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EXCELENTÍSSIMO SENHOR MINISTRO PRESIDENTE DO SUPREMO

TRIBUNAL FEDERAL

URGENTE
MEDIDA CAUTELAR – QUEBRA DE SIGILO

PAULO ROBERTO GALVÃO DA ROCHA, brasileiro, em


união estável, Senador da República (PT/PA), Líder da Bancada
do Partido dos Trabalhadores no Senado Federal, portador da
carteira de identidade RG nº 2313776, inscrito no CPF nº
023.660.102-49, com endereço funcional na Esplanada dos
Ministérios, Praça dos Três Poderes, Senado Federal, Anexo
II, Bloco A, Ala Teotônio Vilela Gabinete 08, CEP 70.165-
900, Brasília/DF; HUMBERTO SÉRGIO COSTA LIMA, brasileiro,
solteiro, Senador da República (PT/PE), portador da carteira
de identidade RG nº 1167257, inscrito no CPF/MF 152.884.554-
49, com endereço funcional na Esplanada dos Ministérios,
Praça dos Três Poderes, Senado Federal, Anexo II, Bloco A,
Ala Teotônio Vilela, Gabinete 25, CEP 70.165-900,
Brasília/DF; FABIANO CONTARATO, brasileiro, casado, Senador
da República (PT/ES), portador do RG nº 682.250 SPTC-ES e
do CPF nº863.645.617-72 , com endereço funcional no Senado
Federal, Anexo II, Ala Afonso Arinos, Gabinete 06 e endereço
eletrônico sen.fabianocontarato@senado.leg.br; JAQUES
WAGNER, brasileiro, casado, Senador da República (PT/BA),
portador da cédula de identidade nº 022.861.819 SSP/RJ e
inscrito no CPF nº 264.716.207-72, com endereço funcional no
Senado Federal, Anexo 1, 23º Pavimento, CEP 70.165-900,
Brasília/DF; JEAN PAUL TERRA PRATES, brasileiro, casado,
Senador da República (PT/RN), portador da cédula de
identidade RG nº 003.132.090, inscrito no CPF nº 867.212.837-
00; com endereço funcional no Senado Federal Anexo II, Ala
Teotônio Vilela, Gabinete 03 CEP 70.165-900, Brasília/DF;
PAULO RENATO PAIM, brasileiro, casado, Senador da República
(PT/RS), portador de cédula de identidade RG nº 2587611,
inscrito no CPF nº 110.629.750-49, com endereço funcional na
Esplanada dos Ministérios, Praça dos Três Poderes, Senado
Federal, Anexo I, 22º Andar, CEP 70.165-900, Brasília/DF;
e ROGÉRIO CARVALHO, brasileiro, divorciado, Senador da
República (PT/SE), portador de cédula de identidade RG nº
769178 SSP /SE, inscrito no CPF nº 411.687.205-91, com
endereço funcional na Esplanada dos Ministérios, Praça dos
Três Poderes, Senado Federal, Anexo II, Ala Teotônio Vilela,
Gabinete 12, CEP 70.165-900, Brasília/DF; vem,
respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, no
exercício de responsabilidade cidadã e por imperativo do
múnus público em que são investidos, apresentar, com amparo
nos arts. 5º, XII, 102, I, “b”, arts. 127 e 129, incisos I
e II da Constituição Federal de 1988, no art. 6º, V da Lei
Complementar nº 75/1993, na Lei nº 1.079/1950, em especial
nos arts. 4º, IV, V e VII, 9º, itens 4, 6 e 7, 8º, item 7 e
11, item 5 e do Código de Processo Penal, em especial no
arts. 282, sem prejuízo de outros possíveis enquadramentos
legais,
NOTÍCIA CRIME com pedido de MEDIDA CAUTELAR DE
PRODUÇÃO ANTECIPADA DE PROVAS – QUEBRA DE SIGILO
DE DADOS em caráter LIMINAR inaudita altera parte

em desfavor do Senhor JAIR MESSIAS BOLSONARO, brasileiro,


casado, com identificação civil nº 3.032.827 SSP/DF,
inscrito no CPF sob o nº 453.178.287-91, atualmente no
exercício do cargo de Presidente da República Federativa do
Brasil, com domicílio funcional na Praça dos Três Poderes,
Palácio do Planalto - Zona Cívico-Administrativa -
Brasília/DF, 70.150-900, para fins de apuração de graves
fatos que indiciam, em tese, incursão em crimes de
responsabilidade e possíveis crimes contra a administração
pública, pelas razões de fatos e de direito que se passa a
expor:

I – DA CONTEXTUALIZAÇÃO FÁTICA:

1. Em 26 de junho de 2022, o veículo de imprensa


Metrópoles, publicou reportagem de autoria de Samuel Pancher
sob manchete “Exclusivo: Ex-Presidente da Petrobrás diz que
celular tinha mensagens que incriminam Bolsonaro”1. Os fatos
relatados, no que envolve a autoridade do Excelentíssimo
Senhor Presidente da República Jair Bolsonaro, como o outrora
Presidente da empresa Petrobrás S/A – o senhor Roberto
Castello Branco - indiciam possível cometimento de crimes de
alto relevo que encontram tipificação, inclusive, na Lei nº
1.079/1950 que trata dos crimes de responsabilidade.

1
Fonte: https://www.metropoles.com/brasil/ex-presidente-da-petrobras-diz-que-celular-tinha-
mensagens-que-incriminam-bolsonaro
2. Pede-se vênia para a transcrição da matéria
veiculada, da qual se colhem os indícios de fatos cuja
apuração tem-se como essenciais, a bem da tutela de
interesses públicos de ordem que abarcam até mesmo a
soberania nacional, na medida em que concernem à política
governamental e à gestão da Petrobras S/A (suas subsidiárias
e associadas), dado o relevo dessa empresa que detém
envergadura internacional no ramo de petróleo e gás. Assim
está reportado:

“Durante uma discussão em um grupo de economistas,


o ex-presidente da Petrobras Roberto Castello
Branco afirmou que devolveu seu celular
corporativo à estatal, ao deixar o comando da
empresa, com material que, segundo ele, poderia
incriminar o presidente Jair Bolsonaro (PL).

Castello Branco debatia com Rubem Novaes, ex-


presidente do Banco do Brasil, sobre a elevação do
preço dos combustíveis. Novaes então diz que o
colega economista – primeiro presidente da
Petrobras na gestão de Bolsonaro, indicado pelo
ministro da Economia, Paulo Guedes – ataca a atual
gestão do governo federal.

‘Se eu quisesse atacar o Bolsonaro não foi e não


é por falta de oportunidade (sic). Toda vez que
ele produz uma crise, com perdas de bilhões de
dólares para seus acionistas, sou insistentemente
convidado pela mídia para dar minha opinião. Não
aceito 90% deles [dos convites] e quando falo
procuro evitar ataques’, retruca o ex-presidente
da estatal.

A conversa ocorreu em troca de mensagens ao longo


deste sábado (26/6).

“No meu celular corporativo tinha mensagens e


áudios que poderiam incriminá-lo. Fiz questão de
devolver intacto para a Petrobras”, concluiu
Castello Branco, sem entrar em detalhes sobre
quais crimes o presidente teria cometido e
estariam registrados no aparelho.
Em outro trecho da discussão, Roberto Castello
Branco classifica Bolsonaro como “psicopata” ao
relatar uma teoria conspiratória que teria sido
dita a ele pelo chefe do Executivo federal.

“Já ouvi de seu presidente psicopata que nos vagões


dos trens da Vale, dentro da carga de minério de
ferro vendido para os chineses, ia um monte de
ouro”, afirmou o ex-dirigente da petrolífera.
Castello Branco tinha assumido o comando da
empresa justamente depois de trabalhar por 15 anos
na Vale, onde foi economista-chefe e diretor de
relações com investidores.

[...]

Rubem Novaes também disse que não comentaria a


troca de mensagens, porque ela aconteceu em um
grupo fechado, e também não negou a autenticidade
da discussão”.

3. A reportagem traz ainda registros de imagens


fotográficas - que se colaciona a seguir - das apontadas
conversas e mensagens telefônicas em que veiculadas as falas
do ex-Presidente da Petrobrás S/A nas quais indica possível
cometimento de crimes pelo Excelentíssimo Senhor Presidente
da República Jair Bolsonaro:
4. Inclusive, vê-se, das imagens colacionadas, que os
fatos apontados nas conversas entabuladas pelo ex-Presidente
da Petrobrás S/A envolvem não apenas esta empresa como
também, reporta-se a uma empresa denominada apenas como
“Vale”, que soa indicativo de trata-se da mineradora Vale
S/A, igualmente uma empresa da qual a União detém ações
privilegiadas, com relevante colocação no mercado nacional
e internacional. Assim está dito, nos referidos registros
telefônicos, em que se indica uma informação que seria
advinda da parte do Excelentíssimo Presidente Jair
Bolsonaro:

“Já ouvi de seu Presidente psicopata que nos vagões


dos trens da Vale que dentro da carga de minério
de ferro vendido para os chineses ia um monte de
ouro. O que você difunde é uma versão adaptada para
o Petróleo”.
4.1. Tal fala indicia, no mínimo, ser de ciência do
Presidente da República Jair Bolsonaro uma operação por
empresa em que a União é investidora, a remessa de ativo
mineral de alto valor, à margem de procedimentos claros e
legítimos. Cabe avaliar que, havendo ciência de tais fatos
pelo Presidente da República (assim como ex Presidente da
Petrobrás S/A) se não foram reportados às autoridades
cabíveis para devidas apurações há indicativos para um crime
de prevaricação e/ou de condescendência criminosa,
respectivamente capitulados nos arts. 319 e 320 do Código
Penal.

5. De relevante gravidade estão os fatos narrados –


nas mensagens que ilustram a matéria - onde está dito entre
os interlocutores:

“Toda vez que ele produz uma crise, com perda de


bilhões de dólares para os seus acionistas, sou
insistentemente convidado pela mídia para dar
minha opinião. [...]
No um celular corporativo tinham mensagens e
áudios que podiam incriminá-lo. Fiz questão de
devolver intacto para a Petrobrás”.

5.1. A primeira parte dessa fala indica claramente o


apontamento de uma postura do Presidente da República que
indicia um crime de lesão à própria empresa e de lesa pátria,
– que, aliás, se reafirma e reforçam com seu comportamento
quase diário na mídia em dizer que a Petrobrás é uma empresa
que nada reverte ao país, que somente rende lucros aos seus
acionistas. Ao ser o agente fomentador de crises que
repercutem em prejuízos aos investidores na Petrobrás –
conforme a fala do ex-Presidente da Petrobrás – o Presidente
Jair Bolsonaro pode estar incurso em crimes de
responsabilidade capitulados na Lei nº 1.079/1950, em
especial nos arts. 4º, IV, V e VII, 9º, itens 4, 6 e 7, 8º,
item 7 e 11, item 5.

5.2. Ao que se indicia, a gestão temerária de uma


empresa estatal - que é patrimônio valioso de toda a nação
-, que atrai investidores de todas as partes do mundo, está
nas próprias atitudes do Presidente da República, que
implanta crise, e, como se vê no cotidiano dos jornais e,
inclusive, no trâmite de ações perante essa Suprema Corte,
em que se constata a adoção de uma política do Governo
federal que, dia a dia, mina os valores da Petrobrás S/A,
não apenas como patrimônio nacional que é, mas também
patrimônio de investidores privados.

5.3. O Presidente da República deveria ser o primeiro


dos cidadãos brasileiros a ter o máximo zelo com tal
patrimônio. No entanto, optou o Presidente da República por
uma atuação contraposta, conflituosa com a Petrobrás S/A. E
tudo isso parece doloso, com claro intuito de rebaixar o
valor de mercado da empresa, porque pretende – e isso é uma
intenção que verbaliza reiterada e publicamente – de
privatizar a Companhia em ato que vulnera a soberania
nacional.

6. Ademais, quanto aos fatos, cabe destacar que eles


atraem a análise de possíveis responsabilidades conexas da
alta direção da Petrobrás S/A junto ao Presidente da
República. Das declarações em que se funda essa notícia
crime, está dito explicitamente que o ex-Presidente da
Petrobrás S/A – Senhor Rubem Castello Branco – tem ciência
de fatos, registrados em mensagens do celular institucional
que lhe era disponibilizado a uso pela Petrobrás S/A como
uma das ferramentas de exercício do cargo, que incriminariam
o Presidente Jair Bolsonaro. Põem ainda em cheque as
instâncias de governança interna e compliance daquela
empresa, posicionadas e incumbidas para identificar riscos
semelhantes.

II – DA NECESSÁRIA MEDIDA CAUTELAR DE QUEBRA DE SIGILO DE


DADOS TELEFÔNICOS E TELEMÁTICOS:

7. Deflui do item anterior que as informações


registradas no dispositivo de comunicação telefônica celular
– e, por certo, em aplicativos de mensagens escritas e de
áudio e vídeo, correspondência eletrônica, assim como as
próprias chamadas auditivas – constituem elementos
essenciais, inarredáveis, à adequada e precisa averiguação
dos fatos para efetiva certeza quanto ao caráter ilícito,
assim como, sendo o caso, aferição do grau de ilicitude.

8. As palavras enunciadas pelo ex-Presidente da


Petrobrás S/A Roberto Castello Branco – nomeado pelo
Presidente Jair Bolsonaro, afiançado pelo Ministro da
Economia Paulo Guedes – apontam para fatos que muito vulneram
a lisura e licitude de conduta do Presidente da República e,
em que pese não haja um contorno claro de tipificações, são
contundentes os indícios de crime de responsabilidade, e
impõem, com devida vênia, como inexorável, a busca por meio
de prova que será o mais contundente. Faz-se presente a
fumaça do cometimento de crime, e de elevada gravidade.

9. Por outro lado, a prescindibilidade desse meio de


prova, nesse momento, pode viabilizar a sua eliminação, o
que implicará esvaziamento da investigação criminal e da
efetividade da justiça, em se elucidar fatos que envolvem
interesse público relevante que se sobrepõe à proteção
irrestrita da privacidade dos envolvidos, aqui em especial
do Presidente da República.

9.1. Não se pode olvidar que a celeridade é direito e


garantia fundamental e constitui mecanismo de efetivação do
acesso ao Judiciário. Acesso em efetividade é escamoteamento
de direitos. O perigo na demora em se atender o provimento
judicial impactará nessa negação de direito ao devido e pleno
processo legal. O art. 282, inciso I do CPP é claro em
autorizar medidas cautelar, inclusive por ato judicial de
ofício, para garantia de viabilidade de êxito das
investigações criminais e processos Judiciais.

9.2. Segundo as normas dos arts. 85 e 86 da Lei nº


13.303, de 2016, integram as posturas de gestão de risco das
empresas estatais a salvaguarda de informações concernentes
à execução das funções empresariais e a disponibilização do
acesso aos órgãos de controle externo e interno.

9.3. Diante da declaração do ex-Presidente da Petrobrás


de que restituiu à empresas o celular “intacto” quando do
seu desligamento do cargo, supõe-se que as informações
estejam resguardadas (minimamente seria recomendável que,
embora podendo disponibilizar o aparelho a outro
funcionário, ou dirigente, o chip tenha sido resguardado).
De todo modo, será viável o pleito à Diretoria de Compliance
da Petrobrás S/A2, bem como que informe qual a operadora de
telefonia, assim como aos aplicativos de mensagens e de
correio eletrônicos, para que também a esta seja solicitado
o acesso aos dados telefônicos e telemáticos disponíveis –
se assim Vossa Excelência e/ou o Ministério Público,
entenderem como medida processual necessária.

2
Ver https://petrobras.com.br/pt/quem-somos/perfil/compliance-etica-e-transparencia/
9.4. E, cabe atentar, essa tutela deve incidir não
apenas sobre os dados do ex-Presidente da Petrobrás S/A como
também, por essencial, do Presidente da República Jair
Bolsonaro.

10. Por fim, ainda quanto aos elementos para a medida


cautelar em caráter liminar, cumpre considerar que, por
certo, as informações advindas da quebra do sigilo das
ligações telefônicas e telemáticas entabuladas entre os
interlocutores – o Excelentíssimo Senhor Presidente da
República Jair Bolsonaro e do senhor Roberto Castello Branco,
ex-Presidente da Petrobrás S/A – quando no exercício do cargo
– enquanto sob averiguação, estarão sob a guarda do sigilo
processual, de modo que, em eventual hipótese de se concluir
pela não ocorrência de crimes, os direitos afetos à esfera
da intimidade e vida privada dos envolvidos estarão
resguardados.

10.1. Não se trata de (ir) reversibilidade da tutela


provisória sob demanda, mas da absoluta contenção de
repercutibilidade das informações coletadas para além da
ciência dos atores processuais, nos termos das
responsabilidades legais, sem que se prejudique o interesse
público premente quanto à lisura na conduta do Presidente da
República, como de ex-dirgentes da Petrobrás S/A, que
envolvem um patrimônio nacional, interesses de brasileiros,
e interesses de amplitude internacional dada a patente
envergadura da empresa.

11. Invoca-se os precedentes dessa Suprema Corte,


inclusive em atuação de ofício – tal como autoria a Lei nº
9.296/1996 - nos Inquéritos nº´s 4.831 de relatoria do
Ministro celso de Mello e 4.781 de relatoria do Ministro
Alexandre de Moraes.

12. Há, portanto, respaldo no art. 5º, inciso XII que


admite a exceção à tutela da intimidade e da vida privada,
e na Lei nº 9.296/1996 para o pleito que se deduz a Vossa
Excelência o conhecimento da presente notícia crime, de modo
a remeter os autos à Procuradoria-Geral da República para
fins de adoção de todas as medidas necessárias à elucidação
dos crimes outrora narrados, sem prejuízo de outros apurados
pelo ‘Parquet’. Requerem, outrossim, a pronta instauração do
incidente de produção antecipada de provas, mediante
contraditório postergado, de modo a evitar o perecimento da
medida.

12.1. Há que se atentar, no presente pleito, que não se


pretende uma interceptação telefônica, ou telemática que
ensejaria criteriosidade estrita à luz da Lei nº 9.296/1996.
A quebra do sigilo de dados e/ou telemáticos é possível com
base em uma interpretação sistemática de todo o ordenamento
constitucional, visto que não há direitos absolutos, nem
mesmo os direitos fundamentais.

12.2. Na hipótese em tela, a inviolabilidade da


intimidade e da vida privada do investigado (enquanto direito
fundamental) necessita ser afastada, porque, em sua
oposição, encontra-se o chamado direito fundamental à
probidade administrativa, a tutela do patrimônio público
enquanto direito difuso, assim como os postulados
constitucionais da boa administração, da moralidade e da
eficiência administrativa, dentre outros valores
importantes. Como já reconhecido pela jurisprudência, nessa
Corte, inclusive, o interesse público deve prevalecer sobre
a intimidade e a vida privada. Ainda assim, está a se propor
tão somente a apreciação de elementos contidos em um diálogo
feito por pessoas públicas, autoridades, no exercício de
suas atribuições legais, acerca de temas supostamente sob
sua competência. Entendimento diverso privilegiaria uma
invasão da esfera pública por uma imunidade privada à
transparência pública, mesmo em termos tão contidos e
excepcionais quanto os aqui aventados.

12.3. Nesse norte, portanto, não há direitos ou


garantias individuais absolutos, podendo e devendo ser
superada a garantia individual do art. 5º, X e XII, da
Constituição da República, em benefício da proteção efetiva
do patrimônio público (direito difuso) e da coletividade (em
última instância), mormente em investigação de ato de
improbidade administrativa e de crimes de responsabilidade.

III - DO PEDIDO:

13. Ante o exposto, considerando a existência de


indícios, ao menos em tese, de prática de crimes de
responsabilidade e outros possíveis crimes contra a
Administração Pública, e em razão da competência
constitucional expressa conferida a este Supremo Tribunal
Federal e da legitimidade processual ativa de exclusiva
titularidade do Ministério Público, bem como os fatos que
são de conhecimento geral, requerem:

(a) a adoção de ofício de produção antecipada de prova,


mediante solicitação de acesso aos dados telefônicos e
telemáticos dos aparelhos (e conectores – “chip”) celulares
funcionais do Excelentíssimo Presidente Jair Bolsonaro e do
ex-Presidente da Petrobrás – Roberto Castello Branco -,
inclusive com pedido de acesso também por meio das operadoras
dos serviços de telefonia celular, bem como de aplicativos
de mensagens e de correio eletrônico (WhatsApp, Telegram,
Google, por exemplo) adotadas pela Presidência da República
e pela Petrobrás S/A.

(b) a intimação da Procuradoria-Geral da República para, se


assim convencida oferecer denúncia contra o representado
JAIR MESSIAS BOLSONARO, atual Presidente da República, pelos
fatos expostos, sem prejuízo de outros fatos e possíveis
autores que identifique como violadores da ordem jurídica e
dos deveres funcionais, à luz da legislação brasileira, de
modo que sejam devidamente apuradas e sancionadas as
responsabilidades decorrentes da postura do mais alto
dirigente da nação e do Governo deletérias ao Estado de
Direito e aos princípios Republicanos, ao interesses
públicos caros à nossa sociedade e essenciais à soberania
nacional.

Termos em que
Pede deferimento.

Brasília-DF, 28 de junho de 2022.

PAULO ROBERTO GALVÃO DA ROCHA

HUMBERTO SÉRGIO COSTA LIMA


JEAN PAUL PRATES

PAULO RENATO PAIM

Senador Fabiano Contarato


(PT-ES)

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