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Introdução Este trabalho visa proporcionar o estudo sobre: O que é a pesquisa cientifica; Apresentar instituições que fazem este tipo de pesquisa, tanto no Paraná como no Brasil; Comparar o potencial da pesquisa cientifica brasileira em relação ao mundo; Alguns trabalhos científicos que estão sendo produzidos e os objetivos para pesquisas futuras. A seguir, frases base do trabalho: ³A pesquisa científica é a realização de um estudo planejado´. ³A Pesquisa Científica visa conhecer cientificamente um ou mais aspectos de determinado assunto´. ³Para a elaboração de uma pesquisa científica é imprescindível conhecer os procedimentos e percursos a serem realizados´. 2 1.1. O que é pesquisa científica? A pesquisa científica é a realização de um estudo planejado. Sua finalidade é descobrir respostas para questões mediante a aplicação do método científico. A pesquisa sempre parte de um problema, de urna interrogação, uma situação para a qual o repertório de conhecimento disponível não gera resposta adequada. Para solucionar esse problema são levantadas hipóteses que podem ser confirmadas ou negadas pela pesquisa. Portanto, toda pesquisa baseia-se em uma teoria que serve como ponto de partida para a investigação. No entanto, lembre-se de que esta é uma avenida de mão dupla: a pesquisa pode, algumas vezes, gerar insumos para o surgimento de novas teorias, que, para serem válidas, devem apoiar-se em fatos observados e provados. Além disso, até mesmo a investigação surgida da necessidade de resolver problemas práticos pode levar à descoberta de princípios básicos. Os critérios para a classificação dos tipos de pesquisa variam de acordo com o enfoque dado, os interesses, campos, metodologias, situações e objetos de estudo. Os principais tipos de pesquisas são: + básica ou fundamental; + aplicada; + histórica; + descritiva; + experimental; + individual; + grupal; + bibliográfica; + de ciência da vida e física; + social; + tecnológica ou aplicada; + mono e interdisciplinar. Quanto à forma de abordagem, a pesquisa pode ser qualitativa ou quantitativa: Pesquisa qualitativa Na abordagem qualitativa, a pesquisa tem o ambiente como fonte direta dos dados. O pesquisador mantém contato direto com o ambiente e objeto de estudo em questão necessitando um trabalho mais intensivo de campo. Neste caso, as questões são estudadas no ambiente em que eles se apresentam sem qualquer manipulação intencional do pesquisador. A utilização deste tipo de abordagem difere da abordagem quantitativa pelo fato de não utilizar dados estatísticos como o centro do processo de análise de um problema, não tendo, portanto, a prioridade de numerar ou medir unidades. Os dados coletados nessas pesquisas são descritivos, retratando o maior número possível de elementos existentes na realidade estudada. Preocupa-se muito mais com o processo do que com o produto. Na análise dos dados coletados não há preocupação em comprovar hipóteses previamente estabelecidas, porém não eliminam a existência de um quadro teórico que direcione a coleta, a análise e interpretação dos dados. Pesquisa quantitativa Este tipo de abordagem está relacionado ao emprego de recursos e técnicas estatísticas que visem quantificar os dados coletados. No desenvolvimento da pesquisa de natureza quantitativa devemse formular hipóteses e classificar a relação entre as variáveis para garantir a precisão dos resultados, evitando contradições no processo de análise e interpretação. 1.2. Tipos de pesquisa. A Pesquisa Científica visa conhecer cientificamente um ou mais aspectos de determinado assunto. Para tanto deve ser sistemática, metódica e crítica. O produto da pesquisa científica deve 3 contribuir para o avanço do conhecimento humano. Na vida acadêmica, a pesquisa é um exercício que permite despertar o espírito de investigação diante dos trabalhos e problemas sugeridos ou propostos pelos professores e orientadores. Leia a seguir, alguns tipos de pesquisa científica: a) Pesquisa bibliográfica Esta pesquisa tem como objetivo explicitar e construir hipóteses acerca do problema evidenciado, aprimorando as idéias, fundamentando o assunto em questão abordado na pesquisa. Para tanto, esse tipo de pesquisa envolve um levantamento bibliográfico, o qual deverá ser feito em diversas fontes, buscando consultar obras respeitáveis e atualizadas. A pesquisa bibliográfica é desenvolvida através de livros, publicações em periódicos e artigos científicos. Nesta pesquisa é importante que o pesquisador verifique a veracidade dos dados obtidos, observando as possíveis incoerências ou contradições que as obras possam apresentar. Os demais tipos de pesquisa também envolvem o estudo bibliográfico, pois todas as pesquisas necessitam de um referencial teórico. Para a pesquisa bibliográfica é interessante utilizar as fichas de leitura que facilitam a organização das informações obtidas. b) Pesquisa de campo A pesquisa de campo é uma forma de coleta que permite a obtenção de dados sobre um fenômeno de interesse, da maneira como este ocorre na realidade estudada. Consiste, portanto, na coleta de dados e no registro de variáveis presumivelmente relevantes, diretamente da realidade, para ulteriores análises. A pesquisa de campo abrange: a) pesquisa bibliográfica; b) determinação das técnicas de coleta de dados e determinação da amostra; c) registro dos dados e de análises. Podemos citar os seguintes tipos de pesquisa de campo: - quantitativo-descritivo: pesquisa empírica cuja principal finalidade é o delineamento ou análise das características de fatos ou fenômenos, a avaliação de programas ou o isolamento de variáveis principais ou chave; - exploratório: pesquisa empírica cujo objetivo é a formulação de questões ou de um problema, com tripla finalidade: desenvolver hipóteses, aumentar a familiaridade do pesquisador com um ambiente, fato ou fenômeno, para realização de uma pesquisa futura mais precisa, ou modificar e clarificar conceitos; - experimental: pesquisa empírica cujo objetivo principal é o teste de hipótese que diz respeito a relações causa e efeito. A grande vantagem da pesquisa de campo é a obtenção de dados diretamente na realidade. Sem em nenhum momento desmerecer a pesquisa teórica, em uma ciência factual, é na pesquisa de campo que as teorias propostas podem ser validadas ou refutadas. Assim, com a utilização de técnicas de amostragem estatística, a pesquisa de campo permite o acúmulo de conhecimento sobre determinado aspecto da realidade, conhecimento esse que pode ser comprovado e utilizado por outros pesquisadores. A principal desvantagem da pesquisa de campo é o pequeno grau de controle sobre a coleta de dados e a possibilidade de que fatores, desconhecidos para o investigador, possam interferir nos resultados. No caso de pesquisas baseada em questionários, formulários e entrevistas, outro limitador seria o procedimento apresentar menor grau de confiabilidade pela possibilidade de os indivíduos falsearem as respostas. Há, entretanto, vários recursos que podem ser utilizados para 4 aumentar as vantagens (e diminuir as desvantagens) desse método, como lançar mão dos prétestes, utilizar instrumental mais completo etc. c) Pesquisa experimental Este tipo de pesquisa é mais utilizado nas ciências naturais, por utilizarem o método experimental. Requer uso de equipamentos, laboratórios, técnicas e instrumentos que possam indicar um resultado concreto. Porém, são utilizadas em estudos de grupos selecionados, assim como, possibilita o levantamento de situações econômicas de uma determinada faixa do mercado consumidor. ³A pesquisa experimental se caracteriza por manipular diretamente as variáveis relacionadas com o objeto de estudo. Neste tipo de pesquisa, a manipulação das variáveis proporciona o estudo da relação entre as causas e efeitos de um determinado fenômeno. Através da criação de situações de controle, procura-se evitar a interferência de variáveis intervenientes. Interfere-se diretamente na realidade, manipulando-se a variável independente a fim de observar o que acontece com a dependente.´ (CERVO & BERVIAN, 2004, p.68). A pesquisa experimental consiste em determinar um objeto de estudo, selecionar as variáveis que seriam capazes de influenciá-lo, definir as formas de controle e de observação dos efeitos que a variável produz no objeto. Os objetos de estudo podem ser líquidos, bactérias, ratos ou grupos sociais, estudo de comportamento, aprendizagem e produtividade. d) Pesquisa ex-post-facto A pesquisa ex-post-facto analisa situações que se desenvolverão naturalmente após algum acontecimento. É muito utilizada nas ciências sociais, pois permite a investigação de determinantes econômicos e sociais do comportamento da sociedade em geral. Estuda-se um fenômeno já ocorrido, tenta-se explicá-lo e entendê-lo. e) Estudo de caso O estudo de caso refere-se ao estudo minucioso e profundo de um ou mais objetos. O estudo de caso pode permitir novas descobertas de aspectos que não foram previstos inicialmente. Restringe-se o estudo a um objeto que pode ser um indivíduo, família, grupo. Por lidar com fatos/fenômenos normalmente isolados, o estudo de caso exige do pesquisador grande equilíbrio intelectual e capacidade de observação (µolho clínico¶), além de parcimônia (moderação) quanto à generalização dos resultados. f) Pesquisa-ação A pesquisa ± ação acontece quando há interesse coletivo na resolução de um problema ou suprimento de uma necessidade (...). Pesquisadores e pesquisados podem se engajar em pesquisas bibliográficas, experimentos, etc., interagindo em função de um resultado esperado. Nesse tipo de pesquisa, os pesquisadores e os participantes envolvem-se no trabalho de forma cooperativa. A pesquisa-ação não se refere a um simples levantamento de dados ou de relatórios a serem arquivados. Com a pesquisa-ação os pesquisadores pretendem desempenhar um papel ativo na própria realidade dos fatos observados. 5 1.3. Fases da pesquisa. Para a elaboração de uma pesquisa científica é imprescindível conhecer os procedimentos e percursos a serem realizados, desde o início até sua finalização e a divulgação dos novos conhecimentos desenvolvidos. Assim, entende-se que urna pesquisa pode ser dividida em quatro grandes fases: 1ª: Preparação da pesquisa: decisão ou contratação, especificação dos objetos, elaboração de um esquema, constituição de uma equipe de trabalho, levantamento de recursos, cronograma. 2ª: Definição dos elementos da pesquisa: Escolha do tema, levantamento de dados, formulação do problema, definição dos termos, construção de hipóteses, indicação de variáveis, delimitação da pesquisa, amostragem, seleção de métodos e técnicas, organização do instrumental de observação, testes dos instrumentos e procedimentos. 3ª: Execução da pesquisa: coleta de dados, análise e interpretação dos dados, representação dos dados e conclusões. 4ª: Elaboração do relatório da pesquisa: elaboração do relatório para comunicação dos procedimentos e resultados da pesquisa. O relatório de pesquisa pode ser: a) relativo à contratação de pesquisa junto aos institutos especializados; b) relativo à pesquisa realizada por pesquisadores da própria empresa; c) relatório de estágio supervisionado do curso superior de graduação; d) monografia para conclusão de curso superior de Graduação (título de bacharel); e) monografia para conclusão de curso de pós-graduação em nível de Especialização (título de especialista); f) dissertação para conclusão de curso de pós-graduação em nível de Mestrado (título de mestre); g) tese para conclusão de curso de pós-graduação em nível de Doutorado (título de doutor). 2. Fundações que incentivam e apóiam as Pesquisas Científicas no Brasil A Fundação Rockefeller apóia o ensino, a pesquisa e a formação de pesquisadores na área médica e de saúde pública, e teve uma atuação de grande importância no período do apósguerra, ao tornar possível que um número significativo dos pesquisadores mais destacados do país em física, genética, biologia e outras áreas pudessem completar sua formação na Europa e nos Estados Unidos. Cabe mencionar a atuação, no Brasil, de algumas agências internacionais de apoio à pesquisa científica. Além da Fundação Rockefeller, já mencionada, cabe destacar a Fundação Ford tem atuado no Brasil, concentrando seu apoio na área de ciências sociais e humanidades, e outras instituições americanas e européias, a maioria delas voltadas para questões relativas às condições de vida das populações mais carentes. 6 No Brasil, a construção de uma infra-estrutura para ciência e tecnologia, começou em 1951, com o Conselho Nacional de Pesquisas - CNPq, criado pela lei nº 1.310, de 15 de janeiro. A sigla CNPq significa Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Trata-se de uma agência governamental, vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), que tem como finalidade o fomento da pesquisa científica e tecnológica, e o incentivo a formação de pesquisadores no Brasil. O CNPq oferece bolsas e auxilio a pesquisa a pesquisadores experientes, a pessoas recém doutoradas, a alunos de pós-graduação, graduação e ensino médio. Em 2010, o CNPq atendeu a 80 mil bolsistas investiu R$ 1,85 bilhão em formação de recursos humanos e fomento à pesquisa avaliou 74 mil solicitações, possui 64 mil processos vigentes e custo operacional inferior a 5% do orçamento. Em 2011, o CNPq celebrará seus 60 anos, seguindo em sua missão de desenvolvimento científico e tecnológico no Brasil. A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) é uma agência de fomento à pesquisa brasileira que atua na expansão e consolidação da pósgraduação stricto sensu (mestrado e doutorado) em todos os estados do país. Em 2011 a CAPES, divulgou que No total, 124 pesquisadores de todas as áreas do conhecimento sairão do país para realizar estudos de pós-doutorado. As atividades terão início entre maio e agosto deste ano. A bolsa de Estágio Pós-Doutoral no exterior é oferecida a pesquisadores doutores, que atuem em atividade de docência e de pesquisa no Brasil. O objetivo é contribuir para a inserção internacional desses pesquisadores, estabelecimento do intercâmbio científico e abertura de novas linhas de pesquisa de relevância para o desenvolvimento da área no país. A FINEP - Financiadora de Estudos e Projetos é uma empresa pública vinculada ao MCT. Foi criada em 24 de julho de 1967, para institucionalizar o Fundo de Financiamento de Estudos de Projetos e Programas, criado em 1965. Posteriormente, a FINEP substituiu e ampliou o papel até então exercido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e seu Fundo de Desenvolvimento Técnico-Científico (FUNTEC), constituído em 1964 com a finalidade de financiar a implantação de programas de pós-graduação nas universidades brasileiras. Sua missão é promover o desenvolvimento econômico e social do Brasil por meio do fomento público à Ciência, Tecnologia e Inovação em empresas, universidades, institutos tecnológicos e outras instituições públicas ou privadas. CNPq, CAPES e FINEP são responsáveis pela administração do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (PADCT), um projeto financiado em conjunto pelo Banco Mundial e pelo governo brasileiro, e orientado para um conjunto de áreas tecnológicas definidas como prioritárias. O Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) pertence à administração direta do governo federal do Brasil, responsável pela formulação e implementação da Política Nacional de Ciência e Tecnologia. Tem como competências os seguintes assuntos: política nacional de pesquisa científica, tecnológica e inovação; planejamento, coordenação, supervisão e controle das atividades da ciência e tecnologia; política de desenvolvimento de informática e automação; 7 política nacional de biossegurança; política espacial; política nuclear e controle da exportação de bens e serviços sensíveis. Para exercer seu papel ativo no desenvolvimento nacional e executar sua missão institucional, o MCT tem quatro secretarias temáticas, subordinadas à Secretaria Executiva. Juntas, são responsáveis pela gestão e execução dos principais programas e ações do Ministério. Secretaria de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento (SEPED) Compete a esta secretaria, entre outras funções, gerenciar políticas e programas visando ao desenvolvimento científico, tecnológico e da inovação em áreas de interesse estratégico para o levantamento e aproveitamento sustentável do patrimônio nacional; e nas áreas de ciências exatas. Secretaria de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social (SECIS) Tem como objetivo fazer a articulação com outros órgãos públicos de políticas que viabilizem o desenvolvimento econômico, social e regional, especialmente da Amazônia e do Nordeste, e a difusão de conhecimentos e tecnologias apropriadas em comunidades carentes no meio rural e urbano. Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (SETEC) Acompanha a Política Nacional de Desenvolvimento Tecnológico, dando especial atenção às ações e programas voltados para a capacitação tecnológica da empresa brasileira e coordena estudos que subsidiem a formulação de políticas de estímulo visando à competitividade do setor empresarial brasileiro. Secretaria de Política de Informática (SEPIN) Compete à SEPIN, entre outras atribuições, propor e programar ações de políticas públicas e projetos nacionais e internacionais para o setor de Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), coordenando e acompanhando as medidas necessárias à execução da Política Nacional de Informática e Automação e o desenvolvimento do setor de Software. A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) foi formalmente criada em 1960 (Lei Orgânica 5.918, de 18 de outubro de 1960) e começou a funcionar efetivamente em 1962 (Decreto 40.132, de 23 de maio de 1962). Entretanto, ela já fora prevista na Constituição Estadual de 1947, graças a um esforço de um grupo de homens de laboratório e de cátedra liderado por Adriano Marchini e Luiz Meiller. A FAPESP dá auxílios a pesquisadores individuais na forma de apoio a projetos, bolsas de estudo e viagem, e auxílio para a organização de eventos científicos, tendo nos últimos anos começado a desenvolver uma área de projetos integrados. Várias outras fundações de amparo à pesquisa foram criadas ou reformuladas nos Estados brasileiros por ocasião das reformas constitucionais ao final da década de 80, mas nenhuma delas conseguiu ainda o grau de institucionalização e importância que a FAPESP apresenta. 3. Fundações que incentivam e apóiam as Pesquisas Científicas no Paraná. 3.1. Fundação Araucária A Fundação Araucária de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Paraná ampara a formação de recursos humanos do Estado do Paraná. Seus recursos financeiros têm 8 origem no Fundo Paraná, que destina 2% da receita tributária do Estado ao desenvolvimento científico e tecnológico. Desse percentual, até 30% são destinados à Fundação. 3.1.1. Estrutura Administrativa da Fundação A Fundação Araucária, com sede e foro em Curitiba, possui autonomia administrativa e financeira. Conta com um Conselho Superior, de natureza normativa, deliberativa e consultiva, com doze membros mais o presidente, indicados pela comunidade científica, tecnológica e empresarial; um Conselho Fiscal, órgão de fiscalização da gestão financeira da Fundação, constituído de três membros efetivos e respectivos suplentes. Além disso, tem uma Diretoria Executiva constituída por um presidente, um diretor científico e um diretor de administração e finanças. A Fundação Araucária conta, ainda, com o assessoramento de consultores ad-hoc e Comitês Assessores de Área - CAAs, formados por especialistas, em cada uma das seguintes áreas do conhecimento consideradas: Arquitetura e Urbanismo; Ciências Agrárias; Ciências Biológicas; Ciências Sociais e Humanas; Economia e Administração; Educação e Psicologia; Engenharias; Física e Astronomia; Geociências; Letras e Artes; Matemática, Estatística e Informática; Química; Saúde 9 3.1.2. Objetivos Institucionais Para a consecução de seus objetivos à Fundação Araucária, individualmente, ou em parceria com outros órgãos financiadores, compete: ‡ Amparar a pesquisa e a formação de recursos humanos, visando o desenvolvimento científico, tecnológico, econômico e social do Estado do Paraná; ‡ Apoiar, total ou parcialmente, bolsa-auxílio, projetos, programas ou investimentos em unidades ou pólos de pesquisa ou de desenvolvimento científico e tecnológico; ‡ Cadastrar, organizar e manter atualizados sistemas de informações sobre entidades, projetos, programas, recursos humanos, laboratórios, serviços e equipamentos que atuem ou sejam aplicados em áreas compatíveis com seus objetivos sociais, a fim de obter colaboração, cooperação e otimizar investimentos nessas áreas; ‡ Promover estudos sobre o desenvolvimento e inovações científicas e tecnológicas e sua aplicação, para identificação de setores que deverão ser priorizados, bem como sobre intercâmbio nacional e internacional e formação de pesquisadores nas áreas priorizadas; ‡ Desenvolver atividades de identificação, negociação, captação e atração de investimentos, para aplicação em setores compatíveis com seus objetivos sociais; ‡ Promover, fomentar e subvencionar a publicação de estudos, pesquisas e outros documentos, ações, projetos ou programas, que auxiliem na ampla difusão de conhecimentos necessários ao desenvolvimento científico e tecnológico; ‡ Monitorar, buscar a otimização e fiscalizar os recursos aplicados nas suas áreas de interesse, tanto de suas próprias fontes quanto de terceiros; ‡ Alinhar-se com os objetivos da Política Estadual de Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Estado do Paraná, priorizando suas ações de acordo com essa Política. 3.1.3. Programas de Apoio Financeiro A atuação da Fundação Araucária no fomento ao desenvolvimento científico e tecnológico no estado do Paraná é estruturada em três linhas de ação: ‡ ‡ Fomento Verticalização do à Produção Ensino Superior Científica e Formação e de Tecnológica; Pesquisadores; ‡ Disseminação Científica e Tecnológica. 10 Suas ações são operacionalizadas por meio de chamadas públicas de projetos e avaliação do mérito científico por pares. Para isto a Diretoria da Fundação Araucária é assessorada pelos Comitês Assessores de Áreas do Conhecimento e por Consultores ³ad hoc´, constituídos por pesquisadores especialistas nas diversas sub-áreas do conhecimento. Em consonância com as diretrizes governamentais, cerca de 15% dos recursos destinados à Fundação Araucária são aplicados no apoio a ações específicas em Ciências da Saúde. 3.1.3.1 Fomento à Produção Científica e Tecnológica Esta linha tem por escopo ampliar e consolidar a capacidade de produção do conhecimento e de inovações tecnológicas no estado do Paraná, mediante apoio a projetos de pesquisa básica e aplicada desenvolvidos pelas universidades e institutos de pesquisas. A implementação desta linha de ação envolve diferentes programas voltados ao desenvolvimento científico e tecnológico estadual. Destes, alguns programas tem sido realizados em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico- CNPq. Programa de Apoio à Pesquisa Básica e Aplicada O objetivo deste programa é fomentar o desenvolvimento científico e tecnológico no Estado do Paraná, mediante apoio financeiro a projetos de pesquisa básica e aplicada a serem executados nas diferentes Áreas do Conhecimento. Programa de Desenvolvimento do Ensino Superior do Paraná: Projetos Institucionais para implementação de Infra-estrutura de Pesquisa O objetivo deste programa é proporcionar apoio financeiro à execução de projetos institucionais para implementação de infra-estrutura de pesquisa nas instituições públicas estaduais de ensino superior, em qualquer área do conhecimento, visando à expansão e à consolidação da pesquisa científica e tecnológica nessas instituições. Programa de Apoio a Núcleos de Excelência ± PRONEX O objetivo deste programa, desenvolvido em parceria com o CNPq, é apoiar a execução de projetos consolidados de desenvolvimento de pesquisa científica e desenvolvimento tecnológico, mediante suporte financeiro à ampliação e continuidade do trabalho de grupos de 11 pesquisa com excelência reconhecida no Estado do Paraná, para projetos com duração de até 36 meses. Programa Primeiros Projetos ± Jovens Pesquisadores O programa visa apoiar a instalação, modernização, ampliação ou recuperação da infraestrutura de pesquisa científica e tecnológica nas instituições públicas de ensino superior e pesquisa, visando dar suporte à fixação de pesquisadores com título de Doutor obtido há, no máximo, 5 (cinco) anos e a nucleação de novos grupos por meio de projetos de pesquisa básica e aplicada, para projetos com duração de até 24 meses. Os recursos desse programa são custeados em parte pelo CNPq. Programa de Ciência e Tecnologia para o Sistema Único de Saúde - PPSUS O objetivo do programa é conceder apoio financeiro a projetos que promovam o desenvolvimento científico e tecnológico em linhas temáticas identificadas pela Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (SESA-Pr) que sejam relevantes para a melhoria dos serviços de saúde na abrangência do SUS. O Ministério da Saúde, por meio do CNPQ, contribui com recursos para o desenvolvimento desse programa. Programa de Apoio ao Desenvolvimento Científico Tecnológico Regional O objetivo do programa, feito em parceria com o CNPq, é apoiar a fixação de doutores, desvinculados do mercado de trabalho, em instituições de ensino superior e pesquisa, institutos de pesquisa, empresas públicas de pesquisa e desenvolvimento, empresas privadas e micro empresas localizadas em regiões carentes, fora das áreas metropolitanas do Estado do Paraná, que atuem em investigação científica ou tecnológica, propiciando o fortalecimento dos grupos de pesquisa existentes e a criação de novas linhas de pesquisa de interesse regional, mediante a contínuaintegração entre o setor acadêmico/científico, as comunidades regionais e o Estado. Programa de Apoio a Pesquisador Visitante O objetivo deste programa é financiar a vinda de pesquisadores de reconhecida competência e alta produtividade em pesquisa, oriundos de centros de pesquisa avançados, que tenham condições de nuclear linhas e grupos de pesquisa nas instituições públicas de pesquisa, no Estado do Paraná. 12 3.1.3.2 Verticalização do Ensino Superior e Formação de Pesquisadores Esta linha de fomento tem por finalidade ampliar a qualificação de recursos humanos para atuação em CT&I no estado do Paraná, com ênfase na expansão e consolidação dos programas de pós-graduação acadêmicos oferecidos pelas instituições de ensino superior, sediadas e atuantes no Estado do Paraná, em nível de Mestrado e/ou Doutorado de qualquer área do conhecimento. Esta linha objetiva, também, estimular a vocação de estudantes através da iniciação cientifica. Programa de Bolsas para a Iniciação Científica O objetivo deste programa é estimular estudantes de graduação a participarem de atividades de pesquisa científica, tecnológica e artístico-cultural, mediante a concessão de bolsas de Iniciação Científica. Nesse programa as atividades dos alunos são supervisionadas por pesquisadores titulados em nível de mestrado e doutorado. Programa Bolsas para a Iniciação Científica Júnior O programa de Bolsas de Iniciação Científica Júnior tem por objetivo estimular a iniciação científica de alunos que, matriculados na 2a. (segunda) ou 3a. (terceira) série em escolas da rede pública de ensino médio do Paraná, mediante a realização de estágios junto a projetos ofertados por instituições públicas e privadas sem fins lucrativos de ensino superior e de pesquisa sediadas no Estado do Paraná. Esta é uma parceria com o CNPq. Programa de Bolsas para Apoio a Ações Afirmativas de Inclusão Social O objetivo deste programa é conceder bolsas de iniciação científica para estudantes aprovados em processo seletivo para ingresso nos cursos de graduação das universidades públicas paranaenses, pela política de cotas para alunos das escolas públicas de ensino médio. Programa de Auxílio à Pós-graduação Stricto Sensu O objetivo deste programa é financiar programas de pós-graduação em nível de Mestrado e/ou Doutorado, para todas as áreas do conhecimento, visando fortalecer a qualidade dos cursos oferecidos pelas instituições de ensino superior e pesquisa, sediadas e atuantes no estado do Paraná. O programa é desenvolvido por meio de três modalidades: auxílio à pós-graduação stricto sensu geral; auxílio a cursos novos; e auxílio a cursos nível 3. 13 Programa de Bolsas de Mestrado e Doutorado O programa tem por objetivo a formação contínua de pesquisadores, através da concessão de auxílio financeiro aos programas de pós-graduação stricto sensu para pagamento de bolsas de mestrado e doutorado a seus alunos, visando a ampliação e fortalecimento da produção de conhecimento científico e do desenvolvimento tecnológico no contexto do sistema estadual de C, T & I. Programa de Bolsas de Produtividade em Pesquisa O objetivo deste programa é financiar bolsas de produtividade em pesquisa a pesquisadores de alta produtividade do Estado, que sejam responsáveis por redes de pesquisa de alta relevância para a política estadual de C,T&I e que não possuam bolsa equivalente de outras agências de fomento. Programa de Apoio à Pós-graduação stricto sensu Interinstitucional ± Minter e Dinter O objetivo deste programa é apoiar financeiramente, cursos de pós-graduação stricto sensu nas modalidades de MINTER e DINTER, por meio da integração entre instituições promotoras (de natureza pública ou privada sem fins lucrativos, responsáveis pela coordenação acadêmica e garantia da qualidade do curso oferecido) e receptoras (instituições públicas sediadas e atuantes no Paraná, em cujas dependências serão realizados os cursos para capacitação de seus docentes). 3.1.3.3 Disseminação da Ciência e Tecnologia Esta linha de fomento tem por finalidade apoiar a organização e a participação de pesquisadores em eventos científicos e a divulgação dos resultados dos seus trabalhos em publicações periódicas específicas, além da difusão dos avanços tecnológicos e científicos para a sociedade paranaense. Programa de Apoio a Organização de Eventos Técnicocientíficos O objetivo deste é apoiar financeiramente as instituições de ensino superior, centros de pesquisa e/ou associações 14 técnico-científicas sediadas no Paraná, na organização de eventos de natureza técnico-científica realizados no âmbito estadual, para disseminação, intercâmbio e debates científicos de resultados de pesquisas e estudos entre profissionais do país e do exterior. Programa de Apoio à Participação em Eventos Técnico-científicos e Culturais O objetivo deste programa é apoiar financeiramente a participação de docentes/pesquisadores paranaenses em eventos técnico-científicos relevantes no Brasil e no exterior, para apresentação e divulgação de trabalhos de sua autoria. Programa de Apoio a Publicações Científicas O objetivo deste programa é apoiar financeiramente: a) a edição de periódicos científicos com regularidade de publicação e padrão editorial definidos, mantido por instituições de ensino superior, institutos de pesquisa ou sociedades científicas de natureza pública ou privada sem fins lucrativos, sediadas no estado do Paraná; b) a publicação de livros editados pelas instituições paranaenses de ensino superior ou pesquisa e produzidos por seus docentes/pesquisadores, sendo vedada a sua comercialização. Programa Universidade Sem Fronteiras - Extensão Tecnológica Empresarial O objetivo deste programa é incentivar a realização de projetos que visem a difusão de tecnologias estabelecidas ou inovadoras no apoio à formalização de novos empreendimentos ou atualização tecnológica de micro e pequenos empreendimentos, preferencialmente com foco em mercados emergentes e cuja localização esteja nas regiões de menor IDH do Estado do Paraná. Programa Agentes Locais de Inovação Neste programa, em parceria com o SEBRAE, são concedidas bolsas a profissionais recémformados que atuam em projetos de extensão com a finalidade de Identificar oportunidades de inovação para micro e pequenas empresas, articular a interação com instituições de ensino superior e pesquisa, provedora de soluções para atender às necessidades das empresas, com o objetivo de aproximar a demanda de necessidades de inovação das empresas à oferta de soluções em inovação. 3.1.4. Condições Gerais para Apresentação de Propostas ‡ O coordenador proponente deve possuir vínculo empregatício com instituição de ensino e/ou pesquisa, legalmente constituídas, quer na forma de universidades, faculdades, institutos, 15 fundações, sociedades científicas ou culturais, sem fins lucrativos, sediadas no Estado do Paraná. ‡ O coordenador deverá estar em plena atividade de pesquisa em sua instituição de origem, não cabendo a ele a solicitação de apoio da Fundação Araucária quando ausente, ou em vias de afastamento temporário para quaisquer fins. ‡ Existência de Chamada de Projeto em vigência. ‡ Ausência de pendência para com a Fundação Araucária (relatórios técnicos e/ou prestações de contas). ‡ Cadastro do coordenador/pesquisador e da respectiva instituição no Sistema de Gestão de Projetos - Sigep. ‡ Submeter as propostas por via eletrônica (Sigep), e encaminhar uma cópia impressa do resumo do projeto cadastrado, devidamente assinada pelo proponente/coordenador e pelo responsável pela instituição(*), via correio, para o endereço: Fundação Av. Comendador 80.215-090 - Curitiba - PR ‡ Anexar ao sistema eletrônico os documentos solicitados na Chamada de acordo com as especificações de formato e modelo. ‡ Cumprir todos os requisitos especificados nas Chamadas. (*) Considera-se responsável pela instituição no caso das universidades, o Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação e, nas demais instituições o seu Diretor Científico, ou equivalentes. 3.1.5. Processo Decisório Cada programa, em função de suas especificidades, obedece a diferentes critérios de avaliação, devidamente divulgados nas respectivas Chamadas de Projetos. Via de regra, os projetos são submetidos à apreciação de consultores ad hoc para análise e parecer e na seqüência avaliados pelos Comitês Assessores de Área - CAAs. Os CAAs após a análise do mérito, com base nos pareceres dos consultores, submetem o resultado do julgamento à Diretoria da Fundação, com a indicação de recomendado ou não, na ordem seqüencial de aprovação. À Diretoria da Fundação cabe a decisão final. Araucária Franco, 1.341 (Nº Cietep Chamada/Ano) Jardim Botânico 16 As propostas aprovadas são encaminhadas ao Diretor Administrativo Financeiro para elaboração e assinatura de Termo de Outorga ou de Convênio, conforme o caso, quando o interessado recebe informações sobre relatórios, prestação de contas e das relações com a Fundação Araucária, durante a aplicação do auxílio. Qualquer alteração de datas, de rubricas ou de cronograma deve ser tratada diretamente com essa Diretoria. 3.1.6. Obrigações dos Beneficiários Todos os apoios concedidos pela Diretoria são formalizados mediante a assinatura de um Termo de Outorga ou Convênio, onde são estabelecidas as obrigações entre a Fundação e o outorgado/conveniado. Por esta razão, o interessado deve examinar cuidadosamente o referido Termo para certificar-se das obrigações que assume perante a Fundação Araucária. O não cumprimento resulta em penalidades como: ‡ Cancelamento do auxílio ou bolsa; ‡ Devolução dos recursos recebidos; ‡ Desqualificação para apresentação de novas propostas. Dentre as obrigações dos beneficiários (outorgado/conveniado), destaca-se: a) utilizar os recursos financeiros liberados exclusivamente para os fins aprovados (não são permitidas alterações no orçamento após a contratação do projeto); b) apresentar os relatórios técnicos e de prestações de contas dentro dos prazos previstos; c) fazer referência ao apoio da Fundação Araucária nas teses, dissertações, artigos, livros, resumos de trabalhos apresentados em reuniões e qualquer outra publicação ou forma de divulgação das atividades inerentes ao projeto; d) cumprir os prazos relativos à atualização no Sigep dos relatórios técnicos parciais e finais e das respectivas prestações de contas, de acordo com o que estabelece o Convênio ou Termo de Outorga; e) informar sobre auxílios ou bolsas pleiteados para o mesmo fim; f) não acumular auxílios ou bolsas. 3.1.7. Ética e Biossegurança 17 Projetos de pesquisa clínica, epidemiológica e genética ou no âmbito das Ciências Sociais e Humanas, quando envolvam experimentações com seres humanos, devem explicitar como estão sendo contemplados seus aspectos éticos nos temos da legislação vigente. Da mesma forma, projetos que envolvam experimentação com organismos geneticamente modificados devem informar o número e a data de publicação do Certificado de Qualidade em Biossegurança. 4. A pesquisa cientifica no Brasil no âmbito mundial. O Brasil está a um passo de se tornar uma das principais potências em pesquisa científica do mundo, de acordo o artigo ³Knowledge, Networks and Nations´ (Conhecimento, Contatos e Nações), publicado pela Royal Society, do Reino Unido. A pesquisa indica que o País, assim como China, Índia e Coreia do Sul tendem a se tornar rivais das superpotências atuais no assunto ± Estados Unidos, Europa e Japão ± nos próximos anos. Embora a China tenha apresentando crescimento mais elevado, o Brasil se destaca com o investimento crescente em biotecnologia, chegando a tomar 1,4% do PIB em 2007 e pretendendo alcançar 2,5% até 2022, de acordo com o MCT (Ministério da Ciência e Tecnologia). Desde 1999, o Brasil já se aproxima dos países mais desenvolvidos da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), com um investimento de 0,87% do PIB nas áreas de pesquisa e desenvolvimento. Sendo assim, o número de pesquisas científicas tende a crescer mais a cada ano. Ainda de acordo com o MCT, tais iniciativas têm uma taxa anual de crescimento de 10,5%, o que indica três vezes mais do que o incremento da produção mundial. ³Graças a esforços continuados, especialmente nos últimos 60 anos, o Brasil está se tornando uma potência científica. Houve progressos quantitativos importantes e o País hoje forma 12 mil doutores por ano´, explica o diretor científico da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), Carlos Henrique de Brito Cruz. Brito, no entanto, acredita que ainda é preciso gerar mais resultados para o Brasil chegar em um patamar relevante: ³Há desafios importantes que devem ser enfrentados, como o de aumentar o impacto da ciência feita no País e a intensidade da pesquisa realizada em empresas´, explicou. ³O investimento em pesquisa tem gerado muitos resultados importantes para o País. Alguns exemplos são os relativos à extração de petróleo na plataforma continental, à indústria aeronáutica e ao uso de etanol como substituto da gasolina. Este último caso tem maior impacto mundial´, concluiu o diretor científico, defendendo o alcance em larga escala das pesquisas feitas em território nacional. Mesmo com exemplos focados em biotecnologia, o Brasil se mostra bem dividido no que diz respeito às pesquisas. Os setores de software e serviços de tecnologia da informação e, até mesmo, de tecnologias de conteúdos digitais de comunicação, mídias e redes, também estão em alta no País. O Brasil sofreu uma ampliação de US$ 100 milhões em 2002 para US$ 4 bilhões em 2010, nas exportações de software e serviços. Contudo, com um recente corte de R$ 50 bilhões do orçamento federal anunciado pelo governo, o MCT deve perder R$ 1,7 bilhão. Sendo assim, o desenvolvimento científico pode ser reduzido no País, pelo menos neste ano. 18 5. Desafios para a pesquisa científica no Brasil. A geneticista Lygia da Veiga Pereira, 43 anos, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), cuja equipe foi a primeira do país a conseguir extrair e multiplicar célulastronco retiradas de embriões congelados, não consegue esconder uma ponta de frustração com as notícias de que um dos ministérios mais afetados pelos cortes de Orçamento foi o de Ciência e Tecnologia. Trata-se de mais um exemplo da pouca importância que o governo brasileiro dá à pesquisa científica, o que se traduz também nas instalações precárias e em orçamentos que flutuam ao sabor de constrangimentos políticos. Ela pede que o ministro Aloizio Mercadante encontre fórmulas de estimular a parceria do setor privado com a pesquisa, nem que seja por meio de doações a universidades e premiações a pesquisadores. "Os prêmios fazem uma coisa muita rara para o pesquisador no Brasil, que é dizer 'você é importante'", afirma. Confira abaixo a entrevista dela, dada ao jornal O GLOBO, no dia 14/02/2011: O GLOBO: O MCT foi um dos mais afetados pelos cortes no Orçamento anunciados pelo governo. Como os cientistas brasileiros veem isso? LYGIA DA VEIGA PEREIRA: Qualquer decisão de Orçamento reflete, além das necessidades de cada pasta, o valor relativo que o governo dá às diferentes pastas. Não tenho dados para julgar se a área de Ciência e Tecnologia foi injustiçada ou desvalorizada com os cortes, mas espero que sua importância no desenvolvimento do país seja reconhecida na prática, com verbas e legislações adequadas. Caso contrário, não teremos aprendido nada nos últimos 15 anos e seguiremos fornecedores de matéria-prima e importadores de tecnologia. O GLOBO: Qual a expectativa da comunidade científica sobre a gestão do novo ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante? LYGIA: Ele já deu sinais que foram entendidos como positivos nas escolhas do presidente do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), o professor Glaucius Oliva (engenheiro eletrônico, ex-reitor da USP), que é um craque que todo mundo conhece há muito tempo, e o presidente da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), Glauco Arbix, que tem uma linha de atuação e de pesquisa em inovação. E como a gente sabe, inovação é justamente uma das fraquezas do país. OGLOBO: E como ampliar a pesquisa científica? LYGIA: Muito pior do que a questão orçamentária é a limitação da burocracia, principalmente na importação de materiais. A gente vive uma situação meio kafkiana em que tem verba do governo, mas uma boa fatia desse dinheiro que o governo nos dá ele pega de volta sob a forma de impostos sobre todos os reagentes importados que a gente precisa. Na minha área, 90% do que a gente usa é importado. Quando se compra um material para pesquisa aqui do Brasil, em reais, eles custam três vezes mais do que se comprássemos lá fora. Mas o pior ponto é mesmo a dificuldade que o próprio governo cria para esse material chegar até a gente. O GLOBO: Como assim? LYGIA: Nos EUA, se eu preciso de um reagente, no dia seguinte o produto está na minha mesa. Aqui, perde-se de 30 a 60 dias. Então, além de pagarmos mais caro, ficamos um tempo de braços cruzados. E o que acontece? Em 30, 60 dias, um grupo nos EUA consegue testar cinco hipóteses diferentes. Enquanto isso, a gente está aqui ainda tentando testar aquela primeira. 19 O GLOBO: Você já passou por isso? LYGIA: O tempo todo. Outro dia recebi de um grupo da Inglaterra um carregamento de células através de um pacote por Federal Express. Eu então recebo um email do Fedex dizendo que a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) exige que eu preencha três formulários, reconheça duas firmas, gere uma Guia de Recolhimento de impostos para a União (GRU), pague esta guia e envie isso tudo para as autoridades no Aeroporto de Viracopos. Isso levou uma semana. Graças a Deus o gelo seco estava lá. Muitos cientistas perdem animais por conta disso, o que é muito comum. Camundongos geneticamente modificados, por exemplo. O processo de liberação demora tanto tempo que, muitas vezes, os animais morrem sem alimentação, o que inviabiliza a pesquisa. No meu caso, se aquele material se perde, que credibilidade eu tenho com a minha parceira científica? O GLOBO: Como resolver isso? LYGIA: Essa situação não acontece porque o país não tem dinheiro. É pela burocracia e não precisava ser assim. Basta ter vontade política de mudar esta situação. Basta colocar na agenda que ciência é importante, fazer pesquisa é importante para o Brasil e a gente tem que facilitar a vida do pesquisador. O governo tem medo de que, se este processo for facilitado, abra-se uma via para o contrabando e as pessoas comecem a importar iPad dizendo que é material científico. Mas os cientistas que fazem pesquisa são poucos e conhecidos. Acredito que isso tenha mais impacto na pesquisa do que pequenos aumentos de verba. O GLOBO: E a questão da inovação? LYGIA: É preciso estimular a ciência aplicada, ter a iniciativa privada contratando todos esses doutores que a gente forma para eles fazerem pesquisa dentro das empresas. Já temos incentivos financeiros na Finep que são atraentes, inclusive empréstimos a fundo perdido. Mas, de novo: estes mecanismos precisam ser mais ágeis, as importações para pesquisa dentro da iniciativa privada precisam ser mais ágeis e os processos de acompanhamento destes projetos precisam ser mais flexíveis, porque, se um pedido demora seis meses para ser apreciado, é claro que partes dos procedimentos da pesquisa, pela demora, são modificados. O GLOBO: Como as empresas privadas podem produzir mais pesquisa científica no Brasil, onde o tema ainda está amplamente nas mãos do governo e da academia? LYGIA: As universidades precisam acabar com essa Muralha da China que é se recusar a pensar em uma pesquisa que vire produto, como se fosse horrível o cientista querer ganhar dinheiro com a pesquisa. Mas essa cultura até que vem sendo derrubada aqui. Nos EUA, os pesquisadores todos têm um pé na iniciativa privada, sem que isso desmereça seus trabalhos. Quanto mais o governo sinalizar que isso é uma coisa boa e desejável, mais rápida será esta mudança de cultura. Agora, a gente precisa que o nosso setor privado questione: bem, se a iniciativa de fomentar a pesquisa pelo governo é limitada, de que forma as empresas privadas podem ajudar? E isso seria ótimo porque a empresa privada tem uma flexibilidade bem maior que a academia. Pesquisa não pode ser uma atribuição exclusiva do governo. O GLOBO: E onde entram os prêmios aos pesquisadores? Isso é importante? LYGIA: Os prêmios fazem uma coisa muito rara para o pesquisador no Brasil, que é dizer "você é importante". A sociedade acha que o que você faz é importante. Mas a mensagem subliminar 20 que o cientista no Brasil recebe, dada a infraestrutura na qual a gente trabalha e as dificuldades para a pesquisa, é que o que se faz aqui não é importante. E eu sempre achei que as coisas eram complicadas justamente porque eram serviço público. Mas Itaipu, por exemplo, está aí para mostrar que não é assim. Então, a universidade, a pesquisa, a educação estão funcionando desta forma porque não há interesse. É também uma questão de valores. Se acontece um apagão é um escândalo dentro do governo, mas se a pesquisa ou a educação vão mal, a reação é menos óbvia. O GLOBO: Como vai a pesquisa científica no Brasil? LYGIA: Melhor, mas ainda insuficiente. O gasto com ciência no Brasil, segundo a revista "Science", é de 1,2% do PIB e cerca de 10 mil doutores são formados por ano. Além disso, a produção científica publicada em revistas científicas triplicou nos últimos dez anos. Mas o impacto desses trabalhos, a quantidade de vezes em que são citados internacionalmente, ainda é baixo. 6. Pesquisas em desenvolvimento. 6.1 XXV Prêmio Jovem Cientista As inscrições para o XXV Prêmio Jovem Cientista, lançado oficialmente no dia 27 de abril em Brasília, estão abertas a partir de hoje, 2 de maio, dia também em que entrou no ar o site www.jovemcientista.cnpq.br . Os candidatos poderão se inscrever até o dia 31 de agosto pela internet ou pelos Correios. O regulamento completo do prêmio e a ficha de inscrição estão disponíveis no site do prêmio. O tema desta edição, que comemora os 30 anos do prêmio e os 60 anos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que instituiu o projeto, é Cidades Sustentáveis . Os estudantes de ensino médio podem pesquisar uma das seguintes diretrizes: Ambientes sustentáveis: casa, escola, trabalho, espaços públicos; Planejamento urbano e qualidade de vida; Gestão das águas no meio urbano; Políticas de mobilidade nas cidades; Agricultura urbana; Gestão de resíduos: orgânicos, inorgânicos e perigosos; e Impactos das mudanças climáticas nas cidades. Já os pesquisadores e estudantes de nível superior poderão inscrever trabalhos relacionados a uma das seguintes linhas de pesquisa: Vulnerabilidade, risco e mudanças climáticas nas cidades; Urbanização, ambiente e gestão das águas urbanas; Produção do espaço urbano e apropriação da natureza relacionada com a questão do solo / água / ventos e dos recursos energéticos; Políticas urbana, ambiental e de saúde relacionadas com a questão do lixo; Planejamento urbano, gestão e conflitos ambientais; Políticas de transporte e de mobilidade nas cidades; Agricultura urbana e cidade sustentável; Implicações socioambientais da legislação urbana; Paisagem urbana e arquitetura sustentável; e Cidades em fronteiras transnacionais e gestão ambiental. O Prêmio O Prêmio Jovem Cientista é uma iniciativa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em parceria com a Fundação Roberto Marinho, a Gerdau e a General Electric do Brasil (GE). Quatro categorias são premiadas: Graduado, Estudante do Ensino Superior , Estudante do Ensino Médio , e Mérito Institucional . Há ainda uma Menção Honrosa para um pesquisador com título de doutor que tenha se destacado por sua trajetória na 21 área relacionada ao tema do prêmio. Os orientadores das três categorias e as escolas dos três classificados do Ensino Médio são agraciados com laptops, como forma de estimular e reconhecer a cadeia de aprendizagem. Na categoria Mérito Institucional serão premiadas duas instituições ± uma de ensino médio e outra de ensino superior ± às quais estiverem vinculados o maior número de trabalhos com mérito científico, desenvolvidos por candidatos inscritos nas categorias Graduado, Estudante do Ensino Superior e Estudante do Ensino Médio. Premiação ± Na categoria Graduado, os vencedores são agraciados com R$30 mil (1º lugar); R$20 mil (2º lugar) e R$15 mil (3º lugar). Para Estudantes do Ensino Superior , os valores são de R$15 mil para o 1º lugar, R$12 mil para o 2º lugar e R$10 mil para o 3º lugar. Estudantes do Ensino Médio classificados em 1º, 2º e 3º lugares recebem um Laptop de última geração cada um. No Mérito Institucional, serão pagos R$35 mil para cada uma das duas instituições ± uma de Ensino Médio e uma de Ensino Superior - que tiverem o maior número de trabalhos com mérito científico inscritos. O pesquisador que for indicado para a Menção Honrosa ganhará R$20 mil. Além da premiação relacionada, todos os premiados recebem bolsas de estudo do CNPq, caso atendam aos critérios normativos do órgão, descritos no site www.cnpq.br/bolsas . Os pesquisadores classificados em primeiro lugar em cada uma das categorias (Graduado, estudante do Ensino Superior e Estudante do Ensino Médio), também participarão de Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em 2012. Histórico - O Prêmio Jovem Cientista foi criado em 1981 com o objetivo de incentivar a pesquisa no Brasil e é considerado pela comunidade científica uma das mais importantes premiações do gênero na América Latina. A entrega da premiação é feita pelo presidente da República em exercício e reúne na cerimônia autoridades governamentais da área da ciência e tecnologia, além dos mais respeitados nomes da ciência brasileira. Os temas escolhidos são sempre de interesse direto da população e buscam soluções simples e acessíveis para problemas encontrados em seu cotidiano. Entre os assuntos abordados em anos anteriores estão ³Saúde da população e controle de endemias", "Oceanos: fonte de alimentos", ³Saúde da População ± controle da infecção hospitalar´ e ³Educação para reduzir as desigualdades sociais´. No ano passado, com o tema ³Energia e Meio Ambiente ± soluções para o futuro´, o prêmio recebeu 2.158 inscrições de todo o país, sendo 158 na categoria Graduado; 75 na categoria Estudante do Ensino Superior e 1.925 na categoria Estudante do Ensino Médio. 6.2 INOVATEC 6.2.1 O QUE É? A INOVATEC Paraná tem o propósito de aproximar o ambiente da pesquisa do ambiente da produção, acelerando o processo de transformação do conhecimento em novos processos, produtos e serviços. Para isso foi formatado de forma a oferecer diversas oportunidades de contato inicial e intercâmbio de informações entre as instituições expositoras e as empresas 22 visitantes. Realizada pela primeira vez no Paraná e já com duas edições em São Paulo, a INOVATEC dará continuidade ao trabalho iniciado pela 1ª e 2ª Mostras de Integração Universidades e Centros de Pesquisa e Indústria, realizadas em 2008 e 2009. 6.2.2. Ambiente de negócios em inovação tecnológica Assim, a Feira Inovatec se apresenta como um ambiente para acelerar o processo de transferência de conhecimento, de forma que os estudos desenvolvidos dentro das instituições tenham maior possibilidade de transformar-se em novos processos e produtos. Tendo como expositoras boa parcela das principais universidades e centros de pesquisa do Brasil, o evento está sendo organizado para oferecer diversas oportunidades de contato inicial e intercâmbio de informações entre as instituições expositoras e as empresas visitantes. Para atingir seu objetivo, além dos espaços de negócios dos estandes, haverá os seguintes espaços de relacionamentos: - Rodada de Negócios Tecnológica mediante agendamento prévio no site do evento; - Rodada de Negócios Tecnológica sem pré agendamento e realizadas após os Seminários; - Seminários de Oferta e Demanda Tecnológica onde as instituições apresentarão seus serviços e grandes empresas apresentarão suas necessidades; - Banco de Patentes, acessado em terminais existentes na área da Feira, - Visita Técnica a instituições de pesquisa expositoras 7. PLANEJAMENTOS FUTUROS, O QUE AS FUNDAÇÕES PLANEJAM PARA O FUTURO, QUAIS AS PESQUISAS PARA O FUTURO. Fazer ³Ciência´ em um país desorganizado como o Brasil nunca esteve entre as tarefas mais fáceis para os pesquisadores. Sabemos que toda pesquisa cientifica precisa ser bem planejada. ³O planejamento não diz respeito a decisões futuras, mas às implicações futuras de decisões presentes.´ (Peter Drucker) O Planejamento da pesquisa cientifica consiste em um trabalho de preparação no qual se estabelecem os objetivos do projeto de pesquisa, as etapas, os recursos, os prazos e os meios para a sua concretização. Citaremos algumas fundações do Brasil, e quais seus planos para o futuro. 7.1 MCT (Ministério da Ciência e Tecnologia) Anuncia Medidas para Simplificação das Importações para Pesquisa. O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, junto com dirigentes anuncia um conjunto de medidas simplificação na logística das importações para pesquisa a serem adotadas conjuntamente com outras fundações brasileiras. O evento visa dirigir-se para um novo modelo de Logística que deve reduzir significativamente o tempo de liberação de importações de insumos e equipamentos para pesquisa científica. 23 A iniciativa visa resolver uma demanda antiga de pesquisadores e cientistas no sentido de desburocratizar e simplificar os procedimentos para as importações destinadas à pesquisa cientifica no Brasil. 7.2 Novo PNAE Quer Melhorar Tecnologia de Satélites Meteorológicos para o Brasil Ter Previsões Mais Precisas O novo Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), que está sendo atualizado pelo governo, pretende incluir a tecnologia de satélites que tenham a capacidade de medir com mais precisão a intensidade das chuvas, para dar melhores informações sobre precipitações que podem causar desastres naturais. A tecnologia poderá gerar sistemas de alerta, junto com modelos de prevenção de riscos em encostas, confirma Marco Antonio Raupp, presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB). Para desenvolver esse sistema, a AEB vai buscar cooperação com a Administração Nacional do Espaço e da Aeronáutica (NASA), a agência espacial dos Estados Unidos. Dentre os projetos existentes, uma das prioridades é o Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres, em colaboração com a China. Os satélites desenvolvidos dentro da parceria BrasilChina usam sensores com imageadores ópticos. Raupp disse que a idéia é que eles tenham também imageadores de radar. A vantagem é que você enxerga através de nuvens´. O uso desses equipamentos será positivo, em especial, na Amazônia, que em mais da metade do tempo está coberta de nuvens, afirmou. A AEB quer, também, abrir missões científicas para que as universidades ampliem a sua participação no programa espacial. Para mostrar a importância estratégica dessa área para o país. Também na área de pessoal qualificado, ele indicou a necessidade de crescimento da atividade espacial no Brasil. 7.3 Novos desafios para o CNPq (Conselho Nacional de Pesquisas) O Brasil forma mais de 11 mil doutores por ano liderando em várias áreas do conhecimento, como agricultura tropical, parasitologia, geofísica e engenharia associada à prospecção de petróleo e gás em águas profundas. A ciência moderna exige atenção às demandas da sociedade, abordagens multidisciplinares e inovação, pesquisa e desenvolvimento nas empresas com critérios de qualidade, impacto, relevância, sustentabilidade e internacionalização. Nesse novo contexto, cabe ao Estado brasileiro por meio do Ministério da Ciência e Tecnologia e do CNPq em particular modernizar a gestão de C&T, com avaliação e acompanhamento que promovam qualidade, e adequar o marco legal às especificidades da pesquisa, desburocratizando importações, compras e contratações, para aumentar a eficiência na aplicação dos recursos. Para apoiar esse crescimento, o CNPq deve, pelo menos, dobrar seu orçamento nos próximos quatro anos, chegando a R$ 3,5 bilhões, de forma sustentável e que reflita planejamento e articulação de políticas de governo. ³Em 2011, o CNPq celebrará seus 60 anos com o olhar voltado para o futuro, pronto para seguir em sua missão de desenvolvimento científico e tecnológico, por um Brasil mais justo e desenvolvido.´ 24 7.4 Brasil planeja Laboratório Oceanográfico em alto-mar ³O Brasil tem uma ambiciosa proposta de fincar um laboratório oceanográfico na mais remota fronteira marítima do país e, com isso, garantir o domínio territorial sobre uma área em que as riquezas naturais escondidas vão além do petróleo na camada do pré-sal. Com a implantação de um centro de pesquisas em alto-mar e o investimento em satélites, embarcações de patrulhamento e submarinos, a estratégia que vem sendo esboçada reservadamente pelo governo é no sentido de afastar investidas de estrangeiros, como americanos, russos, alemães e japoneses, nos cobiçados mares do Atlântico Sul. O instrumento de pesquisa, cujo projeto envolve os ministérios da Defesa, da Ciência e Tecnologia, do Meio Ambiente e investidores privados brasileiros. A localização e o projeto da plataforma fixa que dará suporte ao laboratório ainda estão em fase de elaboração. A determinação de custos e de prazo para a construção do equipamento é a próxima etapa, e a idéia é formalizar consórcio com a participação do governo, da Petrobras e de parceiros da industrial nacional para custear o projeto. 25 REFERENCIAS: ANDRADE, Maria Margarida de. Introdução à Metodologia do Trabalho Científico. 7. ed. ± 2. reimpr. São Paulo: Atlas, 2006. CERVO, Amado; BERVIAN, Pedro. Metodologia Científica. 5. ed. São Paulo: Prentice Hall, 2004. LAKATOS, Eva M.; MARCONI, Marina A. Fundamentos de Metodologia Científica. 6. ed. ± 4. reimpr. São Paulo: Atlas, 2007. MARCONI, Marina A.; LAKATOS, Eva M. Técnicas de Pesquisa. 6. ed. ± 2. reimpr. São Paulo: Atlas, 2007. http://oglobo.globo.com/ciencia/mat/2011/02/14/burocracia-impostos-sao-piores-que-cortes-noorcamento-diz-lygia-da-veiga-pereira-uma-das-mais-importantes-cientistas-do-pais923804877.asp http://www.brasil.gov.br/sobre/educacao/estudante-estrangeiro/cnpq http://www.schwartzman.org.br/simon/scipol/summ3.htm http://www.capes.gov.br/ http://www.finep.gov.br/ http://www.cnpq.br/saladeimprensa/noticias/2011/0502c.htm *Site do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) 02/03/2011 - 08h00min *Agência Brasil, Edição: Aécio Amado 02/05/2010 - 19h02min * Reportagem de Roberto Maltchik e Eliane Oliveira publicada pelo ³O Globo´ e transcrita no site ³DefesaNet´