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MEDICINA LEGAL

Conceito e Diagnóstico da Morte. Exame


de Locais de Crime

SISTEMA DE ENSINO

Livro Eletrônico
MEDICINA LEGAL
Conceito e Diagnóstico da Morte. Exame de Locais de Crime

Sumário
FERNANDO HENRIQUE SANTOS TERRA

Conceito e Diagnóstico da Morte.. ................................................................................................ 3


1. Tanatologia Forense; Aspectos Gerais; Morte Aparente..................................................... 3
1.1. Cronologia da Morte.. ................................................................................................................ 6
1.2. Morte Natural, Morte Violenta, Morte Súbita, Morte Agônica e Morte Suspeita;
Sobrevivência.. .................................................................................................................................. 9
1.3. Lesões intra Vitam e Post Mortem.. ..................................................................................... 11
1.4. Causa Médica e Causa Jurídica da Morte. . .......................................................................... 11
1.5. Inumação e Exumação; Cremação e Embalsamamento..................................................13
2. Fenômenos e Diagnóstico da Morte.......................................................................................15
2.1. Sinais de Probabilidade de Morte.. .......................................................................................15
2.2. Fenômenos Cadavéricos Transformativos....................................................................... 18
2.3. Exame do Local do Crime; Exame em Local de Morte Violenta ou Suspeita
(Perinescroscopia)..........................................................................................................................21
Resumo............................................................................................................................................. 27
Mapas Mentais............................................................................................................................... 30
Questões de Concurso...................................................................................................................31
Gabarito............................................................................................................................................60
Referências.......................................................................................................................................61

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FERNANDO HENRIQUE SANTOS TERRA

CONCEITO E DIAGNÓSTICO DA MORTE


1. Tanatologia Forense; Aspectos Gerais; Morte Aparente
Olá, caro(a) aluno(a)! Como vai? Chegamos finalmente na terceira (e uma das mais impor-
tantes) aulas: a tanatologia, que é o ramo da medicina legal que estuda a morte e as implica-
ções a ela relacionadas, principalmente sobre o destino do cadáver ou de suas partes.
Isso é, cuida do estudo da morte propriamente dita, dos fenômenos relacionados ao diag-
nóstico da morte e dos exames de locais de morte violenta ou suspeita (perinescroscopia). Só a
título de curiosidade: o termo deriva da palavra tanatos, que representa o deus grego da morte.
Efetivamente, a tanatologia é relevante porque auxilia a autoridade policial e o perito a es-
tabelecerem as circunstâncias de um episódio envolvendo a morte, especialmente com o fim
de identificar a autoria do fato criminoso.
Por morte, entende-se, sinteticamente, como a cessão dos fenômenos vitais pela para-
da das funções cerebral, respiratória e circulatória. Pode ser classificada em (Croce; Croce
Jr., 2012):

1. Anatômica: cessação completa e permanente de todas as grandes funções do organismo entre


si e o meio ambiente;
2. Histológica: é o processo decorrente da morte anatômica, em que os tecidos se as células do
organismo morrem paulatinamente;
3. Aparente: o indivíduo assemelha-se ao morto, mas está vivo por débil persistência da circulação,
podendo durar horas, como nos casos de morte súbita, mas pode haver sobrevivência após pronta
e rápida intervenção médica;
4. Relativa: o indivíduo jaz como morto, vitimado por parada cardíaca diagnosticada pela ausência
de pulso em artéria calibrosa;
5. Intermédia: modalidade admitida somente por alguns autores, é explicada como a que precede a
absoluta e sucede a relativa, como estágio da morte definitiva; e
6. Real: é o ato de cessar a personalidade e fisicamente a conexão orgânica por inibição da força de
coesão intermolecular e o de formar-se paulatinamente a decomposição do cadáver.

Já o diagnóstico da realidade da morte é feito pela tanatognose, que avalia os chamados


sinais de morte, classificados em duvidosos, prováveis e certos. Atualmente, utiliza-se como
conceitos mais apropriados – até pela sua precisão – os de:

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1. Morte circulatória: dá-se com a parada circulatória irreversível, principalmente pela ausência de
batimentos cardíacos. É o método tradicional; e
2. Morte cerebral: é a morte encefálica geral e não só do córtex, ainda que o coração esteja em fun-
cionamento. Ocorre com a morte do tronco encefálico (Ponte de Varólio e Bulbo Raquidiano).

A Resolução n. 2.173/17, do Conselho Federal de Medicina, dispõe sobre os critérios de


constatação de morte encefálica.
De acordo com o documento, são submetidos a procedimentos para verificação por morte
encefálica os pacientes que apresentem:
a) coma não perceptivo;
b) ausência de reatividade subpraespinhal; e
c) apneia persistente, bem como os seguintes requisitos:
1. Presença de lesão encefálica de causa conhecida, irreversível e ca-
paz de causar morte encefálica;
2. Ausência da fatores tratáveis que possam confundir o diagnóstico;
3. Tratamento e observação em hospital por no mínimo 6 horas, salvo
se a causa primária for encefalopatia hipóxico-isquémica, cuja obser-
vação será de, no mínimo, 24 horas;
4. Temperatura corporal (esofagiana, vesical ou retal) superior a 35º,
saturação artéria de oxigênio acima de 94% e pressão arterial sistólica
maior ou igual a 100mmHg ou pressão arterial sistólica média maior
ou igual a 65mmHg para adultos (se em menores, há diferença confor-
me a idade até 15 anos).

Não só isso: é obrigatório, ainda, que sejam realizados outros procedimentos a fim de de-
terminar a morte encefálica:
1. Dois exames clínicos que confirme coma não perceptivo e ausência de função do tronco
encefálico;
2. Teste de apneia confirmando a inexistência de movimentos respiratórios após es-
timulação; e
3. Exame complementar da ausência de atividade encefálica, seja por ausência de perfu-
são sanguínea cerebral, ou ausência de atividade elétrica cerebral ou ausência de atividade
metabólica cerebral.
No caso de crianças menores de dois anos, no intermédio das duas avaliações clínicas, o
intervalo mínimo varia de acordo com a faixa etária (art. 3º, §4º, da Resolução; item 1 do anexo).

001. (PC-SP/DELEGADO DE POLÍCIA/PC-SP/2012) Para se realizar um transplante cardíaco,


considera-se como sinal de morte do doador:
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a) a parada dos movimentos cárdio circulatórios.


b) a parada cárdio respiratória irreversível.
c) a parada cardíaca definitiva.
d) a lesão cerebral irreversível.
e) a suspensão irreversível da atividade encefálica.

A morte atualmente é definida por critérios estabelecidos pelo Conselho Federal de Medicina,
que a considera como sendo a parada total e irreversível das atividades encefálicas. Portanto,
a retirada de órgãos ou de partes do corpo para fins de transplante só será realizada a pós a
confirmação de morte encefálica.
Atenção! Vale lembrar que morte cerebral não é sinônimo de morte encefálica. O encéfalo
abrange o cérebro, cerebelo e tronco encefálico.
Letra e.

Nesse contexto, compreende-se como morte aparente, segundo Croce e Croce Jr. (2012),
aquela em que o indivíduo se assemelha-se ao morto, porém está vivo, em débil persistência
da circulação. Pode durar horas, sendo possível a recuperação pelo emprego de socorro médi-
co imediato e adequado.
É um estado de profundo embotamento das funções vitais, o que dificulta escutar os bati-
mentos cardíacos, tendo em vista estarem muito fracos, ou perceber os movimentos respira-
tórios (Ferreira, 2020).
Diante desse quadro, fala-se em sinais tanatomiméticos, que imitam a morte real, mas com
ela não se confundem (Ferreira, 2020): afogamento, catalepsia (ausência crônica de vontade),
êxtase, ação do frio, transe, eletroplessão, estados gerais de coma e abuso de barbitúricos
(fármacos que deprimem o sistema nervoso central).

A chamada tríade de Thoinot define clinicamente o estado de morte aparente e consiste


em: a) imobilidade; b) ausência aparente de circulação; c) ausência aparente de respiração.

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1.1. Cronologia da Morte


O estudo da cronotanatognose (ou cronotanatodiagnose/tanatocronodiagnose) permite a
definição da hora aproximada da morte, sua causa jurídica, o nexo causal com o evento ocorri-
do e a verificação da comoriência.
Efetivamente, o estudo da cronologia da morte é influenciado por diversos fatores, sendo
imperiosa a análise do maior número de elementos existentes a fim de se aproximar o quanto
puder da verdade.
Vale dizer, até mesmo informações advindas de depoimentos testemunhais ou exame em
local de crime podem afetar a forma como se interpretam os elementos revelados no cadáver.
Nesse contexto, um primeiro aspecto a se considerar é o chamado período de incerteza
diagnóstica de Tourdes, que consiste no interstício de seis horas antes e seis horas depois
da morte, em que não se pode definir se as lesões eventualmente encontradas tiveram causa
anterior ou posterior ao falecimento (França, 2017).
Outro aspecto relevante se refere aos fenômenos cadavéricos, como a rigidez, livores, eva-
poração tegumentar, resfriamento, dentre outros.
Auxiliam, ainda, no diagnóstico do tempo de morte:
1. Fauna e flora cadavérica (respectivamente, biotanatologia e entomologia fo-
rense);
2. Existência de gases nos vasos sanguíneos e tecidos do corpo;
3. Presença de cristais no sangue (surgem do terceiro dia após a morte e podem
durar até cerca de 35 dias), também denominados cristais de Westenhöffer-Ro-
cha-Valverde;
4. Conteúdo estomacal e visceral (fator que varia conforme a velocidade de di-
gestão, o metabolismo do indivíduo);
5. Mancha verde abdominal;
6. Perda de peso; e
7. Crescimento de pelos do corpo.

Detalhe interessante sobre é entomologia forense diz respeito ao quão importante é para
os fins da cronotanatodiagnose, pois diversos fatores influenciam na sequência de apareci-
mento dos insetos, notadamente de espécies de moscas e suas larvas, chamadas legiões de
Mégnin, num total de oito (Ferreira, 2020).

002. (FUNDATEC/DELEGADO DE POLÍCIA/PC-RS/2018) Em relação à “estimativa do tempo


de morte”, também conhecida como cronotanatognose, analise as afirmações abaixo, assina-
lando V, se verdadeiras, ou F, se falsas.

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 (  ) Existem vários parâmetros (fenômenos cadavéricos) utilizados para a estimativa do


tempo de morte.
(  ) A estimativa do tempo de morte, considerando os avanços da Medicina-Legal, é bas-
tante precisa, não apresentando margem de erro (para mais ou para menos) maior do
que uma hora.
(  ) A estimativa do tempo de morte depende, além de outros fatores, de fatores externos
ao cadáver.
(  ) A estimativa do tempo de morte, apesar dos avanços da Medicina-Legal, não é precisa.

A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:


a) V – F – V – V.
b) V – V – V – F.
c) V – V – F – F.
d) F – F – F – V.
e) F – V – F – V.

Item I – VERDADEIRO. A estimativa do tempo de morte (cronotanatognose) é realizada a par-


tir da análise dos fenômenos cadavéricos, que podem ser de diversos tipos, dentre eles: a)
sinais abióticos imediatos: perda da consciência, midríase paralítica bilateral, parada respira-
tória, imobilidade e insensibilidade; b) sinais abióticos consecutivos: espasmos cadavéricos,
desidratação, livor mortis, rigor mortis, algor mortis e opacificação da córnea; e c) sinais trans-
formativos (tafonomia), os quais se dividem em transtornos destrutivos (putrefação) e trans-
tornos conservativos (mumificação, saponificação e corificação).
Item II – FALSO. Nada é absoluto na Medicina-Legal, especialmente no que tange ao tempo de
morte. A maior parte dos parâmetros utilizados a realização da cronotanatognose está sujeita
a modificações em função de fatores ambientais, fatores individuais e do tipo de morte. Além
disso, quanto maior for o tempo decorrido, mais complexa será a estimativa.
Item III – VERDADEIRO. Vide o comentário do Item II.
Item IV – VERDADEIRO. Vide o comentário do Item II.
Letra a.

1.1.1. Premoriência e Comoriência

Especialmente para fins sucessórios, entende-se por esses institutos: a) premoriência –


quando é possível comprovar que uma pessoa, pelas circunstâncias existentes, morreu em
momento anterior em relação a outra; b) comoriência – quando duas ou mais pessoas morrem
na mesma ocasião, não sendo possível determinar com exatidão quem faleceu primeiro, pre-

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sumindo-se que ambas faleceram simultaneamente, conforme solução existente no art. 8º, do
Código Civil:

Art. 8º Se dois ou mais indivíduos falecerem na mesma ocasião, não se podendo averiguar se algum
dos comorientes precedeu aos outros, presumir-se-ão simultaneamente mortos.

1.1.2. Calendário Tanatológico

1. Corpo quente, flácido e sem livores Menos de duas horas.

2. Resfriamento do cadáver Decréscimo de 0,5ºC nas três primeiras


horas; a seguir, o decréscimo
E de 1ºC por hora até o nivelamento com
o equilíbrio térmico com o meio ambiente.
3. Rigidez cadavérica Pode ser tardia ou precoce. Começa pela
nuca e mandíbula (1 a 2 horas); músculos
tóraco-abdominais (2 a 4 horas); membros
superiores (4 a 6 horas); membros inferio-
res (6 a 8 horas) post mortem. Desapare-
ce a rigidez progressivamente na mesma
ordem cedendo lugar à flacidez muscular
entre 36 a 48 horas do óbito.
4. Livores e hipóstase Como regra, de 2 a 3 horas após a morte,
fixando-se definitivamente de 8 a 12 horas
após a morte. Podem surgir 30 minutos
após a morte em casos excepcionais.
5. Macha verde abdominal Entre 18 a 24 horas, estendendo-se pro-
gressivamente por todo corpo do 3º ao 5º
dia após a morte. Pode ser influenciada
pela temperatura ambiente. Indicativo de
putrefação.
A extensão da macha verde abdominal
dura cerca de 3 a 5 dias.
6. Flacidez Inicia-se em cerca de 36 horas até pouco
mais de 48 horas.
7. Gases de putrefação O gás sulfídrico surge entre 9 a 12 horas
após o óbito. Indicativo de putrefação.

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8. Decréscimo de peso De valor relativo. Em recém-nascidos e


crianças, em geral, é de 8g/kg de peso nas
primeiras 24 horas após o falecimento.
9. Fauna cadavérica Da primeira à última legião (oitava) se-
guem-se de 8 a 15 dias até mais de 36 me-
ses.
10. Esqueletização Mais de 36 meses.
Graficamente:

1.2. Morte Natural, Morte Violenta, Morte Súbita, Morte Agônica


e Morte Suspeita; Sobrevivência

Croce e Croce Jr. (2012), anota que morte natural é a decorrente de causas patológicas ou
por grave malformação, incompatível com a vida extrauterina prolongada. Por sua vez, morte
violenta é a resultante de ação exógena e lesiva, ainda que tardiamente, contra o corpo, poden-
do ser causada por acidente, suicídio ou crime.

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003. (CESPE/CEBRASPE/DELEGADO DE POLÍCIA/PC-SE/2018) Um homem de quarenta e


cinco anos de idade morreu após se engasgar com um pedaço do sanduíche que comia em
uma lanchonete. Ele estava na companhia do seu cunhado, que não conseguiu ajudá-lo a re-
tomar o fôlego. Os empregados da lanchonete acionaram o socorro médico, mas não houve
êxito na tentativa de evitar a morte do homem.
Considerando essa situação hipotética e os diversos aspectos a ela relacionados, julgue o
item a seguir.
O evento morte descrito será classificado, quanto à causa jurídica, como morte natural.

A assertiva não trata de uma situação de morte natural, mas sim de morte violenta, na moda-
lidade morte acidental.
Morte natural é aquela que sobrevém motivada amiúde por causas patológicas ou por grave
malformação, incompatível com a vida extrauterina prolongada. Por sua vez, morte violenta é
aquela que resulta de uma ação exógena e lesiva (suicídio, homicídio, acidente), mesmo tardia-
mente, sobre o corpo humano.
Errado.

Define-se a morte súbita como toda que ocorre de forma inesperada, que se produz ines-
peradamente, precedida ou não de agonia, de modo que não é possível explicá-la ao tempo de
evolução da causa da morte.
A morte agônica é a considera lenta, sofrida, em tempo relativamente longo. Isso implica
na formação mais lenta dos livores hipostáticos. A fim de diferenciá-la da morte súbita, exis-
tem dois elementos consistentes nas docimásias hepáticas e suprarrenais, que se baseiam na
pesquisa de glicose e de glicogênio no fígado, e de adrenalina e sua dosagem nas glândulas
suprarrenais.
Graficamente:

Docimásia Hepática Química Docimásia Suprarrenal


(Lacassagne e Martin) (Leoucini e Cevidalli)
Analisa o nível de glicogênio e glicose no Avalia o nível de adrenalina nas glândulas
fígado. Caso esteja baixo, indica positivo suprarrenais. Terá havido morte agônica
para morte agônica; se regular a reserva se os níveis estiverem baixos (depleção);
de glicogênio, a morte foi rápida. se regulares (repleção), a morte terá sido
rápida.

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Por morte suspeita, compreende-se a que ocorre em pessoas de aparente boa saúde e,
inesperadamente, sem causa evidente, ou com sinais de violência definidos (por exemplo, si-
mulação de suicídio) ou indefinidos, incute-se desconfiança sobre sua origem. Assim, é a mor-
te em que sempre houver a possibilidade de não ter sido natural a sua causa (Hygino Hercules
citado por Ferreira, 2020).
Por fim, sobrevivência é “o período de tempo que vai desde o evento danoso até a morte”,
“os últimos momentos da vida; o estado que precede a morte” (p. 1678), período esse em que,
caso advenha a morte, permitirá verificar se ocorreu morte agônica ou morte rápida.

1.3. Lesões intra Vitam e Post Mortem


A relevância do tema em proposta diz respeito à determinação de se as lesões ocorreram
com a pessoa viva ou morta, algo que implica diretamente no enquadramento penal. Saliente-se,
oportunamente, para o chamado período de incerteza de diagnóstico de Tourdes, no qual não
é possível assegurar se as lesões ocorreram poucas horas antes ou depois do evento morte.
Chamam-se lesões intencionais nos casos em que o autor do fato empreende esforços para
descaracterizar a causa original da morte. Possível, ainda, que ocorram lesões acidentais, nas
quais o indivíduo causa a si mesmo em decorrência de mortes agônicas ou mesmo naturais.
As lesões intra mortem ou post mortem podem ser verificadas através de seu aspecto ex-
terno, em que, no indivíduo vivo, apresentam crosta nas escoriações e infiltração hemorrágica
dos tecidos moles; bordas afastadas, em vista da ação elástica dos tecidos superiores da pele.
Outro indicativo importante é o índice de Verderau, no qual é comparada a relação entre
as hemácias e leucócitos da região suspeita, pois não há modificação se a lesão foi causada
na morte. Em outras palavras, a equimose demonstra que houve reação vital, cuja tonalidade
auxilia no diagnóstico do tempo da lesão.

1.4. Causa Médica e Causa Jurídica da Morte


Sinteticamente, as causas médicas são as verificadas pela análise do tipo de doença ou
evento lesivo que acometeu o indivíduo. Por causas jurídicas, tem-se o intento de estabelecer
se a morte foi natural ou não, especialmente se violenta. Isso é, causa jurídica da morta toda
e qualquer causa violenta – homicídio e suicídio – ou acidental capaz de determinar a morte.

1.4.1. Homicídio, Suicídio e Morte Acidental

Por homicídio, entende-se a morte voluntária ou involuntária causada por uma pessoa con-
tra outra. Usualmente, em casos de homicídio culposo, exige-se do perito a indicação a qual
elemento de imperícia, negligência ou imprudência se aplica ao caso.
Em casos de homicídios dolosos, o perito buscará esclarecer à justiça:

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1. Nexo causal entre a agressão alegada e o evento morte;


2. Qual o meio empregado;
3. Estado mental do homicida;
4. Sua periculosidade;
5. Se se trata de embriaguez fortuita ou preordenada;
6. Se foi cometido mediante o emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tor-
tura ou outro meio insidioso ou cruel;
7. Se foi cometido sob violenta emoção;
8. A idade do agente (menor de 21 na data do fato; maior de 70 anos na data da
sentença);
9. A atitude da vítima (postura, lesões de defesa, sede e ordem das lesões etc.);
10. A execução de certos atos pela vítima, após o ferimento mortal;
11. A mudança de posição, dolosa ou acidental, da vítima (lesões de arrasta-
mento das vestes, dos tegumentos; hipóstase interna ou externa);
12. Agentes silvícolas, o grau de adaptabilidade etc.

Compreende-se por suicídio a deserção voluntária da própria vida, a morte por vontade e
sem constrangimento de si próprio. É a pessoa que, deliberadamente, consuma a própria mor-
te (Croce; Croce Jr., 2012).
A conceituação dessa moralidade jurídica de morte requer: a) elemento subjetivo – o de-
sejo de morrer; b) elemento objetivo – o resultado morte. Não se confunde com esse conceito
as pessoas que morrem no cumprimento do dever, como soldados e bombeiros em ação, ou
mesmo os que falecem tentando, em gesto altruístico, salvar semelhantes.
Por fim, a morte acidental é causa jurídica representada por acidentes aeroviários, ferrovi-
ários, marítimos.
A título de diagnóstico diferencial da causa jurídica da morte consoante o meio empregado
(Croce; Croce Jr., 2012), tem-se:
1. Lesões por instrumentos cortantes Comuns no suicídio e no homicídio, excep-
cionalmente no acidente.
2. Lesões por instrumentos contundentes Ocorrem no homicídio, suicídio e aciden-
tes.
3. Lesões por instrumentos cortocontun- Surgem nos casos de homicídio e, excep-
dentes cionalmente, acidentes.
4. Lesões por instrumentos perfurantes Raras em suicídios e acidentes, mas co-
muns em homicídios.
5. Lesões por instrumentos perfurocortan- Igualmente raras em suicídios e acidentes;
tes comuns em homicídios.

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6. Lesões por instrumentos perfurocontun- Raras em mortes acidentais, comuns em


dentes homicídios e suicídios.
7. Esmagamentos Recorrente de ocorrer em acidentes.
8. Precipitação (defenestração) Comuns em suicídios e no homicídio; rara-
mente acidental.
9. Enforcamento Bastante raro em casos acidentais, co-
muns em suicídios e pouco comum em
homicídios.
10. Estrangulamento Comum em homicídios dada sua natureza;
excepcional em suicídios e acidentes.
11. Sufocação Comum em casos de acidentes e homicí-
dio.
12. Afogamento Raro em homicídios, sendo comum em
acidentes e suicídio.
13. Envenenamento Mais comum em suicídios; menos frequen-
te em homicídio e acidente.
14. Queimaduras Comuns no suicídio e acidentes, menos
comuns em homicídios.
Finalmente, em casos de mortes naturais é acionado o Serviço de Verificação de Óbitos
(SVO) para averiguar investigar as causas de óbito. O Instituto Médico Legal (IML), por outro
lado, investiga mortes violentas e/ou acidentais, como, por exemplo, as mortes por afogamen-
to, estrangulamento, por armas de fogo, arma branca, queimaduras, eletricidade, homicídio,
suicídio e suspeitas de envenenamento ou outros interesses da Justiça que demandem inves-
tigações profissionais.

1.5. Inumação e Exumação; Cremação e Embalsamamento


a) Inumação

Compreende-se por inumação o ato de sepultar o cadáver; é sepultamento, enterramento


(Croce; Croce Jr., 2012). Poder ser:

Inumação Simples Inumação com Necropsia


Forma mais corriqueira. Deve se aguardar Obrigatória nos casos de morte violenta.
período de cautela de 24 horas, não poden- Consequentemente, facultativa nas mor-
do ultrapassar 36 horas, salvo por motivos tes naturais. Com a necropsia, visa-se à
excepcionais, como nos casos de doenças determinação da cronotanatognose, iden-
contagiosas. Não pode ser feita sem a cer- tificação do cadáver e determinação da
tidão de óbito. causa médica da morte.

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b) Exumação

A exumação é o processo de desenterramento do cadáver, não importa o local onde esteja


sepultado. É procedimento indispensável, mas que deve ser tratado com prudência, sempre que:
a) houver suspeita, após o sepultamento, de ter sido violenta a causa jurídica da morte;
b) para dirimir dúvidas da primeira necropsia; ou
c) para verificação/confirmação da identidade.
Nesse contexto, vale colacionar o que define o Código de Processo Penal (CPP) para o
instituto da exumação, a saber:

Art. 163. Em caso de exumação para exame cadavérico, a autoridade providenciará para que, em
dia e hora previamente marcados, se realize a diligência, da qual se lavrará auto circunstanciado.
Parágrafo único. O administrador de cemitério público ou particular indicará o lugar da sepultura,
sob pena de desobediência. No caso de recusa ou de falta de quem indique a sepultura, ou de en-
contrar-se o cadáver em lugar não destinado a inumações, a autoridade procederá às pesquisas
necessárias, o que tudo constará do auto.
Art. 164. Os cadáveres serão sempre fotografados na posição em que forem encontrados, bem
como, na medida do possível, todas as lesões externas e vestígios deixados no local do crime. (Re-
dação dada pela Lei n. 8.862, de 28.3.1994)
Art. 165. Para representar as lesões encontradas no cadáver, os peritos, quando possível, juntarão
ao laudo do exame provas fotográficas, esquemas ou desenhos, devidamente rubricados.
Art. 166. Havendo dúvida sobre a identidade do cadáver exumado, proceder-se-á ao reconhecimen-
to pelo Instituto de Identificação e Estatística ou repartição congênere ou pela inquirição de teste-
munhas, lavrando-se auto de reconhecimento e de identidade, no qual se descreverá o cadáver, com
todos os sinais e indicações.
Parágrafo único. Em qualquer caso, serão arrecadados e autenticados todos os objetos encontra-
dos, que possam ser úteis para a identificação do cadáver.
Art. 167. Não sendo possível o exame de corpo de delito, por haverem desaparecido os vestígios, a
prova testemunhal poderá suprir-lhe a falta.
Art. 168. Em caso de lesões corporais, se o primeiro exame pericial tiver sido incompleto, proceder-
-se-á a exame complementar por determinação da autoridade policial ou judiciária, de ofício, ou a
requerimento do Ministério Público, do ofendido ou do acusado, ou de seu defensor.
§ 1º No exame complementar, os peritos terão presente o auto de corpo de delito, a fim de suprir-lhe
a deficiência ou retificá-lo.
§ 2º Se o exame tiver por fim precisar a classificação do delito no art. 129, § 1º, I, do Código Penal,
deverá ser feito logo que decorra o prazo de 30 dias, contado da data do crime.
§ 3º A falta de exame complementar poderá ser suprida pela prova testemunhal.

c) Cremação

A cremação consiste na incineração do cadáver, reduzindo-o a cinzas. Processa-se em for-


nos a temperatura de mil a mil e duzentos graus Celsius, que, em cerca de um minuto e meio,

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reduz o corpo de um adulto a pouco mais de dois quilos e meios de cinzas. Após o processo, o
material é recolhido em uma caixa de metal solada e colocada em urna de bronze, normalmen-
te com acabamento artístico. Ao final, as urnas podem ser enterradas ou colocadas em nichos.
A desvantagem da cremação consiste na problemática médico-legal, uma vez que impos-
sibilita a verificação post mortem. A fim de contornar esses riscos, comumente se exige minu-
cioso exame cadavérico prévio, registro de impressões digitais, descrição da arcada dentária
etc. No mais, importante de se saber que só se procede à cremação quando houver vontade
expressa em vida ou por interesse de saúde pública.

d) Embalsamamento

Por meio desse processo, introduz-se nas artérias carótida comum ou femoral e nas cavi-
dades tóraco-abdominal e craniana, nesta última através de lâmina crivada do etmoide, de lí-
quidos desinfetantes, conservadores, dotados de poder germicida e com o objetivo de impedir
a putrefação (Croce; Croce Jr., 2012).
Efetivamente, o embalsamamento almeja impedir a decomposição putrefativa do cadáver
e a consequente desconexão de suas partes ou permitir o sepultamento em prazo maior que
quatro dias após o falecimento.

2. Fenômenos e Diagnóstico da Morte


Caro(a) aluno(a), a morte é um fenômeno complexo. Em outras palavras, é evento que
envolve uma série de fatores, e, no que se relaciona com a tanatologia forense, demanda a
análise dos inúmeros fenômenos relativos à sua probabilidade ou certeza acerca das razões
de ter ocorrido.
No caso, o estudo será a partir dos sinais de probabilidade da morte, que podem ser ime-
diatos ou tardios (consecutivos), seguindo-se da exposição sobre os fenômenos cadavéricos
(transformativos e conservativos).

2.1. Sinais de Probabilidade de Morte


Dentre os sinais abióticos, consideram-se imediatos os seguintes:

SINAIS IMEDIATOS
1. Abolição do tônus muscular Sinal de Rebuillat, feito mediante a injeção
de éter na coxa do indivíduo. Se o mate-
rial refluir pelo orifício da agulha, é sinal de
morte real; se for absorvido pelo organis-
mo, o indivíduo está vivo.
2. Imobilidade Com a morte, o cadáver fica imóvel.

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3. Relaxamento dos esfíncteres Implica na saída de fezes e urinas pelo cor-


po através dos esfíncteres (anal e uretral).
4. Perda da consciência É um fator, mas há outros tipos de ocorrên-
cias que resultam na perda de consciência.
5. Insensibilidade É a ausência de sensibilidade em relação a
eventos como sensações térmicas, toque
e dor. Utiliza-se o sinal de Josat, consisten-
te no pinçamento do mamilo.
6. Face hipocrática Abolição do tônus muscular, ou “máscara
da morte”, em que há expressão facial de
sofrimento, dor ou agonia.
7. Inexcitabilidade elétrica Mesmo com estímulos elétricos, a pessoa
fica inerte.
8. Morte encefálica Como visto, ocorre com a morte do tronco
encefálico (Ponte de Varólio e Bulbo Ra-
quidiano).
9. Cessação da respiração Há várias formas de verificar a cessação,
seja pela ausência dos murmúrios vesicu-
lares (som do ar quando passa pelos brôn-
quios), seja pela colocação de um espelho
próximo ao nariz do morto; se embaçar, é
sinal de que ainda há respiração. Por fim,
há sinal de Winslow, que consiste na apro-
ximação de uma vela do nariz; se a chama
tremeluzir ou apagar, há respiração.
10. Cessação da circulação sanguínea Ocorre quando o sangue deixa de circular
pelo corpo. Há várias formas de verificar, a
exemplo da prova de Halluin, de Terson, de
Bouchut, de Donné, dentre outros.
Agora, em se tratando dos sinais tardios ou consecutivos, temos:
1. Rigidez cadavérica (rigor mortis). Cuida-se do endurecimento muscular pela acidificação
dos músculos e falta de oxigenação. A rigidez ocorre das massas musculares menos volumo-
sas para as mais volumosas, e da cabeça aos pés (lei de Nysten Sommer-Larcher); desapare-
cem na mesma ordem de origem.
1.1. Inicia-se com duas horas, generaliza-se entre cinco a outo horas até 24 horas após a
morte, com o início do processo de putrefação.
2. Livores cadavéricos (livor mortis): ou livores hipostáticos ou hipóstases viscerais. Trata-
-se de formação decorrente da ação da gravidade no interior dos vasos sanguíneos, consisten-

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tes em placas encontradas na parte de declive dos cadáveres, em geral pela cor azul-púrpura.
Consideram-se sinal de certeza de morte e permanecem até o surgimento dos processos de
putrefação.
2.1. O diagnóstico dos livores cadavéricos podem ser feitos com a técnica de Bonnet (pe-
quenos cortes na pele do cadáver, ocorrendo o gotejamento do sangue).
2.2. Cronologia dos livores: em geral, começam entre 10 a 30 minutos após a morte. As
manchas esparsas se formam com 3 horas, generalizando ou se difundindo entre 6 e 8 horas.
Fixam-se entre 6 a 12 horas, mantendo-se visíveis até a putrefação.
2.2.1. Após as 12 horas, ocorrendo a fixação definitiva dos livores, é possível mudar o ca-
dáver de posição sem que se afete as manchas.
3. Resfriamento cadavérico (algor mortis). Normalmente, consiste na adaptação da tempe-
ratura do cadáver com a do ambiente. No entanto, alguns fatores podem afetar esse processo,
como a idade, composição corporal e causa da morte (fatores intrínsecos) ou o ar, a umidade
e ventilação (fatores extrínsecos). A temperatura é medida com um necrômetro (de Bouchut).
3.1. O estudo da temperatura e do resfriamento cadavérico é importante para a determina-
ção da hora da morte.
4. Evaporação tegumentar ou desidratação dos tecidos: com a morte, ocorre a parada do
controle hídrico. Em bebês e fetos, os efeitos dessa interrupção são mais acentuados.
4.1. Nos olhos, podem surgir os chamados sinais de Stenon-Louis, consistentes na eva-
poração do transnudato, implicando na perda da transparência da córnea e presença de tela
abulminosa. Podem surgir, ainda, sinais como a Mancha negra de Sommer/Larcher, Sinal de
Ripault e Sinal de Bouchut.

004. (CESPE/CEBRASPE/DELEGADO DE POLÍCIA/PC-SE/2018) Um homem de quarenta e


cinco anos de idade morreu após se engasgar com um pedaço do sanduíche que comia em
uma lanchonete. Ele estava na companhia do seu cunhado, que não conseguiu ajudá-lo a re-
tomar o fôlego. Os empregados da lanchonete acionaram o socorro médico, mas não houve
êxito na tentativa de evitar a morte do homem.
Considerando essa situação hipotética e os diversos aspectos a ela relacionados, julgue o
item a seguir.
Se o socorro médico tivesse chegado uma hora após o óbito do homem, seria possível consta-
tar a rigidez completa do cadáver e a presença de livores de hipóstases fixados.

Impossível verificar a rigidez cadavérica completa ou a presença de livores de hipóstases fixa-


dos em apenas 1 hora após a morte.

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A rigidez cadavérica possui grande variação, iniciando-se após uma hora da morte. De 1 a 2
horas de morte: rigidez nos pequenos músculos da nuca e face. De 2 a 4 horas de morte: rigi-
dez nos membros superiores. De 4 a 6 horas: rigidez nos músculos do tórax e abdome. De 6 a
8 horas: atinge membros inferiores. A rigidez generalizada se verifica após aproximadamente
8 horas de morte.
Os livores cadavéricos ou hipóstase se iniciam com cerca de 2 a 3 horas de morte, se genera-
lizam com cerca de 6 horas após a morte e se fixam com mais ou menos 12 horas de morte.
Errado.

2.2. Fenômenos Cadavéricos Transformativos


Prezado(a) aluno(a), entende-se por fenômenos transformativos os sinais patognomô-
nicos da morte, que se dividem em destrutivos e conservadores. São destrutivos a autólise,
putrefação e a maceração. Já por conservadores, tem-se a mumificação, a saponificação e
corificação.
Vejamos, em primeiro lugar, os fenômenos destrutivos:

AUTÓLISE
Ocorre quando as células absorvem suas próprias enzimas, autodestruindo-se. Esse
processo determina a acidez intracelular.
Constituem métodos para identificação: a) prova de Lecha-Marzo – utilização de papel
azul de tornassol; b) método de Labord – introdução de estilete de aço no tecido acidi-
ficado, permanecendo com brilho por cerca de trinta minutos.

PUTREFAÇÃO
Sinteticamente, é a decomposição da matéria orgânica pela ação de micro-organismos
presente ou não no corpo humano.
Varia, ainda, conforme as condições climáticas, do solo, acidificação do meio, flora
fauna etc. O processo é, ainda, afetado pela condição física, idade e causa da morte
(fatores intrínsecos) ou pela temperatura, umidade e ventilação (fatores extrínsecos).
A temperatura ambiente, como dito, influencia os fenômenos cadavéricos: a) acima de
25º, favorece ainda mais a putrefação; b) entre 5º e 10º, haverá putrefação; c) abaixo de
5ºC, a a putrefação por ação bacteriana ocorre, mas de maneira mais lenta; d) abaixo
de 0º, normalmente há conservação indefinida do corpo.
Alguns detalhes a mais são importantes sobre o processo de putrefação.
Em locares quentes, secos e muito arejados favorecem a mumificação. Lugares quentes,
úmidos e pouco arejados dificultam a putrefação e favorecem a saponificação. Em locais frios,
pode ou não ocorrer a substituição da putrefação pela mumificação ou por outros fenômenos,
como a adipocera (saponificação).

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Consistem em fases da putrefação:


1. Coloração: também chamada “cromática”, inicia-se cerca de 24 horas com uma mancha
verde abdominal pela ação de bactérias no intestino grosso, especificamente na região do
ceco, na fossa ilíaca direita. A chamada “cabeça de negro de Lecha-Marzo” é comum em afo-
gados e dificulta o reconhecimento visual do cadáver;
2. Gasosa: também chamada de fase enfisematosa, em que, ao se ter iniciado a decompo-
sição, surgem gases do interior do corpo. Como podem ter lugares por onde não sair, formam
bolhas de conteúdo putrefato, que comumente se rompem. Esses gases queimam com a cha-
ma amarela;
2.1. O teste para verificação dos gases é o teste de Ícard. Em mulheres, as mamas aumen-
tam de tamanho, haver prolapso uterino (útero saindo pela vagina). Pode acontecer, inclusive,
que um corpo que esteve no fundo do rio venha a emergir em razão da densidade do gás.
Eventualmente, surge nos cadáveres aspecto de teia de aranha, definido como a circulação
póstuma de Brouardel, em que os gases de putrefação se espalham no interior dos vasos san-
guíneos. Por fim, chama-se parto póstumo de Brouardel a ocorrência de expulsão do útero e do
feto através da vagina em decorrência dos gases;
3. Coliquativa: é a fase em que ocorre a dissolução pútrida total ou parcial do cadáver, com
duração de um a vários meses. Inicia-se, geralmente, cerca de três semanas após a morte; e
4. Esqueletização: última fase, dá-se quando o corpo perde os tecidos moles e os múscu-
los, vísceras e ossos começam a aparecer. Pode levar meses ou anos. Essa fase é afetada por
diversos fatores, especialmente o local, tipo de solo, clima, entre outros.

O PULO DO GATO
Um método para se recordar das fases da putrefação do cadáver se dá pelo mnemônico: CO-
-GA-COLI-ES: 1ª) Cromática; 2ª) Gasosa; 3ª) Coliquativa; e 4ª) Esqueletização.

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MACERAÇÃO
Fase em que ocorre a transformação do corpo pela destruição dos tecidos moles me-
diante a ação prolongada de líquidos. A epiderme se descola da derme e a pele tende a
ficar esbranquiçada e enrugada.
Em indivíduos, pode apresentar duas possiblidades: uma séptica, resultante da exposi-
ção prolongada do corpo a líquidos contaminados normalmente por micro-organismos,
o que não impede a putrefação; e outra oposta, asséptica, comum em fetos que ficam
protegidos pelo líquido amniótico no útero.
Em fetos, possui graus: o primeiro se dá pela formação de flictenas, normalmente entre
três dias a uma semana da morte; o segundo é marcado pela presença de líquido amni-
ótico, hemorrágico e epiderme roxa, rompimento de bolhas, usualmente entre outo dias
a partir do óbito; e o terceiro se dá pela deformidade craniana e infiltração hemoglobí-
nica das vísceras, ganhando o feto tonalidade marrom escuro. Esse tipo de informação
é relevante para a responsabilidade penal, como nos casos de erros médicos, fraudes
no nascimento, entre outros.

Com relação aos fenômenos conservadores, tem-se:

MUMIFICAÇÃO
É processo de origem química, artificial (ou provocado, como no embalsamento),
geral ou local (uma só parte do corpo), ou espontâneo (natural), de maneira superficial
ou profunda.
Para que esse processo ocorra exige-se baixos índices de umidade, embora outros
fatores possam afetar (compleição física, altura, peso etc.). Ocorre em cerca de dois a
três meses a partir da morte.

SAPONIFICAÇÃO
Também chamada de adipocera, é marcado por odor de queijo rançoso e adoci-
cado (Ferreira, 2020). Comum de ocorrer em casos de covas múltiplas, cadáveres etc.
Não é processo inicial, ocorrendo por volta de um a três meses após a morte.
Cuida-se de fenômeno em que o tecido do corpo é transformado em substância
amarelo-acinzentada, untuosa, quebradiça ou mole.
Pode ocorrer de modo concomitante com a mumificação e a putrefação, além de
que os indivíduos com essa condição são encontrados em partes, segmentos, geral-
mente pequenos. Tanto a idade como a gordura do corpo, assim como o clima e ele-
mentos junto ao corpo (metais, por exemplo) influem no processo de saponificação.
Como a adipocera pode conservar características físicas do indivíduo, possibilida-
de a identificação, de lesões inclusive.

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CORIFICAÇÃO
Há autores que afirmam ser a corificação etapa do fenômeno da mumificação (Ro-
berto Blanco, citado por Ferreira, 2020). É processo em que o cadáver ganha aspecto
parecido com o coro e ocorre por causa da desidratação dos tecidos cutâneos.

005. (IBADE/DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL/PC-AC/2017) O exame médico-legal em um ca-


dáver constatou a presença de um feto ainda no interior do útero, em meio líquido, com desta-
camento de amplas partes do tecido cutâneo, flictenas na epiderme, bem como cavalgamento
dos ossos cranianos. Diante dessas informações, pode-se afirmar que o feto sofreu:
a) Maceração
b) saponificação.
c) eletroplessão.
d) Mumificação
e) carbonização.

Diante do enunciado da questão, verifica-se hipótese de maceração.


A maceração é a transformação cadavérica destrutiva em meio líquido.
A maceração asséptica ocorre no feto morto retido dentro do útero. O feto fica macerado em
razão da presença do líquido amniótico. A decomposição se inicia em ambiente líquido. Acon-
tece normalmente no 6º ao 9º mês de gestação.
Letra a.

2.3. Exame do Local do Crime; Exame em Local de Morte Violenta ou


Suspeita (Perinescroscopia)
Caro(a) aluno(a) e futuro(a) Delegado(a): o exame do local do crime (e, no contexto da ta-
natologia, o exame de local de morte violenta ou suspeita – a perinescroscopia), é a diligência
mais importantes a cargo da Polícia.
Vale lembrar, logo de início, que a realização correta de perícia nos locais de crime, e no-
tadamente em locais de morte, importa para a correta definição da tipificação penal, inclusive
sobre circunstâncias que implicam em providências processuais penais.
É caso, por exemplo, de se descobrir elementos que tornem hediondo o crime, afetando,
diretamente, e por exemplo, questões relativas à prisão temporária (Lei n. 7.960/89), cujo prazo
ordinário é de cinco (art. 1º, I) e passa para trinta dias no caso de homicídios qualificados.

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Portanto, é no local da prática da infração penal (conforme escrito no art. 6º, caput, do CPP)
que poderão ser encontrados (muito provavelmente serão) encontrados, identificados elemen-
tos e indícios que esclarecerão os fatos ou auxiliaram nesse esclarecimento.
Nesse contexto, o art. 6º, do CPP, relaciona as medidas preliminares e vitais que a autorida-
de policial deve tomar tão logo tenha conhecimento da prática da infração penal:

Art. 6º Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autoridade policial deverá:
I – dirigir-se ao local, providenciando para que não se alterem o estado e conservação das coisas,
até a chegada dos peritos criminais; (Redação dada pela Lei n. 8.862, de 28.3.1994)
II – apreender os objetos que tiverem relação com o fato, após liberados pelos peritos criminais;
(Redação dada pela Lei n. 8.862, de 28.3.1994)
III – colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e suas circunstâncias;
IV – ouvir o ofendido;
V – ouvir o indiciado, com observância, no que for aplicável, do disposto no Capítulo III do Título Vll,
deste Livro, devendo o respectivo termo ser assinado por duas testemunhas que Ihe tenham ouvido
a leitura;
VI – proceder a reconhecimento de pessoas e coisas e a acareações;
VII – determinar, se for caso, que se proceda a exame de corpo de delito e a quaisquer outras perí-
cias;
VIII – ordenar a identificação do indiciado pelo processo datiloscópico, se possível, e fazer juntar
aos autos sua folha de antecedentes;
IX – averiguar a vida pregressa do indiciado, sob o ponto de vista individual, familiar e social, sua
condição econômica, sua atitude e estado de ânimo antes e depois do crime e durante ele, e quais-
quer outros elementos que contribuírem para a apreciação do seu temperamento e caráter.
X – colher informações sobre a existência de filhos, respectivas idades e se possuem alguma defici-
ência e o nome e o contato de eventual responsável pelos cuidados dos filhos, indicado pela pessoa
presa. (Incluído pela Lei n. 13.257, de 2016)

Destaque bastante relevante a ser feito diz respeito à expressão do caput do art. 6º, que men-
ciona a necessidade de atuação policial tão logo tome conhecimento da “prática da infra-
ção penal”.

Como se vê, a lei não fala em “conhecimento da infração penal”, mas de sua prática, dando
a entender que, a partir do que existir no local dos fatos, do trabalho de coleta dos elementos
e da posterior análise pericial, assim como da instrução do inquérito policial presidido pelo
Delegado, é que a autoridade decidirá se houve ou não a ocorrência de crime ou contravenção.
Por isso, atenção! Pode parecer, mas são colocações tratadas como se se referissem à
mesma situação. Local do fato é, a priori, expressão mais segura a se considerar que, somen-
te com a análise especializada é que se terá a certeza de que, em determinado local, houve

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infração penal, o que somente ocorre posteriormente e com a compreensão de todas as cir-
cunstâncias.
Assim, a determinação de preservação do local do crime é essencial. É por essas razões,
inclusive, que Genival França (2017) explica que, com relação ao exame onde tenha ocorrido
evento morte é apropriado se referir como “exame de local de morte”, uma vez que poderá se
constituir em homicídio (geralmente perceptível de imediato), suicídio ou morte natural ou por
razões fortuitas.
Continuando, temos que o local de crime é de suma importância para o sucesso de uma
investigação, pois, não raro, o que eventualmente for apurado nele ditará os rumos futuros
do trabalho policial, de modo que, se conduzido correta e adequadamente, respeitando-se os
procedimentos padrões e o que determinam as normativas aplicáveis (a começar pelo CPP).
Se analisado contextualmente, vê-se que as definições do dispositivo do CPP citadas não
se restringem aos trabalhos que podem e devem ser realizados no local da prática da infração,
mas, a partir dele, podem ser continuadas.
É o caso, por exemplo, da identificação de suspeitos, de possíveis testemunhas e de deta-
lhes outros acerca da dinâmica do ocorrido que não se restrinjam exatamente à circunscrição
de onde o fato efetivamente ocorreu.
Com efeito, o local de crime possui tal relevância que, no art. 169, do Código de Processo
Penal, reitera-se a necessidade acerca da sua preservação, a saber:

Art. 169. Para o efeito de exame do local onde houver sido praticada a infração, a autoridade provi-
denciará imediatamente para que não se altere o estado das coisas até a chegada dos peritos, que
poderão instruir seus laudos com fotografias, desenhos ou esquemas elucidativos.

Lembre-se, caro(a) aluno(a), que outra etapa de extrema importância corresponde ao res-
peito à cadeia de custódia da prova, com o que dispõe o CPP, em seu arts. 158-A a 158-F, inclu-
ído pela Lei n. 13.964/19, o Pacote Anticrime.
Isso porque se garantirá, especialmente em relação a esse momento preliminar do local
da prática da infração, a idoneidade e legitimidade dos elementos que eventualmente forem
encontrados (sobre o assunto, recomendamos a leitura e estudo do tópico próprio na Aula 1).
Normalmente, cada órgão policial detém protocolos de orientação de seus próprios agen-
tes e servidores sobre técnicas e métodos mais apropriados, os quais são formados a partir
de pesquisas e estudos acerca da padronização de ações mais eficazes a serem adotadas
por ocasião de investigações e, no caso, em exames em local de crime (ou de morte violenta
e suspeita).
Ademais, entende-se pelo art. 6º, do CPP, que é igualmente relevante que a autoridade
policial acompanhe e observe o trabalho dos peritos no momento da coleta dos elementos de
interesse, como as armas e outros instrumentos da infração penal, tendo em vista as rotinas

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da cadeia de custódia, mas principalmente a regularidade e porque o Delegado será, ao fim da


investigação, o maior interessado.
Especificamente com relação à perinescroscopia, ao chegar no local do evento, os primei-
ros aspectos a serem observados no corpo costumam ser o estado de rigidez ou flacidez, se
há ou não processo de putrefação, assim como a posição em que foi localizado.
Os dados observados e entabulados devem ser detalhadamente registrados e auxiliarão na
confecção do chamado relatório de recognição visuográfica, que, além das referidas e outras
informações, conterá fotos e dados para que se retrate, com a maior exatidão permitida, o que
foi verificado in loco, notadamente porque esse tipo de elemento de informação servirá não
só à autoridade policial, mas poderá ser aproveitado em futura ação penal e no contexto do
Tribunal do Júri.
Frise-se, oportunamente, que a elaboração do referido relatório não substitui a necessi-
dade de perícia, que deve ser realizada no prazo estipulado no art. 160, parágrafo único, do
Código de Processo Penal:

Art. 160. Os peritos elaborarão o laudo pericial, onde descreverão minuciosamente o que examina-
rem, e responderão aos quesitos formulados. (Redação dada pela Lei n. 8.862, de 28.3.1994)
Parágrafo único. O laudo pericial será elaborado no prazo máximo de 10 dias, podendo este prazo
ser prorrogado, em casos excepcionais, a requerimento dos peritos. (Redação dada pela Lei n. 8.862,
de 28.3.1994) (grifo nosso)

Aspectos igualmente importantes de serem analisados no exame do local se refere à posi-


ção de objetos e do próprio cadáver. No caso, a desorganização do espaço no qual ocorreu o
fato não só pode, por si só, constituir-se em indicativo da dinâmica do ocorrido, como também
pode acarretar a ocultação de elementos informação relevantes (propositalmente ou não).
Nesse sentido (Ferreira, 2020):

Os peritos devem procurar perceber o ambiente. Verificar se as portas e janelas estão fechadas ou
abertas, se há ventilação, se mais alguém além da vítima tinha as chaves da casa etc. Se o ambien-
te estiver com peças tombadas ou fora de um lugar natural, ou utensílios quebrados, como copos,
pode-se presumir que houve luta corporal.

Assim, a forma como um cadáver é encontrado deve, indiscutivelmente, ser levada em


consideração. E mais: em conjunto com essa circunstância, hão de ser verificadas, registradas
e detalhadas as condições do corpo, tendo em vista que, a depender do local ou da estrutura
médico-legal, a conservação dos elementos seja precária ou inexistente.
Outro elemento muito importante é a busca pela existência de manchas de sangue, em que
o formato da gota, no chão ou em paredes, permitirá formar conclusões aproximadas sobre a
posição do corpo ou direção da agressão (e, consequentemente, a dinâmica dos fatos).

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Além disso, podem ser buscadas a presença de vegetação no próprio corpo, o que pode
apontar para o local onde tenha efetivamente ocorrido a provável ação criminosa (e não onde
foi encontrado).
Em termos de pesquisa e registros fotográficos, as lesões patognomônicas se sobressa-
em, uma vez que é a partir delas que se verifica possível identificar o instrumento provocador
da lesão, quiçá a forma como ocorreu o evento morte.
Por isso, esse primeiro contato com a prova é essencial.
Ferreira (2017) aponta para os seguintes elementos e circunstâncias que podem (na verda-
de, devem) ser verificados por ocasião do exame de local de morte, quais sejam:

Os sinais de morte a posição em que o corpo foi encontrado (por exemplo, decúbito ventral – abdô-
men para baixo – ou decúbito dorsal – adbômen para cima); o estado das vestes; observação para
identificar se há lesões de luta, de defesa ou de hesitação; posição de fluidos, tais como gotas de
sangue; as características morfológicas da lesão, bem como as suas dimensões; possível relação
com as lesões e os instrumentos encontrados; análise dos fenômenos cadavéricos para averigua-
ção aproximada da hora da morte, o sentido dos golpes nos casos de esgorjamento e de lesões
provocadas por armas brancas; o número de lesões; relacionar a incidência do tiro e o número das
lesões; vestígios que permitam afirmar a causa jurídica da morte dentre tantos outros, são dados a
serem observados durante a perinescroscopia (p. 463).

Doutro giro, com relação às lesões e mortes produzidas por projéteis de arma de fogo e à
balística, esses elementos possibilitam identificar a dinâmica do evento, bem como o modo
como o fato ocorreu, auxiliando a identificação da arma que efetuou os disparos e, quando
possível, a autoria.
Sobressai, nesse contexto da balística, a hipótese de suicídio cometido com emprego de
arma de fogo, em que a verificação da área e a distância do disparo permitem não só a con-
firmação da hipótese, como também se há sinais de disparo a curta distância, com o cano
encostado.
Em outros tipos de mortes, como nas defenestrações (quedas ou precipitações), aspecto
relevante relaciona-se com a distância do local da queda da vítima. no caso, considera-se essa
informação medindo-a com uma linha vertical do prédio, pois há maior chances de se tratar de
suicídio quando a distância for maior.
Importante elemento de investigação consiste nas chamadas lesões de defesa, porquanto
são importantes para apontar se a vítima foi surpreendida ou se teve alguma chance de defe-
sa, cuja análise deve ser, tanto quanto possível, cotejada com os demais elementos colhidos.
Lembrando que essa informação é relevante para os fins de enquadramento na hipótese
qualificada do homicídio, em que tenha sido difícil ou impossível a defesa por parte da vítima,
nos termos do art. 121, §2º, inciso IV, do Código Penal:

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Art. 121. Matar alguém:
[...]
§2º Se o homicídio é cometido:
[...]
IV – à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne
impossível a defesa do ofendido; (grifo nosso)

Por fim, a pesquisa de DNA no local de crime tem se revelado recurso com extremo poten-
cial em investigações criminais. Esse exame se presta ao auxílio tanto na determinação da au-
toria, como nos casos de existência de vestígios de natureza biológica, como na identificação
de vítimas, em que, por vezes, a depender do estado em que se encontram, em que outros ele-
mentos normalmente utilizados são inviáveis ou não permitem o fornecimento de informações
seguras para o processo de identificação.
Comumente, utiliza-se as ferramentas como o CODIS (Combined DNA Indez System), ban-
co de dados envolvendo o DNA, e o PCR (polyerase chain reaction), técnica para realização
de exames.

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RESUMO
1. Tanatologia: ramo da medicina legal que estuda a morte e as implicações a ela relacio-
nadas, principalmente sobre o destino do cadáver ou de suas partes. É estudo da morte pro-
priamente dita, dos fenômenos relacionados ao diagnóstico da morte e dos exames de locais
de morte violenta ou suspeita (perinescroscopia).
2. Morte é a cessão dos fenômenos vitais pela parada das funções cerebral, respiratória e
circulatória. Classifica-se em anatômica, histológica, aparente, relativa, intermédia e real.
3. Tanatognose que avalia os chamados sinais de morte, classificados em duvidosos, pro-
váveis e certos. Pode também ser classificada em: a) morte circulatória; e b) morte cerebral.
4. Submetem-se a verificação por morte encefálica pacientes em coma não perceptivo,
com ausência de reatividade subpraespinhal e apneia persistente, além de outros requisitos
técnicos específicos.
5. Morte aparente: o indivíduo se assemelha-se ao morto, porém está vivo, em débil persis-
tência da circulação. Pode durar horas, sendo possível a recuperação pelo emprego de socorro
médico imediato e adequado.
6. Sinais tanatomiméticos são os que imitam a morte real: afogamento, catalepsia (ausên-
cia crônica de vontade), êxtase, ação do frio, transe, eletroplessão, estados gerais de coma e
abuso de barbitúricos (fármacos que deprimem o sistema nervoso central).
7. Tríade de Thoinot: a) imobilidade; b) ausência aparente de circulação; c) ausência apa-
rente de respiração.
8. Premoriência: quando é possível comprovar que uma pessoa, pelas circunstâncias exis-
tentes, morreu em momento anterior em relação a outra.
9. Comoriência: quando duas ou mais pessoas morrem na mesma ocasião, não sendo pos-
sível determinar com exatidão quem faleceu primeiro, presumindo-se que ambas faleceram
simultaneamente.
10. Morte natural: decorrente de causas patológicas ou por grave malformação, incompa-
tível com a vida extrauterina prolongada.
11. Morte violenta: resulta de ação exógena e lesiva, ainda que tardiamente, contra o corpo,
podendo ser causada por acidente, suicídio ou crime.
12. Morte súbita: é a ocorre de forma inesperada, que se produz inesperadamente, prece-
dida ou não de agonia, de modo que não é possível explicá-la ao tempo de evolução da cau-
sa da morte.
13. Morte agônica: é a considera lenta, sofrida, em tempo relativamente longo. Isso implica
na formação mais lenta dos livores hipostáticos. A fim de diferenciá-la da morte súbita, exis-
tem dois elementos consistentes nas docimásias hepáticas e suprarrenais, que se baseiam na
pesquisa de glicose e de glicogênio no fígado, e de adrenalina e sua dosagem nas glândulas
suprarrenais.

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14. Morte suspeita: ocorre em pessoas de aparente boa saúde e, inesperadamente, sem
causa evidente, ou com sinais de violência definidos (por exemplo, simulação de suicídio) ou
indefinidos, incute-se desconfiança sobre sua origem.
15. Sobrevivência: período entre o evento danoso até a morte.
16. Lesões intra vitam e post mortem: servem à determinação de se as lesões ocorreram
com a pessoa viva ou morta, algo que implica diretamente no enquadramento penal. Podem
ser verificadas através de seu aspecto externo, em que, no indivíduo vivo, apresentam crosta
nas escoriações e infiltração hemorrágica dos tecidos moles; bordas afastadas, em vista da
ação elástica dos tecidos superiores da pele.
17. Causas médicas da morte: verificadas pela análise do tipo de doença ou evento lesivo
que acometeu o indivíduo.
18. Causas jurídicas da morte: toda e qualquer causa violenta – homicídio e suicídio – ou
acidental capaz de determinar a morte. Isso é, estabelecer se a morte foi natural ou não, espe-
cialmente se violenta.
19. Homicídio: a morte voluntária ou involuntária causada por uma pessoa contra outra.
20. Suicídio: a deserção voluntária da própria vida, a morte por vontade e sem constrangi-
mento de si próprio.
21. Morte acidental: é causa jurídica representada por acidentes aeroviários, ferroviários,
marítimos.
22. Serviço de Verificação de Óbitos (SVO): serviço para averiguar investigar as causas de
óbito por causas naturais.
23. O Instituto Médico Legal (IML): investiga mortes violentas e/ou acidentais.
24. Inumação: é o ato de sepultar o cadáver; é sepultamento, enterramento. Pode ser sim-
ples: aguardar período de cautela de 24 horas, não podendo ultrapassar 36 horas, salvo por
motivos excepcionais. Ou inumação com necropsia: ocorre nos casos de morte violenta.
25. Exumação: processo de desenterramento do cadáver, não importa o local onde esteja
sepultado. Previsão legal básica constante do art. 163 ao art. 168, do Código de Processo Penal.
26. Cremação: consiste na incineração do cadáver, reduzindo-o a cinzas.
27. Embalsamamento: procedimento que visa impedir a decomposição putrefativa do ca-
dáver e a consequente desconexão de suas partes ou permitir o sepultamento em prazo maior
que quatro dias após o falecimento.
28. Sinais de probabilidade da morte: podem ser imediatos ou tardios (consecutivos).
29. Fenômenos cadavéricos: podem ser transformativos e conservativos.
30. Sinais imediatos de probabilidade de morte: a) abolição do tônus muscular; b) imobili-
dade; c) relaxamento dos esfíncteres; d) perda da consciência; e) insensibilidade; f) face hipo-
crática; g) inexcitabilidade elétrica; h) morte encefálica; i) cessação da respiração; j) cessação
da circulação sanguínea.

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31. Sinais tardios ou consecutivos: a) rigidez cadavérica; b) livores cadavéricos; c) resfria-


mento cadavérico; d) evaporação tegumentar ou desidratação dos tecidos.
32. Fenômenos cadavéricos transformativos: a) destrutivos: autólise, putrefação, macera-
ção; b) conservadores: mumificação, saponificação, corificação.
33. Autólise: Ocorre quando as células absorvem suas próprias enzimas, autodestruindo-
-se. Esse processo determina a acidez intracelular.
34. Putrefação: é a decomposição da matéria orgânica pela ação de micro-organismos
presente ou não no corpo humano. Tem quatro fases: coloração, gasosa, coliquativa e es-
queletização.
35. Maceração: fase em que ocorre a transformação do corpo pela destruição dos tecidos
moles mediante a ação prolongada de líquidos. A epiderme se descola da derme e a pele tende
a ficar esbranquiçada e enrugada.
36. Mumificação: processo de origem química, artificial (ou provocado, como no embalsa-
mento), geral ou local (uma só parte do corpo), ou espontâneo (natural), de maneira superficial
ou profunda.
37. Saponificação: adipocera, é marcado por odor de queijo rançoso e adocicado (Ferreira,
2020). Comum de ocorrer em casos de covas múltiplas, cadáveres etc. Não é processo inicial,
ocorrendo por volta de um a três meses após a morte.
38. Corificação: processo em que o cadáver ganha aspecto parecido com o coro e ocorre
por causa da desidratação dos tecidos cutâneos.

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MAPAS MENTAIS

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QUESTÕES DE CONCURSO
006. (UEG/DELEGADO DE POLÍCIA/PC-GO/2018) Para o conhecimento estimado do tempo
de morte são utilizados os critérios preconizados pela cronotanatognose. Segundo o que dita
o artigo 162, do Código Penal Brasileiro, a autópsia deverá ser iniciada pelo menos seis horas
após a constatação da veracidade do óbito, ou antes, caso existam sinais de certeza da morte,
o que deverá ser anotado pelo perito no laudo. Segundo os conhecimentos da cronotanatog-
nose e atendendo ao preceito legal exposto, tem-se que:
a) a mancha verde, dependente de ação bacteriana, ocorre na fossa ilíaca e revela o início da
putrefação.
b) a midríase paralítica bilateral é um sinal abiótico consecutivo que servirá para a confirma-
ção da morte.
c) a algidez cadavérica segue os princípios da Lei de Nysten, tendo sentido de ocorrência
craniocaudal.
d) a rigidez cadavérica é um fenômeno abiótico mediato que se inicia pelos músculos mais
volumosos.
e) os livores cadavéricos ou manchas de hipostase permitem o conhecimento da posição
do cadáver.

a) Errada. A mancha verde abdominal faz parte do processo de putrefação em sua primeira
fase (coloração ou cromática), surgindo geralmente na fossa ilíaca direita em decorrência da
ação bacteríana e concentração de gases, principalmente o sulfídrico. Mas, em afogados e
fetos mortos, a macha verde tem início no torax.
b) Errada. Trata-se de sinal abiótico imediato, de probabilidade ou de diagnóstico de morte,
indicando probabilidade da morte.
c) Errada. A Lei de Nysten trata da rigidez cadavérica, não algidez. A algidez é o esfriamento do
corpo, já a rigidez é o endurecimento dos músculos em decorrência do acúmulo de ácido lático.
d) Errada. Trata-se de sinal abiótico consecutivo, mediato, de certeza ou tardio, indicando cer-
teza da morte.
e) Certa. Livor mortis ou livor hipostático é um fenômeno físico que ocorre por influência da
gravidade. O sangue tende a migrar para as regiões baixas do corpo, gerando marcas vinhosas.
O livor se inicia entre 2 e 3 horas após a morte, fixando-se entre 8 e 12 horas após a morte.
Permanece na mesma posição caso se vire o cadáver e permite diagnóstico de alteração da
cena do crime
Letra e.

007. (VUNESP/DELEGADO DE POLÍCIA/PC-SP/2018) De modo geral, nos casos de morte


de causa desconhecida, o cadáver deve ser encaminhado para o IML (Instituto Médico Legal)

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ou para o SVO (Serviço de Verificação de Óbitos) respectivamente, quando a morte for de-
corrente de
a) acidente de trânsito – suicídio.
b) causa natural sem assistência médica – acidente de trânsito.
c) homicídio – suicídio.
d) suicídio – morte natural ou suspeita sem assistência médica.
e) causa externa ou morte suspeita – morte natural sem assistência médica.

O Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) tem a finalidade de investigar as causas de óbito


por morte natural, diferente do Instituto Médico Legal (IML), que investiga mortes violentas
e/ou acidentais, como, por exemplo, as mortes por afogamento, estrangulamento, por armas
de fogo, arma branca, queimaduras, eletricidade, homicídio, suicídio e suspeitas de envenena-
mento ou outros interesses da Justiça que demandem investigações profissionais.
Letra e.

008. (VUNESP/DELEGADO DE POLÍCIA/PC-SP/2018) A putrefação é o processo de decom-


posição da matéria orgânica por bactérias e pela fauna macroscópica, sendo um fenômeno
destrutivo e transformativo, que acaba por devolvê-la à condição de matéria inorgânica. Alguns
fatores podem influir e alterar esse processo, dentre eles a temperatura ambiente.
Podemos então afirmar corretamente que temperaturas
a) abaixo de 5 graus celsius aceleram o processo.
b) abaixo de zero grau celsius tendem a conservar indefinidamente o corpo.
c) entre 5 e 10 graus celsius tendem a conservar indefinidamente o corpo.
d) acima de 25 graus celsius não aceleram o processo.
e) entre 10 e 15 graus celsius tendem a conservar o cadáver por cerca de 48 horas.

a) Errada. Abaixo de 5ºC a putrefação por ação bacteriana ocorreria, porém mais lentamente.
b) Certa. A temperatura abaixo de 0ºC tende a conservar indefinidamente o corpo.
c) Errada. A temperatura entre 5 e 10ºC ocorrerá a putrefação.
d) Errada. A temperatura acima de 25ºC aceleraria a putrefação.
e) Errada. A temperatura entre 5 e 10ºC não seria suficiente para conservar o corpo da putre-
fação no prazo de 48 horas.
Letra b.

009. (VUNESP/DELEGADO DE POLÍCIA/PC-SP/2018) São os 3 fenômenos abióticos media-


tos que ocorrem progressivamente após a morte. Algor (resfriamento), livor (manchas de hi-
póstase) e rigor (rigidez cadavérica). Destes, a rigidez generalizada pode ser observada

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a) somente após 48 horas do óbito.


b) entre 8 e 24 horas após o óbito.
c) entre 1 e 2 horas do óbito.
d) entre 4 e 6 horas após o óbito.
e) entre 24 e 48 horas após o óbito.

A questão aborda a rigidez cadavérica, assunto recorrente em provas de medicina legal.


O processo de rigidez cadavérica se inicia de forma mais rápida nos cadáveres desidratados.
Inicia-se com aproximadamente 2 horas, propagando-se entre 6 a 8 horas, momento em que
ocorre a rigidez generalizada do cadáver. A rigidez perdura até 24 horas após o óbito, período
em que se inicia a putrefação.
Letra b.

010. (FUMARC/DELEGADO DE POLÍCIA/PC-MG/2018) São causas médicas de óbito NÃO


jurídicas:
a) Acidentais.
b) Homicidas.
c) Oncológicas.
d) Suicidas.

A questão aborda os conhecimentos do candidato quanto às espécies de morte. As alterna-


tivas abordam as hipóteses de morte violenta, que é aquela que resulta de uma ação exóge-
na e lesiva, mesmo tardiamente, sobre o corpo humano, podendo ser acidentais, homicidas
ou suicidas.
A morte oncológica é decorrente de uma doença (câncer), enquadrando-se na espécie de mor-
te natural.
Letra c.

011. (NUCEPE/DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL/PC-PI/2018) O estudo da morte na medicina


legal é realizado pela Tanatologia forense; Dentro do estudo dos fenômenos cadavéricos, é
CORRETO afirmar que:
a) Ocorre autólise quando há a destruição progressiva dos tecidos sob a ação dos germes.
b) A saponificação ocorre naturalmente, quando o corpo é submetido a uma forte dessecação.
c) A maceração é o fenômeno destrutivo concomitante à putrefação, resultante da umidade ou
excesso de água sobre o cadáver.
d) Ocorre a mumificação na transformação do cadáver, após um estado avançado de putrefa-
ção, em uma substância especial denominada adipocera.

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e) Ocorre a putrefação quando há a desintegração tissular acompanhada pela ação dos fer-
mentos de acidificação, desorganizando as diversas estruturas.

a) Errada. A autólise é um fenômeno transformativo destrutivo, oriunda do processo de destrui-


ção celular em decorrência de fenômenos fermentativos anaeróbicos.
b) Errada. A saponificação ou adipocera consiste em um fenômeno transformativo conserva-
dor, comumente verificada em covas com mais de um indivíduo. Ocorre em ambiente muito
úmido, quente e pouco arejado, em que o cadáver fica com aspecto mole, untuoso, lembrando
um sabão ou cera. A idade do indivíduo, sua gordura corporal e condições climáticas podem
interferir no processo.
c) Certa. A maceração consiste em um processo de transformação em que há a destruição
dos tecidos moles do cadáver, através da ação prolongada de líquidos.
d) Errada. A mumificação consiste em um fenômeno transformativo conservador, proveniente
da falta de umidade no local.
e) Errada. A putrefação é um fenômeno transformador destrutivo, que consiste na decomposi-
ção fermentativa da matéria pela ação orgânica de germes e fenômenos daí decorrentes.
Letra c.

012. (FAPEMS/DELEGADO DE POLÍCIA/PC-MS/2017) A Cronotanatognose é a parte da Ta-


natologia que estuda a data aproximada da morte. Para tanto, analisa-se a sequência dos
fenômenos cadavéricos que podem sofrer alteração de acordo com a causa mortis e demais
fatores externos presentes no meio ambiente em que o cadáver foi encontrado. Assim, no que
diz respeito aos fenômenos relevantes à Cronotanatognose, é correto afirmar que
a) para a determinação da morte a partir da análise da perda de peso, faz-se necessário saber,
com a maior precisão possível, o peso do corpo no momento do óbito, o que inviabiliza a utili-
zação de tal parâmetro na maioria dos casos para estimativa do tempo de morte.
b) a mancha verde abdominal não se altera de acordo com a temperatura do meio ambiente.
c) o resfriamento do corpo é elemento sempre preciso para estipular a data da morte.
d) a circulação póstuma de Brouardel costuma anteceder a mancha verde abdominal.
e) a rigidez cadavérica desaparece progressivamente e em sentido contrário de seu
aparecimento.

a) Certa. A perda do peso corporal não é utilizado por ser um parâmetro praticamente inviável
na análise de cada caso, pois para sua utilização seria necessário se saber o peso exato do
indivíduo antes da morte.

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b) Errada. A mancha verde abdominal é um fenômeno decorrente da ação bacteriana que é


influenciado pela temperatura e umidade. O fenômeno é mais rápido em locais quentes e de-
sacelerado em locais frios.
c) Errada. O resfriamento do cadáver não é parâmetro preciso ou confiável, uma vez que ele
está diretamente relacionado com a temperatura do ambiente.
d) Errada. A circulação póstuma de Brouardel está associada ao segundo período do processo
de putrefação, denominado de período “gasoso” ou “enfisematoso”, hipótese em que os gases
da putrefação se espalham no interior dos vasos sanguíneos.
e) Errada. A rigidez cadavérica desaparece progressivamente no mesmo sentido do seu
aparecimento.
Letra a.

013. (FUNCAB/DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL/PC-PA/2016) Durante a necropsia de um cadá-


ver é encontrado o sinal de Montalti. Este sinal é um importante indício para saber se a vítima:
a) sofreu alguma espécie de barotrauma.
b) possui lesões provocadas pela eletricidade.
c) ingeriu alguma substância líquida que levou a óbito.
d) possui lesões provocadas por projéteis de arma de fogo.
e) respirou, pois pode ser observada fuligem ao longo das vias respiratórias.

O sinal de Montalti corresponde à presença de fuligem nas vias áreas, indicando que a vítima
respirou quando em vida. Importante para a diagnose diferencial entre um evento de carboni-
zação in vitam ou post mortem. Assim, no contexto das queimaduras de quarto grau, fala-se
nos sinais de Devergie (ou sinal do saltimbanco/posição do boxeador, que é post mortem e
se dá pela retração dos tecidos em razão da carbonização) e de Montalti (intra vitam, repre-
sentado pela fuligem na mucosa da árvore respiratória, embora seja possível a carbonização
posterior da vítima).
Letra e.

014. (FUNCAB/DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL/PC-PA/2016) Em certa fase da investigação


penal, surgem dúvidas quanto à verdadeira causa da morte da vítima de homicídio. Assim, o
Juiz determina que o Delegado de Polícia busque os dados que precisa através da:
a) inumação, que pode ser realizada em qualquer fase processual.
b) exumação, que pode ser realizada apenas nas quarenta e oito primeiras horas após a morte.
c) exumação, que pode ser feita a qualquer tempo.
d) exumação, que pode ser feita apenas na fase de ação penal.
e) inumação. que pode ser realizada apenas na fase de ação penal.

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Conceito e Diagnóstico da Morte. Exame de Locais de Crime
FERNANDO HENRIQUE SANTOS TERRA

A questão aborda os conhecimentos do candidato quanto à inumação e à exumação. A inuma-


ção consiste na colocação de cadáver em sepultura, jazigo ou local de consumpção aeróbia
(isto é, construção constituída por compartimentos especificamente concebidos de forma a
permitir a oxigenação ambiental necessária à consumpção). A exumação traduz-se na aber-
tura de sepultura, local de consumpção aeróbia, caixão de metal ou madeira onde se encontra
inumado o cadáver. A exumação pode ser feita a qualquer tempo, desde que com data e hora
previamente marcados, nos termos do art. 163 do CPP.
Letra c.

015. (FUNCAB/DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL/PC-PA/2016) Assinale a alternativa que con-


tém um exemplo de fenômeno cadavérico abiótico consecutivo.
a) Saponificação
b) Putrefação
c) Rigidez cadavérica
d) Autolise
e) Relaxamento dos esfíncteres

a) Errada. A saponificação é fenômeno cadavérico transformativo conservador.


b) Errada. A putrefação é fenômeno cadavérico transformativo destrutivo.
c) Certa. A rigidez cadavérica é um fenômeno abiótico consecutivo/tardio.
d) Errada. A autólise é fenômeno cadavérico transformativo destrutivo.
e) Errada. O relaxamento dos esfíncteres é fenômeno abiótico imediato.
Letra c.

016. (CESPE/CEBRASPE/DELEGADO DE POLÍCIA/PC-PE/2016) Determinada delegacia de


polícia, comunicada da existência de um cadáver em estado de putrefação jogado em um ca-
navial de sua circunscrição, deve tomar providências para levantar informações — como, por
exemplo, a certificação de tratar-se de pessoa, e não de animal, e o estabelecimento da causa
da morte —, além de realizar diligências diversas.
Assinale a opção correta acerca das atividades médico-legais nesse caso.
a) O método de identificação do cadáver de primeira escolha, para o caso, é a identificação por
material genético, o DNA, que pode ser extraído mesmo de material putrefeito.
b) Mesmo estando o cadáver em adiantado estado de putrefação, é possível, conforme a es-
pecificidade, estabelecer, pelo exame médico-legal, a causa jurídica da morte — suicídio, homi-
cídio, acidente ou morte natural.

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c) A análise do aspecto macroscópico do fígado do cadáver em questão é suficiente para que


o médico-legista determine se ocorreu morte súbita ou se morte com suspeita de ocorrên-
cia criminal.
d) Deve-se proceder à exumação do cadáver, que deve ser realizada por equipe da delegacia de
polícia acompanhada de médico-legista.
e) Caso o cadáver encontrado seja de material humano, a identificação deverá ser feita por
reconhecimento.

a) Errada. A primeira opção de identificação do cadáver é por reconhecimento e por análise


datiloscópica, e não a identificação por material genético.
b) Certa. A alternativa indicou que “é possível” o estabelecimento da natureza jurídica da mor-
te. Por exemplo, um cadáver esquartejado indica a ocorrência de um possível homicídio.
c) Errada. A análise macroscópica é aquela que pode ser enxergada com a vista a olho nu.
Atendo-se à questão, a análise macroscópica do corpo em questão não definiria se a morte
adveio de morte súbita ou um crime.
d) Errada. O enunciado da questão diz que o corpo foi encontrado jogado em um canavial, não
sendo possível se falar em exumação.
e) Errada. O erro da alternativa consiste na expressão “deverá”, uma vez que o método de re-
conhecimento pode ser utilizado, mas não existe uma obrigatoriedade quanto a seu uso, espe-
cialmente em razão do elevado grau de putrefação do cadáver.
Letra b.

017. (VUNESP/DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL/PC-CE/2015) A tanatologia forense usa de di-


versas e poderosas ferramentas para tentar estabelecer a identificação de um cadáver, o me-
canismo e a causa da morte, o diagnóstico diferencial médico-legal, entre outras.
Com essas considerações, é correto afirmar:
a) com relação ao diagnóstico jurídico da morte com suspeita de violência oculta, as caracte-
rísticas são: lesões externas discretas a moderadas, mas ainda indefinidas, suspeita inicial de
lesões ocultas (traumatismos, envenenamentos etc.) ou nos casos de estados de decomposi-
ção avançada.
b) apesar de todas as ferramentas modernas, há casos em que não é possível esclarecer a
causa da morte, tendo que se concluir, por morte de causa indeterminada. Alguns estudos
revelam que a percentagem de mortes de causa indeterminada, mesmo depois de realizada a
autópsia médico-legal, varia de centro para centro, mas pode chegar a 50%.
c) a rigidez cadavérica resulta da supressão de oxigênio às células e acúmulo de ácido lático.
Embora variável, de maneira geral, começa entre 1 e 3 horas após a morte, em condições de
temperatura ambiente usual. Inicia-se na mandíbula e na nuca e progride no sentido craniocau-
dal, desaparecendo após 24 horas, eventualmente após 36 a 48 horas.

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d) as características da fase coliquativa são: pele íntegra, abertura dos orifícios naturais e per-
da do volume do corpo. Ela tem início em 48 horas e pode durar até 3 semanas.
e) os livores de hipóstase são manchas que se formam nas partes em declive do cadáver, por
consequência da ausência de fluxo sanguíneo. Eles têm tonalidade violácea, surgem em torno
da 10a hora após a morte e fixam-se em torno da 20a hora.

a) Errada. Na hipótese de morte com violência oculta, as lesões apresentadas são ocultas
(traumatismos, envenenamentos, etc), inexistindo lesões externas discretas a moderadas.
b) Errada. A morte em que não há o diagnóstico de sua origem é denominada de “necropsia
branca”, porém não há na literatura médico-legal correlação quanto à porcentagem indicada
na alternativa.
c) Certa. A rigidez cadavérica ou “rigor mortis” se desenvolve das partes menos volumosas
para as massas musculares de maior volume.
d) Errada. A fase coliquativa, que é o período de dissolução pútrida do cadáver, inicia-se, nor-
malmente, com cerca de 3 semanas após a morte.
e) Errada. Os livores de hipóstase são um fenômeno consecutivo abiótico denominado “livo-
res cadavéricos” ou “livor mortis”, e se constituem em manchas que aparecem nas partes de
declive do corpo. As manchas de hipóstase fixam-se, em regra, a partir de 12 horas de morte
aproximadamente. Sua tonalidade é violácea (exceto nos afogado que possuem cor carmim).
Letra c.

018. (ACAFE/DELEGADO DE POLÍCIA/PC-SC/2014) Com relação ao processo de putrefação


do corpo humano, analise as afirmações a seguir.
I – Durante a fase denominada cromática, ocorre o sinal mais precoce da putrefação que
se caracteriza pela formação de uma mancha verde, comumente iniciada na fossa ilíaca
direita e que se difunde por todo abdome.
II – O período coliquativo, último da decomposição pela putrefação, manifesta-se com a
dissolução pútrida das partes moles e dos ossos, devido à ação de bactérias e da fauna
necrófaga.
III – É na fase da esqueletização que a fauna cadavérica e o meio ambiente destroem os resí-
duos tissulares, expondo os ossos que ficam presos apenas por alguns ligamentos. Este
período varia de 3 a 5 anos.
IV – A fase gasosa se dá com o surgimento dos gases de putrefação, formando flictenas na
epiderme, contendo líquido hemoglobínico.

Assinale a alternativa correta.


a) Apenas I, II e III estão corretas.
b) Apenas I, III e IV estão corretas.

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c) Apenas II e IV estão corretas.


d) Apenas III e IV estão corretas.
e) Todas as afirmações estão corretas.

Item I – CORRETO. A 1º fase da putrefação é a coloração ou cromática, e ocorre entre as pri-


meiras 24 horas. Inicia-se com a mancha verde abdominal.
Item II – INCORRETO. A última fase da putrefação é a esqueletização, e não a fase coliquiativa.
Ordem das Fases da Putrefação: 1ª) coloração; 2ª) gasosa ou enfisematosa; 3ª) coliquativa; e
4ª) esqueletização.
Mnemônico: COL-GA-COLI-ES
Item III – CORRETO. A fase de esqueletização se caracteriza pela perda dos tecidos moles e o
aparecimento dos músculos, vísceras e ossos. Fase que pode durar de meses a anos.
Item IV – CORRETO. A fase gasosa ou enfisematosa se caracteriza pela ação dos gases no
interior do corpo, como muitas vezes os gases não conseguem sair, há a formação de um con-
teúdo podre.
Letra b.

019. (ACAFE/DELEGADO DE POLÍCIA/PC-SC/2014) Considere a situação em que um cadá-


ver é encontrado por seus familiares em domicílio, 4 dias após a morte. Assinale a alternativa
que corresponde ao fenômeno cadavérico que já se desfez, nesse período (4 dias).
a) Gases inflamáveis derivados de ação de bactérias facultativas.
b) Rigidez cadavérica.
c) Cristais de Westenhöffer-Rocha-Valverde no sangue periférico.
d) Mancha verde disseminada por todo o corpo.
e) Livores de hipóstase.

a) A decomposição do material orgânico provocada pela ação bacteriana dá origem a um gás


com cheiro de ovo podre (gás sulfídrico), que surge entre 9 a 12 horas após o óbito.
b) A rigidez cadavérica é o endurecimento muscular. Se instala mais rápido em cadáveres pou-
co hidratados. Inicia-se dentro de 2 horas, generaliza-se entre 5 a 8 horas e permanece até 24
horas após a morte, iniciando-se a putrefação.
c) Os cristais de Westenhöffer-Rocha-Valverde no sangue periférico constituem lâminas crista-
lóides frágeis, que são encontradas a partir do 3º dia no sangue putrefato, podendo permane-
cer até 35 dias após a morte.
d) Mancha verde disseminada por todo o corpo – Inicialmente, há o surgimento da MANCHA
VERDE ABDOMINAL, influenciada pela temperatura do meio ambiente. A mancha surge entre

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18 horas a 24 horas, estendendo-se progressivamente por todo o corpo do 3º dia ao 5º dia


após a morte.
e) Livores de hipóstase – apresentam-se na forma de placas (geralmente cor azul-púrpura) e
permanecem até o surgimento dos fenômenos da putrefação. CRONOLOGIA: Há divergência
na literatura médico-legal, começando para uns em 10 minutos, e para outros em 30 minutos.
Em 3 horas são formadas manchas esparsas. De 6 a 8 horas há a generalização e difusão.
Entre 6 a 12 horas as manchas ficam fixas e são visíveis até a putrefação.
Letra b.

020. (UEG/DELEGADO DE POLÍCIA/PC-GO/2013) Delegado de polícia na cena do crime en-


contra um cadáver com livores fixos no dorso, equimoses arroxeadas no braço direito e no
tórax, com os pés pendentes sobre o solo através de um laço envolto no pescoço com sulco
único, contínuo e horizontal. Diante do exposto, tem-se que
a) a investigação deve ser direcionada com base na hipótese de suicídio.
b) os achados são compatíveis com óbito por asfixia mecânica por enforcamento.
c) as lesões equimóticas foram produzidas após a morte, que ocorreu 4 horas antes.
d) o corpo foi manipulado após a morte, antes do isolamento do local do crime.

a) Errada. A presença de sulco contínuo e horizontal é incompatível com o enforcamento, evi-


denciado a manipulação do cadáver.
b) Errada. Trata-se de asfixia mecânica por estrangulamento, em razão da presença de sulco
contínuo e horizontal.
c) Errada. As lesões equimóticas são lesões exclusivamente intra-vitam. Não podem ser pro-
duzidas pós-mortem.
d) Certa. Inicialmente, presencia-se um cenário de enforcamento, mas o corpo apresenta si-
nais de estrangulamento (sulco contínuo e horizontal); além do fato dos livores cadavéricos
estarem no dorso.
Letra d.

021. (UEG/DELEGADO DE POLÍCIA/PC-GO/2013) Ao passar por um matagal, populares en-


contram um corpo em estado de decomposição e comunicam à autoridade policial, que solici-
ta o exame pericial. Sobre putrefação, tem-se que
a) a fase gasosa marca o início da putrefação.
b) os gases produzidos entre o 2º e 4º dias de putrefação são inflamáveis.
c) a circulação póstuma de Brouardell marca a fase cromática da putrefação.
d) a fase coliquativa é marcada por odor intenso e marcante.

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a) Errada. A putrefação possui quatro fases, sendo a primeira delas a fase da coloração ou
cromática.
b) Certa. Sobre os gases da putrefação, Brouardel, perfurando o abdome dos cadáveres com
trocarte e aproximando a chama de uma vela, observou: a) no 1º dia: gases não inflamáveis;
b) do 2º ao 4º dia: gases inflamáveis; c) do 5º dia em diante: gases não inflamáveis. Justificou
que no 1º dia estão em atividade as bactérias aeróbias produtoras de gás carbônico. Do 2º
ao 4º dia, surgem, além das bactérias aeróbias, as facultativas, de cuja ação se formam o hi-
drogênio e os hidrocarbonetos, de capacidade inflamável. Finalmente, do 5º dia em diante, se
produzem o azoto, o hidrogênio e amônias compostas não inflamáveis.
c) Errada. Na fase cromática temos a mancha verde abdominal. Já na fase gasosa a circulação
póstuma de Brouardel.
d) Errada. O odor intenso e marcante é característico da fase gasosa.
Letra b.

022. (COPS-UEL/DELEGADO DE POLÍCIA/PC-PR/2013) Leia o laudo de autópsia que de-


monstra as informações a seguir.
I – Temperatura retal com perda de 2,5 0C em relação à temperatura média do ambiente.
II – Presença de livores cadavéricos (hipóstases) em declives e em face posterior do pes-
coço, móveis.
III – Rigidez cadavérica em membros superiores.
IV – Ausência de gases de putrefação ou de mancha verde abdominal.

O tempo de morte médio, ocorreu, aproximadamente,


a) em menos de 1 hora.
b) entre 1 a 2 horas.
c) entre 3 a 4 horas.
d) entre 6 a 7 horas.
e) entre 8 a 9 horas.

Item I – A temperatura de resfriamento diminui 0,5ºC nas três primeiras horas. Depois o de-
créscimo é de 1ºC a cada hora. Se o cadáver já perdeu 2,5ºC, podemos dizer que tem de 4 a 5
horas de morte.
Item II – Os livores surgem de 2 a 3 horas, ficam móveis até fixarem-se, o que ocorre entre 8 a
12 horas. Se tem livor, pelo menos 3 horas de morte.
Item III – A rigidez cadavérica dos membros superiores ocorre entre 4 a 6 horas.

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Item IV – Os gases de putrefação só surgem entre 9 e 12 hotras, e a mancha verde abdominal


entre 18 a 24 horas.
a) Errada. Não se aplica aos Itens I e III.
b) Errada. Não se aplica ao Item III.
c) Certa.
d) Errada. Não se aplica ao Item I.
e) Errada. Não se aplica ao Item I.
Letra c.

023. (COPS-UEL/DELEGADO DE POLÍCIA/PC-PR/2013) Leia a manchete a seguir.

Não é incomum que em alguns casos ocorram equívocos em relação ao atestado de óbito,
como nessa notícia. O Art. 162 do Código de Processo Penal Brasileiro (CPPB) diz que “A
autópsia será feita pelo menos seis horas depois do óbito, salvo se os peritos, pela evidência
dos sinais de morte, julgarem que possa ser feita antes daquele prazo, o que declararão no
auto (...)”.
Quanto aos sinais de certeza de morte que autorizam o médico legista a iniciar a autópsia an-
tes de seis horas, assinale a alternativa correta.
a) Os sinais de morte se dividem em fenômenos abióticos e consecutivos. A presença de qual-
quer sinal abiótico já é compatível com a realidade de morte e autoriza o início da autópsia.
b) São considerados como sinais de certeza de morte aqueles chamados de abióticos conse-
cutivos e que, quando presentes, autorizam a antecipação da autópsia.
c) O médico legista só está autorizado a realizar a autópsia antes de seis horas, caso já se en-
contrem sinais transformativos como a mancha verde abdominal ou rigidez cadavérica.
d) São sinais de certeza de morte, autorizadores de antecipação de autópsia, a presença de
abolição do tônus muscular, presença de midríase e perda de consciência.
e) É necessária a presença de todos os sinais abióticos consecutivos como rigidez cadavérica,
desidratação cadavérica, esfriamento cadavérico e manchas de hipóstases para a realização
da autópsia.

a) Errada. Os fenômenos abióticos se dividem em imediatos e consecutivos/tardios. No entan-


to, apenas os fenômenos abióticos consecutivos é que indicam certeza da morte.
b) Certa. Vide a justificativa da letra A.
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c) Errada. A mancha verde abdominal e a rigidez cadavérica são fenômenos abióticos tardios,
e não fenômenos cadavéricos transformativos como indicado na alternativa. Os fenômenos
cadavéricos transformativos são autólise, putrefação e maceração.
d) Errada. A perda do tônus muscular e perda da consciência são sinais abióticos imediatos e
não dão certeza da morte.
e) Errada. Não, tendo em vista um caso de um cadáver decapitado, de acordo com o art.
162 do CPP.
Letra b.

024. (COPS-UEL/DELEGADO DE POLÍCIA/PC-PR/2013) Vários conceitos de morte são des-


critos na literatura em geral, sejam eles científicos, religiosos ou filosóficos, todos devem ser
respeitados. O Direito adota o conceito científico de morte. Sobre tanatologia forense, veri-
fica– se que
a) a diminuição da pressão intraocular, a dessecação dos lábios e a tela viscosa ocular são
fenômenos consecutivos de morte.
b) a rigidez cadavérica é um fenômeno abiótico imediato e progride da cabeça para os pés.
c) o conceito de morte cerebral é utilizado como critério para realização de transplante
de órgãos.
d) a putrefação é um fenômeno transformativo destrutivo que independe da ação das bactérias.

a) Certa. São os fenômenos tardios/consecutivos da morte.


b) Errada. Trata-se de fenômeno abiótico tardio/consecutivo.
c) Errada. O termo correto a ser utilizado é “morte encefálica”, nos termos do art. 3º da
Lei 9.434/97.
d) Errada. A putrefação é um fenômeno transformativo destrutivo que consiste na decomposi-
ção da matéria orgânica através da ação de inúmeros micro-organismos (germes, bactérias).
Letra a.

025. (FUNCAB/DELEGADO DE POLÍCIA/PC-RJ/2012) Para a verificação do tempo aproxima-


do de morte em um cadáver parcialmente esqueletizado, torna-se dispensável:
a) o conhecimento de dados relacionados com o lugar de encontro do corpo, se aberto ou fe-
chado, e o tipo de sepultamento.
b) o estudo do corpo e do local por entomologista.
c) a informação sobre a época do ano e as condições climáticas.
d) a dosagemde carbono 14 nos despojos.
e) a ciência da causa da morte, se violenta ou natural.

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a) Errada. Os dados quanto ao lugar onde foi encontrado, as condições do corpo (aberto ou fe-
chado) e o tipo de sepultamento são necessárias para se analisar a decomposição do cadáver.
b) Errada. Entomologista é o quem estuda insetos e sua interação com o homem, plantas,
animais e meio ambiente. A interação dos insetos na decomposição do cadáver tem interfe-
rência direta.
c) Errada. As informações quanto à época do ano e à condição climática interferem na decom-
posição do cadáver.
d) Certa. Alternativa POLÊMICA! O carbono 14 não é mencionado nos manuais de medicina
legal como uma forma de análise na verificação do tempo de morte. Havendo a morte, a con-
centração de Carbono 14 decresce, no entanto, isso só ocorre a partir da sua meia vida que
se dá por volta de 5.730 anos. Trata-se de técnica muito utilizada na datação de fósseis de di-
nossauros. Buscando fazer uma correlação do tema, a questão traz a ressalva de que o corpo
encontra-se “parcialmente esqueletizado”.
e) Errada. A causa da morte possui relação direta com o processo de decomposição.
Letra d.

026. (PC-SP/DELEGADO DE POLÍCIA/PC-SP/2012) No processo de putrefação do cadáver


se sucedem as seguintes fases, pela ordem:
a) gasosa, cromática, coliquativa e de esqueletização.
b) cromática, gasosa, coliquativa e de esqueletização.
c) cromática, coliquativa, gasosa e de esqueletização.
d) gasosa, coliquativa, cromática e de esqueletização.
e) coliquativa, cromática, gasosa e de esqueletização.

Questão simples sobre as fases do processo de putrefação do cadáver.


Relembre o mnemônico CO-GA-COLI-ES: 1ª) Cromática; 2ª) Gasosa; 3ª) Coliquativa; e 4ª) Es-
queletização.
Letra b.

027. (UEG/DELEGADO DE POLÍCIA/PC-GO/2012) São sinais macroscópicos observados em


um cadáver sugestivos de que as lesões foram produzidas depois da morte:
a) ausência de infiltrações hemorrágicas nos tecidos moles.
b) escoriações com desnudamento de derme e formação de crosta.
c) ferimentos com bordas afastadas.
d) presença de tonalidades das esquimoses.

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a) Certa. Nas lesões ante mortem se verifica grande quantidade de sangue na cavidade intra-
-abdominal. Por outro lado, nas lesões pós mortem não se verifica infiltração nas malhas dos
tecidos. As demais alternativas trazem hipóteses de lesões ocorridas antes da morte.
Letra a.

028. (UEG/DELEGADO DE POLÍCIA/PC-GO/2012) Verificou-se em um cadáver os seguintes


fenômenos: rigidez generalizada, esboço de mancha verde abdominal, reforço da fragmenta-
ção venosa e desaparecimento das artérias do fundo de olho. Com base apenas nessas obser-
vações e desconsiderando outros fatores ambientais, a morte teria ocorrido
a) de 2 a 4 horas.
b) mais de 8 e menos de 16 horas.
c) mais de 16 e menos de 24 horas.
d) de 48 a 72 horas.

A questão exige os conhecimentos do candidato sobre os fenômenos da morte e período em


que se manifestam.
A rigidez inicia-se com 2 horas, propagando-se com 6 a 8 horas, quando atinge o estágio de
rigidez generalizada, permanecendo até 24 horas após o óbito, período em que se inicia a
putrefação.
Quanto à mancha verde abdominal, o enunciado da questão refere-se ao “esboço”, ou seja,
início. A mancha verde aparece em cerca de 18 a 24 horas após a morte, nos meses de verão,
podendo aparecer depois de 36 a 48 horas, no inverno e desde que o corpo não esteja exposto
ao sol, nem esteja coberto.
O reforço da fragmentação venosa ocorre entre as 16 e 24 horas após a morte.
O desaparecimento artérias fundo de olho ocorre após 10 a 12 horas da morte, não sendo pos-
sível ver o fundo do olho com oftalmoscópio.
a) Errada. Não se aplica a nenhum dos fenômenos.
b) Errada. Aplica-se apenas ao fenômeno da rigidez generalizada.
c) Certa. Aplica-se a todos os quatro fenômenos.
d) Errada. Aplica-se apenas ao fenômeno do desaparecimento das artérias do fundo de olho.
Letra c.

029. (FUMARC/DELEGADO DE POLÍCIA/PC-MG/2018) Em relação à exumação, é CORRE-


TO afirmar:
a) Em determinados casos, o exame histopatológico pode ser realizado.
b) O exame interno deve ser direcionado à região determinada e/ou suspeita do cadáver.

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c) O médico-legista se incumbirá de providenciar para que se realize a diligência, mediante


autorização expressa da família.
d) Os fenômenos putrefativos prejudicam as características das vestes, não devendo ser con-
sideradas, a fim de se evitarem erros periciais grosseiros.

O exame histopatológico consiste na análise microscópica dos tecidos para a detecção de


possíveis lesões existentes, com a finalidade de informar ao clínico a natureza, a gravidade, a
extensão, a evolução e a intensidade das lesões, além de sugerir ou até mesmo confirmar a
causa da afecção.
Letra a.

030. (FUMARC/DELEGADO DE POLÍCIA/PC-MG/2011) Denomina-se o processo especial de


transformação, que ocorre no cadáver do feto retido no útero materno, do sexto ao nono mês
de gravidez:
a) Maceração.
b) Corifcação.
c) Mumifcação.
d) Saponifcação.

a) Certa. A maceração é o processo transformação em que há destruição dos tecidos moles


do cadáver através da ação prolongada de líquidos, fazendo com que a pele fique enrugada e
esbranquiçada.
b) Errada. A Corificação é o processo transformativo que dá ao cadáver um aspecto de couro,
em decorrência de desidratação.
c) Errada. A mumificação decorre da falta de umidade, sendo que fatores individuais (peso,
altura, compleição física) interferem.
d) Errada. A saponificação é comum em covas com mais de um indivíduo. Ocorre em ambiente
muito úmido, quente e pouco arejado. Cadáver fica com aspecto mole, untuoso, lembrando um
sabão ou cera.
Letra a.

031. (FUMARC/DELEGADO DE POLÍCIA/PC-MG/2011) Constituem fatores, que interferem


na evolução da putrefação cadavérica, EXCETO:
a) Temperatura ambiente.
b) Espasmo cadavérico.
c) Idade do morto.
d) Umidade do ar.

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No que se refere à putrefação, são fatores que interferem na ocorrência do fenômeno: condi-
ções climáticas, condições do solo, quantidade de oxigênio, acidificação do ambiente, ação de
bactérias durante a decomposição, flora e fauna cadavéricas.
Além disso, verificam-se ainda os fatores intrínsecos (idade, “causa mortis” e constituição físi-
ca) e extrínsecos (umidade, temperatura e ventilação) que tem interferência direta no processo
da putrefação, agilizando-o ou retardando-o.
Por sua vez, o espasmo cadavérico (sinal de Kossu) é uma rigidez muscular instantânea que
ocorre imediatamente após a morte, permanecendo o corpo em rigidez na posição em que o
indivíduo morreu. Não existe qualquer relação com o processo de putrefação cadavérica.
Letra b.

032. (PC-MG/DELEGADO DE POLÍCIA/PC-MG/2008) A “circulação póstuma de Brouardel”


caracteriza o período
a) cromático da putrefação.
b) enfisematoso da putrefação.
c) coliquativo da putrefação.
d) liquefativo da putrefação.

A circulação póstuma de Brouardel é característica do período enfisematoso, correspondente


à segunda fase da putrefação. Trata-se do acúmulo de sangue já em decomposição, nos te-
cidos mais superficiais da pele, formando uma espécie de tatuagem na pele, desenhando os
vasos sanguíneos, uma vez que os gases empurram os vasos sanguíneos para a superfície
do cadáver.
Letra b.

033. (IADES/PERITO CRIMINAL/PC-DF/2019) Considerando que um cadáver encontrado em


local ermo não apresentava rigidez cadavérica, é correto afirmar que
a) o tempo desde a morte é menor que uma hora.
b) o tempo desde a morte pode ser superior a 24 horas.
c) o corpo não foi exposto à luz solar; pode ter sido enterrado, por exemplo.
d) a morte ocorreu por choque hipovolêmico.
e) houve ação térmica post-mortem.

A questão exige os conhecimentos do candidato quanto à cronologia da rigidez cadavérica. A


rigidez cadavérica se inicia com cerca de 1 a 2 horas após a morte, nos pequenos músculos da

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nuca e face. De 2 a 4 horas de morte: rigidez nos membros superiores. De 4 a 6 horas: rigidez
nos músculos do tórax e abdome. De 6 a 8 horas: atinge membros inferiores. A rigidez gene-
ralizada ocorre cerca de 8 horas após a morte. Após 24 horas da morte, a rigidez desaparece,
dando origem à flacidez e o início do processo de putrefação.
a) Errada. Tempo inferior a 1 hora.
b) Certa. Ao afirmar que o cadáver não apresenta rigidez após 24 horas da morte, a alternativa
aborda o início processo de putrefação, iniciado com a flacidez do corpo.
c) Errada. A exposição à luz solar não influencia o processo de rigidez cadavérica.
d) Errada. Não existe relação, uma vez que a não formação da rigidez cadavérica não pode ser
considerado um evento patognômico de tal evento – choque.
e) Errada. Não existe relação, tendo em vista que a rigidez cadavérica está compreendida den-
tre os eventos post-mortem.
Letra b.

034. (INSTITUTO AOCP/MÉDICO LEGISTA/PC-ES/2019) Em uma exumação realizada em


um cemitério, o médico-legista se deparou com um caixão hermeticamente selado. Tão logo
abriu a tampa superior, verificou que o corpo havia sofrido um fenômeno transformativo típico
desse tipo de urna metálica. Trata-se de
a) autólise.
b) coreificação.
c) mumificação.
d) maceração.
e) saponificação.

A questão aborda os conhecimentos do candidato quanto à tafonomia.


A tafonomia trata dos fenômenos transformativos da morte, consistente em sinais de altera-
ções corporais tardias acentuadas, tornando impossível a presença de vida. Dividem-se em
fenômenos destrutivos (autólise, putrefação e maceração) e fenômenos conservadores (mu-
mificação, saponificação, coreificação e calcificação).
A coreificação é um fenômeno transformativo conservador muito raro, sendo observado em
cadáveres que foram acolhidos em urnas metálicas (com zinco na composição). O cadáver
submetido a tal fenômeno apresenta a pele ressecada e endurecida, semelhante a couro.
Letra b.

035. (INSTITUTO AOCP/MÉDICO LEGISTA/PC-ES/2019) O diagnóstico diferencial entre


as lesões produzidas em vida ou depois da morte pode ser realizado por meios tradicionais
e meios subsidiários (exames de laboratório). Como característica(s) de lesões intravitam,
pode-se ter

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a) ausência de coagulação de sangue.


b) escoriação e irretratibilidade dos tecidos.
c) lesões brancas e infiltração hemorrágica nos tecidos.
d) equimose e presença de crosta na escoriação.
e) flictenas contendo ar.

As escoriações são lesões da epiderme ou da derme com formação de crosta hemática.


No morto não há formação de crostas, ou seja, elas só podem ter sido produzidas em vida
(intravitam).
As características descritas nas demais alternativas somente se produzem post-mortem.
Letra d.

036. (INSTITUTO AOCP/AGENTE TÉCNICO FORENSE/ITEP-RN/2018) O que são manchas


de hipóstases?
a) O acúmulo de sangue na periferia do cadáver, devido à pressão interna pelos gases da
putrefação.
b) Manchas escuras na esclerótica (branco do olho), devido à semiabertura dos olhos no cadáver
c) A acumulação de manchas nas partes em declive (mais baixas) do cadáver, devido à depo-
sição do sangue.
d) Resíduos de tiro a curta distância, acumulados na pele e de grande valor pericial.
e) Lesões na pele, típicas de local de entrada de corrente elétrica.

As manchas de hipóstases são manchas que se formam nas partes em declive do cadáver, por
consequência da ação da gravidade sobre o fluxo sanguíneo. Habitualmente têm tonalidade
violácea. Surgem em torno da segunda hora após a morte, fixando-se em torno da 10ª hora.
Letra c.

037. (INSTITUTO AOCP/AGENTE TÉCNICO FORENSE/ITEP-RN/2018) São fenômenos


transformativos conservadores:
a) tanatopraxia e necromaquiagem.
b) embalsamento e rigidez cadavérica.
c) resfriamento e livores cadavéricos.
d) saponificação e mumificação.
e) mancha verde abdominal e circulação póstuma de Brouardel.

A questão exige o conhecimento do candidato quanto aos fenômenos transformativos con-


servadores. São eles: a) mumificação: ocorre após 2º/3º mês, tem origem química, essencial-
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mente pela falta de umidade, dependendo de fatores individuais; b) saponificação/adipocera:


ocorre após 1 a 3 meses da morte, quando o cadáver encontra-se em meio excessivamente
úmido, quente e pouco arejado, transformando o tecido do corpo em substância amarelo-acin-
zentada, mole ou quebradiça; e c) corificação: aspecto semelhante a couro, pois seus tecidos
cutâneos ficam transformados em razão da desidratação, observado em cadáveres que foram
acolhidos em urnas metálicas (com zinco na composição).
Letra d.

038. (INSTITUTO AOCP/AGENTE TÉCNICO FORENSE/ITEP-RN/2018) O propósito da aná-


lise dos vestígios em um local de morte violenta, como de qualquer local de crime, é extrair
informações relevantes para a elucidação do delito. Dentre essas informações, estimar quan-
do a morte aconteceu é uma das mais relevantes. Com isso em mente, assinale a alternativa
que NÃO apresenta um vestígio de interesse forense capaz de subsidiar uma estimativa do
tempo de morte.
a) O algor mortis.
b) A temperatura do corpo.
c) Larvas de insetos.
d) Os fenômenos cadavéricos.
e) A higidez cadavérica.

Atenção! Trata-se de uma questão simples e objetiva, mas que pode induzir os candidatos de-
satentos ao erro quando da leitura apressada das alternativas.
A alternativa “E” utiliza o termo “higidez cadavérica”. A higidez ou estado hígido é uma carac-
terística de alguém ou alguma estrutura normalmente relacionada à boa saúde. Portanto, o
termo “higidez cadavérica” não existe.
Por outro lado, o termo se assemelha à rigidez cadavérica ou rigor mortis, que é um sinal reco-
nhecível de morte causado por uma mudança bioquímica nos músculos, causando um endu-
recimento dos músculos do cadáver e impossibilidade de mexê-los ou manipulá-los. Diferente
do rigor mortis, que se relaciona com a rigidez, o algor mortis se relaciona com o resfriamento
do cadáver.
Letra e.

039. (INSTITUTO AOCP/MÉDICO LEGISTA/ITEP-RN/2018) Sobre necropsia médico-legal,


assinale a alternativa correta.
a) Deverá ser feita, no mínimo, 12 horas após o óbito.
b) É de caráter opcional e requer autorização da família.
c) Determina a morte violenta e a morte de causa suspeita.
d) Na justiça, é utilizada apenas para estabelecer a causa jurídica do óbito.

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e) É considerada a “segunda” mais importante das perícias, pois é superada pelo exame de
corpo de delito.

a) Errada. A necropsia deverá ser feita pelo menos 6 horas depois do óbito, nos termos do art.
162 do CPP.
b) Errada. A necropsia nos casos de morte violenta é obrigatória por força de lei; todavia, fica
a critério do perito, diante de uma morte violenta, quando não houver infração penal que apu-
rar, ou se as lesões externas permitirem precisar as causae mortis e não houver necessidade
de exame visceral para a verificação de alguma causa relevante, fazer o exame interno do de
cujus, nos termos do art. 162, parágrafo único, do Código de Processo Penal.
c) Certa. A necropsia é um exame (perícia médico-legal) que consiste na inspeção externa e
interna do cadáver, buscando identificá-lo, determinar o tempo da morte (cronotanatognose) e
atestar a causa jurídica do óbito, sendo indicada nos casos de morte violenta (homicida, suici-
da ou acidental) e nos casos de morte suspeita.
d) Errada. A necropsia não é utilizada apenas para estabelecer apenas a causa jurídica do
óbito, mas também para a identificação do cadáver e para determinar o tempo da morte.
e) Errada. A necropsia é conhecida como a “perícia das perícias”, sendo considerada a perícia
de maior importância.
Letra c.

040. (INSTITUTO AOCP/MÉDICO LEGISTA/ITEP-RN/2018) Assinale a alternativa que apre-


senta uma reação vital.
a) Flictenas putrefativas.
b) Cogumelo de espuma.
c) Coagulação sanguínea.
d) Mancha verde abdominal.
e) Destacamento da epiderme.

a) Errada. As flictenas putrefativas são bolhas na pele que ocorre no início da fase gasosa da
putrefação.
b) Errada. O cogumelo de espuma é típico no caso de afogamentos, aparecendo na boca
do cadáver.
c) Certa. As lesões pós-morte não apresentam: a) infiltração de sangue; b) sangue coagulado;
c) retração dos tecidos, após algumas horas da morte; d) formação de equimose; e) reação in-
flamatória; f) crosta na região da escoriação, passa ao aspecto apergaminhado; e g) mudança
de tonalidade da equimose.

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d) Errada. A mancha verde abdominal indica o início do processo de putrefação, ocorrido cerca
de 24 horas após o óbito.
e) Errada. O destacamento da epiderme é característica do fenômeno cadavérico transforma-
tivo destrutivo maceração.
Letra c.

041. (INSTITUTO AOCP/MÉDICO LEGISTA/ITEP-RN/2018) Em relação às perícias do tempo


de sobrevivência, é correto afirmar que comoriência é
a) a condição probante de se determinar a causa da morte.
b) o Instituto jurídico que determina o ordenamento dos procedimentos técnicos periciais.
c) a condição de determinar as transformações cadavéricas e suas consequências jurídicas.
d) a possibilidade de determinar a causa e o efeito do óbito e sua repercussão na esfera jurí-
dico-social.
e) o instituto jurídico que admite mortes simultâneas de duas ou mais pessoas que morrem no
mesmo momento.

A comoriência é um termo do Direito Civil que indica presunção legal de morte simultânea de
duas ou mais pessoas ligadas por vínculos sucessórios. Quando não se sabe quem morreu
primeiro, presumem-se simultâneos, nos termos do art. 8º do Código Civil.
Letra e.

042. (INSTITUTO AOCP/MÉDICO LEGISTA/ITEP-RN/2018) Sobre a perícia do tempo de so-


brevivência, assinale a alternativa correta.
a) Sobrevivência é o período de tempo que vai desde o evento danoso até a morte.
b) A entomologia forense é peça fundamental na determinação da sequência de morte.
c) É uma perícia controversa e, aos poucos, está sendo abandonada do ambiente médico-legal.
d) Vivência é o período que se caracteriza pelo sofrimento psíquico desde o momento do nas-
cimento até o óbito.
e) Exames toxicológicos e de DNA são imprescindíveis para uma correta avaliação do tempo
de sobrevivência.

a) Certa. A perícia do tempo de sobrevivência é útil para determinar o tempo de morte, sendo
uma das principais perícias para diferenciar a morte agônica da morte súbita.
São suas principais espécies: 1) Docimásias hepáticas: o fígado tem reservas de glicose para
fornecer energia às células; se o fígado estiver espoliado (sem glicogênio) significa que ele
consumiu a glicose, e assim a morte foi agônica. 2) Docimásias suprarrenais: as glândulas su-

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prarrenais produzem adrenalina (epinefrina). Se a morte foi agônica, houve consumo de adre-
nalina, e assim as doses estarão baixas.
b) Errada. A entomologia é uma perícia usada para aproximar o tempo de morte do indivíduo
em si, mas não em relação ao tempo de sobrevivência, que é o período de tempo que o indiví-
duo demora para morrer após o evento traumático.
c) Errada. Trata-se de uma modalidade de perícia muito importante para a verificação da morte
desde a ocorrência do evento danoso.
d) Errada.
e) Errada.
Letra a.

043. (INSTITUTO AOCP/MÉDICO LEGISTA/ITEP-RN/2018) Assinale a alternativa correspon-


dente ao conceito de morte agônica.
a) É sinônimo de catalepsia.
b) É aquela que se arrasta por dias.
c) É aquela de efeito imediato e instantâneo.
d) É aquela que possibilita à vítima sobrevivência de algumas horas.
e) É aquela que ocorre em menos de vinte e quatro horas do início dos sintomas.

A morte agônica ou tardia é aquela que se arrasta por dias/semanas, após a eclosão de sua
causa básica. Diferencia-se da morte súbita ou instantânea (morte de efeito imediato instantâ-
neo) e da morte mediata (possibilitou a sobrevivência de algumas horas).
Letra b.

044. (INSTITUTO AOCP/MÉDICO LEGISTA/ITEP-RN/2018) Analise as assertivas e assinale


a alternativa que aponta a(s) correta(s).
I – Morte natural é aquela oriunda de um estado mórbido adquirido ou de uma perturba-
ção congênita.
II – A morte violenta tem origem por ação externa e, mais raramente, interna, incluindo-se o
homicídio, o suicídio e o acidente.
III – A morte de causa suspeita é aquela que ocorre de forma duvidosa e sobre a qual não
se tem evidência de ter sido de causa natural ou de causa violenta.

a) Apenas I.
b) Apenas I e II.
c) Apenas II e III.
d) Apenas III.
e) I, II e III.

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Item I – CORRETO. Costuma-se referir como natural a morte que ocorre por doenças e pelo
processo de envelhecimento. As demais causas de morte são consideradas não naturais, uma
vez que resultam de fatores externos não relacionados com a curva de vida.
Item II – CORRETO. As mortes causadas pela ação de energias externas são chamadas de
violentas e podem-se provocadas por acidente, suicídio ou crime/homicídio.
Item III – CORRETO. A morte pode ser natural ou violenta. A morte é considerada suspeita sem-
pre que houver a possibilidade de não ter sido natural a sua causa. Os motivos da suspeição
podem decorrer tanto das circunstâncias do local, quanto de características do próprio cadáver.
Letra e.

045. (INSTITUTO AOCP/MÉDICO LEGISTA/ITEP-RN/2018) Analise as assertivas e assinale


a alternativa que aponta a(s) correta(s).
I – Calcificação se caracteriza pela petrificação de fetos mortos retidos na cavidade ute-
rina.
II – Na corificação, o cadáver é submetido à baixíssima temperatura por um tempo prolon-
gado.
III – Litopédios são cadáveres que foram acolhidos em urnas metálicas de zinco fechadas
hermeticamente.

a) Apenas I.
b) Apenas I e II.
c) Apenas II e III.
d) Apenas III.
e) I, II e III.

Item I – CORRETO.
Item II – INCORRETO. A corificação é um fenômeno muito raro, descrito por Della Volta em
1985, sendo encontrado em cadáveres que foram acolhidos em urnas metálicas fechadas her-
meticamente, principalmente de zinco.
Item III – INCORRETO. O litopédio é o fenômeno da calcificação que ocorre nos fetos mortos e
retidos na cavidade uterina, também chamados de crianças de pedra.
Letra a.

046. (INSTITUTO AOCP/MÉDICO LEGISTA/ITEP-RN/2018) Assinale a alternativa correta em


relação à saponificação.
a) É um fenômeno imediato de morte.

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b) É mais comum em magros e caquéticos.


c) Impossibilita a realização de uma necropsia eficiente.
d) Clima seco e ambiente arejado favorecem esse processo.
e) Transforma o cadáver em uma substância de consistência untosa, mole e quebradiça.

A saponificação ou adipocera é um processo conservador que se caracteriza pela transfor-


mação do cadáver em substância de consistência untuosa, mole e quebradiça, de tonalidade
amarelo-escura, dando uma aparência de cera ou sabão. Ocorre quando da conservação do
cadáver em meio excessivamente úmido, quente e pouco arejado.
Letra e.

047. (INSTITUTO AOCP/MÉDICO LEGISTA/ITEP-RN/2018) Assinale a alternativa correspon-


dente ao fenômeno transformativo que ocorre com o cadáver do feto dentro do útero materno,
caracterizado pelo destacamento de retalhos da epiderme e pela tonalidade avermelhada do
tegumento.
a) Adipocera.
b) Autólise.
c) Coliquação.
d) Maceração.
e) Petrificação.

A maceração asséptica ocorre no feto morto retido dentro do útero. O feto fica macerado em
razão da presença de líquido amniótico. A decomposição se inicia em ambiente líquido. Ocorre
normalmente no 6º ao 9º mês de gestação, inicia-se com 8 horas de retenção e torna-se muito
visível com 24/48 horas de morte. Os principais sinais são o descolamento da epiderme; a
derme vermelha, brilhante e visível; e o sinal de Spalding (cavalgamento dos ossos do crânio).
Letra e.

048. (INSTITUTO AOCP/MÉDICO LEGISTA/ITEP-RN/2018) Qual é o fenômeno cadavérico


que se caracteriza pela rigidez abrupta, generalizada e violenta, sem o relaxamento muscular
que precede a rigidez comum?
a) Rigor Mortis.
b) Livor Mortis.
c) Algor Mortis.
d) Espasmo cadavérico.
e) Abolição da motilidade.

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O espasmo cadavérico (Sinal de Kossu) é uma rigidez intensa, violenta e abrupta em todos os
grupos musculares ao mesmo tempo, o cadáver fixa a última posição da pessoa em vida.
Letra e.

049. (INSTITUTO AOCP/MÉDICO LEGISTA/ITEP-RN/2018) Sobre os livores cadavéricos, as-


sinale a alternativa correta.
a) São característicos da saponificação.
b) São encontrados apenas em morte por asfixia.
c) Permanecem até a fase liquefativa da putrefação.
d) Estão notadamente presentes, especialmente nas pessoas de pele negra.
e) São provocados pelo acúmulo de sangue nas regiões de declive por ação da gravidade.

Hipóstase ou livores cadavéricos: É a perda de sangue nas áreas mais baixas do corpo pela
ação da gravidade. Quando o sangue para de circular, ele vai acumular nas áreas mais baixas
do corpo em razão da gravidade. Também são chamadas de manchas de posição.
Letra e.

050. (INSTITUTO AOCP/MÉDICO LEGISTA/ITEP-RN/2018) Assinale a alternativa correta em


relação ao esfriamento cadavérico.
a) Tem a “máscara da morte” como sua principal característica.
b) A abolição da motilidade e do tônus muscular é característica desse fenômeno.
c) Observa-se uma rigorosidade precisa, atingindo temperaturas muito baixas em 48 horas.
d) Com a falência do sistema termorregulador, a tendência é equilibrar a temperatura do corpo
com a do ambiente.
e) Por não ter um parâmetro de absoluta precisão, não é utilizado na estimativa do tempo apro-
ximado de morte.

a) Errada. A máscara de morte consiste na face hipocrática, decorrente da abolição do tono


muscular, caracterizando-se por expressão de sofrimento, agonia e dor.
b) Errada. O resfriamento do cadáver é um sinal tardio de morte, enquanto a abolição do tônus
é um sinal imediato. Como sinal indicativo da abolição do tônus muscular, pode ser descrito o
sinal de Rebouillat.
c) Errada. A tendência do cadáver é equilibrar sua temperatura com a do ambiente à sua volta.
Atualmente, a literatura médico-legal aponta como diagnóstico da morte a temperatura retal o
limite de 20ºC.

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d) Certa. A tendência do cadáver é equilibrar sua temperatura com a do ambiente à sua volta.
Porém, fatores como o ar, a umidade e a ventilação são meios que roubam calor, influenciando
no esfriamento do cadáver.
e) Errada. Pode-se aferir a cronotanatognose pela temperatura do cadáver. Leva-se em consi-
deração o esfriamento médio de 1,5ºC por hora.
Letra d.

051. (INSTITUTO AOCP/MÉDICO LEGISTA/ITEP-RN/2018) Assinale a alternativa que apre-


senta um fenômeno abiótico imediato.
a) Livor de hipóstase.
b) Manchas de posição.
c) Resfriamento cadavérico.
d) Rigidez cadavérica.
e) Perda da consciência.

Os fenômenos abióticos imediatos tratam de sinais de incerteza, de possibilidades de morte e


que precisam ser confirmados pelos fenômenos consecutivos. São eles: perda da consciência;
perda de sensibilidade; abolição da motilidade (movimentação) e do tônus muscular; parada
cardiorrespiratória; e ausência de atividade cerebral.
Letra e.

052. (INSTITUTO AOCP/MÉDICO LEGISTA/ITEP-RN/2018) Considera-se morte relativa


a) a morte por causa conhecida.
b) a suspenção aparente de algumas funções vitais.
c) a suspensão total e definitiva de todas as funções vitais.
d) a suspensão de algumas atividades vitais, não sendo possível recuperá-las.
e) a abolição efetiva e duradoura de algumas funções vitais, sendo possível a recuperação de
algumas delas.

A morte relativa é o estado em que ocorre parada efetiva e duradora das funções circulatórias,
respiratórias e nervosas, associada à cianose e palidez marmórea, sendo possível a reanima-
ção com manobras terapêutica.
Atenção! A morte relativa não se confunde com a morte intermediária, que é aquela que pre-
cede a absoluta e sucede à relativa. As experiências de quase morte são associadas à morte
intermediária.
Letra e.

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053. (NUCEPE/PERITO MÉDICO LEGISTA/PC-PI/2018) Assinale a alternativa INCORRETA


quanto à cronotanatognose:
a) Após a morte, ocorre queda da temperatura corporal até equilibrar-se com a temperatura do
ambiente, pois não há mais homeostase.
b) A rigidez cadavérica se inicia pelos pés, encerrando na mandíbula, por onde se inicia o des-
fazimento da mesma.
c) Os livores cadavéricos ocorrem nas primeiras horas após a morte e são causados pela ces-
sação da circulação sanguínea e por efeito da gravidade.
d) A mancha verde abdominal surge em geral na fossa ilíaca direita e, posteriormente, se es-
tende por todo o corpo. Surge, ainda, na fase cromática.
e) A circulação póstuma de Brouardel surge na fase gasosa ou enfisematosa.

a) Certa. Após a morte, a temperatura do corpo cai em torno de 0,5ºC em cada uma das três
primeiras horas e, da quarta hora em diante, o decréscimo é de aproximadamente 1,0ºC, até
que a temperatura do corpo entre em equilíbrio com a temperatura do meio ambiente, cerca de
12 horas após a morte.
b) Errada. A rigidez cadavérica é oriunda da supressão de oxigênio nas células e acúmulo de
ácido lático. Inicia-se entre 1 e 3 horas após a morte, em condições de temperatura ambiente
usual. A rigidez começa na mandíbula e na nuca e progride no sentido craniocaudal, desapare-
cendo após 24 horas, eventualmente após 36 a 48 horas.
c) Certa. As manchas de hipóstase ou livores cadavéricos surgem nas partes em declive do
cadáver, em razão do efeito da gravidade. Surgem em média 2 a 3 horas depois da morte, fixan-
do-se definitivamente em torno das 12 horas post mortem.
d) Certa. A mancha verde abdominal é um fenômeno transformativo destrutivo, e ocorre em
na primeira fase da putrefação. A mancha verde inicia-se na fossa ilíaca direta, se estendendo
por todo o corpo.
e) Certa. A fase gasosa ou fase enfisematosa da putrefação ocorre com a ação dos gases no
interior do corpo e se caracteriza pela circulação póstuma de Brouardel, em que gases da putre-
fação se espalham no interior dos vasos sanguíneos, causando o efeito de “terias de aranha”.
Letra b.

054. (VUNESP/AUXILIAR DE PAPILOSCOPISTA POLICIAL/PC-SP/2018) Entre os fenôme-


nos transformativos conservadores, possíveis de ocorrer no cadáver, a mumificação, geral-
mente, requer que o corpo encontre-se em
a) local seco, com alta temperatura e bem ventilado.
b) solo arenoso, úmido e com alta temperatura.
c) local úmido, com baixa temperatura e pouco ventilado.
d) solo argiloso, úmido e pouco ventilado.

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e) local seco, com baixa temperatura e bem ventilado.

A munificação é um processo de conservação do cadáver que depende de condições que faci-


litem uma evaporação rápida, de modo a sustar o processo de putrefação. Ocorre em ambien-
tes secos, de temperatura elevada e abundante ventilação.
Letra a.

055. (VUNESP/PAPILOSCOPISTA POLICIAL/PC-SP/2018) Como resultado do processo na-


tural da putrefação do corpo após a morte, em determinada fase, ocorre uma dissolução dos
tecidos, por ação conjunta de microrganismos e fauna cadavérica, a qual é composta de larvas
e insetos. Esse fenômeno ocorre na fase:
a) esqueletização.
b) cromática.
c) mumificação.
d) coliquativa.
e) enfisematosa.

A fase coliquativa é a terceira fase da putrefação e se caracteriza pela dissolução pútrida, em


que os tecidos moles do cadáver se dissolvem por ação dos microrganismos e das larvas. Ini-
cia-se cerca de 3 semanas após a morte, podendo durar de um a vários meses, a depender de
fatores diversos como localização do cadáver, fauna cadavérica local, temperatura ambiente,
dentre outros.
Letra d.

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GABARITO
1. e 38. b
2. e 39. e
3. b 40. a
4. b 41. e
5. c 42. e
6. c 43. e
7. a 44. e
8. e 45. d
9. c 46. e
10. c 47. e
11. b 48. b
12. c 49. a
13. b 50. d
14. b
15. d
16. b
17. c
18. b
19. a
20. d
21. b
22. a
23. c
24. a
25. a
26. b
27. b
28. b
29. b
30. d
31. c
32. d
33. e
34. c
35. c
36. e
37. a

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REFERÊNCIAS
BRASIL. Código Penal. Decreto-lei n. 2.848, de 7 de dezembro de 1940. Disponível em: http://
www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848compilado.htm. Acesso em: 14 jan 2021.

BRASIL. Código de Processo Penal. Decreto-lei n. 3.689, de 03 de outubro de 1941. Disponível


em: http://www.planalto.gov.br/CCIVIL/Decreto-Lei/Del3689.htm. Acesso em: 14 jan 2021.

BRASIL. Código Civil. Lei n. 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Disponível em: http://www.planal-
to.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compilada.htm. Acesso em: 14 jan 2021.

CROCE, Delton; CROCE JR., Delton. Manual de Medicina Legal. 8. Ed. São Paulo: Editora Saraiva,
2012.

DOUGLAS, William; GRECO, Rogerio. Medicina Legal à luz do direito penal e do processual penal.
14. Ed. Niterói: Editora Impetus, 2019.

FERREIRA, Wilson Luiz Palermo. Medicina Legal. 5. Ed. Salvador, BA: Editora Juspodivm, 2020.

FRANÇA, Genival Veloso de. Medicina Legal. 11. Ed. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan,
2017.

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