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Unidade I

Teoria Contraincêndio

Edição 2013
2/98

Teoria Contraincêndio
A disciplina Teoria Contraincêndio (TCI), faz parte do curso CBA-2 que tem como finalidade Capacitar
profissionais para exercerem a função operacional de bombeiro de aeródromo em aeródromos classes I,
II, III ou IV, conferindo Certificado de Habilitação BA-2.

1ª Edição Maio/2013 2ª Edição Abril/2018

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Coordenação Pedagógica e Revisão Geral:
ILA Cap Esp Arm Carlos Henrique Dos Santos Coordenação Pedagógica e Revisão Geral:
ILA 2º Ten Ped Vivianete Milla De Freitas ILA Maj Esp Arm Carlos Henrique Dos Santos
ILA SO SML Evandro Breda De Almeida ILA 2º Ten Ped Camila de Melo Andriotti
ILA 1º Sgt SDE Maxwell de Oliveira
Diagramação:
ILA S2 NE Héron Henrico Soares Diagramação:
ILA S2 NE Bruno Correa Castro Palhano

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O presente trabalho foi desenvolvido para uso didático, em cursos que são oferecidos pelo Instituto de Logística da Aeronáutica (lLA). O seu conteúdo é fruto de
pesquisa em fontes citadas na referência bibliográfica, e que o(s) autor(es)/revisor(es) acreditam ser confiáveis. No entanto, nem o ILA, nem o(s) autor(es)/revisor(es)
garantem a exatidão e a atualização das informações aqui apresentadas, rejeitando a responsabilidade por quaisquer erros e/ou omissões, ou por danos e prejuízos
que possam advir do uso dessas informações. Esse trabalho é publicado com o objetivo de suprir informações acerca dos temas nele abordados, não devendo ser
entendido como um substituto dos serviços prestados por profissionais da área, ou das publicações técnicas específicas que tratam de assuntos correlatos.
Introdução 3/98

Esta apostila corresponde à disciplina de Teoria Contraincêndio (TCI).

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Objetivos:
a) identificar o conceito de fogo, os elementos que o compõe e suas características (Cn);
b) identificar o conceito de incêndio, suas características, fases, classificação e formas de extinção (Cn);
c) identificar o fenômeno de reação em cadeia (Cn);
d) identificar os diversos tipos de combustíveis e suas características (Cn);
e) identificar as fontes de calor, formas de propagação e seus efeitos (Cn);
f) identificar o processo de combustão e suas consequências (Cn);
g) identificar os fatores que ocasionam incêndio (Cn);
h) enumerar as situações que contribuem para que ocorra o incêndio (Cn);
i) praticar as ações de prevenção de contraincêndio (Ap);
j) identificar os agentes extintores principais e complementares (Cn);
k) identificar as características dos agentes extintores (Cn);
l) distinguir as maneiras de aplicação dos agentes extintores (An); e
m) discutir as desvantagens dos agentes extintores (Cp).

Ementa:
1) Fogo, conceitos e características: História do fogo, fogo e incêndio, conceito de fogo, composição do fogo, elementos essenciais do fogo.
2) Combustão e incêndio: classificação do incêndio, intensidade da combustão, gases oriundos da combustão, fases de um incêndio, métodos
de extinção do fogo, classificação dos incêndios. 3) Fatores Causadores de Incêndios: sobrecarga; fusíveis e disjuntores; fios desencapados;
eletricidade estática; superaquecimento de equipamentos; reações químicas/combustão espontânea; equipamentos que geram faíscas;
vazamento de combustíveis; telhas de vidro; arrumação e limpeza; velas para o Santo; crianças brincando com fogo; cigarros; acidentes; balões;
criminosas; explosões em sistemas e equipamentos pressurizados. 4) Agentes Extintores: água espumas, pós químicos, agentes extintores
gasosos, aplicação dos agentes extintores.
Unidade I
Teoria Contraincêndio

Edição 2018
Teoria Contraincêndio Unidade I 8/98

1. História do Fogo
A história do fogo está intimamente ligada a história da evolução do homem.
A história contemporânea nos assegura que o fogo provavelmente foi descoberto pelo homem primitivo que
o conhecia como força misteriosa, servindo apenas como iluminação e meio de aquecimento da caverna.

A partir da Idade da Pedra, passando pela


Era dos Metais, pelas Guerras Medievais, a Era das
Conquistas e a Revolução Industrial, notamos a
presença do fogo na transformação da matéria
bruta em produtos manufaturados, como armas
de guerra, ou preparo de alimentos, utensílios,
etc.
Obviamente, para bem empregá-lo, sempre
houve uma nítida preocupação em controlar seus
efeitos, visando empregá-lo da melhor maneira
possível.

Figura 01
Teoria Contraincêndio Unidade I 9/98

2. Fogo e Incêndio
Inicialmente é preciso entender a diferença entre fogo e incêndio que para alguns parecem palavras sinônimas,
mas tecnicamente não tem o mesmo significado.
Sendo assim, fogo é uma reação química denominada combustão (oxidação), que se caracteriza pela liberação
de luz, calor, fumaça e gases.
Na concepção da palavra, o fogo é um elemento de grande utilidade na vida moderna como também foi aos
nossos antepassados. Sua aplicação é mais intensificada à medida que caminhamos em direção ao progresso. Ele
acompanha, passo a passo, o desenvolvimento de uma nação, figurando como um dos principais fatores de propulsão
da mesma.
O fogo para ser útil e amigo, deverá estar sob o controle do homem (Fig. 02); entretanto, quando o homem
perde seu controle, ele se transforma em verdadeiro monstro, com ilimitada capacidade de destruição.
Incêndio é, portanto, um fogo descontrolado, um fogo nocivo, um fogo destruidor (Fig. 03).

O que caracteriza o incêndio,


não é a intensidade ou o estágio de
desenvolvimento e sim o objetivo da
sua ação. O fogo, mesmo pequeno,
mas nocivo, caracteriza um princípio
de incêndio.

Figura 02 Figura 03
Teoria Contraincêndio Unidade I 10/98

3. Composição do Fogo
Vimos que o fogo é uma reação química, e para se viabilizar uma reação química, torna-se necessária à existência
de, no mínimo, dois elementos que reajam entre si e em circunstâncias favoráveis.

3.1. Triângulo do Fogo


O fogo é composto por três elementos essenciais, o combustível, o oxigênio (comburente) e o calor (agente
ígneo). Para efeito didático estes elementos formam um triângulo equilátero (Triângulo do Fogo), sendo que cada um
deles ocupa um lado deste triângulo (Fig. 04).

Figura 04
Teoria Contraincêndio Unidade I 11/98

3.2. Tetraedro do Fogo


Alguns autores consideram que o fogo é composto por quatro elementos essenciais: o combustível, o oxigênio
(comburente), o calor (agente ígneo) e a reação em cadeia, representados geometricamente pelo “Tetraedro do Fogo”.
Eles chegaram a esta conclusão, pois, a combustão sendo um fenômeno químico, processa-se no sistema de reação
em cadeia que, após a partida inicial, é mantida pelo próprio calor produzido durante o processamento da reação
(Fig. 05).

TETRAEDRO DO FOGO combustível comburente


FASE INICIAL
Reação
química
em cadeia

comburente
calor
com
bu
stív
or
cal
el

combustível
Reação química comburente
em cadeia
calor

Reação química em
cadeia
Figura 05
Teoria Contraincêndio Unidade I 12/98

3.3. Reação em Cadeia


Como a reação em cadeia ainda não foi muito bem explicada como sendo um elemento essencial ao fogo, não
a trataremos como um quarto elemento, e sim como uma consequência de toda e qualquer reação química. Assim,
sendo a combustão uma reação química, ela se processa no sistema de reação em cadeia (Fig. 06).

Figura 06

A reação em cadeia torna a queima auto-sustentável. O calor originado da decomposição das moléculas do
combustível atinge outras moléculas que são decompostas em partículas menores, que se combinam com o oxigênio
e queimam, gerando mais calor para decompor outras moléculas do combustível, formando um ciclo constante
(reação em cadeia).
Teoria Contraincêndio Unidade I 13/98

4. Elementos Essenciais do Fogo


Para uma melhor compreensão dos elementos que compõem o fogo, vamos estudar, separadamente, cada um
deles.

4.1. Combustível (Agente Redutor)


Compreende toda substância capaz de se queimar (oxidar-se). É o elemento que serve de campo de propagação
e alimenta a combustão. A velocidade da queima de um combustível depende de sua capacidade de combinar com
oxigênio sob a ação do calor e da sua fragmentação (área de contato com o oxigênio).

4.1.1. Estado Físico dos Combustíveis


Os combustíveis podem ser encontrados nos estados sólidos, líquidos e gasosos e a grande maioria precisa
passar para o estado gasoso para, então, combinar com o oxigênio (queimar-se).

a) Combustível sólido

São aqueles que queimam em superfície e profundidade, deixando resíduos. Para a extinção do incêndio, o
agente extintor mais indicado é a água.
Teoria Contraincêndio Unidade I 14/98

A maioria dos combustíveis sólidos transforma-se em vapores e então, reagem com o oxigênio. Outros sólidos,
como ferro, parafina, cobre e bronze, primeiro transformam-se em líquidos, e posteriormente em gases, para então
se queimarem.

Figura 07: A madeira, o papel e o tecido são exemplos de combustíveis sólidos comuns.

Quanto maior a superfície do sólido exposta ao calor, mais rápido será o aquecimento do material e,
consequentemente, o processo de combustão. Por exemplo: uma barra de aço exigirá muito calor para queimar
mas, se transformada em palha de aço, queimará com facilidade. Assim sendo, quanto maior a fragmentação do
material, maior será a velocidade da combustão.
Teoria Contraincêndio Unidade I 15/98

b) Combustível líquido

Os combustíveis líquidos queimam somente em superfície e, de uma


maneira geral, não deixam resíduos. Eles assumem a forma do recipiente
que os contém. Se derramados, os líquidos tomam a forma do piso, fluem e
se acumulam nas partes baixas (Fig. 08).

Os combustíveis líquidos apresentam densidade, solubilidade e


volatilidade.
Figura 08

Densidade de um líquido: Tomando como base o peso da água, cujo


litro pesa 1 (um) quilograma, classificamos os demais líquidos como mais
leve (menos denso) ou mais pesado (mais denso) que a água.

É importante salientar que a maioria dos combustíveis líquidos são


mais leves que a água e, portanto, flutuam sobre esta (Fig. 09).

Figura 09
Teoria Contraincêndio Unidade I 16/98

Solubilidade de um líquido: É a capacidade do combustível líquido de


misturar-se com a água ou não. Os líquidos derivados do petróleo, conhecidos como
hidrocarbonetos, (gasolina, querosene (Fig. 10), óleo diesel, xileno, tolueno, etc.) têm
pouca solubilidade, ao passo que líquidos como o álcool, acetona e éter (conhecidos
como solventes polares) tem grande solubilidade, isto é, podem ser diluídos até um
ponto em que a mistura (solvente polar + água) não seja inflamável.

Figura 10

Volatilidade de um líquido: É a facilidade com que os líquidos liberam vapores


inflamáveis. Também é de grande importância, porque quanto mais volátil for o
líquido, maior a possibilidade de haver fogo, ou mesmo explosão. Chamamos de
voláteis os líquidos que liberam vapores inflamáveis a temperaturas menores que 20ºC
(temperatura ambiente) (Fig. 11).

Figura 11
Teoria Contraincêndio Unidade I 17/98

c) Combustível gasoso

Correspondem aos gases inflamáveis. Eles não possuem volume definido,


tendendo, rapidamente, a ocupar todo o recipiente em que estão contidos
(Fig. 12).
Quando tratamos do peso de um gás, tratamos de sua densidade: Se o
peso do gás é menor que o do ar (menos denso), o gás tende a subir e dissipar-
se. Mas se o peso do gás é maior que o do ar (mais denso), o gás permanece
próximo ao solo e caminha na direção do vento, obedecendo ao contorno do
terreno.

Figura 12

4.1.2. Limite de Inflamabilidade


É uma faixa de concentração de mistura de gases ou vapores inflamáveis na atmosfera dentro da qual ocorre a
queima.
Para um gás ou vapores de combustíveis líquidos queimarem, há necessidade de que estejam em uma mistura
ideal com o comburente, e, portanto, se estiver numa concentração fora de determinados limites, não queimarão.
Cada gás ou vapor possui seu limite próprio. Por exemplo, se num ambiente há menos de 1,4% ou mais de 7,6% de
vapor de gasolina, não haverá combustão, pois a concentração de vapor de gasolina neste local está fora do que se
chama de mistura ideal, ou limites de inflamabilidade.
Teoria Contraincêndio Unidade I 18/98

L.I.I. L.S.I.
Limite Inferior de Limite Superior de
Inflamabilidade Inflamabilidade

Figura 13

Tabela de inflamabilidade de alguns combustíveis:

Concentração no Combustível
Ambiente Propano Hidrogênio Acetileno
Metano
Limite Inferior 1,4% 5% 4% 2%
Limite Superior 7,6% 17% 75% 100%

Tabela 01
Teoria Contraincêndio Unidade I 19/98

4.2. Comburente (Agente Oxidante)


É o elemento que possibilita vida às chamas e intensifica a combustão. Em ambientes
pobres de oxigênio o fogo apresenta chamas fracas ou não as possui e, nos locais ricos
em oxigênio, as chamas são fortes, brilhantes e com elevada temperatura, como no caso
dos maçaricos de oxiacetileno utilizados para corte de metais e soldagem (Fig. 14).
A composição do ar atmosférico, em números aproximados, é de 78% de nitrogênio,
21% de oxigênio e 1% de outros gases.
Em ambientes com 21% de oxigênio, a queima se desenvolve com boa velocidade
e de maneira completa, apresentando formação de chamas. Contudo, a combustão
consome o oxigênio do ar num processo contínuo. Quando a porcentagem de oxigênio
do ambiente passa para uma faixa compreendida entre 16% e 8%, a queima torna-se Figura 14
mais lenta, apresentando brasas e não mais chamas. Quando o oxigênio do ambiente
atinge a concentração menor de 8%, não há combustão (Fig. 15).
Normalmente o que atua como comburente
numa combustão é o oxigênio existente no
ar atmosférico. Porém existem substâncias e
materiais que possuem oxigênio em sua estrutura
molecular que, ao entrarem em combustão,
utilizam esse oxigênio, ficando independente do
oxigênio do ar atmosférico. É o caso das pólvoras
dos cartuchos de arma de fogo. Figura 15
Teoria Contraincêndio Unidade I 20/98
As substâncias da classe 5 (Fig. 16) de produtos perigosos (substâncias oxidantes e peróxidos orgânicos),
além de possuírem o oxigênio em sua estrutura química, são capazes de liberá-lo para alimentar a combustão
de outros materiais que estejam em chamas nas suas proximidades. São produtos oxidantes: peróxidos,
permanganatos, cloratos, percloratos, persulfatos, nitritos, iodatos, bromatos, cromatos e percromatos.
As substâncias oxidantes podem se apresentar como sólidos, líquidos ou gases.
• O perclorato de amônia - é utilizado como comburente sólido em foguetes;
• O peróxido de nitrogênio - é um gás utilizado na composição dos combustíveis de foguete;
• Peróxido de hidrogênio - líquido.

Figura 16: Clique na figura para ver a Tabela de


OXIDANTE PERÓXIDO Materiais Perigosos na página 63.
ORGÂNICO
6.1 6.2

Em alguns casos particulares, outros gases diferentes do oxigênio atuam como comburente, como por
exemplo:
A queima de antimônio e de vapores enxofre em atmosfera de cloro.
A queima espontânea do fósforo em atmosfera de cloro.
A queima do ferro e do cobre na presença de vapores de enxofre.
A queima do zircônio em atmosfera de anidrido carbônico.
Teoria Contraincêndio Unidade I 21/98

4.3. Calor (Agente Ígneo)


O calor é o elemento que inicia a combustão, a mantém,
e incentiva a sua propagação. É a forma de energia que
eleva a temperatura. O calor é gerado da transformação de
outra energia, obtida através de processo físico ou químico.
Quando um corpo é aquecido, a velocidade de vibração das
moléculas aumenta e o calor (demonstrado pela variação
de temperatura) também aumenta (Fig. 17).

Figura 17
Figura 11

4.3.1. Fontes de Calor


O calor é gerado pela transformação de outras formas
de energia:

• Energia química: O calor gerado pelo processo de


combustão (Fig. 18);

Figura 18
Teoria Contraincêndio Unidade I 22/98

• Energia elétrica: O calor gerado pela passagem de


eletricidade através de um condutor, como um fio elétrico
ou um aparelho eletrodoméstico (Fig. 19);

Figura 19

• Energia mecânica: O calor gerado pelo atrito de dois corpos (Fig. 20); e

Figura 20

• Energia nuclear: O calor gerado pela quebra ou


fusão de átomos (Fig. 21).

Figura 21
Teoria Contraincêndio Unidade I 23/98

4.3.2. Efeito do Calor


O calor é uma forma de energia e provocará a mudança de temperatura no ambiente e nos corpos.
O aumento da temperatura produz efeitos físicos e químicos nos corpos e efeitos fisiológicos nos seres vivos.

Figura 22

Assim, por exemplo, ao aquecermos um pedaço de ferro, este, inicialmente aumenta sua temperatura e, a seguir,
o seu volume (Fig. 22). Mantido o processo de aquecimento, o ferro muda de cor, perde a forma, até atingir o seu
ponto de fusão, quando se transforma de sólido para líquido. Continuando ainda o aquecimento, gaseifica-se e
queima em contato com o oxigênio, transformando-se em outra substância.
Teoria Contraincêndio Unidade I 24/98

• Elevação da temperatura

Este fenômeno se desenvolve com maior


rapidez nos corpos considerados bons condutores
de calor, como os metais; mais vagarosamente, nos
corpos tidos como maus condutores de calor, como
por exemplo, o amianto (Fig. 23).
Por ser mau condutor de calor, o amianto era
utilizado na confecção de materiais de combate a
incêndios, como roupas, capas e luvas de proteção
ao calor. Atualmente estes foram substituídos
por outros materiais maus condutores de calor
(exemplos: nomex, kevlar, etc.).
O conhecimento sobre a condutibilidade de
calor dos diversos materiais é de grande valia na
prevenção de incêndios. Aprendemos que materiais
combustíveis nunca devem permanecer em contato
com corpos bons condutores, sujeitos a uma fonte
de aquecimento. Figura 23
Teoria Contraincêndio Unidade I 25/98

4.3.2.1. Efeitos da Elevação de Temperatura


a) Aumento de volume

Todas as substâncias (sólidas, líquidas ou gasosas) se dilatam quando aumenta a temperatura e se contraem
com sua diminuição. A única exceção é a água, que aumenta seu volume quando congela.

A atuação do calor não se faz de maneira igual


sobre todos os materiais. Alguns problemas podem
decorrer dessa diferença. Imaginemos por exemplo
uma viga de concreto de 10 metros exposta a uma
variação de temperatura de 7000°C. A esta variação,
o ferro, dentro da viga, aumentará seu comprimento
cerca de 84 milímetros, e o concreto, 42 milímetros.
Com isso, o ferro tende a se deslocar no concreto, que
perde a capacidade de sustentação, enquanto que a
viga “empurra” toda a estrutura que sustenta em, pelo
menos, 42 milímetros (Fig. 24).

Figura 24
Teoria Contraincêndio Unidade I 26/98

Os materiais sólidos não resistem a variações bruscas de temperatura. Por exemplo, ao jogarmos água de maneira
localizada em apenas uma pequena parte de um corpo superaquecido, este se contrai de forma rápida e desigual,
o que lhe causa rompimentos, fissuras e danos. Pode ocorrer um enfraquecimento deste corpo, chegando até a um
colapso, isto é, podem surgir grandes rupturas internas ou alteração em suas propriedades que fazem com que o
material não mais se sustente.

Figura 25

Atenção! Mudanças bruscas de temperatura em sólidos, como as relatadas acima, são causas comuns
de desabamentos de estruturas (Fig. 25).
Teoria Contraincêndio Unidade I 27/98
A dilatação dos líquidos também pode produzir situações perigosas, provocando transbordamento de vasilhas,
rupturas de recipientes contendo produtos perigosos ou inflamáveis, etc.
O aquecimento dos gases proporciona a sua dilatação volumétrica, acarretando o risco de explosões físicas
recipientes que os contém, pois, de um modo geral, ao serem aquecidos até 2730°C os gases duplicam de volume;
a 5460°C o seu volume é triplicado, e assim sucessivamente. Com o aumento da temperatura ocorre o aumento do
volume dos gases no interior de um recipiente e, consequentemente, a pressão interna também aumenta. Caso o
recipiente não possua dispositivo de segurança ou, se existir, o dispositivo não seja suficiente para dar vazão ao gás
em expansão, ocorrerá uma explosão, provocada pela ruptura das paredes do recipiente e pela violenta expansão dos
gases.

Atenção! Os vapores líquidos (inflamáveis ou não) se comportam como os gases.

b) Mudança no estado físico da matéria

Com o aumento da temperatura, os corpos tendem a mudar seu


estado físico: os sólidos, ao alcançarem a temperatura de fusão (ou ponto
de fusão), transformam-se em líquidos (Fig. 26). Os líquidos, ao alcançarem
a temperatura de vaporização (ou ponto de vaporização), transformam-
se em gases. Existem alguns sólidos que se transformam diretamente em
gases (sublimação). Isso se deve ao fato de que a elevação de temperatura
faz com que aumente o espaço entre as moléculas e estas, separando-se, Figura 15
mudam o estado físico da matéria. Figura 26
Teoria Contraincêndio Unidade I 28/98

Quando a água está congelada (gelo), suas moléculas vibram pouco e estão bem juntas; com o aumento da
temperatura elas adquirem maior velocidade de vibração e maior espaçamento, transformando-se em líquido
(água).

c) Alteração química da matéria Mudança Química pelo Calor

Mudança química é aquela em que ocorre


a transformação de uma substância em outra
diferente (Fig. 27).
Moléculas de Madeira
A madeira, quando aquecida, não libera
moléculas de madeira em forma de gases, e sim
outros gases, diferentes, em sua composição,
das moléculas originais da madeira. Essas
moléculas são mais instáveis, por isso tem grande Moléculas de Vapor
capacidade de reagir quimicamente com outras Combustível
moléculas, as de oxigênio, por exemplo. Podem
Calor
produzir também gases venenosos ou atmosferas
explosivas.
Figura 27
Teoria Contraincêndio Unidade I 29/98
d) Efeitos fisiológicos

O aumento da temperatura é a causa direta de vários problemas para o ser humano. Dentre eles destacamos a
desidratação, a insolação, a fadiga e problemas para o aparelho respiratório, além de queimaduras (1°, 2° e 3° graus),
que nos casos mais graves, podem levar a morte (Fig. 28).

Queimaduras

Pele Normal Queimadura de 1º Grau

Queimadura Queimadura
de 2º Grau de 3º Grau Figura 28
Teoria Contraincêndio Unidade I 30/98

4.3.3. Propagação do Calor


O calor pode se propagar de três diferentes maneiras: condução, convecção e radiação. Como tudo na natureza
tende ao equilíbrio, assim o calor é transferido de objetos com temperatura mais alta para aqueles com temperatura mais
baixa, ou ainda, o mais frio dos dois objetos absorverá calor até que esteja com a mesma quantidade de energia do outro.

a) Condução

Condução é a transferência de calor de molécula


para molécula, ou seja, para que haja transmissão por
condução é necessário que os corpos estejam juntos. Se
Viga metálica
colocarmos a extremidade de uma barra de ferro próxima
a uma fonte de calor, as moléculas desta extremidade
absorverão calor, vibrarão mais rigorosamente e se
chocarão com as moléculas vizinhas, transferindo-lhes
calor. Esses moléculas vizinhas, por sua vez, passarão
Coluna metálica
adiante a energia calorífica, de modo que o calor será
conduzido ao longo da barra para a extremidade fria. Na
condução, o calor passa de molécula para molécula, mas
nenhuma molécula é transportada pelo calor (Fig. 29).
Quando dois ou mais corpos estão em contato, o calor Figura 29
é conduzido através deles como fossem um só corpo.
A transmissão de calor por condução ocorre principalmente nos combustíveis sólidos.
Teoria Contraincêndio Unidade I 31/98

b) Radiação

É a transmissão de calor por ondas de energia calorífica que


se deslocam através do ar e do vácuo, atravessam superfícies
transparentes e refletem nas polidas. Por exemplo, o calor
do Sol é transmitido através do vácuo celeste até alcançar a
Terra, quando é absorvido. Um corpo aquecido emite ondas
de energia calorífica em linha reta e em todas as direções, que
são absorvidas pelos corpos que estão expostos. A intensidade
com que os corpos são atingidos aumenta ou diminui à medida
que estão mais próximos ou mais afastados da fonte de calor
(Fig. 30).
Figura 30

O bombeiro deve estar atento aos materiais ao redor de


uma fonte que irradie calor, devendo protegê-los, evitando
novos focos de incêndios.
Para se proteger do calor irradiado, o bombeiro deve
utilizar roupas apropriadas e água em forma de chuveiro
(como escudo, Fig. 31).

Figura 31
Teoria Contraincêndio Unidade I 32/98

Compreendendo o efeito da radiação e da condução do calor através das estruturas metálicas, poderemos
entender o porquê da necessidade de preservar a fuselagem das aeronaves, realizando a sua proteção e resfriamento
antes do combate ao incêndio numa extremidade de asa, pois uma vez aquecido, o metal continuará a conduzir o
calor, mesmo após o fogo ter sido extinto (Fig. 32).

Radiação

condução
Figura 32

b) Convecção

É o processo de transferência de calor que se faz através da


circulação do meio transmissor: gás ou líquido.
Quando a água é aquecida num recipiente de vidro, pode-se
observar um movimento, dentro do próprio líquido, de baixo para Correntes de
cima. À medida que a água é aquecida, ela se expande e fica menos Convecção
densa (mais leve) provocando um movimento para cima, deixando
espaço para que outro volume de água mais denso ocupe o seu
lugar para ser aquecido e, assim, sucessivamente (Fig. 33). Figura 33
Teoria Contraincêndio Unidade I 33/98
Da mesma forma, o ar aquecido se expande e tende a subir para as partes mais altas do ambiente, enquanto
o ar frio toma lugar nos níveis mais baixos. Em incêndios de edifícios, essa é a principal forma de propagação de
calor para andares superiores, quando os gases aquecidos encontram caminho através de escadas, corredores de
circulação de elevadores, etc. (Fig. 34).

Figura 34
Teoria Contraincêndio Unidade I 34/98

4.3.4. Pontos de Temperatura


Temperaturas específicas a cada combustível, nas quais são observadas determinadas características (Fig. 35):

a) Ponto de fulgor

Ponto de fulgor é a temperatura na qual os corpos combustíveis


começam a desprender vapores que se incendeiam com uma fonte de
calor, entretanto a chama não se mantém, devido à insuficiência nas
quantidades de vapores.

b) Ponto de combustão

Ponto de combustão é a temperatura na qual os vapores


desprendidos dos corpos combustíveis, ao entrarem em contato com
uma fonte de calor, inflamam-se e mantém a combustão.

c) Ponto de ignição

Ponto de ignição é a temperatura na qual os vapores desprendidos


dos combustíveis, ao entrarem em contato com o oxigênio do ar, se
inflamam, independente de qualquer fonte de calor (chama ou centelha)
e mantém a combustão. Figura 35
Teoria Contraincêndio Unidade I 35/98
Observe na tabela a seguir os pontos notáveis de temperatura de alguns combustíveis:

Ponto de Ponto de Ponto de


Combustível Fulgor (ºC) Combustão (ºC) Ignição (ºC)
Álcool 12,8 15,8 a 16,8 371
Éter - 40 - 37 a -36 160
Gasolina de Aviação - 45,5 - 42,5 a -41,5 440
Glicerina 160 163 a 164 365
Naftalina 79 82 a 83 524,5
Óleo de soja 282 285 a 286 445
Parafina 199 202 a 203 245
Querosene 38 41 a 42 210
Tabela 02

5. Classificação da Combustão
Diversos autores têm apresentado diferentes conceituações sobre os tipos de combustão. No nosso estudo, que
é especificamente relacionado com os incêndios, classificaremos as combustões da seguinte forma:

5.1. Quanto a Velocidade


Dois elementos são preponderantes na velocidade da combustão: o comburente e o combustível. O calor entra
no processo para decompor o combustível. A velocidade da combustão variará de acordo com a porcentagem do
oxigênio no ambiente e as características físicas e químicas do combustível.
Teoria Contraincêndio Unidade I 36/98

De acordo com a velocidade da reação as combustões podem ser:

• Lenta: quando o processo da reação ocorre de maneira lenta e não há produção


de chamas, ou qualquer fenômeno luminoso. A liberação de calor é muito
fraca, baixíssima. Ocorre, geralmente, em ambientes pobres em oxigênio.
Como exemplo podemos citar a oxidação lenta de materiais combustíveis Figura 36
(ferrugem, Fig. 36);
• Viva: quando ocorre a produção de muitas chamas, ou qualquer fenômeno
luminoso. Como exemplo citamos qualquer atividade de queima em ambiente
aberto (Fig. 37);
• Muito viva: é um tipo de explosão (deflagração) caracterizada por apresentar Figura 37
velocidade de reação muito rápida, mas inferior à velocidade do som (340
m/s) e pela elevação da pressão até 1 atmosfera por metro quadrado. Por
exemplo: explosão de granadas ou minas e armas de fogo (Fig. 38);
• Instantânea: é um tipo de explosão (detonação, Fig. 39) caracterizada por
apresentar velocidade de reação superior à velocidade do som (340 m/s) e Figura 38
pela elevação da pressão numa faixa compreendida entre 5 a 30 atmosferas.
A combustão se processa de forma súbita e atinge de imediato o combustível
por completo.

Figura 39
Teoria Contraincêndio Unidade I 37/98

Atenção!
Há ainda as reações de combustíveis “pseudoexplosivos”. A combustão instantânea de “pseudoexplosivos”
merece especial atenção, pois quando ocorrem em ambientes confinados, se comportam como verdadeiras
explosões. Isso ocorre com materiais combustíveis sólidos finamente divididos em suspensão no ar, ou com
líquidos inflamáveis pulverizados no ar ou em ambientes gasados (saturados por gases inflamáveis), quando
a mistura do combustível com o ar está dentro da faixa de explosividade, formando assim, uma atmosfera
explosiva (explosões de gases, poeiras, etc.).

Limites de explosividade de alguns combustíveis quando em mistura com o ar:

Combustível Mínimo (%) Máximo (%)

Acetona 2,15 13,00


Acetileno 2,50 80,00
Butano 1,60 8,50
Monóxido de Carbono 12,50 74,20
Álcool Etílico 3,28 19,00
Óleo Diesel 6,60 13,50
Gás Encanado 5,30 31,00
Gasolina 1,30 6,00
Querosene 1,16 6,00
Metano 5,30 13,90
Tabela 03 Hidrogênio 4,10 74,20
Teoria Contraincêndio Unidade I 38/98

Vídeo de Explosão Ambiental com Combustível Sólido em Suspensão no Ar

Vídeo 01

Clique na imagem para assistir ao vídeo.


Teoria Contraincêndio Unidade I 39/98

5.2. Quanto a Forma


Quanto a forma, a combustão pode ser classificada em:

• Combustão completa: É aquela em que a queima se processa em ambiente


rico em oxigênio, tendo como resultante a predominância de CO2 (dióxido de
carbono), dentre outros gases (Fig. 40);

Figura 40
• Combustão incompleta: É aquela em que a queima se processa em ambiente
pobre em oxigênio, tendo como resultante a predominância de CO (monóxido
de carbono), dentre outros gases. Este gás é tóxico e explosivo (Fig. 41);

• Combustão espontânea: Processo em que um material combustível,


Figura 41
armazenado em condições favoráveis (locais com umidade, mal ventilado,
com presença de catalisadores), reage com o oxigênio do ar ou de um outro
portador, gerando calor e iniciando o seu aquecimento. Caso esse calor não
se dissipe, o material combustível continuará se aquecendo até pegar fogo
sozinho (sem o concurso de uma fonte de ignição).
Teoria Contraincêndio Unidade I 40/98

O processo da combustão espontânea geralmente é lento (através da


combustão lenta), e o fogo pode ocorrer após dias, semanas ou mesmo
meses, durante os quais a temperatura se elevou lentamente. É o que
ocorre, por exemplo, quando do armazenamento de certos cereais que,
pela ação de bactérias, fermentam (Fig. 42). A fermentação concorre para
a aceleração da oxidação e consequente produção de calor e liberação de
gases que podem se incendiar.
Entre as substâncias mais suscetíveis de combustão espontânea,
destacam-se: alfafa, carvão, óleos (de linhaça, de milho, de semente
de algodão, de pinho, de mostarda) tecidos impregnados com óleo, o
amendoim, os vernizes, certos fertilizantes orgânicos e inorgânicos, as
misturas contendo nitratos e material orgânico, estrume, os pós metálicos,
o feno, serragem e outros (Fig. 43). Figura 42

Figura 43
Teoria Contraincêndio Unidade I 41/98

Atenção!
Para evitar a combustão espontânea, as substâncias a ela sujeitas devem ser arrumadas em estrados e
armazenadas em locais secos e ventilados.

Alguns combustíveis entram em combustão sem a ação de uma fonte de calor (materiais com baixo ponto de
ignição), como o fósforo branco (Fig. 44) que entra em combustão à temperatura ambiente (20°C).
Esse processo ocorre também na mistura de determinadas substâncias químicas, quando a combinação gera
calor e libera gases em quantidade suficiente para iniciar a combustão. Por exemplo, água + sódio metálico (Fig. 45).

Fósforo Branco Sódio Metálico

Figura 44 Figura 45
Teoria Contraincêndio Unidade I 42/98

6. Intensidade da Combustão
É o volume de chamas desprendido do material que está sendo consumido pelo incêndio. A intensidade da
combustão varia em função dos seguintes fatores:

a) Da superfície de contato com o ar

Quanto maior for a superfície do combustível em


contato com o ar, maior será o volume de chamas (Fig. 46).

Figura 46

b) Do volume do combustível em chamas

Quanto maior o volume ou a quantidade do combustível


envolvido no incêndio, maior será o volume de chamas (Fig.
47).

Figura 47
Teoria Contraincêndio Unidade I 43/98

c) Do tipo de combustível

Alguns tipos de combustíveis possuem a característica de não


produzir muitas chamas quando em combustão (Fig. 48).

Figura 48

Obs.: A Turbina Principal do Ônibus Espacial queima hidrogênio


líquido com oxigênio puro, produzindo uma chama quase invisível (Fig.
49).

Figura 49
Teoria Contraincêndio Unidade I 44/98
d) Da quantidade de oxigênio existente na atmosfera

A quantidade de oxigênio na atmosfera é diretamente proporcional ao volume de chamas desprendido de um


incêndio, ou seja, quanto maior é a quantidade de oxigênio no ambiente, maior será o volume das chamas (Fig. 50).

Figura 50

7. Gases Perigosos Oriundos da Combustão


A fumaça emanada de um incêndio é formada por uma mistura de gases, substâncias e partículas de carbono
finamente divididas, tudo liberado pelos materiais em combustão.
O bombeiro deve se lembrar de que um incêndio produz substâncias tóxicas e irritantes. No entanto, não
podemos prever, antecipadamente, quais serão essas substâncias. A inalação de uma mistura de substâncias,
sejam tóxicas ou irritantes, pode ter efeitos mais graves do que quando inaladas separadamente.
Teoria Contraincêndio Unidade I 45/98

A inalação de gases tóxicos pode determinar vários efeitos no corpo humano. Alguns dos gases causam danos
diretamente aos tecidos dos pulmões e perda de suas funções. Outros gases não produzem efeito direto nos
pulmões, mas quando entram na corrente sanguínea, inibem a capacidade dos glóbulos vermelhos transportarem
o oxigênio.
Alguns gases tóxicos que podem estar presentes na fumaça, não são produtos da combustão, mas são liberados
de equipamentos ou materiais armazenados quando expostos ao calor excessivo de um incêndio (Fig. 51).

Se a substância não for gás Luminárias Acrílicas Paredes revestidas


de papel e de
em condições normais, o calor - Acroleína (IP*) Televisores em Caixa de laqueados
Polipropileno
excessivo do fogo pode convertê- - Monóxido de Carbono (T**)
-Acetaldeído (IP)
- Formaldeídos (IP)
Poliuretanos nos
la para o estado gasoso. Revestimentos
- Óxidos de
Nitrogênio (IP)
- Isocianetos (IP)
- Ácido Acético (T)
Alguns gases, quando - Cloreto de Hidrogênio (T)

inalados, reagem com a umidade Pisos Emborrachados.


Revestimentos de Vinil e
das vias aéreas e dos pulmões Espuma de Poliestireno Cabos Elétricos
- Estireno (T)
produzindo ácidos e álcalis Carpetes Acrílicos - Monóxido de Carbono Carpetes de Nylon - Cloreto de Hidrogênio
- Acroleína (IP) - Amônia (IP) (IP)
fortes (cloro, fosgênio, bióxido de - Cianeto de
(T)
- Cianeto de Hidrogênio (T) - Monóxido de Carbono
Hidrogênio (T)
enxofre e a amônia). (T)
- Fosgênio (IP)

*IP: Irritante Primário **T: Tóxico

Figura 51
Teoria Contraincêndio Unidade I 46/98

Dentre os vários gases oriundos de uma combustão destacamos:

a) Gás carbônico (anidrido carbônico, bióxido de carbono ou


dióxido de carbono) – CO2

Gás asfixiante, incolor e inodoro, produzido em praticamente


todas as combustões. Concentrações de 3 a 4% provocam o aumento
do ritmo da respiração e dores de cabeça (Fig. 52), concentrações de
9% provocam desorientação, distúrbios visuais, zumbido nos ouvidos,
tremores e perda da consciência, e concentrações de 20% ou mais pode
matar por asfixia em 20 a 30 minutos de exposição.
Figura 52

b) Monóxido de carbono – CO

Em uma combustão completa, com suficiência de oxigênio, a combinação entre o carbono e o oxigênio, formará
um composto estável, o gás carbônico (CO2); mas, em ambientes fechados ou mal ventilados, quando houver carência
de oxigênio, ocorrerá a combustão incompleta com formação de um composto instável, o monóxido de carbono (CO),
além de outros compostos.
O monóxido de carbono (CO), também chamado de óxido de carbono, óxido carbônico e protóxido de carbono; é
um gás incolor, inodoro e insípido. Ele é tóxico e explosivo.
Na proporção de 12,5 a 74% na atmosfera ambiente, torna-se altamente perigoso, formando uma atmosfera explosiva.
Teoria Contraincêndio Unidade I 47/98

Quando absorvido pelo sangue, forma um composto estável denominado carboxihemoglobina, que impede a
chegada do oxigênio nas células do corpo, e impede que elas eliminem o CO2. Normalmente a fumaça contém menos
de 0,5% deste gás, entretanto 0,1% é suficiente para privar o homem de suas faculdades locomotoras, 0,5% produz
a inconsciência, 2% matam em uma hora e 10% imediatamente. Duas respirações profundas, em concentrações de
2% de CO, podem matar uma pessoa em três minutos. Por este motivo quando o operador sentir a mais leve dor de
cabeça em um ambiente enfumaçado, deve abandoná-lo imediatamente procurando respirar ar fresco, antes que o
monóxido de carbono o impeça. Daí a importância de usar equipamentos autônomos de respiração (Fig. 53).
A combustão incompleta provoca a formação de fumaça tão densa que impossibilita a visão, mesmo com a luz
do dia. Por isso, quando o bombeiro tiver que penetrar em locais enfumaçados, além de um equipamento autônomo
de respiração, deverá também usar de uma corda-espia amarrada à cintura, a qual lhe servirá como cabo guia (Fig.
54). Quando possível, executa-se um trabalho de ventilação do ambiente, facilitando a atuação do bombeiro.

Figura 53 Figura 54
Teoria Contraincêndio Unidade I 48/98

8. Fases do Incêndio
Se o fogo ocorrer em área ocupada por pessoas, há grandes chances de que o fogo seja descoberto no início e
apagado com rapidez; mas se ocorrer quando a edificação estiver deserta e fechada, o fogo continuará crescendo
até ganhar grandes proporções.
Podemos entender melhor os incêndios se compreendermos suas fases de desenvolvimento (fase inicial, fase
da queima livre e fase da queima lenta).

8.1. Fase Inicial


Nesta primeira fase, o oxigênio contido no ar não está significativamente reduzido e o fogo está produzindo
vapor d’água (H2O), dióxido de carbono (CO2) e outros gases. Grande parte do calor está sendo consumido no
aquecimento dos combustíveis, e a temperatura do ambiente, neste estágio, está ainda pouco acima do normal.
O calor está sendo gerado e evoluirá com o aumento do fogo (Fig. 55).

Figura 55
Teoria Contraincêndio Unidade I 49/98

8.2. Fase da Queima Livre


Durante esta fase, o ar, rico em oxigênio, é arrastado para dentro do ambiente pelo efeito da convecção, isto
é, o ar quente “sobe” e sai do ambiente, forçando a entrada de ar fresco pelas aberturas nos pontos mais baixos do
ambiente (Fig. 56).

Figura 56

Os gases aquecidos espalham-se preenchendo o ambiente e, de cima para baixo, forçam o ar menos aquecido
a permanecer junto ao solo; eventualmente, causam a ignição dos combustíveis nos níveis mais altos do ambiente.
Estes gases aquecidos é uma das razões pelas quais os bombeiros devem se manter abaixados e usar equipamentos
de proteção respiratória, evitando queimar os pulmões. Neste momento a temperatura nas regiões superiores do
ambiente pode exceder 700°C.
Teoria Contraincêndio Unidade I 50/98

Na fase da queima livre, o fogo aquece gradualmente todos os combustíveis do ambiente fazendo-os liberarem
gases. Quando esses gases atingirem seu ponto de ignição haverá uma queima instantânea e concomitante desses
produtos, o que provocará uma ignição generalizada de todo ambiente, ficando toda a área envolvida pelas chamas.
Este fenômeno é conhecido como flashover (Fig. 57).

Figura 57
Teoria Contraincêndio Unidade I 51/98
Brasas, queima lenta.
8.3. Fase da Queima Lenta Alta concentração de gases
combustíveis.
Com a redução da quantidade de
oxigênio, o monóxido de carbono (CO) começa
a ser produzido. Nesta fase, as chamas podem
deixar de existir se não houver ar suficiente
para mantê-las (Fig. 58).

Figura 58
Figura 41

O fogo é normalmente reduzido a brasas, o ambiente torna-se completamente ocupado por fumaça densa e os
gases se expandem. Devido à pressão interna ser maior que a externa, os gases saem por todas as fendas em forma
de golfadas, que podem ser observadas em todos os pontos do ambiente (Figs. 59 e 60).

Figura 59 Figura 60
Teoria Contraincêndio Unidade I 52/98

Na fase da queima lenta, a combustão é incompleta


porque não há oxigênio suficiente para sustentar o fogo.
Contudo, o calor da queima livre permanece, e o combustível
(partículas de carbono não queimadas bem como outros
gases inflamáveis, produtos da combustão) está pronto
para incendiar-se rapidamente, assim que o oxigênio for
suficiente. Na presença de oxigênio, esse ambiente explodirá.
A essa explosão chamamos backdraft (Figs. 61 e 62).

Figura 61

Uma ventilação adequada (ventilação


pelo ponto mais alto do ambiente) permite
que os gases combustíveis superaquecidos
sejam retirados do ambiente.

Figura 62
Figura 42
Teoria Contraincêndio Unidade I 53/98

Vídeo de Backdraft Durante um Incêndio à uma Edificação

Vídeo 02

Clique na imagem para assistir ao vídeo.


Teoria Contraincêndio Unidade I 54/98

São condições que podem indicar uma situação de backdraft (Fig. 63):

Figura 63

• Fumaça sob pressão, num ambiente fechado;


• Fumaça escura, tornando-se densa, mudando de cor (cinza e amarelada) e saindo do ambiente em formas
de golfadas;
• Calor excessivo (nota-se pela temperatura da porta);
• Pequenas chamas ou inexistência destas;
• Resíduos da fumaça impregnando o vidro das janelas;
• Pouco ruído;
• Movimento de ar para o interior do ambiente quando alguma abertura é feita (em alguns casos ouve-se o
ar assobiando ao passar pelas frestas).
Teoria Contraincêndio Unidade I 55/98

9. Métodos de Extinção do Fogo


Os métodos de extinção do fogo baseiam-se na eliminação de um ou mais dos elementos essenciais que
provocam o fogo.

9.1. Retirada do Material


A retirada de material ou controle do combustível é
o método de extinção mais simples, porém trabalhoso
na sua realização, pois é executado com a força física,
não exige aparelhos especializados; consiste na retirada
ou interrupção do campo de propagação do fogo, no
material ainda não atingido pelo incêndio.
Como exemplo do emprego deste tipo de extinção,
citamos o aceiro praticado nos casos de incêndios
em matas, florestas e campos, que interrompem a
continuidade do fogo, facilitando o seu domínio. O
fechamento da válvula ou interrupção de vazamento
de combustível líquido ou gasoso é outro exemplo do
método de extinção através da retirada de material
(Fig. 64). Este método é também denominado como Figura 64
corte ou remoção do suprimento do combustível.
Teoria Contraincêndio Unidade I 56/98

9.2. Resfriamento
O resfriamento ou controle do calor é o método de extinção mais usado. Consiste em abaixar a temperatura
do material incendiado até o ponto que ele não libere mais gases e vapores inflamáveis.
A água é o agente extintor mais usado, devido ao fato de possuir grande capacidade de absorver calor e ser
facilmente encontrada na natureza. Por causa das suas características e propriedades torna-se fácil a sua utilização
pelos bombeiros (Fig. 65).

A redução da temperatura está ligada à


quantidade e à forma de aplicação da água
num incêndio. O objetivo é que a água absorva
mais calor que o incêndio é capaz de produzir.
Jatos d’água em forma de chuveiro e neblina
possuem grande capacidade de absorção de
calor e consequente poder de redução de
temperatura.

Figura 65
Teoria Contraincêndio Unidade I 57/98

9.3. Abafamento
O abafamento ou controle do comburente é o método de extinção mais difícil, pois a não ser em pequenos
incêndios que podem ser abafados com tampas de vasilhas, panos, cobertores etc., necessita-se de aparelhamento
e produtos específicos para sua obtenção.
Consiste em diminuir ou impedir o contato do comburente com o material combustível. Não havendo
comburente para reagir com o combustível, não haverá fogo. Como exceção, citamos os materiais que possuem
o oxigênio em sua composição química, ou geram oxigênio, e queimam sem a necessidade do oxigênio do ar,
como os peróxidos orgânicos, os conhecidos palitos de fósforo, etc.
Conforme já vimos anteriormente, a diminuição do oxigênio em contato com o combustível vai tornando a
combustão mais lenta, até a concentração de oxigênio chegar abaixo de 8%, onde não haverá mais combustão.

As espumas, pós químicos, gases especiais


são os agentes extintores mais indicados. Pode-
se, também, abafar o fogo com uso de materiais
diversos, como areia, terra, cobertores, vapor
d’água, etc.
Colocar uma tampa sobre um recipiente
contendo álcool em chamas, ou colocar um copo
voltado de boca para baixo sobre uma vela acesa,
são duas experiências práticas que mostram que o
fogo se apagará tão logo se esgote o oxigênio em
contato com o combustível (Fig. 66). Figura 66
Teoria Contraincêndio Unidade I 58/98

Observação:
Determinados agentes extintores, como os pós químicos, ao
entrarem na área de combustão, interagem quimicamente com
alguns radicais livres oriundos da própria combustão e formam
gás carbônico (agente extintor) e vapor d’água (gás inerte) que
potencializam o efeito do abafamento (Fig. 67).
Figura 47
Figura 67

10. Classificação dos Incêndios


A classificação adotada pelo Comando da Aeronáutica é a mesma
adotada pelos Corpos de Bombeiros brasileiros.
Os incêndios são classificados de acordo com os materiais neles
envolvidos, bem como pelos riscos que eles oferecem. A classificação
foi feita de modo que seja possível determinar o agente extintor
adequado para o tipo de incêndio específico. As classes de incêndio
são em número de quatro: A, B, C e D (Fig. 68).

Figura 68
Teoria Contraincêndio Unidade I 59/98

10.1. Incêndio Classe A


São incêndios envolvendo combustíveis sólidos
comuns como papel, madeira, tecido, borracha, etc. (Fig.
69). É caracterizado pelas cinzas e brasas que deixam
como resíduos e por queimar em razão do seu volume,
isto é, a queima se dá na superfície e em profundidade.

Figura 69

Necessitam de resfriamento para sua extinção


(Fig. 70), isto é, do uso de água ou soluções que a
contenham em grande porcentagem, a fim de reduzir
a temperatura do material em combustão.

Figura 70
Teoria Contraincêndio Unidade I 60/98

10.2. Incêndio Classe B


São os incêndios em líquidos combustíveis, graxas e
gases combustíveis.
Exemplos: gasolina, óleo, tintas, gases inflamáveis,
álcool, graxas (Fig. 71).
Esta classe de incêndio é caracterizada pelo fato do
fogo queimar unicamente à razão da superfície e não
deixar resíduos.
Os líquidos inflamáveis pegam fogo com grande
facilidade, pois em temperatura ambiente já estão
produzindo gases ou vapores (ponto de combustão).
Figura 71

Esta classe de incêndio necessita para sua extinção


o método do abafamento. No caso de líquidos muito
aquecidos, que já atingiram o ponto de ignição, é
necessário também o resfriamento (Fig. 72).

Figura 72
Teoria Contraincêndio Unidade I 61/98

10.3. Incêndio Classe C


Incêndios envolvendo equipamentos energizados
(Fig. 73), tais como condutores e motores elétricos,
transformadores de voltagem, disjuntores e outros
aparelhos elétricos energizados. Caracteriza-se pelos
riscos que oferecem aos operadores.
Para sua extinção necessita de agente extintor que
não conduza a corrente elétrica e utilize o princípio de
abafamento (Exemplo: Agentes extintores gasosos como
o CO2 e outros, Fig. 74).

Figura 73

Algumas pessoas dizem que esta classe de incêndio pode


ser mudada para “Classe A”, se for interrompido o fluxo elétrico.
Porém, deve-se ter cuidado com equipamentos que possuem
capacitores (televisores, por exemplo) que acumulam energia
elétrica, pois estes continuam energizados mesmo após a
interrupção da corrente elétrica por vários dias.

Figura 74
Teoria Contraincêndio Unidade I 62/98

10.4. Incêndio Classe D


São incêndios em metais pirofóricos como lítio, potássio, bário, estrôncio, cálcio,
sódio, magnésio, etc., que possuem alto poder de oxidação (Fig. 75). Esses metais,
quando puros, reagem violentamente com a água, liberando gás hidrogênio e
grande quantidade de calor. E é esse calor gerado que faz com que o gás hidrogênio
queime em forma de explosão.
Felizmente, os metais pirofóricos não são utilizados na forma pura, e sim em ligas
compostas com outros metais, o que lhes confere uma maior estabilidade, tornando
a sua queima mais difícil. Porém, caso uma liga de magnésio, por exemplo, entre
em combustão, nenhum extintor à base de água deve ser utilizado, pois ocorrerá a
liberação de hidrogênio e posterior explosão.
Para sua extinção, necessitam de agentes extintores especiais que reagem Figura 75: Aparas de magnésio
endotermicamente com o fogo abaixando a temperatura. Aliado a isso, em contato
com o metal combustível superaquecido, eles se fundem, formando uma espécie de
capa que isola o metal do ar atmosférico, agindo por abafamento (Fig. 76).
Atualmente, os pós químicos a base de cloreto de sódio, cloreto de bário,
monofosfato de amônia ou grafite seco são os agentes extintores mais utilizados.
Estes produtos deverão cumprir as especificações da norma 7202 da ISO - International
Organization for Standardization (Organização Internacional de Normatização),
chamada de ISO 7202.

Figura 76
Teoria Contraincêndio Unidade I 63/98
11 Técnicas de Extinção ao Fogo por Classes de Incêndio
Bem, agora que já vimos com se trabalha com as montagens de linhas, aprenderemos como utilizar a melhor técnica para o
combate a incêndio em uma edificação.

11.1 Introdução
Técnica de extinção de incêndio é a utilização correta dos meios disponíveis para extinguir incêndios com maior segurança e
com um mínimo de danos durante o combate.
A Equipe deve trabalhar como uma equipe, onde cada bombeiro tem sua missão definida:
O Chefe de Equipe toma as decisões para o desenvolvimento tático, assiste e supervisiona os integrantes da guarnição quanto
aos procedimentos técnicos (técnica aplicada).
O motorista conduz o veículo em segurança com equipe e equipamento, e opera a bomba.
Os chefes de linha e auxiliares armam as linhas determinadas, operam os esguichos e realizam outras missões, conforme
determinação do Chefe de Equipe.
As técnicas de extinção são determinadas pelas peculiaridades de cada classe e tipo de incêndio e suas características.
Antes de se iniciar o capítulo propriamente dito, cabe esclarecer que as linhas d’água ou de ataque devem ser usadas prioritariamente
em ataques internos, isto é, por dentro da edificação.
A penetração numa edificação somente deve ser evitada quando houver risco para a equipe (possibilidade de desabamento,
excesso de calor, falta de visibilidade, perigo de explosão, presença de produtos perigosos, possibilidade de radiação atômica). Outras
situações de ataque externo constituirão, quase invariavelmente, erros grosseiros.

11.2 Combate a Incêndio "Classe A"


a) Uso de Linha de Água para Ataque Direto
Os incêndios classe “A”, isto é, incêndios em combustíveis comuns (papel, madeira, tecidos) que deixam resíduos característicos
(brasa, carvão, cinza), em geral, são extintos por resfriamento, podendo se utilizar também o abafamento, retirada do material e
quebra da reação em cadeia.
A água é o agente extintor mais eficaz para o resfriamento. A aplicação de água será bem sucedida se a quantidade utilizada for
suficiente para resfriar o combustível que está queimando para temperaturas que o conduzam abaixo do ponto de combustão.
Teoria Contraincêndio Unidade I 64/98
O mais eficiente uso de água em incêndio em queima livre é o ataque direto.
O bombeiro deve estar próximo ao incêndio, utilizando jato contínuo ou chuveiro (esguicho a 30º ou
menos), sempre concentrando o ataque para a base do fogo, até extingui-lo.

Não jogar mais água que o necessário para a extinção, isto é, quando não mais houver chamas.
Em locais com pouca ou nenhuma ventilação, o bombeiro deve usar jatos intermitentes e curtos até a extinção. Os jatos
não devem ser empregados por muito tempo, sob pena de perturbar o balanço térmico.
O balanço térmico é o movimento dos gases aquecidos em direção ao teto e a expansão de vapor d’água em todas as
áreas, após a aplicação dos jatos d’água. Se o jato for aplicado por muito tempo, além do necessário, o vapor começará a se
condensar, causando a precipitação de fumaça ao piso e, por sua vagarosa movimentação, haverá perda da visibilidade, ou
seja, os gases aquecidos que deveriam ficar ao nível do teto tomarão o lugar do ar fresco que deveria ficar ao nível do chão e
vice-versa.
b) Uso de Linha de Água para Ataque Indireto
Este método é chamado de ataque indireto porque o bombeiro faz a estabilização do ambiente, usando a propriedade de
vaporização da água, sem entrar no ambiente. Deve ser executado quando o ambiente está confinado e com alta temperatura,
com ou sem fogo. É preciso cuidado porque esta pode ser uma situação propícia para o surgimento de uma explosão ambiental
(backdraft ou flashover).
Este ataque não deve ser feito enquanto não houver certeza da retirada das vítimas do local, porque a grande geração
de vapor poderia matá-las. Realiza-se dirigindo o jato d’água para o teto superaquecido, tendo como resultado a produção
de aproximadamente 1.700 litros de vapor, à pressão normal e temperatura superior a 100 oC.
Teoria Contraincêndio Unidade I 65/98
No ataque indireto, o esguicho será acionado por um período de 20 a 30 segundos, no máximo. Não poderá haver
excesso de água, o que causaria distúrbios no balanço térmico.
Após a aplicação de água, o bombeiro aguarda a estabilização do ambiente, isto é, que as labaredas baixem e se reduzam
a focos isolados. Isso poderá ser constatado através dos seguintes sinais:
• não mais se vê a luminosidade das labaredas;
• não mais se ouve o som característico de materiais em combustão.
O processo de estabilização do ambiente será muito rápido e o bombeiro perceberá os sinais logo após a aplicação de
água.
O bombeiro, após estabilizado o ambiente, deve entrar no local com o esguicho fechado e extinguir os focos remanescentes
através de jatos intermitentes de pequena duração, dirigidos diretamente à base do fogo. Quando estiver desenvolvendo
esta fase, o bombeiro deve fazer com que o volume de água utilizado seja o menor possível.
Quando do término da utilização do esguicho, deve-se fechá-lo lentamente, para evitar o *golpe de aríete.
*GOLPE DE ARÍETE: força ocasionada quando o fluxo da água, através de uma tubulação ou mangueira, é interrompido
de súbito. A súbita interrupção do fluxo determina a mudança de sentido da pressão, sendo instantaneamente duplicada,
acarretando sérios danos aos equipamentos hidráulicos e à bomba de incêndio. Tal acidente pode ser evitado com o uso da
válvula de retenção.
Quando da aplicação da água por qualquer abertura da edificação, os homens devem se manter fora da linha da abertura
para se protegerem da expulsão de gases quentes e vapor que sairão através das aberturas.
Teoria Contraincêndio Unidade I 66/98
c) Uso de Linha de Água para Ataque Combinado

Quando o bombeiro se depara com um incêndio que está em local confinado, sem risco de
explosão ambiental, mas com superaquecimento do ambiente, que permite a produção de vapor
para auxiliar a extinção (abafamento e resfriamento), usa-se o ataque combinado.
O ataque combinado consiste na técnica da geração de vapor combinada com ataque direto
à base dos materiais em chamas. O esguicho, regulado de 30 a 60 graus, deve ser movimentado de
forma a descrever um círculo, atingindo o teto, a parede, o piso, a parede oposta e novamente o teto.

No ataque combinado, os bombeiros devem ficar abaixados com a mangueira sobre o ombro, o que facilitará a movimentação
circular que caracteriza este ataque. Quando não houver mais geração de vapor, utiliza-se o ataque direto para a extinção dos focos
remanescentes.
Lembrar que:
• Nunca se deve aplicar água na fumaça.
• A aplicação de água na fumaça não extingue o incêndio, somente causa danos, distúrbios no balanço térmico, desperdício de
água e perda de tempo.

11.3 Combate a Incêndio "Classe B"


São incêndios em líquidos e gases inflamáveis que, por terem características próprias, possuem métodos de extinção distintos.

a)Combate a Incêndios em Líquidos Inflamantes


O melhor método de extinção para a maioria dos incêndios em líquidos inflamáveis é o abafamento, podendo ser utilizado
também a quebra da reação em cadeia, a retirada do material e o resfriamento.
O controle de incêndios em líquidos inflamáveis pode ser efetuado “com água”, que atuará por abafamento e resfriamento. Na
extinção por abafamento, a água deverá ser aplicada como neblina, de forma a ocupar o lugar do oxigênio, que está suprindo a
combustão nos líquidos.
Teoria Contraincêndio Unidade I 67/98
A técnica de resfriamento somente resultará em sucesso se o combustível tiver ponto de combustão acima da temperatura
normal da água (20 ºC). Ao se optar pelo uso de água deve-se, sempre, usar o jato chuveiro ou jato neblina. O jato contínuo
não deve ser utilizado, pois não permitirá o abafamento e poderá esparramar o líquido em chamas, aumentando o incêndio.
Para se combater este tipo de incêndio em segurança, deve-se conhecer as propriedades e características dos líquidos
inflamáveis, que, em sua maioria:
• Geram vapores inflamáveis à temperatura ambiente (voláteis);
• Flutuam na água;
• Geram eletricidade estática quando fluindo;
• Queimam rapidamente por sobre a superfície exposta ao calor; e
• Liberam durante a queima grande quantidade de calor.
Bleve - Um fenômeno que pode ocorrer em recipiente com líquidos inflamáveis, trazendo conseqüências danosas, é o
bleve. (Boiling Liquid Expanding Vapor Explosion).
Quando um recipiente contendo líquido sob pressão tem suas paredes expostas diretamente às chamas, a pressão
interna aumenta (em virtude da expansão do gás exposto à ação do calor), tendo como resultado a queda de resistência das
paredes do recipiente. Isto pode resultar no rompimento ou no surgimento de fissura. Em ambos os casos, todo o conteúdo
irá vaporizar-se e sair instantaneamente. Essa súbita expansão é uma explosão. No caso de líquidos inflamáveis, formar-se-á
uma grande “bola de fogo”, com enorme irradiação de calor.
Teoria Contraincêndio Unidade I 68/98
O maior perigo do bleve é o arremesso de pedaços do recipiente em todas as direções, com grande deslocamento de ar. Para se
evitar o bleve é necessário resfriar exaustivamente os recipientes que estejam sendo aquecidos por exposição direta ao fogo, ou por
calor irradiado. Este resfriamento deve ser preferencialmente com jato d’água em forma de neblina.
Confira no vídeo: www.youtube.com/watch?v=96WSfB9O-Pg

Resfriando com água - Enquanto a água sem extratos de espuma é pouco eficaz
em líquidos voláteis (como gasolina ou diesel), incêndios em óleos mais pesados
(não voláteis) podem ser extintos pela aplicação de água em forma de neblina, em
quantidades suficientes para absorver o calor produzido. Deve-se estar atento para que
não haja transbordamento do líquido e para que não ocorra o fenômeno conhecido
como boil over.
Como já abordamos anteriormente outro fenômeno que ocorre nos incêndio da
Classe B é o Boil over - ESTE FENÔMENO QUE ACONTECE NOS INCÊNDIOS DA CLASSE
“B” FOI ABORDADO NO CAPÍTULO SOBRE TÉCNICAS DE EMPREGO DA ESPUMA:
Veja mais um video de boil over: www.youtube.com/
watch?v=sbIekvMCchA
Teoria Contraincêndio Unidade I 69/98
Varredura com água - A água pode ser utilizada para deslocar combustíveis, que estejam queimando ou não, para locais onde
possam queimar com segurança, ou onde as causas da ignição possam ser mais facilmente controladas. Evitar que combustíveis
possam ir para esgotos, drenos ou locais onde não seja possível a contenção dos mesmos.
O jato contínuo será projetado de um lado a outro (varredura), empurrando o combustível para onde se deseja.
Derramamento de líquidos combustíveis em via pública também pode causar desastres, inclusive acidentes de trânsito. O líquido
combustível poderá ser removido através de varredura, adicionando-se um agente emulsificador (LGE sintético ou detergente comum,
por exemplo) à água e evitando, ao mesmo tempo, que o líquido se dirija para o esgoto ou rede pluvial. Pode-se também utilizar areia
e cal. Essas substâncias absorvem o líquido combustível, removendo-o da via pública e impedindo que alcance a rede de esgoto ou
pluvial.

Substituindo combustíveis por água

A água pode ser empregada para remover combustíveis de encanamentos ou


tanques com vazamentos. Incêndios que são alimentados por vazamentos podem ser
extintos pelo bombeamento de água no próprio encanamento ou por enchimento do
tanque com água a um ponto acima do nível do vazamento. Este deslocamento faz
com que o produto combustível flutue sobre a água (enquanto a aplicação de água for
igual ou superior ao vazamento do produto). O emprego desta técnica se restringe aos
líquidos que não se misturam com água e que flutuam sobre ela.

Atendimento a Vazamentos de Gases Inflamáveis


O único método seguro de se solucionar a ocorrência de vazamento de gás ou
líquido sob pressão, com ou sem fogo, é a retirada do material.
Como quase todas as edificações utilizam o glp ou gás natural, é importante
que todo o bombeiro conheça os riscos e as técnicas no atendimento de ocorrências
envolvendo estes gases.
Teoria Contraincêndio Unidade I 70/98

Gás natural - O gás natural (gás encanado) é formado principalmente por metano, com pequenas quantidades de etano,
propano, butano e pentano. Este gás é mais leve do que o ar. Assim, tende a subir e difundir-se na atmosfera; não é tóxico
mas é classificado como asfixiante, porque em ambientes fechados pode tomar o lugar do ar atmosférico, conduzindo assim
à asfixia. A companhia concessionária local deve ser acionada quando alguma emergência ocorrer.
Incidentes envolvendo o sistema de distribuição de gás natural são freqüentemente causados por escavação nas
proximidades da canalização subterrânea. Neste caso, as viaturas não devem estacionar próximas ao local, por causa da
possibilidade de ignição. A equipe deve estar preparada para o evento de uma explosão e incêndio subseqüente. A primeira
preocupação deve ser a evacuação da área vizinha e eliminação de possíveis fontes de ignição no local.
GLP engarrafado - O gás liquefeito de petróleo (GLP) ou gás engarrafado, como é um combustível armazenado sob
pressão, é usado principalmente em residências, em botijões de 13 kgs. Sua utilização comercial e industrial é feita com
cilindros de maior capacidade, de 20, 45 e 90 kg.
Este gás é composto principalmente de propano, com pequenas quantidades de butano, etano propileno e iso-butano.
O GLP não tem cheiro natural. Por isso, uma substância odorífica, denominada mergaptana, lhe é adicionada. O gás não é
tóxico, mas é classificado como asfixiante porque pode deslocar o ar, tomando seu lugar no ambiente, e conduzir à asfixia.
Teoria Contraincêndio Unidade I 71/98
O GLP é cerca de 1,5 vezes mais pesado que o ar, de forma que, normalmente, ocupa os níveis mais baixos. Todos os recipientes de
GLP estão sujeitos à bleve quando expostos a chamas diretas. O GLP é freqüentemente armazenado em um ou mais cilindros (bateria).
O suprimento de gás para uma estrutura pode ser interrompido pelo fechamento de uma válvula de canalização. Se a válvula estiver
inoperante, o fluxo pode ser interrompido retirando-se a válvula acoplada ao cilindro.
Ao se deparar com fogo em gás inflamável, e não podendo conter o fluxo, o bombeiro não deverá extinguir o incêndio. Um
vazamento será mais grave que a situação anterior, por reunir condições propícias para uma explosão. Neste caso, o bombeiro deverá
apenas controlar o incêndio.
O gás que vazou e está depositado no ambiente pode ser dissipado por ventilação, ou por um jato d’água em chuveiro, de no
mínimo 360 lpm (esguicho de 38mm com aproximadamente 5,5 kg/cm2 de pressão), com 60º de abertura, da mesma maneira com
que se realiza a ventilação de um ambiente, usando esguicho.
11.4 Combate a Incêndio Classe "C"
A dificuldade na identificação de materiais energizados é um dos grandes perigos enfrentados pela equipe no atendimento de
ocorrência.
Este tipo de incêndio pode ser extinto, com maior facilidade após o corte da energia elétrica. Assim, o incêndio deixa de ser classe
“C”, tornando-se classe “A” ou “B”, podendo ainda extinguir-se.
Para sua extinção, deve-se utilizar agentes extintores não condutores de eletricidade, como PQS, e HALON. Não se deve utilizar
aparelhos extintores de água ou espuma (química ou mecânica), devido ao perigo de choque elétrico para o operador, que pode
causar-lhe a morte. Pode-se utilizar linhas de mangueiras, desde que se conheça a técnica e se tomem as precauções necessárias.
Em emergência envolvendo eletricidade, alguns procedimentos devem ser seguidos para manter um ambiente seguro ao serviço
de bombeiros:
• Quando forem encontrados fios caídos, a área ao redor deve ser isolada;
• Deve-se tratar todos os fios como energizados e de alta voltagem;
• Quando existir o risco de choque elétrico, deve-se usar epi adequado e ferramentas isoladas;
• Deve-se tomar cuidado ao manusear escadas, mangueiras ou equipamentos próximos a fios elétricos.
• Não se deve tocar em qualquer veículo ou viatura que esteja com fios elétricos, pois esse procedimento pode resultar em
choque elétrico.
Teoria Contraincêndio Unidade I 72/98
No combate (com água) ao fogo em materiais eletrificados, usa-se uma regra simples, exposta na figura abaixo.

A água contém impurezas que a tornam condutora; daí, na sua aplicação em incêndios em materiais energizados, deve-se
considerar todos os riscos de o bombeiro levar um choque elétrico.
• O Chefe de equipe determinará o uso de água, considerando os fatores:
• voltagem da corrente;
• distância entre o esguicho e o equipamento energizado;
• isolamento elétrico oferecido ao bombeiro, entre os quais luvas de isolamento e botas de borracha isolante.
Outro problema é a presença de produtos químicos perigosos em instalações e equipamentos elétricos, o que pode acarretar
sérios riscos à saúde e ao meio ambiente. Neste caso, deve-se tomar as cautelas necessárias para sua extinção, tais como: isolar a
área, conhecer as características e os efeitos do produto e usar EPI (roupas, luvas, proteção respiratória, capacetes e capa ou roupa
apropriada). Incêndio em transformador elétrico que utiliza como líquido refrigerante o “ASKAREL” (cancerígeno) é exemplo típico.
Como medida de segurança, linhas energizadas não devem ser cortadas; apenas técnicos especializados deverão fazê-lo. Os Bombeiros
somente desligarão a eletricidade pela abertura de chave, remoção de fusível ou desacionamento de disjuntor quando necessário.
Contatos e cooperação com as companhias de energia elétrica são vitais no combate a incêndios classe “C”, para reduzir o risco à
vida e à propriedade.
Teoria Contraincêndio Unidade I 73/98
Instalações Elétricas

Nas residências, a instalação elétrica é normalmente de baixa tensão (110 e 220 volts). O método mais simples de interromper o
fornecimento da energia é desligar a chave geral da instalação.

Deve-se ter cuidado com o fornecimento de energia à edificação através de instalação clandestina, pois, mesmo após desligar os
dispositivos de entrada de eletricidade, pode haver energia no local.
Muitas indústrias, edificações comerciais, prédios elevados e complexos de apartamentos têm equipamentos elétricos que
utilizam mais de 600 volts.
Nas portas dos compartimentos que abrigam estes equipamentos (como transformadores e grandes motores), deve haver uma
placa de identificação com a inscrição “alta voltagem”.
Pode-se ainda encontrar instalações elétricas subterrâneas, isto é, galerias com cabos elétricos abaixo da superfície. Os riscos mais
freqüentes são as explosões, que podem arremessar tampas de bueiros a grandes distâncias, devido ao acúmulo de gases inflamáveis
de centelha de fusíveis, relês ou curto circuito. Não se deve entrar em bueiros, exceto para efetuar um salvamento. O combate deve ser
efetuado desde a superfície, com o uso de gás carbônico ou PQS.
A água não deve ser aplicada em galerias, em razão da proximidade com o equipamento elétrico.
Assistam uma entrevista do Presidente da empresa Light do RJ, Jerson Kelman, sobre as explosões de bueiros que aconteceram
no RJ: www.youtube.com/watch?v=P5qKSeAB_d8
Teoria Contraincêndio Unidade I 74/98
11.5 Combate em Incêndio Classe“D”
Incêndios em metais combustíveis (magnésio, selênio, antimônio, lítio, cádmio, potássio, alumínio, zinco, titânio, sódio,
zircônio) exigem, para a sua extinção, agentes que se fundam em contato com o material ou que retirem o calor destes.
Metais combustíveis queimam em temperaturas extremamente altas e reagem com a água, arremessando partículas.
A reação será tanto maior quanto mais fragmentado estiver o metal.
Estes incêndios podem ser reconhecidos pela cor branca das chamas. Uma camada cinza poderá cobrir o material, dando
a impressão de que não há fogo.
Quando o material estiver em forma de limalha (fragmentado), deve-se isolar a parte que está queimando do resto por
processo mecânico (retirada do material) e utilizar o agente extintor próprio, cobrindo todo o material em chama.
O maior problema do bombeiro numa emergência com combustíveis classe "D" é a obtenção de agentes extintores
adequados à situação específica. Isso porque os metais combustíveis não apresentam um comportamento padrão para um
determinado agente extintor. Portanto, deve-se agir com extrema cautela nestes casos. O melhor método de extinção é o
abafamento.
Este tipo de incêndio será extinto com o emprego de agentes especiais, tais como grafite seco, cloreto de sódio, areia
seca e nitrogênio.
Em certas circunstâncias, a água pode ser usada como agente extintor (nas situações específicas de ligas de magnésio
usadas em indústria). Neste caso, a água deve ser utilizada em grandes quantidades, pois a temperatura deste tipo de fogo é
muito alta e a técnica de extinção utilizada é o resfriamento.
É importante que se obtenha o máximo de informação sobre o produto em chamas, bem como se há no local o agente
extintor apropriado.
Teoria Contraincêndio Unidade I 75/98
12 Técnicas de Extinção ao Fogo Complementares

12.1 Incêndio e Emergências em Ambientes Fechados


Operações de combate a incêndio e salvamento podem ocorrer em locais com pouca ou nenhuma ventilação, tais como: subsolos,
depósitos, garagens, residências, escritórios ou outras dependências. Por isso, é importante saber quais os riscos inerentes a estes
ambientes, quando em chamas:
• Insuficiência de oxigênio, excesso de vapores e gases tóxicos e/ou inflamáveis. Para evitar estes riscos, é necessário utilizar
aparelho autônomo de respiração, mantendo o controle da quantidade do ar do cilindro. Numa atmosfera com vapores
explosivos, não se deve utilizar equipamentos que produzam faíscas ou superaquecimento.
• Espaço limitado para entrada e saída. Quando o bombeiro estiver equipado com aparelho de respiração autônoma e, ao
entrar ou sair por aberturas pequenas, tiver que retirar o suporte com cilindro das costas, deverá ter cuidado para que a
máscara não saia da sua face.
• Colapso estrutural e instabilidade de estoques de material.
• Estruturas metálicas aquecidas pelo fogo, tais como vigas e colunas metálicas devem ser resfriadas, pois cedem rapidamente
quando superaquecidas.
• Presença de eletricidade. Antes de o bombeiro entrar num ambiente confinado, deve-se desligar a energia elétrica.

Um cabo-guia deve ser usado na comunicação entre o bombeiro do lado de fora da edificação e os bombeiros no interior da
mesma. Este cabo deve estar sempre tenso a fim de que haja, efetivamente, comunicação. Para cada equipe de bombeiros que adentrar
à estrutura, deve haver um outro do lado de fora, responsável pela sua segurança.
Teoria Contraincêndio Unidade I 76/98
A comunicação entre os bombeiros pode ser feita tanto do interior do ambiente para o exterior do ambiente, como do
exterior para o interior.
É importante que os bombeiros no interior não fiquem com seus movimentos limitados pelo cabo. Portanto o bombeiro
do exterior não deve prender ou tentar puxar o companheiro de dentro da edificação, mesmo quando em situação de
emergência. Os códigos a serem usados nestas ocasiões são:

SINAL SIGNIFICADO
1 puxão Tudo bem
2 puxões Solte cabo
3 puxões Retese cabo
4 puxões Achei vítima

Toda comunicação deve ter resposta, portanto, o bombeiro deve acusar, sempre, o recebimento da mensagem com
um puxão, o que quer dizer que entendeu o comunicado. No caso de não receber resposta, usar o código novamente e,
persistindo a falta de resposta, deve repetir o procedimento mais uma vez. Se, mesmo assim, não obtiver resposta, deve
providenciar socorro imediato ao colega.
Do lado de fora, deve haver uma equipe de segurança pré-determinada, para socorrer a equipe de salvamento em
uma emergência. Esta equipe de segurança deve ser composta de dois bombeiros com EPI e EPR (máscara autônoma), que
acompanharão os trabalhos da equipe de salvamento sob a supervisão do Comandante da Operação. Um bombeiro deve
controlar toda a operação no interior da edificação, supervisionando o equipamento e o pessoal, anotando missão, nome do
bombeiro e tempo de trabalho de cada elemento. Este procedimento reduz a possibilidade de um homem ficar esquecido
no interior da estrutura ou trabalhar fora da margem de segurança estabelecida.
Os bombeiros não devem hesitar em sair da edificação se as condições internas indicarem a possibilidade de um iminente
colapso da estrutura. Ao avançar no interior da estrutura, devem ter pleno conhecimento da quantidade de ar necessária
para o retorno.
Teoria Contraincêndio Unidade I 77/98
12.2 Segurança na Extinção
Durante o serviço, a própria segurança e a dos companheiros deve ser uma preocupação constante do bombeiro. Uma vez que
o bombeiro trabalha em situações de risco, deve tratar de superá-las com atos seguros (prudência).
Jogar água em fumaça, entrar em locais em chamas, deixando fogo atrás de si, trabalhar isoladamente e não utilizar o EPI necessário
são erros que podem trazer conseqüências gravíssimas para o bombeiro e para a guarnição.
O uso de EPI é necessário para reduzir a incidência de ferimentos em operações e também para permitir maior aproximação do
fogo, visando sua extinção.
O bombeiro não deve permanecer em poças de líquidos inflamáveis ou de água com resíduos de líquidos inflamáveis.
Ao se deparar com fogo em válvulas de alívio ou canalização e não puder conter o fluxo do combustível, o bombeiro não deverá
extinguir o incêndio, sob pena de criar o problema do vazamento, mais que o anterior. No vazamento, os vapores são normalmente
mais pesados que o ar e formam “poças” ou “bolsas” de gases em pontos baixos, onde podem se incendiar. Os bombeiros devem
controlar todas as possíveis fontes de ignição nas proximidades dos vazamentos de líquidos inflamáveis. Veículos, fósforos, isqueiros,
componentes elétricos e fagulhas de ferramentas poderão prover uma fonte de ignição suficiente para incendiar os vapores.
O local de ocorrência deve ser isolado e sinalizado adequadamente. Somente os bombeiros devem ter acesso ao local sinistrado.
A entrada de quaisquer outras pessoas, inclusive policiais, somente será permitida com a autorização do Comandante da Operação.
Mesmo após a autorização, tais pessoas devem ser acompanhadas por um bombeiro.
Quando trabalhando em vias públicas, o bombeiro deve interditar somente as faixas de rolamento necessárias para a execução
do serviço com segurança, mantendo, se possível, o fluxo de veículos em outras faixas.
A sinalização durante a noite deve ser feita com objetos luminosos. Sinalização com fogo (latas com óleo, ou outro combustível
queimando) deve ser evitada, uma vez que pode ocasionar incêndio, se houver líquido combustível vazando. A sinalização deve ser
feita bem antes do local sinistrado. Existindo curvas ou declives nas proximidades, posicionar a sinalização antes deles.
A guarnição deverá desembarcar da viatura pelo lado da calçada e trabalhar fora das faixas com tráfego. Um bombeiro deve fazer
a sinalização até a chegada do policiamento de trânsito. Quando em via pública, se necessário e viável, para garantir a segurança dos
bombeiros, as viaturas devem estacionar de modo que protejam as equipes de bombeiros do fluxo de veículos nas proximidades da
ocorrência.
Teoria Contraincêndio Unidade I 78/98

O bombeiro, em serviço, está exposto aos seguintes riscos:


• Cair durante um desabamento de estruturas;
• Inalar gases tóxicos;
• Cortar-se;
• Receber choque elétrico;
• Torcer o pé ou joelho;
• Escorregar e cair;
• Tropeçar e cair;
• Queimar-se;
• Ficar preso sob objetos pesados, esmagando partes do corpo;
• Contaminar-se com produtos químicos perigosos;
• Ser atingido por objetos que caem; e
• Ser atropelado.
Teoria Contraincêndio Unidade I 79/98

12.3 Ventilação e entradas forçadas


Olá alunos! Imaginem-se chegando para atender uma ocorrência de incêndio em uma casa. O local está coberto por
fumaça e um familiar da suposta vítima relata que tem alguém dentro da edificação por exemplo. Você coloca o Equipamento
de Proteção Respiratória, entra no ambiente e se depara com uma cortina de fumaça que não deixa você avançar. O ambiente
está inseguro para você, mas você não quer sair sem a suposta vítima. É nesta hora que uma equipe treinada está agindo,
realizando aberturas para que a fumaça saia e você consiga realizar seu trabalho com segurança. Estas são chamadas de
Técnicas de ventilação e Entradas Forçadas.

Assista o vídeo do link abaixo e veja como a fumaça se espalha rapidamente pelo ambiente:

https://www.youtube.com/watch?v=lckfiJUznbc
Teoria Contraincêndio Unidade I 80/98

12.3.1 Introdução

A ventilação aplicada no combate a incêndios é a remoção e dispersão sistemática de fumaça, gases e vapores quentes
de um local confinado, proporcionando a troca dos produtos da combustão por ar fresco, facilitando, assim, a ação dos
bombeiros no ambiente sinistrado. Chamaremos de produto da combustão a fumaça, os gases e os vapores quentes. A
decisão de ventilar e a escolha do tipo de ventilação a ser feita no local do sinistro compete ao Chefe de Equipe, cabendo ao
pessoal a execução correta.

São tipos de ventilação:


Ventilação natural x Ventilação forçada

12.3.2 Ventilação Natural

Ventilação natural: É o emprego do fluxo normal do ar com o fim de ventilar o


ambiente, sendo também empregado o princípio da convecção com o objetivo de
ventilar. Como exemplo, citam-se a abertura de portas, janelas, paredes, bem como a
abertura de clarabóias e telhados. Na ventilação natural, apenas se retiram as obstruções
que não permitem o fluxo normal dos produtos da combustão.
Teoria Contraincêndio Unidade I 81/98

Ainda com relação à edificação e à ação do bombeiro, pode-se dividir a ventilação em horizontal e vertical.

Assistam o vídeo da Ventilação Natural X Ventilação positiva :

www.youtube.com/watch?v=SEq9hDVnWSY

a) Ventilação Natural Horizontal

A ventilação horizontal é aquela em que os produtos da combustão caminham


horizontalmente pelo ambiente. Este tipo de ventilação se processa pelo deslocamento dos
produtos da combustão através de corredores, janelas, portas e aberturas em paredes no
mesmo plano.

Técnicas de Ventilação Natural Horizontal

Deve-se, sempre que possível, utilizar o fluxo natural de ar, ou seja, deve-se observar o
princípio da convecção e a direção do vento.
Teoria Contraincêndio Unidade I 82/98
A maneira correta de se fazer ventilação natural horizontal em uma edificação é usar duas aberturas em desnível, em
paredes opostas, isto é, uma, o mais alto possível (para a saída dos produtos da combustão), e a outra, o mais baixo possível
(para a entrada de ar fresco e limpo).

Procede-se à ventilação natural horizontal da seguinte maneira:

1) Abre-se o ponto mais alto da parede para saída dos produtos de combustão (janelas, por exemplo);
2) Abre-se, lentamente, o ponto mais baixo para entrada do ar fresco.
3) Observa-se o ambiente, até a visualização das chamas.

b) Ventilação Natural Vertical

A ventilação vertical - É aquela em que os produtos da combustão caminham verticalmente


pelo ambiente, através de aberturas verticais existentes (poços de elevadores, caixas de escadas),
ou aberturas feitas pelo bombeiro (retirada de telhas).

Devemos aproveitar as aberturas existentes na edificação, como as portas, janelas, *clarabóias e alçapões, só efetuando
aberturas em paredes e telhados se inexistirem aberturas ou se as existentes não puderem ser usadas para a ventilação natural
ou forçada. Efetuar entrada forçada em paredes e telhados, quando já existem aberturas no ambiente, acarreta prejuízos ao
proprietário, além de significar perda de tempo.

*CLARABOIA - Abertura envidraçada, com caixilhos, feita no teto ou na parede externa de prédios ou casas, a fim
de permitir a passagem da luz; olho-de-boi.
Teoria Contraincêndio Unidade I 83/98

Técnicas de Ventilação Natural Vertical

Este tipo de ventilação está baseado no princípio da convecção. Procede-se à


ventilação natural vertical da seguinte maneira:

1. Realizar abertura no teto, para permitir que os produtos da combustão sigam seu caminho natural, subindo
perpendicularmente ao foco de incêndio.

2. Outra abertura deve ser feita para permitir a entrada do ar fresco no ambiente. Uma porta é a abertura ideal, pois
pode ser aberta parcialmente, permitindo que o ar fresco entre no ambiente, porém, não em quantidade suficiente para
provocar uma explosão ambiental. A entrada do ar poderá ser controlada conforme a necessidade.

Bem, agora que você já entendeu como realizar esta técnica, vamos dar umas dicas de qual é o melhor local para
realizarmos as aberturas no teto e quais os principais cuidados que temos que observar.
Teoria Contraincêndio Unidade I 84/98

• Ponto mais alto do telhado - Os produtos da combustão, por estarem quentes, tendem a tomar as camadas mais
elevadas do teto. Portanto, é nesses locais que o bombeiro deve fazer as aberturas.

• Local do fogo - A abertura deve ser feita sobre o fogo, para melhorar o fluxo dos produtos da combustão e aquecer
o mínimo possível prováveis combustíveis.

Outros cuidados que devemos observar:

Edificações próximas - Devemos atentar para instalações que serão atingidas pelo fluxo dos produtos da combustão, o
qual é uma fonte de calor e poderá originar novos incêndios;

Extensão do fogo - O volume do fogo e a quantidade dos produtos da combustão determinarão as dimensões da
abertura a ser realizada. Ela, porém, nunca deve ter menos que 1m²;

Obstrução - Devemos analisar as dificuldades que teremos para retirar os obstáculos ao fluxo natural dos produtos
da combustão. Muitas vezes fica inviável fazer a abertura. Nestes casos, deve-se efetuar ventilação forçada;

Direção do vento - O bombeiro deve estar alerta à direção do vento. Para tanto, deve trabalhar com o vento pelas costas.
Teoria Contraincêndio Unidade I 85/98
Procedimentos para Abertura em telhado:

• Verificar a estabilidade do telhado;


• Escolher as ferramentas de acordo com o material de que o telhado é confeccionado;
• Utilizar um cabo guia, ancorando-se a um ponto firme;
• Utilizar EPI de combate a incêndio completo;
• Utilizar escada de segurança. Conduzir a escada de gancho para o telhado, encaixando o gancho na cumeeira
(se for o caso). Todo o deslocamento do bombeiro deve ser feito sobre os degraus e banzos da escada;
• Verificar direção do vento;
• Armar uma linha d’água de proteção para segurança
• Jogar pouca água através de jatos sobre o telhado a fim de verificar onde ocorre maior evaporação e neste local
efetuar a abertura de ventilação.;
Teoria Contraincêndio Unidade I 86/98
• Efetuar uma abertura larga e retangular ou quadrada, o que simplifica futuros reparos. Uma abertura larga é melhor
que várias pequenas. O tamanho da abertura é determinado pelo Comandante da Operação. (nunca menor que 1m²);
• Retirar as telhas com as mãos ou com o croque. Se não for possível, cortá-las com o moto-abrasivo (telhas de metal ou
de amianto) ou com o machado.

Para executar o corte com o machado o bombeiro deve proceder da seguinte forma:

• Localizar os suportes das telhas, batendo nelas com o machado. O som oco significa ausência do suporte.
Marcar as dimensões da abertura, riscando o telhado com a ponta do machado.

• Cortar as telhas a partir do suporte, em direção ao vazio. Nunca cortar os suportes, pois isto pode comprometer a
segurança do telhado.

• Cortar com batidas curtas, se necessitar erguer mais o machado para golpe mais potente tomar cuidado para que o
machado não atinja colegas, obstáculos ou, especialmente, a rede elétrica.
Teoria Contraincêndio Unidade I 87/98
c) Ventilação Forçada

A ventilação forçada é utilizada para retirar produtos da combustão de ambientes em que não é possível estabelecer o
fluxo natural de ar. Neste caso, força-se a renovação do ar através da utilização de equipamentos e outros métodos.

USO DE EQUIPAMENTO PARA AUXÍLIO NA VENTILAÇÃO FORÇADA

Veremos agora como utilizar o auxílio dos ventiladores para realizar a ventilação forçada, bem como suas características
e também como mantê-los em boas condições de uso.

d) Moto-Ventiladores

Ventilador de Pressão Positiva - VPP

• Utilizado para atuar como fonte portátil de ar fresco;

• Controle eficaz de gases, calor, fumaça e tóxicos;

• Temperaturas mais baixas do local da ocorrência;


Teoria Contraincêndio Unidade I 88/98

Melhorar a visibilidade do local;

Facilita a busca do foco do incêndio

Facilita a localização e remoção das vítimas

Alimentado por uma turbina de água, solução segura, na presença de gases ou líquidos inflamáveis

Performance do ventilador

Devemos lembrar que os ventiladores usados pelos Bombeiros podem diferir


grandemente seu desempenho. A quantidade de ar que um ventilador pode gerar varia em
função da potência disponível e o formato das hélices (palhetas). O formato do cone de ar
que é produzido depende do formato da hélice e duto fixado ao redor do mesmo.

Quando um ventilador é usado para pressurizar um compartimento, o tempo de uso é condicionado ao tamanho do
compartimento que poderá requerer maior ou menor vazão de ar.

Se um moto-ventilador é colocado em uma porta sendo utilizada como abertura de entrada de ar, onde não é possível
o ar escapar por porta, a taxa de vazão do ventilador lentamente reduzirá a medida que a pressão interna no compartimento
aumenta. A taxa de vazão que pode ser atingida dependerá do tamanho da abertura de saída.
Teoria Contraincêndio Unidade I 89/98

Se a abertura de saída for muito grande, comparada com a abertura de entrada, a máxima
taxa de vazão que poderá ser alcançada pelo ventilador provavelmente será 6 m/s. O aumento de
pressão no compartimento, neste caso, será muito pequeno.

Se a abertura de saída é do mesmo tamanho que a de entrada, a máxima taxa de vazão será
reduzida para provavelmente a 4 m³/s, mas a pressão interna poderá aumentar a 15Pa.

Se a abertura de saída é a metade do tamanho da de entrada a taxa máxima de vazão será provavelmente 3 m³/s, mas a
pressão interna poderá aumentar para 30 Pa.

O tamanho relativo das aberturas de saída e de entrada podem ser utilizados para definir a vazão de ar contra a pressão
interna.

Se a abertura de entrada é também usada como passagem, o ventilador pode


causar obstrução. A não ser que isto possa ser colocado de outra forma para não impedir
o acesso. De qualquer forma isto reduzirá a proporção da produção de ar que entra na
edificação. Se o ventilador estiver colocado a dois metros da porta, provavelmente a
vazão de ar naquela porta será reduzida de 20% e a pressão interna de 10%.
Teoria Contraincêndio Unidade I 90/98
O mais efetivo uso de um ventilador portátil de VPP será em compartimentos limpos, pequenos e em corredores. Eles
podem ser particularmente eficazes em residências e pequenas edificações comerciais ou em caixas de escadas pressurizadas
e protegidas.

Em grandes edificações, uma abordagem de compartimento a compartimento será mais bem usada para a retirada de
fumaça, tendo em vista a limitada quantidade de ar ventilado disponível.

Se a abertura de entrada for muito grande para ser coberta por apenas um ventilador ou se um maior volume de ar for
necessária é possível fazer uso de mais de um ventilador em paralelo.

Veja o VÍDEO DE OPERAÇÃO deste equipamento: www.youtube.com/watch?v=og5fkgC1gWU

Caso uma maior velocidade de extração de fumaça é requerida, dois ventiladores podem ser utilizados em série, um será
colocado na porta e o segundo atrás deste para selar ao redor da porta. Isto provavelmente restringirá o acesso pela porta.
Teoria Contraincêndio Unidade I 91/98
Onde a arquitetura da edificação permitir, mais de uma abertura de ventilação pode ser usada, mas, nesse caso, outros
cuidados devem ser tomados para que a abertura de entrada não se transforme em de saída por causa das adversidades das
condições do vento ou porque os ventiladores não tenham sido acionados simultaneamente.

Posicionamento dos ventiladores

Uma vez que as aberturas das entradas de ar tenham sido selecionadas, alguns fatores
determinaram a localização dos ventiladores.
A consideração principal sobre o acesso deve ser se os bombeiros ou ocupantes em fuga
precisam usar a porta, neste caso o ventilador deve ser recuado para evitar a obstrução do
acesso.

A segunda consideração será se o ventilador está ventilando diretamente no


compartimento com fogo. Se este for o caso, haverá uma mistura turbulenta de
gases quentes e fumaça indesejada, talvez seja melhor colocar o ventilador atrás
da porta. Isto direcionará ar em toda a abertura da porta ao invés de parte dela e
proverá uma ventilação mais uniforme no compartimento.
Teoria Contraincêndio Unidade I 92/98
Igualmente, se houver fumaça sem fogo no compartimento do lado de dentro da porta, talvez seja preferível direcionar
toda a fumaça para dentro da edificação. Colocando o ventilador afastado da porta direcionará ar em toda a sua abertura ao
invés de parte dela e proverá uma ventilação mais uniforme no compartimento.

Se o ventilador estiver afastado da porta, haverá um estágio onde o cone de ar englobará


toda a abertura da porta. Isto reduzirá a quantidade de ar que estiver entrando na edificação,
mas fará o mais eficiente uso do ar que é jogado para dentro. Isto objetiva produzir uma parede
de ar para varrer toda fumaça e gases quentes antes de ir na direção da abertura de saída.

Não havendo a necessidade de manter acesso pela abertura de entrada, o uso mais eficiente do ventilador é colocando-o
na porta e bloqueando o resto do espaço da porta. MANUTENÇÃO DOS VENTILADORES

APÓS CADA UTILIZAÇÃO

• Remover os detritos das grades de proteção da tela;


Teoria Contraincêndio Unidade I 93/98

• Verificar se não existem obstruções na admissão;


• Drenar a turbina;
• Fechar a válvula de controle;
• Bloqueie o ventilador na sua posição ereta (no seu máximo ajuste);
• Limpar a poeira e detritos do ventilador.

MENSAL

• Inspeção Visual;
• Verificar se não existem rachaduras na carcaça de proteção do ventilador e das hélices;
• Verificar os apertos dos parafusos;
• Reparar ou substituir as peças quando necessário, utilizando sempre peças originais. Utilize parafusos auto-travantes.
Parafusos comuns se soltam com facilidade após a operação.

SEMESTRAL
• O ventilador possui rolamentos selados e lubrificados para toda sua vida útil, não tente
lubrificá-los;
• Lubrifique a válvula de controle da seguinte forma:
• Abra totalmente a válvula
• Remova os parafusos da flange e remova a válvula
• Aplique graxa à base de lítio na rosca da haste e no seu eixo, movimentar a fim de
distribuir a graxa;
• Remontar a válvula na posição aberto.
Teoria Contraincêndio Unidade I 94/98
OBS: Vazamentos poderão ocorrer com o tempo, por desgaste natural dos anéis, juntas, selos mecânicos ou pelo
assento da válvula de pulverização. Quando isso ocorrer, substitua as peças danificadas.
Viram como é importante conhecermos as técnicas de uso do moto-ventilador para realizar uma ventilação forçada?
Agora é hora de aprendermos outra técnica, a técnica de ventilação forçada utilizando linhas d’água.

e) Linhas de Mangueira no auxílio à ventilação forçada

Uso do Jato d’água como exaustor - Para que se obtenha o máximo em efetividade na
ventilação e o mínimo em danos e gasto desnecessário de água, a utilização do jato chuveiro
como exaustor depende de avaliação de como, onde e quando o jato será aplicado.

Um jato chuveiro dirigido através de abertura de portas ou janelas arrasta consigo grandes quantidades de calor e
fumaça. Comparado com exaustores elétricos, este método tem provado ser duas a quatro vezes mais eficiente, dependendo
do tipo, tamanho, ângulo de abertura e da localização do esguicho. Com um esguicho regulável na posição 60º, cobrindo de
85 a 90% da abertura, são obtidos resultados excelentes na ventilação.

Demonstração de Ventilação forçada com linha de mangueira:


https://www.youtube.com/watch?v=KVz6GTcCeEg
Teoria Contraincêndio Unidade I 95/98
O esguicho deve estar afastado cerca de 50 cm da abertura, no caso, uma janela de 1,2m x 1,2m. Aberturas maiores
permitem maior ventilação, sendo assim, uma porta (por ser maior) será mais benéfica que uma janela.

Qualquer que seja o tamanho da abertura, ângulos maiores que 60º não devem ser utilizados, porque aumentando o
ângulo do jato, aumentará a perda de energia. Portanto, não deve ser efetuada a cobertura pela regulagem do esguicho, mas,
sim, manter a regulagem e variar a distância do esguicho para abertura, cuidando para que o jato sempre cubra 85 a 90% da
área.

Existem duas pequenas desvantagens no uso do jato chuveiro na ventilação:

• Pode haver aumento nos danos produzidos pela água, na edificação e


• Há um gasto adicional de água na operação.
Teoria Contraincêndio Unidade I 96/98

Glossário
Acroleína (Aldeído Acrílico) – CH2=CH—CHO: É um gás (ou Cianeto de Hidrogênio (Cianureto de Hidrogênio, Ácido
líquido muito volátil) irritante incolor ou ligeiramente amarelado, Cianídrico, Ácido Prússico, Ácido hidrociânico) – HCN: Gás altamente
com cheiro característico, muito irritante, tóxico e congestionante tóxico, de odor característico (amêndoas amargas); forma-se com a
das mucosas. A acroleína é resultante da combustão de derivados de combustão incompleta de certas substâncias que contém nitrogênio
petróleo, graxas, óleos, etc. [carpetes de acrílico, paredes revestidas de (acrílico, lãs, seda, couro, uretana, etc.) – [carpete de nylon e acrílico,
papel e laqueadas, luminárias acrílicas]. Na concentração de 0,0001 % revestimentos de poliuretano]; a exposição a uma concentração de 0,3
a acroleína já se torna incômoda ao ser humano e, nas concentrações % é suficiente para causar a morte. É muito usado na composição de
superiores a 0,001 % se torna mortal em breve espaço de tempo. inseticidas.

Anidrido sulfuroso (Dióxido ou Bióxido de Enxofre, Cloreto de Hidrogênio (Gás Clorídrico) – HCl: Gás irritante,
Gás Sulfuroso) - SO2: Gás tóxico e incolor com cheiro irritante e incolor, corrosivo e altamente tóxico que possui um odor forte,
desagradável, resultante da combustão de madeiras, lãs, substâncias liberado da combustão de materiais plásticos que possuem cloro em
orgânicas que contenham enxofre. É altamente irritante aos olhos e sua composição, empregado comumente nos isolantes de condutores
às vias respiratórias, constituindo perigosa a inalação durante poucos elétricos, pisos emborrachados e revestimentos de vinil. Corrói metais
minutos, em concentrações de 0,05 %. quando em combustão. A inalação na concentração de 0,15 % no ar,
durante alguns minutos é fatal.
Amoníaco – NH3: Gás irritante, incolor, de odor irritante, produzido
na combustão de materiais plásticos acrílicos, plásticos fenólicos, seda, Dióxido de Nitrogênio (Bióxido de Nitrogênio ou Azoto,
resinas, lãs, carpetes de nylon etc. É muito utilizado nos sistemas de Peróxido de Nitrogênio ou Azoto) – NO2: Gás marrom altamente
refrigeração e tinturaria. O amoníaco é extremamente irritante à pele, tóxico, inodoro, anestésico e hilariante (produz risos), produzido
às mucosas e, particularmente, aos pulmões, olhos e garganta. A nas combustões onde está presente o nitrato de amônia, nitratos
concentração de 0,25 a 0,65 % de amoníaco no ar é o bastante para inorgânicos, nitrato de celulose e quando há contato de materiais
causar lesões graves ou mesmo a morte à pessoa exposta durante 20 a combustíveis (inclusive metais) com ácido nítrico. Pode ser absorvido
30 minutos. por via cutânea e, portanto, seu limite de tolerância não deve ser
ultrapassado. A concentração de 0,0025 %, após alguns minutos, já
Catalizador: Substâncias que interferem aumentando a pode oferecer risco. A pessoa não sente, de início, a intoxicação, pois
velocidade da reação sem, contudo, tomar parte na reação. Como seus efeitos aparecem posteriormente, o que dificulta a recuperação
exemplo podemos citar a interferência de certas substâncias que do intoxicado. A exposição rápida em concentrações de 0,002 a 0,007%
provocam fermentação de combustíveis, acelerando uma combustão pode ser mortal.
lenta.
Teoria Contraincêndio Unidade I 97/98
Fósforo Branco: É uma forma alotrópica do fósforo, muito Sódio Metálico (Na): É um elemento bastante reativo, nunca
venenosa, que deve ser mantida sob a água devido à sua propriedade encontrado livre na natureza. É um metal macio, brilhante que, em
de inflamar-se espontaneamente em contato com o ar. É usado contato com a água, a decompõe com a formação de hidróxido e
regularmente para a fabricação de fogos de artifício e bombas de liberação de hidrogênio em uma violenta reação. Deve ser conservado
fumaça para camuflar movimentos de tropas, em operações militares. em atmosfera inerte ou imerso em um líquido protetor como querosene.
É considerado venenoso e reage violentamente com a água conforme
Fosgênio (Cloreto de Carbonila) – COCl2: Gás altamente tóxico já comentado. Se pulverizado, inflama-se espontaneamente em contato
formado a partir da aplicação de compostos clorados (gás halogenado com o oxigênio do ar. É usado na manufatura de ésteres e no preparo
tetracloreto de carbono) em combustões ou superfícies quentes. Origina- de compostos orgânicos. Também é usado em certas ligas, para decapar
se também da decomposição de pisos emborrachados, revestimentos metais e para purificar metais fundidos.
de vinil, cabos elétricos pelo fogo.
Sulfeto de Hidrogênio (Gás Sulfídrico, Sulfidreto, Ácido
Palito de Fósforo: A cabeça do palito de fósforo é formada por Sulfídrico) – H2S: Gás irritante, incolor, inflamável que possui um odor
clorato de potássio (parte vermelha), revestida por parafina. A parte idêntico ao de ovos podres. É resultante da combustão incompleta
abrasiva da caixinha, destinada a produzir calor por atrito, é composta de substâncias orgânicas (lãs, couro, cabelos, pêlos, etc.). É irritante
por areia, pó de vidro e fósforo (o fósforo fica na caixa e não no palito!). aos olhos e ao aparelho respiratório. Em concentrações de 0,04 a 0,07
Quando o palito é riscado na caixinha, ocorre a produção de uma % durante mais de 30 minutos é perigoso e pode produzir sintomas
pequena faísca que provoca o início da combustão do clorato de como vômito, desarranjos intestinais, assim como sequelas e moléstia
potássio, que libera uma grande quantidade de oxigênio para alimentar no sistema respiratório. Em concentrações superiores a 0,07 %, o gás
a queima inicial, e da parafina. Em seguida a chama irá se propagar pelo sulfídrico afeta o sistema nervoso, causando uma respiração acelerada,
palito de madeira ou papelão, sendo alimentada pelo oxigênio contido seguida de parada respiratória.
no ar ambiente.
Tabela de Materiais Perigosos

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