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FILOSOFIA DA CULTURA –

RÉGIS DE MORAES
ROTEIRO DE LEITURA
CULTURA COMO HERANÇA
• CLYDE KLUCKHOHN
• “Cultura é nossa herança social, em contraste com a nossa herança orgânica.
É um dos fatores importantes que nos permitem viver juntos numa
sociedade organizada, fornecendo-nos soluções prontas aos nossos
problemas, ajudando-nos a prever o comportamento dos outros e
permitindo que os outros saibam o que esperar de nós”.
• Toda herança foi construída por seres humanos e transferida a seus
sucessores.
• Os sucessores têm possibilidades de modificar e melhorar o que receberam.
• “O homem é pai de suas obras e ao mesmo tempo é filho delas”.
• Dialética entre a liberdade de um homem que é agente e o
condicionamento sofrido por um homem que é paciente.
• Uma cultura não é somatória de pensamentos e ações individuais,
por mais brilhantes que estes sejam, pois:
• Uma cultura é “vasta síntese de pensamentos e ações individuais,
isto é, integração dos particulares através de articulações tais que
instaurem a possibilidade de uma configuração unitária. Em
contrapartida, o que resulta da aludida síntese transcende cada
contribuição pessoal, dando origem a realidade mais ampla e
acentuadamente peculiar” (p.20).
CIÊNCIA E FILOSOFIA
• Um preconceito: ciência se preocupa com a concretude; a filosofia com a
abstração.
• Objetos vitais – realidades fundantes: educação, economia, direito, história,
sociedade, cultural, etc.
• Ciência: aborda as realidades vitais em busca de relações de função, causa
e efeito, sempre abstraindo a globalidade do ser humano.
• Sua pergunta é “COMO?”.
• Filosofia: aborda os objetos vitais em busca da circulação de sentido que
perpassa o sociocultural.
• Quer buscar o sentido do todo, para aperfeiçoamento da sua compreensão do viver.

• Procura estruturas de sentido em nível compreensivo (reflexão de totalidade).


• Sua pergunta é “POR QUÊ?”.
PROBLEMAS DA FILOSOFIA DA CULTURA
• Conceito de cultura
• Relação natureza e cultura
• Plenificação humana e possibilidades de ser humanamente
• Progresso cultural
• Relativismo cultural
• Universalidade e particularidade da cultura
• Objetivação da cultura e dialética liberdade criadora-determinação
• Cultura popular e cultura erudita
• Cultura e civilização
CONCEITO DE CULTURA
• Conceito de cultura surge no século XIX
• Aquilo que é inerente à nossa vida e penetra as regiões de espontaneidade,
só pode ser percebido por choques de contraste.
• Cultura juris – normas de conduta e de códigos; direito
• Cultura linguae – aperfeiçoamento do idioma
• Cultura litterarum – desenvolvimento da literatura
• Cultura scientiae – aquisição de novos conhecimentos e experiências
• Agri cultura – cuidado da terra
• Cultura animi – cultivo da reflexão, prática filosófica
CLASSIFICAÇÃO DE ANTONIO MUNIZ DE RESENDE
• CONTEXTO MEDIEVAL – cultura significa privilégio de classe ligada
aos estudos.
• CONTEXTO RENASCENTISTA – conhecimento do passado “clássico”,
com a preocupação do bem falar e bem escrever.
• CONTEXTO ENCICLOPEDISTA – ambicioso sonho de tudo saber, na
linha de cultura geral (enciclopédica)
• CONTEXTO EVOLUCIONISTA E POSITIVISTA DO SÉCULO XIX –
progresso em termos de ciência e técnica
• CONTEXTO ETNOLÓGICO DO SÉCULO XIX – sentido antropológico –
forma própria de um povo viver.
• FILOSOFIA DA CULTURA – cultura refletida, grau de consciência de si
que uma realidade cultural é capaz de conquistar.
OBSERVAÇÕES HISTÓRICAS
SOBRE O CONCEITO DE
CULTURA
EXTRATOS DO VERBETE “CULTURA” DE NICOLA ABBAGNANO
CULTURA
• Dois significados básicos:
• Formação do ser humano, seu melhorar-se e refinar-se – a “geórgica” do
espírito (F. Bacon). Significado mais antigo, vem da F. grega.
• O produto da formação, isto é, o conjunto dos modos de viver e de pensar
cultivados, civilizados – civilização. Significado surge com o Iluminismo.
• Kant: “A produção, em um ser racional, da capacidade de escolher os fins próprios em
geral (e portanto de ser livre) é a cultura. Por isso, somente a cultura pode ser o fim
último que a natureza tem razão de apresentar ao gênero humano” (Crítica do Juízo).
• Hegel: “Um povo faz progressos em si, tem o seu desenvolvimento e o seu crepúsculo. O
que, antes de mais nada, se encontra aqui é a categoria da cultura, da sua exageração e
da sua degeneração: esta última é para um povo produto ou fonte da sua ruína”.
CULTURA NO MUNDO ANTIGO
• Cultura para os gregos: Paideia
• Cultura para os latinos: Humanitas
• Educação do homem como tal, proporcionada pelas “boas artes”,
exclusivas do homem;
• Boas artes: poesia, eloquência, filosofia, etc.
• Valor essencial: capacidade de formar o homem verdadeiro, na sua forma
genuína e perfeita, aquilo que o homem é e deve ser.
NOÇÃO DE CULTURA ENTRE OS GREGOS
• Cultura é a procura e a realização que o homem faz de si, isto é, da
verdadeira natureza humana.
• Conexão com a Filosofia (todas as formas de pesquisa): o homem
não pode realizar-se como tal senão através do conhecimento, de si
mesmo e do seu mundo, através da pesquisa as verdade em todos os
domínios.
• Conexão com a vida associada: o homem não pode realizar-se como
tal senão na vida da comunidade, da pólis.
• Aristóteles: o homem é por natureza um animal político.
• Natureza humana: não é ponto de partida, realidade empírica
independente do desenvolvimento da cultura; é o ideal, a forma que
os homens devem procurar realizar e encarnar em si mesmos.
• O conceito clássico de cultura exclui:
• Atividades infra-humanas: artes, ofícios e em geral o trabalho manual,
considerado próprio do escravo.
• Atividade ultra-humana: não voltada para a realização do homem no mundo,
mas para um destino ultraterreno do homem.
• O ideal clássico de cultura foi: aristocrático, naturalista e
contemplativo (a vida teórica, busca da mais alta sabedoria, é o fim
último da cultura).
CULTURA NA IDADE MÉDIA
• A base e o preâmbulo da cultura medieval são as artes liberais (as
únicas dignas de um homem livre).
• Trívio – gramática, retórica, dialética;
• Quadrívio – aritmética, geometria, astronomia, música.
• O objetivo da cultura medieval é a preparação do homem para seus
deveres religiosos e para a vida ultraterrena.
• Instrumento principal dessa preparação é a filosofia, cuja tarefa é tornar
acessíveis ao homem as verdades da religião, compreensíveis a seu intelecto,
além de fornecer armas contra a heresia e a descrença. (Philosofia ancilla
theologiae).
• Cultura perde seu caráter naturalista, mas conserva o caráter
aristocrático e o caráter contemplativo da noção clássica.
CULTURA NO RENASCIMENTO
• Busca redescobrir o ideal clássico da cultura
• Cultura é a formação que permite ao homem viver da forma melhor
e mais perfeita no mundo que é seu.
• A religião faz parte da cultura: ajuda o homem a viver bem nesta vida.
• Modifica o caráter contemplativo da cultura, insistindo no caráter
ativo da sabedoria humana:
• Através da sabedoria o homem alcança sua realização completa;
• vida ativa faz parte desse ideal; resgate da noção de trabalho.
• Mantém o caráter aristocrático da cultura: sabedoria é reservada a
poucos, que se destacam do restante da humanidade.
CULTURA NO ILUMINISMO
• A crítica racional é estendida a todos os objetos possíveis; constitui
erro ou preconceito tudo o que não passa por esse crivo.
• Ideal de universalidade da cultura.
• Cultura é instrumento de renovação da vida social e individual
• Não deve ser patrimônio dos doutos, mas deve receber a máxima difusão.
• Cultura não tem mais caráter aristocrático.
• Ideal de cultura amplia-se e passa a compreender as novas ciências:
matemática, física, ciências naturais, disciplinas históricas e
filológicas.
• Ideal enciclopedista – conhecimento de todos os domínios do saber,
para uma vida equilibrada e rica.
CULTURA NO MUNDO CONTEMPORÂNEO
• Fenômeno da especialização e seus desafios
• Necessidade de uma cultura geral
• Desafios à educação e à vida social.
NATUREZA E CULTURA (MORAES, p. 27)
• Ruptura ontológica: abismo entre o eu (pensante e cognoscente) e os
objetos (que só podem ser passivamente pensados, desde que
estimulem e desafiem o eu).
• Mito: palavra instituinte, pela qual eu sou (e não apenas eu digo);
• Logos palavra substituinte, discurso fundamentado em abstrações.
• Espécie humana: longa história de desenvolvimento de suas formas
de sentir, perceber e compreender o seu mundo.
• Distinção e oposição entre Natureza e Cultura;
• Distância entre o mundo da natureza e o mundo da cultura;
• Crítica de Mezhúiev – filósofo marxista da cultura:
• Concepção dualista dessa distinção: separa N e C como se fossem substâncias
irredutíveis e sem qualquer conexão entre elas.
• A natureza é expulsa da história, ficando fora dos marcos do conhecimento
histórico.
• A consideração do processo histórico mostra que a oposição é
superficial e oculta uma unidade entre N e C.
• Marx: “a cultura não somente se diferencia da natureza, senão que a
pressupõe, encontra-se em determinada inter-relação com ela. A natureza
não apenas antecede a cultura no tempo, senão que constitui condição
permanente e necessária de sua existência posterior e do seu
desenvolvimento. Por isso, a fronteira entre natureza e cultura não é
absoluta, mas só relativa, não as contrapõe uma à outra, senão que as
distingue entre si nos marcos de uma unidade mais ampla, nos marcos da
integridade que as relaciona. (Ideologia Alemã).
• Marx: a natureza é o corpo inorgânico do homem, desde que toda a vida
cultura se sustenta e viabiliza sempre pelos recursos que a natureza
oferece ao homem: alimento, água, materiais para proteção, mas também
presença nas esferas psíquicas e sentimentais do humano.
INTERDEPENDÊNCIA ENTRE HUMANO E
NATUREZA
• PROCESSO VITAL: A vida do ser humano é constante intercâmbio com
a natureza:
• complexo sistema de trocas entre o organismo humano e o ambiente;
• Paisagem natural transforma os seres humanos e é também transformado
por eles.
• DIMENSÃO PSICOLÓGICA:
• Ambiente: exterioridade, conjunto de coisas que agem sobre nós e sobre as
quais agimos.
• Lugar: fusão de natureza e cultura; identificação entre o humano e os lugares
onde vive.
• V. citação
• “Entretanto, do ambiente em que vivemos esperamos mais do que simples
condições favoráveis à nossa saúde, recursos para fazer funcionar a
máquina econômica e tudo o que signifique boas condições ecológicas.
Queremos experimentar as satisfações sensoriais, emocionais e espirituais
que somente podem ser conseguidas mediante uma interação íntima, ou
melhor, uma real identificação com os lugares onde vivemos. Esta
interação e identificação geram o ‘espírito do lugar’. O ambiente adquire os
atributos de um lugar pela fusão das ordens natural e humana. Todos os
seres humanos têm quase as mesmas necessidades fundamentais quanto
ao bem-estar biológico e econômico, mas muitos de seus diversos anseios
de humanidade só podem ser satisfeitos em determinados lugares”. René
Dubos.
CONCLUSÃO DO AUTOR
• [...] ao mesmo tempo em que há uma visível separação entre o munda da
natureza e o da cultura, há uma tal interdependência entre ambos que
acaba por evidenciar sua unidade essencial. O ser humano depende da
natureza, precisa dela e a ela recorre incessantemente; ele é natureza e faz
parte dela. Entretanto, este mesmo homem transcende o reduto das
realidades naturais quando ultrapassa esta sua dependência, subordina a
si a natureza, adapta-a aos seus desideratos, põe-na a serviço das suas
próprias finalidades – sem que para tanto a violente. É aí que aparece,
diante da inteligência humana, a distinção de fronteiras entre natureza e
cultura” (p. 31-32).
• A história do homem corre junto com a história da natureza; a relação
entre homem e natureza muda ao longo do processo histórico.
LIBERDADE E DETERMINAÇÃO
• Determinismos:
• Da natureza – o homem depende dela
• Da cultura – a cultura tem um peso condicionador
• “Quando um homem ou um grupo humano não foge à sua condição
de ser pensante, seu poder se revela bem mais efetivo do que
costumeiramente supomos” (p. 34).
CAPÍTULO II
A CULTURA E A PLENIFICAÇÃO
HUMANA
INTRODUÇÃO
• “A cultura é um movimento natatório, um bracejar do homem no
mar sem fundo da sua existência com o fim de não se afogar; uma
tábua de salvação pela qual a insegurança radical e constitutiva da
existência pode converter-se provisionalmente em firmeza e
segurança. Por isso a cultura deve ser, em última instância, o que
salva o home do seu afogamento” (Ortega y Gasset apud F. Mora).
• Uma busca de salvação do sentido contra o sem-sentido da negação
ontológica humana.
• Conceito denso: contém a problemática global da cultura:
• Sobrevivência material
• Relacionamento humano
• Produção simbólica do imaginário humano.
• Que sentido tem a cultura para o ser humano?
O SENTIDO, QUESTÃO FILOSÓFICA
• A filosofia não possui objeto próprio – torna seus os objetos que
interessam também às demais ciências;
• A filosofia não possui um método correspondente a um território
exclusivamente seu;
• “O que o fazer filosófico tem de seu é uma forma muito própria de
interrogar a realidade, questionando o sentido desta” (p. 36).
• Metafísica clássica: identidade entre ser e sentido
• O ser é o sentido e o sentido é o ser.
• Parmênides: “uma única e mesma coisa são o ser e o pensar”.
• Vertentes filosóficas posteriores:
• O ser é necessariamente maior que o sentido:
• Há no ser muito de inapreensível pela inteligência humana;
• A inteligência humana não apreende inteiramente todo o sentido de que o ser é capaz.
• O sentido é maior que o ser:
• O ser é o gerador de sentido e por isso os sentidos são potencialmente ilimitados.
• Abandono posterior da concepção de identidade entre ser e sentido.
FENOMENOLOGIA DO SENTIDO DE WALTER
BLUMENFELD
A) SENTIDO SEMÂNTICO – pelo rastreamento do significantes, leva aos seus
significados; relação entre signo e objeto;
B) SENTIDO FINAL OU TÉLICO – estuda a relação entre acontecimento e
acontecimentos, estabelecendo aponte compreensiva entre existência e
finalidade;
C) SENTIDO ESTRUTURAL ou ÊIDICO – busca examinar a relação entre a parte e o
todo, aprofundando a mútua incidência de um elemento sobre o outro;
D) SENTIDO LÓGICO ou FUNDAMENTANTE – que focaliza a relação entre o
enunciado e a sua fundamentação, estudando a consistência dos
procedimentos de pensamento;
E) SENTIDO DE MOTIVAÇÃO – que se interessa por detectar a relação entre o
comportamento e a situação, descendo a profundidades psicológicas e éticas.
O SENTIDO NA RELAÇÃO SUJEITO-OBJETO
(p. 37-38)
• Todo sentido é sentido para alguém.
• Na relação sujeito-objeto, o objeto tudo começa, oferecendo os seus desafios es
estímulos, e o sujeito tudo termina, pois é somente no âmbito de sua inteligência
que os sentidos se erigem.
• Objeção: o sujeito faz uma interpretação subjetiva do mundo ‘para mim’,
mas não uma abertura objetiva da realidade ‘em si’.
• Resposta:
• O mundo real somente se abre na medida em que e no modo como for
experimentado e compreendido por mim, entrando, portanto, em ‘meu mundo’.
• Porém, a compreensão do mundo acha-se essencialmente ordenada ao mundo real,
ao mundo em si. Faz parte da essência do homem que só adquire importância ‘para
mim’ o que apreendo como válido ‘em si’ (Emerich Coreth).
• A compreensão não pode ser pensada nem como pura subjetividade
e nem como pura objetividade, mas numa situação de total
abrangência que envolve o sujeito e o objeto.
• A compreensão (apreensão de sentido), envolve necessariamente:
Expressão, compreensão e coisa.
• A coisa em si não se oferece nua e imediata à compreensão;
• Linguagem: mediação fundamental, que aporta formas de perceber e de
enunciar;
• É a linguagem que permite elaborar as coisas tais como podem ser
representadas na esfera do conhecimento humano.
• A coisa em si não é desprezível: princípio da relação sujeito-objeto; não há
consciência sem mundo.
SENTIDO E CULTURA
• A cultura é a transformação do espírito em coisa (F. Romero):
objetivação de conteúdos humanos mediante os apelos da natureza.
• A cultura objetivada tem de ser compreendida tanto pelas suas
expressões como pelo seus silêncios, imagem e contra-imagem:
requer dedicação, sensibilidade e tirocínio.
• As realidades humanas não são planas, mas volumétricas, ao mesmo
tempo que revelam, escondem; ver um ângulo supõe haver outros.
• No fundamento de uma obtenção subjetiva de sentido, encontra-se
toda uma rede intersubjetiva de informações e valorações às quais
ninguém chega sozinho e nas mais pura introspecção.
QUESTÕES DA FILOSOFIA DA CULTURA
Qual é o sentido de criar cultura?
Qual é o sentido de consumir cultura?
Qual é o sentido de recriar cultura, modificando-a?

• CRIAR CULTURA:
• A capacidade humana de criar produz criações úteis, mas que também
conservam em si, reproduzem e transmitem a própria capacidade humana
que as criou.
• Criar cultura é conquistar possibilidades de vida, em termos de sobrevivência
e de convivência e só nessa conquista desenha-se a maior parte da epopeia
humana.
• Criar cultura comporta o sentido de tecer o amplo discurso expressivo do
homem, que é a sua existência.
• CONSUMIR CULTURA:
• Objetos culturais são marcas da inteligência, do trabalho e das vicissitudes vividas
por gerações anteriores.
• Princípio de identidade e alimento para definições futuras de existência.
• Consumir cultura é alimentar-nos de nossa própria seiva.
• RECRIAR CULTURA:
• A cultura exerce coações, benéficas e prejudiciais.
• Poder de imposição, oposição a toda inovação e avanço;
• Toda inovação e avanço feito pelo agente pressupõem o nível alcançado com base
nas características culturais anteriores.
• A recriação da cultura é essencial à cultura: a realidade cultural deve ser examinada
e criticada para não se deteriorar.
2. A possibilidade do
plenamente humano
• Animais podem ser gregários ou sociais, mas sempre devido a
determinações biológicas.
• Humanos necessitam ser adestrados, ensinados, socializados e educados.
Não possuem a especialização genética para a vida social.
• O humano necessita criar cultura para viabilizar a possibilidade de
plenificação humana. A cultura é a possibilidade do plenamente humano.
• O homem não nasce apenas animal, como qualquer outro, e se faz humano ao
longo da existencialização.
• O ser humano já nasce humano, dotados das faculdades específicas ao animal
simbólico. Sua humanidade nasce em potência e se atualizará na conquista da
linguagem e na construção da cultura. Uma criança traz em potência todas as
possibilidades humanas. Existir é externalizar-se.
• “Cultura é a herança social de uma comunidade humana,
representada pelo acervo co-participado de modos padronizados de
adaptação à natureza para o provimento da subsistência, de normas
e instituições reguladoras das relações sociais e de corpos de saber,
de valores e de crenças com que seus membros explicam sua
experiência, exprimem sua criatividade artística e a motivam para a
ação”. (Darcy Ribeiro).
• A cultura é constituída por três sistemas:
• Adaptativo – homem/natureza
• Associativo – relações intersubjetivas e organizações
• Ideológico – expressividade do homem nas produções espirituais: religiosas,
artísticas, filosóficas e científico-tecnológica
• “A transmissão de significados constitui o fluxo intersubjetivo pelo
qual circula a cultura. A experiência vivida, o real sentido, percebido
ou compreendido, o mundo do real ou do imaginário, das teorias
científicas ou dos mitos, enfim, da vigília ou do sonho, é mediado de
homem a homem por entes concretos capazes de impressionar
nossos sentidos: os signos. Estes, porém, aponta para fora de si, são
presenças que marcam ausências e são precisamente estas ausências,
ou seja, os ‘significados’ destes signos, aquilo que constitui a seiva
da cultura humana” (Isaac Epstein).
• Cultura é circulação de sentidos/significados
• Há sentido, há sentidos e há mais sentidos.
• Circulação de sentido implica constante valoração
• Discutir criticamente os valores já erigidos
• Definir e eleger valores em consonância com o momento histórico
• Não há valores perenes.
• Valores não são meros subjetivismos ou mero relativismo.
Capítulo III

LINGUAGEM: O “PRINCÍPIO”
DA CULTURA
INTRODUÇÃO
• A linguagem é a arché da cultura – princípio da criação, da
sustentação e da compreensão do cultural.
• A linguagem condiciona: ao mesmo tempo liberta e escraviza.
• É um processo de simbolização que nos dirige muitas vezes e de vez
em quando nos permite criar novos valores e vida nova.
• Os próprios limites da compreensão e da expressão acabam
governando a vida do homem.
A GRANDE DIVERSIFICAÇÃO DA
EXPRESSIVIDADE HUMANA

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