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Sindicatos são entidades fundadas e mantidas pelos próprios trabalhadores para defenderem

seus interesses nas relações de trabalho com o objetivo de se defenderem da exploração da


mão-de-obra e reivindicarem melhores condições de trabalho. No Brasil, a história do
sindicalismo foi iniciando-se no período do Estado Novo de Vargas os sindicatos dos
trabalhadores foram submetidos a um rígido controle, quando a sociedade política lhes impõe
uma legislação inspirada no modelo italiano fascista de Mussolini. Somente os anos finais da
década de 70, teve início uma reação a partir das bases do movimento operário, restrita a
princípio aos grandes centros industriais, reivindicando mudanças na lei salarial e na própria
estrutura e funcionamento dos sindicatos.
Atualmente as prerrogativas e deveres dos sindicatos estão especificados pela CLT, que
determina também todos os aspectos relacionados ao seu funcionamento. De acordo com a
lei, os sindicatos devem: colaborar com os poderes públicos no desenvolvimento da
solidariedade social, manter assistência judiciária aos sócios, promover a conciliação nos
dissídios de trabalho, promover, na medida do possível, através de convênios com entidades
assistenciais ou por conta própria, a cooperação operacional na empresa e a integração
profissional na classe. Deve-se ressaltar o efeito da última prerrogativa citada pela lei, que
obriga todo profissional a pagar a contribuição sindical independente de ser sindicalizado. são
cobradas no início do ano, e depositadas numa conta corrente na Caixa Econômica Federal
intitulada "Depósitos da Arrecadação da Contribuição Sindical", devendo o Ministério do
Trabalho ser informado a respeito dos créditos ocorridos sendo dividido da seguinte forma:
5% para a Confederação correspondente; 15% para a Federação correspondente; 60% para o
respectivo sindicato e 20% para a "Conta Especial Emprego-Salário", administrada pelo
Ministério do Trabalho. No caso dos psicólogos, a categoria faz parte da Confederação
Nacional das Profissões Liberais que fica com 20% da contribuição sindical dos
profissionais. Assim, a Confederação recebe também a porcentagem prevista para a
Federação, a qual só poderá ser fundada a partir da existência de 5 sindicatos de psicólogos.
Na prática, portanto, o sindicato pode ser o espaço para os profissionais discutirem questões
como condições de trabalho, desemprego etc., e, ao discuti-las, estarão analisando a própria
sociedade, uma vez que as condições de trabalho se relacionam diretamente com a questão da
qualidade de serviço prestada à população e, portanto, com a própria condição desta
população. Além disso o sindicato pode ser um instrumento de engajamento no movimento
nacional dos trabalhadores, uma vez que os problemas trabalhistas, em última instância,
afetam a todos.
Para transformação em sindicato, primeiramente é preciso que a Assembleia da Associação
Profissional aprove a proposta; em seguida é necessário adaptar o estatuto à legislação
sindical e finalmente requerer a autorização do Ministério do Trabalho. A lei ainda exige dos
diretores da associação provas de boa conduta e de que não professam ideologias
incompatíveis com as instituições e interesses da Nação. Caberá ao Ministro do Trabalho
autorizar a transformação da associação profissional em sindicato, através da carta de
reconhecimento sindical, levando-se em conta, entre outros, os seguintes critérios: número de
associados (permanece a exigência de 1/3 de profissionais da região), serviços sociais
fundados e mantidos e. o valor do patrimônio.
Atualmente, existem sindicatos de psicólogos nos Estados de São Paulo, Rio Grande do Sul,
Rio de Janeiro e Paraná. Em outros estados residem associações de psicólogos que não se
caracterizam sindicatos tendo essas entidades realizado IV encontros para discussão de
diversos assuntos, mas principalmente questões do mercado de trabalho, dissídio, salário
mínimo profissional e desemprego. Ocorridos na seguinte ordem cronológica (novembro de
81, abril de 82, outubro de 82 e maio de 83).
O maior problema que as associações e sindicatos de psicólogos têm enfrentado diz respeito à
participação da categoria sendo este problema não específico das entidades de Psicólogos.
Dados estatísticos têm demonstrado que em outras categorias a porcentagem dos associados
nos sindicatos também é baixa. O fato de a maioria da categoria não assumir a profissão em
toda a sua plenitude, tem gerado uma situação de desmotivação e desvalorização dos
problemas trabalhistas que afetam os profissionais, como as condições ruins de trabalho,
baixo salário, desemprego etc. Uma vez que tais questões não têm recebido a devida
importância, a questão sindical consequentemente também não receberá, permanecendo
estranha ainda para a maioria dos profissionais, embora quase todos reconheçam verbalmente
a necessidade do sindicato (Dieese - SP). O problema central, sem dúvida, é a questão da
consciência que se tem a respeito das relações sociais, dos problemas que afetam a
população, da importância social do trabalho, da relevância da profissão assumida, questões
estas que refletem o próprio compromisso político do profissional.

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