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ESCOLA SECUNDÁRIA DE GAGO COUTINHO

FICHA DE TRABALHO – EDUCAÇÃO LITERÁRIA –


RIMAS, DE LUÍS VAZ DE CAMÕES

ESCOLA______________________________________________________ D ATA ___/ ___/ 20__

NOME_______________________________________________________ N. O____ TURMA_____

GRUPO I

Apresente as suas respostas de forma bem estruturada.

Parte A

Luís Vaz de Camões, Rimas

Leia o poema.

A fermosura desta fresca serra

A fermosura desta fresca serra,


e a sombra dos verdes castanheiros,
o manso caminhar destes ribeiros,
donde toda a tristeza se desterra;

5 o rouco som do mar, a estranha terra,


o esconder do sol pelos outeiros,
o recolher dos gados derradeiros,
das nuvens pelo ar a branda guerra;

enfim, tudo o que a rara natureza


10 com tanta variedade nos ofrece,
me está (senão te vejo) magoando.

Sem ti, tudo m’ enoja e m’ avorrece;


sem ti, perpetuamente estou passando
nas mores alegrias, mor tristeza. 
Luís de Camões, Rimas (texto estabelecido e prefaciado por Álvaro J. da Costa Pimpão),
Almedina, Coimbra, 1994, p. 184.

1. Demonstre a visão harmoniosa da Natureza, fundamentando a sua resposta com citações


textuais pertinentes.

2. Caracterize o estado de espírito do sujeito poético, considerando a anáfora preente no


último terceto.

3. Divida o texto em partes lógicas, justificando a sua opção.


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RIMAS, DE LUÍS VAZ DE CAMÕES

GRUPO II

Leia o texto.

Porque sofremos por amor

Porque será que nos filmes, nos livros, na música, nas revistas, nas telenovelas… o Amor é
sempre “um algo” quase inatingível, ou dificilmente atingível, desencadeador de sofrimento e
de dor, transmitindo-nos, invariavelmente, a ideia de que para se ter Amor ou vivermos um
grande Amor temos de alguma forma de nos sacrificar, de sofrer, de “carregar um monte ou
5 uma montanha em cima das costas”?
É preciso as pessoas pensarem que o Amor é sofrimento, porque, no dia em que
deixarem de acreditar nessa “mentira”, fizerem uma “arrumação às suas crenças”, analisarem
as suas expectativas, perceberem a razão das suas idealizações e tentarem compreender qual
o fundamento do referido “dogma” de que para ser amado é preciso sofrer, as audiências
10 cairão, os escritores de romances ficarão no desemprego, a imprensa cor-de-rosa
desaparecerá e os filmes românticos passarão à história.
O Amor talvez seja mesmo a única “realidade” que sobra ao cimo deste planeta que não
é “comprável” ou “trocável”, porque, quando o é, deixa de ser Amor e passa a ser “desamor”
ou outra coisa qualquer. Muito menos é “adquirido” através do sofrimento.
15 A ideia de que para ter o Amor de alguém tem de se sentir dor é perversa e muito pouco
dignificante. Se alguém lhe pedir que se sacrifique para ter o seu Amor, fuja enquanto é
tempo. Esse alguém não gosta de si, e muito menos lhe quer ou faz bem.
É o concentrar de todos os nossos esforços, energia, força, recursos nos outros, em nome
do Amor, o alimentar de “relações caóticas” como se fossem uma “droga” e precisássemos de
20 a consumir diariamente, esquecendo-nos de nós, que provoca essa dor, que mais não é do
que a dor da perda de nós mesmos.
É a incessante necessidade de que o outro nos faça feliz que leva à dor do desespero que
pode fazer doer muito mais do que se decidirmos ir à procura da nossa própria felicidade.
É a idealização do outro e a incessante busca de características nossas no outro que faz
25 mal.
E enquanto continuarmos a pensar assim, e principalmente a viver de ilusões e
idealizações do outro e das relações, tentando mudar quem não quer mudar, a viver e,
especialmente, a sentir os outros, as relações e o Amor através do “filtro do sofrimento”,
vamos continuar a escolher sofrer e a “sofrer por Amor”.

Margarida Vieitez, in Visão (edição online de junho de 2016,


consultado em agosto de 2019, texto com supressões).
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RIMAS, DE LUÍS VAZ DE CAMÕES

Para os itens 1 a 7, selecione a opção que completa cada afirmação.

1. No primeiro parágrafo do texto


(A) a autora afirma que o Amor é algo inatingível caso não passe pelo sacrifício.
(B) o Amor é perspetivado como um sentimento doloroso, mas recompensador.
(C) afirma-se que é totalmente impossível experienciar um grande Amor.
(D) questiona-se a noção de Amor transmitida por diversos meios ou formas de arte.

2. Para a autora do artigo,


(A) O Amor não deve ser questionável nem vendável ou sofrido.
(B) devemos buscar no outro semelhanças com nós mesmos.
(C) aquele que amamos é a base da nossa felicidade.
(D) a ideia de Amor dos filmes românticos é a correta.

3. O recurso expressivo presente em “nos filmes, nos livros, na música, nas revistas, nas
telenovelas” (l. 1) é a
(A) metáfora.
(B) anáfora.
(C) enumeração.
(D) comparação.

4. O vocábulo “perversa” (l. 15), no contexto em que se encontra, significa


(A) degradada.
(B) perigosa.
(C) imoral.
(D) depravada.

5. O pronome pessoal “lhe” usado em “Se alguém lhe pedir que se sacrifique para ter o seu
Amor” (l. 16) desempenha a função sintática de
(A) sujeito.
(B) complemento indireto.
(C) complemento direto.
(D) vocativo.

6. Classifique a oração “como se fossem uma ‘droga’” (l. 19).

7. Indique a classe e a subclasse das palavras sublinhadas em “Se alguém lhe pedir que se
sacrifique” (l. 16).

8. Indique o referente do pronome “a” presente em “precisássemos de a consumir


diariamente” (ll. 19-20).
Bom Trabalho!

Professora Sílvia Guedes

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