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MANUAL DO CADERNO

MEDICINA II

U
FRENTE

Única

INTERPRETAÇÃO DE TEXTO
Caro(a) leitor(a),

Este manual é uma importante ferramenta para a utilização dos cadernos de sala
do Sistema de Ensino Poliedro, voltados para as turmas de 3ª série do Ensino Médio
e Pré-vestibular.
Nele, descrevemos a estrutura e as seções dos cadernos, fornecendo observa-
ções que auxiliam no trabalho a ser desenvolvido em cada disciplina. Apresenta-
mos, também, as resoluções das questões presentes na seção “Exercícios de sala”
e dos possíveis exercícios opcionais – os quais servem como uma oportunidade de
aprofundar e complementar o tempo despendido para as aulas.
Os cadernos possibilitam uma prática efetiva do aprendizado em sala e, quando
utilizados em consonância com a fundamentação teórica contida nos livros de teo-
ria, oferecem uma formação ainda mais ampla e completa.
Os temas de abertura dos capítulos e os textos da seção “Texto complementar”
dos livros podem ser usados como ponto de partida para discussões em aula e
como fonte de conhecimento e curiosidades acerca dos assuntos da teoria.
Indicamos, também, o acesso a diversos recursos disponíveis no portal do Siste-
ma Poliedro (<www.sistemapoliedro.com.br>), os quais complementam o caderno
e ampliam as possibilidades de aprendizado, tais como:
• Resoluções das questões dos livros;
• Informativo mensal Leia Agora;
• Balcão de Redação PV;
• Balcão de Redação Enem;
• Banco de Questões Enem (para professores);
• Videoaulas dos autores; e
• Aulas-dica do Zoom Poliedro.

Todas essas ferramentas buscam garantir a formação do aluno e o rigor acadê-


mico almejado pelas escolas parceiras. Vale ressaltar que o professor se mantém
como principal protagonista da prática pedagógica, tendo total autonomia na utili-
zação dos recursos oferecidos.
Esperamos que se explore todo o material disponibilizado e estamos à disposi-
ção para quaisquer esclarecimentos.

Sistema de Ensino Poliedro

2 MANUAL DO CADERNO MEDICINA II


SUMÁRIO

Estrutura geral dos cadernos ....................................................................... 4


Estrutura das aulas ....................................................................................... 6
Exercícios de sala ......................................................................................... 7
Guia de estudo ............................................................................................. 8
Orientações específicas ............................................................................... 9

Orientações: Aula 10
Resoluções .......................................................................................... 14
Orientações: Aula 11
Resoluções .......................................................................................... 19
Orientações: Aula 12
Resoluções .......................................................................................... 24
Orientações: Aula 13
Resoluções .......................................................................................... 29
Orientações: Aula 14
Resoluções .......................................................................................... 34
Orientações: Aula 15
Resoluções .......................................................................................... 40
Orientações: Aula 16
Resoluções .......................................................................................... 46
Orientações: Aula 17
Resoluções .......................................................................................... 51
Orientações: Aula 18
Resoluções .......................................................................................... 57

MANUAL DO CADERNO MEDICINA II 3


ESTRUTURA GERAL DOS CADERNOS

Os cadernos de sala, usados em conjunto com os livros de teoria, sintetizam e facilitam a compreensão dos
assuntos estudados. Todas as aulas apresentam os principais tópicos de cada tema abordado e oferecem exercí-
cios que permitem enriquecer a discussão em sala de aula e contribuir para a fixação do aprendizado.
Assim como nos livros, as disciplinas nos cadernos são divididas em frentes, que devem ser trabalhadas pa-
ralelamente. Essa divisão não só facilita a organização dos estudos, mas também permite uma visão ainda mais
sistêmica dos tópicos abordados em cada disciplina.

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1 / LARGURA: 205 / ALTURA:
> CADERNO 1 > MEDICINA
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> 2018 > PRÉ-VESTIBULA

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4 MANUAL DO CADERNO MEDICINA II


O sumário conta com um controle no qual o aluno pode organizar sua rotina de aulas e estudos, tendo uma
visualização rápida de seu avanço pelos tópicos estudados.

ROTEIRO DO ALUNO MEDICINA

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias

PORTUGUÊS INTERPRETAÇÃO DE TEXTO

1 Prof.: Aula Estudo 2 Prof.: Aula Estudo Prof.: Aula Estudo


Controle para anotar
Aulas 1 e 2 ................ 8  
Aulas 3 e 4 .................. 11  
Aulas 1 e 2 ................ 46  
Aulas 3 e 4 .................. 49  
Aula 1 ....................... 72
Aula 2 ....................... 75



 as aulas já dadas e o
estudo já realizado
Aulas 5 e 6 ................ 16   Aula 5 ....................... 51   Aula 3 ....................... 78  
Frente Única

Aulas 7 e 8 .................. 21   Aulas 6 a 8 .................. 53   Aula 4 ....................... 83  


Frente 1

Frente 2

Aula 9 ....................... 25   Aulas 9 e 10................ 57   Aula 5 ....................... 87  


Aula 10 ....................... 28   Aulas 11 e 12.............. 59   Aula 6 ....................... 91  
Aulas 11 e 12.............. 31   Aulas 13 e 14.............. 62   Aula 7 ....................... 95  
Aulas 13 e 14 ............ 34   Aulas 15 e 16 ............ 65   Aula 8 ....................... 99  
Aula 15 ....................... 37   Aulas 17 e 18.............. 68   Aula 9 ....................... 104  
Aula 16 ..................... 40  
Aulas 17 e 18.............. 42  

Matemática e suas Tecnologias Ciências Humanas e suas Tecnologias

MATEMÁTICA HISTÓRIA GEOGRAFIA


Prof.: Aula Estudo Prof.: Aula Estudo Prof.: Aula Estudo Prof.: Aula Estudo Prof.: Aula Estudo Prof.: Aula Estudo Prof.: Aula Estudo
Aulas 1 e 2 ................ 108   Aulas 1 e 2 ................ 136   Aulas 1 e 2 ................ 162   Aulas 1 e 2 ................ 186   Aulas 1 e 2 ................ 226   Aulas 1 e 2 ................ 272   Aulas 1 e 2 ................ 310  
Aulas 3 e 4 .................. 110   Aulas 3 e 4 .................. 138   Aulas 3 e 4 .................. 164   Aula 3 ....................... 189   Aula 3 ....................... 230   Aulas 3 e 4 .................. 277   Aulas 3 e 4 .................. 313  
Aulas 5 e 6 ................ 113   Aulas 5 e 6 ................ 140   Aulas 5 e 6 ................ 166   Aulas 4 e 5 ................ 191   Aula 4 ....................... 233   Aulas 5 e 6 ................ 281   Aulas 5 e 6 ................ 317  
Frente 3
Frente 2
Frente 1

Aulas 7 e 8 .................. 116   Aulas 7 e 8 .................. 143   Aulas 7 e 8 .................. 168   Aula 6 ....................... 197   Aula 5 ....................... 236   Aulas 7 e 8 .................. 286   Aulas 7 e 8 .................. 320  
Aulas 9 e 10 .............. 119   Aulas 9 e 10 .............. 146   Aulas 9 e 10 .............. 170   Aulas 7 e 8 .................. 199   Aula 6 ....................... 239   Aulas 9 e 10 .............. 290   Aulas 9 e 10 .............. 324  
Aulas 11 e 12 ............ 123   Aulas 11 e 12 ............ 149   Aulas 11 e 12 ............ 173   Aula 9 ....................... 202   Aula 7 ....................... 241   Aulas 11 e 12 ............ 294   Aulas 11 e 12 ............ 328  
Aulas 13 e 14.............. 126   Aulas 13 e 14.............. 152   Aulas 13 e 14.............. 176   Aula 10 ....................... 205   Aula 8 ....................... 244   Aulas 13 e 14.............. 299   Aulas 13 e 14.............. 331  
Frente 1

Frente 2

Frente 1

Frente 2
Aulas 15 e 16 ............ 130   Aulas 15 e 16 ............ 154   Aulas 15 e 16 ............ 179   Aula 11 ..................... 207   Aula 9 ....................... 247   Aulas 15 e 16 ............ 301   Aulas 15 e 16 ............ 335  
Aulas 17 e 18 ............ 133   Aulas 17 e 18 ............ 157   Aulas 17 e 18 ............ 182   Aula 12 ..................... 210   Aula 10 ..................... 250   Aulas 17 e 18 ............ 305   Aulas 17 e 18 ............ 340  
Aulas 13 e 14.............. 213   Aula 11 ..................... 253  
Aula 15 ..................... 217   Aula 12 ..................... 255  
Aula 16 ..................... 220   Aula 13 ..................... 257  
Aulas 17 e 18.............. 222   Aula 14 ..................... 259  
Aula 15 ..................... 261  
Aula 16 ..................... 264  
Aula 17 ..................... 266  
Aula 18 ..................... 268  

Ciências da Natureza e suas Tecnologias

BIOLOGIA

Prof.: Aula Estudo Prof.: Aula Estudo Prof.: Aula Estudo Prof.: Aula Estudo
Aulas 1 a 4 ................ 344   Aula 1 ....................... 378   Aula 1 a 3 .................. 424   Aulas 1 e 2 ................ 458  
Aulas 5 e 6 .................. 352   Aula 2 ....................... 381   Aulas 4 a 6 .................. 428   Aulas 3 e 4 .................. 461  
PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / KLEBER / 10-01-2017 (08:50) Aulas 7 a 9 ................ 356   Aula 3 ....................... 385   Aula 7 e 8.................. 436   Aulas 5 e 6 ................ 465  
Frente 2

Frente 3

Frente 4
Frente 1

Aulas 10 e 11.............. 360   Aulas 4 a 6 .................. 389   Aula 9 ....................... 439   Aulas 7 a 9 ................ 469  
Aulas 12 a 15............. 364   Aulas 7 e 8 ................ 396   Aulas 10 e 11.............. 442  
Aulas 16 a 18............. 370   Aulas 9 e 10 .............. 400   Aulas 12 a 18............. 447  
Aulas 11 e 12.............. 405  
Aulas 13 e 14 ............ 409  
Aulas 15 e 16 ............ 413  
Aulas 17 e 18 ............ 418  

FÍSICA
Prof.: Aula Estudo Prof.: Aula Estudo Prof.: Aula Estudo Prof.: Aula Estudo
Aulas 1 a 3 ................ 476   Aulas 1 a 4 ................ 496   Aulas 1 e 2 ................ 520   Aulas 1 a 5 ................ 544  
Aulas 4 a 6 .................. 478   Aulas 5 e 6 .................. 500   Aulas 3 e 4 .................. 522   Aulas 6 a 9 ................ 547  
Aulas 7 a 9 ................ 480 Aulas 7 e 8 ................ 504 Aulas 5 e 6 ................ 525
Frente 3

Frente 4
Frente 1

Frente 2

     
Aulas 10 a 12.............. 483   Aulas 9 a 12 .............. 507   Aulas 7 a 10 ................ 528  
Aulas 13 e 14 ............ 486   Aulas 13 e 14.............. 510   Aulas 11 e 12 ............ 531  
Aulas 15 e 16 ............ 489   Aulas 15 e 16 ............ 513   Aulas 13 e 14.............. 534  
Aulas 17 e 18.............. 492   Aulas 17 e 18 ............ 517   Aulas 15 e 16 ............ 537  
Aulas 17 e 18 ............ 539  

QUÍMICA
Prof.: Aula Estudo Prof.: Aula Estudo Prof.: Aula Estudo Prof.: Aula Estudo
Aulas 1 a 3 ................ 552   Aulas 1 a 3 ................ 580   Aulas 1 a 4 ................ 600   Aulas 1 e 2 ................ 616  
Aulas 4 a 6 .................. 555   Aulas 4 a 6 ................ 583   Aulas 5 a 7 ................ 603   Aulas 3 a 5 ................ 618  
Frente 1

Frente 2

Frente 3

Frente 4

Aulas 7 e 8 .................. 559   Aulas 7 a 9 .................. 586   Aulas 8 a 10 .............. 606   Aulas 6 e 7 ................ 621  
Aulas 9 a 11 .............. 563   Aulas 10 e 11 ............ 589   Aulas 11 a 13............. 608   Aulas 8 e 9 ................ 623  
Aulas 12 a 14............. 566   Aulas 12 e 13.............. 592   Aulas 14 a 16............. 610  
Aulas 15 e 16 ............ 570   Aulas 14 a 16............. 594   Aulas 17 e 18 ............ 612  
Aulas 17 e 18 ............ 575   Aulas 17 e 18 ............ 597  

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / FRANCISCO.SILVA / 28-10-2016 (10:28)

MANUAL DO CADERNO MEDICINA II 5


ESTRUTURA DAS AULAS
 RESUMO TEÓRICO

Respeitando o Planejamento de aulas disponibilizado no Portal Edros, todas as aulas apresentam um resumo
esquemático do tópico trabalhado no livro, sintetizando os principais conhecimentos estudados. A organização das
atividades foi elaborada para aumentar a eficiência do trabalho em sala.

Cada disciplina tem marcação em uma Nome da aula


posição para melhor manuseio do material

Frente 1

Aulas Frente e número


E�������� �
�������� �� �������� 7e8 de aula

Trata-se da segunda parte da morfologia. Estudo dos mor- Radical Frente 1


femas – elementos que constituem o vocábulo – e de um dos
processos de formação de palavras – a derivação (prefixal, su- Aulas
O radical é a base significativa da palavra; raiz é o morfe-
ma originário que contém o núcleo significativo comum a uma

1e2 I���������
fixal e parassintética). família linguística.
Para os exames modernos, o destaque é para o emprego
dos neologismos (palavras inventadas), sua formação e funcio-
nalidade para o texto. (Sua presença é marcante no Modernis-
Prefixo
Os prefixos de nossa língua são de origem latina ou grega.
� ������ ��� ���������
mo brasileiro.) Alguns apresentam alteração em contato com o radical. As-
sim, o prefixo an,, indicador de privação, transforma-se em a
 Morfemas diante de consoante. Ex.: amoral, anaeróbico.
Além das desinências, do radical, da vogal temática, te- Os prefixos possuem mais independência que os sufixos,
mos como morfemas os afixos (prefixo e sufixo); são eles que
 Conceitos básicos da teoria dos
pois se originam, em geral, de advérbios ou preposições, que
 Interseção e diferença entre
possibilitam a formação de novas palavras (morfemas deri- têm ou tiveram vida independente.
conjuntos conjuntos
Os entes primitivos da teoria dos conjuntos são: o ele- Indicada por A ∩ B, a interseção entre os conjun-
vacionais). Os afixos que se antepõem ao radical chamam-se
mento, o conjunto e a relação de pertinência. O diagrama tos A e B é o conjunto formado apenas pelos elementos
prefixos; os que se pospõem denominam-se sufixos; os afixos Sufixo
que pertencem simultaneamente aos dois conjuntos,
possuem uma significação maior que as desinências. Já a vogal Os sufixos podem ser nominais, averbais
seguir representa uma situação em que x1 é elemento do
ou adverbiais.
conjunto A, mas x2 não é. A e B.
de ligação e a consoante de ligação são morfemas insignifica- Formam, respectivamente, nomes (substantivos, adjetivos),
Indicamos por A – B o conjunto dos elementos de A
tivos, servem apenas para evitar dissonâncias (hiatos, encon- verbos e advérbios (a partir de adjetivos). Ex.: anarquismo,
A x2 que não pertencem ao conjunto B, e por B – A o conjunto
tros consonantais), sequências sonoras indesejáveis. Veja: malufar, rapidamente..
dos elementos de B que não pertencem ao conjunto A.
x1
Re fazer Cinz eiro  Derivação
• Derivação prefixal: cria-se uma palavra derivada a partir
Prefixo Radical Radical Sufixo de um prefixo. Ex.: disenteria.
A B
• Derivação sufixal: cria-se uma palavra derivada a partir de
Cant a r Cha l eira um sufixo. Ex.: doutorado.
x1 ∈A
U A–B A∩B B–A
• Derivação parassintética: cria-se uma palavra derivada x2 ∉A
Radical Vogal Desinência Radical Sufixo por meio do acréscimo simultâneo de um prefixo e um
O conjunto vazio é aquele que não possui elementos:
temática Consoante sufixo. Se retirarmos qualquer um dos afixos, não tere-
de ligação A = ∅ ⇔ n(A) = 0.
mos palavra. Ex.: adoçar.
O conjunto universo é aquele que possui todos os ele-
Quando um grupo de palavras possui o mesmo radical, • Derivação prefixal e sufixal: acréscimo não simultâneo de
mentos que podem estar relacionados a um determinado
diz-se que o grupo é formado de palavras cognatas (pedra/ prefixo e sufixo. Retirando-se um dos afixos (ou os dois), n(A – B) = n(A) – n(A ∩ B)
conjunto A, tanto aqueles que pertencem ao conjunto A
pedreiro/pedreira); quando as palavras irmanam-se pelo ainda teremos palavra. Ex.: deslealdade. Obs.: Alguns lin-
quanto aqueles que não pertencem a ele. Para diferenciar n(B – A) = n(B) – n(A ∩ B)
sentido, temos a série sinonímica, a família ideológica: guistas não consideram esse tipo de derivação.
o conjunto universo dos demais conjuntos em um diagra-
casa, moradia, lar, mansão, habitação etc.
ma, usamos a figura de um retângulo. Esse retângulo deve Observação: dois conjuntos A e B são chamados de
cercar completamente tanto o conjunto A quanto todos os disjuntos quando A ∩ B = ∅.
EXERCÍCIOS DE SALA demais conjuntos que possam ser estabelecidos em um
determinado problema. Feito isso, a região exterior ao con-  União de conjuntos
junto A passa a representar o conjunto complementar de A. Indicada por A ∪ B, a união dos conjuntos A e B é o
► Texto para a questão 1. possível: ficar 99 dias sem dar nem uma “olhadinha” no
Há várias opções para a representação do complemen- conjunto formado por todos os elementos de A e todos os
Você conseguiria ficar 99 dias sem o Facebook? Facebook. O objetivo é medir o grau de felicidade dos usuá-
tar de um conjunto A em relação ao conjunto universo. elementos de B.
rios longe da rede social.
Todas elas designam o conjunto dos elementos que não
Uma organização não governamental holandesa está O projeto também é uma resposta aos experimentos
pertencem ao conjunto A.
propondo um desafio que muitos poderão considerar im- psicológicos realizados pelo próprio Facebook. A diferença ,
A = Ac = A = UA = {x ∈ U| x ∉ A} A B
PORTUGUÊS | MEDICINA I 21
U A∪B
A
PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / KLEBER / 10-10-2016 (17:44)
U A

n(A ∪ B) = n(A) + n(B) – n(A ∩ B)


n(A) + n(A) = n(U)

108 MATEMÁTICA | MEDICINA I

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / FRANCISCO.SILVA / 21-10-2016 (10:52) PDF FINA

Disciplina e caderno

6 MANUAL DO CADERNO MEDICINA II


 EXERCÍCIOS DE SALA

EXERCÍCIOS DE SALA

Além das questões do livro, é apresentada uma seção de exercícios específicos sobre o assunto das aulas, os
quais possibilitam a fixação dos conteúdos estudados e oferecem preparação adicional aos alunos.
Em cada aula, há a proposta de o professor resolver as questões com toda a classe ou pedir aos alunos que as
respondam individualmente. Nesse momento, aspectos relevantes da aula são retomados, dando oportunidade
ao professor e aos alunos de discutirem possíveis dificuldades. Todos os exercícios têm sua resolução apresentada
neste manual.

AL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / FRANCISCO.SILVA / 21-10-2016 (10:52)

As questões são de
importantes exames
vestibulares de todo o
Brasil ou autorais, em
momentos nos quais a
explicação exige.

MANUAL DO CADERNO MEDICINA II 7


 GUIA DE ESTUDO

Ao final de cada aula, o caderno de sala oferece um guia que orienta o aluno para os estudos que serão reali-
zados em casa. A seção “Guia de estudo” direciona a leitura, no livro de teoria, dos assuntos que foram tratados e
indica exercícios pertinentes a serem resolvidos, visando consolidar o conhecimento adquirido em sala.
Levando em conta que o tempo de estudo em casa deve ser cumprido de forma satisfatória, esse guia é pensa-
do com bastante cuidado. Ao especificar o número de exercícios a serem feitos, consideram-se o tempo destinado
à leitura da teoria e também o tempo que será despendido para a resolução das questões. Assim, o resultado é a
satisfação do aluno, que consegue cumprir suas metas diárias de estudo em um tempo possível.

GUIA DE ESTUDO
1 Química | Livro 1 | Frente 3 | Capítulo 3
I. Leia as páginas de 282 a 284. 2
3 II. Faça os exercícios 5 e 6 da seção “Revisando”.
III. Faça os exercícios propostos 38, de 40 a 42 e de 44 a 46.

GUIA DE ESTUDO
Português | Livro 1 | Frente 1 | Capítulo 1
I. Leia as páginas de 7 a 15.
II. Faça os exercícios de 1 a 3 da seção “Revisando”.
III. Faça os exercícios propostos de 4 a 9

GUIA DE ESTUDO
Geografia | Livro 1 | Frente 1 | Capítulo 1
I. Leia as páginas de 12 a 18.
II. Faça os exercícios 10 e 11 da seção “Revisando”.
III. Faça os exercícios propostos 48, 56, 70, 71, 78, 80, 81 e 83.

GUIA DE ESTUDO
História | Livro 1 | Frente 2 | Capítulo 3
I. Leia as páginas de 131 a 134.
II. Faça o exercício 2 da seção “Revisando”.
III. Faça os exercícios propostos 10, 12, 14, 16 e 19.

GUIA DE ESTUDO
Biologia | Livro 1 | Frente 2 | Capítulo 3
I. Leia as páginas de 117 a 120.
II. Faça os exercícios 1 e de 3 a 5 da seção “Revisando”.
III. Faça os exercícios propostos de 5 a 10.

1 Indicação de disciplina, 2 Localização das 3 Seleção de


livro, frente e capítulo páginas do livro com exercícios.
correspondente à aula. a teoria estudada.

8 MANUAL DO CADERNO MEDICINA II


ORIENTAÇÕES ESPECÍFICAS
Segundo a Matriz de Referência de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias proposta pelo Instituto Nacional de Estudos e
Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), as competências de áreas 5, 6, 7 e 8 referem-se, respectivamente, a:
5. Analisar, interpretar e aplicar recursos expressivos das linguagens, relacionando textos com seus contextos, mediante a natu-
reza, função, organização, estrutura das manifestações, de acordo com as condições de produção e recepção.
6. Compreender e usar os sistemas simbólicos das diferentes linguagens como meios de organização cognitiva da realidade pela
constituição de significados, expressão, comunicação e informação.
7. Confrontar opiniões e pontos de vista sobre as diferentes linguagens e suas manifestações específicas.
8. Compreender e usar a Língua Portuguesa como língua materna, geradora de significação e integradora da organização do
mundo e da própria identidade.
A essas competências correspondem diversas habilidades, tais como reconhecer a existência de valores sociais na produção
literária nacional; identificar, em diversos gêneros e tipos de texto, elementos que contribuem para sua organização e progressão
temática; a partir da análise dos recursos argumentativos de um texto, identificar o objetivo de seu autor, bem como o público
ao qual o texto se destina; reconhecer variedades linguísticas sociais, regionais e de registro em marcas linguísticas presentes em
diferentes tipos de texto.
Tendo isso em vista, podemos perceber no ensino corrente da Língua Portuguesa uma maior preocupação em desenvolver,
em sala de aula, uma prática pedagógica que vá além do simples esforço – por vezes, desestimulante – em incutir nos alunos
regras gramaticais e características das escolas literárias. É cada vez mais importante voltar-se para a formação de alunos críticos,
capazes de interagir em situações comunicativas por meio de diferentes tipos de texto e que entendam que “ler” não implica
apenas decodificar, mas também uma série de outras ações, como identificar, relacionar, abstrair, deduzir, comparar, agrupar,
hierarquizar etc. Desse modo, criam-se condições para que eles possam relacionar e trabalhar as competências e habilidades
empregadas nas diferentes situações de uso da língua, seja em família, com os amigos, no trabalho, na escola etc.
Cabe ressaltar ainda que a capacidade de compreender textos é importante não somente na área de Linguagens, Códigos e
suas Tecnologias, mas em todas as demais áreas do conhecimento. A percepção da estrutura cronológica em vários textos dos
livros de História é fundamental para a correta assimilação das informações, assim como a interpretação exata dos dados forne-
cidos nos problemas de Matemática.
Nesse sentido, o livro de Interpretação de texto procura dar ao texto um espaço privilegiado, onde ele passa a ser analisado
cientificamente, desde sua estrutura profunda até a superfície de sua significação. Para tanto, ao longo dos capítulos, são con-
templados textos literários, jornalísticos, publicitários, visuais etc., dando ao aluno a possibilidade de se familiarizar com a análise
de textos das mais diversas fontes, verbais ou não verbais. Soma-se a isso a seleção cuidadosa de exercícios provenientes de
importantes exames vestibulares, possibilitando a professores e alunos um melhor aproveitamento e avaliação dos conteúdos
abordados no livro, seja durante a aula, seja durante o estudo em casa.
Boas aulas!

MANUAL DO CADERNO MEDICINA II 9


Frente Única

Aula F������ �� ���������


10 ������� ��� ��������
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 Figuras – relações Anacoluto


As figuras sintáticas podem ser assim organizadas, se- Trata-se da ruptura, quebra sintática; um sujeito sem
gundo suas relações lógicas: predicado, uma oração principal sem subordinada, um
a) Concordância ideológica: silepse. verbo transitivo direto sem complemento, entre outras
b) Ruptura: anacoluto. possibilidades. Na linguagem oral, é comum o falante não
c) Inversão: hipérbato. concluir a frase em função de algo que ocorreu (alguém
d) Repetição: anáfora, pleonasmo e polissíndeto. interrompendo, arrependimento da construção etc.). Veja
e) Omissão: assíndeto, elipse e zeugma. os exemplos a seguir:
f) Evocação: apóstrofe. Umas carabinas que guardava atrás do guarda-roupa,
a gente brincava com elas de tão imprestáveis.
 Figuras José Lins do Rego. Menino de engenho.
Silepse
Há silepse quando a concordância não é feita com as Hipérbato
palavras, mas com a ideia que elas passam. Trata-se de inversão sintática dos termos da oração.
a) Silepse de gênero (masculino e feminino) Passeiam, à tarde, as belas na Avenida.
Esse tipo de silepse ocorre quando há discordância en- Carlos Drummond de Andrade. “Passeiam as belas”.
tre os gêneros gramaticais: As belas passeiam na Avenida à tarde.
O animal é tão bacana mas também não é nenhum
banana. Enquanto manda as ninfas amorosas grinaldas nas ca-
Luis Enríquez Bacalov; Sergio Bardotti; Chico Buarque. “Bicharada”. beças pôr de rosas.
Luís Vaz de Camões. Os Lusíadas.
b) Silepse de número (singular e plural) Enquanto manda as ninfas amorosas pôr grinaldas
Ocorre a silepse de número quando há divergência en- de rosas nas cabeças.
volvendo o número gramatical.
Esta gente está furiosa e com medo; por consequência, Dependendo, ainda, do tipo de inversão sintática, o hi-
capazes de tudo. pérbato pode ser classificado em:
Almeida Garrett. • Sínquise: quando há uma inversão que troca de posi-
ção partes distantes da frase em ordem direta.
c) Silepse de pessoa (pessoa gramatical: 1ª, 2ª e 3ª) A grita se alevanta ao Céu, da gente.
Há silepse de pessoa quando há discordância entre o Luís Vaz de Camões. Os Lusíadas.
sujeito expresso e a pessoa verbal.
A gente não sabemos escolher presidente • Hipálage: quando há inversão da posição do adjetivo
Roger Rocha Moreira. “Inútil”. (uma qualidade que pertence a um objeto é atribuída
a outro, na mesma frase).
... as lojas loquazes dos barbeiros.
Eça de Queirós. “As catástrofes e as leis de emoção”.
... as lojas dos barbeiros loquazes.

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10 MANUAL DO CADERNO MEDICINA II


Aula 10

Anáfora Elipse
Trata-se da reiteração de palavra ou expressão no início A elipse ocorre quando se omite uma palavra (ou ex-
da frase ou do verso (exceto se for conjunção coordenativa, pressão).
vide polissíndeto). Veio sem pinturas, em vestido leve, sandálias coloridas.
Está sem mulher, Rubem Braga. A cidade e a roça e três primitivos.
está sem discurso, Elipse do pronome ela (Ela veio) e da preposição de (de
está sem carinho, sandálias).
já não pode beber,
já não pode fumar, No mar, tanta tormenta e tanto dano.
Carlos Drummond de Andrade. “E agora, José?”. Luís Vaz de Camões. Os Lusíadas.
Obs.: Ocorre epístrofe se a repetição for no final do ver- Elipse do verbo haver (no mar há tanta...).
so ou da frase (Não sei nada, não ouvi nada, sou O nada).
Zeugma
Pleonasmo Ocorre zeugma quando um termo já expresso na frase
Há pleonasmo quando ocorre redundância nas ideias. é suprimido, ficando subentendida sua repetição.
É usado para reiterar ou dar ênfase a uma ideia. Foi saqueada a vila, e assassinados os partidários
Iam vinte anos desde aquele dia dos Filipes. (...foram...)
Quando com os olhos eu quis ver de perto Camilo Castelo Branco. O senhor do paço de Ninães.
Quanto em visão com os da saudade via.
Alberto de Oliveira. “Iam vinte anos...”. Ela gosta de história; eu, de física. (...gosto...)
É preciso evitar, no entanto, o pleonasmo vicioso:
• Hemorragia de sangue; Mas ser planta, ser rosa, nau vistosa de que importa?
• Entrar para dentro; (...ser...)
• Monopólio exclusivo; Gregório de Matos. “Desenganos da vida humana, metaforicamente“.
• Breve alocução; Obs.: Trata-se de um tipo de elipse.
• Principal protagonista;
• Ganhe outro grátis; Quiasmo
• Criar um novo; Há quiasmo quando o que está na primeira posição vai
• Encarei frente a frente. para a segunda, e o que está na segunda posição vai para
a primeira.
Polissíndeto A voz do silêncio é o silêncio da voz.
Trata-se da repetição de uma conjunção coordenativa.
E se perder e se achar e tudo aquilo que é viver Apóstrofe
Gonzaguinha. “Explode coração”. Trata-se de um chamamento do receptor da mensa-
gem, real ou não; para obter o apóstrofe, o autor emprega
Assíndeto o vocativo.
Ocorre assíndeto quando temos uma sucessão de Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno!
coordenadas assindéticas. Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!
Não nos movemos, as mãos é que se estenderam pou- Em fúria fora e dentro de mim,
co a pouco, todas quatro, pegando-se, apartando-se, fun- Por todos os meus nervos dissecados fora,
dindo-se. Álvaro de Campos [heterônimo de Fernando Pessoa]. “Ode triunfal”.
Machado de Assis. Dom Casmurro.

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MANUAL DO CADERNO MEDICINA II 11


Aula 10

EXERCÍCIOS DE SALA

Leia o excerto do “Sermão de Santo Antônio aos peixes” de 1 Unifesp 2016 “Diz Deus que comem os homens não só
Antônio Vieira (1608-1697) para responder à questão. seu povo, senão declaradamente a sua plebe” (2º parágrafo)
A primeira cousa que me desedifica, peixes, de vós, é Reescrito em ordem direta, tal trecho assume a seguinte
que vos comeis uns aos outros. Grande escândalo é este, forma: 
mas a circunstância o faz ainda maior. Não só vos comeis A Deus diz que os homens, senão declaradamente a sua
uns aos outros, senão que os grandes comem os pequenos. plebe, comem não só o seu povo.
[...] Santo Agostinho, que pregava aos homens, para enca- B Diz Deus que os homens comem não só o seu povo,
recer a fealdade deste escândalo mostrou-lho nos peixes; e senão declaradamente a sua plebe.
eu, que prego aos peixes, para que vejais quão feio e abo- C Deus diz que os homens comem não só o seu povo,
minável é, quero que o vejais nos homens. Olhai, peixes, lá senão a sua plebe declaradamente.
do mar para a terra. Não, não: não é isso o que vos digo. D Os homens comem não só o seu povo, senão a sua ple-
Vós virais os olhos para os matos e para o sertão? Para cá, be declaradamente, diz Deus.
para cá; para a cidade é que haveis de olhar. Cuidais que só E Os homens comem não só o seu povo, diz Deus, senão
os tapuias se comem uns aos outros, muito maior açougue declaradamente a sua plebe.
é o de cá, muito mais se comem os brancos. Vedes vós todo
aquele bulir, vedes todo aquele andar, vedes aquele concor- 2 No excerto “O relógio da parede eu estou acostumado
rer às praças e cruzar as ruas: vedes aquele subir e descer com ele, mas você precisa mais de relógio do que eu”, do
as calçadas, vedes aquele entrar e sair sem quietação nem texto Partilha, de Rubem Braga, temos a presença de uma
sossego? Pois tudo aquilo é andarem buscando os homens figura de linguagem, denominada:
como hão de comer, e como se hão de comer. A quiasmo.
[...] B hipérbato.
Diz Deus que comem os homens não só o seu povo, se- C anacoluto.
não declaradamente a sua plebe: Plebem meam, porque a D anáfora.
plebe e os plebeus, que são os mais pequenos, os que me- E epístrofe.
nos podem, e os que menos avultam na república, estes são
os comidos. E não só diz que os comem de qualquer modo, ► Texto para a questão 3.
senão que os engolem e os devoram: Qui devorant. Porque
os grandes que têm o mando das cidades e das províncias, É possível fazer educação de qualidade sem escola
não se contenta a sua fome de comer os pequenos um por É possível fazer educação embaixo de um pé de manga?
um, poucos a poucos, senão que devoram e engolem os po- Não só é, como já acontece em 20 cidades brasileiras e em
vos inteiros: Qui devorant plebem meam. E de que modo Angola, Guiné-Bissau e Moçambique. Decepcionado com
se devoram e comem? Ut cibum panis: não como os outros o processo de “ensinagem”, o antropólogo Tião Rocha pe-
comeres, senão como pão. A diferença que há entre o pão diu demissão do cargo de professor da UFOP (Universida-
e os outros comeres é que, para a carne, há dias de carne, de Federal de Ouro Preto) e criou em 1984 o CPCD (Centro
e para o peixe, dias de peixe, e para as frutas, diferentes Popular de Cultura e Desenvolvimento). Curvelo, no Sertão
meses no ano; porém o pão é comer de todos os dias, que mineiro, foi o laboratório da “escola” que abandonou mesa,
sempre e continuadamente se come: e isto é o que pade- cadeira, lousa e giz, fez das ruas a sala de aula e envolveu
cem os pequenos. São o pão cotidiano dos grandes: e as- crianças e familiares na pedagogia da roda. “A roda é um
sim como pão se come com tudo, assim com tudo, e em lugar da ação e da reflexão, do ouvir e do aprender com
tudo são comidos os miseráveis pequenos, não tendo, nem o outro. Todos são educadores, porque estão preocupados
fazendo ofício em que os não carreguem, em que os não com a aprendizagem. É uma construção coletiva”, explica.
multem, em que os não defraudem, em que os não comam, O educador diz que a roda constrói consensos. “Porque
traguem e devorem: Qui devorant plebem meam, ut cibum todo processo eletivo é um processo de exclusão, e tudo
panis. Parece-vos bem isto, peixes? que exclui não é educativo. Uma escola que seleciona não
(Antônio Vieira. Essencial, 2011.) educa, porque excluiu alguns. A melhor pedagogia é aque-
la que leva todos os meninos a aprenderem. E todos po-
dem aprender, só que cada um no seu ritmo, não podemos

88 INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA II

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12 MANUAL DO CADERNO MEDICINA II


Aula 10

uniformizar.” Nesses 30 anos, o educador foi engrossando 4 Na frase “Quando a gente é novo, gosta de fazer boni-
seu dicionário de terminologias educacionais, todas cal- to.”, do livro Sagarana, de Guimarães Rosa, observa-se o
cadas no saber popular: surgiu a pedagogia do abraço, a emprego de concordância ideológica (silepse), que pode
pedagogia do brinquedo, a pedagogia do sabão e até ofi- ser de número, gênero ou pessoa. Assinale a alternativa
cinas de cafuné. Esta última foi provocada depois que um em que se nota o mesmo tipo de silepse do exemplo apre-
garoto perguntou: “Tião, como faço para conquistar uma sentado.
moleca?” Foi a deixa para ele colocar questões de sexua- A Vossa Majestade está abatido.
lidade na roda. Para resolver a falência da educação, Tião B O povo ficou com medo e saíram em disparada.
inventou uma UTI educacional, em que “mães cuidadoras” C Os paulistas gostamos de trabalhar.
fazem “biscoito escrevido” e “folia do livro” (biblioteca em D E todos seguimos para o salão de estudos. (José Lins do
forma de festa) para ajudar na alfabetização. E ainda co- Rego. Doidinho)
locou em uso termos como “empodimento”, após várias E Enfim, lá em São Paulo todos éramos felizes graças ao
vezes ser questionado pelas comunidades: “Pode [fazer tal seu trabalho [...] Rubem Braga. “O crime (de plágio)
coisa], Tião?” Seguida da resposta certeira: “Pode, pode perfeito”.
tudo”. Aos 66 anos, Tião diz estar convicto de que a escola
do futuro não existirá e que ela será substituída por espa- 5 Unicamp 2016 Leia o poema “Mar português”, de Fer-
ços de aprendizagem com todas as ferramentas possíveis e nando Pessoa.
necessárias para os estudantes aprenderem. “Educação se Mar português
faz com bons educadores, e o modelo escolar arcaico apri- Ó mar salgado, quanto do teu sal
siona e há décadas dá sinais de falência. Não precisamos São lágrimas de Portugal!
de sala, precisamos de gente. Não precisamos de prédio, Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
precisamos de espaços de aprendizado. Não precisamos de Quantos filhos em vão rezaram!
livros, precisamos ter todos os instrumentos possíveis que Quantas noivas ficaram por casar
levem o menino a aprender.” Sem pressa, seguindo a Carta Para que fosses nosso, ó mar!
da Terra e citando Ariano Suassuna para dizer que “tercei- Valeu a pena?
ra idade é para fruta: verde, madura e podre”, Tião diz se Tudo vale a pena
sentir “privilegiado” de viver o que já viveu e acreditar na Se a alma não é pequena.
utopia de não haver mais nenhuma criança analfabeta no Quem quer passar além do Bojador
Brasil. “Isso não é uma política de governo, nem de terceiro Tem que passar além da dor.
setor, é uma questão ética”, pontua. Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Qsocial, 09/12/2014. Disponível em: http://www.cpcd.org.br/ Mas nele é que espelhou o céu.
portfolio/e_possivel_fazer_educacao_de_qualidade_100_escola/. Disponível em http://www.jornaldepoesia.jor.br/fpesso03.html.

3 Unicamp 2016 Em relação ao trecho “E ainda colocou No poema, a apóstrofe, uma figura de linguagem, indica
em uso termos como ‘empodimento’, após várias vezes que o enunciador
ser questionado pelas comunidades ‘Pode [fazer tal coisa], A convoca o mar a refletir sobre a história das navega-
Tião?’ Seguida da resposta certeira: ‘Pode, pode tudo’”, é ções portuguesas.
correto afirmar: B apresenta o mar como responsável pelo sofrimento do
A A expressão “Seguida da resposta certeira” indica a povo português.
elipse de uma outra expressão. C revela ao mar sua crítica às ações portuguesas no perío-
B A criação da palavra “empodimento” é resultado de do das navegações.
um processo: sufixação. D projeta no mar sua tristeza com as consequências das
C A repetição do verbo no enunciado “Pode, pode tudo” conquistas de Portugal.
exemplifica o estilo reiterativo do texto.
D O discurso direto presente no trecho tem a função de
dar voz às comunidades.
GUIA DE ESTUDO
Int. de texto | Livro Único | Capítulo 4
I. Leia as páginas de 80 a 83.
II. Faça os exercícios de 9 a 12 da seção “Revisando”.
III. Faça os exercícios propostos de 14 a 17.

INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA II 89

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MANUAL DO CADERNO MEDICINA II 13


 Orientações
Nessa aula, apresentar aos alunos as figuras sintáticas de acordo com as relações lógicas por elas estabelecidas:
concordância ideológica – silepse (de gênero, número e pessoa); ruptura – anacoluto; inversão – hipérbato (sínquese e
hipálage); repetição – anáfora, pleonasmo e polissíndeto; omissão – assíndeto, elipse e zeugma; evocação – apóstrofe;
e quiasmo.

RESOLUÇÕES | EXERCÍCIOS DE SALA

1 Alternativa: C.
Em ordem direta, a oração está disposta em: Sujeito + verbo + objeto direto + adjunto adverbial.

Tanto a oração principal (encabeçada pelo verbo “dizer”) quanto a subordinada (encabeçado pelo verbo “comer”) devem
seguir a ordem apresentada. Dessa forma, teremos:

Deus diz que os homens comem não só seu povo, senão a sua plebe declaradamente.
↓ ↓
sujeito objeto direto

2 Alternativa: C.
A expressão “O relógio da parede” está sem função sintática, uma vez que falta a ela um predicado.

3 Alternativa: A.
Com relação ao trecho retirado do texto, é correto afirmar que há elipse em “Seguida de resposta certeira”. A expressão
ocultada é “após várias vezes ser questionado”.

Observação: A alternativa c também traz uma análise correta do trecho em questão, uma vez que a repetição do verbo pode
em “pode, pode tudo” é bem ilustrativo do caráter reiterativo, ou seja, repetitivo (típico da oralidade) de muitas passagens do
texto. Outra passagem que também apresenta essa característica repetitiva: “Precisamos de sala, precisamos de gente. Não
precisamos de prédio, precisamos de espaços de aprendizado.”

4 Alternativa: A.
Em ambos os casos, temos silepse de gênero. Exemplos extraídos de <www.infoescola.com/portugues/silepse/>.

5 Alternativa: A.
A figura de linguagem deixa clara a interlocução com o mar; o eu lírico fala com o oceano e quer que ele reflita sobre
as consequências das Grandes Navegações, tais como a morte e o sofrimento do povo português; embora, no final, o
enunciador deixe claro também o caráter positivo das históricas viagens portuguesas.

ANOTAÇÕES

14 MANUAL DO CADERNO MEDICINA II


ANOTAÇÕES






















































MANUAL DO CADERNO MEDICINA II 15


Frente Única

Aula
11 F������ �� ��������� I

 As funções e a teoria da Centrada no receptor, ocorre a função apelativa quan-


comunicação do o emissor dirige-se ao receptor por meio de:
• vocativos;
As funções da linguagem foram sistematizadas de • modo imperativo;
acordo com cada um dos elementos pertencentes à • pronomes de 2ª e 3ª pessoas;
teoria da comunicação. Veja: • citação do nome do interlocutor.
Referente
(função referencial) Encontramos facilmente exemplos dessa função no co-
tidiano, quando um membro da família interpela o outro,
na publicidade e em manuais, placas e cartazes em que o
Emissor Canal de comunicação Receptor interlocutor é citado.
(função emotiva) (função fática) (função apelativa)

Mensagem Função poética


(função poética)
Rumor suspeito quebra a doce harmonia da sesta. Er-
Código gue a virgem os olhos, que o sol não deslumbra; sua vista
(função metalinguística)
perturba-se. Diante dela e todo a contemplá-la, está um
guerreiro estranho, se é guerreiro e não algum mau espírito
 Caracterís�cas de cada função da floresta. Tem nas faces o branco das areias que bordam
Função emotiva ou expressiva o mar; nos olhos o azul triste das águas profundas. Ignotas
Vivo num “clip” sem nexo armas e tecidos ignotos cobrem-lhe o corpo.
Um pierrot retrocesso Foi rápido, como o olhar, o gesto de Iracema. A flecha
meio bossa nova e “rock’n roll” embebida no arco partiu. Gotas de sangue borbulham na
Cazuza. “Faz parte do meu show.” face do desconhecido. De primeiro ímpeto, a mão lesta caiu
sobre a cruz da espada; mas logo sorriu.
Centrada no emissor, há função emotiva quando se dá José de Alencar. Iracema.
vazão à emoção, aos sentimentos, aos juízos de valor explí-
citos (a condenação, o perdão, a crítica contundente). São Centrada na mensagem, a função poética está presen-
consideradas marcas gramaticais o: te no momento em que a mensagem recebe um tratamen-
• uso de primeira pessoa (com a presença da emoção); to estético; portanto, teremos essa função quando houver
• uso de interjeições; o emprego de:
• uso de exclamações. • rimas;
• ritmo;
Função apelativa ou conativa • figuras;
[...] • conotação;
A poesia (não tires poesia das coisas) • subjetividade.
elide sujeito e objeto.
Quando se fala em prosa poética, refere-se ao texto
Não dramatizes, não invoques, em parágrafo no qual está presente a função poética, como
não indagues. Não percas tempo em mentir. acontece em muitos romances românticos.
Não te aborreças.
[...]
Carlos Drummond de Andrade. “Procura da poesia”.

90 INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA II

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16 MANUAL DO CADERNO MEDICINA II


Aula 11

EXERCÍCIOS DE SALA

► Texto para a questão 1. 2 Enem 2011

Canção do vento e da minha vida Pequeno concerto que virou canção

O vento varria as folhas, Não, não há por que mentir ou esconder


O vento varria os frutos, A dor que foi maior do que é capaz meu coração
O vento varria as flores... Não, nem há por que seguir cantando só para explicar
E a minha vida ficava Não vai nunca entender de amor quem nunca soube amar
Cada vez mais cheia Ah, eu vou voltar pra mim
De frutos, de flores, de folhas. Seguir sozinho assim
[...] Até me consumir ou consumir toda essa dor
O vento varria os sonhos Até sentir de novo o coração capaz de amor
E varria as amizades... Geraldo Vandré. Disponível em: <www.letras.terra.com.br>.
Acesso em: 29 jun. 2011.
O vento varria as mulheres...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia Na canção de Geraldo Vandré tem-se a manifestação da
De afetos e de mulheres. função poética da linguagem, que é percebida na elabora-
ção artística e criativa da mensagem, por meio de combina-
O vento varria os meses ções sonoras e rítmicas. Pela análise do texto, entretanto,
E varria os teus sorrisos... percebe-se, também, a presença marcante da função emo-
O vento varria tudo! tiva ou expressiva, por meio da qual o emissor:
E a minha vida ficava A imprime à canção as marcas de sua atitude pessoal,
Cada vez mais cheia seus sentimentos.
De tudo. B transmite informações objetivas sobre o tema de que
M. Bandeira. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1967. trata a canção.
C busca persuadir o receptor da canção a adotar um cer-
1 Enem Predomina no texto a função da linguagem to comportamento.
A fática, porque o autor procura testar o canal de comu- D procura explicar a própria linguagem que utiliza para
nicação. construir a canção.
B metalinguística, porque há explicação do significado E objetiva verificar ou fortalecer a eficiência da mensa-
das expressões. gem veiculada.
C conativa, uma vez que o leitor é provocado a participar
de uma ação.
D referencial, já que são apresentadas informações sobre
acontecimentos e fatos reais.
E poética, pois chama-se a atenção para a elaboração es-
pecial e artística da estrutura do texto.

INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA II 91

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MANUAL DO CADERNO MEDICINA II 17


Aula 11

► Texto para a questão 3. 4 Enem

Não, não, a minha memória não é boa. Ao contrário, é MOSTRE QUE SUA MEMÓRIA É
comparável a alguém que tivesse vivido por hospedarias, MELHOR DO QUE A DE
sem guardar delas nem caras nem nomes, e somente ra- COMPUTADOR E GUARDE ESTA
ras circunstâncias. A quem passe a vida na mesma casa de CONDIÇÃO: 12X SEM JUROS.
família, com os seus eternos móveis e costumes, pessoas Campanha publicitária de loja de eletrodomésticos. Época,
e afeições, é que se lhe grava tudo pela continuidade e re- nº 424, 03 jul. 2006.
petição. Como eu invejo os que não esqueceram a cor das
primeiras calças que vestiram! Eu não atino com a das que Ao circularem socialmente, os textos realizam-se como prá-
enfiei ontem. Juro só que não eram amarelas porque execro ticas de linguagem, assumindo configurações específicas,
essa cor; mas isso mesmo pode ser olvido e confusão. formais e de conteúdo. Considerando o contexto em que
E antes seja olvido que confusão; explico-me. Nada se circula o texto publicitário, seu objetivo básico é
emenda bem nos livros confusos, mas tudo se pode meter A influenciar o comportamento do leitor, por meio de
nos livros omissos. Eu, quando leio algum desta outra casta, apelos que visam à adesão ao consumo.
não me aflijo nunca. O que faço, em chegando ao fim, é B definir regras de comportamento social pautadas no
cerrar os olhos e evocar todas as cousas que não achei nele. combate ao consumismo exagerado.
Quantas ideias finas me acodem então! C defender a importância do conhecimento de informáti-
Que de reflexões profundas! Os rios, as montanhas, as ca pela população de baixo poder aquisitivo.
igrejas que não vi nas folhas lidas, todos me aparecem ago- D facilitar o uso de equipamentos de informática pelas
ra com as suas águas, as suas árvores, os seus altares, e os classes sociais economicamente desfavorecidas.
generais sacam das espadas que tinham ficado na bainha, E questionar o fato de o homem ser mais inteligente que
e os clarins soltam as notas que dormiam no metal, e tudo a máquina, mesmo a mais moderna.
marcha com uma alma imprevista que tudo se acha fora
de um livro falho, leitor amigo. Assim preencho as lacunas
alheias; assim podes também preencher as minhas.
Machado de Assis. Dom Casmurro.

3 Assinale a alternativa em que se nota o emprego da fun-


ção poética.
A “Não, não, a minha memória não é boa.”
B “A quem passe a vida na mesma casa de família, com os
seus eternos móveis e costumes.”
C “Os generais sacam das espadas [...] e os clarins soltam
as notas que dormiam no metal.”
D “Juro só que não eram amarelas porque execro essa cor.”
E “Como eu invejo os que não esqueceram.”

GUIA DE ESTUDO
Int. de texto | Livro Único | Capítulo 5
I. Leia as páginas 93 e 94.
II. Faça os exercícios de 1 a 3 da seção “Revisando”.
III. Faça os exercícios propostos 1, 5 e 7.

92 INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA II

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / ELIZETE.FERREIRA / 31-01-2018 (11:50)

18 MANUAL DO CADERNO MEDICINA II


 Orientações
Na primeira aula sobre as funções da linguagem, abordar as características das funções emotiva (focada no emissor),
apelativa (focada no receptor) e poética (focada na mensagem), reforçando para os alunos as marcas que nos permitem
reconhecê-las.

RESOLUÇÕES | EXERCÍCIOS DE SALA

1 Alternativa: E.
No poema de Manuel Bandeira, há o predomínio da função poética, pois existe elaboração da linguagem, tais como
anáfora, aliteração e seleção vocabular.

2 Alternativa: A.
A função emotiva, ou expressiva, da linguagem privilegia o emissor da mensagem. O eu lírico, no texto, expõe a visão
subjetiva acerca dos sentimentos relacionados à decepção amorosa.

3 Alternativa: C.
As expressões foram usadas em sentido metafórico, o que caracteriza o uso da função poética.

4 Alternativa: A.
No texto publicitário, predomina a função conativa, ou apelativa, da linguagem, visando convencer o receptor a consumir
ou não consumir um determinado produto. Percebe-se a ênfase ao receptor por meio das formas verbais no imperativo e o
emprego da 3ª pessoa.

ANOTAÇÕES

MANUAL DO CADERNO MEDICINA II 19


ANOTAÇÕES

20 MANUAL DO CADERNO MEDICINA II


Frente Única

Aula
F������ �� ��������� II 12
Nesta aula, daremos sequência às funções da lingua- Eis algumas marcas gramaticais que estão presentes no
gem. O destaque é para a metalinguagem. emprego dessa função:
• 3ª pessoa;
Função fática • impessoalidade;
Olá, como vai? • vocábulo “se” (pronome apassivador ou o índice de in-
Eu vou indo e você, tudo bem? determinação do sujeito);
Paulinho da Viola. “Sinal fechado”. • objetividade;
• denotação.
Centrada no canal de comunicação, essa função serve
para estabelecer o contato, testar o canal de comunicação, Função metalinguística
verificar se a mensagem é captada pelo receptor. Dessa for- Olhe, eu podia mesmo contar-lhe a minha vida inteira,
ma, são comuns frases como: em que há outras coisas interessantes, mas para isso era
– Posso falar? preciso tempo, ânimo e papel, e eu só tenho papel; o ânimo
– Bom dia! Como vai? é frouxo, e o tempo assemelha-se à lamparina de madru-
– Posso ajudar? gada. Não tarda o Sol do outro dia, um Sol dos diabos, im-
– Testando som... testando som... penetrável como a vida. Adeus, meu caro senhor, leia isto e
– Alô? queira-me bem [...]
– Quem fala? Machado de Assis. “O enfermeiro”.
– Vocês estão me ouvindo?
Haverá função metalinguística quando o código expli-
Função referencial car o código; isso ocorre quando temos:
• a palavra explicando a palavra, no dicionário.
• poesia comentando seu processo de criação (um poe-
ma sobre como fazer poesia).
• narrador ou personagem fazendo referência ao enredo
ou a ele mesmo (o romance comenta o romance).
• desenho fazendo referência ao seu processo de com-
posição (o desenho comenta o desenho).
• o quadrinho referindo-se ao quadrinho (a personagem
pendura-se no balão da fala ou a personagem faz refe-
rência ao fato de estar em um quadrinho, por exemplo).
Centrada no referente, essa função está ligada à infor-
mação. Por conseguinte, ela estará presente em:
• jornais;
• cartazes;
• placas;
• manuais;
• dicionários;
• livros didáticos.

INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA II 93

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MANUAL DO CADERNO MEDICINA II 21


Aula 12

EXERCÍCIOS DE SALA
1 Enem 2013 ► Texto para a questão 2.

Quadradinho quadrado É água que não acaba mais

Dados preliminares divulgados por pesquisadores da


Universidade Federal do Pará (UFPA) apontaram o Aquífe-
ro Alter do Chão como o maior depósito de água potável
do planeta. Com volume estimado em 86 000 quilômetros
cúbicos de água doce, a reserva subterrânea está localizada
sob os estados do Amazonas, Pará e Amapá. “Essa quanti-
dade de água seria suficiente para abastecer a população
mundial durante 500 anos”, diz Milton Matta, geólogo da
UFPA. Em termos comparativos, Alter do Chão tem quase o
dobro do volume de água do Aquífero Guarani (com 45 000
quilômetros cúbicos). Até então, Guarani era a maior reser-
va subterrânea do mundo, distribuída por Brasil, Argentina,
Paraguai e Uruguai.
Época. Nº 623, 26 abr. 2010.
C. Xavier. Disponível em: <www.releituras.com>.
Acesso em: 24 abr. 2010.
2 Enem 2011 Essa notícia, publicada em uma revista de
grande circulação, apresenta resultados de uma pesquisa
Os objetivos que motivam os seres humanos a estabelecer científica realizada por uma universidade brasileira. Nessa
comunicação determinam, em uma situação de interlocu- situação específica de comunicação, a função referencial
ção, o predomínio de uma ou de outra função de linguagem. da linguagem predomina, porque o autor do texto prioriza
Nesse texto, predomina a função que se caracteriza por: A as suas opiniões, baseadas em fatos.
A tentar persuadir o leitor acerca da necessidade de B os aspectos objetivos e precisos.
se tomarem certas medidas para a elaboração de um C os elementos de persuasão do leitor.
livro. D os elementos estéticos na construção do texto.
B enfatizar a percepção subjetiva do autor, que projeta E os aspectos subjetivos da mencionada pesquisa.
para sua obra seus sonhos e histórias.
C apontar para o estabelecimento de interlocução, de
modo superficial e automático, entre o leitor e o livro.
D fazer um exercício de reflexão a respeito dos princípios
que estruturam a forma e o conteúdo de um livro.
E retratar as etapas do processo de produção de um li-
vro, as quais antecedem o contato entre leitor e obra.

94 INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA II

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22 MANUAL DO CADERNO MEDICINA II


Aula 12

► Texto para a questão 3. 4 Enem 2014

eu acho um fato interessante… né… foi como meu pai e O exercício da crônica
minha mãe vieram se conhecer… né… que… minha mãe
morava no Piauí com toda a família… né…meu… meu Escrever crônica é uma arte ingrata. Eu digo prosa fia-
avô… materno no caso… era maquinista… ele sofreu um da, como faz um cronista; não a prosa de um ficcionista,
acidente… infelizmente morreu…minha mãe tinha cinco na qual este é levado meio a tapas pelas personagens e
anos… né… e o irmão mais velho dela… meu padrinho… situações que, azar dele, criou porque quis. Com um prosa-
tinha dezessete e ele foi obrigado a trabalhar… foi traba- dor do cotidiano, a coisa fia mais fino. Senta-se ele diante
lhar no banco… e… ele foi…o banco… no caso… estava… de uma máquina, olha através da janela e busca fundo em
com um número de funcionários cheio e ele teve que ir sua imaginação um assunto qualquer, de preferência co-
para outro local e pediu transferência prum mais perto lhido no noticiário matutino, ou da véspera, em que, com
de Parnaíba que era a cidade onde eles moravam e por suas artimanhas peculiares, possa injetar um sangue novo.
engano o… o…escrivão entendeu Paraíba… né… e meu… Se nada houver, restar-lhe o recurso de olhar em torno e
minha família veio parar em Mossoró que exatamente esperar que, através de um processo associativo, surja-lhe
o local mais perto onde tinha vaga pra funcionário do de repente a crônica, provinda dos fatos e feitos de sua
Banco do Brasil e:: ela foi parar na rua do meu pai… né…e vida emocionalmente despertados pela concentração. Ou
começaram a se conhecer…namoraram onze anos …né… então, em última instância, recorrer ao assunto da falta de
pararam algum tempo… brigaram… é lógico… porque todo assunto, já bastante gasto, mas do qual, no ato de escrever,
relacionamento tem uma briga… né…e eu achei esse fato pode surgir o inesperado.
muito interessante porque foi uma coincidência incrível… MORAES, V. Para viver um grande amor: crônicas e poemas.
São Paulo: Cia das Letras, 1991.
né… como vieram se conhecer… namoraram e hoje… e até
hoje estão juntos… dezessete anos de casados.
CUNHA, M .F. A. (Org.) Corpus discurso & gramática: a língua falada e Predomina nesse texto a função da linguagem que se constitui
escrita na cidade de Natal. Natal: EdUFRN, 1998.
A nas diferenças entre o cronista e o ficcionista.
B nos elementos que servem de inspiração ao cronista.
3 Enem 2014 Na transcrição de fala, há um breve relato de C nos assuntos que podem ser tratados em uma crônica.
experiência pessoal, no qual se observa a frequente repeti- D no papel da vida do cronista no processo de escrita da
ção de “né”. Essa repetição é um crônica.
A índice de baixa escolaridade do falante. E nas dificuldades de se escrever uma crônica por meio
B estratégia típica da manutenção da interação oral. de uma crônica.
C marca de conexão lógica entre conteúdos na fala.
D manifestação característica da fala nordestina.
E recurso enfatizador da informação mais relevante da
narrativa.

GUIA DE ESTUDO
Int. de texto | Livro Único | Capítulo 5
I. Leia as páginas de 94 a 96.
II. Faça os exercícios de 4 a 6 da seção “Revisando”.
III. Faça os exercícios propostos 8, 9 e 15.

INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA II 95

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MANUAL DO CADERNO MEDICINA II 23


 Orientações
Essa aula deve ser dedicada ao estudo das funções fática (focada no canal de comunicação), referencial (focada no
referente) e metalinguística (focada no código). Utilizar exemplos do cotidiano e da literatura para treinar a capacidade
dos alunos de diferenciar o emprego dessas diferentes funções.

RESOLUÇÕES | EXERCÍCIOS DE SALA

1 Alternativa: D.
Tendo em vista o processo metalinguístico, o quadrinho leva o leitor a refletir sobre como se estruturam a forma e o
conteúdo de um livro.

2 Alternativa: B.
A função referencial da linguagem visa à transmissão de informações ao leitor de modo objetivo.

3 Alternativa: B.
A partícula né é um recurso linguístico para a coesão e a manutenção da interação oral.

4 Alternativa: E.
O texto é metalinguístico: por meio de uma crônica, expõem-se as dificuldades de sua construção: “Escrever prosa é uma
arte ingrata”.

ANOTAÇÕES

24 MANUAL DO CADERNO MEDICINA II


ANOTAÇÕES






















































MANUAL DO CADERNO MEDICINA II 25


Frente Única

Aula
13 C��������� �� ����� I

 Obje�vidade e subje�vidade No texto anterior, há impessoalidade, empregam-se


Empregar a objetividade ou a subjetividade depende a terceira pessoa e a linguagem denotativa; não se obser-
do tipo de texto. Um texto científico prima pela objetivi- vam juízos de valor, tampouco as funções emotiva ou poé-
dade; já uma crônica literária investe na subjetividade para tica.
criar efeitos de sentido. São marcas de objetividade: São marcas de subjetividade:
a) 3ª pessoa; a) 1ª e 2ª pessoas;
b) impessoalidade; b) uso conotativo das palavras;
c) uso denotativo das palavras; c) juízo de valores;
d) uso do vocábulo “se”; d) uso das funções poética, emotiva e apelativa;
e) ausência de juízo de valores; e) emprego lúdico da linguagem;
f) ausência de funções como a poética, a emotiva e a f) texto literário, por exemplo.
apelativa.
Veja a seguir um exemplo de subjetividade.
Veja o exemplo a seguir:
O texto de Oswald dialoga, em certa medida, com o “É lamentável que determinados políticos estejam re-
texto de Picasso, os signos (visuais no caso de Picasso e ver- presentando o povo no Congresso; são deputados e sena-
bais no caso de Oswald) apresentam um traço em comum: dores cujo comportamento é uma vergonha para a nação.
a fragmentação do significante. Em Picasso, tem-se a frag- O foro privilegiado para esses políticos impede que a justiça
mentação da imagem em partes (e a do ser ali retratado), seja feita, sou enganado, roubado e preciso aceitar porque
as quais assumem formas geométricas; em Oswald, há a uma lei os protege! Estamos em Netuno!”
fragmentação da linguagem, dificultando a coesão, a liga-
ção entre os versos. As frases no poema modernista estão O enunciador no texto citado mostra-se parcial, emoti-
soltas sintaticamente, sem nexos sintáticos; contudo, há vo e emprega a primeira pessoa e linguagem figurada; por-
algo que as une: o tema. tanto, mostra-se subjetivo ao discutir o assunto.
R.G.C.

EXERCÍCIOS DE SALA

1 Fuvest 2016 No contexto do cartum, a presença de numerosos animais


de estimação permite que o juízo emitido pela personagem
seja considerado
A incoerente.
B parcial.
C anacrônico.
D hipotético.
E enigmático.

Roberto Mankoff, New Yorker/Veja.

96 INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA II

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26 MANUAL DO CADERNO MEDICINA II


Aula 13

2 Os versos de Carlos Drummond de Andrade que mais ade-


Exmº Sr. Governador: quadamente traduzem a principal mensagem da figura são:
Trago a V. Exa. um resumo dos trabalhos realizados A Stop.
pela Prefeitura de Palmeira dos Índios em 1928. A vida parou
[...] ou foi o automóvel?
ADMINISTRAÇÃO B As casas espiam os homens
Relativamente à quantia orçada, os telegramas custa- que correm atrás de mulheres.
ram pouco. De ordinário vai para eles dinheiro considerá- A tarde talvez fosse azul,
vel. Não há vereda aberta pelos matutos que prefeitura do não houvesse tantos desejos.
interior não ponha no arame. proclamando que a coisa foi C Um silvo breve. Atenção, siga.
feita por ela; comunicam-se as datas históricas ao Governo Dois silvos breves: Pare.
do Estado, que não precisa disso; todos os acontecimentos Um silvo breve à noite: Acenda a lanterna.
políticos são badalados. Porque se derrubou a Bastilha – Um silvo longo: Diminua a marcha.
um telegrama; porque se deitou pedra na rua – um telegra- Um silvo longo e breve: Motoristas a postos.
ma; porque o deputado F. esticou a canela – um telegrama. (A este sinal todos os motoristas tomam lugar nos seus
Palmeira dos Índios, 10 de janeiro de 1929. veículos para movimentá-los imediatamente.)
Gracillano Ramos. Viventes das Alagoas. São Paulo: Martins Fontes, 1962. D proibido passear sentimentos
ternos ou desesperados
O relatório traz a assinatura de Graciliano Ramos, na época, nesse museu do pardo indiferente
prefeito de Palmeira dos Índios, e é destinado ao governo E Sim, meu coração é muito pequeno.
do estado de Alagoas. De natureza oficial, o texto chama a Só agora vejo que nele não cabem os homens.
atenção por contrariar a norma prevista para esse gênero, Os homens estão cá fora, estão na rua.
pois o autor
A emprega sinais de pontuação em excesso. 4 Leia o seguinte texto jornalístico:
B recorre a termos e expressões em desuso no português.
C apresenta-se na primeira pessoa do singular, para co- Para para
notar intimidade com o destinatário.
D privilegia o uso de termos técnicos, para demonstrar Numa de suas recentes críticas internas, a ombudsman
conhecimento especializado. desta Folha propôs uma campanha para devolver o acen-
E expressa-se em linguagem mais subjetiva, com forte to que a reforma ortográfica roubou do verbo “parar”. Faz
carga emocional. todo sentido. O que não faz nenhum sentido é ler “São Pau-
lo para para ver o Corinthians jogar”. Pior ainda que ler é
3 Fuvest 2015 Examine a figura. ter de escrever.
Juca Kfouri, Folha de S. Paulo, 22 set. 2014. (Adapt.).

a) No primeiro período do texto, existe alguma palavra


cujo emprego conota a opinião do articulista sobre a
reforma ortográfica? Justifique sua resposta.

http://quino.com.ar/

INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA II 97

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MANUAL DO CADERNO MEDICINA II 27


Aula 13

b) Para evitar o “para para” que desagradou ao jornalista, 6 Enem 2012


pode-se reescrever a frase “São Paulo para para ver o
Corinthians jogar”, substituindo a preposição que nela O senhor
ocorre por outra de igual valor sintático-semântico ou
alterando a ordem dos termos que a compõem. Você Carta a uma jovem que, estando em uma roda em que
concorda com essa afirmação? Justifique sua resposta. dava aos presentes o tratamento de você, se dirigiu ao au-
tor chamando-o “o senhor”:
Senhora:
Aquele a quem chamastes senhor aqui está, de peito
magoado e cara triste, para vos dizer que senhor ele não é,
de nada, nem de ninguém.
Bem o sabeis, por certo, que a única nobreza do plebeu
está em não querer esconder sua condição, e esta nobre-
za tenho eu. Assim, se entre tantos senhores ricos e nobres
a quem chamáveis você escolhestes a mim para tratar de
senhor, é bem de ver que só poderíeis ter encontrado essa
senhoria nas rugas de minha testa e na prata de meus ca-
belos. Senhor de muitos anos, eis aí; o território onde eu
5 Considere o seguinte excerto de Memórias póstumas de mando é no país do tempo que foi.
Brás Cubas. Essa palavra “senhor”, no meio de uma frase, ergueu
Custou-lhe muito a aceitar a casa; farejava a intenção, entre nós um muro frio e triste.
e doía-lhe o ofício; mas afinal cedeu. Creio que chorava, Vi o muro e calei: não é de muito, eu juro, que me acon-
a princípio: tinha nojo de si mesma. [...] Quando obtive a tece essa tristeza; mas também não era a vez primeira.
confiança, imaginei uma história patética dos meus amores Rubem Braga. A borboleta amarela. Rio de Janeiro: Record, 1991.
com Virgília, um caso anterior ao casamento, a resistência
do pai, a dureza do marido, e não sei que outro toques de A escolha do tratamento que se queira atribuir a alguém
novela. Dona Plácida não rejeitou uma só página da nove- geralmente considera as situações específicas de uso so-
la; aceitou-as todas. Era uma necessidade da consciência. cial. A violação desse princípio causou um mal-estar no au-
[...]. Não fui ingrato; fiz-lhe um pecúlio de cinco contos, – tor da carta. O trecho que descreve essa violação é:
os cinco contos achados em Botafogo,– como um pão para A “Essa palavra, ‘senhor’, no meio de uma frase ergueu
a velhice. Dona Plácida aceitou com lágrimas nos olhos, e entre nós um muro frio e triste.”
nunca mais deixou de rezar por mim, todas as noites, diante B “A única nobreza do plebeu está em não querer escon-
de uma imagem da Virgem, que tinha no quarto. Foi assim der a sua condição.”
que lhe acabou o nojo. C “Só poderíeis ter encontrado essa senhoria nas rugas
Machado de Assis. Memórias póstumas de Brás Cubas. de minha testa.”
D “O território onde eu mando é no país do tempo que foi.”
Assinale a alternativa em que o verbo assume carga subje- E “Não é de muito, eu juro, que acontece essa tristeza;
tiva e sentido conotativo. mas também não era a vez primeira.”
A “Custou-lhe muito a aceitar a casa [...]”
B “farejava a intenção.”
C “Foi assim que lhe acabou o nojo.”
D “Era uma necessidade da consciência [...]”
E “Creio que chorava, a princípio [...]”

GUIA DE ESTUDO
Int. de texto | Livro Único | Capítulo 6
I. Leia a página 109.
II. Faça os exercícios de 1 a 3 da seção “Revisando”.
III. Faça os exercícios propostos 1, 8 e 9.

98 INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA II

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28 MANUAL DO CADERNO MEDICINA II


 Orientações
Ao iniciar o estudo das categorias do mundo, explicar que o uso da objetividade ou da subjetividade está atrelado
ao tipo de texto que se pretende escrever, havendo marcas usuais de composição para textos objetivos e subjetivos.
Apresentar aos alunos exemplos de textos e reforçar com eles a utilização das principais marcas de subjetividade e
objetividade.

RESOLUÇÕES | EXERCÍCIOS DE SALA

1 Alternativa: B.
A presença de numerosos animais de estimação evidencia o juízo de valor (opinião) da personagem, que defende ser melhor
ter tais bichos do que crianças, isto é, demonstra seu posicionamento, sua parcialidade.

2 Alternativa: E.
Graciliano Ramos utilizou expressões como “deitou pedra na rua” e “esticou a canela”, que representam o uso de uma
linguagem mais conotativa e emocional.

3 Alternativa: D.
No cartum, retratam-se indivíduos que, em suas atividades, não se importam com a afetividade, metonimizada pelo desenho
do coração e retratada como proibida. Uma ideia similar é construída nos versos drummondianos da alternativa d, já que
neles é “proibido passear sentimentos temos ou desesperados”, em um ambiente “pardo indiferente”.

4 a) No primeiro período do texto, Juca Kfouri usa o verbo “roubar” para referir-se a uma mudança gráfica decorrente da
Reforma (“[...] devolver o acento que a reforma ortográfica roubou do verbo “parar”). Como esse verbo tem conotação
negativa para o sujeito da oração, que no caso é “a reforma ortográfica”, é possível afirmar que o articulista é contrário
a essa mudança gráfica, o que se confirma no segundo parágrafo, quando afirma que é ruim ler e escrever “São Paulo
para para ver Corinthians jogar”.
b) Pode-se evitar a justaposição de “para para”, substituindo a preposição “parar” pela locução prepositiva de finalidade
“a fim de” (“São Paulo para a fim de ver o Corinthians jogar”) ou alterando a ordem dos termos da frase (“Para ver o
Corinthians jogar, São Paulo para”).

5 Alternativa: B.
O verbo “farejar” está empregado em sentido metafórico.

6 Alternativa: A.
A formalidade dispensada pela receptora da carta ao “senhor” cria um “muro frio e triste” entre eles, já que ela, ao referir-se
a ele, utiliza um tratamento distinto do empregado em relação aos demais integrantes do contexto comunicativo.

ANOTAÇÕES

MANUAL DO CADERNO MEDICINA II 29


ANOTAÇÕES

30 MANUAL DO CADERNO MEDICINA II


Frente Única

Aula
C��������� �� ����� II 14
Trataremos agora do emprego conotativo das três cate-  Marcadores de aspectualidade
gorias do mundo: pessoa, espaço e tempo. a) Pontual: de repente, de supetão, subitamente, repen-
tinamente etc.
 Na pessoa (troca de pessoas De supetão, tirou o revólver.
grama�cais)
b) Dura�vo con�nuo: gradualmente, paulatinamente,
Exemplo: aos poucos etc.
A primeira pessoa do singular no lugar da terceira pes- Gradualmente convenceu o pai.
soa do plural (efeito: aproximação)
c) Dura�vo itera�vo (que se repete): habitualmente,
Então eu quebro a cadeira, não pago a comida e ainda normalmente, eventualmente, muitas vezes etc.
ofendo o dono do restaurante? O que eles pensam que são? Eventualmente atendia jovens.
(quebraram) (não pagaram) (ofenderam)
d) Incoa�vo (início de processo): primeiramente, no início,
Nesse caso, o enunciador, o dono do restaurante, não no começo, para começar etc.
está falando de si, mas de outras pessoas que realizaram as
ações. Ele fala na primeira pessoa porque foi a vítima. e) Termina�vo (encerramento de processo): enfim, final-
mente, no término etc.
 No espaço (troca de pessoas
grama�cais)  Aspectos espaciais das preposições
e locuções preposi�vas
Exemplo:
A primeira pessoa do singular no lugar da terceira pes- a) Ver�calidade
soa do singular (efeito: aproximação) De cima do prédio, observava o jardim.

Essa moça não sai da minha mente, ela é tudo para b) Horizontalidade
mim! À sua frente, o inimigo.
(Aquela moça)
c) Lateralidade
 No tempo (troca de tempos Ao lado do cinema, o vagabundo romântico.
verbais)
d) Perspec�va
Exemplo: No fim da rua, a vítima.
No ano de 1869, Júlio Verne publica Vinte mil léguas
submarinas. e) Visão de cima para baixo
Do alto do prédio, avistava-se o rio.
Na frase anterior, o presente do indicativo está no lu-
gar do pretérito perfeito do indicativo. Trata-se de presen- f) Visão de baixo para cima
tificação do passado, uma ênfase ao passado. Esse tipo de Abaixo da lâmpada, a mosca louca.
embreagem será estudado na aula de verbos do material
de Português.

INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA II 99

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / ELIZETE.FERREIRA / 24-01-2018 (08:49)

MANUAL DO CADERNO MEDICINA II 31


Aula 14

EXERCÍCIOS DE SALA
► Texto para a questão 1. a) Transcreva o trecho do texto em que o autor explora,
com fins expressivos, o emprego de termos contraditó-
Revelação do subúrbio rios, sublinhando-os.

Quando vou para Minas, gosto de ficar de pé, contra a vi-


draça do carro,
vendo o subúrbio passar.
O subúrbio todo se condensa para ser visto depressa,
com medo de não repararmos suficientemente
em suas luzes que mal têm tempo de brilhar.
A noite come o subúrbio e logo o devolve,
ele reage, luta, se esforça,
até que vem o campo onde pela manhã repontam laranjais
e à noite só existe a tristeza do Brasil.
Carlos Drummond de Andrade. Sentimento do mundo, 1940. b) Esse excerto provém de um artigo de divulgação cien-
tífica. Aponte duas características da linguagem nele
1 Fuvest 2014 Considerados no contexto, dentre os mais de empregada que o diferenciam de um artigo científico
dez verbos no presente, empregados no poema, exprimem especializado.
ideia, respectivamente, de habitualidade e continuidade:
A “gosto” e “repontam”.
B “condensa” e “esforça”.
C “vou” e “existe”.
D “têm” e “devolve”.
E “reage” e “luta”.

2 Fuvest 2016 Leia este texto.

Nosso andar é elegante e gracioso, e também extre-


mamente eficiente do ponto de vista energético. Somos
capazes de andar dezenas de quilômetros por quilo de fei-
jão ingerido. Ate agora, nenhum sapato, nenhuma técnica
especial de balançar os braços, ou qualquer outro truque
foram capazes de melhorar o número de quilômetros cami-
nhados por quilo de feijão consumido. Mas, agora, depois
de anos investigando o funcionamento de nossas pernas,
um grupo de cientistas construiu uma traquitana simples, 3 Unesp 2014 A questão de número 3 toma por base um
mas extremamente sofisticada, que é capaz de diminuir o trecho da conferência Sobre algumas lendas do Brasil, de
consumo de energia de uma caminhada em até 10%. Tra- Olavo Bilac (1865-1918), e um soneto do mesmo autor, uti-
ta-se de um pequeno exoesqueleto que recobre nosso pé lizado por ele para ilustrar seus argumentos.
e fica preso logo aboixo do joelho. Ele mimetiza o funcio-
namento do tendão de Aquiles e dos músculos ligados ao Sendo cada homem todo o universo, tem dentro de si
tendão. Uma haste no altura do tornozelo, a qual se projeta todos os deuses, todas as potestades superiores e inferio-
para trás, segura uma ponta de uma mola. Outra haste, res que dirigemo universo. (Tudo, se existe objetivamente,
logo abaixo do joelho, segura uma espécie de embreagem é porque existe subjetivamente; tudo existe em nós, por-
[...]. que tudo é criado e alimentado por nós). E esta conside-
Fernando Reinach, www.estadao.com.br, 13/06/2015. (Adapt.). ração nos leva ao assunto e à explanação do meu tema.

100 INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA II

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32 MANUAL DO CADERNO MEDICINA II


Aula 14

Existem em nós todas as entidades fantásticas, que, segun- Indique a pessoa gramatical dos verbos empregados no
do a crença popular, enchem a nossa terra: são sentimentos soneto e identifique, no plano do conteúdo, a quem o eu
humanos, que, saindo de cada um de nós,personalizam-se, lírico se dirige por meio dessa pessoa gramatical.
e começam a viver na vida exterior, como mitos da comu-
nhão. Tupã, demiurgo criador, e o seu Anhangá, demiurgo
destruidor. É o eterno dualismo, governando todas as fa-
ses religiosas, toda a história mitológica da humanidade.
Já entre os persas e os iranianos, na religião de Zoroastro,
havia um deus de bondade, Ormuz, e um deus de maldade,
Ahriman. A religião de Manés, na Babilônia, não criou a
ideia do dualismo; acentuou-a, precisou-a; a base da reli-
gião dos maniqueus era a oposição e o contraste da luz e
da treva: o mundo visível, segundo eles, era o resultado da
mistura desses dois elementos eternamente inimigos. Mas
em todos os grandes povos, e em todas as pequenas tri-
bos, sempre houve, em todos os tempos, a concepção desse
conflito: e esse conflito perdura no catolicismo, fixado na
concepção de Deus e do Diabo. Os nossos índios sempre 4 Observe o anúncio a seguir:
tiveram seu Tupã e o seu Anhangá... Ora, o selvagem das
margens do Amazonas, do São Francisco e do Paraná com-
preende os dois demiurgos, porque os sente dentro de si
mesmo. E nós, os civilizados do litoral, compreendemos e
contemos em nós esses dois princípios antagônicos, Deus
e o Diabo. Cada um de vós tem uma arena íntima em que
a todo o instante combatem um gênio do bem e um gênio
do mal:

Não és bom, nem és mau: és triste e humano...


Vives ansiando em maldições e preces,
Como se, a arder, no coração tivesses
O tumulto e o clamor de um largo oceano.
Pobre, no bem como no mal, padeces; No anúncio, o pronome de tratamento você pode ser en-
E, rolando num vórtice vesano*, tendido tanto denotativamente como também em sentido
Oscilas entre a crença e o desengano, conotativo (embreagem); explique como isso ocorre.
Entre esperanças e desinteresses.
Capaz de horrores e de ações sublimes,
Não ficas das virtudes satisfeito,
Nem te arrependes, infeliz, dos crimes:
E, no perpétuo ideal que te devora,
Residem juntamente no teu peito
Um demônio que ruge e um deus que chora...
* Vesano: louco, demente, delirante, insensato. (Últimas conferências e
discursos, 1927.)

GUIA DE ESTUDO
Int. de texto | Livro Único | Capítulo 6
I. Leia as páginas de 110 a 113.
II. Faça os exercícios de 4 a 6 da seção “Revisando”.
III. Faça os exercícios propostos de 11 a 14.

INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA II 101

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / ELIZETE.FERREIRA / 02-02-2018 (16:37)

MANUAL DO CADERNO MEDICINA II 33


 Orientações
Nessa aula, serão estudadas as categorias do mundo: pessoa, espaço e tempo. Mostrar aos alunos como a troca de
pessoas gramaticais e de tempos verbais pode ser usada para se obter certos efeitos de sentido. Apresentar ainda os
marcadores temporais e espaciais.

RESOLUÇÕES | EXERCÍCIOS DE SALA

1 Alternativa: C.
Entre os verbos empregados no poema, os que exprimem ideia de habitualidade e de continuidade são, respectivamente, “vou”
e “existe”. No primeiro verso, a conjunção temporal quando, que introduz a oração encabeçada pelo verbo “ir”, revela um
hábito do eu lírico. No último verso, o verbo “existir” contém a ideia de permanência de um estado, no caso, a tristeza do Brasil.

2 a) Há o emprego de termos contraditórios no trecho “[...] um grupo de cientistas construiu uma traquitana simples, porém
sofisticada [...]”.
b) O autor do artigo de divulgação científica emprega linguagem informal e coloquial na construção do texto, o que
diferencia o excerto de um artigo especializado. Ao usar a primeira pessoa do plural, como em “nosso andar” e “nosso
pé”, ao mesmo tempo que se apropria de expressões tipicamente orais, como “quilômetro por quilo de feijão ingerido” e
“tendão de Aquiles”, o enunciador traduz conceitos de uma ciência especializada de maneira mais abrangente e por meio
de uma linguagem menos técnica, mais dialogal e oralizada.

3 As formas verbais presentes no soneto (és, vives, tivesses...) estão conjugadas na segunda pessoa do singular (tu). A partir dela,
pode-se perceber a intenção inicial do autor em referir-se diretamente ao interlocutor.
Associando o soneto com o trecho da conferência de Bilac, pode-se presumir que, ao dirigir-se ao leitor, o poeta se dirige,
metonimicamente, a todos nós, seres humanos, que “compreendemos e contemos em nós dois princípios antagônicos”.

4 O pronome substitui o pronome indefinido “todos”: o enunciador fala com uma pessoa, mas quer dizer que é uma
responsabilidade de todos.

ANOTAÇÕES

34 MANUAL DO CADERNO MEDICINA II


ANOTAÇÕES






















































MANUAL DO CADERNO MEDICINA II 35


Frente Única

Aula
15 T���� � ������� I

 Figura�vo e temá�co Embora “ta ethé” e “mores” signifiquem o mesmo, ou


Os textos podem ser classificados em temáticos ou fi- seja, costumes e modos de agir de uma sociedade, en-
gurativos. tretanto, no singular “ethos” é o caráter ou tempera-
a) Texto figura�vo é aquele em que predominam os ele- mento individual que deve ser educado para os valores
mentos concretos. É o caso das narrativas, quadros, da sociedade, e “ética” é aquela parte da filosofia que
provérbios (boa parte), charges etc. O tema nesse tipo se dedica à análise dos próprios valores e das condutas
de texto costuma estar implícito, o que dificulta a inter- humanas, indagando sobre seu sentido, sua origem,
pretação. O concreto deve virar abstrato, e o particular seus fundamentos e finalidades.
geral. Por exemplo: Marilena Chaui. Uma ideologia perversa. Disponível em:
<www1.folha.uol.com.br/fol/brasil500/dc_1_4.htm>.
Acesso em: 11 dez. 2013.
Na política, meus amigos, um asno coça o outro.
O tema presente em todo o excerto é ética, e palavras
A frase anterior emprega um famoso provérbio. como ethos, caráter, conduta, valores e moral se remetem
O substantivo asno deve ser entendido de forma abstrata, a esse assunto. Para encontrar o tema, portanto, é necessá-
trata-se da ignorância; o provérbio faz referência ao fato de rio identificar o assunto recorrente ao longo do texto; para
que a ignorância atrai a ignorância. isso, é preciso agrupar as palavras e associá-las a um campo
de significação (no texto de Marilena Chaui, remete-se à
b) Texto temá�co é aquele em que predominam os subs- ética). É importante observar, ainda, o título, o tópico fra-
tantivos abstratos; a filosofia, a psicologia, a sociologia, sal e a conclusão, pois nestes o tema pode estar presente.
por exemplo, são predominantemente temáticos. Nes- De modo geral, o tema apresenta um caráter abstrato e ge-
se tipo de texto, o tema costuma estar explícito. Veja o nérico.
exemplo a seguir:

EXERCÍCIOS DE SALA

1 ITA Qual o dito popular que se aplica à situação mostrada na tira abaixo?
GRUMP - Orlandeli
VOU ESTAR
NO LUGAR DE COMPREI UM VOU ESTAR APRENDENDO
RECLAMAÇÃO, LIVRO COM TUDO LENDO BEM QUE PODIAM
CADA VEZ
AÇÃO! SOBRE A DIARIAMENTE. TER APROVEITADO
MAIS.
REFORMA A REFORMA PARA
ORTOGRÁFICA. ESTAREM
www.orlandeli.com.br

VOU ESTAR ME LIMANDO


SUPERANDO A O GERÚNDIO.
CADA DIA.

A Quem ao moinho vai enfarinhado sai. D Água mole em pedra dura tanto bate até que fura.
B Não se faz omelete sem quebrar os ovos. E Para bom mestre, não há má ferramenta.
C Ri-se o roto do esfarrapado e o sujo do mal lavado.

102 INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA II

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / ELIZETE.FERREIRA / 31-01-2018 (13:29)

36 MANUAL DO CADERNO MEDICINA II


Aula 15

2 Enem 2013 olhos para os matos e para o sertão? Para cá, para cá; para a
cidade é que haveis de olhar. Cuidais que só os tapuias se co-
mem uns aos outros, muito maior açougue é o de cá, muito
mais se comem os brancos. TROVADORISMO / CLASSICISMO
/ BARROCO / ARCADISMO - 2016 Página 4 de 10
Vedes vós todo aquele bulir, vedes todo aquele andar, ve-
des aquele concorrer às praças e cruzar as ruas: vedes aquele
subir e descer as calçadas, vedes aquele entrar e sair sem
quietação nem sossego? Pois tudo aquilo é andarem buscan-
do os homens como hão de comer, e como se hão de comer.
[...]
Diz Deus que comem os homens não só o seu povo, se-
não declaradamente a sua plebe: Plebem meam, porque a
Disponível em: <www.filosofia.com.br>.
Acesso em: 30 abr. 2010.
plebe e os plebeus, que são os mais pequenos, os que menos
podem, e os que menos avultam na república, estes são os
Pelas características da linguagem visual e pelas escolhas comidos. E não só diz que os comem de qualquer modo, se-
vocabulares, pode-se entender que o texto possibilita a re- não que os engolem e os devoram: Qui devorant. Porque os
flexão sobre uma problemática contemporânea, ao: grandes que têm o mando das cidades e das províncias, não
A criticar o transporte rodoviário brasileiro, em razão da se contenta a sua fome de comer os pequenos um por um,
grande quantidade de caminhões nas estradas. poucos a poucos, senão que devoram e engolem os povos
B ironizar a dificuldade de locomoção no trânsito urbano, inteiros: Qui devorant plebem meam. E de que modo se devo-
devido ao grande fluxo de veículos. ram e comem? Ut cibum panis: não como os outros comeres,
C expor a questão do movimento como um problema senão como pão. A diferença que há entre o pão e os outros
existente desde tempos antigos, conforme frase citada. comeres é que, para a carne, há dias de carne, e para o peixe,
D restringir os problemas de tráfego a veículos particula- dias de peixe, e para as frutas, diferentes meses no ano; po-
res, defendendo, como solução, o transporte público. rém o pão é comer de todos os dias, que sempre e continua-
E propor a ampliação de vias nas estradas, detalhando o damente se come: e isto é o que padecem os pequenos. São
espaço exíguo ocupado pelos veículos nas ruas. o pão cotidiano dos grandes: e assim como pão se come com
tudo, assim com tudo, e em tudo são comidos os miseráveis
► Texto para a questão 3. pequenos, não tendo, nem fazendo ofício em que os não car-
reguem, em que os não multem, em que os não defraudem,
Leia o excerto do “Sermão de Santo Antônio aos peixes” de em que os não comam, traguem e devorem: Qui devorant
Antônio Vieira (1608-1697) para responder à questão. plebem meam, ut cibum panis. Parece-vos bem isto, peixes?
Antônio Vieira. Essencial, 2011.
A primeira cousa que me desedifica, peixes, de vós, é que
vos comeis uns aos outros. Grande escândalo é este, mas a 3 Unifesp 2016 Condizente com o teor do sermão está o
circunstância o faz ainda maior. Não só vos comeis uns aos conteúdo do seguinte provérbio:
outros, senão que os grandes comem os pequenos. [...] San- A “A tolerância é a virtude do fraco.”
to Agostinho, que pregava aos homens, para encarecer a B “O homem é o lobo do homem.”
fealdade deste escândalo mostrou-lho nos peixes; e eu, que C “Ao homem ousado, a fortuna lhe dá a mão.”
prego aos peixes, para que vejais quão feio e abominável é, D “A fome é a companheira do homem ocioso.”
quero que o vejais nos homens. Olhai, peixes, lá do mar para E “Quem tem ofício, não morre de fome.”
a terra. Não, não: não é isso o que vos digo. Vós virais os

INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA II 103

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / ELIZETE.FERREIRA / 24-01-2018 (08:49)

MANUAL DO CADERNO MEDICINA II 37


Aula 15

► Texto para a questão 4. 5 Fuvest 2016 Seria ingenuidade procurar nos provérbios
de qualquer povo uma filosofia coerente, uma arte de vi-
Seria ingenuidade procurar nos provérbios de qualquer ver. É coisa sabida que a cada provérbio, por assim dizer,
povo uma filosofia coerente, uma arte de viver. É coisa sabi- responde outro, de sentido oposto. A quem preconiza o sá-
da que a cada provérbio, por assim dizer, responde outro, de bio limite das despesas, porque “vintém poupado, vintém
sentido oposto. A quem preconiza o sábio limite das despe- ganhado”, replicará o vizinho farrista, com razão igual: “Da
sas, porque “vintém poupado, vintém ganhado”, replicará o vida nada se leva”. [...] Mais aconselhável procurarmos nos
vizinho farrista, com razão igual: “Da vida nada se leva”. [...] anexins não a sabedoria de um povo, mas sim o espelho de
Mais aconselhável procurarmos nos anexins não a sabedoria seus costumes peculiares, os sinais de seu ambiente físico
de um povo, mas sim o espelho de seus costumes peculiares, e de sua história. As diferenças na expressão de uma sen-
os sinais de seu ambiente físico e de sua história. As diferen- tença observáveis de uma terra para outra podem divertir o
ças na expressão de uma sentença observáveis de uma terra curioso e, às vezes, até instruir o etnógrafo. Povo marítimo,
para outra podem divertir o curioso e, às vezes, até instruir o o português assinala semelhança grande entre pai e filho,
etnógrafo. Povo marítimo, o português assinala semelhança lembrando que “filho de peixe, peixinho é”. Já os húngaros,
grande entre pai e filho, lembrando que “filho de peixe, pei- ao formularem a mesma verdade, não pensavam nem em
xinho é”. Já os húngaros, ao formularem a mesma verdade, peixe, nem em mar; ao olhar para o seu quintal, notaram
não pensavam nem em peixe, nem em mar; ao olhar para o que a “maçã não cai longe da árvore”.
seu quintal, notaram que a “maçã não cai longe da árvore”. Paulo Rónai, Como aprendi o português e outras aventuras.
Paulo Rónai, Como aprendi o português e outras aventuras. Considere as seguintes afirmações sobre os dois provérbios
citados no terceiro parágrafo do texto.
4 Enem No texto, a função argumentativa do provérbio I. A origem do primeiro, de acordo com o autor, está liga-
“Da vida nada se leva” é expressar uma filosofia de vida da à história do povo que o usa.
contrária à que está presente em “vintém poupado, vintém II. Em seu sentido literal, o segundo expressa costumes
ganhado”. Também é contrário a esse último provérbio o peculiares dos húngaros.
ensinamento expresso em: III. A observação das diferenças de expressão entre esses
A Mais vale pão hoje do que galinha amanhã. provérbios pode, segundo o pensamento do autor, ter
B A boa vida é mãe de todos os vícios. interesse etnográfico.
C De grão em grão a galinha enche o papo.
D Devagar se vai ao longe. Está correto apenas o que se afirma em
E É melhor prevenir do que remediar. A I.
B II.
C III.
D I e II.
E I e III.

104 INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA II

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / ELIZETE.FERREIRA / 31-01-2018 (13:30)

38 MANUAL DO CADERNO MEDICINA II


Aula 15

6 Unicamp 2016 O poema abaixo é de autoria de Manoel


de Barros e foi publicado no Livro sobre nada, de 1996.
A ciência pode classificar e nomear todos os órgãos
de um sabiá mas não pode medir seus encantos.
A ciência não pode calcular quantos cavalos de força
existem nos encantos de um sabiá.
Quem acumula muita informação perde o condão de
adivinhar: divinare. Os sabiás divinam.
Manoel de Barros. Livro sobre nada. Rio de Janeiro: Record, 1996. p. 53.

a) No poema há uma estrutura típica de provérbios com


uma finalidade crítica. Aponte duas características des-
sa estrutura.

b) Considerando que o poeta joga com os sentidos do


verbo “adivinhar” e da sua raiz latina divinare, justifi-
que o neologismo usado no último verso.

GUIA DE ESTUDO
Int. de texto | Livro Único | Capítulo 6
I. Leia as páginas de 113 a 114.
II. Faça os exercícios de 10 a 12 da seção “Revisando”.
III. Faça os exercícios propostos 16, 17 e 32.

INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA II 105

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / ELIZETE.FERREIRA / 24-01-2018 (08:49)

MANUAL DO CADERNO MEDICINA II 39


 Orientações
Essa aula serve para introduzir aos alunos as diferenças entre texto temático e texto figurativo. A respeito de textos
temáticos, destacar o predomínio dos substantivos abstratos e a forma como o tema é tratado (explícito). Sobre os textos
figurativos, ressaltar a ocorrência de elementos concretos e o seu uso para abordar assuntos de forma implícita, exigindo
maior esforço de interpretação.

RESOLUÇÕES | EXERCÍCIOS DE SALA

1 Alternativa: C.
Tanto a tirinha quanto o ditado popular “Ri-se o roto do esfarrapado e o sujo do mal lavado” configuram-se como texto
figurativo, no qual o tema é subjacente às figuras concretas. Dessa forma, ambos têm em comum o tema da crítica a quem
corrige os defeitos alheios ou neles repara, apresentando os mesmos problemas; no caso da tirinha, o gerundismo.

2 Alternativa: B.
A personagem ironiza a dificuldade de locomoção ao citar um filósofo grego que teria dito a frase “Não há movimento.”
em outras circunstâncias.

3 Alternativa: B.
O provérbio “O homem é lobo do homem” tem conteúdo semelhante ao do sermão, já que também discute indivíduos
explorando ou violentando outros indivíduos, isto é, o ser humano prejudicando seu semelhante. Nessa máxima, lobo é
metáfora daquele que explora. No texto do autor barroco, tal realidade pode ser vista em trechos como “A primeira cousa
que me desedifica, peixes, de vós, é que vos comeis uns aos outros” ou “ Diz Deus que comem os homens não só o seu povo,
senão declaradamente a sua plebe”.

4 Alternativa: A.
O provérbio “Mais vale pão hoje do que galinha amanhã” sugere a valorização do ato de se comprar aquilo que se pode no
presente (o pão) em detrimento da economia para se comprar algo melhor no futuro (a galinha). Tal ideia contrapõe o ditado
“Vintém poupado, vintém ganhado”, em que se defende uma atitude econômica para um melhor aproveitamento do dinheiro.

5 Alternativa: E.
I. Correta. O provérbio “filho de peixe, peixinho é” liga-se à história das Grandes Navegações, vivida pelo povo português.
II. Incorreta. O ditado húngaro não faz referência aos costumes peculiares. Como o próprio texto afirma, tal ditado formula
a mesma verdade do ditado português para assinalar “semelhança grande entre pai e filho”. Além disso, representa-se
essa ideia de forma conotativa, e não literal.
III. Correta. O texto aborda como as diferenças nos provérbios podem “às vezes, até instruir o etnógrafo”, logo ser de
“interesse etnográfico”.

6 a) Provérbios apresentam, entre outras características, estrutura sintática de causa e consequência, bem como orientação
exortativa. Tais características são observadas na oração “Quem acumula muita informação perde o condão de adivinhar:
divinare”. Através dela, Manoel de Barros aponta para o ceticismo que resulta no cerceamento da incerteza, da dúvida e
da adivinhação, ao mesmo tempo que sugere ao leitor que abandone um comportamento tipicamente rígido e científico
para que conheça a beleza da incerteza e os caminhos da experimentação.
b) Ao empregar o verbo “adivinhar” (cuja raiz latina se remete à divindade), Manoel de Barros cria o neologismo “divinam”
para conferir ao sabiá um caráter que está acima do conhecimento científico. O autor considera a natureza do sabiá
impossível de ser descrita por ferramentas formais e humanas, ao passo que tal natureza é tão sublime que pode ser
comparada a uma característica divina.

ANOTAÇÕES

40 MANUAL DO CADERNO MEDICINA II


ANOTAÇÕES






















































MANUAL DO CADERNO MEDICINA II 41


Frente Única

Aula
16 T���� � ������� II

 Percurso temá�co, percurso Na composição de Dylan, temos dois campos semânticos:


figura�vo (campo semân�co) A) CAMPO SEMÂNTICO DA GUERRA
Temos percurso temático ou figurativo (percurso aqui ↓
equivale a campo semântico) quando um conjunto de pa- Guerra, armas, aeroplanos da morte, bombas
lavras abstratas (em texto temático) ou concretas (em tex- B) CAMPO SEMÂNTICO DO PODER
to figurativo) aponta para um mesmo tema, assunto. Por ↓
exemplo: Senhores da guerra, constroem, escondem, atrás das
paredes, atrás das mesas,
Venham, senhores da guerra
Vocês que constroem as grandes armas O tema é a relação que se estabelece entre os dois
Vocês que constroem os aviões da morte campos semânticos, ou seja:
Vocês que constroem todas as bombas A + B = O PODER E A GUERRA
Vocês que se escondem atrás das paredes (GUERRA PELO PODER E O PODER QUE A GUERRA TRAZ)
Vocês que se escondem atrás das mesas
Bob Dylan. Masters of war. (Trad. livre).

EXERCÍCIOS DE SALA

1 Leia o trecho inicial de um artigo do livro Bilhões e bi- peças, seus movimentos, as regras do jogo, tudo evoluiu. Por
lhões do astrônomo e divulgador científico Carl Sagan exemplo, já não existe um grão-vizir – que se metamorfoseou
(1934-1996) para responder à questão. numa rainha, com poderes muito mais terríveis.
A razão de um rei se deliciar com a invenção de um jogo
O tabuleiro de xadrez persa chamado “Morte ao rei” é um mistério. Mas reza a história
que ele ficou tão encantado que mandou o grãovizir deter-
Segundo o modo como ouvi pela primeira vez a história, minar sua própria recompensa por ter criado uma invenção
aconteceu na Pérsia antiga. Mas podia ter sido na Índia ou tão magnífica. O grão-vizir tinha a resposta na ponta da
até na China. De qualquer forma, aconteceu há muito tempo. língua: era um homem modesto, disse ao xá.
O grão-vizir, o principal conselheiro do rei, tinha inven- Desejava apenas uma recompensa simples. Apontando
tado um novo jogo. Era jogado com peças móveis sobre um as oito colunas e as oito filas de quadrados no tabuleiro que
tabuleiro quadrado que consistia em 64 quadrados verme- tinha inventado, pediu que lhe fosse dado um único grão de
lhos e pretos. trigo no primeiro quadrado, o dobro dessa quantia no se-
A peça mais importante era o rei. A segunda peça mais gundo, o dobro dessa quantia no terceiro e assim por dian-
importante era o grão-vizir – exatamente o que se esperaria de te, até que cada quadrado tivesse o seu complemento de
um jogo inventado por um grão-vizir. O objetivo era capturar o trigo. Não, protestou o rei, era uma recompensa demasiado
rei inimigo e, por isso, o jogo era chamado, em persa, shahmat modesta para uma invenção tão importante.
– shah para rei, mat para morto. Morte ao rei. Em russo, é Ofereceu joias, dançarinas, palácios. Mas o grão-vizir,
ainda chamado shakhmat. Expressão que talvez transmita um com os olhos apropriadamente baixos, recusou todas as
remanes - cente sentimento revolucionário. Até em inglês, há ofertas. Só desejava pequenos montes de trigo. Assim, ad-
um eco desse nome – o lance final é chamado checkmate (xe- mirando-se secretamente da humildade e comedimento de
que-mate). O jogo, claro, é o xadrez. Ao longo do tempo, as seu conselheiro, o rei consentiu.

106 INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA II

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / ELIZETE.FERREIRA / 24-01-2018 (08:49)

42 MANUAL DO CADERNO MEDICINA II


Aula 16

No entanto, quando o mestre do Celeiro Real começou D “A população da Terra na época de Jesus consistia tal-
a contar os grãos, o rei se viu diante de uma surpresa de- vez em 250 milhões de pessoas. Existem 93 milhões
sagradável. de milhas (150 milhões de quilômetros) da Terra até
O número de grãos começa bem pequeno: 1, 2, 4, 8, 16, o Sol. Aproximadamente 40 milhões de pessoas foram
32, 64, 128, 256, 512, 1024... mas quando se chega ao 64o. mortas na Primeira Guerra Mundial; 60 milhões na
quadrado, o número se torna colossal, esmagador. Na rea- Segunda Guerra Mundial. Há 31,7 milhões de segun-
lidade, o número é quase 18,5 quintilhões*. Talvez o grão- dos num ano (como é bastante fácil verificar).”
-vizir estivesse fazendo uma dieta rica em fibras. E “Atualmente, há cerca de 6 bilhões de humanos. Em
Quanto pesam 18,5 quintilhões de grãos de trigo? Se quarenta anos, se o tempo de duplicação continuar
cada grão tivesse o tamanho de um milímetro, todos os constante, haverá 12 bilhões; em oitenta anos, 24 bi-
grãos juntos pesariam cerca de 75 bilhões de toneladas mé- lhões; em cento e vinte anos, 48 bilhões... Mas poucos
tricas, o que é muito mais do que poderia ser armazenado acreditam que a Terra possa suportar tanta gente.”
nos celeiros do xá. Na verdade, esse número equivale a cer-
ca de 150 anos da produção de trigo mundial no presente. 2 Leia o poema de Ricardo Reis, heterônimo de Fernando
O relato do que aconteceu a seguir não chegou até nós. Se Pessoa.
o rei, inadimplente, culpando-se pela falta de atenção nos
seus estudos de aritmética, entregou o reino ao vizir, ou se o Coroai-me de rosas,
último experimentou as aflições de um novo jogo chamado Coroai-me em verdade
vizirmat, não temos o privilégio de saber. De rosas –
* 1 quintilhão = 1 000 000 000 000 000 000 = 1018. Para se contar esse Rosas que se apagam
número a partir de 0 (um número por segundo, dia e noite), seriam ne-
Em fronte a apagar-se
cessários 32 bilhões de anos (mais tempo do que a idade do universo).
Carl Sagan. Bilhões e bilhões, 2008. (Adapt.).
Tão cedo!
Coroai-me de rosas
E de folhas breves.
Assinale a alternativa cujo excerto se afasta da lógica expos- E basta.
ta pela fábula do tabuleiro de xadrez persa. As múltiplas faces de Fernando Pessoa, 1995.
A “No presente, o tempo de duplicação da população
mundial é de cerca de quarenta anos. A cada quarenta O tema tratado no poema é a
anos haverá o dobro de seres humanos. Como o clérigo A fugacidade do tempo, remetendo à ideia de brevidade
inglês Thomas Malthus apontou em 1798, uma popu- da vida.
lação que cresce exponencialmente – Malthus a des- B busca pela simplicidade da vida, representada pela na-
creveu como uma progressão geométrica – vai superar tureza.
qualquer aumento concebível de alimentos.” C rapidez com que as relações verdadeiras começam e
B “No momento, em muitos países o número de pessoas terminam.
com sintomas de aids está crescendo exponencial- D necessidade de se buscar a verdadeira razão para uma
mente. O tempo de duplicação é mais ou menos de vida plena.
um ano. Isto é, a cada ano há duas vezes mais casos de E brevidade com que o verdadeiro amor perpassa a vida
aids do que havia no ano anterior. Essa doença já nos das pessoas.
cobrou um tributo desastroso em mortes.”
C “Vamos considerar primeiro o simples caso de uma
bactéria que se reproduz dividindo-se em duas. Depois
de certo tempo, cada uma das duas bactérias filhas
também se divide. Desde que exista bastante alimento
e não haja nenhum veneno no ambiente, a colônia de
bactérias vai crescer exponencialmente.”

INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA II 107

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / ELIZETE.FERREIRA / 24-01-2018 (08:49)

MANUAL DO CADERNO MEDICINA II 43


Aula 16

► Texto para a questão 3. 34 Será que é tempo


35 Que lhe falta para perceber?
Paciência 36 Será que temos esse tempo
Lenine e Dudu Falcão 37 Para perder?
38 E quem quer saber?
1 Mesmo quando tudo pede 39 A vida é tão rara
2 Um pouco mais de calma 40 Tão rara...
3 Até quando o corpo pede
4 Um pouco mais de alma 41 Mesmo quando tudo pede
5 A vida não para... 42 Um pouco mais de calma
6 Enquanto o tempo 43 Até quando o corpo pede
7 Acelera e pede pressa 44 Um pouco mais de alma
8 Eu me recuso, faço hora 45 Eu sei, a vida não para
9 Vou na valsa 46 A vida não para...
10 A vida é tão rara...
47 A vida não para...
11 Enquanto todo mundo Disponível em:<www.vagalume.com.br/lenine/paciencia.html>.
Acesso em: 1 jun. 2011.
12 Espera a cura do mal
13 E a loucura finge
14 Que isso tudo é normal 3 IME 2012 Assinale a opção em que as palavras do texto
15 Eu finjo ter paciência... pertencem ao mesmo campo semântico.
A Veloz (v. 17), pressa (v. 7), calma (v. 2) e corpo (v. 3).
16 O mundo vai girando B Paciência (v. 15), calma (v. 2), pressa (v. 7) e cura (v. 12).
17 Cada vez mais veloz C Tempo (v. 6), calma (v. 2), veloz (v. 17) e alma (v. 4).
18 A gente espera do mundo D Veloz (v. 17), pressa (v. 7), calma (v. 2) e tempo (v. 6).
19 E o mundo espera de nós E Veloz (v. 17), calma (v. 2), loucura (v. 13) e paciência (v. 15).
20 Um pouco mais de paciência...

21 Será que é tempo


22 Que lhe falta para perceber?
23 Será que temos esse tempo
24 Para perder?
25 E quem quer saber?
26 A vida é tão rara
27 Tão rara...

28 Mesmo quando tudo pede


29 Um pouco mais de calma
30 Até quando o corpo pede
31 Um pouco mais de alma
32 Eu sei, a vida não para
33 A vida não para, não...

108 INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA II

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / ELIZETE.FERREIRA / 24-01-2018 (08:49)

44 MANUAL DO CADERNO MEDICINA II


Aula 16

► Texto para a questão 4. 4 IME 2011 Em qual das opções abaixo todas as palavras
remetem ao mesmo campo semântico?
Joaquim de Sousa Andrade A Sol, estrelas, aclaram, luminosa, soslaio.
B Sol, aclaram, luminosa, alvas, arroio.
O poeta e engenheiro Joaquim de Sousa Andrade nasceu C Sol, céu, todas-chamas, aclaram, brando.
em Alcântara, Maranhão, em 1833. De família abonada, viajou D Sol, pôr do sol, estrelas, alvas, sendas.
muito desde jovem, percorrendo inúmeros países europeus. For- E Vias-lácteas, todas-chamas, aclaram, alvas, luminosa.
mou-se em Engenharia de Minas e em Letras pela Sorbonne. Em
1884, lançou a versão definitiva de seu O Guesa, obra radical e 5 Leia o excerto a seguir, extraído da obra O cortiço, de
renovadora. Morreu abandonado e com fama de louco. Aluísio de Azevedo.
Considerado em sua época um escritor extravagante, [...]
Sousândrade, como preferia ser identificado, acaba reabili- — É esta! disse aos soldados que, com um gesto,
tado pela vanguarda paulistana (os concretistas) como um intimaram a desgraçada a segui-los. — Prendam-na!
caso de “antecipação genial” da livre expressão modernis- É escrava minha!
ta. Criador de uma linguagem dominada pela elipse, por A negra, imóvel, cercada de escamas e tripas de peixe,
orações reduzidas e fusões vocabulares, foge do discurso com uma das mãos espalmada no chão e com a outra se-
derramado dos românticos. Cosmopolita, o escritor dei- gurando a faca de cozinha, olhou aterrada para eles, sem
xou quadros curiosos, como a descrição do Inferno de Wall pestanejar.
Street, no qual vê o Capitalismo como doença. Os policiais, vendo que ela se não despachava, desem-
Sua obra mais perturbadora é O Guesa, poema em tre- bainharam os sabres. Bertoleza então, erguendo-se com
ze cantos, dos quais quatro ficaram inacabados. A base do ímpeto de anta bravia, recuou de um salto e, antes que al-
poema é a lenda indígena do Guesa Errante. O personagem guém conseguisse alcançá-la, já de um só golpe certeiro e
Guesa é uma criança roubada aos pais pelo deus do Sol e fundo rasgara o ventre de lado a lado.
educado no templo da divindade até os 10 anos, sendo sa- E depois embarcou para a frente, rugindo e esfocinhan-
crificado aos 15 anos. do moribunda numa lameira de sangue.
Na condição de poeta maldito, Sousândrade identi- João Romão fugira até ao canto mais escuro do arma-
fica seu destino pessoal com o do jovem índio. Porém, no zém, tapando o rosto com as mãos.
plano histórico-social, o poeta vê no drama de Guesa o [...]
mesmo dos povos aborígenes da América, condenando
as formas de opressão dos colonialistas e defendendo a) Identifique passagens do texto em que a personagem
uma república utópica. é animalizada.

O Guesa (fragmento)

O sol ao pôr do sol (triste soslaio!)... o arroio


Em pedras estendido, em seus soluços
Desmaia o céu d’estrelas arenoso
E o lago anila seus lençóis d’espelho... b) Que efeito de sentido isso traz ao texto?
Era a Ilha do Sol, sempre florida
Ferrete-azul, o céu, brando o ar pureza
E as vias-lácteas sendas odorantes
Alvas, tão alvas!... Sonoros mares, a onda
d’esmeralda
Pelo areal rolando luminosa...
As velas todas-chamas aclaram todo o ar.
S. Gonzaga. Literatura Brasileira. Disponível em:
<www.educaterra.terra.com.br>. (Adapt.). GUIA DE ESTUDO
Acesso em: 14 jun. 2010.
Int. de texto | Livro Único | Capítulo 6
I. Leia a página 114.
II. Faça os exercícios de 7 a 9 da seção “Revisando”.
III. Faça os exercícios propostos de 22 a 24.

INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA II 109

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MANUAL DO CADERNO MEDICINA II 45


 Orientações
Nessa aula, devem-se abordar os meios utilizados para identificar os grupos de palavras que em um texto formam
campos semânticos que concorrem para a construção do tema.

RESOLUÇÕES | EXERCÍCIOS DE SALA

1 Alternativa: D.
O texto da alternativa d é o único que não apresenta um crescimento numérico seguindo a lógica de duplicações em sequência
sobre outra duplicação anterior (crescimento exponencial). Ele apenas traz uma série de números que não se moldam a tal
raciocínio.

2 Alternativa: A.
O tema do poema é a fugacidade do tempo. O eu lírico se refere ao caráter efêmero das rosas e das folhas, associando-as
diretamente à brevidade da vida: “rosas que se apagam/em fronte a apagar-se tão cedo!”, assim como às “folhas breves”.

3 Alternativa: D.
Campo semântico é definido como um conjunto de palavras que apontam para um mesmo assunto. Na alternativa d,
todos os vocábulos remetem-se à ideia de tempo. Nas demais alternativas, há uma palavra que não pertence ao campo
semântico: (a) corpo; (b) cura; (c) alma; (e) loucura.

4 Alternativa: E.
As palavras remetem-se ao campo semântico da luminosidade.

5 a) Podem ser relacionadas: “escamas e tripas de peixe”, “ímpeto de anta bravia”, “rugindo”, “esfocinhando”.
b) A comparação entre a escrava e o animal. Nesse sentido, há uma depreciação do ser humano em razão da sua
condição. Constantemente, as personagens sofrem zoomorfização, isto é, a animalização do comportamento humano,
respeitando os preceitos da literatura naturalista.

ANOTAÇÕES

46 MANUAL DO CADERNO MEDICINA II


ANOTAÇÕES






















































MANUAL DO CADERNO MEDICINA II 47


Frente Única

Aula D�������,
17 ������������������� �
���������� ����������

 Discurso  Propaganda ideológica


Discurso será tratado aqui como sinônimo de visão de
mundo, ideologia. Todo texto traz uma visão de mundo, e A propaganda ideológica, ao contrário [dos demais ti-
ela, em cada um de nós, por exemplo, é produto de muitos pos de propaganda], é mais ampla e mais global.
discursos. Sua função é a de formar a maior parte das ideias e
convicções dos indivíduos e, com isso, orientar todo o seu
DISCURSO comportamento social. As mensagens apresentam uma
↓ versão da realidade a partir da qual se propõe a necessi-
PRODUTO DE MUITOS DISCURSOS dade de manter a sociedade nas condições em que se en-
↓ ↓ ↓ ↓ ↓ contra ou de transformá-la em sua estrutura econômica,
FAMÍLIA ESCOLA AMIGOS MÍDIA RELIGIÃO regime político ou sistema cultural.
Nélson Jahr Garcia. Propaganda ideológica e manipulação. Disponível em:
<www.ebooksbrasil.org/adobeebook/manipulacao.pdf>. pp. 10-1.
Da mesma forma que cada um de nós possui um discur- Acesso em: 12 dez. 2013.
so, também a arte, a literatura e a pintura têm uma ideolo-
gia, uma visão de mundo. Veja o excerto a seguir:
O Carnaval no Rio é o acontecimento religioso da raça. Veja alguns mecanismos empregados para a propagan-
Pau-Brasil. Wagner submerge ante os cordões de Botafogo. da a favor do governo.
Bárbaro e nosso. A formação étnica rica. Riqueza vegetal. O a) Slogans:
minério. A cozinha. O vatapá, o ouro e a dança. Brasil: ame-o ou deixe-o.
Oswald de Andrade. “Manifesto Pau-Brasil”. Slogan do governo brasileiro durante o regime militar.
b) Criação de secretarias para fins de controle do cidadão:
O manifesto de Oswald de Andrade apresenta uma – Aerp: Assessoria Especial de Relações públicasda Pre-
visão de mundo: a valorização da cultura nacional, sidência da república (Costa e Silva e Médici)
sobretudo a popular. O discurso pode variar no tempo, no – Airp: Assessoria de Imprensa e Relações Públicas
espaço, no grupo social. (Geisel)
– Secom: Secretaria da Comunicação Social.
 Interdiscursividade c) Campanha nas ruas.
A interdiscursividade é o fato de um texto remeter d) Retrato nas salas.
a uma visão de mundo que já existe. Assim, os textos de e) Nome de avenidas, ruas, praças.
Antônio Vieira mantêm uma relação interdiscursiva com o
Barroco; a obra de Pablo Picasso, com o Cubismo; Olavo
Bilac, com o Parnasianismo. O manifesto de Oswald de An-
drade, citado anteriormente, mantém uma relação inter-
discursiva com o Modernismo.

110 INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA II

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / ELIZETE.FERREIRA / 24-01-2018 (08:49)

48 MANUAL DO CADERNO MEDICINA II


Aula 17

EXERCÍCIOS DE SALA

► Texto para as questões 1 e 2. 2 Fuvest 2016 A estratégia de dominação empregada pelo


governo Médici, tal como descrita no texto, assemelha-se,
A arma da propaganda sobretudo, à seguinte recomendação feita ao príncipe ou
ao governante por um célebre pensador da política:
O governo Médici não se limitou à repressão. Distinguiu A “Deve o príncipe fazer-se temer, de maneira que, se
claramente entre um setor significativo mas minoritário da não se fizer amado, pelo menos evite o ódio, pois é
sociedade, adversário do regime, e a massa da população fácil ser ao mesmo tempo temido e não odiado”.
que vivia um dia a dia de alguma esperança nesses anos de B “O mal que se tiver que fazer, deve o príncipe fazê-lo de
prosperidade econômica. A repressão acabou com o primei- uma só vez; o bem, deve fazê-lo aos poucos [...]”.
ro setor, enquanto a propaganda encarregou-se de, pelo C “Não se pode deixar ao tempo o encargo de resolver
menos, neutralizar gradualmente o segundo. Para alcançar todas as coisas, pois o tempo tudo leva adiante e pode
este último objetivo, o governo contou com o grande avanço transformar o bem em mal e o mal em bem”.
das telecomunicações no país, após 1964. As facilidades de D “Engana-se quem acredita que novos benefícios po-
crédito pessoal permitiram a expansão do número de resi- dem fazer as grandes personagens esquecerem as an-
dências que possuíam televisão: em 1960, apenas 9,5% das tigas injúrias [...]”.
residências urbanas tinham televisão; em 1970, a porcenta- E “Deve o príncipe, sobretudo, não tocar na propriedade
gem chegava a 40%. Por essa época, beneficiada pelo apoio alheia, porque os homens esquecem mais depressa a
do governo, de quem se transformou em porta-voz, a TV Glo- morte do pai que a perda do patrimônio”.
bo expandiu-se até se tornar rede nacional e alcançar prati-
camente o controle do setor. A propaganda governamental 3
passou a ter um canal de expressão como nunca existira na Cem anos depois
história do país. A promoção do “Brasil grande potência” foi Vamos passear na floresta
realizada a partir da Assessoria Especial de Relações Públicas Enquanto D. Pedro não vem.
(AERP), criada no governo Costa e Silva, mas que não chegou D. Pedro é um rei filósofo,
a ter importância nesse governo. Foi a época do “Ninguém Que não faz mal a ninguém.
segura este país”, da marchinha Prá Frente, Brasil, que em- Vamos sair a cavalo,
balou a grande vitória brasileira na Copa do Mundo de 1970. Pacíficos, desarmados:
Boris Fausto. História do Brasil. (Adapt.). A ordem acima de tudo.
Como convém a um soldado.
1 Fuvest 2016 A frase que expressa uma ideia contida no Vamos fazer a República,
texto é: Sem barulho, sem litígio,
A A marchinha “Prá Frente, Brasil” também contribuiu Sem nenhuma guilhotina,
para o processo de neutralização da grande massa da Sem qualquer barrete frígio.
população. Vamos, com farda de gala,
B A repressão no Governo Médici foi dirigida a um setor Proclamar os tempos novos,
que, além de minoritário, era também irrelevante no Mas cautelosos, furtivos,
conjunto da sociedade brasileira. Para não acordar o povo.
C O tricampeonato de futebol conquistado pelo Brasil José Paulo Paes. O melhor poeta da minha rua. São Paulo: Ática, 2008,
p.43. (Para gostar de ler).
em 1970 ajudou a mascarar inúmeras dificuldades eco-
nômicas daquele período.
D Uma característica do governo Médici foi ter consegui-
do levar a televisão à maioria dos lares brasileiros.
E A TV Globo foi criada para ser um veículo de divulgação
das realizações dos governos militares.

INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA II 111

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MANUAL DO CADERNO MEDICINA II 49


Aula 17

O tom irônico do poema em relação à história do Brasil põe São o pão cotidiano dos grandes: e assim como pão se
em evidência come com tudo, assim com tudo, e em tudo são comidos os
A o modo como a democracia surge no Brasil por interfe- miseráveis pequenos, não tendo, nem fazendo ofício em que os
rência do Imperador. não carreguem, em que os não multem, em que os não defrau-
B a maneira despótica como os republicanos trataram os dem, em que os não comam, traguem e devorem: Qui devorant
símbolos nacionais. plebem meam, ut cibum panis. Parece-vos bem isto, peixes?
C a postura inconsequente que sempre caracterizou os Antônio Vieira. Essencial, 2011.
governantes do Brasil.
D a forma astuciosa como ocorreram os movimentos po- 4 Unifesp 2016 No sermão, Vieira critica
líticos no Brasil. A a preguiça desmesurada dos miseráveis.
B a falta de ambição dos miseráveis.
► Leia o excerto do “Sermão de Santo Antônio aos peixes” C a ganância excessiva dos poderosos.
de Antônio Vieira (1608-1697) para responder à questão 4. D o excesso de humildade dos miseráveis.
E o excesso de vaidade dos poderosos.
A primeira cousa que me desedifica, peixes, de vós, é
que vos comeis uns aos outros. Grande escândalo é este, 5 Enem
mas a circunstância o faz ainda maior. Não só vos comeis
uns aos outros, senão que os grandes comem os pequenos.
[...] Santo Agostinho, que pregava aos homens, para
encarecer a fealdade deste escândalo mostrou-lho nos pei-
xes; e eu, que prego aos peixes, para que vejais quão feio e
abominável é, quero que o vejais nos homens.
Olhai, peixes, lá do mar para a terra. Não, não: não é
isso o que vos digo. Vós virais os olhos para os matos e para Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Uni-
o sertão? Para cá, para cá; para a cidade é que haveis de verso...
olhar. Cuidais que só os tapuias se comem uns aos outros, Por isso minha aldeia é grande como outra qualquer
muito maior açougue é o de cá, muito mais se comem os Porque sou do tamanho do que vejo
brancos. Vedes vós todo aquele bulir, vedes todo aquele E não do tamanho da minha altura...
andar, vedes aquele concorrer às praças e cruzar as ruas: Alberto Caeiro
vedes aquele subir e descer as calçadas, vedes aquele en-
trar e sair sem quietação nem sossego? Pois tudo aquilo é A tira Hagar e o poema de Alberto Caeiro (um dos hete-
andarem buscando os homens como hão de comer, e como rônimos de Fernando Pessoa) expressam, com linguagens
se hão de comer. diferentes, uma mesma ideia: a de que a compreensão que
[...] temos do mundo é condicionada, essencialmente,
Diz Deus que comem os homens não só o seu povo, se- A pelo alcance de cada cultura.
não declaradamente a sua plebe: Plebem meam, porque a B pela capacidade visual do observador.
plebe e os plebeus, que são os mais pequenos, os que me- C pelo senso de humor de cada um.
nos podem, e os que menos avultam na república, estes são D pela idade do observador.
os comidos. E não só diz que os comem de qualquer modo, E pela altura do ponto de observação.
senão que os engolem e os devoram: Qui devorant.
Porque os grandes que têm o mando das cidades e das
províncias, não se contenta a sua fome de comer os peque-
nos um por um, poucos a poucos, senão que devoram e
engolem os povos inteiros: Qui devorant plebem meam. E
de que modo se devoram e comem? Ut cibum panis: não
como os outros comeres, senão como pão. A diferença que
há entre o pão e os outros comeres é que, para a carne, há GUIA DE ESTUDO
dias de carne, e para o peixe, dias de peixe, e para as frutas, Int. de texto | Livro Único | Capítulo 7
diferentes meses no ano; porém o pão é comer de todos os I. Leia as páginas de 131 a 133.
dias, que sempre e continuadamente se come: e isto é o que II. Faça os exercícios de 4 a 6 da seção “Revisando”.
III. Faça os exercícios propostos 1, 2 e 7.
padecem os pequenos.

112 INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA II

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50 MANUAL DO CADERNO MEDICINA II


 Orientações
Esta aula se inicia com a definição de discurso enquanto sinônimo de “visão de mundo” e produtor de muitos outros
discursos. Nesse contexto, inserem-se também as noções de interdiscursividade.

RESOLUÇÕES | EXERCÍCIOS DE SALA

1 Alternativa: A.
No texto, a marchinha “Prá frente, Brasil” auxiliou o processo de cancelamento da maioria da população brasileira, objetivo
do governo militar, que se valeu da telecomunicação para fazer propaganda do regime. Na televisão, a música ajudou a criar
a imagem de progresso do país e a promover a Copa do Mundo de 70, como se vê nas últimas linhas do texto.

2 Alternativa: B.
Na estratégia da alternativa b, “O mal que se tiver que fazer, deve o príncipe fazê-lo de uma só vez” assemelha-se à
repressão (o “mal”) aos opositores do governo, que não é representada por etapas no texto de Boris Fausto, daí a ideia
de “uma só vez”. Já “o bem, deve fazê-lo aos poucos” dialoga com o projeto de neutralizar gradualmente (“aos poucos”)
a massa brasileira, por meio de vários mecanismos, como o avanço das telecomunicações e seu controle, as facilidades
de créditos e a Copa de 70, entre outros.

3 Alternativa: D.
A ironia do poema está no fato de o autor escancarar o caráter palaciano e negociado das principais rupturas políticas
ocorridas na história do Brasil, sempre desprovidas de participações ou protagonismo popular.

4 Alternativa: C.
No texto, Antônio Vieira critica o fato de os poderosos explorarem os mais pobres (“[...] senão que os grandes comem os
pequenos [...]”) e de eles serem gananciosos, desejando sempre mais “pão” (“[...] vedes aquele entrar e sair sem quietação
nem sossego? Pois tudo aquilo é andarem buscando os homens como hão de comer, e como se hão de comer.”). Tal realidade
pode ser vista também no trecho “[...] Porque os grande que têm o mando das cidades e das províncias, não se contenta a sua
fome de comer os pequenos um por um, poucos a poucos, senão que devoram e engolem os povos inteiros [...]”.

5 Alternativa: A.
A maneira de conceber a realidade dependerá do discurso, do repertório, do conhecimento de mundo de cada um.

ANOTAÇÕES

MANUAL DO CADERNO MEDICINA II 51


ANOTAÇÕES

52 MANUAL DO CADERNO MEDICINA II


Frente Única

Aula
D������� ����� ������:
����������������� 18
 Intertextualidade Estilização
Ocorre a intertextualidade com um texto que cita ou- O desvio em relação ao texto original é maior do que
tro, seja no estilo, seja registrando passagens da obra ori- na paráfrase. O novo texto reproduz alguns procedimentos
ginal. Veja esse exemplo: Minha terra tem macieiras da no nível da forma e/ou conteúdo, mas inova, concordan-
Califórnia Murilo Mendes. “Canção do exílio”. O texto de do com o texto-base. Este tipo de intertextualidade resulta
Murilo Mendes mantém relação intertextual com a famosa na recriação do texto original com características perso-
“Canção do exílio”, de Gonçalves Dias. A intertextualidade é nalizadas. Veja a comparação estabelecida por Affonso de
recurso expressivo nas artes, mas também ocorre na publi- Sant’Anna em Paródia, Paráfrase & Cia:
cidade e no cotidiano.
• Estilização
Tipos de intertextualidade: Esta saudade que fere
Paráfrase Mais do que as outras quiçá
Quando houver acordo entre o texto criado e o enun- Sem exílio nem palmeira
ciado do texto-base, ambos apresentam a mesma ideolo- Onde cante o sabiá
gia. A paráfrase reafirma os elementos que compõem o Cassiano Ricardo
texto-base, reiterando o discurso deste e enfatizando suas • Paráfrase
semelhanças. A adaptação de “Cinquenta Tons de Cinza” Como era mesmo a canção do exílio?
(o romance) para o cinema é um exemplo de paráfrase. Re- Eu tão esquecido de minha terra
sumos, traduções, exposições teóricas (as que reproduzem Ai terra que tem palmeiras
conteúdos consagrados) são, também, exemplos de pará- Onde canta o sabiá
frase. Carlos Drummond

Paródia • Paródia
O texto original é rejeitado pelo enunciado da varian- Minha terra tem palmares
te intertextual, seu discurso é de oposição em relação ao onde gorjeia o mar
texto-base. Na paráfrase, o desvio entre o texto original os passarinhos daqui
e o criado é mínimo; na paródia o desvio é total. A “paró- não cantam como os de lá
dia questiona, altera, subverte a estrutura ou o sentido do Oswald de Andrade
texto original”, conforme Affonso Romano Sant’Anna, em
“Paródia, Paráfrase & Cia”. Apropriação
No poema de Carlos Drummond de Andrade, “No Também conhecida como técnica do deslocamento:
Meio do Caminho”, há uma paródia implícita do soneto Nel o objeto é colocado em outro contexto, perde sua função
Mezzo del Camin, de Olavo Bilac que, por sua vez, refere-se do cotidiano, assumindo a condição de objeto artístico. A
ao primeiro verso da Divina Comédia, de Dante Alighiere: apropriação identifica-se com a colagem e com a transfor-
“Nel mezzo del camin de nostra vita”. Drummond promo- mação de objetos produzidos pela indústria em peças de
veu uma paródia na forma, reproduzindo o quiasmo (inver- arte, como faziam os dadaístas e a denominada Pop-Arte
são dos termos). (década de 60). Ela está relacionada à arte conceitual, em
que a forma é secundária, e a realização é que importa.

INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA II 113

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / ELIZETE.FERREIRA / 24-01-2018 (08:49)

MANUAL DO CADERNO MEDICINA II 53


Aula 18

Veja a imagem a seguir: A citação e o poder de persuasão


Enquanto recurso argumentativo, recebe o nome de

Kurt Schwitters, colagem, Museu Sprengel de Hanôver


argumento de autoridade, que consiste em citar uma pes-
soa competente no assunto abordado para que as palavras
dela sustentem as afirmações do expositor. Esta citação
pode ser feita de forma direta ou indireta:

- direta: se o enunciador reproduzir exatamente o que a au-


toridade disse ou escreveu, trazendo mais credibilidade.

Já dizia Mário Quintana: “A alma é essa coisa que nos


pergunta se a alma existe...”

- indireta: se o enunciador fala ou escreve por ele, fa-


zendo algumas alterações gramaticais, por isso, com
menos credibilidade.

Mário Quintana dizia que a alma é essa coisa que nos


pergunta se a alma existe.
O texto acima é uma colagem dadaísta, o artista apro-
priou-se de diversos textos e os relacionou em uma única A primeira cria um efeito de aproximação; e a segunda
obra. O fato de não haver, necessariamente, sentido entre de distanciamento. Assim, a direta convence mais. No coti-
as partes que compõem a colagem faz parte da ideologia diano, o discurso direto impressiona mais:
desse movimento, o culto ao nonsense.
Tua mãe pediu: “volte às 14h!“. E você não voltou!
Alusão 
É uma referência a uma personagem ou a uma obra. direto: mais
persuasivo
Machado de Assis a emprega no romance Dom Casmurro,
quando cita Otelo, personagem de Shakespeare. A referên-
Tua mãe pediu que você voltasse às 14h. E você não voltou!
cia é utilizada pelo autor para que o leitor analise o conflito
de Bentinho. 
indireto: menos
persuasivo

EXERCÍCIOS DE SALA

1 Fuvest 2014

Equilíbrio. Folha de S.Paulo, 21 maio 2013.

114 INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA II

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / ELIZETE.FERREIRA / 02-02-2018 (16:37)

54 MANUAL DO CADERNO MEDICINA II


Aula 18

No texto, empregam-se, de modo mais evidente, dois re- 3 Enem Na busca constante pela sua evolução, o ser hu-
cursos de intertextualidade: um, o próprio autor o torna mano vem alternando a sua maneira de pensar, de sentir e
explícito; o outro encontra-se em um dos trechos citados de criar. Nas últimas décadas do século XVIII e no inı ́cio do
abaixo. Indique-o. século XIX, os artistas criaram obras em que predominam o
A “Você é um horror!” equilı ́brio e a simetria de formas e cores, imprimindo um es-
B “E você, bêbado.” tilo caracterizado pela imagem da respeitabilidade, da so-
C “Ilusão sua: amanhã, de ressaca, vai olhar no espelho e briedade, do concreto e do civismo. Esses artistas mistura-
ver o alcoólatra machista de sempre.” ram o passado ao presente, retratando os personagens da
D “Vai repetir o porre até perder os amigos, o emprego, a nobreza e da burguesia, além de cenas mı ́ticas e histórias
família e o auto respeito.” cheias de vigor.
E “Perco a piada, mas não perco a ferroada!” RAZOUK, J. J. (Org.). Histórias reais e belas nas telas. Posigraf: 2003.

2 Unicamp 2016 A aquarela do artista João Teófilo, aqui Atualmente, os artistas apropriam-se de desenhos, char-
reproduzida, dialoga com a pintura de Pedro Américo, “Ti- ges, grafismo e até de ilustrações de livros para compor
radentes esquartejado” (1893). obras em que se misturam personagens de diferentes épo-
Sobre a obra de João Teófilo, publicada na capa de uma re- cas, como na seguinte imagem:
vista em 2015, é possível afirmar que: A Romero Brito. “Gisele e Tom”.

B Andy Warhol. “Michael Jackson”.

(http://www.revistadehistoria.com.br/revista/edicao/118).

A Trata-se de uma obra baseada em um quadro do gêne-


ro da pintura histórica, sendo que no trabalho de Pedro
Américo o corpo de Tiradentes no patíbulo afasta-se da C Funny Filez. “Monabean”.
figura do Cristo, exemplo maior de mártir.
B Utilizando-se das mesmas formas do corpo esquarte-
jado de Tiradentes pintado por Pedro Américo, o autor
limita o número de sujeitos esquartejados e acentua o
tom conservador da aquarela.
C A imagem fala sobre seu contexto de produção na atua-
lidade, utilizando-se do simbolismo de Tiradentes, e pro-
cura ampliar a presença de negros como sujeitos sociais
nas lutas coloniais e antiescravistas.
D Tiradentes consolidou-se como um mártir nacional no
quadro de Pedro Américo, daí a necessidade do pin-
tor de retratar seu corpo esquartejado. A obra de João
Teófilo mostra que os mártires, embora negros, são um
tema do passado.

INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA II 115

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / ELIZETE.FERREIRA / 31-01-2018 (13:36)

MANUAL DO CADERNO MEDICINA II 55


Aula 18

D Andy Warhol. “Marlyn Monroe”. 5 Fuvest Leia os textos a seguir:


I. Não deis aos cães o que é santo, nem atireis aos porcos
as vossas pérolas [...].
Mateus, 7:6
II. Você pode atirar pérolas aos porcos. Mas não adianta
nada atirar pérolas aos gatos, aos cães ou às galinhas
porque isso não tem nenhum significado estabelecido.
Millôr Fernandes, Millôr definitivo: a bíblia do caos.

E Pablo Picasso. “Retrato e Jaqueline Roque com as mãos a) Considerando-se que o texto II tem como referência o
cruzadas”. texto I, qual é a expressão que, de acordo com Millôr
Fernandes, tem um “significado estabelecido”?

4 Leia os textos a seguir:

Texto I b) No texto I, os significados dos segmentos “não deis aos


Hino Nacional Brasileiro cães o que é santo” e “nem atireis aos porcos as vossas
Joaquim Osório Duque Estrada. pérolas” reforçam-se mutuamente ou se contradizem?
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores; Justifique sucintamente sua resposta.
“Nossos bosques têm mais vida
Nossa vida” no teu seio “mais amores”.
Ó Pátria amada [...]

Texto II
Canção do exílio
Gonçalves Dias.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Assinale a afirma correta:


A Há interdiscursividade e intertextualidade.
B Há intertextualidade, mas não há interdiscursividade.
C Não há intertextualidade nem interdiscursividade.
D Ambos os discursos são disfóricos.
E Ambos os textos são críticos.

GUIA DE ESTUDO
Int. de texto | Livro Único | Capítulo 7
I. Leia as páginas de 133 a 137.
II. Faça os exercícios de 1 a 3 da seção “Revisando”.
III. Faça os exercícios propostos de 8 a 10.

116 INTERPRETAÇÃO DE TEXTO | MEDICINA II

PDF FINAL / CONFIGURAÇÕES DO DOCUMENTO ATUAL / ELIZETE.FERREIRA / 02-02-2018 (16:39)

56 MANUAL DO CADERNO MEDICINA II


 Orientações
Nessa aula, discute-se a noção de intertextualidade, que possibilitará a análise dos tipos (a paráfrase, a paródia, a
estilização, a apropriação, a citação e a alusão).

RESOLUÇÕES | EXERCÍCIOS DE SALA

1 Alternativa: E.
No último quadrinho, a fala da mulher refere-se a uma expressão popular, “Perco a piada, mas não perco a ferroada!”,
caracterizando o segundo recurso de intertextualidade.

2 Alternativa: C.
A aquarela de João Teófilo ressignifica a pintura neoclássica de Pedro Américo, “Tiradentes esquartejado” (1893). Se, por um
lado, a valorização de Tiradentes, no contexto da Proclamação da República, objetivava criar uma identidade nacional branca
e cristã a partir da construção de um herói (Tiradentes), por outro lado, a aquarela em questão luta por uma outra memória
histórica ao colocar as populações negras no centro da representação.

3 Alternativa: C.
Funny Filez mescla a imagem de Mr. Bean à de Monalisa.

4 Alternativa: A.
Há a mesma visão de mundo e também a citação.

5 a) A expressão que, de acordo com Millôr Fernandes, tem um “significado estabelecido” é “atirar pérolas aos porcos”.
b) Sim, em ambos os provérbios há a ideia de que não se oferece alguma coisa a alguém se esse alguém não está preparado
para receber ou valorizar.

ANOTAÇÕES

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ANOTAÇÕES






















































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