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Ampli cador Darlington até 500 Wpmpo (ART2025)

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Uma das vantagens da disponibilidade de transistores Darlington de alta potência é que


podemos elaborar ampli cadores de áudio com circuitos relativamente simples, de
baixo custo e com potências de saída bastante elevadas. Os circuitos propostos neste
artigo são um exemplo do que pode ser feito, tomando como base o par de transistores
complementares Darlington TIP142 e TIP147.

Os circuitos são relativamente simples, e suas saídas têm a mesma ordem de potência
que os maiores ampli cadores existentes atualmente no mercado.

Uma das principais vantagens encontradas no projeto de ampli cadores de áudio onde
se usam transistores Darlington de potência na saída é a necessidade de etapas de
pequena potência na excitação.

O ganho elevado desses transistores elimina a necessidade de transistores


intermediários, que, para os ampli cadores de potências muito altas, podem signi car
um gasto considerável, dada a própria potência que eles precisam ter; isso sem se falar
nos problemas de layout da placa de circuito impresso.

Hoje podemos contar com transistores Darlington de potências muito altas e a um custo
muito acessível como o par formado pelos tipos TlP142 e TlP147 (NPN e PNP,
respectivamente).

Estes transistores, para 100 V e 10 A com dissipação de 125 W, permitem a realização


de bons projetos, como o que descrevemos.

Uma possibilidade interessante para os leitores que necessitam de elevadas potências


de áudio é usar estes circuitos em módulos. Assim, dois módulos formam um sistema
estéreo de 500 W.

Para a sonorização de grandes ambientes, podem ser usados diversos módulos, cada
qual com uma potência PMPO de 250 W.
O circuito básico é dado em duas versões, de potências diferentes, que depende
justamente de onde o ampli cador será utilizado.

A fonte de alimentação é simétrica, eliminando-se assim a necessidade do capacitor


eletrolítico de valor elevado para acoplamento ao alto-falante.

Lembramos que neste tipo de projeto deve haver especial cuidado com as conexões de
potência e a própria instalação do sistema, no que se refere à parte térmica.

Os leitores que desejam montar com segurança o aparelho devem ter boa experiência
com este tipo de circuito.

Características

Potência de saída: versão 1: 180 W (PMPO) por canal (versão 2: 250 W (PMPO) por canal

Corrente consumida a plena potência: 180 W (1 ,58 A), 250 W (2,5 A)

Corrente de repouso: 17 a 25 mA

Resistência de carga: 4 W

Impedância de entrada: 39 k Ω

Distorção com 80% da potência máxima: menor que 0,5%

Resposta de freqüência (-1 dB): 20 Hz a 60 kHz

COMO FUNCIONA

Os transistores Darlington na verdade são circuitos integrados que reúnem num único
componente dois transistores e dois resistores, na con guração indicada na gura 1.

 
Figura 1 – Os transistores TIP142(NPN) e TIP147 (PNP)

O resultado é um circuito que se comporta como um único transistor, cujo ganho é o


produto dos ganhos dos transistores usados separadamente, e que no caso é de pelo
menos 1000.

Isso signi ca que, na realidade, temos um “super-transistor” que pode controlar


elevadíssimas correntes de coletor a partir de tênues (1 000 vezes menores) correntes
de base.

Os tipos TlP142 (NPN) e TlP147 (PNP) são transistores de potência onde a corrente de
coletor pode chegar a 10 A. o que signi ca a possibilidade de serem usados em
ampli cadores de boa potência.

A con guração empregada é a tradicionalmente utilizada na maioria dos circuitos


transistorizados com a saída complementar, com dois transistores, um NPN e outro PNP,
conduzindo alternadamente, conforme mostra a gura 2.

 
Figura 2 – A etapa da saída de potência

Nesta con guração temos uma fonte de alimentação simétrica, que fornece uma tensão
positiva e uma tensão negativa em relação à referência (terra) onde está ligada a carga
(alto-falante).

Considerando a elevada carga dos capacitores eletrolíticos da fonte de alimentação,


estes funcionam como reservatórios de energia para atender às solicitações dos
transistores na obtenção de correntes elevadas, e assim podem ser obtidas elevadas
potências instantâneas de áudio (PMPO), como caracterizado neste projeto.

Assim, nos semiciclos positivos do sinal de áudio, conduz o transistor NPN, de modo
que a corrente ui do +Vcc. ao terra, passando pelo alto-falante.

Nos semiciclos negativos, conduz o transistor PNP, de modo que a condução ocorre do
terra ao - Vc.c., também passando pelo alto-falante.

Veja que a potência nal (dois semiciclos) é dada pela soma das correntes dos dois
ramos da fonte.

É muito importante neste tipo de circuito que as saídas sejam equilibradas de modo que,
num sinal, um semiciclo não seja diferente do outro, pois isso signi caria uma distorção.
O ajuste do ponto de funcionamento desta etapa é importante, tanto em vista da
necessidade de se manter a simetria do sinal, como também de um fator denominado
"deriva térmica".

Quando os transistores de saída se aquecem, com a operação a plena carga há uma


tendência deste aquecimento mudar suas características, aumentando a corrente de
fuga do coletor do primeiro elemento do par, conforme mostra a gura 3.

Figura 3 – A deriva térmica

Veja mais: A Deriva Térmica - http://www.newtoncbraga.com.br/index.php/como-


funciona/571-a-deriva-termica-art053

 
Essa corrente é ampli cada pelo próprio transistor, e depois pelo segundo do par, e o
resultado é um aumento substancial da corrente de repouso capaz de aumentar ainda
mais o aquecimento do componente.

E assim, mais fuga mais corrente, mais corrente mais calor, mais calor mais fuga, num
processo cumulativo que, saindo do controle, leva o componente à destruição.

Uma maneira de se xar a polarização correta dos transistores de saída, e evitar o


problema de deriva térmica é com a utilização de um transistor que estará em contato
térmico com o radiador de calor dos transistores de saída.

Este transistor "sente" as variações de temperatura do transistor de saída e reduz


proporcionalmente a tensão entre as bases dos Darlingtons, de modo a reduzir assim a
corrente de repouso.

O ajuste do ponto de funcionamento deste transistor, feito por meio de um trimpot, é


muito importante para se garantira estabilidade do circuito.

A excitação dos Darlingtons é feita por um transistor PNP de média potência e alta
tensão.

O BC640 é ideal para esta aplicação, mas equivalentes de 80 V e 1 A podem ser usados.

Finalmente, temos a etapa de pré-ampli cação, que consiste num par diferencial com
transistores BC547B ou equivalentes.

A con guração de par diferencial é especialmente atraente nos projetos em que se


deseja uma excitação de alta potência com poucos elementos e a garantia da simetria
do sinal, o que é importante no nosso circuito.

O trimpot nos emissores do par diferencial têm por função ajustar a simetria de
funcionamento. O melhor ajuste deve ser feito com a injeção de um sinal e observação
por meio de um osciloscópio.

MONTAGEM

Na gura 4 temos o diagrama do ampli cador básico.

 
Figura 4 – Diagrama do ampli cador básico

Para as duas versões, de potências diferentes, muda apenas o valor do resistor R3, (36 k
Ω para 180 W e 47 k Ω para 250 W) e a tensão de alimentação, que será dada em função
da fonte.

A disposição dos componentes principais numa placa de circuito impresso é mostrada


na gura 5.

 
Figura 5 – Placa para a montagem

 
Observe que os transistores Darlingtons de potência devem ser montados em
excelentes dissipadores de calor. Estes dissipadores devem car isolados do coletor do
transistor, que corresponde a sua aleta, por meio de uma folha de mica ou de plástico
apropriado para esta nalidade.

Junto a um dos transistores de saída é montado o transistor regulador Q4.

Os os de conexão aos transistores de saída, assim como ao positivo da alimentação,


negativo e terra, além do alto-falante, devem ser grossos, dada a corrente intensa.

As dissipações dos resistores são indicadas na lista de materiais, com atenção especial
para R12 e R13, que devem ser de o. As tensões dos capacitores eletrolíticos também
são indicadas na lista.

Na gura 6 damos a disposição dos terminais dos transistores de modo a facilitar a sua
montagem.

Figura 6 – Montagem dos transistores no dissipador

Os diodos D, e D2 tanto podem ser 1N4148 como de outro tipo, sendo uma boa prática
que eles quem bem próximos de R7, de modo que o calor do resistor realimente-os no
sentido de estabilizar o transistor excitador.

Para entrada de sinal deve ser usado cabo blindado devidamente aterrado.
O circuito não inclui um pré-ampli cador mas qualquer um que tenha uma saída de pelo
menos 500 mV deve excitar satisfatoriamente a saída a máxima potência.

Na gura 7 temos o diagrama da fonte de alimentação, observando-se que a tensão de


secundário do transformador depende da potência.

Figura 7 – Fonte de alimentação para o circuito

A corrente dependerá da versão. Para 180+18O W (PMPO) temos 4 A de secundário, e


para a versão de 250+25O W (PMPO) temos 5 A.

As tensões de trabalho dos eletrolíticos estão indicadas no diagrama, e os diodos


admitem equivalentes.
O fusível de proteção é importante no projeto para maior segurança. O conjunto pode ser
usado em módulo ou montado em caixas metálicas que servirão de blindagem.

O controle de volume e balanço será conjugado ao pré-ampli cador.

Prova e Uso

Para testar o aparelho, inicialmente ligue o ampli cador a uma fonte, sem carga (sem
alto-falante). Meça as tensões da fonte e veri que a corrente de repouso, ajustando-a
em P2. Para a versão de menor potência ela pode car entre 10 e 18 mA, e para a versão
maior, entre 15 e 25 mA.

Veri cado o funcionamento normal da fonte nestas condições, conecte uma carga e
injete na entrada um sinal para veri car o funcionamento.

Se tiver um osciloscópio, ligue-o na junção de R12com R13 e, usando uma carga


resistiva, ajuste P1 para simetria do sinal.

Comprovado o funcionamento é só utilizar o aparelho.

Na gura 8 temos uma sugestão de pré-ampli cador que pode ser usado com este
aparelho.

Figura 8 – Pré-ampli cador com controla de tom


 

Todas as ligações entre componentes e entradas devem ser blindadas para não ocorrer
a captação de zumbidos.

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