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Universidade Federal do Pará

IFCH – Instituto de Filosofia e Ciências Sociais

DISCIPLINA: Legislação e Políticas Educacionais

DOCENTE: Fernando Filho

DISCENTE: Gabriel de Souza Maia

Segunda avaliação – Legislação e políticas educacionais (Educação Remota)

1. Introdução:

Conceituar o termo EaD pode parecer complicado quando vemos a enorme gama
de expressões que podem aparecer quando se pesquisa “Educação a distância”, como
por exemplo: E-learning (Valente 2009), Estudo independente (Peters 2001), Ensino
Flex (Moran 2017), entre outros... No entanto, o uso destas categorias não consegue, de
fato, não consegue explicar como a esfera é e se comporta no Brasil.

A variação conceitual de todos esses termos, referente à uma única modalidade


de ensino, são coisas que precisam ser analisadas caso haja a necessidade de se entender
o fenômeno do EaD, principalmente no contexto histórico em que nos encontramos.
Para alguns, o termo mais adequado seria, na verdade, “aprendizagem flexível”
(Formiga 2009), pois vivemos um período marcado por mudanças sociais, culturais e
tecnológicas, COVID-19, que nos permitem produzir e compartilhar conhecimento
entre nós com mais facilidade.

Os termos criados para explicar a Educação a Distância não possuem forças de


mudar a real aplicação da mesma e nem mudar as claras falhas estruturais que o sistema
EaD possui. No entanto, é bom lembrar que há uma segunda opção, que não se trata
apenas de um problema de nomenclatura, e que esta segunda forma pode vir a abranger
mais daquilo que foi esquecido.

2. EaD e EAD: Uma enorme diferença.


Em alguns países onde a educação, durante a período de pandemia, foi levada
mais a sério, a opção preferida foi o modelo de “Educação Aberta e a Distância” ou
EAD (com “a” maiúsculo, ao contrário de EaD). No modelo de educação aberta, todos
os aspectos culturais e sociais são levados em consideração na hora de tentar colocar em
prática aulas e atividades curriculares, são levadas em conta as mais diversas e
importantes variações do indivíduo, assim como as diferenças biológicas de cada um. O
que não foi albergado, em momento algum, pelo atual governo.

Por motivos financeiros e simbólicos, foi implementada a opção de educação


remota EaD. Nesta modalidade não existem todas as demandas e necessidades do
modelo aberto de educação, onde todos os aspectos do indivíduo conta, no entanto, foi o
modelo mais fácil a ser seguido por todas as escolas, não somente pública, mas também
as privadas. Em um modelo neoliberal educacional, como o do Brasil, é preterido as
opções que visam a melhora exclusiva da rede pública de ensino, sendo a rede privada
uma parcela que mais recebe incentivos.

Dessa forma, alunos da rede privada de ensino foram os menos impactados com
as mudanças de modelo, não sendo esquecidos daqui os alunos de baixa renda que,
mesmo assim, conseguem frequentar uma escola privada. Esses alunos de baixa renda
são igualmente marginalizados, pois estes não possuem recursos e nem acesso para a
obtenção de aparelhos eletrônicos com conexão à Internet, ficando de fora do calendário
escolar nacional por não conseguirem acesso às aulas e nem contato com os professores.

Esses alunos, que não conseguem acompanhar o ensino de sua faixa-etária,


ficam impossibilitados de competir com os alunos que possuem formas de acesso às
aulas e contato com os professores, sendo difícil a compreensão de disciplinas das séries
seguintes. O indivíduo que se vê de fora do espaço de acesso, terá, desse modo, cada
vez mais dificuldade de retornar aos espaços de perda e acompanhar o que se dá.

3. Conclusões Finais:

Com as pontuações feitas acima, é possível ver que a nomenclatura não foi
escolhida ao acaso ou por conveniência linguística, e sim pela modalidade EaD não
precisar contemplar todas as necessidades básicas do indivíduo. Logo, é perceptível
que o problema da “Educação Remota” não é o seu núcleo e forma de se ver a
educação, e sim um problema de aplicação de políticas públicas e modalidades que
claramente não funcionam e não funcionarão.
Dentro da esfera de escolas, a prioridade do corpo político seria, em tese, as
escolas públicas e os seus alunados. No entanto, é notório que as políticas
educacionais pensadas para o aluno brasileiro visam mais o sistema privado de
escolas, do que a escolas públicas ou as escolas como um todo.

REFERÊNCIAS:

- Formiga, FM. (2009). A terminologia da EaD. In: Litto, F.M.; Formiga, M. Educação
a distância: o estado da Arte. São Paulo: Pearson Prentice Hall.

- Moran, J. (2017). Educação híbrida: um conceito-chave para a educação hoje. In L


Bacich, A Tanzi Neto & F Trevisani. Ensino híbrido: personalização e tecnologia na
educação. Porto Alegre: Penso.

- ALVES, L. R. G.; MOREIRA, J. A. (Org.). Tecnologias e aprendizagens: delineando


novos espaços de interação. Salvador: Editora da UFBA, 2017. v. 1. 253p.

- BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 9.394/96 de 20 de dezembro de 1996. LDB –


Lei de Diretrizes e Bases. 1996.

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