Você está na página 1de 44

FICHA TÉCNICA

Título
Estratégia Nacional do Preservativo

Editor
Conselho Nacional de Combate ao SIDA

Autor
Conselho Nacional de Combate ao SIDA

Endereço
Avenida 25 de Setembro, nº 1008, 8º andar
Cidade de Maputo
Telefones: +258 823001102, +258 843890558
https://www.cncs.gov.mz

Edição
1ª edição, Setembro de 2020

Tiragem
1000 exemplares
Conselho Nacional de Combate ao SIDA 2019

ÍNDICE
SIGLAS E ABREVIATURAS .....................................................................................................1

AGRADECIMENTOS ......................................................................................................................3

SUMÁRIO EXECUTIVO.................................................................................................................5

ANÁLISE SITUACIONAL ............................................................................................................9


Porque o preservativo é importante para a saúde pública em
Moçambique? ......................................................................................................................................9
Porque é necessária uma nova estratégia nacional do
preservativo? .........................................................................................................................................11
O que trava o aumento no uso do preservativo? .........................................16
Desafios na gestão e supervisão do programa ......................................16
Desafios na geração de demanda .......................................................................17
Desafios para se garantir a disponibilidade do preservativo....18

METAS ESTRATÉGICAS E QUADRO DE REFERÊNCIA ...............................23


O que será o sucesso nos próximos cinco anos? .........................................23
Como chegaremos lá? ................................................................................................................26
Prioridade Estratégica 1: Reforçar a gestão e supervisão do
programa (“program stewardship”) ..........................................................................28
Prioridade Estratégica 2: Aumentar a criação de demanda com
base em evidências para grupos prioritários .........................................31
Prioridade Estratégica 3: Reforçar a disponibilidade do
preservativo para além dos pontos de distribuição .............................33

QUANTIFICAÇÃO...........................................................................................................................37
Quantos preservativos serão necessários?.............................................................37

FINANCIAMENTO ..........................................................................................................................39
Como vamos pagar isso? .........................................................................................................39

6 Estratégia Nacional do Preservativo


2019 Conselho Nacional de Combate ao SIDA

SIGLAS E ABREVIATURAS

ACM Armazém Central de Medicamentos


APE Agente Polivalente Elementar
ARM Armazém Regional de Medicamentos
ATM Abordagem Total do Mercado
CDCS Conselho Distrital de Combate ao SIDA
CMAM Central de Medicamentos e Artigos Médicos
CMVM Circuncisão Médica Voluntária Masculina
CNCS Conselho Nacional de Combate ao SIDA
CPCS Conselho Provincial de Combate ao SIDA
DDM Depósito Distrital de Medicamentos
DPM Depósito Provincial de Medicamentos
DPS Direcção Provincial da Saúde
FNUAP Fundo das Nações Unidas para a População
GFATM Fundo Global para combate ao SIDA, Tuberculose e
Malária
GTP Grupo Técnico do Preservativo
GTT Grupo Técnico de Trabalho
HIV Vírus de Imunodeficiência Humana
HSH Homem que faz Sexo com Homem
ITS Infecção de Transmissão Sexual
MISAU Ministério da Saúde
MTS Mulheres Trabalhadoras do Sexo
NCNC (Parceiro) Não Conjugal, Não Coabitante
OCB Organização Comunitária de Base
ONG Organização Não-Governamental
ONUSIDA Programa Conjunto das Nações Unidas para o HIV
e SIDA
PEN IV Plano Estratégico Nacional de Resposta ao HIV e
SIDA, 2016-2020
PF Planeamento Familiar
PHIV Programa do HIV
PrEP Profilaxia Pré-Exposição
PVHIV Pessoa Vivendo com o HIV
SIGLUS Sistema de Informação de Gestão Logística de Saúde

Estratégia Nacional do Preservativo 1


Conselho Nacional de Combate ao SIDA 2019

TARV Tratamento Anti-Retroviral


TMA Total Market Approach
USAID Agência dos Estados Unidos da América para o
Desenvolvimento Internacional

2 Estratégia Nacional do Preservativo


2019 Conselho Nacional de Combate ao SIDA

AGRADECIMENTOS

O Secretariado Executivo do Conselho Nacional de


Combate ao SIDA agradece ao Grupo Técnico do
Preservativo pela sua contribuição técnica, supervisão
e experiência que foram benéficas para o processo
de desenvolvimento e revisão da Estratégia Nacional
do Preservativo.

O Conselho Nacional de Combate ao SIDA


reconhece que esta estratégia é resultado de um
esforço constante de muitas pessoas singulares,
organizações e instituições, com especial destaque
para os parceiros de implementação que contribuíram
e forneceram dados e informações necessários para
o desenvolvimento deste documento.

O CNCS aprecia também o envolvimento, serviços


prestados, liderança técnica geral e orientação
dos consultores envolvidos no desenvolvimento e
finalização da estratégia.

Igualmente, reconhece os apoios técnico e financeiro


do Programa Conjunto das Nações Unidas para o HIV
e SIDA (ONUSIDA) e do Fundo das Nações Unidas
para a População (FNUAP). Este envolvimento mostra
que o compromisso dos parceiros de desenvolvimento
em acelerar a redução de novas infecções pelo HIV
em Moçambique é uma realidade.

Estratégia Nacional do Preservativo 3


2019 Conselho Nacional de Combate ao SIDA

SUMÁRIO EXECUTIVO

Há necessidade urgente de se aumentar o uso do


preservativo em Moçambique. Embora a estimativa
de incidência do HIV tenha baixado nos últimos
anos, o número de novas infecções por HIV continua
elevado, com cerca de 130 mil novas infecções
em adultos com 15+ anos por ano. O tratamento
anti-retroviral (TARV) continua a ser expandido, no
entanto, a maioria do número crescente de pessoas
vivendo com o HIV (PVHIV) continua a ser infecciosa.


A cobertura de outros métodos de prevenção
continua baixa, particularmente para a profilaxia
pré-exposição (PrEP).

O uso correcto e consistente do preservativo
necessidade
(masculino e feminino) previne a infecção por HIV,
urgente de evitando também outras infecções de transmissão
se aumentar sexual (ITS) e dando resposta à necessidade não
o uso do satisfeita de contracepção. No entanto, apesar

Moçambique

preservativo
em
do crescimento nas duas últimas décadas, o uso
do preservativo continua a ser muito baixo em
Moçambique. Em algumas populações prioritárias, as
taxas de uso estão 30% abaixo dos países vizinhos e
muito longe da meta internacionalmente reconhecida
de 90%.

Embora Moçambique tenha feito progressos,


assegurando o fornecimento adequado do
preservativo, os recursos internos e externos têm
estado a ser focalizados cada vez mais no tratamento
e nos novos métodos de prevenção, o que reduz
o financiamento disponível para actividades de
geração de demanda destinadas a ultrapassar as
barreiras comportamentais para o uso do preservativo.
Há também pouco financiamento disponível para
recolher, analisar e disseminar pesquisas e análises

Estratégia Nacional do Preservativo 5


Conselho Nacional de Combate ao SIDA 2019

vitais para se identificar lacunas na programação


do preservativo, bem como informar as intervenções
necessárias.

Neste contexto, é necessária uma nova estratégia


nacional do preservativo para revitalizar a
programação do preservativo neste ambiente cada
vez mais complexo e com recursos escassos.

A nova estratégia procurará aumentar de maneira


substancial o uso do preservativo através de três
prioridades estratégicas:

1. Reforçar a gestão e supervisão (“stewardship”)


do programa por forma a focalizar-se em
actividades prioritárias e de valor acrescentado,
que irão melhorar a coordenação, aumentar o
financiamento para a geração de demanda e
fornecer dados para informar o programa.
“A estratégia
adopta a
Abordagem
Total do
Mercado
2. Aumentar a demanda do preservativo, (ATM), em
alargando a cobertura das intervenções de inglês -
mudança de comportamento, seja através de
novos financiamentos ou através da integração
nas actividades em curso das organizações
comunitárias de base (OCB) que já trabalham
com populações prioritárias.
Total Market
Approach
(TMA)

3. Melhorar a disponibilidade do preservativo,
reforçando e alargando as cadeias de
abastecimento, através de parcerias com
organizações da sociedade civil e de marketing
social para se alcançar um acesso universal ao
preservativo.

A gestão e supervisão do programa (“program


stewardship“) é a primeira estratégia prioritária, uma
vez que as componentes da gestão e supervisão

6 Estratégia Nacional do Preservativo


2019 Conselho Nacional de Combate ao SIDA

melhor liderança e coordenação, melhores análises


do programa (recolha e disseminação de dados
para a concepção, monitoria e avaliação) e uma
mobilização de fundos coordenada – são os pré-
requisitos para intervenções eficazes do lado da
demanda e da disponibilização do preservativo.

A estratégia adopta a Abordagem Total do Mercado


(ATM) - em inglês, Total Market Approach (TMA)
- ao considerar os papéis complementares dos
sectores público (gratuito), das organizações não-
governamentais (ONG) (marketing social, subsidiado)
e comercial, na satisfação da necessidade em termos
do preservativo. Dado o contexto concorrente do
país, esta estratégia focaliza-se no reforço do sector
público e na criação de ligações com o sistema de
saúde, pois as populações prioritárias continuarão a
depender muito do preservativo gratuito num futuro
próximo.

Esta estratégia foi desenvolvida pelo Governo em


estreita ligação com os actores principais da resposta
da sociedade civil, com base em entrevistas e
rascunhos desenvolvidos no início de 2019, trabalho
que culminou com uma reunião de dois dias do Grupo
Técnico do Preservativo (GTP), com participantes
adicionais de ONG para se identificarem as barreiras
ao progresso e priorizar respostas.

Este documento inclui a análise situacional alargada


bem como a estimativa das necessidades detalhadas
no que diz respeito ao preservativo, apresentadas,
analisadas e discutidas nessa reunião.

Estratégia Nacional do Preservativo 7


2019 Conselho Nacional de Combate ao SIDA

ANÁLISE SITUACIONAL

Porque o preservativo é importante


para a saúde pública em Moçambique?

O preservativo desempenha um papel fundamental


na saúde pública em Moçambique, na prevenção
de doenças e na resposta às necessidades não
satisfeitas de planeamento familiar. De acordo com
dados disponíveis:

• Quase todas as 130.000 novas infecções pelo


HIV estimadas em adultos (15 + anos) em 2018
em Moçambique foram transmitidas sexualmente
(Figura 1). O uso correcto e consistente do
preservativo previne estas infecções1.

• Tendo em conta os baixos níveis de supressão


viral alcançados pelos programas de tratamento,
a grande maioria das pessoas vivendo com HIV
(PVHIV) pode transmitir o HIV através de relações
sexuais.2

• O número de pessoas que pode infectar outras


está a aumentar (houve mais novas infecções pelo
HIV do que o aumento no número de pessoas
em tratamento em Moçambique, em 2017).3

• A profilaxia pré-exposição (PrEP) para reduzir


novas infecções tem uma cobertura muito
limitada em Moçambique e levará anos para ser
expandida.

1. Distribuição da incidência de infecções por HIV na população de 15 a 49 anos em


Moçambique por modo de transmissão, 2013
2. Memo informativo para FY 2019: Alocação prevista para o PEPFAR www.pepfar.gov/
documents/organization/289822.pdf
3. Ibid

Estratégia Nacional do Preservativo 9


Conselho Nacional de Combate ao SIDA 2019

• Outras Infecção de Transmissão Sexual (ITS)


são um problema de saúde substancial em
Moçambique, reduzindo a produtividade e
pressionando os recursos da saúde pública.

• O preservativo é o método de planeamento


familiar (PF) mais usado pelas mulheres não
casadas e é uma parte importante da mistura
de métodos (method mix) para reduzir as
necessidades não satisfeitas de contracepção.4
Número População com
% novas População População Taxa de
Nacional novas comportamento
infecçóes HIV + a risco incidência
infecçóes de risco
Relações heterossexuais 28,307 25.6 4,046,469 456,375 3,590,094 0.8
estáveis
Parceiros de pessoas que tem
23,363 21.2 1,663,851 213,930 1,449,921 1.6
múltiplas parcerias
Pessoas com múltiplas
parcerias 24,919 22.6 2,768,112 398,541 2,369,571 1.1

Parcerias de HSH 37 0.0 6,008 755 5,253 0.7

HSH 370 0.3 81,702 6,087 75,615 0.5

Parceiras de clientes de MTS 2,068 1.9 134,057 13,171 120,886 1.7

Clientes de MTS 20,359 18.4 767,101 105,484 661,616 3.1

MTS 10,921 9.9 188,758 43,095 145,663 7.5

Total 110,399 100.0 11,209,208 1,379,168 9,830,039 1.1

Figura 1. Distribuição da população e da incidência por modo de


transmissão (2013 (2013)5

4. IMASIDA (2015)
5. Distribuição da incidência de infecções por HIV na população de 15 a 49 anos em
Moçambique por modo de transmissão, 2013

10 Estratégia Nacional do Preservativo


2019 Conselho Nacional de Combate ao SIDA

Porque é necessária uma estratégia


nacional do preservativo?

Uma estratégia nacional permitirá que o país aumente


as taxas de uso do preservativo, num ambiente cada
vez mais complexo, com recursos em declínio para a
programação do preservativo.

• Apesar dos esforços anteriores, o uso do


preservativo em Moçambique continua sendo o
mais baixo na África Oriental e Austral, estando

“ Uma
estratégia
nacional •
permitirá
muito abaixo da meta global de 90% (uso do
preservativo por homens com parceiras não
conjugais e não coabitantes). Em 2015, foi de
46%, enquanto no Zimbabwe se situava em 85%
(Figura 2).
O uso do preservativo é especialmente baixo
em situações de sexo pago, onde a taxa de
incidência do HIV é a mais elevada (apenas 31%
que o país
dos homens reportou ter usado o preservativo na
aumente
última relação sexual paga). Aproximadamente


as taxas
de uso do
preservativo

30% das novas infecções ocorrem em mulheres
trabalhadoras do sexo (MTS) e seus clientes
(Figura 3).
Embora Moçambique tenha alcançado ganhos
substanciais no uso do preservativo entre 1995 e
2005, a taxa de crescimento diminuiu entre 2005
e 2015, parecendo nivelar-se em taxas baixas
em alguns grupos prioritários, por exemplo, nos
jovens de sexo masculino que se envolvem em
sexo pré-marital (Figuras 4 e 5).
• A diferença no uso do preservativo aumentou
entre os que estão no quintil de riqueza mais
alto e os que estão no quintil mais baixo, bem
como entre populações urbanas e rurais (Figuras
6 e 7), o que indica lacunas de equidade
persistentes.

Estratégia Nacional do Preservativo 11


Conselho Nacional de Combate ao SIDA 2019

• Há disparidades significativas no uso do


preservativo entre as províncias, por exemplo, a
província de Maputo apresenta 48% de uso do
preservativo nos homens jovens com parceiras
não regulares e a província de Nampula 7%,
indicando isto uma oportunidade de dirigir
recursos para as áreas de maior necessidade.
• Uma maior consciencialização sobre o tratamento
do HIV e a circuncisão masculina acrescentaram
complexidade ao ambiente de programação e
provavelmente contribuíram para uma redução
da motivação para o uso do preservativo.
• A tendência geral em relação à medicalização
da resposta ao HIV reduziu os financiamentos
para as actividades de prevenção que incluem o
preservativo em cerca de 50%, entre 2014 e 2016.

Uma estratégia nacional do preservativo irá permitir


a Moçambique fazer mais com os recursos existentes
e apoiar a mobilização de fundos para actividades
priorizadas de modo a que se abordem os desafios
que travam o crescimento nas taxas de uso do
preservativo.

12 Estratégia Nacional do Preservativo


2019 Conselho Nacional de Combate ao SIDA

Figura 2
Uso do Preservativo em Moçambique no Contexto
da Região
Uso de preservativo na última relação Tendência Crescimento
sexual com parceiro NMNC (homens) (1999-2016) médio anual

Zimbabwe 85% 1.0%


Namibia 79% 0.9%
Malawi 76% 2.3%
Kenya 75% 2.7%
Burkina Faso 74% 0.7%
Cameroon 73% 2.7%
Rwanda 65% 0.9%
Uganda 62% 0.2%
Cote cote d'Ivoire 62% 1.5%
Tanzania 58% 1.3%
Nigeria 58% 1.1%
Zambia 56% 0.9%
Mozambique 46% 1.1%

Fonte: “Challenges and recommendations for reaching ‘Fast Track’ targets for condom use”,
Mann Global Health, 2018 https://mannglobalhealth.com/what-we-do/reports/

Figura 3
Uso do Preservativo em Moçambique no Contexto
Nacional

14.2% 26.6% 37.2%

85.8% 73.4% 62.8%

Maputo Beira Nampula


Não usou preservativo Usou preservativo
Fonte: IBBS 2012

Estratégia Nacional do Preservativo 13


Conselho Nacional de Combate ao SIDA 2019

Figura 4
Tendência do uso do preservativo por
comportamento sexual (homens)
90%

60%

30%

0%
2003 2009 2011 2015

Última relação sexual com parceiro NMNC (15-49)


Última relação sexual de pessoas com múltiplos parceiros (15-49)
Última relação sexual antes do casamento (15-24)
Fontes: IDS (2011), INSIDA (2015) e IMASIDA (2019)

Figura 5
Tendência do uso do preservativo por
comportamento sexual (homens)
90%

60%

30%

0%
2003 2009 2011 2015

Última relação sexual com parceiro NMNC (15-49)


Última relação sexual de pessoas com múltiplos parceiros (15-49)
Última relação sexual antes do casamento (15-24)
Fontes: IDS (2011), INSIDA (2015) e IMASIDA (2019)

14 Estratégia Nacional do Preservativo


2019 Conselho Nacional de Combate ao SIDA

Figura 6
Uso do preservativo com parceiro não conjugal,
não coabitante, por zona de residência (homens)
90%

60%

30%

0%
2003 2009 2011 2015

Urbano Rural
Fontes: IDS (2011), INSIDA (2015) e IMASIDA (2019)

Figura 7
Uso do preservativo com parceiro não conjugal,
não coabitante, por zona de residência (mulheres)
90%

60%

30%

0%
2003 2009 2011 2015

Urbano Rural

Fontes: IDS (2011), INSIDA (2015) e IMASIDA (2019)

Estratégia Nacional do Preservativo 15


Conselho Nacional de Combate ao SIDA 2019

O que trava o aumento no uso do


preservativo?

A baixa taxa de crescimento no uso do preservativo


pode ser atribuída à necessidade de se reforçar a
gestão e supervisão do programa do preservativo,
a uma geração insuficiente de demanda para o

“ A baixa
taxa de
crescimento
no uso do
preservativo e à necessidade de se assegurar que
a disponibilidade do preservativo chegue aos que
mais necessitam dele.

Desafios na gestão e supervisão do


programa

preservativo • Os grupos técnicos de trabalho (GTT) do


pode ser preservativo, da prevenção do HIV e das
atribuída à populações-chave não estão a gerar o nível
necessário de energias, ou a proporcionar a
necessidade coordenação de valor acrescentado necessária
de se para revigorar a programação do preservativo
reforçar a numa ampla gama de entidades e organizações
gestão e que apoiam e implementam diversas componentes
supervisão do programa.
• A ausência de um plano de pesquisa, monitoria


do programa
do
preservativo
e avaliação abrangente e implementado resulta
na falta de dados (análises de programa) para
informar a programação do preservativo. De
entre as lacunas podem mencionar-se: a falta
de dados actualizados sobre mudanças no uso
do preservativo (os dados nacionais datam de
há cinco anos e não existem dados provinciais
recentes); conhecimento reduzido sobre os
factores que influenciam o uso do preservativo,
tais como motivação, disponibilidade percebida
e apoio social; falta de dados sobre a
acessibilidade do preservativo para os grupos

16 Estratégia Nacional do Preservativo


2019 Conselho Nacional de Combate ao SIDA

prioritários; mapeamento limitado da cobertura


e intensidade das actividades de criação de
demanda e; rastreamento limitado abordagem
total de mercado que apoia uma compreensão
de todo o mercado, incluindo dados limitados
sobre as vendas do preservativo pelo sector
privado e o seu valor do mercado.

• A ausência de uma abordagem coordenada


para a mobilização de recursos (para além
do procurement de preservativos, que tem
sido eficaz) resulta em oportunidades perdidas
de incluir a programação do preservativo
nas solicitações de financiamento. Isto está a
acontecer dentro de um contexto no qual os
doadores estão já a reduzir o financiamento aos
programas para o preservativo (ou prevenção,
de maneira mais geral, porque a resposta ao
HIV tem sido maioritariamente focalizada no
tratamento).
• A ausência de uma coordenação e partilha
intencional de informação resulta em
oportunidades perdidas de se integrar a
programação do preservativo em outras áreas
da resposta ao HIV.
• A compreensão limitada da ATM limita as
sinergias entre os sectores.

Desafios na geração de demanda

• Embora haja poucos dados sobre a cobertura


do programa, existe um consenso de que o
financiamento para a criação de demanda é
substancialmente menor (quando comparado
com o início dos anos 2000), resultando numa
menor exposição das populações de risco a
intervenções de mudança de comportamento.

Estratégia Nacional do Preservativo 17


Conselho Nacional de Combate ao SIDA 2019

O conhecimento abrangente baixo sobre o


HIV é uma indicação do impacto negativo da
diminuição acima referida.
• Existe pouca pesquisa recente para informar
uma abordagem centrada no indivíduo para se
superar as barreiras ao uso do preservativo que
os indivíduos enfrentam.
• Os programas de marketing social - que jogavam
um grande papel na mudança de comportamento
- têm um financiamento extremamente limitado
para a comunicação que gera demanda.
• Embora muitos programas de mudança de
comportamento que incluem o preservativo (tais
como o programa DREAMS, financiado pelo
Plano de Emergência do Presidente dos Estados
Unidos da América para o Alívio do SIDA -
PEPFAR) focalizem áreas de alta incidência,
não está muito clara a profundidade com que
integram as mensagens sobre o preservativo
ou a adequação das mensagens e canais de
comunicação específicos aos contextos locais (a
nível dos distritos).

Desafios para se garantir a


disponibilidade do preservativo

• Não há dados recentes sobre as percepções dos


consumidores relativamente à disponibilidade do
preservativo, para se identificar onde e até que
ponto a disponibilidade constitui uma barreira
para o uso.
• Foram feitos progressos no aumento da
disponibilidade do preservativo por parte do
sector público até ao nível da unidade sanitária
(com maior visibilidade das rupturas de stock
através do Sistema de Informação e Gestão de
Logística da Saúde - SIGLUS), no entanto, pouco

18 Estratégia Nacional do Preservativo


2019 Conselho Nacional de Combate ao SIDA

se sabe sobre a eficácia das várias abordagens


de distribuição alargada para além das
unidades sanitárias e dos Conselhos Provinciais
de Combate ao SIDA (CPCS).
• O transporte do preservativo dentro do sistema de
saúde continua a ser um desafio, especialmente
nos níveis mais baixos da cadeia de distribuição
(das Direcções Provinciais da Saúde - DPS),
havendo registo de rupturas de stock em
aproximadamente 25% das unidades sanitárias
em determinada altura. Para tal contribui o facto
de os recursos serem frequentemente focalizados
para o transporte de medicamentos essenciais.
• Existem mecanismos para conectar as
organizações não-governamentais (ONG) e as
OCB ao sector público, em parceria com as DPS
e os CPCS, para implementar uma distribuição
ao nível das comunidades, no entanto, há
evidências pontuais de ineficiências e nós
de estrangulamento dentro do sistema, o que
pode resultar em volumes inferiores que passam
através deste importante canal.
• Embora haja poucos dados formais sobre a
disponibilidade do preservativo no sector
privado, a existência de marketing social sobre
marcas provavelmente diminuiu fora das áreas
urbanas e peri-urbanas devido à redução de
financiamento.
• As marcas comerciais vendem a preços
significativamente mais altos do que as marcas
de marketing social (muitas das quais estão
a atingir preços de custo-recuperação), o que
sugere um interesse limitado no alargamento
para além de pontos de venda urbanos
sofisticados.
• Há uma exploração limitada de parcerias
criativas para alargar o acesso ao preservativo
através de canais inovadores (isto é, para além

Estratégia Nacional do Preservativo 19


Conselho Nacional de Combate ao SIDA 2019

dos pontos de distribuição de bens para os


consumidores e o sistema de saúde).
• As preferências dos consumidores por
diferentes tipos de preservativos (aromas e
outras características) não são bem conhecidas
e há evidência pontual de insatisfação dos
utilizadores em relação à qualidade do
preservativo disponibilizado pelo sector público.
• Foram feitos progressos para se assegurar
que o número de preservativos no país é
suficiente para satisfazer a demanda existente,
mas a coordenação sobre a quantificação
e financiamento de necessidades em termos
de preservativos tem que ser estreitamente
monitorada para garantir que sejam adquiridas
as quantidades certas (as previsões actuais
provavelmente sobrestimam as necessidades
futuras).

20 Estratégia Nacional do Preservativo


2019

Estrutura do Mercado em Moçambique (2018)


Quem paga Importação Canais de distribuição Consumidores
Principais
Figura 8

Depósito Provincial
Rural
Armazém Depósito Provincial
Central Depósito Provincial
Depósito Unidades San.
UNFPA Populações
Distrital (~1,600)
61.6 milhões Depósito Provincial Chave (PC)
(147) APE
$1.5 milhões Sector Depósito Provincial ~60 milhões
Público
Armazém

Estratégia Nacional do Preservativo


Depósito Provincial
(CMAM)
Central
92 milhões Depósito Provincial Rural
USAID
através de Depósito Provincial Hospitais PC
PSM Depósito Provincial
(chemonics) CDCS

Garantia de qualidade
Armazém CPCS (11) Jovens
45.1 milhões Depósito Provincial ONG
Central -> (147)
$1.0 milhão Depósito Provincial OCB

Financiamento e apoio técnico


29 milhões

Outros Marketing Social Urbano


Kama Sutra ~500K Barracas incluindo PC &
Doadores PSI 13 milhões Jeito Durex Bars jovens
Playboy
Marketing Social Distribuidores & Grossistas Bombas Gas.
Receitas da Control
vendas DKT 4 milhões Prudence Dr. Long Supermercados Urbano, mais rico,
Estrutura do Mercado em Moçambique

(consumidores) Sector Comercial Fiesta Rocky ~500K PC & jovens


1.2 milhões Farmácias
GFAM (X0,000)
70 m for 2019/20

Público (Grátis) Marketing Social (Subsidiado) Comercial


Conselho Nacional de Combate ao SIDA

21
2019 Conselho Nacional de Combate ao SIDA

METAS ESTRATÉGICAS E QUADRO


DE REFERÊNCIA

O que será o sucesso nos próximos


cinco anos?

A meta da Estratégia Nacional do Preservativo é


aumentar o uso do preservativo, especialmente
entre populações prioritárias que representam os

“ A meta da
estratégia
nacional do
preservativo
números mais altos de novas infecções pelo HIV.
Especificamente pretende-se:

1.

2.
Aumentar em 15% o uso do preservativo pelos
homens na última relação sexual com um
parceiro não conjugal e não coabitante (46%
em 2015 IMASIDA);
Aumentar em 15% o uso do preservativo pelos
é aumentar jovens do sexo masculino (15-24 anos) que se
o uso do envolvem em sexo pré-marital (47% em 2015);
preservativo, 3. Aumentar em 25% o uso do preservativo pelos
especialmente homens que têm parceiras múltiplas (24% em


entre
populações
prioritárias
4.

5.
2015);
Aumentar em 20% o uso do preservativo pelos
homens na sua última relação sexual paga (31%
em 2015);
Aumentar para 85% o uso do preservativo pelas
MTS com o seu último cliente (nenhuns dados
de referência disponíveis; presume-se que
esteja em torno de 75%, com base no inquérito
biológico e comportamental integrado - em
inglês, integrated biological and behavioural
survey (IBBS) de 2013).

Este aumento representa aproximadamente o triplo


da taxa de crescimento no uso do preservativo por
estas populações prioritárias ao longo da última

Estratégia Nacional do Preservativo 23


Conselho Nacional de Combate ao SIDA 2019

década, em relação às quais existem dados (2005-


2015). Dada a falta de dados recentes sobre o uso
do preservativo, as metas deverão ser reavaliadas
depois da publicação do INSIDA 2020. A
abordagem estratégica reconhece que o alcance
das metas globais de 90% no uso do preservativo
continua a ser uma aspiração de longo prazo para
Moçambique, porque, por um lado, a mudança de
comportamento requer um esforço redobrado; por
outro, a programação do preservativo irá operar num
contexto em que é provável que o enfoque (e os
recursos) da resposta ao HIV continuem focalizados
no tratamento.

Uma implementação de sucesso desta estratégia


levará também aos seguintes resultados intermédios:

1. Aumento do conhecimento abrangente sobre a


prevenção do HIV e da motivação, auto-eficácia,
percepção do risco e habilidades para o uso
do preservativo dentro dos grupos prioritários
(para tal deverão ser estabelecidos indicadores
específicos e metas, quando existir uma base de
referência).
2. 90% das pessoas sexualmente activas reportando
disponibilidade do preservativo, tanto do sector
público, como do sector comercial ou das ONG.

Consulte o Quadro de Resultados na Figura 9 para


ver um resumo dos resultados.

24 Estratégia Nacional do Preservativo


2019

Estratégia Nacional do Preservativo: Quadro de resultados

Redução de novas infecções Redução da incidência de ITS Redução da gravidez indesejada


Figura 9

Impacto
Impacto

Maior uso preservativo até 2024


Homens com parceiros Jovens 15-24, pré-marital Homens, sexo pago MTS, último cliente
NMNC Aumento de 15% Aumento de 15% Homens, parceiros múltiplos Aumento de 15% Aumento até 85%
aumento de 15%

Aumentar o conhecimento abrangente da prevenção do HIV e a Aumento ate 90% a proporção das pessoas sexualmente

Resultados
Resultados

Estratégia Nacional do Preservativo


motivação, auto-eficácia, percepção de risco, e habilidades activos com acesso ao perservativo através o sector público,
para o uso de preservativo nas populações prioritários marketing social ou sector commercial

Alcance e qualidade de criação da demada Program stewardship fortalecido Melhorado a oferta do preservativo
Cobertura das Abordagens Intervenções Gaps na análise 90% dos Pelo menos $3 Aumento de Redução das OCBs satisfeitos
populações baseadas em mostrando do programa pareiros disponivel para 50% de rupturas de c/ mecanismos
evidências mudanças de preenchimedas satisfeitos c/ criação da preservativos stock no sector de acesso aos
prioritários
financiadas comportamento pela mecanismos demada por $1 importados público preserativos no

Outputs
Outputs

para pops positivas implementação de de procurement para sector sector público


prioritários da estratégia coordenação público
M&A

Objectivo Estrategico #2 Objectivo Estrategico #1 Objectivo Estrategico #3


Aumentar a demanda Fortalecer Program Stewardship Melhorar a oferta
• Assegurar cobetura das MTS e clientes • Desenvolver “propostas de valor” visando • Fortalecer OCB-CNCS-MISAU coll. (todos
• Desenvolver abordagns baseadas em análises, parcerias de distribuição e captação níveis)
evidências para rapazes e populações moveis de recursos • Desenvolver directrizes para segmentação
• Identificar oportunidades para fortalecer • Revisão dos TdRs dos GTs e racionalisar da distribuição dos preservativos grátis

Actividades
Actividades

integração c/ programas TARV • Desenvolver plano de pesquisa e M&A • Revisão intersetorial regular das estimativas
• Desenvolver estratégia para criação da de necessidades de pres. (inclusive por
demada variante)
Conselho Nacional de Combate ao SIDA

25
Conselho Nacional de Combate ao SIDA 2019

Como chegaremos lá?


O crescimento do uso do preservativo será alcançado
através de investimentos estratégicos e focalizados
em três prioridades estratégicas:

1. Reforçar a gestão e supervisão (“stewardship”)


do programa, focalizando actividades de valor
acrescentado que irão melhorar a coordenação,
aumentar o financiamento para a geração de
demanda e fornecer dados para informar o
programa.
2. Aumentar a demanda do preservativo, alargando
a cobertura das intervenções de mudança de
comportamento com novos financiamentos e
através da integração em actividades em curso
de ONG e OCB já a trabalhar com populações
prioritárias.
3. Melhorar a disponibilidade do preservativo,
reforçando e alargando as cadeias de
abastecimento através de parcerias com a
sociedade civil e marketing social para se
alcançar o acesso universal ao preservativo.

As estratégias prioritárias estão detalhadamente


descritas abaixo:

No que diz respeito às populações prioritárias e


áreas geográficas, esta estratégia procura assegurar
que o preservativo esteja disponível para todas
as populações em risco, focalizando ao mesmo
tempo os recursos limitados nas três prioridades
estratégicas relativas às populações prioritárias e
áreas geográficas com maior necessidade (as que
terão provavelmente maior impacto na incidência do
HIV).

Dados os padrões de prevalência e incidência


do HIV, os actuais níveis de uso do preservativo e
o potencial para influenciar comportamentos, o

26 Estratégia Nacional do Preservativo


2019 Conselho Nacional de Combate ao SIDA

consenso do GTP sobre o uso do preservativo foi de


focalizar:

1. Trabalhadoras do sexo e seus clientes devido à


elevada prevalência e incidência e baixo uso
do preservativo.
2. Populações móveis, especialmente camionistas e
mineiros, devido à elevada incidência e altas
taxas de parcerias múltiplas e concomitantes.
3. Jovens do sexo masculino que se envolvem em
sexo pré-marital como uma oportunidade para
estabelecer normas numa idade mais jovem e
num grupo em que o uso do preservativo parece
ter estagnado; enfoque nos homens porque
as normas culturais dão-lhes maior poder de
decisão.
4. Homens, em geral, porque mesmo sendo uma
população ampla, o GTP tem a percepção de
que a dinâmica do poder de tomada de decisão
requer um enfoque particular na mudança de
comportamento masculino.

O GTP recomendou que, embora todas as províncias


e regiões devam beneficiar desta estratégia, recursos
adicionais deverão ser focalizados na região Centro,
em particular, na Zambézia, porque a incidência
de HIV é elevada, o uso do preservativo é baixo
e a cobertura dos programas é igualmente baixa,
comparativamente à zona Sul, onde o uso é mais
elevado. A região Centro irá também oferecer uma
oportunidade para se usar pesquisas operacionais
para se aprender a partir de intervenções
focalizadas e bem financiadas que poderão ser
aplicadas a nível nacional. As tendências nos dados
de novas infecções de HIV sugerem também que há
uma necessidade de focalização na província de
Nampula.

Estratégia Nacional do Preservativo 27


Conselho Nacional de Combate ao SIDA 2019

Prioridade Estratégica 1: Reforçar a


gestão e supervisão do programa
(“program stewardship”)

Uma gestão forte caracterizada pela apropriação


pelo Governo, supervisão e prestação de contas é
uma componente essencial de programas nacionais
do preservativo bem sucedidos. Quando a gestão
funciona desde o nível mais alto, ela oferece
uma coordenação e liderança eficazes a todos
os sectores no contexto de ATM, produz dados
valiosos para os actores do mercado, mobiliza
níveis mais altos de financiamento e garante que
as políticas e regulamentos apoiem as metas dos
programas. Também alinha os comportamentos de
todos os actores no mercado do preservativo para
assegurar que todos estão a contribuir para uma
“Uma gestão forte
caracterizada
pela apropriação
pelo Governo,
meta partilhada de trabalho, rumo a uma visão de supervisão e
um mercado abrangente, sustentável e funcional que prestação de
satisfaz equitativamente as necessidades de saúde.
contas é uma
Tal como foi observado na análise situacional, componente
há importantes fraquezas na gestão do programa essencial de
do preservativo em Moçambique. Há uma fraca programas
coordenação e liderança, com o GTP reunindo-se
esporadicamente e muitas vezes ineficientemente, o
que não motiva os actores do mercado a participar.
Além disso, não há uma agenda de análise do
programa e nenhuma abordagem coordenada para
nacionais do
preservativo,
bem-sucedidos

mobilizar fundos para a geração de demanda.

O plano irá abordar estas fraquezas focalizando-se


estrategicamente em algumas actividades de valor
acrescentado que irão melhorar a coordenação,
aumentar o financiamento para a geração de
demanda e oferecer dados para informar os
programas.

28 Estratégia Nacional do Preservativo


2019 Conselho Nacional de Combate ao SIDA

Actividades para abordar as fraquezas identificadas


na análise situacional:

• Envolver assistência técnica para apoiar nas


funções de gestão e supervisão do programa do
preservativo no CNCS, com enfoque na análise
de programas e habilidades de facilitação.
• Desenvolver uma proposta robusta de longo
prazo para a gestão e supervisão do programa
e outra proposta focalizada de curto prazo
relativa à análise do programa, parcerias para
a distribuição e mobilização de fundos. As
propostas aplicar-se-ão aos níveis nacional e
provincial e identificarão informação e serviços
a serem oferecidos aos actores da resposta para
reforçar o impacto do seu trabalho.
• Analisar os Termos de Referência (TdR) para
todos os GTT de HIV com vista a introduzir a
participação e alinhamento com a Estratégia
Nacional do Preservativo e garantir que esses
TdR cubram o reforço das conexões entre
actores na cadeia de distribuição (públicos e
privados) e implementadores de geração de
demanda de modo a maximizar a coordenação
e as oportunidades para o estabelecimento de
sinergias.
• Desenvolver um quadro comum de pesquisa,
monitoria e avaliação que envolva os actores
da resposta na concepção, execução, análise
e disseminação colaborativas de análises
accionáveis de programas. Este quadro
deverá priorizar a recolha de dados para
ultrapassar as lacunas identificadas na análise
situacional, incluindo a recolha de dados
mais atempados sobre mudanças no uso do
preservativo por populações prioritárias (isto é,
mais frequentemente do que intervalos de cinco
anos dos inquéritos populacionais abrangentes,

Estratégia Nacional do Preservativo 29


Conselho Nacional de Combate ao SIDA 2019

tais como o INSIDA e o IMASIDA; os dados


recolhidos a nível provincial podem proporcionar
uma retro-alimentação útil, se forem atempados).
• Desenvolver um painel de indicadores-chave
(tais como a distribuição do preservativo por
província, volumes distribuídos por sector, rupturas
de stock, mudanças no uso do preservativo,
etc.) que ajudem a satisfazer as necessidades
de informação do Governo, implementadores
e doadores para planificação e concepção de
programas.
• Recolher dados do Governo e dos parceiros
para analisar os actuais níveis de financiamento
para intervenções relacionadas com mudanças
de comportamento em relação ao preservativo
para grupos prioritários e identificar lacunas na
cobertura do programa.
• Desenvolver uma estratégia de mobilização
de fundos para actividades de geração de
demanda, o que inclui pedidos de recursos
para a geração de demanda do preservativo
(incluindo apoio ao marketing social) na próxima
proposta de Fundo Global (FG). Os pedidos
recomendados seriam numa proporção de 3:1 a
5:1 da geração de demanda para as despesas
totais de procurement do preservativo de todas
as fontes.
• Desenvolver um plano de comunicação para
a Estratégia Nacional do Preservativo como
forma de alinhar comportamentos de todos os
actores do mercado (incluindo doadores) com a
estratégia e advocacia de apoio para mudanças
priorizadas em necessidades de financiamento.
• Avaliar periodicamente os progressos em relação
às propostas de valor aos níveis nacional e
provincial, fazendo inquéritos sobre a percepção
das partes envolvidas.

30 Estratégia Nacional do Preservativo


2019 Conselho Nacional de Combate ao SIDA

Prioridade Estratégica #1- Indicadores


de sucesso:

1. 90% das partes interessadas estão satisfeitas com


os mecanismos de coordenação e concordam
que estão a acrescentar valor às suas actividades.
2. As lacunas analíticas dos programas estão
preenchidas na compreensão do mercado.
3. Pelo menos 3 USD disponíveis para criação de
demanda para cada 1 USD gasto na aquisição
de preservativos.

Prioridade Estratégica #2: Aumentar


a criação de demanda com base em
evidências para grupos prioritários

A geração de uma demanda eficaz é essencial para


o aumento do uso do preservativo. A experiência
ao longo da África Oriental e Austral mostrou
que o aumento substancial na disponibilidade do
preservativo não leva ao crescimento das taxas
de uso. Em vez disso, os programas nacionais do
preservativo têm que assegurar que os grupos-alvo
sejam frequentemente alcançados com mensagens
de mudança de comportamento concebidas com
base numa abordagem centrada nas pessoas e
em pesquisas junto do consumidor para desenhar
mensagens direccionadas aos grupos-alvo
específicos.

Tal como acima referido, as actividades de geração


de demanda diminuíram em Moçambique nos últimos
anos, o que é resultado da redução de financiamento
para programas do preservativo e programas de

Estratégia Nacional do Preservativo 31


Conselho Nacional de Combate ao SIDA 2019

prevenção em geral. Há poucos dados aprofundados


disponíveis para informar o desenvolvimento de
intervenções de mudança de comportamento e têm
sido feitas poucas avaliações que possam trazer as
lições aprendidas. Embora alguns implementadores
estejam a integrar actividades de geração de
demanda em outros programas de saúde e HIV,
pouco se sabe sobre a intensidade ou qualidade
desses programas.

A abordagem estratégica para se resolverem


as necessidades de geração de demanda será
baseada nos esforços de gestão e supervisão do
programa para: intensificar a mobilização de fundos
para a geração de demanda, assim como pesquisa
formativa e avaliativa; aplicar os dados para se
desenvolver programas baseados em evidências;
e, aproveitar as oportunidades para integrar a
programação do preservativo em outras áreas da
resposta ao HIV.

Actividades:

• Reunir organizações que trabalham com


as MTS para mapear a cobertura existente,
identificar lacunas, identificar as boas práticas e
desenvolver abordagens para se alcançarem os
clientes das MTS.
• Usar dados disponíveis para desenvolver
estratégias de criação de demanda com base
em evidências direccionadas para populações
prioritárias.
• Reunir com as organizações apoiadas pelo
PEPFAR e Fundo Global que implementam
programas para tratamento, CMMV e PrEP para
identificar as oportunidades de reforço da
geração de demanda do preservativo.
• Trabalhar com OCB para melhor compreender

32 Estratégia Nacional do Preservativo


2019 Conselho Nacional de Combate ao SIDA

os desafios na concepção e implementação das


intervenções de mudança de comportamento
dirigidas às populações prioritárias.
• Desenvolver ferramentas para ajudar as OCB no
apoio à geração de demanda e distribuição do
preservativo às populações prioritárias.
• Conceber e implementar um programa
abrangente e intensivo de geração de
demanda, ligado estreitamente a intervenções
do lado da disponibilização do preservativo na
região Centro e procurar financiamento para
implementar e determinar a eficácia de uma
abordagem inclusiva.

Prioridade Estratégia #2 - Indicadores


de Sucesso:

1. 80 % da população alvo que se sente confiante


para negociar o uso do preservativo com um
parceiro.
2. 60 % da população alvo com percepção de
risco da infecção pelo HIV.
3. 50% da população alvo que tem conhecimento
abrangente de prevenção do HIV.

Prioridade Estratégica #3: Reforçar a


disponibilidade do preservativo para
além dos pontos de distribuição

É essencial assegurar uma disponibilidade suficiente


e sustentável do preservativo através do sector público,
das ONG/OCB e sector comercial para se aumentar
o seu uso. Deverá haver um número suficiente de

Estratégia Nacional do Preservativo 33


Conselho Nacional de Combate ao SIDA 2019

preservativos no país para satisfazer a demanda


actual e projectada. Os canais de distribuição têm
que alcançar populações na “última etapa em áreas
rurais ou de difícil acesso para assegurar o acesso
universal. Os tipos de preservativo (tamanhos, aromas
e outras características) deverão estar alinhados com
as preferências do utilizador.

A actual disponibilidade do preservativo parece ser


adequada para a actual demanda com base numa
comparação dos padrões de uso e distribuição ao
longo dos sectores público, de marketing social
e comercial. (Veja o anexo para uma análise de
quantificação, usando a “ferramenta de estimativas
das necessidades em preservativos” do Programa
“A actual
disponibilidade
do preservativo
parece ser
Conjunto das Nações Unidas para o HIV e SIDA - adequada
ONUSIDA). Moçambique fez também progressos que para a actual
permitiram assegurar um maior acesso ao preservativo demanda com
através do sector público com melhorias na previsão,
distribuição e monitoria com ajuda do SIGLUS. Uma base numa
visibilidade aumentada permite rastrear as rupturas comparação dos
de stock (mas não rupturas por tipo de preservativo). padrões de uso
O GTP identificou o transporte abaixo do nível e distribuição
provincial como um desafio, assim como mecanismos ao longo dos
de melhoria para distribuir o preservativo masculino
sectores público,
através das OCB em colaboração com os CPCS. O
alcance do marketing social diminuiu devido à falta
de financiamento, o que provavelmente reduziu o
acesso para alguns.

A estratégia irá focalizar-se no reforço da distribuição


de marketing
social e
comercial

por parte do sector público, especialmente nos
níveis distrital e comunitário, e alargar parcerias
com as OCB para direccionar a distribuição para
as populações com maiores necessidades dentro de
uma ATM.

34 Estratégia Nacional do Preservativo


2019 Conselho Nacional de Combate ao SIDA

Actividades:

• Recolher e analisar dados sobre a distribuição


de preservativo pelas OCB/ONG obtidos através
do CPCS, analisar com as OCB que solicitam o
preservativo e identificar as oportunidades para
uma melhor definição de alvos dentro de uma
abordagem total do mercado (deixando espaço
para o marketing social e o sector privado para
servirem os clientes que podem pagar).
• Desenvolver procedimentos operacionais
padronizados para direccionar preservativos do
sector público para populações não servidas
pelo marketing social e sector privado e alargar
ligações e parcerias para uma distribuição
gratuita nas comunidades.
• Analisar os sistemas existentes de recolha de
dados que monitoram a distribuição para além
do nível da unidade sanitária e a distribuição
gratuita, por parte da sociedade civil, do
preservativo adquirido através do sector público
(sob coordenação do CPCS) para garantir
sistemas que respondam às necessidades
programáticas.
• Recolher dados, através do SIGLUS, relativos aos
níveis de stock de diferentes tipos de preservativos
para melhor adaptar a disponibilidade às
preferências dos consumidores e reduzir rupturas
“efectivas“ de stock (ruptura de stock de tipos de
preservativo preferidos pelos utilizadores).
• Explorar a integração de dados sobre a
distribuição do preservativo no sector público
através do CNCS/CPCS com o SIGLUS para
aumentar a visibilidade em relação aos nós
de estrangulamento, rupturas de stock e
oportunidades para melhoria.
• Realizar pesquisa operacional sobre a
distribuição de preservativo pelo sector público

Estratégia Nacional do Preservativo 35


Conselho Nacional de Combate ao SIDA 2019

e CPCS, em expansão, na região Centro através


de uma distribuição adicional de recursos
(incluindo camiões e armazenamento em
contentores no CPCS); documentar as melhores
práticas e estender para outras regiões.
• Oferecer apoio às organizações de marketing
social para aumentar a distribuição fora dos
centros urbanos e das áreas peri-urbanas.
• O CNCS, CMAM e o MISAU deverão,
trimestralmente, analisar as estimativas de
necessidades para o preservativo e os números
de distribuição real para actualizar as previsões
e as necessidades em recursos; partilhar os
resultados com os actores da resposta e os
doadores.

Prioridade Estratégica #3 - Indicadores


de sucesso

1. 50% de aumento no procurement do preservativo.


2. Redução de rupturas de stock no sector público.
3. Satisfação das OCB com os mecanismos de
acesso ao preservativo através do CPCS/CDCS
e DPS/DDS.

36 Estratégia Nacional do Preservativo


2019 Conselho Nacional de Combate ao SIDA

QUANTIFICAÇÃO

“ De acordo
com a
ferramenta
o número
Quantos preservativos serão
necessários?

Com as contribuições dos técnicos do CNCS, CMAM,


MISAU, FNUAP, ONUSIDA e outros membros do GTP,
foi usada a ferramenta de estimativa de necessidades
para o preservativo da ONUSIDA, para se avaliar
necessário de as necessidades em preservativos com base em
mudanças antecipadas no uso do preservativo. Os
preservativos
resultados foram partilhados com o GTP e revistos
para durante as reuniões de priorização.
satisfazer o
crescimento De acordo com a ferramenta, o número necessário
de uso de preservativos para satisfazer o crescimento de
uso esperado aumenta de 122 milhões em 2019
esperado,
para 174 milhões projectados em 2023. Isto é inferior
aumenta de às projecções anteriores que tinham metas mais
122 milhões ambiciosas para mudanças no uso do preservativo.
em 2019 para Mudanças significativas na proporção do preservativo


174 milhões
projectados
em 2023.
disponibilizado pelos sectores público, de marketing
social e comercial não são antecipadas durante esse
período, o que significa que o número estimado
do preservativo necessário para o sector público
aumenta de aproximadamente 102 milhões para 143
milhões. Os jovens com parceiros não regulares, os
casais PVHIV e as MTS representam mais de 70% da
necessidade.

Tal como foi discutido com o GTP, a ferramenta de


estimativa deverá ser uma fonte importante de dados
para os processos de planificação de procurement
dentro do CMAM e MISAU, no entanto, deverá ser
combinada com outros factores para se determinarem
as quantidades anuais para procurement.

Estratégia Nacional do Preservativo 37


Conselho Nacional de Combate ao SIDA 2019

Figura 10
Necessidades de preservativo por
sector

200

175
Milhões de Preservativos

150

125

100

75

50

25

0
2019 2020 2021 2022 2023

Público (grátis) Marketing Social (Subsidiado) Comercial

38 Estratégia Nacional do Preservativo


2019 Conselho Nacional de Combate ao SIDA

FINANCIAMENTO

“ A maior
parte do
financiamento
tem sido
Como vamos pagar isso?

A implementação do plano do preservativo vai requer


recursos adicionais para além do que foi já garantido
através de fontes domésticas e internacionais.

A prioridade máxima é assegurar que o fornecimento


oferecida do preservativo seja ininterrupto aos níveis
pela USAID, necessários dentro do sector público. A maior parte
FNUAP e, mais do financiamento tem sido oferecida pela USAID,
FNUAP e, mais recentemente, o FG. Há geralmente
recentemente,
uma grande confiança de que estas fontes irão
o FG. Há continuar ao longo do período da estratégia. Dado
geralmente o tempo de espera requerido para procurement do
uma grande preservativo, o financiamento requerido aumenta
confiança de 3,4 milhões em 2019 para 4,6 milhões de
dólares americanos em 2023 apenas para o
de que estas
preservativo (numa estimativa conservadora de 0,03
fontes irão dólares americanos por preservativo; não incluindo
continuar o empacotamento, a testagem, etc.). Esta quantia total


ao longo do
período da
estratégia
parece ser consideravelmente inferior às actuais
estimativas do CMAM/MISAU.

Estratégia Nacional do Preservativo 39


Conselho Nacional de Combate ao SIDA 2019

Figura 11
Custos de procurement do preservativo
do sector público (não tomando
em conta os tempos de espera do
procurement)
5
Milhões de Dólares

0
2019 2020 2021 2022 2023

É necessária uma maior quantidade em termos de


novos financiamentos para garantir actividades
de geração de demanda. Dado os actuais
sistemas de informação, não é possível determinar
a parte do financiamento actualmente disponível
ou prometida para a geração de demanda, mas o
consenso é de que é baixo. Tal como proposto na
prioridade estratégica #1, uma solicitação razoável
para necessidades nesta área, com base no actual
nível de uso do preservativo e na esperança de
que aumente, com base em dados históricos de
outros programas nacionais, seria incluir uma meta
geral de financiamento variando de uma proporção
de 3:1 para 5:1 de financiamento para criação
de demanda para financiar o procurement do
preservativo. Isto significaria uma solicitação de
aproximadamente 11 milhões para um total de
23 milhões de dólares americanos por ano.

As actividades de gestão e supervisão do


programa podem ser na sua maioria financiadas

40 Estratégia Nacional do Preservativo


2019 Conselho Nacional de Combate ao SIDA

com os recursos existentes, à excepção da pesquisa


e do plano de monitoria e avaliação. Um marco
para os custos de pesquisa com base na prática do
marketing social seria 5% das despesas em geração
de demanda (entre 600 mil e 1 milhão de dólares
americanos por ano).

Estratégia Nacional do Preservativo 41


Em Defesa da Vida

Com o apoio de:

Você também pode gostar