Falar Tweet Uma mensagem no Twitter (Não pode, absolutamente, ultrapassar os 140 caracteres, se não…).

Retweet Quando se gosta tanto do tweet de alguém que se passa a outros. Ficar MWI Ficar maluquinho, também conhecido por ficar bêbado no sofá, provavelmente sozinho. ABEND Absent by enforced net deprivation [Ausente por forçada privação da net] (conversa de adolescentes que significa que a mãe os mandou para a cama). DM (Direct message) Uma mensagem directa entre dois tweeters que não pode ser vista por mais ninguém. Pouco eficaz. ALOL Actually laughing out loud [Rir realmente alto] (porque LOL é tão omnipresente que já não convence). Poke (picar) Versão virtual no Facebook de uma cotovelada amigável a alguém que nos está a ignorar numa festa. Cardinal Pôr um cardinal antes de uma palavra para a tornar uma tendência pesquisável no Twitter. Se houver muitas pessoas a fazê-lo transforma-se num tópico que está na moda: No fim-de-semana #twitterjoketrial estava em primeiro lugar. Unfollow (deixar de seguir) Credo! Alguém deixou de seguir os seus tweets. É o equivalente virtual a mandar um copo de vinho à cara. *Sofalizar 1. Socializar com amigos a partir do conforto do nosso sofá via redes sociais online, normalmente enquanto se está a ver televisão. 2. Já não sair com gente de verdade. Michelle Morris, de 30 anos, de Shoreditch, a leste de Londres, já não se recorda de quando foi a última vez que viu um programa de televisão de seguida, sem actualizar ao mesmo tempo o seu estado numa rede social. Tem 746 amigos que a observam no Facebook (“mais de 1000 é esquisito, menos de 300 significa que não se usa suficientemente o Facebook”). A única altura em que não está online é quando fica em casa da mãe, num remoto lugar na Escócia – e isso só porque não há recepção de iPhone em Pennan. Como eventualmente já adivinharam, Michelle é solteira. O seu último namorado achava que ela gastava demasiado tempo com a rede social. Já estamos familiarizados com o conceito de relações que terminam por uma das pessoas ser viciada no trabalho. Agora surgem também os sozinhos por serem viciados nas redes sociais. É um dos riscos de sofalizar. A partir desta semana temos o primeiro candidato para o Oxford English Dictionary do próximo ano – “sofalise” (sofalizar): Verbo. 1. Socializar com os amigos e a família a partir do conforto do sofá através das redes sociais online, normalmente enquanto se vê televisão. 2. Já não sair com pessoas a sério. Michelle não é tão excessiva na sofalização como Marisa, uma consultora de RP com 30 e poucos anos que há 10 se mudou de Londres para Shropshire. Agora, com dois filhos pequenos, Marisa raramente tem tempo para socializar com gente real. Em vez disso, sofaliza. Faz parte da sua rotina: deita as crianças, janta qualquer coisa, “desaba em frente à televisão com um copo de vinho e liga o Facebook e o Twitter”. Os serões são passados a conversar online sobre o último episódio de Downton Abbey, Betty Feia ou, se conseguir manter-se acordada o tempo suficiente, Newsnight. O marido, inspector de profissão, acha detestável, mas Marisa insiste que é uma excelente forma de se manter em contacto e de tagarelar um pouco com as amigas que já não estão por

ou é o começo do fim da civilização tal como a conhecemos? Aaron Sorkin. Então e o telefone? Ela tem ‘fobia do telefone’ desde que tem filhos. teve a ideia de enviar mensagens de texto muito mais curto para grupos de pessoas.” O que é que se passa? Quando é que as pessoas começaram a gerir toda a sua vida social de uma forma virtual? E a partir de um sofá? Será que isto é um sinal de uma cibersociedade tecnologicamente avançada e socialmente enriquecida. Quando regressei a casa as pessoas sabiam mais o que tínhamos andado a fazer do que eu própria. Depois. Muitos outros estão no MySpace e no Bebo. o recente e aclamado filme sobre o Facebook. “O resto. o argumentista de The Social Network. “Onde quer que fôssemos. Mas depois vieram as redes sociais – web 2. Temos a sofalização. num dia de brainstorming em 2006. Claro que actualmente todos nós enviamos e-mails. “Eu tenho uma filha com nove anos que. mostra-se céptico em relação à ascensão do mundo virtual. “Só tenho uma amiga a quem atendo o telefone depois de os miúdos estarem na cama”. O site microblogging Twitter nasceu e hoje cerca de 175 milhões de pessoas trocam entre si milhares de milhões de mensagens de 140 caracteres cada. uma em cada 14 pessoas a nível mundial (calcula-se que 500 milhões de nós) aderiu. Segundo um estudo recente. Chegámos agora a uma nova fase. “Será possível que este mecanismo que tinha como objectivo conectar-nos e fazer com que ficássemos mais próximos uns dos outros esteja a fazer precisamente o contrário ao permitirnos socializar a partir da solidão dos nossos quartos? Permitindo-nos que nos reinventemos como outras pessoas? Permitindo-nos que não mostremos nenhum defeito? Isso é bom?” Obviamente que já percorremos um longo caminho desde o envio da primeira mensagem electrónica em 1965. de 27 anos e que não tem nada de sofalizadora – “Continuo a ter amigos reais e a sair para conviver” – mas que teve a infelicidade de ir de férias com uma. Jack Dorsey. um arquitecto de software de 30 anos.perto. disse Kate. sempre que íamos beber um copo ela tirava centenas de fotografias e colocava-as no Facebook logo ali. o sinal definitivo de que as redes sociais virtuais singraram na nossa vida social real. de facto. milhões de . E todos nós usamos a Internet e possuímos um telemóvel. É muito mais fácil manter-me em contacto pela net. Actualmente. Sofalizar através do telemóvel é talvez a forma mais extrema deste fenómeno. Depois temos a Katie. ignoro. disse. disse. nunca conheceu o mundo sem este tipo de coisas”.” Ela é uma completa sofalite. “Cinco minutos depois de termos chegado ao Egipto ela tinha já actualizado o estado no Facebook e disse ‘a Michelle está em De Nile [trocadilho com denial – negação]’”.0 – oferecendo a possibilidade de “socializar” instantaneamente com grandes grupos de pessoas. O Facebook surgiu em Fevereiro de 2004.

Estes sofalizadores extremos passam mais de 25 horas por semana nas redes sociais. em média. Os ingleses passam. . concluiu que 26 por cento das pessoas fazem toda a sua socialização em casa. a minha mulher – que estava sentada na outra ponta do sofá (real. preferindo desfrutar de uma interacção virtual. actualizam estados e twitam. O estudo. claro. wall post. suspeita-se que dominados por uma paranóia de que se não estiverem online perdem algo importante. Constitui também uma tábua de salvação para casais presos ao lar e que. 20 por cento mais fracos do que os que não estavam). mensagens directas. Os adolescentes dominam já esta multitarefa (embora um inquérito recente a estudantes americanos tenha como conclusão que aqueles que estavam ligados ao Facebook enquanto estudavam para os exames tiveram resultados. Eu tentei sofalizar na semana passada e posso dizer-vos que exige prática. Foram identificados nada mais nada menos do que 11 métodos de comunicação: já éramos o país da Europa mais prolífico em mensagens de texto.ingleses desistiram de sair. Para 3 por cento da população já é isso que acontece. segundo foi revelado na semana passada. Também não me recordo com quem é que sofalizei nem porquê. Não recebi nem SMSs nem e-mails simpáticos. Se quiserem tentá-lo. Sofalizar chegou na altura certa para nos convencer de que continuamos a ter uma vida social excitante quando. mas os sofalizadores também comunicam através de mensagens instantâneas. estes números se invertam. conversam pelo Skype. Honestamente. apenas conseguem sair uma média de 15 vezes nos primeiros cinco anos de paternidade. o principal objectivo é controlar o funcionamento em dois ou três ecrãs. na verdade. estar só a comunicar na rede social ou estar só a enviar mensagens a amigos no telefone de terceira geração. É antiquado e ineficaz. em média. Uma em cada 10 das pessoas inquiridas afirmou ter faltado a uma festa por os convites terem sido feitos online. Enquanto vêem televisão. Se é ou não um estilo de vida aprazível. levado a cabo por um operador de casino online. Não tenho qualquer lembrança do episódio de Spooks na televisão. Claro que nesta nova era de austeridade muito se pode dizer sobre o não sair de casa.6 horas por semana a conversar com amigos online em comparação com as seis horas passadas a encontrarem-se pessoalmente. De forma ainda mais premente. 4. já é um outro assunto. eu estava demasiado atarefado a tentar desempenhar multitarefas nas minhas plataformas multimédia para falar com ela. não virtualmente) – achou o meu sofalizar anti-social. Em circunstância alguma se deve ver só televisão. já não temos capacidade financeira para ter uma. Pensa-se que. dentro de alguns anos.

queremos fazer e pensamos que devemos fazer. David Lewis. No mesmo dia. Têm uma semana para resoolver essa m****. Por outras palavras. será que sofalizar é uma coisa positiva? Será que é a única forma sensata de manter contacto num mundo cada vez mais agitado? “O apelo é óbvio”. Os sofalizadores ficaram indignados. ao remover tudo o que não é texto perde-se também muito do que é a experiência social. foi incitado a mover um processo por calúnia devido a uma mensagem colocada no Twitter que insinuava que ele estivera envolvido em esquemas de resultados combinados. cerca de 80 por cento do conteúdo emocional da interacção se perde. “Bolas! O aeroporto Robin Hood está fechado. não foi apenas para ser tratada da sua dependência de drogas e de álcool. no mínimo. Esta é uma forma de atalhar o processo consumidor de tempo que é o sair com os amigos e conviver. Com as redes sociais pode contactar-se muito rapidamente um número imenso de pessoas. Está-se mais aberto a sugestões (uma coisa de que os anunciantes televisivos há muito têm consciência). precisamos fazer. Chambers foi despedido e na quinta-feira passada perdeu o recurso e tem agora de pagar uma multa de 400 libras mais custas legais de 2600 libras. faria com que as pessoas se levantassem do sofá. se não faço o aeroporto ir pelos ares!”. Esta semana o Twitter indignou-se com a condenação de Paul Chambers. e tanto assim é que a nossa actividade cerebral muda drasticamente quando nos sentamos nele. sem informação visual e sem ouvir o som da voz de alguém. grandes copos de vinho e socialização virtual com uma massa amorfa de amigos virtuais. um conselheiro conservador de Birmingham. deixando as autoridades com a assustadora perspectiva de prender metade do país por mensagens electrónicas ameaçadoras. Pode ser-se preso. de 27 anos. uma mensagem no Twitter ou uma actualização no Facebook têm um quinto do significado de uma conversa cara-a-cara. Pode ser-se quem se quiser”. Quando Lindsay Lohan deu entrada na clínica Betty Ford no mês passado. ter insinuado no Twitter que Yasmin Alibhai-Brown devia ser apedrejada até à morte pelos seus comentários sobre os direitos humanos num programa de rádio da BBC. é canja. escreveu o furioso contabilista. encontrou agentes policiais à sua porta depois de. disse Lewis. Gareth Compton. Na opinião de Lewis. Sentimo-nos mais tranquilos. um neuropsicólogo cognitivo. “No sofá não nos expomos a inspecção visual. na brincadeira. Existem outros riscos associados a sofás. Comparado com um bar cheio de desconhecidos ou com um restaurante patrulhado por um intimidante escanção. Infelizmente. Pode parecer que se tem uma excelente vida social sem grande investimento de tempo nem de esforço. um texto. Chris Cairns. por ter colocado um post em que brincou com a hipótese de fazer ir pelos ares um aeroporto. Usava também de forma compulsiva o . que foi de imediato condenado por enviar uma mensagem electrónica ameaçadora. disse o Dr. o nosso sofá é onde nos sentimos mais seguros. O que. “A semana tem 168 horas mas nós temos 368 horas de coisas que temos de fazer. Foi lançada no Twitter uma campanha – “I’m Spartacus” – em que milhares de pessoas repetiram a “ameaça” original.Mulheres avessas às tecnologias à parte.” A comunicação virtual é seguramente menos dada a desconforto social do que a comunicação cara-a-cara. o antigo capitão da equipa de críquete da Nova Zelândia. Na semana passada. Como Lewis disse.

o leitor também consegue. Se ela consegue. . Na clínica é proibida a ligação às redes sociais. para permitir que os pacientes se concentrem em si próprios. Lilo não usa o Twitter desde o dia 27 de Setembro.Twitter. Vemo-nos no bar.

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