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LIVRO DA SABEDORIA

Capítulo 50

1 Sei bem, muito bem, que o que vou pedir aqui, neste último Capítulo do Livro da Sabedoria, é o Impossível.

Mesmo assim, não posso deixar de o fazer. Assim mo pede a Sabedoria que, historicamente, se nos revelou como a Fragilidade Humana Desarmada perante os três Poderes, todos mentirosos e assassinos, nascidos do mítico Deus- Ídolo, inventado /criado pelos Sacerdotes, quando os seres humanos, tempos depois de termos Acontecido no decurso da Evolução, começámos a organizar-nos minimamente, primeiro em tribos, depois em pequenas cidades /aldeias, depois em cidades cada vez maiores e, finalmente, em nações /reinos /estados. Nesse remoto Então, os Sacerdotes não só inventaram /criaram o mítico Deus-Ídolo, como, ao mesmo tempo, auto-elegeram-se entre os demais seres humanos, como os únicos intermediários entre esse mítico Deus-Ídolo e todos os demais seres humanos, e também como os únicos representantes oficiais do Deus-Ídolo no Planeta. Um monopólio, chamado Poder Religioso, que, muitos séculos depois, os Sacerdotes, sucessores dos sucessores, dos sucessores, até aos sucessores dos primeiros, tiveram que alargar, se bem que a contragosto, a outros dois novos Poderes, entretanto, gerados pelo mesmo mítico Deus-Ídolo, respectivamente, o Poder Político e o Poder Económico, este último, hoje, sobretudo, Poder Financeiro Global.

2 Porém, neste nosso Século XXI e início do Terceiro Milénio, estamos já a protagonizar mais um passo neste

percurso de milénios. Um passo de gigante. Não só as tribos e os reinos deixaram já de existir, como os próprios Estados, um por cada país dos inúmeros países que fazem o Mapa Mundi (ingenuamente, todos continuam ainda a afirmar-se Estados /países "independentes", mas só mesmo ingenuamente!), estão em vias de desaparecer, ou já desaparecerem mesmo, embora continuem aí a figurar no Mapa e a serem referidos nos telejornais, qual deles o mais mentiroso e anestesiador das consciências /mentes dos povos. O nosso Planeta tornou-se definitivamente Global, como uma nave, onde todos os povos, e toda a demais Natureza connosco, navegamos. A nave /o Planeta deveria estar a ser pilotada /pilotado por todos os povos, todos-um-só-povo, os únicos capazes de crescermos em Sabedoria /Inteligência sapiente-sapiente cordial, mas, para desgraça de todos os Povos e do Planeta, está a ser pilotada /pilotado pelos três Poderes, todos-um-só-Poder, hoje, sobretudo, o Poder Financeiro Global, todos intrinsecamente Treva, ainda que Ilustrada, nenhuma Luz Maiêutica; todos Saber /Poder, nenhuma Sabedoria; todos Inteligência-Mentira-Assassínio, nenhumas entranhas de Humano /nenhum Coração.

3 E o que de Impossível vou eu aqui pedir neste último Capítulo do Livro da Sabedoria? Peço que, como seres

humanos e povos, tenhamos a Humildade /Verdade, ou, o que é o mesmo, a Sabedoria Fragilidade Humana Desarmada, de reconhecer que o Planeta Terra tem andado desviado da sua Matriz Original, desde que os Sacerdotes inventaram /criaram o mítico Deus-Ídolo e se auto-elegeram como os seus únicos intermediários, portadores de uma áurea de Poder absoluto e, por isso, incontestado, porque divino, proveniente directamente de Deus, do Deus-Ídolo que eles próprios habilmente inventaram /criaram e impuseram, a ferro-e-fogo, a todos os demais seres humanos como o único Deus verdadeiro. Consequentemente, tenhamos também a Humildade

/Verdade de reconhecer que tudo, mas absolutamente tudo, o que desde então edificamos sobre esta Mentira Institucionalizada, ou Idolatria Institucional, está inquinado, é portador de um vírus /sopro-que-mata, ou, se preferirem, um vírus /sopro que descria progressivamente o Humano, para, em seu lugar, ficar cada vez mais o Inumano, o Funcionário, o Robot, o Técnico, o Monstro, a Besta, numa palavra, o Descriado-Descriador.

4 O Desvio da Matriz Original pode ter passado despercebido aos seres humanos desse remoto Então. A vida de

cada ser humano, como indivíduo, era, ainda é, demasiado curta. Mal nascemos, já estamos a tornar-nos definitivamente invisíveis aos olhos dos demais. Comparado com a duração que o Universo, hoje ainda em expansão, já tem - 13 mil setecentos milhões de anos! - o nosso ser-nascer-viver individual na História é quase como dia de ontem que já passou. E, no entanto, é um ser-nascer-viver absolutamente decisivo. Nenhum ser humano é-nasce-vive em vão. Somos-nascemos-vivemos, cada um de nós, com o imperativo ético de crescermos em idade, em estatura, em Sabedoria (não em Saber /Poder, intrinsecamente perverso), e em Graça (não em Ter Acumulado /Concentrado, intrinsecamente perverso), até chegarmos à Liberdade /Maioridade, numa palavra, à Autonomia. E para quê? Para Cuidarmos da Terra e uns dos outros, até alcançarmos a plenitude do Humano, que é a Sororidade /Fraternidade Universal /Cósmica Praticada por todos os seres humanos /povos, não só os seres humanos /povos uns com os outros, mas também, os seres humanos /povos com a demais Natureza e o próprio Universo, do qual somos a parcela Consciente e Crítica /Auto-crítica, por isso, eticamente responsável pelo Todo!

5 É verdade. O Desvio da Matriz Original pode ter passado despercebido aos seres humanos /povos, nesse remoto

Então. Mas hoje, Século XXI e início do Terceiro Milénio, desta nossa era comum (antes do início desta nossa era comum, durante quantos milhares de anos mais, já tinham existido seres humanos no Planeta!), o Desvio da Matriz Original do Planeta alcançou proporções tais, que não dá mais para fazer de conta que ele não está aí. Está. E, ou nos decidimos a realizar o Impossível, ou pereceremos todos, os seres humanos e o Planeta Terra, ainda que o Universo prossiga em expansão, mas já sem nós e sem o Planeta Terra. Digo que estou a pedir o Impossível. Mas só escrevo assim, porque sei bem, muito bem, quanto é difícil, impossível mesmo, o Poder Sacerdotal-Religioso, a Idolatria Institucionalizada, responsável maior do Desvio da Matriz Original do Planeta e, associado a ele, os outros dois Poderes que vieram depois, o Poder Político e o Poder Económico, hoje, sobretudo Financeiro Global, admitirem sequer a existência do Desvio, apesar dele hoje ser Medonho, de proporções mais que Planetárias, já Inter-planetárias.

6 Nunca o Poder, nos três Poderes em que historicamente subsiste, admitirá tal coisa. Seria o seu fim! Tão pouco, o

Poder, nos três Poderes em que historicamente subsiste, admitirá alguma vez, que alguém lhe fale /revele /mostre o Desvio da Matriz Original do Planeta. Seria reconhecer que é Mentiroso e Assassino. E nunca por nunca admitirá /reconhecerá que ele próprio é o Desviador. Seria a sua própria Implosão. Pelo contrário, o Poder tem-se sempre na conta de divino, continua a dizer-se infalível, que vem directamente de Deus (sem nunca admitir que o Deus a que se refere é o mítico Deus-Ídolo), mesmo quando a chamada Encenação Democrática, com que ele hoje se apresenta perante os povos, diga que o Poder vem do Povo. É a mais crassa e a mais obscena das Mentiras, a Mentira por antonomásia, da Modernidade e Pós-Modernidade. Nunca por nunca, o Poder, nos três Poderes em que historicamente subsiste, admitirá /reconhecerá que é o Desviador da Matriz Original do Planeta, pois, se o fizesse, só lhe restaria desaparecer de vez da História. O Poder é tão demencial-demencial, é tão intrinsecamente Mentiroso e Assassino, que prefere levar o Desvio, em que ele próprio se constituiu, ao seu Apogeu, isto é, à sua própria Implosão, a ter de alguma vez admitir /reconhecer que ele próprio é o Desviador.

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Sempre o Poder, nos três Poderes em que historicamente subsiste, foi-agiu assim. É da sua natureza ser-agir

assim. E, enquanto existir, será assim que é-age. Porque é assim que ele é. O Perverso. Ontologicamente, Perverso. Por isso, absolutamente Mentiroso e Assassino. E nunca o Poder, nos três Poderes em que historicamente subsiste, revelou /mostrou à saciedade o que efectivamente é-realiza e não pode deixar de ser-realizar, porque é da sua natureza ser-agir assim, como quando, pela primeira e única vez na História, desde que o Desvio, em que ele próprio se constituiu, se viu perante o Ser Humano pleno e integral, único e irrepetível na História, de seu nome, Jesus, o filho de Maria, em quem o Desvio ou a Idolatria Institucionalizada, causado /causada pelos Sacerdotes do Deus-Ídolo e depois fortalecido /fortalecida pelos dois novos Poderes que se lhe juntaram, nunca conseguiu alojar- se, nem por um instante sequer. Esse Momento único e irrepetível, na História da Humanidade, teve /tem tanto impacto, que, ainda hoje, o Poder, nos três Poderes em que historicamente subsiste, não conseguiu apagar do calendários por que se regem os povos a nova contagem do Tempo que, pelo menos, nos chamados países ocidentais e de influência ocidental, passou a fazer-se: Antes de Jesus e depois de Jesus. Jesus é este Ser Humano pleno e integral, único e irrepetível na História, em quem o Desvio /a Idolatria Institucionalizada nunca conseguiu alojar-se, por um instante sequer. Foi concebido, plena e integralmente Humano, tal como todos e cada um dos demais seres humanos também somos, e nunca mais deixou de crescer /desenvolver-se assim, até levar o Humano ao Limite e para lá do próprio Limite. Por isso, é ele, e só ele, o nosso Paradigma e a nossa Referência Última na

História, qualquer que seja a nossa etnia, cultura, língua, país de origem!

8 O Poder, nos três Poderes em que historicamente subsiste, nunca foi capaz de aceitar este Homem plena e

integralmente Humano, Maiêutico. Nunca o acolheu. Nunca o escutou. Nunca o digeriu. Nunca o reconheceu. Logo que soube da sua existência, decidiu matá-lo na Hora. Mas só conseguiu consumar o seu Crime - é o Crime dos crimes do Poder, nos três Poderes em que ele historicamente subsiste - quando chegou a Hora Histórica de ele o fazer. E essa Hora Histórica não foi o Poder que a determinou, porque o Poder, perante o Ser Humano pleno e integral, nada pode. E, mesmo quando pensa que pode, engana-se. No caso concreto de Jesus, o Ser Humano pleno e integral /o Ser Humano integralmente Maiêutico, o Poder pensa ainda hoje que o matou, só porque conseguiu, finalmente, executá-lo na Cruz do seu Império, precisamente, por decisão dos Sacerdotes ou do Poder Religioso. Desconhece, porém - no Poder não há ponta de Sabedoria, a Fragilidade Humana Desarmada, só Saber /Poder mentiroso e assassino - que não lhe tirou a vida, como fez /faz gala de dizer aos seus súbditos. O próprio Ser Humano pleno e integral, Jesus, uma vez alcançada a plenitude do Humano, dentro da História, é quem deu /entregou a sua própria vida pela Vida, como Pura Dádiva. E, nesta sua Entrega, o Ser Humano pleno e integral, Maiêutico, que é Jesus, PASSA até para lá do próprio Limite do Humano, ao mesmo tempo que faz Explodir, para sempre, o próprio Limite do Humano!

9 Sei que estou a pedir o Impossível e, mesmo assim, não deixo de o fazer. E estou a pedir o Impossível, porque,

como reza a História destes primeiros dois Milénios de Cristianismo, eu sei que, inclusive, depois que o Poder, nos três Poderes em que historicamente subsiste, teve perante ele o Ser Humano pleno e integral ou integralmente Maiêutico que dá pelo nome de Jesus, o carpinteiro-camponês, o filho de Maria, não só o matou, como ainda levou

mais longe a sua intrínseca perversão. Já que não pôde apagar de vez o seu Nome, nem a nova maneira de contagem do Tempo, de antes de Jesus e depois de Jesus, fez um Crime mil vezes mais perverso que matá-lo na Cruz do seu Império. Manteve o nome Jesus, mas retirou tudo, absolutamente tudo, o que Jesus historicamente é, em concreto, o seu Projecto Político Maiêutico do Reino /Reinado de Deus - não esqueçamos que é uma expressão datada, própria do ano 28 e o ano 30 desta nossa era comum, que urge actualizar para este nosso Século XXI - as suas Práticas Económicas e Políticas intrinsecamente Maiêuticas e todos os Duelos Teológicos Desarmados que Jesus historicamente protagonizou contra o Poder, nos três Poderes em que ele historicamente subsiste, bem como contra o mítico Deus-Ídolo que lhe dá perversa cobertura e legitimidade ideológica /teológica. E, em seu

lugar, implantou um mítico Jesus-Cristo, ou simplesmente, Cristo, que alguns dos seus próprios discípulos, com destaque para o grupo dos Doze, possessos que andavam do Poder Político do Judaísmo da dinastia de David /Salomão, rapidamente restauraram, pouco tempo após a Morte Crucificada de Jesus. Até a nova contagem do Tempo deixou de ser antes de Jesus e depois de Jesus, para passar a ser antes de Cristo e depois de Cristo!

10 O Cristianismo que hoje conhecemos e que perversamente marcou os povos do Ocidente e todos os outros por influência do Ocidente, é exclusivamente desse mítico Cristo que procede, não de Jesus, o Ser Humano integralmente Maiêutico, nem do Movimento intrinsecamente Maiêutico que Jesus é e sempre desencadeia /faz Acontecer, lá, onde dois ou três, em qualquer tempo e lugar, se reunirem em seu Nome. A Igreja Católica Romana e as chamadas Igrejas evangélicas que proliferam por aí como cogumelos envenenados depois das chuvas (todas elas provêm do Século XVI e reproduzem exactamente a mesma perversão da Igreja Católica Romana, às vezes, até para mais perverso ainda) vão todas por aí, pelo mítico Jesus-Cristo, ou simplesmente, Cristo. Tanto assim, que todas se dizem cristãs. Nenhuma delas se diz ser, menos ainda, é, efectivamente, de Jesus, da sua mesma Fé, do seu mesmo ser-viver intrinsecamente Maiêutico. Os mais de dois mil milhões de seres humanos que, neste Século XXI, se declaram cristãos no Mundo, em alguma dessas muitas Igrejas cristãs ou da Igreja católica romana, são

todos do mítico Cristo, não de Jesus. Todos confessam ter muita fé religiosa em Jesus-Cristo, ou simplesmente, Cristo, nenhum diz /testemunha (as excepções só confirmam a regra) que se experimenta animado da mesma Fé Maiêutica (anti-Religião, anti-Poder Político e anti-Riqueza Acumulada /Concentrada, hoje Poder Financeiro Global) de Jesus. Muito pelo contrário. O Ser Humano pleno e integral, Maiêutico que Jesus é, mete-lhes medo. E eles evitam-no. Nunca cruzam o seu com o Olhar dele. Procedem todos como o homem rico de que falam os três Evangelhos Sinópticos, e como os fariseus, os saduceus, os doutores da Lei, os sacerdotes. Até os do grupo dos Doze (dos quais - é preciso descaramento e não ter vergonha na cara! - todos os bispos-Poder Religioso- Eclesiástico, ainda hoje, Século XXI, se dizem os sucessores), que andaram fisicamente com Jesus; mas nunca foi com ele que se identificaram, pelo contrário, sempre se opuseram violentamente, porque o coração deles estava

todo com o Projecto de Poder Político da dinastia de David /Salomão! Evangelhos?!

Não é o que revelam os quatro

11 Os cristãos, elas e eles, são todos adoradores (também já os há por aí orgulhosamente ateus!) do Deus-Ídolo inventado pelos Sacerdotes, no remoto Então do alvorecer dos seres humanos minimamente organizados. E adoradores do seu mítico Cristo, ou Jesus-Cristo, que todos seguem e adoram, sempre na mira de que, desse modo, a vida deles, das suas filhas, dos seus filhos, corra pelo melhor, cheia de êxitos, de empregos bem remunerados, cheios de saúde, vida longa, abundância de tudo do bom e do melhor. São assim os cristãos do Cristianismo, porque também são assim, para mais perverso ainda, os sacerdotes e pastores que eles encontram a dirigir cada Igreja concreta, em que foram baptizados e onde foram /são catequizados. Há hoje Igrejas cristãs e congregações que se especializaram no estudo da Bíblia e os seus aderentes têm-se na conta de serem ainda mais cristãos que os outros da Igreja católica romana, por exemplo, que passam o tempo em devoções beatas e estupidificantes, ritos cheios de ópio e de alienação, peregrinações e mais peregrinações a santuários de renome ou mesmo aos chamados "Lugares Santos", os da Perversão /Idolatria Institucionalizada, os Lugares santos do Deus-Ídolo e dos seus sacerdotes que mataram Jesus na Cruz do Império, nos quais nasceu o Cristianismo do mítico Cristo, que ficou no lugar de Jesus e do Movimento Político Maiêutico que ele é. Na sua cegueira bíblica, nem sequer se apercebem que são ainda mais perversos do que os outros. Porque até com a letra da Bíblia matam tudo quanto, todos quantos lhes passarem pelas mãos, pelas catequeses, pelos cursos bíblicos que os dirigentes /biblistas das suas Igrejas cristãs ou congregações promovem.

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Está então tudo perdido? Felizmente, não está. E porquê? Porque, quando as primeiras discípulas, os primeiros

discípulos não-Judeus de Jesus, começaram a dar-se conta do que o Pedro, que negara Jesus por três vezes e nunca mais havia dado sinais de arrependimento, pelo contrário, até correu logo a constituir-se no chefe número um do Cristianismo do mítico Cristo Vitorioso, em Jerusalém, de onde não arreava pé, assim como do Templo que crucificou Jesus na Cruz do Império; e do que o fariseu fanático, Saulo /Paulo de Tarso, recém-convertido ao mítico Cristo Vitorioso, que nunca havia conhecido Jesus na carne, e, para cúmulo, ainda se orgulhava disso (obviamente, só lhe interessava o mítico Cristo Vitorioso que, segundo ele próprio anuncia /escreve, estava para vir de novo sobre as nuvens do céu esmagar os inimigos do seu povo e de Deus, o Deus do seu povo!) andavam ambos a fazer, mais ainda Paulo do que Pedro, concretamente, de como estavam ambos empenhados em impor aos Judeus e aos povos do Mundo o mítico Cristo Vitorioso, o do Poder religioso-político da dinastia de David /Salomão, passaram-

se todas, todos de imediato à clandestinidade e meteram-se a escrever /Testemunhar tudo o que Jesus, com quem haviam Partilhado a Missão até à sua Morte Crucificada na Cruz do Império e, mesmo depois dela, havia maieuticamente despertado no ser-viver de cada uma, cada um. Concretamente, de como Nasceram de Novo, do seu mesmo Sopro /Espírito Maiêutico, e se tornaram Mulheres /Homens Maiêuticos também, prosseguidores da sua mesma Missão na História, concretamente, das suas mesmas Práticas Maiêuticas e dos seus mesmos Duelos Teológicos Desarmados.

13 Fizeram-no, para que, desse modo, Jesus, o Ser Humano integralmente Maiêutico que lhes havia mudado até o

Ser e, consequentemente, também o seu viver na História, desde então, definitivamente longe do Deus-Ídolo dos sacerdotes e dos outros dois Poderes, e longe do seu mítico Cristo Vitorioso. Quatro dessas Narrativas, escritas em forma de Evangelho ou Boa Notícia de Jesus, o ser Humano plena e integralmente Maiêutico, são hoje, Século XXI, mais ainda do que no século III-IV, garantidamente tidas e achadas como as mais fundamentais, para que Jesus, o filho de Maria, a sua mesma Fé e o seu mesmo Sopro /Espírito Maiêutico cheguem fielmente a nós, seres humanos e povos do Século XXI e do Terceiro Milénio, e nos façam Nascer de Novo, isto é, totalmente fora do Mundo do Poder, nos três Poderes em que o Poder historicamente subsiste, totalmente fora do seu Deus-Ídolo e, também, totalmente fora do seu mítico Cristo Vitorioso.

14 A Igreja católica reconheceu /reconhece estes quatro Evangelhos, escritos pelas pequenas comunidades

clandestinas das, dos de Jesus, contra o mítico Cristo Vitorioso e contra o Cristianismo de Pedro e, sobretudo, de

Paulo e de Tiago, o irmão carnal de Jesus, que nunca foi discípulo dele e, só por isso, depressa se fez estupidamente entronizar como o chefe maior da Igreja Judeo-Cristã de Jerusalém, obviamente, uma Igreja, toda ela, contra Jesus, seu irmão carnal de Tiago, de quem Tiago se envergonhava, pois, enquanto Crucificado na Cruz do Império, constituiu-se para sempre na vergonha da família, no "louco" da família. Pior ainda, no Maldito dos malditos, como, de resto, dizia /diz o Livro bíblico do Deuteronómio! É verdade. A Igreja católica reconheceu /reconhece e, hoje, mantém /difunde estes quatro Evangelhos escritos. Mal ela sabe que eles foram escritos contra o mítico Cristo Vitorioso de Pedro e de Paulo, os quais, logo após a Morte Crucificada de Jesus na Cruz do Império, em vez de irem para a "Galileia", ficaram em Jerusalém (Pedro, pelo menos), a ocupar o lugar de chefes do Judeo-Cristianismo, como se Jesus, crucificado pelos sacerdotes do Templo na Cruz do Império, tivesse, finalmente, "virado" divino, todo-poderoso, vitorioso, ao jeito do mítico Deus-Ídolo dos Sacerdotes, e definitivamente sentado à direita dele no céu.

15 O Ser Humano Maiêutico Jesus, que cresceu até ao Limite do Humano e fez explodir o Limite do Humano, com a

sua Morte Crucificada na Cruz do Império, deixava, assim, definitivamente, de o ser. Agora, era o Messias /o Cristo Vitorioso e, finalmente, no século IV, o Sol Invictus, do Império Romano de Constantino e dos seus sucessores,

actualmente, o papa de Roma, actual chefe de Estado do Vaticano, assessorado pela perversa e mafiosa Cúria Romana. O Projecto Político de Deus Criador, seu e nosso Abbá e Abbá de todos os povos por igual, que Jesus, entre meados do ano 28 e Abril do ano 30, historicamente realizou no seu ser-viver plena e integralmente Maiêutico, que, incansavelmente - nem sequer tinha onde reclinar a cabeça, de tão itinerante foi o seu viver! - praticou maieuticamente com os Pobres e Oprimidos, que tornou efectivamente presente entre eles e com eles e por causa de tudo isso foi morto na Cruz do Império, por decisão dos sumos-sacerdotes do Templo, desaparecia, pura e simplesmente. Em seu lugar - crime dos crimes! - ganhava projecção e era acolhido pelos Judeus e por outros povos do Império, o mítico Cristo e o Projecto de Poder Político da dinastia de David /Salomão, mais tarde, o Projecto de Poder Político do imperador Constantino e seus sucessores, que Jesus-em-Missão Maiêutica na Galileia e, finalmente, na Judeia, havia denunciado /desmascarado como gerador de Mentira e de Assassínio, e ferido de morte, até que dele, um dia, não haja sequer rasto.

16 A Igreja católica, cada vez mais Poder Sacerdotal /Religioso, conservou e reconheceu estes quatro Evangelhos que (mal ela sabe, ou sabe e por isso sempre os manteve e ainda mantém sequestrados /manipulados) manifestamente, a condenam e a derrubarão. Basta ver como, durante séculos e séculos, só alguns poucos clérigos tinham acesso aos manuscritos, escritos em grego. Os povos não sabiam ler e, mesmo que alguns dos povos soubessem, não sabiam a língua com que os manuscritos se davam a ler; e, que soubessem, não tinham acesso a eles. Deste modo, jamais, na curta vida de cada indivíduo, os povos souberam de Jesus, do Movimento Político Maiêutico que ele é e do Projecto Político Maiêutico do Reino /Reinado de Deus Criador de filhas, filhos em estado de liberdade /maioridade, e de Povos em radical igualdade, que Jesus praticou /revelou /anunciou, e quer que chegue aos povos de todas as nações. Apenas souberam o que os sacerdotes, cada vez mais senhores feudais, homens do Poder Religioso e do Poder Económico, lhes disseram. E o que disseram, era o mesmo que Nada. E sempre do modo que eles próprios muito bem entendessem! Por isso, os quatro Evangelhos existiam, mas era como se não existissem. Estavam bem guardados /sequestrados, de acesso limitadíssimo a uns quantos que, entretanto, eram obrigados, sob juramento de sangue (caso quebrassem o juramento eram de imediato assassinados!), a nunca revelar o que lá se dizia de um tal Jesus, o camponês-artesão, o filho de Maria, o ser humano plena e integralmente Maiêutico que os sacerdotes do Templo fizeram crucificar na Cruz do Império, por ter revelado que o Templo é covil de ladrões e que o Deus dos Sacerdotes é o Deus-Ídolo, mentiroso e assassino. Só mesmo o mítico Cristo Vitorioso interessava e só dele se haveria de falar /catequizar. Para, com isso, reforçarem mais e mais o Poder Sacerdotal /Religioso e o Poder Económico do próprio clero, sobretudo, do alto clero, e da respectiva instituição católica romana.

17 Com a invenção da rotativa que imprimia cópias umas atrás das outras, cada vez a velocidade maior, as cúpulas da Igreja católica romana viram-se ameaçadas e fizeram tudo para amaldiçoar tal invento e o seu inventor. Em vão. Depressa, apareceu uma Bíblia traduzida numa língua vernácula. O que até então era segredo de Estado Eclesiástico, passou a estar ao alcance de quem soubesse ler e ouvir ler. Os quatro Evangelhos voltam ao de cima e os povos começam a saber de um tal Jesus. Só que logo os da Igreja católica romana e, depois os das Igrejas ditas reformadas, passaram a ler os Evangelhos a partir da sua posição de Poder e de Privilégio. E de Jesus, só ficou mesmo o mítico Cristo Vitorioso e o seu mentiroso e assassino Deus-Ídolo, o dos Sacerdotes e Pastores. E para que nada fosse além disso, a Igreja católica decretou que só aos da sua cúpula havia sido dado por esse mítico Cristo (não por Jesus, obviamente!) o Poder de interpretar canonicamente os textos bíblicos, quatro Evangelhos incluídos. E assim tem sido até há bem pouco tempo. Para desgraça dos povos e do Planeta. Porque, com os Evangelhos assim domesticados, cativos da Igreja Eclesiástica Cristã-católica romana, ou simplesmente, Igreja Cristã, o Poder, nos três Poderes em que historicamente subsiste, tem-se mantido e afirmado, cada vez mais mentiroso e assassino. É crime sobre crime. Assassínio sobre Assassínio. E, hoje, nem o Planeta Terra está a salvo.

Tudo é roubado, privatizado, massacrado. Sempre com o mítico Cristo a abençoar, mai-lo o Deus-Ídolo dos Sacerdotes.

18 Século XXI, é a Hora de Mudar. E Mudar de raiz. A Ciência tem ajudado a chegarmos mais a Jesus, o camponês-

artesão de Nazaré, o filho de Maria. Ainda que depois, ela própria, depressa controlada pelo Poder, nos três Poderes em que historicamente subsiste, acabe refém dele e ao seu inteiro e exclusivo serviço Mentiroso e Assassino. Porém, há sempre quem escape ao controlo do Poder e deixe Soprar na História o genuíno Sopro /Espírito Maiêutico de Jesus, o filho de Maria. E, com Jesus, nunca mais com o mítico Cristo, mudar de Deus é, hoje, imperioso. Mudarmos do Deus-Ídolo dos Sacerdotes, para o Deus Criador e Abbá de todos os povos em radical igualdade, que nunca ninguém viu, mas que historicamente pudemos conhecer em Jesus, o Ser Humano pleno e integral, em quem a Idolatria Institucional nunca conseguiu entrar, nem por um instante. É imperioso, pois, mudarmos de Deus. E retomarmos a Matriz Original do Planeta, da qual os Sacerdotes que inventaram /criaram o Deus-Ídolo, se desviaram e que causou, como hoje se vê, em retrospectiva, todo o historial de Inumanidade e de Descriação, em que a História se converteu. E que hoje, Século XXI, está em grave risco de Implodir a qualquer Momento. Porque nunca como hoje o Poder, nos três Poderes em que historicamente subsiste, o foi tanto. Nem

tão Cruel /Inumano /Descriador.

19 Esta é, pois, a Hora dos Povos. Não pode mais continuar a ser a Hora do Poder. Esta é, também, a Hora de

fazermos Implodir o Cristianismo, sem dúvida, a maior Traição Institucionalizada a Jesus, o do Reino /Reinado de

Deus Criador de filhas, filhos em estado de Liberdade /Maioridade e de povos em radical igualdade, de que há

memória (a de Judas à beira desta, é uma brincadeira!), que veio dar ainda mais Poder de Descriar /Matar /Roubar /Destruir aos três Poderes e acabou a fazer deles o Perverso Absoluto, o Assassínio Institucionalizado /Legalizado. Esta é a Hora de fazermos desaparecer de vez da História o Cristianismo, e sobretudo, do ADN dos seres humanos

e dos povos. Para que, em seu lugar, fique apenas Jesus, Século XXI, que os povos desconhecem por completo, já

que ele sempre lhes foi apresentado como o mítico Jesus-Cristo, ou simplesmente Cristo. Sei que estou a pedir o

Impossível. Nem os três Poderes, como-um-só, deixarão de o ser e cada vez mais mentirosos /violentos /ladrões

/assassinos dos povos e do Planeta. Nem os chefes das Grandes e das pequenas Igrejas cristãs desistirão do seu mítico Cristo. Eu sei. Uns e outros, como-um-só, nem sequer podem ouvir falar de Jesus, muito menos, escutar /acolher /digerir Jesus e Prosseguir na História o seu Projecto Político Maiêutico. Mas só Jesus, o Ser Humano plena

e integralmente Maiêutico, está reconhecido por Deus Criador, seu e nosso Abbá e de todos os povos por igual,

como aquele em quem a Matriz Original do Planeta atingiu o Limite do Humano e fez, até, Explodir o Limite do Humano. De modo que, com Jesus, já não há mais o Limite do Humano. Até a nossa própria Morte é, com Jesus, a nossa Definitiva PÁSCOA /PASSAGEM para o plenamente Humano sem mais nenhuma espécie de Limite! Resgatemos, pois, Jesus das Igrejas cristãs. Resgatemos o seu Evangelho de Deus Criador, seu e nosso Abbá, maieuticamente presente e activo nas quatro /cinco narrativas (a de Lucas está escrita em dois volumes que devem ser lidos de seguida!), todas bem conhecidas de nome, mas todas perversamente interpretadas pelos clérigos e pelos pastores e seus biblistas de serviço, os novos doutores da Lei, do tempo e do país de Jesus.

Sobretudo, ousemos ser outros Jesus, Século XXI e Terceiro Milénio além.

20 Regressar a Jesus é preciso, imperioso e urgente. À sua mesma Fé Maiêutica, não religiosa. Às suas mesmas

Práticas Económicas e Políticas Maiêuticas. E aos mesmos Duelos Teológicos Desarmados de Jesus, pelo menos, enquanto os três Poderes-como-um-só, mai-lo o seu Deus-Ídolo, juntamente com o Cristianismo e o seu mítico Cristo Vitorioso, permanecerem aí activos, como-um-só. Havemos de Prosseguir Jesus, a sua mesma Fé Maiêutica, as suas mesmas Práticas Maiêuticas e os seus mesmos Duelos Teológicos Desarmados, agora devidamente

actualizados para o nosso Século XXI. Não nos esperam dias fáceis, eu sei. O que só nos deve alegrar. Porque os dias fáceis são os da Corrupção e da Idolatria que descriam o Humano. Esperam-nos dias de Grandes Duelos, nos quais temos de entrar sempre Desarmados, que assim é a Sabedoria, a Fragilidade Humana Desarmada. Temos de ser outros Jesus, Século XXI adiante e para lá dele. Por isso, Cristo e o Cristianismo, nunca mais! Jesus - o ser humano plena e integralmente Humano Maiêutico, e o Movimento Político Maiêutico que ele próprio é e faz despertar em nós, sempre dois ou três, em qualquer tempo e lugar, se reúnem em seu Nome - sempre! Até que o Planeta seja todo plena e integralmente Jesuânico, Maiêutico, onde já ninguém se atreve a apropriar-se dele, porque ele é de todos os seres humanos e de todos os povos por igual, segundo a necessidade real de cada qual. Despojemo-nos, pois, de tudo o que é do Deus-Ídolo. De tudo o que é dos três Poderes, como-um-só. De tudo o que é do mítico Cristo e do Cristianismo, a que ele deu origem. Vivamos alegremente em Deserto. Na Trincheira povoada de Afectos Partilhados e de Mesas Compartilhadas. Peço-lhes o Impossível, eu sei. Mas não sou eu quem pede. É a Sabedoria, a Fragilidade Humana Desarmada, a única que derrubará o Poder, nos três Poderes em que ele historicamente subsiste. E que abrirá as portas ao Planeta, finalmente, criado de acordo com a sua Matriz Original, da qual os Sacerdotes o desviaram, quando se meteram a inventar /criar o mítico Deus-Ídolo e logo se auto-elegeram como os seus únicos intermediários e os seus únicos representantes, ao mesmo tempo que impuseram a todos os povos esse Desvio, essa Idolatria Institucionalizada! É Hora. A Hora dos seres humanos e dos povos. A nossa Hora!

FIM do Livro da Sabedoria

Capítulo 49

1 Pessoas da Política [deveria ter escrito: do Poder Político, porque a Política é a mais nobre das artes, enquanto o Poder Político é o assassino número um da Política!] e dos media [certamente dos Grandes] têm pedido com alguma insistência a um amigo meu, presbítero da Igreja como eu, mas ainda frequentador de templos e de altares, na sua qualidade de membro activo de uma conhecida Congregação religiosa Missionária, e professor de Filosofia na Universidade de Coimbra, para que escreva um texto sobre o que é ser católico (o meu amigo é cronista semanal, há vários anos, num conhecido matutino, com sede em Lisboa). Um dia destes, o meu amigo fez- lhes a vontade e escreveu o texto. Diz o óbvio, no âmbito do doutrinal institucional católico; já sobre quem é efectivamente católico, levanta algumas e pertinentes questões práticas, uma vez que, em seu entender e no entender do próprio Institucional católico, um católico assumidamente não praticante (hoje, a esmagadora maioria no Ocidente) é quase o mesmo que um não católico. O texto do meu amigo não deixa de me surpreender, pela negativa. Revela muito Saber, mas apresenta-se falho de Sabedoria. E de Sabedoria, é do que todos os seres humanos andamos necessitados. Já do Saber que nunca chegue a ser Sabedoria, poderemos passar muito bem sem ele. Porque o Saber que nunca chegue a ser Sabedoria, acaba sempre como o principal aliado do Poder, de todo o Poder, particularmente, da trindade dos Poderes - o Religioso, o Político e o Financeiro - que é a mãe /o pai de todos os Poderes que, desde o início da humanidade minimamente organizada, mantêm os seres humanos e os povos que lhes não resistam activamente e por toda a vida, cativos na Injustiça Estrutural, hoje, até, cientificamente organizada.

2 O texto do meu amigo começa por dizer que, "católico é antes de mais o cristão baptizado na Igreja Católica." E logo sublinha: "O acento tem de estar no «cristão». Postas as coisas assim, nunca mais chegaremos a sair do Mesmo. Daí, a minha surpresa, pela negativa, que o texto me causou. Porque o Mesmo de que nunca chegaremos

a sair, é precisamente esta Igreja Cristandade Ocidental, ou Poder Religioso-Eclesiástico clerical, que está na

origem - e os seus chefes ainda se orgulham disso, em vez de vestirem de saco e cobrirem a cabeça de cinza, em sinal de arrependimento e de conversão! - e até no desenvolvimento do perverso Ocidente que hoje somos e que, chegados ao Século XXI, podemos ver, como nunca antes, o monstro institucional que ele é /somos. Com este Ocidente e neste Ocidente, formatado pela Igreja Cristandade e pelo seu Cristianismo, os seres humanos são

meros objectos, nunca sujeitos; os povos são sistematicamente conquistados, roubados, assassinados, destruídos;

e os sobreviventes de cada periódica carnificina, são usados como carne-para-canhão, mantidos, geração após

geração, no Medo e no Infantil, e alimentados pelo pão da Banalidade, da Superficialidade, do Devocionismo rasca ou ilustrado, da Mediocridade, e da mais crassa ou ilustrada Alienação. Os sacerdotes que pontificam nos templos são profissionais da Mentira, funcionários a tempo inteiro do Religioso (o braço direito do Poder Financeiro),

mercenários que aterrorizam /exploram sobretudo as multidões mais desprotegidas e, bíblica e teologicamente, mais subdesenvolvidas. Já, os Executivos Seculares das nações são o braço esquerdo do Poder Financeiro, ao seu inteiro e incondicional serviço e dos seus Mercados, que hoje tudo e todos dominam e matam, sem que ninguém lhes faça frente.

3 O meu amigo parece desconhecer, como, de resto, a generalidade dos nossos intelectuais católicos e não católicos, agnósticos e ateus que se digam, que o Cristianismo não está, nunca esteve, nunca estará na linha de continuidade de Jesus, o camponês-carpinteiro de Nazaré, o filho de Maria (= o Ninguém dos Ninguém, que é o que quer dizer a expressão, exclusiva do Evangelho de Marcos, "o filho de Maria), muito menos, na linha de continuidade do seu Projecto Político Maiêutico do Reino /Reinado de Deus Criador de filhas, filhos em estado de liberdade e de maioridade e de povos em radical igualdade, tão pouco, na linha de continuidade do Movimento Político Maiêutico que Jesus é e desencadeia na História, entre meados do ano 28 e Abril do ano 30 desta nossa era comum. O Cristianismo Vencedor é, objectivamente, o segundo assassinato histórico de Jesus, sem dúvida, muito pior que o primeiro, consumado na Cruz do Império Romano, em Abril do ano 30. O Cristianismo, como o próprio nome etimologicamente revela, tem na sua génese um mítico Cristo, representado, em todos estes séculos de Cristandade, por esse asqueroso e sinistro símbolo, que é a cruz, com a imagem de um corpo de homem crucificado nela, e que anda por aí multiplicada aos milhares de milhões, plantada em tudo quanto é sítio e esquina, até dependurada do pescoço de muitas pessoas e colada às vestes dos clérigos, de frades e de freiras, o que perfaz, no seu todo, uma das mais graves humilhações dos seres humanos e dos povos, que uns e outros, em lugar de energicamente a repelirem, são até estimulados a acolhê-la e a carregé-la, como uma bênção ou amuleto.

4 Ter associado e continuar, Século XXI além, a associar esse mítico Cristo pregado numa cruz de madeira, de ferro, de pedra ou de ouro, a Jesus, o Crucificado pelos sacerdotes do Templo de Jerusalém, na Cruz do Império romano,

é a perversão das perversões, a mentira das mentiras, o crime dos crimes, a traição das traições. Num ápice, fez-se /faz-se desaparecer para sempre da História e da memória dos Povos, até do ADN de cada ser humano, Jesus e o seu Projecto Político Maiêutico do Reino /Reinado de Deus Criador, o Abbá de todos os Povos, mais íntimo a eles do que eles próprios, bem como o Movimento Político Maiêutico que Jesus é e fez /faz desencadear na História, para que sempre brote, como fonte de água viva, de dentro dos povos de todas as nações, contagie pelo menos alguns dos seus membros e, como o fermento na massa, o sal da terra e a luz do mundo, transforme de raiz este nosso Mundo, todo ele edificado sobre a areia, não sobre a rocha; sobre a Mentira que oprime os seres humanos e os povos e faz deles Opressores uns dos outros, não sobre a Verdade que nos faz livres e libertadores /maiêuticos uns dos outros; numa palavra, bem mais teológica e política, edificado, não sobre a mesma Fé de Jesus, mas sobre

a Idolatria, sem dúvida, o Pecado Estrutural do Mundo, o único Pecado que não pode ser perdoado, pelo contrário, sempre tem /terá de ser desmascarado, amarrado, e, finalmente, decapitado pela fome. O que só sucederá, quando todos os seres humanos e os povos formos da mesma estatura de Jesus, outros Jesus, em cada tempo e

lugar, pois só então deixaremos de alimentar o Deus-Ídolo - inventado /criado pelos sacerdotes, subjacente ao Pecado Estrutural do Mundo que é a Idolatria - com o sacrifício de milhões e milhões de vítimas humanas, as únicas vítimas com que semelhante Monstro ou Besta se alimenta.

5 O mais dramático /tremendo é que toda esta perversão das perversões, esta mentira das mentiras, este crime

dos crimes, esta traição das traições, teve o seu início, poucos meses /anos após a Morte Crucificada de Jesus. E -

vejam só! - por acção directa de alguns dos seus principais discípulos, cujos nomes são, ainda hoje, sobejamente conhecidos dos povos do Ocidente e do resto do Mundo, aonde a perversa influência da Cristandade Ocidental já chegou, graças também às chamadas Missões, que as poderosas Congregações religiosas das ditas, há séculos promovem e alimentam. E também por acção dos mais próximos familiares de sangue de Jesus, entre os quais, se conta Maria, a sua própria mãe de sangue, e o seu próprio irmão de sangue, Tiago, de seu nome, os quais nunca haviam sido das, dos de Jesus e do seu Movimento Maiêutico, pelo contrário, até haviam sido dos seus principais opositores (o Evangelho de Marcos chega a dizer que eles quiseram ter mão nele, porque tinham-no por um louco varrido, um perigo público!). O Evangelho de Lucas dá-nos notícia desta alta traição, liderada por Simão Pedro, o chefe dos discípulos que, até à prisão logo seguida da Morte Crucificada de Jesus, haviam constituído o grupo dos Doze, e por Tiago, o irmão de Jesus, chefe /porta-voz dos familiares de sangue. A notícia vem logo no primeiro capítulo do Segundo volume do seu Evangelho, erradamente, chamado "Actos dos Apóstolos" (Lucas é único dos quatro Evangelhos canónicos que se apresenta em dois volumes; e o segundo foi escrito, precisamente, para relatar /testemunhar ao pormenor como é que foi feita a traição a Jesus, ao seu Projecto Político do Reino /Reinado de Deus Criador e ao Movimento Político Maiêutico que Jesus é e desencadeou /desencadeia na História).

6 Infelizmente, nunca fomos capazes de entender o Evangelho de Lucas, muito menos, o segundo volume,

desenvolvido ao longo de 28 capítulos. E não fomos, porque o Institucional Eclesiástico que depressa, após a Morte Crucificada de Jesus, se começou a perfilar no horizonte, sempre no-lo tem impedido. Quando esse Institucional Eclesiástico levou de vencida o pequeno núcleo das, dos de Jesus e do seu Movimento Político Maiêutico, integrado por Maria Madalena, Maria, a mãe de João Marcos, em cuja casa se reuniam clandestinamente, e mais outras mulheres que haviam seguido Jesus desde a Galileia até ao Calvário e por alguns discípulos homens de proveniência helénica e romana (todos os discípulos do grupo dos Doze, só homens, integrados no Judaísmo, após a prisão política de Jesus, logo seguida da sua Morte Crucificada, haviam fugido e desaparecido de cena!), logo pegou no segundo volume do Evangelho de Lucas, assim como nos quatro Evangelhos canónicos nossos conhecidos, e passou a lê-los /interpretá-los de acordo com as suas inconfessáveis aspirações de Poder Religioso /Político, na continuidade do projecto de Poder Político do Judaísmo puro e duro que tinha /tem o seu principal fundamento no rei David e na sua casa real, e que, no passado, havia atingido o zénite, precisamente, na pessoa do rei Salomão, o filho de David que lhe sucedeu no trono.

7 A liderança primeira deste Institucional Eclesiástico, ainda titubeante, cabe, antes de mais, a Tiago, irmão de sangue de Jesus, que, como já disse, nunca havia sido seu discípulo, pelo contrário, fora até o seu principal opositor, quando, com os demais familiares, a mãe de Jesus incluída, quis ter mão nele, porque todos consideravam que ele só poderia estar louco varrido. É Tiago, não Pedro, que aparece como o primeiro chefe da Igreja de Jerusalém que reunia no respectivo Templo, esse mesmo Templo - vejam a contradição! - que Jesus havia simbolicamente derrubado e que classificou de "covil de ladrões"!!! A liderança cabe também a Pedro, o chefe do Grupo dos Doze que se desfez completamente com a prisão seguida da Morte Crucificada de Jesus, e que Pedro, habilmente, reconstruiu, quando estavam todos reunidos na chamada sala de cima, que fazia parte do Templo. Só

que Pedro fica em segundo plano, relativamente, a Tiago e em conflito mais ou menos aberto contra ele. Mesmo assim, nos primeiros tempos, também não larga o Templo de Jerusalém, quando Jesus lhes havia dito que, depois da sua Morte Crucificada, os precederia na Galileia! Nunca, obviamente, em Jerusalém, cidade assassina dos profetas e do próprio Jesus, muito menos no Templo, "covil de ladrões", cujos sacerdotes haviam acabado de crucificar Jesus na Cruz do Império romano!!! Pedro, em conflito com Tiago, não larga Jerusalém, onde procura ganhar terreno sobre Tiago, faz intervenções no átrio do Templo, independentes das de Tiago, mas todas elas, tal como as de Tiago, na linha do Poder Político davídico, da casa real de David /Salomão.

8 O que leva Simão Pedro, fugido /desiludido com Jesus, de quem chegou a dizer que o não conhecia de lado nenhum, a congregar de novo os outros dez que restavam dos Doze, tão fugidos /desiludidos com Jesus quanto ele (Judas havia-se passado de vez para o partido dos sumos sacerdotes do Templo e nunca mais regressou desse suicídio político!), dos quais ele era o chefe incontestado, sempre em oposição a Jesus, até ao momento da sua prisão logo seguida da sua Morte Crucificada? Sim, o que leva Pedro a congregar os outros dez? (Recordemos que, no momento da prisão, Pedro ainda chega a puxar da espada, para impedir Jesus de ser preso, uma postura em flagrante oposição à historicamente assumida por Jesus, o qual, logo ali, já preso, repõe a verdade do seu Projecto Político Maiêutico do Reino /Reinado de Deus Criador, e ordena a Pedro que meta de imediato a espada na bainha!). A pergunta faz todo o sentido. E toda a gente já conhece a resposta. Só que a resposta que toda a gente já conhece, porque é a que sempre nos tem sido dada (pelos vistos, até o meu amigo se lhe refere no texto que escreveu, sinal de que também ele a faz sua e sobre ela edifica todo o seu ser-viver, como de resto sempre têm feito e continuam a fazer todos os outros católicos e todos os outros cristãos, elas e eles), é uma resposta mentirosa, interesseira, por isso, perversa. Já leva 20 séculos, eu sei, mas nem por isso deixa de ser uma resposta mentirosa, interesseira, por isso, perversa. Ei-la, em síntese: Inopinadamente, menos de 48 horas depois da Morte Crucificada de Jesus, teria começado a circular entre os antigos discípulos de Jesus, elas e eles, que o sepulcro estava vazio (mas nunca houve sepulcro, já que o cadáver crucificado de Jesus, depois de arrancado da Cruz, foi lançado à vala comum, como era de uso e costume dos romanos crucificadores) e que o Crucificado, de há menos de 48 horas antes, era agora e para sempre o Ressuscitado Vencedor da Morte.

9 A notícia deixa os antigos discípulos de Jesus, elas e eles, em grande alvoroço. Também e, sobretudo, os discípulos Judeus que haviam constituído o grupo dos Doze. E, depressa, ganha corpo entre eles, a perversa interpretação de que, se o Crucificado é o Ressuscitado, então, Pedro e o grupo do qual ele era o chefe, tinham razão contra o próprio Jesus-em-plena-Missão, na Galileia e na Judeia, uma vez que ele e eles sempre se haviam recusado a admitir que o "Messias" ou o "Cristo" seria historicamente um Derrotado, um Fracassado. Deus tal não permitiria, diziam contra o próprio Jesus; Deus haveria de sair em sua defesa, nem que fosse com uma espectacular intervenção milagrosa em Jerusalém, e assim esmagar, de vez, todos os seus inimigos e estabelecer, finalmente, o seu Reino de Poder absoluto e universal sobre todos os povos da Terra. O projecto de Poder Político da casa real de David /Salomão era por aí que ia e, pelo que agora se vê, estava certo, pelo menos, no pensar de Pedro e dos do seu grupo. Deus, o dos nossos pais - diz Pedro, nos seus primeiros discursos de primeiro chefe (papa?!) do novo Poder, manifestamente ufano perante as multidões, que o escutam como a um chefe vencedor, saiu em defesa do seu "Messias" ou "Cristo" e resgatou-o definitivamente da Morte, de tal modo que o seu cadáver não conheceu nem conhecerá a corrupção. Não o fez, quando os nossos chefes, certamente, por ignorância, o prenderam e o executaram na Cruz do Império, o que muito nos escandalizou e até dispersou, mas fê-lo, menos de 48 horas depois, precisamente, quando tudo parecia já consumado. Afinal, não estava tudo consumado. Chegou agora a hora da vingança do nosso Deus, no qual os nossos pais sempre confiaram. O "Messias" ou o "Cristo" venceu a Morte e dentro de breves dias /semanas /meses vem aí de novo, mas agora definitivamente Vitorioso, sobre as nuvens do céu, implantar o seu Reino definitivo sobre todos os povos da Terra.

E nós aqui estamos como testemunhas destas coisas e mais do que prontos a assumir nesse Reino vencedor os principais lugares de comando!

10 É esta a resposta, já nossa conhecida por de mais, de que Pedro se faz eco, no dia do Pentecostes, a grande

festa dos Judeus, realizada cinquenta dias após a Páscoa dos Judeus, na última das quais, segundo o calendário em vigor, os sacerdotes do Templo haviam dado a Morte Crucificada a Jesus. Por ela, temos de concluir que, para Pedro e os outros discípulos do grupo, de novo Doze, o Fracasso histórico virou Êxito, a Derrota histórica virou Vitória, o Messias Crucificado virou Messias Ressuscitado. Por isso - parece querer alertar Pedro - os nossos inimigos que se cuidem, porque o Reino Vitorioso do Messias ou Cristo Vencedor, até da própria Morte, vem aí. Será definitivamente implantado por Deus Invictus, (o Sol Invisctus, do Império romano de Constantino?!)nos próximos dias ou meses. Por agora, já temos Messias ou Cristo Vencedor da Morte. Mais um pouco de tempo e este mesmo Messias Vitorioso, vem sobre as nuvens do céu e não haverá império que lhe resista. Todos os seus opositores serão esmagados por Ele, e o seu Reino nunca mais terá fim! É, em síntese, o que anuncia Pedro, no dia do Pentecostes a pessoas de todos os cantos do mundo, reunidas, por essa data, em Jerusalém. E que Paulo de Tarso (quem o não conhece?!) irá, depois, anunciar também, nas suas três viagens ditas apostólicas, pelas principais cidades do Império romano, onde havia comunidades de Judeus com sinagogas a funcionar todos os sábados. Pedro e Paulo querem convencer todos os outros Judeus de que a esperança dos "nossos pais", de que Deus enviaria o seu Messias ou Cristo Vencedor, para os livrar de vez de todos os inimigos e implantar o seu Reino Vitorioso, já estava cabalmente realizada. Já havia chegado o Messias ou o Cristo Vencedor. Se até da Morte ele é o Vencedor, o último inimigo a ser vencido, no dizer de Paulo, também sê-lo-á de todos os outros. Deixem, pois, de continuar a esperar pela chegada do Messias ou o Cristo. Ele já chegou. É Jesus-Cristo, ou, simplesmente, Cristo, o Cristo, definitivamente sentado à direita de Deus, em glória, com os seus inimigos como escabelo dos seus pés, e que está aí a chegar de novo, mas em Poder e em Glória, para ficar definitivamente à frente de um Reino que jamais terá fim!

11 Eis a resposta do Institucional Eclesiástico, então, ainda incipiente, mas hoje, 20 séculos depois, já bem

implantado no Planeta Terra. Eis a Mentira sobre a qual foi edificado o Ocidente. Sim, a Mentira. Porque esta resposta do Institucional Eclesiástico, que está na génese ou origem do chamado Cristianismo (mais correcto será dizermos Judeo-Cristianismo), sobre o qual todo o Ocidente foi edificado e se mantém ainda de pé, mas sempre pronto a implodir a qualquer momento, é pura Mentira! A Mentira maior da História, depois da outra, a do Deus- Ídolo inventado /criado pelos sacerdotes, e que é a mãe /o pai desta que é o Cristianismo, e de todas as outras Mentiras Institucionais que sucessivamente temos produzido e continuamos a produzir, numa espiral de Demência-Demência Institucional sem fim. As próprias Universidades, laicas que se digam, são todas estas Mentiras que ensinam, com argumentos, os mais sofisticados, todos duma erudição de fazer arregalar os olhos, mas todos perversos, porque mentirosos e produzidos para justificar o Intolerável, que é esta Ordem Mundial do Poder Financeiro, intrinsecamente, mentiroso e assassino, genocida e geocida, como está aí bem à vista desarmada de toda a gente deste nosso Século XXI. Podemos enterrar a cabeça na areia, como sempre temos feito, mas as próximas gerações é quem pagarão a factura da nossa Demência-Demência e da nossa Garotice Institucional e individual.

12 Quando, algum tempo depois da Morte Crucificada de Jesus (é o que quer dizer a expressão evangélica,

"terceiro dia" = um período de tempo mais ou menos longo), começou a correr a notícia - a BOA NOTÍCIA por antonomásia! - de que todos os discípulos dele, elas e eles (quem deu primeiro por isso, foram as mulheres discípulas) haveriam de seguir de imediato para a Galileia, onde tudo havia começado com Jesus-o-da-Missão-

Maiêutica, que depois veio a ser Crucificado na Cruz do Império, essa Boa Notícia não significava que Jesus, que os precederia aí, havia vencido a Morte, nem que Jesus era o Messias ou o Cristo definitivamente Vitorioso. Nada disso. Bem pelo contrário. Messias ou Cristo, foi um título que Jesus-em-Missão-Histórica, ao serviço do Projecto Político Maiêutico do Reino /Reinado de Deus Criador, seu e nosso Abbá, sempre recusou, a favor de outro, "o Filho do Homem" ou o Ser Humano pleno e integral, com que ele próprio sempre se apresenta e que diz bem quem ele é, nunca outro ser, por mais mítico /divino que se diga! Tanto assim, que a Pedro, o líder do grupo dos Doze, que era o mais fanático defensor da tese do Messias ou Cristo Vencedor, toda ela correspondente à expectativa de Israel, Jesus chega a repreender por várias vezes por lhe chamar "o Messias" ou "O Cristo", e, quando já não suporta mais o seu fanatismo, vai ao limite de lhe chamar "Satanás". Assim mesmo: Retira-te da minha frente, Satanás (título mítico para dizer a Mentira /o Poder, sempre opressor e assassino), que os teus pensamentos /projectos não são de Deus Criador de todos os povos em radical igualdade, mas apenas dos homens do Poder que

é mentiroso e assassino dos povos. Ora, o que aquela BOA NOTÍCIA diz /testemunha, é simplesmente esta

Revolução Humano-Teológica que é o próprio Jesus-em-Missão-Maiêutica-na-História que, ainda hoje, a

Humanidade não consegue ouvir /acolher /integrar /praticar. E que pode ser enunciada assim: É com Jesus, só com Jesus, o Crucificado pelos sacerdotes do Templo na Cruz do Império, que Deus Criador está e a quem dá razão, não

é com os sacerdotes do Templo que o crucificaram na Cruz do Império, nem com o Império, nem é a eles que dá

razão. Com os sacerdotes e com os do Império, está apenas o Deus-Ídolo que os próprios sacerdotes inventaram /criaram e impuseram a todos os povos como Deus verdadeiro, para melhor os submeterem, dominarem e explorarem, quando, como acaba de ser provado à saciedade, com o que eles fizeram a Jesus, em nome do seu Deus, é que se trata de um Deus mentiroso e assassino pai /mãe de Mentira e de Assassínio Institucionalizado.

13 A BOA NOTÍCIA que, algum tempo depois da Morte Crucificada de Jesus, o grupo de Mulheres discípulas dele, inopinadamente "viram" /"escutaram" com os olhos e os ouvidos do Coração sapiente e da Mente /Consciência Cordial, e que, a partir da pequenina comunidade que reunia clandestinamente na casa de Maria, a mãe de João Marcos (que virá a dar o nome ao primeiro, no tempo, não na ordem com que hoje aparece no indevidamente chamado "Novo Testamento", dos quatro Evangelhos canónicos) é precisamente esta Revolução Humano- Teológica que é o próprio Jesus-em-Acção-na-História, e que temos de fazer chegar a todas as nações. Quem a acolher e praticar, edificar sobre ela o seu ser-viver na História, crescerá progressivamente em Humano, constituído em liberdade e maioridade, em Sabedoria e em Graça, em Paz Desarmada e em Sororidade /Fraternidade universal. Quem a rejeitar, e edificar o seu ser-viver na História sobre a Idolatria do Deus-Ídolo dos sacerdotes, crescerá progressivamente em Inumanidade, até atingir, ou o grau máximo do Poder mentiroso e assassino e tornar-se mentiroso e assassino quanto ele, no caso de vir a integrar alguma das elites da trindade dos Poderes, ou, então, até atingir o grau zero de vítima do Poder, na condição de oprimido /tolhido /alienado /assassinado por toda a vida, dentro da História.

14 Os familiares de Jesus e os que restavam do antigo grupo dos Doze interpretaram esta BOA NOTÍCIA, em chave de Poder Político, a única em que sempre haviam funcionado as suas cabeças e as suas ambições. E sobre essa Perversão, edificaram o Judeo-Cristianismo que, basicamente, queria dizer Judaísmo já com Messias Vencedor. Esta Perversão institucionalizada fez o seu percurso e ganhou alguns adeptos, não muitos, no decurso do século I e do século II. O Judeo-Cristianismo ou o Cristianismo simplesmente começou por ser tolerado pelo Judaísmo puro e duro, mas, depressa, passou a ser perseguido por ele. Entre os perseguidores, está também Saulo, depois Paulo, que acabou por achar interessante a ideia de que já havia Messias Vencedor e aceita tornar-se, até, o seu principal arauto, durante anos e anos, entre os Judeus da Diáspora. Até chegar a Roma, Paulo, ao contrário do que oficialmente continua a ser ensinado pelas Igrejas cristãs todas, foi sempre um Judeu convicto de que o Messias Vencedor esperado pelos seus antepassados já havia chegado. Nunca foi um das, dos de Jesus, nem do seu

Movimento Político Maiêutico. Até chegar a Roma, foi sempre um perseguidor de Jesus e do seu Projecto Político Maiêutico do Reino /Reinado de Deus Criador, a quem, de resto, nunca chegou a conhecer fisicamente e ainda se gaba disso, ao escrever que esse conhecimento de Jesus na carne ou na História não lhe fazia falta nenhuma. E porquê? Porque ao Judeo-cristão Paulo, só interessava mesmo o mítico /divino Messias ou Cristo Vencedor, não Jesus e o seu Projecto Político Maiêutico do Reino /Reinado de Deus Criador que, ao desenvolver-se na História, derruba todos os Poderes, portanto, também o do Judaísmo, com o seu sonho imperialista.

15 Será só depois de chegar a Roma, absolutamente decepcionado /desiludido com os seus concidadãos da

diáspora e de Jerusalém que não acolhiam o seu evangelho do Judaísmo já com Messias Vencedor, que Paulo vê finalmente cair-lhe dos olhos da Mente as escamas ideológicas do Judaísmo puro e duro que crucificou Jesus (não confundir nunca Judaísmo com o Povo Judeu, também ele vítima do Judaísmo puro e duro e dos seus chefes!), as quais nunca o haviam deixado ver /acolher Jesus e o Deus Criador de todos os povos em radical igualdade, o Abbá de Jesus e o nosso, de todos os povos por igual, e que é mais íntimo a cada uma, cada um de nós do que nós próprios, por isso, sempre longe dos templos e dos altares, onde o Deus que aí pontifica é apenas o Deus-Ídolo, o da trindade dos Poderes. Nesse momento, Paulo abjura definitivamente do Projecto de Poder Político do Judaísmo com Messias Vencedor e torna-se, finalmente, Judeu discípulo maiêutico de Jesus, o Crucificado pelos sacerdotes do Templo na Cruz do Império. (Anos antes, também Pedro havia chegado, graças à pequenina Comunidade que reunia clandestinamente em casa de Maria, a mãe de João Marcos, à mesma conclusão e havia dado também a sua adesão a Jesus e ao seu Projecto Político Maiêutico). Pouco tempo depois, Paulo, já sem querer saber para nada do título de cidadão romano nem de nenhum dos outros privilégios, para os quais, antes, tanto apelava, sempre que se via em apuros, é assassinado pelo mesmo Império, em cuja Cruz Jesus foi Crucificado pelos sacerdotes do Templo de Jerusalém.

16 Só que o Pedro e o Paulo que as Igrejas todas, a começar pela Católica romana, hoje invocam e em que todas se

apoiam, são o Pedro e o Paulo anteriores a esta radical conversão a Jesus e à sua mesma Fé Maiêutica, o Pedro e o

Paulo do Poder Político do Judaísmo já com Messias Vencedor, esse mesmo que começou por se afirmar em Antioquia, a cidade onde, pela primeira vez, os que seguiam essa Mentira do Judaísmo já com Messias Vencedor, foram chamados "cristãos", portanto, todos Judeus e filo-Judeus que defendiam que o Judaísmo já tinha Messias Vencedor. E que esse Messias ou Cristo Vencedor era, precisamente, Jesus-Cristo, ou, simplesmente, Cristo. Um mítico /divino Cristo, ou Jesus-Cristo, sem nada de Humano, sem Projecto Político Maiêutico, sem Duelos Teológicos Desarmados, sem conflitos, numa palavra, sem Cruz, a do Império, na qual os sacerdotes do Templo haviam Crucificado Jesus, para que, desse modo, ele ficasse para sempre como a Vergonha das vergonhas de qualquer Judeu e de qualquer não-Judeu, como de qualquer cidadã, cidadão ocidental, ainda hoje. Em seu lugar, ficou um mítico Cristo Vencedor, que veio a dar o Cristianismo Institucional, que é a negação de Jesus, o do Projecto Político Maiêutico do Reino /Reinado de Deus Criador, rapidamente Crucificado na Cruz do Império romano pelos sacerdotes do Templo e do Deus-Ídolo que por então lá se cultuava e continua a cultuar-se por aí em qualquer templo paroquial ou outro santuário qualquer. Para que, de Jesus, o Ser Humano Maiêutico por antonomásia, os povos das nações nunca cheguem sequer a saber da sua existência e da sua Missão Política Maiêutica, realizada entre os anos 28 e 30 desta nossa era comum, na Galileia e, depois, na Judeia, onde foi rapidamente Crucificado pelos sacerdotes do Templo na Cruz do Império de turno.

16 Perguntar-me-eis, então: Mas, se as coisas são assim, como se explica que tu, Mário, que escreves /revelas tudo

isto, ainda continues a ser e dizer-te Presbítero da Igreja do Porto? Porque não bates com a porta duma vez por todas? A minha resposta não tem nada a ver com a resposta que, por estes mesmos dias, em que o meu amigo

escreveu o seu texto, deu o conhecidíssimo ex-Mestre da Ordem dos Dominicanos, fr. Timothy Radcliffe, a quem lhe pergunta porque se mantém na Igreja Católica, apesar de todos os escândalos de pedofilia e tantos outros crimes cometidos pelas suas cúpulas, ao longo dos séculos. A resposta dele é ainda a de quem se identifica com a Mentira Institucional do Cristo /Messias Vencedor, ou do Cristianismo Vencedor, cujo rosto mais visível e referência visível de unidade, é, no dizer do próprio fr. Timothy, o papa de Roma. Para mim, que procuro fazer minha todos os dias a mesma Fé Maiêutica de Jesus, não é por aí que me fico. Por isso, a minha resposta é: Sou Igreja, na Igreja católica, mas sempre fecunda e radicalmente dissidente dentro dela. E sou Igreja, na Igreja católica, até porque ela, apesar do seu Cristianismo Vencedor, visceralmente idolátrico, me despertou, sem institucionalmente o ter querido, na pessoa da minha mãe, a Ti Maria do Grilo, para a mesma Fé de Jesus que é, visceralmente, anti-Religião e anti-Idolatria, anti-Catolicismo Romano, anti-Cristianismo Vencedor. Pelo que, a minha referência última não é, nunca será, o papa de Roma, monarca absoluto e chefe de estado do Vaticano, máximo representante do Deus-Ídolo, sempre em guerra aberta contra Jesus e o seu Projecto Maiêutico. Pelo contrário, ao papa de Roma, sempre devo, até por imperativo de consciência, denunciar /desmascarar, para que o ser humano concreto que, em cada período de tempo, está a dar corpo àquela função, seja, finalmente resgatado de toda aquela Idolatria, de toda aquela Mentira, de toda aquela Hipocrisia, de todo aquele Poder e se torne um ser humano simplesmente, irmão universal de todos os outros seres humanos e povos. Outro Jesus, agora, século

XXI.

17 A minha referência última é só Jesus, o Carpinteiro /Camponês, o filho de Maria, Crucificado pelos sacerdotes do Templo na Cruz do Império, que o primeiro Paulo, para seu mal, nunca quis conhecer e por isso tanto perseguiu, mesmo e sobretudo quando já era um Judeu cristão, isto é, um Judeu com Messias Vencedor, mas a quem Deus Criador, seu e nosso Abbá, reconheceu como o seu filho muito amado, no mesmo Instante em que Acontece a sua Morte Crucificada na Cruz do Império; Um reconhecimento que jamais fez ou fará aos carrascos sacerdotes de Jesus, seguidores do Deus-Ídolo que eles próprios inventaram /criaram, para logo se tornarem seus funcionários mercenários, cheios de privilégios. Fora de Jesus, esse mesmo que, entre o ano 28 e 30 desta nossa era comum, realizou em plenitude, na sua própria carne histórica e entre as suas concidadãs, os seus concidadãos, o Reino /Reinado de Deus Criador, seu e nosso Abbá, só há Idolatria, o Pecado Estrutural do Mundo que não tem perdão e que temos de, oportuna e inoportunamente, desmascarar, amarrar e decapitar pela fome, por falta de vítimas humanas, as únicas com que ele se alimenta e que constantemente, enquanto o deixarmos à solta, continuará aí a produzir dia e noite. Para isso sou presbítero da Igreja do Porto. Não esperem, pois, de mim outra coisa, que não seja testemunhar Jesus, praticar-anunciar a Boa Notícia que ele é, praticar-anunciar o seu Projecto Político Maiêutico do Reino /Reinado de Deus Criador, misteriosamente a crescer na História, semelhante ao grão de mostarda, a mais pequenina das sementes, e que cresce sempre, sempre, sempre, sem que os da trindade dos Poderes e do seu Deus-Ídolo jamais saibam como.

18 Venham também daí por esta via estreita que conduz à vida plena e integralmente Humana Maiêutica. Atrevam-se! Mas atenção! A primeira condição é decidirmos ser pobres por opção e permanecer pobres por toda a vida, cada vez mais despojados de todo o tipo de privilégios que a trindade dos Poderes sempre dá a quem a serve, em algum dos três Poderes, ou nos três ao mesmo tempo. É na Trincheira onde vivo todos os dias como um menino sempre desarmado que vos espero. De braços abertos. Também, e especialmente, àquele meu irmão, de nome Ratzinger, que, neste período da História, veste a máscara (na linguagem grega do teatro, é a mesma palavra com que se diz "pessoa") de papa de Roma. E igualmente, ao meu irmão, de nome Manuel Clemente, Bispo da Igreja que está no Porto, mas que, neste mesmo período da História, veste a máscara de Bispo residencial (= Poder hierárquico) da Cristandade Ocidental, fundada no Cristianismo do mítico Cristo Vencedor. Eis.

Capítulo 48

1 Se, como já escrevi no capítulo anterior, a Lei Eclesiástica do Celibato Obrigatório para presbíteros e bispos da Igreja católica romana no Ocidente é intrinsecamente perversa, então, (todos) os frutos que ela produziu ao longo dos séculos e continua ainda hoje a produzir só podem ser perversos também. (Nem toda a gente sabe, mas no Oriente, a mesma Igreja católica romana já não é assim, apenas proíbe o casamento aos presbíteros que se ordenam no estado de célibes ou de não casados; e, depois, quando tem de escolher alguns presbíteros para bispos, limita essa sua escolha aos presbíteros célibes ou não casados) Mesmo que pareçam bons, esse frutos são perversos. E a História destes 16 séculos de Cristandade está aí a revelá-lo à saciedade. Com o expresso conhecimento das populações, ou com o total desconhecimento das populações, já que os responsáveis principais do Institucional católico romano tudo fizeram e continuam ainda hoje a fazer para esconder esses frutos perversos aos olhos das populações, mantidas propositadamente na ignorância, meros contribuintes dos clérigos - párocos e bispos residenciais - e de toda a sua obscena ostentação clerical. (Os responsáveis principais são a chamada hierarquia eclesiástica, ou os bispos-monarcas-absolutos em cada diocese, com o bispo de Roma, à cabeça, dada a função de papa que lhe está ligada e que faz dele o bispo-monarca-absoluto dos bispos-monarcas-absolutos de cada diocese, que lhe devem vassalagem e o mais que podem fazer é serem retransmissores das suas decisões e do seu pensar moralista, ao mesmo tempo que vigias /polícias, em cada diocese, de que as leis canónicas, por mais aberrantes e absurdas que possam ser, são acatadas e seguidas, nem que seja só hipocritamente, por todos os baptizados, a começar, obviamente, pelos párocos, em cada paróquia). Disse populações meros contribuintes dos clérigos e de toda a sua ostentação clerical. E disse bem. Já repararam que nunca nenhum pároco, nenhum bispo residencial contribui com o seu dinheiro para a Igreja, só mesmo as populações, propositadamente mantidas na ignorância? Já os párocos e os bispos residenciais sempre recebem, nunca contribuem!

2 A Lei do Celibato Eclesiástico Obrigatório começou a ganhar forma no início do Século IV, concretamente, no Concílio de Elvira (actual Granada, em Espanha), iniciado em 15 de Maio, entre o ano 300-304. O Concílio era regional e não teve poder para impor a Lei nele aprovada a toda a Igreja no Império Romano, nessa data, já cada vez menos Igreja de Jesus e cada vez mais Igreja do Império Romano. Até que, com a posterior queda do Império, a Igreja católica, já então, religião oficial e única do Império, ocupou quase de imediato o lugar do Império, fez de Roma a sua sede, que ainda hoje se mantém e, do papa que a ela preside, o novo César Augusto, imperador- monarca-absoluto que ninguém, instância nenhuma do Mundo - é o que reza o Código de Direito Canónico! - pode alguma vez julgar, sejam quais forem os crimes que, porventura, cometa. O papa é, por isso, manifestamente, o anti-Jesus, o Crucificado na Cruz do Império, ele próprio o Crucificador de Jesus, se Jesus-em acção-visível, porventura, lhe aparecesse pela frente, a realizar o seu Projecto Político Maiêutico do Reino /Reinado de Deus Criador. Não aparece, assim, porque o definitivamente Vivente que é Jesus, é também o definitivamente invisível aos nossos olhos e, por isso, desde a sua Morte Crucificada, em Abril do ano 30, ele é tão fecundamente subversivo /conspirativo, mas à maneira do Vento, ora brisa, ora tsunami, que não podemos deixar de sentir, ao PASSAR (= PÁSCOA). Hoje, já conseguimos registar a velocidade do Vento, mas jamais saberemos nem de onde ele vem, nem para onde vai, muito menos, poderemos ter mão nele, amarrá-lo, prendê-lo, retê-lo. O mesmo sucede com o Sopro /Espírito de Jesus. Por mais que os da trindade dos Poderes, papa incluído e logo à cabeça dos três, se danem e se desesperem. Mas ainda é o que vale aos povos oprimidos e empobrecidos do Mundo, de contrário, o seu ser-viver sob o Terror, hoje, dito democrático, dos três Poderes, seria um Pesadelo absoluto sem saída. E, nesse caso, era bem melhor nem se chegar sequer a nascer!

3

Não pensem que foi pacífica a implantação da perversa Lei do Celibato. Não foi. As suas vítimas directas,

presbíteros e bispos, sempre lhe resistiram e sempre a desrespeitaram. Pelo menos, até ao Século XVI, no Concílio de Trento. Foi somente o Concílio de Trento, porventura, o mais perverso dos Concílios Ecuménicos, à excepção dos Concílios Ecuménicos convocados, no início da Cristandade, pelo imperador Constantino e os outros imperadores "católicos" que imediatamente se lhe seguiram. Esses foram, sem dúvida, os mais perversos de todos. Basta dizer que foram todos convocados e presididos pelo imperador de Roma, financiados pelo Império, realizados em palácios-propriedade do Império, por entre banquetes e mais banquetes de iguarias finas, com prostitutas pagas pelo Império, sempre à disposição dos Padres Conciliares que, porventura, quisessem reclamar os seus préstimos, e, finalmente, com decisões aprovadas pelo imperador de turno que, obviamente, só aprovava decisões conciliares que fossem de encontro aos seus interesses imperialistas. O mais obsceno de tudo é que até o chamado Credo Niceno-Constantinopla, que as liturgias católicas romanas repetem todos os domingos nas missas, logo a pós a homilia /sermão do clérigo presidente, foi aprovado nesses Concílios, com o imperador de Roma a presidir e a aprovar, como o Credo da Fé católica do Império, que, como sabemos, é mentiroso e assassino, por natureza! E - espanto dos espantos! - não há teólogos, exegetas, bispos residenciais, universidades católicas, católicos contribuintes por essas paróquias além, que, neste Século XXI, denunciem e exijam o fim desta aberração católica, cujo enunciado central da Fé da Igreja católica romana é nada mais nada menos que o mesmo enunciado

da Fé do Império Romano. E não só não denunciam, nem exigem o seu fim, como ainda arranjam argumentos cristológicos e teológicos, todos, obviamente, idolátricos, para justificar a sua manutenção!

4 É o Concílio de Trento que impõe definitivamente a toda a Igreja católica romana do Ocidente, a Lei do Celibato

Eclesiástico Obrigatório para os presbíteros e os bispos. Até essa altura, os clérigos sempre tinham encontrado

maneira de fugir /escapar à perversa Lei, sem nunca chegarem a sentir-se réus perante a própria consciência. A prática mais frequente era o recurso ao chamado casamento de consciência, realizado pelos próprios nubentes - no caso, o clérigo e a mulher com quem ele queria passar a viver casado - na maior das clandestinidades. Até então, para haver casamento, bastava que os nubentes - a mulher e o homem (nesse então, casamento entre pessoas do mesmo sexo nem sequer como hipótese académica!) - se declarassem um ao outro marido e mulher, nem que fosse apenas com a lua e as estrelas como testemunhas. Era o casamento de consciência, que só os próprios sabiam que o haviam realizado. Aos olhos das populações, o clérigo assim casado continuaria a ser certamente olhado como "amancebado". Mas a consciência dele e a da mulher casada com ele, ainda formatadas pelas leis canónicas e pelo Moralismo imoral da Igreja católica, não os acusava de nenhum pecado. E isso era o bastante para a paz de consciência dos próprios.

5 Pois bem. Os Padres do Concílio de Trento sabiam destas fugas /escapatórias à Lei do Celibato Obrigatório. Só

que, até então, ainda não tinham encontrado maneira de lhes pôr cobro. Grandes Inquisidores que são, depois de terem sido oprimidos por muitos anos, uma vez no topo do Poder Eclesiástico, são os piores Opressores que não suportam a liberdade e o bem-estar de consciência que a Liberdade dá a quem a pratica. E foi, assim, que, finalmente, encontraram uma maneira no Concílio, de tapar esta brecha que a Lei do Celibato ainda tinha. Decidem, no auge da sua perversão moralista, decretar, sob pena de anátema /excomunhão, que, daí em diante, o sacramento do Matrimónio, para poder ser válido, tinha de ser presidido, ou pelo pároco da noiva, ou pelo pároco do noivo, ou por um outro clérigo ao gosto dos nubentes, mas ao qual o pároco tinha de delegar, para cada caso, o seu poder de jurisdição. Qualquer casamento sem esta presidência clerical era automaticamente nulo. E quem o atentasse e consumasse ficaria em estado permanente de pecado grave ou mortal, como se dizia e ainda diz nesses ambientes eclesiásticos moralistas. Esta decisão conciliar não pode, pois, ser mais perversa. Reduz os sujeitos do Sacramento do Matrimónio, que são os próprios nubentes, a meros objectos, a meros súbditos dos clérigos- párocos. E estes, os párocos-clérigos, ficam obrigados a presidir ao Sacramento do Matrimónio, sem o que, o

Sacramento não é válido, quando eles próprios - contradição das contradições! - não podem nunca ser sujeitos desse sacramento, por imperativo da perversa Lei do Celibato Eclesiástico Obrigatório! Digam lá, se isto não é o cúmulo da Perversão! Mas a verdade é que os clérigos párocos aceitaram esta aberração e, ainda hoje, continuam a dar-lhe corpo!!! Igualmente, os próprios nubentes católicos - que vergonha e que indignidade! - aceitaram /aceitam esta aberração e são até os primeiros a contratar o pároco, para que os case, sem olharem ao dinheiro que têm de lhe pagar por isso!!! Digam-me: É isto digno de mulheres, homens do Século XXI?

6 Mas o Concílio de Trento não se fica por aqui em decisões carregadas de aberração. Dá mais outro passo, ainda mais perverso. Sabem qual? Institui os Seminários Tridentinos, dentro dos quais, os futuros presbíteros ordenados, teriam de passar a ser formados /formatados para a futura função, a qual - outra decisão carregada de aberração - seria cada vez menos presbiteral e cada vez mais sacerdotal. O Ritual de Ordenação continua a chamar-se, como não pode deixar de ser, em Igreja, "Presbiterorum Ordo" (Ordem dos Presbíteros), mas o presbítero ordenado irá passar a ser, a partir desse Concílio, cada vez menos presbítero e cada vez mais sacerdote. Todos machos. Todos celibatários /eunucos, por imperativo da Lei Eclesiástica do Celibato Obrigatório. Todos formados /formatados nos Seminários Tridentinos, não mais nas paróquias, nas comunidades locais, como até então. Os candidatos, crianças /adolescentes, passam a ser retirados à família de sangue e às populações, entre as quais haviam nascido e vivido, e ficam sequestrados, meses seguidos, no Seminário, interrompidos apenas por curtos períodos de férias na família; mas, mesmo nesses curtos períodos de férias na família, estão sempre super-controlados /vigiados pelo respectivo pároco que, no final desses dias na paróquia, tinha de informar por escrito o clérigo-mor do Seminário sobre o modo como o candidato se havia comportado. Muitas vezes, era o próprio candidato quem transportava a informação em carta fechada, sem fazer ideia que podia estar a levar a sua própria expulsão do seminário, senão de imediato, poucos meses /anos depois.

7 O dia a dia no interior dos seminários tridentinos foi o que há de pior, em horror e terror. Disciplina militarista. Superiores e Prefeitos todos clérigos celibatários por força da Lei do Celibato, tão agressivos quanto frustrados, violentos, sem nenhumas entranhas de humanidade, polícias sempre em cima dos candidatos, mesmo durante o tempo do sono; nenhuma presença feminina, nem sequer na cozinha; aulas e mais aulas cheias de doutrina moralista; capela interna, onde era estimulado um devocionismo beato e farisaico; missa todos os dias em latim, presidida por um dos clérigos superiores ou prefeitos; rezas e mais rezas de joelhos na capela; confissão semanal ao padre /director espiritual, quanto mais misógino melhor, e mais recomendado para aquela função; pregações /meditações diárias de terror moralista; constantes ameaças de castigos; doentia obsessão contra o sexo, do qual nunca se falava abertamente, mas por metáforas; culto doentio pela chamada "pureza" (só a sexual); sucessivos alertas contra a tentação que poderia vir até no banho matinal, durante o qual se deveria evitar olhar /tocar o próprio sexo, jamais ver o sexo do outro, que seria pecado grave a ter de confessar na confissão semanal; rezas de manhã na capela, rezas antes e depois das refeições no refeitório, rezas na capela a seguir ao almoço, antes de um pouco de recreio, sempre fiscalizado pelos prefeitos, rezas, ao final da tarde, também na capela, sempre com terço incluído; devoção doentia às imagens de nossa senhora, a única representação do feminino que era permitida e, até, estimulada; todas elas imagens cobertas da cabeça aos pés, sem nenhuma das formas femininas; rezas na capela antes de se recolher à camarata ou aos quartos para dormir, as quais concluíam, infalivelmente, com o canto da "Salve, Regina" em latim (= Salvé, rainha). E no dia seguinte, exactamente a mesma coisa. E na semana seguinte, exactamente a mesma coisa. E no mês seguinte, exactamente a mesma coisa. E no ano seguinte, exactamente a mesma coisa, até um total de doze anos!

8 Nos curtos períodos de férias na família de cada um, o candidato deveria evitar toda a intimidade com pessoas do outro sexo, irmãs, primas que fossem. Mesmo a mãe, haveria que ser mantida à distância. Um exemplo /modelo a seguir, invocado com mais frequência nas prédicas do padre espiritual, era o de S. Luís Gonzaga(?!) que, nem para o rosto da própria mãe olhava com atenção. E, uma vez, que teve de ser padrinho de baptismo de uma criança da família, quando, depois do rito, lhe perguntaram em casa como era a madrinha, ele disse que não sabia, pois nunca havia olhado para o rosto dela, não fosse sofrer alguma tentação. O padre espiritual queria que todos os candidatos fossem, durante o seminário e pela vida fora, outros S. Luís Gonzaga, um vómito de jovem e de ser humano. Mas havia mais. Para além da confissão semanal (era recomendada, não imposta, mas ai de quem não seguisse a recomendação, tinha logo um clérigo prefeito à perna a indagar porquê e porque não), ainda havia a visita periódica ao quarto do padre espiritual, a chamada direcção espiritual. Quando estava a chegar a vez de ter de lá ir, facilmente se percebia quem era a vítima, tamanho era o medo que, nessa ocasião, se apoderava do candidato. Todo ele tremia como varas verdes. Os mais velhos (no seminário, havia candidatos a frequentar anos distintos) chamavam a esta visita obrigatória, "ir ao Picadeiro". (A ida era por ordem alfabética ou pelo número com que toda a roupa pessoal de cada candidato tinha de estar marcada, para nunca ser trocada por outra na lavandaria). O Terror era total. Alguns chegavam a perder a fala, de tão aterrorizados que se sentiam! O cerco ao candidato era completo e total. Vinte e quatro horas sobre vinte e quatro horas. Sem que o candidato se visse alguma vez entregue a si próprio. As actuais câmaras de vigilância em tudo quanto é sítio eram, então, os olhos dos prefeitos, dos superiores, dos professores, todos clérigos e, até, dos empregados leigos, escolhidos a dedo. E, lá, no topo da hierarquia do seminário, estava o Reitor, semi Deus-Ídolo, inacessível aos candidatos; e, quando algum candidato era mandado pelo prefeito a ir ao gabinete dele, é porque uma grave advertência o esperava, senão mesmo um severo castigo. Outro Horror dos horrores.

9 Conto aqui todos estes pormenores (a realidade dos doze anos de seminário foi muito pior do que eu aqui acabo de descrever em traços muito largos), para que as populações e os povos saibam o que os seminários tridentinos fizeram aos padres /párocos, nomeadamente, aos mais velhos de hoje e aos das gerações que os precederam. Acho oportuna e até indispensável esta informação, para que as populações e os povos melhor possam entender os funcionários eclesiásticos, mais mercenários do que seres humanos, que estão à frente das paróquias e de outras instituições eclesiásticas. São todos reprimidos em todas as suas dimensões de ser humano, não apenas na dimensão sexual. São todos castrados. São todos formatados. São todos alienados. São todos tolhidos. São todos como abortos. São todos desgraçados. Todos foram meninos a quem, durante os longos anos da formação das suas personalidades, os clérigos formadores sadicamente deformaram. Roubaram-lhes tudo. Os afectos. A naturalidade. A capacidade de relação. A presença do feminino nas suas vidas, na fase do seu desenvolvimento. Numa palavra, roubaram-lhes a própria identidade. No final dos doze anos, em lugar de seres humanos, harmoniosamente desenvolvidos, há clérigos, funcionários do religioso, mercenários que têm de viver /enriquecer à custa do altar e para o altar. Uns monstros, sem terem consciência de que o são. Uns tiranos. Uns autoritários. Uns seres à parte. Clérigos. Ainda assim, uns santos, aos ingénuos olhos das populações, só porque são funcionários do Religioso, por isso, sagrados (= sacerdotes). Em boa verdade, uns figurantes com tudo de pavões armados, sempre acima e por cima dos demais. Uns prepotentes. Uns frustrados. Uns cheios de medo do mundo secular. Uns misóginos, para os quais toda e qualquer mulher é a encarnação da mítica Eva bíblica tentadora do homem, ou a encarnação do mítico demónio. Uns autómatos, sem vontade própria, totalmente à mercê do bispo residencial, monarca-absoluto, a quem, no acto da Ordenação, todos são obrigados a prometer, de joelhos, Obediência e Reverência, e aos sucessores dele. Pelo resto das suas vidas!

10 Se, depois de todos estes anos, o clérigo-vítima não chega a dar-se conta do que lhe fizeram e se não rebela saudavelmente, contra toda esta deformação, pelo contrário, mantém-se assim, pelo resto da vida, constitui-se

num perigo público, pronto a fazer os piores estragos, quando menos se espera. As crianças /adolescentes, mais frágeis e ainda em fase de desenvolvimento, serão as suas principais vítimas. (Como é que ainda há mães e pais que lhes entregam as filhas, os filhos?!) Se as crianças /adolescentes passam a frequentar mais assiduamente os espaços onde estes clérigos que nunca se autodesclericalizaram (e, por isso, nunca arrancaram de dentro deles, toda essa perversa formatação que o seminário fez neles, nunca arrojaram ao esterco o colarinho branco, o fato preto, a cruz, os paramentos litúrgicos, o altar, o templo, as rezas que nunca foram oração, apenas rezas estupidificantes, o terço, as missas ritualizadas, para mais feitas a troco de dinheiro, nem o estatuto de clérigo com todos os privilégios que este lhes garante, inclusive, o de terem assegurado o pão de cada dia e até muita riqueza acumulada /concentrada), tais crianças adolescentes correm sérios riscos, no seu próprio desenvolvimento humano. Não apenas ao nível do sexual, ao qual as populações e os grandes media são, hoje, doentia e perversamente, sensíveis, como se não houvesse outras perversões piores, mas a todos os outros níveis bem mais decisivos na fase de desenvolvimento de um ser humano.

11 As pessoas que frequentarem assiduamente esses clérigos que nunca se autodesclericalizaram, para passarem a ser simplesmente presbíteros e bispos da Igreja, a de Jesus, sempre à intempérie e na Trincheira, estão, obviamente, sempre em perigo e em risco. (Saibam que o Sacramento da Ordem é esta Acção Maiêutica que assinala /revela, em quem o recebe no Espírito Santo, não apenas na chamada imposição das mãos do Bispo residencial, ele próprio, um clérigo-mor que nunca se autodesclericalizou e por isso a sua imposição de mãos só faz funcionários /mercenários seus, súbditos seus, obedientes e reverentes, nunca desperta /assinala seres humanos em estado de liberdade e de maioridade, porque semelhante Acção é exclusiva do Espírito Santo, o mesmo que vimos actuar plenamente em Jesus, entre o ano 28 e o ano 30 desta nossa era comum, na Galileia, primeiro e sobretudo, e, depois, também na Judeia e, finalmente, em Jerusalém, onde fui crucificado na Cruz do Império, precisamente, por decisão dos sumos sacerdotes do Templo, clérigos /funcionários /mercenários mentirosos e assassinos). Podem essas pessoas que frequentam assiduamente os clérigos, não chegarem a sofrer abusos sexuais, sempre hediondos, porque os clérigos em causa ainda têm medo do pecado e do inferno, mas sofrerão outros abusos, não menos hediondos e não menos abomináveis /intoleráveis. Podem, por exemplo, tornar-se uns beatos, umas beatas irrecuperáveis, uns sacristães, umas sacristãs, umas meninas, uns meninos de coro, uns acólitos, umas acólitas, umas, uns catequistas, uns membros do grupo coral que dá ainda mais brilho ao veneno que são as missas ritualizadas vendidas pelo pároco. Numa palavra, podem ficar, pelo resto das suas vidas, com tiques, medos, fobias, alienações clericais que as impedem de serem cidadãs conscientes, livres, autónomas, politicamente comprometidas com a realização na História do Projecto Político Maiêutico de Jesus, que é, não a perpetuação deste modelo de Igreja eclesiástica clericalizada, mas, sim, levar por diante a edificação na História do Reino /Reinado de Deus Criador de povos em radical igualdade.

12 Se os abusos de tais clérigos sobre as crianças /adolescentes, forem do âmbito do sexual (com dor e lágrimas o escrevo, primeiro, pelas crianças /adolescentes, mas também pelos seus Abusadores que, para chegarem a este extremo de perversão, primeiro tiveram de ser, eles próprios abusados, anos e anos, no seminário trindentino e nunca mais conseguiram expulsar de si, como um mítico demónio, esses abusos de todo o tipo, ainda que não sexuais directos, mas também abusos sexuais indirectos, dado que a sua sexualidade foi sempre reprimida e eles acabam castrados, eunucos que o Institucional católico faz tais!), lá teremos não só a perversão de crianças /adolescentes, mas até a perversão da bela palavra "Pedofilia" que, assim, deixa de significar o que etimologicamente significa, "Amizade maiêutica a crianças /adolescentes", para passar a significar um crime inominável! E ainda mais inominável, se, depois, os da cúpula Eclesiástica se limitam a esconder /abafar os casos, para que o nome da Instituição não saia sujo de toda esta Perversão (é a Hipocrisia em todo o seu esplendor de Treva moralista imoral), e a transferir os clérigos abusadores para um outro território, sem nunca se interrogarem,

"O que fizemos, nós, os clérigos-mor, a estes clérigos menores, no tempo da sua formação, toda ela da nossa episcopal responsabilidade, para eles agora terem comportamentos tão perversos com crianças /adolescentes, às quais /aos quais mais deveriam proteger?! E, também, sem nunca chegarem a retirar da actividade tais clérigos, quando deveriam cuidar pastoral e cientificamente deles, para que os ser humano que deu lugar ao clérigo, venha de novo ao de cima e o clérigo morra para sempre. E não o fazem, porque eles próprios, bispos-clérigos residenciais, tão pouco o podem fazer, clérigos-mor que são, por isso, ainda piores, pelo menos, por omissão, do que os próprios clérigos abusadores.

13 Perante semelhante situação, só há uma saída com Dignidade: Fazermos implodir quanto antes este modelo de Igreja clerical-eclesiástica, para que, em seu lugar, se levante, como cidade situada no alto de um monte e como sal da Terra, a Igreja-Movimento de Jesus, a dos dois ou três (mulheres e homens em radical igualdade) que se reúnem discretamente /clandestinamente, em nome dele, determinados a prosseguir, em cada geração, o seu mesmo Projecto Político Maiêutico do Reino /Reinado de Deus Criador de povos. E o mesmo haverá que fazer a toda esta fauna clerical mercenária, parasitária, hipócrita, que por aí abunda, toda ela feita de bispos-poder- monárquico absoluto, de párocos mais ou menos déspotas das populações, de frades e de freiras que se têm na conta de esposos /esposas do mítico Cristo ou Jesus-Cristo e do seu Deus-Ídolo. Também toda esta fauna clerical tem de implodir juntamente com este modelo de Igreja clerical-eclesiástica. Com isto, não quero, obviamente, dizer que os que constituem esta fauna clerical-eclesiástica, tenham de ser maltratados /perseguidos /insultados pelas populações. Não. De modo algum! Basta que as populações deixem de lhes passar cartão, de lhes dar atenção, de financiar as suas vaidades clericais, de frequentar as suas missas ritualizadas que são veneno que as adoece e mata lentamente, não são o Corpo e o Sangue de Jesus, isto é, não são Jesus-inteiro-inseparável-do-seu- Projecto-Político-Maiêutico do Reino /Reinado de Deus Criador (É o que teologicamente significa a expressão metafórica, "Corpo e Sangue de Jesus"). A este Jesus-inteiro-com-o-seu-Projecto-Político-Maiêutico-do- Reino/Reinado-de-Deus-Criador, Crucificado na Cruz do Império, só o "vemos" /encontramos /experimentamos a sua presença, o seu Sopro /Espírito Maiêutico, se nos metermos nas "Galileias" de hoje e nas "Jerusalém" de hoje, sem nunca fugirmos aos Duelos Teológicos Desarmados, como Jesus historicamente se meteu e não fugiu, unidos e reunidos em seu Nome e no seu mesmo Espírito Maiêutico, todo anti-Poder Religioso-Eclesiástico, todo anti-Poder Político, todo anti-Poder Financeiro, numa palavra, todo anti-Deus-Ídolo. Esta é a Hora de avançar, de agir. Adiar, será pecar contra o próprio Espírito Santo, o de Jesus.

Capítulo 47

1 Uma instituição, como a Igreja católica romana, que impõe, por Lei eclesiástica, o celibato obrigatório aos seus membros ordenados - presbíteros e bispos, apenas homens, já que as mulheres continuam, no ano 10, do Século XXI, proibidas de aceder ao ministério ordenado! - é, nem que fosse só por isso, uma instituição perversa, cruel, inumana, bem à imagem e semelhança do Deus-Ídolo que ela própria ajuda a criar-manter e que, desde há séculos, regularmente adora /cultua nos templos e nos santuários, em redor de altares, muito longe dos conflitos e dos combates políticos maiêuticos, sempre desarmados, com que haveremos de edificar, na História e em todas as nações da Terra, o Reino /Reinado de Deus Criador de povos em radical igualdade. Sempre em franca e declarada oposição, muitas vezes, até, em guerra aberta desarmada, contra o reino /reinado do Deus-Ídolo, servido pela mais perversa das trindades, a saber, a trindade dos Poderes, concretamente, o Poder Religioso-Eclesiástico, o Poder Político e o Poder Económico-Financeiro, uma trindade criada pela ambição infantil /demencial de certos seres humanos que, manifestamente, desistiram de crescer em Sabedoria e em Graça, em Liberdade e em Maioridade, em Autonomia e em Sororidade /Fraternidade, e que, mesmo assim, tem contado, desde o início, com a

cumplicidade da generalidade de todos os outros seres humanos, propositadamente mantidos, por toda a vida, no Infantil e no Ingénuo.

2 Estejam descansados, que eu medi bem as palavras que escrevi. E não retiro nenhuma. Saibam, desde já, que,

em Igreja, a de Jesus, não há, nunca houve, nunca haverá sacerdotes. Portanto, também nunca poderá haver Lei do Celibato obrigatório para os seus membros ordenados. Em Igreja, a de Jesus, há presbíteros e bispos que, no princípio, entre as pequeninas comunidades das, dos de Jesus, eram escolhidos e reconhecidos pelas próprias comunidades, e tanto podiam ser mulheres presbíteros e bispos, como homens presbíteros e bispos. Em boa verdade, no início dos inícios, as pequeninas comunidades das, dos de Jesus (não confundir com comunidades cristãs, que já são outra coisa, paralela às pequeninas comunidades das, dos de Jesus, e que surgiram na prossecução do Judaísmo, por isso, comunidades judeo-cristãs, com tudo de Judaísmo e praticamente nada de Jesus, o Crucificado pelos chefes-mor do próprio Judaísmo), eram todas maieuticamente ministeriais (= servidoras), coordenadas por um dos seus membros, mulher ou homem, indistintamente, quase sempre a mulher ou o homem da casa onde cada Comunidade habitualmente reunia em redor da Mesa Compartilhada. Este ministério de coordenação de cada uma das comunidades, todas ministeriais, passou a ser designado, indiferenciadamente, por

presbítero e /ou bispo. Mas, importante, mesmo, era /é a Comunidade toda ministerial, enquanto tal, não o presbítero /bispo, mulher ou homem, que só era escolhido e reconhecido pela própria comunidade, para que esta fosse cada vez mais fecunda e maiêutica, sem que ninguém suplantasse /silenciasse /discriminasse ninguém, de modo que todos os seus membros tivessem voz e vez e se dessem à Missão, a mesma de Jesus.

3 De celibato, nunca se falava, pelo menos, entre as pequeninas comunidades das, dos Jesus. Embora, desde muito

cedo (já em tempo do judeo-cristão Paulo, perseguidor de Jesus e das pequeninas comunidades das, dos de Jesus, que prosseguiam a mesma Fé de Jesus e o seu mesmo Projecto Político Maiêutico do Reino /Reinado de Deus Criador de povos em radical igualdade, coisa que o judeo-cristão Paulo, o das três viagens apostólicas, não podia sequer ouvir falar!), o assunto do celibato já fosse abordado, mas só no âmbito das comunidades judeo-cristãs, inclusive, por negativa influência dos Judeus essénios, monges celibatários, que o eram por imposição da Regra aprovada /adoptada pela instituição que os acolhia e integrava como seus membros. Disse, por influência dos Judeus essénios. Não disse, por influência do Judeu Jesus que, embora tivesse conhecido bem os essénios e, até, tivesse sido iniciado na Missão por João Baptista, um Judeu de mentalidade e de prática muito próximas das dos essénios, depressa rompeu com todo esse Moralismo imoral, anti-natura, inumano, e desencadeou um Movimento Político Maiêutico, radicalmente Libertador, em nome de Deus Criador Abbá de todos os povos em radical igualdade - o que perfaz a maior Revolução Humano-Teológica da História, até hoje, silenciada /ostracizada e tida como inteiramente Maldita.

4 Logo após ter-se feito baptizar por João Baptista, sem que nada de especial se verificasse, aconteceu que,

precisamente, no Momento em que Jesus saía da água do Jordão, viu, com claridade meridiana, na sua própria consciência humana, que, no Judaísmo, enquanto Sistema de Poder religioso, político e económico-financeiro, fundado, séculos antes, pela casa real de David /Salomão e prosseguido, no seu tempo, pelos sumos sacerdotes que chefiavam o Templo de Jerusalém e mantinham o próprio povo judeu na mais cruel e mais sádica Opressão /Exploração, tudo era Mentira e Assassínio institucionalizados. E que Deus, o da Lei de Moisés e do Templo, que a tudo dava cobertura e tudo justificava, só podia ser um Deus-Ídolo. Desde esse Momento, nunca mais Jesus foi o mesmo de antes. Desde a sua concepção, no ventre de Maria, sua mãe, Jesus já era, como todas, todos nós somos, plenamente habitado pelo Sopro /Espírito Maiêutico, próprio e exclusivo de Deus Criador de filhas, filhos em estado de liberdade e de maioridade, e de povos em radical igualdade. Mas, até àquele Momento, era como se

esse Sopro /Espírito Maiêutico tivesse estado adormecido dentro dele. Naquele preciso Momento, quando Jesus corria o risco de se passar para o Moralismo imoral, anunciado /praticado por João Baptista, como uma pequena variante reformada ao autoritário Judaísmo puro e duro dos sumos sacerdotes do Templo, dos fariseus, dos doutores da Lei, do Sinédrio e, até, dos essénios, eis que rompe definitivamente com esse Judaísmo e torna-se o Ser Humano, plena e integralmente habitado /conduzido, agora, de modo consciente, pelo Sopro /Espírito Maiêutico de Deus Criador, Abbá de todos os povos, não apenas do povo judeu!

5 É a Revolução das revoluções. A única Revolução Humano-Teológica Maiêutica, por isso, Desarmada, que, por

uma vez, Aconteceu na História dos povos e que interessa aos povos de todos tempos e de todas as nações. Fora

dela, só há mais do Mesmo, Violência e Opressão a rodos, Exploração e Assassínio a rodos, numa palavra, Idolatria

a rodos, seja sob a roupagem do Religioso, seja sob a roupagem do Ateísmo /Agnosticismo, seja sob a roupagem

do Poder Financeiro Global, sem dúvida a Idolatria hoje mais assassina. A única diferença, secundaríssima, ao nível

dos efeitos, é que a Idolatria, sob a roupagem do Religioso, leva as pessoas e os povos que vão por ela, a frequentar templos e santuários, nos quais pontificam sacerdotes para todos os gostos, todos mercenários, exploradores das pessoas e dos povos que os frequentam e que encomendam /pagam os seus ritos /cultos. Já os que vão pelo Ateísmo /Agnosticismo não frequentam os templos e santuários, ainda que continuem a ter um certo medo reverencial perante os sacerdotes que lá pontificam e, por vezes, em casamentos e funerais, missas-de- corpo-presente e missas de sétimo dia, baptizados e comunhões solenes, ainda se permitem entrar nos templos e permanecer lá, até que todo aquele ritual de mau gosto e de nenhuma dignidade humana, esteja concluído!

6 Não pensem que este tipo de Idolatria, sob a roupagem do Religioso ou sob a roupagem do Ateísmo

/Agnosticismo é inofensivo. De modo algum! Semelhante Idolatria serve às mil maravilhas para manter as pessoas

e os povos anestesiados, adormecidos, entretidos com coisitas que infantilizam cada vez mais quem as faz. E, com

isso, sai sempre a ganhar o outro tipo de Idolatria, a do Grande Dinheiro, hoje, o Grande Poder Financeiro Global, cientificamente organizado e servido pelos melhores cérebros, um tipo de Idolatria secular /laica, que ninguém - nem Igrejas, nem Universidades, nem Partidos Políticos ditos de Esquerda, nem Ateus /Agnósticos, nem Intelectuais - denuncia como Idolatria, apesar dela ser a mais cruel, a mais perversa e a mais inumana de todas as idolatrias. Pois bem, é no âmbito deste tipo de Idolatria, a do Grande Dinheiro, ou do Grande Poder Financeiro Global, que surge a Lei Eclesiástica do Celibato obrigatório para presbíteros e bispos da Igreja Católica Romana, no Ocidente. Na sua origem histórica, está, por um lado, o Sacerdócio dos Paganismos Religiosos, concebido e apresentado às pessoas e aos povos, como o intermediário entre Deus (só pode ser o Deus-Ídolo, de modo algum, Deus Criador, Abbá de todos os povos, mais íntimo a nós do que nós próprios) e os povos-sempre-impedidos-de- crescer-em-Liberdade-e-em-Maioridade. E, por outro lado, está o Grande Dinheiro, ou, nos séculos passados, quando a Lei Eclesiástica do Celibato obrigatório foi instituída e imposta aos presbíteros e bispos da Igreja católica Romana, no Ocidente, éstá a Grande Riqueza Acumulada e Concentrada, a Grande Propriedade, numa palavra, o Grande Latifúndio, que não podia /não devia ser nunca dividido /repartido.

7 Para justificar a Lei Eclesiástica do Celibato Eclesiástico, a Igreja Católica Romana, no Ocidente, nunca disse que a razão primeira e decisiva era para, por essa via, ela poder mais facilmente garantir a manutenção da Propriedade Acumulada e Concentrada que possuía, como instituição do Deus-Ídolo, servida por sacerdotes (os párocos) e por sumos sacerdotes (os bispos das dioceses, das quais eram os administradores e usufrutuários, muitas vezes, até com exércitos privados para as defenderem e defenderem os benefícios que os servos da gleba, todos católicos baptizados à força, por isso, súbditos do bispo-administrador e, por extensão, também dos respectivos párocos, conseguiam com o seu trabalho mais ou menos forçado!). Com sacerdotes (párocos) e sumos sacerdotes (bispos

titulares de dioceses), todos celibatários, por força da Lei Eclesiástica do Celibato, instituída e imposta por ela, em nome do seu Deus-Ídolo, cruel, sádico, mentiroso e assassino, nunca mais a Grande Propriedade Acumulada e Concentrada da Igreja católica romana, no Ocidente, seria repartida. Os seus funcionários /mercenários ordenados /contratados para a servirem em exclusivo, não podiam casar, ter filhas, filhos (se tivessem filhas, filhos sem casar, nunca os clérigos faltosos à Lei poderiam reconhecê-los como suas filhas, seus filhos, por isso, seriam todos filhas, filhos de "pai incógnito", por força da mesma Lei Eclesiástica do Celibato!) e, desse modo, nunca teriam herdeiros. O Grande Latifúndio Eclesiástico estava, pois, salvaguardado!

8 Isto é perverso de mais, até para ser aqui escrito. Mas mais perverso seria esconder esta realidade histórica que nunca é oficialmente dita, sempre é silenciada e negada. Então - perversão das perversões! - para que as pessoas e os povos nunca se apercebessem do perverso da Lei Eclesiástica do Celibato, imposto aos clérigos, bispos e párocos, todos sacerdotes e sumos sacerdotes do Deus-Ídolo dos templos e dos santuários, foi criada, ao longo dos séculos e, ainda hoje, em vigor, uma doutrina, toda tecida de Mentira, na qual são invocadas piedosas razões de ordem espiritualista e misticista, com que o Celibato Eclesiástico Obrigatório é justificado. As pessoas e os povos, é essa falsa doutrina que conhecem, em milhares de livros de piedade, de beatice e de devoção, qual deles o mais causador de vómitos. A Mentira atinge, assim, abismos nunca antes atingidos, tanta é a Treva contida nesses milhões de livros. Todos estão nos antípodas de Jesus, o que rompeu com o Judaísmo puro e duro dos sumos sacerdotes do Templo, dos fariseus, dos escribas, dos doutores da Lei, da Lei de Moisés e do Sinédrio e se colocou, ininterruptamente, aberto ao Sopro /Espírito Maiêutico de Deus Criador, Abbá de todos os povos em radical igualdade, e não apenas do povo judeu!

9 Com Jesus, o Crucificado na Cruz do Império Romano, por sentença e exigência dos sumos sacerdotes do Templo que, nessa sua assassina decisão, contaram com o aval de todos os outros chefes do Judaísmo, concretamente, os sacerdotes, os fariseus, os escribas, os doutores da Lei, o Sinédrio e a própria Lei de Moisés, tal como todos eles a interpretavam (lá está, no Deuteronómio a dizer, "Maldito o homem que morre na Cruz!"), nunca a Lei Eclesiástica do Celibato teria existido, tão pouco, alguma vez chegaria sequer a ser pensada. Só mesmo o Deus-Ídolo, que se faz servir por exércitos de sacerdotes, em todo o Mundo, todos eles eunucos à força, é que pode estar por trás de semelhante Lei bárbara e inumana. E basta a existência desta Lei, para que a instituição eclesiástica que há muitos séculos a criou, impôs e, Século XXI, adiante, continua aí a justificá-la e a mantê-la em vigor, seja muito justamente olhada pelas pessoas e pelos povos como perversa, cruel, sádica e inumana. E tal é a Igreja Católica Romana, no Ocidente, cujo chefe-mor, o papa Bento XVI, enquanto a não abolir da noite para o dia, é, em última instância, o grande responsável, por mais lágrimas de crocodilo que chore para televisões, rádios e jornais divulgarem, em fugidios encontros com algumas vítimas, escolhidas a dedo, entre as milhares e milhares de vítimas de actos de pedofilia, praticados (com dor o escrevo, primeiro, pelas próprias vítimas, mas também pelos seus vitimadores, vítimas, eles também, desta Lei Eclesiástica!) por clérigos católicos do Ocidente, obrigados, desde os 23-24 anos de idade, e pelo resto das suas vidas, à Lei do Celibato Eclesiástico.

10 Diz a Sabedoria, que o Saber /Poder não conhece, nem pode conhecer, que as práticas pedófilas de clérigos da Igreja católica no Ocidente, não têm como causa a Lei Eclesiástica do Celibato obrigatório. E nem é isso que eu acabo de escrever. Não é a causa. Mas que contribui, e muito, para isso, só um fanático da Igreja Católica Romana no Ocidente e do seu Deus-Ídolo é que o não reconhecerá. E tais estão a revelar-se o próprio papa Bento XVI, os cardeais da Cúria Romana, a generalidade dos bispos diocesanos, Bispo do Porto, Manuel Clemente, incluído, e mesmo muitos párocos em exercício de funções. Felizmente, os milhares de padres católicos romanos do Ocidente,

já casados, estão gritantemente contra essa Lei. A sua decisão de casar, apesar de saberem que, com essa decisão, perdiam tudo, até o direito ao pão de cada dia, mais do que garantido, se eles prosseguissem eunucos à força, tem, no interior da Igreja, muito de Sinal de Deus Criador, nosso Abbá, e tudo de anti-Deus-Ídolo que todos os sacerdotes eunucos à força servem no interior dos templos e nos altares. Mais. Tem muito de gesto profético que revela às pessoas e aos povos, sobretudo, às pessoas e aos povos que ainda frequentam os templos e os cultos do Deus-Ídolo, quanto a Igreja Católica Romana, no Ocidente, tem de perverso, de sádico, de hipócrita, de moralista imoral, de sacrificialista.

11 Jesus, a Revolução Humano-Teológica mais radical da História, não pode estar mais em completo desacordo e,

até, em conflito aberto desarmado, mas duélico, contra esta Lei Eclesiástica do Celibato. E com Jesus, o Crucificado, está Deus Criador, seu e nosso Abbá e de todos os povos em radical igualdade. O próprio Evangelho de Mateus (19, 11-12) fez chegar até nós, mulheres /homens do Século XXI, palavras suas cheias de Sabedoria (ou Jesus Crucificado não fosse a Sabedoria feita Fragilidade Humana e Crucificada pelo Saber /Poder que é sempre ladrão e assassino) e que denunciam, como nenhumas outras, a simples existência da Lei Eclesiástica do Celibato Obrigatório. As palavras surgem na sequência da posição que Jesus havia acabado de tomar, em defesa das

mulheres casadas que, então, eram tratadas, no seu país, pelos respectivos maridos, ao mesmo nível das ovelhas, dos animais de carga e de outros utensílios da casa que eles possuíam. Por isso, sem nenhum direito, sem nenhuma dignidade, sem nenhum valor, a não ser o valor de usar-e-deitar-fora, quando lhes desse na real gana.

12 As palavras de Jesus, em defesa das mulheres casadas, surpreenderam tanto os próprios discípulos judeus, que

estes reagem e dizem: "Se é essa a situação do homem perante a mulher, o melhor é não casar!" Assim mesmo! E eram discípulos que andavam com Jesus, mas que não queriam nada com Jesus, nem com o seu Projecto Político Maiêutico do Reino /Reinado de Deus Criador de todos os povos em radical igualdade. Só pretendiam fazer-lhe a cabeça, para ver se Jesus regressava, pelo menos, ao Judaísmo reformador de João Baptista, dos quais alguns continuavam a ser discípulos. É perante uma reacção destas, por parte dos próprios discípulos judeus, que Jesus pronuncia tais palavras, cheias de Sabedoria, que a Igreja Católica Romana no Ocidente nunca foi capaz de escutar /acolher /praticar. Eis: "Nem todos compreendem esta linguagem, mas apenas aqueles a quem isso é dado. Há eunucos que nasceram assim do seio materno; há eunucos que se tornaram eunucos por interferência dos homens; e há eunucos que se fizeram eunucos por amor do Reino /Reinado do Céu [= Deus Criador, nosso Abbá]. Quem puder compreender, compreenda."

13 A Lei Eclesiástica do Celibato Obrigatório para os funcionários /mercenários que presidem ao altar, os chamados

párocos e bispos titulares de dioceses, insere-se na categoria dos eunucos que, no dizer de Jesus, a Sabedoria, o são pela interferência dos homens, no caso, dos homens do Saber /Poder Religioso-Eclesiástico, concretamente, o papa-chefe de Estado do Vaticano e chefe-mor da Cúria Romana. Depois, em linha descendente, por escolha e nomeação dele, os bispos titulares de todas e de cada uma das dioceses da Igreja católica romana no Ocidente. E, finalmente, por nomeação dos bispos titulares de cada diocese, os respectivos presbíteros ordenados que ele, e só ele, sem necessidade de consultar as pessoas baptizadas de cada paróquia, depois nomeia para esta e aquela. Já agora, os próprios presbíteros ordenados que aceitam ser nomeados párocos e nunca refilam, nem dissentem das orientações que vêm de cima, da chamada Hierarquia, acabam todos cúmplices desta perversa prática eclesiástica. Em muitos casos (quem não vê isso, até, a olho nu, pelas suas caras e pelo seu estilo de ser-viver todos os dias?!), sem nenhuma convicção pessoal. Apenas por preguiça, por comodismo, por interesse material-financeiro (hoje, ser pároco de três, quatro, cinco e mais paróquias, dá dinheiro que se farta e ninguém diz nada, parece que toda a gente acha bem e faz questão de contribuir mais e mais, numa espécie de rivalidade entre paróquias, a ver qual

delas é que dá mais dinheiro a ganhar ao seu funcionário /mercenário religioso, já sem nada de Presbítero da Igreja, a de Jesus!)

14 Por isso, digo: Ai de vós, Igrejas, a que está em cada diocese e em cada paróquia, que existis apenas para servir o Deus-Ídolo, que gosta de funcionários /mercenários sexualmente castrados pelos seus próprios chefes, para, assim, os ter sempre disponíveis para satisfazerem os seus caprichos de mando e executarem as suas ordens, todas mais ou menos perversas. Ai de vós, Igrejas, que fazeis leis imorais contra-natura, contra os seres humanos. Podem ser leis muito moralistas, muito piedosas, muito revestidas de um espiritualismo devoto, ao jeito do cura d'Ars, uma paróquia de França, que vós, em vez de chorardes pelo que fizestes dele, ainda o canonizastes e agora apresentais como exemplo para os demais funcionários /mercenários que mantendes à frente das paróquias. Sois todas Igrejas do Deus-Ídolo, guias cegas que continuais a levar para o abismo as muitas pessoas que ainda frequentam os vossos templos, os vossos cultos, todos em honra do Deus-Ídolo cruel, sádico e perverso que é o Deus da instituição Igreja Católica Romana, no Ocidente, nos antípodas da Igreja, a de Jesus, e das, dos de Jesus.

15 Deveríeis saber, como diz Jesus, que Celibato a valer, um Sinal com tudo de Profecia, só mesmo o daquelas, daqueles que, livre e lucidamente, decidem gastar a sua vida, como Jesus, ao serviço da edificação na História, do Reino /Reinado de Deus Criador, nosso Abbá e de todos os povos por igual. E por isso decidem não casar, não constituir família de sangue (não quer dizer que desistam dos Afectos partilhados, vividos na esteira do belíssimo Cântico dos Cânticos, da Bíblia Hebraica), porque querem fazer de todas as famílias a sua família, de todos os povos o seu povo, sempre a partir dos Ninguém, dos últimos dos últimos, num viver todo Dádiva, todo Entrega aos demais como Pão /Corpo Partido e Repartido que se dá a comer todos os dias e Vinho /Sangue Derramado que se dá a beber todos os dias, para a vida das pessoas e dos Povos, uma vida em estado de Liberdade e de Maioridade, de Autonomia e de Sujeitos, na História. Ou vós, Igrejas, vos converteis, passais do Deus-Ídolo, mentiroso, hipócrita, descriador e assassino, para Deus Criador, o de Jesus, nosso Abbá e de todos os povos, ou acabareis como aquele sal que perdeu a força de salgar a Sociedade e a História e, por isso, é muito justamente lançado fora, para ser pisado pelos homens e pelos povos. Assim sucederá a vós, Igrejas, se vos não converterdes do Deus-Ídolo ao Deus Criador, o de Jesus. Convertei-vos e vivereis!

Capítulo 46

1 Entre o ano 28 e o ano 30 da nossa era comum, havia todos os anos no país de Jesus, o que o Evangelho de João reiteradamente chama "a Páscoa dos Judeus". A Missão Económica e Política Maiêutica de Jesus, pelo desenvolvimento e implantação na História do Reino /Reinado de Deus Criador de filhas, filhos em estado de liberdade e de maioridade, em radical alternativa ao desenvolvimento e implantação na mesma História do Reino /Reinado do Deus-Ídolo, o do Templo de Jerusalém e do Império Romano, intrinsecamente descriador do que há de Humano nos seres humanos e nos povos do Planeta Terra e no próprio Planeta Terra, e, ostensivamente, contra ele (por isso, a Morte Crucificada de Jesus na Cruz do Império Romano, a exigências dos chefes dos sacerdotes do Templo de Jerusalém), é dentro deste universo social e religioso /idolátrico que decorre e culmina. A sua Morte Crucificada acontece exactamente, em Abril do ano 30 desta nossa era comum, durante a semana da "Páscoa dos Judeus", celebrada com pompa e circunstância, no Templo de Jerusalém, a cidade capital tida como santa e sagrada pelos chefes do Povo judeu, e no meio da mais desenfreada Exploração dos Judeus não-chefes, tanto os residentes no território, como os da diáspora, por sinal, em muito maior número do que os residentes no território. Para as comunidades joânicas que escrevem o Evangelho de João, a designação "Páscoa dos Judeus" é

depreciativa e denunciadora. Com ela, querem deixar bem claro que a Páscoa ritualizada no Templo era apenas dos dirigentes /chefes do Povo judeu (nunca como por essa altura de cada ano, entrava tanto dinheiro no Templo!), pois, desde há muito que já não era mais a Páscoa do Povo judeu, uma vez que o território tinha-se tornado "Casa de Opressão" do Povo judeu, tal e qual como o antigo Egipto dos faraós, de onde os antepassados remotos haviam fugido /saído.

2 Contra a "Páscoa dos Judeus (volto a sublinhar: contra a Páscoa dos dirigentes religiosos e políticos do Povo

judeu, por isso, a favor da libertação do Povo judeu das garras dos chefes dos sacerdotes e dos demais dirigentes

religiosos e políticos que, quais vampiros, sugavam o sangue e até os ossos do Povo judeu), ergue-se, fecunda e

saudavelmente subversiva e conspirativa, a Páscoa de Jesus que, na fragilidade do seu corpo desarmado e nas suas práticas económicas e políticas maiêuticas, abria os olhos da mente /consciência ao Povo judeu, o fazia saltar da paralisia generalizada em que a Opressão da Lei e do Templo o mantinha refém por toda a vida, e até o levantava do seu quotidiano de morte que a mesma Lei de Moisés e o Templo lhes causavam e impunham. A Páscoa de Jesus

é por isso a única que dá efectiva visibilidade e torna activamente presente na História a PÁSCOA ou PASSAGEM de

Deus Criador, o Abbá de todos os povos. E é esta Páscoa Maiêutica, a de Deus Criador, contra a páscoa ritualizada

/opressora dos sacerdotes e dirigentes Judeus, que adquire visibilidade na intervenção Política Maiêutica de Jesus,

o camponês /carpinteiro, o filho de Maria, ao mesmo tempo que desencadeia um ÊXODO ou LEVANTAMENTO

/MOVIMENTO libertador dos seres humanos e dos povos. O confronto entre uma e outra, entre a Páscoa de Jesus

e a Páscoa dos Judeus, é total, duélico e mortal para um dos contendores. No caso, para Jesus, que protagoniza a Páscoa de Deus Criador, como o seu Filho muito amado, por isso todo ele Fragilidade Humana, Desarmado, a Sabedoria contra o Saber /Poder, a Luz contra a Treva, o Ser Humano pleno e integral contra o Deus-Ídolo /a Idolatria.

3 Com a Morte Crucificada de Jesus, tudo foi consumado, como sublinham e bem as narrativas evangélicas. Ou por

palavras deste nosso Século XXI - e, de resto, é precisamente o que significa a expressão "Tudo está consumado!" -

é graças a Jesus e à sua Páscoa, inevitavelmente, Crucificada, pelo menos, no contexto histórico do Século I desta

nossa era comum, que os povos da Terra puderam ver e viram, duma vez por todas, que, ao contrário do que sempre nos ensinam as famílias, as catequeses paroquais, as escolas, as universidades, os grandes meios de comunicação social e os milhões e milhões de livros da chamada Cristologia, todos nós, os seres humanos, nascemos e vivemos por toda a vida num Mundo que encontramos à chegada já devidamente organizado /institucionalizado, e hoje cada vez mais cientificamente organizado /institucionalizado, não, como ele sempre deveria ter sido e ser, segundo o Projecto Político Maiêutico de Deus Criador de filhas, filhos em estado de liberdade e de maioridade, e de povos em radical igualdade (um Deus que nunca ninguém viu, nem verá!), mas apenas organizado /institucionalizado segundo o projecto de Poder Político do Deus-Ídolo (que toda a gente vê e até cultua publicamente nos templos e santuários!). Por isso, um Mundo intrinsecamente Cruel e Descriador do Humano que, para cúmulo dos cúmulos, ainda é regularmente servido, em cada geração, pelos melhores cérebros humanos, habilmente, contratados pelos da trindade dos Poderes, antes de mais, o Poder Económico-Financeiro, hoje, Global, sem dúvida, o mais mentiroso e o mais homicida dos três, seguido do Poder Político que oficialmente governa cada nação, e, finalmente, o Poder Religioso-Eclesiástico, na pessoa dos sacerdotes clérigos, nomeadamente, as hierarquias que dão corpo às cúpulas das Religiões e das Igrejas, hoje, praticamente todas elas convertidas em outras tantas Religiões.

4 Só que, como o Evangelho de João (3, 20-21) sublinha, com lúcida oportunidade que hoje parece ter-se

convertido em generalizado oportunismo ilustrado, até por parte da esmagadora maioria dos nossos intelectuais,

(quase) todos vendidos ao Deus-Ídolo e à sua trindade dos Poderes, " A Luz veio ao Mundo, mas os homens [da trindade dos Poderes e os seus lacaios] preferiram as trevas à Luz, porque as suas obras eram [são] más. E quem pratica o Mal [= a Mentira e o Assassínio estruturais /institucionais] odeia a Luz e não se aproxima da Luz, para que as suas obras [práticas económicas e políticas assassinas] não sejam desmascaradas. Mas quem pratica a Verdade [a Mãe da Liberdade-Maioridade Humana estrutural /institucional] aproxima-se da Luz, de modo a tornar-se claro que os seus actos [práticas económicas e políticas maiêuticas criadoras de vida e vida em abundância para todos os povos] são feitos segundo Deus [Criador, não segundo o Deus-Ídolo, o pai da Mentira e do Assassínio = o Mal estrutural /institucional]." Mas a verdade é que, infelizmente, à Páscoa de Jesus, protagonizada por ele, desde meados do ano 28 e consumada em Abril do ano 30 desta nossa era comum, no seu pequeno país, na altura, militarmente ocupado pelos exércitos do Império Romano, sucedeu praticamente o mesmo que à Páscoa, Acontecimento Histórico teologicamente Revolucionário, protagonizado, muitos séculos antes, por aquelas hordas de escravos hebreus e outros que se levantaram /insurgiram / libertaram /fugiram do Egipto dos faraós, a Casa da Opressão, e passaram a viver, o resto das suas vidas, no Deserto e em Deserto, por onde ficaram sepultados os seus cadáveres.

5 As gerações seguintes àquela que havia fugido /saído do Egipto, depois que se viram instaladas na terra dos cananeus, que haviam militarmente conquistado e ocupado, e progressivamente se institucionalizaram como país, nunca mais prosseguiram, de forma actualizada, geração após geração, a Páscoa dos seus pais ou antepassados.

Nunca mais. Limitaram-se a celebrar ritualmente esse Acontecimento histórico teologicamente Revolucionário no Templo que ergueram depois de terem erguido o palácio do rei que os governava /oprimia /explorava /recrutava os seus filhos para os seus exércitos e os matava por lá, e as suas filhas para concubinas do seu harém e cortesãs do seu palácio. Os sacerdotes, todos descendentes de Aarão, a tudo presidiam e tudo dominavam, em nome de Deus que, nessas circunstâncias de Opressão institucionalizada, já só poderia ser o Deus-Ídolo que todo o Povo hebreu continuava a considerar como o único Deus verdadeiro! Com o passar das gerações, essa celebração ritualizada da fuga /saída do Egipto, veio a dar na "Páscoa dos Judeus", do tempo de Jesus, contra a qual ele se insurge e procura ajudar maieuticamente o seu Povo oprimido e esmagado, a insurgir-se politicamente. Sabia bem

o terreno armadilhado que trilhava e nem por isso deixou de o trilhar até ao fim. Para que, duma vez por todas, o

Deus-Ídolo que se esconde por trás do Templo e dos ritos da Religião e por trás do Institucional Poder Económico-

Financeiro, do Poder Político de cada país e do Poder Religioso-Eclesiástico, ficasse definitivamente desmascarado.

A sua Morte Crucificada é a Luz Definitiva que desmascara para sempre a Treva Institucionalizada, hoje,

habilmente, mascarada sob títulos pomposos, como Sacerdócio, Religião, Igrejas clericais, Governos das nações, ONU, Banco Mundial, etc, etc, etc.

6 O mesmo sucedeu à Páscoa de Jesus. Depressa, vieram o Sacerdócio e os sacerdotes, o Institucional Religioso, o Poder hierárquico e converteram a Páscoa de Jesus numa solene e prolongada celebração ritual nos templos católicos e cristãos de cada país do Mundo, onde há alguma Igreja institucionalizada no activo. As práticas maiêuticas de Jesus são, agora, meros ritos, símbolos vazios e envenenados que envenenam /matam lentamente quem os faz e quem a eles assiste. Os seus duelos teológicos desarmados são homilias sem sal e sem luz, sem profecia e sem Sopro /Espírito Santo, o de Jesus. O Levantamento /Movimento maiêutico de Jesus que deveria ser anunciado /prosseguido em todas as nações da Terra - é essa a Missão que Jesus confia às suas discípulas, aos seus discípulos que fizeram sua a mesma Fé dele, contra a fé religiosa, sempre idolátrica - foi depressa domesticado, aprisionado pelo Institucional eclesiástico que veio a culminar na vergonha das vergonhas e no perverso dos perversos que é hoje a Cúria Romana, presidida por um papa-chefe-de-estado-com-poder-monárquico-absoluto, até o Poder de excomungar /excluir as vozes mais dissidentes e mais fiéis ao Levantamento /Movimento de Jesus.

De resto, nem o nome de Jesus se salvou no meio de toda esta alta traição, já que, em seu lugar, aparece hoje um mítico Cristo ou Jesus-Cristo, do qual provém o chamado Cristianismo, sem nada de Jesus, com tudo de anti-Jesus.

7 Esta alta traição a Jesus e ao seu Projecto Político Maiêutico, feito Levantamento /Movimento que haveria

/deveria prosseguir, actualizado, em cada geração e por todos os povos do Planeta, começou logo a ganhar corpo, poucas semanas, poucos meses depois da sua Morte Crucificada na Cruz do Império. É protagonizada - vejam só! - por um lado, pelos familiares de sangue de Jesus, liderados por Tiago, irmão de Jesus, e com o visível apoio de Maria, a mãe de Jesus (cf. Actos 1, 14), que, depois de ouvirem dizer que ele ressuscitara dos mortos, isto é, era, aos olhos deles, o Messias Vencedor dos inimigos, reclamavam-se de seus herdeiros e líderes do Reino triunfal que,

por aqueles dias, ele iria implantar na Terra; e, por outro lado, pelo grupo dos Doze que se havia desfeito e dissolvido com a Morte Crucificada de Jesus, mas que, também, ao ouvirem dizer que, afinal, o Crucificado na Cruz do Império "virara" Messias (= Cristo) Vencedor dos inimigos e iria implantar, por aqueles dias, o seu Reino todo- poderoso e esmagador dos inimigos, logo avançam para a sala de cima do Templo (cf. Actos 1, 12-13), à espera que

o Reino triunfal chegue, para seremos seus privilegiados dirigentes. No entender do seu líder, Pedro /Pedra de seu nome, cabia a eles, Grupo dos Doze constituído pelo próprio Jesus, e não aos familiares de sangue, a chefia do

Reino triunfal do Messias Vencedor, a chegar por aqueles dias. É por isso que Pedro se apressa tanto a reconstruir

o grupo dos Doze, desfeito e dissolvido com a Morte Crucificada de Jesus. E é o que sucede, quase de imediato, com a apressada, desastrada e de todo inútil eleição de Matias para o lugar de Judas (cf. Actos 1, 15-26).

8 Contra esta alta traição, já bem visível a olho nu, uns dez anos depois da Morte Crucificada de Jesus, as

pequeninas Comunidades das discípulas, dos discípulos de Jesus que prosseguiam as suas mesmas práticas maiêuticas e os seus mesmos duelos teológicos desarmados, longe do Templo de Jerusalém e de toda aquela Idolatria que lá se praticava, a coberto da qual, o Povo judeu continuava a ser oprimido, explorado, desprezado, ostracizado, morto, meteram mãos ao trabalho de registar por escrito os actos e as palavras de Jesus, bem como os seus duelos teológicos desarmados. Fizeram-no, para que a sua Memória, fecunda e salutarmente subversiva e conspirativa, fosse conhecida e prosseguida, devidamente actualizada, pelas gerações que viessem a seguir a elas. Nasceu assim o Evangelho de Jesus segundo Marcos, sem dúvida, o primeiro a ser escrito e a circular, como relato altamente subversivo. Pelos anos 42-44, já circulava, clandestino, senão o Evangelho todo, pelo menos, grandes pedaços dele. É este Evangelho de Marcos que estimulará outras pequeninas comunidades a fazerem outro tanto. Oficialmente, conhecemos mais três, sob os nomes de Mateus, João e Lucas. Este, de Lucas, é o único que foi escrito em dois volumes. E é, até, graças ao segundo volume do Evangelho de Lucas, que hoje, Século XXI, podemos perceber melhor do que nunca antes, a alta traição que Jesus e o seu Levantamento /Movimento Maiêutico sofreu. Porque o segundo volume é disso que se ocupa, desde o capítulo ´1 ao capítulo 28, com que termina. Ali se vêem quem são os protagonistas-mor dessa alta traição a Jesus e ao seu Levantamento /Movimento Maiêutico.

9 O Evangelho de Jesus segundo Marcos, porque historicamente mais próximo do Jesus histórico, é duma força

maiêutica /libertadora impressionante. E ainda mais, se lido /escutado numa versão devidamente actualizada. Este Evangelho nasceu na pequenina comunidade clandestina que reunia em casa de Maria, a mãe de João Marcos. É este Marcos o principal garante do Evangelho de Jesus que os protagonistas-mor da alta traição a Jesus, com destaque para Saulo /Paulo de Tarso, antes da sua adesão a Jesus (só no final do segundo volume do Evangelho de Lucas, essa adesão é dada, já depois das chamadas três viagens apostólicas que ele fez a difundir o falso evangelho

do Judaísmo já com Messias Vencedor), não suportam e, por isso, o repelem sistematicamente da sua presença, sem quererem nada com ele. Mas é este Evangelho de Marcos que faz o seu percurso no Império Romano contra o

mentiroso evangelho do imperador César Augusto, filho de Deus! É ele quem nos dá Jesus em corpo inteiro, não como o Messias ou Cristo, mas apenas como o Filho do Homem, o Ser Humano pleno e integral, que, de resto, outra coisa não quer dizer a expressão bíblico-profética, "Filho do Homem". Se repararmos bem, veremos que neste Evangelho, o de Jesus sem desvios nem traições posteriores, não se fala nem do seu nascimento, nem de nenhuma aparição, após a Morte Crucificada na Cruz do Império. E dos anos que precederam o início da sua Missão Maiêutica, por meados do ano 28 desta nossa era comum, temos notícia apenas, indirectamente, quando Jesus, já em plena Missão, vai também a Nazaré "onde se tinha criado". Nascido e criado, melhor. E o que os vizinhos que o conheciam e à sua família dizem dele e dela, nessa altura, não é nada politicamente recomendável. Mas é a verdade histórica nua e crua sobre Jesus!

10 Os outros três Evangelhos ditos canónicos, particularmente, Mateus e Lucas, dão-nos pormenores, nos dois

primeiros capítulos, que parecem ser relacionados com o nascimento de Jesus e os primeiros anos da sua vida. Não são. Pela simples razão de que esses dois primeiros capítulos de Mateus e de Lucas são relatos puramente teológicos, não biográficos. E tudo o que escrevem /dizem é sobre Jesus que escrevem /dizem, não sobre Maria, a sua mãe carnal. De modo que qualquer construção doutrinal posterior sobre Maria, a mãe de Jesus, ou sobre José, referido aí como o pai putativo /adoptivo de Jesus, que se tenha vindo a elaborar - e muita foi até hoje! - é pura ficção e construção doutrinal mítica. Porque os relatos, com todos os pormenores com que se tecem, nestes dois primeiros capítulos, é exclusivamente de Jesus que testemunham. Sabemos que o Cristianismo, ou melhor, o Judaísmo já com (mítico) Messias ou Cristo vencedor, que se tem afirmado e mantido até hoje, Século XXI, em lugar de Jesus, o Carpinteiro /Camponês de Nazaré, Crucificado na Cruz do Império Romano, e em lugar de toda a sua Revolução Teológica Radical, serviu-se desses dois capítulos de Mateus e de Lucas para fazer pura ficção doutrinal, que esvazia por completo e mantém definitivamente mortos, Jesus e o seu Levantamento /Movimento Político Maiêutico.

11 Temos de regressar a Jesus. À Páscoa de Jesus, o único fundamento duma Humanidade nova, constituída não

mais segundo o Deus-Ídolo descriador do Humano, e segundo a sua trindade dos Poderes, mas segundo Deus

Criador de filhas, filhos em estado de liberdade e de maioridade, e Criador de povos em radical igualdade. A este Deus Criador do Humano, nunca ninguém viu. Apenas Jesus Crucificado na Cruz do Império Romano, por deliberação do Deus-Ídolo e da sua trindade dos Poderes, é quem no-lO deu a conhecer, ao mesmo tempo que nos deu a conhecer o Humano pleno e integral. Temos, pois, de regressar a Jesus, o do Evangelho de Marcos, primeiro,

e ao dos três outros restantes, sem deixar de dar também a devida atenção aos numerosos Evangelhos chamados

"apócrifos". Em lugar do Cristianismo, fundado sobre o mítico Cristo Vencedor, que tem justificado toda a espécie

de crimes, os mais horrendos, todos cometidos em seu nome, ao longo destes últimos vinte séculos, temos de fazer Acontecer, Hoje, de forma devidamente actualizada, Jesus e o seu mesmo Projecto Político Maiêutico. A trindade dos Poderes e o seu Deus-Ídolo não nos perdoarão. Mas, ou assim, e há esperança teologicamente fundamentada para a Humanidade e para o Planeta Terra, ou só nos resta gemer e chorar neste Planeta cada vez mais descriado e cada vez mais desumanizado, como um planetário vale de lágrimas.

12 O Evangelho de João (20, 19-29), na sua invulgar e fecunda Sabedoria Teológica Jesuânica, construiu uma

espantosa narrativa literária, densamente teológica, com a qual nos consegue transmitir a Boa Notícia de que Jesus, o Crucificado na Cruz do Império, por exigências dos chefes dos sacerdotes do Templo do seu próprio país, é

o único Ser Humano que Deus Criador, seu e nosso Abbá, reconhece como o seu Filho muito amado, ao ponto de

Jesus poder dizer, "Quem me vê, vê o Pai /Abbá". Por isso, o único Ser Humano fiável, em quem os demais seres humanos podem e devem apoiar-se para prosseguirem na História como seres humanos. Se Jesus é o único Ser

Humano fiável, quer dizer que todos os outros, nomeadamente, aqueles muitos que deixam de ser seres humanos e se tornam outra coisa, agentes activos de qualquer um dos três Poderes que estão ao serviço do Deus-Ídolo, não são nunca de fiar, sempre são de desconfiar e de fugir dos seus projectos políticos e económicos a sete pés. Infelizes seremos, desgraçados seremos, descriados seremos, se edificarmos o nosso ser-viver sobre eles e sobre a Ordem Mundial criada e mantida por eles a ferro e fogo, na qual eles aparecem como chefes e dirigentes, à frente de tudo o que é Institucional. Não seremos seres humanos sábios, rumo à Liberdade e à Maioridade Humanas, mas dementes-dementes que cavamos a nossa própria ruína e a nossa própria sepultura.

13 A referida narrativa literária joânica, densamente teológica, apresenta-nos, entre todos os discípulos (machos)

de Jesus, apenas um que se aproveite. Chama-se Tomé, o Dídimo, que quer dizer em palavras Século XXI, Tomé, o gémeo de Jesus. Gémeo, não segundo a carne e o sangue (Tiago era irmão carnal de Jesus e vimos o que ele fez, logo após ter ouvido dizer que o Crucificado Jesus "virara" o Messias /Cristo Vencedor), mas segundo o mesmo Sopro /Espírito de Jesus. Entre Jesus e Tomé praticamente não se notam diferenças. De resto, nestas coisas da Humanidade Nova, a edificar e implantar na História, a carne e o sangue só atrapalham. Depressa os nossos familiares, a começar pelos filhos em relação aos pais, e pelos pais em relação aos filhos, revelam-se como os nossos primeiros e os mais ferozes inimigos, que fazem tudo para reter, prender, desmobilizar quem se apresentar habitado /possuído /conduzido pelo Sopro de Jesus, intrinsecamente maiêutico /libertador, em oposição total ao sopro /espírito da carne e do sangue que é puramente egoísta, possessivo, corporativo, incapaz de ver mais Humanidade, irmãs e irmãos, para lá do seu próprio umbigo, ou da soleira da porta da sua casa, quanto mais palácio, melhor.

14 Tomé é o único que não vai em flores, em shows mediáticos, em milagres de encher o olho, em aparições do

Ressuscitado, em espectáculos ritualizados e montados para esconder a realidade, em Messias ou Cristos Vencedores, em Missas cheias de pompa e circunstância, mas vazias de Humano, de Verdade que nos faz livres. Os outros discípulos bem lhe dizem "Vimos o Senhor". Ele não cede a essa tentação do folclore, no pior sentido do termo. Quer Jesus, o Crucificado na Cruz do Império. Porque, se foi /é a ele, e só a ele, que Deus Criador reconheceu /reconhece como o seu Filho muito amado, então fica meredianamente claro, para todo o sempre, que o Deus do Templo e do Império e do Sinédrio, apesar de toda aquela pompa e de todos aqueles cultos presididos por sacerdotes sumos e não sumos, não passa de um Ídolo mentiroso e assassino. E a prova irrefutável é que ele assassinou Jesus, o Ser Humano Maiêutico por antonomásia, o único ser humano fiável sobre quem podemos e devemos edificar uma Humanidade /Sociedade outra, intrinsecamente jesuânica, também ela maiêutica, libertadora e criadora de Humano, nunca de Vítimas!

15 Por sinal, os outros discípulos que lhe diziam "Vimos o Senhor" e se ficaram por aí, foram os que, depois,

quando perderam o medo, foram a correr meter-se de novo no Templo de Jerusalém, na sua sala de cima, cúmplices do Deus-Ídolo mentiroso e assassino que assassinou Jesus. Tomé, ao contrário, será, pelo resto da sua

vida, o irmão gémeo de Jesus, outro Jesus. Pois bem, só com mulheres, homens como Tomé, irmãs gémeas, irmãos gémeos de Jesus, o seu Projecto Político Maiêutico e o seu Levantamento /Movimento Político Maiêutico poderão desenvolver-se na História, em alternativa ao projecto mentiroso e assassino do Deus-Ídolo da trindade dos Poderes e contra o projecto do Deus-Ídolo da Trindade dos Poderes. Escolher é preciso. Ou Deus Criador, o de Jesus, ou Deus-Ídolo, o da trindade dos Poderes. Escolhamos bem. Na linha da Sabedoria. Não na linha da Demência-Demência, que é, infelizmente, a escolha que, até hoje, mais temos feito. E só por isso o Mundo está como está. Para nossa vergonha. E também para nossa desgraça!

Capítulo 45

1 Pelo início de cada Primavera, os povos do Ocidente estão confrontados com a Páscoa. Desde os tempos mais

primitivos que os povos do Planeta celebram o que eles pensam ser o renascer da vida. A passagem (= Páscoa) da morte (= Inverno) à vida (=Primavera). Vieram, depois as Religiões, pura criação dos povos, na sua religação com a Natureza, e passaram a celebrar com rituais específicos e mais ou menos sumptuosos e mentirosos este fenómeno (há lá Mentira Encenada maior do que os rituais presididos, cada ano, em Roma pelo papa?!), no início de cada Primavera. Primeiro, espontaneamente. Depois, cada vez mais de forma organizada, graças aos sacerdotes que, rapidamente, se constituíram em casta à parte. Os sacerdotes, como as Religiões, são pura criação dos povos. No caso dos sacerdotes, são criação, sobretudo, daquela pequena parcela, mais hábil e mais espertalhona, dos povos, que depressa se constituiu em parcela dirigente e mais poderosa, relativamente, aos demais seres humanos. E passaram a dominar os demais. A serem os chefes dos demais. Os mais hábeis e os mais poderosos, sobre os demais. Uma imensa minoria sobre a esmagadora maioria, constituída toda ela pelas suas vítimas. Os povos, em lugar de se lhes oporem, de lhes resistirem, depressa se submeteram. Inclusive, passaram a ver nessa minoria privilegiada, poderes que ela, efectivamente, não tinha nem tem e, facilmente, aceitam que os membros que a

constituem são intermediários entre eles e as divindades e entre as divindades e eles.

2 As Religiões estruturaram-se. E os sacerdotes são os chefes, os dirigentes. Ao princípio, os únicos. Com as

Religiões cada vez mais estruturadas e com os sacerdotes cada vez mais poderosos, nasceram os ritos e os cultos. A princípio, espontâneos e tribais, demasiado toscos e brutais. Depois, cada vez mais organizados, estruturados, até

com alguma beleza e arte assassinas, e todos concentrados nos sacerdotes. Nada se fazia então sem os sacerdotes.

A tudo, os sacerdotes presidiam. Os povos reconheciam o seu poder de intermediários e submetiam-se-lhes sem

resistência. De forma quase automática. Como se tudo fosse coisa natural. As gerações posteriores, ao nascerem,

já encontravam as coisas assim e eram educadas dentro desta estrutura. De geração em geração, passou a ser

assim. E assim continua a ser, todos estes milhares e milhares de anos, desde que há seres humanos, povos. Como se fosse da natureza das coisas. Não é. É pura criação dos sacerdotes e outros seus compinchas nos privilégios. Os sacerdotes estão no topo da pirâmide. A eles cabe, em exclusivo, o papel de intermediários entre as divindades e os povos. São, por isso, ainda hoje, Século XXI, uma espécie de povo à parte (= clérigos). Exercem nas sociedades o papel de intermediários entre as divindades e os povos. Inclusive, nas sociedades seculares deste nosso Século XXI,

eles continuam a ser acolhidos e reconhecidos como funcionários do Religioso. E temidos, mesmo por aqueles que

deixaram de participar nos ritos a que eles presidem.

3

Não há, ainda hoje, Século XXI, momento nenhum de grande Dor e de grande Exaltação dos povos, que a

presença dos sacerdotes não seja de imediato requerida. No nascer, no casar, no morrer, eles (quase) sempre lá estão. Hoje, nos momentos de grande Dor dos povos, já começam a ser regularmente substituídos por psicólogos, elas e eles. Mas, mesmo estes, são olhados e tratados pelos povos como um novo tipo de sacerdotes, laicos, mas sacerdotes. E eles próprios, os psicólogos, fazem-se olhar e tratar assim. O título de doutor com que sempre se apresentam e a designação genérica de "psicólogos" de que todos eles se reivindicam, é isso que significa. São um novo tipo de sacerdotes. Laicos, mas sacerdotes, um núcleo de seres humanos à parte (= clérigos, só que agora,

seculares). Parece que evoluímos, mas apenas mudamos de manto ideológico que cobre a realidade. A realidade, sob o novo manto ideológico, permanece a mesma. E, neste particular, é caso para se dizer que os povos não têm emenda. Interiorizaram tanto, quase desde o início, que não podem viver sem os intermediários, que nem hoje,

Século XXI e início do terceiro milénio, depois de Jesus ter Acontecido entre nós e de ter protagonizado no seu próprio ser-viver a Revolução Humano-Teológica mais radical. Tudo prossegue como se Jesus e a Revolução Humano-Teológica mais radical que o seu ser-viver constituiu para sempre, nunca tivessem Acontecido.

4 E, no entanto, já á volta de uns mil e quinhentos anos antes de Jesus ter nascido, a História dos povos conheceu, pela primeira vez, uma Páscoa outra que, ainda hoje, os povos do Século XXI, preferem desconhecer, ou deturpar propositadamente, ou simplesmente se recusam a acolher. E muito mais se recusam a prosseguir. Semelhante Páscoa foi protagonizada por bandos de escravos, uns Ninguém, sem quaisquer direitos, meros Objectos em forma humana, Mão-de-Obra à força e sem quaisquer direitos, para lá do comer. Mas nem o comer era visto como um direito, apenas como uma necessidade, por parte do utilizador dessa Mão-de-Obra em forma humana. Tinha de lhes garantir o comer diário, se queria dispor diariamente da Mão-de-Obra que eles eram. Exactamente, como hoje procedemos com as máquinas que adquirimos e temos ao nosso incondicional serviço. Ou lhes fornecemos o combustível para elas trabalharem e serem-nos úteis, ou elas enferrujam para aí num canto qualquer, coisa mais inútil.

5 Obviamente, o Levantamento ou Insurreição dos bandos de escravos do Egipto dos faraós, quando ocorreu, não

se chamou Páscoa. Foi um inesperado e subversivo Levantamento ou Insurreição social e política (não da Natureza, muito menos, coisa cíclica, previsível; Um Levantamento histórico). Certamente, antes desse, outros, de dimensões mais diminutas, teria já havido. Mas depressa todos foram sufocados, reprimidos e os seus protagonistas, todos dizimados, se não mesmo, enterrados vivos, para exemplo dos demais. Mas este do Egipto dos faraós, foi um Levantamento, uma Insurreição que chegou ao fim. Quantos o /a protagonizaram, também conseguiram levá-lo, levá-la ao seu termo. E isso é que MUDOU, ou deveria ter MUDADO a História. Obviamente, conseguiu algumas reformas, algumas mudanças, mas não A MUDANÇA. E porquê? Entre esses escravos, esses Ninguém, essa Mão- de-Obra por conta dos Faraós, depressa veio a nascer, como um fungo envenenado, o Sacerdócio e, com ele, os sacerdotes. Moisés terá sido - a Tradição bíblica é assim que apresenta os factos - o Parteiro, o Homem Maiêutico que consciencializou, animou e conduziu sem nunca os substituir, aqueles bandos de Ex-escravos, agora em Deserto, a crescerem como um Povo em progressiva Liberdade, Maioridade, Autonomia e Autogestão. Mas, algum tempo depois, o seu irmão Aarão, recordado do Egipto dos Faraós, onde os sacerdotes eram tidos e achados como fundamentais, reivindicou para ele esse privilégio. E Moisés, numa fatal cedência, entrou no jogo do irmão e foi o primeiro a reconhecê-lo e a apresentá-lo como sacerdote aos demais.

6 Os Ex-Escravos, ainda em fase de crescimento para a Liberdade e para a Maioridade, para a Autonomia e para a

Autogestão, não viram que, com a aceitação do Sacerdócio e de Aarão como o seu primeiro sacerdote, nunca mais

chegariam à Liberdade e à Maioridade, à Autonomia e à Autogestão. Nunca mais. Por mais anos que vivessem em Deserto, permaneceriam para sempre domesticados, escravizados, objectos, coisas, Mão-de-Obra por conta de outrem, primeiro, os sacerdotes, depois e ao mesmo tempo, os reis que, mais tarde, uma vez estabelecidos no país que tinham em mira conquistar e ocupar e que, efectivamente, conquistaram e ocuparam, eles próprios exigiram ao companheiro deles que prosseguia entre eles e com eles, o indispensável serviço Maiêutico que Moisés havia praticado até ao dia em que cedeu à proposta-chantagem do irmão Aarão e o constituiu sacerdote. Nesse momento e devido a essa mortal cedência, Moisés matou o Levantamento, a Insurreição dos Ex-escravos que havia ajudado maieuticamente a Acontecer. Ele próprio, Moisés, passou (é a Páscoa ao contrário!) de Homem Maiêutico

a Homem do Poder Político, chefe todo-poderoso, com todos os tiques de chefe, de Poder, o mais mortal dos quais

é sem dúvida o de se tornar assassino dos demais, dos que se lhe opuserem! O relato bíblico do Êxodo, cuja

redacção definitiva tem a mãozinha, melhor, as mãozonas dos sacerdotes, então já no topo da pirâmide do Poder,

dá-nos registos sobre certos comportamentos de Moisés com os Ex-Escravos que, ainda hoje, tantos séculos depois, nos deixam os cabelos em pé! De Horror!

7 De Libertador maiêutico que começou por ser, Moisés acabou assassino dos que ajudou maieuticamente a

libertar, sobretudo, depois que aceitou que o seu irmão Aarão fosse constituído em sacerdote. E ele próprio o constituiu e apresentou ao povo em Deserto, ainda a crescer em Liberdade e em Maioridade, em Autonomia e em Autogestão. Com o sacerdócio e com Aarão seu fundador e primeiro a exercê-lo, foram-se de vez a Liberdade e a Maioridade, a Autonomia e a Autogestão. Os Ex-escravos do Egipto dos Faraós regressaram à sua anterior condição, sem disso se aperceberem. O Egipto dos Faraós estava, agora, dentro deles e entre eles. Haviam-no interiorizado, adoptado. Para onde quer que fossem, levavam-no com eles. E, quando, a geração que lhes nasceu, em Deserto, conseguiu, finalmente, conquistar pela violência das armas de então o país que tinham em mente conquistar, e o ocuparam, depressa esse país se tornou uma reprodução do Egipto dos Faraós. Sem que os seus ocupantes se apercebessem disso, até porque, como já haviam nascido em Deserto, nunca haviam conhecido, na sua própria carne, o que era ser Escravo dos Faraós. Na sua memória andavam restos de relatos dos seus pais, mas não passavam disso: meros restos de relatos. Não era a Escravatura em carne viva que os seus pais conheceram e

da qual fugiram e se libertaram!

8 Com Aarão sacerdote e fundador do Sacerdócio entre os Hebreus - assim se chamam os Escravos que

protagonizaram o Levantamento ou a Insurreição no Egipto dos faraós - os seus descendentes machos passaram a ser automaticamente sacerdotes também. O estatuto de Privilégio e de Poder sacerdotal de que desfrutavam não podia ser protagonizado por mais nenhuma tribo, das doze tribos que vieram a dar origem ao Povo Hebreu. Moisés desaparece, por morte que a velhice sempre traz consigo, e ninguém o prossegue. A sua missão maiêutica, ao contrário do Poder Sacerdotal, não se prossegue por sucessão. Os filhos de Moisés não são automaticamente homens /mulheres maiêuticos. O ser-viver Maiêutico não vem por via sucessória. Seria previsível e, por isso, facilmente domesticável e manipulável, como o ser-viver dos sacerdotes. Não é. Nunca foi. Nunca será. Por mais que os do Poder Político e os do Poder Sacerdotal e, sobretudo, os do Poder Económico-Financeiro, hoje, Global, se danem. Nunca se saberá em quem vai Acontecer. Só saberemos pelos frutos de Levantamento, de Subversão, de Dissidência, de Insurreição que, lá, nos seres humanos onde habitar e actuar, esse ser-viver maiêutico sempre produz.

9 Os da trindade dos Poderes ficam fora deles de fúria e crescem em Ódio e em Violência contra os seres humanos,

mulheres e homens, nos quais esse ser-viver maiêutico Acontece, mas, perante eles, nada mais conseguem fazer do que revelarem à saciedade o que todos eles, inclusive, os sacerdotes, efectivamente são: ladrões e assassinos institucionais, que existem e estão aí só para roubar, matar e destruir. Podem vestir-se, e vestem-se de facto, de presidente da república, de rei, de primeiro-ministro, de ministro, de deputado, de general, de juiz, de hierarquia religioso-eclesiástica, de pároco, de pastor de igreja, de administrador de transnacional, de banqueiro; podem ser, suposta e legalmente, eleitos pelos povos (os sacerdotes, nunca são; sempre são abertamente impostos aos povos, o que torna a sua existência ainda mais aberrante e perversa!); podem ser aplaudidos e idolatrados pelos povos. Mas todos estão aí só para roubar, matar e destruir os povos. Não! Não nasceram para isso. Não é essa a sua matriz. Tornaram-se assim, anos depois de terem nascido, de modo especial no momento em que se deixaram seduzir e cair na tentação de se constituírem Poder Sacerdotal, ou Poder Político, ou Poder Económico-Financeiro, ou nos três ao mesmo tempo. Nesse preciso Momento, o que há de Humano neles, misteriosa Criação Gratuita do Espírito Criador de Deus, nosso Abbá e Abbá de todos os povos, em radical igualdade, é de imediato assassinado,

ainda que, durante um tempo, pareça que tudo permanece como antes. Não permanece. De Humano que era, torna-se compulsivamente Mentiroso e Assassino.

10 Os Povos não chegam nunca a ver esta transubstanciação e, por isso, nunca reagem, antes acatam e saem para

a rua a celebrar e a festejar. Desconhecem que estão a celebrar e a festejar um compulsivo Mentiroso e Assassino Institucional. E não vêem, porquê? Porque, durante muitos séculos, os sacerdotes não deixaram que os povos vissem. Desde que nasceram, os sacerdotes são-no do Ídolo, ao qual eles sempre chamam Deus. Mas só mesmo um Ídolo que eles, mentirosamente apresentam aos povos como Deus verdadeiro (ou os sacerdotes não fossem os profissionais da Mentira Institucionalizada!), é que necessita de sacerdotes ao seu serviço, como intermediários entre ele os povos e entre os povos e ele. Precisamente, porque é um ídolo, criação dos sacerdotes e dos próprios povos mergulhados e tolhidos nos seus ancestrais medos, de que nunca se chegam a libertar, enquanto permanecerem sob o jugo dos sacerdotes e dos outros dois Poderes, o Político e o Financeiro, que, muitos séculos depois da existência dos sacerdotes, acabaram por se lhes juntar e passaram a compartilhar do seu Poder e dos seus Privilégios, até então, exercido em monopólio pelos sacerdotes .

11 Com os sacerdotes, até o Acontecimento histórico que foi o Levantamento ou a Insurreição dos escravos no

Egipto dos faraós, em lugar de prosseguir, de forma sempre actualizada em cada geração de seres humanos que vem a este mundo, como deveria ter acontecido, passou, pelo contrário, a ser apenas habilmente celebrado, celebrada ritualmente nos templos onde eles, os sacerdotes, são reis e senhores e apenas eles têm a palavra, sempre politicamente desmobilizadora dos povos, e portadora de um Moralismo imoral que tresanda. É o que inevitavelmente acontece aos povos, quando deixam de viver em Deserto e conquistam uma terra /uma casa /um emprego, um privilégio que depois não querem pôr em risco e em cuja defesa são até capazes de arriscar a própria vida. Instalam-se aí e MORREM. O Sonho, o Projecto que os fez ser-viver até então em Deserto, morre no dia em que eles deixam de ser-viver em Deserto e se instalam. Os sacerdotes é isso que querem e que fomentam nos povos. Porque, depois, nunca mais os povos se Levantam em Insurreição. E, se o fizerem, é apenas para defenderem a sua propriedade privada, o seu quinhão, o seu chão, o seu emprego, o seu direito à saúde, numa palavra, o seu privilégio(zinho). Nestas novas circunstâncias, nunca mais são capazes de Levantamento Insurreccional Maiêutico. Só de levantamentos reaccionários, burocráticos, previsíveis, inclusive, realizados sob licença do Poder Político de turno. E, para se consolarem das suas reiteradas frustrações, frequentam ciclicamente os templos dos sacerdotes e outros templos, agora já seculares, que a trindade dos Poderes que domina e dirige o Mundo cria para eles. Aí celebram ritualmente - estúpida e demencialmente (também esterilmente) o Acontecimento Histórico que os seus remotos antepassados protagonizaram e que lhes abriu o Mar da Liberdade e da Maioridade, da Autonomia e da Autogestão que, pelos vistos, hoje, quase ninguém quer!

12 Inopinadamente, porém, pelo ano 28 desta nossa era comum, entre os descendentes destes Escravos

Insurrectos que haviam conseguido fugir e libertar-se do Egipto dos faraós, Aconteceu Jesus, nascido uns trinta e

poucos anos antes, em Nazaré, filho de mãe solteira, em consequência da violação de um soldado romano que na altura integrava os exércitos do Império que ocupava militarmente aquele pequeno país, fundado pelos Ex- escravos que se haviam libertado e que, na imediata geração seguinte, deixou de viver em Deserto, depois de ter conquistado e ocupado pela violência armada aquele mesmo território. Por esse ano, Jesus inicia, abruptamente, numa região do país transformado então em colónia do Império romano, um Movimento Maiêutico que pretendia levar ao seu termo na História e até para lá dela, o Levantamento Insurreccional dos seus antepassados, esse mesmo Levantamento que o sacerdote Aarão e os seus descendentes sacerdotes haviam domesticado e mantido domesticado até então. Todo o povo entrou em alvoroço e se interrogava quem seria aquele camponês-

carpinteiro. Quando souberam das suas origens, desdenharam dele. Mas o Movimento Maiêutico que ele protagonizava no seu ser-viver, mediante Práticas Humanas Maiêuticas e cheias de Afecto e de Paz Desarmada Insurreccional, nunca antes vistas, ou já de todo esquecidas, e também mediante lúcidos Duelos Teológicos Desarmados contra o Sacerdócio institucional no Templo de Jerusalém e contra o Ídolo que os sacerdotes, aos milhares, cultuavam e que o Império romano secundava, prosseguia e cativava cada vez mais aderentes.

13 Depressa, os dirigentes dos três Poderes se deram conta do Perigo, da Subversão que este Homem Desarmado

e Maiêutico constituía, assim como o Movimento que ele protagonizava e que estava a mobilizar cada vez mais

pessoas, ainda que a maior parte das que aderiam a ele, o tivessem feito de forma equivocada e, quando vieram a entender bem a radicalidade do que Jesus pretendia, logo o abandonaram, outros traíram-no e outros até o negaram por completo. Decidiram então, uns dois anos e meio depois, precisamente, em Abril do ano 30 desta nossa era comum, prendê-lo, acusá-lo do pior, julgá-lo e matá-lo na Cruz do Império romano. Precisamente, quando decorria a Páscoa ritualizada dos Judeus (ex-Hebreus). E nem esse facto fez adiar este Hediondo Crime, o mais Hediondo da Humanidade, de ontem, de hoje e de amanhã. Crucificaram-no e atiraram o seu cadáver à vala comum. Até hoje. Para que nunca mais ninguém pronunciasse sequer o seu nome. E para que o seu ser-viver

Maiêutico, bem como o Movimento Maiêutico que ele havia desencadeado na História, a partir daquele pequeno país militarmente ocupado pelo Império romano, nunca mais fossem conhecidos, estudados, muito menos prosseguidos por alguém, no futuro.

14 Foi então que Aconteceu o Inesperado. E o que foi? Algumas mulheres, alguns homens judeus, sobretudo os

nascidos no estrangeiro, deram-se conta - nunca saberemos bem como, provavelmente, nem elas, eles - que, afinal, para lá do Deus dos sacerdotes do Templo de Jerusalém e do Império romano, havia Outro, o Totalmente Outro, que nem sequer gosta de sacerdotes, nem de impérios, nem de Religião, nem de templos. E a este Deus Outro, com entranhas de Humanidade, só O haviam conhecido /experimentado em Jesus, aquele que mataram na Cruz do Império como o maldito dos malditos. Viam, não com os olhos da cara, mas com os de dentro, da sua Consciência, que este Deus Outro acabara de reconhecer Jesus Crucificado como o seu Filho muito amado e o que

Ele mais pretende é que todos os seres humanos cheguem a ser outros Jesus, em cada geração. Concluíram, então,

a seguir, que o Deus dos sacerdotes e do Templo e do Império era um Deus-Ídolo mentiroso e assassino e que os

sacerdotes que o serviam, mai-los que serviam o Império eram tão mentirosos e tão assassinos quanto ele. E CONVERTERAM-SE, isto é, MUDARAM DE DEUS: Passaram (eis a única PÁSCOA = PASSAGEM que mudará /transformará a História e fará dos povos do mundo Povos constituídos em Liberdade e em Maioridade, em Autonomia e em Autogestão!) do Deus-Ìdolo do Templo e do Império (e, hoje, também, e sobretudo, do Poder- Económico Financeiro Global) para Deus Criador de filhas, filhos em estado de liberdade e de maioridade, o Abbá de Jesus e de todos os povos em radical igualdade.

15 A partir do momento em que os seus olhos da Consciência se abriram, nunca mais ninguém teve mão naquele

punhado de Mulheres, Homens Maiêuticos. Os sacerdotes do Templo e os dirigentes do Império, hoje, sobretudo Financeiro, sempre fazem tudo para prender o Sopro /Espírito Maiêutico, o de Jesus, que habita e guia Mulheres, Homens assim, mas é tudo em vão. Porque jamais saberão de onde Ele vem e para onde Ele vai. A única coisa que conseguem é denegrir até para lá do limite e perseguir até à Cruz, hoje bem mais refinada, as Mulheres, os Homens que se lhe abrem e vivem em Deserto, animadas, animados, conduzidas, conduzidos por Ele, aliás, mais Ela, do que Ele. Porque ao Sopro /Espírito Maiêutico de Jesus, nunca eles terão mão nEle. E é Ele quem terá a última palavra na História. Não o Ídolo dos sacerdotes do Templo e do Império, hoje, sobretudo, Financeiro e

Global. Alegremo-nos, então, e Cantemos todos os dias, porque todos os dias, a todas as Horas, esta PÁSCOA = PASSAGEM do Sopro /Espírito de Jesus está aí a Acontecer na História.

16 Por mais que os sacerdotes do Ídolo se danem e promovam estéreis e assassinas páscoas de calendário e páscoas ritualizadas nos templos, é apenas esta PÁSCOA DE JESUS, actualizada nas Mulheres, nos Homens que, em cada geração, fazem sua a mesma Fé de Jesus e, consequentemente, fazem também suas as mesmas Práticas Maiêuticas de Jesus e fazem seus os mesmos Duelos Teológicos Desarmados de Jesus contra o Ídolo dos sacerdotes e do Império, a única PÁSCOA que vale e transforma o Mundo. Discretamente. Como o fermento na massa. Como o grão de mostarda que é lançado à terra. Como o Farol colocado em lugar alto à beira-mar. Como um menino, uma menina. Bendita, pois, aquela Mulher, Bendito aquele Homem que, na sua Fragilidade Humana Desarmada, sabiamente, acolher este Evangelho de Deus Criador, nosso Abbá e de Jesus. E nunca mais quiser saber para nada do Deus-Ídolo do Templo e dos sacerdotes clérigos, nem do Deus-Ídolo do Poder Político com os seus Exércitos de mercenários, nem do Deus-Ídolo do Poder Financeiro, hoje Financeiro Global. Quem de Vocês quer vir daí?!

29 Março 2010

Conforme já anunciei, há uma semana, hoje, também não há Capítulo do Livro da Sabedoria. Fica, para compensar, esta singela quadra teológica, do MEU LIVRO DE QUADRAS, ainda por editar, precisamente, a quadra referente a este dia e mês:

Só quem conseguir chegar

À plena Maturidade

Pode casar-sem-papéis

No Amor-Fidelidade

O meu abraço. E até para a semana.

ESCLARECIMENTO

Esta segunda-feira, 22 Março 2010, e na próxima segunda-feira, 29, não haverá Capítulo do LIVRO DA SABEDORIA. Estarei especialmente ocupado com o JORNAL FRATERNIZAR. Hoje, 22, é a sua entrega na Gráfica, e no dia 29, é a sua entrega nos CTTs. Aproveito a "folga" e darei andamento a outros projectos que tenho em mãos e em mente.

Para compensar esta falta, PARTILHO com Vocês, em cada um destes dois dias, uma QUADRA, do meu Livrinho de Quadras, ainda inédito. Precisamente as quadras, referentes a estes dois dias, que, depois, encontrarão no Livrinho, quando ele for editado. Eis a do dia de hoje (para ser cantada com a Música de Coimbra, "Dizem que amor de estudante"):

Já está aí o Novo Império

o

mais cruel e cretino

o

do senhor deus-Dinheiro

um sedutor assassino

O meu abraço. E até para a semana

Capítulo 44

1 Para a Sabedoria, nos antípodas do Saber, os sacerdotes sempre foram e são, ainda hoje, os seres humanos mais nocivos da Sociedade. Basta serem os mais credenciados mercenários da Alienação humana. Eles existem apenas para desviar os seres humanos da via ou Caminho da Sabedoria, que é a da Liberdade e da Maioridade Humanas. Ao reivindicarem para eles, e em exclusivo, o papel de intermediários entre os seres humanos e Deus, os sacerdotes constituem-se no maior obstáculo dentro da História e na Sociedade ao pleno desenvolvimento dos seres humanos. Para os sacerdotes, é preciso que os seres humanos e os povos permaneçam, geração após geração, no Medo, no Infantil, nunca alcancem a sua plena Autonomia. A Autonomia dos seres humanos e dos povos é o fim dos Sacerdotes. E isso os Sacerdotes jamais podem aceitar. Têm-se a si mesmos (uns breves momentos de conversa com algum deles bastarão para percebermos que eles se vêem a si mesmos, assim) como seres humanos "à parte" dos demais, destinados a fazerem a "ponte" (intermediários) entre os demais seres humanos e Deus. Sem eles e sem os ritos a que presidem em dia, hora e local marcados, sempre os mesmos, nem Deus comunicaria com os demais seres humanos, nem os seres humanos comunicariam com Deus!!!

2 Sei que chocarei muito boa gente, mas não posso deixar de dizer que os Sacerdotes não vêm do Sopro /Vento

/Espírito de Deus-Abbá, Criador de filhas, filhos em estado de Maioridade e de Liberdade. São uma invenção do Ídolo Poder, Religião, Dinheiro e do seu sopro /vento /espírito descriador do Humano. Cabe-lhes o histórico e triste papel de ajudarem a manter, por toda a vida, os seres humanos e os povos no Medo, no Infantil, na Menoridade, na Dependência, numa palavra, na Idolatria, a do Poder, a da Religião e a do Dinheiro. Um papel que eles cumprem, quase sempre com zelo e dedicação inexcedíveis. Para seu mal. E para mal da Humanidade. Mas para gáudio e satisfação dos do Poder Político e dos do Poder Financeiro. Estes podem dizer-se ateus ou agnósticos, mas, quando se trata de apoiar os sacerdotes, os seus cultos, os seus santuários, os seus projectos, as suas construções, é vê-los a chegarem-se à frente e a aparecer a dar a cara por eles, perante as câmaras de tv. Tamanhas cumplicidade e promiscuidade deveriam abrir os olhos às populações e aos povos, mas a verdade é que nem elas nem eles querem ser populações e povos de olhos abertos e em estado de Autonomia. Sempre preferem viver no Medo, na Rotina, no Infantil, no Rebanho, no Subsídio.

3 Jesus, a Sabedoria feita Fragilidade Humana, por obra e graça do Sopro /Vento /Espírito Santo (entenda-se o

Sopro /Vento /Espírito totalmente outro, que, quando PASSA e se faz sentir na História, sempre deixa desconcertados os sacerdotes e os seus outros dois parceiros, os do Poder Político e os do Poder Financeiro) nunca

foi sacerdote, nunca escolheu sacerdotes (que já os havia aos montes no seu tempo e país) para andarem com ele

e tão pouco constituiu ninguém sacerdote. Essa espécie de funcionários do Religioso /Ídolo, enquanto tais, dava-

lhe vómitos. O ar de superioridade moral que eles exibiam /exibem, perante os demais, inclusive, perante o próprio Jesus, deixava Jesus em grande sofrimento interior. Eram seres humanos totalmente caídos /perdidos na Idolatria, funcionários a tempo completo do Ídolo, por isso, os mais desgraçados e os perigosos dos seres humanos. Tanto mais, quanto as populações e os povos tinham-nos /têm-nos na conta de os mais sagrados dos seres humanos, uma casta totalmente à parte (é o que significa a palavra "clérigo"), ocupados em exclusivo das "coisas de Deus". Só que, aos olhos de Jesus, o Deus com o qual os sacerdotes se ocupavam /ocupam em exclusivo, era /é o Ídolo que justifica(va) e mantinha /mantém, geração após geração, os seres humanos no mais crasso Medo, na mais crassa Opressão, no mais crasso Infantilismo, na mais crassa Idolatria.

4 Tornou-se claro para Jesus que, enquanto houver sacerdotes, os seres humanos e os povos jamais chegarão à Liberdade e à Maioridade. À Autonomia. Lá, onde os sacerdotes estiverem activos, nunca trabalharão maieuticamente para "puxar" os seres humanos para a Liberdade e para a Maioridade, para a Autonomia, bem pelo contrário, tudo o que fazem, dizem e dão de exemplo sempre vai na direcção oposta à da Liberdade, Maioridade e Autonomia. Para os sacerdotes, está, primeiro, o seu Deus-Ídolo e o culto que tem de lhe ser prestado, naquele dia certo, naquela hora certa e naquele local certo, habitualmente, os mesmos, durante cada ano. Os seres humanos, também estão nas suas preocupações, mas apenas para correrem a integrar-se,

rotineiramente que seja, nesses cultos, nos quais sempre entram mudos e saem calados. E, se Jesus, por princípio, não hostilizou os sacerdotes (apenas na última semana que passou em Jerusalém, o conflito dele com eles foi total,

o duelo teológico desarmado foi levado ao extremo, depois que Jesus destruiu simbolicamente o Templo e

derrubou as mesas em que os sacerdotes vendiam as pombas para os sacrifícios a serem oferecidos no Templo, até pelos próprios pobres, viúvas pobres que fossem), fez muito pior do que isso: virou-lhes ostensivamente as costas, desde o início da sua Missão, na Galileia. Neste particular, apenas deu continuidade ao que já João Baptista, de

quem Jesus começou por ser discípulo, embora depois se afastasse dele, quando percebeu que a Revolução Teológica a fazer na História teria de ir muito mais à raiz do Sistema idolátrico que informa /formata a nossa Sociedade.

5 Nunca poderemos esquecer - e este facto histórico é gritantemente eloquente! - que foram os sacerdotes, encabeçados pelos sumos-sacerdotes Anás e Caifás, quem deliberou que Jesus tinha de ser morto e com o género de morte que o tirasse, e à sua memória, para sempre da História e da própria memória dos povos. O que conseguiram facilmente, quando atraíram a eles e à sua decisão assassina, o representante do Império Romano em Jerusalém, o procurador Pôncio Pilatos. A Morte na Cruz do Império atirou com Jesus para fora da História e até da memória dos povos. Até hoje. O que os povos ainda hoje conhecem não é Jesus, apenas uma caricatura dele, denominado Cristo ou "Jesus Cristo" que os sacerdotes e pastores das Igrejas ditas cristãs (não jesuânicas!), manipulam a seu bel-prazer, numa operação que é o que há de mais Hediondo e de mais Inumano. Vejam só! Aquele que, historicamente, trabalhou até ao sangue para abrir os olhos da mente às populações e aos povos, mediante Práticas Políticas Maiêuticas e Duelos Teológicos Desarmados que lhe valeram a Morte Crucificada, é hoje um mítico Cristo milagreiro que os sacerdotes, aos quais ele ostensivamente virou as costas, manipulam e utilizam para fechar ainda mais os olhos da mente às populações e aos povos. Esta é, obviamente, uma prática que perfaz um Crime de lesa-Humanidade, sem perdão! E só por isso é que conta com o público apoio dos do Poder Político e dos do Poder Financeiro, também eles mentirosos e assassinos, e interessados em que as populações e os povos sejam de olhos da mente fechados, por toda a vida, e em estado de Menoridade.

6

Há no Evangelho de Lucas (o único que se "faz" em dois volumes!), uma parábola que deveria ser afixada em

letras graúdas em todas as fachadas dos templos das Religiões e das Igrejas convertidas em religiões. Os sacerdotes das Igrejas, e os pastores que fazem o mesmo que os sacerdotes, ainda que a designação seja diferente, gostam de chamar a essa parábola, "A Parábola do bom samaritano". Porque querem que as populações centrem a sua atenção no samaritano que fez o que o sacerdote e o levita, antes dele, não fizeram ao "homem que descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos dos salteadores que, depois de o despojarem e encherem de pancadas, o abandonaram, deixando-o meio morto." Porém, para Jesus, o do Evangelho de Lucas, que contou esta parábola, os holofotes são postos sobre "um sacerdote que por coincidência descia por aquele caminho e, ao vê-lo, passou ao largo". E sobre "um levita que, do mesmo modo, passou adiante". É este hediondo comportamento institucional do sacerdote e do levita que Jesus quis denunciar perante as populações, para que elas abrissem os seus olhos da

mente e ostensivamente virassem as costas a esta espécie de seres humanos que vivem exclusivamente ao serviço do Ídolo Religião e, fora dali, não querem saber dos seres humanos para nada.

7 Para Jesus, este é o Escândalo dos escândalos que urge desmascarar. Todo o "sagrado", todo o "religioso", todo o

"sacerdócio" e todo o "sacerdote" têm a ver exclusivamente com o serviço do Ídolo e, como tal, devem ser denunciados diante dos Povos do Mundo, como o que há de mais Perverso nos comportamentos humanos. Porque o Ídolo, todo o Ídolo - Poder, Religião e Dinheiro - é sempre para o denunciarmos e combatermos até o derrubarmos de vez das nossas e das vidas de todos os seres humanos; nunca é para o servirmos, muito menos, por meio de uma casta de seres humanos especialmente preparados para esse fim e postos a viver à parte, exclusivamente, dedicados a essa Perversão institucional. Ao ponto de os outros seres humanos, ainda por cima - é o cúmulo da Perversão! - terem de os sustentar e, mais do que isso, terem de os enriquecer, para que eles possam usufruir de um estatuto social que os inclua na minoria dos Privilegiados, todos esses que vivem para manter os povos no Medo, na Opressão, no Infantil, no Subdesenvolvimento humano, no Subsídio.

8 Toda a Bíblia é atravessada do princípio ao fim, pelo Mortal Conflito entre os Profetas e os Sacerdotes. Entre uns seres humanos que trabalham maieuticamente para libertar as populações e os povos do Medo (das deusas, dos deuses, os imaginados e que não passam de outras tantas projecções de mentes delirantes, e os históricos, aí bem visíveis, e que constituem, a chamada Trindade dos Poderes) e para as, os fazer maieuticamente crescer em Liberdade, em Maioridade e em Autonomia; e uns outros seres humanos que trabalham para manter as populações e os povos no Medo, no Infantil, na Menoridade, no Subsídio. Os primeiros são os Profetas. Os segundos são os Sacerdotes. O Conflito é Total e Mortal. Os Profetas acabam quase todos assassinados pelos Sacerdotes ou pelo seu braço secular, os do Poder Político e do Poder Financeiro. E os poucos que não chegam a ser fisicamente assassinados, conhecem um viver feito de perseguição, de calúnias, de mentiras, de exclusão. O próprio Jesus acabou por constituir-se no Paradigma deste Conflito Mortal entre a Profecia e o Sacerdócio. A sua Morte Crucificada na Cruz do Império diz tudo sobre a natureza mentirosa e assassina do Sacerdócio e dos Sacerdotes.

9 O mais perverso é que, depois de Jesus ter sido morto, tenha vencido na História, não Jesus e o seu Movimento

Político Maiêutico, mas o Sacerdócio e os Sacerdotes. Curiosamente, no Judaísmo que Jesus, Judeu, conheceu e combateu como Idolatria, o Sacerdócio e os Sacerdotes acabaram, quando, pelo ano 70 desta nossa era comum, a cidade de Jerusalém foi invadida pelos exércitos do Império Romano e o seu Templo foi arrasado. Dele, reza a História, não ficou pedra sobre pedra. Até hoje! Os Sacerdotes foram massacrados e nunca mais, até hoje, o Sacerdócio e os Sacerdotes foram restaurados. E não fazem falta nenhuma. Pelo contrário, a sua não-existência representa uma bênção. Os Judeus podem crescer em Liberdade e em Maioridade, em Autonomia humana. E, se

mais não crescem, é porque a Lei de Moisés é lida e escutada aos sábados nas Sinagogas, como uma arma

ideológica de Medo e de Opressão. O Poder Religioso-Político e o Poder Financeiro não dão tréguas. Trabalham dia

e noite para manter os Judeus subjugados. Porque, à Letra da Lei de Moisés, falta o Sopro /Vento /Espírito

Maiêutico de Jesus. E sobra o sopro /vento /espírito do Ídolo Religião, Poder e Dinheiro. E este, onde estiver, faz

vítimas aos milhões, transforma as populações e os povos em súbditos, vassalos, adoradores do Ídolo e, como ele, mentirosos, corruptos, assassinos. Populações e Povos nos antípodas de Jesus, a Sabedoria feita Fragilidade Humana.

10 Veio a ser no Cristianismo - em boa verdade, mais Judeo-cristianismo - que o Sacerdócio e os Sacerdotes

vingaram, depois de terem assassinado Jesus na Cruz do Império Romano. Jesus que nunca foi sacerdote, nunca quis nenhum sacerdote com ele, nunca ordenou ninguém sacerdote e sempre viveu de costas voltadas para os sacerdotes do seu tempo, chega a ser proclamado - vejam até onde se chegou em Perversão, em Descaramento e em Mentira! - o nosso único Sumo-Sacerdote!!! A Carta aos Hebreus que o faz, tê-lo-á feito, na altura, certamente, com a melhor das intenções. Inclusive, tem o cuidado de dizer que Jesus é o único Sacerdote e que o é, não segundo a ordem de Aarão - Sacerdócio da Idolatria! - mas segundo a ordem de Melquisedec, onde a História e a

Política Praticada são o miolo, não a Religião nem o Templo. Ainda assim, esta postura da Carta aos Hebreus representa uma imperdoável cedência ao Sacerdócio dos cultos do Paganismo e ao Sacerdócio levítico do Judaísmo. Certamente, com esta cedência, pretendiam ganhar "adeptos" entre os Judeus e os pagãos. Mas, todos estes séculos depois, vemos o Mal, a Perversão, a Idolatria que acabou por trazer e justificar.

11 Com o imperador Constantino e o Império Romano a fazer do Cristianismo a sua religião oficial, nunca mais os

povos souberam de Jesus, nem da sua Revolução Teológica Radical. O Paganismo religioso e os seus deuses e suas deusas apenas tiveram de mudar de nome, para prosseguirem nos mesmos templos e até com os mesmos

sacerdotes. E a Cúria Romana, com o rolar dos tempos, acabou no que hoje se vê: com o papa chefe de estado e sumo-sacerdote ou sumo pontífice, ou Sua Santidade, uma mistura de César Augusto do Império Romano e do Sumo-Sacerdote do Templo de Jerusalém. Só que, agora, com Poder urbi et orbi (no Mundo e na cidade de Roma),

o Sumo Pontífice ou Ponte entre os Povos e o Ídolo (só pode ser o Ídolo dos ídolos o Deus da Cúria Romana e do

Papado, com tantos crimes, qual deles o mais Hediondo, que ela e ele guardam no seu monumental baú!). E o Papado ainda tem o descaramento - como se as Vítimas não estivessem aí a gritar à Terra - de passear pelo Mundo

a sua incomensurável vaidade. Só mesmo de Mentirosos e Assassinos compulsivos, cujos crimes, graças ao Ídolo que idolatram, transmutaram em virtudes e em santidade!

12 Verdadeiramente, esta é a Hora do Poder da Treva Ilustrada. Mas por isso é também a Hora dos Povos

acordarem de vez da Anestesia geral em que têm vivido. A Trindade dos Poderes tem as suas mãos sujas de Sangue, a começar pelo sangue dos Profetas, pelo Sangue de Jesus e pelo sangue de todos os mártires que, na peugada de Jesus, foram firmas da denúncia que fizeram do Ídolo e da Idolatria que os Sacerdotes promovem e apresentam como coisa boa. É a Perversão das perversões que havemos, neste Século XXI, de denunciar como tal e combater com inteligência e Sabedoria. Eu sei que não é fácil, até porque as Igrejas convertidas em outras tantas Religiões, fazem questão de ter Sacerdotes e, consequentemente, de terem cultos de Idolatria. Os Povos são sistematicamente arrastados para o Ídolo Religião, Poder e Dinheiro. As Igrejas traíram Jesus, prolongam, através dos séculos, o mesmo gesto de Judas e de Pedro, o último e o primeiro do Grupo dos Doze, esse mesmo Grupo que veio a revelar-se o Opositor-mor (em linguagem mítica, Satanás!) de Jesus e do seu Projecto Político do Reino /Reinado de Deus Criador de filhas, filhos em estado de Liberdade, Maioridade e Autonomia.

13 Regressar a Jesus, é preciso, imperioso e urgente. Desmascarar o mítico Cristo ou Jesus Cristo, também. Com Jesus, não há Sacerdócio nem Sacerdotes. Tão pouco, há Poder Político e Poder Financeiro. Há seres humanos e Povos com o mesmo Sopro /Vento /Espírito de Jesus dentro deles, mais íntimo a eles do que eles próprios. Na minha condição de presbítero da Igreja do Porto, nasci e vim ao Mundo para dar testemunho da Verdade, contra esta Mentira /Idolatria Institucionalizada. O Ídolo Religião, Poder, Dinheiro é omnipotente, omnisciente e omnipresente. Eu, na peugada de Jesus, sou assim como um menino. E ainda Desarmado. Mas é nesta minha Fragilidade Humana que não deixo de anunciar a Boa Notícia que é Jesus, o Crucificado pelo Ídolo. Vou pelo Crucificado. Não vou pelo Crucificador. Quem pode dizer que fiz má opção? Não são os Crucificados /as Vítimas da História que nos trazem a Salvação, isto é, a Humanização plena e integral dos seres humanos e do Planeta? Da parte do Ídolo e da sua Trindade de Poderes pode vir alguma coisa boa, no que respeita a plenitude Humana? Não vem só Mentira e Homicídio? Sabedoria é preciso. Saber ao serviço do Ídolo não é preciso!

Nota: Devido a avaria externa, tenho estado sem internet e sem tlf fixo. Desde o passado 12 de Março. A avaria

prossegue, hoje, dia 15. Para partilhar este Capítulo, tive de recorrer aos serviços de outro servidor. Mas como este

tipo de avarias tão prolongado é arreliador!

Será que amanhã já regresso à normalidade?!

Capítulo 43

1 Perante todo o tipo de catástrofes, sismos, tsunamis, terramotos de grandes proporções, os seres humanos do Saber (Saber é Poder, é um "mais" que vem de fora do Humano e se acrescenta ao Humano que somos e nos exalta /engrandece de modo artificial, por isso, mentiroso /assassino!), entre os quais se contam, logo na primeira linha, os crentes religiosos e os ateus (pensam, uns e outros, que são os que mais sabem, porque, para além do Saber que bancariamente recebem /acumulam nas instituições oficiais do dito, nomeadamente, nas catequeses paroquiais /escolas /universidades /instituições de todo o tipo de Saber, ainda acham que têm acesso a um Saber especial, que o simples facto de serem crentes religiosos ou ateus, pelos vistos, lhes dará em exclusivo!) só vêem desgraça, destruição e mortes, de imediato contabilizadas em números de vítimas e de milhões ou milhares de milhões de euros /dólares de prejuízo, e que, de todas as vezes que ocorrem, os deixam mais e mais perplexos, mais e mais inseguros, mais e mais cozidos nos seus ancestrais Medos, dos quais nunca se libertaram e só por isso

é que continuam a ser-dizer-se crentes religiosos ou ateus, só que mais e mais sem chão debaixo dos seus pés.

2 Ao contrário, os seres humanos da Sabedoria (Sabedoria é Fragilidade Humana, sem quaisquer espécies de acréscimos /armaduras estranhos ao Humano, acrescentados, com o passar dos dias e dos anos, de fora para dentro), nessas mesmas catástrofes, nesses mesmos sismos, tsunamis e terramotos, sempre vêem /escutam /experimentam, em profundidade, a misteriosa Presença de um Sopro /Vento /Espírito de vida, ainda e sempre em expansão no Universo. De modo que, em lugar de, em momentos desses, correrem a penitenciar-se e a rezar, ou correrem a escandalizar-se e a blasfemar, como fazem os do Saber, nomeadamente, os crentes religiosos e os ateus, experimentam-se de imediato habitados pelo mais fecundo dos Silêncios que os faz particularmente atentos

e acolhedores e, por isso, crescer ainda mais em Humano e em intervenção Política Maiêutica na História. Idolatria,

é, pois, a estafada e estéril postura dos do Saber. Fé Jesuânica /Política, é, pois, a fecunda postura, com sabor a Boa Notícia, dos da Sabedoria.

3

Para os da Sabedoria, tudo é Graça e Beleza, Interpelação e Desafio, Vida Entregue e Poema. Até os

acontecimentos que os do Saber, juntamente com os do Poder e do Ter (são geralmente os mesmos e, todos juntos, têm este Mundo das Máfias nas suas mãos, o qual, por sua vez, tem neles os seus agentes maiores, aos quais enche de bens e de privilégios sem conta e com isso progressivamente os corrompe e torna irremediavelmente Inumanos) rotulam /classificam invariavelmente como catástrofes, sismos, tsunamis, terramotos de grandes proporções, e nada mais. Pelo contrário, para os da Sabedoria, nem mesmo a Dor e o Sofrimento dos inocentes, por maiores e absurdos que objectivamente sejam e por mais intoleráveis que sejam (e são-no sempre, absurdos e intoleráveis, e muito mais do que dizem os do Saber, crentes religiosos e ateus, indistintamente), conseguem alguma vez sobrepor-se à Graça e à Beleza, à Interpelação e ao Desafio, à Vida Entregue e ao Poema que até mesmo esses trágicos e dramáticos Acontecimentos trazem sempre com eles, graças à misteriosa Presença do Sopro /Vento /Espírito de vida em expansão que os atravessa. Enquanto os do Saber, entre os quais se incluem, na primeira linha, os crentes religiosos /chefes de Religiões e de Igrejas e os ateus de todo o tipo, todos literalmente cegos, surdos e fechados à misteriosa Presença do Sopro /Vento /Espírito de vida em expansão, só vêem desgraça, destruição e mortes, nesses Acontecimentos, já os da Sabedoria, pelo contrário, vêem neles também e, sobretudo, Graça e Beleza, Interpelação e Desafio, Vida Entregue e Poema.

4 Infelizmente, continuam ainda hoje a ser os do Saber, crentes religiosos ou ateus, indistintamente (e por quantas gerações mais irão continuar?!), os que, neste Século XXI, ajudam, com o seu Saber demencial, a manter ininterruptamente activo o Mundo das Máfias, as quais, na sua cegueira, surdez e egoísmo, estão aí apostadas /determinadas a descriar de vez os seres humanos e os povos, num ritmo cada vez mais alucinante, e a arrastar o Planeta Terra para a sua própria Implosão. Deles, dos do Saber, nada há a esperar de bom. Tudo o que pensam /projectam /fazem tem como objectivo último Descriar os seres humanos e os povos e arrastar o Planeta Terra para sua própria Implosão. A esperança dos seres humanos e dos Povos, bem com do Planeta Terra, reside, então, nos da Sabedoria, todos eles, felizmente, sem qualquer lugar reconhecido neste Mundo das Máfias. Aliás, se, alguma vez, os da Sabedoria vierem a ter um lugar reconhecido neste Mundo das Máfias, isso será sinal, inequívoco sinal, de que deixaram de ser da Sabedoria e se passaram, de armas e bagagens, para os do Saber, ao serviço do Mundo das Máfias.

5 Os da Sabedoria, sempre poucos em número, clandestinos por norma e, praticamente, invisíveis como o

fermento na massa ou como o sal na comida, vivem /actuam /pensam de preferência com os pés assentes nas periferias e nos porões da pirâmide social, entre os Ninguém, aos quais fazem questão de permanecerem organicamente ligados. É por isso que até as próprias catástrofes e toda a espécie de sismos, tsunamis e terramotos, quando acontecem, numa determinada zona habitada do Planeta, deixam-nos, também eles, aos da Sabedoria, esmagados sob os mesmos escombros, juntamente, com todas as outras vítimas, só que como outros tantos grãos de trigo opcionalmente lançados à terra, sob a qual morrem, para darem muito, muito fruto de vida humana em estado de liberdade e de maioridade. Na sua Fragilidade Humana e na sua Invisibilidade /Clandestinidade, eles, os da Sabedoria, são um Sacramento vivo da misteriosa Presença do Sopro /Vento /Espírito que ininterruptamente ATRAVESSA a História e penetra conspirativamente até ao âmago o Mundo das Máfias, sem que os do Saber alguma vez saibam como, nem quando. Quando estes se dão conta, já o Sopro /Vento /Espírito PASSOU e derrubou o que havia a derrubar, e deixou em estado de choque os do Saber ao serviço do Ídolo e da Idolatria, com que o Mundo das Máfias sempre se tem mantido activo e temido.

6

Porém, com o suceder em cadeia de novas catástrofes, novos sismos, tsunamis e terramotos de grandes

proporções, os do Saber experimentam-se cada vez mais inseguros, com o chão a fugir-lhes debaixo dos pés. Até os seus grandes meios de comunicação social não falam de outra coisa, durante dias e dias. E, apesar de toda a sua arrogância e de todo o seu cinismo, lá estão, cada vez mais visíveis à vista desarmada, os pés de barro sobre os quais todo o Mundo das Máfias assenta. Ao contrário do que parece, ele não está edificado sobre a rocha. Está edificado sobre a areia. E areia movediça. Tudo, pois, não passa de Encenação, Ideologia-Idolatria, por isso, Mentira. Os Povos da Terra têm sido sistematicamente arrastados para esta Encenação /Ideologia-Idolatria /Mentira. Chegam, até, a fazer sua a Ideologia-Idolatria do Mundo das Máfias. Adoptam, como deles próprios, o Ídolo do Mundo das Máfias. São permeáveis à sua pérfida Propaganda e acabam (quase) sempre a tomar por Notícia o que é pérfida Propaganda, por Verdade o que é pérfida Mentira, por Deus o que é pérfido Ídolo. Decisivo

em todo este processo de Enganar /Mentir /Alienar os Povos do Planeta Terra, tem sido e continua a ser o papel histórico dos do Saber, os chamados Sabedores /doutores dos vários ramos do Saber. Desistissem estes do Saber e dos Privilégios que o Saber sempre lhes garante, por toda a vida, de forma mais que Obscena, e o Mundo das Máfias cairia quase da noite para o dia, como um grande palácio ou um grande santuário edificados sobre a areia movediça, num momento de um terramoto de grandes proporções.

7 Até esta altura, a História não regista nenhum momento em que os do Saber - e são tantas, tantos! - tenham

desistido, em bloco, do Saber e dos privilégios que o Mundo das Máfias obscenamente lhes garante por toda a vida. Nem se vislumbra que semelhante tsunami social esteja para breve. Mas as sucessivas catástrofes, juntamente com os sucessivos sismos, tsunamis e terramotos de grandes proporções estão a deixar os do Saber, crentes religiosos ou ateus, indistintamente, cada vez mais inseguros. O chão que, outrora, se apresentava seguro sob os seus pés, hoje treme que se farta e eles não sabem mais como travar o que inopinadamente está a suceder. E, juntamente com eles, treme também Mundo das Máfias. De modo que, por este andar, nem as suas pesadas e inacessíveis fortalezas oferecem mais garantia de segurança. Basta que gigantescas ondas e imprevisíveis tsunamis atravessem as cidades e não deixarão mais pedra sobre pedra. Nem sequer dos palácios dos agentes maiores do Mundo das Máfias, nem das universidades, nem das catedrais, nem dos bancos, nem dos quartéis. Os do Saber olham-se, por isso, perplexos, todos cheios de Medo, aquele ancestral Medo que nunca chegou a ser expulso das suas mentes e dos seus corpos e os levou, demencialmente, a escolher ser e fazer-se mulheres, homens do Saber, ao incondicional serviço do sinistro Mundo das Máfias e do seu Ídolo, em vez de mulheres, homens da Sabedoria, em duelo ideológico /teológico desarmado contra o sinistro Mundo das Máfias e o seu Ídolo.

8 E como não têm nada para dizer que mereça a pena ser dito (são seres humanos do Saber, não da Sabedoria e,

por isso, são cegos, surdos, mudos, paralíticos, mortos, no que diz respeito à Fecundidade, à Liberdade, à Maioridade, à Maiêutica, numa palavra, ao Humano pleno e integral), até os seus grandes meios de comunicação de massas ou mass media, como eles gostam de dizer para mais e melhor impressionarem os Povos aos quais sistematicamente enganam, mentem, dão /vendem gato por lebre, propaganda por notícias, Ideologia por ideias, Idolatria /Mentira por Maiêutica, Ídolo por Deus Criador de filhas, filhos em estado de liberdade e de maioridade,

então passam horas, dias e semanas a repetir até à náusea as mesmas imagens, as mesmas reportagens, as mesmas opiniões, as mesmas missas ritualizadas, os mesmos congressos, as mesmas entrevistas, as mesmas notícias, as mesmas novelas, a mesma pornografia, as mesmas mediocridades, numa palavra, a mesma Mentira. Dentro do Mundo das Máfias, os do Saber jamais conseguem ver /ouvir /reconhecer /acolher a Realidade mais real. Porque essa sempre escapa /escapará aos do Saber. E só se deixa ver /ouvir /reconhecer /acolher pelos da Sabedoria, despojados que vivem do Saber /Poder /Ter Acumulado e Concentrado, numa palavra, despojados que vivem, por toda a vida, dos obscenos privilégios que o Mundo das Máfias garante aos que o servem /idolatram, crentes religiosos ou ateus, sacerdotes /clérigos /teólogos /filósofos /sabedores, doutores, líderes do Poder

Político, sempre numa grande Encenação, hoje Global, que leva os povos do Planeta a pensar que esse mesmo Mundo das Máfias é verdadeiramente a Realidade mais real, quando é apenas o Mundo das Máfias, a Idolatria /Mentira total, o Ídolo total, intrinsecamente, assassino, genocida, ecocida.

9 Temos, assim, de um lado, os do Saber (Saber é Poder, por isso, sempre obsceno Privilégio, já que, por cada Privilégio concedido aos do Saber /Poder /Ter, e aceite pelos do Saber /Poder /Ter, há fatalmente, em simultâneo, um elevado número de vítimas humanas e até do próprio Planeta!); e, do outro lado, temos os da Sabedoria (Sabedoria é Fragilidade Humana em estado de Liberdade e de Maioridade a viver organicamente com as vítimas à intempérie e na Trincheira). Os do Saber, actualmente, muitos milhões em todo o Planeta, viabilizam, com o seu

Saber, o Mundo das Máfias, já que lhe dão credibilidade intelectual e moral (é determinante, aqui, o papel dos crentes religiosos, clérigos ou leigos, filósofos e teólogos, dentro do Mundo das Máfias e financiados /reconhecidos por ele), perante os quase seis mil milhões de vítimas humanas em todo o Planeta, quando, afinal, o Mundo das Máfias não passa do Mundo das Máfias, entenda-se, é a própria Mentira e o próprio Assassínio institucionalizados

e

organizados. E, hoje, para cúmulo do Obsceno e do Absurdo, organizado, de modo cada vez mais científico, o que

o

torna ainda mais Perverso.

10 Já os da Sabedoria, sob a forma de pequeno resto, praticamente invisível e infinitamente pequeno, como um átomo, são sobretudo Sopro /Vento /Espírito Maiêutico, em sintonia e em prosseguimento do Sopro /Vento /Espírito Maiêutico de Jesus, o que o Império crucificou na Cruz que inventou para executar nela todos os seus opositores. Vivem, obviamente, no mesmo Planeta, porventura, até em território oficialmente sob o domínio do Mundo das Máfias, mas não lhe pertencem. A sua simples existência, mesmo em silêncio e aparentemente inactiva, é constante ameaça ao Mundo das Máfias. E, se forem daqueles seres humanos que, como Jesus, não têm onde reclinar a cabeça, tamanha é a sua mobilidade clandestina entre as vítimas do Mundo das Máfias, então este

tem razões de sobra para se preocupar. E, por isso, os povos do Planeta não estranhem, se ele, de repente, passar

à acção directa, concretamente, passar a maltratar /caluniar /denegrir e até a matar alguns desses seres humanos da Sabedoria, mulheres e homens.

11 Enquanto a força destruidora e assassina do Mundo das Máfias reside no grande número, nas grandes cifras (ele tem exércitos de operacionais seus, todos os do Saber, em tudo quanto é sítio, em tudo quanto é Institucional, nos Meios de Comunicação Social, no Mundo Editorial, nas áreas da Justiça, das Leis, do Poder Político, do Poder Financeiro, nas Escolas, nas Universidades, nas Paróquias, nos santuários, Bancos, Quartéis, Tribunais, Governos, Parlamentos), já a força fecundamente Maiêutica da Sabedoria reside no infinitamente pequeno que, como o átomo, ao explodir, destrói tudo em seu redor num raio de muitos quilómetros. Só que, na

Sabedoria, a força é Maiêutica, é Criadora de filhas, filhos em estado de liberdade e de maioridade. Não é como a do átomo usado na bomba atómica, de resto, invenção /criação do Saber, não da Sabedoria. A força da Sabedoria é

a força do infinitamente pequeno, mas como a do espermatozóide humano que, em dado momento, já dentro do

útero da mulher, corre disparado (que Sopro /Vento /Espírito Criador e fecundo, misteriosamente o habita e o faz correr, sem ter onde reclinar a cabeça?!) em direcção ao óvulo, também ele, pronto e totalmente disponível para ser fecundado. E do amoroso encontro entre ambos acontece uma Explosão, que ninguém dá por ela, nem sequer

a mulher em cujo útero tudo acaba de acontecer, uma Explosão, também ela, infinitamente pequena, como a do

Big-Bang que, segundo a Ciência, estará na origem do nosso Universo, ainda hoje em expansão, depois de já

decorridos mais de 13 mil e 700 milhões de anos!

12

O Mundo das Máfias, apesar do enorme exército dos do Saber que o servem, a troco de Privilégios que são

sempre Obscenos e descriadores do Humano nos seres humanos que aceitam ir por aí, está ferido de morte, desde o princípio. A sedução a irmos por ele é forte, hábil e insinuante, mas é preciso resistir-lhe por toda a vida e, para isso, nada melhor do que, desde o despertar em nós da consciência crítica, abrirmo-nos de imediato à Sabedoria e tornarmo-nos por toda a vida do pequeno número dos da Sabedoria, na mesma peugada de Jesus, a Sabedoria feita Fragilidade Humana, feita Práticas Políticas Maiêuticas e Duelos Teológicos Desarmados contra o Ídolo, contra os do Saber que estão aí, obscenamente, ao serviço do Mundo das Máfias, ao qual se vendem todos os dias por um prato de lentilhas, ou por montes de privilégios, nomeadamente, se calha dele te escolher a ti para lugares de topo, estilo sumo-sacerdote, sumo pontífice, chefe de estado, primeiro-ministro do governo de uma grande potência, presidente da administração do império de turno, cardeal de uma diocese coisa nenhuma, onde tu

funcionas como uma espécie de manequim com todos aqueles vermelhos que dão ao que os veste um ar de vendido e de prostituto, daquele tipo de prostituição que mais suja o que a pratica, e que consiste em manter relações institucionais com o Ídolo que se faz passar por Deus verdadeiro.

13 Com o avolumar de catástrofes, sismos, tsunamis e terramotos de grandes proporções, nem os do Saber /Poder

/Ter estão hoje em segurança. O Medo anda estampado nos seus rostos. Parecem bichos a fugir em pânico à frente de um touro enfurecido /enraivecido, ou de uma multidão de famintos que, inopinadamente, se levanta como um tsunami social, no decurso de uma visita oficial que o chefe de estado de um país está a fazer fora da capital, ou ao estrangeiro. Nem os seguranças destacados para o proteger, valem de nada. Ele e eles são derrubados e pisados por aquele tsunami social. Quando a fome planetária abrir os olhos dos quase seis mil milhões de vítimas em todo o Planeta Terra, e eles atirarem ao esterco os subsídios com que o Mundo das Máfias tenta comprar-lhes o silêncio e a apatia e se levantarem como um Exército Desarmado em linha de batalha, o Mundo das Máfias já nem sequer terá tempo de fugir. Num curto espaço de tempo, dele não ficará pedra sobre pedra. Tudo será derrubado.

14 Até os do Saber, que sobreviverem a este tsunami social à escala planetária (vem, depressa, Tsunami social à

escala planetária, vem!), finalmente, já sem o Mundo das Máfias ao qual obscenamente serviram, sem quaisquer escrúpulos, apesar de verem todos os dias o número de vítimas humanas a crescer em proporção geométrica, perguntar-se-ão, sem chegarem a encontrar resposta para essa pergunta: Que Sopro /Vento /Espírito Maiêutico é aquele que faz levantar os quase seis mil milhões de Caídos, Excluídos, Humilhados, Ostracizados, Crucificados do Planeta e os leva a derrubar como um baralho de cartas o Mundo das Máfias que nós, com o nosso Saber posto ao serviço de toda a Mentira e de todo o Assassínio institucionalizados que ele sempre foi, ajudamos a fazer passar, durante séculos e séculos, por o único Mundo possível, o melhor Mundo possível, o Mundo com Deus no topo. Nós, os do Saber, bem sabíamos que era um Ídolo, mas sempre garantimos que era o único Deus verdadeiro. Haverá, então, os que, nesse momento, se disponham sinceramente a mudar de Deus e a passarem do Ídolo para o Deus, nosso Abbá, Criador de filhas, filhos em estado de liberdade e de maioridade. Converterão o seu Saber em Sabedoria, o que só se consegue, quando recusamos definitivamente os Privilégios e nos decidimos, por livre opção, a ser-viver pobres por toda a vida e organicamente entre os povos, eles próprios, também opcionalmente pobres por toda a vida.

15 Todas, todos Acontecemos um dia, no útero da nossa mãe, por obra e graça do Sopro /Vento /Espírito Criador

de filhas, filhos em estado de liberdade e de maioridade humana. Todas, todos somos filhas, filhos deste Sopro /Vento /Espírito, muito mais do que da nossa mãe e do nosso pai. Primeiro, somos filhas, filhos do Sopro /Vento /Espírito Criador. A mãe e o pai vêm depois. São historicamente importantes, sobretudo, se forem capazes de ser

como parteiros /parteiras cheios de afecto, presenças maiêuticas que acompanham desinteressadamente o crescimento original de cada filha, cada filho. Quando assim é, cada novo ser que vem a este Mundo cresce em idade, em estatura, em sabedoria e em graça. Tal e qual como Jesus. Nunca crescerá em Saber /Poder /Ter. Todas, todos e cada uma, cada um de nós Acontecemos num princípio, em resultado da Explosão infinitamente pequena entre o Espermatozóide e o Óvulo. Mas o verdadeiramente decisivo nesta Explosão é o Sopro /Vento /Espírito Criador /Maiêutico que, desde o mais íntimo desse Espermatozóide, o animou /levantou /fez correr ao encontro do Óvulo, e, ao mesmo tempo, tornou, também desde o mais íntimo dele, ternamente Acolhedor e Fecundo, o Óvulo da mulher.

16 Essa Explosão fez-nos Acontecer /Ser para sempre. E está, toda ela, marcada, não pelo sopro estéril e assassino do Mundo das Máfias, do Ídolo, da Idolatria /Mentira /Assassínio, mas pelo Sopro /Vento /Espírito Criador do Amor, da Fecundidade, da Ternura, da Relação, do Acolhimento que nos faz Dádivas-uns-com-os-outros-e-uns- para-os-outros. Se formos, por toda a vida, outros Jesus, recusaremos, também por toda a vida, passarmo-nos, alguma vez, de armas e bagagens para o Ídolo assassino e mentiroso. Permaneceremos Humanos, simplesmente, até chegarmos a ser plena e integralmente Humanos. Outros Jesus, agora Século XXI adiante. Por mim, não quero outra coisa. E por mais que o Saber /Privilégio e o seu Mundo das Máfias se me apresentem ambos muito enfeitados /sedutores, sempre me passarão ao lado. Porque sempre terão o meu lúcido NÃO TE SERVIREI! Tal e qual como sempre tiverem o mais que lúcido NÃO TE SERVIREI de Jesus, o Ser Humano pleno e integral.

Capítulo 42

1 Com o acumular de catástrofes, sismos, tsunamis, terramotos, como a catástrofe da Região Autónoma da Madeira que deixou mais de 40 pessoas mortas, muitas centenas de pessoas com as suas casas, construídas a pulso, totalmente destruídas, e muito mais de mil milhões de euros de prejuízos que as avalanches das águas causaram, como se a própria cidade do Funchal fosse uma construção de areia; ou como o sismo do Haití, com centenas de milhares de pessoas mortas e cidades arrasadas; ou, mais recentemente, como o sismo no Chile, com mais de 700 pessoas mortas; ou como o medonho tsunami que em 2004 atingiu a Tailândia num devastador dilúvio que não deixou nada de pé, num raio de vários quilómetros e matou pessoas sem conta; ou como o terramoto de Lisboa, ocorrido no já longínquo ano de 1755, mas ainda tão presente hoje como trauma na consciência das sucessivas gerações de filósofos e dos teólogos da Europa e do Ocidente (foi a grande catástrofe que feriu de morte para sempre a chamada Teodiceia, ou Defesa filosófica de Deus), crentes em Deus e ateus /agnósticos têm mais que razões de sobra para estarem seriamente preocupados, interiormente inseguros e sentirem o chão fugir- lhes de debaixo dos pés. Por maioria de razão, os crentes. É que, afinal, o Deus em que eles crêem não serve para nada. Por mais que os crentes nEle O invoquem, Deus não vem valer-lhes nem salvá-los das catástrofes, dos sismos, dos tsunamis, dos terramotos.

2 Se, entretanto e para cúmulo, os crentes sobreviventes das catástrofes, dos sismos, dos tsunamis, dos terramotos, juntamente com os jornalistas de turno, destacados para os locais das tragédias, depois de toda esta destruição e morte, ainda se atrevem a falar em milagre (= intervenção especial de Deus que, neste ou naquele caso, suspende ou contraria a aplicação das chamadas leis da Natureza), só porque, nos escombros e nos destroços, encontram, intacta, uma imagem feita de madeira de nossa senhora da conceição ou o raio que a parta, ou um crucifixo de metal, invenção do Império Romano; ou se os ateus /agnósticos sobreviventes ou meros observadores à distância, cinicamente perguntam aos crentes em Deus, "Afinal onde está Deus na Madeira, no

Haití, no Chile, na Tailândia, na Lisboa de 1755, há ainda mais fortes razões para uns e outros - crentes e ateus /agnósticos - estarem de veras preocupados e sentirem o chão fugir-lhes de debaixo dos pés. E porquê? Porque, com todos estes acontecimentos, aparentemente, naturais (desde que os seres humanos acontecemos no Planeta, tragédias deste género e desta dimensão, deixaram de ser naturais, ou são-no cada vez menos!), é mais do que manifesto que o Deus anunciado /acreditado pelos crentes e negado pelos ateus /agnósticos, mais não é do que um Ídolo, o Ídolo por antonomásia. Exactamente o mesmo que, desde o início da Humanidade, sempre se tem feito passar por Deus verdadeiro e sempre tem sido reconhecido /cultuado como tal.

3 É hoje mais do que manifesto (e esta é sem dúvida a maior Boa Notícia que salta de todas estas tragédias e de

todas estas destruições sem conta nem medida, uma Boa Notícia muito difícil de acolher e de praticar /viver, depois de milhares e milhares de anos de Idolatria vivida /praticada pelos povos da Terra) que Deus, o destas pessoas que habitualmente se dizem crentes e destas pessoas que habitualmente se dizem ateias /agnósticas, é um Ídolo, o Ídolo por antonomásia. Como tal (é o que quer dizer Ídolo), é a Mentira maior e institucionalizada que, desde o início da Humanidade, sempre se fez passar, e hoje também, por Verdade, a Verdade por antonomásia. E, como Mentira institucionalizada que é, ou como Ídolo que é, tem mantido os povos do Planeta tolhidos, possessos

/possuídos de Medo, infantilizados, castrados, domesticados, impedidos de crescerem em Humano, o mesmo é dizer, em Liberdade e em Maioridade. Religiões e Igrejas - o próprio Cristianismo, como, já antes dele, o Judaísmo que imediatamente o precedeu! - bem podem, pois, limpar as mãos à parede, porque mais não têm feito, desde que existem, do que fomentar /alimentar /justificar /propagar a Idolatria entre os Povos de todas as nações, o que perfaz um crime de lesa-Humanidade.

4 O mesmo - limpar as mãos à parede - podem e devem fazer os ateísmos todos e os agnosticismos todos, os

filosóficos e os pragmáticos, os ilustrados e os mais grosseiros ou cínicos. Porque, também eles, mais não têm feito, com as suas cínicas posturas, do que fomentar /alimentar /justificar /propagar a Idolatria. Religiões e Ateísmos são, como se vê, as duas faces da mesma Idolatria /Mentira. O Deus que anunciam /cultuam /adoram /temem, ou que negam com angústia ou com o mesmo à vontade com tomam ou deixam de tomar um café, não passa de um Ídolo, o Ídolo por antonomásia e institucionalizado, o mesmo é dizer, não passa de uma Mentira, a Mentira por antonomásia e institucionalizada. O dramático para os povos do Planeta é que este Ídolo se tem feito passar, desde o início da Humanidade, por Deus verdadeiro, o único Deus verdadeiro. É, até, este Deus-Ídolo, cultuado ou negado, que está na génese ou origem do Ocidente e da Sociedade mundial em geral, tal como hoje o, a conhecemos, por isso mesmo, um e outra tão crescente e preocupantemente inumanos. O próprio Planeta que nos serve de berço e de casa comum, está também e por tabela tão crescentemente violento /agressivo e tão devastador da vida, que não apenas da vida humana.

5 O Planeta Terra está à beira de implodir, tanta e tamanha e tão generalizada é, hoje, a Idolatria /Mentira

institucionalizada e tão sofisticados são os meios que ela tem à sua disposição e que utiliza de modo tão obsceno e absurdo, praticamente já no patamar do suicidário! Lá, onde houver o Ídolo, a Idolatria Praticada e Institucionalizada, a fazer-se passar por Deus verdadeiro, não há o Ser Humano enquanto tal e em desenvolvimento pleno e integral, não há Povos, tão pouco, há vida humana. E, a prosseguirmos, assim, na Idolatria institucionalizada, dentro em pouco, nem sequer haverá vida. Lá, onde há o Ídolo (e tanto faz cultuá-lo nos santuários, nos templos paroquiais, nas catedrais, nas basílicas, como negá-lo, e dizer-se céptico em relação á sua existência, o resultado final é sempre o mesmo - a progressiva destruição do Planeta e a progressiva Descriação da vida, em todas as suas vertentes e manifestações), não há vida. Antes de mais, não há vida humana que é o cume da vida, é a vida que se torna consciência de si mesma e, por isso, Liberdade /Autonomia /Maioridade

/Capacidade de Decidir /Decisão /Política Praticada /Entrega de si /Dádiva /Criatividade, numa palavra, Poema Vivo! Apenas haverá seres possessos de Medo, subservientes do Ídolo que se faz passar por Deus verdadeiro. Uns, no histórico papel de tiranos, amos, máfias, mercenários, lobos, violadores, corruptos, assassinos, algozes, carrascos, mentirosos compulsivos e institucionais; outros - as maiorias oprimidas, empobrecidas, excluídas, crucificadas, vítimas - no histórico papel de súbditos, lacaios, assistidos, objectos, carne para canhão, eternos pagadores de promessas, as mais obscenas e absurdas! E não é isto que temos hoje, ano dez do Século XXI, em toda a Terra?

6 Felizmente, houve um Homem, um Ser Humano, plena e integralmente Humano, que, pela primeira e única vez

na História da Humanidade, se deu conta, por meados do ano 28 desta nossa era comum, no pequenino país que era o seu, ao tempo, colónia do Império Romano, militarmente ocupada por ele, de que Deus, o que os crentes adoram /cultuam /invocam nas aflições, ao qual fazem promessas que depois andam a pagar pelo resto da sua vida (?!), e que os ateus negam, quase sempre por entre um viver feito de cinismo e de Privilégio, no antípodas das maiorias crucificadas /assassinadas, é um Ídolo, o Ídolo! É uma Mentira, a Mentira institucionalizada e que está na raiz de todo o Poder, o Religioso, o Político e o Económico-Financeiro. Consequentemente, esse Ser Humano deu-

se conta também de que a Religião - toda a Religião, nas múltiplas religiões em que ela subsiste, ou a cómoda e cínica falta dela - é pura Idolatria institucionalizada. Deu-se conta! E resistiu até ao sangue a alinhar nessa via, apesar dela ser oficial e institucionalizada e ser tida por toda a gente, das cúpulas à base, como a Verdade. Ora, se

o Deus oficial e institucional era o Ídolo por antonomásia e a Religião oficial e institucional era a Idolatria, nunca

este Ser Humano foi por ele nem por ela. Viu-se, por isso, quando adulto, a viver permanentemente em Deserto. Era ele o único que via. E, se o Deus oficial e institucional era o Ídolo, a Mentira institucionalizada que sempre faz

oprimidos /escravos /súbditos quem for por ela, então ele, o Ser Humano na sua máxima Fragilidade de Ser Humano pleno e integral, constituía-se, nessa sua resistência activa a Ele e no seu ser-viver alternativo ao ser-viver imposto como norma a todos os povos, como a Verdade que sempre faz livres quem for por ela.

7 Ao mesmo tempo, este Ser Humano abriu-se ao Espírito Criador ou Sopro Libertador que já o habitava, desde o

primeiro instante da sua concepção, tal como habita, desde o primeiro instante da nossa concepção, todo e qualquer ser humano nascido de mulher (a diferença é que a esmagadora maioria de nós, ao contrário dele, nunca nos damos conta dessa Presença Maiêutica, mais íntima a nós do que nós próprias, nós próprios, e, em vez de alinharmos por ela, até corremos a alinhar pelo sopro ou espírito do Ídolo que nos seduz e tenta de mil e uma maneiras). E porque ele se deu conta e deixou-se guiar /conduzir /fazer por esse Espírito Criador ou Sopro Libertador, acabou por recusar, por todo o seu viver, ser Poder. Nem Poder Religioso-Sacerdotal-Intermediário entre o Ídolo e as pessoas e os povos; nem Poder Político ou Messias-Cristo-Vitorioso; nem Poder Económico- Financeiro. Precisamente, essa trindade dos Poderes que existem, desde o princípio da História da Humanidade, ao

incondicional serviço opressor, explorador e assassino do Ídolo, da Mentira institucionalizada, e do seu sistema, a Idolatria, hoje cientificamente organizada. Permaneceu Ser Humano, simplesmente, e por toda a vida, até alcançar

a Plenitude do Humano.

8 Com esta sua postura - Ser Humano pleno e integral por toda a vida - granjeou de imediato contra ele o Ódio dos demais, concretamente, dos agentes maiores de cada um dos três Poderes do seu pequeno país, com destaque, para os sumos sacerdotes do Templo de Jerusalém que, na altura, eram uma espécie de papa do Século XXI, pois usufruíam do pleno Poder sacerdotal e do pleno Poder Político e do pleno Poder Económico-Financeiro, tal e qual como o papa de Roma, neste nosso Século XXI, usufrui, no geograficamente pequeno Estado do Vaticano que, na prática, é do tamanho do Mundo, aonde ele vai de viagem, sempre que quer e tem infalivelmente à chegada os

maiores agentes locais /nacionais dos três Poderes à sua espera, como seus vassalos que são! Só cegos que não queiram ver é que não vêem!. E granjeou também contra ele o Ódio das próprias maiorias oprimidas e empobrecidas que os agentes dos três Poderes ao serviço do Ídolo sempre manipulam e levam, até, a executar e a aplaudir as suas decisões, inclusive, as mais assassinas. O Ódio contra ele tornou-se tão grande, que todos eles o mataram na Cruz do Império, precisamente, em Abril do ano 30.

9 Mas até chegar este Momento Histórico, este Ser Humano fez tudo o que pôde e o que não pôde - tanto assim que o Evangelho chega a dizer que ele nem sequer tinha onde reclinar a cabeça, de tanto andar a percorrer o país - para alertar as pessoas e os povos de que todas, todos estavam sob o domínio do Ídolo que se fazia passar por Deus verdadeiro e da Idolatria /Mentira institucionalizada que se fazia passar por Verdade. Ele viu. E porque viu, fez tudo para que as outras pessoas também vissem. Porém, os dirigentes, os dos três Poderes ao serviço do Ídolo, todos criados e legitimados pelo Ídolo, juntamente, com os seus súbditos /adoradores do Deus-Ídolo ou negadores dele, coligaram-se contra este Ser Humano, plena e integralmente Humano, e mataram-no. E com o género de morte que lhe infligiram, a Cruz do Império, conseguiram não só matá-lo, fisicamente, mas conseguiram também bani-lo para sempre da História dos Povos. E a verdade é que Jesus - é este o Homem, o Ser Humano plena e integralmente Humano - ainda hoje continua aí totalmente fora da História, continua a ser o mais desconhecido, o mais ignorado, o mais temido dos seres humanos.

10 Ainda hoje, os dirigentes dos três Poderes ao serviço do Ídolo e da Idolatria /Mentira, comportam-se como se Jesus nunca tivesse existido, nem nunca tivesse protagonizado, num curto período de dois anos e meio e no seu pequeno país, a maior Revolução Humano-Teológica da História da Humanidade. E a prova é que, ainda hoje, nenhuma universidade - são todas do Ídolo, a começar pelas católicas e protestantes - estuda o seu ser-viver, as suas práticas fecundamente dissidentes, as suas práticas maiêuticas, o seu Projecto Político, os seus duelos teológicos desarmados contra o Ídolo, duelos desmascaradores de todo o tipo de crimes, os mais hediondos, cometidos pelos Executivos que existem para servir o Ídolo. Tão pouco, nenhuma Igreja estuda, aprofunda a Luz em que se tornou para sempre o ser-viver de Jesus, a Revolução Humano-Teológica que Jesus é para sempre, e que ele protagonizou, desarmado, entre meados do ano 28 e Abril do ano 30, desta nossa era comum, no pequeno país da Palestina, sobretudo, na Galileia e, finalmente, em Jerusalém. O Ídolo, juntamente com o seu sistema, a Idolatria, jamais permitem semelhante actividade. Seria o seu próprio fim!

11 O Ídolo não permite. E faz ainda pior. Continua aí a dizer a sangue e fogo que só ele é o único Deus verdadeiro e todo-poderoso, que vive no céu, sempre à espera que os povos todos o adorem, o invoquem, ofereçam-lhe sacrifícios, façam promessas e as paguem aos seus sacerdotes, obviamente. E os povos, impedidos por ele de crescer em consciência crítica e em Sabedoria, assim fazem, geração após geração. Porque o Ídolo tem sempre a dizer com ele, com a sua Idolatria /Mentira institucionalizada, todos os do Poder religioso /sacerdotal, os do Poder Político e os do Poder económico-financeiro. Aparentemente, distintos e separados entre si, mas efectivamente unidos como um só, em especial nos chamados momentos de crise, como são as catástrofes, os sismos, os tsunamis, os terramotos como o de Lisboa em 1755. Nesses momentos, os três Poderes são um só e sempre aparecem juntos como adoradores do Ídolo, nas liturgias /cultos /missas que os do Poder religioso-sacerdotal promovem nas suas catedrais e basílicas, numa parada de vaidades e de hipocrisia, o que há de mais obsceno e de hediondo. Vítimas e carrascos, desalojados e algozes, enlutados e verdugos, crucificados e crucificadores juntam-se no mesmo lugar, na mesma catedral, na mesma basílica a rezarem juntos ao mesmo Deus, o Ídolo dos Ídolos, a Mentira institucionalizada, a mais opressora, infantilizadora e a mais assassina /genocida /ecocida.

12 Hoje, felizmente, com este tipo de catástrofes, sismos, tsunamis, terramotos, cada vez mais frequentes e cada vez mais violentos, também cada vez mais trágicos em consequências e cada vez mais reveladores da Crueldade e da Inumanidade do Ídolo e dos seus três Executivos, o do Poder religioso-sacerdotal, o do Poder político e o do Poder económico-financeiro, os povos oprimidos, empobrecidos, assassinados, excluídos do Planeta começam a dar-se conta de que este Deus no céu, longe deles e contra eles, é mesmo um Ídolo, o Ídolo. É uma Mentira, a Mentira institucionalizada, que só favorece os carrascos, os verdugos, os algozes, concretamente, os sacerdotes /pastores das Religiões /Igrejas, os Executivos ou Governos das nações e os seus Opositores partidários, candidatos a futuros Executivos, e os grandes administradores das transnacionais e dos Bancos. E haverão de perder o Medo que os tem tolhido, desde o princípio da Humanidade, e erguer-se-ão desarmados contra ele e contra os seus intermediários que sempre estão à frente de cada um dos três Poderes, o religioso-sacerdotal, o político e o económico-financeiro, até os derrubarem e ajudarem a dar corpo a uma Terra sem amos, sem tiranos, sem intermediários de nenhuma espécie. Apenas Seres Humanos cada vez mais plena e integralmente Humanos. Da mesma estatura de Jesus!

13 Urgente, imperioso é que nós, Povos do Planeta, fujamos do Ídolo, deixemos de frequentar os seus santuários de Mentira e de Hipocrisia, de Idolatria e de Exploração. Coloquemo-nos em postura de êxodo, de saída, da Idolatria /Mentira para a Verdade, da Opressão para a Liberdade, da Menoridade para a Maioridade, da paz cada vez mais armada (= violência institucionalizada) para a Paz definitivamente desarmada. Urgente, imperioso é que nós, Povos do Planeta, redescobramos Jesus e regressemos a Jesus, o carpinteiro de Nazaré, o filho de Maria, à sua mesma Fé que nos leva a experimentar /sintonizar, mais íntimo a nós do que nós próprios, o Espírito Criador de seres humanos, plena e integralmente Humanos, e a prosseguirmos, terceiro milénio além, a sua mesma Revolução Humano-Teológica. Urgente, imperioso é que nós, Povos do Planeta, redescobramos, estudemos, façamos nosso e prossigamos hoje e aqui o mesmo Projecto Político de Jesus, até sermos como ele dádivas vivas uns com os outros e uns para os outros. Urgente, imperioso é que prossigamos os seus mesmos duelos teológicos desarmados, sem termos, como ele também não teve, onde reclinar a cabeça, de tanto nos darmos à Missão de abrir os olhos da mente às pessoas, em todas as nações. Urgente, imperioso é que nós, Povos do Planeta, nos experimentemos cada vez mais filhas, filhos em estado de liberdade e de maioridade, de Deus-Abbá, pura Graça, e mais íntimo a nós do que nós próprios, por isso, nos antípodas do Ídolo /Mentira institucionalizada. Por outras palavras, nos experimentemos outros Jesus, Século XXI e Terceiro Milénio adiante. Num Planeta, actualmente tão violento e assassino, mas que, graças à nossa presença-intervenção, plena e integralmente, Humana, acabe por se tornar, ele também, plena e integralmente Humano, o mesmo é dizer, ventre de vida para todas, todos quantos o habitamos, nossa casa comum, onde tudo é de todos, segundo as necessidades de cada qual. Eis.

Capítulo 41

1 Sempre que há uma grande catástrofe supostamente natural, com muitas dezenas, centenas ou mesmo muitos milhares de pessoas mortas, e uma ou mais cidades completamente engolidas pela fúria das águas e dos ciclónicos ventos, logo os filósofos e os teólogos do Ídolo se sentem postos em causa e saem de imediato a terreiro com explicações e justificações que raiam o patético. Esta espécie de gente ainda não percebeu que tudo o que disser para tentar justificar o injustificável, cai sobre ela como uma outra catástrofe, porventura, bem pior que a catástrofe supostamente natural que ela tenta explicar e justificar. Porque, em alturas assim, são a Razão (no que respeita aos filósofos) e a Fé religiosa (no que respeita aos teólogos) que saem completamente delapidadas da

contenda. Perante uma tragédia com dezenas, centenas, milhares de pessoas mortas e cidades inteiramente engolidas, a postura humanamente mais nobre, por parte dos que sobrevivemos, ainda é o Silêncio. As apressadas explicações e justificações dos filósofos e dos teólogos sabem sempre a Blasfémia, a Insulto, a Impiedade, a Inumanidade. Porque visam destruir a Incomodidade que é a Grande Pergunta que salta, como um interminável Grito, da catástrofe supostamente natural. E tentar silenciar a Grande Pergunta que salta, como interminável Grito da catástrofe supostamente natural, é o que há de mais anti-filosofia, anti-Razão e de mais anti-teologia, anti-Fé.

2 O caso torna-se ainda mais patético e mais intoleravelmente obsceno, quando filósofos e teólogos subsistem nas

mesmas pessoas. Quando as mesmas pessoas são ao mesmo tempo filósofos e teólogos. Então, as explicações avançadas por esse tipo de pessoas, simultaneamente filósofos e teólogos, ao mesmo tempo, são ainda mais inumanas e cruéis. Primeiro, tratam a catástrofe como uma realidade puramente abstracta. As pessoas mortas são meros números de estatística, as cidades engolidas e destruídas não passam de conceitos, os lancinantes Gritos de Dor são puras abstracções e os filósofos e os teólogos que manipulam todos estes dados são monstruosos académicos sem entranhas de humanidade, puro raciocínio, sem a mais leve comoção e a mais pequena manifestação de Humanidade. O nosso país e o nosso mundo do início do ano 2010 acabam de passar por duas

grandes catástrofes supostamente naturais. Ainda o Haití, na martirizada e empobrecida América Latina, não se refez do sismo supostamente natural que sofreu e que pode ter ceifado a vida a mais de 300 mil haitianos, e eis que já a Região Autónoma da Madeira, no nosso país, se vê mergulhada na maior tragédia supostamente natural dos últimos cem anos da sua história.

3 Num e noutro caso de indescritível Dor Humana, ocorridos com intervalo de breves semanas entre si, filósofos e

teólogos, quais abutres, caíram sobre ambas as tragédias supostamente naturais e avançam com explicações que têm tudo de vómito. Nunca a Razão humana se degrada tanto, nem a Fé se degrada tanto, como quando tentam explicar e justificar o Intolerável. E Intolerável é a Dor Humana, sempre que acontece. Intolerável é a Destruição de cidades inteiras, transformadas, de repente, em cemitérios. Intolerável é a morte em massa de pessoas que, inopinadamente, se vêem engolidas por chuvas diluvianas e por ventos ciclónicos que não deixam nada nem ninguém de pé, lá, por onde passam em destruidora fúria. Em lugar de assumirem a humana postura do Silêncio- que-escuta, os filósofos e os teólogos do Ídolo correm a dar explicações e justificações que só conseguem juntar mais Dor à Dor que, nestes dias, nos serve de comida e de bebida e, por isso, são explicações e justificações com tudo de Obsceno e de Vómito. É assim que eu próprio, como presbítero da Igreja do Porto, me sinto por estes dias com explicações /justificações e mais explicações /justificações por parte de filósofos e de teólogos, de filósofos- teólogos, alguns dos quais meus amigos, e por parte de bispos e de outros clérigos católicos e protestantes. Melhor fôssemos todas, todos, cegos e surdos, estes dias, para não termos de ver e de ouvir tais explicações e justificações de uns e de outros, todas elas obscenas, todas elas cruéis, todas elas vómito.

4 O Obsceno e o Inumano das explicações e justificações dos filósofos e dos teólogos resultam do uso que eles

fazem da Razão Humana e da Fé. Os povos primitivos, mergulhados num Planeta que não conheciam, muito menos, sabiam como lidar com ele, quase sempre atribuíam as catástrofes supostamente naturais aos míticos deuses e às míticas deusas que estariam zangados e ofendidos com os pecados dos seres humanos e exigiam desagravos, por parte dos povos. Desta consciência de impotência e de desconforto, nasceu nos povos o Medo dos deuses e das deusas e, com ele, a Religião, como resposta organizada por parte dos povos assustados e impotentes aos castigos e às míticas ameaças dos deuses, das deusas. Ora, as explicações e justificações dos filósofos e dos teólogos do Século XXI não andam longe destas posturas dos povos primitivos. Subjacente à Fé religiosa, permanecem, ainda hoje, o Medo dos deuses e das deusas e a necessidade que os povos sentem de desagravarem

os deuses e as deusas, sempre que eles e elas se mostrem particularmente ofendidos e façam cair sobre os povos toda a espécie de castigos, sob a forma de catástrofes supostamente naturais. Subjacente à Razão, hoje pretensamente ilustrada, está ainda o mesmo sentimento de Medo e de impotência, só que agora travestido de Arrogância e de Cinismo, por parte dos filósofos. São a Arrogância e o Cinismo que levam os filósofos a perguntar onde está Deus no caso do Haití e, agora, no caso da Região Autónoma da Madeira? Em lugar de se colocarem, humildemente, à escuta da Grande Pergunta que emerge de cada catástrofe supostamente natural, os filósofos do Século XXI, juntamente, com os teólogos da Fé religiosa, evitam a todo o custo essa Grande Pergunta, e, em seu lugar, formulam insolentemente outras perguntas, com tudo de Obsceno e de Vómito!

5 Razão Ilustrada e Fé Religiosa, filósofos e teólogos que evitam a Grande Pergunta e, em seu lugar, formulam

perguntas à medida da sua limitada Razão e da sua limitada Fé religiosa, são o que há de mais inumano entre os seres humanos e os povos. São intelectuais sem entranhas de Humano, cínicos q. b., que, cada qual no seu âmbito,

estão ao serviço do Ídolo que, desde o início da Humanidade, se tem feito passar por Deus verdadeiro. Podem ser e são homens /mulheres do Saber - mais homens do que mulheres! - mas não são homens /mulheres da Sabedoria.

E o Saber sem Sabedoria incha e descria o Humano nos seres humanos que enveredam por essas "portas largas".

São, sem dúvida, os homens /mulheres mais perigosos entre os demais seres humanos. O seu Saber - e em alguns deles chega a ser muito Saber! - é todo ele intrinsecamente Descriador do Humano. Antes de mais, deles próprios. E, depois, da Sociedade. Onde houver homens /mulheres do Saber, há sempre Inumanidade em crescendo. Porque

o Saber tem por pai o Poder, nomeadamente, o Grande Poder Financeiro, que é pai de mentira e assassino por

natureza. Os homens /mulheres do Saber são, por isso, os mais perigosos dos seres humanos, os que mais servem

o

Poder Financeiro, pai de mentira e assassino.

6

Uma das missões dos homens /mulheres do Saber, nomeadamente, dos filósofos e dos teólogos, é tudo fazerem

para silenciar a Grande Pergunta que sempre grita do meio das grandes catástrofes supostamente naturais. A maneira mais eficiente de o conseguirem é, nessas horas de Grande Dor que esmaga as populações e os povos, avançarem com explicações e justificações, qual delas, a mais obscena e a mais cruel. São filósofos e teólogos cínicos, inumanos. Com mais ou menos consciência, são homens /mulheres ao serviço do Grande Poder Financeiro e, com essas suas posturas, absolvem-no dos seus hediondos crimes, inclusive, das próprias catástrofes supostamente naturais, actualmente, cada vez mais frequentes. São filósofos e teólogos do Ídolo, ao seu incondicional serviço de Mentira /Opressão e de Morte /Assassínio. É que nem as catástrofes supostamente naturais, alguma vez o foram /são. Todas são catástrofes provocadas, ou pela nossa preguiça e pela nossa incúria, ou pelas ambições sem limites do Grande Poder Financeiro que não olha a meios para alcançar os seus fins. O Grande Poder Financeiro é hoje o Ídolo maior e mais homicida, o pai mais descriador do Humano e do próprio Planeta.

7 Os filósofos e os teólogos que o são do Saber e não da Sabedoria, sempre que acontece uma catástrofe

supostamente natural, assumem-se como os intelectuais do Grande Poder Financeiro, que nos inundam com palavras e mais palavras, todas assassinas. As suas explicações e justificações sobre cada catástrofe concreta, supostamente natural, têm o perverso condão de desviar as populações e os povos sobreviventes da Grande Pergunta que cada catástrofe supostamente natural traz no seu bojo e que lança sempre aos quatro ventos. Esta Grande Pergunta só será escutada no Silêncio. Ora, os filósofos e os teólogos correm a encher de explicações e de justificações a catástrofe ocorrida, para que, deste modo, a Grande Pergunta que ela levanta como prolongado Grito, nunca seja escutada pelos sobreviventes. E, no entanto, seria ela, se escutada /acolhida, a Grande Ocasião para cairmos na conta de que não há catástrofes naturais, todas são. afinal, provocadas. Hoje, pelo Grande Poder

Financeiro que está aí cientificamente organizado e em ininterrupta acção de descriação /destruição e de

homicídio /genocídio. Tal como outrora, o foram pela nossa preguiça e pela nossa incúria que, em lugar de CUIDARMOS da Terra, passámos todo o nosso tempo a cuidar dos deuses e das deusas, nos templos e santuários, que outra coisa não é a Religião /Idolatria, que DeusVivo que nos habita no mais íntimo de cada qual, mais detesta

e vomita.

8 Os filósofos invocam a Razão. Os teólogos invocam a Fé religiosa. Parecem posicionar-se em campos antagónicos. Não são mais do que servidores do mesmo Ídolo que, desde o princípio da Humanidade, sempre se tem feito passar por Deus verdadeiro. Fé religiosa e Razão são dois conceitos para dizer o mesmo Ídolo cruel, mentiroso, assassino. Os filósofos e os teólogos são intelectuais não-orgânicos, alcandorados nas cátedras do Saber, infinitamente distantes das maiorias oprimidas e empobrecidas que vivem, subvivem na base da pirâmide social. Vivem, subvivem em estado de catástrofe permanente, também ela, supostamente natural como as outras que, hoje, são cada vez mais frequentes. Só que nem uma, nem as outras são naturais. Todas são provocadas. Com as suas teorias e doutrinas, as suas filosofias e teologias, os filósofos e os teólogos do Saber /do Ídolo, mais não são do que o braço do Saber ilustrado do Grande Poder Financeiro que lhes paga e lhes proporciona o acesso às cátedras das universidades e das catedrais onde eles são mestres e doutores, formadores de gerações que prosseguirão, nos anos seguintes, idêntico e insubstituível papel. Sem os filósofos e os teólogos não-orgânicos, nunca o Grande Poder Financeiro levaria por diante o seu projecto de domínio total do Planeta e de Descriação do Humano. Tudo ele deve aos filósofos e teólogos do Ídolo, da Idolatria. Todos eles se têm na conta de importantes, mas são-no apenas como os sacerdotes do templo do rei Herodes que puseram todo o seu Saber ao serviço do Poder e, por isso, ao serviço da Mentira e do Assassínio (cf. Mateus 2, 4-6).

9 Filósofos e teólogos orgânicos, não idolátricos, bem nos antípodas dos das cátedras do Saber, são hoje precisos como pão para a boca. Mas onde estão eles? Quem os conhece? Temos de os procurar na base da pirâmide social, nas periferias, entre os pobres e com os pobres. Serão filósofos e teólogos da Sabedoria, inimigos declarados do Grande Poder Financeiro, do Ídolo Descriador do Planeta. Serão filósofos e teólogos pobres por opção, que erguem

a sua tenda entre os Humilhados e que vivem à escuta dos seus Gritos, das suas Dores, das suas Agonias antes de

tempo. Homens /mulheres da Sabedoria, ainda muito raros, nesta altura da História, para não dizer, praticamente, inexistentes. A grande atracção que faz correr os filósofos e os teólogos de hoje como os de ontem é a cátedra, nas

universidades e nas catedrais, não a existência de Humilhados, em número cada vez mais elevado e, hoje, já incontável. Ainda levará, por isso, muito tempo, até que os filósofos e os teólogos caiam na conta da armadilha em que estão caídos e para a qual atraem outros como eles. A Humanidade, dominada pelo Grande Poder Financeiro,

o Ídolo que se faz passar por Deus /Luz (é Ídolo e Treva ilustrada, mas faz-se passar por Luz e por Deus!) ainda irá conhecer sucessivos invernos de pensamento e de cativeiro. Enquanto os intelectuais não se tornarem, na sua maioria, intelectuais-orgânicos, continuarão criminosamente a servir o Grande Poder Financeiro, a confundir Luz com Treva Ilustrada e Deus Criador de filhas e de filhos em estado de liberdade e de maioridade, com o Ídolo. Temos, por isso, ainda muito que gemer e chorar, até que eles se convertam, mudem de Deus!

10 "Nessa ocasião - conta o Evangelho de Lucas (13, 1-5) - apareceram alguns a falar-lhe [a Jesus]dos galileus, cujo sangue Pilatos havia misturado com o dos sacrifícios que eles ofereciam. Respondeu-lhes Jesus: Julgais que esses galileus eram mais pecadores que todos os outros galileus, por terem sofrido assim? Não, eu vo-lo digo; mas se vos não converterdes, perecereis todos igualmente. E aqueles dezoito sobre os quais caiu a torre de Siloé, matando-os, eram mais culpados que todos os outros habitantes de Jerusalém? Não, eu vo-lo digo; mas se vos não converterdes, perecereis todos da mesma maneira". Como se vê, Jesus, ao contrário dos filósofos e dos teólogos

do Grande Poder Financeiro, filósofos e teólogos do Ídolo, nunca vai, obviamente, pela via do Saber, mas pela via da Sabedoria. Não avança explicações e justificações para o Intolerável que são as catástrofes supostamente naturais ou casuais, como a queda da torre de Siloé que matou 18 habitantes de Jerusalém. É outra a sua postura, fecunda e intensamente Humana: dá ainda mais voz e mais vez ao Intolerável, para que ele seja escutado e visto em toda a sua dimensão. Não sossega nem consola consciências perturbadas, desassossega consciências e leva o desassossego ao limite. Ao mesmo tempo que avança uma Saída libertadora: "Se vos não converterdes, perecereis todos da mesma maneira"

11 É aqui que é precisa muita Sabedoria. Porque, desde há dois mil anos, até as palavras de Jesus e o próprio Jesus

têm-nos sido quase sempre apresentados /interpretados /filtrados pelo Saber dos filósofos e dos teólogos do Ídolo, do qual todos eles recebem o reconhecimento oficial e inúmeros privilégios. E, quando assim é, Jesus fica completamente refém dos filósofos e dos teólogos do Ídolo e acaba a justificar tudo, até, o Intolerável! A sua palavra fica reduzida à dimensão do Moralismo, que mais não é do que uma arma assassina contra os Povos. Só mesmo a via da Sabedoria nos deixa em condições de escutar Jesus em toda a sua originalidade subversiva e conspirativa, a única que nos livra do Ídolo e do Saber dos seus filósofos e teólogos, sempre domesticador e

castrador. Eis, pois, o que Jesus nos diz, com aquela sua advertência dirigida aos que lhe fizeram chegar a informação das duas catástrofes, nas quais pereceram grande número de pessoas. "Mas se não mudardes de Deus, perecereis todos da mesma maneira". Converter-se, na boca de Jesus, é sempre sinónimo de MUDAR DE DEUS. Concretamente, mudar do Ídolo, mentiroso e assassino, para o Deus Criador de filhas e de filhos em estado de liberdade e de maioridade.

12 Eu sei que nunca nos disseram esta Boa Notícia. Porque os homens do Saber - filósofos e teólogos - estão todos

incondicionalmente ao serviço dos Sistemas que lhes garantam os privilégios de que desfrutam. São por isso absolutamente incapazes de escutar a Boa Notícia de Deus. Sempre escutam a Mentira do Ídolo e os interesses do Ídolo. Consequentemente, acabam todos mentirosos e assassinos quanto o próprio Ídolo. Criminosos que nunca se reconhecem. E aos quais o Poder, agradecido por tantos serviços prestados, finalmente, premeia, com homenagens públicas e com a concessão de títulos honoríficos, senão mesmo com a canonização, já depois das suas mortes! Deste modo, o Ídolo pode prosseguir à vontade os seus crimes, as suas descriações, as suas catástrofes supostamente naturais. Os filósofos e os teólogos são os seus homens de mão, homens do Saber, não da Sabedoria. Em cada catástrofe realizada pelo Grande Poder Financeiro, pelo Ídolo, logo eles vêm a terreiro com as suas explicações e as suas justificações que perfazem o que há de mais Abominável. Evitam, com isso, que os povos escutem, no coração dessas catástrofes, a Grande Pergunta que, se for escutada e entendida, levá-los-á infalivelmente a descobrir em todas elas a mão criminosa do Ídolo. As populações poderão, então, levantar-se novas do Crime organizado que dá pelo nome de "catástrofes", supostamente naturais (e que afinal não são; sempre são provocadas!), em lugar de ficarem, como sempre têm ficado, ainda mais paralisadas do que antes. Só que este acto subversivo e conspirativo das populações, é tudo o que o Ídolo não quer que aconteça. E, para isso, conta com as mãos dos seus filósofos e dos seus teólogos. Mãos assassinas. Mãos cruéis. Mãos Abomináveis. Quando é que as populações se livram de vez do Saber dos filósofos e dos teólogos do Ídolo e se abrem à Sabedoria que, na pessoa de Jesus, o filho de Maria, o Crucificado na Cruz do Império Romano, as faz livres e protagonistas?

13 Ou mudamos de Deus, do Ídolo descriador do Humano, para Deus Criador de filhas, filhos em estado de

Liberdade e de Maioridade, ou, como adverte Jesus, todos perecemos. Porque o Planeta, dominado /governado pelo Ídolo, leva as pessoas e os povos à Descriação mais completa. Tem sido assim, desde o princípio da

Humanidade. O Deus, de que falam os filósofos e os teólogos dos Privilégios, do Saber Ilustrado, das cátedras nas universidades e nas catedrais, sempre foi, é e será o Ídolo que, habilmente, se tem feito passar por Deus verdadeiro. É o Ídolo, pai de Mentira, assassino, descriador. Quem, pela primeira vez na História, viu toda esta Mentira e Assassínio organizados foi Jesus, o filho de Maria. E não hesitou em desmascarar o Ídolo no seu próprio terreno, o Templo de Jerusalém, no decurso do Duelo Teológico Desarmado mais revelador da História da Humanidade. Temos, pois, de escolher: Ou Deus Criador de filhas e filhos em estado de liberdade e de maioridade, nosso Abbá, ou o Ídolo. Os filósofos e os teólogos do Saber e dos Privilégios insistem em escolher /seguir o Ídolo, como se ele fosse o Deus verdadeiro. Temos de estar vigilantes e resistir a toda essa sua Treva Ilustrada, a toda essa sua Idolatria. Só Jesus, o Crucificado, é o Caminho dos Povos. É por ele e só por ele que havemos de ir. Vamos, então! Nunca mais aceitemos receber ordens do Ídolo e logo passamos a crescer em Sabedoria e em Graça, em Liberdade e em Maioridade Humana. No seio de uma Terra que há-de chegar a ser, também ela, plena e integralmente Humana. Sem catástrofes desencadeadas pelo Ídolo, que é o pai de Mentira e o Assassínio organizado!

Capítulo 40

1 Chega a ser dramático. Levamos já dez anos de Século XXI, mas a verdade é que as mentes dos nossos filósofos, dos nossos teólogos, dos nossos biblistas, dos nossos cientistas, dos nossos escritores, dos nossos jornalistas, dos nossos bispos e demais pastores de Igrejas, a Católica romana e as protestantes, numa palavra, dos nossos intelectuais em geral, continuam ainda fortemente formatadas pelas velhas concepções /visões da Idade Média e da chamada Cristandade Ocidental. Por sua vez, oriundas das concepções do Judaísmo e do Paganismo religioso Primitivo, pelo menos, no que respeita aos intelectuais do chamado mundo judeo-cristão. Para cúmulo, este desfasamento é ainda mais manifesto, no tocante à questão mais fulcral da Humanidade, que é a auto- compreensão do ser humano e de Deus Criador de filhas e de filhos em estado de liberdade e de maioridade, na sua relação com o ser humano e do ser humano com Ele. Ora, este desfasamento mental é, porventura, a questão mais dramática da Humanidade do Século XXI. Porque os chamados intelectuais são quem, geração após geração, mais contribui para a formação das mentes e da consciência das pessoas e dos povos. E intelectuais com mentes assim formatadas são o que há de mais perigoso para os povos. Arvoram-se em guias das pessoas e dos povos, ocupam funções de responsabilidade em conformidade com esse seu papel histórico, mas na verdade são os maiores cegos. Como os fariseus do tempo e do país de Jesus, pensam que vêem, mas na verdade são cegos. Mantêm-se na condução das pessoas e dos povos, mas estão a levá-las, levá-los para o Abismo. São cegos e guias cegos. Um desastre em toda a linha.

2 A Revolução Teológica de Jesus, já com dois mil anos de existência, continua a ser sistematicamente ignorada pelos nossos intelectuais. Todos eles são doutores, mas não são sábios. São mulheres, homens do Saber, não são mulheres, homens da Sabedoria. Como os fariseus do tempo e do país de Jesus, fazem questão de serem chamados "doutores", "mestres", "peritos". Vivem num patamar social distanciado das maiorias oprimidas e empobrecidas, para as quais olham com desdém e às quais tratam com pinças, mesmo quando parece que lhes dão alguma atenção. Em realidade, nunca dão. Na melhor (ou pior?) das hipóteses são, em masculino e em feminino, cada qual à sua maneira e ao seu jeito, outras tantas madres teresas de calcutá. Parece que se interessam pelas maiorias oprimidas e empobrecidas, mas na verdade, servem-se delas para subirem, fazerem carreira, para enriquecerem, para se afirmarem mais e mais no Poder e no Privilégio. Tudo nos nossos intelectuais, quando eles não são, por toda a vida, intelectuais orgânicos (e onde estão hoje os intelectuais orgânicos por toda a vida?! Conhecemos muitos? Ao menos, alguns?) está ao serviço das grandes Máfias que dominam o nosso Mundo.

Estas só se aguentam e desenvolvem, graças aos intelectuais não orgânicos da nossa praça. Intelectuais do Século XXI, com mentes ainda formatadas por concepções da Idade Média, da Cristandade Ocidental, do Judeo- cristianismo e do mais Primitivo Paganismo Religioso.

3 É como se hoje ainda vivêssemos nos tempos mais primitivos da Humanidade. Desenvolvemo-nos em múltiplas

dimensões, no que diz respeito ao Tecnológico, mas, ao nível da mente humana, do desenvolvimento Humano, continuamos, enquanto intelectuais, prisioneiros do Medo dos deuses e das deusas, nem que estas e estes, hoje, vistam de secular. O ateísmo e a religião são as duas faces do mesmo Medo dos deuses e das deusas. Religiosos e ateus praticantes são, no Século XXI, os cultores do Paganismo Primitivo, só que agora ele apresenta-se reciclado e vestido em linguagem erudita e ilustrada. Os nossos intelectuais, com destaque para os filósofos, teólogos, biblistas, jornalistas, cientistas, são um desastre em Humano. Com a agravante de que todos eles, do pequeno ao maior, se têm na conta dos mais esclarecidos e dos mais lúcidos da Humanidade. O inchado orgulho com que todos eles ocupam as cátedras nas universidades, nas catedrais eclesiásticas, nas paróquias, nos Tribunais, nas Escolas, nas Administrações das empresas, é disso prova. São os mais infantis dos seres humanos. Pavões armados, sem nada de substantivo /essencial dentro, no que respeita a entranhas de Humano. Por isso, são todos sempre tão solícitos perante os Carrascos e os Algozes da História, e tão distraídos /distantes /dissipados em relação a todas as suas incontáveis vítimas. Eles são a Humanidade no seu pior. Embora eles próprios se tenham na conta de que são mestres, doutores, peritos.

4 Os intelectuais nasceram e vieram ao mundo para servir os Carrascos e os Algozes. Na área do Ensino, da

Educação, do Pensamento, da Investigação, da Religião, da Filosofia, da Teologia, da Tecnologia, da Justiça, da Informação, do Poder Político, do Poder Financeiro. Todos aceitam, sem quaisquer escrúpulos, ser pagos pelos Carrascos e pelos Algozes da História, para serem, por toda a vida, seus incondicionais servidores. No universo em que vivem, as incontáveis vítimas não existem. As maiorias oprimidas e empobrecidas tão pouco. Existem apenas eles, os intelectuais, e as suas ideias, as suas palavras, os seus conceitos, os seus livros, os seus artigos de opinião, os seus fastidiosos e estéreis tratados, os seus discursos ocos, a sua linguagem quase sempre sofisticada, estéril, sonante, mas vazia de Humano, de entranhas de Humano. E, com eles, existem também os Carrascos e os Algozes que lhes pagam e a quem servem com esmero, sempre a ver quando são distinguidos com um Prémio, em reconhecimento pelos serviços prestados. Nunca descem da sua torre de marfim, da sua cátedra, do seu altar. E, se, neste ou naquele intelectual, descem até aos Ninguém, vêm sempre dentro da sua torre de marfim, dentro dos seus sofisticados e inestéticos papamóveis, dos seus carros blindados. Entre eles e as maiorias oprimidas e empobrecidas há sempre um abismo intransponível. Mesmo quando entram nos tugúrios onde as maiorias oprimidas e empobrecidas subvivem /vegetam. E, se, intelectuais das Igrejas /Religiões, elas e eles, depois de toda uma vida vivida entre o "lixo" Humano, o "lixo" Humano continuará lá, cada vez mais degradante /humilhante e elas, eles, quais madres teresas de calcutá, são rapidamente promovidos aos altares, para serem idolatrados, também pelo "lixo" humano que ajudaram a suavizar e a alimentar, sem nunca terem ido directos às causas que o provocam e o geram. É a ignomínia das ignomínias. A Hipocrisia /Idolatria em todo o seu esplendor de Treva ilustrada. A perversão das perversões.

5 A História da Humanidade conheceu, por momentos, a Revolução Teológica de Jesus, o carpinteiro, o filho de

Maria. Ele não é um intelectual ao serviço dos Carrascos e dos Algozes. É o carpinteiro. Não é o filho de Algo (= fidalgo). É o filho de Maria, o mesmo é dizer, de pai incógnito. Não frequentou a Universidade dos Carrascos e dos

Algozes. Frequentou o Deserto e os oprimidos e os empobrecidos. Não aprendeu dos seus antepassados. Nem sequer de Moisés, o seu antepassado histórico mais famoso. Tão pouco frequentou o Templo dos sacerdotes. Nem

o palácio do rei. Quiseram conotá-lo com o rei David, mas ele fez questão de dizer que é o filho de Maria. Quiseram apresentá-lo como o filho de Deus, mas ele fez questão de dizer que é o filho do Homem, do Humano. E sempre se comportou como tal. Quiseram fazê-lo sair do Humano e fazer dele Poder, o Poder. Foi tentado até mais não a sair do Humano. Mas ele resistiu até ao limite e até para lá do limite. Manteve-se no Humano desde a concepção à Morte /Explosão na Cruz do Império. E, assim, alcançou a plenitude do Humano. É o que podemos chamar de anti- intelectual não-orgânico. Nunca a Humanidade havia tido um Humano assim. E por isso é que, neste Humano assim, deu-se a Revolução Teológica mais radical que a História humana alguma vez conheceu e conhecerá. Neste Humano que nunca aceitou sair do Humano e passar a ser outra coisa, muito menos Deus-Ídolo, até Deus Criador de filhas e de filhos em estado de liberdade e de maioridade, e que nunca ninguém viu nem verá, deu-se plenamente a conhecer. Pela primeira e única vez na História. No Humano, plena e integralmente, Humano, que é Jesus, vimos finalmente Deus que nunca ninguém viu nem verá senão assim. É a Revolução Teológica e Humana mais radical.

6 Nunca mais a História voltará a ser o que era. E, para que ela pudesse continuar a ser o que sempre havia sido, os intelectuais de todos os tempos, escandalizados com o que lhes é dado ver e ouvir em Jesus, coligaram-se todos como um só e não hesitaram em negar a Verdade conhecida por tal. Conjugaram esforços e conseguiram fazer desaparecer da História, Jesus e a Revolução Teológica Radical que ele é. Apagaram da História até o seu nome. E a sua Memória. Todos os vestígios da sua PASSAGEM /Páscoa entre nós. Não lhes foi difícil consegui-lo. Porque Jesus era, é, um Ninguém, filho de Ninguém. Sem credenciais passadas pelos Carrascos e os Algozes. Apenas as credenciais do Humano pleno e integral. Tão pouco, era sacerdote. Apenas o carpinteiro, o filho de Maria. O Ninguém. A Fragilidade mais completa. Depressa, os intelectuais dos Carrascos e dos Algozes entraram em acção contra ele, cercaram-no e, em pouco mais de dois anos, fizeram-no desaparecer de entre eles. Sem deixarem nenhum registo da sua PASSAGEM /Páscoa, para memória futura. Era preciso que a Humanidade nunca fosse alguma vez sabedora da sua existência, naquele pequeno país, reduzido, na altura, à condição de colónia do Império Romano. Neste trabalho de limpeza histórica, os Carrascos e os Algozes que o mataram na Cruz, contaram sempre com o imprescindível serviço dos intelectuais de então, com destaque para os sacerdotes, que tiveram aqui o papel mais decisivo e determinante. Porque eram eles os que se sentiam mais lesados com a Revolução Teológica de Jesus. Foram, por isso, também os que mais o odiaram.

7 Sacerdotes - ainda hoje, parece que ignoramos isso - são os funcionários do Religioso. São os intelectuais da Religião. São os servidores, a tempo integral, de Deus, mas apenas de Deus enquanto Ídolo. Portanto, enquanto rival do Humano. São os funcionários da Idolatria. Os mais inumanos dos seres humanos. Os mais alienadores dos seres humanos. Desde o princípio da Humanidade, a mais Primitiva, os sacerdotes são olhados como os intelectuais mais importantes. Imprescindíveis. As populações e os povos não prescindiam deles, nem dos seus serviços de Idolatria. O Medo dos deuses e das deusas era e continua a ser intenso e permanente. Os sacerdotes eram e são os únicos que tinham /têm influência para fazer os deuses e as deusas favoráveis aos seres humanos. Mediante os cultos que lhes apresentam. Os ritos que realizam. Os povos, viam-nos /vêem-nos como intermediários entre eles e os deuses, as deusas. Não podem imaginar a vida na Terra sem sacerdotes, sem os seus ritos, os seus cultos, os seus santuários. O que os sacerdotes disserem é uma ordem. É lei. Tudo o que eles disserem, os povos amedrontados realizam. E a Terra acabou por se tornar no grande templo da Idolatria, sob o domínio dos sacerdotes. Nada se fazia /faz sem eles, sem a sua palavra, o seu rito, o seu culto. E não é que ainda hoje, dez anos já vividos no Século XXI, é neste mesmo ponto que estamos? Para nossa vergonha!

8 Obviamente, entre os tempos primitivos e o Século XXI, as roupagens mudaram. Mas a Idolatria é a mesma. Os sacerdotes, numa sociedade cada vez mais secular, parecem perder terreno e influência. Até se adaptarem aos novos tempos do Secular. Porque a Idolatria continua aí em força. O Medo dos deuses, das deusas, também. Estamos no Século XXI, mas as nossas mentes continuam formatadas como as dos povos primitivos. Às vezes, chega a parecer que o Medo dos deuses, das deusas, hoje, é ainda maior do que outrora. Pelo menos, é muito mais Inumano do que entre os povos primitivos. Então, a Terra ainda era olhada e tratada como sagrada. Hoje, até isso se perdeu. Os novos sacerdotes - os intelectuais do Século XXI, religiosos ou ateus, tanto faz - são peritos em Tecnologia, em Inumanidade, em Descriação. O Planeta é para esventrar, sem olhar a meios, nem a consequências. As reservas que guardam no seu seio, são para usar, sem escrúpulos. Os Carrascos e os Algozes do Século XXI são- no muito mais do que os do Paganismo Religioso Primitivo, meros artesãos comparados com os de hoje. Os intelectuais não-orgânicos mantêm-se ao seu incondicional serviço. No seu ateísmo praticado, ou na sua Religião praticada, continuam todos a ter Medo dos deuses, das deusas. E o Medo impede-os de crescerem em Humano. Em Sabedoria. Só em Saber. Por isso, são intelectuais sem entranhas de Humano. Um desastre em toda a linha.

9 Aqui e ali, há hoje sinais de que a Revolução Teológica de Jesus está a sair das cinzas. Está a sair do Esquecimento. Destruíram todos os vestígios dela, mas há sempre algo que escapa ao seu Anátema. As vítimas, hoje, em número cada vez mais crescente, trazem nos seus genes, porventura, sem saberem, a Memória Subversiva da Revolução Teológica de Jesus. O Crucificado Jesus nunca desapareceu de vez da Memória dos Crucificados da História. Apesar do eficiente trabalho dos intelectuais não-orgânicos, com destaque para os teólogos e os filósofos, destinado a apagar da História a Revolução Teológica de Jesus, ela está Hoje de volta. Eles andam, de novo, perturbados. São atacados de insónias. Multiplicam os seus Anátemas sobre as vítimas e sobre quem ergue a sua tenda entre elas, mas em vão. Jesus, o Ninguém, filho de Ninguém, está de novo a fazer-se sentir na História. E, com ele, a sua Revolução Teológica. O mítico Cristo, inventado pelos intelectuais e pelas suas Cristologias sem Jesus, cheias da mais crassa Idolatria e da mais crassa Inumanidade, está a perder terreno, cada dia. Os Carrascos e os Algozes bem se esforçam por manter e impor o Cristianismo e a Idolatria que ele alimenta nas populações e nos povos, mas em vão. Jesus, o filho de Maria, está de novo a fazer sentir a sua Presença Maiêutica. E a sua Revolução Teológica também se está a fazer sentir.

10 Por mais que o papa multiplique as suas viagens pelo Mundo, os seus discursos moralistas; por mais que os sacerdotes-párocos se desdobrem de terra em terra, de templo em templo, de altar em altar, a Religião das Multinacionais religiosas está em decadência. Cresce, em seu lugar, o ateísmo e a Indiferença praticados. São a outra face da Idolatria, a sua face secular. Tão perigosa, quanto aquela, porventura, ainda mais perigosa que aquela. E a prova é que os Carrascos e os Algozes nunca estiveram tão fortes e cruéis como hoje. As inúmeras vítimas que produzem nunca foram tantas e tão sofredoras como hoje. As Máfias nunca estiveram tão bem servidas, como hoje, por tantos e tão sofisticados intelectuais não-orgânicos, todos vendidos a elas. As posições extremam-se como nunca antes. O Confronto Histórico é cada vez mais inevitável. As maiorias oprimidas e empobrecidas estão a ponto de fazerem implodir o Planeta. Por mais que os intelectuais não-orgânicos ao serviço das Máfias, se desdobrem em propaganda e em mentira, as Máfias estão a ficar de cara descoberta. O Confronto está, por isso, iminente. Porque o Sopro ou Espírito de Jesus nunca deixou a Terra, a História. Tem-na trabalhado, dia e noite, sem descanso. Sem que os intelectuais ao serviço dos Carrascos e dos Algozes que fabricam as maiorias oprimidas e empobrecidas, tivessem dado por isso. Pensaram sempre, até hoje, que só elas trabalhavam dia e noite. Cegas que são, não viram o Invisível e o Essencial. Nem vêem. Continuam ainda hoje aí na maior. A traficar como se a Idolatria fosse o Amanhã da Humanidade. Não é. O Amanhã da Humanidade, é a mesma Fé de Jesus.

11

No passado, os intelectuais não-orgânicos - filósofos, teólogos, biblistas, sacerdotes, bispos, pastores de Igrejas

e outros seus lacaios - bem tentaram convencer as maiorias oprimidas e empobrecidas de que Jesus, no seu Espírito, se tinha ausentado da História, da Terra. Tinha regressado a Deus. Não sabiam /não sabem que semelhante Deus, distante do Humano, é um Ídolo. Até Jesus, o filho de Maria, esse foi o único Deus que as maiorias oprimidas e empobrecidas conheceram. O Ídolo. E é o único que os intelectuais não-orgânicos que as "educam", "ensinam" "catequizam", "mentalizam", lhes apresentaram (apresentam) /anunciaram (anunciam). Só que, com Jesus, o filho de Maria, ficou claro duma vez para sempre, que esse Deus distante do Humano é um Ídolo. Foi sempre com ele que os Povos da Terra conviveram, pior, foi sempre a Ele que temeram. Viveram sob o Medo e tornaram-se Inumanos quanto baste. Religiosos quanto baste, No passado, mais sob a forma de beatos. Hoje, mais sob a forma de ateísmo. Mas esses tempos estão a passar. A Mentira pode manter-se durante séculos, mas chega

um dia em que ela é desmascarada. E esse Dia está perto.

12 Jesus está hoje mais visivelmente activo entre nós. Na verdade, ele nunca nos deixou. Esteve sempre entre nós.

Mas nós, caídos na Idolatria Religiosa, nunca dávamos pela sua presença, pela presença do seu Sopro. Hoje, a mesma Idolatria, mas agora sob a forma de ateísmo, está a tornar tão cruel este nosso Mundo dominado pelo Poder Financeiro Global, que as maiorias oprimidas e empobrecidas estão em melhores condições de darem pela presença de Jesus, do seu Sopro /Espírito Maiêutico. Os intelectuais dos Carrascos e dos Algozes tentarão matá-lo, de novo. Mas, agora, a impossibilidade é total. Porque o Deus-Ídolo já não está mais no Templo, no Religioso. É o Poder Financeiro Global. Logo que as maiorias oprimidas e empobrecidas do Mundo percebam isto, perderão o Medo dos sacerdotes e do Ídolo Religioso e avançarão, desarmadas, para o Confronto duélico com o Ídolo-Poder Financeiro Global. Impulsionadas pela mesma Fé de Jesus, guiadas não mais pelos intelectuais não-orgânicos que as têm sugado e humilhado, enganado e espezinhado, mas pelo mesmo Espírito de Jesus. Podem ser todas Crucificadas, neste Confronto, como Jesus. Mas ficará para sempre claro que o Deus das Máfias e dos seus intelectuais não-orgânicos, é o que sempre foi, um Ídolo, tal como era, é, um Ídolo o Deus dos cultos religiosos do Paganismo Primitivo, a que presidiram os Sacerdotes de todos os tempos, e, sucessivamente, do Judaísmo e do Judeo-Cristianismo e de todas as Religiões sem excepção.

13 A Revolução Teológica de Jesus e o próprio Jesus, já no-lo haviam revelado, nos anos 28, 29 e 30 desta nossa era

comum. Mas, porque foram os sacerdotes do Templo que o mataram, as maiorias oprimidas e empobrecidas do Mundo ainda chegaram a pensar que Jesus era, como eles diziam, o blasfemo e o Maldito. E assim têm sido levadas a pensar até hoje. Só que esta Mentira está a chegar ao fim. As Religiões e os sacerdotes são o que há de mais perverso na Humanidade. Porque são os assassinos de Deus Criador de filhas e de filhos em estado de maioridade e de liberdade. Porque os adoradores do Deus-Ídolo. Isto diz-nos a Sabedoria, não o Saber. Diz-nos o Espírito de Jesus, não os intelectuais não-orgânicos, todos mestres, doutores, peritos, mas do Ídolo, das Máfias que dominam o Mundo, contra as maiorias oprimidas e empobrecidas. Alegremo-nos, pois. E fiquemos vigilantes. Porque está a chegar a Hora do levantamento Mundial, planetário, das maiorias oprimidas e empobrecidas. E com esse levantamento, o fim da Idolatria. A Religiosa. E a outra, do Poder Financeiro Global. Está a chegar a Hora do Humano, plena e integralmente Humano.

Capítulo 39

1 O nosso tempo continua a sofrer de um excesso de Deus, em detrimento do Ser Humano. Há um desequilíbrio total nos pratos da balança. O prato de Deus anda sempre no fundo, tanto é o peso que transporta. Deus anda

excessivamente na boca de toda a gente. E, lá, onde há um excesso de Deus, há sempre um défice do Ser Humano.

O

facto, só por si, é revelador de que o Deus de que tanto se fala e que faz desaparecer o Ser Humano é um Ídolo.

E

tanto é Ídolo na boca e nos escritos dos que se dizem crentes, como na boca e nos escritos dos que se dizem

ateus. Nem os filósofos, do passado e do presente, que hoje são tidos como mais conceituados e por isso também mais estudados nas Universidades da Europa e do resto do Mundo, confessionais e laicas, chegaram, alguma vez, até hoje, a dar-se conta desta verdade: Afinal, Deus, na boca de crentes e de ateus, não passa de um mero conceito sem conteúdo político, por isso, sem conteúdo humano. Serve para todas as circunstâncias, fica bem em

todas as ocasiões, tanto nas horas de dor e de angústia, como nos momentos de felicidade e de bem-estar, de luto

e de perda. É um conceito vazio, tipo pronto-a-usar-na-hora, que toma o conteúdo de cada ocasião. Negam-no, uns, defendem-no, outros e, quase sempre, com fanatismos, da parte dos que negam, como da parte dos que defendem, que podem chegar à violência física, a mais descontrolada e a mais assassina /genocida.

2 De um Ídolo se trata. Sempre. Afirmado por crentes, negado por ateus, sempre estamos diante de um Ídolo.

Dizer Deus e dizer Ídolo é a mesma coisa. Porque um Deus que a boca humana pronuncia e, porventura, invoca é sempre um Ídolo. Nem os filósofos de renome, tidos como homens do Saber, nomeadamente do Saber-mais- complicado-e-labiríntico, a que só alguns eleitos têm acesso, alguma vez caíram na conta de que estão sempre a pronunciar-se sobre um Ídolo, quando discorrem sobre Deus. Uns assumem-se como filósofos crentes em Deus, outros como filósofos ateus. Uns e outros é sempre de um Ídolo que estão a discorrer. Porque o conceito Deus é um conceito vazio. É um mero conceito. Não passa de um lugar comum que as bocas humanas pronunciam, sempre que lhes dá na veneta e com a maior das sem-cerimónias. Tanto a boca do rico, como a boca do pobre, do carrasco, como da vítima, do crente como do ateu, do papa de Roma como do jogador de futebol, o dos Milhões, tanto a pobre viúva como o juiz ou o advogado, o pároco ou o médico da clínica privada que a explora, tanto a beata que não se afasta do templo como o chefe da Máfia eclesiástica que mantém o templo em funcionamento e, já, como um dado que temos por Incontestado /adquirido /tolerado /aceite por toda a gente.

3 É tão generalizada a Idolatria e estamos, desde o princípio da Humanidade, tão mergulhados nela, que tudo

passa a ser tido por adquirido e natural. Nunca chegamos a tropeçar ali. E deveríamos tropeçar. Fôssemos da Sabedoria e sempre tropeçaríamos. Mas somos da Idolatria e, por isso, não tropeçamos. E ai das, dos que tropeçarem e disserem o que tem de ser dito, sempre que se tropeça em algo que não deveria estar ali, mas está. E que está como um dado adquirido e até, aparentemente, um dado da natureza das coisas. Porque, depressa têm contra elas, contra eles, toda a gente que, do nascer ao morrer, faz da Idolatria o ar que respira, o pão que come, a água que bebe. E não suporta ouvir dizer que se pode ser-viver e de facto se se é-se vive de outra maneira. E que essa outra maneira, inevitavelmente minoritária, é que é a maneira humana de se ser-viver. Elas, eles, porque minoritários, é que são sistematicamente olhados /tratados como anormais, loucos, inconvenientes, indesejados na Sociedade. E, por isso, há que correr com elas, com eles. Para que depressa tudo volte ao Normal, à Rotina de todos os dias. Numa palavra, à Idolatria.

4 Desde que aceitem o Ídolo, não são os ateus, elas e eles, quem hoje incomoda a Ordem Mundial. Podem negar o

conceito Deus, mas, se não tropeçam nunca na Ordem Mundial que ele fundamenta e justifica, são tão vazios quanto o conceito Deus que negam. Hoje, os ateus são tão estimados como os que usam e abusam do conceito Deus. Ou são ainda mais estimados. Pelo menos, nestes tempos que correm, século XXI adiante. Já as, os que, animados pela mesma Fé de Jesus, o filho de Maria, a quem crucificaram na Cruz do Império Romano, inevitavelmente tropeçam na Ordem Mundial que o conceito Deus, confessado ou negado, fundamenta e justifica, incomodam, e de que maneira, inclusive as cúpulas dos profissionais religiosos e eclesiásticos na manipulação do

conceito Deus. Felizmente, a Sabedoria não é como a Filosofia. Nem as sábias, os sábios são como as filósofas, os filósofos. Entre a Sabedoria e a Filosofia há uma abismo intransponível. Como há entre as sábias, os sábios e as filósofas, os filósofos.

5 A Sabedoria conhece todos esses meandros da Idolatria que o conceito Deus, no seu vazio, sempre faz vir ao de

cima, mas, porque é a Sabedoria, não entra nunca por esses meandros. São demasiado complicados e labirínticos para ela. E a Sabedoria alimenta-se da Verdade e da Simplicidade. A Treva, por mais ilustrada que se apresente, é sempre Treva, é sempre labiríntica. A Sabedoria não a frequenta. Não são caminhos que a Sabedoria percorra. A Sabedoria vomita conceitos, porventura, sonantes e pomposos, mas vazios de Humano. E não há nenhum conceito

mais vazio de Humano, do que o conceito Deus. Por regra, a Sabedoria nunca pronuncia esse conceito, a não ser para o denunciar como a Perversão institucionalizada, em todo o seu vazio. Já para as minorias do Saber, do pequeno e do grande Saber, desde os porteiros aos proprietários dos respectivos palácios, dos guarda-costas aos padrinhos das respectivas Máfias, laicos e clérigos, da alta finança e do alto Poder Político ou Eclesiástico, o conceito Deus é invocado a propósito de tudo e de nada. É um conceito vazio, mas que faz um jeito do caraças, sobretudo nas horas dos apertos, quando as coisas começam a correr mal e há o risco de até os da base da Pirâmide Social virem a perceber a marosca que o conceito Deus escondia /esconde. É em alturas dessas, que até os santuários de nomeada vêem os seus espaços mais frequentados e os seus cofres-de-esmolas mais recheados. Pelas vítimas e pelos carrascos /verdugos que as fabricam.

6 A Sabedoria, por regra, nunca diz Deus. O conceito é tão vazio, que a Sabedoria que se alimenta exclusivamente

da Verdade, que é o Maciço da Realidade (e nada mais real e maciço na História, do que os seres humanos, em especial, os milhares de milhões da base da Pirâmide Social, sobre os quais caem todos os dias os detritos e até as fezes das minorias que, na sua opulência e no seu Saber demente-demente, dão corpo ao vértice dessa mesma Pirâmide Social), só pode mesmo vomitá-lo. De modo algum, o faz seu, o reproduz, o pronuncia. Por isso, a Sabedoria é a inimiga número um da Idolatria. A Ordem Mundial que vive e se autolegitima sob o guarda-chuva do conceito Deus, não suporta a Sabedoria. E, sempre que der com ela, neste ou naquele ser humano, prende-a e, se ela persiste em manter-se no seu próprio Caminho, acaba sempre por a matar, de uma maneira ou de outra. Para que as populações e os Povos nunca cheguem a ver a Luz que a Sabedoria é. Não uma Luz, como a da Treva ilustrada, que encandeia e cega, mas a Luz que rebenta como fonte de água viva, no mais dentro de cada ser humano que se lhe abre e assim passa a ver o que a Treva Ilustrada tão habilmente esconde.

7 É a Primeira Carta de João que, logo no capítulo primeiro, e na sequência do que também proclama o Evangelho

com o mesmo nome, faz esta revelação /revolução Teológica, vista pela primeira vez na História, em Jesus, o filho

de Maria, o carpinteiro de Nazaré, nomeadamente, depois que ele deixou tudo e se deixou habitar /possuir integralmente pelo Sopro /Espírito de Deus. Reparem que eu não escrevi Deus. Se o fizesse, estaria a recorrer ao conceito Deus, totalmente, vazio, como tal, ao Ídolo. Escrevi "Sopro /Espírito de Deus". Deixar-se habitar integralmente pelo Sopro /Espírito de Deus, significa que estamos já nos antípodas de Deus, mero conceito, o Nada, o Vazio, o Ídolo. Mero conceito que, como qualquer outro pronto-a-usar-na-hora, está aí à nossa disposição e do qual lançamos mão, sempre que nos der jeito. E são inúmeras as vezes em que nos dá jeito. Só que, por essa via, que é a da Idolatria, do Vazio, do Nada, acabamos iguais ao conceito Deus, também vazios, nadas, menos do que minhocas.

8 "Deus é luz e nele não há nenhuma espécie de Treva. Se dizemos que temos comunhão com Ele, mas caminhamos na Treva, mentimos e não praticamos a Verdade." Só que, até para entendermos, correctamente, esta Revelação /Revolução Teológica, precisamos de Sabedoria. Sem a Sabedoria, sempre somos-vivemos- pensamos-interpretamos a Realidade ou o que ouvimos e vemos acerca dela, em chave de Idolatria, de Mentira, de Vazio, de Ídolo, de Deus mero conceito, mero Ídolo. E não passamos de mais do mesmo. A Lei da Inércia, porventura, a mais perversa e descriadora do Humano, é por aí que nos quer levar /arrastar. Ela é o nosso Tentador maior e mais persistente. Ou lhe resistimos e somos progressivamente Humanos, ou deixamo-nos levar por ela e desaparecemos como Humanos, ficamos Ídolos, Vazios, Nadas, meros Conceitos.

9 Não falta por aí quem, depois de ter passado horas, dias, semanas ou meses, num forte estado de coma, com tudo de pré-morte, venha dizer depois que, durante esse período, viu uma luz e que ela o inundou de paz e de bem-estar. Ficam, até, quase decepcionados, por terem recuperado a saúde e regressado à vida do dia a dia. Aquela luz e aquele bem-estar eram bem melhores do que a realidade do quotidiano. Daí a pensar-se que, nesses tempos de coma profundo, em estado de pré-morte, a pessoa viu Deus é um passo. E ai de quem lhes diga que o que viram foi apenas o que o cérebro delas, nesse estado de pré-morte, produziu e lhes fez ver. Pensam que a expressão joânica, "Deus é Luz e nela não há nenhuma espécie de Treva", é de luz nesse sentido físico e fora de nós que fala. Não é. Fosse, e seria ainda Deus, como mero conceito vazio, como Ídolo, como Nada, como Idolatria.

10 Deus é luz, mas sempre em oposição a Treva. O que significa, logo à partida, que para sermos de Deus-Luz,

temos de estar dispostos a viver por toda a vida em conflito com Deus, mero conceito vazio, Ídolo, Nada, Idolatria.

A Treva, por mais ilustrada que seja, sempre nos impede de vermos a Realidade, sobretudo, os seres humanos,

concretamente, cada ser humano que cada uma, cada um de nós é para si própria, si próprio, e cada ser humano que cada uma, cada um dos outros seres humanos é para nós próprias, nós próprios. Deus é Luz, em oposição a Treva, é infinitamente mais belo e profundo. E politicamente mais comprometedor, também. A Luz que Deus é não está aí fora de mim, muito menos diante de mim a cegar-me, como faz a Treva ilustrada. Sempre rebenta como fonte de água viva no mais íntimo de mim. E logo faz de mim uma presença que ameaça a Treva Toda-Poderosa e que esta não suporta, por isso, tem necessidade de me perseguir, prender, denegrir e até matar.

11 O Ídolo, o Nada, o Vazio, Deus como mero conceito, serve às mil maravilhas para que os da Ordem Mundial, sob

a forma de ateus, e /ou sob a forma de crentes-religiosos, levem por diante, sem contestação radical (= que vai à

raiz) todo o Perverso que ela é. E quando, inopinadamente, de onde menos se espera, surge alguém que recusa a Idolatria e a denuncia, a tempo e fora de tempo, logo cai em desgraça e a sua vida fica feita num oito. Porque é alguém que vê toda a Treva que é Deus, mero conceito vazio, o Nada, o Ídolo. E toda a Treva /Mentira Organizada que é a Ordem Mundial que tem a sua origem e a sua justificação em Deus, mero conceito vazio, Ídolo, Nada, numa palavra, Idolatria. Deus, mero conceito, Ídolo-Idolatria, não suporta Deus-Luz que desperta no mais íntimo de alguém, como a fonte da Sabedoria que faz plena e integralmente Humanos os seres humanos e os povos. E, se os não faz mais depressa, é porque Deus, mero conceito vazio, Nada, Ídolo-Idolatria, está aí, juntamente com a sua Ordem Mundial a impedir que vá por diante a Revelação /Revolução Teológica que Deus-Luz, Criador de filhas e de filhos da mesma estatura de Jesus, o seu filho muito amado, está apostado em levar por diante.

12 É a mesma Carta Primeira de João que sublinha, sempre contra Deus, mero conceito vazio, Nada, Ídolo

/Idolatria, que quanto mais ele se afirma e impõe nas sociedades, mais faz desaparecer e extinguir os seres humanos: "Não vos admireis, irmãos, se o mundo [Ordem Mundial e seus agentes históricos - Poder Económico-

Financeiro, Poder Religioso, Poder Político em cada país] vos odeia. Nós sabemos que passamos da morte para a

vida, porque amamos o nossos irmãos. Quem não ama, permanece na morte. (

outros, porque o amor vem de Deus, e todo o que ama nasceu de Deus e chega ao conhecimento de Deus. Aquele que não ama não chegou a conhecer Deus [só chega a conhecer Deus, como mero conceito vazio, o Ídolo, o

Caríssimos, amemo-nos uns aos

)

Nada!], pois Deus é amor. (

nós e o seu amor chegou à perfeição em nós. (

seu irmão, é mentiroso, pois aquele que não ama o seu irmão a quem vê, não pode amar a Deus a quem não vê."

A Deus nunca ninguém o viu; se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em

)

)

Se alguém disser, «Eu amo a Deus», e tiver ódio [= não amar] ao

13 Vivemos um tempo de excesso de Deus, mero conceito vazio, Ídolo, Nada. E quanto mais Deus, assim, mero conceito vazio, Ídolo, Nada sobre a Terra, menos Ser Humano sobre a Terra. A Filosofia e a Teologia das grandes Universidades, das Escolas Secundárias e das Catequeses paroquiais, dissertam muito sobre Deus, apenas como mero conceito vazio, Ídolo, Nada. Quanto mais Ele se diz, menos de diz o Ser Humano. A Trindade de Poderes que está ao leme da Ordem Mundial é de Deus, mero conceito vazio, Ídolo, Nada, que fala /anuncia /cultua nos templos, santuários, nas catedrais de Futebol, o dos Milhões, nas Grandes Superfícies. Deus Criador de filhas, filhos até chegarem à mesma estatura de Jesus, não tem lugar nesta Ordem Mundial gerida pela Trindade de Poderes, inclusive, do Poder Religioso /Eclesiástico. Só mesmo Deus, mero conceito vazio, Ídolo, Nada. Ora, sob o domínio do Ídolo, da Idolatria, não há lugar /espaço /oportunidade para os seres humanos de carne e osso. Muito menos, para os Afectos Partilhados, para as Mesas Compartilhadas.

14 Ateus e crentes, se não tropeçam numa Ordem Mundial assim, são todos igualmente idólatras. Nem são crentes, nem são ateus. São Idólatras puros e duros. Assassinos dos seus irmãos aos quais nem sequer reconhecem como seres humanos, muito menos, como seus irmãos. Será que nos deixamos habitar pela Sabedoria e nascemos de novo, das Vítimas, dos da base da Pirâmide Social que, neste momento histórico, estão a apanhar com todos os detritos e até com as fezes dos que estão no vértice da mesma Pirâmide?! Mas será que já nem vemos quanto esta Conversão do Ídolo a Deus Criador de filhas, filhos, da mesma estatura de Jesus, é urgente, imperiosa, necessária, para sermos, plena e integralmente, Humanos, por isso, universalmente sororais /fraternos?!

Capítulo 38

1 O desemprego em massa está aí a matar aceleradamente os povos da Europa e, por arrastamento, os povos do resto do Mundo. Porque, quando a Europa espirra, os povos do resto do Mundo já estão de pés para a cova. Fomos /somos conquistadores /ladrões dos povos do resto do Mundo e só por isso é que enriquecemos. O nosso luxo é o lixo do resto do Mundo. A nossa riqueza é a pobreza do resto do Mundo. E, no nosso Cinismo europeu /ocidental, ainda nos orgulhamos do nosso elevado nível de vida, que não tem a mínima comparação com o do resto do Mundo. Semelhante nível de vida é a nossa vergonha, o nosso Acusador, o nosso Juiz, mas nós ainda nos orgulhamos. Querem mais eloquente prova de que nós, povos europeus /ocidentais, somos, de facto, dementes- dementes, totalmente despojados de Sabedoria, de entranhas de Humanidade? Fomos /somos conquistadores /ladrões dos povos do resto do Mundo. Fomos /somos também assassinos dos povos do resto do Mundo. E, neste século XXI, somo-lo ainda mais do que nos séculos anteriores. As chamadas descobertas e conquistas de quinhentos e dos séculos seguintes, comparadas com o que hoje continuamos a fazer aos povos do resto do Mundo, não passam de um tosco ensaio artesanal.

2

Hoje, Século XXI, conquistamos, roubamos, matamos em massa, e de forma sofisticadamente científica, os povos

do resto do Mundo. Somos Europa /Ocidente Caim. E ainda nos orgulhamos disso. O romance CAIM (Editorial Caminho, 2009), do nosso Nobel da Literatura, José Saramago, não é esse orgulho que diz /proclama ao resto do Mundo? Não entroniza, como um deus, o Grande Ídolo, o Estuprador /Assassino, sem nunca esboçar o mais pequeno gesto de respeito pelas suas inúmeras Vítimas, representadas no Abel bíblico, concretamente, todos os povos que nós já crucificámos e continuamos, hoje, aí, despudoradamente, a crucificar com muito mais eficiência e cinismo do que no passado? Viram /ouviram algum intelectual de referência da nossa praça europeia /ocidental levantar-se contra esta exaltação literária do Estuprador /Assassino, do Estupro /Assassínio que é o Grande Capital Acumulado /Concentrado? E as próprias vítimas na Europa e no resto do Mundo, já reduzidas a coisas-sem-alma, a simples mercadoria, a robots, não correram, até elas, a comprar o livro e a exaltar como seu Herói o Assassino?

3 Depois de tudo isto, o novíssimo e super-anunciado gesto de aparente bondade que a Fundação Saramago acaba

de assumir, como uma Jangada de Pedra a favor dos sobreviventes do recente genocídio do Haití e da reconstrução do país-carregado-de-jazigos-de-petróleo, no seu subsolo, não tem tudo de obsceno e de crueldade, de cinismo e de humilhação? Primeiro, faz-se implodir o país, à hora mais conveniente e previamente combinada, causa-se, com essa programada Implosão, aquele genocídio de medonha dimensão e, depois, promove-se uma Jangada de Pedra para a sua reconstrução, já na mira do petróleo que jaz no seu subsolo? Não é o Grande Capital Acumulado e Concentrado a levar por diante a sua perversa estratégia de crescer, crescer, crescer, sem nunca olhar a meios, e sempre sem quaisquer escrúpulos? Mas então ainda pensamos que o desenvolvimento científico, promovido e financiado pelo Grande Capital, é para fazer crescer as pessoas e os povos? Não sabemos que as pessoas e os povos são /somos cada vez mais excedentários no Planeta? Não sabemos que o Grande Capital, como Descriador do Humano que é, está apostado em fazer desaparecer da face da Terra os seres humanos, e trabalha dia e noite para esse fim? Não sabemos que nem sequer como consumidores, os seres humanos lhe interessam? O seu ódio aos seres humanos é mortal. E enquanto ele não erradicar os seres humanos da face da Terra, não tem sossego. Para isso nasceu e veio ao Mundo: para Descriar o que haja de Humano nos seres humanos e nos povos. Quer reduzir-nos a meras Mercadorias de compra-e-venda. Têm dúvidas?

4 Neste cenário europeu e global, onde estão /param os nossos intelectuais? Sobre o que escrevem os "colunistas"

de renome nos jornais do país e da Europa? Limitam-se a derramar lágrimas de crocodilo? Já nem isso. E os jornalistas dos grandes media o que dizem e o que mostram nas suas reportagens em directo? Não fazem apenas espectáculo com a dor e o sofrimento das vítimas? Não pairam como abutres sobre aquele Cemitério de seres humanos que, com a Implosão selectiva e genocida que, como Ocidente, provocámos no Haití, morreram, às dezenas e dezenas de milhares, cruelmente asfixiados sob os escombros? Quem disse que se tratou duma catástrofe natural? No século XXI, ainda há catástrofes naturais? Não são todas obra das nossas mãos, dos nossos cérebros, das nossas mentes dementes-dementes, dos nossos sistemas económicos, financeiros, dos nossos sistemas de poder político e dos nossos sistemas de poder religioso /eclesiástico? Não são todas provocadas pela febre do Lucro, da Conquista, do Roubo, do Saque que faz correr o Grande Capital? Não são todas desencadeadas pelo Senhor Dinheiro Acumulado e Concentrado? Somos ainda tão ingénuos e cegos, que não vemos esta mega- Operação de Descriação em curso no Planeta? Nem o massacre genocida do Haití abre os olhos das nossas mentes? Então não sabemos de que é capaz o Grande Capital Acumulado /Concentrado? Preferimos assobiar para o ar e dissertarmos sobre São Tomás de Aquino, a propósito do sétimo centenário da sua morte, ou sobre a última encíclica do papa Bento XVI e ficarmos por palavras sem sangue, sem lágrimas, sem Espírito, acerca daquele documento papal, que mais não é do que o canonizador da Idolatria do Ocidente?! Pobres intelectuais-minhocas portugueses e europeus /ocidentais!

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Enquanto o Grande Capital conquistou e roubou, sequestrou e escravizou, matou e dizimou os povos do resto do

Mundo, e nós, aqui na Europa /Ocidente, cantávamos e ríamos, desfrutávamos de algumas migalhas que ele deixava cair nas nossas mesas, não faltou quem, mesmo entre os intelectuais da nossa praça, eclesiásticos graúdos incluídos, achasse que o Capitalismo era a salvação e que fora do Capitalismo só haveria Miséria, Fome, Subdesenvolvimento, Asfixia, Morte. Semelhante discurso intelectual e semelhante sistema económico-político revelam à saciedade que a Demência humana ocidental nunca havia ido tão longe. No meio do hiper- Desenvolvimento material europeu /ocidental, do qual desfrutávamos algumas migalhas (uma minoria de privilegiados desfrutava mais do que migalhas e essa era composta pelos que estavam /estão nos lugares-chave dos países da Europa e do Ocidente, e também dos países do resto do Mundo), nunca nos demos conta do intrinsecamente Perverso que era, é, o Sistema Capitalista. Em vez disso, foram, até, inúmeras as vozes que

cantaram loas ao Sistema Capitalista. Inclusive, por parte das cúpulas das Religiões e das Igrejas, que vinham a terreiro ensinar que a Prosperidade material era, é, sinal de especial bênção de Deus!!!

6 E não se pense que este Discurso e esta Prática já foram abandonados, por parte das cúpulas das Religiões e das

Igrejas. De modo algum. Todas elas, sem excepção, estão ao serviço do Grande Ídolo que é o Grande Capital que financia as suas basílicas, catedrais, palácios episcopais, residências paroquiais, IPSS's, meios de comunicação de massas confessionais. As populações e os povos pensam que tais cúpulas estão consagradas a tempo integral a servir Deus e olham-nas como seres humanos à parte, ungidos para servirem no Altar e no Templo. Têm-nas como seres humanos sagrados, enviados por Deus, credores de todo o respeito, de cujas bocas só saem palavras de verdade e de bondade. Na sua ingenuidade e cegueira, as populações e os povos da Terra chegam a confiar-lhes as filhas, os filhos, para que elas as, os catequizem e eduquem nas suas paróquias, nos seus colégios, nas suas universidades. Assinam e lêem as suas publicações periódicas, jornais e revistas, os seus livros, escutam as suas rádios confessionais, visionam os seus tempos de antena nas tvs e sintonizam os seus canais de televisão, ao mesmo tempo que frequentam os seus cultos. Para as populações e os povos são todas seres humanos acima de qualquer suspeita. E por isso seguem fielmente as orientações que elas lhes dão.

7 Tudo, porém, está a ruir. O Desemprego em massa e a crescer de dia para dia (nunca mais voltaremos ao pleno

emprego, por mais que nos digam que sim) está, finalmente, a mostrar a verdadeira face do Grande Capital, do Capitalismo. Ele sempre foi intrinsecamente perverso, mesmo quando, na Europa /Ocidente, garantia trabalho remunerado e com alguns direitos às pessoas que contratava, mas, enquanto as nefastas consequências que causava estavam confinadas aos povos do resto do Mundo, a Europa /Ocidente continuava a tecer loas ao Capitalismo. Nem sequer víamos (não queríamos ver) que as nossas migalhas eram a fome e a morte pela fome e por doenças curáveis de milhões e milhões de crianças e adolescentes por dia. E vivemos na maior, também na maior das alienações, como se vivêssemos no melhor dos mundos. O Grande Capital era o Deus que nos valia. Garantia-nos trabalho remunerado, até cedeu, durante anos, às nossas reivindicações por determinados direitos e melhores condições de vida. A Europa /Ocidente era o paraíso. Havia os outros povos do resto do Mundo - a esmagadora maioria - que viviam na Miséria, sub-viviam, mas isso era porque - dizíamos com Cinismo! - não queriam trabalhar, eram preguiçosos, tinham outro tipo de cultura, seguiam outros deuses menores que não o Grande Capital.

8 Na nossa cegueira e na nossa alienação que são tremendas e, porventura, já irreversíveis, pelo menos durante as

próximas gerações, nunca demos conta que o nosso Hiper-Desenvolvimento era, é, o Híper-Subdesenvolvimento dos povos do resto do Mundo. Pior do que isso. Nunca nos demos conta de que o Grande Capital é a Mentira cientificamente Organizada, é a Exploração cientificamente organizada, é o Homicídio cientificamente organizado.

Quando mente, explora /rouba e mata faz o que é da sua natureza fazer. Não é capaz de fazer senão isso. Para isso ele nasceu e veio ao mundo. De modo que esperar dele Salvação, entranhas de Humanidade, é o mesmo que esperar que o Lobo amamente o Cordeiro e, depois dele desenvolvido, não o coma. O Lobo, animal, ainda pode, num ou noutro caso, chegar a comportar-se assim, se domesticado pelos Humanos. Mas o Grande Capital nunca chegará aí. Porque é indomesticável pelos Humanos. Ele é que domestica, submete, aliena, descria os Humanos. Em linguagem Teológica, a de Jesus, que é a Sabedoria feita Fragilidade Humana, Pão-Partido e Repartido, Sangue- Derramado-Entregue pela vida do Mundo e dos povos do Mundo, o Grande Capital é o Ídolo dos ídolos, o Ídolo-pai de todos os outros ídolos menores. Como tal, exige sacrifícios contínuos em sua honra, e sacrifícios preferencialmente humanos. Enquanto houver um ser humano sobre a Terra, ele não descansa, enquanto o não comer /devorar /sacrificar.

9 É uma questão de vida ou de morte. O Grande Capital sabe que os seres humanos, ou são domados, domesticados, subjugados, descriados por ele, ou eles acabam por o derrubar a ele. E, desde que nasceu, o Grande Capital colocou-se ao comando do Mundo. E é inconvertível. A luta é duélica. E o Grande Capital sairá sempre vencedor, até que os seres humanos, na sua maioria, resistam às suas mil e uma tentações e seduções. E permaneçam seres humanos desde a primeira Explosão que é a concepção de cada um de nós, no útero materno, à Explosão Final, que é a Morte /Ressurreição de cada um de nós. A luta é duélica. Titânica. Até hoje, o Grande Capital levou sempre a melhor, porque até conseguiu seduzir os seres humanos que se dizem de Jesus, o carpinteiro, o filho de Maria, que eles confundem com o mítico Cristo do Império, primeiro, Romano, hoje, o Império Financeiro Global. E conseguiu seduzir também até os outros seres humanos que se dizem ateus. Uns e outros, ainda hoje, se pelam todos por alcançarem um lugar no sistema dele, nem que para isso tenham de lhe vender a alma, a identidade, as filhas, os filhos, a própria vida.

10 E, no entanto, o Grande Capital está ferido de morte. E irá morrer /desaparecer, porque o ferimento que o atingiu não é só mortal. É também ferimento incurável. De modo que esta é, está a ser, a sua Hora Maior na História. Nunca, antes, o Grande Capital esteve tão omnipotente, tão omnipresente e nunca foi tão omnisciente. Está no zénite. No apogeu. Por isso, esta é também, surpreendentemente, a Hora dos Povos Crucificados, das Vítimas. Porque para grandes males, grandes remédios. O Desemprego em massa e irreversível, na Europa /Ocidente, como nos outros países do resto do Mundo, é hoje o pé de barro do Grande Capital, por onde ele vai cair. Desta vez, como nunca antes na História, os povos do Mundo, todos os povos de todo o Mundo, podem entender todo o Perverso que o Grande Capital e o seu Sistema Capitalista são. A perversão é tanta e tal, que até o emprego que, até hoje, ele garantiu, pelo menos nos países da Europa /Ocidente, é, da sua natureza, perverso. Pareceu-nos bom e foi entendido como tal nas gerações que nos precederam. Mas é intrinsecamente perverso. Basta ter por pai /patrão o Grande Capital. Ora, ao trabalharmos para o Grande Capital, fizemo-lo engordar, crescer, multiplicar-se, acumular-se, concentrar-se. E tudo isso deu no que agora está aí bem à vista de toda a gente, também à vista da gente da Europa /Ocidente. Fomos nós, com o nosso trabalho por conta dele, um trabalho que tínhamos por bom e que era, é, intrinsecamente perverso, que o engordamos, o fortalecemos, o acumulamos, o concentramos. Fomos nós os seus obreiros menores, mas sem os quais ele, Grande Capital, nunca se teria multiplicado, acumulado, concentrado.

11 Trabalhar por conta do (Grande) Capital, é, afinal, um lento suicídio. Sempre foi. Sempre será. Com isso, estamos a alimentar e a fortalecer o Lobo que, à distância, nos irá comer /devorar /sacrificar. Sempre houve vozes que nos alertaram para esta Perversão. Fizemos ouvidos de mercador. Fomos cínicos com elas. Denegrimo-las e aos seus nomes. E, no entanto, as vozes eram de Profecia, de Apocalipse. Denunciavam /Alertavam /Revelavam.

Fomos ainda mais longe na nossa ingenuidade /perversidade. Matámos os profetas. E fizemos viver o Lobo, alimentamos o Lobo, adoramos o Lobo. Até que ele cresceu tanto, tornou-se tão omnipresente, tão omnisciente e tão omnipotente, que hoje é a nós, Europa /Ocidente, que está também a comer, sem dó nem piedade, como, nestes últimos séculos, comeu os povos do resto do Mundo, sem que nós tivéssemos feito caso. Agora, chegou a nossa vez de sermos comidos. E, ou nos organizamos todos e lhe resistimos duelicamente, ou perecemos como pereceram as populações do Haití. Se não lhe resistimos, a Europa será, a breve prazo, um Haití à escala europeia /ocidental. Não ficará dela pedra sobre pedra.

12 O Haití está aí a gritar-nos este Alerta, como a sentinela ferida que ainda consegue gritar /advertir. O que

aconteceu lá não foi uma catástrofe natural. Foi uma Implosão provocada pelo Grande Capital. Tudo foi programado ao segundo e ao milímetro. Não!, não no-lo dizem, porque os grandes media são do Grande Capital. E porque os intelectuais da nossa praça andam entretidos com o sexo dos anjos, na versão século XXI, que dá pelo nome de "casamento homossexual". Até já estão a programar manifestações nacionais de católicos contra esse tipo de casamento. A cegueira e a ingenuidade não podem ser maiores. Nem o Desemprego em massa abre os olhos aos cegos e aos ingénuos. Do que hoje se trata, senhoras, senhores, é de resistirmos ao Grande Capital, organizarmo-nos para o amarrarmos /derrubarmos /decapitarmos. Esta duélica tarefa é trabalho para muitas gerações, a menos que, proximamente, consigamos que os melhores cérebros, que hoje estão ao serviço dele, passem em massa para o lado dos povos crucificados por ele, dos povos da fome, dos povos sem mesa e sem abrigo. Seria a grande Páscoa dos Povos. Mas, sejamos realistas: A História ainda não está madura para semelhante Páscoa Planetária. É preciso ainda muito trabalho, durante sucessivas gerações. Comecemos, já!

13 Atiremo-nos, pois, ao trabalho com entusiasmo (= com Deus Criador dentro de nós). Não mais ao trabalho

comprado pelo Grande Capital que esse só o faz crescer a ele e leva-o a ser cada vez mais Capital Acumulado e Concentrado. Atiremo-nos ao trabalho Político e Económico Maiêutico, o de Jesus, o trabalho de Deus Criador de filhas, filhos. Esse mesmo trabalho a que Jesus se entregou, sábados e domingos incluídos. Porque trabalhar para fortalecer ainda mais o Grande Capital é igual a um suicídio colectivo. Está aí hoje bem à vista. Trabalhar, sim, e sem descanso, mas para amarrarmos /derrubarmos /decapitarmos o Grande Capital, antes que ele nos descrie de vez como Humanos. Jesus entendeu isto, por volta do ano 27 desta nossa era comum, na sua Galileia. E meteu de imediato mãos à Missão de abrir os olhos das mentes e das consciências das pessoas /populações, de fazer andar os tolhidos, de libertar os oprimidos pelo Medo. E a quem se lhe opunha e o acusava de subversivo, de conspirativo e de blasfemo, Jesus sempre se justifica, assim: "Meu Pai trabalha sempre e eu também trabalho".

14 Só que, para podermos ser, hoje e aqui, outros Jesus e trabalharmos como ele e com ele, temos, primeiro, de

mudar de Deus: temos de deixar o Grande Ídolo, que é o Grande Capital, e abrirmo-nos como meninos ao Deus Criador de filhas e de filhos, o Deus de Jesus. Porque o Grande Capital é pai, mas de Mentira. E, em lugar de fazer viver, mata, porque é pai assassino, é o Assassínio e a Mentira organizados em Sistema que, para cúmulo, se faz passar por Deus aos olhos dos povos do Mundo. E tem conseguido enganar até os Ateus que, como José Saramago, só o são do Deus /Ídolo das Religiões e das Igrejas, porque servidores fiéis do Grande Ídolo que lhes dá Privilégios e Prémios, por exemplo, o Prémio Nobel da Literatura 1998 (José Saramago), o Prémio Pessoa 2009 (Manuel Clemente, Bispo do Porto) e o Prémio Inês de Castro 2009 (Padre Tolentino Mendonça). Sabedoria é preciso!

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Poucas são as pessoas, mesmo entre as que regularmente lêem /estudam a Bíblia, ao nível das paróquias

católicas e protestantes e ao nível das chamadas Testemunhas de Jeová, que sabem que, no livro do Génesis, há dois relatos distintos do mito das origens, que se convencionou chamar "Dilúvio". Consequentemente, ignoram também que entre os dois relatos há um intervalo de tempo, num total de cerca de 400 anos, durante os quais se sucederam bastantes gerações. A primeira versão, a mais antiga no tempo, é mais conhecida por relato Javista e surge, quando a casa real de David /Salomão precisava de se afirmar sobre as demais tribos de Israel e sobre os cananeus vencidos, que haviam sobrevivido à invasão e ocupação do seu chão, por parte das tribos hebreias, oriundas do deserto. A segunda versão é escrita no final do exílio da Babilónia, quando Israel estava manifestamente desfeito, sem mais vontade de prosseguir com a vida para diante. Era, por isso, o tempo da grande depressão colectiva em que o exílio de 70 anos havia deixado o povo de Israel. O país destruído, o próprio Templo mandado construir, 400 anos antes, por Salomão e que era o orgulho dos hebreus, estava totalmente por terra, não em resultado de um abalo sísmico, mas da invasão dos exércitos babilónicos e que não deixaram nada de pé nem pessoas a morar no país, a não ser os Ninguém de Israel. Deus, afinal, não passava de uma falácia, no dizer de muitos. Ou de um justiceiro /castigador dos pecados cometidos, no dizer de muitos mais. De modo que viver já não tinha mais sentido.

2´Quem lê o Génesis tal e qual como ele hoje se nos apresenta, pode estranhar que haja na narrativa do mito "Dilúvio" múltiplas repetições. Mas nem por isso conclui daí que as repetições se devem ao facto de a narrativa que hoje se nos apresenta como uma só, ter sido escrita, a partir de dois relatos distintos e quase contraditórios entre si. O facto, entretanto, não retira credibilidade ao livro do Génesis, bem pelo contrário. Dá-lhe ainda mais credibilidade. Revela, só por si, que para os autores da Bíblia, a vida vivida na História é sempre muito mais importante do que o texto bíblico. Revela que o texto bíblico nasce da vida vivida na História, e como tentativa de a entender nas suas múltiplas dores e contrariedades, alegrias e oportunidades. E entendê-la, para a transformarmos e nos transformamos juntamente com ela. Até, finalmente, estarmos à altura de a conduzirmos /pilotarmos de forma humanamente saudável, sábia. Revela, igualmente, que mais importante do que o texto bíblico é a vida vivida dos povos e das pessoas que "fazem" os povos. E a vida, junto com todas as suas circunstâncias de espaço e de tempo, económicas /financeiras, políticas, sociais, culturais /religiosas.

3 Esta constatação é decisiva para quem, hoje, lê a Bíblia, porque, quando a lemos, temos de ter sempre presente

que o nosso viver como povos e como pessoas que "fazem" os povos de cada tempo e lugar, é sempre mais importante do que o texto da Bíblia. E, até, para a Bíblia ser para nós uma mais valia, temos de ser capazes de ler- escutar-interpretar o texto bíblico, sempre a partir do nosso viver hoje e aqui e bem metidos no nosso viver hoje e aqui, ao mesmo tempo que precisamos de conhecer bem como era o hoje e aqui do viver dos povos e das pessoas que "faziam" os povos, quando o texto em causa foi escrito. Sem esta postura, caímos com a maior das facilidades nos chamados fundamentalismos bíblicos e nos fanatismos. Isto é, o texto passa a sobrepor-se à vida, torna-se um Ídolo ao qual chegamos a sacrificar a nossa própria vida, a nossa liberdade e a nossa consciência crítica. Quem não vê o grande défice de vida de qualidade, de liberdade, de maioridade e de consciência crítica nas pessoas e nos povos que vivem sob a influência da Bíblia, lida-escutada-interpretada pelas minorias privilegiadas das Igrejas todas e dos anciãos das Testemunhas de Jeová?!

4 Os fundamentalismos /fanatismos bíblicos partem sempre do texto bíblico para a vida, e não, como sempre

deverá ser, do nosso próprio viver hoje e aqui, e do viver dos povos no seio dos quais o texto bíblico nasceu, para o

texto bíblico. Quando assim é, bem se pode dizer que melhor fora não lermos nem ouvirmos ler a Bíblia. Porque, com esse tipo de postura, a Bíblia transforma-se numa arma de matar a vida dos povos e das pessoas que "fazem" os povos, em lugar de ser palavra que potencia a vida /o viver dos povos. Infelizmente, as Igrejas todas e as Testemunhas de Jeová, mais ainda do que as Igrejas todas juntas, é mais por estas águas do Obscurantismo, do fundamentalismo /fanatismo e da idolatria do texto bíblico que navegam e, por isso, atrofiam /matam os povos e as pessoas que "fazem" os povos. E não se pense que os "chefes" das Igrejas e da Congregação Testemunhas de Jeová agem assim, por ignorância. Só por ingenuidade, podemos pensar assim. Eles agem assim, porque lhes interessa, e aos outros "chefes" dos povos, terem povos e pessoas tolhidos, tolhidas, aterrorizados, aterrorizadas, politicamente desmobilizados, desmobilizadas da História, totalmente, à mercê deles e de outros que tais, minorias espertalhonas que não olham a meios para perpetuarem o seu Poder e os seus Privilégios sobre as maiorias, condenadas a um quotidiano sem saída.

5 Por ocasião de catástrofes de grande dimensão, com tudo de "dilúvio" bíblico, a Sabedoria tem sempre de sobrepor-se ao Saber que, quando recusa converter-se em Sabedoria (= um Saber ao serviço da libertação e da ressurreição dos Crucificados do Mundo, em vez de Saber ao serviço dos carrascos que as, os fabricam e ao serviço dos seus Sistemas), é sempre intrisecamente demente-demente. Só que, para mal dos povos e do próprio Planeta, isto não tem acontecido. Pelo contrário. As leituras fundamentalistas e fanáticas do mito bíblico das origens , conhecido por "dilúvio", que têm sido feitas, ao longo de todos estes séculos de Cristianismo, compreendido, ele próprio, e vivido sobretudo como mítico e fanático, têm sido mais desastrosas do que as grandes catástrofes propriamente ditas, por mais medonhas que estas historicamente tenham sido, e são-no sempre. A do Haití, por exemplo, ocorrida em meados de Janeiro de 2010, é a última, ao tempo em que escrevo este capítulo 37, de uma lista sem fim de outras catástrofes, todas medonhas, que a precederam. Todas, quando ocorreram, foram, duma maneira geral, lidas e interpretadas à luz do mito bíblico das origens, mais conhecido por "dilúvio". Pelo menos, no universo social onde a Bíblia continua a marcar presença, a ser lida e tida como uma referência.

6. E ninguém intelectualmente honesto, pode dizer que este uso fundamentalista e fanático da Bíblia tenha sido uma mais-valia para os povos do Planeta Terra e para as pessoas que "fazem" os povos, uma geração após outra. Não tem sido. E não o tem sido, porque os "chefes" das Igrejas todas e da Congregação das Testemunhas de Jeová (O Alcorão, dos Muçulmanos, ainda faz muito pior!), junto com os "chefes" das nações, ciosos, todos, do Poder e dos Privilégios que mantêm sobre os povos e as pessoas que "fazem" os povos, são absolutamente incapazes de um mínimo de Sabedoria. O máximo aonde conseguem chegar é ao Saber, uns mais, outros menos, conforme os cargos que ocupam dentro do Sistema, porque o Saber vem das escolas e das universidades, católicas incluídas, e basta ter-se oportunidade de acesso a essas instituições e aproveitá-la com mais ou menos sucesso.

7 Aliás, chegados ao Século XXI, a oportunidade de acesso às escolas e às universidades é alargada - até é obrigatória! - à maioria das filhas, dos filhos dos povos e das pessoas que "fazem" os povos que vêm ao mundo. Pelo menos, no chamado Mundo Ocidental e ocidentalizado. Porque hoje o Poder e os Privilégios das minorias, para se perpetuarem sobre as maiorias, carecem de mão de obra especializada, escolarizada, conhecedora /sabedora de tecnologias de ponta em constante mutação. Mas, em contrapartida, já não suportam, nem por um instante, a Sabedoria, nem as pessoas habitadas pela Sabedoria, e que se regem no dia a dia pela Sabedoria. Essas minorias dos Privilégios sabem muito bem que, hoje, não se podem perpetuar no Poder e nos Privilégios sem verdadeiros exércitos de técnicos bem adestrados, velozes e argutos, qual deles o mais veloz e o mais arguto. Mas, ao mesmo tempo, técnicos completamente esvaziados de Sabedoria. Porque a Sabedoria, ao contrário do Saber, para Acontecer nos povos e nas pessoas que "fazem" os povos, exige que eles e elas cresçam de dentro para fora,

cresçam no Humano, até se tornarem , pelo menos, da mesma estatura de Jesus, o Humano pleno e integral, que os do Poder e dos Privilégios do seu tempo e país odiaram de morte e mataram na Cruz do Império, quando, depressa, perceberam que ele não alinharia nunca nas suas patranhas /mentiras /idolatrias oficiais e institucionais, pelo contrário, lhes resistia e, a partir de determinado momento, passou, até, a desmascará-las todas como Idolatria, Mentira, Assassínio Organizados em Sistema.

8 Esta realidade histórica da primeira metade do século I, na qual Jesus, o filho de Maria viveu, hoje só se alterou para muito pior! Hoje, os povos e as pessoas que "fazem" os povos do Mundo, vivem absolutamente subjugados, subjugadas pelo Império Financeiro Global, de modo que já nem das armas tradicionais os dos Privilégios carecem, para se perpetuarem no comando do Mundo e nos Privilégios. O Império Financeiro Global, hoje, carece apenas de cérebros mais ou menos robotizados, todos muito bem formatados à imagem e semelhança dos computadores de alta definição, com bastante Saber Tecnológico acumulado e concentrado, dedos das mãos e pés cada vez mais velozes, se possível, à mesma velocidade da luz, 300 mil kms por segundo. Os dedos velozes das mãos, para mexerem nas máquinas de refinadíssima tecnologia e acompanharem o frenético ritmo delas; os pés velozes, para correrem atrás da bola do Futebol dos Milhões e, com isso, encherem estádios e mais estádios, em todas as grandes cidades do Mundo, de multidões ululantes, em posturas colectivas com tudo de Inumano, de Sado- masoquismo, de Demência-Demência, sem nenhuma Criatividade, sem nenhuma Capacidade de Decisão, sem nenhum Protagonismo, para lá do da Demência, sem nenhuma Arte, sem nenhum Poema, sem nenhum Belo. Apenas a Imbecilidade levada ao extremo, o Rebanho levado ao Extremo, a Alienação levada ao extremo!

9 Tivesse havido Sabedoria na leitura-escuta-interpretação do texto bíblico do Génesis, no que respeita ao mito das origens conhecido por "Dilúvio" e, certamente, a nossa Sociedade, hoje, seria outra, muito outra. Mas não houve. As cúpulas das Igrejas, de todas as Igrejas e, mais recentemente, das Testemunhas de Jeová, são, entretanto, as grandes responsáveis pela verdadeira catástrofe Humana Global que a leitura fundamentalista e fanática desse mito bíblico das origens causou nos povos e nas pessoas que "fazem" os povos. Por sinal, uma leitura- interpretação, já com três mil anos, pois vem da casa de David /Salomão e já, então, pela mão /boca dos sacerdotes do Templo de Jerusalém que Salomão mandou erguer nas proximidades do seu palácio real e a cujos cultos solenes ele próprio presidia como rei, o filho de Deus na Terra, como então os reis eram olhados e tratados pelos respectivos súbditos! Infelizmente, não houve Sabedoria, nem pôde haver. E nunca haverá Sabedoria, enquanto a leitura-escuta-interpretação deste mito bíblico das origens, conhecido por "Dilúvio", continuar a ser feita pelos mesmos sacerdotes /pastores /elites Privilegiadas, e pelos que, em cada geração, lhes sucedem na função, no Poder e nos Privilégios.

10 Custa-nos os olhos da cara ter de o reconhecer, a até achamos que quem, o reconhece e, como sentinela na cidade, nos alerta, para isso, só pode estar louco - não foi o que, no seu tempo e país, disseram, familiares incluídos, de Jesus, por ele o ter feito sem que a voz lhe tremesse?! - mas a verdade é que a Sabedoria não frequenta, nunca frequentou, nunca frequentará os locais do Poder e dos Privilégios, nem os locais onde se preparam pessoas para virem a servir nesses locais, quando os que agora lá estão, tiverem de dar o lugar a outros ainda mais refinados em Saber e ainda mais esvaziados de Sabedoria. Não está nas nossas mãos controlar a Sabedoria. Ela é soberana, não faz parte do Sistema, sempre Acontece e se manifesta fora do Sistema, nas margens, nas periferias, nas Nazarés e nas Galileias de qualquer país ou nação. E, quando aparece nos grandes centros do Poder e dos Privilégios, é para enfrentar duelicamente, ainda que desarmada, os detentores do Poder e dos Privilégios. Só que, se consegue entrar lá, já não sairá de lá viva, porque é inevitavelmente Crucificada. De forma cruenta. Ou de forma simbólica.

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Pois bem, uma leitura-interpretação do mito bíblico das origens, conhecido por "Dilúvio", conduzida e feita pela

Sabedoria revela, entre outras coisas, que as grandes catástrofes nunca são puramente "naturais", muito menos, têm, na sua génese, uma decisão de Deus. São sempre e fundamentalmente causadas por certo tido de comportamentos humano-institucionais, por acção e /ou por omissão. Invocar o nome de Deus, em alturas dessas, é meter-se no universo da Idolatria, porque o Deus que se invoca, ou para pedir protecção, ou para pedir perdão, ou para agradecer por se ter sobrevivido às catástrofes, aos "dilúvios", é sempre um Ídolo que quem o faz inventa, imagina, projecta para fora de si. É sempre um Ídolo. Nunca é Deus Criador, esse mesmo que nos habita e é mais íntimo a nós do que nós próprias, nós próprios. Sei que nos custa reconhecer esta afirmação e subscrevê-la /vivê- la. Parece, até, cruel, retirarmos às pessoas, em momentos como esses, esta "consolação", este "refúgio", este "ópio". Mas verdadeiramente cruel é continuarmos a alimentar esta mentira, esta falcatrua, esta Idolatria. Porque, com isto, impedimos as pessoas de crescerem de dentro para fora, de iniciarem o Êxodo da Mentira para a Verdade, da Opressão para a Liberdade, da Menoridade para a Maioridade.

12 O primeiro relato do "dilúvio", nascido sob o sopro /espírito do Saber /Poder /Privilégios que se respirava na

casa de David /Salomão é por aí que ainda vai, pela via da Mentira, da Idolatria, da Menoridade. Percebe-se bem, no Epílogo do relato. Quem escreve o relato sublinha, a terminar, que Noé, sobrevivente da catástrofe, do "Dilúvio", "construiu um altar ao Senhor [da casa de David /Salomão e do Templo que este mandou erguer, portanto, um Ídolo] e, de todos os animais puros e de todas as aves puras, ofereceu holocaustos no altar." (Gn 8, 20). Com este pormenor cheio de Idolatria, estava mais do que justificada a casa real de David /Salomão e o Templo que Salomão havia mandado construir e a cujo culto oficial e solene ele próprio presidia, como o filho de Deus, do Senhor, do Ídolo! Os sacerdotes que retocaram todos os textos do Primeiro Testamento, não colocaram aqui este pormenor por acaso. O seu poder sacerdotal e os seus Privilégios saíam mais do que justificados e reforçados! Só que era, é, tudo Idolatria, já que faz crescer o Poder /o Ídolo, e diminuir os seres humanos. E fá-los diminuir, até os pôr a andar de rastos, numa obscena demonstração de Indignidade Humana que nos envergonha e envergonha DeusVivo, cuja glória é que os povos e as pessoas que "fazem" os povos cresçam de dentro para fora, até virem a ser donas dos próprios destinos.

13 Curiosamente, o Epílogo do segundo relato mítico do "Dilúvio" que se mistura com o primeiro, e que foi escrito

uns 400 anos depois do primeiro, logo após a catástrofe que havia sido a queda da casa real de David /Salomão, a destruição do Templo e da cidade, mais o Exílio de 70 anos na Babilónia, já não fala em altar, nem em holocaustos de animais puros e de aves puras! O Religioso, que é sempre Idolatria, desapareceu. Os sacerdotes também desapareceram. O Sopro que acompanha a Palavra de ordem de Deus a Noé, nessa altura, já não fala de altar, nem de holocaustos sobre ele. Fala de vida, de crescimento das pessoas e dos povos e de multiplicação de pessoas e de povos. Apresenta Deus, não como Senhor [da casa real de David /Salomão e do Templo], mas Deus Criador de filhas, filhos que, com o tempo, hão-de alcançar todas, todos a mesma estatura de Jesus, o carpinteiro, o filho de Maria, em quem Deus Criador se revê por inteiro. E volta a repetir a primeira Palavra dirigida ao ser humano, mulher e homem, logo após a sua Criação, no decurso da Evolução, Criação que ainda está aí em curso: "Crescei, multiplicai-vos e cuidai da Terra!" (Gn 9,1).

14 Quer dizer: Deus, Criador do Humano, ao contrário do Ídolo descriador do Humano, o que quer é ver-nos

crescer de dentro para fora, até chegarmos a dispensá-lO a Ele! E isto só se consegue com Política Praticada, com

Práticas Políticas Maiêuticas, as únicas que nos fazem crescer em Humano, à medida que fazemos maieuticamente

crescer em Humano os demais! Numa Comunhão Global e Cósmica, que é o antónimo do Império Financeiro Global e Cósmico, que a Idolatria promove e alimenta. Nesta postura, cheia de Sabedoria (é a postura de Jesus, à qual ainda se juntam os Duelos Teológicos Desarmados!), veremos que até os "Dilúvios" acabam entendidos como outros tantos desafios a crescermos mais e mais em Humano, em Sabedoria, para efectivamente estarmos à altura de Cuidarmos da Terra, do Planeta, do Universo ainda em expansão e umas das outras, uns dos outros! Vem, Sabedoria /Maioridade! Vade retro, Saber /Poder!

Capítulo 36

1 Pode soar a blasfémia o que vou escrever-afirmar, logo a abrir este capítulo 36 do Livro da Sabedoria. Mas não

posso deixar de o escrever-afirmar. Eis: O que há de mais obsceno, sempre que sucedem catástrofes "naturais", como a do Haití, ocorrida em meados de Janeiro 2010, ou como as catástrofes bíblicas de um passado remoto, que ficaram conhecidas como "O Dilúvio", é aparecer de imediato o líder de uma Igreja /Religião qualquer, o papa de Roma, por exemplo, sem dúvida o líder religioso e simultaneamente chefe de estado do Vaticano, mais conhecido /temido sobre a Terra, a rezar publicamente pelas vítimas da catástrofe e a convidar as demais pessoas do mundo a fazerem o mesmo. Parece um gesto devoto, e devoto será, mas é o que há de mais obsceno e de blasfemo. Quem no-lo diz é a Sabedoria feita carne, Fragilidade Humana, numa palavra, feita Vítima Humana. O que prova à saciedade que o que há ou pode haver de "devoto" numa determinada acção ou iniciativa de alguém, não serve como critério de verdade e de sabedoria. Pelo contrário, o que há de "devoto" numa iniciativa ou acção de alguém, individual ou institucional, revela que estamos perante uma acção ou uma iniciativa mentirosa, hipócrita, cruel, disfarçada de religioso, por isso, de idolátrico. É uma inequívoca manifestação de Idolatria, como tal, uma acção ou iniciativa com tudo de inumano e de cruel.

2 Semelhante acção ou iniciativa é blasfema, antes de mais, porque invoca em vão o nome de Deus, o que

contribui, ainda mais, para fomentar, não a Fé-com-dignidade-humana em Deus, o de Jesus, mas o Ateísmo e a Idolatria. É blasfema, em segundo lugar, porque materializa uma postura idolátrica, já que semelhante acção ou iniciativa o Deus que invoca é sempre um Ídolo, disfarçado de Deus. É blasfema, em terceiro lugar, porque atira com a responsabilidade do sucedido, no caso, a horrenda catástrofe, para Deus, quando tudo o que ocorre dentro da História é da nossa exclusiva responsabilidade humana, já que a Terra nos está entregue e o nosso destino está umbilicalmente ligado ao dela e o dela ao nosso, pelo que cuidarmos dela é o mesmo que cuidarmos de nós, seres humanos. E, por isso, o acto de cuidar da Terra constitui, até, o primeiro mandamento que nos foi dado, enquanto seres humanos: "Crescei, multiplicai-vos, cuidai da Terra". Ou crescemos, multiplicamo-nos, cuidamos da Terra e temos futuro, ou não crescemos, não nos multiplicamos, não cuidamos da Terra e ficaremos como abortos. É que nós próprios somos Terra. Somos a Terra que, em nós, finalmente, se tornou pensante e afectiva, racionalidade e afectividade, numa unidade indissolúvel.

3 O líder religioso em questão pode ser, e no caso concreto, foi, o papa de Roma, lá no alto do seu Poder de

monarca absoluto e de líder religioso do Império global, sem dúvida, o mais conhecido e o mais temido /idolatrado do mundo. Mas isso só agrava ainda mais a situação. Porque do Poder é que saem as sugestões e as propostas mais dementes-dementes, ainda que possam apresentar-se vestidas de "devoção" e de "religião". E do Poder absoluto saem as sugestões e as propostas absolutamente dementes-dementes. Tudo o que tem a marca do Religioso é intrinsecamente perverso, porque é idolatria, como tal, é mentira. Serve apenas para mais e melhor nos seduzir, enganar, adormecer, anestesiar. Pode até suscitar, em quem ouve, a sensação de que estamos perante um

Institucional concreto cheio de bondade e de solidariedade. Mas apenas nas pessoas que insistem em frequentar os ambientes beatos, religiosos, geradores de pessoas e de populações assustadas, infantilizadas, diminuídas, possuídas de medos de deuses /deusas castigadores. São ambientes intrinsecamente doentios, dos quais, como seres humanos, havemos de fugir quanto antes e nunca mais regressarmos a eles, por maiores que sejam as catástrofes e as doenças que se abatam sobre nós e sobre o nosso entorno.

4 Todo e qualquer regresso aos ambientes religiosos, quando as catástrofes "naturais" se abatem sobre nós, é

sempre um regresso ao Infantil. E nada mais catastrófico do que um passo desses para trás no nosso desenvolvimento Humano. Porque do Infantil, é de onde vimos. Quer ao nível individual, quer ao nível colectivo. E sair do Infantil, fazer o Êxodo do Infantil para a Maioridade /Secularidade, a Política Praticada, nos antípodas do Religioso praticado, eis o caminho que temos de abrir e de percorrer, para chegarmos a ser plena e integralmente Humanos, como Jesus. Alcançar a estatura do plena e integralmente Humano, não é coisa espontânea, nem coisa fácil. É o mais difícil. Mas é esse o desafio com que estamos confrontados: chegarmos a ser outros Jesus, o filho de Maria, o filho da Fragilidade Humana, não do Poder.

5 Jesus é, até hoje, o único ser humano que levou ao limite e até para lá do limite este crescimento de dentro para fora. Nele, a Sabedoria feita Fragilidade Humana, a Terra que também somos alcançou o seu ponto Ómega, o seu máximo. Em Jesus, o filho de Maria, Racionalidade e Afectividade andam de mãos dadas, são irmãs siamesas. Nenhuma das decisões do Humano Jesus são desprovidas de racionalidade e de afectividade. Como tal, todas são decisões sábias. E, como as de Jesus, também as nossas precisam de chegar a ser. Enquanto não chegarmos aí, a Terra que também somos, estará sempre em perigo. Porque nós, humanos, que somos Terra, colocamo-la em perigo.

6 Para que a Racionalidade Humana seja Afectividade Humana e a Afectividade Humana seja Racionalidade

Humana, nós, os seres humanos, temos de viver permanentemente habitados do mesmo Sopro ou Espírito que habita plena e ininterruptamente Jesus, o filho de Maria, o filho da Fragilidade Humana, não do Poder. E que Sopro ou Espírito é esse que habita plena e ininterruptamente Jesus? Respondido pela negativa, temos de dizer que não é, não pode ser, o Espírito ou Sopro do Ídolo, disfarçado de Deus, em nenhum dos seus três rostos ou das suas três manifestações históricas: não é, não pode ser, o sopro ou espírito do Ídolo-Dinheiro ou Poder Financeiro Global, sem dúvida, o mais perverso de todos os três e o pai ou o gerador dos outros dois, por isso, ambos Ídolos menores, respectivamente, o Ídolo-Poder Politico e o Ídolo-Poder Religioso /Eclesiástico. Respondido pela positiva, temos que dizer que é aquele mesmo Sopro ou Espírito Criador-Libertador, plenamente Fecundo, que num princípio, há uns 13 mil e 700 milhões de anos, está presente e activo na espantosa e misteriosa origem do Big-Bang e, desde então, não deixa de animar a Expansão do Universo que resultou dessa Explosão num princípio, e que ainda hoje prossegue, sem que saibamos até onde ela irá chegar. É a este Sopro ou Espírito Criador /Libertador e Fecundo que se refere a Bíblia, no mítico-poético relato das origens, quando, logo a abrir, adianta este pormenor: "A Terra era informe e vazia, as trevas cobriam o abismo e o Espírito /Sopro de Deus (o não Ídolo) movia-se sobre a superfície das águas" (cf. Génesis 1, 2).

7 O universo ainda em expansão que "nasce" deste Sopro ou Espírito Criador /Libertador e Fecundo, do qual a

Terra que somos e habitamos faz parte como um dos seus Planetas, está todo ele misteriosamente habitado por Ele. Nós, os seres humanos que um dia acontecemos no decurso da Evolução /Expansão do Universo, somos todos filhos deste Sopro ou Espírito Criador /Libertador e Fecundo. Na verdade, acerca de um de nós, seres humanos, um

outro livro da mesma Bíblia, o Evangelho de João, atreve-se a iniciar com um outro Poema, que abre com estas

palavras: "Num princípio [esta expressão é igual à outra, do livro do Génesis], era o Verbo ou a Palavra". E, quase a concluir o Poema, escreve: "E o Verbo ou a Palavra fez-se carne [= Fragilidade Humana] e habitou entre nós e nós contemplamos a sua glória, como filho unigénito do Pai, cheio de graça e de verdade" (cf. João 1, 14). Ora, se há Verbo ou Palavra, há Sopro ou Espírito. No caso em presença, o Verbo ou a Palavra é de Deus, o Não-Ídolo, o Não- Poder, pelo que o respectivo Sopro ou Espírito é Criador /Libertador e Fecundo, como só a Fragilidade Humana é capaz de ser. Historicamente, este um de nós e connosco recebeu o nome de Jesus e é oficialmente apresentado ao mundo como o filho de Maria, não do Poder, por isso, como a Fragilidade Humana. E não uma qualquer Fragilidade Humana, mas a Fragilidade Humana historicamente mais Humilhada, que é uma outra maneira de dizer

a Fragilidade Humana mais absoluta.

8 É este mesmo Sopro ou Espírito que está num princípio, com o Big-Bang, e, cerca de 13 mil e 700 milhões de anos mais tarde, está de novo num outro princípio, com a Concepção ou o Big-Bang de Jesus, o filho de Maria, com o qual todos os seres humanos, mulheres e homens, quaisquer que sejam a sua nacionalidade, a sua língua, a sua cultura e a sua cor de pele, precisamos de andar plena e integralmente habitados também, entre o momento da nossa Concepção, ou do nosso Big-Bang individual, e o momento da nossa Explosão Final que nos fará definitivamente vivos e, por isso, invisíveis aos olhos dos demais que ainda não tenham chegado a PASSAR (Páscoa) por essa experiência única e irrepetível. Quando assim suceder, a Terra será toda ela plena e integralmente Humana em todos e cada um de nós, seres humanos. E já não haverá mais catástrofes "naturais" como aquelas catástrofes antigas, quase lendárias, que a Bíblia literariamente chamou "o Dilúvio" e como aquela que, nos meados de Janeiro de 2010, os habitantes do Planeta Terra pudemos conhecer no país mais pobre da América Latina, o Haití. E não haverá mais, porque com seres humanos da mesma estatura de Jesus, cheios de Graça e de Verdade, cheios de Espírito ou Sopro Criador /Libertador e Fecundo, sem nada do sopro ou espírito do Deus-Ídolo,

o Ídolo-Poder Financeiro Global, nem nada do seus dois Ídolos menores, o Ídolo-Poder Político e o Ídolo-Poder

Religioso /Eclesiástico, tudo nos seres humanos será Sabedoria. Todos os seus projectos, todas as suas Acções serão Projectos Criadores /Libertadores e Fecundos, Acções Criadoras /Libertadoras e Fecundas que fazem viver e viver com qualidade a muitas, muitos, entenda-se, todas, todos.

9 É a Idolatria que nos infantiliza e nos mantém no Infantil. A Idolatria religiosa e a outra, hoje bem mais perversa que a religiosa, a Idolatria do Dinheiro que se tornou independente da Economia e anda por aí à solta, como um mítico demónio do passado, quando ainda se pensava que havia demónios que eram anjos maus que se haviam revoltado contra Deus. Tudo isso é mítico e só serviu para manter ainda mais alienadas as pessoas, as populações.

E levou-as a correr para os templos e para as religiões, sem se darem conta de que cada vez estavam mais

roubadas, mais alienadas, menos senhoras dos seus próprios destinos. Os demónios existem, sim, mas apenas como realidades históricas, criadas por nós, seres humanos caídos na Idolatria. São os ídolos que nos infantilizam e que nós, em lugar de combatermos e de lhes resistirmos, corremos a submetermo-nos a eles, porque os tomamos como deusas, deuses. São obra da nossa imaginação, dos nossos medos, das nossas mediocridades, da nossa

infantilidade, das nossas ambições, da nossa fome de poder e de ter.

10 Quando nos deixamos habitar pelo sopro ou espírito do Ídolo, concretamente, do Ídolo-Poder Financeiro, do Ídolo-Poder Politico e do Ídolo-Poder Religioso /Eclesiástico, ficamos reféns deles e não somos mais nós próprios, seres humanos do mesmo jeito e da mesma estatura de Jesus, o filho de Maria. Somos os antípodas dele, os filhos do Ídolo, os filhos do Poder. O sopro ou espírito que nos habita é então descriador /opressor e assassino. Somos um perigo público. Tudo o que tocamos fica envenenado, ferido de morte. Infantilizamos, oprimimos, exploramos,

matamos, em vez de promovermos autonomias, maioridade, afectos, sororidade-fraternidade, comunhão. O próprio Planeta Terra, de tão maltratado por nós, acaba por se virar contra nós. De berço e de casa comum, torna- se um inferno e o nosso túmulo, onde permanecemos, geração após geração, como abortos. A brisa dá lugar a ventos ciclónicos. A chuva dá lugar a tornados. As fontes dão lugar a enchentes. As praias dão lugar a tsunamis. Por este andar, os lendários dilúvios do passado serão brincadeiras da natureza comparados com o que nos espera e às próximas gerações. A menos que emendemos a mão e nos convertamos. Deixemos de andar habitados e influenciados /conduzidos pelo sopro ou espírito do Ídolo, e, em seu lugar, passemos a andar habitados pelo mesmo Sopro ou Espírito Criador /Libertador e Fecundo que habitou Jesus, o filho do Maria, desde a sua Concepção à sua Explosão Final.

11 Pode parecer que estou a pedir o impossível, de tão possessas que as pessoas e as populações hoje vivem sob o

jugo ou o domínio do sopro ou espírito do Ídolo-Poder Financeiro (Dinheiro), do Ídolo-Poder Político (Governos e Parlamentos) e do Ídolo-Poder Religioso /Eclesiástico (Igrejas-Religiões). Tudo isso é idolatria. A Religiosa e as outras, a do Poder Financeiro e a do Poder Político. Em consequência, são cada vez menos as pessoas que o queiram ser na dimensão plena e integralmente humana. Todas as pessoas se pelam por chegar a lugares de topo, seja do Poder Financeiro, seja do Poder Político, seja do Poder Religioso /Eclesiástico. Ninguém, ou quase ninguém quer crescer em Humano, em Entrega de si aos demais, em Dádiva, em Pão Partido e Repartido, em vida entregue. Recusamos o Sopro ou o Espírito de Jesus, que é Criador /Libertador e Fecundo, e abrimo-nos de par em par ao espírito ou sopro do Ídolo que é o seu Inimigo, o seu antípoda. Faz-nos reféns, vinte e quatro horas sobre vinte e quatro horas.

12 Somos em geral antónimos de Jesus. Tanto os que se dizem crentes religiosos, como os ateus. Somos do Ídolo.

habitados pelo seu sopro ou espírito opressor, mentiroso, descriador e assassino. Somos as suas primeiras vítimas e tornamo-nos vitimadores, carrascos às ordens do Ídolo que nos infantiliza, descria e mata a nós e, depois, se serve de nós para infantilizar, descriar e matar os demais, os familiares, os amigos, numa palavra, todas as pessoas que lidarem connosco, com quem nós lidemos. E isto numa sucessão imparável que afecta toda a Humanidade, o Planeta no seu todo. Foi perante uma generalizada situação como esta que os autores do livro do Génesis escreveram o relato mítico a que chamaram "O dilúvio". E num desses relatos de "O Dilúvio" (há mais do que um no Génesis), chegam a pôr Deus Criador a confessar o seu arrependimento por ter criado o ser humano. É uma maneira literária, muito bela, de dizer que nós, os seres humanos, saímos muito pior do que a encomenda. E, se nesses remotos tempos, as coisas foram tão longe, hoje, com as tecnologias cada vez mais refinadas e com o nuclear aí em cada vez maior número de Executivos dementes-dementes, um qualquer dia, em vez de termos um Haití, como que o dos meados de Janeiro de 2010 mostrou, como num profético alerta e numa gritante revelação ou apocalipse, teremos uma Implosão do Planeta no seu todo.

13 A esta luz, entendemos ainda melhor o que eu comecei por escrever-afirmar no início deste capítulo. Primeiro,

as grandes catástrofes nunca são verdadeiramente "naturais". São fruto das nossas acções feitas sob o sopro ou o espírito do Ídolo. O Planeta Terra chega a um ponto que não aguenta mais e implode numa determinada região com um potencial destruidor semelhante ao de dezenas de bombas atómicas que explodissem ao mesmo tempo. Invocar o nome de Deus, e sugerir às pessoas que façam outro tanto, em momentos assim, é o que há de mais obsceno, porque é atirar para cima de Deus Criador /Libertador e Fecundo a responsabilidade do sucedido, em lugar de assumirmos o sucedido por inteiro. Só mesmo um líder do Ídolo-Poder Religioso /Eclesiástico pode fazer semelhante acção e sugerir aos demais seres humanos que a façam também. O que se impõe, em momentos assim, é que se ergam PROFETAS que, como o profeta Natan bíblico frente ao rei David, se dirijam aos chefes

idólatras da Terra e lhes digam. Vós sois os criminosos. Vós sois esse homem colectivo que está a descriar o Planeta. Os vossos sistemas económicos, financeiros, políticos e religiosos. todos idolátricos, é que fizeram esta Catástrofe, concretamente, a do Haití.

14 Ou mudamos de sopro ou espírito, ou perdemos o Futuro. Jesus, o filho de Maria, é o nosso Paradigma de ser humano. Temos de regressar a Jesus. Em boa verdade, nunca o fizemos. Por isso, mais do que regressar, trata-se de, finalmente, nos dispormos a acolher Jesus. Até hoje, nunca o acolhemos. Sempre o rejeitamos. O excluímos. Sempre o matamos. Sempre o expulsamos do nosso viver. Só tivemos olhos e abertura para o Ídolo. Ou mudamos radicalmente, ou vamos ao fundo. A opção é nossa. O Haití está a gritar-nos: Ou passamos a andar habitados pelo sopro ou Espírito de Jesus, e tomamos decisões pessoais e colectivas sob a sua influência criadora /libertadora e fecunda, e a vida terá a sua oportunidade para todos os povos, ou toda a Terra está à beira de ser um Haití à escala planetária. Escolher e decidir é preciso. Já. Porque, ontem, já era tarde!

Capítulo 35

1 Ocorrida por estes dias, que antecederam o dia 12 de Janeiro de 2010, em que estou a escrever o capítulo 35 do

Livro da Sabedoria, a Páscoa definitiva de Martinha (há por aí tantas Martinhas, em masculino e em feminino, que sacrilegamente escondemos em nossas casas ou em Cercis, quando deveríamos colocá-las bem no centro das cidades e das aldeias, como a luz do mundo que, na sua Fragilidade Humana, todas elas são), uma menina de 23 anos, 100% paraplégica desde o parto, por irresponsabilidade dos profissionais de saúde que na altura acompanharam o parto no Hospital, apresenta-se-nos, inopinadamente, cheia de Revelação e de Sabedoria que não posso calar nem esconder.

2 Acompanho Martinha, quase desde o parto. Para além de amigo da respectiva mãe Lurdes e do respectivo pai

Carlos, fui chamado por ambos, pouco tempo depois do natal de Martinha, para fazer uma reportagem-notícia (já então eu era jornalista profissional, para poder ser padre /presbítero da Igreja totalmente de graça e não figurar mais na lista dos funcionários eclesiásticos que, nos altares da idolatria das populações religiosas, servem os respectivos ídolos - as deusas e os deuses da nossa humilhação e da nossa vergonha - vivem e, muitas vezes, até enriquecem à custa deles!) sobre as difíceis condições de habitação em que então viviam, absolutamente incompatíveis com a sua totalmente inesperada condição de pais de uma menina paraplégica como Martinha. A reportagem-notícia fez o seu percurso e, ao fim de algum tempo, os serviços sociais da Câmara Municipal do concelho, onde vivem os pais, atribuíram-lhes uma casa rés-do-chão num bloco de apartamentos de renda social, acabado de construir.

3 Por coincidência, a Páscoa definitiva de Martinha acaba de ocorrer no mesmo Hospital onde, 23 anos antes, havia

ocorrido o seu natal. Como a gritar aos profissionais de saúde que, actualmente, lá trabalham, que não basta ser-se profissional de saúde encartado, reconhecido pelas respectivas Ordens profissionais e pelas Universidades que os formam. É preciso, imperioso e urgente que todos, elas e eles, sejam profissionais sábios, dotados de Sabedoria. O Saber, só por si, não faz profissionais Humanos. Pode até fazer profissionais perversos, ao serviço do Absurdo e do Intolerável institucionalizados, como aqueles profissionais que aceitam colocar-se incondicionalmente ao serviço das transnacionais que fabricam os medicamentos, com doses certas para manterem as pessoas doentes por

muitos anos, em lugar de as curarem e de lhes restituírem depressa a respectiva autonomia, sem mais dependência de fármacos.

4 Sim! Nem nos passa pela cabeça do que são capazes essas transnacionais e os profissionais que aceitam colocar-

se incondicionalmente ao seu serviço. A troco de chorudos salários, quando são profissionais que entram no "santo dos santos" do Perverso e do Intolerável das transnacionais e são obrigados a completo sigilo sobre o que lá se faz,

sob pena de assassinato imediato. Tal e qual como sucede com as Máfias. Ou, então, a troco de um simples prato de lentilhas, quando se trata de "pessoal menor" ou "pessoal auxiliar" (atentemos só neste tipo de linguagem que essas transnacionais e outras empresas semelhantes usam, como se, sob estas designações, não estivessem seres humanos, mulheres e homens. Uma barbaridade linguística quotidiana que as próprias pessoas afectadas aceitam, sem um mínimo protesto, sem a mínima manifestação de indignação!).

5 Profissionais de saúde sábios são profissionais de saúde com afectos. São profissionais de saúde com Espírito,

não o do Ídolo, mas o mesmo Espírito de Jesus, o filho de Maria, não do Poder Político, Financeiro ou Religioso. São

profissionais fecundamente Humanos. São profissionais maiêuticos. Porque as pessoas portadoras de doença ou com problemas que não conseguem explicar e controlar, são sempre pessoas. Nunca podem ser reduzidas a coisas, a números, a objectos. Nem sequer podem ser reduzidas a "doentes". São pessoas com doença. São sujeitos. E é nelas, nas pessoas com doença, que reside ou habita a capacidade de enfrentar a doença e de a combater, até a erradicar, ou, pelo menos, controlar, ter mão nela.

6 Os profissionais de saúde, quando sábios, serão sempre maiêuticos. Perante as pessoas com doença, assumem-

se como a parteira, nunca como os senhores, as senhoras do Saber. São servas, servos. Não são senhoras, senhores. Devem descalçar as sandálias, porque a pessoa que está perante eles é sagrada, é universo sagrado, não no sentido religioso /idolátrico, mas no sentido Humano. É na pessoa portadora de doença, e não neles, que está a capacidade de enfrentar a doença e de a combater. A Sabedoria é o que diz e faz. E exige que se diga e faça. Para

que o Mundo cresça em Humanidade, não apenas em Saber e em sofisticada Tecnologia!

7 Este sábio modo de ver a realidade muda tudo. A pessoa portadora de doença é sujeito. Nunca é objecto. Por

mais analfabeta que seja, os profissionais de saúde têm de a ver como o sujeito da sua própria recuperação /reabilitação /cura. Os profissionais de saúde são simplesmente "parteiras", presenças que fazem saltar cá para

fora as capacidades que estão adormecidas, ignoradas, alteradas, afectadas na pessoa portadora de doença. Para que ela, não eles, se coloque, desde a primeira hora, ao comando das operações. A medicação poderá ser uma ajuda suplementar e transitória. Mas apenas isso.

8 O primeiro trabalho a fazer, certamente, o mais difícil, mas também o mais eficaz, é despertar o sujeito que está em cada pessoa portadora de doença. E não só despertar. Pô-la de imediato a comandar as operações. Isto conseguido, tudo o mais vem por acréscimo. Deste modo, a pessoa portadora de doença cresce, e os profissionais de saúde diminuem em número e em importância. Agirmos assim, é a Sabedoria-em-acção que faz Humanas as pessoas. O Saber-em-acção, ao contrário, faz a pessoa portadora de doença diminuir até se tornar coisa, objecto, doente, que os profissionais do Saber ilustrado manipulam como um saco de batatas, enquanto eles crescem a bom crescer, em quantidade e em riqueza e em Poder /Sobranceria. É por isso a Ignomínia Humana em toda a sua

perversidade. Embora seja o que, infelizmente, hoje mais se pratica por aí, só porque confundimos Saber ilustrado com Sabedoria. Quando aquele sempre mata. E só a Sabedoria vivifica!

9 Mas a Páscoa definitiva de Martinha revela também uma outra dimensão do Humano que teimamos em não ver, porque o Saber que hoje se cultiva de forma supostamente ilustrada, cega-nos mais, muito mais do que a própria Ignorância e a própria Pobreza. Porque as pessoas ignorantes e pobres, na sua condição de vítimas e não de verdugos, carrascos, algozes, estão bem mais próximas da Sabedoria do que os profissionais do Saber. Não! Não é uma apologia da Ignorância e da Pobreza, as duas faces do Intolerável que, ao longo dos séculos, mais tem afectado, e de que maneira, as populações, nomeadamente, as do interior de cada país e as maiorias dos Povos do Sul, injuriosamente, chamados pelos dos Norte como Povos do Terceiro Mundo. Não é uma apologia. É uma denúncia, mais do que oportuna e necessária, da Arrogância dos profissionais do Saber, nomeadamente, do Saber altamente ilustrado. Uma denúncia e um alerta cheio de Ternura.

10 Com esta afirmação estou a (querer) dizer às pessoas do Saber, que se têm na conta de importantes, quanto o

seu Saber Ilustrado é perverso, inumano, demoníaco, sádico. O Perverso Organizado, hoje cientificamente Organizado, que dá pelo nome de Ordem Mundial e que mais não é do que a Ordem Mundial do Poder Financeiro Global, do Senhor Dinheiro, o Ídolo mais obsceno e mais assassino de todos os ídolos, é sobretudo delas que se

serve para realizar os seus projectos de Morte em massa e de acelerada Descriação do Humano nos seres humanos

e nos Povos. E elas, na sua cegueira ilustrada, nem se dão conta de que estão a ser reduzidas a verdugos, carrascos, algozes das populações e dos Povos. Melhor fora, por isso, que fossem do número das pessoas ignorantes e pobres

à força.

11 O Saber sem Sabedoria é no que dá. Faz verdugos. Carrascos. Algozes. Com a agravante de que estes nunca se

reconhecem tais. Pelo contrário, têm-se na conta de os mais importantes e os maiores da Sociedade. Orgulham-se dos lugares que ocupam. E os seus familiares, muitas vezes do grande número dos ignorantes e dos pobres, embora experimentem, perante eles, uma grande Tristeza que não sabem sequer de onde vem, não é isso que mostram aos demais, como deveriam mostrar, mas, sim, orgulho. Acham, até, que as suas filhas, os seus filhos, ao serem o contrário deles, é que estão a tirar a família da vergonha e da ignomínia que, antes, ela era, por ser uma

família ignorante e pobre. O Desconforto que sentem perante as filhas, os filhos é o das vítimas perante o carrasco,

o verdugo, o algoz. Mas nem eles sabem disso. Nem se apercebem disso.

12 E, depressa abafam esse sentimento, com a máscara de uma Alegria e de uma Satisfação que verdadeiramente

não têm, e que não vêm, não podem vir, de dentro. Fingem que estão alegres e muito satisfeitos e, com isso, enganam-se e enganam as próprias filhas, os próprios filhos. Porque, se fossem mães e pais vestidos com a Verdade, olhariam as filhas, os filhos nos olhos e dir-lhes-iam: Minha filha, meu filho, o que estão a fazer de ti; já nem pareces nossa filha, nosso filho; és uma vendida, um vendido; és uma prostituta, ou prostituto. O Dinheiro, esse Ídolo obsceno e assassino, comprou-te e tu deixaste-te comprar. Melhor fora que tivesses morrido nas minhas entranhas; que tivesses sido um aborto; e eu, tua mãe, teu pai, fosse estéril!

13 Martinha, ao contrário destas pessoas do Saber altamente ilustrado, é a Inocência feita mulher. E a sua Páscoa

definitiva é isso que revela. À luz da sua Páscoa, entendemos ainda melhor o seu natal. Foi vítima - e que vítima! -

dos profissionais do Saber sem Sabedoria. Em consequência, ficou para sempre incapaz de crescer em Saber ilustrado. Cresceu só em Sabedoria. Toda ela é Sabedoria. Vimo-lo melhor, no Momento da sua Páscoa definitiva. Todo o seu viver na História é, desde a concepção à Páscoa definitiva, um viver de menina sábia, imaculada, pura, inocente, toda ela Dom, Dádiva, sem nada Ter, sem nada Poder, toda Pão que se dá a comer.

14 Martinha é bem Deus-entre-nós-e-connosco. Um Emanuel, em feminino. Nos antípodas do Ídolo, quer o das

religiões, dos altares, dos funcionários religiosos e eclesiásticos, quer, sobretudo, do Ídolo mais obsceno e mais assassino de todos, que é o Senhor Deus Dinheiro, que tem ao seu incondicional serviço, as mulheres e os homens do Saber ilustrado, às, aos quais paga bem e assim as, os tem ao seu incondicional serviço, como seus algozes, seus

carrascos, seus verdugos, travestidos de outros nomes, por exemplo, sacerdotes, párocos, pastores, bispos residenciais, senhores dom fulano de tal, cardeais, papas, doutores, advogados, juízes, engenheiros, economistas, banqueiros, financeiros, primeiros-ministros, ministros, deputados, secretários-gerais de partidos políticos, presidentes de república, professores, reitores de universidades, oficiais das forças armadas, craques de futebol dos milhões, directores de informação nas tvs e nas rádios, directores de jornais e revistas, e tantos outros pomposos títulos que escondem o obsceno e o intolerável que todas, todos são!

15 De repente, Martinha que nem uma frase chegou alguma vez a articular, em todos estes 23 anos que durou o

seu viver na História, até se ter tornado definitivamente viva, nesta sua Páscoa definitiva, nem uma letra chegou a desenhar, nem alguma vez chegou a comer pela sua própria mão, nem andar pelos seus próprios pés; sempre teve de ser transportada, sempre teve de ser acompanhada, sempre teve de ser entendida no seu silêncio e nos seus sons inarticulados, no seu penetrante olhar e no seu rosto cheio de luz e de alegria, com risadas que ressuscitavam mortos, de tanta alegria e de tanta paz elas vinham cheias, faz-nos perceber, como num relâmpago, que o Saber ilustrado é exactamente o seu antípoda.

16 Martinha, na sua Fragilidade Humana, é Sabedoria, Verdade, Ternura, numa palavra, Paz-que-nos-faz-Humanos.

O Saber ilustrado, pelo contrário, é, na sua Arrogância, Perversão, Mentira, Ódio, Desprezo, numa palavra, Poder- que-nos-descria-e-mata-como-Humanos e nos faz carrascos, verdugos, algozes ao incondicional serviço do Ídolo, seja o dos altares das religiões, seja o secular e laico das transnacionais do Senhor Dinheiro.

17 Martinha é o Sacramento de DeusVivo, o de Jesus. Nela, vimos Deus entre nós e connosco. Nela, e noutras

tantas Martinhas, como ela, em masculino e em feminino, por esse mundo fora. À beira dela, o papa, com toda a sua corte imperial; os bispos residenciais, rodeados de lacaios nos cultos das suas catedrais, tira-mitra-põe-mitra,

toma-lá-o-báculo-dá-cá-o-báculo; os párocos, nos altares dos templos da Idolatria religiosa, à sombra dos quais fazem obscenos negócios e pregam mentiras que agradam ao Ídolo que eles incansavelmente servem, sempre a troco de dinheiro e de privilégios, são bem o sacramento do Não-Deus, pior, do Ídolo que gosta de cultos sem cultura, de catequeses sem Maiêutica, de ritos sem Profecia, de Baptismos sem Espírito de Jesus, o Crucificado na Cruz do Império.

18 É por isso que todos eles se entendem tão bem com os que seguem o Ídolo dos ídolos, o Senhor Dinheiro, o

Poder Financeiro Global, hoje, mais omnipotente do que nunca, mais omnisciente do que nunca, mais omnipresente do que nunca. E mais super-activo do que nunca. Servido pelos melhores cérebros dotados de Saber

supostamente ilustrado, verdadeiros carrascos, verdugos, algozes, mercenários sem escrúpulos que estão aí, dia e noite, em tudo quanto é sítio de decisão e de influência, a matar, roubar e destruir o que ainda há de Humano nos seres humanos e nos Povos. E a destruir o próprio Planeta Terra. Não estranhem, por isso, que eu, a todos esses, prefira Martinha, viva agora todos os dias no colo de Martinha e cante Martinha: Quando for grande vou ser / Quero ser como a Martinha / Nada Ter, nada Poder / Todo Paz, todo Alegria / Pão que se dá a comer / Quero ser como a Martinha.

Capítulo 34

1 Todos os anos, pelo Solstício de Inverno, as Igrejas celebram o Natal. Pensam que é o Natal de Jesus. Não é. Por

mais que elas digam que é. E quanto mais dizem que é, mais mentem. É o Natal do Sol que já os contemporâneos de Jesus, no século I desta nossa era comum, celebravam ciclicamente. Tinham no astro-rei, um mítico Deus e festejavam o seu cíclico Nascer /Natal, durante dias e noites, nas ruas, com excessos /orgias de toda a ordem. As Igrejas quiseram - indevidamente, abusivamente! - reprimir essa Festa dos povos e, como não conseguiram,

decidiram fazê-la sua, à sua maneira. Estávamos no tempo do imperador Constantino, início do século IV. Igrejas e Império inventaram então o mítico Cristo-Sol-da-Justiça, em substituição do mítico Sol-Invictus [Sol Vencedor]. E dizem, desde então, as Igrejas todas, as mais antigas e as mais recentes, que o mítico Cristo-Sol-da-Justiça é Jesus,

o carpinteiro, o filho de Maria, crucificado na Cruz do Império, em Abril do ano 30 desta nossa era comum. Não é.

Curiosamente, as populações e os povos sempre souberam que não é, mas fazem de conta que é, uma vez que essa alteração de linguagem não as aquece nem arrefece. O que às populações interessa é a festa, com todos os seus excessos /orgias. O nome do mítico Deus da festa pouco ou nada lhes interessa. Quem, entretanto, sai a perder, e a perder em toda a linha, são as Igrejas, porque a Mentira, por mais bem-intencionada que se diga, nunca gera Liberdade, Graça, Ternura, Humanidade, apenas os seus opostos, respectivamente, Opressão, Medo, Violência, Inumanidade.

2 Diz-nos a Sabedoria que não basta termos nascido para sermos Humanos. Também os animais nascem e não

passam de animais. Nunca chegam à condição de Humanos. Não basta termos nascido para sermos Humanos. Diz- nos mais a Sabedoria. Diz-nos que ninguém nasce Humano, apesar de todas, todos termos nascido de uma mulher

e de um homem. Para chegarmos à condição de Humano - adianta a Sabedoria - temos de nascer de novo. Do Alto.

Do Sopro /Espírito. E não de um qualquer sopro /espírito. Apenas do Sopro /Espírito das Vítimas. Eu próprio escutei-escrevi, em tempos, um singelo Canto de Janeiras que já proclama esta Boa Notícia, por sinal, deveras difícil de pôr em prática, como, de resto, toda a Boa Notícia de Deus, o-não-Ídolo, é difícil de pôr em prática. Diz assim: "Com o seu Natal [= Nascer (que só ocorreu uma vez e não acontece ciclicamente, como sucede com o Solstício de Inverno)] / Jesus está a dizer / quem quiser ser Homem [Humano] / volte a nascer. / Nasça entre os pobres / contra a Pobreza / promova a Justiça / partilhe a Riqueza. Quando vês os Homens/ crescer em Riqueza / não tenhas inveja / chora de Tristeza. / Quando vês os Homens / seus bens Partilhar / salta de Alegria / vai-os abraçar."

3 Até de Jesus, o filho de Maria, o Evangelho de Lucas atreve-se a dizer (vejam só o escândalo!), como Boa Notícia

de Deus para os povos de toda a Terra, que ele crescia em idade, em estatura, em sabedoria e em graça (cf. 2, 52). Como quem diz: se até Jesus, o filho de Maria, teve de crescer, e crescer não só em idade e em estatura, mas

também em sabedoria e em graça, isto é, em Humano, fica, definitivamente claro que essa é a única via para todos os nascidos de Mulher chegarmos a Humanos. Não basta termos nascido de mulher. Temos de nascer de novo,

todos os dias. Temos de nascer do Alto, todos os dias. Temos de nascer do Sopro /Espírito, todos os dias. Temos de nascer das Vítimas, todos os dias. Quem se recusar a esta conversão /operação /transformação permanente, não chegará nunca ao limiar do Humano, por mais anos que some, por mais estatura física que tenha. Só é verdadeiramente Humano quem cresce todos os dias em Sabedoria (não confundir com Saber!) e em Graça (não confundir com Religião /Idolatria). Sabedoria, tem tudo a ver com Fragilidade Humana, Despojamento do Ter, Libertação para a Liberdade, Sororidade /Fraternidade universal Praticada todos os dias. Graça, tem tudo a ver com Entrega de si aos demais e uns aos outros, com um viver feito Pão Partido e Repartido uns pelos outros, com Afectos Partilhados, numa palavra, com Práticas Maiêuticas e Duelos Teológicos Desarmados contra tudo o que há de Inumano institucionalizado, a começar pelo Sistema Religioso-Político e a acabar no Sistema Económico- Financeiro que produzem vítimas aos milhões.

4 O Evangelho de Marcos, o mais antigo dos quatro Evangelhos canónicos, diz o mesmo que o de Lucas, mas de um

modo ainda mais atrevido /ousado /escandaloso. Vejamos. A primeira vez que nos fala de Jesus, já ele é um adulto que deixa a casa da mãe, em Nazaré da Galileia, atraído pela pregação de João Baptista no Jordão. Coloca-o, depois, como um mais, entre os muitos outros, na fila de espera para ser baptizado por João no Jordão. Pensam ainda hoje as Igrejas que esse baptismo de Jesus por João nas águas do rio Jordão é que fez de Jesus o Humano por antonomásia. E que, por semelhança, também fará Humanas as pessoas que o receberem. Como se a água do rio Jordão, ou de outro rio qualquer, só por si, tivesse capacidade de fazer Humanos os nascidos de mulher. Não tem. Mas como essas Igrejas pensam assim - é um erro, mas que querem?, elas não desistem dele e levam as populações que se deixam guiar por elas a errar também - concluem, depois - e é isso que ensinam - que o baptismo em água, de imersão ou de aspersão, é que faz Humanos os nascidos de mulher. Não faz. O que nasce da água é apenas água. Não chega nunca ao patamar do Humano em estado de liberdade e de maioridade. Mas só graças a esta mentira é que as Igrejas se perpetuam e enriquecem, porque, assim, fazem menores e lidam com menores, por toda a vida. E menores que, em geral, recusam crescer em sabedoria e em graça, de modo que nunca chegam a dispensar os cultos e os pastores /párocos /bispos residenciais e outros poderosos, todos parte integrante de Máfias descriadoras do Humano.

5 Porém, no dizer /revelar do Evangelho de Marcos - a Sabedoria em forma de Boa Notícia de Deus - o baptismo de

João no Jordão não fez nada em Jesus. Tão pouco fez alguma coisa nas muitas outras pessoas que o receberam das mãos dele. Submeteram-se àquele rito, mas continuaram as mesmas. Não nasceram de novo. Do Alto. Do Sopro /Espírito-que-vem-das-Vítimas. Não se tornaram plena e integralmente Humanas. Continuaram tais quais como antes. O rito é apenas isso: rito. Não realiza nada. Não tem capacidade de fazer nascer de novo. Ainda consegue menos que o acto de se nascer de mulher. É por isso que as Igrejas todas, ou descobrem qual é a sua verdadeira Missão na História e a vivem-na todos os dias à intempérie e na Trincheira, ou é melhor que desapareçam, porque só prejudicam, só causam estragos na Sociedade, mesmo quando realizam certa Caridadezinha, coisa em que todas costumam ser peritas. Delas, se pode dizer o que Jesus diz de Judas, o que o vendeu por trinta dinheiros: Melhor fora que não tivesse nascido. O mesmo se tem de dizer das Igrejas que se ficam pelos ritos e pela Caridadezinha:

melhor fora que nunca tivessem nascido.

6 Como é, então, que Jesus, o filho de Maria, o nascido de mulher como todos os mais seres humanos, passou a

plena e integralmente Humano? Eis a questão de fundo que importa descobrir, porque ficaremos a saber como é que também nós, nascidos de mulher, podemos chegar a ser plena e integralmente Humanos. E aqui é que a Sabedoria, não o Saber, tem a palavra. Mas apenas essa Sabedoria de DeusVivo, o Não-Ídolo, que tem tudo de loucura aos olhos dos Sabedores /Doutores e dos Poderosos, servidores /adoradores do Ídolo, todos eles, por isso,

os mais inumanos dos seres humanos. Basta dizer que todos eles chegam ao cúmulo de se fazer adorar /idolatrar pelos demais seres humanos. Que outra coisa não são, afinal, os Privilégios que eles se auto-atribuem. São uma forma mais, porventura, a pior de todas, de adoração /idolatria, em grau mínimo, médio e máximo, conforme o tamanho dos Privilégios, mínimo, médio ou máximo que eles se auto-atribuem e exigem que os demais lhes reconheçam e lhes prestem publicamente.

7 Diz a Sabedoria que em Jesus tudo Aconteceu, "ao sair da água" (cf. Marcos 1, 10). Nesse Instante (cada Instante- com-Espírito /Sopro, o das Vítimas, é Eterno, não tem um antes, nem um depois, simplesmente, É!), os céus abriram-se, o Espírito veio sobre Jesus, habitou-o de forma plena e em permanência, enquanto Jesus escuta uma Voz a dizer-lhe: "Tu és o meu filho muito amado, em ti deposito toda a minha expectativa". Ninguém, em redor, se deu conta de nada, porque nada foi visível aos olhos nem audível aos ouvidos. Tudo foi mais íntimo a Jesus do que ele próprio. Nem sequer João Baptista que continuava, incansável, na administração do rito de baptizar em água, se apercebeu de nada. Terá dado conta, depois, ao ver que Jesus passou a dissentir abertamente dele, a não fazer

o que ele fazia, a não pregar o que ele pregava, a anunciar a Boa Notícia de Deus, enquanto ele, João, anunciava a

ira de Deus (Ídolo). O caminho de Jesus, a via de Jesus, seria outra, muto outra, que não a de João. João terá sido

historicamente importante, mas como pedagogo, como precursor de Jesus, nada mais do que isso. O mais pequeno na via de Jesus seria muito maior que João Baptista, sem dúvida, o maior entre os nascidos de mulher, mas que, historicamente, não chegou a nascer de novo, do Alto, do Sopro /Espírito das Vítimas da História.

8 Para o Evangelho de Marcos, a Sabedoria feita Boa Notícia de Deus, esse "ao sair da água" é o Instante em que

Jesus, o filho de Maria, nasce de novo, do Alto, do Sopro /Espírito-que-vem-das-Vítimas da História, fabricadas pelos Não-Humanos cheios de Privilégios que se têm na conta de deuses e se fazem adorar /idolatrar pelos demais

e pelos Sistemas que eles, na sua demência, criam, alimentam, administram, como se fossem coisa sagrada, divina.

E sagrada, divina até serão, porque são Idolatria. Desconhecem, no seu muito Saber sem um pingo de Sabedoria, que tudo o que se reclama de sagrado e de divino é sempre, mas sempre, Idolatria. Como tal, é Demência Organizada que tem de ser derrubada, porque só trabalha para descriar o Humano que o Sopro /Espírito-que-vem- das-Vítimas está aí continuamente a (tentar) criar na História.

9 É por isso que, a partir desse Instante - um Hoje que atravessa as sucessivas gerações, antes e depois dele - Jesus

passa a viver em Deserto - ainda Hoje vive, assim como todas, todos as, os que o seguem - que é o mesmo que dizer, na Trincheira, ou à Intempérie. Tem contra ele todo o tipo de "feras", todos os dos Privilégios, os chefes das

Religiões /Igrejas e os outros, e as próprias multidões que, nos seus medos, os adoram /idolatram, apesar deles serem, todos os dias e a todas as horas, os seus carrascos, os seus algozes, os seus verdugos, os seus mercenários. Até que Jesus acabará assassinado às mãos deles, na Cruz do Império deles, como o Maldito dos malditos. E tais são /serão sempre os viveres quotidianos e o destino último de todos os nascidos de mulher que, na esteira e na peugada de Jesus, aceitam nascer de novo, do Alto, do Sopro /Espírito-que-vem-das-Vítimas da História e, desse modo, atingem o patamar e a plenitude do Humano. Não só são nascidos de mulher, como todos os demais, mas são também nascidos de DeusVivo, Criador de filhas e de filhos em estado de Liberdade e de Maioridade, cheios de graça e de verdade, DeusVivo que nunca ninguém viu, a não ser em Jesus, o filho de Maria que, depois, se tornou tão filho de DeusVivo, o Não-Ídolo, que até Maria, sua mãe carnal, teve sérias dificuldades em reconhecê-lo e acolher a Boa Notícia de Deus que ele é /pratica /anuncia.

10

Os cíclicos natais do mítico Cristo, de que todas as Igrejas demencialmente falam e que todas elas

demencialmente celebram nos templos e altares da nossa vergonha humana (é tudo Idolatria que nos humilha e desumaniza, rouba os bens e a alma, nos faz violentos e fratricidas), mais não fazem do que descriar-nos de ano para ano. Infantilizam as populações e os povos que alinham nessa Idolatria, ou Mentira organizada. Só que

populações e povos infantilizados são um insulto a DeusVivo, o Criador de filhas e de filhos em estado de liberdade

e de maioridade, cuja glória consiste em que todos os nascidos de mulher atinjamos a mesma estatura de Jesus, o

filho de Maria. Mas como chegaremos a esse patamar, se as Igrejas são as primeiras a trabalhar, incansáveis, para

o impedir? Porque são Igrejas, não de Jesus, mas do mítico Cristo que todos os anos nasce e morre e, nos

intervalos, ainda nos é apresentado permanentemente pregado na Cruz, a do Império que matou Jesus, o filho de Maria e continua aí a matar, simbolicamente, que seja, as, os de Jesus, do seu Movimento maiêutico /libertador

para a Liberdade e para a Maioridade. São Igrejas do Deus-Ídolo, o mesmo que o Império adora /idolatra e cujo culto público promove, mediante os sacerdotes /pastores das religiões /Igrejas nos templos e nos altares.

11 Em lugar de trabalharem, dia e noite, para derrubarem o Império e, em seu lugar, ajudarem maieuticamente, a

erguer /edificar o Reino /Reinado de DeusVivo, Criador de filhas e de filhos em estado de Liberdade e de Maioridade - seres Humanos, plena e integralmente Humanos, como Jesus - trabalham, dia e noite, para servirem

o Ídolo do Império e o seu mítico Cristo, que só serve para nos fazer esquecer Jesus, o filho de Maria, que se tornou tão filho de Deus-Abbá, por isso, plena e integralmente Humano, que nem a sua própria mãe carnal o reconhecia como de Deus, já que o Deus que ela conhecia era o Deus-Ídolo do Templo de Jerusalém, o Deus-Ídolo da Lei de Moisés, interpretada pelos sumos sacerdotes e seus doutores da Lei, todos mercenários, todos ladrões e salteadores que apenas existiam para roubar, matar e destruir as populações. Quando chega aos ouvidos dela que Jesus, o filho das suas entranhas, estava contra tudo e contra todos, até contra os sumos sacerdotes e o Templo de Jerusalém, contra a Lei de Moisés e as Tradições dos antigos, até contra o próprio Moisés e o mais sagrado dos preceitos da Lei de Moisés que era o descanso sabático, ela não se conteve mais e saiu, um dia, juntamente com os irmãos de Jesus, seus filhos como ele, a ter mão nele. O filho das suas entranhas só podia estar fora dele, louco varrido.

12 Por aquele então, Jesus teve de fazer uma opção. Ou era da sua família de sangue e do seu povo de Israel, do

Templo /Sinagoga e do Deus-Ídolo que lá se adorava, um Deus devorador de pobres e de viúvas pobres, ou era de todas as vítimas da História, as do seu próprio Povo Israel e as outras todas, dos outros povos. E Jesus não hesitou em escolher. Fez-se família dos sem-família, dos sem-nome, dos sem-honra, dos desprezados, dos excluídos, numa palavra, dos Ninguém. Ficaria sozinho, porque até estes de quem ele se fez família, virão a cuspir-lhe na face, na pessoa dos soldados romanos, virão a escarnecer dele e a exigir a sua morte Crucificada. Em lugar dele, preferiram continuar fiéis aos seus verdugos, a troco de alguma Caridadezinha e de outras benesses para as filhas, os filhos, mesmo que estas, estes, para usufruírem dessas benesses, tenham que se prostituir nos seus haréns, espalhados pelos hotéis reservados aos Executivos das nações, ou nos templos paroquiais e cartórios, onde vale tudo, até tirar olhos.

13 Temos de parar para reflectir. Quem pensa que basta ter nascido de mulher para se ser Humano, está

enganado. Nem com Jesus, o filho de Maria, as coisas foram assim. Até Jesus teve de nascer de novo, do Alto, do Sopro /Espírito-que-vem-das-vítimas-da-História. Como Jesus, também nós, cada uma, cada um de nós. Não importa se se é ateu ou religioso. O ateu e o religioso são as duas faces da mesma realidade, a Idolatria, essa mesma que fabrica as vítimas humanas aos milhões. Do que se trata é de nascermos de novo. Das Vítimas. Abrirmo-nos, pois, à mesma Fé de Jesus e, com ele, por ele e nele, trabalharmos incansavelmente para tirarmos da

Cruz os Crucificados e, ao mesmo tempo, acabarmos com o Império que crucifica na sua Cruz todas, todos as, os que lhe resistem e denunciam /desmascaram a Idolatria com que ele se faz passar por Deus, quando mais não é do que a Mentira organizada /institucionalizada, pai de mentira /Idolatria, ladrão e assassino compulsivo. Eia! Ousemos ser outros Jesus, neste Século XXI e Terceiro Milénio além.

Capítulo 33

1 É urgente regressarmos a Jesus, mas é difícil. Dificílimo. Já o disse no capítulo anterior. E volto a sublinhá-lo aqui. Ao mesmo tempo que aponto mais umas quantas razões de fundo, justificativas desta dificuldade. O curioso é que

a nossa sociedade deste Século XXI é cada mais secular e o facto, só por si, deveria facilitar e até acelerar o

processo do regresso da Humanidade a Jesus, o filho de Maria. Porque, se há judeu que, depois de se autonomizar da família de sangue, foi cem por cento fecundamente secular-laico, nada religioso, esse judeu é precisamente Jesus. Só que Jesus, nestes séculos que nos precederam, sempre esteve, para seu e nosso mal, sequestrado /manipulado pelos sacerdotes das religiões, pior ainda, pelos clérigos católicos e cristãos que, desde Constantino,

são simultaneamente, funcionários religiosos e funcionários públicos, nesta última dimensão, a de funcionários públicos, primeiro, do próprio Império romano, depois das monarquias e, hoje, das Repúblicas que, pelo menos, nos países do Ocidente, se reclamam de laicas, mas são beatas e hipócritas que se fartam, sempre na cola da Hierarquia eclesiástica (bispos residenciais e párocos /pastores de igrejas) e do papa de Roma que é, simultaneamente, o chefe de Estado do Vaticano. Uma vergonha e uma Indignidade sem nome.

2 Jesus, porém, é tão secular e laico (daquele Espírito ou Sopro que plenamente o habita, dizem as quatro

narrativas do Evangelho, que é santo e, com isso, querem simplesmente dizer Espírito ou Sopro outro, não o estéril

e castrador espírito /sopro das Religiões e do Poder Financeiro e Político, mas o Espírito /Sopro fecundamente

secular-laico de Deus, nosso Abbá, o das Vítimas e dos Crucificados), que, desde muito cedo, conheceu o ódio

teológico de todos os religiosos maiores do seu pequeno país, esses mesmos que estão na origem da sua morte crucificada na Cruz do Império romano. E não só dos chefes religiosos maiores. Também dos seus próprios

familiares de sangue, dos seus vizinhos e da generalidade dos seus concidadãos. Escreve o Evangelho de João, logo

a abrir o capítulo 7: "Depois disto [isto é, depois da deserção quase em bloco dos seus discípulos, à excepção do grupo dos Doze e, mesmo estes, não se afastam, naquela mesma altura, só na altura da sua prisão e da sua morte na Cruz do Império, porque continuam erradamente a pensar que ele é o messias na linha do rei David,quando Jesus nem messias é,apenas o Ser Humano por antonomásia!], Jesus andava pela Galileia; não queria andar pela Judeia, porque os dirigentes judeus procuravam matá-lo."

3 "Aproximava-se - prossegue o capítulo 7 do Evangelho de João - a grande festa dos Judeus, a das Tendas. Os seus

irmãos disseram-lhe: Sai daqui e vai para a Judeia, para que os teus discípulos [todos esses que tinham acabado de

o abandonar] vejam as obras que tu fazes, pois ninguém faz as coisas clandestinamente, se pretende tornar-se

uma figura pública. Se fazes estas coisas, mostra-te ao mundo. Na verdade, nem os seus irmãos lhe davam a sua adesão /criam nele. E Jesus diz-lhes: Para mim, ainda não chegou o momento oportuno, mas para vós qualquer

momento é oportuno. O mundo [no caso, a Judeia-Jerusalém] não tem motivo para vos odiar, mas a mim odeia-

me, porque eu, ao contrário de vós, denuncio que são perversas as suas obras [o seu Poder Económico-Financeiro,

o seu Poder Político, o seu Poder Religioso, juntamente com o seu Templo]. Depois de dizer isto, permaneceu na Galileia."

4

"Contudo - prossegue ainda o Evangelho de João - depois que os seus irmãos subiram à festa, ele também subiu,

não com publicidade, mas a modos de clandestino. Os dirigentes judeus procuravam-no durante a festa e perguntavam: Onde estará ele? O povo falava muito dele, por entre dentes, como a cochichar. Uns diziam: É um homem de bem! Outros, ao contrário, afirmavam: Não! Ele anda a desencaminhar o povo! No entanto, ninguém se atrevia a falar acerca dele em voz alta, por medo dos dirigentes judeus. Foi então, quando a festa já ia a meio [durava sete dias!], que Jesus subiu ao Templo e pôs-se a ensinar [não vai ao culto, mas subverter /denunciar o culto que lá se realizava e que oprimia /explorava /enganava /matava o povo]. Os dirigentes judeus perguntam-se desconcertados: Como sabe ele de Escritura [de Teologia, de Deus-Abbá],se não estudou [nas nossas universidades]? Jesus replicou: A minha doutrina não é minha, mas dAquele que me enviou."

5 A narrativa não pode ser mais clara sobre quanto Jesus é secular-laico, não-religioso. Vejamos, porém, ainda mais

em pormenor, como Jesus é secular-laico, não-religioso. Para começar, Jesus nasce em Nazaré, na Galileia. É criado, até à idade adulta, nessa aldeia que, então, nem sequer figurava no mapa e ficava nos antípodas da Judeia, consequentemente, longe do Templo de Jerusalém, a cidade capital da Judeia. Significa isto que Jesus é criado e cresce longe dos fedorentos ambientes da Religião oficial de Israel (fedorentos, sim, porque o cheiro dos contínuos sacrifícios cruentos dos animais no altar dos ditos, no Templo, empestava a atmosfera da cidade e esta tornava-se quase irrespirável). É criado longe de toda aquela idolatria, de todo aquele ritualismo /legalismo farisaico, de toda aquela hipocrisia sem limites. E longe de todo aquele negócio religioso que levará Jesus, mais tarde, a chamar ao próprio Templo de Jerusalém, "covil de ladrões".

6 Não! Jesus não nasceu em Belém, como se escreve nos dois primeiros capítulos, exclusivamente teológicos, do

Evangelho de Mateus e do Evangelho de Lucas, com o declarado objectivo de, com esse artifício literário que as Igrejas sempre têm interpretado, erradamente, como um dado histórico, o poderem entroncar na linhagem dinástica de David. Numa altura, em que ainda se pensava que Jesus era o messias, e, para cúmulo, o messias na linha do rei David, isto é, descendente e sucessor do rei David e, como ele, vencedor dos inimigos dos Judeus. Felizmente, não é. Jesus nem sequer é o messias, pela simples razão de que não há, nunca houve, nunca haverá messias nenhum, fora de cada uma, cada um de nós, os seres humanos. (Esta interpretação de Jesus Messias, ou de Jesus Cristo é de origem judaica. Deve-se ao facto histórico de os primeiros discípulos de Jesus serem judeus. Inevitavelmente, "puxaram" a brasa à sua sardinha. E "viram" Jesus como o Messias /Cristo esperado. E assim o anunciaram aos demais Judeus. Sem sucesso, diga-se, porque, como sabemos hoje, os Judeus nunca reconheceram Jesus como o "seu" Messias. Ainda hoje continuam à espera dele! Só que o próprio Jesus nunca aceitou esse título, como no-lo testemunha o Evangelho de Marcos, o mais antigo dos quatro Evangelhos. De modo que até desta interpretação havemos de resgatar hoje Jesus, o filho de Maria, para que ele se torne integralmente universal). E os messias que houve, há e haverá sobre os demais seres humanos são todos ladrões e salteadores. Todos vêm para roubar, matar e destruir as populações e os povos (cf. João 10). Muito menos, Jesus, alguma vez, aceitaria ser o messias dos Judeus ou dos Povos da Terra, na linha do rei David, o mesmo é dizer, na linha do Poder Político vencedor /esmagador dos inimigos. Um messias assim, só mesmo do Deus-Ídolo, hoje o Senhor Dinheiro ou o Poder Financeiro Global, assessorado pelos do Poder Religioso e pelos do Poder Político.

7 Os próprios Evangelhos que isto escrevem têm o cuidado de dizer: Nem que Jesus fosse, porventura, da linhagem

do rei David, só o seria por via legal. Não por via biológica. E só por isso é que eles o apresentam como o filho putativo /adoptivo de José. Com este artifício literário, tentam (e, pelos vistos, com bastante êxito, pelo menos, até

hoje, mas um êxito que é a grande desgraça da Humanidade!) esconder o salutar escândalo que o Evangelho de Marcos, o mais antigo dos quatro Evangelhos canónicos, nos anuncia, ao apresentar Jesus aos Povos do Planeta como "o carpinteiro /camponês", e como "o filho de Maria" (que tipo de pai biológico seria o de Jesus, cujo nome, segundo este Evangelho, nunca chega a ser pronunciado pelos vizinhos dele, de tão desprezível que esse seu pai seria?!), nado e criado em Nazaré da Galileia. Assim mesmo. Sem tirar nem pôr. À luz dos critérios tradicionais e oficiais, inclusive, das religiões, o escândalo é total. Insuportável. Intolerável. Com semelhantes origens, aonde é que se poderia chegar? Quem iria acolher semelhante Boa Notícia, semelhante Evangelho?

8 E, no entanto, é este o Evangelho ou a Boa Notícia de Deus, nosso Abbá, e não o Evangelho do Império e do seu César vencedor, que Jesus vem dar a conhecer pessoalmente, mediante as suas próprias Práticas maiêuticas e os seus Duelos teológicos desarmados que lhe irão custar a própria vida. O que constitui uma Revolução Teológica sem precedentes na História da Humanidade, que as populações e os povos e as respectivas religiões e Igrejas, vinte séculos depois, ainda não estão dispostas, dispostos a acolher-aceitar, muito menos, a prosseguir nas suas vidas, nem nas vidas das suas filhas, dos seus filhos. E, para cúmulo, sempre, ou quase sempre, depressa até ostracizam e matam, simbolicamente que seja, o mensageiro que lhes anuncia semelhante Evangelho e que, na sua fragilidade humana, ousa prosseguir, de forma actualizada, em cada tempo e lugar, semelhante Revolução Teológica Jesuânica. Porém, em verdade, em verdade lhes digo: Tudo o que não for assim, como escreve /anuncia

o Evangelho de Marcos, não passa de um arranjinho interesseiro, constitui um gravíssimo desvio da História, por

isso, um gravíssimo desvio da verdade dos factos. E, já sabemos: Fora da Verdade, jamais chegaremos à plena Liberdade e à plena Maioridade. E nisto estamos. Povos sem Liberdade e sem Maioridade. Esmagados por guias cegos que nos cegam e conduzem para o abismo, cada vez mais aí. Povos infantilizados, que é de meter dó. Com lágrimas o escrevo /digo. E como Alerta geral. Como cabe à sentinela da cidade fazer, a tempo e fora de tempo.

9 Obviamente, a nós, mulheres, homens, do Século XXI e do Terceiro Milénio, só nos pode /deve interessar Jesus, o da História. Não o Jesus sequestrado /manipulado /inventado pelas Igrejas /Religiões, Igrejas-Poder, o braço direito do Poder Financeiro Mundial, hoje, global, uma espécie de mítico Jesus-Cristo que, como diz o calendário, nasce e morre todos os anos, numa espécie de tragicomédia-faz-de-conta! E, quando digo /escrevo que é urgente regressarmos a Jesus, é a este, o Jesus da História, "o carpinteiro /camponês", "o filho de Maria" (cf. Marcos 6). Porque só este é o Ser Humano por antonomásia, aquele que está posto como paradigma de todos os seres humanos, a partir dos últimos dos últimos, qualquer que seja a nossa origem, a nossa nacionalidade, a nossa língua, a nossa linhagem, os nossos antepassados. Inclusive, a nossa religião, ou o nosso agnosticismo /ateísmo.

10 Todas estas coisas que se nos sobrepõem depois de nascermos, não passam de acréscimos que, com o rolar dos séculos, (quase) inevitavelmente se colam aos Seres Humanos que somos e que logo nos aprisionam, nos condicionam, nos "comem" a autonomia, a originalidade, o Eu-Sou irrepetível e único que cada mulher, cada homem que vem a este mundo é, deve ser, tem de ser. Tal e qual como Jesus foi, é. De contrário, seremos sempre

outra coisa, seres desviados do Humano, por isso, ou uns desgraçados adoradores de ídolos (a esmagadora maioria da Humanidade), ou uns idolatrados adoradores de ídolos (uma minoria da Humanidade) que os primeiros, infantil

e ingenuamente, tomam por deuses e deusas. E lá se vai o salutar Secular-laico, em nós, por água abaixo. Em seu

lugar, cresce o beato /o religioso, o filho do Poder /Ídolo, que é tudo menos Ternura, o filho do Saber /Ídolo, que é tudo menos Sabedoria, o filho do Dinheiro /Ídolo, que é tudo menos Deus-Abbá, o de Jesus, que nunca ninguém viu nem verá, nem o Moisés bíblico, nem o papa de Roma, e que, quer tenhamos consciência disso ou não,

misteriosamente nos habita, por pura graça, desde o primeiro instante da nossa concepção, e sem cujo Sopro nem sequer teríamos chegado a Acontecer /Ser, no decurso da Evolução.

11

É a este Jesus secular-laico, o carpinteiro /camponês, o filho de Maria, que é urgente regressarmos. Ao Jesus de

Nazaré, o filho de Maria, a mais Humilhada das mulheres que, mesmo assim, teve enorme dificuldade em entender o seu próprio filho e toda a Revolução Teológica que ele praticou /anunciou e por causa do que foi odiado /ostracizado /abandonado por todos e, finalmente, assassinado na Cruz do Império Romano, o que fez dele o Maldito dos malditos para sempre. E tudo porque Maria, como todas as demais mulheres judias e todos os homens judeus, vivia sob a poderosa influência ideológica da Lei de Moisés, perversamente interpretada pelos sacerdotes e pelos doutores /sabedores da dita; era, como toda a população judia do seu tempo e país, vigiada dia e noite e controlada pelos fariseus, uma espécie de polícia dos costumes. E tinha no Templo de Jerusalém a sua referência última e nos sumos sacerdotes que oficiavam ao culto, os representantes máximos de Deus. Quando vem a saber que o seu próprio filho está a levar a cabo no país uma Revolução Teológica sem precedentes, que nem o Templo de Jerusalém nem os sumos sacerdotes, nem a Lei de Moisés se safam, porque são esterco, idolatria, ela fica dividida entre eles e ele e, até à morte crucificada do seu filho, sempre foi mais pelo Templo, pelos sumos sacerdotes e pela Lei de Moisés, do que pelo seu próprio filho.

12 Haveria de abrir os olhos da mente e do coração, anos depois da morte maldita do seu filho Jesus e fazer sua a

Revolução Teológica de Jesus, o filho das suas entranhas. A destruição do Templo de Jerusalém e da "cidade santa" pelos exércitos romanos foi o desmoronar de séculos e séculos de Idolatria. Finalmente, também ela vê que o seu filho Jesus é quem estava /está certo, era com ele que Deus-Abbá estava /está, a sua Revolução Teológica era /é a via que toda a Humanidade haverá de descobrir e fazer sua, independentemente do país e da língua, da cultura e das tradições em que tenham nascido as pessoas que a constituem. Fez-se então das, dos (do Movimento de) Jesus e, com essa sua conversão, com esse seu nascer do mesmo Espírito /Sopro de Jesus, tornou-se simplesmente Humana. Mais. Tornou-se, também ela, integralmente Humana, como o seu filho.

13 Na sua crassa e altamente rentável Idolatria, as Igrejas (sobretudo a católica que também integro como

presbítero dissidente, mas sempre dentro dela, e como aprendiz de discípulo de Jesus, o filho de Maria, e como prosseguidor da sua Revolução Teológica), têm feito de Maria, a mãe de Jesus, uma deusa com múltiplos nomes. São Igrejas caídas na Idolatria, guias cegos que as populações e os povos têm de pôr de lado, se quiserem chegar a ser simplesmente Humanas, Humanos. De contrário, continuarão a ser populações e povos infantilizadas, infantilizados, enganadas, enganados, exploradas, explorados, sem nunca chegarem a crescer como Jesus em

sabedoria e em graça, o mesmo é dizer, em Liberdade e em Maioridade, sem mais necessidade de deuses nem de chefes, de religiões e de templos, de sacerdotes e de pastores, de intermediários, e de santos /santas.

14 Urge regressarmos a Jesus. Urge renunciarmos duma vez por todas ao mítico Jesus-Cristo que as Igrejas

/Religiões inventaram, cultuam e idolatram todos os dias em substituição de Jesus, o da História. E que todos os dias apresentam como se esse mítico Jesus-Cristo fosse Jesus, o filho de Maria. Descarada e rotunda Mentira! Não é. E o pior é que o papa de Roma sabe bem que não é. Os cardeais da Cúria romana sabem bem que não é. Os bispos residenciais sabem bem que não é. Os párocos e pastores de Igrejas cristãs sabem bem que não é. Os teólogos católicos e protestantes sabem bem que não é. Mas todos continuam a fazer de conta que é o mesmo que Jesus, o da História. São todos mentirosos. São todos idólatras. São todos criminosos. São todos mercenários

que não só não defendem as populações e os povos da Mentira, do Lobo que é a Idolatria, a das Religiões e a do Deus-Dinheiro, como ainda cooperam, uns mais, outros menos, com a Mentira, com o Lobo da Idolatria. São guias cegos que sabem o que fazem e continuam a fazê-lo, sem se importarem de, com esse seu comportamento,

negarem a Verdade conhecida por tal. Só porque, desse modo, salvaguardam e até ampliam os seus privilégios. De todos eles, diz Jesus, o filho de Maria: Ai de vós! Sepulcros caiados! Raça de víboras! Hipócritas! Assassinos!

Nota: Esta semana, não voltarei a escrever neste Livro. Tenho de ultimar a edição n.º 176 do Jornal FRATERNIZAR, correspondente ao trimestre Janeiro /Março 2010. Depois, farei uns dias de férias que servirão, ao mesmo tempo, para dar a conhecer o meu NOVO LIVRO DO APOCALIPSE OU DA REVELAÇÃO que nenhum canal de televisão e nenhuma rádio nacional até hoje se atreveram a dizer que existe, de tão incómodo (a Verdade é sempre incómoda, como a Luz) que ele é. Espero regressar ao Livro da Sabedoria, em Janeiro do próximo ano. Entretanto, podem sempre encontrar-me no Correio electrónico e no youtube. Fiquem com a minha paz. E a minha ternura.

Capítulo 32

1 Não pensemos que é fácil regressarmos a Jesus. Nunca foi. Nem no século I, nem nos séculos seguintes, nem

neste nosso século XXI. Neste nosso século XXI, é, porventura, ainda mais difícil, ou ele não seja o século do Senhor Dinheiro cientificamente organizado, que não admite nenhum outro, para lá dele! Muito menos, Jesus, o Maldito. No século I, para se ser das, dos de Jesus, havia que renunciar ao Império romano, demarcar-se do Império romano

e dos seus falsos valores, renunciar aos ídolos todos que o Império romano acolhia e cujos cultos promovia e apoiava. Sobretudo, havia que renunciar ao culto ao imperador. Um ousado e lúcido Non serviam! = Não te servirei!, dito todos os dias ao imperador de Roma, não só por palavras, mas também por atitudes, por actos concretos, podia então custar a vida ao Ser Humano que assim se comportasse, logo olhado /tratado como rebelde, como desobediente.

2 Mas é precisamente o que faz Jesus no seu pequeno país, então ocupado pelos exércitos do Império romano.

Nem a moeda romana, Jesus usava. Tão pouco a conhecia. É famosa aquela sentença que ainda hoje é mil vezes repetida e outras tantas vezes mal interpretada: "Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus". Assim mesmo. Sem papas na língua. Uma sentença que lhe irá custar a própria vida. Porque ousava dizer a César de Roma que ele não era Deus e, se mentirosamente se fazia passar por Deus, então mais não era do que um Ídolo que haveria que derrubar, nunca adorar! Custou-lhe a própria vida, mas não lhe custou a Dignidade. E, desde então, ficou claro que o Ser Humano nunca vai tão longe, como quando diz ao Império absoluto, Non serviam! = Não te servirei! Nem que, por causa desta sua quotidiana postura, tenha de cair de pé, como as árvores.

3 É assim Jesus, a Sabedoria feita Fragilidade Humana Crucificada, ao qual é preciso regressarmos, já. Não sabe

nada, nem quer saber nada de Diplomacia nem de Hipocrisia. Sabe apenas de Dignidade. De Verdade. De Liberdade. De Maioridade. De Humanidade. De Verticalidade. De Transparência. César de Roma tinha-se na conta de Deus. Exigia obediência absoluta aos povos que conquistava e que depois mantinha sob seu férreo domínio. Exigia pesados tributos /impostos aos súbditos. O seu Império só subsistiria, se todos os dias comesse os povos, sugasse o sangue dos povos subjugados. E os povos, assustados, submetiam-se-lhe. Vergonhosamente. Executavam todas as ordens do Império. O Medo redunda facilmente e fatalmente em Idolatria. Transforma depressa em deuses os próprios Opressores, os Exploradores, os Poderosos, os Vencedores. Deuses seculares e terrenos. Mas deuses. Os piores de todos. Os mais vampiros de todos. A Idolatria só se desenvolve na proporção inversa em que diminui o Humano nos seres humanos e nos povos. Na raiz da Idolatria está sempre o Medo. Por

isso se diz e com razão que o Medo criou os deuses, a Idolatria. E pode e deve acrescentar-se: E a Idolatria, que o Medo criou e promove, alimenta os deuses.

4 Até hoje, temos reduzido a Idolatria às Religiões. Aos santuários das Religiões. Às imagens dos altares. Às

imagens das deusas e dos deuses. E esquecemos os ídolos seculares, laicos. Os profetas bíblicos têm alguma culpa neste equívoco de séculos. Porque sempre foram lestos a denunciar e a combater, até a ridicularizar, as imagens dos ídolos das Religiões do Paganismo, das deusas e dos deuses, mais os respectivos santuários situados nos lugares altos, mas deixavam passar a Idolatria secular, laica, a que mais comia /sugava os povos tolhidos de Medo. E a que mais produzia pobreza e pobres nas sociedades. Os profetas mais lúcidos e mais ousados ainda denunciavam os crimes e as prepotências dos reis, dos ricos, dos poderosos, mas apenas em nome da Justiça. Era bom que o fizessem. Mas manifestamente insuficiente. Tais posturas não iam à raiz do mal, a Idolatria. Sim, na raiz das injustiças e das arbitrariedades contra os pobres e os povos, por parte dos poderosos e dos ricos, dos seus Estados e dos seus Impérios, está sempre presente a Idolatria. Os ricos e os poderosos, os Estados e os Impérios só o são, porque a Idolatria lho permite. É assim: Se eles são deuses, então, tudo lhes é permitido. Ora, deuses, e deuses todo-poderosos, é como os ricos, os Estados e os Impérios de todos os tempos e lugares, sempre se

consideraram e consideram. Hoje, século XXI, mais do nunca!

5 Toda a Idolatria é má. Perversa. Só que a mais perversa de todas nem é a das Religiões. A das Religiões também é

perversa. E será bom que os povos e os pobres se capacitem disso, para não continuarem a sustentá-la, nem aos inúmeros sacerdotes e pastores que a tudo presidem e com isso se governam, enriquecem e ainda por cima gozam de privilégios sem conta. Depois de tudo o que de arbitrário cometem, ainda são olhados e tratados pelas suas vítimas como deuses, pequenos ou grandes, mas sempre deuses. Aos quais tudo é permitido, tudo fica bem. Mesmo que usem e abusem das populações, das suas filhas, dos seus filhos menores, usem e abusem da ingenuidade e da ignorância das populações, coisa em que sacerdotes e pastores, olhados e tratados como deuses, são mais que peritos. Chega a ser confrangedor vermos como as próprias populações já entranharam tanto este tipo de Idolatria religiosa, que, ainda hoje, século XXI, elas continuam a apreciar mais os sacerdotes e os pastores que as comem e abusam delas, do que os profetas que as alertam e as estimulam a libertarem-se do Medo ancestral que as leva a posturas tão indignas. As populações escarnecem, desprezam e matam os profetas, ao mesmo tempo que correm a frequentar os templos e os santuários dos sacerdotes e dos pastores, nos quais são sistematicamente enganadas, exploradas, aterrorizadas. São populações assim que pedem a morte de Jesus, o Profeta por antonomásia, ao mesmo tempo que se fazem capachos dos sacerdotes e pastores que as sugam, comem, roubam, enganam.

6 Como acaba de ficar claro, também a Idolatria das Religiões é perversa. Mas não é a mais perversa. A mais

perversa é a Idolatria secular, laica. Já não veste de sacerdote nem de pastor. Nem de templo, nem de altar. No século I, o de Jesus, até ao ano 30 em que ele foi assassinado na Cruz do Império, a Idolatria mais perversa já era a

do Império romano. Era a Idolatria secular. Mas, então, até essa se vestia de Religioso. César de Roma fazia-se passar por filho de Deus, melhor, o filho de Deus. Ele próprio Deus, nascido de mãe humana, mas fecundada por um mítico Deus. Gozava de culto público. Mas não era isso do culto público o mais perverso. O mais perverso era, é, ele arrogar-se o direito de dominar, mandar, subjugar todos os povos. Na raiz deste pretenso direito, pacificamente reconhecido pelas populações, está a Idolatria. Nunca no-lo disseram. Nunca no-lo dizem. Nunca no- lo dirão. Nunca no-lo ensinaram. Nunca no-lo ensinam. Nunca no-lo ensinarão. As Universidades e demais escolas não é para isso que existem. Elas não existem para dizer /revelar /ensinar a Verdade. Existem para a esconder. Assim como a generalidade da Comunicação Social. E para a esconder com argumentos muito complicados e

sofisticados que não passam de engenhosos sofismas. Tão pouco, as Igrejas existem para nos dizer /revelar /ensinar a Verdade. Universidades, Igrejas e Comunicação Social existem para nos esconder a Verdade. Pior. Para transformar a Mentira em Verdade. A Idolatria em Ideologia.

7 De geração e geração, sempre temos comido gato por lebre. Toda a Sociedade que tem a Idolatria na sua raiz,

está aí cientificamente organizada para nos servir gato por lebre. Até a chamada educação tem tudo de domesticação, de imposição, de doutrinação. Educar é amestrar. Como se faz aos animais destinados a actuar no circo. Educar, como indica a etimologia da palavra, deveria ser um contínuo Acto Maiêutico de ajudar a dar à luz a Originalidade de cada ser humano e, depois, ajudar sempre maieuticamente a levar essa Originalidade à plenitude. Está a ser o contrário. Tudo, na Sociedade do século XXI está organizado, cientificamente organizado, para que nenhuma mulher, nenhum homem nascido de mulher, alguma vez, o chegue a ser na plenitude. Aconteceu uma vez na História, no século I, e, desde então, o Império nunca mais consentiu que se repetisse tal atentado à sua segurança e à sua estabilidade. Jesus, o filho de Maria, a mulher mais humilhada entre todas as mulheres do povo judeu, é o filho da Humilhação praticada pelo Império, pela prepotência do Império romano. Eu sei que as Igrejas no-lo escondem e até nos dizem o contrário. Mas são mentirosas. E, depois, à medida que crescia, Jesus, o filho da

Humilhação do Império Romano, não frequentou as escolas da sinagoga. E, se, porventura, as frequentou, foi apenas para conhecer bem por dentro como elas lavavam o cérebro aos súbditos do Templo, da Lei de Moisés, dos Sacerdotes, e do Império de Roma. Tão pouco frequentou as escolas do Império romano que ocupava militarmente o seu pequeno país e reduzia o povo, especialmente, a maioria das mulheres em idade nupcial (13-14 anos) à Humilhação mais cruel, como fez concretamente com aquela donzela, Maria, de seu nome, que veio a ser a sua mãe.

8 Tão pouco Jesus cresceu em Saber, como pretendiam o Império e o Templo. Cresceu apenas em Sabedoria, o que

fez dele um, política e teologicamente, subversivo e conspirativo, um perigo público, aos olhos de todo o Institucional de então, Templo de Jerusalém incluído. E de sempre. Também aos olhos de todo o Institucional de hoje. Todo o Saber, até o da Lei ou Toráh, Jesus transmutou em Sabedoria. Viveu sob o Império, mas sempre em Deserto. Não foi um oportunista, como, por exemplo, aqueles seus concidadãos judeus de Jerusalém que lhe perguntaram se se devia ou não pagar o tributo a César. Ao contrário deles, nem a moeda do Império Jesus conhecia. Muito menos a utilizava. Do Império, Jesus recusava tudo. Porque tudo o que vinha do Império (e do Templo coligado com ele), vinha inquinado pela Mentira, pela Ideologia. Numa palavra, pela Idolatria. Ao Império, havia então que lhe resistir sempre. Nunca fazer qualquer aliança com ele. Nunca pactuar com ele. Manter-se integralmente Humano, perante ele. Nunca dobrar a espinha perante ele. Nunca o adorar /idolatrar. Nunca o acatar. Nunca lhe obedecer. Nunca escutar /praticar o seu mentiroso e sedutor evangelho. A boa notícia que ele, enquanto Império, dava, por muito sedutora que fosse, só podia ser má notícia para os povos subjugados. Vinha do Império? Então era mentira. Era Ideologia. Era Idolatria. Acatá-la, era ficar refém do Império, súbdito do Império. Passar de Humano a súbdito. Um súbdito de luxo, ou um súbdito miserável. Mas súbdito, sempre.

9 Jesus é assim que cresce. Em Deserto. Cada vez mais habitado por um Sopro ou Espírito outro, que não o do

Império. Nos antípodas do sopro ou espírito do Império. E também do Templo, cujos sacerdotes praticavam a Idolatria religiosa mais repugnante. Até o último cêntimo de uma qualquer viúva pobre, eles exigiam, extorquiam para reforçarem mais e mais o tesouro do Templo. Quando chegou à idade de intervir na Sociedade, Jesus deixa Nazaré, onde se havia criado, e surpreende tudo e todos com o Evangelho outro que vive e anuncia, nos antípodas

do evangelho do Império. Esse seu Evangelho soava bem aos ouvidos das populações, cativas na injustiça. Dos camponeses pobres, como ele, o camponês /carpinteiro de Nazaré. A de Jesus, era uma Boa Notícia nos antípodas

da mentirosa boa notícia ou propaganda que traziam os arautos do Império de Roma. Não anunciava a realização /inauguração de estradas, de pontes, de aquedutos, de postos de trabalho, de jogos, de festas, de espectáculos públicos, de bailes, de banquetes. Essas coisas e outras similares são presentes envenenados, como são presentes envenenados os cabazes de natal e os bancos alimentares contra a fome que todos os anos, quando manda o calendário, a Idolatria do Senhor Dinheiro e a Idolatria das Religiões regularmente oferecem a algumas das suas inúmeras vítimas.

10 Dessas coisas em que é perita a Idolatria, a das Religiões, e a do Senhor Dinheiro, e todos os seus chefes

maiores, intermédios ou menores, Jesus não percebe nada. Nunca percebeu. Ele bem as via suceder, no seu país,

que elas eram realizadas ao toque de trombetas, para que as populações tomassem conhecimento e saíssem à rua

e ao caminho a aplaudir o benfeitor ou os benfeitores. Jesus via tudo, mas onde as populações amestradas

/educadas /escolarizadas /catequizadas pelas Sinagogas, pelo Templo, pelas escolas /universidades do Império (hoje, do Senhor Dinheiro) viam benfeitores, deuses, ele via Opressores, Tiranos, Ídolos, Propaganda, Mentira cientificamente organizada, numa palavra, Idolatria. E, em lugar de aplaudir, Jesus chorava. Indignava-se. Todo ele fervia de cólera, de indignação, nascidas, uma e outra, da Ternura que o habitava. As suas entranhas sofriam de

ano para ano dores de parto, até que, pelos 30 anos, ele se vê definitivamente empurrado para a Missão de Evangelizar os pobres e os povos. Na Galileia, primeiro. E, depois, na Judeia, concretamente, em Jerusalém, onde será crucificado na Cruz do Império. Faz tudo isto, porque percebeu que era imperioso e inadiável erguer, contra o mentiroso e sedutor evangelho do Império /Ídolo, fundado na Idolatria /Mentira, o Evangelho de Deus, fundado na Verdade. E isso é o que Jesus faz, sem que a voz lhe trema ou lhe falte.

11 O evangelho do Império /Ídolo fazia populações existencialmente oprimidas, submissas, habitadas pelo Medo,

tolhidas, cegas, surdas, mudas, paralíticas, leprosas (= excluídas), pecadoras, com premente necessidade de correr regularmente para o Templo e para os cultos que lá se faziam, por intermédio dos sacerdotes, que também vendiam os animais, as pombas ou rolas que haviam de ser imolados no altar dos sacrifícios. Sem isso, as suas vidas humilhadas e empobrecidas redundariam em pesadelo ainda mais insuportável. Tanta Humilhação, como aquela que elas conheciam todos os dias, só seria suportada com renovadas doses de ópio, feito de rezas, de recitação de fórmulas mais ou menos mágicas, sempre as mesmas, de sacrifícios de animais (hoje, missas igualmente vendidas pelos sacerdotes!), uns de expiação pelos pecados, outros de acção de graças pelos pequenos favores recebidos por parte do Império e do Templo. Até em acção de graças pelas chuvas que naturalmente haviam regado os campos e os pastos.

12 Contra este evangelho da Humilhação das populações, anunciado e praticado pelos arautos do Império /Ídolo,

Jesus vive e anuncia o Evangelho de Deus Criador de filhas e filhos em estado de Liberdade e de Maioridade. Não dá coisas às populações. Nem esmolas. Não as humilha ainda mais do que elas já estão. Na relação maiêutica que estabelece com elas, totalmente, à revelia do Império e do Templo e dos milhares e milhares de funcionários de

um e de outro, Jesus desperta no mais íntimo de cada pessoa que acolhe o seu Afecto, a sua Ternura, o seu Gesto,

a sua Palavra, a sua Presença, o Ser original, irrepetível e único, que ela é e que nela está oprimido, tolhido, paralisado, morto, como se não existisse.

13 Por isso é que as suas principais palavras de ordem são todas politicamente subversivas e conspirativas:

Levanta-te e anda! A tua fé (= convicção /confiança em ti própria /o) te salvou! Pega na tua enxerga e vai para tua casa! Desce, e o teu filho viverá! Deixa que os mortos enterrem os seus mortos; tu segue-me! Vai, vende tudo o

que tens, dá aos pobres, depois vem e segue-me! Lázaro, vem para fora! Desatai-o e deixai-o ir! Espírito mudo e surdo, ordeno-te, sai deste jovem e não voltes a entrar nele! Nada leveis para o caminho: nem cajado, nem alforge, nem pão, nem dinheiro; nem tenhais duas túnicas! Vai-te da minha frente, Satanás, porque os teus pensamentos não são de Deus, mas dos homens! Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se se torna coisa, minhoca?! Levanta-te e vem para o meio! Estende o braço! Tomai cuidado com o fermento [= Ideologia] dos fariseus e com o fermento de Herodes! Talitha qûm! = Levanta-te! Quem é a minha mãe e quem são os meus irmãos? Effathá! = Abre-te! Não andareis enganados, por desconhecer as Escrituras e a Fragilidade de Deus? Tomai cuidado com os doutores da Lei, que gostam de exibir longas vestes, de ser cumprimentados nas praças, de ocupar os primeiros lugares nas sinagogas e nos banquetes; eles devoram as casas das viúvas a pretexto de longas orações! Ide por todo o mundo, fazei discípulas, discípulos em todas as nações!

14 É assim Jesus, a Sabedoria feita Fragilidade Humana Crucificada. Precisamos de regressar a ele. Já. Não é fácil. Mas é preciso. Este nosso século XXI, ou regressa a Jesus, a Sabedoria feita Fragilidade Humana Crucificada, ou não será! Fora de Jesus, deste Jesus que o Templo e o Império assassinaram na Cruz deste último, não há Humano. Só haverá Coisas. Humanóides. Ídolos e Idólatras. Opressores e Oprimidos. Ricos e Empobrecidos. Regressemos a Jesus. Ao Evangelho de Deus que ele próprio é e anuncia. Contra o mentiroso e sedutor evangelho do Império, hoje, do Senhor Dinheiro. A via é estreita, mas conduz ao desenvolvimento integral do Humano nos seres humanos. Larga é a via da Idolatria que nos conduzirá à Descriação do que ainda há de Humano nos seres humanos. Fora de Jesus, só há Idolatria. Mentira. Ideologia. Jesus, a Sabedoria feita Fragilidade Humana Crucificada é o caminho. Vamos por ele e o Humano que ainda há nos seres humanos conhecerá a sua plenitude.

Capítulo 31

1 O nosso século XXI dará uma excelente prova de Sabedoria, se for capaz de regressar a Jesus, o testemunhado pelo Evangelho de Marcos, como a Fragilidade Humana Crucificada, e desistir de vez do mítico Jesus-Cristo Vencedor da Morte e dos inimigos, que Paulo, convertido a judeu cristão, zelosamente anunciou, durante as três arriscadas viagens apostólicas que realizou entre os Judeus da diáspora. A verdade é que Paulo, antes dessas viagens e durante elas, nunca chegou a ser plenamente evangelizado. Aliás, ele próprio faz questão de dizer que não recebeu o seu Evangelho de homem algum, mas, sim, directamente de Deus! (cf. Gálatas, 1-12). Só que esse é o seu grande equívoco. Como já havia sido o equívoco de Moisés e de todos os Judeus seguidores de Moisés até Jesus. Porque a Deus, nunca ninguém o viu (e quem disser o contrário, vê apenas um Ídolo, não vê Deus!), como oportunamente adverte o Evangelho de João que Paulo tão pouco terá conhecido e, se o tivesse conhecido, dificilmente se reconheceria na profundidade teológica - uma verdadeira Revolução Teológica - que é o Homem Jesus apresentado /testemunhado por ele. Ora, se Paulo, o das viagens apostólicas, não recebeu o seu Evangelho de homem algum, quer dizer que nem de Jesus, o carpinteiro, o filho de Maria, ele o recebeu, nem de nenhum outro homem evangelista. Para cúmulo, chega, até, a gabar-se de não ter conhecido (= praticado) Jesus segundo a carne, como se conhecer (= praticar) Jesus segundo a carne fosse um obstáculo à Fé e não a condição sine qua non para chegarmos à mesma Fé de Jesus, a única que, se for praticada, nos faz plena e integralmente humanos.

2 O relato da chamada "conversão" de Saulo /Paulo, tal como o segundo volume do Evangelho de Lucas (cf. Actos 9) no-lo conta de forma maravilhosa, como se de um filme se tratasse, e ao qual o próprio Paulo várias vezes se refere nas suas cartas e muitas mais vezes se lhe deve ter referido nas suas pregações ao vivo, tem sido muito mal lido e muito mal interpretado, em todos estes séculos de Igreja. O relato, tal como Lucas sabiamente o tece, está

escrito, sobretudo, para mostrar que Saulo, naquela ocasião, não se converteu à mesma Fé de Jesus, a Fragilidade Humana Crucificada, mas a um mítico Jesus-Cristo judaico, vencedor, na linha de David, cujo messianismo Saulo /Paulo defendia com unhas e dentes, ao ponto de se ter tornado perseguidor das, dos de Jesus, o Crucificado pelo Templo e pelo Império coligados, na Cruz deste último.

3 Quando Saulo ia a caminho de Damasco, com o objectivo de trazer presos, as, os da via /movimento de Jesus, o

conterrâneo judeu que os sumos sacerdotes do Templo de Jerusalém, os fariseus e os doutores da Lei, mais os partidários de Herodes ou herodianos, assim como o Sinédrio constituído pelos grandes proprietários do país, todos à uma, condenaram à morte, como o traidor-mor da Tradição dos antigos, o anti-Messias davídico, acabou, inopinadamente, por experimentar um forte abalo na sua consciência de Judeu fanático, semelhante a uma aparatosa queda. Não. Não caiu do cavalo, como se diz. O forte abalo que Saulo experimentou, aconteceu dentro da sua consciência. E é um abalo tão intensamente negativo, não positivo, como sempre se tem pensado /escrito /dito, que o deixa completamente cego, em vez de o deixar completamente a ver o que antes, nem ele, nem os seus antepassados, nem os seus contemporâneos Judeus, a começar pelos chefes, foram alguma vez capazes de ver.

4 A catequese que recebe, posteriormente, a esse abalo, confirma-o ainda mais nessa sua cegueira, em vez de o

libertar dela. Jesus, o Derrotado, a Fragilidade Humana Crucificada, escândalo para os Judeus, também para ele, o fariseu Saulo, e loucura para todos os filósofos não Judeus de então e de todos os tempos, afinal, já não o era mais. E não o era mais, para todo o sempre. Na sua intensa cegueira ilustrada, nessa intensa luz que o cegou, Saulo /Paulo vê o que não deveria ter visto. Vê que, afinal, o Derrotado Jesus, a Fragilidade Humana Crucificada, se havia tornado, depois da Morte Crucificada, no Cristo Vencedor da Morte, essa mesma Morte, que ele, na sua cegueira, encara como o inimigo maior de todos os inimigos, quando a Morte mais não é do que a vida que explode para ser ainda mais vida e de mais qualidade. E, se Jesus é o vencedor do inimigo maior, que é a Morte, então também será o vencedor de todos os outros inimigos menores, inclusive, dos próprios Romanos que ocupavam militar e indevidamente o país dos Judeus. Um Messianismo vencedor, assim, como o do Judeu Jesus, já lhe interessava, e muito, a ele, Saulo. Pelo que, se assim era, Saulo já não tinha que continuar a combater as, os da via ou movimento de Jesus. Tinha é que se juntar a elas, eles. E foi o que fez, quase num ápice. Pouco tempo depois, ainda em Damasco, já era ver Saulo /Paulo a anunciar desassombradamente nas sinagogas da cidade, portanto, aos Judeus, que "Jesus era o Filho de Deus", tal como sempre se dissera e se dizia, de David, o rei vencedor.

5 Os Judeus da Damasco começam por ficar surpreendidos. Sabiam que Saulo /Paulo viera para levar presos, as, os

da via ou Movimento de Jesus, esse Judeu traidor, filho de Maria, um Ninguém, que, em seu entender, os chefes de Jerusalém, em boa hora, haviam condenado à morte e feito executar na Cruz do Império, como o blasfemo e o traidor-mor das Tradições dos antigos, nomeadamente de Moisés e da Lei de Moisés, e eis que, em vez disso, vêem-no agora de mãos dadas com as, os dessa via ou Movimento. De surpreendidos, passam a escandalizados, sobretudo quando vêem e ouvem Saulo /Paulo a argumentar e confundir até os chefes das sinagogas, ao tentar convencê-los e aos Judeus presentes, que "Jesus era o Messias /Cristo". Mais uns tempos, e Saulo /Paulo deixará de falar de Jesus, para falar exclusivamente de Cristo /Messias Vencedor e, de quando em vez, de Jesus-Cristo. Nunca por nunca de Jesus, o carpinteiro, o filho de Maria, a Fragilidade Humana Crucificada, o Ninguém!

vergonha de todos os Judeus, aliou-se a eles e tornou-se, até, o seu principal porta-voz. O Messias Vencedor que todos os Judeus esperavam por aqueles dias já havia chegado, dizia Saulo /Paulo, uma e outra vez. Esse Messias Vencedor era o Jesus-Cristo. Os contemporâneos e conterrâneos de Jesus não o reconheceram, porque ele se lhes apresentou como a Fragilidade Humana Crucificada. Só que depois, quando já ninguém esperava, o Deus dos nossos pais, nomeadamente, o de Moisés e de David, interveio milagrosamente e ressuscitou-o dos mortos. Com esta intervenção, fez dele o Filho de Deus, o Vencedor, na linha de David. O Reino de Deus estava, pois, a chegar em força, por esses mesmos dias, porque o Crucificado, agora ressuscitado, viria de novo, já não mais como a Fragilidade Humana Crucificada, em tudo igual a nós, excepto no pecado, mas como o Vencedor que haveria de destruir e de submeter todos os inimigos de Deus e dos Judeus.

7 É este projecto imperialista judaico, com o Deus dos seus antepassados, a rei-imperador, que mobiliza o fariseu

Paulo, o de Cristo mítico, ou cristão. Como, antes dele, já havia mobilizado os Doze. E que, no essencial, mobiliza ainda hoje as Igrejas, nomeadamente, as suas cúpulas. Não repetem os bispos à saciedade, que são "os sucessores dos apóstolos", isto é, dos Doze? E restaurar o grupo dos Doze, desfeito com a deserção /traição de Judas, não foi a principal preocupação dos Onze, no início, liderados por Pedro, naqueles primeiros dias, meses, anos, depois da

Morte Crucificada de Jesus? Não é isto que nos relata, com escândalo, diga-se, mas que nós nunca demos por isso,

o início do segundo volume do Evangelho de Lucas? Não é isso que os Onze mais esperavam de Jesus, mesmo

depois da sua Morte Crucificada, concretamente, que ele restaure em definitivo o Reino de Israel? Não é isso que

eles mais pedem a Jesus e a Deus, obviamente, o Deus de Moisés e de David? E não é isso que as Igrejas todas ainda hoje pedem, sem saberem o que dizem, porque o fazem no automático, mecanicamente, "Venha nós o vosso Reino"?

8 Sei que nos custa admiti-lo. Mas a verdade é que somos, como Igrejas cristãs (e a católica romana muito mais,

depois de toda aquela "trapalhada /traição" com o imperador Constantino e seus sucessores), adoradores de um mítico Jesus-Cristo Vencedor, que não existe, a não ser na nossa imaginação e como delírio nosso, no meio de toda

a nossa Fragilidade Humana Crucificada. Somos prosseguidores do mítico Jesus-Cristo Vencedor, concebido e

anunciado por Paulo, o das três viagens apostólicas, durante as quais, ele, Judeu cristão, tudo fez para convencer os seus irmãos de sangue e de tradição, para que o reconhecessem também, como o Ungido definitivo de Deus Vencedor, o Deus de Moisés e dos Profetas, numa palavra, o Deus dos Judeus, Povo escolhido entre os demais povos, todos condenados a serem povos de segunda categoria. É por isso que, onde quer que chegasse, Paulo sempre se dirigia às sinagogas e, em cada sábado, tentava convencer os seus patrícios da diáspora, de que o Messias já tinha chegado e seu nome era Jesus-Cisto. Não o Jesus do Evangelho de Marcos, a Fragilidade Humana Crucificada, mas o Jesus Vencedor da Morte, o mítico Jesus-Cristo /Messias /Ungido de Deus, a quem compete destruir todos os inimigos, o maior dos quais é a Morte!!!

9 Quando Saulo /Paulo, na Comunidade de Antioquia, foi escolhido /separado, juntamente com Barnabé para a

Missão aos Pagãos ou Não-Judeus (cf. Actos 13, 1 e sgs), Barnabé foi indicado em primeiro lugar e deveria ser ele quem conduzia a Missão. Porque era profeta. Porque era de origem helenista, não judaica. Só que Paulo era doutor (da Lei) e, depressa, passou a dianteira a Barnabé. Onde quer que chegassem, impunha-se a Barnabé e exigia que se fosse primeiro à sinagoga ao encontro dos Judeus. Na sinagoga, tomava de imediato a palavra. O profeta Barnabé ficava reduzido ao silêncio. E, lá, onde a Profecia é silenciada, cresce a Lei, a Doutrina, a Ideologia, numa palavra, a Idolatria. Não se desenvolve a Liberdade, a Maioridade, a Sororidade /Fraternidade. Há Saber, não há Sabedoria. Há Poder /Privilégio, não há Entrega de vida, não há vidas-Pão-Partido-e-Vinho-Derramado. Há Cúrias /Poder do Vaticano e diocesanas, não há Comunidades de irmãs, irmãos. Há discursos e decretos, não há

Palavra Partilhada. Há concentração de Poder e de Privilégios, não há Sororidade /Fraternidade, muito menos serviço maiêutico.

10 Barnabé, aflito com o que vê estar a acontecer, chama a si João Marcos, o do Evangelho com o mesmo nome. O

Profeta e o Evangelista, juntos, deveriam silenciar, pelo menos, num primeiro período, o Doutor da Lei, Paulo. Só assim, o Espírito /Sopro de Jesus teria oportunidade de fazer novas todas as coisas. Mas em vão Barnabé chamou

Marcos. Paulo, doutor da Lei, Judeu cristão do mítico Jesus-Cristo Vencedor, rompeu depressa com ele. Fez tudo para converter Marcos ao seu Messianismo Vencedor. Tal como já o grupo dos Doze havia feito tudo para converter Jesus ao seu projecto de Messianismo Vencedor, proveniente da Casa real de David /Salomão. Marcos, felizmente, não cedeu a Paulo. Tal como Jesus, antes, também não havia cedido aos Doze. Resistiu-lhe. E, como viu que, na companhia de Paulo, não teria qualquer hipótese de anunciar o Evangelho de Deus, que é Jesus, a Fragilidade Humana Crucificada, o Ser Humano por antonomásia, em quem Deus-Abbá se revê e se revela, se dá a conhecer e desmascara como Ídolos, o Deus da Lei de Moisés e das Religiões todas e do Dinheiro Acumulado e Concentrado, afasta-se decididamente do grupo. Barnabé ainda fica mais algum tempo, mas, depois, acaba por se afastar também. De vez.

11 Não temos sabido ler-escutar-interpretar o Evangelho de Lucas, no seu primeiro volume, onde se narra ao

pormenor o conflito entre Jesus e os Doze, e no seu segundo volume, onde se narra ao pormenor o conflito entre o Espírito /Sopro de Jesus Crucificado pelo Templo e pelo Império coligados, na Cruz deste último e os Onze /Doze, liderados por Pedro. Insensatamente, temos seguido os Doze e o seu Projecto de reino messiânico davídico, temos seguido a Lei de Moisés, o Sacerdócio levítico de Aarão, o Templo e a sua sumptuosidade. Deitamos ao lixo Jesus, o carpinteiro, o filho de Maria, a Fragilidade Humana Crucificada, o paradigma de Ser Humano. Em vez de o anunciarmos /praticarmos com audácia, envergonhamo-nos dele. Não é a ele que anunciamos /praticamos /prosseguimos. A Jesus, o carpinteiro, o filho de Maria, o das Práticas Económicas e Políticas Maiêuticas e o dos Duelos Teológicos Desarmados que manteve com os do Institucional que, lá onde estiver em acção, sempre oprime, esmaga, rouba, destrói, descria, numa palavra, mata o Humano em cada ser humano que o reconheça e o deixe afirmar-se sobre si, nós, Igrejas cristãs, não o queremos. Fazemos todas como o Grande Inquisidor. Mandamo-lo embora, pomo-lo fora do Planeta Terra, da História. Entronizamo-lo num mítico trono no céu, como um rei sem reino, cercado de míticos anjos! Como num conto de fadas!

12 Cada domingo, as Igrejas cristãs é do mítico Jesus-Cristo Vencedor de Morte e de todos os inimigos; é do mítico

Jesus-Cristo milagreiro, curandeiro, dominador, tirânico, ou bonzinho, que falam. Na peugada de Paulo. Como ele, as Igrejas cristãs recusam no seu seio, a presença activa do Profeta e do Evangelista, todos os Barnabés e todos os Marcos, em feminino e em masculino. Por isso, as catequeses que ministram, através de quase adolescentes e outras, outros catequistas teologicamente impreparados - chega a ser confrangedor o que se faz por essas paróquias fora, verdadeiros atentados à inteligência humana e à Fé, a mesma de Jesus - vão todas na linha da promoção da Religião, do Moralismo, da Idolatria, do Saber-Poder. Já da Sabedoria, a Fragilidade Humana Crucificada que é Jesus, o das Práticas Maiêuticas e o dos Duelos Teológico Desarmados, nem uma palavra. E como poderiam as catequeses fazê-lo, se, a exemplo de Paulo na sua incansável missão apostólica do mítico Messianismo Vencedor, também elas, as Igrejas cristãs, recusam no seu seio a presença e a primazia da Profecia e do Evangelho de Deus, a Fragilidade Humana Crucificada, para, dessa maneira, poderem continuar a ser Igrejas- Poder, Igrejas-Privilégio, Igrejas-Riqueza, Igrejas-Braço direito do Grande Poder Financeiro Global que hoje tem o Mundo e os Povos sob o seu tirânico jugo?

13

Temos de regressar a Jesus. Mas, primeiro, temos de resgatá-lo das Igrejas, se elas teimarem ser Igrejas-Saber

/Poder, em lugar de Igrejas Sabedoria, Fragilidade Humana Crucificada, dispostas a levarem por adiante, hoje e aqui, devidamente actualizados, as mesmas Práticas Maiêuticas de Jesus e os seus mesmos Duelos Teológicos Desarmados. Regressar a Jesus, o carpinteiro, o filho de Maria, o Ninguém. Não ao mítico Jesus-Cristo vencedor, inventado /anunciado pelo Judeu cristão Paulo, o das três viagens apostólicas, feitas para tentar convencer os Judeus de que Jesus-ressuscitado era o Messias Vencedor dos inimigos, o último dos quais, é a Morte. Temos de regressar a Jesus, o dos Evangelhos de Marcos, de Lucas (I e II volumes), de João e, também, mas com bastante mais cuidado, o de Mateus, aquele que a Igreja Cristandade, até ao Concílio Vaticano II, realizado já na segunda metade do século XX, teve sempre como o seu preferido, pelo que nele há que se preste a ser suporte e justificação da existência do "Poder eclesiástico" na Igreja de Jesus, coisa mais absurda!

14 Esta não é uma tarefa fácil. Porque os líderes das Igrejas (falo especialmente da Católica que um dia me

ordenou presbítero da Igreja do Porto, certamente, para eu ser um funcionário eclesiástico e do religioso mais, e eu saí um presbítero todo entregue à missão de Evangelizar os pobres e os povos, o que ela dificilmente me perdoa!), depois de séculos e séculos a espalharem e a manterem o mítico Cristianismo de Paulo, com os

Privilégios todos que ele lhes garante, não estão dispostos, da noite para o dia, a converter-se à mesma Fé de Jesus, a Fragilidade Humana Crucificada. A menos que sejam obrigados. E já estão a ser obrigados, porque os templos estão a ficar cada vez mais vazios, os altares não dão frutos nenhuns de Liberdade e de Maioridade Humana, as catequeses são absurdos, semana após semana. E sem Templos, sem Poder, sem Privilégios, os bispos

e os párocos despojar-se-ão de toda essa tralha bolorenta e erguerão, finalmente, a sua tenda entre os pobres, em tudo iguais a eles, excepto na Idolatria (esse é o Pecado do Mundo que Jesus nunca cometeu!).

15 Regressarão, então ao Evangelho de Marcos, de Lucas (I e II volumes) e ao de João e descobrirão Jesus, a

Fragilidade Humana Crucificada, que, no princípio da Igreja, o próprio Pedro, primeiro, e, mais tarde, Paulo, também acabaram por descobrir. Só que, depois que o descobriram e lhe deram a sua incondicional adesão, o Evangelho, nas suas quatro versões canónicas, nunca mais se ocupou deles. Nem era preciso. Porque eles, uma vez convertidos à mesma Fé de Jesus, só poderiam passar a realizar, devidamente actualizados, as mesmas Práticas Maiêuticas de Jesus e os seus mesmos Duelos Teológicos Desarmados. Só por isso é que acabaram ambos assassinados pelo mesmo Império que crucificou Jesus, sem que os do Religioso-Eclesiástico se incomodassem.

Muito pelo contrário, rejubilaram.

Capítulo 30

1 Ainda a dor e o sofrimento humanos. É S. Paulo, na sua 1.ª Carta aos Coríntios (1, 22-24), quem leva ao máximo o escândalo dos filósofos e dos teólogos do seu tempo e de todos os tempos, perante a dor e o sofrimento humanos,

e a existência do Mal, quando escreve: "Os judeus pedem sinais [vulgo, "milagres"], e os gregos buscam sabedoria;

nós pregamos um Messias crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios. Mas para os que são chamados, Cristo é o poder e sabedoria de Deus". Parece ousado, mas não é. Parece jesuânico, mas não é. Parece sábio, mas não é. Ainda aqui, neste modo de ver e de apresentar e de vivenciar as coisas, anda Idolatria. E, lá, onde anda Idolatria, não anda Deus, o de Jesus. No entanto, tem sido esta postura do judeu cristão Saulo, depois chamado Paulo, que mais tem feito o seu curso no interior da Igreja e da própria Teologia (Idolatria?), com

destaque para o ramo da chamada Cristologia (!). Indevidamente. Porque Jesus, o carpinteiro, o filho de Maria, ao contrário do que sempre nos têm ensinado e que é, até, a base do Cristianismo e do próprio Ocidente, não é o Cristo vitorioso de que Paulo se reivindica e fez questão de anunciar em todo o lado, durante as três arriscadas viagens apostólicas que realizou, depois de se ter tornado judeu cristão. São essas três viagens apostólicas que o autor do Evangelho de Lucas, segundo volume, mais conhecido por Livro dos Actos dos Apóstolos, relata ao pormenor, não como exemplo a ser seguido pelas, pelos de Jesus, mas como exemplo a ser evitado.

2 Paulo, sem nunca deixar o Judaísmo, pode ter-se tornado de Cristo, como de facto se tornou, sem se ter tornado de Jesus, pelo menos, durante grande parte da sua vida apostólica. Nesse longo período, também se tornou de

Jesus, mas apenas e só de Jesus, enquanto Cristo, o Cristo, visto e anunciado por ele como o vencedor da dor e do sofrimento humanos, inclusive, da Morte, considerada por Paulo como "o último inimigo" que Cristo venceu, ao ressuscitar dos mortos. Tanto assim, que Paulo faz da Ressurreição de Cristo, não de Jesus Crucificado pelo Templo

e pelo Império, na Cruz deste último, a base e o fundamento da sua Fé cristã, mais cristã do que jesuânica. Chega a

escrever, na mesma Carta aos Coríntios (cf. todo o capítulo 15): "Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação e

é vã a vossa fé." Sei que, ao escrever estas coisas, estou a tocar no até agora tido por intocável. Mas alguma vez

alguém teria de o fazer. Porque o Evangelho de Deus, revelado /praticado /anunciado por Jesus, o carpinteiro, o filho de Maria, é escândalo, o escândalo; e loucura, a loucura. E só como escândalo e loucura pode e deve ser anunciado /praticado. Só que o cerne, o âmago desse escândalo e dessa loucura é e será sempre o próprio Jesus Crucificado. Ponto final. Porque Jesus Crucificado é até onde os nossos olhos de carne e, consequentemente, o nosso conhecimento humano, podem ir. Tudo o mais que se possa "ver" e anunciar já não é do domínio do Saber, apenas da Sabedoria, não a sophia, grega, mas a "loucura" de Deus, nos antípodas do Ídolo dos ídolos. Só que esta "loucura" de Deus, a autêntica Sabedoria, quem é que a quer e a abraça? Conhecemos alguém, para lá do próprio Jesus?!

3 Certamente, o judeu Saulo, também chamado Paulo, apesar do escândalo da Cruz, acabou por se tornar judeu

cristão, mas só porque, no Derrotado /Crucificado Jesus na Cruz do Império, passou a ver o vitorioso Messias /Cristo davídico vencedor da Morte, graças à sua Ressurreição dos mortos, um Acontecimento não histórico que, no entender de Paulo, teria, finalmente, colocado o Derrotado /Crucificado na Cruz do Império, sentado, para sempre, à direita de Deus, com todos os seus inimigos como escabelo dos seus pés. Por isso é mais do que legítimo perguntar se Paulo que foi sem dúvida um judeu cristão convicto e apostólico como poucos, porventura, como nenhum mais até hoje, chegou a ser verdadeiramente discípulo de Jesus, o Crucificado, por decisão do Templo e do Império, e executado na Cruz deste último. O autor do Evangelho de Lucas, no segundo volume, testemunha que sim. Mas, apenas depois que Paulo concluiu a sua terceira viagem apostólica e, já, como prisioneiro em Roma, praticamente, abandonado por todos os judeus, que, como ele até então, permaneciam fiéis ao Templo e à Lei de Moisés, como se Jesus não tivesse desautorizado e até simbolicamente destruído um e outra, e por causa do que foi Crucificado!

4 Mas se Paulo, algum tempo antes de ser morto à espada pelo Império, acabou, finalmente, por se tornar

discípulo /seguidor praticante de Jesus, o Crucificado pelo Templo e pelo Império, na Cruz deste último, já o mesmo não se pode dizer da Igreja, no seu todo, nomeadamente, da Igreja que, no início do século IV, sob o domínio do imperador Constantino, acabou domesticada pelo Império Romano, pior, acabou transformada na religião oficial e única do Império. Como instituição, a Igreja do Império prosseguiu o Paulo do Messias /Cristo

vencedor da Morte e dos inimigos, postos como escabelo dos seus pés. Prosseguiu esse seu Messias /Cristo vitorioso que não tem nada de Jesus, o Crucificado pelo Templo e pelo Império, na Cruz deste último. Muito pelo

contrário, tem tudo de Império e de imperador, de Pantocrátor, o imperador dos imperadores, cuja Cruz do Império passou a servir de símbolo de identificação do Cristianismo e da Igreja, e como o grande sinal de vitória:

"Neste sinal vencerás!", reza a lenda em redor das vitoriosas batalhas militares, promovidas pelo imperador Constantino, uma lenda que fez o seu curso ao longo da História, não como lenda, mas como ideologia /Idolatria, ao ponto de, ainda hoje, na chamada Semana Santa, a Cruz do Império em que Jesus foi crucificado, ser posta à adoração solene das cristãs católicas, dos cristãos católicos! A aberração das aberrações. A Demência das demências, só possível no universo da Idolatria religiosa!

5 O escândalo da dor e do sofrimento humanos, e da existência do Mal no Mundo, tem a sua expressão máxima e

paradigmática na Morte Crucificada de Jesus, por decisão conjunta do Templo e do Império, e consumada na Cruz deste último. Daqui não havemos de fugir. A Fé, se quiser ter alguma credibilidade, é aqui que tem de parar. No limite. Ou assim, ou perde o pé. Corre a tornar-se Saber /Poder. Recusa ser Sabedoria /Fragilidade Humana Crucificada. Corre a tornar-se Saber filosófico e teológico, mais ou menos sofisticado. Mas Saber. Não Sabedoria. Só o Saber filosófico e teológico é que corre a tirar o escândalo da dor e do sofrimento humanos e da existência do Mal no Mundo. Esse escândalo incomoda tanto os seres humanos, que eles não podem viver com ele sem doses de

ópio, sem anestesia. E, por isso, correm a buscar explicações e mais explicações para suportarem esse escândalo. Explicações filosóficas, umas, teológicas, outras. Mas todas mentirosas. Todas falsas. Todas ópio. Numa palavra, todas idolátricas. Como tal, só favorecem o Ídolo dos ídolos que fica com carta branca para continuar, impunemente, a produzir mais e mais dor e sofrimento humanos, mais e mais Mal.

6 Não procede assim a Sabedoria, feita Fragilidade Humana Crucificada. Não corre a tirar o escândalo de diante.

Não corre a explicá-lo, mais ou menos demencialmente. Pelo contrário. A Sabedoria coloca a dor e o sofrimento humanos e o Mal aí bem diante dos olhos de todas as pessoas, de todos os povos. E combate as causas que os provocam. Não sabe de ópio, nem de anestesia, nem de idolatria. Apenas de Realidade real. A Sabedoria vive sempre à escuta da Realidade mais real. E que Realidade mais real do que a dor e o sofrimento humanos e o Mal? A Sabedoria não corre a explicar. Corre a escutar. E a combater. Escuta a dor e o sofrimento humanos e o Mal. Nas suas vítimas. E, ao escutar as suas vítimas, não corre depois a dar-lhes ópio, anestesia. Muito menos, doutrinas teológicas alienadoras que apelam ao valor "redentor" da dor e do sofrimento humanos e do Mal, quando suportados com paciência e resignação por parte das vítimas. Ou, quando suportados em desconto dos pecados próprios ou alheios. Tais doutrinas são Idolatria /Mentira. Só servem os interesses assassinos e vampirescos do Ídolo dos ídolos. São Humilhação Humana. Um Vómito. As bocas que as dizem são cloacas. As mentes que as pensam são perversas e sádicas.

7 O cume da Sabedoria e da Fé Jesuânica é Jesus Crucificado na Cruz do Império, por decisão conjunta dele e do

Templo. Um e outro são os dois braços do Ídolo dos ídolos, o Senhor Dinheiro, hoje, o Grande Poder Financeiro Global, concentradíssimo na mão de muito poucos seres humanos, seus gestores, mais do que seus donos. Porque ninguém chega a ser verdadeiramente dono do Grande Poder Financeiro Global. Apenas seu gestor. Porque o Grande Poder Financeiro Global é que é o dono, o Senhor dos senhores, o todo-poderoso. A quem não consegue vergar, humilha, ridiculariza, calunia, persegue e, finalmente, mata. Num género de morte, a mais absurda e a mais ignominiosa, para que o nome do assassinado nunca mais seja pronunciado por ninguém, nem recordado por ninguém. Pelo menos, na sua zona de influência que, hoje, é, praticamente, todo o Mundo, Igrejas incluídas!

8 A comunidade que escreveu o Evangelho de Marcos terá sido a primeira a ver as coisas assim, sem Idolatria

/Mentira. Com Sabedoria, feita Fragilidade Humana Crucificada. São Paulo, o das viagens apostólicas, também terá conhecido este Evangelho. Mas não o fez seu. Escandalizou-se com ele. E recusou-o. Não o quis na sua companhia.

O autor do Evangelho de Lucas, segundo volume, anota esse facto, quando diz que, a dado momento, Paulo

recusou a presença de Marcos na sua comitiva (cf. Actos 15, 37-39). Marcos é igual ao Evangelho que leva o seu nome. Paulo recusou a Sabedoria, feita Fragilidade Humana Crucificada, que é Jesus, o do Evangelho de Marcos. Optou pelo Saber dos gregos e dos judeus. Saber /Poder. Saber que finalmente vence os inimigos e os coloca como escabelo dos seus pés! Por outras palavras, recusou Jesus, a Fragilidade Humana Crucificada, escândalo para os judeus, também para o judeu Paulo, e loucura para os gregos, também para o "grego" Paulo e aderiu a Cristo, Poder vitorioso, novo David, que vence todos os seus inimigos, até a Morte, o último e o maior de todos, no entender, ainda hoje, de todos os filósofos e teólogos. Filósofos e teólogos do Ídolo dos ídolos, obviamente. Não de Deus, o de Jesus.

9 E porque escrevo eu que terá sido essa a primeira Comunidade a ver as coisas assim? Porque é a única que tem a audácia e a Sabedoria de não apagar o escândalo da dor e do sofrimento humanos e do Mal, cujo Paradigma é

Jesus, o carpinteiro, o filho de Maria, Crucificado na Cruz do Império, por decisão conjunta do próprio Império e do Templo. Tanto assim, que se atreve a concluir o seu Evangelho ou Boa Notícia de Deus, revelada em Jesus, nas suas Práticas Maiêuticas e nos seus Duelos Teológicos Desarmados, com o grito de Jesus "Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?, logo seguido de mais "um grande grito". É assim a Sabedoria, feita Fragilidade Humana Crucificada. O Evangelho de Marcos é o único que não apresenta um só relato de "aparições" de Jesus ressuscitado. Limita-se a colocar um mensageiro (em grego, "anjo"), a dizer a um punhado de Mulheres que seguiram Jesus desde a Galileia até à Cruz, que o túmulo está vazio. E acrescenta mais um dado essencial para que

a mesma Fé de Jesus possa vir a Acontecer em algumas pessoas, através dos tempos, em todas as nações e línguas:

"Ide dizer aos discípulos e a Pedro: Ele preceder-vos-á a caminho da Galileia; lá o vereis, como ele vos tinha dito".

10 É manifesto que não se trata de um ir turístico à Galileia, nem sequer de visita a um amigo. Trata-se de um atrever-se a, finalmente, fazer suas para as prosseguirem, as mesmas Práticas Maiêuticas de Jesus, iniciadas na Galileia, e fazer seus para os prosseguirem os mesmos Duelos Teológicos de Jesus, que levarão, umas e outros, quem for por aí, quem for Humano desse mesmo jeito, a ser também crucificado na Cruz do Império, por decisão conjunta deste e do Templo. O Ídolo dos ídolos, o Grande Poder Financeiro Global que domina o Mundo, não suporta a presença, no seu domínio, de mulheres, homens sábios, da mesma Sabedoria que é Jesus, a Fragilidade Humana Crucificada. Não suporta em seu domínio a presença de mulheres, homens que o desmascarem, tirem o véu ou manto com que ele se cobre para se fazer passar por sagrado e divino. Mas são mulheres, homens assim, poucos que sejam, que são a luz do mundo, o sal da terra, fermento na massa, sentinelas na cidade. São mulheres, homens jesuânicos, do Movimento de Jesus, e que têm o mesmo fim /destino dele, quanto mais forem como ele, quanto mais forem outros ele.

11 Nada, pois, de Cristo vencedor dos inimigos, o último dos quais é a Morte. Nada desta Mentira /Ideologia /Idolatria. Deus, o de Jesus, o das Vítimas Humanas, o dos Crucificados da História, não é o poderoso que, finalmente, vinga as vítimas. Em Jesus, pudemos ver, com escândalo e como loucura, que Deus é a Fragilidade Humana Crucificada. Só o Ídolo dos ídolos é que é o todo-poderoso. Deus é, ele próprio, o Crucificado, a Vítima das vítimas. Por isso, tem sempre tão poucas pessoas que O acolham nas suas vidas, que O deixem ser Deus nas suas vidas. A esmagadora maioria das pessoas e dos povos, a começar pelos grandes das Igrejas, preferem acolher o todo-poderoso Ídolo dos ídolos e deixar que ele seja tudo nas vidas delas, deles. São pessoas, povos idólatras, quer

se confessem ateus ou agnósticos, quer se confessem religiosos. Seguem o Cristo do Império e do Templo que, sob

a forma de Poder Religioso e de Poder Político, está aí todo inteiro ao serviço do Grande Poder Financeiro Global.

12 Temos de passar do Cristo davídico e vitorioso e do Cristianismo davídico e vitorioso do São Paulo das viagens apostólicas, a Jesus, o carpinteiro, o filho de Maria, Crucificado pelo Templo e pelo Império, na Cruz deste último. Por se ter recusado servir o Ídolo dos ídolos, só as suas inúmeras vítimas, e a servi-las de forma maiêutica, não sob

a aviltante forma da caridadezinha. E por, simultaneamente, ter desmascarado que Ele é o Ídolo dos ídolos que,

desde o começo da Humanidade, se tem feito passar por Deus verdadeiro. E temos de passar do Ídolo dos ídolos que causa dor e sofrimento humanos sem conta nem medida, para o Deus de Jesus que escuta a dor e o sofrimento humanos e o Mal, e vem habitar com as vítimas e dentro das vítimas, para que elas, em lugar de se resignarem, de se conformarem, de tudo suportarem em desconto dos seus pecados ou dos pecados alheios, se levantem e enfrentem o Ídolo dos ídolos, até o amarrarem e derrubarem. Nem que, por via disso, acabem também crucificadas como Jesus, o Ser Humano em quem DeusVivo, que nunca ninguém viu, se revê totalmente e por isso diz a seu respeito: Este [e não os seus verdugos, os seus algozes] é o meu Filho muito amado em quem pus todo o meu enlevo. Escutai-o. Felizes seremos, se erguemos a nossa tenda entre as vítimas e se trabalhamos

maieuticamente com elas, para que elas enfrentem o Ídolo dos ídolos, em lugar de aceitarem as "esmolas" os "subsídios" que ele lhes dá por meio do Poder Político e por meio do Poder Religioso!

Capítulo 29

1 Filósofos e teólogos continuam a mostrar-se escandalizados com a dor e o sofrimento humanos, particularmente, das crianças. Para vincarem ainda mais o seu escândalo, acrescentam ao substantivo "crianças", o adjectivo "inocentes". Sempre escrevem /dizem "crianças inocentes". Uns e outros dão quase sempre ainda um passo mais e atiram-se abertamente a Deus, a quem tomam como o causador da dor e do sofrimento humanos. Muitos dos filósofos vão ao ponto de se declararem ateus. Não podem crer num Deus que, aos sabedores olhos deles, é a causa da dor e do sofrimento humanos. Ou, no mínimo dos mínimos, cúmplice da dor e do sofrimento humanos. Porque, como eles gostam de dizer, se Deus existe e não intervém para pôr fim à dor e ao sofrimento humanos, então é um sádico. E, se não põe fim à dor e ao sofrimento humanos, porque nem mesmo Ele pode realizar essa acção, então que Deus é ele? E para que serve um Deus assim? É, então, que completamente escandalizados, concluem, do alto do seu Saber, que um Deus que nem com a dor e o sofrimento humanos consegue acabar, não é de fiar. Tão pouco vale a pena crer nele. E declaram-se ateus, uns; agnósticos, outros.

2 Já os teólogos que fazem do acto de teologar o seu ofício e o seu ganha-pão, nunca poderão declarar-se ateus, nem sequer agnósticos. Mas vivem a sua vida atormentados, amargurados. Intelectualmente atormentados, amargurados. Ou então são cínicos, a vida inteira. Evitam, por isso, o mais que podem ser alguma vez confrontados com essa questão da dor e do sofrimento humanos, particularmente, dos que, também eles chamam de "inocentes". Parece até que não é tanto a dor e o sofrimento humanos, em si mesmos, que os perturba e aos filósofos. Apenas a dor e o sofrimento dos inocentes. Esta e este, sim, e apenas esta e este, é que são para eles a fonte de escândalo! E como não podem declarar-se ateus nem sequer agnósticos - vivem do acto de teologar e são professores catedráticos nas universidades católicas e para-católicas - desdobram-se em mil e uma razões para explicarem o inexplicável, conviverem com o intolerável que são, efectivamente, a dor e o sofrimento humanos, toda a dor e todo o sofrimento humanos. Não apenas a dor e o sofrimento dos "inocentes". E, pelo meio, sempre

dizem, uma e outra vez, que a dor e o sofrimento humanos são a sua "cruz teológica". Isto é, crêem em Deus, apesar dela e dele. E assim se ficam, ano após ano, até que a Morte os tire da angústia e do escândalo.

3 O que disse /escrevi? Até que a Morte os tire da angústia e do escândalo? Precipitação minha! Como há-de ela

tirá-los da angústia e do escândalo, se a Morte é para os teólogos, como para os filósofos, o escândalo maior, o cume da dor e do sofrimento humanos, a angústia das angústias? Morrerão, por isso, na angústia e no escândalo. E só não se fizeram, antes de morrer, também ateus ou agnósticos, porque o acto de teologar sempre foi, é o seu ganha-pão e garante-lhes ainda outras prebendas nada despiciendas, como títulos honoríficos, estatuto social, poder na instituição eclesiástica e religiosa, senhor doutor para cá, senhor doutor para lá. Sem nunca esquecermos que bastantes deles acabam por ser escolhidos para bispos residenciais e cardeais, por parte do Poder eclesiástico de topo, o qual, como sabemos, tem um fraquinho pelos doutores com cátedra cativa nas suas universidades. E de modo algum suporta, até odeia, as mulheres, os homens de Fé Jesuânica, discípulas, discípulos de Jesus e prosseguidores das suas mesmas Práticas Maiêuticas e dos seus mesmos Duelos Teológicos Desarmados.

4 Filósofos e teólogos que falam assim da dor e do sofrimento humanos, e se comportam assim perante a dor e o

sofrimento humanos, podem ser e são, certamente, sabedores /doutores. De modo algum, são sábios. Mesmo que pareçam humildes, vivem inchados de Saber-Poder-Vaidade-Privilégio, mas esvaziados de Sabedoria que é, como tenho dito e repetido sem nunca ser de mais, Fragilidade Humana Crucificada. Teriam de aceitar despojar-se por completo desse Saber-Poder-Privilégio, dessa Vaidade e reconhecerem-se Fragilidade Humana Crucificada. Longe das cátedras que têm cativas nas universidades. Próximos dos empobrecidos, das vítimas, dos sofredores, dos crucificados. Teriam de transmutar o Saber em Sabedoria, o Poder e o Privilégio em Fragilidade Humana Crucificada. Teriam de nascer entre os últimos e nunca emigrarem de junto deles, a não ser para frequentarem por uns tempos o Deserto e regressarem, depois, ainda mais Fragilidade Humana Crucificada.

5 Filósofos e teólogos que, do alto das suas cátedras, ou do alto do seu prémio Nobel, ou do alto dos seus altares,

ou do alto dos palácios dos seus Vaticanos, ou do alto das suas basílicas, discorrem sobre a dor e o sofrimento humanos, como coisa que só acontece aos outros, não a eles, não passam de cínicos, de dementes-dementes, sádicos, intelectuais-papagaios, que não são de fiar. Para cúmulo, ainda ganham dinheiro com a dor e o sofrimento humanos. Ou, porque, como filósofos e teólogos, discorrem sobre ela e sobre ele, deste modo tão obsceno e cruel, sem nunca lutarem para a, o erradicarem da face da Terra, ou porque se fizeram profissionais chamados de saúde, não para acabarem com a dor e o sofrimento humanos, mas para enriquecerem à custa da dor e do sofrimento humanos. Hospitais públicos e privados, centros de saúde, clínicas privadas de todo o tipo e para todas as bolsas, farmácias e farmacêuticos, multinacionais de medicamentos, laboratórios ao serviço das multinacionais de medicamentos, milhões e milhões de pessoas que vivem exclusivamente da dor e do sofrimento humanos, até freiras e frades que frequentam as casas das pessoas que sofrem, está tudo, estão todos a viver-comer-enriquecer- a-ter-prestígio da dor e do sofrimento humanos.

6 Parece que está tudo, que estão todos a lutar contra a dor e o sofrimento humanos. Não estão. São profissionais

da saúde, só no diploma que os do Saber do Grande Poder Financeiro Global lhes passa, no final do curso, frequentado com sucesso. Na prática, são milhões e milhões de pessoas e de instituições que vivem-enriquecem à custa da dor e do sofrimento humanos. O que seria de todos estes milhões e milhões de pessoas e de instituições, em todo o Mundo, se, da noite para o dia, ou do dia para a noite, a dor e o sofrimento humanos acabassem?! Não seria o descalabro mundial? Não seria o colapso do Sistema criado e gerido pelo Grande Poder Financeiro Global?

As próprias Igrejas e as Religiões subsistiriam? Não se mantêm aí a funcionar, sempre com clientes garantidos, uma geração após outra, só porque há dor e sofrimento humanos? Não houvesse, e elas ainda teriam quem as frequentasse? O santuário de Fátima, por exemplo - é a nossa vergonha nacional, europeia e até mundial - teria os cinco ou seis milhões de "peregrinos" anuais, provenientes de todo o Mundo (não, não são só portugueses e europeus), se acabassem a dor e o sofrimento humanos?

7 A esta luz, não temos de concluir que a Demência-demência, sob a forma de Saber-Poder-Privilégio ganhou foros

de cátedra nas universidades e está a ser cientificamente fomentada entre as sucessivas gerações que chegam a este Mundo, de modo que a Sabedoria nunca tenha a sua oportunidade na História? Mas será que a dor e o sofrimento humanos estão aí por geração espontânea, por criação de Deus, ou são criação do Grande Poder Financeiro Global que, sem ela e sem ele, nunca teria pés para andar e para se manter, cada vez mais opressor?! O nosso Mundo não está todo demencialmente organizado para produzir dor e sofrimento humanos, umas vezes mais controlado, outras vezes, completamente descontrolado? Por trás da dor e do sofrimento humanos não andam causas bem concertadas? Grandes interesses que só o são e cada dia mais poderosos, porque se alimentam da dor e do sofrimento humanos que, porventura, até ajudam a combater, mas só até certo ponto, sem nunca

chegarem a acabar de vez com ela e com ele?

8 Perante esta intolerável realidade que é a dor e o sofrimento humanos, os filósofos e os teólogos que se limitam

a dizer-se escandalizados, ao ponto de, uns, se declararem ateus ou agnósticos, e os outros se declararem angustiados e amargurados, não passam de cínicos, como, de resto, são cínicos todos os homens do Saber-Poder- Privilégio que falam, falam, falam contra a dor e o sofrimento humanos, mas, entretanto, é dela e dele que vivem, engordam, enriquecem, desfrutam privilégios e mordomias sem conta. São filósofos do Saber-Poder-Privilégio. Não são sábios. São hipócritas. São mercenários do Grande Poder Financeiro Global que lhes paga para que o sirvam e fomentem /semeiem entre as sucessivas gerações que vêm a este Mundo o vírus da Demência-demência, esse mesmo que outras gerações anteriores também já fomentaram /semearam neles. Para que nunca por nunca o Grande Poder Financeiro Global perca o seu domínio. E a sua perversa Ordem Mundial prossiga e continue a ser encarada por todos os povos como coisa natural. Mas é o escândalo dos escândalos!

9 Já os teólogos que se mostram angustiados e amargurados perante a dor e o sofrimento humanos, mas

continuam com as suas cátedras cativas nas universidades das respectivas Igrejas e Religiões, para lá de cínicos- que-frequentam-cultos-nos-templos, ou até presidem a cultos nos templos, também são idólatras. O Deus em que dizem crer não passa de um Ídolo que eles têm por o único Deus verdadeiro. Por mais que corram e saltem; por mais doutoramentos que coleccionem; por mais tratados e compêndios que escrevam e editem; por mais conferências que profiram em Cimeiras internacionais de teólogos, não passam de teólogos idólatras. O Deus de que são teólogos é um Ídolo, o Ídolo que alimenta as Religiões, todas as Religiões, cristã-católica incluída. Ou todas elas não sejam Idolatria, o culto do Ídolo. E só o Ídolo sobre o qual tais teólogos reflectem, escrevem, discorrem, é que mantém a dor e o sofrimento humanos, porque alimenta-se dela e dele. No dia em que a dor e o sofrimento humano acabarem, o Ídolo também acabará. E, com Ele, todos esses milhões e milhões de mercenários e de instituições que vivem-enriquecem à custa da dor e do sofrimento humanos.

10 Os filósofos e os teólogos pensam e procedem assim, porque são homens do Saber-Poder-Privilégio. São mestres do Saber-Poder-Privilégio. Não são discípulos da Sabedoria, a Fragilidade Humana Crucificada. Nunca foram. Nunca serão. Porque todos eles sabem - Pai, perdoa-lhes, porque eles sabem muito bem o que fazem! - que

no dia em que decidirem ser discípulos da Sabedoria, serão lançados à geena, à lixeira, ao esgoto. Serão

crucificados. Para servirem de exemplo a outros que, assim, depressa, desistirão de ir por essa via, a da Sabedoria,

e manter-se-ão, por toda a vida, nas cátedras do Saber-Poder-Privilégio que têm cativas nas universidades, todas elas financiadas pelo Grande Poder Financeiro Global que manda no mundo, domina o mundo. Fossem filósofos e

teólogos, discípulos da Sabedoria, fossem eles próprios Fragilidade Humana Crucificada, como Jesus, o carpinteiro,

o filho de Maria foi, é e será, e outra, muita outra seriam as suas posturas, os seus pensares e os seus dizeres- escreveres.

11 Em lugar de passarem a vida a dizerem-se escandalizados e angustiados /amargurados perante a dor e o

sofrimento humanos; em lugar de passarem a vida a filosofar e a teologar sobre Deus como o culpado ou pelo menos cúmplice da dor e do sofrimento humanos; em lugar de passarem a vida a tentar encontrar argumentos contra Deus ou, então, a tentar desculpabilizar Deus; em lugar de passarem a vida a congeminar formas de sublimação da dor e do sofrimento humanos, por parte de quem é vítima duma e doutro - tudo isto é do reino da Demência-demência humana e só aproveita ao Grande Poder Financeiro Global que tudo controla, até a dor e o sofrimento humanos - os filósofos e os teólogos, se aceitassem ser discípulos da Sabedoria, a Fragilidade Humana Crucificada, viveriam na Trincheira a desmascarar, oportuna e inoportunamente, a Idolatria e o Ídolo que está por trás do Grande Poder Financeiro Global. Ao mesmo tempo, gastariam todo o seu viver a tentar abrir os olhos das mentes das populações e dos povos, e a mobilizá-las, mobilizá-los contra ele e contra ela e contra o Grande Poder Financeiro Global que a, o provoca e alimenta. Numa palavra, seriam outros Jesus, a Sabedoria feita Fragilidade Humana Crucificada.

12 "Ao passar, Jesus viu um homem cego de nascença. Os seus discípulos perguntaram-lhe: Rabi, quem pecou para

que este nascesse cego? Ele, ou os seus pais? Jesus respondeu: Nem ele, nem os seus pais. Isto aconteceu para se manifestarem nele as obras /práticas de Deus. Temos de realizar as obras /práticas daquele que me enviou enquanto é dia. Vem aí a noite, em que ninguém pode actuar. Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo". É com estas palavras que o Evangelho de João (capítulo 9) inicia a Narrativa Teológica que ficou conhecida - erradamente, diga-se - como "A cura do cego de nascença". A narrativa é teológica, não jornalística. O cego, sem nome, é uma figura representativa. Está por todo o povo, por todos os povos que nascemos e vivemos caídos na Treva, na Cegueira, na Mentira, numa palavra, na Idolatria. Quer dizer, pessoas e povos que nunca conheceram outra coisa, outro tipo de sociedade. Como tal, tomam por Deus verdadeiro, o Ídolo. Por filosofia e teologia, a Idolatria. Pensam, investigam, filosofam, teologam, mas sempre dentro do domínio da Treva, da Noite, da Escuridão, da Mentira, da Cegueira, numa palavra, da Idolatria. Tudo o que pensam, dizem, fazem, ensinam, destina-se a reforçar mais e mais o Grande Poder Financeiro Global que lhes paga para isso, a alguns poucos, muito bem, à esmagadora maioria, muito mal, para assim os ter sempre na sua mão assassina!

13 Não é por aí que anda Jesus. Manifestamente, não é por aí. Jesus, o carpinteiro, o filho de Maria, não é do

número dos Sabedores /Doutores-do-Poder-e-do-Privilégio. Não é do número dos idólatras, dos filósofos e dos teólogos da Treva, da Mentira institucionalizada, da Idolatria. Ele é a Luz do mundo. É a Sabedoria, a Fragilidade Humana Crucificada. Sem cátedra cativa nas universidades do país, as da Sinagoga e as do Templo de Jerusalém. É

a Fragilidade Humana Crucificada por antonomásia. Como tal, não perde tempo, muito menos passa a vida a

discorrer sobre de quem é a culpa de haver tanta dor e tanto sofrimento humanos. Ele vê, com os olhos que só a Sabedoria dá, que toda a dor e todo o sofrimento humanos, com que diariamente deparamos, são o fruto mais inumano que o Ídolo que se faz passar por Deus verdadeiro e que a Idolatria que, desde o princípio da Humanidade

é promovida em seu louvor nos templos e nos altares, os sagrados e os profanos - é isto a Religião, seja sagrada ou

profana! - produzem. Por isso, é que ele é Ídolo. Por isso, é que é Idolatria ou Religião. Não Fé, a mesma de Jesus, por isso, Jesuânica.

14 Em lugar de se pôr a discutir, como queriam os próprios discípulos, e como querem ainda hoje todos os filósofos

e todos os teólogos do Saber-Poder-Privilégio, Jesus age de imediato. Torna-se, de imediato Prática Política

Maiêutica. Age. Não. Não vai a correr dar esmola ao ceguinho. Não vai a correr fundar um hospital ou uma Misericórdia. Faz com que de dentro dele, isto é, dos seres humanos que aceitemos ser seus discípulos, não apenas seus admiradores, rebente /expluda o Humano que está lá acorrentado, cativo, amarrado, amordaçado, silenciado, vendado, morto de quatro dias, isto é, verdadeiramente morto. E eis que, inopinadamente, nesta, naquela Mulher, neste, naquele Homem, o Humano Acontece e logo se levanta contra a Mentira /Idolatria institucionalizada que a mantinha escravizada, cativa, o mantinha escravizado, cativo. Infelizmente, a esmagadora maioria dos seres humanos prefere manter-se na Treva, na Mentira, na Idolatria, na Religião. Até porque aquelas, aqueles de nós que aceitamos VER, isto é, saltar fora da Idolatria e sermos Liberdade /Maioridade, Fragilidade Humana Crucificada, nunca mais teremos o reconhecimento dos que preferem manter-se, por toda a vida, na Treva, na Idolatria, no culto do Ídolo, no Saber-Poder-Privilégio. Hão-de fazer-nos a vida negra, até nos excluírem por completo das suas vidas, das suas instituições, das suas mesas. Esta narrativa teológica do Evangelho de João, se for lida até ao fim, é deveras elucidativa. Felizes, porém, se, mesmo assim, nos mantivermos fora da Idolatria e com a Sabedoria, por toda a vida. Se nos mantivermos Fragilidade Humana Crucificada, por toda a vida. Porque não há Humano, senão assim, Fragilidade Humana Crucificada. Vêem, então, como é "estreita" a porta?!

Capítulo 28

1 Desde que a Sabedoria se fez carne, em Jesus, o carpinteiro, o filho de Maria, o de Nazaré da Galileia, nunca mais

a Humanidade poderá continuar como antes. Até Jesus, sempre se confundiu Sabedoria com Saber, Saber com

Sabedoria. Dizer Saber ou dizer Sabedoria era indiferente. As duas palavras eram sinónimas. Só em Jesus é que, finalmente, percebemos, que Saber não é sinónimo de Sabedoria, mas antónimo. Saber é Poder Humano Crucificador. Sabedoria é Fragilidade Humana Crucificada. Desde então, ou o Saber, todo o Saber se transforma em Sabedoria, ou será bem melhor que nós, os seres humanos, sejamos, ao menos, como as árvores que produzem toda a espécie de frutos. De bons frutos. Mesmo que não conheçamos uma letra do tamanho de um carro, nem saibamos nada de tecnologia de ponta, nem de computadores e de informática, as nossas vidas, se forem como árvores de fruto, produzirão fecundas práticas políticas maiêuticas e anti-idolátricas, com força bastante para mudarem /transformarem /humanizarem o nosso Mundo.

2 Foi o Saber que não suportou a Sabedoria e a matou. É o Saber que, ainda hoje, não suporta a Sabedoria e a mata. Será o Saber que, no próximo-futuro, não suportará a Sabedoria e a matará. Enquanto não formos como meninas, como meninos, não entenderemos nada. Crescemos e fazemos outros crescer em Saber e depois queixamo-nos de que quanto mais conhecimentos têm os seres humanos, mais perigosos, corruptos, insolidários, exploradores, assassinos, eles são. Pudera!Quando a Família e a Escola e a Igreja e os Media fornecem conhecimentos e mais conhecimentos, sem nunca cuidarem que esses conhecimentos se transmutem em Sabedoria, estão a formar, não seres humanos sábios, fraternos, solidários, acolhedores uns dos outros, cooperadores, livres, autónomos, em estado de maioridade, mas lobos, animais ferozes que, quando se tornarem desenvolvidos, agridem e matam os seus formadores /formatadores. A menos que estes, à medida que lhes fornecerem conhecimentos, também os domestiquem, lhes incutam um conjunto de tabus (uma espécie de

mentiras sagradas ou de "primeiros princípios" que não precisam de ser provados, apenas admitidos e reconhecidos por toda a gente como verdade indiscutível) que eles jamais poderão infringir, vida fora. Tudo isso, dito numa só palavra, chama-se Idolatria (= o culto do Ídolo = Mentira-Organizada-Institucionalizada)

3 O Ser Humano do século XXI, que não sabe nada de Jesus, a Sabedoria feita Fragilidade Humana Crucificada, e

parece que tão pouco está interessado em saber; que não tem nem parece querer ter Jesus por referência, muito

menos, por a sua referência última, o Paradigma do Humano, avança, inevitavelmente a largos passos para o Abismo. Cresce em Saber, domina todas as tecnologias, está na vanguarda do desenvolvimento tecnológico, num ritmo cada vez mais veloz, mas não é capaz de escutar, de acompanhar, de acolher, de amar, de se desfazer em

gestos de gratuidade, a começar por ele próprio. Nunca como hoje, a Família, a Escola, a Igreja, e os Media estão aí

a formar seres humanos-lobo-Caim, antes de mais, de si próprios, e, consequentemente, também dos demais.

Autodevoram-se, autodestroem-se, autodescriam-se, autoaniquilam-se, autoestupidificam-se e, consequentemente, devoram, destroem, descriam, aniquilam, estupidificam os demais. Outra coisa não sabe fazer

o Saber. E o Saber é a única coisa que, neste Século XXI, a Família, a Escola, a Igreja, os Media estão a fomentar no Ser Humano das novas gerações.

4 Nem a Igreja do Século XXI tem Jesus, o carpinteiro, o filho de Maria, o de Nazaré da Galileia, como referência,

muito menos, como a referência última para ela. E se a Igreja o não tem como a sua referência última, tão pouco o pode apresentar como tal ao Ser Humano das novas gerações que lhe passem pelas mãos. Nem Jesus, nem o Sopro ou o Espírito de Jesus. Assim ela acaba por ser apenas um agente mais do Saber, hoje, porventura, o menos influente junto das novas gerações. Os próprios quadros que ela forma nas suas universidades confessionais, de entre os quais saem, depois, os que ela própria selecciona para ocuparem os seus principais centros de decisão e de Poder eclesiástico, apresentam-se dotados de (algum) Saber, dizem-se doutores e fazem questão de serem

tratados por tais, mas não há neles um pingo de Sabedoria. O que os distingue dos demais quadros de outras empresas não eclesiásticas são as vestes, os locais onde exercem a sua actividade e o tipo de actividade em que se especializaram, todas essas coisas absurdas do Religioso, que até a eles envergonha, mas que eles fazem, porque é

o

seu ganha-pão e, mais do que isso, é a sua grande fonte de enriquecimento e de Privilégios.

5

Sabedoria é coisa que as novas gerações desconhecem. Para elas, tudo se resume ao Saber. Temos sabedores,

doutores, não temos sábias, sábios. O Saber, só por si, não é que está mal. O que está mal é o Saber que nunca se transmuta em Sabedoria. E como pode o Saber transmutar-se em Sabedoria, se, hoje, a Família, a Escola, a Igreja,

os Media apenas transmitem o Saber, fomentam o Saber, nunca por nunca a Sabedoria? E como poderão essas instituições todas chegar à Sabedoria, se, como instituições fundamentais da Sociedade, são elas as primeiras a pensar que Saber e Sabedoria são sinónimos? Se até elas desconhecem que Saber e Sabedoria são antónimos? Se competem entre si para ver qual delas é a que fica no topo da melhor Família, da melhor Escola, da melhor Igreja, do melhor Media? E se, para cúmulo, por "melhor", todas elas entendem aquela, de entre elas, que prepara melhor, ao nível do Saber, dos conhecimentos, as novas gerações que as frequentam para, depois, terem sucesso nas grandes empresas transnacionais que, por sua vez, têm como critério de selecção dos seus quadros, o Saber, não a Sabedoria?

tempo que aposta tudo na destruição do que ainda reste por aí de Sabedoria nas novas gerações. O Grande Poder Financeiro sabe que a Sabedoria é o seu inimigo número um. Tem de destruí-la, matá-la, lá onde ainda houver uns restos dela, neste ou naquele ser humano. Tudo pela promoção do Saber. E tudo pela destruição /morte da Sabedoria. E não é que o Grande Poder Financeiro que hoje domina e tem sob o seu férreo jugo os Povos do Planeta e o próprio Planeta, até na Igreja ele conseguiu meter-se e possuí-la por completo? A Igreja, nas múltiplas Igrejas em que, neste nosso Século XXI, subsiste, não é hoje uma Igreja possessa, não já do mítico demónio (como mítico, até seria inofensivo!), mas do real e histórico demónio, que dá pelo nome de Grande Poder Financeiro?

7 Ora, quando assim é, ainda há futuro? E, se há, onde reside a semente, a fonte, o Sopro que o garantam?

Obviamente, que há futuro. E há futuro, porque, felizmente, nem todos os seres humanos, através dos séculos, vergam o joelho perante o Grande Poder Financeiro. Desde logo, Jesus, o carpinteiro, o filho de Maria, o de Nazaré da Galileia. Quando a Sabedoria se fez carne, foi neste Jesus que ela se fez plenamente carne. E fazer-se carne não

é o mesmo que fazer-se Homem. Embora a Igreja sempre tenha andado a dizer que é a mesma coisa, não é. Nem

terá sido politicamente inocente que a Igreja depressa passou a traduzir o substantivo grego sarx, carne, por "homem". E mais tarde, já sob a batuta do Império romano e do imperador Constantino e seus sucessores, a Igreja deu ainda mais um passo na mentira e traduziu "homem" por "super-homem", ao apresentar-nos sistematicamente Jesus, o Homem, como uma espécie de super-homem que venceu a Morte e, nela, todos os inimigos, fazedor de assombrosos milagres, prodígios sem conta que ela inventou e lhe atribuiu, numa postura de demência e de delírio sem limites.

8 Fazer-se carne, sarx, em grego, é igual a fazer-se Fragilidade Humana Crucificada. Jesus, o carpinteiro, o filho de Maria, é esta carne, esta Fragilidade Humana Crucificada por antonomásia. Tanto, que se tornou, para todo o sempre, o Paradigma do Humano. Humano, desde então, só o que for como Jesus. Quanto mais como Jesus, mais Humano. Mais Sábio. Historicamente, o máximo da Fragilidade Humana é a Fragilidade Humana Crucificada, por se ter atrevido a passar na História a fazer o bem. É precisamente o que o Livro dos Actos, do Novo Testamento bíblico, diz de Jesus: "Passou fazendo o bem". Atreveu-se a fazer o bem, sem nunca ter sido benfeitor. Entendemos

a substantiva diferença? O benfeitor não passa fazendo o bem. O benfeitor passa fazendo o Poder. Só o Poder é

benfeitor. Nunca Libertador, Maiêutico. Libertador, Maiêutico, só a Fragilidade Humana Crucificada. Ao contrário da Fragilidade Humana Crucificada, o Poder leva numa mão a arma-de-matar e na outra o pão-a-distribuir /o

subsídio /a esmola, /o Banco Alimentar contra a Fome! Quando o pão-a-distribuir /o subsídio /a esmola /o Banco Alimentar contra a Fome não basta para manter submissos os seres humanos e os povos, entra em acção a arma- de-matar. E os seres humanos e os Povos perdem quase de imediato a crescente rebeldia e reina, de novo, uma grande paz. A dos submissos. A dos subsídios. A das armas-de-matar. A do Grande Benfeitor, que é o Grande Poder Financeiro.

9 Temos de começar por resgatar Jesus, da Igreja-Poder-Eclesiástico, do que que ela fez dele, ao longo dos séculos. O melhor a fazer então é regressarmos ao Evangelho de Marcos, o primeiro, no tempo, dos quatro evangelhos canónicos. O Evangelho que nasceu na clandestinidade. Na comunidade feita Fragilidade Humana Crucificada que reunia clandestinamente em casa de Maria, não a de Jesus, mas Maria, a mãe de João Marcos, esse mesmo que dá

o nome ao Evangelho. Não há neste Evangelho ponta de Saber. Só Sabedoria. E Sabedoria Praticada, Desramada,

Crucificada. Não há ponta de Poder. Só Fragilidade Humana Crucificada, protagonizada paradigmaticamente por Jesus, o carpinteiro, o filho de Maria (é o único dos quatro Evangelhos canónicos que se refere nestes termos a Jesus, cf. capítulo 6). Do início ao final, Jesus actua plenamente habitado pelo Espírito Criador /Libertador, a fonte do Humano em estado de Liberdade e de Maioridade. O Império, em cujo terreno armadilhado Jesus actua, é o

Saber-Poder-Crucificador em acção. Jesus, o seu antípoda, é a Sabedoria-Fragilidade-Humana-Crucificada-em- acção. Por ser assim é que tudo em Jesus é Maiêutico. E tudo no Império é Opressor. Tudo em Jesus é Fonte de vida. E tudo no Império é fonte de Assassínio. Jesus é integralmente Dádiva, Pão Partido e Repartido, Vinho Derramado. O Império é integralmente Ladrão e Assassino, Acumulador, Concentrador. Jesus é a Sabedoria-que- nos-faz sábias /sábios. O Império é o Saber-que-nos-faz-mentirosos /hipócritas.

10 É, contudo, o Evangelho de João, o último, no tempo, dos quatro Evangelhos canónicos, que nos apresenta

explicitamente Jesus, logo no Prólogo, como a Sabedoria que se faz carne, sarx, em grego. É, sem sombra de dúvida, o mais teológico dos quatro Evangelhos canónicos. Atreve-se a dizer que a Fragilidade Humana Crucificada

é Deus e Deus é a Fragilidade Humana Crucificada. Leva a este ponto a Sabedoria, o Humano, nos antípodas do

Saber-Poder-Império. A Igreja, sobretudo depois que ficou sob a batuta do Império, leu este Evangelho em chave de Poder e de Privilégio, em chave de Império, em lugar de o ler como aos outros três em chave de Política

Praticada Desarmada, de Duelo Teológico Desarmado. Foi um desastre mortal, do qual a Igreja ainda não saiu e não dá sinais de querer sair. Para sua desgraça e desgraça da Humanidade. A Revolução Teológica que Jesus, a Sabedoria feita Fragilidade Humana Crucificada, é para todo o sempre, e que faz dele a Pedra angular da Ordem Mundial ou Reino /Reinado de Deus que tem de ser este nosso Mundo, se quiser ser integralmente humano, foi de novo comida pelo Saber-Poder-Império e pelo Religioso, numa palavra, pelo Ídolo /Idolatria.

11 Urge regressarmos a Jesus. À Revolução Teológica que ele é. E desenvolvê-la com audácia, neste nosso Século

XXI. Contra o Grande Poder Financeiro, o Ídolo dos ídolos. Já foi este Ídolo dos ídolos que matou Jesus na Cruz do

Império romano. Vinte séculos depois, não pode nem ouvir falar de Jesus. E tudo faz para que as novas gerações o confundam com o Religioso da Igreja, com toda essa tralha eclesiástica que por aí abunda a rodos. Fomenta o mais que pode o ateísmo e o agnosticismo. Para que as novas gerações sejam constituídas por ateus e agnósticos. De todos os deuses, menos do Ídolo dos ídolos, precisamente, o Grande Poder Financeiro, o Senhor Dinheiro. Jesus, com a sua Revolução Teológica, é o Inimigo número um, o único inimigo do Grande Poder Financeiro Global. É preciso que nem o seu nome se pronuncie. Não vão as novas gerações descobrirem a sua Força Maiêutica e deixarem-se habitar por ela, tornarem-se, hoje e aqui, outros Jesus. Mas o Inimigo número um dos seres humanos

é precisamente o Grande Poder Financeiro, o Ídolo dos ídolos, que, se quisermos ser integralmente Humanos, temos de desmascarar, enfrentar, amarrar e, finalmente, decapitar. Para deixarmos de ser escravos dele.

12 Este é o caminho da Sabedoria que urge percorrermos. Quanto antes. Ontem, já era tarde. Contra o Grande

Poder Financeiro Global, há-de levantar-se a mesma Fé de Jesus. Não! Não é Fé religiosa. Não tem a ver com templos, nem com altares, nem com ritos, nem com rezas, nem com clérigos, nem com sacerdotes, por mais porreiros que eles se apresentem. A Fé de Jesus é Teológica, é anti-Idolatria, anti-Grande Poder Financeiro Global. É Política Praticada. É Sabedoria. É Fragilidade Humana Crucificada, porque o Grande Poder Financeiro é isso que faz a quem lhe resiste, se lhe opõe, o desmascara, o combate. E tais havemos de ser nós, os seres humanos deste nosso Século XXI. Do mesmo jeito de Jesus, o carpinteiro, o filho de Maria, o de Nazaré da Galileia. Habitados /animados pela sua mesma Fé que nos faz militantes de Projectos Económicos e Políticos Maiêuticos e de Duelos Teológicos Desarmados contra os projectos económico-financeiros e a Idolatria Organizada do Grande Poder Financeiro Global, o Senhor Dinheiro. Ousemos. Atrevamo-nos. Ousemos ser outros Jesus no Século XXI. Atrevamo- nos a ser outros Jesus no Século XXI! Pela minha parte, já sabem, digo e continuarei a dizer, presente!

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Já toda a gente, hoje, com um mínimo de cultura geral, ouviu falar, alguma vez na vida, nas cidades bíblicas de

Sodoma e de Gomorra. É, até, de Sodoma, nome de cidade bíblica, que vem a palavra sodomia que, como diz qualquer dicionário ou enciclopédia, tem tudo a ver com comportamentos e práticas homossexuais, homem com homem, mulher com mulher. A Bíblia hebraica, Livro do Génesis, capítulos 18 e 19, fala destas duas cidades. E tece narrativas de arrepiar, que mais parecem um guião de um filme de terror, escrito, mais de três mil anos antes de ter sido inventado o cinema animado. Não podemos, ainda hoje, ler aquelas narrativas, sem deixar de admirar o engenho e a arte de escrever, de romancear do seu autor, ou dos seus autores. Aquilo é que é escrever! À beira delas, as narrativas romanceadas do nosso José Saramago, Nobel da Literatura 1998, por exemplo, nem às unhas dos pés chegam. Contudo, as do nosso Saramago são escritas no final do Século XX e inícios do Século XXI. E ainda nos tempos por muito evoluídos, cultos, desenvolvidos. Arrogantes, é o que somos!

2 No dizer das narrativas do Génesis, aquelas eram cidades sem futuro. Eram o paradigma do que as cidades nunca

deveriam ser. E que, já então, todas ou quase todas, eram. Para seu mal. E mal do Planeta Terra e de quantos seres vivos que nele habitamos. Porque todas as cidades /sociedades /instituições que se assemelharem a estas cidades bíblicas de Sodoma e Gomorra são cidades /sociedades /instituições sem futuro. Um desastre. São todas

construídas sobre a areia. Não resistem por muito tempo. E viver, trabalhar, comprar, vender, divertir-se, dormir em cidades /sociedades /instituições assim, é viver em permanente área de risco. Até o ar que se respira nelas anda empestado de vírus que matam lentamente as pessoas que têm de o respirar. A Corrupção é o pão nosso de cada dia, dos habitantes de cidades /sociedades /instituições assim. O anonimato que leva cada pessoa a sentir-se um Ninguém, um número de estatística, uma coisa que agora está ali, mas de um momento para o outro deixa de estar, é a regra geral. Todas as pessoas, e são muitos milhares, mesmo muitos milhões, como sucede com as que vivem nas megacidades deste início do Século XXI, são menos do que formigas. Sem nome. Sem rosto. Sem voz. Sem vez. Sem identidade. Sem relação. Sem afectos partilhados. Meros núm