO Mittleman . 1993 . Obs. 329:1677-1683.4% apresentaram IAM imediatamente após o exercício. Dec 2.

O PERIGO DO ATLETA DE FINAL DE SEMANA .

EXERCÍCIOS HABITUAIS VERSUS EXERCÍCIOS OCASIONAIS .

EXERCÍCIO HABITUAL AUMENTO DO TÔNUS VAGAL ESTABILIDADE ELÉTRICA DO MIOCÁRDIO PROTEÇÃO CONTRA FIB. EFEITO FAVORÁVEL SOBRE OS LIPÍDIOS SANGUÍNEOS (The NEJM . 2000 -Vol. 343 No19:1355-61) .VENT.November 9.

EPISÓDIOS OCASIONAIS DE EXERCÍCIO VIGOROSO ATIVAÇÃO DO S.2000 -Vol. RUPTURA DE PLACAS DE ATEROMA VULNERÁVEIS (substrato miocárdico suscetível .EV induzidas pelo esforço (The NEJM .N.SIMPÁTICO FIBRILAÇÃO VENTRIC. 343 No19:1355-61) .November 9.

INTENSIDADE DE EXERCÍCIOS Segundo Fletcher e cols. Gasto energético semanal para melhorar a saúde – 700kcal/semana ou 10 km/semana 1hora – 3 X por semana – indivíduo de 70 kg Gasto energético semanal para prevenir DAC – 2000kcal/semana ou 30km/semana 1hora por dia – indivíduo de 70kg Fletcher GF et al. 2001. . Circulation.104:1694-740.

Qual o risco de complicações num programa de reabilitação ? .

FE < 35% .Pacientes com baixo risco ao esforço – Fração de ejeção > 50% Pacientes com risco moderado ao esforço – FE = 35 a 49% Pacientes com risco alto ao esforço Wenger et al .1992 .

2003 . Haskel e cols. Sci Sports Exercise – 1994.000 pacientes/hora Digenio e col – S Afr.000 habitantes por ano (2001) IPEA .Criminalidade.3 por 100. – Med. 1991. 4 :188-191 Assassinatos no RJ – 37. Violência eSegurança Pública no Brasil: Uma Discussão sobre as Bases de Dados e Questões Metodológicas . Med J.7: 815-823 6 anos – 4 paradas cardíacas em 120.1 morte para 60mil participantes/hora de exercício.

Somente nos E. J. – Circulation – January.. Myers. por não praticarem nenhuma atividade física.107:e2-e5 .U. 2003.U. estima-se que ocorra somente 1 a 5 casos / milhão por ano.O QUE É MAIS ARRISCADO ? Entre 25 milhões de desportistas dos E. morrem cerca de 250.000 pessoas por ano.

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.Obrigado pela atenção.