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INSTITUTO DE EDUCAÇÃO SUPERIOR RAIMUNDO SÁ– IESRSA

CURSO DE GRADUAÇÃO EM DIREITO

ISADORA RAVENA CARVALHO SOARES

PRISÃO E DIREITO CONSTITUCIONAL DE ACESSO À SAÚDE NA


PENITENCIARIA JOSÉ DE DEUS BARROS: UMA CONCILIAÇÃO POSSÍVEL?

PICOS-PI
2020
a

ISADORA RAVENA CARVALHO SOARES

PRISÃO E DIREITO CONSTITUCIONAL DE ACESSO À SAÚDE NA


PENITENCIARIA JOSÉ DE DEUS BARROS: UMA CONCILIAÇÃO POSSÍVEL?

Monografia apresentando ao Instituto de


Educação Superior Raimundo - IESRSA como
requisito básico para aprovação do Grau de
Bacharel em Direito.

Orientador (a): Prof. Msc. Francisco Xavier


Lopes Júnior

PICOS-PI
2020
ISADORA RAVENA CARVALHO SOARES

PRISÃO E DIREITO CONSTITUCIONAL DE ACESSO À SAÚDE NA


PENITENCIARIA JOSÉ DE DEUS BARROS: UMA CONCILIAÇÃO POSSÍVEL?

Monografia apresentada ao Instituto de Educação


Superior Raimundo - IESRSA como requisito
básico para aprovação do Grau de Bacharel em
Direito

Orientador (a): Prof. Msc. Francisco Xavier


Lopes Júnior

Aprovada em: ___/___/___ Nota__________

BANCA EXAMINADORA

______________________________________________________
Prof. Msc. Francisco Xavier Lopes Júnior
Orientador - Instituto de Educação Superior Raimundo Sá

________________________________________________________
Prof. Msc. José Elvis Batista Dias
Instituto de Educação Superior Raimundo Sá
1° Examinador

_______________________________________________________
Profa. Esp. Marinalva Neiva
Instituto de Educação Superior Raimundo Sá
2°Examinador
Dedico a minha família, por sua capacidade de
acreditar em mim е investir em mim. Mãe, seu
cuidado е dedicação foi que deram, em alguns
momentos, а esperança para seguir. Agradeço
ao meu professor orientador Mcs. Francisco
Xavier que teve paciência е que me ajudou
bastante a concluir este trabalho.
AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente a Deus, por me ajudar a ultrapassar todos os obstáculos, e


chegar até aqui.
Aos meus familiares que me incentivaram nos momentos difíceis e me incentivaram a
continuar nessa caminhada.
Agradeço em especial a minha mãe que sempre buscou meios para que eu não
desistisse, que nunca soltou minha mão quando eu mais precisei.
As minhas amigas da faculdade, Priscila, Gabriela e Ismênia, por sempre nos
apoiarmos umas às outras e nos piores momentos sempre nos ajudarmos.
As minhas amigas Ana Clara, Alexia, Paula Kecia e Lauren, que compreenderam a
minha ausência enquanto eu me dedicava á realização desse trabalho.
Aos professores, em especial ao meu orientador Msc. Francisco Xavier, pelas
correções e ensinamentos que me permitiram apresentar um melhor desempenho no meu
processo de formação profissional.
“As garantias estão legalizadas, consolidando
a ideia de serem respeitadas e estendidas a
todos, mas não há apreço por parte da
sociedade e do Estado, encontrando-se a massa
carcerária totalmente desprovida de atenção e
consideração”
(Carolina Pereira Kirst)
RESUMO

O presente estudo é de grande envergadura, onde o tema tem uma importância social, pois
designa-se a propor uma melhoria do cumprimento da pena privativa de liberdade por parte
do cidadão preso e o atendimento ao seu direito de garantias fundamentais. Com isso, tem
como objeto verificar se o Direito Constitucional de acesso à saúde é garantido e
disponibilizado ao cidadão submetido a pena privativa de liberdade na penitenciária João de
Deus Barros de Picos-PI. Propõe-se também analisar o cumprimento do direito constitucional
de acesso a saúde de incumbência do estado em prol do cidadão preso. Foi realizado uma
Pesquisa de Campo, onde procurou-se fazer uma análise das mudanças que ocorreram na
estrutura penitenciária nos últimos anos, quais os avanços, quais as problemáticas persistentes
e quais as ações de melhoria que devem ser importadas para o futuro. Com isso, foi possível
observar que com o intuito de reconhecimento à falha existente na promoção a saúde, e de
atender às necessidades da comunidade carcerária, as políticas de saúde atuaram na garantia
de bem comum e qualidade de vida, e criou o Plano Nacional de Saúde no Sistema
Penitenciário (PNSSP) que desempenha função na assistência de saúde, assim como no acesso
equitativo ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Palavras-chave: Acesso a saúde; Estrutura penitenciaria; Garantias fundamentais; Plano


Nacional de Saúde no Sistema Penitenciário;
ABSTRACT

The present study is of great scope, where the theme has a social importance, as it is designed
to propose an improvement in the sentence of the deprived citizen by the imprisoned citizen
and the fulfillment of their right to fundamental guarantees. Thus, it aims to verify whether
the Constitutional Right of access to health is guaranteed and made available to citizens who
are subject to deprivation of liberty in the João de Deus Barros de Picos-PI prison. It is also
proposed to analyze the fulfillment of the constitutional right of access to health entrusted to
the state in favor of the arrested citizen. A Field Survey was carried out, where an attempt was
made to analyze the changes that have occurred in the penitentiary structure in recent years,
what progress has been made, which persistent problems and which improvement actions
should be imported into the future. With that, it was possible to observe that in order to
recognize the existing flaw in health promotion, and to meet the needs of the prison
community, health policies acted in guaranteeing the common good and quality of life, and
created the National Health Plan. Health in the Penitentiary System (PNSSP) that plays a role
in health care, as well as in equitable access to the Unified Health System (SUS).

Keywords: Access to health; Penitentiary structure; Fundamental guarantees; National Health


Plan in the Penitentiary System;
LISTA DE SIGLAS

CNES – Cadastro Nacional de Estabelecimento em Saúde


DEPEN – Departamento Penitenciário Nacional
LEP – Lei de Execução Penal
PJDB – Penitenciaria José de Deus Barros
PNAISP – Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Pessoas Privadas de Liberdade
no Sistema Prisional
PNSSP – Plano Nacional de Saúde no Sistema Penitenciário
SUS – Sistema Único de Saúde
UBS – Unidade Básica de Saúde
SÚMARIO
INTRODUÇÃO..................................................................................................................................10
1 SAÚDE NO SISTEMA PRISIONAL.............................................................................................15
1.1 Os direitos à saúde no contexto do sistema prisional de acordo com a Constituição Federal/88
..........................................................................................................................................................15
1.2. Os direitos à saúde segundo a Lei de Execução Penal..............................................................16
2. AVANÇOS DA SAÚDE NO SISTEMA PRISIONAL.................................................................18
2.1 Condições à saúde do cidadão preso...........................................................................................19
3. ASPECTOS METODOLÓGICOS...............................................................................................22
4. RESULTADOS E DISCUSSOES..................................................................................................24
4.1 Disponibilização do Estado acerca dos profissionais de saúde para atendimento ambulatorial
na Penitenciaria José de Deus Barros...............................................................................................24
4.1.1. Profissionais de saúde: Dos recursos hospitalares à promoção da saúde.............................25
4.1.2. Profissionais trabalhistas na penitenciária e sua atuação no acesso à saúde do sistema
presidiário...........................................................................................................................................26
4.1.3. Posicionamento do presidente da penitenciária.....................................................................27
4.2 Análise dos resultados da pesquisa..............................................................................................28
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS..........................................................................................................30
REFERENCIAS.................................................................................................................................31
APÊNDICE A- QUESTIONÁRIO DESTINADO AOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE..............35
APÊNDICE B- QUESTIONÁRIO DESTINADO AOS PROFISSIONAIS EM GERAL.............36
APÊNDICE C- QUESTIONÁRIO DESTINADO AO PRESIDENTE DA PENITENCIÁRIA...37
ANEXO A- TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (TCLE)..................38
10

INTRODUÇÃO

A saúde, bem jurídico tutelado ao cidadão, em nível constitucional e da legislação


ordinário, aplica-se ateada ao princípio da universalidade, propensas à ordem jurídica
brasileira vigente, que, quando associada ao Direito à Saúde reforça tal principiologia, tal
como o acesso igualitário às ações de saúde, cuja asseguração firma-se, constitucionalmente,
tanto na seção específico quanto nas disposições gerais referentes à Seguridade Social.
Todavia, pode-se mencionar que o acesso ao Direito à Saúde, no que se destina à
comunidade prisional, representa não somente um desafio, como também uma perspectiva no
direito sanitário enquanto instrumento para as políticas sociais de inclusão no espaço a ser
estudado.
O direito à saúde compreende direito fundamental ao homem, visto não só no âmbito
legal e jurídico, como também na moralidade e ética. Porém, é fato que a deficiência na
estrutura dos presídios além de ultrapassada, não são gerenciadas com eficácia e efetividade.
Prova dessa assertiva se apresenta na Penitenciária José de Deus Barros, cuja quantificação
dos detentos supera o número de vagas, que resulta na superlotação, já que, no presente
momento, comporta 454 presos, ao qual determina uma situação de extrema criticidade, uma
vez que se embasa no desrespeito à dignidade do preso.
Milanez (2004), defende que o direito à saúde deve ser respeitado, protegido e
implementado pelo Estado. Dessa forma, o respeito incluiria a não intervenção na vida do
indivíduo, com a intuição de diminuir a sua saúde, uma vez que a proteção é dever do Estado,
assim como a promoção e implementação da saúde, entendida como uma necessidade a ser
resguardada aos presos, que detém o direito a essa assistência.
A Organização Mundial de Saúde (2009), adverte o direito à padronização de vida, a
fim de assistir à coletividade saúde e o bem comum, com a garantia do suprimento de direitos
básicos necessários à existência, com as necessidades de fisiologia e segurança atendidas,
como forma de apoio ao seu controle.
O presente trabalho tem como objeto analisar o nível de atendimento ao Direito
Constitucional de acesso a saúde ao cidadão submetido à detenção à pena privativa de
liberdade por parte da administração na penitenciaria José de Deus Barros, na cidade de Picos
–PI. A cidade de Picos-PI, localizada no centro sul do Piauí, e, geograficamente, cortada pelo
rio Guaribas, detém uma população estimada em 78.222 habitantes, consoante o levantamento
feito pelo IBGE no ano de 2019.
11

Essa característica, aliada ao seu posicionamento geográfico, conferem-lhe a condição


de polo comercial no Piauí- e até para outros estados- especialmente para combustíveis,
serviços e mel. É cortada pela BR-316, BR-407, BR-230 e se localiza nas proximidades da
BR-020.
O lugar para o desenvolvimento da pesquisa será a Penitenciaria José de Deus Barros,
localizada BR 316-KM 304, Bairro Altamira, no município da cidade discutida, cuja presídio
possui como público detentos do sexo masculino já sentenciados ou esperando julgamento, na
quantidade de 454 presos.
Devido aos elevados números, sua superlotação gera empecilho na capacidade de
lotação acima do permitido. Visto a crescente ascensão dessa quantificação, foi perceptível
observar a desumanidade no tratamento dos presos, desde o momento de sua prisão ao
encaminhamento à Penitenciária. Nessa perspectiva, nasce o interesse pela consecução desta
pesquisa.
Observa-se a existência de deficiência na distribuição e oferta de profissionais de
saúde, visto que no Brasil, em particular as Regiões Norte e Nordeste, apresentam números
inferiores às demais regiões. No âmbito do sistema prisional, é de percepção clara a diferença
de cobertura das equipes e que a proporção de técnicos de enfermagem e enfermeiros está
acima ou próxima da proporção do Brasil, ao passo que a proporção de dentista e
principalmente a de médicos está abaixo da proporção da população geral.
Em reconhecimento à falha existente na promoção a saúde e com o intuito de atender
às necessidades da comunidade carcerária, as políticas de saúde atuam na garantia de bem
comum e qualidade de vida. Nessa perspectiva, o Plano Nacional de Saúde no Sistema
Penitenciário (PNSSP) desempenha função na assistência de saúde, assim como no acesso
equitativo ao Sistema Único de Saúde (SUS), ao qual destina, por meio da prerrogativa aos
princípios da integralidade e universalidade, a prestação de serviço à população encarcerada
sob regime fechado, a nível de gênero e aspectos socioculturais abrangente.
Em relação ao número de procedimentos de saúde no sistema carcerário, segundo dados
do Infopen junho/19, nota-se que no período acumulado de preenchimento dos dados, foram
realizados, no espaço de seis meses, um grande número de procedimentos de saúde junto à
população prisional, sob critério da totalidade de presos nos três regimes, na quantificação de
750.000 pessoas.
Nesse contexto, advém o interesse pelo estudo da problemática do sistema prisional da
Penitenciaria José de Deus Barros, como se configura a garantia e disponibilização do Direito
12

Constitucional de acesso à saúde ao cidadão submetido a pena privativa de liberdade na


penitenciária José de Deus Barros de Picos-PI.
Visando exercer aplicabilidade da Lei de Execução Penal -LEP, a aludida propicia ao
preso assistência integrativa, com implementação de todos os recursos cabíveis à
constitucionalidade da pessoa humana, e, mediante imposição da autoridade incumbida, o
respeito às integridades físicas e morais dos presos já condenados, bem como aos provisórios.
Tais garantias reforçam valor no ambiente carcerário, já que, com a perda de sua liberdade,
surge ao detento o direito ao princípio da dignidade humana, com tratamento específico, além
da integridade, pelo não exercício das violências física e moral.
Nesse sentido, a proposta consiste em identificar o nível de atendimento ao direito
condicional de acesso a saúde garantido pelo Estado ao cidadão preso. Contudo, saindo da
teoria e trazendo para prática, a LEP tem como intuito o cumprimento da promoção da
ressocialização dos apenados. Entretanto, para que esse anseio seja alcançado, torna-se
inevitável a observância de princípios constitucionais que norteiam essa legislação.
A lei ao atendimento em saúde aos indivíduos mantidos em unidades penitenciárias está
vigorada desde 1984. A Lei de Execução Penal (LEP), abordada anteriormente, assegura
atendimento de saúde, com disposição de profissionais para tal garantia (BRASIL, 1984) às
pessoas presas. Todavia, devido à ausência de aplicações financeiras na saúde da população
privada de liberdade, os resultados esperados assim como a garantia da saúde, em tua
integralidade, no sistema prisional não ocorrem.
A LEP, assegura atendimento de saúde, com disposição de profissionais para tal
garantia (BRASIL, 1984) às pessoas presas, e com isso á o intuito de relatar os avanços da
saúde no sistema prisional. Com a ausência de estrutura na saúde prisional.
A respeito da insuficiência da saúde no cárcere por incumbência do estado em
decorrência da prática de um crime, cabe ressaltar que tais princípios são esquecidos, assim
como o descumprimento da LEP nas esferas impactadas. Com isso, a temática do respectivo
trabalho é: PRISÃO E DIREITO CONSTITUCIONAL DE ACESSO À SAÚDE NA
PENITENCIARIA JOÃO DE DEUS BARROS: Uma conciliação possível?
Nos últimos anos, apesar de algumas mudanças promissoras terem ocorrido na esfera
da fiscalização das condições carcerárias no Brasil, o cenário da saúde no geral tem sido
cético. Nestas circunstâncias, instiga-se uma percepção diferenciada acerca da saúde, uma vez
que os apenados estão imersos em ambiente propício à proliferação de inúmeros agravos
epidemiológicos, e, concomitantemente, com atendimento médico e acesso a fármacos
limítrofes. Nesta perspectiva, a problemática da pesquisa surge, a citar: Como se configura a
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garantia e disponibilização do Direito Constitucional de acesso à saúde ao cidadão submetido


a pena privativa de liberdade na penitenciária José de Deus Barros de Picos-PI?.
Objetivando a resolutividade do problema desta monografia, o objetivo geral consiste
em analisar o cumprimento do direito constitucional de acesso a saúde de incumbência do
estado em prol do cidadão preso na penitenciaria José de Deus Barros, no município de Picos-
PI, ao qual se anseia: analisar se o Estado dispõe de estrutura nos presídios, para que lá
fossem realizados todos os procedimentos em relação à saúde do preso; verificar a existência
de atenção de saúde aos apenados no regime prisional; e observar se o Estado dispõe de
profissionais de saúde para atendimento ambulatorial na Penitenciaria José de Deus Barros.
Justifica a produção do presente trabalho a busca pela melhoria no cumprimento da
reclusão de liberdade ao cidadão preso, assim como o atendimento ao seu direito de princípios
fundamentais previstos pela Constituição Federal, cuja relevância aponta-se no anseio à
organização da pena, ao aperfeiçoamento e ao atilamento da função do Estado, no que tange à
execução penal, cuja fomento atua na tentativa de propor debate necessário acerca do direito
do cidadão detento, ao qual representa pelo caráter vilipendiado , criticado e desconsiderado.
Na contribuição pessoal quanto social, contribuirá para o desenvolvimento intelectual,
assim como irá proporcionar seu engajamento na questão criminal.
Acredita-se que uma análise do acesso à saúde da penitenciaria “José de Deus Barros”,
permitirá compreender se tais políticas possuem caráter contributivo ou não para a ocorrência
desse processo.
A pesquisa, por ser cientificamente relevante, visto a pouca exploração da temática,
permitirá a compreensão e aprofundamento no estudo científico, cujas possibilidades de
trajetos propiciarão o estímulo à produção científica, além de estruturação de embasamento
teórico que apoiará a disseminação do conhecimento, assim como a capacidade crítica-
analítica diante do tema abordado.
No que concerne à metodologia, a pesquisa, no seu embasamento teórico, constitui-se
como uma pesquisa bibliográfica, além de compreender a uma pesquisa de campo, onde será
proferida análise da disposição do Estado em relação aos profissionais de saúde assegurados
para atendimento ambulatorial da Penitenciária José de Deus Barros.
O primeiro capítulo desta pesquisa destina-se ao desenvolvimento do referencial
teórico, onde será tratado a saúde no sistema presidiário, abordando acerca dos direitos da
saúde conforme a CF/88 e a Lei de Execuções Penais, os avanços da saúde no sistema
prisional, as condições à saúde do cidadão preso.
14

No segundo capítulo, discute-se os aspectos metodológicos, com o procedimento


proferido na pesquisa, em sua totalidade. Aqui, tratar-se-á tanto o posicionamento de autores
sobre a tipologia das pesquisas enquadradas, como a descrição de toda a pesquisa de campo.
O terceiro capítulo aborda sobre os resultados e discussões, em que é tratado o acesso
à saúde do presidiário da penitenciária estudada, onde relata-se o questionário aplicado aos
profissionais de saúde, aos demais profissionais que exercem função trabalhista no presidiário
e o relato do presidente do sistema presidiário, além das suas respectivas discussões.
Para constituição de toda a pesquisa de campo e análise de todos os dados obtidos,
utilizou-se como instrumento de pesquisa os arquivos, indexados nos apêndices e anexos, a
aludir: questionário destinado aos profissionais de saúde, questionário destinado aos
profissionais em geral, questionário destinado ao presidente da penitenciária, com seus
respectivos Termos de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).
15

1 SAÚDE NO SISTEMA PRISIONAL

1.1 Os direitos à saúde no contexto do sistema prisional de acordo com a Constituição


Federal/88

Inicialmente á de se afirmar que o direito a saúde passou a fazer parte do rol de


direitos fundamentais, sendo assim um direito social, ou seja, um direito para todos, sendo
dever do Estado, e com isso assegura a todos com igualdade, desta forma assegurando os
apenados, onde também fazem parte desses direitos e com uma visão diferenciada sobre eles,
visto que nas penitenciarias é um ambiente que está propicio a proliferações de vários tipos de
enfermidades e epidemia.
A Constituição no seu artigo 196 assegura o direto a saúde, onde estipula que este é
um direito de todas as pessoas e uma obrigação do Estado, de fato, somente o cumprimento
das disposições legais da organização pode garantir que esses direitos sejam efetivamente
cumpridos, e isso seja efetivo. As disposições constitucionais fornecem no art. 196 o seguinte
texto:

Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas
sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e
ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e
recuperação.

Como mencionado, a CF/88 tornou-se o direito a saúde uma obrigação do Estado,


criando algumas políticas que envolvem a saúde. Pode-se afirmar que a população que se
encontra em cárcere vive abaixo da linha de dignidade, não sendo garantidos seus próprios
direitos. Sendo que pessoas privadas de liberdade também possui esse direito de saúde.
Entretanto, com a grande superlotação as prisões se tornaram depósitos de gente e com isso há
doenças que afetam os presos.
O próprio estado é incapaz ou mesmo negligente em determinar se algumas medidas
preventivas e de segurança não podem ser implementadas devido à incapacidade técnica para
atingir os objetivos esperados, ou se não podem ser alcançados por falta de manutenção.
Apesar de tamanha evolução, o sistema carcerário brasileiro se encontra em crise, com
graves deficiências estruturais, condições desumanas e superlotações (BRASIL, 2016). Dessa
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forma, o sistema que objetivava substituir as penas desumanas, não tem cumprido seu papel, e
muitas vezes, tem tido o efeito contrário e até mesmo aperfeiçoando os criminosos
(TARANTINI JUNIOR, 2003).
EDUARDO BRAGA ROCHA (2011, pág 82), aponta que o direito à saúde tem três
vertentes: a preventiva, cuja finalidade é evitar as doenças, a curativa, que visa curar as
doenças e a promocional, voltada para a qualidade de vida.
Contudo, este direito engloba não só a existência de médicos e fornecimento e serviços
dos profissionais da saúde, e com isso, será curativa o direito de medico e medicamentos.
A CF/88 também propõe um dispositivo legal que as penas serão cumpridas em
estabelecimentos diferentes contendo algumas características tais como idade, sexo do
apenado e natureza do delito, porém a individualização é uma garantia repressiva.
É importante observar que assim como os presidiários devem respeitar e cumprir as
regras da prisão, o órgão tem a responsabilidade de garantir esses direitos básicos,
independentemente de seus méritos pessoais ou sociais. Como visto, já existe uma grande
deficiência na saúde na população em geral passando por dificuldades, avalie os apenados.
Portanto, ao descumprir essas obrigações, o Estado violará as leis e regulamentos de
infraestrutura, pois é dever de garantir esses direitos de acordo com a CF / 88, garantindo
assim a saúde física e mental dos presidiários.
A crise vivida pelo país dificulta a concretização dos objetivos da CF / 88 e torna o
direito à saúde vago. Esta é uma das dificuldades enfrentadas pela PJDB.
Observa-se que na PJDB, os presos já são submetidos a prisão bem antes do trânsito
em julgado da sentença condenatória, assim violando o princípio da presunção de inocência.
Contudo são submetidos, enquanto sai sentença, a estados de saúde precária, tanto aqueles
que necessitam de uma assistência de saúde por já serem enfermos, quanto aqueles que lá
adoecem.
Porém, mesmo com o desenvolvimento da lei, a CF / 88 deve ser utilizada como base
de todo o ordenamento, em que os direitos básicos são garantidos, um dos direitos não é só a
saúde das pessoas comuns, mas também a saúde dos presos que a merecem.
É importante ressaltar que o objetivo não é deificar os criminosos como qualquer outro
cidadão, mas sim garantir seus direitos e reconhecer que são protegidos e cumpridos.

1.2. Os direitos à saúde segundo a Lei de Execução Penal


17

Conforme mencionado anteriormente, a LEP enumera que é responsabilidade do


estado fornecer assistência aos prisioneiros, e com isso uma das coisas que assegura é a saúde
do apenado, onde é disposto de forma direta e indireta. São vários os problemas quando se
trata de saúde na penitenciaria.
A lei ao atendimento em saúde aos indivíduos mantidos em unidades penitenciárias
está vigorada desde 1984. A Lei de Execução Penal (LEP), abordada, assegura atendimento
de saúde, com disposição de profissionais para tal garantia (BRASIL, 1984) às pessoas presas.
No entanto, devido à falta de investimento financeiro na saúde dos apenados, os
resultados esperados e a proteção geral da saúde não podem ser alcançados no sistema
prisional.
Diante disso, as deficiências na saúde penitenciária são enormes, e com isso o "Plano
Nacional de Saúde do Sistema Penitenciário" foi formulado para proporcionar aos reclusos
cuidados médicos, assim como no acesso equitativo ao Sistema Único de Saúde (SUS). Desta
forma, a própria LEP indica que existe um conjunto de leis destinadas a garantir os serviços
médicos.
O Plano Nacional de Saúde no Sistema Penitenciário (PNSSP) no sistema prisional
cria condições importantes e orienta os governos a buscarem a coerência entre a execução
penal e o SUS, e também pretende viabilizar a obtenção do SUS pelos detidos.
Ribeiro e Silva (2013), apontam a superlotação nos presídios, e cita que apesar das
tentativas de minimização deste impasse, o fato da superioridade da quantidade de presos
afeta a capacidade dos estabelecimentos penais, onde dificulta a consecução de sistema com
distribuição que ocorre de acordo com as definidas nas políticas acerca da questão.
Na busca pela promoção da saúde e sua humanização e educação voltadas à proteção
da humanidade, é necessário usufruir dos serviços prestados à comunidade para a garantia de
interesses comuns. No entanto, no que se refere à população carcerária, esta situação está
prevista na legislação, sendo difícil aplicar o que foi dito na prática.
Junqueira (2005), afirma que em relação à devida assistência à saúde do preso,
destinam-se aos presos e internados tratamento preventivo e curativo, abrangendo os desvelos
médico, farmacêutico, odontológico e psicológico. Entretanto, por a assistência jurídica ser
presa, as dificuldades vivenciadas pelos detentos o tornam sujeito refém das mazelas da
justiça.
Há um rol mínimo de ações de saúde, como atenção preventiva, curativa e
promocional voltada a saúde bucal, saúde mental, DST/HIV/Aids, hepatites, tuberculose,
18

hipertensão, diabetes e hanseníase, bem como aquisição e controle de medicamentos,


imunizações e exames laboratoriais.
Importante destacar que para Costa (2006), o conceito de equidade em saúde não se
apresenta como princípio ético na Lei 8.080/90, como muitos autores insistem em apresentar,
mas sim a igualdade. A equidade aparece a partir da participação social no campo da saúde
por meio da democracia participativa. Isso significa que para promover a equidade em saúde é
necessário que haja movimentos sociais em situação de vulnerabilidade e exclusão social em
espaços de constante diálogo com a gestão pautando as suas diferenças.
Para Marques Jr. (2009), a LEP pode ser entendida com base em três objetivos
centrais: a garantia de bem-estar do condenado; a necessidade de classificação do indivíduo e
a individualização da pena; a assistência necessária dentro do cárcere – e os deveres de
disciplina – durante o cumprimento da pena.
Percebe-se que a LEP não só tem esses objetivos, mas também tem a ressocialização
dos presos, que também é uma garantia e uma obrigação, para isso é necessário garantir que
haja espaço para garantir diversos tipos de assistência ao preso.
A LEP era uma parte importante do campo do crime que estava faltando, pois
preenche as lacunas que se encontram, e como seu objetivo é maior, sendo a “recuperação “
do preso.
É evidente que o sistema prisional brasileiro não dispõe de todos esses direitos e
deveres que lhe é imposto, como mostra a PJDB, onde o que prevalece é a política pública,
com o intuito de excluir o preso, não cumprindo seus respectivos objetivos. Diante disso, o
Estado não se tem mais controle sobre o que se passa no interior das celas.

2. AVANÇOS DA SAÚDE NO SISTEMA PRISIONAL

No ano de 2003, houve uma alteração no destino de saúde às prisões, onde a


responsabilidade pelos serviços de saúde no espaço prisional, que antes era competência do
Ministério da Justiça – em consonância aos órgãos de justiça e segurança dos níveis
federativos - passa a ser exercido pelo PNSSP (Portaria Interministerial nº 1777, BRASIL,
2003), o qual regulamentou a organização e o acesso à saúde aos detentos, através de sistema
de saúde.
19

Com essa política, viabiliza uma atenção integral a saúde da população alcançado pelo
Sistema Prisional de Saúde, superestimando-se que, devido a alguns fatores de risco de
encarceramento da população carcerária, é necessário atuar na prevenção dessas doenças.
Com isso, as Leis nº 8080/90 e nº 8142/90 asseguram, juntamente com o SUS, em suas
diretrizes, os princípios básicos para usufruto da pessoa humana do acesso à saúde como um
direito de cidadania e um dever dos níveis de governo (município, estados e União). Apesar
dos avanços advindos da Constituição Brasileira (BRASIL, 1988) em relação aos direitos
constitucionais à saúde dos indivíduos em regime fechado no ambiente carcerário, este avanço
foi tímido.
De acordo com a Portaria aludida, estão presentes nas unidades prisionais equipes
formadas por médico, dentista, enfermeiro, auxiliar de enfermagem, psicólogo, e assistente
social. Obedecendo a legislação vigente, a Penitenciaria José de Deus Barros, aporta dois
dentistas, três médicos, uma enfermeira, uma técnica de enfermagem, psicólogo, duas
assistentes sociais.
O Ministério da Saúde e da Justiça, juntamente com a verificação das unidades
prisionais credenciadas no Cadastro Nacional de Estabelecimento em Saúde (CNES), atuam
na promoção da saúde com o repasse de recursos firmados pela Portaria Interministerial n.º
3.343/2006, a fim de propiciar a humanização em saúde, tal como prevenção de agravos
(BRASIL, 2006).
Observa-se que o perfil saúde-doença da população carcerária em território brasileira
permaneceu isento de melhoria após as ações executadas pelo PNSSP. Frente a esta situação
estagnada, o Ministério da Saúde exerceu função na revisão, reconstrução e adaptação, de tal
modo que instigou a transformação do plano em uma política nacional de saúde integral
(BARSAGLINI, 2016; BRASIL, 2014).
Barsaglini et.al. (2015), ainda menciona o problema gerado pela saúde prisional, que,
mesmo com os progressos e a transformação citada no parágrafo anterior, onde é apontada a
necessidade de reforço dos envolvidos na intervenção da dualidade saúde-doença, assim como
agentes e profissionais atuantes na efetivação dessas mudanças.
Porém, na essencialidade de efetivação das políticas e leis que garantem o direito à
saúde dos homens privados de liberdade, outro fator que merece destaque corresponde a
impropriedade de execução da naturalização do pressuposto de que a consumação de crimes
anula os direitos constitucionais dos detentos. Considera-se tal prática inadmissível, por
corresponder a dupla penalização pelo delito cometido, e no aspecto da provisoriedade do
20

regime fechado, de indivíduos ainda não julgados e condenados (MENEZES e MENEZES,


2014).

2.1 Condições à saúde do cidadão preso

Bobbio (2004), salienta a relação entre os direitos humanos e sua representatividade,


ao qual argumenta que tais princípios excluem a positivação e o reconhecimento legal, cujo
impasse se configura na efetivação e aplicabilidade prática. Tal argumento surge da ideia da
aplicabilidade do direito à saúde como garantia aos princípios da dignidade humana, assim
como integralidade e universalidade destinadas às pessoas privadas de liberdade. Entretanto,
mesmo com essa pronuncia a realidade implica na inconsistência entre direito positivado e
aplicabilidade prática.
Desta forma, Moraes (2015), menciona um desafio gerado pelas doenças infeccionais
para o SUS e o Sistema Prisional, já que por deterem caráter transmissivo por agentes de
enorme dispersão, contaminam em rápida abrangência em locais fechados e com grande
número de pessoas, situação vivenciada nas prisões brasileiras por fatores como a
superlotação e a má administração dos recursos- seja hospitalar, financeiro, de almoxarifado,
estrutural.
Na PJDB, a doenças mais comuns são as caracterizadas por aglomeração, porem se
mostra apto para tratar e prevenir cada detendo dessas doenças.
Moraes ainda aponta que são fatores propagadores do contágio dessas doenças
epidemiológicas, a citar: superlotação nas celas, cuja estrutura física estimula a contaminação,
além de exposição ao organismo transmissor de doenças e da dificuldade na obtenção de
informação e acesso ao atendimento de saúde no ambiente prisional (MORAES, 2015).
Recentemente o mundo vem se deparando com uma pandemia ao qual vem se
propagando gradativamente, que é o covid-19. Essa pandemia resultou em fechamentos de
aeroportos, fronteiras, rodovias, além de severas medidas de higienização com intuito de
evitar a transmissão do vírus.
Com isso não se pode deixar de inserir nesse contexto, aqueles que estão sobre a tutela
do Estado. Com a elevação da superlotação, há presos com doenças que se inserem no grupo
de risco do Corona vírus, e devido a isso foi ingressada uma ação direcionada para o Supremo
Tribunal Federal (STF) , onde requer que os detentos da área de risco , que estão propícios a
vulnerabilidade do contagio, sejam submetidos a prisão domiciliar, e liberdade condicional.
21

No entanto, ficou restrito as visitas sociais dos presos, ausentes quaisquer medidas
compensatórias de preservação à integridade física e à saúde mental dos mesmos, ou mesmo a
ampliação das condições de higiene e saúde nas unidades prisionais.
Tendo em vista a realidade das condições de saúde que se enquadram acesso e uso dos
serviços sanitários pela população encarcerada no país, onde o Estado se omite, operando um
sistema de governo de forma política rígida, no qual define quem deve viver, quem deve
morrer e qual é a condição das pessoas privadas de liberdade o status “mortos-vivos” e nega-
lhes o mínimo existencial.
Com isso a situação exige medidas excepcionais, tais essas como a criação de
protocolos de atendimento médico, disponibilização de produtos de higiene pessoal e
proteção individual e ações compensatórias às suspensões das visitas, além de medidas
judiciais que incluem liberdade condicional para idosos e portadores de doenças crônicas,
substituição da prisão preventiva pela domiciliar para todas as pessoas presas por crimes
cometidos sem violência e grave ameaça ,são fundamentais para assegurar a população
prisional, não apenas o direito à saúde, mas o direito à vida e à existência. SOUZA (2020)
Não há tratamento médico-hospitalar dentro da maioria das prisões e a PJDB é uma
das que não possui. No que se refere à remoção de presos para hospitais, Assis (2007, p. 02),
ressalta que: [...] para serem removidos para os hospitais os presos dependem de escolta da
PM, a qual na maioria das vezes é demorada, pois depende de disponibilidade. Quando o
preso doente é levado para ser atendido, há ainda o risco de não haver mais uma vaga
disponível para o seu atendimento, em razão da igual precariedade do nosso sistema público
de saúde.
Quanto às doenças sexualmente transmissíveis, como a AIDS, muitos presos nem
sabem que contraíram a doença. Conforme assinala Camargo (2006, p. 07), “A promiscuidade
e a desinformação dos presos, sem acompanhamento psicossocial, levam à transmissão de
AIDS entre os presos, muitos deles sem ao menos terem conhecimento de que estão
contaminados”
Damas e Oliveira (2013), apresentam em sua pesquisa que os principais problemas de
saúde no sistema prisional são “doenças infecciosas e do sistema respiratório (especialmente a
tuberculose), os transtornos mentais, a infecção pelo HIV e as dermatoses (...) condições
crônicas” (p.13). Os autores reforçam que propicia a proliferação desses sintomas a carência
de profissional de saúde para atuar no complexo, sendo os principais: “médicos, assistentes
sociais, enfermeiros, psicólogos e técnicos de enfermagem” (p.13).
22

Como foi possível observar, na PJDB, essas doenças infeciosas e problemas mentais,
são comuns nos detentos, como também os problemas psicológicos. Não podendo esquecer de
mencionar que a maioria dos detentos sofrem de pressão alta, devido a obesidade.
Sendo assim, as condições que a penitenciaria se encontram, conseguem tanto tratar
como prevenir cada doença, disponibilizando recursos para isso, como médicos, psicólogos,
vacinas, prevenções entre outras medidas.
Bobbio (2004), salienta a relação entre os direitos humanos e sua representatividade,
ao qual argumenta que tais princípios excluem a positivação e o reconhecimento legal, cujo
impasse se configura na efetivação e aplicabilidade prática. Tal argumento surge da ideia da
aplicabilidade do direito à saúde como garantia aos princípios da dignidade humana, assim
como integralidade e universalidade destinadas às pessoas privadas de liberdade
Cabe ressaltar que causa impacto tanto para os presos como para os agentes
penitenciários, um por ter sua liberdade tirada e outro por cuidar da manutenção do presidio.

3. ASPECTOS METODOLÓGICOS

Neste capitulo, os aspectos da pesquisa de campo são discutidos, em linhas gerais a


pesquisa, trata-se, a priori, uma pesquisa bibliográfica, onde constituiu o embasamento
teórico, além de propor a compreensão da temática. No que concerne à sua natureza, o estudo
compreendeu a uma pesquisa aplicada, que, mediante solução do problema e produção de
realidade prática, configura-se de cunho exploratório, ao passo que nos seus objetivos
compreendeu a uma pesquisa de campo, que, através da coleta e análise de dados trouxe da
observância que o Estado dispõe aos profissionais de saúde para o atendimento ambulatorial
da Penitenciária José de Deus Barros (PRODANOV, FREITAS, 2013).
A primeira fase foi constituída na consulta de livros, artigos, revistas, sites como
IBGE, foram selecionadas legislações, teses e publicações relacionadas à saúde no sistema
prisional e outras fontes de dados que ajudarão a explorar, sustentar e esclarecer os aspectos
teóricos do tema. Onde possibilitou a descoberta de novos argumentos, acerca dos dados
arrolados.
Procurou-se fazer uma análise das mudanças que ocorreram na estrutura penitenciária
nos últimos anos, quais os avanços, quais as problemáticas persistentes e quais as ações de
melhoria que devem ser importadas para o futuro. É importante frisar a dimensão dessa
23

problemática, é a dignidade a saúde do preso, garantindo-lhes seus direitos fundamentais de


cidadania e dignidade.
Na pesquisa de campo, foi utilizado questionários, tanto estruturado como
semiestruturado.
Após os dados obtidos com a pesquisa, proferir-se-á a análise de dados, com a
interpretação das informações adquiridas, assim como cruzamento de dados. Foi apontado a
concepção de autores e legislações, ao qual se fará argumentação sob os resultados
encontrados.
A organização escolhida foi a Penitenciária José de Deus Barros, sediada no município
de Picos, estado do Piauí, pela necessidade de vislumbrar as ações de saúde destinadas aos
detentos, consideradas precárias e com alto índice de insalubridade, e por isso, propício à
disseminação de doenças e promoção de agravos à saúde humana.
Buscando analisar as mudanças ocorridas na estrutura penitenciária nos últimos dois
anos, a pesquisa iniciou-se com a aplicação de questionário dividido em três partes,
estruturado aos profissionais de saúde que desempenham função, sob regime trabalhista
vigente, aos quais foram discutidos: recursos disponibilizados para a atenção básica à saúde,
histórico de doenças registradas no presídio, tratamentos realizados para controle das doenças,
assistência de saúde realizada para promoção da saúde, existência de recursos hospitalares
para a garantia ao acesso à saúde.
Adiante, foram aplicados questionários aos profissionais em geral que exercem função
trabalhista na penitenciária, onde versou sobre: percepção de ações de saúde, procedimentos
de saúde existentes, saúde dos detentos, relação entre saúde do detento e do funcionário,
principais doenças dos detentos, meios de prevenção das doenças do sistema presidiário.
Após, foi executado entrevista com o presidente da Penitenciário Regional José de
Deus Barros, através de questionário semiestruturado, sendo abordado: principais ações de
saúde empregadas para a promoção e prevenção da saúde, atuação da gestão no controle de
doenças, recursos disponibilizados para o acesso universal e integral da saúde ao detento,
gerenciamento das doenças, disponibilização do Estado no acesso à saúde do detento.
Os indivíduos que compreendem o sistema penitenciário, apesar de estarem privados
de liberdade, ainda são tocados pelos direitos fundamentais instituídos nos primeiros artigos
da Constituição Federal de 1988. Dentre estes direitos está o direito à saúde de qualidade, o
qual deve acompanhá-los durante esse período de privação.
24

4. RESULTADOS E DISCUSSOES

4.1 Disponibilização do Estado acerca dos profissionais de saúde para atendimento


ambulatorial na Penitenciaria José de Deus Barros

Quando se trata das questões relacionada aos detentos, são ainda mais escassos tanto
nas pesquisas quanto nas publicações na área da saúde e especificamente na saúde coletiva.
Cabe ressaltar que a saúde no sistema prisional consistiu em ações específicas a partir da Lei
de Execução Penal - LEP, nº 7.210, de 1984 e, no contexto da democratização, a Constituição
Federal de 1988 tornou a saúde uma obrigação do Estado e um direito de todo cidadão,
inclusive direito de um detento.
Tendo em vista essa questão, a atenção à saúde da população penitenciária tem sido
tratada, durante todo esse tempo, de uma forma simplificadora, já que suas ações consistem na
assistência em casos notificados no setor de saúde, mesmo que esses casos não detenham um
fluxo de encaminhamento facilitado à rede do Sistema Único de Saúde (SUS), e, pela
25

precariedade na infraestrutura nos atendimentos de maior gravidade, a única solução


compreende à transferência a um Hospital Regional.
Com isso na PJDB, obedecendo a legislação vigente, encontra-se com uma enfermeira,
uma técnica de enfermagem, três médicos sendo dois clínicos gerais e um psiquiatra, um
contratado pelo SEJUS e outros dois pelo PNAISP (Política Nacional de Atenção Integral à
Saúde das Pessoas Privadas de Liberdade no Sistema Prisional), que recebem recursos do
governo federal, um psicólogo, dois dentistas e duas assistentes sociais.
Como pode observar, a PJDB recebe recursos do governo, com a demanda de dois
médicos, que foram contratados por meio do PNAISP- Política Nacional de Atenção Integral
à Saúde das Pessoas Privadas de Liberdade no Sistema Prisional, para atuarem aqui. O
PNAISP surge de uma avaliação dos dez anos de aplicação do Plano Nacional de Saúde no
Sistema Penitenciário (PNSSP), quando foi identificado o esgotamento desse modelo e
urgente a necessidade de promover a inclusão efetiva das pessoas privadas de liberdade ao
SUS, respeitando os princípios da universalidade e justiça.
O PNAISP, tem como seu objetivo, garantir o direito à saúde de todas as pessoas
privadas de liberdade no Sistema Penitenciário. No entanto, a Política visa garantir o acesso
dessa população ao Sistema Único de Saúde (SUS), respeitando os princípios dos direitos
humanos e da cidadania.
Com isso, mesmo com essa disponibilização e distribuição, ainda faltam recursos para
melhorar esses atendimentos. Os problemas de saúde na Penitenciaria José de Deus Barros
não devem ser tratados como simples casos de prevenção e/ou tratamento de doenças, uma
vez que saúde não é a inexistência de enfermidades, somente. Deve-se resolver o problema
estruturalmente, de forma conjunta, começando por um auxílio financeiro do Ministério da
Justiça, para melhorar e otimizar as estruturas carcerárias.
Nos anos de 2017 e 2018, não tinham tantos recursos, onde impossibilitava que os
detentos tivessem uma saúde digna, contando com muitas dificuldades, principalmente
quando se tratava de urgência, que tinha que se deslocar para o Hospital Regional, pois
faltavam médicos para realizar os atendimentos mais graves.

4.1.1. Profissionais de saúde: Dos recursos hospitalares à promoção da saúde

A LEP garante profissionais da saúde para os detentos, como recursos hospitalares,


como todo direito de cidadão. Como sabemos, são escassos profissionais da saúde aqui fora,
avalie dentro dos presídios, onde também necessitam de recursos governamentais.
26

Se tratando de recursos disponibilizados para a atenção básica à saúde, contando com


alguns avanços a PJDB consta com recursos hospitalares, como profissionais da saúde,
remédios básicos, vacinação, acompanhamentos psicológicos, campanhas de vacinação e
prevenção, gabinete odontológico, basicamente tudo que se encontra em uma Unidade Básica
de Saúde- UBS municipal.
Como sabemos, as doenças em presídios são de um nível elevado, devido as
superlotações que é outro problema que as penitenciarias enfrentam, e com isso desenvolvem
mais ainda, com transmissão, má alimentação entre outros, contando também com um elevado
número de detentos com problema psicológicos.
O histórico de doenças registrado nos presídios, são de doenças características de
aglomeração, como sarnas, um surto de tuberculose, pressão alta, problemas psiquiátricos são
os mais comuns.
Cabe ressaltar que por conta das superlotações, as doenças matam mais que massacres
de facção, pois essas são massacres silenciosos, e muitas vezes há ausência de médicos para
tratarem essas doenças.
Segundo dados do Ministério da Saúde, obtidos pela reportagem com fontes ligadas ao
Depen (Departamento Penitenciário Nacional), "pessoas privadas de liberdade têm, em média,
chance 28 vezes maior do que a população em geral de contrair tuberculose.
Também é garantido as prevenções e tratamentos para essas doenças quando se trata
de ser dentro dos presídios, cabe ressaltar se é cumprido e se tem recursos para isso.
Para combaterem essas doenças, na PJDB, previne-se com o tratamento em si e com a
prevenção, através de campanhas formadoras, vacinação, testagens e acompanhamentos.
Como já falado, a lei que está previsto o atendimento em saúde as pessoas reclusas,
assegura atendimento médico, odontológico, assim como outros atendimentos. Com isso, a
assistência de saúde realizada para a promoção de saúde são, assistência ambulatória,
psicológica, dentaria e social.
Nesse caso a PJDB, dispõe de alguns recursos hospitalares, para a garantia ao acesso a
saúde, como medicamentos, testes como de HIV, sífilis e covid 19 –no momento atual- e
exames disponíveis na rede SUS.
No entanto, a realidade das prisões brasileiras está repleta de fatores perversos, tais
como: violações sistemáticas de direitos, tortura e tratamentos degradantes, epidemias e
inúmeras mortes por doenças curáveis.
Nesse sentido, as pessoas privadas de liberdade estão agora presas devem usufruir de
uma forma digna, humana, indispensável e universal de proteção do direito à saúde. No
27

entanto, a realidade causou uma grande lacuna entre o direito substantivo e a aplicabilidade
real.
Apesar dos consideráveis avanços trazidos pela Constituição Brasileira (BRASIL,
1988), em relação aos direitos constitucionais à saúde das pessoas privadas de liberdade, este
avanço foi tímido.
Na penitenciaria, houve um avanço de dois anos para cá, em relação aos recursos de
assistência e promoção de saúde aos detentos, surgindo com melhorias.

4.1.2. Profissionais trabalhistas na penitenciária e sua atuação no acesso à saúde do


sistema presidiário

Tratando-se da percepção de ações de saúde na PJDB, foi possível observar que dentro
da realidade do nosso estado e da população em geral, os detentos dessa unidade são bem
assistidos. Conforme a legislação, a penitenciaria arca com quase todas as condições que se é
imposta, tendo uma percepção bem assistida.
De acordo com os procedimentos de saúde existente com relação a saúde do detento e
do funcionário, são fornecidos os procedimentos necessários para os profissionais que lá
laboram, bem como a mesma estrutura que é disponibilizada para os profissionais da unidade.
Várias doenças atingem a população carcerária brasileira, sendo as mais comuns as
infectocontagiosas. No sistema penitenciário não só ameaça a vida dos prisioneiros como
também facilita a transmissão dessas doenças e geralmente essas doenças são simultâneas.
Pode-se identificar também outras doenças em que tem um nível alto dentro das
penitenciarias, onde precisam de auxílio.
Com isso pode-se identificar as principais doenças dos detentos, como problemas
psiquiátricos, sendo a depressão, doenças contagiosas como sarnas, e doenças originadas pelo
sedentarismo como pressão alta e diabetes, e também as dependências químicas.
A prevenção é assegurada por um dos lados da reabilitação do preso, e com isso tem-
se que prevenir e tratar de todas as doenças que os presos possuem, fazendo com que eles
tenham, conhecimento tanto quanto quem está aqui fora.
A PJDB tem seus meios de prevenção, como testagem, aconselhamento e prevenção,
também as campanhas do novembro azul e de tabagismo.
Sendo assim, pode observar que ainda há uma ausência de mais prevenções, como
citado existe entre as mais comuns a diabetes, onde falta um incentivo e prevenção em relação
a alimentação saudável e a pratica de atividades físicas.
28

É importante destacar se existe tratamento adequado, quando são diagnosticadas tais


doenças, como o câncer de próstata, a sífilis, HIV, entre outros, ou se há uma ausência do
estado quanto ao tratamento que deveriam ter.
Nota-se que na penitenciaria, encontra-se com algumas das medidas que são de
direitos dos presos, para assim tentarem ter uma saúde digna, mesmo assim ainda havendo
falha do estado.
Conceder a saúde como objeto privilegiado do tratamento reabilitativo, no entanto,
produz um paradoxo: pretende-se reabilitar através da inflição de sofrimento. Não se pode
ignorar, de fato, que a privação da liberdade é uma punição que comporta, para quem a sofre,
uma condição de vida inatural, que provoca uma necessária deterioração das condições de
saúde.
Assim foi possível observar que na penitenciaria há recursos possíveis para prevenir e
tratar cada doença, como também ainda faltam recursos para ter uma melhor atenção à saúde.

4.1.3. Posicionamento do presidente da penitenciária

O presidente da penitenciaria possui suas atribuições legais e regimentas, e com isso


tem a obrigação de manter condições para que os profissionais exerçam seu trabalho e
também para que tenha um controle.
A atuação da gestão no controle de doenças, procura a melhor forma possível, dar
condições para que os profissionais de saúde exerçam seu trabalho, garantindo os insumos
necessários e a segurança desses profissionais.
Os recursos disponibilizados para o acesso universal e integral da saúde do detento são
recursos humanos e materiais, como profissionais especializados, medicamentos e
equipamentos.
Na penitenciaria há toda uma equipe de profissionais que dão amparo psicológico,
social e ambulatório. Com isso cabe ao gerente manter essa equipe e dar condições para que
cada um realize seu trabalho.
Na penitenciaria, os profissionais tratam e tentam prevenir, são essas suas maiores
funções. Trazendo para o momento atual de pandemia, foram registrados 12 casos de
reeducando infectados, onde foram tratados e isolados e acompanhados pelos profissionais da
saúde, tendo todos já recuperados, e quando se chega um preso, ele passa por a quarentena
para ser misturado com os outros fazendo também o teste.
29

Como observa-se a PJDB, encontra-se em partes, com recursos que a legislação


impõe, fazendo com que a saúde dos apenados estejam dentro da lei. Contudo, busca ter uma
saúde digna, respeitando os direitos fundamentais para aquele que estão privados de
liberdade.

4.2 Análise dos resultados da pesquisa

A análise dos resultados da entrevista, que compõem a parte qualitativa da pesquisa,


conforme mencionado na seção 4.1.1, 4.1.2 e 4.1.3, foi feita utilizando um questionário.
Inicialmente foi constituído por leituras relacionadas à saúde no sistema prisional, onde
possibilitou a descoberta de novos argumentos, acerca dos dados arrolados e em seguida foi
explorado o questionário.
O questionário direcionado aos profissionais da saúde, identificou que na penitenciaria
encontra-se com os recursos hospitalares, ao qual possibilita atendimentos igualmente de
Unidades Básica de Saúde, quanto as doenças, são de nível elevado, porem na penitenciaria
tem assistência de tratamento, prevenção, como vacinação, campanhas de prevenção, e
realização de exames.
Como forma de identificar a atuação do acesso a saúde dos profissionais trabalhistas,
foi realizado também um questionário, onde identificou-se que os detentos nessa unidade são
bem assistido, quando se trata da percepção de ações de saúde. Identificou também que os
mesmos procedimentos fornecidos para os profissionais que lá laboram, são disponibilizados
para os profissionais em geral.
Quanto ao posicionamento do presidente da penitenciaria, ele relatou que procura a
melhor forma possível para que haja um trabalho dos profissionais no que concerne os
detentos, relatou também que as melhorias vieram depois que implantaram o sistema do
PNAISP, onde possibilitou melhorias disponibilizando recursos.
30

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Como exposto, a CF/88 assegura direitos fundamentais para todos, um deles é o


direito a saúde, e com isso os que estão privados de liberdade também fazem parte. Foi
possível observar que na PJDB cumpre com esse direito, onde encontra-se com quase todas
essas medidas.
Tendo em vista tais direitos, para resolver a crise do sistema prisional, é necessário
que tenha vontade política, com políticas públicas eficazes nesse sentido, e que haja pessoas
devidamente qualificadas e habilitada, porque sob a premissa do sistema atual, pode-se
concluir que a eficácia do cumprimento da pena está ameaçada e não tem credibilidade.
Nota-se ainda, que a saúde na penitenciaria é um tema considerado saturado, mas que
merece discussão.
No decorrer no tempo, estudos tem demostrado que a saúde dos detidos ainda é um
problema e amplo a ser explorado e uma questão de saúde pública. Normalmente, as medidas
preventivas e as ações educativas específicas são voltadas para essa parcela da população, que
tem menor acesso aos serviços médicos.
31

Com a pouca importância que era a saúde do preso, foram criados programas para dar
mais enfoque, como o PNAISP que foi com que a saúde dos detentos da PJDB teve avanços
nos últimos dois anos, trazendo melhorias. Cabendo ressaltar também que a LEP tem como
objetivo proporcionar condições para a integração social harmoniosa de condenados e detidos,
intenção essa que não se reflete no sistema prisional brasileiro.
Há a necessidade de geração de conhecimentos específicos no campo da saúde
prisional, e visa subsidiar a prática de estratégias, instrumentos e modelos teórico-práticos que
possam constituir o processo de cuidados de acordo com as necessidades específicas dos
presidiários.
Dessa forma, com alguns esforços, com o apoio da secretaria estadual de saúde, o
plano pode ser facilitado por meio de investimento e mobilização da implantação da equipe de
atenção básica especificada na PNAISP, bem como intervenção e treinamento.

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TARANTINI JUNIOR, Mauro. O sistema prisional brasileiro. 2003. Disponível em: . Acesso
em: 20 set. 2020.
35

APÊNDICE A- QUESTIONÁRIO DESTINADO AOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE

1.Quais os recursos disponibilizados para a atenção básica à saúde?

2.Qual histórico de doenças registradas no presídio?

3.Quais tratamentos realizados para controle das doenças?

4.Quais assistência de saúde realizada para promoção da saúde?

5.Quais os recursos hospitalares para a garantia ao acesso à saúde?


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APÊNDICE B- QUESTIONÁRIO DESTINADO AOS PROFISSIONAIS EM GERAL

1.Quais percepção de ações de saúde?

2.Quais os procedimentos de saúde existentes, saúde dos detentos, relação entre saúde do
detento e do funcionário?

3.Quais as principais doenças dos detentos?

4.Quais meios de prevenção das doenças do sistema presidiário?


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APÊNDICE C- QUESTIONÁRIO DESTINADO AO PRESIDENTE DA


PENITENCIÁRIA

1.Quais as principais ações de saúde empregadas para a promoção e prevenção da saúde?

2.Como se dá a atuação da gestão no controle de doenças?

3.Quais os recursos disponibilizados para o acesso universal e integral da saúde ao detento?

4.Como se dá o gerenciamento das doenças, e disponibilização do Estado no acesso à saúde


do detento?
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ANEXO A- TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (TCLE)


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