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Curso: Gestão Pública Baseada em Indicadores

Carga horária: 2 horas


Palestrante: Luis Alberto Guadagnin.
Graduado em Administração de Empresas e em Administração Pública, pela
UFRGS, em 1981; graduado em Direito, pela UFRGS, em 1988; Especialização
em Gestão Fazendária pela PUCRS Virtual; Mestre em Administração, pelo
PPGA/UFRGS, em 2000; Doutorado em Informática na Educação pelo
PPGIE/UFRGS, em 2006.
Tutor: Sarah Linhares.
Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito de Curitiba; Pós-graduanda em
Direito Tributário pela Faculdade de Direito de Curitiba; Mestranda em Direito do
Estado pela Universidade Federal do Paraná.

Neste curso, abordaremos as mudanças na Administração Pública a partir da


Reforma Administrativa em 1996 e conheceremos os meios estratégicos para
atuar neste novo modelo estatal. Avaliaremos a partir da introdução do princípio
da eficiência que há uma mudança de gestão, passando do modelo burocrático
para o gerencial, no qual se baseia na aferição de resultados como meio de
mensurar a satisfação da coletividade.

Objetivos de Aprendizagem
Entender a importância do Estado e como a Administração vem
auxiliar o seu funcionamento;
Aprender como satisfazer as necessidades coletivas;
Compreender a mudança da administração burocrática para a
gerencial;
Observar a importância dos princípios na gestão pública;
Analisar os princípios fundamentais;
Entender o modelo burocrático weberiano;
Relacionar os indicadores com a eficiência da Administração
Pública;

Mapa do Curso
1. Foco da Gestão Pública
2. Princípios da Gestão Pública
3. Modelo Weberiano
4. Gestão Pública e Indicadores

TELA 1
1. Foco da Gestão Pública
Antes de iniciarmos o estudo sobre a gestão pública, devemos,
primeiramente, nos questionarmos a respeito da existência do
Estado, uma vez que é este que faz com que exista o conceito
de gestão pública.
O bem comum
Que vários teóricos, chamados contratualistas,
estabeleceram inúmeras teses sobre o porquê da criação
do Estado? São várias as doutrinas do contratualismo
social, elencadas por alguns pensadores, tais como,
Hobbes, Locke e Rousseau. Contudo, cada teórico opina
sobre o contrato social a partir de um ângulo diferente.

TELA 2
Tendo como fundamento os contratualistas, Hobbes, por exemplo, é o grande
pensador do absolutismo e defende que a criação do Estado ocorreu para
conter os arbítrios cometidos pelos homens. Guilherme Merolli resume
claramente o pensamento político de Hobbes:

Em Hobbes, o contratualismo manifesta-se da seguinte forma: como


estado de natureza é o estado do temor entre os homens, o Estado
instituído mediante o pacto surge como único remédio capaz de
oferecer paz aos cidadãos. Somente um Estado forte, uma máquina de
poder inquebrantável, pode fazer frente ao medo recíproco que impera no
estado de natureza. Assim, o robustecimento do poder em Hobbes deve
ser visto como o único modo de evitar o maior de todos os males: a
guerra civil .

Já, para Jean Jacques-Rousseau:

Cada um de nós põe em comum sua pessoa e todo o


seu poder sob a suprema direção da vontade geral; e
recebemos, coletivamente, cada membro como parte
indivisível do todo .

A teoria de Rousseau é a da soberania popular, na qual o


povo delega o seu poder a um soberano, mas este não pode
usurpar o poder que lhe foi concedido sob pena de perdê-lo.

TELA 3
Diferentemente de Hobbes, Rousseau entende que o homem
é bom e que o Estado existe para preservar o bem comum.
E, por fim, Locke também concebe uma teoria contratualista,
mas que se volta muito mais para a proteção da propriedade
privada.

Contudo, as teorias apresentadas sobre a criação do Estado são teorias


sociológicas. Podemos observar na teleaula uma teoria econômica sobre a
criação do Estado. Segundo a teoria econômica, o Estado existe para corrigir as
falhas do mercado e podem ser dividas em seis categorias, sendo elas:
Existência de bens públicos;
Existência de monopólios naturais;
Externalidades;
Mercados incompletos;
Falhas na informação;
Desemprego e inflação, que você verá a seguir.

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Quanto aos bens públicos na teoria econômica, são regidos pelo princípio da
não-exclusão. Na teleaula, observamos que alguns bens públicos são utilizados
na prestação de serviço público.

Cabe lembrar a você, aluno, que existem dois tipos de


serviços públicos: os gerais e indivisíveis e os específicos e
divisíveis.
Os serviços gerais e indivisíveis, também conhecidos como
uti universi , apresentam as seguintes características
segundo Walter Alexandre Bussamara:

Por serem genéricos, justamente, esses serviços


acabam por atingir toda uma coletividade, num todo
considerada .

Assim, tal espécie de serviço público, qual seja, o geral e


indivisível, não pode ser considerado como possibilidade para
a imposição de taxas e este assunto já foi muito discutido na
doutrina e, inclusive, com grande repercussão nos tribunais.

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A outra espécie de serviço público é o caso do serviço específico e divisível,
sendo o chamado uti singuli , que consoante a lição de Walter Alexandre
Bussamara:
Como esses serviços são direcionados especificamente aos cidadãos,
para uso individual, podem ser mensurados conforme seu respectivo uso,
ou seja, torna-se possível medir a utilização efetiva ou potencial, de cada
pessoa, individualmente considerada (...) .

Assim, a Administração Pública, quando da elaboração de


planos e estratégias, bem como na avaliação de indicadores,
deve levar em conta que há serviços públicos que devem ser
tributados por taxas e outros que serão custeados por meio
de impostos, o que traz uma enorme diferença no orçamento
do ente estatal.
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Os impostos vão para um cofre geral, uma vez que o
surgimento deste tipo de tributo não está vinculado a uma
atividade estatal.
Outro fator que foi destacado na teleaula é a existência de
monopólios naturais. Além dos exemplos que você pôde
observar na aula, o gás natural é um outro caso de
monopólio natural.
Ora, muitas vezes, o Estado não tem condições de arcar
com os custos da prestação direta do serviço público.
Assim, delega tal serviço à iniciativa privada por meio de
contratos de concessão e permissão.

Veja a seguinte situação:


Com a extinção do Fundo Rodoviário Nacional, a malha rodoviária acabou
ficando em péssimas condições, uma vez que era o referido fundo que a
custeava. A solução do governo foi, então, delegar à iniciativa privada a
concessão das rodovias que, por meio do serviço prestado, iniciou a cobrança
de tarifas denominadas pedágio.
Ora, tal serviço passou a ser fiscalizado por uma agência reguladora, que é um
tipo de autarquia especial.

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Outra falha de mercado é a existência de externalidades. Ora, determinadas
decisões podem afetar positiva ou negativamente a sociedade, quando
tomadas por um indivíduo.
Os mercados incompletos também podem ser considerados como uma espécie
de falha de mercado. Estimular a concorrência é uma das modalidades de se
implementar mercados incompletos e, no Brasil, tal estímulo é muito importante,
uma vez que a nossa economia sempre foi muito afeiçoada à existência de
monopólios.
Falhas de informação, desemprego e inflação também são consideradas como
outra modalidade de falhas de mercado.

Você sabia que na época do liberalismo, o regime adotado


era o capitalismo, no qual o Estado adotava o modelo de
estado mínimo, não devendo intervir nos assuntos
econômicos, mas tendo como principal função o fornecimento
de segurança aos cidadãos e a elaboração das leis, em
especial a defesa da propriedade privada.

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A teoria de Adam Smith, na qual o mercado era regido por
uma mão invisível dominou por muito tempo, e é também a
teoria liberal mais difundida. Ocorre que devido à enorme
quantidade de desemprego e as inúmeras falhas de mercado,
dentre elas a ausência de concorrência, o Estado foi obrigado
a intervir na economia, iniciando, então, um novo sistema de
mercado que é o Estado do Bem-Estar Social.
É o chamado Estado do Bem-Estar Social que marca o
capitalismo após a 2ª Guerra Mundial. O mundo encontrava-
se numa situação caótica, o que ocasionou o abandono de
algumas posturas, que antes eram defendidas e adotadas. O
mercado passa a ser efetivamente regulado e suas falhas são
constantemente corrigidas pela interferência estatal. Além
disso, o Estado busca uma maior igualdade entre os
cidadãos, daí ser conhecido como Estado-providência.

Esta teoria que regulou o Estado do Bem-Estar Social foi propagada por
Keynes, economista que foi citado na teleaula. Ocorre que após um período, o
Estado entra em crise, não conseguindo mais arcar com os seus custos, crise a
qual implanta um novo modelo que é o neoliberalismo.

TELA 9
Para você aprimorar seu conhecimento sobre a evolução do
Estado, acesse os seguintes sites:
http://www.flem.org.br/cadernosflem/Artigos/Cadernos1/Cadern
osFLEM1-EvolucaoEstadoModerno.pdf
http://www.newton.freitas.nom.br/artigos.asp?cod=199

Satisfação das necessidades coletivas públicas


O neoliberalismo prega pela mínima intervenção do Estado, pela sua eficiência,
pela abertura do mercado ao capital externo e pelo processo de privatização.
Consoante que você pôde observar, o Estado existe para a preservação do
bem comum, o qual se concretiza a partir da satisfação das necessidades
coletivas públicas.
A sociedade é repleta de necessidades e um dos meios através do qual o
Estado encontrou para satisfazer as referidas necessidades foi por meio da
prestação dos serviços públicos.

TELA 10
Um conceito clássico do que seria serviço público é o
fornecido por Celso Antonio Bandeira de Mello:

Serviço público é toda atividade de oferecimento de utilidade ou


comodidade material destinada à satisfação da coletividade em
geral, mas fruível singularmente pelos administrados, que o
Estado assume como pertinente a seus deveres e presta por si
mesmo ou por quem lhe faça as vezes sob um regime de Direito
Público portanto, consagrador de prerrogativas de supremacia
e de restrições especiais -, instituído em favor dos interesses
definidos como públicos no sistema normativo .
Outro conceito também bastante consagrado e que deixa
claro a satisfação de necessidades coletivas é o fornecido por
Marçal Justen Filho:

Serviço público é uma atividade pública administrativa de


satisfação concreta de necessidades individuais ou
transindividuais, materiais ou imateriais, vinculadas diretamente
a um direito fundamental, destinada a pessoas indeterminadas e
executada sob regime de direito público .

TELA 11
Quando discorremos a respeito de serviços públicos, não podemos deixar de
esquecer as transformações que acometeram este instituto nos últimos anos.
Ora, com a reforma no âmbito da Administração Pública, tal instituto foi
extremamente afetado, pois antes era prestado diretamente pelo Estado, o que
deixou de acontecer após 1996, quando iniciou o processo de desestatização,
ou melhor, de privatização.
O motivo que mais fundamentou tal transformação foi a necessidade de gerar
eficiência no seio da Administração Pública, trazendo, desta feita, uma maior
satisfação ao usuário de serviços públicos.
Assim, a administração começa, então, a substituir o antigo modelo, que era o
burocrático, que se pautava em regras e procedimentos, pelo gerencial, que
busca a obtenção de resultados e a solução dos problemas em um menor
tempo.

Você sabia que o conceito de burocracia foi criado pelo


sociólogo Max Weber?
Sim, o sociólogo teorizou como seria o Estado Moderno e
concebeu que a sua existência dependeria da burocracia.
Para Max Weber, o Estado deveria ter um funcionamento
similar ao de uma empresa, com organização, produtividade
e eficiência, além do fato, da separação do indivíduo dos
meios de produção.

TELA 12
Ocorre que com o passar dos anos, observou-se uma
deturpação no conceito de burocracia, seja pelo excesso ou
pela falta de burocracia.
Assim, começa a haver uma enorme transformação no
modelo de gestão pública e também naqueles que fazem
toda a máquina estatal a funcionar. O indivíduo passa a ter
uma maior importância e o capital humano recebe atenção,
no qual faz surgir um maior aprimoramento das qualidades
profissionais de cada um.

Daí pode se conceber que o objetivo do atual sistema da Administração Pública


é justamente fazer mais com menos, ou seja, tentar cada vez mais uma maior
produtividade com um menor desgaste. Isso pode se chamar de eficiência.

TELA 13
Apesar do princípio da eficiência estar presente no
ordenamento jurídico pátrio, cabe esclarecermos que ela
não deve ser utilizada como pretexto para fundamentar
decisões arbitrárias ou até mesmo preceitos imorais. Além
disso, Egon Bockmann Moreira deixa claro o perigo
existente, uma vez que a eficiência no setor privado é
diferente da preconizada no público:

Atente-se para o fato de que a inserção da eficiência como


princípio constitucional pode causar sérias distorções, que
devem ser desde logo afastadas. No setor privado, eficiência
é a relação estrita entre objetivos lucrativos (resultados
previstos) e a eficácia da atividade (excelente utilização de
recursos disponíveis). O fim dessas atividades não é a estrita
obediência e respeito ao cidadão .

Logo, ser eficiente no âmbito da Administração Pública não é buscar a máxima


lucratividade pecuniária, mas atender às necessidades da sociedade,
satisfazendo-as ao máximo possível. Falar em fazer mais com menos é uma
das possibilidades de ser eficiente no seio da Administração Pública.

TELA 14
Os serviços públicos são instrumentos de desenvolvimento
social e econômico. Quando o Estado presta serviços
públicos consegue tornar a vida mais digna e, portanto,
concretizar a solidariedade social.

Além disso, há um incremento no chamado mínimo vital.


Para que possamos compreender melhor o que seria o
mínimo vital vamos ao conceito fornecido por Ricardo Lobo
Torres:
Sem o mínimo necessário à existência cessa a possibilidade
de sobrevivência do homem e desaparecem as condições
iniciais de liberdade. A dignidade humana e as condições
materiais da existência não podem retroceder aquém de um
mínimo, do qual nem os prisioneiros, os doentes mentais e os
indigentes podem ser privados .

O Estado ao prestar os serviços públicos direta ou indiretamente, como


educação, moradia, saúde, saneamento faz com que haja um desenvolvimento
social e econômico na sociedade. O tema serviço público sofreu profunda
alteração após o processo de privatização que se iniciou em 1996 e teve como
um dos principais fundamentos a eficiência na sua prestação.
TELA 15
2. Princípios da Gestão Pública
Os princípios são elementos fundamentais para nortear a
elaboração das leis, das estratégias e das próprias atitudes
dos gestores da Administração Pública.
Os princípios são como os alicerces de um edifício, ou seja,
são os pilares que dão fundamento a todo o desempenho da
Administração, sem os quais abalaria toda a estrutura já
construída. Devido a tal importância, eles devem ser
observados e respeitados, inclusive, para a própria
elaboração de planejamentos estratégicos.

Legalidade
O princípio da legalidade norteia todo o ordenamento jurídico
brasileiro, encontra-se previsto na Constituição Federal, que é
a lei maior de um país. Assim sendo, ele está expresso no
artigo 5º, II, que dispõe: Ninguém será obrigado a fazer ou
deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei ,

Ora, nenhum cidadão é obrigado a fazer ou deixar de fazer algo caso não
esteja previsto na lei. Na Administração Pública, o princípio da legalidade ainda
é mais presente, pois o administrador somente pode agir quando existir lei que
o permite.

Diferentemente, ocorre na esfera das relações privadas, na qual, aquilo que não
está previsto e, portanto, não é proibido pode ser realizado sem qualquer
problema.

TELA 16
Vamos analisar o seguinte caso:
João é funcionário público da Receita Federal. Certo dia, José
que não recolheu seus tributos em dia, dirige-se ao órgão e
conversa com João, que penalizado diante da situação de
José, perdoa sua dívida. Ocorre que não havia qualquer
legislação que previsse tal perdão.
Assim, o que podemos observar é que João agiu em
desacordo com a sua função pública, uma vez que só poderia
conceder o referido perdão se houvesse lei que assim
determinasse.

Nesse sentido, quando a Administração Pública institui uma taxa, por exemplo,
deve haver uma lei que assim permita. Caso contrário, a referida taxa será
declarada inconstitucional.
Todos os atos, portanto, da Administração Pública devem possuir previsão legal
que esta acaba sendo uma garantia aos particulares que estarão protegidos
sob a égide da lei.

TELA 17
Impessoalidade
Outro princípio importante que rege a Administração
Pública é o da impessoalidade e que também possui
previsão constitucional expressa no artigo 37:

Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer


dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios obedecerá aos princípios de legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e,
também, ao seguinte(...).

Você lembra quando discorremos a respeito da burocracia e da separação do


indivíduo dos meios de produção, isso é o berço da impessoalidade. O
administrador não é o proprietário da Administração Pública, portanto, deve agir
com impessoalidade.

TELA 18
Joana Paula Batista de Lima relaciona a impessoalidade com
a chamada responsabilidade objetiva. A responsabilidade
será objetiva quando o indivíduo precisar provar tão-somente
o nexo de causalidade, ou seja, caso tenha algum prejuízo
não necessita provar que houve dolo ou culpa por parte do
agente que causou.
Assim, Joana Paula Batista nos ensina que:
A impessoalidade garante que o lesado acione o Estado,
provando apenas o nexo de causalidade entre evento e dano,
não havendo necessidade da prova do elemento subjetivo para
que se tenha direito à reparação do dano sofrido. É certo,
contudo, nos termos do artigo 37, § 6º, da CF, que ao Estado é
assegurado direito de regresso contra o responsável pela
prática do ato danoso .

Além disso, ser impessoal é tratar todos os administrados sem discriminações,


sem favoritismo consoante você pôde observar na nossa teleaula. Tratar todos
de modo impessoal é tratar de maneira igual. Logo, a impessoalidade acaba
sendo uma decorrência da igualdade.

TELA 19
Moralidade
Em continuidade ao estudo dos princípios relevantes na Gestão Pública,
chegamos ao princípio da moralidade. Ser moral é ser probo, é agir com
honestidade.
A moralidade é um princípio de fundamental importância para o funcionamento
da Administração Pública. Os agentes da Administração Pública devem atuar em
conformidade com os princípios éticos de comportamento aceitos e valorizados
na sociedade.
Dentro da moralidade, encontramos a lealdade e a boa-fé que acabam
fundamentando o princípio ora analisado.

Ele também possui previsão constitucional e acaba se


relacionando com o princípio da impessoalidade. Vejamos a
seguinte situação:
Maria é funcionária pública e acaba aceitando determinada
propina para que um processo administrativo fosse julgado
procedente. Ao observamos a atitude da funcionária,
podemos concluir que sua atitude foi imoral e feriu a ética e
os bons costumes, desrespeitando a moralidade pública.

TELA 20
Publicidade

Como o próprio nome denota, o princípio da publicidade


significa que os atos da Administração Pública devem ser
públicos. A Administração Pública deve manter a
transparência em seus comportamentos.
Os administrados devem ter acesso aos assuntos da
Administração Pública, uma vez que se assim não ocorresse
não viveríamos em uma democracia e tampouco haveria a
existência do princípio da publicidade.

Então, a publicidade amplia a transparência do exercício da função pública,


fornecendo aos cidadãos o conhecimento dos atos praticados pelos agentes
administrativos.O princípio em questão é uma garantia dos administrados, que
devem ter ciência das situações.
O sigilo somente é observando quando for necessário à segurança da sociedade
e do Estado. Publicidade, diversas vezes, é confundida com publicação. É certo
que em muitas oportunidades uma acaba representando a outra, mas nem todos
os atos da Administração Pública precisam ser publicados, mas deve ser
garantido o acesso do cidadão a tais dados.

TELA 21
Eficiência

Você já pode observar como o princípio da eficiência modificou


a gestão pública em nosso país. Ora, a eficiência foi
introduzida a partir da Reforma Administrativa em 1996 e tem
como principal objetivo tornar a Administração mais produtiva
e eficiente.
A eficiência tem como objetivo a gerência por resultados, pode
ser traduzido como o princípio da boa administração. Não
devemos nos esquecer que a eficiência está intimamente
ligada à moralidade.

Um sistema eficiente é aquele que usa racionalmente os seus recursos. A


eficiência acaba sendo um conceito econômico que tem como objetivo o melhor
aproveitamento dos recursos escassos.
Toda organização, seja a empresa, a universidade, o Estado deve ser eficiente
a fim de satisfazer os anseios da população. Ora, é a adequação da
organização às suas funções.

Para um aprofundamento no que toca aos princípios da


Administração Pública, entre no site:
http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=3489

TELA 22
3. Modelo Weberiano

Pudemos observar que o conceito de burocracia nasceu a


partir do sociólogo Max Weber. No entanto, devemos
aprimorar nosso conhecimento, uma vez que ele é muito
importante para a compreensão de Estado Moderno e de
Administração Pública.

Em primeiro lugar devemos entender que Max Weber


concebe todos os seus modelos em tipos ideais. Como
assim, você pode estar se questionando, tipos ideais?
Sim, tipos ideais. De todas as situações que o sociólogo
analisava, ele retirava as principais características. O tipo
ideal pode ser comparado a uma caricatura de uma pessoa,
na qual ficam evidenciadas as características mais
marcantes.
Observado o que vem a ser o tipo ideal do modelo
weberiano, ele concebe que o Estado pode ser de três tipos:
- tradicional, - carismático e burocrático. Na realidade, o
sociólogo fala em modelos de dominação.

TELA 23
Tradicional
Este tipo de dominação se baseia na crença da santidade
das ordens e poderes senhoriais tradicionais. O senhor irá
receber obediência em virtude da sua dignidade pessoal.
Sua organização pauta-se num quadro administrativo
formado por companheiros tradicionais e súditos,
diferenciando-se da dominação legal, na qual é formada
por funcionários. Observa-se, então, a característica da
pessoalidade na dominação tradicional, sendo que aquele
que serve ao senhor deve ser fiel.

Max Weber elucida que:


Denominamos patrimonial toda dominação que
originalmente orientada pela tradição, se exerce em
virtude de pleno direito pessoal, e sultanista toda
dominação patrimonial que, com suas formas de
administração, se encontra, em primeiro lugar na esfera
do arbítrio livre, desvinculado da tradição .

TELA 24
Carismática
Carisma, na concepção weberiana, é:

Uma qualidade pessoal considerada extracodiana e em


virtude da qual se atribuem a uma pessoa poderes ou
qualidades sobrenaturais, sobre-humanos, ou, pelo
menos extracodianos específicos ou então se a toma
como enviada por Deus, como exemplar e, portanto,
como líder .

É o tipo de dominação mais excepcional, tendo em vista que ele revoluciona,


transforma os atos do cotidiano. A dominação carismática envolve tanto
atividades políticas, religiosas, artísticas, econômicas, entre outras. No seio
político, as figuras do demagogo, do ditador social, do herói militar ou do
revolucionário são as melhores representações de líderes carismáticos.

TELA 25
Burocrática
Que o Estado Moderno é conseqüência do processo de
racionalização, porque com este há um aumento na
previsibilidade, no cálculo, no controle organizativo, o que
acaba transformando todos os campos: a ética, a religião,
a ciência, a técnica e outros.
A burocracia possui papel fundamental na estruturação
do Estado Moderno. O princípio da hierarquia dos postos
e os níveis de autoridade marcam profundamente uma
estrutura burocrática. O inferior deve obediência ao
superior e tal estrutura pode ser encontrada tanto no
âmbito público como privado.

Outra característica presente na burocracia é que a vida pessoal do indivíduo é


segregada da sua vida oficial. Tal fato pode ser percebido na própria
estruturação do serviço público, no qual o funcionário público não é o dono dos
objetos com os quais ele trabalha. Semelhante situação ocorre em uma
empresa particular, na qual o funcionário não é dono dos meios de produção.
O funcionário burocrático é aquele especializado, nomeado por um superior em
decorrência de sua qualificação técnica. O salário decorre da sua hierarquia e
não da função exercida propriamente dita. Dentro da estrutura burocrática de
trabalho, pode-se dizer que o funcionário prepara-se para uma carreira.

TELA 26
A estrutura burocrática pública é mantida por meio da
tributação, sendo assim, esta é uma pré-condição para que
aquela exista. Nos Estados modernos, observa-se fortemente
a influência da burocracia e como ela é mantida mediante a
tributação dos cidadãos.
Com a burocracia, há uma intensificação nas tarefas
administrativas, que passam a ser exercida com uma maior
qualidade.
Com a exigência de uma maior pacificação para a
sobrevivência, a sociedade tornou a burocracia ainda mais
forte, pois para se manter um poder de polícia eficiente há a
necessidade de uma estrutura burocrática estabelecida e
consolidada.

Outro fator que tornou a burocracia ainda mais forte foi a existência dos meios
de comunicação modernos. Assim, o Estado detendo tais meios consegue
manter mais ainda a sua estrutura burocrática.

TELA 27
Que as vantagens técnicas da organização burocrática são
inúmeras, pois a especialização é um dos requisitos
exigidos para o seu funcionamento? Além disso, o custo da
atividade burocrática é bem menor se comparado ao custo
da atividade honorífica.

Com a racionalização do mundo, a calculabilidade e a previsibilidade tornaram-


se requisitos essenciais para que a sociedade viva tranqüilamente. Assim
sendo, a burocracia veio atender com perfeição ao processo racional.
Logo, a burocracia é necessária para a estruturação da Administração. Ocorre
que o excesso de burocracia, conforme você pôde observar na teleaula, causa
resistência a mudanças, sinais de autoridade, entre outros problemas,
resumindo-se em rigidez demasiada.
Assim como a escassez de burocracia também cria entraves, sendo a
desordem a principal conseqüência.
Portanto, concluímos que a burocracia é importante para a boa estruturação da
Administração. Ocorre que com a evolução do Estado, com a passagem da era
industrial para a era digital, clama-se por uma maior agilidade na resolução de
problemas e por uma eficiência.

Nesse sentido, o estudo de indicadores, ou seja, de resultados demonstra com


maior transparência ao cidadão-usuário como está sendo realizada a Gestão
Pública. Os indicadores não devem ser tão somente financeiros, mas sociais,
conforme ensinado na tele-aula.

TELA 28

4. Gestão Pública e Indicadores


Atualmente, a prestação de serviços públicos ocorre muito
mais de uma maneira indireta, ou seja, cabe à iniciativa
privada a prestação deste serviço, já no que tange à
regulação, esta ocorre por meio de agências do Poder
Público.
A prestação direta também pode ser chamada de
centralizada e a prestação indireta de descentralizada. Ora,
já aprendemos que a transformação no âmbito do Estado no
que tange à prestação de serviços públicos ocorreu devido
às diversas mudanças econômicas.

A partir de indicadores podemos observar se a prestação de serviços públicos


está sendo eficaz ou não. A legislação, inclusive, prevê a questão dos
indicadores na Administração Pública.
Para maiores informações, vide as seguintes leis, consoante demonstradas na
teleaula:
Lei 8.987/1995;
Lei 9.637/1998;
Lei 9.649/ 1998;
Lei 9.790/1999;
Lei 10.973/2004

TELA 29
Para o acesso à legislação, visite o site do Senado Federal
(www.senado.gov.br).
Os indicadores podem se apresentar de várias maneiras e
mensuram determinados fatos. Os indicadores financeiros nem
sempre se apresentam como os mais eficazes para se ter
ciência se a gestão pública está sendo eficaz ou não.
Para se ter um exemplo concreto dos indicadores, visite o site
da ANATEL:
http://www.anatel.gov.br/Tools/frame.asp?link=/indicadores/dad
os_brasil_paste.pdf

E por que é tão importante o conhecimento de indicadores?


Ora, cada vez mais se arrecada para sustentar a máquina
estatal. Conforme, percebemos na teleaula, a arrecadação
tem crescido enormemente nos últimos anos. Ocorre que o
crescimento do Brasil tem diminuído cada vez mais, pois há
uma enorme concentração de renda, o que faz surgir uma
grande massa de miseráveis e uma pequeníssima parcela de
ricos.

TELA 30
Já aprendemos neste curso que os serviços públicos representam uma forma
maneira de aprimorar a qualidade de vida da população e até mesmo de
incrementar o conceito de mínimo vital.
Assim, é importante sabermos quanto o Estado gasta para manter uma criança
na escola, quanto é despendido na saúde pública, saneamento básico e outros
serviços públicos.

O brasileiro trabalha cada vez mais para pagar tributos e não


se engane, conforme você observou na teleaula há os
tributos diretos e os indiretos. Há tributos que são facilmente
percebidos, como, por exemplo, o IRRF - Imposto sobre a
Renda Retido na Fonte. Todavia, há tributos que não
conseguimos visualizar tão claramente, um exemplo é o
ICMS, que vem embutido no preço das mercadorias.

Visite o site da Receita Federal e você perceberá que a


arrecadação tem aumentado enormemente.
(www.receita.fazenda.gov.br).

TELA 31
O problema, além do pagamento de tantos tributos, é a contraprestação que
não existe no Brasil. Há países com a carga tributária elevada, mas que o
cidadão está desonerado de pagar por educação, saúde, transporte, uma vez
que tais serviços públicos são custeados pelo governo.
No Brasil, a realidade é bem diferente. Daí, a importância do gestor público ter
consciência da importância do seu papel no crescimento do país, pois somente
por meio de uma gestão eficiente é que se poderá fazer com que o Brasil se
desenvolva e dê, portanto, um salto para o futuro.
Tal crescimento na gestão pública pode ser planejado e os indicadores terão
importância fundamental no planejamento estratégico.

O que significa, então, a análise baseada em índices?


A análise baseada em índices significa que toda grandeza
que pode ser quantificada numericamente, também pode ser
comparada com o uso de técnicas matemáticas simples.
Análise de evolução ou tendência = a técnica utilizada
é a de número-índice.
Composição ou estrutura = ocorre por meio da
porcentagem.
Comparação de uma variável com a outra = é a mais
utilizada.
Valor absoluto = exprime o valor de uma grandeza.

TELA 32

A partir, então, dos indicadores, o gestor público poderá fazer um planejamento


estratégico, que necessitará da articulação de todos os colaboradores da
Administração, bem como da disposição conjunto à realização de mudanças.
Ter uma estratégia para o crescimento é de fundamental importância. Logo, não
podemos ficar adstritos tão-somente a indicadores econômico-financeiros, uma
vez que estes refletem somente o passado.

O BSC (Balanced Score Card) é um método de indicadores


de desempenho balanceado, muito utilizado no
planejamento estratégico. Ele não está relacionado
somente a indicadores financeiros, mas possui como
objetivo a satisfação do cliente, a eficiência dos processos
internos e a habilidade da organização em aprender e
melhorar.
Na Gestão Pública, o cliente poderá ser vislumbrado como
o administrado, ou seja, o usuário; e a sua satisfação pode
ser medida pela prestação dos serviços públicos.

TELA 33

Quanto à eficiência de processos internos, é necessário que haja a retirada das


características que desvirtuam a burocracia, agilizando os procedimentos,
fazendo com que exista uma maior integração no conjunto e uma maior
eficiência no atendimento do cidadão-usuário.
Além disso, a participação popular torna a gestão pública mais eficiente,
diminuindo a distância entre Estado e sociedade, além de aprimorar e
concretizar a democracia. Basta observar a satisfação da sociedade em locais
nos quais são aplicados os orçamentos participativos.

Para aprofundar o seu conhecimento sobre o método BSC, acesse


o seguinte site:
http://www.ead.fea.usp.br/Semead/6semead/ADM%20GERAL/050
Adm%20-
%20Intera%E7ao%20entre%20o%20Balanced%20Scorecard.doc
Com certeza, com um aprimoramento na gestão pública, haverá
um desenvolvimento no Brasil e viveremos em uma sociedade
mais justa e feliz!

Referências bibliográficas

BATISTA, Joana Paula. Remuneração dos serviços públicos. São Paulo:


Malheiros, 2005.

BUSSAMARA, Walter Alexandre. Taxas limites constitucionais. São Paulo:


Malheiros, 2003.

JUSTEN FILHO, Marçal. Curso de direito administrativo. São Paulo: Saraiva,


2005.

MELLO, Celso Antonio Bandeira. Curso de direito administrativo. 14.ed. São


Paulo: Malheiros, 2002.

MEROLLI, Guilherme. MEROLLI, Guilherme. A interpretação do pensamento


político de Thomas Hobbes.p. 58.In: FONSECA, Ricardo Marcelo (org).
Repensando a teoria do Estado. Belo Horizonte: Fórum, 2004.

MOREIRA, Egon Bockmann. Processo administrativo: princípios


constitucionais e a lei 9.784/99. São Paulo: Malheiros, 2000.

ROUSSEAU, Jean-Jacques. O contrato social: princípios do direito político.


São Paulo: Martins Fontes, 2003.

TORRES, Ricardo Lobo. A cidadania multidimensional na era dos direitos. In:


TORRES, Ricardo Lobo (org.). Teoria dos direitos fundamentais. Rio de
Janeiro: Renovar, 2001.
WEBER, Max. Economia e sociedade: fundamentos da sociologia
compreensiva. Vol.I. 4. ed. São Paulo: Editora Universidade de Brasília, 2004.

MATERIAL COMPLEMENTAR

www.receita.fazenda.gov.br
www.senado.gov.br
www.direitopublico.com.br
www.jusnavegandi.com.br
www.deolhonoimposto.com.br
Avaliação

1. O Estado possui um papel importante para a vida organizada em sociedade,


esta alternativa é:
( ) verdadeira ( ) falsa

2. Observe a seguinte frase e marque a alternativa correta sobre qual


contratualista estamos nos referindo:

O homem é o lobo do homem .

a) Jean Jacques-Rousseau
b) Thomas Hobbes
c) John Locke
d) Nenhuma das alternativas

3. Observe a seguinte situação:

João é gestor pública da cidade de Araraquara- SP, sendo competente pela


regulação das chamadas essential facilities. A partir do processo de
desestatização, surgiram as chamadas essential facilities, que são, por exemplo,
a existência dos postes de telefone para a transmissão de linhas. A empresa
detentora de tais bens deve conceder a utilização para outras empresas a fim de
aprimorar a concorrência.
Diante do caso, observa-se a existência de uma falha no mercado, qual seria?

Resposta: Alternativa c. Com o processo de privatização e o fim dos


monopólios, foi necessária a intervenção do Estado para aprimorar a
concorrência, uma vez que os mercados eram incompletos.

4. Observe a seguinte situação e responda corretamente:

O serviço de iluminação pública, prestado diretamente pelo Estado, é um tipo de


serviço público da categoria uti universi¸ ou seja, é geral e indivisível. Você é um
gestor público e está elaborando um plano estratégico para aprimorar tal serviço.
Nesse sentido, deve levar em consideração todas as características do serviço.
Logo, você:

a) não poderá custear o referido serviço a partir da imposição de taxas;


b) poderá custear o referido serviço com a imposição de taxas;
c) poderá custear o referido serviço com a imposição de tarifas;
d) nenhuma das alternativas

5. Observe a seguinte situação e diga qual é o modelo do Estado:

Enorme interferência do Estado na economia, com a implementação de serviços


públicos, fortalecimento de sindicatos e a adoção de várias políticas sociais.

a) Estado Absolutista;
b) Estado Liberal;
c) Estado do Bem-Estar Social;
d) Estado Neoliberal

6. Quanto à eficiência, verifique a alternativa incorreta:

a) A eficiência foi introduzida na Constituição Federal a partir de 1996;


b) A eficiência da gestão pública é a mesma preconizada na gestão privada;
c) A eficiência deve estar intimamente à moralidade;
d) A eficiência deve ter como última finalidade o bem comum da sociedade.

7. Observe a seguinte situação:

Você é um gestor público que pretende fazer um plano para diminuir as


desigualdades sociais, ou seja, tem como objetivo máximo fazer desaparecer a
enorme concentração de renda, que existe no Brasil.

Dentre as possibilidades apontadas, qual você entende ser a melhor:

a) Aprimorar o conceito de mínimo vital, fornecendo uma maior prestação de


serviços públicos;
b) Aprimorar o conceito de concorrência, tentando retirar falhas do mercado;
c) Aprimorar o conceito de monopólio, que é muito eficiente para a economia;
d) Nenhuma das alternativas.

8. Observe a situação e responda corretamente:

João, gestor público, ordenou que a partir de fevereiro de 2007, todos os


indivíduos que entrassem na sua repartição deveriam recolher um taxa. Ocorre
que não havia qualquer lei que permitisse que João tomasse a referida atitude.

Qual princípio foi desrespeitado?

a) Eficiência;
b) Supremacia do interesse público sobre o privado;
c) Legalidade;
d) Impessoalidade.

9. Observe a situação e responda corretamente:

Maria é muito amiga de Joana. Maria é gestora pública e sabendo que Joana
não pagou determinados tributos, concede-a uma isenção baseada na amizade
de longos anos.

Qual princípio foi desrespeitado?

a) Eficiência;
b) Supremacia do interesse público sobre o privado;
c) Legalidade;
d) Impessoalidade.

10. Observe notícia e responda:

Classe média vive crise de renda, de empregos e de perspectivas


Fernando Dantas
O Estado de S. Paulo
12/11/2006

Segmento é responsável por 50% do PIB nacional, paga cada vez mais tributos e recebe pouco em troca.
A classe média perdeu mobilidade social, paga a maior parte dos impostos e gasta cada vez mais com serviços que,
teoricamente, o Estado deveria fornecer. O resultado dessa conjunção de fatores é que esse segmento da população,
que na definição convencional engloba as classes A e B, excluindo os mais ricos, é hoje o mais insatisfeito da pirâmide
social brasileira. Além de se ver sobretaxada e excluída das prioridades do Estado, a classe média é particularmente
sensível aos escândalos de corrupção que campearam tanto no Executivo quanto no Legislativo nos últimos anos - e
com particular intensidade no governo Lula.
Segundo um trabalho de janeiro de 2006 dos economistas Claudio Dedecca e Eliane Rosandiski, da Universidade de
Campinas, 86,1% do aumento dos empregos com carteira assinada entre 2002 e 2004 ocorreu na faixa entre um e dois
salários mínimos. Na faixa de dez ou mais salários mínimos, onde se situa parte considerável dos integrantes da classe
média, houve um recuo de 10,6% nos postos de trabalho com carteira assinada naquele período. 'Hoje, o filho da classe
média não consegue emprego para reproduzir o mesmo padrão dos pais', diz Márcio Pochman, também da Universidade
de Campinas.
Mesmo representando uma parcela relativamente modesta da população, inferior a 20%, a classe média, na definição
tradicional, é um segmento de grande importância sócio-econômica. Ela corresponde a praticamente toda a parcela mais
bem educada da população, ocupa a maioria dos postos de trabalho de maior agregação de valor e gera mais de 50% da
renda nacional. Obviamente, a classe média está no coração do sistema capitalista brasileiro, e sua insatisfação e apatia
não contribuem em nada para a tão sonhada aceleração do crescimento econômico.
Alguns economistas apontam que a classe média brasileira, em termos estatísticos, seria a classe C, pessoas que
tipicamente têm uma renda familiar total de pouco mais de R$ 1.000,00 e representam de 30% a 35% da população . 'A
classe C é onde o consumo mais cresce', diz a socióloga Fátima Pacheco Jordão. Mas é na classe média no sentido
tradicional - isto é, com padrões de consumo próximos ao mesmo segmento nas economias capitalistas mais avançadas
- que se encontra o grande foco de insatisfação.
Em termos de renda per capita, os 20% mais ricos no Brasil tiveram uma queda real de 0,5% entre 2001 e 2005. Essa
camada, excluindo a extremidade mais rica, corresponde exatamente à definição convencional da classe média. A
combinação de economia estagnada, altos impostos e serviços públicos de baixa qualidade é um forte desestímulo à
classe média, especialmente para os jovens que estão iniciando a vida produtiva. Pochman nota que de 140 mil a 160
mil jovens de boa formação educacional deixam o Brasil por ano em busca de melhores oportunidades profissionais no
exterior.
Em relação aos impostos, levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) mostra que a classe
média gasta 42,6% da sua renda bruta com tributos, mais do que os pobres e os ricos, e ainda deixa outros 31% em
despesas que são tipicamente serviços gratuitos do Estado, como educação, saúde, segurança, previdência e pedágios.
Segundo especialistas, as perspectivas da classe média não são mais animadoras do que a sua situação presente.
Ricardo Ismael, cientista político da PUC-Rio, nota que o modelo de ajuste do Estado adotado no Brasil desde o governo
Fernando Henrique Cardoso é altamente prejudicial à classe média. De um lado, a carga tributária vem crescendo
incessantemente, saindo de 25% do PIB em meados da década de 90 para os atuais 38%. A classe média,
naturalmente, é a que mais contribui para pagar essa conta.
Por outro lado, como nota Ismael, 'há uma tendência, que vem desde o governo FHC, de que os gastos sociais sejam
mais focalizados e que a classe média seja empurrada para fora do sistema de proteção social'. Em outras palavras, a
classe média é cada vez mais taxada, mas recebe cada vez menos serviços de volta do Estado.

Qual princípio está sendo desrespeitado?

a) Eficiência;
b) Supremacia do interesse público sobre o privado;
c) Legalidade;
d) Impessoalidade.

11. O princípio da publicidade é responsável pela:

a) moralidade no seio da Administração Pública;


b) transparência da Administração Pública;
c) impessoalidade da Administração Pública;
d) legalidade da Administração Pública.

12. Relacione as colunas:

(1) Modelo tradicional (2 ) A validade está nos poderes do


líder messiânico
(2) Modelo carismático (1 ) A validade está na santidade das
tradições
(3) Modelo burocrático ( 3) A validade está nas ordens
estatuídas

Resposta: De cima para baixo: 2-1-3. A partir do quadro demonstrativo da aula,


podemos observar como cada modelo se legitima de um modo diferente.

13. Ainda sobre MAX WEBER, marque a alternativa com as características


corretas da burocracia:

a) previsibilidade, cálculo, ausência de controle, eficiência;


b) imprevisibilidade, cálculo, ausência de controle, eficiência;
c) previsibilidade, cálculo, controle, eficiência;
d) imprevisibilidade, cálculo, controle, eficiência.

Resposta: Alternativa c. A burocracia é formada pela previsibilidade das ações,


o seu cálculo, o controle absoluto o que leva a eficiência.

14. Marque a alternativa incorreta no que tange aos indicadores:

a) Os indicadores apresentam papel fundamental para demonstrar se a


Administração está sendo eficiente;
b) Os indicadores podem se apresentar de várias maneiras;
c) Um estudo baseado em indicadores, pode fornecer uma boa estratégia de
planejamento;
d) O único indicador válido é o econômico-financeiro.

15. O BSC é:

a) um método de desempenho balanceado de indicadores;


b) um método que não pode ser utilizado no planejamento estratégico;
c) um método que somente utiliza indicadores financeiros;
d) um método ultrapassado na obtenção de resultados.
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