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DIREITO
PROCESSUAL PENAL
Professor Ivan Jezler

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INVESTIGAÇÃO CRIMINAL

É a primeira etapa da persecução penal.

Em regra, a investigação criminal será o inquérito policial.

SISTEMAS DE INVESTIGAÇÃO:

▪ Art 4 – 23 CPP (Inquérito)


▪ Lei 12830 / 2013
▪ Lei 12850/2013
▪ Art 144 §1 e §4 CF – Segurança pública (polícia judiciária)
▪ Ficar atento às transformações da Lei 13.964 de 2019

CONSIDERAÇÕES INICIAIS – POLÍCIA JUDICIÁRIA (ART. 144 §1 E §4 CF)

▪ No CPP, A polícia judiciária não é uma instituição e sim uma função. No


âmbito estadual será exercida pela Policia Civil e no âmbito federal será
exercida pela Policia Federal.
▪ No âmbito da união, a federal tem exclusividade para atuar como polícia
judiciária.
▪ A PF investiga todos os crimes federais, mas existem delitos estaduais
que precisam de repressão uniforme e também serão investigados pela
PF, em que pese não serem julgados pela respectiva justiça.

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INQUÉRITO POLICIAL

O Inquérito Policial não é processo judicial ou


administrativo, mas um procedimento administrativo,
liderado pela autoridade policial, que tem por finalidade
apurar a suposta prática de um crime e sua respectiva
autoria para formar o convencimento do titular do direito
da ação (em regra, o Ministério Público ou ofendido). O
inquérito também serve como abrigo para imposição de
medidas cautelares reais e pessoais. (Art.13, CPP)

CARACTERÍSTICAS DO INQUÉRITO:

I) O INQUÉRITO É DISPENSÁVEL (Art. 4, § único, art. 12, art. 27, art. 28, art. 39, §
5, art. 46, §1 e art. 47 do CPP e art. 58, § 3, CF).

Art. 69, Lei 9099/95: Nas infrações de menor potencial ofensivo, o


inquérito policial será substituído por um termo circunstanciado e o auto
de prisão em flagrante será substituído por um termo de compromisso
(Salvo na Lei Maria da Penha).

Atenção!!

Os tribunais superiores admitem investigação direta por parte do Ministério


Público, com os mesmos critérios de legalidade existentes no inquérito policial.
Ex: Súmula 234, STJ- A participação de membro do Ministério Público na fase
investigatória criminal não acarreta o seu impedimento ou suspeição para o
oferecimento da denúncia. - Art. 129, CF: Atribuições do Ministério Público

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II) INQUISITÓRIO - Nosso modelo de processo penal é acusatório (art. 3-A do


CPP)

A natureza jurídica do inquérito é um procedimento administrativo.

Art. 26, CPP é inconstitucional. –

▪ No inquérito não há obrigatoriedade na incidência do contraditório e da


ampla defesa. É entendimento dos tribunais que a nulidade do inquérito não
contamina a fase da ação penal. O art. 14-A do CPP trouxe uma ampla defesa
obrigatória nos casos de prepostos de segurança pública indiciados pelo uso
de força letal.
▪ Teoria dos frutos da árvore envenenada (Art. 157, CPP).
▪ Art.155, CPP- Princípio do livre convencimento motivado

III) SIGILOS - ART.20, CPP - ART.21, CPP.

▪ Para a maioria doutrinária, esse artigo 21 do CPP é inconstitucional, Art. 136,


IV da CF88.
▪ Súmula Vinculante 14: É direito do defensor, no interesse do representado,
ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em
procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia
judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa.
▪ O conteúdo de uma delação premiada só pode ser mantido em sigilo, até o
recebimento da denúncia (Art.4 º ao 7º da Lei 12.850). A LEI 12.850 também
foi alterada pelo PACOTE ANTICRIME.

IV) INDISPONIBILIDADE - TRATA-SE DE PROCEDIMENTO INDISPONÍVEL (ART.17,


CPP).

▪ Não se admite arquivamento de ofício pelo Delegado.


▪ O inquérito só pode ser arquivado mediante pedido de Ministério Público e
autorização do Juiz, tratando-se assim de ato complexo.

V) OFICIOSIDADE - ART.5, CPP

▪ Regra: inquérito seja instaurado de ofício pelo Delegado.


▪ Indiciamento - é o ato pelo qual o Delegado, fundamentadamente, torna o
sujeito destinatário formal da investigação. (Art. 2º da Lei 12830)

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▪ Início do Inquérito (Ação Pública Incondicionada) -Ofício-Art.5, I, CPP -


Requisição (Ministério Público, JuizArt.40, CPP) –
▪ Requerimento do ofendido (Art.5, §2,CPP) -Notícia-Povo Atenção: Não se
admite investigação com base apenas em denúncia anônima, salvo se a
notícia for o próprio corpo do delito.

VI) DURADOURO - O INQUÉRITO É DURADOURO. CPP:

▪ Prazo de conclusão de inquérito para preso (flagrante e preventiva) são de


10 dias.
▪ Se estiver solto, o prazo será de 30 dias.
▪ Lei 1.521: 10 dias
▪ JUSTIÇA FEDERAL: Preso:15 dias/ Solto:30 dias
▪ LEI DE DROGAS: Preso-30 dias/ Solto:90 dias. Admite prorrogação de prazo.

ARQUIVAMENTO DO INQUÉRITO –

▪ Quando não houver justa causa para ação penal.


▪ Tratando-se de crimes de ação pública, os autos do inquérito policial
serão encaminhados ao Ministério Público que poderá solicitar
diligências, denunciar ou requerer o arquivamento. O Juiz será o
destinatário indireto do inquérito Policial.
▪ A vítima não pode recorrer do arquivamento do inquérito, pois a nova
redação do art. 28 do CPP fora suspensa pelo STF.
▪ Só faz coisa julgada formal.
▪ Quando o Juiz recebe essa proposta de arquivamento, ele atua como
fiscal do Princípio da obrigatoriedade da ação penal pública. Se as
condições da ação estiverem presentes, o Ministério Público é
obrigado a oferecer denúncia. (Art. 28, CPP)
▪ No âmbito estadual, o Juiz irá caminhar os autos para o Procurador
Geral de Justiça quando descordar do pedido de arquivamento. No
âmbito Federal, o Juiz irá encaminhar para um colegiados de
Procuradores Federais.
▪ Por analogia, o art. 28 também poderá ser invocado. Súmula 696 e
Art.384, §1º. Sempre que o Ministério Público não exercer a pretensão

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acusatória ou não propor ao réu um benefício de sua atribuição, e o


Juiz não concordar, ele invocará o art.28, CPP.

PRAZO DE CONCLUSÃO DO INQUÉRITO:

1) CÓDIGO PENAL (CPP)

▪ Preso Flagrante ou Prisão preventiva (10 dias) - IMPRORROGÁVEL


▪ Solto 30 dias

2) LEI DE DROGAS

▪ Preso 30 dias, prorrogáveis por mais 30 dias


▪ Solto 90 dias, prorrogáveis por mais 90 dias

3) PRAZO DA JUSTIÇA FEDERAL

▪ Preso – 15 dias, prorrogáveis por mais 15 dias


▪ Solto 30 dias, prorrogáveis por mais 30 dias

QUESTÕES PARA TREINO:

1) Ano: 2018 Banca: FGV Órgão: OAB Prova: FGV - 2018 - OAB - Exame de Ordem
Unificado - XXVI - Primeira Fase

Um Delegado de Polícia, ao tomar conhecimento de um suposto crime de ação


penal pública incondicionada, determina, de ofício, a instauração de inquérito
policial. Após adotar diligência, verifica que, na realidade, a conduta investigada
era atípica. O indiciado, então, pretende o arquivamento do inquérito e procura
seu advogado para esclarecimentos, informando que deseja que o inquérito seja
imediatamente arquivado. Considerando as informações narradas, o advogado
deverá esclarecer que a autoridade policial

A) deverá arquivar imediatamente o inquérito, fazendo a decisão de


arquivamento por atipicidade coisa julgada material.

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B) não poderá arquivar imediatamente o inquérito, mas deverá


encaminhar relatório final ao Poder Judiciário para arquivamento direto
e imediato por parte do magistrado.

C) deverá elaborar relatório final de inquérito e, após o arquivamento,


poderá proceder a novos atos de investigação, independentemente da
existência de provas novas.

D) poderá elaborar relatório conclusivo, mas a promoção de


arquivamento caberá ao Ministério Público, havendo coisa julgada em
caso de homologação do arquivamento por atipicidade.

2) Ano: 2018 Banca: FGV Órgão: OAB Prova: FGV - 2018 - OAB - Exame de Ordem
Unificado - XXV - Primeira Fase

Maria, 15 anos de idade, comparece à Delegacia em janeiro de 2017,


acompanhada de seu pai, e narra que João, 18 anos, mediante grave ameaça,
teria constrangido-a a manter com ele conjunção carnal, demonstrando
interesse, juntamente com seu representante, na responsabilização criminal do
autor do fato. Instaurado inquérito policial para apurar o crime de estupro, todas
as testemunhas e João afirmaram que a relação foi consentida por Maria, razão
pela qual, após promoção do Ministério Público pelo arquivamento por falta de
justa causa, o juiz homologou o arquivamento com base no fundamento
apresentado. Dois meses após o arquivamento, uma colega de classe de Maria
a procura e diz que teve medo de contar antes a qualquer pessoa, mas em seu
celular havia filmagem do ato sexual entre Maria e João, sendo que no vídeo
ficava demonstrado o emprego de grave ameaça por parte deste. Maria, então,
entrega o vídeo ao advogado da família. Considerando a situação narrada, o
advogado de Maria

A) nada poderá fazer sob o ponto de vista criminal, tendo em vista que a
decisão de arquivamento fez coisa julgada material.

B) poderá apresentar o vídeo ao Ministério Público, sendo possível o


desarquivamento do inquérito ou oferecimento de denúncia por parte do
Promotor de Justiça, em razão da existência de prova nova.

C) nada poderá fazer sob o ponto de vista criminal, tendo em vista que,
apesar de a decisão de arquivamento não ter feito coisa julgada material,
o vídeo não poderá ser considerado prova nova, já que existia antes do
arquivamento do inquérito.

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D) poderá iniciar, de imediato, ação penal privada subsidiária da pública


em razão da omissão do Ministério Público no oferecimento de denúncia
em momento anterior.

3) Ano: 2017 Banca: FGV Órgão: OAB Prova: FGV - 2017 - OAB - Exame de Ordem
Unificado - XXIV - Primeira Fase

Tiago, funcionário público, foi vítima de crime de difamação em razão de suas


funções. Após Tiago narrar os fatos em sede policial e demonstrar interesse em
ver o autor do fato responsabilizado, é instaurado inquérito policial para
investigar a notícia de crime. Quando da elaboração do relatório conclusivo, a
autoridade policial conclui pela prática delitiva da difamação, majorada por ser
contra funcionário público em razão de suas funções, bem como identifica João
como autor do delito. Tiago, então, procura seu advogado e informa a este as
conclusões 1 (um) mês após os fatos. Considerando apenas as informações
narradas, o advogado de Tiago, de acordo com a jurisprudência do Supremo
Tribunal Federal, deverá esclarecer que:

A) caberá ao Ministério Público oferecer denúncia em face de João após


representação do ofendido, mas Tiago não poderá optar por oferecer
queixa-crime.

B) caberá a Tiago, assistido por seu advogado, oferecer queixa-crime, não


podendo o ofendido optar por oferecer representação para o Ministério
Público apresentar denúncia.

C) Tiago poderá optar por oferecer queixa-crime, assistido por advogado,


ou oferecer representação ao Ministério Público, para que seja analisada
a possibilidade de oferecimento de denúncia.

D) caberá ao Ministério Público oferecer denúncia, independentemente


de representação do ofendido.

4) Ano: 2015 Banca: FGV Órgão: OAB Prova: FGV - 2015 - OAB - Exame de Ordem
Unificado - XVI - Primeira Fase

O inquérito policial pode ser definido como um procedimento investigatório


prévio, cuja principal finalidade é a obtenção de indícios para que o titular da
ação penal possa propô-la contra o suposto autor da infração penal.

Sobre o tema, assinale a afirmativa correta.

A) A exigência de indícios de autoria e materialidade para oferecimento


de denúncia torna o inquérito policial um procedimento indispensável.

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B) O despacho que indeferir o requerimento de abertura de inquérito


policial é irrecorrível.

C) O inquérito policial é inquisitivo, logo o defensor não poderá ter acesso


aos elementos informativos que nele constem, ainda que já
documentados.

D) A autoridade policial, ainda que convencida da inexistência do crime,


não poderá mandar arquivar os autos do inquérito já instaurado.

GABARITO

1) D

2) B

3) C

4) D

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AÇÃO PENAL

O direito constitucional de provocar o estado juiz pedindo a aplicação da lei em


um caso concreto, direito abstrato.

1) INTRODUÇÃO

▪ Art. 24 ao 62 do CPP
▪ Art. 5, LIX, CF
▪ Art. 63 ao 68 do CPP – Ação Civil Ex Delito
▪ Desde 2008 o próprio juiz criminal pode fixar uma verba mínima para
reparar os danos causados pelo crime (Art. 63, parágrafo único e Art.
387, IV, CPP)
▪ Art. 65 e 66 CPP – As decisões do crime que fazem coisa julgada no
cível, as excludentes de ilicitude comprovadas e a inexistência do fato
▪ Art. 67 e 68 CPP

2) CLASSIFICAÇÃO SUBJETIVA

▪ Legitimidade ativa
▪ Ação penal incondicionada – PLENA
▪ Ação Penal Pública Condicionada – Representação, Requisição do
Ministro da Justiça

I. A REPRESENTAÇÃO é uma peça informal, se for realizada por advogado vai


exigir poderes especiais, a representação tem eficácia objetiva, retratável até o
oferecimento da denúncia (art. 25, CPP), a requisição do MJ não é retratável, na
Lei Maria da Penha pode se retratar até o recebimento da denúncia (art. 16, Lei
11340/2006) em uma audiência específica.

▪ A representação tem um prazo decadencial de 6 meses a partir do


conhecimento da autoria do fato (Art. 38 CPP).

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▪ Prazo de alegações finais e de recursos são processuais (Art. 798, § 1 e


3 CPP), sumula 310 e 710 STF.
Art. 798. Todos os prazos correrão em cartório e serão contínuos
e peremptórios, não se interrompendo por férias, domingo ou dia
feriado.
§ 1. Não se computará no prazo o dia do começo, incluindo-se,
porém, o do vencimento.
§ 3. O prazo que terminar em domingo ou dia feriado considerar-
se-á prorrogado até o dia útil imediato.
▪ Tempos regit actum – Alei processual pura, homogênea, integra se aplica
de imediato, sem prejuízo dos atos praticados antes da sua vigência (Art.
2° CPP)
Art. 2. A lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo
da validade dos atos realizados sob a vigência da lei anterior.

II. REQUISIÇÃO DO MJ – (Art. 7, § 3, ‘b’ CP) e (Art. 141, 145, CP)

Iniciativa privada – Ofendido – Queixa CRIME (Art. 41, 44, CPP)

a) Comum (Art. 30, 31, CPP) – Cabe representação legal e sucessão – Prazo de
6 meses a partir do conhecimento da autoria do fato –

Observação: A queixa crime exige procuração com poderes especiais e


menção ao fato delituoso.

Art. 30. Ao ofendido ou a quem tenha qualidade para representá-lo caberá


intentar a ação privada.

Art. 31. No caso de morte do ofendido ou quando declarado ausente por decisão
judicial, o direito de oferecer queixa ou prosseguir na ação passará ao cônjuge,
ascendente, descendente ou irmão.

Injuria racial – Condicionada

Racismo – Incondicionada

Injúria real – Pública – Incondicionada ou condicionada (Sumula 714 STF)

Súmula 714 É concorrente a legitimidade do ofendido, mediante queixa, e do


ministério público, condicionada à representação do ofendido, para a ação penal
por crime contra a honra de servidor público em razão do exercício de suas
funções. (pública condicionada e privada- legitimidade concorrente)

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Sumula 594 - Os direitos de queixa e de representação podem ser exercidos,

independentemente, pelo ofendido ou por seu representante legal.

b) Subsidiária (Art. 29 CPP) - Possibilidade da vítima oferecer uma queixa em


crime de ação pública quando houver inércia ministerial, se houver queixa
subsidiária o MP deve intervir em todos os termos da ação sob pena de nulidade,
será um assistente Litisconsorcial

Art. 29. Será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se esta não for
intentada no prazo legal, cabendo ao Ministério Público aditar a queixa, repudiá-
la e oferecer denúncia substitutiva, intervir em todos os termos do processo,
fornecer elementos de prova, interpor recurso e, a todo tempo, no caso de
negligência do querelante, retomar a ação como parte principal.

c) Personalíssima (Art. 236 CP)

Art. 236 - Contrair casamento, induzindo em erro essencial o outro contraente,


ou ocultando-lhe impedimento que não seja casamento anterior:

Pena - detenção, de seis meses a dois anos.

Parágrafo único - A ação penal depende de queixa do contraente enganado e


não pode ser intentada senão depois de transitar em julgado a sentença que,
por motivo de erro ou impedimento, anule o casamento.

PRINCÍPIOS QUE REGEM A AÇÃO PENAL

Privada Pública

▪ Discricionária/Oportuna; ▪ Obrigatória;
▪ Disponível – perdão; ▪ Indisponível (art. 42 e 572 do CPP);
▪ Indivisível (art. 48, 49 e 106 do CPP) ▪ Divisível

▪ Decadência – Art. 38 CPP


▪ Renúncia – Expressa ou Tácita
▪ A composição civil entre autor e vítima equivale a renuncia ao direito de
queixa ou retratação da representação.

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▪ Transação penal só cabe em ação pública e crime de menor potencial, até


2 anos, o sujeito não pode ter tido o mesmo benefício no prazo de 5 anos
ou reincidente, não se trata de uma sentença condenatória, não tem
qualquer efeito penal e não faz coisa julgada. O pacote anticrime trouxe
a figura do acordo de não persecução penal, no art. 28-A do CPP (leitura
obrigatória).
▪ Sumula vinculante 35 STF – A homologação da transação penal prevista
no artigo 76 da Lei 9.099/1995 não faz coisa julgada material e,
descumpridas suas cláusulas, retoma-se a situação anterior,
possibilitando-se ao Ministério Público a continuidade da persecução
penal mediante oferecimento de denúncia ou requisição de inquérito
policial.
▪ Princípio da intranscendência se aplica as duas hipóteses (pública e
privada) – Só pode promover ação contra o sujeito que foi o autor do
delito (dolo ou culpa) - Não se admite responsabilidade objetiva.

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COMPETÊNCIA

CRITÉRIOS:

I) RATIONE PERSONAE

▪ Um dos critérios determinadores da competência estabelecidos em


nosso Código de Processo Penal é exatamente o da prerrogativa de
função - Sumula 451 STF.
▪ A competência especial por prerrogativa de função não se estende ao
crime cometido após a cessação definitiva do exercício funcional.
▪ Para o STF, só existe prerrogativa de função após a diplomação e com
nexo funcional (Deputados).
▪ Súmulas: STF, 702, 704 e 721 (Súmula Vinculante 45).

II) RATIONE MATERIAL

Justiça Penal:

a) Especial Militar e Eleitoral

b) Comum (Federal e Estadual

Atenção!!

Os crimes contra a organização do trabalho serão de competência federal


apenas quando violar o interesse de trabalhadores coletivamente considerados
ou instituições trabalhistas. Esse entendimento é dos tribunais, para a
Constituição Federal esse entendimento não vale. (Art. 109, V, CF e Art. 197 – 207
CP).
A Justiça Militar só julga crimes militares. Art79, CPP e Súmula 90 STJ.

Crimes dolosos contra a vida praticados por Militar contra civis, serão de
competência do Tribunal de Júri.

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Súmula 122, STJ: Compete à Justiça Federal o processo e julgamento unificado


dos crimes conexos de competência federal e estadual, não se aplicando a regra
do art. 78, II, “a”, do Código de Processo Penal.
A competência da justiça estadual é residual

Determinação de competência em casos de conexão e continência (Art.78, CPP)

Conexão: dois os mais crimes ligados entre si por algum elemento Continência:
único delito. Art.76 e Art. 77 CPP.
Art.109, CF - Competência da justiça federal.

Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar:

I - as causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal


forem interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes,
exceto as de falência, as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça
Eleitoral e à Justiça do Trabalho;

II - as causas entre Estado estrangeiro ou organismo internacional e Município


ou pessoa domiciliada ou residente no País;

III - as causas fundadas em tratado ou contrato da União com Estado


estrangeiro ou organismo internacional;

IV - os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de bens,


serviços ou interesse da União ou de suas entidades autárquicas ou empresas
públicas, excluídas as contravenções e ressalvada a competência da Justiça
Militar e da Justiça Eleitoral;

V - os crimes previstos em tratado ou convenção internacional, quando, iniciada


a execução no País, o resultado tenha ou devesse ter ocorrido no estrangeiro,
ou reciprocamente;
V- as causas relativas a direitos humanos a que se refere o § 5º deste artigo;
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

VI - os crimes contra a organização do trabalho e, nos casos determinados por


lei, contra o sistema financeiro e a ordem econômico-financeira;

VII - os habeas corpus, em matéria criminal de sua competência ou quando o


constrangimento provier de autoridade cujos atos não estejam diretamente
sujeitos a outra jurisdição;

VIII - os mandados de segurança e os habeas data contra ato de autoridade


federal, excetuados os casos de competência dos tribunais federais;

IX - os crimes cometidos a bordo de navios ou aeronaves, ressalvada a


competência da Justiça Militar;

X - os crimes de ingresso ou permanência irregular de estrangeiro, a execução


de carta rogatória, após o "exequatur", e de sentença estrangeira, após a

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homologação, as causas referentes à nacionalidade, inclusive a respectiva


opção, e à naturalização;

XI - a disputa sobre direitos indígenas.

III) RATIONE LOCI

▪ 1. Lugar de consumação do crime (art.70, CPP)

Atenção: O STJ entende que os crimes contra a vida a competência territorial


podem ser modificados para atender interesses probatórios.

▪ 2. Domicílio do réu (Art.72, 73 e 78 do CPPP)

▪ 3. Prevenção (Art. 71, CPP e Súmula 706, STF)

QUESTÕES PARA TREINO:

1) Ano: 2019 Banca: FGV Órgão: OAB Prova: FGV - 2019 - OAB - Exame de Ordem
Unificado - XXVIII - Primeira Fase

Jucilei foi preso em flagrante quando praticava crime de estelionato (Art. 171 do
CP), em desfavor da Petrobras, sociedade de economia mista federal. De acordo
com os elementos informativos, a fraude teria sido realizada na cidade de Angra
dos Reis, enquanto a obtenção da vantagem ilícita ocorreu na cidade do Rio de
Janeiro, sendo Jucilei preso logo em seguida, mas já na cidade de Niterói. Ainda
em sede policial, Jucilei entrou em contato com seu(sua) advogado(a), que
compareceu à Delegacia para acompanhar seu cliente, que seria imediatamente
encaminhado para a realização de audiência de custódia perante autoridade
judicial. Considerando as informações narradas, o(a) advogado(a) deverá
esclarecer ao seu cliente que será competente para processamento e
julgamento de eventual ação penal pela prática do crime do Art. 171 do Código
Penal, o juízo junto à

A) Vara Criminal Estadual da Comarca do Rio de Janeiro.

B) Vara Criminal Estadual da Comarca de Angra dos Reis.

C) Vara Criminal Federal com competência sobre a cidade do Rio de


Janeiro.

D) Vara Criminal Federal com competência sobre a cidade de Angra dos


Reis.

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2) Ano: 2019 Banca: FGV Órgão: OAB Prova: FGV - 2019 - OAB - Exame de Ordem
Unificado - XXVIII - Primeira Fase

Gabriel, nascido em 31 de maio 1999, filho de Eliete, demonstrava sua irritação


em razão do tratamento conferido por Jorge, namorado de sua mãe, para com
esta. Insatisfeito, Jorge, no dia 1º de maio de 2017, profere injúria verbal contra
Gabriel. Após a vítima contar para sua mãe sobre a ofensa sofrida, Eliete
comparece, em 27 de maio de 2017, em sede policial e, na condição de
representante do seu filho, renuncia ao direito de queixa. No dia 02 de agosto de
2017, porém, Gabriel, contra a vontade da mãe, procura auxílio de advogado,
informando que tem interesse em ver Jorge responsabilizado criminalmente
pela ofensa realizada. Diante da situação narrada, o(a) advogado(a) de Gabriel
deverá esclarecer que

A) Jorge não poderá ser responsabilizado criminalmente, em razão da


renúncia do representante legal do ofendido, sem prejuízo de indenização
no âmbito cível.

B) poderá ser proposta queixa-crime em face de Jorge, mas, para que o


patrono assim atue, precisa de procuração com poderes especiais.

C) Jorge não poderá ser responsabilizado criminalmente em razão da


decadência, tendo em vista que ultrapassados três meses desde o
conhecimento da autoria.

D) poderá ser proposta queixa-crime em face de Jorge, pois, de acordo


com o Código de Processo Penal, ao representante legal é vedado
renunciar ao direito de queixa.

3) Ano: 2018 Banca: FGV Órgão: OAB Prova: FGV - 2018 - OAB - Exame de Ordem
Unificado - XXVI - Primeira Fase

Maria recebe ligação de duas delegacias diferentes, informando a prisão em


flagrante de seus dois filhos. Após contatar seu advogado, Maria foi informada
de que Caio, seu filho mais velho, praticou, em Niterói, um crime de lesão
corporal grave consumado, mas somente veio a ser preso no Rio de Janeiro.
Soube, ainda, que Bruno, seu filho mais novo, foi preso por praticar um crime
de roubo simples (pena: 04 a 10 anos de reclusão e multa) em Niterói e um crime
de extorsão majorada (pena: 04 a 10 anos de reclusão, aumentada de 1/3 a 1/2,
e multa) em São Gonçalo, sendo certo que a prova do roubo influenciaria na
prova da extorsão, já que o carro subtraído no roubo foi utilizado quando da
prática do segundo delito.

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Considerando apenas as informações constantes do enunciado, o advogado de


Maria deverá esclarecer que o(s) juízo(s) competente(s) para julgar Caio e
Bruno será(ão):

A) Niterói, nos dois casos, sendo que, entre os crimes de roubo e


extorsão, há, de acordo com o Código de Processo Penal, continência.

B) Niterói, nos dois casos, sendo que, entre os crimes de roubo e


extorsão, há, de acordo com o Código de Processo Penal, conexão.

C) Rio de Janeiro e São Gonçalo, respectivamente, sendo que, entre os


crimes de roubo e extorsão, há, de acordo com o Código de Processo
Penal, continência.

D) Niterói e São Gonçalo, respectivamente, sendo que, entre os crimes de


roubo e extorsão, há, de acordo com o Código de Processo Penal,
conexão.

4) Ano: 2017 Banca: FGV Órgão: OAB Prova: FGV - 2017 - OAB - Exame de Ordem
Unificado - XXIV - Primeira Fase

Tiago, funcionário público, foi vítima de crime de difamação em razão de suas


funções. Após Tiago narrar os fatos em sede policial e demonstrar interesse em
ver o autor do fato responsabilizado, é instaurado inquérito policial para
investigar a notícia de crime. Quando da elaboração do relatório conclusivo, a
autoridade policial conclui pela prática delitiva da difamação, majorada por ser
contra funcionário público em razão de suas funções, bem como identifica João
como autor do delito. Tiago, então, procura seu advogado e informa a este as
conclusões 1 (um) mês após os fatos. Considerando apenas as informações
narradas, o advogado de Tiago, de acordo com a jurisprudência do Supremo
Tribunal Federal, deverá esclarecer que

A) caberá ao Ministério Público oferecer denúncia em face de João após


representação do ofendido, mas Tiago não poderá optar por oferecer
queixa-crime.

B) caberá a Tiago, assistido por seu advogado, oferecer queixa-crime, não


podendo o ofendido optar por oferecer representação para o Ministério
Público apresentar denúncia.

C) Tiago poderá optar por oferecer queixa-crime, assistido por advogado,


ou oferecer representação ao Ministério Público, para que seja analisada
a possibilidade de oferecimento de denúncia.

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D) caberá ao Ministério Público oferecer denúncia, independentemente


de representação do ofendido.

5) Ano: 2017 Banca: FGV Órgão: OAB Prova: FGV - 2017 - OAB - Exame de Ordem
Unificado - XXIV - Primeira Fase

Na cidade de Angra dos Reis, Sérgio encontra um documento adulterado (logo,


falso), que, originariamente, fora expedido por órgão estadual. Valendo-se de
tal documento, comparece a uma agência da Caixa Econômica Federal
localizada na cidade do Rio de Janeiro e apresenta o documento falso ao gerente
do estabelecimento. Desconfiando da veracidade da documentação, o gerente
do estabelecimento bancário chama a Polícia, e Sérgio é preso em flagrante,
sendo denunciado pela prática do crime de uso de documento falso (Art. 304 do
Código Penal) perante uma das Varas Criminais da Justiça Estadual da cidade
do Rio de Janeiro. Considerando as informações narradas, de acordo com a
jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, o advogado de Sérgio deverá

A) alegar a incompetência, pois a Justiça Federal será competente,


devendo ser considerada a cidade de Angra dos Reis para definir o
critério territorial.

B) alegar a incompetência, pois a Justiça Federal será competente,


devendo ser considerada a cidade do Rio de Janeiro para definir o critério
territorial.

C) alegar a incompetência, pois, apesar de a Justiça Estadual ser


competente, deverá ser considerada a cidade de Angra dos Reis para
definir o critério territorial.

D) reconhecer a competência do juízo perante o qual foi apresentada a


denúncia.

GABARITO

1) A

2) B

3) D

4) C

5) B

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20

PRISÃO CAUTELAR

MEDIDAS CAUTELARES PESSOAIS:

I) Introdução (Art. 12403/2011) Alterou do Art. 282 ao 350 do CPP – Mais benéfico
para o réu.

▪ O Art. 282 do CPC consagrou o princípio da proporcionalidade nas


cautelares
▪ O Art. 283 causou o princípio da presunção de inocência

EFEITOS DA PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA

▪ Ônus da prova todo da acusação


▪ Prisão cautelar - Toda privação de liberdade anterior ao trânsito em
julgado de uma sentença condenatória à luz do Princípio da presunção
de inocência

Atenção!!

O STF não admite a execução provisória de pena privativa de liberdade ou restritiva de


direito (Art.44, CP).

Súmula 716: Admite-se a progressão de regime de cumprimento da pena ou a aplicação


imediata de regime menos severo nela determinada, antes do trânsito em julgado da
sentença condenatória.

Súmula 717: Não impede a progressão de regime de execução da pena, fixada em


sentença não transitada em julgado, o fato de o réu se encontrar em prisão especial.

Essas sumulas sempre admitiram a execução provisória dos benefícios penais, quando
a sentença condenatória transita em julgado para a acusação.

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II) MODALIDADES DE CAUTELARES

a) FLAGRANTE

▪ Pré-cautelar e não exige ordem judicial, dura no máximo 48h.


▪ Audiência de custódia – verificar a legalidade e a necessidade de prisão. STF
suspendeu a eficácia do dispositivo do CPP que exigia o relaxamento
imediato da prisão por falta de audiência de custódia no prazo legal.

Tipos:

a.1) Flagrante obrigatório e facultativo - Art. 301, CPP

Art. 301 CTB - Quando o sujeito presta assistência à vítima, não caberá flagrante.

Art. 53, §2, CF§ 2º Desde a expedição do diploma, os membros do Congresso


Nacional não poderão ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável.
Nesse caso, os autos serão remetidos dentro de vinte e quatro horas à Casa
respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus membros, resolva sobre a
prisão.

a.2) Flagrante Próprio (Art. 302, I e II) – Preso na cena do fato.

Art. 303 CPP - Os crimes permanentes a prisão em flagrante pode se da


enquanto não cessar a permanência. Os tribunais têm entendido que o ingresso
no domicilio alheio sem ordem judicial exige justa causa, mesmo nos crimes
permanentes como o tráfico de drogas e posse de arma de fogo. A busca e a
apreensão exigem ordem judicial fundamentada (Art. 24 e seguintes do CPP)

a.3) Flagrante Impróprio – Perseguição após a prática do delito (Art.302, III)

Não se admite prisão em flagrante como fruto de uma apresentação


espontânea.

a.4) Flagrante Presumido (ficto) –

O sujeito é encontrado logo depois (Art.302, IV)

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a.5) Flagrante Esperado ou Incidental –

É válido.

Serendipidade - Encontro fortuito de provas.

a.6) Flagrante Provocado –

É inválido. Segundo a Súmula 145 do STF, não há crime, quando a preparação do


flagrante pela polícia torna impossível a sua consumação.

a.7) Flagrante Diferido –

A Polícia protela a situação de flagrante para prender o sujeito no melhor


momento probatório, com o maior número de evidências.

a.8) Flagrante Forjado.

III) Forma do flagrante

▪ Art. 304, CPP


▪ Art. 69 Lei 9099/95 - Nas infrações de menor potencial o APF será
substituído pelo termo de compromisso de comparecer ao AGECRIM.
O APF deve ser encaminhado ao juiz em até 24h, e informado a família,
ministério público e defensoria pública
▪ Art. 306 CPP,
▪ Art. 5, LXII, CF

b) TEMPORÁRIA (LEI 7960/89)

▪ Só cabe na fase investigatória

▪ Não pode ser decretada de oficio

▪ Recebida a denúncia, está encerrada a possibilidade de prisão


temporária.

▪ Prazo: Crime comum - 5 dias, prorrogável por mais 5 dias

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▪ Crime hediondo - 30 dias –prorrogável por mais 30 dias / Art.2,


§4°8072/90

Requisitos: (Art.1º, I e II, Lei 7960/90)

Art. 1° Caberá prisão temporária:

I - quando imprescindível para as investigações do inquérito policial;

II - quando o indicado não tiver residência fixa ou não fornecer elementos


necessários ao esclarecimento de sua identidade;

LIBERDADE PROVISÓRIA

▪ Só se concede liberdade provisória, se não estiverem previstas as hipóteses


de prisão cautelar, podendo ser com fiança ou sem fiança.
▪ Todos os crimes admitem liberdade provisória sem fiança, mas o PACOTE
vedou tal benefício aos integrantes de organização criminosa ou milícias
armadas.
▪ Crimes Inafiançáveis (Art. 5º, XLII-XLIV, CF): Racismo, Ação de grupos
armados contra o estado de direito e Crimes hediondos e equiparados a
hediondos (Tráfico, Tortura e Terrorismo).

ART. 310 CPP – EXCLUDENTE DE ILICITUDE

• Preventiva – Art. 311 ao 316 do CPP e 317 e 318 CPP

Pode ser consequência do flagrante:

Exige ordem judicial (art. 15 do CPP) se for na fase da ação o juiz pode impor de
oficio (311 CPP) na fase do inquérito é necessário deve haver um requerimento
do

MP/Assistente, do Querelante, delegado. Na lei Maria da Penha pode se impor


prisão de oficio em qualquer fase.

HIPÓTESES DE CABIMENTO DA PRISÃO PREVENTIVA (ART. 313, CPP):

▪ Crime culposo não admite prisão preventiva.

▪ Regra geral da prisão preventiva: CRIME DOLOSO COM PENA SUPERIOR


A 4 ANOS.

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▪ Em casos de reincidência em crimes dolosos, ainda que a pena máxima


não seja 4 anos, caberá preventiva.

▪ É possível quando a prisão for necessária para assegurar as medidas


protetivas em favor da mulher, criança, idoso.

Atenção!!

O STJ admite a impetração de HC para atacar medidas protetivas da Lei Maria da Penha
por conta do risco de prisão.

▪ Admite-se a preventiva quando o sujeito não tiver identificação civil para


identificação criminal. Ao identificar o sujeito deverá ser revogada a sua
prisão.

REQUISITOS DA PRISÃO PREVENTIVA (ART. 312 CPP):

• Justa causa: indícios suficientes de autoria e materialidade.

Prisão deve ser necessária, (Periculum libertatis) - Garantir a ordem pública,


conveniência para instrução criminal, prisão preventiva para assegurar a futura
aplicação da lei penal ou quando houver um estado de perigo na liberdade do
sujeito.

O réu tem direito a não comparecer na instrução criminal e o exercício desse


direito não pode acarretar em prisão privativa.

QUESTÕES PARA TREINO:

1) Ano: 2018 Banca: FGV Órgão: OAB Prova: FGV - 2018 - OAB - Exame de Ordem

Unificado - XXVII - Primeira Fase

Após ser instaurado inquérito policial para apurar a prática de um crime de


lesão corporal culposa praticada na direção de veículo automotor (Art. 303 da
Lei nº 9.503/97 – pena: detenção de seis meses a dois anos), foi identificado que
o autor dos fatos seria Carlos, que, em sua Folha de Antecedentes Criminais,
possuía três anotações referentes a condenações, com trânsito em julgado, pela
prática da mesma infração penal, todas aptas a configurar reincidência quando
da prática do delito ora investigado. Encaminhados os autos ao Ministério

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Público, foi oferecida denúncia em face de Carlos pelo crime antes investigado;
diante da reincidência específica do denunciado civilmente identificado, foi
requerida a decretação da prisão preventiva. Recebidos os autos, o juiz
competente decretou a prisão preventiva, reiterando a reincidência de Carlos e
destacando que essa circunstância faria com que todos os requisitos legais
estivessem preenchidos. Ao ser intimado da decisão, o(a) advogado(a) de Carlos
deverá requerer

A) a liberdade provisória dele, ainda que com aplicação das medidas


cautelares alternativas.

B) o relaxamento da prisão dele, tendo em vista que a prisão, em que


pese ser legal, é desnecessária.

C) a revogação da prisão dele, tendo em vista que, em que pese ser legal,
é desnecessária.

D) o relaxamento da prisão dele, pois ela é ilegal.

2) Ano: 2018 Banca: FGV Órgão: OAB Prova: FGV - 2018 - OAB - Exame de Ordem
Unificado - XXVI - Primeira Fase

Durante as investigações de um crime de associação criminosa (Art. 288 do CP),


a autoridade policial representa pela decretação da prisão temporária do
indiciado Jorge, tendo em vista que a medida seria imprescindível para a
continuidade das investigações. Os autos são encaminhados ao Ministério
Público, que se manifesta favoravelmente à representação da autoridade
policial, mas deixa de requerer expressamente, por conta própria, a decretação
da prisão temporária. Por sua vez, o magistrado, ao receber o procedimento
decretou a prisão temporária pelo prazo de 10 dias, ressaltando que a lei admite
a prorrogação do prazo de 05 dias por igual período. Fez o magistrado constar,
ainda, que Jorge não poderia permanecer acautelado junto com outros detentos
que estavam presos em razão de preventivas decretadas. Considerando apenas
as informações narradas, o advogado de Jorge, ao ser constituído, deverá
alegar que

A) o prazo fixado para a prisão temporária de Jorge é ilegal.

B) a decisão do magistrado de determinar que Jorge ficasse separado


dos demais detentos é ilegal.

C) a prisão temporária decretada é ilegal, tendo em vista que a


associação criminosa não está prevista no rol dos crimes hediondos e
nem naquele que admite a decretação dessa espécie de prisão.

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D) a decretação da prisão foi ilegal, pelo fato de ter sido decretada de


ofício, já que não houve requerimento do Ministério Público.

3) Ano: 2018 Banca: FGV Órgão: OAB Prova: FGV - 2018 - OAB - Exame de Ordem
Unificado - XXV - Primeira Fase

No dia 15 de maio de 2017, Caio, pai de um adolescente de 14 anos, conduzia um


veículo automotor, em via pública, às 14h, quando foi solicitada sua parada em
uma blitz. Após consultar a placa do automóvel, os policiais constataram que o
veículo era produto de crime de roubo ocorrido no dia 13 de maio de 2017, às
09h. Diante da suposta prática do crime de receptação, realizaram a prisão e
encaminharam Caio para a Delegacia. Em sede policial, a vítima do crime de
roubo foi convidada a comparecer e, em observância a todas as formalidades
legais, reconheceu Caio como o autor do crime que sofrera. A autoridade policial
lavrou auto de prisão em flagrante pelo crime de roubo em detrimento de
receptação. O Ministério Público, em audiência de custódia, manifesta-se pela
conversão da prisão em flagrante em preventiva, valorizando o fato de Caio ser
reincidente, conforme confirmação constante de sua Folha de Antecedentes
Criminais. Quando de sua manifestação, o advogado de Caio, sob o ponto de vista
técnico, deverá requerer

A) liberdade provisória, pois, apesar da prisão em flagrante ser legal, não


estão presentes os pressupostos para prisão preventiva.

B) relaxamento da prisão, em razão da ausência de situação de flagrante.

C) revogação da prisão preventiva, pois a prisão em flagrante pelo crime


de roubo foi ilegal.

D) substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar, pois Caio é


responsável pelos cuidados de adolescente de 14 anos.

4) Ano: 2017 Banca: FGV Órgão: OAB Prova: FGV - 2017 - OAB - Exame de Ordem
Unificado - XXIII - Primeira Fase

Paulo foi preso em flagrante pela prática do crime de corrupção, sendo


encaminhado para a Delegacia. Ao tomar conhecimento dos fatos, a mãe de
Paulo entra, de imediato, em contato com o advogado, solicitando
esclarecimentos e pedindo auxílio para seu filho. De acordo com a situação
apresentada, com base na jurisprudência dos Tribunais Superiores, deverá o
advogado esclarecer que

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A) diante do caráter inquisivo do inquérito policial, Paulo não poderá ser


assistido pelo advogado na delegacia.

B) a presença da defesa técnica, quando da lavratura do auto de prisão


em flagrante, é sempre imprescindível, de modo que, caso não esteja
presente, todo o procedimento será considerado nulo.

C) decretado o sigilo do procedimento, o advogado não poderá ter acesso


aos elementos informativos nele constantes, ainda que já documentados
no procedimento.

D) a Paulo deve ser garantida, na delegacia, a possibilidade de assistência


de advogado, de modo que existe uma faculdade na contratação de seus
serviços para acompanhamento do procedimento em sede policial.

5) Ano: 2017 Banca: FGV Órgão: OAB Prova: FGV - 2017 - OAB - Exame de Ordem
Unificado - XXIII - Primeira Fase

Douglas responde a ação penal, na condição de preso cautelar, pela prática do


crime de furto qualificado, sendo ele triplamente reincidente específico. No
curso do processo, foi constatado por peritos que Douglas seria semi-imputável
e que haveria risco de reiteração. O magistrado em atuação, de ofício, revoga a
prisão preventiva de Douglas, entendendo que não persistem os motivos que
justificaram essa medida mais grave, aplicando, porém, a medida cautelar de
internação provisória, com base no Art. 319 do Código de Processo Penal. Diante
da situação narrada, o advogado de Douglas poderá requerer o afastamento da
cautelar aplicada, em razão:

A) da não previsão legal da cautelar de internação provisória, sendo certo


que tais medidas estão sujeitas ao princípio da taxatividade.

B) de somente ser cabível a cautelar quando os peritos concluírem pela


inimputabilidade, mas não pela semi-imputabilidade.

C) de o crime imputado não ter sido praticado com violência ou grave


ameaça à pessoa.

D) de não ser cabível, na hipótese, a aplicação de medida cautelar de


ofício, sem requerimento pretérito do Ministério Público.

GABARITO

1)D 2) A 3) B 4) D 5) C

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PROCEDIMENTOS

1) INTRODUÇÃO:

Procedimento é a forma do processo penal e forma é garantia para o réu.

Sofreu alterações em 2008 -

- A lei 11689 alterou o tema júri

- A lei 11690 alterou o tema prova

- A lei 11719 alterou o rito comum

Nulidade: inobservância da forma prevista em lei para a prática de determinado


ato. (Art. 563 ao 573 CPP)

2) MODALIDADES DE PROCEDIMENTOS:

a) Especial – CPP Art.513 a 518, CPP - Funcionário Público

Art. 406 a 497, CPP - Júri

Lei 11343/06

b) Comum: Ordinário 4 anos ou mais

Sumário - 2-4anos (Art. 531 ao 538 CPP)

Sumaríssimo - 2 anos (Lei 9099/95)

Ordinário - Se inicia com a petição inicial

Atenção!!!

• Art. 72 lei 9099/95 No GECRIM antes do oferecimento oral vai existir uma
audiência preliminar sob pena de nulidade.
• Depois da denúncia/queixa o Juiz aceita ou rejeita.

• Contra o recebimento da inicial não cabe recurso (Art. 396 CPP) mas cabe HC
para anular o recebimento, HC para trancar o processo penal.

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• Para o STJ, o recebimento da denúncia acontece na fase do art.396 do CPP. Para


os Tribunais esse recebimento não exige uma fundamentação aprofundada, não
cabendo recurso contra o recebimento. Apenas em caso de rejeição.

• O recebimento da inicial interrompe a prescrição.

• Cabe RESE contra a rejeição. O STJ entende que também cabe esse RESE contra
a rejeição do aditamento.
• Se for rejeitado no GECRIM cabe apelação

HIPÓTESES DE REJEIÇÃO DA INICIAL:( ART.395,CPP)

I - for manifestamente inepta; (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008).

II - faltar pressuposto processual ou condição para o exercício da ação


penal; ou (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008).

III - faltar justa causa para o exercício da ação penal. (Incluído pela Lei nº
11.719, de 2008).

Atenção!!
Sempre será causa de nulidade a ausência de razões ou contrarrazões do imputado no
processo penal.
Não se admite uma petição inicial genérica que não individualize o fato com todas as
circunstâncias.

• Após o recebimento ocorre a citação (Art. 351 e seguintes do CPP)

Citação pode ser real (mandado, carta precatória ou rogatória) ou ficta (hora
certa ou por edital).

o Apenas a rogatória suspende a prescrição

o Sumula 351 STF – nulidade de citação de réu preso

o Hora certa (Art. 362 CPP) - se dá quando o réu se esconde para


não ser citado- juiz nomeia a defensoria pública

o Edital – Quando o sujeito está em local desconhecido (No JECRIM


não existe citação editalícia)

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Atenção!!
No art. 366 do CPP - o juiz pode decretar a preventiva e a produção antecipada de prova
urgente, mas sempre de maneira fundamentada.

A revelia é um direito do réu, se o réu for citado pessoalmente e não se defender o juiz
nomeia um defensor para fazê-lo (Sumula 523 STF).

RESPOSTA A ACUSAÇÃO (ART. 396 C/C 396-A DO CPP)

▪ Art. 396. Nos procedimentos ordinário e sumário, oferecida a denúncia ou


queixa, o juiz, se não a rejeitar liminarmente, recebê-la-á e ordenará a
citação do acusado para responder à acusação, por escrito, no prazo de
10 (dez) dias.

Parágrafo único. No caso de citação por edital, o prazo para a


defesa começará a fluir a partir do comparecimento pessoal do
acusado ou do defensor constituído. (Redação dada pela Lei nº
11.719, de 2008).

▪ Art. 396-A. Na resposta, o acusado poderá arguir preliminares e alegar


tudo o que interesse à sua defesa, oferecer documentos e justificações,
especificar as provas pretendidas e arrolar testemunhas, qualificando-
as e requerendo sua intimação, quando necessário. As testemunhas
referidas, declarantes e as inqueridas de ofício pelo juiz ( Art 206, 207 e
208 CPP)
▪ Art. 206. A testemunha não poderá eximir-se da obrigação de depor.
Poderão, entretanto, recusar-se a fazê-lo o ascendente ou descendente,
o afim em linha reta, o cônjuge, ainda que desquitado, o irmão, o pai, a
mãe, ou o filho adotivo do acusado, salvo quando não for possível, por
outro modo, obter-se ou integrar-se a prova do fato e de suas
circunstâncias.
▪ Art. 207. São proibidas de depor as pessoas que, em razão de função,
ministério, ofício ou profissão, devam guardar segredo, salvo se,
desobrigadas pela parte interessada, quiserem dar o seu testemunho.

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▪ Art. 208. Não se deferirá o compromisso a que alude o art. 203 aos
doentes e deficientes mentais e aos menores de 14 (quatorze) anos, nem
às pessoas a que se refere o art. 206.

ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA:

Absolver antes da audiência de instrução, julgamento antecipado da LIDE, cabe


apelação (Art. 593, I, CPP), ocorre quando uma certeza acerca da existência de
uma excludente.

AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO:

No rito de organizações criminosas - 120 dias (Art. 23, 12850/ 2013)

▪ Júri – 90 dias (1° fase 412 CPP)


▪ Ordinário – 60 dias (Art. 400 CPP)
▪ Sumário – 30 dias (Art. 53 CPP)

INTERROGATÓRIO

Art. 185 § 2 CPP

§ 2. Excepcionalmente, o juiz, por decisão fundamentada, de ofício ou a


requerimento das partes, poderá realizar o interrogatório do réu preso
por sistema de videoconferência ou outro recurso tecnológico de
transmissão de sons e imagens em tempo real, desde que a medida seja
necessária para atender a uma das seguintes finalidades:

Debates (Art. 403, §3, CPP)

Art. 403. Não havendo requerimento de diligências, ou sendo indeferido, serão


oferecidas alegações finais orais por 20 (vinte) minutos, respectivamente, pela
acusação e pela defesa, prorrogáveis por mais 10 (dez), proferindo o juiz, a
seguir, sentença.

§ 3. O juiz poderá, considerada a complexidade do caso ou o número de


acusados, conceder às partes o prazo de 5 (cinco) dias sucessivamente
para a apresentação de memoriais. Nesse caso, terá o prazo de 10 (dez)
dias para proferir a sentença.

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SENTENÇA (ART. 381 AO 392 DO CPP):

JURI

Considerações – (Art. 5, XXXVIII, CF):

O júri julga os crimes dolosos contra a vida e os conexos (art. 74, §1, 78 CPP)

Observação: Latrocínio é competência do juiz singular (Art. 603 STF), o júri não
julga também (dolo + culpa).

Estrutura do RITO:

1) Sumário (Art. 406 ao 421 do CPP) – Juízo de admissibilidade da acusação


dolosa contra a vida.

2) Mérito (judicium causae) – Juiz e Jurados.

Decisões do Júri:

a) Pronuncia (Art. 413 do CPP) – Decisão interlocutória

Art. 413. O juiz, fundamentadamente, pronunciará o acusado, se convencido da


materialidade do fato e da existência de indícios suficientes de autoria ou de
participação.

§ 1. A fundamentação da pronúncia limitar-se-á à indicação da


materialidade do fato e da existência de indícios suficientes de autoria ou
de participação, devendo o juiz declarar o dispositivo legal em que julgar
incurso o acusado e especificar as circunstâncias qualificadoras e as
causas de aumento de pena.

§ 2. Se o crime for afiançável, o juiz arbitrará o valor da fiança para a


concessão ou manutenção da liberdade provisória.

§ 3. O juiz decidirá, motivadamente, no caso de manutenção, revogação


ou substituição da prisão ou medida restritiva de liberdade anteriormente
decretada e, tratando-se de acusado solto, sobre a necessidade da
decretação da prisão ou imposição de quaisquer das medidas previstas
no Título IX do Livro I deste Código.

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b) Impronuncia – (Art. 414 do CPP) Ausência de provas, só faz coisa julgada


formal

Art. 414. Não se convencendo da materialidade do fato ou da existência de


indícios suficientes de autoria ou de participação, o juiz, fundamentadamente,
impronunciará o acusado.

Parágrafo único. Enquanto não ocorrer a extinção da punibilidade, poderá


ser formulada nova denúncia ou queixa se houver prova nova.

c) Absolvição sumária (Art. 415 CPP) - Faz coisa julgada material

Art. 415. O juiz, fundamentadamente, absolverá desde logo o acusado, quando:

I – provada a inexistência do fato;

II – provado não ser ele autor ou partícipe do fato;

III – o fato não constituir infração penal;

IV – demonstrada causa de isenção de pena ou de exclusão do crime.

d) Desclassificação (Art. 418 CPP e 419 CPP) - Emendatio Libelli, podendo ser
feito de oficio.

Art. 418. O juiz poderá dar ao fato definição jurídica diversa da constante da
acusação, embora o acusado fique sujeito a pena mais grave.

Art. 419. Quando o juiz se convencer, em discordância com a acusação, da


existência de crime diverso dos referidos no § 1o do art. 74 deste Código e não
for competente para o julgamento, remeterá os autos ao juiz que o seja.

QUESTÕES PARA TREINO:

1) Ano: 2018 Banca: FGV Órgão: OAB Prova: FGV - 2018 - OAB - Exame de Ordem
Unificado - XXVI - Primeira Fase

Maicon, na condução de veículo automotor, causou lesão corporal de natureza


leve em Marta, desconhecida que dirigia outro automóvel, que inicialmente disse
ter interesse em representar em face do autor dos fatos, diante da prática do
crime do Art. 303, caput, do Código de Trânsito Brasileiro. Em audiência

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preliminar, com a presença de Maicon e Marta acompanhados por seus


advogados e pelo Ministério Público, houve composição dos danos civis,
reduzida a termo e homologada pelo juiz em sentença. No dia seguinte, Marta
se arrepende, procura seu advogado e afirma não ter interesse na execução do
acordo celebrado.

Considerando apenas as informações narradas, o advogado de Marta deverá:

A) interpor recurso de apelação da sentença que homologou a


composição dos danos civis.

B) esclarecer que o acordo homologado acarretou renúncia ao direito de


representação.

C) interpor recurso em sentido estrito da sentença que homologou


composição dos danos civis.

D) esclarecer que, sendo crime de ação penal de natureza pública, não


caberia composição dos danos civis, mas sim transação penal, de modo
que a sentença é nula.

2) Ano: 2018 Banca: FGV Órgão: OAB Prova: FGV - 2018 - OAB - Exame de Ordem
Unificado - XXV - Primeira Fase

Luiz foi condenado, em primeira instância, pela prática de crime de homicídio


qualificado em razão de recurso que dificultou a defesa da vítima. Durante seu
interrogatório em Plenário, Luiz confessou a prática delitiva, mas disse que não
houve recurso que dificultou a defesa da vítima, tendo em vista que ele estava
discutindo com ela quando da ação delitiva. Insatisfeito com o reconhecimento
da qualificadora pelos jurados, já que, diferentemente do que ocorreu em
relação à autoria, não haveria qualquer prova em relação àquela, o advogado
apresentou, de imediato, recurso de apelação. Considerando apenas as
informações narradas, o advogado de Luiz deverá buscar, em sede de recurso,

A) o reconhecimento de nulidade, com consequente realização de nova


sessão de julgamento.

B) o reconhecimento de que a decisão dos jurados foi manifestamente


contrária à prova dos autos em relação à qualificadora, com consequente
realização de nova sessão de julgamento.

C) o afastamento da qualificadora pelo Tribunal de 2ª instância, com


imediata readequação, pelo órgão, da pena aplicada pelo juízo do Tribunal
do Júri.

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D) o afastamento da qualificadora pelo Tribunal de 2ª instância, com baixa


dos autos, para que o juízo do Tribunal do Júri aplique nova pena.

3) Ano: 2017 Banca: FGV Órgão: OAB Prova: FGV - 2017 - OAB - Exame de Ordem
Unificado - XXII - Primeira Fase

Durante audiência de instrução e julgamento em processo em que é imputada a


José a prática de um crime de roubo majorado pelo concurso de agentes, Laís
e Lívia, testemunhas de acusação, divergem em suas declarações. Laís garante
que presenciou o crime e que dois eram os autores do delito; já Lívia também
diz que estava presente, mas afirma que José estava sozinho quando o crime
foi cometido. A vítima não foi localizada para prestar depoimento. Diante dessa
situação, poderá o advogado de José requerer:

A) a realização de contradita das testemunhas.

B) a realização de acareação dastestemunhas.

C) a instauração de incidente de falsidade.

D) a suspensão do processo até a localização da vítima, para superar


divergência.

GABARITO

1) B

2) B

3) B

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RECURSOS (ART 574 E SEGUINTES DO CPP)

Art. 574. Os recursos serão voluntários, excetuando-se os seguintes casos, em


que deverão ser interpostos, de ofício, pelo juiz:

I - da sentença que conceder habeas corpus;

II - da que absolver desde logo o réu com fundamento na existência de


circunstância que exclua o crime ou isente o réu de pena, nos termos do
art. 411.

1) CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Prolongamento do processo originário.

O HC e a revisão criminal não são recursos e sim ações autônomas de


impugnação.

2) PRINCÍPIOS

• Proibição da Refomatio in Pejus (Art. 617 CPP)

a) Direta incide para os tribunais

b) Indireta incide para juiz originário

Art. 617. O tribunal, câmara ou turma atenderá nas suas decisões ao disposto
nos arts. 383, 386 e 387, no que for aplicável, não podendo, porém, ser agravada
a pena, quando somente o réu houver apelado da sentença.

Essa proibição não se aplica para o júri.

Em novo júri pelo mesmo processo o conselho de sentença deve ser totalmente
renovado.

• Reformatio in Mellius (Art. 50 CPP) – Possibilidade de melhorar a


situação do réu.

Art. 580. No caso de concurso de agentes (Código Penal, art. 25), a decisão do
recurso interposto por um dos réus, se fundado em motivos que não sejam de
caráter exclusivamente pessoal, aproveitará aos outros.

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3) MODALIDADES:

• RESE (Art. 581 CPP) – Em regra vai atacar decisões interlocutórias.


Inovação é o cabimento de RESE contra a decisão que não homologa o
acordo de não-persecução penal.

Sentença que julga o HC vai ser impugnada por recurso em sentido estrito.

O Rese só ataca decisões de primeiro grau.

Obs: Só quem ataca decisões de primeiro grau – Anulação, Rese, Carta


testemunhável e agravo em execução.

• ROC

Contra sentença que extingue a punibilidade e que não extingue a punibilidade

• O AGRAVO EM EXECUÇÃO (ART. 197 LEP)

Qualquer decisão da VEC admite agravo da LEP, sem efeito suspensivo, o único
que tem efeito suspensivo desinternação do inimputável (Art. 179 LEP).

• EXECUÇÃO PENAL – SUMULA 192, 439, 441, 471, 493, 520, 526 DO STJ

• FORMA DO AGRAVO E RESE

Interposição – 5 dias (Art. 585 CPP e 700 STF)

Razões e contrarrazões (2 dias)

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Apelação Carta Embargos

▪ Só ataca decisão em 1º grau; ▪ Serve para destrancar ▪ Declaração – art. 382 e


▪ Interposição em 5 dias; o RESE, e o RESE 383 da Lei 9099/95, e o
▪ Razões e Contrarrazões em 8 serve para destrancar art. 619 do CPP;
dias; a Apelação; ▪ Infrigentes e Nulidade
▪ Súmulas 705 e 708 do STF; ▪ 1º grau; (Art. 609 §1, CPP) – 10
▪ A renúncia ao direito de apelar ▪ Art. 639 do CPP; dias.
deve ser fruto da vontade ▪ 48h – Escrivão.
mutua do réu e do seu defensor.

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REVISÃO CRIMINAL

Cabe revisão criminal também para buscar uma reparação de danos por parte
do estado. Só cabe em favor do réu.

CABIMENTO (ART. 621 CPP):

▪ Lei, Autos – I
▪ Nova Prova – III
▪ Falsidade – II

Atenção!!

TJ e TRF revisam suas próprias decisões.

HABEAS CORPUS:

1) Art. 647 e 648 CPP e Art. 5, LXVIII, CF

Art. 647. Dar-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar na
iminência de sofrer violência ou coação ilegal na sua liberdade de ir e vir, salvo
nos casos de punição disciplinar.

Art. 648. A coação considerar-se-á ilegal:

I - quando não houver justa causa;

II - quando alguém estiver preso por mais tempo do que determina a lei;

III - quando quem ordenar a coação não tiver competência para fazê-lo;

IV - quando houver cessado o motivo que autorizou a coação;

V - quando não for alguém admitido a prestar fiança, nos casos em que a
lei a autoriza;

VI - quando o processo for manifestamente nulo;

VII - quando extinta a punibilidade.

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Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à
propriedade, nos termos seguintes:

LXVIII - conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se


achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de
locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder;

QUESTÕES PARA TREINO:

1) Ano: 2019 Banca: FGV Órgão: OAB Prova: FGV - 2019 - OAB - Exame de Ordem
Unificado XXIX - Primeira Fase

Vitor foi denunciado pela prática de um crime de peculato. O magistrado, quando


da análise da inicial acusatória, decide rejeitar a denúncia em razão de ausência
de justa causa. O Ministério Público apresentou recurso em sentido estrito,
sendo os autos encaminhados ao Tribunal, de imediato, para decisão. Todavia,
Vitor, em consulta ao sítio eletrônico do Tribunal de Justiça, toma conhecimento
da existência do recurso ministerial, razão pela qual procura seu advogado e
demonstra preocupação com a revisão da decisão do juiz de primeira instância.
Considerando as informações narradas, de acordo com a jurisprudência do
Supremo Tribunal Federal, o advogado de Vitor deverá esclarecer que

A) o Tribunal não poderá conhecer do recurso apresentado, tendo em


vista que a decisão de rejeição da denúncia é irrecorrível.

B) o Tribunal não poderá conhecer do recurso apresentado, pois caberia


recurso de apelação, e não recurso em sentido estrito.

C) ele deveria ter sido intimado para apresentar contrarrazões, apesar


de ainda não figurar como réu, mas tão só como denunciado.

D) caso o Tribunal dê provimento ao recurso, os autos serão


encaminhados para o juízo de primeira instância para nova decisão sobre
recebimento ou não da denúncia.

2) Ano: 2019 Banca: FGV Órgão: OAB Prova: FGV - 2019 - OAB - Exame de Ordem
Unificado XXIX - Primeira Fase

Vanessa foi condenada pela prática de um crime de furto qualificado pela 1ª Vara
Criminal de Curitiba, em razão de suposto abuso de confiança que decorreria da

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relação entre a vítima e Vanessa. Como as partes não interpuseram recurso, a


sentença de primeiro grau transitou em julgado. Apesar de existirem provas da
subtração de coisa alheia móvel, a vítima não foi ouvida por ocasião da instrução
por não ter sido localizada. Durante a execução da pena por Vanessa, a vítima é
localizada, confirma a subtração por Vanessa, mas diz que sequer conhecia a
autora dos fatos antes da prática delitiva. Vanessa procura seu advogado para
esclarecimento sobre eventual medida cabível. Considerando apenas as
informações narradas, o advogado de Vanessa deve esclarecer que:

A) não poderá apresentar revisão criminal, tendo em vista que a pena já


está sendo executada, mas poderá ser buscada reparação civil.

B) caberá apresentação de revisão criminal, sendo imprescindível a


representação de Vanessa por advogado, devendo a medida ser iniciada
perante o próprio juízo da condenação.

C) não poderá apresentar revisão criminal em favor da cliente, tendo em


vista que a nova prova não é apta a justificar a absolvição de Vanessa,
mas tão só a redução da pena.

D) caberá apresentação de revisão criminal, podendo Vanessa


apresentar a ação autônoma independentemente de estar assistida por
advogado, ou por meio de procurador legalmente habilitado.

3) Ano: 2019 Banca: FGV Órgão: OAB Prova: FGV - 2019 - OAB - Exame de Ordem
Unificado - XXVIII - Primeira Fase

Miguel foi denunciado pela prática de um crime de extorsão majorada pelo


emprego de arma e concurso de agentes, sendo a pretensão punitiva do Estado
julgada inteiramente procedente e aplicada sanção penal, em primeira instância,
de 05 anos e 06 meses de reclusão e 14 dias multa. A defesa técnica de Miguel
apresentou recurso alegando:

(i) preliminar de nulidade e m razão de violação ao princípio da correlação entre


acusação e sentença;

(ii) insuficiência probatória, já que as declarações da vítima, que não presta


compromisso legal de dizer a verdade, não poderiam ser consideradas;

(iii) que deveria ser afastada a causa de aumento do emprego de arma,uma vez
que o instrumento utilizado era um simular ao de arma de fogo, conforme laudo
acostado aos autos.

A sentença foi integralmente mantida. Todos os desembargadores que


participaram do julgamento votaram pelo não acolhimento da preliminar e pela

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manutenção da condenação. Houve voto vencido de um desembargador, que


afastava apenas a causa de aumento do emprego de arma. Intimado do teor do
acórdão, o(a) advogado(a) de Miguel deverá interpor:

A) embargos infringentes e de nulidade, buscando o acolhimento da


preliminar, sua absolvição e o afastamento da causa de aumento de pena
reconhecida.

B) embargos infringentes e de nulidade, buscando o acolhimento da


preliminar e o afastamento da causa de aumento do emprego de arma,
apenas.

C) embargos de nulidade, buscando o acolhimento da preliminar, apenas.

D) embargos infringentes, buscando o afastamento da causa de aumento


do emprego de arma, apenas.

4) Ano: 2019 Banca: FGV Órgão: OAB Prova: FGV - 2019 - OAB - Exame de Ordem
Unificado - XXVIII – Primeira Fase

Marcus, advogado, atua em duas causas distintas que correm perante a Vara
Criminal da Comarca de Fortaleza. Na primeira ação penal, Renato figura como
denunciado em ação penal por crime de natureza tributária, enquanto, na
segunda ação, Hélio consta como denunciado por crime de peculato.
Entendendo pela atipicidade da conduta de Renato, Marcus impetra habeas
corpus, perante o Tribunal de Justiça, e m busca do “trancamento” da ação penal.
Já em favor de Hélio, impetra mandado de segurança, também perante o
Tribunal de Justiça, sob o fundamento de que o magistrado de primeira
instância, de maneira recorrente, não estava permitindo o acesso aos autos do
processo. Na mesma data são julgados o habeas corpus e o mandado de
segurança por Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Ceará, sendo que a
ordem de habeas corpus não foi concedida por maioria de votos, enquanto o
mandado de segurança foi denegado por unanimidade. Intimado da decisão
proferida no habeas corpus e no mandado de segurança, caberá a Marcus
apresentar, em busca de combatê-las,

A) Recurso Ordinário Constitucional, nos dois casos.

B) Recurso em Sentido Estrito e Recurso Ordinário Constitucional,


respectivamente.

C) Embargos infringentes, nos dois casos.

D) Embargos infringentes e Recurso Ordinário Constitucional,


respectivamente.

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5) Ano: 2018 Banca: FGV Órgão: OAB Prova: FGV - 2018 - OAB - Exame de Ordem
Unificado - XXVII – Primeira Fase

No âmbito de ação penal, foi proferida sentença condenatória e m desfavor de


Bernardo pela suposta prática de crime de uso de documento público falso,
sendo aplicada pena privativa de liberdade de cinco anos. Durante toda a
instrução, o réu foi assistido pela Defensoria Pública e respondeu ao processo
em liberdade. Ocorre que Bernardo não foi localizado para ser intimado da
sentença, tendo o oficial de justiça certificado que compareceu em todos os
endereços identificados. Diante disso, foi publicado edital de intimação da
sentença, com prazo de 90 dias. Bernardo, ao tomar conhecimento da intimação
por edital 89 dias após sua publicação, descobre que a Defensoria se manteve
inerte, razão pela qual procura, de imediato, um advogado para defender seus
interesses, assegurando ser inocente. Considerando apenas as informações
narradas, o(a) advogado(a) deverá esclarecer que:

A) houve preclusão do direito de recurso, tendo em vista que a Defensoria


Pública se manteve inerte.

B) foi ultrapassado o prazo recursal de cinco dias, mas poderá ser


apresentada revisão criminal.

C) é possível a apresentação de recurso de apelação, pois o prazo de


cinco dias para interposição de apelação pelo acusado ainda não
transcorreu.

D) é possível apresentar medida para desconstituir a sentença publicada,


tendo em vista não ser possível a intimação do réu sobre o teor de
sentença condenatória por meio de edital.

GABARITO

1) C

2) D

3) D

4) A

5) C

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PARABÉNS PELO EMPENHO!!!

BONS ESTUDOS E QUE O PRÓPRIO CRISTO JESUS ILUMINE


A TODOS!!!

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