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NFPSS – MP/SP – PARTE II

SUMÁRIO

DIREITOS HUMANOS ........................................................................................................................................ 1


PROCESSO PENAL ........................................................................................................................................... 62
DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS ................................................................................................................... 150

DIREITOS HUMANOS1

Olá, futuro membro do MPSP!

Caprichamos neste material para você conseguir fazer uma super revisão e todas as informações importantes
estarem fresquinhas na sua memória no momento da prova.

Caso, e somente caso, você não tenha tempo de ler todo o NFPSS procure pela #APOSTACICLOS, você encontrará
os pontos do edital que são a cara da Banca Examinadora. Vamos lá?

PONTO: 1. Direitos Humanos: 1.1. Conceito e evolução histórica: as dimensões dos Direitos Humanos; 1.2.
Sistema Internacional de promoção e proteção dos Direitos Humanos. Objetivos de Desenvolvimento
Sustentável (ODS) que integram a Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas. Sistema Interamericano; 1.3
Tratados e Convenções Internacionais sobre Direitos Humanos incorporados pelo ordenamento brasileiro.
Conflito com as normas constitucionais; 1.4. Ministério Público e a defesa dos Direitos Humanos. Realização de
encontros com os movimentos sociais (Recomendação 61/17, CNMP).

DIREITOS HUMANOS
Rafael Barretto 2 define os direitos humanos como um conjunto de direitos que materializam a dignidade
humana; direitos básicos, imprescindíveis para a concretização da dignidade humana.

Os direitos humanos são ponto central dos Estados Constitucionais, pois um Estado no qual as pessoas não
tenham liberdades básicas reconhecidas é um Estado arbitrário, cheio de desrespeito ao ser humano.

 Sob uma fundamentação religiosa, o respeito aos direitos humanos decorre do divino (mandamento de
Deus).

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Por Karoline Romano.

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BARRETO, Rafael. Direitos Humanos – 9 ed. – Bahia: Juspodivm,2019.

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 Sob uma fundamentação positivista, a validade dos direitos humanos decorre do seu reconhecimento
enquanto normas de direito positivo.
 Sob a fundamentação jusnaturalista, os direitos humanos extraem validade da ordem natural, que
antecede o direito positivo.

Existe um conjunto de direitos que pertencem ao indivíduo pelo simples fato de ser do gênero humano. Todo
ser humano tem direito a ter direitos. Ou seja, existe um conjunto de direitos que precede o direito positivo e
independe do mesmo.

Direito Natural Direito Positivo


Justo por natureza. Justo pelas leis.
O direito origina-se do nascimento do O direito origina-se da lei.
indivíduo.
Punição moral. Punição real e concreta.
#SELIGANOSINÔNIMO: jusnaturalismo é sinônimo de direito natural; juspositivismo é sinônimo de direito
positivo.

Apesar de direitos humanos e direitos fundamentais materializarem a dignidade da pessoa humana, é inevitável
diferenciá-los:

Direitos do homem Direitos fundamentais


Direitos válidos para todos os povos e em Direitos objetivamente vigentes numa ordem
todos os tempos. jurídica concreta.
Fazem parte da ordem internacional. Direitos positivados no ordenamento
jurídico, ex. direitos constitucionais.

A concepção atual de direitos humanos foi internacionalmente estabelecida pela Declaração Universal do
Direitos Humanos (1948), após a Segunda Guerra Mundial, quando a humanidade se horrorizou com as
crueldades do nazismo.3

#ATENÇÃO: Na disciplina Direitos Humanos o bem protegido é a humanidade.

Características dos direitos humanos:

 Historicidade: são fruto da evolução histórica de cada povo.


 Inalienabilidade: não são objeto de negociação.
 Imprescritibilidade: veda-se ao legislador que estipule prazo para o exercício do direito de ação.
 Irrenunciabilidade: o particular não pode renunciar aos direitos fundamentais, mas pode renunciar ao
exercício.
 Universais: todos os seres humanos são dotados dessa titularidade.
 Relativos: ligados ao contexto histórico.

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CASTILHO, Ricardo. Direitos Humanos – 7ed. – São Paulo: Saraiva, 2019.

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Os primeiros documentos históricos já revelavam uma preocupação com direitos inerentes ao homem. Por
exemplo, no Código de Hamurabi (1.800 a.C.) já tinha como forma de dosimetria da pena a “lei de talião” – olho
por olho, dente por dente.

Em 1.215 o rei João da Inglaterra foi obrigado a assinar a Magna Carta, que pela primeira vez deu direitos aos
súditos e corrigiu arbitrariedades estatais. Aqui destaca-se a implantação da monarquia constitucional.

#APOSTACICLOS: A Magna Carta influenciou os seguintes documentos:

 Petition of Right - Semente para a Revolução Inglesa. Nessa petição de direitos foi exigido que nenhum
tributo fosse imposto sem o consentimento do Parlamento.
 Declaração Universal dos Direitos Humanos - Emitida pela ONU em 1948 com o escopo de proporcionar
a todas as pessoas de qualquer povo ou nação os mesmos direitos.
 Constituições modernas.

#SELIGANATABELA

FASE PRÉ-ESTADO CONSTITUCIONAL Antiguidade Oriental – Código de Hamurabi.


Antiguidade Grega – Democracia Ateniense.
República Romana – legalidade, igualdade e
propriedade.
Cristianismo – Solidariedade.
IDADE MÉDIA Poder limitado pela vontade divina.
Magna Carta (1.215).
IDADE MODERNA Revoluções liberais.
Inglaterra: Revolução Inglesa; Petition of
Rights; Habeas Corpus Act; Bill of Rights.
EUA: Revolução Americana; 1ª Constituição
do mundo.
França: Revolução Francesa; Declaração
Francesa dos Direitos do Homem e do
Cidadão.
IDADE CONTEMPORÂNEA Constituição do México.
Constituição de Weimar.
Fim da Primeira Guerra Mundial; Tratado de
Versalhes; Criação da OIT.
Criação da ONU.
Declaração Universal dos Direitos Humanos.

A fase Pré-Estado Constitucional é marcada por documentos mais rudimentares, ex. lei do talião do Código de
Hamurabi “olho por olho, dente por dente”. No entanto, já se demonstrava um sentido de
justiça/proporcionalidade.

Atenas foi o berço da democracia, e Roma trouxe sofisticada forma de organização do poder. O Cristianismo
ensejou a ideia de caridade, ajudar os mais necessitados (direitos sociais).

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Apesar da Idade Média ter tido ideias retrógradas, como, a inquisição, e viver uma época de degradação (peste
negra), aparece a ideia de que a vontade de Deus deve limitar o poder do homem. Ademais, a Magna Carta é
precursora das modificações que irão ocorrer a seguir.

A Idade Moderna é pautada pelo iluminismo, saída da idade das trevas, para um enorme avanço em direitos
humanos, principalmente em direitos de 1ª geração (liberdade).

Na Idade Contemporânea ficou claro que a liberdade sem a igualdade não faz sentido. Não adiante alguns serem
livres e outros não terem as mesmas oportunidades. Assim, a Constituição do México e a Constituição de
Weimar trouxeram direitos sociais. E, por fim, após as atrocidades das guerras perceberam a necessidade de
uma pacificação mundial, por meio da criação da ONU.

ATENÇÃO! CF/88

O art. 4º da CRFB/88 dispõe um rol de princípios que o Brasil rege as suas relações internacionais:

INDEPENDÊNCIA NACIONAL

PRAVALÊNCIA DOS DIREITOS HUMANOS

AUTODETERMINAÇÃO DOS POVOS

NÃO INTERVENÇÃO

IGUALDADE ENTRE OS ESTADOS

DEFESA DA PAZ

SOLUÇÃO PACÍFICA DOS CONFLITOS

REPÚDIO AO TERRORISMO E AO RACISMO

COOPERAÇÃO ENTRE OS POVOS PARA PROGRESSO DA


HUMANIDADE

CONCESSÃO DE ASILO POLÍTICO

As inovações na Constituição Federal de 1988 foram as seguintes:

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Art. 1º, III Dignidade da pessoa humana como fundamento do Estado

Art. 3º Proteção da pessoa humana como objetivo do Estado

Art. 4º, II Primazia dos DH como princípio regente das relações internacionais.

Título II Positivação dos direitos e garantias fundamentais logo no início da CF/88

Art. 5º, §1º Consagração da aplicação imediata das normas definidoras de direitos e garantias
fundamentais

Art. 5º, §2º Abertura do catálogo de direitos e garantias fundamentais reconhecimento dos tratados
internacionais de FH (cláusula de abertura)

Capítulo II do Afirmação dos direitos sociais como verdadeiros direitos fundamentais


Título II

Art. 60, §4º Qualificação dos direitos das pessoas como cláusula pétrea

Art. 7º, Criação de um Tribunal Internacional de DH


ADCT

A Assembleia Nacional Constituinte teve muita preocupação na preservação dos direitos humanos. Dessa forma,
inúmeros dispositivos constitucionais revelam esse cuidado. Exemplo: Art. 5º, § 1º As normas definidoras dos
direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata.

#FOCANATABELA

Máxima Efetividade Interpretação Pro Homine


Exige que a interpretação de determinado Exige que a interpretação seja sempre aquela
direito conduza ao maior proveito de seu mais favorável ao indivíduo, reconhecendo a
titular, com o menor sacrifício imposto aos superioridade das normas de direitos
titulares dos demais direitos em colisão. humanos.
Implica a aplicabilidade direta e imediata,
pela qual os direitos humanos previstos na
CF/88 e nos tratados podem incidir
diretamente aos casos concretos sem
qualquer lapso temporal.

#OLHAOGANCHO

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O direito ao esquecimento é o direito que uma pessoa possui de não permitir que um fato, ainda que verídico,
ocorrido em determinado momento de sua vida, seja exposto ao público em geral, causando-lhe sofrimento ou
transtornos.

#MUDANÇADEENTENDIMENTO: É incompatível com a Constituição a ideia de um direito ao esquecimento,


assim entendido como o poder de obstar, em razão da passagem do tempo, a divulgação de fatos ou dados
verídicos e licitamente obtidos e publicados em meios de comunicação social analógicos ou digitais. Eventuais
excessos ou abusos no exercício da liberdade de expressão e de informação devem ser analisados caso a caso,
a partir dos parâmetros constitucionais – especialmente os relativos à proteção da honra, da imagem, da
privacidade e da personalidade em geral – e as expressas e específicas previsões legais nos âmbitos penal e cível.
STF. Plenário. RE 1010606/RJ, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 11/2/2021 (Repercussão Geral – Tema 786) (Info
1005).

#APOSTACICLOS: DIMENSÕES DE DIREITOS HUMANOS

Os direitos fundamentais não foram reconhecidos todos de uma vez só. Ocorreram muitas lutas e conquistas
históricas para termos tudo o que temos hoje.

O termo “geração” remete a uma ideia de superação/sucessão de direitos. Por isso, é mais acertado usar o
termo “dimensões” de direitos humanos.

Rafael Barretto4 categoriza os direitos humanos da seguinte forma:

 Direitos Civis: relacionados às liberdades civis básicas.


 Direitos Políticos: direito de participação na vida do Estado.
 Direitos Sociais: intervenção do Estado no plano social, como saúde e educação.
 Direitos Econômicos: relação capital-trabalho.
 Direitos culturais: relacionados a práticas culturais.
 Direitos difusos: atinentes à humanidade como um todo, ex. meio ambiente.
As gerações de direitos representam um conjunto de direitos institucionalizados num determinado momento
histórico, com características similares e um valor comum. Não há consenso quanto ao número de gerações,
mas o entendimento é pacífico acerca das 3 primeiras dimensões de direitos humanos:

1ª dimensão: voltada para liberdades públicas, direitos civis e políticos. Originou-se da Independência Norte-
americana e Revolução Francesa, ideias iluministas. Aqui o que se busca é a limitação da atuação estatal, para
evitar arbitrariedade.

2ª dimensão: voltada para a igualdade, direitos econômicos, sociais e culturais. Originou-se na Revolução
Industrial e pelo fim da Primeira Guerra Mundial, porque o mundo passou a repensar relações sociais e questões

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BARRETO, Rafael. Direitos Humanos – 9 ed. – Bahia: Juspodivm,2019.

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econômicas. Outro marco importante foi a Constituição de Weimar. Aqui são definidas condições jurídicas
mínimas para a independência social dos indivíduos (saúde, educação etc.).

3ª dimensão: voltada para a fraternidade, direitos de solidariedade. Originou-se de tratativas internacionais


(ONU, UNESCO). Aqui destacam-se os seguintes direitos: paz, meio ambiente, comunicação, autodeterminação
dos povos etc.

#OLHAOGANCHO: Jellinek – Teoria dos Status

a) Status passivo: é aquele em que se encontra o indivíduo detentor de deveres perante o Estado. É um estado
de subordinação em relação ao Estado. Aqui o indivíduo é meramente detentor de deveres.

b) Status ativo: o indivíduo possui competências para influenciar a formação da vontade estatal. Ex. direitos
políticos. Voto.

c) Status negativo: é aquele em que o indivíduo goza de um espaço de liberdade diante das possíveis
ingerências.

d) Status positivo: é aquele em que o indivíduo tem o direito de exigir do Estado determinadas prestações
positivas

#OLHAOGANCHO - EFICÁCIA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS:

EFICÁCIA VERTICAL DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS: Consiste na aplicação dos direitos fundamentais às relações
entre particulares e o Estado. É a eficácia clássica.

EFICÁCIA HORIZONTAL DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS (eficácia privada ou externa): Com o desenvolvimento
dos direitos fundamentais, percebeu-se que a opressão e a violência contra o indivíduo vêm também de
entidades privadas. Consiste na aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares.

EFICÁCIA DIAGONAL DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS: Consiste na aplicação dos direitos fundamentais à relação
entre particulares, nas quais existe um desequilíbrio fático, a exemplo da relação trabalhista.

EFICÁCIA INDIRETA OU MEDIATA — os direitos fundamentais são aplicados de maneira reflexa, tanto em uma
dimensão proibitiva e voltada para o legislador, que não poderá editar lei que viole direitos fundamentais, como,
ainda, positiva, voltada para que o legislador implemente os direitos fundamentais, ponderando quais devam
aplicar-se às relações privadas.

EFICÁCIA DIRETA OU IMEDIATA — alguns direitos fundamentais podem ser aplicados às relações privadas sem
que haja a necessidade de “intermediação legislativa” para a sua concretização.

SISTEMA INTERNACIONAL DE PROTEÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS


Visando manter a segurança coletiva e a paz mundial a Organização das Nações Unidas (ONU) passou a existir
em 1945, com a entrada em vigor da Carta das Nações Unidas.

Precursores da ONU

 Direito de Genebra (1929)


 Liga das Nações (1919)
 Organização Internacional do Trabalho (OIT)

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Missão da ONU: estabelecer regras a serem observadas pelos Estados perante os indivíduos sujeitos ao seu
poder e perante os demais Estados.

Portanto, o sistema global de direitos humanos é o sistema estruturado em torno da ONU. Entenda que, a ONU
foi fundada em 1945 pouco após o término da 2ª Guerra Mundial, com o escopo de reunir nações que tivessem
propósitos em comum no sentido de promover a paz e a segurança no cenário internacional, bem como o
desenvolvimento das nações e a promoção dos direitos humanos.

#OLHAOGANCHO: A Carta das Nações Unidas estabelece como finalidade da ONU a busca da paz internacional
e o respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais.

A Declaração Universal dos Direitos do Homem consolida uma ética mundial para os valores relativos aos direitos
humanos.

#APOSTACICLOS: Aqui são ensejados direitos civis, políticos, sociais, econômicos e culturais.

#CUIDADO: Por ter sido aprovada como Resolução deu margem a questionamentos sobre sua força vinculante.

Tecnicamente, a DUDH de 1948 é uma recomendação. Isso se deve, inclusive, a razões históricas. A DUDH foi
pensada inicialmente pela Comissão de Direitos Humanos da ONU como uma etapa preliminar de um tratado
específico sobre o assunto.

As recomendações, em regra, realmente, não têm força vinculante. Esse não é, contudo, o entendimento
majoritário sobre a DUDH. Em razão de sua importância histórica e por funcionar como uma pauta mínima para
os Direitos Humanos, a Declaração é tida por integrante do conjunto de costumes e princípios gerais do direito
internacional, compondo, assim, o chamado "jus cogens", logo, a doutrina majoritária entende que a DUDH
possui força vinculante.

Faz parte da estrutura normativa global os seguintes instrumentos:

 Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos (1966)


 Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (1966)
Além desses diplomas, existem normas de alcance especial, isto é, destinadas a indivíduos ou grupos específicos,
tais como: mulheres, refugiados, crianças entre outros.

#ATENÇÃO: Dentre as normas especiais do sistema global da ONU, destacam-se a Convenção contra a Tortura
e outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos e Degradantes, a Convenção para a Eliminação da
Discriminação contra a Mulher, a Convenção para a Eliminação de todas as formas de Discriminação Racial e a
Convenção sobre os Direitos da Criança.

SISTEMA INTERAMERICANO DE PROTEÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS


O sistema interamericano de proteção aos direitos humanos é coordenado pela Organização dos Estados
Americanos (OEA), entidade criada em 1948, a partir da Carta da Organização dos Estados Americanos.

A OEA foi criada 03 anos após a ONU, e representa o sistema regional americano. Ao lado do sistema
interamericano de proteção dos direitos humanos, também existe, o sistema europeu e o sistema africano.

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Além da Declaração Americana, há outros instrumentos de alcance geral que fazem parte do sistema
interamericano, como a Convenção Americana sobre os Direitos Humanos ou “Pacto de San José” (1969),
ratificada pelo Brasil em 25/09/92.

A CARTA DA ORGANIZAÇÃO DOS ESTADOS AMERICANOS (OEA) é o tratado que criou essa entidade, sendo
firmada em 1948. Embora ela não consagre expressamente a promoção dos direitos humanos como um dos
objetivos principais daquele organismo internacional, estabelece que “Os Estados americanos proclamam os
direitos fundamentais da pessoa humana, sem fazer distinção de raça, nacionalidade, credo ou sexo” (art. 3),
proclamando, de modo genérico, o dever de respeito aos direitos humanos por parte de todo Estado-membro
da organização.

Já a DECLARAÇÃO AMERICANA DOS DIREITOS E DEVERES DO HOMEM foi aprovada pela Resolução XXX, em
Bogotá, em abril de 1948. Embora seja uma RESOLUÇÃO NÃO VINCULANTE, é o MARCO INICIAL NA
CONSTRUÇÃO DO SISTEMA INTERAMERICANO, enumerando especificadamente quais são os direitos
fundamentais que deveriam ser observados e garantidos pelos Estados.

#SELIGA: A Declaração Americana, que é anterior à Declaração Universal de Direitos Humanos, expressamente
reconheceu a universalidade dos direitos humanos, ao expressar que os direitos essenciais do homem não
derivam do fato de ser ele cidadão ou nacional de um Estado, mas, sim, de sua condição humana (Preâmbulo
da Declaração).

Integra o sistema interamericano de proteção de direitos humanos a Comissão Interamericana de Direitos


Humanos e a Corte Interamericana de Direitos Humanos:

#TABELALOVERS

Comissão Interamericana de direitos humanos Corte Interamericana de direitos humanos

É o principal órgão fiscalizatório do sistema Órgão jurisdicional do sistema interamericano. Atua


interamericano de direitos humanos. na reparação das vítimas de violações de direitos
humanos que não conseguem obter a reparação
adequada pelos órgãos nacionais do Estado violador.

Supervisiona o cumprimento das obrigações Somente os Estados-Partes e a Comissão têm direito


internacionais por parte dos Estados que integram a de submeter caso à decisão da Corte.
estrutura da OEA.

Composta por 7 membros, com mandato de 4 anos É composta por 7 juízes nacionais dos Estados
(admitida uma reeleição). Membros da OEA. O mandato é de 6 anos admitida
uma recondução (admitida uma recondução).

Representa todos os membros da OEA. A Corte possui competência contenciosa e consultiva.

A Comissão tem a função principal de promover a Julga os litígios que são submetidos à apreciação do
observância e a defesa dos direitos humanos e, no Tribunal. Pode julgar casos que envolvam a violação
exercício do seu mandato, tem as seguintes funções da Convenção Americana, como também outro
e atribuições: instrumento normativo da OEA.

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A competência da Corte é facultativa, de maneira que
a) estimular a consciência dos direitos humanos
somente pode atuar em relação a Estados que
nos povos da América;
declarem reconhecer sua competência como
obrigatória para casos envolvendo a aplicação do
b) formular recomendações aos governos dos
sistema interamericano.
Estados-Membros, quando o considerar conveniente,
no sentido de que adotem medidas progressivas em A declaração de reconhecimento da competência da
prol dos direitos humanos no âmbito de suas leis Corte pode ser feita de maneira incondicional ou sob
internas e seus preceitos constitucionais, bem como condição de reciprocidade, por prazo determinado
disposições apropriadas para promover o devido ou casos específicos.
respeito a esses direitos;
Pela natureza contínua/permanente, não há óbice
c) preparar os estudos ou relatórios que considerar para que o Tribunal reconheça fatos em relação ao
convenientes o desempenho de suas funções; período posterior ao reconhecimento da
competência da corte.
d) solicitar aos governos dos Estados-Membros que
lhe proporcionem informações sobre as medidas que Não tem legitimidade indivíduos, nem entidades não
adotarem em matéria de direitos humanos; governamentais. Todavia, podem acionar a
Comissão, para que instaure um procedimento e, se
e) atender às consultas que, por meio da entender pertinente, submeterá à Corte.
Secretaria-Geral da Organização dos Estados
Americanos, lhe formularem os Estados-Membros
sobre questões relacionadas com os direitos
humanos e, dentro de suas possibilidades, prestar-
lhes o assessoramento que eles lhe solicitarem;

f) atuar com respeito às petições e outras


comunicações, no exercício de sua autoridade, de
conformidade com o disposto nos artigos 44 a 51
desta Convenção; e

g) apresentar um relatório anual a Assembléia-


Geral da Organização dos Estados Americanos.

A competência da corte abrange o recebimento de A competência consultiva é exercida para responder


petições individuais e comunicações interestatais, questionamentos acerca da interpretação da
denunciando casos de violação a direitos humanos. Convenção Americana e outros tratados de direitos
humanos.

Não existe hierarquia entre o sistema global e o sistema regional (interamericano) de proteção dos direitos
humanos. Dessa forma, o critério adotado para evitar conflitos entre os vários instrumentos internacionais é o
denominado de “prevalência da norma mais benéfica” para a vítima de violações de direitos humanos.

#SELIGANOEXEMPLO: Se uma pessoa está sofrendo violação de direitos humanos que compromete a sua
dignidade como pessoa humana, será utilizada a norma mais protetiva.

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SISTEMA GLOBAL SISTEMAS REGIONAIS
É conhecido como o sistema “internacional” Visam a promover os direitos humanos em
ou “universal” e visa abranger o mundo determinadas regiões do mundo, atentando
inteiro. É administrado fundamentalmente para as respectivas especificidades e
pela Organização das Nações Unidas (ONU) e beneficiando-se da maior facilidade de
seu principal órgão é o Alto Comissariado das promover o consenso entre Estados. Os mais
Nações Unidas para os Direitos Humanos. conhecidos são o Europeu, o Africano e o
Interamericano, do qual o Brasil faz parte.

Seus documentos mais importantes são:

- A Declaração Universal dos Direitos O sistema interamericano é organizado pela


Humanos, de 1948; OEA – Organização dos Estados Americanos.

- Pacto sobre Direitos Civis e Políticos e; Seu principal órgão é a Comissão


Interamericana de Direitos Humanos.
- Pacto sobre Direitos Econômicos, Sociais e
Culturais, de 1966

#OUSESABER: O que se entende por europeização de sistema interamericano? Inicialmente, importante


destacar que, atualmente, existem três sistemas regionais em funcionamento: o europeu, o interamericano e o
africano. A coexistência destes sistemas de proteção fez surgir o que a doutrina chamou de “Europeização” do
Sistema Interamericano e a “Interamericanização´´ do Sistema Europeu. Em breve síntese, estes fenômenos
consistem no diálogo entre as cortes e enriquecem os julgamentos proferidos pelos sistemas regionais. Segundo
Flávia Piovesan, “O resultado é a transformação dos sistemas regionais por meio da inovação jurisprudencial e
do fortalecimento da capacidade de responder a desafios concernentes a violações de direitos, propiciando
proteção mais efetiva aos direitos das vítimas.” Assim, ante a ausência de jurisprudência anterior em um dos
sistemas de proteção, busca-se precedentes provenientes de outro sistema, com o escopo de se manter a
posição internacional adotada pelos demais órgãos regionais e, por conseguinte, obter uma jurisprudência
unitária globalmente. A Europeização do Sistema Interamericano, portanto, consiste na utilização de alguns
julgamentos da Corte Europeia de Direitos Humanos pela Corte Interamericana de Direitos Humanos em algum
dos seus julgamentos. Como exemplo, podemos citar o Caso Atala Riffo y ninãs vs. Chile, submetido à Corte
Interamericana em virtude de a Corte Suprema de Justiça do Chile ter retirado o poder parental da Srª Karen
Atala em razão de sua orientação sexual. Neste caso, ao verificar que não possuía qualquer julgamento anterior
relacionado aos direitos em análise, A Corte Interamericana utilizou o precedente da Corte Europeia relativo ao
caso Salgueiro da Silva Mouta vs. Portugal (julgado em 21 de Março de 2000) e defendeu que a decisão da Corte
Suprema do Chile resultou em tratamento discriminatório, em interferência indevida na vida privada e familiar
e em descumprimento aos artigos 1, parágrafo 1 e 14 da Convenção Interamericana, os quais correspondem a
cláusula aberta que inclui a categoria da orientação sexual, preveem o princípio da igualdade e a proibição da
discriminação.

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A Convenção Americana enunciou, basicamente, direitos liberais. Assim, é errado dizer que a Convenção trouxe
um catálogo de direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais. Os direitos sociais, econômicos e
culturais estão previstos no Protocolo de San Salvador.

De acordo com Rafael Barretto 5 , a Convenção Americana basicamente reproduziu os direitos do Pacto
Internacional dos direitos civis e políticos da ONU, com algumas novidades, ex. direito à propriedade.

#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA:
PRISÃO CIVIL. Depósito. Depositário infiel. Alienação fiduciária. Decretação da medida coercitiva.
Inadmissibilidade absoluta. Insubsistência da previsão constitucional e das normas subalternas. Interpretação
do art. 5º, inc. LXVII e §§ 1º, 2º e 3º, da CF, à luz do art. 7º, § 7, da Convenção Americana de Direitos Humanos
(Pacto de San José da Costa Rica). Recurso improvido. Julgamento conjunto do RE nº 349.703 e dos HCs nº
87.585 e nº 92.566. É ilícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja a modalidade do depósito.
(RE 466343, Relator (a): Min. CEZAR PELUSO, Tribunal Pleno, julgado em 03/12/2008, REPERCUSSÃO GERAL -
MÉRITO DJe-104 DIVULG 04-06-2009 PUBLIC 05-06-2009 EMENT VOL-02363-06 PP-01106 RTJ VOL-00210-02 PP-
00745 RDECTRAB v. 17, n. 186, 2010, p. 29-165)

#DEOLHONASÚMULA:
Súmula Vinculante 25: É ilícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja a modalidade de depósito.

#APOSTACICLOS: A Convenção Interamericana sobre Direitos Humanos possui aplicação imediata, o que
significa dizer que os direitos nela previstos podem ser exigidos de imediato.

Alguns direitos poderão ser suspensos em circunstâncias excepcionais? SIM! Em caso de GUERRA ou de
PERIGO PÚBLICO ou de OUTRA EMERGÊNCIA, estando em jogo a independência e segurança do Estado, isso é
possível. Mas se ligue: alguns direitos não podem ser suspensos:
(i) Direito ao reconhecimento da personalidade jurídica e ao nome;
(ii) Direito à vida e à integridade física;
(iii) Proibição da escravidão e da servidão;
(iv) Princípios da legalidade e retroatividade;

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BARRETO, Rafael. Direitos Humanos – 9 ed. – Bahia: Juspodivm,2019.

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(vi) Liberdade de consciência e de religião, proteção da família, direitos da criança, nacionalidade e direitos
políticos

ODS
Em 2016, a ONU propôs aos líderes mundiais 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) para que,
coletivamente, a humanidade pudesse dissociar o crescimento econômico da pobreza, da desigualdade e das
mudanças climáticas, por meio de construções sustentáveis.

ODS 1 – Erradicação da pobreza: Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares.

ODS 2 – Fome zero e agricultura sustentável: Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da
nutrição e promover a agricultura sustentável.

ODS 3 – Saúde e bem-estar: Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as
idades.

ODS 4 – Educação de qualidade: Assegurar a educação inclusiva e equitativa e de qualidade, e promover


oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos.

ODS 5 – Igualdade de gênero: Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas.

ODS 6 – Água potável e saneamento: Assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento
para todos.

ODS 7 – Energia limpa e acessível: Assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço acessível à
energia para todos.

ODS 8 – Trabalho decente e crescimento econômico: Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo
e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todos.

ODS 9 – Indústria, inovação e infraestrutura: Construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização


inclusiva e sustentável e fomentar a inovação.

ODS 10 – Redução das desigualdades: Reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles.

ODS 11 – Cidades e comunidades sustentáveis: Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos,


seguros, resilientes e sustentáveis.

ODS 12 – Consumo e produção sustentáveis: Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis.

ODS 13 – Ação contra a mudança global do clima :Tomar medidas urgentes para combater a mudança do clima
e seus impactos.

ODS 14 – Vida na água: Conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos para o
desenvolvimento sustentável.

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ODS 15 – Vida terrestre: Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de
forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda
de biodiversidade.

ODS 16 – Paz, justiça e instituições eficazes: Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento
sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas
em todos os níveis.

ODS 17 – Parcerias e meios de implementação: Fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria


global para o desenvolvimento sustentável.

INCORPORAÇÃO DE TRATADOS
Os tratados e convenções de direitos humanos aprovados com quórum de emenda constitucional integram-se
no bloco de constitucionalidade brasileiro, possuindo, assim, força constitucional.

Art. 5º (...)

§ 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do
Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às
emendas constitucionais.

#JÁCAIU

Ano: 2020 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: MPE-CE Prova: CESPE - 2020 - MPE-CE - Promotor de Justiça de
Entrância Inicial

No Brasil, após a promulgação da Emenda Constitucional n.º 45/2004, os tratados relativos aos direitos humanos
aprovados na forma prevista são equivalentes às

Alternativas6

a) leis complementares.

b) emendas constitucionais.

c) leis ordinárias.

d) garantias individuais e coletivas.

e) normas de direito fundamental.

Atualmente dois tratados internacionais de direitos humanos conseguiram alcançar esse patamar:

6
Gabarito: b.

15
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 Convenção sobre os direitos da pessoa com deficiência;
 Convenção de Marraqueche (facilita o acesso a obras públicas a pessoas cegas).

#APOSTACICLOS

O Congresso Nacional promulgou a Convenção Interamericana Contra o Racismo, a Discriminação Racial e


Formas Correlatas de Intolerância (decreto n° 1/2021), aprovada em 2013 na Guatemala, com apoio do Brasil,
durante encontro da Organização dos Estados Americanos (OEA). Agora, o texto será submetido ao Presidente
da República para ratificação. Após, o diploma internacional passará a integrar o ordenamento jurídico com
“status” de emenda constitucional.
A Convenção Interamericana Contra o Racismo, a Discriminação Racial e Formas Correlatas de Intolerância
traz o seguinte conceito para discriminação racial:

Discriminação racial é qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência, em qualquer área da vida pública
ou privada, cujo propósito ou efeito seja anular ou restringir o reconhecimento, gozo ou exercício, em condições
de igualdade, de um ou mais direitos humanos e liberdades fundamentais consagrados nos instrumentos
internacionais aplicáveis aos Estados Partes. A discriminação racial pode basear-se em raça, cor, ascendência
ou origem nacional ou étnica.

#SELIGANOSINÔNIMO: TEORIA DO DUPLO ESTATUTO (STF) – Corrente que prevalece atualmente, defendendo
que os tratados que forem aprovados pelo rito do §3º do art. 5º tem natureza constitucional. Caso contrário,
terão natureza supralegal (acima das leis, abaixo da CF/88), independente se foram incorporados antes ou
depois da referida EC. Ex. Pacto de San Jose.

Em virtude da ação da Teoria do Duplo Estatuto pelo ordenamento jurídico brasileiro, adota-se o chamado
CONTROLE DE CONVENCIONALIDADE, que nada mais é do que a aferição da compatibilidade das leis e atos
normativos brasileiros com os tratados internacionais de direitos humanos ratificados pelo Brasil.

#DEOLHONOEXAMINADOR: Não importa se o tratado foi aprovado pelo rito do art. 5º, §3º (natureza
constitucional) ou não (natureza supralegal). Divide-se em:

• Controle de Convencionalidade de matriz internacional: Chamado de autêntico ou definitivo, atribuído a


órgãos internacionais criados por tratados internacionais (Corte Interamericana, Corte Europeia etc.);

• Controle de Convencionalidade de matriz nacional: Chamado de provisório ou preliminar, é o exame de


compatibilidade do ordenamento interno, realizado por juízes e tribunais internos.

O Diálogo das Cortes consiste em compatibilização entre o resultado do controle de convencionalidade nacional
com o decidido no controle de convencionalidade internacional.

Existe este diálogo, uma vez que, tanto o STF, quanto os órgãos internacionais cumprem a mesma missão: de
assegurar o respeito à dignidade humana e os direitos fundamentais.

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#OLHAOGANCHO: O Estado, ao assinar um tratado internacional de direitos humanos não assume obrigações
recíprocas com outro Estado e sim com a Comunidade Internacional, bem com os indivíduos que residam neste
Estado, de que irá respeitar os direitos humanos estabelecidos.

#JÁCAIU

Ano: 2019 Banca: MPE-GO Órgão: MPE-GO Prova: MPE-GO - 2019 - MPE-GO - Promotor de Justiça -
Reaplicação

"Todo tratado em vigor obriga as partes e deve ser cumprido por elas de boa-fé " (art . 26 da Convenção de
Viena sobre o Direito dos Tratados). Essa norma estampa um importante princípio do direito internacional
público atual, que é a obrigação de respeitar os tratados, além de constituir um dos fundamentos do chamado
controle de convencionalidade. Informar a alternativa incorreta:

Alternativas7

a) É possível afirmar que a Corte Interamericana de Direitos Humanos, em razão dos valores fundamentais e
existenciais desses mesmos direitos, atribui a si a obrigação primária, inicial ou imediata de compatibilização das
normas internas com os instrumentos internacionais de direitos humanos dos quais o Estado é parte.

b) A Corte Interamericana de Direitos Humanos não toma apenas os tratados de direitos humanos como
paradigmas do controle de convencionalidade, mas também a sua própria jurisprudência.

c) Para além do controle jurisdicional de convencionalidade, são possíveis, no atual modelo brasileiro, os
controles legislativo e executivo dessa mesma convencionalidade.

d) A Corte Interamericana de Direitos Humanos entende que é paradigma de controle de convencionalidade das
normas domésticas, no sistema interamericano de proteção dos direitos humanos, todo o corpo jurídico
internacional de proteção, o que inclui o sistema global de direitos humanos.

#SELIGANOCONCEITO: O que se entende por the power of embarrassment no âmbito do sistema de proteção
de direitos humanos? Os sistemas regionais de proteção dos direitos humanos, sejam estes civis e políticos ou
econômicos, sociais e culturais, necessitam de mecanismos efetivos para a tutela e proteção desses direitos,
incluindo medidas como: o monitoramento, visitas "in loco", produção de relatórios, peticionamento aos órgãos
de proteção do sistema e comunicações interestatais. Segundo a Profa. Flávia Piovesan, “é fundamental
encorajar os Estados a aceitar estes mecanismos. Não é mais admissível que Estados aceitem direitos e neguem
as garantias de sua proteção”. Nesse contexto, esses mecanismos têm a possibilidade de gerar situações

7
Gabarito: a.

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politicamente delicadas e constrangedoras no âmbito internacional para os Estados violadores de direitos
humanos, tal risco de constrangimento político e moral dos estados violadores é que se chama de “the power
of embarrassment”, ou seja, é risco de prejuízos em face da opinião pública internacional, capaz de estimular
tais Estados a cumprirem as decisões ou recomendações emanadas pelo sistema de proteção de direitos
humanos.

Deslocamento de competência na CF/88: em casos de violação de direitos humanos, em razão da gravidade da


situação, a competência pode ser transferida da Justiça Estadual, para a Justiça Federal.

Art. 109 (...)

§ 5º Nas hipóteses de grave violação de direitos humanos, o Procurador-Geral da República, com a finalidade
de assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes de tratados internacionais de direitos humanos dos
quais o Brasil seja parte, poderá suscitar, perante o Superior Tribunal de Justiça, em qualquer fase do inquérito
ou processo, incidente de deslocamento de competência para a Justiça Federal.

RECOMENDAÇÃO Nº 61/17 CNMP


A Recomendação nº 61/17 recomenda às unidades e aos ramos do Ministério Público brasileiro a realização de
encontros com os movimentos sociais.

#DEOLHONOEXAMINADOR

Art. 1º A promoção de encontros com os movimentos sociais pelas unidades e ramos do Ministério Público
Brasileiro, com objetivo de, notadamente:

I – aproximar os membros do Ministério Público das demandas da sociedade por meio do diálogo aberto,
informal, leal e transparente;

II – identificar demandas e tendências na defesa dos Direitos Fundamentais;

III – auxiliar os membros do Ministério Público a tomar conhecimento de eventuais ameaças a Direitos
Fundamentais;

IV – contribuir para o aprofundamento da democracia e da participação social, capacitação das lideranças dos
movimentos sociais sobre os serviços prestados pelo MP na defesa dos direitos e sobre o modo de acessá-los;

V – estabelecer as metas institucionais em temas de reconhecida relevância social, reunindo-se esforços


orçamentários e estruturais, tais como comissões, grupos de trabalho, forças-tarefa e outros, a fim de garantir
o alcance de resultados.

#OLHAOGANCHO: DISCRIMINAÇÃO POSITIVA

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Por muitos anos (primeira dimensão de direitos humanos) acreditou-se na igualdade formal, ou seja, bastava
tratar todos da mesma forma para haver justiça. No entanto, nem todos estão na mesma situação jurídica,
econômica, social. As pessoas são diferentes e carecem de necessidades diversas. Nesse contexto, percebeu que
além da igualdade formal é imprescindível que exista igualdade material: trata de maneira igual os iguais e
desigual os desiguais, na medida de sua desigualdade. Para que isso seja possível, é necessário que haja uma
descriminação positiva, mediante a criação de políticas pública.

De acordo com Rafael Barretto8, ações afirmativas (discriminação positiva) são ações que visam concretamente
igualdade material, igualdade no plano real, da vida fática, indo além da mera perspectiva formal da igualdade.

A igualdade material pressupõe que todos tenham efetivamente condições de igualdade na vida real, de modo
que, para além da previsão formal de que todos são iguais na lei.

#OLHAOGANCHO: Muitas vezes, a criação de políticas públicas exige investimento financeiro do Estado. Para
escapar dessas despesas, o Poder Público alega que precisa fazer escolhas trágicas e a reserva do possível. No
entanto, o Estado precisa garantir o mínimo existencial, para preservar a dignidade da pessoa humana.

Teoria dos limites da limitação: O poder de limitar direitos é um poder limitado.

Para Rafael Barretto 9 , os parâmetros para a limitação de um direito podem estar expressos no texto
constitucional ou extraídos do sistema constitucional. Ademais, jamais pode ser desproporcional.

O Poder Legislativo limita direitos quando edita leis que restringem o alcance e o programa normativo deles (leis
restritivas de direitos). O Poder Executivo limita direitos quando adota medidas administrativas que restringem
direitos. E, o Poder Judiciário limita direitos em situações excepcionais, quando do julgamento de casos
concretos que envolvem conflitos entre direitos.

#OLHAOGANCHO: CONTEÚDO ESSENCIAL DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS

O objetivo de se definir o conteúdo essencial de um direito fundamental é evitar que a regulação legal de seu
exercício desnaturalize ou altere o direito tal como consagrado na CF.

TEORIA ABSOLUTA: O conteúdo essencial é uma parte do conteúdo total do direito fundamental. Seria um
núcleo duro do conteúdo total que seria intransponível pelo legislador. Esse conteúdo essencial é absoluto! Não
pode ser relativizado.

TEORIA RELATIVA: Essa teoria defende a necessidade de justificar as restrições aos direitos fundamentais
mediante o recurso ao princípio da proporcionalidade. Não existiria um limite intransponível, a priori. É preciso
antes analisar a medida à luz do princípio da proporcionalidade. Se a medida estatal for proporcional, não atingiu
o conteúdo essencial.

Existem duas teorias de fixação dos limites (ou restrições):

 Teoria interna: o direito e o seus limites imanentes formam apenas um objeto. Os limites são fixados a
priori, através da interpretação, em um processo interno ao próprio direito, sem a influência de outras

8
BARRETO, Rafael. Direitos Humanos – 9 ed. – Bahia: Juspodivm,2019.

9
BARRETO, Rafael. Direitos Humanos – 9 ed. – Bahia: Juspodivm,2019.

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normas constitucionais. Esses direitos vão ter sempre a estrutura de regras (tudo ou nada: ou aquilo faz
parte do direito ou não faz parte).
 Teoria externa: utiliza a expressão “restrição” no lugar de limites. Por ela, existem dois objetos: o direito
em si e suas restrições, as quais estão situadas fora do direito. O conteúdo permitido de um direito vai
depender da análise de outros direitos envolvidos no caso concreto. A princípio tudo é possível, e
analisando as colisões verifica-se na prática se determinada conduta é ou não permitida. Então aqui a
fixação dos limites de um direito é feita em duas etapas. 1ª: identificação do conteúdo inicialmente
protegido, determinado da forma mais ampla possível (direito prima facie). 2ª: definição dos limites
externos decorrentes da necessidade de conciliar o direito com outros direitos (direito definitivo).
#OLHAOGANCHO: DIMENSÃO SUBJETIVA E DIMENSÃO OBJETIVA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS

Enquanto direitos subjetivos, os direitos fundamentais outorgam aos titulares a prerrogativa de impor os seus
interesses em face dos órgãos obrigados. Por outro lado, em sua dimensão objetiva, os direitos fundamentais
formam a base do ordenamento jurídico de um Estado de Direito democrático.

Em prol da igualdade material, o STF se posicionou pela constitucionalidade das cotas raciais:

#AJUDAMARCINHO

É constitucional a reserva de 20% das vagas oferecidas nos concursos públicos para provimento de cargos
efetivos e empregos públicos no âmbito da administração pública direta e indireta. STF. Plenário. ADC 41/DF,
Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 8/6/2017 (repercussão geral) (Info 868).

Entenda os fundamentos utilizados pelo Tribunal:

 Em primeiro lugar, a desequiparação promovida pela política de ação afirmativa em questão está em
consonância com o princípio da isonomia. Ela se funda na necessidade de superar o racismo estrutural
e institucional ainda existente na sociedade brasileira, e garantir a igualdade material entre os cidadãos,
por meio da distribuição mais equitativa de bens sociais e da promoção do reconhecimento da
população afrodescendente.
 Em segundo lugar, não há violação aos princípios do concurso público e da eficiência. A reserva de vagas
para negros não os isenta da aprovação no concurso público. Como qualquer outro candidato, o
beneficiário da política deve alcançar a nota necessária para que seja considerado apto a exercer, de
forma adequada e eficiente, o cargo em questão. Além disso, a incorporação do fator “raça” como
critério de seleção, ao invés de afetar o princípio da eficiência, contribui para sua realização em maior
extensão, criando uma “burocracia representativa”, capaz de garantir que os pontos de vista e
interesses de toda a população sejam considerados na tomada de decisões estatais.
 Em terceiro lugar, a medida observa o princípio da proporcionalidade em sua tríplice dimensão. A
existência de uma política de cotas para o acesso de negros à educação superior não torna a reserva de
vagas nos quadros da administração pública desnecessária ou desproporcional em sentido estrito. Isso
porque: (i) nem todos os cargos e empregos públicos exigem curso superior; (ii) ainda quando haja essa
exigência, os beneficiários da ação afirmativa no serviço público podem não ter sido beneficiários das
cotas nas universidades públicas; e (iii) mesmo que o concorrente tenha ingressado em curso de ensino
superior por meio de cotas, há outros fatores que impedem os negros de competir em pé de igualdade
nos concursos públicos, justificando a política de ação afirmativa instituída pela Lei n° 12.990/2014.

#APROFUNDAMENTO: O que se entende por teoria do impacto desproporcional?

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(i) Histórico e aplicabilidade: A teoria surgiu nos Estados Unidos, em 1971, com o caso Griggs x Duke Power Co.,
questionando-se o critério de promoção praticado pela empresa – um teste de conhecimento gerais, não
relacionados ao cargo – que seria desfavorável a trabalhadores negros, por terem sido obrigados a estudar em
escolhas segregadas de pior qualidade. Apesar de aparentemente neutro, o teste aplicado perpetuava a situação
de inferioridade dos negros, tendo sido vedado pela Suprema Corte. A Corte Europeia também aplicou a teoria
em Bilka-Kaufhaus v. Von Hartz, mas em relação a desigualdade de gênero, não de raça. O STF, na ADI 1.946-
5/DF, valeu-se, de certo modo, desse pensamento, ao estabelecer que o salário maternidade não poderia se
limitar ao teto dos benefícios da previdência social, sob pena de desestimular a contratação de mulher.

(ii) Conceito: A teoria do impacto desproporcional, adotada no Brasil, permite que se constate violações ao
princípio da igualdade quando os efeitos práticos de determinadas normas, de caráter aparentemente neutro,
causem dano excessivo, ainda que não intencional, aos integrantes de determinados grupos vulneráveis.

(iii) Concepções do direito à igualdade: Segundo Flávia Piovesan, a igualdade pode ser: (i) formal, reduzida à
formula “todos são iguais perante a lei” que, ao seu tempo, foi crucial para abolição de privilégios; (ii) material,
correspondente ao ideal de justiça social e distributiva (orientada pelo critério socioeconômico); e (iii) material
com ideal de justiça ao reconhecimento de desigualdades, como orientação sexual, idade, raça, cor e outros,
surgindo daí a necessidade de um protagonismo estatal, orientado pelo dever de respeitar, de proteger e
implementar os direitos humanos.

#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA #SAINDODOFORNO

INJÚRIA RACIAL. CRIME IMPRESCRITÍVEL. OFENSA A DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE.


USURPAÇÃO DE COMPETÊNCIA. MATÉRIA ANALISADA, EM CASO ANÁLOGO, PELO STF. AGRAVO REGIMENTAL
PARCIALMENTE PROVIDO E INDEFERIDO O PEDIDO DE EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE. 1. Comprovada a
republicação da decisão de inadmissão do recurso especial, é reconsiderada a decisão que julgou intempestivo
o agravo. 2. Nos termos da orientação jurisprudencial desta Corte, com o advento da Lei n.9.459/97,
introduzindo a denominada injúria racial, criou-se mais um delito no cenário do racismo, portanto,
imprescritível, inafiançável e sujeito à pena de reclusão (AgRg no AREsp 686.965/DF, Rel. Ministro ERICSON
MARANHO (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/SP), SEXTA TURMA, julgado em 18/08/2015, DJe
31/08/2015). 3. A ofensa a dispositivo constitucional não pode ser examinada em recurso especial, uma vez que
compete exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal o exame de matéria constitucional, o qual já
se manifestou, em caso análogo, refutando a violação do princípio da proporcionalidade da pena cominada ao
delito de injúria
racial. 4. Agravo regimental parcialmente provido para conhecer do agravo em recurso especial mas negar-
lhe provimento e indeferir o pedido de extinção da punibilidade. (STF - HC: 154248 DF 0067385-
46.2018.1.00.0000, Rel. Edson Fachin)

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PONTO: 1.5. Sistema Único de Saúde; 1.6. Sistema Único de Assistência Social; 1.7. SUSAN – Sistema Único de
Segurança Alimentar e Nutricional; 1.8. Racismo. Conceito e espécies: racismo estrutural, institucional,
ambiental, recreativo, religioso, interseccionalidade entre raça, gênero e classe, preconceito racial, igualdade
racial e ações afirmativas; 1.9. Pessoas com deficiência; pessoas portadoras de transtornos mentais;

SUS E SUAS
O SUS vem disposto tanto na CF, como em lei própria:

CF/88 Lei 8.080/90

Art. 196. A saúde é direito de todos e dever Art. 1º Esta lei regula, em todo o território
do Estado, garantido mediante políticas nacional, as ações e serviços de saúde,
sociais e econômicas que visem à redução do executados isolada ou conjuntamente, em
risco de doença e de outros agravos e ao caráter permanente ou eventual, por pessoas
acesso universal e igualitário às ações e naturais ou jurídicas de direito Público ou
serviços para sua promoção, proteção e privado.
recuperação.
Art. 2º A saúde é um direito fundamental do
Art. 197. São de relevância pública as ações e ser humano, devendo o Estado prover as
serviços de saúde, cabendo ao Poder Público condições indispensáveis ao seu pleno
dispor, nos termos da lei, sobre sua exercício.
regulamentação, fiscalização e controle,
devendo sua execução ser feita diretamente § 1º O dever do Estado de garantir a saúde
ou através de terceiros e, também, por consiste na formulação e execução de
políticas econômicas e sociais que visem à
pessoa física ou jurídica de direito privado.
redução de riscos de doenças e de outros
Art. 198. As ações e serviços públicos de agravos e no estabelecimento de condições
saúde integram uma rede regionalizada e que assegurem acesso universal e igualitário
hierarquizada e constituem um sistema às ações e aos serviços para a sua promoção,
único, organizado de acordo com as proteção e recuperação.
seguintes diretrizes: (Vide ADPF 672)
§ 2º O dever do Estado não exclui o das
I - descentralização, com direção única em pessoas, da família, das empresas e da
cada esfera de governo; sociedade.

II - atendimento integral, com prioridade para Art. 3º Os níveis de saúde expressam a


as atividades preventivas, sem prejuízo dos organização social e econômica do País,
serviços assistenciais; tendo a saúde como determinantes e
condicionantes, entre outros, a alimentação,
III - participação da comunidade. a moradia, o saneamento básico, o meio
§ 1º. O sistema único de saúde será ambiente, o trabalho, a renda, a educação, a
financiado, nos termos do art. 195, com atividade física, o transporte, o lazer e o
recursos do orçamento da seguridade social, acesso aos bens e serviços essenciais.

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da União, dos Estados, do Distrito Federal e Parágrafo único. Dizem respeito também à
dos Municípios, além de outras fontes. saúde as ações que, por força do disposto no
artigo anterior, se destinam a garantir às
§ 2º A União, os Estados, o Distrito Federal e
pessoas e à coletividade condições de bem-
os Municípios aplicarão, anualmente, em estar físico, mental e social.
ações e serviços públicos de saúde recursos
mínimos derivados da aplicação de Art. 4º O conjunto de ações e serviços de
percentuais calculados sobre: saúde, prestados por órgãos e instituições
públicas federais, estaduais e municipais, da
I - no caso da União, a receita corrente líquida Administração direta e indireta e das
do respectivo exercício financeiro, não fundações mantidas pelo Poder Público,
podendo ser inferior a 15% (quinze por
constitui o Sistema Único de Saúde (SUS).
cento);
§ 1º Estão incluídas no disposto neste artigo
II - no caso dos Estados e do Distrito Federal, as instituições públicas federais, estaduais e
o produto da arrecadação dos impostos a que municipais de controle de qualidade,
se refere o art. 155 e dos recursos de que pesquisa e produção de insumos,
tratam os arts. 157 e 159, inciso I, alínea a, e medicamentos, inclusive de sangue e
inciso II, deduzidas as parcelas que forem hemoderivados, e de equipamentos para
transferidas aos respectivos Municípios;
saúde.
III - no caso dos Municípios e do Distrito
§ 2º A iniciativa privada poderá participar do
Federal, o produto da arrecadação dos
Sistema Único de Saúde (SUS), em caráter
impostos a que se refere o art. 156 e dos complementar.
recursos de que tratam os arts. 158 e 159,
inciso I, alínea b e § 3º.

§ 3º Lei complementar, que será reavaliada


pelo menos a cada cinco anos,
estabelecerá:

I - os percentuais de que tratam os incisos II e


III do § 2º;

II - os critérios de rateio dos recursos da


União vinculados à saúde destinados aos
Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios,
e dos Estados destinados a seus respectivos
Municípios, objetivando a progressiva
redução das disparidades regionais;

III - as normas de fiscalização, avaliação e


controle das despesas com saúde nas esferas
federal, estadual, distrital e municipal;

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§ 4º Os gestores locais do sistema único de
saúde poderão admitir agentes comunitários
de saúde e agentes de combate às endemias
por meio de processo seletivo público, de
acordo com a natureza e complexidade de
suas atribuições e requisitos específicos para
sua atuação.

§ 5º Lei federal disporá sobre o regime


jurídico, o piso salarial profissional nacional,
as diretrizes para os Planos de Carreira e a
regulamentação das atividades de agente
comunitário de saúde e agente de combate
às endemias, competindo à União, nos
termos da lei, prestar assistência financeira
complementar aos Estados, ao Distrito
Federal e aos Municípios, para o
cumprimento do referido piso salarial.

§ 6º Além das hipóteses previstas no § 1º do


art. 41 e no § 4º do art. 169 da Constituição
Federal, o servidor que exerça funções
equivalentes às de agente comunitário de
saúde ou de agente de combate às endemias
poderá perder o cargo em caso de
descumprimento dos requisitos específicos,
fixados em lei, para o seu exercício.

Art. 199. A assistência à saúde é livre à


iniciativa privada.

§ 1º - As instituições privadas poderão


participar de forma complementar do
sistema único de saúde, segundo diretrizes
deste, mediante contrato de direito público
ou convênio, tendo preferência as entidades
filantrópicas e as sem fins lucrativos.

§ 2º É vedada a destinação de recursos


públicos para auxílios ou subvenções às
instituições privadas com fins lucrativos.

§ 3º É vedada a participação direta ou


indireta de empresas ou capitais estrangeiros

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na assistência à saúde no País, salvo nos casos
previstos em lei.

§ 4º A lei disporá sobre as condições e os


requisitos que facilitem a remoção de órgãos,
tecidos e substâncias humanas para fins de
transplante, pesquisa e tratamento, bem
como a coleta, processamento e transfusão
de sangue e seus derivados, sendo vedado
todo tipo de comercialização.

Art. 200. Ao sistema único de saúde compete,


além de outras atribuições, nos termos da lei:

I - controlar e fiscalizar procedimentos,


produtos e substâncias de interesse para a
saúde e participar da produção de
medicamentos, equipamentos,
imunobiológicos, hemoderivados e outros
insumos;

II - executar as ações de vigilância sanitária e


epidemiológica, bem como as de saúde do
trabalhador;

III - ordenar a formação de recursos humanos


na área de saúde;

IV - participar da formulação da política e da


execução das ações de saneamento básico;

V - incrementar, em sua área de atuação, o


desenvolvimento científico e tecnológico e a
inovação;

VI - fiscalizar e inspecionar alimentos,


compreendido o controle de seu teor
nutricional, bem como bebidas e águas para
consumo humano;

VII - participar do controle e fiscalização da


produção, transporte, guarda e utilização de
substâncias e produtos psicoativos, tóxicos e
radioativos;

25
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VIII - colaborar na proteção do meio
ambiente, nele compreendido o do trabalho.

#OLHAOGANCHO: SUAS

A Assistência Social vem disciplinada na Lei nº 8.742/93. A assistência social consiste em direito do cidadão e
dever do Estado. Faz parte da Política de Seguridade Social não contributiva, que provê os mínimos sociais,
realizada através de um conjunto integrado de ações de iniciativa pública e da sociedade, com o escopo de
garantir o atendimento às necessidades básicas.

#SELIGANALEI

Art. 2º A assistência social tem por objetivos:

I - a proteção social, que visa à garantia da vida, à redução de danos e à prevenção da incidência de riscos,
especialmente:

a) a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice;

b) o amparo às crianças e aos adolescentes carentes;

c) a promoção da integração ao mercado de trabalho;

d) a habilitação e reabilitação das pessoas com deficiência e a promoção de sua integração à vida comunitária;
e

e) a garantia de 1 (um) salário-mínimo de benefício mensal à pessoa com deficiência e ao idoso que comprovem
não possuir meios de prover a própria manutenção ou de tê-la provida por sua família;

II - a vigilância socioassistencial, que visa a analisar territorialmente a capacidade protetiva das famílias e nela a
ocorrência de vulnerabilidades, de ameaças, de vitimizações e danos;

III - a defesa de direitos, que visa a garantir o pleno acesso aos direitos no conjunto das provisões
socioassistenciais.

Parágrafo único. Para o enfrentamento da pobreza, a assistência social realiza-se de forma integrada às políticas
setoriais, garantindo mínimos sociais e provimento de condições para atender contingências sociais e
promovendo a universalização dos direitos sociais.

ATENÇÃO! CRAS E CREAS

#TABELALOVERS

Centro de Referência de Assistência Social Centro de Referência Especializado em


Assistência Social

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É responsável pela prevenção de situações de Trata das consequências e acompanha
vulnerabilidade social e risco nos territórios. as famílias e indivíduos que já tiveram seus
direitos violados.

O Cras é a unidade pública municipal, de base O Creas é a unidade pública de abrangência e


territorial, localizada em áreas com maiores gestão municipal, estadual ou regional,
índices de vulnerabilidade e risco social, destinada à prestação de serviços a
destinada à articulação dos serviços indivíduos e famílias que se encontram em
socioassistenciais no seu território de situação de risco pessoal ou social, por
abrangência e à prestação de serviços, violação de direitos ou contingência, que
programas e projetos socioassistenciais de demandam intervenções especializadas da
proteção social básica às famílias. proteção social especial.

#APOSTACICLOS

Os Cras e os Creas são unidades públicas estatais instituídas no âmbito do Suas, que possuem interface com as
demais políticas públicas e articulam, coordenam e ofertam os serviços, programas, projetos e benefícios da
assistência social.

SISAN
O Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional – SISAN tem como escopo assegurar o direito humano
à alimentação adequada (lei 11.346/06):

#SELIGANALEI

Art. 1º Esta Lei estabelece as definições, princípios, diretrizes, objetivos e composição do Sistema Nacional de
Segurança Alimentar e Nutricional – SISAN, por meio do qual o poder público, com a participação da sociedade
civil organizada, formulará e implementará políticas, planos, programas e ações com vistas em assegurar o
direito humano à alimentação adequada.

Art. 2º A alimentação adequada é direito fundamental do ser humano, inerente à dignidade da pessoa humana
e indispensável à realização dos direitos consagrados na Constituição Federal, devendo o poder público adotar
as políticas e ações que se façam necessárias para promover e garantir a segurança alimentar e nutricional da
população.

§ 1º A adoção dessas políticas e ações deverá levar em conta as dimensões ambientais, culturais, econômicas,
regionais e sociais.

§ 2º É dever do poder público respeitar, proteger, promover, prover, informar, monitorar, fiscalizar e avaliar a
realização do direito humano à alimentação adequada, bem como garantir os mecanismos para sua
exigibilidade.

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Ciclos Método
Art. 3º A segurança alimentar e nutricional consiste na realização do direito de todos ao acesso regular e
permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras
necessidades essenciais, tendo como base práticas alimentares promotoras de saúde que respeitem a
diversidade cultural e que sejam ambiental, cultural, econômica e socialmente sustentáveis.

Art. 4º A segurança alimentar e nutricional abrange:

I - a ampliação das condições de acesso aos alimentos por meio da produção, em especial da agricultura
tradicional e familiar, do processamento, da industrialização, da comercialização, incluindo-se os acordos
internacionais, do abastecimento e da distribuição de alimentos, incluindo-se a água, bem como das medidas
que mitiguem o risco de escassez de água potável, da geração de emprego e da redistribuição da renda;

II – a conservação da biodiversidade e a utilização sustentável dos recursos;

III – a promoção da saúde, da nutrição e da alimentação da população, incluindo-se grupos populacionais


específicos e populações em situação de vulnerabilidade social;

IV – a garantia da qualidade biológica, sanitária, nutricional e tecnológica dos alimentos, bem como seu
aproveitamento, estimulando práticas alimentares e estilos de vida saudáveis que respeitem a diversidade
étnica e racial e cultural da população;

V – a produção de conhecimento e o acesso à informação; e

VI – a implementação de políticas públicas e estratégias sustentáveis e participativas de produção,


comercialização e consumo de alimentos, respeitando-se as múltiplas características culturais do País.

VII - a formação de estoques reguladores e estratégicos de alimentos.

Art. 5º A consecução do direito humano à alimentação adequada e da segurança alimentar e nutricional requer
o respeito à soberania, que confere aos países a primazia de suas decisões sobre a produção e o consumo de
alimentos.

Art. 6º O Estado brasileiro deve empenhar-se na promoção de cooperação técnica com países estrangeiros,
contribuindo assim para a realização do direito humano à alimentação adequada no plano internacional.

RACISMO
Atente-se para as espécies de racismo:

Racismo Estrutural

Práticas corriqueiras nos costumes que provocam preconceito.

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#SELIGANOEXEMPLO: É comum em piadas ofensivas.

Racismo Institucional

Ocorre no funcionamento das instituições e organizações. Provoca desigualdade na distribuição de serviços,


benefícios e oportunidades.

Racismo Religioso

Ofensa a religiões e crenças. Inclui perseguição e intolerância.

Racismo Ambiental

Exclusão dos lugares de tomada de decisão. Aniquilação do seu espaço, deslegitimação da fala e desqualificação
dos membros.

Racismo Sexual

É definido como preconceito em relações sexuais. Surgiu em razão de um aplicativo de relacionamento amoroso,
no qual havia a opção de selecionar a etnia desejada.

Racismo Recreativo

Prática de racismo disfarçada de “humor”.

#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA

O então Deputado Federal Jair Bolsonaro proferiu palestra no auditório de determinado clube e ali fez críticas e
comentários negativos a respeito dos quilombolas e também de povos estrangeiros.
No trecho mais questionado de sua palestra, ele afirmou: “Eu fui em um quilombola em El Dourado Paulista.
Olha, o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada! Eu acho que nem para procriador
eles servem mais. Mais de um bilhão de reais por ano gastado com eles. Recebem cesta básica e mais material
em implementos agrícolas. Você vai em El Dourado Paulista, você compra arame farpado, você compra enxada,
pá, picareta por metade do preço vendido em outra cidade vizinha. Por quê? Porque eles revendem tudo
baratinho lá. Não querem nada com nada.”
O STF entendeu que a conduta de Bolsonaro não configurou o crime de racismo (art. 20 da Lei nº 7.716/89).
As palavras por ele proferidas estão dentro da liberdade de expressão prevista no art. 5º, IV, da CF/88, além de
também estarem cobertas pela imunidade parlamentar (art. 53 da CF/88).
O objetivo de seu discurso não foi o de repressão, dominação, supressão ou eliminação dos quilombolas ou dos
estrangeiros.
O pronunciamento do parlamentar estava vinculado ao contexto de demarcação e proveito econômico das
terras e configuram manifestação política que não extrapola os limites da liberdade de expressão.
Além disso, as manifestações de Bolsonaro estavam relacionadas com a sua função de parlamentar. Inclusive, o
convite para a palestra se deu em razão do exercício do cargo de Deputado Federal a fim de dar a sua visão
geopolítica e econômica do País.
Assim, havia uma vinculação das manifestações apresentadas na palestra com os pronunciamentos do

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parlamentar na Câmara dos Deputados, de sorte que incide a imunidade parlamentar.
STF. 1ª Turma. Inq 4694/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 11/9/2018 (Info 915).

__________________________________________________________________________________________
A incitação ao ódio público contra quaisquer denominações religiosas e seus seguidores não está protegida pela
cláusula constitucional que assegura a liberdade de expressão.
Assim, é possível, a depender do caso concreto, que um líder religioso seja condenado pelo crime
de racismo (art. 20, §2º, da Lei nº 7.716/89) por ter proferido discursos de ódio público contra outras
denominações religiosas e seus seguidores.
STF. 2ª Turma. RHC 146303/RJ, rel. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Dias Toffoli, julgado em 6/3/2018 (Info
893).
Atenção. Compare com RHC 134682/BA, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 29/11/2016 (Info 849).

__________________________________________________________________________________________

Em regra, a competência para processar e julgar o crime de racismo praticado pela internet é do local de onde
partiram as mensagens com base no art. 70 do CPP, tendo em vista que, quando o usuário da rede social posta
a manifestação racista, ele, com esta conduta, já consuma o crime.
Logo, se as condutas delitivas foram praticadas por diferentes pessoas a partir de localidades diversas, a
princípio, a competência para julgar seria das Justiças localizadas nos locais de onde partiram as mensagens
racistas. Todavia, tais condutas contaram com o mesmo modus operandi, qual seja, troca e postagem de
mensagens de cunho racista e discriminatório contra diversas minorias. Dessa forma, estando interligadas as
condutas, constata-se a existência de conexão probatória a atrair a incidência dos arts. 76, III, e 78, II, do CPP.
Será competente para julgar conjuntamente os fatos o juízo prevento, ou seja, aquele que primeiro conheceu
dos fatos.
Resumindo: ainda que os possíveis autores dos fatos criminosos tenham domicílio em localidades distintas do
território nacional, compete ao juízo do local onde teve início a apuração das condutas processar e julgar todos
os supostos responsáveis pela troca de mensagens de conteúdo racista em comunidades de rede social na
internet, salvo quanto a eventuais processos em que já tiver sido proferida sentença.
STJ. 3ª Seção. CC 116926-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 4/2/2013 (Info 515).

__________________________________________________________________________________________

Determinado padre escreveu um livro, voltado ao público da Igreja Católica, no qual ele faz críticas ao espiritismo
e a religiões de matriz africana, como a umbanda e o candomblé.
O Ministério Público da Bahia ofereceu denúncia contra ele pela prática do art. 20, § 2º da Lei nº 7.716/89 (Lei
do racismo).
No caso concreto, o STF entendeu que não houve o crime.
A CF/88 garante o direito à liberdade religiosa. Um dos aspectos da liberdade religiosa é o direito que o indivíduo
possui de não apenas escolher qual religião irá seguir, mas também o de fazer proselitismo religioso.
Proselitismo religioso significa empreender esforços para convencer outras pessoas a também se converterem
à sua religião.
Desse modo, a prática do proselitismo, ainda que feita por meio de comparações entre as religiões (dizendo que
uma é melhor que a outra) não configura, por si só, crime de racismo.

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Só haverá racismo se o discurso dessa religião supostamente superior for de dominação, opressão, restrição de
direitos ou violação da dignidade humana das pessoas integrantes dos demais grupos. Por outro lado, se essa
religião supostamente superior pregar que tem o dever de ajudar os "inferiores" para que estes alcancem um
nível mais alto de bem-estar e de salvação espiritual e, neste caso não haverá conduta criminosa.
Na situação concreta, o STF entendeu que o réu apenas fez comparações entre as religiões, procurando
demonstrar que a sua deveria prevalecer e que não houve tentativa de subjugar os adeptos do espiritismo.
Pregar um discurso de que as religiões são desiguais e de que uma é inferior à outra não configura, por si, o
elemento típico do art. 20 da Lei nº 7.716/89. Para haver o crime, seria indispensável que tivesse ficado
demonstrado o especial fim de supressão ou redução da dignidade do diferente, elemento que confere sentido
à discriminação que atua como verbo núcleo do tipo.
STF. 1ª Turma. RHC 134682/BA, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 29/11/2016 (Info 849).

__________________________________________________________________________________________

Compete à justiça ESTADUAL processar e julgar crime de incitação à discriminação cometido via internet, quando
praticado contra pessoas determinadas e que não tenha ultrapassado as fronteiras territoriais brasileiras.
Obs.: no caso concreto, as ofensas teriam sido praticadas no fórum de discussão Correioweb.
STF. 1ª Turma. HC 121283/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 29/4/2014 (Info 744).

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Configura, em tese, difamação a conduta do agente que publica vídeo de um discurso no qual a frase completa
do orador é editada, transmitindo a falsa ideia de que ele estava falando mal de negros e pobres.
A edição de um vídeo ou áudio tem como objetivo guiar o espectador e, quando feita com o objetivo de difamar
a honra de uma pessoa, configura dolo da prática criminosa.
Vale ressaltar que esta conduta do agente, ainda que praticada por Deputado Federal, não estará protegida pela
imunidade parlamentar.
STF. 1ª Turma. Pet 5705/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 5/9/2017 (Info 876).

__________________________________________________________________________________________

Exemplo: Rita e Adriana trabalhavam em um órgão público. Rita ligou para o ramal telefônico de Adriana para
falar sobre um requerimento de abono de faltas que ela havia solicitado. Adriana avisou, então, que Reginaldo
(chefe do setor) havia indeferido o pedido. Ao saber de tal fato, Rita passou a proferir ofensas contra ele,
afirmando para Adriana: “este macaco, preto sem vergonha está indeferindo a minha falta”. Vale ressaltar,
contudo, que, momentos antes, Reginaldo, que estava no mesmo setor que Adriana, havia retirado o telefone
do gancho para fazer uma ligação e acabou por ouvir as palavras injuriosas proferidas por Rita. O Ministério
Público ofereceu denúncia contra Rita pela prática do crime de injúria racial (art. 140, § 3º do CP):
Art. 140 (...) § 3º Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem
ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência: Pena - reclusão de um a três anos e multa.
Para o STJ, não houve crime. Isso porque o delito de injúria se consuma quando a ofensa chega ao conhecimento
da vítima, sendo necessário dolo específico de ofender a honra subjetiva da vítima.
A acusada não tinha como saber que a vítima estava ouvindo o teor da conversa pela extensão telefônica.
Como a injúria se consuma com a ofensa à honra subjetiva de alguém, não há que se falar em dolo específico
no caso em que a vítima não era seu interlocutor na conversa telefônica e, acidentalmente, tomou
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conhecimento do teor da conversa.
O tipo penal em questão exige que a ofensa seja dirigida ao ofendido com a intenção de menosprezá-lo,
ofendendo-lhe a honra subjetiva.
STJ. 6ª Turma. REsp 1765673-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 26/05/2020 (Info 672).

__________________________________________________________________________________________

É inconstitucional lei estadual que proíba que a Administração Pública contrate empresa cujo diretor, gerente
ou empregado tenha sido condenado por crime ou contravenção relacionados com a prática de atos
discriminatórios.
Essa lei viola os princípios da intransmissibilidade da pena, da responsabilidade pessoal e do devido processo
legal.
STF. Plenário. ADI 3092, Rel. Marco Aurélio, julgado em 22/06/2020 (Info 987 – clipping).

__________________________________________________________________________________________

O STF determinou que a União elaborasse plano de combate à Covid-19 para população quilombola, com a
participação de representantes da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais
Quilombolas – Conaq.
Além disso, o STF deferiu pedido para suspender os processos judiciais, notadamente ações possessórias,
reivindicatórias de propriedade, imissões na posse, anulatórias de processos administrativos de titulação, bem
como os recursos vinculados a essas ações, sem prejuízo dos direitos territoriais das comunidades quilombolas
até o término da pandemia.
STF. Plenário. ADPF 742/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, redator do acórdão Min. Edson Fachin, julgado em
24/2/2021 (Info 1006).

#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA #SAINDODOFORNO

INJÚRIA RACIAL. CRIME IMPRESCRITÍVEL. OFENSA A DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE.


USURPAÇÃO DE COMPETÊNCIA. MATÉRIA ANALISADA, EM CASO ANÁLOGO, PELO STF. AGRAVO REGIMENTAL
PARCIALMENTE PROVIDO E INDEFERIDO O PEDIDO DE EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE. 1. Comprovada a
republicação da decisão de inadmissão do recurso especial, é reconsiderada a decisão que julgou intempestivo
o agravo. 2. Nos termos da orientação jurisprudencial desta Corte, com o advento da Lei n.9.459/97,
introduzindo a denominada injúria racial, criou-se mais um delito no cenário do racismo, portanto,
imprescritível, inafiançável e sujeito à pena de reclusão (AgRg no AREsp 686.965/DF, Rel. Ministro ERICSON
MARANHO (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/SP), SEXTA TURMA, julgado em 18/08/2015, DJe
31/08/2015). 3. A ofensa a dispositivo constitucional não pode ser examinada em recurso especial, uma vez que
compete exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal o exame de matéria constitucional, o qual já
se manifestou, em caso análogo, refutando a violação do princípio da proporcionalidade da pena cominada ao
delito de injúria
racial. 4. Agravo regimental parcialmente provido para conhecer do agravo em recurso especial mas negar-
lhe provimento e indeferir o pedido de extinção da punibilidade. (STF - HC: 154248 DF 0067385-
46.2018.1.00.0000, Rel. Edson Fachin)

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ESTATUTO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA
O Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146) alterou completamente o tratamento dado à pessoa com
deficiência, passando a assegurar a igualdade, para que a pessoa com deficiência possa, autonomamente,
exercer direitos em igualdade de condições com as demais pessoas.

#OLHAOGANCHO: O Estatuto da Pessoa com Deficiência tem como base a Convenção sobre os Direitos das
Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo.

#OLHAOSINÔNIMO: Igualdade como reconhecimento trata-se da busca em combater injustiças culturais e


simbólicas, com vistas à proteção de grupos vulneráveis.

Art. 1º É instituída a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com
Deficiência), destinada a assegurar e a promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das
liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania.

Parágrafo único. Esta Lei tem como base a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu
Protocolo Facultativo, ratificados pelo Congresso Nacional por meio do Decreto Legislativo nº 186, de 9 de julho
de 2008 , em conformidade com o procedimento previsto no § 3º do art. 5º da Constituição da República
Federativa do Brasil , em vigor para o Brasil, no plano jurídico externo, desde 31 de agosto de 2008, e
promulgados pelo Decreto nº 6.949, de 25 de agosto de 2009 , data de início de sua vigência no plano interno.

Art. 2º Considera-se pessoa com deficiência aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza
física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua
participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.

§ 1º A avaliação da deficiência, quando necessária, será biopsicossocial, realizada por equipe


multiprofissional e interdisciplinar e considerará:

I - os impedimentos nas funções e nas estruturas do corpo;

II - os fatores socioambientais, psicológicos e pessoais;

III - a limitação no desempenho de atividades; e

IV - a restrição de participação.

§ 2º O Poder Executivo criará instrumentos para avaliação da deficiência.

#APOSTACICLOS #NÃOCONFUNDA

Acessibilidade = possibilidade e condição de alcance para utilização, com segurança e autonomia, de espaços,
mobiliários, equipamentos urbanos, edificações, transportes, informação e comunicação, inclusive seus
sistemas e tecnologias, bem como de outros serviços e instalações abertos ao público, de uso público ou
privados de uso coletivo, tanto na zona urbana como na rural, por pessoa com deficiência ou com mobilidade
reduzida.

Desenho universal = concepção de produtos, ambientes, programas e serviços a serem usados por todas as
pessoas, sem necessidade de adaptação ou de projeto específico, incluindo os recursos de tecnologia assistiva.
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Tecnologia assistiva ou ajuda técnica = produtos, equipamentos, dispositivos, recursos, metodologias,
estratégias, práticas e serviços que objetivem promover a funcionalidade, relacionada à atividade e à
participação da pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida, visando à sua autonomia, independência,
qualidade de vida e inclusão social.

Barreiras = qualquer entrave, obstáculo, atitude ou comportamento que limite ou impeça a participação social
da pessoa, bem como o gozo, a fruição e o exercício de seus direitos à acessibilidade, à liberdade de movimento
e de expressão, à comunicação, ao acesso à informação, à compreensão, à circulação com segurança, entre
outros, classificadas em:

a) barreiras urbanísticas: as existentes nas vias e nos espaços públicos e privados abertos ao público ou de uso
coletivo;

b) barreiras arquitetônicas: as existentes nos edifícios públicos e privados;

c) barreiras nos transportes: as existentes nos sistemas e meios de transportes;

d) barreiras nas comunicações e na informação: qualquer entrave, obstáculo, atitude ou comportamento que
dificulte ou impossibilite a expressão ou o recebimento de mensagens e de informações por intermédio de
sistemas de comunicação e de tecnologia da informação;

e) barreiras atitudinais: atitudes ou comportamentos que impeçam ou prejudiquem a participação social da


pessoa com deficiência em igualdade de condições e oportunidades com as demais pessoas;

f) barreiras tecnológicas: as que dificultam ou impedem o acesso da pessoa com deficiência às tecnologias;

Comunicação = forma de interação dos cidadãos que abrange, entre outras opções, as línguas, inclusive a Língua
Brasileira de Sinais (Libras), a visualização de textos, o Braille, o sistema de sinalização ou de comunicação tátil,
os caracteres ampliados, os dispositivos multimídia, assim como a linguagem simples, escrita e oral, os sistemas
auditivos e os meios de voz digitalizados e os modos, meios e formatos aumentativos e alternativos de
comunicação, incluindo as tecnologias da informação e das comunicações.

Adaptações razoáveis = adaptações, modificações e ajustes necessários e adequados que não acarretem ônus
desproporcional e indevido, quando requeridos em cada caso, a fim de assegurar que a pessoa com deficiência
possa gozar ou exercer, em igualdade de condições e oportunidades com as demais pessoas, todos os direitos e
liberdades fundamentais.

Elemento de urbanização = quaisquer componentes de obras de urbanização, tais como os referentes a


pavimentação, saneamento, encanamento para esgotos, distribuição de energia elétrica e de gás, iluminação
pública, serviços de comunicação, abastecimento e distribuição de água, paisagismo e os que materializam as
indicações do planejamento urbanístico.

Mobiliário urbano = conjunto de objetos existentes nas vias e nos espaços públicos, superpostos ou adicionados
aos elementos de urbanização ou de edificação, de forma que sua modificação ou seu traslado não provoque
alterações substanciais nesses elementos, tais como semáforos, postes de sinalização e similares, terminais e

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Ciclos Método
pontos de acesso coletivo às telecomunicações, fontes de água, lixeiras, toldos, marquises, bancos, quiosques e
quaisquer outros de natureza análoga.

Pessoa com mobilidade reduzida = aquela que tenha, por qualquer motivo, dificuldade de movimentação,
permanente ou temporária, gerando redução efetiva da mobilidade, da flexibilidade, da coordenação motora
ou da percepção, incluindo idoso, gestante, lactante, pessoa com criança de colo e obeso.

Residências inclusivas = unidades de oferta do Serviço de Acolhimento do Sistema Único de Assistência Social
(Suas) localizadas em áreas residenciais da comunidade, com estruturas adequadas, que possam contar com
apoio psicossocial para o atendimento das necessidades da pessoa acolhida, destinadas a jovens e adultos com
deficiência, em situação de dependência, que não dispõem de condições de autossustentabilidade e com
vínculos familiares fragilizados ou rompidos.

Moradia para a vida independente da pessoa com deficiência = moradia com estruturas adequadas capazes de
proporcionar serviços de apoio coletivos e individualizados que respeitem e ampliem o grau de autonomia de
jovens e adultos com deficiência.

Atendente pessoal = pessoa, membro ou não da família, que, com ou sem remuneração, assiste ou presta
cuidados básicos e essenciais à pessoa com deficiência no exercício de suas atividades diárias, excluídas as
técnicas ou os procedimentos identificados com profissões legalmente estabelecidas.

Profissional de apoio escolar = pessoa que exerce atividades de alimentação, higiene e locomoção do estudante
com deficiência e atua em todas as atividades escolares nas quais se fizer necessária, em todos os níveis e
modalidades de ensino, em instituições públicas e privadas, excluídas as técnicas ou os procedimentos
identificados com profissões legalmente estabelecidas.

Acompanhante = aquele que acompanha a pessoa com deficiência, podendo ou não desempenhar as funções
de atendente pessoal.

#JÁCAIU

Ano: 2019 Banca: FCC Órgão: MPE-MT Prova: FCC - 2019 - MPE-MT - Promotor de Justiça Substituto

Segundo o disposto no Protocolo Facultativo à Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência
(Decreto n° 6.949/2009) acerca das comunicações submetidas ao Comitê sobre os Direitos das Pessoas com
Deficiência, por pessoas ou grupo de pessoas que aleguem serem vítimas de violação das disposições da
Convenção por Estados-Partes,

Alternativas10

a) devem ter sido esgotados todos os recursos internos disponíveis, ainda que a tramitação desses recursos se
prolongue injustificadamente.

b) é admissível a comunicação anônima.

10
Gabarito: e.

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c) os fatos que motivaram a comunicação podem ter ocorrido antes da entrada em vigor do Protocolo para o
Estado-Parte em apreço, ainda que não mais continuem ocorrendo.

d) o fato de a comunicação estar precariamente fundamentada ou não suficientemente substanciada não


impede a sua admissibilidade.

e) a comunicação será inadmissível quando a mesma matéria já tenha sido ou esteja sendo examinada sob outro
procedimento de investigação ou resolução internacional.

O Estatuto da Pessoa com Deficiência revogou dispositivos discriminatórios, sob o fundamento do princípio da
igualdade plena das pessoas com deficiência. Assim, a pessoa com deficiência tem assegurado o direito ao
exercício de sua capacidade legal em igualdade de condições com as demais pessoas. Eventualmente, será
necessária a curatela e, sempre que necessário, será facultada à pessoa com deficiência o processo de tomada
de decisão apoiada.

#APOSTACICLOS:

Art. 1.783-A. A tomada de decisão apoiada é o processo pelo qual a pessoa com deficiência elege pelo
menos 2 (duas) pessoas idô neas, com as quais mantenha vínculos e que gozem de sua confiança, para prestar-
lhe apoio na tomada de decisão sobre atos da vida civil, fornecendo-lhes os elementos e informaçõ es
necessários para que possa exercer sua capacidade.

§ 1º Para formular pedido de tomada de decisão apoiada, a pessoa com deficiência e os apoiadores devem
apresentar termo em que constem os limites do apoio a ser oferecido e os compromissos dos apoiadores,
inclusive o prazo de vigência do acordo e o respeito à vontade, aos direitos e aos interesses da pessoa que devem
apoiar.

§ 2º O pedido de tomada de decisão apoiada será requerido pela pessoa a ser apoiada, com indicação
expressa das pessoas aptas a prestarem o apoio previsto no caput deste artigo.

§ 3º Antes de se pronunciar sobre o pedido de tomada de decisão apoiada, o juiz, assistido por equipe
multidisciplinar, após oitiva do Ministério Público, ouvirá pessoalmente o requerente e as pessoas que lhe
prestarão apoio.

§ 4º A decisão tomada por pessoa apoiada terá validade e efeitos sobre terceiros, sem restriçõ es, desde
que esteja inserida nos limites do apoio acordado.

§ 5º Terceiro com quem a pessoa apoiada mantenha relação negocial pode solicitar que os apoiadores
contra-assinem o contrato ou acordo, especificando, por escrito, sua função em relação ao apoiado.

§ 6º Em caso de negócio jurídico que possa trazer risco ou prejuízo relevante, havendo divergência de
opiniõ es entre a pessoa apoiada e um dos apoiadores, deverá o juiz, ouvido o Ministério Público, decidir sobre
a questão.

§ 7º Se o apoiador agir com negligência, exercer pressão indevida ou não adimplir as obrigaçõ es
assumidas, poderá a pessoa apoiada ou qualquer pessoa apresentar denúncia ao Ministério Público ou ao juiz.

§ 8º Se procedente a denúncia, o juiz destituirá o apoiador e nomeará, ouvida a pessoa apoiada e se for
de seu interesse, outra pessoa para prestação de apoio.
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Ciclos Método
§ 9º A pessoa apoiada pode, a qualquer tempo, solicitar o término de acordo firmado em processo de
tomada de decisão apoiada.

§ 10. O apoiador pode solicitar ao juiz a exclusão de sua participação do processo de tomada de decisão
apoiada, sendo seu desligamento condicionado à manifestação do juiz sobre a matéria.

§ 11. Aplicam-se à tomada de decisão apoiada, no que couber, as disposiçõ es referentes à prestação de
contas na curatela.

PESSOAS PORTADORAS DE TRANSTORNOS MENTAIS


A lei 10.216/01 dispõe que:

- Não deve haver discriminação;

- O tratamento ser realizado com humanidade e respeito;

- Sigilo;

- Ambiente terapêutico, o menos invasivo possível;

- Preferência a serviço comunitário de saúde mental;

- A internação, em qualquer de suas modalidades, só será indicada quando os recursos extra-hospitalares se


mostrarem insuficientes;

- Vedada internação em instituição com características asilares;

- A internação voluntária ou involuntária somente será autorizada por médico devidamente registrado no
Conselho Regional de Medicina - CRM do Estado onde se localize o estabelecimento.

#SELIGANATABELA

Internação Voluntária Internação Involuntária Internação Compulsória

Com o consentimento do usuário. Sem o consentimento do usuário e Determinada pela Justiça.


a pedido de terceiro.

O término da internação A internação psiquiátrica


voluntária dar-se-á por solicitação involuntária deverá, no prazo de
escrita do paciente ou por setenta e duas horas, ser
determinação do médico comunicada ao Ministério Público
assistente. Estadual pelo responsável técnico
do estabelecimento no qual tenha
ocorrido, devendo esse mesmo

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Ciclos Método
procedimento ser adotado quando
da respectiva alta.

O término da internação
involuntária dar-se-á por
solicitação escrita do familiar, ou
responsável legal, ou quando
estabelecido pelo especialista
responsável pelo tratamento.

#SELIGANALEI

Art. 1º Os direitos e a proteção das pessoas acometidas de transtorno mental, de que trata esta Lei, são
assegurados sem qualquer forma de discriminação quanto à raça, cor, sexo, orientação sexual, religião, opção
política, nacionalidade, idade, família, recursos econômicos e ao grau de gravidade ou tempo de evolução de
seu transtorno, ou qualquer outra.

Art. 2º Nos atendimentos em saúde mental, de qualquer natureza, a pessoa e seus familiares ou responsáveis
serão formalmente cientificados dos direitos enumerados no parágrafo único deste artigo.

Parágrafo único. São direitos da pessoa portadora de transtorno mental:

I - ter acesso ao melhor tratamento do sistema de saúde, consentâneo às suas necessidades;

II - ser tratada com humanidade e respeito e no interesse exclusivo de beneficiar sua saúde, visando alcançar
sua recuperação pela inserção na família, no trabalho e na comunidade;

III - ser protegida contra qualquer forma de abuso e exploração;

IV - ter garantia de sigilo nas informações prestadas;

V - ter direito à presença médica, em qualquer tempo, para esclarecer a necessidade ou não de sua
hospitalização involuntária;

VI - ter livre acesso aos meios de comunicação disponíveis;

VII - receber o maior número de informações a respeito de sua doença e de seu tratamento;

VIII - ser tratada em ambiente terapêutico pelos meios menos invasivos possíveis;

IX - ser tratada, preferencialmente, em serviços comunitários de saúde mental.

Art. 3º É responsabilidade do Estado o desenvolvimento da política de saúde mental, a assistência e a promoção


de ações de saúde aos portadores de transtornos mentais, com a devida participação da sociedade e da família,
a qual será prestada em estabelecimento de saúde mental, assim entendidas as instituições ou unidades que
ofereçam assistência em saúde aos portadores de transtornos mentais.
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Ciclos Método
Art. 4º A internação, em qualquer de suas modalidades, só será indicada quando os recursos extra-hospitalares
se mostrarem insuficientes.

§ 1º O tratamento visará, como finalidade permanente, a reinserção social do paciente em seu meio.

§ 2º O tratamento em regime de internação será estruturado de forma a oferecer assistência integral à pessoa
portadora de transtornos mentais, incluindo serviços médicos, de assistência social, psicológicos, ocupacionais,
de lazer, e outros.

§ 3º É vedada a internação de pacientes portadores de transtornos mentais em instituições com características


asilares, ou seja, aquelas desprovidas dos recursos mencionados no § 2º e que não assegurem aos pacientes os
direitos enumerados no parágrafo único do art. 2º.

Art. 5º O paciente há longo tempo hospitalizado ou para o qual se caracterize situação de grave dependência
institucional, decorrente de seu quadro clínico ou de ausência de suporte social, será objeto de política
específica de alta planejada e reabilitação psicossocial assistida, sob responsabilidade da autoridade sanitária
competente e supervisão de instância a ser definida pelo Poder Executivo, assegurada a continuidade do
tratamento, quando necessário.

Art. 6º A internação psiquiátrica somente será realizada mediante laudo médico circunstanciado que caracterize
os seus motivos.

Parágrafo único. São considerados os seguintes tipos de internação psiquiátrica:

I - internação voluntária: aquela que se dá com o consentimento do usuário;

II - internação involuntária: aquela que se dá sem o consentimento do usuário e a pedido de terceiro; e

III - internação compulsória: aquela determinada pela Justiça.

Art. 7º A pessoa que solicita voluntariamente sua internação, ou que a consente, deve assinar, no momento da
admissão, uma declaração de que optou por esse regime de tratamento.

Parágrafo único. O término da internação voluntária dar-se-á por solicitação escrita do paciente ou por
determinação do médico assistente.

Art. 8º A internação voluntária ou involuntária somente será autorizada por médico devidamente registrado no
Conselho Regional de Medicina - CRM do Estado onde se localize o estabelecimento.

§ 1º A internação psiquiátrica involuntária deverá, no prazo de setenta e duas horas, ser comunicada ao
Ministério Público Estadual pelo responsável técnico do estabelecimento no qual tenha ocorrido, devendo esse
mesmo procedimento ser adotado quando da respectiva alta.

§ 2º O término da internação involuntária dar-se-á por solicitação escrita do familiar, ou responsável legal, ou
quando estabelecido pelo especialista responsável pelo tratamento.

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Ciclos Método
Art. 9º A internação compulsória é determinada, de acordo com a legislação vigente, pelo juiz competente, que
levará em conta as condições de segurança do estabelecimento, quanto à salvaguarda do paciente, dos demais
internados e funcionários.

Art. 10. Evasão, transferência, acidente, intercorrência clínica grave e falecimento serão comunicados pela
direção do estabelecimento de saúde mental aos familiares, ou ao representante legal do paciente, bem como
à autoridade sanitária responsável, no prazo máximo de vinte e quatro horas da data da ocorrência.

Art. 11. Pesquisas científicas para fins diagnósticos ou terapêuticos não poderão ser realizadas sem o
consentimento expresso do paciente, ou de seu representante legal, e sem a devida comunicação aos conselhos
profissionais competentes e ao Conselho Nacional de Saúde.

Art. 12. O Conselho Nacional de Saúde, no âmbito de sua atuação, criará comissão nacional para acompanhar a
implementação desta Lei.

Art. 13. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

#JÁCAIU

Ano: 2021 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: MPE-SC Prova: CESPE / CEBRASPE - 2021 - MPE-SC - Promotor de
Justiça Substituto - Prova 2

Acerca da garantia do direito humano à saúde no Brasil, julgue o próximo item.11

Há duas possibilidades de internação psiquiátrica sem o consentimento do usuário: involuntária, quando


solicitada por terceiro; e compulsória, quando determinada pela justiça.

Alternativas

( ) Certo

( ) Errado

PONTO: 1.10. Povos e comunidades tradicionais. Atuação do Ministério Público junto aos povos e comunidades
tradicionais (Resolução nº 230/21-CNMP); 1.11. População em situação de rua. Política Nacional Judicial de
Atenção a Pessoas em Situação de Rua e suas interseccionalidades (Resolução nº 425/21-CNJ) e acesso às
dependências do MP (Recomendação nº 53/17-CNMP); 1.12. Violência e discriminação em razão de identidade
de gênero e orientação sexual. Protocolo para julgamento com perspectiva de gênero (Grupo de Trabalho – CNJ
– Portaria nº 27/2021). Atuação do MP no enfrentamento da violência de gênero e institucional (Recomendação
80/21, CNMP). Direitos da Pessoa LGBTQI+. Direito ao uso do nome social (Nota Técnica 08/2016, CNMP).

11
Gabarito: certo.

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COMUNIDADES TRADICIONAIS
Povos e comunidades tradicionais são grupos culturalmente diferenciados e que se se reconhecem como tais,
além de possuírem formas próprias de organização social. Pensando nisso, a Resolução nº 230/21-CNMP dispõe
que:

Art. 2º Os órgãos do Ministério Público deverão orientar as suas unidades quanto ao atendimento dos povos e
comunidades tradicionais e à recepção em suas instalações físicas com base nas seguintes diretrizes:

I – respeito à autoidentificação de pessoa ou grupo como representante de povo ou comunidade tradicional;

II – atenção às especificidades socioculturais dos grupos e flexibilização de exigências quanto a trajes, de modo
a respeitar suas formas de organização e vestimentas, bem como pinturas no corpo, adereços e símbolos;

III – priorização do atendimento presencial e da recepção nas unidades, devendo o atendimento remoto ocorrer
em circunstâncias excepcionais, devidamente motivadas, devendo ser oferecidas à pessoa atendida as
condições necessárias para apresentar suas demandas;

IV – respeito à língua materna e garantia de mecanismos para a tradução ou interpretação das demandas.

#OLHAOGANCHO

O Direito de Minorias é o ramo do direito que estuda as normas jurídicas aplicáveis aos grupos minoritários,
assim entendidos aqueles que demandam especial proteção estatal em razão de sua vulnerabilidade, cujo
objetivo é a garantia da existência, da autonomia, da inclusão e da igualdade material desses grupos na
comunidade nacional, de modo a permitir-lhes a igual fruição dos direitos destinados à maioria, sem que isso
signifique perda ou abandono forçado de seus traços diferenciadores.

Nesse sentido, o grupo de minorias podem ser definidos nas seguintes categorias: (i) grupo numericamente
reduzido ou, pelo menos, inferior à metade da população; (ii) presença de elemento étnico, religioso ou
tradicional distinto do restante da população; (iii) pretensão, por parte da população, de preservação dessa
diferença.

Aplicam-se, neste campo, alguns princípios específicos, tais como:

a) Princípio da existência: É dever do Estado editar leis que garantam a continuidade e autorreprodução do
grupo minoritário, fornecendo-lhe condições de sua subsistência, não apenas física, mas também cultural.
Assim, nenhuma norma destinada a este grupo pode ser interpretada no sentido de prejudicar ou obstar essas
condições.

b) Princípio da autonomia: Deve ser resguardada aos grupos minoritários a liberdade de decisão acerca das
políticas a eles aplicáveis, do grupo e do modo como serão executadas. Não cabe impor ao grupo minoritário
uma polícia pública, ainda que supostamente benéfica a ele. A materialização desse princípio está no art. 6º da
Convenção 169 da OIT por meio do chamado “dever de consulta”:

Art. 6º. 1. Ao aplicar as disposições da presente Convenção, os governos deverão: a) consultar os povos
interessados, mediante procedimentos apropriados e, particularmente, através de suas instituições
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representativas, cada vez que sejam previstas medidas legislativas ou administrativas suscetíveis de afetá-los
diretamente;
c) Princípio da inclusão: Determina que as políticas públicas e suas respetivas normas devem ser interpretadas
de modo a serem aplicáveis também aos grupos minoritários, desde que de modo consensual.

d) Princípio da igualdade material: Determina que o ordenamento jurídico deve ser orientado de modo a
garantir a igualdade de oportunidades entre os grupos minoritário e a maioria, bem como no sentido de
promover ações que permitam que os grupos minoritários tenham acesso aos bens sociais, em condições
equânimes com o grupo majoritário. Isso implica que devem ser implantadas políticas e ações afirmativas que
combatam os óbices fáticos que impeçam o acesso igualitário, de modo que essa igualdade seja não uma
promessa formal e vazia, mas se converta em algo empiricamente verificável.

ATENÇÃO!

A quem pertencem as terras tradicionalmente ocupadas por índios?

Pertencem à União (art. 20, XI, da CF/88). No entanto, essas terras destinam-se à posse permanente dos índios,
cabendo-lhes o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes.

Em suma, são bens da União, mas para serem usadas pelos índios. Por isso, alguns autores classificam essas
terras como sendo bens públicos de uso especial.

O que são as chamadas “terras tradicionalmente ocupadas pelos índios”?

Segundo o § 1º do art. 231 da CF/88 são terras tradicionalmente ocupadas pelos índios:

• as que eles habitam em caráter permanente;

• as utilizadas para suas atividades produtivas;

• as imprescindíveis à preservação dos recursos ambientais necessários a seu bem-estar;

• e as necessárias à sua reprodução física e cultural (segundo seus usos, costumes e tradições).

#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA

Direitos fundamentais. Povos Indígenas. Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental. Tutela do


direito à vida e à saúde face à pandemia da COVID-19. Cautelares parcialmente deferidas. 1. Ação que tem por
objeto falhas e omissões do Poder Público no combate à pandemia da COVID-19 entre os Povos Indígenas, com
alto risco de contágio e mesmo de extermínio de etnias. 2. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB
possui legitimidade ativa para propor ação direta perante o Supremo Tribunal Federal e, bem assim, os partidos
políticos que assinam a petição inicial. Premissas da decisão 3. Os Povos Indígenas são especialmente vulneráveis
a doenças infectocontagiosas, para as quais apresentam baixa imunidade e taxa de mortalidade superior à média
nacional. Há indícios de expansão acelerada do contágio da COVID-19 entre seus membros e alegação de
insuficiência das ações promovidas pela União para sua contenção. 4. Os Povos Indígenas têm o direito de
participar da formulação e execução das ações de saúde que lhes são destinadas. Trata-se de direito assegurado
pela Constituição de 1988 e pela Convenção 169 da OIT, que é norma interna no Brasil. 5. A análise aqui
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desenvolvida observou três diretrizes: (i) os princípios da precaução e da prevenção, no que respeita à proteção
à vida e à saúde; (ii) a necessidade de diálogo institucional entre o Judiciário e o Poder Executivo, em matéria de
políticas públicas decorrentes da Constituição; e (iii) a imprescindibilidade de diálogo intercultural, em toda
questão que envolva os direitos de povos indígenas. Pedidos formulados 6. Na ação são formulados pedidos
específicos em relação aos povos indígenas em isolamento ou de contato recente, bem como pedidos que se
destinam aos povos indígenas em geral. Tais pretensões incluem a criação de barreiras sanitárias, a instalação
de sala de situação, a retirada de invasores das terras indígenas, o acesso de todos os indígenas ao Subsistema
Indígena de Saúde e a elaboração de plano para enfrentamento e monitoramento da COVID-19. 7. Todos os
pedidos são relevantes e pertinentes. Infelizmente, nem todos podem ser integralmente acolhidos no âmbito
precário de uma decisão cautelar e, mais que tudo, nem todos podem ser satisfeitos por simples ato de vontade,
caneta e tinta. Exigem, ao revés, planejamento adequado e diálogo institucional entre os Poderes. Decisão
cautelar Quanto aos pedidos dos povos indígenas em isolamento e de contato recente 8. Determinação de
criação de barreiras sanitárias, conforme plano a ser apresentado pela União, ouvidos os membros da Sala de
Situação, no prazo de 10 dias, contados da ciência desta decisão. 9. Determinação de instalação da Sala de
Situação, como previsto em norma vigente, para gestão de ações de combate à pandemia quanto aos povos
indígenas em isolamento e de contato recente, com participação de representantes das comunidades indígenas,
da Procuradoria-Geral da República e da Defensoria Pública da União, observados os prazos e especificações
detalhados na decisão. Quanto aos povos indígenas em geral 10. A retirada de invasores das terras indígenas é
medida imperativa e imprescindível. Todavia, não se trata de questão nova e associada à pandemia da COVID-
19. A remoção de dezenas de milhares de pessoas deve considerar: a) o risco de conflitos; e b) a necessidade de
ingresso nas terras indígenas de forças policiais e militares, agravando o perigo de contaminação. Assim sendo,
sem prejuízo do dever da União de equacionar o problema e desenvolver um plano de desintrusão, fica
determinado, por ora, que seja incluído no Plano de Enfrentamento e Monitoramento da COVID-19 para os
Povos Indígenas, referido adiante, medida emergencial de contenção e isolamento dos invasores em relação às
comunidades indígenas ou providência alternativa apta a evitar o contato. 11. Determinação de que os serviços
do Subsistema Indígena de Saúde sejam acessíveis a todos os indígenas aldeados, independentemente de suas
terras estarem ou não homologadas. Quanto aos não aldeados, por ora, a utilização do Subsistema de Saúde
Indígena se dará somente na falta de disponibilidade do SUS geral. 12. Determinação de elaboração e
monitoramento de um Plano de Enfrentamento da COVID-19 para os Povos Indígenas Brasileiros, de comum
acordo, pela União e pelo Conselho Nacional de Direitos Humanos, com a participação das comunidades
indígenas, observados os prazos e condições especificados na decisão. 13. Voto pela ratificação da cautelar
parcialmente deferida.

(ADPF 709 MC-Ref, Relator(a): ROBERTO BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em 05/08/2020, PROCESSO
ELETRÔNICO DJe-244 DIVULG 06-10-2020 PUBLIC 07-10-2020)

PESSOAS EM SITUAÇÃO DE RUA

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A Resolução nº 425/21-CNJ institui, no âmbito do Poder Judiciário, a Política Nacional Judicial de Atenção a
Pessoas em Situação de Rua.

OBJETIVOS

 Assegurar o amplo acesso à justiça às pessoas em situação de rua, de forma célere


e simplificada, a fim de contribuir para superação das barreiras decorrentes das
múltiplas vulnerabilidades econômica e social, bem como da sua situação de
precariedade e/ou ausência habitacional;
 Considerar a heterogeneidade da população em situação de rua, notadamente
quanto ao nível de escolaridade, naturalidade, nacionalidade, identidade de
gênero, características culturais, étnicas, raciais, geracionais e religiosas, e com
atenção aos aspectos interseccionais no atendimento a essa população, pensando
em mulheres, população LGBTQIA+, crianças e adolescentes, pessoas idosas,
pessoas convalescentes, população negra, pessoas egressas do sistema prisional,
migrantes, povos indígenas e outras populações tradicionais, pessoas com
deficiência, com especial atenção às pessoas em sofrimento mental, incluindo
aquelas que fazem uso abusivo de álcool e outras drogas, exigindo tratamento
equitativo e políticas afirmativas, para assegurar o gozo ou exercício dos direitos,
nos termos do art. 5º da Convenção Interamericana contra Toda Forma de
Discriminação e Intolerância;
 Monitorar o andamento e a solução das ações judiciais envolvendo a temática;
 Propor medidas concretas e normativas para o aperfeiçoamento de procedimentos
e o reforço à efetividade dos processos judiciais, por meio da implantação e
modernização de rotinas, a organização, especialização e estruturação dos órgãos
competentes de atuação do Poder Judiciário para o adequado enfrentamento e
solução de demandas envolvendo as pessoas em situação de rua;
 Promover o levantamento de dados estatísticos relativos aos números, à
tramitação e outros dados relevantes sobre ações judiciais que envolvam pessoas
em situação de rua, visando dar visibilidade à política e promover a gestão das
ações voltadas ao aprimoramento e sua efetividade; inclusive analisando os dados
oficiais e dos centros de defesa, a fim de diagnosticar o grau de acesso à justiça
nacional, regional e local e as barreiras para sua efetividade.
 Estimular a adoção de medidas preventivas de litígios que envolvam as pessoas em
situação de rua no âmbito do sistema multiportas, como Centros de Conciliação,
Laboratórios de Inovação e Centros de Inteligência do Poder Judiciário;
 Estimular a atuação articulada com os demais poderes, por seus órgãos integrantes
do Sistema de Justiça, órgãos gestores das políticas de Assistência Social e de
Habitação, dentre outras políticas, comitês interinstitucionais e centros locais de
assistência social, como Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), Centro
de Referência Especializado em Assistência Social (CREAS), Centro ou CREAS Pop, e
Organizações da Sociedade Civil;
 Fomentar e realizar processos de formação continuada de magistrados e servidores
judiciários e demais órgãos do Poder Público, bem como organizar encontros
nacionais, regionais e seminários de membros do Poder Judiciário, com a

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Ciclos Método
participação de outros segmentos do poder público, da sociedade civil, das
comunidades e outros interessados;
 Estimular a cooperação administrativa e judicial entre órgãos judiciais e outras
instituições, nacionais ou internacionais, incluindo centros de pesquisa, instituições
de pesquisa e universidades em favor dos direitos e garantias das pessoas em
situação de rua;
 Assegurar o acesso das pessoas em situação de rua à identificação civil básica e ao
alistamento eleitoral;
 Promover e garantir os direitos humanos de crianças e adolescentes em situação
de rua, reconhecendo-as como sujeitos de direitos, em consonância com Estatuto
da Criança e do Adolescente; e
 Dar especial atenção aos programas, projetos, serviços, ações e atividades
direcionados para as pessoas em situação de rua com deficiência e mobilidade
reduzida, observando-se o disposto na Lei nº 13.146/2015 (Lei Brasileira de
Inclusão).

ATENÇÃO! RECOMENDAÇÃO Nº 53/17 CNMP

Recomenda a garantia do acesso das pessoas em situação de rua às dependências do Ministério Público
brasileiro:

Art. 1º Os ramos do Ministério Público da União e dos Estados devem garantir o direito de acesso da população
em situação de rua às dependências do Ministério Público, sem qualquer formalidade discriminatória.

Parágrafo único. Para os fins desta Recomendação, considera-se população em situação de rua o grupo
populacional heterogêneo que possui em comum a pobreza extrema, os vínculos familiares interrompidos ou
fragilizados e a inexistência de moradia convencional regular, e que utiliza os logradouros públicos e as áreas
degradadas como espaço de moradia e de sustento, de forma temporária ou permanente, bem como as
unidades de acolhimento para pernoite temporário ou como moradia provisória.

Art. 2º A situação de asseio ou vestimenta não condizentes com as eventualmente exigidas por órgãos do
Ministério Público não constituirá óbice ao exercício do direito previsto no artigo anterior pela população em
situação de rua.

Art. 3º Se as normas de segurança interna exigirem a exibição de documento pessoal para acesso às
dependências do Ministério Público, será concedida autorização especial para o ingresso de pessoas em situação
rua, sem que lhe sejam impostas situações de constrangimento ou humilhação.

Parágrafo único. A autorização especial não dispensará a identificação da pessoa em situação de rua, como o
registro fotográfico e o fornecimento de informações pessoais, quando possível.

Art. 4º A garantia de amplo acesso às dependências do Ministério Público não impede que a Unidade Ministerial
adote mecanismos próprios de Segurança Institucional, como o atendimento da pessoa em situação de rua em

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ambiente adequado e o seu acompanhamento por agente de segurança ou colaborador devidamente
capacitado.

Art. 5º Caso a pessoa em situação de rua não possua documentos de identificação pessoal, o servidor ou
colaborador responsável pelo acesso às dependências do Ministério Público a encaminhará, após a realização
do atendimento, à unidade da assistência social local, para que sejam tomadas providências para sua confecção.

Art. 6º Recomenda-se que as Unidades Ministeriais providenciem capacitação contínua dos membros,
servidores e colaboradores, visando a sua conscientização para o atendimento humanizado e consequente não
discriminação das pessoas em situação de rua.

Art. 7º Esta Recomendação entra em vigor na data da sua publicação.

LGBTQIA+
Apesar de lentos passos, a lei e a jurisprudência têm protegido cada vez mais as pessoas que fazem parte da
comunidade LGBTQIA+. Vale a pena ler essa decisão histórica do STF, que equipara a homofobia ao crime de
racismo.

#AJUDAMARCINHO

1. Até que sobrevenha lei emanada do Congresso Nacional destinada a implementar os mandados de
criminalização definidos nos incisos XLI e XLII do art. 5º da Constituição da República, as condutas
homofóbicas e transfóbicas, reais ou supostas, que envolvem aversão odiosa à orientação sexual ou à
identidade de gênero de alguém, por traduzirem expressões de racismo, compreendido este em sua dimensão
social, ajustam-se, por identidade de razão e mediante adequação típica, aos preceitos primários de
incriminação definidos na Lei nº 7.716, de 08.01.1989, constituindo, também, na hipótese de homicídio
doloso, circunstância que o qualifica, por configurar motivo torpe (Código Penal, art. 121, § 2º, I, “in fine”);

2. A repressão penal à prática da homotransfobia não alcança nem restringe ou limita o exercício da liberdade
religiosa, qualquer que seja a denominação confessional professada, a cujos fiéis e ministros (sacerdotes,
pastores, rabinos, mulás ou clérigos muçulmanos e líderes ou celebrantes das religiões afro-brasileiras, entre
outros) é assegurado o direito de pregar e de divulgar, livremente, pela palavra, pela imagem ou por qualquer
outro meio, o seu pensamento e de externar suas convicções de acordo com o que se contiver em seus livros
e códigos sagrados, bem assim o de ensinar segundo sua orientação doutrinária e/ou teológica, podendo
buscar e conquistar prosélitos e praticar os atos de culto e respectiva liturgia, independentemente do espaço,
público ou privado, de sua atuação individual ou coletiva, desde que tais manifestações não configurem
discurso de ódio, assim entendidas aquelas exteriorizações que incitem a discriminação, a hostilidade ou a
violência contra pessoas em razão de sua orientação sexual ou de sua identidade de gênero;

3. O conceito de racismo, compreendido em sua dimensão social, projeta-se para além de aspectos
estritamente biológicos ou fenotípicos, pois resulta, enquanto manifestação de poder, de uma construção de
índole histórico-cultural motivada pelo objetivo de justificar a desigualdade e destinada ao controle
ideológico, à dominação política, à subjugação social e à negação da alteridade, da dignidade e da
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humanidade daqueles que, por integrarem grupo vulnerável (LGBTI+) e por não pertencerem ao estamento
que detém posição de hegemonia em uma dada estrutura social, são considerados estranhos e diferentes,
degradados à condição de marginais do ordenamento jurídico, expostos, em consequência de odiosa
inferiorização e de perversa estigmatização, a uma injusta e lesiva situação de exclusão do sistema geral de
proteção do direito.
STF. Plenário. ADO 26/DF, Rel. Min. Celso de Mello; MI 4733/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgados em em
13/6/2019 (Info 944).

#APOSTACICLOS: Os Princípios de Yogyakarta são um documento sobre direitos humanos nas áreas
de orientação sexual e identidade de gênero, publicado em novembro de 2006 como resultado de uma reunião
internacional de grupos de direitos humanos na cidade de Jacarta (em indonésio: Yogyakarta), na Indonésia.

Os Princípios foram complementados em 2017, expandindo-se para incluir mais formas


de expressão de gênero e características sexuais.

No documento há um conjunto de preceitos destinados a aplicar os padrões da lei internacional de direitos


humanos ao tratar de situações de violação dos direitos humanos da comunidade LGBTQIA+.

ATENÇÃO! NOTA TÉCNICA 08/16 CNMP

Nota Técnica sobre a atuação do Ministério Público na proteção do direito fundamental à não discriminação e
não submissão a tratamentos desumanos e degradantes de pessoas travestis e transexuais, especialmente
quanto ao direito ao uso do nome social no âmbito da Administração Direta e Indireta da União, dos Estados e
dos Municípios.

#APOSTACICLOS: Trata-se de Nota Técnica destinada a subsidiar a atuação dos membros do Ministério Público
sobre a temática da atuação ministerial na proteção aos direitos da população LGBTI, especialmente no tocante
ao uso do nome social no âmbito da Administração Direta e Indireta da União e dos Estados.

#AJUDAMARCINHO

O transgênero tem direito fundamental subjetivo à alteração de seu prenome e de sua classificação de gênero
no registro civil, não se exigindo, para tanto, nada além da manifestação de vontade do indivíduo, o qual poderá
exercer tal faculdade tanto pela via judicial como diretamente pela via administrativa.
Essa alteração deve ser averbada à margem do assento de nascimento, vedada a inclusão do termo
“transgênero”.
Nas certidões do registro não constará nenhuma observação sobre a origem do ato, vedada a expedição de
certidão de inteiro teor, salvo a requerimento do próprio interessado ou por determinação judicial.
Efetuando-se o procedimento pela via judicial, caberá ao magistrado determinar de ofício ou a requerimento do
interessado a expedição de mandados específicos para a alteração dos demais registros nos órgãos públicos ou
privados pertinentes, os quais deverão preservar o sigilo sobre a origem dos atos.
STF. Plenário. RE 670422/RS, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 15/8/2018 (repercussão geral) (Info 911).

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Ciclos Método

Os transgêneros, que assim o desejarem, independentemente da cirurgia de transgenitalização, ou da realização


de tratamentos hormonais ou patologizantes, possuem o direito à alteração do prenome e do gênero (sexo)
diretamente no registro civil.
O direito à igualdade sem discriminações abrange a identidade ou expressão de gênero.
A identidade de gênero é manifestação da própria personalidade da pessoa humana e, como tal, cabe ao Estado
apenas o papel de reconhecê-la, nunca de constituí-la.
A pessoa transgênero que comprove sua identidade de gênero dissonante daquela que lhe foi designada ao
nascer por autoidentificação firmada em declaração escrita desta sua vontade dispõe do direito fundamental
subjetivo à alteração do prenome e da classificação de gênero no registro civil pela via administrativa ou judicial,
independentemente de procedimento cirúrgico e laudos de terceiros, por se tratar de tema relativo ao direito
fundamental ao livre desenvolvimento da personalidade.
STF. Plenário. ADI 4275/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 28/2
e 1º/3/2018 (Info 892).

Transgênero

Transgênero é o indivíduo que possui características físicas sexuais distintas das características psíquicas.

É uma pessoa que não se identifica com o seu gênero biológico.

A pessoa sente que ela nasceu no corpo errado. Ex: o menino nasceu fisicamente como menino, mas ele se sente
como uma menina.

Assim, o transgênero tem um sexo biológico, mas se sente como se fosse do sexo oposto e espera ser
reconhecido e aceito como tal.

Transexual

Da mesma forma, o transexual também possui características físicas sexuais distintas das características
psíquicas. Ele também não se identifica com o seu gênero biológico.

Não existe ainda uma uniformidade científica, no entanto, segundo a posição majoritária, a diferença entre
o transgênero e o transexual é a seguinte:

• transgênero: quer poder se expressar e ser reconhecido como sendo do sexo oposto, mas não tem necessidade
de modificar sua anatomia.

• transexual: quer poder se expressar e ser reconhecido como sendo do sexo oposto e deseja modificar sua
anatomia (seu corpo) por meio da terapia hormonal e/ou da cirurgia de redesignação sexual
(transgenitalização).

Identidade de gênero

Significa a maneira como alguém se sente e a maneira como deseja ser reconhecida pelas demais pessoas,
independentemente do seu sexo biológico.

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Ciclos Método
“A identidade de gênero se refere à experiência de uma pessoa com o seu próprio gênero.
Pessoas transgênero possuem uma identidade de gênero que é diferente do sexo que lhes foi designado no
momento de seu nascimento.

Uma pessoa transgênero ou trans pode identificar-se como homem, mulher, trans-homem, trans-mulher, como
pessoa não-binária ou com outros termos, tais como hijra, terceiro gênero, dois-espíritos, travesti,

fa’afafine, gênero queer, transpinoy, muxe, waria e meti. Identidade de gênero é diferente de orientação

sexual. Pessoas trans podem ter qualquer orientação sexual, incluindo heterossexual, homossexual, bissexual e
assexual.” (Nota Informativa das Nações Unidas. Disponível em https://unfe.org/system/unfe-91-
Portugese_TransFact_FINAL.pdf?platform=hootsuite)

Se o transexual faz a cirurgia de transgenitalização, ele poderá alterar o prenome e o sexo/gênero nos
assentos do registro civil?

SIM. Essa possibilidade já foi reconhecida há muitos anos pelo STJ:

(...) A interpretação conjugada dos arts. 55 e 58 da Lei n. 6.015/73 confere amparo legal para que transexual
operado obtenha autorização judicial para a alteração de seu prenome, substituindo-o por apelido público e
notório pelo qual é conhecido no meio em que vive. (...)

STJ. 4ª Turma. REsp 737.993/MG, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 10/11/2009.

Sendo realizada a retificação do registro, os documentos serão alterados e neles não constará nenhuma menção
quanto à troca do sexo.

E se não foi feita a cirurgia? Imagine a seguinte situação hipotética:

Mário, pessoa maior de idade que se identifica como transgênero mulher, ajuizou ação de retificação de registro
de nascimento para troca do prenome e do sexo masculino para o feminino.

Na inicial, a pessoa narrou que, desde tenra idade, embora nascida com a genitália masculina e nesse gênero
registrada, sempre demonstrara atitudes de criança do sexo feminino.

Afirmou que foi diagnosticada como portadora de “incongruência de gênero”.

Mário nunca realizou a cirurgia de transgenitalização.

Alegou que sofre muitos transtornos porque sente-se como mulher, veste-se como mulher, mas os dados que
constam em seus documentos são masculinos (nome e sexo).

Na ação, Mário pediu para que seu prenome seja alterado para Mariana e seu sexo para feminino. Contudo, o
empecilho que encontrou foi pelo fato de que não fez a cirurgia de transgenitalização nem deseja realizar.

A questão jurídica enfrentada, portanto, pelo STJ foi a seguinte: é possível que o transgênero altere seu nome
e o gênero no assento de registro civil mesmo que não faça a cirurgia de transgenitalização?

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SIM. Inicialmente o STJ decidiu que:

O direito dos transexuais à retificação do prenome e do sexo/gênero no registro civil não é condicionado à
exigência de realização da cirurgia de transgenitalização.

STJ. 4ª Turma. REsp 1.626.739-RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 9/5/2017 (Info 608).

O STF avançou sobre o tema e, de forma mais ampla, utilizou a expressão transgênero, afirmando que:

Os transgêneros, que assim o desejarem, independentemente da cirurgia de transgenitalização, ou da


realização de tratamentos hormonais ou patologizantes, possuem o direito à alteração do prenome e do
gênero (sexo) diretamente no registro civil.

STF. Plenário. ADI 4275/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Edson Fachin, julgado em
28/2 e 1º/3/2018 (Info 892).

Premissas da decisão do STF:

1) O direito à igualdade sem discriminações abrange a identidade ou a expressão de gênero. O respeito à


identidade de gênero é uma decorrência do princípio da igualdade.

2) A identidade de gênero é uma manifestação da própria personalidade da pessoa humana. Logo, cabe ao
Estado apenas o papel de reconhecê-la, nunca de constituí-la. Isso significa que o Estado não diz o gênero da
pessoa, ele deve apenas reconhecer o gênero que a pessoa se enxerga.

3) A pessoa não deve provar o que é, e o Estado não deve condicionar a expressão da identidade a qualquer tipo
de modelo, ainda que meramente procedimental. Assim, se cabe ao Estado apenas o reconhecimento dessa
identidade, ele não pode exigir ou condicionar a livre expressão da personalidade a um procedimento médico
ou laudo psicológico. A alteração dos assentos no registro público depende apenas da livre manifestação de
vontade da pessoa que visa expressar sua identidade de gênero.

Fundamentos jurídicos:

Constituição Federal

• dignidade da pessoa humana (art. 1º, III, da CF);

• direito à intimidade, à vida privada, à honra e à imagem (art. 5º, X, da CF);

• princípio da personalidade;

• princípio da isonomia;

• direito à saúde;

• direito à felicidade.

Pacto de São José da Costa Rica

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Ciclos Método
• direito ao nome (artigo 18);

• direito ao reconhecimento da personalidade jurídica (artigo 3);

• direito à liberdade pessoal (artigo 7.1 do Pacto);

• o direito à honra e à dignidade (artigo 11.2 do Pacto).

Opinião Consultiva 24/17, da Corte Interamericana de Direitos Humanos, sobre “Identidade de Gênero e
Igualdade e Não Discriminação a Casais do Mesmo Sexo”, publicada em 24.11.2017, na qual se definiram as
obrigações estatais em relação à mudança de nome, à identidade de gênero e os direitos derivados de um
vínculo entre casais do mesmo sexo. Veja trecho da Opinião Consultiva:

“(...) a Corte Interamericana deixa estabelecido que a orientação sexual e a identidade de gênero, assim como
a expressão de gênero, são categorias protegidas pela Convenção.

Por isso está proibida pela Convenção qualquer norma, ato ou prática discriminatória baseada na orientação
sexual, identidade de gênero ou expressão de gênero da pessoa. Em consequência, nenhuma norma, decisão
ou prática do direito interno, seja por parte das autoridades estatais ou por particulares, podem diminuir ou
restringir, de modo algum, os direitos de uma pessoa à sua orientação sexual, sua identidade de gênero e/ ou
sua expressão de gênero”. (par. 78).

“O reconhecimento da identidade de gênero pelo Estado é de vital importância para garantir o gozo pleno dos
direitos humanos das pessoas trans, incluindo a proteção contra a violência, a tortura e maus tratos, o direito à
saúde, à educação, ao emprego, à vivência, ao acesso a seguridade social, assim como o direito à liberdade de
expressão e de associação.”

Interpretação conforme a Constituição e o Pacto de São José da Costa Rica

O art. 58 da Lei nº 6.015/73 (Lei dos Registros Públicos) prevê:

Art. 58. O prenome será definitivo, admitindo-se, todavia, a sua substituição por apelidos públicos notórios.

O STF, contudo, afirmou que se deve fazer uma nova interpretação desse art. 58 à luz da Constituição Federal e
do Pacto de São José da Costa Rica.

Exigir cirurgia ou outros procedimentos é contrário à dignidade da pessoa humana

O Estado deve abster-se de interferir em condutas que não prejudicam a terceiros e, ao mesmo tempo, buscar
viabilizar as concepções e os planos de vida dos indivíduos, preservando a neutralidade estatal.

Mostra-se contrário aos princípios da dignidade da pessoa humana, da integridade física e da autonomia da
vontade condicionar o exercício do legítimo direito à identidade à realização de um procedimento cirúrgico ou
de qualquer outro meio de se atestar a identidade de uma pessoa.

Inadmitir a alteração do gênero no assento de registro civil é atitude absolutamente violadora de sua dignidade
e de sua liberdade de ser, na medida em que não reconhece sua identidade sexual, negando-lhe o pleno
exercício de sua afirmação pública.
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Ciclos Método
Muitos indivíduos não querem se submeter à cirurgia por uma série de razões, como o temor a ela ou aos seus
resultados, a ausência de condições financeiras para realizá-la na iniciativa privada, ou mesmo a preferência por
manter o órgão sexual que possuem.

Vale ressaltar, ainda, que os procedimentos para a readequação sexual têm sido realizados em prazos muito
alargados e existem dúvidas quanto à sua eficiência do ponto de vista da satisfação psicológica dos pacientes.

Opinião Consultiva

Conforme consta da Opinião Consultiva 24/17, da Corte Interamericana de Direitos Humanos, os Estados
(países) têm a possibilidade de decidir qual é o procedimento que será adotado para a retificação do sexo ou
nos registros e documentos. No entanto, segundo a Opinão, o procedimento de alteração adotado pelo Estado
(inclusive o Brasil) deve cumprir os seguintes requisitos:

a) o procedimento deve respeitar a identidade de gênero autopercebida pela pessoa requerente;

b) deve estar baseado unicamente no consentimento livre e informado do solicitante, sem que se exijam
requisitos como certificações médicas ou psicológicas ou outros que possam resultar irrazoáveis ou
patologizantes;

c) deve ser confidencial e os documentos não podem fazer remissão às eventuais alterações;

d) deve ser expedito (célere), e, na medida do possível, gratuito; e

e) não deve exigir a realização de operações cirúrgicas ou hormonais.

O Colegiado assentou seu entendimento nos princípios da dignidade da pessoa humana, da inviolabilidade da
intimidade, da vida privada, da honra e da imagem, bem como no Pacto de São José da Costa Rica.

Vimos acima que o transgênero não precisa fazer cirurgia para requerer a alteração do prenome e do sexo. Ok.
Uma última pergunta, apenas para não ficar dúvidas: a pessoa transgênera precisa de autorização judicial para
essa alteração?

NÃO. O STF entendeu que exigir do transgênero a via jurisdicional para realizar essa alteração representaria
limitante incompatível com a proteção que se deve dar à identidade de gênero.

Assim, o requerimento de alteração do prenome pode ser feito tanto por meio de ação judicial como também
pela via administrativa.

O pedido de retificação é baseado unicamente no consentimento livre e informado do solicitante, sem a


necessidade de comprovar nada.

Resumindo:

O transgênero tem direito fundamental subjetivo à alteração de seu prenome e de sua classificação de gênero
no registro civil, não se exigindo, para tanto, nada além da manifestação de vontade do indivíduo, o qual
poderá exercer tal faculdade tanto pela via judicial como diretamente pela via administrativa.

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Ciclos Método
Essa alteração deve ser averbada à margem do assento de nascimento, vedada a inclusão do termo
“transgênero”.

Nas certidões do registro não constará nenhuma observação sobre a origem do ato, vedada a expedição de
certidão de inteiro teor, salvo a requerimento do próprio interessado ou por determinação judicial.

Efetuando-se o procedimento pela via judicial, caberá ao magistrado determinar de ofício ou a requerimento
do interessado a expedição de mandados específicos para a alteração dos demais registros nos órgãos
públicos ou privados pertinentes, os quais deverão preservar o sigilo sobre a origem dos atos.

STF. Plenário. RE 670422/RS, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 15/8/2018 (repercussão geral) (Info 911).

IGUALDADE DE GÊNERO
Recomendação nº 80/21 CNMP

Dispõe sobre a necessidade de aprimoramento da atuação do Ministério Público no enfrentamento da violência


de gênero e da violência institucional.

#SELIGANOEXEMPLO: Recomendar que as Procuradorias-Gerais priorizem a temática violência de gênero no


planejamento estratégico das unidades e ramos, garantindo que todos os procedimentos legais em casos
envolvendo alegações de violência de gênero contra as mulheres sejam imparciais e justos e não sejam afetados
por estereótipos de gênero ou interpretações discriminatórias de disposições legais, inclusive de direito
internacional.

#OLHAOGANCHO: Grupo de Trabalho – CNJ – Portaria nº 27/2021

O Grupo de Trabalho, instituído pela Portaria nº 27, de 27 de fevereiro de 2021, e complementado pela Portaria
n. 116, de 12 de abril de 2021, ambas do Conselho Nacional de Justiça, foi formado com o objetivo de elaborar
o Protocolo de Julgamento com Perspectiva de Gênero.

Este protocolo é fruto do amadurecimento institucional do Poder Judiciário, que passa a reconhecer a influência
que as desigualdades históricas, sociais, culturais e políticas a que estão submetidas as mulheres ao longo da
história exercem na produção e aplicação do direito e, a partir disso, identifica a necessidade de criar uma
cultura jurídica emancipatória e de reconhecimento de direitos de todas as mulheres e meninas.

#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA

A imposição de discrímen de gênero para fins de participação em concurso público somente é compatível com
a Constituição nos excepcionais casos em que demonstradas a fundamentação proporcional e a legalidade da
imposição, sob pena de ofensa ao princípio da isonomia.
STF. 2ª Turma. RE 528684/MS, rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 3/9/2013 (Info 718).

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Ciclos Método
Apesar de haver decisões em sentido contrário, prevalece o entendimento de que a hipossuficiência e a
vulnerabilidade, necessárias à caracterização da violência doméstica e familiar contra a mulher, são presumidas
pela Lei nº 11.340/2006.
A mulher possui na Lei Maria da Penha uma proteção decorrente de direito convencional de proteção
ao gênero (tratados internacionais), que o Brasil incorporou em seu ordenamento, proteção essa que não
depende da demonstração de concreta fragilidade, física, emocional ou financeira. Ex: agressão feita por um
homem contra a sua namorada, uma Procuradora da AGU, que possuía autonomia financeira e ganhava mais
que ele.
STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 620.058/DF, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 14/03/2017.
STJ. 6ª Turma. AgRg nos EDcl no REsp 1720536/SP, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 04/09/2018.
STJ. 5ª Turma. AgRg no RHC 92.825, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca; Julg. 21/08/2018.

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Súmula 600-STJ: Para a configuração da violência doméstica e familiar prevista no artigo 5º da Lei nº
11.340/2006 (Lei Maria da Penha) não se exige a coabitação entre autor e vítima.
STJ. 3ª Seção. Aprovada em 22/11/2017, DJe 27/11/2017.

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O art. 10, III, da Lei nº 9.656/98, ao excluir a inseminação artificial do plano-referência de assistência à saúde,
também excluiu a técnica de fertilização in vitro.
A inseminação artificial compreende a fertilização in vitro, bem como todas as técnicas médico-científicas de
reprodução assistida, sejam elas realizadas dentro ou fora do corpo feminino.
Isso significa que não é abusiva a negativa de custeio, pela operadora do plano de saúde, do tratamento de
fertilização in vitro, quando não houver previsão contratual expressa.
STJ. 3ª Turma. REsp 1794629/SP, Rel. Min. Moura Ribeiro, Rel. p/ Acórdão Min. Nancy Andrighi, julgado em
18/02/2020 (Info 667).
STJ. 4ª Turma. REsp 1823077-SP, Rel. Min. Marco Buzzi, julgado em 20/02/2020 (Info 666).

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Os candidatos possuem direito à segunda chamada nos testes físicos em concursos públicos?
REGRA: NÃO.

Os candidatos em concurso público NÃO têm direito à prova de segunda chamada nos testes de aptidão física
em razão de circunstâncias pessoais, ainda que de caráter fisiológico ou de força maior, salvo se houver previsão
no edital permitindo essa possibilidade.
STF. Plenário. RE 630733/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 15/5/2013 (repercussão geral) (Info 706).
STJ. 1ªTurma. REsp 1.597.570/DF, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 25/10/2018
STJ. 2ªTurma REsp 1.721.068/MT, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 08/05/2018.

EXCEÇÃO: as candidatas gestantes possuem.


É constitucional a remarcação do teste de aptidão física de candidata que esteja grávida à época de sua
realização, independentemente da previsão expressa em edital do concurso público.
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STF. Plenário. RE 1058333/PR, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 21/11/2018 (repercussão geral) (Info 924).

É constitucional a remarcação de curso de formação para o cargo de agente penitenciário feminino de candidata
que esteja lactante à época de sua realização, independentemente da previsão expressa em edital do concurso
público.
STJ. 1ª Turma. RMS 52622-MG, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 26/03/2019 (Info 645).

__________________________________________________________________________________________

É razoável, dada a natureza e as peculiaridades do cargo, exigir-se altura mínima para o ingresso em carreira
militar, devendo esse requisito, contudo, encontrar previsão legal e não apenas editalícia.
A jurisprudência dos Tribunais Superiores é pacífica no sentido de que é constitucional a exigência de altura
mínima para o ingresso em carreiras militares, desde que haja previsão legal específica.
Somente lei formal pode impor condições para o preenchimento de cargos, empregos ou funções públicas.
STJ. 2ª Turma. AgInt no REsp 1590450/PE, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 19/10/2017.
STF. 2ª Turma. ARE 1073375 AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 23/03/2018.
__________________________________________________________________________________________
Não fere direitos dos candidatos a disposição do edital do certame que prevê limites mínimo e máximo de idade
para o ingresso na carreira militar, em razão da atividade peculiar nela exercida, desde que tal limitação esteja
prevista em legislação específica.
STJ. 1ª Turma. AgInt no RMS 51864/SE, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 21/03/2017.

__________________________________________________________________________________________

A interrupção da gravidez no primeiro trimestre da gestação provocada pela própria gestante (art. 124) ou com
o seu consentimento (art. 126) não é crime.
É preciso conferir interpretação conforme a Constituição aos arts. 124 a 126 do Código Penal – que tipificam o
crime de aborto – para excluir do seu âmbito de incidência a interrupção voluntária da gestação efetivada no
primeiro trimestre.
A criminalização, nessa hipótese, viola diversos direitos fundamentais da mulher, bem como o princípio da
proporcionalidade.
STF. 1ª Turma. HC 124306/RJ, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em
29/11/2016 (Info 849).

__________________________________________________________________________________________

A extinção de medida protetiva de urgência diante da homologação de acordo entre as partes não afasta a
competência da Vara Especializada de Violência Doméstica ou Familiar contra a Mulher para julgar ação de
divórcio fundada na mesma situação de agressividade vivenciada pela vítima e que fora distribuída por
dependência à medida extinta.
STJ. 3ª Turma. REsp 1496030-MT, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 6/10/2015 (Info 572).

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À luz do art. 14, caput e § 1º, do CDC, o fornecedor responde de forma objetiva, ou seja, independentemente
de culpa, pelos danos causados por defeito na prestação do serviço, que se considera defeituoso quando não
fornece a segurança que o consumidor dele pode esperar.
Em se tratando da realização de exames médicos laboratoriais, tem-se por legítima a expectativa do consumidor
quanto à exatidão das conclusões lançadas nos laudos respectivos, de modo que eventual erro de diagnóstico
de patologia ou equívoco no atestado de determinada condição biológica implica defeito na prestação do
serviço, a atrair a responsabilidade objetiva do laboratório.
O simples fato do resultado negativo do exame de DNA agride, ainda, de maneira grave, a honra e reputação da
mãe, ante os padrões culturais que, embora estereotipados, predominam socialmente. Basta a ideia de que a
mulher tenha tido envolvimento sexual com mais de um homem, ou de que não saiba quem é o pai do seu filho,
para que seja questionada sua honestidade e moralidade.
STJ. 3ª Turma. REsp 1700827-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 05/11/2019 (Info 660).

PONTO: 1.13. População carcerária e em cumprimento de pena ou de medida socioeducativa. A pessoa com
deficiência auditiva ou visual em privação de liberdade (Recomendação 81/20, CNJ). Direito à assistência e à
diversidade religiosa (Recomendação 119/21, CNJ). Direitos da população LGBTQIA+ (Res. 348/20, CNJ).
Fiscalização dos parâmetros de acolhimento das pessoas LGBTI+ privadas de liberdade (Recomendação 85/21
CNMP).

POPULAÇÃO CARCERÁRIA
O STF, em decisão histórica reconheceu o estado de coisas inconstitucional no sistema penitenciário brasileiro.
A partir de então, diversas discussões jurídicas sobre a finalidade da pena e direitos humanos passaram a ganhar
espaço no Brasil. Tais discussões intensificaram-se ainda mais no cenário pandêmico enfrentado mundialmente
pela Covid-19.

O Estado de Coisas Inconstitucional ocorre quando se verifica a existência de um quadro de violação


generalizada e sistêmica de direitos fundamentais, causado pela inércia ou incapacidade reiterada e persistente
das autoridades públicas em modificar a conjuntura, de modo que apenas transformações estruturais da
atuação do Poder Público e a atuação de uma pluralidade de autoridades podem modificar a situação
inconstitucional.

O STF reconheceu que o sistema penitenciário brasileiro vive um "Estado de Coisas Inconstitucional", com uma
violação generalizada de direitos fundamentais dos presos. As penas privativas de liberdade aplicadas nos
presídios acabam sendo penas cruéis e desumanas. Vale ressaltar que a responsabilidade por essa situação deve
ser atribuída aos três Poderes (Legislativo, Executivo e Judiciário), tanto da União como dos Estados-Membros
e do Distrito Federal. A ausência de medidas legislativas, administrativas e orçamentárias eficazes representa
uma verdadeira "falha estrutural" que gera ofensa aos direitos dos presos, além da perpetuação e do
agravamento da situação.

#AJUDAMARCINHO

O STF, em ADPF, concedeu parcialmente medida cautelar determinando que:  juízes e Tribunais de todo o
país implementem, no prazo máximo de 90 dias, a audiência de custódia;  a União libere, sem qualquer tipo
de limitação, o saldo acumulado do Fundo Penitenciário Nacional para utilização na finalidade para a qual foi
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criado, proibindo a realização de novos contingenciamentos. Na ADPF havia outros pedidos, mas estes foram
indeferidos, pelo menos na análise da medida cautelar. STF. Plenário. ADPF 347 MC/DF, Rel. Min. Marco
Aurélio, julgado em 9/9/2015 (Info 798).

O CNJ editou a Recomendação 62/2020 com orientações para evitar a propagação do coronavírus nos presídios,
de maneira que caso a caso deve ser avaliado pelo juiz.

#AJUDAMARCINHO
O STF entendeu que, neste momento, o Poder Judiciário deve seguir as recomendações sobre a questão
emitidas pelo Conselho Nacional de Justiça e por portaria conjunta dos Ministérios da Saúde e da Justiça. Para
evitar a disseminação do novo coronavírus nas prisões, o CNJ recomendou a análise de situações de risco caso
a caso. A Recomendação 62/2020 do CNJ traz orientações aos Tribunais e aos magistrados quanto à adoção
de medidas preventivas contra a propagação do Covid-19 no âmbito dos sistemas de justiça penal e
socioeducativo. STF. Plenário. ADPF 347 TPI-Ref/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre
de Moraes, julgado em 18/3/2020 (Info 970)

Os magistrados devem analisar a possibilidade de: a) liberdade condicional a encarcerados com idade igual ou
superior a 60 anos; b) regime domiciliar aos soropositivos para HIV, diabéticos, portadores de tuberculose,
câncer, doenças respiratórias, cardíacas, imunodepressoras ou outras suscetíveis de agravamento a partir do
contágio pelo Covid-19; c) regime domiciliar às gestantes e lactantes; d) regime domiciliar a presos por crimes
cometidos sem violência ou grave ameaça; e) substituição da prisão provisória por medida alternativa em razão
de delitos praticados sem violência ou grave ameaça; f) medidas alternativas a presos em flagrante ante o
cometimento de crimes sem violência ou grave ameaça; g) progressão de pena a quem, atendido o critério
temporal, aguarda exame criminológico; e h) progressão antecipada de pena a submetidos ao regime
semiaberto.

ATENÇÃO!

A Recomendação nº 81/20 do CNJ propõe procedimentos ao tratamento de pessoas acusadas, rés, condenadas
ou privadas de liberdade e adolescentes em conflito com a lei com deficiência auditiva e/ou visual, e dá diretrizes
para assegurar os direitos dessa população no âmbito da justiça criminal e da justiça da infância e juventude.

Art. 3º Diante da identificação de pessoa com deficiência auditiva, visual ou ambas, recomenda-se ao juiz
competente:

I – identificar, seja por autodeclaração ou por meio de indícios, se a pessoa ré, acusada ou condenada possuiria
deficiência auditiva, visual ou ambas, em especial na audiência de custódia, na primeira audiência criminal e na
audiência de apresentação de adolescentes;

II – comunicar o fato à unidade administrativa do tribunal designada como Comissão Permanente de


Acessibilidade e Inclusão, prevista na Resolução CNJ nº 230/2016;

III – garantir a presença de intérprete, preferencialmente de forma presencial, em todas as etapas do processo;

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IV – autorizar a presença de atendente pessoal, acompanhante ou ambos, desde que haja requerimento da
parte interessada, em todas as etapas do processo;

V – assegurar que a identificação da condição de pessoa com deficiência auditiva, visual ou ambas constem no
registro de todos os atos processuais, bem como informações acerca de recursos e métodos de tecnologia
assistiva e adaptação razoável; e

VI – providenciar a anotação nos autos da ação penal e ação de apuração de ato infracional acerca da prioridade
a ser concedida à sua tramitação, em todos os atos e diligências, em que for parte ou interessada pessoa com
deficiência, nos termos do art. 9º da Lei nº 13.146/2015 – Lei Brasileira de Inclusão.

Parágrafo único. As informações previstas neste artigo deverão constar, especialmente, da ata de audiência de
custódia, em
consonância com o art. 7º da Resolução CNJ nº 213/2015, e da ata de audiência de apresentação de adolescente
no processo de apuração de ato infracional.

ATENÇÃO! Recomendação nº 119/21, CNJ

A orientação propõe que os magistrados responsáveis pelas execuções de penas criminais tomem providências
que garantam “o exercício dos direitos à assistência e diversidade religiosa nas diversas matrizes e à liberdade
de crença”.

A recomendação também abrange pessoas sem crença, afirmando que elas não podem ser obrigadas a receber
assistência religiosa indesejada. O ato normativo também inclui unidades socioeducativas, que abrigam
adolescentes.

#OLHAOGANCHO

Reeducando, em prisão domiciliar, pode ser autorizado a se ausentar de sua residência para
frequentar culto religioso no período noturno.
O cumprimento de prisão domiciliar não impede a liberdade de culto, quando compatível com as condições
impostas ao reeducando, atendendo à finalidade ressocializadora da pena.
STJ. 6ª Turma. REsp 1788562-TO, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 17/09/2019 (Info 657).

ATENÇÃO! Resolução nº 348/20, CNJ

Estabelece diretrizes e procedimentos a serem observados pelo Poder Judiciário, no âmbito criminal, com
relação ao tratamento da população lésbica, gay, bissexual, transexual, travesti ou intersexo que seja
custodiada, acusada, ré, condenada, privada de liberdade, em cumprimento de alternativas penais ou
monitorada eletronicamente.

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#TABELALOVERS

Objetivos

 Garantia do direito à vida e à integridade física e mental da população LGBTI, assim


como à sua integridade sexual, segurança do corpo, liberdade de expressão da
identidade de gênero e orientação sexual;

 Reconhecimento do direito à autodeterminação de gênero e sexualidade da


população LGBTI;

 Garantia, sem discriminação, de estudo, trabalho e demais direitos previstos em


instrumentos legais e convencionais concernentes à população privada de
liberdade, em cumprimento de alternativas penais ou monitoração eletrônica em
geral, bem como a garantia de direitos específicos da população LGBTI nessas
condições.

ATENÇÃO! Recomendação nº 85/21 CNMP

Dispõe sobre o fomento à fiscalização, pelo Ministério Público, dos parâmetros de acolhimento das pessoas
LGBTI+ privadas de liberdade em estabelecimentos penais.

#SELIGANOEXEMPLO: Recomenda-se aos Ministérios Públicos, nos seus respectivos âmbitos de atribuição, que
seja fomentada a fiscalização dos parâmetros de acolhimento das pessoas LGBTI+ privadas de liberdade em
estabelecimentos penais, inclusive no que tange à observância do direito da pessoa, a qualquer tempo, até a
extinção da punibilidade pelo cumprimento da pena, de se reconhecer como parte da população LGBTI+ por
meio de autodeclaração, garantida a privacidade e a integridade da declarante.

A Recomendação nº 85/21 do CNMP traz a nomenclatura correta para a comunidade LGBTQIA+:

Lésbicas: denominação específica para mulheres que se relacionam afetiva e/ou sexualmente com outras
mulheres;

Gays: denominação específica para homens que se relacionam afetiva e/ou sexualmente com outros homens;

Bissexuais: pessoas que se relacionam afetiva e/ou sexualmente com pessoas do gênero feminino e masculino;

Travestis: pessoas que pertencem ao sexo masculino na dimensão fisiológica, mas que socialmente se
apresentam no gênero feminino;

Transexuais: pessoas que se identificam com gênero oposto àquele que lhe foi atribuído no nascimento;

Intersexuais: pessoas que nascem com anatomia reprodutivo-sexual (incluindo genitais, gônadas e padrões
cromossômicos) que não se encaixam nas noções binárias de corpos masculinos e femininos.

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Identidade de gênero: consiste na maneira como a pessoa se reconhece e reivindica para si o gênero com o qual
se identifica;

Orientação sexual: consiste no modo como a pessoa se atrai e se relaciona afetiva e/ou sexualmente com outras
pessoas.

#DEOLHONARECOMENDAÇÃO

Art. 4º As disposições previstas nesta Recomendação devem ser igualmente observadas quando se tratar de
adolescentes apreendidos, processados por cometimento de ato infracional ou em cumprimento de medida
socioeducativa que se autodeterminem como parte da população LGBTI+, no que couber e enquanto não for
elaborado ato normativo próprio, considerando-se a condição de pessoa em desenvolvimento, o princípio da
prioridade absoluta e as devidas adaptações, conforme previsão do Estatuto da Criança e do Adolescente.

É importante saber que, em 1990 foi aprovado um conjunto de regras mínimas para a proteção dos jovens
privados de liberdade. O escopo da Assembleia Geral da ONU, neste contexto, foi evitar os maus tratos, respeitar
os direitos e garantir a segurança do menor de 18 anos. Assim, foi definido que a restrição da liberdade (medida
socioeducativa) é excepcional em resposta ao ato infracional, decidida pela autoridade judiciária. Neste
conjunto de regras foi prevista a internação preventiva, mas respeitada a presunção de inocência e com a
manutenção em local separado dos condenados definitivos.

#OLHAOGANHCHO: “As Regras de Beijing” foram editadas pela ONU, como uma ampliação da proteção
conferida pela Convenção sobre os Direitos das Crianças. Neste documento é reconhecido que o Juízo da
Infância e Juventude deve ter como escopo a promoção do bem-estar da criança e do adolescente e de sua
família. Ex.: imparcialidade em caso de ato infracional; satisfazer as necessidades da sociedade, sem perder de
vista a proteção dos direitos básicos do jovem; decisões proporcionais; garantias processuais básicas (presunção
de inocência, direito de informação, direito ao silêncio, direito à assistência jurídica, direito à presença dos pais
e tutores, confrontar testemunhas, direito a recorrer das decisões).

Por fim, é importante conhecer as Diretrizes das Nações Unidas para a Prevenção da Delinquência Juvenil
(diretrizes de Riad), que tem como escopo a prevenção dos atos infracionais, evitar a criminalização e a
penalização. As diretrizes devem ser aplicadas de acordo com as condições econômicas, sociais e culturais de
cada Estado. Assim, é possível desenvolver políticas e estratégias, pensando em temas ligados ao bem-estar da
família.

#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA

São imprescritíveis e insuscetíveis de anistia, graça ou indulto crimes que caracterizem graves violações
de direitos humanos, praticados por agentes públicos ou particulares, diante da Convenção Americana
de Direitos Humanos e da pacífica jurisprudência da Corte Interamericana de Direitos Humanos, de observância
obrigatória por todos os órgãos e poderes do Estado brasileiro. (Enunciado 27 da I Jornada de Direito Penal e
Processo Penal CJF/STJ)

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Ciclos Método
A audiência de custódia (ou de apresentação) constitui direito público subjetivo, de caráter fundamental,
assegurado por convenções internacionais de direitos humanos a que o Estado brasileiro aderiu, já incorporadas
ao direito positivo interno (Convenção Americana de Direitos Humanos e Pacto Internacional
sobre Direitos Civis e Políticos). Traduz prerrogativa não suprimível assegurada a qualquer pessoa. Sua
imprescindibilidade tem o beneplácito do magistério jurisprudencial (ADPF 347 MC) e do ordenamento positivo
doméstico (Lei nº 13.964/2019 e Resolução 213/2015 do CNJ).
STF. HC 188888/MG, Rel. Min. Celso de Mello, julgado em 6/10/2020 (Info 994).

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A imunidade de jurisdição de Estado estrangeiro não alcança atos de império ofensivos ao direito internacional
da pessoa humana praticados no território brasileiro, tais como aqueles que resultem na morte de civis em
período de guerra.
Tese fixada pelo STF: “Os atos ilícitos praticados por Estados estrangeiros em violação a direitos humanos não
gozam de imunidade de jurisdição”.
STF. Plenário. ARE 954858/RJ, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 20/8/2021 (Repercussão Geral – Tema 944)
(Info 1026).

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Dispensa-se a comprovação de dor e sofrimento, sempre que demonstrada a ocorrência de ofensa injusta à
dignidade da pessoa humana.
A violação de direitos individuais relacionados à moradia, bem como da legítima expectativa de segurança dos
recorrentes, caracteriza dano moral in re ipsa a ser compensado.
STJ. 3ª Turma. REsp 1292141-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 4/12/2012 (Info 513).

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São constitucionais o art. 16, I, o art. 105, o art. 122, II e III, o art. 136, I, o art. 138 e o art. 230 do ECA.
Tais dispositivos estão de acordo com o art. 5º, caput e incisos XXXV, LIV, LXI e com o art. 227 da CF/88.
Além disso, são compatíveis com a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), a Convenção sobre
os Direitos da Criança, as Regras de Pequim para a Administração da Justiça de Menores e a Convenção
Americana de Direitos Humanos.
STF. Plenário. ADI 3446/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 7 e 8/8/2019 (Info 946).

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É incompatível com a Constituição a ideia de um direito ao esquecimento, assim entendido como o poder de
obstar, em razão da passagem do tempo, a divulgação de fatos ou dados verídicos e licitamente obtidos e
publicados em meios de comunicação social analógicos ou digitais. Eventuais excessos ou abusos no exercício
da liberdade de expressão e de informação devem ser analisados caso a caso, a partir dos parâmetros
constitucionais – especialmente os relativos à proteção da honra, da imagem, da privacidade e da personalidade
em geral – e as expressas e específicas previsões legais nos âmbitos penal e cível.
STF. Plenário. RE 1010606/RJ, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 11/2/2021 (Repercussão Geral – Tema 786) (Info
1005).

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Ciclos Método
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Custos vulnerabilis significa “guardiã dos vulneráveis” (“fiscal dos vulneráveis”).


Enquanto o Ministério Público atua como custos legis (fiscal ou guardião da ordem jurídica), a Defensoria Pública
possui a função de custos vulnerabilis.
Assim, segundo a tese da Instituição, em todo e qualquer processo onde se discuta interesses dos vulneráveis
seria possível a intervenção da Defensoria Pública, independentemente de haver ou não advogado particular
constituído.
Quando a Defensoria Pública atua como custos vulnerabilis, a sua participação processual ocorre não como
representante da parte em juízo, mas sim como protetor dos interesses dos necessitados em geral.
O STJ afirmou que deve ser admitida a intervenção da Defensoria Pública da União no feito como custos
vulnerabilis nas hipóteses em que há formação de precedentes em favor dos vulneráveis e
dos direitos humanos.
STJ. 2ª Seção. EDcl no REsp 1712163-SP, Rel. Min. Moura Ribeiro, julgado em 25/09/2019 (Info 657).

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A definição dos crimes de lesa-humanidade, também chamados de crimes contra a humanidade, pode ser
encontrada no Estatuto de Roma, promulgado no Brasil por força do Decreto nº 4.388/2002.
No Brasil, no entanto, ainda não há lei que tipifique os crimes contra a humanidade. Diante da ausência de lei
interna tipificando os crimes contra a humanidade, não é possível utilizar tipo penal descrito em tratado
internacional para tipificar condutas internamente, sob pena de se violar o princípio da legalidade (art. 5º, XXXIX,
da CF/88).
Dessa maneira, não se mostra possível internalizar a tipificação do crime contra a humanidade trazida pelo
Estatuto de Roma, mesmo se cuidando de Tratado internalizado por meio do Decreto n. 4.388, porquanto não
há lei em sentido formal tipificando referida conduta.
STJ. 3ª Seção. REsp 1798903-RJ, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 25/09/2019 (Info 659).

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É juridicamente possível o pedido de alimentos decorrente do rompimento de união estável homoafetiva.


STJ. 4ª Turma. REsp 1302467-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 3/3/2015 (Info 558).

É isso pessoal! Terminamos nossa jornada pelo MPSP. E Deixo uma frase de Steve Jobs:

“Não deixe o barulho da opinião dos outros abafar sua voz interior. E mais importante, tenha a coragem de
seguir seu coração e sua intuição. Eles de alguma forma já sabem o que você realmente quer se tornar. Tudo o
mais é secundário.”

Boa Sorte!

Prof. Karol

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Ciclos Método

PROCESSO PENAL12

Falaa pessoal, sejam muito BEM-VINDOS ao nosso queridinho NFPSS de Processo Penal. Vamos arrebentar e
garantir muitos pontos na prova, simbora?
Animação, deem o gás nessa reta final, logo mais #VEMPOSSE.

1. Princípios que regem o processo penal. Estrutura acusatória do processo penal brasileiro. 2. Aplicação e
interpretação da lei processual. 3. Inquérito policial, Investigação Criminal. A investigação criminal do Ministério
Público. Acordo de não persecução penal. Juiz de garantias.

SISTEMAS PROCESSUAIS

Sistema Inquisitivo: tem como marca a concentração, em uma única pessoa, das funções de acusar, defender e
julgar. Ou seja, o juiz atuava como parte, investigava, dirigia, acusava e julgava.

Sistema Acusatório: É o sistema adotado no Brasil. Nele, há separação entre os sujeitos da relação processual
penal. Nosso sistema não é acusatório puro, e sim o não-ortodoxo, flexível ou relativo, já que o juiz não é mero
expectador no curso do processo penal, podendo, inclusive, determinar a realização de provas. Assim, o sistema
acusatório pode ser rígido (o juiz JAMAIS toma a iniciativa de provas) ou flexível (as partes produzem provas,
mas, o juiz tem o poder de complementá-las, de determinar perícias).

Sistema Misto ou Acusatório Formal: Caracterizado por ter uma fase de instrução preliminar secreta e
inquisitiva, a cargo do juiz, e outra pública e acusatória, em que predomina o contraditório. Parte da doutrina
refuta que leva em conta o inquérito na análise do sistema processual brasileiro, porque a definição de um
sistema processual há de limitar-se ao exame do processo, isto é, da atuação do juiz no curso do processo.

PRINCÍPIOS

Princípio do devido processo legal:

Esse princípio possui um duplo significado: a) ninguém pode ser privado de sua liberdade e de seus bens sem o
devido processo legal; e b) todo cidadão tem direito ao prévio conhecimento das regras procedimentais que
regulam o justo processo, obrigando, assim, o Estado a respeitá-las. Logo, trata-se de forma de controle político
da atuação estatal.
Dimensão Processual ou procedimental: todo processo deve se desenvolver conforme a lei.
Dimensão Substantiva ou material: exprime o princípio da razoabilidade ou proporcionalidade; trata-se de
dimensão direcionada tanto ao legislador quanto ao juiz. No que se refere ao legislador, a norma estatal que
descreve o delito e comina a respectiva pena atua por modo necessariamente binário, no sentido de que, se, por
um lado, consubstancia o poder estatal de interferência na liberdade individual, também se traduz na garantia

12
Maria Eduarda Carvalho

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Ciclos Método
de que os eventuais arroubos legislativos de irrazoabilidade e desproporcionalidade se expõem a controle
jurisdicional. No que direcionado ao juiz, impede atos processuais desproporcionais, tanto em relação ao acusado
quanto em relação à acusação.

Princípio da presunção de inocência:

Art.5 LVII CF - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória.

a) Como regra probatória, invertendo-se o seu ônus, como presunção legal relativa de não-culpabilidade. O
acusado não tem o dever de provar a sua inocência; cabe ao acusador comprovar a sua culpa, sendo considerado
inocente, até o trânsito em julgado de uma sentença penal condenatória.
b) Como regra de Tratamento – dimensão interna ao processo, ônus da prova recai integralmente sobre a parte
acusadora, devendo a dúvida favorecer o acusado. E as prisões cautelares devem ser excepcionais, comprovada
a necessidade, não perca a sua qualidade instrumental; dimensão externa ao processo, proteção contra a
publicidade abusiva e a estigmatização do acusado.
c) Como valoração da prova ou regra de julgamento, confundindo-se neste aspecto, com o princípio do in dubio
pro reo.

#DEOLHONAJURIS:

Não existe cumprimento provisório da pena no Brasil porque ninguém pode ser considerado culpado antes do
trânsito em julgado (art. 5º, LVII, da CF/88). O art. 283 do CPP, que exige o trânsito em julgado da condenação
para que se inicie o cumprimento da pena, é constitucional, sendo compatível com o princípio da presunção de
inocência, previsto no art. 5º, LVII, da CF/88.STF. Plenário. ADC 43/DF, ADC 44/DF e ADC 54/DF, Rel. Min. Marco
Aurélio, julgados em 7/11/2019 (Info 958).

Súmula 643-STJ: A execução da pena restritiva de direitos depende do trânsito em julgado da condenação. STJ.
3ª Seção. Aprovada em 10/02/2021.

Princípio do contraditório:

Está previsto no art. 5º, LV, CF/88, e significa que aos litigantes em processo administrativo e judicial serão garantidos o
contraditório e a ampla defesa. O contraditório dignifica o direito à informação e à participação.

#SELIGA: SÚMULA 707, STF: “Constitui nulidade a falta de intimação do denunciado para oferecer contrarrazões ao
recurso interposto da rejeição da denúncia, não a suprindo a nomeação de defensor dativo.

Princípio da Ampla Defesa:

Está previsto no art. 5º, LV, CF/88, e significa que aos litigantes em processo administrativo e judicial serão garantidos o
contraditório e a ampla defesa. A ampla defesa significa a autodefesa e a defesa técnica.
A defesa técnica é aquela exercida por profissional habilitado e que tenha capacidade postulatória (ex. advogado,
defensor público, defensor dativo), cuja ausência acarreta a nulidade absoluta do processo.
O réu tem direito de escolher seu defensor. A autodefesa é o direito de audiência (o réu tem direito a um contato
direto com o juiz para expor suas considerações sobre o fato, ex. no interrogatório), o direito de presença (o réu tem o
direito de acompanhar os atos processuais que são proferidos no bojo do processo contra si) e o direito de postular
(ex. HC, revisão criminal).
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Ciclos Método

#DEOLHONASSÚMULAS:
SÚMULA 523, STF: No processo penal, a falta de defesa técnica acarretará a nulidade absoluta, mas sua deficiência só
o anulará se houver prejuízo ao réu.
SÚMULA 522, STJ: A conduta de atribuir-se falsa identidade perante autoridade policial é típica, ainda que em situação de
alegada autodefesa.

Princípio da não autoincriminação:

De acordo com o art. 5º, inciso LXIII, da Constituição Federal, “o preso será informado de seus direitos, entre os
quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado”. O direito ao
silêncio, previsto na Carta Magna como direito de permanecer calado, apresenta-se apenas como uma das várias
decorrências do nemo tenetur se detegere, segundo o qual ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo.
Embora seja possível ao réu mentir sobre as perguntas relacionadas ao fato delituoso, não é possível mentir
sobre a sua qualificação pessoal, sob pena de configuração do crime de falsa identidade (art. 307, CP).

Princípio do juiz natural:

Apresenta-se em duas dimensões: O juiz deve ser competente para o caso (art. 5º, LIII); Vedação do juízo ou
tribunal de exceção (art. 5º, XXXVII). As pessoas somente deverão ser processadas por juiz previamente investido
do poder jurisdicional e com competência previamente outorgada para julgamento. Exceção: uma lei nova que
altera a competência não pode ser entendida como violadora do juiz natural. Isso porque a lei que cuida de
competência é uma lei processual, logo, tem aplicação imediata. Entretanto, quando o caso já foi julgado em
primeira instância, não pode haver modificação de competência, sendo esta jurisprudência pacífica do STF. A
criação de vara especializada como no caso de violência doméstica não representa violação ao princípio do juiz
natural, pois neste caso há mera atribuição de competência a órgão jurisdicional que integra a estrutura
judiciária, com o escopo de promover uma melhor atuação em razão da especialização.

Princípio do promotor natural:

Significa que ninguém será processado senão pelo órgão do MP, dotado de amplas garantias pessoais e
institucionais, de absoluta independência e liberdade de convicção e com atribuições previamente fixadas e
conhecidas. Não admitiria designações casuísticas de membros do Ministério Público para determinados casos
em desobediência às regulamentações anteriores. Trata-se de princípio implícito. A CR não traz expressamente
o princípio do promotor natural, mas ele decorre do princípio da independência funcional e da inamovibilidade
dos membros do MP. Garantia de ordem jurídica protegendo o membro do MP, em exercício pleno e
independente, e a coletividade, que será julgado por órgão de acusação de acordo com critérios abstratos e pré-
determinados em lei. Fundamento: art. 5º, LIII, CF/88; art. 128, § 5º, II, CF/88.

#DEOLHONAJURIS: Lei Orgânica estadual do Ministério Público pode atribuir privativamente ao Procurador-
Geral de Justiça a competência para interpor recursos dirigidos ao STF e STJ. Não há inconstitucionalidade formal
nessa previsão. Isso porque a Lei federal nº 8.625/93 (Lei Orgânica Nacional do Ministério Público - LONMP) não
pormenoriza a atuação dos Procuradores-Gerais de Justiça e dos Procuradores de Justiça em sede recursal e, por
expressa dicção do caput de seu artigo 29, o rol de atribuições dos Procuradores-Gerais de Justiça não é
exaustivo, de forma que as leis orgânicas dos Ministérios Públicos estaduais podem validamente ampliar tais
atribuições. Além disso, não há ofensa aos princípios do promotor natural e da independência funcional dos
membros do Parquet, uma vez que: • se trata de mera divisão de atribuições dentro do Ministério Público
estadual, veiculada por meio de lei; • e não se possibilita a ingerência do PGJ nas atividades dos Procuradores de
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Justiça, que conservam plena autonomia no exercício de seus misteres legais. STF. Plenário. ADI 5505, Rel. Luiz
Fux, julgado em 15/04/2020.

LEI PROCESSUAL

Lei processual no tempo:

Art. 2o, CPP – Princípio tempus regitactum: “A lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da
validade dos atos realizados sob a vigência da lei anterior”.

Efeitos: (1) os atos processuais praticados sob a vigência da lei anterior são considerados válidos;
(2) as normas processuais têm aplicação imediata, regulando o desenrolar restante do processo.

Lei processual no espaço:

Princípio da territorialidade: enquanto no CP vige o princípio da territorialidade mitigada (territorialidade como


regra [art. 5º, CP] e da extraterritorialidade incondicionada e condicionada [art. 7º, CP]), o CPP adota o princípio
da territorialidade ou da lex fori (art. 1º, CPP). Assim, como regra, todo e qualquer processo penal que surgir no
território nacional deve ser solucionado de acordo com as regras processuais brasileiras.

#SELIGA: EXCEÇÕES:
a) Tratados, convenções e regras de direito internacional (art. 1º, I, CPP);
b) Crimes de responsabilidade (art. 1º, II, CPP);
c) Processo de competência da Justiça Militar (art. 1º, III, CPP);
d) Processos de competência do tribunal especial (art. 1º, IV, CPP)
e) Crimes de imprensa (art. 1º, V, CPP):

#LEMBRAR que o STF entendeu como não recepcionada a Lei de Imprensa.

INQUÉRITO POLICIAL

É um procedimento administrativo preliminar, de caráter informativo, presidido pela autoridade policial


(delegado), com objetivo de apurar a autoria e a materialidade e em que circunstâncias o delito foi praticado. E
tem por finalidade contribuir na formação da opinião delitiva do titular da ação.

CARACTERÍSTICAS DO INQUÉRITO POLICIAL


INQUISITIVO
ESCRITO
DISCRICIONÁRIO
SIGILOSO
UNIDIRECIONALIDADE
TEMPORÁRIO
INDISPONÍVEL
OFICIOSIDADE
OFICIALIDADE e AUTORITARIEDADE

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Ciclos Método
DISPENSÁVEL

#OLHAOGANCHO:

Os vícios ocorridos no curso do IP não atingem a ação penal. Isso porque ele é dispensável para a sua
propositura. Entretanto, caso a exordial acusatória esteja embasada tão-somente em inquérito viciado, ela
deverá ser rejeitada por falta de justa causa, ou seja, ausência de lastro probatório mínimo e idôneo ao início do
processo.

#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA: #IMPORTANTE: O STF reconheceu a legitimidade do Ministério Público para


promover, por autoridade própria, investigações de natureza penal, desde que respeitados os direitos e
garantias que assistem a qualquer indiciado ou a qualquer pessoa sob investigação do Estado. STF. Plenário. RE
593727/MG, rel. orig. Min. Cezar Peluso, red. p/ o acórdão Min. Gilmar Mendes, julgado em 14/5/2015
(repercussão geral) (Info 785).

Prazos:

PRAZOS para conclusão do INQUÉRITO POLICIAL (em dias)


PRESO SOLTO
Regra Geral
10 30
(art. 10 do CPP)
Inquérito Policial
15 + 15 30
FEDERAL
Inquérito Policial
20 40 + 20
MILITAR
Lei de Drogas 30 + 30 90 + 90
Crimes contra a
10 10
Economia Popular

Indiciamento:

O magistrado não pode requisitar o indiciamento em investigação criminal. Isso porque o indiciamento constitui
atribuição exclusiva da autoridade policial. (STJ, 2015 – 552)

Em regra, a autoridade com foro por prerrogativa de função pode ser indiciada. Existem duas exceções previstas
em lei de autoridades que não podem ser indiciadas: a) Magistrados (art. 33, parágrafo único, da LC 35/79); b)
Membros do Ministério Público (art. 18, parágrafo único, da LC 75/93 e art. 41, parágrafo único, da Lei nº
8.625/93). Excetuadas as hipóteses legais, é plenamente possível o indiciamento de autoridades com foro por
prerrogativa de função. No entanto, para isso, é indispensável que a autoridade policial obtenha uma autorização
do Tribunal competente para julgar esta autoridade. Ex: em um inquérito criminal que tramita no STJ para apurar
crime praticado por Governador de Estado, o Delegado de Polícia constata que já existem elementos suficientes
para realizar o indiciamento do investigado. Diante disso, a autoridade policial deverá requerer ao Ministro
Relator do inquérito no STJ autorização para realizar o indiciamento do referido Governador. Chamo atenção
para o fato de que não é o Ministro Relator quem irá fazer o indiciamento. Este ato é privativo da autoridade
policial. O Ministro Relator irá apenas autorizar que o Delegado realize o indiciamento. STF. Decisão monocrática.
HC 133835 MC, Rel. Min. Celso de Mello, julgado em 18/04/2016 (Info 825).

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Notitia criminis:
Art. 5o Nos crimes de ação pública o inquérito policial será iniciado: I - de ofício; II - mediante requisição da
autoridade judiciária ou do Ministério Público, ou a requerimento do ofendido ou de quem tiver qualidade para
representá-lo. § 5o Nos crimes de ação privada, a autoridade policial somente poderá proceder a inquérito a
requerimento de quem tenha qualidade para intentá-la.
Tanto nos crimes de ação pública condicionada como nos casos de ação penal privada é possível o inquérito ser
instaurado por auto de prisão em flagrante, contudo a lavratura do auto está condicionada a manifestação do
ofendido ou do seu representante legal.
Notitia criminis de cognição imediata (ou espontânea) - ocorre quando o Delegado toma conhecimento espontaneamente
de um crime. Ex. Ouviu na imprensa.
Notitia criminis de cognição mediata (ou provocada) - o conhecimento da infração pela autoridade mediante
provocação de terceiros. Ocorre por:
Requisição do juiz ou do MP: nos crimes de ação penal pública, ambos podem determinar a instauração do IP.
Requerimento da vítima: a vítima ou seu representante podem requerer a instauração do IP. Caso o delegado
federal entenda não ser ele cabível, poderá ser interposto recurso administrativo ao Chefe de Polícia.
Delação: qualquer do povo pode, nos crimes de ação penal pública incondicionada, noticiar o fato delituoso à
autoridade policial.
A Representação da vítima ou delatio criminis postulatória: nos crimes de ação penal pública condicionada à
representação. Condição de procedibilidade.
Notitia criminis de cognição coercitiva - a autoridade policial toma conhecimento do fato delituoso através da apresentação do
indivíduo preso em flagrante.
Notícia crime apócrifa ou inqualificada é a conhecida denúncia anônima.

#DEOLHONAJURIS:

As notícias anônimas ("denúncias anônimas") não autorizam, por si sós, a propositura de ação penal ou mesmo,
na fase de investigação preliminar, o emprego de métodos invasivos de investigação, como interceptação
telefônica ou busca e apreensão. Entretanto, elas podem constituir fonte de informação e de provas que não
podem ser simplesmente descartadas pelos órgãos do Poder Judiciário. Procedimento a ser adotado pela
autoridade policial em caso de “denúncia anônima”: 1) Realizar investigações preliminares para confirmar a
credibilidade da “denúncia”; 2) Sendo confirmado que a “denúncia anônima” possui aparência mínima de
procedência, instaura-se inquérito policial; 3) Instaurado o inquérito, a autoridade policial deverá buscar outros
meios de prova que não a interceptação telefônica (esta é a ultima ratio). Se houver indícios concretos contra os
investigados, mas a interceptação se revelar imprescindível para provar o crime, poderá ser requerida a quebra
do sigilo telefônico ao magistrado. STF. 1ª Turma. HC 106152/MS, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 29/3/2016
(Info 819).

Arquivamento:

#IMPORTANTE!

MOTIVO DO ARQUIVAMENTO É POSSÍVEL DESARQUIVAR?


SIM
1) Insuficiência de provas
(Súmula 524/STF)
2) Ausência de pressuposto processual ou
SIM
de condição da ação penal

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3) Falta de justa causa para a ação penal
(não há indícios de autoria ou prova da SIM
materialidade)
4) Atipicidade (fato narrado não é crime) NÃO
5) Existência manifesta de causa STJ: NÃO (REsp 791471/RJ)
excludente de ilicitude STF: SIM (HC 125101/SP)
6) Existência manifesta de causa NÃO
excludente de culpabilidade (posição da doutrina)
NÃO
7) Existência manifesta de causa extintiva (STJ HC 307.562/RS)
da punibilidade (STF Pet 3943)
Exceção: certidão de óbito falsa

#DEOLHONAJURIS:

O STF pode, de ofício, arquivar inquérito quando verificar que, mesmo após terem sido feitas diligências de
investigação e terem sido descumpridos os prazos para a instrução do inquérito, não foram reunidos indícios
mínimos de autoria ou materialidade (art. 231, § 4º, “e”, do RISTF). A pendência de investigação, por prazo
irrazoável, sem amparo em suspeita contundente, ofende o direito à razoável duração do processo (art. 5º,
LXXVIII, da CF/88) e a dignidade da pessoa humana (art. 1º, III, da CF/88). STF. 2ª Turma. Inq 4420/DF, Rel. Min.
Gilmar Mendes, julgado em 21/8/2018 (Info 912).

Arquivamento e Pacote Anticrime:

#ATENÇÃO – Vale ressaltar que a Lei 13.964/19, alterou significativamente a competência dos juízes no tocante
ao arquivamento do Inquérito. Sobretudo, o STF suspendeu a eficácia da alteração do procedimento de
arquivamento do inquérito policial (art. 28, caput). MEDIDA CAUTELAR NA AÇÃO DIRETA DE
INCONSTITUCIONALIDADE 6.298

Sendo assim, entende-se que a antiga redação do art. 28 permanece a regular o procedimento do arquivamento.

Art. 28 (REDAÇÃO ANTERIOR). Se o órgão do Ministério Público, ao invés de apresentar a


denúncia, requerer o arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer peças de informação, o juiz, no caso
de considerar improcedentes as razões invocadas, fará remessa do inquérito ou peças de informação ao
procurador-geral, e este oferecerá a denúncia, designará outro órgão do Ministério Público para oferecê-la, ou
insistirá no pedido de arquivamento, ao qual só então estará o juiz obrigado a atender.

Investigação direta pelo Ministério Público:

O STF reconheceu a legitimidade do Ministério Público para promover, por autoridade própria, investigações de
natureza penal, mas ressaltou que essa investigação deverá respeitar alguns parâmetros que podem ser a seguir
listados: 1) Devem ser respeitados os direitos e garantias fundamentais dos investigados; 2) Os atos
investigatórios devem ser necessariamente documentados e praticados por membros do MP; 3) Devem ser
observadas as hipóteses de reserva constitucional de jurisdição, ou seja, determinadas diligências somente
podem ser autorizadas pelo Poder Judiciário nos casos em que a CF/88 assim exigir (ex: interceptação telefônica,
quebra de sigilo bancário etc); 4) Devem ser respeitadas as prerrogativas profissionais asseguradas por lei aos
advogados; 5) Deve ser assegurada a garantia prevista na Súmula vinculante 14 do STF; 6) A investigação deve
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ser realizada dentro de prazo razoável; 7) Os atos de investigação conduzidos pelo MP estão sujeitos ao
permanente controle do Poder Judiciário.

Mas a CF/88 expressamente menciona que o MP tem poder para investigar crimes? NÃO. A CF/88 não fala isso
de forma expressa. Adota-se aqui a teoria dos poderes implícitos. Segundo essa doutrina, nascida nos EUA (Mc
CulloCh vs. Maryland –1819), se a Constituição outorga determinada atividade-fim a um órgão, significa dizer
que também concede todos os meios necessários para a realização dessa atribuição. A CF/88 confere ao MP as
funções de promover a ação penal pública (art. 129, I). Logo, ela atribui ao Parquet também todos os meios
necessários para o exercício da denúncia, dentre eles a possibilidade de reunir provas para que fundamentem a
acusação.

Qual é o fundamento constitucional? Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público: I - promover,
privativamente, a ação penal pública, na forma da lei; VI - expedir notificações nos procedimentos
administrativos de sua competência, requisitando informações e documentos para instruí-los, na forma da lei
complementar respectiva; VII - exercer o controle externo da atividade policial, na forma da lei complementar
mencionada no artigo anterior; VIII - requisitar diligências investigatórias e a instauração de inquérito policial,
indicados os fundamentos jurídicos de suas manifestações processuais; IX - exercer outras funções que lhe forem
conferidas, desde que compatíveis com sua finalidade, sendo-lhe vedada a representação judicial e a consultoria
jurídica de entidades públicas.

#DEOLHONAJURIS:

Não é necessária, mesmo após a Lei 13.245/2016, a intimação prévia da defesa técnica do investigado para a
tomada de depoimentos orais na fase de inquérito policial. Não é necessária a intimação prévia da defesa técnica
do investigado para a tomada de depoimentos orais na fase de inquérito policial. Não haverá nulidade dos atos
processuais caso essa intimação não ocorra. O inquérito policial é um procedimento informativo, de natureza
inquisitorial, destinado precipuamente à formação da opinio delicti do órgão acusatório. Logo, no inquérito há
uma regular mitigação das garantias do contraditório e da ampla defesa. Esse entendimento justifica-se porque
os elementos de informação colhidos no inquérito não se prestam, por si sós, a fundamentar uma condenação
criminal. A Lei nº 13.245/2016 implicou um reforço das prerrogativas da defesa técnica, sem, contudo, conferir
ao advogado o direito subjetivo de intimação prévia e tempestiva do calendário de inquirições a ser definido pela
autoridade policial. STF. 2ª Turma. Pet 7612/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 12/03/2019 (Info 933).

Súmula 524 STF: Arquivado o Inquérito Policial, por despacho do Juiz, a requerimento do Promotor de Justiça,
não pode a ação penal ser iniciada, sem novas provas.

A vítima de crime de ação penal pública não tem direito líquido e certo de impedir o arquivamento do inquérito
ou das peças de informação. Considerando que o processo penal rege-se pelo princípio da obrigatoriedade, a
propositura da ação penal pública constitui um dever, e não uma faculdade, não sendo reservado ao Parquet um
juízo discricionário sobre a conveniência e oportunidade de seu ajuizamento. Por outro lado, não verificando o
Ministério Público que haja justa causa para a propositura da ação penal, ele deverá requerer o arquivamento
do IP. Esse pedido de arquivamento passará pelo controle do Poder Judiciário, que poderá discordar, remetendo
o caso para o PGJ (no caso do MPE) ou para a CCR (se for MPF). Existe, desse modo, um sistema de controle de
legalidade muito técnico e rigoroso em relação ao arquivamento de inquérito policial, inerente ao próprio
sistema acusatório. Nesse sistema, contudo, a vítima não tem o poder de, por si só, impedir o arquivamento.
Cumpre salientar, por oportuno, que, se a vítima ou qualquer outra pessoa trouxer novas informações que

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NFPSS | MPSP

Ciclos Método
justifiquem a reabertura do inquérito, pode a autoridade policial proceder a novas investigações, nos termos do
citado art. 18 do CPP. STJ. Corte Especial. MS 21081-DF, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 17/6/2015 (Info 565).

Os dados bancários entregues à autoridade fiscal pela sociedade empresária fiscalizada, após regular intimação
e independentemente de prévia autorização judicial, podem ser utilizados para subsidiar a instauração de
inquérito policial para apurar suposta prática de crime contra a ordem tributária. STJ. 5ª Turma. RHC 66.520-RJ,
Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 2/2/2016 (Info 577).

CONTROLE DA ATIVIDADE POLICIAL

O MP, no exercício do controle externo, deverá fiscalizar, de forma geral, a atuação dos órgãos policiais, podendo
ser citados como exemplos: fiscalizar como tem sido o trabalho policial na prevenção e investigação dos crimes;
examinar se a polícia tem respeitado os direitos e garantias constitucionais dos presos que estejam sob sua
responsabilidade; conferir se os órgãos policiais estão dando devido cumprimento às determinações judiciais.

Espécie de controle: Controle difuso: Exercido por todos os membros do Ministério Público com atribuição
criminal, quando do exame dos procedimentos que lhes forem atribuídos. Controle concentrado: Exercido por
alguns membros do MP que tenham a atribuição específica de realizar o controle externo da atividade policial,
conforme disciplinado no âmbito de cada Ministério Público.

ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO PENAL

#VAICAIR #APOSTACICLOS:

Art. 28-A. Não sendo caso de arquivamento e tendo o investigado confessado formal e circunstancialmente a
prática de infração penal sem violência ou grave ameaça e com pena mínima inferior a 4 (quatro) anos, o
Ministério Público poderá propor acordo de não persecução penal, desde que necessário e suficiente para
reprovação e prevenção do crime, mediante as seguintes condições ajustadas cumulativa e
alternativamente: (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)

#FOCANATABELA:

REQUISITOS CONDIÇÕES NÃO APLICAÇÃO DO ANPP


Não há motivos para o I - reparar o dano ou restituir a coisa I - se for cabível transação penal de
arquivamento da investigação; à vítima, exceto na impossibilidade competência dos Juizados Especiais
de fazê-lo; Criminais, nos termos da lei ;
O investigado confessou formal II - renunciar voluntariamente a II - se o investigado for reincidente
e circunstancialmente a prática bens e direitos indicados pelo ou se houver elementos
de infração penal; Ministério Público como probatórios que indiquem conduta
instrumentos, produto ou proveito criminal habitual, reiterada ou
do crime; profissional, exceto se
insignificantes as infrações penais
pretéritas;
A infração penal foi praticada III - prestar serviço à comunidade ou III - ter sido o agente beneficiado
sem violência ou grave ameaça; a entidades públicas por período nos 5 (cinco) anos anteriores ao
correspondente à pena mínima cometimento da infração, em

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NFPSS | MPSP

Ciclos Método
cominada ao delito diminuída de acordo de não persecução penal,
1/3 a 2/3, em local a ser indicado transação penal ou suspensão
pelo juízo da execução, na forma do condicional do processo;
art. 46 do CP;
A infração possui pena mínima IV - pagar prestação pecuniária, a IV - nos crimes praticados no
inferior a 4 anos (para aferição ser estipulada nos termos do art. 45 âmbito de violência doméstica ou
da pena mínima cominada ao do CP, a entidade pública ou de familiar, ou praticados contra a
delito, serão consideradas as interesse social, a ser indicada pelo mulher por razões da condição de
causas de aumento e juízo da execução, que tenha, sexo feminino, em favor do
diminuição aplicáveis ao caso preferencialmente, como função agressor.
concreto); proteger bens jurídicos iguais ou
semelhantes aos aparentemente
lesados pelo delito;
O acordo é uma medida V - cumprir, por prazo determinado, I - se for cabível transação penal de
necessária e suficiente para a outra condição indicada pelo competência dos Juizados Especiais
reprovação e prevenção do Ministério Público, desde que Criminais, nos termos da lei;
crime. proporcional e compatível com a
infração penal imputada.

#DEOLHONAJURIS:

A Lei nº 13.964/2019, no ponto em que institui o ANPP, é considerada lei penal de natureza híbrida
(#olhaogancho), admitindo conformação entre a retroatividade penal benéfica e o tempus regit actum.
O ANPP se esgota na etapa pré-processual, sobretudo porque a consequência da sua recusa, sua não
homologação ou seu descumprimento é inaugurar a fase de oferecimento e de recebimento da denúncia.
O recebimento da denúncia encerra a etapa pré-processual, devendo ser considerados válidos os atos praticados
em conformidade com a lei então vigente.
Dessa forma, a retroatividade penal benéfica incide para permitir que o ANPP seja viabilizado a fatos anteriores
à Lei nº 13.964/2019, desde que não recebida a denúncia.
Assim, mostra-se impossível realizar o ANPP quando já recebida a denúncia em data anterior à entrada em vigor
da Lei nº 13.964/2019. STJ. 5ª Turma. HC 607003-SC, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em
24/11/2020 (Info 683). STF. 1ª Turma. HC 191464 AgR, Rel. Roberto Barroso, julgado em 11/11/2020.

Não cabe ao Poder Judiciário, que não detém atribuição para participar de negociações na seara investigatória,
impor ao MP a celebração de acordos. Não se tratando de hipótese de manifesta inadmissibilidade do ANPP, a
defesa pode requerer o reexame de sua negativa, nos termos do art. 28-A, § 14, do CPP, não sendo legítimo, em
regra, que o Judiciário controle o ato de recusa, quanto ao mérito, a fim de impedir a remessa ao órgão superior
no MP. Isso porque a redação do art. 28-A, § 14, do CPP determina a iniciativa da defesa para requerer a sua
aplicação. STF. 2ª Turma. HC 194677/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 11/5/2021 (Info 1017).

Efeitos do ANPP:

EFEITOS
CUMPRIMENTO DO ANPP DESCUMPRIMENTO DO ANPP
Cumprido integralmente, o juízo competente Descumpridas quaisquer das condições estipuladas, o
decretará a extinção de punibilidade; Ministério Público deverá comunicar ao juízo, para
fins de sua rescisão e posterior oferecimento de
denúncia.

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NFPSS | MPSP

Ciclos Método
A celebração e o cumprimento do acordo de não O descumprimento também poderá ser utilizado pelo
persecução penal não constarão de certidão de Ministério Público como justificativa para o eventual
antecedentes criminais, exceto para os fins previstos não oferecimento de suspensão condicional do
no inciso III do § 2º deste artigo. processo.

Observações importantes:

ANPP e crimes culposos: Em se tratando de crimes culposos que provoquem resultado violento,
independentemente da pena, admite-se a oferta do benefício, nos termos da lei, posto que o resultado é
involuntário. Por outro lado, alguns membros do MP deixam de propor o benefício por julgá-lo insuficiente
(elemento subjetivo) no caso, por exemplo, de determinados homicídios culposos de trânsito.

ANPP e confissão formal: No que se refere especificamente ao requisito da confissão formal, esta pode já ter
sido realizada e estar documentada no procedimento investigatório criminal (PIC) ou inquérito policial ou pode
ser feita perante o Ministério Público, mesmo quando o réu tenha silenciado na fase policial ou prestado
depoimento em sentido contrário aos elementos indiciários constantes nos autos. Deste modo, ausente a
confissão inquisitória ou mesmo tendo o investigado apresentado versão contrária à intenção de confessar, nada
impede que o Promotor possa dar a oportunidade de confissão, em audiência realizada no próprio Ministério
Público, com a presença indispensável da defesa e através de gravação em mídia (art. 18, §2° da Resolução 181
do CNMP).

ANPP e direito subjetivo do investigado: O acesso ao ANPP não constitui de direito subjetivo do investigado,
sendo uma faculdade do Ministério Público, que deverá avaliar se, além dos requisitos objetivos previstos na lei,
o acordo se revela necessário e suficiente para a reprovação e prevenção do crime (requisito subjetivo), tendo
em vista o disposto no art. 28-A do CPP. Tal entendimento está sedimentado no Enunciado nº 19 do
CNPG/GNCCRIM: O acordo de não persecução pena é uma faculdade do Ministério Público, que avaliará,
inclusive em última análise ((§ 14) se o instrumento é necessário e suficiente para a reprovação e prevenção do
crime no caso concreto.

ANPP e aplicabilidade para crimes anteriores a edição do instituto: O ANPP pode ser aplicado para fatos
ocorridos antes da vigência da Lei nº 13.964/2019? SIM, mas desde que ainda não tenha sido recebida a
denúncia. O acordo de não persecução penal (ANPP) aplica-se a fatos ocorridos antes da Lei nº 13.964/2019,
desde que não recebida a denúncia. STJ. 5ª Turma. HC 607.003-SC, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado
em 24/11/2020 (Info 683). Essa é também a posição da 1ª Turma do STF sobre o tema: HC 191464 AgR, Rel.
Roberto Barroso, julgado em 11/11/2020.

ANPP, Poder Judiciário e obrigatoriedade ao Ministério Público: O Poder Judiciário não pode impor ao MP a
obrigação de ofertar ANPP. O Poder Judiciário não pode impor ao Ministério Público a obrigação de ofertar
acordo de não persecução penal (ANPP). Não cabe ao Poder Judiciário, que não detém atribuição para participar
de negociações na seara investigatória, impor ao MP a celebração de acordos. Não se tratando de hipótese de
manifesta inadmissibilidade do ANPP, a defesa pode requerer o reexame de sua negativa, nos termos do art. 28-
A, § 14, do CPP, não sendo legítimo, em regra, que o Judiciário controle o ato de recusa, quanto ao mérito, a fim
de impedir a remessa ao órgão superior no MP. Isso porque a redação do art. 28-A, § 14, do CPP determina a
iniciativa da defesa para requerer a sua aplicação. STF. 2ª Turma. HC 194677/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes,
julgado em 11/5/2021 (Info 1017).

Se o MP se recusar a oferecer o acordo e a defesa requerer a remessa dos autos ao órgão superior, o juiz é
obrigado a remeter? Regra: sim. Em regra, não cabe ao Poder Judiciário analisar a recusa do MP e, portanto, se
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Ciclos Método
a defesa não se conformar, deverá remeter os autos ao órgão superior do Parquet. Exceção: o STF afirmou que
o juiz não precisa remeter ao órgão superior do MP em caso de manifesta inadmissibilidade do ANPP.

ANPP na audiência de custódia: a Resolução 181 do CNMP, no mesmo art. 18, §7°, autorizam a celebração de
ANPP na própria audiência de custódia. Nesse caso, utilizando-se do auto de prisão em flagrante e avaliando a
presença dos requisitos objetivos e subjetivos, bem como ausência de vedações, poderá o membro do MP
formular a proposta na própria audiência, homologando-se a medida.

Recusa de homologação do ANPP: O juiz, ao analisar o termo de ANPP, pode entender que as condições
acertadas são inadequadas, insuficientes ou abusivas, caso em que pode devolver o termo para reanálise do
membro do Ministério Público. Conforme previa a Resolução 181 do CNMP, havendo discordância do Promotor
de Justiça, caberia ao PGJ dar a palavra final. O pacote anticrime, entretanto, incidiu em erro crasso ao alterar
essa sistemática, estatuindo caber recurso em sentido estrito da decisão que recusa homologação ao ANPP (581,
XXV do CPP).

3. Ação Penal. 5. Reparação do dano ex delicto. Ação civil e execução civil da sentença penal.

AÇÃO PENAL PÚBLICA

Conceito: É o direito de pedir ao Estado-Juiz a aplicação do direito penal objetivo a um caso concreto. É um
direito público e subjetivo constitucionalmente assegurado, art. 5º, XXXV, CF.

Condições da ação: De acordo com a concepção eclética, inaugurada por Enrico Tullio Liebman, a admissibilidade
da análise do mérito da demanda depende do preenchimento das chamadas condições da ação, compreendidas
como requisitos indispensáveis para o regular andamento do processo, sem as quais não se mostra lídimo o
julgamento de mérito.

CONDIÇÕES GENÉRICAS CONDIÇÕES ESPECÍFICAS


POSSIBILIDADE JURÍDICA DO PEDIDO: o pedido Representação do ofendido.
deverá ser juridicamente possível. Para o STJ, pedido
juridicamente impossível é aquele que encontra
expressa vedação legal. Ex.: pedido de condenação
criminal de agente menor de 18 anos (inimputável) na
data do fato típico.

LEGITIMIDADE AD CAUSAM: é a pertinência subjetiva Requisição do Ministro da Justiça.


da ação. Ex. MP tem legitimidade na AP pública e na
ação penal pública condicionada à representação. O
ofendido ou seu representante legal tem legitimidade
na ação penal privada.

INTERESSE EM AGIR: #DICADA trinômio U.N.A Laudo preliminar no caso de envolver drogas.

Necessidade: não há pena sem processo. É inerente


ao processo penal. Exceção: Juizados Especiais.

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Ciclos Método
Adequação da via eleita: Em se tratando de ação
penal condenatória, a adequação, em verdade, é
irrelevante no processo penal, porque, por óbvio,
sempre será a mesma espécie de ação (ação penal
condenatória), ou seja, não há diferentes espécies de
ação penal, como acontece no processo civil. O
acusado se defende dos fatos e não da classificação
jurídica a eles atribuída no processo penal. Portanto,
conclui-se que a adequação só interessa quanto ao
estudo de ações penais não condenatórias. Ex.: HC,
que somente poderá ser impetrado quando houver
privação da liberdade do agente.

Utilidade: o processo vai servir aos interesses do


autor? A doutrina dá o exemplo da prescrição em
perspectiva ou virtual (que não é aceita pela
jurisprudência – entendimento sumulado).

SÚMULA 438, STJ: É inadmissível a extinção da


punibilidade pela prescrição da pretensão punitiva
com fundamento em pena hipotética,
independentemente da existência ou sorte do
processo penal.

JUSTA CAUSA: é um mínimo de lastro probatório Entrada do agente no território nacional no caso de
necessário para o ajuizamento da ação penal,
demonstrando a viabilidade da pretensão punitiva. extraterritorialidade da lei penal.

#OLHAOGANCHO:

Condições específicas ou condições de procedibilidade: As condições de procedibilidade se caracterizam como


condições especiais da ação, previamente exigidas, e sem as quais a inicial deve ser rejeitada – (é necessário para
ser ajuizada). As condições específicas da ação (ou de procedibilidade), são aquelas indispensáveis tão somente
ao processamento de algumas infrações penais. Diga-se, além do preenchimento das condições genéricas,
forçosa se mostra a observância de outras. ex. Representação do ofendido; Requisição do Ministro da Justiça;
Exame pericial nos casos de crimes que deixaram vestígios; Laudo preliminar no caso de envolver drogas. Já as
condições de prosseguibilidade, caracterizam-se como requisitos legais para que o processo já instaurado possa
prosseguir, ex. resposta escrita à acusação; retomada da higidez mental.

Princípios:

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Ciclos Método
Princípio da Obrigatoriedade mitigada: havendo materialidade e indícios de autoria de infração que se apura
mediante ação penal pública, estará o Ministério Público obrigado a oferecer denúncia. Mitigações: a) Acordo de
Não Persecução Penal (ANPP); b) transação penal; c) parcelamento tributário; d) colaboração premiada.

Princípio da Indisponibilidade: uma vez oferecida a denúncia, o Ministério Público não pode desistir da ação
penal, conforme previsão do art. 42 do CPP. Também, na fase recursal, conforme art. 576 do CPP, o Ministério
Público não pode desistir do recurso que ele interpôs. Como exceção à indisponibilidade, aparece a suspensão
condicional do processo.

Princípio Divisibilidade: Todos aqueles que praticaram a infração criminal devem ser denunciados. A doutrina
majoritária entende que rege o princípio da indivisibilidade. STF e STJ tem entendido pela divisibilidade da ação
penal pública, podendo oferecer o MP denúncia contra parte dos envolvidos para, após, de posse de novas
provas, aditar a peça acusatória ou mesmo oferecer outra denúncia em desfavor do investigado sobre cuja opinio
delicit ainda não havia certeza. O fato de o MP deixar de incluir na denúncia determinado coautor ou partícipe
do crime não extingue a punibilidade, não caracteriza a renúncia ou o arquivamento implícito e nem qualifica o
processo, ou seja, essa omissão não tem nenhuma relevância processual.

Princípio da Oficialidade: A persecução penal em juízo está a cargo de um órgão oficial, o Ministério Público.
Princípio da Autoritariedade: O membro do MP que move a ação penal é autoridade pública.
Princípio da Oficiosidade: Não é necessária qualquer autorização para que o titular instale a ação penal pública
incondicionada.
Princípio da Intranscendência ou pessoalidade: A ação somente pode ser proposta contra quem se imputa a
prática do delito, já que a responsabilidade penal é essencialmente subjetiva. Em falecendo o autor do fato, passa
aos herdeiros apenas a obrigação de indenizar a vítima, dentro das forças da herança (arts. 29 do CP e 5º, XLV,
CF).

Ação penal pública condicionada à representação:

O Ministério Público depende da representação do ofendido ou do seu representante legal para promover
a ação penal.
A representação possui natureza jurídica de condição específica de procedibilidade (é a chamada delatio
criminis postulatória).
O inquérito policial que apura crime de ação penal pública condicionada também só pode ser iniciado
depois do assentimento da vítima ou do seu representante legal (art. 5º, § 4º, do CPP).
Tem forma livre, podendo ser de forma oral ou de forma escrita, dirigida ao juiz, ao órgão do Ministério
Público ou à autoridade policial, na forma do art. 39 do CPP.
A representação poderá ser exercida por procurador com poderes especiais, com base no art. 39 do CPP.
O prazo para representação é de seis meses, contados do conhecimento da autoria do delito.
Passados os seis meses não havendo representação, incidirá decadência – causa de extinção da punibilidade.
Retratação: Se a vítima representou nada impede que ela se retrate retirando a representação, desde que o faça
até o oferecimento da denúncia (art. 25, CPP). Art. 25. A representação será irretratável, depois de oferecida a
denúncia.
Eficácia objetiva: A representação goza de eficácia objetiva, ou seja, caso a vítima represente contra parte dos
infratores nada impede que o titular da ação denuncie outras pessoas (na privada não pode), afinal a
representação é uma autorização para o fato, para que providências sejam tomadas quanto ao fato (aspecto
objetivo).
Não vinculação da representação: Em razão da independência funcional, o MP pode alterar os artigos de lei
sugeridos pela vítima ao representar, não pode, contudo, denunciar outros fatos que caracterizem novo crime
de ação pública condicionada, sem que a vítima tenha representado.
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Ciclos Método

AÇÃO PENAL PRIVADA

É aquela titularizada pela vítima ou por quem a represente, na condição de substituição processual. Atua em
nome próprio pleiteando a punição que pertence ao Estado (jus puniendi).
Súmula 594, STF: Os direitos de queixa e de representação podem ser exercidos, independentemente, pelo
ofendido ou por seu representante legal.

Princípios da oportunidade ou conveniência: é facultado à vítima ofertar ou não a ação. Poderá ela renunciar
ou deixar escoar o prazo decadencial de 06 meses, o qual é de direito material, não se prorroga, não se suspende
e nem se interrompe.
A renúncia ao direito de ação pode se dar até o oferecimento da ação; é irretratável; pode ser expressa ou tácita
e beneficia a todos os agressores (não se permite que a ação penal seja instrumento de vingança privada).

Princípio da disponibilidade (art. 60): uma vez exercida a ação penal, poderá o particular dela desistir, seja
perdoando o acusado, seja pelo advento da perempção. O perdão precisa ser aceito pelo imputado, caso
contrário não operará efeitos; o silêncio é considerado aceitação tácita (o perdão poderá ser aceito por
procurador com poderes especiais, art. 55). Caso haja corréus, o perdão oferecido a um aproveita aos demais.
Porém, caso alguns não aceitem, contra estes continua o processo.

O princípio da indivisibilidade é aplicado à ação penal privada. Na ação penal pública não vigora o princípio da
indivisibilidade. Assim, o MP não está obrigado a denunciar todos os envolvidos no fato tido por delituoso, não
se podendo falar em arquivamento implícito em relação a quem não foi denunciado.

#DEOLHONAJURIS - Na ação penal pública não vigora o princípio da indivisibilidade. Assim, o MP não está
obrigado a denunciar todos os envolvidos no fato tido por delituoso, não se podendo falar em arquivamento
implícito em relação a quem não foi denunciado. Isso porque o Parquet é livre para formar sua convicção,
incluindo na denúncia as pessoas que ele entenda terem praticado o crime, mediante a constatação de indícios
de autoria e materialidade. STJ. 6ª Turma. RHC 34233-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em
6/5/2014 (Info 540).

#DEOLHONAJURIS - Qual é a consequência do desrespeito ao princípio da indivisibilidade na ação penal privada?


• Se a omissão foi VOLUNTÁRIA (DELIBERADA): se o querelante deixou, deliberadamente, de oferecer queixa
contra um dos autores ou partícipes, o juiz deverá rejeitar a queixa e declarar a extinção da punibilidade para
todos (arts. 104 e 107, V, do CP). Todos ficarão livres do processo.
• Se a omissão foi INVOLUNTÁRIA: o MP deverá requerer a intimação do querelante para que ele faça o
aditamento da queixa-crime e inclua os demais coautores ou partícipes que ficaram de fora.
Assim, conclui-se que a não inclusão de eventuais suspeitos na queixa-crime não configura, por si só, renúncia
tácita ao direito de queixa. Para o reconhecimento da renúncia tácita ao direito de queixa, exige-se a
demonstração de que a não inclusão de determinados autores ou partícipes na queixa-crime se deu de forma
deliberada pelo querelante. STJ. 5ª Turma. RHC 55.142-MG, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 12/5/2015 (Info
562).

Espécies de ação penal privada:

Exclusivamente Privada ou Propriamente Dita: É aquela exercida pela vítima ou por seu representante legal.
Nela caberá sucessão por morte ou ausência.
Personalíssima: Aquela em que o direito de ação só pode ser exercido pela vítima, não podendo haver
intervenção do representante legal e nem sucessão por morte ou ausência. A morte seria causa de extinção da
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punibilidade. Se a vítima for menor de 18 anos, deverá aguardar a maioridade. Ex. os crimes de induzimento a
erro essencial e ocultação de impedimento ao casamento.
Subsidiária da Pública, Acidentalmente Privada ou Supletiva: Art.5 LIX. CF: será admitida ação privada nos
crimes de ação pública, se esta não for intentada no prazo legal.
A ação penal pública é de titularidade privativa do ministério público. Porém, se o Ministério Público não atuar
no prazo de seis meses para o oferecimento da denúncia, poderá haver ação penal privada subsidiária da pública.
A previsão da ação penal privada subsidiária da pública no art. 5º da CR/88 denota que instituto se trata de um
direito fundamental, verdadeira cláusula pétrea, funcionando como importante forma de fiscalização do
exercício da ação penal pública pelo Ministério Público.

#OLHAOGANCHO:

Decadência impropria: Ocorre quando o ofendido não impõe no prazo legal de 6 meses a ação penal privada
subsidiária da pública. Sempre acarreta extinção de punibilidade? Não. Nesta hipótese cabe ao MP retomar a
ação penal e não estando prescrito, oferecer denúncia.

Renúncia x Perdão do ofendido:

#FOCANATABELA:

RENÚNCIA PERDÃO DO OFENDIDO


Decorre do princípio da Decorre do princípio da disponibilidade.
oportunidade/conveniência.
É ato unilateral. É ato bilateral.
(Não depende de aceitação do querelado) (Depende de aceitação do querelado.)
A renúncia é irretratável O querelado será notificado, dispondo de três dias
para dizer se aceita
Pré-processual: concedida antes do início do Processual: só pode ser concedido após o início do
processo. processo até o trânsito em julgado da sentença.
Por força do princípio da indivisibilidade, a renúncia Por força do princípio da indivisibilidade, o perdão
em relação a um autor do fato se estende aos em relação a um querelado se estende aos demais,
demais, produzindo efeito quanto a todos. apenas produzindo efeitos para aqueles que
aceitaram.
A composição civil nos juizados especiais, ocasiona Obs.: Perdão judicial – é espécie diversa de perdão,
a renúncia à ação privada ou à representação na normalmente aplicado na ação pública, quando o réu
ação pública condicionada. (art. 74 da Lei 9099/95). foi atingido de tal maneira por sua conduta, que a
sanção não é necessária. Vale lembrar que este
perdão é unilateral, ocasionando a extinção da
punibilidade, ainda que o réu queira receber a
punição.

ADITAMENTO PRÓPRIO E IMPRÓPRIO

A distinção entre aditamento próprio e impróprio decorre dos princípios da obrigatoriedade e divisibilidade da
ação penal de iniciativa pública.
O aditamento próprio consiste no acréscimo de fatos (aditamento próprio real) ou acusados (aditamento
próprio pessoal) cuja existência era desconhecida no momento de oferecimento da denúncia.

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Ciclos Método
Já no aditamento impróprio há uma retificação na denúncia sem que haja a inclusão de novos fatos ou acusados,
como por exemplo: alteração da data ou local do fato, complementação da qualificação do acusado.

É possível o aditamento da denúncia a qualquer tempo antes da sentença final.

CLASSIFICAÇÕES DAS AÇÕES

AÇÃO DE PREVENÇÃO GERAL - É aquela iniciada com o fito de aplicar exclusivamente ao demandado medida de
segurança. Exemplo: sentença absolutória imprópria (art. 386, parágrafo único, III, do CPP).

AÇÃO PENAL PÚBLICA SUBSIDIÁRIA DA PÚBLICA - Ocorre quando o Ministério Público com atribuição legal não
maneja a ação penal pública, mostrando-se inerte, e a lei manda que seja acionado outro órgão do próprio
Ministério Público.

AÇÃO PENAL INDIRETA – Caso o Ministério Público, titular da ação penal pública se mantenha inerte, estará o
ofendido autorizado a propor ação penal privada subsidiária da pública. Todavia, o Ministério Público poderá
retomar a titularidade da ação penal a qualquer tempo, caso o ofendido se mostre negligente. É a chamada ação
penal indireta. É assim porque a ação penal privada subsidiária da pública é uma ação penal pública na origem e
não perde sua natureza.

AÇÃO PENAL ADESIVA - É a possibilidade de atuarem em conjunto o MP e o querelante, nos casos em que houver
hipótese de conexão ou continência entre crimes de ação penal pública e de ação penal privada.

AÇÃO PENAL POR EXTENSÃO - crime complexo é a soma de condutas de delitos autônomos. Se um deles é de
ação pública, o delito decorrente também o será. Ex. injuria real com violência ou vias de fato, a ação para todos
será publica incondicionada.

AÇÃO PENAL NOS CRIMES CONTRA A HONRA DO FUNCIONÁRIO PÚBLICO: Súmula 714, STF: É concorrente a
legitimidade do ofendido, mediante queixa, e do Ministério Público, condicionada à representação do ofendido,
para a ação penal por crime contra a honra de servidor público em razão do exercício de suas funções.

DENÚNCIA

Requisitos (art. 41 CPP – denúncia e Observações:


queixa)
Exposição do fato criminoso com todas as Na narrativa deve constar as qualificadoras e as causas de
suas circunstâncias. aumento, não sendo preciso incluir as circunstâncias
agravantes, uma vez que elas podem ser reconhecidas de
ofício pelo magistrado, conforme art. 385 do CPP.

STJ: "o oferecimento de denúncia por delito tipificado em


norma penal em branco sem a respectiva indicação da norma
complementar constitui evidente inépcia, uma vez que
impossibilita a defesa adequada do acusado"

Denúncia em crimes societários:


· Não se exige descrição minuciosa e detalhada da conduta.
· Exige-se que haja o mínimo de individualização da conduta,
sob pena de inépcia. É necessário que o MP estabeleça o
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vínculo entre o denunciado e a empreitada criminosa a ele
imputada.
· Não é possível imputar a alguém uma conduta penal tão
somente pelo fato de ocupar determinado cargo. Isso seria
adotar a responsabilização objetiva na esfera penal.
Qualificação do acusado. Art. 259. A impossibilidade de identificação do acusado com o
seu verdadeiro nome ou outros qualificativos não retardará a
ação penal, quando certa a identidade física
Classificação do crime Em homenagem ao sistema acusatório, os vícios de
enquadramento de artigo não são corrigidos no momento da
admissibilidade da inicial e sim na prolação da sentença, por
meio do instituto da emendatio libelli.
Na emendatio, mantém-se os fatos narrados com todos as
circunstâncias, adequando-se apenas a capitulação, para
condenar aquele réu na capitulação correta, ainda que mais
grave, nos termos do art. 383 do CPP.
Rol de testemunhas A 5ª Turma do STJ concluiu que não há qualquer óbice à
intimação do Ministério Público para que proceda à juntada do
rol de testemunhas mesmo após o oferecimento da denúncia,
conquanto o faça antes da citação do acusado e apresentação
da resposta à acusação, sem que se possa objetar eventual
nulidade absoluta por violação ao sistema acusatório.

Prazos:

DENÚNCIA
RÉU PRESO RÉU SOLTO
Regra Geral (CPP) 5 dias 15 dias
Lei de Drogas 10 dias 10 dias
Crimes contra a Economia 2 dias 2 dias
Popular
Abuso de autoridade: 5 dias 15 dias
#NOVIDADELEGISLATIVA
Código Eleitoral 10 dias 10 dias
Código de Processo Penal 5 dias 15 dias
Militar

Denúncia geral x Denúncia genérica:

DENÚNICA GENÉRICA DENÚNCIA GERAL


É aquela que narra vários fatos típicos ou vários Quando se narra o fato criminoso com todas as
núcleos verbais do mesmo tipo e os imputa circunstâncias e o imputa indistintamente a todos os
genericamente aos acusados, sem que se possa acusados. Saber se todos os acusados cometeram o
saber quem agiu e de qual maneira crime é matéria de prova e não pressuposto para a
validade do processo
É apta e deve ser recebida
É inepta e deve ser rejeitada. STJ: RHC 24515 e HC
117306
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Venda de combustível adulterado: distribuidor, Denúncia narra que todos os sócios determinaram
transportador, varejista. (não soube identificar o que fossem cortadas árvores ilegalmente, em área de
momento correto da adulteração) preservação permanente. Saber se todos realmente
praticaram a conduta é questão de prova, mérito

#DEOLHONAJURIS:

Em matéria de crimes societários, a denúncia deve apresentar, suficiente e adequadamente, a conduta


atribuível a cada um dos agentes, de modo a possibilitar a identificação do papel desempenhado pelos
denunciados na estrutura jurídico-administrativa da empresa. Não se pode fazer uma acusação baseada
apenas no cargo ocupado pelo réu na empresa. STF. 2ª Turma. HC 136250/PE, Rel. Min. Ricardo Lewandowski,
julgado em 23/5/2017 (Info 866).

SISTEMAS PROCESSUAIS

Sistema da confusão: as duas pretensões, tanto civil quanto criminal, se desenvolvem em ação única no juízo
criminal. O pedido engloba, ao mesmo tempo, a condenação penal e a reparação de danos.

Sistema da solidariedade ou da união: há duas ações se desenvolvendo em processo único, podendo ser
movidas por pessoas distintas contra responsáveis diversos.

Sistema da livre escolha: a parte opta pelo pleito reparatório na esfera civil ou penal. As ações podem ou
tramitar em conjunto na esfera penal ou em separado em cada esfera.

Sistema da separação ou independência: era o até então adotado no Brasil, tramitando cada ação na Justiça
competente para tal.

A Lei nº 11.719/08, ao modificar o art. 387, IV, do CPP, adotou parcialmente o sistema da confusão ao determinar
que, a pedido da vítima, o juiz fixe o valor mínimo da indenização na sentença condenatória. O juiz somente
poderá fixar tal valor se requerido pela parte, sob pena de realizar julgamento extra petita.

AÇÃO CIVIL EX DELICTO

Art. 63. Transitada em julgado a sentença condenatória, poderão promover-lhe a execução, no juízo cível, para
o efeito da reparação do dano, o ofendido, seu representante legal ou seus herdeiros.
Parágrafo único. Transitada em julgado a sentença condenatória, a execução poderá ser efetuada pelo valor
fixado nos termos do inciso iv do caput do art. 387 deste Código sem prejuízo da liquidação para a apuração do
dano efetivamente sofrido. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008).
Art. 64. Sem prejuízo do disposto no artigo anterior, a ação para ressarcimento do dano poderá ser proposta no
juízo cível, contra o autor do crime e, se for caso, contra o responsável civil. (Vide Lei nº 5.970, de 1973)
Art. 65. Faz coisa julgada no cível a sentença penal que reconhecer ter sido o ato praticado em estado de
necessidade, em legítima defesa, em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito.
Art. 66. Não obstante a sentença absolutória no juízo criminal, a ação civil poderá ser proposta quando não tiver
sido, categoricamente, reconhecida a inexistência material do fato.
Art. 67. Não impedirão igualmente a propositura da ação civil:
I - o despacho de arquivamento do inquérito ou das peças de informação;
II - a decisão que julgar extinta a punibilidade;
III - a sentença absolutória que decidir que o fato imputado não constitui crime.
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4. Jurisdição e Competência. 6. Questões e Processos Incidentes.

COMPETÊNCIA

COMPETÊNCIA ABSOLUTA COMPETÊNCIA RELATIVA

Regra de competência criada com base no Regra de competência criada com base no
interesse público. interesse preponderante das partes.

Não pode ser modificada. É improrrogável


(art. 62, CPC).

Art. 62. A competência determinada em razão


da matéria, da pessoa ou da função é Pode ser modificada ou prorrogada.
inderrogável por convenção das partes.

É causa de nulidade absoluta: (a) pode ser


arguida a qualquer momento, mesmo após o
trânsito em julgado; (b) o prejuízo é É causa de nulidade relativa: (a) deve ser
presumido. arguida no momento oportuno, sob pena de
preclusão; (b) o prejuízo deve ser
#ATENÇÃO: Sentença absolutória proferida comprovado.
por juiz absolutamente incompetente não
poderá ser desfeita, pois não existe revisão
PRO SOCIETATE.

Pode ser reconhecida de ofício pelo juiz,


porém somente até o início da instrução, em
virtude do princípio da identidade física do juiz
Pode ser reconhecida de ofício pelo juiz, (art. 399, §2º). Não se aplica no processo penal
enquanto não esgotada a jurisdição pela a súmula 33 do STJ (A incompetência relativa
prolação da sentença. não pode ser declarada de ofício).

Pode ser arguida por meio de exceção de Pode ser arguida por meio de exceção de
incompetência. Porém, como o magistrado incompetência. Porém, como o magistrado
pode conhecê-la de ofício, nada impede que a pode conhecê-la de ofício, nada impede que a
parte parte
aborde a incompetência absoluta de outra aborde a incompetência relativa de outra
forma. forma.
Como não pode ser modificada ou alterada, Conexão e continência podem alterar a
a conexão e continência não alteram a competência relativa.
competência

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Regras de distribuição de competência: O art. 69, CPP, traz as regras de fixação da competência: a) o lugar da
infração; b) o domicílio ou residência do réu; c) a natureza da infração; d) a distribuição; e) a conexão ou
continência; f) a prevenção; g) a prerrogativa de função.

Crime consumado: lugar em que se consumar a infração;

Crime tentado: lugar em que for praticado o último ato de execução.

REGRA Art. 70. A competência será, de regra, determinada pelo lugar em que se
consumar a infração, ou, no caso de tentativa, pelo lugar em que for
praticado o último ato de execução.

TEORIA DO RESULTADO

Art. 70.

§ 1º Se, iniciada a execução no território nacional, a infração se


consumar fora dele, a competência será determinada pelo lugar em que
tiver sido praticado, no Brasil, o último ato de execução.

§ 2º Quando o último ato de execução for praticado fora do território


ENVOLVENDO MAIS nacional, será competente o juiz do lugar em que o crime, embora
DE UM PAÍS parcialmente, tenha produzido ou devia produzir seu resultado.

§3º Quando incerto o limite territorial entre duas ou mais jurisdições, ou


quando incerta a jurisdição por ter sido a infração consumada ou tentada
nas divisas de

duas ou mais jurisdições, a competência firmar-se-á pela prevenção.

INFRAÇÃO Art. 71. Tratando-se de infração continuada ou permanente, praticada


CONTINUADA ou em território de duas ou mais jurisdições, a competência firmar-se-á pela
prevenção.
CRIME PERMANENTE

Art. 72. Não sendo conhecido o lugar da infração, a competência regular-


se-á pelo
NÃO SENDO
CONHECIDO O LUGAR domicílio ou residência do réu.
DA INFRAÇÃO
§ 1º Se o réu tiver mais de uma residência, a competência firmar-se-á
pela prevenção.

§ 2º Se o réu não tiver residência certa ou for ignorado o seu paradeiro,


será competente o juiz que primeiro tomar conhecimento do fato.

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AÇÃO PENAL PRIVADA Art. 73. Nos casos de exclusiva ação privada, o querelante poderá
preferir o FORO DE DOMICÍLIO OU DA RESIDÊNCIA DO RÉU, ainda
quando conhecido o lugar da infração.

CRIMES PRATICADOS Art. 88. No processo por crimes praticados fora do território brasileiro,
FORA DO TERRITÓRIO será competente o juízo da Capital do Estado onde houver por último
BRASILEIRO residido o acusado. Se este nunca tiver residido no Brasil, será
competente o juízo da Capital da República.

Justiça Estadual.

CONTRAVENÇÃO Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar: (...) IV - os
PENAL crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de bens,
serviços ou interesse da União ou de suas entidades autárquicas ou
empresas públicas, EXCLUÍDAS AS CONTRAVENÇÕES e ressalvada a
competência da Justiça Militar e da Justiça Eleitoral.

#SELIGA:

TIPO DE CRIME COMPETÊNCIA


CRIMES PLURILOCAIS COMUNS Teoria do resultado
CRIMES PLURILOCAIS DOLOSOS CONTRA A VIDA Teoria da atividade
JUIZADOS ESPECIAIS Teoria da atividade
ATOS INFRACIONAIS Teoria da atividade
CRIMES FALIMENTARES Local onde foi decretada a falência

#ATENÇÃO: Nos casos de crimes contra vida, em que a competência será determinada pela teoria da ATIVIDADE.
Assim, no caso de crimes contra a vida (dolosos ou culposos), se os atos de execução ocorreram em um lugar e a
consumação se deu em outro, a competência para julgar o fato será do local onde foi praticada a conduta (local
da execução).

CONEXÃO

CONEXÃO
INTERSUBJETIVA POR SIMULTANEIDADE: ocorrendo duas ou mais infrações, houverem sido
praticadas, ao mesmo tempo, por várias pessoas reunidas,
CONCURSAL: ocorrendo duas ou mais infrações, houverem sido praticadas por
várias pessoas em concurso, embora diverso o tempo e o lugar

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POR RECIPROCIDADE: ocorrendo duas ou mais infrações, houverem sido praticadas
por várias pessoas, umas contra as outras
OBJETIVA TELEOLÓGICA: no mesmo caso, houverem sido umas praticadas para facilitar as
outras
CONSEQUENCIAL: no mesmo caso, houverem sido umas praticadas para ocultar,
conseguir impunidade ou vantagem em relação a qualquer delas
INSTRUMENTAL Quando a prova de uma infração ou de qualquer de suas circunstâncias elementares
influir na prova de outra infração.

CONTINÊNCIA

Configura-se a continência quando uma demanda, em face de seus elementos (partes, pedido e causa de pedir),
estiver contida em outra. Cuida-se de um vínculo jurídico entre duas ou mais pessoas, ou entre dois ou mais fatos
delitivos, de forma análoga a continente e conteúdo, de tal modo que um fato delitivo contém as duas ou mais
pessoas, ou uma conduta humana contém dois ou mais fatos delitivos.

Espécies:
Continência por cumulação subjetiva ou continência subjetiva: art. 77, I, do CPP. Ocorre quando duas ou mais
pessoas são acusadas pela mesma infração penal – é o que ocorre no concurso eventual de pessoas (art. 29 do
CP) e no concurso necessário de pessoas (crimes plurissubjetivos). Na conexão, são vários crimes e várias pessoas;
na continência, são várias pessoas e um único crime. Como exemplo de continência por cumulação subjetiva,
imagine-se um crime de homicídio praticado por dois agentes.

Continência por cumulação objetiva: Art. 77, II, do CPP, ocorre nas hipóteses de concurso formal de crimes (CP,
art. 70), aberratio ictus ou erro na execução (CP, art. 73, segunda parte), e aberratio delicti ou resultado diverso
do pretendido (CP, art. 74, segunda parte).

SEPARAÇÃO FACULTATIVA X OBRIGARÓRIA

SEPARAÇÃO FACULTATIVA SEPARAÇÃO OBRIGATÓRIA


Quando as infrações tiverem sido praticadas em Concurso entre a jurisdição comum e a militar
circunstâncias de tempo ou de lugar diferentes

Quando pelo excessivo número de acusados e para Concurso entre a jurisdição comum e o juízo de
não lhes prolongar a prisão provisória, ou por menores
outro motivo relevante, o juiz reputar conveniente (ECA)
a separação. Sobrevier doença mental em relação a um corréu

Houver corréu foragido

Não houver número mínimo de jurados no


tribunal do júri (estouro de urna)

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FOROS PREVALENTES

Art. 78. CPP: Na determinação da competência por conexão ou continência, serão observadas as seguintes
regras: I - no concurso entre a competência do júri e a de outro órgão da jurisdição comum, prevalecerá a
competência do júri; Il - no concurso de jurisdições da mesma categoria: a) preponderará a do lugar da infração,
à qual for cominada a pena mais grave; b) prevalecerá a do lugar em que houver ocorrido o maior número de
infrações, se as respectivas penas forem de igual gravidade; c) firmar-se-á a competência pela prevenção, nos
outros casos.

PERPETUAÇÃO DA COMPETÊNCIA

A existência de um simultaneus processus por conta da conexão ou da continência não impede que o magistrado
do juízo prevalente, ao julgar o feito, conclua pela incompetência do juízo que exerceu a força atrativa, quer
porque houve absolvição em relação à infração que atraiu a competência, quer porque ocorreu a desclassificação
para outra, que não era originariamente de sua competência.
Nesse caso, indaga-se: continuará este juízo competente em relação aos demais processos? A resposta à
indagação consta do caput do art. 81 do CPP. Ainda que no processo da sua competência própria venha o juiz ou
tribunal a proferir sentença absolutória (por interpretação extensiva, também a decisão declaratória extintiva da
punibilidade) ou que desclassifique a infração para outra que não se inclua na sua competência, continuará
competente em relação aos demais processos. Essa perpetuação da competência atende ao princípio da
economia processual e da própria celeridade.
Ademais, diante da inserção do princípio da identidade física do juiz no processo penal, eventual remessa do
processo ao outro juízo traria como consequência inevitável a renovação da instrução processual, causando
indevido retrocesso na marcha procedimental.

No âmbito do júri, há de se ficar atento às seguintes hipóteses:


Desclassificação na primeira fase do procedimento bifásico do Júri: art. 419 do CPP. Quanto à infração conexa,
preceitua o PU do art. 81 do CPP que se o juiz vier a desclassificar a infração ou impronunciar ou absolver
sumariamente o acusado, de maneira que exclua a competência do júri, remeterá o processo ao juízo competente.
Desclassificação na segunda fase do procedimento escalonado do júri: ao Juiz-Presidente caberá o julgamento
da infração desclassificada e também das infrações conexas (CPP, art. 492, §§1º e 2º).
Absolvição pelo Conselho de Sentença em relação ao crime doloso contra a vida: significa que, implicitamente,
reconheceram sua competência para processar e julgar o feito. Logo, também aos jurados caberá o julgamento
das demais infrações penais conexas e continentes, aplicando-se a regra geral do art. 81, caput, do CPP.

FORO POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO

Trata-se de uma prerrogativa prevista pela Constituição segundo a qual as pessoas ocupantes de alguns cargos ou
funções, somente serão processadas e julgadas criminalmente (não engloba processos cíveis) por determinados
Tribunais (TJ, TRF, STJ, STF).

Mudança de entendimento: foro privilegiado foi pensado para ser um instrumento destinado a garantir o livre
exercício de certas funções públicas, e não para acobertar a pessoa ocupante do cargo. Por essa razão, não faz
sentido estendê-lo aos crimes cometidos antes da investidura nesse cargo e aos que, cometidos após a
investidura, sejam estranhos ao exercício de suas funções. Se o foro por prerrogativa de função for amplo e
envolver qualquer crime (ex: um acidente de trânsito) ele se torna um privilégio pessoal que não está relacionado
com a proteção do cargo.

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O foro por prerrogativa de função aplica-se apenas aos crimes cometidos durante o exercício do cargo e
relacionados às funções desempenhadas. STF. Plenário. AP 937 QO/RJ, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em
03/05/2018.

Momento: Se o réu deixou de ocupar o cargo antes de a instrução terminar: cessa a competência do STF e o
processo deve ser remetido para a 1ª instância. Se o réu deixou de ocupar o cargo depois de a instrução se
encerrar: o STF permanece sendo competente para julgar a ação penal.

#DEOLHONAJURIS:

Compete aos tribunais de justiça estaduais processar e julgar os delitos comuns, não relacionados com o cargo,
em tese praticados por Promotores de Justiça Importante!!! Situação hipotética: João estava de passagem por
Aracaju (SE) e ali praticou um crime. Vale ressaltar que João é Promotor de Justiça no Estado do Ceará. Importante
também registrar que o delito por ele praticado não tem nenhuma relação com o cargo ocupado. O feito foi
inicialmente distribuído ao Juízo de Direito da Vara Criminal de Aracaju (1ª instância da Justiça estadual de
Sergipe). O juiz, contudo, reconheceu sua incompetência sob o fundamento de que, nos termos do art. 96, III, da
CF/88, compete ao Tribunal de Justiça julgar os crimes praticados por Promotores de Justiça. O TJ/CE, entretanto,
disse o seguinte: no julgamento da AP 937 QO/RJ, o STF conferiu nova interpretação (restritiva) ao art. 102, I,
alíneas “b” e “c”, da CF/88, fixando a competência daquela Corte para julgar os membros do Congresso Nacional
exclusivamente quanto aos crimes praticados no exercício e em razão da função pública exercida. Pelo princípio
da simetria, esta interpretação restritiva do foro por prerrogativa de função deveria ser aplicada também pelo
Tribunal de Justiça. Logo, como o crime praticado pelo Promotor de Justiça não foi cometido em razão da função
pública por ele exercida, a competência seria do juiz de 1ª instância. O STJ afirmou que a competência é, de fato,
do Tribunal de Justiça. A Corte Especial do STJ, no julgamento da QO na APN 878/DF reconheceu sua competência
para julgar Desembargadores acusados da prática de crimes com ou sem relação ao cargo, não identificando
simetria com o precedente do STF. Naquela oportunidade, firmou-se a compreensão de que se Desembargadores
fossem julgados por Juízo de Primeiro Grau vinculado ao Tribunal ao qual ambos pertencem, criar-se-ia, em
alguma medida, um embaraço ao Juiz de carreira responsável pelo julgamento do feito. Em resumo, o STJ apontou
discrímen relativamente aos magistrados para manter interpretação ampla quanto ao foro por prerrogativa de
função, aplicável para crimes com ou sem relação com o cargo, com Informativo comentado Informativo 708-STJ
(13/09/2021) – Márcio André Lopes Cavalcante | 2 fundamento na necessidade de o julgador desempenhar suas
atividades judicantes de forma imparcial. Nesse contexto, considerando que a previsão da prerrogativa de foro
da Magistratura e do Ministério Público encontra-se descrita no mesmo dispositivo constitucional (art. 96, III, da
CF/88), seria desarrazoado conferir-lhes tratamento diferenciado. STJ. 3ª Seção. CC 177.100-CE, Rel. Min. Joel Ilan
Paciornik, julgado em 08/09/2021 (Info 708).

Extrapola a autonomia do estado previsão, em constituição estadual, que confere foro privilegiado a Delegado
Geral da Polícia Civil. A autonomia dos estados para dispor sobre autoridades submetidas a foro privilegiado não
é ilimitada, não pode ficar ao arbítrio político do constituinte estadual e deve seguir, por simetria, o modelo
federal. STF. Plenário. ADI 5591/SP, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 20/3/2021 (Info 1010)

Na hipótese em que o delito seja praticado em um mandato e o réu seja reeleito para o mesmo cargo, a
continuidade do foro por prerrogativa de função restringe-se às hipóteses em que os diferentes mandatos sejam
exercidos em ordem sequencial e ininterrupta. No caso concreto, os fatos atribuídos ao paciente, então Prefeito
de Buritizal/SP, datam do ano de 2011, ou seja, teriam supostamente ocorrido durante o mandato 2008-2012.
Não eleito para o mandato subsequente, o réu apenas veio a ocupar novo cargo de Prefeito em 2017-2020. Diante
desse quadro fático, constata-se que houve a quebra da necessária e indispensável continuidade do exercício do
mandato político para fins de prorrogação da competência. Logo, ele será julgado pelo juízo de 1ª instância. STJ.

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5ª Turma. HC 539002/SP, Rel. Min. Leopoldo de Arruda Raposo (Desembargador convocado do TJ/PE), julgado em
21/11/2019.

É inconstitucional dispositivo da Constituição Estadual que confere foro por prerrogativa de função, no Tribunal
de Justiça, para Procuradores do Estado, Procuradores da ALE, Defensores Públicos e Delegados de Polícia. A
CF/88, apenas excepcionalmente, conferiu prerrogativa de foro para as autoridades federais, estaduais e
municipais. Assim, não se pode permitir que os Estados possam, livremente, criar novas hipóteses de foro por
prerrogativa de função. STF. Plenário. ADI 2553/MA, Rel. Min. Gilmar Mendes, red. p/ o ac. Min. Alexandre de
Moraes, julgado em 15/5/2019 (Info 940). Cuidado. O STF possui julgado afirmando que é válida a previsão na
Constituição Estadual de foro por prerrogativa de função para o Procurador-Geral do Estado: STF. Plenário. HC
103803/RR, rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 01/07/2014 (Info 752).

A prerrogativa de foro de membro do Ministério Público é preservada quando a possível participação deste em
conduta criminosa é comunicada com celeridade ao PGJ- Se uma pessoa sem foro por prerrogativa está sendo
interceptada por decisão do juiz de 1ª instância e ela liga para uma autoridade com foro (ex: Promotor de Justiça),
a gravação desta conversa não é ilícita. Isso porque se trata de encontro fortuito de provas (encontro fortuito de
crimes), também chamado de serendipidade ou crime achado. Se após essa ligação, o Delegado ainda demora
três dias para comunicar o fato às autoridades competentes para apurara a conduta do Promotor, este tempo
não é considerado excessivo, tendo em vista a dinâmica que envolve as interceptações telefônicas. Assim, o STF
decidiu que a prerrogativa de foro de membro do Ministério Público é preservada quando a possível participação
deste em conduta criminosa é comunicada com celeridade ao Procurador-Geral de Justiça. Tais gravações, por
serem lícitas, podem servir como fundamento para que o CNMP aplique sanção de aposentadoria compulsória a
este Promotor. STF. 1ª Turma. MS 34751/CE, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 14/8/2018 (Info 911).

Cabe apenas ao STF decidir sobre a necessidade de desmembramento de investigações que envolvam autoridades
com prerrogativa de foro. De igual forma, se surgem diálogos envolvendo autoridade com foro no STF, o juiz que
havia autorizado a interceptação não poderá levantar o sigilo do processo e permitir o acesso às conversas porque
a decisão quanto a isso é também do STF. STF (Info 819).

STJ não é competente para julgar crime praticado por Governador no exercício do mandato se o agente deixou o
cargo e atualmente voltou a ser Governador por força de uma nova eleição. Como o foro por prerrogativa de
função exige contemporaneidade e pertinência temática entre os fatos em apuração e o exercício da função
pública, o término de um determinado mandato acarreta, por si só, a cessação do foro por prerrogativa de função
em relação ao ato praticado nesse intervalo. STJ. Corte Especial. QO na APn 874-DF, Rel. Min. Nancy Andrighi,
julgado em 15/05/2019 (Info 649). Por outro lado, existe um julgado da 1ª Turma do STF em sentido contrário à
posição da Ministra, ou seja, um acórdão no qual o STF afirmou que, se o crime foi praticado no primeiro mandato
de Deputado Federal e estando no segundo mandato consecutivo de Deputado Federal, decorrente de reeleição,
a Corte continuaria competente. Na oportunidade, o STF decidiu: Mostra-se desimportante a circunstância de
este delito ter sido praticado durante o mandato anterior, bastando que a atual diplomação decorra de sucessiva
e ininterrupta reeleição. STF. Plenário. Inq 4435 AgR-quarto/DF, Rel. Min Marco Aurélio, julgado em 13 e
14/3/2019 (Info 933).

Súmula vinculante 45-STF: A competência constitucional do Tribunal do Júri prevalece sobre o foro por
prerrogativa de função estabelecido exclusivamente pela Constituição estadual.
Súmula 451-STF: A competência especial por prerrogativa de função não se estende ao crime cometido após a
cessação definitiva do exercício funciona
Súmula 702-STF: A competência do Tribunal de Justiça para julgar Prefeitos restringe-se aos crimes de
competência da Justiça comum estadual; nos demais casos, a competência originária caberá ao respectivo tribunal
de segundo grau.
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Súmula 704-STF: Não viola as garantias do juiz natural, da ampla defesa e do devido processo legal a atração por
continência ou conexão do processo do corréu ao foro por prerrogativa de função de um dos denunciados.

JURISPRUDÊNCIA

Compete à Justiça comum (Tribunal do Júri) o julgamento de homicídio praticado por militar contra outro quando
ambos estejam fora do serviço ou da função no momento do crime. Logo, não se pode falar que houve crime
militar, devendo, portanto, o réu ser julgado pela Justiça Comum estadual (Tribunal do Júri). STJ. 3ª Seção. CC
170.201-PI, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 11/03/2020 (Info 667).

Súmula 122-STJ: Compete à Justiça Federal o processo e julgamento unificado dos crimes conexos de competência
federal e estadual, não se aplicando a regra do art. 78, II, "a", do Código de Processo Penal.
Súmula 147-STJ: Compete à Justiça Federal processar e julgar os crimes praticados contra funcionário público
federal, quando relacionados com o exercício da função.
Súmula 165-STJ: Compete à Justiça Federal processar e julgar crime de falso testemunho cometido no processo
trabalhista.
Súmula 200-STJ: O juízo federal competente para processar e julgar acusado de crime de uso de passaporte falso
é o do lugar onde o delito se consumou.
Súmula 208-STJ: Compete à justiça federal processar e julgar prefeito municipal por desvio de verba sujeita a
prestação de contas perante órgão federal.
Súmula 528-STJ: Compete ao juiz federal do local da apreensão da droga remetida do exterior pela via postal
processar e julgar o crime de tráfico internacional.

Compete à Justiça Federal processar e julgar os crimes consistentes em disponibilizar ou adquirir material
pornográfico envolvendo criança ou adolescente (arts. 241, 241-A e 241-B do ECA), quando praticados por meio
da rede mundial de computadores (internet). STF. Se a troca de material pedófilo ocorreu entre destinatários
certos no Brasil, não há relação de internacionalidade e, portanto, a competência é da Justiça Estadual. Se ficar
constatada a internacionalidade da conduta: Justiça FEDERAL. STJ. 3ª Seção. CC 150.564-MG, Rel. Min. Reynaldo
Soares da Fonseca, julgado em 26/4/2017 (Info 603).

Compete à Justiça Federal o julgamento dos crimes de contrabando e de descaminho, ainda que inexistentes
indícios de transnacionalidade na conduta. STJ. 3ª Seção. CC 160.748-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado
em 26/09/2018 (Info 635).

Compete à Justiça Federal apreciar o pedido de medida protetiva de urgência decorrente de crime de ameaça
contra a mulher cometido por meio de rede social de grande alcance, quando iniciado no estrangeiro e o seu
resultado ocorrer no Brasil. STJ. 3ª Seção.CC 150.712-SP, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 10/10/2018(Info
636).

Súmula 522-STF: Salvo ocorrência de tráfico com o exterior, quando, então, a competência será da Justiça Federal,
compete a justiça dos estados o processo e o julgamento dos crimes relativos a entorpecentes.

Súmula 38-STJ: Compete à Justiça Estadual Comum, na vigência da Constituição de 1988, o processo por
contravenção penal, ainda que praticada em detrimento de bens, serviços ou interesse da União ou de suas
entidades.
E se a contravenção penal for conexa com crime federal? Haverá a cisão dos processos, de forma que o crime será
julgado pela Justiça Federal e a contravenção pela Justiça Estadual (STJ. CC 20454/RO).

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Exceção na qual a Justiça Federal julgaria contravenção penal: contravenção penal praticada por pessoa com foro
privativo no Tribunal Regional Federal.

Súmula 62-STJ: Compete à Justiça Estadual processar e julgar o crime de falsa anotação na carteira de trabalho e
previdência social, atribuído à empresa privada.

Súmula 209-STJ: Compete à justiça estadual processar e julgar prefeito por desvio de verba transferida e
incorporada ao patrimônio municipal.

O fato de o delito ter sido cometido por brasileiro no exterior, por si só, não atrai a competência da Justiça Federal.
Assim, em regra, compete à Justiça Estadual julgar o crime praticado por brasileiro no exterior e que lá não foi
julgado em razão de o agente ter fugido para o Brasil, tendo o nosso país negado a extradição para o Estado
estrangeiro. Somente será de competência da Justiça Federal caso se enquadre em alguma das hipóteses do art.
109 da CF/88. STF. 1ª Turma. RE 1.175.638 AgR/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 2/4/2019 (Info 936).

A Justiça do Distrito Federal é a competente para julgar o crime de falso testemunho praticado em processos sob
sua jurisdição. O TJDFT faz parte do Poder Judiciário da União. Mesmo assim, se for praticado falso testemunho
em processo que ali tramita, a competência será da Justiça do Distrito Federal (e não da Justiça Federal comum).
Isso porque a Justiça do Distrito Federal possui competência para julgar crimes, não havendo interesse direto e
específico da União a atrair o art. 109, IV, da CF/88. STJ. 3ª Seção. CC 166732-DF, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado
em 14/10/2020 (Info 681).

Compete à Justiça Estadual o pedido de habeas corpus preventivo para viabilizar, para fins medicinais, o cultivo,
uso, porte e produção artesanal da Cannabis (maconha), bem como porte em outra unidade da federação, quando
não demonstrada a internacionalidade da conduta. STJ. 3ª Seção. CC 171206-SP, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik,
julgado em 10/06/2020 (Info 673).

Ausentes os elementos que revelem ter havido evasão de divisas ou lavagem de dinheiro em detrimento de
interesses da União, compete à Justiça Estadual processar e julgar crimes relacionados a pirâmide financeira em
investimento de grupo em criptomoeda. A captação de recursos decorrente de “pirâmide financeira” não se
enquadra no conceito de atividade financeira, razão pela qual o deslocamento do feito para a Justiça Federal se
justifica apenas se demonstrada a prática de evasão de divisas ou de lavagem de dinheiro em detrimento de bens
e serviços ou interesse da União. STJ. 3ª Seção. CC 170392-SP, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 10/06/2020
(Info 673).

Compete à Justiça Estadual processar e julgar o feito destinado a apurar crime de concussão consistente na
cobrança de honorários médicos ou despesas hospitalares a paciente do SUS por se tratar de delito que acarreta
prejuízo apenas ao particular, sem ofensa a bens, serviços ou interesse da União. STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp
1027491/RS, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 17/05/2018.

Compete à Justiça Estadual o julgamento de crimes ocorridos a bordo de balões de ar quente tripulados. Os balões
de ar quente tripulados não se enquadram no conceito de “aeronave” (art. 106 da Lei nº 7.565/86), razão pela
qual não se aplica a competência da Justiça Federal prevista no art. 109, IX, da CF/88). STJ. 3ª Seção. CC 143.400-
SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 24/04/2019 (Info 648).

Compete à Justiça comum (Tribunal do Júri) o julgamento de homicídio praticado por militar contra outro quando
ambos estejam fora do serviço ou da função no momento do crime. Caso concreto: Francisco era soldado da
Polícia Militar do Estado do Maranhão. Samuel era cabo da Polícia Militar do Estado do Piauí. Determinado dia,
Francisco, que se encontrava de férias, passeava em Teresina (PI). Samuel percebeu que Francisco estava armado
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e, mesmo estando de folga, abordou o soldado indagando sobre a arma. Iniciou-se uma discussão e Francisco
atirou três vezes contra Samuel, que faleceu em razão dos disparos. A vítima e o réu - ambos policiais militares à
época dos fatos - estavam fora de serviço quando iniciaram a discussão. Logo, não se pode falar que houve crime
militar, devendo, portanto, o réu ser julgado pela Justiça Comum estadual (Tribunal do Júri). STJ. 3ª Seção. CC
170201-PI, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 11/03/2020 (Info 667).

Compete à Justiça comum (Tribunal do Júri) o julgamento de homicídio praticado por militar contra outro quando
ambos estejam fora do serviço ou da função no momento do crime. Caso concreto: Francisco era soldado da
Polícia Militar do Estado do Maranhão. Samuel era cabo da Polícia Militar do Estado do Piauí. Determinado dia,
Francisco, que se encontrava de férias, passeava em Teresina (PI). Samuel percebeu que Francisco estava armado
e, mesmo estando de folga, abordou o soldado indagando sobre a arma. Iniciou-se uma discussão e Francisco
atirou três vezes contra Samuel, que faleceu em razão dos disparos. A vítima e o réu - ambos policiais militares à
época dos fatos - estavam fora de serviço quando iniciaram a discussão. Logo, não se pode falar que houve crime
militar, devendo, portanto, o réu ser julgado pela Justiça Comum estadual (Tribunal do Júri). STJ. 3ª Seção. CC
170201-PI, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 11/03/2020 (Info 667).

Pessoa que “baixa” da internet e armazena, em computador da escola, vídeos pornográficos envolvendo crianças
e adolescentes pratica o delito do art. 241-A, § 1º, I, do ECA, sendo esta conduta, neste caso concreto, crime de
competência da Justiça Estadual. STJ. (Info 520).

Compete à Justiça Estadual apurar suposto crime de estelionato, em que foi obtida vantagem ilícita em prejuízo
de vítimas particulares mantidas em erro mediante a criação de falso Tribunal Internacional de Justiça e
Conciliação para solução de controvérsias. STJ. (Info 597).

QUESTÕES E PROCESSOS INCIDENTES

Conceito: é a questão com valoração penal ou extrapenal que deve ser enfrentada antes do julgamento do mérito
principal. Para adentrar no mérito da demanda principal, deve antes solucionar a questão prejudicial, vez que esta
afeta a própria tipicidade da conduta delituosa imputada ao acusado, quer no tocante à caracterização do tipo
fundamental, quer no tocante à incidência do tipo derivado (v.g., qualificadoras), sem exercer qualquer
interferência na ilicitude ou culpabilidade. Ex. validade do casamento para a procedência ou não da imputação da
bigamia. Exemplo: uma pessoa está sendo processada pelo crime de abandono material (art. 244 do CP). Durante
o curso do processo, o acusado sustenta que teria deixado de efetuar o pagamento da pensão porquanto ficara
sabendo que não seria ele o genitor da criança. A tipificação do crime está condicionada ao fato de se tratar de
filho do acusado.

Questões processuais x Questões prejudiciais:

a) enquanto as questões prejudiciais estão relacionadas ao Direito Material, as preliminares são questões
processuais; b) as prejudiciais estão relacionadas à própria existência da infração penal, ao passo que as questões
preliminares dizem respeito a alguns pressupostos processuais (de existência e de validade), ou às condições da
ação penal; c) as questões prejudiciais gozam de autonomia; d) as questões prejudiciais podem ser apreciadas
tanto pelo juízo penal quanto na jurisdição extrapenal, a depender de sua natureza. As questões preliminares não
são dotadas de autonomia e independência, logo só podem ser apreciadas pelo juízo penal.

Características das questões prejudiciais: Anterioridade: deve o magistrado primeiramente enfrentar a questão
prejudicial (questão prévia) para na sequência adentrar ao mérito principal da demanda. Essencialidade:
interdependência/necessiariedade: para que o tema tenha status de questão prejudicial, é necessário que ele

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impacte na prova tipicidade. Autonomia: o tratamento normativo dos artigos 92 e 93 do CPP, revela que as
prejudicais podem inaugurar processo autônomo, que contribuirá para resolução da questão.

Classificação:
Quanto à natureza: As homogêneas (comum ou imperfeitas) são aquelas que versam sobre matéria do mesmo
ramo do direito (resolvidas no processo penal, como a exceção da verdade no crime de calúnia). O CPP não se
preocupou com as questões prejudiciais homogêneas. As heterogêneas (jurisdicional ou perfeita) estão afetas a
ramos distintos do direito (ex.: validade do 1ª casamento em crime de bigamia; a existência de vínculo familiar no
crime de abandono material). O CPP cuida das questões prejudiciais heterogêneas nos arts. 92 e 93.

Quanto a competência: Prejudicial não devolutiva, é resolvida pelo próprio juiz que preside o processo principal.
Prejudicial devolutiva, é aquela onde o juiz criminal remeterá a matéria para resolução na esfera extrapenal. Se
subdividem em: questões prejudiciais devolutivas absolutas (ou obrigatórias) e questões prejudiciais devolutivas
relativas (ou facultativas).

Quanto aos efeitos: Questão prejudicial necessária ou em sentido estrito: é aquela que importa na paralisação
do processo criminal para sua solução na esfera extrapenal. O juiz deverá determinar a suspensão do processo,
interrompendo-se o prazo prescricional. Ex: aquela que diz respeito ao estado civil das pessoas. Questões
prejudiciais não necessárias (facultativa): É aquela que poderá levar a paralisação do processo criminal para a
sua solução na esfera extrapenal. Fica a critério do juiz. Ex: trata de questão não penal distinta do estado civil das
pessoas.

7. Prova. 8. Sujeitos do processo: juiz, Ministério Público, defensor, acusado, assistentes e auxiliares da
justiça.

PROVAS

Princípio da liberdade de provas: Art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova
produzida em contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos
informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas.
Art.5, LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos: Art. 157. São inadmissíveis,
devendo ser desentranhadas do processo, as provas ilícitas, assim entendidas as obtidas em violação a normas
constitucionais ou legais.

#APROFUNDANDO:
Teoria dos Frutos da Árvore Envenenada: A Teoria dos Frutos da Árvore Envenenada tem origem norte-
americana. Foi criada pela Suprema Corte dos Estados Unidos, que entende que os vícios da “planta são
transmitidos aos seus frutos”. (Miranda v.s. Arizona).
Ela foi expressamente acolhida no nosso ordenamento, na primeira parte do art. 157, § 1º: Art. 157. São
inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do processo, as provas ilícitas, assim entendidas as obtidas em
violação a normas constitucionais ou legais. § 1o São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas,
salvo quando não evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras, ou quando as derivadas puderem
ser obtidas por uma fonte independente das primeiras.
A exclusão da prova originariamente ilícita - ou daquela afetada pelo vício da ilicitude por derivação - representa
um dos meios mais expressivos destinados a conferir efetividade à garantia do "due process of law" e a tornar
mais intensa, pelo banimento da prova ilicitamente obtida, a tutela constitucional que preserva os direitos e
prerrogativas que assistem a qualquer acusado em sede processual penal.
Essa teoria não é absoluta, sofrendo uma série de limitações, como as que seguem:
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Fonte Independente ou Independent Source (art. 157, § 1º)


§ 1º São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas, salvo quando não evidenciado o nexo de
causalidade entre umas e outras, ou quando as derivadas puderem ser obtidas por uma fonte independente
das primeiras
Não havendo nexo de causalidade entre as provas ilícitas e as demais, o sistema de contaminação não se efetiva.
Esta assepsia deve ser verificada pelo magistrado, o qual aferirá os limites da interdependência do material
probatório. Tal limitação não seria propriamente uma exceção aos efeitos da teoria dos frutos da árvore
envenenada, e sim uma teoria coexistente, posto que aqui não há vínculo algum entre as provas.

Descoberta Inevitável (art. 157, § 2)


§ 2o Considera-se fonte independente aquela que por si só, seguindo os trâmites típicos e de praxe, próprios da
investigação ou instrução criminal, seria capaz de conduzir ao fato objeto da prova.
Advinda do direito americano (inevitable discovery), se a prova, que circunstancialmente decorre de prova
ilícita, seria conseguida de qualquer maneira, por atos de investigação válidos, ela será aproveitada, eliminando-
se a contaminação. A ilicitude, aqui, é encarada como uma fatalidade; o nexo causal existe, mas não é decisivo,
pois a prova derivada, mesmo que a ilicitude não se operasse, ainda assim seria produzida dentro da lei.

Teoria da contaminação expurgada ou teoria da conexão atenuada ou da marcha purgada ou teoria da tinta
diluída ou da nódoa removida, vícios sanados ou nexo causal evidenciado: É possível que o vínculo entre a
prova ilícita e a derivada seja tão tênue ou superficial que acabe não havendo contaminação. A fragibilidade do
laço impediria a contaminação. Essa exceção não encontra guarida no CPP, mesmo após a reforma. Apesar de
guardar semelhança com a teoria da fonte independente, com essa não se confunde, vez que na fonte
independente não há de fato um nexo causal, a fonte é autônoma da ilícita, e na teoria da marcha purgada, o
lapso temporal entre a prova primaria e secundária, circunstâncias intervenientes na cadeia probatória, a
menor relevância da ilegalidade ou a vontade do agente em colaborar atenuam a ilicitude originária expurgando
qualquer vício.
Teoria do encontro fortuito de provas. Serendipidade ou Teoria do descobrimento casuales ou crime achado:
Se durante a diligência probatória, for acidentalmente descoberta outra prova, em regra, ela será aproveitada,
desde que não exista desvio de finalidade. O réu estava sendo investigado pela prática do crime de tráfico de
drogas. Presentes os requisitos constitucionais e legais, o juiz autorizou a interceptação telefônica para apurar
o tráfico. Por meio dos diálogos, descobriu-se que o acusado foi o autor de um homicídio. A prova obtida a
respeito da prática do homicídio é LÍCITA, mesmo a interceptação telefônica tendo sido decretada para
investigar outro delito que não tinha relação com o crime contra a vida. Na presente situação, tem-se aquilo
que o Min. Alexandre de Moraes chamou de “crime achado”, ou seja, uma infração penal desconhecida e não
investigada até o momento em que, apurando-se outro fato, descobriu-se esse novo delito. Para o Min.
Alexandre de Moraes, a prova é considerada lícita, mesmo que o “crime achado” não tenha relação (não seja
conexo) com o delito que estava sendo investigado, desde que tenham sido respeitados os requisitos
constitucionais e legais e desde que não tenha havido desvio de finalidade ou fraude. STF. 1ª Turma. HC
129678/SP, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 13/6/2017 (Info
869)

Encontro fortuito e foro por prerrogativa de função: Os Tribunais Superiores entendem que uma simples
conversa com pessoa dotada de foro não é fundamento suficiente, por si só, para remeter os autos ao STF ou
outro Tribunal competente. Apenas quando o elemento probatório levar à conclusão de que a pessoa com o
forro privilegiado, efetivamente, está envolvida em uma prática criminosa é que deve haver a remessa imediata
as instâncias superiores.

ELEMENTOS MIGRATÓRIOS
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Provas cautelares: Urgência. Elementos podem ser pedidos se a prova não for realizada naquela ocasião. Há
um risco de desaparecimento do objeto da prova. Ex. Interceptação telefônica. O contraditório é diferido e é
necessária autorização judicial, em regra.

Provas não repetíveis: Impossibilidade material. Inviabilidade completa de serem produzidas durante a fase
processual. Ex. exame de corpo de delito realizado na cena do crime. O contraditório é diferido, e em regra não
exige autorização judicial.

Provas antecipadas: Incidente pré-processual. Neste caso, apesar realizada durante a investigação criminal,
existe um contraditório no momento de sua elaboração (e não de forma diferida).

PROVA EMPRESTADA

É aquela produzida em um processo e transportado documentalmente para outro, caracterizando a mútua


colaboração entre órgãos jurisdicionais. Não se pode falar de prova emprestada de elementos informativos,
salvo nos casos dos elementos migratórios.

Requisitos: Mesmo fato probando; Respeito ao contraditório no processo emprestante; Observância dos
requisitos formais de produção probatória no processo emprestante; Não pode ser o único elemento de prova
para fundamentar a condenação no processo emprestado.
Se o processo emprestante tiver a nulidade declarada, poderá gerar efeitos sobre a prova, a depender do teor
da nulidade.

#DEOLHONAJURIS:

Possibilidade de utilizar os dados da Receita Federal para instruir processo penal. Os dados do contribuinte que
a Receita Federal obteve das instituições bancárias mediante requisição direta (sem intervenção do Poder
Judiciário, com base nos arts. 5º e 6º da LC 105/2001), podem ser compartilhados, também sem autorização
judicial, com o Ministério Público, para serem utilizados como prova emprestada no processo penal. Isso
porque o STF decidiu que são constitucionais os arts. 5º e 6º da LC 105/2001, que permitem o acesso direto da
Receita Federal à movimentação financeira dos contribuintes (RE 601314/SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgado
em 24/2/2016. Info 815). Este entendimento do STF deve ser estendido também para a esfera criminal. Assim,
é possível a utilização de dados obtidos pela Secretaria da Receita Federal, em regular procedimento
administrativo fiscal, para fins de instrução processual penal. STF. 2ª Turma. RHC 121429/SP, Rel. Min. Dias
Toffoli, julgado em 19/4/2016 (Info 822). STJ. 6ª Turma. HC 422.473-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado
em 20/03/2018 (Info 623).

EXAME DE CORPO DE DELITO E CADEIA DE CUSTÓDIA

#APOSTACICLOS:
#FOCANALEI:
Art. 158-A. Considera-se cadeia de custódia o conjunto de todos os procedimentos utilizados para manter e
documentar a história cronológica do vestígio coletado em locais ou em vítimas de crimes, para rastrear sua
posse e manuseio a partir de seu reconhecimento até o descarte. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) § 1º O
início da cadeia de custódia dá-se com a preservação do local de crime ou com procedimentos policiais ou
periciais nos quais seja detectada a existência de vestígio. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
- A lei apresenta os protocolos a serem seguidos e as etapas da cadeia de custódia (recebimento da prova –
isolamento da prova – fixação – coleta – acondicionamento – transporte – recebimento – processamento –
armazenamento – descarte)
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Art. 158-B. A cadeia de custódia compreende o rastreamento do vestígio nas seguintes etapas: (Incluído pela
Lei nº 13.964, de 2019)
I - reconhecimento: ato de distinguir um elemento como de potencial interesse para a produção da prova
pericial; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
II - isolamento: ato de evitar que se altere o estado das coisas, devendo isolar e preservar o ambiente imediato,
mediato e relacionado aos vestígios e local de crime; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
III - fixação: descrição detalhada do vestígio conforme se encontra no local de crime ou no corpo de delito, e a
sua posição na área de exames, podendo ser ilustrada por fotografias, filmagens ou croqui, sendo indispensável
a sua descrição no laudo pericial produzido pelo perito responsável pelo atendimento; (Incluído pela Lei nº
13.964, de 2019)
IV - coleta: ato de recolher o vestígio que será submetido à análise pericial, respeitando suas características e
natureza; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
V - acondicionamento: procedimento por meio do qual cada vestígio coletado é embalado de forma
individualizada, de acordo com suas características físicas, químicas e biológicas, para posterior análise, com
anotação da data, hora e nome de quem realizou a coleta e o acondicionamento; (Incluído pela Lei nº 13.964,
de 2019)
VI - transporte: ato de transferir o vestígio de um local para o outro, utilizando as condições adequadas
(embalagens, veículos, temperatura, entre outras), de modo a garantir a manutenção de suas características
originais, bem como o controle de sua posse; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
VII - recebimento: ato formal de transferência da posse do vestígio, que deve ser documentado com, no mínimo,
informações referentes ao número de procedimento e unidade de polícia judiciária relacionada, local de
origem, nome de quem transportou o vestígio, código de rastreamento, natureza do exame, tipo do vestígio,
protocolo, assinatura e identificação de quem o recebeu; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
VIII - processamento: exame pericial em si, manipulação do vestígio de acordo com a metodologia adequada às
suas características biológicas, físicas e químicas, a fim de se obter o resultado desejado, que deverá ser
formalizado em laudo produzido por perito; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
IX - armazenamento: procedimento referente à guarda, em condições adequadas, do material a ser processado,
guardado para realização de contraperícia, descartado ou transportado, com vinculação ao número do laudo
correspondente; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
X - descarte: procedimento referente à liberação do vestígio, respeitando a legislação vigente e, quando
pertinente, mediante autorização judicial. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)

INTERROGATÓRIO

É a fase da persecução penal que permite ao suspeito autor esboçar sua versão dos fatos, exercendo, se desejar,
a autodefesa.

Interrogatório por videoconferência:

Art. 185. § 2º Excepcionalmente, o juiz, por decisão fundamentada, DE OFÍCIO OU A REQUERIMENTO DAS
PARTES, poderá realizar o interrogatório do réu preso por sistema VIDEOCONFERÊNCIA ou outro recurso
tecnológico de transmissão de sons e imagens em tempo real, desde que a medida seja necessária para atender
a uma das seguintes finalidades: I - prevenir risco à segurança pública, quando exista fundada suspeita de que
o preso integre organização criminosa ou de que, por outra razão, possa fugir durante o deslocamento; II -
viabilizar a participação do réu no referido ato processual, quando haja relevante dificuldade para seu
comparecimento em juízo, por enfermidade ou outra circunstância pessoal; III - impedir a influência do réu no
ânimo de testemunha ou da vítima, desde que não seja possível colher o depoimento destas por
videoconferência, nos termos do art. 217 deste Código; IV - responder à gravíssima questão de ordem pública.
§ 5o Em qualquer modalidade de interrogatório, o juiz garantirá ao réu o direito de entrevista prévia e reservada
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com o seu defensor; se realizado por videoconferência, fica também garantido o acesso a canais telefônicos
reservados para comunicação entre o defensor que esteja no presídio e o advogado presente na sala de
audiência do Fórum, e entre este e o preso.

Momento do interrogatório:

O interrogatório passou, com a Lei nº 11.719/08, a ser o último ato processual (art. 400, CPP). É norma
extremamente favorável aos acusados, visto que poderão traçar estratégia de defesa com base no que foi
afirmado pelas demais testemunhas e no que foi produzido pelas demais provas. Tem sido estendida a todos
os procedimentos, inclusive o das ações originárias perante tribunais e nos casos de lei específica.

Apesar de não ter havido uma alteração específica do art. 7º da Lei 8.038/90, com base no CPP, entende-se que
o interrogatório é um ato de defesa, mais bem exercido depois de toda a instrução, porque há possibilidade do
contraditório mais amplo. A exigência de realização do interrogatório ao final da instrução criminal, conforme
o art. 400 do CPP é aplicável: • aos processos penais militares; • aos processos penais eleitorais e • a todos os
procedimentos penais regidos por legislação especial (ex: lei de drogas). STF. 1ª Turma. AP 1027/DF, Rel. Min.
Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Luís Roberto Barroso, julgado em 2/10/2018 (Info 918).

Interrogatório e condução coercitiva:

Incompatibilidade com a Constituição Federal da condução coercitiva de investigados ou de réus para


interrogatório. STF. Plenário. ADPF 395, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 14.06.2018, decisão publicada no
DJE em 15.06.2018. (ADPF 444)

Direito à liberdade de locomoção: O STF entendeu que a condução coercitiva viola a liberdade de locomoção.
A Constituição Federal consagra o direito à liberdade de locomoção de forma genérica, ao enunciar o direito à
liberdade (art. 5º, caput), a ser restringido apenas sob observância do devido processo legal (art. 5º, LIV), e, de
forma específica, ao estabelecer regras estritas sobre a prisão (art. 5º, LXI, LXV, LXVI, LXVII). A condução
coercitiva representa uma supressão absoluta, ainda que temporária, da liberdade de locomoção.

Presunção de não culpabilidade: A restrição temporária da liberdade mediante condução sob custódia por
forças policiais em vias públicas não é o tratamento que se deve dar a uma pessoa inocente. Na condução
coercitiva o investigado conduzido é claramente tratado como culpado.

Dignidade da pessoa humana: A dignidade da pessoa humana (art. 1º, III, da CF/88), prevista entre os princípios
fundamentais do estado democrático de direito, orienta seus efeitos a todo o sistema normativo, constituindo,
inclusive, princípio de aplicação subsidiária às garantias constitucionais atinentes aos processos judiciais. Não
há finalidade instrutória clara, na medida em que não é obrigado a declarar quando arguido ou mesmo a se
fazer presente ao interrogatório. Desse modo, a condução coercitiva desrespeita a dignidade da pessoa
humana.

#SELIGA: Condução coercitiva pode ser adotada para outras hipóteses: Para que a condução coercitiva seja
legítima, ela deve destinar-se à prática de um ato ao qual a pessoa tem o dever de comparecer, ou, ao menos,
que possa ser legitimamente obrigada a comparecer. Exemplo 1: condução coercitiva quando houver dúvida
sobre a identidade civil do investigado.

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PROVA TESTEMUNHAL

Conceito e Natureza Jurídica: Testemunha é a pessoa desinteressada que declara em juízo o que sabe acerca
dos fatos, em face das percepções colhidas sensorialmente sobre eles.
Características da Prova Testemunhal: a) Judicialidade: testemunha é a pessoa que presta seu depoimento
perante o magistrado, e somente perante ele. Isso porque é ele quem garante o contraditório e a ampla defesa;
b) Oralidade: permitida a consulta a apontamentos; c) Objetividade: deve-se evitar a emissão de opinião
pessoal; d) Individualidade: deve-se ouvir cada testemunha separadamente e garantir a incomunicabilidade; e)
Retrospectividade: a testemunha narrará fato com o qual já teve contato.

Classificação: a) Numerárias: arroladas pelas partes e compromissadas; b) Extranumerárias: ouvidas por


iniciativa do juiz; em regra, compromissadas (art. 209); c) Informantes: não prestam o compromisso; d)
Próprias: ouvida especificamente sobre os fatos delituosos; e) Imprópria, instrumentária ou fedatária: presta
depoimento sobre um ato da persecução criminal; f) Laudadores: prestam declarações sobre os antecedentes
do infrator; g) Testemunhas de coroa: são os agentes infiltrados, como previsto na Lei de Organizações
Criminosas; h) Inócua: pessoa que nada sabe para elucidar a causa. Não será computada com testemunha (art.
209, § 2º).

Recusa e Impedimento: A regra é que toda e qualquer pessoa poderá figurar como testemunha no processo
(art. 202). Podem recusar-se pessoas que gozam de parentesco próximo ao réu: CADI, afins em linha reta etc.
(art. 206). Porém, se desejarem, poderão depor. Tais pessoas estarão obrigadas a testemunhar quando por
outro modo não se puder obter a prova do fato e de suas circunstâncias. Já os impedidos (art. 207) somente
poderão testemunhar quando desobrigados pela parte interessada e se desejarem. Trata-se daqueles que pelo
desempenho de ministério, ofício, profissão ou em razão de função devem guardar segredo. Impedidos,
deverão fazer o compromisso e poderão incorrer em falso testemunho.

Outras vedações: Deputados e Senadores não estão obrigados a testemunhar sobre informações recebidas ou
prestadas no exercício do mandato, nem sobre pessoas que lhes confiaram ou deles receberam informações;
Magistrados e promotores estão impedidos de atuar na persecução penal e figurar como testemunha,
concomitantemente.

CONFISSÃO

Conceito, Objeto e Natureza Jurídica: É a admissão, por parte do suposto autor da infração, de fatos que lhe
são atribuídos e que lhe são desfavoráveis. Objeto da confissão é o fato ou fatos atribuídos ao réu. Tem
natureza jurídica de meio de prova.

Quanto aos efeitos: simples (reconhecimento puro e simples da imputação, sem modificação das informações),
complexa (quando o réu reconhece vários fatos criminosos objeto do processo), qualificada (o réu confessa os
fatos, mas agrega novos elementos para excluir a responsabilidade penal, como excludentes de ilicitude, de
culpabilidade etc.)

Requisitos: Para que ela seja regular, deve atender aos seguintes requisitos: a) Intrínsecos: verossimilhança,
clareza, persistência, coincidência. b) Formais: pessoalidade, ser feita à autoridade competente, ser livre e
voluntária, higidez mental do confitente.

Peculiaridades: Divisibilidade: o teor da confissão pode ser desmembrado, já que o juiz pode se convencer de
parte do que foi admitido e desconsiderar o restante. Retratabilidade: o réu pode desdizer o que afirmou como
verdade anteriormente (art. 200). Porém, em razão do livre convencimento motivado, o juiz poderá tomar
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como verdade a confissão anteriormente apresentada e retratada; deverá também, por questões de justiça,
reconhecer a atenuante da confissão na dosimetria penal.

JURISPRUDÊNCIA

Na hipótese de suspeita de flagrância delitiva, qual a exigência, em termos de standard probatório, para que
policiais ingressem no domicílio do suspeito sem mandado judicial? A prova da legalidade e da voluntariedade
do consentimento para o ingresso na residência do suspeito incumbe, em caso de dúvida, ao Estado, e deve ser
feita com declaração assinada pela pessoa que autorizou o ingresso domiciliar, indicando-se, sempre que
possível, testemunhas do ato. Em todo caso, a operação deve ser registrada em áudio-vídeo e preservada a
prova enquanto durar o processo. Principais conclusões do STJ: 1) Na hipótese de suspeita de crime em
flagrante, exige-se, em termos de standard probatório para ingresso no domicílio do suspeito sem mandado
judicial, a existência de fundadas razões (justa causa), aferidas de modo objetivo e devidamente justificadas, de
maneira a indicar que dentro da casa ocorre situação de flagrante delito. 2) O tráfico ilícito de entorpecentes,
em que pese ser classificado como crime de natureza permanente, nem sempre autoriza a entrada sem
mandado no domicílio onde supostamente se encontra a droga. Apenas será permitido o ingresso em situações
de urgência, quando se concluir que do atraso decorrente da obtenção de mandado judicial se possa objetiva
e concretamente inferir que a prova do crime (ou a própria droga) será destruída ou ocultada. 3) O
consentimento do morador, para validar o ingresso de agentes estatais em sua casa e a busca e apreensão de
objetos relacionados ao crime, precisa ser voluntário e livre de qualquer tipo de constrangimento ou coação. 4)
A prova da legalidade e da voluntariedade do consentimento para o ingresso na residência do suspeito incumbe,
em caso de dúvida, ao Estado, e deve ser feita com declaração assinada pela pessoa que autorizou o ingresso
domiciliar, indicando-se, sempre que possível, testemunhas do ato. Em todo caso, a operação deve ser
registrada em áudio-vídeo e preservada tal prova enquanto durar o processo. 5) A violação a essas regras e
condições legais e constitucionais para o ingresso no domicílio alheio resulta na ilicitude das provas obtidas em
decorrência da medida, bem como das demais provas que dela decorrerem em relação de causalidade, sem
prejuízo de eventual responsabilização penal do (s) agente(s) público(s) que tenha(m) realizado a diligência. STJ.
6ª Turma. HC 598.051/SP, Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, julgado em 02/03/2021 (Info 687).

Não haverá infiltração policial se o agente apenas representa a vítima nas negociações de extorsão: Não há
infiltração policial quando agente lotado em agência de inteligência, sob identidade falsa, apenas representa o
ofendido nas negociações da extorsão, sem se introduzir ou se infiltrar na organização criminosa com o
propósito de identificar e angariar a confiança de seus membros ou obter provas sobre a estrutura e o
funcionamento do bando. STJ. 6ª Turma. HC 512.290-RJ, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 18/08/2020
(Info 677).

As inovações do Pacote Anticrime na Lei n. 9.296/1996 não alteraram o entendimento de que é lícita a prova
consistente em gravação ambiental realizada por um dos interlocutores sem conhecimento do outro. STJ. 6ª
Turma. HC 512.290-RJ, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 18/08/2020 (Info 677).

A ação controlada prevista no § 1º do art. 8º da Lei nº 12.850/2013 independe de autorização, bastando sua
comunicação prévia à autoridade judicial.
STJ. 6ª Turma. HC 512.290-RJ, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 18/08/2020 (Info 677).

É legal o auxílio da agência de inteligência ao Ministério Público Estadual durante procedimento criminal
instaurado para apurar graves crimes em contexto de organização criminosa. STJ. 6ª Turma. HC 512.290-RJ,
Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 18/08/2020 (Info 677).

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A quebra do sigilo de dados armazenados não obriga a autoridade judiciária a indicar previamente as pessoas
que estão sendo investigadas, até porque o objetivo precípuo dessa medida é justamente de proporcionar a
identificação do usuário do serviço ou do terminal utilizado.
Logo, a ordem judicial para quebra do sigilo dos registros, delimitada por parâmetros de pesquisa em
determinada região e por período de tempo, não se mostra medida desproporcional, porquanto, tendo como
norte a apuração de gravíssimos crimes, não impõe risco desmedido à privacidade e à intimidade dos usuários
possivelmente atingidos por tal diligência. STJ. 3ª Seção. RMS 61.302-RJ, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado
em 26/08/2020 (Info 678).

Falta de mandado não invalida busca e apreensão em apartamento desabitado. Não há nulidade na busca e
apreensão efetuada por policiais, sem prévio mandado judicial, em apartamento que não revela sinais de
habitação, nem mesmo de forma transitória ou eventual, se a aparente ausência de residentes no local se alia
à fundada suspeita de que o imóvel é utilizado para a prática de crime permanente. STJ. 5ª Turma. HC 588.445-
SC, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 25/08/2020 (Info 678).

Para o acesso a dados telemáticos não é necessário a delimitação temporal para fins de investigações criminais.
Não é necessário especificar a limitação temporal para os acessos requeridos pelo Ministério Público, por se
tratar de dados estáticos, constantes nas plataformas de dados. Apesar de o art. 22, III, da Lei nº 12.965/2014
(Marco Civil da Internet) determinar que a requisição judicial de registro deve conter o período ao qual se
referem, tal quesito só é necessário para o fluxo de comunicações, sendo inaplicável nos casos de dados já
armazenados que devem ser obtidos para fins de investigações criminais. STJ. 6ª Turma. HC 587.732-RJ, Rel.
Min. Nefi Cordeiro, julgado em 20/10/2020 (Info 682).

Não é possível aplicar multa contra o WhatsApp pelo fato de a empresa não conseguir interceptar as mensagens
trocadas pelo aplicativo e que são protegidas por criptografia de ponta a ponta. STJ. 3ª Seção. RMS 60.531-RO,
Rel. Min. Nefi Cordeiro, Rel. Acd. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 09/12/2020 (Info 684).

O art. 226 do CPP estabelece formalidades para o reconhecimento de pessoas (reconhecimento pessoal). O
descumprimento dessas formalidades enseja a nulidade do reconhecimento? O art. 226 do CPP estabelece
formalidades para o reconhecimento de pessoas (reconhecimento pessoal). O descumprimento dessas
formalidades enseja a nulidade do reconhecimento? • NÃO. Posição pacífica da 5ª Turma. As disposições
contidas no art. 226 do CPP configuram uma recomendação legal, e não uma exigência absoluta. Assim, é válido
o ato mesmo que realizado de forma diversa da prevista em lei. STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 1665453/SP, Rel.
Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 02/06/2020. • SIM. Há recente julgado da 6ª Turma do STJ, que fixou as
seguintes conclusões:
1) O reconhecimento de pessoas deve observar o procedimento previsto no art. 226 do Código de Processo
Penal, cujas formalidades constituem garantia mínima para quem se encontra na condição de suspeito da
prática de um crime;
2) À vista dos efeitos e dos riscos de um reconhecimento falho, a inobservância do procedimento descrito na
referida norma processual torna inválido o reconhecimento da pessoa suspeita e não poderá servir de lastro a
eventual condenação, mesmo se confirmado o reconhecimento em juízo;
3) Pode o magistrado realizar, em juízo, o ato de reconhecimento formal, desde que observado o devido
procedimento probatório, bem como pode ele se convencer da autoria delitiva a partir do exame de outras
provas que não guardem relação de causa e efeito com o ato viciado de reconhecimento;
4) O reconhecimento do suspeito por simples exibição de fotografia(s) ao reconhecedor, a par de dever seguir
o mesmo procedimento do reconhecimento pessoal, há de ser visto como etapa antecedente a eventual
reconhecimento pessoal e, portanto, não pode servir como prova em ação penal, ainda que confirmado em
juízo. STJ. 6ª Turma. HC 598.886-SC, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 27/10/2020 (Info 684).

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O MP pode escolher quais elementos obtidos na busca e apreensão serão utilizados pela acusação; no entanto,
o material restante deve permanecer à livre consulta do acusado, para o exercício de suas faculdades
defensivas. Realizada a busca e apreensão, apesar de o relatório sobre o resultado da diligência ficar adstrito
aos elementos relacionados com os fatos sob apuração, deve ser assegurado à defesa acesso à integra dos
dados obtidos no cumprimento do mandado judicial. STJ. 6ª Turma. RHC 114.683/RJ, Rel. Rogério Schietti Cruz,
julgado em 13/04/2021 (Info 692).

Não existe exigência legal de que o mandado de busca e apreensão detalhe o tipo de documento a ser
apreendido, ainda que de natureza sigilosa. STJ. 6ª Turma. RHC 141.737/PR, Rel. Min. Sebastião Reis Junior,
julgado em 27/04/2021 (Info 694).

É ilegal a quebra do sigilo telefônico mediante a habilitação de chip da autoridade policial em substituição ao
do investigado titular da linha. STJ. 6ª Turma. REsp 1.806.792-SP, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 11/05/2021
(Info 696).

9. Prisão em flagrante delito, prisão temporária, prisão preventiva e demais medidas cautelares pessoais.
Prisão especial. Liberdade provisória. Audiência de custódia. 10. Fatos e atos processuais. Citação, notificação
e intimação. 11. Sentença. Coisa Julgada. 15. Nulidades.

PRISÃO EM FLAGRANTE

Flagrante obrigatório ou compulsório: é aquele inerente a atuação das forças policiais, funcionando como
estrito cumprimento de um dever legal (art. 301, CPP).

Flagrante facultativo: é aquele inerente a atuação de qualquer pessoa do povo, funcionando como o exercício
regular de um direito (art. 301, CPP)

Flagrante próprio/real/perfeito/propriamente dito:


a) O sujeito capturado cometendo o delito (art. 302, I, CPP). (O sujeito é capturado desenvolvendo os atos
executórios.)
b) O sujeito capturado ao acabar de cometer a infração (art. 302, II, CPP).

Flagrante improprio/irreal/imperfeito/quase flagrante: o sujeito é perseguido logo após a prática da infração.


Havendo êxito, ele será capturado em circunstâncias que façam presumir a responsabilidade penal (art. 302,
III, CPP).

Flagrante presumido/ficto/assimilado: o sujeito é encontrado logo depois da prática do delito com objetos,
armas, papéis ou instrumentos que autorizem presumir a responsabilidade penal (art. 302, IV, CPP).

Flagrante forjado: é aquele realizado para incriminar pessoa inocente e que não tinha desejo de delinquir.
(Conclusão1: percebe-se que a prisão é ilegal, devendo ser relaxada (art. 310, I, CPP e art. 5º, LXV, CF)
(Conclusão2: a responsabilidade penal subsiste para o agente forjador.)

Flagrante esperado: nele nos deparamos com a realização de campana (tocaia), aguardando-se a prática do
primeiro ato executório para a concretização da captura. Em nenhum momento a polícia estimula a prática do
delito, apenas aguarda o melhor momento para realizar a captura.

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Flagrante preparado/provocado/delito de ensaio/delito putativo (imaginado) por obra do agente


provocador:

#DEOLHONASÚMULA - Súmula 145-STF: Não há crime, quando a preparação do flagrante pela polícia torna
impossível a sua consumação.
Obs. Lei de Drogas - se o traficante já tem a droga consigo ou em estoque, quando é abordado por policial
disfarçado de usuário, resta concluir que a prisão é legal, pois a consumação do tráfico (ter em depósito) é
crime permanente e preexistente a provocação.

Flagrante postergado/diferido/retardado/ação controlada: ela nasce no combate ao crime organizado, com


o objetivo de efetivar a prisão no momento mais estratégico, almejando o levantamento de provas, a captura
de sujeitos e o enquadramento no crime principal da organização. Atualmente, ela está regulada nos seguintes
diplomas:
i. Crime organizado (art. 8º, Lei 12.850/13
ii. Tráfico de drogas (art. 53, II, Lei 11343/06)
iii. Lavagem de dinheiro (art. 4ºB, Lei 9613/98)

Conversão da prisão em flagrante em preventiva:

#SELIGA #PACONTEANTICIRME #DEOLHONAJURIS: #VAICAIR: Após o advento da Lei nº 13.964/2019, não é


mais possível a conversão da prisão em flagrante em preventiva sem provocação por parte ou da autoridade
policial, do querelante, do assistente, ou do Ministério Público, mesmo nas situações em que não ocorre
audiência de custódia. A Lei nº 13.964/2019, ao suprimir a expressão “de ofício” que constava do art. 282, § 2º,
e do art. 311, ambos do CPP, vedou, de forma absoluta, a decretação da prisão preventiva sem o prévio
requerimento das partes ou representação da autoridade policial. STJ. 3ª Seção. RHC 131263, Rel. Min. Sebastião
Reis Júnior, julgado em 24/02/2021 (Info 686). STF. 2ª Turma. HC 192532 AgR, Rel. Gilmar Mendes, julgado em
24/02/2021.

CÓDIGO DE PROCESSO PENAL


Antes da Lei 13.964/2019 ATUALMENTE
Art. 282. (...) Art. 282. (...)
§ 2º As medidas cautelares serão decretadas pelo § 2º As medidas cautelares serão decretadas pelo juiz
juiz, de ofício ou a requerimento das partes ou, a requerimento das partes ou, quando no curso da
quando no curso da investigação criminal, por investigação criminal, por representação da autoridade
representação da autoridade policial ou mediante policial ou mediante requerimento do Ministério
requerimento do Ministério Público. Público.
Com base na redação anterior do art. 282, § 2º do CPP, a posição majoritária era a seguinte:
• Na fase do inquérito policial: O juiz NÃO podia conceder medidas cautelares de ofício, sendo necessário
pedido da autoridade policial ou requerimento do Ministério Público.
Exceção: conversão do flagrante em prisão preventiva.
• Na fase judicial: SIM. O Juiz poderia agir de ofício para decretar medida cautelar. O § 2º do art. 282
afirmava isso expressamente.
Após a Lei nº 13.964/2019, o juiz NÃO pode conceder medidas cautelares de ofício, seja na fase
investigatória, seja na fase processual.

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PRISÃO PREVENTIVA

Infrações que comportam prisão preventiva


Regra geral I - nos crimes dolosos punidos com pena privativa de liberdade
máxima superior a 4 (quatro) anos

A quantidade de pena máxima será a) Reincidência em crime doloso


irrelevante: II - se tiver sido condenado por outro crime doloso, em
sentença transitada em julgado, ressalvado o disposto no
inciso I do caput do art. 64 do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de
dezembro de 1940 - Código Penal
b) Descumprimento de medida protetiva na violência
doméstica
III - se o crime envolver violência doméstica e familiar contra a
mulher, criança, adolescente, idoso, enfermo ou pessoa com
deficiência, para garantir a execução das medidas protetivas
de urgência;
c) Ausência de identificação civil
§ 1º Também será admitida a prisão preventiva quando
houver dúvida sobre a identidade civil da pessoa ou quando
esta não fornecer elementos suficientes para esclarecê-la,
devendo o preso ser colocado imediatamente em liberdade
após a identificação, salvo se outra hipótese recomendar a
manutenção da medida.
d) Descumprimento de medida cautelar do art. 319 e 320, CPP.
Art.282, § 4º No caso de descumprimento de qualquer das
obrigações impostas, o juiz, mediante requerimento do
Ministério Público, de seu assistente ou do querelante, poderá
substituir a medida, impor outra em cumulação, ou, em último
caso, decretar a prisão preventiva, nos termos do parágrafo
único do art. 312 deste Código.

Vedações à decretação da prisão a) Contravenções penais: isso porque a decretação da prisão


preventiva: preventiva depende de prova da existência do crime, excluindo
a hipótese de contravenção penal;
b) Excludentes de ilicitude: não será decretada a preventiva de
quem agiu sob a proteção de alguma excludente de ilicitude.
c) Excludentes de culpabilidade.

1) Pressupostos positivos: para que a prisão preventiva seja decretada, é preciso estar presente a fumaça do
cometimento do delito (fumus comissi delicti), prevista no caput do art. 312 do CPP que se caracteriza pela
prova da existência do crime e indícios suficientes de autoria + perigo gerado pelo estado de liberdade do
imputado (#seliga #pacoteanticrime)

2) Fundamentos: para a decretação da prisão preventiva, é preciso estar presente o perigo de colocar ou
manter o agente em liberdade (periculum libertates), previsto no caput do art. 312 do CPP: garantia da ordem
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pública, garantia da ordem econômica, conveniência da instrução criminal ou para assegurar a aplicação da
lei penal.
Hipóteses em espécie:
a) Garantia da ordem pública: (para o STJ, a ordem pública pode ser considerada a necessidade de preservação
da paz social, estando em risco quando o sujeito em liberdade provavelmente, continuar a delinquir.)
• A probabilidade de reiteração de condutas criminosas, pode ser aferida por investigações e ações penais
em andamento. Nesse sentido: “inquéritos policiais e processos em andamento, embora não tenham o
condão de exasperar a pena-base no momento da dosimetria da pena, são elementos aptos a demonstrar
eventual reiteração delitiva, fundamento suficiente para a decretação da prisão preventiva” (STJ, RHC
055365/CE; RHC 054750/DF; RHC 052402/BA);
• A probabilidade de reiteração de condutas criminosas também pode ser verificada pelos atos infracionais
praticados quando era adolescente. Nesse sentido: A prática de atos infracionais anteriores serve para justificar
a decretação ou manutenção da prisão preventiva como garantia da ordem pública, considerando que indicam
que a personalidade do agente é voltada à criminalidade, havendo fundado receio de reiteração. Não é
qualquer ato infracional, em qualquer circunstância, que pode ser utilizado para caracterizar a
periculosidade e justificar a prisão antes da sentença. É necessário que o magistrado analise: a) a gravidade
específica do ato infracional cometido; b) o tempo decorrido entre o ato infracional e o crime; e c) a
comprovação efetiva da ocorrência do ato infracional (STJ. 3ª Seção. RHC 63.855-MG, Rel. para acórdão
Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 11/5/2016).
• Gravidade concreta do crime: A alusão genérica sobre a gravidade do delito, o clamor público ou a comoção
social não constituem fundamentação idônea a autorizar a prisão preventiva (STJ, RHC 055070/MS; HC
311162/SP; HC 299666/SP; RHC 048058/BA; HC 270156/CE).

b) Garantia da ordem econômica: visa evitar que o sujeito em liberdade continue praticando delitos contra a
ordem econômica (doutrina majoritária).
c) Garantia da instrução criminal: para preservar a livre produção probatória. A instrução processual deverá ser
protegida quando o agente indiciado ou processado praticar alguma conduta para se beneficiar ou para
beneficiar terceiros, maculando a produção de elementos de informação ou a produção probatória.
d) Garantia de aplicação da lei penal: visa a proteger os fins do processo, ou seja, a definitiva prestação
jurisdicional na sentença penal de que resulta condenação, com a imposição da sanção, portanto, qualquer
iniciativa tenente a furtar-se à aplicação da lei penal, como no caso de uma tentativa de fuga, poderá ser
imposta a prisão preventiva.
A real tentativa de fuga (STJ. HC 207.564), compra de bens em outros lugares, venda de bens (STJ. HC 45.772),
compra de passagens aéreas (STJ. HC. 46.501), já estar foragido (STJ. 206952), ausência constante de domicílio
fixo (STJ. 198.675), ausência de vínculo no distrito da culpa (STJ. HC 223.900), já ter fugido para outro estado
(STJ. HC 212.173) são indicativos mais palpáveis de se avaliar e, eventualmente, confrontar.

#DEOLHONAJURIS:

A alegação de desproporcionalidade da prisão preventiva somente poderá ser aferível após a prolação de
sentença, não cabendo, durante o curso do processo, a antecipação da análise quanto à possibilidade de
cumprimento de pena em regime menos gravoso, caso seja prolatada sentença condenatória, sob pena de
exercício de adivinhação e futurologia, sem qualquer previsão legal. STJ. 5ª Turma. RHC 77070/MG, Rel. Min. Felix
Fischer, julgado em 16/02/2017. STJ. 6ª Turma. RHC 79041/MG, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 28/03/2017.

Não se pode decretar a preventiva do autor de contravenção penal mesmo que ele tenha praticado o fato no
âmbito de violência doméstica e mesmo que tenha descumprido medida protetiva a ele imposta. O inciso III do
art. 313 do CPP prevê que será admitida a decretação da prisão preventiva “se o CRIME envolver violência
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doméstica e familiar contra a mulher, criança, adolescente, idoso, enfermo ou pessoa com deficiência, para
garantir a execução das medidas protetivas de urgência”. Logo, não há previsão legal que autorize a prisão
preventiva contra o autor de uma contravenção penal. Decretar a prisão preventiva, nesta hipótese, representa
ofensa ao princípio da legalidade estrita. STJ. 6ª Turma. HC 437.535-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura,
Rel. Acd. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 26/06/2018 (Info 632).

PRISÃO TEMPORÁRIA

Cuida-se de espécie de prisão cautelar decretada pela autoridade judiciária competente durante a fase preliminar
de investigações, com prazo preestabelecido de duração, quando a privação da liberdade de locomoção do
indivíduo for indispensável para a obtenção de elementos de informação quanto à autoria e materialidade das
infrações penais mencionadas na lei nº 9.760/89.

Lei 7960/89, art. 2º. A prisão temporária será decretada pelo Juiz, em face da representação da autoridade policial ou
de requerimento do Ministério Público, e terá o prazo de 5 (cinco) dias, prorrogável por igual período em caso de
extrema e comprovada necessidade.

PRISÃO DOMICILIAR

A prisão domiciliar é um tipo especial de prisão que substitua preventiva quando estão presentes os requisitos
dos arts. 312 e 313, mas, por alguma particularidade do acusado, ele não pode se submeter ao gravame do
cárcere. Em virtude da natureza da prisão domiciliar, tem-se que ela não pode ser cumulada com medida
cautelar prevista no art. 319 do CPP.

PRISÃO DOMICILIAR DO CPP


Arts. 317, 318 e 318-A do CPP.
O CPP, ao tratar da prisão domiciliar, está se referindo à possibilidade de o réu, em vez de ficar em prisão
preventiva, permanecer recolhido em sua residência.
Trata-se de uma medida cautelar por meio da qual o réu, em vez de ficar preso na unidade prisional,
permanece recolhido em sua própria residência.
Hipóteses (importante):

O juiz poderá substituir a prisão preventiva pela domiciliar quando o agente for:
I — maior de 80 anos;
II — extremamente debilitado por motivo de doença grave;
III — imprescindível aos cuidados especiais de pessoa menor de 6 anos de idade ou com deficiência;
IV — gestante;
V — mulher com filho de até 12 (doze) anos de idade incompletos;
VI — homem, caso seja o único responsável pelos cuidados do filho de até 12 (doze) anos de idade
incompletos.

Obs.: os magistrados, membros do MP, da Defensoria e da advocacia têm direito à prisão cautelar em sala
de Estado-Maior. Caso não exista, devem ficar em prisão domiciliar.
O juiz pode determinar que a pessoa fique usando uma monitoração eletrônica.

#DEOLHONAJURIS:

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A prisão domiciliar do art. 318 do CPP só se aplica para os casos de prisão preventiva, não podendo ser utilizado
quando se tratar de execução definitiva de título condenatório (sentença condenatória transitada em julgado).
Não é possível a concessão de prisão domiciliar para condenada gestante ou que seja mãe ou responsável por
crianças ou pessoas com deficiência se já houver sentença condenatória transitada em julgado e ela não
preencher os requisitos do art. 117 da LEP. STF. 1ª Turma. HC 177164/PA, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em
18/2/2020 (Info 967).

Tem direito à substituição da prisão preventiva pela prisão domiciliar — desde que observados os requisitos do
art. 318 do Código de Processo Penal e não praticados crimes mediante violência ou grave ameaça ou contra os
próprios filhos ou dependentes — os pais, caso sejam os únicos responsáveis pelos cuidados de menor de 12
anos ou de pessoa com deficiência, bem como outras pessoas presas, que não sejam a mãe ou o pai, se forem
imprescindíveis aos cuidados especiais de pessoa menor de 6 anos ou com deficiência. STF. 2ª Turma. HC
165704/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 20/10/2020 (Info 996).

Não é cabível a substituição da prisão preventiva pela domiciliar quando o crime é praticado na própria
residência da agente, onde convive com filhos menores de 12 anos. STJ. 5ª Turma. HC 457.507/SP, Rel. Min.
Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 20/09/2018. STJ. 6ª Turma. HC 441.781-SC, Rel. Min. Nefi Cordeiro,
julgado em 12/06/2018 (Info 629).

O art. 318, II, do CPP é chamado de prisão domiciliar humanitária. Em um caso concreto, o STF entendeu que
deveria conceder prisão humanitária ao réu tendo em vista o alto risco de saúde, a grande possibilidade de
desenvolver infecções no cárcere e a impossibilidade de tratamento médico adequado na unidade prisional ou
em estabelecimento hospitalar — tudo demostrado satisfatoriamente no laudo pericial. Considerou-se que a
concessão da medida era necessária para preservar a integridade física e moral do paciente, em respeito à
dignidade da pessoa humana (art. 1º, III, da CF). STF. 2ª Turma. HC 153961/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em
27/3/2018 (Info 895).

AUDIÊNCIA DE CUSTÓDIA

Trata-se de expressão que retrata a apresentação pessoal do conduzido à autoridade judicial logo depois de
efetuada a sua prisão, para que a partir de prévio contraditório estabelecido entre o Ministério Público e a
defesa técnica (Defensoria Pública ou advogado constituído), exerça-se um controle imediato da legalidade e
da necessidade da prisão, bem como apreciar se os direitos fundamentais da pessoa presa foram respeitados,
sobretudo no que diz respeito à presença de abusos desde o momento de sua detenção até a realização da
audiência.

Essa audiência, o juiz deverá, fundamentadamente


i) relaxar a prisão ilegal;
ii) converter a prisão em flagrante em preventiva, quando presentes os requisitos constantes do art. 312 deste
Código, e se revelarem inadequadas ou insuficientes as medidas cautelares diversas da prisão;
iii) conceder liberdade provisória, com ou sem fiança.
A audiência de custódia constitui direito público subjetivo, de caráter fundamental.

#DEOLHONAJURIS:

A decisão que, na audiência de custódia, determina o relaxamento da prisão em flagrante sob o argumento
de que a conduta praticada é atípica não faz coisa julgada. Assim, esta decisão não vincula o titular da ação
penal, que poderá oferecer acusação contra o indivíduo narrando os mesmos fatos e o juiz poderá receber
essa denúncia (STF, HC 157.306/SP - Info 917).
105
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Ciclos Método

A audiência de custódia (ou de apresentação) constitui direito público subjetivo, de caráter fundamental,
assegurado por convenções internacionais de direitos humanos a que o Estado brasileiro aderiu, já incorporadas
ao direito positivo interno (Convenção Americana de Direitos Humanos e Pacto Internacional sobre Direitos Civis
e Políticos). Traduz prerrogativa não suprimível assegurada a qualquer pessoa. Sua imprescindibilidade tem o
beneplácito do magistério jurisprudencial (ADPF 347 MC) e do ordenamento positivo doméstico (Lei nº
13.964/2019 e Resolução 213/2015 do CNJ). STF. HC 188888/MG, Rel. Min. Celso de Mello, julgado em
6/10/2020 (Info 994).

A ausência da realização da audiência de custódia qualifica-se como causa geradora da ilegalidade da própria
prisão em flagrante, com o consequente relaxamento da privação cautelar da liberdade. Se o magistrado deixar
de realizar a audiência de custódia e não apresentar uma motivação idônea para essa conduta, ele estará sujeito
à tríplice responsabilidade, nos termos do art. 310, § 3º do CPP. STF. HC 188888/MG, Rel. Min. Celso de Mello,
julgado em 6/10/2020 (Info 994).

A audiência de custódia, no caso de mandado de prisão preventiva cumprido fora do âmbito territorial da
jurisdição do Juízo que a determinou, deve ser efetivada por meio da condução do preso à autoridade judicial
competente na localidade em que ocorreu a prisão. Não se admite, por ausência de previsão legal, a sua
realização por meio de videoconferência, ainda que pelo Juízo que decretou a custódia cautelar. STJ. 3ª Seção.
CC 168522-PR, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 11/12/2019 (Info 663).

Considerando a pandemia mundial (Covid-19), o CNJ aprovou a Resolução 357/2020, permitindo a audiência de
custódia por videoconferência quando não for possível a realização, em 24 horas, de forma presencial. Além
disso, também prevê a possibilidade de o Ministério Público propor acordo de não persecução penal (ANPP) nas
hipóteses previstas no artigo 28-A do Código de Processo Penal. No mesmo sentido, passou a decidir o STF. A
pandemia causada pelo novo coronavírus não afasta a imprescindibilidade da audiência de custódia, que deve
ser realizada, caso necessário, por meio de videoconferência, diante da ausência de lei em sentido formal que
proíba o uso dessa tecnologia. A audiência por videoconferência, sob a presidência do Juiz, com a participação
do autuado, de seu defensor constituído ou de Defensor Público, e de membro do Ministério Público, permite
equacionar as medidas sanitárias de restrição decorrentes do contexto pandêmico com o direito subjetivo do
preso de participar de ato processual vocacionado a controlar a legalidade da prisão. STF. 2ª Turma. HC 186421,
Rel. Celso de Mello, Rel. p/ Acórdão Edson Fachin, julgado em 20/10/2020.

FIANÇA

Crimes que NÃO admitem fiança: Racismo; Tortura; Tráfico de drogas; Terrorismo; Crimes hediondos; Crimes
cometidos por ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado
Democrático.

Quebramento de fiança: se o indiciado/acusado descumpre determinados deveres impostos pelo CPP ou pela
autoridade judiciária, ele demonstra que não está merecendo a confiança (fidúcia) que lhe foi conferida.
Ocorrendo isso, o magistrado considera que a confiança foi quebrada.

Hipóteses de quebramento de fiança: A autoridade judiciária julgará que a fiança está quebrada quando o
acusado: I - regularmente intimado para ato do inquérito ou do processo, deixar de comparecer, sem motivo
justo; II - deliberadamente praticar ato de obstrução ao andamento do processo; III - descumprir medida
cautelar imposta cumulativamente com a fiança; IV - resistir injustificadamente a ordem judicial; V - praticar
nova infração penal DOLOSA (não exige condenação); VI - descumprir as obrigações processuais assumidas no
termo de fiança (arts. 327 e 328).
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Ciclos Método

Consequências: a) perda de METADE do valor dado em fiança; b) imposição de outras medidas cautelares (art.
319) ou até mesmo a decretação da prisão preventiva do indiciado/réu se o juiz entender que somente a
segregação é suficiente para o caso concreto; c) impossibilidade de ser concedida nova fiança ao indiciado/réu
neste mesmo processo.

Perda da fiança é o mesmo que quebra da fiança? Não. A perda ocorre quando o acusado condenado não se
apresentou para o início do cumprimento da pena definitivamente imposta, o que importa perda da totalidade
do valor da fiança (art. 344).

Cassação: Cassação é a anulação ou cancelamento da fiança concedida indevidamente ou que atualmente não
é mais possível. Quando a fiança é cassada, diz-se que ela foi julgada inidônea ou sem efeito.

Hipóteses de cassação: a) percebeu-se que houve um equívoco e que a fiança não era cabível naquele caso (art.
338). Ex: concedida fiança para réu acusado de tráfico de drogas. b) houve uma inovação na classificação do
delito e este passou a ser um crime inafiançável. Ex: autoridade policial indiciou o réu por determinado delito e
o Promotor de Justiça o denunciou por outro mais grave e inafiançável (emendatio). c) houve um aditamento
da denúncia, fazendo com que a concessão da fiança passasse a ser inviável. Ex: réu foi denunciado por
homicídio simples; posteriormente, o MP adita a denúncia para incluir uma qualificadora, passando a ser um
caso de crime hediondo (mutatio).

MEDIDAS CAUTELARES

#NOVIDADESLEGISLATIVAS #FOCONALEI:

Art. 282. § 2º As medidas cautelares serão decretadas pelo juiz a requerimento das partes ou, quando no curso
da investigação criminal, por representação da autoridade policial ou mediante requerimento do Ministério
Público. (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)

§ 3º Ressalvados os casos de urgência ou de perigo de ineficácia da medida, o juiz, ao receber o pedido de


medida cautelar, determinará a intimação da parte contrária, para se manifestar no prazo de 5 (cinco) dias,
acompanhada de cópia do requerimento e das peças necessárias, permanecendo os autos em juízo, e os casos
de urgência ou de perigo deverão ser justificados e fundamentados em decisão que contenha elementos do
caso concreto que justifiquem essa medida excepcional. (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)

§ 4º No caso de descumprimento de qualquer das obrigações impostas, o juiz, mediante requerimento do


Ministério Público, de seu assistente ou do querelante, poderá substituir a medida, impor outra em cumulação,
ou, em último caso, decretar a prisão preventiva, nos termos do parágrafo único do art. 312 deste
Código. (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)

§ 5º O juiz poderá, de ofício ou a pedido das partes, revogar a medida cautelar ou substituí-la quando verificar
a falta de motivo para que subsista, bem como voltar a decretá-la, se sobrevierem razões que a justifiquem.

§ 6º A prisão preventiva somente será determinada quando não for cabível a sua substituição por outra medida
cautelar, observado o art. 319 deste Código, e o não cabimento da substituição por outra medida cautelar deverá
ser justificado de forma fundamentada nos elementos presentes do caso concreto, de forma
individualizada. (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)

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Ciclos Método
Art. 283. Ninguém poderá ser preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da
autoridade judiciária competente, em decorrência de prisão cautelar ou em virtude de condenação criminal
transitada em julgado. (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)

Art. 287. Se a infração for inafiançável, a falta de exibição do mandado não obstará a prisão, e o preso, em tal
caso, será imediatamente apresentado ao juiz que tiver expedido o mandado, para a realização de audiência de
custódia. (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)

NULIDADES

#FOCANASSÚMULAS:

Súmula 523, STF: no processo penal, a falta da defesa constitui nulidade absoluta, mas a sua deficiência só o
anulará se houver prova de prejuízo para o réu.
Súmula 361, STF: No processo penal, é nulo o exame realizado por um só perito, considerando-se impedido o
que tiver funcionado, anteriormente, na diligência de apreensão. #CUIDADO: essa súmula só é válida nos casos
de perícia realizada por peritos não oficiais. Isso porque o CPP pede que, nesses casos, haja 2 peritos não oficiais
(art. 159, §1º, CPP);
Súmula 706, STF: É relativa a nulidade decorrente da inobservância da competência penal por prevenção;
Súmula 523, STF: No processo penal, a falta da defesa constitui nulidade absoluta, mas a sua deficiência só o
anulará se houver prova de prejuízo para o réu.
Súmula 707, STF: Constitui nulidade a falta de intimação do denunciado para oferecer contrarrazões ao recurso
interposto da rejeição da denúncia, não a suprindo a nomeação de defensor dativo
Súmula 708, STF: É nulo o julgamento da apelação se, após a manifestação nos autos da renúncia do único
defensor, o réu não foi previamente intimado para constituir outro.

#SELIGA: A nulidade processual pela não abertura da fase de diligências configura nulidade relativa, devendo
ser arguida no momento oportuno e com a demonstração de efetivo prejuízo. A falta de abertura de prazo, após
o encerramento da instrução, para manifestação das partes acerca do interesse na feitura de diligências
complementares constitui nulidade relativa, cujo reconhecimento pressupõe que o inconformismo seja
veiculado em momento oportuno, ou seja, quando da apresentação de alegações finais. STF. 1ª Turma. HC
147584/RJ, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 2/6/2020 (Info 980).

EMENDATIO E MUTATIO LIBELLI

Princípio da correlação ou congruência: O princípio da correlação ou da congruência significa que a sentença


não poderá condenar o acusado por fatos não narrados na denúncia ou queixa, sob pena de incorrer em decisão
ultra ou extra petita, sendo isso causa de nulidade absoluta.

#FOCANATABELA:

EMENDATIO LIBELI MUTATIO LIBELI


Não há alteração em relação ao fato delituoso, Durante o curso da instrução processual, surge uma
limitando-se o juiz a modificar a classificação elementar ou circunstância não contida na peça
formulada na peça acusatória acusatória.

Juiz pode realizar de ofício MP deve aditar a peça acusatória

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Ciclos Método
Possível em 1ª e 2a instância Não é possível em 2a instância (Súmula 453/STF)

Se em virtude da emendatio libelli for possível #OLHAOGANCHO – O recebimento do aditamento


a concessão do benefício da suspensão que acrescenta novo fato é causa interruptiva da
condicional do processo (art. 89 da Lei nº prescrição (à semelhança do que ocorre no art. 117, I,
9.099/95), o juiz deverá abrir vista ao Ministério CP), mas somente em relação a este novo fato (STJ,
Público para que ofereça ao denunciado o RHC 14937/RS; STF, HC 84606);
benefício.
• Contra a decisão de recebimento do aditamento não
Súmula nº 337 do STJ: “É cabível a suspensão cabe recurso e sim o manejo de ação autônoma de
condicional do processo na desclassificação do impugnação de habeas corpus.
crime e na procedência parcial da pretensão Por outro lado, da rejeição do aditamento cabe a
punitiva.”, conforme § 2º do art. 383 do CPP. interposição de recurso em sentido estrito, por
interpretação extensiva à previsão do art. 581, I, CPP

#DEOLHONAJURIS:

O órgão jurisdicional (juiz ou Tribunal) não tem competência para substituir-se ao Ministério Público, titular da
ação penal pública, e retificar (consertar) a classificação jurídica proposta na denúncia. Por esse motivo, o
entendimento dominante é o de que, em regra, o momento adequado para a emendatio libelli é na prolação da
sentença e não no recebimento da denúncia. Isso se justifica, ainda, pela posição topográfica do art. 383 no CPP
(que está no título que trata sobre sentença) e pelo fato de que o acusado se defende dos fatos imputados, e
não da classificação que lhes atribuem. De forma excepcional, jurisprudência e doutrina afirmam que é possível
antecipar o momento da emendatio libelli nas hipóteses em que a inadequada subsunção típica (tipificação): •
macular a competência absoluta; • o adequado procedimento; ou • restringir benefícios penais por excesso de
acusação. STJ. 6ª Turma. HC 241206-SP, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 11/11/2014 (Info 553). STJ. 5ª
Turma. HC 258581/RS, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 18/02/2016.

Súmula 453-STF: Não se aplicam à segunda instância o art. 384 e parágrafo único do Código de Processo Penal,
que possibilitam dar nova definição jurídica ao fato delituoso, em virtude de circunstância elementar não
contida, explícita ou implicitamente, na denúncia ou queixa.

CITAÇÃO

A citação pode ser real ou ficta. A citação real é aquela feita pessoalmente, na pessoa do próprio acusado. No
processo penal, não se admite a citação pelo correio, nem tampouco citação por telefone, e-mail ou a citação
eletrônica. A citação ficta é aquela em que há uma presunção legal de que o acusado tomou ciência do processo,
com isso se satisfazendo o ordenamento jurídico. Sua utilização é excepcional e deve ser levada a efeito apenas
quando demonstrado que o acusado não foi encontrado para ser citado pessoalmente, ou quando se oculta
para não ser citado. São exemplos a citação por edital e a citação por hora certa.

No processo penal, o único efeito da citação é estabelecer a angularidade da relação processual, fazendo surgir
a instância (relação angular entre juiz, acusação e defesa).

Citação por edital:

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Art. 366. Se o acusado, citado por edital, não comparecer, nem constituir advogado, ficarão suspensos o
processo e o curso do prazo prescricional, podendo o juiz determinar a produção antecipada das provas
consideradas urgentes e, se for o caso, decretar prisão preventiva, nos termos do disposto no art. 312.

Por quanto tempo o prazo prescricional poderá ficar suspenso?


Em caso de inatividade processual decorrente de citação por edital, ressalvados os crimes previstos na
Constituição Federal como imprescritíveis, é constitucional limitar o período de suspensão do prazo prescricional
ao tempo de prescrição da pena máxima em abstrato cominada ao crime, a despeito de o processo permanecer
suspenso. STF. Plenário. STF. Plenário. RE 600851, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 04/12/2020 (Repercussão
Geral – Tema 438) (Info 1001).
No mesmo sentido: Súmula 415-STJ: O período de suspensão do prazo prescricional é regulado pelo máximo da
pena cominada.

Exemplificando: O homicídio prescreve em 20 anos. Se o réu foi citado por edital, não compareceu nem
constituiu defensor, considerando o entendimento acima (suspensão regulada pelo prazo da prescrição da pena
máxima), o prazo prescricional ficaria suspenso por 20 anos. Passado esse tempo limite em que esteve o prazo
esteve suspenso, a prescrição voltaria a correr. E após mais 20 anos (efetiva contagem do prazo prescricional),
o crime estaria prescrito.

Considerando que a prescrição voltará a correr, é possível que o processo também volte a tramitar?
Não. Citado o réu por edital, nos termos do art. 366 do CPP, o processo deve permanecer suspenso enquanto
perdurar a não localização do réu ou até que sobrevenha o transcurso do prazo prescricional.
#IMPORTANTE: O art. 366 do CPP estabelece que se o acusado for citado por edital e não comparecer ao
processo nem constituir advogado o processo e o curso da prescrição ficarão suspensos. Enquanto o réu não for
localizado, o curso processual não pode ser retomado. STJ. 6ª Turma. RHC 135970/RS, Rel. Min. Sebastião Reis
Junior, julgado em 20/04/2021 (Info 693).
-- Vale ressaltar que se trata de mudança de entendimento do STJ porque este Tribunal entendia, antes da
decisão do STF no RE 600851, que esgotado o prazo máximo de suspensão processual, nos termos do art. 366
do CPP, feito deveria voltar a tramitar mesmo com a ausência do réu, mediante a constituição de defesa técnica
(STJ. 6ª Turma. RHC 112.703/RS, Min. Nefi Cordeiro, DJe de 22/11/2019).

Contra a decisão que suspende o processo cabe recurso em sentido estrito, por interpretação extensiva
do art. 581, XVI, do CPP (suspensão do processo em virtude de questão prejudicial), conforme
entendimento do STJ no REsp 246085/SP. Lembrando que a interpretação extensiva é técnica possível no
processo penal, conforme art. 3º do CPP.

Citação por whatsaap:


#DEOLHONAJURIS: É possível a utilização de WhatsApp para a citação de acusado, desde que sejam adotadas
medidas suficientes para atestar a autenticidade do número telefônico, bem como a identidade do indivíduo
destinatário do ato processual. STJ. 5ª Turma. HC 641877/DF, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 09/03/2021
(Info 688).

12. Procedimentos comuns ordinário e sumário. 13. Procedimento nas hipóteses de competência do tribunal
do júri. 14. Procedimentos especiais; 14.1. Procedimento nos crimes de responsabilidade de funcionários
públicos; 14.2. Procedimento nos crimes contra a honra; 14.3. Procedimento nos crimes contra a propriedade
imaterial.

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PROCEDIMENTOS

ORDINÁRIO Igual ou superior a 4 ANOS


COMUM SUMÁRIO Inferior a 4 ANOS
PROCEDIMENTO
SUMARÍSSIMO Infrações de menor potencial ofensivo
(pena máxima não superior a 2 anos).
ESPECIAL

PROCEDIMENTO SUMARÍSSIMO

São princípios que regem o JECRIM: a) Oralidade; b) Informalidade; c) Economia processual; d) Celeridade.

Competência: Teoria da atividade. Art. 63. A competência do Juizado será determinada pelo lugar em que foi
praticada a infração penal.
Quais as circunstâncias que podem modificar a competência dos Juizados Criminais, deslocando-a para outro
juízo? a) Conexão e continência com infração comum; b) Inviabilidade de citação do autuado; c) Complexidade
da causa.

#IMPORTANTE #APOSTACICLOS

Transação Penal e Suspensão Condicional do Processo

Transação penal Suspensão condicional do processo

Pena Pena MÁXIMA não superior a 2 Pena MÍNIMA igual ou inferior a 1 ano
anos
Requisitos • Não reincidente em crime com • Não estar sendo processado ou
pena privativa de liberdade; condenado por OUTRO crime;
+
• Não ter sido anteriormente Requisitos do Sursis:
beneficiado pelo instituto nos • Não seja reincidente em crime doloso;
últimos 5 anos; • A culpabilidade, os antecedentes, a
conduta social e a personalidade do
• Circunstâncias do art. 59, CP: agente, bem como os motivos e as
favoráveis. circunstâncias autorizem a concessão do
benefício;
• Não seja indicada ou cabível a
substituição prevista no art. 44 do CP.
• (#PACOTEANTICRIME) não
descumprimento anterior de acordo
de não persecução penal - art. 28-A,
§11, do CPP.

111
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Ciclos Método
Consequências • Aplicação imediata de uma pena
restritiva de direitos ou multa. • Reparação do dano, salvo
impossibilidade de fazê-lo;
• Proibição de frequentar determinados
lugares
• Proibição de se ausentar da comarca,
sem autorização;
• Comparecimento mensal em juízo;
• Outras condições judiciais.

Período de prova: 2 a 4 anos.


Revogação obrigatória • Caso sejam descumpridas as • Processado por outro crime; ou
cláusulas, a ação penal poderá ser • Não reparar o dano, salvo motivo
proposta (SV 35); justificado.

Revogação facultativa ------ • Processado por contravenção penal;


ou
• Não cumprir as demais condições.

Cuidados especiais • Momento: antes do recebimento • Juiz pode determinar outras


da denúncia. condições, como prestação de serviços à
comunidade ou prestação pecuniária
• Não se trata de processo penal, (STJ);
mas apenas um procedimento.
• Pode ser revogada mesmo após o
• Não gera reincidência ou maus período de prova, caso verificado
antecedentes; descumprimento de condição durante o
período de prova;
•Cabe apelação contra a decisão • A decisão revogatória do sursis é
que homologa. meramente declaratória , não importa
que a mesma venha a ser proferida
somente depois de expirado
o prazo de prova.

• Suspende o prazo prescricional.

#DEOLHONAJURIS:

Súmula Vinculante n. 35: A homologação da transação penal prevista no artigo 76 da Lei 9.099/1995 não faz
coisa julgada material e, descumpridas suas cláusulas, retoma-se a situação anterior, possibilitando-se ao
Ministério Público a continuidade da persecução penal mediante oferecimento de denúncia ou requisição de
inquérito policial.
As consequências jurídicas extrapenais previstas no artigo 91 do Código Penal são decorrentes de sentença
condenatória. Tal não ocorre, portanto, quando há transação penal, cuja sentença tem natureza meramente
homologatória, sem qualquer juízo sobre a responsabilidade criminal do aceitante. As consequências geradas
pela transação penal são essencialmente aquelas estipuladas por modo consensual no respectivo instrumento
de acordo. (INFO 787)
112
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Ciclos Método
Súmula 243 do STJ: O benefício da suspensão do processo não é aplicável em relação às infrações penais
cometidas em concurso material, concurso formal ou continuidade delitiva, quando a pena mínima cominada,
seja pelo somatório, seja pela incidência da majorante, ultrapassar o limite de um (01) ano.
Súmula 723 do STF Não se admite a suspensão condicional do processo por crime continuado, se a soma da pena
mínima da infração mais grave com o aumento mínimo de um sexto for superior a um ano.
Súmula 536-STJ: A suspensão condicional do processo e a transação penal não se aplicam na hipótese de delitos
sujeitos ao rito da Lei Maria da Penha.
É constitucional a norma do art. 89 da Lei nº 9.099/95, que estabelece os requisitos para a concessão do
benefício da suspensão condicional do processo, entre eles o de não responder o acusado por outros delitos.
Assim, a existência de ações penais em curso contra o denunciado impede a concessão do sursis processual por
força do art. 89 da Lei nº 9.099/95. STF. 1ª Turma. AP 968/SP, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 22/5/2018 (Info
903). STF. 2ª Turma. RHC 133945 AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 21/06/2016.
Súmula 696, STF: Reunidos os pressupostos legais permissivos da suspensão condicional do processo, mas se
recusando o Promotor de Justiça a propô-la, o Juiz, dissentindo, remeterá a questão ao Procurador-Geral,
aplicando-se por analogia o art. 28 do Código de Processo Penal.
Súmula 337, STJ: É cabível a suspensão condicional do processo na desclassificação do crime e na procedência
parcial da pretensão punitiva.
O fato de o denunciado ter aceitado a proposta de suspensão condicional do processo formulada pelo Ministério
Público (art. 89 da Lei 9.099/1995) não constitui empecilho para que seja proposto e julgado habeas corpus em
seu favor, no qual se pede o trancamento da ação penal. Isso porque o réu que está cumprindo suspensão
condicional do processo fica em liberdade, mas ao mesmo tempo terá que cumprir determinadas condições
impostas pela lei e pelo juiz e, se desrespeitá-las, o curso do processo penal retomará. Logo, ele tem legitimidade
e interesse de ver o HC ser julgado para extinguir de vez o processo. STJ. 5ª Turma. RHC 41527-RJ, Rel. Min. Jorge
Mussi, julgado em 3/3/2015 (Info 557).
O cometimento do crime do art. 28 da Lei de Drogas deve receber o mesmo tratamento que a contravenção
penal, para fins de revogação facultativa da suspensão condicional do processo. A suspensão será
obrigatoriamente revogada se, no curso do prazo o beneficiário vier a ser processado por outro crime (art. 89, §
3º da Lei nº 9.099/95). Trata-se de causa de revogação obrigatória. Por outro lado, a suspensão poderá ser
revogada pelo juiz se o acusado vier a ser processado, no curso do prazo, por contravenção (art. 89, § 4º). Trata-
se de causa de revogação facultativa.
O processamento do réu pela prática da conduta descrita no art. 28 da Lei de Drogas no curso do período de
prova deve ser considerado como causa de revogação FACULTATIVA da suspensão condicional do processo. STJ.
5ª Turma. REsp 1.795.962-SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 10/03/2020 (Info 668).

PROCEDIMENTO ESPECIAL DO TRIBUNAL DO JÚRI

Princípios

Plenitude de Defesa.
Sigilo das Votações.
Soberania dos Vereditos.
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida
DO TRIBUNAL (competência mínima) a)Homicídio;
DO JÚRI b)Aborto;
c)Infanticídio;
d)Induzimento, auxílio ou instigação ao suicídio; e)Os delitos conexos
e continentes a estes, em regra, nos termos do art. 78, I, do CPP.).

113
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Ciclos Método
Mitigação da soberania dos vereditos:

a) Apelação da sentença emanada do Júri: se os jurados julgarem de forma manifestamente contrária à prova
dos autos, caberá apelação que pode levar à cassação do julgado e remessa do réu a um novo Júri, com outros
jurados. Pode ser invocado apenas 1 vez. Juízo rescindente, nessa hipótese de apelação, o Tribunal vai se
limitar a cassar a decisão.
b) Ação de revisão criminal: admite-se que o réu injustamente condenado por sentença transitada em julgado,
possa, de pronto, ser absolvido, por intermédio da revisão criminal. Percebe-se que nesse caso o Tribunal
promoverá um juízo rescindente, cassando a decisão impugnada, e um juízo rescisório, proferindo um acórdão
substitutivo. Fundamentos: A soberania dos veredictos do Júri, apesar de ser prevista constitucionalmente,
não é absoluta, podendo a decisão ser impugnada, seja por meio de recurso, seja por revisão criminal; a
soberania dos veredictos é uma garantia constitucional prevista em favor do réu e não da sociedade. Não se
pode permitir que uma garantia instituída em favor do réu (soberania dos veredictos) acabe por prejudicá-lo,
impedindo que ele faça uso da revisão criminal.
Características

a) Órgão heterogêneo: formado por um juiz togado e 25 jurados, dos quais 07 serão selecionados para compor
o Conselho de Sentença. Os jurados são os juízes dos fatos; o juiz presidente, o juiz do direito.

b) Órgão horizontal: não há hierarquia entre o juiz presidente e os jurados.


c) Órgão temporário: o tribunal somente funcionará durante alguns períodos do ano.
d) Decisão por maioria dos votos: não é necessário que haja unanimidade dos votos, sendo esta até mesmo
vedada, por contrariar o sigilo das votações.

1 FASE DO JÚRI:
JUDICIUM ACUSATIONIS (1ª fase do procedimento do júri): Ao final da 1ª fase do procedimento do júri
(sumário da culpa), o juiz irá proferir uma sentença, que poderá ser de quatro modos:

Pronúncia Impronúncia Absolvição sumária Desclassificação


O réu será pronunciado O réu será O réu será absolvido, Ocorre quando o juiz se
quando o juiz se impronunciado quando desde logo, quando convencer de que o fato
convencer de que o juiz não se convencer: estiver provado (a): narrado não é um crime
existem prova da • da materialidade do • a inexistência do fato; doloso contra a vida, mas
materialidade do fato e fato; • que o réu não é autor sim um outro delito,
indícios suficientes de • da existência de ou partícipe do fato; devendo, então, remeter
autoria ou de indícios suficientes de • que o fato não o processo para o juízo
participação; autoria ou de constitui crime; competente.
• Decisão interlocutória participação. • que existe uma causa
mista, de natureza Ex.: a única testemunha de isenção de pena ou
declaratória. que havia reconhecido o de exclusão do crime.
• Não faz coisa julgada réu no IP não foi ouvida Ex.: todas as
material; em juízo. testemunhas ouvidas
• Na fundamentação o afirmaram que o réu não Ex.: juiz entende que não
juiz deve: foi o autor dos disparos. houve homicídio doloso,
ESPECIFICAR: mas sim latrocínio.
qualificadoras e causas
de aumento;

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NÃO ESPECIFICAR:
agravantes, atenuantes,
causas de diminuição –
(sob pena de excesso de
linguagem ou eloquência
acusatória.

Recurso cabível: Recurso cabível: Recurso cabível: Recurso cabível:


RESE. APELAÇÃO. APELAÇÃO. RESE.
(#seliganotermo:
DESPRONÚNCIA –
quando interporto o RESE
o juiz se retrata da
pronúncia)

Nesta fase da pronúncia impera o princípio IN DUBIO PRO SOCIETATE, já que o juiz só deverá impronunciar o
réu se não houver indícios de autoria (a materialidade, entretanto, deve ser certa).

#DEOLHONAJURIS:

Na fase de pronúncia deve-se adotar a teoria racionalista da prova, na qual não deve haver critérios de valoração
das provas rigidamente definidos na lei, no entanto, por outro lado, o juízo sobre os fatos deve ser pautado por
critérios de lógica e racionalidade, podendo ser controlado em âmbito recursal ordinário. Para a pronúncia, não
se exige uma certeza além da dúvida razoável, necessária para a condenação. Contudo, a submissão de um
acusado ao julgamento pelo Tribunal do Júri pressupõe a existência de um lastro probatório consistente no
sentido da tese acusatória. Ou seja, requer-se um standard probatório um pouco inferior, mas ainda assim
dependente de uma preponderância de provas incriminatórias. STF. 2ª Turma. ARE 1067392/CE, Rel. Min. Gilmar
Mendes, julgado em 26/3/2019 (Info 935).

Teoria racionalista da prova: Contudo, saindo de um sistema em que os critérios eram totalmente vinculados,
passou-se para um modelo de “livre convencimento”, em que uma pretensa liberdade do julgador ocasionou
total abertura à discricionariedade no juízo de fatos. Por isso, é importante que adote uma teoria racionalista
da prova segundo a qual: a) não deve haver critérios de valoração das provas rigidamente definidos na lei; b) no
entanto, por outro lado, o juízo sobre os fatos deve ser pautado por critérios de lógica e racionalidade, podendo
ser controlado em âmbito recursal ordinário.
A valoração racional da prova é uma imposição constitucional decorrente: • do direito à prova (art. 5º, LV, CF/88)
e • do dever de motivação das decisões judiciais (art. 93, IX).

Standard probatório: Um pressuposto fundamental para a adoção de uma teoria racionalista da prova é a
definição de standards probatórios, que são denominados “modelos de constatação”.
Os modelos de constatação são níveis de convencimento ou de certeza, que servem de critério para que seja
proferida decisão em determinado sentido. Ex: o modelo de constatação para se condenar alguém é baseado
em provas concretas produzidas sob o crivo do contraditório e da ampla defesa no processo judicial.
A pronúncia do réu para o julgamento pelo Tribunal do Júri não exige a existência de prova cabal da autoria do
delito, sendo suficiente, nessa fase processual, a mera existência de indícios da autoria, devendo estar
comprovada, apenas, a materialidade do crime, uma vez que vigora o princípio do in dubio pro societate. (AgRg
no AREsp 1084726/RS, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em 10/04/2018, DJe 20/04/2018)

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É possível a pronúncia do acusado baseada exclusivamente em elementos informativos obtidos na fase
inquisitorial?
• NÃO. Haverá violação ao art. 155 do CPP. Além disso, muito embora a análise aprofundada seja feita somente
pelo Júri, não se pode admitir, em um Estado Democrático de Direito, a pronúncia sem qualquer lastro
probatório colhido sob o contraditório judicial, fundada exclusivamente em elementos informativos obtidos na
fase inquisitorial. STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1.740.921-GO, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 06/11/2018
(Info 638). STJ. 6ª Turma. HC 341.072/RS, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 19/4/2016.
• SIM. É possível admitir a pronúncia do acusado com base em indícios derivados do inquérito policial, sem que
isso represente afronta ao art. 155. Embora a vedação imposta no art. 155 se aplique a qualquer procedimento
penal, inclusive dos do Júri, não se pode perder de vista o objetivo da decisão de pronúncia não é o de condenar,
mas apenas o de encerrar o juízo de admissibilidade da acusação (iudicium accusationis). Na pronúncia opera o
princípio in dubio pro societate, porque é a favor da sociedade que se resolvem as dúvidas quanto à prova, pelo
Juízo natural da causa. Constitui a pronúncia, portanto, juízo fundado de suspeita, que apenas e tão somente
admite a acusação. Não profere juízo de certeza, necessário para a condenação, motivo pelo qual a vedação
expressa do art. 155 do CPP não se aplica à referida decisão. STJ. 5ª Turma. HC 435.977/RS, Rel. Min. Felix Fischer,
julgado em 15/05/2018. STJ. 6ª Turma. REsp 1458386/PA, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em
04/10/2018.

2 Etapa: Judicium Causae: Esta fase somente se inicia com a preclusão da decisão de pronúncia, tanto para a
acusação quanto para a defesa, quando se passa à preparação do processo para julgamento em plenário.

Alistamento dos jurados (arts. 425 e 426): é ato realizado pelo juiz presidente, com base em informações
prestadas por entidades idôneas, selecionando cidadãos maiores de 18 anos de notória idoneidade. A lista geral
dos jurados deverá ser publicada e completada anualmente, não podendo nela constar jurado que tenha
participado de Conselho de Sentença nos últimos 12 meses.
De acordo com o art. 448 do CPP, são impedidos de servir no mesmo Conselho: I – marido e mulher; II –
ascendente e descendente; III – sogro e genro ou nora; IV – irmãos e cunhados, durante o cunhadio; V – tio e
sobrinho; VI – padrasto, madrasta ou enteado. Ademais, estende-se às pessoas que mantenham união estável.
Também é impedido de servir o jurado que: I – tiver funcionado em julgamento anterior do mesmo processo,
independentemente da causa determinante do julgamento posterior; II – no caso do concurso de pessoas,
houver integrado o Conselho de Sentença que julgou o outro acusado; III – tiver manifestado prévia disposição
para condenar ou absolver o acusado.
Recusa imotivada (peremptória): consiste na recusa de até 3 (três) dos jurados presentes e sorteados, sem
necessidade de declinação dos motivos da recusa.
E no caso de pluralidade de acusadores, defensores e acusados?
A situação deve ser resolvida da seguinte forma:
a) Mais de um acusador (Ministério Público e assistente da acusação): independentemente do número de
acusados, as recusas, no máximo de 3 (três), caberão ao Ministério Público, salvo se o MP deixá-las a critério do
advogado do assistente de acusação;
b) Um único acusado, com pluralidade de defensores: estes terão o direito de recusar até 3 (três) jurados,
hipótese em que o juiz presidente deve indagar aos defensores qual deles fará as recusas;
c) Mais de um acusado, cujas defesas técnicas sejam patrocinadas por um mesmo advogado (o que só pode
ocorrer quando não houver colidência de teses defensivas): serão, no máximo, 3 (três) recusas. Com raciocínio
diverso, há precedente isolado da 6a Turma do STJ no sentido de que o direito de a defesa recusar
imotivadamente até 3 jurados (art. 468, caput, do CPP) é garantido em relação a cada um dos acusados, ainda
que as recusas tenham sido realizadas por um só defensor (art. 469 do CPP). Nos termos do art. 468, caput, do
CPP, o direito a até três recusas imotivadas é da parte. Como cada acusado é parte no processo, se houver mais
de um, cada um deles terá direito à referida recusa;
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d) Mais de um acusado, com advogados distintos: se houver acordo entre eles, as recusas serão 3 (três); caso
não haja acordo entre os advogados, cada um terá direito a 3 (três) recusas.

Debates e poderes do juiz (arts. 476 a 481):

Tempo:
(i) Tempo normal:
- Ministério Público: 1h30min.
- Defesa do réu: 1h30min.
(ii) Réplica e tréplica:
- Ministério Público: 1h.
- Defesa do réu: 1h.
E se houver mais de 1 réu?
Nesse caso:
(i) Tempo normal:
- Ministério Público: 2h30min.
- Defesa dos réus 1 e 2: 2h30min.
(ii) Réplica e tréplica:
- Ministério Público: 2h.
- Defesa do réu: 2h.

Art. 478. Durante os debates as partes não poderão, sob pena de nulidade, fazer referências: I – à decisão de
pronúncia, às decisões posteriores que julgaram admissível a acusação ou à determinação do uso de algemas
como argumento de autoridade que beneficiem ou prejudiquem o acusado; (Incluído pela Lei nº 11.689, de
2008); II – ao silêncio do acusado ou à ausência de interrogatório por falta de requerimento, em seu prejuízo.
Segundo o art. 479 do CPP: “Durante o julgamento não será permitida a leitura de documento ou a exibição de
objeto que não tiver sido juntado aos autos com a antecedência mínima de 3 (três) dias úteis, dando-se ciência
à outra parte.” O prazo de 3 dias úteis a que se refere o art. 479 do CPP deve ser respeitado não apenas para a
juntada de documento ou objeto, mas também para a ciência da parte contrária a respeito de sua utilização no
Tribunal do Júri. STJ. 6ª Turma. REsp 1.637.288-SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, Rel. para acórdão Min.
Sebastião Reis Júnior, julgado em 8/8/2017 (Info 610).

Quesitação:

Nosso modelo é híbrido pois, além de os jurados decidirem acerca dos fatos, também decidem acerca da
pergunta feita no modelo inglês. Porém, ainda resta ao juiz Presidente decidir sobre alguns fatos, como as
agravantes e atenuantes.
Os quesitos serão formulados na seguinte ordem:
- Materialidade do fato (se o fato aconteceu);
- Autoria ou participação;
- Sustentada a tese da ocorrência do crime na sua forma tentada ou havendo divergência sobre a tipificação do
delito, sendo este da competência do Tribunal do Júri, o juiz formulará quesito acerca destas questões, para ser
respondido após o segundo quesito.
- Se o acusado deve ser absolvido (somente se pergunta isso se tiver havido mais de três respostas afirmativas
em relação aos dois quesitos anteriores);
- Se existe causa de diminuição de pena alegada pela defesa (quesito somente é formulado se os jurados
decidirem pela condenação)
- Reconhecido o homicídio privilegiado, restam prejudicados os quesitos referentes às qualificadoras subjetivas
(CP, art. 121, § 2º, I, II, V, VII).
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- Se existe circunstância qualificadora ou as causas de aumento de pena reconhecidas na pronúncia ou em
decisões posteriores que julgaram admissível a acusação (quesito somente é formulado se os jurados decidirem
pela condenação).
- Súmula 156, STF: “É absoluta a nulidade do julgamento, pelo Júri, por falta de quesito obrigatório”.
- Súmula 162, se as causas de exasperação da pena forem quesitadas antes das causas de diminuição, haverá
nulidade absoluta.
- A tese absolutória de legítima defesa, quando constituir a tese principal defensiva, deve ser quesitada ao
Conselho de Sentença antes da tese subsidiária de desclassificação em razão da ausência de animus necandi.
Assim, nos casos em que a tese principal for absolutória (ex.: legítima defesa), o quesito de absolvição deve ser
formulado antes que o de desclassificação (tese subsidiária). Isso se justifica com o objetivo de garantir a
plenitude da defesa, já que a absolvição é mais vantajosa do que a mera desclassificação para outro crime
menos grave. STJ. 6ª Turma. REsp 1509504-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em
27/10/2015 (Info 573).

Desclassificação operada pelos jurados:


Própria: é aquela onde os jurados não especificam para qual delito estão desclassificando, ficando a cargo do
juiz presidente, que está livre para deliberar, podendo inclusive absolver o réu.
Imprópria: os jurados apontam para qual delito estão desclassificando e o juiz presidente, segundo
entendimento prevalente, está obrigado a condenar.
Nesses casos, o crime desclassificado e o conexo serão apreciados pelo juiz presidente.

Desaforamento:

#IMPORTANTE!

INTERESSE DA ORDEM PÚBLICA


DÚVIDA SOBRE A IMPARCIALIDADEDO JÚRI
DESAFORAMENTO
SEGURANÇA PESSOAL DO ACUSADO
COMPROVADO EXCESSO DE SERVIÇO
se o julgamento não puder ser realizado no prazo de 6 meses, contado do
trânsitoem julgado da decisão de pronúncia.
NÃO SE ADMITIRÁ Pendência de RESE contra pronúncia
PEDIDO DE DESAFORAMENTO Efetivado o julgamento, salvo quanto a fato ocorrido durante ou após a
realização de julgamento anulado.

Legitimidade para requerer o desaforamento:


(i) Ministério Público;
(ii) Assistente de acusação;
(iii) Querelante;
(iv) Acusado;
(v) Juízo competente.

Súmula 712, STF: É nula a decisão que determina o desaforamento de processo da competência do júri sem
audiência da defesa.

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Momento para o desaforamento: o desaforamento só pode ocorrer após o trânsito em julgado da decisão de
pronúncia, pois não se pode falar em julgamento pelo Tribunal do Júri, diante da possibilidade de não ser o
acusado pronunciado (desclassificação da imputação, impronúncia ou absolvição sumária) ou de ser a pronúncia
reformada em sede recursal.

Crimes conexos e coautores: o desaforamento irá atingir os crimes conexos, bem como, havendo concurso de
agentes, todos os acusados, ainda que a medida seja adotada em virtude de um único corréu.

Efeito suspensivo: o relator poderá suspender a realização do julgamento pelo Júri, desde que relevantes os
motivos alegados.

#DEOLHONAJURIS: O desaforamento é medida excepcional, cabível apenas quando comprovada por fatos
objetivos e concretos a parcialidade do Conselho de Sentença. A simples presunção de que os jurados poderiam
ter sido influenciados por ampla divulgação do caso pela mídia e a mera suspeita acerca da parcialidade dos
jurados não justificam a adoção dessa medida excepcional. STJ. 5ª Turma. HC 492.964-MS, Rel. Min. Ribeiro
Dantas, julgado em 03/03/2020 (Info 668).

#DEOLHONAJURIS:

A 3ª Seção do STJ firmou o entendimento de que a anulação da decisão absolutória do Conselho de Sentença
(ainda que por clemência), manifestamente contrária à prova dos autos, segundo o Tribunal de Justiça, por
ocasião do exame do recurso de apelação interposto pelo Ministério Público (art. 593, III, “d”, do CPP), não viola
a soberania dos veredictos. STJ. 5ª Turma. HC 560.668/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em
18/08/2020. A absolvição do réu, ante resposta a quesito genérico de absolvição previsto no art. 483, § 2º, do
CPP, não depende de elementos probatórios ou de teses veiculadas pela defesa. Isso porque vigora a livre
convicção dos jurados. Em face da reforma introduzida no procedimento do Tribunal do Júri (Lei 11.689/2008),
é incongruente o controle judicial, em sede recursal (art. 593, III, “d”, do CPP), das decisões absolutórias
proferidas com fundamento no art. 483, III e § 2º, do CPP. STF. 2ª Turma. RHC 192431 Segundo AgR/SP e RHC
192432 Segundo AgR/SP, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 23/2/2021 (Info 1007). Ou seja, o Júri pode
absolver o réu sem qualquer especificação e sem necessidade de motivação. Considerando o quesito genérico e
a desnecessidade de motivação na decisão dos jurados, configura-se a possibilidade de absolvição por clemência,
ou seja, mesmo em contrariedade manifesta à prova dos autos.

Inexistência de violação à paridade de armas. Presunção de inocência como orientação da estrutura do processo
penal. Inexistência de violação ao direito ao recurso (art. 8.2.h, CADH). Possibilidade de restrição do recurso
acusatório. STF. 2ª Turma. HC 185068, Rel. Celso de Mello, Relator p/ Acórdão Gilmar Mendes, julgado em
20/10/2020.

STF: A posição majoritária é no sentido de, tendo havido absolvição pelos jurados, não cabe apelação a ser
interposta pelo Ministério Público nem mesmo na hipótese do art. 593, III, “d”, do CPP. Nesse sentido: A
absolvição do réu, ante resposta a quesito genérico de absolvição previsto no art. 483, § 2º, do CPP, não depende
de elementos probatórios ou de teses veiculadas pela defesa. Isso porque vigora a livre convicção dos jurados.
STF. 1ª Turma. HC 178777/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 29/9/2020 (Info 993).

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Após a entrada em vigor da Lei nº 11.689/2008, em 8 de agosto de 2008, o reexame necessário de decisão
absolutória sumária proferida em procedimento do Tribunal do Júri que estiver pendente de apreciação não
deve ser examinado pelo Tribunal ad quem, mesmo que o encaminhamento da decisão absolutória à instância
superior tenha ocorrido antes da entrada em vigor da referida Lei. Ex.: João matou Pedro, tendo sido denunciado
por homicídio doloso. Em 05/05/2008, depois de ouvir as testemunhas, o juiz se convenceu que João agiu em
legítima defesa, razão pela qual proferiu sentença de absolvição sumária. Na época, havia previsão no CPP no
sentido de que, após absolver o acusado, o magistrado, mesmo sem recurso do MP, deveria mandar os autos
para o Tribunal para que este examinasse se a decisão foi correta. A remessa necessária ficou parada no TJ
aguardando ser julgada. Em 08/08/2008 entrou em vigor a Lei nº 11.689/2008 acabando com a previsão da
remessa necessária nestes casos. Isso significa que o Tribunal não mais terá que julgá-la. STJ. 5ª Turma. HC
278124-PI, Rel. Min. Leopoldo de Arruda Raposo (Desembargador convocado do TJ/PE), Rel. para acórdão Min.
Felix Fischer, julgado em 9/6/2015 (Info 574).

Se a condenação proferida pelo júri foi anulada pelo Tribunal em recurso exclusivo da defesa, isso significa que
deverá ser realizado um novo júri, mas, em caso de nova condenação, a pena imposta neste segundo julgamento
não poderá ser superior àquela fixada na sentença do primeiro júri. Em outras palavras, se apenas o réu recorreu
contra a sentença que o condenou e o Tribunal decidiu anular a sentença, determinando que outra seja
prolatada, esta nova sentença, se também for condenatória, não pode ter uma pena superior à que foi aplicada
na primeira. Isso é chamado de princípio da ne reformatio in pejus indireta, que tem aplicação também no
Tribunal do Júri. A soberania do veredicto dos jurados (art. 5º, XXXVIII, “c”, da CF/88) não autoriza a reformatio
in pejus indireta. STF. 2ª Turma. HC 165376/SP, Rel. Min. Carmen Lúcia, julgado em 11/12/2018 (Info 927).

A conduta do advogado ou Defensor Público de abandonar o plenário do Júri (como estratégia de defesa) pode
configurar abandono do processo, ensejando a multa do art. 265 do CPP? • SIM. A 5ª Turma do STJ tem
rechaçado a postura de abandonar o plenário do Júri como tática da defesa, considerando se tratar de conduta
que configura, sim, abandono processual, apto, portanto, a atrair a aplicação da multa do art. 265 do CPP. STJ.
5ª Turma. RMS 54.183-SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Rel. Acd. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em
13/08/2019 (Info 658). • NÃO. Não constitui a hipótese do art. 265 do Código de Processo Penal o abandono de
ato processual pelo defensor do réu se este permaneceu na causa, tendo, inclusive, atuado nos atos
subsequentes. STJ. 6ª Turma. RMS 51.511/SP, Rel. Acd. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 22/08/2017.

A defesa sustentava a nulidade absoluta do processo, em razão da ausência das alegações finais por abandono
da causa pelo advogado. Sustentava, também, a violação ao devido processo legal, diante da modificação da
tese acusatória em plenário, sem que tivesse sido oportunizado o exercício do contraditório. O STF entendeu
não ter ocorrido nulidade processual, tendo em vista que, na audiência de instrução, a defesa técnica postulou
a impronúncia. Além disso, afirmou haver correlação entre o que foi arguido pelo Estado-acusador em plenário
e a pronúncia. Em outras palavras, o MP pediu a condenação do réu justamente pelos fatos que constavam na
pronúncia. STF. 1ª Turma. HC 129.263/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 15/5/2018 (Info 902).

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Ocorrido o desmembramento da ação penal que imputava aos coacusados a prática de homicídio doloso tentado
decorrente da prática de "racha", a desclassificação em decisão do Tribunal do Júri do crime de homicídio doloso
tentado para o delito de lesões corporais graves ocorrida em benefício do corréu (causador direto da colisão da
que decorreram os ferimentos suportados pela vítima) é extensível, independentemente de recurso ou nova
decisão do Tribunal Popular, a outro corréu (condutor do outro veículo) investido de igual consciência e vontade
de participar da mesma conduta e não responsável direto pelas citadas lesões. STJ. 6ª Turma. RHC 67383-SP,
Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, Rel. para acórdão Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 5/5/2016 (Info
583).

PROCEDIMENTOS NOS CRIMES DE RESPONSABILIDADE DE FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS

Art. 513. CPP: Os crimes de responsabilidade dos funcionários públicos, cujo processo e julgamento competirão
aos juízes de direito, a queixa ou a denúncia será instruída com documentos ou justificação que façam presumir
a existência do delito ou com declaração fundamentada da impossibilidade de apresentação de qualquer dessas
provas.

Art. 514. CPP: Nos crimes afiançáveis, estando a denúncia ou queixa em devida forma, o juiz mandará autuá-la
e ordenará a notificação do acusado, para responder por escrito, dentro do prazo de quinze dias. Parágrafo
único. Se não for conhecida a residência do acusado, ou este se achar fora da jurisdição do juiz, ser-lhe-á
nomeado defensor, a quem caberá apresentar a resposta preliminar.

No que se refere a des (necessidade) de observância da defesa preliminar nas hipóteses em que a denúncia
estiver instruída por inquérito policial, o STF e o STJ divergem:
STJ Súmula nº 330 - É desnecessária a resposta preliminar de que trata o artigo 514 do Código de Processo Penal
(crimes de responsabilidade dos funcionários públicos), na ação penal instruída por inquérito policial.
Mas o STF entende que essa súmula não tem aplicabilidade - STF: “(...) A partir do julgamento do HC 85.779/RJ,
passou-se a entender, nesta Corte, que é indispensável a defesa preliminar nas hipóteses do art. 514 do Código
de Processo Penal, mesmo quando a denúncia é lastreada em inquérito policial (Informativo 457/STF).

PROCEDIMENTO NOS CASOS DE CRIME CONTRA A HONRA

Art. 519. No processo por crime de calúnia ou injúria, para o qual não haja outra forma estabelecida em lei
especial, observar-se-á o disposto nos Capítulos I e III, Titulo I, deste Livro, com as modificações constantes dos
artigos seguintes.
Art. 520. Antes de receber a queixa, o juiz oferecerá às partes oportunidade para se reconciliarem, fazendo-as
comparecer em juízo e ouvindo-as, separadamente, sem a presença dos seus advogados, não se lavrando termo.
Art. 521. Se depois de ouvir o querelante e o querelado, o juiz achar provável a reconciliação, promoverá
entendimento entre eles, na sua presença.
Art. 522. No caso de reconciliação, depois de assinado pelo querelante o termo da desistência, a queixa será
arquivada.
Art. 523. Quando for oferecida a exceção da verdade ou da notoriedade do fato imputado, o querelante poderá
contestar a exceção no prazo de dois dias, podendo ser inquiridas as testemunhas arroladas na queixa, ou outras
indicadas naquele prazo, em substituição às primeiras, ou para completar o máximo legal.

PROCEDIMENTOS DOS CRIMES CONTRA PROPRIEDADE IMATERIAL


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#FOCANALEI:
Art. 524. No processo e julgamento dos crimes contra a propriedade imaterial, observar-se-á o disposto
nos Capítulos I e III do Título I deste Livro, com as modificações constantes dos artigos seguintes.
Art. 525. No caso de haver o crime deixado vestígio, a queixa ou a denúncia não será recebida se não for
instruída com o exame pericial dos objetos que constituam o corpo de delito.
Art. 526. Sem a prova de direito à ação, não será recebida a queixa, nem ordenada qualquer diligência
preliminarmente requerida pelo ofendido.
Art. 527. A diligência de busca ou de apreensão será realizada por dois peritos nomeados pelo juiz, que
verificarão a existência de fundamento para a apreensão, e quer esta se realize, quer não, o laudo pericial será
apresentado dentro de 3 (três) dias após o encerramento da diligência. Parágrafo único. O requerente da
diligência poderá impugnar o laudo contrário à apreensão, e o juiz ordenará que esta se efetue, se reconhecer
a improcedência das razões aduzidas pelos peritos.
Art. 528. Encerradas as diligências, os autos serão conclusos ao juiz para homologação do laudo.
Art. 529. Nos crimes de ação privativa do ofendido, não será admitida queixa com fundamento em apreensão e
em perícia, se decorrido o prazo de 30 dias, após a homologação do laudo.
Parágrafo único. Será dada vista ao Ministério Público dos autos de busca e apreensão requeridas pelo ofendido,
se o crime for de ação pública e não tiver sido oferecida queixa no prazo fixado neste artigo.
Art. 530. Se ocorrer prisão em flagrante e o réu não for posto em liberdade, o prazo a que se refere o artigo
anterior será de 8 (oito) dias.
Art. 530-A. O disposto nos arts. 524 a 530 será aplicável aos crimes em que se proceda mediante
queixa. (Incluído pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003)
Art. 530-B. Nos casos das infrações previstas nos §§ 1o, 2o e 3o do art. 184 do Código Penal, a autoridade policial
procederá à apreensão dos bens ilicitamente produzidos ou reproduzidos, em sua totalidade, juntamente com
os equipamentos, suportes e materiais que possibilitaram a sua existência, desde que estes se destinem
precipuamente à prática do ilícito . (Incluído pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003)
Art. 530-C. Na ocasião da apreensão será lavrado termo, assinado por 2 (duas) ou mais testemunhas, com a
descrição de todos os bens apreendidos e informações sobre suas origens, o qual deverá integrar o inquérito
policial ou o processo. (Incluído pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003)
Art. 530-D. Subsequente à apreensão, será realizada, por perito oficial, ou, na falta deste, por pessoa
tecnicamente habilitada, perícia sobre todos os bens apreendidos e elaborado o laudo que deverá integrar o
inquérito policial ou o processo. (Incluído pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003)
Art. 530-E. Os titulares de direito de autor e os que lhe são conexos serão os fiéis depositários de todos os bens
apreendidos, devendo colocá-los à disposição do juiz quando do ajuizamento da ação. (Incluído pela Lei nº
10.695, de 1º.7.2003)
Art. 530-F. Ressalvada a possibilidade de se preservar o corpo de delito, o juiz poderá determinar, a
requerimento da vítima, a destruição da produção ou reprodução apreendida quando não houver impugnação
quanto à sua ilicitude ou quando a ação penal não puder ser iniciada por falta de determinação de quem seja o
autor do ilícito. (Incluído pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003)
Art. 530-G. O juiz, ao prolatar a sentença condenatória, poderá determinar a destruição dos bens ilicitamente
produzidos ou reproduzidos e o perdimento dos equipamentos apreendidos, desde que precipuamente
destinados à produção e reprodução dos bens, em favor da Fazenda Nacional, que deverá destruí-los ou doá-los
aos Estados, Municípios e Distrito Federal, a instituições públicas de ensino e pesquisa ou de assistência social,
bem como incorporá-los, por economia ou interesse público, ao patrimônio da União, que não poderão retorná-
los aos canais de comércio. (Incluído pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003)
Art. 530-H. As associações de titulares de direitos de autor e os que lhes são conexos poderão, em seu próprio
nome, funcionar como assistente da acusação nos crimes previstos no art. 184 do Código Penal, quando
praticado em detrimento de qualquer de seus associados. (Incluído pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003)

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Art. 530-I. Nos crimes em que caiba ação penal pública incondicionada ou condicionada, observar-se-ão as
normas constantes dos arts. 530-B, 530-C, 530-D, 530-E, 530-F, 530-G e 530-H. (Incluído pela Lei nº 10.695,
de 1º.7.2003)

16. Recursos; 16.1. Teoria Geral dos Recursos; 16.2. Apelação. Recurso em sentido estrito. Embargos.
Embargos infringentes e de nulidade. Carta testemunhável. Correição parcial. Recurso Especial. Recurso
Extraordinário. 17. Revisão criminal. Habeas corpus. Mandado de segurança em matéria criminal.

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RECURSOS

Conceito: Recurso é o meio voluntário destinado à impugnação das decisões. Ele é admitido somente dentro
da mesma relação processual e possui a finalidade de invalidar, esclarecer ou reformar a decisão impugnada.

CARACTERÍSTICAS
VOLUNTARIEDADE A existência de um recurso está condicionada à manifestação da vontade
da parte, que demonstra seu interesse de recorrer com a interposição do
recurso.
É dizer: o reexame necessário, também chamado de recurso de ofício, em
verdade, não tem natureza recursal, porquanto, como dito, o recurso é
gravado pela voluntariedade.
ANTERIORIOR À PRECLUSÃO O recurso é interposto antes da formação da preclusão ou da coisa julgada.
OU À COISA JULGADA

DESENVOLVIMENTO A interposição de um recurso não faz surgir uma nova relação jurídica
DENTRO DA MESMA processual.
RELAÇÃO JURÍDICA Na verdade, o que ocorre com a interposição de um recurso é o simples
PROCESSUAL desdobramento da relação anterior, em regra perante órgão jurisdicional
diverso e de hierarquia superior.
Por essa razão, é que as ações autônomas de impugnação, como habeas
corpus, revisão criminal e mandado de segurança, não se confundem com os
recursos, já que elas inauguram uma nova relação jurídica processual.

Princípios

a) PRINCÍPIO DO DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO:


Trata-se da possibilidade de um reexame integral (matéria de fato e de direito) da decisão do juízo a quo, por
órgão jurisdicional diverso do que a proferiu e, em regra, de hierarquia superior na ordem judiciária.
Mitigações:
(i) Decisões interlocutórias simples: estas decisões, em regra, na esfera penal, não comportam recurso (princípio
da irrecorribilidade das decisões interlocutórias simples). Vale lembrar que quando uma interlocutória simples
comporta recurso, ela deve estar enquadrada no art. 581 do CPP (RESE). Nada impede, contudo, que a decisão
seja combatida por HC ou MS.
(ii) Mutatio libelli: Para o STF, na Súmula 453, o instituto da mutatio libelli não será invocado na fase recursal,
para que não ocorra supressão de instância.
(iii) Autoridades com foro por prerrogativa de função.

b) PRINCÍPIO DA TAXATIVIDADE: o recurso deve estar expressamente previsto no ordenamento jurídico. Não
há de se falar em recurso inominado ou de improviso. A previsão legal é condição de existência recursal.

c) PRINCÍPIO DA UNIRRECORRIBILIDADE: para cada espécie de decisão judicial há, em regra, apenas um
recurso. Há exceções: a interposição de REsp/RE contra a mesma decisão por fundamentos constitucionais e
infraconstitucionais.

d) PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DA “REFORMATIO IN PEJUS”: pode-se dizer que, em sede processual penal, no
caso de recurso exclusivo da defesa ― ou em virtude de habeas corpus impetrado em favor do acusado
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―, não se admite a reforma do julgado impugnado para piorar sua situação, quer do ponto de vista
quantitativo, quer sob o ângulo qualitativo, nem mesmo para corrigir eventual erro material.
A vedação da reformatio in pejus não está restrita à quantidade final de pena, porquanto não se trata de
mero cálculo aritmético, mas sim de efetiva valoração da conduta levada a efeito pelo sentenciado".
Exemplo: se, no acórdão, o Tribunal, ao analisar recurso exclusivo da defesa, afasta uma qualificadora do
furto e reconhece uma causa de aumento, ainda que a pena final seja diminuída, haverá reformatio in pejus.

#OLHAOGANCHO:
Impossibilidade de recurso especial adesivo interposto pelo Ministério Público, em que o parquet formula
pedido em desfavor do réu. Em tal caso, o acolhimento do recurso adesivo do Ministério Público acarretaria
em inegável reforma para pior, já que o manejo do recurso adesivo fica condicionado a um agir do réu. Assim,
com a permissão do adesivo da acusação, a iniciativa recursal do réu levaria à possibilidade de piora na sua
situação, o que, por óbvio, não se mostra viável. Geraria uma reformatio in pejus indireta.

#DEOLHONAJURIS:

O Tribunal, na análise de apelação exclusiva da defesa, não está impedido de manter a sentença condenatória
recorrida com base em fundamentação distinta da utilizada em primeira instância, desde que respeitados a
imputação deduzida pelo órgão de acusação, a extensão cognitiva da sentença impugnada e os limites da pena
imposta no juízo de origem. STF. 1ª Turma. RHC 119149/RS, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 10/2/2015 (Info
774).

É possível que o Tribunal, ao julgar um recurso, mantenha a sentença do juiz fazendo a suplementação da
fundamentação da dosimetria e da fixação do regime de cumprimento de pena, sempre que não haja
agravamento da pena do réu. Isso é possível em razão do efeito devolutivo amplo de recurso de apelação, não
se configurando reformatio in pejus. STJ. 6ª Turma. AgRg no HC 425.361/ SC, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado
em 06/03/2018

É proibido que o Tribunal em recurso exclusivo da defesa, corrija equívoco aritmético cometido pelo juiz na
sentença e aumente a pena. STJ (Inf. 576)

e) PRINCÍPIO DA FUNGIBILIDADE ou teoria do recurso indiferente; princípio da permutabilidade; princípio da


conversibilidade; teoria do recurso sem rosto ou teoria do tanto vale: não havendo erro grosseiro ou má-fé na
interposição do recurso equivocado, este deve ser recebido como se outro fosse, desde que tenham sido
atendidos os pressupostos do recurso cabível (art. 579 CPP). Além do requisito legal relativo à ausência de ma-
fé, a jurisprudência entende que é indispensável que o recurso apresentado atenda à tempestividade do
recurso resultante da fungibilidade. Além de ser necessário dúvida objetiva quanto ao recurso cabível no caso.

f) PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE: Por ele, o recurso deve conter os fundamentos de fato e de direito que
embasam o inconformismo do recorrente, pois somente assim poderá a parte contrária apresentar suas
contrarrazões.

Súmula n° 707, STF: Constitui nulidade a falta de intimação do denunciado para oferecer contrarrazões ao
recurso interposto da rejeição da denúncia, não a suprindo a nomeação de defensor dativo.

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Prazos

PRAZO RECURSO
CARTA TESTEMUNHÁVEL (art. 640, CPP). OBS: Para contagem em horas, deve constar
48 horas da certidão de intimação o horário da providência; caso contrário, o prazo será de dois
dias.
2 dias EMBARGOS DE DECLARAÇÃO (art. 619, CPP).
*#ATENÇÃO: No STJ, o prazo é de 05 dias(*#ATUALIZAÇÃOLEGISLATIVA 13)
APELAÇÃO (art. 593, CPP), RESE (art. 586, CPP), AGRAVOS14 (Súmulas 699 e 700 do
STF), CORREIÇÃO PARCIAL, ROC e EMBARGOS DE DECLARAÇÃO nos Juizados Especiais
5 dias
e no STF.
OBS: PROTESTO POR NOVO JÚRI – revogado.
APELAÇÃO nos Juizados Especiais (Aart. 82, Lei 9.099/95), EMBARGOS DE NULIDADE e
10 dias
EMBARGOS INFRINGENTES (art. 609, p. único, CPP).
RECURSO ESPECIAL, RECURSO EXTRAORDINÁRIO e APELAÇÃO supletiva da vítima
15 dias15
quando não habilitada como assistente de acusação (art. 598, p. único, CPP).
RESE contra lista de jurados (art. 586, p. único, c/c art. 585, XVI, CPP). OBS: Art. 426,
20 dias §1º, CPP – “reclamação”: para alguns, teria revogado tacitamente o RESE contra lista
de jurados.

#DEOLHONAJURIS:

O termo inicial de contagem de prazo para impugnar decisão judicial, é para o MP, a data da entrega dos autos
na repartição administrativa do órgão, sendo irrelevante que a intimação pessoal tenha se dado em audiência
ou em cartório por mandado. STJ

A contagem de prazos em dias úteis, disposta no art. 219 do Novo Código de Processo Civil não se aplica em
matéria penal, em razão da existência de regramento próprio. (AgRg no AREsp 1292442/RN, Rel. Ministro
JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em 26/06/2018, DJe 01/08/2018)

Não é extemporâneo recurso interposto antes da publicação do acórdão. Sob o ângulo da oportunidade, a
publicação do acórdão impugnado é elemento neutro, podendo a parte, ciente da decisão proferida, protocolar
o recurso. Assim por exemplo, admite-se a interposição de embargos declaratórios oferecidos antes da
publicação do acórdão embargado e dentro do prazo recursal. STF. 1ª Turma. HC 113826, Rel. Min. Marco
Aurélio, julgado em 10/4/2018 (Info 897)

13
Art. 265 do Regimento Interno do STJ

14
No caso de agravo interposto contra decisão monocrática do Ministro Relator no STF e STJ, em recursos ou ações
originárias que versem sobre matéria penal ou processual penal, o prazo continua sendo de 5 dias, nos termos do art. 39
da Lei nº 8.038/90 (não se aplicando o art. 1.070 do CPC/2015).

15
E No caso de RE ou Resp que o Tribunal de origem inadmite o recurso, caberá agravo em quantos dias? A questão ainda
é polêmica, mas prevalece que o prazo é de 15 dias, nos termos do art. 1.003, § 5º e do art. 1.070 do CPC/2015.

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Os prazos para recurso são de natureza processual e serão contados da respectiva intimação da decisão e não
da juntada aos autos do mandado ou da carta precatória (Súmula 710 do STF).

MP não tem direito a prazo em dobro no processo penal. O prazo para interposição de agravo regimental no
STF, em processos criminais, é de 5 dias corridos (não são dias úteis, como no CPC). STF. 1ª Turma. HC
120275/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 15/5/2018 (Info 902).

Súmula: 448, STF: “O prazo para o assistente recorrer, supletivamente, começa a correr imediatamente após o
transcurso do prazo do Ministério Público”.

Efeitos

Efeito Obstativo (efeito extrínseco ou dilatório-procedimental): a interposição recursal impede a preclusão


temporal, obstando o trânsito em julgado da decisão. Refere-se ao prolongamento da litispendência (existência
do processo), evitando a coisa julgada.
Efeito devolutum quantum appelatum: Por ele, o Judiciário vai reapreciar a matéria fruto da impugnação e nos
termos e limites apresentados pela parte (princípio da inércia da juridicação). OBS. os limites da impugnação
podem ser transbordados em razão da reformatio in mellius. A sua dimensão horizontal (devolutividade) é
especificada pelo recorrente. Todavia, a análise da profundidade do conteúdo (dimensão vertical) compete ao
órgão julgador.
Efeito devolutivo inverso - é devolvido ao próprio órgão que prolatou a decisão recorrida (ex: embargos de
declaração).
Efeito suspensivo: Ele se caracteriza por obstar que a decisão se implemente no mundo jurídico enquanto o
recurso não estiver definitivamente julgado. Em regra, os recursos não possuem.
Súmula 604-STJ: O mandado de segurança não se presta para atribuir efeito suspensivo a recurso criminal
interposto pelo Ministério Público. (Salvo, situações teratológicas, abusivas, que possam causar dano
irreparável)
Efeito regressivo, iterativo ou diferido ou não devolutivo: Por ele, o órgão prolator da decisão poderá se
retratar do julgado, diante da interposição do recurso. RESE; Agravo em execução; Carta testemunhável; Agravo
para destrancar Resp ou RE; correição parcial.
Efeito extensivo: o réu que não recorreu pode ser beneficiado pelo recurso do comparsa, desde que o
fundamento seja comum a todos os imputados. Aplica-se as ações autônomas de impugnação.
Art. 580. No caso de concurso de agentes a decisão do recurso interposto por um dos réus, se fundado em
motivos que não sejam de caráter exclusivamente pessoal, aproveitará aos outros.
Efeito substitutivo: tribunal aprecia o mérito do recurso, ele preferirá um acórdão substituindo a decisão
impugnada, AINDA QUE SEJA NEGADO PROVIMENTO. Se o recurso anular a decisão não haverá efeito
substitutivo, já que o processo voltará ao juízo a quo para nova decisão.
Efeito translativo: o órgão ad quem, pode conhecer matéria que não foi objeto da pretensão recursal. O efeito
translativo é o aspecto vertical do efeito devolutivo, que não sofre limitação. #SELIGA: possibilidade de o órgão
julgador apreciar ex officio questões de ordem pública nas instâncias ordinárias (nas instâncias extraordinárias
pressupõe-se o prequestionamento).

HABEAS CORPUS

Origem: Historicamente, o habeas corpus foi a primeira garantia de direitos fundamentais constante na Carta
Magna de João sem Terra. No Brasil, sua primeira aparição se deu em um decreto imperial de 1821 e
posteriormente no código criminal de 1830. A nível constitucional, surgiu a partir da CF de 1891, permanecendo
em todas as constituições desde então.

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Conceito: É a ferramenta constitucionalmente assegurada (art. 5º, LXVIII), que almeja a tutela do direito líquido
e certo de locomoção, próprio ou alheio, contra a ilegalidade ou abuso de poder garantindo assim a nossa
prerrogativa de ir, vir ou ficar.

Art 5º, LXVIII. CF: conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer
violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder.

Requisitos: violência OU coação + ilegalidade OU abuso de poder.


Art. 647. Dar-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar na iminência de sofrer violência ou
coação ilegal na sua liberdade de ir e vir, salvo nos casos de punição disciplinar.

Art. 648. A coação considerar-se-á ilegal: I - quando não houver justa causa; II - quando alguém estiver preso
por mais tempo do que determina a lei; III - quando quem ordenar a coação não tiver competência para fazê-
lo; IV - quando houver cessado o motivo que autorizou a coação; V - quando não for alguém admitido a prestar
fiança, nos casos em que a lei a autoriza; VI - quando o processo for manifestamente nulo; VII - quando extinta
a punibilidade.

Natureza jurídica: ação autônoma de impugnação.

Legitimidade ativa: Qualquer pessoa. O HC é uma ação penal popular não condenatória. Só não se admite no
Brasil HC apócrifo (sem assinatura - STJ). Nada impede que o menor, o estrangeiro, a pessoa jurídica, o
inimputável por doença mental, e o analfabeto impetrem HC. É possível que impetrante e paciente sejam a
mesma pessoa. Porém, o quando isso não ocorrer, haverá verdadeira substituição processual, já que o
impetrante estará agindo em juízo, em nome próprio, na defesa de interesse alheio.

Art. 654. O habeas corpus poderá ser impetrado por qualquer pessoa, em seu favor ou de outrem, bem como
pelo Ministério Público.

Admite-se a intervenção de terceiros no HC? Não. No entanto, em habeas corpus oriundo de ação penal
privada, admite-se a intervenção do querelante no julgamento do HC, uma vez que ele tem interesse jurídico
na decisão. Assim, salvo nos casos de ação penal privada, é vedada a intervenção de terceiros no habeas corpus.
Legitimidade passiva: É o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder que compromete a liberdade de
locomoção. (Autoridade coatora)

#DEOLHONAJURIS:

Súmula 395-STF: Não se conhece de recurso de habeas corpus cujo objeto seja resolver sobre o ônus das custas,
por não estar mais em causa a liberdade de locomoção.

Súmula 606-STF: Não cabe habeas corpus originário para o Tribunal Pleno de decisão de turma, ou do plenário,
proferida em habeas corpus ou no respectivo recurso.

Súmula 691-STF: Não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer de habeas corpus impetrado contra
decisão do Relator que, em habeas corpus requerido a Tribunal Superior, indefere a liminar.

A Súmula 691 pode ser afastada em casos excepcionais, quando a decisão atacada se mostrar
teratológica, flagrantemente ilegal, abusiva ou manifestamente contrária à jurisprudência do STF (HC 118684,
julgado em 03/12/2013).

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Súmula 693-STF: Não cabe habeas corpus contra decisão condenatória a pena de multa, ou relativo a processo
em curso por infração penal a que a pena pecuniária seja a única cominada.

Súmula 694-STF: Não cabe habeas corpus contra a imposição da pena de exclusão de militar ou de perda de
patente ou de função pública.

Súmula 695-STF: Não cabe habeas corpus quando já extinta a pena privativa de liberdade.

Não cabe pedido de habeas corpus originário para o Tribunal Pleno contra ato de Ministro ou outro órgão
fracionário da Corte. STF. Plenário. HC 170263/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 22/06/2020.

O habeas corpus não é sede processual adequada para discussão sobre a correta fixação da competência, bem
como sobre a existência de transnacionalidade do delito imputado. STF. 1ª Turma. HC 151881 AgR/SP, Rel. Min.
Rosa Weber, julgado em 12/11/2019 (Info 959).

A concessão do benefício da transação penal impede a impetração de habeas corpus em que se busca o
trancamento da ação penal. STJ. 6ª Turma. HC 495.148-DF, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, julgado em
24/09/2019 (Info 657). STF DIVERGE

É incabível habeas corpus contra decisão que decretou a perda da função pública, por não haver violação ao
direito de locomoção. STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 218434/MS, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 11/06/2015.
STF. 1ª Turma. HC 150059, Rel. Min. Marco Aurélio, Relator p/ Acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em
22/05/2018.

A orientação jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal é no sentido de que o habeas corpus não se revela
instrumento idôneo para impugnar decreto condenatório transitado em julgado. STF. 1ª Turma. HC 188551
AgR, Rel. Roberto Barroso, julgado em 08/09/2020.

O habeas corpus não é o meio adequado para discutir crime que não enseja pena privativa de liberdade. STF.
1ª Turma. HC 127834/MG, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em
05/12/2017 (Info 887).

O habeas corpus não é o meio adequado para se buscar o reconhecimento do direito a visitas íntimas. Isso
porque não está envolvido no caso o direito de ir e vir. STF. 1ª Turma. HC 138286, Rel. Min. Marco Aurélio,
julgado em 5/12/2017 (Info 887).

Não cabe habeas corpus para o STF contra decisão monocrática do Ministro do STJ que negou o pedido da
defesa formulado em ação cautelar (medida cautelar) proposta com o objetivo de conferir efeito suspensivo ao
recurso especial.Incide, no caso, o óbice previsto na Súmula 691 do STF. STF. 1ª Turma. HC 138633/RJ, rel. Min.
Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 8/8/2017 (Info 872).

Não cabe habeas corpus para tutelar o direito à visita em presídio. STF. 1ª Turma. HC 128057/SP, Rel. Min.
Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 1º/8/2017 (Info 871).

Em regra, não cabe habeas corpus para o STF contra decisão monocrática do Ministro do STJ que não conhece
ou denega habeas corpus que havia sido interposto naquele Tribunal. É necessário que primeiro o impetrante
exaure (esgote), no tribunal a quo (no caso, o STJ), as vias recursais ainda cabíveis (no caso, o agravo
regimental). Exceção: essa regra pode ser afastada em casos excepcionais, quando a decisão atacada se mostrar
teratológica, flagrantemente ilegal, abusiva ou manifestamente contrária à jurisprudência do STF, situações nas
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quais o STF poderia conceder de ofício o habeas corpus. STF. 2ª Turma. HC 143476/RJ, rel. orig. Min. Gilmar
Mendes, red. p/ o ac. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 6/6/2017 (Info 868).

Não cabe habeas corpus para reexame dos pressupostos de admissibilidade de recurso interposto no STJ. STF.
2ª Turma. HC 138944/SC, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 21/3/2017 (Info 858).

Não se admite habeas corpus para se questionar nulidade cujo tema não foi trazido antes do trânsito em julgado
da ação originária e tampouco antes do trânsito em julgado da revisão criminal. A nulidade não suscitada no
momento oportuno é impassível de ser arguida através de habeas corpus, no afã de superar a preclusão, sob
pena de transformar o writ em sucedâneo da revisão criminal. STF. 1ª Turma. RHC 124041/GO, rel. orig. Min.
Dias Toffoli, red. p/ o acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 30/8/2016 (Info 837).

Habeas corpus não é o instrumento adequado para pleitear trancamento de processo de impeachment. STF.
Plenário. HC 134315 AgR/DF, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 16/6/2016 (Info 830).

Não cabe habeas corpus contra decisão que negou direito de familiar de preso internado em unidade prisional
de com ele ter encontro direto, autorizando apenas a visita por meio do parlatório. STF. 2ª Turma. HC
133305/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 24/5/2016 (Info 827).

Não cabe HC para se discutir se houve dolo eventual ou culpa consciente em homicídio praticado na direção de
veículo automotor. STF. 1ª Turma. HC 131029/RJ, rel. orig. Min. Luiz Fux, red. p/ o acórdão Min. Edson Fachin,
julgado em 17/5/2016 (Info 826). STF. 2ª Turma. HC 132036/SE, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 29/3/2016
(Info 819).

Não é cabível habeas corpus para o reexame dos pressupostos de admissibilidade dos recursos. STF. 1ª Turma.
HC 114293/MG, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 1º/12/2015 (Info
810). STF. 2ª Turma. HC 129822 AgR, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 06/10/2015.

Não cabe habeas corpus objetivando discussão acerca de eventual perda de mandato eletivo, em decorrência
de sentença condenatória, por não existir lesão ou ameaça ao direito de locomoção, condição indispensável
para a impetração da ação constitucional. STJ. 5ª Turma. HC 425.554/SC, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em
03/04/2018.

Não se conhece de habeas corpus ou de recurso ordinário em habeas corpus perante o STF
quando, da decisão monocrática de Ministro do STJ que não conhece ou denega o habeas corpus,
o impetrante não interpõe agravo regimental. É necessário que primeiro o paciente esgote, no tribunal a
quo (no caso, o STJ), as vias recursais ainda cabíveis (no caso, o agravo regimental). STF. 1ª Turma. HC
116114/MG, rel. Min. Dias Toffoli, 9/4/2013 (Info 701). STF. 2ª Turma. RHC 116711/DF, Rel. Min. Gilmar
Mendes, julgado em 19/11/2013 (Info 729).

Não é possível, na via do habeas corpus, discutir-se a correta tipificação dos fatos imputados ao paciente na
ação penal. STF. 1ª Turma. HC 111445/PE, rel. Min. Dias Toffoli, 16/4/2013 (Info 702).

Como regra, o STJ e o STF não admitem habeas corpus para rediscutir a dosimetria da pena aplicada na
sentença.
Excepcionalmente, é admitido o HC para analisar a pena aplicada se: • houver ilegalidade manifesta e • desde
que não seja necessária a rediscussão de provas. STF. 1ª Turma. HC 110152/MS, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado
em 8/5/2012

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REVISÃO CRIMINAL

Art. 621. A revisão dos processos findos será admitida:


I - quando a sentença condenatória for contrária ao texto expresso da lei penal ou à evidência dos autos;
II - quando a sentença condenatória se fundar em depoimentos, exames ou documentos comprovadamente
falsos;
III - quando, após a sentença, se descobrirem novas provas de inocência do condenado ou de circunstância que
determine ou autorize diminuição especial da pena.
Art. 622. A revisão poderá ser requerida em qualquer tempo, antes da extinção da pena ou após. Parágrafo
único. Não será admissível a reiteração do pedido, salvo se fundado em novas provas.
Art. 623. A revisão poderá ser pedida pelo próprio réu ou por procurador legalmente habilitado ou, no caso de
morte do réu, pelo cônjuge, ascendente, descendente ou irmão.
Efeitos
Juízo rescindente ou revidente: se caracteriza pela desconstrução da coisa julgada material, em virtude do
provimento da ação revisional. (Juízo de cassação.
Juízo rescisório ou revisório: se caracteriza pela prolação de um acórdão substitutivo, ingressando- se no mérito
da matéria revisada. (Juízo de reforma).

Competência
1ª regra: a revisão criminal é sempre julgada por um Tribunal ou pela Turma Recursal. Não existe revisão
criminal julgada por juiz singular.
2ª regra: se a condenação foi proferida por um juiz singular e não houve recurso, a competência para julgar a
revisão criminal será do Tribunal (ou Turma) ao qual estiver vinculado o magistrado.
3ª regra: se a condenação foi mantida (em recurso) ou proferida (em casos de competência originária - foro
privativo) pelo TJ, TRF ou Turma Recursal e contra este acórdão não foi interposto RE ou Resp, a competência
para julgar a revisão criminal será do TJ, TRF ou Turma Recursal.
4ª regra: se a condenação foi mantida ou proferida pelo TJ ou TRF e contra este acórdão foi interposto RE ou
Resp, de quem será a competência para julgar a revisão criminal? Depende:
1) Se o RE ou o Resp não forem conhecidos: a competência será do TJ ou TRF (regra 3 acima explicada).
2) Se o RE ou Resp forem conhecidos. Caso a revisão criminal impugne uma questão que foi discutida no RE ou
no Resp: a competência será do STF ou do STJ. Caso a revisão criminal impugne uma questão que não foi
discutida no RE ou no Resp: a competência será do TJ ou TRF.

18. Execução Criminal; 18.1. Objeto e aplicação da Lei de Execução Penal; 18.2. O condenado e o internado.
Classificação. Assistência. Trabalho; 18.3. Direitos e deveres das presas, dos presos e de LGBTQIA+; 18.4.
Disciplina. Faltas e sanções disciplinares. Regime disciplinar diferenciado. Procedimento disciplinar; 18.5.
Órgãos da execução penal; 18.6. Estabelecimentos penais; 18.7. Execução das penas privativas de liberdade.
Regimes. Autorizações de saída. Remição Livramento condicional. Suspensão condicional da pena; 18.8.
Execução das penas restritivas de direitos; 18.9. Execução das penas de multa; 18.10. Execução das medidas
de segurança; 18.11. Incidentes de execução. Conversões. Excesso ou desvio de execução. Anistia. Indulto;
18.12. Procedimentos judiciais. Recursos.

LEI DE EXECUÇÃO PENAL

131
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Ciclos Método

CLASSIFICAÇÃO, EXAME CRIMINOLÓGICO, IDENTIFICAÇÃO DO PERFIL GENÉTICO

Os condenados serão classificados, segundo os seus antecedentes e personalidade, para orientar a


individualização da execução penal.
O exame de classificação trata-se de um exame mais amplo e genérico (art. 5º, LEP), com análise da
personalidade e antecedentes do preso, para evidenciar o modo pelo qual deve ser cumprida a pena com o fim
de orientar a sua individualização, sendo realizado pela Comissão Técnica de Classificação.

#OLHAOGANCHO:

Exame Criminológico

Art. 8º O condenado ao cumprimento de pena privativa de liberdade, em regime fechado, será submetido a
exame criminológico para a obtenção dos elementos necessários a uma adequada classificação e com vistas à
individualização da execução. Parágrafo único. Ao exame de que trata este artigo poderá ser submetido o
condenado ao cumprimento da pena privativa de liberdade em regime semiaberto.
Conceito: O exame criminológico é a pesquisa dos antecedentes pessoais, familiares, sociais, psíquicos e
psicológicos do condenado, para obtenção de dados que possam revelar a sua personalidade.

#SELIGA:

EXAME DE CLASSIFICAÇÃO EXAME CRIMINOLÓGICO


Realizado quando ingressa no sistema. Realizado durante a execução.
Amplo e genérico. Específico.
Orienta o modo de cumprimento da pena, Busca construir prognóstico de periculosidade,
norte da ressocialização. partindo do binômio delito-deliquente.
Envolve aspectos relacionados com a Envolve a parte psicológica e psiquiátrica
personalidade do condenado, seus atestando a maturidade e disciplina do
antecedentes, sua vida familiar e social, sua reeducando, sua capacidade de suportar
capacidade laborativa. frustrações.
Feito pela comissão técnica de classificação. É um prognóstico criminológico.

#DEOLHONAJURIS:

Súmula 439-STJ: Admite-se o exame criminológico pelas peculiaridades do caso, desde que em decisão motivada.

Súmula vinculante 26: Para efeito de progressão de regime de cumprimento de pena, por crime hediondo ou
equiparado, praticado antes de 29 de marco de 2007, o juiz da execução, ante a inconstitucionalidade do artigo
2º, parágrafo 1º da Lei 8.072/90, aplicará o artigo 112 da Lei de Execuções Penais, na redação original, sem
prejuízo de avaliar se o condenado preenche ou não os requisitos objetivos e subjetivos do benefício podendo
determinar para tal fim, de modo fundamentado, a realização de exame criminológico.

132
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Ciclos Método
Nada impede que o magistrado das execuções criminais, facultativamente, requisite o exame criminológico e o
utilize como fundamento da decisão que julga o pedido de progressão. STF 2ª Turma Rcl 27616 AgR/SP, Rel. Min
Ricardo Lewandowski, julgado em 9/10/2018(Info 919).

#OLHAOGANCHO2:
Exame criminológico e indulto: O judiciário não pode exigir a realização de exame criminológico para aferição
do mérito do sentenciado, em razão de absoluta falta de previsão legal, e principalmente quando o decreto
presidencial não exigiu.

Identificação do perfil genético

#SELIGA #PACOTEANTICRIME:
*Antes da Lei nº 13.964/2019 Depois da Lei nº 13.964/2019
Art. 9-A. Os condenados por crime (*) Art. 9-A O condenado por crime doloso praticado com violência
praticado, dolosamente, com violência grave contra a pessoa, bem como por crime contra a vida, contra a
de natureza grave contra pessoa, ou por liberdade sexual ou por crime sexual contra vulnerável, será
qualquer dos crimes previstos no art. 1o submetido, obrigatoriamente, à identificação do perfil genético,
da Lei no 8.072, de 25 de julho de 1990, mediante extração de DNA (ácido desoxirribonucleico), por técnica
serão submetidos, obrigatoriamente, à adequada e indolor, por ocasião do ingresso no estabelecimento
identificação do perfil genético, prisional.
mediante extração de DNA - ácido
desoxirribonucleico, por técnica *ATENÇÃO: O caput do art. 9-A, bem como os parágrafos 5°, 6°e
adequada e indolor. (Incluído 7°, haviam sido vetados pelo Presidente da República, porém, na
pela Lei nº 12.654, de 2012) data de 19/04/2021, o Congresso Nacional rejeitou os vetos,
seguindo os referidos dispositivos para promulgação.
§ 1º A identificação do perfil genético
será armazenada em banco de dados § 1º-A. A regulamentação deverá fazer constar garantias mínimas
sigiloso, conforme regulamento a ser de proteção de dados genéticos, observando as melhores práticas
expedido pelo Poder Executivo. da genética forense.
(Incluído pela Lei nº 12.654, de 2012) ...
§ 3º Deve ser viabilizado ao titular de dados genéticos o acesso aos
§ 2º A autoridade policial, federal ou seus dados constantes nos bancos de perfis genéticos, bem como
estadual, poderá requerer ao juiz a todos os documentos da cadeia de custódia que gerou esse dado,
competente, no caso de inquérito de maneira que possa ser contraditado pela defesa.
instaurado, o acesso ao banco de dados § 4º O condenado pelos crimes previstos no caput deste artigo que
de identificação de perfil genético. não tiver sido submetido à identificação do perfil genético por
(Incluído pela Lei nº 12.654, de 2012) ocasião do ingresso no estabelecimento prisional deverá ser
submetido ao procedimento durante o cumprimento da pena.

(*) § 5º A amostra biológica coletada só poderá ser utilizada para o


único e exclusivo fim de permitir a identificação pelo perfil
genético, não estando autorizadas as práticas de fenotipagem
genética ou de busca familiar.

(*) § 6º Uma vez identificado o perfil genético, a amostra biológica


recolhida nos termos do caput deste artigo deverá ser correta e
imediatamente descartada, de maneira a impedir a sua utilização
para qualquer outro fim.

133
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Ciclos Método
(*) § 7º A coleta da amostra biológica e a elaboração do respectivo
laudo serão realizadas por perito oficial.

§ 8º Constitui falta grave a recusa do condenado em submeter-se


ao procedimento de identificação do perfil genético.”

Foi mantida na Lei de Execução Penal a identificação obrigatória do perfil genético nos crimes dolosos praticados
com violência grave contra pessoa.
A identificação do perfil genético deixa de ser obrigatória para indivíduos condenados por qualquer dos crimes
hediondos previstos no art. 1º da Lei n. 8.072/90. Doravante, a medida será obrigatória apenas quando se tratar
de condenado pela prática dos seguintes crimes:
1. crimes contra a vida: são aqueles previstos no Capítulo I (“Dos Crimes contra a vida”) do Título I (“Dos crimes
contra a pessoa”) da Parte Especial do Código Penal. Referida locução abrange, portanto, qualquer espécie de
homicídio (CP, art. 121), o induzimento, instigação ou auxílio a suicídio – e não a participação em automutilação
(CP, art. 122, com redação dada pela Lei n. 13.968/19) –,24 o infanticídio (CP, art. 123) e os abortos (CP, arts.
124, 125 e 126);
2. crimes contra a liberdade sexual: são aqueles previstos no Capítulo I (“Dos crimes contra a Liberdade Sexual”)
do Título VI (“Dos crimes contra a dignidade sexual”) da Parte Especial do Código Penal, onde estão inseridos os
crimes de estupro (CP, art. 213), violação sexual mediante fraude (CP, art. 215), importunação sexual (CP, art.
215-A, incluído pela Lei n. 13.718-18), e assédio sexual (CP, art. 216-A);
3. crimes sexuais contra vulneráveis: a locução abrange os delitos previstos no Capítulo II (“Dos crimes sexuais
contra vulnerável”) do Título VI (“Dos crimes contra a dignidade sexual”) da Parte Especial do Código Penal, quais
sejam, estupro de vulnerável (CP, art. 217-A), corrupção de menores (CP, art. 218), satisfação de lascívia
mediante presença de criança ou adolescente (CP, art. 218-A), favorecimento da prostituição ou de outra forma
de exploração sexual de criança ou adolescente ou de vulnerável (CP, art. 218-B), divulgação de cena de estupro
ou de cena de estupro de vulnerável, de cena de sexo ou de pornografia (CP, art. 218-C).
#SELIGA #NÃOCONFUNDA:

Identificação Criminal Identificação do perfil Exame de classificação Exame criminológico


genético
Pode ser: Será por: ▪ Realizado quando Trata-se de um exame
ingressa no sistema;
Identificação - Identificação do perfil - feito no condenado
datiloscópia; genético, mediante
- por um profissional
extração do DNA,
independe de ▪ Condenado a: - com o objetivo de
Identificação autorização judicial; - Privativa de liberdade; verificar
fotográfica;
- Restritiva de direito; -se este apenado tem
Identificação do perfil aptidão física e psíquica
▪ Realizado por perito - Medida de segurança.
genético (com oficial; para progredir de
autorização juiz). regime.

▪ Feito por Comissão


▪ Será OBRIGATÓRIO nos Técnica;
casos de: ▪ FACULTATIVO;

134
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Ciclos Método
1. crime doloso
praticado com violência
grave contra a pessoa; Art. 5º Os condenados Súmula 439-STJ: Admite-
serão classificados, se o exame
2. crimes contra a vida; segundo os seus criminológico pelas
antecedentes e peculiaridades do caso,
3. crimes contra a
personalidade, para desde que em decisão
liberdade sexual; orientar a motivada.
4. crimes sexuais contra individualização da
vulneráveis; execução penal ;
Nada impede que o
magistrado das
▪ Não há necessidade Art. 6º A classificação execuções criminais,
autorização judicial para será feita por Comissão facultativamente,
a coleta do material Técnica de Classificação requisite o exame
biológico. A autorização que elaborará o criminológico e o utilize
judicial é necessária programa como fundamento da
apenas para ulterior individualizador da pena decisão que julga o
acesso ao banco de privativa de liberdade pedido de progressão.
dados por parte da adequada ao condenado STF. 2ª Turma. Rcl 27616
autoridade policial ou ou preso provisório. AgR/SP, Rel. Min.
ministerial; Ricardo Lewandowski,
julgado em 9/10/2018
(Info 919).

FALTA GRAVE

EXECUÇÃO PENAL
Consequências decorrentes da prática de FALTA GRAVE:
ATRAPALHA NÃO INTERFERE

135
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Ciclos Método

• PROGRESSÃO DE REGIME: interrompe o prazo • INDULTO E COMUTAÇÃO DE PENA: a prática de


para a progressão de regime. falta grave não interrompe o prazo para fim de
• REGRESSÃO: acarreta a regressão de regime. comutação de pena ou indulto (Súmula 535-STJ).
• SAÍDAS: revoga a saída temporária. A concessão de comutação de pena ou indulto
• TRABALHO EXTERNO: revogação do trabalho deverá observar o cumprimento dos requisitos
externo. previstos no decreto presidencial
• REMIÇÃO: revoga até 1/3 do tempo remido. .
• RDD: pode sujeitar o condenado ao RDD. • SAÍDA TEMPORÁRIA E TRABALHO EXTERNO
• DIREITOS: suspensão ou restrição de direitos. (requisito objetivo): a prática de falta grave
• ISOLAMENTO: na própria cela ou em local durante o cumprimento da pena não acarreta a
adequado. alteração da data-base para fins de saída
temporária e trabalho externo.

LIVRAMENTO CONDICIONAL:
• Para ter direito ao benefício o réu não pode ter cometido falta grave nos últimos 12 meses.
• Por outro lado, a falta grave não interrompe o prazo para obtenção do livramento condicional (Súmula
441-STJ).16

#DEOLHONAJURIS:

Comete falta grave o apenado que viola a zona de monitoramento eletrônico Apenado que está em prisão
domiciliar, com o uso de tornozeleira eletrônica, e viola o perímetro (zona) do monitoramento: esta conduta
configura falta grave, nos termos do art. 50, V, da LEP. STJ. 6ª Turma. HC 481.699/RS, Rel. Min. Sebastião Reis
Júnior, julgado em 12/03/2019. De acordo com o art. 50, VI, da LEP, comete falta grave o condenado à pena
privativa de liberdade que inobservar as ordens recebidas (art. 39, V, da LEP), como é a hipótese de violação da
zona de monitoramento. STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1798047/RS, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca,
julgado em 14/05/2019.

#NÃOCONFUNDA!
Apenado que descumpre o perímetro (zona) estabelecido para tornozeleira eletrônica: configura a prática de
falta grave.

16
“A falta grave interrompe o prazo para o livramento? Não. Embora o cometimento de falta grave interrompa o prazo
para a progressão de regime (Súmula 534 STJ), não o faz para fins de concessão de livramento condicional, pois não há
previsão legal a esse respeito. Nesse sentido é a súmula nº 441 do STJ, cujo conteúdo não é incompatível com a regra
imposta pela Lei 13.964/19. Embora o condenado não possa obter o livramento se houver cometido falta grave nos
doze meses anteriores à sua pretensão, o prazo do benefício não volta a correr do começo quando cometida a infração.
Praticada a falta grave, nos 12 meses seguintes o reeducando não pode ser beneficiado com a liberdade antecipada,
mesmo que cumpra seu requisito temporal. O prazo de 12 meses, aliás, coincide com o prazo da reabilitação da falta
grave, hoje previsto na maioria dos regimentos internos das unidades prisionais dos vários estados brasileiros.” (Pacote
anticrime. Lei 13.964/2019. Salvador: Juspodivm, 2020, p. 32).

136
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Ciclos Método
Apenado que, durante saída temporária, descumpre o perímetro estabelecido para tornozeleira eletrônica: não
configura a prática de falta grave (há um julgado da 6ª Turma do STJ que afirma que, neste caso, não há previsão
no rol do art. 50 da LEP).
Apenado que rompe a tornozeleira eletrônica ou mantém a bateria sem carga suficiente: configura falta grave
(art. 50, VI, da LEP).

A prática de falta grave durante o cumprimento da pena não acarreta a alteração da data-base para fins de saída
temporária e trabalho externo. Dito de outro modo: a prática de falta grave no curso da execução não interrompe
o prazo para a concessão da saída temporária e trabalho externo. Não interrompe o requisito objetivo do lapso
temporal para obtenção dos benefícios de trabalho externo e de saída temporária.Isso porque os requisitos para
tais benefícios estão expressamente previstos nos arts. 36, 37 e 123 da LEP e neles não se menciona a
necessidade de reinício da contagem do prazo em caso de prática de falta grave.STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp
1755701/RS, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 06/11/2018.STJ. 6ª Turma. AgRg no AREsp 985.011/RS, Rel.
Min. Antonio Saldanha Palheiro, julgado em 27/02/2018.

#NÃOCONFUNDA - A prática de falta grave:


• revoga os benefícios da saída temporária e do trabalho externo.
• mas não interrompe o prazo para a concessão de saída temporária e para o trabalho externo.

O reconhecimento de falta grave consistente na prática de fato definido como crime doloso no curso da execução
penal dispensa o trânsito em julgado da condenação criminal no juízo do conhecimento, desde que a apuração
do ilícito disciplinar ocorra com observância do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa,
podendo a instrução em sede executiva ser suprida por sentença criminal condenatória que verse sobre a
materialidade, a autoria e as circunstâncias do crime correspondente à falta grave. STF. Plenário. RE 776823, Rel.
Min. Edson Fachin, julgado em 04/12/2020 (Repercussão Geral – Tema 758) (Info 1001)

Recusar-se em a adentrar à cela consiste em falta grave, pois é ato lesivo e grave em descumprimento de ordem
legítima e com base no art. 50, inciso VI, c/c art. 39, incisos II e V, ambos da Lei de Execuções Penais – LEP,
observando-se, inclusive, o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa no processo administrativo
disciplinar. STJ. 6ª Turma, AgRg no HC 618.666, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 02/03/2021.

A posse de drogas no interior de estabelecimentos prisionais, ainda que para uso próprio, configura falta
disciplinar de natureza grave, nos moldes do art. 52 da Lei de Execução Penal. STJ. 5ª Turma. HC 590.178/SC, Rel.
Min. Ribeiro Dantas, julgado em 18/08/2020.

A oitiva do condenado pelo Juízo da Execução Penal, em audiência de justificação realizada na presença do
defensor e do Ministério Público, afasta a necessidade de prévio Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD),
assim como supre eventual ausência ou insuficiência de defesa técnica no PAD instaurado para apurar a prática
de falta grave durante o cumprimento da pena. STF. Plenário. RE 972598, Rel. Roberto Barroso, julgado em
04/05/2020 (Repercussão Geral – Tema 941) (Info 985 – clipping).

TRABALHO

#APOSTACICLOS

- O trabalho do condenado, como dever social e condição de dignidade humana, terá finalidade educativa e
produtiva.

137
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Ciclos Método
- O trabalho do preso será remunerado, mediante prévia tabela, não podendo ser inferior a 3/4 (três quartos) do
salário mínimo, mas as tarefas executadas como prestação de serviço à comunidade não serão remuneradas.
- Obrigatoriedade do trabalho: O condenado à pena privativa de liberdade está obrigado ao trabalho na medida
de suas aptidões e capacidade.
- Facultatividade do trabalho: Para o preso provisório, o trabalho não é obrigatório e só poderá ser executado no
interior do estabelecimento.
- A jornada normal de trabalho não será inferior a 6 (seis) nem superior a 8 (oito) horas, com descanso nos
domingos e feriados.
- Segundo o STJ, caso o condenado à pena privativa de liberdade se recuse a trabalhar ele praticará falta grave?
A Lei de Execuções Penais (Lei nº 7.210/84) prevê que o condenado à pena privativa de liberdade é obrigado a
trabalhar (art. 31 e art. 39, V). Caso o preso se recuse, injustificadamente, a realizar o trabalho obrigatório, ele
comete falta grave (art. 50, VI), podendo ser punido. Obs: o dever de trabalho imposto pela LEP ao apenado não
é considerado como pena de trabalho forçado, não sendo incompatível com o art. 5º, XLVII.

#DEOLHONAJURIS:

O patamar mínimo diferenciado de remuneração aos presos previsto no art. 29, caput, da Lei nº 7.210/84 (Lei
de Execução Penal - LEP) não representa violação aos princípios da dignidade humana e da isonomia, sendo
inaplicável à hipótese a garantia de salário-mínimo prevista no art. 7º, IV, da Constituição Federal. STF. Plenário.
ADPF 336/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 27/2/2021 (Info 1007).

Trabalho externo:

- O trabalho externo será admissível para os presos em regime fechado somente em serviço ou obras públicas
realizadas por órgãos da Administração Direta ou Indireta, ou entidades privadas, desde que tomadas as cautelas
contra a fuga e em favor da disciplina.
O limite máximo do número de presos será de 10% (dez por cento) do total de empregados na obra.
A prestação de trabalho externo, a ser autorizada pela direção do estabelecimento, dependerá de aptidão,
disciplina e responsabilidade, além do cumprimento mínimo de 1/6 (um sexto) da pena.
Revogar-se-á a autorização de trabalho externo ao preso que vier a praticar fato definido como crime, for punido
por falta grave, ou tiver comportamento contrário aos requisitos estabelecidos neste artigo.
- A exigência de que o condenado cumpra 1/6 da pena para ter direito ao trabalho externo aplica-se para os
regimes fechado, semiaberto e aberto? NÃO. A exigência objetiva do art. 37 de que o condenado tenha
cumprido no mínimo 1/6 da pena, para fins de trabalho externo, aplica-se apenas aos condenados que se
encontrem em regime fechado. Assim, o trabalho externo é admissível aos apenados que estejam no regime
semiaberto ou aberto mesmo que ainda não tenham cumprido 1/6 da pena, desde que satisfeitos os demais
requisitos. Jurisprudência do STJ pacífica.

#DEOLHONAJURIS:

Indaga-se: durante a pandemia da Covid-19, os apenados que tiveram suspenso o exercício do trabalho externo,
possuem direito à prisão domiciliar? O STJ está dividido sobre o tema: • 5ª Turma do STJ: como regra, NÃO. A
suspensão temporária do trabalho externo no regime semiaberto em razão da pandemia atende à Resolução nº
62 do CNJ, cuja recomendação não implica automática substituição da prisão decorrente da sentença
condenatória pela domiciliar. STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 580.495-SC, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca,
julgado em 09/06/2020 (Info 673). • 6ª Turma do STJ: como regra, SIM Os reeducandos que cumprem pena em
regime semiaberto e aberto e que tiveram suspenso o exercício do trabalho externo como medida preventiva de
combate à Covid-19, possuem direito ao regime domiciliar, desde que não ostentem procedimento de apuração
de falta grave. STJ. 6ª Turma. HC 575.495/MG, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 02/06/2020 (Info 673)
138
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Ciclos Método

O fato de o irmão do apenado ser um dos sócios da empresa empregadora não constitui óbice à concessão do
benefício do trabalho externo, ainda que se argumente sobre o risco de ineficácia da realização do trabalho
externo devido à fragilidade na fiscalização. Ex: João, que cumpria pena em regime fechado, teve direito à
progressão, passando ao regime semiaberto. O reeducando requereu, então, ao juízo da execução penal o direito
de, todos os dias úteis, sair para trabalhar, retornando ao final do expediente (trabalho externo). Para fazer esse
requerimento, o preso deverá comprovar que recebeu possui uma proposta de trabalho. A fim de cumprir essa
exigência, João apresentou uma proposta de trabalho da empresa "XXX" que declarava que iria contratá-lo.
Ocorre que o Ministério Público opôs ao deferimento do pedido sob o argumento de que a empresa "XXX"
pertence ao irmão de João. Logo, na visão do MP, não haveria nenhuma garantia de que o preso iria realmente
trabalhar no local, podendo ele ser acobertado em suas faltas em razão do parentesco. A tese do MP não foi
aceita. O simples fato de a empresa contratante pertencer ao irmão do preso não impede que ele tenha direito
ao trabalho externo. STJ. 5ª Turma. HC 310.515-RS, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 17/9/2015 (Info 569).

AUTORIZAÇÃO DE SAÍDA

AUTORIZAÇÃO DE SAÍDA
PERMISSÃO DE SAÍDA SAÍDA TEMPORÁRIA
Para os condenados que cumprem pena no APENAS aos condenados que cumprem pena no
REGIMES: FECHADO, SEMI-ABERTO e PROVISÓRIO SEMI-ABERTO
Competência: DIRETOR DO ESTABELECIMENTO ou Competência: JUIZ DA EXECUÇÃO
em caso de recusa cabe ao juiz conceder.
ESCOLTA SEM ESCOLTA
HIPÓTESES:
HIPÓTESES: ▪ Visita familiar
▪ Falecimento ou doença grave: CADI ▪ Frequência de curso/escola
▪ Tratamento médico ▪ Atividades que concorram para o retorno ao
convívio social

Possibilidade de monitoramento eletrônico -


excepcionalidade.
REQUISITOS:
▪ Bom comportamento
▪ Cumprimento de 1/6 da pena (se primário) ou ¼
(se reincidente)
▪ compatibilidade com os objetivos da pena

Concedida por prazo NÃO SUPERIOR A 7 SETE


DIAS. (Limitada a 4X AO ANO)

#ATENÇÃO #PACOTEANTICRIME
§ 2º Não terá direito à saída temporária a que se
refere o caput deste artigo o condenado que
cumpre pena por praticar crime hediondo com
resultado morte.”

- Regras gerais:
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Ciclos Método

- Cada preso terá o máximo de 5 saídas temporárias por ano (1 mais 4 renovações).
- Cada saída temporária tem duração máxima de 7 dias.
- Entre uma saída temporária e outra deve haver um intervalo mínimo de 45 dias.
Peculiaridade: no caso da saída temporária para estudo, o prazo da saída temporária será igual ao necessário
para as atividades discentes.
A contagem do prazo do benefício de saída temporária de preso é feita em dias e não em horas. O dia do começo
inclui-se no cômputo do prazo. Contam-se os dias, os meses e os anos pelo calendário comum. STF. 2ª Turma.
HC 130883/SC, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 31/5/2016 (Info 828).
Possibilidade de concessão de mais de cinco saídas temporárias por ano: Respeitado o limite anual de 35 dias,
estabelecido pelo art. 124 da LEP, é cabível a concessão de maior número de autorizações de curta duração.
Prazo mínimo entre saídas temporárias: Na hipótese de maior número de saídas temporárias de curta duração,
já intercaladas durante os doze meses do ano e muitas vezes sem pernoite, não se exige o intervalo previsto no
art. 124, § 3º, da LEP.

- Condições:
Ao conceder a saída temporária, o juiz imporá ao beneficiário as seguintes condições legais (obrigatórias): I – o
condenado deverá fornecer o endereço onde reside a família a ser visitada ou onde poderá ser encontrado
durante o gozo do benefício; II – o condenado deverá se comprometer a ficar recolhido na residência visitada,
no período noturno; III – o condenado não poderá frequentar bares, casas noturnas e estabelecimentos
congêneres.
Além dessas, o juiz pode fixar outras condições que entender compatíveis com as circunstâncias do caso e a
situação pessoal do condenado. Nesse caso, chamamos de condições judiciais (ou facultativas).

#APROFUNDANDO:

Calendário de saída:

Para o STF, um único ato judicial que analisa o histórico do sentenciado e estabelece um calendário de saídas
temporárias, com a expressa ressalva de que as autorizações poderão ser revistas em caso de cometimento de
infração disciplinar, mostra-se suficiente para fundamentar a autorização de saída temporária. A exigência feita
pelo STJ no sentido de que haja uma decisão motivada para cada saída temporária coloca em risco o direito do
sentenciado ao benefício, em razão do grande volume de processos nas varas de execuções penais. STF. 1ª
Turma. HC 98067, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 06/04/2010. STF. 2ª Turma. HC 128763, Rel. Min. Gilmar
Mendes, julgado em 04/08/2015.
É recomendável que cada autorização de saída temporária do preso seja precedida de decisão judicial motivada.
Entretanto, se a apreciação individual do pedido estiver, por deficiência exclusiva do aparato estatal, a interferir
no direito subjetivo do apenado e no escopo ressocializador da pena, deve ser reconhecida, excepcionalmente,
a possibilidade de fixação de calendário anual de saídas temporárias por ato judicial único. O calendário prévio
das saídas temporárias deverá ser fixado, obrigatoriamente, pelo Juízo das Execuções, não se lhe permitindo
delegar à autoridade prisional a escolha das datas específicas nas quais o apenado irá usufruir os benefícios. STJ.
14/9/2016 (recurso repetitivo) (Info 590). STJ alinhou entendimento com o STF.
A súmula não foi cancelada, mas passou a ser lida de uma outra forma, de modo que não impede que haja a
fixação do calendário, mas tal ato é privativo do juiz.

REGIME DISCIPLINAR DIFERENCIADO

#APOSTACICLOS:

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NFPSS | MPSP

Ciclos Método
*Antes da Lei nº 13.964/2019 Depois da Lei nº 13.964/2019
Art. 52. A prática de fato previsto como “Art. 52. A prática de fato previsto como crime doloso constitui
crime doloso constitui falta grave e, falta grave e, quando ocasionar subversão da ordem ou disciplina
quando ocasione subversão da ordem internas, sujeitará o preso provisório, ou condenado, nacional ou
ou disciplina internas, sujeita o preso estrangeiro, sem prejuízo da sanção penal, ao regime disciplinar
provisório, ou condenado, sem prejuízo diferenciado, com as seguintes características:
da sanção penal, ao regime disciplinar I - duração máxima de até 2 (dois) anos, sem prejuízo de repetição
diferenciado, com as seguintes da sanção por nova falta grave de mesma espécie;
características: (Redação II - recolhimento em cela individual;
dada pela Lei nº 10.792, de 2003) III - visitas quinzenais, de 2 (duas) pessoas por vez, a serem
I - duração máxima de trezentos e realizadas em instalações equipadas para impedir o contato físico
sessenta dias, sem prejuízo de repetição e a passagem de objetos, por pessoa da família ou, no caso de
da sanção por nova falta grave de terceiro, autorizado judicialmente, com duração de 2 (duas) horas;
mesma espécie, até o limite de um sexto IV - direito do preso à saída da cela por 2 (duas) horas diárias para
da pena aplicada; (Incluído banho de sol, em grupos de até 4 (quatro) presos, desde que não
pela Lei nº 10.792, de 2003) haja contato com presos do mesmo grupo criminoso;
II - recolhimento em cela V - entrevistas sempre monitoradas, exceto aquelas com seu
individual; (Incluído pela defensor, em instalações equipadas para impedir o contato físico
Lei nº 10.792, de 2003) e a passagem de objetos, salvo expressa autorização judicial em
III - visitas semanais de duas pessoas, contrário;
sem contar as crianças, com duração de VI - fiscalização do conteúdo da correspondência;
duas horas; (Incluído pela VII - participação em audiências judiciais preferencialmente por
Lei nº 10.792, de 2003) videoconferência, garantindo-se a participação do defensor no
IV - o preso terá direito à saída da cela mesmo ambiente do preso.
por 2 horas diárias para banho de § 1º O regime disciplinar diferenciado também será aplicado aos
sol. (Incluído pela Lei nº presos provisórios ou condenados, nacionais ou estrangeiros:
10.792, de 2003) I - que apresentem alto risco para a ordem e a segurança do
§ 1o O regime disciplinar diferenciado estabelecimento penal ou da sociedade;
também poderá abrigar presos II - sob os quais recaiam fundadas suspeitas de envolvimento ou
provisórios ou condenados, nacionais ou participação, a qualquer título, em organização criminosa,
estrangeiros, que apresentem alto risco associação criminosa ou milícia privada, independentemente da
para a ordem e a segurança do prática de falta grave.
estabelecimento penal ou da § 2º (Revogado).
sociedade. (Incluído pela Lei § 3º Existindo indícios de que o preso exerce liderança em
nº 10.792, de 2003) organização criminosa, associação criminosa ou milícia privada, ou
§ 2o Estará igualmente sujeito ao regime que tenha atuação criminosa em 2 (dois) ou mais Estados da
disciplinar diferenciado o preso Federação, o regime disciplinar diferenciado será
provisório ou o condenado sob o qual obrigatoriamente cumprido em estabelecimento prisional federal.
recaiam fundadas suspeitas de § 4º Na hipótese dos parágrafos anteriores, o regime disciplinar
envolvimento ou participação, a diferenciado poderá ser prorrogado sucessivamente, por períodos
qualquer título, em organizações de 1 (um) ano, existindo indícios de que o preso:
criminosas, quadrilha ou I - continua apresentando alto risco para a ordem e a segurança do
bando. (Incluído pela Lei nº estabelecimento penal de origem ou da sociedade;
10.792, de 2003) II - mantém os vínculos com organização criminosa, associação
criminosa ou milícia privada, considerados também o perfil
criminal e a função desempenhada por ele no grupo criminoso, a
operação duradoura do grupo, a superveniência de novos
processos criminais e os resultados do tratamento penitenciário.

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NFPSS | MPSP

Ciclos Método
§ 5º Na hipótese prevista no § 3º deste artigo, o regime disciplinar
diferenciado deverá contar com alta segurança interna e externa,
principalmente no que diz respeito à necessidade de se evitar
contato do preso com membros de sua organização criminosa,
associação criminosa ou milícia privada, ou de grupos rivais.
§ 6º A visita de que trata o inciso III do caput deste artigo será
gravada em sistema de áudio ou de áudio e vídeo e, com
autorização judicial, fiscalizada por agente penitenciário.
§ 7º Após os primeiros 6 (seis) meses de regime disciplinar
diferenciado, o preso que não receber a visita de que trata o inciso
III do caput deste artigo poderá, após prévio agendamento, ter
contato telefônico, que será gravado, com uma pessoa da família,
2 (duas) vezes por mês e por 10 (dez) minutos.”

REMIÇÃO

#APOSTACICLOS

A remição é um direito do preso, submetido a regime fechado ou semiaberto, que pode reduzir o tempo de
duração da pena privativa de liberdade através do trabalho ou do estudo. O condenado ao regime aberto, e o
que se encontra em livramento condicional, não podem remir pelo trabalho, tem vista que já se trata de requisito
necessário para concessão de tal regime, desse modo, neste regime é possível a remição apenas pelo estudo.
1 de dia de pena a cada 12 horas de estudo, dividida no mínimo em 3 dias (pelo estudo); 1 dia pena para 3 de
trabalho (pelo trabalho). Poderá ser cumulada a remição pelo trabalho e pelo estudo, desde que seja compatível.
Em caso de falta grave: o juiz poderá revogar até 1/3 (um terço) do tempo remido, observado o disposto no art.
57, recomeçando a contagem a partir da data da infração disciplinar. A perda na fração máxima necessário que
haja fundamentação concreta para justificá-la.
O tempo a remir em função das horas de estudo será acrescido de 1/3 (um terço) no caso de conclusão do ensino
fundamental, médio ou superior durante o cumprimento da pena, desde que certificada pelo órgão competente
do sistema de educação.

#DEOLHONAJURIS:

Súmula 341 STJ - A frequência a curso de ensino formal é causa de remição de parte do tempo de execução
de pena sob regime fechado ou semiaberto.

Reconhecida falta grave, a perda de até 1/3 do tempo remido (art. 127 da LEP) pode alcançar dias de trabalho
(ou de estudo) anteriores à infração disciplinar e que ainda não tenham sido declarados pelo juízo da execução
no cômputo da remição. Por outro lado, a perda dos dias remidos não pode alcançar os dias trabalhados (ou de
estudo) após o cometimento da falta grave. STJ. 6ª Turma. 1º/10/2015 (Info 571).

A prática de falta grave impõe a decretação da perda de até 1/3 dos dias remidos, devendo a expressão “poderá”,
contida no art. 127 da LEP, ser interpretada como verdadeiro poder-dever do magistrado, ficando no juízo de
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Ciclos Método
discricionariedade do julgador apenas a fração da perda, que terá como limite máximo 1/3 dos dias remidos. STJ.
5ª Turma. 19/3/2015 (Info 559).

Não se admite a remição ficta da pena. Embora o Estado tenha o dever de prover trabalho aos internos que
desejem laborar, reconhecer a remição ficta da pena, nesse caso, faria com que todas as pessoas do sistema
prisional obtivessem o benefício, fato que causaria substancial mudança na política pública do sistema carcerário,
além de invadir a esfera do Poder Executivo. O instituto da remição exige, necessariamente, a prática de
atividade laboral ou educacional. Trata-se de reconhecimento pelo Estado do direito à diminuição da pena em
virtude de trabalho efetuado pelo detento. Não sendo realizado trabalho, estudo ou leitura, não há que se falar
em direito à remição. STF. 1ª Turma. HC 124520/RO, rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ ac. Min. Roberto Barroso,
julgado em 29/5/2018 (Info 904). STJ. 5ª Turma. HC 421.425/MG, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 27/02/2018.
STJ. 6ª Turma. HC 425.155/MG, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 06/03/2018.

O reeducando tem direito à remição de sua pena pela atividade musical realizada em coral. STJ. 6ª Turma. REsp
1.666.637-ES, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 26/09/2017 (Info 613).

O fato de o estabelecimento penal onde se encontra o detento assegurar acesso a atividades laborais e à
educação formal, não impede que ele obtenha também a remição pela leitura, que é atividade complementar,
mas não subsidiária, podendo ocorrer concomitantemente, havendo compatibilidade de horários. STJ. 5ª Turma.
14/6/2016 (Info 587).

A remição da pena pelo estudo deve ocorrer independentemente de a atividade estudantil ser desenvolvida em
dia não útil. STJ. 6ª Turma. 5/2/2015 (Info 556).

Segundo o art. 30 da LEP, a jornada diária de trabalho do apenado deve ser de, no mínimo, 6 horas e, no máximo,
8 horas. Apesar disso, se um condenado, por determinação da direção do presídio, trabalha 4 horas diárias
(menos do que prevê a Lei), este período deverá ser computado para fins de remição de pena. Isso gerou uma
legítima expectativa de que ele fosse aproveitado, não sendo possível que seja desprezado, sob pena de ofensa
aos princípios da segurança jurídica e da proteção da confiança. STF. 2ª Turma. RHC 136509/MG, Rel. Min. Dias
Toffoli, julgado em 4/4/2017 (Info 860)

Se o preso, ainda que sem autorização do juízo ou da direção do estabelecimento prisional, efetivamente
trabalhar nos domingos e feriados, esses dias deverão ser considerados no cálculo da remição da pena. STJ. 5ª
Turma. 21/6/2016 (Info 586).

A LEP estabelece que o cálculo da remição da pena será efetuado pelos dias trabalhados pelo condenado
(art. 126, § 1º, II da Lei nº 7.210/84), não podendo o Judiciário construir uma nova forma de cálculo com base
nas horas trabalhadas. STF. 2ª Turma. HC 114393/RS, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 3/12/2013 (Info 731).

Remição pelo trabalho antes do início da execução da pena. É possível a remição do tempo de trabalho realizado
antes do início da execução da pena, desde que em data posterior à prática do delito. Não interessa, portanto,
se o trabalho foi realizado antes ou depois do início da execução penal (início do cumprimento da pena). O que
interessa analisar é se o trabalho foi realizado antes ou depois do cometimento do crime no qual se quer
aproveitar a remição. • Se o trabalho foi realizado ANTES do crime: não será possível a remição na execução
penal deste delito. • Se o trabalho foi realizado APÓS o crime: será sim possível a remição na execução penal
deste delito. STJ. 6ª Turma. HC 420.257-RS, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 19/04/2018 (Info 625).

A Resolução CNJ no 44/2013 menciona a carga horária de 1.600 horas para o ensino fundamental, e 1.200 horas
para o ensino médio, que se refere ao percentual de 50% da carga horária definida legalmente para cada nível
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Ciclos Método
de ensino. Considerando como base de cálculo 50% da carga horária definida legalmente para o ensino médio,
ou seja, 1.200 horas, deve-se dividir esse total por 12, encontrando-se o resultado de 100 dias de remição em
caso de aprovação em todos os campos de conhecimento do ENEM. Se a aprovação foi no ENCCEJA (ensino
fundamental), deve-se dividir as 1.600 horas por 12, encontrando-se o resultado de 133 dias, desprezando-se a
fração. Se o apenado obteve aprovação em todas as cinco áreas de conhecimento, faz jus ao total de 133 dias de
remição, acrescidos de bônus de 1/3, nos termos do art. 126, § 5o, da Lei de Execução Penal, perfazendo o total
de 177 dias remidos por estudo. STJ. 3a Seção. HC 602.425/SC, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado
em 10/03/2021 (Info 689).

Para o cálculo de dias remidos pelo estudo, a Recomendação 44/2013 do CNJ orienta-se pelos parâmetros
previstos na Resolução 3/2010 do Conselho Nacional de Educação, a qual, todavia, deve ser conjugada com a
carga horária prevista na Lei nº 9.394/96, por se tratar de interpretação mais benéfica ao réu. STF. 2ª Turma. HC
190806 AgR/SC, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 30/3/2021 (Info 1011).

LIVRAMENTO CONDICIONAL

REQUISITOS DO LIVRAMENTO CONDICIONAL (ART. 83, CP).


OBJETIVOS Condenação à pena privativa de liberdade igual ou superior a 2 anos.
Reparação do dano, salvo efetiva impossibilidade de fazê-lo.
Cumprimento de parte da pena:
1) Livramento condicional simples: mais de 1/3 da pena, se portador de bons
antecedentes e não reincidente em crime doloso;
2) Livramento condicional qualificado: mais de ½ da pena, se reincidente em crime
doloso;
3) Livramento condicional específico (crimes hediondos e equiparados, tráfico de
pessoas): cumprimento de mais de 2/3 da pena, se condenado por crime hediondo ou
equiparado, ou ainda por tráfico de pessoas, e desde que não seja reincidente específico.

SUBJETIVOS #PACOTEANTICRIME: Comprovado BOM comportamento durante a execução da pena;

#PACOTEANTICRIME: não cometimento de falta grave nos últimos 12 meses;


#PACOTEANTICRIME: bom desempenho no trabalho que lhe foi atribuído;
#PACOTEANTICRIME: aptidão para prover a própria subsistência mediante trabalho
honesto.

SUSPENSÃO CONDICIONAL DA PENA

SUSPENSÃO CONDICIONAL DA PENA


OBJETIVOS Natureza da pena: a pena deve ser privativa de liberdade.
Quantidade da pena aplicada: a pena aplicada concretamente na sentença não pode ser
superior a 2 anos.
Que não tenha sido a pena privativa de liberdade substituída pela restritiva de direitos (art.
77, III, CP).
SUBJETIVOS Réu não reincidente em crime doloso, salvo se a condenação anterior foi exclusivamente à
pena de multa (art. 77, I e §1º, CP).

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NFPSS | MPSP

Ciclos Método
Que a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e personalidade do agente, bem
como os motivos e as circunstâncias autorizem a concessão do benefício (art. 77, II, CP).

PROGRESSÃO DO REGIME

#APOSTACICLOS:

REQUISITO OBJETIVO
Crimes “COMUNS” Crimes HEDIONDOS Gestante ou que for mãe ou
ou equiparados responsável por crianças ou
pessoas com deficiência
16% Primário + sem violência 40% Primário + Crime Cumulativamente:
ou grave ameaça Hediondo/Equiparado I - não ter cometido crime com
violência ou grave ameaça a
20% Reincidente + sem 50% Primário + Crime pessoa;
violência ou grave ameaça Hediondo/Equiparado, com II - não ter cometido o crime
resultado morte, VEDADO O contra seu filho ou dependente;
25% Primário + com violência LIVRAMENTO CONDICIONAL. III - ter cumprido ao menos 1/8
ou grave ameaça da pena no regime anterior;
50% Exercer o comando, IV - ser primária e ter bom
30% Reincidente + com individual ou coletivo, de comportamento carcerário,
violência ou grave ameaça organização criminosa comprovado pelo diretor do
estruturada para a prática de estabelecimento;
crime hediondo ou equiparado V - não ter integrado organização
criminosa.
50% Crime de constituição de
milícia privada

60% Reincidente + crime


hediondo/equiparado

70% Reincidente + crime


hediondo/equiparado, com
resultado morte, VEDADO O
LIVRAMENTO CONDICIONAL.

#DEOLHONAJURIS:

A Lei nº 13.769/2018 incluiu o § 3º no art. 112 da Lei de Execuções Penais - LEP, prevendo progressão de regime
especial. Esse § 3º afirmou que a mulher gestante ou que for mãe/responsável por crianças ou pessoas com
deficiência poderá progredir de regime com 1/8 da pena cumprida (o que é um tempo menor do que a regra
geral), mas desde que cumpridos alguns requisitos elencados no dispositivo. Um dos requisitos para ter direito
a essa progressão especial está no fato de que a reeducanda não pode ter “integrado organização criminosa”
(inciso V). Esse requisito deve ser interpretado de acordo com a definição de organização criminosa da Lei nº
12.850/2013. Logo, essa expressão (“organização criminosa”) não pode ser interpretada em sentido amplo para
abranger toda e qualquer associação criminosa. A pessoa só estará impedida de gozar da progressão com base

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Ciclos Método
nesse inciso em caso de ter praticado o crime previsto na Lei nº 12.850/2013. STJ. 6ª Turma. HC 522.651-SP, Rel.
Min. Laurita Vaz, julgado em 04/08/2020 (Info 678).

Condenado tem direito à progressão a partir da data em que preenche requisitos legais. A data-base para
subsequente progressão de regime é aquela em que o reeducando preencheu os requisitos do art. 112 da LEP e
não aquela em que o Juízo das Execuções deferiu o benefício. A decisão do Juízo das Execuções que defere a
progressão de regime é declaratória (e não constitutiva). Algumas vezes, o reeducando preenche os requisitos
em uma data, mas a decisão acaba demorando meses para ser proferida. Não se pode desconsiderar, em prejuízo
do reeducando, o período em que permaneceu cumprindo pena enquanto o Judiciário analisava seu
requerimento de progressão. STF. 2ª Turma. HC 115254, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 15/12/2015. STJ.
6ª Turma. STJ. 6ª Turma. HC 369.774/RS, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 22/11/2016 (Info 595).

O não pagamento voluntário da pena de multa impede a progressão no regime prisional? SIM. O Plenário do STF
decidiu o seguinte: • Regra: o inadimplemento deliberado da pena de multa cumulativamente aplicada ao
sentenciado impede a progressão no regime prisional. • Exceção: mesmo sem ter pago, pode ser permitida a
progressão de regime se ficar comprovada a absoluta impossibilidade econômica do apenado em quitar a multa,
ainda que parceladamente. STF. Plenário. EP 12 ProgReg-AgR/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em
8/4/2015 - Info 780.

O requisito “não ter integrado organização criminosa” incluso no inciso V do § 3º do art. 112 da LEP, para
progressão de regime da mulher gestante, mãe ou responsável por criança ou pessoa com deficiência, deve ser
interpretado de acordo com a definição de organização criminosa da Lei nº 12.850/2013.STJ. 6ª Turma. HC
522.651-SP, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 04/08/2020 (Info 678).

Súmula 491/STJ: É inadmissível a chamada progressão per saltum de regime prisional. - (Já a regressão per saltum
é admissível)

A progressão de regime do reincidente não específico em crime hediondo ou equiparado com resultado morte
deve observar o que previsto no inciso VI, “a”, do art. 112 da LEP Importante!!! Caso concreto: João está
cumprindo pena por homicídio qualificado (crime hediondo), cometido em 2019. Vale ressaltar que João é
reincidente genérico (não é reincidente específico; ele havia sido condenado anteriormente por receptação, que
não é crime hediondo). Diante disso, a previsão era a de que João tivesse direito à progressão de regime com
3/5 da pena (art. 2º, § 2º, da Lei nº 8.072/90). Ocorre que entrou em vigor a Lei nº 13.964/2019, que revogou o
referido art. 2º, § 2º e instituiu novas regras de progressão no art. 112 da LEP. Em qual inciso do art. 112 se
enquadra o réu condenado por crime hediondo, com resultado morte, reincidente não específico (reincidente
genérico)? Essa situação não foi contemplada na lei. Os incisos VII e VIII do art. 112 exigem a reincidência
específica. Diante da ausência de previsão legal, deve-se fazer analogia in bonam partem e a ele deverá ser
aplicada a mesma fração do condenado primário, ou seja, a regra do inciso VI, “a”, do art. 112 (50%): Art. 112. A
pena privativa de liberdade será executada em forma progressiva com a transferência para regime menos
rigoroso, a ser determinada pelo juiz, quando o preso tiver cumprido ao menos: VI - 50% (cinquenta por cento)
da pena, se o apenado for: a) condenado pela prática de crime hediondo ou equiparado, com resultado morte,
se for primário, vedado o livramento condicional; Resumindo: • art. 2º, § 2º, da Lei nº 8.072/90: a fração mais
grave deveria ser aplicada tanto ao reincidente específico como genérico. A Lei de Crimes Hediondos não fazia
distinção entre a reincidência genérica e a específica para estabelecer o cumprimento de 3/5 da pena para fins
de progressão de regime • incisos VII e VIII do art. 112 da LEP: a fração mais grave só se aplica para o reincidente
específico. O condenado pela prática de crime hediondo, com resultado morte, mas reincidente em crime
comum irá progredir como se fosse primário. No exemplo dado, a Lei nº 13.964/2019 foi mais favorável porque
o réu progredia com 3/5 (= 60%) e agora a fração é de 50% (art. 112, VI, “a”, da LEP). Logo, ela se aplica, neste

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NFPSS | MPSP

Ciclos Método
ponto, aos fatos ocorridos antes da sua vigência. STJ. 6ª Turma. HC 581.315-PR, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior,
julgado em 06/10/2020 (Info 681).

Tendo em vista a legalidade e a taxatividade da norma penal (art. 5º, XXXIX, CF), a alteração promovida pela Lei
13.964/2019 no art. 112 da LEP não autoriza a incidência do percentual de 60% (inc. VII) aos condenados
reincidentes não específicos para o fim de progressão de regime. Diante da omissão legislativa, impõe-se a
analogia in bonam partem, para aplicação, inclusive retroativa, do inciso V do artigo 112 da LEP (lapso temporal
de 40%) ao condenado por crime hediondo ou equiparado sem resultado morte reincidente não específico. STF.
Plenário. ARE 1327963/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 17/09/2021 (Repercussão Geral – Tema 1169)
(Info 1032).

A alteração da data-base para concessão de novos benefícios executórios, em razão da unificação das penas, não
encontra respaldo legal. Assim, não se pode desconsiderar o período de cumprimento de pena desde a última
prisão ou desde a última infração disciplinar, seja por delito ocorrido antes do início da execução da pena, seja
por crime praticado depois e já apontado como falta disciplinar grave. Se isso for desconsiderado, haverá excesso
de execução. STJ. 3ª Seção. REsp 1.557.461-SC, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 22/02/2018 (Info 621).

A unificação de penas não enseja a alteração da data-base para concessão de novos benefícios executórios. STJ.
3ª Seção. ProAfR no REsp 1.753.509-PR, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 18/12/2018 (recurso
repetitivo) (Info 644).

Se o condenado estava preso preventivamente, a data da prisão preventiva deve ser considerada como termo
inicial para fins de obtenção de progressão de regime e demais benefícios da execução penal, desde que não
ocorra condenação posterior por outro crime apta a configurar falta grave. STF. 1ª Turma. RHC 142463/MG, Rel.
Min. Luiz Fux, julgado em 12/9/2017 (Info 877)

O STJ consolidou entendimento no sentido de que a situação irregular do estrangeiro no País não é circunstância,
por si só, capaz de afastar o princípio da igualdade entre nacionais e estrangeiros, razão pela qual a existência
de processo ou mesmo decreto de expulsão em desfavor do estrangeiro não impede a concessão dos benefícios
da progressão de regime ou do livramento condicional, tendo em vista que a expulsão poderá ocorrer, conforme
o interesse nacional, após o cumprimento da pena, ou mesmo antes disto. STJ, julgado em 03/09/2015. STJ,
julgado em 05/03/2015.

Não havendo na sentença condenatória transitada em julgado determinação expressa de reparação do dano
ou de devolução do produto do ilícito, não pode o juízo das execuções inserir referida condição para fins de
progressão de regime. Para que a reparação do dano ou a devolução do produto do ilícito faça parte da própria
execução penal, condicionando a progressão de regime, é necessário que essa determinação de reparação ou
ressarcimento conste expressamente da sentença condenatória, de forma individualizada e em observância aos
princípios da ampla defesa e do contraditório,observando-se, assim, o devido processo legal. STJ. 5ª Turma. HC
686.334-PE, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 14/09/2021 (Info 709).

a) A falta de estabelecimento penal adequado não autoriza a manutenção do condenado em regime prisional
mais gravoso; b) Os jui ́zes da execução penal poderão avaliar os estabelecimentos destinados aos regimes
semiaberto e aberto, para qualificação como adequados a tais regimes. São aceitáveis estabelecimentos que não
se qualifiquem como “colô nia agri ́cola, industrial” (regime semiaberto) ou “casa de albergado ou
estabelecimento adequado” (regime aberto) (art. 33, §1o, ali ́neas “b” e “c”, do CP); c) Havendo déficit de vagas,
deverá determinar-se: (i) a sai ́da antecipada de sentenciado no regime com falta de vagas (ii) a liberdade
eletronicamente monitorada ao sentenciado que sai antecipadamente ou é posto em prisão domiciliar por falta
de vagas; (iii) o cumprimento de penas restritivas de direito e/ou estudo ao sentenciado que progride ao regime
147
NFPSS | MPSP

Ciclos Método
aberto; d) Até que sejam estruturadas as medidas alternativas propostas, poderá ser deferida a prisão domiciliar
ao sentenciado. STF. Plenário. RE 641320/RS, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 11/5/2016 (repercussão
geral) (Info 825).

Súmula vinculante 56: A falta de estabelecimento penal adequado não autoriza a manutenção do condenado em
regime prisional mais gravoso, devendo-se observar, nessa hipótese, os parâmetros fixados no RE 641.320/RS.

MONITORIZAÇÃO ELETRÔNICA

Em quais situações o juiz pode deferir? Quando autorizar a saída temporária no regime semiaberto. Quando
determinar a prisão domiciliar.

Quais os deveres que o condenado deve ter? I - receber visitas do servidor responsável pela monitoração
eletrônica, responder aos seus contatos e cumprir suas orientações; II - abster-se de remover, de violar, de
modificar, de danificar de qualquer forma o dispositivo de monitoração eletrônica ou de permitir que outrem o
faça.

Se descumpridos tais deveres, quais as sanções? A violação comprovada dos deveres previstos neste artigo
poderá acarretar, a critério do juiz da execução, ouvidos o Ministério Público e a defesa: I - a regressão do
regime; II - a revogação da autorização de saída temporária; VI - a revogação da prisão domiciliar; VII -
advertência, por escrito, para todos os casos em que o juiz da execução decida não aplicar alguma das medidas
previstas nos incisos de I a VI deste parágrafo.

Quais as hipóteses de revogação? As hipóteses de revogação previstas na LEP são facultativas. Desse modo, a
monitoração eletrônica poderá ser revogada. I - quando se tornar desnecessária ou inadequada; II - se o acusado
ou condenado violar os deveres a que estiver sujeito durante a sua vigência ou cometer falta grave.

AGRAVO EM EXECUÇÃO

Art. 197. Das decisõ es proferidas pelo Juiz caberá recurso de agravo, sem efeito suspensivo.
O único recurso previsto na LEP é o agravo, já que a maioria das decisõ es em sede de execução terá natureza
interlocutória.
Em regra, o recurso não terá efeito suspensivo, salvo na hipótese de desinternação ou liberação de pessoa sujeita
à medida de segurança.
O rito a ser aplicado é o do recurso em sentido estrito (art. 582 a 592, do Código de Processo Penal), sendo a
interposição no prazo de 5 dias, conforme entendimento sumulado do STF.

Sú mula nº 700 do STF: “É de cinco dias o prazo para interposição de agravo contra decisão do juiz da execução
penal”.

ANISTIA, GRAÇA E INDULTO

GRAÇA INDULTO
ANISTIA
(ou indulto individual) (ou indulto coletivo)
É um benefício concedido pelo Concedidos por Decreto do Presidente da República.
Congresso Nacional, com a sanção do
148
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Ciclos Método
Presidente da República (art. 48, VIII, Apagam o efeito executório da condenação.
CF/88), por meio do qual se “perdoa” a
prática de um fato criminoso. A atribuição para conceder pode ser delegada ao(s):
• Procurador Geral da República;
Abrange fatos, e não indivíduos, • Advogado Geral da União;
embora possam ser impostas condições • Ministros de Estado.
específicas ao réu ou condenado
(anistia condicionada).

Normalmente, incide sobre crimes


políticos, mas também pode abranger
outras espécies de delito.
É concedida por meio de uma lei federal Concedidos por meio de um Decreto.
ordinária.
Pode ser concedida: Tradicionalmente, a doutrina afirma que tais benefícios só
• antes do trânsito em julgado (anistia podem ser concedidos após o trânsito em julgado da
própria); condenação. Esse entendimento, no entanto, está cada dia
• depois do trânsito em julgado (anistia mais superado, considerando que o indulto natalino, por
imprópria). exemplo, permite que seja concedido o benefício desde
que tenha havido o trânsito em julgado para a acusação ou
quando o MP recorreu, mas não para agravar a pena
imposta (art. 5º, I e II, do Decreto 7.873/2012).
Classificação Classificação
a) Propriamente dita: quando concedida a) Pleno: quando extingue totalmente a pena.
antes da condenação. b) Parcial: quando somente diminui ou substitui a pena
b) Impropriamente dita: quando (comutação).
concedida após a condenação.
a) Incondicionado: quando não impõe qualquer condição.
a) Irrestrita: quando atinge b) Condicionado: quando impõe condição para sua
indistintamente todos os autores do fato concessão.
punível.
b) Restrita: quando exige condição a) Restrito: exige condições pessoais do agente. Ex.: exige
pessoal do autor do fato punível. Ex.: primariedade.
exige primariedade. b) Irrestrito: quando não exige condições pessoais do
agente.
a) Incondicionada: não se exige condição
para a sua concessão.
b) Condicionada: exige-se condição para
a sua concessão. Ex.: reparação do dano.

a) Comum: atinge crimes comuns.


b) Especial: atinge crimes políticos.
Extingue os efeitos penais (principais e Só extinguem o efeito principal do crime (a sanção penal).
secundários) do crime. Os efeitos penais secundários e os efeitos de natureza civil
Os efeitos de natureza civil permanecem permanecem íntegros.
íntegros.

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Ciclos Método
O réu condenado que foi anistiado, se O réu condenado que foi beneficiado por graça ou indulto,
cometer novo crime, não será se cometer novo crime, será reincidente.
reincidente.
É um benefício coletivo que, por referir- É um benefício individual É um benefício coletivo
se somente a fatos, atinge apenas os (com destinatário certo). (sem destinatário certo).
que o cometeram. Depende de pedido do É concedido de ofício (não
sentenciado. depende de provocação).

19. Disposições processuais penais na legislação especial; 19.1. Crimes Hediondos (Lei n° 8.072/1990); 19.2.
Organizações Criminosas (Leis n° 12.694/2012 e 12.850/2013); 19.3. Código de Trânsito Brasileiro (Lei n°
9.503/1997); 19.4. Meio ambiente (Lei n° 9.605/1998); 19.5. Lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores
(Lei nº 9.613/1998); 19.6. Proteção a vítimas e testemunhas ameaçadas e a imputados colaboradores (Lei n°
9.807/1999); 19.7. Identificação criminal (Lei n° 12.037/2009); 19.8. Falência e recuperação judicial ou
extrajudicial (Lei n° 11.101/2005); 19.9. Violência doméstica e familiar contra a mulher (Leis n° 11.340/2006)
e 14.149/2021); 19.10. Drogas (Lei n° 11.340/2006); 19.11. Interceptação telefônica e captação ambiental de
sinais eletromagnéticos, ópticos ou acústicos (Lei n° 9.296/1996); 19.12. Sigilo das Operações Financeiras (Lei
Complementar n° 105/20021); 19.13. Estatuto do Idoso (Lei n° 10.741/2003); 19.14. Responsabilidade de
prefeitos e vereadores (Decreto-Lei n° 201/1967); 19.15. Criança ou adolescente vítima ou testemunha de
violência (Lei n° 13.431/2017); 19.16. Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Decreto n° 678/1992).

Pessoal, esses pontos já foram trabalhados no NFPSS de Direito Penal.

TUTELA DOS INTERESSES DIFUSOS E COLETIVOS

Sem perder tempo vamos para mais um NFPSS. Aproveitem para revisar agora e boa sorte!!!

ESTATUTO DO IDOSO

DEFINIÇÃO DE IDOSO: Pessoa idosa é aquela com idade IGUAL ou SUPERIOR a 60 anos, sendo o envelhecimento
um direito personalíssimo. Idoso é considerado hipervulnerável.

#ATENÇÃO: Nem todos os direitos assegurados pelo Estatuto são destinados às pessoas com idade igual
ou superior a 60 (sessenta) anos.

FAIXA ETÁRIA BENEFÍCIO


Ser considerado idoso e desfrutas, em geral, dos direitos e
Idade igual ou superior a 60 anos
prerrogativas do Estatuto.

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Ciclos Método

Benefício de prestação continuada (BPC), nos termos da Lei


Orgânica da Assistência Social, desde que não possua meios
para prover sua subsistência nem tê-la provida por sua família,
além de preencher os requisitos legais.

Idade igual ou superior a 65 anos Gratuidade dos transportes coletivos públicos urbanos e
semiurbanos
Possibilidade de acesso à gratuidade nos meios de transporte,
desde que haja legislação local dispondo sobre o tema.

As normas de proteção aos idosos são de ordem pública. O Estatuto do Idoso é considerado um
microssistema jurídico, agregando normas de Direito Civil, Constitucional, Administrativo, Penal e Processo
Penal.

Os direitos dos idosos estão localizados na 3ª dimensão de direitos fundamentais, isto é, são direitos
que se fundamentam no valor fraternidade, fazendo parte do universo dos direitos difusos, coletivos e
individuais homogêneos.

#VAICAIR #APOSTACICLOS #ALTERAÇÃO2018


A lei n° 13.721/2018 alterou o CPP e estabeleceu prioridade para realização do exame de corpo de delito nos
crimes que envolvam violência contra idoso ou pessoa com deficiência.

Principais artigos
ATENÇÃO!

Art. 2º O idoso goza de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção
integral de que trata esta Lei, assegurando-se-lhe, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e
facilidades, para preservação de sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, intelectual, espiritual
e social, em condições de liberdade e dignidade.

Art. 3º É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta
prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao
trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária.

§ 1º A garantia de prioridade compreende: (Redação dada pela Lei nº 13.466, de 2017)


I – atendimento preferencial imediato e individualizado junto aos órgãos públicos e privados prestadores de
serviços à população;
II – preferência na formulação e na execução de políticas sociais públicas específicas;
III – destinação privilegiada de recursos públicos nas áreas relacionadas com a proteção ao idoso;
IV – viabilização de formas alternativas de participação, ocupação e convívio do idoso com as demais gerações;
V – priorização do atendimento do idoso por sua própria família, em detrimento do atendimento asilar, exceto
dos que não a possuam ou careçam de condições de manutenção da própria sobrevivência;
VI – capacitação e reciclagem dos recursos humanos nas áreas de geriatria e gerontologia e na prestação de
serviços aos idosos;
VII – estabelecimento de mecanismos que favoreçam a divulgação de informações de caráter educativo sobre
os aspectos biopsicossociais de envelhecimento;
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Ciclos Método
VIII – garantia de acesso à rede de serviços de saúde e de assistência social locais.
IX – prioridade no recebimento da restituição do Imposto de Renda. (Incluído pela Lei nº 11.765, de 2008).
§ 2º Dentre os idosos, é assegurada prioridade especial aos maiores de oitenta anos, atendendo-se suas
necessidades sempre preferencialmente em relação aos demais idosos. (Incluído pela Lei nº 13.466, de 2017)

Art. 4º Nenhum idoso será objeto de qualquer tipo de negligência, discriminação, violência, crueldade ou
opressão, e todo atentado aos seus direitos, por ação ou omissão, será punido na forma da lei.
§ 1º É dever de todos prevenir a ameaça ou violação aos direitos do idoso.
§ 2º As obrigações previstas nesta Lei não excluem da prevenção outras decorrentes dos princípios por ela
adotados.

Art. 5º A inobservância das normas de prevenção importará em responsabilidade à pessoa física ou jurídica nos
termos da lei.

Art. 6º Todo cidadão tem o dever de comunicar à autoridade competente qualquer forma de violação a esta Lei
que tenha testemunhado ou de que tenha conhecimento.

Art. 7º Os Conselhos Nacional, Estaduais, do Distrito Federal e Municipais do Idoso, previstos na Lei no 8.842,
de 4 de janeiro de 1994, zelarão pelo cumprimento dos direitos do idoso, definidos nesta Lei.

Do Direito à Vida

Art. 8º O envelhecimento é um direito personalíssimo e a sua proteção um direito social, nos termos desta Lei
e da legislação vigente.
Art. 9º É obrigação do Estado, garantir à pessoa idosa a proteção à vida e à saúde, mediante efetivação de
políticas sociais públicas que permitam um envelhecimento saudável e em condições de dignidade.

Do Direito à Liberdade, ao Respeito e à Dignidade

Art. 10. É obrigação do Estado e da sociedade, assegurar à pessoa idosa a liberdade, o respeito e a dignidade,
como pessoa humana e sujeito de direitos civis, políticos, individuais e sociais, garantidos na Constituição e nas
leis.
§ 1º O direito à liberdade compreende, entre outros, os seguintes aspectos:
I – faculdade de ir, vir e estar nos logradouros públicos e espaços comunitários, ressalvadas as restrições legais;
II – opinião e expressão;
III – crença e culto religioso;
IV – prática de esportes e de diversões;
V – participação na vida familiar e comunitária;
VI – participação na vida política, na forma da lei;
VII – faculdade de buscar refúgio, auxílio e orientação.
§ 2º O direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral, abrangendo a
preservação da imagem, da identidade, da autonomia, de valores, idéias e crenças, dos espaços e dos objetos
pessoais.
§ 3º É dever de todos zelar pela dignidade do idoso, colocando-o a salvo de qualquer tratamento desumano,
violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor.

Do Direito aos alimentos

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Ciclos Método
Um dos direitos assegurados pelo Estatuto do idoso é o direito aos alimentos. A previsão determina que
a obrigação, nesse caso, é solidária, ou seja, pode o idoso optar entre os prestadores. Atenção, pois essa
regulamentação é diferente do que dispõe o CC no capítulo de alimentos.

REGRA GERAL (CC, art. 1698) REGRA ESPECIAL (Est. Idoso, art. 12)

Obrigação subsidiária Obrigação solidária

Existe uma ordem a ser seguida entre aqueles O idoso pode optar livremente entre os parentes que
familiares chamados a assumir o encargo de prestar deverão ser chamados a prestar alimentos.
alimentos

Do Direito à Saúde

É assegurada a atenção integral à saúde do idoso, por intermédio do Sistema Único de Saúde – SUS,
garantindo-lhe o acesso universal e igualitário, em conjunto articulado e contínuo das ações e serviços, para
a prevenção, promoção, proteção e recuperação da saúde, incluindo a atenção especial às doenças que
afetam preferencialmente os idosos.
A prevenção e a manutenção da saúde do idoso serão efetivadas por meio de:
I – cadastramento da população idosa em base territorial;
II – atendimento geriátrico e gerontológico em ambulatórios;
III – unidades geriátricas de referência, com pessoal especializado nas áreas de geriatria e gerontologia social;
IV – atendimento domiciliar, incluindo a internação, para a população que dele necessitar e esteja
impossibilitada de se locomover, inclusive para idosos abrigados e acolhidos por instituições públicas,
filantrópicas ou sem fins lucrativos e eventualmente conveniadas com o Poder Público, nos meios urbano e
rural;
V – reabilitação orientada pela geriatria e gerontologia, para redução das seqüelas decorrentes do agravo da
saúde.

Art. 15. É assegurada a atenção integral à saúde do idoso, por intermédio do Sistema Único de Saúde – SUS,
garantindo-lhe o acesso universal e igualitário, em conjunto articulado e contínuo das ações e serviços, para a
prevenção, promoção, proteção e recuperação da saúde, incluindo a atenção especial às doenças que afetam
preferencialmente os idosos.
§ 2º Incumbe ao Poder Público fornecer aos idosos, gratuitamente, medicamentos, especialmente os de uso
continuado, assim como próteses, órteses e outros recursos relativos ao tratamento, habilitação ou
reabilitação.
§ 3º É vedada a discriminação do idoso nos planos de saúde pela cobrança de valores diferenciados em razão
da idade.

#SELIGANAJURIS
É possível a limitação dos descontos em conta bancária de recebimento do BPC, de modo a não privar o idoso
de grande parcela do benefício destinado à satisfação do mínimo existencial. Em virtude dos descontos
efetuados, João só está recebendo metade (50%) do valor do benefício assistencial. Diante disso, ele ajuizou
ação pedindo para que esses descontos sejam reduzidos para 30%. O pedido deve ser deferido. STJ. 3ª Turma.
REsp 1834231-MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 15/12/2020 (Info 684).

A operadora do plano de saúde tem o dever de custear as despesas de acompanhante do paciente idoso no caso
de internação hospitalar. Fundamento: art. 16 do Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741/2003) e art. 22 da Resolução
Normativa nº 428/2017, da ANS. STJ. 3ª Turma. REsp 1793840-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado
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Ciclos Método
em 05/11/2019 (Info 660).

O reajuste de mensalidade de plano de saúde individual ou familiar fundado na mudança de faixa etária do
beneficiário é válido desde que (i) haja previsão contratual, (ii) sejam observadas as normas expedidas pelos
órgãos governamentais reguladores e (iii) não sejam aplicados percentuais desarrazoados ou aleatórios que,
concretamente e sem base atuarial idônea, onerem excessivamente o consumidor ou discriminem o idoso. STJ.
2ª Seção. REsp 1568244/RJ, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 14/12/2016 (recurso repetitivo). STJ.
4ª Turma. AgInt no AREsp 1191139/RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 27/02/2018.

§ 6º É assegurado ao idoso enfermo o atendimento domiciliar pela perícia médica do Instituto Nacional do
Seguro Social - INSS, pelo serviço público de saúde ou pelo serviço privado de saúde, contratado ou conveniado,
que integre o Sistema Único de Saúde - SUS, para expedição do laudo de saúde necessário ao exercício de seus
direitos sociais e de isenção tributária.
§ 7º Em todo atendimento de saúde, os maiores de oitenta anos terão preferência especial sobre os demais
idosos, exceto em caso de emergência. #SUPERPRIORIDADE
Art. 17. Ao idoso que esteja no domínio de suas faculdades mentais é assegurado o direito de optar pelo
tratamento de saúde que lhe for reputado mais favorável.
Parágrafo único. Não estando o idoso em condições de proceder à opção, esta será feita:
I – pelo curador, quando o idoso for interditado;
II – pelos familiares, quando o idoso não tiver curador ou este não puder ser contactado em tempo hábil;
III – pelo médico, quando ocorrer iminente risco de vida e não houver tempo hábil para consulta a curador ou
familiar;
IV – pelo próprio médico, quando não houver curador ou familiar conhecido, caso em que deverá comunicar o
fato ao Ministério Público.

Os casos de suspeita ou confirmação de violência praticada contra idosos serão objeto de notificação
compulsória pelos serviços de saúde públicos e privados à autoridade sanitária, bem como serão
obrigatoriamente comunicados por eles a quaisquer dos seguintes órgãos:
I – autoridade policial;
II – Ministério Público;
III – Conselho Municipal do Idoso;
IV – Conselho Estadual do Idoso;
V – Conselho Nacional do Idoso.

Do Direito à Educação, Cultura, Esporte e Lazer

Em relação aos direitos de educação, cultura, esporte e lazer, também há alguns artigos que são mais
queridos pelas Bancas.

Art. 23. A participação dos idosos em atividades culturais e de lazer será proporcionada mediante descontos de
pelo menos 50% (cinquenta por cento) nos ingressos para eventos artísticos, culturais, esportivos e de lazer,
bem como o acesso preferencial aos respectivos locais.
Art. 24. Os meios de comunicação manterão espaços ou horários especiais voltados aos idosos, com finalidade
informativa, educativa, artística e cultural, e ao público sobre o processo de envelhecimento.
Art. 25. As instituições de educação superior ofertarão às pessoas idosas, na perspectiva da educação ao longo
da vida, cursos e programas de extensão, presenciais ou a distância, constituídos por atividades formais e não
formais. #NOVIDADELEGISLATIVADE2017

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Ciclos Método
Parágrafo único. O poder público apoiará a criação de universidade aberta para as pessoas idosas e incentivará
a publicação de livros e periódicos, de conteúdo e padrão editorial adequados ao idoso, que facilitem a leitura,
considerada a natural redução da capacidade visual.
Art. 27. Na admissão do idoso em qualquer trabalho ou emprego, é vedada a discriminação e a fixação de limite
máximo de idade, inclusive para concursos, ressalvados os casos em que a natureza do cargo o exigir.
Parágrafo único. O primeiro critério de desempate em concurso público será a idade, dando-se preferência ao
de idade mais elevada.

Da Previdência Social

 Os benefícios de aposentadoria e pensão do Regime Geral da Previdência Social observarão, na sua


concessão, critérios de cálculo que preservem o valor real dos salários sobre os quais incidiram
contribuição, nos termos da legislação vigente.
 Os valores dos benefícios em manutenção serão reajustados na mesma data de reajuste do salário-
mínimo, pro rata, de acordo com suas respectivas datas de início ou do seu último reajustamento, com
base em percentual definido em regulamento, observados os critérios estabelecidos pela Lei no 8.213,
de 24 de julho de 1991.
 A perda da condição de segurado não será considerada para a concessão da aposentadoria por idade,
desde que a pessoa conte com, no mínimo, o tempo de contribuição correspondente ao exigido para
efeito de carência na data de requerimento do benefício.
 O cálculo do valor do benefício previsto no caput observará o disposto no caput e § 2º do art. 3º da Lei
no 9.876, de 26 de novembro de 1999, ou, não havendo salários-de-contribuição recolhidos a partir da
competência de julho de 1994, o disposto no art. 35 da Lei no 8.213, de 1991.
 O pagamento de parcelas relativas a benefícios, efetuado com atraso por responsabilidade da
Previdência Social, será atualizado pelo mesmo índice utilizado para os reajustamentos dos benefícios
do Regime Geral de Previdência Social, verificado no período compreendido entre o mês que deveria
ter sido pago e o mês do efetivo pagamento.
 O benefício já concedido a qualquer membro da família nos termos do caput não será computado para
os fins do cálculo da renda familiar per capita a que se refere a Loas.

Da Habitação

Nos programas habitacionais, públicos ou subsidiados com recursos públicos, o idoso goza de prioridade na
aquisição de imóvel para moradia própria, observado o seguinte:
I - reserva de pelo menos 3% (três por cento) das unidades habitacionais residenciais para atendimento aos
idosos;
II – implantação de equipamentos urbanos comunitários voltados ao idoso;
III – eliminação de barreiras arquitetônicas e urbanísticas, para garantia de acessibilidade ao idoso;
IV – critérios de financiamento compatíveis com os rendimentos de aposentadoria e pensão.
Parágrafo único. As unidades residenciais reservadas para atendimento a idosos devem situar-se,
preferencialmente, no pavimento térreo.
As unidades residenciais reservadas para atendimento a idosos devem situar-se, preferencialmente, no
pavimento térreo.

#OLHAATABELINHA
TRANSPORTE COLETIVO

URBANOS E SEMIURBANOS INTERESTADUAL

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Ciclos Método

✓ Ser idoso com idade igual ou superior a 60 anos.


✓ Ser idoso maior de 65 anos. ✓ Ter renda igual ou inferior a dois salários-mínimos.
✓ Solicitar um bilhete de viagem do idoso, com
✓ Para ter direito basta apresentar qualquer antecedência mínima de, pelo menos, 3 horas em
documento pessoal que faça prova da relação ao horário de partida do ponto inicial da linha de
idade. serviço de transporte.
✓ No caso das pessoas compreendidas na ✓ Comparecer ao terminal 30 minutos antes do
faixa etária entre 60 (sessenta) e 65 embarque.
(sessenta e cinco) anos, ficará a critério da
✓ Apresentar documento pessoal que faça prova da renda
legislação local dispor sobre as condições
igual ou inferior a dois salários-mínimos.
para exercício da gratuidade desses meios
de transporte. ✓ Duas vagas gratuitas por veículo. Finalizadas das vagas
gratuitas, o idoso tem direito a desconto de 50%, no
mínimo, do valor da passagem.

#SELIGANAJURIS
A reserva de 2 (duas) vagas gratuitas por veículo para idosos com renda igual ou inferior a 2 (dois) salários-
mínimos, prevista no art. 40, I, do Estatuto do Idoso, não se limita ao valor das passagens, abrangendo eventuais
custos relacionados diretamente com o transporte, em que se incluem as tarifas de pedágio e de utilização dos
terminais. STJ. 1ª Turma. REsp 1.543.465-RS, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 13/12/2018 (Info
641).

Das medidas de proteção

As medidas de proteção ao idoso são aplicáveis sempre que os direitos reconhecidos nesta Lei forem ameaçados
ou violados:
 I – por ação ou omissão da sociedade ou do Estado;
 II – por falta, omissão ou abuso da família, curador ou entidade de atendimento;
 III – em razão de sua condição pessoal.

Da Política de Atendimento ao Idoso

Constituem obrigações das entidades de atendimento:


I – celebrar contrato escrito de prestação de serviço com o idoso, especificando o tipo de atendimento, as
obrigações da entidade e prestações decorrentes do contrato, com os respectivos preços, se for o caso;
II – observar os direitos e as garantias de que são titulares os idosos;
III – fornecer vestuário adequado, se for pública, e alimentação suficiente;
IV – oferecer instalações físicas em condições adequadas de habitabilidade;
V – oferecer atendimento personalizado;
VI – diligenciar no sentido da preservação dos vínculos familiares;
VII – oferecer acomodações apropriadas para recebimento de visitas;
VIII – proporcionar cuidados à saúde, conforme a necessidade do idoso;
IX – promover atividades educacionais, esportivas, culturais e de lazer;
X – propiciar assistência religiosa àqueles que desejarem, de acordo com suas crenças;
XI – proceder a estudo social e pessoal de cada caso;
XII – comunicar à autoridade competente de saúde toda ocorrência de idoso portador de doenças infecto-
contagiosas;
156
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Ciclos Método
XIII – providenciar ou solicitar que o Ministério Público requisite os documentos necessários ao exercício da
cidadania àqueles que não os tiverem, na forma da lei;
XIV – fornecer comprovante de depósito dos bens móveis que receberem dos idosos;
XV – manter arquivo de anotações onde constem data e circunstâncias do atendimento, nome do idoso,
responsável, parentes, endereços, cidade, relação de seus pertences, bem como o valor de contribuições, e suas
alterações, se houver, e demais dados que possibilitem sua identificação e a individualização do atendimento;
XVI – comunicar ao Ministério Público, para as providências cabíveis, a situação de abandono moral ou material
por parte dos familiares;
XVII – manter no quadro de pessoal profissionais com formação específica.

Parágrafo único. O dirigente de instituição prestadora de atendimento ao idoso responderá civil e


criminalmente pelos atos que praticar em detrimento do idoso, sem prejuízo das sanções administrativas.

A fiscalização das entidades de atendimento, tanto das governamentais quanto das não
governamentais, é feita pelo Conselho do Idoso, pelo Ministério Público, pela Vigilância Sanitária e outros.

As instituições que abrigarem idosos são obrigadas a manter padrões de habitação compatíveis com as
necessidades deles, bem como provê-los com alimentação regular e higiene indispensáveis às normas sanitárias
e com estas condizentes, sob as penas da lei.

Art. 55. As entidades de atendimento que descumprirem as determinações desta Lei ficarão sujeitas, sem
prejuízo da responsabilidade civil e criminal de seus dirigentes ou prepostos, às seguintes penalidades, observado
o devido processo legal:
I – as entidades governamentais:
a) advertência;
b) afastamento provisório de seus dirigentes;
c) afastamento definitivo de seus dirigentes;
d) fechamento de unidade ou interdição de programa;
II – as entidades não-governamentais:
a) advertência;
b) multa;
c) suspensão parcial ou total do repasse de verbas públicas;
d) interdição de unidade ou suspensão de programa;
e) proibição de atendimento a idosos a bem do interesse público.
§ 1º Havendo danos aos idosos abrigados ou qualquer tipo de fraude em relação ao programa, caberá o
afastamento provisório dos dirigentes ou a interdição da unidade e a suspensão do programa.
§ 2º A suspensão parcial ou total do repasse de verbas públicas ocorrerá quando verificada a má aplicação ou
desvio de finalidade dos recursos.
§ 3º Na ocorrência de infração por entidade de atendimento, que coloque em risco os direitos assegurados nesta
Lei, será o fato comunicado ao Ministério Público, para as providências cabíveis, inclusive para promover a
suspensão das atividades ou dissolução da entidade, com a proibição de atendimento a idosos a bem do interesse
público, sem prejuízo das providências a serem tomadas pela Vigilância Sanitária.
§ 4º Na aplicação das penalidades, serão consideradas a natureza e a gravidade da infração cometida, os danos
que dela provierem para o idoso, as circunstâncias agravantes ou atenuantes e os antecedentes da entidade.

ACESSO À JUSTIÇA

 O Poder Público poderá criar varas especializadas e exclusivas do idoso.

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NFPSS | MPSP

Ciclos Método
 É assegurada prioridade na tramitação dos processos e procedimentos e na execução dos atos e
diligências judiciais em que figure como parte ou interveniente pessoa com idade igual ou superior a 60
(sessenta) anos, em qualquer instância.
 O interessado na obtenção da prioridade a que alude este artigo, fazendo prova de sua idade, requererá
o benefício à autoridade judiciária competente para decidir o feito, que determinará as providências a
serem cumpridas, anotando-se essa circunstância em local visível nos autos do processo.
 A prioridade não cessará com a morte do beneficiado, estendendo-se em favor do cônjuge supérstite,
companheiro ou companheira, com união estável, maior de 60 (sessenta) anos.
 A prioridade se estende aos processos e procedimentos na Administração Pública, empresas
prestadoras de serviços públicos e instituições financeiras, ao atendimento preferencial junto à
Defensoria Publica da União, dos Estados e do Distrito Federal em relação aos Serviços de Assistência
Judiciária.
 Para o atendimento prioritário será garantido ao idoso o fácil acesso aos assentos e caixas, identificados
com a destinação a idosos em local visível e caracteres legíveis.
 Dentre os processos de idosos, dar-se-á prioridade especial aos maiores de oitenta anos.

MINISTÉRIO PÚBLICO

 As funções do Ministério Público, previstas nesta Lei, serão exercidas nos termos da respectiva Lei
Orgânica.

O representante do Ministério Público, no exercício de suas funções, terá livre acesso a toda entidade
de atendimento ao idoso.

Nos termos do art. 75 do Estatuto do Idoso:

Art. 75. Nos processos e procedimentos em que não for parte, atuará obrigatoriamente o Ministério Público na
defesa dos direitos e interesses de que cuida esta Lei, hipóteses em que terá vista dos autos depois das partes,
podendo juntar documentos, requerer diligências e produção de outras provas, usando os recursos cabíveis.

Entretanto, nos termos da jurisprudência consolidada do STJ, não é obrigatória a intervenção do


Ministério Público nas ações que envolvam interesse de idoso, exceto se comprovada a situação de risco de
que cuida o art. 43 da Lei nº 10.741/2003. (AgRg no REsp 1202107/SP, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS
CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 18/06/2015, DJe 04/08/2015).

Compete ao Ministério Público:


I – instaurar o inquérito civil e a ação civil pública para a proteção dos direitos e interesses difusos ou coletivos,
individuais indisponíveis e individuais homogêneos do idoso;
II – promover e acompanhar as ações de alimentos, de interdição total ou parcial, de designação de curador
especial, em circunstâncias que justifiquem a medida e oficiar em todos os feitos em que se discutam os direitos
de idosos em condições de risco;
III – atuar como substituto processual do idoso em situação de risco, conforme o disposto no art. 43 desta Lei;
IV – promover a revogação de instrumento procuratório do idoso, nas hipóteses previstas no art. 43 desta Lei,
quando necessário ou o interesse público justificar;
V – instaurar procedimento administrativo e, para instruí-lo:
a) expedir notificações, colher depoimentos ou esclarecimentos e, em caso de não comparecimento injustificado
da pessoa notificada, requisitar condução coercitiva, inclusive pela Polícia Civil ou Militar;
b) requisitar informações, exames, perícias e documentos de autoridades municipais, estaduais e federais, da

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administração direta e indireta, bem como promover inspeções e diligências investigatórias;
c) requisitar informações e documentos particulares de instituições privadas;
VI – instaurar sindicâncias, requisitar diligências investigatórias e a instauração de inquérito policial, para a
apuração de ilícitos ou infrações às normas de proteção ao idoso;
VII – zelar pelo efetivo respeito aos direitos e garantias legais assegurados ao idoso, promovendo as medidas
judiciais e extrajudiciais cabíveis;
VIII – inspecionar as entidades públicas e particulares de atendimento e os programas de que trata esta Lei,
adotando de pronto as medidas administrativas ou judiciais necessárias à remoção de irregularidades
porventura verificadas;
IX – requisitar força policial, bem como a colaboração dos serviços de saúde, educacionais e de assistência social,
públicos, para o desempenho de suas atribuições;
X – referendar transações envolvendo interesses e direitos dos idosos previstos nesta Lei.

Art. 80. As ações previstas neste Capítulo serão propostas no foro do domicílio do idoso, cujo juízo terá
competência absoluta para processar a causa, ressalvadas as competências da Justiça Federal e a competência
originária dos Tribunais Superiores.
Art. 81. Para as ações cíveis fundadas em interesses difusos, coletivos, individuais indisponíveis ou homogêneos,
consideram-se legitimados, concorrentemente:
I – o Ministério Público;
II – a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios;
III – a Ordem dos Advogados do Brasil;
IV – as associações legalmente constituídas há pelo menos 1 (um) ano e que incluam entre os fins institucionais
a defesa dos interesses e direitos da pessoa idosa, dispensada a autorização da assembléia, se houver prévia
autorização estatutária.
§ 1º Admitir-se-á litisconsórcio facultativo entre os Ministérios Públicos da União e dos Estados na defesa dos
interesses e direitos de que cuida esta Lei.
§ 2º Em caso de desistência ou abandono da ação por associação legitimada, o Ministério Público ou outro
legitimado deverá assumir a titularidade ativa.
Art. 82. Para defesa dos interesses e direitos protegidos por esta Lei, são admissíveis todas as espécies de ação
pertinentes.
Art. 86. Transitada em julgado a sentença que impuser condenação ao Poder Público, o juiz determinará a
remessa de peças à autoridade competente, para apuração da responsabilidade civil e administrativa do agente
a que se atribua a ação ou omissão.
Art. 87. Decorridos 60 (sessenta) dias do trânsito em julgado da sentença condenatória favorável ao idoso sem
que o autor lhe promova a execução, deverá fazê-lo o Ministério Público, facultada, igual iniciativa aos demais
legitimados, como assistentes ou assumindo o pólo ativo, em caso de inércia desse órgão.
Art. 88. Nas ações de que trata este Capítulo, não haverá adiantamento de custas, emolumentos, honorários
periciais e quaisquer outras despesas.
Parágrafo único. Não se imporá sucumbência ao Ministério Público.
Art. 92. O Ministério Público poderá instaurar sob sua presidência, inquérito civil, ou requisitar, de qualquer
pessoa, organismo público ou particular, certidões, informações, exames ou perícias, no prazo que assinalar, o
qual não poderá ser inferior a 10 (dez) dias.
§ 1º Se o órgão do Ministério Público, esgotadas todas as diligências, se convencer da inexistência de
fundamento para a propositura da ação civil ou de peças informativas, determinará o seu arquivamento,
fazendo-o fundamentadamente.
§ 2º Os autos do inquérito civil ou as peças de informação arquivados serão remetidos, sob pena de se incorrer
em falta grave, no prazo de 3 (três) dias, ao Conselho Superior do Ministério Público ou à Câmara de Coordenação
e Revisão do Ministério Público.

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§ 3º Até que seja homologado ou rejeitado o arquivamento, pelo Conselho Superior do Ministério Público ou por
Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público, as associações legitimadas poderão apresentar razões
escritas ou documentos, que serão juntados ou anexados às peças de informação.
§ 4º Deixando o Conselho Superior ou a Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público de homologar
a promoção de arquivamento, será designado outro membro do Ministério Público para o ajuizamento da ação.

APLICAÇÃO DO PROCEDIMENTO DA LEI 9.099

Art. 94. Aos crimes previstos nesta Lei, cuja pena máxima privativa de liberdade não ultrapasse 4 (quatro) anos,
aplica-se o procedimento previsto na Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995, e, subsidiariamente, no que
couber, as disposições do Código Penal e do Código de Processo Penal.

Logo que ocorreu o advento do Estatuto do Idoso, esse artigo foi alvo de controvérsia doutrinária,
quanto ao seu alcance. Discutia-se se seria aplicado somente o procedimento sumaríssimo previsto na lei
9.099/95 ou se seriam também aplicadas as medidas despenalizadoras nela previstas.

A doutrina e a jurisprudência pacificaram o entendimento no sentido de que, nos delitos previstos no


Estatuto em que a pena máxima não ultrapasse 4 anos aplica-se somente o procedimento sumaríssimo, dando-
se maior celeridade processual aos processos de crimes praticados contra o idoso.

O tema foi objeto de questionamento no STF, por meio da ADI 3096/ DF, que atribuiu ao artigo ora
comentado o sentido segundo o qual aos delitos previstos no Estatuto, cujas penas privativas de liberdade sejam
SUPERIORES A 2 (DOIS) ANOS E NÃO ULTRAPASSEM 4 (QUATRO) ANOS, aplica-se somente o procedimento
sumaríssimo previsto na lei 9.099/95, não se aplicando, portanto, qualquer medida despenalizadora.

#DEOLHONAJURIS – INF. 591 DO STF: Em conclusão, o Tribunal julgou parcialmente procedente pedido
formulado em ação direta de inconstitucionalidade ajuizada pelo Procurador-Geral da República para dar
interpretação conforme ao art. 94 da Lei 10.741/2003 [“Aos crimes previstos nesta Lei, cuja pena máxima
privativa de liberdade não ultrapasse 4 (quatro) anos, aplica-se o procedimento previsto na Lei no 9.099, de 26
de setembro de 1995, e, subsidiariamente, no que couber, as disposições do Código Penal e do Código de
Processo Penal.”], no sentido de que aos crimes previstos nessa lei, cuja pena máxima privativa de liberdade
não ultrapasse 4 anos, aplica-se a Lei 9.099/95 apenas nos aspectos estritamente processuais, não se admitindo,
em favor do autor do crime, a incidência de qualquer medida despenalizadora — v. Informativo 556. Concluiu-
se que, dessa forma, o idoso seria beneficiado com a celeridade processual, mas o autor do crime não seria
beneficiado com eventual composição civil de danos, transação penal ou suspensão condicional do processo.
Vencidos o Min. Eros Grau, que julgava improcedente o pleito, e o Min. Marco Aurélio, que o julgava totalmente
procedente.

Logo, em resumo, fica da seguinte forma:

 Pena igual ou inferior a 2 anos: aplica-se o procedimento sumaríssimo, assim como as medidas
depenalizadoras;
 Pena superior a 2 anos e que não ultrapasse 4: aplica-se apenas o procedimento sumaríssimo,
não se aplicando as medidas despenalizadoras.

#ATENÇÃO - No entanto, chamo sua atenção, aluno Ciclos, para um detalhe importante. Ainda há a suspensão
condicional do processo, que não exige que o crime seja de menor potencial ofensivo, mas sim que sua pena
mínima seja menor do que 1 ano. Então, pode ocorrer de o agente que praticou um crime com pena mínima de

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Ciclos Método
6 meses e pena máxima de 3 anos, por exemplo, contra um idoso, ser beneficiado pela suspensão condicional
do processo.

Outra observação que deve ser feita, que também costuma ser cobrada em prova é que o Estatuto do
Idoso não alterou o conceito de infração penal de menor potencial ofensivo. Continua sendo aquele previsto no
art. 61 da lei 9.099/95. Apenas dispôs que nos delitos previstos no Estatuto, com pena máxima de até 4 anos,
aplica-se tão somente o procedimento sumaríssimo previsto na lei 9.099/95.

BEM JURÍDICO TUTELADO

São a dignidade, a saúde, a integridade física e psíquica, a liberdade e o respeito ao idoso.

AÇÃO PENAL E NÃO APLICAÇÃO DAS IMUNIDADES ABSOLUTAS E RELATIVAS

Art. 95. Os crimes definidos nesta Lei são de ação penal pública incondicionada, não se lhes aplicando os arts.
181 e 182 do Código Penal.

A ação penal é pública incondicionada.

NÃO SE APLICAM as imunidades absolutas e relativas previstas nos arts. 181 e 182 do CP. O legislador
do Estatuto, a um só tempo, fez essa previsão de forma expressa e alterou o Código Penal, nas disposições finais
dos crimes contra o patrimônio, acrescentando o inciso III no art. 183 do Código Penal, que também exclui
expressamente a incidência das imunidades absoluta e relativa aos crimes praticados contra idoso, utilizando-
se dois dispositivos legais para dizer a mesma coisa.

#DEOLHONAJURIS17 #AJUDAMARCINHO
A instituição financeira se recusa a fazer empréstimo consignado caso a idade do cliente comado com o prazo
do contrato for maior que 80 anos. Ex: cliente tem 78 anos e o contrato de empréstimo teria prazo de pagamento
de 3 anos. Neste caso, a instituição financeira não aceita celebrar o pacto. Essa restrição não representa uma
discriminação abusiva contra os idosos. A adoção de critério etário para distinguir o tratamento da população
em geral é válida quando adequadamente justificada e fundamentada no ordenamento jurídico, sempre
atentando-se para a sua razoabilidade diante dos princípios da igualdade e da dignidade da pessoa humana.
Esse critério de vedação ao crédito consignado para tais hipóteses não representa discriminação negativa que
coloque em desvantagem exagerada a população idosa considerando que esta poderá se valer de outras
modalidades de crédito bancário. STJ. 3ª Turma. REsp 1783731-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
23/04/2019 (Info 647).

A pessoa com idade igual ou superior a 60 anos que figura como parte ou interveniente na relação processual
possui prioridade na tramitação do feito (arts. 71 da Lei nº 10.471/2003 e art. 1.048 do CPC/2015). Quem tem
legitimidade para postular a prioridade de tramitação do feito atribuída por lei ao idoso? O próprio idoso. A
pessoa idosa é a parte legítima para requerer a prioridade de tramitação do processo, devendo, para tanto, fazer
prova da sua idade. A prioridade na tramitação depende, portanto, de manifestação de vontade do interessado,
por se tratar de direito subjetivo processual do idoso. A necessidade do requerimento é justificada pelo fato de
que nem toda tramitação prioritária será benéfica ao idoso, especialmente em processos nos quais há alta
probabilidade de que o resultado lhe seja desfavorável. Ex: determinada pessoa jurídica ajuizou execução contra
um idoso e pediu prioridade na tramitação do feito alegando que o executado possui mais de 60 anos. O pleito

17 Consultar também a Jurisprudência em Teses n. 100, do STJ.

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não foi aceito considerando que falta legitimidade e interesse à exequente para formular o referido pedido. STJ.
3ª Turma. REsp 1801884/SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 21/05/2019 (Info 650).

Em regra, é válida a cláusula prevista em contrato de seguro-saúde que autoriza o aumento das mensalidades
do seguro quando o usuário completar 60 anos de idade. Exceções. Essa cláusula será abusiva quando: a) não
respeitar os limites e requisitos estabelecidos na Lei 9.656/98; ou b) aplicar índices de reajuste desarrazoados
ou aleatórios, que onerem em demasia o segurado. (STJ, Info 551)
A Defensoria Pública tem legitimidade para propor ação civil pública em defesa de interesses individuais
homogêneos de consumidores idosos que tiveram plano de saúde reajustado em razão da mudança de faixa
etária, ainda que os titulares não sejam carentes de recursos econômicos. (STJ, Info 573).
Se o funcionário do banco recebe o cartão e a senha da idosa para auxiliá-la a sacar um dinheiro do caixa
eletrônico e, aproveitando a oportunidade, transfere quantias para a sua conta pessoal, tal conduta configura o
crime previsto no art. 102 do Estatuto do Idoso. (STJ, Info 547)

CONSUMIDOR

#SELIGANATABELA #COLANARETINA

VULNERABILIDADE HIPOSSUFICIÊNCIA (inversão do ônus da prova)

Conceito de direito material. Conceito de direito processual.


PRESUNÇÃO ABSOLUTA: o consumidor é a PRESUNÇÃO RELATIVA: precisa ser comprovada no
parte vulnerável na relação de consumo. caso concreto diante do juiz.

#ATENÇÃO: Em algumas situações, em razão da vulnerabilidade presumida que inspira o Código de Defesa do
Consumidor, o legislador prevê hipóteses legais de inversão do ônus probante, denominada inversão “ope legis”.
Destaca-se artigos que tratam desta modalidade de inversão.

Art. 12, § 3° O fabricante, o construtor, o produtor ou importador só não será responsabilizado quando provar:
I - que não colocou o produto no mercado;
II - que, embora haja colocado o produto no mercado, o defeito inexiste;
III - a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiros.

Art. 14, 3° O fornecedor de serviços só não será responsabilizado quando provar:


I - que, tendo prestado o serviço, o defeito inexiste;
II - a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiros;

Art. 38. O ônus da prova da veracidade e correção da informação ou comunicação publicitária cabe a quem as
patrocina.

A jurisprudência brasileira reconhece a hipervulnerabilidade de alguns consumidores, por idade (idosos,


crianças, bebês, jovens), condições especiais de saúde e necessidades especiais, como especificam os arts. 37, §
2º e 39, IV, do CDC.

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Ainda nesse ponto há uma grande incidência de súmulas e jurisprudência que tratam sobre a aplicação
(ou não) do CDC a casos específicos. Como forma de otimização do seu estudo, trago as principais hipóteses:

#FICAADICA

O Código de Defesa do Consumidor é aplicável:

 aos empreendimentos habitacionais promovidos pelas sociedades cooperativas;


 às entidades abertas de previdência complementar (ou relação jurídica entre a entidade de previdência
privada e seus participantes);
 para responsabilização das transportadoras aéreas de passageiros para voos nacionais;
 às instituições financeiras;
 aos contratos de plano de saúde;
 entre o proprietário/possuidor/locador e a imobiliária contratada para administrar o seu imóvel (REsp
509.304);
 ao condomínio de adquirentes de edifício em construção, nas hipóteses em que atua na defesa dos
interesses dos seus condôminos frente a construtora ou incorporadora; e
 aos contratos de transporte internacional de cargas.

O Código de Defesa do Consumidor NÃO é aplicável:

 venda de insumos agrícolas para produtor rural (2020);


 aos contratos previdenciários celebrados com entidades fechadas;
 contrato de fiança bancária acessório a contrato administrativo, tendo em vista que a Administração
Pública já goza de outras prerrogativas asseguradas pela lei; (INFO 647 - 2019)
 para responsabilização das transportadoras aéreas de passageiros para voos internacionais (aplica,
principalmente, as Convenções de Varsóvia e Montreal);
 ao seguro obrigatório (DPVAT);
 às prestações do serviço público de saúde. Conforme as lições de Leonardo de Medeiros Garcia: "Vem
prevalecendo no âmbito do STJ o entendimento de que não há a incidência de normas do CDC à prestação
do serviço público de saúde, uma vez que não há nenhuma espécie de remuneração" (Direito do
Consumidor, p. 40);
 ao crédito educativo ou programa do financiamento estudantil (RESP 479.863);
 às relação decorrentes de contrato de locação predial urbana diretamente entre inquilino e
proprietário/possuidor locador;
 às atividades notariais (há certa divergência quanto a esta hipótese);
 à relação entre condômino e condomínio, quanto às despesas de manutenção deste;
 às relações trabalhistas;
 ao contrato de franquia;
 aos beneficiários da previdência social;
 aos serviços advocatícios;
 às relações de natureza associativa;
 ao contrato de factoring (relação comercial);
 à relação entre o representante comercial autônomo e a sociedade representada;
 à relação entre contador e condomínio;
 às relações tributárias;
 ao contrato de transporte de mercadorias vinculado a contrato de compra e venda de insumos;
 à execução fiscal;
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 na aquisição de bens para o implemento ou incremento da atividade (ATENÇÃO: caso haja
vulnerabilidade, poderá ser aplicado o CDC. É a chamada TEORIA FINALISTA
MITIGADA/APROFUNDADA/RELATIVIZADA);
 nos contratos entre postos e distribuidores de combustível; e
 aos lojistas e administradores de shopping center.

#DEOLHONAJURIS:
No contrato de compra e venda de insumos agrícolas, o produtor rural não pode ser considerado destinatário
final, razão pela qual, nesses casos, não incide o Código de Defesa do Consumidor. STJ. 4ª Turma. AgInt no AREsp
363.209/RS, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 15/06/2020. STJ. 3ª Turma. AgInt no AgInt no AREsp 1509325/SP,
Rel. Min. Marco Aurélio Belizze, julgado em 20/04/2020.

O STJ entende que se aplica o CDC para os serviços públicos remunerados por meio de TARIFA ou PREÇO
PÚBLICO (Ex.: água, esgoto, energia elétrica), mas não para os serviços remunerados por meio de taxa.
Deve ser reconhecida a relação de consumo existente entre a pessoa natural, que visa a atender necessidades
próprias, e as sociedades que prestam, de forma habitual e profissional, o serviço de corretagem de valores e
títulos mobiliários. Ex: João contratou a empresa “Dinheiro S.A Corretora de Valores” para que esta
intermediasse operações financeiras no mercado de capitais. Em outras palavras, João contratou essa corretora
para investir seu dinheiro na Bolsa de Valores. A relação entre João e a corretora é uma relação de consumo.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.599.535-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 14/3/2017 (Info 600).

→ CONCEITO DE CONSUMIDOR

O art. 2º do CDC dispõe que:

Art. 2º Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário
final.

Certamente, ser destinatário final é retirar o bem do mercado (ato objetivo), mas e se o sujeito adquire
o bem para utilizá-lo em sua profissão, adquire como profissional (elemento subjetivo), com o fim de lucro,
também deve ser considerado "destinatário final"?

Nesse contexto, sobressaem 2 teorias acerca do conceito de consumidor:

1. Teoria Maximalista

As teorias maximalistas viam nas normas do CDC o novo regulamento do mercado de consumo
brasileiro, e não normas orientadas para proteger somente o consumidor não profissional. O CDC seria um
código geral para o consumo, que institui normas para todos os agentes do mercado, os quais podem assumir
os papeis ora de fornecedores, ora de consumidores. A definição do art. 2º deve ser interpretada de forma
extensa, para que as normas do CDC possam ser aplicadas a um número cada vez maior de relações no mercado.
Consideram que a definição do art. 2º é puramente objetiva, não importando se a pessoa física ou jurídica tem
ou não fim de lucro quando adquire um bem ou utiliza um serviço. Destinatário final seria o destinatário fático
do produto, aquele que o retira do mercado e o utiliza, consome.

O problema da corrente maximalista é que transforma o direito do consumidor em direito privado geral,
pois retira do Código Civil quase todos os contratos comerciais, uma vez que comerciantes e profissionais
consomem de forma intermediária insumos para a sua atividade-fim, de produção e de distribuição.

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Ciclos Método
A pergunta aqui é: por que proteger um fornecedor frente ao outro? As relações entre iguais estão bem
reguladas pelo CC/02. Em 2004, o STJ manifestou-se pelo finalismo e criou um finalismo aprofundado, baseado
na utilização da noção maior de vulnerabilidade e exame in concreto e uso das equiparações a consumidor,
conforme se observa abaixo.

2. Teoria Finalista

Para os finalistas, a definição de consumidor é o pilar que sustenta a tutela especial concedida aos
consumidores. Essa tutela só existe porque o consumidor é a parte vulnerável nas relações contratuais no
mercado. Logo, conviria delimitar quem merece essa tutela e quem não merece.

Os finalistas propõem, então, que se interprete a expressão "destinatário final" do art. 2º de maneira
restrita, como requerem os princípios básicos do CDC, expostos nos arts. 4º e 6º. Destinatário final seria o
destinatário fático e econômico do bem ou serviço, seja ele pessoa jurídica ou pessoa física. Logo, segundo essa
interpretação teleológica, não basta ser destinatário fático do bem, retirá-lo da cadeia de produção, levá-lo para
o escritório ou residência, é necessário ser destinatário final econômico do bem, não o adquiri para revenda,
para uso profissional, pois o bem seria novamente um instrumento de produção cujo preço será incluído no
preço final do profissional que o adquiriu. Isso porque a finalidade do CDC é tutelar de maneira especial um
grupo da sociedade que é mais vulnerável.

A teoria finalista é hoje a majoritária e consolidou-se na jurisprudência brasileira.

#DEOLHONADOUTRINA
Para fins de aprofundamento, destaco o pensamento do Professor Fabricio Bolzan: Os seguidores da corrente
finalista, também conhecida como subjetiva, entendem que o consumidor de um produto ou serviço, nos termos
da definição trazida pelo art. 2º do CDC, é o destinatário fático e econômico, ou seja, não basta retirar o bem
do mercado de consumo, havendo a necessidade de o produto ou serviço ser efetivamente consumido pelo
adquirente ou por sua família. Desta forma, numa visão mais extremada desta corrente estariam excluídas do
conceito de consumidor todas as pessoas jurídicas e todos os profissionais, na medida em que jamais poderiam
ser considerados destinatários finais, pois o bem adquirido no mercado de alguma forma integraria a cadeia
produtiva na elaboração de novos produtos ou na prestação de outros serviços.

#DEOLHONAJURIS
De acordo com o STJ, no REsp 1.038.645-RS, "em regra, a aquisição de bens ou a utilização de serviços para
implementar ou incrementar a atividade negocial descaracteriza a relação como de consumo".

#DEOLHONOCONCEITO: FINALISMO APROFUNDADO OU MITIGADO


Abrandando o conceito de consumidor proposto pela teoria finalista, o Superior Tribunal de Justiça, no RESP
766877, realizado no ano de 2007, entendeu que deve ser considerado consumidor aquele que retira o produto
do mercado de consumo, com a finalidade de reinserir na cadeia de produção, quando na situação de
vulnerabilidade.
Essa nova teoria apresenta a definição de consumidor de forma mais ampla, considerando que a pessoa jurídica
ou pessoa empresária pode ser considerada consumidora, mesmo na hipótese de adquirir produto ou serviço e
empregá-lo com insumo ou reempregá-lo no mercado de consumo, ou seja, sem ser destinatário final
econômico.
Para alcançar essa nova premissa, primeiramente, deve-se analisar o artigo 29 do CDC, o qual considera
equiparado ao consumidor toda a pessoa determinável ou não, exposta às práticas previstas nos capítulos V e
VI da própria Lei n°. 8.078/90.

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Ciclos Método
A teoria em apreço exige apenas a retirada do bem do mercado de consumo e a existência de algum tipo de
vulnerabilidade para reconhecer a relação de consumo. Esta nova linha, em especial do STJ, tem utilizado o
critério finalista e subjetivo, expressamente a equiparação do art. 29 do CDC, em se tratando de pessoa jurídica
que comprove ser vulnerável e atue fora do âmbito de sua especialidade, como, por exemplo, um hotel que
compra gás. O conceito-chave aqui é o de vulnerabilidade.

#DEOLHONOGANCHO
São consumidores equiparados a coletividade de pessoas, ainda que indetermináveis, que haja intervindo nas
relações de consumo (art. 2º do CDC) e todas as vítimas dos fatos do serviço (art. 17 do CDC), como, por exemplo,
todos os que estão passando na rua quando um avião cai.
Também segundo o art. 29 do CDC, são consumidores equiparados todas as pessoas, determináveis ou não,
expostas às práticas comerciais de oferta, de contratos de adesão, de publicidade, de cobrança de dívidas, de
bancos de dados, sempre que vulneráveis in concreto.
O parágrafo único do art. 2º do CDC é das normas de extensão a mais geral, equiparando o consumidor a
coletividade de pessoas, ainda que indetermináveis, que haja intervindo nas relações de consumo.
A proteção deste terceiro, bystander, que não é destinatário final dos produtos e serviços do art. 2º do CDC, é
complementada pelo art. 17, que se aplica somente à seção de responsabilidade pelo fato do produto e do
serviço. Logo, basta ser "vítima" de um produto ou serviço para ser privilegiado com a posição de consumidor.
O art. 29 supera os limites da definição jurídica de consumidor para imprimir uma definição de política
legislativa, visando reprimir os abusos do poder econômico, evitando as práticas abusivas. As pessoas atingidas
pelas práticas abusivas, mesmo não sendo "consumidoras stricto sensu", poderão utilizar as normas do CDC.

#DEOLHONAJURIS:
RECURSO ESPECIAL. EXCEÇÃO DE INCOMPETÊNCIA. INADIMPLEMENTO CONTRATUAL. SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES.
CESSÃO. CONTRATOS DE PARTICIPAÇÃO FINANCEIRA. MILHARES. RELAÇÃO DE CONSUMO. INEXISTÊNCIA.
CARACTERÍSTICAS PESSOAIS DO CEDENTE. TRANSFERÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. VULNERABILIDADE.
HIPOSSUFICIÊNCIA. NÃO IDENTIFICAÇÃO. COMPETÊNCIA. LOCAL DE CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES.
DOMICÍLIO DO DEVEDOR. 3. As condições personalíssimas do cedente não se transmitem ao cessionário.
Assim, a condição de consumidor do promitente-assinante não se transfere aos cessionários do contrato de
participação financeira. Precedente. (REsp 1608700/PR, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA
TURMA, julgado em 09/03/2017, DJe 31/03/2017).

→ CONCEITO DE FORNECEDOR E SERVIÇO

 Fornecedor: Pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, entes


despersonalizados. Produtor, montador, criador, construtor, transformador, importador, exportador,
distribuidor, comerciante, prestador de serviços. Tem que haver habitualidade;
 Produto: móvel ou imóvel, material ou imaterial;
 Serviço: atividade fornecida mediante remuneração.

#DEOLHONAJURIS: "Para o fim de aplicação do Código de Defesa do Consumidor, o reconhecimento de uma


pessoa física ou jurídica ou de um ente despersonalizado como fornecedor de serviços atende aos critérios
puramente objetivos, sendo irrelevantes a sua natureza jurídica, a espécie dos serviços que prestam e até
mesmo o fato de se tratar de uma sociedade civil, sem fins lucrativos, de caráter beneficente e filantrópico,
bastando que desempenhem determinada atividade no mercado de consumo mediante remuneração." (STJ -
REsp: 519310 SP 2003/0058088-5, Relator: Ministra NANCY ANDRIGHI, Data de Julgamento: 20/04/2004, T3 -
TERCEIRA TURMA, Data de Publicação: DJ 24.05.2004 p. 262)
DIREITO DO CONSUMIDOR E RESPONSABILIDADE CIVIL - RECURSO ESPECIAL - INDENIZAÇÃO - ART. 159 DO CC/16
E ARTS. 6º, VI, E 14, DA LEI Nº 8.078/90 - DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO - SÚMULA 284/STF - PROVEDOR
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DA INTERNET - DIVULGAÇÃO DE MATÉRIA NÃO AUTORIZADA - RESPONSABILIDADE DA EMPRESA PRESTADORA
DE SERVIÇO - RELAÇÃO DE CONSUMO - REMUNERAÇÃO INDIRETA - DANOS MORAIS - QUANTUM RAZOÁVEL -
VALOR MANTIDO.
(…) 2 - Inexiste violação ao art. 3º, § 2º, do Código de Defesa do Consumidor, porquanto, para a caracterização
da relação de consumo, o serviço pode ser prestado pelo fornecedor mediante remuneração obtida de forma
indireta. (…) 4 - Recurso não conhecido. (REsp 566.468/RJ, Rel. Ministro JORGE SCARTEZZINI, QUARTA TURMA,
julgado em 23/11/2004, DJ 17/12/2004, p. 561)

#OBSERVAÇÕES: As atividades que, embora fornecidas no mercado de consumo, não sejam remuneradas, nem
de forma indireta, não são consideradas serviços para os efeitos do Código de Defesa do Consumidor.

#SELIGANADICA: Considerando o disposto no Código Civil e no Código de Defesa do Consumidor, pode-se


observar que:

 ambos os diplomas legais estabelecem expressamente o princípio da boa-fé objetiva (Art. 51, IV, do CDC
e art. 113 do CC);
 ambos os diplomas possuem regra de interpretação de cláusula contratual. (Art. 47 do CDC e arts. 113,
299 e 423 do CC);
 há correspondência entre a disciplina dos vícios redibitórios do Código Civil a responsabilidade por vício
do produto do Código de Defesa do Consumidor. Embora os vícios redibitórios do CDC sejam mais
amplos, existe correspondência;
 o Código de Defesa do Consumidor, ao contrário do Código Civil, não exige, para a revisão dos contratos
que se prolongam no tempo, que a onerosidade excessiva do consumidor seja relacionada à vantagem
pecuniária do fornecedor (vide FAD de consumidor);
 complementando o item anterior: quanto à revisão contratual, o CC adota a teoria da imprevisão,
enquanto o CDC adota a teoria da base objetiva do negócio jurídico.
 o CDC adota a teoria menor da desconsideração da personalidade jurídica (menos requisitos) e o CC/02
a teoria maior da desconsideração da personalidade jurídica (mais requisitos).

O CDC foi pensado para proteger uma nova realidade fática advinda da revolução industrial, em que,
através da ampliação (e imposição) do mercado de consumo, as relações jurídicas deixaram de ser isonômicas
(como no CC) e passaram a ser desiguais. É bom sempre ter em mente o objetivo do CDC, de regulamentar essas
relações, trazendo o equilíbrio necessário. É a mão do Estado intervindo nas relações particulares, tornando-as
mais justas.

→ INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA

INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA OPE JUDICIS INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA OPE LEGIS

- Arts. 12, §3º, e 14, §3º 􏰃-􏰃 O fornecedor deve


provar as excludentes de responsabilidade no fato
Verossimilhança ou Hipossuficiência (Art. 6º, III,
do produto e do serviço;
CDC)
- Art. 38 - Quem patrocina a publicidade deve provar
a veracidade das informações veiculadas.

OBS: A inversão do ônus da prova é REGRA DE INSTRUÇÃO: a decisão que determina a inversão do ônus
da prova deve ser proferida na FASE DE SANEAMENTO ou, pelo menos, assegurar à parte a quem não incumbia
inicialmente o encargo a reabertura de oportunidade para manifestar-se nos autos.
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A simples inversão probatória não tem o condão de obrigar o fornecedor a arcar com as despesas das
provas requeridas pelo consumidor (STJ, REsp 615684).

A inversão não é automática, o juiz deve justificar se presentes os pressupostos da referida norma.

A inversão da prova instituída no art. 6º, III, é ope judicis (pelo juiz). Nesse caso, se o juiz verificar a
VEROSSIMILHANÇA das alegações ou a HIPOSSUFICIÊNCIA do consumidor, poderá haver a INVERSÃO DO ONUS
DA PROVA EM FAVOR DO CONSUMIDOR. Regra da distribuição dinâmica do ônus da prova.

São nulas de pleno direito as cláusulas que estabeleçam inversão do ônus da prova em prejuízo do
consumidor (art. 51, VI).

#DEOLHONAJURIS: É sabido ser pacífico nesta Corte Superior o entendimento segundo o qual o Ministério
Público, no âmbito de ação consumerista, faz jus à inversão do ônus da prova, a considerar que o mecanismo
previsto no art. 6º, inc. VIII, do CDC busca concretizar a melhor tutela processual possível dos direitos difusos,
coletivos ou individuais homogêneos e de seus titulares - na espécie, os consumidores -, independentemente
daqueles que figurem como autores ou réus na ação"(REsp 1.253.672/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL
MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 2/8/2011, DJe 9/8/2011)
A seção, por maioria, decidiu que a inversão do ônus da prova de que trata o art. 6º, VIII, do CDC é regra de
instrução, devendo a decisão judicial que determiná-la ser proferida preferencialmente na fase de saneamento
do processo ou, pelo menos, assegurar à parte a quem não incumbia inicialmente o encargo a reabertura de
oportunidade para manifestar-se nos autos. EREsp 422.778-SP, Rel. originário Min. João Otávio de Noronha, Rel.
para o acórdão Min. Maria Isabel Gallotti (art. 52, IV, b, do RISTJ), julgados em 29/2/2012.

→ REPARAÇÃO INTEGRAL DOS DANOS

O princípio da reparação integral está previsto no art. 944 do Código Civil e no art. 6º, VI, do Código de
Defesa do Consumidor. Sergio Cavalieri Filho assevera que "o anseio de obrigar o agente, causador do dano, a
repará-lo inspira-se no mais elementar sentimento de justiça (…)", surgindo, deste modo, a necessidade de se
restabelecer o equilíbrio jurídico-econômico que havia antes da prática de determinado ato ilícito. Daí surge o
princípio da reparação integral ou da restitutio in integrum, buscando recolocar a vítima no status quo ante,
através de fixação de indenização de forma proporcional ao dano.

Em razão do instituto da restitutio in integrum, o consumidor deve ser ressarcido integralmente. O inciso
VI garante ao consumidor “A EFETIVA PREVENÇÃO E REPARAÇÃO DE DANOS PATRIMONIAIS E MORAIS,
INDIVIDUAIS, COLETIVOS E DIFUSOS”. O consumidor deve ser RESSARCIDO INTEGRALMENTE dos danos que
venha a sofrer.

O Código Brasileiro de Aeronáutica estabelece limitações para indenizações por danos decorrentes de
transporte aéreo a passageiros, perda de bagagens e cargas etc. Entretanto, em decorrência do CDC, tais
limitações ou tarifações não mais prevalecem, tendo o consumidor direito ao ressarcimento integral, e não
limitado.

Com o advento do CDC, a indenização pelo extravio de mercadoria em voos NACIONAIS não está sob o
regime tarifado, subordinando-se ao princípio da ampla reparação, configurada a relação de consumo (STJ, REsp
209527).

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O ressarcimento integral deverá se dar tanto em relação ao dano patrimonial e/ou moral, seja a título
individual, seja a título coletivo.

#DEOLHONAJURIS:
Para ocorrer indenização por danos morais em função do encontro de corpo estranho em alimento
industrializado, é necessária a sua ingestão?

A jurisprudência é dividida, havendo duas correntes sobre o tema:


- 1ª Corrente: SIM. Só haverá condenação por danos morais se o consumidor engolir o objeto estranho.
Ausente a ingestão do produto considerado impróprio para o consumo em virtude da presença de corpo
estranho, não se configura o dano moral indenizável. Não há dano moral na hipótese de aquisição de gênero
alimentício com corpo estranho no interior da embalagem se não ocorre a ingestão do produto considerado
impróprio para consumo, visto que referida situação não configura desrespeito à dignidade da pessoa
humana, desprezo à saúde pública ou mesmo descaso para com a segurança alimentar. A ausência de
ingestão de produto impróprio para o consumo configura, em regra, hipótese de mero dissabor vivenciado
pelo consumidor, o que afasta eventual pretensão indenizatória decorrente de alegado dano moral. STJ. 3ª
Turma. AgInt no REsp 1597890/SP, Rel. Min. Moura Ribeiro, j. em 27/09/2016. STJ. 4ª Turma. AgRg no AREsp
489.030/SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, j. 16/04/2015.
- 2ª Corrente: NÃO. Haverá danos morais ainda que não ocorra a ingestão de seu conteúdo. A aquisição de
produto de gênero alimentício contendo em seu interior corpo estranho, expondo o consumidor a risco
concreto de lesão à sua saúde e segurança, ainda que não ocorra a ingestão de seu conteúdo, dá direito à
compensação por dano moral, dada a ofensa ao direito fundamental à alimentação adequada, corolário do
princípio da dignidade da pessoa humana. O simples ato de “levar à boca” o alimento industrializado com
corpo estranho gera dano moral in re ipsa, independentemente de sua ingestão. A disponibilização de
produto considerado impróprio para consumo em virtude da presença de objeto estranho no seu interior
afeta a segurança que rege as relações consumeristas na medida que expõe o consumidor a risco de lesão à
sua saúde e segurança e, portanto, dá direito à compensação por dano moral. STJ. 3ª Turma. REsp
1644405/RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 09/11/2017.STJ. 3ª Turma. REsp 1744321/RJ, Rel. Min.
Nancy Andrighi, julgado em 05/02/2019.

#DEOLHONOGANCHO

Aproveite para revisar os conceitos de dano moral coletivo e sua diferença em relação aos danos sociais.
Como sugestão, segue explicação do blog “Dizer o Direito”: https://www.dizerodireito.com.br/2013/10/danos-
morais-coletivos-e-danos-sociais.html

→ RESPONSABILIDADE DO FORNECEDOR

1) RESPONSABILIDADE PELO FATO (DEFEITO) DO PRODUTO OU DO SERVIÇO (Produto defeituoso)

1.1) Responsabilidade pelo fato do produto:

a) Conceitos:

 “fato do produto”: diz respeito às situações que causam risco à saúde, vida, e integridade física do
consumidor. É o ACIDENTE de consumo. Ex: caso de um televisor que explodiu e machucou o
consumidor.

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 “produto defeituoso”: quando não oferece a segurança que dele legitimamente se espera, levando-se
em consideração as circunstâncias relevantes, entre as quais: I - sua apresentação; II - o uso e os riscos
que razoavelmente dele se esperam; e III - a época em que foi colocado em circulação. Obs.: O produto
não é considerado defeituoso pelo fato de outro de melhor qualidade ter sido colocado no mercado.

b) Responsabilidade:

 Regra 01: O fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou estrangeiro, e o importador tem


responsabilidade OBJETIVA e SOLIDÁRIA.

Exceção: não respondem pelo fato do produto quando provar que: I - não colocou o produto no
mercado; II - embora haja colocado o produto no mercado, o defeito inexiste; ou III - a culpa exclusiva
do consumidor ou de terceiro.

 Regra 02: O COMERCIANTE só terá responsabilidade OBJETIVA e SOLIDÁRIA, quando: I - o fabricante, o


construtor, o produtor ou o importador não puderem ser identificados; II - o produto for fornecido sem
identificação clara do seu fabricante, produtor, construtor ou importador; ou III - não conservar
adequadamente os produtos perecíveis. Obs.1: para o CDC, no caso de responsabilidade pelo fato do
produto o comerciante responde SUBSIDIARIAMENTE, nas hipóteses citadas nesse ponto. Obs.2: nesse
caso, o comerciante que efetivar o pagamento ao prejudicado poderá exercer o direito de regresso
contra os demais responsáveis, segundo sua participação na causação do evento danoso.

1.2) Responsabilidade pelo fato do serviço:

c) Conceitos: “serviço defeituoso”: quando não fornece a segurança que o consumidor dele pode esperar,
levando-se em consideração as circunstâncias relevantes, entre as quais: I - o modo de seu fornecimento; II
- o resultado e os riscos que razoavelmente dele se esperam; ou III - a época em que foi fornecido. OBS.: O
serviço não é considerado defeituoso pela adoção de novas técnicas.

d) Responsabilidade: O fornecedor de serviços tem responsabilidade OBJETIVA e SOLIDÁRIA. Exceção: não


respondem pelo fato do serviço quando provar que: I - tendo prestado o serviço, o defeito inexiste; II - a
culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro.

e) Responsabilidade do profissional liberal: SUBJETIVA.

f) Prazo prescricional: 5 anos. Inicia-se do conhecimento do DANO e de sua AUTORIA.

2) RESPONSABILIDADE PELO VÍCIO DO PRODUTO OU DO SERVIÇO

2.1) Responsabilidade pelo vício do produto:

g) Conceitos:

 “vício do produto”: diz respeito a situações de vícios no produto relativos à qualidade e/ou quantidade
do produto.
 “produtos impróprios ao uso e consumo”: I - os produtos cujos prazos de validade estejam vencidos; II
- os produtos deteriorados, alterados, adulterados, avariados, falsificados, corrompidos, fraudados,
nocivos à vida ou à saúde, perigosos ou, ainda, aqueles em desacordo com as normas regulamentares

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de fabricação, distribuição ou apresentação; ou III - os produtos que, por qualquer motivo, se revelem
inadequados ao fim a que se destinam.

h) Responsabilidade:

 Regra 01: Os fornecedores de produtos de consumo duráveis ou não duráveis tem responsabilidade
OBJETIVA e SOLIDÁRIA. Nesse caso, se o vício não for sanado em 30 dias (prazo pode ser alterado para
7 a 180 dias), cabe ao CONSUMIDOR exigir: I - a substituição do produto por outro da mesma espécie,
em perfeitas condições de uso; II - a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada,
sem prejuízo de eventuais perdas e danos; ou III - o abatimento proporcional do preço.

Exceção: O consumidor poderá fazer uso imediato de uma das 03 alternativas acima (sem esperar
o prazo) sempre que, em razão da extensão do vício, a substituição das partes viciadas puder
comprometer a qualidade ou características do produto, diminuir-lhe o valor ou se tratar de produto
essencial.

 Regra 02: no caso de fornecimento de produtos “in natura” é responsável OBJETIVAMENTE e


SOLIDARIAMENTE perante o consumidor o fornecedor imediato, exceto quando identificado claramente
seu produtor.

 Regra 03: nos casos do vício da quantidade do produto em que conteúdo líquido for inferior às
indicações constantes na embalagem ou mensagem publicitária, o fornecedor terá responsabilidade
OBJETIVA e SOLIDÁRIA e cabe ao consumidor exigir, alternativamente e à sua escolha: I - o abatimento
proporcional do preço; II - complementação do peso ou medida; III - a substituição do produto por outro
da mesma espécie, marca ou modelo, sem os aludidos vícios; ou IV - a restituição imediata da quantia
paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos.

Observação: O fornecedor imediato será responsável quando fizer a pesagem ou a medição e o


instrumento utilizado não estiver aferido segundo os padrões oficiais.

#DEOLHONAJURIS:
A instituição financeira responde por vício na qualidade do produto ao emitir comprovantes de suas operações
por meio de papel termossensível
1. O Código de Defesa do Consumidor, para além da responsabilidade decorrente dos acidentes de consumo
(arts. 12 a 17), cuja preocupação primordial é a segurança física e patrimonial do consumidor, regulamentou
também a responsabilidade pelo vício do produto ou do serviço (arts. 18 a 25), em que a atenção se voltou à
análise da efetiva adequação à finalidade a que se destina. Previu, assim, que o fornecedor responderá pelos
vícios de qualidade que tornem os serviços impróprios ao consumo ou lhes diminuam o valor ou, ainda, pelos
decorrentes da disparidade com as indicações constantes da oferta ou da mensagem publicitária (art. 20).
2. A noção de vício passou a ser objetivada, tendo a norma trazido parâmetros a serem observados,
independentemente do que fora disposto no contrato, além de ter estabelecido um novo dever jurídico ao
fornecedor: o dever de qualidade e funcionalidade, a ser analisado de acordo com as circunstâncias do caso
concreto, devendo-se ter em conta ainda a efetiva adequação à finalidade a que se destina e às expectativas
legítimas do consumidor com aquele serviço, bem como se se trata de obrigação de meio ou de resultado.
3. A instituição financeira, ao emitir comprovantes de suas operações por meio de papel termossensível, acabou
atraindo para si a responsabilidade pelo vício de qualidade do produto. Isso porque, por sua própria escolha, em
troca do aumento dos lucros - já que a impressão no papel térmico é mais rápida e bem mais em conta -, passou
a ofertar o serviço de forma inadequada, emitindo comprovantes cuja durabilidade não atendem as exigências
e as necessidades do consumidor, vulnerando o princípio da confiança.
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4. É da natureza específica do tipo de serviço prestado emitir documentos de longa vida útil, a permitir que os
consumidores possam, quando lhes for exigido, comprovar as operações realizadas.
Em verdade, a "fragilidade" dos documentos emitidos em papel termossensível acaba por ampliar o
desequilíbrio na relação de consumo, em vista da dificuldade que o consumidor terá em comprovar o seu direito
pelo desbotamento das informações no comprovante.
5. Condicionar a durabilidade de um comprovante às suas condições de armazenamento, além de incompatível
com a segurança e a qualidade que se exigem da prestação de serviços, torna a relação excessivamente onerosa
para o consumidor, que, além dos custos de emitir um novo recibo em outra forma de impressão (fotocópia),
teria o ônus de arcar, em caso de perda, com uma nova tarifa pela emissão da 2ª via do recibo, o que se mostra
abusivo e desproporcional.
6. O reconhecimento da falha do serviço não pode importar, por outro lado, em repasse pelo aumento de tarifa
ao consumidor nem em prejuízos ao meio ambiente.
7. Na hipótese, o serviço disponibilizado foi inadequado e ineficiente, porquanto incidente na frustração da
legítima expectativa de qualidade e funcionalidade do consumidor-médio em relação ao esmaecimento
prematuro das impressões em papel térmico, concretizando-se o nexo de imputação na frustração da confiança
a que fora induzido o cliente.
8. Recurso especial não provido. (REsp 1414774/RJ, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA,
julgado em 16/05/2019, DJe 05/06/2019)

2.2) Responsabilidade pelo vício do serviço:

i) Conceitos:

 “vício do serviço”: diz respeito a situações de vícios na qualidade que os tornem impróprios ao consumo
ou lhes diminuam o valor, assim como por aqueles decorrentes da disparidade com as indicações
constantes da oferta ou mensagem publicitária.
 “serviços impróprios”: que se mostrem inadequados para os fins que razoavelmente deles se esperam,
bem como aqueles que não atendam as normas regulamentares de prestabilidade.

j) Responsabilidade:

 Regra: Os fornecedores de serviço têm responsabilidade OBJETIVA e SOLIDÁRIA. Nesse caso,


independentemente de qualquer prazo, cabe ao CONSUMIDOR exigir: I - a reexecução dos serviços, sem
custo adicional e quando cabível; II - a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada,
sem prejuízo de eventuais perdas e danos; ou III - o abatimento proporcional do preço.

2.3) Prazo decadenciais: conta-se da entrega efetiva do produto ou término da execução do serviço (vícios
aparentes) ou da evidência do vício (vícios ocultos).

 Serviço ou produto não durável: 30 dias;


 Serviço ou produto durável: 90 dias.
 Obstam o prazo decadencial: I - a reclamação comprovadamente formulada pelo consumidor perante
o fornecedor de produtos e serviços até a resposta negativa correspondente, que deve ser transmitida
de forma inequívoca; e III - a instauração de inquérito civil, até seu encerramento.

#DEOLHONOGANCHO #TEMQUESABER

Outros tipos de responsabilidade expostos no CDC:

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Ciclos Método
 Responsabilidade SUBSIDIÁRIA: entre sociedade integrante de grupos societários e sociedades
controladas;
 Responsabilidade SOLIDÁRIA: entre sociedades consorciadas; e
 Responsabilidade SUBJETIVA (com culpa): entre sociedades coligadas.

#DEOLHONAJURIS:
O hospital que realiza transfusão de sangue observando todas as cautelas exigidas por lei não é responsável pelo
fato de o paciente ter sido contaminado com hepatite C, ainda que se considere que essa contaminação ocorreu
por conta do fenômeno da janela imunológica. STJ. 4ª Turma. REsp 1.322.387-RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão,
julgado em 20/8/2013 (Info 532).

→ PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA

FATO DO PRODUTO OU DO SERVIÇO (ACIDENTE


VÍCIO DO PRODUTO OU DO SERVIÇO (DEFEITO)
DE CONSUMO)
Prazo DECADENCIAL.
Prazo PRESCRICIONAL
- Produto ou serviço não durável: 30 DIAS;
- Produto ou serviço durável: 90 DIAS.
Será de 5 anos, iniciando-se sua contagem a partir
do CONHECIMENTO do DANO e de sua AUTORIA O início da contagem: se dá com a entrega efetiva do
produto ou término da execução do serviço.
Art. 27 do CDC: prescreve em 5 anos a pretensão à
reparação pelos danos causados por fato do Nos vícios ocultos, a contagem inicia-se no
produto ou do serviço prevista na Seção II deste MOMENTO EM QUE FICAR EVIDENCIADO O DEFEITO.
Capítulo, iniciando- se a contagem do prazo a partir
do conhecimento do dano e de sua autoria. Obstam a decadência:
- I) A reclamação comprovadamente formulada pelo
consumidor perante o fornecedor de produtos e
serviços até a resposta negativa correspondente,
que deve ser transmitida de forma inequívoca;
- II) A instauração de inquérito civil, até seu
encerramento.

Consumada a prescrição relativa à cobrança de débitos do consumidor, não serão fornecidas, pelos
respectivos Sistemas de Proteção ao Crédito, quaisquer informações que possam impedir ou dificultar novo
acesso ao crédito junto aos fornecedores.

#DEOLHONADICA:

Qual é o prazo prescricional da ação de responsabilidade civil no caso de acidente aéreo em voo
doméstico?

 1ª corrente: 2 anos (Código Brasileiro de Aeronáutica – CBA).


 2ª corrente: 3 anos (Código Civil de 2002).
 3ª corrente: 5 anos (Código de Defesa do Consumidor)
Resposta: 5 anos, segundo entendimento do STJ, aplicando-se o CDC.
173
NFPSS | MPSP

Ciclos Método

Qual é o prazo prescricional da ação de responsabilidade civil no caso de acidente aéreo em voo
internacional? O prazo prescricional será de 2 anos, com base no art. 29 da Convenção de Varsóvia (Decreto nº
20.704/1931). Fonte: http://www.dizerodireito.com.br/2017/07/em-caso-de-extravio-de-bagagem-
ocorrido.html

#DEOLHONAJURIS:
STJ em recente decisão concluiu que a reclamação obstativa da decadência, prevista no art. 26, § 2º, I, do CDC
pode ser feita documentalmente ou verbalmente." (REsp 1.442.597-DF, Rel. Min. Nancy Andrighi, por
unanimidade, julgado em 24/10/2017, DJe 30/10/2017, noticiado no informativo 614 do STJ)

→ DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA

TEORIA MAIOR DA DESCONSIDERAÇÃO TEORIA MENOR DA DESCONSIDERAÇÃO

Basta a INSOLVÊNCIA da pessoa jurídica para o


INSOLVÊNCIA + CONFUSÃO PATRIMONIAL OU pagamento de suas obrigações,
DESVIO DE FINALIDADE independentemente da existência de desvio de
finalidade ou de confusão patrimonial.

O CDC foi o primeiro dispositivo a se referir à desconsideração da personalidade jurídica.


Posteriormente, foi inserida em outras leis (CADE, meio ambiente, CC). Ratio do sistema protetivo dos
consumidores: PODE HAVER DESCONSIDERAÇÃO SEMPRE QUE A PERSONALIDADE FOR OBSTÁCULO AO
RESSARCIMENTO DOS DANOS SOFRIDOS PELO CONSUMIDOR.

No CC, a desconsideração não pode ser aplicada de ofício (exige-se requerimento da parte ou do MP).
Como as normas consumeristas são de ordem pública, o juiz pode desconsiderar a personalidade da empresa
de ofício, se verificar alguma das hipóteses do art. 28.

Para o STJ, o juiz poderá decretar a desconsideração no próprio processo de execução, não sendo preciso
que haja ação específica para tal.

A desconsideração inversa da personalidade jurídica afasta a autonomia patrimonial da sociedade para


atingir o patrimônio da empresa, de modo a responsabilizar a pessoa jurídica por obrigações dos sócios. Tem
ampla aplicação nos casos de divórcio (quando o marido transfere seus bens para a empresa). Fundamento na
interpretação teleológica.

#DEOLHONAJURIS:
A jurisprudência deste Tribunal Superior é firme no sentido de que o fornecedor de serviços de internet tem o
dever de fornecer e armazenar dados de identificação de usuários pelo prazo mínimo de 3 (três) anos, desde o
cancelamento do serviço. (AgRg no AREsp 614778 / RJ)

→ DAS PRÁTICAS COMERCIAIS

Toda informação ou publicidade, suficientemente precisa, veiculada por qualquer forma ou meio de
comunicação com relação a produtos e serviços oferecidos ou apresentados, obriga o fornecedor que a fizer
veicular ou dela se utilizar e integra o contrato que vier a ser celebrado.

174
NFPSS | MPSP

Ciclos Método
A oferta, por si só, já é suficiente para criar um vínculo entre fornecedor e consumidor, surgindo uma
OBRIGAÇÃO PRÉ-CONTRATUAL (princípio da vinculação contratual da publicidade). Uma vez feita a oferta, não
será possível revogá-la, pois o vínculo já foi estabelecido.

Os exageros (puffing) não obrigam os fornecedores, por faltar-lhes a precisão.

• Dever geral de informação

A oferta e apresentação de produtos ou serviços devem assegurar informações corretas, claras, precisas,
ostensivas e em língua portuguesa sobre suas características, qualidades, quantidade, composição, preço,
garantia, prazos de validade e origem, entre outros dados, bem como sobre os riscos que apresentam à saúde
e segurança dos consumidores. Nos produtos refrigerados, serão gravadas de forma indelével.

Os fabricantes e importadores deverão assegurar a oferta de componentes e peças de reposição


enquanto não cessar a fabricação ou importação do produto. Cessada a produção ou importação, a oferta
deverá ser mantida por PERÍODO RAZOÁVEL DE TEMPO, na forma da lei.

Em caso de oferta ou venda por telefone ou reembolso postal, deve constar o nome do fabricante e
endereço na embalagem, publicidade e em todos os impressos utilizados na transação comercial.

É PROIBIDA A PUBLICIDADE DE BENS E SERVIÇOS POR TELEFONE, QUANDO A CHAMADA FOR ONEROSA
AO CONSUMIDOR QUE A ORIGINA. Ex.: quando o consumidor liga pro SAC, o fornecedor não pode oferecer
produtos.

OS FORNECEDORES SÃO RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS POR ATOS DE SEUS PREPOSTOS OU


REPRESENTANTES AUTÔNOMOS.

OPÇÕES DO CONSUMIDOR QUANDO O FORNECEDOR NÃO CUMPRIR A OFERTA OU PUBLICIDADE

Exigir o cumprimento Aceitar outro produto ou Rescindir o contrato, com direito à


forçado da obrigação prestação de serviço restituição de quantia eventualmente
equivalente antecipada

→ PUBLICIDADE

A publicidade é um processo de cooptação, com intenção argumentativa. É prática admitida pelo direito
desde que não se configure a publicidade enganosa ou abusiva. Os recursos tendentes ao convencimento do
destinatário da mensagem, no entanto, devem se limitar ao seu conteúdo e não ao modo de empregá-los.

Como a mensagem é persuasiva, deve ser identificada como tal desde logo, nos termos do artigo 36 do
CDC:

Art. 36. A publicidade deve ser veiculada de tal forma que o consumidor, fácil e imediatamente, a identifique
como tal. Parágrafo único. O fornecedor, na publicidade de seus produtos ou serviços, manterá, em seu poder,
para informação dos legítimos interessados, os dados fáticos, técnicos e científicos que dão sustentação à
mensagem.

175
NFPSS | MPSP

Ciclos Método
Trata-se de norma que deriva da boa-fé objetiva e determina deveres de lealdade e transparência entre
as partes, originando-se para o fornecedor o dever de caracterizar a publicidade. Há necessidade de se distinguir
em determinado veículo de comunicação a publicidade do restante de sua programação editorial, o que
possibilita ao destinatário que se previna e resista aos argumentos.

O Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária, em seu artigo 28, traz a necessidade de


identificação da publicidade, que deve ser fácil e imediata, ou seja, realizada sem esforço ou exigência de
capacitação técnica. Quando isso não ocorre, não é somente o consumidor que é enganado, havendo também
fraude à lei, pois a falta de identificação possibilita a transgressão de regras.

Art. 28 O anúncio deve ser claramente distinguido como tal, seja qual for a sua forma ou meio de veiculação.

A identificação da publicidade como tal, retira parte da credibilidade da mensagem e isso leva alguns
anunciantes a mascará-la. Há, dessa forma, espécies de procedimentos que configuram violação ao princípio
da identificação.

A publicidade dissimulada é aquela que é travestida de reportagem. Aparece em meios impressos e


eletrônicos e é chamada de publicidade redacional. Aparenta ser uma notícia isenta, revestida de objetividade
como se tivesse apenas o desiderato de transmitir uma informação. É permitido que a abertura de uma nova
loja ou fábrica seja anunciada como notícia desde que seja identificado seu caráter publicitário. Há casos em
que o veículo de comunicação pode transmitir informações isentas ao público ainda que haja a menção expressa
a marcas de produtos, como nos casos de avaliação e testes de automóveis. A responsabilidade de quem divulga
o resultado dessas pesquisas e análises está em não permitir confusão de matéria editorial com matéria
publicitária. O que for matéria paga deve ser identificada como informação publicitária.

A publicidade clandestina, por sua vez, se tornou conhecida como merchandising e é comum em
novelas e no cinema. Caracteriza-se pela integração ao roteiro de uma situação de uso ou consumo normal de
um produto com a exposição de sua marca ou fatores de identificação em cenas mais ou menos sutis, com o
diálogo entre artistas ou exibição por breves instantes do próprio produto. As alternativas para solucionar a
questão da identificação dessa publicidade não são satisfatórias, já que mesmo havendo alertas na abertura ou
encerramento do programa, nem todas as pessoas o acompanham do início ao fim. Além disso, fica
comprometido o requisito da imediatidade.

A publicidade subliminar, por fim, é aquela que atua no inconsciente e influencia no comportamento
do consumidor. É considerada uma forma de manipulação, tendo em vista que as pessoas são estimuladas
abaixo de seu nível se consciência.

A identificação pelo consumidor de que está exposto a uma mensagem de caráter publicitário deve
ocorrer sem esforço. Trata-se de assunto recepcionado pelas mais diversas legislações do mundo e busca evitar
que o consumidor seja exposto aos efeitos persuasivos da publicidade sem que deles possa se defender. É regra
que decorre do dever de transparência e lealdade nas relações de consumo. O ocultamento do caráter
publicitário pode induzir o consumidor em erro quanto à natureza da mensagem.

A ideia básica do artigo 36 do CDC é proteger o consumidor assegurando-lhe o direito de saber que as
informações que estão sendo transmitidas não são gratuitas, mas objetivam vender um produto ou um serviço.
O princípio da identificação obrigatória tem como finalidade tornar o consumidor consciente de que ele é o
destinatário da mensagem patrocinada, veiculada em filme, desenho, peça de teatro, novela, etc. Fonte:
https://meusitejuridico.editorajuspodivm.com.br/2018/10/09/art-36-cdc-violacao-principio-da-identificacao-
da-publicidade/.
176
NFPSS | MPSP

Ciclos Método

#DEOLHONAJURIS:
Em verdadeiro leading case, a 2ª turma do STJ decidiu, proibir a publicidade de alimentos dirigida às crianças. O
ministro Herman Benjamin, considerado uma grande autoridade no tribunal em Direito do Consumidor, foi o
próximo a votar, e seguiu com veemência o relator: "O julgamento de hoje é histórico e serve para toda a
indústria alimentícia. O STJ está dizendo: acabou e ponto final. Temos publicidade abusiva duas vezes: por ser
dirigida à criança e de produtos alimentícios. Não se trata de paternalismo sufocante nem moralismo demais, é
o contrário: significa reconhecer que a autoridade para decidir sobre a dieta dos filhos é dos pais. E nenhuma
empresa comercial e nem mesmo outras que não tenham interesse comercial direto, têm o direito
constitucional ou legal assegurado de tolher a autoridade e bom senso dos pais. Este acórdão recoloca a
autoridade nos pais."

O CDC não proíbe o teaser (“aí vem o filme mais esperado do ano”). É o anúncio do anúncio.

O fornecedor deve manter em seu poder, para informação dos legítimos interessados, os dados fáticos,
técnicos e científicos que dão sustentação à mensagem (princípio da transparência da fundamentação). Os
exageros (puffing), desde que não sejam capazes de induzir o consumidor a erro, não sofrem a incidência desse
princípio. Ex.: “o melhor carro do mundo”.

Todos aqueles que tiveram algum proveito com a publicidade enganosa respondem, solidariamente,
perante o consumidor.

“Publicidade chamariz”: atrair o consumidor de maneira enganosa a adquirir algum produto e serviço.
Ex.: um fornecedor anuncia determinado produto a preço altamente competitivo, mas, no momento em que o
consumidor vai à loja adquirir o produto é informado que já havia esgotado o estoque. Assim, outros produtos
similares mais caros serão oferecidos.

PUBLICIDADE ENGANOSA PUBLICIDADE ABUSIVA


Qualquer modalidade de informação ou comunicação É abusiva, dentre outras, a PUBLICIDADE
de caráter publicitário, inteira ou parcialmente falsa, DISCRIMINATÓRIA DE QUALQUER NATUREZA, a
ou, por qualquer outro modo, mesmo por omissão, que incite à violência, explore o medo ou a
capaz de induzir em erro o consumidor a respeito da superstição, se aproveite da deficiência de
natureza, características, qualidade, quantidade, julgamento e experiência da criança, desrespeita
propriedades, origem, preço e quaisquer outros dados valores ambientais, ou que seja capaz de induzir o
sobre produtos e serviços. A publicidade é enganosa consumidor a se comportar de forma prejudicial
por OMISSÃO quando deixar de informar sobre DADO ou perigosa à sua saúde ou segurança.
ESSENCIAL do produto ou serviço.

Todas as informações passadas ao consumidor devem


ser verdadeiras.

O anunciante é objetivamente responsável pelos danos que seu anúncio vier a causar, sendo irrelevante
averiguar a intenção (má-fé ou boa-fé). Em contrapartida, a agência de publicidade só será responsável quando
tiver agido com dolo ou culpa.

O CDC estipulou a imposição de contrapropaganda que será divulgada pelo responsável da mesma
forma, frequência e dimensão e, preferencialmente, no mesmo veículo, local, espaço e horário.

177
NFPSS | MPSP

Ciclos Método

O ônus da prova da veracidade e correção da informação oi comunicação publicitária cabe a quem as


patrocina. A inversão do ônus da prova é OPE LEGIS.

#DEOLHONAJURIS:

É possível o redirecionamento da condenação de veicular contrapropaganda imposta a posto de gasolina matriz


à sua filial. Ainda que possuam CNPJ diversos e autonomia administrativa e operacional, as filiais são um
desdobramento da matriz por integrar a pessoa jurídica como um todo. Eventual decisão contrária à matriz por
atos prejudiciais a consumidores é extensível às filiais. Obs: a contrapropaganda é uma medida imposta nos
casos de veiculação de publicidade inverídica ou abusiva, que busca anular ou compensar os efeitos nocivos da
publicidade ilícita. A finalidade, portanto, é corrigir o desvio cometido na publicidade antijurídica veiculada pelo
fornecedor. STJ. 3ª Turma. REsp 1655796-MT, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 11/02/2020 (Info
665).

A ausência de informação relativa ao preço, por si só, não caracteriza publicidade enganosa. Para a
caracterização da ilegalidade omissiva, a ocultação deve ser de qualidade essencial do produto, do serviço ou
de suas reais condições de contratação, considerando, na análise do caso concreto, o público alvo do anúncio
publicitário. STJ. 4ª Turma. REsp 1705278-MA, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, julgado em 19/11/2019 (Info
663).

É enganosa a publicidade televisiva que omite o preço e a forma de pagamento do produto, condicionando a
obtenção dessas informações à realização de ligação telefônica tarifada. STJ. 2ª Turma. REsp 1.428.801-RJ, Rel.
Min. Humberto Martins, julgado em 27/10/2015 (Info 573).

O art. 54, § 3º do CDC prevê que, nos contratos de adesão, o tamanho da fonte não pode ser inferior a 12. Essa
regra do art. 54, § 3º NÃO se aplica para ofertas publicitárias. Assim, as letras que aparecem no comercial de TV
ou em um encarte publicitário não precisam ter, no mínimo, tamanho 12. STJ. 3ª Turma. REsp 1.602.678-RJ, Rel.
Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 23/5/2017 (Info 605) #IMPORTANTE

→ DAS PRÁTICAS ABUSIVAS

• Teoria do abuso do direito

Também comete ATO ILÍCITO o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites
impostos pelo seu FIM ECONÔMICO OU SOCIAL, pela BOA-FÉ ou pelos BONS COSTUMES (art. 187 do CC).

O ato abusivo decorre do direito subjetivo lícito atribuído ao titular que, ao exercê-lo, o torna ilícito. O
parâmetro para aferir tais limites do abuso de direito é o princípio da boa-fé objetiva. Já o ato ilícito não
comporta controle de abusividade, pois já é contrário à lei desde a origem.

ATO ILÍCITO

SUBJETIVO OBJETIVO OU ABUSO DO DIREITO

178
NFPSS | MPSP

Ciclos Método

Art. 186: aquele que, por ação ou omissão Art. 187: também comete ato ilícito o titular de um
voluntária, negligência ou imprudência, violar direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os
direito e causar dano a outrem, ainda que limites impostos pelo seu FIM ECONÔMICO OU
exclusivamente moral, comete ato ilícito. SOCIAL, pela BOA-FÉ ou pelos BONS COSTUMES.

BASEADO NA CULPA. BASEADO NA CONFIANÇA (DISSOCIADO DA CULPA).


- Ação ou omissão (conduta) É inicialmente lícito, mas torna-se ilícito depois.
- Culpa lato senso (dolo, negligência, imprudência
e imperícia) Subespécies:
- Dano - Venire contra factum proprium
- Violação culposa de direito alheio - Supressio (Verwirkung) e surrectio (erwirkung)
- Nexo de causalidade - Tu quoque
Nem sempre gera responsabilidade civil. - Duty to mitigate the loss
- Substancial performance (adimplemento
substancial)
- Violação positiva do contrato (adimplemento fraco)

• Rol de práticas abusivas.

VENDA CASADA

É proibido condicionar o fornecimento de produto ou de serviço ao fornecimento de outro produto ou


serviço, bem como, sem justa causa, a limites quantitativos.

O STJ considerou que não ofende o direito do consumidor a cobrança de tarifa mínima, tanto de água,
como de telefonia, ainda que o consumidor não tenha utilizado o serviço ou tenha utilizado a menor, o que
seria, de certa forma, uma imposição de limite mínimo. Há justa causa: necessidade da concessionária manter
disponibilizado o serviço ao consumidor, de modo contínuo e ininterrupto.

#DEOLHONOGANCHO

Venda casada “às avessas”, indireta ou dissimulada

Ocorre quando há dois produtos ou serviços diferentes, mas relacionados entre si, ou seja, são produtos ou
serviços diferentes, mas que geralmente são consumidor/usados juntos e o fornecedor do primeiro só admite a
aquisição do segundo se for também fornecido por ele. Assim, o consumidor adquire um produto ou serviço e,
se quiser comprar o outro produto ou serviço diferente, mas ligado ao primeiro, só poderá adquirir do
fornecedor do primeiro.

Nas palavras da Min. Nancy Andrigui: “A venda casada ‘às avessas’, indireta ou dissimulada consiste em se
admitir uma conduta de consumo intimamente relacionada a um produto ou serviço, mas cujo exercício é
restringido à única opção oferecida pelo próprio fornecedor, limitando, assim, a liberdade de escolha do
consumidor.”

O exemplo clássico é a pipoca de cinema. Determinada rede de cinema somente permitia que o consumidor
entrasse nas salas de projeção dos filmes portando pipoca ou outros lanches que tivessem sido comprados na
própria lanchonete do cinema. O STJ decidiu que essa prática é ilícita: STJ. 3ª Turma. REsp 1331948/SP, Rel. Min.
Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 14/06/2016.
179
NFPSS | MPSP

Ciclos Método

Perceba que a empresa não obriga o consumidor a adquirir o produto, porém impede que o faça em outro
estabelecimento. Desse modo, de forma indireta, dissimulada, “às avessas”, veda o ingresso dos consumidores
em suas salas de exibição de filmes cinematográficos com produtos alimentícios que não os fornecidos por ela.
O consumidor deve poder escolher livremente o produto ou o serviço que bem quiser, independentemente da
aquisição concomitante de outros produtos e serviços oferecidos no mercado e por ele não desejados.
Outro exemplo:
Nos contratos bancários em geral, o consumidor não pode ser compelido a contratar seguro com a instituição
financeira ou com seguradora por ela indicada. STJ. 2ª Seção. REsp 1639259-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso
Sanseverino, julgado em 12/12/2018 (recurso repetitivo) (Info 639).

Venda casada pela imposição de intermediário

A doutrina aponta uma outra espécie de venda casada, um pouco diferente das que foram explicadas acima, e
que está expressamente prevista no art. 39, IX, do CDC:
Art. 39. É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre outras práticas abusivas: (...)
IX - recusar a venda de bens ou a prestação de serviços, diretamente a quem se disponha a adquiri-los mediante
pronto pagamento, ressalvados os casos de intermediação regulados em leis especiais;
O objetivo aqui do legislador foi o de impedir que o fornecedor imponha, ao consumidor, a figura de um
intermediário.

RECUSA DE ATENDIMENTO
É proibido recusar atendimento às demandas dos consumidores, na exata medida de suas
disponibilidades de estoque e, ainda, de conformidade com os usos e costumes. A recusa de venda é crime
contra as relações de consumo (art. 7º, I, da Lei 8.137/90).

FORNECIMENTO DE PRODUTO NÃO SOLICITADO


É proibido enviar ou entregar ao consumidor, sem solicitação prévia, qualquer produto, ou fornecer
qualquer serviço. Os serviços prestados e os produtos enviados serão considerados amostras grátis.

APROVEITAMENTO DA VULNERABILIDADE DO CONSUMIDOR


É proibido prevalecer-se da fraqueza ou ignorância do consumidor, tendo em vista sua idade, saúde,
conhecimento ou condição social, para impingir-lhe seus produtos ou serviços.

VANTAGEM EXCESSIVA
É proibido exigir do consumidor vantagem manifestamente excessiva. É excessiva a vantagem que
ofende os princípios fundamentais do sistema jurídico a que pertence; restringe direitos ou obrigações
fundamentais inerentes à natureza do contrato, de tal modo a ameaçar seu objeto ou equilíbrio contratual; se
mostra excessivamente onerosa para o consumidor, considerando-se a natureza e conteúdo do contrato, o
interesse das partes e outras circunstâncias peculiares do caso.

#DEOLHONAJURIS
Não é abusiva a cobrança de uma diária completa de 24 horas em hotéis que adotam a prática de check-in às
15:00h e de check-out às 12:00h do dia de término da hospedagem. STJ. 3ª Turma. REsp 1.717.111-SP, Rel. Min.
Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 12/03/2019 (Info 644).

NECESSIDADE DE ORÇAMENTO PRÉVIO E AUTORIZAÇÃO DO CONSUMIDOR

180
NFPSS | MPSP

Ciclos Método
É proibido executar serviços sem a prévia elaboração de orçamento e autorização expressa do
consumidor, ressalvadas as decorrentes de práticas anteriores entre as partes. Se o consumidor não autorizar o
serviço e esse for realizado, será considerado amostra grátis de acordo com o parágrafo único do artigo.

REPASSE DE INFORMAÇÃO DEPRECIATIVA, REFERENTE A ATO PRATICADO PELO CONSUMIDOR NO


EXERCÍCIO DE SEUS DIREITOS
É proibido repassar informação depreciativa, referente a ato praticado pelo consumidor no exercício de
seus direitos. A ideia é evitar que o consumidor seja constrangido ao defender seus direitos.

DESCUMPRIMENTO DE NORMAS TÉCNICAS


É proibido colocar, no mercado de consumo, qualquer produto ou serviço em desacordo com as normas
expedidas pelos órgãos oficiais competentes ou, se normas específicas não existirem, pela ABNT ou outra
entidade credenciada pelo Conmetro.

RECUSA DE VENDA INDIRETA


É proibido recusar a venda de bens ou a prestação de serviços, diretamente a quem se disponha a
adquiri-los mediante pronto pagamento, ressalvados os casos de intermediação regulados em leis especiais.
Aqui, o fornecedor se recusa a vender o produto ou prestar serviço diretamente ao consumidor, impondo
intermediários.

#DEOLHONAJURIS
A seguradora não pode recusar a contratação de seguro a quem se disponha a pronto pagamento se a
justificativa se basear unicamente na restrição financeira do consumidor junto a órgãos de proteção ao crédito.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.594.024-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 27/11/2018 (Info 640).

#ATENÇÃO: Vale ressaltar que, segundo o STJ, a seguradora poderá elevar o valor do prêmio, diante do aumento
do risco, dado que a pessoa com restrição de crédito é mais propensa a sinistros.

ELEVAÇÃO DE PREÇOS SEM JUSTA CAUSA


É proibido elevar, sem justa causa, o preço de produtos ou serviços. A mudança de valores, além de ser
previamente avisada, deve ser feita de forma amena e gradativa, não causando impacto surpreendente no
consumidor.

NECESSIDADE DE PRAZO PARA CUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO


É proibido deixar de estipular prazo para o cumprimento de sua obrigação ou deixar a fixação de seu
termo inicial a seu exclusivo critério.

APLICAÇÃO DE REAJUSTE DIVERSO DO PREVISTO EM LEI OU NO CONTRATO


É proibido aplicar fórmula ou índice de reajuste diverso do legal ou contratualmente estabelecido.

O fornecedor de serviço será obrigado a entregar ao consumidor ORÇAMENTO PRÉVIO discriminando o


valor da mão de obra, dos materiais e equipamentos a serem empregados, as condições de pagamento, bem
com as datas de início e término dos serviços. Salvo estipulação em contrário, o valor orçado terá validade pelo
prazo de 10 dias.

→ BANCO DE DADOS

O consumidor terá acesso às informações existentes em cadastros, fichas, registros e dados pessoais e
de consumo arquivados sobre ele, bem como sobre as suas respectivas fontes. Os cadastros e dados de
181
NFPSS | MPSP

Ciclos Método
consumidores devem ser objetivos, claros, verdadeiros e em linguagem de fácil compreensão, não podendo
conter informações negativas referentes a período superior a 5 anos.

#DEOLHONAJURIS
O termo inicial do prazo de permanência de registro de nome de consumidor em cadastro de proteção ao crédito
(art. 43, § 1º, do CDC) inicia-se no dia subsequente ao vencimento da obrigação não paga, independentemente
da data da inscrição no cadastro. Assim, vencida e não paga a obrigação, inicia-se no dia seguinte a contagem
do prazo de 5 anos previsto no §1º do art. 43, do CDC, não importando a data em que o nome do consumidor
foi negativado. STJ. 3ª Turma. REsp 1.316.117-SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, Rel. para acórdão Min.
Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 26/4/2016 (Info 588).

A abertura de cadastro, ficha, registro e dados pessoais e de consumo deverá ser comunicada por escrito
ao consumidor, quando não solicitada por ele.

O consumidor, sempre que encontrar inexatidão nos seus dados e cadastros, poderá exigir sua imediata
correção, devendo o arquivista, no prazo de 5 dias úteis, comunicar a alteração aos eventuais destinatários das
informações incorretas.

Os bancos de dados e cadastros relativos a consumidores, os serviços de proteção ao crédito e


congêneres são considerados ENTIDADES DE CARÁTER PÚBLICO.

Consumada a prescrição relativa à cobrança de débitos do consumidor, não serão fornecidas, pelos
respectivos Sistemas de Proteção ao Crédito, quaisquer informações que possam impedir ou dificultar novo
acesso ao crédito junto aos fornecedores.

#DEOLHONAJURIS
O “cadastro de passagem” ou “cadastro de consultas anteriores” é um banco de dados de consumo no qual os
comerciantes registram consultas feitas a respeito do histórico de crédito de consumidores que com eles
tenham realizado tratativas ou solicitado informações gerais sobre condições de financiamento ou crediário. É
lícita a manutenção do “cadastro de passagem”, ou seja, ele pode existir. No entanto, assim como ocorre com
todo e qualquer banco de dados ou cadastro de consumo, o “cadastro de passagem” deve cumprir às exigências
previstas no art. 43 do CDC. Assim, somente poderão constar no “cadastro de passagem” informações dos
consumidores se essa inclusão tiver sido previamente comunicada ao respectivo consumidor.
A inserção de informações dos consumidores no “cadastro de passagem” sem prévia comunicação é prática
ilícita. Vale ressaltar, no entanto, que a prática é que é ilícita, não o cadastro em si. STJ. 3ª Turma. REsp
1.726.270-BA, Rel. Min. Nancy Andrighi, Rel. Acd. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 27/11/2018 (Info
641).

JURISPRUDÊNCIA DO STJ SOBRE OS ARQUIVOS DE CONSUMO


Súmula 404: É DISPENSÁVEL O AVISO DE RECEBIMENTO NA CARTA DE COMUNICAÇÃO AO CONSUMIDOR
SOBRE A NEGATIVAÇÃO DE SEU NOME EM BANCOS DE DADOS E CADASTROS.
- Basta a prova do envio da comunicação ao endereço do consumidor. Não precisa ser via AR.
AUSÊNCIA DE COMUNICAÇÃO PRÉVIA DA INSCRIÇÃO = DANO MORAL.
Mas se há outras inscrições anteriores e a dívida é devida, a falta de comunicação de nova inscrição não gera
danos morais. Somente há suspensão do registro até que seja cumprido o requisito da comunicação.

182
NFPSS | MPSP

Ciclos Método

A COMUNICAÇÃO TEM QUE SER ANTES DA INSCRIÇÃO.

Súmula 359: CABE AO ÓRGÃO MANTENEDOR DO CPC A NOTIFICAÇÃO DO DEVEDOR ANTES DE PROCEDER À
INSCRIÇÃO. Assim, a comunicação é obrigação do órgão, não do credor.
A RESPONSABILIDADE PELA RETIRADA DO NOME DO CONSUMIDOR É DO FORNECEDOR, quando quitada a
dívida.
É preciso distinguir duas situações: uma, quando, por iniciativa do credor, o registro negativo consta em
cartório de protesto de títulos; e outra, no caso de inclusão em órgãos cadastrais. Na primeira situação,
quando se tratar de PROTESTO DE TÍTULOS (necessário para a cobrança judicial de cártula), a
responsabilidade por dar baixa no cartório é do DEVEDOR e não do credor.

A segunda situação é diversa. A responsabilidade pela retirada do nome do devedor de cadastro de


inadimplentes é do CREDOR, se a ele deu causa, ou seja, se teve a iniciativa de promover a inscrição no
órgão cadastral.

A RESPONSABILIDADE PELA INSCRIÇÃO IRREGULAR É DO FORNECEDOR E NÃO DO ARQUIVISTA.

O Sistema de Informação de Crédito do Banco Central (SCR) é equiparado aos órgãos de restrição de crédito
como a Serasa e o SPC, pois se trata de um cadastro oficial no qual as instituições financeiras são obrigadas a
registrar toda sua movimentação contábil.
A simples inscrição irregular já é por si só suficiente para configurar o dano moral, não havendo necessidade
da prova do prejuízo sofrido (in re ipsa). Por outro lado, o dano material, em decorrência da inscrição
indevida, não pode ser apenas alegado, devendo estar provado nos autos.

Não se admite a negativação do consumidor que não emitiu o cheque sem fundos,
mesmo sendo titular da conta conjunta.
O simples ERRO NO VALOR INSCRITO da dívida, em órgão de proteção ao crédito, não tem o condão de
causar dano moral ao devedor.
Para permitir o cancelamento ou a abstenção da inscrição do nome do consumidor é necessário a presença
concomitante de 3 elementos:

1) A existência de ação proposta pelo devedor, contestando a existência integral ou parcial do débito;
2) A efetiva demonstração de que a cobrança indevida se funda em jurisprudência consolidada do STF ou do
STJ (houve uma certa relativização, exigindo apenas “fumaça do bom direito”);
3) O depósito do valor referente à parte incontroversa do débito ou que seja prestada caução idônea.

Súmula 380: A SIMPLES PROPOSITURA DA AÇÃO DE REVISÃO DO CONTRATO NÃO INIBE A CARACTERIZAÇÃO
DA MORA DO AUTOR.
Não cabe dano moral por falta de comunicação quando a informação é acessível ao público (Diários Oficiais,
ex.: execução fiscal/Cartórios de protesto).

183
NFPSS | MPSP

Ciclos Método

Se o consumidor possui negativação anterior, não cabe dano moral por uma nova inscrição indevida.

Súmula 385: DA ANOTAÇÃO IRREGULAR EM CADASTRO DE PROTEÇÃO AO CRÉDITO, NÃO CABE


INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL, QUANDO PREEXISTENTE LEGÍTIMA INSCRIÇÃO, RESSALVADO O DIREITO
AO CANCELAMENTO.

Súmula 323: A INSCRIÇÃO DO NOME DO DEVEDOR PODE SER MANTIDA NOS SERVIÇOS DE PROTEÇÃO AO
CRÉDITO ATÉ O PRAZO MÁXIMO DE 5 ANOS, INDEPENDENTEMENTE DA PRESCRIÇÃO DA EXECUÇÃO.

Ausência de Inscrição irregular Erro no valor Retirada do nome Protesto de


comunicação prévia inscrito títulos
ÓRGÃO MANTENEDOR CREDOR - CREDOR Devedor

Dano moral, salvo Dano moral (in re ipsa), Não causa dano
quando preexistente salvo quando moral.
legítima inscrição preexistente legítima
(suspensão do registro inscrição, ressalvado o
até o cumprimento da direito ao
comunicação). cancelamento.

Os órgãos públicos de defesa do consumidor manterão cadastros atualizados de reclamações


fundamentadas contra fornecedores de produtos e serviços, devendo divulgá-lo pública e anualmente. A
divulgação indicará se a reclamação foi atendida ou não pelo fornecedor.

#DEOLHONAJURIS
É lícita a conduta da prestadora de serviço que em período anterior à Resolução da ANATEL nº 528, de 17 de
abril de 2009, efetuava cobranças pelo aluguel de equipamento adicional e ponto extra de TV por assinatura.
STJ. 4ª Turma. REsp 1.449.289-RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Rel. Acd. Min. Marco Buzzi, por maioria, julgado
em 14/11/2017 (Info 617).

→ PROTEÇÃO CONTRATUAL

Os contratos que regulam as relações de consumo não obrigarão os consumidores, se não lhes for dada
a oportunidade de tomar conhecimento prévio de seu conteúdo, ou se os respectivos instrumentos forem
redigidos de modo a dificultar a compreensão de seu sentido e alcance.

• Interpretação favorável

AS CLÁUSULAS CONTRATUAIS SERÃO INTERPRETADAS DE MANEIRA MAIS FAVORÁVEL AO


CONSUMIDOR. Decorrência da presunção de boa-fé dos consumidores. Ex.: cabe ao fornecedor realizar no
consumidor exames prévios ao contrato para detectar doenças preexistentes ou provar que o mesmo
intencionalmente ocultou a doença (STJ).

184
NFPSS | MPSP

Ciclos Método
No CC, a interpretação favorável restringe-se aos contratos de adesão com cláusulas ambíguas ou
contraditórias. No CDC, a interpretação é favorável a todos os consumidores, pouco importando se as cláusulas
são ambíguas ou contraditórias.

As declarações de vontade constantes de escritos particulares, recibos e pré-contratos relativos às


relações de consumo vinculam o fornecedor, ensejando inclusive execução específica.

• Direito de arrependimento

O consumidor pode desistir do contrato, no prazo de 7 DIAS a contar de sua assinatura ou do ato de
recebimento do produto ou serviço, sempre que a contratação de fornecimento de produtos e serviços ocorrer
FORA DO ESTABELECIMENTO COMERCIAL, especialmente por telefone ou a domicílio. É imotivado: não depende
de qualquer vício do produto ou justificativa do consumidor.

Os valores pagos, a qualquer título, durante o prazo de reflexão, serão DEVOLVIDOS DE IMEDIATO,
monetariamente atualizados.

É NULA A CLÁUSULA QUE IMPÕE MULTA porque trata-se de regular exercício de direito.

Cláusulas no sentido de não aplicar o direito de arrependimento são consideradas não escritas.

• Garantia contratual

A garantia contratual é complementar à legal e será conferida mediante termo escrito. Os prazos
decadenciais do art. 26 (30 dias ou 90 dias) só começam a correr depois do prazo de garantia. Diz-se,
popularmente, que o consumidor tem a GARANTIA CONTRATUAL + 30 OU 90 DIAS.
Leonardo Garcia entende que os prazos decadenciais do art. 26 não são prazos de garantia legal. A
garantia legal, na verdade, garante que os produtos e serviços colocados no mercado de consumo serão
adequados para o fim que se destinam. Essa é a garantia legal de adequação. No art. 26, temos prazos para fazer
reclamações caso os produtos não sejam adequados. No mesmo sentido, o STJ entende que os prazos do art.
26 não são prazos de garantia legal. O que há é prazo para reclamar contra o descumprimento dessa garantia,
o qual, em se tratando de vício de adequação, está previsto no art. 26, sendo de 90 ou 30 dias, conforme seja
produto ou serviço durável ou não.

GARANTIA CONTRATUAL + 30 OU 90 DIAS para fazer reclamações caso os produtos não sejam
estabelecida pelo fornecedor no adequados. Atenção: esses prazos não são a garantia legal. São prazos
contrato. Poderá ser total ou para reclamar contra o descumprimento dessa garantia legal (garantia de
parcial. que os produtos e serviços colocados no mercado serão adequados).

#MUDANÇADEENTENDIMENTO #SELIGA:
Se o produto que o consumidor comprou apresenta um vício, ele tem o direito de ter esse vício sanado no prazo
de 30 dias (art. 18, § 1º do CDC). Para tanto, o consumidor pode escolher para quem levará o produto a fim de
ser consertado: a) para o comerciante; b) para a assistência técnica ou c) para o fabricante. Em outras palavras,
cabe ao consumidor a escolha para exercer seu direito de ter sanado o vício do produto em 30 dias: levar o
produto ao comerciante, à assistência técnica ou diretamente ao fabricante. STJ. 3ª Turma. REsp 1.634.851-
RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 12/09/2017 (Info 619).

185
NFPSS | MPSP

Ciclos Método

• Das cláusulas abusivas

CLÁUSULAS DE IRRESPONSABILIDADE
Cláusulas que impossibilitem, exonerem ou atenuem a responsabilidade do fornecedor por vícios de
qualquer natureza dos produtos e serviços ou impliquem renúncia ou disposição de direitos. No mesmo sentido
o art. 25 (responsabilidade pelo fato e por vício): é vedada a estipulação contratual de cláusula que impossibilite,
exonere ou atenue a obrigação de indenizar prevista nesta e nas seções anteriores. NAS RELAÇÕES DE
CONSUMO ENTRE O FORNECEDOR E O CONSUMIDOR PESSOA JURÍDICA, A INDENIZAÇÃO PODERÁ SER LIMITADA
EM SITUAÇÕES JUSTIFICÁVEIS.

CLÁUSULAS QUE SUBTRAIAM AO CONSUMIDOR A OPÇÃO DE REEMBOLSO DA QUANTIA JÁ PAGA;

CLÁUSULAS QUE TRANSFIRAM RESPONSABILIDADES A TERCEIROS


Como a responsabilidade do fornecedor vem da lei, ele não pode, por meio de cláusula contratual,
transferir a terceiros para se eximir.

CLÁUSULAS QUE ESTABELEÇAM OBRIGAÇÕES INÍQUAS, ABUSIVAS, QUE COLOQUEM O CONSUMIDOR


EM DESVANTAGEM EXAGERADA, OU SEJAM INCOMPATÍVEIS COM A BOA-FÉ OU A EQUIDADE;

Algumas observações importantes sobre o tema:

 Em geral, o tratamento domiciliar é mais barato que o tratamento hospitalar, de forma que, na maioria
dos casos, não haveria essa afetação do equilíbrio contratual.
 Se o plano de saúde não fornecer o home care por não preencher os requisitos acima, ele deverá
continuar mantendo os custos do tratamento hospitalar.
 Qualquer cláusula contratual ou ato da operadora de plano de saúde que importe em absoluta vedação
da internação domiciliar como alternativa de substituição à internação hospitalar será abusivo, visto que
se revela incompatível com a equidade e a boa-fé, colocando o usuário (consumidor) em situação de
desvantagem exagerada (art. 51, IV, do CDC).
 Em caso de recusa indevida no fornecimento do home care, o plano de saúde poderá ser condenado a
pagar indenização por danos morais.

Os contratos de planos de saúde, além de serem classificados como contratos de consumo (relação
jurídica de consumo), são também contratos de adesão. Como consequência, a interpretação dessas cláusulas
contratuais segue as regras especiais de interpretação dos contratos de adesão ou dos negócios jurídicos
estandardizados. Assim, havendo dúvidas, imprecisões ou ambiguidades no conteúdo de um negócio jurídico,
deve-se interpretar as suas cláusulas do modo mais favorável ao aderente. O serviço de home care constitui
desdobramento do tratamento hospitalar contratualmente previsto. Em outras palavras, é uma etapa do
tratamento. Daí o STJ ter entendido ser possível essa obrigação em desfavor dos planos de saúde.

#DEOLHONAJURIS
REGRA: em regra, os planos de saúde não são obrigados a fornecer medicamentos para tratamento domiciliar.
EXCEÇÕES: Os planos de saúde são obrigados a fornecer: a) os antineoplásicos orais (e correlacionados); b) a
medicação assistida (home care); e c) outros fármacos incluídos pela ANS (Agência Nacional de Saúde
Suplementar) no rol de fornecimento obrigatório. STJ. 3ª Turma. REsp 1692938/SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas
Cueva, julgado em 27/04/2021 (Info 694).

186
NFPSS | MPSP

Ciclos Método
A operadora de plano de saúde não pode ser obrigada a oferecer plano individual a usuário de plano coletivo
extinto se ela não disponibiliza no mercado tal tipo de plano. Não é ilegal a recusa de operadoras de planos de
saúde de comercializarem planos individuais por atuarem apenas no segmento de planos coletivos. Com efeito,
não há norma alguma que as obrigue a atuar em determinado ramo de plano de saúde. STJ. 3ª Turma. REsp
1846502/DF, Rel. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 20/04/2021 (Info 693).

Falecendo o titular do plano de saúde coletivo, seja este empresarial ou por adesão, nasce para os dependentes
já inscritos o direito de pleitear a sucessão da titularidade, nos termos dos arts. 30 ou 31 da Lei nº 9.656/98, a
depender da hipótese, desde que assumam o seu pagamento integral. A conduta da operadora, de impor à
dependente a obrigação de assumir eventual dívida do falecido titular, sob pena de ser excluída do plano de
saúde, configura, em verdade, o exercício abusivo do direito de exigir o respectivo pagamento, na medida em
que, valendo-se da situação de fragilidade da beneficiária e sob a ameaça de causar-lhe um prejuízo, constrange
quem não tem o dever de pagar a fazê-lo, evitando, com isso, todos os trâmites de uma futura cobrança dirigida
ao legítimo responsável (espólio). STJ. 3ª Turma. REsp 1899674/SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
16/03/2021 (Info 689).

No caso em que o serviço de home care (tratamento domiciliar) não conste expressamente do rol de coberturas
previsto no contrato de plano de saúde, a operadora ainda assim será obrigada a custeá-lo em substituição à
internação hospitalar contratualmente prevista, desde que respeitados os seguintes requisitos: 1) tenha havido
indicação desse tratamento pelo médico assistente; 2) o paciente concorde com o tratamento domiciliar; 3) não
ocorra uma afetação do equilíbrio contratual em prejuízo do plano de (exemplo em que haveria um
desequilíbrio: nos casos em que o custo do atendimento domiciliar por dia supera a despesa diária em hospital).
STJ. 3ª Turma. REsp 1.378.707-RJ, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 26/5/2015 (Info 564).

O plano de saúde somente é obrigado a reembolsar as despesas que o usuário teve com tratamento ou
atendimento fora da rede credenciada em hipóteses excepcionais, como por exemplo, em casos de: •
inexistência ou insuficiência de estabelecimento ou profissional credenciado no local; e • urgência ou
emergência do procedimento. STJ. 2ª Seção. EAREsp 1459849/ES, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em
14/10/2020 (Info 684).

A demora para a autorização da cirurgia indicada como urgente pela equipe médica do hospital próprio ou
credenciado, sem justificativa plausível, caracteriza defeito na prestação do serviço da operadora do plano de
saúde, resultando na sua responsabilização. A operadora de plano de saúde tem responsabilidade solidária por
defeito na prestação de serviço médico, quando o presta por meio de hospital próprio e médicos contratados,
ou por meio de médicos e hospitais credenciados. STJ. 4ª Turma. AgInt no AREsp 1414776-SP, Rel. Min. Raul
Araújo, julgado em 11/02/2020 (Info 666).

O STJ possui entendimento consolidado no sentido de que, se não houver previsão contratual expressa, o plano
de saúde não é obrigado a custear o tratamento de fertilização in vitro. Existe julgado no qual o STJ afirmou que
é devida a cobertura, pelo plano de saúde, do procedimento de criopreservação de óvulos de paciente fértil, até
a alta do tratamento quimioterápico, como medida preventiva à infertilidade (STJ REsp 1.815.796/RJ). No
entanto, nesse acórdão, foi feita a seguinte distinção aplicável aqui: • tratamento da infertilidade: não é de
cobertura obrigatória pelo plano de saúde; • prevenção da infertilidade, enquanto efeito adverso do tratamento
prescrito ao paciente: é coberto pelo plano de saúde. No caso concreto, o procedimento de fertilização in vitro
não foi prescrito à mulher para prevenir a infertilidade decorrente do tratamento para a endometriose. O
procedimento foi prescrito como tratamento da infertilidade coexistente à endometriose. Logo, não há
cobertura do plano. STJ. 3ª Turma. REsp 1859606-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, Turma, julgado em 06/10/2020
(Info 681).

187
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Na falta de dispositivo legal específico para a ação civil pública, aplica-se, por analogia, o prazo de prescrição da
ação popular, que é o quinquenal (art. 21 da Lei nº 4.717/65), adotando-se também tal lapso na respectiva
execução, a teor da Súmula 150 do STF. A lacuna da Lei nº 7.347/85 é melhor suprida com a aplicação de outra
legislação também integrante do microssistema de proteção dos interesses transindividuais, como os coletivos
e difusos, a afastar os prazos do Código Civil, mesmo na tutela de direitos individuais homogêneos. Assim, a
despeito da existência de recurso especial julgado sob o rito dos recursos repetitivos sobre a prescrição trienal
para ações de cobrança contra plano de saúde, nota-se que esse versou sobre as ações ordinárias individuais,
de modo que o entendimento referente à aplicação do prazo quinquenal às tutelas coletivas é específico e,
consequentemente, prevalece no caso. STJ. 4ª Turma. AgInt no REsp 1807990-SP, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti,
julgado em 20/04/2020 (Info 671).

É decenal o prazo prescricional aplicável ao exercício da pretensão de reembolso de despesas médico-


hospitalares alegadamente cobertas pelo contrato de plano de saúde (ou de seguro saúde), mas que não foram
adimplidas pela operadora. STJ. 2ª Seção. REsp 1756283-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em
11/03/2020 (Info 673).

Compete à Justiça comum julgar as demandas relativas a plano de saúde de autogestão empresarial, exceto
quando o benefício for regulado em contrato de trabalho, convenção ou acordo coletivo, hipótese em que a
competência será da Justiça do Trabalho, ainda que figure como parte trabalhador aposentado ou dependente
do trabalhador. STJ. 2ª Seção. EDcl no REsp 1799343/SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 24/06/2020 (Tema
IAC 5). STJ. 2ª Seção. EDcl no CC 165863/SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 24/06/2020 (Tema
IAC 5).

Os beneficiários de plano de saúde coletivo, após a resilição unilateral do contrato pela operadora, têm direito
à portabilidade de carências ao contratar novo plano observado o prazo de permanência no anterior, sem o
cumprimento de novos períodos de carência ou de cobertura parcial temporária e sem custo adicional pelo
exercício do direito. STJ. 3ª Turma. REsp 1732511-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 04/08/2020 (Info
677).

É vedada à operadora de plano de saúde a resilição unilateral imotivada dos contratos de planos coletivos
empresariais com menos de trinta beneficiários. O art. 13, parágrafo único, II, da Lei no 9.656/98, que veda a
resilição unilateral dos contratos de plano de saúde, não se aplica às modalidades coletivas, tendo incidência
apenas nas espécies individuais ou familiares.
No entanto, no caso de planos coletivos empresariais com menos de trinta usuários, em vista da vulnerabilidade
da empresa estipulante, dotada de escasso poder de barganha, não se admite a simples rescisão unilateral pela
operadora de plano de saúde, havendo necessidade de motivação idônea. STJ. 3ª Turma. REsp 1553013/SP, Rel.
Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 13/03/2018. STJ. 4ª Turma. REsp 1.776.047-SP, Rel. Min. Maria Isabel
Gallotti, julgado em 23/04/2019 (Info 646

#ATENÇÃO:
PLANO DE SAÚDE (OU SEGURO-SAÚDE) E PRAZO PRESCRICIONAL

Ação pedindo o ressarcimento por despesas médico- Ação pedindo a declaração de nulidade
hospitalares que não foram pagas pelo plano e que
da cláusula de reajuste da prestação c/c
estariam previstas no contrato:
repetição de indébito:
10 anos
3 anos

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Ciclos Método

Fundamento: art. 205 do CC. Fundamento: art. 206, § 3º, IV, do CC.

É decenal o prazo prescricional aplicável ao exercício Na vigência dos contratos de plano ou de seguro de
da pretensão de reembolso de despesas médico- assistência à saúde, a pretensão condenatória
hospitalares alegadamente cobertas pelo contrato de decorrente da declaração de nulidade de cláusula de
plano de saúde (ou de seguro-saúde), mas que não reajuste nele prevista prescreve em 3 anos.
foram adimplidas pela operadora.
STJ. 2ª Seção. REsp 1361182-RS, Rel. para acórdão
STJ. 2ª Seção. REsp 1.756.283-SP, Rel. Min. Luis Felipe Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 10/8/2016
Salomão, julgado em 11/03/2020 (Info 673). (recurso repetitivo) (Info 590).

Ex: Marcos precisou fazer uma cirurgia cardíaca para Ex: quando João completou 60 anos de idade, a
a implantação de stent, no entanto, seu plano de mensalidade do plano de saúde que ele paga
saúde não autorizou o procedimento, alegando que aumentou significativamente. Inconformado, João
não estava incluído na cobertura contratual. procurou a operadora, que lhe explicou que existe
uma cláusula no contrato que autoriza o aumento do
Diante disso, o paciente pagou R$ 40 mil pela cirurgia.
valor da mensalidade quando o usuário completa 60
Marcos quer ajuizar ação de ressarcimento contra o
anos. João quer ajuizar ação contra o plano pedindo
plano de saúde cobrando as despesas que teve com
que: 1) essa cláusula seja declarada inválida; 2) a ré
o procedimento. O prazo prescricional é de 10 anos.
seja condenada a devolver os valores cobrados a mais
decorrentes do aumento abusivo (repetição de
indébito). O prazo prescricional é de 3 anos.

CLÁUSULAS QUE ESTABELEÇAM INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA EM PREJUÍZO DO CONSUMIDOR;

CLÁUSULAS QUE DETERMINEM A UTILIZAÇÃO COMPULSÓRIA DE ARBITRAGEM;

CLÁUSULAS QUE IMPONHAM REPRESENTANTE PARA CONCLUIR OU REALIZAR OUTRO NEGÓCIO


JURÍDICO PELO CONSUMIDOR;

O fornecedor, valendo-se da vulnerabilidade do consumidor, não pode impor representante para


celebrar negócio jurídico em seu nome. Ex.: as “CLÁUSULAS MANDATO” nos contratos bancários (caso o
consumidor fique inadimplente, o banco pode ser constituído como seu procurador, assinando nota promissória
ou emitindo letra de câmbio).

CLÁUSULAS QUE DEIXEM AO FORNECEDOR A OPÇÃO DE CONCLUIR OU NÃO O CONTRATO, EMBORA


OBRIGANDO O CONSUMIDOR;

CLÁUSULAS QUE PERMITAM AO FORNECEDOR, DIRETA OU INDIRETAMENTE, VARIAÇÃO DO PREÇO


DE MANEIRA UNILATERAL;

CLÁUSULAS QUE AUTORIZEM O FORNECEDOR A CANCELAR O CONTRATO UNILATERALMENTE, SEM


QUE IGUAL DIREITO SEJA CONFERIDO AO CONSUMIDOR;

CLÁUSULAS QUE OBRIGUEM O CONSUMIDOR A RESSARCIR OS CUSTOS DE COBRANÇA DE SUA


OBRIGAÇÃO, SEM QUE IGUAL DIREITO LHE SEJA CONFERIDO CONTRA O FORNECEDOR;

189
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Ciclos Método
CLÁUSULAS QUE AUTORIZEM O FORNECEDOR A MODIFICAR UNILATERALMENTE O CONTEÚDO OU A
QUALIDADE DO CONTRATO, APÓS SUA CELEBRAÇÃO;

CLÁUSULAS QUE INFRINJAM OU POSSIBILITEM A VIOLAÇÃO DE NORMAS AMBIENTAIS;

CLÁUSULAS QUE ESTEJAM EM DESACORDO COM O SISTEMA DE PROTEÇÃO AO CONSUMIDOR;

NORMA DE ABERTURA. O sistema não se resume ao CDC, mas também compreende qualquer norma
que tutele, ainda que indiretamente, o consumidor. Ex.: Lei de Economia Popular, Lei de Planos de Saúde etc.

CLÁUSULAS QUE POSSIBILITEM A RENÚNCIA DO DIREITO DE INDENIZAÇÃO POR BENFEITORIAS


NECESSÁRIAS.

Princípio da conservação dos contratos: a nulidade de uma cláusula contratual abusiva não invalida o
contrato, exceto quando de sua ausência, apesar dos esforços de integração, decorrer ônus excessivo a qualquer
das partes.

• Cláusula nos contratos bancários

ENCARGOS DA NORMALIDADE
Súmula 283 do STJ: AS EMPRESAS ADMINISTRADORAS DE
CARTÃO DE CRÉDITO SÃO INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS E, POR
Cartão de crédito ISSO, OS JUROS REMUNERATÓRIOS POR ELAS COBRADOS
NÃO SOFREM AS LIMITAÇÕES DA LEI DE USURA.

JUROS
REMUNERATÓRIOS Súmula 382 do STJ: A ESTIPULAÇÃO DE JUROS
Contratos bancários REMUNERATÓRIOS SUPERIORES A 12% AO ANO, POR SI SÓ,
NÃO INDICA ABUSIVIDADE.

Súmula 422 do STJ: OS JUROS REMUNERATÓRIOS NÃO ESTÃO


SFH LIMITADOS NOS CONTRATOS VINCULADOS AO SFH.

Contratos bancários Capitalização anual: o STJ admite a capitalização anual nos


e cartão de crédito contratos com instituições financeiras, desde que
CAPITALIZAÇÃO DE previamente pactuados.
JUROS
SFH É permitida a pactuação de capitalização de juros com
periodicidade mensal nas operações realizadas pelas
entidades integrantes do SFH.

ENCARGOS MORATÓRIOS
Súmula 285 do STJ: NOS CONTRATOS BANCÁRIOS POSTERIORES AO CDC
MULTA MORATÓRIA INCIDE A MULTA MORATÓRIA NELE PREVISTA.
Obs.: a multa moratória no CDC não poderá ser superior a 2% do valor da
prestação.

190
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Ciclos Método

Súmula 379 do STJ: NOS CONTRATOS BANCÁRIOS NÃO REGIDOS POR


JUROS MORATÓRIOS LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA, OS JUROS MORATÓRIOS PODERÃO SER
CONVENCIONADOS ATÉ O LIMITE DE 1% AO MÊS.
COMISSÃO DE É VÁLIDA A CLÁUSULA QUE PREVÊ A COBRANÇA DA COMISSÃO DE
PERMANÊNCIA PERMANÊNCIA PARA O PERÍODO DE INADIMPLÊNCIA, DESDE QUE NÃO
CUMULADA COM JUROS REMUNERATÓRIOS, JUROS MORATÓRIOS, MULTA
MORATÓRIA OU CORREÇÃO MONETÁRIA (súmulas 30 e 296 do STJ).
A comissão de permanência só é legal se calculada pela TAXA MÉDIA DOS
JUROS DE MERCADO APURADA PELO BANCO CENTRAL (súmula 294 do STJ).
Súmula 472 do STJ: a cobrança de comissão de permanência – cujo valor não
pode ultrapassar a soma dos encargos remuneratórios e moratórios previstos
no contrato – exclui a exigibilidade dos juros remuneratórios, moratórios e da
multa contratual.

#DEOLHONAJURIS
Algumas empresas especializadas na venda de ingressos cobram dos consumidores um “valor” adicional pelo
fato de eles estarem comprando os ingressos por meio da sua página na internet. Essa cobrança é lícita, desde
que o consumidor seja previamente informado sobre o preço total da aquisição do ingresso, com o destaque de
que está pagando um valor extra a título de “taxa de conveniência”. É válida a intermediação, pela internet, da
venda de ingressos para eventos culturais e de entretenimento mediante cobrança de “taxa de conveniência”,
desde que o consumidor seja previamente informado do preço total da aquisição do ingresso, com o destaque
do valor da referida taxa. STJ. 3ª Turma. EDcl no REsp 1737428-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, Rel. Acd. Min. Paulo
de Tarso Sanseverino, julgado em 06/10/2020 (Info 683).

O saque indevido de numerário em conta-corrente, reconhecido e devolvido pela instituição financeira dias após
a prática do ilícito, não configura, por si só, dano moral in re ipsa. O saque indevido em conta corrente não
configura, por si só, dano moral, podendo, contudo, observadas as particularidades do caso, ficar caracterizado
o respectivo dano se demonstrada a ocorrência de violação significativa a algum direito da personalidade do
correntista. STJ. 3ª Turma. REsp 1.573.859-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 07/11/2017 (Info
615). Sobre o tema, vale a pena recordar: O banco deve compensar os danos morais sofridos por consumidor
vítima de saque fraudulento que, mesmo diante de grave e evidente falha na prestação do serviço bancário,
teve que intentar ação contra a instituição financeira com objetivo de recompor o seu patrimônio, após
frustradas tentativas de resolver extrajudicialmente a questão. STJ. 4ª Turma. AgRg no AREsp 395.426-DF, Rel.
Min. Antonio Carlos Ferreira, Rel. para acórdão Marco Buzzi, julgado em 15/10/2015 (Info 574).

É abusiva a cláusula que prevê a cobrança de ressarcimento de serviços prestados por terceiros, sem a
especificação do serviço a ser efetivamente prestado. STJ. 2ª Seção. REsp 1.578.553-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso
Sanseverino, julgado em 28/11/2018 (recurso repetitivo) (Info 639).

É válida a tarifa de avaliação do bem dado em garantia, bem como da cláusula que prevê o ressarcimento de
despesa com o registro do contrato, ressalvadas:
• a abusividade da cobrança por serviço não efetivamente prestado; e
• a possibilidade de controle da onerosidade excessiva, em cada caso concreto.

191
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Ciclos Método
Tarifa de avaliação do bem dado em garantia: valor cobrado do banco para remunerar o especialista que realiza
a avaliação do preço de mercado do bem dado em garantia.
Ressarcimento de despesa com o registro do contrato: valor cobrado pela instituição financeira como
ressarcimento pelos custos que o banco terá para fazer o registro do contrato no cartório ou no DETRAN. Ex:
despesas para registrar a alienação fiduciária de veículo no DETRAN. STJ. 2ª Seção. REsp 1.578.553-SP, Rel. Min.
Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 28/11/2018 (recurso repetitivo) (Info 639).
É abusiva a cláusula que prevê o ressarcimento pelo consumidor da comissão do correspondente bancário, em
contratos celebrados a partir de 25/02/2011, data de entrada em vigor da Resolução CMN 3.954/2011, sendo
válida a cláusula no período anterior a essa resolução, ressalvado o controle da onerosidade excessiva. STJ. 2ª
Seção. REsp 1.578.553-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 28/11/2018 (recurso repetitivo)
(Info 639).

É abusiva a cláusula que prevê o ressarcimento pelo consumidor da despesa com o registro do pré-gravame, em
contratos celebrados a partir de 25/02/2011, data de entrada em vigor da Resolução CMN 3.954/2011, sendo
válida a cláusula pactuada no período anterior a essa resolução, ressalvado o controle da onerosidade excessiva.
STJ. 2ª Seção. REsp 1.639.259-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 12/12/2018 (recurso
repetitivo) (Info 639).

Nos contratos bancários em geral, o consumidor não pode ser compelido a contratar seguro com a instituição
financeira ou com seguradora por ela indicada. STJ. 2ª Seção. REsp 1.639.259-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso
Sanseverino, julgado em 12/12/2018 (recurso repetitivo) (Info 639).
Inaplicabilidade do Código de Defesa do Consumidor aos contratos administrativos, tendo em vista as
prerrogativas já asseguradas pela lei à Administração Pública. Inaplicabilidade também, por extensão, ao
contrato de fiança bancária acessório ao contrato administrativo. Impossibilidade de aplicação da Súmula
297/STJ a contrato bancário que não se origina de uma relação de consumo. Competência do foro do domicílio
do réu para o julgamento da demanda, tendo em vista a inaplicabilidade do Código de Defesa do Consumidor à
espécie.
A instituição financeira se recusa a fazer empréstimo consignado caso a idade do cliente somada com o prazo
do contrato for maior que 80 anos. Ex: cliente tem 78 anos e o contrato de empréstimo teria prazo de pagamento
de 3 anos. Neste caso, a instituição financeira não aceita celebrar o pacto.
Essa restrição não representa uma discriminação abusiva contra os idosos. A adoção de critério etário para
distinguir o tratamento da população em geral é válida quando adequadamente justificada e fundamentada no
ordenamento jurídico, sempre se atentando para a sua razoabilidade diante dos princípios da igualdade e da
dignidade da pessoa humana.
Esse critério de vedação ao crédito consignado para tais hipóteses não representa discriminação negativa que
coloque em desvantagem exagerada a população idosa, considerando que esta poderá se valer de outras
modalidades de crédito bancário. STJ. 3ª Turma. REsp 1.783.731-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
23/04/2019 (Info 647).

• Contrato de adesão

É aquele cujas cláusulas tenham sido APROVADAS PELA AUTORIDADE COMPETENTE ou ESTABELECIDAS
UNILATERALMENTE PELO FORNECEDOR de produtos ou serviços, sem que o consumidor possa discutir ou
modificar substancialmente seu conteúdo.

A inserção de cláusula no formulário não desfigura a natureza de adesão do contrato.

192
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Ciclos Método
É possível cláusula que preveja a resolução do contrato, desde que a critério do consumidor. Se optar
pela resolução, deverá ser aplicado o §2º do art. 53, devolvendo-lhe, assim, os valores pagos, monetariamente
atualizados, descontadas as vantagens auferidas.

Os contratos de adesão escritos serão redigidos em termos claros e com caracteres ostensivos e legíveis,
cujo tamanho da fonte não será inferior ao corpo 12, de modo a facilitar sua compreensão pelo consumidor.

As cláusulas que implicarem limitação de direito do consumidor deverão ser redigidas com destaque,
permitindo sua imediata e fácil compreensão. Assim, é possível limitar os direitos do consumidor, devendo
somente a cláusula limitadora estar em destaque (e desde que a limitação não seja considerada abusiva).

A cláusula que altera o prazo de 30 dias que o fornecedor tem para sanar os vícios dos produtos (entre
7 e 180 dias) deverá ser convencionado em separado, com manifestação expressa do consumidor.

Nos contratos de adesão, também se aplicam as disposições do art. 47 em que as cláusulas contratuais
serão interpretadas de maneira mais favorável ao consumidor.

→ DAS SANÇÕES ADMINISTRATIVAS

Competência para legislar sobre PRODUÇÃO E CONSUMO: UNIÃO, ESTADOS, DF.

Já a competência para editar normas sobre FISCALIZAÇÃO E CONTROLE de produção e consumo é


concorrente de todos os entes (União, Estados, DF, MUNICÍPIOS).

O poder de polícia administrativo nas relações de consumo se sujeita às normas gerais de processo
administrativo, em especial à Lei 9.784/99.

O PROCON pode aplicar multa pelo descumprimento das leis de defesa do consumidor. Não poderá
aplicar sanção, contudo, se não houver relação de consumo.

A multa não visa à reparação do dano sofrido pelo consumidor, mas sim à punição pela infração às
normas que tutelam as relações de consumo.

Aplicação de multa por órgãos diversos, pelo mesmo fato, constitui bis in idem.

VÍCIOS DE QUANTIDADE OU DE QUALIDADE POR REINCIDÊNCIA NA PRÁTICA DAS INFRAÇÕES DE


INADEQUAÇÃO OU INSEGURANÇA DO PRODUTO MAIOR GRAVIDADE PREVISTAS NO CDC E NA
OU SERVIÇO (ART. 58) LEGISLAÇÃO DE CONSUMO (ART. 59)
- Apreensão; - Cassação de alvará de licença;
- Inutilização de produtos; - Interdição e suspensão temporária da atividade;
- Proibição de fabricação de produtos; - Intervenção administrativa.
- Suspensão do fornecimento de produto ou serviço;
- Cassação do registro do produto;
- Revogação da concessão ou permissão de uso.

A pena de multa, graduada de acordo com a gravidade da infração, a vantagem auferida e a condição
econômica do fornecedor, será aplicada mediante procedimento administrativo, revertendo para o Fundo de

193
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Ciclos Método
que trata a Lei nº 7.347/1985, os valores cabíveis à União, ou para os Fundos estaduais ou municipais de
proteção ao consumidor nos demais casos.

Para efeito da reincidência, não prevalece a sanção anterior, se entre a data da decisão administrativa
definitiva e aquela da prática posterior houver decorrido período de tempo superior a 5 anos.

A CONTRAPROPAGANDA visa tanto a reparar a verdade da publicidade enganosa, como a desqualificar


a mensagem abusiva, assegurando, ao final, o direito à informação do consumidor que foi violado.

Por se tratar de direitos difusos, caberá ação coletiva postulada pelos legitimados do art. 82 do CDC para
a obtenção de sentença condenatória obrigando o fornecedor, que patrocinou a publicidade enganosa ou
abusiva, a efetuar a contrapropaganda.

Na temática Teoria do contrato de consumo, o assunto deve ser aprofundado na jurisprudência. Ler os
julgados referentes à plano de saúde .
(https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/listar/?categoria=5&subcategoria=51&assunto=17
7)

TEORIA DO DESVIO PRODUTIVO DO CONSUMIDOR

A Teoria do Desvio Produtivo do Consumidor, trata-se de uma teoria desenvolvida por Marcos Dessaune,
autor do livro Desvio Produtivo do Consumidor – O Prejuízo do Tempo Desperdiçado. São Paulo: RT, 2011).
Segundo o autor, “o desvio produtivo caracteriza-se quando o consumidor, diante de uma situação de mau
atendimento, precisa desperdiçar o seu tempo e desviar as suas competências — de uma atividade necessária
ou por ele preferida — para tentar resolver um problema criado pelo fornecedor, a um custo de oportunidade
indesejado, de natureza irrecuperável”.

#DEOLHONAJURIS:
Há recente precedente do STJ (publicado em abril de 2018) em decisão monocrática do ministro Marco Aurélio
Bellizze, relator do AREsp 1.260.458/SP. Como fundamento da sua decisão, o relator adotou o acórdão do TJ-SP
que reconheceu, no caso concreto, a ocorrência de danos morais com base na Teoria do Desvio Produtivo do
Consumidor. Para Bellizze, ficaram caracterizados o ato ilícito e o consequente dever de indenizar, da mesma
forma que decidiu o tribunal paulista, que viu como absolutamente injustificável a conduta da instituição
financeira em insistir na cobrança de encargos contestados pela consumidora. “Notório, portanto, o dano moral
por ela suportado, cuja demonstração evidencia-se pelo fato de ter sido submetida, por longo período [por mais
de três anos, desde o início da cobrança e até a prolação da sentença], a verdadeiro calvário para obter o estorno
alvitrado”, afirmou o ministro.

Em outra decisão monocrática, também recente, publicada em 27 de março, o ministro Antonio Carlos Ferreira,
relator do AREsp 1.241.259/SP na 4ª Turma do STJ, também conheceu mas negou provimento ao Agravo em
Recurso Especial da Renault do Brasil. O relator igualmente adotou, como fundamento da sua decisão, o acórdão
do TJ-SP que reconheceu, na espécie, a existência de danos morais com base na teoria: “Frustração em desfavor
do consumidor, aquisição de veículo com vício ‘sério’, cujo reparo não torna indene o périplo anterior ao
saneamento - violação de elemento integrante da moral humana, constituindo dano indenizável - desvio
produtivo do consumidor que não merece passar impune - inteligência dos artigos 186 e 927 do Código Civil.
'Quantum' arbitrado de acordo com a extensão do dano e dos paradigmas jurisprudenciais - artigo 944, do
Código Civil - R$15 mil”, registra a ementa.

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Ciclos Método
Em decisão monocrática publicada em outubro do ano passado, o ministro Paulo De Tarso Sanseverino, relatou
o AREsp 1.132.385/SP na 3ª Turma, e do mesmo modo conheceu mas negou provimento ao Agravo em Recurso
Especial da Universo Online. Como fundamento da sua decisão, o relator também adotou o acórdão do TJ-SP
que reconheceu, na hipótese, a ocorrência de danos morais com base na no Desvio Produtivo do Consumidor,
conforme a trecho da ementa: Reparação de danos morais por danos à honra objetiva da autora devida.
Reparação por desvio produtivo, caracterizado pela falta de pronta solução ao vício do serviço noticiado,
também devida, como forma de recompor os danos causados pelo afastamento da consumidora da sua seara
de competência para tratar do assunto que deveria ter sido solucionado de pronto pela fornecedora”.

A primeira menção ao Desvio Produtivo do Consumidor foi em setembro de 2017, no julgamento do REsp
1.634.851/RJ interposto pela Via Varejo, a 3ª Turma do STJ, sob a relatoria da ministra Nancy Andrighi: "À
frustração do consumidor de adquirir o bem com vício, não é razoável que se acrescente o desgaste para tentar
resolver o problema ao qual ele não deu causa, o que, por certo, pode ser evitado – ou, ao menos, atenuado –
se o próprio comerciante participar ativamente do processo de reparo, intermediando a relação entre
consumidor e fabricante, inclusive porque, juntamente com este, tem o dever legal de garantir a adequação do
produto oferecido ao consumo”, disse a ministra.

#DESTRINCHANDO:

Diante do fluxo cada vez mais veloz e qualitativo das informações, impulsionado pela dinamização das
tecnologias de informação, o tempo livre torna-se, cada vez mais, um ativo de grande preciosidade. Com isso, a
violação ao tempo útil deve ser devidamente reparada, pois constitui conduta ilícita.

Dessa forma, o tempo útil mostra-se como um relevante ativo intangível no que se refere à direitos de
personalidade. Apesar da divergência quanto ao tema, a jurisprudência, de modo geral, tem enquadrado a
violação ilegítima ao tempo útil como uma espécie de dano moral. No entanto, essa violação deve ser de tal
modo a justificar dedicação acentuada do consumidor a algo que, ordinariamente não demandaria tamanha
ocupação e dedicação.

Essa desproporcionalidade de dedicação ou essa dedicação indevida de tempo é observada quando, em


um único fato, há extensão manifestamente excessiva, ou quando, embora diminutas em manifestações
individuais, a desproporção é fruto de diversas e reiteras ações individuais de absorção do tempo do
consumidor.

#DEOLHONAJURIS
O prazo de 5 (cinco) anos para o ajuizamento da ação popular não se aplica às ações coletivas de consumo.
A aplicação analógica do prazo de cinco anos do art. 21 da Lei de Ação Popular para a ação coletiva de consumo,
reconhecida pela jurisprudência desta Corte, tem como pressuposto o fato de não existir na Lei de Ação Civil
Pública expresso prazo para o exercício dessa modalidade de direito subjetivo público, tampouco a previsão
expressa de perda da possibilidade de uso desse específico rito processual pela mera passagem do tempo.
Todavia, conforme consigna a doutrina especializada e ao contrário do entendimento prevalente, esse "silêncio
do ordenamento é eloquente, ao não estabelecer direta e claramente prazos para o exercício dos interesses
metaindividuais e para o ajuizamento das respectivas ações, permitindo o reconhecimento da não ocorrência
da prescrição". O silêncio do ordenamento deve ser considerado intencional, pois o prazo de 5 anos para o
ajuizamento da ação popular, contido no art. 21 da Lei n. 4.717/1965, foi previsto com vistas à concretização de
uma única e específica prestação jurisdicional, qual seja a anulação ou declaração de nulidade de atos lesivos ao
patrimônio público em sentido amplo. As ações coletivas de consumo, por sua vez, atendem a um espectro de
prestações de direito material muito mais amplo, podendo não só anular ou declarar a nulidade de atos, como
também quaisquer outras providências ou ações capazes de propiciar a adequada e efetiva tutela dos
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consumidores, nos termos do art. 83 do CDC. É, assim, necessária a superação (overruling) da atual orientação
jurisprudencial desta Corte, pois não há razão para se limitar o uso da ação coletiva ou desse especial
procedimento coletivo de enfrentamento de interesses individuais homogêneos, coletivos em sentido estrito e
difusos, sobretudo porque o escopo desse instrumento processual é o tratamento isonômico e concentrado de
lides de massa relacionadas a questões de direito material que afetem uma coletividade de consumidores, tendo
como resultado imediato beneficiar a economia processual. De fato, submeter a ação coletiva de consumo a
prazo determinado tem como única consequência impor aos consumidores os pesados ônus do ajuizamento de
ações individuais, em prejuízo da razoável duração do processo e da primazia do julgamento de mérito,
princípios expressamente previstos no atual CPC em seus arts. 4º e 6º, respectivamente, além de prejudicar a
isonomia, ante a possibilidade de julgamentos discrepantes. (INFO 648 - STJ)

#SELIGANASÚMULA
Súmula 297 do STJ: O Código de Defesa do Consumidor é aplicável às instituições financeiras.
Súmula 302 do STJ: É abusiva a cláusula contratual de plano de saúde que limita no tempo a internação
hospitalar do segurado.
Súmula 321 do STJ: O Código de Defesa do Consumidor é aplicável à relação jurídica entre a entidade de
previdência privada e seus participantes.
Súmula 323 do STJ: A inscrição do nome do devedor pode ser mantida nos serviços de proteção ao crédito até
o prazo máximo de 05 anos, independentemente da prescrição da execução.
Súmula 356 do STJ: É legítima a cobrança de tarifa básica pelo uso dos serviços de telefonia fixa.
Súmula 359 do STJ: Cabe ao órgão mantenedor do cadastro de proteção ao crédito a notificação do devedor
antes de proceder à inscrição.
Súmula 381 do STJ: Nos contratos bancários, é vedado ao julgador conhecer, de ofício, da abusividade das
cláusulas.
Súmula 385 do STJ: Da anotação irregular em cadastro de proteção ao crédito, não cabe indenização por dano
moral, quando preexistente legítima inscrição, ressalvado o direito ao cancelamento.
Súmula 404 do STJ: É dispensável o aviso de recebimento (AR) na carta de comunicação ao consumidor sobre a
negativação de seu nome em bancos de dados e cadastros.
Súmula 469 do STJ: Aplica-se o CDC aos contratos de de plano de saúde.
Súmula 479 do STJ: As instituições financeiras respondem OBJETIVAMENTE pelos danos gerados por fortuito
interno relativo a fraudes e delitos praticados por terceiros no âmbito de operações bancárias.
Súmula 532 do STJ: Constitui prática comercial abusiva o envio de cartão de crédito sem prévia e expressa
solicitação do consumidor, configurando-se ato ilícito indenizável e sujeito à aplicação de multa administrativa.
Súmula 543 do STJ: Na hipótese de resolução de contrato de promessa de compra e venda de imóvel submetido
ao Código de Defesa do Consumidor, deve ocorrer a imediata restituição das parcelas pagas pelo promitente
comprador - integralmente, em caso de culpa exclusiva do promitente vendedor/construtor, ou parcialmente,
caso tenha sido o comprador quem deu causa ao desfazimento.
Súmula 548 do STJ: Incumbe ao credor a exclusão do registro da dívida em nome do devedor no cadastro de
inadimplentes no prazo de cinco dias úteis, a partir do integral e efetivo pagamento do débito.
Súmula 563 do STJ: O Código de Defesa do Consumidor é aplicável às entidades abertas de previdência
complementar, não incidindo nos contratos previdenciários celebrados com entidades fechadas.
Súmula 597 do STJ: A cláusula contratual de plano de saúde que prevê carência para utilização dos serviços de
assistência médica nas situações de emergência ou de urgência é considerada abusiva se ultrapassado o prazo
máximo de 24 horas, contado da data da contratação.
Súmula 601 do STJ: O Ministério Público tem legitimidade ativa para atuar na defesa dos direitos difusos,
coletivos e individuais homogêneos dos consumidores, ainda que decorrentes da prestação de serviços públicos.
Súmula 602 do STJ: O Código de Defesa do Consumidor é aplicável aos empreendimentos habitacionais
promovidos pelas sociedades cooperativas.
Súmula 608 do STJ: Aplica-se o Código de Defesa do Consumidor aos contratos de plano de saúde, salvo os
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administrados por entidades de autogestão.
Súmula 609 do STJ: A recusa de cobertura securitária, sob a alegação de doença preexistente, é ilícita se não
houve a exigência de exames médicos prévios à contratação ou a demonstração de má-fé do segurado.
Súmula 610 do STJ: O suicídio não é coberto nos dois primeiros anos de vigência do contrato de seguro de vida,
ressalvado o direito do beneficiário à devolução do montante da reserva técnica formada.
Súmula 616 do STJ: A indenização securitária é devida quando ausente a comunicação prévia do segurado acerca
do atraso no pagamento do prêmio, por constituir requisito essencial para a suspensão ou resolução do contrato
de seguro.
Súmula 643 do STF: O MP tem legitimidade para promover ACP cujo fundamento seja a ilegalidade de reajuste
de mensalidades escolares.

Jurisprudência em Teses do STJ

Edição Nº 74 - Direito do Consumidor

 A relação entre concessionária de serviço público e o usuário final para o fornecimento de serviços
públicos essenciais é consumerista, sendo cabível a aplicação do Código de Defesa do Consumidor - CDC.
 As empresas públicas, as concessionárias e as permissionárias prestadoras de serviços públicos
respondem objetivamente pelos danos causados a terceiros, nos termos do art. 37, §6º da Constituição
Federal e dos art. 14 e 22 do Código de Defesa do Consumidor.
 É obrigatória a restituição em dobro da cobrança indevida de tarifa de água, esgoto, energia ou
telefonia, salvo na hipótese de erro justificável (art. 42, parágrafo único, do CDC), que não decorra da
existência de dolo, culpa ou má-fé.
 Constitui prática comercial abusiva o envio de cartão de crédito sem prévia e expressa solicitação do
consumidor, configurando-se ato ilícito indenizável e sujeito à aplicação de multa administrativa.
(Súmula n. 532/STJ)
 É objetiva a responsabilidade civil das instituições financeiras pelos crimes ocorridos no interior do
estabelecimento bancário por se tratar de risco inerente à atividade econômica (art. 14 do CDC).
 É admitida a revisão das taxas de juros remuneratórios em situações excepcionais, desde que
caracterizada a relação de consumo e que a abusividade (capaz de colocar o consumidor em
desvantagem exagerada - art. 51, §1 º, do CDC) fique cabalmente demonstrada, ante as peculiaridades
do julgamento em concreto. (Tese julgada sob o rito do art. 543-C do CPC/73 - Tema 27)
 Não existindo anotação irregular nos órgãos de proteção ao crédito, a mera cobrança indevida de
serviços ao consumidor não gera danos morais presumidos.
 A ação de indenização por danos morais decorrente da inscrição indevida em cadastro de inadimplentes
não se sujeita ao prazo quinquenal do art. 27 do CDC, mas ao prazo de 3 (três) anos, conforme previsto
no art. 206, § 3º, V, do CC/2002.
 Considera-se abusiva a prática de limitar a liberdade de escolha do consumidor vinculando a compra de
produto ou serviço à aquisição concomitante de outro produto ou serviço de natureza distinta e
comercializado em separado, hipótese em que se configura a venda casada.
 O Ministério Público é parte legítima para atuar em defesa dos direitos difusos, coletivos e individuais
homogêneos dos consumidores.
 O Ministério Público tem legitimidade para ajuizar ação civil pública visando tutelar direitos dos
consumidores relativos aos serviços públicos.
 As normas do Código de Defesa do Consumidor são aplicáveis aos contratos do Sistema Financeiro de
Habitação - SFH, desde que não vinculados ao Fundo de Compensação de Variações Salariais - FCVS e
posteriores à entrada em vigor da Lei n. 8.078/90.
 O Código de Defesa do Consumidor não é aplicável aos contratos locatícios regidos pela Lei n. 8.245/91.

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 Não incide o Código de Defesa do Consumidor nas relações jurídicas estabelecidas entre condomínio e
condôminos.
 O Código de Defesa do Consumidor é aplicável às entidades abertas de previdência complementar, não
incidindo nos contratos previdenciários celebrados com entidades fechadas. (Súmula n. 563/STJ)
 Aplica-se o Código de Defesa do Consumidor aos contratos de plano de saúde. (Súmula n. 469/STJ).
 O Código de Defesa do Consumidor não se aplica ao contrato de plano de saúde administrado por
entidade de autogestão, por inexistir relação de consumo.
 É solidária a responsabilidade entre aqueles que veiculam publicidade enganosa e os que dela se
aproveitam na comercialização de seu produto ou serviço.
 A diferenciação de preços para o pagamento em dinheiro, cheque ou cartão de crédito caracteriza
prática abusiva no mercado de consumo.

Edição Nº 42 - Direito do Consumidor

 Na avaliação do risco de crédito, devem ser respeitados os limites estabelecidos pelo sistema de
proteção do consumidor no sentido da tutela da privacidade e da máxima transparência nas relações
negociais, conforme previsão do Código de Defesa do Consumidor - CDC e da Lei n. 12.414/2011. (Tese
julgada sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 - TEMA 710)
 Nos contratos bancários posteriores ao Código de Defesa do Consumidor incide a multa moratória nele
prevista (Súmula n. 285/STJ).
 A instituição de ensino superior responde objetivamente pelos danos causados ao aluno em decorrência
da falta de reconhecimento do curso pelo Ministério da Educação e Cultura - MEC.
 A instituição de ensino superior responde objetivamente pelos danos causados ao aluno em decorrência
da falta de reconhecimento do curso pelo MEC, quando violado o dever de informação ao consumidor.
 É cabível indenização por dano moral quando o consumidor de veículo zero-quilômetro necessita
retornar à concessionária por diversas vezes para reparo de defeitos apresentados no veículo.
 A constatação de defeito em veículo zero-quilômetro revela hipótese de vício do produto e impõe a
responsabilização solidária da concessionária e do fabricante.
 As bandeiras ou marcas de cartão de crédito respondem solidariamente com os bancos e as
administradoras de cartão de crédito pelos danos decorrentes da má prestação de serviços.
 É dispensável o aviso de recebimento (AR) na carta de comunicação ao consumidor sobre a negativação
de seu nome em bancos de dados e cadastros. (Tese julgada sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 - TEMA
59) (Súmula n. 404/STJ)
 A ausência de prévia comunicação ao consumidor da inscrição do seu nome em cadastros de proteção
ao crédito, prevista no art. 43, § 2º, do CDC, enseja o direito à compensação por danos morais. (Tese
julgada sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 - TEMA 40)
 Da anotação irregular em cadastro de proteção ao crédito, não cabe indenização por dano moral,
quando preexistente legítima inscrição, ressalvado o direito ao cancelamento. (Tese julgada sob o rito
do art. 543-C do CPC/1973 - TEMA 41) (Súmula n. 385/STJ)
 A agência de turismo que comercializa pacotes de viagens responde solidariamente, nos termos do art.
14 do CDC, pelos defeitos na prestação dos serviços que integram o pacote.
 O início da contagem do prazo de decadência para a reclamação de vícios do produto (art. 26 do CDC)
se dá após o encerramento da garantia contratual.
 A empresa responde, perante o cliente, pela reparação de dano ou furto de veículo ocorridos em seu
estacionamento. (Súmula n. 130/STJ).
 O roubo no interior de estacionamento de veículos, pelo qual seja direta ou indiretamente responsável
a instituição financeira, não caracteriza caso fortuito ou motivo de força maior capaz de desonerá-la da

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responsabilidade pelos danos suportados por seu cliente vitimado, existindo solidariedade se o
estacionamento for explorado por terceiro.
 O Código de Defesa do Consumidor é aplicável às instituições financeiras. (Súmula n. 297/STJ)
 As instituições financeiras respondem objetivamente pelos danos gerados por fortuito interno relativo
a fraudes e delitos praticados por terceiros no âmbito de operações bancárias. (Tese julgada sob o rito
do art. 543-C do CPC/1973 - TEMA 466) (Súmula n. 479/STJ)
 A decadência do art. 26 do CDC não é aplicável à prestação de contas para obter esclarecimentos sobre
cobrança de taxas, tarifas e encargos bancários. (Tese julgada sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 -
TEMA 449) (Súmula n. 477/STJ)

Edição Nº 39 - Direito do Consumidor

 O Superior Tribunal de Justiça admite a mitigação da teoria finalista para autorizar a incidência do Código
de Defesa do Consumidor - CDC nas hipóteses em que a parte (pessoa física ou jurídica), apesar de não
ser destinatária final do produto ou serviço, apresenta-se em situação de vulnerabilidade.
 A inversão do ônus da prova, nos termos do art. 6º, VIII, do CDC, não ocorre ope legis, mas ope iudicis,
vale dizer, é o juiz que, de forma prudente e fundamentada, aprecia os aspectos de verossimilhança das
alegações do consumidor ou de sua hipossuficiência.
 A estipulação de juros remuneratórios superiores a 12% ao ano, por si só, não indica abusividade.
(Súmula n. 382/STJ)
 A vedação à denunciação da lide prevista no art. 88 do CDC não se restringe à responsabilidade de
comerciante por fato do produto (art. 13 do CDC), sendo aplicável também nas demais hipóteses de
responsabilidade civil por acidentes de consumo (arts. 12 e 14 do CDC).
 Em demanda que trata da responsabilidade pelo fato do produto ou do serviço (arts. 12 e 14 do CDC), a
inversão do ônus da prova decorre da lei (ope legis), não se aplicando o art. 6º, inciso VIII, do CDC.
 A redução da multa moratória para 2% prevista no art. 52, § 1º, do CDC aplica-se às relações de consumo
de natureza contratual, não incidindo sobre as sanções tributárias, que estão sujeitas à legislação
própria de direito público. (Tese julgada sob o rito do art 543-C do CPC). A devolução em dobro dos
valores pagos pelo consumidor, prevista no art. 42, parágrafo único, do CDC, pressupõe tanto a
existência de pagamento indevido quanto a má-fé do credor.
 Não se aplica o Código de Defesa do Consumidor à relação contratual entre advogados e clientes, a qual
é regida pelo Estatuto da Advocacia e da OAB - Lei n. 8.906/94.
 Não é abusiva a cláusula de cobrança de juros compensatórios incidentes em período anterior à entrega
das chaves nos contratos de compromisso de compra e venda de imóveis em construção sob o regime
de incorporação imobiliária.
 Considera-se consumidor por equiparação (bystander), nos termos do art. 17 do CDC, o terceiro
estranho à relação consumerista que experimenta prejuízos decorrentes do produto ou serviço
vinculado à mencionada relação , bem como, a teor do art. 29, as pessoas determináveis ou não
expostas às práticas previstas nos arts. 30 a 54 do referido código.
 A ação de repetição de indébito de tarifas de água e esgoto sujeita-se ao prazo prescricional estabelecido
no Código Civil. (Súmula n. 412/STJ)
 É descabida a aplicação do Código de Defesa do Consumidor alheia às normas específicas inerentes à
relação contratual de previdência privada complementar e à modalidade contratual da transação,
negócio jurídico disciplinado pelo Código Civil, inclusive no tocante à disciplina peculiar para o seu
desfazimento.

#DEOLHONAJURIS

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É inconstitucional a cobrança de tarifa bancária pela disponibilização de limite para “cheque especial”. Contraria
o ordenamento jurídico-constitucional a permissão dada por resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN)
às instituições financeiras para cobrarem tarifa bancária pela mera disponibilização de crédito ao cliente na
modalidade “cheque especial”. STF. Plenário. ADI 6407/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 30/4/2021
(Info 1015).

A impossibilidade do cumprimento da obrigação de entregar coisa, no contrato de compra e venda, que é


consensual, deve ser restringida exclusivamente à inexistência absoluta do produto, na hipótese em que não há
estoque e não haverá mais, pois aquela espécie, marca e modelo não é mais fabricada. Sendo possível ao
fornecedor cumprir com a obrigação, entregando ao consumidor o produto anunciado, ainda que obtendo-o
por outros meios, como o adquirindo de outros revendedores, não há razão para se eliminar a opção pelo
cumprimento forçado da obrigação. Exemplo: Regina comprou um monitor modelo XYZ456 em site de e-
commerce. Ocorre que, um dia depois, ela recebeu um e-mail da loja informando que não mais havia o produto
em estoque e que, portanto, iria haver a resolução do contrato. Regina pode exigir a entrega do monitor, nos
termos do art. 35, I, do CDC. STJ. 3ª Turma. REsp 1872048-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 23/02/2021
(Info 686).

#Novidadelegislativa:

#SUPERENDIVIDAMENTO

Art. 54-A. Este Capítulo dispõe sobre a prevenção do superendividamento da pessoa natural, sobre o crédito
responsável e sobre a educação financeira do consumidor. (Incluído pela Lei nº 14.181, de 2021)

§ 1º Entende-se por superendividamento a impossibilidade manifesta de o consumidor pessoa natural, de boa-


fé, pagar a totalidade de suas dívidas de consumo, exigíveis e vincendas, sem comprometer seu mínimo
existencial, nos termos da regulamentação. (Incluído pela Lei nº 14.181, de 2021)

§ 2º As dívidas referidas no § 1º deste artigo englobam quaisquer compromissos financeiros assumidos


decorrentes de relação de consumo, inclusive operações de crédito, compras a prazo e serviços de prestação
continuada. (Incluído pela Lei nº 14.181, de 2021)

§ 3º O disposto neste Capítulo não se aplica ao consumidor cujas dívidas tenham sido contraídas mediante
fraude ou má-fé, sejam oriundas de contratos celebrados dolosamente com o propósito de não realizar o
pagamento ou decorram da aquisição ou contratação de produtos e serviços de luxo de alto valor. (Incluído
pela Lei nº 14.181, de 2021)

Art. 54-B. No fornecimento de crédito e na venda a prazo, além das informações obrigatórias previstas no art.
52 deste Código e na legislação aplicável à matéria, o fornecedor ou o intermediário deverá informar o
consumidor, prévia e adequadamente, no momento da oferta, sobre: (Incluído pela Lei nº 14.181, de 2021)

I - o custo efetivo total e a descrição dos elementos que o compõem; (Incluído pela Lei nº 14.181, de 2021)

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II - a taxa efetiva mensal de juros, bem como a taxa dos juros de mora e o total de encargos, de qualquer
natureza, previstos para o atraso no pagamento; (Incluído pela Lei nº 14.181, de 2021)

III - o montante das prestações e o prazo de validade da oferta, que deve ser, no mínimo, de 2 (dois) dias;
(Incluído pela Lei nº 14.181, de 2021)

IV - o nome e o endereço, inclusive o eletrônico, do fornecedor; (Incluído pela Lei nº 14.181, de 2021)

V - o direito do consumidor à liquidação antecipada e não onerosa do débito, nos termos do § 2º do art. 52 deste
Código e da regulamentação em vigor. (Incluído pela Lei nº 14.181, de 2021)

§ 1º As informações referidas no art. 52 deste Código e no caput deste artigo devem constar de forma clara e
resumida do próprio contrato, da fatura ou de instrumento apartado, de fácil acesso ao consumidor. (Incluído
pela Lei nº 14.181, de 2021)

§ 2º Para efeitos deste Código, o custo efetivo total da operação de crédito ao consumidor consistirá em taxa
percentual anual e compreenderá todos os valores cobrados do consumidor, sem prejuízo do cálculo
padronizado pela autoridade reguladora do sistema financeiro. (Incluído pela Lei nº 14.181, de 2021)

§ 3º Sem prejuízo do disposto no art. 37 deste Código, a oferta de crédito ao consumidor e a oferta de venda a
prazo, ou a fatura mensal, conforme o caso, devem indicar, no mínimo, o custo efetivo total, o agente
financiador e a soma total a pagar, com e sem financiamento. (Incluído pela Lei nº 14.181, de 2021)

Art. 54-C. É vedado, expressa ou implicitamente, na oferta de crédito ao consumidor, publicitária ou não:
(Incluído pela Lei nº 14.181, de 2021)

I - (VETADO); (Incluído pela Lei nº 14.181, de 2021)

II - indicar que a operação de crédito poderá ser concluída sem consulta a serviços de proteção ao crédito ou
sem avaliação da situação financeira do consumidor; (Incluído pela Lei nº 14.181, de 2021)

III - ocultar ou dificultar a compreensão sobre os ônus e os riscos da contratação do crédito ou da venda a prazo;
(Incluído pela Lei nº 14.181, de 2021)

IV - assediar ou pressionar o consumidor para contratar o fornecimento de produto, serviço ou crédito,


principalmente se se tratar de consumidor idoso, analfabeto, doente ou em estado de vulnerabilidade agravada
ou se a contratação envolver prêmio; (Incluído pela Lei nº 14.181, de 2021)

V - condicionar o atendimento de pretensões do consumidor ou o início de tratativas à renúncia ou à desistência


de demandas judiciais, ao pagamento de honorários advocatícios ou a depósitos judiciais.

Art. 104-A. A requerimento do consumidor superendividado pessoa natural, o juiz poderá instaurar processo de
repactuação de dívidas, com vistas à realização de audiência conciliatória, presidida por ele ou por conciliador
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credenciado no juízo, com a presença de todos os credores de dívidas previstas no art. 54-A deste Código, na
qual o consumidor apresentará proposta de plano de pagamento com prazo máximo de 5 (cinco) anos,
preservados o mínimo existencial, nos termos da regulamentação, e as garantias e as formas de pagamento
originalmente pactuadas. (Incluído pela Lei nº 14.181, de 2021)

§ 1º Excluem-se do processo de repactuação as dívidas, ainda que decorrentes de relações de consumo, oriundas
de contratos celebrados dolosamente sem o propósito de realizar pagamento, bem como as dívidas
provenientes de contratos de crédito com garantia real, de financiamentos imobiliários e de crédito rural.
(Incluído pela Lei nº 14.181, de 2021)

§ 2º O não comparecimento injustificado de qualquer credor, ou de seu procurador com poderes especiais e
plenos para transigir, à audiência de conciliação de que trata o caput deste artigo acarretará a suspensão da
exigibilidade do débito e a interrupção dos encargos da mora, bem como a sujeição compulsória ao plano de
pagamento da dívida se o montante devido ao credor ausente for certo e conhecido pelo consumidor, devendo
o pagamento a esse credor ser estipulado para ocorrer apenas após o pagamento aos credores presentes à
audiência conciliatória. (Incluído pela Lei nº 14.181, de 2021)

§ 3º No caso de conciliação, com qualquer credor, a sentença judicial que homologar o acordo descreverá o
plano de pagamento da dívida e terá eficácia de título executivo e força de coisa julgada. (Incluído pela Lei nº
14.181, de 2021)

Art. 104-B. Se não houver êxito na conciliação em relação a quaisquer credores, o juiz, a pedido do consumidor,
instaurará processo por superendividamento para revisão e integração dos contratos e repactuação das dívidas
remanescentes mediante plano judicial compulsório e procederá à citação de todos os credores cujos créditos
não tenham integrado o acordo porventura celebrado. (Incluído pela Lei nº 14.181, de 2021)

§ 1º Serão considerados no processo por superendividamento, se for o caso, os documentos e as informações


prestadas em audiência. (Incluído pela Lei nº 14.181, de 2021)

§ 2º No prazo de 15 (quinze) dias, os credores citados juntarão documentos e as razões da negativa de aceder
ao plano voluntário ou de renegociar. (Incluído pela Lei nº 14.181, de 2021)

§ 3º O juiz poderá nomear administrador, desde que isso não onere as partes, o qual, no prazo de até 30 (trinta)
dias, após cumpridas as diligências eventualmente necessárias, apresentará plano de pagamento que contemple
medidas de temporização ou de atenuação dos encargos. (Incluído pela Lei nº 14.181, de 2021)

§ 4º O plano judicial compulsório assegurará aos credores, no mínimo, o valor do principal devido, corrigido
monetariamente por índices oficiais de preço, e preverá a liquidação total da dívida, após a quitação do plano
de pagamento consensual previsto no art. 104-A deste Código, em, no máximo, 5 (cinco) anos, sendo que a
primeira parcela será devida no prazo máximo de 180 (cento e oitenta) dias, contado de sua homologação
judicial, e o restante do saldo será devido em parcelas mensais iguais e sucessivas.

202
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DIREITO PROCESSUAL COLETIVO

TUTELA DOS DIREITOS COLETIVOS NO MUNDO:

 A partir de meados do século XIX, observou-se que o modelo jurídico criado para sustentar a nova
realidade político-econômica, produzida pela conjugação dos ideais da Revolução Francesa em meio ao
contexto da Revolução Industrial (luta operário x empregador), era insuficiente para a pacificação dos
conflitos sociais (superação do panorama de direitos meramente individuais – de primeira dimensão).
SOCIEDADE DE MASSA (REV. INDUSTRIAL): numa sociedade cada vez mais complexa, em que as relações
jurídicas foram massificadas, eventual falha em alguma de suas engrenagens tem potencial para lesar
ou ameaçar de lesão interesses de centenas, milhares ou milhões de pessoas, quando não de toda a
humanidade. Fez-se campo fértil para os conflitos de massa (antecedentes do processo coletivo –
Masson).

 Insuficiência da igualdade meramente formal e dos direitos civis e políticos nascimento do Estado Social
ou do Bem-Estar Social (voltado não apenas à garantia de um mínimo de liberdade, mas também para
a efetiva promoção social), e, com ele, os direitos humanos de segunda geração (ou de segunda
dimensão - liberdades reais, concretas, materiais, ou públicas positivas: foco na correção das
desigualdades, clamada pelos corpos intermediários – início do reconhecimento da existência de
direitos de dimensão coletiva).

 Surgimento dos direitos de terceira dimensão (fraternidade/solidariedade): Reconhecimento


internacional de direitos da humanidade, do homem como cidadão do mundo – aprofundamento do
reconhecimento de direitos de dimensão coletiva consagração de interesses de grupos, classes ou
categorias de pessoas. Para a adequada proteção desse novo gênero de direitos substantivos (ou seja,
materiais), fez-se mister o desenvolvimento de novos instrumentos de tutela processual, regidos por
princípios, regras interpretativas e institutos processuais próprios, dando origem a um novo ramo do
direito processual: o direito processual coletivo.

 Processo individuais: insuficientes para reparar lesões coletivas, com o risco de decisões conflitantes,
com o problema acerca da legitimidade, com a morosidade do Judiciário e com a pouca
efetividade/abrangência das decisões. Necessidade de novo modelo processual que se adequasse à
sociedade de conflitos em massa.

→ Surgimento e evolução da tutela coletiva.

203
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Evolução da tutela dos direitos coletivos

Marco legal: CC/1916, que relegou o direito de ação apenas àqueles com
Fase da absoluta
interesse próprio ou de sua família, deixando questões atinentes a coletividades
predominância individualista
ao direito penal e ao direito administrativo.
da tutela jurídica

Fase da proteção Marcos legais: Lei de Ação Popular (Lei 4.717/65), Lei da Política Nacional do Meio
fragmentária dos direitos Ambiente (Lei 6.938/81).
transindividuais ou proteção Passaram a ser tuteladas algumas espécies de direitos coletivos, predominando a
dimensão individualista dos direitos, de sua tutela e do processo civil, como regra.
taxativa dos direitos
massificados Ex. tutela do patrimônio público.

Marco legal: Constituição de 1988, Lei de Ação Civil Pública (Lei 7.347/85), Código
Fase da tutela jurídica
de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/90).
integral, irrestrita, ampla,
Garantia de tutela de outros direitos difusos e coletivos (art. 129, III), superando
holística
a visão taxativa de direitos.

→ Ondas renovatórias do acesso à justiça.

Ondas Renovatórias do Acesso à Justiça

Neste sentido, foi desenvolvida a tutela do hipossuficiente, sendo criada, no Brasil,


1ª Onda renovatória - a Defensoria Pública, a Lei de Assistência Judiciária (de 1950 – instituiu a pobreza
Justiça aos pobres por presunção), os Juizados Especiais etc.;

É necessário que haja um tratamento coletivo para o processo, pois somente assim
haverá verdadeiramente acesso à justiça. Garth e Cappelletti perceberam a
necessidade de serem tuteladas pelo processo três situações até então não
protegidas pelo sistema:
2ª Onda renovatória - ✓ Bens ou direitos de titularidade indeterminada;
Coletivização do processo
✓ Bens ou direitos individuais cuja tutela individual não fosse economicamente
aconselhável;
✓ Bens ou direitos cuja tutela coletiva seja recomendável por uma questão de
economia.

3ª Onda renovatória - A terceira onda renovatória é aquela que vivemos atualmente: a efetividade do
Efetividade das normas processo. Fala-se que hoje se busca um processo menos técnico e de mais
processuais resultados.

→ Princípios e institutos fundamentais.

204
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Interesses Grupo Objeto Origem

Difusos Indeterminável Indivisível Situação de fato (APÓS ou COM a lesão)

Coletivos Determinável Indivisível Relação jurídica (formada ANTES da lesão)

Individuais
Determinável Divisível Origem comum (APÓS ou COM a lesão)
homogêneos

Princípios de Processo Civil Coletivo

O juiz deve buscar facilitar o acesso à justiça, superando vícios processuais, pois as
Princípio do interesse ações de natureza coletiva são de natureza social. O Judiciário deve flexibilizar os
jurisdicional no requisitos de admissibilidade processual para enfrentar o mérito do processo
conhecimento do coletivo. Ex.: o juiz, ao invés de extinguir a ação coletiva por ilegitimidade da parte,
mérito do processo publica editais convidando outros legitimados para assumirem o polo ativo da ação.
coletivo

Princípio da máxima Prioridade de feitos destinados à tutela jurisdicional coletiva. Até porque O
INTERESSE SOCIAL PREPONDERA SOBRE O INDIVIDUAL.
prioridade da tutela
jurisdicional coletiva

Determina a ANÁLISE DOS MOTIVOS DA DESISTÊNCIA DA AÇÃO PELOS


Princípio da
LEGITIMADOS ATIVOS. Se for considerada infundada, caberá ao MP assumir a
indisponibilidade
titularidade do feito quando a ação houver sido originariamente proposta por
mitigada da ação
quaisquer dos legitimados concorrentes.
coletiva

205
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Previsto nos arts. 15 da LACP e 16 da LAP. Em havendo desídia dos outros legitimados
ativos, caberá ao MP, por dever, a promoção da execução coletiva. Assim, ajuizada
Princípio da
indisponibilidade da a ação coletiva e julgada procedente, é dever do Estado (através do MP) efetivar o
execução coletiva direito coletivo lato sensu. O autor é obrigado a executar a sentença proferida em
ação coletiva em 60 dias, ou o MP o fará.

Princípio da não Não se pode limitar as hipóteses de cabimento de ação coletiva. Qualquer direito
taxatividade ou da coletivo poderá ser objeto de ação coletiva.
atipicidade da ação
coletiva

Busca-se o aproveitamento máximo da prestação jurisdicional coletiva, a fim de se


evitar novas demandas, principalmente as individuais que possuem a mesma causa
de pedir. Devem ser extraídos todos os resultados positivos possíveis da certeza
jurídica emergente do julgamento procedente do pedido formulado em sede de
Princípio do máximo uma ação coletiva.
benefício da tutela
Entende-se que a coisa julgada coletiva só beneficia os indivíduos; NUNCA os
jurisdicional coletiva
prejudica. A decisão coletiva contrária não vincula o indivíduo, que poderá ajuizar sua
comum
própria ação individual posteriormente. Fala-se, assim, no transporte in utilibus da
coisa julgada coletiva. Nas ações coletivas, mesmo que negado o direito, o particular
pode propor ação individual.

O Poder Judiciário possui, no direito processual coletivo, poderes instrutórios e deve


atuar independente da iniciativa das partes para a busca da verdade processual e a
efetividade do processo coletivo. Impõe-se que sejam realizadas todas as diligências
Princípio do ativismo para que se alcance a verdade, o que exige do juiz a realização do novo papel a ele
judicial ou da máxima conferido pelo sistema constitucional vigente. O próprio papel do juiz modifica-se,
efetividade do processo enquanto cabe a ele a decisão a respeito de conflitos de massa. Não há espaço para
coletivo o “juiz neutro”, motivo pelo qual todas as leis processuais têm investido o julgador de
maiores poderes de impulso.

São cabíveis todos os tipos de tutela no direito processual coletivo: preventivas,


Princípio da máxima repressivas, condenatórias, declaratórias, constitutivas, mandamentais, executivas,
amplitude da tutela cautelares etc. Da mesma forma, podem ser utilizados todos os ritos e medidas
jurisdicional coletiva eficazes previstos no sistema processual, a fim de se garantir a tutela efetiva dos
direitos ou interesses coletivos.

- Classificação quanto ao objeto, temos:

✓ Processo coletivo ESPECIAL: É o processo das ações de controle abstrato de constitucionalidade (ADI, ADC,
ADPF);

206
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✓ Processo coletivo COMUM: O processo coletivo comum é composto por todas as ações para a tutela dos
interesses e direitos metaindividuais não relacionados ao controle abstrato de constitucionalidade (ACP, AP,
Improbidade Administrativa, MS Coletivo, MI Coletivo, etc.).

→ Representação adequada.

Diferentemente do sistema norte-americano, em que qualquer pessoa pode propor ação coletiva, desde que
prove a adequada representação do grupo, no Brasil, o legislador optou por estabelecer um rol de legitimados
no art. 5º da LACP, os quais são os únicos que podem demandar coletivamente no Brasil.

A grande dúvida que há no Brasil é se, sem prejuízo do controle legislativo da representação (que define quais
os legitimados), poderia também o juiz, tanto quanto nos EUA, fazer o controle judicial, reconhecendo, no caso
concreto, a falta de representação adequada e legitimidade do autor coletivo e considerando-o incapaz de
prosseguir na demanda. Ou seja, é possível, como no sistema norte-americano, que o juiz faça uma verificação
prévia da idoneidade/capacidade do legitimado à ação coletiva?

✓ 1ª posição (Nelson Nery Jr.): Não é possível o controle judicial da representação adequada, salvo para as
associações, pois há uma presunção ope legis. A própria LACP estabelece alguns requisitos para as
associações (constituição há pelo menos 1 ano; pertinência temática). Para Nery, o Estado federado do Rio
Grande do Sul, por exemplo, pode ajuizar ação civil pública na defesa do meio ambiente do Estado do
Amazonas, porque o interesse processual na ação civil pública é aferível em razão da qualidade do direito
tutelado: difuso, coletivo ou individual homogêneo.

✓ 2ª posição (Doutrina Majoritária, STF e STJ): É possível o controle judicial (ope iudicis) da representação
adequada, em complemento ao que o legislador já fez. Haveria, portanto, um controle duplo. Para essa
corrente, o controle judicial recairia sobre o critério da finalidade institucional ou pertinência temática do
autor coletivo (não recairia sobre os critérios norte-americanos). É a corrente AMPLAMENTE MAJORITÁRIA
(STF).

→ Legitimidade coletiva ativa e legitimidade passiva.

CARACTERÍSTICAS DA LEGITIMAÇÃO EXTRAORDINÁRIA PARA DEMANDAS COLETIVAS

PLÚRIMA Mais de um legitimado previsto em lei.

MISTA Órgãos estatais e privados entre os legitimados.

EXCLUSIVA Só são legitimados aqueles indicados na lei ou pelo ordenamento.

AUTÔNOMA Não depende de autorização dos titulares do direito material.

Qualquer colegitimado pode propor a ação, ou, até mesmo, ingressar como
CONCORRENTE assistente em litisconsórcio ativo.

Os mesmos colegitimados poderão figurar sozinhos na demanda, não sendo


DISJUNTIVA ou
necessário o ajuizamento conjunto. A legitimação não é complexa.
SIMPLES

207
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REQUISTOS PARA ATUAÇÃO COLETIVA DE ASSOCIAÇÕES

REQUISITO
Deve estar constituída há pelo menos 1 ANO, nos termos da lei civil.
TEMPORAL

Deve incluir, entre suas FINALIDADES INSTITUCIONAIS, a proteção ao meio


PERTINÊNCIA ambiente, ao consumidor, à ordem econômica, à livre concorrência, aos direitos de
TEMÁTICA grupos raciais, étnicos ou religiosos ou ao patrimônio artístico, estético, histórico,
turístico e paisagístico.

AÇÃO COLETIVA PASSIVA

PODE HAVER #POSIÇÃODOMP NÃO PODE HAVER

Na LACP, o art. 5º, §2º faculta ao Poder Público e Não existe ação coletiva passiva, por ausência de
outras associações legitimadas habilitarem-se previsão legal. Na ação coletiva ativa há previsão legal
como litisconsortes de qualquer das partes. Assim, dos legitimados, enquanto não há essa previsão para
se a intervenção no processo de entes legitimados a ação coletiva passiva.
pode se dar como litisconsortes do autor ou do réu,
é porque a demanda pode ser intentada pela classe O art. 82 do CDC só previu a legitimidade ativa e não
ou contra ela. a passiva, portanto, faltaria autorização legislativa
para tanto.
Ademais, o CDC contempla a “convenção coletiva
de consumo”. Caso a convenção coletiva não seja Ademais, o art. 472 do CPC diz que “a sentença faz
observada, de seu descumprimento se originará coisa julgada às partes entre as quais é dada, não
uma lide coletiva, que só poderá ser solucionada beneficiando, nem prejudicando terceiros”.
em juízo pela colocação dos representantes das
categorias face a face, no polo ativo e no polo No plano constitucional, a admissibilidade da
passivo da demanda, respectivamente. presença de uma associação no polo passivo, como
substituto de terceiros, violaria a garantia individual
A possibilidade também se extrai do art. 83, do contraditório e da ampla defesa.
quando assegura que “para a defesa dos direitos e
interesses protegidos por este Código, são O sistema de tutela coletiva adotado no Brasil
admissíveis todas as espécies de ações capazes de apenas permite que os efeitos de uma sentença
propiciar sua adequada e efetiva tutela”. judicial alcancem a coletividade de pessoas (erga
omnes ou ultra partes) se o resultado for favorável a
tais pessoas, jamais quando for contrário aos
interesses dessas.

→ Competência. Liquidação. Execução.

COMPETÊNCIA

Dano de âmbito local Justiça Estadual local

208
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Dano de âmbito regional Justiça Estadual na capital do Estado

Dano de âmbito nacional Justiça Estadual na capital do Estado ou no DF

Causas em que a União, entidade autárquica ou


empresa pública federal forem interessadas na
Justiça Federal
condição de autoras, rés, assistentes ou
oponentes

Obs.: de acordo com o art. 3º, I, da Lei 10.259/01, não cabe ação coletiva nos juizados (cíveis ou federais).

→ Liquidação. Execução.

- Liquidação de direitos coletivos e difusos:

✓ Liquidação COLETIVA: PODE ser realizada em fase autônoma do processo coletivo (competência do juízo da
condenação), pelo autor da ação coletiva (ou MP), revertidos os valores ao Fundo;
✓ Liquidação INDIVIDUAL: possível o transporte in utilibus. Os legitimados são as vítimas e sucessores, que
são os destinatários do dinheiro. Será necessária uma prévia LIQUIDAÇÃO, que poderá ser realizada no juízo
da liquidação ou condenação ou juízo de domicílio dos lesados ou sucessores. Nessa liquidação, deverá ser
perquerida o AN DEBENTUR (nexo de causalidade entre a conduta e dano) e o QUANTUM DEBENTUR (valor
do dano), sendo uma LIQUIDAÇÃO IMPRÓPRIA.

- Liquidação de direitos individuais homogêneos:

✓ Liquidação INDIVIDUAL: possível o transporte in utilibus. Os legitimados são as vítimas e sucessores, que
são os destinatários do dinheiro. Será necessária uma prévia LIQUIDAÇÃO, que poderá ser realizada no juízo
da liquidação ou condenação ou juízo de domicílio dos lesados ou sucessores. Nessa liquidação, deverá ser
perquerida o AN DEBENTUR (nexo de causalidade entre a conduta e dano) e o QUANTUM DEBENTUR (valor
do dano), sendo uma LIQUIDAÇÃO IMPRÓPRIA.
✓ Execução INDIVIDUAL pelos ENTES COLETIVOS: os legitimados coletivos (agem como REPRESENTANTES
PROCESSUAIS) poderão executar pretensões JÁ liquidadas. As vítimas e sucessores terão que ter
previamente liquidado seu dano; o juízo competente será o da condenação;
✓ Liquidação/execução da pretensão individual residual (fluid recovery): caso haja passado mais de 1 ano
sem habilitações suficientes de vítimas individuais, o legitimado coletivo poderá propor a
liquidação/execução, no juízo da condenação, revertendo-se os valores a um Fundo Especial.

OBSERVAÇÕES:
✓ Cabe execução provisória no processo coletivo, obedecendo às regras gerais do CPC. Segundo Mazzilli,
contudo, não caberá execução provisória contra a Fazenda Pública, sendo necessário o trânsito em julgado.
✓ Se o prejuízo for ao patrimônio público, o destinatário do valor devido é o Poder Público lesado (e não o
fundo).
✓ Há ordem de preferência no pagamento das indenizações: individuais - coletivas - difusas (art. 99, p. ún. do
CDC). Se houver, ao mesmo tempo, uma sentença condenando uma empresa a reparar o dano ao meio-
ambiente e uma sentença a condenando a reparar o dano dos pescadores, esta última terá preferência de
pagamento (abre-se mão do coletivo para tutelar individual, por opção política).
209
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#DEOLHONAJURIS:

A violação de direitos individuais homogêneos é capaz de causar danos morais coletivos?

3ª Turma do STJ: SIM 4ª Turma do STJ: NÃO

O interesse individual homogêneo é um direito O dano moral coletivo é aferível in re ipsa, ou seja,
individual que acidentalmente se torna coletivo e, sua configuração decorre da mera constatação da
pois, indisponível, quando transcender a esfera de prática de conduta ilícita que, de maneira injusta
interesses puramente particulares, envolvendo bens, e intolerável, viole direitos de conteúdo
institutos ou valores jurídicos superiores, cuja extrapatrimonial da coletividade, revelando-se
preservação importa à comunidade como um todo. despicienda a demonstração de prejuízos
concretos ou de efetivo abalo moral.
O dano moral coletivo é categoria autônoma de dano
que não se identifica com aqueles tradicionais Precedentes.
atributos da pessoa humana (dor, sofrimento ou
Independentemente do número de pessoas
abalo psíquico), mas com a violação injusta e
concretamente atingidas pela lesão em certo
intolerável de valores fundamentais titularizados pela
período, o dano moral coletivo deve ser ignóbil e
coletividade (grupos, classes ou categorias de
significativo, afetando de forma inescusável e
pessoas). Tem a função de:
intolerável os valores e interesses coletivos
a) proporcionar uma reparação indireta à lesão de um fundamentais.
direito extrapatrimonial da coletividade;
O dano moral coletivo é essencialmente
b) sancionar o ofensor; e transindividual, de natureza coletiva típica, tendo
como destinação os interesses difusos e coletivos,
c) inibir condutas ofensivas a esses direitos
não se compatibilizando com a tutela de direitos
transindividuais.
individuais homogêneos.
A grave lesão de interesses individuais homogêneos
A condenação em danos morais coletivos tem
acarreta o comprometimento de bens, institutos ou
natureza eminentemente sancionatória, com
valores jurídicos superiores, cuja preservação é cara a
parcela pecuniária arbitrada em prol de um fundo
uma comunidade maior de pessoas, razão pela qual é
criado pelo art. 13 da LACP - fluid recovery - , ao
capaz de reclamar a compensação de danos morais
passo que os danos morais individuais
coletivos.
homogêneos, em que os valores destinam-se às
vítimas, buscam uma condenação genérica,
seguindo para posterior liquidação prevista nos
arts. 97 a 100 do CDC.

STJ. 3ª Turma. REsp 1586515/RS, Rel. Min. Nancy STJ. 4ª Turma. REsp 1610821/RJ, Rel. Min. Luis
Andrighi, julgado em 22/05/2018. Felipe Salomão, julgado em 15/12/2020.

→ Autocomposição nos direitos coletivos.

Vide Res. 118 do CNMP

210
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Ciclos Método

É recomendada para as controvérsias ou conflitos em


que o Ministério Público possa atuar como parte na
defesa de direitos e interesses da sociedade, em razão
de sua condição de representante adequado e
NEGOCIAÇÃO legitimado coletivo universal (art. 129, III, da CR/1988)
OU para a solução de problemas referentes à
formulação de convênios, redes de trabalho e
parcerias entre entes públicos e privados, bem como
entre os próprios membros do Ministério Público.

São recomendadas nas situações para as quais seja


viável a busca da reparação dos efeitos da infração por
intermédio da harmonização entre o (s) seu (s) autor
PRÁTICAS RESTAURATIVAS
(es) e a (s) vítima (s), com o objetivo de restaurar o
convívio social e a efetiva pacificação dos
relacionamentos.

São recomendadas toda vez que o procedimento deva


ser adaptado ou flexibilizado para permitir a
adequada e efetiva tutela jurisdicional aos interesses
CONVENÇÕES PROCESSUAIS
materiais subjacentes, bem assim para resguardar
âmbito de proteção dos direitos fundamentais
processuais.

É recomendada para solucionar controvérsias ou


conflitos que envolvam relações jurídicas nas quais é
MEDIAÇÃO
importante a direta e voluntária ação de ambas as
partes divergentes.

É recomendada para controvérsias ou conflitos que


envolvam direitos ou interesses nas áreas de atuação
do Ministério Público como órgão interveniente e nos
quais sejam necessárias intervenções propondo
soluções para a resolução das controvérsias ou dos
CONCILIAÇÃO conflitos. Será empreendida naquelas situações em
que seja necessária a intervenção do membro do
Ministério Público, servidor ou voluntário, no sentido
de propor soluções para a resolução de conflitos ou de
controvérsias, sendo aplicáveis as mesmas normas
atinentes à mediação.

→ Prescrição e decadência.

211
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OBJETO DA ACP PRAZO PRESCRICIONAL

Dano ao erário Imprescritível

Danos ambientais Imprescritível

REGRA GERAL 5 ANOS (art. 21 da LAP) *Vide Info 648-STJ

Contra a Fazenda Pública 5 anos (art. 1º do Decreto 20.910/32)

5 ANOS DO TRÂNSITO EM JULGADO DA SENTENÇA


Execução INDIVIDUAL
PROFERIDA EM AÇÃO COLETIVA

→ Responsabilidade pelas despesas processuais provisórias e definitivas.

Custas e demais encargos da sucumbência (art. 18, LACP): O art. 18 da LACP dispõe que, nas ações nela
objetivadas, não haverá adiantamento de custas, emolumentos, honorários periciais e quaisquer outras
despesas, nem condenação da associação autora, salvo comprovada má-fé, em honorários de advogado, custas
e despesas processuais.

O que prevalece, portanto, é que o autor nunca fica sujeito aos ônus da sucumbência, salvo, no caso das
associações, se houver má-fé. Assim, se vencido for o MP, ele não deve pagar honorários. Já o réu fica
naturalmente sujeito.

De acordo com a regra legal, tendo a associação autora agido de boa-fé, o Estado suportará o ônus da
sucumbência. Segundo entende o STJ (REsp 358828), essa regra não se aplica aos lesados, em suas ações
individuais, ainda que baseadas em título constituído no processo coletivo.

Por óbvio, os réus serão obrigados a custear antecipadamente as despesas processuais a que eles próprios
derem causa. Essa diferença de tratamento é justificável, pois o legislador quer facilitar a defesa dos interesses
transindividuais em juízo.

Obs.: são devidos honorários advocatícios pela Fazenda Pública nas execuções individuais da sentença coletiva,
ainda que não embargadas.

→ Coisa julgada coletiva. Liquidação da sentença coletiva. Execução de sentença coletiva. Execução coletiva
de títulos extrajudiciais.

ANÁLISE DA COISA JULGADA MATERIAL SECUNDUM EVENTUM PROBATIONES


NOS DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS

Sentença Coisa julgada Direitos difusos Direitos coletivos

Procedente Coisa julgada material Efeito erga omnes Efeito ultra partes

212
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Ciclos Método

Efeito erga omnes.


Efeito ultra partes.
Obs.: impede somente
Obs.: impede somente nova
nova propositura de ação
Improcedente (por propositura de ação
coletiva. Não impede que
outro motivo que coletiva. Não impede que os
Coisa julgada material os consumidores
não a insuficiência consumidores intentem
intentem ações
de provas) ações individuais pelos
individuais pelos danos
danos individualmente
individualmente sofridos
sofridos (art. 103, §1º)
(art. 103, §1º)

Qualquer legitimado do Qualquer legitimado do art.


Improcedente por art. 82 poderá intentar 82 poderá intentar
Não faz coisa julgada
insuficiência de novamente a ação novamente a ação coletiva,
material
provas coletiva, bastando possuir bastando possuir nova
nova prova. prova.

ANÁLISE DA COISA JULGADA MATERIAL SECUNDUM EVENTUM LITIS NOS DIREITOS INDIVIDUAIS
HOMOGÊNEOS

Sentença Coisa julgada Direitos individuais homogêneos

Efeito erga omnes, bastando o


consumidor se habilitar na
Procedente Faz coisa julgada material
liquidação e promover a execução,
provando o dano sofrido.

Eficácia erga omnes, impedindo nova


ação coletiva, mesmo no caso de falta
Não poderá intentar a ação individual
de provas
Improcedente (integrou processo como
Se o consumidor integrou o processo
litisconsorte).
como litisconsorte, sofre os efeitos
da coisa julgada material

Eficácia erga omnes, impedindo nova


ação coletiva, mesmo no caso de falta
Poderá intentar a ação individual
de provas
Improcedente (não integrou processo como
Se o consumidor ficou inerte ao
litisconsorte).
processo, não sofre os efeitos da
coisa julgada material

→ Fundos dos direitos difusos e coletivos.

213
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Ciclos Método
Uma das mais peculiares características da tutela coletiva de interesses transindividuais consiste, justamente,
na dificuldade de dar destino adequado ao produto de eventual condenação.

O legislador brasileiro acabou enfrentando a questão de maneira razoável, ao criar um fundo fluido, destinado
à reparação dos interesses transindividuais lesados. Assim, nas ações civis públicas ou coletivas que versem
sobre interesses indivisíveis (coletivos e difusos), havendo condenação em dinheiro, a indenização reverterá
para o fundo criado pelo art. 13 da LACP.

Esse fundo hoje se chama Fundo de Defesa dos Direitos Difusos (Lei 9.008/95), destinado à reparação do bem
lesado ou, se isso não for possível, à preservação ou restauração de outros bens compatíveis ou relacionados
com a natureza da infração ou do dano causado. Ex.: no caso de destruição irreparável de sítio ambiental, pode
ser cogitada a preservação de outros locais dotados pela natureza.

Atente: se o produto da indenização se referir a danos indivisíveis, irá para o fundo do art. 13 da LACP e será
usado de maneira bastante flexível. Se, por outro lado, o proveito obtido for divisível (interesses individuais
homogêneos), o dinheiro será destinado diretamente a ser repartido entre os próprios lesados.

Segundo a LACP, deve haver um fundo federal e um fundo em cada Estado, para gerir os recursos oriundos de
lesões a interesses indivisíveis.

O Fundo de Defesa dos Direitos Difusos será gerido, conforme o caso, por um conselho federal ou por conselhos
estaduais, dos quais, segundo impõe a lei, devem participar o MP e representantes da coletividade.

No que diz respeito à sua finalidade, o objetivo inicial do fundo criado na LACP consistia em gerir recursos para
a reconstituição dos bens lesados. Gradativamente, por força de alterações legislativas, sua destinação veio
sendo ampliada: hoje, pode ser usado para a recuperação de bens, promoção de eventos educativos e
científicos, edição de material informativo relacionado com a lesão, bem como modernização administrativa
dos órgãos públicos responsáveis pela execução da política relacionada com a defesa do interesse envolvido.
Veja bem:

✓ Lesão a interesses indivisíveis: O produto irá para o fundo do art. 13 da LACP e seu destino será decidido
pelo respectivo conselho gestor, para aplicação flexível, conforme mencionado acima.
✓ Lesão a interesses divisíveis: O produto é destinado entre os lesados.
✓ Lesão ao patrimônio público em sentido estrito: O destinatário é a Fazenda.

#ALERTAINOVAÇÃO PROCESSO ESTRUTURAL: trata-se de inovação trazida pela Lei n. 13.655/2018 à Lei de
Introdução às Normas do Direito Brasileiro (art. 21), visando a implementação de técnicas processuais de tutela
com características estruturais nos litígios complexos que envolvam o controle da Administração Pública. Surgiu
da necessidade de aplicar aos litígios complexos, com impacto multidimensional, uma estrutura de tutela
processual mais plástica. Dessa forma, nas palavras de Fernando Menegat, constitui uma nova formatação para
a tutela executiva da sentença condenatória e/ou mandamental na qual o juiz, ao invés de unilateralmente
impor obrigações de cumprimento imediato, nos rígidos prazos fixados pela norma processual, planeja e
dimensiona no tempo, com a cooperação das partes, um cronograma ótimo para a implementação das
obrigações impostas pela sentença, atento aos impactos e repercussões extraprocessuais da ordem judicial.
#DEOLHONALEISECA #LINDB: Ler art. 21.

214
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#TEMANOVO PROVA ESTATÍSICA

Aspectos gerais sobre a prova estatística


A estatística é um ramo da matemática vinculada à coleta, organização, registro e estudo por amostras sobre
informações uteis relacionadas ao problema em análise. Para gozar de credibilidade, deve abarcar um sistema
metodológico confiável. A sua viabilidade, como prova processual, está assentada na qualidade da inferência e
das informações colhidas.
No que diz respeito à classificação da prova estatística, pode utilizar dois critérios: a) origem das informações
coletadas e b) o percentual do grupo previamente examinado. Com base nesses dois pontos, pode-se dividir a
prova estatística em quatro modalidades: a) O censo sobre declarações dos sujeitos pertencentes ao universo
examinado; b) o que não envolve declarações ou impressões pessoais dos membros do universo pesquisado; c)
a pesquisa por amostragem envolvendo declarações ou impressões pessoais dos sujeitos pertencentes ao
universo pesquisado; d) a pesquisa por amostragem não envolvendo declarações ou impressões pessoais dos
sujeitos pertencentes ao universo pesquisado. Utiliza-se também como classificação da prova estatística as
consideradas descritivas e inferenciais. A primeira resume e processa dados para convertê-los em informações.
Já a segunda, tem por objeto transformar a informação para fazer previsões e estimativas. Ademais, a prova
estatística pode ser categorizada em documental, pericial ou prova autônoma. Neste último caso, transforma-
se em meio de verificação pelo método de averiguação e comparação.
A admissibilidade da prova estatística deverá seguir os critérios definidos para produção conforme as demais
provas. O próprio magistrado, através da distribuição dinâmica da prova, deverá produzi-la e se lançar das
“provas de certeza” ou provas típicas para as disponíveis naquele caso em análise.
Considerando Vitorelli, é necessário fomentar um diálogo entre as partes, em especial juristas e estatísticos,
para definir os critérios da utilização dessa prova específica no processo, identificando os direitos que podem
ser definidos por estatísticas; os métodos estatísticos confiáveis em observância aos casos; o grau de
probabilidade exigível; o modo de produção da prova estatística; a maneira pela qual as partes podem intervir
na análise realizada pelo perito, quando produzida pelo juízo; além de como os juízes deverão analisar as
estatísticas para decisão.
A utilização da prova estatística em processo coletivo trata-se, portanto, de um nítido reflexo do princípio da
cooperação na produção de prova em busca da melhor solução desse litígio, sobretudo no âmbito das relações
de consumo, que favorece o manejo de um sofisticado modelo de jurisdição civil coletiva, em atenção
distribuição dinâmica do ônus probatório estabelecida pelo CPC.

→ Inquérito civil

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RESOLUÇÃO CNMP N. 23/07

Disciplina, no âmbito do Ministério Público, a instauração e tramitação do inquérito civil.

1. Conceito

O inquérito civil é um procedimento administrativo investigatório (natureza jurídica) a cargo do


Ministério Público.

Segundo Hugo Nigro Mazzili, o inquérito civil é: “É uma investigação administrativa prévia, instaurada e
presidida pelo Ministério Público, destinado a colher elementos de convicção para identificar se ocorre
circunstância que enseje eventual propositura de ação civil pública, a tomada de compromissos de ajustamento,
a realização de audiências públicas e emissão de recomendações pelo Ministério Público, ou outra atuação a
seu cargo.” (MAZZILLI, Hugo Nigro. O inquérito civil: investigações do Ministério Público, compromissos de
ajustamento e audiência pública. São Paulo: Saraiva, 2015, p. 45).

2. Finalidade

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Conforme Resolução 23/2007 do CNMP:

1º: “O inquérito civil, de natureza unilateral e facultativa, será instaurado para apurar fato que possa autorizar
a tutela dos interesses ou direitos a cargo do Ministério Público nos termos da legislação aplicável, servindo como
preparação para o exercício das atribuições inerentes às suas funções institucionais.
Parágrafo único. O inquérito civil não é condição de procedibilidade para o ajuizamento das ações a cargo do
Ministério Público, nem para a realização das demais medidas de sua atribuição própria.”

A finalidade precípua é fornecer ao membro do Ministério Público subsídios para a formação de seu
convencimento sobre a necessidade ou não de tutelar determinados interesses transindividuais, e identificar os
meios adequados para tanto (judiciais ou extrajudiciais).

Não é um procedimento contraditório, não havendo rigores e exigências de colher uma prova antes de
outra ou fazer uma diligência, mas possui um sistema de legalidade, que inclui controle de instauração,
tramitação e arquivamento.

3. Instauração

Possui atribuição para instaurar o inquérito civil ou o procedimento preparatório o órgão do Ministério
Público competente para ajuizar a futura ação civil pública. Em regra, esta atribuição é conferida a um membro
que oficie perante órgãos judiciários de primeira instância, ressalvadas duas exceções:

a) Ação civil pública de competência originária do STF: Procurador-Geral da República (artigo 46,
parágrafo único, inciso III, da LC 75/93);
b) Ação civil pública em face do Governador do Estado, do Presidente da Assembleia Legislativa ou dos
Presidentes de Tribunais: Procurador-Geral de Justiça do respectivo Estado (artigo 29, inciso III da Lei 8625/93).

Dentre as formas de instauração, temos que pode ser instaurado de ofício ou a requerimento de
interessado ou representação formulada ou por designação do Procurador Geral, CSMP, Câmaras ou demais
órgãos.

4. Efeitos da instauração do Inquérito Civil

a) interrupção da decadência – art. 26, §2º, do CDC;


b) a possibilidade de expedição de requisições e notificações, bem como condução coercitiva em caso
de não comparecimento – art. 129, VI da CF/88; art. 26, I da Lei Orgânica do Ministério Público;
c) possibilidade de requisição de perícias e informações, de entes públicos ou particulares, em prazo não
inferior a dez dias - art. 8º, §1º, LACP; art. 6º da Lei 7.853/89; art. 223 do ECA;
d) possibilidade de surgimento de responsabilidade civil do Estado/União para indenizar o investigado
pelos prejuízos sofridos em razão da instauração e desenvolvimento do IC que se mostrou temerário ou
motivado por má-fé, causando prejuízo ao investigado.

5. Requisitos

Já em relação aos requisitos de portaria temos no art. 4º da Resolução:

Art. 4º. O inquérito civil será instaurado por portaria, numerada em ordem crescente, renovada anualmente,
devidamente registrada em livro próprio e autuada, contendo:
I – o fundamento legal que autoriza a ação do Ministério Público e a descrição do fato objeto do inquérito civil;
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II – o nome e a qualificação possível da pessoa jurídica e/ou física a quem o fato é atribuído;
III – o nome e a qualificação possível do autor da representação, se for o caso;
IV – a data e o local da instauração e a determinação de diligências iniciais;
V – a designação do secretário, mediante termo de compromisso, quando couber;
VI - a determinação de afixação da portaria no local de costume, bem como a de remessa de cópia para
publicação.
Parágrafo único. Se, no curso do inquérito civil, novos fatos indicarem necessidade de investigação de objeto
diverso do que estiver sendo investigado, o membro do Ministério Público poderá aditar a portaria inicial ou
determinar a extração de peças para instauração de outro inquérito civil, respeitadas as normas incidentes
quanto à divisão de atribuições.

6. Princípio da publicidade X sigilo.

Em regra, os atos praticados no inquérito civil e no procedimento preparatório são regidos pelo princípio
da publicidade, portanto, nada obsta que o membro do Ministério Público preste informações, inclusive aos
meios de comunicação social, acerca das providências adotadas para a apuração de fatos, em teses ilícitos,
vedada tão somente a emissão ou antecipação de juízos de valor a respeito de apurações ainda não concluídas.

Excepcionalmente, a publicidade pode ser restringida nas hipóteses de sigilo legal, em prol do êxito das
investigações ou quando indispensável à segurança da sociedade ou do Estado (artigo 5º, XXXIII da CF). Contudo,
ainda que decretado o sigilo, o advogado constituído tem direito de acesso aos autos do inquérito civil,
relativamente aos elementos documentados referentes ao investigado (Súmula Vinculante no 14).

O artigo 7º, da resolução no 23 do CNMP, assim dispõe:


[…]
§7º Nos autos sujeitos a sigilo, deve o advogado apresentar procuração para o exercício dos direitos de que trata
o § 6º. (Acrescido pela Resolução no 161, de 21 de fevereiro de 2017)
§ 8º O presidente do inquérito civil poderá delimitar, de modo fundamentado, o acesso do defensor à
identificação do(s) representante(s) e aos elementos de prova relacionados a diligências em anda- mento e ainda
não documentados nos autos, quando houver risco de comprometimento da eficiência, da eficácia ou da
finalidade das diligências.(Acrescido pela Resolução no 161, de 21 de fevereiro de 2017)

Em suma, em relação ao acesso aos autos por advogado, o advogado poderá ter acesso mesmo que sem
procuração, tanto para examinar, ainda que conclusos, quanto para copiar peças e tomar apontamentos.
Ressalvada as hipóteses de sigilo, quando o advogado deve ter a procuração nos autos.

Cumpre ressaltar que o presidente do inquérito civil poderá delimitar, de modo fundamentado, o acesso
do advogado ao representante e aos elementos de prova em andamento e não documentados, quando houver
riscos à investigação.

7. Procedimento

Existem três fases no Inquérito Civil: a instauração, a instrução e a conclusão. Se nada for apurado, o
resultado será o arquivamento do Inquérito; se for viável provar autoria e fatos (dano ambiental, por exemplo),
o Ministério Público deverá interpor Ação Civil Pública. Cabe frisar que o Inquérito Civil só poderá ser arquivado
após ser submetido ao controle do Conselho Superior do Ministério Público, que poderá homologar o
arquivamento ou requerer diligências, se entender necessário.

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A instauração do Inquérito Civil poderá ser feita de duas maneiras: de ofício, pelo Ministério Público ou
por representação. Em alguns Estados exige-se a identificação do representante; todavia, atualmente a regra é
admitir a representação por denúncia anônima, devendo o Ministério Público agir com cautela em face dessas
denúncias, para não promover constrangimentos e injustiças. Inclusive, é no intuito de realizar a averiguação da
veracidade dos fatos denunciados antes de se instaurar uma Ação Civil Pública é que foi concebido o Inquérito
Civil.

A representação pode ser indeferida de plano pelo secretário ao verificar que não é caso de Inquérito
Civil, por não ser a lesão metaindividual. Dessa decisão é cabível recurso, no prazo de 10 dias, para o Conselho
Superior do Ministério Público.

Também pode a representação ser arquivada de plano, após a distribuição do secretário, quando o
Ministério Público verificar que não é o caso de lesão metaindividual. Nesse caso, o representante do Ministério
Público deverá remeter o arquivamento em 3 dias para o Conselho Superior do Ministério Público. Esse
conselho, por sua vez, poderá, ao realizar esse controle, concordar com o arquivamento, e nesse caso ele o
homologa, ou requisitar mais diligências, devendo o relator devolver o inquérito para o próprio promotor, ou
mais corretamente, designar outro promotor para evitar suspeição. Após diligência, o Procurador-Geral de
Justiça decidirá se será o caso de homologação ou de Ação Civil Pública, sendo que, nesse caso, o Promotor
designado não poderá recusar o encargo, pois estará atuando em nome do Procurador-Geral de Justiça.

Após a representação, poderá ser instaurado o PPIC (Procedimento Preparatório de Inquérito Civil) para
verificar a plausibilidade da notícia, e, verificando realmente que houve lesão, infração ou dano, instaura-se o
Inquérito Civil. Diante desse procedimento, é conveniente indagar: qual a razão de transformar o PPIC em
Inquérito Civil? A razão é que, para o representante do Ministério Público, requisitar a presença do responsável
pela lesão e contra ele imputar o fato, a Lei da Ação Civil Pública exige o Inquérito Civil, além de ser o PPIC
criação da Lei Orgânica do Ministério Público.

Poderá ainda ser proposta diretamente a Ação Civil Pública quando verificado que a infração é grave.
Antes da propositura da Ação Civil Pública pode o Ministério Público propor ao sujeito ativo do fato antijurídico
um termo de compromisso e ajustamento de conduta, que nada mais é do que um acordo firmado e formalizado
entre as partes, ajustando a conduta entre as mesmas, obrigando a parte lesante, a, em regra, reparar a lesão
causada em um determinado período de tempo.

8. Arquivamento

Como dito acima, encerrada a fase instrutória, cabe o ajuizamento da ação ou o arquivamento. O
arquivamento do inquérito civil deve conter o relatório e fundamentação, de modo expresso e por meio de
decisão fundamentada, estando convencido da inexistência de fundamento para propositura de ação civil. E o
encerramento depende de homologação do Conselho Superior do Ministério Público.

Assim consoante os ensinamentos de Henrique Ziesemer: “O Conselho Superior ao julgar o


arquivamento inquérito civil poderá adotar uma dentre as seguintes hipóteses permitidas pela lei, quais sejam:
a homologação, a rejeição, ou a conversão do julgamento em diligência.” (ZIESEMER, Henrique da Rosa.
Interesses e direitos difusos e coletivos. Salvador: Editora JusPodvim, 2018, p. 37).

Art. 9º Se o órgão do Ministério Público, esgotadas todas as diligências, se convencer da inexistência de


fundamento para a propositura da ação civil, promoverá o arquivamento dos autos do inquérito civil ou das
peças informativas, fazendo-o fundamentadamente.

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§ 1º Os autos do inquérito civil ou das peças de informação arquivadas serão remetidos, sob pena de se incorrer
em falta grave, no prazo de 3 (três) dias, ao Conselho Superior do Ministério Público.
§ 2º Até que, em sessão do Conselho Superior do Ministério Público, seja homologada ou rejeitada a promoção
de arquivamento, poderão as associações legitimadas apresentar razões escritas ou documentos, que serão
juntados aos autos do inquérito ou anexados às peças de informação.
§ 3º A promoção de arquivamento será submetida a exame e deliberação do Conselho Superior do Ministério
Público, conforme dispuser o seu Regimento.
§ 4º Deixando o Conselho Superior de homologar a promoção de arquivamento, designará, desde logo, outro
órgão do Ministério Público para o ajuizamento da ação.

Em sentido amplo, todos os elementos de convicção colacionados pelo Ministério Público em um


procedimento investigatório distinto do inquérito civil são peças de informação. Portanto, o arquivamento do
procedimento preparatório também deve ser submetido à homologação do Conselho Superior.

O arquivamento implícito é incompatível com o princípio da obrigatoriedade, razão pela qual se a


medida (judicial ou extrajudicial) adotada pelo Ministério Público contemplar apenas parte dos fatos
investigados em sede de inquérito civil, aqueles que não foram objeto de ação civil pública ou compromisso de
ajustamento de conduta devem ser arquivados e submetidos à revisão do órgão superior.

#ATENÇÃO:
O arquivamento do inquérito civil ou do procedimento preparatório promovido pelo Procurador-Geral da
República não se submete à homologação de órgão revisor. Diferentemente, a Lei Orgânica Nacional do
Ministério Público, aplicável aos Ministérios Públicos Estaduais, não isenta os arquivamentos promovidos pelos
Procuradores-Gerais de Justiça da necessidade de revisão perante os respectivos Conselhos Superiores.

9. Princípio inquisitivo, contraditório e ampla defesa.

A ausência de contraditório e ampla defesa são características dos procedimentos investigatórios, de


natureza inquisitiva, tal como o inquérito civil e o procedimento preparatório.

Porém, nada obsta que a autoridade responsável pelo procedimento admita o exercício do contraditório
na prática de alguns atos investigatórios, pois, desde que não comprometa o resultado da investigação, tal
permissão pode reforçar o valor probatório do ato.

10. Valor probatório.

Em decorrência da natureza inquisitiva, os elementos de informação coligidos no inquérito civil e no


procedimento preparatório têm valor probatório relativo. Ademais, eventuais irregularidades na produção da
prova não configuram nulidade processual, pois trata-se de procedimentos administrativos e informais que
sequer constituem condição de procedibilidade ou pressuposto processual da ação civil pública.

DO COMPROMISSO DE AJUSTAMENTO DE CONDUTA

Para aprofundamento, ler Resolução nº 179 do CNMP.

Art. 14. O Ministério Público poderá firmar compromisso de ajustamento de conduta, nos casos previstos em
lei, com o responsável pela ameaça ou lesão aos interesses ou direitos mencionados no artigo 1º desta
Resolução, visando à reparação do dano, à adequação da conduta às exigências legais ou normativas e, ainda, à
compensação e/ou à indenização pelos danos que não possam ser recuperados.
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#IMPORTANTE
Não confundir. As associações precisam de autorização específica dos associados para ajuizar ação coletiva?
Depende:

1) Ação coletiva de rito ordinário proposta pela associação na defesa dos interesses de seus associados: SIM.
O disposto no artigo 5º, inciso XXI, da Carta da República encerra representação específica, não alcançando
previsão genérica do estatuto da associação a revelar a defesa dos interesses dos associados. As balizas
subjetivas do título judicial, formalizado em ação proposta por associação, é definida pela representação no
processo de conhecimento, presente a autorização expressa dos associados e a lista destes juntada à inicial. STF.
Plenário. RE 573232/SC, rel. orig. Min. Ricardo Lewandowski, red. p/ o acórdão Min. Marco Aurélio, julgado em
14/5/2014 (repercussão geral) (Info 746).

2) Ação civil pública (ação coletiva proposta na defesa de direitos difusos, coletivos ou individuais homogêneos):
NÃO
As associações possuem legitimidade para defesa dos direitos e dos interesses coletivos ou individuais
homogêneos, independentemente de autorização expressa dos associados.
STJ. 2ª Turma. REsp 1796185/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 28/03/2019.

#SURRADEJURISPRUDÊNCIA #MEAJUDAMARCINHO
Na falta de dispositivo legal específico para a ação civil pública, aplica-se, por analogia, o prazo de prescrição da
ação popular, que é o quinquenal (art. 21 da Lei nº 4.717/65), adotando-se também tal lapso na respectiva
execução, a teor da Súmula 150 do STF. A lacuna da Lei nº 7.347/85 é melhor suprida com a aplicação de outra
legislação também integrante do microssistema de proteção dos interesses transindividuais, como os coletivos
e difusos, a afastar os prazos do Código Civil, mesmo na tutela de direitos individuais homogêneos. Assim, a
despeito da existência de recurso especial julgado sob o rito dos recursos repetitivos sobre a prescrição trienal
para ações de cobrança contra plano de saúde, nota-se que esse versou sobre as ações ordinárias individuais,
de modo que o entendimento referente à aplicação do prazo quinquenal às tutelas coletivas é específico e,
consequentemente, prevalece no caso. STJ. 4ª Turma. AgInt no REsp 1807990-SP, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti,
julgado em 20/04/2020 (Info 671).

O Ministério Público tem legitimidade para ajuizar ação civil pública que vise anular ato administrativo de
aposentadoria que importe em lesão ao patrimônio público. STF. Plenário. RE 409356/RO, Rel. Min. Luiz Fux,
julgado em 25/10/2018 (repercussão geral) (Info 921).
O prazo de 5 (cinco) anos para o ajuizamento da ação popular não se aplica às ações coletivas de consumo. STJ.
3ª Turma. REsp 1.736.091-PE, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 14/05/2019 (Info 648).

Obs: há inúmeros julgados em sentido contrário: Inexistindo a previsão de prazo prescricional específico na Lei
7.347/85, aplica-se à Ação Civil Pública, por analogia, a prescrição quinquenal instituída pelo art. 21 da Lei no
4.717/65. STJ. 1ª Turma. AgInt no AREsp 814391/RN, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em
27/05/2019. STJ. 2ª Turma. REsp 1660385/RJ, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 05/10/2017. STJ. 3ª
Turma. REsp 1473846/SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 21/02/2017.
VIDE DIFERENCIAÇÃO EXPOSTA ACIMA
A autorização estatutária genérica conferida à associação não é suficiente para legitimar a sua atuação em juízo
na defesa de direitos de seus filiados. Para cada ação, é indispensável que os filiados autorizem de forma
expressa e específica a demanda.

Teses firmadas pelo STF neste julgado:

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"O disposto no artigo 5º, inciso XXI, da Carta da República encerra representação específica, não alcançando
previsão genérica do estatuto da associação a revelar a defesa dos interesses dos associados."

"As balizas subjetivas do título judicial, formalizado em ação proposta por associação, é definida pela
representação no processo de conhecimento, presente a autorização expressa dos associados e a lista destes
juntada à inicial.”

Exceção: no caso de impetração de mandado de segurança coletivo, a associação não precisa de autorização
específica dos filiados. (STF, Info 746)
A associação não tem legitimidade ativa para defender os interesses dos associados que vierem a se agregar
somente após o ajuizamento da ação de conhecimento. (STJ, Info 579)
Quando houver sintomas de que a legitimação coletiva vem sendo utilizada de forma indevida ou abusiva, o
magistrado poderá, de ofício, afastar a presunção legal de legitimação de associação regularmente constituída
para propositura de ação coletiva. (STJ, Info 572)
Caso ocorra dissolução da associação que ajuizou ação civil pública, não é possível sua substituição no polo ativo
por outra associação, ainda que os interesses discutidos na ação coletiva sejam comuns a ambas. (STJ, Info 570)
A Defensoria Pública tem legitimidade para a propositura de ação civil pública em ordem a promover a tutela
judicial de direitos difusos e coletivos de que sejam titulares, em tese, as pessoas necessitadas. (STF, Info 806)

#REPERCUSSÃOGERAL
É constitucional a Lei nº 11.448/2007, que alterou a Lei 7.347/85, prevendo a Defensoria Pública como um dos
legitimados para propor ação civil pública. (STF, Info 784)
A Defensoria Pública tem legitimidade para propor ação civil pública em defesa de interesses individuais
homogêneos de consumidores idosos que tiveram plano de saúde reajustado em razão da mudança de faixa
etária, ainda que os titulares não sejam carentes de recursos econômicos.
A atuação primordial da Defensoria Pública, sem dúvida, é a assistência jurídica e a defesa dos necessitados
econômicos. Entretanto, também exerce suas atividades em auxílio a necessitados jurídicos, não
necessariamente carentes de recursos econômicos.
A expressão "necessitados" prevista no art. 134, caput, da CF/88, que qualifica e orienta a atuação da Defensoria
Pública, deve ser entendida, no campo da Ação Civil Pública, em sentido amplo. Assim, a Defensoria pode atuar
tanto em favor dos carentes de recursos financeiros como também em prol do necessitado organizacional (que
são os "hipervulneráveis"). (STJ, Info 573)
Admite-se emenda à inicial de ação civil pública, em face da existência de pedido genérico, ainda que já tenha
sido apresentada a contestação. (STJ, Info 615)
É possível compartilhar as provas colhidas em sede de investigação criminal para serem utilizadas, como prova
emprestada, em inquérito civil público e em outras ações decorrentes do fato investigado. Esse empréstimo é
permitido mesmo que as provas tenham sido obtidas por meio do afastamento ("quebra") judicial dos sigilos
financeiro, fiscal e telefônico. (STF, Info 815)
O art. 5º, § 6º da Lei nº 7.347/85 (Lei da Ação Civil Pública) prevê que os órgãos públicos podem fazer acordos
nas ações civis públicas em curso, não mencionando as associações privadas. Apesar disso, a ausência de
disposição normativa expressa no que concerne a associações privadas não afasta a viabilidade do acordo. Isso
porque a existência de previsão explícita unicamente quanto aos entes públicos diz respeito ao fato de que
somente podem fazer o que a lei determina, ao passo que aos entes privados é dado fazer tudo que a lei não
proíbe. (STF, Info 892)
É possível determinar a suspensão do andamento de processos individuais até o julgamento, no âmbito de ação
coletiva, da questão jurídica de fundo neles discutida. (STJ, Info 527)

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Os autores de ações individuais em cujos autos não foi dada ciência do ajuizamento de ação coletiva e que não
requereram a suspensão das demandas individuais podem se beneficiar dos efeitos da coisa julgada formada na
ação coletiva. (STJ, Info 591)
Após o trânsito em julgado de decisão que julga improcedente ação coletiva proposta em defesa de direitos
individuais homogêneos, independentemente do motivo que tenha fundamentado a rejeição do pedido, não é
possível a propositura de nova demanda com o mesmo objeto por outro legitimado coletivo, ainda que em outro
Estado da federação. (STJ, Info 575)

AÇÃO CIVIL PÚBLICA - LEI N. 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1985.

Art. 1º Regem-se pelas disposições desta Lei, sem prejuízo da ação popular, as ações de responsabilidade por
danos morais e patrimoniais causados:
l - ao meio-ambiente;
ll - ao consumidor;
III – a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico;
IV - a qualquer outro interesse difuso ou coletivo;
V - por infração da ordem econômica;
VI - à ordem urbanística;
VII – à honra e à dignidade de grupos raciais, étnicos ou religiosos;
VIII – ao patrimônio público e social.
Parágrafo único. Não será cabível ação civil pública para veicular pretensões que envolvam tributos,
contribuições previdenciárias, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS ou outros fundos de natureza
institucional cujos beneficiários podem ser individualmente determinados.

Art. 2º As ações previstas nesta Lei serão propostas no foro do local onde ocorrer o dano, cujo juízo terá
competência funcional para processar e julgar a causa.
Parágrafo único - A propositura da ação prevenirá a jurisdição do juízo para todas as ações posteriormente
intentadas que possuam a mesma causa de pedir ou o mesmo objeto.

Art. 3º A ação civil poderá ter por objeto a condenação em dinheiro ou o cumprimento de obrigação de fazer ou
não fazer.

Art. 6º Qualquer pessoa poderá e o servidor público deverá provocar a iniciativa do Ministério Público,
ministrando-lhe informações sobre fatos que constituam objeto da ação civil e indicando-lhe os elementos de
convicção.

Art. 7º Se, no exercício de suas funções, os juízes e tribunais tiverem conhecimento de fatos que possam ensejar
a propositura da ação civil, remeterão peças ao Ministério Público para as providências cabíveis.

Art. 8º Para instruir a inicial, o interessado poderá requerer às autoridades competentes as certidões e
informações que julgar necessárias, a serem fornecidas no prazo de 15 (quinze) dias.
§ 1º O Ministério Público poderá instaurar, sob sua presidência, inquérito civil, ou requisitar, de qualquer
organismo público ou particular, certidões, informações, exames ou perícias, no prazo que assinalar, o qual não
poderá ser inferior a 10 (dez) dias úteis.
§ 2º Somente nos casos em que a lei impuser sigilo, poderá ser negada certidão ou informação, hipótese em
que a ação poderá ser proposta desacompanhada daqueles documentos, cabendo ao juiz requisitá-los.

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Art. 9º Se o órgão do Ministério Público, esgotadas todas as diligências, se convencer da inexistência de
fundamento para a propositura da ação civil, promoverá o arquivamento dos autos do inquérito civil ou das
peças informativas, fazendo-o fundamentadamente.
§ 1º Os autos do inquérito civil ou das peças de informação arquivadas serão remetidos, sob pena de se incorrer
em falta grave, no prazo de 3 (três) dias, ao Conselho Superior do Ministério Público.
§ 2º Até que, em sessão do Conselho Superior do Ministério Público, seja homologada ou rejeitada a promoção
de arquivamento, poderão as associações legitimadas apresentar razões escritas ou documentos, que serão
juntados aos autos do inquérito ou anexados às peças de informação.
§ 3º A promoção de arquivamento será submetida a exame e deliberação do Conselho Superior do Ministério
Público, conforme dispuser o seu Regimento.
§ 4º Deixando o Conselho Superior de homologar a promoção de arquivamento, designará, desde logo, outro
órgão do Ministério Público para o ajuizamento da ação.

Art. 10. Constitui crime, punido com pena de reclusão de 1 (um) a 3 (três) anos, mais multa de 10 (dez) a 1.000
(mil) Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional - ORTN, a recusa, o retardamento ou a omissão de dados
técnicos indispensáveis à propositura da ação civil, quando requisitados pelo Ministério Público.

Art. 17. Em caso de litigância de má-fé, a associação autora e os diretores responsáveis pela propositura da ação
serão solidariamente condenados em honorários advocatícios e ao décuplo das custas, sem prejuízo da
responsabilidade por perdas e danos.

Art. 18. Nas ações de que trata esta lei, não haverá adiantamento de custas, emolumentos, honorários periciais
e quaisquer outras despesas, nem condenação da associação autora, salvo comprovada má-fé, em honorários
de advogado, custas e despesas processuais.

Art. 19. Aplica-se à ação civil pública, prevista nesta Lei, o Código de Processo Civil, aprovado pela Lei nº 5.869,
de 11 de janeiro de 1973, naquilo em que não contrarie suas disposições.

#DEOLHONAJURIS
- É inconstitucional o art. 16 da Lei nº 7.347/85, alterada pela Lei nº 9.494/97. II - Em se tratando de ação civil
pública de efeitos nacionais ou regionais, a competência deve observar o art. 93, II, da Lei nº 8.078/90 (CDC). III
- Ajuizadas múltiplas ações civis públicas de âmbito nacional ou regional, firma-se a prevenção do juízo que
primeiro conheceu de uma delas, para o julgamento de todas as demandas conexas. STF. Plenário. RE
1101937/SP, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 7/4/2021 (Repercussão Geral – Tema 1075) (Info 1012).

A alienação de terrenos a consumidores de baixa renda em loteamento irregular, tendo sido veiculada
publicidade enganosa sobre a existência de autorização do órgão público e de registro no cartório de imóveis,
configura lesão ao direito da coletividade e dá ensejo à indenização por dano moral coletivo. STJ. 4ª Turma. REsp
1539056/MG, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 06/04/2021 (Info 691).

Em ação civil pública proposta por associação, na condição de substituta processual, possuem legitimidade para
a liquidação e execução da sentença todos os beneficiados pela procedência do pedido, independentemente de
serem filiados à associação promovente. STJ. 2ª Seção. REsp 1438263/SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado
em 24/03/2021 (Recurso Repetitivo – Tema 948) (Info 694).

JURISPRUDÊNCIAS E SÚMULAS - MINISTÉRIO PÚBLICO

224
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Ciclos Método
Súmula 643-STF: O Ministério Público tem legitimidade para promover ação civil pública cujo fundamento seja
a ilegalidade de reajuste de mensalidades escolares.

Súmula 329-STJ: O Ministério Público tem legitimidade para propor ação civil pública em defesa do patrimônio
público.
Súmula 604-STJ: O mandado de segurança não se presta para atribuir efeito suspensivo a recurso criminal
interposto pelo Ministério Público.

Súmula 623-STJ: As obrigações ambientais possuem natureza propter rem, sendo admissível cobrá-las do
proprietário ou possuidor atual e/ou dos anteriores, à escolha do credor.
Súmula 628-STJ: A teoria da encampação é aplicada no mandado de segurança quando presentes,
cumulativamente, os seguintes requisitos: a) existência de vínculo hierárquico entre a autoridade que prestou
informações e a que ordenou a prática do ato impugnado; b) manifestação a respeito do mérito nas informações
prestadas; e c) ausência de modificação de competência estabelecida na Constituição Federal.

Súmula 629-STJ: Quanto ao dano ambiental, é admitida a condenação do réu à obrigação de fazer ou à de não
fazer cumulada com a de indenizar.
Súmula 617-STJ: A ausência de suspensão ou revogação do livramento condicional antes do término do período
de prova enseja a extinção da punibilidade pelo integral cumprimento da pena.

Súmula 594-STJ: O Ministério Público tem legitimidade ativa para ajuizar ação de alimentos em proveito de
criança ou adolescente independentemente do exercício do poder familiar dos pais, ou do fato de o menor se
encontrar nas situações de risco descritas no art. 98 do Estatuto da Criança e do Adolescente, ou de quaisquer
outros questionamentos acerca da existência ou eficiência da Defensoria Pública na comarca.
Súmula 601-STJ: O Ministério Público tem legitimidade ativa para atuar na defesa de direitos difusos, coletivos
e individuais homogêneos dos consumidores, ainda que decorrentes da prestação de serviço público.

AÇÃO POPULAR (LEI Nº 4.717/1965)

AÇÃO POPULAR

Art. 5º, LXXIII da CF: qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular
que vise anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado
Previsão legal participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio
histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas
judiciais e do ônus da sucumbência.

Lei 4.717/1965.

Rol exemplificativo que deve ser interpretado extensivamente. Classicamente, a


Bens jurídicos tutelados ação popular é cabível contra atos ilegais E lesivos mencionados no art. 1º da
LAP. Mas atente: o binômio “legalidade + lesividade” tem sido relativizado pela
jurisprudência do STF e do STJ.

225
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Ciclos Método

Diferentemente da ação civil pública, que se presta para todos os direitos


metaindividuais, a ação popular só serve para a defesa dos direitos DIFUSOS.
Objeto Visa à tutela preventiva (inibitória ou de remoção do ilícito) e reparatória.

Visa a anulação de um ato lesivo. Assim, a tutela requerida é desconstitutiva.


Porém, é possível que a sentença condene em perdas e danos e, assim, será
também condenatória.
Legitimidade ativa: o cidadão (capacidade eleitoral ativa).

Legitimidade passiva: todas as pessoas jurídicas, públicas ou privadas, em nome


Sujeitos das quais foi praticado o ato ou contrato a ser anulado; todas as autoridades, os
funcionários e administradores que houverem autorizado, aprovado, ratificado
ou praticado pessoalmente o ato ou firmado o contrato a ser anulado, ou que,
por omissos, permitiram a lesão; por fim, todos os beneficiários direitos do ato
ou contrato ilegal.
Autor é isento de custas e de ônus de sucumbência, salvo comprovada má-fé.

Tal gratuidade não se estende aos réus.

Competência: determinada conforme o ato impugnado.

Aspectos processuais O prazo de contestação, na ação popular, diverge brutalmente da regra geral,
sendo de 20 (vinte) dias, prorrogáveis por mais 20 (vinte) dias, a requerimento
do interessado.

Não há prerrogativa de foro.

Duplo grau de jurisdição em caso de a sentença concluir pela improcedência da


ação (REEXAME NECESSÁRIO INVERTIDO).

MP atua como “custos legis” e pode executar a sentença caso o autor da ação
não o faça.

O art. 14, §3º define uma exceção à impenhorabilidade salarial, quando o


condenado for funcionário público, pois o ressarcimento do dano poderá ser
feito por desconto em folha.

MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO (LEI Nº 12.016/2009)

#ATENÇÃO #SAINDODOFORNO #DEOLHONAJURIS:


Dois dos seis dispositivos questionados foram declarados inconstitucionais pela maioria do Tribunal, que
acompanhou o voto divergente do ministro Alexandre de Moraes pela procedência parcial da ADI. O ministro
considerou inconstitucional o artigo 7º, parágrafo 2º, que proíbe expressamente a concessão de liminar para
compensação de créditos tributários, entrega de mercadorias e bens provenientes do exterior, reclassificação
ou equiparação de servidores públicos e concessão de aumento ou extensão de vantagens ou pagamento de
qualquer natureza.
226
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Ciclos Método

Em relação à exigência de oitiva prévia do representante da pessoa jurídica de direito público como condição
para a concessão de liminar em MS coletivo (artigo 22, parágrafo 2º da lei, o ministro também declarou sua
inconstitucionalidade, pois considera que ela restringe o poder geral de cautela do magistrado.

Gestão comercial

A corrente vencedora considerou a constitucionalidade de outros quatro dispositivos questionados na ação pela
OAB, entre eles o artigo 1º, parágrafo 2º, que prevê o cabimento de MS contra atos de gestão comercial
cometidos pelos administradores de empresas públicas. De acordo com o ministro Alexandre de Moraes, a
norma diz respeito a atos de direito privado.

Exigência de contracautela

A Corte também entendeu que está de acordo com a Constituição a exigência de caução, depósito ou fiança
para a concessão de liminar em MS (artigo 7º, inciso III). Para o ministro Alexandre de Moraes, a contracautela
é mera faculdade do magistrado que viabiliza o exercício da jurisdição imediata, não havendo limitação ou
restrição ao poder geral de cautela para a garantia do direito líquido e certo.

Prazo decadencial

Para a maioria do Plenário, o prazo decadencial de 120 dias para a impetração do MS (artigo 23) é constitucional,
conforme prevê a Súmula 632 do STF. Em relação a isso, a Corte entendeu que, terminado o prazo previsto para
a prestação jurisdicional específica no MS, permanece a possibilidade de postulação nas vias ordinárias.

Honorários de sucumbência

A maioria que acompanhou essa vertente observou que o Supremo tem posicionamento de que não cabem
honorários de sucumbência na via mandamental (Súmula 512). Eles salientaram que o dispositivo questionado
(artigo 25) não diz respeito aos honorários contratuais e, portanto, a vedação não atenta contra a advocacia. 18

MANDADO DE SEGURANÇA

Conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não


amparado por habeas corpus ou habeas data, sempre que, ilegalmente ou com abuso de
poder, qualquer pessoa física ou jurídica
CABIMENTO
 sofrer violação;
 ou houver justo receio de sofrê-la
por parte de autoridade, seja de que categoria for e sejam quais forem as funções que
exerça.
CLASSIFICAÇÃO PREVENTIVO – prevenir ameaça a direito líquido e certo.
QUANTO AO REPRESSIVO – corrigir ilegalidade ou abuso já ocorrido.
TEMPO

18 Disponível em: http://portal.stf.jus.br/noticias/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=467335&ori=1

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Ciclos Método

CLASSIFICAÇÃO INDIVIDUAL – tutela interesse individual.


QUANTO AO COLETIVO – tutela direito de uma coletividade.
INTERESSE
Não cabe mandado de segurança contra os atos de gestão comercial praticado pelos
administradores de empresas públicas, de sociedade de economia mista e de
concessionárias de serviço público.

Não se concederá mandado de segurança quando se tratar:


I - de ato do qual caiba recurso administrativo com efeito suspensivo,
NÃO CABE
independentemente de caução;
II - de decisão judicial da qual caiba recurso com efeito suspensivo;
III - de decisão judicial transitada em julgado.

Também não cabe MS contra LEI EM TESE (Súmula 266, STF), nem contra ato “interna
corporis” do Poder Legislativo.
O direito de requerer mandado de segurança extinguir-se-á decorridos 120 dias,
PRAZO contados da ciência, pelo interessado, do ato impugnado (ATENÇÃO: não se fala em prazo
DECADENCIAL decadencial no caso de ato omissivo ou MS preventivo).

Quando o direito ameaçado ou violado couber a várias pessoas, qualquer delas poderá
requerer o mandado de segurança.

LEGITIMIDADE Podem ser sujeitos ativos do MS:


ATIVA A) Pessoas físicas ou jurídicas (nacionais ou estrangeiras);
B) Órgãos públicos despersonalizados (dotados de capacidade processual);
C) Agentes políticos e;
D) Universalidades reconhecidas por lei (espólio, condomínio, massa falida).

I. Partido político com representação no Congresso Nacional;


II. Sindicatos, entidades de classe e associações ( Constituição e funcionamento
LEGITIMIDADE há pelo menos 1 ANO, requisito não pode ser dispensado).
ATIVA COLETIVA
Obs.: parte da doutrina entende que cabe ao rol exposto na Lei do MI Coletivo a
legitimidade ativa do MSC, incluindo o MP, por exemplo.
AUTORIDADE Considera-se autoridade coatora aquela que tenha praticado o ato impugnado ou da qual
COATORA emane a ordem para a sua prática.
Equiparam-se às autoridades os representantes ou órgãos de partidos políticos e os
EQUIPARAÇÃO administradores de entidades autárquicas, bem como os dirigentes de pessoas jurídicas
COM AUTORIDADE ou as pessoas naturais no exercício de atribuições do poder público, somente no que
COATORA disser respeito a essas atribuições.

LITISCONSÓRCIO O ingresso de litisconsorte ativo não será admitido após o despacho da petição inicial.
ULTERIOR ATIVO

228
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Ciclos Método

MS CONTRA ATOS Atos complexos são aqueles que conjugam a vontade de dois ou mais órgãos/agentes
ADMINISTRATIVOS distintos. Neste caso, deve-se incluir como litisconsórcio passivo necessário todos que
COMPLEXOS contribuíram para a prática do ato.

Varia de acordo com a autoridade coatora.


AUTORIDADE FEDERAL – Justiça Federal.
AUTORIDADE MUNICIPAL OU ESTADUAL – Justiça Estadual.
CUIDADO:
COMPETÊNCIA
 MS impetrado contra dirigente de Instituição de ensino federal ou
particular: Justiça Federal.
 MS impetrado contra dirigentes de instituições de ensino estaduais e
municipais: Justiça Estadual.

As autoridades administrativas, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas da notificação da


medida liminar, remeterão ao Ministério ou órgão a que se acham subordinadas e ao
Advogado-Geral da União ou a quem tiver a representação judicial da União, do Estado,
do Município ou da entidade apontada como coatora cópia autenticada do mandado
notificatório, assim como indicações e elementos outros necessários às providências a
serem tomadas para a eventual suspensão da medida e defesa do ato apontado como
ilegal ou abusivo de poder.

Não será concedida medida liminar que tenha por objeto a compensação de créditos
tributários, a entrega de mercadorias e bens provenientes do exterior, a reclassificação
LIMINAR VEDADA ou equiparação de servidores públicos e a concessão de aumento ou a extensão de
vantagens ou pagamento de qualquer natureza (INCONSTITUCIONAL).

Os processos de mandado de segurança e os respectivos recursos terão prioridade sobre


todos os atos judiciais, salvo habeas corpus.
PRIORIDADE DE
Na instância superior, deverão ser levados a julgamento na primeira sessão que se seguir
JULGAMENTO
à data em que forem conclusos ao relator.
O prazo para a conclusão dos autos não poderá exceder de 5 (cinco) dias.
Nos casos de competência originária dos tribunais, caberá ao relator a instrução do
SUSTENTAÇÃO processo, sendo assegurada a defesa oral na sessão do julgamento do mérito ou do
ORAL pedido liminar. (Redação dada pela Lei nº 13.676, de 2018)

NÃO TEM Não cabem, no processo de mandado de segurança, a interposição de embargos


HONORÁRIOS DE infringentes e a condenação ao pagamento dos honorários advocatícios, sem prejuízo da
SUCUMBÊNCIA aplicação de sanções no caso de litigância de má-fé.

Do indeferimento da inicial pelo juiz de primeiro grau caberá apelação e, quando a


competência para o julgamento do mandado de segurança couber originariamente a um
dos tribunais, do ato do relator caberá agravo para o órgão competente do tribunal que
RECURSOS integre.

Da sentença, denegando ou concedendo o mandado, cabe apelação.


Estende-se à autoridade coatora o direito de recorrer.

229
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Ciclos Método

RECURSOS – Das decisões em mandado de segurança proferidas em única instância pelos tribunais
DECISÕES EM cabe recurso especial e extraordinário, nos casos legalmente previstos, e recurso
ÚNICA INSTÂNCIA ordinário, quando a ordem for denegada.

Concedida a segurança, a sentença estará sujeita obrigatoriamente ao duplo grau de


jurisdição.
DUPLO GRAU
Trata-se de uma exceção às regras de remessa necessária previstas no CPC. Concedeu a
OBRIGATÓRIO
segurança, tem remessa necessária. Não importa se o valor é baixo, se foi observado
precedente vinculante ou se está presente qualquer outra exceção prevista no CPC.
Aplica-se a lei especial.
A sentença que conceder o mandado de segurança pode ser executada provisoriamente,
EXECUÇÃO
PROVISÓRIA salvo nos casos em que for vedada a concessão da medida liminar.

O pagamento de vencimentos e vantagens pecuniárias assegurados em sentença


EXECUÇÃO concessiva de mandado de segurança a servidor público da administração direta ou
ENVOLVENDO autárquica federal, estadual e municipal somente será efetuado relativamente às
VENCIMENTOS prestações que se vencerem, a contar da data do ajuizamento da inicial.

O pedido de mandado de segurança poderá ser renovado dentro do prazo decadencial,


VALE UM BIS? se a decisão denegatória não lhe houver apreciado o mérito.

A questão que se põe é saber se a intervenção do MP é obrigatória na ação de mandado


de segurança. Com efeito, temos 2 correntes:
1ª Corrente (MP - amplamente majoritária): O MP somente atua no MS, se presentes as
hipóteses do CPC. Se o objeto for, v.g., matéria tributária, não há intervenção do órgão
ministerial. De qualquer forma, o MP deve ser sempre intimado, para que verifique se
possui interesse.
2ª Corrente (Alguns precedentes do MP/MG): O MP tem que se manifestar em todos as
ações de mandado de segurança, sob pena de nulidade.

Obs.: É pacífico o entendimento de que o que gera nulidade do processo é a falta de


MP COMO FISCAL oportunidade de manifestação para o MP, e não a própria manifestação. Assim, em
DA LEI sentença, deve-se oportunizar a manifestação do MP.

#SELIGANAJURIS: Em regra, é indispensável a intimação do Ministério Público para


opinar nos processos de mandado de segurança, conforme previsto no art. 12 da Lei no
12.016/2009. No entanto, a oitiva do Ministério Público é desnecessária quando se tratar
de controvérsia acerca da qual o tribunal já tenha firmado jurisprudência. Assim, não há
qualquer vício na ausência de remessa dos autos ao Parquet que enseje nulidade
processual se já houver posicionamento sólido do Tribunal. Nesses casos, é legítima a
apreciação de pronto pelo relator. STF. 2ª Turma. RMS 32.482/DF, rel. orig. Min. Teori
Zavaski, red. p/ o ac. Min. Edson Fachin, julgado em 21/8/2018 (Info 912).

COMPETÊNCIA PARA JULGAR MANDADO DE SEGURANÇA

230
NFPSS | MPSP

Ciclos Método

Contra atos do Presidente da República, das Mesas da Câmara dos Deputados e do


STF Senado Federal, do Tribunal de Contas da União, do Procurador-Geral da República e do
próprio Supremo Tribunal Federal (art. 102, I, d).

Contra ato de Ministro de Estado, dos Comandantes da Marinha, do Exército e da


STJ
Aeronáutica ou do próprio Tribunal (art. 105, I, b).

TRFs Contra ato do próprio Tribunal ou de Juiz Federal (art. 108, I, c).

Contra ato de autoridade federal, excetuados os casos de competência dos “tribunais


JUÍZES FEDERAIS
federais” (art. 109, VIII).

JUSTIÇA DO Quando o ato questionado envolver matéria sujeita à sua jurisdição (art. 114, IV).
TRABALHO

JUSTIÇA ELEITORAL Quando envolvida matéria eleitoral (art. 121, §4º, V).

TRIBUNAIS E JUÍZES
Conforme dispuserem as respectivas Constituições Estaduais (art. 125, §1º)
ESTADUAIS

- Jurisprudência importante:

Ao julgar o Tema 499, o STF fixou a seguinte tese: A eficácia subjetiva da coisa julgada formada a partir de ação
coletiva, de rito ordinário, ajuizada por associação civil na defesa de interesses dos associados, somente alcança
os filiados, residentes no âmbito da jurisdição do órgão julgador, que o fossem em momento anterior ou até a
data da propositura da demanda, constantes da relação jurídica juntada à inicial do processo de conhecimento
(STF. Plenário. RE 612043/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 10/5/2017). Essa tese do STF se aplica
exclusivamente para ações coletivas ajuizadas sob o rito ordinário por associação quando atua como
representante processual dos associados. Isso significa que tal entendimento não se aplica para mandado de
segurança coletivo impetrado por associação. O mandado de segurança coletivo configura hipótese de
substituição processual, por meio da qual o impetrante, no caso a associação, atua em nome próprio
defendendo direito alheio, pertencente aos associados ou parte deles, sendo desnecessária, para a impetração
do mandamus, apresentação de autorização dos substituídos ou mesmo lista nominal. Por tal razão, os efeitos
da decisão proferida em mandado de segurança coletivo beneficiam todos os associados, ou parte deles cuja
situação jurídica seja idêntica àquela tratada no decisum, sendo irrelevante se a filiação ocorreu após a
impetração do writ. STJ. 2ª Turma. AgInt no REsp 1841604-RJ, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em
22/04/2020 (Info 670).

O impetrante pode desistir da ação mandamental a qualquer tempo antes do trânsito em julgado,
independentemente da anuência da autoridade apontada como coatora (STJ, AgInt no REsp 1475948/SC, Rel.
Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, DJE 17/08/2016).
O prazo decadencial para impetrar mandado de segurança contra redução do valor de vantagem integrante de
proventos ou de remuneração de servidor público renova-se mês a mês. A redução, ao contrário da supressão
de vantagem, configura relação de trato sucessivo, pois não equivale à negação do próprio fundo de direito.
Assim, o prazo decadencial para se impetrar a ação mandamental renova-se mês a mês. • Ato que SUPRIME
vantagem: é ato ÚNICO (o prazo para o MS é contado da data em que o prejudicado tomou ciência do ato). •
Ato que REDUZ vantagem: consiste em prestação de TRATO SUCESSIVO (o prazo para o MS renova-se mês a
231
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Ciclos Método
mês). STJ. Corte Especial. EREsp 1.164.514-AM, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 16/12/2015
(Info 578).
A verificação da existência de direito líquido e certo, em sede de mandado de segurança, não tem sido admitida
em recurso especial, pois é exigido o reexame de matéria fático- probatória, o que é vedado em razão da Súmula
n. 7/STJ. (STJ, REsp 1659680/MA, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJE 11/05/2017).
A ação mandamental não constitui via adequada para o reexame das provas produzidas em Processo
Administrativo Disciplinar - PAD (STJ, AgInt no RMS 049158/PI, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA
TURMA, DJE 11/05/2017);
Não cabe mandado de segurança para conferir efeito suspensivo ativo a recurso em sentido estrito interposto
contra decisão que concede liberdade provisória ao acusado (AgRg no HC 377712/SP, Rel. Ministro JORGE
MUSSI, QUINTA TURMA, DJE 09/05/2017).
A impetração de mandado de segurança contra ato judicial é medida excepcional, admissível somente nas
hipóteses em que se verifica de plano decisão teratológica, ilegal ou abusiva, contra a qual não caiba recurso
(STJ, AgInt no RMS 050834/RJ,Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, DJE 26/05/2017).
O cabimento de mandado de segurança contra decisão de órgão fracionário ou de relator do Superior Tribunal
de Justiça é medida excepcional autorizada apenas em situações de manifesta ilegalidade ou teratologia (MS
022157/DF,Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, CORTE ESPECIAL, DJE 25/04/2017).
O mandado de segurança não pode ser utilizado com o intuito de obter provimento genérico aplicável a todos
os casos futuros de mesma espécie (REsp 1594374/GO,Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA,
DJE 05/05/2017).
É incabível o mandado de segurança para convalidar a compensação tributária realizada pelo contribuinte.
(Súmula n. 460/STJ) (Tese julgada sob o rito do art. 543-C do CPC/73 TEMA 258) - STJ, AgRg no REsp
1107800/RJ,Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, DJE 12/04/2016.
Os efeitos financeiros, por ocasião da concessão da segurança, devem retroagir à data de sua impetração,
devendo os valores pretéritos ser cobrados em ação própria. STJ. Corte Especial. EREsp 1087232/ES, Rel. Min.
Herman Benjamin, julgado em 07/12/2016. STJ. 1ª Turma. AgInt no REsp 1481406/GO, Rel. Min. Sérgio Kukina,
julgado em 17/04/2018.
Nos casos de anistia política, em sede de mandado de segurança, só é possível a inclusão de juros de mora e
correção monetária na fase executiva quando houver decisão expressa nesse sentido. STJ. 1ª Seção. ExeMS
18782-DF, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 12/09/2018 (Info 634).
O mandado de segurança não é o instrumento processual adequado para o controle abstrato de
constitucionalidade de leis e atos normativos. STF. 2ª Turma. RMS 32.482/DF, rel. orig. Min. Teori Zavaski, red.
p/ o ac. Min. Edson Fachin, julgado em 21/8/2018 (Info 912).

#SÚMULAS
Súmula 628: "A teoria da encampação é aplicada no mandado de segurança quando presentes,
cumulativamente, os seguintes requisitos: a) existência de vínculo hierárquico entre a autoridade que prestou
informações e a que ordenou a prática do ato impugnado; b) manifestação a respeito do mérito nas informações
prestadas; e c) ausência de modificação de competência estabelecida na Constituição Federal.”
Súmula 604: “Mandado de segurança não se presta para atribuir efeito suspensivo a recurso criminal interposto
pelo Ministério Público.”

#AJUDAMARCINHO
Ato que SUPRIME vantagem Ato que REDUZ vantagem

Ato único. Prestação de trato sucessivo.

O prazo para o MS é contado da data em que o O prazo para o MS renova-se mês a mês
prejudicado toma ciência do ato. (periodicamente).
232
NFPSS | MPSP

Ciclos Método

O ato administrativo que suprime vantagem de A redução de vencimentos sofrida por servidores denota
servidor é ato único e de efeitos permanentes, prestação de trato sucessivo, em que o prazo decadencial
iniciando-se o prazo decadencial para MS no dia em se renova mês a mês.
que ele tem ciência da supressão.

(...) 2. A Terceira Seção deste Superior Tribunal de (...) Esta Corte vem definindo que quando houver
Justiça firmou entendimento no sentido de que a redução, e não supressão do valor de vantagem, fica
supressão de vantagem pecuniária devida a servidor configurada a prestação de trato sucessivo, que se renova
público caracteriza-se como ato comissivo, único e mês a mês, pois não equivale à negação do próprio fundo
de efeitos permanentes, não havendo, pois, que se de direito, não havendo que se falar, portanto, em
falar em prestações de trato sucessivo. decadência do mandado de segurança. (...)
(AgRg no Ag 909.400/PA, Rel. Min. Maria Thereza de (AgRg no REsp 1110192/CE, Rel. Min. Celso Limongi (Des.
Assis Moura, Sexta Turma, julgado em 15/04/2010) Conv. do TJ/SP), Sexta Turma, julgado em 04/05/2010)

Ato que SUPRIME vantagem Ato que REDUZ vantagem Ato que reajusta benefício
em valor inferior ao devido
Ato único. Prestação de trato sucessivo. Prestação de trato sucessivo.

O prazo para o MS é contado da data O prazo para o MS renova-se mês O prazo para o MS renova-se mês
em que o prejudicado toma ciência a mês (periodicamente). a mês (periodicamente).
do ato.

28. MANDADO DE INJUNÇÃO COLETIVO

Mandado de injunção individual Mandado de injunção coletivo


Ajuizado por qualquer pessoa física ou jurídica, com o Ajuizado por legitimados coletivos específicos, em
objetivo de proteção de seu próprio interesse. regime de substituição processual, com o objetivo de
proteger os direitos, as liberdades e as prerrogativas
pertencentes a uma coletividade indeterminada de
pessoas ou determinada por grupo, classe ou
categoria (art.12, parágrafo único da Lei
13.300/2016).

A Constituição é uma norma jurídica e, por isso, possui uma força normativa própria. Desta forma, ela
manda/obriga/determina, como preconizava Hesse (1957). Trata-se, pois, de uma norma jurídica
superimperativa, possuindo imperatividade reforçada, em decorrência do princípio da supremacia da
Constituição.

A síndrome de inefetividade é justamente a desobediência da Constituição, em razão da falta de


regulamentação.

A síndrome de inefetividade pode ser resolvida através de dois remédios constitucionais distintos:
233
NFPSS | MPSP

Ciclos Método

✓ Ação direta de inconstitucionalidade por omissão;


✓ Mandado de injunção.

A Constituição (art. 5º, LXXI) estabelece que se concederá mandado de injunção sempre que a falta de norma
regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas
inerentes à NACIONALIDADE, à SOBERANIA e à CIDADANIA.

Seus dois requisitos são:


✓ norma constitucional de EFICÁCIA LIMITADA prescrevendo direitos, liberdades constitucionais e
prerrogativas inerentes à nacionalidade, soberania e cidadania;
✓ falta de norma reguladora, tornando inviável o exercício dos direitos, liberdades e prerrogativas
mencionados.

O tema dos efeitos da decisão em mandado de injunção consiste em seu ponto mais estudado – e, portanto,
mais polêmico. Existem quatro correntes que tratam disso:

✓ CORRENTE NÃO CONCRETISTA: o Tribunal não supre a omissão do legislador ou do órgão administrativo.
O Tribunal não concretiza a norma. O efeito da decisão é apenas de dar ciência ao Poder competente de sua
omissão. Por muito tempo, essa corrente foi a dominante no STF (MI 107-DF). Esse posicionamento sofreu
muitas críticas, na medida em que o MI ficaria esvaziado já que, tendo a mesma abrangência da ADO, o MI
não realizaria sua finalidade de viabilizar o exercício de direitos fundamentais, na persistência da inércia
legislativa.

✓ CORRENTE CONCRETISTA GERAL: As correntes concretistas têm, em comum, o entendimento de que o


Tribunal pode concretizar a norma que vai assegurar o direito, suprindo a omissão do órgão responsável.
Pode ser criticada, porque o STF atua como legislador positivo. Essa corrente é concretista geral porque a
norma criada pelo Tribunal tem efeito erga omnes, valendo para todas as pessoas que se encontrem naquela
situação. No julgamento dos MIs 670, 708 e 712, foi adotada a corrente concretista geral, declarando o STF,
por unanimidade, a omissão legislativa e, por maioria, determinando a aplicação, no que couber, da lei de
greve vigente no setor privado aos servidores públicos.

✓ CORRENTE CONCRETISTA INDIVIDUAL: O efeito concretista é inter partes. O STF concretiza a norma apenas
para as partes envolvidas na impetração. No MI 721, o STF aderiu a essa corrente, estabelecendo os critérios
para a contagem de tempo especial apenas para os servidores que impetraram o MI (até porque para cada
tipo de atividade deve haver uma contagem de tempo especial diferente).

✓ CORRENTE CONCRETISTA INTERMEDIÁRIA: O STF primeiro dá ciência, fixando prazo para que a omissão
seja suprida, prevendo que se a omissão não for suprida no caso fixado, deverá ser aplicada uma norma
concreta criada pelo próprio Tribunal. Essa corrente já foi adotada no MI 232, e poderá ser individual ou
geral.

Não é possível afirmar qual a corrente preferida pelo STF, que seria definida pelas peculiaridades de cada caso.
No caso da lei de greve o STF aplicou a corrente concretista geral porque já havia normas gerais a respeito da
questão (ele basicamente determinou a aplicação por analogia da lei já existente para os trabalhadores
privados). Para parte da doutrina, essa seria a corrente atualmente adotada pelo STF.

Qual a corrente adotada pela Lei n. 13.300/2006?


234
NFPSS | MPSP

Ciclos Método

Como regra geral, a lei adotou a teoria concretista individual intermediária, de modo que:

✓ INICIALMENTE (art. 8º, I), reconhecido o estado de mora legislativa, o julgador deve determinar prazo
razoável para que o impetrado promova a edição da norma regulamentadora;

✓ NÃO SENDO SUPRIDA A MORA (art. 8º, II), poderá o órgão julgador estabelecer as condições em que se dará
o exercício dos direitos, das liberdades ou das prerrogativas reclamados ou, se for o caso, as condições em
que poderá o interessado promover ação própria visando a exercê-los, caso não seja suprida a mora
legislativa no prazo determinado.

MANDADO DE INJUNÇÃO COLETIVO

 MP;
 Partido político com representação no CN;
LEGITIMIDADE ATIVA  DP;
 Organização sindical, entidade de classe e associação (funcionamento há
pelo menos 1 ano).

LGITIMIDADE Pessoa estatal responsável por regulamentar a norma.


PASSIVA

Art. 2º Conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta total ou parcial de


norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades
PARÂMETRO
constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à
cidadania.
Nos termos do art. 7º, “findo o prazo para apresentação das informações, será
ouvido o Ministério Público, que opinará em 10 (dez) dias, após o que, com ou sem
parecer, os autos serão conclusos para decisão”.
PARECER MP

COMPETÊNCIA PARA JULGAR MANDADO DE INJUNÇÃO

Quando a elaboração da norma regulamentado dor de atribuição do Presidente da


República, Congresso Nacional, Câmara de Deputados, Senado Federal, das Mesas
da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, do Tribunal de Contas da União,
STF Tribunais Superiores e do próprio Supremo Tribunal Federal (art. 102, I, d).
Compete ao STF, ainda, processar e julgar, em recurso ordinário, o mandado de
injunção decidido em única instância pelos Tribunais Superiores, se denegatória a
decisão (art. 102, II, “a”).

Quando a elaboração da norma regulamentadora for atribuição de órgão,


entidade ou autoridade federal, da administração direta ou indireta, excetuados
STJ
competência do STF e dos órgãos da Justiça Militar, da Justiça Eleitoral, Justiça do
Trabalho e da Justiça Federal.

235
NFPSS | MPSP

Ciclos Método

Competência para julgar em grau de recurso o MI denegado pelo TRE (art. 121,
TSE
§4º, V).

Juízes e Tribunais da
Justiça Militar, Justiça Também possuem competência, de acordo com a matéria envolvida.
Eleitoral, Justiça do
Trabalho

Juízes Federais e Competentes se o órgão, entidade ou autoridade for federal e não esteja sujeito à
Tribunais Regionais competência de outro tribunal.
Federais

Os Estados organização sua Justiça, observados os princípios estabelecidos na CF,


Estados sendo a competência dos tribunais definida na Constituição do Estado (art. 125,
§1º) .

PATRIMÔNIO PÚBLICO

#IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA

#NOVIDADELAGISLATIVA

#COLANARETINA

As principais alterações realizadas na Lei de Improbidade Administrativa. Confira:

Dolo

A partir de agora, os atos considerados de improbidade administrativa dependem apenas de condutas dolosas.
Isso quer dizer que se retirou a parte do texto que versava sobre a modalidade culposa. Outro ponto a ser
observado é a exclusão da necessidade de dolo específico dos atos de improbidade administrativa, que
decorrem do descumprimento da lei de acesso à informação.

Nepotismo e promoção pessoal

O nepotismo, inclusive a modalidade cruzada, até o terceiro grau, para cargos de confiança, bem como a
promoção pessoal de servidores públicos em obras, atos, serviços, programas ou até mesmo campanhas de
órgãos públicos, foram inseridos na lei de improbidade administrativa na categoria de novos tipos de condutas
de improbidade.

Rol do artigo 11 - Taxativo

236
NFPSS | MPSP

Ciclos Método
Com o novo texto da lei de improbidade administrativa, consideram-se ímprobas apenas aquelas condutas
listadas no texto da própria lei. Anteriormente, considerava-se esta lista apenas exemplificativa.

Sanções

No texto anterior o agente público poderia ter seus direitos políticos suspensos por até oito anos. Agora esse
prazo sobe para 14 anos. No que diz respeito às multas aplicáveis em casos de improbidade administrativa, os
valores delas caíram em todos os casos.

Prescrição

A ação movida para que as sanções sejam devidamente aplicadas tem o prazo único de oito anos para
prescrever, sendo estes contados a partir do momento em que o fato ocorreu. Se for um caso de infração
permanente, a contagem acontece a partir do dia em que a permanência cessar. Na lei de improbidade
administrativa anterior o prazo determinado era de cinco anos, após a finalização do mandato do agente público
acusado.

Prazo do inquérito civil

O prazo para que o inquérito ocorra também sofreu alteração. Agora, no entanto, ele passa a ser de um ano,
tendo a possibilidade de prorrogação apenas uma única vez.

Ministério Público

A partir de agora somente o Ministério Público tem poderes para propor ações relacionadas a casos de
improbidade administrativa.

Transição

Com a publicação da lei de improbidade administrativa em veículo oficial, o Ministério Público tem o prazo de
um ano para se interessar e dar continuidade às ações que já estão em curso. Se acaso isso não ocorrer, tais
processos serão extintos.

#FOCANALEI

Art. 1º O sistema de responsabilização por atos de improbidade administrativa tutelará a probidade na


organização do Estado e no exercício de suas funções, como forma de assegurar a integridade do patrimônio
público e social, nos termos desta Lei.

§ 1º Consideram-se atos de improbidade administrativa as condutas dolosas tipificadas nos arts. 9º, 10 e 11
desta Lei, ressalvados tipos previstos em leis especiais.

§ 2º Considera-se dolo a vontade livre e consciente de alcançar o resultado ilícito tipificado nos arts. 9º, 10 e 11
desta Lei, não bastando a voluntariedade do agente.

237
NFPSS | MPSP

Ciclos Método
§ 3º O mero exercício da função ou desempenho de competências públicas, sem comprovação de ato doloso
com fim ilícito, afasta a responsabilidade por ato de improbidade administrativa.

§ 4º Aplicam-se ao sistema da improbidade disciplinado nesta Lei os princípios constitucionais do direito


administrativo sancionador.

§ 5º Os atos de improbidade violam a probidade na organização do Estado e no exercício de suas funções e a


integridade do patrimônio público e social dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, bem como da
administração direta e indireta, no âmbito da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal.

§ 6º Estão sujeitos às sanções desta Lei os atos de improbidade praticados contra o patrimônio de entidade
privada que receba subvenção, benefício ou incentivo, fiscal ou creditício, de entes públicos ou governamentais,
previstos no § 5º deste artigo.

§ 7º Independentemente de integrar a administração indireta, estão sujeitos às sanções desta Lei os atos de
improbidade praticados contra o patrimônio de entidade privada para cuja criação ou custeio o erário haja
concorrido ou concorra no seu patrimônio ou receita atual, limitado o ressarcimento de prejuízos, nesse caso, à
repercussão do ilícito sobre a contribuição dos cofres públicos.

§ 8º Não configura improbidade a ação ou omissão decorrente de divergência interpretativa da lei, baseada em
jurisprudência, ainda que não pacificada, mesmo que não venha a ser posteriormente prevalecente nas decisões
dos órgãos de controle ou dos tribunais do Poder Judiciário.

Art. 2º Para os efeitos desta Lei, consideram-se agente público o agente político, o servidor público e todo aquele
que exerce, ainda que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação, designação, contratação
ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função nas entidades referidas
no art. 1º desta Lei.

Parágrafo único. No que se refere a recursos de origem pública, sujeita-se às sanções previstas nesta Lei o
particular, pessoa física ou jurídica, que celebra com a administração pública convênio, contrato de repasse,
contrato de gestão, termo de parceria, termo de cooperação ou ajuste administrativo equivalente.

Art. 3º As disposições desta Lei são aplicáveis, no que couber, àquele que, mesmo não sendo agente público,
induza ou concorra dolosamente para a prática do ato de improbidade.

§ 1º Os sócios, os cotistas, os diretores e os colaboradores de pessoa jurídica de direito privado não respondem
pelo ato de improbidade que venha a ser imputado à pessoa jurídica, salvo se, comprovadamente, houver
participação e benefícios diretos, caso em que responderão nos limites da sua participação.

§ 2º As sanções desta Lei não se aplicarão à pessoa jurídica, caso o ato de improbidade administrativa seja
também sancionado como ato lesivo à administração pública de que trata a Lei nº 12.846, de 1º de agosto de
2013.

Art. 12. Independentemente do ressarcimento integral do dano patrimonial, se efetivo, e das sanções penais
comuns e de responsabilidade, civis e administrativas previstas na legislação específica, está o responsável pelo

238
NFPSS | MPSP

Ciclos Método
ato de improbidade sujeito às seguintes cominações, que podem ser aplicadas isolada ou cumulativamente, de
acordo com a gravidade do fato:

I - na hipótese do art. 9º desta Lei, perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio, perda da
função pública, suspensão dos direitos políticos até 14 (catorze) anos, pagamento de multa civil equivalente ao
valor do acréscimo patrimonial e proibição de contratar com o poder público ou de receber benefícios ou
incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual
seja sócio majoritário, pelo prazo não superior a 14 (catorze) anos.

II - na hipótese do art. 10 desta Lei, perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio, se concorrer
esta circunstância, perda da função pública, suspensão dos direitos políticos até 12 (doze) anos, pagamento de
multa civil equivalente ao valor do dano e proibição de contratar com o poder público ou de receber benefícios
ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual
seja sócio majoritário, pelo prazo não superior a 12 (doze) anos.

III - na hipótese do art. 11 desta Lei, pagamento de multa civil de até 24 (vinte e quatro) vezes o valor da
remuneração percebida pelo agente e proibição de contratar com o poder público ou de receber benefícios ou
incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual
seja sócio majoritário, pelo prazo não superior a 4 (quatro) anos;

§ 1º A sanção de perda da função pública, nas hipóteses dos incisos I e II do caput deste artigo, atinge apenas o
vínculo de mesma qualidade e natureza que o agente público ou político detinha com o poder público na época
do cometimento da infração, podendo o magistrado, na hipótese do inciso I do caput deste artigo, e em caráter
excepcional, estendê-la aos demais vínculos, consideradas as circunstâncias do caso e a gravidade da infração.

§ 2º A multa pode ser aumentada até o dobro, se o juiz considerar que, em virtude da situação econômica do
réu, o valor calculado na forma dos incisos I, II e III do caput deste artigo é ineficaz para reprovação e prevenção
do ato de improbidade.

§ 3º Na responsabilização da pessoa jurídica, deverão ser considerados os efeitos econômicos e sociais das
sanções, de modo a viabilizar a manutenção de suas atividades.

§ 4º Em caráter excepcional e por motivos relevantes devidamente justificados, a sanção de proibição de


contratação com o poder público pode extrapolar o ente público lesado pelo ato de improbidade, observados
os impactos econômicos e sociais das sanções, de forma a preservar a função social da pessoa jurídica, conforme
disposto no § 3º deste artigo.

§ 5º No caso de atos de menor ofensa aos bens jurídicos tutelados por esta Lei, a sanção limitar-se-á à aplicação
de multa, sem prejuízo do ressarcimento do dano e da perda dos valores obtidos, quando for o caso, nos termos
do caput deste artigo.

§ 6º Se ocorrer lesão ao patrimônio público, a reparação do dano a que se refere esta Lei deverá deduzir o
ressarcimento ocorrido nas instâncias criminal, civil e administrativa que tiver por objeto os mesmos fatos.

§ 7º As sanções aplicadas a pessoas jurídicas com base nesta Lei e na Lei nº 12.846, de 1º de agosto de 2013,
deverão observar o princípio constitucional do non bis in idem.
239
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Ciclos Método
§ 8º A sanção de proibição de contratação com o poder público deverá constar do Cadastro Nacional de
Empresas Inidôneas e Suspensas (CEIS) de que trata a Lei nº 12.846, de 1º de agosto de 2013, observadas as
limitações territoriais contidas em decisão judicial, conforme disposto no § 4º deste artigo.

§ 9º As sanções previstas neste artigo somente poderão ser executadas após o trânsito em julgado da sentença
condenatória.

§ 10. Para efeitos de contagem do prazo da sanção de suspensão dos direitos políticos, computar-se-á
retroativamente o intervalo de tempo entre a decisão colegiada e o trânsito em julgado da sentença
condenatória.

Art. 17. A ação para a aplicação das sanções de que trata esta Lei será proposta pelo Ministério Público e seguirá
o procedimento comum previsto na Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil), salvo o
disposto nesta Lei.

Art. 17-B. O Ministério Público poderá, conforme as circunstâncias do caso concreto, celebrar acordo de não
persecução civil, desde que dele advenham, ao menos, os seguintes resultados:

I - o integral ressarcimento do dano;

II - a reversão à pessoa jurídica lesada da vantagem indevida obtida, ainda que oriunda de agentes privados.

§ 1º A celebração do acordo a que se refere o caput deste artigo dependerá, cumulativamente:

I - da oitiva do ente federativo lesado, em momento anterior ou posterior à propositura da ação;

II - de aprovação, no prazo de até 60 (sessenta) dias, pelo órgão do Ministério Público competente para apreciar
as promoções de arquivamento de inquéritos civis, se anterior ao ajuizamento da ação;

III - de homologação judicial, independentemente de o acordo ocorrer antes ou depois do ajuizamento da ação
de improbidade administrativa.

§ 2º Em qualquer caso, a celebração do acordo a que se refere o caput deste artigo considerará a personalidade
do agente, a natureza, as circunstâncias, a gravidade e a repercussão social do ato de improbidade, bem como
as vantagens, para o interesse público, da rápida solução do caso.

§ 3º Para fins de apuração do valor do dano a ser ressarcido, deverá ser realizada a oitiva do Tribunal de Contas
competente, que se manifestará, com indicação dos parâmetros utilizados, no prazo de 90 (noventa) dias.

§ 4º O acordo a que se refere o caput deste artigo poderá ser celebrado no curso da investigação de apuração
do ilícito, no curso da ação de improbidade ou no momento da execução da sentença condenatória.

§ 5º As negociações para a celebração do acordo a que se refere o caput deste artigo ocorrerão entre o
Ministério Público, de um lado, e, de outro, o investigado ou demandado e o seu defensor.

§ 6º O acordo a que se refere o caput deste artigo poderá contemplar a adoção de mecanismos e procedimentos
internos de integridade, de auditoria e de incentivo à denúncia de irregularidades e a aplicação efetiva de

240
NFPSS | MPSP

Ciclos Método
códigos de ética e de conduta no âmbito da pessoa jurídica, se for o caso, bem como de outras medidas em
favor do interesse público e de boas práticas administrativas.

§ 7º Em caso de descumprimento do acordo a que se refere o caput deste artigo, o investigado ou o demandado
ficará impedido de celebrar novo acordo pelo prazo de 5 (cinco) anos, contado do conhecimento pelo Ministério
Público do efetivo descumprimento.

Art. 23. A ação para a aplicação das sanções previstas nesta Lei prescreve em 8 (oito) anos, contados a partir da
ocorrência do fato ou, no caso de infrações permanentes, do dia em que cessou a permanência.

§ 1º A instauração de inquérito civil ou de processo administrativo para apuração dos ilícitos referidos nesta Lei
suspende o curso do prazo prescricional por, no máximo, 180 (cento e oitenta) dias corridos, recomeçando a
correr após a sua conclusão ou, caso não concluído o processo, esgotado o prazo de suspensão.

§ 2º O inquérito civil para apuração do ato de improbidade será concluído no prazo de 365 (trezentos e sessenta
e cinco) dias corridos, prorrogável uma única vez por igual período, mediante ato fundamentado submetido à
revisão da instância competente do órgão ministerial, conforme dispuser a respectiva lei orgânica.

§ 3º Encerrado o prazo previsto no § 2º deste artigo, a ação deverá ser proposta no prazo de 30 (trinta) dias, se
não for caso de arquivamento do inquérito civil.

§ 4º O prazo da prescrição referido no caput deste artigo interrompe-se:

I - pelo ajuizamento da ação de improbidade administrativa;

II - pela publicação da sentença condenatória;

III - pela publicação de decisão ou acórdão de Tribunal de Justiça ou Tribunal Regional Federal que confirma
sentença condenatória ou que reforma sentença de improcedência;

IV - pela publicação de decisão ou acórdão do Superior Tribunal de Justiça que confirma acórdão condenatório
ou que reforma acórdão de improcedência;

V - pela publicação de decisão ou acórdão do Supremo Tribunal Federal que confirma acórdão condenatório ou
que reforma acórdão de improcedência.

§ 5º Interrompida a prescrição, o prazo recomeça a correr do dia da interrupção, pela metade do prazo previsto
no caput deste artigo.

§ 6º A suspensão e a interrupção da prescrição produzem efeitos relativamente a todos os que concorreram


para a prática do ato de improbidade.

§ 7º Nos atos de improbidade conexos que sejam objeto do mesmo processo, a suspensão e a interrupção
relativas a qualquer deles estendem-se aos demais.

§ 8º O juiz ou o tribunal, depois de ouvido o Ministério Público, deverá, de ofício ou a requerimento da parte
interessada, reconhecer a prescrição intercorrente da pretensão sancionadora e decretá-la de imediato, caso,
entre os marcos interruptivos referidos no § 4º, transcorra o prazo previsto no § 5º deste artigo.
241
NFPSS | MPSP

Ciclos Método
#LEIANTICORRUPÇÃO

#TEMQUESABER

#ACORDODELENIÊNCIA

Art. 16. A autoridade máxima de cada órgão ou entidade pública poderá celebrar acordo de leniência com as
pessoas jurídicas responsáveis pela prática dos atos previstos nesta Lei que colaborem efetivamente com as
investigações e o processo administrativo, sendo que dessa colaboração resulte:

I - a identificação dos demais envolvidos na infração, quando couber; e

II - a obtenção célere de informações e documentos que comprovem o ilícito sob apuração.

§ 1º O acordo de que trata o caput somente poderá ser celebrado se preenchidos, cumulativamente, os
seguintes requisitos:

I - a pessoa jurídica seja a primeira a se manifestar sobre seu interesse em cooperar para a apuração do ato
ilícito;

II - a pessoa jurídica cesse completamente seu envolvimento na infração investigada a partir da data de
propositura do acordo;

III - a pessoa jurídica admita sua participação no ilícito e coopere plena e permanentemente com as investigações
e o processo administrativo, comparecendo, sob suas expensas, sempre que solicitada, a todos os atos
processuais, até seu encerramento.

2º A celebração do acordo de leniência isentará a pessoa jurídica das sanções previstas no inciso II do art. 6º e
no inciso IV do art. 19 e reduzirá em até 2/3 (dois terços) o valor da multa aplicável.

§ 3º O acordo de leniência não exime a pessoa jurídica da obrigação de reparar integralmente o dano causado.

§ 4º O acordo de leniência estipulará as condições necessárias para assegurar a efetividade da colaboração e o


resultado útil do processo.

§ 5º Os efeitos do acordo de leniência serão estendidos às pessoas jurídicas que integram o mesmo grupo
econômico, de fato e de direito, desde que firmem o acordo em conjunto, respeitadas as condições nele
estabelecidas.

§ 6º A proposta de acordo de leniência somente se tornará pública após a efetivação do respectivo acordo, salvo
no interesse das investigações e do processo administrativo.

§ 7º Não importará em reconhecimento da prática do ato ilícito investigado a proposta de acordo de leniência
rejeitada.

§ 8º Em caso de descumprimento do acordo de leniência, a pessoa jurídica ficará impedida de celebrar novo
acordo pelo prazo de 3 (três) anos contados do conhecimento pela administração pública do referido
descumprimento.

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§ 9º A celebração do acordo de leniência interrompe o prazo prescricional dos atos ilícitos previstos nesta Lei.

§ 10. A Controladoria-Geral da União - CGU é o órgão competente para celebrar os acordos de leniência no
âmbito do Poder Executivo federal, bem como no caso de atos lesivos praticados contra a administração pública
estrangeira.

Art. 17. A administração pública poderá também celebrar acordo de leniência com a pessoa jurídica responsável
pela prática de ilícitos previstos na Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, com vistas à isenção ou atenuação das
sanções administrativas estabelecidas em seus arts. 86 a 88.

DIREITO AMBIENTAL

MEIO AMBIENTE E PRINCÍPIOS DO DIREITO AMBIENTAL: Entende-se que o meio-ambiente é uno e indivisível,
mas, para fins didáticos, pode ser subdividido em 4 segmentos: natural, cultural, artificial e do trabalho.

Meio ambiente natural Constituído pelos recursos naturais e pela correlação recíproca de cada um
desses em relação aos demais.

Meio ambiente artificial Construído ou alterado pelo ser humano, sendo formado pelos edifícios
urbanos e pelos equipamentos comunitários.

Meio ambiente cultural Patrimônio histórico, artístico, paisagístico, ecológico, científico e turístico,
constituindo-se tanto de bens de natureza material, quanto imaterial.

Meio ambiente do Conjunto de fatores que se relacionam às condições do ambiente de trabalho.


trabalho

#SELIGA: Os direitos ambientais são classificados como direitos fundamentais de 3ª dimensão!

PRINCÍPIOS DO DIREITO AMBIENTAL:

Desenvolvimento Procura coadunar os aspectos ambiental, econômico e social, buscando um ponto de


sustentável equilíbrio entre o uso dos recursos naturais, o crescimento econômico e a equidade
social.

243
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Ciclos Método
Direito humano Estabelece a proteção ao meio ambiente como direito humano fundamental
fundamental indispensável à manutenção da dignidade humana, vida e progresso da sociedade.

Participação Assegura ao cidadão o direito à informação e participação na elaboração das políticas


públicas ambientais.

Prevenção É aplicado nos casos em que os impactos ambientais já são conhecidos. Trabalha com a
CERTEZA da ocorrência do dano.

O princípio da prevenção é o maior alicerce do Estudo de Impacto Ambiental (EIA/RIMA)


-> Visa à mitigação dos impactos.

Precaução Diz respeito à ausência de certezas científicas. É aplicado nos casos em que o
conhecimento científico não pode oferecer respostas conclusivas sobre a inocuidade de
determinados procedimentos. Neste, há o risco incerto ou duvidoso. É com base no
princípio da precaução, que parte da doutrina sustenta a possibilidade de inversão do
ônus da prova nas demandas ambientais.

Poluidor-pagador Deve o poluidor responder pelos custos sociais da poluição causada por sua atividade
impactante, devendo-se agregar esse valor ao custo produtivo da sua atividade, para
evitar que se privatize o lucro e sejam socializados os prejuízos.

Possui viés preventivo e repressivo.

É necessário que haja poluição para a sua incidência.

#TEMMAISSS

Vejamos alguns outros importantes princípios ambientais a seguir:

USUÁRIO- Estabelece que todos aqueles que se utilizam de recursos naturais devem pagar por
PAGADOR isso, ainda que não haja poluição.

PROTETOR- No ordenamento jurídico brasileiro, foi positivado no âmbito da Política Nacional de


RECEBEDOR Resíduos sólidos. O princípio em destaque premia quem protege o meio-ambiente.

SOLIDARIEDADE É o pacto entre as gerações, decorrendo, além disso, do princípio do desenvolvimento


OU EQUIDADE sustentável. Pode ser extraído do caput do art.225 da CF, pela imposição de defender
INTERGERACIONAL o meio-ambiente para as futuras gerações.

PARTICIPAÇÃO OU Assegura ao cidadão o direito à informação e à participação na elaboração das políticas


GESTÃO públicas ambientais, de modo que devem ser assegurados os mecanismos judiciais,
COMUNITÁRIA legislativos e administrativos que efetivam o princípio. Desta forma, a população deve
ser inserida no trato das questões ambientais.

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Ciclos Método

#CENÁRIOATUAL Gente, tem dois princípios que são super conhecidos em direito ambiental, os princípios da
prevenção e da precaução... Com certeza algum dia você já se pegou fazendo alguma questão de ambiental
sobre eles ou tentando decorar a diferenciação: prevenção se refere aos riscos conhecidos, e a precaução se
refere aos riscos incertos, ainda desconhecidos, mas potenciais...

A novidade é que o STF, em julgados recentes de 2020 e 2021, vem aplicando esses dois princípios ao tratar da
pandemia de Covid-19! Principalmente em assuntos relacionados a direito constitucional, aos direitos e
garantias fundamentais, os Ministros vêm justificando a atuação do STF (#LINKMENTAL ativismo judicial), para
impor medidas de enfrentamento à pandemia, nos princípios da prevenção e da precaução. Ou seja, deve haver
uma atuação do Poder Público para evitar a ocorrência de riscos já conhecidos, e dos riscos ainda desconhecidos,
decorrentes da contaminação pelo vírus... Ressalto especialmente dois julgados que tratam da necessidade do
Poder Público de atuar para conter a contaminação nas comunidades indígenas e quilombolas. Esses grupos são
especialmente vulneráveis às contaminações virais pois, ao viverem em comunidades geralmente afastadas dos
grandes centros urbanos, não desenvolveram um sistema imunológico resistente ao vírus. Assim, os riscos
decorrentes da contaminação dessas comunidades poderiam significar a extinção inteira de etnias, sendo essa
justamente a aplicação do princípio da precaução! Ademais, os danos advindos da diminuição desses grupos
étnicos influiriam em toda a ideia de meio ambiente natural e cultural, pois são comunidades que possuem uma
relação de preservação do meio ambiente, das tradições, de valorizar os recursos naturais.

#AJUDAMARCINHO

É dever do Poder Público elaborar e implementar plano para o enfrentamento da pandemia COVID-19 nas
comunidades quilombolas. STF. Plenário. ADPF 742/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, redator do acórdão Min. Edson
Fachin, julgado em 24/2/2021 (Info 1006).

STF determina que governo federal adote medidas para conter o avanço da Covid-19 entre indígenas. STF.
Plenário. ADPF 709 Ref-MC/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 3 e 5/8/2020 (Info 985).

STF estendeu a vigência das medidas de combate à covid-19 elencadas na Lei 13.979/2020 e que estavam
previstas para terminar em 31/12/2020 A prudência — amparada nos princípios da prevenção e da precaução
— aconselha que continuem em vigor as medidas excepcionais previstas nos arts. 3º ao 3º-J da Lei nº
13.979/2020, dada a continuidade da situação de emergência na área da saúde pública. STF. Plenário. ADI 6625
MC-Ref/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 6/3/2021 (Info 1008)

Os bens naturais, objetos do Direito Ambiental, normalmente são classificados como "bens de uso comum do
povo" ou como "bens de uso especial", em função de sua destinação ou afetação a fins públicos.

Importante frisar que a expressão "bem de uso comum do povo" utilizada no caput do artigo 225 da Constituição
de 1988 não se refere à classificação dos bens públicos. Ao atribuir a característica de bem de uso comum do
povo ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, o intuito do legislador constituinte foi o de reforçar a ideia
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Ciclos Método
de interesse transindividual no meio ambiente saudável, tendo em vista a titularidade coletiva dos bens naturais.
O Poder Público é mero gestor do meio ambiente, que pode ser classificado como patrimônio público em sentido
amplo, a ser necessariamente assegurado e protegido, tendo em vista o uso coletivo.

Art. 225, §4º, CF: A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-grossense
e a Zona Costeira são patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á, na forma da lei, dentro de condições que
assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais.

O termo “patrimônio nacional” é utilizado no sentido de valor e importância de tais biomas para a proteção
ambiental e não como bem pertencente à União. RE 300244, STF: “Não é a Mata Atlântica, que integra o
patrimônio nacional a que alude o artigo 225, §4º, da Constituição Federal, bem da União”.

BENS DA UNIÃO: Art. 20, CF

Art. 20. São bens da União:

II - as terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações e construções militares, das vias

federais de comunicação e à preservação ambiental, definidas em lei;

III - Os lagos, rios e quaisquer correntes de água em terrenos de seu domínio, ou que banhem mais de um Estado,

sirvam de limites com outros países, ou se estendam a território estrangeiro ou dele provenham, bem como os

terrenos marginais e as praias fluviais;

IV - as ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes com outros países; as praias marítimas; as ilhas oceânicas e
as

costeiras, excluídas, destas, as que contenham a sede de Municípios, exceto aquelas áreas afetadas ao serviço

público e a unidade ambiental federal, e as referidas no art. 26, II;

V - os recursos naturais da plataforma continental e da zona econômica exclusiva;

VI - o mar territorial;

VIII - os potenciais de energia hidráulica;

IX - os recursos minerais, inclusive os do subsolo;

X - as cavidades naturais subterrâneas e os sítios arqueológicos e pré-históricos;

XI - as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios.

Obs: lembrar que as terras ocupadas pelos quilombolas são de propriedade das comunidades quilombolas, e
não da União.

BENS ESTADUAIS: Art. 26, CF

246
NFPSS | MPSP

Ciclos Método
Art. 26. Incluem-se entre os bens dos Estados:

I - as águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, emergentes e em depósito, ressalvadas, neste caso, na forma

da lei, as decorrentes de obras da União;

II - as áreas, nas ilhas oceânicas e costeiras, que estiverem no seu domínio, excluídas aquelas sob domínio da
União,

Municípios ou terceiros;

III - as ilhas fluviais e lacustres não pertencentes à União;

IV - as terras devolutas não compreendidas entre as da União.

#AJUDAMARCINHO: Federalismo cooperativo ecológico: Quando se fala em repartição de competências


relacionadas com matéria ambiental, existe um conceito muito relevante que é o de federalismo cooperativo
ecológico. Confira a lição da doutrina sobre o tema: “O exercício das competências constitucionais (legislativas
e executivas) em matéria ambiental, respeitados os espaços político-jurídicos de cada ente federativo, deve
rumar para a realização do objetivo constitucional expresso no art. 225 da CF/1988, inclusive sob a
caracterização de um dever de cooperação entre os entes