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Estudos Linguísticos II

19. Fevereiro. 2013


Programa: Descrição da Gramática das Línguas, ou seja, aspectos gramaticais
estruturantes. Existem três tipos de Linguística:
- Geral, acrónica – que trata a aquisição, funcionamento e concretização das
línguas;
- Histórica, diacrónica – que trata a mudança linguística;
- Descritiva, sincrónica – que descreve a gramática das línguas, tendo em conta
concretizações actuais da língua.

Linguagem, Língua e Linguística – Níveis de Análise e Disciplinas Linguísticas


A Linguagem Humana (universal) concretiza-se socialmente em diversas
manifestações; é uma linguagem fraccionada em vertentes particulares: as línguas,
enquanto instrumentos de comunicação.
Dentro de cada comunidade existem diversos indivíduos que usam a língua.
A aquisição é fácil, é, em parte genética, e em parte socialmente determinada
(através do conctacto com outros falantes).
O que é conhecer uma língua, se a adquirimos sem pensar sobre isso? Os
indivíduos passam a ter uma competência linguística (Chomski).

O que é que podemos dizer que conhecemos das Línguas?


- os sons e as regras da sua organização na língua – Fonologia;
- as palavras, o elenco de itens lexicais da língua – Léxico;
- a estrutura das palavras (ex. fazer e desfazer) – Morfologia;
- a ordenação das palavras na frase – Sintaxe;
- a significação das palavras – Semântica;
- o conhecimento comunicativo ou uso da língua em situação – Pragmática.

Isto são os “capítulos” de uma Gramática do Falante, é o conhecimento


destes diversos aspectos da linguagem. Aqui, o linguista procura descrever e
explicar cada uma das vertentes do conhecimento linguístico.
26. Fevereiro. 2013 – Fonologia
A Fonologia procura depreender a realidade abstracta da língua, em face
da realidade concreta da fala, analisando a estrutura abstracta subjacente aos sons
da fala.
Falamos do nível mais básico da língua, a matéria fónica, tendo em conta a
dicotomia saussureana Língua/Fala – a partir de saussure discerne-se a matéria
que se procura analisar (Língua, Langue) da matéria usada para a analisar (Fala,
Parole). Não falamos de sons da fala mas dos modelos abstractos através dos quais
os realizamos.

Fonética ≠ Fonologia
A Fonética trata do material, enquanto que a fonologia trata do abstracto,
procurando perceber o que está por detrás do material da fala; porém, ambas usam
o mesmo objecto de estudo mas com perspectivas diferentes.

Fonética Fonologia
- sons do domínio da fala (Fones); - sons do domínio da Língua (Fonemas,
que se realizam nos Fones);
- descrição do significante do signo; - descrição do significante em relação
com o significado, apesar dos fonemas
não terem significado;
- a fonética é autónoma, não é uma - a fonologia não prescinde da
disciplina linguística mas auxiliar, fonética.
paralinguística.

Qual é a diferença entre unidades do domínio da língua e unidades do


domínio da fala?
O Fonema é a unidade mínima do sistema fonológico, pode designar-se
como segmento (termo estruturalista da linguística americana chomskiana). São as
unidades mínimas de segunda articulação (conferir Dupla Articulação Linguística,
divisão de um enunciado em unidades menores articuladas, num primeiro plano
significacional – morfemas -, num segundo plano ligado ao significante ou aos sons
– fonemas).

Falamos, portanto, das unidades de Segunda Articulação, os fonemas. Os


fonemas têm uma função opositiva ou distintiva. Para dizer que um som
corresponde a um fone é preciso apresentar dois enunciados que se distingam pela
diferença de um só fonema, atestando, ao mesmo tempo a função opositiva dos
fonemas:
/d/ [‘dadu]
/l/ [‘ladu] – como o resultado tem um significado diferente, têm função
opositiva no português e existem ambos.
Pelo facto da troca de /d/ por /l/ alterar o significado das palavras, fica
atestado que são ambos fonemas do português.

[Não esquecer que o fonema é constituído por um conjunto de traços


distintivos, por exemplo, o /p/ - consoante oclusiva bilabial surda.]

Identificação de fonemas
Podemos produzir o mesmo fonema com realizações diferentes. Para
identificar e distinguir fonemas, a fonologia criou o método fonológico da
comutação. Este método realiza-se através de pares mínimos, pares de
significantes exactamente iguais, com todos os elementos na mesma posição à
excepção de um, como é o caso de dado e lado.
Se do teste da comutação não resultar uma alteração do significado, não
estamos perante dois fonemas mas, perante duas variantes fonéticas, ou alofones,
do mesmo fonema.
Ex: [‘Ratu] e [‘ratu] em que [R] e [r] (velarizado, com diacrítico) são alofones
do fonema [R].
Mesmo caso o significado se perca depois da comutação, continuam a existir
fonemas do português, o que interessa é que a palavra original deixe de se ouvir,
caso de [‘patu] e [‘datu], ex. “Eu vi ali um dato.”

Recorrendo à comutação, identificamos os fonemas do Português,


distinguindo os fonemas das suas variantes.

Tipos de Alofones
Os Alofones podem ter motivações diferentes:
 Contextuais ou combinatórias, determinadas pelo contexto, caso de
[‘ladu] e [cα’nal], sendo o /l/ velariado. Estas motivações têm distribuição
complementar.
[l] e [l] são realizações do fonema [l]
 Livres ou individuais, não determinadas pelo contexto, caso de [‘Ratu] e
[‘ratu], dependentes da vontade do falante ou das suas características
dialectais. Estas motivações têm distribuição equivalente.

Exercícios:
1. Apresente em transcrição fonética três pares mínimos que
permitam identificar as consoantes fricativas fonológicas
do português.
2. Diga, justificando, quais os pares de palavras
exemplificados que são pares mínimos legítimos para a
identificação de fonemas do português e os que não o são.
Pulha e bulha; mesa e terra; mala e mula; era e hera.
3. Indique os fonemas identificados nos pares mínimos
exemplificados.
Copa e capa; pega e peƔa (g fricatizado em contexto
intervocálico); mata e nata; rota e rota (marítima).
4. Apresente dois exemplos de variação alofónica do
português.

A primeira tarefa da fonologia é identificar os sons, e distinguí-los das


suas variantes, com função linguística; a segunda tarefa é a de descrever e
explicar os processos fonológicos, as “interferências” existentes entre os
sons de um enunciado (interinfluência dos sons).
5. Março. 2013 – Processos Fonológicos

Inserção ou Acrescento
O conhecido caso do alentejano que diz “caféi” [kα’fƐi] em vez de [kα’fƐ] é
aquilo a que chamamos de Paragoge. É mais frequente nos dialectos do centro
interior e sul. Denomina-se de prótese, epêntese ou paragoge, dependendo do
lugar onde o fenómeno se verifica numa palavra.
O acento no português costuma ocorrer na segunda sílaba a contar do fim.

Ex. de prótese em “assenta-te”;


De Epêntese em [α’aguα] e [α’jaguα] (norte) e na evolução do termo galinha,
[gαlĩα] e [gαliNa]

Supressão ou Apagamento
Normalmente, tem a ver com a velocidade de locução que tende à omissão
de elementos, acontece com as vogais átonas.

Aférese [zα’bƐl] por [izα’bƐl] <Isabel>


Síncope [‘tλadu] por [tə’λadu] <Telhado>
Apócope [‘tud] por [‘tudu] <tudo>

Muito conhecida é a apocope da marca de acusativo do latim para o


português [rosam -> rosa] e do /t/ na terceira pessoa do singular [erat -> era].

Assimilação ou Identificação
Elementos próximos que se tornam iguais, caso de /k/ oclusiva velar surda e
/g/ oclusiva velar sonora.
Exemplo, do latim <vaka> para o português <vaga>, por assimilação
(progressiva, regressiva ou à distância) da sonoridade das vogais. É o fenómeno em
que um elemento influencia outro, transmitindo-lhe as suas qualidades.

Dissimilação ou Diferenciação
Quando dois elementos semelhantes se tornam opostos. Exemplo de [‘teλa]
(palatal) para [‘tαλa] (central) – dissimilação por centralização da vogal.

Do Latim <rotunda> para o português <redonda> (sonorização); <locusta>


para <lagosta>.

Princípio da economia de Martinet: há tendência para que os


fenómenos se contrabalancem mutuamente.

Metátese ou troca
Altera a estrutura silábica das palavras:

Do Latim <primarium> que evoluiu para o português <primário>, por via culta,
entrada tardia, e para <primeiro>, onde ocorre uma metátese.

Exercícios:
1. Considere a produção da marca de plural no português [S].
Indique as transcrições fonéticas gramaticais e as que não
o são, justificando as suas escolhas.
a. [αS’luvαz]
b. [Sα’pƐwzkõ’florəS]
c. [sαpatuz’altuS]
d. [vəStiduzdə’nojtə]
2. Nas palavras que se seguem, a consoante lateral alveolar
[l] não se encontra transcrita. Sabemos que este segmento
fonológico tem dois alofones possíveis no português cuja
ocorrência depende do contexto em que surge. Preencha
cada espaço em branco com o alofone adequado e diga
que contextos o motivam:
a. <lata>
b. <globo>
c. <selo>
d. <animal>
e. <multa>
f. <polícia>
g. <palco>
h. <flor>
3. Descreva o processo que afecta na coluna 2 as vogais que
são tónicas na coluna 1.
1 2
<roda> [‘Rɔdα] <rodado> [ru’dadu]
<nota> [‘nɔtα] <notado> [nu’tadu]
<porta> [pɔrtα] <portaria> [purtαriα]
<sopa> [‘sopα] <sopinha> [supiNα]
<lodo> [‘lodu] <lodoso> [‘ludosu]
<corpo> [‘korpu] <corporal> [kurpural]

A tarefa da fonologia não é só a de descrever e identificar os sons que têm


função gramatical no português, distinguindo-os dos alofones; mas também os
processos que afectam esses mesmos sons.
O tipo de aspectos que temos vindo a ter em consideração são do domínio
da fonologia, porém, na Escola Generativista surgiu o termo Fonologia
Segmental. As Escolas Estruturalistas discernem fonologia de prosódia, mas a
fonologia generativista também considera a prosódia parte fundamental da
linguística.

Fonologia:
Segmental – sons ou segmentos com função na língua, identificação e
descrição de segmentos e processos fonológicos.
Suprassegmental (ou prosódia) – relativa a aspectos da fala que interagem
com os sons numa sequência fónica (acento, entoação, ritmo e sílaba). Os factos
prosódicos sobrepõem-se aos fonemas e não são segmentáveis. Suprassegmental
são aspectos que se sobrepõem aos fonemas.

Acento – em português assinala a intensidade (no latim assinalava a altura),


produzindo um contraste entre sílabas tónicas e átonas e cria intensidade para com
os fenómenos, as sílabas tónicas numa podem ser suprimidas. É um aspecto
fonético que caracteriza os sons.
A intensidade caracteriza-se por um acréscimo de intensidade, mas também
de duração e altura, uma sílaba tónica é mais intensa, alta e duradoura.
A principal função do acento é culminativa. Não é o acento mas a sua
posição que tem função opositiva, como em <dúvida> e <duvida>, não deixa de
existir acento (ou sílaba tónica).

Entoação – ligação dos acentos nas palavras num enunciado – curva de


entoação. Frases interrogativas têm contorno ascendente, frases declarativas
costumam ter contorno descendente.
Ritmo – interacção do acento com a entoação e as pausas, linearidade,
pausas de “hesitação”. Velocidade de elocução é medida através do número de
sílabas por segundo ou palavras por minuto. Pontuação na escrita representa factos
prosódicos como a entoação (?, !, ?!) e pausas (., , , …, ;)

Sílaba – grupo de sons pronunciados numa só expiração, é intuitiva e


corresponde a expirações diferentes. <mar> [m ar] e <lar> [l ar]

Exercícios
1. Apresente dois exemplos de variação alofónica
no português e justifique a sua escolha.
2. Apresente em transcrição fonética exemplos
que ilustrem os seguintes processos fonológicos do
português:
a. Dentro da palavra, uma fricativa palatal em
final de sílaba é sonora antes de consoante
surda e surda antes de consoante surda;
b. Antes de consoante palatal, a vogal palatal
do português (neste caso semi-fechada),
transforma-se em central ou média semi-
fechada.
12. Março. 2013 – Prosódia, Sílabas, Léxico e Morfologia
Sílaba – de natureza prosódica, situa-se um nível acima dos sons, está entre
sons e palavras, corresponde ao grupo de sons pronunciados numa expiração. Têm
características de natureza rítmica, por exemplo, o número de sílabas de
<Francisco> corresponde ao número de expirações.
A estrutura da sílaba é hierarquizada.

Sílaba

Ataque Rima

Núcleo Coda

- Sílabas abertas – são sílabas sem coda;


- Sílabas fechadas – são sílabas com coda.

- Ataque vazio – sem consoantes [ar]


- Ataque simples – uma consoante [‘mar]
- Ataque complexo – mais que uma consoante [‘pratiku]

- Rima ramificada – com núcleo e coda


- Rima não ramificada – só com núcleo (maioria)

- Núcleo ramificado – com ditongo [‘paw]


- Núcleo não ramificada – com uma vogal [‘pa]

- Coda ramificada – com mais que uma consoante


- Coda não ramificada – com uma consoante

<primogénito>
[pri] – ataque complexo [pr], rima não ramificada, núcleo não ramificado [i]
[mo] – ataque simples [m], rima não ramificada, núcleo não ramificado
(…)

Exercícios
1. A entoação é um facto prosódico que intervém na
gramaticalidade dos enunciados da fala, comente
esta afirmação com exemplos do português.
2. Tendo em conta a estrutura silábica do português,
todas as consoantes desta língua podem ocorrer
em posição de ataque simples? Exemplifique com
transcrições fonéticas de palavras do português.
3. Apresente, com exemplos do português, os vários
tipos de rimas silábicas que podem ocorrer neste
sistema linguístico. Represente em forma de
diagrama em árvore cada um dos tipos de rima
detectados.
4. A posição de cada sílaba impõe restrições fortes de
natureza segmental. Diga, exemplificando, quais as
consoantes mais frequentes nesta posição no
português.
5. Quem conhece apenas o registo escrito do
português é levado a concluir que esta língua
possui consoantes nasais em cada (?). Comente
esta afirmação.

Léxico e Morfologia
Passamos do domínio dos sons para o domínio das palavras. A disciplina
que analisa as palavras de uma língua, tendo em conta a sua estrutura é a
lexicologia – descrição do léxico.
A lexicologia faz o inventário das palavras de uma língua e descreve os
processos de criação de novas palavras.

A Lexicografia (ciência dos dicionários, usa o trabalho da lexicologia) é a


disciplina que estuda as palavras e que se ocupa, especificamente, da criação de
dicionários, léxicos e terminologias.

A Morfologia descreve e analisa a estrutura das palavras, os processos de


variação e formação de palavras (flexão, derivação, composição…)

Palavra ≠ Morfema

Cada palavra é composta por vários morfemas, é a unidade mínima da


primeira articulação linguística.
Enquanto falantes depreendemos de palavras como:
- utilizável
- amável
- espectável
Que o sufixo <ável> lhes dá o significado de “pode ser”, e que este,
conjugado com outros cria um significado.
19. Março. 2013 – Léxico e Morfologia
Sabemos que a lexicologia estuda o conjunto de palavras possíveis e de
recursos disponíveis numa língua para a formação de palavras, bem como a forma
como se relacionam entre si. É como que uma ciência que identifica e estuda as
palavras.

Área de palavras, envolve unidades mais complexas. Semântica é uma área


que atravessa a morfologia e a sintaxe.

Unidades de Primeira Articulação Linguística – Morfemas -


significacionais
Unidades de Segunda Articulação Linguística – Fonemas – opositivos e
distintivos.

É raro que palavra e morfema correspondam na integra (ex. mãe), é


possível, mas é mais canónico que a formação de palavras ocorra pela união de
morfemas.
Os recursos que cada língua tem para enriquecer o seu léxico, que é fluído
e ocorre na vida (individual do falante) e nas línguas (colectivo).
A relação que as palavras têm entre si, sinónimos possíveis (caso
semântico, mas de interesse ao léxico).

A Lexicografia (grafia – escrita) – é a realização de dicionários, léxicos e


terminologias. As teorias de realização de um dicionário vêm sempre “de mãos
dadas”, a lexicografia usa a informação da lexicografia para realizar um dicionário.
Em termos de instrumentos metalinguísticos, Portugal só começou a ter
estes instrumentos a partir do Renascimento, os dicionários só surgem depois do
Iluminismo (século XVIII).

A Morfologia descreve e analisa a estrutura interna das palavras, processos


morfológicos de variação de palavras.

Os falantes que conhecem uma língua conhecem essencialmente duas


coisas:
Palavras – número elevado, alterável, criativo, de constituintes opositivos,
distintivos, morfemáticos e fonéticos.
Regras – número reduzido, adquirido na fase de aquisição linguística, por
volta dos 5, 6 anos já está completo (com excepções), permanecem estáveis.

Teoria do dicionário como “cemitério de palavras”

O falante tem um léxico mental:


- activo – quando conhece e utiliza as palavras;
- passivo – que não utiliza mas compreende.

Entrada Lexical – conhecimento que um falante tem sobre uma palavra:


- significante (forma fónica);
- significado (conteúdo);
- categoria sintáctica (determina posições que pode ocupar numa frase e tipo
de flexão)

Propriedades de Selecção Categorial (regência) – determinam o contexto


sintáctico, ex. amar alguém e gostar de alguém.
Propriedades de Selecção Semântica – determinam as propriedades
semânticas dos elementos no seu contexto. Ex.: assassinar exige um causador com
intenção.
Restrições de Selecção – determinam as restrições semânticas impostas
aos elementos no seu contexto. Ex.: assustar exige um experienciador vivo.

Palavra – unidade com significado que pode coincidir com um morfema ou


com vários

Morfema – signo mínimo, unidade mínima significatiova, pode ter significado
lexical ou gramatical e forma livre ou presa.

Palavras com um morfema são monomorfemáticas; palavras com mais que


um morfema são polimorfemáticas.

Significado
Radical – gat
Afixo de marca de masculino – o
Afixos são morfemas que se juntam a um radical para formar uma
palavra. Podem ser flexionais – quando não alteram o significado – ou
derivacionais – quando levam a um novo significado.

Forma
– radicais são morfemas livres porque podem surgir sozinhos ou
unidos a afixos.
- afixos são morfemas presos porque só podem surgir unidos a
radicais.

Cf. PowerPoints

Flexão e Formação de Palavras


Flexão Nominal – no português as categorias nominais flexionam,
tipicamente em número e género.

Quadro – Número
Singular terminado em vogal ou Singular terminado em consoante,
ditongo excepto –t
Mesa/Mesas Abdómen/abdómenes

Quadro – Género
Vogal ou ditongo Consoante
Aluno/aluna Professor/professora
Inglês/inglesa
Petiz/petiza

Ainda há flexão em grau: aumentativo ou diminutivo (casa, casarão, casinha),


superlativo absoluto sintético (belo, belíssimo)

Flexão Verbal Tempo, Aspecto e Modo


Tempo 1ª, 2ª, 3ª 1ª 2ª, 3ª
Presente do ᴓ
Indicativo
Imperfeito -va -a
Indicativo
Presente -e -a
Conjuntivo
Imperativo ᴓ
Perfeito Indicativo ᴓ
Mais que Perfeito -ra
Indicativo

Am(1) | a(2) | va(3) | m(4)


1) Radical do verbo amar
2) Vogal temática da 1ª Conjugação
3) Tempo, Modo e Aspecto
4) Pessoa e Número

Aspecto – grau de completude da acção, durativo – acção que continua;


perfectivo – acção que já foi terminada.
2. Abril. 2013 – Léxico, Morfologia e Sintaxe

Flexão – não altera a morfologia do radical: gato, gata, gatos, gatas


Derivação – altera a morfologia do radical: alternar (verbo), alternadamente
(advérbio)

Norm(1) + al(2) + mente(3)


1) Radical invariável com significado lexical Base
2) Sufixo
3) Sufixo adicionado à base

Processos de Flexão
Nominal – só flexiona em género e número (masculino ou feminino, singular ou
plural)
Verbal – flexiona em tempo, aspecto (acabado, não acabado, iterativo [repetitivo],
durativo [gerúndio ou perífrase]) e modo.
(ex.: radical + vogal temática + tempo, aspecto e modo + número e pessoa)
Modo é a atitude do sujeito para com as acções a que se refere (indicativo,
apontar factos; conjuntivo, indicar possibilidades). Quando nem toda a informação
do verbo é divisível em morfemas, diz-se que os morfemas estão amalgamados.
Número e Pessoa – na maior parte dos casos é identificável

O léxico está em actualização permanente, dada a fluidez da língua. Existem


unidades que desaparecem como arcaísmos (ledo) ou anacronismos. Dão-se
alterações no significado como amplificações, restrições ou mudanças. E são
criadas palavras através de diferentes processos:
- neologismos – palavras novas;
- estrangeirismos ou empréstimos – palavras que vêem de outras línguas.

Processos Aditivos
Derivação – prefixação – início de palavra;
- sufixação – fim de palavra;
- circunfixação – início e fim, mas só com o termo resultante como
possível.

Composição - justaposição – as duas palavras mantém integridade física e


acentual;
- aglutinação – só a última palavra retém a integridade acentual.
Exemplo de autorretrato que se mantem justaposta devido à acentuação (falsos
prefixos).
- reduplicação – titi, vovó, papá, duplicação de uma sílaba.

Processos Subtractivos
Siglação - sem leitura silábica (PSP);
Acronímia - com leitura silábica (SIDA);
Abreviação - mapa(mundo), metro(politano);
Derivação Regressiva - retirar a marca do infinitivo (tocar passa a toque). Os verbos
costumam ser formados a partir do nome, neste caso acontece o oposto.
Conversão - alteração da classe gramatical da palavra (v. jantar, n. o
jantar; v. comer, n. o comer).
Empréstimo (processo), estrangeirismo (palavra importada)
- jardim, do alemão garten; piza do italiano pizza.
Sintaxe
Estuda a forma como as palavras se combinam para formar unidades de
significado maiores. A unidade máxima de análise da sintaxe é a frase. Na gramática
do falante existe uma componente sintáctica. As frases são combinações livres de
palavas.

i) Joana a bolo comeu.


ii) A escova de dentes sorriu.
iii) A Joana comeu o bolo.
iv) O bolo comeu a Joana.

Gramaticalidade - norma
Aceitabilidade – advém de restrições semânticas.

O conhecimento sintáctico inclui:


- conhecimento das propriedades de cada item lexical (categoria sintática,
selecção categorial, selecção semântica e restrições);
- conhecimento da estrutura da frase.

Estrutura da frase – As palavras organizam-se em grupos numa frase,


grupos esses que constituem unidades sintácticas.

A Joana (1) comeu o bolo. (2) (3)


1) Sujeito – grupo nominal;
2) Predicado – grupo verbal
3) Complemento Directo – grupo nominal dentro do grupo verbal

- estas categorias são determinadas através do método distribucional


(relações sintagmáticas e paradigmáticas);
- duas palavras distribucionalmente equivalentes pertencem à mesma
categoria sintáctica;
- a distribuição de uma palavra é a soma dos contextos sintácticos em que
pode ocorrer.
9. Abril. 2013 – Sintaxe
Sintaxe – nível mais alargado de estruturação linguística. Porém, há que ter
em conta restrições semânticas (a escova de dentes sorriu); compatibilidade
pragmática e contextual (caso dos “cigarros e whiskey” ou entrar no talho e pedir um
café).

A unidade máxima de análise sintáctica é a frase. Chomsky concebe a


gramática como um conhecimento da língua, independentemente do conhecimento
terminológico (substantivos…).

A frase é uma combinação livre de palavras, passível de produção e


compreensão e livre pela característica da criatividade linguística. Com excepção
das frases feitas como “bom dia/tarde”.

Conhecimento Sintáctico – propriedades específicas de cada item lexical,


restrições semânticas; estrutura frásica e reconhecimento da ambiguidade sintáctica
(ou estrutural) – ambiguidade essa que pode ser lexical, tendo em conta a
homonímia e a polissemia ou frásica (cf. Semântica).

Estrutura da Frase – grupos que constituem unidades sintácticas.


Grupo Sintáctico – grupo de palavras que constituem uma unidade
sintáctica;
Categoria Sintáctica- é o que faz concordância com os casos latinos.
Natureza sintáctica e não morfológica, podem ocorrer com o mesmo nome na
morfologia.
São o núcleo dos grupos sintácticos, o verbo para o grupo verbal e o nome
para o grupo nominal.

Método distribucional – método de base estruturalista; duas palavras


pertencem à mesma categoria se puderem ocorrer no mesmo paradigma
(Saussure).

Eixo sintagmático, linear, O cão Comeu o chinelo.


do enunciado, pressupõe
contrastes, relações de
presença…
Eixo Paradigmático – relações de ausência Gato
Leão
Menino
Rato

Distribuição é o conjunto de contextos sintácticos em que uma palavra pode


ocorrer.

Grupo Verbal – grupo sintáctico cujo constituinte principal é um verbo e


funciona como uma unidade sintáctica. Pode ser constituído exclusivamente pelo
verbo ou complexo verbal ou verbo e complexos ou modificadores.
Verbo – classe aberta de palavras que flexiona em tempo, modo, pessoa e
número e constitui o elemento principal do grupo verbal.
Grupo nominal – grupo nucleado no nome e pronomes ou nome que co-
ocorre com complementos, modificadores, determinantes ou quantificadores.
Nome – varia em género, número e grau, flexão; outros aspectos sintácticos.
A morfologia, em conjunto com a sintaxe estuda os elementos que podem
ocorrer uns com os outros em contexto ou distribuição.

1. Mostre que as expressões sublinhadas nas frases


abaixo são distribucionalmente equivalentes:
a. O meu marido arranjou a torradeira;
b. Um amigo da minha filha arranjou a
torradeira;
c. O técnico que eu chamei arranjou a
torradeira.
2. Identifique o item lexical que é núcleo da expressão
sublinhada. Indique a categoria a que esse item
pertence:
a. O conferencista gaguejou;
b. Quando lhe fizeram a pergunta, o
conferencista começou a gaguejar;
c. O conferencista cumprimentou a
assistência;
d. O conferencista distribuiu o texto da
conferência pelo público.
3. Mostre que as expressões anteriormente
sublinhadas são distribucionalmente equivalentes.
Mostre e justifique se as expressões fazem parte
da mesma classe.
4. Considere o seguinte corpus:
a. O João comprou um carro alto.
b. O alto na perna já está a desaparecer.
c. Ela fala alto.
Usando critérios distribucionais, mostre que
as expressões sublinhadas não pertencem
à mesma categoria sintáctica. Indique a que
categoria sintáctica pertence cada uma das
formas.

Constituintes da Frase
Constituinte – palavra ou combinação que funciona como unidade
sintáctica;
Constituinte imediato – constituinte que se combina para formar uma
unidade sintáctica maior. Termo operacional, genérico, significa “aquilo que
constitui”.

Análise de constituintes – determina a estrutura de constituintes da frase.


Representável de diferentes formas esquemáticas, entre os quais o diagrama em
árvore (sendo este o mais simples).
Testes de constituência – identificam os constituintes principais
(constituintes imediatos + expressão com função de predicado) de uma frase.

Teste de Substituição (por pronome pessoal)


Ex. O João comeu o bolo.
O João comeu-o.
Ele comeu-o.

Se o pronome substituir mais que um elemento na frase, aquilo que for


substituído é um grupo.
Teste de Deslocação (clivagem e deslocação à direita)
Ex. Foi o João que comeu o bolo.
Comeu o bolo, o João.

Teste da Coordenação, os elementos são um grupo quando podem ser


coordenados em bloco.
Ex. O João e a Maria comeram o bolo.

Teste da Retoma Anafórica, determina o constituinte com função de


predicado.
Ex. O João comeu o bolo.
E a irmã fez o mesmo. Fez o quê? Comeu o bolo.

Funções Sintácticas
Constituintes desempenham funções sintácticas nas frases a que pertencem.
Termos essenciais: sujeito e predicado.
1. Sujeito – desempenhado pelo constituinte da frase que controla a
concordância verbal.
2. Predicado – função sintáctica desempenhada pelo grupo verbal.

Termos integrantes: complementos directo, indirecto, do nome, do


adjectivo, oblíquo, agente da passiva, nome predicativo do sujeito, predicativo
do complemento directo.
1. Complemento Directo – complemento selecionado pelo verbo, pode ter
diferentes formas.
a. Grupo Nominal – substituível pelo pronome acusativo (-o, -a, -os,
-as);
b. Oração subordinada substantiva – substituível pelo pronome
demonstrativo átono.
(Eu conheço aquela rapariga, conheço-a; Eu percebi o que
disseste, percebi-o)
2. Complemento Indirecto – forma de grupo preposicional e pode ser
substituível pelo pronome pessoal na sua forma dativa (-lhe, -lhes)
3. Complemento do Nome – selecionado por um nome, ou preposicional
ou adjectival.
(A oferta de livros; A caça furtiva)
4. Complemento do Adjectivo – de natureza preposicional.
(Ele está feliz por teres vindo; o Pedro está orgulhoso do filho)

Termos acessórios: modificador e vocativo.


23. Abril.2013 - Sintaxe

Sintaxe – estudo da estrutura das frases, que são as unidades máximas de


análise sintática. A frase surge como uma unidade hierarquizada, dentro da qual
existem grupos, a que chamamos de Sintagmas. Os grupos são definidos pela
intimidade com que as palavras se interligam dentro da frase.

Classes sintáticas – nome, verbo, adjectivo, etc.; subclasses são de


natureza sintática e não morfológica.

Para a análise sintática usa-se o método distribucional, reunindo


elementos distribucionalmente equivalentes (paradigmas) que pertencem à mesma
categoria sintática. A distribuição é a soma de contextos sintáticos em que uma
palavra pode ocorrer.

Categorias sintáticas:
Ex: Grupo Verbal – tem como núcleo o verbo ou complexo verbal, ou o verbo
e os seus modificadores e complementos.

As classes podem ser abertas ou fechadas, sendo que as classes abertas


são susceptíveis a modificações e as fechadas só têm alterações muito restritas.

Constituintes da frase – constituinte é aquele que constitui algo; palavra ou


conjunto que funciona como unidade sintáctica:
Constituinte imediato – constituinte que se combina para formar uma
unidade sintática maior.

Frase

Grupo Nominal Grupo Verbal

Determinante Nome Verbo Complemento


Grupo nominal

Determinante Nome

O João comeu o bolo.

Para verificar estes elementos são necessários testes de constituição:


Teste de Substituição (por pronomes) – reconhece os grupos nominais da
frase:
O João comeu o bolo. = Ele comeu –o.
O João e o bolo são grupos nominais.

Teste de deslocação – um grupo tem obrigatoriamente de ser deslocado na


sua integra:
O João comeu o bolo. = Comeu o bolo, o João.

Teste de Retoma Anafórica – determina o constituinte com função de


predicado:
O João comeu o bolo.
O João comeu o bolo e a irmã fez o mesmo.
Fez o quê? Comeu o bolo.

O bebé comeu a sopa com a colher.


“ e a irmã fez o mesmo.
O que é que o bebé fez? Comeu a sopa com a colher – com a colher é
modificador de frase, agarrado ao verbo.

Felizmente, a Ana saiu mais cedo.


“ e a Joana fez o mesmo.
O que é que a Ana fez? Saiu mais cedo. Neste caso, o modificador não é
pedido pelo grupo verbal.

Funções Sintáticas
Termos essenciais: sujeito e predicado;
Termos integrantes: Complemento Directo, Indirecto, do nome, do adjectivo,
oblíquo, agende da passiva, predicativo do sujeito, predicativo do complemento
directo.
Termos acessórios: modificador e vocativo.

(cf. Powerpoint)
Complemento do nome: de natureza preposicional ou adjectival.
Ex: a oferta de livros às bibliotecas é importante.
A ideia de comprarmos uma casa é boa.
A caça furtiva é crime.

Complemento de adjectivos – complemento selecionado por um adjectivo.


Ex: Ele está feliz por teres vindo.
O Pedro está orgulhoso do filho. – obrigatoriamente preposicionais.

Complementos oblíquos – selecionados por verbo normal / preposicional com


uma das seguintes formas:
- grupo preposicional que não é substituível pelo pronome pessoal na sua
forma dativa (lhe, lhes)
- grupo adverbial
- coordenação de alguma destas formas.
Ex: O João foi a Nova Iorque.
O João gosta de bolos.
O João mora aqui ou em Lisboa?

Complemento Agente da Passiva – numa frase de forma passiva,


corresponde àquele que seria o sujeito da forma activa da frase.
Ex: O ladrão foi apanhado pelo polícia.

Predicativo do Sujeito – pedido por verbos copulativos (ser, estar, parecer,


ficar, permanecer, continuar)

Predicativo do complemento directo – selecionado por um verbo transitivo


predicativo, que predica algo acerca do complemento directo. Pode ser um grupo
nominal, adjectival ou preposicional. Achar, considerar, chamar, julgar, tratar, eleger,
nomear...

Termos Acessórios:
Modificador – constituintes não selecionados por nenhum elemento do grupo
sintáctico de que fazem parte. A sua omissão não afecta a gramaticalidade da frase.

Vocativo

Frase

Grupo Nominal Grupo Verbal

Grupo Grupo
Preposicional Adverbial

Grupo Nominal

Pronome Verbo Prep. Nome Advérbio

Ele Partiu Para Paris Ontem.

Sujeito Predicado C. Obliquo Modificador


Analisar:

1) A mulher gorda meteu a galinha no saco.


2) Felizmente vou ficar em casa hoje.
3) O António deu um ramo de flores à Maria.
4) A oferta de livros às bibliotecas é importante.
5) O miúdo loiro recebeu muitas prendas no seu aniversário.

1. As preposições devem ser separadas pois são contrações:


À: a (prep.) + a (det.)
Às: a (prep.) + as (det.)
No: em (prep.) + o (det.)
2. Os testes de constituição devem ser apresentados.
3. As categorias sintácticas devem ser apresentadas.
30. Abril. 2013 – Sintaxe

Frases Simples (todos analisáveis), Frases Complexas (frases


subordinadas e coordenadas).

Predicação – atribuição de propriedades a entidades ou estabelecimento de


relações entre entidades. Uma frase simples tem só uma predicação; uma frase
complexa tem mais que uma.

São exprimidas diversas atitudes através das frases:


Declarativa (asserção) – O João não vem à festa.
Interrogativa (pedido de informação ou acção) – Abres a janela?
Imperativa (ordem ou desejo) – Come a sopa!
Exclamativa (atitude avaliativa) – Que lindo que é o campo!

Coordenação – conectores de dois tipos: pausas e conjunções


coordenativas.
Ex.: O João foi ao teatro, | a Maria ao cinema. - Assindética
|e - Sindética

Conjunções coordenativas – ao mesmo nível


Copulativas – e, nem, nem… nem, mas… como também…
Adversativa – mas, porém, todavia, contudo…
Disjuntiva – ou, ou… ou, quer… quer…
Conclusiva – logo…

Subordinação – diferenciadas; podem ser substantiva ou adjectiva ou


adverbial. Subordinação substantiva: Surpreende-me que esteja a chover; O Manuel
quer comer bolo; A decisão de invadir um país é difícil; Isto é fácil de fazer.

Subordinadas substantivas completivas – sujeito ou complemento de um


verbo, nome ou adjectivo. Introduzidas pelas conjunções completivas que, se e para.
Subordinadas substantivas relativas – desempenham funções sintácticas
de sujeito, complementos directo, indirecto e oblíquo e de modificadores do grupo
verbal. São introduzidas por pronomes relativos (quem, o quê, onde e quando)
Subordinadas adjectivas – têm sempre a mesma função, de modificador
(restritivas ou apositivas) e podem ser relativas (restritivas ou explicativas) ou
gerúndios.
Subordinadas adverbiais – causais, finais, temporais, concessivas,
condicionais, comparativas ou consecutivas.
7. Maio. 2013 – Semântica
Semântica é transversal a todas as unidades de significado, é o conhecimento do
falante sobre o significado das palavras (lexical) ou das frases (frásica) da sua
língua.

Fará sentido uma semântica lexical coexistir com uma frásica? O caçador
matou o leão. O leão matou o caçador. Estas frases têm significados opostos, isto
demonstra como é pertinente uma semântica frásica, dado que nela intervém
características sintácticas.
O domínio do significado é difícil de descrever; não existe uma concretização
física na linguística, é conceptual. Um falante conhece as suas unidades linguísticas,
quando diz “mesa” implica uma sequência de sons aliada a um determinado
conceito. O número de unidades com significado é potencialmente infinito.

Denotação e Conotação
Denotação – é o uso da palavra no conceito original, dizer que uma camisola
é verde é dizer que a camisola é da cor verde.
Conotação – é o uso da palavra em termos metafóricos.

A axiologia estuda o significado das unidades gramaticais.


Os traços semânticos advém dos morfemas que constituem as palavras, p.
ex. humano, cor, abstracto. A descrição dos significados pode ser feita com base
nestes traços (análise componencial).
Esta análise advém da descrição dos sons na fonologia:
/p/ consoante oclusiva, bilabial, surda

Mulher - + adulto, + humano, - masculino


Homem - + adulto, + humano, + masculino
Rapaz - + adulto, + humano, + masculino

*O João bebeu peixe ao almoço. – não é aceitável semanticamente, apesar


de o ser gramaticalmente, porque a palavra beber pressupõe um objecto que tenha
o traço semântico +líquido.

Relações Semânticas (Lexical)


Sinonímia – relação de equivalência (chefe/patrão)
Sinónimos “perfeitos” são substituíveis paradigmaticamente um pelo
outro, semelhante/similar, barulho/ruído.
Antonímia – relação de oposição
a. Complementar – oposição absoluta ou negação do um
significado (vivo/morto), afirmar um é negar o outro.
b. Gradual – extremos de uma escala contínua de valores
(quente/frio), passível de meios termos
c. Relacional – mesmo conteúdo a partir de perspectivas diferentes
(pai/filho; professor/aluno; patrão/empregado).
d. Direccional – sul/norte; entrar/sair.
Hiponímia/Hiperonímia – funcionam por inclusão (rosa/flor; tigre/animal)
Parte/Todo – não podemos dizer que um é outro por fazer parte do outro
(boca/cara).

Relações Semânticas (Frásicas)


Paráfrase – equivalência. (O cão mordeu a menina, a menina foi mordida
pelo cão)
Contradição – oposição. (O meu irmão é filho único.)
Implicação – dizer um é sinónimo de dizer o outro (Ele ofereceu uma rosa;
ele ofereceu uma flor).
Pressuposição – mais informação é deduzível da frase (Lamento que o
Pedro tenha sido despedido; O Pedro foi despedido; O Pedro tinha um
emprego).
14. Maio. 2013 – Semântica e Pragmática
Semântica – significado como área mais problemática, mais intangível,
complexo, composto por vários significados, categorizável em traços semânticos
através da análise componencial.
- Detecção de anomalias e ambiguidades semânticas;
- Capacidade de criar frases bem formadas, com sentido, que surta efeito
sobre os interlocutores.

Lexical – das palavras, sinonímia, antonímia, hiponímia, hiperonímia,


parte/todo
Frásica – das frases, paráfrase, contradição, implicação,
pressuposição.

Outras relações semânticas:


- por significado;
Campo semântico – palavras que partilham traços semânticos do
hiperónimo. Exemplo: parentesco: pai, mãe, filho, cunhado, prima,
etc.
- por forma fónica ou gráfica;
Homonímia, Homofonia, Homografia – bastante exploradas enquanto
recursos estilísticos.
- por significado tendo em conta a forma fónica.
Mesmo radical ou sufixo derivacional. Exemplo: barco, barquinho,
barqueiro; sapateiro, merceeiro, barbeiro…

Coesão e Coerência
“Hoje comi sumo”, o verbo comer pressupõe um objecto que tenha o traço
semântico +sólido.

Semântica Frásica ou Composicional


Apresenta mais problemas que a semântica lexical. Permite aos falantes
produzir e interpretar combinações livres de palavras (criatividade linguística),
mesmo que nunca as tenha dito ou ouvido.
Princípio da Composicionalidade de Frege (1892), “O significado de uma
expressão linguística é a função do significado dos itens lexicais que a constituem e
da forma como estes estão combinados.” No significado da frase, há que ter em
conta as palavras e a sua ordem. Exemplo: o leão matou o caçador, o caçador
matou o leão. O significado de uma frase que descreve uma determinada situação é
uma proposição.

Frase – estrutura linguística organizada de determinada forma,


gramaticalmente correcta. Uma frase pode ter duas proposições diferentes, isto
acontece devido a ambiguidades.
Enunciado – estrutura realizada fisicamente pelo falante.

Relações Semânticas ao nível da frase


Paráfrase – por equivalência;
Contradição – por oposição;
Implicação (estrita);
Pressuposição.

Propriedades Semânticas:
Anomalia Semântica – violação das propriedades de selecção semântica e
de restrição das palavras;
Ambiguidade – quando o enunciado apresenta mais do que uma
interpretação possível;
Vagueza – quando a interpretação do enunciado é imprecisa;
Indexicalidade ou deixis – expressões que apontam directamente para o
contexto.

Exemplos:
1. A pedra é solidária. – Anomalia;
2. O professor não corrigiu um único teste. –
Ambiguidade (ou não corrigiu nenhum ou só não
corrigiu um único);
3. A Maria comeu peixe ao almoço. – Vagueza;
4. Eu trabalho aqui. – Indexicalidade.

Atribuir significado a uma frase envolve determinar referência (condições em


que é verdadeira) e sentido (conteúdo informativo).

Denotação Conotação

Saussureano Significado Sentido Uso, Wittgenstein

Literal Metafórico

Semiótica Semântica Pragmática Filosofia

Pragmática – domínio em que o


contexto interfere no significado,
complementa a semântica.
21. Maio. 2013 – Pragmática
Pragmática – estuda o significado em relação com a semântica. Esta relação é
semelhante à relação entre fonética e fonologia.

Na Semântica o significado (denotativo) é estudado independentemente do


contexto, na Pragmática o contexto interfere na construção do sentido (conotativo).

Porém, sabemos que o uso que os falantes fazem da língua é sempre em


contexto (formal, oral, escrito, informal…). Contexto de Enunciação é aquilo que nos
rodeia, que interfere na construção de sentidos; o significado é alterável, maleável.
Ex.: Que bonito serviço fizeste no quarto. / Que bela nota tiraste.- no contexto
em que o aluno tirou 3, passa a ter um uso irónico.

Influência do contexto – surge muito tarde nos Estudos Linguísticos.

Competência Linguística – conhecer signos e regras de uma dada língua;


Competência Pragmática/Comunicativa – conhecer regras sociais, culturais e
psicológicas que condicionam a produção e recepção de enunciados.

Não basta saber ou conhecer as palavras e regras de construção sintácticas,


mas também as regras sociais, culturais e psicológicas que condicionam o conteúdo
e a recepção do mesmo. É por isso que quando se ensinam línguas também se
ensinam as culturas das línguas, podia acontecer que alguém aprendesse uma
língua da Índia e pedisse um bife de vaca; ou entrar num talho e pedir café.

O Significado da Frase é diferente do Significado do Enunciado.


Dito – significado literal da frase.
Ex. Que belo trabalho! – Mãe a elogiar um filho, atitude avaliativa
positiva.
Comunicado – significado que depende da intenção do falante no acto da
enunciação. Ex.: Que belo trabalho! – Mãe a repreender um filho, atitude avaliativa
negativa.

Pragmática Ilocutória – dimensão accional da linguagem.


As línguas têm uma dimensão acional. É estudada a constatação de que a
linguagem humana não serve só para dizer mas também para fazer.

John Austin – How to do Things with Words


Enunciados Constativos – constatam estados de coisas, ex.: Está sol.
Enunciados Performativos – executam acções, ex.: Estás despedido,
Declaro-vos marido e mulher…
Mais tarde, Austin apercebe-se que todos os enunciados realizam acções,
explícita (performativos explícitos) ou implicitamente (performativos primários). E
assim propôs a teoria dos actos de fala. Todos os enunciados concretizam:
Actos Locutórios – dizer;
Actos Ilocutórios – fazer;
Efeito Perlocutório – resulta do acto ilocutório.

John Searle aprofunda a teoria de Austin. Tipologia dos actos ilocutórios:


Assertivos / Representativos – constatações, declarações;
Directivos – levar alguém a realizar algo;
Compromissivos – acção é compromisso para com outro;
Expressivos – expressão de sentimentos;
Declarativos – actos performativos, declarar, alterar o estado das coisas
(capacidade prevaricativa); e Declarativos Assertivos – semelhantes às declarações
mas partem de uma verificação prévia de uma verdade, ex.: Juíz que diz “Declaro-te
culpado” (pessoais, impessoais, institucionais).

Pragmática Conversacional – relação entre falantes.


Aspectos relativos à troca comunicativa. O que é pressuposto de uma frase,
o que é implícito.
Grice – princípio de cooperação: “Faz com que a tua contribuição discursiva
surja no momento oportuno e seja eficaz.”

Princípio da cooperação, quatro máximas conversacionais:


 Quantidade – suficientemente informativa;
 Qualidade – dizer o que consideramos verdadeiro;
 Relação, relevância – ser relevante;
 Modo – ser perspícuo, evitar a obscuridade, ambiguidade, ser breve e
metódico.

Pragmática Indexical – coordenadas da enunciação.


Ancoragem dos enunciados ao contexto, expressões linguísticas cuja
referência varia em função do contexto, os deícticos.
 Pessoais – quem? – pronomes pessoais, possessivos e flexão verbal
em pessoa.
 Espaciais – onde? – advérbios e locuções adverbiais de espaço e
pronomes demonstrativos.
 Temporais – advérbios, locuções adverbiais de tempo e flexão verbal
em tempo.
Os deícticos não podem ser estudados na semântica porque não têm uma
forma denotativa. Ex.: “Eu” é quem diz “eu” – tem tantos significados quanto usos.
22. Maio. 2013 – Revisões

1. Fonologia
2. Morfologia
3. Léxico
4. Sintaxe
5. Semântica
6. Pragmática

1. Fonologia
Há que ter em conta que a fonética não é uma área linguística mas
paralinguística. É através da fala que se estuda a língua.
Utiliza-se o método comutativo para atestar que os fonemas fazem parte da
língua. Instrumento da fonologia, cuja primeira tarefa é identificar os fonemas de
uma língua. Através de pares mínimos, pares de significantes com significados
diferentes, compostos por todos os fones na mesma posição relativa, à excepção de
um. Ex.: [‘patu], [‘batu]

< > - forma gráfica


[ ] – fones
/ / - sons da língua/fonemas
/p/ ~ /b/ - pares mínimos

Os fonemas têm função opositiva ou distintiva, a troca de um por outro altera


o significado. Se o significado não se altera, estamos perante variantes fonéticas ou
alofones do mesmo fonema.
[‘Ratu] e [‘ratu]
/R/ - vibrante velar
/r/ (com diacrítico) – vibrante velar múltipla (som de rrrrr)

[R] e [r] são alofones da consoante vibrante velar [R]

[d] e [d]
[l] e [l]
[g] e [Y]
[R] e [r]

Os alofones são classificáveis:


- contextuais, exemplo de [‘dadu] em que é obrigatório usar entre duas
vogais; - livres – se o falante puder usar uma e outra no mesmo contexto.

Variação alofónica da marca de plural:


/s/ - /S/, /Ʒ/ e /z/

<As portas dos armários são brancas.>


[αS’portαƷduzαr’mariuSsαᾄw’brᾄkαS]

S em final absoluto ou antes de consoante surda


Ʒ antes de consoante sonora
z antes de vogal

Estrutura Interna das Sílabas


Sílaba – Ataque e Rima – Núcleo e Coda
Ataque é consonântico
Núcleo é indispensável, só uma vogal ou ditongo
Coda é consonântica, elemento marginal da sílaba, dispensável.

2. Morfologia
Estuda a estrutura e os processos de formação de palavras.
Forma nominal, adjectiva ou adverbial
(afixo, prefixo) + radical + marcas de flexão em género, número e grau

Forma verbal
Radical + vogal temática + tempo, modo e aspecto + número e pessoa

AM (1)|A(2) |VA(3)|M(4)
1) Radical
2) Vogal temática
3) Tempo, modo e aspecto
4) Número e pessoa

Significado (lexical, tem referente; gramatical, elemento gramatical) e forma


(livres, ocorrem sozinhos ou com marcas de flexão; presos, só ocorrem com outros.
Regra geral são afixos)

5. Semântica
Análise componencial – traços semânticos, subjectividade, aproximações
razoáveis
Relações semânticas – sinonímia, homonímia, antonímia direcional …
Semântica lexical ≠ Semântica frásica

6. Pragmática
Dimensão acional da linguagem, dizer é fazer, actos ilocutórios, locutórios e
efeito perlocutório.

4. Sintaxe
Noções de nome, preposição, conjunção…
Recurso ao dicionário terminológico, resultado da TLEBS.
Estrutura da frase, olhar linguístico.
Constituinte e constituinte imediato.
Frase está longe de ser um conjunto de elementos ligados linearmente, antes
disso, são grupos que se interligam na construção significacional.

Retoma Anafórica
Substituição
Deslocação
Coordenação

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