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05/07/2022 14:07 Descomplica

Introdução ao modelo cognitivo

I ntrodução

Bem vindo ao nosso estudo sobre introdução ao modelo cognitivo


proposto por Aaron Beck, possibilitando que você compreenda o principal
fundamento da Terapia Cognitivo Comportamental.

À princípio, iremos fazer uma breve contextualização do autor. Aaron


Beck é um psiquiatra norte-americano e Professor Emérito da
Universidade da Pensilvânia. Ele dedicou os seus primeiros anos de
pesquisa à teoria psicanalítica, porém somente após 40 anos, passou a
inovar as perspectivas terapêuticas, elaborando uma teoria da qual
denominou de Terapia Cognitivo Comportamental. O desejo de Aaron
Beck consistia em comprovar os estudos de maneira científica, realizando
uma quantidade expressiva de experimentos que o levaram a observar os
pensamentos, as crenças negativas e distorcidas dos pacientes que
apresentavam sintomas depressivos. Com isso, elaborou o modelo
cognitivo e a terapia baseada na cognição e no pensamento,
marcando a década de 1960.

O modelo cognitivo foi originalmente construído de acordo com pesquisas


conduzidas por Aaron Beck para explicar os processos psicológicos na
depressão, em uma tentativa de provar a teoria freudiana de depressão
como hostilidade retrofletida reprimida. Ao invés de hostilidade e raiva, a
pesquisa sobre os sonhos dos pacientes deprimidos mostrou um “senso
de derrota, fracasso e perda”. Os temas de pacientes deprimidos ao

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dormirem eram consistentes com seus temas em vigília; sonhos poderiam


ser simplesmente um reflexo dos pensamentos do indivíduo. Baseado em
pesquisa sistemática e observações clínicas, Beck propôs que os
sintomas de depressão poderiam ser explicados em termos cognitivos
como interpretações tendenciosas das situações, atribuídas à ativação de
representações negativas de si mesmo, do mundo pessoal e do futuro (a
tríade cognitiva) (KNAPP; BECK, 2008, p. 56).

Sendo assim, o modelo cognitivo proposto por Aaron Beck consistiu


através dos seguintes aspectos: situação (ou evento), crenças centrais
(ou nucleares) e intermediárias, pensamentos automáticos, resposta
fisiológica, emocional e/ou comportamental. Para elucidar melhor,
pode-se dizer que diante de uma determinada situação (ou evento), a
pessoa aciona uma série de pensamentos de acordo com as suas
crenças (centrais e intermediárias) e, consequentemente, surge uma
reação (emoção, comportamento e/ou resposta fisiológica).

Como exemplo, um indivíduo considerado obeso decide por realizar uma


dieta. Pensamentos como “eu não vou emagrecer” ou “não faço nada
direito” surgem, uma vez que a sua crença intermediária – “se eu tentar,
vou falhar” é acionada devido à construção da sua crença central ou
nuclear – “eu não sirvo para nada!”, conforme ilustrado na figura 1. Vale
ressaltar que as crenças são concebidas como ideias das quais as
pessoas desenvolvem desde a sua infância. Elas são divididas em
crenças centrais (ou nucleares) e crenças intermediárias. As crenças
centrais (ou nucleares) são definidas como os esquemas mais centrais
que as pessoas constroem a respeito do seu próprio eu, na sua relação
com as pessoas e com o mundo (a tríade cognitiva). Já, as crenças
intermediárias são os comportamentos, esquemas ou ideias que
influenciam a maneira pela qual o indivíduo irá interpretar uma

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determinada situação ou acontecimento. No quadro 1, pode-se verificar as


categorias de crenças centrais ou nucleares.

Figura 1 – Modelo cognitivo | Fonte: Matheus Cheibub David


Marin, 2017 . Imagem disponível em: <
https://www.slideshare.net/matheuscheibub/modelo-
cognitivo-de-beck > Acesso em: 21 set. 2020.

Quadro 1: Categorias de crenças centrais ou nucleares. |


Fonte: Neufeld e Cavenage, 2010.

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Com isso, a pessoa responde à tríade cognitiva através da emoção


(tristeza), da resposta fisiológica (taquicardia) e do comportamento (se
alimentar compulsivamente).   Assim, pode-se dizer que um dos aspectos
principais da terapia cognitivo comportamental se relaciona com a
identificação do indivíduo com as suas crenças consideradas como
disfuncionais (eu não sirvo para nada!).

Neste resumo, você aprendeu sobre o modelo cognitivo proposto por


Aaron Beck através de uma situação (ou evento), crenças centrais e
intermediárias, pensamentos automáticos e respostas fisiológicas,
emocionais e/ou comportamentais. Nos próximos módulos, tais conceitos
serão abordados de maneira mais detalhada.

Atividade Extra

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Referência Bibliográfica

ALVES, M. Terapia cognitivo comportamental e depressão. Jornal de


Brasília. Brasília: 14 dez. 2019. Disponível em: <
https://jornaldebrasilia.com.br/noticias/saude/terapia-cognitivo-
comportamental-e-depress
ao/ > Acesso em: 17 mar. 2021. 
 

BECK, J. S. Terapia Cognitivo-Comportamental: Teoria e Prática. 2ª ed.


Porto Alegre: Artmed, 2014. 
 

KNAPP, P.  BECK, A. T. Fundamentos, modelos conceituais, aplicações e


pesquisa da terapia cognitiva. Rev. Bras. Psiquiatr. v. 30, supl 2, p. s54-
s64. São Paulo: Out, 2008. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?
script=sci_arttext&pid=S1516-44462008000600002&lng=en&nrm=iso.
Acesso em: 16 mar. 2021.  

NEUFELD, Carmem Beatriz. CAVENAGE, Carla Cristina.


Conceitualização cognitiva de caso: uma proposta de sistematização a
partir da prática clínica e da formação de terapeutas cognitivo-
comportamentais.  Rev. bras.ter. cogn. v. 6,  n. 2,  p. 3-36  . Rio de
Janeiro,  dez.  2010. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?
script=sci_arttext&pid=S1808-56872010000200002&lng=pt&nrm=iso
Acesso em:  16 mar. 2021.

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