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FACULDADE DOM ALBERTO

PÓS GRADUAÇÃO EM TERAPIA COGNITIVA COMPORTAMENTAL

GEOSEANE SANTANA CARDOSO

AS CONTRUIBUIÇÕES DA TERAPIA COGNITIVO COMPORTAMENTAL


NOS PROTOCOLOS DE TRATAMENTO DO TRANSTORNO DE
ANSIEDADE GENERALIZADA EM ADULTOS: UMA PESQUISA
BIBLIOGRÁFICA

FEIRA DE SANTANA
2021
AS CONTRUIBUIÇÕES DA TERAPIA COGNITIVO COMPORTAMENTAL
NOS PROTOCOLOS DE TRATAMENTO DO TRANSTORNO DE
ANSIEDADE GENERALIZADA EM ADULTOS: UMA PESQUISA
BIBLIOGRÁFICA

Geoseane Santana Cardoso

Declaro que sou autor (a) ¹ deste Trabalho de Conclusão de Curso. Declaro também que o
mesmo foi por mim elaborado e integralmente redigido, não tendo sido copiado ou extraído, seja parcial
ou integralmente, de forma ilícita de nenhuma fonte além daquelas públicas consultadas e corretamente
referenciadas ao longo do trabalho ou daqueles cujos dados resultaram de investigações empíricas por
mim realizadas para fins de produção deste trabalho.
Assim, declaro, demonstrando minha plena consciência dos seus efeitos civis, penais e administrativos, e
assumindo total responsabilidade caso se configure o crime de plágio ou violação aos direitos autorais.
(Consulte a 3ª Cláusula, § 4º, do Contrato de Prestação de Serviços).

RESUMO: O objetivo desse artigo é apresentar as contribuições da abordagem


terapêutica Cognitiva Comportamental no tratamento psicológico e na aplicação de
protocolos eficazes de tratamento em adultos diagnosticados com Transtorno de
Ansiedade Generalizada (TAG).
A saúde mental do indivíduo está atrelada as lembranças conscientes e inconscientes
ligadas aos eventos marcantes, principalmente quando se trata de fatores estressores
e negativos, podendo gerar conseqüências graves no comportamento do ser humano
ao longo da vida.
A metodologia empregada foi qualitativa, exploratória com pesquisa bibliográfica,
reunindo livros, artigos, dissertações e demais materiais com essa temática.
Este estudo revisa a intervenção utilizada na prática clínica através da Terapia
Cognitiva Comportamental focada na ansiedade generalizada, atuando na identificação
diagnóstica, nos impactos emocionais recorrentes e nas técnicas que apresentam
efetividade nos resultados do tratamento dos pacientes.
O foco central do presente artigo apontou apenas algumas problemáticas detectadas
nos estudos de caso revisados bibliograficamente, trazendo exemplos específicos para
maior compreensão da problemática em questão.

Palavra-chave: Ansiedade. Eventos Estressores. Terapia Cognitivo Comportamental.


Psicologia.
1. INTRODUÇÃO

Antes de compreender como funciona a eficácia no tratamento


através da Terapia Cognitivo Comportamental focado no Transtorno de
Ansiedade Generalizada (TAG) é fundamental abordar a definição de
ansiedade como ponto de partida para que seja possível o amplo
entendimento do tema e dos impactos gerados na vida das pessoas
acometidas por esse transtorno, no decorrer da história da psicologia
clínica uma gama de conceitualizações sobre o estado ansioso tem sido
descritas pelos autores e especialistas no assunto.
Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos
Mentais DSM-5, da Associação Americana de Psiquiatria os transtornos
de ansiedade em classificação geral apresentam características
peculiares de medo e ansiedade excessivos e perturbações
comportamentais, esses estados se sobrepõe. Dessa forma, o medo
ocorre como uma espécie de resposta emocional em função de uma
ameaça podendo ser real ou percebida, já a ansiedade demonstra uma
preocupação extrema sobre uma possível ameaça futura, ou seja, que
ainda não aconteceu e não há comprovações da sua existência.
Dentro do contexto apresentado podemos afirmar que vivenciar
situações estressoras e ansiosas de forma recorrente pode causar
problemas comportamentais na adultez, impactando na qualidade de
vida do sujeito, segundo Kaplan & Sadock (2007), a Ansiedade
Generalizada muitas vezes está associada a transtornos depressivos e
outros transtornos de ansiedade. Alencar (1977) aponta que “ao viver
uma situação geradora de ansiedade, o organismo tende a apresentar
uma série de mudanças fisiológicas, como tensão muscular, batimento
cardíaco acelerado ou sudorese nas palmas das mãos” (p.190). Sendo
assim: Qual a contribuição da Terapia Cognitivo Comportamental no
tratamento eficaz de adultos com Transtorno de Ansiedade
Generalizada?
Nesse sentido, o tratamento psicoterapêutico deve abarcar a
ampla gama de possibilidades de intervenção, investigando os sintomas
de mal-estar do paciente para a construção de uma hipótese diagnostica
e a aplicação de técnicas pertinentes ao caso, com foco na eficácia dos
resultados.
O presente trabalho tem por objetivo revisar os estudos científicos
publicados sobre as possibilidades de intervenção da psicologia clínica,
com ênfase na utilização da abordagem Cognitiva Comportamental e
suas técnicas, nos casos de adultos com padrões de comportamento
que indicam transtornos ansiosos generalizados, diretamente
relacionados a comprovação da eficácia baseado nos casos
anteriormente discutidos.
Contudo, o acompanhamento psicoterapêutico é sem dúvida,
fundamental para o tratamento desse transtorno, através de manejos
específicos para a identificação de pensamentos, crenças e
comportamentos disfuncionais, tornando clara a relevância dessa
temática, pois a incidência de sintomas de ansiedade apresenta índices
elevados na sociedade atual, principalmente diante de um período de
pandemia mundial.
A metodologia empregada foi qualitativa, exploratória com revisão
bibliográfica, utilizando seleções específicas para a escolha dos
materiais, prezando pela confiabilidade das fontes, realizando buscas
por livros, dissertações e artigos científicos a partir de palavras-chaves e
critérios temáticos direcionados através das plataformas virtuais,
cruzando as seguintes palavras-chave: Terapia cognitiva, Terapia
Cognitivo-Comportamental, Eficácia no tratamento e TAG, priorizando,
em sites do tipo Lilacs, Pubmed e Scielo no idioma português e inglês.
Os artigos que não atendiam aos critérios propostos foram excluídos.
A organização desse estudo será apresentada da seguinte forma:
inicialmente aborda a introdução já mencionada e a metodologia
utilizada. Em seguida os elementos do desenvolvimento que foram
agrupados em três subtítulos para melhor assimilação do conteúdo, são
eles: breve histórico da terapia cognitivo comportamental, as interfaces
do transtorno de ansiedade generalizada, o tratamento através da
terapia cognitivo comportamental, seguindo com a discussão final por
meio da conclusão.

2. DESENVOLVIMENTO

2.1 BREVE HISTÓRICO DA TERAPIA COGNITIVO COMPORTAMENTAL

O surgimento das terapias cognitivas ocorreu nos anos 60 a partir


da insatisfação dos teóricos em função dos modelos psicodinâmicos
existentes e ao questionamento da sua eficácia.
O médico psiquiatra e professor Aaron Beck desenvolveu a
Terapia Cognitivo Comportamental como uma modalidade de
psicoterapia clínica, através do contanto com pacientes que
apresentavam sintomas de depressão, percebendo as distorções
cognitivas típicas e aplicando novos instrumentos de intervenção, um
relevante exemplo é o “Inventário de depressão de Beck”, sendo um dos
testes mais utilizados no mundo para mensuração da depressão.
A terapia cognitivo comportamental se orienta no problema atual
do paciente e consiste basicamente em provocar uma mudança na
maneira distorcida de perceber e interpretar os eventos recorrentes.
Desta forma, o objetivo terapêutico da TCC, desde seus primórdios, tem
sido reestruturar e corrigir esses pensamentos chamados de
disfuncionais ou automáticos e através de um trabalho conjunto entre
terapeuta e paciente desenvolver soluções pragmáticas para produzir
mudança e melhorar variados transtornos emocionais.
Conforme BECK et al. (1997a), nossos pensamentos agem
diretamente na forma como nos sentimos e agimos, sendo assim, uma
das formas de melhorarmos nosso estado de humor é controlarmos
nossos pensamentos, no sentido de que exerçam um efeito realista
sobre a forma como nos sentimentos perante a nós mesmos, ao mundo
e a nosso futuro (tríade cognitiva). A forma como percebemos e
avaliamos os acontecimentos externos e internos a nós, irá determinar a
forma como iremos nos sentir e consequentemente agir perante esses
acontecimentos.
2.2 AS INTERFACES DO TRANSTORNO DE ANSIEDADE
GENERALIZADA (TAG)

A ansiedade é antes de qualquer coisa um tema amplo e complexo, pois se


trata de uma sensação inerente ao ser humano e saudável até certo ponto,
levando em consideração que a sua origem e sintomas variam de acordo com
o as particularidades de cada indivíduo.
A ansiedade e o medo, são experiências, pela qual todos os indivíduos
passam, em vários momentos da vida, Sousa et al. (2013, p. 397 e 398) assim
afirmam: “A ansiedade e o medo são condições essenciais e naturais à vida
humana, responsáveis por preparar o indivíduo para situações de ameaça e
perigo. (...).
De acordo com a OMS, nos últimos 15 anos houve um aumento expressivo
na frequência de transtornos relacionados a este sintoma em todo o mundo,
com o Brasil na liderança do ranking. Podemos afirmar categoricamente que o
ritmo de vida da humanidade vem se modificando ao longo do tempo, as
pessoas estão cada vez mais aceleradas, precisando adotar padrões de
comportamentos que correspondam as elevadas exigências do mercado,
ocasionando um auto cobrança excessiva por resultados imediatos. A mudança
brusca que a pandemia do Covid-19 causou também trouxe impactos para a
saúde mental, desencadeando ou agravando os casos de ansiedade, dentre
outros transtornos.
Por outro lado, existe a ansiedade patológica, aquela que ocorre
exageradamente, trazendo prejuízos significativos para o cotidiano do sujeito,
além de sintomas físicos persistentes.
Vale ressaltar a importância de agrupar os diversos transtornos de
ansiedade, elevando o nível de conhecimento pertinente à temática. A
diferenciação entre eles acontece através de tipificações detalhadas de
objetos, situações e estágios de desenvolvimento que induzem aos sintomas.
Vejamos abaixo a tabela ilustrativa contendo a lista completa dos tipos de
transtornos de ansiedade e seus respectivos critérios diagnósticos (CID) de
acordo com o DSM-5:
I – Tabela: Classificação dos transtornos de ansiedade
TRANSTORNOS CLASSIFICAÇÃO
INTERNACIONAL DE DOENÇAS –
CID
Transtorno de Ansiedade de F93.0
Separação

Mutismo Seletivo F94.0


Transtorno de Ansiedade Social F40.10
(Fobia Social)
Transtorno de Pânico F41.0
 Agorafobia F40.0
Transtorno de Ansiedade F41.1
Generalizada
Transtorno de Ansiedade Induzido 09 e 10
por Substância/Medicamento
Transtorno de Ansiedade Devido a F06.0
Outra Condição Médica
Outro Transtorno de Ansiedade F41.8
Especificado
Transtorno de Ansiedade Não F41.9
Especificado

Segundo o DSM V, caracteriza-se Transtorno de Ansiedade


Generalizada (TAG) quando a pessoa apresenta preocupações excessivas
acerca de diversos eventos ou atividades, ocorrendo na maioria dos dias por
pelo menos seis meses.
O indivíduo acometido pela TAG vivencia um estado de alerta em
relação a qualquer acontecimento, pensando sobre o assunto ou situação de
maneira inquieta e sem conseguir encontrar soluções ou tomar qualquer
decisão frente ao problema, afetando o seu bem-estar físico e emocional, e das
pessoas com quem convive. Dessa forma, a rotina se torna um gerador de
sofrimento contínuo, pois o ciclo dos sintomas tende a se repetir com
frequência.
Os sintomas físicos que indicam o TAG são: tensão muscular, agitação
mental, suscetibilidade a fadiga (resultado de tensão muscular crônica
excessiva), alguma irritação, dificuldade para dormir e concentrar-se, focar a
atenção em algo é desafiador, pois a mente se altera rapidamente de crise a
crise. (BARLOW; DURAND, 2008).

2.3 O TRATAMENTO ATRAVÉS DA TERAPIA COGNITIVO


COMPORTAMENTAL

No que se refere ao tratamento dos transtornos de ansiedade de modo


geral, os autores citam a psicoterapia baseada na TCC como a abordagem
com maior incidência de sucesso da atualidade, os resultados demonstraram
que pacientes com sintomas ansiosos característicos com a TAG obtiveram
melhora significativa nos quadros clínicos através da utilização das ferramentas
de abordagem cognitiva.
As técnicas psicoterápicas da Terapia Cognitiva auxiliam a identificar,
avaliar, controlar e a modificar as crenças que comandam a visão de mundo e
que podem ser disfuncionais. Crenças são "certezas" que o indivíduo constrói
através da experiência e algumas podem condicionar sua vida, como por
exemplo: “Tenho que ser perfeito/sou um incapaz”. A forma como
compreendemos nossos problemas tem um efeito em como lidamos com eles.
(GREENBERGER & PADESKY, 1999, P.13).
A psicóloga americana Judith Beck é autora de diversas publicações, dentre
elas a obra: “Terapia Cognitiva: teoria e prática, um livro consagrado e
responsável por nortear boa parte dos estudos sobre o tema, conforme aponta
Beck: “O tratamento também está baseado em uma conceituação, ou
compreensão, de cada paciente (suas crenças específicas e padrões de
comportamento). O terapeuta procura produzir de várias formas uma mudança
cognitiva - modificação no pensamento e no sistema de crenças do paciente -
para produzir uma mudança emocional e comportamental duradoura.” (J. Beck,
2013, p. 22).
Sendo assim, a TCC é uma terapia de curto prazo, durando uma média de
cinco a vinte sessões, podendo ser estendido a depender do caso, focado no
problema atual e como premissa a inter-relação entre: cognição, emoção e
comportamento.
Os elementos essenciais da Terapia Cognitiva Comportamental – TCC na
visão geral do tratamento psicoterápico segundo J. Beck são:

I. Desenvolvimento da relação terapêutica;


II. Planejamento do tratamento e estruturação das sessões;
III. Identificação e respostas as cognições disfuncionais;
IV. Ênfase no positivo;
V. Facilitação da mudança cognitiva e comportamental entre as sessões
(exercício de casa).

O elemento de extrema importância no que tange o início do tratamento


através da TCC é o desenvolvimento de uma boa relação terapêutica, o
paciente precisa confiar no terapeuta, formando alianças positivas que
impactam diretamente no resultado que será alcançado ao longo do
desenvolvimento do trabalho. Na TCC a tomada de decisões é colaborativa, o
psicólogo sempre deixará o paciente ciente dos manejos e avanços que estão
ocorrendo nas sessões, trazendo consciência e autonomia para o sujeito.
Um dos objetivos principais do tratamento é tornar o processo da terapia
compreensível. A maioria dos pacientes se sente mais confortável quando sabe
o que esperar da terapia, quando entendem claramente o que você quer que
eles façam, quando eles sentem que vocês formam um time e quando têm uma
ideia concreta de como a terapia terá prosseguimento, tanto dentro da sessão
quanto durante o curso do tratamento. (J. Beck, 2013, p. 44).
O plano de tratamento e a estrutura das sessões serão definidos pelo
terapeuta após a sessão de avaliação, a partir da coleta de informações
relevantes daquele paciente para a elaboração de uma hipótese diagnóstica
que norteará a aplicação das técnicas dentro do consultório e fora dele.
A identificação das cognições disfuncionais é utilizada para conduzir o
paciente a perceber e responder aos pensamentos automáticos sobre
situações angustiantes e mal interpretadas devido às crenças que aquele
sujeito possui. Após essa consciência acontece à ênfase no que é positivo,
trazendo à tona os pontos fortes e as potencialidades que o indivíduo possui e
não enxerga devido à visão distorcida ocasionada pela ansiedade. Além disso,
demais técnicas são utilizadas e exercícios de casa, mantendo o paciente
comprometido com o processo mesmo com a ausência do seu terapeuta.
Após os esclarecimentos e pontuações do terapeuta e do paciente, ele
fará a identificação e registro dos pensamentos automáticos que estão
relacionados aos temas de perigo físico, social e psicológico, pois as detecções
dos pensamentos automáticos auxiliarão no processo de identificação e
avaliação das distorções cognitivas mais frequentes (NARDI E SCHINOHARA,
2004).
Em termos gerais, o paciente aprenderá a automonitorar-se em relação
aos próprios pensamentos, conseguindo identificar de forma clara os sintomas,
estabelecendo uma importante ligação entre tais pensamentos extremamente
preocupantes e por vezes, imaginários e as reações fisiológicas vivenciadas no
momento. Dessa forma, ao entender esse ciclo fica mais fácil intervir de
maneira assertiva, substituindo o mal adaptativo pelo adequado.
O Diagrama de Conceituação Cognitiva (figura 1) pode ser umas das
ferramentas empregadas no tratamento, pois através dele é possível analisas,
dentre outras coisas, as crenças centrais, intermediárias e os pensamentos
automáticos recorrentes, fornecendo uma espécie de mapa cognitivo da
psicopatologia do paciente de maneira organizada.
Figura 1. Diagrama de Conceituação Cognitiva da paciente. Fonte: Beck, J. S. (2013).
Terapia cognitivo comportamental: teoria e prática. (2a ed). Artmed Editora.
Os autores Wright, Basco e Thase, consideram que são avaliados os
sintomas e os gatilhos que geram ansiedades, verificando quais as estratégias
de enfrentamento existente. Em seguida, são definidos os alvos específicos de
intervenções que irão direcionar o curso da terapia, ensinando habilidades
básicas para o enfrentamento dos pensamentos, sentimentos e
comportamentos que caracterizam a ansiedade.
No processo de avaliação é de total relevância delinear quatro pontos:

1. Os eventos: Estes servem de gatilho para respostas ansiosas;


2. Os pensamentos automáticos, erros cognitivos e esquemas presentes
na reação exagerada ao estimulo temido;
3. As respostas emocionais e fisiológicas;
4. Os comportamentos habituais, como sintomas de pânico ou evitação.
(WRIGHT; BASCO; THASE, 2008, p. 124).
Assim, todos os elementos do modelo Cognitivo Comportamental
básico são avaliados e considerados ao se desenvolver a formulação e o plano
de tratamento. A principal forma de avaliação é uma entrevista minuciosa
voltada para a identificação dos sintomas-chave, dos gatilhos de ansiedade e
das cognições e comportamentos mais importantes (WRIGHT; BASCO;
THASE, 2008).
A reestruturação cognitiva, o manejo da ansiedade e a preocupação
excessiva, são as principais técnicas da TCC, que podem ser usadas
especificamente no TAG e também em outros transtornos ansiosos, além de
demais manejos clínicos de acordo com as ideias de J. Back (pag. 237).
Apresentado em formato de tabela ilustrativa vamos conhecer as técnicas
mais utilizadas no tratamento do Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)
através da TCC:

II – Tabela: Técnicas de Restruturação Cognitiva


Técnica Objetivo
Psicoeducação Tema a importante função de
orientar o/a paciente sobre seu
transtorno, sua forma de agir e as
consequências disso.
Identificação de pensamentos Diante de situações em que o
automáticos paciente se sentiu ansioso ou
preocupado, é possível mostrar a
ele seus pensamentos automáticos
e emoções. Para isso é possível
utilizar a técnica do Registro de
Pensamentos Disfuncionais.
 Reestruturação Cognitiva O intuito de identificar os pontos
anteriores é de reestruturar
cognitivamente o indivíduo ao
questionar as ideias, levantar
evidências e o auxiliar a
desenvolver pensamentos mais
funcionais, adaptativos e realistas.
Para isso pode ser usada a técnica
do questionamento socrático.
 Definir um tempo para se Como a pessoa que tem TAG se
preocupar preocupa quase o tempo todo, ela
é orientada a escolher um período
do dia no qual ela irá se preocupar
com as questões que a angustiam,
assim, quando notar que a
preocupação veio fora do seu
“horário” ele adiará a preocupação
até o horário estabelecido para
isso.
 Diferenciar preocupações Visa-se ajudar o paciente a
produtivas e não produtivas entender quais preocupações são
racionais e levam a ação daquelas
que são improdutivas.
 Exposição a preocupação  O paciente junto ao psicólogo
elabora uma hierarquia de
preocupações e é levado a se
expor gradualmente para assim se
habituar a elas.
 Resolução de problemas Consiste em ajudar o paciente
ansioso a melhorar sua
capacidade de resolver problemas
através de passos como definir o
problema, gerar soluções
alternativas, tomar a decisão e
praticar a solução escolhida e
avaliar seus efeitos.
Cartão de enfrentamento São frases motivacionais e
realistas elaboradas junto com o
paciente para facilitar o foco nos
aspectos positivos.
Treino da respiração A ansiedade em excesso atrapalha
diafragmática o raciocínio, por isso treina-se a
respiração e orienta-se que ele use
essa ferramenta, principalmente,
nas situações que geram
ansiedade.

Treino do relaxamento muscular Consiste na tensão e consequente


progressivo de Jacobson relaxamento de algum grupo de
músculos para auxiliar também na
redução da ansiedade.

3. CONCLUSÃO

Com base nos estudos, evidencia-se que a ansiedade vem se configurando


como um dos principais problemas psiquiátricos da atualidade e apresenta um
exponencial crescimento (Vorkapic & Rangé, 2011). Desse modo,
classificamos os transtornos ansiosos enfatizando na ansiedade generalizada
(TAG), sendo esta caracterizada por uma preocupação excessiva e diária com
situações desnecessárias, causando a sensação de que todos os eventos
estão destinados ao fracasso, paralisando a rotina dos indivíduos, interferindo
na qualidade de vida, nas relações sociais e familiares, além de causar
sintomas físicos severos e angustiantes.
O paciente acometido pelo transtorno necessita de um tratamento que o
estimule ao enfrentamento dos pensamentos, permitindo o alcance dos níveis
de consciência sobre as próprias emoções e reações diante de uma situação
considerada aversiva.

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