Título : APRESENTAÇÃO: Construindo a proficiência leitora Conteúdo

:

ATENÇÃO, CARO ALUNO: PARA A PROVA BIMESTRAL - NPI, VOCÊ DEVE ESTUDAR OS SEGUINTES CONTEÚDOS: Texto e contexto: conhecimento linguístico, conhecimento enciclopédico (conhecimento de mundo) e conhecimento interacional. Intertextualidade. As informações implícitas (pressuposto e subentendido). As condições de produção do texto: sujeito (autor/leitor), o contexto (imediato/histórico) e o sentido (interação/interpretação).
Caro aluno Na disciplina de Comunicação & Expressão - CE -, você terá a oportunidade de ampliar seu universo cultural e expressivo, trabalhando e analisando textos orais e escritos sobre os mais variados assuntos, bem como de produzir textos diversos na linguagem oral e escrita.

Esperamos que com empenho e dedicação você seja capaz de, ao término do curso: a) b) c) d)
ampliar os conhecimentos e vivências de comunicação e de novas leituras do mundo, por meio da relação texto/contexto; propiciar a compreensão e valorização das linguagens utilizadas nas sociedades atuais e de seu papel na produção de conhecimento; vivenciar processos específicos da linguagem e produção textual: ouvir e falar; ler e escrever ± como veículos de integração social; desenvolver recursos para utilizar a língua, por meio de textos orais e escritos, não apenas como veículo de comunicação, mas como ação e interação social.

Nosso conteúdo abordará os seguintes itens: Primeiro bimestre: 1) 2) 3) 4) 5) 6)
Texto e contexto: conhecimento linguístico, conhecimento enciclopédico ou conhecimento de mundo e conhecimento interacional. Texto e contexto, contextualização na escrita. Intertextualidade. As informações implícitas (pressuposto e subentendido). As condições de produção do texto: sujeito (autor/leitor), o contexto (imediato/histórico) e o sentido (interação/interpretação). Alteração no sentido das palavras: a metáfora e a metonímia;

Segundo bimestre: 7) 8)
Os procedimentos argumentativos em um texto O artigo de opinião e o texto crítico (resenha), enquanto gêneros discursivos.

1. Concepções de língua e linguagem
A linguagem, em suas diversas manifestações, é fundamental para todo e qualquer ser. No início da humanidade, o homem necessitava expressar sensações e estabelecer as mais variadas relações. Uma dessas formas de expressão acontecia, assim como ainda acontece, por meio da linguagem.

De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais, ³não há linguagem no vazio, seu grande objetivo é a interação, a comunicação com um outro, dentro de um espaço social´.

Mas a linguagem não é única, alheia à realidade e ao mundo. Ela é influenciada pelos meios social e cultural e esses, por sua vez, também são influenciados por ela. Isso porque o homem é o principal agente que participa desse processo, criando recursos que auxiliam ou aperfeiçoam a produção da linguagem, com o objetivo de melhorar a comunicação, cujo maior recurso é a palavra.

O termo linguagem deve ser entendido como a faculdade mental que distingue os humanos de outras espécies animais e possibilita nossos modos específicos de pensamento, conhecimento e interação com os semelhantes. É a capacidade específica à espécie humana de se comunicar por meio de um sistema de signos (ou língua). Para Saussure, o pai da Linguística, a linguagem é composta de duas partes: a Língua, essencialmente social porque é convencionada por determinada comunidade linguística; e a Fala, que é individual, ou seja, é veículo de transmissão da Língua, usada pelos falantes por meio da fonação e da articulação vocal. Saussure, no Curso de Linguística Geral, define e diferencia a língua da fala afirmando que: a língua é o produto social da faculdade da linguagem e um conjunto de convenções necessárias, adotadas pelo corpo social, para permitir o exercício dessa faculdade nos indivíduos. Trata-se de um tesouro depositado pela prática da fala em todos os indivíduos pertencentes à mesma comunidade, um sistema gramatical que existe virtualmente em cada cérebro ou, mais exatamente, nos cérebros dum conjunto de indivíduos, pois a língua não está completa em nenhum, e só na massa ela existe.

Em resumo. As condições de produção do texto Conteúdo : Neste conteúdo. texto visual. Os usuários de uma língua exercitam sua capacidade de organizar e transmitir ideias. É por essa razão que. O conceito de texto. Assim. quanto na de escrever. Título : 5. parece que a palavra tem sido o meio preferido para objetivar seu pensamento. Representa sempre um ato individual. Nenhum texto é produzido no vazio. texto pictórico. a segunda se estende para outras linguagens além da verbal. texto cinematográfico. sob o ponto de vista das modernas teorias linguísticas. Daí podermos falar de texto verbal. Fala: é a atividade linguística concreta. interagir com o outro e se fazer compreender. podemos dizer que o ser humano dispõe de diferentes linguagens para se comunicar e interagir com o mundo e com as pessoas. informações. focalizaremos o texto escrito e o texto oral. podemos dizer que: Linguagem: é uma faculdade mental que possibilita a interação entre os seres humanos. deve atender a essas condições para que seus objetivos sejam alcançados. pode ser entendido de maneira mais abrangente. entre outros. duas esferas devem ser consideradas: a primeira mantém-se numa perspectiva ainda estritamente linguística. texto verbal e visual. Tradicionalmente. você estudará sobre as condições de produção de um texto. entende-se por texto um conjunto de enunciados inter-relacionados formando um todo significativo. da coesão sequencial entre seus constituintes e da adequação às circunstâncias e condições de uso da língua. Leia o exemplo a seguir para entender as várias interferências que devemos observar quando lemos ou escrevemos algo. Inclui todas as variações que o falante pode acrescentar às inúmeras estruturações linguísticas já formuladas e aceitas socialmente. Cada texto. No entanto. pois elas nos orientam tanto na tarefa de ler. que depende da coerência conceitual. ao ser escrito. opiniões em situações de interação comunicativa. utilizando o texto. na próxima aula. texto musical. Ao ampliar essa noção. Língua: é um tipo de código formado por palavras e leis combinatórias por meio do qual as pessoas se comunicam e interagem entre si. .

divulgar determinados serviços buscando seduzir possíveis clientes. Essas condições referem-se aos elementos apresentados acima. obter notícias sobre um ente querido. Para divulgar um serviço que prestamos. d) gêneros discursivos específicos: carta de leitores. determinada empresa (esfera profissional). convencer a respeito de determinadas interpretações de dados. rodoviária etc. organizados nos mais diversos gêneros. família ou círculo de amizades. Isso significa que em várias circunstâncias da vida escrevemos textos para diferentes interlocutores. textos diferentes para atender a diferentes finalidades? Podemos. um possível contratante. Por isso. Quando queremos saber notícias de uma pessoa querida que está distante. podemos escrever um artigo acadêmico-científico para uma revista especializada. por exemplo. leitores de determinada revista acadêmicocientífica ou de determinado tipo de livro. outdoor. Se fizermos uma pesquisa e quisermos divulgar os resultados dela. anúncio. um parente próximo ou um amigo. porque cada escrita se caracteriza por diferentes condições que determinam a produção dos discursos. transeuntes de determinados locais (vias de circulação. folheto de propaganda. vias públicas de grande circulação de veículos e pessoas. artigo acadêmico-científico. Mas não apenas a eles. quase que intuitivamente. para circularem em espaços sociais vários. Quer dizer: escrever um texto é uma atividade que nunca é a mesma nas diferentes circunstâncias em que ocorre. a cada circunstância correspondem: a) finalidades diferentes: manifestar nossa forma de pensar a respeito de determinada matéria lida. revista). academia. currículo.As condições de produção do texto Você já parou para pensar que em cada situação da vida cotidiana produzimos. c) lugares de circulação determinados: mídia impressa. escrever uma carta a um jornal se quisermos expressar nossa indignação ou admiração em relação a uma matéria que tenhamos lido. carta pessoal. podemos escrever um anúncio para uma revista.). informar sobre sua qualificação profissional. Um . Se desejarmos uma vaga de emprego. podemos escrever uma carta ou um e-mail. por exemplo. devemos escrever um currículo para informar nossa experiência profissional e nossa formação. colegas de trabalho. b) interlocutores diversos: leitores de um determinado veículo da mídia impressa (jornal. um folheto de propaganda para ser distribuído em diversos lugares. com distintas finalidades.

A palavra não foi feita para enfeitar. molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho. e que só pode ser analisado considerando seu contexto histórico-social. que implicam responsabilidades assumidas. de cidadão brasileiro. e dão mais uma torcida e mais outra. entre outros. em função das demais características do contexto de produção (sobretudo do lugar de circulação do discurso e do interlocutor presumido). recomendações são feitas. digitadores. quando assumimos a palavra para dizer alguma coisa a alguém. suas condições de produção. escritores. Ainda que esses papéis se articulem todo o tempo. revisores. atores etc). diretores de escola. dentistas. de filho/filha. voltam a torcer. necessariamente. a palavra foi feita para dizer. torcem o pano. significa saber lidar com todas as características do contexto de produção dos textos. Todos nós desempenhamos diferentes papéis na vida: o pai/mãe. Depois enxáguam. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. dessa forma. de irmão/irmã. duas vezes. como ainda outros textos que sejam produzidos em volta e que com ele se relacionem. de associado de determinado clube. vinculada à do(s) seu(s) autor(es) e à sociedade em que vive(m). Elas começam com uma primeira lavada. influenciam-se mutuamente. envolvendo não somente as instituições humanas." . de consumidor de determinado produto. torcem até não pingar do pano uma só gota. Isso significa que todo discurso é uma construção social. Cada um desses papéis estabelece entre nós e aqueles com quem nos relacionamos determinados vínculos. não individual. uma vez que são todos constitutivos do sujeito e que. reflita sobre o que Graciliano Ramos fala sobre o ato de escrever: "Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. de maneira a orientar a produção do seu discurso pelos parâmetros por elas estabelecido. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal. significa ainda que o discurso reflete uma visão de mundo determinada. para secar. brilhar como ouro falso. um desses papéis predomina. vereadores. molham-no novamente. feirantes. atitudes são tomadas. Contexto é a situação histórico-social de um texto. pontos de vista a partir dos quais os acontecimentos são analisados. dão mais uma molhada. Para encerrar esta aula. O contexto envolve elementos tanto da realidade do autor quanto do leitor ² e a análise desses elementos ajuda a produzir sentidos possíveis. médicos. Colocam o anil. Ser um escritor/leitor proficiente.aspecto a ser considerado ainda é o lugar social do qual se escreve. ensaboam e torcem uma. agora jogando a água com a mão. portanto. Pode-se dizer que o contexto é a moldura de um texto. Batem o pano na laje ou na pedra limpa. o relativo à profissão que exercemos (professores.

Há estratégias e procedimentos que propiciam uma leitura proficiente. sem costurar os fragmentos. a fim de ter efeito nos seguintes aspectos: 1) percepção de elementos linguísticos significativos.Graciliano Ramos. Esses processos mentais realizam. As condições de produção do texto Conteúdo : Neste conteúdo. apenas o decifra. 2) ativação do conhecimento anterior. a responsabilidade do ensino da leitura. de outros textos. das condições sociais em que se vive). e o compreende parcialmente. portanto cabe a todos os professores. Vale lembrar que o leitor proficiente é capaz de utilizar os três itens acima e que esse conhecimento é socialmente adquirido. A leitura se torna mais difícil quanto menos se lê. da memória e do pensamento. em entrevista concedida em 1948 Título : 6. e cuja única experiência com a leitura é a do livro didático. A leitura tem sido chamada de atividade cognitiva por excelência pelo fato de envolver todos os nossos processos mentais. não partilhará desse conhecimento. Precisa ser orientado para fazê-lo. portanto quem nunca participou da prática social da leitura de notícias e reportagens em revistas semanais de informação. e não só ao de Língua Portuguesa. mas uma mina de ouro. Você descobrirá que LER vai muito além do processo de 'decodificação'. um aluno que não dispõe de revistas e jornais na sua casa. tais como o raciocínio dedutivo (próprio da inferência. Sendo assim. Todas essas etapas envolvem a adivinhação e a descoberta do sentido que o escritor tentou deixar no seu texto. Mostrar ao aluno que a leitura não é um campo minado. pois não compreende o texto. 3) elaboração e verificação de hipóteses que permitam ao leitor perceber outros elementos. da percepção. elemento importante para o leitor chegar à construção do seu sentido do texto. e. você estudará um pouco sobre a leitura. em vez de o aluno olhar as partes relevantes desse objeto. dizemos que o aluno não lê ou não gosta de ler. mais complexos. não integrará os diversos elementos num todo significativo de forma espontânea. do autor. A compreensão de um texto (seja ele escrito ou falado) exige o envolvimento da atenção. O PROCESSO DE LEITURA: algumas estratégias Uma abordagem de leitura deve levar o aluno ao prazer da descoberta. Ou seja. a fim de perceber suas funções. operações necessárias para a compreensão da linguagem. da leitura das entrelinhas) e o raciocínio indutivo (necessário para a predição baseada no conhecimento de mundo. com funções importantes no texto. Para tanto. leia o texto que se segue e realize os exercícios propostos. ele foi acostumado a olhar os seus aspectos superficiais. O texto escrito é um objeto diferente do texto falado. durante a leitura. .

o importante é o que o texto traz até você e não o que você leva para o texto. 1998. Durante uma LEITURA. decodificando letra por letra. Algumas ideias INCORRETAS sobre leitura: LEITURA é um ato passivo. sobre o autor. Brasília: MEC / SEF.). permitindo tomar decisões diante das dificuldades de compreensão. inferência e verificação. avançar na busca de esclarecimentos. p. a partir de seus objetivos. antecipação. Nem todo leitor consegue LER textos autênticos (livros. revistas. de seu conhecimento sobre o assunto. LEITURA é um processo palavra por palavra. . Toda LEITURA deve começar do canto esquerdo e seguir na ordem em que o texto foi escrito. In: Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos de ensino fundamental: língua portuguesa / Secretaria de Educação Fundamental. sem as quais não é possível proficiência. 69-70. palavra por palavra. A função mais importante de um texto é informar. É o uso desses procedimentos que possibilitam controlar o que vai sendo lido. Trata-se de uma atividade que implica estratégias de seleção. jornais etc. validar no texto suposições feitas. de tudo o que sabe sobre a linguagem etc. Voltar no texto para esclarecer uma dúvida não é uma forma apropriada de LEITURA. O objetivo de toda LEITURA é entender tudo e lembrar de todas as palavras num texto. Um texto deve ser lido somente uma vez. Não se trata de extrair informação. LER não é só difícil como é chato também.A leitura é o processo no qual o leitor realiza um trabalho ativo de compreensão e interpretação do texto. Sem o conhecimento de todas as palavras de um texto não há LEITURA.

sobre a época em que foi publicado. quanto o ler/escrever com proficiência de leitor/escritor competente. Esse conhecimento. exclusivamente. Entre essas atividades. Refere-se a conhecimento sobre o assunto. destacam-se: definir o objetivo de uma determinada leitura ("Vou ler este texto para ver como se monta este brinquedo". sua fluência. quer dizer. garantindo. refere-se a um grau ou tipo de letramento que inclui tanto o saber decifrar o escrito. Mas. lermos o que as palavras nos sugerem. sobre as condições de produção do texto a ser lido.). Dessa forma. também é interpessoal porque os sentidos não se encontram no texto. y realizar inferências.Usar a leitura de forma competente significa. os sentidos situam-se entre texto e leitor. y y ativar o conhecimento prévio que temos sobre todos os aspectos envolvidos na leitura para selecionar as informações que possam criar o contexto de produção de leitura. sobre o portador onde foi publicado o texto (jornal. também. folheto etc. sobre o gênero. É individual porque significa um processo pessoal e particular de processamento dos sentidos do texto. ao contrário. ou no leitor. quer dizer. exclusivamente. a leitura é um processo complexo que envolve o controle planejado e deliberado de atividades que levam à compreensão. folder. saber utilizar estratégias e procedimentos que conferem maior fluência e eficácia ao processo de produção e atribuição de sentidos aos textos com os quais se interage. "Só quero ver a data da morte de Napoleão". . panfleto. y antecipar informações que podem estar contidas no texto a ser lido. sobre o autor do texto. quanto uma experiência interpessoal e dialógica. assim. livro. "Vou correr os olhos pelo sumário para ter uma ideia geral do livro"). tal como hoje compreendemos. compreender que ler é tanto uma experiência individual e única. lermos para além do que está nas palavras do texto. revista. ou seja.

y sintetizar as informações dos trechos do texto.y conferir as inferências e antecipações realizadas ao longo do processamento do texto. "Este trecho não está muito claro para mim"). identificar os segmentos mais e menos importantes de um texto ("Aqui o autor está apenas dando mais um detalhe". y localizar informações presentes no texto. "Esta definição é importante"). mas ainda não consegui ter uma noção clara do assunto"). y estabelecer relações entre os diferentes segmentos do texto. y determinar se os objetivos de uma determinada leitura estão sendo alcançados ("Estou lendo este capítulo para ter uma ideia geral do que é fenomenologia. . mas até de uma leitura para outra. A importância de um segmento pode variar não só de um leitor para outro. "Parece que vou ter de ler aquele outro artigo para poder entender este"). já que o contexto não me bastou". "Isto eu já conheço muito bem e posso ir apenas passando os olhos"). y tomar as medidas corretivas quando falhas na compreensão são detectadas ("Vou ter que consultar o dicionário para entender esta palavra. y avaliar a qualidade da compreensão que está sendo obtida da leitura ("Estou entendendo perfeitamente o que o autor está tentando dizer". y distribuir a atenção de modo a se concentrar mais nos segmentos mais importantes ("Isto aqui é novo para mim e preciso ler com mais cuidado". de forma a podermos validá-las ou não.

um importante fator de textualidade. divagações ou interrupções ("Estou tão distraído que passei os olhos por este parágrafo sem prestar atenção no que estava lendo.1892. Título : 3.y corrigir o rumo da leitura nos momentos de distração. e o que sabemos da vida. pois nenhum texto nasce do 'nada'. vamos tratar da Intertextualidade . y estabelecer relações entre tudo o que o texto nos diz e o que outros textos já nos disseram. vou ter de relê-lo"). mas sempre retoma um outro. Almeida Júnior. Veja como e porque isso acontece lendo os orientações a seguir e também consultando a bibliografia indicada: 1) Intertextualidade Observe os textos a seguir: . Intertextualidade Conteúdo : Neste conteúdo. do mundo e das pessoas. A leitura.

um escritor. recorre a textos alheios específicos para fundamentar sua fala. citar um conceito. basicamente. para polemizar com ele. contestar e deformar alguns dos sentidos do texto citado. o que ocorre é que estes fazem alusão àquele. do seu acervo de conhecimentos literários e de outras manifestações culturais. Eles citam e/ou retomam aquele.Veja que os textos são semelhantes. Quanto mais se lê. b) para inverter. A percepção das relações intertextuais. aludir a um conhecimento coletivo ou ilustrar o que pretender dizer etc. ao fazer uso da palavra. depende do repertório do leitor. Um texto cita outro com. das referências de um texto a outro. discordar da fala alheia. duas finalidades distintas: a) para reafirmar alguns dos sentidos do texto citado. muitas vezes. Dessa maneira. . Assim. estabelece-se um diálogo entre dois ou mais textos. A esse diálogo entre os textos dá-se o nome de intertextualidade. Como o de Gonçalves Dias é anterior aos demais. Daí a importância da leitura.

mais se amplia a competência para apreender o diálogo que os textos travam entre si por meio de referências. proptesta? e agora. citações e alusões. e agora. Reconhecer o GÊNERO a que pertence o texto lido é uma das chaves para a melhor interpretação do contexto. ou seja. o bonde não veio. o riso não veio. José? A festa acabou. mais se detectam vestígios de outros textos naquele que se está lendo. está sem discurso. Você? Você que é sem nome. . José? Está sem mulher. a intertextualidade é um fenômeno cumulativo: quanto mais se lê. que zomba dos outros. a noite esfriou. o povo sumiu. está sem carinho. a luz apagou. cuspir já não pode. Quanto mais elementos reconhecemos em um texto. o dia não veio. já não pode fumar. Diz-se que todo texto remete a outros textos no passado e aponta para outros no futuro. O conjunto de relações com outros textos do mesmo gênero e com outros temas transforma o texto num objeto tão aberto quantas sejam as relações que o leitor venha a perceber. Você que faz versos. A presença de vestígios de outros assuntos dá sustentação à tese de que intertextualidade constitutiva do texto é eminentemente interdisciplinar (o mesmo texto pode ser utilizado em diversas matérias com enfoques específicos a cada uma delas). a noite esfriou. mais fácil será a leitura e mais enriquecida será a nossa interpretação. que ama. Exemplos de intertextualidade: José Carlos Drummond de Andrade E agora. já não pode beber. José? e agora.

e agora. José. sem cavalo preto que fuja do galope. e agora? Se você gritasse. você é duro. sua biblioteca. se você dormisse. a valsa vienense. para onde? Carlos Drummond de Andrade. sem teogonia. seu ódio. sua gula e jejum. José! José. Minas não há mais.não veio a utopia e tudo acabou e tudo fugiu e tudo mofou. seu terno de vidro. . quer morrer no mar. José? E agora.. sua incoerência. Mas você não morre.e agora? Com a chave na mão quer abrir a porta. José Olympio.. se você gemesse. mas o mar secou. quer ir para Minas. se você morresse. se você tocasse. José! Sozinho no escuro qual bicho-do-mato. . sua lavra de ouro. sem parede nua para se encostar. José? sua doce palavra. 1942. seu instante de febre. se você cansasse. não existe porta. você marcha.. In Poesias.

é a nossa confiança no PT que se vê abalada. malversação. Deve ser usado com acuidade e sabedoria. não é só promover reformas estruturais no país. o PT precisará vir a público e. fazemos o jogo dos corruptos. Quando admitimos que "todos os partidos são farinha do mesmo saco". do próprio bolso? Findas as investigações. de cabeça erguida. pela coerência de princípios e pela visão de um novo Brasil. Se todos se enojarem. José. Assim foi na Nicarágua. venha a predominar a política regida por fortes parâmetros éticos.E agora. restringindo investimentos públicos e privados. da corrupção. Em todo esse processo é preciso destacar os políticos que primam pela ética. de modo a vedar os buracos pelos quais a corrupção e o nepotismo se infiltram. em 2006. onde líderes sandinistas se locupletaram com imóveis expropriados pela revolução e enriqueceram como por milagre. de armação (ia escrever "dos inimigos") dos aliados. É reformar a própria política. sim. Esta tem sido vítima de sua própria incoerência. inclusive quando se elege por um programa de mudanças e adota uma política econômica de ajuste fiscal que trava o desenvolvimento. da arrogância do partido único. esfacelada sem que a Casa Branca lhe atirasse um único míssil. O mais grave. demonstrar que tudo não passou de "denuncismo". José? A festa acabou? Já não há mais PT? Não. tráfico de influência e corrupção. pois quem tem nojo de política é governado por quem não tem. reconhecer que houve. hoje.. no futuro. em todas as campanhas eleitorais. José. sem alarmantes . Seria um desastre. Faliu por conta da nomenklatura. José. sobretudo na dos mais jovens. é o desencanto que toda essa "tsulama" provoca na opinião pública. Temo que por muitas cabeças passe a idéia de. improbidade. de cabeça baixa. com sacrifício. Agora. será o fim da democracia e da esperança de que. A esquerda deu um tiro no pé na União Soviética.. Portanto o desafio. O voto é uma arma pacífica. O que há de verdade e de mentira em tudo isso? Por que o partido não abre sua contabilidade na internet? Se houve mesmo "mensalões" e malas de dinheiro. das mordomias abusivas das autoridades. em atitude humilde. como ficam os pobres militantes e simpatizantes que. ou. nas próximas eleições. de "golpismo". anular o voto ou votar em branco. contribuíram. de tudo isso fica uma grande lição: não é a direita que inviabiliza a esquerda.

a eleição de Lula à Presidência da República. essa fratura no corpo do partido que ajudei a construir como simpatizante e que se gabava de primar pela ética na política. Sem confundir pessoas com instituições. é autor de "Treze Contos Diabólicos e Um Angélico" (Planeta). Além das informações explicitamente enunciadas. José. escritor e assessor de movimentos sociais. especialmente sobre os pressupostos. agora. existem aquelas outras que ficam subentendidas ou pressupostas./ Que tristes os caminhos. as ONGs. é hora de começar de novo. Foi assessor especial da Presidência da República (2003-2004). se não fora/ A mágica presença das estrelas!". renovar a esperança e.Informações implícitas: Pressupostos Conteúdo : Neste conteúdo. os movimentos de direitos humanos. sobretudo. 60. sobretudo. sobre os EUA e a ditadura de Batista em Cuba.. as empresas cônscias da responsabilidade social.desigualdades sociais.. a queda do Muro de Berlim e. o MST. Para aprofundar seus conhecimentos consulte: As informações implícitas (pressuposto) Um dos aspectos mais intrigantes da leitura de um texto é a verificação de que ele pode dizer coisas que parece não estar dizendo. Título : 4-a . entre outros livros. Deixemos ressoar no coração as palavras de Mario Quintana: "Se as coisas são inatingíveis. mulheres. muitas perdas: a morte do Che. Carlos Alberto Libânio Christo.. não permitir que tudo fique como dantes. E. as CEBs. maracutaias com projetos estratégicos. a partir de nossas práticas pessoais e sociais. a CMS. o Frei Betto. a de Nelson Mandela contra o apartheid na África do Sul.. a extensa rede de movimentos populares. a esta Folha. a derrota da guerrilha urbana contra a ditadura militar. No Brasil. a CPT. você estudará sobre as informações implícitas em um texto. Antonio Callado. a de Martin Luther King contra o racismo americano. indígenas. frade dominicano. No entanto quantas vitórias! Sobre a França e os EUA no Vietnã. ora!/ Não é motivo para não querê-las. Também experimentei. Aprendamos com Gandhi a fazer hoje. a CMP. a CUT. Qual é a informação óbvia contida no primeiro quadrinho? . Não se pode jogar no lixo da história todo esse patrimônio social e político. disse que perdera "todas as batalhas". negros. o mundo novo que sonhamos legar às gerações futuras. em sua última entrevista. Observe o quadrinho apresentado no término desse tópico: 1.

O verbo ³parou´ (explícito no enunciado de Helga) marca a informação implícita de que ele bebia antes. pois está marcado no verbo ³parou´.O marido parar de beber. Pressuposto: circunstância ou fato considerado como antecedente necessário de outro. . tem-se que o pressuposto necessita ser verdadeiro ou pelo menos admitido como tal. o leitor deve captar tanto os dados explícitos quanto os implícitos. 2. começar a. tornar-se etc. Os pressupostos são marcados. Estes últimos são os pressupostos e os subentendidos. já. a informação explícita não tem cabimento. podemos depreender que a informação explícita pode ser questionada. o pressuposto de que o marido da Irma ³bebia antes´ é verdadeiro. Logo. pois a amiga da Helga poderia concordar ou não com ela. dentre eles podemos citar como exemplo: y Certos advérbios como. por meio de vários indicadores linguísticos. agora. (Pressupõe-se que os resultados já deveriam ter chegado ou que os resultados vão chegar mais tarde) y Verbos que indicam mudança ou permanência de estado. ainda. continuar. Exemplo: Maria continua triste. por exemplo. Exemplo: Os resultados da pesquisa ainda não chegaram. Entretanto. mas que o leitor pode perceber a partir de certas palavras ou expressões contidas no enunciado. O que se pode concluir a respeito do marido da Irma a partir da leitura do segundo quadrinho? Conclui-se que ele (o marido) parou de beber porque morreu. Logo. passar a. porque é a partir dele que se constroem as informações explícitas. Se o pressuposto é falso. Informação implícita marcada na palavra ³enterro´. Da leitura do quadrinho. como ficar. nos enunciados. (Pressupõe-se que Maria estava triste antes do momento da enunciação). permanecer. Pressupostos Os pressupostos são aquelas ideias não expressas de modo explícito. não é para ser contestado. para realizar uma leitura eficiente. Podemos dizer que nesse texto há informações explícitas e implícitas. deixar de. É um dado posto como indiscutível para o falante ou ouvinte.

você estudará sobre outro tipo de informação implícita. São Paulo: Ática. (Lição 27) As informações implícitas (subentendidos) Leia o quadrinho a seguir: .Informações implícitas: Subentendidos Conteúdo : Neste conteúdo. Lições de texto: leitura e redação. Exemplo: Desde que Ricardo casou. Ex. Francisco. (Lição 20) ______. 17 ed. 2008. especialmente quando a oração por eles introduzida vem anteposta. Para aprofundar seus estudos consulte a bibliografia indicada a seguir: FIORIN. (Pressupõe-se que Ricardo cumprimentava as amigas antes de se casar). depois que. Título : 4-b .: desde que. José Luiz e PLATÃO.y certos conectores circunstanciais. visto que etc. os subentendidos. Para entender o texto: leitura e redação. 2006. não cumprimenta mais as amigas. antes que. São Paulo: Ática.

cosmo.br/textos/quadrindex/qhagar. 2. pois o falante. O que se subentende do diálogo das duas personagens no último quadrinho? Hagar não é um grande homem. Subentendidos são as insinuações escondidas por trás de uma afirmação. ao . 2008.com. Acesso em: 23 ago.shtm>.Disponível em: <http://hq. O que se pode concluir da fala de Helga no primeiro quadrinho? Um homem para ser ³grande´ precisa do apoio da mulher. O subentendido difere do pressuposto num aspecto importante: ele é de responsabilidade do ouvinte. 1.

é apenas sugerido. A compreensão de implícitos é essencial para se garantir um bom nível de leitura. ‡ ‡ Portanto.subentender. mas tudo que é dito nos leva a identificá-la. muitas vezes. Logo. esconde-se por trás do sentido literal das palavras e pode dizer que não estava querendo dizer o que o ouvinte depreendeu. Quando lidamos com uma informação que não foi dita. O que não foi escrito deve ser levado em consideração para que se possa verdadeiramente interpretar um texto. ‡ Implícito: é algo que está envolvido naquele contexto. estamos diante de algo implícito. mas não é revelado. serve para o falante se proteger diante de uma informação que quer transmitir para o ouvinte sem se comprometer com ela. é deixado subentendido. o subentendido. ‡ Há textos em que nem tudo o que importa para a interpretação está registrado. ‡ Título : 7-a: A argumentação Conteúdo : ARGUMENTAÇÃO .

que. 25). teste. Quando convencemos alguém. diante de um tema polêmico (aquele que pressupõe uma discussão. (ABREU. ou conclusão. provando. (. Refutar é atacar os argumentos do opositor. p.. As ideias/valores do produtor do texto são materializadas. Mas o que é argumentar? Argumentar é oferecer razões para sustentar um ponto de vista. apoiada na escolha e ordenação desses argumentos. Convencer é saber gerenciar informação. na medida em que a argumentação visa a convencer o adversário e não eliminá-lo. apresenta-se uma tese (tomada de posição diante do tema). é falar à emoção do outro. Não existindo o argumento ³correto´ e sim o argumento ³predominante´.Para saber mais sobre argumentação e persuasão consulte: .) Persuadir é saber gerenciar relação. Consiste em apresentar contra-argumentos. Persuadir é propor um ponto de vista ou posição e argumentar a favor dela. instável. convencerá o público-alvo. isto é. Argumentar é diferente de discutir.) Mas em que convencer se diferencia de persuadir? Convencer é construir algo no campo das ideias.... provocar uma atitude ou crenças novas ou alterar atitudes ou crenças existentes. Neste momento. diz-se que argumentar .. Logo. é a arte de convencer e persuadir. é falar à razão do outro. esse alguém passa a pensar como nós. propondo razões que se julgam pertinentes. ou seja. sob o prisma de argumentos (opiniões fundamentadas). demonstrando. mas apenas uma fundamentação deficiente. O objetivo de todo o discurso argumentativo é modificar o comportamento do auditório.O ³jogo´ argumentativo é dinâmico. em que há sempre a possibilidade de mais de uma posição sobre o ponto em debate). Persuadir é construir no terreno das emoções.. O processo argumentativo consiste essencialmente em duas atividades: persuasão e refutação. (. 2004. Sequer existe o argumento ³incorreto´. é sensibilizar o outro para agir.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful