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LICENCIATURA EM SOCIOLOGIA COM HABILITAÇÕES EM

PLANIFICAÇÃO E DESENVOLVIMENTO RURAL

Abrão Luís Samuel


Amelia Paulo Mugadenhe
Ana António Adriano
Beatriz Ferreira Da Silva
Chana Divine Caetano
Francisco Justino Magombe
Luísa Romão Elias
Marta José Chigono

PERPU E DESENVOLVIMENTO NA CIDADE DA BEIRA

EXTENSÃO DA BEIRA
ABRIL DE 2022
LICENCIATURA EM SOCIOLOGIA COM HABILITAÇÕES EM
PLANIFICAÇÃO E DESENVOLVIMENTO RURAL

Abrão Luís Samuel


Amelia Paulo Mugadenhe
Ana António Adriano
Beatriz Ferreira Da Silva
Chana Divine Caetano
Francisco Justino Magombe
Luísa Romão Elias
Marta José Chigono

PERPU E DESENVOLVIMENTO NA CIDADE DA BEIRA

Trabalho a ser apresentado na


disciplina de Planificação e
Desenvolvimento 1, na Faculdade de Letras
e Humanidade, com fins avaliativos sob a
orientação do Msc. Geraldo Sotaria.

EXTENSÃO DA BEIRA
ABRIL DE 2022
Índice
Introdução……………………………………………………………………………4

Contextualização......................................................................................................... 5

PERPU ........................................................................................................................ 5

Pobreza ....................................................................................................................... 5

Politicas Públicas ........................................................................................................ 6

Constituição, Objectivos, Estrutura e Financiamento do PERPU 2011-2014 ............ 8

Constituição ................................................................................................................ 8

Objectivos do PERPU 2011 - 2014 ............................................................................ 8

Estrutura do PERPU 2011 - 2014 ............................................................................... 8

Financiamento............................................................................................................. 8

Impacto do Fundo na Vida dos Beneficiários ............................................................. 9

Principais Constrangimentos da Implementação ........................................................ 9

Considerações Finais ................................................................................................ 11

Bibliografias ............................................................................................................. 12

DOCUMENTOS CONSULTADOS: ........................................................................ 12


Introdução
O presente trabalho tem como tema “Perpu e Desenvolvimento na cidade da Beira”,
cujo objetiva é descrever os impactos do PERPU na melhoria de condições socioeconômicas
dos munícipes da Cidade da Beira (Espangara).
O Programa Estratégico para a Redução da Pobreza Urbana – PERPU destina-se a
apoiar pessoas vulneráveis, mas economicamente activas, e que não tem acesso ao crédito
bancário ou outro tipo de crédito concedido por instituições financeiras formais. Este grupo
populacional inclui:
Jovens;
Mulheres - chefes de agregados familiares, incluindo viúvas;
Pessoas empreendedoras, em geral; e
Pessoas portadoras de deficiência com capacidade de trabalhar.
O PERPU é assim um programa que visa a implementação de um conjunto de acções
que possam conduzir a melhoria das condições de vida da população que vive na pobreza,
através do aumento do emprego e do fortalecimento da proteção social (PERPU, 2010).
O surgimento do PERPU enquadra-se num contexto em que o discurso governamental
sobre a pobreza centrava sua atenção no combate deste fenómeno nas zonas rurais, sendo a
destacar a introdução no ano de 2006 do Orçamento de Investimento de Iniciativa Local (OIIL),
cujo objetivo é contribuir para a redução da pobreza através do financiamento de projetos
individuais de produção de comida e de geração de emprego e de renda (Sande, 2011).
O que difere este dos outros programas, ou seja, do PARPA I, PARPA II e PARP, é que
estes últimos abordam a pobreza de forma ampla ou macro, ao passo que, o PERPU tenciona
reduzir a pobreza, só e somente nas áreas urbanas. O PERPU é um programa que apresenta um
conjunto de ações que conduzem à melhoria das condições de vida da população pobre, através
do aumento do emprego e do fortalecimento da proteção social, ou seja, este é um programa
adicional às várias atividades já previstas para a redução da pobreza nos demais instrumentos
de gestão pública. Este programa será operacionalizado por cada um dos municípios, tomando
em conta as características de cada um (PERPU, 2011).
Contextualização
A luta contra a Pobreza em Moçambique tem sido levada a cabo desde a sua
independência, já foram adotadas uma série de políticas ou programas com o principal enfoque
o combate à pobreza e restauração da economia. No âmbito dessas políticas, com vista a
resolver os problemas de subdesenvolvimento destacam-se os seguintes momentos,
acompanhados pela adoção de respetivas políticas:
A formulação do Plano Prospetivo Indicativo, fruto da realização do III Congresso da
Frelimo, ocorrido em 1977. O PPI era definido como guia de ação e instrumento fundamental
para a construção de uma economia socialista relativamente desenvolvida. (FRELIMO, 1980,
citado por CHICHAVA, 2011).

PERPU
O Programa Estratégico Para Redução Da Pobreza Urbana (PERPU) constitui uma
política pública elaborada de forma a materializar o objetivo central do Plano quinquenal do
Governo (PQG 2015- 2020), o conjunto de ações que conduz a redução da pobreza em geral.
O PERPU como uma política de Redução da Pobreza prioriza dois pilares-chave:
geração ou criação de oportunidades de emprego e o vetor da proteção social. Em abril de 2011,
o executivo moçambicano aprovou os Critérios de Afetação e Procedimentos para o Uso de
Recursos no Âmbito da Redução da Pobreza Urbana. Procurava-se com o efeito, criar
procedimentos metodológicos e operacionais de gestão dos fundos que o Estado alocaria para
os 11 Municípios Capitais Provinciais.
Programa é um conjunto de atividades organizadas para serem realizadas dentro de
cronograma e orçamento específicos disponíveis para a implementação de políticas, ou para a
criação de condições que permitam o alcance de metas políticas desejáveis. (Ala-Harja e
Helgason, 2000).
Segundo PERPU (2011), a visão deste programa é orientada por três (3) objetivos,
nomeadamente:
a) O aumento das oportunidades de emprego;
b) A melhoria do ambiente de negócios e os níveis de empregabilidade de mão-de-obra;
c) A melhoria do sistema de proteção social.

Pobreza
O PERPU 2011-2014, define a pobreza urbana como sendo a falta de rendimentos
necessários para a satisfação das necessidades básicas dos indivíduos, famílias e comunidades
residentes nas zonas urbanas (MPD et al, 2010). A demais é definida como sendo uma condição
humana caracterizada por privação sustentada ou crónica de recursos, capacidades, escolhas,
segurança e poder necessários para o gozo de um adequado padrão de vida e outros direitos
civis, culturais, económicos, políticos e sociais (Comissão sobre Direitos Sociais, Económicos
e Culturais das Nações Unidas (2001) in Costa et al, 2008).
Segundo Capucha (2008) a erradicação da pobreza implica a coordenação de políticas
e a recalibragem dos seus conteúdos num sentido de modernização da economia e da sociedade,
bem como implica o desenvolvimento de um eixo reparador centrado na promoção dos direitos,
concretizados através de programas focalizados nas necessidades de inserção dos grupos mais
desfavorecidos. Estes programas devem obedecer ao primado da responsabilidade pública,
porque afinal é o livre funcionamento dos mercados que gera a pobreza e a exclusão. Assim, o
Estado deve exercer uma acção reguladora para neutralizar tais efeitos. Um Estado normativo
e fiscalizador leva a que todos cidadãos cumpram com os seus deveres e tenham direito aos
seus direitos. No entanto, se por um lado, a maior responsabilidade na condução de políticas
públicas, nomeadamente no que tange ao combate da pobreza compete aos governos, por outro
lado, são também agentes neste processo, as autarquias locais, os parceiros sociais, as
organizações civis de solidariedade, assim como as famílias e os indivíduos.
Fixando-mo nós a definição acima apresentada percebemos até um certo ponto que o
PERPU conceitua a pobreza sob um prisma unidimensional. A abordagem unidimensional da
pobreza é considerada por Lopes et al (2004), como aquela que tem como base a renda. Para
estes autores, a abordagem torna-se insuficiente para identificar a extensão da pobreza num
determinado contexto, sustentando que esta visão contém várias restrições teóricas e
metodológicas por não olhar para aspectos como ideias, percepções, discursos e práticas locais
associados à pobreza. Esta abordagem não permite captar a forma como as pessoas constroem
a sua visão sobre o fenómeno da pobreza, qual o significado que lhe atribui e como essa visão
as influência no dia-a-dia.

Politicas Públicas
As Políticas Públicas são entendidas como a materialização das intenções do Estado
para atingir objectivos colectivos, através de programas governamentais, tais como combate a
pobreza, a criação de novos impostos, reformas administrativas, etc (Rezende, 2004).
As politicas públicas, constituem por se uma área extremamente sensível a mentalidade
que vigora no sector público. Autonomizou-se como um campo de estudo próprio, e apesar das
abordagens que colhe selectivamente de outras áreas de conhecimento, não constitui um
somatório agregado dessas áreas, traduzindo-se em elementos conceituais e metodológicos,
técnicas de análise e práticas dirigidas a uma actividade específica (Pedone, 1986).
Constituição, Objectivos, Estrutura e Financiamento do PERPU 2011-
2014
Constituição
Segundo PERPU (2011), o Programa Estratégico para a Redução da Pobreza Urbana
2011-2014, é criado no contexto do Programa Quinquenal do Governo 2010-2014, que inclui
um conjunto de acções que conduzem a redução da pobreza em geral. O documento operacional
do Programa Quinquenal do Governo 2010-2014, isto é, o Plano de Acção para a Redução da
Pobreza, tanto rural como urbana, e em particular a pobreza alimentar.

Objectivos do PERPU 2011 - 2014


O Programa Estratégico para a Redução da Pobreza Urbana 2011-2014 define dois (2)
objectivos fundamentais, nomeadamente: (1) geração ou criação de oportunidades de emprego,
e (2) protecção social.

Estrutura do PERPU 2011 - 2014


Segundo MAE et al (2011), para a elaboração do Programa Estratégico para a Redução
da Pobreza Urbana 2011-2014, contou-se com a presença de uma equipa multissectorial,
composta pelos seguintes ministérios, nomeadamente:
 Ministério de Planificação e Desenvolvimento;
 Ministério da Administração Estatal;
 Ministério das Finanças;
 Ministério do Trabalho;
 Ministério da Mulher e da Acção Social.
Segundo PERPU (2011) a operacionalização dos objectivos estratégicos propostos no
programa está sob responsabilidade de cada um dos municípios, devendo tomar em conta as
características específicas de cada um, excepto as que explicitamente sejam imputadas a outras
entidades.

Financiamento
Moçambique é considerado um dos países mais pobres do mundo, e deste modo
políticas públicas de âmbito social com enfoque no combate a pobreza têm sido adoptados com
o intuito de reduzir este mal que enferma mais da metade da população moçambicana. No
prosseguimento do esforço que o Governo de Moçambique tem levado a cabo para minimizar
os efeitos da pobreza no país, o Orçamento de Estado para 2011 incluiu pela primeira vez uma
linha orçamental para financiar este programa a nível dos municípios.
Anualmente o Governo aloca através do Orçamento de Estado (OE) o valor de 7 milhões
para financiar os projectos de actividades desenvolvidos nas cidades municipais do país,
incluindo a cidade da Beira MAE et al (2011).

Impacto do Fundo na Vida dos Beneficiários


Tal como Pedone (1986) considera como “análise de políticas” quando se fazem
questionamentos antes da implementação da política, e como “avaliação” se após a
implementação da política procuram-se identificar os resultados e as consequências nos
beneficiários.
No entanto, tendo em conta o modelo de avaliação de politicas públicas proposto para
este trabalho, que baseia-se na compreensão de impactos das politicas publicas, cuja
preocupação é de definir como elas modificaram a sociedade (resultados) e quais as suas
consequências, privilegiando categorias de análise como os valores sociais básicos e os ganhos
e prejuízos aos grupos. Compreende-se que o impacto do programa de acordo com os
beneficiários, que por sua vez puderam ver os seus projectos financiados pelo fundo ao nível
do distrito. Pelas entrevistas foi possível identificar-se a percepção destes em relação aos
resultados (positivos) produzidos nas suas vidas, assim como, a mais-valia do fundo, tendo em
conta os objectivos por ele definidos aquando da sua elaboração. Pôde-se ao mesmo tempo ter
uma visão dos problemas enfrentados por este grupo social. Contudo concluiu-se que, existem
ganhos significativos decorridos durante a implementação do programa, na qual destacam-se
os seguintes:
 Melhorias ao nível social da vida dos beneficiários;
 Aumento do rendimento das famílias;
 Maior aderência dos munícipes ao fundo concedido pelo PERPU, em relação
aos fundos concedidos por outras instituições, este facto decorre das facilidades
e vantagens que este programa proporciona aos munícipes;
 Facilidades para iniciar um negócio, assim como, expandi-lo;
 Registou-se o desenvolvimento dos negócios financiados pelo fundo.

Principais Constrangimentos da Implementação


De acordo com as informações colhidas junto dos principais intervenientes da
elaboração, implementação, monitoria dos projectos de actividades, e dos próprios beneficiários
dos fundos, pode-se identificar alguns constrangimentos decorridos durante a implementação
do PERPU 2011 – 2014, na qual destacam-se os seguintes:
 O baixo nível de reembolso;
 O incumprimento dos objectivos defendidos pelo programa;
 A falta de beneficiários formados nas instituições de formação profissional como
exemplo do INEFP, visto que o programa prevê a formação profissional de
cidadãos nessas instituições em cursos profissionalizantes;
 A falta de conhecimentos em matérias de gestão por parte dos beneficiários, mas
o programa prevê a formação dos beneficiários em matérias de gestão com o
objectivo de gerir melhor o seu projecto, assim como, os fundos
disponibilizados;
 O desvio de aplicação dos fundos financiados;
 Ausência da monitoria dos projectos financiados por parte da Comissão Técnica
Distrital por falta de meios;
 Ausência de postos de trabalhos propostos a serem criados nos projectos
visitados;
 Falta de recursos humanos, matérias e financeiros específicos para a gestão do
PERPU.
Considerações Finais
De modo a tornar o financiamento dos projectos um processo que contribui na geração
de postos de trabalhos sustentáveis, e fazer do PERPU efectivamente um instrumento de
melhoria das condições de vida das comunidades e, contribuindo significativamente para a
redução da pobreza urbana, garantindo acesso a financiamento de iniciativas das populações
vulneráveis. Decorrente das constatações compreendidas aquando a elaboração deste trabalho,
avançamos com as seguintes considerações:
 Há necessidade de cumprir com os objectivos definidos no programa,
principalmente o da geração de postos de trabalhos sustentáveis, que
estabelecem um vínculo jurídico entre o empregador e o empregado (trabalho
permanente);
 O investimento em recursos humanos, financeiros e materiais especificamente
para a gestão do PERPU;
 Criar e potenciar equipas técnicas a nível dos bairros para a monitoria dos
projectos;
 Intensificar as actividades de monitoria dos projectos;
 Incentivar a permanência dos voluntários nas actividades;
 Garantir a formação dos beneficiários em matérias de gestão, contribuindo para
a boa gestão dos fundos financiados;
 Descentralizar até os bairros as formas de pagamento dos reembolsos;
 Capacitar os Conselhos Consultivos de Base sobre a importância dos
reembolsos, de forma com que os mesmos desenvolvam campanhas de
sensibilização junto dos beneficiários a nível dos seus bairros e quarteirões.
Bibliografias
ALA-HARJA, Marjukka; HELGASON, Sigurdur. Em Direcção às Melhores Práticas
de Avaliação. Brasília, Revista do Serviço Público, ano 51, n. 4, Out./Dez, 2000
CAPUCHA, Luís. Desafios da Pobreza. Celta Editora. Oeiras, 2005
COSTA, Alfredo. B. (Coord)., BAPTISTA, Isabel., PERISTA, Pedro., CARRILHO,
Paula. Um Olhar sobre a Pobreza. Vulnerabilidade e Exclusão Social no Portugal
Contemporâneo. Gradiva. Lisboa, 2008
LOPES, Marra, et al. Análise de Pobreza com indicadores multidimensionais: uma
aplicação para Brasil e Minas Gerais. XIV Encontro Nacional de Estudos
Populacionais,ABEP, realizado em Caxambú: Mina Geral, 2004
PEDONE, L. Formulação, Implementação e Avaliação de Politicas Publicas. Funcep,
1986
REZENDE, Flávio. Por Que Falham as Reformas Administrativas? Rio de Janeiro:
Editora FGV, 2004
SANDES, Zaqueo. “7 Milhões”: Revisão do Debate e Desafios Para a Diversificação
da Base Produtiva”. Maputo: IESE. Pp. 1-22, 2011

DOCUMENTOS CONSULTADOS:
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE, Programa Quinquenal do Governo para o ano
2010-2014, Maputo, 2010
Relatórios de Execução do Fundo do PERPU 2011-2014 produzidos e publicados pelo
Conselho Municipal da Cidade da Beira

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