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Escola Politécnica da Universidade de São Paulo Departamento de Engenharia de Produção PRO 2208 – Princípios de Economia Prof.

Davi Nakano / Prof. João Furtado

A Crise Mundial 2007-2009 Prof Carlos Henrique de Castro (PUC-SP) Resumo da Palestra proferida em 04/06/2009 A crise mundial é o resultado da evolução de um quadro que começou com o estouro de uma bolha especulativa no mercado imobiliário norte-americano (a crise do sub-prime, em 2007), evoluiu para um crise no setor financeiro (cujo ponto crítico foi a quebra do Lehman Brothers em 2008), e que atingiu a economia real, no fim de 2008. A palestra foi ser dividido em 4 partes: a) os antecedentes da crise, b) A evolução da crise, c) seus desdobramentos e d) as questões que permanecem em aberto Os antecedentes da crise A atual crise mundial teve seu início com o estouro da bolha do mercado imobiliário norte-americano, em 2007. Uma bolha, por definição, acontece quando o preço de mercado se afasta do que seria o preço justo, correto, de um ativo. A própria existência de uma bolha é uma questão conceitualmente controversa. Na perspectiva ortodoxa, a ocorrência de uma bolha é uma impossibilidade: com os agentes econômicos agindo racionalmente, em um mercado organizado, com informação perfeita, quando os preços começassem a se afastar do preço de equilíbrio, a distorção seria identificada, os proprietários dos ativos os venderiam e o aumento injustificado seria prontamente corrigido. Já na perspectiva heterodoxa, embora os agentes econômicos ajam racionalmente, os mercados são atomizados, a informação não é disponível a todos (é imperfeita), e as ações são tomadas sob expectativas e incertezas. Nessas condições, os mercados estão sob o risco de cometer erros de avaliação, e surge a possibilidade de uma bolha especulativa. Bolhas acontecem em períodos de prosperidade e otimismo, com taxas de juros baixas, que incentivam o investimento em outros ativos. A evolução da crise O crédito fácil no mercado imobiliário americano levou à criação do mercado subprime, empréstimos de risco para compra de imóveis, dentro de um cenário de otimismo e prosperidade com o crescimento mundial, e taxas de juros baixas. Os juros haviam sido abaixados pela crise no mercado de tecnologia (a crise ponto com), em 2001, que foi agravada pela crise de confiança com os escândalos corporativos de 2001 (quebras da Enron, Worldcom, etc), e foram mantidas baixas pelo governo americano pelo contexto político (Afeganistão e guerra do Iraque). O estouro da bolha em si não teria efeito devastador. Para recordar, em 1988 a bolsa de NY teve uma queda maior do que em 1929, que foi rapidamente superada sem criar crise mundial. O problema desta vez é que, como em 1929 1 , após o estouro da bolha se descobriu que bancos americanos estavam fortemente envolvidos com ela. Os bancos de investimento (mais agressivos), haviam feito a securitização dos créditos, isto é, eles haviam “empacotado” títulos hipotecários do mercado subprime, títulos
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Em 1929, após a quebra da bolsa de NY, bancos austríacos e alemães quebraram na seqüência, pois tinham investimentos na NYSE, o que levou à quebra de bancos americanos, que haviam emprestados aos bancos europeus. O efeito dominó levou a economia mundial a uma crise que incubou a II Guerra Mundial e só foi superada após seu término.

Ocorreu uma crise de crédito no mercado interbancário. Existem dúvidas sobre o próprio equilíbrio econômico mundial. quando a dívida pública cresceu para 150% do PIB. Portanto. Davi Nakano / Prof. entrando como credor universal e emprestando dinheiro aos bancos e empresas. de hipotecas cuja garantia eram os próprios imóveis hipotecados (a possibilidade dos bancos criarem esses produtos foi criada com a desregulamentação da atividade financeira. baseada em contratos financeiros. O sistema funciona porque há a confiança que haverá crédito para novos contratos. fazendo com que o governo americano obrigasse os bancos a declararem os títulos sem valor. que quebraram. Com a crise de confiança. e enfrentou 15 anos de estagnação 3) A injeção de 1 trilhão de dólares vai gerar inflação na economia americana? . As questões em aberto Existem três questões em aberto para o longo prazo. que dependiam de crédito para operar. ações de grandes empresas e títulos do governo. Isso explicitou a situação de insolvência de bancos de investimentos como o Morgan Stanley. que tem alta liquidez. Uma economia de mercado é uma economia de crédito. os bancos pararam de emprestar. que teve início na década de 1970). O 1º sinal da crise foi em 2007. através de subsidiárias.5 vezes. em um produto financeiro. O governo americano injetou 1. O estouro da bolha fez com que esses títulos perdessem valor. quando um fundo francês acusou problemas. e embora produzam alta tecnologia. 2) A economia americana vai entrar em estagnação. (os chamados ativos tóxicos) que possuíam em seus balanços. João Furtado hipotecários de melhor qualidade. um novo título. levando bancos de varejo como o Citibank e o Bank of America.5 trilhões de dólares. de acordo com cada carteira. entraram em dificuldades. financiando a economia americana. aumentando a base monetária em 2. haviam tomado dinheiro dos grandes bancos de varejo. que serão utilizados para o pagamento dos contratos antigos. e comprados esses títulos. como aconteceu com o Japão? O Japão teve uma bolha imobiliária em 1990. e para piorar a situação descobriu-se que os próprios bancos emissores. pois não havia clareza sobre em que medida os bancos haviam sido atingidos. hoje baseado na polarização EUA – China: os EUA compram a capacidade produtiva chinesa. e dar liquidez ao mercado. e vendido ao mercado. esses títulos tinham uma proporção variável. operam com déficit na balança de pagamentos. 1) A China conseguirá crescer sem depender dos EUA. Nesse ponto a crise financeira atingiu a economia real. emitida por um país deficitário e com mercados desregulamentados. Bear Stearns e Lehman Brothers. e compra títulos americanos. bem como bancos europeus a grandes dificuldades. Os desdobramentos A terapia do governo norte-americano foi a de baixar ainda mais os juros. um novo cenário mundial se abrirá. na qual se sabe que esses contratos em aberto não podem ser liquidados simultaneamente pois não existe liquidez para isso. A China por outro lado realiza grandes superávits. A crise levanta dúvidas sobre o uso do dólar como padrão monetário internacional. baseada em seu mercado interno? Se isso for possível. e as grandes empresas.Escola Politécnica da Universidade de São Paulo Departamento de Engenharia de Produção PRO 2208 – Princípios de Economia Prof.