Você está na página 1de 37

1

ALEXANDRE NASCIMENTO SILVA

O PAPEL DO MUNICÍPIO NA SEGURANÇA


PÚBLICA E SUAS AÇÕES DE PREVENÇÃO

Trabalho de conclusão de curso apresentado à


Faculdade Praia Grande como parte dos
requisitos curriculares para obtenção do título
de bacharel em Direito.

Orientador: Pedro Lazarini Neto

Praia Grande
2018
2

Dedico este trabalho primeiramente a Jesus


Cristo, minha família, minha companheira,
orientador e principalmente a minha mãe por
ter me dado todo o apoio necessário para que
eu chegasse aqui.
3

AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente a Deus por sempre me proteger, a minha família por me apoiar nessa
jornada acadêmica, a minha companheira por estar ao meu lado nos momentos mais difíceis.
Agradeço a todos os funcionários e especialmente aos professores da instituição pela
paciência nesses anos de curso. E por fim ao meu professor e orientador pelos os
ensinamentos.
4

RESUMO

O presente estudo teve como objetivo demonstrar o papel do município na segurança pública
e as principais ferramentas disponíveis ao município no combate a violência e criminalidade.
A metodologia cientifica foi a de revisão de literatura, através de livros, artigos, legislações,
revistas, site científicos e jurídicos, e diagnósticos sobre segurança pública, permitindo o
estudo detalhado e fornecendo informações extremamente enriquecedoras a pesquisa. Desta
forma foi possível compreender que com o aumento significativo da violência e da
criminalidade, a sociedade exigiu a participação do município na segurança pública, e com
isso o município passou a ter um papel importantíssimo na segurança pública, principalmente,
por possuir as ferramentas mais adequadas ao combate da violência e criminalidade, além do
que possibilitou um novo modelo de segurança pública de prevenção e aproximação da
sociedade, que até então não existia, por parte dos Estados e da União. Concluir-se que as
transformações sociais exige um modelo novo de segurança pública voltada ao cidadão, o
qual envolva toda a sociedade nas discussões de segurança.

Palavras - chaves: Segurança Pública; Violência; Criminalidade; Prevenção; Aproximação;


Sociedade.
5

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 6
2. PROBLEMATIZAÇÃO ....................................................................................................... 10
3. JUSTIFICATIVA ................................................................................................................. 12
4. OBJETIVO ........................................................................................................................... 14
4.1 Objetivo Geral ................................................................................................................ 14
4.2 Objetivos específicos ...................................................................................................... 14
5. HIPÓTESE ........................................................................................................................... 15
6. CAPÍTULO I - O PAPEL DO MUNICÍPIO NA SEGURANÇA PÚBLICA ..................... 16
6.1 Previsão Constitucional .................................................................................................. 16
6.2 Desordem Urbana, Violência e Criminalidade ................................................................ 19
7. CAPÍTULO II - DIAGNÓSTICO DA VIOLÊNCIA ........................................................... 21
7.1 Conhecendo seus problemas de segurança pública ....................................................... 21
8. CAPÍTULO III - AÇÕES PREVENTIVAS ......................................................................... 23
8.1 Ações de plano educacional, programa e participação .................................................. 23
8.2 Ações de prevenção contra a desordem urbana ............................................................. 24
8.3 Ações de prevenção pelo serviço público ...................................................................... 25
8.4 Ações de território ......................................................................................................... 26
8.5 Atuação voltada ao problema ........................................................................................ 27
9. CAPÍTULO IV - CONTROLE INTERNO E EXTERNO ................................................... 28
9.1 Gabinete de Gestão Integrada Municipal ...................................................................... 28
9.2 Controle interno e externo ............................................................................................. 29
9.3 Canal de Acesso ao Cidadão ......................................................................................... 29
10. CAPÍTULO V - PROGRAMAS NACIONAIS DE SEGURANÇA PÚBLICA ............... 31
10.1 Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania ......................................... 31
10.2 Sistema Único de Segurança Pública, e a Política Nacional de Segurança Pública e
Defesa Social ............................................................................................................................ 31
10.3 Fundo Nacional de Segurança Pública ....................................................................... 32
11. METODOLOGIA DE PESQUISA .................................................................................... 33
12. CONCLUSÃO .................................................................................................................... 34
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA .......................................................................................... 35
6

1. INTRODUÇÃO

O processo político de segurança pública já algum tempo vem passando por


transformações consideráveis, inicialmente tínhamos apenas a União como responsável pela
segurança pública, posteriormente os Estados e agora chegamos ao momento em que o
município terá um papel fundamental na segurança pública.
Para que possamos compreender a segurança pública na atualidade é preciso conhecer
o processo de modernização e descentralização ao longo do tempo nas constituições; na
constituição de 1824 1, O imperador como Chefe do Poder Executivo possuía entre as suas
atribuições a de prover a segurança interna, e externa do Estado, em agosto de 1831, foi criada
a Lei de 18 2 , criando as Guardas Nacionais, para defender a Constituição, a liberdade,
independência, e integridade do império, para manter a obediência e a tranquilidade pública, e
auxiliar do Exercito de linha na defesa das fronteiras e costas; as constituições de 1891 3 e
1934 4 mantiveram como responsabilidade a do Presidente da segurança interna do País; em
17 de janeiro de 1936, foi instituída a Lei Nº. 192 5 que regulava as atividades das polícias
militares e as vinculava às unidades da federação, entretanto, a constituição 1937 6 manteve
em seu texto a responsabilidade do Presidente da segurança interna do País; somente na
constituição de 1946 7, os Estados foram inseridos também como responsáveis pela segurança
interna e manutenção da ordem, considerados como forças auxiliares e reservas do Exército; a
constituição de 1967 8 manteve os mesmos ideais da constituição de 1946 em relação à
segurança interna e manutenção da ordem; nossa atual constituição de 1988 9 inovou com a

1
Constituição Política do Império do Brasil (de 25 de Março de 1824).
2
Lei de 18 de agosto de 1831- Cria as Guardas Nacionais e extingue corpos de milícias, guardas municipais e
ordenanças.
3
Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil (de 24 de fevereiro de 1891).
4
Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil (de 16 de julho de 1934).
5
Lei Nº 192, de 17 de janeiro de 1936, Reorganiza, pelos Estados e pela União, as Polícias Militares sendo
consideradas reservas do Exercito.
6
Constituição dos Estados Unidos do Brasil (de 10 de novembro de 1937).
7
Constituição dos Estados Unidos do Brasil (de 18 de setembro de 1946).
8
Constituição da República Federativa do Brasil de 1967.
9
Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.
7

palavra segurança pública e atribuiu o dever 10 da segurança pública ao Estado, direito e


responsabilidade de todos.
A Constituição Federal (CF) de 1988 estabeleceu de forma objetiva e sucinta que a
Segurança Pública é dever do Estado. O legislador ao recepcionar na CF 1988 o município
como um dos titulares do dever da Segurança Pública também especificou as suas
competências de atuação, contudo, podemos até considerar que limitou 11 a competência do
município em relação à segurança pública, haja vista que atribuiu apenas proteção de seus
bens, serviços e instalações.
Desta forma podemos concluir que em relação aos demais entes federativos do Estado,
o município foi responsabilizado com uma parcela menor, porém não tão menos importante.
Também é importante destacar que o legislador atribuiu a competência do policiamento
ostensivo e preservação da ordem pública aos Estados.
Com índice de violência e criminalidade cada vez maior, inclusive atingindo as
cidades pequenas e as rurais, o município não pôde se restringir ao §8° do IV, Art. 144 da CF,
em apenas proteger bens, serviços e instalações, foi necessário também a sua participação
efetiva na proteção das pessoas. Ao zelar pela proteção dos bens, instalações e serviços surgiu
um importante questionamento, como zelar pelos patrimônios sem proteger as pessoas, já que
as pessoas estão inseridas neles. Se considerarmos os bens de uso comum do povo ou de
domínio do povo como as ruas, praças e estradas, para garantir a proteção desses bens
também deverá garantir a proteção das pessoas que os utilizam.
Diante da necessidade de atender as demandas de Segurança Pública os municípios
tiveram maior participação na segurança pública com: investimentos e apoio as polícias
militar e civil, constituição da Guarda Municipal (GM), implantação de equipamentos
tecnológicos e aquisição de equipamentos para atender as demandas operacionais e
administrativas dos órgãos de segurança. Em 2000 foram aplicados pelos municípios R$ 1,06
bilhões na segurança pública, em 2015 R$ 4,53 bilhões, entre 2000 a 2015, houve crescimento
continuado em investimento de acordo com a Revista Brasileira de Segurança Pública 12. Em

10
CF, Art.144 “Art.144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida
para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes
órgãos”.
11
CF 88, Art. 144, §8, “§8 Os municípios poderão constituir guardas municipais destinadas à proteção de seus
bens, serviços e instalações, conforme dispuser a lei”.
12
É uma publicação semestral interdisciplinar do Fórum Brasileiro de Segurança Pública que tem como objetivo
contribuir para a ampliação e consolidação do campo de estudos sobre segurança pública através da
publicação de trabalhos originais nas seguintes categorias: estudos teóricos, revisões críticas de literatura,
relatos de pesquisa, notas técnicas e resenhas.
8

2017 foram gastos pelos municípios em segurança pública R$ 5,1 bilhões, conforme Anuário
Brasileiro e Segurança Pública 2018 13.
O cidadão em busca de soluções efetivas e proteção vem questionando a administração
pública municipal, pois o Estado mais próximo do cidadão é o município, além do que o
cidadão reside, trabalha e convive no município, considerando ainda que as políticas de
segurança pública inseridas pelos os Estados não tem demonstrado soluções, ao contrário,
houve o grande aumento da violência e criminalidade, claro que não podemos desconsiderar
alguns fatores que implicam nas políticas de segurança pública como o sistema penal e
carcerário, mas o tema não discorrerá sobre tais assuntos.
Com a participação mais presente de alguns municípios na segurança pública,
principalmente, com a GM, o município precisou ter uma posicionamento mais ativo 14 no seu
entendimento de atuação, mas sempre buscando o interesse coletivo.
A GM passa a ter um papel diferenciado dos demais órgãos de segurança pública, pois
possui característica de aproximação do cidadão e policiamento preventivo.
O Governo Federal ao verificar a participação, cada vez mais efetiva da administração
pública municipal e a necessidade de desmonopolizar 15 a segurança pública em pró da
sociedade, promulgou a Lei Nº. 13022 16, de 08 de agosto de 2014, Estatuto Geral das Guardas
Municipais.
Nesse novo cenário com a publicação do Estatuto Geral das Guardas Municipais
foram estabelecidos princípios 17 , para garantir atuação da GM sem que haja conflitos de
competência, e respectivamente a GM perca a sua identidade.
O modelo de aproximação e prevenção deverá substituir o modelo atual das policias,
desmonopolizando a segurança pública estadual e incluindo a GM como polícia municipal,
seguindo os mesmos modelos de policias municipais como em países desenvolvidos, por

13
É atualmente uma fonte imprescindível de dados sobre a segurança pública no país. Concebido com o
objetivo de suprir a falta de conhecimento consolidado, sistematizado e confiável no campo, compila e analisa
dados de registros policiais sobre criminalidade, informações sobre o sistema prisional e gastos com segurança
pública.
14
Não bastava apenas à proteção de seus bens, serviços e instalações, mas também a proteção das pessoas,
através do patrulhamento preventivo.
15
Até a CF 1988, os estados possuíam o monopólio do patrulhamento e a preservação da ordem pública, com a
publicação do Estatuto Geral das Guardas Municipais em 2014, foi previsto o patrulhamento preventivo aos
municípios.
16
Lei Nº 13.022, de 8 de agosto de 2014, Dispõe sobre o Estatuto Geral das Guardas Municipais.
17
Lei Nº 13.022 de 2014, Art. 3º, “Art. 3º São princípios mínimos de atuação das guardas municipais: I –
proteção dos direitos humanos fundamentais, do exercício da cidadania e das liberdades pública; II –
preservação da vida, redução do sofrimento e diminuição das perdas; III – patrulhamento preventivo; IV –
compromisso com a evolução social e comunidade; e V – uso progressivo da força”.
9

exemplo, a polícia municipal da Islândia, Áustria, Portugal, República Tcheca, Suíça, Canadá
e Japão.
10

2. PROBLEMATIZAÇÃO

O crescente aumento de violência e criminalidade nas cidades tem colocado toda


sociedade em alerta e medo constante, os modelos atuais de segurança não são eficientes. Os
Estados que até então possuíam o monopólio da segurança pública, não tem apresentado
resultados que possam demonstrar qualquer melhora, seja no presente ou para o futuro.
É evidente que o cidadão não possui qualquer confiança ou se sente seguro nos
modelos atuais de Segurança Pública, o cidadão está cada vez mais afastado das politicas de
segurança. As políticas atuais de segurança pública esta voltada ao criminoso e não ao
cidadão de bem.
É preciso um novo modelo de policiamento que possa se aproximar do cidadão de
bem, geralmente conhecido como polícia comunitária ou polícia cidadã, contudo as polícias
dos estados foram previstas na CF 1988 como polícia ostensiva e para a preservação da ordem
pública, além do que, muitas foram fortalecidas no regime militar 18 e mesmo com o fim da
ditadura não abandonaram seu autoritarismo 19.
Os estados distribuem o efetivo policial nos municípios considerando apenas o número
de habitantes, sem levar em conta a violência e a criminalidade, e dentro do município o
policiamento estadual é baseado na quantidade de ocorrências registradas nas delegacias sem
levar em conta a violência e crimes não registrados.
Os estados focam apenas na violência e na criminalidade como fatores que implicam
na segurança pública.
Muitos municípios mesmo com a previsão do “dever” da CF 1988 em relação à
segurança pública e a publicação do estatuto das GM, não atuam de forma efetiva, é muito
comum os municípios atribuírem a responsabilidade da segurança pública aos Estados, sem
conhecer os seus problemas de segurança pública.
O controle das policias estaduais ficam a cargo do estado limitando qualquer
interferência do município seja administrativamente ou operacionalmente.
A CF 1988 possibilitou a constituição de uma instituição de segurança pública pelo
município para proteção de seus bens, serviços e instalações, porém muitos municípios não

18
Decreto-Lei Nº 667, de 2 de julho de 1969, Reorganiza as Polícias Militares e os Corpos de Bombeiros
Militares dos Estados, dos Territórios e do Distrito Federal, e dá outras providências.
19
É caracterizado por obediência absoluta ou cega à autoridade, oposição à liberdade individual e expectativa
de obediência inquestionável da população.
11

constituíram, aderindo apenas o apoio as policiais Estaduais as quais os municípios não


possuem qualquer autoridade de subordinação. Diante das informações citadas serão tratados
os seguintes questionamentos.
É possível a atuação mais efetiva do município na segurança pública? O município
poderá criar políticas de segurança pública que aproxime o cidadão ao Estado? Esse novo
modelo de instituição de segurança pública previsto para o município possui como principal
objetivo a prevenção? O município poderá estabelecer critérios mais técnicos e objetivos para
combater a violência e criminalidade? O município poderá focar em outros fatores que
implicam na segurança pública? Quando o município assume definitivamente a
responsabilidade da segurança pública, passa também a conhecer suas reais dificuldades? O
município deverá criar mecanismos de controle interno e externo de ações? A Guarda Civil
Municipal é realmente uma ferramenta importante para esse novo cenário de segurança
pública?
12

3. JUSTIFICATIVA

As políticas de segurança pública da União e dos Estados não são suficientes ao


combate da violência e criminalidade, em 2017 o Brasil registrou 63.880 mortes violentas
intencionais segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública - 2018.
O Município também foi relacionado no texto constitucional como um dos entes
responsável no dever da Segurança Pública, entretanto, se colocava em um papel menos
atuante, até que a violência e a criminalidade atingiram consideravelmente todas as cidades do
país, com a participação cada vez mais efetiva de alguns municípios, em 2014, foi sancionado
o Estatuto das Guardas Civis Municipais, Lei que possibilitou o entendimento mais amplo da
responsabilidade do município.
Diante desse novo cenário será de extrema importância a discussão sobre a
responsabilidade do município na segurança pública, pois há um grande caminho a ser
percorrido e não é simplesmente copiar os modelos atuais, dos quais já demostraram serem
ineficientes, o município precisará ter uma visão técnica, planejada e especializada.
SILVA (2015, p. 67) compreende que as políticas de Segurança Pública aplicadas pelo
município não devem estar voltadas apenas aos criminosos, mas aos cidadãos de bem,
diferente da atuação do estado, conforme vislumbrado pelo Estatuto das Guardas Municipais a
GM tem como objetivo estabelecido o patrulhamento preventivo visando sempre o cidadão.
Serão demonstrados outros fatores dentro da sociedade que influencia na violência e
criminalidade, e que muitas vezes só ocorre porque há a ausência do Estado.
Considerando ainda que será de extrema importância exemplificar ações preventivas e
de aproximação que possam ser adotadas pelo município. Com o objetivo de trazer a
sociedade como parceira no combate a violência e criminalidade, inclusive as instituições não
governamentais.
O estudo pretende afirmar que o município possui as ferramentas necessárias para o
enfrentamento da violência e criminalidade dentro do seu território. É claro que dependendo
do ilícito a ser enfrentando dependerá da integração com os outros entes federativos.
E por fim os meios de controle interno e externo das ações promovidas pelo
município.
Assim a produção científica tem como objetivo apropriar-se da realidade para melhor
analisá-la e, posteriormente, produzir transformação, a discussão sobre a responsabilidade do
13

município na segurança pública, além de aspecto prático muito relevante, reveste-se de


importância para o meio acadêmico.
14

4. OBJETIVO

4.1 Objetivo Geral

Analisar o papel do município na segurança pública e quais as suas ações no combate


a violência e criminalidade.

4.2 Objetivos específicos

Para que se possam analisar quais ações devem ser desenvolvidas pelo município no
combate a violência e criminalidade, completando assim o objetivo geral, seguem-se os
procedimentos específicos abaixo.
• Diferenciar desordem urbana, violência e crime;
• Conhecer e demonstrar os problemas de segurança pública a nível municipal;
• Verificar as ações desenvolvidas para prevenção da violência e criminalidade;
• Verificar as ações desenvolvidas de aproximação ao cidadão;
• Apresentar mecanismos de controle das ações.
15

5. HIPÓTESE

O combate à violência e criminalidade dependerá definitivamente da participação


efetiva do município. Nesse novo cenário da política de segurança pública o município tem
um papel fundamental. Esse envolvimento para que possa ter êxito será preciso ocorrer de
forma técnica, planejada e especializada, considerando, principalmente a participação de toda
a sociedade. Conhecendo o seu território o município poderá desenvolver melhores
ferramentas para o combate da violência e criminalidade.
16

CAPÍTULO I

6. O PAPEL DO MUNICÍPIO NA SEGURANÇA PÚBLICA

6.1 Previsão Constitucional

Há muito tempo os administrares públicos e a sociedade possuem o entendimento que


apenas os Estados e a União são responsáveis pela Segurança Pública, é muito comum às
pessoas e os próprios administradores públicos municipais afirmarem que o município não
possuía competência para combater a violência e a criminalidade do município, conforme
defendido por GUGLIELMETTI 20 (2012, p. 68).
No caput do Art. 144, da CF 1988 o município foi incluso como um dos entes que tem
o dever da responsabilidade de segurança pública.
"Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é
exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio,
através dos seguintes órgãos" (BRASIL, 1988) 21.
Mas o §8° da CF, Art. 144, IV, o legislador deixou a critério do município em
constituir um órgão de atuação policial, pois no texto constitucional definiu como “poderão”,
mas muitos municípios ainda optaram por não constituir já que tem caráter discricionário,
desta forma muitos municípios deixaram de constituir uma das principais ferramentas no
combate a violência e criminalidade.
"§8° Os municípios poderão constituir guardas municipais destinadas à proteção de
seus bens, serviços e instalações, conforme dispuser a lei" (BRASIL, 1988).
Para entender essa nova perspectiva, é interessante lembrar o contexto da
Constituição de 1988, que aprofundou os princípios de descentralização
administrativa, conferindo a estados e municípios novos papéis. A
responsabilidade sobre a Segurança Pública, nesse conceito, passa a ser

20
Silas Antonio Guglielmetti, pós-graduado em Segurança Pública e Direito, Oficial da Reserva do Exército
Brasileiro, Oficial da Polícia Militar, responsável pela Implantação da Secretaria Municipal de Segurança Pública
e Social da Cidade de São Vicente, fundou o Conselho de Segurança Pública Municipal da Baixada Santista, o
primeiro Conselho Metropolitano a nível Brasil, sendo o 1º Presidente.
21
Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.
17

prioritariamente dos estados, por serem este os responsáveis pela gestão das
polícias civil e militar (LOPES & LEMOS, sd) 22.

Enquanto o país não sofria com a violência e criminalidade não houve qualquer
preocupação por parte dos administradores públicos municipais, optando por não constituir o
seu órgão policial, somente algumas cidades que possuíam demandas atípicas, como as
cidades litorâneas, e mesmo assim até 2014, alguns seguiam apenas o que está descrito no
texto constitucional quando diz que: GM destinada à proteção de seus bens, serviços e
instalações.
Com o aumento significativo das populações e os problemas sociais, gerando,
respectivamente a violência e criminalidade atingindo toda a sociedade, diversos municípios
se viram envolvidos diretamente com soluções no combate a violência e criminalidade. No
inicio houve somente a preocupação em apoiar as policiais militar e civil com investimentos,
entretanto, a violência e criminalidade continuavam aumentando, e a população cada vez mais
desacreditada do Estado.
Não é somente a violência e criminalidade que atinge os municípios a desordem
urbana possui um fator determinante, mas como inserir uma policia estadual que foi
constituída como uma polícia ostensiva e que não há qualquer relação no combate à desordem
urbana.
Conforme §5 da CF 1988, Art. 144, IV "§5 Às policiais militares cabem a polícia
ostensiva e a preservação da ordem pública; aos corpos de bombeiros militares, além das
atribuições definidas em lei, incumbe a execução de atividades de defesa civil" (BRASIL,
1988).
Assim não houve o resultado esperado, desta forma alguns municípios preocupados
com a violência e criminalidade constituíram a GM, outros que já possuíam resolveram

22
Hálisson Rodrigo Lopes possui Graduação em Direito pela Universidade Presidente Antônio Carlos (2000),
Licenciatura em Filosofia pela Claretiano (2014), Pós-Graduação em Direito Público pela Faculdade de Direito
do Vale do Rio Doce (2001), Pós-Graduação em Direito Administrativo pela Universidade Gama Filho (2010),
Pós-Graduação em Direito Civil e Processo Civil pela Faculdade de Direito do Vale do Rio Doce (2011), Pós-
Graduação em Direito Penal e Processo Penal pela Universidade Estácio de Sá (2014), Pós-Graduação em
Gestão Pública pela Universidade Cândido Mendes (2014), Pós-Graduado em Direito Penal e Processo Penal
pela Faculdade de Direito do Vale do Rio Doce (2014), Pós-Graduado em Direito Educacional pela Claretiano
(2016), Mestrado em Direito pela Universidade Gama Filho (2005), Doutorando em Ciências de Comunicação
pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS). Atualmente é Professor Universitário da Faculdade de
Direito do Vale do Rio Doce (FADIVALE) nos cursos de Graduação e Pós-Graduação e na Fundação Educacional
Nordeste Mineiro (FENORD) no curso de Graduação em Direito; Coordenador do Curso de Pós-graduação da
Faculdade de Direito do Vale do Rio Doce (FADIVALE). Associado ao Conselho Nacional de Pesquisa e Pós-
Graduação em Direito (CONPEDI); e Assessor de Juiz – Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais – Comarca
de Governador Valadares. Natália Spósito Lemos, Bacharel em Direito Pós-Graduanda em Direito Público -
Faculdades Doctum de Teófilo Otoni.
18

estruturar ainda mais. Com o número já elevado da violência e criminalidade os municípios,


através da GM foram envolvidos em um papel muito maior do que apenas proteção de seus
bens, serviços e instalações.
“Há também amplo consenso sobre as limitações e deficiências das políticas de
segurança pública do governo estadual e do governo federal e sobre a necessidade de maior
participação dos governos municipais e sociedade civil na resolução dos problemas de
segurança pública” (PALMIERI, et al., 2003, p. 91) 23.
Quando os municípios foram envolvidos, principalmente na proteção das pessoas, logo
o governo federal compreendeu a sua participação efetiva, principalmente com a GM,
promulgando a Lei Nº. 13022, de 08 de agosto de 2014, ratificando a participação do
município na segurança pública com foco voltado integralmente a cidadania.
De acordo com Art. 2º da Lei Nº. 13022, de 08 de agosto de 2014:
"Art. 2º Incumbe às guardas municipais, instituições de caráter civil, uniformizadas e
armadas conforme em lei, a função de proteção municipal preventiva, ressalvadas as
competências da União, dos Estados e do Distrito Federal" (BRASIL, 2014) 24.
Sendo visualizado um novo cenário de política de segurança pública, uma policia
cidadã preocupada com o cidadão de bem e não com o criminoso. Respeitando todos os
direitos do cidadão como pessoa, como parte de um todo.
Conforme Art. 3º da Lei Nº. 13022, de 08 de agosto de 2014:
Art. 3º São princípios mínimos de atuação das guardas municipais:
I - proteção dos direitos humanos fundamentais, do exercício da cidadania e
das liberdades públicas;
II - preservação da vida, redução do sofrimento e diminuição das perdas;
III - patrulhamento preventivo;
IV - compromisso com a evolução social da comunidade; e
V - uso progressivo da força (BRASIL, 2014).

23
Gustavo Palmieri é responsável pelo Programa de Violência Institucional e Segurança Cidadã do Centro de
Estudos Legais e Sociais (CELS). Emma Phillips é analista de programas do Vera Institute of Justice. Jennifer
Trone é redatora e editora sênior do Departamento de Comunicação do Vera Institute of Justice. Cláudio
Chaves Beato Filho é professor doutor do Departamento de Sociologia – FAFICH/UFMG e coordenador geral do
Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública da UFMG (CRISP). Robson Sávio Reis Souza é
especialista em Segurança Pública (UFMG) e assessor de comunicação do CRISP. Paulo Mesquita Neto é doutor
em Ciência Política pela Universidade de Columbia, pesquisador sênior do Núcleo de Estudos da Violência –
USP e secretário-executivo do Instituto São Paulo Contra a Violência. Carolina de Mattos Ricardo é advogada,
cientista social formada da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP e assessora de projetos
do Instituto São Paulo Contra a Violência. Thomas Feltes é reitor da Universidade de Ciências Policiais de
Villingen-Schwenningen. Maria Teresa Sadek é professora doutora da USP é pesquisadora sênior do Instituto
de Desenvolvimento de São Paulo (IDESP), e Rogerio Bastos Arantes é professor doutor de PUC-SP e
pesquisador sênior do IDESP.
24
Lei Nº 13.022, de 8 de agosto de 2014, Dispõe sobre o Estatuto Geral das Guardas Municipais.
19

A nova lei possibilitou caracterizar definitivamente a participação do município na


segurança pública, e mais do que isso, permitiu uma nova visão de segurança pública que
busca a interação, participação e integração com toda sociedade, a tarefa não será fácil, pois
dependerão principalmente de estudo, implantação, monitoramento e avaliação de suas ações.

Atualmente dos 5.570 municípios no Brasil existem 1.081 GM e 169 GM armadas


segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2018.

6.2 Desordem Urbana, Violência e Crime

Para que possamos analisar os problemas do município é importante fazer uma breve
abordagem sobre as diferenças de desordem pública, violência e criminalidade, por serem os
principais elementos que implicam na segurança pública.
Desordem urbana são as condutas praticadas por qualquer privado ou até mesmo pelo
poder público, que deixam de efetuar a devida manutenção ou contribuem com a deterioração
dos espaços públicos e privados.
Violência é o ato realizado de forma intencional por um ser humano contra outro ser
vivo que cause danos ou intimidação moral. A intenção do uso da violência é o de fazer com
que algo seja realizado da sua forma, podendo simplesmente ser pelo prazer de fazer algo.
O Crime pode ser conceituado levando em conta os aspectos material, legal ou
analítico. O conceito material define o crime como uma ação ou omissão que se proíbe e se
procura evitar, ameaçando-a com pena, porque constitui ofensa a um bem jurídico individual
ou coletivo. O conceito legal é fornecido pelo legislador, conforme Art. 1º, do DECRETO-
LEI Nº 3.914, de 9 de dezembro de 1941:
"Art. 1º Considera-se crime a infração penal que a lei comina pena de reclusão ou de
detenção, quer isoladamente, quer alternativa ou cumulativamente com a pena de multa;
contravenção, a infração penal a que a lei comina, isoladamente, pena de prisão simples ou de
multa, ou ambas, alternativa ou cumulativamente" (BRASIL, 1941) 25.

25
Decreto-Lei Nº 3.914, de 9 de dezembro de 1941 - Lei de introdução do Código Penal (decreto-lei n. 2.848, de
7-12-940) e da Lei das Contravenções Penais (decreto-lei n. 3.688, de 3 outubro de 1941).
20

O conceito analítico de crime é dividido em duas vertentes: o bipartido e o tripartido,


para a teoria bipartida o crime é todo fato típico e antijurídico, sendo a culpabilidade apenas
por dosar a pena, a teoria tripartida o crime é uma fato típico, antijurídico e culpável.
A violência e a criminalidade não são sinônimas, porém a violência está diretamente
ligada à criminalidade, enquanto a violência é constrangimento físico ou moral, a
criminalidade é a expressão dada pelo conjunto de infrações que são produzidas em tempo e
lugar determinado, é o conjunto dos crimes. Nem toda violência é um crime, mas todo crime é
uma forma de violência. A relação da desordem urbana com a violência e criminalidade se
estabelecem no momento que a desordem cria ou favorece o ambiente propício às condutas
delituosas.
21

CAPÍTULO II

7. DIAGNÓSTICO DA VIOLÊNCIA

7.1 Conhecendo seus problemas de segurança pública

Para que se possa ter conhecimento de sua realidade em relação à violência e


criminalidade, cada município deve elaborar um diagnóstico sobre a situação da cidade na
segurança pública, através desse diagnóstico será possível identificar quais as dinâmicas da
violência e criminalidade no município, a percepção dos cidadãos em relação à segurança
pública, os geradores de violência e criminalidade, os fatores de riscos e os principais
problemas da cidade.
Assim, cada município deve realizar o diagnóstico da situação em que se encontra a
segurança pública. Afinal, para resolver um problema é preciso primeiramente conhecê-lo
RIBEIRO 26 (2015).

O Objetivo geral do Diagnóstico da Violência e Criminalidade do' Município


de Itatiba é aprofundar a análise dos principais problemas de violência e
criminalidade, bem como da percepção da população sobre os mesmos,
buscando identificar os principais fatores de risco e oportunidades de
solução dos problemas enfrentados e mobilizar os atores governamentais e
não-governamentais, facilitando assim a implementação das estratégias de
intervenção propostas pelo projeto (ITATIBA, 2009, p. 2) 27.

Com o diagnóstico estabelecido o município deverá elaborar o Plano Municipal de


Segurança Pública que será coordenado por uma Secretaria Municipal de Segurança, onde
será necessária a participação e integração do estado, União, órgãos municipais de saúde,
promoção social, educacional, esporte, ambiental e serviços; órgãos não governamentais,
sociedades de bairros, comércio local, instituições religiosas e principalmente a participação
dos cidadãos.

26
Ludmila Ribeiro, professora do Departamento de Sociologia e Antropologia e pesquisadora do Centro de
Estudos de Criminalidade e Segurança Pública da Universidade de Minas Gerais, é associada do Fórum
Brasileiro de Segurança Pública.
27
Diagnóstico da Violência e Criminalidade do Município de Itatiba/SP.
22

Também podemos recorrer ao diagnostico qualificado que será


quantificado, mensurado, transformado em estatística através do setor
de inteligência e com as informações disponíveis em outras secretarias
municipais como, por exemplo, a educação e a saúde, e com os
diversos conselhos municipais (SILVA & BURATO, 2011, p. 65) 28.

O objetivo do Plano Municipal de Segurança é planejar, implantar, monitorar e avaliar


os projetos e programas que tenham por objetivo diminuir e prevenir a violência e
criminalidade, trazendo ao cidadão a sensação de segurança.

28
Oséias Francisco da Silva, Faculdade de Filosofia, Psicanálise e pós-graduação em Gestão de Segurança
Pública. José Antonio Burato é graduado em Filosofia pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP), ex-
Sargento da Polícia Militar do Estado de São Paulo participou da formação da Guarda Civil Municipal de São
Bernardo do Campo. Atualmente é o responsável pela gerência de inteligência e estatística da Guarda Civil
Municipal de São Bernardo do Campo.
23

CAPÍTULO III

8. AÇÕES PREVENTIVAS

8.1 Ações de plano educacional, programa e participação

Dentro do Plano Municipal de Segurança serão estabelecidos os programas


educacionais, culturais, esporte e lazer que tem como objetivo se aproximar da criança e do
adolescente, através de programas educacionais, esporte e lazer que possam ocupar o tempo
da criança e do jovem com atividades extracurriculares, evitando que principalmente o jovem
fique muito tempo ocioso e possa se envolver com atividades ilícitas, conforme defendido por
GUGLIELMETTI (2012, p. 72).
Programas educacionais, esporte e lazer direcionado também aos menores infratores
com o apoio do município.
Programas extracurriculares nas escolas com a participação da GM, no qual o guarda
possa transmitir a criança e o adolescente conceito sobre cidadania. “O caminho é
municipalizar o policiamento educativo, popular e comunitário” (SILVA & BURATO, 2011,
p. 56).
"É preciso estudar a juventude para entender a criminalidade" (DIAS, 2010) 29.
Com discussões, fóruns, conselhos e eventos com a participação da população no
intuito de discutir ações de combate à desordem urbana, violência e criminalidade. No caso
das discussões poderão ser de âmbito municipal, por bairro ou por células, para que possa ter
a participação de toda população do município.
Conselhos comunitários de segurança pública, no qual o cidadão possa discutir
opiniões, tirar dúvidas e fazer indicações com os órgãos policiais estaduais e municipais.

Chamar a população para o punhado de responsabilidade que lhe cabe,


inserir no planejamento, no processo de aplicação, na observação e
fiscalização, desenvolver esse projeto de parceria, possibilita
29
Fábio Nascimento Dias é Capitão da PM, atualmente servindo à Academia de Policia Militar da Bahia,
Especialista em Políticas e Gestão em Segurança Pública pela Escola de Administração da UFBA/SENASP/2007 e
Especialista em Segurança Pública pela Universidade Estadual da Bahia/APM/2008.
24

minimizar os altíssimos índices de violência e criminalidade no Brasil.


(SILVA & BURATO, 2011, p. 47).

Todas essas ações, depois de implantadas deverão ser monitoradas e avaliadas,


podendo sofrer alterações necessária ao bom desenvolvimento do objetivo traçado.
GUGLIELMETTI (2012, p. 38) compreende que é necessário à aplicação de uma
Política de Segurança Pública com a participação atuante do município, não apenas como
mero participante e sim como parte na organização da segurança.

8.2 Ações de prevenção contra a desordem urbana

A desordem urbana tem um grande papel na contribuição da violência e da


criminalidade. A desordem urbana pode ser cometida tanto pelo privado como pelo poder
público, temos alguns exemplos de desordem urbana como: o comércio irregular, entulhos
irregulares, lixos jogados em pontos que não ocorre recolha periódica, depredação,
vandalismo, imóveis abandonados ou em estado de abandono, descumprimento das leis de
trânsito, veículos abandonados, perturbação de sossego (bailes, carros com o som alto, em
especial nos horários de descanso), depredação ambiental e ocupações de construções
irregulares, todas essas condutas alimentam a violência e a criminalidade, o comercio
irregular, além de efetuar a venda de produtos duvidosos poderá ser prejudicial à vida e a
saúde, o lixo jogado poderá gerar animais peçonhentos e insetos que transmitem doenças, os
imóveis e os veículos abandonados poderá servir de abrigo para a prática de crimes como o
estupro e tráfico de drogas, a perturbação de sossego produzida pelo “baile de rua” permite a
venda de drogas e bebidas alcoólicas a menores, e muitas outras atitudes que devem ser
combatidas pelo privado e poder público.
"As autoridades entendiam que, por exemplo, se os parques e outros espaços públicos,
deteriorados forem progressivamente abandonados pela administração pública e pela maioria
dos moradores, esses mesmos espaços serão progressivamente ocupados por delinquentes"
(PELLEGRINI, 2013) 30.
As ações que possam combater esses tipos de desordem são de competência do
município e não do estado, o município possui as ferramentas necessárias à demanda. Um

30
Teoria das Janelas Quebradas.
25

código de postura da cidade bem elaborado que possa notificar e autuar tais comportamentos,
punindo os proprietários ou os responsáveis, diminuiria significativamente os atos. A
prevenção precisa estar dentro de um planejamento de fiscalização e controle, e não ficar
esperando a violência ou a criminalidade acontecer para agir, o município precisa estar
presente no território SILVA & BURATO (2011, p. 57). Basta ser verificada pelo agente
público a desordem urbana para efetuar a fiscalização, notificação e autuação.

8.3 Ações de prevenção pelo serviço público

Alguns problemas de Desordem Urbana são gerados pelos próprios serviços públicos
mal planejados, ou sem a devida manutenção ou por não existir canais de acesso ao cidadão
para que o mesmo solicite a presença do município. Instalações públicas que são construídas
em locais considerados críticos e mesmo o município tendo ciência do fato constrói uma
instalação vulnerável ao vandalismo, depredação e outros tipos de ocorrências, isso não quer
dizer que o município não deva construir, mas sim adaptar o projeto à realidade do local, por
exemplo, construir um prédio totalmente envidraçado em um local que tem grande índice de
depredação, o ideal seria que o órgão responsável pelo projeto consultasse antes os órgãos
envolvidos na segurança pública.
Locais que necessitam a devida manutenção em relação à iluminação pública,
principalmente, isolados ou com grande índice de violência e criminalidade.
Praças são construídas e deixadas sem a devida manutenção afastando o cidadão de
bem, sendo frequentadas por moradores de rua, usuários de drogas e utilizadas para a prática
de prostituição, neste caso o município precisa conhecer os motivos pelo qual o cidadão não
frequenta a praça.
Aterro sanitário instalado em uma área populosa. Locais sem o devido saneamento
básico. Os canais de acesso ao cidadão são de extrema importância para que o cidadão possa
solicitar a devida manutenção dos serviços públicos.
26

8.4 Ações de território

Nesse momento o município já conhece boa parte de seus problemas de segurança


pública já envolveu uma grande parcela da população, através das ações de plano educacional,
programas e prevenção ao combate à violência e criminalidade. Agora é importante delimitar
e estabelecer dentro do município setores, microrregiões, ou até divisão por bairro para
implantar o patrulhamento preventivo e comunitário com a GM, criando mecanismos
territoriais de prevenção e controle no combate a desordem urbana, violência e criminalidade.
“É possível, no entanto, dificultar a ocorrência dos crimes com ações preventivas
construídas em parceira com a população, numa combinação da diminuição dos fatores de
vulnerabilidade pessoal/social com a presença pontual do agente policial” (SILVA, 2015, p.
117) 31.
E mais uma vez fica claro que o município precisa constituir a GM, poderia até
utilizar outro órgão, por exemplo, a polícia militar, mas como já evidenciado, não há na
policia militar características de policia cidadã, não possui relação de subordinação da policia
militar com o município, logo não haveria qualquer controle das ações.

Numa análise mais atenta percebe-se que os elementos estruturais e


ideológicos são conservados integralmente no artigo 144 da Constituição
Federal, o que ostensivamente denuncia o prolongamento do militarismo, ou
da ideia militarista de dominação presente na Constituição Cidadã. A mesma
Carta Magna, marco da redemocratização, apresenta esses e outros
paradoxos que colocam em evidência as disputas políticas conservadas no
interior do texto constitucional, preservando a chama de um regime
autoritário em cinzas. (SILVA, 2015, p. 60).

A GM, conforme defende MAGALHÃES 32 (2000, p. 253) nasce como instituição


preventiva de aproximação ao cidadão, essa aproximação feita pela GM permitirá dentro do
território estabelecido e planejado, buscar a confiança, nessa relação de confiança será
traduzido à sociedade que ela também faz parte deste novo cenário do combate à desordem
urbana, violência e criminalidade.

31
Oséias Francisco Silva é Psicanalista, formado em Filosofia e pós-graduado em Gestão de Segurança Pública.
É Presidente (2013-2015) da Conferência Nacional das Guardas Municipais no Brasil (CONGM), Professor de
Filosofia e Supervisor da Guarda Civil Municipal de São Bernardo/SP, onde foi Subcomandante (2010-2011).
32
Ruyrillo de Magalhães, Advogado, Administrador, Jornalista e Professor Titular Aposentado de Direito
Administrativo e Teoria Geral da Administração da Pontifícia Universidade Católica de Campinas/SP e Diretor
Emérito da Faculdade de Administração de Pinhal/SP.
27

Um dos principais objetivos das ações no território é a aproximação ao cidadão,


possibilitando ainda mais a integração do município com a sociedade, logo fica claro que
qualquer tipo de abordagem, o agente público deve ter pleno conhecimento dos direitos do
cidadão, sobre cidadania e seu papel como policia cidadã SILVA (2015, p. 76).
Segundo GUGLIELMETTI (2012, p. 52), para ter resultados positivos das ações do
patrulhamento comunitário, será importante a parceria entre a sociedade e administração
pública municipal.
“O governo deve estabelecer uma linha de contato com a população, pois a sua
responsabilidade é inafastável, mas pode e deve ser dividida com os beneficiários de sua
política de segurança” (GUGLIELMETTI, 2012, p. 35).
Dentro do território não será envolvido somente o cidadão, as próprias instalações
públicas como: escolas, postos de saúde, ginásio terão um papel fundamental nas relações
sociedade e administração pública municipal.
“É importante também a ampliação do papel da escola como referente social e cultural
em bairros onde as alternativas de recreação são nulas ou escassas, e os índices de violência
juvenil alto” (PALMIERI, et al., 2003, p. 18).
O ilícito que for observado pelo patrulhamento comunitário e o município não possuir
ferramentas ou competência para agir deverá ser tratado de forma integrada com os outros
órgãos policiais.

8.5 Atuação voltada ao problema

Nem todo delito será possível eliminar somente com prevenção, alguns delitos
exigirão de atuação imediata e integrada, o município poderá criar meios de integração com a
polícia militar e civil, através de operações voltadas ao problema específico e com a equipe da
GM especializada para combater tais delitos.
Nesse mesmo sentido o município dependendo do seu território poderá criar equipes
especializadas, por exemplo, para proteger o meio ambiente e a orla marítima, caso seja
município litorâneo.
28

CAPÍTULO IV

9. CONTROLE INTERNO E EXTERNO

9.1 Gabinete de Gestão Integrada Municipal

O Gabinete de Gestão Integrada Municipal (GGIM) nasce com o Programa Nacional


de Segurança Pública com Cidadania (PRONASCI), principal ferramenta de gestão, garantido
viabilidade operacional, reunindo o conjunto de instituições que incide sobre a política de
segurança no município, promovendo ações conjuntas e sistêmicas de prevenção e
enfretamento da violência e criminalidade.

Gestão integrada - pauta-se na descentralização ma macropolítica e atua de


forma colegiada nas deliberações e execuções de medidas e ações conjuntas
a serem adotadas para combater a criminalidade e prevenir a violência, no
âmbito local, reunindo os vários segmentos que compõem a segurança
pública. Opera pelo consenso sem hierarquia. Isto é, as decisões são tomadas
de comum acordo entre os membros, respeitando as autonomias
institucionais dos órgãos que compõem o GGIM (PRONASCI,sd) 33.

Atuação em rede - o GGIM pressupõe uma rede de informações,


experiências e práticas estabelecidas, que extrapolam os sistemas de
informações policiais e agregam outros canais de informações. Além de
apresentar um corpo gerencial plural e multidisciplinar, o GGIM mobiliza
toda a população, atuando enquanto espaço de interlocução com os cidadãos
sobre violência e criminalidade. Nesse caso, a ampliação dessa participação
popular envolve a interação intensa do GGIM com os fóruns municipais e
comunitários de segurança (PRONASCI,sd).

Perspectiva sistêmica - o GGIM concebe em sua estrutura espaços


inovadores que aliam informação e tecnologia e planejamento e gestão na
promoção de políticas de segurança. O pleno funcionamento dessa estrutura
prevê a sinergia entre as partes, garantida pelo fluxo informação - reflexão -
ação (PRONASCI,sd).

É um canal de conexão de todos os órgãos de segurança pública e justiça criminal das


três esferas do governo e que atuam em um município. O GGIM não gerência projetos, mas
tem como missão identificar oportunidades e alternativas de ação que possibilita a melhor

33
Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania.
29

coordenação de esforços com o objetivo de produzir segurança pública a partir da prevenção e


repressão ao crime e à violência de maneira mais efetiva e integrada.

9.2 Controle interno e externo

O município deverá instituir a Ouvidoria e a Corregedoria que são mecanismos de


controle externo e interno.
“Tanto nas sociedades democráticas mais maduras como nas novas, os cidadãos
pressionam cada vez mais a polícia, não somente para controlar o crime, mas também para
tratar a todos com quem entram em contato de modo justo e respeitoso” (PALMIERI, et al.,
2003, p. 31).
A ouvidoria é um canal de comunicação entre o cidadão e a administração pública
com a finalidade de receber manifestações como: sugestões, reclamações, denúncias e
elogios. Órgão independente que permitirá o acesso do cidadão a administração pública
municipal, consolidando meios democráticos de participação da sociedade que visa melhorar
a qualidade dos serviços oferecidos à sociedade.
A corregedoria deve ser dotada de autonomia no exercício de suas competências, atuar
na orientação, coordenação e execução de políticas públicas voltadas à atividade correcional e
ao bom desempenho das atividades dos servidores, tendo como objetivo principal alcançar
maior efetividade na prestação de serviços, atuando com base nos princípios da legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.

9.3 Canal de Acesso ao Cidadão

É preciso que o cidadão tenha disponível ao seu alcance canais de acesso por parte da
administração municipal, especialmente quando o assunto exija confiabilidade, ou seja,
assunto sigiloso, possibilitando o controle e aperfeiçoamentos das ações práticas pela
administração pública municipal.
De acordo com CF Art.37, §3º, II:
30

Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da


União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos
princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e
eficiência e, também, ao seguinte:
§3 A lei disciplinará as formas de participação do usuário na administração
pública direta e indireta, regulando especialmente:
I – as reclamações relativas à prestação dos serviços públicos em geral,
asseguradas a manutenção de serviços de atendimento ao usuário e a
avaliação periódica, externa e interna, da qualidade dos serviços; (BRASIL,
1988).

Conforme Lei Federal Nº 13.460, de 26 de junho de 2017:


Que dispõe sobre a participação, proteção e defesa dos direitos do usuário dos serviços
públicos da administração pública, aplicando-se tal norma à administração pública direta e
indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
O município poderá criar esses canais de acesso, através dos meios de comunicação
como: 0800, internet, atendimento pessoal, disque denúncia e outros meios que possam
facilitar o acesso ao cidadão.
31

CAPÍTULO V

10. PROGRAMAS NACIONAIS DE SEGURANÇA PÚBLICA

10.1 Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania

O governo federal institui através da Lei Nº. 11.530, de 24 de outubro de 2007, o


Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania – (PRONASCI), a ser executado
pela União, por meio da articulação dos órgãos federais, em regime de cooperação com
Estados, Distrito Federal e Munícipios e com a participação das famílias e da comunidade,
mediante programas, projetos e ações de assistência técnica e financeira e mobilização social,
visando à melhoria da segurança pública.
Atualmente o PRONASCI é o programa mais próximo da realidade que já foi
implantado visando à importância da prevenção e combate a violência e criminalidade,
conforme defendido por SILVA & BURATO (2011, p. 47).
O PRONASCI destina-se à prevenção, controle e repressão da criminalidade, atuando
em suas raízes socioculturais, além de articular ações de segurança pública com políticas
sociais por meio da integração. Reconhece também que deve ter a valorização e formação
dos profissionais de segurança pública.

10.2 Sistema Único de Segurança Pública, e a Política Nacional de Segurança


Pública e Defesa Social

Em 11 de junho de 2018, foi aprovada a Lei Nº. 13.675, instituindo o Sistema Único
de Segurança Pública - (SUSP) e a Política Nacional de Segurança e Defesa Social -
(PNSPDS) com a finalidade de preservação da ordem pública, incolumidade das pessoas e do
patrimônio, por meio de atuação conjunta, coordenada, sistêmica e integrada dos órgãos de
32

segurança pública e defesa social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios, em articulação com a sociedade.
Em relação à distribuição de competência entre os entes federativos a lei estabeleceu a
seguintes regras: União deverá estabelecer a PNSPDS, os Estados, distrito federal e os
municípios deverão estabelecer suas respectivas políticas, observadas as diretrizes da política
nacional, especialmente para análise e enfrentamento dos riscos à harmonia da convivência
social.
A lei 13.675, de junho de 2018, ainda prevê no seu Art. 20:
"Art. 20. Serão criados Conselhos de Segurança Pública e Defesa Social, no âmbito da
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante proposta dos chefes dos
Poderes Executivos, encaminhadas aos respectivos Poderes Legislativos".
É importante ressaltar que as políticas de segurança pública não se limitam apenas aos
integrantes do SUSP, deverá abranger outras áreas do serviço público, como saúde, esporte,
cultura e lazer.

10.3 Fundo Nacional de Segurança Pública

Em 11 de junho de 2018, foi editada a Medida Provisória Nº 841, que dispõe sobre o
Fundo Nacional de Segurança Pública - (FNSP) e sobre a destinação do produto da
arrecadação das loterias.
Os recursos serão aplicados diretamente pela União e transferidos aos estados, distrito
federal e municípios por meio de convênios ou de contratos de repasse. Em contrapartida, os
entes federativos zelarão pela consistência técnica dos projetos, das atividades e das ações e
estabelecerão regime de acompanhamento da execução e com vistas a viabilizar a prestação
de contas aos órgãos competentes. Tem por objetivo garantir recursos para apoiar projetos,
atividades e ações nas áreas de segurança pública e de prevenção a violência, observadas as
diretrizes do Plano Nacional e Segurança Pública.
33

11. METODOLOGIA DE PESQUISA

A metodologia de pesquisa empregada para realização do trabalho foi a de revisão de


literatura, através de levantamento bibliográfico em livros, artigos científicos, manuais,
revistas, leis, artigos sobre segurança pública, institutos de dados, legislação, sites
governamentais e diagnósticos sobre politicas de segurança pública.

Assim, pesquisar, num sentido amplo, é procurar uma informação que


não sabemos e que precisamos saber. Consultar livros e revistas,
verificar documentos, conversar com pessoas, fazendo perguntas para
obter respostas, são formas de pesquisa, considerada como sinônimo
de busca, de investigação e indagação. Esse sentido amplo de pesquisa
se opõe ao conceito de pesquisa como tratamento de investigação
científica que tem por objetivo comprovar uma hipótese levantada,
através do uso de processos científicos. (PRODANOV & FREITAS,
2013, p. 43).

"O primeiro passo seria a procura de catálogos onde se encontram as relações das
obras. Podem ser publicados pelas editoras, com a indicação dos livros e revistas editados, ou
pertencer a bibliotecas públicas, com a listagem por título dos trabalhos." (MARCONI &
LAKATOS, 2003, p. 46).
A busca do conhecimento científico não é apenas tentar explicá-lo, é fundamental
explicar a sua relação com outros fatos, conforme defendido por PRODANO & FREITAS
(2013, p. 22).
Segundo MARONI & LAKATOS (2003, p. 251) é fundamental que a pesquisa
apresente ideias, teoria ou novas experiências.
"A revisão de literatura tem papel fundamental no trabalho acadêmico, pois é através
dela que você situa seu trabalho dentro da grande área de pesquisa da qual faz parte,
contextualizando-o". (PRODANOV & FREITAS, 2013, p. 78)
"A pesquisa bibliográfica, ou de fontes secundárias, abrande toda bibliografia já
tornada pública em relação ao tema de estudo, desde publicações avulsas, boletins, jornais,
revistas, livros, pesquisas, monografias, teses, material cartográfico ect." (MARCONI &
LAKATOS, 2003, p. 182).
Logo, produzir uma revisão não é uma missão fácil é necessário elaborar uma leitura
aprofunda e intensa do material consultado, compreende PRODANOV & FREITAS (2013, p.
79).
34

12. CONCLUSÃO

O desenvolvimento do presente estudo possibilitou demonstrar que o sistema politico


de segurança pública no Brasil, vem passando por um processo de transferência, no qual o
município passa a ser muito mais proativo na responsabilidade de segurança pública, esse
processo de transferência, foi sinalizado a partir do texto constitucional de 1988, na qual o
município foi inserido como um dos entes que tem o dever de garantir a segurança pública.
Com o índice de violência e criminalidade cada vez maior no país o município não
pode ficar inerte, desta forma a sociedade exigiu a sua participação mais efetiva, até porque é
a administração pública mais próxima do cidadão. O próprio governo federal ao entender a
importância da participação do município publicou a lei que estabeleceu definitivamente a
necessidade do apoio do município na segurança pública. Entretanto, o munícipio assume um
papel até então atípico, em relação aos outros entes, pois através da constituição da GM
permitiu o Estado aplicar políticas de segurança pública preventiva, e não somente
preocupada com o criminoso, mas com o cidadão de bem.
Por ter um território delimitado e controlável o município, através de estudo poderá
conhecer os seus problemas de desordem urbana, violência e criminalidade, e assim, aplicar
ações de prevenção e aproximação do cidadão. Será de extrema importância que os programas
inseridos no combate a desordem urbana, violência e criminalidade estejam orientados em um
contexto técnico, planejado e especializado, para que se possa atingir o objetivo delineado.
Os controles internos e externos das ações, e a participação do cidadão pelos canais de
acesso permitirão o aperfeiçoamento das práticas do serviço público e das condutas dos
agentes públicos. O governo federal sinalizou positivamente a participação do município e
criou programas que possam apoiar e integrar os órgãos de segurança pública.
Com base na leitura realizada ficou claro que o município assume definitivamente o
papel da segurança pública e, consequentemente, cria a sua policia municipal com as ações
preventivas e de aproximação ao cidadão.
35

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

BRASIL. (24 de 02 de 1891). CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA DOS ESTADOS


UNIDOS DO BRASIL (24 DE FEVEREIRO DE 1891). Acesso em 06 de 06 de 2018,
disponível em Planalto governo:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao91.htm

BRASIL. (16 de 07 de 1934). CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA DOS ESTADOS


UNIDOS DO BRASIL (DE 16 DE JULHO DE 1934). Acesso em 29 de 08 de 2018,
disponível em Planalto governo:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao34.htm

BRASIL. (24 de 01 de 1967). CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO


BRASIL DE 1967. Acesso em 12 de 09 de 2018, disponível em Planalto governo:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao67.htm

BRASIL. (05 de 10 de 1988). CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO


BRASIL DE 1988. Acesso em 10 de 09 de 2018, disponível em Planalto Governo:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm

BRASIL. (10 de 11 de 1937). CONSTITUIÇÃO DOS ESTADOS UNIDOS DO BRASIL


(DE 10 DE NOVEMBRO DE 1937). Acesso em 08 de 09 de 2018, disponível em Planalto
governo: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao37.htm

BRASIL. (18 de 09 de 1946). CONSTITUIÇÃO DOS ESTADOS UNIDOS DO BRASIL


(DE 18 DE SETEMBRO DE 1946). Acesso em 01 de 10 de 2018, disponível em Planalto
governo: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao46.htm

BRASIL. (22 de 04 de 1824). CONSTITUIÇÃO POLITICA DO IMPERIO DO BRAZIL


(DE 25 DE MARÇO DE 1824). Acesso em 01 de 08 de 2018, disponível em Planalto
governo: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao24.htm

BRASIL. (9 de 12 de 1941). DECRETO-LEI Nº 3.914, DE 9 DE DEZEMBRO DE 1941 -


Lei de introdução do Código Penal. Acesso em 15 de 07 de 2018, disponível em Planalto
governo: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del3914.htm

BRASIL. (20 de 08 de 1831). LEI DE 18 DE AGOSTO DE 1831. Acesso em 01 de 10 de


2018, disponível em Camara legislativa: http://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei_sn/1824-
1899/lei-37497-18-agosto-1831-564307-publicacaooriginal-88297-pl.html

BRASIL. (08 de 08 de 2014). LEI Nº 13.022, DE 8 DE AGOSTO DE 2014 - Dispõe sobre o


Estatuto Geral das Guadas Municipais. Acesso em 05 de 07 de 2018, disponível em Planalto
Governo: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/l13022.htm

DIAS, F. N. (29 de 4 de 2010). VIOLÊNCIA E CRIMINALIDADE: UMA ANÁLISE DAS


CONDICIONAIS SOCIAIS. Acesso em 30 de 9 de 2018, disponível em Abordagem policial:
36

http://abordagempolicial.com/2010/04/violencia-e-criminalidade-uma-analise-das-
condicionantes-sociais/

FBSP, F. B. (09 de 08 de 2018). ANUÁRIO BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA


2018. Acesso em 23 de 09 de 2018, disponível em Forum segurança org:
http://www.forumseguranca.org.br/wp-
content/uploads/2018/08/Apresenta%C3%A7%C3%A3o_Anu%C3%A1rio.pdf

GOMES, L. F., & LOCHE, A. (02 de 2011). A FALÁCIA DO EFETIVO POLICIAL E A


SEGURANÇA PÚBLICA. Acesso em 12 de 08 de 2018, disponível em Jus:
https://jus.com.br/artigos/18542/a-falacia-do-efetivo-policial-e-a-seguranca-publica

GUGLIELMETTI, S. A. (2012). UMA POLITICA DE SEGURANÇA PÚBLICA PARA AS


CIDADES BRASILEIRAS. São Paulo: NELPA.

IBGE, I. B. (2017). BRASIL. Acesso em 10 de 10 de 2018, disponível em Cidades ibge:


https://cidades.ibge.gov.br/brasil/panorama

IPEA, I. D., & FBSP, F. B. (01 de 2018). ATLAS DA VIOLÊNCIA. Acesso em 04 de 09 de


2018, disponível em IPEA governo:
http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/relatorio_institucional/180604_atlas_da_v
iolencia_2018.pdf

ITATIBA, P. D. (02 de 2009). DIAGNÓSTICO DA VIOLÊNCIA E CRIMINALIDADE DO


MUNICÍPIO DE ITATIBA. Acesso em 26 de 07 de 2018, disponível em Sou da paz :
http://www.soudapaz.org/upload/pdf/diagn_stico_itatiba_fev_2009.pdf

LIMA, R. S., BUENO, S., & MINGARDI, G. (01 de 2016). ESTADO, POLÍCIAS E
SEGURANÇA PÚBLICA NO BRASIL. Acesso em 06 de 07 de 2018, disponível em
SCIELO: http://www.scielo.br/pdf/rdgv/v12n1/1808-2432-rdgv-12-1-0049.pdf

LOPES, H. R., & LEMOS, N. S. (sd de sd de sd). ASPECTOS CONSTITUCIONAIS DA


SEGURANÇA PÚBLICA. Acesso em 01 de 10 de 2018, disponível em Âmbito Juridico:
http://www.ambitojuridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=10490&rev
ista_caderno=9

MAGALHÃES, R. D. (2000). DIREITO E SEGURANÇA PÚBLICA. Campinas: Átomo.

MARCONI, M. D., & LAKATOS, E. M. (2003). FUNDAMENTOS DE METODOLOGIA


CIENTÍFICA. São Paulo: ATLAS S.A.

PALMIERI, G., PHILLIPS, E., TRONE, J., FILHO, C. C., SOUZA, R. S., NETO, P. M., et
al. (2003). SEGURANÇA CIDADÃ E POLÍCIA NA DEMOCRACIA. Rio de Janeiro:
FUNDAÇÃO KONRAD ADENAUER.

PELLEGRINI, L. (02 de 10 de 2013). JANELAS QUEBRADAS: UMA TEORIA DO


CRIME QUE MERECE REFLEXÃO. Acesso em 15 de 08 de 2018, disponível em brasil247:
37

https://www.brasil247.com/pt/247/revista_oasis/116409/Janelas-Quebradas-Uma-teoria-do-
crime-que-merece-reflex%C3%A3o.htm

PRODANOV, C. C., & FREITAS, E. C. (2013). METODOLOGIA DO TRABALHO


CIENTÍFICO: MÉTODOS E TÉCNICAS DA PESQUISA E DO TRABALHO
ACADÊMICO. Novo Hamburgo : Feevale.

RIBEIRO, L. (06 de 06 de 2015). AFINAL, QUAL É O PAPEL QUE O MUNICÍPIO PODE


TER NA SEGURANÇA PÚBLICA? Acesso em 03 de 08 de 2018, disponível em Carta
capital: https://www.cartacapital.com.br/politica/afinal-qual-e-o-papel-que-o-municipio-pode-
ter-na-seguranca-publica

SILVA, O. F. (2015). UM NOVO MODELO DE SEGURANÇA PARA O BRASIL:


DEMOCRÁTICA, CIDADÃ E HUMANA. São Paulo: Grupo Editorial Scortecci.

SILVA, O. F., & BURATO, J. A. (2011). SEGURANÇA PÚBLICA COMO PROJETO


SOCIOEDUCACIONAL. São Paulo: Grupo Editorial Scortecci.

Você também pode gostar