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Psicologia Social

Apontamentos de: Carla Pousada


E-mail: cpousada@netc.pt
Data: 1999/2000

Bibliografia: Neto, Félix (1998). Psicologia Social I. Lisboa: Universidade Aberta.

Nota:

Este documento é um texto de apoio gentilmente disponibilizado pelo seu autor, para que possa auxiliar ao estudo dos colegas. O
autor não pode de forma alguma ser responsabilizado por eventuais erros ou lacunas existentes. Este documento não pretende
substituir o estudo dos manuais adoptados para a disciplina em questão.

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Psicologia Social I

Apontamentos de: Carla Pousada


Email: cpousada@netc.pt
Data: 1999/2000
www.terravista.pt/nazare/3790

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PSICÓLOGOS SOCIAIS – Compreender as pessoas e ajudá-las a remediar
problemas humanos. Os psicólogos sociais enveredam por uma abordagem
científica para os seus assentos.

Ciência – Observação objectiva


Testagem sistemática

CIÊNCIAS COMPORTAMENTAIS – Abordam observações acerca de actividades,


como sejam operações mentais e respostas motoras, de animais e de seres
humanos.

CIÊNCIAS SOCIAIS – Refere-se às ciências comportamentais e disciplinas afins


que abordem actividades das pessoas inseridas em comunidades humanas.

PSICOLOGIA SOCIAL – Investiga as acções de indivíduos e de indivíduos dentro


de grupos, sendo assim uma ciência comportamental e social.

TEORIAS – No âmbito das ciências as teorias ajudam-nos a compreender como e


porque é que as coisas acontecem.

Alcançar realidades.
Teoria O porquê?
Ajuda a descobrir Acontecimentos
Provar

Todas as teorias contêm aspectos que não podem ser provador como verdadeiros
em sentido absoluto, na medida em que são abstractos.
No entanto, todas as teorias apresentam objectivos comuns.

TEORIA
O termo “TEORIA” designa para os cientistas uma descrição de relações entre
símbolos que representam a realidade.

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OBJECTIVOS CIENTÍFICOS DA PSICOLOGIA SOCIAL
- Descrição
- Explicação
- Predição
- Controlo

- Descrição – Descrever os fenómenos que se observam.


- Explicação – Desenvolver teorias para explicar o que se observou.
- Predição – Estudos, investigação .
(acto ou efeito de predizer, coisa predita, vaticínio, prognóstico, profecia)

- Controlo – Controlar a ocorrência de fenómenos.

Em resumo: a investigação pode fornecer informação fidedigna sobre a


sociedade, explicá-la, permite predições e controlar a ocorrência de fenómenos
comportamentais. Uma vez que já examinámos os principais objectivos da
Psicologia Social, antes de exploramos as principais teorias deste domínio,
passamos a fazer uma descrição do processo de investigação.

PROJECTOS DE INVESTIGAÇÃO EM PSICOLOGIA SOCIAL

Este projecto científico pode-se sintetizar em 7 fases.

1ª ETAPA – Tópico de investigação


2ª ETAPA – Busca da documentação de investigação
3ª ETAPA – Formulação de hipóteses
4ª ETAPA – Escolha do método de investigação

Os dois principais métodos utilizados pelos psicólogos sociais nas suas


investigações são: correlacional e o experimental .

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A investigação psico-social ocorre geralmente um de dois contextos: o laboratório,
um meio controlado e no campo, um contexto natural.
A maior parte da investigação de laboratório recorre ao método experimental
Ao passo que a maior parte da investigação de campo é correlacional .

5ª ETAPA – Recolha de dados


- auto-avaliação
3 Técnicas das recolhas de dados - observação directa
- Informação de arquivo

AUTO-AVALIAÇÕES – permite medir estados subjectivos importantes, tais como


percepções, emoções e atitudes.
A desvantagem desta técnica é que se baseia no que as pessoas descrevem de
modo certo, este estados internos o que nem sempre podem ou querem fazer
devido a esta desvantagem.

OBSERVAÇÃO DIRECTA - Muitos investigadores preferem observar directamente


o comportamento das pessoas, esta técnica é bastante utilizada em estudos
experimentais.

INFORMAÇÃO DE ARQUIVO – Finalmente os investigadores recorrem algumas


vezes a documentos existentes ou a arquivos para recolher informação que pode
ser valiosa sobre uma dada cultura.

6ª ETAPA – Análise de dados.

7ª ETAPA – Relatório dos resultados.

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CAVERNA DOS LABRÕES - SHERIF

Na 1ª fase da experiência os autores examinaram a formação de grupos a


atracção dos membros de um grupo em relação aos membros do seu próprio
grupo (endogrupo) e normas do endogrupo. Os rapazes foram distribuídos pelos
dois grupos sem saberem a existência do outro grupo. Em cada grupo as
actividades demonstravam a formação da coesão do endogrupo. Os grupos
desenvolviam normas de comportamento. Esta formação de normas do endogrupo
apareceu sem que a equipa de experimentadores fizesse qualquer encorajamento
ou comentário.
Quando os grupos souberam da existência um do outro, os membros sentiram
imediatamente competição intergrupal.
Os grupos suscitaram encontros espontâneos um com o outro com interacções
competitivas. Os resultados desta competição fortaleciam os laços do endogrupo e
sentimentos de hostilidade em relação ao outro grupo.
N a 2ª fase os investigadores tentaram várias técnicas para reduzir o conflito
intergrupal que se havia desenvolvido. A técnica que finalmente obteve sucesso foi
a introdução de objectivos supraordenados, isto é objectivos que cada grupo
desejava realizar, mas que não era possível sem ajuda do outro grupo. Um desses
objectivos era o restabelecimento de água para o campo. Os dois grupos
trabalharam juntos com objectivos comuns e obteve-se sucesso na redução da
hostilidade e na criação de sentimentos positivos.
Nesta experiência combinou-se as técnicas da Psicologia Social Psicológica e
Psicologia Social Sociológica. Os investigadores utilizaram técnicas de observação
e entrevistas (técnicas usadas na sociologia) e combinaram-nas com a técnica dos
questionários estandardizados. A subjectividade inerente aos processos de
observação foi compensada pelo rigor de medidas estandardizadas. Este estudo
chama a atenção para as mudanças que ocorrem ao longo do tempo nas
perspectivas dos membros de um grupo sobre as dos membros do outro grupo.
Os experimentadores estudaram a formação de grupos segundo as perspectivas
dos próprios sujeitos. Tiveram também a possibilidade de observar as mudanças
de atitudes e dos comportamentos dos sujeitos em relação aos membros do
endogrupo e do exogrupo. Sentimentos entre grupos foram medidas através das
observações das atitudes e comportamentos individuais e ao mesmo tempo,
explicações para os comportamentos foram procuradas nas relações estruturadas
dos grupos.

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CAVERNA DOS LADRÕES
Ilustra como se pode combinar as vantagens das duas psicologias sociais.

Redução conflito introdução do objectivos supraordenados, objectivos que cada


grupo desejava realizar, mas que não podia realizar só, sem a cooperação de
outro grupo.

Psicologia Social Sociológica


Técnicas combinada
Psicologia Social Psicológica

Observação
Técnicas Sociologia usual
Entrevistas

Técnicas – Questionários estandardizados – PSICOLOGIA

A subjectividade inerente aos processos de observação foi compensada pelo rigor


de medidas estandardizadas e os problemas resultantes da artificialidade destas
medidas estandardizadas foi atenuada mediante a fecundidade dos dados de
observação e de entrevistas.

O estudo da Caverna dos Ladrões ilustra o interesse partilhado pelos psicólogos


sociais, pelos pontos de vista subjectivos das pessoas. O estudo chama a atenção
para as mudanças que ocorreram ao longo do tempo nas perspectivas dos
membros de um grupo sobre as dos membros do outro grupo.

MUDANÇAS ENDOGRUPO
ESTUDO SUJEITO .ATITUDES E OBSERVAR
COMPORTAMEN-
TOS SUJEITO EXOGRUPO

OBSERVAR

Sentimentos entre os grupos foram medidas através da observação de atitudes e


comportamentos individuais e simultaneamente explicações para os
comportamentos foram procuradas nas relações estruturadas dos grupos.

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Integração das Psicologia Social Psicológica e Psicologia Social Sociológica

Conclusão : O estudo da Caverna dos Ladrões ilustra como a sensibilidade à


perspectiva dos participantes pode ser realizada num contexto estandardizadas.
Dados qualitativos e quantitativos podem ser utilizados para se complementarem.
Este estudo integrativo ilustra também como se podem combinar as vantagens das
duas psicologias sociais.

A PSICOLOGIA SOCIAL – estuda como as pessoas influenciam os pensamentos,


sentimentos e acções de outras pessoas. A disciplina tem vários tópicos e tem
relações próximas com as outras ciências sociais, sociologia e psicologia, embora
abordem diferentes questões quer psicólogos quer sociólogos contribuíram para a
Psicologia social.

A Psicologia Social Psicológica e a Psicologia Social Sociológica devem


tendencialmente ser abordadas em conjunto, pois cada uma complementa a outra
e cada um atem fraquezas que as forças da outra podem compensar em parte.
Ambas as perspectivas convergem na focalização no comportamento humano
individual e ambas prestam atenção ao mundo subjectivo do indivíduo. Como a
própria psicologia, a psicologia social tem as suas raízes no questionamento
filosófico. As ideias acerca do indivíduo no contexto social beneficiam de
contribuições de pensadores como Platão, Aristóteles, Hobbes, Rousseau,
Bentham e Marx...

Duas correntes: francesa e anglo-saxónica.

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A Psicologia Social é simultaneamente uma ciência comportamental e social. Há
três orientações teóricas na psicologia social são:
- Teoria da Aprendizagem
- Teoria cognitivas
- Teoria do papel

TEORIA DA APRENDIZAGEM
Durante muitos anos estas teorias foram a orientação dominante em psicologia.
As teorias da aprendizagem têm as suas origens nos princípios básicos
behaviorismo que salientou o condicionamento clássico e a aprendizagem através
do reforço ou recompensa.
Baseia-se na ideia que o comportamento de uma pessoa é determinando pela
aprendizagem anterior.
Exemplo: cão – Palvov

Mecanismos de aprendizagem social


3 mecanismos de aprendizagem (pessoas aprendem coisas novas)
- Associação ou condicionamento clássico
- Reforço (recompensas/castigos)
- Observacional = Imitação

TEORIAS COGNITIVAS
Têm a sua origem na psicologia da gestalt, focalizam-se nos processos cognitivos
que estão subjacentes às nossas percepções e julgamentos acerca de nós
próprios e dos outros em situações sociais.
As principais preocupações das Teorias Cognitivas são as emoções e cognições,
por exemplo nas Teorias de Aprendizagem entra na “caixa” um estímulo e o que
sai da caixa resposta, mas é prestada pouca atenção ao que se passa dentro da
caixa.
A ideia principal das Teorias Cognitivas para a Psicologia Social é que o
comportamento de uma pessoa depende do modo como percepciona a situação
social.
Os princípios cognitivos estudam como é que as pessoas processam a informação.
No domínio da Psicologia Social a investigação sobre cognição social aborda o
modo como processamos a informação social de pessoas, de situações sociais e
de grupos.
A investigação sobre a cognição social tem sido efectuada em três áreas:
- Percepção social
- Memória social
- Julgamentos sociais.
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TEORIA DOS PAPÉIS (Abordagem sociológica)
Esta teoria põe em evidência a ideia de que os pensamentos e os comportamentos
dos indivíduos são resultado da interacção que têm como outras pessoas e do
significado que elas dão às interacções e papeis.
Esta teoria presta pouca atenção aos determinantes individuais do comportamento,
raramente recorre a conceitos de personalidade, atitudes e motivações. O
indivíduo é visto como um produto da sociedade em que vive e como um indivíduo
que contribui para essa sociedade.

PAPEL central para esta abordagem, pode-se definir como a posição ou função
que uma pessoa ocupa no seio de um determinado contexto social. Uma pessoa
pode desempenhar vários papeis simultaneamente.
Exemplo: estudante filha, namorada, nadadora, etc.
Estes vários papeis são guiados por determinadas expectativas que os outros têm
acerca do comportamento.

Muito embora haja algum grau de coincidência, as três teorias diferem em relação
aos comportamentos explicados. As teorias da aprendizagem focalizam-se na
aquisição de novos padrões de resposta e no impacto das recompensas e dos
castigos na interacção social. As teorias cognitivas abordam os efeitos das
cognições sobre a resposta da pessoa a estímulos sociais e tratam também das
mudanças nas crenças e nas atitudes. A Teoria do Papel sublinha o papel do
comportamento e a mudança de atitude que resulta dos papeis que se têm.

Resumo:
TEORIA
Teorias
Dimensão Aprendizagem
Teorias Cognitivas Teorias papel
Conceitos centrais Estímulo - resposta
Cognições – Papel
reforço Estrutura cognitiva
Comportamentos Aprendizagem de Formação e Comportamento no
primários novas respostas. mudança de papel
explicados Processos de troca
crenças e de
atitudes
Suposições acerca As pessoas são As pessoas são As pessoas são
da natureza hedonistas, os seres cognitivos conformistas e
humana seus actos são que agem com comportam-se de
determinantes por base nas suas acordo com as
padrões de reforço. cognições expectativas de
pepeis.
Factores que Mudança na Estado de Mudança na
produzem quantidade, tipo ou inconsistência expectativa dos
mudança no frequência de cognitiva papeis.
comportamento reforço.
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SELF – AUTOCONCEITO

Platão considerou o self equivalente a alma, e sentiu que era o lugar da


Sabedoria.

O nosso autoconceito armazena uma vasta quantidade de informações acerca


dasnossas experiências e relações sociais.

Auto – Esquemas
Auto-representações não são só as descrições de superfície que usamos quando
nos perguntam quem somos.

Para além disso as crenças sobre o self podem afectar a maneira como vemos o
mundo e como retemos informação acerca de experiências e acontecimentos.

Os esquemas são colecções organizadas de informações acerca de algum


objecto.

Auto-esquema é um tipo de especial de esquema constituído com tudo o que


conhecemos, pensamos e sentimos acerca de nós próprios.
Um auto-esquema não se organiza, guia o processamento de informação.
Isto significa que os nossos auto-esquemas podem influenciar as nossa
percepções, memória e influências acerca de nós próprios.

Do mesmo modo como as pessoas podem ter diferentes autoconceitos, também


podem ter diferentes auto-esquemas.

Os auto-esquemas não é só material verbal, também implica imagens visuais.


Ex: Lembrar fotografias da própria pessoa em que é mais parecida com a sua
auto-imagem física.

Dada a grande diversidade de auto-esquemas talvés nos levasse a uma confusão


de identidade, mas temos 2 motivos que contradizem isto:

1º - Os indivíduos transportam os seus auto-esquemas conjuntamente num


autoconceito, organizado numa história de vida coerente.

2º - Autocomplexidade – definida pelo nº de identidades distintas que uma pessoa


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tem (amiga, namorada, filho, estudante) que propicia um amortecedor contra
agentes de stress.

Pessoa com autoconceito complexo tem mais facilidade em absorver as


contrariedades da vida, ao contrario de uma pessoa só com 1 ou 2 identidades
principais qualquer acontecimento único pode ter impacto na maior parte dos
aspectos do autoconceito.
Ex. mulher esposa
Divorcio –fica arrasada
Quando o papel “esposa” deixa de existir, uma grande parte do seu autoconceito,
da sua identidade também acaba.

Ao contrario quando tem uma representação mais complexa do self pode estar
mais protegida contra acontecimentos negativos que envolvam somente um ou
dois dos vários papeis.

Mulher – mãe, engenheira, amiga, nadadora, esposa.


Quando acaba papel “esposa” tem outros papeis onde se agarrar.

Memória autobiográfica - As nossas lembranças da sequência de


acontecimentos que tocaram a nossa vida.
Os auto-esquemas afectam também o modo como relembramos o passado.

Sem memória autobiográfica não teríamos auto-representações.


“Quem seriamos nós, se não pudessemos lembrar-nos dos pais, dos colegas de
infância.”

Segundo Greenwald – propôs que o self actua como um ego totalitário que
processa a informação de modo enviesado.

Temos 3 viés principais:


Viés egocentração
Viés da beneficiação
Viés conservadorismo cognitivo.

Egocentração - descreve a tendência para o julgamento e a memória se


focalizarem no self, isto é acontecimentos que afectam o self são lembrados
melhor que a informação que não é relevante para o self.

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A egocentração manifesta-se em :
Para além das tendencias egocêntricas há a crença que as pessoas têm de
controlar acontecimentos que ocorrem meramente por acaso – Ilusão de
controlo.
A pessoa que ganha mais qualquer actividade pensa que fara melhor no futuro,
enquanto que os que ganham menos eram menos optimistas em relação aos
ganhos futuros.

A egocentração também se manifesta no viés do falso consenso – isto é a


tendência geral para as pessoas acreditarem que a maior parte das outras
pessoas se comporta e pensa como nós.
Ex. Forma de egocentração no autoconceito – é a crença que tem a maior parte
das pessoas que são melhores que a média em qualquer categoria ou traço
socialmente desejável

Viés da Beneficiação – Quando tiramos conclusões acerca de nós próprios a


partir das nossas acções.
Para termos um conceito positivo do self – chamamos a nós o sucesso e negamos
a responsabilidade do fracasso.

Beneficiação é um viés de autocomplacência que preserva o sentido de


competência.

Ex. Notas fracas = não assume responsabilidade do fracasso = exame mal feito,
ou examinador incapaz de avaliar as suas capacidades.

Conservadorismo cognitivo – Significa que os nossos autoconceitos tendem em


resistir à mudança.
A maior parte das vezes as pessoas colocam-se em situiações susceptíveis de
reforçar os seus auto-esquemas existentes, procurando confirmar informação e
evitar situações que possam suscitar informação inconsciente.
Ex. O modo como os sujeitos colocavam as questões permitiu-lhes confirmar
hipóteses prévias acerca da pessoa entrevistada: “ Pessoa entrevistada
introvertida “ = “ O que não gostas em festas barulhentas?” = resposta com
caracter introvertido.
Selecciona-se informação para confirmar expectativas sobre o self de uma pessoa.
Apesar da resistência à mudança, os autoconceitos, atitudes e valores podem
mudar com o tempo. Quando isto acontece as pessoas mantém a sua imagem de
consistência distorcendo a sua memória das suas atitudes anteriores, lembrando-
as como estando mais perto das atitudes actuais do que realmente estavam. A
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memória aparece como sendo maleável e é reconstituida para permitir que uma
pessoa mantenha uma perspectiva consistente do seu self.

ORIGENS DO SELF
ORIGENS DO SELF
Factores que podem contribuir para o desenvolvimento do self.

Avaliações reflectidas – são percepções das pessoas sobre o modo como outras
pessoas as vêem.
As pessoas que estão a nossa volta agem como um espelho social, refletindo e
dizendo-nos quem somos.
Prestamos muita atenção ao que outras pessoas significativas para nós, tais como
amigos, pais, professores dizem a nosso respeito.
Por isso o nosso julgamento sobre nós próprios reflecte de muitas maneiras a
avaliação dos outros a nosso respeito.
Todavia, a informação dos outros nem sempre é percepcionado de modo
totalmente correcto. As nossa atitudes, valores e outras partes dos nossos auto-
esquemas podem fazer com que haja uma distorção da informação recebida.

Comparação social - pode permitir avaliar as nossas habilidades, pensamentos,


sentimentos e traços, comparando-as com outras.
A investigação mostra que muitas vezes as pessoas escolhem comparar-se com
outras pessoas semelhantes quando se avaliam.
Por outras pessoas semelhantes, entende-se pessoas que condizem em dimensão
que estão relacionadas com a comparação em questão.
A utilização do sexo como critério para se escolherem os outros para comparação
revelou-se como uma dimensão importante de comparação. As pessoas tendem a
escolher para se compararem alguém do mesmo sexo.
As comparações com os outros podem pôr em evidência comparações positivas e
mesmo negativas.
As crianças podem ser vulneráveis a estas comparações negativas, pois o seu
autoconceito está a desenvolver-se.

Comparação temporal – as pessoas também podem auto-avaliar-se, fazendo


comparações entre o seu self presente e o seu self passado, ou seja , efectuando
comparações temporais. Frequentemente as pessoas fazem comparações entre a
sua realização passada e presente.
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Mas por exemplo, nas pessoas idosas, as co0mparações temporais podem
acentuar a deterioração das suas capacidades e saúde, e pode levar a uma baixa
da auto-estima e ter efeitos depressivos.
Mas também pode ser positivo, ser fonte de satisfação quando as situações
melhoram.
Nas comparações temporais pode verificar-se algumas distorções pois as pessoas
podem esquecer-se e podem rescrever as suas histórias pessoais do modo que
lhes convém.

Autopercepção – baseia-se nas inferências (conclusões) e observações que as


pessoas fazem quando observam o seu próprio comportamento.
A teoria da autopercepção propõe que as pessoas conheçam as suas próprias
atitudes, emoções e outros estados internos, parcialmente inferindo-os de
observações do seu próprio comportamento e ou de circunstâncias em que este
comportamento ocorre.
O João fala com a Rita e fica seca, perturbado, pensa que gosta dela. Esta atitude
pode resultar da observação do seu comportamento.
A teoria da autoperrcepção tem implicações importantes para a motivação
humana. Realizar uma acção sem razões externas (dinheiro) leva-nos a pensar
que foram outros valores que levaram a esta attude.

SELF NUM CONTEXTO CULTURAL


Os aspectos mais privados do self fornecem-se um sentido de identidade pessoal,
ao passo que os aspectos mais públicos do self propiciam-nos um sentido de
identidade social.

A importância de um grupo para o sentido do self.

TEORIA DA IDENTIDADE SOCIAL – sublinha que a pertença grupal é muito


importante para o autoconceito de uma pessoa.

AVALIANDO O SELF : - AUTO-ESTIMA


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Auto-estima componente mais afectiva do self.
AUTO-ESTIMA – refere-se à avaliação de si própria , seja de modo positivo ou
negativo, e contem julgamentos sociais que as pessoas interiorizaram, também
abarca numerosos auto-esquemas.

AVALIAÇÃO DA AUTO-ESTIMA
A nossa auto-estima global depende do modo como avaliamos as nossa
identidades de papeis específicos, isto é, conceitos do self em que papeis
específicos (estudante, amiga) e as qualidades pessoais. Avaliamos cada uma
delas como sendo relativamente positivas ou negativas.
Se pesamos as identidades avaliadas positivamente como mais importantes
podemos manter um elevado nível global de auto-estima, ainda admitindo uma
certa fraqueza. Se damos um grande peso as identidades avaliadas
negativamente, teremos baixa auto-estima global mesmo se temos muitas
qualidades de valor.

Diversas medidas de auto-estima, mas a mais popular seja a escala elaborada por
Rosenberg.

DESENVOLVIMENTO DE AUTO-ESTIMA
Como se desenvolve a auto-estima. As raízes da auto-estima mergulham na
infância, segundo Alport.
Quando os pais dão liberdade às crianças ou quando lhes explicam as razões que
estão por trás das restrições, a auto-estima desenvolve-se.
As crianças com maior auto-estima provêm de famílias com estilos educativos
“indulgentes” ou “autoritários” (democráticos). Os pais indulgentes envolvem-se
com dificuldades com os seus filhos, mas permitem-lhes fazer as suas próprias
escolhas. Os pais autoritários também se envolvem com os seus filhos, mas
mantêm regras e dão mais assistência. Os pais autoritários explicam as razões das
suas regras e permitem às crianças questionam as suas restrições.
Por outro lado as crianças com auto-estima mais baixa são originárias de famílias
“autoritárias” ou “negligentes”. Os pais autoritários exigem submissão
inquestionável e não se envolvem com os seus filhos. Os pais negligentes não
exigem uma disciplina estrita nem se envolvem com os seus filhos.
Por exemplo uma baixa auto-estima na idade adulta pode desenvolver-se a partir
de experiências infantis desagradáveis, tais como medo de castigo, preocupações
como notas escolares, ou percepção de que uma pessoa é feia.
AUTO-ESTIMA E COMPORTAMENTO

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A auto-estima tem uma grande influência na vida quotidiana. As pessoas com
elevada auto-estima comportam-se de maneira diferente das pessoas com baixa
auto-estima.

VARIAÇÕES NA AUTO-ESTIMA
Muito embora os níveis de auto-estima sejam relativamente estáveis pode no
entanto haver variações. Muitas dessas variações ocorrem durante alguns
minutos, outras vezes durante anos.

ADOLESCÊNCIA
Os acontecimentos da adolescência podem abanar a auto-estima.

AUTODISCREPÂNCIAS
Quanto maior for a quantidade de discrepâncias, mais intenso será o desconforto
emocional, e quanto mais conscientes estamos desta discrepância mais intenso
será o desconforto.

AUTOCONSCIÊNCIA
Pensar sobre nós próprios.

ESTADOS DE AUTOCONSCIÊNCIA
Uma pessoa que está autoconsciênte pode também tornar-se mais consciente dos
padrões das outras pessoas. Estudos mostram que os sujeitos autofocalizados são
mais capazes de tomarem a perspectiva dos outros.

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DIFERENTES TIPOS DE AUTOCONSCIÊNCIA

ESCALA DE AUTOCONSCIÊNCIA – é um questionário que se compõe de 23


itens, cuja a análise factorial pôs em evidência três factores:
- autoconsciência privada,
- autoconsciência pública,
- ansiedade social.

Autoconsciência privada – diz respeito à capacidade de prestar atenção aos


sentimentos e pensamentos pessoais. “Penso muito sobre mim próprio”

Autoconsciência pública – consciência geral do próprio enquanto objecto social


que tem efeito sobre os outros. “Preocupo-me com a maneira como me apresento”

Ansiedade social – define-se pelo mal estar em presença dos outros. “Sinto-me
ansiosa quando falo perante um grupo”.

Com base em vários estudos pode-se concluir que altos níveis de autoconsciência
privada estão associados com um conhecimento dos seus estados internos
melhores, mais pormenorizado e preciso.

AUTOCONSCIÊNCIA E USO DO ÁLCOOL


As pessoas que tendem a Ter elevada autoconsciência quererão beber mais álcool
após um fracasso, porque é doloroso focalizar-se em si mesmo após falhar.

O QUE CAUSA DIFERENÇAS INDIVIDUAIS NA AUTOCONSCIÊNCIA


Há alguma evidência que individualistas têm maiores níveis de autoconsciência
privada que colectivistas.

PROTECÇÃO DA AUTO-ESTIMA
As pessoas estão motivadas a proteger a sua auto-estima.
As pessoas utilizam várias técnicas para manter a sua auto-estima.

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TÉCNICAS PARA MANTER A SUA AUTO-ESTIMA.

MANIPULAÇÃO DE AVALIAÇÃO
Associação com pessoas que partilham a nossa perspectiva do self e evitamos
fazê-lo com pessoas que as não partilham.

Interpretar as avaliações das outras pessoas como sendo mais favoráveis ou


desfavoráveis do que são.

PROCESSAMENTO SELECTIVO DE INFORMAÇÃO


Outro modo de protegemos a nossa auto-estima é prestar mais atenção as
ocorrências que são consistentes com a nossa auto-avaliação.

COMPARAÇÃO SOCIAL SELECTIVA


Quando não dispomos de padrões objectivos para nos avaliarmos a nós próprios,
recorremos a comparação social. Escolhemos com cuidado as pessoas com que
nos comparamos, podemos adicionalmente proteger a nossa auto-estima .

COMPROMISSO SELECTIVO COM IDENTIDADES


Tal protege auto-estima global porque a auto-avaliação está baseada mais na
identidades e qualidades pessoais que consideramos mais importantes.

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RELACIONADO O SELF: AUTO-APRESENTAÇÃO

AUTO-APRESENTAÇÃO - Processos pelos quais as pessoas tentam controlar as


impressões que os outros formam.

Na gestão da impressão foram identificados dois componentes:


- Impressão motivação
- Impressão construção

IMPRESSÃO MOTIVAÇÃO – refere-se até que ponto se está motivado para


controlar o modo como os outros nos vêem, para criar uma impressão particular
nas mentes dos outros.

IMPRESSÃO MOTIVAÇÃO – resulta de 3 motivos primários.


Desejo de obter recompensas sociais e materiais para manter ou para aumentar a
auto-estima, e para facilitar o desenvolvimento de uma identidade.

IMPRESSÃO CONSTRUÇÃO – implica a escolha de uma imagem particular que


se quer criar e alterar o comportamento de outra para modos específicos em vista
a realizar este objectivo.

AUTO-APRESENTAÇÃO E EMBARAÇO – O embaraço é geralmente visto como


uma forma de ansiedade social intimamente relacionado com a timidez, a
ansiedade em público e a vergonha.

A TIMIDEZ – surge quando há uma discrepância antecipada entre a auto-


apresentação de uma pessoa e o seu padrão para a auto-apresentação ou quando
a resposta de um sujeito depende em grandes parte das respostas dos outros.

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TÁCTICAS DE AUTO-APRESENTAÇÃO
Há várias tácticas específicas que as pessoas podem utilizar para se apresentarem
aos outros.

Tácticas Técnicas Objectivo


Insinuação Lisojar, concordar Simpático
Intimidação Ameaça Perigo
Autopromoção Jactar-se Competente
Exemplificação Balsonar Moralista
Súplica Rogar Fraqueza

AUTOVIGILÂNCIA
Tendência para usar pistas de auto-apresentação das utras pessoas, para
controlar as suas próprias auto-apresentações. As pessoas com elevada
autovigilância estão conscientes das impressões que suscitam nas interacções
sociais e são sensíveis às pistas sociais a propósito de como se deveriam
comportar em diferentes situações.

EXEMPLIFICAÇÕES E SÚPLICAS
As pessoas diferem na sua motivação e habilidade em controlar a sua auto-
apresentação. As pessoas altas em autovigilância estão conscientes das
impressões que suscitam e são sensíveis as pistas sociais acerca de como as
pessoas deveriam comportar-se em diferentes situações. As pessoas baixas em
autovigilância falta-lhes quer a habilidade quer a motivação para regular a sua
auto-apresentação expressiva e tendem a comportar-se de modo consistente com
a sua própria auto-imagem e não tanto com a situação.

AUTOVIGILÂNCIA E AUTOCONSCIÊNCIA
Ao principio podem parecer que são semelhantes, mas não são, embora estejam
relacionadas, medem algo diferente.
- A autovigilância focaliza-se mais nas habilidades de auto-apresentação.
- A Autoconsciência focaliza-se mais na auto-atenção.

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RESUMO

SELF – AUTOCONCEITO
Cada vez mais os psicólogos têm chamado atenção para a importância do self.
A Psicologia Social contemporânea reconhece a importância do self: o termo
autoconceito refere-se a todos os nossos pensamentos acerca de quem somos. O
autoconceito tem muitas componentes que podem ser afectadas por várias
características ambientais. O autoconceito de trabalho inclui somente atributos que
são activados pela situação social actual. Os auto-esquemas são pois
generalizações cognitivas acerca do self que têm influência no modo como
organizamos e nos lembramos de acontecimentos. A memória de acontecimentos
vitais desempenha um papel relevante nas auto-representações. Em 1º lugar a
memória autobiográfica é egocêntrica. Diversas fontes podem contribuir para o self
das pessoas. A avaliação reflectida refere-se as percepções que as pessoas têm
de avaliação dos outros acerca delas próprias.
As pessoas podem também aprender acerca delas próprias mediante
comparações sociais com outros semelhantes sobre atributos relacionados com a
realização. A comparação da realização presente de uma pessoa com a realização
passada também pode ser uma fonte do autoconceito.
A Teoria da Identidade Social sugere que os grupos a que pertencemos, formam
uma fonte importante da nossa identidade. Estamos motivados para obter uma
identidade social positiva e distinta. Os grupos Culturais são uma fonte importante
de identidades sociais e podem determinar a nossa compensação do SELF.
A auto-estima refere-se a avaliação positiva ou negativa que temos de nós
próprios. A teoria da autodiscrepância prediz que a nossa auto-estima também é
influenciada pelo fosso que precepcionamos existir entre o nosso self actual e as
várias autoguias, ou padrões que temos para nós próprios. Alguns destes padrões
provêm do que pensamos que as outras pessoas esperam de nós, alguns vêm dos
nossos objectivos.
Não gastamos todo o nosso tempo a pensar sobre nós próprios. Todavia há
condições que podem suscitar um estado de autoconsciência, durante o qual
focalizamos a atenção nalgum aspecto do self e comparar-nos-emos com algum
padrão interno. Podemos recorrer a numerosas técnicas para proteger a auto-
estima. As pessoas enveredam muitas vezes por estratégias de auto-apresentação
para influenciar a impressão que causam nas outras pessoas.
O embaraço é geralmente visto como forma de ansiedade social, tal como a
timidez, a ansiedade em público e a vergonha. O embaraço surge quando é
percepcionada. Uma divergência enter a auto-apresentação de uma pessoa e o
seu padrão para a auto-apresentação.
Tácticas específicas de auto-apresentação incluem insinuação, intimidação,
autopromoção.

20
ATITUDES
O conceito de atitude tem ocupado um lugar de destaque ao longo da história da
psicologia social.
As atitudes referem-se a estados mentais
“Atitudes comportamentos em miniatura”
Nesta ordem de ideias há necessidade para se prever o comportamento, tudo que
se tinha a fazer era determinar a atitude das pessoas em relação a um objecto do
comportamento. O problema tornara-se então metodológico, pois era necessário
implementar utensílios adequados para medir as atitudes.

MODELOS ATITUDES
Os modelos são uma espécie de planos de arquitecto que tornam a sua
operacionalização mais fácil.

Os 3 modelos que mais têm chamado a atenção dos investigadores que são:

- modelo tripartido clássico de atitudes;


- modelo unidimensional clássico de atitudes;
- modelo revisto de atitudes.

MODELO TRIPARTIDO CLÁSSICO DE ATITUDES

A atitude é uma disposição que resulta da organização de três componentes:


Afectivo, cognitivo e comportamental e foi proposto por Rosenberg e Houland
(1968).
O componente afectivo de uma atitude refere-se aos sentimentos subjectivos e
às respostas fisiológicas que acompanham uma atitude.

O componente cognitivo diz respeito a crenças e opiniões através das quais a


atitude é expressam, muito embora nem sempre sejam conscientes.

O componente comportamental diz respeito ao processo mental e físico que


prepara o indivíduo a agir de determinada maneira.
EXEMPLO:
Uma pessoa pode crer que os estudantes universitários são
arrogantes(componente cognitivo), pode sentir-se tensa em face a um estudante
universitário(componente afectivo) e pode recusar-se a dar boleia a um estudante
para ir assistir as suas aulas (componente comportamental).

21
MODELO UNIDIMENSIONAL CLÁSSICO DE ATITUDES

Uma atitude representa a resposta avaliativa (afecto) favorável ou desfavorável,


em relação ao objecto de atitude. Neste âmbito define-se a atitude como sendo
”predisposição apreendida para responder de modo consistentemente favorável ou
desfavorável em relação a dado objecto. Para esta abordagem a atitude em
relação ao aborto, por exemplo seria definida pela resposta afectiva ao aborto.

MODELO REVISTO DE ATITUDES. (Modelo tripartido revisto)


Este modelo integra todas as concepções de atitudes. Começa por definir a atitude
como uma categorização de um objecto-estímulo ao longo de uma dimensão
avaliativa (por ex: aborto - favorável ...desfavorável).
Neste modelo a atitude é por conseguinte um julgamento. Esta avaliação pode-se
basear em três espécies de informação: informação cognitiva, informação afectiva
ou informação baseada no comportamento passado.

CARACTERÍSTICAS DA ATITUDE
Atitude enquanto realidade psicológica possui determinadas características,
oriundas das realidades físicas, onde se ressaltam 4 características :

1- a direcção
2- a intensidade
3- a dimensão
4- a acessibilidade

A DIRECÇÃO designa o nível positivo ou negativo do objecto de atitude, ex. o


sujeito pode sentir atracção ou repulsa

A INTENSIDADE exprime-se pela força da atracção ou da repulsa em relação ao


objecto.

A DIMENSÃO permite-nos apreender se se trata de um objecto complexo e que


não está definido.

A ACESSIBILIDADE – a solidez da Associação entre o objecto, ou seja, a solidez


da Associação entre objecto de atitude e a sua avaliação afectiva.
22
FUNÇÕES PSICOLÓGICAS DAS ATITUDES
Um outro modo de se obter uma compreensão mais aprofundada das atitudes é
perguntar porque é que as pessoas as têm.
As atitudes podem ter três funções:

1 – Ajudar a definir grupos sociais (Racismo - Anti–Racismo)


2 – Ajudar a estabelecer as nossa identidades
3 – Ajudam o nosso comportamento e pensamento

ATITUDES E NOÇÕES CONEXAS


OPINIÕES – Envolvem julgamentos de uma pessoa sobre a probabilidade de
acontecimentos ou relações.

ATITUDES – Conjunto de opiniões estáveis interligados, corresponde a


componente importante de personalidade.

ATITUDES – São afectivas (emoções, sentimentos)


CRENÇAS – São cognitivas (pensamentos, ideias)
VALORES - Os valores têm as seguintes propriedades são crenças gerais de
objectivos e comportamentos desejáveis, envolvem bondade e maldade e têm uma
qualidade de “dever” acerca deles, transcendem atitudes e influenciam a forma que
as atitudes podem assumir, fornecem padrões para avaliar acções, justificar
opiniões e comportamentos, planificar comportamentos, decidir entre diferentes
alternativas e apresentar-se aos outros. Estão organizados em hierarquias para
uma determinada pessoa e a sua importância relativa pode variar ao longo da vida.
Os sistemas de valores variam segundo indivíduos, grupos e culturas.

IDEOLOGIA – representa um sistema integrado de crenças, em geral, com uma


referência social ou política.

As ideologias podem variar segundo duas características:


1- Podem atribuir diferentes prioridades a valores particulares. Numa perspectiva
tradicional é de esperar que pessoas de esquerda e de direita ordem “liberdade
individual” e “segurança nacional” de modo oposto.
2- Há ideologias pluralistas e há outras monistas.
Se uma ideologia pluralista pode alterar um conflito de valores, uma ideologia
monista será bastante intolerante ao conflito, perspectivando as questões em
termos de tudo ou nada.

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FORMAÇÃO DE ATITUDES
As nossas atitudes resultam das diversas experiências vitais. Como tal são
influenciadas pelas pessoas significativas nas nossas vidas e pelos modos como
processamos a informação do mundo.

FONTES DE APRENDIZAGEM
Pais, companheiros, grupos ,meios de comunicação de massa.

COMO SÃO ADQUIRIDAS AS NOVAS ATITUDES?

CONDICIONAMENTO CLÁSSICO
Condicionamento clássico – Princípio básico é quando um estímulo neutro é
emparelhado com um estímulo que naturalmente provoca uma resposta particular
(estímulo incondicional), o estímulo neutro provocará uma resposta semelhante e
então tornar-se-á um estímulo condicionado.
PAVLOV. Cão

O Condicionamento clássico pode ser particularmente potente na formação de


atitudes em relação a coisas quando não se tem muito conhecimento prévio acerca
delas.
É pois possível condicionar as atitudes. Aliás este processo está subjacente nas
mensagens publicitárias que recorreram a bonitas vedetas para realçar as
qualidades de produtos de consumo.

CONDICIONAMENTO OPERANTE

Se os princípios do condicionamento clássico vêem de formação da atitude como


um processo automático de emparalhamento repetido, os princípios do
condicionamento operante enfatizam o papel reforço na formação de atitudes. Ex.
Quando os indivíduos recebem aprovação social na formação de atitudes estas
são reforçadas e em caso contrario as atitudes não serão reforçadas.

24
APRENDIZAGEM SOCIAL

Muitas vezes aprendemos novas respostas e portanto novas atitudes - observando


e imitando os comportamentos modelos.
ex. - através da modelagem, várias crianças, adquirem comportamentos dos seus
pais.
Vários agentes: pais, grupos, instituições, mass-média, etc.

APRENDIZAGEM POR EXPERIÊNCIA DIRECTA

Com o objecto de atitude contribui para a aprendizagem de muitas das nossas


atitudes.

Observação do comportamento
Por vezes os comportamentos podem levar a mudanças de atitudes.
- Os Psicólogos não podem ignorar a influência genética sobre as atitudes.

FORMAÇÃO DE ATITUDES
As nossas atitudes resultam das diversas experiências como tal são influenciadas
pelas pessoas significativas nas nossa vidas e pelo modo como processamos a
informação acerca do mundo que nos rodeia. Vários psicólogos sociais têm
avançado com várias teorias para a formação das atitudes que são elas através do
condicionamento clássico que se baseia no princípio básico que cum estimulo
neutro é emparelhado com um estímulo que naturalmente provoca uma resposta
particular por exemplo quando eu pego na trela do meu cão ele automaticamente
vai para a porta, isto é um estímulo neutro que vai provocar um determinado
comportamento condicionado que é ir para a porta. O condicionamento operante
que é outra forma de atitudes resulta do reforço ou recompensa na formação de
atitudes, por exemplo quando os indivíduos vêm as suas atitudes receber
aprovação social elas são reforçadas , o mesmo se dá com o contrário, atitudes
desaprovadas não serão reforçadas. Aprendizagem social muitas vezes
aprendemos novas atitudes por imitação de comportamento dos outros exemplos,
o caso das crianças que tentam imitar os seus pais. Aprendizagem por experiência
directa.

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MEDIDAS DE ATITUDES
As atitudes podem ser medidas directa ou indirectamente.

Escala de avaliação com um item:

ESCALA DE DISTÂNCIA SOCIAL


Mede as atitudes étnicas. Foi proposta por Emory Bogardus em 1925. A escala
apresenta-se como um quadro de dupla entrada, que tem como abcissa o nome de
diferentes grupos humanos, como ordenada dispõem-se 7 preposições que
caracterizam o tipo de relações que o sujeito gostaria de Ter com pessoas
pertencendo a esses grupos.
Os números colocados à direita indicam o grau de distância social representado
por cada proposição.
Quanto maior for o número, maior é a distância social.

ESCALA DE THURSTONE

Thurstone (1928), defende que há continuum psicológico de afecto ao longo do


qual se podem situar os indivíduos.
Das diversas técnicas de escalas desenvolvidas por Thurstone a que foi mais
utilizada foi a escala de intrevalos aparentemente iguais.
A elaboração desta escala pode ser sintetizada em 8 passos.

1- Obtém-se num determinado número de itens em relação com o objecto da


atitude.
2- Os itens são avaliadas por um conjunto de juizes com características
semelhantes às das pessoas que serviram de sujeitos.
3- Pede-se aos juizes para ordenarem os itens em 11 categorias desde a mais
favorável (1) Neutra (6) mais desfavorável (11).
4- Os itens que são ordenados nas mesmas categorias são retidos, ao passo que
os itens em que há desacordo são banidos.
5- Cada um itens atribui-se um valor da escala correspondendo a mediana da
distribuição das respostas dadas pelos juizes.
6- Retém-se um certo número de proposições.
7- Apresentam-se os itens seleccionados numa ordem aleatória a uma população,
pedindo-se-lhes para escolherem aqueles que concordam.
8- A atitude do sujeito é então determinada pelo cálculo dos valores médios ou
medianos dos valores da escala dos itens escolhidos. Por isso há análise final,
a atitude de um sujeito será representada por um número entre 1 e 11.
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ESCALA DE LIKERT
Conceber um dos métodos que mais influência tem tido na medida de atitudes.

Podemos sintetizar a construção da Escala Likert em 3 etapas:


1 - Conjunto de itens relacionados com vários aspectos de uma atitude são
relacionados pelos investigadores com base na experiência, intuição ou pré-testes.
2 – Os itens são submetidos aos sujeitos a quem se lhes pede para indicarem as
suas opiniões fazendo um circulo à volta de um ponto de uma escala de 5 graus
cujo os extremos são concordo fortemente(5) e discordo fortemente(1).

Exemplo:
Nunca casaria com um imigrante.

Corcordo Concordo Neutro Discordo Discordo


totalmente totalmente
5 4 3 2 1

3 – A atitude de uma pessoa em relação a um objecto é determinada pela soma


das respostas a todos os itens.
A principal vantagem desta escala é que esta constroi-se mais depressa e com
menos gastos que uma escala de Thurstone. A crítica mais frequente à escala de
Likert é de que se os scores de dois indivíduos são iguais, estes devem Ter a
mesma atitude.

ESCALA DE GUTTMAN
Baseia-se no pressuposto de que as opiniões podem ser ordenadas segundo a
sua “FAVORILIDADE” de modo que a concordância com uma dada afirmação
implica concordância com todos os itens que exprimem opiniões mais favoráveis.
A elaboração deste tipo de escala pode-se sintetizar com 3 etapas :
1-Reune-se um grande número de atitudes que se deseja medir.
2-Administra-se o questionário de opiniões a uma população de sujeitos.
3-Efectua-se uma análise das respostas para se determinar se correspondem ao
modelo ideal.

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DIFERENCIADOR SEMÂNTICO

A grande vantagem do diferenciador semântico desenvolvido por Osgood, Suci e


Tannenbaun (1957) propicia a possibilidade de se medirem diferentes atitudes
com a mesma escala. Este diferenciador é uma técnica de medida da significação
psicológica que têm os objectos ou os conceitos para o indivíduo. É a combinação
de um método de associações forçadas, mas controladas e de um procedimento
de escalas permitindo obter a direcção e intensidade do significado do conceito.

Ex:
Bom /---/---/---/---/---/---/---/ Mau
Antipático /---/---/---/---/---/---/---/Simpático
Agradável /---/---/---/---/---/---/---/Desagradável

O diferenciador semântico tem sido utilizado de diversos modos. Um (1)dos seus


usos é para estudar as diferenças sócio-culturais nas atitudes. Um segundo (2) uso
é para estudar as diferenças sexuais e terceiro(3) uso para avaliar o autoconceito.

O diferenciador semântico tem a vantagem de ser fácil de construir e pode ser


utilizado para medir atitudes em relação a toda a espécie de fenómenos, desde
grupos étnicos a partidos politícos, ou até ao controlo de nascimentos. Criticas
falsas a bipolaridades bem como o empobrecimento das conotações suscitadas
pela rigidez das escalas de três dimensões.

MEDIDAS INDIRECTAS

Os questionário são de longe as técnicas de avaliação das atitudes mais


amplamente utilizadas.

As medidas indirectas mais comuns são as técnicas fisiologicas, comportamentais


e projectivas.

FISIOLÓGICAS – Assentam no pressuposto de que o comportamento afectivo das


atitudes produz na reacção fisiológica que pode ser potencialmente medida.

COMPORTAMENTAIS – Assentam na suposição que o comportamento é


consistente com atitudes. Se um sujeito é afável com os imigrantes, por exemplo o
investigador pressume que o sujeito tem uma atitude favorável em relação aos
imigrantes.

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PROJECTIVAS – Pede-se aos sujeitos para descreverem uma figura, contarem
uma história, completarem uma frase ou indicarem como é que alguém reagiria a
essa situação, têm a vantagem de que muitas vezes as pessoas projectam as suas
próprias atitudes nos outros.

A utilização de técnicas indirectas para medir as atitudes reveste-se quer de


vantagens e desvantagens.
Vantagens técnicas são menos susceptíveis de suscitarem respostas socialmente
aceites, a pessoa não conhece a atitude que está a ser medida.
Desvantagens há a referir a dificuldade, em medir a intensidade da atitude e
também podem suscitar problemas éticos. Apesar disto as medidas indirectas são
a única avenida a seguir quando o investigador trabalha sobre assuntos sociais
muito sensíveis.

ATITUDES E COMPORTAMENTOS

RESUMO:
ATITUDE
Poucos conceitos senão mesmo nenhum foram alvo de tanta atenção em
psicologia social como o da atitude, foram feitas muitas tentativas para definir,
medir e utilizar o conceito com o intuito de melhorar a comportamento humano.
Tradicionalmente, as atitudes têm sido definidas como envolvendo crenças,
sentimentos e disposições a agir.
Foram referidas 4 características da atitude:
Direcção (atitude negativa ou positiva) exprime um grau de atracção ou de repulsa
em relação objecto (intensidade), pode ser unidimensional ou multidimensional, a
acessibilidade está associada a força de atitude, quando mais é acessível mais a
latencia da resposta é breve, e mais a atitude é preditora do comportamento.
As atitudes ajudam-nos a definir grupos sociais e estabelecer as nossa identidades
e guiar o nosso pensamento e comportamentos.
Pode-se distinguir as atitudes de crenças que são laços cognitivos entre um
objecto é algum atributo ou características e de valores que envolvem conceitos
mais abstractos, tais como liberdade e felicidade.
A ideologia é uma outra noção conexa.
As atitudes formaram-se através da aprendizagem e são influenciadas pelas
pessoas (grupos) significativos da vida de uma pessoa. O grupo de referência é
um grupo a que o indivíduo aspira pertencer. Os meios de comunicação de massa
também podem contribuir para a formação das atitudes.

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O condicionamento clássico é o processo que toma atitudes pelo emparelhamento
repetido de um conceito neutro com outro, com um colorido social seja ele positivo
ou negativo. As atitudes também são apreendidas através de modelagem e da
aprendizagem observacional. A teoria da autopercepção sugere que as pessoas
inferem muitas vezes as suas atitudes do comportamento.

Existem várias técnicas para medir atitudes. Para além da análise de conteúdo das
comunicações, as técnicas comuns são: auto-avaliação, tais como escalas de
distância social, de intervalos aparentemente iguais, de classificações somadas, do
escolograma e do diferenciador semântico.
Alguns procedimentos alternativos para medir as atitudes foram também
desenvolvidos, que não são técnicas de auto-avaliação , tais como técnicas
fisiológicas, comportamentais e projectivas.
Prever o comportamento a partir de atitudes não é tão simples como se podia
pensar, muito trabalho inicial neste domínio partia da ideia de que se pudesse
conceptualizar e medir as atitudes, poderer-se-ia esperar uma predição quase
perfeita do comportamento. Contudo Várias décadas de investigação empírica
mostraram que a relação é contigente.
As atitudes estão ligadas aos comportamentos, ,mas o estabelecimento desta
relação exige certas condições de foro metodológico. Para dar conta das diversas
variáveis, para além da atitude, que podem influenciar, o comportamento foram
propostos modelos teóricos.
Os grupos a que as pessoas procuram pertencer ou com quem se identificam
constituem um factor importante para a formação e manutenção das atitudes
sociais e políticas. Tais grupos de referência fornecem as pessoas padrões para se
julgarem a elas próprias e ao mundo e são susceptíveis de influenciar decisões
muitas vezes ao longo da vida.

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