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A COMISSÃO DE DEFESA DOS DIREITOS DOS ANIMAIS

DA OAB/CE APRESENTA

O DIREITO
DOS ANIMAIS
EM
CONDOMÍNIOS

A COMPAIXÃO PELOS ANIMAIS ESTÁ INTIMAMENTE


LIGADA A BONDADE DE CARÁTER, E QUEM É CRUEL
COM OS ANIMAIS NÃO PODE SER UM BOM HOMEM.
Arthur Schopenhauer
Os animais também têm os seus direitos: direito à vida,
direito ao respeito, direito à proteção do homem,
direito a não ser maltratado, direito a viver livre no
seu habitat, direito a não ser usado em experiências
que lhe causem dor.

No caso de animais silvestres, além de todos esses


direitos, têm o direito de viver em liberdade e o direito
de não serem caçados.

Estes direitos são Universais oriundos da Declaração


Universal dos Direitos dos Animais da Organização da
Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura –
UNESCO – em Bruxelas, Bélgica em 1978.

No Brasil, a Constituição Federal assegura a proteção


da fauna, vedando as práticas que coloquem em risco
sua função ecológica, provoquem a extinção de
espécies ou submetam os animais à crueldade.
Os animais domésticos estão cada vez mais presentes na família
brasileira. Prova disso é que o nosso país é o quarto, no mundo, em
número de pets: conta com mais 132 milhões.

Lutar contra os pets em condomínios é uma batalha perdida. Isso


porque juízes de diversas instâncias já permitiram animais em
condomínios, desde que os mesmos não atrapalhem a saúde, o sossego
e a segurança de seus vizinhos.

O fundamental é que haja regras claras para todos seguirem. O


condomínio deve explicitar no regulamento interno ou convenção
exatamente o que é permitido em suas áreas comuns.

O regimento interno do condomínio deve ser claro e estabelecer


todas as regras de convivência com os animais: uso dos
elevadores social/serviço, uso de guia/coleira, obrigação de
recolhimento dos dejetos do animal, em suma, deve ser o mais
abrangente possível.
Amanda Duarte, Advogada

Importante salientar que o regulamento não pode, ao contrário do que


se pensa, pedir que os moradores transitem com seus pets no colo, o
que leva a proibir tipos específicos de raça ou porte.

Esse tipo de imposição é ilegítima. Impedir que os moradores do


condomínio possuam determinadas raças ou portes é
considerado ato abusivo ou constrangimento ilegal (artigo 146,
CPB).
Amanda Duarte, Advogada
QUAIS RESTRIÇÕES PODEM SER APLICADAS NO CASO DE
ANIMAIS EM CONDOMÍNIO?

Para evitar impasses, inclusive de ordem judicial, o síndico precisa estar


ciente sobre as restrições que podem ser adotadas pelos condomínios
em relação aos animais.

Antes de tudo, é preciso lembrar que as regras de convivência devem


ter a concordância de todos os moradores. Isso significa não
contradizer o interesse público e a legislação vigente.

1) O animal não deve oferecer riscos à saúde e à segurança dos demais


moradores e animais.
Se for bravo, deve usar focinheira enquanto circula dentro do condomínio.
Deve estar com as vacinas em dia e, se estiver com alguma doença
contagiosa, não deve circular no condomínio – até mesmo para que não
contamine outros animais).

2) O animal não deve trazer problemas quanto à higiene do condomínio.


O tutor deve efetuar a limpeza das necessidades nas áreas comuns e, no
apartamento, cuidar para que um possível mau cheiro não ultrapasse a
porta e invada o hall social ou os outros apartamentos.

3) O animal não deve perturbar o sossego dos demais


moradores.
Nesse quesito, vale salientar que, em se tratando de um
cão que late, a lei do silêncio deve ser respeitada. Ou seja,
ele pode latir moderadamente entre 8h e 22h. Assim como
as pessoas fazem barulhos normais durante o dia (como
andar no apartamento, ligar a TV, ouvir som, falar,
dentre outros) o animal também tem o direito de fazer
“barulhos normais”, afinal ele é um ser vivo que se
movimenta e emite sons. O que não pode é
perturbar o sossego dos outros moradores.
Em caso de cães que latem muito e de
forma constante, deve ser observado
o caso concreto e utilizar o bom
senso para uma melhor solução.
QUAIS RESTRIÇÕES NÃO PODEM SER APLICADAS NO CASO
DE ANIMAIS EM CONDOMÍNIO?

Não pode restringir que os moradores tenham animais ou


determinadas raças e portes.
Não pode proibir o animal de utilizar o elevador, mesmo que haja
somente um no edifício.
Não pode impor o uso de focinheira, caso o animal não seja
comprovadamente agressivo.
Não pode obrigar que o tutor ande com o animal somente no colo.
Não pode restringir o uso das áreas comuns pelo animal.
Não pode obrigar que o tutor mantenha o animal somente dentro do
apartamento.

EU TENHO
DIREITOS!
DEVERES E OBRIGAÇÕES DO TUTOR

Usar a guia curta, mantendo o animal próximo de si nas áreas


comuns do condomínio.
Utilizar a focinheira nos animais mais agressivos.
Não permitir que crianças passeiem sozinhas com o animal.
Prezar pela segurança dos vizinhos, visitantes e funcionários do
condomínio.
Limpar os dejetos do animal.
Responsabilizar-se por quaisquer danos que o animal venha a
causar.
Atentar-se para os latidos, miados e uivos excessivos (pode indicar
que o animal não está feliz, está com fome, sede, solitário, com dor
ou preso por um longo período de tempo).
Zelar pela higiene do apartamento e das áreas comuns.

ESTEJA ABERTO(A) A
CRÍTICAS!
Muitas vezes, a conversa pacífica
entre vizinhos evita problemas
maiores e resolve a situação.
COMO PROCEDER NO CASO DE RECLAMAÇÕES

As reclamações contra animais e seus tutores podem ter duas


motivações. A intransigência do síndico e dos condôminos ou
irresponsabilidade e maus-tratos do tutor.

Recebeu uma reclamação? Antes de tudo reflita e analise a situação. Às


vezes, o animal realmente está causando incômodo. É sua culpa? Se
desculpe e prontifique-se em resolver a situação para o bem-estar do
próprio animal e para evitar problemas maiores.

Se o problema for a proibição do animal no


condomínio, algumas medidas podem ser
adotadas:
1. Tente uma conversa informal com o síndico e
seus vizinhos, mostre que você tem direito a ter
seu animal na sua casa.
2. Registrar uma queixa formal na delegacia
mais próxima de constrangimento ilegal
(artigo 146, Decreto-Lei nº 2.848/40).
3. Ação judicial para garantir a permanência
do animal sob sua guarda.

MANTENHA A CALMA!
Se seu animal não atenta à
segurança, à saúde ou ao
sossego alheios, você está
correto e a Lei está ao seu
lado.
5 BENEFÍCIOS QUE OS ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO
TRAZEM À SAÚDE
Morar com um bichinho de estimação é uma ótima experiência,
principalmente para quem gosta de animais. Companheiros divertidos,
carinhosos e indiscutivelmente fofos, os pets fazem bem não apenas
para o coração, mas também para a saúde.
Ajuda no combate à depressão: um estudo publicado na revista científica Journal of
Psychiatric Research revelou um significativo quadro de melhora em pessoas com depressão
que adotaram animais de estimação. Eles observaram 80 pacientes diagnosticados com a
forma grave da doença. Neste grupo, 33 adotaram pets e o resto não. Os resultados
mostraram que o grupo com animais teve uma melhora nas taxas de resposta e remissão da
condição em comparação ao outro grupo, no qual nenhum paciente respondeu ou remeteu.

Aumento na prática de atividades físicas: Quem tem um cachorrinho sabe o peso que a
palavra “passear” tem na felicidade do pet. A vontade de fazer uma visita às calçadas e às
pracinhas vai além das necessidades fisiológicas, já que também ajuda a gastar a energia do
cão, principalmente se ele passou longos períodos dentro da casa ou do apartamento. Pegar
a coleira é o primeiro passo rumo à felicidade do pet e, consequentemente, à vida longe do
sedentarismo do tutor.

Melhora a autoestima e reduz o estresse: Sentir o amor de um animalzinho de estimação faz


com que você se sinta importante de várias formas. Mesmo os mais independentes, como os
gatos, são excelentes companheiros e sabem demonstrar o afeto e o cuidado com os tutores
no dia a dia. Na medicina, muitos hospitais liberam a visita de cães, mesmo em unidades
semi-intensivas, por considerar que eles exercem uma interferência positiva no processo de
cura.

Menos alergias: Ao contrário do que muitas pessoas pensam, não há problema em ter
animais de estimação quando há crianças na casa. Estudos feitos pelas universidades de Nova
York e Wisconsin-Madison mostram que quanto mais cedo os pequenos iniciam o convívio
com os pets, menor é a chance de desenvolverem alergias ou doenças respiratórias como a
asma. O contato com os bichinhos ajuda a desenvolver um sistema imunológico mais forte,
mas, isso se aplica a quando essa convivência é realizada nos primeiros anos de vida da
criança, não funcionando como uma “reversão” em casos nos quais a pessoa já é alérgica ao
animal.

Alguns cães podem detectar doenças: Diversos cães ao redor do mundo são treinados para
detectar doenças e ajudar seres humanos a não ficarem expostos a riscos causados por
enfermidades. Por conta de um olfato muito mais aguçado que o nosso, cachorros treinados
podem detectar doenças como câncer (em estágio inicial) e ajudar seus tutores a controlar
crises de ansiedade e episódios de hipoglicemia, uma vez que os cães conseguem detectar
picos e quedas no nível de açúcar presente no sangue humano. Nos Estados Unidos existe uma
organização sem fins lucrativos que fornece cães treinados para diabéticos. A Dogs4Diabetics
foi criada por Mark Ruefenacht, diabético do tipo I, depois que seu cão o avisou sobre uma
crise de hipoglicemia.
COMO DENUNCIAR MAUS-TRATOS

Fortaleza conta com a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente -


DPMA no combate aos crimes ambientais.
Para tanto, basta dirigir-se à DPMA e realizar um boletim de
ocorrência, contanto com o máximo de informações possíveis,
como descrição dos fatos, local de ocorrência, fotos, vídeos.

OS ANIMAIS DE TRAÇÃO

Em Fortaleza, existe a Lei Municipal nº. 10.540/2016, a qual proíbe a


utilização de veículo de tração animal em estabelecimentos que
comercializem material de construção e similares.

EU NÃO SOU
SEU ESCRAVO!
EU TENHO
DIREITOS!

Não utilize animais de tração para carregar


entulhos ou qualquer tipo de material de seu condomínio.
Eles são levados à exaustão pelos seus tutores
e depois abandonados doentes à própria sorte.
LEGISLAÇÃO
CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988
Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum
do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o
dever de defendê-lo e preservá- lo para as presentes e futuras gerações.
§ 1º - Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público:
VII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua
função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade.

LEI Nº 9.605/1998 - LEI DE CRIMES AMBIENTAIS


Art. 32. Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou
domesticados, nativos ou exóticos:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.
§ 1º Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo,
ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos.
§ 2º A pena é aumentada de um sexto a um terço, se ocorre morte do animal.

DECRETO-LEI Nº 2.848/1940 - CÓDIGO PENAL BRASILEIRO


Constrangimento ilegal
Art. 146 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, ou depois de lhe haver
reduzido, por qualquer outro meio, a capacidade de resistência, a não fazer o que a lei permite,
ou a fazer o que ela não manda:
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa.
Ameaça
Art. 147 - Ameaçar alguém, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer outro meio simbólico, de
causar-lhe mal injusto e grave:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.

LEI Nº 10.406/2002 - CÓDIGO CIVIL BRASILEIRO


Art. 1.335. São direitos do condômino:
I - usar, fruir e livremente dispor das suas unidades;
II - usar das partes comuns, conforme a sua destinação, e contanto que não exclua a utilização
dos demais compossuidores;

LEI Nº 4.591/1964 - LEI DO CONDOMÍNIO


Art. 10. É defeso a qualquer condômino:
III - destinar a unidade a utilização diversa de finalidade do prédio, ou usá-la
de forma nociva ou perigosa ao sossego, à salubridade e à segurança dos
demais condôminos;
IV- embaraçar o uso das partes comuns.
§ 1º O transgressor ficará sujeito ao pagamento de multa prevista na
convenção ou no regulamento do condomínio, além de ser compelido a
desfazer a obra ou abster-se da prática do ato, cabendo, ao síndico, com
autorização judicial, mandar desmanchá-Ia, à custa do transgressor, se êste
não a desfizer no prazo que lhe fôr estipulado.
Art. 19. Cada condômino tem o direito de usar e fruir, com exclusividade, de
sua unidade autônoma, segundo suas conveniências e interesses,
condicionados, umas e outros às normas de boa vizinhança, e poderá usar
as partes e coisas comuns de maneira a não causar dano ou incômodo aos
demais condôminos ou moradores, nem obstáculo ou embaraço ao bom uso
das mesmas partes por todos.
JURISPRUDÊNCIA - O ENTENDIMENTO DOS TRIBUNAIS

STJ - SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA


A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que convenções de condomínios
residenciais não podem proibir moradores de criar animais em apartamentos ou casas.

Pelo entendimento da Turma, a proibição só se justifica se o animal representar risco à


segurança, à higiene, à saúde e ao sossego dos demais moradores do condomínio.

A decisão foi tomada durante a análise de um caso do Distrito Federal. Uma moradora de um
condomínio entrou com uma ação para poder criar uma gata, o que é proibido pelas regras do
local onde ela reside.

TRIBUNAL DE JUSTIÇA - BAHIA


O Tribunal de Justiça da Bahia concedeu provimento ao recurso interposto pelo guardião de
um cão da raça doberman que vinha sendo compelido a se retirar de Condomínio que tem em
sua convenção condominial cláusula proibitiva de criação de determinados cães, a exemplo de
cachorros de “raças sabidamente agressivas e /ou violentas, notadamente rottweiler, pitbul,
doberman, chowchow, fila brasileiro etc.”.

A cláusula abusiva do referido condomínio baseia-se em suposições genéricas, sem qualquer


fundamentação científica ou dado da realidade, em preconceitos em relação a raças de cães que
são estigmatizadas ou mesmo, em dificuldades pessoais na relação com animais, projetando-se,
tais percepções equivocadas, nas relações coletivas como no caso das regras de convivência
comunitária. Portanto, trata-se de norma genérica, sobretudo
quando o animal não oferece risco à saúde, tranquilidade e
segurança dos demais condôminos.

JUSTIÇA - MATO GROSSO


A dona de um cachorro Labrador conseguiu na Justiça o direito
de manter o animal em casa, após ele ter sido “expulso” do
condomínio onde moram, em Cuiabá. A liminar que permite a
permanência de “Gregory” foi concedida pelo juiz da Décima
Vara Cível de Cuiabá.

De acordo com a ação, Gregory escapou, após sua dona abrir o


portão de sua residência, e pulou em uma criança, que ao
avistá-lo, saiu correndo. Por conta disso, a criança teve alguns
arranhões e um pequeno corte.

Uma reunião de conciliação no condomínio determinou que o


animal deveria ser removido. A proprietária então entrou na
Justiça, pedindo a permanência do cachorro em sua residência e
nas áreas comuns do condomínio.

Em sua decisão, o magistrado entendeu que, de acordo com


declarações de moradores, veterinários e adestradores, o
animal não apresenta qualquer sinal de ameaça ou
agressividade.

A raça labrador é considerada uma das mais dóceis da espécie


canina. Eles são tipicamente familiares e também indicados
para a função de "cão guia", que auxiliam deficientes visuais.
PARTICIPAÇÃO
Drª. Lucíola Maria de Aquino Cabral
Drª. Maria Carneiro Sanford
Drª. Daisy Christine Radun Montenegro
Drª. Amanda Duarte Asturiano Mendes
Drª. Benemara Gonçalves do Nascimento

AGRADECIMENTOS
Agradecemos a todos os membros da Comissão de Defesa dos Direitos da Ordem dos
Advogados do Brasil, Secção Ceará, por todo o trabalho e comprometimento despendido as
mais diversas ações da Comissão. Em especial agradecemos aos membros, sempre dispostos a
ajudar, Drª. Cinthia Oliveira, Drª. Laura Xavier, Drª. Lorena Bastos, Drª. Amanda Gomes, Drª.
Luciana Waleska e Drª. Crisley Cavalcante.

REFERÊNCIAS
www.planalto.gov.br
http://www.stj.jus.br
https://www.sindiconet.com.br
anda.org.br
https://drlavatudo.com/blog/animais-em-condominio
https://www.caoviver.com.br/animais-em-condominio
www.ung.br
https://g1.globo.com
http://olharanimal.org

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