Você está na página 1de 6

ROTEIRO DE ESTUDOS

DESENVOLVIMENTO
HUMANO I
Este roteiro orientará a sua aprendizagem por meio da leitura de livros e artigos que cabem na sua
rotina de estudos. Experimente esse recurso e aumente a sua habilidade de relacionar a teoria à
prática profissional.
No seu caminho de aprendizagem, você encontrará os seguintes tópicos:

 Texto de apresentação de cada leitura indicada;


 Links para acesso às referências bibliográficas.

É importante ressaltar: o seu esforço individual é fundamental para a sua aprendizagem, mas você
não estará sozinho nessa!

UNIDADE 2
A perspectiva da epistemologia genética de Jean
Piaget

Principais Conceitos Piagetianos


A teoria de Piaget ficou conhecida como epistemologia genética. Trata-se de uma abordagem
que tenta compreender a origem (genética) do modo como conhecemos o mundo
(epistemologia). Propõe-se, assim, a estudar a origem, a raiz do conhecimento. Para tanto,
Piaget elaborou alguns conceitos que servem para melhor compreender o modo como o
conhecimento é construído pelas pessoas ao longo de toda a sua vida. Antes de continuar, é
necessário ressaltar que as pessoas utilizam essas estratégias, que veremos a seguir, em função
do seu estágio de desenvolvimento. A seguir, veremos algumas definições dos conceitos mais
importantes de Piaget.

Esquemas são estruturas mentais ou cognitivas por meio das quais as pessoas interpretam e
organizam o objeto. Tal objeto pode ser qualquer coisa do mundo, como um conceito
matemático ou uma situação política. Estes esquemas se modificam ao longo do
desenvolvimento infantil. Assim, surge a dúvida: como se cria um esquema? Esquemas são
produzidos a partir do interjogo entre assimilação e acomodação. Vamos entender esses dois
termos?

O conceito de assimilação refere-se ao processo pelo qual a pessoa incorpora objetos a um


esquema que já adquirira. Em termos de assimilação, a pessoa usa os esquemas que já tem em
si. Consiste na tentativa do indivíduo em solucionar uma determinada situação a partir da
estrutura cognitiva que ele possui naquele momento específico da sua existência. Por sua vez,
acomodação é o processo pelo qual a pessoa modifica ou cria um esquema em função de um
novo objeto. Como o esquema que possui não é suficiente para as especificidades dos objetos,
a pessoa deve acomodar aquele conhecimento, portanto deverá mudar algum esquema. Este

2
interjogo entre assimilação e acomodação favorece aquilo que mais interessava Piaget: a
produção de conhecimento.

Por fim, o conceito de equilibração refere-se ao processo pelo qual a pessoa tentará estabelecer
um equilíbrio interno. Ou seja, quando a pessoa se depara com alguma situação em que
necessita de resolução, ela entrará em certo desequilíbrio. A partir da assimilação e da
acomodação, ocorrerá uma passagem de uma situação menos equilibrada para uma mais
equilibrada. Trata-se, portanto, do resultado final da assimilação e da acomodação, isto é, a
produção de conhecimento.

Em Ribeiro (2016), é possível encontrar um maior aprofundamento sobre a teoria de Piaget de


modo sintético e claro. Por outro lado, Borges e Fagundes (2016) demonstram uma aplicação da
teoria piagetiana. Deste modo, a leitura de Ribeiro (2016) seguida por Borges e Fagundes (2016)
pode elucidar uma ponte entre teoria e prática.

Referências e Link do material na Biblioteca Virtual


e artigo
RIBEIRO, M. E. Psicologia do desenvolvimento. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional,
2016, p. 67-78. Disponível em <https://biblioteca-virtual.com/detalhes/livro/1466>. Acesso em:
10 mai. 2019.

BORGES, K. S.; FAGUNDES, L. DA C. A teoria de Jean Piaget como princípio para o


desenvolvimento das inovações. Educação, v. 39, n. 2, p. 242–248, 2016. Disponível em
<http://search.ebscohost.com/login.aspx?direct=true&db=foh&AN=118314282&lang=pt-
br&site=ehost-live>. Acesso em: 10 mai. 2019.

POTT, E. T. B. A perspectiva da epistemologia genética de Jean Piaget. Londrina: Editora e


Distribuidora Educacional, 2019.

Etapas do Desenvolvimento na Teoria Piagetiana


Piaget descreveu quatro etapas do desenvolvimento cognitivo: sensório-motor, pré-operatório,
operatório-concreto e operatório-formal. Vamos detalhá-los?

O estágio sensório-motor se desenrola do nascimento até, aproximadamente, 24 meses de


idade. Nesta fase, o conhecimento é construído pela percepção e ação do bebê. Por percepção,
queremos dizer “apreender o mundo pelos órgãos sensoriais”. Ação, por sua vez, seria conhecer
o mundo por meio de movimentos no espaço e tempo. Por isso, este estágio também é
denominado de “motor”. Nesta fase, ocorrem grandes conquistas desenvolvimentais
como, por exemplo, a permanência do objeto, que corresponde à capacidade de entender que
o objeto, por exemplo, uma pessoa, existe mesmo quando está fora do campo perceptivo. A
noção de causalidade seria a capacidade de entender que os objetos do mundo interagem entre
si, gerando certa causalidade. Além disso, a diferenciação entre meios e fins pode ser definida
como capacidade de entender que uma ação é necessária para realizar algo. Por fim, a noção de

3
configuração espacial pode ser entendida como capacidade de entender que o objeto é de
dimensões tridimensionais.

Já o estágio pré-operatório ocorre dos 2 anos aos 7 anos de idade. Com operatório, queremos
dizer que uma ação interiorizada modifica o objeto. Portanto, pré-operatório significa o início
das operações por parte da criança. Assim, a criança começará a deixar de usar somente a
percepção e a ação, para começar a usar a representação (que é um dos conceitos mais
importantes em Piaget, já que “representar” significa ser capaz de pensar um objeto através de
um outro objeto).

As grandes conquistas desenvolvimentais desse estágio são: a introdução à linguagem, isto é, a


capacidade de começar a se socializar pela linguagem (começar a unir símbolo, significado e
significante); a introdução à moralidade (que se refere à capacidade de se apropriar dos valores
e regras socias); e o pensamento egocêntrico (que é a dificuldade de compreender o ponto de
vista do outro).

O terceiro estágio, chamado de operatório-concreto, vai dos 7 aos 12 anos de idade. Neste
período, as primeiras operações ocorrem em função de algo concreto. Deste modo, as
representações por meio de objetos concretos ajudam a pensar sobre determinado objeto,
problema ou situação abstratos.

No último estágio, o operatório-formal, começa a partir dos 12 anos e se estende por toda a
vida. Nesta fase, temos as operações formais ou hipotético- -dedutivas, que significam a
capacidade mais desenvolvida para Piaget, isto é, a capacidade de raciocinar por hipóteses, de
modo que não há mais necessidade de objetos concretos para pensar sobre uma situação.

Inicialmente, em termos de organização do estudo, sugere-se a leitura de Porto e Sierra (2018)


sobre Piaget, especialmente sobre os estágios. A seguir, para melhor compreensão, a leitura de
Loureiro e Assis (2018) aprofunda o estudo sobre o desenvolvimento infantil, uma vez que eles
expõem compreensões acerca da obra de Piaget, em função da educação infantil em si.

Referências e Link do material na Biblioteca Virtual


e artigo
LOUREIRO, C. M. B.; ASSIS, R. M. Jean Piaget e a educação internacional: práticas pedagógicas
de construção de um método de compreensão e reciprocidade nas crianças. Educação Unisinos,
v. 22, n. 4, p. 259–267, 2018. Disponível em
<http://search.ebscohost.com/login.aspx?direct=true&db=foh&AN=134159045&lang=pt-
br&site=ehost-live>. Acesso em: 10 mai. 2019.

PORTO, A. B.; SIERRA, M. F. Crescimento e Desenvolvimento Humano. Londrina: Editora e


Distribuidora Educacional, 2018, p. 27-38. Disponível em <https://biblioteca-
virtual.com/detalhes/livro/572>. Acesso em: 10 mai. 2019.

POTT, E. T. B. A perspectiva da epistemologia genética de Jean Piaget. Editora e Distribuidora


Educacional: Londrina – PR. 2019

4
A Representação e o Jogo na Perspectiva de Piaget
Para Piaget, o jogo e o brincar são de extrema importância, pois são maneiras pelas quais as
crianças se desenvolvem de modo ativo. Assim, o brincar está diretamente ligado ao
desenvolvimento cognitivo da criança.

Na teoria piagetiana, o brincar já está presente desde o nascimento, ou seja, desde o período
sensório-motor. Portanto, brincar não é meramente um passatempo, mas, pelo contrário, é um
modo pelo qual a criança aprende, ou seja, desequilibra-se, assimila, acomoda e se
reequilibra. Deste modo, criança se humaniza em seus jogos.

Piaget discute três tipos de jogos que estão associados ao período em que a criança se encontra:
o Jogo do exercício, o Jogo simbólico e o Jogo da regra. No Jogo do exercício, as atividades são
basicamente motoras, sendo que ele ocorre, principalmente, até o segundo ano de vida. Já no
Jogo simbólico, que coincide com o momento em que ocorre a permanência do objeto, crianças
começam a interagir simbolicamente com objetos. Deste modo, surgem brincadeiras do tipo:
fingir ser um personagem, brincadeiras de faz-de-conta ou deformação de objeto (fingir que um
estojo é um foguete, por exemplo), que ocorrem entre 2 e 6 anos de vida. Por fim, no jogo da
regra, a criança se deparará com oportunidades para superar o pensamento egocêntrico, ou
seja, crianças começam a participar de brincadeiras que envolvam regras. Por exemplo,
podemos recordar o pega-pega, futebol, esconde-esconde, ou seja, atividade que envolvam
regras, reforços e punições, que ocorrem a partir dos 7 anos.

Além dos jogos, Piaget também percebeu que os desenhos das crianças estão em função do seu
grau intelectual. Essa consideração é fundamental na prática do psicólogo e do pedagogo, pois,
a partir da produção gráfica da criança, é possível considerar o estágio cognitivo da criança.
Nesta teoria, há cinco fases pelas quais a criança passa em relação ao desenho: a garatuja, o pré-
esquematismo, o esquematismo, o realismo e o pseudonaturalismo. Vamos a elas?

As garatujas se caracterizam pela ausência de forma, ou seja, tratam-se de rabiscos sem ordem,
que ocorrem, normalmente, do estágio sensório-motor ao início do pré-operatório. Já no pré-
esquematismo, as crianças começam a fazer desenhos que iniciam a tomar traços e bordas mais
definidas e estabelecidas, contudo ainda não há uma forma clara de imagens em si. Essa fase
ocorre a partir da metade do estágio pré-operatório.

Na fase do esquematismo, que ocorre, via de regra, no estágio operatório, a criança, por meio
de representações mais definidas da realidade, já consegue desenhar formas mais
estabelecidas, ou seja, os traços estão mais firmes. Já na fase do realismo, temos desenhos mais
próximos da realidade, além de tentativas da criança de colocar certas imagens em primeiro
plano e outras no fundo. Ou seja, há um início da percepção em terceira dimensão no desenho.
Percebe-se, também, maiores detalhes e firmeza de traços, ocorrendo no estágio operatório.
Por fim, na fase do pseudonaturalismo ocorre algo de extrema importância para estudar o
desenvolvimento: a criança começa a expressar emoções, usar intencionalmente certas cores e
a apresentar, no desenho, maiores aspectos subjetivos do conteúdo gráfico. Tal tipo de desenho
ocorre no estágio operatório.

5
Como início de estudo, o trabalho de Ribeiro (2016) pode ajudar na compreensão de alguns
conceitos piagetianos. Então, como exemplificação, Affonso (2011) discute alguns desenhos, de
modo que pode se tornar mais clara a investigação com esse tipo de material gráfico.

Referências e Link do material na Biblioteca Virtual


e artigo
AFFONSO, R. M. L. A contribuição da análise das noções de espaço, tempo e causalidade nas
técnicas projetivas diagnósticas: ludodiagnóstico e desenho da figura humana. Psicologia:
Teoria e Prática, v. 13, n. 1, p. 101–116, 2011. Disponível em
<http://search.ebscohost.com/login.aspx?direct=true&db=foh&AN=67010691&lang=pt-
br&site=ehost-live>. Acesso em: 10 mai. 2019.

POTT, E. T. B. A perspectiva da epistemologia genética de Jean Piaget. Editora e Distribuidora


Educacional: Londrina – PR. 2019.

RIBEIRO, M. E. Psicologia do desenvolvimento. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional,


2016, p. 67-78. Disponível em <https://biblioteca-virtual.com/detalhes/livro/1466>. Acesso
em: 10 mai. 2019.

Você também pode gostar