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UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA

PÓS-GRADUAÇÃO ENGENHARIA MECÂNICA

GUSTAVO EMMANUEL C. B. GUIDETTI

RELATÓRIO DE AULA: ESTUDO DAS TÉCNICAS DE ENSAIO NÃO


DESTRUTIVO POR PARTÍCULA MAGNÉTICA

Uberlândia
2022
Relatório Aula - Estudo das técnicas de ensaio não destrutivo por partícula magnética

OBJETIVO
A aula teve como objetivo principal apresentar os conceitos básicos e aplicação geral de
cada uma das técnicas de partículas magnéticas usadas para analisar os materiais ferromagnéticos.
O ensaio por partícula magnética é voltado também para descontinuidades superficiais que
tenham uma conexão com a superfície, pois precisa que o fluxo magnético dentro da peça seja
interrompido na superfície para que o produto magnético acumule, de forma que as partículas
magnéticas podem detectar basicamente trincas e rachaduras.
MAGNETISMO
O magnetismo é a habilidade da matéria de atrair outra matéria para ela mesmo. Objetos
que possuem magnetismo podem ser chamados de magnetizados, podendo encontrar linhas
magnéticas e esse ponto onde sai é chamado de polo. O princípio das partículas magnéticas se
baseia na magnetização do material com um imã forte que cria um campo eletromagnético,
orientando as linhas de campo magnético todas em uma só direção. Se houver uma
descontinuidade vai acontecer uma fuga nesses campos, concentrando as partículas com
características ferromagnéticas e mergulhadas em corantes nessa região. Na parte de limpeza
quando se está realizando teste partícula magnética é essencial que as partículas tenham caminho
livre para viajar na superfície do material e para que não sejam pegas em material rugoso ou
oleoso, de modo a impedir que as partículas cheguem até o local com perca de fluxo de campo
magnético.
Em seguida se faz a introdução do fluxo magnético do campo magnético, feito de três
formas, usando um imã permanente que vai em contato com a peça de modo a magnetizar a parta
interna; através de uma corrente elétrica e um imã circular colocando a peça no meio induzindo
uma corrente. Os campos magnéticos são divididos em dois tipos e são dependentes do método
usado para magnetizar o corpo-de-prova. Um campo elétrico longitudinal vai ter as linhas de
força que viajam paralelo ao eixo do corpo de prova e um campo magnético circular tem as linhas
médias que vão correr de forma circular centrada no eixo principal da amostra. A direção é
importante pois depende da direção da trinca o campo deve ter uma determinada direção. Para
detectar trincas é necessário olhar em várias direções do campo magnético, de forma que a trica
na qual será identificada a trinca somente será percebida com direções perpendiculares ao campo
induzido.

Figura 1 -
O campo eletromagnético longitudinal é criado ao se colocar a peça dentro da um imã
fixo ou portátil, dependendo da corrente fornecida, e introduzindo a peça dentro dele. Outra forma
de se produzir o campo é utilizando o imã no formato de ferradura que em contato com a uma
peça cria o campo longitudinal identificando a trinca perpendicular à direção do fluxo. Para criar
o campo magnético circular a gente precisa promover uma corrente longitudinal na amostra.
CAMPO DE FUGA
O desvio das linhas de força dá origem a novos polos, provocando a dispersão das linhas
de fluxo magnético que dão origem ao “Campo de Fuga”. A figura 2 demonstra como as linhas
de força são perturbadas pela presença de uma descontinuidade dando origem ao campo de fuga.

Figura 2 – Peça com trinca superficial, dando origem ao campo de fuga

MÉTODO DE ENSAIO

Antes da aplicação deve-se jogar a partícula magnética e depois aplicar o campo


magnético. A partícula magnética, que pode ser tanto pó, pasta ou dispersa em líquido.
Via seca
Na abordagem de pó seco, a partícula é jogada na superfície e quando ligado o campo vai
ser atraída para onde tem a descontinuidade. usamos aplicadores de pó manuais ou bombas
aspersoras que pulverizam as partículas na forma de jato de pó. As partículas para via seca devem
ser armazenadas em lugares secos e ventilados, e é importante que sejam de granulometria
adequada para serem aplicadas uniformemente sobre a região a ser inspecionada.
Via úmida
Com o método de solução o corpo-de-prova é submersa numa solução. O liquido pode ser
agua, querosene ou óleo. Devem possui granulometria muito fina pois devido a maior mobilidade
do meio percorrerem e penetram em maiores distancias nas trancas.
As partículas devem ter uma cor que resultante de um contraste com a superfície que será
utilizado geralmente um corante fluorescente. Depois de aplicar a partícula e ligar o campo as
indicações aparecem na superfície, onde não há descontinuidade não vai haver acúmulo de
atividade.
O vídeo ilustra a análise de um cordão de solda pela técnica de partícula magnética
utilizando uma solução fluorescente revelada na luz negra após a magnetização da chapa pelo
imã tipo ferradura. Algumas peças possuem a necessidade de desmagnetizar a peça após o ensaio,
se a peça foi usinar influência na saída do cavado, se for soldar afeta o arco elétrico.
Iluminação Local
O grau de iluminação utilizada ou iluminamento é extremamente importante. Iluminação
errada pode induzir a erro na interpretação. Além disso, uma iluminação adequada diminui a
fadiga do inspetor.
Iluminação com luz natural (branca):
A luz branca utilizada é a convencional. Sua fonte pode ser: luz do sol, lâmpada de
filamento, lâmpada fluorescente ou lâmpada a vapor. Dirigindo a luz para a área de inspeção com
o eixo da lâmpada formando aproximadamente 90° em relação a ela é a melhor alternativa. O
fundo branco da camada de revelador faz com que a indicação se torne escurecida. A intensidade
da luz deve ser adequada ao tipo de indicação que se quer ver, sendo ideal acima de 1000 Lux
(conforme recomendado pelo Código ASME Sec. V e ASTM E-165 ). O instrumento correto
para medir a intensidade de iluminação no local é o luxímetro, que deve estar calibrado na
unidade Lux

Iluminação com Luz ultravioleta – UV (“luz negra”):


A luz negra é definida como comprimento de onda menor do que o menor comprimento
de onda da luz visível. O material fluorescente contido no penetrante, tem a propriedade de em
absorvendo a luz “negra” emitir energia em comprimentos de onda maiores, na região de luz
visível, por exemplo verde-amarelo ou verde azulado.
A Cor e a Fluorescência
A observação das indicações devido às descontinuidades, no ensaio, é resultante da
absorção da luz. O fenômeno da florescência ocorre quando os penetrantes fluorescentes
absorvem a luz de comprimento de onda típico, e emitem luz em outro comprimento de onda
visível.
VANTAGENS E DESVANTAGENS DO ENSAIO
O ensaio de partículas magnéticas consegue detectar trincas superficiais e subsuperficiais.
Consegue facilmente analisar qualquer formato do corpo de prova. Um método rápido com
resultados visíveis. Baixo custo. Possuem como limitações a não aplicação a materiais não
ferrosos como alumínio, magnésio e alguns aços inoxidáveis. Para grandes inspeções é necessário
equipamentos com grande potencias de magnetização. Algumas superfícies necessitam de
remoção de revestimento devido a sensibilidade. Limitam a exigência de ser feita após limpeza
e após desmagnetização. E a direção da trinca ser perpendicular a direção do fluxo, exigindo a
realização do campo magnético em várias direções.

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