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UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE


INSTITUTO DE EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA

Tema
Meio Urbano e Meio Rural

Suzete José: 708192279

Curso: Geografia
Disciplina: Estudos Ambientais II
Ano de Frequência: 4º Ano, 2° Grupo Turma “D”
Docente: Nataniel Atumane

Nampula, Maio de 2022

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1.Critérios de avaliação (disciplinas teóricas)

Classificação
Categorias Indicadores Padrões Nota
Pontuaçã Subto
do
o máxima tal
tutor
 Índice 0.5
Aspectos  Introdução 0.5
Estrutura organizacionai  Discussão 0.5
s  Conclusão 0.5
 Bibliografia 0.5
 Contextualização
(Indicação clara do 2.0
problema)
Introdução
 Descrição dos objectivos 1.0
 Metodologia adequada
2.0
ao objecto do trabalho
 Articulação e domínio
do discurso académico
Conteúdo (expressão escrita 3.0
cuidada, coerência /
Análise e coesão textual)
discussão  Revisão bibliográfica
nacional e internacional
2.0
relevante na área de
estudo
 Exploração dos dados 2.5
 Contributos teóricos
Conclusão 2.0
práticos
 Paginação, tipo e
Aspectos tamanho de letra,
Formatação 1.0
gerais paragrafo, espaçamento
entre linhas
Referência Normas APA
 Rigor e coerência das
s 6ª edição em
citações/referências 2.0
Bibliográfi citações e
bibliográficas
cas bibliografia

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Folha para recomendações de melhoria: A ser preenchida pelo tutor

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Índice

1.Introdução..................................................................................................................................4

1.1Objectivos................................................................................................................................4

1.2.Metodologia do trabalho.........................................................................................................4

MEIO URBANO E MEIO RURAL.............................................................................................5

2.1.Diferença entre o meio urbano e meio rural...........................................................................5

2.2. Actividades humanas e sua influência ao meio ambiente......................................................6

2.3. Impermeabilidade dos solos no ambiente urbano..................................................................7

2.4. Categorias dos impactos ambientais......................................................................................8

2.5. Relações entre o meio sócio económico e o complexo territorial.......................................10

2.6. Os recursos minerais em Moçambique e sua importância estratégica.................................12

Conclusão....................................................................................................................................15

Referências bibliográficas...........................................................................................................16

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1.Introdução

A busca do conceito de desenvolvimento tem sido algo constante por inúmeros estudiosos, os
quais, de acordo com suas linhas de pesquisa, enfatizam uns ou outros factores como sendo os
principais indicadores do que pode-se chamar desenvolvimento. Neste sentido, em meio ao
processo de modernização mundial, muitos passaram a acreditar que o desenvolvimento está
condicionado ao processo de urbanização, enquanto o meio rural é o símbolo do atraso. Alguns
estudiosos chegaram a afirmar que desenvolver o meio rural significa urbanizá-lo.

1.1Objectivos

 Diferenciar o meio urbano e rural;


 Descrever a relação Homem e Meio ambiente partindo do foco das preocupações
ambientais;
 Descrever as actividades humanas e sua influência ao meio ambiente;
 Explicara a impermeabilidade dos solos no ambiente urbano;

 Apontar os recursos minerais em Moçambique e sua importância estratégica

1.2.Metodologia do trabalho

Para a realização do presente trabalho o proponente fez valer o uso do método da consulta
bibliográfica, baseado em leituras de obras científicas, manuais e outros documentos relevantes já
publicados. E em termos didácticos recorreu ao método de trabalho independente.

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2.MEIO URBANO E MEIO RURAL

2.1.Diferença entre o meio urbano e meio rural

Os espaços urbano e rural inserem-se como diferentes expressões materializadas no espaço


geográfico, compreendidas por suas distintas dinâmicas económicas, culturais, técnicas e
estruturais. Embora componham meios considerados distintos, suas inter-relações são bastante
complexas. Por isso, muitas vezes é difícil separar ou compreender a especificidade de cada um
desses conceitos (Pena, 2010).

O conceito de espaço urbano designa a área de elevado adensamento populacional com


formação de habitações justapostas entre si, o que chamamos de cidade. Já o conceito de espaço
rural refere-se ao conjunto de actividades primárias praticadas em áreas não ocupadas por
cidades ou grandes adensamentos populacionais (Pena, 2010).

No entanto, para além dessa definição simples e introdutória, é interessante perceber que rural e
urbano são, além de tudo, tipos diferentes de práticas quotidianas. Assim, podem existir práticas
rurais no espaço das cidades ou práticas urbanas no espaço do campo. Por exemplo: um cultivo
de hortaliças dentro do espaço de uma cidade (embora isso seja cada vez mais raro nos grandes
centros urbanos) é um caso de prática rural no meio urbano. Da mesma forma, a existência de um
hotel fazenda ou um resort em uma zona afastada da cidade é um exemplo de prática urbana no
meio rural (Pena, 2010, p.14).

Uma das principais diferenças entre urbano e rural está, assim, nas práticas socioeconómicas. O
espaço rural, como já dissemos, engloba predominantemente actividades vinculadas ao sector
primário (extrativismo, agricultura e pecuária), ao passo que o espaço urbano costuma reunir
actividades vinculadas ao setor secundário (indústria e produção de energia) e terciário (comércio
e serviços) (Pena, 2010, p.16).

Outra diferença entre urbano e rural está na amplitude dos respectivos conceitos. Em termos


de escala, a abrangência espacial do meio rural é muito maior, pois ele reúne tantos as áreas
transformadas e cultivadas (espaço agrário) pelo homem quanto o espaço natural, pouco
transformado ou mantido totalmente sem intervenções antrópicas. Por outro lado, a cidade,

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embora possua uma maior dinâmica económica, apresenta-se em espaços mais circunscritos,
mesmo com o crescimento desordenado dos espaços urbanos na maioria dos países periféricos e
emergentes (Pena, 2010, p.18).

Em termos de hierarquia económica, podemos dizer que, originalmente, o campo exercia um


papel preponderante sobre as cidades. Afinal, foi o desenvolvimento da agricultura e da pecuária
que permitiu a formação das primeiras civilizações e o seu posterior desenvolvimento. No
entanto, com o avanço da Revolução Industrial e as transformações técnicas por ela produzidas, o
meio rural viu-se cada vez mais subordinado ao urbano, uma vez que as práticas agropecuárias e
extrativistas passaram a depender cada vez mais das técnicas, tecnologias e conhecimentos
produzidos nas cidades (Pena, 2010, p.18).

Actualmente, o urbano e o rural formam uma relação socioeconómica e até cultural bastante
ampla, muitas vezes se apresentando de forma não coesa e profundamente marcada pelo avanço
das técnicas e pelas transformações produzidas a partir dessa conjuntura. Nessa relação, o espaço
geográfico estrutura-se em toda a sua complexidade e transforma-se em reflexo e condicionante
das relações sociais e naturais, denunciando as marcas deixadas pelas práticas humanas no meio
em que se estabelecem (Pena, 2010, p.19).

2.2. Actividades humanas e sua influência ao meio ambiente

O impacto das actividades humanas sobre o meio ambiente não é um fenômeno recente. Os
primeiros humanos eram caçadores nômades e retiravam da natureza somente o necessário
para o seu sustento. Este modo de vida permitiu a ocupação de todo o mundo, por parte do
homem.

A primeira grande mudança no modo de vida do homem, até então marcado principalmente
pelas actividades de caça e pesca para a subsistência, foi o desenvolvimento da agricultura.
Sua expansão, juntamente com o aumento populacional, contribuiu para os primeiros
desmatamentos, não somente para a obtenção de terras cultiváveis, como também para a
utilização de árvores como combustível (Junqueira, 2002).

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Romeiro (2004) destaca ainda que, com a invenção da agricultura, a humanidade deu
um passo decisivo na diferenciação de seu modo de inserção na natureza em relação àquele
das demais espécies de animais.

“Outra grande mudança ocorreu com o desenvolvimento da manufatura (entre os séculos


XVI e XVII), implicando em mudanças radicais sob todos os aspectos nas relações sociais e
de trabalho” (Morandi e GlL, 2000, p.84). Esse período histórico, que precedeu a Revolução
Industrial, caracterizou-se pelo surgimento de uma forma de vida muito dependente de
energia não-renovável.

A Revolução Industrial do século XVIII pode ser entendida como uma primeira grande
arrumação espacial interligando as regiões do mundo. Alguns economistas chegam a tratar
este período como “a primeira economia interligada e organizada em escala mundial”.
Romeiro (2004) pontua o fato de que a “Revolução Industrial aumentou contínua e
vertiginosamente a capacidade da humanidade em intervir na natureza” (p.32).

Barbieri (2004) observa que o aumento da escala produtiva tem sido um importante fator que
estimula a exploração dos recursos naturais, elevando a quantidade de resíduos gerados. Esse
autor ainda destaca que, a partir da Revolução Industrial, surge uma diversidade de
substâncias e materiais que não existiam na natureza. A maneira como a produção e o
consumo estão sendo conduzidos desde então exige recursos e gera resíduos, ambos em
quantidades vultosas, que estão ameaçando a capacidade de suporte/assimilação do próprio
planeta.

O desenvolvimento tecnológico e o consequente aumento da produtividade na Era da


Revolução Industrial provocaram uma melhora substancial na qualidade de vida material.
Entretanto, já na primeira metade do século XX, foi possível constatar novas provas do
eventual dano em grande escala que as novas tecnologias poderiam causar ao meio
ambiente. (Hawken, Lovins E Lovins, 1999).

2.3. Impermeabilidade dos solos no ambiente urbano

Pode se afirmar que quanto mais uma cidade cresce, maior a tendência de impermeabilização,
porém as possíveis soluções que minimizem tais impactos catastróficos devem ser estudadas e
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aplicadas nos meios urbanos. Segundo Tucci (2009) a impermeabilização e uma das principais
causas das inundações e deslizamentos em áreas urbanas, pois seu efeito diminui as áreas verdes,
reduzindo a capacidade de infiltração de agua no solo e aumentando a capacidade de escoamento,
devido a adopção de condutos e superfícies que facilitam a rápida movimentação da agua.

Esses factores faz com que toda agua precipitada cai sobre uma cidade seja rapidamente drenada
para os corpos hídricos principais, mas estes não tem capacidade de receber esta agua, devido ao
seu tamanho, vale ressaltar problemas relacionados ao assoreamentos e depósitos de resíduos
sólidos que trancam o escoamento livre (Nucci, 1999, p.14).

As possíveis soluções para desencadear os impactos em áreas urbanas causadas pela


impermeabilização, são propostas pela engenharia alternativa de contenção dos escoamentos
superficiais, que permitem uma maior infiltração e a percolação da água no sistema de drenagem
urbana e que podem ser adoptados nas unidades individuais assim como a criação de
reservatórios ou bacias para armazenamento temporário da água escoada nas proximidades
(CANHOLI, 2005, p.8).

Dessa forma é recomendável que tanto os projetos de residências, quanto de equipamento


urbanos, conte com as áreas vegetadas, tais como jardins, pomares, passeios, praças, parques,
entre outros. Segundo Tucci (1995, p.16) essa prática visa diminuir o coeficiente de
impermeabilização Conforme o analisado, o processo de ocupação desordenado e a ausência do
planejamento urbano, tendo como consequências indesejáveis. Sendo assim, para evitar a
degradação ambiental, é necessário e acompanhar o desenvolvimento local e indicar possíveis
falhas no planejamento e gestão de obras na área a ser trabalhada e dos recursos voltados e
apresentados por ela.

2.4. Categorias dos impactos ambientais

Segundo Ministério para Coordenação da Acção Ambiental (MICOA, 2015) Para a definição da
avaliação do impacto ambiental a ser feita, o regulamento sobre o processo de avaliação do
impacto ambiental categoriza as actividades em três grupos:

 Categoria A: as que devem se sujeitar ao estudo do impacto ambiental;


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 Categoria B: as que estão sujeitas ao estudo ambiental simplificado;
 Categoria C: são as que estão sujeitas à observância de normas constantes de directivas de
específicas de boa gestão ambiental.

A legislação moçambicana apresenta as categorias de projectos sujeitos a AIA, mencionados no


Decreto n.o 54/2015 de 31 de Dezembro:
a) Categoria A+: são acções que, devido a sua complexidade, localização e/ou irreversibilidade e
magnitude dos possíveis impactos, merecem não só um elevado nível de vigilância social e
ambiental, mas também o envolvimento de especialistas nos processos de AIA.
b) Categoria A: são acções que afectam significativamente seres vivos e áreas ambientalmente
sensíveis e os seus impactos são de maior duração, intensidade, magnitude e significância.

 Áreas povoadas que impliquem a necessidade de reassentamento

 Infraestruturas que exijam reassentamento.

 Exploração florestal

 Agricultura

 Pescas

 Indústria química e alimentar

 Energia

 Áreas de conservação da biodiversidade.

c) Categoria B: são acções que não afectam significativamente os seres vivos nem áreas
ambientalmente sensíveis comparativamente as actividades da categoria A. Por exemplo:

 Fábricas de processamento de madeira, tintas e vernizes, alimentos e bebidas com


produção superior a 10 ton/dia

 Áreas de armazenamento de sucatas com mais de 5ha.

 Linhas de transmissão e distribuição de energia abaixo de 66 KVA

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 Recauchutagem de pneus

 Infraestruturas de abastecimento de combustíveis.

 Etc.

d) Categoria C: são acções que provocam impactos negativos negligenciáveis, insignificantes ou


mínimos.
Não existem impactos irreversíveis nesta categoria e os positivos são superiores e mais
significantes que os negativos. São os casos de:
 Sistemas de irrigação

 Hotéis, motéis, pensões, lodges em cidades e vilas

 Torres de telecomunicações

 Etc.

2.5. Relações entre o meio sócio económico e o complexo territorial

A busca pela definição do conceito "espaço" e de seu papel no processo de desenvolvimento


socioeconómico é objecto de estudo das mais variadas áreas do conhecimento, como, por
exemplo, filosofia, matemática, física, geografia e economia. Estudiosos destas áreas,
especialmente os matemáticos, desenvolveram os conceitos de espaços abstractos, euclidianos, n-
dimensionais, etc., com o objectivo de explicar a multiplicidade dos mesmos. Contudo, segundo
Lefebvre (1991), as análises realizadas por estes teóricos restringem-se a uma observação
descritiva do espaço, o que não permite explicar sua dinâmica, ou seja, como surgem e
desaparecem os diferentes tipos de espaço – arquitectónicos, geográficos, económicos,
demográficos, ecológicos, políticos, comerciais, etc. – e como os fluxos entre os mesmos são
estabelecidos.

A partir da observação do espaço capitalista – o mercado mundial, Lefebvre (1991) evidencia que
o espaço geográfico não se limita a ser o lo cus passivo das relações sociais. Pelo contrário, o
espaço desempenha papel activo na construção destas relações ao assegurar a dinâmica do
capital, de tal forma que sociedades com modos de produção distintos terão características

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diferentes, originadas a partir das relações sociais estabelecidas em seus respectivos espaços. Em
outras palavras, a dinâmica do capital e o capitalismo influenciam as práticas relacionadas ao
espaço por meio da distribuição de investimentos e da divisão do trabalho, estabelecendo relações
sociais que se originam no cerne do processo de produção e se concretizam nas transacções
monetárias. Esta constatação evidencia que as análises descritivas realizadas até então não são
capazes de explicar esta dinâmica e, por este motivo, o autor propõe uma teoria que englobe
diferentes aspectos do espaço utilizando o conceito de Espaço Unitário.

O Espaço Unitário seria uma categoria para explicar as diferentes formulações do espaço,


englobando três importantes aspectos do mesmo, indispensáveis para a sua compreensão, que
seriam: aspectos físicos (naturais), mentais (lógicos e abstractos) e sociais. Estes atributos
transformam o espaço activo no processo social e político. Este é um conceito bastante complexo,
pois procura cobrir um campo de pesquisa amplo, o que dificulta sua representação matemática
e/ou física (hipóteses restritivas) e, consequentemente, a elaboração da Teoria do Espaço
Unitário. Outro factor que dificulta sua representação é a acção estatal que, por meio de medidas
de regulamentação, influencia a própria configuração do espaço, tornando a análise ainda mais
complexa. Apesar da inviabilidade de construção desta teoria, Lefebvre (1991) destaca que não se
deve deixar o conceito de Espaço Unitário em segundo plano nas análises realizadas. Pelo
contrário, suas constatações implicam que, tendo este conceito em mente, deve-se procurar
unificar os vários campos da análise social através da observação dos actuais problemas
articulados com problemas de natureza espacial.

Para Lefebvre (1991), o espaço (social) é um produto social, ou seja, cada sociedade produz seu
próprio espaço a partir de suas relações sociais, de suas bases produtivas e culturais. Assim, o
espaço serve como ferramenta de ideias e acções e funciona como um meio de controle e
dominação. Estas afirmações levam às seguintes conclusões, que têm implicações significativas
para a análise espacial:

i. O espaço físico (natural) está desaparecendo: em todas as sociedades há um discurso


de que é preciso preservar o meio ambiente para sustentar o crescimento futuro e
garantir o bem-estar das próximas gerações.

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ii. Cada sociedade e, portanto, cada modo de produção, produz seu próprio espaço: cada
sociedade tem uma prática social específica que gera um espaço apropriado para a
mesma. O espaço social contém representações específicas das interacções entre as
relações sociais de produção e reprodução (coexistência e coesão) e possui três
dimensões. A primeira seria o espaço vivido ou a prática social (inclui a produção e a
reprodução das formações sociais), a segunda seria o espaço concebido (ideia de
planejamento e concepção do espaço, ou seja, códigos formais para planejar o espaço,
aos quais o espaço vivido está articulado) e a terceira seria o espaço
percebido/representacional (cada indivíduo percebe o espaço de forma diferente,
porque possui dimensões diferentes da forma de viver e de conceber o mesmo. Esta
dimensão é essencial para o modo de vida em sociedade, pois apesar das diferentes
percepções, os indivíduos se adaptam às normas);
iii. Se o espaço é um produto social, o conhecimento dos indivíduos sobre o mesmo deve
ser reproduzido durante o processo de produção: a relação dialéctica entre suas
dimensões condiciona o espaço (a interacção entre as mesmas e sua dinâmica ao longo
do tempo determinarão a conformação do espaço das diferentes sociedades);
iv. Se o espaço é produzido e se há um processo produtivo, a análise requer uma
perspectiva histórica: a história do espaço, sua produção, sua forma e representação
não devem ser consideradas apenas casuais e imutáveis ou consequências de
costumes, leis, ideologias, estruturas socioeconómicas e instituições. As relações de
produção têm papel fundamental na produção do espaço, o que torna as relações
casuais acima passíveis de mudanças, ou seja, a sociedade pode intervir e mudar a
configuração espacial social; e
v. É preciso distinguir entre ideologia e prática: o que fica no campo ideológico tende a
desaparecer e não influencia a conformação do espaço (ex. sociedade socialista). Uma
revolução que não produz um novo espaço não cumpriu seu potencial, apenas mudou
superestruturas ideológicas, mas não gerou transformação social.

2.6. Os recursos minerais em Moçambique e sua importância estratégica

Moçambique é um País com vasto potencial de recursos minerais que incluem carvão, gás
natural, ouro, titânio, minerais não metálicos, entre outros. A exploração sustentável
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destes recursos pode contribuir significativamente para o desenvolvimento do País.

Moçambique é um país que apresenta uma elevada geodiversidade e um grande potencial em


termos de recursos geológicos Gonçalves (2008) e Cumbe (2007). Segundo Cumbe (2007)
existem vários locais geológicos em Moçambique que devem ser conservados e apresentados às
populações devido à sua importância científica, pedagógica e turística, entre outros aspetos. Estes
locais incluem, para além da diversidade litológica, uma grande diversidade de minerais, de
fósseis e de recursos geológicos.

Em Moçambique existem recursos geológicos de elevado valor económico, nomeadamente,


areias, calcários, mármores, ouro aluvionar, margas, cascalho, argilas, ilmenite, gemas e gás
natural (Cumbe, 2007; Hofmann & Martins, 2012; Lehto & Gonçalves, 2008).

O depósito de carvão da bacia de Moatize (província de Tete), por exemplo, constitui uma das
maiores reservas a nível mundial.

Moçambique tem potencial para se tornar o principal produtor mundial de minerais de titânio e
zircónio.

O diatomito tem-se acumulado em muitas depressões fluviais e lagonais, desde a província de


Inhambane até à província de Maputo.

No que concerne as reservas de gás natural estima-se que Moçambique possui mais de 2,8 mil
milhões de m3 deste recurso na província de Cabo Delgado. Nesta província existem margas e
ainda mármores na região de Montepuez.

Na província de Nampula podem ser encontradas pedras preciosas como o berilo e a turmalina,
bem como ouro aluvionar e também areias pesadas na região de Moma, onde existem reservas
estimadas de 842 Mton.

Na província de Zambézia salientam-se as ocorrências de areias pesadas, calcários, margas e


pedras preciosas como o berilo e a turmalina. Nesta província ocorrem depósitos de caulinite e de
outros minerais de argila em pegmatitos e sienitos meteorizados.

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Na província de Tete, além dos depósitos de carvão, destacam-se as ocorrências comuns de
urânio, que é utilizado como mineral energético, de margas e de pedras preciosas, como o berilo e
a turmalina. Nesta província é também, explorado anortosito para exportação. Existe também
uma grande quantidade de apatite ao longo do rio Zambezi e de ouro a Norte do Lago Cahora
Bassa.

Na província de Manica destacam-se os depósitos de carvão em Espungabera, próximo da


fronteira com o Zimbabué, e de bauxite na Mina de Penhalonga, onde já foram extraídas, em
2006, 11 069 ton desta rocha. Nesta província também é explorado gabro, para exportação, e
margas.

Na província de Sofala destaca-se a exploração de petróleo que tem ocorrido nos últimos anos.
Além disso, existe um grande potencial para a exploração de calcário no Planalto Cheringoma.
Ocorrem também margas e gás natural.

Na província de Inhambane salientam-se as ocorrências de gás natural nos campos de Pande e de


Temane, de gesso em Temane e de calcário em Urrongas.

Na província de Gaza existem, entre outros, reservas de areias pesadas e diatomito, este último
encontrado na margem Sul do rifte do leste africano. Nesta província têm sido encontrados
alguns diamantes, de reduzidas dimensões, nos rios Limpopo e Singédzi.

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Conclusão

Foi concluído nessa pesquisa, que o processo urbanização desenfreado a falta do gerenciamento
de planejamento urbano causou a degradação do recurso do solo, ocasiona consequências ligada a
impermeabilização do solo, agravando diversos prejuízos ambientais como a poluição hídrica e
atmosférica, alta geração de resíduos, perda de biodiversidade e redução da cobertura vegetal.

Quando a questão da avaliação dos impactos ambientais, as categorias de acções ou projectos


sujeitos a avaliação ambiental de acordo com a legislação moçambicana (Decreto 54/2015 de 31
de Dezembro) são: Categorias A+, A, B e C.

Moçambique é um País com vasto potencial de recursos minerais que incluem carvão, gás
natural, ouro, titânio, minerais não metálicos, entre outros. A exploração sustentável
destes recursos pode contribuir significativamente para o desenvolvimento do País.

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Referências bibliográficas

Barbieri, J. C. (2004). Gestão ambiental empresarial: conceitos, modelos e instrumentos.


( 1ª.ed.) São Paulo: Saraiva.
Cumbe, A. N. (2007). O património geológico de Moçambique: Proposta de metodologia de
inventariação, caracterização e avaliação. Tese de mestrado inédita, Universidade do
Minho, Departamento de Ciências da Terra, Braga, Portugal. Recuperado em 2014, junho
17, de http://hdl.handle.net/1822/8712

Hawken, P.; Lovins, A. & Lovins, L. H. (1999) - Capitalismo Natural. (1ª. ed.). São Paulo:
Cultrix – Amana-Key.
Junqueira, E. R. (2002). Utilização de Indicadores Econômico-financeiros para Avaliação
do Desempenho Ambiental das Organizações: um estudo exploratório. Dissertação
(Mestrado) - Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade, Universidade
de São Paulo, São Paulo.
Lefebvre, H. (1969). O direito à cidade São Paulo: Ed. Documentos.
Morandi, S. & GIL, I. C. (2000). Tecnologia e ambiente. São Paulo: Codipart.
Pena, R. F. A. (2010) "Espaço urbano e rural"; Brasil Escola. Disponível em:
https://brasilescola.uol.com.br/geografia/espaco-urbano-rural.htm. Acesso em 18 de Abril
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Vasconcelos, L. (2014). Breve apresentação sobre os recursos geológicos de Moçambique.
Comunicações Geológicas, 101(II), 869-874. Recuperado em 2015, Junho

Internet
https://www.tete.gov.mz/por/Informacao/Servicos/Estudo-do-impacto-ambiental/Descricao-
Geral, acesso em 18 de Abril de 2022

legislação

Decreto 54/2015 de 31 de Dezembro - Regulamento da avaliação dos impactos ambientais.

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