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Assinado eletronicamente por CAROLINA VALADARES BITENCOURT, em 29/05/2022 às 11:00:56, conforme art. 1º, III, "b", da Lei 11.419/2006.

Conferência e acesso ao(s) anexo(s) deste documento em www.tjse.jus.br/autenticador. Número de Consulta: 2022001145305-74. fl: 1/4

Poder Judiciário do Estado de Sergipe


8ª Vara Cível de Aracaju

Nº Processo 202210800032 - Número Único: 0001520-53.2022.8.25.0001


Autor: ANA CLAUDIA OLIVEIRA SANTOS REIS
Réu: NATURA COSMETICOS

Movimento: Julgamento >> Com Resolução do Mérito >> Procedência em Parte

ANA CLAUDIA OLIVEIRA SANTOS, devidamente qualificada nos autos, por conduto do procurador
habilitado, ajuizou AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO C/C
INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS, em face de NATURA COSMETICOS S/A, alegando, em
síntese, que seu nome foi inserido indevidamente nos cadastros de inadimplentes dos órgãos restritivos
de crédito em 12/04/2021, referente aos supostos contratos de nº 1617648588002, no valor de R$ 221,79
(Duzentos e Vinte e Um Reais e Setenta e Nove Centavos) com a data de vencimento 18/02/2021. N°
1600052430002 no valor de R$ 285,16 (Duzentos e Oitenta e Cinco Reais e Dezesseis Centavos) com a
data do vencimento 05/03/2021 N° 1617648588003 no valor de R$ 221,82 (Duzentos e Vinte e Um e
Oitenta e Dois Centavos), com a data do vencimento 18/03/2021, pela empresa requerida.

À vista disso, requer seja declarada a inexistência dos débitos em questão; a condenação da requerida ao
pagamento de indenização de danos morais no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais), sem prejuízo de
custas e honorários.

Instruiu o feito com documentos.

Gratuidade da justiça deferida e tutela postergada.

Validamente citada, a requerida apresentou peça contestatória com documentos, obtemperando o pleito
autoral com as razões de fato e de direito ali descritas, pugnando pela improcedência da demanda.

Manifestação à contestação apresentada.

Instadas as partes acerca da produção de outras provas, as partes pugnaram pelo julgamento antecipado.

Vieram-me os autos conclusos para decisão.


Assinado eletronicamente por CAROLINA VALADARES BITENCOURT, em 29/05/2022 às 11:00:56, conforme art. 1º, III, "b", da Lei 11.419/2006.
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É o relatório. Decido.

Inicialmente, cumpre ressaltar que a questão ventilada nos autos é fática e jurídica, dispensando-se, no
entanto, a produção de provas em audiência, fato este que enseja o julgamento antecipado da lide, nos
termos do artigo 355, do Novo Código de Processo Civil.

Existindo matéria preliminar a ser apreciada por este juízo, passo a análise.

A requerida alega ser parte ilegítima para figurar no polo passivo da demanda uma vez que cedeu seu
crédito a terceiro.

Sem razão a requerida, tendo em vista que, conforme comprova documento juntado ás fls.19 dos autos
materializados, fora ela responsável pela negativação do nome da autora.

Ultrapassada a preliminar, adentro ao mérito.

Versam os presentes autos acerca de pedido declaratório de inexistência de débito e indenização por
danos morais em razão dos supostos constrangimentos sofridos pela autora decorrentes da inscrição de
seu nome junto às instituições de proteção ao crédito, referente a débitos que, segundo afirma,
desconhece.

Analisando o acervo probatório acostado aos autos, percebo que, de fato, a requerida incluiu o nome da
autora nos órgãos de proteção ao crédito em virtude de inadimplência dos contratos supostamente
pactuados.

Em que pese as alegações contidas na peça contestatória, não há nos autos prova cabal que demonstre
que a autora tenha se tornado uma Consultora de Beleza Natura. Ressalto que, em sua inicial, a autora
informa que preencheu proposta para ser revendedora mas o seu cadastro não fora aceito.

Acontece que, conforme art. 434 do CPC, incumbe à parte instruir a contestação com os documentos
destinados a provar suas alegações, o que não ocorreu.

Conforme observado na documentação acostada pela requerida, não vislumbro a presença dos contratos
supostamente anuídos pela autora ou qualquer documento que demonstre a relação contratual entre as
partes. Sequer juntou notas fiscais com comprovante de recebimento das mercadorias entregues à autora.
Assinado eletronicamente por CAROLINA VALADARES BITENCOURT, em 29/05/2022 às 11:00:56, conforme art. 1º, III, "b", da Lei 11.419/2006.
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Em verdade, a requerida se limitou a colacionar imagens de telas de sistema de informática que não
possuem força probatória, uma vez que produzidas unilateralmente.

Ora, sabe-se que tal ônus competia à requerida e que dele não se desincumbiu, contrariando assim, o que
dispõe o art. 373, II, do CPC, que encarrega o réu de promover a prova dos fatos impeditivos,
modificativos e extintivos do direito do autor.

Além disso, resta evidenciada a ilegítima inscrição do nome da autora nos órgãos protetivos de crédito,
motivo pelo qual merece prosperar o pedido de reconhecimento de inexistência do débito objeto da lide e
pertinente o dever de ressarcimento.

Logo, comprovada a ilegitimidade do débito e a inserção indevida do nome da autora nos cadastros de
proteção ao crédito, bem assim comungando com os posicionamentos transcritos acima, entendo que
resta caracterizado o dano moral.

Em que pese a requerida alegar que a autora possui outras negativações cabendo a aplicação da Súmula
385 do STJ, vemos através da relação acostada à contestação ( fls. 48/51) que as anotações não são
preexistentes à discutida nos autos.

Outrossim, entendo que a inscrição do nome nos cadastros dos inadimplentes ultrapassa a órbita do mero
aborrecimento. É certo que a situação em questão teve razoável potencial de causar constrangimento a
parte autora, constituindo, assim, causa suficiente para caracterizar o dano.

Portanto, levando em consideração o status social do ofendido, a amplitude do dano e a capacidade


financeira do ofensor, de molde a coibi-lo de futuras reincidências, não representando nenhum
enriquecimento ilícito da vítima, fixo o quantum indenizatório pelo dano moral em R$ 2.000,00 (dois mil
reais).

A antecipação dos efeitos da tutela pretendida, nos termos do art. 300 do CPC/2015, é a exclusão do
nome da requerente dos cadastros de restrição ao crédito, SPC e SERASA.

Com tais considerações, e reconhecendo a inexistência do débito e a irregularidade na inclusão do nome


da autora nos cadastros de restrições ao crédito, concedo a tutela antecipada para determinar que o
requerido proceda com a exclusão do nome da requerente do cadastro de inadimplentes SPC
/SERASA em relação ao débito sub judice, no prazo de 10 (dez) dias. Fixo multa diária de
R$ 300,00 (trezentos reais), limitada a trinta dias, a ser revertida em favor do demandante, em caso
de descumprimento.

Ante o expendido, ratificando a tutela acima, e o mais contido nos autos, JULGO PROCEDENTE EM
PARTE os pedidos autorais, declarando a inexistência do débito objeto da presente lide e condeno a
requerida ao pagamento da quantia de R$ 2.000,00 (dois mil reais), a título de compensação por danos
morais, atualizados com juros de mora de 1% ao mês a contar do evento danoso e correção monetária da
presente decisão.
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Por fim, condeno a requerida ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios que arbitro
em 20% sobre o total da condenação.

P.R.I

Documento assinado eletronicamente por CAROLINA VALADARES BITENCOURT,


Juiz(a) de 8ª Vara Cível de Aracaju, em 29/05/2022, às 11:00:56, conforme art. 1º, III,
"b", da Lei 11.419/2006.

O acesso aos documentos anexados bem como à conferência de autenticidade do


documento estão disponíveis no endereço www.tjse.jus.br/autenticador, mediante
preenchimento do número de consulta pública 2022001145305-74.

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