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PONTO 2 Princípios do Direito do Trabalho. Princípios Constitucionais do Trabalho. Fontes Formais do Direito do Trabalho.

Conceito, classificação, hierarquia e solução de conflitos. Elaborado por Luis Augusto Moreira Iannini - Brasília/DF – (luisianni@yahoo.com.br), atualizado em julho de 2006 por Patrícia Agnes Moreira – Ipatinga/MG (pattyagnes@gmail.com), tendo nova atualização em Julho de 2008 por Náthalie (naespe@yahoo.com.br). Para a confecção do presente resumo, foram consultados os seguintes autores: Maurício Godinho Delgado (Curso de Direito do Trabalho, Ltr, 5ª edição-2006); Francisco Ferreira Jorge Neto e Jouberto de Quadros Pessoa Cavalcante (Manual de Direito do Trabalho - 2003, Lúmen Júris Editora); Luís Roberto Barroso (A nova interpretação constitucional - ponderação, direitos fundamentais e relações privadas - Renovar- 2003); Francisco Meton Marques de Lima (Elementos de Direito do Trabalho e Processo Trabalhista - Ltr - 2004); Arnaldo Sussekind e outros (Instituições de Direito do Trabalho, 21 edição -2003); Celso Antônio Bandeira de Mello (Curso de Dir Adm, 12 edição); Maria Sylvia Zanella di Pietro (Direito Administrativo- 17 edição - 2004); Gilmar Ferreira Mendes, Inocência Mártires Coelho e Paulo Gonet (Hermenêutica Constitucional e Direitos Fundamentais 1ª edição 2002) 1. PRINCÍPIOS DO DIREITO DO TRABALHO A palavra princípio traduz, de maneira geral, a noção de proposições fundamentais que se formam na consciência das pessoas e grupos sociais, a partir de certa realidade, e que, após formadas, direcionam-se à compreensão, reprodução ou recriação dessa realidade. No dizer de Miguel Reale: “princípios são verdades fundantes de um sistema de conhecimento, como tais admitidas, por serem evidentes ou por terem sido comprovadas, mas, também, por motivo de ordem prática de caráter operacional, isto é, como pressupostos exigidos pelas necessidades da pesquisa e da práxis.” Para a Ciência do Direito, os princípios conceituam-se como proposições fundamentais que informam a compreensão do fenômeno jurídico. São diretrizes centrais que se inferem de um sistema jurídico e que, após inferidas, a ele se reportam, informando-o. Nas ciências físicas, biológicas e sociais a idéia de princípios, como conceitos preestabelecidos e como instrumento da análise da realidade, tem sido muito contestada, por limitar o potencial investigativo da realidade. Realmente, sendo o objeto dessas ciências os fatos e atos ocorridos ou potencialmente verificáveis, aquilo que poderia ser genericamente designado como ser, a submissão do cientista a princípios seria conduta acientífica, pois a resposta por ele buscada já estaria condicionada, em função do princípio utilizado. Já na Ciência do Direito os princípios cumprem papel de suma importância, não se lhe aplicando a crítica lançada pelas ciências naturais, pois seu objeto é a análise dos institutos jurídicos e da norma (e dos próprios princípios jurídicos), que se constituem em modelos de conduta ou de organização - e que correspondem a fenômenos que poderiam ser genericamente designados como dever-ser.

Os princípios podem ser resumidos como os parâmetros fundamentais da norma jurídica e possuem natureza híbrida, cumprindo funções diferenciadas no Direito. Na fase pré-jurídica, que é nitidamente política, voltada à construção das regras e institutos de Direito, os princípios atuam como verdadeiras fontes materiais do Direito, influindo no processo de construção das regras jurídicas, orientando o legislador no desenvolvimento desse processo (limitada, pois as fontes materiais principais do direito situam-se fora do sistema jurídico, como, e.g., nos movimentos sóciopolíticos e correntes político-filosóficas e econômicas) na produção da ordem jurídica. Já na fase propriamente jurídica, os princípios desempenham funções diferenciadas e combinadas, classificando-se segundo a função específica assumida. Qualquer princípio geral de Direito, ou os específicos de cada ramo jurídico, cumprem os papéis interpretativos, normativos subsidiários e normativos concorrentes. As funções desempenhadas é que se diferenciam, sem que impliquem a existência de categorias incomunicáveis de princípios gerais do Direito. Os princípios na fase jurídica se classificam segundo a função específica que cumprem, da seguinte forma: 1) Princípios Descritivos (ou informativos): atuam como proposições ideais que direcionam a compreensão de uma regra jurídica. Não atuam como fontes formais, mas sim cumprem, aqui, a função mais clássica dos princípios, qual seja, a de servir de auxílio à interpretação da regra jurídica. 2) Princípios Normativos Subsidiários: atuam como verdadeiras regras jurídicas em face de casos concretos não regidos por fonte normativa principal da ordem jurídica. Cumprem papel destacado no processo de integração jurídica, atuando como fontes formais supletivas (art. 8º da CLT; art. 126 do CPC; e art. 4º da LICC). Art. 8º da CLT – As autoridades administrativas e a Justiça do Trabalho, na falta de disposições legais ou contratais, decidirão, conforme o caso, pela jurisprudência, por analogia, por equidade e outros princípios e normas gerais de direito, principalmente do direito do trabalho, e, ainda, de acordo com os usos e costumes, o direito comparado, mas sempre de maneira que nenhum interesse de classe ou particular prevaleça sobre o interesse público. Art. 126 do CPC – O juiz não se exime de sentenciar ou despachar alegando lacuna ou obscuridade da lei. No julgamento da lide, caberlhe-á aplicar as normas legais; não as havendo, recorrerá à analogia, aos costumes e aos princípios gerais do direito. Art. 4º da LICC – Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito. 3) Princípios Normativos Concorrentes: nesse caso, os princípios cumprem uma função normativa própria, resultante de sua dimensão fundamentadora de toda ordem jurídica. Essa dimensão passa, necessariamente, pelo reconhecimento doutrinário de sua natureza de norma jurídica efetiva e não de simples enunciado programático não vinculante (como sustentado por diversos juristas a partir da segunda metade do século XX, tais como Norberto Bobbio, Canotilho e Paulo Bonavides). Assim, o caráter normativo presente nas Constituições, nas leis e diplomas correlatos também estaria presente nos princípios gerais de direito (por isso também designados como normas-chave, super-fonte, ou mandamentos de otimização).

Na idéia de norma (em sentido amplo) estariam abrangidas as noções de regras (ou norma, em sentido estrito) e de princípios. A distinção entre regras e princípios é, pois, uma distinção entre duas normas (dispositivos gerais, abstratos, impessoais e obrigatórios que regulam a vida social).

sob pena de criar-se total insegurança na ordem jurídica e no meio social regulado. que começou a formar-se a partir do século XVI. o direito natural é empurrado para a margem da história pela onipotência positivista do final do século XIX. ele faz um breve excerto histórico sobre as bases filosóficas do direito. que visam ao conhecimento da realidade. pois. ato emanado do Estado com caráter imperativo e força coativa. Considerado metafísico e anti-científico. com características análogas às ciências exatas e naturais. Não é no âmbito do Direito que se deveria travar a discussão acerca de questões como legitimidade e justiça. Essa função normativa concorrente age em concurso com a função interpretativa. em sua obra "A nova interpretação constitucional. A distinção entre regras e princípios é. que representam a tomada de posição diante da realidade. Contudo. estendendo. o qual. Assim. dominou por largo período a filosofia do Direito. temos que: o termo "jusnaturalismo" identifica uma das principais correntes filosóficas que tem acompanhado o Direito ao longo dos séculos. a despeito de múltiplas variantes. Para explicar tal afirmação. Luís Roberto Barroso.A prevalência dos princípios sobre as regras legais. no processo de compreensão e interpretação do Direito. atingindo seu apogeu (e paradoxalmente o início de sua superação) ao longo do século XIX. parece mais adequado sustentar que os princípios atuam como comandos jurídicos instigadores. e não em juízos de valor. . adequadamente. e não com papel normativo autônomo. independem do direito positivo. O positivismo filosófico foi o fruto de uma crença exacerbada no poder do conhecimento científico. se uma regra legal realiza o comando genérico contido em certo princípio. apartou o Direito da moral e dos valores transcendentes. com ênfase na realidade observável e não na especulação filosófica. Ponderação. com função normativa concorrente. aduz que a idéia da normatividade dos princípios é fruto do pós-positivismo. em sentido estrito) e de princípios. A ciência do Direito. bem como o surgimento do pós-positivismo. é relativa. Resumidamente. Sua importação para o Direito resultou no positivismo jurídico. Assim. uma distinção entre duas normas. Para Godinho. Distinção entre princípio e norma: Como vimos. na verdade. como todas as outras. na pretensão de criar-se uma ciência jurídica. Direito seria norma. abordando a ascensão e decadência do jusnaturalismo e do positivismo jurídico. direitos fundamentais e relações privadas. sem dúvida. isto é. b) a de uma lei ditada pela razão. deveria fundar-se em juízos de fato. apresenta-se em duas versões: a) a de uma lei estabelecida pela vontade de Deus. defendida por diversos autores. isso não significa que o princípio preterido não tenha certa influência na compreensão da norma enfocada. na idéia de norma (em sentido amplo) estariam abrangidas as noções de regras (ou norma. atenuando. seus efeitos pensados na origem. e a consolidação dos ideais constitucionais em textos escritos e o êxito do movimento de codificação. O jusnaturalismo moderno. em face do peso do princípio realizado. Editora Renovar 2003". fundada na existência de um direito natural. A busca da objetividade científica. mas entra em choque com outro. haveria na sociedade um conjunto de valores e de pretensões humanas legítimas que não decorrem de uma norma jurídica emanada do Estado. restringindo ou esterilizando o comando de uma regra analisada (função simultaneamente interpretativa/normativa). pode prevalecer. com o advento do Estado Liberal.

uma nova interpretação constitucional. indo mais além. uma embalagem para qualquer produto. o reconhecimento dos princípios como normas jurídicas (normatividade dos princípios). movimentos políticos esses que ascenderam ao poder dentro do quadro da legalidade vigente e promoveram a barbárie em nome da lei. aspectos da chamada nova hermenêutica constitucional. produzir efeitos positivos sobre a realidade. ética. no qual se incluem a definição das relações entre valores. e a teoria dos direitos fundamentais. implícita ou explícita. onde o juiz desempenha papel de mero conhecimento). produzindo a solução constitucionalmente adequada para o problema a ser resolvido. dentro outros. Trata-se de transpor a fronteira da reflexão filosófica. pelos textos constitucionais e o reconhecimento pela ordem jurídica de sua normatividade fazem parte desse ambiente de reaproximação entre Direito e Ética. fazem parte do caminho para a construção da normatividade e da efetividade do pós-positivismo. superando a crença de que teriam uma dimensão puramente axiológica. princípios e regras. deve agregar o da transformação social e o da emancipação . da supremacia dos direitos fundamentais e do reencontro com a Ética . Nesse contexto. já não tinha mais aceitação no pensamento esclarecido. advogados e promotores. O pós-positivismo é a designação genérica e provisória de um ideário difuso. a teoria da argumentação.ao qual. os fatos a premissa menor e a sentença a conclusão. Na trajetória que conduziu os princípios ao centro do sistema jurídico houve. sobre a atuação do Poder Público em geral e sobre a vida das pessoas. Daí o esforço de elaboração teórica a serviço dos ideais de avanço social e da construção de um país justo e digno. ingressar na dogmática jurídica e na prática jurisprudencial e. sua função social e sua interpretação. . Ao fim da Segunda Guerra Mundial.g. a ponderação de valores. a idéia de um ordenamento jurídico indiferente a valores éticos e da lei como uma estrutura meramente formal. (onde o juiz desempenhe papel criativo. O discurso acerca dos princípios. A valorização dos princípios. como. II. A superação histórica do jusnaturalismo e o fracasso político do positivismo abriram caminho para um conjunto amplo e ainda inacabado de reflexões acerca do Direito. edificada sobre o fundamento da dignidade da pessoa humana. a necessidade de se atribuir o status de norma jurídica. sem abandono do método clássico "o subsuntivo". da CR. primeiramente. que aduz que o servidor que atingir certa idade será aposentado compulsoriamente). sendo a lei a premissa maior. parágrafo 1. sem eficácia jurídica ou aplicabilidade direta e imediata. 40. determine o sentido da norma. por meio do qual a interpretação jurídica consiste num processo silogístico de subsunção dos fatos à norma. onde as regras a serem analisadas possuem baixo teor valorativo. à vista dos elementos do caso concreto. a importância das regras ou a valia das soluções subsuntivas (em casos mais simples. e. sua incorporação.deve ter repercussão sobre o ofício dos juízes.A decadência do positivismo é emblematicamente associada à derrota do fascismo na Itália e do nazismo na Alemanha. Tudo isso sem renegar o conhecimento convencional. no Brasil. dos princípios a serem preservados e dos fins a serem realizados.. a regra do art.

teriam maior teor de abstração. mediante ponderação. Sua aplicação se dá. à vista do princípio da unidade da constituição. Nos últimos anos. As regras veiculam mandados de definição. Como mandados de otimização. o qual elaborou a diferenciação entre os papéis desempenhados pelas regras e pelos princípios da seguinte forma: regras são proposições normativas aplicáveis sob a forma de tudo ou nada (all ou nothing). e indicam determinada direção a seguir. aplicação mais ou menos intensa de acordo com as possibilidades jurídicas existentes. normalmente. quando se defronte com antagonismos inevitáveis. e. a regra deve incidir. A colisão de princípios. o que não impede que cumpram funções distintas dentro do ordenamento. por sua vez. por vezes contrapostos. incidindo sobre uma pluralidade de situações. existem outros princípios que abrigam decisões. A Constituição passa a ser um sistema aberto de princípios e regras. veio a se tornar um dos pilares da moderna dogmática constitucional. Uma regra vale ou não vale juridicamente. predominantemente. uma decisão política relevante.Antes de uma teorização mais sofisticada a respeito dos princípios. o interprete deverá fazer escolhas fundamentadas. onde as normas se confudiam (se limitavam) às regras jurídicas. sem que isso comprometa sua validade. Ocorre que. pretendem eles ser realizados da forma mais ampla possível. de modo direto e automático. com incidência restrita às situações específicas a que se dirigem e os princípios. permeável por valores jurídicos suprapositivos. em ordem pluralista.g. que invalida a primeira. capazes de restringir a otimização dos princípios. entretanto. Princípios contêm. Por isso a sua incidência não pode ser posta em termos de tudo ou nada. no qual as idéias de justiça e de realização dos direitos fundamentais desempenham papel central. como. predominantemente.. substancialmente sobre as mesmas premissas. Esses limites jurídicos. O comando é objetivo e não dá margens a elaborações mais sofisticadas acerca de sua incidência. cujas idéias centrais na matéria serão resumidas a seguir. uma maior carga valorativa. que. Esse tema foi retomado. se houver outra mais específica ou se não estiver em vigor. Não são admitidas gradações. os que existem entre a liberdade de expressão e o direito de privacidade. produzindo seus efeitos (e. isto é. a distinção entre princípios e regras fundava-se no critério da generalidade. Não há hierarquia entre princípios e normas. . Já os princípios se comportam de maneira diversa. Por essas expressões se quer significar que as regras têm natureza biunívica. A aplicação dos princípios se dá. quando o servidor público completa 70 anos incide a regra constitucional que o obriga a passar à inatividade). que é dialético. são (1) regras que o excepcionam em algum ponto e (2) outros princípios de mesma estatura e opostos que procuram igualmente maximizar-se. portanto. Se os fatos nela previstos ocorrerem. Deve-se reconhecer aos princípios uma dimensão de peso ou importância. admitindo. impondo a necessidade eventual de ponderação. valores ou fundamentos diversos. só admitem duas espécies de situação. A mudança de paradigma nessa matéria deve especial tributo à sistematização de Ronald Dworkin (em sua célebre obra. pelo qual as regras contêm um relato mais objetivo. ao passo que os princípios são mandados de otimização. pelo autor alemão Robert Alexy. um fundamento ético. dado seu substrato fático típico: ou são válidas e se aplicam ou não se aplicam por inválidas. como vimos. mediante subsunção. A exceção da regra ou é outra regra. À vista dos elementos do caso concreto. de validade ou invalidade. "Taking rights seriously".g. com faz parte da lógica do sistema. todavia. ou é a sua violação. não só é possível. Uma regra somente deixará de incidir sobre a hipótese de fato que contempla se for inválida. começou-se a realizar uma distinção qualitativa e estrutural entre regra e princípio. indispensável para a superação do positivismo legalista. Cambridge: Harvard University).

Um princípio tem um alcance mínimo. no qual se equiparam às regras. Isonomia. a atividade do interprete será mais complexa. conforme o ponto de vista do interprete. determinados princípios apresentam um núcleo de sentido ao qual se atribui a natureza de regra e há regras. Daí ser possível afirmar-se que regras são descritivas de conduta. válidas em abstrato. os princípios são normas que identificam valores a serem preservados ou fins a serem alcançados. Como norma não detalha a conduta a ser seguida para sua realização. Pode ocorrer ainda uma dificuldade adicional: o fim a ser atingido ou o estado ideal a ser transformado em realidade pode não ser objetivamente determinado. dos múltiplos critérios distintivos possíveis. Além de não explicitar os comportamentos necessários para realizar a dignidade humana (está é a primeira dificuldade) poderá haver controvérsia sobre o que significa a própria dignidade a partir de um determinado conteúdo essencial. A ênfase que tem se dada à teoria dos princípios deve-se. no qual a demarcação de seu conteúdo estará sujeita à concepção ideológica ou filosófica do interprete. ao passo que princípios são valorativos ou finalísticos. Já os princípios indicam fins. nos quais as regras desempenham o papel referente à segurança jurídica . redução das desigualdades regionais são fins públicos. Já as regras se limitam a traçar uma conduta. o pensamento jurídico tem se dedicado à elaboração teórica das dificuldades que sua interpretação e aplicação oferecem. no entanto. e não transferida ao intérprete. Um exemplo é fornecido pelo princípio da dignidade da pessoa humana. com sua flexibilidade. tem-se que o relato de uma regra especifica os atos a serem praticados para seu cumprimento adequado. A questão relativa aos valores e aos fins públicos não vem explicitada na norma porque já foi decidida pelo legislador. Com relação à estrutura normativa.e os princípios. ingressa-se em um espaço de indeterminação.Pois bem: ultrapassada a fase de certo deslumbramento com a redescoberta dos princípios como normas. A partir de um determinado ponto. É bem de ver. sobretudo. Justiça social.previsibilidade e objetividade das condutas . Esses são fenômenos de percepção recente. um núcleo essencial. Mais recentemente. O modelo tradicional foi concebido para interpretação e aplicação de regras. moralidade. tal não envolverá um processo de racionalização mais sofisticado. 2) a estrutura normativa 3) as particularidades da aplicação. Aprofundando a diferenciação entre regras e princípios. Apesar de a atividade do intérprete não ser mecânica. três deles são destacados: 1) o conteúdo. dão margem à realização da justiça do caso concreto. . desenvolvimento nacional. que o sistema jurídico ideal se consubstancia com uma distribuição equilibrada de regras e princípios. um conteúdo axiológico ou uma decisão política. estados ideais a serem alcançados. a doutrina que se desenvolveu sobre as premissas teóricas de Dworkin e Alexy traça a distinção entre princípios e regras na forma já registrada acima: subsunção ou ponderação. Trazem em si. isto porque. envolvendo uma integração subjetiva por parte do interprete. ao fato de ser nova e de apresentar problemas ainda irresolvidos. temos que. normalmente. Quanto ao modo ou particularidades de sua aplicação. que podem gerar uma inconstitucionalidade ao incidir em determinado ambiente. pois a ele caberá a ação a tomar. inclusive e sobretudo por seu grande alcance prático. eficiência são valores. no entanto. tanto na determinação de seu conteúdo quanto no de sua eficácia. já se discute tanto a aplicação do esquema tudo ou nada aos princípios como a possibilidade de ponderação de regras. Quanto ao conteúdo. que começam a despertar o interesse da doutrina.

o concurso público. acesso ao judiciário. os diversos do artigo 5º. Trata-se a referida ponderação de interesses de uma técnica de decisão jurídica aplicável a casos difíceis. o segundo por princípios materiais propriamente ditos (classificados em princípios fundamentais. Pretende responder à seguinte indagação: se há diversas possibilidades interpretativas acerca de uma mesma hipótese. o princípio da supremacia da constituição. como a capacidade contributiva. deverá ele percorrer o caminho ditado pelos princípios instrumentais a realizar. bens. juiz natural. federativo. cujo processo possui três etapas: detectar as normas aplicáveis. que trazem em si a carga ideológica. é formado por dois conjuntos de princípios: o primeiro. os critérios adotados na decisão devem estar abertos à possibilidade de universalização. do Estado democrático de direito. da separação dos poderes. por imperativo da isonomia (espera-se que os critérios adotados num certo caso concreto possam ser transformados em regra geral para casos semelhantes). como os princípios da legalidade. examinar os fatos relevantes e atribuir pesos. e princípios setoriais. De acordo com o segundo parâmetro. a aplicação da "ponderação de interesses. tão intensamente quanto possível. assim.e com crescente adesão na doutrina também as regras são ponderados. por se sujeitar à discricionariedade do julgador. especialmente quando se trata do emprego da ponderação. a impessoalidade. bens. como os princípios da Administração Pública. ensejando. o princípio da presunção de constitucionalidade das leis e atos do poder público. tributação. composto de princípios instrumentais ou específicos de interpretação constitucional (tais. axiológica e finalística da ordem constitucional. a isonomia tributária. da teoria da "argumentação jurídica". o princípio da interpretação conforme à Constituição. E na determinação de seu sentido e na escolha dos comportamentos que realizarão os fins previstos. via o balanceamento e o sopesamento de interesses. valores e normas". etc). o princípio da efetividade). princípios . Ambas as categorias de princípios orientam a atividade do intérprete. com a produção de uma conclusão. necessita. O terceiro parâmetro capaz de balisar a argumentação jurídica. liberdade. da livre iniciativa. de tal maneira que. Referida teoria tem por objetivo verificar a correção dos argumentos apresentados em suporte à conclusão ou ao menos à racionalidade do raciocínio desenvolvido em cada caso. o princípio da razoabilidade e proporcionalidade. para fins de controle da legitimidade das decisões obtidas mediante ponderação. o princípio da unidade da Constituição. deverá o interprete demonstrar o fundamento racional que legitima sua atuação. devendo a argumentação estar explicitamente apresentada (motivação das decisões). especialmente a constitucional. qual a mais correta? Como resposta apresenta a necessidade da verificação de três parâmetros: o primeiro parâmetro aduz que a argumentação deve estar embasada em fundamentos normativos (mesmo que implícitos). e em princípios gerais. valores ou normas. à luz dos outros elementos em questão. diante de várias soluções igualmente plausíveis. o estado ideal pretendido pelos princípios materiais. Essa técnica. em relação aos quais a subsunção se mostrou insuficiente.Assim. como os princípios republicano. As modalidades de eficácia dos princípios são: . à vista do caso concreto. tais a legalidade administrativa.

penas corporais. têm importância determinante para a compreensão do ordenamento como um todo. mas é a existência desse núcleo que torna plenamente viável a modalidade de eficácia negativa. entre leis e seus regulamentos. atém mesmo para dar unidade e harmonia ao sistema (Jose Afonso da Silva). Assim. Isso acontece. é possível reconhecer-lhes uma ascendência axiológica sobre o texto constitucional em geral. revoga uma outra norma infraconstitucional concessiva de um direito. deixando um vazio em seu lugar. em sua obra Hermenêutica Constitucional e Direitos Fundamentais. sendo as regras. pois os princípios funcionam como pautas. se os efeitos pretendidos pelo princípio constitucional não ocorreram . imediatamente aplicáveis e os princípios carecedores de mediação judicial ou legislativa. se necessário. a eficácia positiva ou simétrica pretende assegurar ao interessado a possibilidade de exigi-lo diretamente ou judicialmente. se uma empresa rural prevê. pura e simplesmente. pois os princípios são o fundamento. Ou mesmo dentro da própria Constituição.tenha sido a norma violado por ação ou omissão -. embora não sejam os princípios superiores hierarquicamente sobre as demais regras constitucionais. por inconstitucionalidade. e) Natureza normogenética. Assim. ou àquele que deveria ser atingido pela realização dos seus efeitos. elaborados pelo Gomes Canotilho. ao contrário das regras. que nos princípios se apresenta mais elevado do que no das regras. 2) eficácia interpretativa: que significa que se pode exigir do Judiciário que as normas de hierarquia inferior sejam interpretadas de acordo com as de hierarquia superior a que estão vinculadas. 4) eficácia vedativa do retrocesso: é derivação da eficácia negativa. e entre as normas constitucionais e a ordem infraconstitucional. à fome compulsória e ao afastamento arbitrário da família.g. d) Proximidade da idéia de direito. particularmente ligada aos princípios que envolvem os direitos fundamentais. Como já dito.1) eficácia positiva ou simétrica: pelo qual se reconhece àquele que seria beneficiado pela norma. pelo que. apontando ainda as funções a serem cumpridas pelas normas: a) Grau de abstração. apresenta um inventário dos critérios. pois os princípios.. em geral. Por exemplo: em que pese a relativa indeterminação do conceito de dignidade da pessoa humana. num contrato de trabalho. como padrões informadores da concepção de justiça que informa o ordenamento positivo. Inocêncio Mártires Coelho. 3) eficácia negativa: autoriza que sejam declaradas inválidas todas as normas ou atos que contravenham os efeitos pretendidos pela norma. Ele pressupõe que a concretização dos princípios através de normas infraconstitucionais e que haja a progressiva ampliação dos mesmos. em relação aos princípios. o princípio da dignidade da pessoa humana conduziria à invalidade de tal norma. a ratio das regras. e. c) Caráter de fundamentalidade no sistema de fontes de direito. os efeitos pretendidos por um princípio podem ser relativamente indeterminados a partir de certo núcleo. que se poderia utilizar para distinguir com segurança os princípios das regras jurídicas. há consenso de que em seu núcleo central deverão estar a rejeição às penas corporais. ou sanções como privação de alimentos ou proibição de avistar-se com seus familiares no caso de descumprimento de determinadas regras. Para tanto é preciso saber quais efeitos são esses. b) Grau de determinabilidade na aplicação ao caso concreto. se uma norma infraconstitucional. pois. . direito subjetivo a esses efeitos. haverá invalidade de tal alteração.

TST). As alterações contratuais são permitidas. enquanto os princípios não se reportam a qualquer fato particular. na obra Manual de Direito do Trabalho. mas se colidirem com outras de grau superior.pacta sunt servanda. segundo o qual os ajustes contratuais firmados pelas partes não são modificáveis ao longo do prazo de sua vigência. em geral são colidentes entre si nos casos concretos. deixarem de coexistir na ordem jurídica. a revisão judicial do pactuado a favor da parte onerada injustamente em virtude acontecimentos extraordinários. perdendo validade. dando origem a uma diretriz própria: o princípio da inalterabilidade contratual lesiva. um determinado functor ou operador normativo ("proibido". o caráter preceptivo. de modo que a inserção da diretriz geral não se choque com a especificidade inerente ao ramo justrabalhista. segundo Francisco Meton Marques de Lima. as regras. para ser realizada na medida do jurídica e faticamente possível. mantendo o Direito como um efetivo sistema. A intensidade da adequação que esse princípio sofreu para sua aplicação no ramo justrabalhista desfigurou a sua matriz civilista. Francisco Ferreira Jorge Neto e Jouberto de Quadros Pessoa Cavalcante. b) a supressão do adicional noturno não afeta o direito adquirido (Enunc 265. os contratos também devem ser cumpridos . "permitido"). Para esse último autor. Há algumas exceções: a) a redução do salário mediante negociação coletiva. poderiam ser resumidas em dois pontos: a) quanto à estrutura lógica e deontológica.a cláusula rebus sic stantibus . Já os princípios. as quais. enquadrando fatos precisos e declinando as conseqüências. sendo o ponto em comum entre ambos a normatividade. os princípios são normas abertas. já está pacífico que a norma é o gênero de que são espécies as regras e os princípios. Mas possuem incontáveis diferenças. que será adiante analisado. Tais princípios têm inquestionável aplicação no Direito do Trabalho. inevitavelmente decorrem as conseqüências jurídicas previstas. b) quanto à técnica de aplicação.é repelida pelo DT. afirmam que: "O princípio da inalterabilidade dos contratos não é absoluto. e transmitem uma prescrição programática genérica. as regras vinculam-se a fatos hipotéticos específicos. são por estas derrogadas. enquanto as regras são preceitos de alcance mais restrito. Um dos mais importantes princípios gerais do Direito aplicáveis ao direito do trabalho seria o da inalterabilidade dos contratos. contudo. impondo-se o cumprimento fiel pelos pactuantes. excetos se mais benéficas ao trabalhador (art. Editora Lúmen Júris. porém sofrerão uma adequada compatibilização com os princípios e regras próprias a este ramo jurídico. 468. Princípios jurídicos gerais aplicáveis ao direito do trabalho . citando Guerra Filho. para aplicar-se o mais adequado. "obrigatório". uma vez aceita a subsunção a elas de certos fatos. CTL). que possuem a função de preservar a noção de unidade da ordem jurídica. a revisão dos pactos . sem. o sistema jurídico ameniza o cumprimento das execuções ou até mesmo limita o campo de atuação quanto à manifestação de vontade das partes.Adequações Há princípios gerais de todo o Direito. o que leva ao sopesamento.Por fim. de maior abstratividade e de maior amplitude. c) a supressão das horas extras habituais não afeta os salários. No Direito do Trabalho. Geralmente. gerando apenas o direito . ou seja. Em situações excepcionais. A doutrina moderna tem reconhecido a teoria da imprevisão (nova roupagem da cláusula rebus sic stantibus).

que dispõe que as condutas humanas devem ser avaliadas segundo um critério associativo de verossimilhança. 291. em favor de um um suposto vínculo empregatício encoberto. tendo fácil visualização nos casos de aplicação de punição excessiva ou transferência de função ou de horário com a finalidade de prejudicar direitos ou o cumprimento do contrato de trabalho. ou ofensas físicas. sintetizam a noção de que a ordem jurídica deve apenas acolher e conferir conseqüências às condutas lícitas e de boa-fé praticadas por uma pessoa. além dos prejuízos causados a outrem. 468. cetismo quanto a condutas inverossímeis ou insensatas. CLT) e das figuras empresariais faltosas (art. inclusive no referente ao seu comando negativo. a alegação judicial do ilícito perpetrado. 188.g. eles encontram-se inseridos em distintas normas trabalhistas. No que tange aos princípios da boa-fé.. da lealdade e do efeito lícito ao exercício regular do próprio direito. por si só. sensatez e ponderação. uma simulação bilateral de contrato societário. nas mesmas condições. CLT). que. j. b) a subjetiva. e. da não alegação da própria torpeza e do efeito lícito do exercício regular do próprio direito (vedação à prática do abuso de direito). I. TST). parágrafo único). afirmam que: "o princípio do efeito lícito do exercício regular do próprio direito (art. 483. como. à culpa ou à má-fé no exercício do direito. No que tange à não-alegação da própria torpeza. na obra Manual de Direito do Trabalho. ao contrário do assentado no Direito Civil (art. e. esse princípio sofre adequação singular ao Direito do Trabalho.g." O princípio da razoabilidade. aplica-se ao direito do trabalho. o qual sugere que se tenha incredulidade. salvo em caso de legitima defesa. do NCC) implica vedação à prática do abuso do direito. também da CLT. em conjunto. 482. d) a reversão do cargo comissionado ao cargo efetivo (art. própria ou de outrem (482. k e 482. nas relativas às figuras da justa causa obreira (art. O exercício regular do direito também esta presente nas relações do trabalho. . f. a tentativa de desconstituição judicial da relação civil formalizada. em que o abuso de direito é caracterizado pelos prejuízos causados a outrem. Como exemplos: ato lesivo da honra ou da fama praticado no serviço contra qualquer pessoa. e as hipóteses do 482. Francisco Ferreira Jorge Neto e Jouberto de Quadros Pessoa Cavalcante.a uma indenização (Enuc.150 do NCC)." Os princípios da lealdade e boa-fé. não impede. Francisco Ferreira Jorge Neto aduz que o princípio da razoabilidade representa óbice ao abuso dos ius variandi (ato abusivo). necessariamente. CLT). impõe a prova quanto ao dolo. Na constatação do abuso de direito a doutrina aponta duas correntes: a) a objetiva. Assim. pois a bilateralidade da conduta irregular não inviabiliza.

adotado fundamentalmente na fixação das figuras das justas causas obreiras e empresariais. E o respeito à dignidade do ser humano constitui um dos direitos supra-estatais inerentes ao ser humano. Princípios constitucionais do Direito do Trabalho (trecho baseado no livro "Instituições do Direito do Trabalho" . antes de cumprir sua obrigação.. III e IV. o "quem pode o mais pode o menos" e o "res perit domino" (a coisa perece para o dono).) 2. aludindo. parêmias e/ou brocardos. e 170 da CR/88. que. à função social da propriedade e à busca do pleno emprego.Arnaldo Sussekind) A nova Carta Magna brasileira não revelou expressamente os princípios informadores do Direito do Trabalho. 476 do CC. afirmado pelo artigo 5º da Carta Magna. incluídas no mesmo elenco antes mencionado. Existem ainda outras diretrizes gerais que se estendem ao Direito do Trabalho. mesmo tendo sido criada pelo costume trabalhista. respeitadas as adaptações necessárias. os princípios específicos do DT consagrados pela CR/88 (Anexo I). pelo qual as partes têm a liberdade de contratar. sendo de se conservar o mínimo legal. o da proporcionalidade (que se associa ao da razoabilidade). em seu artigo 170. De fato. corresponde às Convenções ns 100 e 111. cuja observância independe da vigência de leis nacionais ou tratados internacionais. pois a pena de advertência. é aceita pela doutrina. e. segundo esse mesmo autor. ao sublinhar os fundamentos da República Federativa do Brasil. nos termos do art. Francisco Ferreira Jorge Neto aduz que outro princípio geral aplicável ao Direito do Trabalho seria o da “exceptio non adimpleti contractus”. as máximas. ao final. no art. Também o princípio da isonomia. pode exigir o cumprimento pela outra parte. entretanto. nos termos do artigo 444 da CLT. Representa o equilíbrio das prestações. ainda são princípios aplicáveis ao DT o da dignidade humana. os instrumentos normativos alusivos às relações de trabalho devem objetivar a prevalência dos valores sociais do trabalho. PRINCÍPIOS ESPECÍFICOS AO DIREITO DO TRABALHO . à valorização do trabalho humano.g. referiu-se à dignidade da pessoa humana e aos valores sociais do trabalho. Dentre outros. sintoniza-se com o estatuído nos artigos 1º. tendo como limites a ordem pública e os bons costumes. objeto das Convenções ns. 29 e 105 da OIT. (Obs: ver. que não chegam a ter a generalidade. ainda aponta o princípio da autonomia da vontade. à justiça social. no âmbito trabalhista. o status e a natureza dos princípios. Todavia. Seria aplicável ao Direito do Trabalho em face do caráter sinalagmático do contrato individual do trabalho.Outro princípio aplicável ao DT é o princípio da tipificação legal de ilícitos e das penas. apesar de não prevista na CLT. 1º. não tem a mesma aplicação que lhe é dada no Direito Civil. São exemplos: "a não exigência do impossível a qualquer pessoa". Por seu turno. Sua aplicação. tal como procedeu em relação à seguridade social e a outros títulos. mas possuem importância para a utilização empírica do Direito. não é absoluta. ao relacionar os princípios gerais da atividade econômica. pelo qual nenhuma das partes contratantes. eis que o artigo 9º da CLT estabelece direitos indisponíveis e irrenunciáveis. Esse mesmo autor. e por estas classificadas no elenco dos tratados sobre direitos humanos fundamentais. A condenação do trabalho forçado. seguiu a orientação do estatuto básico anterior. quais sejam. o da não-discriminação.

não apenas por incorporarem a essência da função teleológica do Direito do Trabalho. o desequilíbrio inerente ao plano fático do contrato de trabalho. Américo Plá Rodrigues (Princípios do direito do trabalho. editora LTR) entende que este princípio se divide em três regras específicas: 1) Regra da norma mais favorável 2) Regra da condição mais benéfica 3) Regra do in dúbio pro misero Maurício Godinho Delgado desenvolve sua argumentação como se cada uma destas regras fossem princípios próprios. como por possuírem abrangência ampliada e generalizante ao conjunto desse ramo jurídico. tem que se achar a medida de proteção. Informa esse princípio que o Direito do Trabalho estrutura em seu interior. Há quem queira mitigar este princípio. essa relação desigual vivenciada na prática cotidiana da relação de emprego. uma proteção exagerada acaba desprotegendo. onde o empregador age naturalmente como ser coletivo. temos que tratar os iguais de forma igual e os desiguais de forma desigual na busca da igualdade. mais fortes. isoladamente. Núcleo Basilar de Princípios Especiais: Nove princípios formam o núcleo basilar do Direito Individual do Trabalho. surgem. Em virtude desse quadro fático distinto. mas o conteúdo é exatamente o mesmo. métodos. no Direito Coletivo. pois. São eles: 2. princípios e regras que buscam reequilibrar. Já o Direito Coletivo é construído a partir de uma relação entre seres teoricamente equivalentes. regras e princípios distintos. o Direito Individual do Trabalho não se justificaria histórica e cientificamente. externos ao ramo jurídico especializado. emerge um Direito Individual do Trabalho largamente protetivo. Assim. norteando todo o sistema trabalhista e inspirando os demais princípios trabalhistas. O operador do Direito do Trabalho deve optar pela norma mais favorável ao obreiro em três dimensões distintas: . tudo isso sem que se confrontem de maneira inconciliável com os princípios jurídicos gerais. Segundo o Professor Antônio Loureiro. Apesar das críticas. o entendimento majoritaríssimo é de que esse princípio deve ser mantido tal como é estudado.Da diferenciação social. este princípio justifica a própria existência do Direito do Trabalho. por isso.1) Princípio da proteção Pode ser identificado no princípio da isonomia. visando retificar (ou atenuar) no plano jurídico. sendo incapaz de. econômica e política básica entre os sujeitos da relação empregatícia. com suas regras. a escolha deve ser tendo em vista a que mais proteger o empregado.2) Princípio da norma mais favorável Tal princípio é aplicável quando há conflito de normas aplicáveis ao mesmo tempo. 2. juridicamente. O princípio da proteção é uma versão desse princípio na forma trabalhista. caracterizado por métodos. produzir ações de impacto comunitário. princípios e presunções próprias. Pode-se afirmar que sem a idéia protetivo-retificadora. e onde o trabalhador inscreve-se como ser individual. com aptidão natural para produzir impacto na comunidade mais ampla.o obreiro -. uma teia de proteção à parte hipossuficiente na relação empregatícia . ou seja. às vezes.

optar por um das duas. Amauri Mascaro Nascimento diz que este princípio tem tríplice dimensão: . portanto sua função essencialmente informadora nesse momento.Hierarquizante: havendo conflito de normas. alma de lei. Quando se utiliza convenções internacionais da OIT ratificadas pelo Brasil o método é diferente. Aplica-se esse princípio quando as normas em análise forem do tipo regras jurídicas em que se aplica uma ou outra. como verdadeira fonte material do ramo trabalhista. se a norma da CLT. aplica-se a que for mais favorável ao trabalhador. olhase tudo aquilo que a convenção tem de melhor e aplica. A convenção coletiva serve para todos os trabalhadores daquela categoria. em uma dada situação de conflito de regras. sendo. mas. ao analisar. através das seguintes teorias: . agindo. Havendo o conflito dessas duas normas coletivas. no caso de conflito entre a convenção e CLT. tem corpo de contrato.Informativo / informador: o legislador deve ter em mente que o Direito do Trabalho é marcado pelo mencionado princípio. caso antepostas ao intérprete duas ou mais consistentes alternativas de interpretação em face de uma regra jurídica enfocada (respeitados os rigores da Hermenêutica Jurídica). porque tem entre sindicato de trabalhadores e uma empresa ou grupo de empresa. aplicar-se-á a mais favorável. ou CF. por isso. É errado. Geralmente é uma norma com muitas cláusulas e muitos direitos.Interpretativa: entre duas interpretações diferentes. tendo um âmbito de aplicação menor. mas é feito entre sindicato dos trabalhadores de um lado e o próprio empregador de outro. dos bancários. . não se faz a análise do “ou tudo ou nada”. Exs. pois elas entram no nosso ordenamento jurídico para melhorar. garantia de emprego etc. Ele é mais pontual. . portanto. Isto porque quando o conflito for entre princípios a regra é diferente utilizando o método da ponderação de interesses (estudado em constitucional).: reajustes de 10%. dos industriais etc. Na fase jurídica. sobre um determinado assunto. para adicionar. HE a 70%. 2) Princípio de interpretação do Direito: permite a escolha da interpretação mais favorável ao trabalhador. Neste mesmo sentido. As Convenções Internacionais da OIT vem para integrar o nosso ordenamento jurídico avançando na conquista dos direitos fundamentais na concretização dos direitos fundamentais. esse princípio atua como: 1) Critério de hierarquia: permite eleger como regra prevalecente. ou outras leis forem melhores se aplica estas. O acordo coletivo é normalmente mais reduzido. O acordo coletivo tem a mesma natureza. a escolha ocorre pelo princípio da norma mais favorável.Na fase pré-jurídica. mesmo que hierarquicamente diferentes. como a categoria dos metalúrgicos. como critério de política-legislativa. aquela que for mais favorável ao trabalhador (respeitados os critérios da teoria do conglobamento). A convenção coletiva deve ser feita entre o sindicato de empregadores de um lado e o sindicato de empregados de outro lado. e não as duas. assim. cria normas em abstrato aplicáveis hipoteticamente à todas as pessoas que fazem parte da categoria. Conflito entre normas coletivas São dois tipos básicos de normas coletivas: a convenção coletiva e o acordo coletivo.

Preserva o espírito da negociação coletiva. É minoritária. na convenção coletiva. É uma idéia que permite certa flexibilização pra se conseguir manter a saúde econômico-financeira de cada uma das empresas separadamente. ou seja. Não preserva totalmente o espírito de negociação coletiva. onde se “toma lá e dá cá”. é aquilo que permite dignidade ao trabalhador. olha-se uma matéria em cada instituto vendo qual é a melhor. que normas e condições de trabalho mais vantajosas para os . em matéria de estabilidade uma convenção pode estar melhor etc. imaginado. a Teoria da adequação ou da especialização: é uma teoria mais moderna. Por exemplo. podendo levar a empresa a ter problemas financeiros. É a teoria que mais dá direitos ao empregado. e a lei especial. Como corolário desse princípio. Art. Ela preserva a norma conforme a sistemática do direito. b) Teoria atomista ou por acumulação: não se deve analisar a norma por inteira e sim cláusula por cláusula. Crítica: geralmente entre a convenção e acordo prevalecerá a convenção. 620. aplicando esta. analisa a convenção coletiva inteira e depois o acordo coletivo inteiro e do bojo de cada norma se extrai a quantidade de direitos que se consegue vendo qual será mais favorável. nas normas coletivas poderia ter o mesmo sistema: uma lei geral. Crítica: O problema é que quebra a sistemática do direito. As condições estabelecidas em Convenção quando mais favoráveis. seria a manutenção do emprego. Há. Está no seu começo. salvo disposições estatais proibitivas ou de ordem pública. Percebe-se que o Direito do Trabalho não adota o sistema clássico da hierarquia das normas. sendo um dilema. c) Teoria mista ou dos institutos (ou teoria de indifundibilidade dos institutos): Os institutos não podem ser fundidos. Tal qual no ordenamento jurídico heterônomo existe lei geral e lei especial. pois ela terá uma gama de direitos maior. um modelo de hierarquia dinâmica das normas. analisa qual norma tem a melhor no reajuste aplicando esta. aplicase o acordo. 620 da CLT – aplicar este artigo reinterpretando o conceito do que é mais favorável. Essas normas são criadas num sistema de transação. É minoritária. qual norma tem a melhor hora extra. e portanto um pouco estranha nos tribunais. Vai pinçando item por item do que tem de melhor de cada norma. levando ao medo de negociar. Art. salvo exceções expressas de seu texto. de primeiro plano. prevalecerão sobre as estipuladas em Acordo. que sempre será a mais favorável ao trabalhador. sim. mas também não acaba com o mesmo. o espírito da negociação coletiva. É um meio termo. mas. a Constituição permite.São três teorias básicas: a) Teoria do conglobamento: deve-se analisar no impasse as normas inteiras. ou seja. se o acordo estiver melhor. consistente na aplicação prioritária de uma “norma fundamental”. impondo ao empregador o pagamento de benefícios de forma acumulada que não tinha previsto. Por exemplo: em matéria salarial. O mais favorável não é só o que dá mais direito ao trabalhador. que. Analisa-se instituo por instituto. também. seria o acordo coletivo adequado à realidade de cada um dos trabalhadores. aplicável ao direito comum. É a teoria majoritária. ou seja. É uma teoria nova. não podem ser cortados.

Em regra.3) Princípio da imperatividade das normas trabalhistas .trabalhadores. 2. Melhores condições de trabalho podem ser estabelecidas por normas de inferior hierarquia. as condições mais benéficas ao trabalhador serão sempre preservadas. venham a ser criadas pelas normas inferiores do escalonamento jurídico. ainda que norma jurídica posterior estabeleça condições menos favoráveis. conferindo direitos acima dos constitucionalmente previstos. A Constituição da República garante um mínimo de proteção aos trabalhadores.

456. seja coercitivas ou complementares. De forma excepcional. onde se pode dispor diferente do que está na norma. É proibido trabalho para menor de 16 anos. há domínio de regras jurídicas imediatamente obrigatórias em detrimento de regras apenas dispositivas. salvo como aprendiz. Esse parágrafo único é uma norma que se utiliza quando não há nada pactuado no contrato de trabalho. Parágrafo único. Na verdade. A prova do contrato individual do trabalho será feita pelas anotações constantes da carteira profissional ou por instrumento escrito e suprida por todos os meios permitidos em direito. o autor prefere a expressão indisponibilidade para se referir ao presente princípio. Em regra. também existem normas dispositivas. em face do desequilíbrio de poderes inerentes ao contrato de emprego. não podendo de maneira geral. são algumas normas utilizadas apenas quando não existe nada estabelecido no contrato. Esta restrição é tida como instrumento assecuratório eficaz de garantias fundamentais ao trabalhador. ter sua regência contratual afastada pela simples manifestação das partes. . Essa restrição à autonomia da vontade das partes é instrumento assecuratório eficaz de garantias fundamentais do trabalhador. pois tanto a renúncia (que é ato unilateral) como a transação (ato bilateral) que importem objetivamente em prejuízo ao trabalhador são vedadas por sua aplicação. A falta de prova ou inexistindo cláusula expressa e tal respeito.4) Princípio da Trabalhistas Indisponibilidade (ou irrenunciabilidade) dos Direitos Esse princípio é projeção do anterior e traduz a inviabilidade técnico-jurídica de poder o empregado despojar-se. 2. Como exemplo: art. remuneração do trabalho noturno superior ao diurno. das vantagens e proteções que lhe asseguram a ordem jurídica e o contrato. Há dois tipos de normas imperativas: 1) Normas imperativas ou impositivas ou coercitivas – são aquelas normas que tem que ser observadas tal como são estabelecidas. pois são essencialmente imperativas. tais como: adicional de hora extra no mínimo de 50%. 2) Normas imperativas complementares – são aqueles que estabelecem direitos cogentes. parágrafo único. a base mínima do direito do trabalho é composta por normas imperativas. mas mínimos. CLT: Art. Como exemplos: é obrigatório assinar a carteira de trabalho. entender-se-á que o empregado se obrigou a todo e qualquer serviço compatível com a sua condição pessoal. por sua simples manifestação de vontade. Apesar de parte da doutrina valer-se da expressão irrenunciabilidade dos direitos trabalhistas.Também chamado na doutrina de: Princípio de caráter de ordem pública ou Princípio da limitação da autonomia da vontade ou Princípio do vício de consentimento presumido do empregado. Informa tal princípio que as partes na relação de emprego não podem deixar de observar as normas trabalhistas. 456. em face do desequilíbrio de poderes inerentes ao contrato de trabalho.

Os direitos contratuais também têm certa proteção. não pode modificar as normas coletivas. Aduz que. mas não se pode negar a necessidade de manutenção de direitos que foram alcançados após décadas de lutas. O empregado. Pergunta: Todas as normas são irrenunciáveis ou tem alguma que poderá se dispor? A regra geral é de que são de indisponibilidade absoluta os direitos previstos na base jurídica primária. quer a transação que importe objetivamente em prejuízo ao trabalhador. As partes não podem renunciar às normas trabalhistas. Essas normas estão na CF. são de proteção mínima. no estudo do direito civil. tal não pode conduzir ao predomínio do individual sobre o social. segurança do trabalhador. As normas coletivas também são de direitos indisponíveis quanto ao ponto de vista dos direitos individuais do trabalho. as normas de proteção do trabalho. onde não pode ser diferente das normas coletivas. . mas não transforma os direitos contratuais em direitos de ordem pública. 619 da CLT – Nenhuma disposição de contrato individual de trabalho que contrarie normas de Convenção ou Acordo Coletivo de Trabalho poderá prevalecer na execução do mesmo. portanto). eles têm o que se chama de criatividade jurídica. prejuízos ao empregado. apesar de necessária a flexibilização. têm caráter absoluto. quanto às nulidades. Art. Tem que preencher certos requisitos para disporem desses direitos puramente contratuais. algo que justifique essa conduta e que não traga prejuízo ao empregado. e ainda assim desde que não resultem. higiene. indisponibilidade absoluta. Eles são disponíveis de forma relativa. nem que resultar na negativa do avanço do Direito do Trabalho. em regra. não podendo ser objeto de transação e nem de renúncia. os sindicatos e as partes têm livre possibilidade de mudar as normas coletivas. Esse artigo procura evitar condutas maliciosas do empregador. Tem que ter uma contrapartida. que são direitos que asseguram a dignidade. Nenhum contrato de trabalho pode contrariar as normas coletivas. Para a ordem justrabalhista. não pode fazer nem renúncia e nem outro negócio jurídico de disposição de direitos. 468 da CLT – Nos contratos individuais de trabalho só é lícita a alteração das respectivas condições por mútuo consentimento. Deve ser observado na forma como está prevista. No ponto de vista do direito individual do trabalho. ou seja. direta ou indiretamente. No estudo do direito coletivo do trabalho. a nulidade é para norma de ordem pública e anulabilidade é para normas contratuais. como CLT. sendo considerada nula de pleno direito. Mas nem tudo é de caráter indisponível absoluto. interferindo também nos atos bilaterais de disposição de direitos (transação. não serão válidas quer a renúncia. esses direitos das normas coletivas. também se pode inserir a temática da flexibilização. Assim. pois. É diferente no contrato individual do trabalho.Francisco Ferreira Jorge Neto e Jouberto de Quadros Pessoa Cavalcante aduzem que no contexto da irrenunciabilidade dos direitos trabalhistas. pois eles são os autores dessas normas. sob pena de nulidade da cláusula infringente desta garantia. como transação. O que é de ordem pública não está livre para disposição das partes. deve ser valorizada a flexibilização como avanço no trato das relações trabalhistas. Art. Há certa confusão nesse sentido. nas convenções internacionais da OIT (normas universais que apresentam direitos mínimos do trabalhador) e na legislação heterônoma. só as que dizem respeito à saúde. O princípio examinado vai além do simples ato unilateral.

O interesse é particular. e ainda assim desde que não resultem. Não prescreve.5) Princípio da condição mais benéfica Esse princípio importa na garantia de preservação. no contraponto entre dispositivos contratuais concorrentes. direta ou indiretamente. de condição no sentido técnico-jurídico (isto é. 468 não o é. para o princípio. é claro. pois a lesão é mais fraca. 2. cláusula que subordina o efeito do ato jurídico a evento futuro e incerto . Na verdade o art. 468 gera anulabilidade e não nulidade como está expresso no artigo. de certo modo. da cláusula contratual mais vantajosa ao trabalhador. Não se trata também. então a adoção de uma nomenclatura mais ampla. Diferencia-se do da norma mais favorável porque diz respeito especificamente às cláusulas do contrato de trabalho e não à legislação. 468. poderá ser exigida a qualquer tempo. Incorporado pela legislação (art. 121 do CC). prejuízos ao empregado. 468. sob pena de nulidade da cláusula infringente desta garantia. sendo que o art. ao longo do contrato. ou seja. Art. XXXVI. há de prevalecer o mais favorável ao empregado. Já o direito contratual é mais fraco. Indisponibilidade relativa = direitos puramente contratuais. princípio da indisponibilidade. Traduz-se. ou seja. . mantendo-se intocadas (direito adquirido) por alterações menos vantajosas do contrato ou do regulamento da empresa (já a alteração implementada por norma jurídica submete-se a outro critério). CR/88).Importante frisar que a proteção do artigo 9º (normas de ordem pública) e 619 (normas coletivas) é muito mais forte do que a do art. Ademais. sendo de indisponibilidade absoluta. o princípio informa que as cláusulas contratuais benéficas somente poderão ser suprimidas por cláusulas posteriores ainda mais favoráveis. em manifestação do princípio da inalterabilidade contratual lesiva. onde a carga de proteção é menor. 468 . Em suma: Indisponibilidade absoluta = normas de proteção mínima e normas coletivas. a doutrina adota a nomenclatura de princípio da irrenunciabilidade. 5. Majoritariamente. onde pode ocorrer a prescrição total. não se convalida com o tempo. Os atos que causam lesão às normas de proteção mínima ou normas coletivas podem ser passíveis de reparação e esse ato estará sujeito apenas à prescrição parcial. no entanto o empregado não pode renunciar e nem transacionar. A expressão preferível seria princípio da cláusula mais benéfica.Nos contratos individuais de trabalho só é lícita a alteração das respectivas condições por mútuo consentimento. Pode convalidar.art. pois este protege as normas contratuais. que se reveste do caráter de direito adquirido (art. CLT) e pela jurisprudência (Súmulas 51 e 288 do TST).

Art. não podes ser suprimidos em prejuízo do empregado.TST – Súmula 51 . 4º da CLT. está vinculado a conservar e contribuir com o mínimo. não existindo mais a lei não precisa mais pagar. 9º e 619 da CLT – qualquer ato que tende a impedir ou desvirtuar a aplicação das normas cogentes. Art. Porém. 444 . aquela adquirida no contrato. Art. cessada essa vigência continua a pagar os benefícios? Eles incorporam ou não o contrato de trabalho? Há três entendimentos: . pois elas também são obrigatórias. 444 da CLT. só atingirão os trabalhadores admitidos após a revogação ou alteração do regulamento. DJ 14. impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação. DJ 20. 468 da CLT. Art. mesmo estando no contrato.Res. Pergunta: As normas coletivas tem prazo de vigência máxima de 2 anos. 21/1988. é falso. 619. Nenhuma disposição de contrato individual de trabalho que contrarie normas de Convenção ou Acôrdo Coletivo de Trabalho poderá prevalecer na execução do mesmo. As bases primárias e secundárias são diferentes. são as normas que dão o conteúdo mínimo do contrato de trabalho.1973. Toda a parte puramente contratual. enquanto existir a lei em vigor. falar que tudo que já tem não se perde. Art.As cláusulas regulamentares. DJ 18. Esta função limita o conteúdo do contrato. Vantagens e opção pelo novo regulamento.1988) A complementação dos proventos da aposentadoria é regida pelas normas em vigor na data da admissão do empregado. (RA 41/1973. O contrato de trabalho é construído com a base jurídica primária que são as normas de proteção ao trabalho. A base jurídica primária é a legislação federal. porque as naturezas de seus direitos são diferentes. sou seja.As relações contratuais de trabalho podem ser objeto de livre estipulação das partes interessadas em tudo quanto não contravenha às disposições de proteção ao trabalho. Tudo que se adquire vai incorporando e não pode mais perder. Art. aos contratos coletivos que lhes sejam aplicáveis e às decisões das autoridades competentes. é nulo de pleno direito. sendo considerada nula de pleno direito. TST – Súmula 288 . porque a norma de ordem pública pode mandar o empregador fazer algo deixar de existir. No entanto se a lei mudar poderá perder. ao celebrar um contrato de trabalho não se pode deixar de aplicar tudo aquilo que está previsto na norma coletiva. Tem a idéia de que tudo aquilo que é bom não se pode mais perder.06. São normas cogentes. que revoguem ou alterem vantagens deferidas anteriormente.04. que são as normas coletivas. 9º .2005) I . observando-se as alterações posteriores desde que mais favoráveis ao beneficiário do direito. as que mostram a função social do contrato de trabalho. não pode ser alterada em prejuízo do empregado. tem que pagar o benefício.Norma Regulamentar. sejam eles pactuados expressamente ou tacitamente. Assim. Todos os benefícios que se adquirem por força do contrato. 129/2005. Há um segundo patamar do direito que é base jurídica secundária.Complementação dos proventos da aposentadoria (Res. que são as normas do estatuto mínimo estatal e as normas coletivas. É a idéia do direito adquirido. Nova redação em decorrência da incorporação da Orientação Jurisprudencial nº 163 da SDI-1 . O que se tem contratualmente é que não perde mais.03.Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar. Art.

um tribunal do trabalho. são benefícios que o empregador tem que pagar porque as normas coletivas são cogentes. O regulamento de empresa é criado pelo empregador para aplicar nos contratos de trabalho e a norma coletiva é fruto de negociação coletiva entre sindicatos. Usa o argumentos do direito adquirido. não foram estabelecidos entre empregado e empregador no contrato. c) Súmulas 51 e 288 da TST – na verdade essas súmulas estão tratando de outro instrumento. ele está cumprindo a legislação que manda ele observar as normas coletivas. pode se buscar o poder judiciário. para solucionar o impasse. Nesse caso há o dissídio coletivo de natureza econômica e essa decisão final é a sentença normativa. A norma coletiva é norma cogente. Elas falam de regulamento de empresa. É uma decisão judicial que tem corpo de sentença e alma de lei. Não gera direito adquirido. Já nasce com termo. O empregador não esta emitindo vontade no sentido de dar esses benefícios. O que foi pactuado. Essa corrente é majoritária no que diz respeito às sentenças normativas – súmula 277 do TST. Por isso a condição mais benéfica não incide sobre normas cogentes que podem ser alteradas. Para que continue a receber os benefícios da norma coletiva tem que tentar negociar de novo e fazer outra norma.I – Tudo aquilo que se consegue numa norma coletiva incorpora sempre. b) Princípio da condição mais benéfica: Não se pode aplicar o princípio da condição mais benéfica porque esses benefícios não são oriundos de contrato de trabalho. do princípio da condição mais benéfica e as súmulas 51 e 288 do TST. É Minoritária. não tratam de normas coletivas. Acabando o prazo acaba o benefício. tem naturezas distintas. tendo algum impasse. Há a sentença normativa quando sindicatos de trabalhador e empregador tentam negociar e não conseguem. A norma coletiva tem vigência de 2 anos. Esse impasse pode ser resolvido de três formas: a) Pela arbitragem b) Pela sentença normativa – de comum acordo entre as partes. Críticas aos argumentos pelo professor Otávio Calvet: a) Direito adquirido: não existe direito adquirido aos benefícios que foram criados com vigência no tempo. Entende que não incorpora. obrigatórias. como se fosse um supedâneo do acordo e da convenção. mas minoritária. Já se tinha previsão de que depois de um certo tempo não existiria mais. II – Não incorpora nunca. Aqui não se aplica o princípio da condição mais benéfica. Sentença normativa é fruto de dissídio coletivo de natureza econômico. Ou seja. É Majoritária. Por isso é errado invocar essas súmulas para justificar essa corrente. c) Pela greve. Tem vigência máxima – súmula 297 do TST. Essa teoria preserva a negociação coletiva. É considerado pela doutrina como parte do contrato. III – Corrente da ultra-atividade. Ainda é muito utilizada. Acabando a norma acaba a obrigação do empregador de cumprir/aplicar o que a norma obriga. não conseguindo celebrar nem acordo coletivo e nem convenção coletiva. Acaba sendo uma verdadeira norma também. .

que tendem a ser permitidas (art. 2º da CLT. e ainda assim. O fato é que. podendo a Justiça do Trabalho decidir o conflito. em algum momento na frente esse impasse vai acabar. 468. sem atingir efetivas cláusulas contratuais). Em terceiro lugar. pois esse ramo. Continua a valer os efeitos da norma que já existia. 468. sob pena de nulidade da cláusula infringente desta garantia. mudanças drásticas na política industrial do Estado ou em sua política cambial . de comum acordo. Chegando em 2004 tem-se um impasse onde não houve negociação para 2006. Verão. direta ou indiretamente. para manter uma paz social. a inalterabilidade torna-se sumamente rigorosa. Assim. Em algum momento uma nova norma coletiva vai aparecer. 468 da CLT – Nos contratos individuais de trabalho só é lícita a alteração das respectivas condições por mútuo consentimento."). e. até que surja uma nova norma. pois as situações decorrentes.não são acolhidos como excludentes ou atenuantes da responsabilidade trabalhista do empregador (os Planos Bresser. ou pelo poder judiciário. 2.que tendem a ser vedadas pela normatividade trabalhista (arts. caput: "Considera-se empregador a empresa. aos contratos coletivos que lhes sejam aplicáveis e às decisões das autoridades competentes. gerais ou específicas de um segmento. entretanto. assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. desde que não resultem. 114. Não é absoluta. ajuizar dissídio coletivo de natureza econômica. CLT). não eliminaram ou restringiram a responsabilidade do empregador por suas obrigações trabalhistas). assumindo os riscos da atividade econômica.6) Princípio da Inalterabilidade Contratual Lesiva O presente princípio tem sua origem no princípio geral da inalterabilidade do contrato. bem como outras modificações implícita ou explicitamente autorizadas por lei (como a reversão prevista no parágrafo único do art. respeitadas as disposições mínimas legais de proteção ao trabalho. Art. na verdade. 444 da CLT – As relações contratuais de trabalho podem ser objeto de livre estipulação das partes interessadas em tudo quanto não contravenha às disposições de proteção ao trabalho. esse impasse pode ser resolvido ou pela arbitragem. admite. Essa corrente entende que as disposições convencionadas anteriormente são as da velha norma. e. a vedação às alterações contratuais lesivas. a atenuação civilista da fórmula rebus sic stantibus (teoria da imprevisão) tende a ser rejeitada pelo Direito do Trabalho.g. Porém. do chamado jus variandi ordinário empresarial (que englobaria mudanças de menor importância. 444 e 468. §2º da CF – § 2º Recusando-se qualquer das partes à negociação coletiva ou à arbitragem. assim. Art. que. sofreu forte e complexa adequação ao ingressar no Direito do Trabalho. CLT). Essa é a interpretação utilizada atualmente.g. Art. prejuízos ao empregado. a norma já existente terá eficácia até que seja criada a próxima norma coletiva. incentiva alterações contratuais favoráveis ao obreiro . é facultado às mesmas.. pois o ônus do empreendimento é do empregador (art. a noção genérica de inalterabilidade perde-se no Direito do Trabalho. CLT: "não se considera alteração unilateral a determinação do empregador para que o respectivo . crises econômicas. caso contraposta à alterações desfavoráveis ao trabalhador . individual ou coletiva. Em primeiro lugar. Em segundo lugar. bem como as convencionadas anteriormente. A decisão desse conflito é a sentença normativa.fatores que afetam a atividade da empresa .Há um questionamento do que pode acontecer na prática. Assim. Collor. Como exemplo: Há uma determinada norma coletiva em vigor de 2002 a 2004. ou por greve etc.

de modo a assegurar seu valor. deixando o exercício de função de confiança.empregado reverta ao cargo efetivo. mudança subjetiva empresarial (sujeito-empregador).7) Princípio da Intangibilidade Salarial Estabelece esse princípio que essa parcela justrabalhista merece garantias diversificadas da ordem jurídica. embora mutável do ponto de vista subjetivo. 7º. . montante e disponibilidade em benefício do empregado. Trata-se da sucessão trabalhista. Nesse quadro. anteriormente ocupado. VI. o contrato permanece intangível em seu plano objetivo. salvo se a mudança for favorável ao empregado. Essa alteração subjetiva do contrato de trabalho não é capaz de modificá-lo objetivamente. ou seja. acabam por relativizar tal vedação. CR/88: "irredutibilidade do salário. sendo a essencialidade dos bens a que se destinam o salário do empregado o fundamento dessa garantia. O contrato seria intangível do ponto de vista objetivo. que acentua que o conteúdo do contrato empregatício não poderia ser modificado nem mesmo se ocorresse sucessão empresarial. também conhecida como alteração subjetiva do contrato de trabalho.") ou franqueadas pela ordem jurídica à própria negociação coletiva (art. 2. desde que a mudança envolvesse apenas o sujeito-empregador. garantir-se juridicamente o salário em contextos de contraposição de outros interesses e valores é harmonizar-se o Direito do Trabalho à realização do próprio princípio da dignidade do ser humano. A noção da natureza alimentar é simbólica. ou seja. Intangibilidade contratual objetiva: trata-se de uma particularização do princípio da inalterabilidade contratual lesiva. salvo o disposto em convenção ou acordo coletivo").

o contrato de trabalho é um contrato realidade. Autoriza. É ampliação da noção civilista de que o operador jurídico. sejam do empregador. englobando-se também. embora ampla. sua ocupação. 7°. O princípio. 649. a proteção contra constrições externas. Segundo Mario de La Cueva. vão modificando. onde. a vedação a mudanças contratuais e normativas provocadoras da redução de salários pode ser flexibilizada mediante negociação coletiva (art. a descaracterização de uma pactuada relação civil de prestação de serviços. de dispositvos de lei ou de contrato coletivo. CLT). dos professores e dos funcionários públicos. como a penhora. as coisas vão acontecendo. com controle de descontos em seu montante. Art. e.8) Princípio da Primazia da Realidade sobre a Forma Esse princípio também decorrente do princípio da proteção. como por exemplo. encontra exceção na pensão alimentícia (art. Art.Projeta-se em distintas direções: garantia do valor do salário. com o tempo. a garantia de integralidade salarial. garantias contra práticas que prejudiquem seu efetivo montante – trata-se dos problemas jurídicos envolventes aos descontos no salário do empregado (o princípio aqui também tende a se particularizar em uma denominação diferente: o princípio da integralidade salarial).os vencimentos dos magistrados. incorporando amplamente toda a prática concreta efetivada ao longo da prestação do serviço. em valioso instrumento para a pesquisa da verdade real em uma situação de litígio trabalhista. não é absoluto: a proteção relativa ao valor do salário ainda não o preserva de perdas decorrentes da corrosão monetária. informa. salvo para pagamento de prestação alimentícia. o soldo e os salários. garantias contra mudanças contratuais e normativas que provoquem a redução do salário (aqui o princípio especial examinado se identifica pela expressão princípio da irredutibilidade salarial. 649 do CPC – São absolutamente impenhoráveis: IV . Ás vezes o que está formalmente pactuado não condiz com aquilo que esta acontecendo na realidade. VI.g. de certo modo. É comum que estejam diferente o que está escrito e o que na pratica ocorre. pois. finalmente. onde o trabalhador é mais fraco. seja porque as pessoas querem fraudar ou porque a relação de emprego é de trato sucessivo. 462. mas que não foi escrita. que o conteúdo do contrato não se circunscreve ao transposto no correspondente instrumento escrito. deve atentar mais à intenção dos agentes do que ao envoltório formal de que transpareceu a vontade. salvo quando este resultar de adiantamentos. Como a relação de emprego é desigual. no exame das declarações de vontade.. pois. assim. . normalmente o trabalhador aceita qualquer tipo de pacto pra conseguir seu emprego. impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação. é excepcionada pela própria norma jurídica que a instituiu (art. desde que presentes os elementos fático-jurídicos da relação de emprego. CPC). sejam do próprio empregado. contudo. Art. Constitui-se. 9º da CLT – Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar. CF/88). 2. no princípio da inalterabilidade contratual lesiva). Também chamado de princípio da primazia da realidade. uma promoção com aumento do salário. garantias contra interesses contrapostos de credores diversos. 462 da CLT – Ao empregador é vedado efetuar qualquer desconto nos salários do empregado.

nos termos de LC. a uma. fixando a regra da relação de emprego protegida contra a despedida arbitrária ou sem justa causa. lançando a idéia de aviso-prévio proporcional ao tempo de serviço. XXI). muitas vezes o empregado assina documentos sem saber o que está assinando. ainda hoje o princípio da continuidade da relação de emprego cumpre razoável importância na ordem jurídica.Súmula 212 – O ônus de provar o término do contrato de trabalho. fazendo presumir-se a ruptura contratual mais onerosa ao empregador. O que ele pode utilizar é alegação de vícios de consentimento. que preverá indenização compensatória. Deve ser buscada a verdade real. Três correntes de repercussão favoráveis ao empregado resultam da permanência da relação de emprego: A permanência da relação de emprego provoca três correntes de repercussões favoráveis ao obreiro: a) a tendencial elevação dos direitos trabalhistas (avanço da legislação ou da negociação coletiva. os fatos.g. dentre outros (art. gerando presunções favoráveis ao empregado. pois ele não é o destinatário da relação de emprego. afastando a anterior incompatibilidade do FGTS com qualquer eventual sistema de garantias jurídicas de permanência do trabalhador no emprego (art. daí a possibilidade de serem feitas provas para contrariar documentos apresentados. é do empregador. a realidade. em contextos processuais de controvérsia sobre a questão. 7º. I). que irão evidenciar realmente os fatos ocorridos na relação entre as partes. mas a CR/88 inclinou-se a reinserir esse princípio em patamar de relevância jurídica. sobre a forma ou a estrutura empregada. quando negados a prestação de serviço e o despedimento. nos termos da lei (art. escrever errado o valor do salário na carteira. São privilegiados.9) Princípio da Continuidade da Relação de Emprego Informa tal princípio que é de interesse do Direito do Trabalho a permanência do vínculo empregatício. 7º. Embora diferente o que acontece no papel e na realidade o que se aplica é a realidade. O empregador não pode utilizar esse princípio. as vicissitudes. mesmo quando os documentos apontarem em sentido diverso. pode assinar todos os papéis possíveis. . a três. e. Descobrir. desde que provado.. a duas. como por exemplo. Faz também presumida a própria continuidade da relação de emprego. ou mesmo vantagens agregadas ao desenvolvimento de seu tempo de serviço no contrato). a verdadeira situação jurídica existente. que o empregado mentiu na sua qualificação no curriculum. desde o contrato de trabalho até seu pedido de demissão. TST .966. As alegações serão provadas. Esse princípio perdeu grande força com a criação do FGTS em 1.Segundo Sérgio Pinto Martins. portanto. 7º. não é ele o protegido. b) o investimento educacional e profissional que se inclina o empregador a realizar nos trabalhadores vinculados a longos contratos (com o objetivo de elevar sua produtividade e compensar o custo trabalhista percebido). c) a afirmação social do indivíduo favorecido pelo longo contrato de trabalho (estabilidade social/econômica). Em sua admissão. III). conforme Súmula 212 do TST. como. pois o princípio da continuidade da relação de emprego constitui presunção favorável ao empregado. com a integração do trabalhador na estrutura e dinâmica empresariais. 2. Não obstante. por exemplo.

"caput" e § 1º. 7º. II . da Constituição. § 2º . na forma do art. mas se tiver. mas sem terminar o contrato. como exemplo. 233. Essa proteção também se demonstra no art. Há uma proteção para a continuidade do emprego.Propõe ainda como regra geral o contrato trabalhista por tempo indeterminado. Sofrerá mutação. Essa norma é de eficácia contida. 10. como os 40% do FGTS. O legislador não quer que a relação de emprego termine por nenhuma razão.Na primeira comprovação do cumprimento das obrigações trabalhistas pelo empregador rural.Até que a lei venha a disciplinar o disposto no art. mas isso não impede que já se reconheça a eficácia dessa norma constitucional no sentido de vedar condutas que sejam arbitrárias ou vexatórias. . os contratos por prazo determinado serão exceções. 10 e 448 da CLT. XIX. mas é possível que fique afastando de sua atividade. Assim. 448 da CLT – A mudança na propriedade ou na estrutura jurídica da empresa não afetará os contratos de trabalho dos respectivos empregados. O ordenamento jurídico cria dificuldades para a dispensa. da porcentagem prevista no art. 2ª) Por ser de prazo indeterminado. o contrato será por prazo indeterminado. pelo mesmo órgão arrecadador. há maiores possibilidades de modificações no seu curso. A dispensa é algo que não está de acordo com o princípio da continuidade do emprego. 3ª) Resistência à dispensa. Art. para quatro vezes. aviso prévio. Em regra. da Lei nº 5. de acordo com o professor Otávio Calvet: 1ª) Em regra. desde o registro de sua candidatura até um ano após o final de seu mandato. esse princípio ainda confere suporte teórico à sucessão trabalhista. O contrato é eterno.fica limitada a proteção nele referida ao aumento. Finalmente. b) da empregada gestante. sem fato relevante.107. ate que venha a lei complementar terá no mínimo 40%. 4ª) Possibilidade de interrupções e suspensões do contrato de trabalho. 6º. Conseqüências. § 3º . benéficas. de 13 de setembro de 1966. 10 da CLT – Qualquer alteração na estrutura jurídica da empresa não afetará os direitos adquiridos por seus empregados. o contrato a termo não se prorroga. será certificada perante a Justiça do Trabalho a regularidade do contrato e das atualizações das obrigações trabalhistas de todo o período. uma doença. 7º. pelo que os contratos por prazo determinado somente podem ser pactuados nas estritas hipóteses autorizadas por lei. ou seja. regulada pelos arts.Até ulterior disposição legal. Art. É uma proteção parcial: Art. 10 da ADCT (Atos das disposições constitucionais transitórias). da Constituição: I . poderá ter os institutos da interrupção e suspensão do contrato. já que a relação de emprego é eterna. § 1º . o prazo da licença-paternidade a que se refere o inciso é de cinco dias. I. após a promulgação da Constituição. Em regra. sem motivo. a cobrança das contribuições para o custeio das atividades dos sindicatos rurais será feita juntamente com a do imposto territorial rural. desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto.fica vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa: a) do empregado eleito para cargo de direção de comissões internas de prevenção de acidentes. Até que seja promulgada a lei complementar a que se refere o art.

em boa medida. possibilidades mais eficazes de reprodução no processo do princípio da verdade real. mais grave. hoje do Estado Democrático de Direito: o princípio do juiz natural. de que noutra dimensão ele entra em choque com um princípio jurídico geral de essência da civilização ocidental. e. e as presunções que caracterizam o Direito do Trabalho já franqueiam. seu status no mundo do Direito. Porraz Lopes defende a aplicação deste princípio sob argumento de que o empregador tem maiores condições de produzir provas. em caso de dúvida no exame de situações fáticas concretas. em casos de dúvida em face do conjunto probatório e das presunções aplicáveis. tendo em vista a maior dificuldade que o trabalhador teria para provar certos fatos e obter certos dados ou documentos. Assim. onde propõe-se que a decisão do juiz deveria ser favorável ao empregado. como no direito penal. que utiliza o princípio in dubio pro reu.1) Princípio in dubio pro operário (ou pro misero) Trata-se de transposição adaptada ao Direito do Trabalho do princípio penal in dubio pro reo (pois no processo trabalhista. em desfavor de quem possua o ônus da prova naquele tópico duvidoso e não sempre em favor do empregado. Se o empregador afirmar que não trabalhou terá que provar. Assim a da teoria do ônus da prova sedimentada no Direito Processual do Trabalho. 6ª) Presunção quanto ao fim do contrato de trabalho. que é a existência da imparcialidade do juiz. PRINCÍPIOS JUSTRABALHISTAS ESPECIAIS CONTROVERTIDOS Existem dois princípios os quais são objeto de dissensão doutrinária acerca de suas existências e/ou validades. Essa súmula se aplica numa relação trabalhista onde o empregado pede reconhecimento do vínculo de emprego. a par de não ser científica. o que. São eles: 3. a aplicação desse princípio. compromete. Cabe ao empregador provar que o motivo da dispensa foi outro que não a dispensa sem justa causa. segundo a diretriz genérica do in dubio pro operario. Toda vez que o contrato se extingue presume-se a dispensa sem justa causa. se não há prova suficiente pelo reclamante. este princípio não é uma regra de julgamento. deve-se aplicar o in dubio pro misero. 3. não se faz mister transferir tal desequilíbrio à figura do juiz. Entende ser uma . comprometeria a essência da promoção da justiça. o segundo. o empregador é o réu). indefere-se o pedido. De acordo com o professor Otávio Calvet. e se ele não o faz e o empregado não consegue instrumentos probatórios. Caso da sucessão de empresa ou sucessão de empregador. Há a súmula 212 do TST – o ônus de provar o término de contrato de trabalho quando negados a prestação de serviço e o desprendimento é do empregador. Toda vez que o contrato de trabalho tem fim presume-se que a culpa é do empregador. em geral.5ª) Possibilidade de manutenção do vínculo de emprego com mudança do empregador. No direito comparado. Tal princípio apresenta dois problemas: o primeiro de que ele abrange dimensão temática já acobertada pelo princípio da norma mais favorável. ou seja. pelo desequilíbrio do ônus probatório imposto às partes (em benefício do empregado). Sendo que. pois o princípio da continuidade da relação de emprego constitui presunção favorável ao empregado. Se ele prova que trabalhou presume-se que foi dispensado. Nessa sua segunda dimensão (dimensão processual). que deve decidir.

não for concedido pelo empregador. senão vejamos. Essa norma não é clara quanto a esse acréscimo. o que propõe esse princípio é a lealdade e boa-fé do empregado no cumprimento de suas obrigações trabalhistas. mas não refletindo em nada. 71 da CLT – Em qualquer trabalho contínuo. este ficará obrigado a remunerar o período correspondente com um acréscimo de no mínimo 50% (cinqüenta por cento) sobre o valor da remuneração da hora normal de trabalho.. que tutelam interesse do empregado. Assim. § 4º . quando há uma norma trabalhista com conteúdo duvidoso. utilizando a interpretação mais favorável.2) Princípio do maior rendimento (princípio do rendimento / princípio da leal contraprestação) Informa tal princípio que o trabalhador estaria na obrigação de desenvolver suas energias normais em prol da empresa. conferindo fundamento a algumas figuras de justa causa. no mínimo. são duas as posições na doutrina e na jurisprudência pátrias. PRINCÍPIOS DO DIREITO ADMINISTRATIVO APLICÁVEIS ÀS RELAÇÕES DE EMPREGO DOS SERVIDORES PÚBLICOS Em relação ao tema ora em foco. 4. e. Ou seja. O TST tem utilizando a interpretação mais favorável. a contribuição etc.regra de interpretação da norma material. cuja duração exceda de 6 (seis) horas. Seria a diretriz subjacente a todo poder disciplinar empregatício. disciplinar e funcionalmente. previsto neste artigo. apesar da singularidade do princípio estar na tutela de interesse empresarial. Se for entendido como indenização o valor é recebido. repouso. na verdade. salvo acordo escrito ou contrato coletivo em contrário. . é obrigatória a concessão de um intervalo para repouso ou alimentação. em contraposição a todos os outros princípios. aumenta o salário. não poderá exceder de 2 (duas) horas. que reflete em FGTS. quando a regra não é clara. como. A dúvida consiste se esse pagamento é de natureza de hora extra ou de indenização. desses princípios gerais do Direito. Art. o qual será. Não é aceito por AMÉRICO PLÁ RODRIGUEZ. não há como se afastar da diretriz geral dos princípios da boa-fé e lealdade processual. 3. de 1 (uma) hora e. Porém.g.Quando o intervalo para repouso e alimentação. mesmo que se estenda sua abrangência à figura do empregador. enunciando-se uma expressão genérica do tipo princípio da leal contraprestação. Sendo hora extra incorpora. a desídia e negociação concorrencial ao empregador. Exemplo prático: com relação ao intervalo intra-jornada: se não gozar desse intervalo o empregador tem que pagar. não sendo diferente. prestando serviços regularmente. pois. tendo natureza salarial. resolve-se interpretando a norma pelo aspecto mais favorável para o trabalhador.

173. e a obrigatoriedade de concurso público para o ingresso na Administração Pública Indireta. não mais pelos princípios de direito público. contudo. nesses casos os atos praticados por esses entes não seriam verdadeiros atos administrativos. da Carta Magna. que estabelece para esses entes o mesmo regime jurídico das empresas privadas nas relações de trabalho. a uma. pois não se está praticando ato administrativo típico. de fato. quando o Estado deixa o privilégio do âmbito administrativo para contratar em âmbito celetista. um ato administrativo. da CF/88. REINTEGRAÇÃO. temos que.Alguns autores. qual seja. Seguindo esse raciocínio. sua relação com seus empregados seria regida pelo Direito privado. seja.QUINTA TURMA FONTE DJ DATA: 14-11-2003 RELATOR MINISTRO RIDER NOGUEIRA DE BRITO EMENTA SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. O TST já julgou no sentido de que certos princípios administrativos não se aplicam a ente público sujeito ao regime jurídico privado. Isso porque. por que. é valida a demissão imotivada de empregado de sociedade de economia mista. Segundo Maria Sylvia.1362-2001-006-13-00 RECURSO DE REVISTA ÓRGÃO JULGADOR . senão vejamos: TRIBUNAL: TST DECISÃO: 08 10 2003 NUMERAÇÃO ÚNICA PROC: RR . etc. Mesmo considerando os princípios esculpidos no art. equipara-se inteiramente ao empregador comum trabalhista. vedação da acumulação de cargos e empregos. Recurso de Revista conhecido e provido. pela teoria dos motivos determinantes. § 1º. de motivar o ato de dispensa de seus empregados. ato administrativo é a declaração do Estado ou de . impõe-se à relação jurídica de trabalho preceitos de Direito Público. Para se saber se um ato é administrativo ou não mister se faz a análise de seu conceito. por força do art. 173. DEMISSÃO SEM JUSTA CAUSA. Poder-se-ia mesmo dizer que em casos tais o Estado se despe do seu poder de império. a de que esse ato. Os princípios de direito administrativo só se aplicariam aos servidores estatutários. a duas. Arrematam esses autores que. antes de tudo. vinculado ou discricionário. uma vez motivados. havendo a contratação pela Consolidação das Leis do Trabalho a Administração Pública se equipararia inteiramente ao empregador comum trabalhista. da Carta Magna. mas ato jurídico privado. mesmo nessa hipótese. mesmo para aqueles que entendem que tanto os atos vinculados quanto os discricionários devem ser motivados. (Item nº 247 da Orientação Jurisprudencial da SBDI-1 do TST). A sociedade de economia mista. 37. sem quaisquer prerrogativas especiais. a necessidade de motivação prende-se a uma premissa anterior e necessária. como o Francisco Ferreira Jorge Neto. não havendo necessidade. remuneração. como: exigência de concurso público para a contratação dos empregados públicos. quando contrata trabalhadores sob a égide da Consolidação das Leis do Trabalho. e que. Assim. o Jouberto de Quadros Pessoa Cavalcante e o Francisco Antônio de Oliveira entendem que quando a Administração Pública contrata o servidor público pelo regime celetista ela equipara-se ao empregador particular. caput. se os motivos alegados pelo administrador não forem verdadeiros o ato será inválido. § 1º. por força do previsto no art. portanto. perdendo até mesmo a sua dignidade de autoridade pública para figurar em sede de mandado de segurança.

está sujeita aos princípios explicitados pelo caput do art. 37 da CR. pois não se trata de ato administrativo. independentemente do tipo de vínculo estabelecido com os seus servidores (se estatutário ou se celetista). pela Administração. com observância da Lei.SUBSEÇÃO I ESPECIALIZADA EM DISSÍDIOS INDIVIDUAIS FONTE DJ DATA: 07-11-2003 PARTES EMBARGANTE: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS . que produz efeitos jurídicos imediatos. submetida ao regime jurídico das empresas privadas. moralidade administrativa. sob regime jurídico de direito público e sujeita a controle judicial. Implícitos ou explícitos. a dizer: aos princípios da legalidade. segurança jurídica. ampla defesa. a motivação realmente não seria obrigatória. EMBARGADOS: MARLYSE DA COSTA DIAS E OUTROS. por força do art. Para reflexão: como no capítulo referente ao regime jurídico administrativo a Maria Sylvia aduz que a motivação é um princípio de toda a Administração Pública. os seguintes: finalidade. afirmando que. pode-se extrair a conclusão que. tendo em vista a supremacia do interesse público sobre o particular (finalidade pública) e/ou a indisponibilidade. publicidade e eficiência. Nesse sentido já entendeu o TST. interesse público. direta ou indireta. mas sim ato da administração. senão vejamos: “ORIGEM TRIBUNAL: TST DECISÃO: 20 10 2003 PROC: ERR NUM: 514118 ANO: 1998 REGIÃO: 01 EMBARGOS EM RECURSO DE REVISTA TURMA: D1 ÓRGÃO JULGADOR . os princípios acima se aplicam à toda Administração Pública. 37 da CR. Já a Lei 9784/99 (lei do processo administrativo federal) acrescentou a esses princípios. como os princípios previstos no caput do art. entende que toda a Administração Pública. se no próprio conceito de ato administrativo há a referência a ato praticado pelo Estado sob regime de direito público. no esteio dos ensinamentos da Maria Sylvia. não se poderia afirmar que tanto nos atos administrativos. mesmo quando a administração se submete ao regime de direito privado ela sempre sofre restrições de ordem constitucional ou infraconstitucional. RELATORA MINISTRA MARIA CRISTINA IRIGOYEN PEDUZZI . razoabilidade. contraditório. dos interesses públicos.SERPRO. motivação. mesmo nos casos de empresas públicas sujeitas ao regime das empresas privadas. no caso de um ato praticado por sociedade de economia mista. 173 da CR/88. impessoalidade. por força do 173 da CR. há derrogação das normas privadas por preceitos de ordem pública. quanto nos atos da administração a motivação seria sempre necessária? Ademais. Dessa forma.quem o represente. como é cediço. A segunda corrente doutrinária e jurisprudencial. proporcionalidade.

necessário seria reavaliar as provas e fatos da causa. 1º. não conhecer dos Embargos. por força do Enunciado nº 126/TST. da Constituição Federal. o princípio do pluralismo político.também não tem melhor sorte o recurso. 37 da Carta. O dispositivo aludido é uma garantia individual oponível contra o Estado. como as que compõem o "caput" do art.EMENTA RECURSO DE REVISTA .DISPONIBILIDADE DE RECURSOS ORÇAMENTÁRIOS . da Constituição Republicana . não há que se falar em ofensa ao art. Em outras palavras. No tocante à violação ao princípio do acesso universal aos cargos públicos . Assim. para alijar da Administração pessoas identificadas com movimentos políticos de oposição. 37. No que concerne à ofensa ao artigo 169. Não há violação ao art. o que o dispositivo constitucional referido proíbe é a investidura primária do empregado público sem o crivo do princípio da universalidade de acesso. dentre elas a que impõe. sede material dos princípios da moralidade administrativa e da legalidade. Conforme assentado pelo acórdão regional. em relação a sua situação jurídica subjetiva. da Constituição da República.878/94 . fundados em odiosa política segregacionista.ANISTIA . DECISÃO Por unanimidade. da Constituição Federal. sofrem o influxo derrogatório de diversas normas publicistas.ATO JURÍDICO PERFEITO . Não se proíbe que servidores dispensados arbitrariamente sejam reintegrados aos quadros da Administração. como já assentado em diversos outros precedentes desta Corte. II. não assiste razão ao Embargante. cujo instrumento é o concurso público. Existe para proteger o particular da superveniência de norma elaborada pelos poderes constituídos que venha a afetar. Todavia.LEI Nº 8. Deve-se relativizar a idéia de irretroatividade para permitir que a lei alcance atos discriminatórios do Estado. dentre as quais destaco os princípios da moralidade e legalidade. 5º. pois o que a Lei de Anistia preconiza é precisamente a sua afirmação. para chegar-se à conclusão preconizada pelo Recorrente. Igualmente. Finalmente. Ora. providência vedada em sede extraordinária. por força do regime de direito especial positivado na Constituição. não há a vislumbrada violação ao art. como consectário da teoria dos motivos determinantes. se o Direito Administrativo dispõe que os motivos alegados pelo administrador o vinculam e tendo ficado assentado. esculpido no art. 37 constitucional. a coisa julgada e o direito adquirido. incide a Lei de Anistia. com força constitucional. na moldura fática delineada pelo acórdão regional. 173. que o SERPRO não comprovou os motivos implausíveis da dispensa. parágrafo único. É certo que as empresas públicas estão submetidas ao regime celetista. Desse modo. o ato jurídico perfeito. da Carta Magna. o Reclamado não demonstrou que havia insuficiência de recursos orçamentários.art. o direito potestativo de extinguir a relação de trabalho não é absoluto e comporta restrições de diversas modalidades. XXXVI. § 1º. Embargos não conhecidos. IV.” .MOTIVOS DETERMINANTES DA DISPENSA ILÍCITOS .REINTEGRAÇÃO AUTORIZADA PELA LEI DE ANISTIA ENUNCIADO Nº 126/TST.PRINCÍPIO DO ACESSO UNIVERSAL AOS CARGOS PÚBLICOS . conforme bem detectado pela Corte inferior.

sendo a Justiça do Trabalho a competente para conhecer das questões relativas a tais vínculos. 37. por imposição também do parágrafo 1º do art. da CR/88. para apuração da falta cometida ou de sua inadequação às atividades que lhe concernem. no caso das exploradoras de atividade econômica. já que não possuem competência para legislar sobre direito do trabalho. funções ou empregos públicos. Estados e Municípios não podem derrogar outras normas da legislação trabalhista. Outro princípio aplicável aos servidores com emprego público seria o da necessidade de processo regular. os agentes públicos integrantes das empresas estatais são empregados. XVII.. que prevê a necessidade de concurso público para o acesso a emprego público (exceto. Embora sujeitos à CLT. Aduz. II. DF. de política de contenção de despesas na área de pessoal. 173 da CR/88. a começar pela limitação da remuneração dos agentes das empresas estatais ou de suas subsidiárias.Para a Maria Sylvia Zanella Di Pietro. em casos de necessidade imediata de admissão de pessoal ou de contratação de profissionais de maior qualificação). de forma que se estabelecem previamente critérios objetivos em função dos quais serão feitos os cortes. os empregados públicos são contratados sob o regime da CLT. da Constituição. submetidos às normas da CLT. Para Alonso Olea.Arnaldo Süssekind) 1. I. O princípio da impessoalidade também seria aplicável na hipótese. sem embargo. Conceito e importância A CLT inclui os princípios gerais de direito "principalmente direito do trabalho" entre as fontes a que a justiça do trabalho e as autoridades administrativas devem recorrer para sanar omissões no campo das relações de trabalho. É que (tal como ocorre no serviço público em geral) se sujeitam ao teto remuneratório correspondente ao dos subsídios de Ministro do STF. entre outras previstas no capítulo VII. estarem tais servidores jungidos ao art. acumulação de cargos. e da conseqüente reintegração (e não meramente compensação indenizatória) via judiciário trabalhista. do Título III. Segundo Celso Antônio Bandeira de Mello. seja por força de tratar-se de entidade de Direito Privado. Estado. como tem de ser. o princípio geral de direito é mais do que uma fonte supletiva para ser aplicada na . 37. da CR). para que se possa aferir se o desligamento de tais ou quais empregados obedeceu a critérios impessoais. vencimentos. o qual é aplicável com as alterações decorrentes da CR/88. ou Município para pagamento de seu pessoal ou custeio em geral (art.g. seja por disposição expressa constante do art. sob pena de nulidade do despedimento. 22. salvo se a empresa não receber recursos da União. Por fim. 9º. ou de redução do quadro. Esse autor aduz que. o qual veda que sejam cumulados cargos. seja. da CR/88). haveria a submissão ao artigo 37. submetem-se a todas as normas constitucionais referentes a requisitos para a investidura. ainda. e. reservada privativamente à União (art. salvo as exceções de acúmulo permitido. com direito à defesa. ainda aqui há influxo de princípios ou regras de Direito Público que determinam algum tratamento peculiar a esses empregados. 182 do Decreto-lei 200. da CR/88. ANEXOS: Texto 1) PRINCÍPIOS DE DIREITO DO TRABALHO (Resumo do livro "Instituições de Direito do Trabalho" .

Hoje a maior ou menor intervenção do Estado nas relações de trabalho. que a constituição brasileira adotou. Todavia. portanto. aplica-se em cada caso. Américo Plá Rodrigues. . E o respeito à dignidade do trabalhador constitui um dos direitos supraestatais inerentes ao ser humano. pois se aplicam à situações de fato e de direito. e nem se trate de matéria probatória. orientar a interpretação das existentes e resolver casos não previstos". ao sublinhar os fundamentos da República.omissão ou imprecisão da lei ou do costume. d) orientam a interpretação da lei e solucionam situações de dúvida ou não previstas. capaz de proporcionar a adaptação de condições de trabalho. como o intérprete.dignidade da pessoa humana. a que for mais favorável ao trabalhador. em virtude do qual. outros: a) princípio in dúbio pro operário. nos países de economia de mercado o intervencionismo estatal nas relações de trabalho reduz-se na razão inversa do fortalecimento da organização sindical. ainda que timidamente. empresariais ou profissionais. função social da propriedade. tal como procedeu em relação á seguridade social. depende não apenas do sistema econômico adotado pelo respectivo regime jurídico-político. e) dão unidade e confiança á disciplina. justiça social. referiu: III . conseguirem a estipulação de condições adequadas de trabalho ou a complementação da base mínima fixada por lei. explicitados ou deduzidos do ordenamento jurídico pertinente. por exemplo. de ordem pública. ao elaborar as leis dos respectivos sistemas. Pondere-se nesse passo que se vem desenvolvendo a tese da flexibilização. assim como a peculiaridades regionais. ao aplicar as normas ou sanar omissões.os valores sociais do trabalho. mas também da possibilidade real de os sindicatos por meio dos instrumentos da negociação coletiva. c) são eles os preceitos que sustentam e tipificam o direito do trabalho. que aconselha o intérprete a escolher entre duas ou mais interpretações possíveis. destinados a iluminar tanto o legislador. aludiu: "valorização do trabalho humano. cuja observância independe da vigência de leis nacionais ou tratados internacionais. Por seu turno. Os instrumentos normativos alusivos às relações de trabalho devem objetivar a prevalência dos valores sociais do trabalho. e IV . sem dúvida. a situações conjunturais ou a exigências de nova tecnologia. mediante tutela sindical. que inspira todo o sistema com múltiplos efeitos. 3. b) princípio da norma mais favorável. Princípios constitucionais gerais A nova Carta não revelou expressamente os princípios informadores do direito do trabalho. busca do pleno emprego". 2. ao relacionar os princípios gerais da atividade econômica. define os princípios como "linhas diretrizes que informam algumas normas e inspiram direta ou indiretamente uma série de soluções. que caracterizam a intervenção básica do Estado nas relações de trabalho. O autor diz que princípios são enunciados genéricos. b) tem caráter normativo. Os fundamentos jurídicos-políticos e sociológicos do princípio protetor geram. a mais favorável ao trabalhador. independentemente da sua colocação na escala hierárquica das normas jurídicas. pelo que podem servir para promover e embasar a aprovação de novas normas. Princípios específicos do direito do trabalho O princípio da proteção do trabalhador resulta das normas imperativas e. desde que não afronte a nítida manifestação do legislador. visando a opor obstáculos à autonomia da vontade. Alfredo Ruprecht deduz as seguintes conseqüências dos princípios: a) tem caráter de preceitos jurídicos que podem ser aplicados. é na verdade um critério geral de ordenação. A necessidade de proteção social do trabalhador constitui a raiz sociológica do direito do trabalho e é imanente a todo o seu sistema jurídico. Poder-se-ia afirmar que.

Embora se trate de um princípio geral do direito.com.. e. consagra. o da boa-fé tem ampla aplicação nas relações de trabalho. e bem assim que se distinga na aplicação de normas gerais entre o trabalho técnico. já embutido na regra da inalterabilidade salarial decorrente do princípio protetor. Juiz Federal Substituto (extraído do seu site: www. o da boa-fé. emana.br) "Da morte não faço caso. regicida italiano do século passado.4. Texto 2) Que aprofunda certos temas estudados nesse ponto. dignidade humana. Pode um princípio embasar uma pretensão em juízo? . A força normativa dos princípios constitucionais Por George Marmelstein Lima. o qual somente em casos especiais. ou de critério de admissão. Ruprecht enumera os seguintes princípios: protetor (do qual derivam o in dúbio pro operário.Bibliografia 1. que determina a prevalência das condições mais vantajosas para o trabalhador. colaboração. preservar sua impenhorabilidade e assegurar-lhe posição privilegiada em caso de insolvência do empregador A carta Magna de 1988. Nãodiscriminação. ainda que vigore ou sobrevenha norma jurídica imperativa prescrevendo menor nível de proteção e que com esta não sejam elas incompatíveis. o referente às diferenças entre princípios e regras.georgemlima. e) os princípios da integralidade e da intangibilidade do salário. das normas de indenização nas despedidas arbitrárias. d) princípio da primazia da realidade. o do rendimento. Princípios: um bom começo . o da realidade. recusando a justificação de irresponsabilidade que se queria alegar em sua defesa." Jean Boulanger .c) princípio da condição mais benéfica. Passanante.3. O que não quero é passar por doido. ajustadas no contrato de trabalho ou resultantes do regulamento. PRINCÍPIOS: UM BOM COMEÇO "os princípios haurem parte de suas majestades no mistério que os envolve. como.5. de exercício de funções e de salários por motivo de sexo. manual ou intelectual ou entre os profissionais. ainda que sob a capa simulada. não correspondente à realidade. c) princípio da irredutibilidade do salário. b) princípio da continuidade da relação de emprego. independentemente do levantamento do FGTS.flexibilização. que visam a protegê-lo de descontos abusivos. o da razoabilidade. justiça social e equidade.g. em virtude do intenso relacionamento entre trabalhador e empregador.2. o da continuidade do contrato. em razão do qual a relação objetiva evidenciada pelos fatos define a verdadeira relação jurídica estipulada pelos contratantes. que proíbe diferença de critério de admissão. norma mais favorável e da condição mais benéfica) o da irrenunciabilidade de direito. Princípios expressos e não expressos: "descobrindo" os princípios constitucionais .6. o qual não sendo inflexível. especificamente quanto ao direito trabalho: a) princípio da não-discriminação.hpg. e do aviso prévio. porque então o princípio cairia. uma vez que não foi consagrada a estabilidade absoluta do trabalhador no emprego. idade. Afronta a princípios constitucionais e o recurso extraordinário . princípios e regras . cor ou estado civil. Sumário: 1.. Conclusão . Normas. Que me importa a vida? O que me importa é que o princípio se mantenha". de salário em razão de deficiência física. pode ser afetado pelos instrumentos da negociação coletiva .

Ltr. A Ordem Econômica na Constituição de 1988. ainda que superficialmente. citado por EROS ROBERTO GRAU. Ed. indica sete focos de significação assumidos pelo vocábulo princípio. Malheiros. 9a ed. precisamos. "onde designa as verdades primeiras" (Curso de Direito Constitucional. Da mesma forma. não podemos deixar de lado que princípio é um termo multifacetário. 7a ed. Da mesma forma. 1998. para regras que as desdobram. sobretudo do Direito Constitucional. que concorrem para formar assim. a conotação é descritiva: trata-se de uma 'abstração por indução'" (FERREIRA FILHO. 73-74)...Para discorrermos com segurança acerca da força normativa dos princípios constitucionais. no derradeiro. obtidas por indução a partir das normas vigentes sobre determinada ou determinadas matérias." (MELLO. nada menos do que onze significações atribuíveis à expressão princípio jurídico (GRAU. 1998. I. MANOEL GONÇALVES FERREIRA FILHO.Elementos teóricos para uma formulação dogmática constitucionalmente adequada. São Paulo.p. 1998. o tecido do ordenamento jurídico. Amauri Mascaro do Nascimento. No segundo. São Paulo. p. deriva da linguagem da geometria. são ponto de referência. nada mais. Ed. O que é importante assinalar. Paulo. (Para uma compreensão mais completa e profunda do tema. 1991. A Ordem Econômica na Constituição de 1988. p. São Paulo. 230. pois. GRAU. faz a seguinte elucidação: "os juristas empregam o termo 'princípio' em três sentidos de alcance diferente. "mandamento nuclear de um sistema. p. 76). GENARO CARRIÓ. 84) e polissêmico (Cf. Celso Antônio Bandeira de. Nos dois primeiros sentidos. Elementos de Direito Administrativo. Realmente. Não é este. modelo. utilizando o célebre conceito de CELSO ANTÔNIO BANDEIRA DE MELLO. Malheiros. p. Em sentido semelhante. num dado momento histórico. discorrendo sobre o tema. Vol. verdadeiro alicerce dele. a Corte Constitucional italiana assim definiu princípios: "são aquelas orientações e aquelas diretivas de caráter geral e fundamental que se possam deduzir da conexão sistemática. 230) A despeito de ser uma noção bastante clara. o sentido que adotamos quando nos referimos aos "princípios constitucionais". Direito Constitucional do Trabalho . significa. José Afonso da.. Curso de Direito Constitucional Positivo." apud BONAVIDES. disposição fundamental que se irradia sobre diferentes normas compondo-lhes o espírito e servindo de critério para sua exata compreensão e inteligência. o termo tem uma conotação prescritiva. numa acepção vulgar. 4a ed. 1980.. No último. começo. entender. Eros Roberto. São Paulo. aqui a palavra princípio conota a idéia de "mandamento nuclear de um sistema". SILVA. 76). seriam 'supernormas'. Malheiros. seriam standards. o capítulo 8 (Dos Princípios Gerais de Direito aos Princípios Constitucionais) do Curso de Direito Constitucional (7a ed. Num primeiro. pp. Tal noção. 1994. "Princípio". ou seja. normas (gerais ou generalíssimas) que exprimem valores e que por isso. no atual estágio de evolução da Teoria Geral do Direito. fundamental é a leitura da obra Conceito de Princípios Constitucionais . porém.Estudos em Homenagem ao prof. do latim pricipium. 4a ed. por definição. em qualquer ângulo em que se ponha o jurista ou operador do direito. explica-nos PAULO BONAVIDES. no que lhe confere a tônica e lhe dá sentido harmônico. Curso. início. de Ruy Samuel Espíndola. as disposições que preordenem o conteúdo da regra legal. 228). o que são os princípios.) do professor Paulo Bonavides traz uma análise insuperável do tema). equívoco (Cf. os princípios jurídicos. Manoel Gonçalves. para quem princípio é. da coordenação e da íntima racionalidade das normas. caracterizam-se por possuírem um grau máximo de . a despeito da multi-dimensionalidade do sentido da palavra. seriam generalizações. que se imporiam para o estabelecimento de normas específicas . exatamente por definir a lógica e a racionalidade do sistema normativo. antes de tudo. Eros Roberto. origem das coisas. a partir dele enunciando.ou seja. São Paulo. Malheiros. p. é que. RT.

). BOBBIO faz um clara análise dos princípios gerais do Direito (Segundo PAULO BONAVIDES. 1998. ao contrário. 2. Pietro Sanchis e García de Enterria) incluem os valores.p. "(. não constituem normas jurídicas" (p. tendo ." (BARROSO. p. ainda hoje.. Elementos de Direito Administrativo. nada obstante sua força vinculante. têm. vale dizer. desenvolvendo e especificando ulteriormente o preceito em direções mais particulares (menos gerais). Partindo dessa "pré-compreensão" de princípio como norma jurídica. já em 1952: "Princípio é. porque representa insurgência contra todo o sistema. tanto que não lhe falta a possibilidade de sancionamento". podem ser enquadradas em duas categorias diversas: as normas-princípios e as normas-disposição.. uma normatividade potencializada e predominante. enquanto considerada como determinante de uma ou de muitas outras subordinadas. normas jurídicas no sentido formal do termo" (Teoria da Norma Jurídica. afigura-se acertada a noção desenvolvida por CRISAFULI. Paulo. outrossim. o que leva. Interpretação e aplicação da Constituição.. pois. na sugestiva passagem de RONALD DWORKIN. essa dissociação foi superada: "a dogmática moderna avaliza o entendimento de que as normas jurídicas. contudo. normalmente.) apesar de terem positividade. em geral.. ARNALDO VASCONCELOS: "Os princípios gerais de Direito. nem menos. Porém. mais do que isso: uma norma jurídica iguais às outras. RT. apenas dedutíveis do respectivo princípio geral que as contém" (Apud BONAVIDES. 238). ou simplesmente princípios. sucessor de HERBERT HART na cátedra de Jurisprudence na Universidade de Oxford. São Paulo. 2a ed. deixaremos de tratar dos valores como espécie de normas. p. Dada a fundamental característica normativa dos princípios. Celso Antônio Bandeira de. com efeito.juridicidade. Porém. em particular. Curso. Paulo. sem mais. São Paulo. regra]. E mais: "violar um princípio é muito mais grave do que transgredir uma norma [rectius. "Tanto uma constelação de princípios quanto uma regra positivamente estabelecida podem impor uma obrigação legal" (apud BONAVIDES. em trabalho pioneiro escrito em 1926 (!). mas a todo o sistema de comandos. O próximo tópico tratará do assunto. que são. que a pressupõem. a grandes juristas incorrerem no erro primário de igualar as regras às normas. Saraiva.. As normas-disposição. 230. e as normas constitucionais. que alguns autores (Perez Luño. mais à frente. 3a ed. Curso. e portanto resumem. Em sentido contrário. toda norma jurídica. por transcender aos estreitos limites do objeto desse estudo. das quais determinam. potencialmente. 141). a meu ver." (MELLO. Vale ressaltar que SAMPAIO DÓRIA. em grande parte. 210). contraditoriamente. Já as normas-princípio. maior teor de abstração e uma finalidade mais destacada dentro do sistema. 230. sustenta que o princípio "não representa mera aspiração ideológica (. Seguindo esta trilha. na atual fase de evolução da Teoria Geral do Direito. p. cujo título era Principios Constitucionais. o professor cearense. Os colchetes são nossos). não são. 1980. tendo em vista a enorme carga valorativa que nele está inserida).. p. ao lado dos princípio e das regras. cumpre fazer uma melhor distinção entre regras e princípios. 210). PRINCÍPIOS E REGRAS Durante muito tempo houve uma dissociação dos conceitos de normas e princípios. conforme o escalão do princípio atingido. Luís Roberto. É a mais grave forma de ilegalidade ou inconstitucionalidade. o conteúdo: sejam. também referidas como regras. Graças. A desatenção ao princípio implica ofensa não apenas a um específico mandamento obrigatório.. sejam. São Paulo. Ed. como espécies de norma. estas efetivamente postas. preferindo incluí-los como parte componente do próprio princípio. NORMAS. 208). têm eficácia restrita às situações específicas as quais se dirigem.p. aos estudos de ROBERT ALEXY e do jusfilósofo norteamericano RONALD DWORKIN. os princípios gerais do direito foram os antecedentes históricos dos princípios constitucionais. subversão de seus valor es fundamentais. Malheiros. as duas espécies de normas (Deve ser ressaltado. 1993..

p. principios são as bases organicas do Estado. Para CANOTILHO. Revista dos Tribunais. e ás paixões dos homens. as regras possuem uma abstracção relativamente reduzida. por conseguinte. são normas que estão na base ou constituem a ratio de regras jurídicas. 1999. b) Grau de determinabilidade na aplicação do caso concreto: os princípios. saber como distinguir. entre regras e princípios. ser utilizado os seguintes critérios por ele sugeridos: "a) O grau de abstração: os princípios são normas com um grau de abstracção relativamente elevado. Teoria do Ordenamento Jurídico. não se vê por que não devam ser normas também eles: se abstraio da espécie animal obtenho sempre animais. Em segundo lugar. 7a ed. e ambos válidos: antes de mais nada. Não pode. que se diferenciam lógica e qualitativamente. de modo diverso. na atual classificação. 1996. a meu ver. 109). Estas são apenas uma das faces das normas. p. Brasília. E por que não deveriam ser normas?"( BOBBIO. e não flores ou estrelas. o estudioso do direito equiparar a norma jurídica às regras. os argumentos são dois. as regras podem ser normas vinculantes com um conteúdo meramente formal. d) 'Proximidade da ideia de direito' : os princípios são 'standards' juridicamente vinculantes radicados nas exigências de 'justiça' (DWORKIN) ou na 'ideia de direito' (LARENZ). 65). Revista dos Tribunais. e) Natureza normogenética: os princípios são fundamento de regras. norma é o gênero do qual são espécies as regras e os princípios (e os valores. já definia os princípios como normas: "principios se entendem por normas geraes e fundamentaes que inferem leis. que como naus da civilização devem sobrenadar ás tempestades politicas. Norbeto. isto é. p. deve aferir-lhes a espécie (princípios ou regras) e a hierarquia (norma constitucional. uma função normogenética fundamentante" (Apud ESPÍNDOLA. com a ajuda de doutrinadores. desempenhando. E qual seria a diferença entre regras e princípios? A resposta não é simples. Para sustentar que os princípios gerais são normas. para os que aceitam essa tese). E com que finalidade são extraídos em caso de lacuna? Para regular um comportamento não-regulamentado: mas então servem ao mesmo escopo que servem as normas. pois. a função para qual são extraídos e empregados é a mesma cumprida por todas as normas. . inserindoos no amplo conceito de normas: "Os princípios gerais são apenas. normas fundamentais ou generalíssimas do sistema. 1999. Os principios constitucionaes da União brasileira são aquelles canones. Ruy Samuel. Ruy Samuel. E. podendo. E esta é também a tese sustentada por Crisafulli. A palavra princípios leva a engano. por serem vagos e indeterminados. em direito constitucional. isto é. é uma tarefa particularmente complexa. São Paulo.como referência a Constituição Republicana de 1891. 159). Unb. Dessume-se. Conceito de Princípios Constitucionais. carecem de mediações concretizadoras (do legislador? do juiz?). Conceito de Princípios Constitucionais. Para mim não há dúvida: os princípios gerais são normas como todas as outras. tanto que é velha questão entre juristas se os princípios gerais são normas. mas se pode. ao analisá-las. no âmbito do superconceito norma. O jurista. através de um procedimento de generalização sucessiva. de cunho pós-positivista. que. a função de regular um caso. as normas mais gerais. se são normas aquelas das quais os princípios gerais são extraídos. porém. chegar a uma distinção satisfatória. aquelas generalidades do direito publico. legal ou mesmo infralegal) para bem entender seu posicionamento no ordenamento jurídico. sem os quaes não existiria esta União tal qual é nas suas características essenciaes" (apud ESPÍNDOLA. c) Carácter de fundamentalidade no sistema de fontes de direito: os princípios são normas de natureza ou com um papel fundamental no ordenamento jurídico devido à sua posição hierárquica no sistema das fontes (ex: princípios constitucionais) ou à sua importância estruturante dentro do sistema jurídico (ex: princípio do Estado de Direito). por isso. São Paulo. enquanto as regras são susceptíveis de aplicação direta.

Afinal. Hermenêutica. Pode-se dizer. 17). que as regras são "concreções dos princípios" (GRAU. informando a compreensão das regras. por trás de toda regra há um princípio que a fundamenta (Dessa assertiva. Malheiros. Princípio Constitucional da Dignidade da Pessoa Humana. Como se observa. por sua vez. porém. 1997. WILLIS SANTIAGO GUERRA FILHO. ou melhor. "todos são iguais perante a lei". 16). Em outras palavras: a) as regras descrevem uma situação jurídica. nem se reportar a um fato particular. a regra "tem no espírito do intérprete sua usina e complemento de produção" (FALCÃO. e estes são "mandamentos de otimização" (A expressão é de Alexy. Ressalte-se que Alexy é um dos grandes expoentes dessa dogmática principialista que domina os discursos constitucionais da atualidade) das regras. "aquele que detiver a coisa em nome alheio. extraindo a conseqüência prevista normativamente. p. p. em termos definitivos. expressam um valor ou uma diretriz. p. pois. no caso da qualificação como "fato permitido"). fixando. dando unidade e harmonia ao sistema normativo. ex. onde a igualdade surge como a instância valorativa adotada pela Carta Magna.prossegue o jurista cearense -. as premissas e os resultados das regras jurídicas. proíbem ou permitem algo em termos definitivos (direito definitivo). portanto. as regras "possuem a estrutura lógica que tradicionalmente se atribui às normas do Direito. Celso Bastos Editor. b) os princípios.. deverá nomear à autoria o proprietário ou o possuidor" (art. Conseguir-se-ia um 'sistema de segurança'. Porto Alegre. in abstracto. Idem. outros princípios igualmente adotados. Já os princípios fundamentais . São Paulo. P. 1999. preenchidos os pressupostos por ela descrito. a ser levada em conta na apreciação jurídica de uma infinidade de fatos e situações possíveis. P. Livraria do Advogado. Eros Roberto. Exigiria uma disciplina legislativa exaustiva e completa . ex. In: Dos Direitos Humanos aos Direitos Fundamentais. segundo PAULO BONAVIDES. irradiam-se por diferentes partes do sistemas. ao hermeneuta extrair da regra o sentido que melhor se coadune com a diretriz dada pelo princípio que fundamenta essa regra mesma). Malheiros. amparada em uma sanção (ou na ausência dela. mas não haveria qualquer espaço livre para a complementação e . processo e princípio da proporcionalidade. Eles devem ser entendidos como indicadores de uma opção pelo favorecimento de determinado valor. na lição de CANOTILHO: "Um modelo ou sistema constituído exclusivamente por regras conduzir-nos-ia a um sistema jurídico de limitada racionalidade prática. Ed.legalismo . exigindo. p. que. p. antinômicos entre si" (Direitos Fundamentais. que. 62 do CPC). que se possa precisar com facilidade a ocorrência. 265).do mundo da vida. vem logo à tona a famosa frase do jurisconsulto WACH de que "a lei é mais sábia que o legislador". Coor. Possuem um maior grau de abstração e. observadas as possibilidades fáticas e jurídicas (reserva do possível). Paulo. 14. 239). Fernando Ferreira dos. vinculam fatos hipotéticos específicos. juntamente com outras tantas opções dessas. assim. ao que se acrescenta a sua qualificação prescritiva. São Paulo. JEAN BOULANGER. pois.Na lição de WILLIS SANTIAGO GUERRA FILHO. sem qualquer exceção. É a natureza normogenética dos princípios. Importante salientar que tanto as regras quanto os princípios são necessários à composição do sistema jurídico. igualmente dotados de validade positiva e de um modo geral estabelecidos na constituição. não se reportam a um fato específico. da melhor maneira possível. sem descrever uma situação jurídica. ou seja. sendo-lhe demandada em nome próprio. Já no século passado. dizia: "Há entre princípio e regra jurídica não somente uma disparidade de importância mas uma diferença de natureza. a diferença entre os princípios e as regras são quantitativas e qualitativas. 1997. que em determinado caso concreto podem se conflitar uns com os outros. quando já não são mesmo. conforme SANTOS. Cabe. 1995. Raimundo Bezerra. Uma vez mais o vocábulo é a fonte de confusão: a generalidade da regra jurídica não se deve entender da mesma maneira que a generalidade de um princípio" (BONAVIDES. a realização de algo. exigem. São Paulo. Licitação e Contrato Administrativo. foi o mais insigne predecessor da normatividade dos princípios. com a descrição (ou "tipificação") de um fato.

subsidiário. já. Revista dos Tribunais. Curso. Paulo. 253). há juristas que não compreendem a verdadeira força normativa dos princípios. não há mais como negar o seu caráter jurídico e vinculante. meramente indicativo. a dependência do 'possível' fáctico e jurídico. Assim. Tratava-se mais de disposição política do que jurídica. 232). na verdade. no caso. Por outro lado. Com o evoluir da Teoria Geral do Direito. Corresponderia a uma organização política monodimensional (. a sua inobservância há de deflagrar um mecanismo próprio de coação. inclusive pelo estabelecimento das conseqüências de insubmissão ao seu comando.). A indeterminação. porém. 1996. conservam os atributos essenciais destas. além de ser amplamente usado pela melhor doutrina. não haveria um "direito" líquido e certo a ser protegido. apto a garantirlhe a imperatividade. operou-se "uma revolução de juridicidade sem precedentes nos anais do constitucionalismo. uma vez posta em vigência. mormente em face da inserção dos princípios nos textos constitucionais. de uma sociedade pluralista e aberta. impondo.) levar-nos-ía a conseqüências também inaceitáveis. na maioria dos casos. p. com força jurídica e não apenas moral. ou . uma ordem. por exemplo. Realmente. p. tornando "a teoria dos princípios hoje o coração das Constituições" (Idem. De princípios gerais se transformaram. é divisão de órgãos. é um sistema de normas. Logo. do balanceamento de valores e interesses.. são peremptoriamente normas de hierarquia constitucional. Conceito de Princípios Constitucionais. estes. como têm um caráter hierarquicamente superior. doravante. por possuírem grande traços de indeterminação.desenvolvimento de um sistema. a de "Poder Constituído". As disposições constitucionais são não apenas normas jurídicas. p. dentre os quais a imperatividade. como o constitucional. não obstante a paradoxal equivocidade que longamente campeou nesta matéria. em princípios constitucionais" (BONAVIDES. 237). quando muito. P. é uno e indivisível e pertence ao povo . como qualquer outra norma. mero ideário não-jurídico" . 18). Ruy Samuel. pois. é um documento jurídico. como espécie do gênero normas jurídicas. Malgrado possa parecer que essa idéia de sistema jurídico como o somatório de regras e princípios tenha valor meramente doutrinário. Rio de Janeiro. das concordâncias. retira grande parte da eficácia protetiva do mandado de segurança. Luís Roberto. Renovar. atual. a violação a direito líquido e certo ocorre por transgressão a princípios. 186). a coexistência de princípios conflitantes. De fato. 287). Ainda hoje. impondo sua aplicação sempre e sempre. qual seja. que é necessariamente um sistema aberto. Limites e Possibilidades da Constituição Brasileira. o certo é que ela enfatiza a força normativa e vinculante dos princípios. convertidos em pedestal normativo sobre o qual assenta todo o edifício jurídico dos novos sistemas constitucionais" (Idem. De regra. p. a sua observação. A Constituição e a efetividade de suas normas. e que os princípios. Assim. só poderiam conduzir a um sistema falho de segurança jurídica e tendencialmente incapaz de reduzir a complexidade do próprio sistema" (Apud ESPÍNDOLA..p. considerando que a Constituição é um sistema de normas ("A Constituição. de uma visão distorcida e desatualizada que. O modelo ou sistema baseado exclusivamente em princípios (. considerando-as prescrições desprovidas de sanção. 3a ed. porquanto. densificação e concretização pelos três poderes (O termo é aqui utilizado com acepção semelhante à dada por Montesquieu.. de cumprimento forçado. tinham valor suplementar. na antiga noção que distinguia as normas dos princípios. São Paulo. E mais: "a constitucionalização dos princípios constitui-se em axioma juspublicístico de nosso tempo" (Idem. 1999.. conquanto seja termo bastante criticado .ainda está consagrado em nossa Carta Magna e reforça a importância e força política das três funções estatais. Trata-se. "as novas Constituições promulgadas acentuam a hegemonia axiológica dos princípios. no aspecto substancial.vez que "poder". uma prescrição.. a inexistência de regras precisas. vez que.BARROSO. na verdade. Nas palavras de José de Albuquerque Rocha: "a 'divisão dos poderes'. por esse motivo. há quem entenda que a violação a um princípio não justifica a concessão de um mandado de segurança.. um legalismo estrito de regras não permitiria a introdução dos conflitos. As normas constitucionais. elas contêm um mandamento.

da CF/88. ao "valorizar" a norma. Por outro lado. 13) estatais (Legislativo. XXIII. 1995. considera que o Direito Natural está "positivado" .. seguindo a lição de CANOTILHO. portanto. vez que eles podem ser encontrados "de forma latente" no ordenamento. No entanto. 5o. é a principal destinatária das normas jurídicas. Executivo e Judiciário) e. associadas: densifica-se um espaço normativo (= preenche-se uma norma) para tornar possível sua concretização e a conseqüente aplicação a um caso concreto. É de grande importância ter em mente que a densificação não é tarefa apenas do legislador. por sua vez. ou seja. Malheiros. longe de querer adentrar em discussões jusfilosóficas. Esses "contornos". passando de normas generalíssimas abstratas (dos textos normativosconstitucionais) a normas concretas de decisão (contextos jurídicos-decisionais). passando. sendo de se destacar que a recente Lei do Processo Administrativo Federal (9. que parece estar superada em face do surgimento dessa nova teoria pós-positivista que. De fato. pela própria sociedade. esteja ou não inscrito no Registro Civil. garantia de eternidade. que carecem de disposição expressa. em seu art. Dossi Se por um lado parece fácil aceitar a idéia de que os princípios expressos são normas jurídicas e. a densificação de um princípio é uma tarefa complexa. em uma segunda fase. Curso. Densificar.que os princípios não necessitam estar expressos num determinado diploma jurídico para ter força vinculante. para exercitarem as distintas funções do Estado. significa preencher. ou mesmo da unidade da Constituição. Com efeito. complementar e precisar o espaço normativo de um preceito constitucional. podem ser encontrados tanto no próprio texto constitucional. bem mais difícil é admitir a juridicidade de princípios tais qual o da proporcionalidade. quanto na lei. na jurisprudência etc. a fim de tornar possível a solução. Uma coisa é o poder do Estado. deve ser por todos observado. ninguém duvida que o "princípio da função social da propriedade". especialmente carecido de concretização.. por isso mesmo. Paulo. inclui expressamente a proporcionalidade entre os informadores do procedimento administrativo.. é fazer com que ele chegue até a norma de decisão. apesar das intermináveis discussões em torno do Direito Natural. 3.separação relativa de órgãos. a densificação do princípio é qualquer atividade capaz de fornecer subsídios hábeis a melhorar a compreensão do significado da norma. p. toleirões. de 29 de janeiro de 1999).784. por esse preceito. 2o. PRINCÍPIOS EXPRESSOS E NÃO PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS EXPRESSOS: "DESCOBRINDO" OS "Por que. Crítica interessante acerca da . Concretizar o princípio. é fazer com o princípio "construa" a norma jurídica concreta. o mesmo não se pode afirmar quando nos referimos aos princípios não expressos. é de se anotar que várias leis infraconstitucionais fazem a ele referência. p. como preferem alguns. fazer tratantadas fora da lei. Quanto ao princípio da proporcionalidade. 229. também os princípios 'gozam de vida própria e valor substantivo pelo mero fato de serem princípios. se há lugar de sobra para fazê-las dentro?" G. na doutrina.e isto já é pacífico. sobretudo por se tratar de norma elevada à categoria de cláusula pétrea ou. inc. que. outra coisa é a diversidade de funções com a correspondente diversidade de órgãos preordenados ao seu exercício" Estudos sobre o Poder Judiciário. devem ser tratados como normas capazes de impor obrigações e direitos no mundo fático. por que não dizer. As tarefas de concretização e de densificação de normas andam pois. buscando os contornos capazes de preencher o significado do princípio. que se inicia com a leitura isolada do texto que enuncia o princípio. dos problemas concretos. a partir daí. uno e indivisível. "Assim como quem tem vida física. Ou seja. e. São Paulo. figurem ou não nos Códigos" (BONAVIDES. explícito no art. por uma análise sistemática do texto constitucional. deve-se ter em conta .

sugerir. como fora de dúvida que estes bens sociais supremos existem fora e acima das regras legais. Isto não nega. Conceito de Princípios Constitucionais. No comentário de Jorge Miranda. Não obstante.).p. que poderão destruir a ordenação jurídica (ESPÍNDOLA. é a instância onde devemos colher os materiais para uma reflexão sobre os princípios. a existência de princípios que. 48). 'o Direito nunca poderia esgotar-se nos diplomas e preceitos constantemente publicados e revogados pelos órgãos do poder'" (BARROSO. levando o intérprete a "encontrar" um princípio que não esteja "descoberto" no texto constitucional.). Luís Roberto. expressão da certeza jurídica. pois ele tem sido menos que isto.. por óbvio que possa parecer. Direito. dessa forma. JOSÉ DE ALBUQUERQUE ROCHA: "Segundo alguns... Ruy Samuel. e fundamentadora do ordenamento jurídico. contemplados no âmago da ordem jurídica. fazendo com que.. p.. Conceito de Princípios Constitucionais. expressos. pensamos que a falta de concreção normativa dos princípios. ser positivista não significa reduzir o direito a norma. expressa e explicitamente. mas sim elevá-lo à condição de norma. das normas constitucionais .necessidade de se "normatizar" a Constituição é feita por LUÍS ROBERTO BARROSO: "(. mas também aos que. destarte. São elas comandos imperativos. ou então que haja um "abuso principiológico" por parte dos operadores do direito. e tão heterogêneas. como norma fundamental. normatividade não só aos princípios que são. 1999. que frustrem a tendencial objetividade exigível na atividade de extração dos princípios da ordem constitucional positiva". 1999. é fundamental que se diga. e nelas não se esgotam.288). o mais prudente é que os princípios sejam. neste último caso. São Paulo.ESPÍNDOLA.. tem-se. ipso facto. Não é próprio das normas jurídicas . 1999. Com efeito. Revista dos Tribunais. aconselhar. eles continuam possuindo força normativa. Conceito de Princípios Constitucionais. Vale a pena reproduzir o ensinamento de CANOTILHO sobre o assunto: "Mas o que deve entender-se por princípios consignados na constituição? Apenas os princípios constitucionais escritos ou também os princípios constitucionais não escritos? A resposta mais aceitável. ideológicas. 55). Como observa LUÍS ROBERTO BARROSO. Reconhece-se. os princípios não necessitariam de formulação normativa explícita. "mas em instância valorativa fundada em subjetivismos. p. Em matéria de Direito Constitucional. Revista dos Tribunais. as proposições que se incluem entre os princípios gerais. ou outras formas de subjetividade interpretativa. Ou seja. tal como ocorre ainda hoje com o princípio da proporcionalidade. No entanto. pode trazer certo grau de insegurança. são tantas. e sem pretender enveredar por discussão filosófica acerca do positivismo e jusnaturalismo. Ruy Samuel. São Paulo. não é por não ser expresso que o princípio deixará de ser norma jurídica. aqui. Apesar disso. Ruy Samuel. até porque não tem caráter absoluto e se encontram em permanente mutação.. que os mais apegados aos formalismos de outrora neguem a existência de determinado princípio. os princípios jurídicos podem estar expressamente enunciados em normas explícitas ou podem ser descobertos no ordenamento jurídico.. embora não expressos. "os grandes princípios de um sistema jurídico são normalmente enunciados em algum texto de direito positivo. sejam introduzidas normas exóticas.e.p. porém. Ademais. em posturas axiológicas. São Paulo.. podemos considerar implícitos no ordenamento jurídico" .Teoria. p. 198) . a fim de que se prestigiem a segurança jurídica e a harmonia sistemática do direito (Neste sentido. dentro da perspetiva principialista (. 197 e 200. é uma instigante novidade neste País habituado a maltratar suas instituições). de forma arbitrária. defluentes de seu sistema. especialmente à Constituição que. são anunciados pela doutrina e descobertos no ato de aplicar o Direito (ESPÍNDOLA. que o mais prudente é recorrer ao ordenamento jurídico-positivo para determiná-los. sendo que. Revista dos Tribunais. alvitrar. evitando-se.. é a de que a consideração de princípios constitucionais não escritos como elementos integrantes do bloco da constitucionalidade só merece aplauso relativamente a princípios reconduzíveis a uma densificação ou revelação específica de princípios constitucionais positivamente plasmados" . O resgate da imperatividade do texto constitucional. na medida do possível.

por si só. podemos agora formular e responder uma questão processual que atormenta deveras os juristas. a prevalecer o entendimento contrário. Nem se diga que. Em suma: são princípios que. princípio da continuidade da ordem jurídica. PODE UM PRINCÍPIO EMBASAR UMA PRETENSÃO EM JUÍZO? Feitas essas considerações. configurado está o pressuposto para o cabimento do recurso extraordinário. no caso. o certo é que não foi fácil . o recurso extraordinário . que os princípios não poderiam. embora não constem no texto constitucional. de 1977). difícil fazer valer uma pretensão em tribunal invocando-se tão somente o princípio da proporcionalidade. assim.aceitar que os princípios podem gerar direitos subjetivos. Aliás. por si só. 102. Somente posteriormente. é que o mestre português passou a ter um posicionamento mais principialista. tornando-se.ao contrário do que pretende a Constituição . Seria. Os princípios fundamentais. após seu "encontro teórico" com ALEXY e DWORDIN. AFRONTA A EXTRAORDINÁRIO PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS E O RECURSO É possível encontrar uma postura tradicional (anti-principiológica) nas decisões do Supremo Tribunal Federal ao entender que "não cabe recurso extraordinário quando a alegada ofensa à Constituição é reflexa ou indireta.como ainda hoje para alguns juristas não o é . 5o). mais especificamente à possibilidade jurídica do pedido: pode um princípio. não possuem normatividade individualizadora que os torne suscetíveis de aplicação imediata e autónoma" (Esse texto pode ser encontrado na primeira edição de seu Direito Constitucional. de per si. Min. fornecendo embora directivas jurídicas para uma correta análise dos problemas constitucionais. rel. o do devido processo legal ou o da ampla defesa. já a inobservância de um princípio é considerada insusceptível de. é interessante notar que a própria Constituição pátria vigente "positiva" este entendimento quando afirma que "os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados" (§2o. no mesmo texto já citado. se a decisão recorrida contrariar princípio constitucional. quando a Constituição determina que caberá recurso extraordinário quando a decisão recorrida contrariar dispositivo da Constituição (art. AgRg 170637-7. passando a reconhecer a força normativa imediata dos princípios constitucionais. fundamentar autonomamente pretensões: "enquanto um direito constitucional pode ser directamente invocado em tribunal como justificativo de um recurso de direito público. Diz respeito às condições da ação. do art. são de comum observância: princípio da supremacia da Constituição. fundamentar autonomamente um recurso contencioso. No nosso entender. Até CANOTILHO já defendeu. podem fundamentar autonomamente uma pretensão! Embora possa não parecer difícil essa assimilação. Moreira Alves). é inegável que. a).meio de ataque à aplicação à legislação infraconstitucional" (STF. III. 4. por exemplo. princípio da interpretação conforme a Constituição. enumera alguns princípios que. Primeiro.LUÍS ROBERTO BARROSO. embora não expressos no texto constitucional ou em qualquer outro diploma escrito. porque a . enquanto normas jurídicas. sobretudo em face de tudo o que foi exposto acerca da normatividade dos princípios. pois decorrem do próprio sistema em que estão inseridos. fundamentar uma pretensão em juízo? Em outras palavras: decorrem direitos subjetivos dos princípios ou seria "juridicamente impossível" recorrer ao juridiciário fundamentado tão-somente em um princípio constitucional? Nossa resposta a essa pergunta é categórica: é óbvio que os princípios. princípio da unidade da Constituição. a contrariedade seria "reflexa" ou "mediata". toda a alegação de negativa de vigência de lei ou até de má interpretação desta passa a ser ofensa a princípios constitucionais genéricos como o da reserva legal. estão positivados. porquanto. 5. nos seus primeiros estudos.

como se fosse o princípio que girasse em torno da lei. sempre que a decisão contrariar o princípio estará contrariando a norma constitucional diretamente e na sua pior forma de violação. Do contrário. o princípio constitucional seria mero ideário político. por que então os nossos Tribunais insistem em não reconhecer a força normativa dos princípios? Por que há quem afirme que o princípio não pode fundamentar uma pretensão jurídica em juízo? Por que há quem defenda que um mandado de segurança não pode ser impetrado com base unicamente em princípios? Será que um princípio não pode ser um "direito" em líquido e certo? Por que a violação a princípio constitucional. e não o inverso. A Constituição e a efetividade de suas normas. são normas jurídicas. Luís Roberto. de forma direta? A resposta para todas essas questões é bem simples: os nossos juristas ainda não dão o devido valor à força normativa dos princípios. e as regras e os princípios a espécie. Daqui já se caminha para o passo final da incursão teórica: a demonstração do reconhecimento da superioridade e hegemonia dos princípios na pirâmide normativa. a expressão mais alta da normatividade que fundamenta a organização do poder" (Curso de Direito Constitucional. BIBLIOGRAFIA BARROSO. Entendimento diverso implica relegar à inocuidade dois princípios básicos em um Estado Democrático de Direito . Renovar. 3a ed. como nos primórdios da doutrina. o Min. Saraiva.o da legalidade e do devido processo legal. Rio de Janeiro. Para finalizar o presente artigo. a distinção relevante não é. 1996 . se resume no seguinte: não há distinção entre princípios e normas. 6. os princípios são dotados de normatividade. as normas compreendem regras e princípios. na ordem constitucional dos ordenamentos jurídicos. fazendo com o princípio tenha que se rebaixar à lei para ser aplicado. com procedência. supremacia que não é unicamente formal. que abordou sucintamente alguns aspectos acerca da normatividade dos princípios constitucionais. Marco Aurélio dá-nos a solução ideal: "Caso a caso. 1998 _____________________. e todos se sentiriam "à vontade" para os contrariar. entre princípios e normas. mas entre regras e princípios. CONCLUSÃO Não há mais dúvidas: os princípios. cuja ambiência natural é a Constituição.e. cuja normatividade é. porque os princípios constitucionais são normas jurídicas e. nesse ponto. partir-se do que previsto na legislação comum. permitimo-nos transcrever passagem de texto de PAULO BONAVIDES que sintetiza bem tudo o que foi exposto: "Tudo quanto escrevemos fartamente acerca dos princípios.Constituição não exige que a contrariedade seja direta. sendo. potencializada. sendo as normas o gênero. a transgressão a texto constitucional. por isso. com a garantia da ampla defesa. a mais alta de todo o sistema. segundo. porquanto quem os decepa arranca as raízes da árvore jurídica. p. compete ao Supremo Tribunal Federal exercer crivo sobre a matéria. 255). segundo a orientação vetusta do Supremo Tribunal Federal. Interpretação e aplicação da Constituição. são normas jurídicas com um grau máximo de juridicidade. E mais: os princípios. em busca de sua normatividade. não enseja o cabimento de recurso extraordinário? Violar um princípio constitucional não é violar a própria Constituição. ao lado das regras. distinguindo os recursos protelatórios daqueles em que versada. até mesmo. Em sintonia com esse posicionamento. mas sobretudo material. parece que não há mais tanta discussão quanto havia outrora -. São Paulo. sempre a pressuporem a consideração de normas estritamente legais" (RE-158655 / PA). que é a contrariedade a princípio. Limites e Possibilidades da Constituição Brasileira. atual. destituído do força sancionatória. e apenas possível na medida em que os princípios são compreendidos e equiparados e até mesmo confundidos com os valores. E o pior: fazem uma completa inversão de valores. por conseguinte. Se isso é verdade . muito embora torne-se necessário. 2a ed.

Revista dos Tribunais. Manoel Gonçalves. São Paulo. Celso Bastos Editor. Celso Antônio Bandeira de. Coor. Direito Constitucional do Trabalho . 1999 FALCÃO. 1996 BONAVIDES. Hermenêutica. Fernando Ferreira dos. UMA AFIRMAÇÃO QUE TEM LIMITADO A COMPETÊNCIA MATERIAL DA JUSTIÇA DO TRABALHO. Comum é na jurisprudência e doutrina do Direito do Trabalho a utilização da expressão da idéia de que a "administração pública quando contrata pela CLT equipara-se ao empregador privado" que. 7a ed. se processam perante a Justiça Comum. 1997 MELLO. Teoria Geral do Processo. Malheiros. 1997 FERREIRA FILHO. 1998 GUERRA FILHO. 9a ed.Introdução. 1991 GRAU. Malheiros.Elementos para uma dogmática constitucionalmente adequada. 1995 ________________________. Porto Alegre. José de Albuquerque. Willis Santiago. Eros Roberto. Ruy Samuel. In: Dos Direitos Humanos aos Direitos Fundamentais. Norbeto. Malheiros. São Paulo. Buscaremos oferecer demonstrações de que a "expressão da idéia" que inaugura o título do presente artigo não tem a carga de juridicidade necessária para justificar seu emprego como síntese de metodologia ou de solução para a aplicação das regras e princípios do Direito do Trabalho no âmbito da administração pública e. São Paulo. Brasília. Elementos de Direito Administrativo. 4ª ed.Estudos em Homenagem ao prof. Livraria do Advogado. 1994 VASCONCELOS. um "axioma jurídico" que inibe aos mais novos operadores (entre os quais nos incluímos) do Direito do Trabalho e do Direito Administrativo qualquer especulação acerca da necessidade de um maior aprofundamento nos estudos das implicações sobre a relação de emprego público das regras constitucionais e legais que regem a administração pública. Malheiros. passou-se a empregá-la como um "regra jurídica". José Afonso da. São Paulo. hoje. São Paulo. Teoria da Norma Jurídica. por tão usual a sua utilização. 1999 SILVA. São Paulo. 1999 SANTOS. 4a ed. Princípio Constitucional da Dignidade da Pessoa Humana. Paulo. RT. Curso de Direito Constitucional. defender o reconhecimento da competência da Justiça do Trabalho para muitos das lides que. Arnaldo. Ltr. São Paulo. Malheiros. Ed. Malheiros. processo e princípio da proporcionalidade.BOBBIO. Conceitos de Princípios Constitucionais . WILLIS SANTIAGO GUERRA FILHO. A Ordem Econômica na Constituição de 1988. I. . 7a ed. 3a ed. São Paulo. São Paulo. Teoria do Ordenamento Jurídico. consequentemente .procurador autárquico em São Paulo) I . 1980 ROCHA. Ed. Raimundo Bezerra. Vol. Curso de Direito Constitucional Positivo. Unb. Ed. Malheiros. São Paulo. 1998 ESPÍNDOLA. (Benedito Libério Bergamo . Estudos sobre o Poder Judiciário. 1993 Texto 3) Texto no qual a questão dos princípios e regras de direito administrativo aplicáveis aos empregados públicos é analisada incidentalmente A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA QUANDO CONTRATA PELA CLT EQUIPARA-SE AO EMPREGADOR PRIVADO. Direitos Fundamentais. Amauri Mascaro do Nascimento. São Paulo.

. 129. 7. de seu direito soberano sobre o país e os que nele habitam: exige certas prestações. sendo exemplo a Orientação Jurisprudencial n. Numa relação de contrato de trabalho regida pela CLT." Importa. no desempenho normal de suas atividades. às vezes. aqui.A ORIGEM E ALCANCE JURÍDICO DA EXPRESSÃO " A ADMINSTRAÇÃO PÚBLICA QUANDO CONTRATA PELA CLT EQUIPARA-SE AO EMPREGADOR PRIVADO". XXXIII da CF) e nem à forma (art. II . POIS A EXISTÊNCIA DE UM CONTRATO DE TRABALHO NÃO PODE DERROGAR TODA A DISCIPLINA CONSTITUCIONAL E LEGAL ACERCA DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. 37. o Estado se utiliza . sendo O RECONHECIMENTO DE NULIDADE DE CONTRATO DE TRABALHO FORMADO SEM PRÉVIO CONCURSO PÚBLICO (art. como. deixa de fazer vigor seu imperium. por meio de proibições . Civil e art. mas decorre da desobediência pelo poder público de seu poder-dever de SÓ CONTRATAR EMPREGADOS MEDIANTE PRÉVIO CONCURSO PÚBLICO.ainda que envolvam pretensões e resistências entre empregados públicos e a administração pública.º 85 da SDI do Colendo TST. quando ela emprega mão de obra pela CLT. consoante orientação jurisprudencial do STF. aliás. A exteriorização da vontade da administração pública. quanto ao aspecto informal do contrato). comercial). ou seja.poder de agir. exemplo jurisprudencial trabalhista acerca do descumprimento pelo empregador público de regras constitucionais sobre a administração pública. Em tais casos ela se nivela ao particular. já que a nulidade do contrato por ausência de concurso não decorre do contrato de trabalho em si. nem à capacidade das partes (145 do cód. a aplicação do correto sentido da idéia de equiparação da administração pública ao empregador privado. III . pois não diz respeito nem ao objeto ( art. salvo exceções legais. colocando-se no mesmo nível de outras pessoas jurídicas para celebrar contratos. 442 da CLT. diante das citações de Meirelles e Cretella. Ademais tem o dever de não dispor da coisa pública. pois "mesmo nesses atos ou contratos o Poder Público não se libera das exigências administrativas que devem anteceder o negócio jurídico almejado". não pode pactuar com autonomia de vontade". advertido por Lopes Meirelles. Civil). Lopes Meirelles preleciona que "A administração pública pode praticar atos ou celebrar contratos em regime de Direito Privado ( civil. a liberdade de ação de seus súditos.O PRINCÍPIO DA LEGALIDADE NAS RELAÇÕES TRABALHISTA COM A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. para afastar a errônea idéia que se possa formar sobre o empregador público deixar de ser administração pública. a administração pública não deixa de se submeter à observância dos princípios e regras constitucionais e legais de regulam os poderes e deveres do Poder Público. CONTRATUAIS "O princípio da legalidade expressa a regra segundo a qual a administração deve agir de acordo com a lei". II da CF). a realização daquilo que é conforme a lei previamente estabelecido como dever.º. já que "administração pública tem o dever de somente celebrar contrato cujo fim imediato seja o interesse público. abrindo mão de sua supremacia de poder desnecessária para aquele negócio jurídico. ordena e limita. Outras vezes. para ser um empregador privado. que é indisponível. Portanto." O mesmo entendimento é compartilhado por Cretella Júnior ao transcrever a lição de LABAND: "a fim de atingir os fins a que se propõe. numa relação de trabalho regida pela CLT. 130 e 145 do Cód.

já que ela "não tem fins próprios. exigindo.10628/94 . transparência. moralidade. ainda que a CLT apenas preveja a obrigação de dação aviso prévio em relação ao término da relação contratual por prazo indeterminado (art. 487 da CLT) . mas há de buscálos na lei. sob pena de ser anulado ( pela própria administração ou pelo Judiciário). podemos citar as análises feitas por Carlos Ari Tundfeld à decisão do STF proferida no RE n. à exemplo."8 Seguindo o mesmo exemplo. como condição de sua ação. pois todo e qualquer ato administrativo que produza efeitos jurídicos numa relação de emprego deve obedecer. cuja gestão sempre reclama adstrição à finalidade legal estabelecida. o princípio da legalidade com fundamento no art. como.206 -DF. não consagra liberdade alguma à administração pública. aos comandos legais aplicáveis à administração e ao interesse público. 37. . Unâ. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo o que a lei não proíbe. respeito e fundamentação satisfatória. caput da CF.ª T.º. assim como. o arbítrio e a satisfação de interesses pessoais (TRT .desde de que tenha finalidade de criar reconhecer. promoções e o mais que um típico empregador pode promover através de atos unilaterais e bilaterais numa relação de trabalho regida pela CLT. publ. pois. caput.ª R. a fim de evitar o nepotismo.II caput. Pode parecer que numa relação de emprego público não há nada de diferente ou de especial no modo de sujeição do poder público aos ditames da legalidade. que possa diferenciá-la de um empregador comum. às vezes. Da 1. 5. escrava que é da ordem jurídica"19. impessoalidade e publicidade que protegem o ente público.9 A própria jurisprudência dos Tribunais do Trabalho já vem colecionando julgados que expressam o entendimento de que "o administrador público. 37. pela confusão que se faz entre a aplicação do "princípio da legalidade" com fundamento no inciso II do art.95 . pois "na administração pública. deve observar os princípios da legalidade. de modo geral.Ac. arrematando Bandeira de Mello que "a legalidade na administração não se resume à ausência de oposição à lei. 5. onde prepondera o princípio da autonomia de vontade. em regra.Jaboatão dos Guarpes/PE . já que seus administradores não gerem negócio particular.)"10 . modificar. 37. onde foi consagrado que "é requisito de validade do ato de despedida de empregado público a existência de interesse público que o legitime".º da Constituição e a aplicação do "princípio da legalidade" com fundamento no art." Podemos citar como exemplo de aplicação do princípio da legalidade baseada da no art. O princípio da legalidade não deixa de ser verificado. de dispensar imotivadamente o empregado concursado e contratado pela CLT. mas conduzem assunto de interesse de toda a coletividade. demissão.º 130.Rel Juiz Joaquim da Costa Filho. se denomina ato administrativo.J.R. entretanto. a ilegalidade da administração pública. No D. não desfruta de liberdade.06. já que o princípio da legalidade que está disposto no inciso II do art. na administração pública só permitido fazer o que a lei autoriza"6. mas supõe autorização dela. motivada. ao demitir o empregado público. . numa relação de emprego. tal aparência é apenas aparência. Cumpre que haja razões prestantes e demonstráveis para efetuá-lo. concessão de férias. quando a administração pública age como empregador e promove admissão. de 20. Bandeira de Mello comenta o ato de despedimento dos empregados das estatais ( empresa pública e empresas de economia mista) onde "não é livre o desligamento de seus empregados. também da Constituição Federal. no outro lado e de modo especial. não há liberdade pessoal. O. estabelecendo uma relação entre a liberdade sobre tudo o que não é proibido e a legalidade da intervenção em tal liberdade de agir e. submete todos ( cidadãos e poderes estatais) à vontade da lei.6. reajustes salariais. resguardar ou extinguir situações jurídicas.

assentam-se na lei.1998. rec. como decorrência natural do princípio da legalidade. A norma constitucional se sobrepõe ao princípio da primazia da realidade. 37 da CF) precede a aplicação dos princípios de Direito de Trabalho: "Vinculo de emprego . mesmo porque a legalidade constitui princípio a que a administração deve obediência rigorosa ( CF. anotamos: a) O art..não há transformação do vínculo pela consolidação por decurso de tempo. ao invés.). existem atos do empregador público cujos efeitos recaem sobre o contrato de emprego ( patrimônio do empregado) que não têm sua validade e efeitos apreciados sob os princípios ( norma mais benéfica. o administrativo e o trabalhista. 1.º traça simplesmente os contornos dos direitos e deveres mútuos na execução do contrato do contrato e dos efeitos da extinção do mesmo. regime jurídico. constantes dos parágrafos que indica. pois no contrato de emprego público é possível detectar dois campos de incidência de normas.º . da legalidade. 477 da CLT. I e II e o artigo 61. Na norma indicada está um claro exemplo de acolhimento pelo legislador da presunção de legitimidade dos atos de rescisão e quitação feitos pela administração pública. 37).concessão de complemento de aposentadoria p.Os exemplos citados trazem à luz a certeza de que existem atos praticados pela administração pública na constância da relação contratual de emprego ( sem excluir atos anteriores a contratação . ex. ambos da CF. ex. Ord. b) Os artigos 169. j. 2. II. "a". da publicidade.º 0084/94.ementa)" Até aqui. modificando ou extinguindo o contrato de trabalho ( No mesmo sentido o Professor e Procurador Luiz R.ao sistema da administração pública. . coexistem de modo a impedir. são. "quer dizer. alterando . a sistemática dos servidores públicos. 17.o servidor público celetista subordina-se a dois sistemas. que são típicos atos administrativos cuja validade se resolve pela aplicação dos princípios e regras do Direito Administrativo. I do Decreto-Lei 779.. 4. vencimentos e remuneração. um de Direito do Trabalho e outro de Direito Administrativo. Para exemplificar. Nuñes Padilla19 Em outras palavras. limitar ou ampliar a aplicação de preceitos de um campo no outro sobre o mesmo contrato de trabalho. Único. N. . contrato realidade."12 . impedem que se estabeleça novas disposições sobre salários e outras condições de trabalho por acordo coletivo.cessão de funcionário público . apreciados sob a luz das regras e princípios da administração pública. da moralidade administrativa. ainda que os efeitos da verificação de tais atos administrativos atinjam. convenção ou sentença Normativa. integrados e dependentes: 1.º 015589/98 .º. à exemplo já encontramos na jurisprudência dos Tribunais do Trabalho. como identificado pelo Professor e Juiz do Trabalho ao afirmar que " . acórdão n. cremos que a repetida "equiparação" da administração pública ao empregador privado ou a "abdicação do status de administração pública"11 nas relações de emprego público é. continuidade da relação de emprego. bem como motivação do ato administrativo. como. se há regular cessão do servidor a outro órgão. par. por exemplo) e regras do Direto do Trabalho.ao sistema funcional trabalhista.. que tratam do orçamento público e da reserva de iniciativa legislativa acerca do pessoal da administração pública. preservando-se a coisa pública" (TRT 9. onde o princípio da legalidade ( art. par.concurso p.e atos posteriores ao fim do contrato . V.º impõe suas regras da impessoalidade do administrador. muito relativa. 1. art. condição mais favorável.º . Rel..º. U.ª T. O 1. 2. que dá validade relativa à quitação e pedidos de demissão de empregados da administração pública que específica e exclui expressamente os preceitos do art. certamente."20 Os dois campos de normas. Juiz Luiz Celso Napp. da oportunidade. que incidem no contrato de emprego público.ª reg.06.PR.

in RTJ 145/625) Importa para o objeto de nosso estudo a fixação do alcance jurídico das expressões seguintes. no julgamento do RE nº 130. a administração pública. uma aferição da contratação sob o princípio da legalidade . contidas no texto do julgado cotejado: a) "A competência da Justiça do Trabalho decorre da existência da relação de trabalho em que se funda a pretensão. mesmo que ao direitos buscados sejam oriundos de Leis aplicáveis ao funcionalismo estatutário.: Min.A COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO PARA TODA E QUALQUER AÇÃO DO EMPREGADO PÚBLICO." . como ilustramos: "Exceção de incompetência. Rel.Não é difícil concluir que na formação. porquanto só a Justiça do Trabalho é que caberá julgar da pertinência. da reclamação trabalhista. IV . como é o caso de dispensa na constatação acumulação ilegal de cargos ( art.193. estabelecendo hipóteses de dispensa do empregado que não previstas na CLT e nem em conduta do empregado. o RE nº 136. mas se funda em hipóteses de regras impostas à própria administração pública. em face do disposto na parte inicial do artigo 114. ainda que diga esta respeito a vantagens oriundas da leis estaduais aplicáveis a funcionários estatutários. REGIDO PELA CLT MAS QUE NÃO DEIXA DE SER. como comumente têm julgado os Tribunais do Trabalho. MOREIRA ALVES (RTJ 139/960. COMO ATO DE VONTADE.. ou não. autárquica e fundacional)." (Supremo Tribunal Federal.325. Há algum tempo. da postulação dessas vantagens com base no contrato de trabalho. b) ". que serve de forma para a conclusão anterior está na Lei Federal 9. OCTAVIO GALLOTTI. Competência da Justiça do Trabalho.: Min. Servidor Público estadual contratado sob o regime da CLT. o Supremo Tribunal Federal já tem sedimentado o entendimento de que a contratação pela administração pública "com base na relação contratual de emprego" é suficiente para determinar a competência material da Justiça do Trabalho para processar e julgar as pretensões de empregado público contratado frente ao seu empregador. com base na relação empregatícia. condução e até o término da relação contratual de emprego público os atos do empregado que produzam efeitos jurídicos no contrato serão apreciados. segundo o regramento jurídico privado acerca dos atos jurídicos lícitos e ilícitos e seus vícios.. Exemplo de disciplina legal. SERVIDOR PÚBLICO. Rel.constatação da infringência do art. II). 3.962/2000 que trata do emprego público no âmbito da administração pública Federal (direta. de vantagens atribuídas a funcionários estatutários. ou não. EM GÊNERO.XVI da CF . para dar pela procedências. 37.". lei típica de direito público que se dirige ao administrador público ( não é norma de direito do Trabalho). ou seja. o resultado de tal aferição poderá concluir por uma conseqüência de direito público apenas e ou uma direito comum ou trabalhista. da atual Constituição.. Observa-se que a mesma dinâmica de raciocínio pode ser verificada nas rescisões de contratos de emprego público que não foram precedidos de concurso público. por outro lado.. No mesmo sentido.tendo como conseqüência a nulidade de tal contratação ( conseqüência de direito público) e a conseqüente rescisão contratual ( conseqüência de direito trabalhista).ainda que diga esta respeito a vantagens oriundas da leis estaduais aplicáveis a funcionários estatutários. os atos da administração pública que produzam efeitos jurídicos no contrato serão apreciados COMO REGRA JURÍDICA.. segundo o regramento do direito público que é regido pelo princípio da legalidade ( aferição da pertinência do ato com as regras de direito público) e. "caput". em regra. neste caso. Postulação. Recurso extraordinário conhecido e provido... por sua Primeira Turma. A competência da Justiça Trabalhista decorre da existência da relação de trabalho em que se funda a pretensão. ou seja.º.

Na primeira frase é clara a referência da competência material da Justiça do Trabalho, segundo a lide nascida dentro de uma relação jurídica, a relação de trabalho, que é fundamento jurídico da pretensão posta em juízo, que se encontra na causa de pedir prevista no art. 282,III do CPC.16 O art. 114 da CF, caput, é claro ao dispor que a relação de trabalho que importa para a competência da Justiça do Trabalho é aquela regida pela CLT, ou seja, sob o vínculo de emprego ( art. 2.º e 3.º da CLT). Vale relembrar que a distribuição do exercício da jurisdição, através das "competências" definidas na Constituição e na Lei "como quantidade de jurisdição cujo exercício é atribuído à cada órgão ou grupo de órgãos (Liebman)" impede que existam mais de um órgão ou grupo de órgãos jurisdicionais com a mesma competência, 13 já que é pela Constituição ou pela Lei que a atribuição de competência define, previamente, o campo de atuação de cada órgão ou grupo de órgãos jurisdicionais, estabelecendo qual deles é competente para determinada lide com exclusão dos demais. A determinação de competência se dá por critérios estabelecidos na própria lei, como condição das pessoas, local dos fatos que originaram lide, valor, entre outros, do quais destacamos o critério de determinação da competência pela "natureza da relação jurídica controvertida, ou seja, pelo fundamento jurídico material da demanda", 14 ou seja, a competência é fixada "à vista da natureza da relação jurídica de direito material subjacente ao conflito de interesses".15 Na segunda frase destacada para análise, a conclusão do julgado da Corte Constitucional evidencia, também, que o texto do art. 114 da CF, deve ser interpretado para o reconhecimento da competência da Justiça do Trabalho, apenas sob a identificação da relação jurídica de emprego, desprezando-se qualquer incursão sobre a origem dos direitos aplicáveis ao contrato de emprego público, ou seja, não importa para a competência da Justiça do Trabalho se os direitos que compõe a pretensão são direitos previstos na CLT ou em leis que dispunham sobre servidores públicos estatutários, desde que o vínculo jurídico que une as partes da lide seja um vínculo de contrato de trabalho regido pela CLT, que "corresponde ao trabalho subordinado, contrapondo-se, de um lado, à relação civil do trabalhador autônomo e, de outro, à relação pública do regime estatutário, ou seja a característica do funcionário público".17 Parece, até aqui, ser irrefutável a conclusão de que a Justiça do Trabalho é competente, em razão da matéria, para processar e julgar dissídios acerca da aplicação de direitos previstos no conjunto de normas e princípios do Direito administrativo que envolvam o empregado e o ente público, o seu empregador. V - SERÁ QUE O MANDADO DE SEGURANÇA CONTRA ATO ABUSIVO E ILEGAL DO EMPREGADOR PÚBLICO CABERIA NO GÊNERO DA EXPRESSÃO "DISSÍDIOS" EMPREGADO NO ARTIGO 652 DA CLT? Sabemos que a expressão "dissídios" empregada nos incisos do art. 652 da CLT que dispõe sobre a competência das Juntas de Conciliação e Julgamento ( atualmente Vara da Justiça do Trabalho, com Juiz singular e vitalício), não tem seu significado restrito à hipótese das "reclamações trabalhistas", já que essas são espécies daquela e "dissídios" envolvem, também, como gênero, as ações de consignação, cautelares, anulatórias, ações civis públicas, execução de "Termos de Conciliação" surgidos nas Comissões Prévias de Conciliação e os "Termos de Ajuste de Conduta" firmados perante o Ministério Público do Trabalho ( art. 876 da CLT, com redação dada pela Lei 9.958/00).

Tudo indica que a Justiça do Trabalho, em princípio tem plena competência para processar e julgar mandados de segurança contra atos abusivos e ilegais de autoridades públicas praticados contra empregado público, dentro da relação de trabalho, ante as seguintes constatações que, resumidamente, destacamos: 1.º - Após a Emenda Constitucional n.º 24 deixou de existir os problemas relativos ao julgamento de Juizes leigos na Justiça do Trabalho, daí estarem afastadas as discussões e problemas que poderiam surgir com as indagações sobre a conhecimento técnico jurídico, concessão de liminar em Mandado de segurança, seu processamento, sentença mandamental e o mais que poderia existir como crítica fundamentada na forma de composição colegiada dos órgãos jurisdicionais trabalhistas; 2.º - A competência originária do TRT para o mandado de Segurança ( art. 678, I, "b", 3 da CLT), diz respeito, apenas aos mandados de segurança impetrados contra as autoridades judiciárias; 3.º - A súmula 195 do extinto TFR que preconizava ser o mandado de segurança instrumento inadequado para a solução dos conflitos trabalhista, somente tem sua razão ser em se tratando de ação ou omissão do empregador público em relação, exclusiva, ao cumprimento de suas obrigações dispostas no regime da CLT. Diz-se "exclusiva" pois o simples descumprimento de obrigação trabalhista numa relação contratual de emprego não se traduz em ato de autoridade para os fins da utilização do remédio heróico, nesse mesmo sentido a Súmula 269 do STF que informa que "o mandado de segurança não é substitutivo de ação de cobrança." ; 4.º - O direito constitucional ao mandado de segurança, nos termos do art. 5.º, LXIX da CF e nos termos da Lei 1.533/51, como qualquer outro direito de ação, obedece, no seu exercício, as fontes legais e constitucionais de regulamentação de competências jurisdicionais, além de sua razão de ser um instrumento de garantia dos cidadãos, inseridos em qualquer relação jurídica com os Poderes do Estado, contra ATO ILEGAL OU DE ABUSO DE PODER. Deve ser observado, como observa Celso Agrícola Barbi18, que para caracterizar o cabimento do mandado de segurança NÃO IMPORTA O DIREITO LESADO OU AMEAÇADO SER PÚBLICO OU PRIVADO ( onde se inclui o direito trabalhista), sendo necessário, entretanto, que o ato lesivo ou ameaçador seja praticado pelo Estado como Poder público e praticar atos como PODER PÚBLICO NADA MAIS É DO QUE AGIR COM FUNDAMENTO NAS NORMAS ADMINSITRATIVAS CRIADORAS E REGRADORAS DO SEUS PODERES E PRERROGATIVAS QUE PERMITEM OU OBRIGAM A ADMINSITRAÇÃO À AGIR DESSA OU DAQUELA FORMA, MESMO NUMA RELAÇÃO DE CONTRATO DE TRABALHO (ver os termos e a natureza administrativa da Lei Federal9.962/2000, por exemplo). 5.º - Havendo posicionamento do STF acerca da competência da Justiça do Trabalho para processar e julgar as ações do empregado público em face da administração pública seu empregador, É CABÍVEL O ENTENDIMENTO DE SER ADMITIDO NA JUSTIÇA DO TRABALHO O MANDADO DE SEGURANÇA CONTRA ATO DE AUTORIDADE PARATICADO COM ILEGALIDADE OU ABUSO DE PODER QUE ACARRETE PREJUÍZO AOCONJUNTO DE DIREITOS CELETISTAS DO EMPREGADO, dado que o ato reputado de ilegal e abusivo para efeito do Mandado de Segurança não é o prejuízo de cunho trabalhista, mas a desobediência pela autoridade impetrada de eventual regra de direito público que não legitimou seu ato que redundou em prejuízo para um empregado. Para encerrar o presente trabalho, com a crença de que ele possa representar um contribuição para o alargamento dos horizontes da competência da Justiça

Obreira, oportuna é a elaboração do seguinte exemplo, para melhor demonstração do que foi dito até aqui, como hipótese de mandado de segurança na justiça do trabalho: - Um empregado de Autarquia Federal, contratado pela CLT, nos termos da Lei 9.962/2000 é dispensado sumariamente sem justo motivo. O fato exemplificado nos oferece uma clara demonstração de ato abusivo e ilegal da administração autárquica federal, já que não agiu nos limites das hipóteses legais de dispensa prevista na Lei 9.962/2000 ( art. 3.º) e o direito líquido e certo está em exigir a anulação do ato abusivo ( conseqüência administrativa) o restabelecimento do vínculo contratual com a reintegração e o mais ( conseqüência trabalhista). Aqui é cabível o mandado de segurança, sendo adequada a adoção da orientação da STF para reconhecer-se a competência da Justiça do Trabalho em semelhantes mandados de segurança. NOTAS 1.Hely Lopes Meirelles, ,"Direito Administrativo Brasileiro", Pág. 139, 22.ª ed., 1990, Malheiros, SP; 2.José Cretella Júnior, "Tratado de Direito Administrativo", pág. 181, vol., X, 1.ª ed., 1972, Forense, RJ. 3.Hely Lopes Meirelles, obra e pág. citadas; 4.Lúcia Valle Figueiredo, "Contratos Administrativos", na obra "Direito Administrativo na Constituição de 1988", coordenada por Celso Antônio Bandeira de Mello, pág. 139, RT, 1991, SP; 5.José Cretella Júnior, obra citada, pág. 38;.19 Celso Ribeiro Bastos, "Comentários à Constituição do Brasil", pág. 27, 3.º vol. Tomo III, ed. Saraiva, 1992, SP; 6 Hely Lopes Meirelles, Direito Administrativo Brasileiro, 1964, p.56, citado por Celso Antônio Bandeira de Mello, na obra "Curso de Direito Administrativo, pág. 25, 4.ª edição, Malheiros Editores, 1993. SP; 7 Antônio Bandeira de Mello, obra e página citadas na nota anterior; 8 Idem, páginas 135/136; 9 "Não é livre a demissão sem justa causa se servidor celetista", artigo publicado no Boletim de Direito Administrativo - Julho/95, pág. 395/397. 10 ADCOAS 8148820; 11 Francisco Antônio de Oliveira, "Direito do Trabalho em sintonia com a nova Constituição", pág. 19, editora RT. 1993 , SP; 12 Trecho do voto do Sr. Ministro Carlos Velloso, no julgamento da Adin 492-1 DF i Tribunal Pleno - STF (D.J. 12.03.1993) - Lex - JSTF - 175/49; 13 Antônio Carlos Araújo Cintra, Ada Pellegrini Grinover e Cândido R. Dinamarco, "Teoria Geral do Processo", pág. 194, 9.ª ed., Malheiros, 1999, SP; 14 Idem ao anterior, pág. 201; 15 João Oreste Dalazen, "Competência Material Trabalhista", pág. 36, editora Ltr, 1994, SP. 16 Moacyr Amaral Santos, "Primeiras Linhas de Direito Processual Civil" , pág. 160, 1.º vol., 15.ª ed., Saraiva, 1992, SP; 17 Comentário n.º 3 ao texto do art. 643 da CLT, por Valentim Carrion, "Comentários à CLT, pág. 476/477, 22.ª ed. , Saraiva, 1997, SP; 18 Celso Agrícola Barbi, "Do Mandado de Segurança", pág. 92, 6.ª ed. , Editora Forense, 1993, RJ. 19 Luiz R. Nuñes Padilla, Porf. Da UFRS e Procurador do RGS, no artigo "O novo Direito Público do Trabalho", Bol. LTr n.º09/94, pág. 57/58; 20 Francisco Meton Marques de Lima, Professor da UFPI e Juiz do Trabalho, no artigo "Porque o empregador público da administração direta e indireta não pode praticar a denúncia vazia dos contratos de trabalho", Bol. Ltr 142/90, pág.677/680; 4. FONTES DO DIREITO 4.1. Conceito

Para De Plácido e Silva. 4. . Num momento pré-jurídico.Fonte do Direito do Trabalho é a origem das normas jurídicas trabalhistas. separase em dois grandes blocos: As Fontes primárias e secundárias e as fontes materiais e formais. é o processo específico que leva a formação das normas que constituem o Direito. segundo a perspectiva de enfoque do fenômeno das fontes. Classificação Sua classificação. fontes seriam os mecanismos exteriores e estilizados pelos quais essas regras se revelam para o mundo exterior (fontes formais). Num momento jurídico. fonte “se diz do texto em que se funda o Direito ou dos elementos subsidiários que possam formular e esclarecer”. considerando a regra já constituída.2. fontes seriam os fatores que conduzem à emergência e construção da regra de Direito (fontes materiais).

caso não haja norma de direito interno pátrio regulando a matéria. É a centelha que dá origem aos nomes. por analogia.modelo grande indústria -. que emergem do próprio direito material. Art. jurisprudência e doutrina) A. como as Convenções não ratificadas e as Recomendações. Analogia não é fonte do direito.A) Fontes Primárias (lei) e Secundárias (costume. São aquelas que existem dentro do próprio sistema que se têm as normas. sociológicas. Art. constitui-se em importante ferramenta de efetivação do Direito Social e não se restringe à aplicação direta das Convenções ratificadas pelo país. devem servir como fonte de interpretação da lei nacional e como referência a reforçar decisões judiciais baseadas na legislação doméstica. DIREITO COMPARADO. Servem para auxiliar na interpretação das fontes formais. O Direito Comparado. II – FONTES DO DIREITO DO TRABALHO. filosofias. B) Fontes Materiais (fato social) e Fontes Formais (exteriorização) B. Enunciado 3. Podem ser econômicas. da forma de produção adotada . CONVENÇÕES E RECOMENDAÇÕES DA OIT.1) Fontes Materiais – não tem força vinculante. mas sempre de maneira que nenhum interesse de classe ou particular prevaleça sobre o interesse público. os fatores materiais. Mas nem tudo que esta aqui é fonte do direito. assim como os relatórios dos seus peritos. séc. Dividem-se em distintos blocos. O direito comparado está previsto neste artigo. É o que cria. conforme o caso. decidirão. ainda. é um método. em razão do Enunciado 3 da 1ª Jornada do Direito e Processo do Trabalho. um momento social como greve. por eqüidade e outros princípios e normas gerais de direito. Tais como ideologias. naquilo em que não for incompatível com os princípios fundamentais deste. CONVENÇÕES DA OIT NÃO RATIFICADAS PELO BRASIL. Parágrafo único . DIREITO COMPARADO. Perspectiva Econômica: fontes vinculadas à existência e evolução do sistema capitalista (Revolução Industrial. Do ponto de vista histórico. . e. em oposição à manufatura e ao artesanato.Hoje em dia esta mais importante. Assim. de acordo com os usos e costumes. o direito comparado.As autoridades administrativas e a Justiça do Trabalho. que potencializou. Se não existir dentro do nosso sistema se busca em fontes secundárias. na falta de disposições legais ou contratuais. Este artigo é criticado por trazer confusão entre conceitos. Este artigo é um leque de opções quando não se acha na fonte primária. As demais normas da OIT.2) Fontes Secundárias – Dentro do caso concreto se verifica dentro da norma trabalhista se há solução para ele. no processo de indução à elaboração ou modificação do fenômeno do Direito. emanadas da Organização Internacional do Trabalho. 8º . I – FONTES DO DIREITO DO TRABALHO. as Convenções da Organização Internacional do Trabalho não ratificadas pelo Brasil podem ser aplicadas como fontes do direito do trabalho. tendem a atuar conjugadamente. principalmente do direito do trabalho. segundo o tipo de fatores que se enfoca no estudo da construção e mudanças do fenômeno jurídico. apesar de distintos. 8º da CLT. na sociedade contemporânea. e suas consequências na estruturação e propagação do sistema capitalista. políticas e filosóficas.O direito comum será fonte subsidiária do direito do trabalho. a categoria central do ramo justrabalhista. FONTES DO DIREITO – NORMAS INTERNACIONAIS. XVIII. 8º da Consolidação das Leis do Trabalho. Fontes potenciais. pela jurisprudência.1) Fontes Primárias . segundo o art. a relação de emprego. é fonte subsidiária do Direito do Trabalho. O uso das normas internacionais. A.

culminando com o acirramento da dualidade político-filosófica democracia x autocracia. Assim. A teoria pluralista não considera válida a tese do exclusivismo estatal. decreto. de nítido caráter reivindicatório. fatores sociais importantes na formação do Direito do Trabalho. e cristalizamse no ordenamento jurídico. e os partidos e movimentos políticos operários.Exteriorização final das normas jurídicas. as vertentes autocráticas. caracterizado como o único dotado de coerção/sanção (a teoria monista carece de consistência teórica). A teoria monista. acordo e convenção coletivos. mas não só isso. pois eles têm uma função multifuncional. Como se apresentam no ordenamento jurídico. É como se exterioriza no mundo jurídico. principalmente os princípios constitucionais. sustentando a clara existência de distintos centros de positivação jurídica no âmbito da sociedade civil. reformistas ou de esquerda. sendo uma fonte mesmo formal. além de também serem considerados como norma. como o neoliberalismo. o reconhecimento do Estado como centro hegemônico de positivação jurídica não impede a percepção da nítida convivência. Dentro das fontes formais há a classificação das fontes formais heterônomas e fontes formais autônomas: Heteronomia e Autonomia . positivista e capitaneada por Kelsen. convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho). Assim. as vertentes filosóficas democráticas (socialistas) que ajudaram a derrubar a hegemonia do ideário liberal capitalista. Já nos últimos cem anos. Perspectiva Filosófica: relativas às idéias e correntes de pensamento que influíram na construção e mudança do Direito do Trabalho. É aplicada para todas as pessoas que se enquadram naquela hipótese prevista na norma. como os costumes. no plano das empresas e mercado econômico. São os mecanismos exteriores e estilizados pelos quais as normas ingressam. os princípios também podem ser fontes materiais à medida em que orientam a atividade legislativa. de outros núcleos de produção de fontes formais. Segundo Maurício Godinho. o Estado. que trouxeram à tona ideais autocráticos. como o movimento sindical. É a necessária abstração. preponderante até a segunda metade do século XIX. Tem força vinculante. Perspectiva Política: relativa aos movimentos sociais organizados pelos trabalhadores. sustenta que as fontes formais do Direito derivam de um único centro de positivação. no âmbito societário. atuando no âmbito da sociedade civil e do Estado. B. criação de verdadeiras cidades industriais-operárias e de grandes unidades empresariais. Em um primeiro instante. os instrumentos jurídicos de negociação coletiva (contrato coletivo.Perspectiva Sociológica: relativas aos distintos processos de agregação de trabalhadores assalariados e decorrente da crescente urbanização. que pode ser através de uma lei.2) Fontes Formais . Os princípios podem ser fontes materiais do direito do trabalho. que já tem essa força normativa atualmente no nosso ordenamento jurídico. pois o próprio princípio pode resolver um caso concreto. como norma ele é uma fonte formal pura. Tem a função também de inspirar a criação da norma e a função integradora de lacunas.

regras de direta origem estatal (Constituição. enquanto personificação dessa ordem.fundamento e eficácia .a todas as demais regras jurídicas. medidas provisórias. todas incorporaram preceitos justrabalhistas. O direito como ordem jurídica. Fontes Formais Autônomas – são regras cuja produção se caracteriza pela imediata participação de seus destinatários principais. O Brasil não adota uma teoria única/monista quanto à produção das normas. Como nas negociações coletivas. é que confere legitimidade às normas produzidas por via autônoma. segundo nosso examinador. A norma infraconstitucional será válida e eficaz desde que não agrida o comando ou princípio constitucional estabelecido. há que se lembrar que essa variedade de centros de normatização não é senão uma possibilidade transcrita na norma legal. como os costumes ou os instrumentos de negociação coletiva privada. Leis em sentido lato (Complementares. O cotejo das regras jurídicas com os princípios e regras constitucionais pode provocar três fenômenos: revogação.A percepção da diversidade de centros de positivação de regras jurídicas faz relevante a tipologia das fontes em torno de sua autonomia/heteronomia. confere validade . regras originárias de segmentos ou organizações da sociedade civil. decretos e outros diplomas estatais. É feita por terceiro. é sempre um direito estatal. de acordo com a teoria positivista do direito. ou seja. A partir dela. no mesmo ambiente jurídico. por compatibilizar-secom o novo quadro constitucional. Consubstanciam um autodisciplinamento das condições de trabalho pelos próprios interessados. geralmente. pois é criada também através de outros organismos. a mais relevante Carta de Direitos já escrita no país. . leis. Fontes Formais Heterônomas – são regras cuja produção não se caracteriza pela imediata participação de seus destinatários principais. tendendo a traduzir um processo crescente de democratização das relações de poder existentes na sociedade. onde os próprios autores negociam as regras que serão aplicadas a eles mesmos. A primeira Carta a vislumbrar direitos e princípios justrabalhistas foi a Constituição de 1934. Revogação: a antiga regra infraconstitucional é suprimida da ordem jurídica. São. O Brasil aceita que coexistam. Ordinárias. em ultima análise. a exemplo da sentença normativa). não é apenas o Estado.2. recepção. vários produtores de normas. culminando com a de Cosntituição de 1988. O que se pode identificar como não estatal não é o direito em si. que se identifica com o Estado. esterelizando-se por declaração de inconstitucionalidade. porque. Para Jorge Luiz Souto Maior não há que falar em uma ordem estatal e uma ordem não estatal. mas sua origem. logo suspensa pelo Estado de sítio de 1935. Delegadas. Recepção: a antiga regra infraconstitucional preserva-se na ordem jurídica. a qual. Invalidação: a regra produzida se choca com a ordem constitucional vigente. Medida Provisória) Normas abstratas e vinculantes que resolve os casos concretos. invalidação.1) Fontes Heterônomas do Direito do Trabalho Constituição Federal da República do Brasil Dotada de prevalência na ordem jurídica. tácita ou expressamente. B.

a que aderem voluntariamente seus membros (podem ser subscritas apenas por estados. é regra jurídica geral. obrigatória. e Convenções internacionais são espécies de tratados multilaterais.as convenções. toda a vez que a OIT editar uma convenção internacional. Tratados e Convenções internacionais podem ser fontes formais (fontes normativas heterônomas) (lei em sentido material). Não existe hierarquia entre leis complementares e ordinárias. pois não há delimitação de participantes. A autoridade competente no Brasil é o Congresso Nacional – art. da CF. em sentido material. é aberta.patamares civilizatórios mínimos. São três tipos de diplomas: . Lei. 49. medida provisória e decreto do Poder Executivo). Tem que submeter à aprovação ou não desses diplomas no campo interno. há a diferença da matéria inerente à elas e o quorum de votação. oriunda de autoridade competente e expressa em fórmula escrita (lei complementar/ordinária. . Convenções – são uma espécie de tratado internacional. emanada do Poder Legislativo. A OIT edita alguns diplomas normativos. submeter a autoridade competente nacional se vai ou não adotar aquela convenção. aprovados por entidade internacional. é toda regra de Direito geral. daí têm sido produzidas. sem participação de entes internacionais). é aberto porque pode ser adotado. podendo aplicar a convenção não só os países que a criaram.recomendações. sem delimitação do número de participantes. Tem o papel de universalizar o direito do trabalho. com grande intensidade. é bilateral. firmados entre dois ou mais Estados ou entes internacionais. mas também qualquer outro pode aderir posteriormente.Lei. normativos programáticos. I. Ingressam. mas um pouco diferente. a ONU e a OIT têm atribuído o nome de convenção aos tratados multilaterais adotados por suas assembléias e conferências. mesmo . porque o tratado. em sentido formal. normalmente.O STF tem preservado orientação jurisprudencial de que as matérias trabalhistas enquadram-se nos requisitos de relevância e urgência. assinado. Medida Provisória . abstrata. não tem um número certo de participantes.declarações. normativos e programáticos. impessoal. Pode ser assinado posteriormente por outros países. Tratados internacionais são documentos obrigacionais. A convenção é multilateral. Tratados e Convenções Internacionais Organização Internacional do Trabalho (OIT) . Constituem-se em documentos obrigacionais. Contudo. abstrata. impessoal. .órgão da ONU que delibera sobre matéria trabalhista – comissões tripartides – Assembléias . transformações por intermédio de simples medidas provisórias. ratificado pelos países que estão no momento deliberando. ou por outros países no futuro que nem eram da OIT à época da convenção. O Brasil é país membro da OIT e tem por obrigação de. sancionada e promulgada pela Chefia do Poder Executivo (é a lei em sentido material aprovada segundo o rito institucional específico fixado na Carta Magna). A aplicação não é automática. é indeterminável. obrigatória. após a devida ratificação/adesão com status de norma infraconstitucional (entendimento já pacificado pelo STF). subscrito.

Estatuto OIT. Uma convenção com vigência interna é considerada uma das fontes primárias do ordenamento. esses direitos humanos ratificados entram no nosso ordenamento na categoria de direitos fundamentais. pode ser utilizada como fonte subsidiária. em que posição deve ser integralizada? Com força de Constituição ou abaixo da CF como lei infraconstitucional? Pra o status da convenção internacional ratificada no ordenamento jurídico brasileiro há 2 teorias – Teoria Dualista e a Teoria Monista. Esse procedimento se chama RATIFICAÇÃO. O argumento para esse entendimento é a própria CF. I CRFB. §2º: § 2º . Essa vigência só ocorre após a publicação do Decreto do executivo. porque se for conteúdo de direitos humanos. 8º da CLT. onde deliberam no sentido de adotar ou não a convenção. 5. ao lado da CF como emenda constitucional. A convenção é submetida ao Congresso. 8º traz o direito comparado como fonte subsidiária. estará aumentando o rol de direitos fundamentais. uma vez ratificado uma convenção que trata sobre direitos humanos. além de ajudar na interpretação do próprio ordenamento jurídico. que é enviado ao Poder Executivo que promulgará um Decreto do executivo publicando a convenção para que tenha um início de vigência interna. sendo norma infraconstitucional. Já a convenção não ratificada. 49. Quando se quer adotar a convenção deve-se submetê-la à autoridade competente que é o Congresso Nacional. São essas regras jurídicas internacionais. Para boa parte da doutrina os direitos humanos são os direitos fundamentais positivados no ordenamento interno. Uma convenção entra em vigência internacional normalmente quando três países membros a adotam e passa ater vigência interna. O art. A ratificação de uma convenção produz um avanço social nos pontos em que estávamos atrasados no ordenamento interno. 19. por serem assim considerados direitos fundamentais. art. Expressa que a convenção ratificada não pode piorar com o que o país já tinha. uma vez ratificado pelo pais membro. 5º da CF: .O STF e o TST tem a posição majoritária de que entra na categoria de lei ordinária federal. Assim. na língua portuguesa. secundária. ou seja. que podem ser adotadas pelos países ou não. Ela entende que deve-se analisar o conteúdo desse tratado ou convenção ratificado.que não tenha participado anteriormente. cada item da convenção que for melhor que o previsto no ordenamento interno poderá ser aplicado.Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados. A aprovação se dá por um Decreto Legislativo no vernáculo oficial. independente do conteúdo dessa norma. Tendo força de EC. 2ª) Teoria Dualista – adotada pela doutrina (Flávia Piovesan). Pergunta: Ratificada a convenção internacional. ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. Outro forte argumento é o § 3º do art. Todos os direitos superiores já existentes não podem ser diminuídos por uma convenção. art.norma mais favorável interna. em que local. Não se aplica imediatamente no país membro. dessa convenção. assim como ocorre da CF. As convenções não ratificadas servem para interpretação das normas internas e servem como fontes subsidiárias por força do art. após a sua ratificação. art. Há diferença entre vigência interna e internacional. mas com vigência internacional. pois faz parte do direito comparado. 1ª) Teoria Monista . aqui no Brasil. item 8 . Para essa doutrina. Ou seja.

Conseqüências das correntes Para quem adota a corrente da Piovesan o tratado não poderá ser revogado. antes todos os tratados que cuidavam de direitos humanos ratificados eram materialmente constitucionais. Para outros.. da Constituição Federal. O próprio dado histórico do direito do trabalho obriga-nos este reconhecimento" (extraído de sua tese A Inserção no Direito Interno de Normas Internacionais Trabalhistas Ligadas aos Direitos Humanos. Agora são também formalmente constitucionais. Princípio da vedação ao retrocesso social Toda vez que se ratifica uma convenção que cuida de direitos humanos não pode mais retroceder. 4o.com. para serem obrigatórias no território nacional.. têm natureza de direitos humanos. Seria uma . dentre outros princípios. independentemente de lei ordinária. não se podia dar a convenção caráter de emenda constitucional. que prevê que nas relações internacionais. II. e 5º. digam respeito a direitos humanos têm status supraconstitucionais e se incorporam de imediato ao ordenamento interno.br). ratificados pelo Brasil. não se pode negar ao direito do trabalho o status de regulação jurídica pertencente aos direitos humanos. caberia modificação.06. que estabelece que os tratados internacionais constituem regras complementares às garantias individuais e coletivas estabelecidas na Constituição e do art. § 2º. Recomendações – consiste em diploma programático expedido por ente internacional enunciando aperfeiçoamento normativo considerado relevante para ser incorporado pelos Estados.conamat. Para quem adota a corrente do STF argumentava que antes desse §3º. Sem adentrar esta discussão. Todas as outras leis terão que passar pelo crivo de constitucionalidade do tratado. na qualidade de lei ordinária. dependem de ratificação e uma vez cumpridos os trâmites legais. insofismavelmente. ou seja." "E. por previsão do § 2o. a exemplo daqueles garantidos pela Declaração da OIT sobre os Princípios de Direitos Fundamentais no Trabalho (Genebra. em cada Casa do Congresso Nacional. Pela teoria clássica. a sua inserção no ordenamento interno se dá. pela prevalência dos direitos humanos (inciso II). que foi incluindo pela CE 45. tinham força de emenda. Com a retificação se está avançando nos direitos. em nível constitucional. disponível no site www. esta integração se dá no nível constitucional.. b) Os direitos trabalhistas ligados diretamente à dignidade da pessoa humana. 18. por força dos artigos 4º.1998). a República Federativa do Brasil rege-se. diz-se. inciso II. por três quintos dos votos dos respectivos membros. Importante registrar o posicionamento de Souto Maior a propósito da inserção dos Tratados Internacionais que veiculam direitos humanos em nosso ordenamento: Diz ele que: a) As normas internacionais de tratados que. Se entender que é uma simples lei ordinária federal. em dois turnos. da mesma Carta. Para quem adota a corrente da Piovesan. o texto integra-se ao ordenamento como norma infraconstitucional. por ser considerado direitos fundamentais.§ 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados. no entanto. o fato é que em se tratando de normas pertinentes aos direitos humanos. revogação. serão equivalentes às emendas constitucionais. não tem força vinculante. do art. "As normas internacionais. 5o. da CF/88.

Atribuição do Presidente da República.FONTES DO DIREITO DO TRABALHO. não tem aplicação imediata. II . Regulamento Normativo (Decreto) Caracteriza-se como um desenvolvimento e especificação do pensamento contido na lei. Declarações – também é diploma programático. Recomendação e Declaração não constituem fontes formais do Direito. Não pode ultrapassar da simples regulamentação de uma lei. é só uma orientação da OIT. Uma recomendação normalmente precede uma convenção. também não tem força vinculante. serve de inspiração para outras regras jurídicas. objetivando operacionalizar a observância concreta do comando legal originário. . art. não podem ser ratificadas. não podendo exorbitar o que a lei dispõe. Serve como fonte material. IV da CF. Por tempos se discutiu se esse proporcional é ilícito. emanadas da Organização Internacional do Trabalho. é fonte subsidiária do Direito do Trabalho. O uso das normas internacionais. assim como os relatórios dos seus peritos. embora expedido por Estados soberanos em face de determinado evento ou congresso. Elas apenas recomendam. como as Convenções não ratificadas e as Recomendações. Elucidam alguma dúvida. apenas recomendam que o país adote uma política em certo sentido.NORMAS INTERNACIONAIS. têm caráter de fonte jurídica material. tem a função específica de regulamentar outra norma jurídica. Obs: Enunciado 3 da 1a Jornada Enunciado 3 . CONVENÇÕES DA OIT NÃO RATIFICADAS PELO BRASIL.FONTES DO DIREITO . São espécies de esclarecimentos sobre a matéria. não é uma futura convenção. O Direito Comparado. 8º da Consolidação das Leis do Trabalho. Assim. CONVENÇÕES E RECOMENDAÇÕES DA OIT. I . não gerando direitos e obrigações aos indivíduos na ordem jurídica interna dos Estados celebrantes. devem servir como fonte de interpretação da lei nacional e como referência a reforçar decisões judiciais baseadas na legislação doméstica. O adicional de periculosidade dos eletricitários. DIREITO COMPARADO. pois geralmente antes de uma convenção há uma recomendação. de regulamentar as leis. Toda vez que um decreto exorbitar dessa função será ele ilegal.FONTES DO DIREITO DO TRABALHO. as Convenções da Organização Internacional do Trabalho não ratificadas pelo Brasil podem ser aplicadas como fontes do direito do trabalho. DIREITO COMPARADO. ou seja. Porém. constitui-se em importante ferramenta de efetivação do Direito Social e não se restringe à aplicação direta das Convenções ratificadas pelo país. caso não haja norma de direito interno pátrio regulando a matéria. não são fontes formais.espécie de pré-estágio antes de uma convenção. auxiliar na interpretação da nossa norma interna. O decreto que regulamentou a lei pra esse adicional inventou uma aplicação proporcional ao tempo de disposição. segundo o art. o STF entendeu ser ilícito. As demais normas da OIT. O Enunciado nº 3 da 1ª jornada diz que se pode utilizar as recomendações já de imediato para. 84. no mínimo.

geral nenhuma.Art. impliquem o contato permanente com inflamáveis ou explosivos em condições de risco acentuado. Há. Primeiro passo se dá com uma negociação coletiva. como ocorre nos dissídios coletivos e respectivas sentenças normativas. I: "Art. no âmbito das relações laborais. Em tais casos. Circulares A rigor não tem força vinculativa internamente. Ficam revogados. material. bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução. 84. só regulamentam do Direito do Trabalho. segundo se classifiquem nos graus máximo. mas o conteúdo é uma lei. 192.. assumindo aquelas qualidades e criando direitos e obrigações na vida trabalhista. Se não . Se não conseguir negociar passa a buscar o recurso da arbitragem. CLT . 20% (vinte por cento) e 10% (dez por cento) do salário mínimo da região. É formalmente uma sentença. 192 e 193: CLT .Art. por sua natureza ou métodos de trabalho. A sentença normativa é uma sentença que não se identifica com seu próprio corpo. abstrata. o tipo jurídico inserido na respectiva portaria ganhará o estatuto de regra geral. O exercício de trabalho em condições insalubres. Portarias. Compete privativamente ao Presidente da República: IV . quais sejam generalidade. promulgar e fazer publicar as leis.)" Sentença Normativa É fonte heterônoma singular do Direito do Trabalho. qualificando-se. cuja competência originária é do TRT (se estiver no âmbito de apenas uma região) cabendo recurso ao TST. especialmente no que tange a: I .ação normativa. Não constituem fontes formais apenas aos funcionários a que se dirigem e Faltam-lhes qualidades da lei em sentido abstração e impessoalidade. acima dos limites de tolerância estabelecidos pelo Ministério do Trabalho. 193. Instruções. impessoal. todos os dispositivos legais que atribuam ou deleguem a órgão do Poder Executivo competência assinalada pela Constituição ao Congresso Nacional. 25.sancionar. na forma da regulamentação aprovada pelo Ministério do Trabalho. art.(. decorrente da atribuição constitucional deferida ao Poder Judiciário de fixar. pois obrigam nos limites da obediência hierárquica. Qualquer norma jurídica que implemente políticas ou medidas de redução dos riscos inerentes ao trabalho será válida em face da Constituição. aquelas que. regras jurídicas.. São consideradas atividades ou operações perigosas. com qualidade de lei em sentido material. possibilidade técnica de serem alçados ao estatuto de fonte normativa. Avisos. quando expressamente referidos pela lei ou regulamento normativo (decreto) a que se reportam. A sentença normativa é decisão dos tribunais em dissídios coletivos (interesse coletivo aprensentado pelo sindicato ou por órgãos de classe. médio e mínimo.Art. na verdade. Em sentido contrário: ADCT. regendo ad futurum situações fático-jurídicas. 25. passando a integrar o conteúdo desses diplomas. sujeito este prazo a prorrogação por lei. Exemplos: CLT. a partir de cento e oitenta dias da promulgação da Constituição. assegura a percepção de adicional respectivamente de 40% (quarenta por cento). como um efetivo dever do próprio Estado. onde vai resolver o conflito coletivo. arts. contudo.

seus efeitos dar-se-ão apenas entre a(s) empresa(s) e os trabalhadores envolvidos. que estipulem condições de trabalho. B. obrigatórias e abstratas (aspecto material). pois. bem como o prazo de sua vigência. impessoais. como resultado de um único e específico processo posto a exame do tribunal trabalhista para aquele preciso e especificado fim. envolvendo o âmbito da categoria. dirigidos a normatizar situações ad futurum (são lei em sentido material. Já no acordo coletivo não é necessária a presença do sindicato no pólo empresarial de contratação: constrói-se por empresa ou empresas.2. no âmbito das respectivas representações. pelo qual dois ou mais Sindicatos representativos de categorias econômicas e profissionais estipulam condições de trabalho aplicáveis. 611. os contratos. criam regras jurídicas.Art. mas do ponto de vista formal são acordo de vontades/contratos). aplicáveis no âmbito da empresa ou das empresas acordantes às respectivas relações de trabalho. Natureza jurídica – não se enquadra em nenhuma figura ante da normatividade. É lei em sentido material. Expressa.Parágrafo único. onde. O de natureza jurídica não gera sentença normativa. O dissídio coletivo pode ter natureza econômica ou jurídica. A de natureza econômica possibilita ao Judiciário criar normas para determinada categoria. abstratos. A convenção coletiva resulta de negociações entabuladas por entidades sindicais. Tem vigência. o qual não poderá ser superior a quatro anos. Calamadrei produziu a hoje clássica referência à sentença normativa como “corpo de sentença. embora se preserve como ato judicial do ponto de vista de sua forma de produção e exteriorização. Convenção Coletiva de Trabalho é o acordo de caráter normativo. Há duas visões: . CLT – Art. em comum acordo. constituindo-se em ato judicial criador de regras gerais. É comando abstrato. obrigatórias. alma de lei”. impessoais. às relações individuais do trabalho. preceitos gerais. CLT . 868 . embora de origem privada (normas autônomas). como verificado nas sentenças clássicas. Não traduz a aplicação da norma jurídica existente sobre a relação fáticajurídica configurada. que resulta de um acordo de vontades. O Tribunal fixará a data em que a decisão deve entrar em execução. não integrando. no âmbito do dissídio. no exercício de função típica e tradicional do Poder Legislativo (e não do Poder Judiciário). A lei brasileira determina que o tribunal prolator da sentença normativa fixe o prazo de sua vigência. impessoais. abstratas. TST – Súmula 277 – As condições de trabalho alcançadas por força de sentença normativa vigoram no prazo assinado. de forma definitiva. haverá uma lei preexistente que terá sua aplicação declarada pelo Tribunal.2) Fontes Autônomas do Direito do Trabalho Convenção Coletiva de Trabalho e Acordo Coletivo de Trabalho As convenções coletivas. gera uma decisão final que é a sentença normativa. o qual não poderá ser superior a quatro anos. Em decorrência da dualidade apresentada. ao contrário a criação de normas jurídicas gerais. §1º É facultado aos Sindicatos representativos de categorias profissionais celebrar Acordos Coletivos com uma ou mais empresas da correspondente categoria econômica.quiser utilizar a arbitragem pode usar o dissídio coletivo de natureza econômica.

As condições de trabalho alcançadas por força de sentença normativa vigoram no prazo assinado. impessoais e dirigidas à regulação ad futurum de relações trabalhistas. Vigência. Repercussão nos contratos de trabalho.tem natureza de contrato – pois são duas partes que celebram um negócio jurídico.Aderência limitada pelo prazo: os dispositivos dos diplomas negociados vigoram no prazo assinado para vigência de tais diplomas. uma vez criado o texto. o que é decisivo para a interpretação é a vontade da lei.Súmula 277 .tem natureza de fonte do direito. Do ponto de vista substantivo são desveladores de normas jurídicas típicas. Sobre a aderência contratual das regras previstas nas Convenções Coletivas de Trabalho e nos Acordos Coletivos de Trabalho.Sentença normativa. não integrando. . . . como norma. Do ponto de vista formal são acordos de vontades (contrato lato sensu). os contratos. não aderindo indefinidamente a eles (corrente mais prestigiada jurisprudencialmente): TST . . é verdade). qualificadas por serem gerais (em seu âmbito mais delimitado. de norma – como lei.Aderência irrestrita (corrente minoritária): ingresso para sempre nos contratos individuais. não podendo mais deles ser suprimidas. aderência limitada pelo prazo. O professor acha perigosa a corrente porque deve ser interpretado um contrato mais pela intenção das partes do que pelo que está escrito. de forma definitiva. aderência limitada por revogação. abstratas.. três correntes tratam do assunto: aderência irrestrita.

ou no dia 30 de cada mês. a cláusula contratual. Ocorre quando um núcleo social adota e observa. como no acordo ou convenção coletiva. atos-regra. efeitos exclusivamente no delimitado âmbito dessas mesmas partes. uma forma que não foi pactuada expressamente. firmando um modelo ou critério de conduta geral/impessoal. aplicável ad futurum a todos os trabalhadores integrados no mesmo tipo de contexto. não será fonte formal de direito. Não se encontra na forma escrita (diferença para lei). certo modo de agir de conteúdo jurídico. em conseqüência. ninguém estabeleceu nada. categoria. não tem a abstração necessária para ser uma fonte. mas que naturalmente se utiliza na execução do contrato. Isso a rigor não seria uma fonte do direito. o uso não emerge com ato-regra. para a corrente majoritária. o uso seria na verdade uma forma de executar o contrato. Costume é prática habitual adotada no contexto mais amplo de certa empresa.Aderência limitada por revogação (tecnicamente mais correta. a lei fala que o salário deve ser pago até o quinto dia do mês útil subseqüente. porque tudo ligado ao contrato. e sim tem um aspecto concreto entre as partes do contrato. região etc. É uma prática reiterada e espontânea. mas meio de interpretação da vontade das partes. Assim. celebrado no exercício da autonomia privada coletiva. A doutrina aconselha ter cuidado com o termo uso porque para ela. Por exemplo. não sendo. Reveste-se. O uso é uma prática adotada dentro de uma relação jurídica específica e que somente produz efeitos entre essas partes. portanto. mas espontaneamente se acha ser a conduta certa. ocorre normalmente gerando direitos aos empregados.. porque se acredita ser a conduta certa na sociedade. Contrato Coletivo de Trabalho Pacto contratual coletivo. com aptidão formal para produzir normas jurídicas (tentativa de gerir um instrumento de negociação coletiva que fosse capaz de ultrapassar os limites da estrutura corporativista tradicional do Direito Coletivo no Brasil). envolvendo as específicas partes componentes dessa relação e produzindo. Usos e Costumes Uso é prática habitual adotada no contexto de uma relação jurídica específica. CLT trata em conjunto. constante e espontaneamente. são normas jurídicas autônomas. Por isso é criticado pela doutrina o uso como fonte. portanto de uma obrigatoriedade espontânea. tendo o caráter de cláusula contratual tácita. mas ocorre que muitas vezes o empregador paga antes. norma jurídica. No DT. Liberalidade com habitualidade gera cláusula contratual tácita. . Se funcionar apenas como meio de interpretação de negócios jurídicos. Não está escrito em lugar algum. mas não é a mais aceita pela jurisprudência): os dispositivos vigorariam até que novo diploma negocial os revogasse (seria uma integração contratual limitada por revogação). Funciona como cláusula tacitamente ajustada. Os integrantes do núcleo agem com o sentimento de que tal norma deve ser cumprida. tendo em vista que as entidades sindicais obreiras organizam-se por segmento profissional e a idéia relevante do contrato coletivo é fixar normas mais abrangentes do que as dirigidas ao universo delimitado de uma única categoria. vocacionadas a suprirem lacunas percebidas nas fontes jurídicas principais do sistema (são fontes jurídicas supletivas). A estrutura sindical brasileira não é adequada. como todo dia 5 do mês.. e isso acaba incorporando no contrato porque tacitamente foi celebrado uma cláusula mais benéfica. mas são figuram diferentes. Os costumes.

no contexto da negociação trabalhista. CF – Art. É facultativa. Exemplo: gorjeta não tem previsão legal de que tem que receber.Nossa legislação e doutrina reconhecem o costume como fonte do direito. A doutrina classifica os costumes em três tipos: 1 . Art. a arbitragem é permitida e incentivada. Quando se está no campo das relações individuais de trabalho. Em DT se for mais favorável pode ser aplicado em detrimento da lei. que é a decisão do árbitro. para incidência no âmbito das respectivas bases sindicais (decisão proferida por um árbitro escolhido pelas partes. é fonte estritamente heterônoma. resolvendo o conflito coletivo de trabalho.Contra legem – que contraria a lei. Se a lei não supre deve-se buscar os costumes para suprirem a lacuna da lei. O laudo arbitral.Secundum legem – segundo a lei. . ter faceta autônoma. mas deve-se reconhecer a força dele que atua no sentido de forçar o desuso da lei. 114 § 1º Frustrada a negociação coletiva. porque produzido por terceiro. Quando frustrada a negociação coletiva pode-se utilizar a arbitragem e o laudo arbitral. B.3) Figuras controvertidas Laudo Arbitral Decisão de caráter normativo tomada por alguém escolhido por entidades coletivas. Exemplo se encontra na lei do rural onde prevê que o intervalo seja feito de acordo com o uso e costume da região. Integra o conteúdo da norma escrita. 2 .Praeter legem – supre lacuna da lei. 114. o conteúdo da lei.2. não pode. porque a arbitragem só é possível para direitos patrimoniais disponíveis. § 1º da CF. a representação direta dos destinatários das normas. Art. A decisão do árbitro pode ser considerada como fonte formal heterônoma (semelhante à sentença normativa). em princípio. É um costume. Poderá. na comissão arbitral. No âmbito coletivo. 8º da CLT. em regra. contudo. num conflito coletivo de trabalho). terá natureza de corpo de laudo com alma de lei. se decidido pela livre faculdade dos agentes destinatários das normas pretendidas e se absorver. 3 . Não se admite em princípio. árbitro ou comissão arbitral. A lei se refere expressamente ao costume. sem a participação direta dos destinatários das normas contidas no laudo. salvo de a lei for imperativa proibitiva. as partes poderão eleger árbitros. sendo parecido com sentença normativa.

No âmbito justrabalhista. tendo.Regulamento Empresarial Tem aparente qualidade de regra jurídica. mas tem uma mitigação no papel tradicional da jurisprudência no Brasil. É anexo ao contrato de trabalho. Onde todos passam a ter que adotar aquele verbete. impessoais. dispõe ser a jurisprudência fonte normativa (supletiva): CLT – Art. A CLT. pois resulta de seu ato unilateral de vontade. por analogia. Não é a jurisprudência que vira uma norma. daí ser negado seu caráter de fonte normativa autônoma. Não são fontes formais como são as leis. a partir de casos concretos colocados a seu exame jurisdicional (consubstancia a autoridade das coisas decididas similarmente em juízo). baixa esse regulamento. 8º. Quando não é baixando unilateralmente. na falta de disposições legais ou contratuais. onde a discussão muda um pouco. Modernamente: regulamento negociado pelos representantes dos empregados. um entendimento jurisprudencial. É baixando unilateralmente pelo empregador. como em alguns países. Este. inquestionável força jurídica e jurígena. a matéria ainda não está pacificada. Caso em que o empregador e empregado negociam o regulamento. podendo ser através de portaria. O regulamento e o contrato são concretos na aplicação entre as partes. valendo como ato de vontade unilateral. Jurisprudência Origem da jurisprudência: direito anglo-saxônico. É a reiterada interpretação conferida pelos tribunais às normas jurídicas. Com a criação das súmulas vinculantes do STF. forma vinculante. Possuem certo aspecto que aproximam as súmulas vinculantes das fontes formais. 8º As autoridades administrativas e a Justiça do Trabalho. mas baixando unilateralmente. Não tem a abstração generalizada. Não se enquadra como fonte formal de direito eis que resta limitado ao âmbito de vontade do empregador. qualquer juiz pode contrariar uma súmula. circular etc. mas a jurisprudência trabalhista tem lhe negado tal qualidade e respectivos efeitos. em face de sua origem unilateral. Não é igual a lei. dentro do seu poder diretivo. art. o exame das súmulas de jurisprudência uniforme do TST demonstra sua qualidade de comando geral. abstrato e impessoal. e sim mostra qual é a interpretação reiterada da norma. pois seus dispositivos são gerais. mais especificamente no poder regulamentar. decidirão. Sérgio Pinto Martins entende diferente achando que são fontes do direito. Seus dispositivos valerão como cláusulas do contrato de trabalho. ou seja. mas tem generalidade. abstratos. abstração e vinculação. conforme o caso. por eqüidade e outros . pois. que é essa obrigatoriedade na utilização. Não tem força vinculante tradicional. No direito comparado. Tudo que está no regulamento vira contrato. Pela posição majoritária integra-se aos contratos de trabalho como cláusulas. No Brasil a jurisprudência tem o sentido de decisões reiteradas dos tribunais sobre a interpretação das normas. É a cristalização de entendimentos dos tribunais superiores. mas é minoritário. em algumas doutrinas o regulamento pode ser considerado fonte quando edita regras gerais e abstratas. A interpretação passa a ser vinculante. pela jurisprudência.

de acordo com os usos e costumes. Informam a interpretação das normas jurídicas existentes. não as havendo. 126. mediatiza.Art. o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia. também é fonte normativa subsidiária. Sérgio Pinto Martins).Art. o direito comparado.princípios e normas gerais de direito. Podendo ser utilizados nos casos concretos usando a metodologia correta. Não tem força vinculante. institutos e diplomas normativos. . recorrerá à analogia. que deverá ser invocada em razão de lacuna em fonte normativa principal. Visão clássica/tradicional – Informam a criação (agindo assim como fontes materiais). adequa o comando abstrato. pela eqüidade. Princípios Jurídicos Podem ocupar o papel de fonte supletiva (princípios normativos subsidiários). O juiz não se exime de sentenciar ou despachar alegando lacuna ou obscuridade da lei. tornando-o concreto. Os trabalhos doutrinários servem como fontes materiais eis que atuam como subsídios aos intérpretes e ao legislador na compreensão do sistema jurídico. Doutrina Conjunto de apreensões e leituras sistematizadas da ordem jurídica pelos juristas e estudiosos do Direito em geral. LICC . Atuam na integração das normas quando existe lacuna da lei – utiliza-se a mesma orientação que informou a criação das diversas normas sobre o assunto para ser suprida a ausência de norma – é mera forma de integração das normas (maj – Délio. mas o intérprete. mas sempre de maneira que nenhum interesse de classe ou particular prevaleça sobre o interesse público. os costumes e os princípios gerais de direito.Quando a lei for omissa. Pode inspirar criação de normas e interpretar normas. tendo em vista as circunstâncias específicas do caso concreto posto a exame judicial. 4º . art. Pela CLT. principalmente do direito do trabalho. aos costumes e aos princípios gerais de direito. As construções doutrinárias não são fonte normativa por padecerem de abstração e obrigatoriedade. Equidade Significa a suavização do rigor da norma abstrata. Godinho chama de fonte supletiva subsidiária Visão moderna – Princípios constitucionais como norma jurídica. inspiram a criação de normas. CPC . No julgamento da lide caber-lhe-á aplicar as normas legais. 8º. auxiliando o processo de aplicação concreta do Direito. com força normativa – Dworkin e Alexy. A lei regula situação-tipo. construindo regra fundada nos elementos mais globalizantes dessa situação. ainda. e. em situações de lacunas nas fontes jurídicas principais do sistema (ler estudo sobre princípios no início deste ponto). que informam a compreensão do sistema jurídico e de seus ramos.

Hierarquia segundo maior ou menor extensão de eficácia e sua maior ou menor intensidade criadora do Direito (há uma verticalidade fundamentada entre os diplomas normativos. Não constituem fontes de direito. A hierarquia própria às fontes normativas componentes do Direito Comum é rígida e inflexível: nada agride a Constituição e. fontes de regras jurídicas. Dessa forma. Não é uma fonte. concretos. gerais. Cláusulas Contratuais Não é o contrato um diploma instituidor de atos-regra. ou seja. como norma fundamental do direito positivo. Em DT . 126 do CPC. 4. nada agride a lei. específicas e pessoais. envolvendo somente as partes contratantes. impessoais. Não são. Fundamento na validação de uma norma em cotejo com outra de eficácia mais ampla. pessoais. tem posição hierárquica máxima. desde que seja válida. É o método pelo qual. no ramo laboral. abstratos. Constituição da República. onde se tem uma norma buscando fundamento de validade em outra. Sérgio Pinto Martins enquadra como fonte. Forma de integração das normas jurídicas.3) Hierarquia entre as Fontes Justrabalhistas 4. em uma lacuna. abaixo dessa. . Somente é a operação lógico-comparativa pela qual o operador jurídico. as cláusulas contratuais são concretas.1) Hierarquia Normativa: teoria geral (Direito Comum) Já foi estudado no contexto do princípio da condição mais benéfica. pois obviamente figura no topo da pirâmide aquela mais favorável ao empregado. Na hierarquia tem a pirâmide de Kelsen. A analogia é um método de integração de lacunas de direito. busca outra norma semelhante para resolver a lacuna. diante de lacuna nas fontes normativas principais. pela qual se pesquisam outras fontes normativas para aplicação ao caso concreto. O DT surgiu como uma base de comandos mínimos de observância obrigatória pelas partes no intuito de amparar o trabalhador frente ao poder econômico do empregador. mas sim fontes de obrigações e direitos específicos. a norma inferior não pode contrariar a superior. pois.Princípio protetivo na sua regra da norma mais favorável. não tem caráter de fonte. É. assim.3. No conflito de normas se resolve com a norma mais favorável. mediante a qual um diploma encontra respaldo e fundamento naquele que lhe é superior). não se pode falar em hierarquização rígida das diversas fontes de direito. mesmo supletiva. Ao contrário.Analogia Apesar da citação no art. busca preceito adequado que seja existente em outros segmentos do universo jurídico. já que todas as outras fontes não podem contrariá-la. O fundamento do DT traz em si a idéia de possibilitar que os interessados livremente possam efetuar a estipulação de regras mais favoráveis (que criam melhores condições de trabalho e de vida) ao empregado. instrumento de concretização da integração jurídica.

o princípio da norma mais favorável não se compatibiliza com a inflexibilidade piramidal típica do Direito Comum. variável e mutável. O vértice da pirâmide normativa. mas em hierarquia de normas jurídicas (heterônomas e autônomas). Limitações: O princípio de prevalência da norma mais favorável ao trabalhador encontra limites nas normas proibitivas estatais.4. que prevalecerá sobre as demais. mas si a norma mais favorável ao trabalhador. o critério normativo hierárquico vigorante no Direito do Trabalho constrói-se de modo plástico e variável. em princípio. dado revestirem-se do imperium específico ao Estado. que sempre preservarão sua preponderância. a CF ou a lei federal.3. necessariamente. . Assim. falar em hierarquia de diplomas normativos (lei em sentido material).2) Hierarquia Normativa: especificidade justrabalhista No ramo justrabalhista não se deve. não será. elegendo no vértice da pirâmide a norma que mais se aproxime do caráter teleológico do ramo justrabalhista (princípio da norma mais favorável) (hierarquia dinâmica e variável). Ainda.

. são normas de garantias mínimas. Teoria da Acumulação Propõe como procedimento de seleção. 651. é a possibilidade de não se aplicar a norma superior quando uma inferior estabeleça maiores garantias ao trabalhador. (organiza o instrumental normativo em função da matéria tratada (ratione materiae)) (é um critério sistemático. isso só é possível porque as regras trabalhistas em geral.Art.Lei n.Lei 7. Conflitos e suas Soluções Aplicação da Teoria Especial Trabalhista . conduzindo a resultados jurídicos casuísticos e incomunicáveis). No caso de ser a norma superior de caráter máximo não pode a inferior ser aplicada (citese como exemplo a norma constitucional que proíbe o trabalho noturno.Acumulação X Conglobamento As teorias da acumulação e do conglobamento buscam informar critérios de determinação da norma mais favorável. Art. Compara-se. costumes. o fracionamento do conteúdo dos textos normativos. art. que dispõe sobre a situação de trabalhadores brasileiros contratados ou transferidos para prestarem serviços no exterior. ainda que se apóie no princípio da norma mais favorável). no seu ponto de vista. análise e classificação das normas cotejadas. quando mais favorável do que a legislação territorial. insalubre e perigoso aos adolescentes .Souto Maior entende que há hierarquia no direito do trabalho nos mesmos moldes do direito civil: Constituição. no conjunto de normas e em relação a cada matéria. com base no princípio da norma mais favorável. Conflito de competência .a competência das Juntas de Conciliação e Julgamento.064/82. etc. Teoria do Conglobamento Cada conjunto normativo é apreendido globalmente. sentença normativa. à determinação do conjunto normativo mais favorável. §2º .  O parâmetro de comparação não é o indivíduo. III). cada conjunto com os demais. estabelecida neste artigo.uma lei infraconstitucional não poderá permitir a execução deste trabalho. pelo cotejo analítico.064. lei em sentido amplo. O que há de diverso no direito do trabalho. regulamento de empresa. retirando-se os preceitos e institutos singulares de cada um que se destaquem por seu sentido mais favorável ao trabalhador (acumulam-se os preceitos favoráveis ao obreiro. estende-se aos dissídios . assim. também globalmente considerados. cindindo-se diplomas normativos postos em equiparação) (teoria cientificamente criticável. mas a coletividade interessada ou o trabalhador inserido em um quadro de natureza global. encaminhando-se.II – a aplicação da legislação brasileira de proteção ao trabalho. 3º . convenção coletiva.º 7. naquilo em que não for incompatível com o disposto nesta lei. No entanto. Ex. socorrem-se da teoria do conglobamento no contraponto entre a lei territorial externa e a lei brasileira originária. 3º. acordo coletivo. considerado o mesmo universo temático. em que a percepção da norma mais favorável é feita considerando-se seu sentido no universo do sistema a que se integra)(a teoria do conglobamento foi absorvida pela legislação . então. pois enseja um sancionamento do sistema normativo.

ou seja. conglobamento e acumulação por instituto.Súmula 207 do TST: A relação jurídica trabalhista é regida pelas leis vigentes no país da prestação de serviços e não por aquelas do local da contratação. Tem se dado preferência à solução negociada. analisase todo o ordenamento. sendo aplicável. Isso. Pode ocorrer que as partes não gostem da sentença normativa. um parágrafo de um artigo de uma lei com o caput de outra. no geral. quando houver tratamento harmônico da matéria. deve-se respeitar o critério da especialização: ou seja. . Além disso. analisam-se as regras instituto por instituto (ex: férias). (vide Constituição Federal de1988). ainda na vigência da sentença normativa. porque é uma sentença com alma de lei. isto é. segundo o examinador. para se verificar qual. as leis especiais devem prevalecer sobre as gerais (atleta profissional.ocorridos em agência e filial estrangeiro. No último e mais racional. desde que o empregado seja brasileiro e não haja convenção internacional dispondo em contrário. pra convenção coletiva. a não ser excepcionalmente. Não é uma coisa julgada tradicional no sentindo de que ultrapassado todos os prazos transitou em julgado e nunca mais poderá ser modificado. não se devendo buscar atender às peculiaridades de cada trabalhador. Ressalta ainda Souto Maior que nesta análise o trabalhador deve ser abstraído. . O da acumulação não respeita limites. considerado como integrante de um grupo. domésticos). No conglobamento. evidentemente. Portanto é atípica. Isso é possível. Souto Maior identifica três critérios de comparação entre as diversas normas para encontrar a mais favorável: acumulação. Nestes casos alguns tribunais têm feitos convenções coletivas negociadas. se apresenta mais vantajoso ao empregado. por exemplo. Conflito de acordo coletivo ou convenção coletiva e sentença normativa A sentença normativa faz coisa julgada atípica.

as necessidades se transformaram em outras. pode sair uma sentença normativa hoje pra regular um reajuste salarial de anos atrás. . porque se cria um freio do Estado sobre essa vontade coletiva. O professor Otávio Calvet observa que gosta do requisito do comum acordo. vão dar preferência pro negociado. 623 CLT (aquelas normas de ordem pública de aplicação obrigatória independentemente da vontade dos interessados. ser alterado. que não admitem estipulações em contrário – ex. porque estará de acordo com o novo fato social.O poder normativo é uma interferência do Estado na vontade coletiva privada. Nesses casos pode acontecer do fato social ser outro. norma de segurança do trabalho). Se os próprios interessados entendem que a sentença pode estar caduca. Atualmente a vontade coletiva privada está mais preservada. Possibilidade de alteração do fato social. Pelo fato do poder judiciário não ser rápido. Exceção: norma mais favorável não possuirá validade se confrontada com preceitos imperativos proibitivos – art. assinatura da CTPS.