PONTO 2 Princípios do Direito do Trabalho. Princípios Constitucionais do Trabalho. Fontes Formais do Direito do Trabalho.

Conceito, classificação, hierarquia e solução de conflitos. Elaborado por Luis Augusto Moreira Iannini - Brasília/DF – (luisianni@yahoo.com.br), atualizado em julho de 2006 por Patrícia Agnes Moreira – Ipatinga/MG (pattyagnes@gmail.com), tendo nova atualização em Julho de 2008 por Náthalie (naespe@yahoo.com.br). Para a confecção do presente resumo, foram consultados os seguintes autores: Maurício Godinho Delgado (Curso de Direito do Trabalho, Ltr, 5ª edição-2006); Francisco Ferreira Jorge Neto e Jouberto de Quadros Pessoa Cavalcante (Manual de Direito do Trabalho - 2003, Lúmen Júris Editora); Luís Roberto Barroso (A nova interpretação constitucional - ponderação, direitos fundamentais e relações privadas - Renovar- 2003); Francisco Meton Marques de Lima (Elementos de Direito do Trabalho e Processo Trabalhista - Ltr - 2004); Arnaldo Sussekind e outros (Instituições de Direito do Trabalho, 21 edição -2003); Celso Antônio Bandeira de Mello (Curso de Dir Adm, 12 edição); Maria Sylvia Zanella di Pietro (Direito Administrativo- 17 edição - 2004); Gilmar Ferreira Mendes, Inocência Mártires Coelho e Paulo Gonet (Hermenêutica Constitucional e Direitos Fundamentais 1ª edição 2002) 1. PRINCÍPIOS DO DIREITO DO TRABALHO A palavra princípio traduz, de maneira geral, a noção de proposições fundamentais que se formam na consciência das pessoas e grupos sociais, a partir de certa realidade, e que, após formadas, direcionam-se à compreensão, reprodução ou recriação dessa realidade. No dizer de Miguel Reale: “princípios são verdades fundantes de um sistema de conhecimento, como tais admitidas, por serem evidentes ou por terem sido comprovadas, mas, também, por motivo de ordem prática de caráter operacional, isto é, como pressupostos exigidos pelas necessidades da pesquisa e da práxis.” Para a Ciência do Direito, os princípios conceituam-se como proposições fundamentais que informam a compreensão do fenômeno jurídico. São diretrizes centrais que se inferem de um sistema jurídico e que, após inferidas, a ele se reportam, informando-o. Nas ciências físicas, biológicas e sociais a idéia de princípios, como conceitos preestabelecidos e como instrumento da análise da realidade, tem sido muito contestada, por limitar o potencial investigativo da realidade. Realmente, sendo o objeto dessas ciências os fatos e atos ocorridos ou potencialmente verificáveis, aquilo que poderia ser genericamente designado como ser, a submissão do cientista a princípios seria conduta acientífica, pois a resposta por ele buscada já estaria condicionada, em função do princípio utilizado. Já na Ciência do Direito os princípios cumprem papel de suma importância, não se lhe aplicando a crítica lançada pelas ciências naturais, pois seu objeto é a análise dos institutos jurídicos e da norma (e dos próprios princípios jurídicos), que se constituem em modelos de conduta ou de organização - e que correspondem a fenômenos que poderiam ser genericamente designados como dever-ser.

Os princípios podem ser resumidos como os parâmetros fundamentais da norma jurídica e possuem natureza híbrida, cumprindo funções diferenciadas no Direito. Na fase pré-jurídica, que é nitidamente política, voltada à construção das regras e institutos de Direito, os princípios atuam como verdadeiras fontes materiais do Direito, influindo no processo de construção das regras jurídicas, orientando o legislador no desenvolvimento desse processo (limitada, pois as fontes materiais principais do direito situam-se fora do sistema jurídico, como, e.g., nos movimentos sóciopolíticos e correntes político-filosóficas e econômicas) na produção da ordem jurídica. Já na fase propriamente jurídica, os princípios desempenham funções diferenciadas e combinadas, classificando-se segundo a função específica assumida. Qualquer princípio geral de Direito, ou os específicos de cada ramo jurídico, cumprem os papéis interpretativos, normativos subsidiários e normativos concorrentes. As funções desempenhadas é que se diferenciam, sem que impliquem a existência de categorias incomunicáveis de princípios gerais do Direito. Os princípios na fase jurídica se classificam segundo a função específica que cumprem, da seguinte forma: 1) Princípios Descritivos (ou informativos): atuam como proposições ideais que direcionam a compreensão de uma regra jurídica. Não atuam como fontes formais, mas sim cumprem, aqui, a função mais clássica dos princípios, qual seja, a de servir de auxílio à interpretação da regra jurídica. 2) Princípios Normativos Subsidiários: atuam como verdadeiras regras jurídicas em face de casos concretos não regidos por fonte normativa principal da ordem jurídica. Cumprem papel destacado no processo de integração jurídica, atuando como fontes formais supletivas (art. 8º da CLT; art. 126 do CPC; e art. 4º da LICC). Art. 8º da CLT – As autoridades administrativas e a Justiça do Trabalho, na falta de disposições legais ou contratais, decidirão, conforme o caso, pela jurisprudência, por analogia, por equidade e outros princípios e normas gerais de direito, principalmente do direito do trabalho, e, ainda, de acordo com os usos e costumes, o direito comparado, mas sempre de maneira que nenhum interesse de classe ou particular prevaleça sobre o interesse público. Art. 126 do CPC – O juiz não se exime de sentenciar ou despachar alegando lacuna ou obscuridade da lei. No julgamento da lide, caberlhe-á aplicar as normas legais; não as havendo, recorrerá à analogia, aos costumes e aos princípios gerais do direito. Art. 4º da LICC – Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito. 3) Princípios Normativos Concorrentes: nesse caso, os princípios cumprem uma função normativa própria, resultante de sua dimensão fundamentadora de toda ordem jurídica. Essa dimensão passa, necessariamente, pelo reconhecimento doutrinário de sua natureza de norma jurídica efetiva e não de simples enunciado programático não vinculante (como sustentado por diversos juristas a partir da segunda metade do século XX, tais como Norberto Bobbio, Canotilho e Paulo Bonavides). Assim, o caráter normativo presente nas Constituições, nas leis e diplomas correlatos também estaria presente nos princípios gerais de direito (por isso também designados como normas-chave, super-fonte, ou mandamentos de otimização).

Na idéia de norma (em sentido amplo) estariam abrangidas as noções de regras (ou norma, em sentido estrito) e de princípios. A distinção entre regras e princípios é, pois, uma distinção entre duas normas (dispositivos gerais, abstratos, impessoais e obrigatórios que regulam a vida social).

o qual. o direito natural é empurrado para a margem da história pela onipotência positivista do final do século XIX. fundada na existência de um direito natural. em face do peso do princípio realizado. e não com papel normativo autônomo.A prevalência dos princípios sobre as regras legais. Para Godinho. se uma regra legal realiza o comando genérico contido em certo princípio. Para explicar tal afirmação. Não é no âmbito do Direito que se deveria travar a discussão acerca de questões como legitimidade e justiça. Contudo. Considerado metafísico e anti-científico. Assim. que começou a formar-se a partir do século XVI. restringindo ou esterilizando o comando de uma regra analisada (função simultaneamente interpretativa/normativa). Direito seria norma. atenuando. O jusnaturalismo moderno. A distinção entre regras e princípios é. com função normativa concorrente. deveria fundar-se em juízos de fato. Assim. apartou o Direito da moral e dos valores transcendentes. dominou por largo período a filosofia do Direito. aduz que a idéia da normatividade dos princípios é fruto do pós-positivismo. em sua obra "A nova interpretação constitucional. A ciência do Direito. bem como o surgimento do pós-positivismo. b) a de uma lei ditada pela razão. Sua importação para o Direito resultou no positivismo jurídico. sem dúvida. Editora Renovar 2003". A busca da objetividade científica. Ponderação. isto é. abordando a ascensão e decadência do jusnaturalismo e do positivismo jurídico. Essa função normativa concorrente age em concurso com a função interpretativa. seus efeitos pensados na origem. . no processo de compreensão e interpretação do Direito. sob pena de criar-se total insegurança na ordem jurídica e no meio social regulado. pode prevalecer. uma distinção entre duas normas. na idéia de norma (em sentido amplo) estariam abrangidas as noções de regras (ou norma. atingindo seu apogeu (e paradoxalmente o início de sua superação) ao longo do século XIX. e a consolidação dos ideais constitucionais em textos escritos e o êxito do movimento de codificação. Distinção entre princípio e norma: Como vimos. e não em juízos de valor. é relativa. adequadamente. na verdade. temos que: o termo "jusnaturalismo" identifica uma das principais correntes filosóficas que tem acompanhado o Direito ao longo dos séculos. estendendo. com o advento do Estado Liberal. ato emanado do Estado com caráter imperativo e força coativa. na pretensão de criar-se uma ciência jurídica. pois. a despeito de múltiplas variantes. parece mais adequado sustentar que os princípios atuam como comandos jurídicos instigadores. como todas as outras. apresenta-se em duas versões: a) a de uma lei estabelecida pela vontade de Deus. com características análogas às ciências exatas e naturais. que representam a tomada de posição diante da realidade. defendida por diversos autores. mas entra em choque com outro. que visam ao conhecimento da realidade. Resumidamente. com ênfase na realidade observável e não na especulação filosófica. Luís Roberto Barroso. direitos fundamentais e relações privadas. isso não significa que o princípio preterido não tenha certa influência na compreensão da norma enfocada. em sentido estrito) e de princípios. independem do direito positivo. haveria na sociedade um conjunto de valores e de pretensões humanas legítimas que não decorrem de uma norma jurídica emanada do Estado. ele faz um breve excerto histórico sobre as bases filosóficas do direito. O positivismo filosófico foi o fruto de uma crença exacerbada no poder do conhecimento científico.

a importância das regras ou a valia das soluções subsuntivas (em casos mais simples. onde as regras a serem analisadas possuem baixo teor valorativo. Tudo isso sem renegar o conhecimento convencional. O discurso acerca dos princípios.g. movimentos políticos esses que ascenderam ao poder dentro do quadro da legalidade vigente e promoveram a barbárie em nome da lei. produzindo a solução constitucionalmente adequada para o problema a ser resolvido. princípios e regras. a teoria da argumentação. implícita ou explícita. a regra do art. por meio do qual a interpretação jurídica consiste num processo silogístico de subsunção dos fatos à norma. Nesse contexto.deve ter repercussão sobre o ofício dos juízes. já não tinha mais aceitação no pensamento esclarecido. A valorização dos princípios.. sendo a lei a premissa maior. deve agregar o da transformação social e o da emancipação . sua função social e sua interpretação. 40. Na trajetória que conduziu os princípios ao centro do sistema jurídico houve. sem abandono do método clássico "o subsuntivo".ao qual. determine o sentido da norma. (onde o juiz desempenhe papel criativo. como. a necessidade de se atribuir o status de norma jurídica. onde o juiz desempenha papel de mero conhecimento). o reconhecimento dos princípios como normas jurídicas (normatividade dos princípios). primeiramente. Daí o esforço de elaboração teórica a serviço dos ideais de avanço social e da construção de um país justo e digno. da CR. aspectos da chamada nova hermenêutica constitucional. advogados e promotores. . dos princípios a serem preservados e dos fins a serem realizados. a ponderação de valores. A superação histórica do jusnaturalismo e o fracasso político do positivismo abriram caminho para um conjunto amplo e ainda inacabado de reflexões acerca do Direito. II. ética. dentro outros. uma embalagem para qualquer produto. e a teoria dos direitos fundamentais. ingressar na dogmática jurídica e na prática jurisprudencial e. fazem parte do caminho para a construção da normatividade e da efetividade do pós-positivismo. Ao fim da Segunda Guerra Mundial. sobre a atuação do Poder Público em geral e sobre a vida das pessoas. parágrafo 1. no Brasil. da supremacia dos direitos fundamentais e do reencontro com a Ética . os fatos a premissa menor e a sentença a conclusão. que aduz que o servidor que atingir certa idade será aposentado compulsoriamente). Trata-se de transpor a fronteira da reflexão filosófica. à vista dos elementos do caso concreto. indo mais além.A decadência do positivismo é emblematicamente associada à derrota do fascismo na Itália e do nazismo na Alemanha. pelos textos constitucionais e o reconhecimento pela ordem jurídica de sua normatividade fazem parte desse ambiente de reaproximação entre Direito e Ética. edificada sobre o fundamento da dignidade da pessoa humana. no qual se incluem a definição das relações entre valores. sem eficácia jurídica ou aplicabilidade direta e imediata. produzir efeitos positivos sobre a realidade. e. superando a crença de que teriam uma dimensão puramente axiológica. uma nova interpretação constitucional. sua incorporação. a idéia de um ordenamento jurídico indiferente a valores éticos e da lei como uma estrutura meramente formal. O pós-positivismo é a designação genérica e provisória de um ideário difuso.

Princípios contêm. A colisão de princípios. com faz parte da lógica do sistema. pelo qual as regras contêm um relato mais objetivo. onde as normas se confudiam (se limitavam) às regras jurídicas. que invalida a primeira. produzindo seus efeitos (e. predominantemente. aplicação mais ou menos intensa de acordo com as possibilidades jurídicas existentes. dado seu substrato fático típico: ou são válidas e se aplicam ou não se aplicam por inválidas. que. em ordem pluralista. mediante ponderação. como. os que existem entre a liberdade de expressão e o direito de privacidade. pelo autor alemão Robert Alexy. o que não impede que cumpram funções distintas dentro do ordenamento. de modo direto e automático. A aplicação dos princípios se dá. o qual elaborou a diferenciação entre os papéis desempenhados pelas regras e pelos princípios da seguinte forma: regras são proposições normativas aplicáveis sob a forma de tudo ou nada (all ou nothing). As regras veiculam mandados de definição.Antes de uma teorização mais sofisticada a respeito dos princípios. "Taking rights seriously". com incidência restrita às situações específicas a que se dirigem e os princípios.. Ocorre que. cujas idéias centrais na matéria serão resumidas a seguir. substancialmente sobre as mesmas premissas. só admitem duas espécies de situação. se houver outra mais específica ou se não estiver em vigor.g. A mudança de paradigma nessa matéria deve especial tributo à sistematização de Ronald Dworkin (em sua célebre obra. e indicam determinada direção a seguir. ao passo que os princípios são mandados de otimização. À vista dos elementos do caso concreto. Esses limites jurídicos. . portanto. A Constituição passa a ser um sistema aberto de princípios e regras. Cambridge: Harvard University). a distinção entre princípios e regras fundava-se no critério da generalidade. impondo a necessidade eventual de ponderação. são (1) regras que o excepcionam em algum ponto e (2) outros princípios de mesma estatura e opostos que procuram igualmente maximizar-se. sem que isso comprometa sua validade. que é dialético. Não são admitidas gradações. Uma regra somente deixará de incidir sobre a hipótese de fato que contempla se for inválida. Não há hierarquia entre princípios e normas. entretanto.g. Nos últimos anos. uma decisão política relevante. Por essas expressões se quer significar que as regras têm natureza biunívica. a regra deve incidir. Já os princípios se comportam de maneira diversa. de validade ou invalidade. Uma regra vale ou não vale juridicamente. O comando é objetivo e não dá margens a elaborações mais sofisticadas acerca de sua incidência. não só é possível. pretendem eles ser realizados da forma mais ampla possível. como vimos. quando se defronte com antagonismos inevitáveis. Esse tema foi retomado. um fundamento ético. e. ou é a sua violação. capazes de restringir a otimização dos princípios. permeável por valores jurídicos suprapositivos. uma maior carga valorativa. existem outros princípios que abrigam decisões. veio a se tornar um dos pilares da moderna dogmática constitucional. todavia. Se os fatos nela previstos ocorrerem. Deve-se reconhecer aos princípios uma dimensão de peso ou importância. Sua aplicação se dá. por sua vez. indispensável para a superação do positivismo legalista. valores ou fundamentos diversos. isto é. Por isso a sua incidência não pode ser posta em termos de tudo ou nada. admitindo. à vista do princípio da unidade da constituição. começou-se a realizar uma distinção qualitativa e estrutural entre regra e princípio. no qual as idéias de justiça e de realização dos direitos fundamentais desempenham papel central. por vezes contrapostos. teriam maior teor de abstração. A exceção da regra ou é outra regra. Como mandados de otimização. o interprete deverá fazer escolhas fundamentadas. quando o servidor público completa 70 anos incide a regra constitucional que o obriga a passar à inatividade). predominantemente. incidindo sobre uma pluralidade de situações. mediante subsunção. normalmente.

e os princípios. ao fato de ser nova e de apresentar problemas ainda irresolvidos. pois a ele caberá a ação a tomar. determinados princípios apresentam um núcleo de sentido ao qual se atribui a natureza de regra e há regras. normalmente. Como norma não detalha a conduta a ser seguida para sua realização. Mais recentemente. válidas em abstrato. no entanto. Com relação à estrutura normativa. Daí ser possível afirmar-se que regras são descritivas de conduta. Já as regras se limitam a traçar uma conduta. O modelo tradicional foi concebido para interpretação e aplicação de regras. tal não envolverá um processo de racionalização mais sofisticado. a doutrina que se desenvolveu sobre as premissas teóricas de Dworkin e Alexy traça a distinção entre princípios e regras na forma já registrada acima: subsunção ou ponderação. Quanto ao modo ou particularidades de sua aplicação. Trazem em si. três deles são destacados: 1) o conteúdo. inclusive e sobretudo por seu grande alcance prático. dos múltiplos critérios distintivos possíveis.previsibilidade e objetividade das condutas . tem-se que o relato de uma regra especifica os atos a serem praticados para seu cumprimento adequado. Um exemplo é fornecido pelo princípio da dignidade da pessoa humana. Além de não explicitar os comportamentos necessários para realizar a dignidade humana (está é a primeira dificuldade) poderá haver controvérsia sobre o que significa a própria dignidade a partir de um determinado conteúdo essencial. Justiça social. dão margem à realização da justiça do caso concreto. A ênfase que tem se dada à teoria dos princípios deve-se. e não transferida ao intérprete. A partir de um determinado ponto. conforme o ponto de vista do interprete. o pensamento jurídico tem se dedicado à elaboração teórica das dificuldades que sua interpretação e aplicação oferecem. envolvendo uma integração subjetiva por parte do interprete. a atividade do interprete será mais complexa. um núcleo essencial. tanto na determinação de seu conteúdo quanto no de sua eficácia. que podem gerar uma inconstitucionalidade ao incidir em determinado ambiente. isto porque. Quanto ao conteúdo. Pode ocorrer ainda uma dificuldade adicional: o fim a ser atingido ou o estado ideal a ser transformado em realidade pode não ser objetivamente determinado. desenvolvimento nacional. ao passo que princípios são valorativos ou finalísticos. no entanto. que começam a despertar o interesse da doutrina.Pois bem: ultrapassada a fase de certo deslumbramento com a redescoberta dos princípios como normas. Já os princípios indicam fins. sobretudo. um conteúdo axiológico ou uma decisão política. os princípios são normas que identificam valores a serem preservados ou fins a serem alcançados. Apesar de a atividade do intérprete não ser mecânica. Isonomia. com sua flexibilidade. 2) a estrutura normativa 3) as particularidades da aplicação. redução das desigualdades regionais são fins públicos. no qual a demarcação de seu conteúdo estará sujeita à concepção ideológica ou filosófica do interprete. no qual se equiparam às regras. já se discute tanto a aplicação do esquema tudo ou nada aos princípios como a possibilidade de ponderação de regras. Um princípio tem um alcance mínimo. que o sistema jurídico ideal se consubstancia com uma distribuição equilibrada de regras e princípios. moralidade. temos que. . eficiência são valores. nos quais as regras desempenham o papel referente à segurança jurídica . Aprofundando a diferenciação entre regras e princípios. Esses são fenômenos de percepção recente. ingressa-se em um espaço de indeterminação. estados ideais a serem alcançados. É bem de ver. A questão relativa aos valores e aos fins públicos não vem explicitada na norma porque já foi decidida pelo legislador.

com a produção de uma conclusão. via o balanceamento e o sopesamento de interesses. necessita. axiológica e finalística da ordem constitucional. De acordo com o segundo parâmetro. a aplicação da "ponderação de interesses. é formado por dois conjuntos de princípios: o primeiro. e em princípios gerais. diante de várias soluções igualmente plausíveis. o princípio da razoabilidade e proporcionalidade. ensejando. Ambas as categorias de princípios orientam a atividade do intérprete. liberdade.Assim. deverá o interprete demonstrar o fundamento racional que legitima sua atuação. como a capacidade contributiva. valores ou normas. e princípios setoriais. da livre iniciativa. a impessoalidade. o princípio da interpretação conforme à Constituição. à vista do caso concreto. o estado ideal pretendido pelos princípios materiais. como os princípios republicano. juiz natural. tais a legalidade administrativa. especialmente quando se trata do emprego da ponderação. do Estado democrático de direito. bens. acesso ao judiciário. da separação dos poderes. da teoria da "argumentação jurídica". a isonomia tributária. valores e normas". assim. de tal maneira que. o concurso público. E na determinação de seu sentido e na escolha dos comportamentos que realizarão os fins previstos. que trazem em si a carga ideológica. o princípio da presunção de constitucionalidade das leis e atos do poder público. os critérios adotados na decisão devem estar abertos à possibilidade de universalização. cujo processo possui três etapas: detectar as normas aplicáveis. por imperativo da isonomia (espera-se que os critérios adotados num certo caso concreto possam ser transformados em regra geral para casos semelhantes). O terceiro parâmetro capaz de balisar a argumentação jurídica. por se sujeitar à discricionariedade do julgador. princípios . especialmente a constitucional.e com crescente adesão na doutrina também as regras são ponderados. examinar os fatos relevantes e atribuir pesos. para fins de controle da legitimidade das decisões obtidas mediante ponderação. tributação. o princípio da efetividade). qual a mais correta? Como resposta apresenta a necessidade da verificação de três parâmetros: o primeiro parâmetro aduz que a argumentação deve estar embasada em fundamentos normativos (mesmo que implícitos). devendo a argumentação estar explicitamente apresentada (motivação das decisões). Essa técnica. federativo. como os princípios da legalidade. Pretende responder à seguinte indagação: se há diversas possibilidades interpretativas acerca de uma mesma hipótese. o princípio da unidade da Constituição. em relação aos quais a subsunção se mostrou insuficiente. bens. Trata-se a referida ponderação de interesses de uma técnica de decisão jurídica aplicável a casos difíceis. As modalidades de eficácia dos princípios são: . os diversos do artigo 5º. o segundo por princípios materiais propriamente ditos (classificados em princípios fundamentais. composto de princípios instrumentais ou específicos de interpretação constitucional (tais. à luz dos outros elementos em questão. tão intensamente quanto possível. Referida teoria tem por objetivo verificar a correção dos argumentos apresentados em suporte à conclusão ou ao menos à racionalidade do raciocínio desenvolvido em cada caso. como os princípios da Administração Pública. o princípio da supremacia da constituição. etc). deverá ele percorrer o caminho ditado pelos princípios instrumentais a realizar.

se uma norma infraconstitucional. e. à fome compulsória e ao afastamento arbitrário da família. 3) eficácia negativa: autoriza que sejam declaradas inválidas todas as normas ou atos que contravenham os efeitos pretendidos pela norma.1) eficácia positiva ou simétrica: pelo qual se reconhece àquele que seria beneficiado pela norma.tenha sido a norma violado por ação ou omissão -. em geral. direito subjetivo a esses efeitos. 2) eficácia interpretativa: que significa que se pode exigir do Judiciário que as normas de hierarquia inferior sejam interpretadas de acordo com as de hierarquia superior a que estão vinculadas. particularmente ligada aos princípios que envolvem os direitos fundamentais. sendo as regras. entre leis e seus regulamentos. Ele pressupõe que a concretização dos princípios através de normas infraconstitucionais e que haja a progressiva ampliação dos mesmos. têm importância determinante para a compreensão do ordenamento como um todo. pura e simplesmente. embora não sejam os princípios superiores hierarquicamente sobre as demais regras constitucionais. b) Grau de determinabilidade na aplicação ao caso concreto. Isso acontece.g. ou àquele que deveria ser atingido pela realização dos seus efeitos. Por exemplo: em que pese a relativa indeterminação do conceito de dignidade da pessoa humana. e) Natureza normogenética. a ratio das regras. os efeitos pretendidos por um princípio podem ser relativamente indeterminados a partir de certo núcleo. apontando ainda as funções a serem cumpridas pelas normas: a) Grau de abstração. que se poderia utilizar para distinguir com segurança os princípios das regras jurídicas. se uma empresa rural prevê. apresenta um inventário dos critérios. o princípio da dignidade da pessoa humana conduziria à invalidade de tal norma. imediatamente aplicáveis e os princípios carecedores de mediação judicial ou legislativa. revoga uma outra norma infraconstitucional concessiva de um direito. é possível reconhecer-lhes uma ascendência axiológica sobre o texto constitucional em geral. pois os princípios funcionam como pautas. haverá invalidade de tal alteração. d) Proximidade da idéia de direito. num contrato de trabalho. pois. mas é a existência desse núcleo que torna plenamente viável a modalidade de eficácia negativa. penas corporais. c) Caráter de fundamentalidade no sistema de fontes de direito. se os efeitos pretendidos pelo princípio constitucional não ocorreram . por inconstitucionalidade. ao contrário das regras. pois os princípios são o fundamento. a eficácia positiva ou simétrica pretende assegurar ao interessado a possibilidade de exigi-lo diretamente ou judicialmente. se necessário.. Assim. . atém mesmo para dar unidade e harmonia ao sistema (Jose Afonso da Silva). há consenso de que em seu núcleo central deverão estar a rejeição às penas corporais. pois os princípios. elaborados pelo Gomes Canotilho. Ou mesmo dentro da própria Constituição. Para tanto é preciso saber quais efeitos são esses. em sua obra Hermenêutica Constitucional e Direitos Fundamentais. em relação aos princípios. Assim. e entre as normas constitucionais e a ordem infraconstitucional. ou sanções como privação de alimentos ou proibição de avistar-se com seus familiares no caso de descumprimento de determinadas regras. que nos princípios se apresenta mais elevado do que no das regras. pelo que. deixando um vazio em seu lugar. 4) eficácia vedativa do retrocesso: é derivação da eficácia negativa. Inocêncio Mártires Coelho. como padrões informadores da concepção de justiça que informa o ordenamento positivo. Como já dito.

os contratos também devem ser cumpridos . as regras vinculam-se a fatos hipotéticos específicos. deixarem de coexistir na ordem jurídica. em geral são colidentes entre si nos casos concretos. Tais princípios têm inquestionável aplicação no Direito do Trabalho. a revisão judicial do pactuado a favor da parte onerada injustamente em virtude acontecimentos extraordinários.é repelida pelo DT. enquadrando fatos precisos e declinando as conseqüências. gerando apenas o direito . as regras.a cláusula rebus sic stantibus . mantendo o Direito como um efetivo sistema. b) quanto à técnica de aplicação. os princípios são normas abertas. sendo o ponto em comum entre ambos a normatividade. são por estas derrogadas. para ser realizada na medida do jurídica e faticamente possível. perdendo validade. afirmam que: "O princípio da inalterabilidade dos contratos não é absoluto. poderiam ser resumidas em dois pontos: a) quanto à estrutura lógica e deontológica. 468. porém sofrerão uma adequada compatibilização com os princípios e regras próprias a este ramo jurídico. na obra Manual de Direito do Trabalho. o caráter preceptivo. As alterações contratuais são permitidas. contudo. excetos se mais benéficas ao trabalhador (art. inevitavelmente decorrem as conseqüências jurídicas previstas. Para esse último autor. que será adiante analisado. e transmitem uma prescrição programática genérica. impondo-se o cumprimento fiel pelos pactuantes. mas se colidirem com outras de grau superior.Adequações Há princípios gerais de todo o Direito. Francisco Ferreira Jorge Neto e Jouberto de Quadros Pessoa Cavalcante. Já os princípios. enquanto os princípios não se reportam a qualquer fato particular. No Direito do Trabalho. Princípios jurídicos gerais aplicáveis ao direito do trabalho . enquanto as regras são preceitos de alcance mais restrito. Geralmente. segundo Francisco Meton Marques de Lima. Mas possuem incontáveis diferenças. Há algumas exceções: a) a redução do salário mediante negociação coletiva.Por fim. Um dos mais importantes princípios gerais do Direito aplicáveis ao direito do trabalho seria o da inalterabilidade dos contratos.pacta sunt servanda. "permitido"). de maior abstratividade e de maior amplitude. Editora Lúmen Júris. A doutrina moderna tem reconhecido a teoria da imprevisão (nova roupagem da cláusula rebus sic stantibus). "obrigatório". que possuem a função de preservar a noção de unidade da ordem jurídica. ou seja. a revisão dos pactos . o que leva ao sopesamento. c) a supressão das horas extras habituais não afeta os salários. para aplicar-se o mais adequado. b) a supressão do adicional noturno não afeta o direito adquirido (Enunc 265. TST). as quais. o sistema jurídico ameniza o cumprimento das execuções ou até mesmo limita o campo de atuação quanto à manifestação de vontade das partes. Em situações excepcionais. uma vez aceita a subsunção a elas de certos fatos. de modo que a inserção da diretriz geral não se choque com a especificidade inerente ao ramo justrabalhista. A intensidade da adequação que esse princípio sofreu para sua aplicação no ramo justrabalhista desfigurou a sua matriz civilista. citando Guerra Filho. segundo o qual os ajustes contratuais firmados pelas partes não são modificáveis ao longo do prazo de sua vigência. CTL). um determinado functor ou operador normativo ("proibido". dando origem a uma diretriz própria: o princípio da inalterabilidade contratual lesiva. sem. já está pacífico que a norma é o gênero de que são espécies as regras e os princípios.

por si só. ao contrário do assentado no Direito Civil (art. sintetizam a noção de que a ordem jurídica deve apenas acolher e conferir conseqüências às condutas lícitas e de boa-fé praticadas por uma pessoa. Francisco Ferreira Jorge Neto aduz que o princípio da razoabilidade representa óbice ao abuso dos ius variandi (ato abusivo). necessariamente. e. Assim. aplica-se ao direito do trabalho. 468. 483. CLT). 482. b) a subjetiva.. própria ou de outrem (482. parágrafo único). nas relativas às figuras da justa causa obreira (art. d) a reversão do cargo comissionado ao cargo efetivo (art. que. em favor de um um suposto vínculo empregatício encoberto. também da CLT. o qual sugere que se tenha incredulidade. f.150 do NCC). à culpa ou à má-fé no exercício do direito. CLT).a uma indenização (Enuc. k e 482. uma simulação bilateral de contrato societário. a tentativa de desconstituição judicial da relação civil formalizada. Francisco Ferreira Jorge Neto e Jouberto de Quadros Pessoa Cavalcante. em que o abuso de direito é caracterizado pelos prejuízos causados a outrem. CLT) e das figuras empresariais faltosas (art. ou ofensas físicas. e.g. tendo fácil visualização nos casos de aplicação de punição excessiva ou transferência de função ou de horário com a finalidade de prejudicar direitos ou o cumprimento do contrato de trabalho. e as hipóteses do 482. 291. esse princípio sofre adequação singular ao Direito do Trabalho. j. O exercício regular do direito também esta presente nas relações do trabalho. que dispõe que as condutas humanas devem ser avaliadas segundo um critério associativo de verossimilhança. inclusive no referente ao seu comando negativo. da não alegação da própria torpeza e do efeito lícito do exercício regular do próprio direito (vedação à prática do abuso de direito). impõe a prova quanto ao dolo. TST). Na constatação do abuso de direito a doutrina aponta duas correntes: a) a objetiva." O princípio da razoabilidade. pois a bilateralidade da conduta irregular não inviabiliza. além dos prejuízos causados a outrem. cetismo quanto a condutas inverossímeis ou insensatas. afirmam que: "o princípio do efeito lícito do exercício regular do próprio direito (art. em conjunto. do NCC) implica vedação à prática do abuso do direito. nas mesmas condições. . No que tange aos princípios da boa-fé.g. a alegação judicial do ilícito perpetrado. não impede. No que tange à não-alegação da própria torpeza. na obra Manual de Direito do Trabalho. sensatez e ponderação. 188. como. Como exemplos: ato lesivo da honra ou da fama praticado no serviço contra qualquer pessoa. I. da lealdade e do efeito lícito ao exercício regular do próprio direito." Os princípios da lealdade e boa-fé. salvo em caso de legitima defesa. eles encontram-se inseridos em distintas normas trabalhistas.

mas possuem importância para a utilização empírica do Direito.Arnaldo Sussekind) A nova Carta Magna brasileira não revelou expressamente os princípios informadores do Direito do Trabalho. ao sublinhar os fundamentos da República Federativa do Brasil. Esse mesmo autor. respeitadas as adaptações necessárias. em seu artigo 170. o da não-discriminação. objeto das Convenções ns. à justiça social. III e IV. E o respeito à dignidade do ser humano constitui um dos direitos supra-estatais inerentes ao ser humano. Francisco Ferreira Jorge Neto aduz que outro princípio geral aplicável ao Direito do Trabalho seria o da “exceptio non adimpleti contractus”. parêmias e/ou brocardos. e. aludindo. sendo de se conservar o mínimo legal. Princípios constitucionais do Direito do Trabalho (trecho baseado no livro "Instituições do Direito do Trabalho" . apesar de não prevista na CLT. não tem a mesma aplicação que lhe é dada no Direito Civil. é aceita pela doutrina. Representa o equilíbrio das prestações. entretanto. seguiu a orientação do estatuto básico anterior. Por seu turno. o status e a natureza dos princípios. quais sejam. Sua aplicação. o "quem pode o mais pode o menos" e o "res perit domino" (a coisa perece para o dono). Também o princípio da isonomia. que não chegam a ter a generalidade. não é absoluta. incluídas no mesmo elenco antes mencionado. ainda aponta o princípio da autonomia da vontade. nos termos do art. as máximas. referiu-se à dignidade da pessoa humana e aos valores sociais do trabalho. os instrumentos normativos alusivos às relações de trabalho devem objetivar a prevalência dos valores sociais do trabalho. (Obs: ver. pode exigir o cumprimento pela outra parte. A condenação do trabalho forçado. tendo como limites a ordem pública e os bons costumes. 1º. à função social da propriedade e à busca do pleno emprego. no art. à valorização do trabalho humano. eis que o artigo 9º da CLT estabelece direitos indisponíveis e irrenunciáveis. 29 e 105 da OIT. cuja observância independe da vigência de leis nacionais ou tratados internacionais.g. PRINCÍPIOS ESPECÍFICOS AO DIREITO DO TRABALHO . antes de cumprir sua obrigação. São exemplos: "a não exigência do impossível a qualquer pessoa". ao final. tal como procedeu em relação à seguridade social e a outros títulos. que. afirmado pelo artigo 5º da Carta Magna. 476 do CC. pois a pena de advertência. De fato. adotado fundamentalmente na fixação das figuras das justas causas obreiras e empresariais. e 170 da CR/88. nos termos do artigo 444 da CLT. pelo qual as partes têm a liberdade de contratar.. no âmbito trabalhista. e por estas classificadas no elenco dos tratados sobre direitos humanos fundamentais.Outro princípio aplicável ao DT é o princípio da tipificação legal de ilícitos e das penas. pelo qual nenhuma das partes contratantes. sintoniza-se com o estatuído nos artigos 1º. Dentre outros. Seria aplicável ao Direito do Trabalho em face do caráter sinalagmático do contrato individual do trabalho. mesmo tendo sido criada pelo costume trabalhista. ainda são princípios aplicáveis ao DT o da dignidade humana. segundo esse mesmo autor.) 2. o da proporcionalidade (que se associa ao da razoabilidade). os princípios específicos do DT consagrados pela CR/88 (Anexo I). ao relacionar os princípios gerais da atividade econômica. Todavia. Existem ainda outras diretrizes gerais que se estendem ao Direito do Trabalho. corresponde às Convenções ns 100 e 111.

1) Princípio da proteção Pode ser identificado no princípio da isonomia. a escolha deve ser tendo em vista a que mais proteger o empregado. uma teia de proteção à parte hipossuficiente na relação empregatícia . sendo incapaz de. no Direito Coletivo. econômica e política básica entre os sujeitos da relação empregatícia. externos ao ramo jurídico especializado. Pode-se afirmar que sem a idéia protetivo-retificadora. Núcleo Basilar de Princípios Especiais: Nove princípios formam o núcleo basilar do Direito Individual do Trabalho. Em virtude desse quadro fático distinto. como por possuírem abrangência ampliada e generalizante ao conjunto desse ramo jurídico. regras e princípios distintos. não apenas por incorporarem a essência da função teleológica do Direito do Trabalho. pois. uma proteção exagerada acaba desprotegendo. ou seja. o Direito Individual do Trabalho não se justificaria histórica e cientificamente. Segundo o Professor Antônio Loureiro.o obreiro -. isoladamente. princípios e regras que buscam reequilibrar. às vezes. com suas regras. surgem. tudo isso sem que se confrontem de maneira inconciliável com os princípios jurídicos gerais. temos que tratar os iguais de forma igual e os desiguais de forma desigual na busca da igualdade. princípios e presunções próprias. Já o Direito Coletivo é construído a partir de uma relação entre seres teoricamente equivalentes. editora LTR) entende que este princípio se divide em três regras específicas: 1) Regra da norma mais favorável 2) Regra da condição mais benéfica 3) Regra do in dúbio pro misero Maurício Godinho Delgado desenvolve sua argumentação como se cada uma destas regras fossem princípios próprios. Assim. juridicamente. o desequilíbrio inerente ao plano fático do contrato de trabalho. Américo Plá Rodrigues (Princípios do direito do trabalho. métodos. emerge um Direito Individual do Trabalho largamente protetivo. tem que se achar a medida de proteção. com aptidão natural para produzir impacto na comunidade mais ampla. Informa esse princípio que o Direito do Trabalho estrutura em seu interior. essa relação desigual vivenciada na prática cotidiana da relação de emprego. visando retificar (ou atenuar) no plano jurídico. mas o conteúdo é exatamente o mesmo. o entendimento majoritaríssimo é de que esse princípio deve ser mantido tal como é estudado.2) Princípio da norma mais favorável Tal princípio é aplicável quando há conflito de normas aplicáveis ao mesmo tempo. São eles: 2. Apesar das críticas. O princípio da proteção é uma versão desse princípio na forma trabalhista. mais fortes. onde o empregador age naturalmente como ser coletivo. norteando todo o sistema trabalhista e inspirando os demais princípios trabalhistas. caracterizado por métodos. 2. e onde o trabalhador inscreve-se como ser individual. por isso.Da diferenciação social. O operador do Direito do Trabalho deve optar pela norma mais favorável ao obreiro em três dimensões distintas: . este princípio justifica a própria existência do Direito do Trabalho. produzir ações de impacto comunitário. Há quem queira mitigar este princípio.

tem corpo de contrato. em uma dada situação de conflito de regras. mas. ao analisar. caso antepostas ao intérprete duas ou mais consistentes alternativas de interpretação em face de uma regra jurídica enfocada (respeitados os rigores da Hermenêutica Jurídica). . tendo um âmbito de aplicação menor. HE a 70%. a escolha ocorre pelo princípio da norma mais favorável. Na fase jurídica. A convenção coletiva deve ser feita entre o sindicato de empregadores de um lado e o sindicato de empregados de outro lado. Amauri Mascaro Nascimento diz que este princípio tem tríplice dimensão: . 2) Princípio de interpretação do Direito: permite a escolha da interpretação mais favorável ao trabalhador. ou outras leis forem melhores se aplica estas. Geralmente é uma norma com muitas cláusulas e muitos direitos. Neste mesmo sentido. agindo.Na fase pré-jurídica. O acordo coletivo é normalmente mais reduzido.Informativo / informador: o legislador deve ter em mente que o Direito do Trabalho é marcado pelo mencionado princípio. Conflito entre normas coletivas São dois tipos básicos de normas coletivas: a convenção coletiva e o acordo coletivo. porque tem entre sindicato de trabalhadores e uma empresa ou grupo de empresa. por isso. mas é feito entre sindicato dos trabalhadores de um lado e o próprio empregador de outro. através das seguintes teorias: . sobre um determinado assunto. dos industriais etc. A convenção coletiva serve para todos os trabalhadores daquela categoria. dos bancários. aplica-se a que for mais favorável ao trabalhador. mesmo que hierarquicamente diferentes. aquela que for mais favorável ao trabalhador (respeitados os critérios da teoria do conglobamento). como a categoria dos metalúrgicos. se a norma da CLT. optar por um das duas. ou CF. Isto porque quando o conflito for entre princípios a regra é diferente utilizando o método da ponderação de interesses (estudado em constitucional). olhase tudo aquilo que a convenção tem de melhor e aplica. como verdadeira fonte material do ramo trabalhista. sendo. .: reajustes de 10%. O acordo coletivo tem a mesma natureza. e não as duas. garantia de emprego etc. portanto sua função essencialmente informadora nesse momento. alma de lei. portanto.Interpretativa: entre duas interpretações diferentes. esse princípio atua como: 1) Critério de hierarquia: permite eleger como regra prevalecente. Havendo o conflito dessas duas normas coletivas. pois elas entram no nosso ordenamento jurídico para melhorar. não se faz a análise do “ou tudo ou nada”. para adicionar. no caso de conflito entre a convenção e CLT.Hierarquizante: havendo conflito de normas. aplicar-se-á a mais favorável. Exs. Ele é mais pontual. É errado. cria normas em abstrato aplicáveis hipoteticamente à todas as pessoas que fazem parte da categoria. As Convenções Internacionais da OIT vem para integrar o nosso ordenamento jurídico avançando na conquista dos direitos fundamentais na concretização dos direitos fundamentais. Aplica-se esse princípio quando as normas em análise forem do tipo regras jurídicas em que se aplica uma ou outra. como critério de política-legislativa. assim. Quando se utiliza convenções internacionais da OIT ratificadas pelo Brasil o método é diferente.

Como corolário desse princípio.São três teorias básicas: a) Teoria do conglobamento: deve-se analisar no impasse as normas inteiras. pois ela terá uma gama de direitos maior. impondo ao empregador o pagamento de benefícios de forma acumulada que não tinha previsto. ou seja. que normas e condições de trabalho mais vantajosas para os . mas também não acaba com o mesmo. que sempre será a mais favorável ao trabalhador. que. ou seja. É uma teoria nova. olha-se uma matéria em cada instituto vendo qual é a melhor. levando ao medo de negociar. a Teoria da adequação ou da especialização: é uma teoria mais moderna. a Constituição permite. não podem ser cortados. analisa qual norma tem a melhor no reajuste aplicando esta. salvo exceções expressas de seu texto. de primeiro plano. Analisa-se instituo por instituto. sim. Percebe-se que o Direito do Trabalho não adota o sistema clássico da hierarquia das normas. Essas normas são criadas num sistema de transação. qual norma tem a melhor hora extra. podendo levar a empresa a ter problemas financeiros. nas normas coletivas poderia ter o mesmo sistema: uma lei geral. É uma idéia que permite certa flexibilização pra se conseguir manter a saúde econômico-financeira de cada uma das empresas separadamente. 620 da CLT – aplicar este artigo reinterpretando o conceito do que é mais favorável. É minoritária. salvo disposições estatais proibitivas ou de ordem pública. um modelo de hierarquia dinâmica das normas. o espírito da negociação coletiva. Por exemplo. Tal qual no ordenamento jurídico heterônomo existe lei geral e lei especial. mas. Vai pinçando item por item do que tem de melhor de cada norma. Está no seu começo. É a teoria majoritária. Art. onde se “toma lá e dá cá”. Crítica: geralmente entre a convenção e acordo prevalecerá a convenção. Não preserva totalmente o espírito de negociação coletiva. As condições estabelecidas em Convenção quando mais favoráveis. analisa a convenção coletiva inteira e depois o acordo coletivo inteiro e do bojo de cada norma se extrai a quantidade de direitos que se consegue vendo qual será mais favorável. seria o acordo coletivo adequado à realidade de cada um dos trabalhadores. c) Teoria mista ou dos institutos (ou teoria de indifundibilidade dos institutos): Os institutos não podem ser fundidos. também. consistente na aplicação prioritária de uma “norma fundamental”. É minoritária. se o acordo estiver melhor. sendo um dilema. b) Teoria atomista ou por acumulação: não se deve analisar a norma por inteira e sim cláusula por cláusula. O mais favorável não é só o que dá mais direito ao trabalhador. seria a manutenção do emprego. aplicando esta. aplicase o acordo. 620. e portanto um pouco estranha nos tribunais. imaginado. Preserva o espírito da negociação coletiva. Por exemplo: em matéria salarial. aplicável ao direito comum. Art. é aquilo que permite dignidade ao trabalhador. Ela preserva a norma conforme a sistemática do direito. Crítica: O problema é que quebra a sistemática do direito. É a teoria que mais dá direitos ao empregado. em matéria de estabilidade uma convenção pode estar melhor etc. na convenção coletiva. ou seja. É um meio termo. e a lei especial. prevalecerão sobre as estipuladas em Acordo. Há.

venham a ser criadas pelas normas inferiores do escalonamento jurídico. Melhores condições de trabalho podem ser estabelecidas por normas de inferior hierarquia.trabalhadores. 2. ainda que norma jurídica posterior estabeleça condições menos favoráveis.3) Princípio da imperatividade das normas trabalhistas . as condições mais benéficas ao trabalhador serão sempre preservadas. conferindo direitos acima dos constitucionalmente previstos. Em regra. A Constituição da República garante um mínimo de proteção aos trabalhadores.

também existem normas dispositivas. 456. em face do desequilíbrio de poderes inerentes ao contrato de trabalho. É proibido trabalho para menor de 16 anos.4) Princípio da Trabalhistas Indisponibilidade (ou irrenunciabilidade) dos Direitos Esse princípio é projeção do anterior e traduz a inviabilidade técnico-jurídica de poder o empregado despojar-se. . De forma excepcional. a base mínima do direito do trabalho é composta por normas imperativas. seja coercitivas ou complementares. CLT: Art. Como exemplo: art. entender-se-á que o empregado se obrigou a todo e qualquer serviço compatível com a sua condição pessoal. 2. Esse parágrafo único é uma norma que se utiliza quando não há nada pactuado no contrato de trabalho. das vantagens e proteções que lhe asseguram a ordem jurídica e o contrato. por sua simples manifestação de vontade. A falta de prova ou inexistindo cláusula expressa e tal respeito. Apesar de parte da doutrina valer-se da expressão irrenunciabilidade dos direitos trabalhistas. Em regra. em face do desequilíbrio de poderes inerentes ao contrato de emprego. não podendo de maneira geral. parágrafo único. pois são essencialmente imperativas. A prova do contrato individual do trabalho será feita pelas anotações constantes da carteira profissional ou por instrumento escrito e suprida por todos os meios permitidos em direito. há domínio de regras jurídicas imediatamente obrigatórias em detrimento de regras apenas dispositivas. 456. Esta restrição é tida como instrumento assecuratório eficaz de garantias fundamentais ao trabalhador. Na verdade. salvo como aprendiz. mas mínimos. Como exemplos: é obrigatório assinar a carteira de trabalho. Há dois tipos de normas imperativas: 1) Normas imperativas ou impositivas ou coercitivas – são aquelas normas que tem que ser observadas tal como são estabelecidas. 2) Normas imperativas complementares – são aqueles que estabelecem direitos cogentes. o autor prefere a expressão indisponibilidade para se referir ao presente princípio. Informa tal princípio que as partes na relação de emprego não podem deixar de observar as normas trabalhistas. pois tanto a renúncia (que é ato unilateral) como a transação (ato bilateral) que importem objetivamente em prejuízo ao trabalhador são vedadas por sua aplicação. Parágrafo único. são algumas normas utilizadas apenas quando não existe nada estabelecido no contrato.Também chamado na doutrina de: Princípio de caráter de ordem pública ou Princípio da limitação da autonomia da vontade ou Princípio do vício de consentimento presumido do empregado. onde se pode dispor diferente do que está na norma. remuneração do trabalho noturno superior ao diurno. Essa restrição à autonomia da vontade das partes é instrumento assecuratório eficaz de garantias fundamentais do trabalhador. ter sua regência contratual afastada pela simples manifestação das partes. tais como: adicional de hora extra no mínimo de 50%.

têm caráter absoluto. pois eles são os autores dessas normas. como CLT. em regra. Assim. É diferente no contrato individual do trabalho. prejuízos ao empregado. as normas de proteção do trabalho. As normas coletivas também são de direitos indisponíveis quanto ao ponto de vista dos direitos individuais do trabalho. não serão válidas quer a renúncia. sob pena de nulidade da cláusula infringente desta garantia. Para a ordem justrabalhista. segurança do trabalhador. quer a transação que importe objetivamente em prejuízo ao trabalhador. Deve ser observado na forma como está prevista. Mas nem tudo é de caráter indisponível absoluto. Esse artigo procura evitar condutas maliciosas do empregador. quanto às nulidades. são de proteção mínima. Tem que preencher certos requisitos para disporem desses direitos puramente contratuais. O que é de ordem pública não está livre para disposição das partes. algo que justifique essa conduta e que não traga prejuízo ao empregado. eles têm o que se chama de criatividade jurídica. Tem que ter uma contrapartida. não podendo ser objeto de transação e nem de renúncia. Há certa confusão nesse sentido. direta ou indiretamente. apesar de necessária a flexibilização. Os direitos contratuais também têm certa proteção. As partes não podem renunciar às normas trabalhistas. que são direitos que asseguram a dignidade.Francisco Ferreira Jorge Neto e Jouberto de Quadros Pessoa Cavalcante aduzem que no contexto da irrenunciabilidade dos direitos trabalhistas. Art. 468 da CLT – Nos contratos individuais de trabalho só é lícita a alteração das respectivas condições por mútuo consentimento. . higiene. mas não se pode negar a necessidade de manutenção de direitos que foram alcançados após décadas de lutas. portanto). Essas normas estão na CF. interferindo também nos atos bilaterais de disposição de direitos (transação. não pode fazer nem renúncia e nem outro negócio jurídico de disposição de direitos. No ponto de vista do direito individual do trabalho. No estudo do direito coletivo do trabalho. pois. também se pode inserir a temática da flexibilização. Nenhum contrato de trabalho pode contrariar as normas coletivas. O princípio examinado vai além do simples ato unilateral. nem que resultar na negativa do avanço do Direito do Trabalho. só as que dizem respeito à saúde. como transação. a nulidade é para norma de ordem pública e anulabilidade é para normas contratuais. esses direitos das normas coletivas. os sindicatos e as partes têm livre possibilidade de mudar as normas coletivas. deve ser valorizada a flexibilização como avanço no trato das relações trabalhistas. indisponibilidade absoluta. Eles são disponíveis de forma relativa. Aduz que. tal não pode conduzir ao predomínio do individual sobre o social. Pergunta: Todas as normas são irrenunciáveis ou tem alguma que poderá se dispor? A regra geral é de que são de indisponibilidade absoluta os direitos previstos na base jurídica primária. onde não pode ser diferente das normas coletivas. no estudo do direito civil. sendo considerada nula de pleno direito. nas convenções internacionais da OIT (normas universais que apresentam direitos mínimos do trabalhador) e na legislação heterônoma. Art. não pode modificar as normas coletivas. ou seja. mas não transforma os direitos contratuais em direitos de ordem pública. O empregado. 619 da CLT – Nenhuma disposição de contrato individual de trabalho que contrarie normas de Convenção ou Acordo Coletivo de Trabalho poderá prevalecer na execução do mesmo. e ainda assim desde que não resultem.

Importante frisar que a proteção do artigo 9º (normas de ordem pública) e 619 (normas coletivas) é muito mais forte do que a do art. Os atos que causam lesão às normas de proteção mínima ou normas coletivas podem ser passíveis de reparação e esse ato estará sujeito apenas à prescrição parcial. sendo de indisponibilidade absoluta. Ademais. Traduz-se. Em suma: Indisponibilidade absoluta = normas de proteção mínima e normas coletivas. então a adoção de uma nomenclatura mais ampla. Incorporado pela legislação (art. Não se trata também. Indisponibilidade relativa = direitos puramente contratuais. CR/88). para o princípio. O interesse é particular. é claro. 468. princípio da indisponibilidade. poderá ser exigida a qualquer tempo. Já o direito contratual é mais fraco. Não prescreve. .art. onde pode ocorrer a prescrição total. Majoritariamente. pois a lesão é mais fraca. pois este protege as normas contratuais.5) Princípio da condição mais benéfica Esse princípio importa na garantia de preservação. XXXVI. a doutrina adota a nomenclatura de princípio da irrenunciabilidade. Art. CLT) e pela jurisprudência (Súmulas 51 e 288 do TST). no contraponto entre dispositivos contratuais concorrentes.Nos contratos individuais de trabalho só é lícita a alteração das respectivas condições por mútuo consentimento. cláusula que subordina o efeito do ato jurídico a evento futuro e incerto . de condição no sentido técnico-jurídico (isto é. não se convalida com o tempo. sob pena de nulidade da cláusula infringente desta garantia. direta ou indiretamente. da cláusula contratual mais vantajosa ao trabalhador. 468. o princípio informa que as cláusulas contratuais benéficas somente poderão ser suprimidas por cláusulas posteriores ainda mais favoráveis. ao longo do contrato. 468 . 121 do CC). Diferencia-se do da norma mais favorável porque diz respeito especificamente às cláusulas do contrato de trabalho e não à legislação. Pode convalidar. prejuízos ao empregado. mantendo-se intocadas (direito adquirido) por alterações menos vantajosas do contrato ou do regulamento da empresa (já a alteração implementada por norma jurídica submete-se a outro critério). ou seja. 468 não o é. 468 gera anulabilidade e não nulidade como está expresso no artigo. há de prevalecer o mais favorável ao empregado. que se reveste do caráter de direito adquirido (art. onde a carga de proteção é menor. 2. no entanto o empregado não pode renunciar e nem transacionar. sendo que o art. 5. em manifestação do princípio da inalterabilidade contratual lesiva. Na verdade o art. ou seja. A expressão preferível seria princípio da cláusula mais benéfica. de certo modo. e ainda assim desde que não resultem.

cessada essa vigência continua a pagar os benefícios? Eles incorporam ou não o contrato de trabalho? Há três entendimentos: .04. TST – Súmula 288 . Art. que são as normas coletivas.TST – Súmula 51 . observando-se as alterações posteriores desde que mais favoráveis ao beneficiário do direito. 468 da CLT. Art. só atingirão os trabalhadores admitidos após a revogação ou alteração do regulamento.1988) A complementação dos proventos da aposentadoria é regida pelas normas em vigor na data da admissão do empregado. 444 da CLT. falar que tudo que já tem não se perde. Art. Assim. são as normas que dão o conteúdo mínimo do contrato de trabalho. aos contratos coletivos que lhes sejam aplicáveis e às decisões das autoridades competentes. mesmo estando no contrato. 129/2005. as que mostram a função social do contrato de trabalho. não existindo mais a lei não precisa mais pagar. DJ 20. DJ 14. que revoguem ou alterem vantagens deferidas anteriormente. Tudo que se adquire vai incorporando e não pode mais perder.Complementação dos proventos da aposentadoria (Res. Art. É a idéia do direito adquirido.1973. As bases primárias e secundárias são diferentes. Pergunta: As normas coletivas tem prazo de vigência máxima de 2 anos. O contrato de trabalho é construído com a base jurídica primária que são as normas de proteção ao trabalho.06. Art. Tem a idéia de que tudo aquilo que é bom não se pode mais perder. está vinculado a conservar e contribuir com o mínimo. Porém. No entanto se a lei mudar poderá perder. que são as normas do estatuto mínimo estatal e as normas coletivas. sendo considerada nula de pleno direito. pois elas também são obrigatórias. aquela adquirida no contrato. Vantagens e opção pelo novo regulamento. 619. Art. porque as naturezas de seus direitos são diferentes. Nenhuma disposição de contrato individual de trabalho que contrarie normas de Convenção ou Acôrdo Coletivo de Trabalho poderá prevalecer na execução do mesmo. Art.03. é nulo de pleno direito. ao celebrar um contrato de trabalho não se pode deixar de aplicar tudo aquilo que está previsto na norma coletiva.As relações contratuais de trabalho podem ser objeto de livre estipulação das partes interessadas em tudo quanto não contravenha às disposições de proteção ao trabalho. enquanto existir a lei em vigor. 444 . Toda a parte puramente contratual. Esta função limita o conteúdo do contrato. não pode ser alterada em prejuízo do empregado. impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação. O que se tem contratualmente é que não perde mais. não podes ser suprimidos em prejuízo do empregado. DJ 18.Norma Regulamentar. Nova redação em decorrência da incorporação da Orientação Jurisprudencial nº 163 da SDI-1 . tem que pagar o benefício.As cláusulas regulamentares. A base jurídica primária é a legislação federal. é falso. Todos os benefícios que se adquirem por força do contrato. sejam eles pactuados expressamente ou tacitamente.2005) I . porque a norma de ordem pública pode mandar o empregador fazer algo deixar de existir. (RA 41/1973. São normas cogentes. 4º da CLT. 9º e 619 da CLT – qualquer ato que tende a impedir ou desvirtuar a aplicação das normas cogentes. sou seja. 9º .Res. Há um segundo patamar do direito que é base jurídica secundária.Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar. 21/1988.

c) Pela greve. Para que continue a receber os benefícios da norma coletiva tem que tentar negociar de novo e fazer outra norma. Por isso a condição mais benéfica não incide sobre normas cogentes que podem ser alteradas. A norma coletiva tem vigência de 2 anos. não conseguindo celebrar nem acordo coletivo e nem convenção coletiva. . do princípio da condição mais benéfica e as súmulas 51 e 288 do TST. ele está cumprindo a legislação que manda ele observar as normas coletivas.I – Tudo aquilo que se consegue numa norma coletiva incorpora sempre. A norma coletiva é norma cogente. pode se buscar o poder judiciário. Já se tinha previsão de que depois de um certo tempo não existiria mais. Acaba sendo uma verdadeira norma também. Esse impasse pode ser resolvido de três formas: a) Pela arbitragem b) Pela sentença normativa – de comum acordo entre as partes. não foram estabelecidos entre empregado e empregador no contrato. Sentença normativa é fruto de dissídio coletivo de natureza econômico. Nesse caso há o dissídio coletivo de natureza econômica e essa decisão final é a sentença normativa. Entende que não incorpora. É uma decisão judicial que tem corpo de sentença e alma de lei. É Minoritária. Essa teoria preserva a negociação coletiva. Elas falam de regulamento de empresa. II – Não incorpora nunca. Usa o argumentos do direito adquirido. Ou seja. O empregador não esta emitindo vontade no sentido de dar esses benefícios. O regulamento de empresa é criado pelo empregador para aplicar nos contratos de trabalho e a norma coletiva é fruto de negociação coletiva entre sindicatos. Essa corrente é majoritária no que diz respeito às sentenças normativas – súmula 277 do TST. Acabando o prazo acaba o benefício. obrigatórias. Não gera direito adquirido. III – Corrente da ultra-atividade. Por isso é errado invocar essas súmulas para justificar essa corrente. não tratam de normas coletivas. Ainda é muito utilizada. É considerado pela doutrina como parte do contrato. Tem vigência máxima – súmula 297 do TST. Já nasce com termo. mas minoritária. c) Súmulas 51 e 288 da TST – na verdade essas súmulas estão tratando de outro instrumento. tendo algum impasse. são benefícios que o empregador tem que pagar porque as normas coletivas são cogentes. Acabando a norma acaba a obrigação do empregador de cumprir/aplicar o que a norma obriga. um tribunal do trabalho. O que foi pactuado. É Majoritária. b) Princípio da condição mais benéfica: Não se pode aplicar o princípio da condição mais benéfica porque esses benefícios não são oriundos de contrato de trabalho. Críticas aos argumentos pelo professor Otávio Calvet: a) Direito adquirido: não existe direito adquirido aos benefícios que foram criados com vigência no tempo. como se fosse um supedâneo do acordo e da convenção. tem naturezas distintas. para solucionar o impasse. Há a sentença normativa quando sindicatos de trabalhador e empregador tentam negociar e não conseguem. Aqui não se aplica o princípio da condição mais benéfica.

Essa corrente entende que as disposições convencionadas anteriormente são as da velha norma. Continua a valer os efeitos da norma que já existia. ou por greve etc. Em algum momento uma nova norma coletiva vai aparecer. do chamado jus variandi ordinário empresarial (que englobaria mudanças de menor importância. sofreu forte e complexa adequação ao ingressar no Direito do Trabalho. a inalterabilidade torna-se sumamente rigorosa. Assim. Collor. é facultado às mesmas. gerais ou específicas de um segmento. CLT). pois o ônus do empreendimento é do empregador (art.fatores que afetam a atividade da empresa . crises econômicas. desde que não resultem. mudanças drásticas na política industrial do Estado ou em sua política cambial . bem como as convencionadas anteriormente. a atenuação civilista da fórmula rebus sic stantibus (teoria da imprevisão) tende a ser rejeitada pelo Direito do Trabalho. a noção genérica de inalterabilidade perde-se no Direito do Trabalho. em algum momento na frente esse impasse vai acabar. assumindo os riscos da atividade econômica. para manter uma paz social. CLT). Não é absoluta. até que surja uma nova norma. 444 da CLT – As relações contratuais de trabalho podem ser objeto de livre estipulação das partes interessadas em tudo quanto não contravenha às disposições de proteção ao trabalho. a norma já existente terá eficácia até que seja criada a próxima norma coletiva. Art. individual ou coletiva. incentiva alterações contratuais favoráveis ao obreiro . Essa é a interpretação utilizada atualmente. CLT: "não se considera alteração unilateral a determinação do empregador para que o respectivo . caput: "Considera-se empregador a empresa. O fato é que. Como exemplo: Há uma determinada norma coletiva em vigor de 2002 a 2004.g. prejuízos ao empregado. Em terceiro lugar. 468. 2. aos contratos coletivos que lhes sejam aplicáveis e às decisões das autoridades competentes. direta ou indiretamente. 2º da CLT."). sem atingir efetivas cláusulas contratuais). a vedação às alterações contratuais lesivas. bem como outras modificações implícita ou explicitamente autorizadas por lei (como a reversão prevista no parágrafo único do art.g. que.. e ainda assim. e. Em segundo lugar. assim. Porém. ou pelo poder judiciário. respeitadas as disposições mínimas legais de proteção ao trabalho.que tendem a ser vedadas pela normatividade trabalhista (arts. 114. caso contraposta à alterações desfavoráveis ao trabalhador .Há um questionamento do que pode acontecer na prática. esse impasse pode ser resolvido ou pela arbitragem. admite.que tendem a ser permitidas (art. Art. e. A decisão desse conflito é a sentença normativa. de comum acordo. sob pena de nulidade da cláusula infringente desta garantia. ajuizar dissídio coletivo de natureza econômica. §2º da CF – § 2º Recusando-se qualquer das partes à negociação coletiva ou à arbitragem. não eliminaram ou restringiram a responsabilidade do empregador por suas obrigações trabalhistas). 468. entretanto. pois esse ramo.6) Princípio da Inalterabilidade Contratual Lesiva O presente princípio tem sua origem no princípio geral da inalterabilidade do contrato. Verão. 444 e 468.não são acolhidos como excludentes ou atenuantes da responsabilidade trabalhista do empregador (os Planos Bresser. na verdade. pois as situações decorrentes. Assim. Em primeiro lugar. Art. assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. 468 da CLT – Nos contratos individuais de trabalho só é lícita a alteração das respectivas condições por mútuo consentimento. podendo a Justiça do Trabalho decidir o conflito. Chegando em 2004 tem-se um impasse onde não houve negociação para 2006.

A noção da natureza alimentar é simbólica. VI. deixando o exercício de função de confiança.") ou franqueadas pela ordem jurídica à própria negociação coletiva (art. . mudança subjetiva empresarial (sujeito-empregador). sendo a essencialidade dos bens a que se destinam o salário do empregado o fundamento dessa garantia. garantir-se juridicamente o salário em contextos de contraposição de outros interesses e valores é harmonizar-se o Direito do Trabalho à realização do próprio princípio da dignidade do ser humano. 7º. que acentua que o conteúdo do contrato empregatício não poderia ser modificado nem mesmo se ocorresse sucessão empresarial. também conhecida como alteração subjetiva do contrato de trabalho. Trata-se da sucessão trabalhista. desde que a mudança envolvesse apenas o sujeito-empregador. 2.7) Princípio da Intangibilidade Salarial Estabelece esse princípio que essa parcela justrabalhista merece garantias diversificadas da ordem jurídica.empregado reverta ao cargo efetivo. de modo a assegurar seu valor. ou seja. Nesse quadro. o contrato permanece intangível em seu plano objetivo. anteriormente ocupado. embora mutável do ponto de vista subjetivo. O contrato seria intangível do ponto de vista objetivo. montante e disponibilidade em benefício do empregado. CR/88: "irredutibilidade do salário. ou seja. salvo se a mudança for favorável ao empregado. Essa alteração subjetiva do contrato de trabalho não é capaz de modificá-lo objetivamente. acabam por relativizar tal vedação. Intangibilidade contratual objetiva: trata-se de uma particularização do princípio da inalterabilidade contratual lesiva. salvo o disposto em convenção ou acordo coletivo").

a proteção contra constrições externas. sua ocupação. informa. 9º da CLT – Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar. Segundo Mario de La Cueva..g. que o conteúdo do contrato não se circunscreve ao transposto no correspondente instrumento escrito. CPC). pois.os vencimentos dos magistrados. a garantia de integralidade salarial. embora ampla. as coisas vão acontecendo. assim. . Constitui-se. o contrato de trabalho é um contrato realidade. CLT). Art. englobando-se também. encontra exceção na pensão alimentícia (art.Projeta-se em distintas direções: garantia do valor do salário. como a penhora. sejam do empregador. no exame das declarações de vontade. com controle de descontos em seu montante. É ampliação da noção civilista de que o operador jurídico. Como a relação de emprego é desigual. de dispositvos de lei ou de contrato coletivo. Autoriza. sejam do próprio empregado. pois. garantias contra práticas que prejudiquem seu efetivo montante – trata-se dos problemas jurídicos envolventes aos descontos no salário do empregado (o princípio aqui também tende a se particularizar em uma denominação diferente: o princípio da integralidade salarial). deve atentar mais à intenção dos agentes do que ao envoltório formal de que transpareceu a vontade. É comum que estejam diferente o que está escrito e o que na pratica ocorre. garantias contra interesses contrapostos de credores diversos. o soldo e os salários. de certo modo. uma promoção com aumento do salário. em valioso instrumento para a pesquisa da verdade real em uma situação de litígio trabalhista. 2. O princípio. onde o trabalhador é mais fraco. 462. não é absoluto: a proteção relativa ao valor do salário ainda não o preserva de perdas decorrentes da corrosão monetária. mas que não foi escrita. Art. no princípio da inalterabilidade contratual lesiva). 649 do CPC – São absolutamente impenhoráveis: IV . Art. garantias contra mudanças contratuais e normativas que provoquem a redução do salário (aqui o princípio especial examinado se identifica pela expressão princípio da irredutibilidade salarial. contudo. seja porque as pessoas querem fraudar ou porque a relação de emprego é de trato sucessivo. como por exemplo. Ás vezes o que está formalmente pactuado não condiz com aquilo que esta acontecendo na realidade. normalmente o trabalhador aceita qualquer tipo de pacto pra conseguir seu emprego. 462 da CLT – Ao empregador é vedado efetuar qualquer desconto nos salários do empregado. salvo quando este resultar de adiantamentos. Também chamado de princípio da primazia da realidade.8) Princípio da Primazia da Realidade sobre a Forma Esse princípio também decorrente do princípio da proteção. impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação. com o tempo. 7°. e. CF/88). é excepcionada pela própria norma jurídica que a instituiu (art. vão modificando. dos professores e dos funcionários públicos. onde. 649. a descaracterização de uma pactuada relação civil de prestação de serviços. VI. finalmente. desde que presentes os elementos fático-jurídicos da relação de emprego. salvo para pagamento de prestação alimentícia. incorporando amplamente toda a prática concreta efetivada ao longo da prestação do serviço. a vedação a mudanças contratuais e normativas provocadoras da redução de salários pode ser flexibilizada mediante negociação coletiva (art.

escrever errado o valor do salário na carteira. e. 2. Esse princípio perdeu grande força com a criação do FGTS em 1. I). que preverá indenização compensatória.Segundo Sérgio Pinto Martins. Três correntes de repercussão favoráveis ao empregado resultam da permanência da relação de emprego: A permanência da relação de emprego provoca três correntes de repercussões favoráveis ao obreiro: a) a tendencial elevação dos direitos trabalhistas (avanço da legislação ou da negociação coletiva. os fatos. em contextos processuais de controvérsia sobre a questão. Descobrir. Deve ser buscada a verdade real. a uma. como. Faz também presumida a própria continuidade da relação de emprego. afastando a anterior incompatibilidade do FGTS com qualquer eventual sistema de garantias jurídicas de permanência do trabalhador no emprego (art. a duas. 7º. quando negados a prestação de serviço e o despedimento. com a integração do trabalhador na estrutura e dinâmica empresariais. portanto. é do empregador. a três. 7º.9) Princípio da Continuidade da Relação de Emprego Informa tal princípio que é de interesse do Direito do Trabalho a permanência do vínculo empregatício. Embora diferente o que acontece no papel e na realidade o que se aplica é a realidade. ou mesmo vantagens agregadas ao desenvolvimento de seu tempo de serviço no contrato). desde que provado. por exemplo. pois o princípio da continuidade da relação de emprego constitui presunção favorável ao empregado. nos termos de LC. que irão evidenciar realmente os fatos ocorridos na relação entre as partes. Não obstante. não é ele o protegido. fazendo presumir-se a ruptura contratual mais onerosa ao empregador. As alegações serão provadas. ainda hoje o princípio da continuidade da relação de emprego cumpre razoável importância na ordem jurídica. O que ele pode utilizar é alegação de vícios de consentimento. . c) a afirmação social do indivíduo favorecido pelo longo contrato de trabalho (estabilidade social/econômica). muitas vezes o empregado assina documentos sem saber o que está assinando.. Em sua admissão. as vicissitudes. a realidade. pois ele não é o destinatário da relação de emprego. mas a CR/88 inclinou-se a reinserir esse princípio em patamar de relevância jurídica. que o empregado mentiu na sua qualificação no curriculum. XXI). lançando a idéia de aviso-prévio proporcional ao tempo de serviço. dentre outros (art.Súmula 212 – O ônus de provar o término do contrato de trabalho.966. conforme Súmula 212 do TST. O empregador não pode utilizar esse princípio. desde o contrato de trabalho até seu pedido de demissão. fixando a regra da relação de emprego protegida contra a despedida arbitrária ou sem justa causa. III). b) o investimento educacional e profissional que se inclina o empregador a realizar nos trabalhadores vinculados a longos contratos (com o objetivo de elevar sua produtividade e compensar o custo trabalhista percebido). nos termos da lei (art. sobre a forma ou a estrutura empregada. São privilegiados. gerando presunções favoráveis ao empregado. mesmo quando os documentos apontarem em sentido diverso. a verdadeira situação jurídica existente. daí a possibilidade de serem feitas provas para contrariar documentos apresentados. 7º. pode assinar todos os papéis possíveis. TST .g. como por exemplo.

Art. I. após a promulgação da Constituição.Propõe ainda como regra geral o contrato trabalhista por tempo indeterminado. A dispensa é algo que não está de acordo com o princípio da continuidade do emprego. o contrato a termo não se prorroga. como exemplo. O ordenamento jurídico cria dificuldades para a dispensa. 10 da CLT – Qualquer alteração na estrutura jurídica da empresa não afetará os direitos adquiridos por seus empregados. da Constituição: I . da Constituição. para quatro vezes. mas sem terminar o contrato.fica vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa: a) do empregado eleito para cargo de direção de comissões internas de prevenção de acidentes. ou seja. poderá ter os institutos da interrupção e suspensão do contrato. § 1º . 10 e 448 da CLT. Conseqüências. já que a relação de emprego é eterna. de 13 de setembro de 1966. 7º. 6º. Essa norma é de eficácia contida. pelo mesmo órgão arrecadador. regulada pelos arts. benéficas. da porcentagem prevista no art. Em regra.Até ulterior disposição legal. Há uma proteção para a continuidade do emprego. Essa proteção também se demonstra no art.Na primeira comprovação do cumprimento das obrigações trabalhistas pelo empregador rural. § 2º . será certificada perante a Justiça do Trabalho a regularidade do contrato e das atualizações das obrigações trabalhistas de todo o período. . sem motivo. mas isso não impede que já se reconheça a eficácia dessa norma constitucional no sentido de vedar condutas que sejam arbitrárias ou vexatórias. da Lei nº 5. Até que seja promulgada a lei complementar a que se refere o art. mas é possível que fique afastando de sua atividade. ate que venha a lei complementar terá no mínimo 40%. há maiores possibilidades de modificações no seu curso.fica limitada a proteção nele referida ao aumento. § 3º . esse princípio ainda confere suporte teórico à sucessão trabalhista. mas se tiver. É uma proteção parcial: Art. como os 40% do FGTS. 4ª) Possibilidade de interrupções e suspensões do contrato de trabalho. 10. desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto. aviso prévio. O contrato é eterno. Sofrerá mutação. pelo que os contratos por prazo determinado somente podem ser pactuados nas estritas hipóteses autorizadas por lei. o prazo da licença-paternidade a que se refere o inciso é de cinco dias. o contrato será por prazo indeterminado.107. Assim. Em regra. 7º. 10 da ADCT (Atos das disposições constitucionais transitórias).Até que a lei venha a disciplinar o disposto no art. 448 da CLT – A mudança na propriedade ou na estrutura jurídica da empresa não afetará os contratos de trabalho dos respectivos empregados. 3ª) Resistência à dispensa. a cobrança das contribuições para o custeio das atividades dos sindicatos rurais será feita juntamente com a do imposto territorial rural. 2ª) Por ser de prazo indeterminado. sem fato relevante. na forma do art. Art. os contratos por prazo determinado serão exceções. Finalmente. de acordo com o professor Otávio Calvet: 1ª) Em regra. desde o registro de sua candidatura até um ano após o final de seu mandato. "caput" e § 1º. 233. uma doença. XIX. b) da empregada gestante. O legislador não quer que a relação de emprego termine por nenhuma razão. II .

Assim a da teoria do ônus da prova sedimentada no Direito Processual do Trabalho. possibilidades mais eficazes de reprodução no processo do princípio da verdade real. Toda vez que o contrato de trabalho tem fim presume-se que a culpa é do empregador. 6ª) Presunção quanto ao fim do contrato de trabalho. Caso da sucessão de empresa ou sucessão de empregador. segundo a diretriz genérica do in dubio pro operario. não se faz mister transferir tal desequilíbrio à figura do juiz. o segundo. pelo desequilíbrio do ônus probatório imposto às partes (em benefício do empregado). Se ele prova que trabalhou presume-se que foi dispensado. e. como no direito penal. No direito comparado. De acordo com o professor Otávio Calvet. onde propõe-se que a decisão do juiz deveria ser favorável ao empregado. que utiliza o princípio in dubio pro reu. de que noutra dimensão ele entra em choque com um princípio jurídico geral de essência da civilização ocidental. deve-se aplicar o in dubio pro misero. Porraz Lopes defende a aplicação deste princípio sob argumento de que o empregador tem maiores condições de produzir provas. o empregador é o réu). Há a súmula 212 do TST – o ônus de provar o término de contrato de trabalho quando negados a prestação de serviço e o desprendimento é do empregador. se não há prova suficiente pelo reclamante. comprometeria a essência da promoção da justiça. hoje do Estado Democrático de Direito: o princípio do juiz natural. em casos de dúvida em face do conjunto probatório e das presunções aplicáveis. Toda vez que o contrato se extingue presume-se a dispensa sem justa causa. Cabe ao empregador provar que o motivo da dispensa foi outro que não a dispensa sem justa causa. este princípio não é uma regra de julgamento. tendo em vista a maior dificuldade que o trabalhador teria para provar certos fatos e obter certos dados ou documentos. seu status no mundo do Direito. pois o princípio da continuidade da relação de emprego constitui presunção favorável ao empregado. Tal princípio apresenta dois problemas: o primeiro de que ele abrange dimensão temática já acobertada pelo princípio da norma mais favorável. PRINCÍPIOS JUSTRABALHISTAS ESPECIAIS CONTROVERTIDOS Existem dois princípios os quais são objeto de dissensão doutrinária acerca de suas existências e/ou validades. e as presunções que caracterizam o Direito do Trabalho já franqueiam. Essa súmula se aplica numa relação trabalhista onde o empregado pede reconhecimento do vínculo de emprego. mais grave. Nessa sua segunda dimensão (dimensão processual). Assim. Se o empregador afirmar que não trabalhou terá que provar. São eles: 3. que é a existência da imparcialidade do juiz. o que. em caso de dúvida no exame de situações fáticas concretas.1) Princípio in dubio pro operário (ou pro misero) Trata-se de transposição adaptada ao Direito do Trabalho do princípio penal in dubio pro reo (pois no processo trabalhista.5ª) Possibilidade de manutenção do vínculo de emprego com mudança do empregador. a par de não ser científica. compromete. que deve decidir. a aplicação desse princípio. 3. e se ele não o faz e o empregado não consegue instrumentos probatórios. Entende ser uma . indefere-se o pedido. ou seja. em desfavor de quem possua o ônus da prova naquele tópico duvidoso e não sempre em favor do empregado. em geral. em boa medida. Sendo que.

4. tendo natureza salarial. mas não refletindo em nada. apesar da singularidade do princípio estar na tutela de interesse empresarial. aumenta o salário. em contraposição a todos os outros princípios. resolve-se interpretando a norma pelo aspecto mais favorável para o trabalhador. salvo acordo escrito ou contrato coletivo em contrário. de 1 (uma) hora e. não há como se afastar da diretriz geral dos princípios da boa-fé e lealdade processual. . previsto neste artigo. 71 da CLT – Em qualquer trabalho contínuo. conferindo fundamento a algumas figuras de justa causa. Ou seja. enunciando-se uma expressão genérica do tipo princípio da leal contraprestação. Exemplo prático: com relação ao intervalo intra-jornada: se não gozar desse intervalo o empregador tem que pagar. que tutelam interesse do empregado. Se for entendido como indenização o valor é recebido. § 4º . não sendo diferente.Quando o intervalo para repouso e alimentação. são duas as posições na doutrina e na jurisprudência pátrias. este ficará obrigado a remunerar o período correspondente com um acréscimo de no mínimo 50% (cinqüenta por cento) sobre o valor da remuneração da hora normal de trabalho. pois.2) Princípio do maior rendimento (princípio do rendimento / princípio da leal contraprestação) Informa tal princípio que o trabalhador estaria na obrigação de desenvolver suas energias normais em prol da empresa. quando a regra não é clara. PRINCÍPIOS DO DIREITO ADMINISTRATIVO APLICÁVEIS ÀS RELAÇÕES DE EMPREGO DOS SERVIDORES PÚBLICOS Em relação ao tema ora em foco. o qual será. a contribuição etc. A dúvida consiste se esse pagamento é de natureza de hora extra ou de indenização. a desídia e negociação concorrencial ao empregador. na verdade. Não é aceito por AMÉRICO PLÁ RODRIGUEZ. Sendo hora extra incorpora. como.regra de interpretação da norma material. senão vejamos. O TST tem utilizando a interpretação mais favorável. o que propõe esse princípio é a lealdade e boa-fé do empregado no cumprimento de suas obrigações trabalhistas. quando há uma norma trabalhista com conteúdo duvidoso. cuja duração exceda de 6 (seis) horas.g. Art. é obrigatória a concessão de um intervalo para repouso ou alimentação. e. Essa norma não é clara quanto a esse acréscimo. Assim. Seria a diretriz subjacente a todo poder disciplinar empregatício. 3. não poderá exceder de 2 (duas) horas. não for concedido pelo empregador. disciplinar e funcionalmente. prestando serviços regularmente. repouso. no mínimo. Porém. desses princípios gerais do Direito. utilizando a interpretação mais favorável.. que reflete em FGTS. mesmo que se estenda sua abrangência à figura do empregador.

impõe-se à relação jurídica de trabalho preceitos de Direito Público.Alguns autores. nesses casos os atos praticados por esses entes não seriam verdadeiros atos administrativos. por que. quando contrata trabalhadores sob a égide da Consolidação das Leis do Trabalho. ato administrativo é a declaração do Estado ou de . sem quaisquer prerrogativas especiais. Poder-se-ia mesmo dizer que em casos tais o Estado se despe do seu poder de império. contudo. mesmo nessa hipótese. § 1º. se os motivos alegados pelo administrador não forem verdadeiros o ato será inválido. como o Francisco Ferreira Jorge Neto. Os princípios de direito administrativo só se aplicariam aos servidores estatutários. de motivar o ato de dispensa de seus empregados. por força do previsto no art. 173. Assim. Seguindo esse raciocínio. temos que. da Carta Magna. DEMISSÃO SEM JUSTA CAUSA. mesmo para aqueles que entendem que tanto os atos vinculados quanto os discricionários devem ser motivados. mas ato jurídico privado. como: exigência de concurso público para a contratação dos empregados públicos. pela teoria dos motivos determinantes. pois não se está praticando ato administrativo típico. etc. e que. da CF/88. sua relação com seus empregados seria regida pelo Direito privado. vedação da acumulação de cargos e empregos. antes de tudo. O TST já julgou no sentido de que certos princípios administrativos não se aplicam a ente público sujeito ao regime jurídico privado. não mais pelos princípios de direito público. equipara-se inteiramente ao empregador comum trabalhista. a uma. havendo a contratação pela Consolidação das Leis do Trabalho a Administração Pública se equipararia inteiramente ao empregador comum trabalhista. quando o Estado deixa o privilégio do âmbito administrativo para contratar em âmbito celetista. não havendo necessidade. por força do art. Isso porque. um ato administrativo. Arrematam esses autores que. da Carta Magna. § 1º. REINTEGRAÇÃO. qual seja. Segundo Maria Sylvia.QUINTA TURMA FONTE DJ DATA: 14-11-2003 RELATOR MINISTRO RIDER NOGUEIRA DE BRITO EMENTA SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. senão vejamos: TRIBUNAL: TST DECISÃO: 08 10 2003 NUMERAÇÃO ÚNICA PROC: RR . de fato. a duas. caput. e a obrigatoriedade de concurso público para o ingresso na Administração Pública Indireta. remuneração. que estabelece para esses entes o mesmo regime jurídico das empresas privadas nas relações de trabalho. (Item nº 247 da Orientação Jurisprudencial da SBDI-1 do TST). 173. seja. é valida a demissão imotivada de empregado de sociedade de economia mista. Mesmo considerando os princípios esculpidos no art. a necessidade de motivação prende-se a uma premissa anterior e necessária. Recurso de Revista conhecido e provido.1362-2001-006-13-00 RECURSO DE REVISTA ÓRGÃO JULGADOR . A sociedade de economia mista. perdendo até mesmo a sua dignidade de autoridade pública para figurar em sede de mandado de segurança. vinculado ou discricionário. uma vez motivados. Para se saber se um ato é administrativo ou não mister se faz a análise de seu conceito. o Jouberto de Quadros Pessoa Cavalcante e o Francisco Antônio de Oliveira entendem que quando a Administração Pública contrata o servidor público pelo regime celetista ela equipara-se ao empregador particular. portanto. 37. a de que esse ato.

37 da CR. como os princípios previstos no caput do art. no esteio dos ensinamentos da Maria Sylvia. que produz efeitos jurídicos imediatos. a motivação realmente não seria obrigatória. entende que toda a Administração Pública. tendo em vista a supremacia do interesse público sobre o particular (finalidade pública) e/ou a indisponibilidade. submetida ao regime jurídico das empresas privadas. como é cediço. mesmo quando a administração se submete ao regime de direito privado ela sempre sofre restrições de ordem constitucional ou infraconstitucional.quem o represente. EMBARGADOS: MARLYSE DA COSTA DIAS E OUTROS. pela Administração. segurança jurídica. 173 da CR/88. contraditório. com observância da Lei. se no próprio conceito de ato administrativo há a referência a ato praticado pelo Estado sob regime de direito público. senão vejamos: “ORIGEM TRIBUNAL: TST DECISÃO: 20 10 2003 PROC: ERR NUM: 514118 ANO: 1998 REGIÃO: 01 EMBARGOS EM RECURSO DE REVISTA TURMA: D1 ÓRGÃO JULGADOR . direta ou indireta. proporcionalidade. no caso de um ato praticado por sociedade de economia mista. Implícitos ou explícitos. mas sim ato da administração. moralidade administrativa. 37 da CR. RELATORA MINISTRA MARIA CRISTINA IRIGOYEN PEDUZZI . dos interesses públicos. razoabilidade. há derrogação das normas privadas por preceitos de ordem pública. não se poderia afirmar que tanto nos atos administrativos. os seguintes: finalidade. pode-se extrair a conclusão que.SERPRO. está sujeita aos princípios explicitados pelo caput do art. publicidade e eficiência. afirmando que. Já a Lei 9784/99 (lei do processo administrativo federal) acrescentou a esses princípios. sob regime jurídico de direito público e sujeita a controle judicial. mesmo nos casos de empresas públicas sujeitas ao regime das empresas privadas. por força do 173 da CR. ampla defesa. quanto nos atos da administração a motivação seria sempre necessária? Ademais. por força do art. a dizer: aos princípios da legalidade. motivação. Para reflexão: como no capítulo referente ao regime jurídico administrativo a Maria Sylvia aduz que a motivação é um princípio de toda a Administração Pública. pois não se trata de ato administrativo. independentemente do tipo de vínculo estabelecido com os seus servidores (se estatutário ou se celetista). Dessa forma. interesse público. A segunda corrente doutrinária e jurisprudencial. Nesse sentido já entendeu o TST. impessoalidade. os princípios acima se aplicam à toda Administração Pública.SUBSEÇÃO I ESPECIALIZADA EM DISSÍDIOS INDIVIDUAIS FONTE DJ DATA: 07-11-2003 PARTES EMBARGANTE: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS .

o que o dispositivo constitucional referido proíbe é a investidura primária do empregado público sem o crivo do princípio da universalidade de acesso. esculpido no art.LEI Nº 8. da Constituição da República. cujo instrumento é o concurso público. IV. da Constituição Republicana .ATO JURÍDICO PERFEITO . § 1º. o ato jurídico perfeito.DISPONIBILIDADE DE RECURSOS ORÇAMENTÁRIOS .” .REINTEGRAÇÃO AUTORIZADA PELA LEI DE ANISTIA ENUNCIADO Nº 126/TST. Finalmente. 37 constitucional. É certo que as empresas públicas estão submetidas ao regime celetista. parágrafo único. da Carta Magna. fundados em odiosa política segregacionista. conforme bem detectado pela Corte inferior. Em outras palavras. para alijar da Administração pessoas identificadas com movimentos políticos de oposição.MOTIVOS DETERMINANTES DA DISPENSA ILÍCITOS . dentre as quais destaco os princípios da moralidade e legalidade. por força do regime de direito especial positivado na Constituição. na moldura fática delineada pelo acórdão regional.ANISTIA . como as que compõem o "caput" do art. DECISÃO Por unanimidade. dentre elas a que impõe. necessário seria reavaliar as provas e fatos da causa. da Constituição Federal. que o SERPRO não comprovou os motivos implausíveis da dispensa. por força do Enunciado nº 126/TST. em relação a sua situação jurídica subjetiva. não conhecer dos Embargos. Embargos não conhecidos. 37. Deve-se relativizar a idéia de irretroatividade para permitir que a lei alcance atos discriminatórios do Estado. se o Direito Administrativo dispõe que os motivos alegados pelo administrador o vinculam e tendo ficado assentado. sede material dos princípios da moralidade administrativa e da legalidade. 5º. Ora. XXXVI. Não há violação ao art. como consectário da teoria dos motivos determinantes. da Constituição Federal. Desse modo. sofrem o influxo derrogatório de diversas normas publicistas. não assiste razão ao Embargante. 173. a coisa julgada e o direito adquirido. 1º. incide a Lei de Anistia. II. O dispositivo aludido é uma garantia individual oponível contra o Estado. Todavia. Existe para proteger o particular da superveniência de norma elaborada pelos poderes constituídos que venha a afetar. providência vedada em sede extraordinária. o Reclamado não demonstrou que havia insuficiência de recursos orçamentários. pois o que a Lei de Anistia preconiza é precisamente a sua afirmação. com força constitucional. No que concerne à ofensa ao artigo 169.art. o princípio do pluralismo político. Conforme assentado pelo acórdão regional.também não tem melhor sorte o recurso. o direito potestativo de extinguir a relação de trabalho não é absoluto e comporta restrições de diversas modalidades. Assim. 37 da Carta. No tocante à violação ao princípio do acesso universal aos cargos públicos . como já assentado em diversos outros precedentes desta Corte. para chegar-se à conclusão preconizada pelo Recorrente. não há que se falar em ofensa ao art.PRINCÍPIO DO ACESSO UNIVERSAL AOS CARGOS PÚBLICOS . Não se proíbe que servidores dispensados arbitrariamente sejam reintegrados aos quadros da Administração.878/94 .EMENTA RECURSO DE REVISTA . não há a vislumbrada violação ao art. Igualmente.

para apuração da falta cometida ou de sua inadequação às atividades que lhe concernem. o qual é aplicável com as alterações decorrentes da CR/88.g. da CR/88. submetidos às normas da CLT. 182 do Decreto-lei 200. em casos de necessidade imediata de admissão de pessoal ou de contratação de profissionais de maior qualificação). e da conseqüente reintegração (e não meramente compensação indenizatória) via judiciário trabalhista. Segundo Celso Antônio Bandeira de Mello. É que (tal como ocorre no serviço público em geral) se sujeitam ao teto remuneratório correspondente ao dos subsídios de Ministro do STF. os empregados públicos são contratados sob o regime da CLT.Para a Maria Sylvia Zanella Di Pietro. como tem de ser. O princípio da impessoalidade também seria aplicável na hipótese. XVII. que prevê a necessidade de concurso público para o acesso a emprego público (exceto. o qual veda que sejam cumulados cargos. da CR/88). 22. Por fim. de forma que se estabelecem previamente critérios objetivos em função dos quais serão feitos os cortes. 37. ou de redução do quadro. os agentes públicos integrantes das empresas estatais são empregados. DF. por imposição também do parágrafo 1º do art. da CR/88. Estado.Arnaldo Süssekind) 1. reservada privativamente à União (art. salvo as exceções de acúmulo permitido. haveria a submissão ao artigo 37.. salvo se a empresa não receber recursos da União. do Título III. vencimentos. 173 da CR/88. já que não possuem competência para legislar sobre direito do trabalho. ainda aqui há influxo de princípios ou regras de Direito Público que determinam algum tratamento peculiar a esses empregados. da CR). sendo a Justiça do Trabalho a competente para conhecer das questões relativas a tais vínculos. com direito à defesa. no caso das exploradoras de atividade econômica. a começar pela limitação da remuneração dos agentes das empresas estatais ou de suas subsidiárias. da Constituição. seja. para que se possa aferir se o desligamento de tais ou quais empregados obedeceu a critérios impessoais. ou Município para pagamento de seu pessoal ou custeio em geral (art. I. Para Alonso Olea. Estados e Municípios não podem derrogar outras normas da legislação trabalhista. 37. estarem tais servidores jungidos ao art. acumulação de cargos. II. sem embargo. 9º. e. Outro princípio aplicável aos servidores com emprego público seria o da necessidade de processo regular. de política de contenção de despesas na área de pessoal. ANEXOS: Texto 1) PRINCÍPIOS DE DIREITO DO TRABALHO (Resumo do livro "Instituições de Direito do Trabalho" . seja por força de tratar-se de entidade de Direito Privado. Embora sujeitos à CLT. sob pena de nulidade do despedimento. Aduz. entre outras previstas no capítulo VII. Esse autor aduz que. o princípio geral de direito é mais do que uma fonte supletiva para ser aplicada na . ainda. submetem-se a todas as normas constitucionais referentes a requisitos para a investidura. seja por disposição expressa constante do art. Conceito e importância A CLT inclui os princípios gerais de direito "principalmente direito do trabalho" entre as fontes a que a justiça do trabalho e as autoridades administrativas devem recorrer para sanar omissões no campo das relações de trabalho. funções ou empregos públicos.

e IV . destinados a iluminar tanto o legislador. função social da propriedade. justiça social. depende não apenas do sistema econômico adotado pelo respectivo regime jurídico-político. e) dão unidade e confiança á disciplina. que aconselha o intérprete a escolher entre duas ou mais interpretações possíveis. Os instrumentos normativos alusivos às relações de trabalho devem objetivar a prevalência dos valores sociais do trabalho. aludiu: "valorização do trabalho humano. sem dúvida. Os fundamentos jurídicos-políticos e sociológicos do princípio protetor geram. como o intérprete. c) são eles os preceitos que sustentam e tipificam o direito do trabalho. mas também da possibilidade real de os sindicatos por meio dos instrumentos da negociação coletiva. 2. assim como a peculiaridades regionais. que inspira todo o sistema com múltiplos efeitos. que a constituição brasileira adotou. Poder-se-ia afirmar que. E o respeito à dignidade do trabalhador constitui um dos direitos supraestatais inerentes ao ser humano. desde que não afronte a nítida manifestação do legislador. pelo que podem servir para promover e embasar a aprovação de novas normas.os valores sociais do trabalho. ao sublinhar os fundamentos da República. Américo Plá Rodrigues. Alfredo Ruprecht deduz as seguintes conseqüências dos princípios: a) tem caráter de preceitos jurídicos que podem ser aplicados. cuja observância independe da vigência de leis nacionais ou tratados internacionais. em virtude do qual. ainda que timidamente. ao relacionar os princípios gerais da atividade econômica. pois se aplicam à situações de fato e de direito. orientar a interpretação das existentes e resolver casos não previstos". aplica-se em cada caso. tal como procedeu em relação á seguridade social. referiu: III . b) princípio da norma mais favorável. Todavia. visando a opor obstáculos à autonomia da vontade. define os princípios como "linhas diretrizes que informam algumas normas e inspiram direta ou indiretamente uma série de soluções. por exemplo. empresariais ou profissionais. capaz de proporcionar a adaptação de condições de trabalho. 3. que caracterizam a intervenção básica do Estado nas relações de trabalho. a mais favorável ao trabalhador. mediante tutela sindical. A necessidade de proteção social do trabalhador constitui a raiz sociológica do direito do trabalho e é imanente a todo o seu sistema jurídico. Princípios específicos do direito do trabalho O princípio da proteção do trabalhador resulta das normas imperativas e.dignidade da pessoa humana. é na verdade um critério geral de ordenação. ao elaborar as leis dos respectivos sistemas. e nem se trate de matéria probatória. conseguirem a estipulação de condições adequadas de trabalho ou a complementação da base mínima fixada por lei. explicitados ou deduzidos do ordenamento jurídico pertinente. Por seu turno.omissão ou imprecisão da lei ou do costume. a situações conjunturais ou a exigências de nova tecnologia. outros: a) princípio in dúbio pro operário. portanto. ao aplicar as normas ou sanar omissões. nos países de economia de mercado o intervencionismo estatal nas relações de trabalho reduz-se na razão inversa do fortalecimento da organização sindical. Princípios constitucionais gerais A nova Carta não revelou expressamente os princípios informadores do direito do trabalho. Pondere-se nesse passo que se vem desenvolvendo a tese da flexibilização. de ordem pública. busca do pleno emprego". b) tem caráter normativo. d) orientam a interpretação da lei e solucionam situações de dúvida ou não previstas. O autor diz que princípios são enunciados genéricos. a que for mais favorável ao trabalhador. independentemente da sua colocação na escala hierárquica das normas jurídicas. . Hoje a maior ou menor intervenção do Estado nas relações de trabalho.

ou de critério de admissão. Embora se trate de um princípio geral do direito. como.Bibliografia 1. o da razoabilidade. uma vez que não foi consagrada a estabilidade absoluta do trabalhador no emprego. Passanante. recusando a justificação de irresponsabilidade que se queria alegar em sua defesa. Princípios expressos e não expressos: "descobrindo" os princípios constitucionais . Juiz Federal Substituto (extraído do seu site: www.2." Jean Boulanger .5. independentemente do levantamento do FGTS. ainda que vigore ou sobrevenha norma jurídica imperativa prescrevendo menor nível de proteção e que com esta não sejam elas incompatíveis. Que me importa a vida? O que me importa é que o princípio se mantenha".br) "Da morte não faço caso.. especificamente quanto ao direito trabalho: a) princípio da não-discriminação. d) princípio da primazia da realidade. em virtude do intenso relacionamento entre trabalhador e empregador. que determina a prevalência das condições mais vantajosas para o trabalhador. cor ou estado civil. de salário em razão de deficiência física. b) princípio da continuidade da relação de emprego. que visam a protegê-lo de descontos abusivos.flexibilização. e) os princípios da integralidade e da intangibilidade do salário. porque então o princípio cairia. A força normativa dos princípios constitucionais Por George Marmelstein Lima. o da continuidade do contrato. pode ser afetado pelos instrumentos da negociação coletiva .. O que não quero é passar por doido.3. manual ou intelectual ou entre os profissionais. Nãodiscriminação. ainda que sob a capa simulada. o qual não sendo inflexível. já embutido na regra da inalterabilidade salarial decorrente do princípio protetor. Sumário: 1.com. consagra. em razão do qual a relação objetiva evidenciada pelos fatos define a verdadeira relação jurídica estipulada pelos contratantes. o referente às diferenças entre princípios e regras.4. Conclusão . justiça social e equidade. não correspondente à realidade. princípios e regras . dignidade humana. e. colaboração. das normas de indenização nas despedidas arbitrárias. e bem assim que se distinga na aplicação de normas gerais entre o trabalho técnico. preservar sua impenhorabilidade e assegurar-lhe posição privilegiada em caso de insolvência do empregador A carta Magna de 1988. regicida italiano do século passado. Afronta a princípios constitucionais e o recurso extraordinário . Pode um princípio embasar uma pretensão em juízo? .hpg. e do aviso prévio. c) princípio da irredutibilidade do salário. o da boa-fé tem ampla aplicação nas relações de trabalho. emana. o da boa-fé. Texto 2) Que aprofunda certos temas estudados nesse ponto. ajustadas no contrato de trabalho ou resultantes do regulamento. Normas.g. PRINCÍPIOS: UM BOM COMEÇO "os princípios haurem parte de suas majestades no mistério que os envolve. que proíbe diferença de critério de admissão. o da realidade. Princípios: um bom começo . Ruprecht enumera os seguintes princípios: protetor (do qual derivam o in dúbio pro operário.6.c) princípio da condição mais benéfica. idade. de exercício de funções e de salários por motivo de sexo. norma mais favorável e da condição mais benéfica) o da irrenunciabilidade de direito.georgemlima. o qual somente em casos especiais. o do rendimento.

normas (gerais ou generalíssimas) que exprimem valores e que por isso. a Corte Constitucional italiana assim definiu princípios: "são aquelas orientações e aquelas diretivas de caráter geral e fundamental que se possam deduzir da conexão sistemática. Ed. RT. 7a ed. a conotação é descritiva: trata-se de uma 'abstração por indução'" (FERREIRA FILHO. que concorrem para formar assim. p. precisamos. MANOEL GONÇALVES FERREIRA FILHO. A Ordem Econômica na Constituição de 1988.Elementos teóricos para uma formulação dogmática constitucionalmente adequada. São Paulo. início. utilizando o célebre conceito de CELSO ANTÔNIO BANDEIRA DE MELLO. Malheiros. 1998. São Paulo. verdadeiro alicerce dele. as disposições que preordenem o conteúdo da regra legal. 84) e polissêmico (Cf. Eros Roberto. modelo. Nos dois primeiros sentidos. Ltr. p. (Para uma compreensão mais completa e profunda do tema. numa acepção vulgar. no atual estágio de evolução da Teoria Geral do Direito. o sentido que adotamos quando nos referimos aos "princípios constitucionais". 4a ed. Ed. GENARO CARRIÓ. pp. Vol. 228). discorrendo sobre o tema. sobretudo do Direito Constitucional. obtidas por indução a partir das normas vigentes sobre determinada ou determinadas matérias. ainda que superficialmente. seriam standards. 76). que se imporiam para o estabelecimento de normas específicas . num dado momento histórico. fundamental é a leitura da obra Conceito de Princípios Constitucionais .. Da mesma forma. os princípios jurídicos. Tal noção. Curso de Direito Constitucional Positivo. antes de tudo. seriam generalizações. para quem princípio é. o que são os princípios. Não é este.ou seja. Realmente.. origem das coisas. nada mais. caracterizam-se por possuírem um grau máximo de . faz a seguinte elucidação: "os juristas empregam o termo 'princípio' em três sentidos de alcance diferente. p. São Paulo. da coordenação e da íntima racionalidade das normas. porém. significa. em qualquer ângulo em que se ponha o jurista ou operador do direito. começo. indica sete focos de significação assumidos pelo vocábulo princípio.Para discorrermos com segurança acerca da força normativa dos princípios constitucionais. pois. seriam 'supernormas'. disposição fundamental que se irradia sobre diferentes normas compondo-lhes o espírito e servindo de critério para sua exata compreensão e inteligência. São Paulo. no derradeiro. 1998. citado por EROS ROBERTO GRAU. "mandamento nuclear de um sistema. O que é importante assinalar. Eros Roberto. São Paulo. GRAU. Malheiros. Manoel Gonçalves. 4a ed. para regras que as desdobram. no que lhe confere a tônica e lhe dá sentido harmônico. nada menos do que onze significações atribuíveis à expressão princípio jurídico (GRAU. 230. 73-74). explica-nos PAULO BONAVIDES. entender. p. Num primeiro. Da mesma forma. Malheiros. exatamente por definir a lógica e a racionalidade do sistema normativo. A Ordem Econômica na Constituição de 1988. 9a ed. 230) A despeito de ser uma noção bastante clara..Estudos em Homenagem ao prof. 76).) do professor Paulo Bonavides traz uma análise insuperável do tema). Direito Constitucional do Trabalho . equívoco (Cf. a despeito da multi-dimensionalidade do sentido da palavra. ou seja. são ponto de referência. por definição.." (MELLO." apud BONAVIDES. 1994. No segundo. Elementos de Direito Administrativo. o termo tem uma conotação prescritiva. Celso Antônio Bandeira de. Em sentido semelhante. 1998. do latim pricipium. o capítulo 8 (Dos Princípios Gerais de Direito aos Princípios Constitucionais) do Curso de Direito Constitucional (7a ed. p. No último. Paulo. "Princípio". de Ruy Samuel Espíndola. 1991. Curso. não podemos deixar de lado que princípio é um termo multifacetário. aqui a palavra princípio conota a idéia de "mandamento nuclear de um sistema". o tecido do ordenamento jurídico. Amauri Mascaro do Nascimento.p. I. a partir dele enunciando. SILVA. deriva da linguagem da geometria. 1980. "onde designa as verdades primeiras" (Curso de Direito Constitucional. Malheiros. José Afonso da. é que.

1993.. essa dissociação foi superada: "a dogmática moderna avaliza o entendimento de que as normas jurídicas. Porém. Elementos de Direito Administrativo. a grandes juristas incorrerem no erro primário de igualar as regras às normas. Graças. podem ser enquadradas em duas categorias diversas: as normas-princípios e as normas-disposição. p. a meu ver. as duas espécies de normas (Deve ser ressaltado." (BARROSO. ARNALDO VASCONCELOS: "Os princípios gerais de Direito.. São Paulo. 210). o que leva.. tanto que não lhe falta a possibilidade de sancionamento". tendo . em trabalho pioneiro escrito em 1926 (!). Dada a fundamental característica normativa dos princípios..). que alguns autores (Perez Luño. cumpre fazer uma melhor distinção entre regras e princípios. têm eficácia restrita às situações específicas as quais se dirigem. ainda hoje. p. o professor cearense. Porém. Malheiros. e portanto resumem. vale dizer. sucessor de HERBERT HART na cátedra de Jurisprudence na Universidade de Oxford. regra]. Os colchetes são nossos). 2a ed.p. desenvolvendo e especificando ulteriormente o preceito em direções mais particulares (menos gerais). porque representa insurgência contra todo o sistema. subversão de seus valor es fundamentais. estas efetivamente postas.. na atual fase de evolução da Teoria Geral do Direito. "Tanto uma constelação de princípios quanto uma regra positivamente estabelecida podem impor uma obrigação legal" (apud BONAVIDES. deixaremos de tratar dos valores como espécie de normas. Curso. como espécies de norma. Partindo dessa "pré-compreensão" de princípio como norma jurídica. que a pressupõem. potencialmente. 210). enquanto considerada como determinante de uma ou de muitas outras subordinadas. aos estudos de ROBERT ALEXY e do jusfilósofo norteamericano RONALD DWORKIN. 1980. apenas dedutíveis do respectivo princípio geral que as contém" (Apud BONAVIDES. mas a todo o sistema de comandos. Seguindo esta trilha. os princípios gerais do direito foram os antecedentes históricos dos princípios constitucionais. nem menos. As normas-disposição. e as normas constitucionais. 1998. PRINCÍPIOS E REGRAS Durante muito tempo houve uma dissociação dos conceitos de normas e princípios.p. E mais: "violar um princípio é muito mais grave do que transgredir uma norma [rectius. Luís Roberto. em grande parte. ao contrário. mais do que isso: uma norma jurídica iguais às outras. Em sentido contrário. Interpretação e aplicação da Constituição. Ed. preferindo incluí-los como parte componente do próprio princípio. das quais determinam. uma normatividade potencializada e predominante.. na sugestiva passagem de RONALD DWORKIN. O próximo tópico tratará do assunto. têm. já em 1952: "Princípio é. RT. normas jurídicas no sentido formal do termo" (Teoria da Norma Jurídica. pois. que são. nada obstante sua força vinculante. toda norma jurídica. com efeito. em particular. Paulo.. É a mais grave forma de ilegalidade ou inconstitucionalidade. não são. 141). 230. também referidas como regras. o conteúdo: sejam. 3a ed. sejam.. 208). 2.juridicidade. Curso. mais à frente. Saraiva. cujo título era Principios Constitucionais. conforme o escalão do princípio atingido. Vale ressaltar que SAMPAIO DÓRIA. outrossim. A desatenção ao princípio implica ofensa não apenas a um específico mandamento obrigatório. São Paulo. p. Celso Antônio Bandeira de. normalmente. contraditoriamente. 238). Pietro Sanchis e García de Enterria) incluem os valores. tendo em vista a enorme carga valorativa que nele está inserida). afigura-se acertada a noção desenvolvida por CRISAFULI. p. Paulo.) apesar de terem positividade. ou simplesmente princípios. sem mais. BOBBIO faz um clara análise dos princípios gerais do Direito (Segundo PAULO BONAVIDES. "(. não constituem normas jurídicas" (p. NORMAS. maior teor de abstração e uma finalidade mais destacada dentro do sistema. ao lado dos princípio e das regras. sustenta que o princípio "não representa mera aspiração ideológica (. em geral. 230. São Paulo." (MELLO. por transcender aos estreitos limites do objeto desse estudo. Já as normas-princípio. contudo.

a função de regular um caso. é uma tarefa particularmente complexa. Norbeto. ao analisá-las. aquelas generalidades do direito publico. Revista dos Tribunais. para os que aceitam essa tese). Conceito de Princípios Constitucionais. pois. tanto que é velha questão entre juristas se os princípios gerais são normas. chegar a uma distinção satisfatória. E. e ás paixões dos homens. E por que não deveriam ser normas?"( BOBBIO. Para CANOTILHO. no âmbito do superconceito norma. Teoria do Ordenamento Jurídico. Ruy Samuel. Em segundo lugar. norma é o gênero do qual são espécies as regras e os princípios (e os valores. São Paulo. inserindoos no amplo conceito de normas: "Os princípios gerais são apenas. Unb. podendo. 1999. isto é. Os principios constitucionaes da União brasileira são aquelles canones. principios são as bases organicas do Estado. d) 'Proximidade da ideia de direito' : os princípios são 'standards' juridicamente vinculantes radicados nas exigências de 'justiça' (DWORKIN) ou na 'ideia de direito' (LARENZ). as regras possuem uma abstracção relativamente reduzida. saber como distinguir. as normas mais gerais. e ambos válidos: antes de mais nada. Estas são apenas uma das faces das normas. carecem de mediações concretizadoras (do legislador? do juiz?). Não pode. 65). em direito constitucional. c) Carácter de fundamentalidade no sistema de fontes de direito: os princípios são normas de natureza ou com um papel fundamental no ordenamento jurídico devido à sua posição hierárquica no sistema das fontes (ex: princípios constitucionais) ou à sua importância estruturante dentro do sistema jurídico (ex: princípio do Estado de Direito). Brasília. a meu ver. na atual classificação. 7a ed. as regras podem ser normas vinculantes com um conteúdo meramente formal. e) Natureza normogenética: os princípios são fundamento de regras. e não flores ou estrelas. 159).como referência a Constituição Republicana de 1891. de cunho pós-positivista. 1996. isto é. São Paulo. por conseguinte. de modo diverso. porém. por serem vagos e indeterminados. se são normas aquelas das quais os princípios gerais são extraídos. Para mim não há dúvida: os princípios gerais são normas como todas as outras. Para sustentar que os princípios gerais são normas. E esta é também a tese sustentada por Crisafulli. normas fundamentais ou generalíssimas do sistema. não se vê por que não devam ser normas também eles: se abstraio da espécie animal obtenho sempre animais. sem os quaes não existiria esta União tal qual é nas suas características essenciaes" (apud ESPÍNDOLA. entre regras e princípios. 109). Dessume-se. o estudioso do direito equiparar a norma jurídica às regras. Conceito de Princípios Constitucionais. p. O jurista. ser utilizado os seguintes critérios por ele sugeridos: "a) O grau de abstração: os princípios são normas com um grau de abstracção relativamente elevado. E com que finalidade são extraídos em caso de lacuna? Para regular um comportamento não-regulamentado: mas então servem ao mesmo escopo que servem as normas. A palavra princípios leva a engano. mas se pode. p. com a ajuda de doutrinadores. por isso. enquanto as regras são susceptíveis de aplicação direta. que. uma função normogenética fundamentante" (Apud ESPÍNDOLA. Revista dos Tribunais. b) Grau de determinabilidade na aplicação do caso concreto: os princípios. E qual seria a diferença entre regras e princípios? A resposta não é simples. 1999. deve aferir-lhes a espécie (princípios ou regras) e a hierarquia (norma constitucional. são normas que estão na base ou constituem a ratio de regras jurídicas. legal ou mesmo infralegal) para bem entender seu posicionamento no ordenamento jurídico. p. a função para qual são extraídos e empregados é a mesma cumprida por todas as normas. . já definia os princípios como normas: "principios se entendem por normas geraes e fundamentaes que inferem leis. Ruy Samuel. que como naus da civilização devem sobrenadar ás tempestades politicas. através de um procedimento de generalização sucessiva. que se diferenciam lógica e qualitativamente. os argumentos são dois. desempenhando.

P. expressam um valor ou uma diretriz. pois. Fernando Ferreira dos. Importante salientar que tanto as regras quanto os princípios são necessários à composição do sistema jurídico. São Paulo. as premissas e os resultados das regras jurídicas. São Paulo. onde a igualdade surge como a instância valorativa adotada pela Carta Magna.prossegue o jurista cearense -. no caso da qualificação como "fato permitido"). irradiam-se por diferentes partes do sistemas. 1999. por sua vez. Livraria do Advogado. com a descrição (ou "tipificação") de um fato. 17). processo e princípio da proporcionalidade. as regras "possuem a estrutura lógica que tradicionalmente se atribui às normas do Direito. amparada em uma sanção (ou na ausência dela. que se possa precisar com facilidade a ocorrência. Malheiros. Porto Alegre. deverá nomear à autoria o proprietário ou o possuidor" (art. Afinal. outros princípios igualmente adotados. ou melhor. e estes são "mandamentos de otimização" (A expressão é de Alexy. 265). Pode-se dizer. dizia: "Há entre princípio e regra jurídica não somente uma disparidade de importância mas uma diferença de natureza. a realização de algo. Ed. Raimundo Bezerra. "todos são iguais perante a lei". Celso Bastos Editor. "aquele que detiver a coisa em nome alheio. Como se observa. Já os princípios fundamentais . sem descrever uma situação jurídica. igualmente dotados de validade positiva e de um modo geral estabelecidos na constituição. Possuem um maior grau de abstração e.legalismo .do mundo da vida. WILLIS SANTIAGO GUERRA FILHO. ao que se acrescenta a sua qualificação prescritiva. da melhor maneira possível. quando já não são mesmo.. São Paulo. proíbem ou permitem algo em termos definitivos (direito definitivo). foi o mais insigne predecessor da normatividade dos princípios. Eles devem ser entendidos como indicadores de uma opção pelo favorecimento de determinado valor. Coor. Eros Roberto. Conseguir-se-ia um 'sistema de segurança'. exigem. p. portanto. ex. Em outras palavras: a) as regras descrevem uma situação jurídica. que as regras são "concreções dos princípios" (GRAU. que. 1997. informando a compreensão das regras. juntamente com outras tantas opções dessas. Licitação e Contrato Administrativo. 14. b) os princípios. a regra "tem no espírito do intérprete sua usina e complemento de produção" (FALCÃO. pois. assim. Exigiria uma disciplina legislativa exaustiva e completa . a diferença entre os princípios e as regras são quantitativas e qualitativas. p. ou seja. Já no século passado. 1995. p. JEAN BOULANGER. in abstracto. dando unidade e harmonia ao sistema normativo. P. Uma vez mais o vocábulo é a fonte de confusão: a generalidade da regra jurídica não se deve entender da mesma maneira que a generalidade de um princípio" (BONAVIDES. 16). que em determinado caso concreto podem se conflitar uns com os outros. É a natureza normogenética dos princípios. que. em termos definitivos. sem qualquer exceção. vem logo à tona a famosa frase do jurisconsulto WACH de que "a lei é mais sábia que o legislador". nem se reportar a um fato particular. na lição de CANOTILHO: "Um modelo ou sistema constituído exclusivamente por regras conduzir-nos-ia a um sistema jurídico de limitada racionalidade prática. Ressalte-se que Alexy é um dos grandes expoentes dessa dogmática principialista que domina os discursos constitucionais da atualidade) das regras. vinculam fatos hipotéticos específicos. 1997. 239).Na lição de WILLIS SANTIAGO GUERRA FILHO. In: Dos Direitos Humanos aos Direitos Fundamentais. fixando. conforme SANTOS. Hermenêutica. ex. Malheiros. não se reportam a um fato específico. Paulo. ao hermeneuta extrair da regra o sentido que melhor se coadune com a diretriz dada pelo princípio que fundamenta essa regra mesma). p. extraindo a conseqüência prevista normativamente. p. por trás de toda regra há um princípio que a fundamenta (Dessa assertiva. mas não haveria qualquer espaço livre para a complementação e . a ser levada em conta na apreciação jurídica de uma infinidade de fatos e situações possíveis. Cabe. sendo-lhe demandada em nome próprio. antinômicos entre si" (Direitos Fundamentais. porém. 62 do CPC). Princípio Constitucional da Dignidade da Pessoa Humana. observadas as possibilidades fáticas e jurídicas (reserva do possível). exigindo. segundo PAULO BONAVIDES. Idem. preenchidos os pressupostos por ela descrito.

por possuírem grande traços de indeterminação. em princípios constitucionais" (BONAVIDES. a inexistência de regras precisas. 232). Realmente. pois. o certo é que ela enfatiza a força normativa e vinculante dos princípios. há juristas que não compreendem a verdadeira força normativa dos princípios. mormente em face da inserção dos princípios nos textos constitucionais. como têm um caráter hierarquicamente superior. mero ideário não-jurídico" . de cumprimento forçado. 3a ed. Luís Roberto. convertidos em pedestal normativo sobre o qual assenta todo o edifício jurídico dos novos sistemas constitucionais" (Idem. considerando que a Constituição é um sistema de normas ("A Constituição. conservam os atributos essenciais destas. vez que. uma ordem. dentre os quais a imperatividade. a sua inobservância há de deflagrar um mecanismo próprio de coação. no caso.). p. é um sistema de normas. a coexistência de princípios conflitantes. com força jurídica e não apenas moral. por esse motivo. As disposições constitucionais são não apenas normas jurídicas. P.BARROSO. das concordâncias. 287). além de ser amplamente usado pela melhor doutrina.desenvolvimento de um sistema. qual seja.p. Paulo. Assim. Com o evoluir da Teoria Geral do Direito. como o constitucional. Tratava-se mais de disposição política do que jurídica. operou-se "uma revolução de juridicidade sem precedentes nos anais do constitucionalismo. ou . densificação e concretização pelos três poderes (O termo é aqui utilizado com acepção semelhante à dada por Montesquieu. porquanto. Trata-se. Ruy Samuel. uma vez posta em vigência. conquanto seja termo bastante criticado .. de uma visão distorcida e desatualizada que. do balanceamento de valores e interesses. São Paulo. na verdade. como espécie do gênero normas jurídicas.ainda está consagrado em nossa Carta Magna e reforça a importância e força política das três funções estatais. 18). apto a garantirlhe a imperatividade. são peremptoriamente normas de hierarquia constitucional. Assim. atual. é divisão de órgãos. Logo. E mais: "a constitucionalização dos princípios constitui-se em axioma juspublicístico de nosso tempo" (Idem. De regra.. Curso. Rio de Janeiro. retira grande parte da eficácia protetiva do mandado de segurança. a sua observação. 253). porém. não haveria um "direito" líquido e certo a ser protegido. tornando "a teoria dos princípios hoje o coração das Constituições" (Idem. Corresponderia a uma organização política monodimensional (. Revista dos Tribunais. já. elas contêm um mandamento. tinham valor suplementar. por exemplo. 186). A indeterminação. há quem entenda que a violação a um princípio não justifica a concessão de um mandado de segurança. na verdade. só poderiam conduzir a um sistema falho de segurança jurídica e tendencialmente incapaz de reduzir a complexidade do próprio sistema" (Apud ESPÍNDOLA. inclusive pelo estabelecimento das conseqüências de insubmissão ao seu comando. não obstante a paradoxal equivocidade que longamente campeou nesta matéria. Ainda hoje. Conceito de Princípios Constitucionais. subsidiário. p. 1999. na antiga noção que distinguia as normas dos princípios. p. Nas palavras de José de Albuquerque Rocha: "a 'divisão dos poderes'. na maioria dos casos. não há mais como negar o seu caráter jurídico e vinculante. As normas constitucionais. como qualquer outra norma. "as novas Constituições promulgadas acentuam a hegemonia axiológica dos princípios. Por outro lado. meramente indicativo. impondo... é uno e indivisível e pertence ao povo . estes.) levar-nos-ía a conseqüências também inaceitáveis. A Constituição e a efetividade de suas normas. doravante. um legalismo estrito de regras não permitiria a introdução dos conflitos. considerando-as prescrições desprovidas de sanção.. p. no aspecto substancial. a de "Poder Constituído". uma prescrição. a dependência do 'possível' fáctico e jurídico.vez que "poder". De fato. 1996. Limites e Possibilidades da Constituição Brasileira. de uma sociedade pluralista e aberta. quando muito. que é necessariamente um sistema aberto. Malgrado possa parecer que essa idéia de sistema jurídico como o somatório de regras e princípios tenha valor meramente doutrinário. O modelo ou sistema baseado exclusivamente em princípios (. é um documento jurídico. De princípios gerais se transformaram. impondo sua aplicação sempre e sempre.. a violação a direito líquido e certo ocorre por transgressão a princípios. e que os princípios. 237). Renovar.

São Paulo. ninguém duvida que o "princípio da função social da propriedade". 3. 5o. de 29 de janeiro de 1999). toleirões. portanto. De fato. ou seja. PRINCÍPIOS EXPRESSOS E NÃO PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS EXPRESSOS: "DESCOBRINDO" OS "Por que. complementar e precisar o espaço normativo de um preceito constitucional.. uno e indivisível. o mesmo não se pode afirmar quando nos referimos aos princípios não expressos. por uma análise sistemática do texto constitucional. deve-se ter em conta . a partir daí. "Assim como quem tem vida física. longe de querer adentrar em discussões jusfilosóficas.. É de grande importância ter em mente que a densificação não é tarefa apenas do legislador. em seu art. Concretizar o princípio.e isto já é pacífico. é fazer com que ele chegue até a norma de decisão. 2o. quanto na lei. na jurisprudência etc. p. considera que o Direito Natural está "positivado" . na doutrina. Crítica interessante acerca da . em uma segunda fase. Dossi Se por um lado parece fácil aceitar a idéia de que os princípios expressos são normas jurídicas e. Esses "contornos". explícito no art. figurem ou não nos Códigos" (BONAVIDES. é de se anotar que várias leis infraconstitucionais fazem a ele referência. 1995. Uma coisa é o poder do Estado. também os princípios 'gozam de vida própria e valor substantivo pelo mero fato de serem princípios. devem ser tratados como normas capazes de impor obrigações e direitos no mundo fático. a densificação de um princípio é uma tarefa complexa. por que não dizer. buscando os contornos capazes de preencher o significado do princípio. que. podem ser encontrados tanto no próprio texto constitucional. Paulo. No entanto. que parece estar superada em face do surgimento dessa nova teoria pós-positivista que. como preferem alguns. apesar das intermináveis discussões em torno do Direito Natural. outra coisa é a diversidade de funções com a correspondente diversidade de órgãos preordenados ao seu exercício" Estudos sobre o Poder Judiciário. seguindo a lição de CANOTILHO.separação relativa de órgãos. da CF/88. passando. Quanto ao princípio da proporcionalidade. vez que eles podem ser encontrados "de forma latente" no ordenamento. por sua vez. bem mais difícil é admitir a juridicidade de princípios tais qual o da proporcionalidade. Com efeito. XXIII. especialmente carecido de concretização. inc. associadas: densifica-se um espaço normativo (= preenche-se uma norma) para tornar possível sua concretização e a conseqüente aplicação a um caso concreto. a densificação do princípio é qualquer atividade capaz de fornecer subsídios hábeis a melhorar a compreensão do significado da norma. Densificar. esteja ou não inscrito no Registro Civil. para exercitarem as distintas funções do Estado. Ou seja. Por outro lado. ou mesmo da unidade da Constituição. inclui expressamente a proporcionalidade entre os informadores do procedimento administrativo. As tarefas de concretização e de densificação de normas andam pois. 229. Curso. é fazer com o princípio "construa" a norma jurídica concreta. significa preencher. Executivo e Judiciário) e. e. deve ser por todos observado. ao "valorizar" a norma. a fim de tornar possível a solução. é a principal destinatária das normas jurídicas. passando de normas generalíssimas abstratas (dos textos normativosconstitucionais) a normas concretas de decisão (contextos jurídicos-decisionais). p.784. garantia de eternidade.que os princípios não necessitam estar expressos num determinado diploma jurídico para ter força vinculante. sobretudo por se tratar de norma elevada à categoria de cláusula pétrea ou. por isso mesmo. fazer tratantadas fora da lei. 13) estatais (Legislativo. por esse preceito. pela própria sociedade. que carecem de disposição expressa. Malheiros. que se inicia com a leitura isolada do texto que enuncia o princípio. sendo de se destacar que a recente Lei do Processo Administrativo Federal (9. se há lugar de sobra para fazê-las dentro?" G.. dos problemas concretos.

São elas comandos imperativos. não é por não ser expresso que o princípio deixará de ser norma jurídica. até porque não tem caráter absoluto e se encontram em permanente mutação.). mas também aos que. expressão da certeza jurídica. destarte. O resgate da imperatividade do texto constitucional. os princípios não necessitariam de formulação normativa explícita. 1999. o mais prudente é que os princípios sejam. alvitrar. expressa e explicitamente. aqui. é uma instigante novidade neste País habituado a maltratar suas instituições). 198) . JOSÉ DE ALBUQUERQUE ROCHA: "Segundo alguns. tal como ocorre ainda hoje com o princípio da proporcionalidade. como fora de dúvida que estes bens sociais supremos existem fora e acima das regras legais. aconselhar. p. Revista dos Tribunais.. que os mais apegados aos formalismos de outrora neguem a existência de determinado princípio. é a instância onde devemos colher os materiais para uma reflexão sobre os princípios. Revista dos Tribunais. Reconhece-se. Conceito de Princípios Constitucionais. especialmente à Constituição que. dentro da perspetiva principialista (. e fundamentadora do ordenamento jurídico. 'o Direito nunca poderia esgotar-se nos diplomas e preceitos constantemente publicados e revogados pelos órgãos do poder'" (BARROSO. São Paulo. dessa forma. evitando-se. sejam introduzidas normas exóticas.. São Paulo. embora não expressos. sendo que. Luís Roberto. pode trazer certo grau de insegurança. No comentário de Jorge Miranda. é fundamental que se diga. Direito.ESPÍNDOLA. das normas constitucionais . pensamos que a falta de concreção normativa dos princípios. mas sim elevá-lo à condição de norma. podemos considerar implícitos no ordenamento jurídico" . a existência de princípios que. contemplados no âmago da ordem jurídica.p. Não é próprio das normas jurídicas . Ruy Samuel. normatividade não só aos princípios que são. levando o intérprete a "encontrar" um princípio que não esteja "descoberto" no texto constitucional. Não obstante. é a de que a consideração de princípios constitucionais não escritos como elementos integrantes do bloco da constitucionalidade só merece aplauso relativamente a princípios reconduzíveis a uma densificação ou revelação específica de princípios constitucionais positivamente plasmados" . na medida do possível. Vale a pena reproduzir o ensinamento de CANOTILHO sobre o assunto: "Mas o que deve entender-se por princípios consignados na constituição? Apenas os princípios constitucionais escritos ou também os princípios constitucionais não escritos? A resposta mais aceitável.. 197 e 200. de forma arbitrária. São Paulo.).. Em matéria de Direito Constitucional. Ruy Samuel. Como observa LUÍS ROBERTO BARROSO. porém. Ruy Samuel. que frustrem a tendencial objetividade exigível na atividade de extração dos princípios da ordem constitucional positiva". pois ele tem sido menos que isto. e sem pretender enveredar por discussão filosófica acerca do positivismo e jusnaturalismo. ou outras formas de subjetividade interpretativa. Conceito de Princípios Constitucionais. 1999. são tantas. No entanto. são anunciados pela doutrina e descobertos no ato de aplicar o Direito (ESPÍNDOLA..sugerir. os princípios jurídicos podem estar expressamente enunciados em normas explícitas ou podem ser descobertos no ordenamento jurídico. ou então que haja um "abuso principiológico" por parte dos operadores do direito.p. Revista dos Tribunais. tem-se. a fim de que se prestigiem a segurança jurídica e a harmonia sistemática do direito (Neste sentido. fazendo com que. como norma fundamental. expressos. ideológicas.. Apesar disso.. p. "mas em instância valorativa fundada em subjetivismos... Ademais. e nelas não se esgotam. ser positivista não significa reduzir o direito a norma. que o mais prudente é recorrer ao ordenamento jurídico-positivo para determiná-los. Conceito de Princípios Constitucionais.288). por óbvio que possa parecer. em posturas axiológicas.. ipso facto. Com efeito. Isto não nega.e. neste último caso. 1999. que poderão destruir a ordenação jurídica (ESPÍNDOLA. "os grandes princípios de um sistema jurídico são normalmente enunciados em algum texto de direito positivo. Ou seja. 55). e tão heterogêneas. defluentes de seu sistema. eles continuam possuindo força normativa. as proposições que se incluem entre os princípios gerais. 48).necessidade de se "normatizar" a Constituição é feita por LUÍS ROBERTO BARROSO: "(.Teoria. p.

AgRg 170637-7. rel. porque a .ao contrário do que pretende a Constituição . é interessante notar que a própria Constituição pátria vigente "positiva" este entendimento quando afirma que "os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados" (§2o. difícil fazer valer uma pretensão em tribunal invocando-se tão somente o princípio da proporcionalidade. Aliás. Somente posteriormente. não possuem normatividade individualizadora que os torne suscetíveis de aplicação imediata e autónoma" (Esse texto pode ser encontrado na primeira edição de seu Direito Constitucional. podem fundamentar autonomamente uma pretensão! Embora possa não parecer difícil essa assimilação. no caso. Primeiro. assim. após seu "encontro teórico" com ALEXY e DWORDIN. estão positivados. do art. Diz respeito às condições da ação. a prevalecer o entendimento contrário. Os princípios fundamentais.como ainda hoje para alguns juristas não o é . configurado está o pressuposto para o cabimento do recurso extraordinário. são de comum observância: princípio da supremacia da Constituição.meio de ataque à aplicação à legislação infraconstitucional" (STF. que os princípios não poderiam. podemos agora formular e responder uma questão processual que atormenta deveras os juristas. 102. tornando-se. mais especificamente à possibilidade jurídica do pedido: pode um princípio. fornecendo embora directivas jurídicas para uma correta análise dos problemas constitucionais. 5. se a decisão recorrida contrariar princípio constitucional. AFRONTA A EXTRAORDINÁRIO PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS E O RECURSO É possível encontrar uma postura tradicional (anti-principiológica) nas decisões do Supremo Tribunal Federal ao entender que "não cabe recurso extraordinário quando a alegada ofensa à Constituição é reflexa ou indireta.aceitar que os princípios podem gerar direitos subjetivos. por exemplo. pois decorrem do próprio sistema em que estão inseridos. Em suma: são princípios que. o do devido processo legal ou o da ampla defesa. a contrariedade seria "reflexa" ou "mediata". No nosso entender. de 1977). PODE UM PRINCÍPIO EMBASAR UMA PRETENSÃO EM JUÍZO? Feitas essas considerações. III. princípio da unidade da Constituição. toda a alegação de negativa de vigência de lei ou até de má interpretação desta passa a ser ofensa a princípios constitucionais genéricos como o da reserva legal. Nem se diga que. já a inobservância de um princípio é considerada insusceptível de. a). nos seus primeiros estudos. é que o mestre português passou a ter um posicionamento mais principialista. o recurso extraordinário . quando a Constituição determina que caberá recurso extraordinário quando a decisão recorrida contrariar dispositivo da Constituição (art. embora não constem no texto constitucional. Min. Moreira Alves). de per si. enumera alguns princípios que. fundamentar autonomamente pretensões: "enquanto um direito constitucional pode ser directamente invocado em tribunal como justificativo de um recurso de direito público.LUÍS ROBERTO BARROSO. é inegável que. o certo é que não foi fácil . sobretudo em face de tudo o que foi exposto acerca da normatividade dos princípios. princípio da continuidade da ordem jurídica. Seria. porquanto. 4. por si só. Até CANOTILHO já defendeu. no mesmo texto já citado. fundamentar autonomamente um recurso contencioso. enquanto normas jurídicas. embora não expressos no texto constitucional ou em qualquer outro diploma escrito. por si só. princípio da interpretação conforme a Constituição. 5o). fundamentar uma pretensão em juízo? Em outras palavras: decorrem direitos subjetivos dos princípios ou seria "juridicamente impossível" recorrer ao juridiciário fundamentado tão-somente em um princípio constitucional? Nossa resposta a essa pergunta é categórica: é óbvio que os princípios. passando a reconhecer a força normativa imediata dos princípios constitucionais.

sempre a pressuporem a consideração de normas estritamente legais" (RE-158655 / PA). e as regras e os princípios a espécie. mas sobretudo material. potencializada. até mesmo. o Min. a transgressão a texto constitucional. por conseguinte. BIBLIOGRAFIA BARROSO. sendo as normas o gênero. como nos primórdios da doutrina. são normas jurídicas com um grau máximo de juridicidade. 3a ed. Daqui já se caminha para o passo final da incursão teórica: a demonstração do reconhecimento da superioridade e hegemonia dos princípios na pirâmide normativa. Em sintonia com esse posicionamento. são normas jurídicas. p. com procedência. o princípio constitucional seria mero ideário político. Saraiva. muito embora torne-se necessário. fazendo com o princípio tenha que se rebaixar à lei para ser aplicado. Para finalizar o presente artigo. parece que não há mais tanta discussão quanto havia outrora -. porque os princípios constitucionais são normas jurídicas e. Rio de Janeiro. 1998 _____________________. a mais alta de todo o sistema. como se fosse o princípio que girasse em torno da lei. sempre que a decisão contrariar o princípio estará contrariando a norma constitucional diretamente e na sua pior forma de violação. e não o inverso. na ordem constitucional dos ordenamentos jurídicos. 1996 .o da legalidade e do devido processo legal. que é a contrariedade a princípio. Limites e Possibilidades da Constituição Brasileira. CONCLUSÃO Não há mais dúvidas: os princípios.Constituição não exige que a contrariedade seja direta. não enseja o cabimento de recurso extraordinário? Violar um princípio constitucional não é violar a própria Constituição. São Paulo. Do contrário. as normas compreendem regras e princípios. porquanto quem os decepa arranca as raízes da árvore jurídica. Marco Aurélio dá-nos a solução ideal: "Caso a caso. cuja normatividade é. cuja ambiência natural é a Constituição. por que então os nossos Tribunais insistem em não reconhecer a força normativa dos princípios? Por que há quem afirme que o princípio não pode fundamentar uma pretensão jurídica em juízo? Por que há quem defenda que um mandado de segurança não pode ser impetrado com base unicamente em princípios? Será que um princípio não pode ser um "direito" em líquido e certo? Por que a violação a princípio constitucional. destituído do força sancionatória. compete ao Supremo Tribunal Federal exercer crivo sobre a matéria. entre princípios e normas. E mais: os princípios. a expressão mais alta da normatividade que fundamenta a organização do poder" (Curso de Direito Constitucional. Se isso é verdade . segundo a orientação vetusta do Supremo Tribunal Federal. e apenas possível na medida em que os princípios são compreendidos e equiparados e até mesmo confundidos com os valores. Entendimento diverso implica relegar à inocuidade dois princípios básicos em um Estado Democrático de Direito . ao lado das regras. os princípios são dotados de normatividade. 2a ed. a distinção relevante não é. Interpretação e aplicação da Constituição. sendo. mas entre regras e princípios. 6. supremacia que não é unicamente formal. por isso. Renovar. 255). e todos se sentiriam "à vontade" para os contrariar. atual. em busca de sua normatividade. A Constituição e a efetividade de suas normas. que abordou sucintamente alguns aspectos acerca da normatividade dos princípios constitucionais. com a garantia da ampla defesa. partir-se do que previsto na legislação comum. nesse ponto. E o pior: fazem uma completa inversão de valores.e. de forma direta? A resposta para todas essas questões é bem simples: os nossos juristas ainda não dão o devido valor à força normativa dos princípios. permitimo-nos transcrever passagem de texto de PAULO BONAVIDES que sintetiza bem tudo o que foi exposto: "Tudo quanto escrevemos fartamente acerca dos princípios. distinguindo os recursos protelatórios daqueles em que versada. segundo. se resume no seguinte: não há distinção entre princípios e normas. Luís Roberto.

São Paulo. Eros Roberto.procurador autárquico em São Paulo) I . 1993 Texto 3) Texto no qual a questão dos princípios e regras de direito administrativo aplicáveis aos empregados públicos é analisada incidentalmente A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA QUANDO CONTRATA PELA CLT EQUIPARA-SE AO EMPREGADOR PRIVADO. In: Dos Direitos Humanos aos Direitos Fundamentais. Malheiros. 1999 SANTOS. Manoel Gonçalves. Fernando Ferreira dos. Curso de Direito Constitucional. Curso de Direito Constitucional Positivo. Malheiros. Arnaldo. Raimundo Bezerra. Amauri Mascaro do Nascimento. defender o reconhecimento da competência da Justiça do Trabalho para muitos das lides que. UMA AFIRMAÇÃO QUE TEM LIMITADO A COMPETÊNCIA MATERIAL DA JUSTIÇA DO TRABALHO. A Ordem Econômica na Constituição de 1988. Malheiros. Teoria da Norma Jurídica.Estudos em Homenagem ao prof. (Benedito Libério Bergamo . Unb. Revista dos Tribunais. José Afonso da. Willis Santiago. .Introdução. Paulo. São Paulo. Teoria do Ordenamento Jurídico. Livraria do Advogado. por tão usual a sua utilização. São Paulo. 7a ed. 1991 GRAU. Estudos sobre o Poder Judiciário. 4a ed. Direito Constitucional do Trabalho . Elementos de Direito Administrativo. Princípio Constitucional da Dignidade da Pessoa Humana. Malheiros. 4ª ed. 1997 MELLO. 1994 VASCONCELOS. Ed. São Paulo. RT. José de Albuquerque. Ed. 7a ed. 1995 ________________________. processo e princípio da proporcionalidade. Coor. Buscaremos oferecer demonstrações de que a "expressão da idéia" que inaugura o título do presente artigo não tem a carga de juridicidade necessária para justificar seu emprego como síntese de metodologia ou de solução para a aplicação das regras e princípios do Direito do Trabalho no âmbito da administração pública e. Teoria Geral do Processo. São Paulo. São Paulo. Ruy Samuel. 1999 FALCÃO. 1998 GUERRA FILHO. Brasília. São Paulo. Direitos Fundamentais. 9a ed. 3a ed. WILLIS SANTIAGO GUERRA FILHO. Celso Antônio Bandeira de.Elementos para uma dogmática constitucionalmente adequada. se processam perante a Justiça Comum. 1980 ROCHA. Porto Alegre. São Paulo. Malheiros. Ltr. São Paulo. passou-se a empregá-la como um "regra jurídica". Comum é na jurisprudência e doutrina do Direito do Trabalho a utilização da expressão da idéia de que a "administração pública quando contrata pela CLT equipara-se ao empregador privado" que. São Paulo. 1999 SILVA. 1996 BONAVIDES. hoje. Ed.BOBBIO. Norbeto. Celso Bastos Editor. 1998 ESPÍNDOLA. Malheiros. São Paulo. Malheiros. 1997 FERREIRA FILHO. Hermenêutica. I. consequentemente . Conceitos de Princípios Constitucionais . um "axioma jurídico" que inibe aos mais novos operadores (entre os quais nos incluímos) do Direito do Trabalho e do Direito Administrativo qualquer especulação acerca da necessidade de um maior aprofundamento nos estudos das implicações sobre a relação de emprego público das regras constitucionais e legais que regem a administração pública. Vol.

XXXIII da CF) e nem à forma (art. aliás. a aplicação do correto sentido da idéia de equiparação da administração pública ao empregador privado. por meio de proibições . Em tais casos ela se nivela ao particular. numa relação de trabalho regida pela CLT. CONTRATUAIS "O princípio da legalidade expressa a regra segundo a qual a administração deve agir de acordo com a lei". 37. quanto ao aspecto informal do contrato). para ser um empregador privado. deixa de fazer vigor seu imperium. Civil e art. diante das citações de Meirelles e Cretella. que é indisponível. não pode pactuar com autonomia de vontade". para afastar a errônea idéia que se possa formar sobre o empregador público deixar de ser administração pública. ordena e limita. colocando-se no mesmo nível de outras pessoas jurídicas para celebrar contratos. sendo O RECONHECIMENTO DE NULIDADE DE CONTRATO DE TRABALHO FORMADO SEM PRÉVIO CONCURSO PÚBLICO (art.ainda que envolvam pretensões e resistências entre empregados públicos e a administração pública. nem à capacidade das partes (145 do cód. a administração pública não deixa de se submeter à observância dos princípios e regras constitucionais e legais de regulam os poderes e deveres do Poder Público. ou seja. exemplo jurisprudencial trabalhista acerca do descumprimento pelo empregador público de regras constitucionais sobre a administração pública. pois "mesmo nesses atos ou contratos o Poder Público não se libera das exigências administrativas que devem anteceder o negócio jurídico almejado". abrindo mão de sua supremacia de poder desnecessária para aquele negócio jurídico. a liberdade de ação de seus súditos. às vezes. mas decorre da desobediência pelo poder público de seu poder-dever de SÓ CONTRATAR EMPREGADOS MEDIANTE PRÉVIO CONCURSO PÚBLICO.º 85 da SDI do Colendo TST.O PRINCÍPIO DA LEGALIDADE NAS RELAÇÕES TRABALHISTA COM A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. como. aqui. consoante orientação jurisprudencial do STF. POIS A EXISTÊNCIA DE UM CONTRATO DE TRABALHO NÃO PODE DERROGAR TODA A DISCIPLINA CONSTITUCIONAL E LEGAL ACERCA DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. o Estado se utiliza . Portanto.A ORIGEM E ALCANCE JURÍDICO DA EXPRESSÃO " A ADMINSTRAÇÃO PÚBLICA QUANDO CONTRATA PELA CLT EQUIPARA-SE AO EMPREGADOR PRIVADO". comercial). II . Lopes Meirelles preleciona que "A administração pública pode praticar atos ou celebrar contratos em regime de Direito Privado ( civil. 442 da CLT. sendo exemplo a Orientação Jurisprudencial n." O mesmo entendimento é compartilhado por Cretella Júnior ao transcrever a lição de LABAND: "a fim de atingir os fins a que se propõe. . Ademais tem o dever de não dispor da coisa pública. no desempenho normal de suas atividades. 129. de seu direito soberano sobre o país e os que nele habitam: exige certas prestações. Civil). 7." Importa.º. quando ela emprega mão de obra pela CLT. III . a realização daquilo que é conforme a lei previamente estabelecido como dever. Outras vezes. advertido por Lopes Meirelles. Numa relação de contrato de trabalho regida pela CLT. A exteriorização da vontade da administração pública. já que a nulidade do contrato por ausência de concurso não decorre do contrato de trabalho em si. 130 e 145 do Cód. já que "administração pública tem o dever de somente celebrar contrato cujo fim imediato seja o interesse público. pois não diz respeito nem ao objeto ( art.poder de agir. salvo exceções legais. II da CF).

às vezes. modificar. promoções e o mais que um típico empregador pode promover através de atos unilaterais e bilaterais numa relação de trabalho regida pela CLT. respeito e fundamentação satisfatória. Bandeira de Mello comenta o ato de despedimento dos empregados das estatais ( empresa pública e empresas de economia mista) onde "não é livre o desligamento de seus empregados."8 Seguindo o mesmo exemplo. transparência. quando a administração pública age como empregador e promove admissão. já que seus administradores não gerem negócio particular. já que o princípio da legalidade que está disposto no inciso II do art. impessoalidade e publicidade que protegem o ente público. já que ela "não tem fins próprios. mas conduzem assunto de interesse de toda a coletividade. exigindo. submete todos ( cidadãos e poderes estatais) à vontade da lei. tal aparência é apenas aparência. 37. deve observar os princípios da legalidade. não desfruta de liberdade.95 .6.9 A própria jurisprudência dos Tribunais do Trabalho já vem colecionando julgados que expressam o entendimento de que "o administrador público. como. assim como. caput da CF. pois "na administração pública. a fim de evitar o nepotismo. ao demitir o empregado público. Da 1.º 130. mas supõe autorização dela. onde prepondera o princípio da autonomia de vontade.R.ª T.II caput. em regra. resguardar ou extinguir situações jurídicas. concessão de férias. como condição de sua ação.Ac. pela confusão que se faz entre a aplicação do "princípio da legalidade" com fundamento no inciso II do art. 37. de 20. O. caput. também da Constituição Federal. sob pena de ser anulado ( pela própria administração ou pelo Judiciário). pois. de modo geral. No D. estabelecendo uma relação entre a liberdade sobre tudo o que não é proibido e a legalidade da intervenção em tal liberdade de agir e. demissão. ainda que a CLT apenas preveja a obrigação de dação aviso prévio em relação ao término da relação contratual por prazo indeterminado (art. 37. reajustes salariais. . cuja gestão sempre reclama adstrição à finalidade legal estabelecida. moralidade. publ. onde foi consagrado que "é requisito de validade do ato de despedida de empregado público a existência de interesse público que o legitime". não há liberdade pessoal. no outro lado e de modo especial.206 -DF. que possa diferenciá-la de um empregador comum. o arbítrio e a satisfação de interesses pessoais (TRT . arrematando Bandeira de Mello que "a legalidade na administração não se resume à ausência de oposição à lei. na administração pública só permitido fazer o que a lei autoriza"6. à exemplo. Unâ.J.º. Cumpre que haja razões prestantes e demonstráveis para efetuá-lo. Pode parecer que numa relação de emprego público não há nada de diferente ou de especial no modo de sujeição do poder público aos ditames da legalidade. entretanto.)"10 . a ilegalidade da administração pública. de dispensar imotivadamente o empregado concursado e contratado pela CLT. . o princípio da legalidade com fundamento no art.Rel Juiz Joaquim da Costa Filho. 487 da CLT) ." Podemos citar como exemplo de aplicação do princípio da legalidade baseada da no art.10628/94 . O princípio da legalidade não deixa de ser verificado. aos comandos legais aplicáveis à administração e ao interesse público.ª R.06. motivada. numa relação de emprego.desde de que tenha finalidade de criar reconhecer. pois todo e qualquer ato administrativo que produza efeitos jurídicos numa relação de emprego deve obedecer.º da Constituição e a aplicação do "princípio da legalidade" com fundamento no art. não consagra liberdade alguma à administração pública. se denomina ato administrativo. 5. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo o que a lei não proíbe. mas há de buscálos na lei. 5. escrava que é da ordem jurídica"19.Jaboatão dos Guarpes/PE . podemos citar as análises feitas por Carlos Ari Tundfeld à decisão do STF proferida no RE n.

existem atos do empregador público cujos efeitos recaem sobre o contrato de emprego ( patrimônio do empregado) que não têm sua validade e efeitos apreciados sob os princípios ( norma mais benéfica.. da publicidade. O 1. que dá validade relativa à quitação e pedidos de demissão de empregados da administração pública que específica e exclui expressamente os preceitos do art. 37 da CF) precede a aplicação dos princípios de Direito de Trabalho: "Vinculo de emprego . impedem que se estabeleça novas disposições sobre salários e outras condições de trabalho por acordo coletivo. mesmo porque a legalidade constitui princípio a que a administração deve obediência rigorosa ( CF. condição mais favorável.. como.ª T.concurso p. a sistemática dos servidores públicos. Ord. coexistem de modo a impedir. por exemplo) e regras do Direto do Trabalho.ao sistema da administração pública.º impõe suas regras da impessoalidade do administrador.º . 2. 2. "quer dizer. anotamos: a) O art. que incidem no contrato de emprego público.concessão de complemento de aposentadoria p. modificando ou extinguindo o contrato de trabalho ( No mesmo sentido o Professor e Procurador Luiz R. Na norma indicada está um claro exemplo de acolhimento pelo legislador da presunção de legitimidade dos atos de rescisão e quitação feitos pela administração pública. constantes dos parágrafos que indica. da moralidade administrativa. Para exemplificar. Rel.1998. Nuñes Padilla19 Em outras palavras. U. apreciados sob a luz das regras e princípios da administração pública. 37). cremos que a repetida "equiparação" da administração pública ao empregador privado ou a "abdicação do status de administração pública"11 nas relações de emprego público é.º traça simplesmente os contornos dos direitos e deveres mútuos na execução do contrato do contrato e dos efeitos da extinção do mesmo. I e II e o artigo 61.06. pois no contrato de emprego público é possível detectar dois campos de incidência de normas. regime jurídico. convenção ou sentença Normativa. à exemplo já encontramos na jurisprudência dos Tribunais do Trabalho.Os exemplos citados trazem à luz a certeza de que existem atos praticados pela administração pública na constância da relação contratual de emprego ( sem excluir atos anteriores a contratação .não há transformação do vínculo pela consolidação por decurso de tempo. alterando . ao invés. se há regular cessão do servidor a outro órgão. muito relativa. ex."12 . o administrativo e o trabalhista. .).cessão de funcionário público . integrados e dependentes: 1. b) Os artigos 169. Único.º.o servidor público celetista subordina-se a dois sistemas.º . da legalidade.ao sistema funcional trabalhista. N. como decorrência natural do princípio da legalidade. j."20 Os dois campos de normas.ementa)" Até aqui. ex. vencimentos e remuneração. como identificado pelo Professor e Juiz do Trabalho ao afirmar que " . ambos da CF. I do Decreto-Lei 779. "a". par. V. .ª reg. da oportunidade.º 0084/94.e atos posteriores ao fim do contrato . 1. A norma constitucional se sobrepõe ao princípio da primazia da realidade. II. 17. contrato realidade. um de Direito do Trabalho e outro de Direito Administrativo. ainda que os efeitos da verificação de tais atos administrativos atinjam. 4. Juiz Luiz Celso Napp.. preservando-se a coisa pública" (TRT 9. certamente. assentam-se na lei. par. que tratam do orçamento público e da reserva de iniciativa legislativa acerca do pessoal da administração pública. bem como motivação do ato administrativo. onde o princípio da legalidade ( art. 477 da CLT. que são típicos atos administrativos cuja validade se resolve pela aplicação dos princípios e regras do Direito Administrativo..º. limitar ou ampliar a aplicação de preceitos de um campo no outro sobre o mesmo contrato de trabalho. rec. são. continuidade da relação de emprego. 1.º 015589/98 . acórdão n. art.PR.

por sua Primeira Turma. os atos da administração pública que produzam efeitos jurídicos no contrato serão apreciados COMO REGRA JURÍDICA. SERVIDOR PÚBLICO.tendo como conseqüência a nulidade de tal contratação ( conseqüência de direito público) e a conseqüente rescisão contratual ( conseqüência de direito trabalhista)." . Recurso extraordinário conhecido e provido. ou não.XVI da CF . uma aferição da contratação sob o princípio da legalidade . da reclamação trabalhista.. in RTJ 145/625) Importa para o objeto de nosso estudo a fixação do alcance jurídico das expressões seguintes. ainda que diga esta respeito a vantagens oriundas da leis estaduais aplicáveis a funcionários estatutários.A COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO PARA TODA E QUALQUER AÇÃO DO EMPREGADO PÚBLICO..º. o Supremo Tribunal Federal já tem sedimentado o entendimento de que a contratação pela administração pública "com base na relação contratual de emprego" é suficiente para determinar a competência material da Justiça do Trabalho para processar e julgar as pretensões de empregado público contratado frente ao seu empregador.193. o RE nº 136.ainda que diga esta respeito a vantagens oriundas da leis estaduais aplicáveis a funcionários estatutários. REGIDO PELA CLT MAS QUE NÃO DEIXA DE SER. ou seja. Há algum tempo. Observa-se que a mesma dinâmica de raciocínio pode ser verificada nas rescisões de contratos de emprego público que não foram precedidos de concurso público. que serve de forma para a conclusão anterior está na Lei Federal 9. Postulação. A competência da Justiça Trabalhista decorre da existência da relação de trabalho em que se funda a pretensão. a administração pública. mas se funda em hipóteses de regras impostas à própria administração pública. o resultado de tal aferição poderá concluir por uma conseqüência de direito público apenas e ou uma direito comum ou trabalhista.325. com base na relação empregatícia.: Min. em face do disposto na parte inicial do artigo 114... ou não. no julgamento do RE nº 130. da postulação dessas vantagens com base no contrato de trabalho..constatação da infringência do art. de vantagens atribuídas a funcionários estatutários. MOREIRA ALVES (RTJ 139/960.Não é difícil concluir que na formação. por outro lado. neste caso.". para dar pela procedências. Exemplo de disciplina legal. condução e até o término da relação contratual de emprego público os atos do empregado que produzam efeitos jurídicos no contrato serão apreciados. como comumente têm julgado os Tribunais do Trabalho. da atual Constituição. Rel.: Min. autárquica e fundacional). OCTAVIO GALLOTTI. segundo o regramento jurídico privado acerca dos atos jurídicos lícitos e ilícitos e seus vícios. mesmo que ao direitos buscados sejam oriundos de Leis aplicáveis ao funcionalismo estatutário. b) ". como é o caso de dispensa na constatação acumulação ilegal de cargos ( art. ou seja. COMO ATO DE VONTADE. segundo o regramento do direito público que é regido pelo princípio da legalidade ( aferição da pertinência do ato com as regras de direito público) e. lei típica de direito público que se dirige ao administrador público ( não é norma de direito do Trabalho)." (Supremo Tribunal Federal. em regra. Servidor Público estadual contratado sob o regime da CLT. 3. porquanto só a Justiça do Trabalho é que caberá julgar da pertinência. "caput". estabelecendo hipóteses de dispensa do empregado que não previstas na CLT e nem em conduta do empregado.962/2000 que trata do emprego público no âmbito da administração pública Federal (direta. Competência da Justiça do Trabalho. IV . contidas no texto do julgado cotejado: a) "A competência da Justiça do Trabalho decorre da existência da relação de trabalho em que se funda a pretensão. 37. como ilustramos: "Exceção de incompetência. Rel. EM GÊNERO. No mesmo sentido.. II)..

Na primeira frase é clara a referência da competência material da Justiça do Trabalho, segundo a lide nascida dentro de uma relação jurídica, a relação de trabalho, que é fundamento jurídico da pretensão posta em juízo, que se encontra na causa de pedir prevista no art. 282,III do CPC.16 O art. 114 da CF, caput, é claro ao dispor que a relação de trabalho que importa para a competência da Justiça do Trabalho é aquela regida pela CLT, ou seja, sob o vínculo de emprego ( art. 2.º e 3.º da CLT). Vale relembrar que a distribuição do exercício da jurisdição, através das "competências" definidas na Constituição e na Lei "como quantidade de jurisdição cujo exercício é atribuído à cada órgão ou grupo de órgãos (Liebman)" impede que existam mais de um órgão ou grupo de órgãos jurisdicionais com a mesma competência, 13 já que é pela Constituição ou pela Lei que a atribuição de competência define, previamente, o campo de atuação de cada órgão ou grupo de órgãos jurisdicionais, estabelecendo qual deles é competente para determinada lide com exclusão dos demais. A determinação de competência se dá por critérios estabelecidos na própria lei, como condição das pessoas, local dos fatos que originaram lide, valor, entre outros, do quais destacamos o critério de determinação da competência pela "natureza da relação jurídica controvertida, ou seja, pelo fundamento jurídico material da demanda", 14 ou seja, a competência é fixada "à vista da natureza da relação jurídica de direito material subjacente ao conflito de interesses".15 Na segunda frase destacada para análise, a conclusão do julgado da Corte Constitucional evidencia, também, que o texto do art. 114 da CF, deve ser interpretado para o reconhecimento da competência da Justiça do Trabalho, apenas sob a identificação da relação jurídica de emprego, desprezando-se qualquer incursão sobre a origem dos direitos aplicáveis ao contrato de emprego público, ou seja, não importa para a competência da Justiça do Trabalho se os direitos que compõe a pretensão são direitos previstos na CLT ou em leis que dispunham sobre servidores públicos estatutários, desde que o vínculo jurídico que une as partes da lide seja um vínculo de contrato de trabalho regido pela CLT, que "corresponde ao trabalho subordinado, contrapondo-se, de um lado, à relação civil do trabalhador autônomo e, de outro, à relação pública do regime estatutário, ou seja a característica do funcionário público".17 Parece, até aqui, ser irrefutável a conclusão de que a Justiça do Trabalho é competente, em razão da matéria, para processar e julgar dissídios acerca da aplicação de direitos previstos no conjunto de normas e princípios do Direito administrativo que envolvam o empregado e o ente público, o seu empregador. V - SERÁ QUE O MANDADO DE SEGURANÇA CONTRA ATO ABUSIVO E ILEGAL DO EMPREGADOR PÚBLICO CABERIA NO GÊNERO DA EXPRESSÃO "DISSÍDIOS" EMPREGADO NO ARTIGO 652 DA CLT? Sabemos que a expressão "dissídios" empregada nos incisos do art. 652 da CLT que dispõe sobre a competência das Juntas de Conciliação e Julgamento ( atualmente Vara da Justiça do Trabalho, com Juiz singular e vitalício), não tem seu significado restrito à hipótese das "reclamações trabalhistas", já que essas são espécies daquela e "dissídios" envolvem, também, como gênero, as ações de consignação, cautelares, anulatórias, ações civis públicas, execução de "Termos de Conciliação" surgidos nas Comissões Prévias de Conciliação e os "Termos de Ajuste de Conduta" firmados perante o Ministério Público do Trabalho ( art. 876 da CLT, com redação dada pela Lei 9.958/00).

Tudo indica que a Justiça do Trabalho, em princípio tem plena competência para processar e julgar mandados de segurança contra atos abusivos e ilegais de autoridades públicas praticados contra empregado público, dentro da relação de trabalho, ante as seguintes constatações que, resumidamente, destacamos: 1.º - Após a Emenda Constitucional n.º 24 deixou de existir os problemas relativos ao julgamento de Juizes leigos na Justiça do Trabalho, daí estarem afastadas as discussões e problemas que poderiam surgir com as indagações sobre a conhecimento técnico jurídico, concessão de liminar em Mandado de segurança, seu processamento, sentença mandamental e o mais que poderia existir como crítica fundamentada na forma de composição colegiada dos órgãos jurisdicionais trabalhistas; 2.º - A competência originária do TRT para o mandado de Segurança ( art. 678, I, "b", 3 da CLT), diz respeito, apenas aos mandados de segurança impetrados contra as autoridades judiciárias; 3.º - A súmula 195 do extinto TFR que preconizava ser o mandado de segurança instrumento inadequado para a solução dos conflitos trabalhista, somente tem sua razão ser em se tratando de ação ou omissão do empregador público em relação, exclusiva, ao cumprimento de suas obrigações dispostas no regime da CLT. Diz-se "exclusiva" pois o simples descumprimento de obrigação trabalhista numa relação contratual de emprego não se traduz em ato de autoridade para os fins da utilização do remédio heróico, nesse mesmo sentido a Súmula 269 do STF que informa que "o mandado de segurança não é substitutivo de ação de cobrança." ; 4.º - O direito constitucional ao mandado de segurança, nos termos do art. 5.º, LXIX da CF e nos termos da Lei 1.533/51, como qualquer outro direito de ação, obedece, no seu exercício, as fontes legais e constitucionais de regulamentação de competências jurisdicionais, além de sua razão de ser um instrumento de garantia dos cidadãos, inseridos em qualquer relação jurídica com os Poderes do Estado, contra ATO ILEGAL OU DE ABUSO DE PODER. Deve ser observado, como observa Celso Agrícola Barbi18, que para caracterizar o cabimento do mandado de segurança NÃO IMPORTA O DIREITO LESADO OU AMEAÇADO SER PÚBLICO OU PRIVADO ( onde se inclui o direito trabalhista), sendo necessário, entretanto, que o ato lesivo ou ameaçador seja praticado pelo Estado como Poder público e praticar atos como PODER PÚBLICO NADA MAIS É DO QUE AGIR COM FUNDAMENTO NAS NORMAS ADMINSITRATIVAS CRIADORAS E REGRADORAS DO SEUS PODERES E PRERROGATIVAS QUE PERMITEM OU OBRIGAM A ADMINSITRAÇÃO À AGIR DESSA OU DAQUELA FORMA, MESMO NUMA RELAÇÃO DE CONTRATO DE TRABALHO (ver os termos e a natureza administrativa da Lei Federal9.962/2000, por exemplo). 5.º - Havendo posicionamento do STF acerca da competência da Justiça do Trabalho para processar e julgar as ações do empregado público em face da administração pública seu empregador, É CABÍVEL O ENTENDIMENTO DE SER ADMITIDO NA JUSTIÇA DO TRABALHO O MANDADO DE SEGURANÇA CONTRA ATO DE AUTORIDADE PARATICADO COM ILEGALIDADE OU ABUSO DE PODER QUE ACARRETE PREJUÍZO AOCONJUNTO DE DIREITOS CELETISTAS DO EMPREGADO, dado que o ato reputado de ilegal e abusivo para efeito do Mandado de Segurança não é o prejuízo de cunho trabalhista, mas a desobediência pela autoridade impetrada de eventual regra de direito público que não legitimou seu ato que redundou em prejuízo para um empregado. Para encerrar o presente trabalho, com a crença de que ele possa representar um contribuição para o alargamento dos horizontes da competência da Justiça

Obreira, oportuna é a elaboração do seguinte exemplo, para melhor demonstração do que foi dito até aqui, como hipótese de mandado de segurança na justiça do trabalho: - Um empregado de Autarquia Federal, contratado pela CLT, nos termos da Lei 9.962/2000 é dispensado sumariamente sem justo motivo. O fato exemplificado nos oferece uma clara demonstração de ato abusivo e ilegal da administração autárquica federal, já que não agiu nos limites das hipóteses legais de dispensa prevista na Lei 9.962/2000 ( art. 3.º) e o direito líquido e certo está em exigir a anulação do ato abusivo ( conseqüência administrativa) o restabelecimento do vínculo contratual com a reintegração e o mais ( conseqüência trabalhista). Aqui é cabível o mandado de segurança, sendo adequada a adoção da orientação da STF para reconhecer-se a competência da Justiça do Trabalho em semelhantes mandados de segurança. NOTAS 1.Hely Lopes Meirelles, ,"Direito Administrativo Brasileiro", Pág. 139, 22.ª ed., 1990, Malheiros, SP; 2.José Cretella Júnior, "Tratado de Direito Administrativo", pág. 181, vol., X, 1.ª ed., 1972, Forense, RJ. 3.Hely Lopes Meirelles, obra e pág. citadas; 4.Lúcia Valle Figueiredo, "Contratos Administrativos", na obra "Direito Administrativo na Constituição de 1988", coordenada por Celso Antônio Bandeira de Mello, pág. 139, RT, 1991, SP; 5.José Cretella Júnior, obra citada, pág. 38;.19 Celso Ribeiro Bastos, "Comentários à Constituição do Brasil", pág. 27, 3.º vol. Tomo III, ed. Saraiva, 1992, SP; 6 Hely Lopes Meirelles, Direito Administrativo Brasileiro, 1964, p.56, citado por Celso Antônio Bandeira de Mello, na obra "Curso de Direito Administrativo, pág. 25, 4.ª edição, Malheiros Editores, 1993. SP; 7 Antônio Bandeira de Mello, obra e página citadas na nota anterior; 8 Idem, páginas 135/136; 9 "Não é livre a demissão sem justa causa se servidor celetista", artigo publicado no Boletim de Direito Administrativo - Julho/95, pág. 395/397. 10 ADCOAS 8148820; 11 Francisco Antônio de Oliveira, "Direito do Trabalho em sintonia com a nova Constituição", pág. 19, editora RT. 1993 , SP; 12 Trecho do voto do Sr. Ministro Carlos Velloso, no julgamento da Adin 492-1 DF i Tribunal Pleno - STF (D.J. 12.03.1993) - Lex - JSTF - 175/49; 13 Antônio Carlos Araújo Cintra, Ada Pellegrini Grinover e Cândido R. Dinamarco, "Teoria Geral do Processo", pág. 194, 9.ª ed., Malheiros, 1999, SP; 14 Idem ao anterior, pág. 201; 15 João Oreste Dalazen, "Competência Material Trabalhista", pág. 36, editora Ltr, 1994, SP. 16 Moacyr Amaral Santos, "Primeiras Linhas de Direito Processual Civil" , pág. 160, 1.º vol., 15.ª ed., Saraiva, 1992, SP; 17 Comentário n.º 3 ao texto do art. 643 da CLT, por Valentim Carrion, "Comentários à CLT, pág. 476/477, 22.ª ed. , Saraiva, 1997, SP; 18 Celso Agrícola Barbi, "Do Mandado de Segurança", pág. 92, 6.ª ed. , Editora Forense, 1993, RJ. 19 Luiz R. Nuñes Padilla, Porf. Da UFRS e Procurador do RGS, no artigo "O novo Direito Público do Trabalho", Bol. LTr n.º09/94, pág. 57/58; 20 Francisco Meton Marques de Lima, Professor da UFPI e Juiz do Trabalho, no artigo "Porque o empregador público da administração direta e indireta não pode praticar a denúncia vazia dos contratos de trabalho", Bol. Ltr 142/90, pág.677/680; 4. FONTES DO DIREITO 4.1. Conceito

Classificação Sua classificação. fonte “se diz do texto em que se funda o Direito ou dos elementos subsidiários que possam formular e esclarecer”. . separase em dois grandes blocos: As Fontes primárias e secundárias e as fontes materiais e formais. Num momento pré-jurídico. Para De Plácido e Silva. fontes seriam os mecanismos exteriores e estilizados pelos quais essas regras se revelam para o mundo exterior (fontes formais). segundo a perspectiva de enfoque do fenômeno das fontes. considerando a regra já constituída.Fonte do Direito do Trabalho é a origem das normas jurídicas trabalhistas. 4. fontes seriam os fatores que conduzem à emergência e construção da regra de Direito (fontes materiais). Num momento jurídico. é o processo específico que leva a formação das normas que constituem o Direito.2.

de acordo com os usos e costumes. Parágrafo único . no processo de indução à elaboração ou modificação do fenômeno do Direito. XVIII. da forma de produção adotada . o direito comparado.1) Fontes Primárias . na sociedade contemporânea. as Convenções da Organização Internacional do Trabalho não ratificadas pelo Brasil podem ser aplicadas como fontes do direito do trabalho. mas sempre de maneira que nenhum interesse de classe ou particular prevaleça sobre o interesse público. tendem a atuar conjugadamente. II – FONTES DO DIREITO DO TRABALHO. assim como os relatórios dos seus peritos.modelo grande indústria -. segundo o art. Fontes potenciais. Art. Analogia não é fonte do direito. Tais como ideologias. emanadas da Organização Internacional do Trabalho. em razão do Enunciado 3 da 1ª Jornada do Direito e Processo do Trabalho. B) Fontes Materiais (fato social) e Fontes Formais (exteriorização) B. devem servir como fonte de interpretação da lei nacional e como referência a reforçar decisões judiciais baseadas na legislação doméstica. São aquelas que existem dentro do próprio sistema que se têm as normas. na falta de disposições legais ou contratuais. séc. A. que emergem do próprio direito material. Art. Dividem-se em distintos blocos. O Direito Comparado. é fonte subsidiária do Direito do Trabalho. e. CONVENÇÕES E RECOMENDAÇÕES DA OIT. Este artigo é criticado por trazer confusão entre conceitos.As autoridades administrativas e a Justiça do Trabalho. ainda. Podem ser econômicas. sociológicas. jurisprudência e doutrina) A. principalmente do direito do trabalho. Mas nem tudo que esta aqui é fonte do direito. políticas e filosóficas. Enunciado 3. Este artigo é um leque de opções quando não se acha na fonte primária.2) Fontes Secundárias – Dentro do caso concreto se verifica dentro da norma trabalhista se há solução para ele. As demais normas da OIT.O direito comum será fonte subsidiária do direito do trabalho.1) Fontes Materiais – não tem força vinculante. os fatores materiais.A) Fontes Primárias (lei) e Secundárias (costume. I – FONTES DO DIREITO DO TRABALHO. É a centelha que dá origem aos nomes. apesar de distintos. caso não haja norma de direito interno pátrio regulando a matéria. constitui-se em importante ferramenta de efetivação do Direito Social e não se restringe à aplicação direta das Convenções ratificadas pelo país. em oposição à manufatura e ao artesanato. um momento social como greve. DIREITO COMPARADO. por analogia. DIREITO COMPARADO. pela jurisprudência. 8º da CLT. Assim. filosofias. O direito comparado está previsto neste artigo. 8º . CONVENÇÕES DA OIT NÃO RATIFICADAS PELO BRASIL.Hoje em dia esta mais importante. O uso das normas internacionais. que potencializou. É o que cria. segundo o tipo de fatores que se enfoca no estudo da construção e mudanças do fenômeno jurídico. Se não existir dentro do nosso sistema se busca em fontes secundárias. é um método. . Servem para auxiliar na interpretação das fontes formais. por eqüidade e outros princípios e normas gerais de direito. Perspectiva Econômica: fontes vinculadas à existência e evolução do sistema capitalista (Revolução Industrial. naquilo em que não for incompatível com os princípios fundamentais deste. a relação de emprego. como as Convenções não ratificadas e as Recomendações. FONTES DO DIREITO – NORMAS INTERNACIONAIS. 8º da Consolidação das Leis do Trabalho. conforme o caso. Do ponto de vista histórico. a categoria central do ramo justrabalhista. decidirão. e suas consequências na estruturação e propagação do sistema capitalista.

Perspectiva Política: relativa aos movimentos sociais organizados pelos trabalhadores. Tem a função também de inspirar a criação da norma e a função integradora de lacunas. A teoria pluralista não considera válida a tese do exclusivismo estatal. além de também serem considerados como norma. como o movimento sindical. convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho). B. Os princípios podem ser fontes materiais do direito do trabalho. e os partidos e movimentos políticos operários. atuando no âmbito da sociedade civil e do Estado. A teoria monista. que pode ser através de uma lei. no plano das empresas e mercado econômico. Assim. que trouxeram à tona ideais autocráticos. sendo uma fonte mesmo formal. fatores sociais importantes na formação do Direito do Trabalho. positivista e capitaneada por Kelsen. caracterizado como o único dotado de coerção/sanção (a teoria monista carece de consistência teórica). principalmente os princípios constitucionais. acordo e convenção coletivos. Segundo Maurício Godinho. como o neoliberalismo. os princípios também podem ser fontes materiais à medida em que orientam a atividade legislativa. de outros núcleos de produção de fontes formais. Tem força vinculante. sustenta que as fontes formais do Direito derivam de um único centro de positivação. É como se exterioriza no mundo jurídico. no âmbito societário. o Estado. reformistas ou de esquerda. que já tem essa força normativa atualmente no nosso ordenamento jurídico. como norma ele é uma fonte formal pura. mas não só isso. Em um primeiro instante. pois eles têm uma função multifuncional. e cristalizamse no ordenamento jurídico. preponderante até a segunda metade do século XIX. o reconhecimento do Estado como centro hegemônico de positivação jurídica não impede a percepção da nítida convivência.2) Fontes Formais . de nítido caráter reivindicatório. pois o próprio princípio pode resolver um caso concreto. É aplicada para todas as pessoas que se enquadram naquela hipótese prevista na norma. sustentando a clara existência de distintos centros de positivação jurídica no âmbito da sociedade civil. as vertentes filosóficas democráticas (socialistas) que ajudaram a derrubar a hegemonia do ideário liberal capitalista. Assim. como os costumes. Perspectiva Filosófica: relativas às idéias e correntes de pensamento que influíram na construção e mudança do Direito do Trabalho.Perspectiva Sociológica: relativas aos distintos processos de agregação de trabalhadores assalariados e decorrente da crescente urbanização. criação de verdadeiras cidades industriais-operárias e de grandes unidades empresariais. Como se apresentam no ordenamento jurídico. culminando com o acirramento da dualidade político-filosófica democracia x autocracia. São os mecanismos exteriores e estilizados pelos quais as normas ingressam. Já nos últimos cem anos. as vertentes autocráticas. É a necessária abstração. Dentro das fontes formais há a classificação das fontes formais heterônomas e fontes formais autônomas: Heteronomia e Autonomia . os instrumentos jurídicos de negociação coletiva (contrato coletivo. decreto.Exteriorização final das normas jurídicas.

2. Ordinárias. culminando com a de Cosntituição de 1988. Fontes Formais Heterônomas – são regras cuja produção não se caracteriza pela imediata participação de seus destinatários principais. O Brasil não adota uma teoria única/monista quanto à produção das normas. enquanto personificação dessa ordem. tendendo a traduzir um processo crescente de democratização das relações de poder existentes na sociedade. em ultima análise. O que se pode identificar como não estatal não é o direito em si. geralmente. Leis em sentido lato (Complementares. há que se lembrar que essa variedade de centros de normatização não é senão uma possibilidade transcrita na norma legal. a exemplo da sentença normativa). O cotejo das regras jurídicas com os princípios e regras constitucionais pode provocar três fenômenos: revogação. a mais relevante Carta de Direitos já escrita no país. como os costumes ou os instrumentos de negociação coletiva privada. segundo nosso examinador. invalidação.1) Fontes Heterônomas do Direito do Trabalho Constituição Federal da República do Brasil Dotada de prevalência na ordem jurídica. B. É feita por terceiro. onde os próprios autores negociam as regras que serão aplicadas a eles mesmos. pois é criada também através de outros organismos. Fontes Formais Autônomas – são regras cuja produção se caracteriza pela imediata participação de seus destinatários principais. São. que se identifica com o Estado. A norma infraconstitucional será válida e eficaz desde que não agrida o comando ou princípio constitucional estabelecido. tácita ou expressamente. O direito como ordem jurídica. decretos e outros diplomas estatais. regras originárias de segmentos ou organizações da sociedade civil. no mesmo ambiente jurídico. mas sua origem. esterelizando-se por declaração de inconstitucionalidade. leis. Consubstanciam um autodisciplinamento das condições de trabalho pelos próprios interessados. Recepção: a antiga regra infraconstitucional preserva-se na ordem jurídica. Como nas negociações coletivas. Delegadas. é que confere legitimidade às normas produzidas por via autônoma. O Brasil aceita que coexistam. a qual.A percepção da diversidade de centros de positivação de regras jurídicas faz relevante a tipologia das fontes em torno de sua autonomia/heteronomia. de acordo com a teoria positivista do direito. logo suspensa pelo Estado de sítio de 1935. Medida Provisória) Normas abstratas e vinculantes que resolve os casos concretos. regras de direta origem estatal (Constituição.a todas as demais regras jurídicas. não é apenas o Estado. A partir dela. A primeira Carta a vislumbrar direitos e princípios justrabalhistas foi a Constituição de 1934. vários produtores de normas. medidas provisórias. Para Jorge Luiz Souto Maior não há que falar em uma ordem estatal e uma ordem não estatal. ou seja. . é sempre um direito estatal.fundamento e eficácia . porque. Revogação: a antiga regra infraconstitucional é suprimida da ordem jurídica. todas incorporaram preceitos justrabalhistas. Invalidação: a regra produzida se choca com a ordem constitucional vigente. confere validade . por compatibilizar-secom o novo quadro constitucional. recepção.

O STF tem preservado orientação jurisprudencial de que as matérias trabalhistas enquadram-se nos requisitos de relevância e urgência. A aplicação não é automática. e Convenções internacionais são espécies de tratados multilaterais. Tratados internacionais são documentos obrigacionais. sancionada e promulgada pela Chefia do Poder Executivo (é a lei em sentido material aprovada segundo o rito institucional específico fixado na Carta Magna). O Brasil é país membro da OIT e tem por obrigação de.patamares civilizatórios mínimos. obrigatória. há a diferença da matéria inerente à elas e o quorum de votação. Não existe hierarquia entre leis complementares e ordinárias. A OIT edita alguns diplomas normativos. Tem o papel de universalizar o direito do trabalho. não tem um número certo de participantes. emanada do Poder Legislativo. Lei. sem participação de entes internacionais). . mas também qualquer outro pode aderir posteriormente. ratificado pelos países que estão no momento deliberando. a que aderem voluntariamente seus membros (podem ser subscritas apenas por estados. daí têm sido produzidas.as convenções. Tem que submeter à aprovação ou não desses diplomas no campo interno. firmados entre dois ou mais Estados ou entes internacionais. ou por outros países no futuro que nem eram da OIT à época da convenção. . porque o tratado. São três tipos de diplomas: . toda a vez que a OIT editar uma convenção internacional. podendo aplicar a convenção não só os países que a criaram. transformações por intermédio de simples medidas provisórias. subscrito. obrigatória. Contudo. em sentido material. Pode ser assinado posteriormente por outros países.Lei. Medida Provisória . é aberto porque pode ser adotado. normativos e programáticos. abstrata. Tratados e Convenções Internacionais Organização Internacional do Trabalho (OIT) . I. é aberta. abstrata. pois não há delimitação de participantes. submeter a autoridade competente nacional se vai ou não adotar aquela convenção.órgão da ONU que delibera sobre matéria trabalhista – comissões tripartides – Assembléias .recomendações. é regra jurídica geral. mas um pouco diferente. Convenções – são uma espécie de tratado internacional. oriunda de autoridade competente e expressa em fórmula escrita (lei complementar/ordinária. A convenção é multilateral. aprovados por entidade internacional. normalmente. sem delimitação do número de participantes. após a devida ratificação/adesão com status de norma infraconstitucional (entendimento já pacificado pelo STF). mesmo . A autoridade competente no Brasil é o Congresso Nacional – art. Constituem-se em documentos obrigacionais. Tratados e Convenções internacionais podem ser fontes formais (fontes normativas heterônomas) (lei em sentido material). é toda regra de Direito geral. a ONU e a OIT têm atribuído o nome de convenção aos tratados multilaterais adotados por suas assembléias e conferências. da CF.declarações. é indeterminável. Ingressam. normativos programáticos. medida provisória e decreto do Poder Executivo). é bilateral. 49. com grande intensidade. impessoal. impessoal. em sentido formal. assinado.

art. que podem ser adotadas pelos países ou não. A convenção é submetida ao Congresso. em que posição deve ser integralizada? Com força de Constituição ou abaixo da CF como lei infraconstitucional? Pra o status da convenção internacional ratificada no ordenamento jurídico brasileiro há 2 teorias – Teoria Dualista e a Teoria Monista. Quando se quer adotar a convenção deve-se submetê-la à autoridade competente que é o Congresso Nacional. Já a convenção não ratificada. que é enviado ao Poder Executivo que promulgará um Decreto do executivo publicando a convenção para que tenha um início de vigência interna. 2ª) Teoria Dualista – adotada pela doutrina (Flávia Piovesan).O STF e o TST tem a posição majoritária de que entra na categoria de lei ordinária federal. Pergunta: Ratificada a convenção internacional. além de ajudar na interpretação do próprio ordenamento jurídico. assim como ocorre da CF. O argumento para esse entendimento é a própria CF. 5º da CF: . Todos os direitos superiores já existentes não podem ser diminuídos por uma convenção. 1ª) Teoria Monista . uma vez ratificado uma convenção que trata sobre direitos humanos. ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. ao lado da CF como emenda constitucional. pois faz parte do direito comparado. após a sua ratificação. 8º da CLT.Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados. Assim. porque se for conteúdo de direitos humanos. independente do conteúdo dessa norma. São essas regras jurídicas internacionais. mas com vigência internacional. A ratificação de uma convenção produz um avanço social nos pontos em que estávamos atrasados no ordenamento interno. secundária.norma mais favorável interna. Para boa parte da doutrina os direitos humanos são os direitos fundamentais positivados no ordenamento interno. Outro forte argumento é o § 3º do art. cada item da convenção que for melhor que o previsto no ordenamento interno poderá ser aplicado. Uma convenção entra em vigência internacional normalmente quando três países membros a adotam e passa ater vigência interna. sendo norma infraconstitucional. Tendo força de EC. dessa convenção. 49. Uma convenção com vigência interna é considerada uma das fontes primárias do ordenamento. art. esses direitos humanos ratificados entram no nosso ordenamento na categoria de direitos fundamentais. §2º: § 2º . Ou seja. onde deliberam no sentido de adotar ou não a convenção. Expressa que a convenção ratificada não pode piorar com o que o país já tinha. em que local. ou seja. estará aumentando o rol de direitos fundamentais. Ela entende que deve-se analisar o conteúdo desse tratado ou convenção ratificado.que não tenha participado anteriormente. Não se aplica imediatamente no país membro. item 8 . Para essa doutrina. Essa vigência só ocorre após a publicação do Decreto do executivo. aqui no Brasil. As convenções não ratificadas servem para interpretação das normas internas e servem como fontes subsidiárias por força do art. pode ser utilizada como fonte subsidiária. A aprovação se dá por um Decreto Legislativo no vernáculo oficial. uma vez ratificado pelo pais membro. Estatuto OIT. na língua portuguesa. Esse procedimento se chama RATIFICAÇÃO. Há diferença entre vigência interna e internacional. art. 19. por serem assim considerados direitos fundamentais. 5. 8º traz o direito comparado como fonte subsidiária. O art. I CRFB.

Com a retificação se está avançando nos direitos. que foi incluindo pela CE 45. 4o. do art. Se entender que é uma simples lei ordinária federal. no entanto. II. Agora são também formalmente constitucionais. tinham força de emenda.com. o texto integra-se ao ordenamento como norma infraconstitucional. a República Federativa do Brasil rege-se..06. ratificados pelo Brasil. Pela teoria clássica. em nível constitucional.conamat. a sua inserção no ordenamento interno se dá. esta integração se dá no nível constitucional. na qualidade de lei ordinária. Todas as outras leis terão que passar pelo crivo de constitucionalidade do tratado. "As normas internacionais. Recomendações – consiste em diploma programático expedido por ente internacional enunciando aperfeiçoamento normativo considerado relevante para ser incorporado pelos Estados. não se podia dar a convenção caráter de emenda constitucional. 18.§ 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados." "E.1998). O próprio dado histórico do direito do trabalho obriga-nos este reconhecimento" (extraído de sua tese A Inserção no Direito Interno de Normas Internacionais Trabalhistas Ligadas aos Direitos Humanos. da CF/88. não tem força vinculante. Para outros. dependem de ratificação e uma vez cumpridos os trâmites legais. por três quintos dos votos dos respectivos membros. da Constituição Federal. b) Os direitos trabalhistas ligados diretamente à dignidade da pessoa humana. pela prevalência dos direitos humanos (inciso II). Para quem adota a corrente da Piovesan. serão equivalentes às emendas constitucionais. § 2º. revogação. antes todos os tratados que cuidavam de direitos humanos ratificados eram materialmente constitucionais. Importante registrar o posicionamento de Souto Maior a propósito da inserção dos Tratados Internacionais que veiculam direitos humanos em nosso ordenamento: Diz ele que: a) As normas internacionais de tratados que. a exemplo daqueles garantidos pela Declaração da OIT sobre os Princípios de Direitos Fundamentais no Trabalho (Genebra. ou seja. em cada Casa do Congresso Nacional. Princípio da vedação ao retrocesso social Toda vez que se ratifica uma convenção que cuida de direitos humanos não pode mais retroceder. e 5º.. que prevê que nas relações internacionais. por ser considerado direitos fundamentais. Conseqüências das correntes Para quem adota a corrente da Piovesan o tratado não poderá ser revogado. Para quem adota a corrente do STF argumentava que antes desse §3º. 5o. independentemente de lei ordinária. Sem adentrar esta discussão. em dois turnos.. inciso II.br). para serem obrigatórias no território nacional. que estabelece que os tratados internacionais constituem regras complementares às garantias individuais e coletivas estabelecidas na Constituição e do art. da mesma Carta. por previsão do § 2o. Seria uma . o fato é que em se tratando de normas pertinentes aos direitos humanos. dentre outros princípios. têm natureza de direitos humanos. disponível no site www. insofismavelmente. digam respeito a direitos humanos têm status supraconstitucionais e se incorporam de imediato ao ordenamento interno. não se pode negar ao direito do trabalho o status de regulação jurídica pertencente aos direitos humanos. por força dos artigos 4º. caberia modificação. diz-se.

objetivando operacionalizar a observância concreta do comando legal originário. O Direito Comparado. Atribuição do Presidente da República.espécie de pré-estágio antes de uma convenção. assim como os relatórios dos seus peritos. O Enunciado nº 3 da 1ª jornada diz que se pode utilizar as recomendações já de imediato para. não podem ser ratificadas. Recomendação e Declaração não constituem fontes formais do Direito. Porém. O uso das normas internacionais. I . DIREITO COMPARADO. não é uma futura convenção. O adicional de periculosidade dos eletricitários. . têm caráter de fonte jurídica material. tem a função específica de regulamentar outra norma jurídica. Toda vez que um decreto exorbitar dessa função será ele ilegal. não são fontes formais. não podendo exorbitar o que a lei dispõe. Elas apenas recomendam. segundo o art. IV da CF. como as Convenções não ratificadas e as Recomendações. constitui-se em importante ferramenta de efetivação do Direito Social e não se restringe à aplicação direta das Convenções ratificadas pelo país. CONVENÇÕES E RECOMENDAÇÕES DA OIT. emanadas da Organização Internacional do Trabalho. art.FONTES DO DIREITO DO TRABALHO. as Convenções da Organização Internacional do Trabalho não ratificadas pelo Brasil podem ser aplicadas como fontes do direito do trabalho. apenas recomendam que o país adote uma política em certo sentido. não gerando direitos e obrigações aos indivíduos na ordem jurídica interna dos Estados celebrantes. Regulamento Normativo (Decreto) Caracteriza-se como um desenvolvimento e especificação do pensamento contido na lei. Uma recomendação normalmente precede uma convenção. O decreto que regulamentou a lei pra esse adicional inventou uma aplicação proporcional ao tempo de disposição.FONTES DO DIREITO . Não pode ultrapassar da simples regulamentação de uma lei. II . DIREITO COMPARADO. Serve como fonte material. São espécies de esclarecimentos sobre a matéria. 8º da Consolidação das Leis do Trabalho. também não tem força vinculante. CONVENÇÕES DA OIT NÃO RATIFICADAS PELO BRASIL. Por tempos se discutiu se esse proporcional é ilícito. Obs: Enunciado 3 da 1a Jornada Enunciado 3 . auxiliar na interpretação da nossa norma interna. caso não haja norma de direito interno pátrio regulando a matéria. o STF entendeu ser ilícito. não tem aplicação imediata. ou seja.FONTES DO DIREITO DO TRABALHO. serve de inspiração para outras regras jurídicas. Elucidam alguma dúvida. As demais normas da OIT. Assim. 84. no mínimo. pois geralmente antes de uma convenção há uma recomendação. Declarações – também é diploma programático. embora expedido por Estados soberanos em face de determinado evento ou congresso. é só uma orientação da OIT. devem servir como fonte de interpretação da lei nacional e como referência a reforçar decisões judiciais baseadas na legislação doméstica. é fonte subsidiária do Direito do Trabalho.NORMAS INTERNACIONAIS. de regulamentar as leis.

Há. pois obrigam nos limites da obediência hierárquica. A sentença normativa é uma sentença que não se identifica com seu próprio corpo. só regulamentam do Direito do Trabalho. Não constituem fontes formais apenas aos funcionários a que se dirigem e Faltam-lhes qualidades da lei em sentido abstração e impessoalidade. 84. I: "Art. segundo se classifiquem nos graus máximo. impessoal. art. Portarias. possibilidade técnica de serem alçados ao estatuto de fonte normativa. bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução. impliquem o contato permanente com inflamáveis ou explosivos em condições de risco acentuado. no âmbito das relações laborais. arts.)" Sentença Normativa É fonte heterônoma singular do Direito do Trabalho. assumindo aquelas qualidades e criando direitos e obrigações na vida trabalhista. aquelas que. Exemplos: CLT.(.. CLT . Em tais casos. São consideradas atividades ou operações perigosas. todos os dispositivos legais que atribuam ou deleguem a órgão do Poder Executivo competência assinalada pela Constituição ao Congresso Nacional. sujeito este prazo a prorrogação por lei. cuja competência originária é do TRT (se estiver no âmbito de apenas uma região) cabendo recurso ao TST.sancionar.. qualificando-se. É formalmente uma sentença. 192 e 193: CLT . a partir de cento e oitenta dias da promulgação da Constituição. contudo. regras jurídicas. Avisos. geral nenhuma.Art. como um efetivo dever do próprio Estado. Primeiro passo se dá com uma negociação coletiva. Qualquer norma jurídica que implemente políticas ou medidas de redução dos riscos inerentes ao trabalho será válida em face da Constituição. passando a integrar o conteúdo desses diplomas. 193. material. especialmente no que tange a: I . 25. por sua natureza ou métodos de trabalho. decorrente da atribuição constitucional deferida ao Poder Judiciário de fixar. 20% (vinte por cento) e 10% (dez por cento) do salário mínimo da região. Instruções. Compete privativamente ao Presidente da República: IV . acima dos limites de tolerância estabelecidos pelo Ministério do Trabalho.Art. com qualidade de lei em sentido material. promulgar e fazer publicar as leis. como ocorre nos dissídios coletivos e respectivas sentenças normativas. Se não conseguir negociar passa a buscar o recurso da arbitragem.Art.ação normativa. quando expressamente referidos pela lei ou regulamento normativo (decreto) a que se reportam. onde vai resolver o conflito coletivo. Ficam revogados. abstrata. médio e mínimo. Em sentido contrário: ADCT. Se não . quais sejam generalidade. A sentença normativa é decisão dos tribunais em dissídios coletivos (interesse coletivo aprensentado pelo sindicato ou por órgãos de classe. O exercício de trabalho em condições insalubres. 25. mas o conteúdo é uma lei. assegura a percepção de adicional respectivamente de 40% (quarenta por cento). 192. na forma da regulamentação aprovada pelo Ministério do Trabalho. na verdade. regendo ad futurum situações fático-jurídicas. Circulares A rigor não tem força vinculativa internamente. o tipo jurídico inserido na respectiva portaria ganhará o estatuto de regra geral.

às relações individuais do trabalho. dirigidos a normatizar situações ad futurum (são lei em sentido material.2) Fontes Autônomas do Direito do Trabalho Convenção Coletiva de Trabalho e Acordo Coletivo de Trabalho As convenções coletivas. A de natureza econômica possibilita ao Judiciário criar normas para determinada categoria. embora de origem privada (normas autônomas). abstratas. não integrando.2. que estipulem condições de trabalho. O de natureza jurídica não gera sentença normativa.quiser utilizar a arbitragem pode usar o dissídio coletivo de natureza econômica. CLT . impessoais. É comando abstrato. O Tribunal fixará a data em que a decisão deve entrar em execução. aplicáveis no âmbito da empresa ou das empresas acordantes às respectivas relações de trabalho. Em decorrência da dualidade apresentada. A convenção coletiva resulta de negociações entabuladas por entidades sindicais.Art. Natureza jurídica – não se enquadra em nenhuma figura ante da normatividade. §1º É facultado aos Sindicatos representativos de categorias profissionais celebrar Acordos Coletivos com uma ou mais empresas da correspondente categoria econômica. Já no acordo coletivo não é necessária a presença do sindicato no pólo empresarial de contratação: constrói-se por empresa ou empresas. B. Calamadrei produziu a hoje clássica referência à sentença normativa como “corpo de sentença. o qual não poderá ser superior a quatro anos. ao contrário a criação de normas jurídicas gerais. 868 . É lei em sentido material. os contratos. no âmbito do dissídio. no exercício de função típica e tradicional do Poder Legislativo (e não do Poder Judiciário).Parágrafo único. haverá uma lei preexistente que terá sua aplicação declarada pelo Tribunal. mas do ponto de vista formal são acordo de vontades/contratos). criam regras jurídicas. obrigatórias. pois. o qual não poderá ser superior a quatro anos. Não traduz a aplicação da norma jurídica existente sobre a relação fáticajurídica configurada. que resulta de um acordo de vontades. impessoais. como resultado de um único e específico processo posto a exame do tribunal trabalhista para aquele preciso e especificado fim. Tem vigência. seus efeitos dar-se-ão apenas entre a(s) empresa(s) e os trabalhadores envolvidos. TST – Súmula 277 – As condições de trabalho alcançadas por força de sentença normativa vigoram no prazo assinado. no âmbito das respectivas representações. Expressa. em comum acordo. onde. abstratos. embora se preserve como ato judicial do ponto de vista de sua forma de produção e exteriorização. constituindo-se em ato judicial criador de regras gerais. CLT – Art. Convenção Coletiva de Trabalho é o acordo de caráter normativo. bem como o prazo de sua vigência. pelo qual dois ou mais Sindicatos representativos de categorias econômicas e profissionais estipulam condições de trabalho aplicáveis. impessoais. de forma definitiva. Há duas visões: . como verificado nas sentenças clássicas. gera uma decisão final que é a sentença normativa. 611. alma de lei”. A lei brasileira determina que o tribunal prolator da sentença normativa fixe o prazo de sua vigência. obrigatórias e abstratas (aspecto material). O dissídio coletivo pode ter natureza econômica ou jurídica. preceitos gerais. envolvendo o âmbito da categoria.

não podendo mais deles ser suprimidas. três correntes tratam do assunto: aderência irrestrita. Repercussão nos contratos de trabalho. . não integrando.. é verdade). abstratas. o que é decisivo para a interpretação é a vontade da lei. como norma.tem natureza de fonte do direito. impessoais e dirigidas à regulação ad futurum de relações trabalhistas. aderência limitada por revogação. Do ponto de vista substantivo são desveladores de normas jurídicas típicas. não aderindo indefinidamente a eles (corrente mais prestigiada jurisprudencialmente): TST . Do ponto de vista formal são acordos de vontades (contrato lato sensu).tem natureza de contrato – pois são duas partes que celebram um negócio jurídico. uma vez criado o texto. Vigência. os contratos.Sentença normativa. de forma definitiva.Aderência irrestrita (corrente minoritária): ingresso para sempre nos contratos individuais. aderência limitada pelo prazo. O professor acha perigosa a corrente porque deve ser interpretado um contrato mais pela intenção das partes do que pelo que está escrito. Sobre a aderência contratual das regras previstas nas Convenções Coletivas de Trabalho e nos Acordos Coletivos de Trabalho. As condições de trabalho alcançadas por força de sentença normativa vigoram no prazo assinado.Aderência limitada pelo prazo: os dispositivos dos diplomas negociados vigoram no prazo assinado para vigência de tais diplomas. qualificadas por serem gerais (em seu âmbito mais delimitado. de norma – como lei.Súmula 277 . . . .

Não se encontra na forma escrita (diferença para lei). Ocorre quando um núcleo social adota e observa. ou no dia 30 de cada mês. portanto de uma obrigatoriedade espontânea. categoria. Liberalidade com habitualidade gera cláusula contratual tácita. constante e espontaneamente. mas não é a mais aceita pela jurisprudência): os dispositivos vigorariam até que novo diploma negocial os revogasse (seria uma integração contratual limitada por revogação). No DT. ninguém estabeleceu nada. mas são figuram diferentes. Se funcionar apenas como meio de interpretação de negócios jurídicos. aplicável ad futurum a todos os trabalhadores integrados no mesmo tipo de contexto. como no acordo ou convenção coletiva. porque tudo ligado ao contrato. com aptidão formal para produzir normas jurídicas (tentativa de gerir um instrumento de negociação coletiva que fosse capaz de ultrapassar os limites da estrutura corporativista tradicional do Direito Coletivo no Brasil). porque se acredita ser a conduta certa na sociedade. Por isso é criticado pela doutrina o uso como fonte. efeitos exclusivamente no delimitado âmbito dessas mesmas partes. Contrato Coletivo de Trabalho Pacto contratual coletivo. Funciona como cláusula tacitamente ajustada. mas que naturalmente se utiliza na execução do contrato. Por exemplo. a lei fala que o salário deve ser pago até o quinto dia do mês útil subseqüente. em conseqüência. são normas jurídicas autônomas. Isso a rigor não seria uma fonte do direito. norma jurídica. envolvendo as específicas partes componentes dessa relação e produzindo. o uso seria na verdade uma forma de executar o contrato. mas ocorre que muitas vezes o empregador paga antes. A estrutura sindical brasileira não é adequada. não tem a abstração necessária para ser uma fonte. A doutrina aconselha ter cuidado com o termo uso porque para ela. região etc. tendo em vista que as entidades sindicais obreiras organizam-se por segmento profissional e a idéia relevante do contrato coletivo é fixar normas mais abrangentes do que as dirigidas ao universo delimitado de uma única categoria. É uma prática reiterada e espontânea. Reveste-se. para a corrente majoritária. a cláusula contratual. Os integrantes do núcleo agem com o sentimento de que tal norma deve ser cumprida. Costume é prática habitual adotada no contexto mais amplo de certa empresa. tendo o caráter de cláusula contratual tácita. celebrado no exercício da autonomia privada coletiva. atos-regra. Não está escrito em lugar algum. firmando um modelo ou critério de conduta geral/impessoal. como todo dia 5 do mês. e isso acaba incorporando no contrato porque tacitamente foi celebrado uma cláusula mais benéfica. Os costumes. ocorre normalmente gerando direitos aos empregados. mas meio de interpretação da vontade das partes. Usos e Costumes Uso é prática habitual adotada no contexto de uma relação jurídica específica.Aderência limitada por revogação (tecnicamente mais correta. uma forma que não foi pactuada expressamente... O uso é uma prática adotada dentro de uma relação jurídica específica e que somente produz efeitos entre essas partes. portanto. . Assim. CLT trata em conjunto. não sendo. o uso não emerge com ato-regra. e sim tem um aspecto concreto entre as partes do contrato. certo modo de agir de conteúdo jurídico. vocacionadas a suprirem lacunas percebidas nas fontes jurídicas principais do sistema (são fontes jurídicas supletivas). não será fonte formal de direito. mas espontaneamente se acha ser a conduta certa.

se decidido pela livre faculdade dos agentes destinatários das normas pretendidas e se absorver. Se a lei não supre deve-se buscar os costumes para suprirem a lacuna da lei. o conteúdo da lei. as partes poderão eleger árbitros. Exemplo: gorjeta não tem previsão legal de que tem que receber.Praeter legem – supre lacuna da lei. num conflito coletivo de trabalho). sendo parecido com sentença normativa. é fonte estritamente heterônoma. 2 .Secundum legem – segundo a lei. Não se admite em princípio.2.3) Figuras controvertidas Laudo Arbitral Decisão de caráter normativo tomada por alguém escolhido por entidades coletivas. CF – Art. na comissão arbitral. 3 . resolvendo o conflito coletivo de trabalho. O laudo arbitral. que é a decisão do árbitro. 114 § 1º Frustrada a negociação coletiva. a representação direta dos destinatários das normas. . No âmbito coletivo. Em DT se for mais favorável pode ser aplicado em detrimento da lei. Poderá. 8º da CLT. salvo de a lei for imperativa proibitiva. porque produzido por terceiro. Art. não pode. porque a arbitragem só é possível para direitos patrimoniais disponíveis. Art. A lei se refere expressamente ao costume. 114. Quando se está no campo das relações individuais de trabalho. a arbitragem é permitida e incentivada. contudo. mas deve-se reconhecer a força dele que atua no sentido de forçar o desuso da lei. sem a participação direta dos destinatários das normas contidas no laudo. ter faceta autônoma. para incidência no âmbito das respectivas bases sindicais (decisão proferida por um árbitro escolhido pelas partes. É facultativa. em princípio. Integra o conteúdo da norma escrita.Contra legem – que contraria a lei. § 1º da CF. A decisão do árbitro pode ser considerada como fonte formal heterônoma (semelhante à sentença normativa). B. A doutrina classifica os costumes em três tipos: 1 . É um costume. Quando frustrada a negociação coletiva pode-se utilizar a arbitragem e o laudo arbitral.Nossa legislação e doutrina reconhecem o costume como fonte do direito. terá natureza de corpo de laudo com alma de lei. em regra. árbitro ou comissão arbitral. no contexto da negociação trabalhista. Exemplo se encontra na lei do rural onde prevê que o intervalo seja feito de acordo com o uso e costume da região.

No Brasil a jurisprudência tem o sentido de decisões reiteradas dos tribunais sobre a interpretação das normas. tendo. inquestionável força jurídica e jurígena. Seus dispositivos valerão como cláusulas do contrato de trabalho. pela jurisprudência. dentro do seu poder diretivo. conforme o caso. forma vinculante. Não tem a abstração generalizada. o exame das súmulas de jurisprudência uniforme do TST demonstra sua qualidade de comando geral. abstração e vinculação. ou seja. Tudo que está no regulamento vira contrato. Pela posição majoritária integra-se aos contratos de trabalho como cláusulas. abstratos. pois resulta de seu ato unilateral de vontade. art. Não se enquadra como fonte formal de direito eis que resta limitado ao âmbito de vontade do empregador. mas tem uma mitigação no papel tradicional da jurisprudência no Brasil. decidirão. pois. Não são fontes formais como são as leis. em algumas doutrinas o regulamento pode ser considerado fonte quando edita regras gerais e abstratas. que é essa obrigatoriedade na utilização. É a cristalização de entendimentos dos tribunais superiores. O regulamento e o contrato são concretos na aplicação entre as partes. Não é a jurisprudência que vira uma norma. onde a discussão muda um pouco. a partir de casos concretos colocados a seu exame jurisdicional (consubstancia a autoridade das coisas decididas similarmente em juízo). Quando não é baixando unilateralmente. abstrato e impessoal. valendo como ato de vontade unilateral. por eqüidade e outros . mas é minoritário. um entendimento jurisprudencial. No âmbito justrabalhista. pois seus dispositivos são gerais. 8º. No direito comparado. A CLT. e sim mostra qual é a interpretação reiterada da norma. mas tem generalidade. dispõe ser a jurisprudência fonte normativa (supletiva): CLT – Art. 8º As autoridades administrativas e a Justiça do Trabalho. Caso em que o empregador e empregado negociam o regulamento. mais especificamente no poder regulamentar. Não é igual a lei. A interpretação passa a ser vinculante. Possuem certo aspecto que aproximam as súmulas vinculantes das fontes formais. impessoais. Jurisprudência Origem da jurisprudência: direito anglo-saxônico. Modernamente: regulamento negociado pelos representantes dos empregados. em face de sua origem unilateral. podendo ser através de portaria. circular etc. por analogia. como em alguns países. É anexo ao contrato de trabalho. mas a jurisprudência trabalhista tem lhe negado tal qualidade e respectivos efeitos.Regulamento Empresarial Tem aparente qualidade de regra jurídica. qualquer juiz pode contrariar uma súmula. Sérgio Pinto Martins entende diferente achando que são fontes do direito. Não tem força vinculante tradicional. daí ser negado seu caráter de fonte normativa autônoma. É a reiterada interpretação conferida pelos tribunais às normas jurídicas. Com a criação das súmulas vinculantes do STF. Este. baixa esse regulamento. É baixando unilateralmente pelo empregador. Onde todos passam a ter que adotar aquele verbete. mas baixando unilateralmente. na falta de disposições legais ou contratuais. a matéria ainda não está pacificada.

No julgamento da lide caber-lhe-á aplicar as normas legais. mas o intérprete. Atuam na integração das normas quando existe lacuna da lei – utiliza-se a mesma orientação que informou a criação das diversas normas sobre o assunto para ser suprida a ausência de norma – é mera forma de integração das normas (maj – Délio. . inspiram a criação de normas. pela eqüidade. também é fonte normativa subsidiária. 8º. Princípios Jurídicos Podem ocupar o papel de fonte supletiva (princípios normativos subsidiários). mediatiza. de acordo com os usos e costumes. Doutrina Conjunto de apreensões e leituras sistematizadas da ordem jurídica pelos juristas e estudiosos do Direito em geral.Art.Art. construindo regra fundada nos elementos mais globalizantes dessa situação. As construções doutrinárias não são fonte normativa por padecerem de abstração e obrigatoriedade.princípios e normas gerais de direito.Quando a lei for omissa. que deverá ser invocada em razão de lacuna em fonte normativa principal. com força normativa – Dworkin e Alexy. e. Não tem força vinculante. Godinho chama de fonte supletiva subsidiária Visão moderna – Princípios constitucionais como norma jurídica. 4º . CPC . principalmente do direito do trabalho. que informam a compreensão do sistema jurídico e de seus ramos. Pode inspirar criação de normas e interpretar normas. LICC . 126. o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia. ainda. auxiliando o processo de aplicação concreta do Direito. Podendo ser utilizados nos casos concretos usando a metodologia correta. o direito comparado. os costumes e os princípios gerais de direito. Sérgio Pinto Martins). A lei regula situação-tipo. Visão clássica/tradicional – Informam a criação (agindo assim como fontes materiais). tendo em vista as circunstâncias específicas do caso concreto posto a exame judicial. tornando-o concreto. não as havendo. O juiz não se exime de sentenciar ou despachar alegando lacuna ou obscuridade da lei. Pela CLT. art. em situações de lacunas nas fontes jurídicas principais do sistema (ler estudo sobre princípios no início deste ponto). adequa o comando abstrato. Informam a interpretação das normas jurídicas existentes. Os trabalhos doutrinários servem como fontes materiais eis que atuam como subsídios aos intérpretes e ao legislador na compreensão do sistema jurídico. institutos e diplomas normativos. aos costumes e aos princípios gerais de direito. mas sempre de maneira que nenhum interesse de classe ou particular prevaleça sobre o interesse público. recorrerá à analogia. Equidade Significa a suavização do rigor da norma abstrata.

Sérgio Pinto Martins enquadra como fonte. Fundamento na validação de uma norma em cotejo com outra de eficácia mais ampla. Em DT . assim. pois obviamente figura no topo da pirâmide aquela mais favorável ao empregado. A hierarquia própria às fontes normativas componentes do Direito Comum é rígida e inflexível: nada agride a Constituição e. no ramo laboral. em uma lacuna. já que todas as outras fontes não podem contrariá-la. Não é uma fonte. mediante a qual um diploma encontra respaldo e fundamento naquele que lhe é superior). diante de lacuna nas fontes normativas principais.3) Hierarquia entre as Fontes Justrabalhistas 4. nada agride a lei. É. O DT surgiu como uma base de comandos mínimos de observância obrigatória pelas partes no intuito de amparar o trabalhador frente ao poder econômico do empregador. Hierarquia segundo maior ou menor extensão de eficácia e sua maior ou menor intensidade criadora do Direito (há uma verticalidade fundamentada entre os diplomas normativos.Princípio protetivo na sua regra da norma mais favorável. busca preceito adequado que seja existente em outros segmentos do universo jurídico. desde que seja válida. as cláusulas contratuais são concretas.1) Hierarquia Normativa: teoria geral (Direito Comum) Já foi estudado no contexto do princípio da condição mais benéfica. Forma de integração das normas jurídicas. É o método pelo qual.3. busca outra norma semelhante para resolver a lacuna. Na hierarquia tem a pirâmide de Kelsen. específicas e pessoais. envolvendo somente as partes contratantes. não tem caráter de fonte. pois.Analogia Apesar da citação no art. Não constituem fontes de direito. ou seja. não se pode falar em hierarquização rígida das diversas fontes de direito. onde se tem uma norma buscando fundamento de validade em outra. gerais. pela qual se pesquisam outras fontes normativas para aplicação ao caso concreto. abaixo dessa. 126 do CPC. concretos. a norma inferior não pode contrariar a superior. No conflito de normas se resolve com a norma mais favorável. impessoais. pessoais. abstratos. Cláusulas Contratuais Não é o contrato um diploma instituidor de atos-regra. 4. Constituição da República. . Ao contrário. Não são. mas sim fontes de obrigações e direitos específicos. tem posição hierárquica máxima. mesmo supletiva. Somente é a operação lógico-comparativa pela qual o operador jurídico. fontes de regras jurídicas. Dessa forma. como norma fundamental do direito positivo. instrumento de concretização da integração jurídica. O fundamento do DT traz em si a idéia de possibilitar que os interessados livremente possam efetuar a estipulação de regras mais favoráveis (que criam melhores condições de trabalho e de vida) ao empregado. A analogia é um método de integração de lacunas de direito.

falar em hierarquia de diplomas normativos (lei em sentido material). O vértice da pirâmide normativa. Ainda.3. o princípio da norma mais favorável não se compatibiliza com a inflexibilidade piramidal típica do Direito Comum. necessariamente. em princípio. não será. mas si a norma mais favorável ao trabalhador. que sempre preservarão sua preponderância. elegendo no vértice da pirâmide a norma que mais se aproxime do caráter teleológico do ramo justrabalhista (princípio da norma mais favorável) (hierarquia dinâmica e variável). mas em hierarquia de normas jurídicas (heterônomas e autônomas). o critério normativo hierárquico vigorante no Direito do Trabalho constrói-se de modo plástico e variável. que prevalecerá sobre as demais. Limitações: O princípio de prevalência da norma mais favorável ao trabalhador encontra limites nas normas proibitivas estatais. variável e mutável. . Assim.2) Hierarquia Normativa: especificidade justrabalhista No ramo justrabalhista não se deve.4. a CF ou a lei federal. dado revestirem-se do imperium específico ao Estado.

3º. considerado o mesmo universo temático. então. (organiza o instrumental normativo em função da matéria tratada (ratione materiae)) (é um critério sistemático. Compara-se. pelo cotejo analítico. no conjunto de normas e em relação a cada matéria. análise e classificação das normas cotejadas. 3º . socorrem-se da teoria do conglobamento no contraponto entre a lei territorial externa e a lei brasileira originária. Conflitos e suas Soluções Aplicação da Teoria Especial Trabalhista . O que há de diverso no direito do trabalho. encaminhando-se. também globalmente considerados. retirando-se os preceitos e institutos singulares de cada um que se destaquem por seu sentido mais favorável ao trabalhador (acumulam-se os preceitos favoráveis ao obreiro. sentença normativa. pois enseja um sancionamento do sistema normativo.  O parâmetro de comparação não é o indivíduo. em que a percepção da norma mais favorável é feita considerando-se seu sentido no universo do sistema a que se integra)(a teoria do conglobamento foi absorvida pela legislação . Teoria da Acumulação Propõe como procedimento de seleção. no seu ponto de vista.Lei 7.064/82. Ex. Teoria do Conglobamento Cada conjunto normativo é apreendido globalmente. naquilo em que não for incompatível com o disposto nesta lei. é a possibilidade de não se aplicar a norma superior quando uma inferior estabeleça maiores garantias ao trabalhador. convenção coletiva. III). ainda que se apóie no princípio da norma mais favorável).a competência das Juntas de Conciliação e Julgamento. costumes. lei em sentido amplo. .II – a aplicação da legislação brasileira de proteção ao trabalho. estabelecida neste artigo. conduzindo a resultados jurídicos casuísticos e incomunicáveis). com base no princípio da norma mais favorável. art.uma lei infraconstitucional não poderá permitir a execução deste trabalho. regulamento de empresa. cada conjunto com os demais. No entanto. à determinação do conjunto normativo mais favorável. 651.Lei n. §2º . são normas de garantias mínimas. insalubre e perigoso aos adolescentes . quando mais favorável do que a legislação territorial. etc.Souto Maior entende que há hierarquia no direito do trabalho nos mesmos moldes do direito civil: Constituição. cindindo-se diplomas normativos postos em equiparação) (teoria cientificamente criticável. estende-se aos dissídios .Art. mas a coletividade interessada ou o trabalhador inserido em um quadro de natureza global. o fracionamento do conteúdo dos textos normativos. Conflito de competência .º 7. No caso de ser a norma superior de caráter máximo não pode a inferior ser aplicada (citese como exemplo a norma constitucional que proíbe o trabalho noturno.064. acordo coletivo. isso só é possível porque as regras trabalhistas em geral.Acumulação X Conglobamento As teorias da acumulação e do conglobamento buscam informar critérios de determinação da norma mais favorável. Art. assim. que dispõe sobre a situação de trabalhadores brasileiros contratados ou transferidos para prestarem serviços no exterior.

a não ser excepcionalmente. Isso é possível. Pode ocorrer que as partes não gostem da sentença normativa. (vide Constituição Federal de1988). domésticos). pra convenção coletiva. O da acumulação não respeita limites. No conglobamento. segundo o examinador. um parágrafo de um artigo de uma lei com o caput de outra. no geral. não se devendo buscar atender às peculiaridades de cada trabalhador. Tem se dado preferência à solução negociada. Isso. Ressalta ainda Souto Maior que nesta análise o trabalhador deve ser abstraído. isto é. desde que o empregado seja brasileiro e não haja convenção internacional dispondo em contrário. sendo aplicável. ainda na vigência da sentença normativa. analisase todo o ordenamento. Portanto é atípica.Súmula 207 do TST: A relação jurídica trabalhista é regida pelas leis vigentes no país da prestação de serviços e não por aquelas do local da contratação. para se verificar qual. No último e mais racional. por exemplo. porque é uma sentença com alma de lei. .ocorridos em agência e filial estrangeiro. quando houver tratamento harmônico da matéria. Não é uma coisa julgada tradicional no sentindo de que ultrapassado todos os prazos transitou em julgado e nunca mais poderá ser modificado. evidentemente. deve-se respeitar o critério da especialização: ou seja. se apresenta mais vantajoso ao empregado. conglobamento e acumulação por instituto. Souto Maior identifica três critérios de comparação entre as diversas normas para encontrar a mais favorável: acumulação. Além disso. Nestes casos alguns tribunais têm feitos convenções coletivas negociadas. analisam-se as regras instituto por instituto (ex: férias). as leis especiais devem prevalecer sobre as gerais (atleta profissional. considerado como integrante de um grupo. ou seja. . Conflito de acordo coletivo ou convenção coletiva e sentença normativa A sentença normativa faz coisa julgada atípica.

pode sair uma sentença normativa hoje pra regular um reajuste salarial de anos atrás. assinatura da CTPS. Pelo fato do poder judiciário não ser rápido. Exceção: norma mais favorável não possuirá validade se confrontada com preceitos imperativos proibitivos – art. as necessidades se transformaram em outras. vão dar preferência pro negociado. Possibilidade de alteração do fato social. Atualmente a vontade coletiva privada está mais preservada.O poder normativo é uma interferência do Estado na vontade coletiva privada. Nesses casos pode acontecer do fato social ser outro. 623 CLT (aquelas normas de ordem pública de aplicação obrigatória independentemente da vontade dos interessados. porque se cria um freio do Estado sobre essa vontade coletiva. . norma de segurança do trabalho). O professor Otávio Calvet observa que gosta do requisito do comum acordo. ser alterado. que não admitem estipulações em contrário – ex. porque estará de acordo com o novo fato social. Se os próprios interessados entendem que a sentença pode estar caduca.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful