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0 UNIVERSIDADE DA REGIÃO DA CAMPANHA – URCAMP CENTRO DE CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO, COMUNICAÇÃO E
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UNIVERSIDADE DA REGIÃO DA CAMPANHA URCAMP CENTRO DE CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO, COMUNICAÇÃO E ARTES CURSO DE MATEMÁTICA

MARCELO DA SILVA TRINDADE

INTERPRETAÇÃO MATEMÁTICA GRÁFICA E ALGÉBRICA DOS MOVIMENTOS DOS ORBES CELESTES COM ANIMAÇÕES NO WINPLOT

BAGÉ

2010

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UNIVERSIDADE DA REGIÃO DA CAMPANHA URCAMP CENTRO DE CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO, COMUNICAÇÃO E ARTES CURSO DE MATEMÁTICA

MARCELO DA SILVA TRINDADE

INTERPRETAÇÃO MATEMÁTICA GRÁFICA E ALGÉBRICA DOS MOVIMENTOS DOS ORBES CELESTES COM ANIMAÇÕES NO WINPLOT

Monografia elaborada e apresentada no curso de Matemática da Universidade da Região da Campanha, critério este necessário à conclusão do curso e

título de Licenciado em

obtenção do

Matemática.

Orientadora: Ângela Susana Jagmin Carretta

BAGÉ

2010

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MARCELO DA SILVA TRINDADE

TERMO DE APROVAÇÃO

INTERPRETAÇÃO MATEMÁTICA GRÁFICA E ALGÉBRICA DOS MOVIMENTOS DOS ORBES CELESTES COM ANIMAÇÕES NO WINPLOT

APROVADO EM:

Monografia elaborada e apresentada no curso de Matemática da Universidade da Região da Campanha, critério este necessário à conclusão do curso e

título de Licenciado em

obtenção do

Matemática.

/

/

Professora Ângela Susana Jagmin Carretta (Orientadora)

Professora Luciana Martins Teixeira (Coordenadora do Curso de Matemática)

Professor Rubens Lunelli (Professor convidado)

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DEDICATÓRIA

Dedico esta monografia a todos os meus familiares que sempre estiveram ao meu lado, nas minhas decisões mais importantes, me mostrando com sabedoria os melhores caminhos, e sem os quais isto aqui não seria possível. Em especial a minha noiva Andréa que me inspirou quanto algumas leis de Kepler. Meu trabalho não teria a mesma graça se não fossem suas ideias.

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AGRADECIMENTOS

Sou grato a todos os Professores com quem tive contato durante o período de minha graduação, com os quais aprendi tudo que necessito para seguir meu caminho, e em especial a Professora Ângela Susana Jagmin Carretta, que mais do que uma Mestra em Educação Matemática e orientadora particular de projeto de iniciação científica, é uma amiga, uma mãe.

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EPÍGRAFE

Aprendi

que

Matemática

é

uma

ciência infinita, e que quanto mais

a

tamanha

ignorância. Assim sendo, diria que

em

lógica, números e variáveis, é um

Matemática,

a

percepção

conhece,

mais

de

não

se aumenta

nossa

se

resume

agradável estado de espírito.

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RESUMO

Este trabalho de conclusão de curso (TCC) da graduação de Matemática é um retrospecto de um projeto de iniciação científica onde mostramos a criação de um modelo matemático animado do Sistema Solar feito com o auxílio do software de plotação gráfica Winplot, resgatando os passos de criação do mesmo desde seus conceitos mais elementares, como a equação da curva ciclóide, e gradativamente até modelos mais complexos. Tenta-se fazer, com um tanto de modelagem matemática, uma ferramenta capaz de interpretar o mecanismo celeste através de equações em campo tridimensional, passando antes é claro por modelos de duas dimensões. O modelo serve também para mostrar o emprego de equações paramétricas, que aliadas à funções trigonométricas simulam os movimentos dos orbes celestes. Uma vez que a criação do modelo foi, em boa parte, fruto do intuito matemático e sucessivas tentativas, este TCC justifica-se pela necessidade da formalização do referido estudo e entendimento do processo, caracterizando-se assim uma pesquisa bibliográfica.

Palavras chave:

equações paramétricas softwares matemáticos sistema solar educação matemática.

Palavras chave: equações paramétricas – softwares matemáticos – sistema solar – educação matemática.
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ABSTRACT

This work of course completion of undergraduate mathematics is a retrospect of a project for scientific research which showed the creation of a mathematical model of the solar system animated done with the aid of graphics of software Winplot, rescuing the steps of creating the same, since yours more basic concepts, such as the equation of the cycloid curve, and gradually to more complex models. Trying to do with a bit of mathematical modeling, a tool able to interpret the celestial mechanism through three-dimensional field equations, it is clear before passing for two-dimensional models. The model also serves to show the use of parametric equations, which together with the trigonometric functions simulates the movements of celestial orbs. Knowing the creation of the model was largely the result of mathematical instinct and successive attempts,this work is justified by the need for formalization of the study and understanding of the process, characterized as a literature search.

Word key:

parametric equations math softwares solar system math education.

SUMÁRIO

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8

INTRODUÇÃO

10

1

O USO DE TECNOLOGIAS NA EDUCAÇÃO MATEMÁTICA

13

1.1 Emprego das tecnologias

13

1.2 O cuidado com os plágios

15

1.3 Benefícios das tecnologias aliadas a E.M

15

2 MODELAGEM MATEMÁTICA

18

3 PERSONAGENS CONSIDERÁVEIS

21

3.1 Galileu Galilei

21

3.2 Tycho Brahe

27

3.3 Johanes Kepler

29

3.3.1

Primeira lei de Kepler

31

3.3.1

Segunda lei de Kepler

32

3.3.1

Terceira lei de Kepler

33

3.4 Isaac Newton

34

3.5 Albert Einstein

36

4

MODELANDO O SISTEMA SOLAR

39

4.1 A curva ciclóide

39

4.2 Cardióide

41

4.3 Outros epiciclos

50

4.4 Ajustando os epiciclos à elipses

51

4.5 Campo tridimensional

55

CONSIDERAÇÕES FINAIS

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OBRAS CONSULTADAS

64

ANEXOS

65

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LISTA DE FIGURAS

Figura 01 (Esquema da primeira lei de Kepler)

32

Figura 02 (Esquema da segunda lei de Kepler)

33

Figura 03 (Esquema da terceira lei de Kepler)

34

Figura 04 (Ciclóide criada no Winplot)

40

Figura 05 (Ciclóide com passo maior que o raio)

41

Figura 06 (Ciclóide com passo menor que o raio)

41

Figura 07 (Cardióide criada no software Winplot)

42

Figura 08 (Variação quando a=0)

44

Figura 09 (Cardióide com passo maior que o raio)

45

Figura 10 (Circunferência móvel reduzida a metade)

46

Figura 11 (Móvel menor e com passo maior que o raio)

48

Figura 12 (Epiciclo circular)

49

Figura 13 (Movim. relativo da Lua em torno da Via Láctea)

50

Figura 14 (Ajuste do epiciclo à elipse)

52

Figura 15 (Movimento da Lua horário em relação a Terra)

53

Figura 16 (Movimento da Lua com órbita elíptica)

54

Figura 17 (Lua com órbita elíptica horizontal)

55

Figura 18 (Planeta com orbita em campo 3d)

57

Figura 19 (Esquematização de dois planetas e uma Lua)

59

Figura 20 (Acrescentando mais um planeta)

60

Figura 21 (Complementado com Sol e fragmentos em Saturno)

62

INTRODUÇÃO

10
10

Em outubro de 2007 iniciei estudos em projeto de pesquisa junto à Professora orientadora Ângela Carretta na Universidade da Região da Campanha. O nosso projeto, já existente, denominado Softwares como Fonte de Aprendizagem e Pesquisa Acadêmica em Matemática, voltou-se a partir da data a estudar o software livre Winplot, desenvolvido pelo Professor norte americano Richard Parris. Quando iniciamos a pesquisa, ainda levado por um leiguismo de minha parte, não imaginava o quanto trabalhar com softwares no processo de aprendizagem matemática pode ser significativo, e o quanto nos faz entender melhor os diversos conceitos matemáticos. Dentre os resultados desta pesquisa, elaboramos uma apostila digital do Winplot voltada ao manuseio do software e diversas atividades matemáticas com o mesmo. Houve um instante durante a pesquisa, de que me recordo ainda com uma lembrança vaga, que passou em meus pensamentos um modelo de sistema Solar feito no Winplot, mas desacreditado de que este poderia ser confeccionado não dei tanta atenção. O fato é que as coisas foram acontecendo de uma forma que quando percebi já estava com o modelo quase pronto. Foram até então dois anos de pesquisa em cima do software de Richard. Ainda lembro-me dos momentos gratificantes que tinha com cada equação plotada que descrevia uma nova curva de um astro,

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e quando tinha a certeza de ter acertado na moscaum

problema de derivada por corrigi-lo com o Winplot. Enfim levo

isto como uma experiência que mudou o rumo de minha graduação em matemática, pois dois anos depois do início da pesquisa, percebo então a trajetória que esta me proporcionou, com os eventos intermunicipais e interestaduais de que tive a oportunidade de participar. O modelo matemático do Sistema Solar analisado neste trabalho de conclusão de curso, que me acompanhou por alguns

eventos, não carrega rigores científicos o suficiente para ser usado em fins astronômicos profissionais, mas para fins de Educação Matemática significativa no âmbito de uma forte tendência atual, a Modelagem, é um dos trabalhos mais relevantes que pude elaborar. Ao usar equações paramétricas para descrever os movimentos dos orbes celestes, evidencio meu fascínio pelo mecanismo do universo e as curvas de seus movimentos. No decorrer do presente trabalho, mostro a evolução para se chegar a um modelo do Sistema Solar animado em campo tridimensional, restrito a equações paramétricas, isto é, em caráter matemático simples. No primeiro capítulo trato de questões voltadas ao emprego das novas tecnologias na Educação Matemática e seus benefícios, abordando questões relacionadas com experiências pessoais. No segundo, trago tópicos acerca da Modelagem matemática, uma agradável área de se fazer Matemática. Cito no capitulo três algumas das personalidades que traçaram o rumo da ciência e astronomia e enfoco o meu desenvolvimento no quarto capítulo que se destina a formalizar a primeira etapa

do processo de modelamento do Sistema Solar.

Não menos importante, trago em anexo a última de minhas produções no referido projeto de iniciação científica: A criação passo a passo de parte de um software voltado a

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solucionar sistemas de equações lineares reais e imaginárias, elementos relativos a matrizes, interpolação polinomial, progressões aritméticas e geométricas dentre outros.

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1. O USO DE TECNOLOGIAS EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA

Em 1856, o italiano Antônio Santi Giuseppe Meucci deu um

grande passo em direção ao que hoje se pode chamar de velocidade de transferência de dados, com sua invenção do telefone. Seu aparelho fez algo totalmente inovador para a época: ―encurtou as distâncias‖ que separam as pessoas e as informações. É claro que se quisermos dar seqüência cronológica teríamos que citar antes o telégrafo, mas o objetivo aqui é salientar que as invenções tecnológicas de um modo geral favorecem a informação e principalmente a velocidade que estas chegam e nos são transmitidas, sejam jornais, revistas, telejornais, rádios, ou internet. Há uma evolução constante que acelera cada vez mais este processo. Debater-se-á, nos subitens que seguem, algumas abordagens acerca do uso das novas tecnologias em Educação Matemática.

1.1 Emprego das tecnologias

à

Matemática e sua prática diária, de um modo geral, (softwares e internet) proporciona à pessoa se tornar auto-ditada se assim o quiser, é o próprio ato de pesquisar que proporciona isto. O fato de se tomar uma iniciativa e ―perguntar‖ aos sistemas de busca da web, como o Google por exemplo, evidencia um pesquisador, um questionador e não um ―esperador‖ que guarda sua dúvida. Os sistemas tecnológicos informativos já fazem parte consistente na atualidade e estão ai para serem utilizados por quem o desejar. Hoje qualquer assunto que se queira obter maiores informações está postado na internet, que se tornou uma poderosa ferramenta, uma biblioteca virtual gigantesca com milhões assuntos sobre os mais diversos tipos de

A experiência com as novas tecnologias

aliadas

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conhecimentos, basta saber corretamente utilizar, e saber distinguir da ―poluição‖ que inevitavelmente a acompanha. Em ―O NIVELAMENTO COMO FORMA DE RESGATE À MATEMÁTICA BÁSICA”, Monografia de Rafael Gomes de Oliveira, são abordados tópicos acerca do apoio tecnológico na Matemática. Rafael já trabalhou em pesquisa institucional e conhece bem os benefícios que o contato com softwares pode proporcionar, mas explica que tal contato deve proceder de maneira precoce, indo de conceitos básicos e familiarização até um maior aprofundamento:

A recorrência aos recursos computacionais, já em períodos avançados da formação acadêmica, muitas vezes gera temor e não uma expectativa por parte dos alunos, à medida que não estão acostumados a lidar com tais situações e o que deveria servir de apoio a construção conceitual acabará vindo a se tornar um ―pesadelo‖ para os mesmos. Não adianta utilizar um software matemático para ensinar Cálculo ou Álgebra Linear, por exemplo, sem por sua vez tiver sido usado em disciplinas básicas, que serviriam para iniciar a prática computacional. (2007 p. 26)

O apoio tecnológico já é nos dias de hoje ferramenta indispensável em qualquer área do conhecimento, e infelizmente o indivíduo que fica por fora da informatização estará sempre um largo passo atrás. Nos cursos de licenciatura é importantíssimo que desde o início, nos primeiros semestres, sejam manuseados e explorados softwares, isto como parte integrante dos currículos e seus parâmetros. Segundo Oliveira:

programas oficiais de diferentes

currículos dos cursos de licenciatura já estão incluindo a utilização de ferramentas computacionais que possibilitem um melhor entendimento de fórmulas e conceitos, direcionando os acadêmicos para uma visão realista das situações e problemas cotidianos. Todavia, a grande maioria

]Muitos [

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dos cursos faz esta exploração apenas quando já se passaram alguns semestres, construindo conceitos nos conteúdos deste período de formação, sem induzir os alunos a utilizarem estes recursos em disciplinas básicas, que por sua vez estarão mais presentes na futura vida de professor. (2007 p. 26)

O indivíduo que explora ferramentas, que busca por si só

o conhecimento, se torna um ser que gradativamente aprende a

tomar sozinho suas decisões, ou seja, sabe o que está fazendo,

e melhor enxerga o que estão lhe propondo, pois, hoje é comum

vermos pessoas que são muitas vezes enganadas ou exploradas, um abuso é claro, mas possível simplesmente e infelizmente por não terem acesso a educação-informação. A ignorância, ato de ignorar algo, é plenamente o princípio de vários males.

1.2 O cuidado com os plágios

É comum, sabe-se, que há inúmeros alunos que ao ser

solicitado uma pesquisa ou um trabalho pelo professor, trazem cópias fiéis de conteúdos da internet, não somente no ensino básico como também no ensino superior. Isso não caracteriza sob hipótese alguma uma pesquisa, pois para que haja pesquisa

é necessário antes de tudo haver prazer ao se pesquisar e

almejar resultados com esta, ou seja, querer contribuir, solucionar, colaborar com algo que onde se aplique seja benéfico, frutos de sua pesquisa.

1.3 Benefícios das tecnologias aliadas a Educação Matemática

Trabalhar Matemática com o auxílio paralelo de softwares,

ainda

estudados, proporciona uma ―visão matemática‖ muito mais

fundamental

aguçada

Matemática, pois, um

quando bem

mais

em

os

de

plotação gráfica e animação

o

utiliza,

esta

da

que

é

de

quem

importância no contínuo estudo

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professor de Matemática tem que saber constantemente em sua prática profissional ―onde está pisando‖, ou seja, mesmo quando desconhece algum ramo, problema, situação ou um simples exercício algébrico, este como um professor matemático que assim se diga, deve usar seus conhecimentos para que com sua ―visão‖ e usufruindo da ferramenta que o caracteriza, saiba solucionar tais situações citadas. O conhecimento pleno de uma ciência é impossível, há muito se sabe e é óbvio, mas um verdadeiro professor é um cientista, um pesquisador, um profissional que levanta hipóteses e busca resultados, não um reprodutor de algo que nem sabe o que é. Como afirma Ubiratan D’Ambrósio:

Creio que um dos maiores males que a escola pratica é tomar a atitude de que computadores,

calculadoras e coisas do gênero não são para as

escolas dos pobres.

classe pobre necessita expor seus alunos a esses equipamentos que estarão presentes em todo o mercado de futuro imediato. Se uma criança de classe pobre não vê na escola um computador, como jamais terá oportunidade de manejá-lo em sua casa, estará condenada a aceitar os piores empregos que se lhe ofereçam. Nem mesmo estará capacitada para trabalhar como um caixa num grande magazine ou num banco. É inacreditável que a Educação Matemática ignore isso. Ignorar a presença de computadores e calculadoras é condenar os estudantes a uma subordinação total a subempregos. (1990 p. 17)

escola de

Ao contrário: uma

Marcelo Borba, em seu livro Informática e Educação Matemática, mostra exemplos a favor da inserção da informática oriundos estes de estudos e pesquisas realizadas por sua equipe como o uso da calculadora gráfica, por exemplo, quando diz:

pode ser vista como um computador

portátil com programas que permitem o trabalho com Geometria, Cálculo Diferencial Estatística, Funções entre outros‖. (2007 p. 29)

]Ela [

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A seguir a colocação de Dalcídio Moraes e Márcia Loureiro em seu livro Formação de Professores de Matemática Uma Visão Multifacetada, sobre contribuição do computador no ensino:

computador, neste contexto, vai

permitir que o aprendizado não se limite à classe de problemas bem comportados (situações ideais), mas também à comunicação já deixaram de ser modismo e fazem parte das necessidades diárias de um bom profissional. Desse modo, o uso das tecnologias devem ser parte integral dos programas de Matemática, o que se torna um desafio, pois requer

uma atualização contínua dos professores. (p. 167)

O

uso

do

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2 MODELAGEM MATEMÁTICA

A Modelagem Matemática funciona como uma ferramenta de

que dispomos para interpretar problemas da realidade e tentar

resolvê-los. Com todo o aparato de álgebra, cálculo, equações diferenciais, etc. interpretando o comportamento dos dados colhidos de um determinado evento, para prever os devidos resultados almejados. Segundo Jean Carlos Silveira e João Luiz Domingues Ribas, no artigo Discussões sobre modelagem matemática e o ensino- aprendizagem, publicado no site Somatematica:

Modelagem Matemática é acima de tudo uma perspectiva, algo a ser explorado, o imaginável e o inimaginável. A Modelagem Matemática é livre e espontânea, ela surge da necessidade do homem em compreender os fenômenos que o cercam para interferir ou não em seu processo de construção.

E no mesmo trecho seguem, citando a modelagem matemática como uma ferramenta para a sala de aula:

Ao trabalharmos Modelagem Matemática dois pontos são fundamentais: aliar o tema a ser escolhido com a realidade de nossos alunos e aproveitar as experiências extra-classe dos alunos aliadas à experiência do professor em sala de aula.

Como os autores acima argumentam, a criação de modelos para interpretar os diversos fenômenos da natureza é inerente aos seres humanos. A própria noção de modelo se faz presente em várias áreas. Assim podemos afirmar que Modelagem é um processo que envolve a obtenção de um modelo, através de dados obtidos da observação de um evento, que tenta descrever matematicamente este fenômeno, tentar compreendê-lo, criando hipóteses e

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reflexões acerca do comportamento dos mesmos. Isso fica evidente que a Matemática é uma linguagem que representa a realidade. Rodney Carlos Bassanezi, em seu livro Ensino aprendizagem com modelagem matemática, define os conceitos de Modelo objeto e Modelo teórico, que são abordados no mesmo livro:

Modelo objeto é a representação de um objeto ou fato concreto; suas características predominantes são a estabilidade e a homogeneidade das variáveis. Tal representação pode ser pictórica (um desenho, um esquema compartimental,um mapa, etc.), conceitual (fórmula matemática), ou

simbólica. A representação

sempre parcial deixando escapar variações individuais e pormenores do fenômeno ou do objeto modelado. Um modelo epidemiológico (sistema de equações diferenciais) que considera o grupo de infectados como sendo homogêneo onde todos os seus elementos tem as mesmas propriedades é um exemplo de um modelo objeto; Um desenho para representar o alvéolo usado peãs abelhas é também um modelo deste tipo.

Um modelo teórico é aquele vinculado a uma teoria geral existente será sempre construído em torno de um modelo objeto com um código de interpretação. Ele deve conter as mesmas características que o sistema real, isto é, deve representar as mesmas variáveis essenciais existentes no fenômeno e suas relações são obtidas através de (hipóteses abstratas) ou de experimentos (reais). (2009 p. 19)

por estes modelos é

Os modelos matemáticos podem variar desde os mais simples, que rápido se chega a uma solução, até modelos mais complexos que por assim serem necessitam de constantes ajustes, não menos importantes, pois como colocou Bassanezi em palestra no XVI EREMATSUL de junho de 2010 realizado na PUCRS:

Um bom modelo é aquele que pode ser constantemente aprimorado, pois se não pode o ser, não há mais motivos para nele se modelar. Rodney Carlos Bassanezi coloca uma posição em seu livro Ensino aprendizagem com modelagem matemática, acerca de uma matemática aplicada modelagem e a matemática pura. Segundo

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ele:

A Matemática Aplicada moderna pode ser considerada como arte de aplicar matemática a situações problemáticas, usando como processo comum a modelagem matemática. É esse elo com as ciências que distingue o matemático aplicado do matemático puro. A diferença consiste, essencialmente, na atitude de se pensar e fazer matemáica.(2009 p. 32)

Acerca da modelagem matemática como método científico, Bassanezi levanta uma serie de pontos para destacar a relevância desta quando utilizada como instrumento de pesquisa, a saber:

Pode estimular novas ideias e técnicas experimentais;

Pode

inicialmente previstos;

Pode

extrapolações e previsões;

Pode sugerir prioridades de aplicações de recursos e pesquisas e eventuais tomadas de decisão;

aspectos dos

dar informações em diferentes

ser

um

método para se fazer interpolações,

Pode preencher lacunas onde existam falta de dados experimentais;

Pode servir como recurso para melhor entendimento da realidade;

Pode servir de linguagem universal para compreensão e

entrosamento entre pesquisadores em diversas áreas do

conhecimento.

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3 PERSONAGENS CONSIDERÁVEIS

A Astronomia é um dos mais antigos campos do conhecimento. É raro encontrar uma cultura ou civilização que não tenha se encantado e empregado boa parte de seu tempo em observar os eventos no céu. Difícil imaginar uma época em que o simples nascer e pôr do Sol deixe de causar admiração. Que sentimentos e pensamentos tiveram nossos ancestrais, diante a uma chuva de ―estrelas cadentes‖ ou da oportunidade inesperada de observar velozes cometas? Certamente, o fascínio que os astros exercem até hoje foi e continua sendo um dos grandes motivos da busca do homem por compreender suas origens, assim, parte que incentivou a produção deste trabalho foi sem dúvidas, o legado deixado por grandes matemáticos, físicos, astrônomos etc. enfim, homens pensantes que tiverem a genialidade de desvendar os mistérios do universo, ou pelo menos uma pequena parte desses segredos, mas que são a base da nossa ciência, o que nos permite prosseguir de algum lugar. Não se podia deixar então de citar aqui, algumas das pessoas que dedicaram suas vidas para entender os princípios das coisas, e serão, por isso, lembrados até o fim dos dias.

3.1 Galileu Galilei

Galileu Galilei foi o primeiro homem que teve a idéia brilhante de apontar um telescópio para o céu. E o que ele percebeu, foi um universo totalmente diferente daquilo que

havia até então sido estudado. Em um tempo em que a igreja comandava, estabelecia e ditava as leis, Galileu foi um dos

homens

astrônomo Marcelo Gleiser em seu livro A Dança do Universo:

e

que ousou

contrariá-la, como afirma

o

físico

[“Dos muitos conflitos entre ciência e religião que ocorreram ao longo da História, nenhum recebeu mais atenção do que a batalha entre Galileu e a Igreja católica”]. (1997 p. 135)

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Por vezes pensamos nos motivos que levaram a igreja a manter um posicionamento tão rígido contra alguém que defendesse um Sistema Solar heliocêntrico, acreditando plenamente que o nosso sistema fosse geocêntrico, isto é, com a terra reinando imóvel no centro do nosso universo. O argumento mais plausível, é que o pensamento da época era: se Deus colocou todos os seres vivos aqui neste lugar onde nós habitamos, então este é o ponto de origem, este é o ponto zero de um sistema de coordenadas cartesianos se interpretado matematicamente, agora se imaginarmos, nos transportando para aquela época, um sol no centro fazia com que planetas como Marte, Júpiter Saturno e todos os demais tivessem as mesmas condições da Terra, havendo assim não só um Deus mas sim implicando na existência de vários Deuses, um para cada planeta. Entende-se que este é o ponto que afetava a igreja na defesa por um sistema heliocêntrico, pois a ideia de vários Deuses poderia gerar o caos na humanidade. Galileu nasceu no mesmo ano que William Shakespeare, em 1564, e era sete anos mais velho de que Johannes Kepler. Porém dois homens que contribuíram tão fundamentalmente para a uma nova visão do mundo tiveram pouco contato. Kepler até chegou a escrever a Galileu parabenizando-o por suas idéias e descobertas, mas Galileu retornava à Kepler tão somente para reclamar de seus adversários. Parece ser comum naquela época, mentes brilhantes terem ―gênios fortes‖. Aparentemente Galileu não gostava muito do estilo de Kepler, que misturava ciência com especulações metafísicas e místicas. Mais ainda, é também claro que Galileu não gostava muito de elogiar alguém que não fosse a si mesmo. Marcelo Gleiser afirma que para Galileu:

Os céus eram sua propriedade exclusiva, e ele não estava nem um pouco disposto a dividi- los com o cão fraldeiro alemão. Galileu jamais aceitou as órbitas elípticas de Kepler, preferindo adotar uma versão simplificada do modelo de Copérnico. (1997 p. 139)

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Galileu ingressa na escola de medicina da Universidade de Pisa, no ano de 1581, quase que forçado por seu pai, o que resultou em não terminar seus estudos, decidiu de vez se dedicar à sua paixão pela astronomia e os princípios matemáticos da filosofia natural. Galileu estava voltado a estudar o movimento dos objetos. Um exemplo, que se abordará novamente à frente, é a descoberta da curva ciclóide, que foi percebida por Galileu ao observar um lenço preso na roda de uma carruagem. O movimento descrito pelo pano enquanto a carruagem se movimentava em linha reta nos traz a primeira ideia de um epiciclo. Citam-se também as experiências de Galileu na torre de Pisa, onde ele testava o tempo de queda de objetos de diferentes massas. Começou Galileu a dar aulas de matemática na Universidade de Pisa, em 1589, ele ao invés de acreditar cegamente como muitos nos ensinamentos de Aristóteles, sugeria que seus alunos sempre realizassem novos experimentos e defendia que devemos é acreditar em nossa razão ao invés de crer nas autoridades. Galileu iria desenvolver também matemáticas capazes de interpretar a queda de objetos e o movimento de projéteis. Afinal de contas, para ele a ―Matemática é o alfabeto com a qual Deus escreveu o Universo‖. É importante mergulharmos na história da ciência para compreender quem foram as pessoas responsáveis pelo que hoje sabemos, e Galileu, sempre que se retroagir em astronomia será abordado. Para Gleiser:

primeiro cientista

verdadeiramente moderno. Sua ênfase na experimentação, combinada aos seus esforços para obter relações matemáticas explicando os resultados, se tornou a marca registrada da nova ciência. Seu estudo pioneiro da física do movimento foi crucial para a formulação, por Newton, das leis do movimento e da gravitação no final do século XVII. (1997 p. 140)

Galileu

foi

o

24

Voltamos a falar sobre o telescópio, instrumento usado por Galileu para observar o céu. Estes instrumentos quando fabricados atraíram demasiada atenção que, em abril de 1609, era possível adquiri-los na capital da França. Assim que Galileu sentiu rumores das novidades, construiu seu próprio telescópio, de qualidade superior do que os que existiam na época. [Os céus jamais seriam os mesmos após Galileu apontar seu telescópio para as estrelas.]. (GLEISER 1997 p. 141) Ao apontar seu telescópio para o céu Galileu descobriu que havia muito mais estrelas no Universo do que se podia imaginar; descreveu a Via Láctea em um denso aglomerado de estrelas; calculou aproximadamente o tamanho das montanhas da Lua; foi o primeiro a perceber que o gigante Júpter era orbitado por pelo menos quatro astros. Esta descoberta tem papel decisivo na história da astronomia.

Se Júpiter gira em torno do Sol cercado por seus satélites (um termo inventado por Kepler, que se maravilhou com as descobertas de Galileu), por que não a Terra, com o seu satélite, a Lua? E, nesse caso, de que modo a Terra diferia tão fundamentalmente dos outros planetas? Mais uma vez, o status tão especial atribuído pela física aristotélica à Terra estava sendo seriamente questionado pelas observações de Galileu.(GLEISER 1997 p. 142)

As novas descobertas astronômicas de Galileu foram-lhe resultando em uma grande reputação. Galileu com suas observações cada vez mais tende suas intuições às idéias copernicanas, ou seja, um sistema com o Sol no centro. A essa altura, ele tinha incrementado inúmeras novas descobertas que ofereciam evidência ainda mais forte para a aceitação do sistema heliocêntrico. A mais importante dessas observações talvez tenha sido sua descoberta de que o planeta Vênus também tem fases, assim como a Lua. A única explicação para esse fato é que Vênus translada o Sol.

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O astrônomo Tycho Brahe, companheiro de Kepler, propôs um modelo para o nosso sistema, que era caracterizado pela Terra no centro e todos os demais planetas rodeando o Sol, que por sua vez orbitava a Terra. Já o sistema de Nicolau Copérnico consistia em um Sol central e todos os demais planetas, incluindo a Terra, orbitando-o em círculos. É evidente que os jesuítas da época acreditavam no sistema de Tycho, já que este evitava reinterpretação das escrituras sagradas e a questão de vários Deuses. As complicações aparecem quando um dos seguidores de Galileu, o padre Benedetto Castelli, foi convidado para um jantar junto à corte. Por intermédio da influência de Galileu, Castelli tinha sido nomeado recentemente como professor de Matemática em Pisa. Ao assumir o cargo de Professor, Benedetto recebeu ordens superiores, que o proibiam de dar aulas sobre o sistema de Copérnico. Galileu tentou argumentar, com as autoridades religiosas, que o movimento da Terra só contrariaria as escrituras sagradas se elas forem erroneamente interpretadas. Galileu queria que suas ideias se tornassem públicas, para impedir que aqueles que insistiam em usar a Bíblia como um livro de astronomia, fechassem os olhos para a obviedade de suas observações. Galileu declara então que proposições que foram demonstradas como corretas devem ser distinguidas daquelas que são consideradas meramente plausíveis. Se uma proposição que foi provada (cientificamente) correta contradiz as escrituras sagradas, então a interpretação das escrituras tem de ser revisada. A Bíblia pode não errar, mas seus interpretes sim. Talvez Galileu tenha subestimado a força da Igreja, seu poder e sua intelectualidade. Na verdade ele sabia que não dispunha de uma prova concreta de um sistema heliocêntrico, somente evidências em seu favor, mas para Galileu estas

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evidências se tornavam cada vez mais tão convincentes que para ele era a vez de a Igreja provar que ele não estava certo. Depois de várias tentativas frustradas que perduraram alguns anos, Galileu fica um bom tempo sem tentar provar nada. Foi quando o cardeal Maffeo Barberini tornou-se o novo papa.

No passado, ele havia intercedido em favor de Galileu junto à

congregação. Essa era a chance que Galileu estava esperando para atacar a igreja e seu sistema geocêntrico. A admiração do novo papa por Galileu era sincera e Galileu pediu a Urbano

autorização para elaborar um novo livro, no qual ele voltaria o confronto em defesa do sistema heliocêntrico. O papa até

permitiu, mas insistiu em que o texto deixasse claro o fato de que em suma Deus seja a causa final de tudo que observamos. Neste livro, Galileu usava os movimentos das marés como parte

de suas argumentações.

Após outras varias tentativas, Galileu aceitou que não conseguiria contornar a opinião da Igreja através de seus argumentos. Não tinha outra escolha senão se calar. A igreja

realmente não aceitava suas ideias, e após tantas perturbações, impostaram à Galileu que não só deveria esquecer

a opinião de Copérnico, como também seria condenado pela

Igreja à prisão domiciliar até os seus últimos dias de vida. Foi no dia 22 de junho de 1633, que Galileu ajoelhou-se perante os inquisidores, em uma igreja, jurando que jamais tocaria novamente em assuntos que fossem contrários as escrituras sagradas, e sendo forçado a reconhecer que tudo que

havia argumentado até então estava errado. Galileu desenvolveu matemáticas que foram cruciais para o posterior trabalho de Isaac Newton, que unificou as leis regendo o movimento dos corpos na Terra com as leis regendo o movimento dos corpos celestes. Galileu faleceu no ano de 1642, por ironia do destino, no mesmo ano em que nasceu Isaac Newton. Seus restos mortais

27

podem ser encontrados na igreja de Santa Croce em Florença na Itália.

3.2 Tycho Brahe

O episódio de Galileu com a Igreja serve como um poderoso símbolo para nos lembrar como a ambição em excesso pode corromper até mesmo a mais sincera devoção a unia causa. Isso é tanto verdade para Galileu como para o papa e os inquisidores. É muito fácil culpar a Igreja pelo que aconteceu, dizer que a voz da razão e da liberdade foi silenciada pela ignorância e pelo medo de mudanças. Sem dúvida, é verdade que a ação da Igreja criou uma barreira para um diálogo entre ciência e religião que não só

está presente ainda hoje, como

ter

sérias repercussões sociais. Como exemplo posso citar as mudanças dos currículos de escolas primárias sugeridas por criacionistas nos Estados Unidos, querendo banir o ensino da teoria da

evolução por contradizer a Bíblia. É também verdade que a Igreja falhou em reconhecer que a voz de Galileu não era a de um herético, mas a voz de uma nova visão de mundo, que por fim teria de ser confrontada não só pela Igreja católica, mas também

demais

por protestantes, judeus, muçulmanos religiões do planeta.(GLEISER 1997 p. 162)

pode vir

a

e

Tycho Brahe destaca-se na história da astronomia como um dos homens que se dedicaram ao estudo da astronomia. A descoberta das leis do movimento planetário e o desenvolvimento da lei da gravitação universal só foram possíveis graças à análise sistemática do universo. Em períodos que não existia o telescópio, as observações do universo eram realizadas a olho nu, caracterizadas por ―olhar durante horas para o céu noturno‖. Vários instrumentos, no entanto, foram construídos para estes estudos. Mesmo que estes quando comparados com os atuais instrumentos pareçam rústicos, ofereciam uma precisão razoavelmente boa para a época. Com tais instrumentos era possível determinar e realizar previsões sobre o movimento dos astros.

28

Há quem diga que o maior astrônomo do início da Era Moderna seja Tycho Brahe, um dinamarquês descendente de uma família de nobres que, pelo que se tem registros, interessou- se pelos estudos astronômicos ainda quando menino, ao assistir maravilhado a um eclipse do Sol. Até chegou a estudar Direito, mas sua atenção voltava à Astronomia. Significativamente quando começou a analisar os astros em 1563, verificando a passagem de Júpiter nas proximidades de Saturno percebeu que a previsão deste fenômeno a partir de tabelas de datas mais antigas conduzia a erros, isto é, o evento acontecia, mas com um atraso de vários dias. Logo Brahe percebeu que havia necessidade de se criar tabelas calculadas através de observações precisas e sistemáticas das posições dos planetas por um longo período de tempo, para solucionar tais erros. Todavia, estudando as observações existentes na sua época, percebeu erros aos quais atribuiu o fato de dos instrumentos utilizados para as observações serem pequenos e imprecisos. Assim ele dá início a um trabalho que perdura até seus últimos dias. O próprio Rei Frederico II, atual Rei da Dinamarca na época, patrocinou Tycho para que pudesse construir seu próprio observatório, chamado Uraniborg.

Ele estava sempre desenvolvendo novos instrumentos que pudessem gerar dados cada vez mais precisos. É óbvio que o fato de ele ter dinheiro suficiente para pagar por esses instrumentos lhe trazia grande vantagem. Kepler, ou até Copérnico, jamais poderia arcar com os custos envolvidos na construção de um quadrante de carvalho e bronze com um diâmetro de quase treze metros. Tycho usou seu dinheiro sabiamente, obtendo dados astronômicos de precisão inigualável. Mais ainda, ele descobriu que, para serem úteis, as medidas das posições de objetos celestes não tinham de ser só precisas, mas deveriam também ser tomadas continuamente.(GLEISER 1997 p. 119)

Tycho contratou os melhores artesãos e juntos construíram instrumentos de grande porte e alta precisão.

29

À convite do rei da Boêmia Rudolf II, Tycho Brahe foi para Praga e lá instalou seus instrumentos. Nesse período, pelo ano de 1600, ele recebe como ajudante um jovem astrônomo, também de personalidade forte, chamado Johannes Kepler, para o qual repassaria todas as suas observações já feitas. Conforme Mercelo Gleiser:

Em fevereiro de 1600, Kepler chega a Praga para

trabalhar como assistente de Tycho Brahe, o maior astrônomo da época. A parceria dos dois foi

desastrosa. As únicas

duas coisas

que Kepler

e

Tycho tinham em comum

eram

a arrogância

e

uma

grande

precisavam desesperadamente um do outro. (1997 p.

118)

paixão pelas estrelas. No

entanto, eles

Brahe era, como afirma Gleiser, um dos maiores astrônomos da época, e até hoje é considerado um dos maiores observadores de todos os tempos, sua análise do céu em alto nível de precisão proporcionaram a Kepler deduzir as leis que regem as órbitas dos planetas.

2.3 Johannes Kepler

O alemão Johannes Kepler nasceu em 1571, e apesar de ser prematuro e ter passado por várias enfermidades quando criança, foi um jovem brilhante, fazendo todos se surpreenderem com seu domínio da matemática. Na adolescência, cursou um seminário para se tornar pastor, porém antes que se tornasse sacerdote foi convidado para lecionar Astronomia na escola de Graz, localizada na Áustria, com 23 anos era lá Professor. Kepler era demasiadamente religioso e místico. Tinha do Universo uma visão pitagórica, acreditando na natureza matemática da sua estrutura.

30

Kepler estudou as órbitas dos planetas do Sistema Solar baseado nos seus primeiros trabalhos, nas idéias de Platão que tratam da existência dos sólidos geométricos perfeitos. Kepler verificou que os cinco sólidos de Platão eram inscritíveis e circunscritíveis em esferas. Dispondo tais esferas concentricamente, possuindo cada uma delas um dos cinco sólidos inscrito, resultaria em seis camadas, que correspondiam aos planetas Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter e Saturno, os seis conhecidos na época. Se a ordem dos sólidos inscritos nas esferas fosse octaedro, icosaedro, dodecaedro, tetraedro e cubo, seria possível as esferas serem organizadas em intervalos que correspondentes aos tamanhos proporcionais das órbitas de cada planeta. Modelo este que propunha que o Sistema Solar fosse heliocêntrico e que as órbitas eram circulares conforme afirmava Nicolau Copérnico. Kepler chegou até a publicar um trabalho denominado ―O Mistério Cósmico‖. Em 1600, Kepler vai trabalhar ao lado de Tycho Brahe em Praga. Foi ficando cada vez mais renomado, e graças ao trabalho deixado por Brahe, desenvolveu o trabalho que o levaria mais tarde a descobrir as três leis sobre as órbitas planetárias. O pensamento nesta época era o de que os planetas deveriam se movimentar em órbitas circulares. Isso estava conforme à concepção aristotélica da perfeição do círculo associada à perfeição que deveria existir no mundo astral, o que a Igreja cegamente por muito tempo adotou como certo. Kepler sem sucesso tentou ajustar os dados das observações de Brahe da órbita de Marte a um círculo. Este ajuste sempre tendia a uma diferença de alguns minutos de arco, e ele sabia que as observações de Brahe não poderiam conter tantos erros. Com isso Kepler começa a deixar de lado a idéia da perfeição da forma circular. Mas tantos erros e a tarefa difícil de

31

observar o Universo estando em movimento em um planeta que está também em movimento não fizeram Kepler desistir. Conforme a revista Carta na Escola de março de 2009:

Kepler travou uma batalha contra o problema

da determinação da orbita de Marte. O sistema solar proposto por Copérnico, cujo ponto de vista fora

algumas

dificuldades para a aquisição de dados relativos à

posição dos astros. Uma delas era a de se fazer observações de um planeta que não tivesse em uma posição central e fixa, mas em movimento como os

demais. Além disso, tais observações astronômicas eram feitas a partir da Terra, que rotaciona em torno do0 seu próprio eixo, alem de transladar o Sol. Trocando em miúdos, tratava-se de uma tarefa um pouco mais difícil o que calcular a trajetória

adotado

por

Kepler,

representava

de

um

avião

olhado do

ponto

de

vista

de

um

observador

que

se

encontra

dentro

de

uma

roda

gigante em movimento. (2009 p. 28)

Numa sacada genial Kepler percebe que se a órbita de Marte fosse oval as observações de Brahe estavam perfeitamente de acordo com seus cálculos. Kepler mais que rápido concluiu que as órbitas dos planetas eram elípticas, e logo viu também que o Sol ocupa um dos focos dessa elipse. Kepler teve a brilhante capacidade de analisar o céu e deduzir três leis do movimento planetário, as quais são tidas como alicerce e referencial para o desenvolvimento das futuras descobertas.

3.3.1 Primeira lei de Kepler

Kepler, ao usar os dados obtidos com estudos da Terra e observações de Marte, enunciou a lei que rege o movimento de um orbe celeste em torno do Sol:

“Os

planetas

transladam

o

Sol

em órbitas

elípticas,

ocupando o Sol um dos focos desta elipse”

32

Acompanhando a figura 1 pode-se ter a idéia da primeira

lei

Semi-eixo menor Foco Semi-eixo maior Figura 1 – Esquema da primeira lei de Kepler
Semi-eixo menor
Foco
Semi-eixo maior
Figura 1 – Esquema da primeira lei de Kepler

3.3.2 Segunda lei de Kepler

A primeira lei foi base para Kepler perceber que as velocidades dos planetas, ao longo do percurso orbital, não são constantes. Depois de sucessivas observações, tentativas e vários erros, Kepler percebe que o raio vetor de um planeta ―varre‖ áreas iguais em intervalos de tempo iguais. Tal fato explicava a razão de um planeta se mover mais rapidamente quando está mais próximo do Sol, periélio, do que quando mais afastado, afélio (ver figura 2). Com tal observação Kepler anuncia a segunda lei:

A velocidade areolar (área varrida dividida pelo tempo) de um planeta é constante”

Ou simplesmente:

“O raio vetor de um planeta “varre” áreas iguais em intervalos de tempo iguais”

33

Foco
Foco

Figura 2 Esquema da segunda lei de Kepler

Na figura acima as áreas A1 e A2 são iguais em um mesmo

intervalo

de tempo.

3.3.3 Terceira lei de Kepler

verificar a

existência de alguma relação matemática entre a distância do planeta ao Sol e seu período orbital. Demorou dez anos a

contar

terceira:

Kepler anunciar a

O objetivo seguinte de Kepler

foi

o

de

das

duas

leis anteriores para

“O

cubo do semi-eixo

maior

da órbita planetária

é

proporcional ao quadrado de seu período orbital.”

Essa é alei que justifica o acerto de astrônomos da

antiguidade colocar, sem mesmo saber o porquê, os planetas em

Sol, pois as observações

mostraram que quanto mais próximo um planeta está do Sol mais rápido ele dá uma volta completa. Já o que está mais afastado,

demorará um período te tempo mais longo para a volta completa (ver figura 3).

dos

harmônicos e é uma aproximação de uma lei mais precisa que leva em consideração a massa dos planetas e também a massa do Sol.

sua correta ordem

em

relação ao

A terceira

lei

de

Kepler é conhecida

como

lei

34

Foco
Foco

Figura 3 Esquema da terceira lei de Kepler

Como na figura acima os dois planetas possuem órbitas elípticas, os valores ―r‖ e ―s‖ são variáveis. Acontece que ao considerar as infinitas medidas de ―r‖ ou ―s‖ e realizar uma média aritmética, tem-se que:

e

(

(

)

)

Assim a terceira lei de Kepler afirma:

(

)

(

*

E que nos dias atuais reformulada é:

(

)

3.4 Isaac Newton

não

Newton foi um grande personagem na história da ciência, e

citado. Um poeta chamado

podia

aqui deixar

de

ser

35

Alexander Pope exprime em algumas palavras, a ideia do legado deixado por este cientista:

A Natureza e suas leis escondiam-se na escuridão: E Deus disse: ―Faça-se Newton!‖, e Tudo se iluminou.‖

O gênio de Newton não conhecia fronteiras. Seu apetite pelo saber transcendia o estudo do que hoje chamamos de ciência. Talvez ele tenha devotado mais tempo aos seus estudos em alquimia e teologia, investigando detalhadamente questões que incluíam desde a transmutação dos elementos até a cronologia de episódios bíblicos e a natureza da Santíssima Trindade. (GLEISER 1997 p. 164)

Isaac Newton nasceu no dia 4 de janeiro de 1643 (no mesmo ano da morte de Galileu) em Woolsthorpe, Lincolnshire, Inglaterra. Newton veio de uma família de agricultores, mas seu pai morreu antes de seu nascimento e ele foi criado por sua avó. Um tio o enviou para o Trinity College, Cambridge, em Junho de 1661.

revolução da

matemática, óptica, física e astronomia, lançando a base do cálculo diferencial e integral, muitos anos antes de sua descoberta independente por Leibniz. O "método dos fluxions", como ele o chamava, estava baseado na descoberta crucial de que a integração de uma função é meramente o procedimento inverso da diferenciação. Seu manuscrito De Methodis Serierum et Fluxionum foi escrito em 1671, mas só foi publicado quando John Colson o traduziu para o inglês em 1736. Com a saída de Barrow da cadeira Lucasiana em 1669, Newton, com apenas 27 anos, foi nomeado para sua posição, por indicação do anterior, por seus trabalhos em cálculo integral, onde Newton havia feito progresso em um método geral de calcular a área delimitada por uma curva.

Newton

com

apenas 24

anos,

iniciou a

36

Newton foi eleito membro da Sociedade Real em 1672 e no mesmo ano publicou seu primeiro trabalho científico sobre luz e cor, no Philosophical Transactions of the Royal Society. A idéia genial de Newton em 1666 foi imaginar que a força centrípeta na Lua era proporcionada pela atração gravitacional da Terra. Com sua lei para a força centrípeta e a terceira Lei de Kepler, Newton deduziu a lei da atração gravitacional. O Principia, de Newton, é reconhecido como o livro científico mais importante escrito. Newton analisou o movimento dos corpos em meios resistentes e não resistentes sob a ação de forças centrípetas. Os resultados eram aplicados a corpos em órbita, e queda-livre perto da Terra. Ele também demonstra que os planetas são atraídos pelo Sol pela Lei da Gravitação Universal, e generalizou que todos os corpos celestes atraem-se mutuamente. Newton já explicava que o movimento de três corpos sob uma força central só pode ser resolvido por aproximação, que a Lei da Gravitação Universal trata os corpos como pontos, e que os planetas não são pontos, nem ao menos esféricos, que o movimento das marés introduz perturbações no cálculo das órbitas, que precisam ser calculadas por aproximações. Em 1703 foi eleito presidente da Sociedade real, e foi re-eleito a cada ano até sua morte. Foi agraciado com o título de cavalheiro (Sir) em 1708 pela Rainha Anne, o primeiro cientista a receber esta honra. Morreu em 31 de março de 1727 em Londres, Inglaterra.

3.5 Albert Einstein

O físico alemão formulador das teorias especial e geral da Relatividade nasceu em 1879, e não foi um menino destaque no início da infância, inclusive demorou até para desenvolver

37

a fala, mas dizer que era péssimo na escola também não é verdade.

Einstein era, na escola, desobediente e ―respondão‖. Como

Isaacson no livro Einstein, Sua vida Seu

afirma Walter Universo:

Seu desprezo ostensivo pela autoridade pela autoridade levou-o a questionar os conhecimentos recebidos de um modo que membros bem-adaptados da academia jamais cogitariam. (2007 p. 29)

E no mesmo trecho segue:

Quanto ao seu lento desenvolvimento verbal, ele passou a acreditar que isso lhe permitiu observar maravilhado os fenômenos cotidianos que os outros consideravam corriqueiros. ―Quando me pergunto como foi acontecer de eu, especificamente, descobrir a teoria da relatividade, a questão parece-me derivar da seguinte circunstância‖, explicou Einstein certa vez. ―O adulto comum nunca importuna a mente com problemas de espaço e tempo. Já pensou nessas coisas na infância. Mas eu me desenvolvi tão lentamente que comecei a refletir sobre espaço e tempo quando já era grande. Em conseqüência disso, aprofundei-me mais no problema do que uma criança comum o faria.‖ (2007 p. 29)

Einstein trabalhava no escritório na Suíça de patentes em Berna, e lá que em 1905, escreveu três artigos que lhe alavancaram como um dos mais brilhantes cientistas de todos os tempos. Einstein virou de ponta cabeça os conhecidos conceitos de tempo, espaço, e inclusive da nossa própria noção de realidade. Einstein se questionava, ainda quando trabalhava no escritório de patentes, questões como: - Porque um homem não sente o peso do próprio corpo ao cair de um telhado? O que eu veria se pudesse viajar na velocidade da luz? Perguntas estas levaram Einstein a formular a Teoria da Relatividade.

38

bem

frustrante. Quando estudantes são introduzidos pela primeira vez às idéias da teoria da relatividade e da mecânica quântica, sua perplexidade é quase sempre acompanhada por um grande ceticismo. Essas teorias têm algo de absurdo, algo que parece contradizer nosso bom senso. (GLEISER 1997 p. 251)

O estudo

da

física moderna pode

ser

Quando Marcelo Gleiser se expressa no trecho a cima, está voltado à questões decorrentes de algumas ideias de Eistein como:

1) um objeto em movimento sofre uma contração de seu comprimento na mesma direção em que ele se move; 2) um relógio em movimento bate mais devagar; 3) massa e energia podem ser convertidas entre si;

constituintes

4)

não

podemos

determinar

se

os

fundamentais da matéria são ondas ou partículas, a famosa ―dualidade onda-partícula‖; 5) ao observarmos um sistema físico influenciamos seu comportamento; não existe mais uma separação clara entre

observador e observado; 6) a presença de matéria deforma a geometria do espaço e altera o fluxo do tempo; 7) não podemos determinar a localização de um objeto apenas afirmar a probabilidade de ele estar aqui ou ali.

39

4 MODELANDO O SISTEMA SOLAR

O modelo do Sistema Solar estudado a seguir, é baseado em

equações paramétricas em campo xyz, e amimadas em função dos respectivos parâmetros ―T’s‖.

modelo, foi

necessário partir de equações mais elementares e em campo xy em primeiro momento. Curvas como a ciclóide talvez seja o primeiro passo para se compreender a órbita de um astro,

vejamos:

Fica evidente

que

para alcançar

tal

4.1 A curva ciclóide

Conta-se em biografias que Galileu Galilei, o defensor do heliocentrismo, ao observar um pedaço de pano preso em um dos raios da roda de uma carruagem em movimento ficou intrigado com o movimento que aquele lenço descrevia ao desenrolar da mesma sobre a linha reta da rua, pois este estava em movimento em relação ao centro da roda e simultaneamente ao leito da estrada. Para Galileu, aquele movimento lhe mostrava encanto e beleza, pois era fascinado pelo mecanismo das coisas e do universo, pela ciência e pelo conhecimento em geral, tanto que por suas consideráveis descobertas, até hoje é um dos nomes mais lembrados da matemática, física e astronomia. O fato é que esta curva é a primeira ideia que temos para simular matematicamente o movimento de atração entre astros. Analisemos mais especificamente a ciclóide de Galileu, em sua interpretação mecânica e matemática, onde com uso do software Winplot podemos construí-la de maneira bastante simples em um gráfico de duas dimensões:

40

A tabela a seguir mostra o tipo de equação a se utilizar no software Winplot, representação e equação propriamente dita.

Tipo de eq.

Representação

Equação matemática

Explícita

Rua

f(x)=0

Implícita

Roda da carruagem

1=(x-a)^2+(y-1)^2

Ponto(x;y)

Centro da roda

(a;1)

Ponto(x;y)

Lenço preso

(a-sin(a);1-cos(a))

   

(a;1) para

Segmento(x;y)

Raio da roda

(a-sin(a);1-cos(a))

   

f(t)=t-sin(t)

Paramétrica

Ciclóide

g(t)=1-cos(t)

Com as equações acima plotadas no Winplot, e animando com ―a‖ variando de 0 à 6pi, temos a curva mostrada na figura 4, que simula a possível observação de Galileu Galilei.

Figura 4 – Ciclóide criada no Winplot
Figura 4 – Ciclóide criada no Winplot

Vale ressaltar que no estudo das ciclóides, chama-se de braço a distância que vai do centro da circunferência até o ponto cicloidal(no caso anterior, o lenço) em questão. Pois se o braço extrapola o tamanho do raio temos então a ciclóide mostrada na figura 5, que foi obtida dobrando o valor dos últimos termos das equações da ciclóide, raio e lenço descritas anteriormente, ou seja, a nova ciclóide será:

(

)

(

)

(

)

(

)

Figura 5 – Ciclóide com passo maior que o raio
Figura 5 – Ciclóide com passo maior que o raio

41

É válido imaginar também, a fim de complementar algumas relações, que o passo da ciclóide seja menor que o raio da circunferência que a gera, isto é, por exemplo, analisar a ciclóide mostrada na figura 6 de equação:

(

)

(

)

(

)

(

)

ciclóide mostrada na figura 6 de equação: ( ) ( ) ( ) ( ) Figura

Figura 6 Ciclóide com passo menor que o raio

4.2 Cardióide

Daremos agora um passo em frente, ao imaginar que esta mesma roda gire não mais no decorrer de uma reta, mas sim ao contorno de outra circunferência, externamente ou até mesmo internamente, assim como as réguas mágicas.

equações

mostradas na tabela a seguir, que gerarão uma curva chamada

cardióide:

Simulamos

então

no

Winplot as seguintes

42

Tipo de eq.

Representação

Equação matemática

Implícita

Circunferência fixa

x^2+y^2=49

   

(x-(14cos(a)))^2

Implícita

Circunferência móvel

+(y-(14sin(a)))^2=49

Ponto(x;y)(1)

Ponto circular

(14cos(a); 14sin(a))

   

(14cos(a)+7sin(14/7a);

Ponto(x;y)(2)

Ponto cardioidal

14sin(a)-7cos(14/7a))

Segmento(x;y)

Raio da circunf. fixa

Do ponto 1 para o 2

Paramétrica

Cardióide

f(t)= 14cos(t)+7sin(14/7t) g(t)= 14sin(t)-7cos(14/7t)

O respectivo gráfico mostrará a interpretação matemática desta mecânica, como mostra a figura 7:

interpretação matemática desta mecânica, como mostra a figura 7: Figura 7 – Cardióide criada no software

Figura 7 Cardióide criada no software Winplor

43

Para compreender os epiciclos dos astros do universo, imaginemos que o ponto móvel preto na figura acima extrapole o tamanho do raio desta circunferência, e aproveitando ainda

vamos fazer uma animação da variação do tamanho deste raio, ou

de equação

paramétrica:

seja,

como

vimos

no

exemplo

da

ciclóide

(

)

(

)

(

)

(

)

O ―2‖ em negrito dobra o tamanho do raio e a respectiva curva acaba se contorcendo.

em

negrito desempenha a variação do raio, e logo a variação da cardióide.

Na

construção mostrada na tabela a

seguir o

―a‖

Tipo de eq.

Representação

Equação matemática

Implícita

Circunferência fixa

x^2+y^2=49

   

(x-(14cos(a)))^2

Implícita

Circunferência móvel

+(y-(14sin(a)))^2=49

Ponto(x;y)(1)

Ponto circular

(14cos(a); 14sin(a))

   

(14cos(a)+asin(14/7a);

Ponto(x;y)(2)

Ponto cardioidal

14sin(a)-acos(14/7a))

Segmento(x;y)

Raio da circunf. fixa

Do ponto 1 para o 2

Paramétrica

Variação da cardióide

f(t)= 14cos(t)+asin(14/7t) g(t)= 14sin(t)-acos(14/7t)

Perceba que quando a=0, temos uma circunferência equação paramétrica:

(

)

(

)

(

)

como mostra a figura 8:

(

)

de

44

44 Figura 8 – Variação quando a=0 Todavia quando ―a‖ excede sete unidades, que é o

Figura 8 Variação quando a=0

Todavia quando ―a‖ excede sete unidades, que é o tamanho do raio da circunferência, temos variantes como mostra a figura 9:

45

45 Figura 9 – Cardióide com passo maior que o raio a circunferência móvel é menor

Figura 9 Cardióide com passo maior que o raio

a

circunferência móvel é menor do que a fixa, mais especificamente com metade do raio. O que acontece neste caso, é que teremos dois pontos de contato, como amostra a figura 10 gerada pelas equações da tabela a seguir:

Dando continuidade, vamos analisar

o

caso

em

que

46

Tipo de eq.

Representação

Equação matemática

Implícita

Circunferência fixa

x^2+y^2=49

   

(x-(10.5cos(a)))^2

Implícita

Circunferência móvel

+(y-(10.5sin(a)))^2=3.5^2

Ponto(x;y)(1)

Ponto circular

(10.5cos(a); 10.5sin(a))

   

(10.5cos(a)+3.5sin(10.5/3.5a);

Ponto(x;y)(2)

Ponto cardioidal

10.5sin(a)-3.5cos(10.5/3.5a))

Segmento(x;y)

Raio da circunf. fixa

Do ponto 1 para o ponto 2

Paramétrica

Variação da cardióide

f(t)= 10.5cos(t)+3.5sin(3t) g(t)= 10.5sin(t)-3.5cos(3t)

f(t)= 10.5cos(t)+ 3.5 sin(3t) g(t)= 10.5sin(t)- 3.5 cos(3t) Figura 10 – Circunferência móvel reduzida a metade

Figura 10 Circunferência móvel reduzida a metade

47

Podemos notar facilmente a relação existente entre as equações paramétricas das variantes das cardióides e suas respectivas componentes formadoras. Analogamente, como equação paramétrica da curva em questão, tem-se:

(

)

(

)

(

)

(

)

(

)

(

)

Onde ―a‖ é a soma dos raios das circunferências, e ―b‖ é o raio da circunferência móvel.

o equações, não nos respectivos arcos, acarreta em alterar o valor do raio da circunferência móvel, como no caso de aumentá-lo temos, por exemplo:

somente nos coeficientes das

Alterar

valor de

―b‖

(

)

(

)

(

)

(

)

(

)

(

)

Como mostra a figura 11. Já se pode perceber que a manipulação de curvas é feita na tentativa constante de ajustar os coeficientes para ―contorcer as linhas‖.

48

48 Figura 11 – Móvel menor e com passo maior que o raio se aproxima, muito

Figura 11 Móvel menor e com passo maior que o raio

se

aproxima, muito grosseiramente é claro, do movimento de um orbe celeste como a Lua em relação ao Sol (figura 12). Vejamos

a tabela que segue:

A

seguir, um

exemplo de epiciclo circular

que

49

Tipo de eq.

Representação

Equação matemática

Implícita

Circunferência fixa

x^2+y^2=49

   

(x-(8cos(a)))^2

Implícita

Circunferência móvel

+(y-(8sin(a)))^2=1^2

Ponto(x;y)(1)

Ponto circular

(8cos(a); 8sin(a))

   

(8cos(a)+2sin(8a);

Ponto(x;y)(2)

Ponto cardioidal

8sin(a)-2cos(8a))

Segmento(x;y)

Raio da circunf. Fixa

Do ponto 1 para o ponto 2

Paramétrica

Variação da cardióide

f(t)= 8cos(t)+2sin(8t) g(t)= 8sin(t)-2cos(8t)

Variação da cardióide f(t)= 8cos(t)+2sin(8t) g(t)= 8sin(t)-2cos(8t) Figura 12 – Epiciclo circular

Figura 12 Epiciclo circular

50

Neste caso, estamos considerando que o Sol seja o centro do sistema de coordenadas cartesianas, a Lua o ponto preto e a Terra o ponto vazado central à circunferência móvel.

4.3 Outros epiciclos

dos referidos orbite outro

estudos, é que um determinado corpo que

determinado corpo, e que por sua vez também orbite outro, e

assim sucessivamente, revela que as equações do primeiro é, parametricamente, o polinômio formado por cada um dos monômios

se

considerarmos a equação da Lua em torno da Via Láctea, teremos uma equação com: as equações da Lua em torno da Terra somadas com as equações fiéis do movimento da Terra em torno do Sol e somadas com as equações fiéis do movimento do Sol em torno da

Via Láctea.

que representam

O

que

se

pode perceber, no decorrer

todas as órbitas referidas,

isto

é,

perceber, no decorrer todas as órbitas referidas, isto é, Figura 13 – Movimento relativo da Lua

Figura 13 Movimento relativo da Lua em torno da Via Láctea

51

4.4 Ajustando o epiciclo à elipses

Partindo da Primeira lei de Johannes Kepler acerca do

movimento planetário que diz: ―Qualquer planeta gira em torno do Sol, descrevendo uma órbita elíptica, da qual o Sol ocupa

um

anteriores para elipses, e não mais circunferências. Sabendo que uma elipse tem equação paramétrica plana com

dos

focos.‖,

temos

de

adaptar

o

estudo

das curvas

:

 

(

)

(

)

(

)

(

)

Então plotar no Winplot:

 

a) Uma curva elíptica de equação:

 

(

)

(

)

(

)

(

)

b) Um ponto que com o recurso de animação do Winplot corra somente em cima dessa elipse, este que será considerado um planeta, e obviamente terá equação:

(

)

(

)

c) A curva paramétrica que simula o movimento da Lua em Torno do Sol (Com doze voltas em torno da Terra em uma volta completa de translação):

(

)

(

)

(

)

(

)

(

)

(

)

d) O Ponto que representa a Lua, e então obviamente terá equação:

(

)

(

)

(

)

(

)

52

e) Um

modelo

de

órbita

circular para a

equação implícita animada:

(

(

))

(

(

))

lua

com

uma

Como resultado final temos algo como mostra a figura 14, ao animar o valor ―a‖ no Winplot podemos perceber que a Lua está ―presa‖ em duas órbitas, isto é, às duas forças de atração gravitacional como um dia esclareceu Isaac Newton.

atração gravitacional como um dia esclareceu Isaac Newton. Figura 14 – Ajuste do epiciclo à elipse

Figura 14 Ajuste do epiciclo à elipse

Podemos ainda considerar o caso em que o movimento da Lua acima é horário em relação a Terra (figura 15), e com esta permanecendo em órbita anti-horária. Para isto uma simples mudança de sinal na equação g(t) da curva, que ficará assim:

(

)

(

)

(

)

(

)

(

)

(

)

53

53 Figura 15 – Movimento da Lua horário em relação a Terra O fato é que

Figura 15 Movimento da Lua horário em relação a Terra

O fato é que a primeira lei de Kepler se aplica também à

Lua com a Terra, ou seja, descreve também uma órbita elíptica.

(ver

figura 16)

Isto

afeta

em

o

raio Terra-Lua

não

ser

constante. Então, fazendo alguns ajustes nos modelos acima, sabendo onde devemos intervir, criamos:

Tipo de eq.

Representação

Equação matemática

   

f(t)=30cos(t)

Paramétrica

Órbita da Terra

g(t)= 15sin(t)

   

(x-30cos(a))^2+(y-

Implícita

Órbita elíptica da Lua

15sin(a))^2)/9=4

Ponto(x;y)

Terra

30cos(a); 15sin(a)

   

30cos(a)+2cos(12a);

Ponto(x;y)

Lua

15sin(a)+6sin(12a)

 

Curva da Lua com órbita elíptica

f(t)=30cos(t)+2cos(12t)

Paramétrica

g(t)= 15sin(t)+6sin(12t)

54

Deixando claro que aqui a questão é apenas compreender o mecanismo, em um primeiro momento mais didático, não se levou em conta as excentricidades reais das curvas orbitais, estando as elipses, assim como outros aspectos, grosseiramente exagerados.

as elipses, assim como outros aspectos, grosseiramente exagerados. Figura 16 – Movimento da Lua com órbita

Figura 16 Movimento da Lua com órbita elíptica

55

55 Figura 17 – Lua com órbita elíptica horizontal Temos aí uma noção necessária para manipular

Figura 17 Lua com órbita elíptica horizontal

Temos aí uma noção necessária para manipular as curvas dos orbes celestes em caráter matemático simples. Novos ajustes poderão ser feitos, para que o modelo tenda cada vez mais à realidade

4.5 Campo tridimensional

Agora, em campo 3d, temos de manipular mais uma variável, isto é, nossas equações terão de ser acrescidas da variável z eixo vertical do sistema tridimensional. Uma elipse em âmbito 3d pode ser manipulada, por exemplo, analogamente por:

(

)

(

)

(

)

(

)

(

)

(

)

56

Onde ―a‖ ―b‖ e ―c‖ são termos independentes que tem apenas caráter de deslocamento, ―r‖ ―t‖ e ―u‖ são coeficientes relacionados às excentricidades da elipse. Então para ―deslizarmos‖ um planeta por sua órbita temos apenas que, no Winplot, plotar um ponto que percorra em função de um parâmetro ―a‖ a equação de sua respectiva elipse:

Exemplo:

Curva com t variando de 0 a 2pi.

 

(

)

(

)

 

(

)

.3

(

)

(

)

(

)

Ponto

 

(

)

 

.3

(

)

 

(

)

O valor 80 que está acompanhando o ―a‖ nos respectivos arcos, funciona como um acelerador de velocidade, quanto maior for, e redutor quanto menor.

57

Na figura 18 podemos ver o gráfico das equações acima.

57 Na figura 18 podemos ver o gráfico das equações acima. Figura 18 – Planeta com

Figura 18 Planeta com orbita em campo 3d

Utilizando os recursos de animação podemos visualizar a variação do parâmetro ―a‖. A questão agora é orientar uma possível Lua em relação ao Sol, para isso, vamos considerar uma nova orbita elíptica, uma vez que a ideia é aproveitar o exemplo anterior para a construção do Sistema Solar. Uma nova órbita planetária dada por:

 

(

)

(

)

(

)

(

)

(

)

(

)

58

Seu respectivo planeta, como está mais afastado do anterior, deverá girar mais lentamente segundo as teorias de

gravitação universal, portanto, o valor 80 será reduzido para

10.

(

(

(

)

)

)

Pelos estudos anteriores fica mais fácil compreender que um astro que orbite o astro equacionado acima terá uma equação do tipo:

(

)

(

)

(

)

(

)

(

)

(

)

Onde os respectivos arcos ―100a‖ representam a velocidade de translação. Temos, unindo o gráfico anterior, a esquematização mostrada na figura 19.

59

59 Figura 19 – Esquematização de dois planetas e uma Lua O interessante é percebermos que

Figura 19 Esquematização de dois planetas e uma Lua

O interessante é percebermos que quando animamos uma possível Lua em torno do Sol, tivemos que colocar junto às suas equações, as equações do planeta. Isto mostra que se quisermos representar um modelo, por exemplo, de um satélite que gire em torno da Lua, e desejarmos o movimento deste em torno do centro da Via Láctea, teremos de descrevê-lo com as equações do movimento do Sol em torno do centro da galáxia, as equações do movimento da Terra em torno do Sol, as equações do movimento da Lua em torno da Terra e por último, o movimento do satélite em torno da Lua. Seguindo no modelo, vamos plotar um possível Saturno, a fim de manipularmos seus anéis, que pelo que sabemos são formados por milhares de fragmentos que o orbitam.

60

Curva paramétrica de Saturno:

(

(

)

)

Ponto que representa Saturno de equação:

(

(

)

)

Teremos até aí, algo como mostra a figura 20.

( ( ) ) Teremos até aí, algo como mostra a figura 20. Figura 20 –

Figura 20 Acrescentando mais um planeta

As equações dos fragmentos que orbitam Saturno, seguem a mesma lógica da Lua da Terra, porém, devemos gradativar as

61

velocidades quanto à proximidade com Saturno. As equações abaixo ilustram alguns pontos em questão:

(

)

(

)

(

)

(

)

 

(

)

(

)

(

)

(

)

(

)

 

(

)

(

)

(

)

(

)

(

)

 

(

)

(

)

(

)

(

)

(

)

 

(

)

(

)

(

)

(

)

(

)

 

(

)

E assim sucessivamente, quanto maior é a distância, menor a velocidade.

O que resta agora, para finalizar, é colocar uma equação

da esfera que represente um Sol posicionado no foco aproximado das elipses. Equação paramétrica:

(

(

)

)

(

)

(

(

)

)

62

Temos algo como mostra a figura 21.

62 Temos algo como mostra a figura 21. Figura 21 – Complementado com Sol e fragmentos

Figura 21 Complementado com Sol e fragmentos em Saturno

Para ver as animações basta variar o parâmetro ―a‖ no Winplot. A construção deste modelo já foi oferecida como mini- curso em vários eventos, a saber: I Semana Acadêmica da UNIPAMPA, XEGEM X Encontro Gaúcho de Estudantes de Matemática realizado na UNIJUÍ, XVI EREMATSUL XVI Encontro Regional de Estudantes de Matemática do Sul realizado na PUC- RS, IFNM I Feira Nacional de Matemática realizada na FURB. O resultado felizmente é sempre satisfatório valendo inclusive o prêmio de destaque no último evento citado.

63
63

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES

O sentimento quando se está redigindo as considerações finais de uma monografia de graduação, é semelhante à de perda: é um curso que termina, uma etapa da vida que aproxima- se do fim, porém sei que isto fica apenas na sensação. Chegar nestas palavras é a prova de que os cinco anos e meio de presença em um curso de Matemática valeram a pena. Há alguns anos até cheguei a pensar que Matemática fosse uma ciência finita, hoje percebo que na verdade está numa infinita expansão. Então aqui deixo uma consideração: Neste tempo todo não aprendi tudo, nem poderia, mas aprendi o suficiente para amadurecer constantemente meu pensamento, não só matemático, mas como ser humano, como educador. Devo isto à graduação, que são os mestres com quem pude conviver. Quanto a minha experiência com pesquisa, não tenho palavras para aqui descrever o que esta me proporcionou, em conhecimentos, aprendizagens, felicidades e prazeres em fazer matemáticas, e quanto ao modelo do Sistema Solar, e a criação do Maturca Soft 1.0, eles não existiriam se eu não tivesse conhecido pessoas como: Ângela, Carlos, Eleonel, Luciana, Marlene, Rubens e Susana. Obrigado.

64
64

OBRAS CONSULTADAS

BASSANEZI, Rodney Carlos. Ensino-aprendizagem com modelagem matemática. uma nova estratégia. 3ª ed., 1ª reimpressão, São Paulo: CONTEXTO, 2009.

BORBA, Marcelo. Informática na Educação Matemática,

FURASTÉ, Pedro Augusto. Normas Técnicas para Trabalhos Científicos. Porto Alegre: ARTLER LTDA, 2006.

GLEISER, Marcelo. A Dança do Universo, dos mitos de Criação ao Big Bang. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.

ISAACSON, Walter. Einstein, Sua vida Seu Universo. Tradução Celso Nogueira. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

MORAES, Dalcídio. Formação de Professores de Matemática Uma Visão Multifacetada. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2001.

OLIVEIRA, Rafael. O Nivelamento Como Forma De Resgate À Matemática Básica, Bagé: URCAMP, 2007.

SANTOS, Rogério Vogt Cardoso dos.

Marte. - Revista Carta na Escola. São Paulo: Nº 34 p.28-29,

março 2009.

- Kepler e a órbita de

SILVEIRA, Jean Carlos; RIBAS, João Luiz Domingues. Discussões Sobre Modelagem Matemática E O Ensino-Aprendizagem - <http://www.somatematica.com.br/artigos/a8/index.php> acessado em 14 de junho de 2010.

ANEXOS

65
65

66

CONFECCIONANDO SOFTWARES COM PROGRAMAÇÃO EM VISUAL BASIC

Vejamos a seguir a programação passo a passo de parte de um software de Matemática que servirá para solucionar sistemas de equações lineares. Utilizou-se para tal confecção o programa Microsoft Visual Basic 6.0. Tem-se, na janela inicial de um projeto em Visual Basic (VB), o primeiro campo onde será confeccionado o layout¹ do novo software, como mostra a figura 01.

o layout¹ do novo software, como mostra a figura 01. Figura 01 – janela inicial do

Figura 01 janela inicial do Visual Basic

Algumas das ferramentas elementares no lado esquerdo da figura 01 são mostradas no quadro a seguir com respectivos nomes e funções:

67

Ferramenta ―text‖ (servirá para introduzir valores) Ferramenta ―command‖ (servirá para executar a

Ferramenta ―text‖ (servirá para introduzir valores)

Ferramenta ―command‖ (servirá para executar a programação)

Ferramenta ―label‖ (servirá para nomear ítens)

Ferramenta ―label‖ (servirá para nomear ítens) As três ferramentas acima serão as usadas para a criação
Ferramenta ―label‖ (servirá para nomear ítens) As três ferramentas acima serão as usadas para a criação

As três ferramentas acima serão as usadas para a criação do exemplo.

Quadro 01 algumas ferramentas elementares

Vejamos aqui como criar um solucionador de sistemas de

três equações e três variáveis:

Começa-se inserindo apenas os itens que serão usados em

um sistema de três equações. Para tal ação, basta clicar na

ferramenta e depois no lugar desejado do campo ―form1‖.

Quando se dá início a uma programação, a primeira coisa a

se fazer é inserir todos os elementos da janela, claro que,

conforme o andamento, novos itens poderão surgir, mas deixa-se

claro aqui que a programação, propriamente dita, precisa dos

elementos da página para existir e atuar.

Veja a figura 02 que mostra os ―text’s‖ e os ―label’s‖ já

inseridos. No lado direito da mesma figura estão recursos como

nomeação, fonte, cores etc. que fica a cargo do leitor

posteriormente explorá-los.

68

68 Figura 02 – itens inseridos na janela inicial Perceba, na figura 02, que ―text1‖ é

Figura 02 itens inseridos na janela inicial

Perceba, na figura 02, que ―text1‖ é o coeficiente da

variável a na primeira equação, ―text2‖ o coeficiente da variável b e assim sucessivamente.

Os

campos

―text13‖,

―text14‖

e

―text15‖ são,

respectivamente, as soluções ―a‖, ―b‖ e ―c‖ do sistema linear, mas para que tal solução apareça nestes espaços precisamos

entrar com a devida programação, onde ao clicar no comando

―Solução‖ o aplicativo .exe criado recorre aos únicos valores numéricos válidos. Com um clique duplo no botão ―solução‖ criado abrirá a

janela de programação, como

percebemos que está explícito que quando clicarmos em

mostra

a

figura 03.

Nesta,

69

―command1‖ que é o botão ―Solucionar‖ será realizado o comando desejado - ―Command1_Click()‖.

realizado o comando desejado - ―Command1_Click()‖. Figura 03 – janela de inserção da programação O que

Figura 03 janela de inserção da programação

O que será feito é um escalonamento análogo com as variáveis ―text’s‖ criadas. Vale informar que o VB entende por ―cdbl‖ um valor numérico decimal e cada elemento inserido no layout possui sua respectiva propriedade que deverá ser informada na hora da programação, por exemplo, ―text1‖ deverá ser inserido ao VB como ―cdbl(text1.text)‖ onde ―.text‖ informa ao mesmo que é uma caixa de texto. Agora, antes de entrar na devida programação, acompanhe o processo de um escalonamento análogo de um sistema linear de três equações e três variáveis:

70

Tem-se, genericamente, o sistema inicial:

{

Somente x y e z são as incógnitas procuradas. Assim deve- se, pelo princípio do escalonamento, zerar ―e‖, ―i‖ e ―j‖. Sabe-se, pelo bom senso matemático, que o único número capaz de zerar ―e‖ em função de ―a‖ no princípio do

ser multiplicado com ―a‖

retorna ao número ―–e‖ que por sua vez é somado com ―e‖ tonando-o nulo. Deve-se então repetir o processo nas demais incógnitas e equações. A seguir, a segunda equação com e = 0:

escalonamento é

-e/a‖,

que

ao

{

(

)

(

)

A seguir, a segunda equação com i = 0, uma vez que o processo é mesmo, só muda o elemento multiplicado:

{

(

)

(

)

(

*

(

*

Precisa-se agora zerar o coeficiente (

)

de

y,

então, o único número capaz é

(

)

(

) que será

multiplicado por (

) na segunda equação e somado com

(

) na terceira, tornando assim nulo como se desejava.

Sistema escalonado:

71

{

(

(

(

)

)

(

(

)

)

(

)

 

(

)

(

)

(

*)

 

(

)

Inicialmente, se este método é mostrado às pessoas leigas em Matemática, parece ser complicado, mas é só questão de extensão. Deve-se, portanto, ter cautela com a correta sintaxe das expressões, pois você sabe o erro astronômico que um simples parênteses fora do lugar pode ocasionar. Pelo sistema acima escalonado genericamente fica simples concluir que:

 

(

 

(

)

(

 

)

 

)

 

(

)

(

 

(

)

(

)

(

))

(

)

(

(

)

(

 

)

 

)

 

(

)

 

(

)

(

 

)

 

(

 

(

)

(

))

Chamando

de ― ‖ (para minimizar a extensão),tem-se:

72

(

)

e

(

(

)

)

O que temos acima nada mais é do que uma ―fórmula‖ para

se encontrar

de isolação de variáveis. E se estiveres acreditando que está extenso, está enganado, mais extenso irá ficar quando

que representam Recomenda-se então,

nomear text1 como a, text2 como b e assim sucessivamente e se

preferir, para facilitar, text13 como x, text14 como y e text15 como z. Programando tem-se:

agregarmos cdbl e .text a cada a, b, c respectivamente text1, text2, text3

, que nasceu do escalonamento análogo seguido

Private Sub Command1_Click() z.text=(-(-cdbl(i.text)/cdbl (a.text)*cdbl(b.text)+cdbl(j.text ))/(-cdbl(e.text)/cdbl(a.text) *cdbl(b.text)+cdbl(f.text))*(-c dbl(e.text)/cdbl(a.text)*cdbl(d.text)+cdbl(h.text))+(-cdbl(i.t ext)/cdbl(a.text)*cdbl(d.text)+cdbl(l.text)))/(-(-cdbl(i.text) /cdbl(a.text)*cdbl(b.text) +cdbl(j.text))/(-cdbl(e.text)/cdbl( a.text)*cdbl(b.text)+cdbl(f.text))*(-cdbl(e.text)/cdbl(a.text) *cdbl(c.text)+ cdbl(g.text))+(-cdbl(i.text)/cdbl(a.text)*cdbl (c.text)+cdbl(k.text)))

y.text=(-cdbl(e.text)/cdbl(a.text) *cdbl(d.text)+cdbl(h.text)-

(c.text)+cdbl(g.text))*cdbl(

(-cdbl(e.text)/cdbl(a.text)*cdbl

z.text))/(cdbl(e.text)/cdbl(a.text)*cdbl(b.text)+cdbl(f.text))

73

x.text=(cdbl(d.text)

cdbl(y.text))/cdbl(a.text) End Sub

-cdbl(c.text)*cdbl(z.text)-cdbl(b.text)*

Entre o ―Private Sub Command1_Click()‖ e o ―End Sub‖ está condicionado que o software recorra à estes cálculos análogos,

e ao clicar em start, o programa criado (figura 04) será capaz

de informar a solução x,y,z do sistema em apenas um clique em

―Solucionar‖

x,y,z do sistema em apenas um clique em ―Solucionar‖ Figura 04 – executável pronto Perceba que

Figura 04 executável pronto

Perceba que na figura acima a solução do sistema inserido

é x=2, y=1 e z=1, o que verifica correta solução, todavia após esta programação, ainda é preciso corrigir os erros que certamente irão aparecer, bem como:

Imagine que este sistema não tenha soluções reais ou que este tenha infinitas soluções. Nessas condições o programa acaba travando por não poder realizar todos os cálculos,

empacando em situações como . Recorre-se então a condicional ―if‖ (―se‖ em português), ou seja, antes dos comandos z.text, y.text e x.text, e logo após de Private Sub Command1_Click()‖ deve se colocar uma sentença que perceba situações de indeterminação.

74

Veja bem, sabe-se que se um sistema linear possuir ao menos duas equações proporcionais este possui infinitas soluções. Esta proporção pode ser interpretada pela igualdade do produto dos meios com o produto dos extremos. Veja que sendo

{

um sistema linear com duas linhas proporcionais então há a possibilidade de:

1ª e 2ª linhas proporcionais;

1ª e 3ª linhas proporcionais;

2ª e 3ª linhas proporcionais.

Logo deve-se primeiro informar a condicional:

If CDbl(a.Text) * CDbl(f.Text) = CDbl(b.Text) * CDbl(e.Text) And CDbl(b.Text) * CDbl(g.Text) = CDbl(c.Text) * CDbl(f.Text) And CDbl(c.Text) * CDbl(h.Text) = CDbl(d.Text) * CDbl(g.Text) Then MsgBox "O sistema linear inserido possui infinitas soluções!", vbExclamation Exit Sub

End If If CDbl(a.Text) * CDbl(j.Text) = CDbl(b.Text) * CDbl(i.Text) And CDbl(b.Text) * CDbl(k.Text) = CDbl(c.Text) *

75

CDbl(j.Text) And CDbl(c.Text) * CDbl(l.Text) = CDbl(d.Text) * CDbl(k.Text) Then MsgBox "O sistema linear inserido possui infinitas soluções!", vbExclamation Exit Sub End If If CDbl(e.Text) * CDbl(j.Text) = CDbl(f.Text) * CDbl(i.Text) And CDbl(f.Text) * CDbl(k.Text) = CDbl(g.Text) * CDbl(j.Text) And CDbl(g.Text) * CDbl(l.Text) = CDbl(h.Text) * CDbl(k.Text) Then MsgBox "O sistema linear inserido possui infinitas soluções!", vbExclamation Exit Sub End If

Desta forma, uma mensagem será enviada dizendo que O sistema linear inserido possui infinitas soluções. (figura 05)

Figura 05 – mensagem enviada
Figura 05 – mensagem enviada

Haverá outros erros sem via de dúvidas, mas estes podem

ser todos solucionados como no exemplo anterior. Como se pode notar está escrito Maturca Soft 1.0 na imagem acima, este é o nome do software criado pelo acadêmico

as

que

soluções de sistemas lineares de 2, 3, 4, 5 e 6 equações e

ser

variáveis, além

redige estas

palavras. Maturca Soft

1.0 calcula

e

pode

de cálculos

com matrizes,

76

solicitado gratuitamente em marcelotrindade@urcamp.edu.br, uma vez foi criado sem fins lucrativos caracterizando-se um software-livre. As resoluções ―na ponta do lápis‖ de sistemas lineares assim como matrizes, são extremamente vulneráveis a erros, e quanto maiores são mais plausíveis ainda. Todavia a ideia de se criar um software que calcule este tipo de solução não está tão somente condicionado a encontrar as respostas, mas sim mostrar genericamente o processo, pois se acredita sem sombras de dúvidas que basta o fiel entendimento geral de um método que solucione algo, para não se esquecer mais, e aí então partir para a programação. Fica como sugestão o manuseio dessas ferramentas, sejam softwares prontos, elaborados, internet, calculadoras etc. Estas são ferramentas que quando bem utilizadas nos fornecem algo a mais do que simplesmente aceitar conceitos matemáticos e reproduzi-los, nos fazem entender, e entendendo poder criar.

77

Emails trocados com Richard Parris Professor que criou o software Winplot

Marcelo Trindade 31 de maio de 2010 14:47

Hello Mr Richard Parris, my name is Marcelo and I am a student

of mathematics in Brazil.

Two years ago I began studying the Winplot. with him since

then,

I am so grateful, because you have created the software

Winplot with him I have learned a lot about many concepts

math.

No doubt the Winplot will be part of my career and was part of

my degree in mathematics. Thanks to your software I developed a lecture on parametric equations, and with it I've been to

several

I send

variable ―a‖) I'm working to create this model of the solar system with differential equations, in order to better simulate the laws

of gravitational attraction.

Thank you Very Much! Sorry my English, I don't speak very well.

courses. (animate the

I

participate in a research

project at

university.

universities

attached

for

minister

creations.

you

some

of

my

Richard Parris 5 de junho de 2010 20:22

Marcelo: Thank you for the solar-system model.

It is very interesting!

I am glad to hear that winplot is helping you That makes it all worthwhile for me!

Marcelo Trindade 7 de junho de 2010 11:09

Hi Mr. Parris

Thanks for answering my email.

In the lectures that I do about parametric equations and solar

system, I always end with this animated model, and the 13th symphony of Mozart. Try listening to the symphony while you see the animation.(at the same time) This is simply fantastic! The password for to see the equations is: "aspire"

Richard Parris 8 de junho de 2010 12:56

Very nice!

I am going to show my colleagues this presentation.

The astronomy teacher will be happy to see (and hear) it.

Thank you.

78

Marcelo Trindade 10 de junho de 2010 09:17

Mr. Richard, I wonder how you did Winplot, what platform it was created, and how long to get ready its first version.

I am sending you more my creations with Winplot.

I did

equations (reals and imaginary too) using Microsoft Visual Basic. I send you if you to want to see.

of linear

a

Simple

software that solves systems

Richard Parris 15 de junho de 2010 12:53

Marcelo: I started writing Winplot in Pascal back in 1984.

It was an MS-DOS program at first.

Then Windows came along and I made the transition.

It became necessary to change my language to C++ shortly after

that, and that is what I use now. Thank you for the additional examples.

I makes me feel good to see the creativity of math teachers

who use my programs. That is worth more than money!

I am interested in your linear-equation program, but I do not have VB.

Marcelo Trindade 23 de junho de 2010 20:39

Helo Mr. Richard I'm sending you a demonstration copy, because I'm still working on programming of MaturcaSoft 1.0 click in here for download the Maturca demonstration.

I accept suggestions

Richard Parris 26 de junho de 2010 09:04

Marcelo:

I tried your program.

Some things you are probably still working on:

1. The "Sist. Imag" buttons do not open windows.

2. The "Calculadora" button does not yet work.

3. The "Sistema Reais" buttons 5 and 6 do not open windows.

4. In the "Interpolaçao" windows, you could use X0 instead of

Xo, to be consistent with X1, X2, etc.

The rest of the program produces good, easy-to-read results. Keep up the good work!

Rick