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MEDIDAS PASSIVAS DE SEGURANÇA

CONTRA INCÊNDIO EM EDIFICAÇÕES

Arqº Álcio Mota


Rev. 0 - Outubro / 2017

Módulo A – Arquitetura
(51) 99939-1712
www.moduloa.com.br
contato@moduloa.com.br
OBJETIVO

Orientar projetistas e construtores na tomada de decisões quanto ao uso de materiais e soluções


que apresentem menores tendências de aumento e propagação de fogo, além da facilitação da
evacuação das pessoas, com consequente redução de riscos à integridade humana e patrimonial
em situações de incêndio.

A ideia é projetar-se e construir-se EDIFÍCIOS MAIS SEGUROS.

Projetando-se e construindo-se edifícios mais seguros têm-se como benefícios imediatos:


 Preservação da vida humana;
 Redução de valores de prêmios de seguros ou mesmo a viabilização de realização de seguros;
 Redução de prejuízos aos patrimônios material, histórico-artístico e ambiental, locais e
adjacentes;
 Redução dos prejuízos sociais, com a destruição das habitações e dos meios de produção.

Obs.: não abordaremos sistemas de combate a incêndio, planos de fuga, sinalização luminosa
e alarmes, bem como segurança nas instalações elétricas e de SPDA, por exemplo.
CONCEITOS FUNDAMENTAIS

Combustão ou queima é uma reação química exotérmica entre


uma substância combustível e um gás comburente (normalmente
o oxigênio) que libera calor e luz.
Para que se inicie o processo combustão são necessários três elementos
(“triângulo” do fogo):
 Combustível (papel, madeira, plástico, gasolina, etc.);
 Comburente (oxigênio (O2) ou mais raramente o cloro (Cl2), o clorito de
sódio (NaClO2) e o clorato de sódio (NaClO3));
 Agente ígneo/fonte de calor (chama, centelha, raio, etc.).
Iniciado o processo de combustão, inicia-se outro fenômeno:
 Reação em cadeia - reação química contínua entre o combustível e o
comburente, a qual libera mais calor no processo e mantém a
combustão em um processo sustentável.

Incêndio é o processo de combustão que ocorre de maneira veloz e


descontrolada.
FORMAS DE PROPAGAÇÃO
DOS INCÊNDIOS

As três formas de fluxo de calor que causam a


propagação dos incêndios:
 Condução: transmissão direta de um material com
a temperatura elevada em direção à outras partes
do mesmo material ou a outros materiais com a
temperatura mais baixa.
 Convecção: movimento ascendente do ar
aquecido e fumaça de um ambiente com
temperatura elevada para um ambiente com
temperatura mais baixa. Efeito chaminé.
 Radiação: transferência de calor de um material
com a temperatura elevada através de irradiação
térmica por ondas eletromagnéticas a um material
com a temperatura mais baixa.
A SEQUÊNCIA DOS EVENTOS

1. Ignição – início: no qual a temperatura média do compartimento é relativamente baixa e o


fogo está localizado próximo à sua origem.
2. Inflamação generalizada (flashover): estágio do incêndio totalmente desenvolvido, durante
o qual todos os combustíveis existentes no compartimento estão queimando e as chamas
preenchem todo o volume do ambiente.
3. Declínio: período definido por alguns pesquisadores como sendo o estágio do incêndio
quando a temperatura média cai a 80% do valor máximo atingido.

Fonte: Pannoni, Fábio Domingos _Princípios


de Proteção de Estruturas Metálicas em
Situações de Corrosão e Incêndio. Gerdau-
Açominas, 2007

Curva de incêndio padrão (elevação padronizada da temperatura em função do tempo).


SISTEMAS DE SEGURANÇA
ATIVO E PASSIVO

 Sistema de segurança contra incêndios ativo – é


composto por todas as instalações que requerem
alguma forma de energia para acionamento, de
forma automática ou manual. São os subsistemas de
detecção e alarme, iluminação e sinalização de
emergência, extintores, chuveiros de emergência,
hidrantes, etc. Dizem respeito às instalações que são
agregadas à edificação. MEDIDAS DE COMBATE.

 Sistema de segurança contra incêndios passivo – é


conjunto de medidas arquitetônicas e estruturais que
tornam o edifício mais seguro, sem necessidade de
energia ou da interferência humana, tais como
estruturas estáveis, materiais não combustíveis ou
protegidos, rotas de fuga e saídas adequadas,
compartimentação, etc. Este sistema é o tema deste
estudo. MEDIDAS DE RESISTÊNCIA.
SISTEMA GLOBAL DE PROTEÇÃO
CONTRA INCÊNDIOS
a. Precaução contra o início do incêndio – medidas a serem tomadas nos projetos de instalações e
nos procedimentos de uso do edifício;
b. limitação do crescimento do incêndio – uso de materiais incombustíveis ou combustíveis
protegidos;
c. extinção inicial do incêndio – disponibilidade de um SPCI eficaz e de procedimentos de
combate adequados;
d. limitação da propagação do incêndio – setorização, com uso de barreiras físicas eficazes;
e. evacuação segura do edifício – projeto de rotas de fuga e saídas de acordo com as normas;
procedimentos adequados de evacuação do edifício;
f. precaução contra a propagação do incêndio entre edifícios – adoção de distâncias seguras e
preocupação com a resistência da envoltória do edifício; procedimentos de combate externo
adequados (resfriamento);
g. precaução contra o colapso estrutural – uso de proteções superficiais em estruturas de aço e
madeira; projetos de estruturas de acordo com as normas; preocupação com a resistência da
envoltória do edifício;
h. rapidez, eficiência e segurança das operações relativas ao combate e resgate – acesso
facilitado ao combate; disponibilidade de equipamentos e de equipes de combate eficazes.

Fonte: Berto, Antônio Fernando - Medidas de proteção contra incêndio: aspectos fundamentais a
serem considerados no projeto arquitetônico dos edifícios. FAU-USP – São Paulo, 1991
Fonte: Berto, Antônio Fernando Berto - Avaliação de Desempenho Segurança ao Fogo NBR 15575 – IPT –
São Paulo, 2011
COMBUSTIBILIDADE DOS
MATERIAIS

Quanto à combustibilidade, os materiais são divididos da seguinte forma,


segundo a IT_03-2011_Terminologia, do CBPMESP.

4.145 Combustível: é toda a substância capaz de queimar e alimentar a combustão. Pode ser sólido, líquido ou gasoso.

4.435 Materiais fogo-retardantes: produtos ou substâncias que, em seu processo químico, recebem tratamento para
melhor se comportarem ante a ação do calor, ou ainda aqueles protegidos por produtos que dificultem a queima.

4.436 Materiais incombustíveis (ou não combustíveis): produtos ou substâncias que, submetidos à ignição ou
combustão, não apresentam rachaduras, derretimento, deformações excessivas e não desenvolvem elevada quantia de
fumaça e gases.
4.437 Materiais semicombustíveis: produtos ou substâncias que, submetidos à ignição ou combustão, apresentam
baixa taxa de queima e pouco desenvolvimento de fumaça.

4.413 Líquido combustível: líquido que possui ponto de fulgor igual ou superior a 37,8ºC, subdividindo-se em:

a. Classe II: líquidos que possuem ponto de fulgor igual


ou superior a 37,8ºC e inferior a 60ºC;
b. Classe IIIA: líquidos que possuem ponto de fulgor igual
ou superior a 60ºC e inferior a 93,4ºC;
c. Classe IIIB: líquidos que possuem ponto de fulgor igual
ou superior a 93,4ºC.

Obs.: Ponto de fulgor (flash point) ou ponto de inflamação, é a menor temperatura na qual um
combustível libera vapor em quantidade suficiente para formar uma mistura inflamável por uma fonte
externa de calor.

4.416 Líquido inflamável: líquido que possui ponto de fulgor inferior a 37,8ºC, também conhecido como líquido Classe I,
subdividindo-se em:

a. Classe IA: líquido com ponto de fulgor abaixo de 22,8ºC


e ponto de ebulição abaixo de 37,8ºC;
b. Classe IB: líquido com ponto de fulgor abaixo de 22,8ºC
e ponto de ebulição igual ou acima de 37,8ºC;
c. Classe IC: líquido com ponto de fulgor igual ou acima
de 22,8ºC.
ESTANQUEIDADE, ISOLAMENTO
TÉRMICO, ESTABILIDADE E
RESISTÊNCIA AO FOGO

 Estanqueidade: capacidade de um elemento construtivo de vedar a passagem de gases


quentes, fumaça e/ou chamas, por um determinado período de tempo.
 Isolamento térmico: capacidade de um material de conter a passagem do calor.
 Obs.: Materiais combustíveis podem ser excelentes isolantes térmicos, como o EPS.
 Estabilidade ao fogo: capacidade do material manter-se minimamente íntegro em situação
de incêndio, antes de entrar em colapso.
 Resistência ao fogo: propriedade de um elemento de construção de resistir à ação do fogo
por um determinado período de tempo, mantendo sua integridade, isolação térmica e
estanqueidade.
TEMPO REQUERIDO DE
RESISTÊNCIA AO FOGO - TRRF
Segundo a norma ABNT NBR 14432:2001, TRRF é o tempo mínimo de resistência ao fogo de
um elemento construtivo quando sujeito ao incêndio-padrão.

Fonte: Pannoni, Fábio Domingos


_Princípios de Proteção de Estruturas
Metálicas em Situações de Corrosão e
Incêndio. Gerdau-Açominas, 2007
Fonte: Pannoni, Fábio Domingos
_Princípios de Proteção de Estruturas
Metálicas em Situações de Corrosão e
Incêndio. Gerdau-Açominas, 2007
ALGUNS CASOS NOTÁVEIS

 Dirigível Hindenburg – Nova Jersey, EUA,


06/05/1937
 Causa provável: faíscas elétricas geradas no
lançamento das amarras ao solo no
processo de ancoragem do balão, devido à
descarga de energia eletrostática
acumulada no dirigível.
 Vítimas: 36 mortos.
 Potencializadores: uso de revestimento em
tecido de algodão impermeabilizado
com acetato de celulose e recoberto com
pó aglutinado de alumínio; uso de gás
hidrogênio.
 Obs.: as chamas vermelhas e amarelas
observadas à época eram da queima do
tecido de revestimento. O gás hidrogênio
produz chama azulada, quase invisível.
 Edifício Andraus – Av. São João, São Paulo, Brasil, 24/02/1972 – 32
andares
 Causa provável: fogo nos painéis publicitários colocados sobre a
marquise do andar térreo (lojas Pirani).
 Vítimas: 16 mortos e 336 feridos.
 Agravantes: inexistência de escada de segurança; propagação
facilitada pela fachada pele de vidro.
 Atenuante: existência de heliponto na cobertura do edifício, protegido
pela última laje, que se projetava externamente, o que proporcionou o
resgate de muitas pessoas e o relativamente pequeno número de vítimas
fatais.
 Edifício Joelma – Av. 9 de Julho, São Paulo, Brasil, 1º/02/1974 – 25
andares
 Causa provável: curto circuito em ar condicionado no 12º andar.
 Vítimas: 189 mortos e 320 feridos.
 Agravantes: inexistência de escada de segurança nem heliponto na
cobertura; a cobertura era em telhado de fibrocimento, impedindo o
pouso de aeronaves, mesmo sem heliponto.
 Boate Kiss – Rua dos Andradas, Santa
Maria, Brasil, 27/01/2013 – prédio de
apenas um pavimento – 2ª maior
tragédia causada por incêndio no
Brasil
 Causa: uso de artefatos pirotécnicos
em show de música.
 Vítimas: 242 mortos e 680 feridos.
 Agravantes:
 saída única/janelas bloqueadas;
 uso de espuma acústica de baixa
qualidade, sem tratamento antichama;
 despreparo da equipe local quanto a
emergências;
 superlotação (capacidade: ~700
pessoas, na noite: mais de 1000
pessoas).
 Obs.: maior parte das mortes provocada
pela intoxicação por fumaça liberada
pela queima da espuma acústica, que
continha cianeto.
 Hotel The Address Downtown – Área de
Desenvolvimento Burj Dubai, Dubai,
Emirados Árabes Unidos, 31/12/2015 – 63
andares
 Causa: curto circuito em holofote de
iluminação da fachada no terraço entre
o 14º e 15º andares.
 Vítimas: nenhum morto e 15 feridos.
 Agravante: isolamento térmico
combustível usado externamente às
fachadas.
 Edifício Grenfell Tower – North
Kensington, Londres, Inglaterra,
14/06/2017 – 24 andares
 Causa provável: curto circuito num
refrigerador no 4º andar.
 Vítimas: 80 mortos contabilizados
até o momento e 70 feridos.
 Ainda sobre o edifício Grenfell Tower
 Agravantes implementados na reforma:
 1 – Camada de isolamento térmico, “Celotex
RS5000”, considerado combustível em diversos testes.
Fabricado com poliisocianurato (PIR), que emite
fumaça tóxica quando queima, contendo cianeto
de hidrogênio.
 Obs.: fabricante Saint Gobain, do “Celotex RS5000” tirou
este produto do mercado e informa que não tem uma
solução para edifícios com altura superior a 18m. O
Grenfell Tower tinha mais do que 60 metros de altura.

 2 – Camada de ar, usada para garantir a


evaporação da umidade condensada, que
prejudicaria o revestimento externo. O problema é
que esta camada produz o efeito chaminé,
contribuindo para a propagação de chama e
fumaça.
 3 – Revestimento externo, em painéis ACM tipo
“Reynobond PE”, com núcleo em polietileno,
considerado combustível. O regulamento inglês
recomenda que edifícios com altura maior do que
18 metros somente usem painéis ACM com núcleo
resistente ao fogo, e não em PE. Nos EUA, este limite
cai para 12 metros.
 Obs.: o fabricante Arconic, do “Reynobond PE” tirou este
produto do mercado, apesar de suas recomendações
técnicas não o indicarem para alturas maior do que 10
metros, lembrando que o Grenfell Tower tinha mais do que
60 metros de altura.
MEDIDAS PASSIVAS: O QUE
PODEMOS FAZER?

 Projeto/especificação de sistemas e materiais respeitando-se as recomendações


dos fabricantes e das regulamentações vigentes.
 Atenção quanto à classificação do material, se existente. Se não existente, busca de
referências ou comparativos.
 Atenção quanto às informações dadas por fornecedores.

 Adoção de estruturas não combustíveis e protegidas.


 Projeto de estruturas levando em consideração as normas específicas para situações de
incêndio. Vide ABNT NBR 14323_2013 (estruturas de aço e mistas e concreto e aço) e
NBR 15200_2012 (estruturas de concreto).
 Utilização em obra dos materiais especificados no projeto, tendo-se especiais
cuidados com alternativas de menor preço.
 Preferência por fornecedores/representantes idôneos e especializados.
 Obs.: a espuma acústica para a boate Kiss foi comprada numa loja de colchões.
 Preferência por materiais não combustíveis.
 Uso de materiais não combustíveis principalmente nas fachadas, divisórias e forros.
 Obs.: pisos são os elementos menos favoráveis à combustão e à propagação de
fogo.
 Tratamento dos materiais combustíveis ou não
combustíveis que possam entrar em colapso com o
aumento da temperatura.
 Proteções rígidas (concreto, alvenaria, concreto
celular): materiais não combustíveis usados como
revestimento de proteção a materiais combustíveis.
 Elementos estruturais de concreto ou metálicos podem ser
protegidos por materiais rígidos não combustíveis, aplicados
diretamente a eles ou como barreiras mais afastadas. Coluna metálica protegida por chapas de vermiculita.

 Tintas intumescentes: revestimento à base de água


para estruturas metálicas ou de madeira, que oferece
um tempo de resistência ao fogo de 30 a 60 minutos.
 Esse material possui a mesma aparência e acabamento das
pinturas convencionais, no entanto, ao entrar em contato
com temperaturas superiores a 200ºC, a pintura intumesce,
expandindo-se múltiplas vezes e protegendo o substrato de
temperaturas críticas de resistência. O revestimento
intumescente é uma opção que não afeta esteticamente a
estrutura.
 Argamassas projetadas: argamassas especialmente formuladas para ter
boa adesão ao aço e proteção contra o fogo, podendo conter cimento
Portland, gesso, vermiculita, etc., com densidades definidas conforme a
aplicação, podendo ser necessária a utilização de telas de armação,
dependendo da espessura e das condições de aplicação. Devem ter o
mesmo tempo de vida útil da estrutura. Não proporcionam bom
acabamento.

 Carbonização da madeira: técnica japonesa utilizada para proteção do cerne da


madeira contra parasitas e umidade, fazendo-se a queima controlada de sua superfície.
No Brasil, tem se utilizado por motivos estéticos em fachadas. Cabe a pesquisa se esta
técnica não poderia ser utilizada para proteção da madeira contra o fogo.
 Tratamento químico de materiais combustíveis.
 Vernizes antichamas: retardante de chamas para uso em elementos de
madeira, como pisos, forros, divisórias, escadas, guarda-corpos, etc.
 Aditivos antichamas: tratamentos químicos que aumentam o tempo de
início do processo de combustão em um material polimérico ou tornam
a propagação da chama mais lenta depois do início da combustão.
Normalmente utilizados em tecidos, EPS, espumas, carpetes, etc.
 Obs.: em geral, os aditivos podem ser halogenados (bromados e clorados),
que são poluentes e tóxicos ao homem, ou fosforados, que tem baixo
impacto ambiental e baixa toxidade. Em alguns países os halogenados
são proibidos por lei.
 Supressores de fumaça: tratamentos químicos que reduzem a emissão
de fumaça no processo de combustão em um material polimérico.
 Cuidados com os líquidos combustíveis e inflamáveis: afastamentos,
acessos, características construtivas e outras medidas de segurança
conforme as regulamentações locais, normas nacionais (ABNT e MTE) e
internacionais (ex.: NFPA), se for o caso.
 Centrais e abrigos de GLP: Vide norma ABNT NBR 13523:2017.
 Postos de combustíveis: Vide norma ABNT NBR 15594-1:2015.
 Grandes instalações de líquidos inflamáveis e combustíveis em geral:
Vide norma ABNT NBR 17505:2013 e MTE NR 20.
 Compartimentação horizontal ou vertical: isolamento de riscos com
separação de áreas contíguas ou andares. Ref.: CBPMESP IT_09_2011.
 Paredes corta-fogo: planos rígidos para isolamento de riscos entre áreas
contíguas, podem ser de alvenaria, concreto, concreto celular ou outros
materiais não combustíveis.
 Obs.: excerto da norma ABNT NBR 9077:2001, item 4.5.2.7: “Para efeito da
aplicação da alínea a, enquanto não houver norma brasileira específica,
devem ser adotadas como padrões as paredes de tijolos maciços de
meio-tijolo (15 cm) e um tijolo (25 cm) como resistentes a 2 h e 4 h de
fogo, respectivamente.”
 Cortinas corta-fogo: planos flexíveis em lonas especiais retráteis ou
removíveis para isolamento de riscos entre áreas contíguas.
 Selagens entre pavimentos, em shafts ou em janelas de passagem
de dutos entre áreas: vedação, com materiais não combustíveis
expansivos, tintas intumescentes e anéis intumescentes, das frestas
que permitiriam a circulação de ar quente, chamas e fumaça entre
os pavimentos de um edifício ou entre áreas contíguas.
 Uso de abas protetoras entre pavimentos com material não
combustível: elementos que impedem ou dificultam a propagação
vertical do incêndio pelas fachadas. As abas podem ter dupla
função, atuando também como brises horizontais/bandejas de luz
nas fachadas orientadas para o norte.
 Instalação de dampers corta-fogo nos dutos de ar condicionado.
 Rotas e saídas de emergência: adoção de saídas seguras dos edifícios.
Ideal: rotas simples e diretas, com no mínimo duas saídas, bem
sinalizadas. Ref.: norma ABNT NBR 9077:2001.
 Adoção de pés-direitos mais altos: garantia de camada mínima de ar
respirável junto ao piso.
 Dispositivos de tiragem pela cobertura / controle de fumaça: previsão
de lanternins, sheds, domos, chaminés, etc., que possibilitem a extração
natural de calor e fumaça. Ref.: CBPMESP IT_15-1_2011.
 Acesso a viaturas de combate a fogo: previsão de entradas e vias de
circulação adequadas nos terrenos dos edifícios e na malha urbana.
Ref.: CBPMESP IT_05_2011 e IT_06_2011.
 Alternativa de fuga pela cobertura de edifícios altos: previsão de
passarelas de interligação com prédios vizinhos, helipontos ou mesmo a
possibilidade de pouso emergencial de helicóptero sem heliponto
homologado.

 Distanciamento entre edifícios: adoção de distâncias mínimas seguras


entre edifícios, evitando a propagação de incêndio aos prédios
vizinhos. Ref.: CBPMESP IT_07-2011.
COFFEE-BREAK
CONSIDERAÇÕES GERAIS

 Um material considerado não combustível não é necessariamente imune aos efeitos do fogo.
 Estruturas de aço podem entrar em colapso se atingida a temperatura crítica, em torno de 450 a
650ºC. A temperatura crítica do alumínio é ainda mais baixa.
 Perfis laminados, mais robustos, resistem mais tempo antes de entrarem em colapso em comparação
com os perfis compostos por chapas. Quanto maior o fator de forma, menor a resistência ao fogo,
porque o perfil se aquecerá mais rapidamente.
 Fator de forma = perímetro aquecido / área da seção. Unidade: m/m2 = 1/m = m-1.

Fonte: Pannoni, Fábio Domingos


_Princípios de Proteção de Estruturas
Metálicas em Situações de Corrosão e
Incêndio. Gerdau-Açominas, 2007
 O colapso estrutural total ou de partes de um edifício pode implicar em danos às
áreas não atingidas pelo fogo e também a edifícios vizinhos, causando mais
vítimas.
 Um material combustível, como a madeira, não é necessariamente menos estável
perante o fogo do que um material não combustível, como o aço.
 Ex.: a estrutura de um telhado em madeira provavelmente entrará em
colapso mais tarde do que a mesma estrutura em aço não protegido. A
carbonização superficial das peças de madeira provocada nas fases iniciais
do incêndio acaba protegendo seu núcleo por determinado tempo. Isto
também ocorre devido à robustez dos perfis de madeira comparados aos de
aço para as mesmas solicitações. Evidentemente, isto depende da espécie
da madeira utilizada, dureza, estado de umidade, etc.

 Um material considerado combustível não é necessariamente não utilizável. Ele


poderá ser utilizado sob condições adequadas. Exemplos: materiais polímericos
com aditivos antichamas e supressores de fumaça, madeira protegida e em
construções baixas, madeira em pisos, etc.
 Mesmo que um material tenha queima lenta, poderá emitir fumaça tóxica. A
composição do material deverá ser verificada junto ao fabricante: se ele libera
gases tóxicos na queima, se tem supressores de fumaça, etc. Deve-se avaliar a
classificação do material em normas que levem em consideração a emissão de
fumaça, se disponíveis.
 A posição de instalação material está relacionada à maior ou menor velocidade
de queima. Materiais de piso queimam mais lentamente que os de parede e de
forro.
 O fogo no teto próximo às janelas é mais crítico do que afastado delas, porque
pode receber contribuição de chamas vinda de andares inferiores e pode
propagar-se para andares superiores.
 De 70% a 80% das mortes em incêndios são devidas ao sufocamento e/ou
envenenamento pela inalação de fumaça.
 Obs.: o íon do cianeto tem a habilidade de combinar-se com
o ferro da hemoglobina do sangue, bloqueando a recepção do oxigênio,
matando a vítima por sufocamento.
 Pés-direitos mais altos aumentam as chances de fuga dos ambientes em chamas,
visto que a fumaça se acumulará junto ao teto, preservando uma camada de ar
respirável junto ao piso.
 Soluções combinadas de materiais não combustíveis com combustíveis podem ser
adotadas, desde que os materiais combustíveis sejam protegidos.
 Ex.: em lajes pré-fabricadas de vigotas treliçadas com tavelas de EPS a face inferior
deve ser sempre revestida com reboco ou outro material não combustível, como o
gesso. Deixar o EPS sem reboco utilizando-se um forro abaixo pode ser um risco,
visto que, dependendo do material do forro, ele poderá queimar e atingir o EPS.
SOBRE OS MATERIAIS

No Brasil não existe obrigatoriedade da realização de ensaios de reação ou resistência


ao fogo, nem que os fabricantes divulguem a classe em que seu material se enquadra.

Na construção civil, fora a madeira e seus compostos, os materiais poliméricos são os


mais suscetíveis à ação do fogo, notadamente os materiais para isolamentos térmicos
e para impermeabilizações. O INMETRO, através da portaria nº 337, de 21/07/2016, que
está em fase de consulta pública, está propondo:

“Regulamentação Técnica para Produtos para Tratamento Acústico ou


Isolamento Térmico para uso na Construção Civil estabelecendo requisitos
obrigatórios para a disponibilização desses produtos no mercado nacional,
visando a segurança contra incêndios em edificações.”

A planilha anexa apresenta uma lista dos materiais de construção mais utilizados, suas
aplicações mais comuns, se são ou não são combustíveis e peculiaridades a respeito
dos mesmos.
AS NORMAS SOBRE O DESEMPENHO
DOS MATERIAIS ANTE O FOGO
 ABNT NBR 9442:1986(1988) – Materiais de construção - Determinação do índice de propagação superficial de
chama pelo método do painel radiante - Método de ensaio
 Obs.: não leva em consideração a emissão de fumaça nem a liberação de gotas ou partículas inflamadas;
não pode ser aplicada a pisos, materiais compostos por camadas externas não combustíveis e núcleo
combustível ou compostos por diversas camadas combustíveis que ultrapassem 25mm de espessura.

 ABNT NBR 8660:2013 - Ensaio de reação ao fogo em pisos — Determinação do comportamento


com relação à queima utilizando uma fonte radiante de calor
 Obs.: ensaio utilizado para determinar o fluxo crítico de energia radiante de revestimentos
de piso expostos a uma fonte de calor.
 ASTM E 662 – Standard test method for specific optical density
of smoke generated by solid materials
 Obs.: voltada somente para a emissão de fumaça
gerada pela combustão de sólidos.

 EN 13501-1_Fire classification of construction products and


building elements - Part 1: Classification using test data from
reaction to fire tests
 Obs.: Euroclasses de reação ao fogo, que classificam
os materiais segundo os testes indicados na EN 13823.

 EN 13823_Reaction to fire tests for building products - Building


products excluding floorings exposed to the thermal attack
by a single burning item
 Obs.: esta norma, também conhecida como SBI (Single
Burning Item), leva em consideração:
 taxa de crescimento do fogo (FIGRA – Fire
Growth Rate);
 taxa de desenvolvimento de fumaça (SMOGRA –
Smoke Growth Rate);
 propagação lateral da chama (LFS);
 liberação de calor nos primeiros 600s (THR600s);
 produção de fumaça nos primeiros 600s
(TSP600s);
 registro de queda de gotas ou partículas
inflamadas.
 NFPA 704 - Standard System for the Identification of the Hazards of Materials for Emergency Response
 Obs.: classificação que abrange riscos de uma maneira geral, incluindo, além da inflamabilidade, a
reatividade (explosividade), riscos à saúde e riscos específicos, usando o diagrama de Hommel, também
conhecido como diamante de risco.
Quanto à Inflamabilidade, vermelho, os riscos vão de 0 (risco nulo) a 4 (maior risco).
 0 – Não combustível. Ex. concreto, pedra, areia.
 1 - Precisa ser aquecido sob confinamento antes que alguma ignição possa ocorrer. Ponto de fulgor
por volta de 93°C (200°F). Ex. óleo Mineral.
 2 - Precisa ser moderadamente aquecido ou exposto a uma temperatura ambiente relativamente alta
antes que alguma ignição possa ocorrer. Ponto de fulgor entre 38°C (100°F) e 93°C (200°F). Ex.: óleo
diesel.
 3 - Líquidos e sólidos que podem inflamar-se sob praticamente todas as condições de temperatura
ambiente. Ponto de fulgor abaixo de 23°C (73°F) e com ponto de ebulição por volta ou acima de 38°C
(100°F) ou com ponto de fulgor entre 23°C (73°F) e 38°C (100°F). Ex.: gasolina, etanol, benzeno.
 4 - Irá rapidamente vaporizar-se sob condições normais de pressão e temperatura, ou quando disperso
no ar irá inflamar-se instantaneamente. Ponto de fulgor abaixo de 23°C (73°F). Ex.: éter etílico.
 ISO 1182 - Fire test - Building Materials - Non-combustibility test
 Obs.: somente classifica os materiais em não combustíveis e
combustíveis.

 ISO 11925 - Ignitability of building products subjected to direct


impingement of flame
 Obs.: considera apenas a ignitabilidade dos materiais (tempo em
que a chama leva atingir determinada altura no corpo de prova,
o que indica a velocidade de propagação do fogo).
 IT_10-2011_Controle de materiais de acabamento e de revestimento (CMAR) do CBPMESP
 Faz uso das classificações das diferentes normas disponíveis e define a utilização das
seguintes tabelas.
RESUMINDO

Sintetizando as medidas passivas a serem adotadas, devemos procurar:


 evitar a propagação local do fogo – impedir ou retardar o flashover;
 possibilitar a evacuação segura do prédio;
 preservar a estabilidade estrutural da edificação;
 facilitar o acesso ao combate;
 evitar a propagação aos edifícios vizinhos.
 Obs.: não esquecer dos cuidados com as fachadas.
NORMAS APLICÁVEIS
Normas brasileiras
 ABNT NBR 5628:2001 – Componentes construtivos estruturais – Determinação de resistência ao fogo
 ABNT NBR 6479:1992 – Portas e vedadores – Determinação de resistência ao fogo
 ABNT NBR 7358:2015 - Espuma rígida de poliuretano para fins de isolação térmica - Determinação das características de inflamabilidade
 ABNT NBR 8660:2013 - Ensaio de reação ao fogo em pisos — Determinação do comportamento com relação à queima utilizando uma
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 ABNT NBR 9050:2015 – Acessibilidade a edificações
 ABNT NBR 9077:2001 (em revisão) - Saídas de emergência em edifícios
 ABNT NBR 9442:1986(1988) – Materiais de construção - Determinação do índice de propagação superficial de chama pelo método do
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 ABNT NBR 10636:1989 - Paredes divisórias sem função estrutural - Determinação da resistência ao fogo - Método de ensaio
 ABNT NBR 13523:2017 - Central de gás liquefeito de petróleo - GLP
 ABNT NBR 14323:2013 - Projeto de estruturas de aço e de estruturas mistas de aço e concreto de edifícios em situação de incêndio
 ABNT NBR 14432:2001 - Exigências de resistência ao fogo de elementos construtivos de edificações
 ABNT NBR 15200:2012 - Projeto de estruturas de concreto em situação de incêndio
 ABNT NBR 15575:2013 - Edificações habitacionais - Desempenho
 ABNT NBR 15594-1:2015 - Armazenamento de líquidos inflamáveis e combustíveis - Posto revendedor de combustível veicular (serviços)
 ABNT NBR 17505:2013 - Armazenamento de líquidos inflamáveis e combustíveis
 MTE NR 20 - Segurança e saúde no trabalho com inflamáveis e combustíveis
 MTE NR 23 - Proteção contra incêndios
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 EN 13823_Reaction to fire tests for building products - Building products excluding floorings exposed to the thermal attack by a
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 ISO 1182 - Fire test - Building Materials - Non-combustibility test
 ISO 1716 - Building materials - Determination of calorific potential
 ISO 11925 - Ignitability of building products subjected to direct impingement of flame
 ISO 9705 - Fire tests - FuIl-scale room test for surface products
 ICS/CIN - 13.220.50 - Resistência ao fogo de materiais e elementos de construção – Tradução ABNT
 ICS/CIN - 13.200 - Controle de acidentes e desastres/catástrofes – Tradução ABNT
 ICS/CIN - 91.120.01 - Proteção externa e interna de edificações, em geral – Tradução ABNT
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REFERÊNCIAS

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 Pannoni, Fábio Domingos - Princípios de Proteção de Estruturas Metálicas em Situações de Corrosão e Incêndio.
Gerdau-Açominas, 2007

 Lin, Jeffery e Lin, Rogerio - Artigo Proteção Passiva Contra o Fogo - Revista Emergência - Novo Hamburgo,
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 http://www.firecon.com.br/home/protecao_passiva_contra_incendio.html

 http://www.naffco.com/uae/pt/
Obrigado pela participação!

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