Você está na página 1de 13

COMUNIDADE DO APRENDIZADO APRIMORADO

Josivan dos Santos Cedraz, Leandro Costa Rosales Santos

Universidade do Estado da Bahia (UNEB)


Campus XIX – Camaçari/BA
josivancedraz@yahoo.com.br, suporte.1983@hotmail.com

Abstract. In this project behind the idea of building a great tool that will rein-
vent ways of teaching, learning and study abroad, in a centralized way
through the Internet, showing the possible features that the project will bring
to the academic world, so distributing global information that is the most valu-
able for learning.

Word key: Virtual learning, distance learning, new teaching methods,


Development of Education, New Technologies, Tools for Teaching, Learning
Enhanced.

Resumo. O presente artigo traz a ideia da construção de ferramentas


tecnológicas, as quais passarão a reinventar as formas de ensino, estudo e
aprendizado, de forma centralizada. Através da internet, o papel dessas
ferramentas será mostrar as possíveis funcionalidades virtuais, as quais
revolucionarão o universo acadêmico e das empresas, além de proporcionar
ao cidadão o exercício pleno de sua cidadania, através da geração e
distribuição de informação, a qual é o meio mais precioso para o
aprendizado.

Palavras-Chave: Aprendizado Virtual, Ensino à Distância, Novos Métodos de


Ensino, Ferramentas Tecnológicas, Aprendizado Aprimorado.

1. Introdução
O presente trabalho consiste em analisar as ferramentas tecnológicas (TIC's), as
quais contribuíram para o aperfeiçoamento das formas de ensino, estudo e aprendizado.
Tais tecnologias vêm proporcionando aos cidadãos, às empresas, universidades, cursos
técnicos e outros centros de treinamento reinventar os métodos de criação de valor,
formando uma nova sociedade do conhecimento.
Entretanto o ensino à distância tem sofrido com preconceitos diversos. Alguns
questionam qual o melhor: ensino à distância (EAD) ou ensino presencial. Na hora da
contratação, qual diploma é mais bem recebido, são assuntos que põem em dúvida a
qualidade do ensino à distância.
Este estudo não pretende esgotar o assunto, polemizar, muito menos fazer
análises quantitativas. Como por exemplo, qual a quantidade de estudantes matriculados
no ensino presencial ou à distância. Nem mesmo fazer comparações quantitativas sobre
o universo dos formados. Deste último poderia ser aberto um questionamento em
termos percentuais dos que frequentam, que percentuais conseguem concluir e receber
seu diploma ou certificado. Temas mais polêmicos como a substituição do professor
pelas tecnologias poderiam ser tratados aqui. O universo da pesquisa é amplo mais este
trabalho se limitou a fazer um breve relato histórico do ensino à distância, suas
contribuições sociais em primeiro lugar, bem como suas contribuições para o
aprendizado em si, como forma democrática de acesso ao ensino. Em segundo lugar,
suas contribuições econômicas, de empoderamento social, bem como uma análise sobre
a Lei de Diretrizes e Bases da Educação.

2
As próximas seções deste capítulo abordarão os objetivos do trabalho, sua
importância, a metodologia utilizada e sua estrutura.

1.1 Objetivos do Trabalho


O presente trabalho teve como objetivo geral mostrar a ideia central da
construção da Comunidade do Aprendizado Aprimorado (C.A.A.), cujo foco central é a
análise da integração das tecnologias com ensino, pesquisa e extensão através das
modalidades à distância, contribuindo para formar cidadãos, técnicos e profissionais,
prontos para o exercício pleno da cidadania, atuarem em empresas públicas e privadas,
bem como contribuírem para a área técnica, científica e social.
Como objetivos específicos este estudo busca compreender como se dá a
integração do ensino com as ferramentas tecnológicas das modalidades à distância,
desde o uso de equipamentos até a prestação de serviços. Demonstrar que a educação à
distância proporciona o desenvolvimento da cidadania, inserção sócio-econômica e
contribui para o cumprimento da Lei de Diretrizes e Bases da Educação.

1.2 Importância do Trabalho


A pesquisa da C.A.A. tem como suma importância a evolução das formas do
ensino, trazer as facilidades que a Tecnologia da Informação unida ao ensino promoverá
aos estudantes, tornando ainda mais fácil proporcionar qualidade na formação,
incorporar projetos, formar parcerias e distribuir ensino de forma globalizada. Para isso,
será necessário apoio público e privado, com o objetivo de investir tempo, tecnologia e
recursos em prol do desenvolvimento das formas de ensino, tendo como perspectiva de
futuro uma nova geração do aprendizado à distância.

1.3 Metodologias do Trabalho


Como o ensino à distância ainda vem se consolidando, a metodologia adotada
foi a da pesquisa aplicada, quanto à natureza, pois envolve verdades e interesse de
solucionar um problema específico; qualitativa, quanto à abordagem do problema, pois
requer interpretação dos fenômenos observados; exploratória, quanto aos objetivos do
estudo, para proporcionar maior familiaridade com o problema; quanto aos
procedimentos técnicos, o método utilizado para obter informações foi a pesquisa
bibliográfica, cujos autores versaram sobre o ensino à distância: artigos de internet,
portais acadêmicos, revistas, jornais e periódicos especializados na área da educação,
ciência e tecnologia.

1.4 Estrutura do Trabalho


A pesquisa é dividida em quatro capítulos. O primeiro constitui-se da introdução
do trabalho.
O segundo capítulo traz informações evolutivas sobre a historia da educação à
distância e seus contextos no Brasil e no mundo, suas formas de ensino e aprendizado.
O terceiro capítulo aborda as tecnologias usadas no processo de ensino e
aprendizado contemporâneos, as novas tecnologias, os modelos de EAD, a interação da

3
sociedade com os novos métodos de estudo, suas futuras expectativas, suas vantagens e
limitações.
O quarto capítulo mostra todo o contexto que é abrigado à ideia da Comunidade
do Aprendizado Aprimorado (C.A.A.), e a conclusão sobre o referido assunto.

2. Histórico e Definição da Educação à Distância


Conforme Moran (2013), na educação à distância, a tecnologia media o processo
de aprendizagem entre docentes e discentes, os quais estão separados espacial ou
temporalmente, não estando fisicamente presentes em um ambiente presencial de
ensino-aprendizagem. Nesse processo educacional, professores e estudantes se
conectam por tecnologias chamadas telemáticas, como a internet e em especial as
hipermídias, mas também podem ser utilizados outros recursos de comunicação, a
exemplo das cartas, rádio, televisão, vídeo, cd-rom, dvd-rom, blue ray disk, telefone,
fax, celular iPod, notebook, dente outros.
Segundo Saraiva (1996), a educação à distância tem sido efetivamente uma
prática educativa, formada por interação pedagógica, cujos objetivos, conteúdos e
resultados obtidos se identificam com aqueles que constituem, nos diversos tempos e
espaços, a educação como projeto e processo humanos, histórica e politicamente
definidos na cultura das diferentes sociedades. Mesmo quando se fala da educação
institucionalizada, a prática tem demonstrado abordagens limitadas e fora do contexto
da prática social. A educação é transmitida como um processo sem relação com a
apropriação transformadora da realidade. Esta visão reducionista leva a concepções
também distorcidas da educação à distância, aceitando que projetos limitados à
veiculação de informações por diferentes, e mais ou menos sofisticados, meios de
comunicação, sejam denominados como de ensino/educação à distância.
Conforme a Constituição da República Federativa do Brasil e da Lei de
Diretrizes e Bases da Educação, a educação é direito de todos e dever do Estado e da
família, abrangendo os estados formativos da convivência humana, no trabalho, nas
instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e nas manifestações culturais.
Além disso, esse direito é constituído por princípios e práticas pedagógicas que
garantam o exercício da cidania plena, garantindo igualdade de condições para o acesso
democrático à educação e permanência na escola.
Saraiva (1996) faz uma reflexão a respeito do que considera prática pedagógica:
acompanhamento do educando à distância, com conteúdo que seja adequado ao seu
contexto. Para ela, uma garantia institucional, que ultrapasse os meios e estratégias
utilizados para superar a distância e garantir atendimento pedagógico. O modo de
produzir materiais, a organização da veiculação e dos canais de comunicação à distância
são processos educacionais que devem responder às necessidades a serem atendidas.
Material impresso, uso de correspondência, rádio e televisão, até as mais recentes
tecnologias da comunicação, a variedade dos meios passíveis de adoção isolada ou
combinadamente, em sistemas de multimeios, impõe critérios de seleção e devem ser
direcionados a esse processo pedagógico.
“Progressistas ou reacionários, (a Inglaterra de Wilson ou a Espanha de
Franco), ricos ou pobres (os Estados Unidos ou Madagascar), centralistas ou

4
federalistas, (França ou Alemanha), imenso ou pequeno (China ou Holanda),
todos os Estados depois da Segunda Guerra investirão no Ensino a Distância.
Em todo lugar, as empresas, grandes ou pequenas, e as instituições
internacionais obram para instalar as infra-estruturas do ensino a distância.
Para todos, o desejo é o mesmo: estender o projeto educativo, começado no
século 20, para todos os públicos e para todas as formas de saber, aumentar a
eficiência e diminuir os custos graças ao emprego de tecnologias cada vez
mais eficientes” (ROCHA, CARMO e CAMPOS apud VIGNERON, 2010).
Conforme Saraiva (1996), um primeiro marco da educação à distância foi o
anúncio publicado na Gazeta de Boston, no dia 20 de março de 1728, pelo professor de
taquigrafia Cauleb Phillips, entretanto, muitos pensam que a educação à distância (EaD)
é uma novidade. Em 1840, na Inglaterra, com o lançamento do primeiro selo da história
do correio, usando uma tarifa única para todo o território da sua Graciosa Majestade, a
Rainha Vitória. Isaac Pitmann, o inventor da estenografia, aproveitou-se desta nova
facilidade para comercializar a sua invenção e criou o primeiro curso por
correspondência.
Vigneron (2005), relata que a primeira instituição a utilizar o ensino à distância
era alemã, o Instituto Toussaint e Langenseherdt, em 1856, e dedicou-se ao ensino das
línguas estrangeiras. Em 1873, em Boston nos USA, Anna Ticknor fundou a Sociedade
de Apoio ao Ensino em Casa e, no mesmo ano, a Universidade de Bloomington criou
um departamento de curso por correspondência. Já na França, a partir de 1977,
apareceram vários organismos privados oferecendo cursos por correspondência de
cultura geral, de artes, de línguas e de preparação para concursos. O CERCA (Centro de
Ensino Rural por Correspondência de Angers), curso criado em 1921 e promovido pela
Escola Superior de Agricultura, era dirigido aos adolescentes que saíam da escola
primária e tinha como finalidade a aprendizagem do pequeno agricultor. Com o evento
da televisão, o ensino à distância ingressou na era da multimídia. As ferramentas se
sofisticaram e diversificaram: minicassetes, videocassete e, hoje, Internet. A televisão
terá dificuldades para se impor como mídia pedagógica, ela terá que abandonar uma
imagem de puro divertimento popular e barato. O desenvolvimento da EaD pode ser
descrito basicamente em três gerações, conforme os avanços e recursos tecnológicos e
de comunicação de cada época: primeira geração, ensino por correspondência; segunda
geração, teleducação, telecursos; terceira geração, ambientes interativos.
Conforme Gadotti (2000), a educação à distância possibilita a inserção do aluno
como sujeito de seu processo de aprendizagem, com a vantagem de que ele também
descobre formas de tornar-se sujeito ativo da pesquisa e do compartilhar de conteúdos.
“Durante muito tempo o ensino a distância foi considerado como uma simples
alternativa para quem não podia ter acesso a ‘verdadeiros cursos’, quer dizer, a cursos
presenciais orais”. No fim desta breve história do ensino à distância, pergunta-se: Quais
são as perspectivas do ensino a distância de amanhã? Será que ele vai se tornar objeto
de uma escolha positiva?
“Graças às múltiplas opções abertas, podemos pensar que a formação a
distância será escolhida por um número crescente de jovens que combinarão
estudo, trabalho e vida pessoal, e que escolherão esta opção para continuar
aprendendo durante a vida toda.” (GADOTTI, 2000)
Segundo Guidi (2000), a primeira graduação EaD de que se tem notícia data de

5
1833, na Suécia. Foi um curso de Contabilidade, o qual ocorreu dois séculos atrás, mais
precisamente no século XIX. Após essa experiência com o ensino à distância, diversos
países lançaram no decorrer dos anos o modelo de universidade aberta. Inglaterra,
Estados Unidos e Alemanha, são países que começaram sua experiência EaD no século
XIX. No século XX, em 1974, a Universidade Aberta Allma Iqbal no Paquistão iniciou
a formação de docentes via EaD. A partir de 1980, a Universidade Aberta de Sri Lanka
passou a atender setores importantes para o desenvolvimento do país: profissões
tecnológicas e formação docente. Tailândia, Terbuka na Indonésia surgiu para atender a
demanda de estudos superiores. Já na Índia, criada em 1985, a Universidade Nacional
Aberta Indira Gandhi tem objetivo de atender a demanda de ensino superior. A
Austrália é um dos países que mais investe em EaD, mas não tem nenhuma
universidade especializada nesta modalidade. Nas universidades de Queensland, New
England, Macquary, Murdoch e Deakin, a proporção de estudantes à distância é maior
ou igual à de estudantes presenciais. Na América Latina programas existentes incluem o
Programa Universidade Aberta, inserido na Universidade Autônoma do México (criada
em 1972), a Universidade Estatal à Distância da Costa Rica (de 1977), a Universidade
Nacional Aberta da Venezuela (também de 1977) e a Universidade Estatal Aberta e à
Distância da Colômbia (criada em 1983).
Conforme Rocha (2019), no Brasil, desde a fundação do Instituto Rádio-Técnico
Monitor, em 1939, hoje Instituto Monitor, depois o Instituto Universal Brasileiro, em
1941, e o Instituto Padre Reus em 1974, várias experiências de educação à distância
foram iniciadas e levadas adiante. Em 1970, a Fundação Roberto Marinho era um
programa de educação supletiva à distância, para ensino fundamental e ensino médio.
Entre as décadas de 1970 e 1980, fundações privadas e organizações não-
governamentais iniciaram a oferta de cursos supletivos à distância, no modelo de
teleducação, com aulas via satélite complementadas por kits de materiais impressos,
demarcando a chegada da segunda geração de EaD no país. A maior parte das
Instituições de Ensino Superior brasileiras mobilizou-se para a EaD com o uso de novas
tecnologias da comunicação e da informação somente na década de 1990. Em 1992, foi
criada a Universidade Aberta de Brasília (Lei 403/92). Em 1994, teve início a expansão
da Internet no ambiente universitário. Dois anos depois, surgiu a primeira legislação
específica para educação à distância no ensino superior.
Conforme Saraiva (1996), “o Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia
(Irdeb) ocupa lugar de destaque na história da teleducação brasileira. Concebeu,
produziu e veiculou inúmeros programas de rádio e televisão educativos”. Em 1993, foi
criada a Universidade do Estado da Bahia (UnEB), considerada a maior universidade
das regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste, com 29 campi. Em 2005, a UnEB foi
credenciada pelo Ministério da Educação (MEC), o qual passou a autorizar que a
universidade oferecesse cursos à distância. A partir de 2014, a UnEB criou oficialmente
a Unidade Acadêmica de Educação à Distância (UNEAD), oferecendo graduações e
pós-graduações à distância, contando com aproximadamente 14 cursos de graduação à
distância, 5 de pós-graduação e 27 polos de apoio presenciais EAD.

3. Modelos de Educação à Distância

6
Segundo Mendonça (2016), existem atualmente diversos modelos de cursos EaD
no Brasil, criando um mercado para exploração da educação à distância. A tendência de
crescimento deste mercado para os próximos anos está atrelada à demanda. Esse
crescimento é justificado pela busca por capacitação profissional em tempos distintos. O
fato é que esse aumento da demanda gera oportunidades de negócio.
Ao pensar em educação à distância, algumas pessoas se sentem receosas ao
aprendizado ofertado aos alunos. Essa insegurança costuma se basear em informações
equivocadas ou em um pensamento tradicionalista, o qual acredita que as ferramentas
EaD não são efetivas ao ensino, conforme salienta Macedo (2016). A possibilidade de
uso dessas ferramentas auxilia o processo de aprendizado, proporcionando vantagens a
estudantes e instituições.
Veiga (2013), enumera o que chama de modelos EaD. Para ele, salas de aula
distribuídas é um modelo estruturado a partir de tecnologias multimídias espalhados em
pontos diferentes, em que a instituição responsável pelo treinamento controla o
andamento e o local onde deverá ser realizado; no aprendizado independente, os
estudantes podem fazer o curso independente do local onde estão e não têm que se
adequar a escalas fixas de horário; e há o estudo aberto mais aulas, no qual os
estudantes recebem material impresso e outras mídias, possibilitando ao estudante
estudar onde preferir, mas reúnem periodicamente em locais específicos, para receber
apoio instrucional.
A aprendizagem à distância, sobretudo a baseada na Internet, parece ser a grande
novidade educacional neste início de novo milênio. A cultura do papel representa
obstáculo ao uso intensivo da Internet, em particular da educação à distância com base
na Internet. Por isso, os jovens que ainda não internalizaram inteiramente essa cultura,
porém adaptam-se com mais facilidade do que os adultos ao uso do computador. Muitos
já estão nascendo com essa nova cultura, a cultura digital. Os sistemas educacionais
ainda não conseguiram avaliar suficientemente o impacto da comunicação audiovisual e
da informática. Ainda trabalha-se muito com recursos tradicionais que não têm apelo
para as crianças e jovens. Os que defendem a informatização da educação sustentam que
é preciso mudar profundamente os métodos de ensino a fim de reservar ao cérebro
humano o que lhe é peculiar: a capacidade de pensar. Ao invés de desenvolver apenas a
memória. A função da escola será, cada vez mais, a de ensinar a pensar criticamente.
Para isso é preciso dominar mais metodologias e linguagens, inclusive a linguagem
eletrônica (GADOTTI, 2000).
Costuma-se definir nossa era como a era do conhecimento. Pode ser que, de fato,
já se tenha ingressado na era do conhecimento, mesmo admitindo que grandes massas
da população estejam excluídas dele. Contudo, o que se constata é a predominância da
difusão de dados e informações e não de conhecimentos. As novas tecnologias
permitem acessar informações transmitidas não apenas por palavras, mas também por
imagens, sons, fotos, vídeos (hipermídia), etc. Nos últimos anos, a informação deixou
de ser uma área ou especialidade para se tornar uma dimensão de tudo, transformando
profundamente a forma como a sociedade se organiza. Pode-se dizer que está em
andamento uma Revolução da Informação, como ocorreram no passado a Revolução
Agrícola e a Revolução Industrial. Ladislau Dowbor (1998), após descrever as
facilidades que as novas tecnologias oferecem ao professor, se pergunta: o que eu tenho

7
a ver com tudo isso, se na minha escola não tem nem biblioteca e com o meu salário eu
não posso comprar um computador? Ele mesmo responde que será preciso trabalhar em
dois tempos: o tempo do passado e o tempo do futuro. Fazer tudo hoje para superar as
condições do atraso e, ao mesmo tempo, criar as condições para aproveitar amanhã as
possibilidades das novas tecnologias. As novas tecnologias criaram novos espaços do
conhecimento. Agora, além da escola, também a empresa, o espaço domiciliar e o
espaço social tornaram-se educativos. Cada dia mais pessoas estudam em casa, pois
podem, de casa, acessar o ciberespaço da formação e da aprendizagem à distância,
buscar “fora” – a informação disponível nas redes de computadores interligados –
serviços que respondem às suas demandas de conhecimento. Na formação continuada
necessita-se de maior integração entre os espaços sociais (domiciliar, escolar,
empresarial, etc.), visando equipar o aluno para viver melhor na sociedade do
conhecimento.

3.1 Vantagens e limitações


De acordo com a maioria dos defensores da EAD (Gutierres e Prieto, 1994;
Medeiros, 1999; Preti, 1996), as vantagens da modalidade, são, resumidamente, as
seguintes: massificação espacial e temporal; custo reduzido por estudante; população
escolar mais diversificada; individualização da aprendizagem; quantidade sem
diminuição da qualidade; autonomia no estudo. Das vantagens acima listadas é possível
inferir que a Educação à Distância democratiza o acesso à Educação, atendendo a
alunos dispersos geograficamente e residentes em locais onde não haja instituições
convencionais de ensino. Propicia uma aprendizagem autônoma e ligada à experiência
dos estudantes, os quais não precisam se afastar do seu local de trabalho.
Os mesmos pesquisadores (Gutierres e Prieto, op. cit.; Medeiros, op. cit.; Preti,
op. cit.), alertam para os possíveis riscos na adoção dessa modalidade educacional:
ensino industrializado; ensino consumista; ensino institucionalizado; ensino autoritário;
ensino massificante. O desenvolvimento da Internet oferece novas oportunidades de
prestação de serviços. Dentre elas, o comércio eletrônico e o ensino à distância (EAD).
Neste projeto, apesar das diversas tecnologias disponíveis, é limitado a abordar o EAD
pela Internet como parte do mesmo, que, em suas formas mais sofisticadas, pode ser
caracterizado pela interação em tempo real, utilização de recursos multimídia (imagens,
sons e texto) e sala de aula virtual.
Algumas ferramentas estão mudando a educação à distância:
Os ambientes virtuais de aprendizagem, ou simplesmente, AVA. As plataformas
EAD reúnem ferramentas usadas no decorrer do curso, como materiais de estudo, links
para vídeos, chats e fóruns. As bibliotecas virtuais constituem uma fonte de pesquisa
para os usuários, os quais podem acessar e baixar os materiais do curso, como apostilas,
livros e textos. Áudios, vídeos, jogos, fóruns, chats, blogs, e-mails, fazem parte da
rotina dos estudantes virtuais. Esses recursos facilitam o aprendizado e contribuem para
a difusão do conhecimento.

4 Considerações Finais
A EAD pode representar uma verdadeira revolução na democratização do ensino

8
superior. A avaliação no EAD, como vimos, tem pontos muito fortes baseados na
autonomia, autodidaxia, pesquisa e autoria, competências importantes na formação de
um indivíduo crítico e consciente. Porém, como o contato pessoal com os alunos é
muito menor ou nulo no Ensino à Distância, é muito difícil, por exemplo, o professor
identificar individualmente os seus alunos ou observar essas mudanças
comportamentais, critérios importantes para uma avaliação qualitativa.
Um outro ponto forte da EAD é a relação professor-aluno ser, claramente,
menos hierarquizada devido ao fato desta interação ser feita via mensagens eletrônicas,
fórum ou Chat, onde os símbolos socioculturais subjetivos não são tão claros para
demarcar a diferença entre professor e alunos como existe em uma sala de aula
tradicional. Isso inibe o constrangimento do aluno em expressar opiniões diante do
professor. Todavia, podemos notar que o distanciamento geográfico impele também um
distanciamento afetivo e uma falta de comunicação mais ampla. Essas são variáveis
muito importantes no processo de ensino-aprendizagem visando a mudança
comportamental própria do processo educativo.
Na passagem para o terceiro milênio, que abre o pano com o século XXI, o
mundo está presenciando uma demanda sem precedentes por educação inicial e
continuada, que, ao mesmo tempo, fascina e desafia os sistemas educacionais.
Nesse cenário, a EAD desponta como modalidade do futuro, provavelmente
vivendo novas etapas, com ênfase na integração de meios, em busca da melhor e maior
interatividade. As tecnologias da informação aplicadas à EAD proporcionam maior
flexibilidade e acessibilidade à oferta educativa, fazendo-as avançar na direção de redes
de distribuição de conhecimentos e de métodos de aprendizagem inovadores,
revolucionando conceitos tradicionais e contribuindo para a criação dos sistemas
educacionais do futuro. Serão alcançados, em escala e com qualidade, novas gerações
de estudantes e os jovens e adultos trabalhadores, em seus domicílios e locais de
trabalho, beneficiando todos quantos precisam combinar trabalho e estudo ao longo de
suas vidas.
Nesse contexto, um grande esforço cooperativo se fará necessário para abolir
todas as barreiras ao acesso às oportunidades de educação e trabalho. É paradoxal, mas
a EAD tenderá a abolir as distâncias educacionais, pois a conjugação das conquistas das
tecnologias de informação e telecomunicação com as da pedagogia permitirá à
humanidade construir a escola sem fronteiras.
Este sistema já vem sendo progressivamente configurado, à medida que as
tecnologias apóiam a EAD, tornando disponíveis novas e ampliadas oportunidades de
acesso à educação, à cultura, ao desenvolvimento profissional e pessoal.
Desde a década de 20, o Brasil vem construindo sua história de EAD. A partir da
década de 70 ampliou-se a oferta de programas de teleducação e, no final do século,
estamos assistindo ao consenso de que um país com a dimensão e as características do
nosso tem que romper as amarras do sistema convencional de ensino e buscar formas
alternativas para garantir que a educação inicial e continuada seja direito de todos.

9
Seguramente, a EAD é uma das alternativas. Novos programas serão
concebidos. Novas tecnologias serão utilizadas. Novos resultados serão alcançados,
enriquecendo a história da EAD no Brasil.
A evolução tecnológica esta cada vez mais intensa, com isso, determinadas áreas
em conjunto com os benefícios que tal avanço nos trás, torna-se algo a primeira vista
inimaginável, e ao passar do tempo, se acopla às nossa vidas e acaba fazendo parte do
nosso cotidiano.
Com a educação não é diferente, ainda mais quando é voltada para a utilização
de novos métodos de ensino e aprendizado, a comunidade que será formada pela
proposta do projeto C.A.A (Comunidade do Aprendizado Aprimorado). Sofrerá com as
resistências, pois toda mudança determina um ou vários tipos, mas com o passar da
evolução, se tornará algo essencial, e será mais uma ferramenta que nos ajudará de
alguma forma a viver dentre as facilidades que a tecnologia tende a nos trazer.
Com isso, a C.A.A não se tornará apenas um portal de aprendizado, mas um
grande ferramenta que utilizará da mais simples prestação de apoio à as mais avançadas
tecnologias, contribuindo com total interatividade com o usuário e de forma globalizada
levar a informação a quem a solicita.
O conhecimento tem presença garantida em qualquer projeção que se faça do
futuro. Por isso há um consenso de que o desenvolvimento de um país está
condicionado à qualidade da sua educação. Nesse contexto, as perspectivas para a
educação são otimistas. A pergunta que se faz é: qual educação, qual escola, qual aluno,
qual professor? Este capítulo buscou compreender a educação no contexto da
globalização e da era da informação e suas tecnologias, tirou conseqüências desse
processo e apontou o que poderá permanecer da "velha" educação, indicando algumas
categorias fundantes da educação do futuro.
Como podemos ver, a tecnologia se agrega a diversas maneiras com a educação
e aos meios de conhecimento, tornando-se cada vez mais algo ligado aos métodos de
ensino e influenciando o avanço do aprendizado.

5 Comunidade do Aprendizado Aprimorado e Suas Contribuições para Futuros


Trabalhos
Um portal na internet, feito em parceria com diversas empresas do ramo
tecnológico e educacional, visando fazer algo seguro, a Comunidade do Aprendizado
Aprimorado – C.A.A, trata-se de uma conexão de acadêmicos online vinte quatro horas
por dia, e que abrange pessoas de todo o mundo, ou seja, acadêmicos cadastrados de
inumeras instituições de ensino, sejam técnicas, sejam de ensino superior médio ou
fundamental, com um intuito de compartilhar informações, pesquisa, idéias,
conhecimento e projetos.
A comunidade acadêmica do portal será sempre filtrada, pelo cadastramento das
instituições de ensino, ou seja, para não haver desordem na comunidade, só as
instituições de ensino podem cadastrar os participantes da mesma, que visa o bem estar
de seus afiliados, mantendo ordem e qualidade dos serviços prestados em prol do
conhecimento, a favor da conexão e compartilhamento das válidas informações cedidas

10
aos usuários participantes.
O portal também será aberto a todos, havendo áreas de conteúdo exclusivo
privado aos afiliados do C.A.A. que serão cadastrados pelas instituições de ensino às
quais pertencem e que possuem convênio ou vínculo com o portal, ou seja, um acordo
de comprometimento de responsabilidade dos afiliados daquela instituição.
No portal haverá de tudo o que se conhece em tecnologia utilizada a favor do
conhecimento sadio, desde simples chats de variados temas até vídeo conferências em
tempo real, tudo se trata de um compartilhamento de informações e se tendo
atualizações de serviços prestados ou novos serviços e de conteúdo multimídia. Por
exemplo, um aluno de Biologia que não pode viajar para um outro lugar do mundo para
ir a expedições de sua área, poderá sim, se estiver disponível para compra de passaporte
virtual antecipadamente numa programação no portal, pagar e reservar a sua passagem
para assistir uma expedição em tempo real direcionado a sua área, ou em um caso de
alunos de medicina gostariam de participar de um congresso mundial de medicina onde
abordará sobre vários assuntos como novos métodos cirúrgicos, e não podem
comparecer pessoalmente por outros motivos, poderá sim, se disponível na C.A.A. em
tempo real de conexão via satélite. Claro que feitos como estes serão realizados por
parcerias de grandes instituições de ensino no mundo inteiro e empresas mundiais de
Tecnologia da Informação interessadas no ramo. Esse é apenas um exemplo de
funcionalidade do portal. Na C.A.A haverá palestras, reuniões de acadêmicos, pesquisas
a fontes seguras de conteúdo, bibliotecas digitais do mundo inteiro, ferramentas de
busca, dicionários, museus, cursos online, aulas particulares diretamente com o
professor ou pesquisador, softwares que vão ajudar na comunicação, interatividade e
compartilhamento da informação.
A C.A.A visa levar com praticidade o que interessa ao usuário, tomando o rumo
de uma evolução na aprendizagem e no ensino, fazendo com que o próprio seja o senhor
do seu tempo, ou seja, ele estuda quando quer e quando pode, dando flexibilidade total
do processo de aprendizado.

11
Referências
BRASIL. Decreto nº. 9.057, de 25 de maio de 2017. Regulamenta o art. 80 da Lei nº
9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação
nacional. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, 26 mai. 2017.
BRASIL. Lei nº. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes e Bases
da Educação Nacional. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília,
23 dez. 1996.
DELORS, Jacques et al. Educação: um tesouro a descobrir. Relatório para a UNESCO
da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI. 4ª ed. São Paulo:
Cortez; Brasília: UNESCO, 1996.
EFFETO Uomo, La Terra soffre il doppio. Corriere della Sera, Milão, 22 ago. 2002, p.
7.
GADOTTI, MOACIR. Perspectivas atuais da educação. São Paulo Perspec.,
Apr./June 2000, vol.14, no.2, p.03-11.
GOMES, Candido Alberto. Gestão educacional: para onde vamos? Em Aberto,
Brasília, v. 19, nº 75, p. 9-22, jul. 2002.
LYOTARD, Jean-François. La condición postmoderna: informe sobre el saber. Madri:
Catedra, 2000.
MORAN, José Manuel. O que é educação a distância. Disponível em:
<http://www.prodocente.redintel.com.br/cursos/000009/colaboracao/art_ead_moran_
que_e_educacao_a_distancia.pdf>. acessado em: 18 mai. 2013.
ROCHA, Gesica Aparecida da. Prática pedagógica, aprendizagem e avaliação em
Educação a Distância. Jundiaí do Sul: UNINTER, 2015. Disponível em:
<https://www.passeidireto.com/arquivo/21363893/portifolio-pratica-aprendizagem-
e-avaliacao-em-educacacao-a-distancia>, acessado em: 3 nov. 2019.
ROCHA, Marise Maria Santana da; CARMO, Rosângela Branca do; CAMPOS, Aline
Ferreira. Introdução à Educação a Distância. 2 ed. São João del-Rei, MG: UFSJ,
2010.
RUST, Val D. Postmodernism and its comparative education implications.
Comparative Education Review, Chicago, v. 35, nº 4, pp. 610-626, nov. 1991.
Saiba Tudo Sobre a UnEB EAD. Disponível em:
<https://www.ead.com.br/faculdades-a-distancia/uneb-ead.html>, acessado em: 20
set. 2019.
SILVA, Marco (org.). Educação Online: Teorias, Práticas, Legislação, Formação
Corporativa. 1.ed. São Paulo: Loyola, 2003. 514 p.
TEDESCO, Juan Carlos. O novo pacto educativo. São Paulo: Ática, 1998.
VIGNERON, Jacques. Sala de Aula e Tecnologias. São Paulo: Universidade Metodista
de São Paulo, 2005.

12
WAISELFISZ, Julio Jacobo e MACIEL, Maria. Avaliação de impacto do Programa
Abrindo Espaços no Rio de Janeiro e em Pernambuco. Brasília; UNESCO, 2003.

13

Você também pode gostar