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Cidadania moral e ética Direção de Arte
7o ano do Ensino Fundamental Elto Koltz

Armando Moraes Direitos reservados à


Maria Soledade da Costa Distribuidora de Edições Pedagógicas Ltda.
Rua Joana Francisca de Azevedo, 142 – Mustardinha
Editor Recife – Pernambuco – CEP: 50760-310
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modificações com o novo Acordo Ortográfico.

ISBN: 978-85-7797-737-6
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e
Lei no 9.610, de 19 de fevereiro de 1998.

Impresso no Brasil

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Introdução

Apesar de, por vezes, serem tratadas como sinônimos, Para que esse primeiro passo em direção à formação
as palavras moral e a ética têm sentidos diferentes, e de um cidadão ativo e consciente seja dado, é impor-
é de extrema importância que a consciência de cada tante que apresentemos um panorama histórico sobre a
um desses conceitos faça parte da formação dos estu- concepção moral de cada época e cultura, como marca
dantes, desde o Ensino Fundamental. É por meio dessa das várias sociedades existentes. A evolução social é um
compreensão que os alunos terão, talvez, o primeiro fator determinante para aguçar a percepção dos alunos
contato com a noção de responsabilidade social que sobre a inconstância do conceito, trazendo, dessa for-
cada cidadão possui por direito e dever. ma, a ideia de que podemos e devemos questioná-lo,
Essa introdução às problemáticas sociais tem a função com o intuito de estabelecer uma sociedade harmonio-
de trazer à percepção do aluno o seu papel de agen- sa para todos os cidadãos.
te social. Por isso, é muito importante que, para que Explicar que, em certas épocas, a existência da escra-
essa consciência social seja plenamente desenvolvida, vidão sequer era discutida sob o viés da ética; o feminis-
a discussão sobre a moral e a ética seja alimentada em mo não era uma causa válida, já que era perfeitamente
sala de aula, sempre incentivando o aluno a colocar o natural haver desigualdade de gênero; e práticas de
seu ponto de vista como elemento fundamental para a tortura eram consideradas um procedimento de corre-
construção do conhecimento. É preciso, também, que ção, por exemplo, nos dá a dimensão do desafio que é
os debates se apoiem em situações reais, onde o estu- a prática educacional dos conceitos de moral e ética.
dante deverá refletir sobre a sua prática social cotidiana. Esses assuntos precisam ser revistos e reavaliados cons-
Assim, buscamos desenvolver a sua autonomia ética, tantemente, de modo a abarcar, refletir e posicionar-se
seu potencial para avaliar as suas atitudes sob uma vi- a respeito dos valores contemporâneos.
são consciente da moral.
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Manual do Educador – 7o ano III

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Agência Brasil
Esses objetivos estão colocados no Programa Ética e
Cidadania, módulo voltado para a formação dos pro-
fessores, planejado pelo Ministério da Educação. Para
que essas ações sejam amplamente executadas, é ne-
cessário compreendermos melhor a expressão valores
desejados.
Quando falamos dessas normas, estamos nos refe-
rindo ao núcleo moral de uma sociedade, isto é, aos
valores escolhidos para mediar o convívio entre os in-
divíduos integrantes dessa sociedade. Assim, o ensino
de Cidadania Moral e Ética não está inserido em uma
perspectiva de relativismo moral ou liberdade absoluta
para seguir valores individuais. Isso porque, para que a
sociedade democrática possa funcionar, é fundamental
que exista um consenso, um conjunto mínimo de valo-
res regentes. Alguns desses valores estão explicitados,
como tópicos da Constituição, e devem ser tomados
como referência em sala de aula.

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Assim, em meio à fluidez de conceitos e visões, a obri-
gatoriedade da disciplina Cidadania Moral e Ética repre-
senta um grande salto pedagógico. Isso faz com que
a escola e os professores deixem de trabalhar apenas
indiretamente ou de maneira difusa as dimensões da
moral e da ética e passem a articular o que tem sido
chamado de valores universalmente desejáveis, ba-
seados na Declaração Universal dos Direitos Humanos
e, mais especificamente, na Constituição da República
Federativa do Brasil, promulgada em 1988.
A partir desses valores, você, professor, deve praticar
suas ações pedagógicas no sentido de:
• Compreender os fundamentos da ética e da mora-
lidade e como seus princípios e normas podem ser
trabalhados no cotidiano das escolas e da comuni-
dade.
• Compreender e introduzir no dia a dia das escolas o
trabalho sistemático e intencional sobre valores de-
sejados por nossa sociedade.

IV Cidadania Moral e Ética

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A República Federativa do Brasil tem como funda- Art. 5o


mentos: Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qual-
quer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos es-
Art. 1o trangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito
I - A soberania. à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à pro-
II – A cidadania. priedade [...].
III – A dignidade da pessoa humana.
I – Homens e mulheres são iguais em direitos e obri-
IV – Os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa.
gações, nos termos desta Constituição.
V – O pluralismo político.
II – Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer
alguma coisa se não em virtude da lei.
No que se refere aos seus objetivos enquanto Repú-
III – Ninguém será submetido a tortura nem a trata-
blica Federativa, a Constituição enumera os seguintes
mento desumano ou degradante.
propósitos:
IV – É livre a manifestação do pensamento, sendo ve-
dado o anonimato.
Art. 3o
VI – É inviolável a liberdade de consciência e de cren-
I – Construir uma sociedade livre, justa e solidária.
ça, sendo as segurado o livre exercício dos cultos reli-
II – Garantir o desenvolvimento nacional.
giosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos lo-
III – Erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir
cais de culto e a suas liturgias.
as desigualdades sociais e regionais.
VIII – Ninguém será privado de direitos por motivo de
IV – Promover o bem de todos, sem preconceitos de
crença religiosa ou de convicção filosófica ou política,
origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas
salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a
de discriminação.
todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alterna-
tiva, fixada em lei.
Quanto a alguns dos direitos individuais listados na
IX – É livre a expressão da atividade intelectual, artísti-
Constituição, destacamos que:
ca, científica e de comunicação, independentemente de
censura ou licença.

Manual do Educador – 7o ano V

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Esses valores nos dão uma ideia do núcleo moral pre- ver o respeito a esses direitos e essas liberdades e, pela
sente em nossa sociedade, o que nos impede de viver adoção de medidas progressivas de caráter nacional e
em estado de anomia — ausência de valores que re- internacional, por assegurar o seu reconhecimento e
gem a sociedade, ficando a cargo de cada indivíduo o a sua observância universais e efetivos, tanto entre os
estabelecimento de suas condutas morais e éticas. Com povos dos próprios Estados-Membros quanto entre os
a anomia, a democracia torna-se impraticável, dado a povos dos territórios sob sua jurisdição.
falta de organização e entendimento mínimo entre os
integrantes da coletividade.
Podemos pensar que, em um regime democrático,
que valoriza e incentiva preceitos como liberdade e
diversidade, é contraditório que haja um conjunto de
valores a ser seguido por todos. Acontece, porém, que
alguns entendem que a expressão de liberdade é, na
verdade, a afirmação da inferioridade (étnica, social, ra-
cial ou de gênero) de outro indivíduo, que, por sua vez,
tem a liberdade subjugada. É por isso — para que todos
os integrantes sociais possam usufruir da mesma liber-
dade e dos mesmos direitos sem pôr em risco o direito
alheio — que um conjunto de valores se faz necessário.
E é neste sentido que a matéria de Cidadania Moral e
Ética torna-se fundamental: para apresentar e estabele-
cer fronteiras morais e éticas que garantam a convivên-
cia harmoniosa e o fortalecimento do nosso país.
Os itens que vimos anteriormente acerca dos valores
que regem o Brasil pretendem, por sua vez, alinhar-se
à Declaração Universal dos Direitos Humanos. Essa de-
claração foi proclamada em 1948 pela Organização das
Nações Unidas (ONU) — organização internacional for-
mada por vários países com o objetivo de trabalhar pela
paz e pelo desenvolvimento mundial. Vejamos:

“A Assembleia Geral proclama a presente Declaração


Universal dos Diretos Humanos como o ideal comum
a ser atingido por todos os povos e todas as nações,
com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da
sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se
esforce, através do ensino e da educação, por promo-
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VI Cidadania Moral e Ética

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Artigo I Artigo V
Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade Ninguém será submetido a tortura nem a tratamento
e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem ou castigo cruel, desumano ou degradante.
agir em relação umas às ou- tras com espírito de frater-
nidade. Artigo VI
Toda pessoa tem o direito de ser, em todos os lugares,
Artigo II reconhecida como pessoa perante a lei.
Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos
e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem Artigo VII
distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qual-
língua, religião, opinião política ou de outra nature- quer distinção, a igual proteção da lei. Todos têm direito
za, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou a igual proteção contra qualquer discriminação que vio-
qualquer outra condição. le a presente Declaração e contra qualquer incitamento
a tal discriminação.
Artigo III
Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segu- Artigo VIII
rança pessoal. Toda pessoa tem direito a receber dos tributos na-
cionais competentes remédio efetivo para os atos que
Artigo IV violem os direitos fundamentais que lhe sejam reconhe-
Ninguém será mantido em escravidão ou servidão. A cidos pela constituição ou pela lei.
escravidão e o tráfico de escravos serão proibidos em
todas as suas formas.
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Manual do Educador – 7o ano VII

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Artigo IX omissão que, no momento, não constituíam delito


Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exi- perante o direito nacional ou internacional. Tam-
lado. pouco será imposta pena mais forte do que aquela
que, no momento da prática, era aplicável ao ato
Artigo X delituoso.
Toda pessoa tem direito, em plena igualdade, a uma
audiência justa e pública por parte de um tribunal in- Artigo XII
dependente e imparcial, para decidir de seus direitos e Ninguém será sujeito a interferências na sua vida pri-
deveres ou do fundamento de qualquer acusação cri- vada, na sua família, no seu lar ou na sua correspon-
minal contra ela. dência, nem a ataques à sua honra e reputação. Toda
pessoa tem direito à proteção da lei contra tais interfe-
Artigo XI rências ou ataques.
1. Toda pessoa acusada de um ato delituoso tem o di-
reito de ser presumida inocente até que a sua culpa- Artigo XIII
bilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em 1. Toda pessoa tem direito à liberdade de locomoção
julgamento público, no qual lhe tenham sido asse- e residência dentro das fronteiras de cada Estado.
guradas todas as garantias necessárias à sua defesa. 2. Toda pessoa tem o direito de deixar qualquer país,
2. Ninguém poderá ser culpado por qualquer ação ou inclusive o próprio, e a este regressar.

VIII Cidadania Moral e Ética

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Artigo XIV sociedade com outros.
1. Toda pessoa, vítima de perseguição, tem o direito 2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua pro-
de procurar e de gozar asilo em outros países. priedade.
2. Esse direito não pode ser invocado em caso de per-
seguição legitimamente motivada por crimes de di- Artigo XVIII
reito comum ou por atos contrários aos propósitos Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento,
e princípios das Nações Unidas. consciência e religião; este direito inclui a liberdade de
mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar
Artigo XV essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo
1. Toda pessoa tem direito a uma nacionalidade. culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em
2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua nacio- público ou em particular.
nalidade nem do direito de mudar de nacionalidade.
Artigo XIX
Artigo XVI Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e ex-
1. Os homens e mulheres de maior idade, sem qual- pressão; este direito inclui a liberdade de, sem interfe-
quer restrição de raça, nacionalidade ou religião, rência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir
têm o direito de contrair matrimônio e fundar uma informações e ideias por quaisquer meios e indepen-
família. Gozam de iguais direitos em relação ao ca- dentemente de fronteiras.
samento, sua duração e sua dissolução.
2. O casamento não será válido senão com o livre e Artigo XX
pleno consentimento dos nubentes. 1. Toda pessoa tem direito à liberdade de reunião e
associação pacíficas.
Artigo XVII 2. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma
1. Toda pessoa tem direito à propriedade, só ou em associação.
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IX

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Artigo XXI Artigo XXIII
1. Toda pessoa tem o direito de tomar parte no gover- 1. Toda pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha
no de seu país, diretamente ou por intermédio de de emprego, a condições justas e favoráveis de tra-
representantes livremente escolhidos. balho e à proteção contra o desemprego.
2. Toda pessoa tem igual direito de acesso ao serviço 2. Toda pessoa, sem qualquer distinção, tem direito a
público do seu país. igual remuneração por igual trabalho.
3. A vontade do povo será a base da autoridade do 3. Toda pessoa que trabalhe tem direito a uma remu-
governo; esta vontade será expressa em eleições pe- neração justa e satisfatória, que lhe assegure, assim
riódicas e legítimas, por sufrágio universal, por voto como à sua família, uma existência compatível com
secreto ou processo equivalente que assegure a li- a dignidade humana, e a que se acrescentarão, se
berdade de voto. necessário, outros meios de proteção social.
4. Toda pessoa tem direito a organizar sindicatos e ne-
Artigo XXII les ingressar para proteção de seus interesses.
Toda pessoa, como membro da sociedade, tem direito
à segurança social e à realização, pelo esforço nacional, Artigo XXIV
pela cooperação internacional e de acordo com a orga- Toda pessoa tem direito a repouso e lazer, inclusive a
nização e recursos de cada Estado, dos direitos econô- limitação razoável das horas de trabalho e férias perió-
micos, sociais e culturais indispensáveis à sua dignidade dicas remuneradas.
e ao livre desenvolvimento da sua personalidade.

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X Cidadania Moral e Ética

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Toda pessoa tem direito à proteção dos interesses


morais e materiais decorrentes de qualquer produção
científica, literária ou artística da qual seja autor.

Artigo XXVIII
Toda pessoa tem direito a uma ordem social e inter-
nacional em que os direitos e as liberdades estabele-
cidos na presente Declaração possam ser plenamente
realizados.

Artigo XXV
1. Toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz
de assegurar a si e a sua família saúde e bem-estar,
inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuida-
dos médicos e os serviços sociais indispensáveis, e
direito à segurança em caso de desemprego, doen-
ça, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de per-
da dos meios de subsistência fora de seu controle.
2. A maternidade e a infância têm direito a cuidados e
Artigo XXVI
assistência especiais. Todas as crianças nascidas den-
1. Toda pessoa tem direito à instrução. A instrução será
tro ou fora do matrimônio gozarão da mesma pro-
gratuita, pelo menos nos graus elementares e fun-
teção social.
damentais. A instrução elementar será obrigatória.
A instrução técnico-profissional será acessível a to-
dos, bem como a instrução superior, esta baseada
no mérito.
2. A instrução será orientada no sentido do pleno de-
senvolvimento da personalidade humana e do for-
talecimento do respeito pelos direitos humanos e
pelas liberdades fundamentais. A instrução promo-
verá a compreensão, a tolerância e a amizade en-
tre todas as nações e grupos raciais ou religiosos, e
coadjuvará as atividades das Nações Unidas em prol
da manutenção da paz.
3. Os pais têm prioridade de direito na escolha do gê-
nero de instrução que será ministrada a seus filhos.

Artigo XXVII
Toda pessoa tem o direito de participar livremente da
vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de par-
ticipar do processo científico e de seus benefícios.
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Manual do Educador – 7o ano XI

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Artigo XXIX
1. Toda pessoa tem deveres para com a comunidade,
na qual o livre e pleno desenvolvimento de sua per-
sonalidade é possível.
2. No exercício de seus direitos e liberdades, toda pes-
soa estará sujeita apenas às limitações determina-
das pela lei, exclusivamente com o fim de assegurar
o devido reconhecimento e respeito dos direitos e
das liberdades de outrem e de satisfazer às justas
exigências da moral, da ordem pública e do bem-
-estar de uma sociedade democrática.
3. Esses direitos e liberdades não podem, em hipótese
alguma, ser exercidos contrariamente aos propósi-
tos e princípios das Nações Unidas.

Artigo XXX
Nenhuma disposição da presente Declaração pode
ser interpretada como o reconhecimento a qualquer
Estado, grupo ou pessoa, do direito de exercer qual-
quer atividade ou praticar qualquer ato destinado à
destruição de quaisquer dos direitos e liberdades aqui
estabelecidos.”

Recorremos, aqui, à Constituição e à Declaração de


Direitos Humanos porque acreditamos que elas devem
estar em nosso horizonte quando falamos da prática
pedagógica. No entanto, reforçamos a ideia de que as
considerações a respeito da ética e da moral não são
modelos estanques a serem repassados para os estu-
dantes. Toda e qualquer norma ou regra representa uma
resposta a um determinado tempo/período histórico. É
por isso que nós, professores, devemos ter em mente
que trabalhamos com princípios passíveis de mudança,
e não com mandamentos. E, assim, devido ao caráter
abstrato dos valores morais e éticos, nosso papel pe-
dagógico e formativo deve basear-se na intenção de
colocar os alunos dentro desse processo de construção
contínua de valores, de modo a torná-los seres eman-
cipados e autônomos para agirem criticamente perante
os preceitos morais e éticos.
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XII Cidadania Moral e Ética

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O ensino baseado nos Parâmetros
Curriculares Nacionais

Tendo em vista estabelecer padrões que ajudem a sitam ser levadas em conta para que a igualdade seja
promover uma educação comprometida com a moral, efetivamente alcançada.
a ética e a cidadania, os PCN propõem os seguintes tó-
picos a serem trabalhados no Ensino Fundamental: Participação: Como princípio democrático, traz a no-
ção de cidadania ativa, isto é, da complementaridade
Dignidade da pessoa humana: Implica respeito aos entre a representação política tradicional e a participa-
direitos humanos, repúdio à discriminação de qualquer ção popular no espaço público, compreendendo que
tipo, acesso a condições de vida digna, respeito mútuo não se trata de uma sociedade homogênea, e sim mar-
nas relações interpessoais, públicas e privadas. cada por diferenças.

Igualdade de direitos: Refere-se à necessidade de Corresponsabilidade pela vida social: Implica par-
garantir a todos a mesma dignidade e possibilidade de tilhar com os poderes públicos e diferentes grupos
exercício de cidadania. Para tanto, há que se considerar sociais, organizados ou não, a responsabilidade pelos
o princípio da equidade, isto é, que existem diferenças destinos da vida coletiva. É, nesse sentido, responsabili-
(étnicas, culturais, regionais, de gênero, etárias, religio- dade de todos a construção e ampliação da democracia
sas, etc.) e desigualdades (socioeconômicas) que neces- no Brasil.

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Manual do Educador – 7o ano XIII

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A importância do ensino de
Cidadania Moral e Ética na escola
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O ambiente escolar, além dos outros papéis, repre- Essa consciência dos valores morais, no entanto, não
senta um microcosmo da sociedade. O primeiro conta- deve ser imposta. É evidente que os estudantes devem
to com indivíduos que não fazem parte da nossa família saber diferenciar o certo e o errado, mas essa avaliação
e com os quais devemos estabelecer outro tipo de re- deve partir deles, de acordo com o conhecimento de
lação se dá no colégio. Essa é a nossa primeira vivência suas responsabilidades, com a evolução do seu senso
social. Lá aprendemos que temos, invariavelmente, de- crítico e a sua capacidade de decisão. Os estudantes
veres e direitos que devem ser seguidos e respeitados precisam assumir a sua prática, e não apenas seguir o
por todos que compõem aquela realidade. estabelecido, sem nenhum exercício de reflexão.
A formação do ser humano precede a formação do tra-
O papel da escola se estende para além da transmis- balhador. A educação existe antes para que possamos
são de conhecimento ou formação profissional. discutir, estabelecer e ajustar as normas sociais. Dessa
forma, o objetivo social da escola deve estar voltado para
Nesse local, a intenção primeira é a de ajudar a de- a formação de um cidadão consciente de suas ações e
senvolver as capacidades, a consciência, a compreen- obrigações e ativo na construção permanente da socie-
são de si mesmo, do outro e da sociedade. E é por dade. Por isso, a inclusão da matéria Cidadania Moral e
meio dessa experiência cotidiana que nos adequamos Ética no currículo do Ensino Fundamental e Médio é es-
às demandas sociais. sencial para o desenvolvimento social dos estudantes.

XIV Cidadania Moral e Ética

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Objetivos fundamentais
para o ensino de Ética

Levando em consideração que o volume de conhe- A adoção de atitudes solidárias, de cooperação, e re-
cimento produzido pela humanidade não pode ser púdio às injustiças e discriminações. A reflexão é apenas
completamente explorado em sala de aula, mesmo que o primeiro passo para uma atitude ética. É preciso que,
durante os doze anos previstos para a conclusão do En- além dos debates e preocupações sociais, nós sejamos
sino Fundamental e Médio, é fundamental que exista o reflexo do nosso discurso.
uma seleção de conteúdos que consideramos indispen- A compreensão da vida escolar como participação no
sáveis para a formação de um indivíduo. espaço público, utilizando e aplicando os conhecimen-
A inclusão do conteúdo de Cidadania Moral e Ética foi tos adquiridos na construção de uma sociedade demo-
aprovada no Senado no ano de 2012. As considerações crática e solidária.
do MEC sobre os objetivos a serem atingidos, durante o A valorização e o emprego do diálogo como forma de
Ensino Fundamental, são: esclarecer os conflitos e tomar decisões coletivas. Por
A compreensão do significado de justiça e a cons- isso a importância da construção dos debates no de-
cientização da construção de uma sociedade igualitária, senvolvimento da capacidade argumentativa.
tendo em vista a necessidade de internalizar e assimilar A construção de uma imagem positiva de si, o respei-
esse conceito na prática, para que possamos formar su- to próprio traduzido pela confiança em sua capacidade
jeitos sociais ativos. de escolher e realizar seu projeto de vida e pela legiti-
O respeito pelas diferenças — seja ela de credo, cor, mação das normas morais que garantam, a todos, essa
gênero, etc.—, fundamental ao convívio em uma so- realização.
ciedade democrática e pluralista; e a compreensão da Para que possamos atingir as metas estabelecidas, é
diversidade como uma oportunidade de ampliação do necessário que não só o professor de Cidadania Moral e
conhecimento, promoção do desenvolvimento pessoal Ética esteja comprometido, mas que todos os professo-
e social e enriquecimento dos processos de aprendi- res tenham em mente a responsabilidade da educação e
zagem. da conscientização social no processo de aprendizagem.
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Manual do Educador – 7o ano XV

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A educação e a construção da cidadania

Ulisses F. Araújo

cação de todos (crianças, jovens e adultos), a partir de


princípios coerentes com esses objetivos, e com a inten-
ção explícita de promover a cidadania pautada na de-
mocracia, na justiça, na igualdade, na equidade e na par-
ticipação ativa de todos os membros da sociedade nas
decisões sobre seus rumos. Dessa maneira, pensar em
uma educação para a cidadania torna-se um elemento
essencial para a construção da democracia social.
Entendemos que tal forma de educação deve visar,
também, ao desenvolvimento de competências para li-
dar com: a diversidade e o conflito de ideias, as influên-
cias da cultura e os sentimentos e emoções presentes
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nas relações do sujeito consigo mesmo e com o mundo


à sua volta.
Uma questão a ser apontada é que, atualmente, as
crianças e os adolescentes vão à escola para aprender
as Ciências, a Língua, a Matemática, a História, a Física, a
Geografia, as Artes, e apenas isso. Não existe o objetivo
Em seu sentido tradicional, a cidadania expressa um explícito de formação ética e moral das futuras gerações.
conjunto de direitos e de deveres que permite aos ci- Entendemos que a escola, enquanto instituição pública
dadãos a participação na vida política e na vida pública, criada pela sociedade para educar as futuras gerações,
podendo votar e serem votados, fazendo parte ativa- deve-se preocupar também com a construção da cida-
mente na elaboração das leis e do exercício de funções dania, nos moldes que atualmente a entendemos. Se
públicas, por exemplo. Hoje, no entanto, o significado os pressupostos atuais da cidadania têm como base
da cidadania possui contornos mais amplos, que ex- a garantia de uma vida digna e a participação na vida
trapolam o sentido de apenas atender às necessidades política e pública para todos os seres humanos, e não
políticas e sociais, e assume como objetivo a busca por apenas para uma pequena parcela da população, essa
condições que garantam uma vida digna às pessoas. escola deve ser democrática, inclusiva e de qualidade,
Entender a cidadania a partir da redução do ser hu- para todas as crianças e adolescentes. Para isso, deve
mano às suas relações sociais e políticas não é coeren- promover, na teoria e na prática, as condições mínimas
te com a multidimensinalidade que nos caracteriza e para que tais objetivos sejam alcançados na sociedade.
com a complexidade das relações que cada um e to- Mas como os valores são apropriados pelos sujei-
das as pessoas estabelecem com o mundo à sua volta. tos? Adotamos a premissa de que os valores não são
Deve-se buscar compreender a cidadania também sob nem ensinados, nem nascem com as pessoas. Eles são
outras perspectivas, por exemplo, considerando a im- construídos na experiência significativa que as pessoas
portância que o desenvolvimento de condições físicas, estabelecem com o mundo. Essa construção depende
psíquicas, cognitivas, ideológicas, científicas e culturais diretamente da ação do sujeito, dos valores implícitos
exerce na conquista de uma vida digna e saudável para nos conteúdos com que interage no dia a dia e da qua-
todas as pessoas. lidade das relações interpessoais estabelecidas entre o
Tal tarefa, complexa por natureza, pressupõe a edu- sujeito e a fonte dos valores.

XVI Cidadania Moral e Ética

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Ética

Na Filosofia, o campo que se ocupa da reflexão sobre das pessoas, seu projeto pessoal e também sua capaci-
a moralidade humana recebe a denominação de Ética. dade de universalização, que deve ser exercida dialogi-
Estes dois termos, ética e moral, têm significados pró- camente, pois, dessa maneira, elas poderão ajudar na
ximos e, em geral, referem-se ao conjunto de princípios construção do melhor mundo possível, demonstrando
ou padrões de conduta que regulam as relações dos saber que são responsáveis pela realidade social.
seres humanos com o mundo em que vivem. De forma específica, lidar com a dimensão comuni-
Uma educação ancorada em tais princípios deve con- tária, dialogar com a realidade cotidiana e as normas
verter-se em um âmbito de reflexão individual e coletiva vigentes nos remete ao trabalho com a diversidade hu-
que permita elaborar racionalmente e autonomamente mana, à abordagem e ao desenvolvimento de ações
princípios gerais de valor, que ajudem a defrontar-se que enfrentem as exclusões, os preconceitos e as discri-
criticamente com realidades como a violência, a tortura minações advindos das distintas formas de deficiência
ou a guerra. De forma específica, educação ética e mo- e das diferenças sociais, econômicas, psíquicas, físicas,
ral deve ajudar na análise crítica da realidade cotidiana culturais, religiosas, raciais, ideológicas e de gênero.
e das normas sociais e morais vigentes, de modo que Conceber esse trabalho na própria comunidade onde
contribua para idealizar formas mais justas e adequa- está localizada a escola, no ambiente natural, social e
das de convivência. Ainda na linha de compreensão do cultural de seu entorno, é essencial para a construção
papel da educação para a formação ética dos seres hu- da cidadania efetiva.
manos, alguns teóricos entendem que a educação dos Disponível em: http://portaldoprofessor.mec.gov.br/storage/
cidadãos deve levar em conta a dimensão comunitária materiais/0000015509.pdf. Adaptado. Acessado em: 14/07/2014.
loreanto/Shutterstock.com

Manual do Educador – 7o ano XVII

ME_CIDADANIA_E_ETICA_7ANO.indb 17 06/01/17 10:48


Estrutura da coleção

Com o intuito de promover uma educação plena, a unidade temática, norteadora das discussões, que é
coleção leva para a sala de aula os temas mais impor- subdividida em três seções que se intercalam para um
tantes e próximos aos alunos, para que, por meio de melhor aprofundamento do tema. Essas seções têm
textos, imagens, exercícios e debates, eles possam de- funções específicas e buscam estruturar da maneira
senvolver solidamente a sua consciência social. mais didática e agradável o conteúdo estudado. Veja-
Os capítulos que compõem os livros abrigam uma mos, a seguir, quais elas:

5 O meio
Capítulo

ambiente
Vamos dialogar!: Esta é a única seção
que se apresenta, exclusivamente, no Vamos dialogar!
princípio de cada capítulo. Aqui, intro- Na sua sala de aula, provavelmente existe um lixeiro,
duzimos a temática por intermédio de Conhecimentos prévios assim como em outros locais da escola. Pense também
no lixo que é produzido em sua casa e na enorme quan-
imagens. A intenção é que os alunos • Você consome por tidade de detritos e materiais jogados fora que vemos
necessidade ou por desejo?
construam suas falas a partir da memó- • O que você entende por
pelas ruas. É bastante lixo. Agora, pense em quanto lixo
é produzido no mundo inteiro. Para onde vai tudo isso?
ria visual que as fotografias, somadas meio ambiente?
• Você considera que a Terra
O que é possível reaproveitar e quais são os problemas
que essa enorme quantidade causa no meio ambiente?
ao tema, despertam neles. O resultado ou o meio ambiente estão O acúmulo de lixo é apenas um dos problemas relacio-
doentes?
dessa abordagem ampla é a probabili- • Você contribui de alguma
nados à preservação do planeta.
Neste capítulo, estudaremos como nossas ações, em
dade de surgirem inúmeras e valiosas maneira para o fim do meio especial as referentes ao trabalho e ao consumo, podem
ambiente e da vida na Terra? contribuir para a preservação ou a destruição do mundo
reflexões que ajudarão na construção Como? e do lugar em que vivemos.
de sentido dos assuntos abordados.
De cima para baixo da esquerda para direita: Syda Productions, KaliAntye, Photographee.eu/Shutterstock

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XVIII Cidadania Moral e Ética

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Questão de ética: Esta seção aparece depois de cada
? Questão de ética tópico proposto no capítulo. Dessa forma, podemos
nos aprofundar no conteúdo de maneira gradual e
1. Leia a canção abaixo e responda às questões que seguem: agradável, sem diferenciar a apreensão teórica e prá-
Criança não trabalha tica. As questões têm o propósito de colocar o aluno
Lápis, caderno, chiclete, peão,
Sol, bicicleta, skate, calção,
como protagonista, demandando reflexão para a expo-
esconderijo, avião, correria,
tambor, gritaria, jardim, confusão.
sição do seu ponto de vista. É interessante, também,
Bola, pelúcia, merenda, crayon,
pedir que os alunos compartilhem suas respostas a fim
banho de rio, banho de mar,
pula-sela, bombom,
de que toda a turma possa ser responsável, conjunta-
tanque de areia, gnomo, sereia,
pirata, baleia, manteiga no pão. mente, pela conclusão desses tópicos.
[...]
Criança não trabalha,
criança dá trabalho.
Criança não trabalha.
[...]

ANTUNES, Arnaldo. TATIT, Paulo. In: Palavra Cantada. Canções curiosas. BMG, 1998.

a. Qual é a principal mensagem da música?

Resposta pessoal

b. Que relação tem a música com o tema Exploração no trabalho?

Resposta pessoal

c. Quais são os recursos usados para apresentar o objeto como necessário para ser feliz?

Resposta pessoal
Cidadania Moral e Ética I 7o ano 43

CMeE_7A_2017_01a80_REV01.indb 43 05/01/17 22:06 3. Observe propagandas de bebidas alcoólicas e responda às questões. Em seguida, debata
cada um dos itens com o professor e seus colegas.
a. Como é o ambiente em que se passa a propaganda?
b. Como são os personagens? Eles são felizes?
c. Qual é a mensagem do comercial?
d. Esse tipo de campanha publicitária incentiva hábitos que prejudicam a saúde?
e. Quais são as consequências do consumo exagerado de bebida alcoólica?
Para Refletir: Esta seção também se interpõe entre os f. A relação entre a propaganda e a realidade é verdadeira? Por quê?

textos responsáveis pelo desenvolvimento do conteú-


do e as questões, que auxiliam nesse progresso. Nesse Para refletir
espaço, selecionamos diversos escritos que abordam o Publicidade, consumo e meio ambiente
assunto do capítulo sob um viés lúdico. São crônicas, Vivemos numa sociedade de consumo, em que comprar e vender fazem parte do cotidiano

reportagens, sinopses, indicações de filmes, etc. que


e tomam muito tempo, recurso e energia. O problema é que geralmente não percebemos que
esse simples ato pode ter reflexos negativos sobre o meio ambiente.
Ao comprar uma roupa nova, por exemplo, não nos damos conta de que, para produzir aque-
aproximam, ainda mais, os jovens estudantes das re- le tecido, foi preciso cultivar o algodão, e que isso implicou o uso de grandes quantidades de
fertilizantes químicos e pesticidas, que contaminam o solo, a água e o ar. Atualmente, imensas
flexões propostas. áreas de terra são destinadas à monocultura do algodão, que, com o passar dos anos, vai
deteriorando o solo. Mais ainda, o processo de tingimento na indústria têxtil emprega grandes
volumes de água e produtos químicos, que contaminam os cursos de água.
Hoje, disseminado em praticamente todo o mundo, o fenômeno do consumismo não teria
sido possível sem o bombardeio incessante da publicidade.
A publicidade nos persegue em toda parte, e muitas vezes não nos damos conta disso. Está
nas ruas, nas fachadas dos prédios, nos ônibus e nas vitrines. Também chama a nossa atenção
em bancos, escritórios, hospitais, restaurantes, cinema e outros lugares públicos. Em casa, bas-
ta abrir o jornal, ligar o rádio ou a televisão. Muitas vezes, ela vem pelo correio: são as ofertas
e propagandas.
Sem perceber, fazemos publicidade gratuitamente ao usar roupas, sapatos, bolsas e outros
objetos com etiquetas visíveis. É realmente muito difícil não ser afetado por essa publicidade
massiva, que se incorporou a todos os aspectos de nossa vida e nos emite mensagens o tempo
todo, de forma direta ou velada.

Cidadania Moral e Ética I 7o ano 53

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Manual do Educador – 7o ano XIX

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Sumário

Capítulo 1

• O homem e a ética............................................................ 6
• Ética: uma necessidade do homem........................................ 8
• Ética e educação......................................................................... 11
• As três peneiras: verdade, bondade e utilidade................... 15
• A moral e a ética na sociedade................................................ 18
• Sobre o amor................................................................................ 20
• Apelo de um idoso...................................................................... 24

Capítulo 2

• Ciência e tecnologia........................................... 28
• A tecnofobia...................................................................29
• A tecnologia aproxima ou afasta as pessoas?......31
• O uso de robôs.............................................................32
• Cuidado com os jogos eletrônicos...........................34

Capítulo 3

• O trabalho................................................................... 36
• A mulher no mercado de trabalho.................................37
• Exploração no trabalho.....................................................41
• Segurança do trabalho.....................................................46

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Capítulo 4

• Consumo e consumismo........................................ 48
• O que é consumo?...........................................................49
• O consumo e o nosso lugar na sociedade..................51
• O consumo te consome...................................................54
• O que consumimos e o que desperdiçamos..............60
• Defesa do consumidor.....................................................62

Capítulo 5

• O meio ambiente...................................................... 64
• Localidade e consumo.....................................................65
• Para onde vai o lixo?.........................................................69

Capítulo 6

• A cultura brasileira................................................... 72
• O conceito de cultura no Brasil.....................................73
• A rica cultura dos indígenas............................................75
• A presença dos negros no Brasil..................................78

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1
Capítulo

Objetivos
O homem e a ética

1
Pedagógicos O homem e

Capítulo
• Fazer uma análise objetiva do
conceito de ética e de como este a ética
dialoga com demais conceitos
importantes para nosso estudo,
como moral, verdade e Vamos dialogar!
cidadania.
A palavra ética procede do grego ethos, que signifi-
• Entender por que a ética é uma Conhecimentos prévios cava originalmente morada, lugar em que vivemos, mas
necessidade histórica do ser • Você sabe o que é ética?
posteriormente passou a significar o caráter, o modo
de ser que uma pessoa ou um grupo vai adquirindo
humano e a sua importância • Será que podemos ver
ao longo da vida. Por sua vez, o termo moral proce-
atitudes éticas no dia a
para a manutenção do respeito dia?
de do latim mos, moris, que originariamente significava
costume, mas em seguida passou a significar também
entre os humanos. • Para você, qual é a
caráter ou modo de ser. Desse modo, ética e moral
necessidade da ética?
• Estudar a importância da • Existe ética no amor?
confluem em um significado quase idêntico: tudo aqui-
lo que se refere ao modo de ser ou caráter adquirido
educação para a formação ética como resultado de pôr em prática alguns costumes
da sociedade. considerados bons.
Fala-se, por exemplo, de uma “atitude ética” para de-
• Avaliar as implicações éticas na signar uma atitude moralmente correta segundo deter-
prática cotidiana do amor. minado código moral; ou diz-se que um comportamen-
to foi “pouco ético” para significar que não se ajustou
• Analisar a necessidade de se dar aos padrões habituais da moral vigente.

atenção aos idosos e as maneiras


de se fazer isso.

Sugestão de leitura ////


Ética
Autores: Adela Cortina e
Emilio Martínez

Hoje a ética pode abordar a tríplice


tarefa que desde os inícios da filoso-
fia grega já havia sido incumbida de
realizar — esclarecer em que consiste
a moral, fundamentar ou fornecer ra-
zão suficiente a desse fenômeno hu- CMeE_7A_2017_01a80_REV01.indb 6 05/01/17 22:05

mano e aplicar o que se descobriu aos Fundamentação


problemas morais cotidianos. Nesse
livro, apresentam-se as linhas funda- A ética é indiretamente põe ações concretas em casos concretos,
mentais dessas três tarefas a partir de normativa a ética — como filosofia moral — remon-
uma perspectiva comprometida com ta à reflexão sobre as diferentes morais
Desde suas origens entre os filó- e as diferentes maneiras de justificar ra-
a razão prática. sofos da antiga Grécia, a Ética é um cionalmente a vida moral, de modo que
tipo de saber normativo, isto é, um sua maneira de orientar a ação é indireta:
saber que pretende orientar as ações no máximo, pode indicar qual concepção
dos seres humanos. A moral também moral é mais razoável para que, a partir
é um saber que oferece orientações dela, possamos orientar nossos compor-
para a ação, mas, enquanto ela pro- tamentos.

6 Cidadania Moral e Ética

ME_CIDADANIA_E_ETICA_7ANO_Cap_1.indd 6 17/01/17 15:03


Corresponde à ética uma tripla função:
1. Esclarecer o que é a moral, quais são seus traços específicos.
2. Fundamentar a moralidade, ou seja, procurar averiguar quais são as razões que conferem
sentido ao esforço dos seres humanos de viver moralmente.
3. Aplicar, aos diferentes âmbitos da vida social, os resultados obtidos nas duas primeiras
funções. Tal “neutralidade” ou “assepsia axioló-
CORTINA, Adela; MARTÍNEZ, Emilio. Ética. São Paulo: Loyola, 2005.
gica” não é possível, uma vez que os
métodos e objetivos próprios da ética
Pensando nisso e na sua observação do dia a dia, você acha que a ética é mais levada em
a comprometem com certos valores
consideração ou é mais esquecida pela maioria das pessoas? Que regras éticas nós segui-
e a obrigam a denunciar alguns códi-
mos? Quem nos ensina sobre elas? E por que é importante pensar sobre isso?
Assim como fizemos no ano anterior, estudaremos, a partir de agora, conceitos, exemplos e
gos morais como “incorretos”, ou até
pontos de vista a respeito da cidadania e da ética. Para começar, veremos o que alguns pensa-
mesmo como “desumanos”, enquanto
dores falam sobre o tema e discutiremos como aplicar o que aprendemos na nossa vida. outros podem ser reafirmados por ela
Observe, com seus colegas, as imagens abaixo e debatam: as personagens estão seguindo na medida em que os considere “razoá-
normas éticas? Por quê? veis”, “recomendáveis” ou até mesmo
“excelentes”.
No entanto, não é certo que a inves-

Everett Collection/Shutterstock
tigação ética possa nos levar a reco-
mendar um único código moral como
racionalmente preferível. Dada a com-
plexidade do fenômeno moral e a plu-
ralidade de modelos de racionalidade
e de métodos e enfoques filosóficos, o
Everett Collection/Shutterstock

resultado tem de ser necessariamente


plural e aberto. Mas isso não significa
que a ética fracasse em seu objetivo de
orientar de modo mediato a ação das
pessoas. Em primeiro lugar, porque
diferentes teorias éticas podem dar
como resultado algumas orientações
morais muito semelhantes (a coinci-
Everett Collection/Shutterstock

dência em certos valores básicos que,


embora não estejam de todo incorpo-
rados à moral vigente, são justifica-
dos como válidos). Em segundo lugar,
Everett Collection/Shutterstock

porque é muito possível que os pro-


gressos da própria investigação ética
cheguem a evidenciar que a missão da
filosofia moral não é a justificação ra-
cional de um único código moral pro-
priamente dito, e sim um quadro geral
Cidadania Moral e Ética I 7o ano 7 de princípios morais básicos dentro do
qual diferentes códigos morais mais
ou menos compatíveis entre si possam
CMeE_7A_2017_01a80_REV01.indb 7 05/01/17 22:05 legitimar-se como igualmente válidos
e respeitáveis. O quadro moral geral
assinalaria as condições que todo có-
Portanto, em princípio, a filosofia mo- A ética não é nem pode ser digo moral concreto teria de cumprir
ral ou ética não tem motivos para ter “neutra” para ser racionalmente aceitável, mas
uma incidência imediata na vida coti- essas condições poderiam ser cumpri-
diana, pois seu objetivo último é escla- A caracterização da ética como filosofia
das por uma pluralidade de modelos
recer reflexivamente o campo da moral. moral leva-nos a enfatizar que essa disci-
de vida moral que rivalizariam e entre
No entanto, esse esclarecimento cer- plina não se identifica, em princípio, com
si, mantendo-se, desse modo, um plu-
tamente pode servir de modo indireto nenhum código moral determinado. Pois
ralismo moral mais ou menos amplo.
como orientação moral para os que bem, isso não significa que permaneça
pretendem agir racionalmente no con- “neutra” diante dos diferentes códigos CORTINA, Adela; MARTÍNEZ, Emilio. Ética. São
junto da sua vida. [...] morais que existiram ou possam existir. Paulo:Loyola, 2005, p. 9, 10, 20, 21.

Manual do Educador – 7o ano 7

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1
Capítulo

Sugestão de leitura ////


O homem e a ética

A arte da Felicidade Ética: uma necessidade do homem


Autor: Dalai Lama Há muito que o homem tem sede de ética; desde antes de Cristo, tomando como fundamen-
tal a busca da felicidade, princípio básico dos seres humanos.
Dalai-lama busca mostrar como Cada uma de nossas ações conscientes e, de certa forma, toda a nossa vida podem ser vis-
derrotar a ansiedade e a insegurança, tas como resposta à grande pergunta que desafia a todos: “Como posso ser feliz?”.
a contrariedade e o desânimo do dia A ética fere todos os ideais egoístas. Ela se debruça sobre a generosidade e o compartilha-
mento; invade a alma do ser humano, buscando o que ela tem de melhor a oferecer, garantindo
a dia. Junto com o Dr. Cutler, ele ex-
a sua integridade diante de seus semelhantes. Nesse momento, podemos dizer que a ética é a
plora facetas do cotidiano, entre elas grande estimuladora de uma convivência sadia, em que os valores que a sustentam direcionam-
os relacionamentos, a perda e a bus- -se rumo à paz. Após tantas tragédias ecológicas, tanta miséria humana, tantas mortes e injus-
ca da riqueza, procurando mostrar tiças, o mundo finalmente começa a compreender o óbvio: a necessidade de se unir, pois, do
como transpor os obstáculos da vida contrário, perecerá irreversivelmente.
através de uma fonte permanente de É a ética que conduz à reflexão das práticas, contribuindo para evitar o isolamento e o fim do
homem como pessoa, como cidadão do mundo, como portador de uma alma e de um espírito.
paz interior.
Além de abordar o comportamento social, a ética volta-se, como se vê, para o ambiente que
é palco de atuação de todos os viventes que contribuem para o desencadear da vida. O valor
do respeito, por exemplo, é vital para o controle dinâmico dos ecossistemas e para o equilíbrio
Sugestão de da qualidade de vida no planeta Terra. É por isso que o tema gera releituras e debates, por ser
Abordagem um aliado da sociedade planetária na luta contra o desrespeito e as diferenças e em favor do
resgate da dignidade humana.
A ética vem facilitar a reflexão dos conceitos e das práticas. A cooperação, por exemplo, é
Só escrever os objetivos do seu pla- um valor imprescindível para a construção de uma humanidade menos egoísta e mais equili-
no de aula não é suficiente para cum- brada. Porém, não se pode esquecer o significado do diálogo, da compreensão, do respeito,
pri-los. Uma forma de cumprir estes da verdade, da solidariedade... Nunca o mundo precisou tanto redescobrir esses valores. Eles
objetivos é criar um sistema que in- convidam para a promoção do diálogo entre os povos. É chegado o momento de assumir um
tegre ensino, aprendizagem e avalia- comportamento ético fundamentado no interesse comum, no fim dos preconceitos. É hora de
construir pontes entre as diferenças! São esses princípios que funcionam como uma rocha de
ção, que irão assegurar que cada uma
edificação para a construção de um milênio formador da consciência reflexiva, crítica e solidária.
das metas para o desenvolvimento
das aulas sejam trabalhadas. Dalai Lama. Uma ética para o novo milênio. Rio de Janeiro: Sextante, 2000.

Fundamentação
Pequena biografia do Dalai-lama

Tenzin Gyatso, Sua Santidade, o 14º


dalai-lama, nasceu em 6 de julho de
1935, numa família de camponeses da
pequena vila de Taktser, na província
de Amdo, situada no nordeste do Ti-
8
bet. Seu nome era Lhamo Dhondup
até o momento em que, com 2 anos
de idade, Sua Santidade foi reconheci- CMeE_7A_2017_01a80_REV01.indb 8 05/01/17 22:05

do como sendo a reencarnação de seu anos. [...] Aos 23 anos, fez seu exame final pleta responsabilidade política como
predecessor, o 13º dalai-lama, Thubten no Templo de Jokhang, em Lhasa, duran- chefe de Estado e de governo, após a
Gyatso. Os dalai-lamas são tidos como te o Festival Anual de Orações Mönlam. invasão chinesa do Tibet. Em 1954, foi
manifestações de Avalokiteshvara ou Foi aprovado com honras e recebeu o a Beijing para tratativas de paz com
Chenrezig, o bodhisattva da Compaixão grau de Geshe Lharampa (título máximo, Mao Tsé-tung e outros líderes chineses,
e patrono do Tibet. Um bodhisattva é equivalente a um doutorado em Filoso- como Chou En-Lai e Deng Xiaoping. Em
um ser iluminado que adiou sua entra- fia). Em complemento a esses temas bu- 1956, durante visita à Índia para partici-
da no nirvana e escolheu renascer para distas, estudou inglês, ciências, geografia par das festividades do aniversário de
servir à humanidade. e matemática. 2.500 anos de Buda, esteve presente
Sua Santidade, o Dalai-lama, come- Em 1950, com 15 anos de idade, Sua em uma série de reuniões com Nehru,
çou sua educação monástica aos 6 Santidade foi solicitado a assumir a com- o primeiro-ministro indiano, e o premiê

8 Cidadania Moral e Ética

ME_CIDADANIA_E_ETICA_7ANO_Cap_1.indd 8 17/01/17 15:03


Diálogo com o
professor
? Questão de ética Sócrates (470–399 a.C.) foi um fi-
lósofo da Antiguidade que discutiu
1. Segundo o autor do texto, a preocupação com a ética é recente? Explique. questões antropológicas. Ele exerceu
Não. Conforme o texto, desde que o homem busca a felicidade, ele se preocupa com a ética,
filosofia em praça pública, promoven-
do debates e desenvolvendo a cons-
para nortear essa busca. ciência crítica. A Sócrates é atribuído
o pensamento: “Conhece a ti mesmo”.
proponha uma reflexão com seus alu-
nos com essa máxima.
2. De que maneiras a ética vai de encontro ao egoísmo e à violência?
A busca da ética promove a convivência pacífica entre os homens, além da busca por parte

destes pelos sentimentos de generosidade e compartilhamento.

tibetanos vivendo como refugiados na


3. Conforme o texto, há uma pergunta que provoca toda a humanidade (“Como posso ser fe-
liz?”). Como você responderia a esse questionamento?
Índia, no Nepal, no Butão e no Ociden-
te. Desde 1960, Sua Santidade reside
Resposta pessoal em Dharamsala, uma pequena cidade
no norte da Índia, apropriadamente
conhecida como Pequena Lhasa, por
4. Que acontecimentos constantes incentivam o esforço de união entre as pessoas? sediar o governo tibetano no exílio. [...]
Com o estabelecimento do governo
A miséria, as injustiças, as tragédias ecológicas, entre outros.
tibetano no exílio, Sua Santidade perce-
beu que a tarefa mais imediata e urgen-
te era lutar pela preservação da cultu-
5. Para Dalai Lama, a ética vem para facilitar a reflexão dos conceitos e de nossas práticas para ra tibetana. Fundou 53 assentamentos
o dia a dia. Por que temos que introduzir a ética no nosso cotidiano? agrícolas de larga escala para acolher
Porque é um é um valor imprescindível para a construção de uma humanidade menos os refugiados; idealizou um sistema
educacional tibetano autônomo (exis-
egoísta e mais equilibrada.
tem hoje mais de 80 escolas tibetanas
na Índia e no Nepal) para oferecer às
6. De acordo com o texto, o mundo precisa redescobrir certos valores que hoje em dia estão crianças refugiadas tibetanas pleno co-
se perdendo. Que valores são esses?
nhecimento de sua língua, história, reli-
O valor do diálogo, da compreensão, do respeito, da verdade, da solidariedade. gião e cultura.
Em setembro de 1987, Sua Santidade
propôs o Plano de Paz de Cinco Pontos
Cidadania Moral e Ética I 7o ano 9 para o Tibete, como um primeiro pas-
so na direção de uma solução pacífica
para a situação que rapidamente se de-
CMeE_7A_2017_01a80_REV01.indb 9 05/01/17 22:05 teriorava no país. Em sua visão, o Tibete
Chou, sobre a situação do Tibet, que se levante. As manifestações da resistência se tornaria um santuário, uma zona de
deteriorava rapidamente. tibetana exigiam que a China deixasse o paz no coração da Ásia, em que todos
Seus esforços para alcançar uma so- Tibet, reafirmando a independência deste os seres sencientes poderiam viver em
lução pacífica para o problema sino- último. harmonia, com o delicado equilíbrio
-tibetano foram frustrados pelas atro- Quando a situação se tornou insusten- ambiental preservado. A China, até o
cidades da política chinesa, no leste tável, pediu-se ao Dalai-lama que saísse momento, não respondeu positivamen-
do Tibet, dando origem a um levante do país para continuar no exílio a luta pela te às várias propostas de paz criadas
popular. Esse movimento de resistência libertação. Sua Santidade seguiu para por Sua Santidade. [...]
espalhou-se por outras partes do país, a Índia, que lhe concedeu asilo político,
e, em 10 de março de 1959, Lhasa, a ca- acompanhado de outros 80 mil refugia- Disponível em: http://www.dalailama.org.br/biografia/.
pital do Tibet, explodiu em um grande dos tibetanos. Hoje há mais de 120 mil Acessado em: 03/06/2014.

Manual do Educador – 7o ano 9

ME_CIDADANIA_E_ETICA_7ANO_Cap_1.indd 9 17/01/17 15:03


1
Capítulo

Sugestão de
Abordagem
O homem e a ética

7. Por que o estudo da ética, hoje, apresenta-se como imprescindível?


O trabalho com a prática de valores
Porque os valores éticos favorecem o diálogo entre os povos, facilitando a resolução
pode ser interagido com das ativida-
des docentes de outras disciplinas. de problemas diante de interesses conflituosos.
Você pode interagir, por exemplo,
com o professor de Língua Portugue-
sa. Como vocês estão comprometi-
dos com a educação em valores, ele
não se limitará a indicar ou solicitar
de seus alunos uma lista de palavras Para refletir
como justiça, dignidade e solidarieda-
de, para exemplificar os substantivos As pessoas normalmente dizem: “Eu sabia que era errado, mas não pude evitá-lo”. Só-
abstratos, como assinalam as gramá- crates responde: “Isso nunca é realmente a verdade. Tu podes ter sabido que outras pes-
ticas escolares. Mais do que abstra- soas acham que o que fizeste era ruim; mas, se tivesses sabido por ti mesmo que era ruim,
tas, estas palavras, na sociedade, são não o terias feito. Teu erro foi a falta de esclarecimento. Não viste o bem; foste enganado
categorias que se aplicam às práticas por algum prazer que parecia bom naquele momento. Se tivesses visto o bem, também o
terias desejado e agido para obtê-lo”.
sociais, isto é, às atividades social-
mente produzidas, ao mesmo tempo Sócrates. In: CORNFORD, F. M. Antes e depois de Sócrates. São Paulo: Martins Fontes, 2001, p. 47.
produtoras da existência social. Pense
nisto: Interdisciplinaridade é a chave “Quando desempenho meu papel social de irmão, de esposo ou de cidadão, quando
para o sucesso. realizo os compromissos que tomei, cumpro deveres que estão definidos, para além de mim
e de meus atos, no direito e nos costumes. Mesmo quando eles estão de acordo com os
meus sentimentos próprios e sentindo-lhes interiormente a realidade, esta não deixa de

Fundamentação ser objetiva, pois não fui eu que a estabeleci, antes os recebi pela educação.”

DURKHEIM, Émile. As regras do método sociológico. São Paulo: Martin Claret, 2001, p. 31-32.
Muitas vezes, a educação é entendida
e exercida somente como um proces-
so de acumulação de informações, ou
seja, como um processo de ensino. Um ? Questões para reflexão
cabedal imenso de informações pode
não acrescentar valores maiores a um 1. “Eu sabia que era errado, mas não pude evitá-lo.” Você já praticou tal atitude?
ser, que, portanto, não haverá de se Por quê?
humanizar devidamente. O acúmulo de 2. Quando uma pessoa tem o esclarecimento, ela evita o erro? Justifique.
informações, atualmente, é muito mais 3. Se todas as pessoas cumprissem seu papel social, a sociedade viveria me-
lhor? Por quê?
um processo eletrônico, executado com 4. Se seus desejos e suas vontades forem atitudes aéticas, você segue
fantástica eficiência por máquinas, sem em frente ou desiste? Justifique.
que isso signifique qualquer dimensão
de educabilidade. Um simples compu-
tador haverá de acumular dados em 10 Cidadania Moral e Ética I 7o ano
uma quantidade infinitamente maior
do que qualquer cérebro humano. Re-
sulta que ensinar, embora faça parte do CMeE_7A_2017_01a80_REV01.indb 10
tidas, não assimiladas e executadas me- afirmar que não é possível haver edu-
05/01/17 22:05

processo de educar, não significa, por si canicamente. Portanto, não se pode con- cação sem ética. Entretanto, a realidade
só, um processo educativo. Tampouco fundir um treinamento com educação. é marcada por uma imperfectibilida-
um treinamento leva necessariamente [...] Teremos somente um ser humano de inerente a toda condição humana.
à educabilidade humana. Os animais educado na medida em que ele crescer e Resulta que algumas interrogações se
irracionais também são treináveis. Eles for melhor sob todos os pontos de vista. impõem contundentemente ao refletir-
aprendem a executar tarefas, movimen- Isso quer dizer que a educação mobilizará mos sobre essa aproximação: como será
tos e práticas repetitivas num automa- sempre suas múltiplas dimensões de um possível se construir uma sociedade
tismo surpreendente. Um ser humano, ser biológico, social, espiritual, intelectual, marcada profundamente pela partici-
porém, não pode ser reduzido apenas psicológico, material, estético, etc. pação de cidadãos éticos se o conjunto
a um mero repetidor de ações irrefle- [...] Seria de todo desejável podermos de ideias, ideais e valores que impregna

10 Cidadania Moral e Ética

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Sugestão de
Abordagem
Ética e educação
Com as respostas dos alunos você
No começo do processo de hominização, encontra- pode fazer um painel explanando as
mos um ser natural, que ainda não produziu história, nem várias possibilidades de atitudes an-
educação, nem ética. É um hominídeo, um ser semelhante tiéticas e realizar uma pequena ex-
aos demais seres que habitam o planeta, como os inani-
posição para ratificar as atitudes que
mados, os vegetais e os animais. Estes apenas repetem
um programa predeterminado pela natureza. Nada têm que
discutem a sociedade.
acrescentar para existirem. São movidos por impulsos e
por instintos. [...]
Na medida em que o processo de hominização se com-
pleta e se inicia o processo de humanização, o ser humano
Anotações
passa a se apresentar como um ser aberto e inconcluso.
É o único ser deste planeta que não recebe a vida pronta
e acabada, diferentemente dos demais seres. Ele recebe
uma mera possibilidade de existir. Sua grande tarefa será
sua própria construção, a sua própria fabricação. [...]
O ser humano descobre que pode ir além do estado
natural em que está imerso e fechado. [...] Nesse momen-
to, inicia-se o fenômeno da educação como possibilida-
de de ser diferente, de ser mais e ser melhor, são tarefas
que implicam em comprometimento ético. [...] Portanto, a
construção de um ser humano pleno sugere a inclusão de
dimensões éticas em seu desenvolvimento.

JOHANN, Jorge Renato. Educação e ética: em busca de uma aproximação. Porto


Alegre: Edipucrs, 2009.
AnnaTamila/Shutterstock

? Questão de ética

1. A partir de que momento histórico o homem passa a se preocupar com questões éticas?
Quando começa a se desenvolver o processo de humanização e o homem se descobre

aberto a inúmeras possibilidades e com o dever de estabelecer suas próprias orientações.


essas indagações, cabe perguntar se
2. Como a educação está relacionada ao nascimento da ética? não é mesmo possível haver educação
A educação nasce com a necessidade do comprometimento ético, da criação de valores sem ética. Ou seja, uma educação sem
ética deixa de ser educação? Precisa-
que guiem a convivência dos homens.
mos conviver com a existência de mais
perguntas do que respostas e certe-
Cidadania Moral e Ética I 7o ano 11 zas e com as contradições inerentes a
uma realidade complexa e paradoxal.
Mesmo assim, é preciso encontrar e
CMeE_7A_2016_CAP1.indd 11 17/01/17 14:43 alimentar razões suficientes para acre-
todo o mundo atual não contempla a imprescindível? Como um profissional de ditar que essa aproximação é possível,
ética como algo necessário? Como ter, educação poderá pretender realizar a sua que o mundo transformável e a espe-
na educação, um instrumento que ve- tarefa cotidiana como educador se ele rança de uma realidade orientada por
nha a ser uma ferramenta, mesmo que precisa responder às exigências de uma valores éticos pode ser construída. É no
imperfeita, de formação dessa realidade sociedade que lhe impõe padrões de rastro dessas questões que se desen-
ética, se ela só existe enquanto serve a comportamento que em pouco ou nada volve a reflexão na busca de caminhos
uma sociedade que lhe impõe sua ma- contemplam uma postura ética funda- possíveis.
neira de ser e de funcionar? Por outra, mental? Como buscar pelo menos uma
como buscar uma educação impregna- aproximação entre a educação e a ética JOHANN, Jorge Renato. Educação e ética: em busca
da de valores éticos em um mundo que na prática cotidiana desse profissional de uma aproximação. Porto Alegre: Edipucrs, 2009, p.
não contempla a ética como um valor da educação? Na contrapartida de todas 20-22.

Manual do Educador – 7o ano 11

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1
Capítulo

Sugestão de
Abordagem
O homem e a ética

3. Como você tem aprendido a diferenciar os valores bons dos ruins:


Os relatos apresentados na questão a. em casa, com a família?
4 oferecem a oportunidade de se am-
Resposta pessoal
pliar a discussão sobre ética e valores
morais. Depois de classificá-los como
certos ou errados, os alunos podem
responder às seguintes perguntas:
a) Que ações conscientes você pode b. na escola, com os professores?
realizar para demonstrar que age Resposta pessoal
com ética no dia a dia?
b) Por que o ser humano, diferente-
mente dos animais, é capaz de de- c. com os amigos?
senvolver e aplicar valores éticos?
c) Em nossa sociedade, o que são Resposta pessoal
princípios ideais? Cite alguns deles.
d) Como podemos identificar rela-
ções de respeito entre amigos, fa- 4. No seu dia a dia, você se depara, muitas vezes, com atitudes que não são éticas. Sobre isso,
miliares, alunos, professores, etc.? escreva um breve relato sobre alguma atitude que você considerou antiética.
e) Por que a ética não necessaria-
Resposta pessoal
mente impede de defendermos
nossos próprios ideais? Exemplifi-
que.
A questão 5 oferece a oportunida-
de de trabalhar o conteúdo da aula
com o auxílio de jornais, que podem
ser impressos ou virtuais. Após os
alunos realizarem a pesquisa e ano-
tarem o resumo da notícia de um
5. Com base na frase abaixo, classifique como certa (C) ou errada (E) cada uma das afirmativas
fato antiético, pode ser feita uma seguintes: Resposta pessoal
mesa-redonda na qual cada um lerá
o texto pesquisado e apontará, jun- Ética tem a ver com valores morais da conduta humana.

tamente aos demais, a demonstração C E


de falta de ética. O professor também a. Para agir com ética, são necessárias ações conscientes. ( ) ( )
pode levar matérias e reportagens b. Os valores éticos não condizem com o ser humano. ( ) ( )
c. Ser ético é respeitar os princípios ideais. ( ) ( )
recentes para a sala para contribuir d. Ética é fundamental numa relação de respeito. ( ) ( )
com o debate. Esse tipo de atividade, e. Ser ético é demonstrar desprezo para com os ideais pessoais. ( ) ( )
além de possibilitar uma leitura crítica
dos fatos atuais, incentiva o hábito de
12 Cidadania Moral e Ética I 7o ano
se manter bem-informado.

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Diálogo com o Anotações


professor
Abordar as religiões de matriz africa- -metodológica que possa, pelo menos,
na em sala de aula torna-se primordial amenizar esse problema em sala de aula,
para que o preconceito, o estigma e a contribuindo para tornar o ambiente es-
intolerância religiosa sejam subtraídos. colar mais democrático e inclusivo.
É nesta perspectiva que este traba-
lho vem ceder uma discussão teórico-

12 Cidadania Moral e Ética

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Fundamentação
6. A notícia reproduzida a seguir denuncia um exemplo de falta de ética, agravada pela intole- A intolerância religiosa em sala
rância religiosa. Leia: de aula

Jovem praticante de candomblé é agredida por intolerância religiosa Percebemos que a intolerância e o
preconceito em relação às religiões
Uma jovem de 14 anos praticante de candomblé não quer mais voltar para a escola des- de matriz africana em sala de aula
de que foi agredida por colegas de classe, em Curitiba. são encarados como algo corriquei-
A aluna teria sido vítima de intolerância religiosa, afirmam testemunhas. A motivação para a ro, como brincadeira de alunos, e di-
agressão foi uma foto, postada no dia anterior em uma rede social, em que a menina aparece ficilmente são levados em considera-
ao lado da mãe e de uma amiga, as três do candomblé. ção. Se o professor/educador, diante
A jovem ainda tentou explicar como a religião funcionava, mas foi interrompida por uma dessa situação, optar pelo silêncio,
estudante que a chutou, fazendo com que ela batesse a cabeça na parede. Enquanto isso, estará promovendo o preconceito,
os outros estudantes teriam gritado: “Chuta que é macumba”.
mesmo que implicitamente. Pois o si-
“A gente ia levar uma amiga no aeroporto e tirou uma foto com ela lá. A estudante foi mar-
cada na foto e viram no Facebook dela. No dia seguinte, na primeira aula, uma menina disse
lêncio, enquanto omitido, se expres-
que não queria ficar perto da estudante porque ela era da macumba. Ela começou a explicar sa como uma forma de discurso que
o que era, mas depois falaram que iam chutá-la, porque pertencia à macumba.” chamamos de discurso do silêncio.
De acordo com a mãe da jovem agredida, não é a primeira vez que ela e a filha são víti-
mas de intolerância religiosa. “É comum isso. Uma vez fomos a uma padaria comprar alguma
coisa e fomos perseguidos, eu e meus três filhos, por um carro com rapazes de camisa do
‘exército de Jesus’. Dessa vez, agora, eu preferia que tivesse acontecido comigo, seria dife-
rente. A minha filha está sofrendo muito, está muito magrinha, com o rosto machucado, com Anotações
vergonha, sem vontade de voltar ao colégio”, afirma.

Disponível em: http://www.pragmatismopolitico.com.br/2015/10/menina-praticante-de-candomble-e-agredida-por-intolerancia-religiosa.


html. Adaptado. Acessado em 03/08/2016.

Agora, pesquise outra reportagem ou notícia que exponha um caso de falta de ética e es-
creva um resumo dela abaixo.

Resposta pessoal

Cidadania Moral e Ética I 7o ano 13

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Manual do Educador – 7o ano 13

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1
Capítulo

Fundamentação
O homem e a ética

A origem histórica e social da moral Para refletir


O homem deve garantir a própria so-
brevivência por meio do trabalho e, como O buscador da verdade
vive em grupos, a moral foi estabelecida Um jovem buscador da verdade decidiu deslocar-se até a cidade de Jaipur para falar
para viabilizar a ação coletiva, isto é, com com um grande mestre. Depois de meses de caminhada, finalmente o jovem se aproximou
a finalidade de possibilitar o estabeleci- do mestre e perguntou:
mento e a preservação de relações entre — O que devo fazer para encontrar a verdade?
os indivíduos. O mestre lançou um olhar penetrante ao jovem, respirando fundo e lentamente. A res-
[...] posta sairia a qualquer instante:
— Meu caro jovem, percebo que seu coração é puro; e sua busca, sincera. O que pos-
É de tal importância a existência des-
so lhe dizer é que o Ser Supremo se manifesta em todas as coisas do Universo.
se mundo moral que se torna impossível O jovem ouviu e aguardou por mais ensinamentos. O silêncio se manteve, o mestre
imaginar um povo sem qualquer conjun- cerrou os olhos.
to de regras. Destaca-se como uma das — Mestre, andei meses até aqui, não tem mais nada a dizer? — perguntou o jovem,
características fundamentais do homem com ar de desolação.
a sua capacidade de produzir interdi- — Não, não tenho nada mais a acrescentar — respondeu o mestre serenamente.
O jovem, decepcionado, esperava que o mestre lhe passasse informações valiosas,
ções (proibições). Segundo o antropólo-
mantras poderosos, técnicas de meditação ocultas, porém nada disso aconteceu. O bus-
go francês Lévi Strauss, a passagem do cador da verdade decidiu ir embora; encontraria outro mestre em outra cidade.
reino animal ao reino humano, ou seja, Depois de mais de um ano de andanças, o jovem encontrou, na cidade de Madras, um
a passagem da natureza à cultura, é pro- outro mestre de grande prestígio. O buscador da verdade fez a mesma pergunta para o
duzida pela instauração da lei, por meio segundo mestre:
da proibição do incesto. É assim que se — O que devo fazer para encontrar a verdade?
estabelecem as relações de parentesco e O mestre, rodeado por vários alunos, olhou para o jovem que fizera a pergunta e disse:
— Eu vou lhe dar a resposta que você quer, porém, antes, quero que você trabalhe para
de aliança sobre as quais é construído o
mim durante treze anos no meu ashram.
mundo humano, que é simbólico. O jovem sentiu um calor dentro do coração; aquelas palavras ressoavam como o início
Exterior e anterior ao indivíduo há, por- de um caminho sem volta.
tanto, a moral constituída, que orienta — Concordo, mestre. E o que vou fazer no seu ashram?
seu comportamento por meio de nor- — Você será responsável por limpar o esterco de nossas vacas sagradas.
mas. Com a adequação ou não às nor- O buscador da verdade acatou o pedido sem nenhuma reclamação e, por treze anos,
trabalhou com dedicação na tarefa de limpar o esterco das vacas. Passados os treze
mas estabelecidas, o ato será considera-
anos, o jovem, que não era mais jovem, aproximou-se do mestre e disse:
do moral ou imoral. O comportamento — Estou preparado para ouvi-lo. Os treze anos combinados se passaram, agora quero
moral varia de acordo com o tempo e o saber o que devo fazer para encontrar a verdade.
lugar conforme as exigências das condi- O mestre se aproximou do aluno, pousou a mão na cabeça dele e, envolto em um cheiro
ções nas quais os homens se organizam de esterco de vaca, disse:
ao estabelecer formas efetivas e práticas — O que posso lhe dizer é que o Ser Supremo se manifesta em todas as coisas do
de trabalho. Cada vez que as relações de Universo.
produção são alteradas, sobrevêm mo-
dificações nas exigências das normas de
14 Cidadania Moral e Ética I 7o ano
comportamento coletivo.
Por exemplo, a Idade Média caracteri-
zou-se pelo regime feudal, baseado na CMeE_7A_2017_01a80_REV01.indb 14 05/01/17 22:05

rígida hierarquia de suseranos, vassalos servos. Essa situação se alterou com o


e servos. O trabalho era garantido pelos aparecimento da burguesia, que, forma- Anotações
servos, possibilitando aos nobres uma da pela classe trabalhadora oriunda da
vida de ócio de guerra. A moral cava- liberação dos servos, estabeleceu novas
lheiresca, de que derivou, baseava-se no relações de trabalho e fez surgir novos
pressuposto da superioridade da classe valores, como a valorização do trabalho
dos nobres, exaltando a virtude da leal- e crítica à ociosidade.
dade e da fidelidade — suporte do sis-
tema de suserania — bem como na co- CROCETTI, Zeno. Ética e cidadania. Curitiba: Iesde Brasil
S.A., 2009, p. 8, 9.
ragem do guerreiro. Em contraposição, o
trabalho era desvalorizado e restrito aos

14 Cidadania Moral e Ética

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Ao ouvir tais palavras, o aluno cerrou os olhos, respirou fundo e, pela primeira vez na
vida, sentiu a emoção daqueles que se iluminam. Ao voltar ao seu estado normal, pergun-
tou ao mestre:
— Curioso, há muitos anos fiz a mesma pergunta a outro mestre, e ele me deu a mesma
resposta, mas, naquela época, nada aconteceu comigo. Por quê?
O mestre juntou as mãos às do aluno e respondeu:
— A verdade não mudou nesses anos todos, quem se transformou foi você.
Fonte: BRENMAN, Ilan. As 14 pérolas da Índia. São Paulo: Brinque-book, 2008.

? Questões para reflexão


1. Qual é o tema central do texto?
2. O que é a verdade?
3. Como podemos alcançar a verdade?
4. Qual é a relação entre verdade e ética?
5. O homem soube compreender a ética que envolve a resposta que buscava?
6. A ética se transforma ou somos nós que nos transformamos?
7. Qual é a relação entre o texto e o tema do capítulo: O homem e a ética?

CREATISTA/Shutterstock

As três peneiras: verdade,


bondade e utilidade

Um homem procurou um sábio e disse-lhe:


— Preciso contar-lhe algo sobre alguém! Você não ima-
gina o que me contaram a respeito de...
Nem chegou a terminar a frase, quando o sábio ergueu
os olhos do livro que lia e perguntou:
— Espere um pouco, o que vai me contar já passou pelo
crivo das três peneiras?
— Peneiras? Que peneiras?
— Sim. A primeira é a da verdade. Você tem certeza de
que o que vai me contar é absolutamente verdadeiro?
— Não. Como posso saber? O que sei foi o que me
contaram!
— Então, suas palavras já vazaram a primeira peneira.
Vamos, então, para a segunda peneira: a bondade. O que

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Manual do Educador – 7 ano o


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1
Capítulo

Sugestão de leitura ////


O homem e a ética

Ética vai me contar, gostaria que os outros também disses-


Autor: Adauto Novaes (Org.) sem a seu respeito?
— Não! Absolutamente, não!
Como pensar a ética a partir das — Então, suas palavras vazaram também a segunda
contradições de um mundo que, no peneira. Vamos agora para a terceira peneira: a utilidade.
Você acha mesmo necessário contar-me esse fato ou
mesmo espaço e ao mesmo tempo,
mesmo passá-lo adiante? Resolve alguma coisa? Ajuda
produz uma ciência e intelectuais de- alguém? Melhora alguma coisa?
dicados a pesquisar princípios de vida — Não... Passando pelo crivo das três peneiras, com-
e armas de morte; progressos nas preendi que nada me resta do que iria contar.
comunicações e mecanismos sutis e E o sábio, sorrindo, concluiu:
aberrantes de censura? Eis as ques- — Se passar pelas três peneiras, conte! Tanto eu
quanto você e os outros iremos nos beneficiar. Caso
tões: falso bem, falsa justiça, falsa
contrário, esqueça e enterre tudo. Será uma fofoca a me-
liberdade, falsa virtude, que, ao cria- nos para envenenar o ambiente e fomentar a discórdia
rem o homem da concórdia, da sub- entre irmãos. Devemos ser sempre a estação terminal
missão e da boa-fé, tornam-no duas de qualquer comentário infeliz! Da próxima vez que ou-
vezes escravo: da superstição e das vir algo, antes de ceder ao impulso de passá-lo adiante,
convenções. Os textos que compõem submeta-o ao crivo das três peneiras, porque: pessoas
esta obra, originalmente produzidos sábias falam sobre ideias; pessoas comuns falam sobre
coisas; e pessoas medíocres falam sobre pessoas.
para o curso livre Ética, procuram, as-
sim, pensar as razões pelas quais os Sócrates, filósofo ateniense.
homens se comportam de determi- CREATISTA/Shutterstock

nada maneira e por que a maioria das


doutrinas morais conserva vestígios
? Questão de ética
da servidão, no momento mesmo em
que promete instaurar a liberdade.
1. O que você acha da posição do sábio no texto?
Resposta pessoal
Betinho: sertanejo, mineiro,
brasileiro
Autora: Carla Rodrigues

Ao valorizar as inúmeras contradi-


2. Qual é a relação do texto com o tema estudado (O homem e a ética)?
ções do trajeto de vida de Betinho, a
autora cria uma narrativa emocionan- Resposta pessoal
te e monta o retrato de uma figura
que, em nenhum momento e em ne-
nhum sentido, aparece como perfeita,
linear e irretocável. Em Betinho: serta-
nejo, mineiro, brasileiro, descobre-se 16 Cidadania Moral e Ética I 7o ano
um homem múltiplo, singular, que
por vezes é surpreendente e, sempre,
apenas humano. Este é um ensaio CMeE_7A_2017_01a80_REV01.indb 16 05/01/17 22:05

biográfico que tem o privilégio de,


pela primeira vez, ir a fundo na vida Anotações
de um dos maiores ícones da história
recente brasileira.

16 Cidadania Moral e Ética

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3. O texto fala sobre as três atitudes que podem ser colocadas em prática atualmente. Procure
no dicionário as seguintes palavras destacadas: verdade, bondade, utilidade, felicidade,
justiça e solidariedade. Em seguida, forme frases relacionadas com o que você estudou.

Resposta pessoal

4. Certamente você já se deparou com alguma situação em que teve que escutar algo sobre
alguém. Nesses momentos, o que você faz? Justifique sua resposta.

Resposta pessoal

Para refletir

As árvores não comem seus frutos — ao contrário, oferecem-nos para que outros os
comam, como uma atitude de desapego. Os rios, sem beber das águas que por eles
fluem, aplacam a sede e aliviam o calor das pessoas. As vacas oferecem seu leite, produ-
zido principalmente para seus bezerros, com um espírito de generosidade, nascido do
desapego, para ser compartilhado por outro. Assim, também aqueles que adquiriram
sabedoria devem oferecê-la aos demais, movidos pelo serviço amoroso.

Sathya Sai Baba.

Cidadania Moral e Ética I 7o ano 17

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Manual do Educador – 7 ano o


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1
Capítulo

Sugestão de
Abordagem
O homem e a ética

Depois que os alunos responderem A moral e a ética na sociedade


à questão 2, solicite que eles contem Herbert José de Souza, mais conhecido como Betinho, foi um famoso sociólogo e ativista
para a turma a sugestão de projeto so- dos direitos humanos. Na entrevista a seguir, ele nos fala sobre os conceitos de ética e moral.
cial. Deixe que os alunos discutam entre Acompanhe:
si a viabilidade de cada projeto apre-
O que é ética? O que legitima a ética?
sentado e se existe a possibilidade de Betinho: Ética é um conjunto de princípios e B.: A sua racionalidade. E, mais do que
ser aplicado na comunidade em que valores que guiam e orientam as relações huma- isso, a força e a transparência de determina-
eles vivem. nas. Esses princípios devem ter características dos princípios que parecem evidentes em si
A seguir, uma questão do Enem sobre universais, precisam ser válidos para todas as mesmos. Por exemplo, não matar. “Não matar”
ética e cidadania: pessoas e para sempre. [...] O primeiro código é um princípio que deve ser universal, deve fa-
de ética de que se tem notícia, principalmente zer parte do senso comum. Se fosse permiti-
para quem possui formação católica, cristã, são do matar, o canibalismo, a guerra, o genocídio
1. (Enem) A ética precisa ser com- os dez mandamentos. Regras como “Não mata- também estariam autorizados, e o caos se es-
preendida como um empreendimento rás”, “Não desejarás a mulher do próximo”, “Não tabeleceria. Então, a sociedade ficaria inviável,
coletivo a ser constantemente retoma- roubarás” são apresentadas como propostas porque não há possibilidade de convivência
do e rediscutido, porque é produto da fundadoras da civilização ocidental e cristã. sem o respeito a certos princípios.
relação interpessoal e social. A ética Existe uma diferença entre moral e Existem sociedades que mantêm ati-
supõe ainda que cada grupo social se ética? tudes antiéticas?
B.: A ética é muito mais ampla, geral e uni- B.: Isso pode acontecer durante determina-
organize sentindo-se responsável por
versal do que a moral. A ética tem a ver com dos períodos, mas tenho a impressão de que,
todos e que crie condições para o exer- princípios mais abrangentes, enquanto a mo- historicamente, logo essas sociedades entram
cício de um pensar e agir autônomos. A ral se refere mais a determinados campos da em crises profundas e se desestruturam. A éti-
relação entre ética e política é também conduta humana. Quando a ética desce de sua ca é uma espécie de cimento na construção
uma questão de educação e luta pela generalidade, de sua universalidade, fala-se da sociedade: se existe um sentimento ético
soberania dos povos. É necessária uma de uma moral; por exemplo, uma moral sexual, profundo, a sociedade se mantém bem estru-
uma moral comercial. Acho que podemos dizer turada, organizada; e, quando esse sentimen-
ética renovada, que se construa a partir
que a ética dura mais tempo e que a moral e to ético se rompe, ela começa a entrar numa
da natureza dos valores sociais para or- os costumes prendem-se mais a determinados crise autodestrutiva.
ganizar também uma nova prática polí- períodos. Mas uma nasce da outra. É como se
tica. (CORDI et al. Para filosofar.) a ética fosse algo maior, e a moral fosse algo
RODRIGUES, Carla; SOUZA, Herbert de. Ética e cidadania. São
Paulo: Moderna, 1994.
O século XX teve de repensar a ética mais limitado, restrito, circunscrito. [...]
para enfrentar novos problemas oriun-
dos de diferentes crises sociais, confli-
tos ideológicos e contradições da rea- ? Questão de ética
lidade. Sob esse enfoque e a partir do
texto, a ética pode ser compreendida 1. Conforme as ideias do autor, como diferenciar ética de moral?
como:
A ética é um conjunto de princípios universais, enquanto a moral está atrelada a campos
a) Instrumento de garantia da cidada-
nia, porque através dela os cidadãos específicos da conduta humana, sendo esta menos abrangente que a primeira.
passam a pensar e agir de acordo
com valores coletivos. 18 Cidadania Moral e Ética I 7o ano
b) Mecanismo de criação de direitos
humanos, porque é da natureza do
homem ser ético e virtuoso. CMeE_7A_2017_01a80_REV01.indb 18 05/01/17 22:05

c) Meio para resolver os conflitos so- político primando pelos interesses e


ciais no cenário da globalização, pois pela ação privada dos cidadãos. Anotações
a partir do entendimento do que é e) Aceitação de valores universais im-
efetivamente a ética, a política inter- plícitos numa sociedade que busca
nacional se realiza. dimensionar sua vinculação a outras
d) Parâmetro para assegurar o exercício sociedades.

18 Cidadania Moral e Ética

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Fundamentação
2. Relate como seria um projeto social criado por você. Em que problema(s) você focaria? Que O amor, ao que tudo indica, é o
ações tomaria e incentivaria? sentimento mais forte de que é capaz
a psique. Ele costuma atropelar e ar-
Resposta pessoal
rastar outros sentimentos com ele em
seu caminho. [...] É raro identificarmos
o amor em estado puro; aparente-
mente ele prefere atuar misturado.
3. Qual é a importância da ética para a manutenção da organização social? Cada mistura é um caso, e cada caso
tem suas singularidades. Os apaixo-
A ética promove o equilíbrio social quando estabelece princípios gerais que vão além de nados, os arrebatados pela paixão,
ideias pessoais e culturais que possam desestabilizar uma sociedade. são levados a crer que estão sendo
conduzidos por uma força irresistível.
[...]
No plano da história político-cul-
tural e no plano jurídico, entretanto,
podemos reconhecer que o amor de-
Para refletir sempenha um papel sutil ao incitar os
seres humanos à busca de um mundo
Coloque-se no lugar do outro
melhor e mais justo.
Julgar as pessoas não é uma atividade das mais simples. É difícil fazer um julgamento Se, para os indivíduos, no plano
quando sabemos que também temos nossos defeitos. Há uma história do discípulo que subjetivo, o amor, filho de Poros e
perguntou para o mestre: Pênia, acena com a possibilidade de
— Como devo me comportar quando estiver julgando meus companheiros? — E o se situar conscientemente entre o ex-
mestre respondeu para o aluno: cesso e a carência, num plano mais
— Quando for julgar seus companheiros, procure olhá-los nos olhos e a si mesmo.
abrangente (histórico-social), o amor
— Mas isso não é uma atitude egoísta? — questionou o discípulo.
— Não, não é uma atitude egoísta, pelo contrário. Se ficarmos preocupados conosco, desempenha um papel crucial: cabe a
jamais veremos o que os outros têm de bom para oferecer. Quem dera sempre conseguís- ele atuar como fator permanente de
semos ver as coisas boas que estão à nossa volta! Na verdade, quando olhamos o próximo, aperfeiçoamento das leis, dos princí-
estamos apenas procurando defeitos. Tentamos descobrir sua maldade porque desejamos pios, dos valores universais.
que seja pior que nós. Nunca o perdoamos quando nos fere porque achamos que jamais
seríamos perdoados por ele. Conseguimos feri-lo com palavras duras, afirmando que dize- KONDER, Leandro. Sobre o amor. São Paulo:
mos a verdade, quando estamos apenas tentando ocultá-la de nós mesmos. Fingimos que Boitempo, 2007.
somos importantes para que ninguém possa ver nossa fragilidade.
Por isso, sempre que estiver julgando o seu irmão, tenha consciência de que é
você quem está no tribunal.

RANGEL, Alexandre. O que podemos aprender com os gansos. 1º ed. São Paulo: Editora Original, 2004.

Anotações
Cidadania Moral e Ética I 7o ano 19

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Manual do Educador – 7o ano 19

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1
Capítulo

Fundamentação
O homem e a ética

A aula e a avaliação discente Sobre o amor


Não existe bom professor que não Numa sala de aula, havia várias crianças. Uma delas perguntou à professora:
seja um excelente avaliador. Isso vale — Professora, o que é o amor?
para instrutores de autoescola, mes- A professora sentiu que a criança merecia uma resposta à altura da pergunta inteligente que
fizera. Como já estava na hora do recreio, pediu para que cada aluno desse uma volta pelo pátio
tres que ensinam a cozinhar e qualquer
da escola e trouxesse o que mais despertasse nele o sentimento de amor.
outro profissional, que somente pode As crianças saíram apressadas, e, ao voltarem, a professora disse:
ter certeza de sua eficácia quando — Quero que cada um mostre o que trouxe consigo.
bem avaliou e pode aferir com clare- A primeira criança disse:
za a aprendizagem por parte de quem — Eu trouxe esta flor, não é linda?
aprendeu. Não há no mundo inteiro e A segunda criança falou:
— Eu trouxe esta borboleta. Veja o colorido de suas asas. Vou colocá-la em minha coleção.
não há, por certo, no Brasil um bom
A terceira criança completou:
trabalho que não culmine com uma efi- — Eu trouxe este filhote de passarinho. Ele havia caído do ninho junto com outro irmão. Não
ciente avaliação, pois somente ela pode é uma gracinha?
garantir que o trabalho de ensino foi E assim as crianças foram se colocando. Terminada a exposição, a professora notou que
realmente positivo. havia uma criança que tinha ficado quieta o tempo todo. Ela estava vermelha de vergonha, pois
O aluno, e somente ele, pode pelas nada havia trazido. A professora se dirigiu a ela e perguntou:
aprendizagens que conquistou de- — Meu bem, por que você nada trouxe?
E a criança timidamente respondeu:
monstrar a efetiva capacidade de quem
— Desculpe, professora. Vi a flor e senti o seu perfume. Pensei em arrancá-la, mas preferi
lhe ensinou. É por esse motivo que, deixá-la para que seu perfume exalasse por mais tempo. Vi também a borboleta, leve, colorida!
pouco a pouco, vai ganhando corpo no Ela parecia tão feliz que não tive coragem de aprisioná-la. Vi também o passarinho caído entre
Brasil a ideia já bem aceita em outros as folhas, mas, ao subir na árvore, notei o olhar triste de sua mãe e preferi devolvê-lo ao ninho.
países de que bom professor se verifica Portanto, professora, trago comigo o perfume da flor, a sensação de liberdade da borboleta e a
na avaliação de seus alunos através de gratidão que senti nos olhos da mãe do passarinho. Como posso mostrar o que trouxe?
A professora agradeceu à criança e lhe deu a nota máxima, pois ela foi a única que percebeu
resultados expressivos, avaliação prefe-
que só podemos trazer o amor no coração.
rivelmente feita por outros professores.
Mas existe substancial diferença em Autor desconhecido.

avaliar a preparação de um motorista


ou de um cozinheiro e a de um aluno
do Ensino Fundamental ou do Ensino
Médio.
No primeiro caso, avalia-se a eficácia
de uma técnica, e no caso da sala de
aula se avalia a aprendizagem signifi-

solgas/Shutterstock
cativa e todos os outros requisitos que
essa aprendizagem exige. É por esse
motivo que avaliar é muito mais que
aplicar provas e corrigi-las, pois uma
20 Cidadania Moral e Ética I 7o ano
avaliação de qualidade jamais dispensa
a presença sempre simultânea de seis
princípios: CMeE_7A_2017_01a80_REV01.indb 20 05/01/17 22:05

1. É educativa: não apenas apresenta dades em que, com maior ou menor aluno, sua posição entre os colegas
os resultados como visa à orientação capacidade, esforça-se. e a relação com os professores como
ao aluno, destacando seu progresso 3. É persistente, uma vez que leva em aluno antigo ou novo, em processo
e seus limites e enfatizando os pon- conta as provas, mas baseia-se tam- de integração ou não.
tos que requerem maior empenho e bém em lições, relatórios científicos, 5. É serena, e, portanto, o aluno a re-
mais ampla dedicação. desempenho nos trabalhos em grupo cebe como instrumento normal do
2. É abrangente, pois oferece informa- e, sobretudo, a observação de seu em- acompanhamento de seu progresso,
ções não apenas sobre os progres- penho e sua dedicação diante dos múl- jamais sentindo tensões, inseguran-
sos obtidos pelo aluno, mas também tiplos desafios propostos. ças e ansiedades, ainda que efetiva-
sobre seus interesses e suas motiva- 4. É inclusiva, ao levar em consideração mente considere o resultado, a dedi-
ções, suas necessidades e as habili- a diversidade cultural e linguística do cação e o empenho do aluno.

20 Cidadania Moral e Ética

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Anotações

? Questão de ética

1. Para você, o que é o amor?


Resposta pessoal

2. De que maneira as palavras da última criança refletem a mensagem do texto? Comente.


Resposta pessoal

3. Pesquise, em jornais e revistas, recorte e cole imagens que representem uma das três ca-
racterísticas do amor verdadeiro.
Resposta pessoal

Cidadania Moral e Ética I 7o ano 21

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6. É transparente, porque jamais ocul- necessita efetivamente abrigar os aspec-


ta ao aluno quais suas expectativas e tos destacados, uma cuidadosa reflexão
informa não apenas resultados, mas do professor sobre a prática que empre-
etapas de conquistas e avanços. ga e a que deverá empregar já exalta os
Observando-se os seis itens, pode pa- pontos dessa mudança. A boa avaliação
recer difícil ao professor, sobrecarregado nesta ou naquela disciplina, para as sé-
de aulas e inúmeras outras funções, de- ries iniciais ou finais, deve emergir de um
senvolver uma avaliação assim, abran- bom planejamento pedagógico e de um
gente. Mas cabe destacar que poucos efetivo trabalho de uma equipe.
desses itens implicam um trabalho espe-
ANTUNES, Celso. Primeiros degraus. São Paulo: Edições
cífico. Consciente de que toda avaliação Loyola, 2012.

Manual do Educador – 7o ano 21

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1
Capítulo

Sugestão de leitura ////


O homem e a ética

Sobre a amizade 4. Pesquise em dicionários os possíveis significados de amor.


Autor: Michel de Montaigne
Resposta pessoal

Considerado o criador do ensaio


como gênero literário, o francês Mi-
chel de Montaigne versou sobre os
mais diversos aspectos da natureza
humana em seus textos publicados
ao fim do século XVI. Neste livro, o 5. Leia a letra da música a seguir e, depois, responda:
autor mostra que, ao contrário do ca-
samento, a amizade possui um calor Monte Castelo

geral e universal, permanentemente


Ainda que eu falasse
temperado e igual, um calor constan- a língua dos homens
te e relaxado, todo gentileza e poli- e falasse a língua dos anjos,
dez, que não tem nada de amargo sem amor eu nada seria.
nem de doloroso. Já as relações fami-
liares são incapazes de alimentar uma É só o amor! É só o amor
que conhece o que é verdade.
comunicação direta e recíproca, pois
O amor é bom, não quer o mal,
nem todos os pensamentos secretos não sente inveja ou se envaidece.
dos pais podem ser comunicados aos
filhos. O amor é o fogo que arde sem se ver.
É ferida que dói e não se sente.
É um contentamento descontente.
É dor que desatina sem doer.
Sugestão de
Abordagem É um não querer mais que bem-querer.
É solitário andar por entre a gente.
Inicie a aula perguntando aos alu- É um não contentar-se de contente.
nos se sabem dizer o que é amizade, É cuidar que se ganha em se perder.
o que entendem por isto. Dentro des- [...]
ta investigação, poderá indagá-los se RUSSO, Renato. In: As quatro estações. EMI, 1989.

têm amigos. Após escutar as respos-


tas, você poderá falar da importância a. Qual é a mensagem principal da canção?
que tem a amizade em nossa vida. Resposta pessoal
Coloque também a seguinte pergun-
ta no quadro: vocês saberiam dizer
qual a importância da amizade para
a vida de uma pessoa?
Demonstre a importância de se cul- 22 Cidadania Moral e Ética I 7o ano
tivar amigos dentro e fora da escola,
bem como cultivar os bons hábitos
de convivência e amor dentro da fa- CMeE_7A_2017_01a80_REV01.indb 22 05/01/17 22:05

mília e incentivar o respeito mútuo a


partir de atividades compartilhadas Anotações
em grupo, a fim de diminuir atitudes
de agressividade no relacionamento
entre os alunos.

22 Cidadania Moral e Ética

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Sugestão de
Abordagem
b. A música faz referências a outros textos. Que textos são esses? Se houver necessidade,
faça uma pesquisa.
Questão do Enem a ser usada como
complemento, caso seja apropriado:
Um conhecido poema de Luís Vaz de Camões e o texto bíblico do livro de 1 Coríntios. 1. (Enem) “A ética exige um gover-
no que defenda a igualdade entre os
cidadãos, a qual constitui a base da
c. Que relações podemos encontrar entre o texto Sobre o amor e a canção Monte Castelo? pátria. Sem ela, muitos indivíduos não
Ambos os textos se referem ao amor como um sentimento altruísta, que faz a pessoa colocar
se sentem em casa, mas vivem como
estrangeiros em seu próprio lugar de
os interesses alheios acima dos seus. nascimento.”

SILVA, R. R. Ética, defesa nacional, cooperação dos


d. Na página 14, lemos o texto O buscador da verdade, no qual o conceito de verdade e povos.
sua procura são questionados. Leia novamente aquele texto e, com base nele e em seu
conhecimento, responda: há alguma relação entre o texto e a canção Monte Castelo? Os pressupostos éticos são essen-
Resposta pessoal ciais para a estruturação política e
a integração de indivíduos em uma
sociedade. Segundo o texto, a ética
corresponde a:
a) Valores e costumes partilhados
Para refletir
pela maioria da sociedade.
b) Preceitos normativos impostos
Por que os filósofos davam tanta importância à amizade?
pela coação das leis.
Ela é a negação do individualismo, do egoísmo e da ganância. c) Normas próprias determinadas
pelo governo de um país.
Algumas das mais tocantes reflexões dos filósofos referem-se à amizade. Sem ela não d) Transferência dos valores familia-
há sociedade que se sustente. Aristóteles, que disputa com Sócrates e Platão o título de res para a esfera social.
maior entre todos os sábios, a definiu como “uma alma em dois corpos”.
e) Proibição da interferência de es-
Marco Aurélio, o imperador filósofo de Roma, afirmou que as pessoas nascem para
ajudar umas às outras, assim como os braços quase nada fazem um sem o outro.
trangeiros na pátria de cada um.
“A natureza parece muito particularmente interessada em semear em nós a necessida-
de de termos amigos”, disse Montaigne, o estoico tardio que iluminou a França no século
XVI. “A amizade assinala o ponto mais alto de perfeição na sociedade.” Anotações
A amizade é a base da elevação de toda comunidade. Pois ela se opõe a venenos
como o egoísmo, o individualismo, a ganância. Amizade significa compartilhar, dividir,
crescer não sozinho, mas, sim, em grupo.

Disponível em: http://qga.com.br/comportamento/2013/09/por-que-os-filosofos-davam-tanta-importancia-a-


amizade. Adaptado. Acesado em 20/08/2016.

Cidadania Moral e Ética I 7o ano 23

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Manual do Educador – 7o ano 23

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1
Capítulo

Fundamentação
O homem e a ética

Planejamento: Dúvidas na volta à ? Questões para reflexão


ativa depois das férias
1. A amizade para você é muito importante?
Peguei uma turma considerada difícil 2. Se a amizade é a base para toda a comunidade, porque há tanta guerra?
por meus colegas. Como me preparo 3. Você acredita em amizade sincera?
para encarar esse desafio? 4. Que relações podemos manter entre a amizade e a ética?
Em primeiro lugar, relativizando o
conceito de difícil. O comportamen-
to dos alunos depende de sua relação Apelo de um idoso
com eles, e as impressões sobre a “difi-
culdade” das turmas são muito particu- — Se meu andar é hesitante e minhas mãos trêmulas, ampare-me.
lares. Não são raras as ocasiões em que — Se minha audição não é boa e tenho de me esforçar para ouvir o que você está dizendo,
tenha compaixão.
classes consideradas difíceis por um
— Se minha visão é imperfeita e o meu entendimento é escasso, ajude-me com paciência.
professor se dão bem com outro. [...] — Se minhas mãos tremem e derrubo comida na mesa ou no chão, por favor, não se irrite,
Nas conversas com os colegas, procure tentei fazer o melhor que pude.
descobrir quais são especificamente os — Se você me encontrar na rua, não faça de conta que não me viu; pare para conversar comi-
traços que tornam essa turma “difícil”. go, sinto-me só.
Os problemas são relacionados à indis- — Se você, na sua sensibilidade, me vir triste e só, simplesmente partilhe um sorriso e seja
solidário.
ciplina, ao desempenho nas avaliações
— Se lhe contei pela terceira vez a mesma história num só dia, não me repreenda, simples-
ou a qual outro fator? Caso o proble- mente ouça-me.
ma seja relacionado ao comportamento — Se me comporto como criança, cerque-me de carinho.
dos alunos (brigas constantes e divisão — Se estou com medo da morte e tento negá-la, ajude-me na preparação para o adeus.
da sala em panelinhas, por exemplo), — Se estou doente e sendo um peso, não me abandone.
planeje atividades que beneficiem a Autor desconhecido.

convivência, privilegiando o trabalho


em grupos. Outra estratégia importan- ? Questão de ética
te é a separação de um tempo semanal
para discutir esses problemas, como as
1. O objetivo do autor do texto é mostrar:
assembleias de classe. ( ) O sucesso que os idosos fazem na sociedade.
( x ) A fragilidade do idoso.
Desconfio de que minha turma ain- ( ) A vida bastante ativa dos idosos.
da não tenha consolidados alguns co- ( x ) O descaso para com a pessoa idosa.
nhecimentos de anos anteriores. O que ( ) A grande quantidade de idosos no Brasil
devo fazer?
Antes de tudo, certifique-se de sua 2. O autor vê a velhice como algo negativo? Comente.
impressão. Uma avaliação diagnóstica Não. Faz apenas um apelo, ou seja, pede mais respeito.
precisa é essencial para que o docente
parta do que as crianças já sabem e não 24 Cidadania Moral e Ética I 7o ano
perca tempo voltando ao que eles já co-
nhecem. Ao notar que a turma — como
um todo — não atingiu as expectativas CMeE_7A_2016_CAP1.indd 24 05/01/17 22:12

de aprendizagem de anos anteriores, Tenho alunos que, apesar de já estarem um profissional preparado para a tarefa.
é importante repensar o planejamen- nos anos finais do Ensino Fundamental, “Enquanto isso, os docentes da turma
to. Os conteúdos ainda no dominados ainda não leem e escrevem convencio- contribuem planejando junto com o
pela turma devem ser retomados. “Os nalmente. Como corrigir esse problema? coordenador pedagógico adaptações
alunos não podem deixar de aprender A situação precisa ser resolvida pela e flexibilizações para as atividades em
e, se eles não foram assimilados no pas- equipe gestora da escola. Os professores sala de aula para que o aluno não alfa-
sado, é papel do professor que assumiu especialistas, que dão aula nesse seg- betizado possa participar das aulas com
a turma ensinar”, defende Débora Rana, mento, não costumam ter formação vol- os colegas”, defende Débora Rana.
formadora do Instituto Avisa Lá e coor- tada à alfabetização. Por isso, coordena-
denadora pedagógica da escola Projeto dor e diretor devem planejar uma rotina
Vida, na capital paulista. para que esse aluno seja alfabetizado por

24 Cidadania Moral e Ética

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3. Cite expressões do texto que demonstrem que o autor quer sensibilizar o leitor.
“Ampare-me”, “seja solidário”, “tenha compaixão”, “ouça-me”, “ajude-me com paciência”,

“dê-me carinho”, “pare para conversar comigo”, “ajude-me”, entre outras.

4. Algumas pessoas consideram os idosos como um fardo. Você concorda com elas? Explique.
Resposta pessoal

5. Na sua família, você convive com idosos? Quem são e como você os trata?
Resposta pessoal

6. Existe um documento chamado Estatuto do Idoso. Pesquise e escreva alguns dos direitos e
algumas das garantias dos idosos expressos no regulamento.

Resposta pessoal

7. Observe os idosos a seguir. Descreva como você acha que eles vivem e o que provocou as
diferentes formas de envelhecer deles.

Diego Cervo/Shutterstock
Nolte Lourens/Shutterstock

Resposta pessoal

Cidadania Moral e Ética I 7o ano 25

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Manual do Educador – 7 ano o


25

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1
Capítulo

Sugestão de leitura ////


O homem e a ética

Idosos no Brasil: vivências, 8. Conte como você imagina a sua velhice.


desafios e expectativas na
Resposta pessoal
terceira idade
Autora: Anita Liberalesso Néri

O livro reúne análises aprofunda-


das dos dados da pesquisa realizada
pela Fundação Perseu Abramo em
parceria com o Serviço Social do Co- 9. Pesquise, em jornais e revistas ou na Internet, notícias sobre maus-tratos a idosos. Leia es-
sas notícias com seus colegas e, depois, debatam os acontecimentos descritos.
mércio (Sesc). A pesquisa, uma das
Resposta pessoal
mais amplas já feitas no Brasil sobre
os idosos, ouviu 2.136 pessoas com
mais de 60 anos, e 1.608 jovens e
adultos de 16 a 59 anos, residentes
em 20 municípios pequenos, médios Para refletir
e grandes das cinco regiões do País.
Assinados por reconhecidos estu- Gerações
diosos da terceira idade, os artigos
A conversa era difícil entre as gerações. Quando, por exemplo, o Velho dizia que joga-
escritos especialmente para o livro
dor tinha sido o Leônidas, o filho discordava.
analisam a realidade e as expectati- — Não sei, já vi beques melhores...
vas dessa parcela cada vez maior da — Mas que beque? E o Leônidas era beque?
população em relação a escolarida- — De que Leônidas o senhor está falando?
de, discriminação social, garantia dos — Leônidas da Silva! O Diamante Negro. Nunca houve outro.
direitos, saúde, discriminação racial, — Ah! Eu estava falando de outro. Um que jogou no Botafogo...
família, cultura e lazer, produtividade O neto nem se manifestava. Não havia nenhum Leônidas digno de nota na sua geração.
— Beque era o Da Guia — dizia o Velho.
e renda, entre outros cruzamentos.
— O Ademir da Guia não era beque — retrucava o filho.
Numa abordagem original, analisam, — E quem é que está falando no Ademir? Estou falando no Domingos. Até porque
também, a autoimagem dos idosos, Ademir, para mim, só houve um. O Queixada. O homem do rush.
assim como a imagem que deles têm — Do quê?
os mais jovens, compondo um re- — Do rush.
trato surpreendente e fidedigno da O filho sacudia a cabeça, divertido. O neto pensava vagamente em mencionar o Ademir
do Inter, só para não ficar fora da conversa, mas desistia. Sobre cinema, então, o desen-
terceira idade no Brasil. Ao final do
contro era completo.
livro, como apoio à leitura dos textos, — Barbara, Barbara... — tentava lembrar-se o Velho. O sobrenome começa com “S”.
gráficos e tabelas trazem um resumo — Streisand.
substancial da pesquisa. — Stanwick, isso! Que atriz. Ninguém gritava como ela. E o Robert.

26 Cidadania Moral e Ética I 7o ano

Diálogo com o
professor CMeE_7A_2016_CAP1.indd 26 17/01/17 14:36

Para que uma aprendizagem signi-


Anotações
ficativa possa acontecer, é necessário
investir em ações que potencializem
a disponibilidade do aluno para a
aprendizagem, o que se traduz, por
exemplo, no empenho em estabele-
cer relações entre seus conhecimen-
tos prévios sobre um assunto e o que
está aprendendo sobre ele.

26 Cidadania Moral e Ética

ME_CIDADANIA_E_ETICA_7ANO_Cap_1.indd 26 17/01/17 15:03


— Redford?
— Taylor.
Na verdade, a diferença em anos não era tão grande assim. Não chegariam ao ponto
de falar em Maria Antonieta e um estar pensando na do Luís XVI e o outro na Pons. Mas
Chico para um era o Alves e para o outro só podia ser o Buarque de Hollanda. Que, aliás,
para um não era o Chico, era o Sérgio. Shirley era Temple para o Velho e MacLaine para
o filho. O neto quebrava a cabeça. Shirley. Conhecia alguma Shirley? Não havia nenhuma
Shirley no seu universo. Ficava quieto.
— Richard Burton...
— Grande ator.
— Não era ator. Escritor e explorador inglês. Século XIX.
— Ah, século XIX...
Ou então:
— Verissimo... — dizia o filho.
— O José?
— O Erico.
“A Lúcia”, pensava o neto suspirando. Mas não abria a boca. Até que, um dia, saiu uma
discussão sobre se era Halley com dois eles ou Haley com um ele só. E o neto interferiu,
seguro:
— É Halley com dois eles. Foi o nome do descobridor.
— Eu não disse? — falou o Velho, triunfante.
— Espere aí. De que Halley vocês estão falando?
— Do cometa! — disseram o Velho e o neto juntos.
E depois ficaram trocando informações. “Tu viu ele da última vez, vô? Sei tudo sobre o
cometa. Sabe que ele vai voltar?”
E deixaram o filho sozinho, sentindo-se abandonado, pensando que fim levara
o seu disco do Bill Haley. O trecho da música é: “One, two, three o’clock, four
o’clock rock, five...”.

VERISSIMO, Luis Fernando. Mais comédias para ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2008.

? Questões para reflexão

1. Qual é o tema abordado no texto?


2. Como são as conversas entre as pessoas mais velhas da sua casa e você?
3. Qual é a sua opinião a respeito das pessoas mais velhas?
4. Como você gostaria de ser tratado se fosse idoso?
5. Qual é a relação entre o texto e o tema do capítulo?

Cidadania Moral e Ética I 7o ano 27

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Manual do Educador – 7 ano o


27

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2
Capítulo

Objetivos
Ciência e tecnologia

2
Pedagógicos Ciência e

Capítulo
• Refletir sobre a importância
de, no momento atual, tecnologia
compreendermos os impactos do
uso da tecnologia na nossa vida
diária e em nossas inter-relações Vamos dialogar!
pessoais.
A tecnologia, seja no campo da medicina, do entre-
• Discutir o tema da tecnofobia. Conhecimentos prévios tenimento, das relações sociais e tantos outros, ocupa
um lugar de destaque na nossa vida. Neste capítulo,
• Analisar as vantagens e as • Você faz uso frequente
discutiremos as vantagens e as desvantagens desse
das tecnologias?
desvantagens do grande aparato • No seu dia a dia, as redes
grande alcance tecnológico. Faremos isso a partir da
leitura de pontos de vista diferentes e de atividades que
tecnológico em meio às relações sociais atrapalham ou
promovem nossa reflexão.
sociais. ajudam sua vida?
nenetus/Shutterstock
• Você conhece alguém
• Estudar o crescimento da que é avesso à
tecnologia?
utilização de robôs nos mais • O uso da tecnologia
variados campos profissionais. implica novas formas
de pensar e agir
• Observar os prejuízos do uso na sociedade, seu
abusivo da Internet e dos jogos comportamento mudou
depois da tecnologia?
eletrônicos.

Sugestão de leitura ////

Ética, educação e tecnologia:


pensando alternativas para
os desafios da educação na
atualidade
Autor: Paulo César Nodari (Org.)

As questões e os desafios emergen-


tes na sociedade contemporânea, es-
pecialmente os que dizem respeito às
relações humanas em seus diferentes
contextos, convocam-nos a “redimen-
sionar” nossa concepção de conheci- CMeE_7A_2017_01a80_REV01.indb 28 05/01/17 22:05

mento, de educação e dos respecti- Fundamentação


vos processos educativos. Para isso, é
especialmente relevante buscar cone- Técnica e tecnologia são palavras do, por inúmeras razões, as transforma-
xões entre filosofia e educação, a fim que exprimem a forma da consciência ções radicais que marcaram, no velho
de que as práticas educativas possam do homem de nossos tempos. Isso é continente, a forma nova de nossa anti-
impulsionar transformações no sen- válido não só para o mundo cultural, ga cultura. Cremos que só no século XX,
tido de promover a formação de in- em que a técnica surgiu, mas exprime de maneira irrevogável, porém, depois
divíduos criativos e empreendedores o próprio modo da primeira civilização da Segunda Guerra Mundial, vem-se
capazes de despertar o mundo para planetária. O Brasil, embora integrado, verificando entre nós a revolução tec-
uma consciência global e sistêmica. por sua tradição latina, ao mundo cultu- nológica, expressa teoricamente pelo
ral europeu, não acompanhou, contu- desenvolvimentismo, perspectiva que

28 Cidadania Moral e Ética

ME_CIDADANIA_E_ETICA_7ANO_Cap_2.indd 28 17/01/17 14:50


Anotações
Para iniciarmos o diálogo sobre esse assunto, pense no questionamento em destaque e
analise as imagens indicadas. Em seguida, discuta o tema com seus colegas e seu professor.
Por que pensar hoje sobre ciência e tecnologia?
Tyler Olson/Shutterstock

falk/Shutterstock
O avanço da tecnologia permitiu o aprimoramento de Cresce o número de transplantes de pele, um
métodos de imagem na medicina, como os exames procedimento cirúrgico bastante complexo. Em
radiológicos. 2010, foi realizado o primeiro transplante facial
total do mundo.
nenetus/Shutterstock

A tecnofobia
As pessoas costumam ter algum ou até diversos tipos de medo: de altura, de animais, de
antes, que a forma do próprio relacio-
procedimentos cirúrgicos, de esportes radicais, etc. Mas como explicar, em uma sociedade em
que, cada vez mais, a técnica está presente, pessoas que têm medo da tecnologia moderna
namento do homem com a realidade é
(chamado de tecnofobia)? tecnológica.
No século XX, a humanidade viveu sob uma intensa evolução tecnológica, presenciando o [...] Consciência tecnológica é cons-
alastramento do automóvel, do telefone, da luz elétrica, da gravação sonora, do cinema, dos ciência que tudo vê a partir do caráter
antibióticos, entre muitos outros inventos. O desenvolvimento dos computadores, calcado na de sujeito atribuído ao homem; técni-
conversão dos mais variados tipos de informação em códigos digitais binários, acelerou os pro- ca e autorrealização do homem como
cessos de comunicação e interligou o planeta com uma malha de redes eletrônicas, gerando
doador de sentido a tudo o que existe.
consequências para quase todas as áreas do conhecimento.
Nesse cenário, os incentivadores podem demonstrar um entusiasmo fervoroso, chegando a Para o sujeito, tudo é considerado ape-
ser chamados de tecnófilos, enquanto os receosos mostram uma forte resistência e podem nas na perspectiva da autoposição da
desenvolver verdadeiras fobias, sendo chamados de tecnófobos. subjetividade: consciência tecnológica
Um livro escrito por Bill Gates, que iria tornar-se o homem mais rico do mundo lucrando com é consciência da funcionalização uni-
uma empresa produtora de tecnologia, é emblemático da visão que considera as máquinas versal, já que a subjetividade relaciona
digitais como uma resposta salvadora para qualquer problema. Em um capítulo intitulado Edu-
todas as coisas a si, na perspectiva da
cação: O melhor investimento, ele afirma que “aprender com o computador será um trampolim
para aprender longe do computador”. Nesse raciocínio, para lidar com as incertezas geradas
função que elas possam ter em sua au-
pelas transformações advindas da tecnologia, a solução seria mergulhar ainda mais fundo no torrealização. [...]
uso das máquinas. Para essa consciência só é o que se
deixa objetivar. O sentido de realidade
Cidadania Moral e Ética I 7o ano 29 manifesta-se aqui como objetividade, a
capacidade de ser posto diante do ho-
mem, de ser usado pelo homem em sua
CMeE_7A_2017_01a80_REV01.indb 29 05/01/17 22:05 autorrealização; só é o que é dominável
pelo homem em função de si mesmo.
Nesse sentido, realidade emerge como
tem significado, nesse período, a pala- temporânea, a compreensão da totalida-
tudo o que se pode contrapor à uni-
vra-chave para a encarnação das metas de específica do mundo em que vivemos
dade vazia, que é a subjetividade, ho-
fundamentais dos diferentes governos hoje. [...] a forma específica da consciên-
rizonte que necessita de material para
que se sucederam no segundo pós- cia contemporânea é o tecnologismo,
conseguir conteúdo e, através dele, sua
-guerra. [...] e com isso não pretendemos simples-
autodeterminação e, consequentemen-
A pergunta pelo sentido da técnica mente dizer que o mundo ambiente do
te, sua autorrealização.
é a pergunta pela atitude do homem homem hodierno tem como um de seus
moderno diante do que é. Sua resposta constituintes fundamentais instrumentos OLIVEIRA, Manfredo Araújo de. Ética e racionalidade
explicita a forma da consciência con- técnicos, ou seja, frutos da técnica, mas, moderna. São Paulo: Loyola, 1993, p. 115-118.

Manual do Educador – 7o ano 29

ME_CIDADANIA_E_ETICA_7ANO.indb 29 06/01/17 10:49


2
Capítulo

Fundamentação
Ciência e tecnologia

Ecologia social
No passado, os seres humanos agru-
param-se por razões de obrevivência.
Hoje, isolam-se por tentativas de satis-
fação pessoal. Nossos ancestrais, per-
cebendo suas fragilidades diante da
natureza, buscaram no agrupamento,
na união dos indivíduos, o aumento da
força e da luta por objetivos comuns.
Aqueles que se mantiveram isolados
sofreram as consequências próprias

alphaspirit/Shutterstock
dos sozinhos: não sobreviveram.
Os seres humanos estão órfãos em
consequência da extinção dos gran-
des projetos, e o recolhimento ao
Por outro lado, muitos indivíduos preferem manter distância de computadores ou de qualquer
individualismo se oferece como uma outro aparelho digital. Essa escolha, muitas vezes, está relacionada ao medo de errar, causado
nova saída para os conflitos humanos. pela incompreensão do funcionamento dos mecanismos e agravado pelo fato de que gerações
Assim, o conceito psíquico de narci- mais jovens sempre apresentam mais facilidades no manuseio das novas tecnologias.
sismo ocupa um lugar que passa a A origem desse desconforto tecnológico pode ser detectada em filmes e livros de ficção
ser social. É pela passagem do cuida- científica, que serviam de aviso para os caminhos que estavam sendo traçados. Sob certo as-
pecto, o pesadelo de muitos músicos se tornou realidade, na medida em que novas músicas
do de si ao interesse coletivo que se
eletrônicas podem surgir com o simples apertar de poucas teclas. Enquanto educadores com-
alcança o social. preendem a importância de lidar com os equipamentos que controlam o mundo digital, cresce
A nossa época é caracterizada pelo o temor de que os jovens desenvolvam uma apurada capacidade de apertar os botões certos,
acelerado desenvolvimento tecnológi- mas sem saber a razão ou as consequências desse ato.
co, sobretudo no setor de tecnologias
GOHN, Daniel. Tecnofobia na música e na educação: Origens e justificativas. Disponível em: http://www.anppom.com.br/opus/data/issues/
de informação via satélite — utilização archive/13.2/files/OPUS_13_2_Gohn.pdf. Adaptado. Acessado em: 15/01/2014.

em larga escala de redes de computa-


dores, em especial a Internet. [...]
O ser humano é um ser desejante, ? Questão de ética
ainda que nunca alcance a satisfação
completa. Como os desejos são cons- 1. Siga a sequência abaixo:
tantes, qualquer satisfação diminui a a. Destaque uma parte do texto que tenha lhe chamado atenção. Transcreva-a.
tensão; porém, já um novo desejo se b. Apresente o trecho escolhido para seus colegas e justifique sua escolha.
organiza logo alcançando demanda c. Escute atentamente as escolhas e justificativas de seus colegas e opine quando possível,
promovendo, dessa forma, um debate.
de satisfação. d. Por fim, faça uma anotação a respeito das ideias apresentadas na discussão.
HALLAL, Roberto Curi. Sobre o amor e outros ensaios.
Rio de Janeiro: 7Letras, 2005, p. 41, 42. 30 Cidadania Moral e Ética I 7o ano

CMeE_7A_2017_01a80_REV01.indb 30 05/01/17 22:05

Sugestão de leitura ////


Inovação na sala de aula mização do ensino para a motivação e o ensino e na prática da leitura na escola.
Autor: Clayton M. Christensen aprendizado do aluno. O autor divide o livro em seções objeti-
vas e aborda temas como a comunica-
Na obra, é proposta uma abordagem Como usar a Internet na sala de aula ção em massa, a importância da Web
para os desafios da educação. Ao sa- Autor: Juvenal Zanchetta Jr. e os diferentes aspectos dos textos jor-
lientar a importância de tratar de for-
ma diferente pessoas que aprendem nalísticos. Oferece, ainda, roteiros de
Este livro traz ao educador um pano-
de forma diferente, o livro mostra o im- análise e sugestões de exercícios para
rama sobre suporte tecnológico e textos
portante papel da tecnologia na custo- a sala de aula.
jornalísticos visando à sua aplicação no

30 Cidadania Moral e Ética

ME_CIDADANIA_E_ETICA_7ANO.indb 30 06/01/17 10:49


A tecnologia aproxima ou afasta as pessoas?
De acordo com o senso comum, a tecnologia afasta as pessoas. Porém, isso pode não ser
verdade, desde que ela seja bem usada.
Com o avanço tecnológico, a troca de mensagens com outras pessoas teve um aumento
absurdo de velocidade: antes, uma carta poderia demorar semanas para chegar a outro conti-
nente; agora, a mesma mensagem pode ser enviada em segundos! Por outro lado, as tecnolo-
gias de última geração são restritas, basicamente, a pessoas com alto poder aquisitivo, pois, via
de regra, são extremamente caras. Tal restrição pode gerar o “efeito panelinha”, ou seja, quem
possui a tecnologia isola quem não a tem. [...]
A Internet também pode ajudar pessoas tímidas a romper barreiras psicológicas e, ao menos
virtualmente, conversar com outras pessoas sem medo e fazer novas amizades. Há também
quem utilize as redes sociais para flertar com pessoas desconhecidas ou simplesmente expan-
dir o círculo social.
Disponível em: http://www.tecmundo.com.br/rede-social/3093-debate-a-tecnologia-afasta-ou--une-as-pessoas-.htm. Adaptado. Acesso em: 13/03/2014.

2. Após a leitura do texto, e com o auxílio dos seus pais ou de outro adulto, analise as imagens
que seguem e converse sobre a questão abaixo:

A tecnologia, hoje, aproxima as pessoas ao mesmo tempo que as distancia. Facilita a


globalização, mas promove o isolamento. O que fazer diante disso?

WAYHOMEstudio/Shutterstock
AntonioGuillem/Shutterstock
wavebreakmedia/Shutterstock

a. Registre o comentário das pessoas que o ajudaram e não se esqueça de identificar o


autor de cada resposta.
b. Em seguida, escreva os principais pontos da conversa.

Cidadania Moral e Ética I 7o ano 31

CMeE_7A_2017_01a80_REV01.indb 31 05/01/17 22:05

Manual do Educador – 7 ano o


31

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2
Capítulo

Fundamentação
Ciência e tecnologia

O uso de tecnologias em sala de O uso de robôs


aula
Segundo cientistas, a previsão é de que, dentro de 40
anos, os robôs estejam atuando de forma efetiva no cotidiano
A palavra tecnologia é de origem gre-
das pessoas. Apesar de a aceitação ser um ponto bastante
ga: tekne e significa “arte, técnica ou ofí- discutido, hoje já podemos notar sua presença em diversos
cio”. Já a palavra logos significa “conjun- setores, ainda que de forma contida. Mecanismos desenvol-
to de saberes”. Por isso, a palavra define vidos para a área médica já facilitam o dia a dia de profis-
conhecimentos que permitem produzir sionais e pacientes, assim como câmeras robôs (utilizadas
objetos, modificar o meio em que se em cirurgias), braços e pernas mecânicas (um “transplante”
vive e estabelecer novas situações para moderno), robôs como meio de transporte (destinado a defi-
cientes físicos), entre outros. O setor médico é o primeiro a
a resolução de problemas vindos da ne-
aderir a tais tecnologias sem maiores resistências por parte
cessidade humana. Enfim, é um conjunto das pessoas, uma vez que seus benefícios são imediatos. Po-
de técnicas, métodos e processos espe- rém, por serem muito inovadores, há uma grande resistência
cíficos de uma ciência, ofício ou indústria. ao encontrá-los no cotidiano.
Se pensarmos a tecnologia como modi- Recentemente, a rede de lanchonetes McDonald’s abriu
ficadora do meio onde vivem os homens, em Illinois, nos EUA, uma filial onde robôs atuam desde a pre-
paração dos lanches até a colocação na bandeja do cliente.
devemos pensar que tudo é tecnologia,
Tal fato, além de reduzir custos, diminui o tempo de atendi-
desde uma pedra (Idade das Pedras ou mento, devido à maior agilidade dos robôs na produção. Por
Pré-História) usada para utensílios e ar- outro lado, em pesquisa realizada pela rede alimentícia, de-
mas, até os mais modernos computado- tectou-se grande dificuldade por parte dos clientes em acei-
res da idade contemporânea. tar interagir com tais máquinas. Além dos funcionários que,
A tecnologia surge para facilitar a desempregados, encontram-se descontentes. O porta-voz
vida humana e seus afazeres. A partir da empresa explica que o objetivo da automação é a libera-
ção do gerente da loja, que poderá ter maior contato com o
do século XVIII, com a Revolução In-
público, e que o corte de funcionários é necessário, uma vez
dustrial e a ascensão do capitalismo, que a rede se beneficiará ao adequar-se ao novo sistema.
sciencephoto/Shutterstock

as tecnologias desenvolvem-se em um
ritmo acelerado, até atingir os dias con-
temporâneos, onde vemos a tecnologia
muito mais avançada. Assim, a socieda- ? Questão de ética
de cada vez mais se torna tecnológica,
inclusive na educação que necessita de 1. De acordo com o texto:
especialização de suas ciências. Neste a. Quais são os aspectos positivos no uso de robôs?
contexto, aparece um novo formato de Na medicina, o uso de robôs favorece melhor desempenho em procedimentos cirúrgicos e
educação, no qual giz, quadro e livros
não são mais os únicos instrumentos na recuperação de pacientes, por exemplo.
para dar aulas que os professores pos-
suem, necessitando assim desenvolver
um conjunto de atividades didático-
32
-pedagógicas a partir das tecnologias Cidadania Moral e Ética I 7o ano

disponíveis na sala de aula e as que os


alunos trazem consigo. (...)
O computador pode ser um grande alia- construção do conhecimento do aluno,
CMeE_7A_2017_01a80_REV01.indb 32 05/01/17 22:05
Um grande desafio na educação é
estimular os alunos a pensarem, pois é do no despertar desse interesse nos alunos, e não como um instrumento que apenas
bem mais fácil o professor passar vários pois por si próprio ele já exerce uma “atra- serve para passar mais rápido as infor-
exercícios repetitivos do que desenvol- ção” nos jovens e crianças. Com isso, é pos- mações necessárias. O uso do compu-
ver atividades que realmente estimulem sível aproveitar esse poder que o computa- tador deve auxiliar os professores na sua
e despertem o interesse dos alunos no dor tem sobre os alunos para desenvolver prática pedagógica e aos alunos como
decorrer das aulas. atividades que estimulem e contribuam fonte de pesquisa e investigação desses
A escola, ao criar ambientes interativos para a construção do conhecimento. novos conhecimentos adquiridos.
onde a criatividade é fundamental, pas- Mas temos que ter em mente que de-
RAMOS, Márcio Roberto Vieira. O uso de tecnologias
sará a transformar e criar novas ideias vemos utilizar o computador como um em sala de aula. Londrina: Revista Eletrônica: LENPES-
com seus alunos e professores. instrumento metodológico, facilitador da PIBID de Ciências Sociais – UEL, n. 2, v. 1, jul-dez, 2012.

32 Cidadania Moral e Ética

ME_CIDADANIA_E_ETICA_7ANO_Cap_2.indd 32 17/01/17 14:45


Sugestão de leitura ////
b. E quais são os aspectos negativos? Eu, robô
Segundo o texto, a população em geral tem dificuldade em se relacionar com robôs que
Autor: Isaac Asimov

exerçam funções antes atribuídas a pessoas, como no caso citado da rede de lanchonetes. Eu, robô reúne os primeiros textos
de Isaac Asimov sobre robôs, publi-
cados entre 1940 e 1950. São nove
contos que relatam a evolução dos
2. Vemos, todos os dias, que a tecnologia está cada vez mais no nosso dia a dia. Os robôs, por
exemplo, auxiliam em intervenções cirúrgicas e até mesmo na fabricação de carros e outras
autômatos através do tempo e que
máquinas industriais. Você acha que essa relação entre ser humano e robô pode, a qualquer contêm em suas páginas, pela pri-
momento, sair do controle? meira vez, as célebres Três Leis da Ro-
bótica — os princípios que regem o
Resposta pessoal
comportamento dos robôs e que mu-
daram definitivamente a percepção
que se tem sobre eles na literatura e
na própria ciência.

Anotações

Para refletir

Homem-máquina

Charles Neumann é engenheiro e trabalha em um sofisticado labora-


tório de pesquisas. Ele não tem amigos ou qualquer tipo de habilidade
social e ama máquinas e tecnologia. Por isso, quando perdeu uma das
pernas em um acidente de trabalho, Charles não encarou a situação
como uma tragédia, e sim como uma oportunidade. Ele sempre achou
que o frágil corpo humano poderia ser aperfeiçoado e, então, deci-
diu colocar em prática algumas ideias. E começou a construir partes.
Partes mecânicas. Partes melhores. A especialista em próteses Lola
Shanks é apaixonada por membros e órgãos artificiais. Quando conhe- fender sua própria vida, pois os robôs
ceu Charles, ela ficou fascinada com a possibilidade de ter encontrado um homem tentam encerrar sua investigação. Com
capaz de produzir um corpo totalmente mecânico. Mas as outras pessoas acham
o tempo se esgotando, uma ameaça
que ele é um louco. Ou um produto. Ou uma arma.
ainda mais séria emerge do coração do
mundo mecanizado. Uma ameaça que
coloca em perigo a própria existência
Cidadania Moral e Ética I 7o ano 33
do ser humano.

O homem bicentenário
CMeE_7A_2017_01a80_REV01.indb 33 05/01/17 22:05
Diretor: Chris Columbus
Sugestão de Filme Em 2005, uma família americana
compra um novo utensílio doméstico:
Eu, robô botics Corporation é encontrado morto, o robô chamado Andrew, para realizar
Diretor: Alex Proyas o detetive Del Sponer é chamado para tarefas domésticas simples. Entretanto,
investigar o caso. Com a ajuda da psi- aos poucos o robô vai apresentando
No ano de 2035, os robôs são pro- cóloga de robótica, Dra. Susan Calvin, o traços característicos do ser humano,
gramados para viverem em perfei- detetive Spooner levanta a hipótese de como curiosidade, inteligência e per-
ta harmonia com os humanos e já se que o principal suspeito pelo crime pode sonalidade própria. o início da saga de
tornaram parte do dia a dia no mundo ser um robô. Mas, à medida que Spooner Andrew em busca de liberdade e de se
inteiro. Quando um cientista da U.S. Ro- se aproxima da verdade, ele tem que de- tornar, na medida do possível, humano.

Manual do Educador – 7o ano 33

ME_CIDADANIA_E_ETICA_7ANO.indb 33 06/01/17 10:49


2
Capítulo

Fundamentação
Ciência e tecnologia

Importância dos jogos eletrônicos Questões para reflexão


na formação do aluno
?
1. A máquina pode vencer o homem?
O uso dos jogos eletrônicos na esco- 2. Por que somos tão dependentes de máquinas e de tecnologias?
la certamente deve ser voltado para os 3. Qual é a relação do texto da página anterior com o capítulo Ciência e tecnologia?
alunos e para a aprendizagem, como
um dos recursos utilizados para o de-
senvolvimento de habilidades como
concentração, memória, atenção e ra- Cuidado com os jogos eletrônicos
ciocínio lógico. Jogos eletrônicos já foram acusados de causar problemas como obesidade, déficit de aten-
Para que a criança desenvolva o con- ção, timidez e agressividade excessivas. Outros estudos, porém, alardearam seus benefícios
trole mental de sua expressão moto- no desenvolvimento de noção espacial, habilidades visuais e motoras e no combate ao declínio
ra, a Educação Física realiza atividades mental que surge com a idade. A tecnologia, dizem especialistas, não é vilã nem mocinha. O
considerando seus níveis de maturação segredo é o uso adequado.
biológica e, na parte recreativa, propor- A diferença entre o uso abusivo e o recreacional da Internet e dos jogos eletrônicos ainda é
um pântano mesmo para especialistas. Essa geração digital foi educada sob a perspectiva de
ciona a aprendizagem das crianças em
estar conectada e tem características muito diferentes das anteriores. Possuem mais amigos
várias atividades esportivas, que aju- virtuais que reais. Preferem conversas on-line. Até seus bichos de estimação são virtuais.
dam na conservação da sua saúde física Até aí, tudo bem. O problema surge quando o jovem começa a migrar da vida real para a
e mental e no equilíbrio sócio-afetivo. virtual e passa a negligenciar atividades comuns. Como esse uso excessivo não deixa sinais
O desenvolvimento psicomotor é de físicos, a diferenciação acaba sendo feita pelo prejuízo causado nas diversas áreas da vida.
suma importância na preservação de Disponível em: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,uso-excessivo-de-jogos-eletronicos-pela-geracao-digital-preocupa-pais,675835,0.htm.
problemas da aprendizagem e na re- Adaptado. Acessado em 13/03/2014.

dução do tônus, da postura, da direcio-


nal idade, da lateralidade e do ritmo. A
educação da criança deve evidenciar a
relação por meio do movimento de seu
próprio corpo, levando em considera-
ção sua idade, sua cultura corporal e
seus interesses. Essa abordagem cons-
titui o interesse da educação psicomo-
tora que para ser trabalhada necessita
da utilização das funções motoras, cog-
nitivas, perceptivas, afetivas e sócio-

Andrey_Popov/Shutterstock
-motoras. Sendo assim, a coordenação
motora é a junção de um conjunto de
habilidades e das estruturas corporais.
Dentro dos pré-requisitos para o de-
senvolvimento da coordenação motora,
34 Cidadania Moral e Ética I 7o ano
encontram-se a experiência adquirida,
a informação sensorial, a capacidade
intelectual e a antecipação. CMeE_7A_2017_01a80_REV01.indb 34 05/01/17 22:06

Na atividade de resolução dos jogos capacidades de retenção de informações aluno, aquelas que ele já possui e, de
eletrônicos, o computador pode ser um e o estímulo à criatividade. Também de- forma intencional, partir de algo praze-
importante aliado no desenvolvimento sencadeia o planejamento de situações, roso para os alunos para o alcance de
das funções motoras, já que em seus a formulação de hipóteses e a experi- importantes objetivos em relação ao
programas, a solução de alguns desses mentação, além de obrigar à tomada seu desenvolvimento psicomotor.
jogos exige a habilidade do raciocínio de decisões e a consequente confirma- MONTEIRO, Tairine Vieira Barros; MAGAGNIN, Cláudia
e das funções motoras, num encadea- ção ou invalidação das hipóteses criadas Dolores Martins; ARAÚJO, Cláudia Helena dos Santos.
mento de ideias e procedimentos, o pelo jogador à medida que o jogo se Importância dos jogos eletrônicos na formação do aluno.
Goiânia: Anais do simpósio – UFG. Disponível em:
que possibilita a interação mediadora desenrola. https://anaisdosimposio.fe.ufg.br/up/248/o/Tairine_
feita pelo professor. No ambiente escolar, o professor pode Vieira_Barros_Monteiro__Cla__dia_Dolores_Martins_
Nesse sentido, a utilização de video- propor o uso dos jogos eletrônicos, visan- Magagnin_e_Cl__udia_Helena_dos_Santos_Ara__jo.pdf.
Acesso em 11/08/2016
games permite o desenvolvimento das do a explorar as experiências vividas pelo

34 Cidadania Moral e Ética

ME_CIDADANIA_E_ETICA_7ANO.indb 34 06/01/17 10:49


? Questão de ética

1. Discuta, com seus colegas e seu professor, os limites de uso da tecnologia. Tomem como
ponto de partida o seguinte questionamento:

De que forma pode-se assegurar o bem-estar no convívio entre as pessoas em meio


às novidades tecnológicas?

Em seguida, escreva um pequeno texto relatando os resultados do debate.

Resposta pessoal

2. Com ajuda do professor, pesquise orientações quanto ao uso correto da tecnologia. Con-
verse sobre esse tema com seus colegas. Após isso, registre as medidas, dentre as encon-
tradas, que você adota e as que você precisa passar a adotar.

Resposta pessoal

3. Descreva, no quadro abaixo, em forma de texto e/ou desenho, manias suas ou de pessoas
conhecidas com o uso da tecnologia. Reflita e responda: essas manias são saudáveis?

Resposta pessoal

Cidadania Moral e Ética I 7o ano 35

CMeE_7A_2017_01a80_REV01.indb 35 05/01/17 22:06

Manual do Educador – 7 ano o


35

ME_CIDADANIA_E_ETICA_7ANO.indb 35 06/01/17 10:49


3
Capítulo

Objetivos
O trabalho

3
Pedagógicos

Capítulo
• Debater a importância do O trabalho
trabalho para o desenvolvimento
pessoal e social.
• Estudar as mudanças históricas
na participação da mulher no Vamos dialogar!
mercado de trabalho. Certamente, você ainda não trabalha, apenas se de-
Conhecimentos prévios dica aos estudos. Mas muitas pessoas à sua volta tra-
• Compreender as características balham, como o professor que está na sua sala e alguns
e as causas da exploração do • Para você, o que é
de seus familiares. O trabalho é um aspecto importante
trabalho?
trabalho infantil. • Você já presenciou
da nossa vida. E, por isso, devemos estar atentos às
questões a ele relacionadas, pois elas afetam a todos
situações em que
• Identificar as formas atuais de crianças ou adolescentes
nós. Neste capítulo, veremos, por exemplo, que não foi
sempre que a mulher trabalhou em tantas áreas como
trabalho escravo. estavam trabalhando?
atualmente e que, ainda hoje, existe exploração de tra-
• É verdade que o homem
balho entre as mulheres, crianças e pessoas desfavore-
• Conhecer as medidas que não trabalha não tem
cidas economicamente.
relacionadas à segurança do honra?

De cima para baixo da direita para esquerda: Great_Stock, santypan, Africa_Studio, Pressmaster/Shutterstock
• Quando você estuda,
trabalho. também é um trabalho?
• Você, estudante, já sofreu
Fundamentação exploração do trabalho
infantojuvenil?
O labor é a atividade que corresponde
ao processo biológico do corpo huma-
no, cujos crescimento espontâneo, me-
tabolismo e eventual declínio têm a ver
com as necessidades vitais produzidas e
introduzidas pelo labor no processo da
vida. A condição humana do labor é a
própria vida.
O trabalho é a atividade corresponden-
te ao artificialismo da existência humana,
existência esta não necessariamente con-
tida no eterno ciclo vital da espécie e cuja
mortalidade não é compensada por este
último. O trabalho produz um mundo ar-
tificial de coisas, nitidamente diferente de
qualquer ambiente natural. Dentro de suas
fronteiras, habita cada vida individual, em-
bora esse mundo se destine a sobreviver CMeE_7A_2017_01a80_REV01.indb 36

As três atividades e suas respectivas con- preservar corpos políticos, cria a condição
05/01/17 22:06

e a transcender todas as vidas individuais. dições têm íntima relação com as condições para a lembrança, ou seja, para a história. O
A condição humana do trabalho é a mun- mais gerais da existência humana: o nasci- labor e o trabalho, bem como a ação, têm
danidade. mento e a morte, a natalidade e a mortalida- raízes na natalidade, na medida em que
A ação, única atividade que se exer- de. O labor assegura não apenas a sobrevi- sua tarefa é produzir e preservar o mundo
ce diretamente entre os homens sem vência do indivíduo, mas a vida da espécie. O para o constante influxo de recém-chega-
a mediação das coisas ou da matéria, trabalho e seu produto, o artefato humano, dos que vêm a este mundo na qualidade
corresponde à condição humana da emprestam certa permanência e durabili- de estranhos, além de prevê-los e levá-los
pluralidade, ao fato de que os homens, dade à futilidade da vida mortal e ao cará- em conta. [...]
e não o Homem, vivem na terra e habi- ter efêmero do tempo humano. A ação, na
tam o mundo. [...] medida em que se empenha em fundar e
ARENDT, Hannah. A condição humana. Rio de Janeiro:
Forense Universitária, 2007, p. 15-17.

36 Cidadania Moral e Ética

ME_CIDADANIA_E_ETICA_7ANO.indb 36 06/01/17 10:49


Para refletir

Cada vez mais o trabalhador encontra-se forçosamente distanciado do produto de seu


trabalho. Distancia-se por estar desenvolvendo uma atividade mínima, especializada e
repetitiva, na qual, muitas vezes, desconhece o produto final resultante da junção de tantas
pequenas tarefas. E distancia-se também pelo fato de, muitas vezes, a remuneração por
ele obtida ser insuficiente para ter acesso àquilo que é produto de seu próprio trabalho. O
trabalhador, no capitalismo, é infinitamente diferente do artesão. Enquanto o artesão tinha
total domínio sobre seu local de trabalho, seus horários, suas atividades e matérias-primas e
o valor monetário de seu produto, o trabalhador de hoje se encontra submetido às tarefas,
condições e aos horários predeterminados pelo patrão, detentor dos meios de produção.
As relações, nesse sistema, são fortemente marcadas pelo poder.

Disponível em: http://www.sociologia.com.br/sociologia-do-trabalho/. Adaptado. Acessado em 17/01/2014.

A mulher no mercado
de trabalho
Nossa cultura é predominantemente machista. Todo o Jacob_Lund/Shutterstock

contexto histórico confirma a existência de diferenças so-


ciais entre o homem e a mulher, enfatizando a desvaloriza-
ção feminina. Até meados do século XX, a mulher era infe-
riorizada, isenta de qualquer participação política e sujeita
à tutela do pai, do irmão e, depois, do marido. Não tinha
direito a nada, nem mesmo à educação dos filhos. Ela era
simplesmente a sombra do esposo, a rainha do lar, sem
liberdade de decidir sobre coisa alguma.
Com o passar do tempo, a mulher, incomodada diante
desse sistema opressor, conscientizou-se da necessidade
de partir para a luta por seu espaço, por seus direitos.
No ano de 1857, na fábrica têxtil Cotton, em Nova York,
nos EUA, um grupo de mulheres protestou, através de uma
greve, contra a jornada diária de 16 horas de trabalho e os
baixos salários.
Os patrões, indignados, resolveram tocar fogo no pré-
dio, e 129 mulheres morreram queimadas. Esse fato ocor-
reu no dia 8 de março e ficou oficialmente marcado como
o Dia Internacional da Mulher, uma forma de homenagear
as operárias terrivelmente assassinadas.

Cidadania Moral e Ética I 7o ano 37

CMeE_7A_2017_01a80_REV01.indb 37 05/01/17 22:06

Manual do Educador – 7 ano o


37

ME_CIDADANIA_E_ETICA_7ANO.indb 37 06/01/17 10:49


3
Capítulo

Fundamentação
O trabalho

A tela Operários mostra a padroni- São vários os desafios e as formas de discriminação sofridas pela mulher ao longo dos tempos.
Nas últimas décadas, o avanço é visível, mas ainda há muito a ser feito na busca pela igualdade.
zação a partir de cabeças de indiví-
Hoje, muitas mulheres acumulam uma dupla jornada de trabalho. Trabalham fora de casa para
duos que são aparentemente iguais, garantir mais uma renda para a família ou, algumas vezes, a principal renda, além de cuidarem da
por serem operários. Mas a seme- casa e dos filhos ou de serem responsáveis pela manutenção da organização doméstica. Algu-
lhança termina aí, uma vez que esses mas mulheres, inclusive, decidem não ter filhos ou adiar a maternidade para depois da conclusão
operários são morenos, negros, bran- dos estudos e da estabilidade financeira. Na família, os que trabalham fora ou apenas em casa
cos, japoneses, etc. Além da marca precisam organizar uma rotina diária para que as necessidades sejam satisfeitas com a ajuda e a
participação de todos os membros. Tanto as necessidades físicas — como alimentação, contas,
social, há a marca de gênero — há
limpeza e segurança — como as necessidades afetivas. Aqueles que apenas estudam também
mulheres no quadro. Há, também, podem fazer sua parte auxiliando no que for possível ou estipulado pelos pais.
um olhar diagonal que modifica a
percepção da realidade e as chaminés
das fábricas, contextualizando a reali-
dade no mesmo espaço onde estão
empilhados os(as) operários(as).
A tela mostra a diferença social a
partir do empilhamento dos operá-
rios e da identidade dessas pessoas,
que é revelada a partir da raça e do
gênero; do uso de cores variadas e
das diferentes faixas etárias.
bikeriderlondon/Shutterstock

BRANDÃO, Izabel (org.). O corpo em revista: olhares


interdisciplinares. Maceió: Edufal, 2005, p. 27.

Anotações A tela Operários (1933), da artista


plástica brasileira Tarsila do Amaral, foi
produzida em uma época em que a luta
pelos direitos trabalhistas começava a
se consolidar no nosso país. Com isso,
surgiam reivindicações como redução
da jornada de trabalho, salários ade-
quados, estabilidade, férias e igual-
dade de condições de trabalho para
homens e mulheres. Observe como a
obra de arte retrata esse momento, exi-
bindo rostos de homens e mulheres de
diferentes cores e raças.

38 Cidadania Moral e Ética I 7o ano

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38 Cidadania Moral e Ética

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Sugestão de
Abordagem
? Questão de ética Para trabalhar ainda mais o espa-
ço da mulher na atualidade, coloque
1. Pesquise, em jornais e revistas, e recorte cole, em seu caderno, fotos de mulheres que se
no quadro algumas frases ainda usa-
destacam por seu trabalho. das para definir o que é considerado
Resposta pessoal papel feminino e papel masculino.
Ditados populares com aspectos
2. Converse com duas mulheres adultas que você conheça. Procure saber com o que elas preconceituosos em relação ao que
trabalham, se elas gostam do que fazem e quais são os planos delas para o futuro. Anote e é considerado função da mulher ou
discuta, com os colegas e o professor, sobre os resultados das entrevistas. do homem provavelmente irão gerar
Resposta pessoal grande envolvimento da turma. Deixe
que os alunos façam isso sem saber
3. As tarefas domésticas em sua casa são divididas? Como funciona essa divisão? Qual é a quais são os seus objetivos, preste
sua participação nos deveres domésticos?
atenção em seus comentários para
Resposta pessoal tornar o debate mais interessante.
Você pode perguntar à turma
quem sabe qual o seu objetivo em
apresentar frases como as expostas
e qual seria o assunto principal des-
ses “ditos populares”. A partir de suas
colocações, relacione com o texto da
Para refletir seção Para refletir, Na luta contra a
pobreza, mulheres buscam autonomia
Na luta contra a pobreza, mulheres buscam autonomia por conta própria por conta própria.
Se tiver tempo, crie situações-pro-
Dos 22 milhões de brasileiros que superaram a pobreza extrema nos últimos quatro
anos, 12 milhões são mulheres. É o caso de uma costureira dona de sua própria confecção,
blema para os alunos solucionarem,
na comunidade Ilha do Chié, no Recife, de uma vendedora de acessórios para celular e imaginando que são sujeitos his-
computador da comunidade vizinha de Ilha de Santa Terezinha e de uma sertaneja que tóricos do início do século XX. Crie
vende centenas de quentinhas para empresas, em Inhapi, interior de Alagoas. Em todas situações simples nas quais fiquem
essas histórias de superação da pobreza, as seguintes palavras se repetem: autonomia evidentes os diferentes tratamentos
financeira da mulher.
direcionados à mulher e ao homem.
A condição precária de vida ainda não foi ultrapassada, mas a vontade de ser
independente e a determinação para criar uma fonte de renda não faltam para Leide
Volte à análise de alguns dos ditos
de Medeiros, moradora da comunidade Ilha de Santa Terezinha, no Recife. Ela conta populares para relacioná-los com a
que trabalhou nas mais diversas áreas. “Já fui copeira, camareira, costureira, empregada crença na inferioridade feminina exis-
doméstica, babá, tanta coisa”, enumera. Depois de tantos anos de trabalho e de só tente no passado e a permanência de
conseguir a carteira assinada em dois empregos, ela resolveu empreender. algumas considerações semelhantes
em relação à mulher na atualidade.
Cidadania Moral e Ética I 7o ano 39

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Anotações

Manual do Educador – 7o ano 39

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3
Capítulo
O trabalho

À época, ela não contava com recursos e também não preenchia os requisitos para
conseguir um empréstimo no banco. Mas nada disso abalou a vontade de Leide. O negócio
começou pequeno e com a única fonte certa de dinheiro que contava: o benefício Bolsa
Família. Mãe de quatro filhos, a pernambucana ganha R$ 265,00.
Leide de Medeiros mantém na própria casa uma loja de venda de pequenos produtos
eletrônicos. “Eu vendo teclado de computador, mouse, capa de celular, fone de ouvido.
Tudo nessa barraquinha aqui em frente de casa”, mostra, apontando para um cubículo
ligado à rua por uma janela protegida com tela. A porta da lojinha dá para o único quarto
da casa, que acumula os dormitórios de todos os filhos. Ela e o marido dormem em um
sótão improvisado.

Syda_Productions/Shutterstock
A conta é a seguinte: todo mês, a empreendedora investe R$ 100,00 na barraquinha. Os
outros R$ 165,00 ela “coloca em casa”. “Essa cama mesmo eu comprei com o benefício”,
aponta, mostrando um beliche de material popular. E, com o dinheiro multiplicado pelo
lucro das vendas, Leide compra mais coisas para as crianças. “Antes, quando passava
alguma coisa na televisão e eles pediam, eu falava que não podia dar. Agora já falo que se
estiver na promoção eu dou”, compara. “O negócio não é a quantidade, mas ter a coisa
certa. Tem que saber administrar. Senão não rende nada”.
A nova fonte de renda também mudou o poder exercido em casa em relação ao
marido, que é pedreiro e trabalha por diária, sem carteira assinada. “Meu marido não
queria que eu trabalhasse, queria que eu ficasse em casa. É muito machista ele, mas
hoje ele melhorou um pouco porque coloquei na cabeça dele que nós, mulheres,
somos independentes”, disse.

Disponível em: http://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2016-03/na-luta-contra-


pobreza-mulheres-buscam-autonomia-por-meio-do. Adaptado. Acessado em 06/08/2016.

40 Cidadania Moral e Ética I 7o ano

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40 Cidadania Moral e Ética

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? Questões para reflexão

1. Qual é a importância de Leide de Medeiros para a família?


2. Qual é a relação dela com o trabalho?
3. Você acha que a opinião de Leide de Medeiros sobre o marido está correta?
Explique.
4. Você concorda que as mulheres estão garantindo ainda mais seu espaço?
Justifique.
5. O que é preciso para a mulher ir mais longe na sociedade atual?

Exploração no trabalho
Mesmo com a maior abertura do
mercado de trabalho às mulheres nos
últimos anos, a população trabalhado-
ra feminina ainda tem que conviver, em
muitos casos, com alguns desafios. Há
casos em que, mesmo com maior es-
colaridade que os homens ou desem-
penhando a mesma função que estes,
as mulheres recebem uma remunera-

Thanagon/Shutterstock
ção inferior.
Outro sério problema social é a ex-
ploração do trabalho infantojuvenil. A
luta contra tal prática está relaciona-
da à questão dos direitos humanos e
trata-se de um combate muito difícil,
em virtude das condições econômicas
e culturais de diversas regiões do Bra-
sil. O impacto do trabalho sobre o de-
senvolvimento e a aprendizagem dos
jovens vai desde a ausência da esco-
la, provocada pela jornada intensa de
trabalho, até a redução da capacidade
StanislavBeloglazov/Shutterstock

de concentração. Além disso, as con-


dições insalubres às quais são subme-
tidos os adolescentes e as crianças
obrigados a trabalhar põem a vida e a
saúde desses jovens em risco.

Cidadania Moral e Ética I 7o ano 41

CMeE_7A_2017_01a80_REV01.indb 41 05/01/17 22:06

Manual do Educador – 7 ano o


41

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3
Capítulo
O trabalho

Para refletir

O que é trabalho infantil

É todo trabalho realizado por pessoas que tenham menos idade do que a mínima per-
mitida para trabalhar. Cada país tem sua regra. No Brasil, o trabalho não é permitido sob
qualquer condição para crianças e adolescentes entre 0 e 14 anos; de 14 a 16, pode-se
trabalhar como aprendiz; já dos 16 aos 18, as atividades laborais são permitidas, desde que
não aconteçam das 22h às 5h, não sejam insalubres ou perigosas e não façam parte da lista
das piores formas de trabalho infantil.

AjFile/Shutterstock
De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), atualmente há mais de sete
bilhões de pessoas no planeta Terra. Segundo o último relatório da Organização Interna-
cional do Trabalho (OIT), que mediu o progresso na luta contra o trabalho infantil, em 2013
havia 168 milhões de crianças e adolescentes trabalhadores no mundo, sendo que cinco
milhões estão presos a trabalhos forçados, inclusive em condições de exploração sexual
e de servidão por dívidas. [...]
Em áreas urbanas, é possível encontrar crianças e adolescentes em faróis, balcões de
atendimento, fábricas e depósitos, misturados à paisagem urbana. Mais comum, porém, é
o trabalho infantil doméstico, pelo qual, majoritariamente, as meninas têm a obrigação de
ficar em casa cuidando da limpeza, da alimentação ou mesmo dos irmãos mais novos.
[...] Também comum é ver o aliciamento de crianças e adolescentes pelo tráfico ou para
exploração sexual. Em áreas rurais, os trabalhos mais comuns são em torno de ativi-
dades agrícolas, mineração e carvoarias, além do trabalho doméstico.

Disponível em: http://www.promenino.org.br/TrabalhoInfantil/o-que-e-trabalho-infantil. Adaptado. Acessado


em 02/04/2014.

42 Cidadania Moral e Ética I 7o ano

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42 Cidadania Moral e Ética

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Sugestão de leitura ////

Questão de ética Trabalho infantil: trabalho e


? direitos
Autora: Maria Adriana Torres
1. Leia a canção abaixo e responda às questões que seguem:
O livro tem o intuito de ir além da
Criança não trabalha constatação da exploração desumana
de crianças e adolescentes, procuran-
Lápis, caderno, chiclete, peão, do trazer à tona a presença de uma
Sol, bicicleta, skate, calção, tradição social e familiar que conside-
esconderijo, avião, correria, ra tal forma de trabalho importante e
tambor, gritaria, jardim, confusão.
necessária.
Bola, pelúcia, merenda, crayon,
banho de rio, banho de mar,
pula-sela, bombom,
tanque de areia, gnomo, sereia,
Sugestão de
pirata, baleia, manteiga no pão. Abordagem
[...]
Criança não trabalha, Utilize a questão seguinte como
criança dá trabalho. atividade complementar, se achar
Criança não trabalha. apropriado.
[...] 1. (Enem) Um cidadão é um indivíduo
que pode participar no judiciário e na
ANTUNES, Arnaldo. TATIT, Paulo. In: Palavra Cantada. Canções curiosas. BMG, 1998.
autoridade, isto é, nos cargos públicos
e na administração política e legal.
a. Qual é a principal mensagem da música?
(ARISTÓTELES. Política.)
Resposta pessoal O termo cidadania é polissêmico.
Pode-se depreender que, no texto de
Aristóteles, a palavra cidadão significa
“o indivíduo que…”:
a) contribui para melhorar as con-
dições sociais dos mais desfavo-
b. Que relação tem a música com o tema Exploração no trabalho? recidos.
Resposta pessoal b) não se omite nas escolhas im-
portantes da comunidade.
c) age em prol de um futuro me-
lhor para toda a humanidade.
d) pode legalmente influenciar o
futuro da comunidade.
Cidadania Moral e Ética I 7o ano 43 e) é reconhecido como exemplo
para toda a sociedade.

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Anotações

Manual do Educador – 7o ano 43

ME_CIDADANIA_E_ETICA_7ANO.indb 43 06/01/17 10:49


3
Capítulo

Sugestão de Filme
O trabalho

Crianças invisíveis 2. Observe as imagens e escreva quais são as consequências, para as crianças, do trabalho
Vários diretores que estão realizando.

Forte, denso e emocionante. Não


há como ficar indiferente às cenas
do filme Crianças invisíveis. Às vezes

JeremyRichards/Shutterstock
Hector Conesa/Shutterstock

Gilles Paire/Shutterstock
de forma poética, às vezes sem ne-
nhum tipo de glamour, o longa re-
trata a dura realidade em que vivem
algumas crianças do mundo de hoje.
Realidade que não está tão distante
Resposta pessoal. O estudante deverá responder observando as consequências físicas e
do nosso cotidiano e que nem é pri-
vilégio de um ou de outro país. Talvez emocionais nos casos apresentados.
seja exatamente isso o que mais sen-
sibiliza e chama a atenção de quem
assiste ao filme.
3. Quais são as consequências do trabalho para a vida escolar das crianças?
Entre outras, absenteísmo, redução (pelo cansaço) da capacidade de concentração, baixos
Sugestão de
Abordagem índices de frequência escolar e repetência.

Com o filme Crianças invisíveis, você


pode sugerir a realização de trabalhos 4. Toda criança tem direito de brincar e estudar. Esse direito é garantido pelo Estatuto da
para serem realizados em sala de aula Criança e do Adolescente. Mas, como vimos, a exploração do trabalho infantil ainda é uma
e, se possível, manter um diálogo com prática muito comum no Brasil e no mundo. Conhecer mais essa situação possibilita lutar-
a comunidade escolar. Para isso, suge- mos contra esse crime. Após as discussões em sala, confeccione, com seus colegas e seu
professor, panfletos informativos sobre os direitos e deveres das crianças e dos adolescen-
rimos uma lista de atividades que você
tes para serem distribuídos na comunidade.
pode desenvolver com seus alunos:
• Pesquisar crianças que passam des-
percebidas na sociedade: crianças
de rua, crianças escravas, etc.
• Pesquisar imagens de crianças em
situação de risco na ferramenta de
Pavel_Svoboda/Shutterstock

busca da Internet.
• Construir portfólios sobre questões
de solidariedade humana utilizan-
do recursos do editor de textos.
• Aprender a tomar posição crítica
44
em relação às formas de explora- Cidadania Moral e Ética I 7o ano

ção de crianças.
• Compartilhar o conhecimento ad- CMeE_7A_2017_01a80_REV01.indb 44 05/01/17 22:06
quirido pela turma sobre o tema
com outros alunos de anos diferen- Anotações
tes, utilizando recursos multimídias,
como blogs, fóruns, etc.

44 Cidadania Moral e Ética

ME_CIDADANIA_E_ETICA_7ANO.indb 44 06/01/17 10:49


Para refletir

O que é trabalho escravo

A assinatura da Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, re-

Reprodução
presentou o fim do direito de propriedade de uma pessoa
sobre outra, acabando com a possibilidade de possuir le-
galmente um escravo no Brasil. No entanto, persistiram si-
tuações que mantêm o trabalhador sem possibilidade de se
desligar de seus patrões.
A escravidão é uma forma de trabalho forçado. Constitui-
-se no absoluto controle de uma pessoa sobre a outra ou
de um grupo de pessoas sobre outro grupo social. Trabalho
escravo se configura pelo trabalho degradante aliado ao
cerceamento da liberdade. Este segundo fator nem sempre
é visível, uma vez que não mais se utilizam correntes para
prender o homem à terra, mas, sim, ameaças físicas, terror
psicológico ou mesmo as grandes distâncias que separam
a propriedade da cidade mais próxima.
Há fazendeiros que, para realizar derrubadas de matas
nativas para formação de pastos, produzir carvão para a in-
dústria siderúrgica, preparar o solo para plantio de semen-
tes, entre outras atividades agropecuárias, contratam mão
de obra utilizando os contratadores de empreitada, os chamados “gatos”. Eles aliciam os
trabalhadores, servindo de fachada para que os fazendeiros não sejam responsabili-
zados pelo crime.
Disponível em: http://reporterbrasil.org.br/trabalho-escravo/. Adaptado. Acessado em 02/04/2014.

? Questões para reflexão


1. O que é possível fazer para melhorar as condições de pessoas que passam por
situações como essa?
2. Você saberia identificar se um trabalho é considerado escravidão? Como você
chegou a essa conclusão?
3. Atualmente, mais de 100 anos depois da assinatura da Lei Áurea, quais são as
consequências da escravidão?

Cidadania Moral e Ética I 7o ano 45

CMeE_7A_2017_01a80_REV01.indb 45 05/01/17 22:06

Manual do Educador – 7 ano o


45

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3
Capítulo
O trabalho

Segurança do trabalho
Chamamos de segurança do trabalho o conjunto de medidas que são adotadas pelo
empregador visando minimizar os acidentes de trabalho, as doenças ocupacionais, bem como
proteger a integridade e a capacidade de trabalho do funcionário. Para isso, aplicam-se, no
ambiente de trabalho, medidas de higiene; controle de riscos em máquinas e instalações; prote-
ção contra incêndios e explosões; fiscalização do uso de equipamentos de proteção individual;
treinamentos coletivos, entre outras medidas.
No entanto, algumas empresas, para evitar custos, não seguem as normas de segurança esta-
belecidas, expondo seus funcionários a condições perigosas e insalubres.

? Questão de ética

1. Pesquise e cite normas de segurança do trabalho para cada uma das profissões a seguir.

1 2 3
bouybin/Shutterstock

SasinT/Shutterstock
Lurin/Shutterstock

Resposta pessoal
1

46 Cidadania Moral e Ética I 7o ano

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46 Cidadania Moral e Ética

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Para refletir

Música de trabalho

Sem trabalho, eu não sou nada.


Não tenho dignidade, Tem gente que não tem nada,
não sinto o meu valor, e outros que têm mais do que precisam.
não tenho identidade. Tem gente que não quer saber de trabalhar.
Mas o que eu tenho Mas, quando chega o fim do dia,
é só um emprego eu só penso em descansar
e um salário miserável. e voltar pra casa, pros teus braços.
Eu tenho o meu ofício, [...]
que me cansa de verdade. RUSSO, Renato. In: Legião Urbana. A tempestade. EMI, 1996.

Ex-escravos
trabalhando em uma
plantação de algodão
em 1875, dez anos
após a emancipação.
Gravura em madeira
com cores modernas.
Everett_Historical/Shutterstock

? Questões para reflexão

1. Por que o trabalho é importante?


2. Que qualidades o autor da canção lista em relação ao trabalho?
Você concorda com ele?
3. Os trabalhadores precisam de tempo livre? Por quê?
4. Você já sabe com o que quer trabalhar?

Cidadania Moral e Ética I 7o ano 47

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Manual do Educador – 7 ano o


47

ME_CIDADANIA_E_ETICA_7ANO.indb 47 06/01/17 10:49


4
Capítulo

Objetivos
Consumo e consumismo

4
Pedagógicos Consumo e

Capítulo
• Diferenciar consumo de
consumismo e refletir sobre as
consumismo
ações que envolvem esses dois
conceitos.
• Analisar como as práticas de Vamos dialogar!
consumo e os bens adquiridos
Se compramos algo, somos consumidores. Então,
estabelecem noções de valor e podemos dizer que somos todos consumidores, pois é
Conhecimentos prévios
identidade. inevitável trocarmos produtos e serviços dos quais preci-
• Você se considera um
samos e/ou queremos por dinheiro. No entanto, algumas
• Discutir a influência dos meios jovem consumista?
pessoas gastam e compram mais do que precisam, e
de comunicação nos hábitos de • Quando você compra
essa atitude tem consequências negativas na socieda-
consumo. algum objeto, é por
necessidade ou
de. É sobre isso que estudaremos neste capítulo.
Para começar, observe, com seus colegas, as ima-
• Observar os problemas satisfação?
gens a seguir e discutam: que relação as situações
• Na sua casa, você é
envolvidos em ser consumista estimulado a poupar um
abaixo têm com o tema do capítulo?
e não levar em conta a

De cima para baixo da esquerda para direita: Rawpixel, Karramba_Production, Korta, Syda_Productions/Shutterstock
pouco da sua mesada?
necessidade do desenvolvimento • A marca da roupa ou do
sustentável. calçado é importante para
seu dia a dia?
• Estudar a importância e • Alguém da sua família é
as normas da defesa do consumista?

consumidor.

Sugestão de
Abordagem
Você pode iniciar sua aula pergun-
tando aos alunos o que acham que
significa ser consumista. Deixe que
eles se coloquem e registre na lousa
as informações apresentadas.
Você pode, também, escolher al-
gumas propagandas em que o apelo
ao público jovem seja claro. Utilize
campanhas publicitárias de diferen-
tes meios de comunicação: revistas,
jornais, televisão, rádio, etc. Deixe CMeE_7A_2017_01a80_REV01.indb 48 05/01/17 22:06

que os estudantes entrem em conta- Fundamentação


to com o material e analisem de que
maneira são chamados ao consumo. Consumo e consumismo te — mas a maioria das vezes é de modo
Dessa forma, eles construirão suas prosaico, rotineiro, sem muito planeja-
conclusões. Use as perguntas da se- Aparentemente, o consumo é algo ba- mento antecipado nem reconsiderações.
ção Conhecimentos prévios para enri- nal, até mesmo trivial. É uma atividade Se reduzido à forma arquetípica do ciclo
quecer ainda mais sua prática em sala que fazemos todos os dias, por vezes de metabólico de ingestão, digestão e excre-
de aula. maneira festiva, ao organizar um encontro ção, o consumo é uma condição, e um as-
com os amigos, comemorar um evento pecto, permanente e irremovível, sem limi-
importante ou para nos recompensar por tes temporais ou históricos; um elemento
uma realização particularmente importan- inseparável da sobrevivência biológica que

48 Cidadania Moral e Ética

ME_CIDADANIA_E_ETICA_7ANO.indb 48 06/01/17 10:49


Sugestão de
Abordagem
O que é consumo? Professor, promova reflexões a res-
estherpoon/Shutterstock peito dos apelos ao consumo, com
O consumo é realizado pelas famílias que utilizam o seu
rendimento, obtido através da atividade produtiva de seus destaque para a publicidade veicu-
membros, ou seja, do trabalho, para comprar bens e ser- lada pelas revistas e pelas mídias di-
viços necessários à satisfação de suas necessidades, tais gitais. Você pode lançar mão de uma
como: alimentação, vestuário, habitação, divertimentos e pergunta para suscitar o debate: quais
outras. mecanismos utilizados pelas empresas
Para que haja o consumo, é preciso que as pessoas
que disputam a preferência dos consu-
trabalhem e gerem renda que garanta a aquisição desses
bens e serviços e que haja uma necessidade imediata que
midores fazem para atraí-los?
precise ser sanada.
Os meios de comunicação têm um papel importante no
consumo das famílias. Muitas vezes, somos levados, sob
desempenhando ao mesmo tempo um
a influência deles, a adquirir bens e serviços por impulso. papel importante nos processos de autoi-
Comprar para experimentar uma marca ou ter algo dife- dentificação individual e de grupo, assim
rente são justificativas dadas para o consumo de produtos como na seleção e execução de políticas
que, muitas vezes, não estamos precisando. de vida individuais. O consumismo che-
Você é um consumidor consciente? Compra apenas o ga quando o consumo assume o papel-
SpeedKingz/Shutterstock

necessário? Ou deixa levar-se pela influência das propa-


-chave que na sociedade de produtores
gandas? Reflita a respeito.
era exercido pelo trabalho. [...]
De maneira distinta do consumo, que
Tipos de consumo é basicamente uma característica e uma
ocupação dos seres humanos como in-
• Consumidor individualista: O consumidor indivi- divíduos, o consumismo é um atributo
dualista é aquele que está preocupado com seu estilo da sociedade. Para que uma sociedade
de vida pessoal. Nesse caso, compra pelo desejo e
adquira esse atributo, a capacidade pro-
prazer de ter o que quer.
• Consumidor eficiente: O consumidor gasta de
fundamente individual de querer, desejar
modo eficiente, cuidando de seu bolso e seu gosto. e almejar deve ser, tal como a capacidade
Costuma pesquisar preços antes da compra e zela de trabalho na sociedade de produtores,
pela qualidade dos serviços e produtos que consome. destacada (“alienada”) dos indivíduos e
• Consumidor consciente: O consumidor acredita reciclada/reificada numa força externa
na possibilidade de contribuir para mudanças locais e que coloca a sociedade de consumido-
planetárias por meio de seu ato de consumo.
res em movimento e a mantém em curso
• Consumidor responsável: O consumidor leva em
como uma forma específica de convívio
consideração as informações recebidas sobre produ-
tos e empresas. Sendo assim, não compra um produ- humano, enquanto ao mesmo tempo
to se recebe informação dizendo, por exemplo, que estabelece parâmetros específicos para
ele ou a empresa que o produz prejudicam o meio as estratégias individuais de vida que são
ambiente. eficazes e manipula as probabilidades de
escolha e conduta individuais. [...]
Cidadania Moral e Ética I 7o ano 49 A instabilidade dos desejos e a insacia-
bilidade das necessidades, assim como a
resultante tendência ao consumo instan-
tâneo e à remoção, também instantânea,
CMeE_7A_2017_01a80_REV01.indb 49 05/01/17 22:06

de seus objetos, harmonizam-se bem


nós humanos compartilhamos com todos um tipo de arranjo social resultante da re- com a nova liquidez do ambiente em que
os outros organismos vivos. Visto dessa ciclagem de vontades, desejos e anseios as atividades existenciais foram inscritas e
maneira, o fenômeno do consumo tem humanos rotineiros, permanentes e, por tendem a ser conduzidas no futuro pos-
raízes tão antigas quanto os seres vivos — assim dizer, neutros quanto ao regime, sível. Um ambiente líquido-moderno é
e com toda certeza é parte permanente transformando-os na principal força pro- inóspito ao planejamento, investimento e
e integral de todas as formas de vida co- pulsora e operativa da sociedade, uma armazenamento de longo prazo. [...]
nhecidas a partir de narrativas históricas e força que coordena a reprodução sistêmi-
relatos etnográficos. [...] ca, a integração e a estratificação sociais, BAUMAN, Zygmunt. Vida para consumo: a transformação
das pessoas em mercadoria. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.
Pode-se dizer que o consumismo é além da formação de indivíduos humanos,
Adaptado.

Manual do Educador – 7o ano 49

ME_CIDADANIA_E_ETICA_7ANO.indb 49 06/01/17 10:49


4
Capítulo
Consumo e consumismo

? Questão de ética

1. Vamos realizar o teste do consumismo. Marque um x nas atitudes que você adota em relação
ao seu consumo.
a. Quando você vai, com seus pais, ao supermercado, você insiste em comprar produtos
desnecessários?
( ) Sim
( ) Não

b. Se você vê uma propaganda de comida ou brinquedo, fica querendo comprar?


( ) Sim
( ) Não

c. Você não consegue sair de um shopping center sem, pelo menos, uma sacolinha na mão?
( ) Sim
( ) Não

d. Qualquer objeto comprado há mais de um ano, desde um tênis até um computador,


parece-lhe velho e ultrapassado, precisando urgentemente ser trocado?
( ) Sim
( ) Não

e. Você se sente rebaixado, humilhado, quando alguém próximo aparece com um objeto
mais moderno, mais atual, mais caro que o seu?
( ) Sim
( ) Não

f. Os objetos de marca exercem um fascínio irresistível sobre você?


( ) Sim
( ) Não

g. Ir às compras é o seu hobby predileto?


( ) Sim
( ) Não

A que conclusão você chegou? Você é uma pessoa consumista? Comente.

Resposta pessoal

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Para refletir
No cofrinho, guarda-se dinheiro ou sonhos?

Os cofrinhos são uma ótima maneira de aprender a controlar nossos gastos e poupar o
nosso dinheiro. Com eles, aprendemos que, com paciência e disciplina, chega o momento
de realizar os sonhos, sejam eles de curto, médio ou longo prazo. Difícil encontrar alguém
que não tenha ou nunca teve, na infância, um cofrinho para guardar as moedas que ganha
dos familiares ou que economiza no recreio da escola.
Um dos momentos marcantes é o dia de abri-lo ou quebrá-lo e descobrir o quanto
tem guardado e, depois, usar esse dinheiro das mais variadas formas. Essa ação, que
parece inocente, é muito importante, sendo um dos primeiros contatos da criança
com o dinheiro. No entanto, apenas criar o hábito de poupar, guardando dinheiro no
cofrinho, não é suficiente. É preciso saber gastar o dinheiro guardado com algo
realmente importante.

? Questões para reflexão

1. De acordo com o texto, o que há de educativo em ter um cofrinho?


2. Como controlar a ansiedade diante de uma coisa que queremos muito?
3. Se você fosse pai ou mãe, estabeleceria qual critério para conceder dinheiro ao seu
filho e como o ajudaria a economizar?

O consumo e o nosso lugar na sociedade


Todas as pessoas, com maior ou menor intensidade, são influenciadas pelos meios de co-
municação em sua vida cotidiana. Essa influência está diretamente relacionada à formação de
gosto, hábitos e valores da sociedade, gerando impactos sobre a economia e a formação de
opinião dos indivíduos.
Nesse sentido, os meios de comunicação e o que é veiculado neles interferem no comporta-
mento dos cidadãos, indicando como eles devem agir e, principalmente, o que devem consumir.
É assim que se formam os grupos com os quais cada pessoa se identifica ou não.
Isso acontece por meio da publicidade, que, na verdade, é muito mais que uma simples
forma de divulgar para o público um determinado produto ou serviço com o objetivo de torná-
-lo vendável. As campanhas publicitárias vendem estilo de vida, padrão de beleza e formas de
comportamento. Além disso, como seu objetivo principal é sempre vender o máximo possível,
muitas vezes apresentam artigos dispensáveis como se fossem fundamentais.

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51

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4
Capítulo

Sugestão de leitura ////


Consumo e consumismo

Vida para consumo


Autor: Zygmunt Bauman

Neste livro, Bauman procura exami-


nar o impacto da conduta consumista
em diversos aspectos da vida social —
política, democracia, comunidades,
parcerias, construção de identidade,
produção e uso de conhecimento. E
analisa ainda como esta característi-
Andrey_Bayda/Shutterstock
ca parece evidente no mundo virtual,
por exemplo, o uso desenfreado das Em Nova York, Estados
Unidos, um importante
redes sociais. bairro comercial e repleto
de propagandas.

Portanto, merecem especial atenção as mensagens publicitárias destinadas às crianças e


Sugestão de aos jovens, já que divulgam produtos específicos para esses grupos com o intuito de fazer cres-
cer neles o desejo pelas mercadorias anunciadas, tornando-os potenciais consumistas.
Abordagem
O consumo pode ser estudado em
outras vertentes, por exemplo, me- ? Questão de ética
didas simples podem ajudar a dimi-
nuir o consumo de água e energia,
como reutilizar a água do último en- 1. Por que dizemos que a publicidade está relacionada à formação de modelos sociais?
xágue da máquina para lavar o quin- Porque determina novas necessidades e novos hábitos de consumo para quem deseja
tal, trocar lâmpadas incandescentes
tornar-se membro de determinado grupo.
por lâmpadas LED, que duram mais
e gastam menos energia, diminuir o
2. Pense nas propagandas que mais lhe chamam a atenção e escolha uma delas. Depois, es-
tempo do banho e trocar bacias sa-
creva a resposta de cada uma das perguntas a seguir.
nitárias por modelos mais eficientes a. Como são essas propagandas?
que evitam vazamentos.
Resposta pessoal

Anotações
b. Quais são os produtos anunciados?

Resposta pessoal

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Sugestão de Filme
c. Quais são os recursos usados para apresentar o objeto como necessário para ser feliz? Os delírios de consumo de Becky
Resposta pessoal
Bloom
Diretor: P. J. Hogan

Cidade de Nova York. Rebecca


3. Observe propagandas de bebidas alcoólicas e responda às questões. Em seguida, debata Bloomwood é uma garota que ado-
cada um dos itens com o professor e seus colegas. ra fazer compras, e seu vício a leva
a. Como é o ambiente em que se passa a propaganda? à falência. Seu grande sonho é um
b. Como são os personagens? Eles são felizes? dia trabalhar em sua revista de moda
c. Qual é a mensagem do comercial?
preferida, mas o máximo que ela con-
d. Esse tipo de campanha publicitária incentiva hábitos que prejudicam a saúde?
e. Quais são as consequências do consumo exagerado de bebida alcoólica? segue é um emprego como colunista
f. A relação entre a propaganda e a realidade é verdadeira? Por quê? na revista de finanças publicada pela
mesma editora. Quando enfim seu
sonho está prestes a ser realizado, ela
repensa suas ambições.
Para refletir
Criança, a alma do negócio
Publicidade, consumo e meio ambiente
Documentário baseado em depoi-
Vivemos numa sociedade de consumo, em que comprar e vender fazem parte do cotidiano mentos de pais, crianças, pedagogos
e tomam muito tempo, recurso e energia. O problema é que geralmente não percebemos que
e pesquisadores com o objetivo de
esse simples ato pode ter reflexos negativos sobre o meio ambiente.
Ao comprar uma roupa nova, por exemplo, não nos damos conta de que, para produzir aque-
questionar tanto os métodos quanto
le tecido, foi preciso cultivar o algodão, e que isso implicou o uso de grandes quantidades de a ética que permeiam a publicidade
fertilizantes químicos e pesticidas, que contaminam o solo, a água e o ar. Atualmente, imensas e o consumo voltado para crianças e
áreas de terra são destinadas à monocultura do algodão, que, com o passar dos anos, vai adolescentes, bem como os impactos
deteriorando o solo. Mais ainda, o processo de tingimento na indústria têxtil emprega grandes que isso poderá trazer à nossa socie-
volumes de água e produtos químicos, que contaminam os cursos de água. dade em curto e longo prazos.
Hoje, disseminado em praticamente todo o mundo, o fenômeno do consumismo não teria
sido possível sem o bombardeio incessante da publicidade.
A publicidade nos persegue em toda parte, e muitas vezes não nos damos conta disso. Está
nas ruas, nas fachadas dos prédios, nos ônibus e nas vitrines. Também chama a nossa atenção
em bancos, escritórios, hospitais, restaurantes, cinema e outros lugares públicos. Em casa, bas-
ta abrir o jornal, ligar o rádio ou a televisão. Muitas vezes, ela vem pelo correio: são as ofertas Anotações
e propagandas.
Sem perceber, fazemos publicidade gratuitamente ao usar roupas, sapatos, bolsas e outros
objetos com etiquetas visíveis. É realmente muito difícil não ser afetado por essa publicidade
massiva, que se incorporou a todos os aspectos de nossa vida e nos emite mensagens o tempo
todo, de forma direta ou velada.

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Sugestão de Abordagem
Seria interessante realizar um debate mais vulneráveis da publicidade? Por necessidade e nos induz ao consu-
sobre questões do tipo: quê? mismo? Explique.
• A propaganda pode levar crianças e • Comprando este ou aquele produto,
• Quais são as consequências negativas adolescentes a hábitos alimentares seremos bonitos, queridos, felizes,
do consumismo na vida das pessoas? pouco saudáveis? Como? etc? Explique.
• Você se considera um consumidor • Será que precisamos realmente de to- • O que significa consumo sustentável?
consciente ou impulsivo? dos os produtos que consumimos?
• As crianças e os jovens são os alvos • A publicidade nos faz sentir uma falsa

Manual do Educador – 7o ano 53

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4
Capítulo
Consumo e consumismo

A publicidade é um meio eficiente para tornar o produto conhecido e prestar informações


para ajudar o consumidor a fazer uma escolha e até aprender a consumir melhor. O problema
é que, em vez de fornecer informações para um consumo racional e consciente, as mensagens
publicitárias exploram pontos vulneráveis do público para convencê-lo de que o produto é real-
mente necessário. Assim, ela apela para os desejos, gostos, ideias, necessidades, vaidades e
outros aspectos da nossa personalidade.
Você já reparou como são as pessoas que aparecem nos anúncios publicitários? Geralmen-
te, são de classe média ou alta, bonitas, saudáveis, felizes e bem-sucedidas.
A publicidade utiliza vários tipos de estratégias para atingir o seu público-alvo, aquele a
que o produto se destina, para vender produtos higiênicos, cosméticos e alimentos, por
exemplo.

BELTRÃO, Eliana Santos; GORDILHO, Tereza. Publicidade, consumo e meio ambiente. In: Consumo sustentá-
vel: Manual de educação. Brasília. 2005.

? Questões para reflexão


1. Com suas palavras, responda: o que é publicidade?
2. Por que o texto relaciona os temas publicidade, consumo e meio ambiente?
3. Por que será que as pessoas compram produtos supérfluos?
4. A publicidade pode ser dirigida às mulheres e aos homens. Cite três tipos de pro-
duto que são anunciados diretamente aos homens; três, às mulheres; e três, ao
público unissex.

O consumo te consome
Cada vez que você vai até um shopping e compra um par de tênis novos, você está consu-
mindo.
Mas algumas pessoas se tornam exageradamente consumistas. Elas perdem o controle so-
bre as coisas que compram. É mais ou menos assim: em vez de possuírem um automóvel, é o
automóvel que as possui. Elas, às vezes, dão mais valor às coisas que o dinheiro compra do que
à própria vida. Dão importância exagerada para as coisas materiais. E só querem ter, ter e ter.
Esse tipo de gente gosta de se exibir e mostrar o que tem. São pessoas que julgam o amigo
pela marca da calça que veste ou pelo preço do tênis que tem... Que feio!
Os consumistas adoram dizer coisas do tipo: “Meu pai comprou um carro zero”, “Quanto
custou sua bicicleta?”.
Se encontrar algum amigo ou amiga assim, despiste esse tipo de conversa. Se perceber que
um amigo seu é muito ligado no preço e na marca das coisas, seja esperto. Diga: “Eu não es-

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fizkes/Shutterstock
colho meus amigos pelas marcas das coisas tas, enfermeiros e outros profissionais.
que usam”. Se você vai ao clube, encontra gente: o por-
Fale para esse amigo que, em sua família, teiro, o salva-vidas, os amigos dos seus pais,
vocês dão mais valor para o caráter, a boa edu- os seus amigos, a turma da limpeza, os novos
cação e o coração dos outros. sócios. Na igreja, há pessoas de todos os ti-
Afinal, o que é que vale na hora de escolher pos. Nas lojas, nos shoppings, durante as via-
um amigo? Vale o que ele é, e não o que ele gens, nas festinhas de aniversário, em todos
tem. Adianta ele ter roupas legais, tênis cho- os lugares, enfim, você vai encontrar pessoas.
cantes e viver dando vexame por aí? Um ami- Isso se chama sociedade. Vivemos num
go é como se fosse um irmão escolhido pela mundo social. Vivemos em comunidade. E não
gente, e não “comprado”. Não tem nada mais é nem um pouco fácil viver em comunidade,
brega do que se exibir. Será que, na hora de não. Algumas dificuldades surgem justamente
chamar alguém de amigo, o dinheiro vale al- por causa do interesse “irmão” do consumismo
guma coisa? Vale nada! que certas pessoas tanto valorizam. Em meio a
Por isso, jamais fique mostrando a marca tanta gente vivendo em comunidade, algumas
do seu tênis ou de qualquer outro objeto seu. pessoas se comparam umas com as outras,
Todo mundo tem olhos para ver, ninguém pre- medindo o ter: “O meu tênis importado é muito
cisa ficar se vangloriando disto ou daquilo. mais legal que o dele!”; “O carro do meu pai é
Tenho observado que, quanto maiores os muito mais bacana que o do seu pai!”; “As nos-
complexos de inferioridade das pessoas, mais sas férias foram muito mais fantásticas que a
necessidade elas têm de valorizar suas posses. viagenzinha mixuruca dela!”; “Minha chácara é
Quem realmente existe sabe que não precisa muito melhor, tenho mais cavalos, tenho plan-
de produtos caríssimos para ser alguém na vida. tações, tenho lagos e tenho uma casa imen-
Aliás, na vida, você está sempre rodeado de sa!”. Tenho, tenho, tenho... E assim por diante.
gente. Na escola, encontra: colegas, o pessoal Na verdade, o que toca esse mundo para
da manutenção, professores, diretores, coor- frente é um desejo secreto que o coração de
denadores, bibliotecários, porteiros, secretá- cada um sente. Para descobrir que desejo é
rios. Conforme a escola, há ainda: nutricionis- esse, experimente perguntar a cada pessoa

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Manual do Educador – 7 ano o


55

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4
Capítulo

Fundamentação
Consumo e consumismo

Ser ou estar professor? A constru- que encontrar: “O que é que realmente mais tudo o que queremos, precisamos, em primei-
deseja na vida?”. ríssimo lugar, de muita bondade.
ção da ética no contexto escolar Você descobrirá que, acima de todas as Não é sendo bruto e estúpido que você
coisas chiques e caras, todas as pessoas conseguirá isso. Também não é sendo interes-
Nos Parâmetros Curriculares Nacio- querem uma coisa só. Mais que ser o líder da seiro, egocêntrico ou ganancioso. Isso tudo é
nais, documento publicado em 1997, turma, mais que mansões e carrões, mais que covardia! Encarar os problemas e não se de-
a ética, além de ser considerada um viagens fascinantes ou roupas da moda, aci- sesperar por causa disso ou daquilo é viver em
dos temas mais trabalhados pelo pen- ma de qualquer outra coisa, todo mundo quer paz. Ou você acha que um dia os problemas e
mesmo é uma coisa só: ser feliz. Esse é o so- acontecimentos tristes deixarão de existir nes-
samento filosófico contemporâneo, é
nho de cada um. ta vida? Não neste mundo. Só que, quando
também um tema presente no cotidia- Ser feliz é ter saúde, viver em harmonia, ter você se torna amigo da vida, descobre o se-
no de cada um, fazendo parte do voca- o privilégio de poder ser bondoso. Para ser gredo para lidar com as trapalhadas deste pla-
bulário conhecido por quase todos. feliz, é preciso estar em paz. Mas como viver neta, não permitindo que isso abale seu jeito
A ética, pensada desde a perspectiva em paz? Pensa que a paz é ficar de braços de ser. Isso é que é ser um sucesso!
do professor, implica um compromis- cruzados, sossegadão, dormindo o dia inteiro, Portanto, quando sentir que começa a in-
sem nunca esquentar a cabeça ou estar ner- vejar o ter dos seus amigos; quando perceber
so com a justiça social, tendo em vista
voso? Paz de braços cruzados só existe no ce- dentro de você a cobiça corroendo, faça o
não a mera conservação de tradições e mitério! Quem quiser pular em cima e agarrar seguinte: pegue uma folha de papel. Escreva
da ordem social, mas, sim, a formação a felicidade para sempre precisa aprender a nela: “Eu existo?”. Responda isso para si mes-
de novas gerações, herdeiras de um encarar os problemas e, mesmo assim, ficar mo e veja que importância têm certos objetos
presente estruturado em um passado numa boa. Precisa aprender que não somos perto da maravilha que você é.
cultural que não pode ser esquecido. os donos do mundo; que, para conseguirmos
Isso nos sugere que o professor, como SAID, Selma. Dei 1 fora, e agora?: Dicas para pré-adolescentes e adolescentes. Petrópolis: Vozes, 2001.
norteador do processo de ensino-
-aprendizagem, serve de “modelo” e
inspiração de procedimentos sociais e ? Questão de ética
morais positivos. Sugere também que
deve inspirar confiança, tanto para os
alunos e para suas famílias como para a 1. Observe, em sites seguros da Internet, revistas ou jornais, propagandas de qualquer tipo.
Escolha duas que mais chamaram a sua atenção por induzir ao consumo desnecessário e
sociedade em geral.
comente a respeito.
O educador precisa estar consciente
de que, hoje, num mundo transforma- Resposta pessoal
do pela ciência e tecnologia, é difícil
prever o que será da vida de seus alu-
nos no futuro. 2. Faça uma pesquisa com seus familiares sobre consumo consciente e responda:
A escola é uma instituição contextua- a. Sua família consome produtos que poderiam ser evitados?
lizada, isto é, sua realidade, seus valo-
Resposta pessoal
res, sua configuração variam segundo
as condições histórico-sociais que a
envolvem. Há toda uma confluência
de fatores que condicionam seu perfil 56 Cidadania Moral e Ética I 7o ano
e suas manifestações. O professor, em
relação à escola, é, ao mesmo tempo,
condicionante e condicionado. CMeE_7A_2017_01a80_REV01.indb 56 05/01/17 22:06

É fundamental para a educação o b) Abster-se de assumir atitudes racistas. e) Não comentar as provas dos alunos
bom relacionamento entre professor c) Ao chamar a atenção do aluno, fazê- em público. Não é ético, também, ridi-
e aluno. O estabelecimento de laços -lo franca e lealmente, não invocando cularizar alunos em face de seus erros.
de simpatia e amizade entre ambos é nunca razões de defeitos físicos, defi- f) Evitar que sempre prevaleça a sua
fundamental para que sejam alcança- ciências de inteligência, raça ou nacio- opinião.
dos os objetivos propostos. Além disso, nalidade. A admoestação deve dizer g) Esforçar-se para tomar-se amigo de
deve-se: respeito ao que dependa da própria seus alunos.
ação do aluno.
RAMPINELI, Edina Furlan. Ser ou estar professor? A
a) Cultivar atitude de justiça e trato d) Não revelar, em classe, aspectos da vida construção da ética no contexto escolar. Florianópolis:
igualitário para com seus alunos. particular nem da família do aluno. Revista Linhas, Udesc, v. 2, n. 1, 2001.

56 Cidadania Moral e Ética

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Sugestão de leitura ////
b. Que atitudes são possíveis para diminuir o consumo desnecessário? Conversas com um jovem
Resposta pessoal professor
Autor: Leandro Karnal

O professor entra na escola e pa-


c. Que lugares você e seus familiares costumam frequentar para se divertir sem gastar dinheiro? rece que nasceu para dar aula: sabe
Resposta pessoal como lidar com os alunos, faz ca-
maradagem com os colegas, dialoga
com os pais. Nunca comete um des-
lize, passa muito bem o seu recado
3. A capacidade de consumir é uma forma utilizada pela sociedade capitalista (que preza pelo e todos o adoram. Será que nasceu
capital, dinheiro) de valorizar ou desvalorizar as pessoas pelo que elas têm, e não pelo que
são, em suas várias formas de se relacionar.
sabendo ou foi aprendendo ao longo
A partir do trecho da canção transcrito abaixo, responda às questões. de alguns sucessos e outros tantos
fracassos? Muitos são os livros que
Cidadão
trazem teorias sobre a sala de aula,
mas faltava um sobre a prática de
Tá vendo aquele edifício, moço? Meu domingo tá perdido. ensinar. Não falta mais. Nestas ‘con-
Ajudei a levantar. Vou pra casa entristecido, versas’ o leitor não encontrará cita-
dá vontade de beber.
Foi um tempo de aflição. ções de grandes obras, conhecerá
Eram quatro condução, E, pra aumentar meu tédio,
eu nem posso olhar pro prédio
experiências em classe. Tanto as que
duas pra ir, duas pra voltar.
[...] que eu ajudei a fazer. deram certo como as que fizeram o
Hoje, depois dele pronto, [...] autor se arrepender depois. Professor
olho pra cima e fico tonto. com vasta experiência, dono de tex-
Mas me vem um cidadão BARBOSA, Lúcio. In: RAMALHO, Zé. Frevoador. Sony, 1992. to envolvente, Leandro Karnal discu-
e me diz desconfiado: te os problemas cotidianos daqueles
“Tu tá aí admirado que lecionam: como dar aula, como
ou tá querendo roubar?”
corrigir provas, o que é necessário
[...]
lembrar numa reunião com os pais.
a. A personagem da canção conta passagens da sua vida de forma amargurada. Por que Em poucas palavras: como realmente
ela guarda esse sentimento? lidar com as práticas escolares. Obra
imprescindível para quem se aventura
O homem fala para um “moço” de sua tristeza e revolta por não ter participação efetiva nos
a ensinar.
bens que ele ajudou a construir por meio de um trabalho sacrificado.

Anotações
Cidadania Moral e Ética I 7o ano 57

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Manual do Educador – 7o ano 57

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4
Capítulo
Consumo e consumismo

b. De que forma o texto aborda o assunto da exclusão social?

A canção é a história de um homem que, depois de ter trabalhado na construção de vários

imóveis destinados a uma classe social diferente da dele, não tem permissão para frequentar

tais lugares.

4. Você acha que o dinheiro promove a desigualdade social?


Resposta pessoal

Para refletir

Funk ostentação: um sonho de consumo

É provável que você já tenha ouvido algo sobre funk ostentação, estilo musical brasi-
leiro que surgiu na periferia de São Paulo, derivado do gênero funk carioca. Segundo os
próprios funkeiros, foi inspirado no estilo de vida dos rappers americanos. [...]
O público que consome o funk ostentação, na sua grande maioria, é de adolescentes e
jovens das classes C e D. A Internet possibilitou a divulgação gratuita do trabalho dos fun-
keiros, seus clipes chegam a centenas de milhares de views no YouTube, além dos milhões
de downloads de suas músicas. Números impressionantes para artistas oriundos da perife-
ria, que até então não conseguiam notoriedade no cenário artístico nacional.
Mas o que isso tem a ver com o mercado? Para citar um exemplo, em um filme criado
pela WMcCANN para o jornal O Estado de S. Paulo, o Boneco do Estadão canta um funk
“ostentando” a importância da informação. Sim, é a cultura da periferia influenciando a pro-
paganda. Provavelmente essa ode ao luxo promovida pelo funk ostentação tem agradado as
marcas, que têm os seus nomes exaustivamente repetidos no refrão das músicas do estilo
em questão. Se as letras grudam como chiclete, consequentemente as marcas também.
Então, o segredo do sucesso seria cantar um sonho de consumo? Ou seria cantar
sobre o que já foi conquistado? É notório que a ideia do consumo desenfreado é propa-
gada pelo funkeiros, influenciando o comportamento desses jovens brasileiros. O funk
ostentação transmite uma falsa ilusão de poder baseada no prazer que o consumismo
oferece. “Sabemos que não podemos comprar, mas o que custa sonhar?” Sonhar
não custa nada!
Disponível em: http://plugcitarios.com/2014/11/12/funk-ostentacao-um-sonho-de-consumo/.
Adaptado. Acessado em 21/08/2016.

58 Cidadania Moral e Ética I 7o ano

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58 Cidadania Moral e Ética

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Anotações
? Questões para reflexão

1. O funk ostentação faz você querer os objetos citados nas composições?


2. Essas músicas são destinadas apenas para os jovens?
3. O que você pode aprender com esse estilo musical?
4. No seu dia a dia, você é muito influenciado por essas músicas?

? Questão de ética
ouvintes, seja por conta da futilidade da
letras, seja por conta dos erros crassos
1. Por que consumimos? e constantes de gramática.
Resposta pessoal O funk ostentação é um marco da
modernidade consumista. A música,
através das suas letras, tem se revelado
cada vez mais como um fenômeno —
2. Qual é a sua relação com o consumo?
estamos falando, agora, de movimen-
Resposta pessoal to de grande aceitação popular, que
se instaurou principalmente na classe
média consumidora, sob a aferição de
3. Você se considera um consumidor consciente ou consumista? Por quê? valores propagados pelo estilo musical
que exalta e cultua a capacidade do
Resposta pessoal
acesso ao consumo.
Com a aceitação e apoio da mídia, o
funk ostentação é visto hoje como “o
4. O que diferencia o consumo do consumismo? símbolo maior da emergência da cha-
mada nova classe média”. Há quem de-
Resposta pessoal
fenda que o funk ostentação, diferente
dos demais estilos do gênero, revelou-
-se enquanto manifestação cultural ju-
5. Em quais aspectos você se considera uma pessoa consumista? venil muito mais agradável do que os
Resposta pessoal demais estilos do funk, já que sua ima-
gem esta associada agora a uma vida
de sucesso fantasioso. [...]
De fato, a apologia ao luxo, ao exibi-
Cidadania Moral e Ética I 7o ano 59 cionismo, da realização pessoal através
do consumo e da ostentação de poder
aquisitivo, apesar de ser a princípio en-
CMeE_7A_2017_01a80_REV01.indb 59 05/01/17 22:06 carado como algo fútil e supérfluo, tem
Fundamentação levado muitos indivíduos, especialmen-
te os mais jovens, a encarar o funk os-
Ostentação como filosofia de vida mo de barbárie e do crime organizado. tentação e sua ideologia como um esti-
na pós-modernidade O simples soar do termo funk tem sido lo de vida. [...]
objeto de desprezo não apenas pela co-
Ao lançarmos, inicialmente, à discus- munidade científica e pelo Estado, mas MAURO, Victor da Silva; JÚNIOR, Lucilo Perondi.
Ostentação como filosofia de vida na pós-modernidade.
são, qualquer tema que esteja ligado também por grande parte da população
In: MAURO, Victor da Silva; JÚNIOR, Lucilo Perondi.
ao estilo musical denominado funk, nos brasileira, tendo em vista o pauperismo A cultura do consumismo e funk ostentação: mera
vem em mente, sem qualquer apologia, intelectual exarado não apenas no teor tautologia ou uma nova identidade do indivíduo
a ideia de violência, da ausência de cul- das músicas, mas também no compor- pós-moderno? Disponível em: http://publicadireito.com.
tura e civilidade e, por que não, até mes- tamento dos seus próprios intérpretes e br/artigos/?cod=951173df6393f968.

Manual do Educador – 7o ano 59

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4
Capítulo
Consumo e consumismo

6. Qual é a relação entre consumo e meio ambiente?


Resposta pessoal

7. Quais fatores você leva em conta ao comprar determinado produto ou serviço?


Resposta pessoal

O que consumimos e o que desperdiçamos


O que consumimos e o que desperdiçamos diz muito de quem somos, pois nossas escolhas
refletem a ideia de sociedade, produção, saúde e meio ambiente que temos.
O consumo, na verdade, está ligado ao conceito de tudo que se gasta ou à quantidade que
se utiliza algo, ou seja, trata-se de dispêndio, despesa, consumação, ingestão, etc. de algo. O
desperdício está relacionado à ideia de despesa ou gasto exagerado, esbanjamento, uso sem
proveito e perda.
Há uma estreita relação entre consumo e desperdício, que se reflete, inclusive, no conceito
de desenvolvimento sustentável, que é aquele que satisfaz as necessidades presentes sem
comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades.
Analisando o que é desenvolvimento sustentável, podemos identificar a relação entre con-
sumo e desperdício e, portanto, compreender que a forma como agimos degrada ou cuida do
meio ambiente para as gerações futuras. Isso significa que precisamos retirar do meio ambiente
apenas aquilo que seus recursos são capazes de nos oferecer e repor num determinado perío-
do de tempo; porque precisamos dar o tempo necessário à natureza para que ela reponha o
que tiramos dela.
Nosso consumo e desperdício também indicam a forma como encaramos a saúde, já que o
corpo “demonstra”, de alguma forma, o que é absorvido por ele. É por isso que há quem diga
que você é aquilo que você consome.
wavebreakmedia/Shutterstock

60

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60 Cidadania Moral e Ética

ME_CIDADANIA_E_ETICA_7ANO.indb 60 06/01/17 10:49


imaginação, inteligência e liberdade. Por
exemplo, quando adquirimos uma roupa,
? Questão de ética diversos fatores são considerados: precisa-
mos proteger nosso corpo ou (ocultá-lo
por pudor ou “revelá-lo” de forma erótica);
1. Faça as seguintes perguntas a cinco pessoas e analise suas respostas.
Resposta pessoal usamos de imaginação na combinação
das peças, mesmo quando seguimos as
S N
tendências da moda; desenvolvemos um
Quando você conhece uma pessoa, leva em consideração sua aparência? estilo próprio de vestir; não compramos
Você acha importante a pessoa estar sempre arrumada? apenas uma peça, pois gostamos de variar
Você acha que compra coisas desnecessárias? as cores e os modelos. Enfim, o consumo
Já se endividou porque comprou coisas supérfluas? não alienado supõe, mesmo diante de in-
Dedica muito tempo para se arrumar? fluências externas, que o indivíduo mante-
Quando algo quebra, você prefere comprar logo um novo a tentar consertar? nha a possibilidade de escolha autônoma,
Quando vai ao shopping ou ao supermercado, gasta mais dinheiro do que pretendia?
não só para estabelecer suas preferências
Já deixou de usar coisas que estavam em bom estado porque ficaram fora de moda?
como para optar por consumir ou não.
Além disso, o consumo consciente nunca
Você faria operações ou tratamentos para modificar seu corpo?
é um fim em si, mas sempre um meio para
Maioria sim:
outra coisa qualquer.
A pessoa provavelmente é consumista e aceita a influência da propaganda como estímulo
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena
para comprar.
Pires. Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo:
Maioria não:
Moderna, 1993.
A pessoa sofre pouca influência da propaganda e procura comprar apenas o necessário.

De acordo com o texto, o consumo


2. Agora, complete o gráfico com a quantidade de pessoas de cada resposta.
Resposta pessoal
pode ser alienado ou não. Depende de
ele ser exercido com liberdade ou sem
10
ela. O problema é como ser livre e au-
9
tônomo na sociedade em que vivemos,
8 na qual o consumo é induzido e neces-
7 sidades artificiais são criadas pela propa-
6 ganda.
5 Analise as sentenças abaixo e assinale
4 a correta.
3
a) A moda apresenta sempre as no-
2
vidades de consumo. Ela coloca
1
muitas possibilidades, mas mesmo
Sim Não assim o consumidor alienado sabe
escolher o melhor para satisfazer
Cidadania Moral e Ética I 7o ano 61 suas necessidades de consumo.
b) O problema da sociedade de con-
sumo é que as necessidades são
CMeE_7A_2017_01a80_REV01.indb 61 05/01/17 22:06 artificialmente estimuladas, sobretu-
Sugestão de Abordagem do pelos meios de comunicação de
massa, levando as pessoas a consu-
1. (IFSC) rimos às necessidades, não se trata apenas mirem de maneira alienada.
das que facilitam o crescimento humano c) A obsolescência dos objetos é cada
Alienação do consumo em suas múltiplas e imprevisíveis direções vez mais rápida. Fala-se, inclusive,
e dão condições para a transcendência. em obsolescência programada, mas
O ato do consumo é um ato humano Nesse sentido, as necessidades de consu- isso não pode ser visto como uma
por excelência, no qual o homem atende mo variam conforme a cultura e também forma de induzir ao consumo alie-
a suas necessidades orgânicas (de sub- dependem de cada indivíduo. nado, pois se deve unicamente à alta
sistência), culturais (educação e aperfei- No ato do consumo, participamos como concorrência no mercado e à evolu-
çoamento) e estéticas. Quando nos refe- pessoas inteiras, movidas pela sensibilidade, ção constante da tecnologia.

Manual do Educador – 7o ano 61

ME_CIDADANIA_E_ETICA_7ANO.indb 61 06/01/17 10:49


4
Capítulo
Consumo e consumismo

3. A partir do gráfico, escreva suas conclusões sobre a pergunta: as pessoas são consumistas?
Resposta pessoal

4. Em seu caderno, pesquise e cole ou escreva pelo menos três notícias ou textos informativos
que exemplifiquem situações correspondentes ao conceito de desenvolvimento sustentável.
Resposta pessoal

5. Retire de jornais ou revistas imagens de um consumo consciente e cole-as em um cartaz,


alertando as pessoas sobre consumismo. Insira legendas explicativas e opinativas. É interes-
sante que, depois, você exponha o cartaz junto com seus colegas.
Resposta pessoal

Defesa do consumidor
No Brasil, existe um conjunto de leis que todos conhe-
cem como Código de Defesa do Consumidor, criado
especialmente para a proteção e defesa dos consumido-
res. É importante que você também conheça o que dizem
essas normas. [...]
Para sermos consumidores é preciso que alguém
nos forneça o que consumir. Esse alguém, chamamos
de fornecedor. O fornecedor tem uma série de respon-
sabilidades sobre aquilo que fornece, pois, se ele pro-
duziu e/ou colocou no mercado um produto ou serviço,
sabe muito bem quais os benefícios ou danos que estes
podem nos trazer. Dessa forma, o fornecedor sempre
tem a obrigação de lhe dar informações sobre o produto
ou serviço que oferece, para que você possa avaliar e
decidir livremente sobre comprar ou não, contratar ou
não, e para que a utilização desse produto ou serviço
não lhe cause nenhum dano ou prejuízo. Se o fornece-
dor cumprir suas obrigações de informar e mesmo assim
você sofrer algum dano por causa daquele produto ou
serviço, ele será responsabilizado e terá de tomar provi-
dências para “consertar” o estrago.
Syda_Productions/Shutterstock

62 Cidadania Moral e Ética I 7o ano

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62 Cidadania Moral e Ética

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Para poder exigir que o fornecedor cumpra sua obrigação, você precisa conhecer seus di-
reitos. Além disso, é importante ressaltar que você tem muitas responsabilidades e que agir de
forma consciente o ajudará a se defender em suas reclamações de consumo. Para cada ação
de consumo que você pratica, cada escolha que você faz, existe uma consequência boa ou ruim
não só para quem consome diretamente, mas para toda a sociedade e o meio ambiente. Quanto
mais racionais forem suas escolhas, melhor será para todos.

Fundação Procon São Paulo/Coordenadoria Estadual da Juventude. Manual do jovem consumidor. Adaptado. Disponível em: http://www.
procon.sp.gov.br/pdf/Manu- al_Jovem_Consumidor.pdf. Acessado em 02/04/2014.

? Questão de ética

1. Pesquise e responda: na região em que você mora, a que órgãos se deve recorrer quando o
consumidor se sente lesado? Cite alguns deles e explique suas funções.

Resposta pessoal

2. Provavelmente, você já ouviu falar no Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC), não é mes-
mo? Para que ele serve? Você já fez uso desse recurso? Relate sua experiência.

Resposta pessoal

3. Elabore, com seus colegas de classe, uma cartilha com informações dos direitos mais im-
portantes do consumidor. Inclua os órgãos de defesa do consumidor disponíveis para a sua
localidade, com o registro de endereço, site e telefone de cada um deles. Além disso, des-
creva como resolver situações comuns relacionadas ao consumo em sua região.

Resposta pessoal

Cidadania Moral e Ética I 7o ano 63

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Manual do Educador – 7 ano o


63

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5
Capítulo

Objetivos
O meio ambiente

5
Pedagógicos O meio

Capítulo
• Avaliar de que modos o
consumo e o trabalho estão
ambiente
ligados à preservação ou à
destruição do meio ambiente.
• Explorar o tema da saúde Vamos dialogar!
relacionada às condições de vida Na sua sala de aula, provavelmente existe um lixeiro,
adequadas. Conhecimentos prévios assim como em outros locais da escola. Pense também
no lixo que é produzido em sua casa e na enorme quan-
• Estudar os diferentes processos • Você consome por tidade de detritos e materiais jogados fora que vemos
de destinação do lixo, bem como necessidade ou por desejo? pelas ruas. É bastante lixo. Agora, pense em quanto lixo
a necessidade de reutilização e • O que você entende por é produzido no mundo inteiro. Para onde vai tudo isso?
meio ambiente?
reciclagem. • Você considera que a Terra
O que é possível reaproveitar e quais são os problemas
que essa enorme quantidade causa no meio ambiente?
ou o meio ambiente estão O acúmulo de lixo é apenas um dos problemas relacio-
doentes?
Diálogo com o • Você contribui de alguma
nados à preservação do planeta.

professor maneira para o fim do meio


Neste capítulo, estudaremos como nossas ações, em
especial as referentes ao trabalho e ao consumo, podem
ambiente e da vida na Terra? contribuir para a preservação ou a destruição do mundo
Vygotsky, em seu livro Construção Como? e do lugar em que vivemos.
do pensamento e da linguagem, iden-
tificou que não é possível conceber
o processo de aprendizagem dos

De cima para baixo da esquerda para direita: Syda Productions, KaliAntye, Photographee.eu/Shutterstock
humanos independente da história
de vida de cada um, de seu contexto
social, histórico e cultural. Para o teó-
rico, desde o nascimento da criança
o desenvolvimento e a aprendizagem
caminham juntos, sendo esta última
de grande importância para desper-
tar processos internos ligados ao de-
senvolvimento do indivíduo e à sua
relação com o ambiente social em
que está inserido. daí a importância
de estimular os conhecimentos pré-
vios dos alunos para contribuir com a
aprendizagem.

CMeE_7A_2017_01a80_REV01.indb 64 05/01/17 22:06

Anotações

64 Cidadania Moral e Ética

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Localidade e consumo
Alguns lugares possuem um viés consumidor mais forte do que outros. Regiões próximas a
shoppings ou outros centros comerciais apresentam uma maior quantidade de compradores,
que estão em busca dos mais variados tipos de produto.
Devido ao aumento do consumo, percebe-se, nessas localidades, um desequilíbrio social e
ambiental, que acaba por afetar também outras regiões. Nosso comportamento em relação ao
consumo afeta não só a nossa vida, mas também a de outras pessoas, além de comprometer
a sustentabilidade do planeta.
Para garantir o desenvolvimento das comunidades, algumas medidas devem ser adotadas
com o objetivo de assegurar a sustentabilidade e a responsabilidade com as consequências do
consumismo.
O meio ambiente deve ser uma das preocupações do comércio e dos consumidores das
localidades. O aumento da quantidade de veículos, da poluição do solo e do ar, da produção
de lixo e do consumo de recursos naturais é um problema que deve ser considerado por todos.
As grandes cidades estão passando por dificuldades na procura por espaço. Percebemos
isso ao observarmos comunidades nas quais existem comércio desorganizado, bairros populo-
sos, habitações inadequadas, equipamentos culturais desestruturados, etc.

De cima para baixo da esquerda para direita: Det-anan, 1000_Words, Filipe_Frazao/Shutterstock

Cidadania Moral e Ética I 7o ano 65

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Manual do Educador – 7 ano o


65

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5
Capítulo

Fundamentação
O meio ambiente

Conceitos de educação ambiental ? Questão de ética


“Entendem-se por educação ambien-
1. Pesquise, em jornais e revistas, recorte e cole fotos de localidades com comércio acentuado
tal os processos por meio dos quais o próximo de onde você mora. Crie legendas dizendo o nome do local e alguma informação
indivíduo e a coletividade constroem sobre o que ocorre nele.
valores sociais, conhecimentos, habili- Resposta pessoal
dades, atitudes e competências volta-
das para a conservação do meio am- 2. Junte-se a um colega e, em dupla, discutam: quais os problemas causados ao meio am-
biente, bem de uso comum do povo, biente devido ao aumento do consumo nas grandes cidades? Anote, em seu caderno, os
essencial à sadia qualidade de vida e resultados da discussão. Resposta pessoal
sua sustentabilidade.”
Política Nacional de Educação Am- 3. Comente a frase:
biental – Lei nº 9795/1999, Art. 1º.
“A Terra pode oferecer o suficiente para satisfazer as necessidades de todos os homens,
mas não a ganância de todos.” Mahatma Gandhi.
“A educação ambiental é a ação
educativa permanente pela qual a co- Resposta pessoal
munidade educativa tem a tomada de
consciência de sua realidade global, do
tipo de relações que os homens esta-
belecem entre si e com a natureza, dos
problemas derivados das ditas relações 4. Observe as atitudes representadas nas imagens abaixo e explique o que há de errado em cada
uma delas. Cite como tais ações prejudicam o meio ambiente e o bem-estar da comunidade.
e suas causas profundas. Ela desenvol-
ve, mediante uma prática que vincula o
Justek16/Shutterstock

educando com a comunidade, valores e


atitudes que promovem um comporta-
mento dirigido à transformação supe-
radora dessa realidade, tanto em seus
Alexander Raths/Shutterstock

aspectos naturais como sociais, desen-

sfam_photo/Shutterstock
volvendo no educando as habilidades
e atitudes necessárias para dita trans-
formação.”
Conferência Sub-regional de Educa-
ção Ambiental para a Educação Secun- Resposta pessoal
dária – Chosica/Peru (1976).

“A educação ambiental deve propor-


cionar as condições para o desenvol-
vimento das capacidades necessárias; 66 Cidadania Moral e Ética I 7o ano
para que grupos sociais, em diferentes
contextos socioambientais do País, in-
tervenham, de modo qualificado, tanto CMeE_7A_2017_01a80_REV01.indb 66 05/01/17 22:06

na gestão do uso dos recursos ambien- “A educação ambiental nasce como um zada, busca a compreensão e a supera-
tais quanto na concepção e aplicação processo educativo que conduz a um sa- ção das causas estruturais e conjuntu-
de decisões que afetam a qualidade do ber ambiental materializado nos valores rais dos problemas ambientais.”
ambiente, seja físico-natural ou construí- éticos e nas regras políticas de convívio SORRENTINO et alii. Educação am-
do, ou seja, educação ambiental como social e de mercado, que implica a ques- biental como política pública, 2005.
instrumento de participação e controle tão distributiva entre benefícios e prejuí-
social na gestão ambiental pública.” zos da apropriação e do uso da natureza. “A educação ambiental deve se con-
QUINTAS, J. S. Salto para o futuro, Ela deve, portanto, ser direcionada para a figurar como uma luta política, com-
2008. cidadania ativa, considerando seu sentido preendida em seu nível mais poderoso
de pertencimento e corresponsabilidade, de transformação: aquela que se revela
que, por meio da ação coletiva e organi- em uma disputa de posições e propo-

66 Cidadania Moral e Ética

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Anotações
5. Com o auxílio do seu professor, analise o prejuízo ao meio ambiente que os materiais abaixo
podem oferecer e responda: por que tais materiais devem ser consumidos com cautela?

Somchai Som/Shutterstock
Tempo de decomposição:
mais de 400 anos
design56/Shutterstock

Tempo de decomposição:

MNI/Shutterstock
mais de 8 anos
SeDmi/Shutterstock

Tempo de decomposição:
mais de 100 anos
Tempo de decomposição:
mais de 100 anos

Resposta pessoal

6. Quando consumimos, em muitos casos, não percebemos quanto lixo produzimos. Pensando
sobre isso:
a. Dos objetos que você consome, quais são recicláveis?

Resposta pessoal

b. O lixo que você produz é destinado à coleta seletiva? Se sim, como ela ocorre?

Resposta pessoal blicas participativas, conforme requer a


gestão ambiental democrática.”
LAYRARGUES, P. Crise ambiental e
c. Confeccione, em grupo com seus colegas, caixas para serem usadas em coleta seletiva suas implicações na educação, 2002.
na sala de aula. Não se esqueça de separá-las por material e cor correspondentes: azul,
papel; vermelho, plástico; verde, vidro; amarelo, metal; marrom, orgânico; e cinza, não “Processo em que se busca desper-
reciclável. tar a preocupação individual e coletiva
para a questão ambiental, garantindo
Cidadania Moral e Ética I 7o ano 67 o acesso à informação em linguagem
adequada, contribuindo para o desen-
volvimento de uma consciência crítica
e estimulando o enfrentamento das
CMeE_7A_2017_01a80_REV01.indb 67 05/01/17 22:06

sições sobre o destino das sociedades, “Um processo educativo eminente-


dos territórios e das desterritorializações; mente político, que visa ao desenvol- questões ambientais e sociais. Desen-
que acredita que, assim como o conhe- vimento nos educandos de uma cons- volve-se num contexto de complexida-
cimento técnico-científico, o saber po- ciência crítica acerca das instituições, de, procurando trabalhar não apenas
pular consegue proporcionar caminhos dos atores e fatores sociais geradores a mudança cultural, mas também a
de participação para a sustentabilidade de riscos e respectivos conflitos so- transformação social, assumindo a cri-
através da transição democrática”. cioambientais. Busca uma estratégia se ambiental como uma questão ética
pedagógica do enfrentamento de tais e política.”
SATO, M. et alii. Insurgência do grupo- conflitos a partir de meios coletivos
MOUSINHO, P. Glossário. In: TRIGUEIRO, A. (coord.)
-pesquisador na educação ambiental de exercício da cidadania, pautados na Meio ambiente no século XXI. Rio de Janeiro: Sextante,
sociopoiética, 2005. criação de demandas por políticas pú- 2003.

Manual do Educador – 7o ano 67

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5
Capítulo
O meio ambiente

Para refletir

Consumo, saúde e meio ambiente

A exploração dos recursos naturais intensificou-se muito a partir das revoluções industriais
e do desenvolvimento de novas tecnologias, associada a um processo de formação de um
mercado mundial que transforma as demandas locais também em demandas mundiais. A
fome, a miséria, a injustiça social, a violência e a baixa qualidade de vida de grande parte da
população são fatores derivados do modelo econômico, com graves repercussões nas ques-
tões ambientais e na saúde da população.
As condições de trabalho e de saúde se relacionam diretamente com as condições
de alimentação do grupo social, que, por sua vez, refletem a desigualdade gerada pelo
modelo econômico. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), quatro
das dez causas principais de incapacitação nos países periféricos relacionam-se com
as condições de pobreza da população: trata-se da anemia por falta de ferro, subnutri-
ção proteica, problemas surgidos no período anterior ou posterior ao parto e ferimentos
em decorrência de quedas. Quando se analisam os principais fatores de risco de morte
citados pelo relatório da OMS, a subnutrição aparece como a principal causa de morte
nos países periféricos, seguida da falta de saneamento e de higiene pessoal, hipertensão
e fumo. Esses dados devem ser relacionados com as condições de vida, de trabalho e
de moradia das populações, com a pobreza sendo a causa tanto de mortes prematuras
como de incapacitação. Setores da população sofrem com a desnutrição, com o retorno
de doenças que se consideravam erradicadas, com condições de moradia e saneamento
deterioradas, colocando em pauta a discussão sobre as responsabilidades do Estado e
de cada um dos setores que direta ou indiretamente tratam sobre as questões da saúde.
O direito de todos ao meio ambiente e à moradia saudáveis está longe de ser reali-
dade para grande parte da população. O que compete ao Estado, à sociedade civil, ao
cidadão? Verifica-se a necessidade de políticas que priorizem a alimentação, a saúde, a
habitação. O que a escola pode fazer? Pode participar desse movimento, propiciando
o debate em torno de alguns temas que possibilitem aos alunos uma maior compreen-
são do contexto social em que vivem e lhes permitam atuar em sua vida cotidiana e
na comunidade de forma crítica e solidária.
Fonte: Brasil. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Terceiro e quarto
pan demin/Shutterstock

ciclos — trabalho e consumo. Brasília: MEC/SEF, 1998.

68 Cidadania Moral e Ética I 7o ano

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68 Cidadania Moral e Ética

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? Questões para reflexão
1. Por que nem todas as pessoas têm acesso a boas condições de vida?
2. De que maneira o trabalho dos membros de sua família influencia na qualidade de
vida que você tem?
3. De que forma o que consumimos interfere no meio ambiente?
4. Qual é a relação entre saúde e trabalho?

Para onde vai o lixo?


O aumento da quantidade de lixo traz grandes problemas ao meio ambiente. Outra preocu-
pação que devemos ter é com o destino dado a esse lixo.
Você sabe a diferença entre lixão, aterro controlado e aterro sanitário?
Um lixão é uma área de disposição final de resíduos sólidos sem nenhuma preparação an-
terior do solo. Não tem nenhum sistema de tratamento de efluentes líquidos, como o chorume
— líquido preto que escorre do lixo. Este penetra pela terra levando substâncias contaminantes
para o solo e para o lençol freático. Moscas, pássaros e ratos convivem com o lixo livremente a
céu aberto, e, pior ainda, crianças, adolescentes e adultos catam comida e materiais recicláveis
para vender. No lixão, o lixo fica exposto sem nenhum procedimento que evite as consequências
ambientais e sociais negativas.

Já o aterro controlado é uma fase intermediária entre o lixão e o aterro sanitário. Normal-
mente, é uma célula adjacente ao lixão que foi remediada, ou seja, que recebeu cobertura de
argila e grama (idealmente selada com manta impermeável para proteger a pilha da água de
chuva) e captação de chorume e gás. Essa célula adjacente é preparada para receber resíduos
com uma impermeabilização com manta e tem uma operação, como a cobertura diária da pilha
de lixo com terra ou outro material disponível, como forração ou saibro — que procura dar conta
dos impactos negativos. Tem também recirculação do chorume, que é coletado e levado para
cima da pilha de lixo, diminuindo a sua absorção pela terra ou, eventualmente, outro tipo de
tratamento para esse efluente, como uma estação para tratá-lo.

Cidadania Moral e Ética I 7o ano 69

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Manual do Educador – 7 ano o


69

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5
Capítulo

Sugestão de Filme
O meio ambiente

Lixo extraordinário
Diretores: Lucy Walker e João Jardim

Filmado ao longo de dois anos


(agosto de 2007 a maio de 2009), Lixo
extraordinário acompanha o traba-
lho do artista plástico Vik Muniz em
um dos maiores aterros sanitários do
mundo: o Jardim Gramacho, na perife-
ria do Rio de Janeiro. Lá, ele fotografa
um grupo de catadores de materiais Mas a disposição adequada dos resíduos sólidos urbanos é o aterro sanitário, o qual, antes
recicláveis, com o objetivo inicial de re- de iniciar a disposição do lixo, teve o terreno preparado previamente com o nivelamento de terra e
tratá-los. No entanto, o trabalho com com o selamento da base com argila e mantas de policloreto de vinila, extremamente resistentes.
esses personagens revela a dignidade Com essa impermeabilização do solo, o lençol freático não será contaminado pelo chorume. Este
e o desespero que enfrentam quando é coletado através de drenos de Polietileno de Alta Densidade (Pead), encaminhado para o poço
de acumulação, de onde, nos seis primeiros meses de operação, é recirculado sobre a massa
sugeridos a reimaginar suas vidas fora
de lixo aterrada. Depois desse tempo, quando a vazão e os parâmetros já são adequados para
daquele ambiente. A equipe tem aces- tratamento, o chorume acumulado será conduzido para a estação de tratamento de efluentes. A
so a todo o processo e, no final, revela operação do aterro sanitário, assim como a do aterro controlado, prevê a cobertura diária do lixo,
o poder transformador da arte e da não ocorrendo a proliferação de vetores, mau cheiro e poluição visual.
alquimia do espírito humano.

Sugestão de
Abordagem
1. (Unirio) A ideia de desenvolvimento
sustentável tem sido cada vez mais dis-
cutida junto às questões que se referem
ao crescimento econômico. De acordo
com esse conceito, considera-se que:
a) o meio ambiente é fundamental
para a vida humana e, portanto, deve ? Questão de ética
ser intocável.
b) os países subdesenvolvidos são os
1. Pesquise o tratamento oferecido ao lixo coletado na região em que você vive. Trata-se de um
únicos que praticam essa ideia, pois, lixão, aterro controlado ou aterro sanitário?
por sua baixa industrialização, preser-
vam melhor o seu meio ambiente do Resposta pessoal
que os países ricos.
c) ocorre uma oposição entre desen-
70 Cidadania Moral e Ética I 7o ano
volvimento e proteção ao meio am-
biente e, portanto, é inevitável que os
riscos ambientais sustentem o cresci- CMeE_7A_2017_01a80_REV01.indb 70 05/01/17 22:06

mento econômico dos povos.


d) deve-se buscar uma forma de pro- Anotações
gresso socioeconômico que não com-
prometa o meio ambiente sem que,
com isso, deixemos de utilizar os recur-
sos nele disponíveis.
e) são as riquezas acumuladas nos
países ricos, em prejuízo das antigas co-
lônias durante a expansão colonial, que
devem, hoje, sustentar o crescimento
econômico dos povos.

70 Cidadania Moral e Ética

ME_CIDADANIA_E_ETICA_7ANO.indb 70 06/01/17 10:49


2. Você concorda com a alternativa utilizada para resolver o problema em sua localidade? Jus-
tifique sua resposta.

Resposta pessoal

3. Liste as vantagens e desvantagens, em sua opinião, de cada uma das formas de tratamento
de lixo estudadas. Resposta pessoal

Lixão Aterro controlado Aterro sanitário

Vantagem Vantagem Vantagem

Desvantagem Desvantagem Desvantagem

Para refletir
Preservação no dia a dia

Para promover a preservação dos recursos naturais, é importante nos conscientizarmos


de ações práticas que reduzam o impacto da poluição sobre a Terra. Entre elas:
• Repensar hábitos de consumo e descarte. Compramos o que realmente necessita-
mos? Ou consumimos por impulso e cometemos desperdícios? Em vez de comprar
algo novo, será que poderíamos reaproveitar o que já temos?
• Consumir menos, dando preferência aos produtos que tenham maior durabilidade.
Por exemplo, adquirir refis de produtos e dar prioridade às embalagens retornáveis.
• Recusar produtos que prejudicam a saúde e o meio ambiente. Assim, estamos
contribuindo para um mundo mais limpo.
• Reutilizar, para ampliar a vida útil do produto e, assim, contribuir para a econo-
mia da extração de matérias-primas.
• Reciclar. Dessa forma, reduz-se o consumo de água, energia e matéria-
-prima, além de gerar trabalho e renda para milhares de pessoas.

Cidadania Moral e Ética I 7o ano 71

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Manual do Educador – 7 ano o


71

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6
Capítulo

Objetivos
A cultura brasileira

6
Pedagógicos A cultura

Capítulo
• Compreender o processo de
busca de identidade cultural
brasileira
do Brasil, em seus diferentes
momentos históricos.
• Enfatizar que a miscigenação e Vamos dialogar!
a diversidade são os elementos
Você já deve ter ouvido alguém se referir ao Brasil
que mais caracterizam a cultura como o país do futebol ou país do Carnaval. De
Conhecimentos prévios
do País. fato, essas são duas manifestações culturais nas quais
• Você acha que
o nosso país se destaca. No entanto, nós temos muitos
• Entender a realidade atual precisamos de cultura?
outros motivos para nos orgulharmos da nossa cultura.
das populações indígenas do • Você se identifica com
Entre eles, grandes escritores, músicos e compositores
território nacional. alguma manifestação
cultural?
talentosos, importantes artistas plásticos, sem contar as
manifestações populares de dança, festas e folclore. Ci-
• Examinar a forte influência • Você já frequentou
tamos apenas alguns campos que precisamos conhecer
algum museu, centro
da cultura negra africana nos de artesanato, teatro ou
cada vez mais para entendermos melhor o lugar em que
hábitos e nas manifestações cinema? O que achou?
vivemos e, assim, saber preservá-lo para que possamos
nos sentir pertencentes a ele.
artísticas dos brasileiros. • Para você, o que é
cultura?
Machado de Abaporu, de
Assis, escritor Tarsila do

Sugestão de carioca do
século XIX,
Amaral. Tela
representativa

Abordagem considerado
um dos
do movimento
modernista,
maiores ocorrido no
nomes da Brasil no
Professor, ao trabalhar a arte a e a literatura
nacional.
início do
século XX.
cultura, de forma geral, a metodolo-

Will_Rodrigues/Shutterstock
gia triangular — que orienta o ensi-
no de arte levando em conta o fazer
artístico, o apreciar obras de arte e
o contextualizar na história da arte
— se torna uma aprendizagem mais
significativa para p aluno. Quando os
estudantes obtêm informações sobre
ostill/Shutterstock

o contexto e o modo como uma obra


foi criada e quando elas criam sua
própria obra, acabam por construir o Celebração do Bumba Meu Boi Roda de capoeira, dança originada no

seu conhecimento sobre a arte visual. em São Luís, Maranhão. Brasil na época da escravidão colonial.

Ao apreciarem uma obra de arte vi-


sual, inclusive suas próprias criações,
elas criam julgamentos, conceitos e CMeE_7A_2017_01a80_REV01.indb 72 05/01/17 22:06

opiniões, que, muitas vezes, ultrapas- Fundamentação


sam o conteúdo do que está sendo
O conceito de cultura é um dos ideais e crenças. Cultura é todo comple-
estudado. A metodologia triangular
principais nas ciências humanas [...] O xo de conhecimentos e toda habilidade
fica mais eficaz quando casada com
significado mais simples desse termo humana empregada socialmente. Além
o conhecimento prévio que a os pos-
afirma que cultura abrange todas as disso, é também todo comportamento
suem da linguagem visual.
realizações materiais e os aspectos es- aprendido, de modo independente da
pirituais de um povo. Ou seja, cultura é questão biológica.
tudo aquilo produzido pela humanida- Essa definição foi criada por Edward
de, seja no plano concreto ou no plano Tylor no século XIX, e gerações de an-
imaterial, desde artefatos e objetos até tropólogos procuraram aprofundá-la

72 Cidadania Moral e Ética

ME_CIDADANIA_E_ETICA_7ANO.indb 72 06/01/17 10:49


O conceito de cultura no Brasil
Chamamos de cultura a reunião de vários aspectos de uma determinada sociedade, incluin-
do comportamentos e tradições. Não existem culturas inferiores e culturas superiores. A cultura
deve ser percebida como algo dinâmico, do cotidiano. Os costumes, as crenças e os hábitos
pertencentes a cada povo, a cada nação, variam com o tempo. Muitos povos acreditavam ter
uma cultura mais adiantada do que a de outros. No entanto, o tempo e a história se encarrega-
do verbo latino colo, que significa “eu
ram de desmentir tal afirmativa.
Durante o século XIX, procurou-se identificar valores e características próprios da cultura ocupo a terra”. Cultura, dessa forma,
nacional, diferenciando-se da cultura europeia, colocando o índio como elemento original da seria o futuro de tal verbo, significando
cultura brasileira. “o que se vai trabalhar, o que se quer
A abolição da escravatura contribuiu para uma nova reflexão sobre a nossa cultura, enfatizan- cultivar”, e não apenas em termos de
do, assim, a importância dos negros na constituição da nacionalidade. A partir daí, começaram
a surgir teorias culturais que valorizavam a miscigenação (mistura de raças) como fator principal agricultura, mas também de transmis-
da cultura brasileira. são de valores e conhecimento para as
É importante considerar o caráter dinâmico, aberto e histórico da cultura, uma vez que valo- próximas gerações.
res e práticas culturais tendem a se modificar com o passar do tempo, adaptando-se a novos Nesse sentido, Bosi afirma que cultu-
contextos, atendendo às necessidades e expectativas de cada época.
A cultura do Brasil é marcada por diferenças regionais. Com certeza existe, na região em
ra é o conjunto de práticas, de técnicas,
que você vive, elementos culturais que diferenciam esse local dos outros lugares do Brasil. Na de símbolos e de valores que devem
introdução deste capítulo, vimos alguns elementos que constituem o acervo cultural brasileiro. ser transmitidos às novas gerações para
Pesquise e leia mais sobre cada um deles. garantir a convivência social. Mas, para
haver cultura, é preciso antes que exista
também uma consciência coletiva que,
? Questão de ética
a partir da vida cotidiana, elabore os
planos para o futuro da comunidade.
1. O que significa diversidade cultural? Tal definição dá à cultura um significado
Diversidade cultural é o conjunto variado de manifestações da cultura de um povo. muito próximo do ato de educar. Nes-
sa perspectiva, cultura seria aquilo que
2. Que importância têm, para o Brasil, as diferentes culturas regionais? um povo ensina aos seus descendentes
para garantir sua sobrevivência. [...]
Resposta pessoal
Trabalhar com a rica gama de signi-
ficados do conceito de cultura dá aos
educadores uma importante ferramen-
3. Classifique as assertivas abaixo, colocando V para as verdadeiras e F para as falsas. ta contra o preconceito, pois este é deri-
vado principalmente do etnocentrismo.
( V ) A cultura é a reunião de aspectos importantes de uma sociedade, ela promove a identifi-
cação entre as pessoas e o lugar em que elas vivem.
Uma estratégia possível para as salas
( F ) A cultura é estática, ou seja, ela não se modifica com o passar do tempo. de aula é trabalhar com os alunos ele-
( V ) Há estudiosos que se preocupam em analisar a cultura e estudar as peculiaridades cultu- mentos de culturas diferentes da nossa,
rais de um lugar. como as sociedades africana ou indíge-
na, japonesa, etc., expondo como cada
Cidadania Moral e Ética I 7o ano 73 uma dessas culturas corresponde a res-
postas a seus próprios problemas e tem
significado para os seus membros. Essa
CMeE_7A_2017_01a80_REV01.indb 73 05/01/17 22:06
estratégia tem outra vantagem, que é a
possibilidade de se discutir a diversida-
para melhor compreender o compor- de forma particular e não pode ser julga- de cultural e estimular o respeito à dife-
tamento social. Entre esses pensadores, da a partir da história de outras culturas. rença. Assim, vale lembrar que um dos
um dos mais influentes foi Franz Boas, [...] principais objetivos de trabalhar com
que, no começo do século XX, iniciou Mas nem toda definição de cultura vem esse conceito nos níveis Fundamental e
uma crítica sistemática às teorias até da antropologia. O estudioso brasileiro Médio é a necessidade de se combater
então vigentes que defendiam a exis- Alfredo Bosi, por exemplo, em Dialética o etnocentrismo.
tência de uma hierarquia entre cultu- da colonização, define cultura a partir da
SILVA, Kalina Vanderlei; SILVA, Maciel Henrique.
ras [...] afirmando que toda cultura tem linguística e da etimologia da palavra: cul-
Dicionário de conceitos históricos. São Paulo: Contexto,
uma história própria, que se desenvolve tura, assim como culto e colonização, viria 2006.

Manual do Educador – 7o ano 73

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6
Capítulo

Sugestão de
Abordagem
A cultura brasileira

Essa é uma ótima maneira de tra-


Para refletir
balhar a cultura do cordel em sala
de aula. A seguir, elencamos alguns Brincadeira de criança
pontos que você pode trabalhar na
No meu tempo de criança,
sua aula além das perguntas da seção tudo era brincadeira, Jogar bolinha de gude
Questões para reflexão. Vejamos: buscar água no açude, e brincar de amarelinha,
“A batatinha se esparrama”
• Identifique a forma de escrita do descer e subir ladeira, fazer bolha de sabão
e enfeita o nosso chão.
texto de cordel e convide os alunos fazer cafuné no papai
A boneca ganha vida,
lá na casa da vizinha,
pular elástico na escola
a descobrirem que os cordéis con- puxando sua cabeleira.
ganha nome e profissão, com a melhor amiguinha.
tam história em forma de versos. não importa se é de milho,
Todo dia, bem cedinho,
• Leve seus alunos a conhecerem as gostava de levantar,
de pelúcia ou de algodão. As meninas e os meninos
obras de alguns cordelistas e sua ajudar papai e mamãe, brincavam alegremente
Na casinha da Galega,
biografia para entender que são es- do irmãozinho cuidar,
ela vira quase gente,
de casinha ou de escola,
professor ou presidente,
critores poetas. sem nunca me esquecer
tem saiinha de crochê
a feliz hora de brincar. deputado ou prefeito,
• Proporcione a apreciação de xilo- pra ficar toda decente embaixador ou gerente.
gravuras e como são produzidas. Porque isso é importante
e deixar sua mamãe
muito feliz e contente.
• Leve, por meio da leitura e da es- quando a gente é criança Adedonha e passarás,
cuta, as características textuais da e deixa o nosso mundo
Brincadeira de criança
a pipa, corda e pião
animavam a criançada
literatura de cordel. cheiinho de esperança,
é viver com liberdade que vivia no sertão,
• Desenvolva a produção de textos onde tudo parece mágico
de correr pelo quintal e também as da cidade
e nunca sai da lembrança.
que se enquadrem nas característi- ou passear na cidade brincavam com emoção.
cas da literatura de cordel. Pois, no ato de brincar,
com um sorriso no rosto,
brilhando a felicidade. Com as cantigas de roda,
acontece a interação,
e a criança logo aprende passa-anel e trem maluco
As brincadeiras de hoje saindo lá de Catende.
a seguir seu coração,
Fundamentação ela brinca, cria e descobre
estão bem modificadas, Estado de Pernambuco,
porque nossas crianças passando na Paraíba
e se diverte de montão.
já nascem modernizadas,
A literatura de cordel faz parte do ro- fazendo seu vuco-vuco.
e as brincadeiras de ontem
manceiro popular do Nordeste e teve Brincadeira de criança
não são mais valorizadas. Boca de forno e corrida,
sua origem nos romances portugueses é criar um novo mundo,
onde tudo é diferente barra-bandeira e ciranda
em versos, os quais surgiram em sua Brincadeira de criança, com amigos e parentes
e todo buraco é fundo,
expressão oral, sendo depois passados onde “o touro é valente”,
no meu tempo de menina, lá na frente da quitanda,
para a escrita. Foi nessa região, local de mais forte que o Raimundo.
também tinha diversão e os escravos de Jó
que hoje não se imagina:
menor letramento e de acesso mais di- tomar banho de chuva
na ventilada varanda.
[...]
fícil à imprensa, que essas narrativas em com a prima Catarina.
versos impressas em papel simples e ROCHA, Iêda. Brincadeira de criança. Recife: Prazer de Ler, 2016.

penduradas num barbante, conhecidas


como cordel, encontraram terreno mais
74 Cidadania Moral e Ética I 7o ano
fértil para se propagar (GALVÃO, 2001).
Pelo fato de esse tipo de literatura ser
carregado de toda uma expressivida- CMeE_7A_2017_01a80_REV01.indb 74 05/01/17 22:06

de e historicidade relacionada à cultu- a decodificação de sinais. A leitura é vista ampliação não só do público leitor, mas
ra popular, sentimos a necessidade de como parte do mundo e, por isso, requer também do material de leitura e dos
contemplá-la não só em sua expressão a mobilização de diversos conteúdos que modos e ritmos de ler. Nesse ponto, po-
literária, mas também como prática irão se constituir na interação texto-leitor. demos nos reportar à importância do
sócio-discursiva, principalmente na sala Nessa relação, serão de fundamental contato dos alunos com os diversos gê-
de aula, por ser esse um local de ampla importância os objetivos do leitor, porque neros textuais, conforme já citado. Aliás,
construção do conhecimento. são eles que vão determinar a busca pelo ela nos alerta para a necessidade de va-
Segundo Chiappini (2005), para que aprofundamento em determinados con- lorizar as condições concretas de comu-
os textos sejam realmente compreendi- teúdos e métodos. nicação literária, alegando que a leitura
dos é necessária uma visão interdisci- A autora nos chama a atenção, ainda, não se dá no vazio, já que se trata de
plinar, a qual irá exigir muito mais que para o papel da escola como crucial na uma atividade que implica sociabilidade.

74 Cidadania Moral e Ética

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Sugestão de Filme
Questões para reflexão Tropicália
? Diretor: Marcelo Machado
1. Como você explicaria o título da canção com base nos versos lidos? Numa época em que a liberdade
2. No cordel, são usadas algumas expressões que remetem a brincadeiras da infância.
de expressão perdia força, Caetano
Que brincadeiras são essas?
3. Você considera esse texto, o cordel, uma manifestação cultural? Por quê? Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Ar-
4. Essas brincadeiras de crianças são valorizadas atualmente? Justifique. naldo Baptista, Rita Lee, Tom Zé, en-
tre outros, misturaram desde velhas
tradições populares a muitas das
A rica cultura dos indígenas novidades artísticas ocorridas pelo
mundo e criaram o Tropicalismo,
Filipe_Frazao/Shutterstock

abalando as estruturas da sociedade


brasileira e influenciando várias ge-
rações. Com depoimentos, imagens
de arquivo e embalado pelas can-
ções do período, Tropicália dá um
panorama de um dos maiores movi-
mentos culturais do Brasil.

O povo brasileiro
Diretora: Isa Grinspum Ferraz
Alekk_Pires/Shutterstock

Dez episódios da série baseada na


obra de Darcy Ribeiro O povo brasi-
leiro, em que o autor investiga a for-
Estima-se a existência de cerca de 200 sociedades indígenas no Brasil. O número exato não
mação de nosso povo. Coproduzida
pode ser estabelecido, na medida em que existem grupos indígenas que vivem de forma autô- pela TV Cultura, pela GNT e pela Fun-
noma, não mantendo contato regular com a sociedade nacional. [...] dar, a série conta com as participa-
A população dessas sociedades é muito variável, havendo grupos relativamente numerosos, ções especiais de Chico Buarque, Tom
como os ticuna (20 mil), guarani (30 mil), kaingaing (20 mil), ianomâmi (10 mil), e outros como Zé, Antonio Candido, Aziz Ab’Saber,
os ava-canoeiros, cuja população atual é de apenas 14 pessoas, o que implica que essa socie- Paulo Vanzolini, Gilberto Gil, Herma-
dade se encontra seriamente ameaçada de desaparecer.
no Vianna, Luiz Melodia, entre outras
As sociedades indígenas são muito diferenciadas entre si, e, normalmente, essas diferenças
não podem ser explicadas apenas em decorrência de fatores ecológicos ou razões econômicas. personalidades e intelectuais.
Na década de 1950, numa tentativa pioneira de caracterizar as semelhanças e diferenças
existentes entre os diversos grupos indígenas brasileiros, o antropólogo Eduardo Galvão de-
senvolveu o conceito de áreas culturais. Esse conceito procurou agrupar todas as culturas de
uma mesma região geográfica que partilhavam certo número de elementos em comum.
Anotações
Cidadania Moral e Ética I 7 ano
o 75

CMeE_7A_2017_01a80_REV01.indb 75 05/01/17 22:06

A leitura surge na escola como uma ampliar o leque de leitura dos alunos,
oportunidade de colocar o aluno em a fim de lhes proporcionar um contato
confronto com o outro, propondo-lhe mais plural com as diversas formas de
o desafio de enxergar a pluralidade gêneros textuais e artísticos encontra-
cultural como forma de levá-lo a ser das no Brasil.
capaz de exercer a sua cidadania ple-
namente, sem vestígios de imposição ALVES, Roberta Monteiro. Literatura de cordel: por que
e para que trabalhar em sala de aula. Revista Fórum
de uma cultura sobre a outra. Portanto,
Identidades, Ano 2, v. 4, p. 103-109, jul-dez, 2008.
nossa discussão não busca a substitui-
ção de textos literários canônicos por
textos da literatura de cordel, mas sim

Manual do Educador – 7o ano 75

ME_CIDADANIA_E_ETICA_7ANO_Cap_6.indd 75 17/01/17 14:49


6
Capítulo

Sugestão de Filme
A cultura brasileira

Jardim das Folhas Sagradas Assim, os grupos indígenas do Brasil foram classificados em 11 áreas culturais: Norte-Ama-
Diretor: Pola Ribeiro zônica, Juruá-Purus, Guaporé, Tapajós-Madeira, Alto-Xingu, Tocantins-Xingu, Pindaré-Gurupi,
Paraná, Paraguai, Nordeste e Tietê-Uruguai.
A expansão imobiliária da cidade A área cultural do Alto-Xingu, por exemplo, adquiriu sua conformação geográfica a partir
de Salvador, decorrente de sua mo- da observação de certos costumes comuns e específicos à maioria dos grupos indígenas da
região. Entre esses costumes, destacam-se: a festa dos mortos, também conhecida como Kua-
dernização, faz com que o candom-
rup; o uso cerimonial do propulsor de dardos; o uluri, acessório da indumentária feminina; as
blé, tradicional religião afro-brasileira casas de projeção ovalada, com tetos-parede em ogiva; e o consumo da mandioca como base
ligada à natureza, seja afetada. A cau- da alimentação desses grupos.
sa é que o candomblé pede a existên-
cia de lugares amplos e naturais, para
Disponível em: http://www.museudoindio.org.br/educativo/pesquisa-escolar/251-a-diversidade¬-cultural-dos-povos-indigenas. Adaptado. Aces-
sado em 04/04/2014.

a realização de sua liturgia. É nesse


contexto que Miguel Bonfim, um ex-
-bancário filho de uma yalorixá e jor- ? Questão de ética
nalista de esquerda, decide criar o
Jardim das Folhas Sagradas. Sem con- 1. Você já entrou em contato pessoalmente com indígenas? Se sim, conte sua experiência. Se
seguir um local na cidade, ele decide não, escreva sua impressão a respeito dessa população baseado no que você aprendeu até
montá-lo na periferia. Por questionar hoje sobre ela.
o sacrifício de animais, Bonfim resolve Resposta pessoal
fazer um terreiro modernizado e des-
caracterizado. Só que essa decisão
lhe traz graves consequências.

2. Conforme o texto, as populações indígenas têm hoje sua segurança e sobrevivência garan-
tidas? Explique.
Sugestão de leitura ////
Não. Os índios brasileiros continuam lutando pelo direito à sua terra. E algumas tribos
Raízes do Brasil
sofrem o risco de desaparecer.
Autor: Sérgio Buarque de Holanda

Uma das obras fundadoras da mo-


derna historiografia e das ciências so- 3. Pesquise e responda no caderno: no estado em que você vive, há agrupamento(s) de popu-
ciais brasileiras. O livro pontua algu- lação indígena? Qual(is)? Como vivem esses indígenas, quais são suas crenças e qual é a
mas das mazelas de nossa vida social, relação deles com as comunidades que os rodeiam?
política e afetiva, entre elas a incapa- Resposta pessoal
cidade secular para separar o espaço
público do privado.

76 Cidadania Moral e Ética I 7o ano


Sugestão de
Abordagem
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Trabalhar a pluralidade cultural oferece de, cooperando na formação de autode-


aos alunos oportunidades de conheci- fesas a expectativas indevidas que lhes
Anotações
mento de suas origens como brasileiros poderiam ser prejudiciais.
e como participantes de grupos culturais Por meio do convívio escolar, você
específicos. Para isso, desenvolva ativi- possibilita conhecimentos e vivências
dades que valorizem as diversas cultu- que cooperam para que se apure sua
ras presentes no Brasil. Isso propiciará percepção de injustiças e manifestações
aos alunos a compreensão de seu pró- de preconceito e discriminação que re-
prio valor, promovendo sua autoestima caiam sobre si mesmo, ou que venha a
como seres humanos plenos de dignida- testemunhar.

76 Cidadania Moral e Ética

ME_CIDADANIA_E_ETICA_7ANO.indb 76 06/01/17 10:49


trasta conosco porque vive ainda o
drama de sua europeização, prossegui-
Para refletir da por sua própria liderança libertária,
que tem mais horror à tribalidade que
Os indígenas e a luta pela terra sobrevive e ameaça explodir do que à
recolonização. São ilusões! Se os índios
Filipe_Frazao/Shutterstock

sobreviventes do Brasil resistiram a toda


a brutalidade durante 500 anos e conti-
nuam sendo eles mesmos, seus equiva-
lentes da África resistirão também para

Filipe_Frazao/Shutterstock
rir na cara de seus líderes neoeuro-
peizadores. Mundos mais longínquos,
como os orientais, mais maduros que a
própria Europa, estruturam-se na nova
Todos os povos indígenas do mundo titui uma violação dos direitos humanos, se- civilização, mantendo seu ser, sua cara.
lutam para obter o pleno controle de suas gundo a Conferência Mundial sobre Direitos Nós, brasileiros, nesse quadro, somos
próprias terras. Na realidade, o conceito Humanos, realizada em Viena, em 1993.
de direito de propriedade da terra é Os povos indígenas não sofrem apenas
um povo em ser, impedido de sê-lo. Um
um termo ocidental que não tem sentido com a violação dos direitos humanos e com povo mestiço na carne e no espírito, já
para os povos indígenas. Quando são a invasão nas suas terras, mas também pelo que aqui a mestiçagem jamais foi crime
obrigados a aceitá-lo, é para se defender cerco da “civilização” ocidental, que, a cada ou pecado. Nela fomos feitos e ainda
da ingerência e da prepotência da civiliza- dia, diminui seu espaço. continuamos nos fazendo. Essa massa
ção ocidental em seu projeto de vida. A ameaça de extinção física e cultural é per-
de nativos oriundos da mestiçagem viveu
O direito à terra não é simplesmente manente e agressiva. A extinção da língua in-
uma exigência política. É o desejo de con- dígena, por exemplo, ameaça a sobrevivência por séculos sem consciência de si [...].
servar a própria identidade cultural. Para da nação indígena. Quando uma língua falada Assim foi até se definir como uma
os indígenas, a terra é mãe: cuida de to- desaparece, morre um povo, uma cultura, uma nova identidade étnico-nacional, a de
dos os seus filhos, veste-os e alimenta-os, sabedoria. A precária existência dos povos brasileiros. Um povo, até hoje, em ser,
dá-lhes a vida. Na mãe-terra, é conservada indígenas é devido à chegada criminosa de
na dura busca de seu destino. Olhan-
a história do povo. colonos e multinacionais em seus territórios.
O relacionamento dos indígenas com Muitas comunidades desaparecem por causa do-os, ouvindo-os, é fácil perceber que
sua terra assemelha-se ao modo como o das matanças e das enfermidades que vêm são, de fato, uma nova romanidade,
povo hebreu concebia a Terra Prometida. de fora. Podemos concluir com as palavras do uma romanidade tardia, mas melhor,
Para eles, a Palestina não era igual às ou- Papa João Paulo II: “Nenhum poder externo porque lavada em sangue índio e san-
tras terras, porque era a Terra da Promessa. tem o direito de diminuir e, muito menos ainda,
gue negro.
Toda civilização tem direito de decidir de destruir o valor das culturas humanas. As
sua própria vida comunitária, suas leis, diferenças culturais representam as chaves
Com efeito, alguns soldados roma-
suas instituições, seus símbolos, sua polí- interpretativas da vida. Privar os povos de nos, acampados na Península Ibérica,
tica. A autodeterminação é um direito ina- suas crenças e de suas práticas reli- ali latinizaram os povos pré-lusitanos. O
lienável de um povo, isto é, que não se giosas significa tirar o que resta a fizeram tão firmemente que seus filhos
transfere. A negação desse direito cons- eles de mais precioso”. mantiveram a latinidade e a cara, resis-
tindo a séculos de opressão de invaso-
res nórdicos e sarracenos [...].
Cidadania Moral e Ética I 7o ano 77 Somos povos novos ainda na luta
para nos fazermos a nós mesmos como
um gênero humano novo que nunca
CMeE_7A_2017_01a80_REV01.indb 77 05/01/17 22:06
existiu antes. Tarefa muito mais difícil e
Fundamentação
penosa, mas também muito mais bela
Que é o Brasil entre os povos con- Outro bloco contrastante é o dos povos e desafiante. Na verdade das coisas, o
temporâneos? Que são os brasileiros? transplantados, que representa nas Amé- que somos é a nova Roma. Uma Roma
Enquanto povo das Américas, contras- ricas tão só a reprodução de humanida- tardia e tropical. O Brasil é já a maior
ta com os povos testemunhos, como o des e de paisagens europeias. Os Estados das nações neolatinas, pela magnitude
México e o altiplano andino, com seus Unidos da América e o Canadá são de populacional, e começa a sê-lo também
povos oriundos de altas civilizações que fato mais parecidos e mais aparentados por sua criatividade artística e cultural.
vivem o drama de sua dualidade cultu- com a África do Sul branca e com a Aus-
RIBEIRO, Darcy. O povo brasileiro: a formação e o
ral e o desafio de sua fusão numa nova trália do que conosco. [...] sentido do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras,
civilização. Se olharmos lá para fora, a África con- 1995.

Manual do Educador – 7o ano 77

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6
Capítulo

Sugestão de leitura ////


A cultura brasileira

O povo brasileiro: A formação e ? Questões para reflexão


o sentido do Brasil
Autor: Darcy Ribeiro 1. Como é a relação do indígena com a terra?
2. Qual é a sua opinião sobre a condição dos indígenas ao longo da história do Brasil?
Por que o Brasil ainda não deu cer- 3. Como você acha que estão vivendo os indígenas brasileiros atualmente?
to? Quando chegou ao exílio no Uru- 4. Você conhece alguma ação da Fundação Nacional do Índio (Funai)? Qual é a sua
guai, em abril de 1964, Darcy Ribeiro opinião a respeito?
queria responder a essa pergunta na 5. Como é possível valorizar a tradição e a cultura indígena brasileira?
forma de um livro-painel sobre a for-
mação do povo brasileiro e sobre as
configurações que ele foi tomando A presença dos negros no Brasil
ao longo dos séculos. A resposta veio
com esse livro. Trata-se de uma ten-

Reprodução
tativa de tornar compreensível, por
meio de uma explanação histórico-
-antropológica, como os brasileiros
se vieram fazendo a si mesmos para
serem o que hoje somos.
Reprodução

Reprodução
Fundamentação

Não para os clichês

Como ensinar o que não se conhe-


ce? De acordo com dados divulgados
O povo negro sofreu grande rejeição na história das civilizações. No Brasil, a situação não foi
pelo IBGE em 2010, mais da metade da
diferente: quando chegaram ao País como escravos, eram vistos como uma raça inferior. Mas
população brasileira jamais teve conta- eles foram muito importantes na formação do povo brasileiro.
to presencial com qualquer aldeia indí- Os primeiros negros chegaram ao Brasil em 1580. Vieram para servir os donos das grandes
gena e ignora que muitas delas estão fazendas, que precisavam de muitos trabalhadores nas lavouras de cana-de-açúcar e não con-
localizadas perto dos centros urbanos, seguiam escravizar os índios. Para favorecer os fazendeiros, o governo brasileiro permitiu o co-
e não somente no norte do País. Em re- mércio de negros, que eram capturados na África, trazidos em grandes embarcações (os navios
lação aos negros, a escravidão é anali- negreiros) e vendidos no Brasil. As viagens duravam entre três e quatro meses. Eles vinham nus
e deitados nos porões dos navios sobre urinas e fezes, e nem sempre havia água e comida para
sada e estudada, mas há pouca atenção
todos. Muitos negros não sobreviviam a essas péssimas condições de viagem.
para os descendentes dos quilombos.
Estima-se que haja atualmente 1.700
comunidades remanescentes de qui- 78 Cidadania Moral e Ética I 7o ano
lombolas distribuídas pelo País, o que
poderia tornar seu legado cultural mais
próximo das instituições de ensino. CMeE_7A_2017_01a80_REV01.indb 78 05/01/17 22:06

[...] trazido para o Brasil pelos bantos, difuso outras sociedades, têm sua própria for-
A abordagem religiosa é um dos ta- ainda hoje em áreas quilombolas, como o ma de organização intelectual e difusão
bus a serem discutidos quando falamos popular jongo da Serrinha em Madureira, do conhecimento adquirido [...].
em África. Pode ser extremamente con- no Rio de Janeiro, ou no quilombo de São Outro problema é o caráter genérico
flituosa se não houver meios para um José, cidade de Parati (RJ). Outro aspec- como esses grupos são retratados. A
aprofundamento teórico. Além da reli- to pouco abordado é a etnomatemática, denominação índio oculta uma diversi-
giosidade povoam outros matizes pou- que analisa as práticas matemáticas de dade de mais de 230 povos com cultu-
co tratados em sala de aula. O jongo, acordo com os contextos culturais. Povos ras, crenças e hábitos diferentes entre
também conhecido como caxambu e indígenas, alguns países africanos, comu- si. Das 188 línguas existentes no Brasil,
corimá, é um deles. Estima-se que foi nidades caiçaras, entre outros grupos e apenas 10% foram estudadas e catalo-

78 Cidadania Moral e Ética

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Anotações
Quando chegavam ao Brasil, os escravos eram acomodados em senzalas, trabalhavam cerca
de quatorze horas por dia e, muitas vezes, tinham direito a apenas uma refeição diária, compos-
ta de feijão, milho e farinha de mandioca. Por resistir à dominação dos brancos, os negros eram
ainda mais maltratados — apanhavam de chicotes e eram amarrados a troncos. Sem esperan-
ças de ganhar uma carta de alforria, que lhes daria a liberdade, muitos se suicidavam ou fugiam,
indo para o sertão, onde se organizavam em quilombos.
Dois séculos depois, surgiu o movimento abolicionista no Brasil, liderado por José do Patro-
cínio, que defendia o fim do trabalho escravo. A partir de 1850, a ideia de libertação dos es-
cravos ganhou força, mas a escravidão só acabou no País em 1888, quando a princesa Isabel
assinou a Lei Áurea. A população negra deixou de ser dominada, mas nem por isso foi integrada
e aceita pela sociedade da época.
Ainda hoje, apesar de os negros terem conquistado seus direitos de cidadãos, eles conti-
nuam a ter condições de vida inferiores às dos brancos. Uma prova disso é o fato de boa parte
da população das favelas e dos presídios brasileiros ser composta por negros.

Disponível em: http://chc.cienciahoje.uol.com.br/presenca-dos-negros-no-brasil/. Adaptado. Acessado em 04/04/2014.

? Questão de ética

1. Qual é a sua opinião sobre a condição dos negros ao longo da história do Brasil?
Resposta pessoal

2. Como você acha que estão vivendo os negros brasileiros atualmente?


Resposta pessoal

3. Você conhece alguma organização que lute pela igualdade racial? O que ela promove?
Resposta pessoal

4. Pesquise traços da nossa cultura que só existem por conta da vinda dos escravos africanos
para o Brasil no período colonial. Você pode falar da música, da dança, da religião, da culi-
nária, etc. Em grupo, faça um cartaz com imagens e legendas explicativas desses traços.
Depois, exponha na sala de aula ou em outro espaço da escola.

Cidadania Moral e Ética I 7o ano 79

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gadas [...]. Além disso, as culturas não Para o trabalho em sala de aula, pode ser a análise de variados aspectos, como
vivem isoladas. proveitoso associar passado e contempo- a distância ou proximidade e as altera-
Muitos índios usam roupas urbanas, raneidade, trazendo formas de aborda- ções de significados culturais ocorridas
como calças e tênis, assistem à televi- gens mais interativas. Uma boa opção é o nesses novos espaços. Assim se apren-
são e cursam universidades. Há outras estudo comparativo entre imagens de ín- de sobre transformações, movimento e
dimensões culturais com as quais esses dios e negros no período colonial e ima- disputas culturais de um grupo ou uma
povos realizam trocas ora artísticas, ora gens mais recentes. O reconhecimento da comunidade.
tecnológicas, influenciando e sendo in- localização antiga de quilombos e aldeias
LOPES, Danielle Bastos. Revista de História. Disponível
fluenciados com o passar dos séculos pode ser confrontado com a localização em: http://www.revistadehistoria.com.br/secao/
[...]. das comunidades atuais, o que permite educacao/nao-para-os-cliches. Adaptado. Acessado em:
05/06/2014.

Manual do Educador – 7o ano 79

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6
Capítulo
A cultura brasileira

Para refletir

Canto das três raças

Ninguém ouviu um soluçar de dor


no canto do Brasil.
Um lamento triste sempre ecoou
desde que o índio guerreiro
foi pro cativeiro e, de lá, cantou.

Negro entoou um canto de revolta pelos ares


no Quilombo dos Palmares, onde se refugiou.
Fora a luta dos inconfidentes
pela quebra das correntes.
Nada adiantou.

E, de guerra em paz, de paz em guerra,


todo o povo dessa terra,
quando pode cantar,
canta de dor.

E ecoa noite e dia: é ensurdecedor.


Ai, mas que agonia
o canto do trabalhador...
Esse canto que devia ser um canto de alegria
soa apenas como um soluçar de dor.
Ninguém ouviu um soluçar de dor.

DUARTE, Mauro; PINHEIRO, Paulo César. In: NUNES, Clara. Canto das três raças. EMI, 1976.

? Questões para reflexão

1. A que três “raças” se refere o título do texto?


2. Por que, segundo o texto, “todo o povo dessa terra [...] canta de dor”?
3. A canção foi construída com base em uma gradação histórica, ou seja, na ordem dos
acontecimentos. Explique.
4. Por que o canto do trabalhador “devia ser um canto de alegria”?

80 Cidadania Moral e Ética I 7o ano

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