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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO PARANÁ

CAMPUS DE PARANAVAÍ
DEPARTAMENTO DE DIREITO

Aluno (a): Eduarda Arruda Schons RA: 6052021014043


Professor: Elias Junior
Data:
Avaliação 3º Bimestre - Moral e Ética

1) Como podemos definir a construção da consciência moral?

Segundo Habermas, “ o desenvolvimento moral é parte do desenvolvimento da


personalidade, o qual, por sua vez, é decisivo para a identidade do Eu”. dessa
forma, a construção da moral pode ser visualizada de três formas: capacidade de
conhecimento, linguagem e ação. A construção dessa moral integra as dimensões
sociocognitivas, motivacionais e culturais presentes nas ações morais.
Essa identidade do Eu, não é somente uma organização de processos naturais de
amadurecimento, estado muito vinculada com aspectos culturais e sociais, que faz
parte de processos formativos que possibilita o alcance de soluções adequadas
para os problemas de convívio social, existentes nas diferentes culturas, sob a
perspectiva da sua própria história. Além do mais, essa formação se dá por meio da
aprendizagem, nas relações do organismo com o meio, estruturas externas se
transformam em internas, não somente em uma compreensão de como ela é, mas
como ela gostaria de ser. Conforme seu desenvolvimento, as resoluções dos
problemas tornam-se dependentes das determinações sociais e culturais, não
somente por seus impulsos.
O Processo de construção moral, abrange o conceito de consciência moral, ou seja,
é um componente constitutivo do agir moral, um aspecto reflexivo, em síntese,
significa que a consciência moral exerce uma avaliação dos nossos atos, uma
espécie de julgamento, abre um espaço de questionamentos, contradições, adesões
e lutas, no qual aspectos motivacionais, cognitivos e culturais, tendem a se
fragmentar e se reconstruir em justificativas e argumentações, que orientam as
ações e decisões morais. Sendo assim, a consciência moral é uma dimensão
constitutiva da identidade do Eu, ou seja, é essa mesma com sua relação com as
normas e os valores da cultura na qual o indivíduo está vivendo, essas além de
depender de seus processos culturais históricos, cabe seus condicionamentos
econômicos, assim como seu processo de aprendizagem.

2) Por que é necessário a compreensão da moralidade, da imoralidade e


amoralidade para apresentarmos uma crítica sobre o comportamento
humano?
Inicialmente podemos definir a moral como o agir conforme os valores da sua
organização sem prejudicar os outros; o imoral como uma atitude que vai contra as
normas e valores da sociedade que prejudica os outros; e amoral quando se trata
de uma atitude neutra, não é positiva e nem negativa.

3) Qual a contribuição de Freud para fazermos uma leitura sobre as ações do


indivíduo?

O principal objetivo de Freud era desvendar a gênese da consciência moral e dos


sentimentos éticos nos indivíduos e em toda a sociedade, tais sentimentos não
seriam naturais ou inerentes ao espírito humano, como designado por outros
filósofos, mas são criados a partir da convivência em sociedade e são justificadas a
partir da necessidade de domínio das forças da natureza e da agressividade
humana, sendo um regulador entre os homens. Segundo Freud, o desenvolvimento
da moralidade no indivíduo remontaria o desenvolvimento da moralidade na espécie
humana, na qual é expresso por meio do mito do pai primevo, na qual tende a
sustentar a ideia que a civilização e a neurose têm a mesma origem, a saber, a
renúncia pulsional.
Freud acredita que por meio da psicanálise possa ser esclarecido a origem e as
formas de manutenção da ética por meio de Eros (amor) e Ananke (necessidade),
em que a necessidade é a origem e o amor a principal forma de manutenção da
ética. Porém, de acordo com Freud, os indivíduos só seriam capazes de aderir às
normas éticas e de viver em uma civilização por contarem com um aparelho
psíquico capaz de organizar as pulsões que devem ser abandonadas, em busca de
oferecer outros destinos possíveis.
O superego, proposto por Freud, representa a moral social no indivíduo como
aquele que, baseado em um ideal de ego vigia e censura o ego, é constituído por
meio das exigências da realidade e das interdições parentais, sendo um
representante da realidade externa, assim como do id. O que é introjetado por
ocasião da formação do superego não é apenas a autoridade de onde provém a
proibição, nem apenas o impulso libidinal que foi proibido: há a introjeção do conflito
como um todo, tanto da proibição quanto do desejo.
Por fim, para Freud, ao mesmo tempo em que o superego foi desenvolvido e
articulado com a questão da consciência moral e a convivência em sociedade,
também ganhou importância na etiologia e no tratamento das neuroses.

4) Apresente uma definição sobre a ética e sua função.


Ética, vem do grego ethos e significa caráter, comportamento, nesse sentido seu
estudo tem como escolpo a sociedade e seu comportamento. As reflexões sobre a
Ética se iniciaram na antiguidade, Demócrito e Aristóteles o trataram como um meio
de alcançar a felicidade, depois com a introdução do cristianismo como religião
“dominadora” no ocidente, a ética passou a ser interpretada a partir dos
mandamentos documentados nas leis sagradas.
O pensamento ético tende a julgar o comportamento humano, direcionando ao que
é certo e o que é errado, justo e injusto, ou seja, a busca pela ética se traduz pelas
escolhas que o homem faz, se optar pelas opções certas, irá levá-lo a um caminho
de virtude, verdade e às relações justas.
Dessa forma, podemos concluir que a ética tem como função manter a ordem
social, e embora não mantenha relação direta com a lei, a ética é construída ao
longo da história, com base nos valores e princípios morais de determinada
sociedade, dessa forma, os códigos éticos visam proteger a sociedade das
injustiças e do desrespeito em toda e qualquer esfera social.

5) Por que a moral e a ética devem caminhar juntas?

A Ética, se trata de um aspecto moral e se define conforme a sociedade, já a moral,


trata-se do próprio comportamento humano. Dessa forma, sim, podemos concluir
que mesmo que não signifiquem a mesma coisa, elas andam juntas.
Dessa forma, afirma-se que a moral vem se constituindo historicamente, mudando
no decorrer da própria evolução do homem em sociedade, na qual seus hábitos e
costumes são constituídos por esta relação social, em que a essência humana é
pautada por estes princípios morais, e que constituem o ser social que somos. E a
ética assim chega para somente regular e analisar estes preceitos morais.
Em síntese, a finalidade da ética e da moral é muito semelhante, sendo ambas
responsáveis por construir as bases que irão guiar a conduta do homem,
determinando o seu caráter, altruísmo e virtudes, e por ensinar a melhor forma de
agir e se comportar em sociedade.

6) Qual a concepção de Kant, Marx e Nietzsche em se tratando da moral?


Kant aborda a moral com base na razão, a identidade das pessoas é que molda
uma identidade social, com base no respeito e de nos colocar no lugar do outro,
assim como a ação dessas outras pessoas atingem na nossa, o que faz com que
nossos comportamentos regem uma lei universal. O que caracteriza a moral para
Kant é o princípio da formalidade, em que o que interessa é a deferência à lei moral
de determinada sociedade, e não a própria vontade do indivíduo, assim, a moral
seria o princípio universal e fundamental, que a partir dele que tomamos nossas
ações. Dessa forma, a moral seria o que regula e determina o comportamento dos
indivíduos, conduzindo-os a agir conforme as normas jurídicas que são instituídas
pela própria sociedade na qual fazem parte. Cada indivíduo tem sua própria moral,
mas de acordo com determinada regulação social.
Para Marx, a moral surge a partir de uma análise da realidade, e de uma abordagem
metodológica do materialismo histórico já que pode-se afirmar que o homem
mantém suas relações em sociedade para a sua sobrevivência, que com o decorrer
do tempo vai se moldando. Logo, a forma que os indivíduos vão agir no mundo
depende da condição de vida material,

Nietzsche defende uma concepção diferente e peculiar sobre a moralidade, pois sua
visão trágica imoralista tende a romper com a moral ocidental e por isso denuncia a
moral cristã. O diagnóstico sobre a moral é que esta busca se pautar na moral de
determinada época e cultura, com raízes históricas, psicológicas e sociais. Dessa
forma, Nietzsche traz uma nova forma de pensar a moral, visto que essa atribui ao
ser humano a responsabilidade das decisões e criações, assim, sua genealogia tem
uma tarefa titânica, que reside em denunciar a moral e revelar as raízes históricas,
psicológicas e sociais.

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