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Projetos de

Instalações
Elétricas
PROFESSOR
Esp. Leonardo Tocio Mantovani Seki

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LIVRO NA VERSÃO
DIGITAL!
DIREÇÃO UNICESUMAR
Reitor Wilson de Matos Silva Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor de Administração Wilson de Matos Silva Filho
Pró-Reitor Executivo de EAD William Victor Kendrick de Matos Silva Pró-Reitor de Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin
Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi

NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA


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de Cursos Híbridos Fabricio Ricardo Lazilha Diretoria de Permanência Leonardo Spaine Diretoria de Design Educacional Paula
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de Recursos Digitais e Multimídia Fernanda Sutkus de Oliveira Mello Gerência de Planejamento Jislaine Cristina da Silva Gerência
de Design Educacional Guilherme Gomes Leal Clauman Gerência de Tecnologia Educacional Marcio Alexandre Wecker Gerência
de Produção Digital e Recursos Educacionais Digitais Diogo Ribeiro Garcia Supervisora de Produção Digital Daniele Correia
Supervisora de Design Educacional e Curadoria Indiara Beltrame

PRODUÇÃO DE MATERIAIS

Coordenador de Conteúdo Fábio Gentilin Designer Educacional Giovana Vieira Cardoso Revisão Textual Sarah
Mariana Longo C. Cocato, Cindy Mayumi Okamoto Luca Editoração Lavígnia da Silva Santos Ilustração Welington Oliveira
Realidade Aumentada Maicon Douglas Curriel Fotos Shutterstock.

FICHA CATALOGRÁFICA

C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ.


NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA. SEKI, LEONARDO TOCIO
MANTOVANI.

Projetos de Instalações Elétricas. Leonardo Tocio Mantovani Seki.


Maringá - PR: Unicesumar, 2022.

176 P.
ISBN: 978-65-5615-897-6
“Graduação - EaD”.

1. Projetos 2. Instalações 3. Elétricas. EaD. I. Título.

CDD - 621.31

Impresso por:
Pró Reitoria de Ensino EAD Unicesumar
Bibliotecário: João Vivaldo de Souza CRB- 9-1679 Diretoria de Design Educacional

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A UniCesumar celebra mais de 30 anos de história
avançando a cada dia. Agora, enquanto Universidade,
ampliamos a nossa autonomia e trabalhamos Tudo isso para honrarmos a
diariamente para que nossa educação à distância nossa missão, que é promover
continue como uma das melhores do Brasil. Atuamos a educação de qualidade nas
sobre quatro pilares que consolidam a visão diferentes áreas do conhecimento,
abrangente do que é o conhecimento para nós: o formando profissionais
intelectual, o profissional, o emocional e o espiritual. cidadãos que contribuam para o
desenvolvimento de uma sociedade
A nossa missão é a de “Promover a educação de
justa e solidária.
qualidade nas diferentes áreas do conhecimento,
formando profissionais cidadãos que contribuam
para o desenvolvimento de uma sociedade justa
e solidária”. Neste sentido, a UniCesumar tem um
gênio importante para o cumprimento integral desta
missão: o coletivo. São os nossos professores e
equipe que produzem a cada dia uma inovação, uma
transformação na forma de pensar e de aprender.
É assim que fazemos juntos um novo conhecimento
diariamente.

São mais de 800 títulos de livros didáticos como este


produzidos anualmente, com a distribuição de mais de
2 milhões de exemplares gratuitamente para nossos
acadêmicos. Estamos presentes em mais de 700 polos
EAD e cinco campi: Maringá, Curitiba, Londrina, Ponta
Grossa e Corumbá, o que nos posiciona entre os 10
maiores grupos educacionais do país.

Aprendemos e escrevemos juntos esta belíssima


história da jornada do conhecimento. Mário Quintana
diz que “Livros não mudam o mundo, quem muda
o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as
pessoas”. Seja bem-vindo à oportunidade de fazer a
sua mudança!

Reitor
Wilson de Matos Silva
Esp. Leonardo Tocio Mantovani Seki

Antes de tudo, nada mais justo do que eu me apresentar!


Meu nome é Leonardo Tocio Mantovani Seki, sou engenheiro eletricis-
ta, formado pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Possuo uma
Pós-graduação em Sistemas Elétricos de Potência e um Curso Técnico
em Mecatrônica. Tive a oportunidade de realizar estágios em algumas
empresas, principalmente, em metalúrgicas, na parte de projetos me-
cânicos. Quando me formei, fui para o setor de manutenção de uma
metalúrgica. Após dois anos, resolvi mudar de área de atuação e migrei
para a área de projetos elétricos e para a docência. Hoje, atuo com
projetos e execuções de obras de instalações elétricas e sou professor.
Sou obreiro em minha igreja, e os meus principais hobbies são ler
livros, principalmente, sobre guerras, como os relatos que SEALs fazem
ao se aposentar. Outra coisa de que gosto muito é acompanhar o cenário
político nacional e internacional. Sou torcedor do Corinthians, o melhor
time do Brasil, mas estou longe de ser um torcedor fanático.

Aqui você pode


conhecer um
pouco mais sobre
mim, além das
informações do
meu currículo.
REALIDADE AUMENTADA

Sempre que encontrar esse ícone, esteja conectado à internet e inicie o aplicativo
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RODA DE CONVERSA

Professores especialistas e convidados, ampliando as discussões sobre os temas.

PÍLULA DE APRENDIZAGEM

Uma dose extra de conhecimento é sempre bem-vinda. Posicionando seu leitor de QRCode
sobre o código, você terá acesso aos vídeos que complementam o assunto discutido

PENSANDO JUNTOS

Ao longo do livro, você será convidado(a) a refletir, questionar e transformar. Aproveite


este momento.

EXPLORANDO IDEIAS

Com este elemento, você terá a oportunidade de explorar termos e palavras-chave do


assunto discutido, de forma mais objetiva.

EU INDICO

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PROJETOS DE INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

As instalações elétricas de uma edificação são o seu coração. Sem elas, temos apenas um caixa estrutural, quase
sem serventia. Por isso, esse tipo de projeto é essencial para um bom funcionamento de uma edificação, seja ela
para uso residencial, comercial ou industrial. Entretanto, quais são os requisitos mínimos exigidos pela norma para
a garantia de funcionamento de instalações elétricas? Qual é o passo a passo para realizar um projeto elétrico? E
o que de fato está incluso em um projeto elétrico?
Quando falamos em projetos de instalações elétricas, falamos desde a entrada de energia em uma edificação,
a proteção desses circuitos, até o circuito terminal, em que se ligará a carga. Precisamos compreender cada etapa
de um projeto para que tudo seja dimensionado da maneira correta, não apenas os cabos, mas as proteções e
as instalações.
Para tornar a visualização mais simples, sugiro que você, em sua casa, realize uma breve experiência, cujo foco é
gerar um contato inicial com instalações elétricas, já que discutiremos sobre todos seus pontos durante a disciplina.
Veja, na sua casa, qual é o caminho que a eletricidade faz até chegar na tomada em que você coloca o seu
celular para carregar. Qual é o ponto de entrada? Ele passa por um quadro, por caixas de passagens, eletrodutos,
até chegar no ponto de conexão.
A intenção dessa ação é perceber que existem vários componentes a serem dimensionados em uma instalação,
e você aprenderá a fazer a especificação de cada um deles segundo as normas técnicas vigentes.
Sabemos que nem toda instalação elétrica possui um responsável técnico ou um projeto, em que tudo real-
mente foi calculado para atender àquelas dimensões e especificações. Por que muitas pessoas negligenciam os
projetos complementares — elétrico, hidráulico etc. — quando executam uma obra?
A resposta, provavelmente, é: porque eles não entendem a importância de um projeto complementar, no caso,
o elétrico. E, também, não sabem os riscos aos quais estão sujeitos quando contratam um profissional — às vezes,
nem tão profissional — para só executar a obra.
Por conta de circuitos mal dimensionados, temos quedas de tensão ou ausências de proteção contra surtos
de tensão, que levam à queima de equipamentos ou disjuntores mal dimensionados que acabam não protegen-
do a instalação, pois se tornam apenas chaves de seccionamento. Há, até mesmo, o risco de morte por choque
elétrico, que poderia ser evitado caso um disjuntor residual fosse instalado.
Por conta de todos esses pontos, as concessionárias de energia elétrica possuem normas técnicas (NTC), em
que elas estabelecem o padrão de entrada (medidor), o padrão de instalação e os equipamentos que devem ser
instalados para garantir a qualidade e o funcionamento da rede elétrica até aquele ponto.
O que descrevemos, até o momento, são, de forma bem simplificada, os principais pontos de um projeto elé-
trico. O dimensionamento de entradas de energia, quadros de carga, eletrodutos, eletrocalhas, cabos elétricos
possui um norteador para o seu dimensionamento. As NBRs (Normas Brasileiras) são esse norte e possuem re-
comendações e restrições de usos para esses itens. Cada situação exigirá uma solução diferente, as quais serão
assunto central em praticamente todo o nosso material.
Com base no que foi visto até agora, você percebeu que os projetos de instalações elétricas são importan-
tíssimos em uma edificação e possuem vários itens a serem analisados. Tudo isso para garantir a segurança e
funcionalidade das instalações para seus usuários.
A NBR 5410, sobre instalações elétricas de baixa tensão, será o nosso guia em grande parte dessa jornada.
Assim, uma leitura dela pode lhe auxiliar também.
Todo projeto é único, com seus desafios, suas dificuldades e suas limitações. Por isso, Projetos de Instalações
Elétricas é uma disciplina muito desafiadora. O que você espera desta disciplina?
1
11 2
33
INTRODUÇÃO A LUMINOTÉCNICA
INSTALAÇÕES E ETAPAS
ELÉTRICAS DE PROJETO

3
47 4
63
DIMENSIONAMENTO DISPOSITIVOS
DE CIRCUITOS DE PROTEÇÃO

5 83 6
97
QUADROS FORNECIMENTO
ELÉTRICOS E DE ENERGIA
FATOR DE ELÉTRICA
POTENCIA
7 8
115 133
TELEFONIA HARMÔNICOS

9
151
SPDA
1
Introdução a
Instalações
Elétricas
Esp. Leonardo Tocio Mantovani Seki

Na Unidade 1, você terá a oportunidade de compreender em que


consiste um projeto elétrico. Após isso, veremos quais são as nor-
mas técnicas em que devemos nos basear para realizar os projetos.
Concluímos ao apresentar uma visão do sistema elétrico brasileiro.
UNICESUMAR

Você sabia que a área de Perícia Elétrica vem crescendo muito? Isso se dá pelo fato de que muitos em-
preendimentos são projetados e executados de maneira incorreta, não seguindo as normas técnicas
vigentes e colocando em risco tanto as instalações como os seus usuários.
Imagine que você foi chamado(a) para fazer o projeto elétrico de um prédio. Você sabe quais nor-
mas técnicas deve seguir?
Você, como responsável técnico(a), seja de um projeto ou de uma execução de obra, responde,
judicialmente, por tudo o que foi entregue ao cliente. Dessa forma, caso ocorra algum acidente, se o
seu projeto e/ou a sua execução foram feitos em conformidade com as normas técnicas, você poderá
dormir tranquilo, porque tudo o que fez tem respaldo nas normas.
Levando em conta essa pequena conversa que tivemos sobre o assunto que abordaremos nesta
unidade do nosso material didático, quero lhe propor uma pesquisa rápida. Vamos lá? Faça uma
pesquisa na internet e procure quais são as principais normas que devem ser seguidas para projetos
elétricos no Brasil. A seguir, eu lhe apresento o porquê desse conhecimento ser interessante para você!
Em sua pesquisa, você deve ter visto que existem várias normas a serem seguidas, a depender do tipo
de projeto. Temos as NBR 5410: projetos elétricos de baixa tensão, NBR 14039: instalações elétricas
de média tensão, NR 10, entre outras. Com essa pesquisa rápida, conseguimos ver que, a depender do
tipo de projeto, utilizarei várias normas em conjunto. Muito interessante, não é mesmo?
Registre, em seu Diário de Bordo, os principais detalhes sobre os objetivos e as abrangências que
essas normas têm, pois o que faremos nas próximas páginas é compreender quais são e em que con-
sistem os projetos elétricos, as normas e o sistema elétrico brasileiro.

12
UNIDADE 1

Um empreendimento, seja ele residencial ou industrial, possui vários projetos. Podemos citar alguns:
projeto arquitetônico, estrutural, de drenagem, hidrossanitário, elétrico, de prevenção de incêndio,
de lógica, de refrigeração, entre outros. Com isso, já vemos que, para chegar na solução final, teremos
vários profissionais envolvidos e de diversas áreas, como Arquitetura, Engenharia Civil, Mecânica,
Elétrica, Segurança e por aí vai.
Saber disso já nos ajuda, pois, a cada projeto que compõe o empreendimento, deve-se buscar a
melhor solução, visando o todo. Dessa forma, todas as disciplinas envolvidas devem se comunicar
para se adaptar à necessidade final do cliente. Assim, antes de começar um projeto elétrico, seja ele
industrial ou residencial, você precisará de algumas informações. Elas serão obtidas tanto do cliente
como de outros profissionais, então, antes de começar o seu projeto, é comum realizar uma reunião
com todos os profissionais, a fim de ter uma visão global.
Além disso, você deve estar atento(a) às condições de fornecimento de energia elétrica da região
e das características funcionais da obra. Por exemplo, se estivermos trabalhando em um projeto de
uma indústria, além de conhecer toda a parte estrutural, que lhe dará uma visão de onde passarão os
cabos, você também precisa conhecer como será o seu funcionamento, a fim de entender a demanda
elétrica que será necessária.

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UNICESUMAR

Para iniciar o projeto, você precisará de alguns documentos para conseguir conhecer o empreen-
dimento. Eles devem ter algumas informações padrão, como:
• Planta de situação
Nela, você verá onde a obra está situada dentro do município. Com isso, você já pode ver se a rede
da concessionária passa pela região ou não, se está em zona urbana ou zona rural, por exemplo.

• Planta baixa de arquitetura do prédio


Ela possuirá toda a área de construção, mostrando, com detalhes, os ambientes. Caso seja uma
indústria, ela mostrará toda a área de produção industrial, os escritórios, por exemplo; e, se for
uma residência, mostrará cada cômodo, como quartos, salas, cozinhas, áreas de lazer — caso
houver — e outros ambientes que compõem o conjunto arquitetônico de maneira geral.

Neste ponto, temos uma visão do que será ligado. Falaremos de uma residência primeiro. Normal-
mente, o projeto arquitetônico ou o projeto de interiores mostra ponto a ponto do cômodo. Pense
em um dormitório: onde estará posicionada a cama, se possuirá ponto de TV, se terão pontos para ar
condicionado, quantidade de lâmpadas. Com isso, o projeto se torna mais assertivo, e não um projeto
generalizado. Já em um ambiente industrial, normalmente, faz-se um estudo para prever a posição
de todas as máquinas. Com isso, é possível ver a indicação dos motores a alimentar ou dos painéis de
comando que receberão a alimentação da rede.
• Plantas de detalhes

14
UNIDADE 1

Começaremos pela planta de detalhes. Nela, você conseguirá enxergar as particularidades do projeto
de arquitetura e verá: vistas e cortes da edificação, detalhes de colunas e vigas de concreto ou outras
particularidades de construção. Se for um projeto industrial, você pode ver, nessa prancha, detalhes
como: a existência de pontes e os detalhes das máquinas de grandes dimensões, por exemplo. Todo
esse conhecimento ajudará a fazer um projeto completo, totalmente aplicado à realidade do empreen-
dimento, não havendo sub ou superdimensionamento e evitando custos desnecessários para o cliente
ou possíveis adaptações no futuro.
É claro que você precisa conhecer os planos do futuro daquele empreendimento. Por exemplo, em
uma residência, o cliente final quer fazer uma piscina, então você já deve deixar um ponto de espera
para ligação da casa de máquinas, ajustando a carga instalada e a demanda elétrica da edificação para
suportar essa nova carga, que será inserida em breve. Já em uma indústria, qual é o seu plano de cres-
cimento? Aumentará o efetivo da carga elétrica com a aquisição de novas máquina? Essa é uma boa
pergunta. Outra é: será feito um novo barracão em breve, o qual utilizará a mesma entrada de serviço?
Isso é essencial para você ajustar seu projeto ou propor soluções para o cliente.

Figura 1 – Modelo de projeto de uma edificação

Descrição da Imagem: a imagem apresenta uma edificação, porém sem alvenaria, somente a estrutura metálica e as lajes.

15
UNICESUMAR

Você já ouviu falar sobre BIM?


BIM, que significa Modelagem/Modelação da Informação da Construção
ou Modelo da Informação da Construção, é um modelo virtual que não
é constituído apenas por geometria e texturas para efeito de visualiza-
ção, mas contém várias informações sobre cada item do projeto. Neste
podcast, falaremos um pouco sobre essa metodologia.

Após ter recebido a documentação que falamos, você, como projetista, deve ter em mente que o seu
projeto deve apresentar algumas características imprescindíveis, como:

Caso no futuro tenha As instalações Seu projeto deve


alterações de layout, elétricas, devem garantir que todas as
tanto em uma casa fornecer acesso a cargas terão
como em uma todas as maquinas e disponibilidade de
indústria, o projeto equipamentos de operação. Desta
deve admitir manobra, de forma conseguimos
mudanças sem maneira segura, estudar
comprometer as ou seja, evitando qualitativamente as
instalações existentes. pontos críticos. falhas do sistema
elétrico projetando,
É claro que toda conseguindo
alteração vai gerar enxergas as suas
custos de adaptação, consequências, seja
porem você como em uma residência
projetista deve ter ou em uma indústria.
uma visão global que
permita possíveis
futuras atualizações.

FLEXIBILIDADE ACESSIBILIDADE CONFIABILIDADE

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UNIDADE 1

à destruição da instalação e não colocando


Eu já tive a experiência de morar em uma casa
em risco a segurança pessoal dos usuários.
que, ao ligar o chuveiro junto ao micro-ondas,
o disjuntor geral da casa se desarmava. É um • Vida útil
exemplo claro disso. Em uma indústria, em que A vida útil das instalações elétricas e de
as principais cargas são máquinas de refrigera- seus componentes deve satisfazer os itens
ção, temos motores partindo ciclicamente de já citados, de modo que, por exemplo, a
maneira não periódica. Dado o pico de corren- partir do momento em que um disjuntor
te na partida de motores, um mal dimensiona- comece a apresentar falhas em um dos
mento no disjuntor de entrada pode levar a um seus polos, deve ser substituído por outro
desarme constante, comprometendo a produ- para não gerar problemas na instalação e
ção. Problemas como os citados anteriormente de funcionamento.
causam desconforto ao usuário em uma resi- Vários fatores têm influência direta na vida
dência, além de perdas econômicas, podendo útil dos componentes, como: qualidade dos
danificar equipamentos; e, em indústrias, levar materiais, como foram implementadas as
a perdas devido à restrição de operação. instalações, compatibilidade dos materiais
• Continuidade com o ambiente de uso, manutenção rea-
Esse ponto está intimamente relacionado lizada de maneira correta e a frequência de
ao que acabamos de citar: a confiabilidade, danos acidentais serem diretos, como o mal
pois um sistema confiável nos leva a uma uso, ou por ocorrência de distúrbios não con-
continuidade de serviço. Em indústrias, é troláveis, como descargas atmosféricas, que
comum a existência de geradores de ener- podem danificar tanto a energia na ocorrên-
gia de emergência, o qual é um sistema de cia como em surtos oriundos dela.
alimentação redundante, de espera. Ao Não podemos deixar de fora o fato de que
fazer um projeto industrial, você, como um projeto correto, com dimensionamento
projetista, deve conhecer a atividade e o adequado e utilizando dispositivos de prote-
funcionamento da indústria, pois isso lhe ção eficientes, tem um peso significativo na
ajudará a projetar e sugerir soluções mais vida útil das instalações. A atuação correta
eficientes no projeto elétrico. dos dispositivos de produção pode aumentar
sensivelmente a vida útil do nosso sistema.
• Exigências funcionais
Devemos ter em mente que, após um pe-
Além dos pontos já citados, a instalação deve ríodo em uso, defeitos como mau contato e
manter os seus parâmetros, como a tensão, curto-circuito acabam aumentando a sua fre-
dentro de uma faixa de variação tolerável, a quência. Isso se dá por desgastes mecânicos
fim de não danificar aparelhos e componen- em função do envelhecimento e da corrosão,
tes e garantir um sistema de proteção que bem como pelo envelhecimento dos isolantes
atue efetivamente em danos ou falhas, como que podem ser acelerados por efeitos térmi-
curtos-circuitos e sobrecargas, não levando cos das sobrecorrentes, por exemplo.

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UNICESUMAR

• Custo da instalação Caso seja necessário utilizar as normas inter-


Vamos para o nosso último tópico, mas, nacionais, devemos procurar, principalmente, as
talvez, um dos que mais pese para o cliente dos seguintes órgãos:
final: o custo. Ele deve ser o menor possí- • American National Standards Institute
vel, atingindo os níveis de qualidade fun- (ANSI): instituto localizado nos Esta-
cional. Isso envolve o uso de materiais de dos Unidos da América (EUA), que atua
qualidade, como, também, mão de obra com a normalização em várias áreas,
competente para a execução. em geral, utilizando as orientações da
Com isso, você, como projetista, deve ter em National Electrical Manufacturers As-
mente que cada solução envolve esses fatores, o sociation (NEMA) e Underwriters La-
projeto, os materiais e a execução. Logo, nem toda boratories (UL).
solução simples de projeto é a de melhor custo • International Electrotechnical Com-
benefício, da mesma maneira que a mais com- mission (IEC): organização interna-
plexa pode inviabilizar a execução de projeto por cional da qual participam países indus-
conta dos valores de materiais e mão de obra. Os trializados e que elabora resoluções que
critérios utilizados pelo projetista são essenciais são amplamente adotadas pelas normas
para a viabilidade econômica do todo. nacionais ou que seguem suas recomen-
Após o entendimento das primícias que o pro- dações.
jeto deve possuir, devemos ter em mente que todo • International Organization for Standar-
projeto deve ser elaborado com base em normas dization (ISO): organização internacio-
técnicas. No Brasil, temos a ABNT (Associação nal independente e não governamental
Brasileira de Normas e Técnicas), a qual nos responsável por desenvolver normas de
orienta em vários pontos. Devemos nos atentar padronização para produtos, serviços,
que a concessionária de fornecimento de energia processos e procedimentos. No Brasil, é
elétrica também possui normas que devemos se- representada pela ABNT.
guir. O uso de normas na elaboração dos projetos • National Electrical Manufacturers As-
é uma exigência técnica profissional e leva o nível sociation (NEMA): normas elaboradas
dos projetos a condições de desempenho alto, pela associação nacional dos fabricantes
oferecendo-nos grande confiabilidade no sistema. de material elétrico nos EUA.
As normas que devem ser mais utilizadas nos • Deutsches Institut Fur Normung (DIN):
projetos de instalações elétricas são: instituto que elabora normas industriais
NBR 5410: instalações elétricas de baixa tensão. em geral na Alemanha.
NBR 14039: instalações elétricas de média
tensão de 1 a 36 kV. Além de outras que são referência mundialmente.
NBR 5413: iluminação de interiores. Devemos ter em mente que a NR 10 cita
NBR 5419: proteção de estruturas contra des- a segurança em projetos não apenas na exe-
cargas atmosféricas. cução dos serviços com eletricidade. Dessa
NR10: norma regulamentadora: segurança em forma, é válido termos em mente que, além de
instalações elétricas e serviços em eletricidade seguir as orientações das normas pertinentes
(Ministério do Trabalho e Emprego). anteriormente indicadas:

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UNIDADE 1


• É obrigatório que os projetos de instalações elétricas especifiquem dispositivos de desligamento
de circuitos que possuam recursos para impedimento de reenergização, para sinalização de
advertência com indicação da condição operativa.
• O projeto elétrico, na medida do possível, deve prever a instalação de dispositivo de secciona
mento de ação simultânea, que permita a aplicação de impedimento de reenergização do circuito.
• O projeto de instalações elétricas deve considerar o espaço seguro, quanto ao dimensionamento e
a localização de seus componentes e as influências externas, quando da operação e da realização
de serviços de construção e manutenção.
• Os circuitos elétricos com finalidades diferentes, tais como: comunicação, sinalização, controle
e tração elétrica devem ser identificados e instalados separadamente, salvo quando o desen-
volvimento tecnológico permitir compartilhamento, respeitadas as definições de projetos.
• O projeto deve definir a configuração do esquema de aterramento, a obrigatoriedade ou não da
interligação entre o condutor neutro e o de proteção e a conexão à terra das partes condutoras
não destinadas à condução da eletricidade.
• Sempre que for tecnicamente viável e necessário, devem ser projetados dispositivos de secciona
mento que incorporem recursos fixos de equipotencialização e aterramento do circuito seccionado.
• Todo projeto deve prever condições para a adoção de aterramento temporário.
• O projeto das instalações elétricas deve ficar à disposição dos trabalhadores autorizados, das auto-
ridades competentes e de outras pessoas autorizadas pela empresa e deve ser mantido atualizado.
• O projeto elétrico deve atender ao que dispõem as Normas Regulamentadoras de Saúde e Se-
gurança no Trabalho, as regulamentações técnicas oficiais estabelecidas, e ser assinado por
profissional legalmente habilitado.
• O memorial descritivo do projeto deve conter, no mínimo, os seguintes itens de segurança:
• especificação das características relativas à proteção contra choques elétricos, queimaduras
e outros riscos adicionais;
• indicação de posição dos dispositivos de manobra dos circuitos elétricos: (Verde - “D”, des-
ligado e Vermelho - “L”, ligado)
• descrição do sistema de identificação de circuitos elétricos e equipamentos, incluindo dis-
positivos de manobra, de controle, de proteção, de intertravamento, dos condutores e os
próprios equipamentos e estruturas, definindo como tais indicações devem ser aplicadas
fisicamente nos componentes das instalações;
• recomendações de restrições e advertências quanto ao acesso de pessoas aos componentes
das instalações;
• precauções aplicáveis em face das influências externas;
• o princípio funcional dos dispositivos de proteção, constantes do projeto, destinados à
segurança das pessoas; e
• descrição da compatibilidade dos dispositivos de proteção com a instalação elétrica.
• Os projetos devem assegurar que as instalações proporcionem aos trabalhadores ilumi-
nação adequada e uma posição de trabalho segura, de acordo com a NR 17 – Ergonomia
(BRASIL, 1978, on-line).

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UNICESUMAR

Então, fique atento(a) à elaboração de projetos para garantir que ele cumprirá as normas. Não deixe
de verificar se não houve alteração em nenhum ponto na norma ou a adição de um novo ponto nas
normas regulamentadoras.

Neste vídeo, o engenheiro Marcelo dá uma aula sobre como entender as


normas da concessionária. Esse ponto gera muitas dúvidas para diversos
profissionais, pois, além de entender as NBRs, surgem outros desafios
com cada concessionária.
Para acessar, use seu leitor de QR Code.

Agora, você já sabe a quais normas deve ficar atento(a) durante a elaboração de um projeto elétrico. Con-
tudo, você já se perguntou como é o sistema elétrico brasileiro? Conheceremos um pouco mais sobre ele.
Segundo o Instituto E+ Transição Energética (2019), o sistema elétrico brasileiro é o maior da
América Latina e ocupa a oitava posição quando o assunto é consumo de energia elétrica no mundo.
A capacidade instalada de geração no Brasil é de, aproximadamente, 164 GW, sendo que mais de 84%
da geração é oriunda de fontes renováveis, em que 71% foram de usinas hidroelétricas no ano de 2018.
Entretanto, existe um risco ao se ter uma matriz energética tão grande com fontes renováveis, pois
nos tornamos dependentes da natureza, logo, em períodos de grandes secas, a matriz hidroelétrica
fica em risco, dessa forma, a garantia do suprimento é dada, principalmente, pelas usinas termelé-
tricas a combustíveis fósseis. Utilizam-se outras fontes renováveis, como eólica e solar, fora o uso de
termoelétricas a biomassa.


No Brasil, o setor elétrico brasileiro era estruturado como um monopólio estatal até 1990.
Em 1998, foi concluída a primeira tentativa para liberalizar e desverticalizar (debundling)
o setor porém o modelo final desta tentativa, não conseguiu gerar toda a quantidade de
investimentos necessária para a expansão da geração, que gerou a crise energética em
2000 e 2001. [Lembra-se dos apagões que acontecem nessa época? Foram o resultado
desta primeira tentativa,] por isso o governo começou uma segunda reforma no setor
em 2004. Um dos pilares desta segunda reforma foi a implementação da sistemática de
leilões centralizados para a expansão da oferta (INSTITUTO E+ TRANSIÇÃO ENER-
GÉTICA, 2019, p. 12).

A segunda mudança em 2004, oito anos após a primeira mudança, aconteceu por meio das Leis nº
10.847 — criação da EPE (Empresa de Pesquisa Energética) — e nº 10.848, de 15 de março de 2004,
e do Decreto nº 5.163, de 30 de julho de 2004, que introduziram o novo modelo do setor elétrico, em
que os principais objetivos foram:

20
UNIDADE 1

• Garantir a segurança do suprimento de energia.


• Promover a modicidade tarifária.
• Promover a inserção social — com o Programa Luz para Todos.

Nesse modelo, foram instituídos dois ambientes para a celebração de contratos de compra/venda de
energia elétrica:
• Ambiente de Contratação Regulada (ACR): exclusivo para empresas geradoras e distribuidoras.
• Ambiente de Contratação Livre (ACL): empresas geradoras e comercializadoras, além de impor-
tadores, exportadores e consumidores livres. Vendedores e compradores negociam entre si as
cláusulas do contrato — preço, prazo e condições de entrega. A parte que compra a energia são
os consumidores, com demanda maior do que 500 kW, que devem ser destinados ao uso próprio.

Modelo de livre mercado


Modelo antigo até 1995 Novo modelo 2004
1995 a 2003
Financiamento por meio de Financiamento por meio de Financiamento por meio de
recursos públicos recursos públicos e privados recursos públicos e privados
Empresas divididas por ativida-
Empresas divididas por
de: G, T, D e C (respectivamente,
Empresas verticalizadas atividade: G, T, D, C,
geração, transmissão,
importação e exportação
distribuição e comercialização)
Empresas predominantemente Abertura e ênfase na Convivência de empresas
estatais privatização das empresas estatais e privadas
Competição na geração e na Competição na geração e na
Monopólios
comercialização comercialização
Consumidores cativos Consumidores livres e cativos Consumidores livres e cativos
No ambiente livre: preços
livremente negociados na
Tarifas reguladas em todos os Preços livremente negociados
geração e na comercialização
segmentos na geração e na comercialização
No ambiente regulado: leilão e
licitação pela menor tarifa
Convivência entre os mercados
Mercado regulado Mercado livre
livre e regulado
Planejamento determinativo
Planejamento indicativo pelo
pelo grupo coordenador do Planejamento pela Empresa de
Conselho Nacional de Política
planejamento dos sistemas Pesquisa Energética (EPE)
Energética (CNPE)
elétricos (GCPS)
Contratação: 85% do mercado
Contratação: 100% do
Contratação: 100% do mercado até agosto de 2003; e 95% até
mercado + reserva
dezembro de 2004
Sobras/déficits do balanço
Sobras/déficits do balanço energético liquidados na CCEE,
Sobras/déficits do balanço ener-
energético rateados entre com- Mecanismos de Compensação
gético liquidados no MAE
pradores de Sobras e Déficits (MCSD)
para as distribuidoras
Quadro 1 – Mudanças no setor elétrico brasileiro / Fonte: Pinto (2014, p. 101).

21
UNICESUMAR

O Quadro 1 mostra as principais características das mudanças ocorridas do modelo antigo — até
1995 — para o atual — em vigência desde 2004. O modelo do setor elétrico brasileiro é apresentado
na Figura 2.

CNPE
Conselho Nacional de
Política Energética

CMSE MME EPE


Comitê de monitoramento Ministério de Minas Empresa de Pesquisa
do Setor Elétrico e Energia Energética

ANEEL
Agencia Nacional de
Energia Elétrica
ONS CCEE
Operador Nacional do Câmara de Comercialização
Sistema Elétrico de Energia Elétrica

Figura 2 – Organograma do setor elétrico brasileiro / Fonte: Pinto (2014, p. 102).

Descrição da Imagem: a figura demonstra o organograma com a estrutura do setor elétrico brasileiro, mostrando a escala de hierar-
quia entre elas, sendo que, no primeiro quadro, temos o CMPE (Conselho Nacional de Política Energética). Logo abaixo, temos CMSE
(Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico), MME (Ministério de Minas e Energia) e EPE (Empresa de Pesquisa Energética). Abaixo
desses, temos a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) e, abaixo dela, temos o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) e a
CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica).

A Figura 3 mostra toda a estrutura do sistema elétrico brasileiro, com os quatro agentes de mercado
envolvidos: geradores (G), transmissores (T), distribuidores (D) e comercializadores (C).

22
UNIDADE 1

Congresso
Nacional
Congresso
Políticas Nacional Congresso
Nacional

Agencias estaduais
Regularização Aneel
e Fiscalização ANP
Conselho de
consumidores
G
T Entidades de defesa
Mercado CCEE ONS do consumidor
D
SDE-MJ-Cade-SEAE
C
SNRH-MMA-
ANA-Conama

Agentes EPE Eletrobras Concessionárias BNDES


institucionais

Figura 3 – Estrutura do sistema elétrico brasileiro / Fonte: Pinto (2014, p. 102).

Descrição da Imagem: organograma com linhas separando as agências e instituições que compõem o sistema elétrico brasileiro quanto
ao seu tipo. As políticas são: Congresso Nacional, Presidente da República e CNPE-MME. As de regularização e fiscalização são: ANEEL e,
após esta, agências estaduais, ANP, conselho de consumidores, entidades de defesa do consumidor, SDE-MJ-Cade-SEAE, SNRH-MMA-ANA-
-Conama. As de mercado são: CCEE e ONS com G, T, D, C. Por fim, os agentes Institucionais são: EPE, Eletrobras, concessionárias e BNDES.

A Figura 4 traz algumas distribuidoras de energia elétrica que atuam no Brasil, fazendo uma divisão
principal por Estados. Podemos ver que alguns Estados são atendidos por diversas distribuidoras, já
outros, como o Acre, por exemplo, por apenas uma.

23
UNICESUMAR

CER e BOA VISTA (RR) CELPA (PA) CEA (AP) CEMAR (MA)

AMAZONAS (AM) CELTINS (TO) CEPISA (PI) COELCE (CE)

COSERN (RN)

ENERGISA PB,
ENERGISA
BORBOREMA (PB)

CELPE (PE)

CEAL (AL)

ELETROACRE (AC)
ENERGISA SE, SULGIPE (SE)

CERON (RO)
COELBA (BA)
CEMAT (MT)
CEMIG, ENERGISA MG,
DMPC (MG)
CEB (DF)

ESCELSA,
CELG, CHESP (GO) LIGHT, AMPLA, SANTA MARIA (ES)
CENF (RJ)
ENERSUL (MS)
ELETROPAULO, CPFL, ELEKTRO,
PIRATINNINGA, BANDEIRANTE, EEB,
COPEL, CFLO, CAIUA, JAGUARI, CLFM, CPEE, CFLSC,
FORCEL e COCEL (PR) CNEE, EEVP, SUL PAULISTA (SP)

CEEE, AES-SUL, RGE, DEMEL, CELESC, IGUAÇU,


UHENPAL MUXFELDT, COOPERALIANÇA,
ELETROCAR, HIDROPAN (RS) JOÃO CESA, EFLU (SC)

Figura 4 – mapa distribuidoras de energia elétrica no Brasil / Fonte: Energês (2020, on-line).

Descrição da Imagem: mapa do Brasil com um box em cada Estado, o qual mostra quais distribuidoras atendem aquela região. No
Rio Grande do Sul, são: CEE, AES-SUL, RGE, DEMEL, UHENPAL MUXFELDT, ELETROCAR, HIDROPAN (RS). Em Santa Catarina, são: CELESC,
IGUAÇU, COOPERALIANÇA, JOÃO CESA, EFLU (SC). No Paraná, são: COPEL, CFLO, FORCEL E COCEL (PR). Em São Paulo, são: ELETROPAU-
LO, CPFL, ELEKTRO, PIRATININNGA, BANDEIRANTE, EEB, CAIUÁ, JAGUARI, CLFM, CPEE, CFLSC, CNEE, EEVP, SUL PAULISTA (SP). No Rio
de Janeiro, são: LIGHT, AMPLA, CENF (RJ). No Espírito Santo, são: ESCELSA, SANTA MARIA (ES). Em Minas Gerais, são: CEMIG, ENERGISA
MG, DMEPC (MG). No Mato Grosso do Sul, é: ENERSUL (MS). Em Goiás, são: SELG, CHESP (GO). No Distrito Federal, é: CEB (DF). No Mato
Grosso, é: CEMAT (MT). Em Rondônia, é: CERON (RO). No Acre, é: ELETROACRE (AC). No Amazonas, é: AMAZONAS (AM). Em Roraima,
são: CER, BOA VISTA (RR). No Pará, é: CELPA (PA). No Amapá, é: CEA (AP). Em Tocantins, é: CELTINS (TO). Em Maranhão, é: CEMAR (MA).
No Piauí, é: CEPISA (PI). No Ceará, é: COELCE (CE). No Rio Grande do Norte, é: COSERN (RN). Na Paraíba, são: ENERGISA PB, ENERGIA,
BORBOREMA (PB). Em Pernambuco, é: CELPE (PE). Em Alagoas, é: CEAL (AL). Em Sergipe, são: ENERGISA SE, SULGIPE (SE). Por fim, na
Bahia, é: COELBA (BA).

24
UNIDADE 1

Para entender melhor a estrutura do sistema elétrico brasileiro, você precisa conhecer a ONS, a ANEEL
e o sistema de controle SIN.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) é o órgão responsável pela coordenação e pelo
controle da operação das instalações de geração e transmissão de energia elétrica no Sistema Interli-
gado Nacional (SIN) e pelo planejamento da operação dos sistemas isolados do país, sob a fiscalização
e regulação da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). É uma instituição sem fins lucrativos,
criada em 26 de agosto de 1998, pela Lei nº 9.648, com as alterações introduzidas pela Lei nº 10.848/2004
e regulamentado pelo Decreto nº 5.081/2004 (ONS, [2022]).
Para conseguir cumprir o seu propósito, desenvolve uma série de estudos e ações exercidas sobre
o sistema e seus agentes proprietários para gerenciar as diferentes fontes de energia e a rede de trans-
missão, para assegurar a segurança do suprimento contínuo em todo o país, com os objetivos de:

• promover a otimização da operação do sistema eletroenergético, visando ao menor custo para o


sistema, observados os padrões técnicos e os critérios de confiabilidade estabelecidos nos Proce-
dimentos de Rede aprovados pela ANEEL;
• garantir que todos os agentes do setor elétrico tenham acesso à rede de transmissão de forma não
discriminatória; e
• contribuir, de acordo com a natureza de suas atividades, para que a expansão do SIN se faça ao
menor custo e vise às melhores condições operacionais futuras (ONS, [2022], on-line).

O ONS é composto por membros associados e membros participantes, que são as empresas de geração,
transmissão, distribuição, consumidores livres, importadores e exportadores de energia. Também,
participam o Ministério de Minas e Energia (MME) e representantes dos Conselhos de Consumidores.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), autarquia em regime especial, vinculada ao
Ministério de Minas e Energia, foi criada para regular o setor elétrico brasileiro por meio da Lei nº
9.427/1996 e do Decreto nº 2.335/1997. Suas principais atribuições são:

• Regular a geração (produção), transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica;


• Fiscalizar, diretamente ou mediante convênios com órgãos estaduais, as concessões, as permissões
e os serviços de energia elétrica;
• Implementar as políticas e diretrizes do governo federal relativas à exploração da energia elétrica
e ao aproveitamento dos potenciais hidráulicos;
• Estabelecer tarifas;
• Dirimir as divergências, na esfera administrativa, entre os agentes e entre esses agentes e os con-
sumidores, e
• Promover as atividades de outorgas de concessão, permissão e autorização de empreendimentos
e serviços de energia elétrica, por delegação do Governo Federal (BRASIL, 2022, on-line).

25
UNICESUMAR

O Brasil tem, a cada ano, diversificado mais a sua


matriz energética, que é predominantemente de
origem renovável. Vemos que, cada vez mais, a
presença de energias, como eólica e solar, ganham
expressão no país.
Temos um Sistema Interligado Nacional (SIN).
Esse controle se iniciou em 1° de março de 1999.
Pinto (2014) diz que esse sistema possui tamanho
e características que nos dão condição de consi-
derá-lo único em âmbito mundial.
A ONS ([2022])¹ define que o sistema de pro-
dução e transmissão de energia elétrica do Brasil
é um sistema hidro-termo-eólico de grande por-
te, com predominância de usinas hidrelétricas
e com múltiplos proprietários. É formado por
subsistemas: Sul, Sudeste/Centro-Oeste, Nordeste
e a maior parte da região Norte. Realizando uma
integração desses recursos — geração e transmis-
são —, temos condição de atender ao mercado de
maneira segura e econômica, pois a interconexão
dos sistemas elétricos dá condição de transferir
a energia entre subsistemas, com isso, temos ga-
nhos sinérgicos e explora-se a diversidade entre
os regimes hidrológicos das bacias.
O SIN é composto por mais de 184 mil qui-
lômetros de linhas de transmissão. É, predomi-
nantemente, hidrelétrico. Contudo, a matriz de
capacidade instalada vem crescendo. Na Figura 5,
temos a evolução da capacidade instalada no SIN
no período dezembro de 2021 a dezembro de 2025.

26
UNIDADE 1

HIDRELÉTRICA TERM. GÁS + GNL

2021 108.627 MW (63,5%) 2021 15.079 MW (8,8%)

2025 109.277 MW (59,5%) 2025 18.493 MW (10,1%)

TERM.
ÓLEO + DIESEL
2021 4.273 MW (2,5%)
BIOMASSA
2025 4.561 MW (2,5%)
EÓLICA

TERM. 2021 14.203 MW (8,3%)


2021 19.098 MW (11,2%)
CARVÃO
2021 3.017 MW (1,8%)
2025 24.007 MW (13,1%) 2025 15.172 MW (8,3%)
2025 3.017 MW (1,6%)

SOLAR NUCLEAR OUTRAS

2021 4.189 MW (2,4%) 2021 1.990 MW (1,2%) 2021 640 MW (0,4%)

2025 6.453 MW (3,5%) 2025 1.990 MW (1,1%) 2025 690 MW (0,4%)

TOTAL 2021 = 171.116 MW 2025 = 183.660 MW

Figura 5 - Matriz energética brasileira e a sua previsão para 2025 / Fonte: ONS ([2022])¹.

Descrição da Imagem: infográfico com as principais fontes de geração de energia elétrica no Brasil, com sua capacidade instalada em
2021 e a previsão para 2025. Nele, lê-se “Hidrelétrica 2021: 108.627 MW (63,5%); 2025: 109.277 MW (59,5%)”; “TERM. GAS + GNL 2021:
15.079 MW (8,8%); 2025: 18.493 (10,1%)”; “Eólica 2021: 19.098 (11,2%); 2025: 24.007 MW (13,1%)”; “Term. Óleo + Diesel 2021: 4.273 MW
(2,5%); 2025: 4.561 MW (2,5%)”; Term. carvão 2021: 3.017 MW (1,8%); 2025: 3.017 MW (1,6%)”; Biomassa 2021: 14.023 MW (8,3%); 2025:
15.172 MW (8,3%)”; “Solar 2021: 4.189 MW (2,4%); 2025: 6.453 MW (3,5%)”; “Nuclear 2021: 1.990 MW (1,2%); 2025: 1.990 MW (1,1%)”;
“Outras 2021: 640 MW (0,4%); 2025: 690 MW (0,4%)”; “Total 2021: 171.116 MW; 2025: 183.660 MW”.

27
UNICESUMAR

Entretanto, mesmo com uma abrangência de 184 mil quilômetros de redes de transmissão, temos pontos
isolados. Segundo a ONS ([2022])¹, existem 212 localidades isoladas no Brasil. A maior parte está na região
Norte, nos Estados de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Amapá e Pará. A ilha de Fernando de Noronha,
em Pernambuco, e algumas localidades de Mato Grosso completam a lista. O consumo nessas regiões é
baixo, representando menos de 1%, e a energia é suprida, principalmente, por usinas térmicas a óleo diesel.
Segundo Pinto (2014), de maneira geral, as usinas térmicas desses sistemas isolados têm custos de
geração maiores, além de terem toda uma dinâmica diferente, necessitando de logística para gerenciar
o abastecimento, aumentando os custos, pois necessitam de transportes. Para que a população dos
sistemas isolados tenha os mesmos benefícios do SIN, o governo brasileiro adotou a CCC (Conta
de Consumo de Combustíveis), que é um encargo do setor elétrico nacional cobrado nas tarifas de
distribuição e de uso do sistema de transmissão e distribuição (TUST e TUSD).
Dessa forma, Pinto (2014, p. 106) complementa que “a CCC subsidia a compra do óleo diesel e do óleo
combustível usados na geração de energia das termelétricas que fornecem eletricidade para esses sistemas”. É
válido ressaltar que esse valor, ou melhor, essa conta é paga por todos os consumidores do país. O fato ganha
força quando fazemos um comparativo entre valores da energia convencional oriunda de hidrelétricas, que
são até quatro vezes mais baratos se comparados aos das termelétricas da região Norte.

O site do ONS é bem completo e de fácil entendimento. Dessa forma, caso você tenha interesse em
aprofundar seus conhecimentos quanto ao sistema elétrico brasileiro, o site da ANEEL e do ONS
devem ser vistos com frequência, assim você ficará por dentro de todas as revisões normativas e
pontos que são discutidos quanto à nossa matriz energética.

Imagine o trabalho que é cuidar tanto do SIN como dos sistemas isolados. O ONS atua na ampliação e
reforços de rede, no planejamento da operação eletroenergética, na integração de novas instalações, na
administração da transmissão, no programa da operação eletroenergética, na operação do sistema e na
avaliação da operação. É uma instituição essencial para o nosso modelo de sistema elétrico brasileiro.
Agora, estudante, você já sabe as premissas de um projeto elétrico, o que deve apresentar quando pensar
em um projeto, seja ele residencial ou industrial, sabe quais são as principais normas técnicas às quais deve
ficar atento durante a elaboração e tem uma visão global do nosso sistema. Não deixe de escutar nosso podcast
e aprofundar os seus estudos com a nossa indicação. O mundo que envolve projetos elétricos é vasto, então
você precisa se aprofundar o máximo possível para atender às nomas técnicas e às exigências de mercado.
Você, como engenheiro(a) projetista ou como engenheiro(a) de obras, deve saber integrar todos
esses conhecimentos, a fim de gerar e implementar sempre as melhores soluções, ou seja, o melhor
custo benefício, nessas situações, garante a qualidade do sistema elétrico brasileiro, com instalações
confiáveis e seguras, tanto para os usuários como para os trabalhadores. É uma grande responsabili-
dade, então você precisa sempre ir além.

28
Para sintetizar todas essas informações que vimos ao longo desta unidade, minha sugestão, caro(a)
aluno(a), é a construção de um mapa mental, preenchendo e alimentando-o com conceitos-chave.
Com certeza, a retenção de conhecimentos por você será muito mais efetiva. Você pode seguir as
dicas que deixo a seguir, por exemplo, dos principais detalhes aos quais o projeto elétrico deve se
atentar e apresentar.

Continuidade Custo da instalação

Continuidade Exigências funcionais

CARACTERÍSTICAS PROJETOS
Flexibildiade Confiabilidade

Vida útil Acessibilidade

29
1. 1) A Norma Regulamentadora 10 (NR 10) tem por objetivo estabelecer os requisitos e condi-
ções mínimas, objetivando a implementação de medidas de controle e sistemas preventivos,
de forma a garantir a segurança e a saúde dos trabalhadores que, direta ou indiretamente,
interagem em instalações elétricas e serviços com eletricidade.

BRASIL. NR 10 — Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade. Diário Oficial da União,


6 jul. 1978. Disponível em: www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr10.htm. Acesso em: 8
abr. 2022.

Considerando os conceitos abordados pela NR 10 quanto à segurança em projetos elétricos,


avalie as seguintes afirmações propostas.

I) O projeto elétrico deve estar sempre atualizado e disponível.


II) O projeto elétrico não precisa de um responsável técnico, apenas de uma pessoa que entenda
de eletricidade.
III) O projeto elétrico deve garantir ergonomia e iluminação adequada aos trabalhadores.
A respeito dessas afirmações, assinale a opção correta.

a) I e III, apenas.
b) I e II, apenas.
c) I, II e III.
d) III, apenas.
e) II e III, apenas.

2. A matriz energética brasileira é composta por várias formas de geração de energia elétrica,
sendo a maior predominância que temos é de fontes renováveis, o que é muito interessante,
pois auxilia na conservação do meio ambiente, sendo este um método sustentável.

Considerando a Figura 5, apresentada na unidade, sobre a evolução até 2025 do sistema


elétrico brasileiro, avalie as seguintes afirmações propostas.

I) Apesar da previsão de aumento na geração de energia em MW por meio de hidrelétricas, o


peso desse método, no todo, diminuirá em função do crescimento de outros métodos.
II) Não existe previsão de aumento na geração de energia por meio de usinas nucleares.
III) A previsão é que as usinas solares tenham um aumento maior de geração quando comparado
com o das usinas eólicas.
A respeito dessas afirmações, assinale a opção correta.

a) I e III, apenas.
b) I e II, apenas.
c) I, II e III.
d) III, apenas.
e) II e III, apenas.

30
3. Uma equipe de uma construtora realiza o projeto de uma residência de médio porte. O en-
genheiro de obras estima que, para essa residência de 100m², será necessário um padrão de
entrada de 70 Amperes. Você foi chamado(a) para realizar o projeto elétrico dessa residência,
porém, como é o seu primeiro serviço com esses clientes, o engenheiro lhe questiona sobre
as principais normas que devem ser seguidas para a elaboração desse projeto.

Considerando as características citadas, é correto afirmar que:

a) Dada a situação apresentada, será necessário utilizar, ao menos, a NBR 5410 e a NR10.
b) Dada a situação apresentada, será necessário utilizar, ao menos, a NBR 14039 e a NR 10.
c) Não existe condição de saber quais normas serão necessárias.
d) O uso da NR10 não se aplica nesse caso.
e) É extremamente necessário o uso da NBR 5410, da NBR 14039, da NBR 5419, da NR10 e da
NR 5413.

31
32
2
Luminotécnica e
Etapas de Projeto
Esp. Leonardo Tocio Mantovani Seki

Nesta unidade, você terá a oportunidade de compreender os concei-


tos de sistemas e projetos elétricos, quais são as etapas de projeto
e todos os pontos necessários para a elaboração de um sistema
luminotécnico.
UNICESUMAR

Conhecer todo o processo da elaboração de um projeto elétrico pode ser um diferencial para a sua
carreira de projetista. Além de abrir oportunidades de negócios, pode lhe auxiliar em um processo
seletivo de uma empresa.
Imagine que você negocia com uma construtora todos os projetos elétricos de um condomínio de 10
torres e que ela busca alguém que realmente compreenda o processo de elaboração de projeto, já que houve
outros problemas com projetistas inexperientes. Você saberia descrever sua metodologia para a elaboração
de um projeto, diminuindo conflitos com as outras disciplinas que compreenderão o projeto como um todo?
Como engenheiro(a) eletricista projetista, você precisa entender todo o processo necessário para
a elaboração de um projeto elétrico. Isso lhe auxiliará a otimizar seu projeto, evitando correções tanto
na fase de projeto como na execução, além de poupar tempo necessário no projeto.
Levando em conta o que acabamos de conversar, quero lhe propor uma pesquisa rápida. Vamos
lá? Faça uma pesquisa, na internet ou em livros, e procure quais são os principais pontos para elabo-
ração de um projeto elétrico, seja ele industrial ou residencial. A seguir, eu apresento o porquê desse
conhecimento ser interessante para você!
Em sua pesquisa, você deve ter visto que existem algumas variações no processo para a elaboração de um
projeto elétrico, mas estudar o modelo arquitetônico, saber quais serão as cargas a serem instaladas e onde
será instalado o padrão de entrada e os quadros são pontos cruciais. Com essa pesquisa rápida, conseguimos
ver que, além de conhecer os requisitos que as NBRs trazem, o entendimento mínimo de Arquitetura e de
outros projetos complementares é essencial para um projetista. Muito interessante, não é mesmo?
Registre, em seu Diário de Bordo, os principais detalhes sobre os passos para a elaboração de um
projeto, pois o que faremos nas próximas páginas é compreender melhor esses projetos e entender
sobre um ponto essencial: a parte luminotécnica.

34
UNIDADE 2

Todo projeto deve ter uma sequência lógica, a fim de otimizar o seu processo de elaboração. Essa se-
quência, que chamaremos de roteiro, ajuda o projetista a manter um padrão de qualidade, economizar
tempo, evitando correções desnecessárias em projeto e agilizando a sua entrega final. E é claro que um
projeto elétrico deve possuir um roteiro para a sua elaboração.
Dentro da literatura, temos várias abordagens para a elaboração de um roteiro. Alguns autores
apresentam até 17 passos para a elaboração de um roteiro de projeto elétrico, outros são mais sucintos,
com nove passos.
Para lhe auxiliar a elaborar o seu roteiro de projeto, conversaremos sobre vários pontos e enten-
deremos a lógica por trás dele. Com isso, você terá a base para elaborar o seu roteiro para projetos. É
válido lembrar que pode haver variação no roteiro de um projeto elétrico residencial para um industrial,
dado o aumento das cargas e comportamento de consumo também.
• Estudar a planta de situação e arquitetônica
Esse ponto é muito importante, pois, sem um conhecimento da edificação, a elaboração do
projeto é muito lenta e sujeita a muitas alterações. Você, como projetista, deve identificar o
melhor local para a entrada de energia, entender a edificação e como ela será utilizada.

• Determinação dos pontos de carga


Em alguns projetos, esses pontos já serão determinados por outro profissional. Em uma resi-
dência, o arquiteto ou designer de interiores pode já indicar quais cargas estarão em quais locais.
Já em uma indústria, um engenheiro de produção pode fazer um estudo a fim de otimizar o
processo fabril, fazendo já uma alocação das máquinas. Caso isso não ocorra, você deve fazer
uma distribuição prévia, seguindo a NBR 5410 e conversar com o cliente, verificando se essa
disposição atende ao que ele necessita.

• Projeto luminotécnico
O projeto luminotécnico pode estar incluso ou não no item anterior e deve seguir os padrões
mínimos exigidos pela NBR 5410. Em projetos mais completos de interiores, um ambiente
pode possuir diversas luminárias, como paflon, spots, fitas de LED, pendentes. Com isso, cabe
ao projetista fazer o direcionamento correto para todos esses pontos.

• Definir o sistema de aterramento


Esse é um passo muito importante dentro de um projeto, porque ele será o norteador para o
dimensionamento de conduítes, eletrocalha ou outro método de instalação.

• Atribuir a potência de cada ponto do circuito


Anteriormente, fez-se a distribuição dos pontos em que estão previstas as cargas. Nesse mo-
mento, você deve fazer a atribuição da potência do ponto. Isso lhe possibilitará verificar a
necessidade de correção do fator de potência das cargas.

35
UNICESUMAR

• Distribuição de cargas em circuitos


Nesse ponto, você deve verificar quais cargas serão agrupadas em cada circuito. Um exemplo
é que todas as tomadas de uma cozinha, por exemplo, estão em um circuito apenas. Já na in-
dústria, é mais comum que cada máquina esteja em um circuito, dada a potência de cada uma.
Após essa distribuição, a elaboração de uma tabela de cargas é fundamental para a organização
de visualização dos circuitos existentes.

• Localizar quadro de distribuição (QD)


A localização dos quadros é fundamental em um projeto, visto que os cabos que alimentam
os QDs são de bitolas maiores. O posicionamento deve ser estratégico, alinhando praticidade
e economia para a instalação.

• Distribuição da tubulação
Nesse ponto, você deve traçar o caminho que os cabos percorrerão, partindo dos seus respec-
tivos quadros e indo para as cargas.

• Dimensionamento dos condutores


Nesse ponto, você deve fazer o dimensionamento dos condutores, levando em conta a corrente
que a carga demandará, o método de instalação e os fatores de correção de agrupamento de
circuitos e de temperatura.

• Determinação das correntes de curto-circuito


Deve se fazer a determinação das correntes de curto-circuito em cada ponto do circuito.

• Determinação dos dispositivos de proteção


Seguindo a NBR 5410 (ABNT, 2004), deve-se realizar a seleção de quais serão os dispositivos
de proteção necessários e realizar o seu dimensionamento.

• Verificar a potência de demanda da instalação


Visto que, muitas vezes, a potência instalada é muito maior que a potência de demanda, realiza-se
uma estimativa da potência de demanda, normalmente, as concessionárias de energia trazem
essa recomendação para residências. Para indústrias, é necessário entender o seu funcionamento
para realizar esse passo. Essa potência é necessária para determinar qual é o padrão de entrada
necessário para a edificação.

• Elaboração de diagrama unifilar


Segundo a NR 10 (BRASIL, 1978), todas as instalações elétricas devem possuir diagrama unifilar
atualizado. Além de cumprir a legislação, esse passo é essencial para o entendimento do projeto.

36
UNIDADE 2

• Memorial descritivo
Esclarecendo e justificando as definições utilizadas no projeto, esse é um ponto essencial para a
sua finalização. Projetos comerciais, principalmente, para shoppings centers, exigem a entrega
desse item.

• Memorial quantitativo
Visto que todo o projeto está finalizado, cabe ao projetista informar os itens e as quantidades
necessárias para a execução desse projeto.

• Anotação de Responsabilidade Técnica (ART)


A ART é essencial para a garantia de que o projeto foi feito por um profissional qualificado,
autorizado e habilitado.

• As built
Esse é um serviço de correção de projeto, visto que, em muitas execuções de obra, são feitas
correções. Deve-se fazer a atualização dos pontos alterados no projeto para manter ele da
maneira correto e atualizado.

Lembre-se que o ideal é você criar um método que venha a abranger todos os pontos citados anterior-
mente. Você pode abrir outros pontos, incorporar um em outro, como você preferir. Contudo, tenha
um roteiro para a elaboração dos seus projetos.

Eu indico este vídeo, em que apresento quais são os principais pontos


no meu roteiro para a elaboração de projetos elétricos.
Para acessar, use seu leitor de QR Code.

Após entender o roteiro para elaboração de um projeto elétrico, conheceremos e entenderemos o que
NBR 5410, que é a nossa norma para projetos elétricos, diz sobre a carga elétrica e a previsão de
carga em instalações elétricas de baixa tensão.
Para começar um projeto, devemos entender que a norma traz o mínimo que uma instalação deve
possuir. Logo, devido a questões de conformidade, normalmente, um projeto utiliza quantidades
superiores para pontos de iluminação e tomadas.

37
UNICESUMAR

Quanto à iluminação, existe uma norma que guia o dimensionamento em função do método de
lúmens. Tal método apresenta variações para a quantidade de iluminação necessária para cada tipo de
atividade. A NBR ISO 8995: iluminação em ambientes de trabalho (ABNT, 2013) nos fornece essas
informações.
A NBR 5410, em seu item 9.5.2.1.1, diz que todo cômodo deve possuir, pelo menos, um ponto
de iluminação fixa no teto, com comando por interruptor (ABNT, 2004). Já quanto à carga que essa
iluminação deve possuir, ela afirma, no seu item 9.5.2.1.2, que:



a) em cômodos ou dependências com área igual ou inferior a 6 m2 deve ser prevista uma
carga mínima de 100 VA;
b) em cômodo ou dependências com área superior a 6 m2, deve ser prevista uma carga
mínima de 100 VA para os primeiros 6 m2, acrescida de 60 VA para cada aumento de
4 m2 inteiros (ABNT, 2004, p. 183).

Visualizemos de forma prática: em uma cozinha com 20m², teríamos uma divisão de área de 6 m² + 4 m² +
4 m² + 4 m² + 2 m². Logo, a potência necessária, conforme solicitado em norma, seria de: 100 VA + 60 VA
+ 60 VA + 60 VA, observando que a última fração de área foi de 2 m², não atingindo os 4 m² inteiros. Isso
nos leva a um total de 280 VA somente para iluminação de um cômodo. É muita coisa, não é?
Pensando que, hoje, temos lâmpadas de LED de 40 W com uma iluminância considerável, uma
cozinha com essa potência de iluminação estaria muito iluminada. Esse fato ocorre pois a norma foi
escrita em 2004, quando a iluminação se dava por meio de lâmpadas incandescentes que possuem um
potência muito maior — o que não necessariamente aumenta a sua iluminação. Entretanto, tendo em
vista o projeto como um todo, essa carga de iluminação não altera muito a necessidade, e, hoje, temos
ambientes muito mais customizados para o usuário, com lâmpadas para iluminação geral, sancas com
fitas de LED, spots e pendentes.
Observe que a previsão de cargas utiliza a unidade VA (Volt-Ampère), que faz referência à potência
aparente dos equipamentos — ao contrário da potência ativa, dada em Watts.
Para o número de pontos de tomadas, o item 9.5.2.2.1 da norma NBR 5410 nos diz que ele deve ser
determinado em função da destinação do local e dos equipamentos elétricos utilizados, observando-se
os seguintes critérios:



a) em banheiros, deve ser previsto pelo menos um ponto de tomada, próximo ao lavatório;
b) em cozinhas, copas, copas-cozinhas, áreas de serviço, cozinha-área de serviço, lavan-
derias e locais análogos, deve ser previsto no mínimo um ponto de tomada para cada
3,5 m, ou fração, de perímetro, sendo que acima da bancada da pia devem ser previstas
no mínimo duas tomadas de corrente, no mesmo ponto ou em pontos distintos;
c) em varandas, deve ser previsto pelo menos um ponto de tomada;

38
UNIDADE 2

d) em salas e dormitórios devem ser previstos pelo menos um ponto de tomada para
cada 5 m, ou fração, de perímetro, devendo esses pontos ser espaçados tão uniforme-
mente quanto possível;
e) em cada um dos demais cômodos e dependências de habitação devem ser previstos
pelo menos: um ponto de tomada, se a área do cômodo ou dependência for igual ou
inferior a 2,25 m2. Um ponto de tomada, se a área do cômodo ou dependência for
superior a 2,25 m2 e igual ou inferior a 6 m2. Um ponto de tomada para cada 5 m, ou
fração, de perímetro, se a área do cômodo ou dependência for superior a 6 m2, devendo
esses pontos ser espaçados tão uniformemente quanto possível (ABNT, 2004, p. 183).

Com relação à potência dos pontos de tomadas, esta é função dos equipamentos que os pontos poderão
alimentar. O item 9.5.2.2.2 da norma estabelece os seguintes valores mínimos (ABNT, 2004, p. 184):


a) em banheiros, cozinhas, copas, copas-cozinhas, áreas de serviço, lavanderias e locais
análogos, no mínimo 600 VA por ponto de tomada, até três pontos, e 100 VA por ponto
para os excedentes, considerando-se cada um desses ambientes separadamente. Quando
o total de tomadas no conjunto desses ambientes for superior a seis pontos, admite-se que
o critério de atribuição de potências seja de no mínimo 600 VA por ponto de tomada,
até dois pontos, e 100 VA por ponto para os excedentes, sempre considerando cada um
dos ambientes separadamente;
b) nos demais cômodos ou dependências, no mínimo 100 VA por ponto de tomada.
Vamos verificar um exemplo de dimensionamento de pontos de tomada.

Apliquemos para a cozinha, que acabamos de citar: ela tem 4 m x 5 m, qual é o número mínimo de
tomadas necessário para cada um desses ambientes? Para a cozinha, temos, conforme item 9.5.2.2.1
(b) da NBR 5410, que deve ser previsto, no mínimo, um ponto de tomada para cada 3,5 m, ou fração,
de perímetro. Assim, o perímetro é de 4 m + 5 m + 4 m + 5 m = 20 m. Então, teremos 20 m / 3,5 m =
5,71. Consequentemente, dimensionaremos seis tomadas para a cozinha.
Imagine, agora, um quarto, em que suas dimensões são 3 m x 4 m. O item 9.5.2.2.1 (e) da NBR
5410 afirma que deve ser previsto, no mínimo, um ponto de tomada para cada 5 m, ou fração, de
perímetro, já que o quarto possui uma área de 12 m². O perímetro do quarto é de 3 m + 4 m + 3 m +
4 m = 14 m. Consequentemente, o número de tomadas necessário será de 14 m / 5 m = 2,8 tomadas.
Assim, adotaremos três tomadas.
Como um segundo exemplo, podemos dimensionar a potência dos pontos de tomada calculados
conforme o item 9.5.2.2.2 da norma NBR 5410. Para a cozinha, como temos seis tomadas, teríamos
três com potência de 600 VA e três com 100 VA. E, para o quarto, as três tomadas teriam uma potência
de 100 VA cada.

39
UNICESUMAR

Sobre a potência das tomadas, é essencial saber a sua classificação conforme a sua utilização. A
norma cita tomadas residenciais e industriais, sendo que, especificamente, para as tomadas residenciais
(prediais), podemos classificá-las em (a) tomadas de uso geral (TUGs) e (b) tomadas de uso específico
(TUEs). Tomadas industriais, normalmente, são TUEs, em função das máquinas utilizadas na indústria,
normalmente, possuírem uma potência consideravelmente superior em relação aos equipamentos que
utilizamos em uma residência.
As TUGs suportam corrente de até 10 Ampères, e as TUEs, correntes acima de 10 A. As tomadas
comuns que temos em casa são TUGs, nas quais conectamos equipamentos e eletrodomésticos co-
muns. Já as TUEs são utilizadas com equipamentos de maior potência, assim como uma máquina de
secar roupas e o forno micro-ondas.
Pontos de alimentação elétrica utilizados para aquecimento de água — chuveiro, torneira elétrica
— não devem utilizar tomadas. Esses equipamentos devem ser conectados diretamente ao circuito
respectivo, assim como indica o item 9.5.2.3 da norma NBR 5410. Infelizmente, temos muitos pro-
fissionais mal capacitados que fazem a ligação de chuveiros com conectores, por exemplo. Esse tipo
de ligação pode gerar problemas, como o aparecimento de zinabre, oxidação dos cabos, mal contato,
gerando sobreaquecimento nos cabos, podendo ocasionar até um princípio de incêndio.
Aprofundar-nos-emos, agora, em iluminação ou luminotécnica. Ela já foi responsável por utilizar
cerca de 17% do consumo da energia do país, o que nos mostra que é um fator importante para você,
futuro(a) projetista, estar atento(a) aos conceitos e às necessidades desse ponto primordial em projetos.
Como já falamos anteriormente, cada atividade, dentro de uma residência, um comércio ou uma
indústria, solicita um certo nível de iluminação. E esse fator é muito importante, visto que o rendimento
da pessoa que executa a atividade varia se o nível estiver dentro ou fora dos padrões.
Um bom projeto de iluminação deve possuir alguns pontos essenciais, como: nível de iluminamento
suficiente para cada atividade específica; distribuição espacial da luz sobre o cômodo ou ambiente;
escolha da cor da luz e de seu rendimento; escolha correta dos equipamentos de iluminação; tipo de
execução das paredes e pisos; iluminação de acesso aos ambientes.
Por isso, como falamos em nosso plano para elaborar um projeto elétrico, ou, melhor, roteiro de
um projeto, o primeiro ponto é estudar a arquitetura da edificação, estudar os detalhes, para que você
já consiga identificar como fixará a iluminação.
Um exemplo disso é se, em uma residência, ela possuirá forro ou se os conduítes serão instalados
diretamente na laje. Em uma indústria, é preciso saber como é o teto da edificação, se a iluminação
será instalada nas eletrocalhas, com tirantes, se existem máquinas que podem colidir com a ilumi-
nação, como pontes rolantes ou alguma outra máquina. Essas particularidades do projeto devem ser
estudadas previamente.
Contudo, para você conhecer cada conceito quando falamos sobre iluminação, entenderemos
aqueles essenciais de uma maneira sucinta.

40
UNIDADE 2

• Luz
É uma onda eletromagnética de diferentes comprimentos.

• Iluminância
É o “limite da razão do fluxo luminoso recebido pela superfície em torno de um ponto consi-
derado, para a área da superfície quando esta tende para o zero” (ABNT, 1992, p. 1).
A iluminância é conhecida, também, como nível de iluminamento. É expressa em lux, que
corresponde ao fluxo luminoso incidente em uma determinada superfície por unidade de área.
Isso quer dizer que, caso uma superfície plana de 1 m² seja iluminada perpendicularmente por
uma fonte de luz de 1 lúmen, ela apresentará uma iluminância de 1 lux:
F
E = (lux)
S
F: fluxo luminoso, em lúmens.
S: área da superfície iluminada, em m².
Normalmente, o fluxo luminoso não é uniforme. Em função disso, utilizamos o fluxo luminoso
médio.
• Fluxo luminoso
É a potência de radiação emitida por uma fonte luminosa em todas as direções do espaço. Sua
unidade é o lúmen, que representa a quantidade de luz irradiada através de uma abertura de
1 m², feita na superfície de uma esfera de 1 m de raio por uma fonte luminosa de intensidade
igual a 1 candela, em todas as direções, colocada no seu interior e posicionada no centro.

Como referência, uma fonte luminosa de intensidade igual a uma candela emite, uniformemente,
12,56 lúmens, ou seja, 4πR2 lúmens para R = 1 m. Mamede Filho (2017, p. 58) afirma que “o fluxo
luminoso também pode ser definido como a potência de radiação emitida por uma determinada fonte
de luz e avaliada pelo olho humano”.
• Eficiência luminosa
É a relação entre o fluxo luminoso emitido por uma fonte luminosa e a potência em Watts
consumida por ela. Essa eficiência é dada por:
ψ
η= (lumens / W )
Pc
y : fluxo luminoso emitido, em lúmens.
Pc : potência consumida, em W.
Cada equipamento de iluminação tem uma eficiência específica, como lâmpadas incandescentes,
fluorescentes, de LED, halogêneos, entre outras.

41
UNICESUMAR

• Intensidade luminosa
É definida como “o limite da relação entre o fluxo luminoso em um ângulo sólido em torno
de uma direção dada e o valor desse ângulo sólido, quando esse ângulo sólido tende a zero”
(ABNT, 1998, [s.p.]), ou seja,

I=

Pode ser definida, também, como a potência de radiação visível que uma determinada fonte
de luz emite em uma direção especificada. Sua unidade é denominada candela (cd).

• Luminância
“É a relação entre a intensidade luminosa com a qual irradia, em uma direção determinada,
uma superfície elementar contendo um ponto dado e a área aparente desta superfície para uma
direção considerada, quando esta área tende para zero” (ABNT, 1998, [s.p.]). Sua unidade é
expressa em candela por metro quadrado (cd/m2).
A luminância é entendida como a medida da sensação de claridade, provocada por uma fonte
de luz ou superfície iluminada e avaliada pelo cérebro. Pode ser determinada pela equação:
I
L= *cos a (cd / m2 )
S

S: superfície iluminada.
a : ângulo entre a superfície iluminada e a vertical, que é ortogonal à direção do fluxo luminoso.
I: intensidade luminosa.
O fluxo luminoso, a intensidade luminosa e a iluminância somente são visíveis se forem refletidos
em uma superfície, transmitindo a sensação de luz aos olhos, cujo fenômeno é denominado luminância.
• Refletância
Relação entre o fluxo luminoso refletido por uma superfície e o fluxo luminoso incidente
sobre ela.

• Emitância
Quantidade de fluxo luminoso emitido por uma fonte superficial por unidade de área. Expressa
em lúmen/m².

Quem diria que, para o estudo de um projeto luminotécnico, você precisaria de todas essas informações,
não é? Entretanto, para lhe tranquilizar, a não ser que você siga para o lado de laudos de segurança no
trabalho, projetos de prevenção de incêndio ou para projetos de iluminação pública, você não precisará
ter contato direto com todas essas informações.
O local para você encontrar as informações do equipamento escolhido é o catálogo do fabricante.
Normalmente, nós não nos interessamos muito por catálogos de lâmpadas, mas é bem interessante
verificá-los e conhecer melhor os equipamentos disponíveis no mercado.

42
UNIDADE 2

Você já viu um catálogo de lâmpadas?


Como engenheiro, posso lhe dizer que catálogos são ótimas formas de
aprender, tanto especificações técnicas como soluções. Neste podcast,
falaremos um pouco sobre os catálogos de lâmpadas, as informações
contidas neles e por que isso pode ser importante na elaboração de um
projeto luminotécnico.

Para os projetos de iluminação pública, você deve voltar seus estudos a algumas normas específicas,
como a NBR 5101: iluminação pública: procedimento. Nela, consta toda a base essencial para o cál-
culo de iluminação necessária. Existem variações para o dimensionamento segundo vários aspectos,
como a intensidade de tráfego de veículos motorizados, de pedestres, o tipo de via, por exemplo. Um
detalhe muito importante ao falar sobre a NBR5101 é que ela foi atualizada em 2018, logo, a versão
de 2012 está cancelada.
Um ponto que pode lhe auxiliar muito para esses projetos é procurar algum caderno técnico da
concessionária de energia do local em que será realizado o projeto. Ele lhe instruirá quanto a quais
normas você deve se atentar e ao modelo que será autorizado para a execução. Isso pode lhe poupar
muito tempo e dor de cabeça, porque submeter um projeto e ter que corrigi-lo porque ele foi reprovado
é um trabalho bem cansativo.

43
UNICESUMAR

Para obras comerciais, industriais ou edificações de uso coletivo — como prédios —, você deve pensar
na iluminação de emergência também. Esse é um ponto que está associado ao projeto de prevenção
contra incêndio, também conhecido como PPCI. Nesses tipos de empreendimento, é necessário ter
esse projeto para que a Prefeitura do Município dê o alvará de funcionamento. Logo, caso você não
faça esse tipo de projeto, o PPCI, você trabalhará em conjunto com uma equipe de outros profissionais
para que o empreendimento consiga a liberação do Corpo de Bombeiros para funcionamento.
Para esses projetos, temos duas normas que são os nossos guias, a NBR 10898: sistemas de ilumi-
nação de emergência e a NPT 18: iluminação de emergência. A NBR é escrita pela ABNT, e a Norma
de Procedimento Técnico (NPT), pelo Corpo de Bombeiros. Ambas são complementares, e, para
aprovação junto ao Corpo de Bombeiros, você precisará utilizar as duas.
Seguem alguns tópicos importantes quanto ao tipo de alimentação e posicionamento para esse
circuito de iluminação específico (NPT 18):



• A distância máxima entre dois pontos de iluminação de emergência não deve ultrapassar 15
metros e entre o ponto de iluminação e a parede 7,5 metros. Outro distanciamento entre pontos
pode ser adotado, desde que atenda aos parâmetros da NBR 10898;
• Deve-se garantir um nível mínimo de iluminamento de 3 (três) lux em locais planos (corredo-
res, halls, áreas de refúgio) e 5 (cinco) lux em locais com desnível (escadas ou passagens com
obstáculos);
• A tensão das luminárias de aclaramento e balizamento para iluminação de emergência em áreas
com carga de incêndio deve ser de, no máximo, de 30 Volts.
• Para instalações existentes e na impossibilidade de reduzir a tensão de alimentação das luminárias,
pode ser utilizado um interruptor diferencial de 30mA, com disjuntor termomagnético de 10A.
• Recomenda-se a instalação de uma tomada externa à edificação, compatível com a potência da
iluminação, para ligação de um gerador móvel. Essa tomada deve ser acessível, protegida ade-
quadamente contra intempéries e devidamente identificada (PARANÁ, 2014, p. 3).

Essas exigências não são complexas pelo ponto de vista de projeto e dimensionamento, porém, caso
não sejam previstas na fase de projeto, podem gerar gastos não previstos e soluções não agradáveis,
do ponto de vista estético, para o empreendimento.
Agora, estudante, você tem o conhecimento básico para montar um roteiro de projeto elétrico,
seja ele residencial ou industrial. Você sabe quais são os principais pontos a se levar em consideração
no momento de elaborar um projeto elétrico. Lembre-se de que o ideal é que você monte um roteiro
próprio no momento de elaborar um projeto, levando em consideração as necessidades específicas
do cliente, buscando o melhor custo benefício para ele.
Você, como engenheiro(a) projetista, deve saber fazer o projeto de iluminação de acordo com as
normas e com as necessidades do cliente. Essa é apenas uma parte que compõe o projeto, mas, caso
não seja feito da maneira correta, pode gerar muita dor de cabeça e necessidade de mudanças.

44
Para sintetizar todas essas informações que vimos ao longo desta unidade, minha sugestão a você,
caro(a) aluno(a), é a construção de um mapa mental, preenchendo e alimentando-o com con-
ceitos-chave. Com certeza, a retenção de conhecimentos por você será muito mais efetiva. Você
pode seguir as dicas que deixo a seguir: o que compõe cada parte de um roteiro para executar um
projeto elétrico?

Distribuição tubulação Luminotécnico Potência do circuito

Tipo de aterramento Localização QDG


ROTEIRO DE PROJETO

Distribuição das cargas Estudar arquitetura Determinação pontos de carga

45
1. Acerca de projetos luminotécnicos, podemos dividir o tema em três pontos: projetos de
iluminação interna, projetos de iluminação pública e projetos de iluminação de emergência.

Considerando as normas referentes a cada tipo de iluminação, são feitas as seguintes afir-
mações.

I) O projeto de iluminação em ambientes internos não segue nenhum critério específico, a não
ser o critério de potência estabelecido pela NBR 5410.
II) O projeto de iluminação pública deve ser feito em conjunto à NBR 5101 e com a norma para
iluminação pública da concessionária local.
III) O projeto de iluminação de emergência deve seguir a NBR 10898 ou a NPT 18, ficando a
critério do projetista qual deve ser adotada.
A respeito dessas afirmações, assinale a opção correta.

a) I e III, apenas.
b) I e II, apenas.
c) I, II e III.
d) II, apenas.
e) II e III, apenas.

2. Seguindo a NBR 5410, em um dormitório de 10,5 m², sendo o cômodo um retângulo de 3,5 m x
3 m, qual é o mínimo de potência de iluminação e a quantidade de tomadas mínima para ele?

3. Uma casa possui uma área gourmet — cozinha — de 5,08 m x 4,92 m. Qual é a quantidade
de potência de iluminação necessária para esse cômodo, segundo a NBR 5410? E, quanto ao
circuito de força, quantas tomadas são necessárias e qual é a potência de cada?

46
3
Dimensionamento de
circuitos
Esp. Leonardo Tocio Mantovani Seki

Nesta unidade, você terá a oportunidade de compreender os concei-


tos para o dimensionamento de condutores fase, neutro e proteção,
verificando todos os aspectos que a NBR 5410 solicita.
UNICESUMAR

Um dos passos mais importantes em um projeto elétrico de qualidade é saber dimensionar os cabos
de maneira correta. Além de prevenir acidentes, o dimensionamento correto economiza um valor
referente a um material considerável.
Suponha que você está fazendo um projeto elétrico de uma indústria de médio porte, com vários
processos e maquinários de todos os tipos e potências. Você saberia realizar o dimensionamento de
todos os cabos para toda a edificação?
Como engenheiro(a) eletricista projetista, você precisa conhecer, entender e aplicar todos os parâ-
metros de correção necessários para o dimensionamento da seção transversal (bitola) dos cabos. Não
é apenas a corrente solicitada pelo equipamento.
Considerando o conteúdo apresentado, quero te propor uma pesquisa rápida. Vamos lá? Faça uma
pesquisa na internet ou em livros, a fim de conhecer os parâmetros necessários a serem avaliados
segundo a NBR 5410 para o dimensionamento da bitola de um condutor.
Em sua pesquisa, você deve ter constatado que há parâmetros, como o tipo de isolação do cabo, o
método de instalação, o fator de agrupamento, o fator de temperatura e o material de condutor. Dessa
maneira, dimensionar um cabo não é apenas olhar a tabela de capacidade de condução de corrente.
Muito interessante, não é mesmo?
Registre, em seu diário de bordo, os principais detalhes e os itens necessários para o dimensio-
namento correto de condutores. O que faremos nas próximas páginas é compreender melhor esses
processos e entender o curto-circuito presumido, as proteções e as divisões de circuitos.

48
UNIDADE 3

O dimensionamento correto da seção transversal de um condutor é extremante necessário ao bom


funcionamento das instalações. Além disso, evita problemas na carga a ser energizada e proporciona
o dimensionamento correto, a fim de evitar acidentes, como o princípio de incêndio.
Em função disso, é preciso considerar alguns aspectos para fazer o dimensionamento. Conheça-os:
• Tensão nominal.
• Frequência nominal.
• Potência da carga a ser suprida.
• Fator de potência da carga.
• Tipo de sistema: monofásico, bifásico ou trifásico.
• Método de instalação dos condutores.
• Natureza de carga: reativa, indutiva ou capacitiva.
• Distância da carga até o ponto de alimentação.
• Corrente de curto-circuito.

Você, como projetista, não pode alterar todos os parâmetros. Alguns precisam ser adaptados ao que
é fornecido pela concessionária de energia, como a tensão e a frequência.
Agora, falaremos dos condutores. De maneira geral, quase todas as instalações elétricas utilizam
o cobre como o condutor dos fios e cabos elétricos. O uso do alumínio é menor, apesar de o preço ser
consideravelmente menor que o do cobre.
Isso se dá em função da NBR 5410, que restringe o uso dos condutores de alumínio, permitindo
somente em seções iguais ou superiores a 16 mm², devido ao fato de esse material necessitar de cuida-
dos maiores para transporte e instalação e em consequência das características químicas e mecânicas.
A isolação dos fios e dos cabos pode ser feita com diferentes tipos de materiais, como o PVC
(cloreto de polivinila), o EPR (etilenopropileno) e o XLPE (polietileno reticulado). Em função das
propriedades de cada material (químicas, elétricas e mecânicas), o uso de cada um é especifico, dadas
as particularidades de cada instalação.
Temos, no mercado, condutores chamados de isolados quando têm uma camada isolante, sem capa
de proteção. Temos os unipolares, que têm uma camada isolante protegida por uma capa, normal-
mente, constituída de PVC. Também há os cabos multipolares, que possuem vários polos, também
chamados de PP.
Há algumas variações quanto à isolação dos condutores. Os condutores isolados têm isolação de
750V, o que é padronizado pela NBR 6148. Os condutores unipolares têm isolação 0,6/1kV, o que é
padronizado pela NBR 6251.
Um aspecto muito importante para o dimensionamento dos condutores é realizar a divisão de
circuitos de maneira que o sistema limite as consequências da falta de energia, facilite as verificações,
os ensaios, a manutenção e as condições para utilizar os condutores de pequena bitola.

49
UNICESUMAR

A NBR 5410, no item 4.2.5.1, afirma que “a instalação deve ser dividida em tantos circuitos quan-
tos necessários, devendo cada circuito ser concebido de forma a poder ser seccionado sem risco de
realimentação inadvertida através de outro circuito” (ABNT, 2004, p. 18). Em 4.2.5.5, explica que “os
circuitos terminais devem ser individualizados pela função dos equipamentos de utilização que alimen-
tam. Em particular, devem ser previstos circuitos terminais distintos para pontos de iluminação e para
pontos de tomada” (ABNT, 2004, p. 18). Com isso, a iluminação e as tomadas devem ser separadas.
No entanto, em locais de habitação, a norma afirma, no item 9.5.3.3, que, em algumas situações,
pontos de iluminação e tomadas podem ser alimentados por circuito comum, desde que respeitadas
algumas condições:



a) a corrente de projeto (IB) do circuito comum (iluminação mais tomadas) não deve
ser superior a 16 A;
b) os pontos de iluminação não sejam alimentados, em sua totalidade, por um só cir-
cuito, caso esse circuito seja comum (iluminação mais tomadas); e
c) os pontos de tomadas, já excluídos os indicados em 9.5.3.2, não sejam alimentados,
em sua totalidade, por um só circuito, caso esse circuito seja comum (iluminação mais
tomadas) (ABNT, 2004, p. 184).

Isso nos evidencia que, caso você trabalhe com projetos industriais e residenciais, você deve estar
atento(a) a essas ressalvas na norma.
Também é necessário se atentar a dois pontos:



9.5.3.1 Todo ponto de utilização previsto para alimentar, de modo exclusivo ou virtual-
mente dedicado, equipamento com corrente nominal superior a 10 A deve constituir
um circuito independente.
9.5.3.2 Os pontos de tomada de cozinhas, copas, copas-cozinhas, áreas de serviço, lavan-
derias e locais análogos devem ser atendidos por circuitos exclusivamente destinados
à alimentação de tomadas desses locais (ABNT, 2004, p. 184).

Além disso, deixa condições, nos quadros de comandos e condutos, que possibilitem futuras ampliações
no sistema e a realização de um balanço de carga entre as fases (caso o sistema tenha mais de uma fase).
Iniciaremos o processo de dimensionamento da secção mínima dos condutores de fase. Isso,
porque, para os condutores de proteção e de neutro, a NBR 5410 determina outras recomendações.
O primeiro aspecto que devemos verificar é o método de instalação. A Tabela 1 apresenta, de ma-
neira resumida, os métodos de instalação que a norma apresenta. A leitura da norma e de todas as
notas é essencial para um melhor entendimento.

50
UNIDADE 3

Métodos de referência – NBR 5410


Referência Descrição
Condutores isolados em eletroduto de seção circular embutido em parede termicamente
A1
isolante
A2 Cabo multipolar em eletroduto de seção circular embutido em parede termicamente isolante
B1 Condutores isolados em eletroduto de seção circular sobre parede de madeira
B2 Cabo multipolar em eletroduto de seção circular sobre parede de madeira
C Cabos unipolares ou cabo multipolar sobre parede de madeira
D Cabo multipolar em eletroduto enterrado no solo
E Cabo multipolar ao ar livre
F Cabos unipolares justapostos (na horizontal, vertical ou em trifólio) ao ar livre
G Cabos unipolares espaçados ao ar livre
Tabela 1 - Métodos de referência / Fonte: adaptada de ABNT (2004).

Definido o método de referência TAB, verificaremos os três critérios aos quais a seção mínima do
condutor deve atender:
• Capacidade de condução de corrente.
• Limites de queda de tensão.
• Capacidade de condução de corrente de curto-circuito por tempo limitado.

Os critérios determinam o valor da corrente máxima que percorrerá o condutor. É preciso verificar
a tabela correta, dado que o valor pode variar em função do método de referência, da isolação do
condutor e do material do condutor (cobre ou alumínio).
As tabelas mencionadas são as Tabelas 36 a 39 da norma. A Tabela 2 apresenta um trecho da Tabela
36 da norma.

Métodos de referência indicados na tabela 33


Seções A1 A2 B1 B2 C D
nominais
mm² Número de condutores carregados
2 3 2 3 2 3 2 3 2 3 2 3
Cobre
0,5 7 7 7 7 9 8 9 8 10 9 12 10
0,75 9 9 9 9 11 10 11 10 13 11 15 12
1 110 10 11 10 14 12 13 12 15 14 18 15
1,5 14,55 13,5 14 13 17,5 15,5 16,5 15 19,5 17,5 22 18
2,5 19,5 18 18,5 17,5 24 21 23 20 27 24 29 24
4 26 24 25 23 32 28 30 27 36 32 38 31
6 34 31 32 29 41 36 38 34 46 41 47 39
10 46 42 43 39 57 50 52 46 63 57 63 52
16 61 56 57 52 76 68 69 62 85 76 81 67
25 80 73 75 68 101 89 90 80 112 96 104 86
35 99 89 92 83 125 110 111 99 138 119 125 103
50 119 108 110 99 151 134 133 118 168 144 148 122

Tabela 2 - Capacidades de condução de corrente, em ampères, para os métodos de referência A1, A2, B1, B2, C e D
Fonte: ABNT (2004, p. 101).

51
UNICESUMAR

Os valores exibidos nas tabelas de capacidade de condução de corrente são determinados em função
da limitação da temperatura das isolações, considerando regime contínuo.
A norma também traz, na Tabela 47, a seção mínima dos condutores em função em função do tipo
de material, de linha e utilização do circuito.

Tabela 47 - Seção mínima dos condutores

Seção mínima do
Tipos de linha Utilização do circuito condutor mm² -
material

1,5Cu
Circuitos de iluminação
16Al
Condutores e cabos 2,5Cu
isolados Circuito de força
16Al

Instalações fixas em geral Circuitos de sinalização e


0,5Cu
circuitos de controle
10Cu
Circuitos de força
16Al
Condutores nus
Circuito de sinalização e
4Cu
circuitos de controle
Como especificado
Para um equipamento
na norma do
específico
equipamento
Para qualquer outra
Linhas flexíveis com cabos isolados 0,75Cu
aplicação
Circuito a extrabaixa
tensão para aplicações 0,75Cu
especiais
Tabela 3 - Seção mínima dos condutores / Fonte: ABNT (2004, p. 113).

Não podemos nos esquecer de que a capacidade de condução de corrente obtida nas tabelas citadas
deve ser maior ou igual à corrente de projeto, sendo:

P( w)
IB = , para cargas monofásicas
V * FP

Ou
P( w)
IB =
V ff * 1, 73* FP , para cargas bifásicas ou trifásicas equilibradas

52
UNIDADE 3

Onde:
I B é a corrente de projeto
P ( w) potência em Watts
FP fator de potência
V ff tensão fase-fase
Logo,
IZ ≥ IB

I Z é a capacidade de corrente do condutor

Eu indico o vídeo em que eu apresento o dimensionamento de cabos


para uma instalação de iluminação e força em eletrodutos metálicos em
uma sala comercial.
Para acessar, use seu leitor de QR Code.

Depois da primeira etapa, é preciso verificar se o condutor está em condições diferentes da apresentada
pela tabela. Caso esteja, devemos aplicar os fatores de correção de corrente.
Esses fatores são estabelecidos para cada condição particular da instalação do cabo, como tempera-
tura ambiente, solos com resistividade térmica diferente daquela prevista e agrupamento de circuitos.
As tabelas citadas preveem que a temperatura dos condutores esteja em 20º C para as linhas sub-
terrâneas e de 30º C para as linhas não subterrâneas. Se a temperatura do meio ambiente em que estão
instalados os condutores for diferente, é necessário aplicar os fatores de correção de corrente previstos
na Tabela 40 da NBR 5410.

53
UNICESUMAR

Tabela 40 - Fatores de correção para temperaturas ambientes diferentes de 30ºC para linhas
não-subterrâneas e de 20ºC (temperatura do solo) para linhas subterrâneas

Isolação
Temperatura °C
PVC EPR ou XLPE

Ambiente
10 1,22 1,15
15 1,17 1,12
20 1,12 1,08
25 1,06 1,04
30 0,94 0,96
35 0,87 0,91
40 0,79 0,97
Solo
10 1,10 1,07
15 1,05 1,04
20 0,95 0,96
25 0,89 0,93
30 0,84 0,89
35 0,77 0,85
40 0,71 0,80
Tabela 4 - Fatores de correção para temperaturas ambientes diferentes de 30ºC para linhas não-subterrâneas e de 20ºC (tem-
peratura do solo) para linhas subterrâneas / Fonte: ABNT (2004, p. 106).

Como projetista, você deve sempre apanhar o pior caso ao qual o condutor será submetido, a fim de
evitar que, no ponto crítico, ocorra algum defeito.
O segundo ponto de correção é a resistividade térmica do solo. As capacidades de condução de
corrente indicadas nas tabelas para cabos contidos em eletrodutos enterrados correspondem à resis-
tividade térmica do solo de 2,5 K·m/W. Para solos com resistividade térmica diferente, é necessário
utilizar os valores constantes da Tabela 41 da NBR 5410.
Quando a resistividade térmica do solo for superior a 2,5 K·m/W (caso de solos muito secos), os valores
indicados nas tabelas devem ser adequadamente reduzidos, exceto se o solo da vizinhança imediata dos
condutores seja substituído por terra ou um material equivalente com dissipação térmica mais favorável.
Chegamos ao último fator de correção: a correção devido ao agrupamento de circuitos. A aplica-
ção dos fatores de agrupamento de circuitos depende do método de referência adotado no projeto e
é caracterizada pelo agrupamento de quatro ou mais condutores, todos transportando a corrente de
carga ao valor correspondente à corrente nominal para o método de referência adotado.

54
UNIDADE 3

A NBR 5410 explica que os fatores de correção são aplicáveis a grupos de condutores isolados,
cabos unipolares ou cabos multipolares com a mesma temperatura máxima para serviço contínuo.
Caso sejam diferentes, é preciso se basear na maior das temperaturas máximas para serviço contínuo
de qualquer cabo ou condutor isolado do grupo afetado do valor de correção adotado.


6.2.5.5.2 Os condutores para os quais se prevê uma corrente de projeto não superior a
30% de sua capacidade de condução de corrente, já determinada observando-se o fator
de agrupamento incorrido, podem ser desconsiderados para efeito de cálculo do fator
de correção aplicável ao restante do grupo (ABNT, 2004, p. 107).

As Tabelas 42 a 45 da norma informam os valores a serem considerados em função dos agrupamentos


de circuitos. A Tabela 5 representa a Tabela 42 da norma.

Tabela 42 - Fatores de correção aplicáveis a condutores agrupados em feixe (em linhas abertas ou fechadas)
e a condutores agrupados num mesmo plano, em camada única

Forma de Números de circuitos ou de cabos multipolares Tabelas


agrupa- dos mé-
Ref.
mentos dos todos de
9a 16 a
condutores 1 2 3 4 5 6 7 8 12 a 15 20+ referência
11 19
Em feixe: ao
ar livre ou so-
36 a 39
bre superfície;
1 1,00 0,80 0,70 0,65 0,60 0,57 0,54 0,52 0,50 0,45 0,41 0,38 (métodos
embutidos;
A a F)
em conduto
fechado
Camada única
sobre parede,
piso, ou em
2 1,00 0,85 0,79 0,75 0,73 0,73 0,72 0,71 0,70
bandeja não 36 e 37
perfurada ou (método C)
prateleira
Camada única
3 0,95 0,81 0,72 0,68 0,66 0,64 0,63 0,62 0,61
no teto
Camada única
4 em bandeja 1,00 0,88 0,82 0,77 0,75 0,73 0,73 0,72 0,72
perfurada 38 e 39 (mé-
Camada única todos E e F)
5 sobre leito, 1,00 0,87 0,82 0,80 0,80 0,79 0,79 0,78 0,78
suporte etc.
Tabela 5 - Fatores de correção aplicáveis a condutores agrupados em feixe (em linhas abertas ou fechadas) e a condutores
agrupados num mesmo plano, em camada única / Fonte: ABNT (2004, p. 108).

Não se esqueça de ler a norma e analisar todas as notas relativas a cada trecho e tabela. Obtidos os
valores dos fatores de correção, você deve multiplicar eles pela capacidade de condução de corrente
obtida. Com isso, você terá a capacidade de corrente corrida I Z ' e, evidentemente, I Z ' ≥ I B .

55
UNICESUMAR

Para isso, talvez, seja necessário alterar a bitola do condutor, para que ela se ajuste às correções
necessárias.
Um último aspecto deve ser atendido para o dimensionamento de condutores: trata-se do critério
do limite da queda de tensão.



a) 7%, calculados a partir dos terminais secundários do transformador MT/BT, no caso
de transformador de propriedade da(s) unidade(s) consumidora(s);
b) 7%, calculados a partir dos terminais secundários do transformador MT/BT da
empresa distribuidora de eletricidade, quando o ponto de entrega for aí localizado;
c) 5%, calculados a partir do ponto de entrega, nos demais casos de ponto de entrega
com fornecimento em tensão secundária de distribuição;
d) 7%, calculados a partir dos terminais de saída do gerador, no caso de grupo gerador
próprio (ABNT, 2004, p. 115).

Além disso, em nenhuma hipótese, a queda de tensão nos circuitos terminais pode ser superior a 4%.
Para o cálculo da queda de tensão em um circuito, deve ser utilizada a corrente de carga ou a corrente
de projeto.
A seção mínima do condutor de um circuito monofásico pode ser determinada pela queda de
tensão, de modo simplificado, utilizando:
200 xr x ( Lc xI c )
S c
DVc xV fn

200  r   ( Lc  I c )
Sc 
Vc  V fn

ρ – resistividade do material condutor (cobre): 1/56 Ω·mm²/m.


Lc – comprimento do circuito em m.
Ic – corrente total do circuito em A.
ΔVc – queda de tensão máxima admitida em projeto em %.
Vfn – tensão entre fase e neutro em V.
A seção mínima do condutor de um circuito bifásico ou trifásico pode ser determinada pela queda
de tensão, de modo simplificado, por:
100 x 3xr x ( Lc xI c )
S c
DVc xV ff

100  3  r  ( Lc  I c )
S c
DVc  V ff

Vff – tensão entre fases em V.

56
UNIDADE 3

Falamos em queda de tensão de modo simplificado, pois não consideramos a reatância dos con-
dutores. Entretanto, esses valores são muito pequenos se comparados às respectivas resistências, logo,
podemos utilizar a queda de tensão padrão.

Tem dúvidas sobre a queda de tensão? Neste podcast, falaremos um


pouco de cada um dos casos que a NBR 5410 apresenta. Também rea-
lizaremos uma análise de cada caso e exporemos sugestões às quedas
de tensão em cada ponto da instalação.

Entendidos os parâmetros que devemos levar em consideração quanto ao dimensionamento dos


condutores de fase, agora, estudaremos o condutor neutro.
A NBR 5410 estabelece os critérios básicos para o dimensionamento da seção mínima do condutor
neutro, considerando que:
• O circuito for presumivelmente equilibrado.
• A corrente das fases não contiver uma taxa de terceira harmônica e múltiplos a 15%.
• O condutor neutro for protegido de sobrecorrentes.

É possível utilizar a Tabela 6 para dimensionar o condutor neutro.

Tabela 48 - Seção reduzida do condutor neutro

Seção dos condutores de fase mm² Seção reduzida do condutor neutro mm²

S ≤25 S
35 25
50 25
70 35
95 50
120 70
150 70
185 95
240 120
300 150
400 185
Tabela 6 - Seção reduzida do condutor neutro / Fonte: ABNT (2004, p. 115).

57
UNICESUMAR

Já o condutor de proteção (terra) pode ter a seção determinada pela Tabela 7, que representa a tabela
58 da NBR 5410, se o condutor de proteção for do mesmo material que o condutor fase.

Tabela 58 - Seção mínima do condutor de proteção

Seção reduzida do condutor de proteção


Seção dos condutores de fase mm²
correspondente mm²

S ≤16 S
16<S≤35 16
S>35 S/2
Tabela 7 - Seção mínima do condutor de proteção / Fonte: ABNT (2004, p. 150).

Para finalizar o nosso estudo relativo ao dimensionamento de condutores, devemos estar atentos ao
local em que eles estarão inseridos, visto que a norma trabalha com limites de ocupação. Nosso assunto,
agora, são condutos.
A NBR ICE 50 (826) afirma que condutos são elementos da linha elétrica destinados a conter os
condutores. Dentre os condutos disponíveis, temos: eletrodutos, molduras, bandejas, leitos, prateleiras
e canaletas. Nós realizaremos uma abordagem geral do que a norma apresenta quanto aos eletrodutos
e às eletrocalhas, que são os mais comumente utilizados.
Para o dimensionamento dos eletrodutos (diâmetro nominal), a ocupação deve ser de:
• 53% para um condutor.
• 31% para dois condutores.
• 40% para três ou mais condutores.

Logo, precisamos verificar a área externa de cada condutor (incluindo a isolação e a capa de proteção,
se houver), que estará embutido no eletroduto. O melhor local para encontrar essas informações é no
catálogo de fabricantes, visto que pode haver pequenas variações entre modelos e marcas.
Para eletrocalhas e perfilados, a norma não fixa uma taxa de ocupação máxima. Todavia, por ana-
logia, usamos a área de ocupação de eletrodutos de 40% da área transversal.
Lembre-se de que há variação na capacidade de corrente dos condutores, caso eles não estejam
dispostos em camada única. Exceto nesse caso, podemos usar os seguintes passos para determinar as
dimensões de uma eletrocalha:
a) Determinar a área total de cada condutor.
b) Calcular a área total de todos condutores.
c) Escolher o tipo de eletrocalha a ser utilizado e conferir que as dimensões da área ocupada
sejam de até 40%
d) Verificar a suportabilidade mecânica da eletrocalha em relação ao peso em que será inserido
no interior, apontando a distância máxima entre as sustentações.

58
UNIDADE 3

Com isso, você estará garantindo a qualidade e a


segurança do projeto. Nesta unidade, não consi-
deramos as harmônicas para o dimensionamento
de condutores. A leitura da norma é imprescindí-
vel para a realização de um projeto de qualidade
e dentro dos padrões.
Agora, estudante, você conhece o que a NBR
5410, o nosso guia, trata do dimensionamento
de condutores e condutos. Esse conhecimento
é imprescindível a todos aqueles que trabalham
com eletrotécnica.
Você, como engenheiro(a) projetista, deve
saber fazer o dimensionamento de cada ponto
da instalação elétrica. Logo, dimensionar os con-
dutores é uma parte fundamental, já que você
garante a qualidade, a segurança e a vida útil das
instalações.

59
Para sintetizar todas as informações estudadas, sugiro a construção de um mapa mental. Certa-
mente, a retenção de conhecimentos por você será muito mais efetiva. Você pode, por exemp-
lo, expor os principais detalhes para fazer um dimensionamento de condutores de fase.

Condutores de fase Condutor de proteção


DIMENSIONAMENTO

Condutor neutro

60
1. A NBR 5410, que trata das instalações elétricas de baixa tensão, orienta tudo o que envolve
esses tipos de instalações. Dessa maneira, explica como fazer o dimensionamento de condu-
tores vivos, neutros e de proteção. Também explica os tipos de aterramento, as proteções de
circuitos e outros aspectos.

Qual deve ser a seção mínima do condutor de proteção quando os condutores fase de cobre
são de 35 mm²?

a) 16 mm².
b) 8 mm².
c) 10 mm².
d) 25 mm².
e) 4 mm².

2. Em uma residência, o banheiro da suíte master tem dois chuveiros. A ligação do QDG até o pon-
to de conexão com o equipamento é feita por um eletroduto flexível e embutido em alvenaria
(método B1). A potência do chuveiro é de 5500W, sendo ele bifásico, com FP=1 e temperatura
ambiente de 25° C. Qual deve ser a seção mínima dos condutores de fase, considerando que
os cabos serão de cobre e de isolação de PVC, para tensão monofásica de 127 V?

3. Considerando o critério de queda de tensão, com uma queda de tensão máxima de 3%, qual
é a seção mínima do cabo necessária para ligar os chuveiros descritos, considerando que os
chuveiros estão a 25 metros de distância do QDG?

61
62
4
Dispositivos
de Proteção
Esp. Leonardo Tocio Mantovani Seki

Nesta unidade, você terá a oportunidade de compreender os concei-


tos de proteção trazidos pela NBR 5410, incluindo o uso de fusíveis,
disjuntores termomagnéticos, dispositivos de proteção residual e
dispositivos de proteção contra surtos de tensão.
UNICESUMAR

Um dos pontos críticos de uma instalação é o sistema de proteção, tanto para a estrutura quanto para
os usuários. Isso aumenta a vida útil dos condutores, protege toda a infraestrutura da edificação, caso
ocorra um curto-circuito que possa levar a um incêndio, e protege os usuários contra as correntes de fuga.
Suponha que você está fazendo um projeto elétrico de uma casa de alto padrão. Você saberia realizar
o dimensionamento de todos os dispositivos de proteção para as instalações elétricas?
Como engenheiro(a) eletricista projetista, você precisa conhecer, entender e dimensionar todos os
sistemas de proteção que são obrigatórios pela NBR 5410. Caso ocorra algum acidente por negligência
de dispositivos de proteção, a responsabilidade será sua.
Considerando o conteúdo exposto, gostaria de te propor uma inspeção rápida. Vamos lá? Faça
uma inspeção no quadro de distribuição da sua casa e verifique quais são os dispositivos de proteção
existentes.
Em sua pesquisa, você deve ter constatado que há alguns dispositivos de proteção existentes em sua
casa, como disjuntores, disjuntores residuais (DR) e dispositivo de proteção contra surtos (DPS). Eles
protegem respectivamente contra curtos-circuitos e sobrecarga, correntes de fuga e surtos de tensão.
Com essa inspeção, é possível averiguar se o quadro tem todos os dispositivos necessários.
Registre, em seu diário de bordo, os principais detalhes sobre o painel elétrico da sua casa, pontos
de melhoria e adaptações.

64
UNIDADE 4

A NBR 5410/2004 exibe as medidas de proteção destinadas a garantir a segurança de pessoas, animais
e bens contra os perigos e danos que possam ser resultado das instalações elétricas em condições
previstas. A norma trata de:
e) Proteção contra os choques elétricos.
f) Proteção contra efeitos térmicos.
g) Proteção contra sobrecorrentes.
h) Proteção contra sobretensões.

Caso não sejam seguidas as orientações da norma, o uso das instalações pode gerar danos ao patri-
mônio e aos usuários do sistema. Um risco que poderia ser diminuído ou extinto com um valor baixo
de investimento. Iniciaremos os nossos estudos focando na proteção contra efeitos térmicos, visto que
são mais simples de serem entendidos.
O aquecimento dos cabos resultante de sobrecorrentes (corrente acima do previsto), nos equipamen-
tos, gera uma deterioração acelerada dos componentes (principalmente a isolação dos cabos) em função
das temperaturas de solicitação eletromecânicas excessivas, diminuindo a vida útil dos componentes.
Em condições de operação normal, não devem existir riscos às pessoas e aos animais resultantes de:
• Sobrecarga: sobrecorrente no circuito sem que haja falta elétrica, gerada pela quantidade de
carga (potência) acima da projetada para o circuito. Ela é 10 vezes menor que a corrente de
projeto, com tensão nominal constante.
• Curto-circuito: sobrecorrente resultante de uma falta originada pelo contato de dois condutores
de potencial elétrico diferente com uma impedância desprezível. É, pelo menos, 10 vezes maior
que a corrente de projeto, podendo chegar a valores muitos maiores que a corrente de projeto,
com tensão tendendo a zero.

Devemos nos lembrar de que, considerando a proteção contra as sobrecorrentes em instalações elé-
tricas, estamos protegendo os condutores, e não os aparelhos que estão ligados a ele ou as pessoas que
possar estar utilizando os aparelhos.
Quando utilizamos dois condutores em paralelo, segundo a NBR 5410/2004, a proteção dos cabos
deve ser feita com base em duas situações:
• Se forem apenas dois condutores em paralelo, basta um dispositivo na origem de cada condutor
em paralelo.
• Se forem mais de dois condutores em paralelo, deve ser previsto um dispositivo em cada extre-
midade de cada condutor em paralelo.

Agora, iniciaremos o estudo de um dos dispositivos de proteção: os fusíveis. Os fusíveis são consti-
tuídos por um condutor de seção reduzida (elo fusível) e montados em uma base de material isolante.
Quando há uma corrente elevada, o elo fusível fundirá, parando de conduzir corrente elétrica antes
que ocorra algum dano à instalação.

65
UNICESUMAR

A NBR IEC 60.269-1, que trata dos dispositivos fusíveis de baixa tensão, foi cancelada em 2012.
Como não existe outra NBR para substitui-la, ela ainda será utilizada. Podemos citar quatro caracte-
rísticas essenciais aos fusíveis.
• Corrente nominal.
• Corrente de ruptura.
• Corrente convencional de atuação.
• Curva característica.
Em função do tempo de atuação, podemos classificar esses dispositivos em rápidos ou retardados.
Normalmente, os retardados são utilizados em proteção de motores, devido à corrente de partida.
Há quatro tipos de fusíveis no mercado. Conheceremos cada um deles.

• Tipo rolha: montado em um corpo de porcelana com os contatos realizados por meio da rosca de
fixação ao soquete e de um terminal na parte inferior. É encontrado no mercado para correntes
nominais de 6 a 30 A, sendo o valor nominal de pouca precisão. Apresenta baixos valores de
corrente de ruptura. Em detrimento das próprias características, é pouco confiável. No entanto,
em virtude do baixo custo, ainda é extremamente utilizado em instalações residenciais.
• Tipo cartucho: montado em um invólucro cilíndrico de papelão ou fibra, com terminais de cobre
tipo faca ou virola. É encontrado no mercado para correntes nominais de 5 a 60 A, com terminais
tipo virola, e de 60 a 600 A, com terminais tipo faca. Como os soquetes servem para vários valores,
pode ocorrer a troca do fusível por um de capacidade maior, colocando as instalações em risco.
• Tipo diazed: construído em um corpo de porcelana cilíndrico fechado nas extremidades por
tampas metálicas, onde é feito o contato com a base. O contato inferior se aloja em um encaixe
calibrado, de modo que uma base não se presta para a instalação de outros fusíveis de valo-
res nominais diferentes. São encontrados fusíveis diazed de 2 a 100 A de corrente nominal.

66
UNIDADE 4

Apresentam correntes de rupturas elevadas, da ordem de 100 kA. São construídos nas versões
rápida e retardada. Em virtude do alto custo, se comparados aos tipos rolha e cartucho, são
empregados em instalações nas quais se exige melhor confiabilidade e em proteção de motores,
em sua versão retardada.
• Tipo NH: montado em um corpo de porcelana ou esteatite, com seção quadrada ou re-
tangular, com bordas arredondadas e terminais tipo faca. Tem indicador de fusão, como o
diazed, e os de maiores valores nominais têm um ressalto em forma de T para a utilização
de saca-fusível, pois as facas entram sob pressão nas bases. Apresenta valores de correntes
nominais bastante precisos. Encontrado no mercado de 6 a 1.250 A. Também tem alta
capacidade de ruptura, normalmente, igual a 100 kA. Em virtude do custo elevado, desti-
na-se principalmente à proteção de sistemas industriais, nos quais as correntes nominais
e de curto-circuito são elevadas.

Devemos ressaltar que, em função da característica de fusão versus tempo, os fusíveis são pre-
ferencialmente indicados para proteção contra curtos-circuitos. Não são recomendados para
proteção contra sobrecargas. Para elas, o indicado é o uso de disjuntores (ou contatores com rele
térmico para motores).
Focando no uso em motores, devemos ressaltar que os fusíveis são unipolares e podem ocasionar
danos, caso o circuito não tenha dispositivos de proteção contra falta de fase. Não é possível efetuar
manobras de seccionamento com eles, que devem ser substituídos logo após a atuação. Todavia, apre-
sentam um custo relativamente baixo.
A NBR IEC 60.269-1 classifica os fusíveis em: gG, gM e aM, com as seguintes características:
• gG: para proteção de circuitos contra correntes de sobrecarga e de curto-circuito, para uso
doméstico, com corrente nominal de até 100 A.
• gM e aM: para proteção contra curto-circuito (mais comum em motores). A proteção contra
sobrecargas é efetuada com um relé térmico associado ao comando de um contator.

Essa nomenclatura de classificação é dada em função da aplicação. A IEC utiliza a montagem com
duas letras. A primeira letra denomina a faixa de interrupção, ou seja, em que tipo de sobrecorrente
o fusível atuará. São elas:
g: atuação para sobrecarga e curto.
a: atuação apenas para curto-circuito.
A segunda letra denomina a categoria de utilização para o tipo de equipamento a ser protegido.
São elas:
L/G: proteção de cabos e uso geral.
M: proteção de motores.
R: proteção de circuitos com semicondutores.
Dessa forma, obtêm-se as montagens dos principais fusíveis utilizados no mercado:
• gL/gG: fusível para proteção de cabos e uso geral (atuação para sobrecarga e curto). Essa curva
é denominada erroneamente de “retardada”.

67
UNICESUMAR

• aM: fusível para proteção de motores. Nunca se sabe se essa curva pode ser chamada de “rápida”
ou “retardada”.
• aR: fusível para proteção de semicondutores. Pode ser chamada de “ultrarrápida” por não criar
conflito com outras curvas.

Agora, estudaremos o segundo equipamento de proteção, conhecidos como disjuntores termomag-


néticos. Eles são dispositivos de seccionamento e proteção contra sobrecargas e curtos-circuitos.
As funções básicas dos disjuntores são:
• Operação manual de seccionamento (chaveamento) para abertura e fechamento do circuito
por meio de alavanca.
• Abertura automática de circuito sob condições de sobrecarga mantida e curto-circuito.

Os disjuntores têm o número de contatos igual ao número de polos, sendo um monofásico, um contato,
bifásico dois e trifásico três. Não se deve utilizar dois disjuntores unipolares para um circuito bifásico
ou situação semelhante, pois os contatos não se abrirão simultaneamente, o que gera falta de segurança
e até queima de equipamentos.
A IEC 898 classifica os disjuntores pelo acionamento instantâneo em curto-circuito (magnético)
em B, C e D, com as faixas de atuação apresentadas na Figura 1. Os de tipo B atuam o disparo entre 3
a 5 x I N ; os de tipo C, mais comuns em circuitos com motores, entre 5 e 10 3 I N ; e o tipo D, entre 10
e 20 I N , em motores de grande porte ou fornos indutivos.

Figura 1 - Características da atuação em curto-circuito, conforme a IEC 60.898 / Fonte: Nery (2018, p. 144).

68
UNIDADE 4

Para fazer um dimensionamento correto, é preciso seguir o item 5.3.4.1 da NBR 5410. Ele sustenta
que devem ser atendidas as seguintes situações:


a) I B ≤ I N ≤ I Z ; e
b) I 2 ≤ 1, 45I Z
Onde:
I B é a corrente de projeto do circuito;
I Z é a capacidade de condução de corrente dos condutores, nas condições previstas
para sua instalação (ver 6.2.5);
I N é a corrente nominal do dispositivo de proteção (ou corrente de ajuste, para dis-
positivos ajustáveis), nas condições previstas para sua instalação;
I 2 é a corrente convencional de atuação, para disjuntores, ou corrente convencional
de fusão, para fusíveis (ABNT, 2004, p. 63-64).

Neste vídeo, eu faço uma análise dos disjuntores NEMA e DIN, verifican-
do a função da curva de atuação tanto para curto-circuito quanto para
sobrecarga.
Para acessar, use seu leitor de QR Code.

Não podemos nos esquecer de que a proteção contra as correntes de curto-circuito deve ser:

I r ≥ I CC

Em que:
I r é corrente de ruptura do dispositivo de proteção.
I CC é corrente de curto-circuito presumida no ponto de instalação do dispositivo de proteção.
O dispositivo de proteção deve ter capacidade de interrupção superior ao valor da corrente de curto
que eventualmente possa existir nesse local. A determinação da corrente de curto-circuito presumida
no ponto pode ser obtida utilizando um método simplificado, aplicando-se as expressões:
• Para 220 V, entre condutores fase:

12, 7
I CC 
162 100 x cos j xl 5xl ²
2
 
I CCO I CCO xS S²

69
UNICESUMAR

• Para 380 V, entre condutores fase:

22
I CC 
468 100 x cos j xl 5xl ²
2
 
I CCO I CCO xS S²

Em que:
I CC é corrente de curto-circuito presumida a determinar (kA).
I CCO é corrente de curto-circuito presumida a montante (kA).
cos φ = fator de potência de curto-circuito, que pode ser dado (aproximadamente) em função de
I CCO , pela Tabela 1.
l = comprimento do circuito (m).
S = seção dos condutores (mm2).

I CCO ( KA) 1,5 a 3 3,1 a 4,5 4,5 a 6 6,1 a 10 10,1 a 20 acima

cosj 0,9 0,8 0,7 0,5 0,3 0,25

Tabela 1 - Fator de potência de curto-circuito / Fonte: Nery (2018, p. 147).

As equações são para linhas trifásicas. No entanto, podem ser utilizadas em linhas monofásicas, de
127 V, no primeiro caso, e de 220 V, no segundo, multiplicando-se por 2 o valor do comprimento l.
Essas expressões estão deduzidas a partir da corrente de curto-circuito (trifásico) presumida a mon-
tante I CCO . Caso o circuito tenha início no secundário de um transformador (geralmente trifásico),
pode ser obtida por meio da Tabela 2.

70
UNIDADE 4

I CCO ( KA)
Potência transformadora (KVA)
127/220 220/380
15 1,12 0,65
30 2,75 1,3
45 3,37 1,95
74 5,62 3,25
112,5 8,44 4,88
150 11,25 6,51
225 13,12 7,59
300 17,5 10,12
500 26,24 15,19
750 39,36 22,78
1000 52,49 30,37
Tabela 2 - Corrente de curto-circuito presumida no secundário de transformadores trifásicos / Fonte: Nery (2018, p. 147).

Agora, estudaremos uma parte fundamental dos dispositivos de proteção, afinal, tratamos apenas da
proteção dos condutores até o momento. Conheceremos a proteção contra os choques elétricos.
A NBR 5.410/2004 apresenta a proteção contra os choques elétricos distribuída em:



3.2.2 proteção básica: Meio destinado a impedir contato com partes vivas perigosas
em condições normais.
3.2.3 proteção supletiva: Meio destinado a suprir a proteção contra choques elétricos quando
massas ou partes condutivas acessíveis tornam-se acidentalmente vivas.
3.2.4 proteção adicional: Meio destinado a garantir a proteção contra choques elétricos em
situações de maior risco de perda ou anulação das medidas normalmente aplicáveis, de difi-
culdade no atendimento pleno das condições de segurança associadas a determinada medida
de proteção e/ou, ainda, em situações ou locais em que os perigos do choque elétrico são
particularmente graves.
3.2.6 SELV (do inglês ³separated extra-low voltage´): Sistema de extrabaixa tensão que é ele-
tricamente separado da terra, de outros sistemas e de tal modo que a ocorrência de uma única
falta não resulta em risco de choque elétrico.
3.2.7 PELV (do inglês ³protected extra-low voltage´): Sistema de extrabaixa tensão que não é
eletricamente separado da terra mas que preenche, de modo equivalente, todos os requisitos
de um SELV (ABNT, 2004, p. 7).

71
UNICESUMAR

O choque elétrico é “o efeito patofisiológico que resulta da passagem de uma corrente elétrica, chamada
de corrente de choque, através do organismo humano”, gerado pelo contato direto que corresponde
ao contato de pessoas ou animais com partes vivas (FUNDACENTRO, 2007 apud THOMÉ; BELI-
NE, 2018, p. 2). Ele é a parte viva do condutor ou a parte condutora destinada a ser energizada em
condições de uso normal, incluindo o condutor neutro (por convenção, não inclui o condutor PEN),
ou o contato indireto de pessoas ou animais com uma massa que ficou em condições de falta. A IEC
60.479 mostra os efeitos da corrente elétrica no corpo humano.

t (ms)
c1
10000
a b c2 c3
5000
2000
1000
500
1 2 3 4
200
100
Iµ = 30 mA
50
20
10
0.1
0.2
0.5
1
2
3
10
30
50
100
200
500
1000
2000
5000
I (mA)
Figura 2 - Efeitos da corrente elétrica no corpo humano / Fonte: Nery (2018, p. 152).

Descrição da Imagem: gráfico divido em 4 áreas, sendo a área 1 de 0,5mA, área 2 de 0,5 a 500mA, com uma curva no tempo de 1000ms
a 20ms; área 3, partindo da segunda curva da área 2 até linha próxima a expressão -x³ de 20ms a 1000ms; área 4 os demais. A curva de
atuação do DR é I µ = 30 mA acima 40ms aproximadamente e corrente crescente antes do tempo anterior. Tendo linha a, na divisa da
região 1 com 2, linha b na divisa da região 2 com a 3, linha c2 a direita da divida da região 3 com 4, linha c3 a direita da linha c2 com 2

As zonas de 1 a 4 estão relacionadas aos seguintes efeitos:


a) Zona 1 ( ≤ 0, 5mA ): normalmente, nenhum efeito perceptível.
b) Zona 2: sente-se a passagem de corrente, mas não se manifesta nenhuma reação no corpo
humano.
c) Zona 3: zona em que se manifesta o efeito de agarramento. Uma pessoa empunhando o ele-
mento causador do choque elétrico não consegue mais largá-lo. Todavia, não há sequelas após
a interrupção da corrente.
d) Zona 4: probabilidade crescente, com a intensidade e a duração da corrente, de ocorrência do
efeito mais perigoso do choque elétrico, que é a fibrilação ventricular.

72
UNIDADE 4

Na Figura 2, também está representada a curva de atuação do


dispositivo de proteção DR (Diferencial-Residual) de 30 mA, de
modo a avaliar a necessidade de uso.
Antes iniciarmos os nossos estudos relativos aos dispositivos de
proteção, estudaremos uma parte fundamental que precede esse
dimensionamento, que é o esquema de aterramento.
A NBR 5410:2004, no item 4.2.2.2, versa sobre os esquemas de
aterramento. Tanto em relação à simbologia quanto em relação à
classificação dos sistemas de aterramento das instalações, é utili-
zada a seguinte simbologia:
• Primeira letra: situação da alimentação em relação à terra:
T – um ponto diretamente aterrado.
I – isolação de todas as partes vivas em relação à terra ou
aterramento de um ponto por meio de uma impedância.
• Segunda letra: situação das massas em relação à terra:
T – massas diretamente aterradas, independentemente do
aterramento eventual de um ponto de alimentação.
N – massas ligadas diretamente ao ponto de alimentação
aterrado, sendo o ponto de aterramento, em corrente alternada,
normalmente o ponto neutro.
• Outras letras (eventuais): disposição do condutor neutro e
do condutor de proteção: REALIDADE
S – Funções de neutro e de proteção asseguradas por con- AUMENTADA
dutores distintos.
C – Funções de neutro e de proteção combinadas em um
único condutor (condutor PEN).

As instalações, segundo a NBR 5410:2004, devem ser executadas


de acordo com os sistemas apresentados na realidade aumentada.
Observe-a.
Vamos, agora, estudar os dispositivos de proteção residual,
que são os responsáveis pela proteção de pessoas e animais. Para
entender o funcionamento deles, uma corrente DR corresponde à
soma algébrica dos valores instantâneos das correntes que percor-
rem todos os condutores vivos de um circuito em um dado ponto
Esquemas de Aterramento
de uma instalação elétrica.
A existência de uma corrente residual para a terra indica que
há uma falha de isolação entre um condutor vivo e a carcaça, ou a
terra, e o DR deve desligar o circuito quando isso acontece.

73
UNICESUMAR

Especificações:
Existem dois tipos de dispositivo DR:
1. Disjuntor DR (DDR): possui elevada capacidade de interrupção, podendo garantir, de maneira
conjunta, a proteção contra subcorrentes (sobrecarga e curto-circuito) e contra os contatos
indiretos dentro de valores especificados.
2. Interruptor DR (IDR): possui pequena capacidade de interrupção, sendo o mais utilizado para
a proteção contra os contatos indiretos dentro de valores especificados. Deve ser utilizado com
dispositivo de proteção à sobrecorrente, instalada a montante do dispositivo DR, com corrente
nominal inferior ou igual à do IDR.

Independentemente do tipo de dispositivo DR, ele deve ser caracterizado, ainda, pelos seguintes valores:
• Corrente nominal: INDR (A).
• Corrente diferencial-residual nominal de atuação: I∆N (mA ou A).
• Tensão nominal VN (V).
• Número de polos (condutores vivos).

A principal aplicação dos dispositivos DR é a proteção contra os contatos indiretos. Quando utilizados os de
alta sensibilidade, confere-se também proteção adicional contra os contatos diretos. Em virtude da sensibi-
lidade de atuação (mA), torna-se, de certa forma, bom vigilante de isolação dos circuitos em relação à terra.
A NBR 5.410/2004 estabelece que qualquer esquema de aterramento deve ser objeto de proteção
complementar contra contatos diretos por dispositivos a corrente DR (dispositivos DR) de alta sensi-
bilidade, isto é, com corrente diferencial-residual nominal ( I ∆N ) igual ou inferior a 30 mA:



a) os circuitos que sirvam a pontos situados em locais contendo banheira ou chuveiro;
b) os circuitos que alimentam tomadas de corrente situadas em áreas externas à edificação;
c) os circuitos de tomadas de corrente situadas em áreas internas que possam vir a
alimentar equipamentos no exterior;
d) os circuitos de tomadas de corrente de cozinhas, copas-cozinhas, lavanderias, áreas
de serviço, garagens e, no geral, de todo local interno molhado em uso normal ou sujeito
a lavagens (ABNT, 1997, p. 22).

74
UNIDADE 4

Os dispositivos DR são dimensionados por dois parâmetros: a corrente nominal e a sensibilidade


( I DN ). Para as aplicações que protegem os seres vivos é I DN = 30 mA.
Outros valores de sensibilidade I N  300 mA não se destinam à proteção contra choques elétricos
(contatos diretos ou indiretos), mas apenas à proteção patrimonial (redução dos riscos de incêndios,
por exemplo).
Devemos estar atentos também ao tipo de DR, visto que não são todos os circuitos percorridos
por correntes idealmente senoidais e que DR devem estar corretamente especificados, a fim de fazer
a proteção. Os tipos são:
• Tipo AC: correntes residuais alternadas.
• Tipo A: correntes residuais alternadas e contínuas pulsantes.
• Tipo B: correntes residuais alternadas, contínuas pulsantes e contínuas puras.

Agora, estudaremos o nosso último dispositivo de proteção, o responsável por fazer a proteção contra
sobretensões, os DPS.
A NBR 5410/2004 defende que as pessoas, os animais e os bens devem ser protegidos contra as
consequências prejudiciais de ocorrências que possam resultar em sobretensões, como faltas entre
partes vivas de circuitos sob diferentes tensões, fenômenos atmosféricos e manobras:


[...] quando equipotencial idade não é o suficiente para impedir o aparecimento de
tensões de contato perigosas, entra em ação o recurso do seccionamento automático,
provocando o desligamento do circuito em que se manifesta a tensão de contato perigosa
(ABNT, 2004, p. 36).

As instalações que são alimentadas por linha total ou parcialmente aéreas e que se situam em regiões
de influências externas AQ2 devem ser providas de proteção contra sobretensões transitórias.
Os dispositivos de proteção contra sobretensões (DPS) devem ser instalados no ponto de entrada
da linha elétrica na edificação ou no quadro de distribuição principal o mais próximo possível do
ponto de entrada e serão dispostos, no mínimo, como mostra a Figura 3. Se forem necessários DPS
adicionais, além dos postes na entrada, observar a mesma disposição para ligações.

75
UNICESUMAR

A linha elétrica de SIM


energia que chega à
edificação inclui
neutro?

NÃO O neutro será


aterrado no barramento c)
NÃO
de equipotencialização
principal da edificação?
(BEP, ver 6.4.2.1)

b) Dois esquemas de
SIM
conexão são possíveis d)

ESQUEMA DE CONEXÃO 1 ESQUEMA DE CONEXÃO 2 ESQUEMA DE CONEXÃO 3


Os DPS devem ser ligados: Os DPS devem ser ligados: Os DPS devem ser ligados:
• a cada condutor de fase, de • a cada condutor de fase, de um • a cada condutor de fase, de
um lado, e lado, e um lado, e
• ao BEP ou á barra PE do • ao BEP ou à barra PE do quadro, • ao condutor neutro, de outro;
quadro, de outro (ver nota a) de outro (ver nota b); e ainda:
e ainda: • ao condutor neutro, de um
L1 L1
• ao condutor neutro, de um lado, e lado, e
L2 L2
• ao BEP ou à barra PE do quadro, • ao BEP ou á barra PE do
L3 L3 de outro (ver nota a) quadro, de outro (ver nota a)
DPS DPS DPS DPS DPS DPS
L1 L1
PE PEN L2 L2
L3 L3
BEP BEP ou
barra PE DPS DPS DPS
N N
L1 L1
DPS DPS DPS DPS DPS
L2 L2
L3 L3
DPS DPS DPS DPS DPS DPS BEP ou
BEP ou barra PE
PE PE PEN PE barra PE

barra PE N
BEP ou
barra PE

Figura 3 - Esquema de conexão dos DPS no ponto de entrada da linha de energia ou no quadro de distribuição principal da
edificação barramento de equipotencialização principal (BEP) / Fonte: ABNT (2004, p.131).

Descrição da Imagem: trata-se de um fluxograma com a seguinte perguntas: “A linha elétrica de energia que chega à edificação
inclui neutro?” Caso não haja esquema de conexão 1, os DPS devem ser ligados: a cada condutor de fase, de um lado, e ao BEP ou à
barra PE do quadro, de outro. Caso não, há a pergunta: “O neutro será aterrado no barramento de equipotencialização principal da
edificação?” Caso a resposta seja positiva, trata-se do esquema de conexão 1. Caso não, temos a terceira opção, com dois esquemas
de conexões possíveis: esquema de conexão 2: os DPS devem ser ligados: a cada condutor de fase, de um lado, e ao BEP ou à barra
PE do quadro, de outro (ver nota b); e ainda: ao condutor neutro, de um lado, e ao BEP ou à barra PE do quadro, de outro (ver nota a)
esquema de conexão 3 os DPS devem ser ligados: a cada condutor de fase, de um lado, e ao condutor neutro, de outro; e ainda: ao
condutor neutro, de um lado; e ao BEP ou à barra PE do quadro, de outro (ver nota a).

76
UNIDADE 4

A NBR 5410 apresenta as seguintes notas acerca do esquema:


a. A ligação ao BEP ou à barra PE depende de onde, exatamente, os DPS serão instalados
e de como o BEP é implementado, na prática. Assim, a ligação será no BEP quando:
- o BEP se situar a montante do quadro de distribuição principal (com o BEP loca-lizado,
como deve ser, nas proximidades imediatas do ponto de entrada da linha na edificação)
e os DPS forem instalados, então, junto ao BEP, e não no quadro; ou
- os DPS forem instalados no quadro de distribuição principal da edificação e a barra
PE do quadro acumular a função de BEP
Por consequência, a ligação será na barra PE, propriamente dita, quando os DPS forem
instalados no quadro de distribuição e a barra PE do quadro não acumular a função
de BEP.
b. A hipótese configura um esquema que entra TN C e que prossegue instalação adentro
TN C, ou que entra TN C e, em seguida, passa a TN S (aliás, como requer a regra geral
do item 5.4.3.6 da NBR 5.410/2004). O neutro de entrada, necessariamente PEN, deve
ser aterrado no BEP, direta ou indiretamente. A passagem do esquema TN C a TN S,
com a separação do condutor PEN de chegada em condutores neutro e PE, seria feita
no quadro de distribuição principal (globalmente, o esquema é TN-C-S).
c. A hipótese configura três possibilidades de esquema de aterramento: TT (com neutro),
IT com neutro e linha que entra na edificação já em esquema TN S.
d. Há situações em que um dos dois esquemas se torna obrigatório. Em seu dimen-
sionamento, a tensão máxima de operação contínua (Uc), do DPS, deve ser igual ou
superior aos valores indicados pelo Valor mínimo de Uc exigível do DPS, em função
do esquema de aterramento, na qual U0 é a tensão nominal entre fase e neutro; e U, a
tensão entre fases (ABNT, 2004, p. 131).

Neste podcast, explicaremos os surtos de tensão e as possíveis origens


e causas. Também explicaremos a NBR 5419, que trata dos sistemas de
proteção contra descargas atmosféricas.

77
UNICESUMAR

A distância entre o DPS e a barra de equipotencial do condutor das ligações DPS-PE deve ser de, no
principal deve ser a menor possível, inferior a 0,50 mínimo, 16 mm2, em cobre ou equivalente
m. A seção do condutor das ligações DPS-PE, As concessionárias de distribuição de ener-
caso existam DPS instalados no ponto de entra- gia já estão com sugestão de padrões de entrada
da da linha elétrica na edificação ou nas proxi- que incluem a instalação dos DPS, uma vez que,
midades, deve ter seção, no mínimo, de 4 mm2, geralmente, as entradas coletivas estarão antes
em cobre ou equivalente. Quando esse DPS for das caixas dos aparelhos de medição. Os DPS são
destinado à proteção contra sobretensões provo- fabricados a partir de centelhadores, varistores,
cadas por descargas atmosféricas diretas sobre a diodos ou uma combinação de dois ou três desses
edificação ou em proximidades, a seção nominal elementos. Em função disso, temos três tipos:

• DPS tipo I: DPS cujo projeto possibilita desviar correntes de impulso causadas por descargas
atmosféricas diretas na instalação. É instalado na entrada da instalação.
• DPS tipo II: DPS cujo projeto possibilita desviar correntes de surto causadas por descargas
atmosféricas indiretas ou surtos de manobra. É instalado em quadros de distribuição.
• DPS tipo III: DPS cujo projeto possibilita desviar correntes de surto causadas por eventos in-
ternos à instalação, incluindo a atuação de DPS tipo I e II. É instalado nas tomadas.

Especificação do DPS: os DPS são instalados en- KA (20 μS) e em apartamentos ou salas comerciais,
tre o condutor de fase e o terminal de aterramento correntes nominais de descarga de 10 KA (8 μS/20
da instalação. Portanto, a tensão nominal do DPS μS) e corrente máxima de 20 KA (8 μS/20 μS).
deverá ser a tensão fase-terra do sistema. Para Agora, estudante, você conhece o que a NBR
redes 220/127 V, DPS 175 V, redes 380/220 V, DPS 5410 explica sobre os dispositivos de proteção.
280 V e redes 440/254 V, DPS 320 V. Esse conhecimento é imprescindível para todos
Para especificar um dispositivo de proteção aqueles que trabalham com projetos e execução
contra surtos (DPS), é necessário determinar o de obras, pois, caso ocorra um problema, um
tipo, a tensão nominal e a corrente de impulso dano, seja ao usuário, seja às instalações, pela falta
para um DPS tipo I. Os valores mais utilizados desses dispositivos, a responsabilidade será sua.
são 5 0KA (10 μS/350 μS), 33 KA (10 μS/350 μS) Você, como engenheiro(a) projetista, deve
e 25 KA (10 μS/350 μS). saber fazer o dimensionamento de cada dispo-
O DPS tipo II, em quadros de distribuição de sitivo de proteção. Você garante a qualidade,
casas, fábricas ou com corrente nominal de descar- a segurança e a vida útil das instalações e dos
ga de 20 KA (8 μS/20 μS) e corrente máxima de 40 usuários do sistema.

78
Para sintetizar todas as informações que estudamos ao longo desta unidade, minha sugestão a
você, caro(a) aluno(a), é a construção de um mapa mental. Com certeza, a retenção de conhecimen-
tos por você será muito mais efetiva. Você pode, por exemplo, expor as principais características de
fusíveis, disjuntores, DR e DPS.

DR

DPS Disjuntores
DISPOSITIVOS DE PROTEÇÃO

Fusíveis

79
1. Considerando os disjuntores, analise as afirmativas a seguir:

I) Dispositivo de manobra e proteção capaz de estabelecer, conduzir e interromper correntes


sob condições nominais e interromper correntes sob condições não normais, como correntes
de sobrecarga e curto-circuito.
II) Os disjuntores podem ser utilizados como proteção complementar.
III) Caso a instalação seja protegida por disjuntores residuais (DR) e dispositivos de proteção
contra surtos (DPS), não é necessária a utilização de disjuntores.
É correto o que se afirma em:

a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) I e II.
d) I, II e III.
e) II e III.

2. Durante uma inspeção nas instalações elétricas de uma indústria foi verificada uma tomada
instalada em uma área externa à edificação. O circuito referente a essa tomada é protegido
por um disjuntor diferencial-residual (DR).

Com base na situação descrita e nas prescrições da ABNT NBR 5410, assinale a alternativa
correta.

a) O DR não é necessário, sendo ele instalado somente quando o equipamento a ser ligado
solicitar.
b) DR não são instalados em indústrias, apenas para uso residencial.
c) A norma exige o uso de disjuntor diferencial-residual de alta sensibilidade nessa situação,
com corrente diferencial-residual nominal igual ou inferior a 30 mA.
d) O DR em nada difere de um disjuntor termomagnético. A distinção se dá apenas no valor do
dispositivo.
e) A utilização de um disjuntor diferencial-residual somente é necessária em circuitos de ilumi-
nação externa, e não em circuitos de força.

80
3. A NBR 5410 prevê o uso de dispositivos de supressão de surto (DPS) e de dispositivos diferen-
cias residuais (DR). Assinale a alternativa incorreta referente ao bom funcionamento do DPS:

a) A instalação de DPS só é necessária, caso exista um sistema de proteção contra descargas


atmosféricas.
b) Para não ocorrerem desligamentos inesperados no DR causados por correntes de fuga pelo
DPS, o DPS deve ser instalado antes do dispositivo DR.
c) Para a proteção contra surtos de tensão, basta ligar o equipamento aos filtros de linha e aos
estabilizadores de tensão.
d) DPS são dispositivos voltados à proteção de sobrecargas no sistema.

81
82
5
Quadros Elétricos e
Fator de Potencia
Esp. Leonardo Tocio Mantovani Seki

Nesta unidade, você terá a oportunidade de compreender os con-


ceitos de proteção trazidos pela NBR 5410 acerca do uso de fusíveis,
disjuntores termomagnéticos, dispositivos de proteção residual e
de proteção contra surtos de tensão.
UNICESUMAR

O coração de uma instalação industrial é o quadro de distribuição de cargas. Nele, temos os alimen-
tadores da edificação, os dispositivos de proteção e a saída para os circuitos terminais.
Suponha que você está realizando o projeto elétrico de uma indústria. Você saberia fazer a escolha
do tipo de quadro ideal para a instalação?
Como engenheiro(a) eletricista projetista, você precisa conhecer os critérios basilares para a escolha
de um painel, saber o grau de proteção que ele deve ter (se será sobrepor ou embutido) e o tamanho dele.
Considerando o conteúdo exposto, quero te propor uma inspeção rápida. Vamos lá? Faça duas ins-
peções em quadros de distribuição: o da sua casa e o do local onde você trabalha. Observe se eles têm
barramento ou se os circuitos são alimentados por cabos. Analise se eles são de embutir ou sobrepor
e se há espaço para novos circuitos.
Em sua inspeção, você deve ter constatado que há vários tipos de quadros. Alguns já estão sobrecarregados
de circuitos, sem espaço para novos, enquanto outros utilizam barramentos de cobre. Outros, por sua vez,
utilizam somente as conexões com cabos.
Registre, em seu diário de bordo, os principais detalhes que você constatou nos quadros que
você observou.

84
UNIDADE 5

Um dos primeiros aspectos a serem definidos na escolha dos quadros elétricos é se eles serão de sobrepor
ou embutidos na parede. Essa escolha se dá principalmente pela arquitetura da edificação. Em residên-
cias, o comum é a utilização de quadros de embutir. Por sua vez, em grandes comércios e indústrias,
o uso de quadros de sobrepor é o mais comum, em função da facilidade para novas infraestruturas.
O tamanho do quadro é dado em função da necessidade de circuitos no interior. Desse modo, a
definição do tamanho do quadro é uma das últimas partes de um projeto. No mercado, é comum pro-
curar quadros elétricos em função do número de posições que eles podem abrigar. Para conhecê-los
melhor, analisar o catálogo de algum fabricante, certamente, te ajudará muito.
Além do método de instalação do quadro (embutido ou sobrepor) e do número de posições que ele deve
ter, é preciso verificar o modo como os circuitos serão alimentados. Normalmente, utilizamos barramentos.
Os barramentos são elementos de seção transversal, geralmente, retangulares ou circulares, insta-
lados no interior de quadros de comando ou em subestações abrigadas e blindadas, com o propósito
de fazer a conexão entre as correntes da fonte e distribui-las aos alimentadores dos circuitos a serem
ligados. Eles podem ser de cobre ou de alumínio e de fabricação específica ou pré-fabricados.
Os de fabricação específica são construídos com a utilização de barras chatas circulares ou tubos de
segmento contínuo de cobre ou alumínio não isolado. Depois, são cortados no tamanho correto para a
finalidade: a aplicação em painéis elétricos.
Os barramentos pré-fabricados são construídos por vários segmentos conectáveis, formando várias
junções. Normalmente, são protegidos por um invólucro metálico ou por um material plástico rígido
e empregados principalmente em circuitos de elevadas correntes de carga, conectando o quadro geral
de força da subestação aos centros de controle de motores em indústrias.
As normas DIN 43671 e DIN 43670 exibem tabelas com as características das barras de cobre re-
tangulares, redondas ou tubulares e das barras de alumínio retangulares e tubulares, respectivamente.
Vamos conhecer um pouco mais cada um dos tipos de barramento:

85
UNICESUMAR

86
UNIDADE 5

• Os barramentos retangulares de cobre são normalmente utilizados em painéis metálicos de


baixa e média tensão. São dimensionados de acordo com a corrente de carga e os esforços ele-
trodinâmicos das correntes de curto-circuito.
• Se os barramentos de fabricação específica forem pintados, as correntes nominais podem ser
acrescidas do fator de multiplicação K = 1,2. Há maior dissipação de calor por intermédio da
superfície das barras em função da cor, que é, geralmente, mais clara (tinta da cobertura do
barramento).
• Os barramentos redondos e maciços de cobre são feitos por barras circulares maciças de cobre
de diferentes seções transversais. Eles são destinados, normalmente, às subestações de média
tensão, abrigadas ou ao tempo.
• Os barramentos tubulares de cobre são constituídos por tubos de cobre de diferentes seções
circulares e empregados normalmente em subestações de alta tensão, localizadas em ambientes
agressivos, marítimos ou industriais.
• Os barramentos pré-fabricados ou dutos de barra são fabricados em cobre ou alumínio. As
barras são suportadas por isoladores apropriados e contidos em um invólucro, geralmente,
fabricado por um material isolante rígido.

Os dutos de barra, conhecidos como busway, são fabricados em


tamanhos padronizados e têm vários acessórios complementares.
O ideal para conhecer todos é fazer a leitura de um catálogo. Ape-
sar das grandes vantagens do busway, ele tem custo elevado em
REALIDADE
relação aos condutores/condutos. Para tanto, a aplicação dele é
AUMENTADA
recomendada apenas em circuitos com elevada corrente de carga.
Outro aspecto importante é o grau de proteção dos painéis
elétricos, que são caracterizados pelos graus de proteção IP. Eles
são utilizados em vários dispositivos elétricos.
Em instalações elétricas industriais, as grandes cargas vincula-
das aos sistemas são os motores elétricos. Por isso, estudaremos o
dimensionamento de circuitos motores.
É importante lembrar que os motores elétricos, para partirem,
precisam vencer a inércia. Desse modo, a corrente de partida do
motor é maior que a corrente nominal de funcionamento.
Em função da corrente de partida e de outras sobrecorrentes, a
corrente de projeto (IB) para o dimensionamento do condutor do
ramal terminal para a alimentação do motor será igual a: Graus de proteção IP

I B  1, 25 I NM ( A)

87
UNICESUMAR

Em que:
I NM é a corrente nominal do motor em A.
Contudo, outros alguns projetistas não usam o valor de 1,25 à corrente nominal. Eles utilizam o
fator de serviço do motor como multiplicador. Isso resulta na seguinte equação:

I B  Fs  I NM ( A)

Em que:
Fs é o fator de serviço do motor.
Fica a critério do projetista escolher uma das duas opções para realizar o dimensionamento do
circuito. Não se esqueça que o condutor escolhido deve ter capacidade de corrente superior à corrente
de projeto corrigida pelos fatores de correção de temperatura e de agrupamento.

Neste vídeo, eu faço o dimensionamento de cabos para um motor. É


exposto o passo a passo da aplicação e da obtenção dos dados.
Para acessar, use seu leitor de QR Code.

O projeto de circuitos terminais e de distribuição merece algumas considerações:


• Quando um motor apresentar mais de uma potência e/ou velocidade, a seção do condutor deve
ser dimensionada para a maior corrente.
• A NBR 5410 afirma que o dimensionamento dos condutores deve permitir uma queda de tensão
na partida dos motores igual ou inferior a 10% da tensão nominal.
• Caso haja partida prolongada e/ou motores que exijam partidas constantes, deve-se levar em
consideração o aquecimento do condutor durante a partida.

Outro aspecto importante em relação aos motores elétricos é a potência reativa necessária para a parti-
da. Não somente motores, mas transformadores e fornos a arco também precisam de grande potência
reativa. Em consequência disso, devemos nos atentar à correção do fator de potência.
Para adentrarmos nesse assunto, devemos lembrar que a energia reativa compreende duas diferentes
componentes:
• Energia reativa indutiva.
• Energia reativa capacitiva.

88
UNIDADE 5

A energia reativa indutiva é consumida por aparelhos que têm bobinas, tais como motores de indução,
reatores e transformadores. Esse tipo de carga apresenta fator de potência reativo indutivo.
A energia reativa capacitiva pode ser gerada por motores síncronos superexcitados (compensadores
síncronos) ou por capacitores. Nela, há o fator de potência dito reativo capacitivo.
As instalações industriais são, em grande maioria, consumidoras parciais de energia reativa indu-
tiva e não produzem trabalho útil, pois são as responsáveis pela formação do campo magnético dos
aparelhos em uso (principalmente motores e transformadores).
O fornecimento da energia reativa normalmente suprida por fonte geradora distante da planta
industrial gera perdas de Joule elevadas no sistema de transmissão e de distribuição. Por isso, o ideal
é que, na própria edificação, haja uma fonte geradora reativa, aliviando o sistema de distribuição e
transmissão. Exemplos de fonte geradora reativa são os bancos de capacitores.
O fator de potência é dado pela seguinte relação:
Pat
FP =
Pap

Em que:
FP : fator de potência da carga.
Pat : componente da potência ativa em kW ou múltiplos e submúltiplos.
Pap : potência aparente ou potência total da carga em kVA ou múltiplos e submúltiplos.
O fator de potência também é conhecido pela designação “ cos q ”, que é o número que representa,
a cada instante, o cosseno do ângulo de defasagem entre a corrente e a tensão. Se o circuito for indu-
tivo, consumidor de energia reativa, o fator de potência é dito em atraso. Se o circuito for capacitivo,
fornecedor de energia reativa, o fator de potência é dito em avanço, assim como é ilustrado na Figura 1.

I cos θ I cos θ
V
θ
I
I

θ
V
I sen θ I sen θ
Figura 1 - Triângulo de potências / Fonte: Creder (2016, p. 282).

89
UNICESUMAR

Em que:
I cos q : é componente ativo ou em fase da corrente.
Isenq : é componente reativo ou em quadratura da corrente.
Em um circuito trifásico, as potências ativa e reativa são:
Pat = 3VI cos q em Watts.
Preat = 3VIsenq em var.
Na Figura 2, é exibido um triângulo de potência.

kW kvar
θ

A
kV
kV
A

θ
kW
Figura 2 - Triângulo de potência / Fonte: Creder (2016, p. 282).

A partir dos triângulos expostos, é possível deduzir várias equações com as relações trigonométricas.
Considerando as causas de um baixo fator de potência, podemos listar alguns aspectos:
• Motores elétricos de indução operando em vazio ou superdimensionados, pois consomem
praticamente a mesma quantidade de energia reativa quando estão operando em vazio ou à
plena carga.
• Transformadores em vazio ou com pequenas cargas. Nessas condições ou quando superdimen-
sionados, eles poderão consumir uma elevada quantidade de reativos.
• Grande número de reatores de baixo fator de potência suprindo lâmpadas de descarga.
• Fornos a arco ou de indução eletromagnética.
• Máquinas de solda a transformador.
• Equipamentos eletrônicos.
• Grande número de motores de pequena potência em operação por longos períodos.
• Nível de tensão acima do nominal, já que ela tem influência negativa sobre o fator de potência das
instalações (principalmente em motores, pois a potência ativa só depende da carga solicitada).
Quanto maior for a tensão aplicada nos terminais, maior será a quantidade de reativos absorvida.

Por que se preocupar em fazer a correção do fator de potência? A legislação atual estabelece as condi-
ções para a medição e o faturamento de energia reativa excedente.

90
UNIDADE 5

Esses princípios são fundamentais. Conheça as justificativas a seguir:


• Necessidade de liberação da capacidade do sistema elétrico nacional.
• Promoção do uso racional de energia.
• Redução do consumo de energia reativa indutiva, que provoca sobrecarga no sistema das em-
presas fornecedoras e concessionárias de energia elétrica, principalmente nos períodos em que
ele é mais solicitado.
• Redução do consumo de energia reativa capacitiva nos períodos de carga leve, o que provoca
elevação de tensão no sistema de suprimento, havendo necessidade de investimento na aplica-
ção de equipamentos corretivos e realização de procedimentos operacionais que nem sempre
são de fácil execução.
• Criação de condições para que os custos de expansão do sistema elétrico nacional sejam dis-
tribuídos para a sociedade de forma mais justa.

De acordo com a legislação vigente, estabelecida pela Resolução 414, de 9 de outubro de 2010, e alte-
rada pela Resolução 569, de 23 de julho de 2013, que disciplina os limites do fator de potência, como
a aplicação da cobrança pelo excedente de energia reativa excedente e de potência reativa excedente,
os intervalos a serem considerados são:
• O período de 6 (seis) horas consecutivas, compreendido, a critério da distribuidora, entre as
23h30min e as 6h30min, apenas para os fatores de potência inferiores a 0,92 capacitivo, verifi-
cados em cada intervalo de uma hora.
• O período diário complementar ao definido anteriormente, ou seja, entre as 6h30min e as
23h30min, apenas para os fatores de potência inferiores a 0,92 indutivo, verificados em cada
intervalo de uma hora.

Tanto a energia reativa indutiva quanto a energia reativa capacitiva excedente serão medidas e faturadas.
O ajuste por baixo fator de potência será realizado por meio do faturamento do excedente de energia
reativa indutiva consumida pela instalação e do excedente de energia reativa capacitiva fornecida à
rede da concessionária pela unidade consumidora.
O fator de potência deve ser controlado de forma que permaneça dentro do limite de 0,92 indutivo
e 0,92 capacitivo. A avaliação é horária durante as 24 horas e em um intervalo de tempo de 18 horas
consecutivas para o período de ponta e no intervalo de tempo complementar (6 horas) ao período
fora de ponta. Esses intervalos devem ser definidos pela concessionária a partir dos períodos de tempo
estabelecidos para apuração da energia e da demanda reativas excedentes.
De acordo com a legislação, para cada kWh de energia ativa consumida, a concessionária permite
a utilização de 0,425 kVArh de energia reativa indutiva ou capacitiva, sem acréscimo no faturamento.

91
UNICESUMAR

Na avaliação do fator de potência não são considerados os dias de sábado, domingos e feriado. A
avaliação do fator de potência pode ser feita de duas formas distintas:
• Avaliação horária

O fator de potência será calculado pelos valores de energia ativa e reativa medidos a cada intervalo de
uma hora, durante o ciclo de faturamento.
• Avaliação mensal

O fator de potência será calculado a partir dos valores de energia ativa e reativa medidos durante o
ciclo de faturamento. Será medida apenas a energia reativa indutiva durante o período de 30 dias.
Para os consumidores pertencentes ao sistema tarifário convencional, a avaliação do fator de po-
tência, em geral, é feita pelo sistema de avaliação mensal.
Como fazer a correção do fator de potência? A correção do fator de potência tem por objetivo
especificar a potência reativa necessária para a elevação do fator de potência, com o intuito de evitar a
ocorrência de cobrança pela concessionária dos valores referentes aos excedentes de demanda reativa
e de consumo reativo, e obter os benefícios adicionais em termos de redução de perdas e de melhoria
do perfil de tensão da rede elétrica.
Desse modo, colocamos bancos de capacitores (considerando que as cargas são cargas de potência
reativa indutiva) em locais estratégicos, a fim de diminuir os problemas causados pelo FP da carga.

Neste podcast, falaremos das soluções existentes no mercado e das


automações que fazem a correção dos fatores de potência.

A localização dos capacitores pode se dar de acordo com as seguintes alternativas:


• No lado de alta tensão dos transformadores (tipo centralizado).
• Nos barramentos secundários dos transformadores (tipo centralizado).
• Nos barramentos secundários em que exista um agrupamento de cargas indutivas (tipo dis-
tribuído).
• Junto às grandes cargas indutivas (tipo individual).

92
UNIDADE 5

A correção por motores síncronos apenas se cundário do transformador. Nesse tipo de ligação,
mostra em condições de competir economi- eles são instalados no barramento secundário por
camente com os capacitores nas tensões eleva- meio de dispositivos de manobra e proteção que
das. Sempre que possível, os capacitores devem permitem desligá-los quando a instalação estiver
ser instalados o mais próximo das cargas, para operando com baixa carga.
uma otimização da instalação. O tipo de instalação por utilização do fator
Um exemplo é conectar capacitores direta- de demanda permite ao consumidor obter uma
mente nos terminais dos motores, para se ter um considerável redução nos custos em relação à
ganho, visto que se economiza no custo da insta- correção feita individualmente junto às cargas.
lação e nos dispositivos complementares. É importante lembrar que devem ser instalados
Uma vantagem da instalação de capacitores para bancos automáticos, a fim de evitar que, ao se
corrigir o fator de potência de motores é que ela desligar um bloco grande de cargas, a carga
torna a curva do fator de potência praticamente pla- restante permaneça conectada a um grande
na, o que garante um fator de potência constante e banco de capacitores.
próximo de 100% para qualquer carregamento. Esses são os principais aspectos para o estudo
É possível ter uma variação na ligação dos ca- de correção do fator de potência. No entanto, o
pacitores em motores. Uma é quando são instala- assunto é muito grande. Alguns aspectos são in-
ções novas ou já existentes. Em instalações novas, cluídos, como as harmônicas, o dimensionamen-
o capacitor pode ser ligado diretamente nos ter- to de cabos para os capacitores, a proteção para os
minais do motor. Quando a instalação é existente, capacitores e outros temas. Muitos engenheiros
a ligação preferida pode ser entre o relé térmico são especialistas nesse nicho e fazem grande parte
e o contator. Nos casos em que os capacitores são dos portfólios com esse tipo de serviço.
permanentemente ligados, é possível conectá-los Agora, estudante, você conhece a escolha de
entre o dispositivo de proteção e o contator. painéis elétricos e está mais consciente das si-
Para que não ocorram sobretensões por tuações que necessitam de uma análise especial
autoexcitação após a abertura do contator, a em projetos industriais. Esse conhecimento é
potência dos capacitores não pode ser supe- imprescindível para todos aqueles que traba-
rior a potência reativa consumida pelo motor lham com projetos maiores, principalmente
em vazio. Como regra básica, a corrente dos de indústrias, pois toda a análise é de respon-
capacitores não deve exceder a 90% do valor sabilidade sua.
da corrente de magnetização do motor. Você, como engenheiro(a) projetista, deve
Alguns fabricantes de motores e de bancos de saber fazer a escolha de quadros, o dimensiona-
capacitores disponibilizam catálogos e manuais mento de circuitos motores e verificar, ao menos,
para o acoplamento do banco de capacitores. Vale a necessidade de correção do fator de potência,
a pena pesquisar e consultar. Outro tipo de liga- para que o cliente não tenha problemas com mul-
ção é quando os capacitores são vinculados ao se- tas oriundas de reativos na rede.

93
Para sintetizar todas as informações estudadas ao longo da unidade, sugiro a construção de um
mapa mental. Preencha-o com conceitos-chave. Certamente, a retenção de conhecimentos será mui-
to mais efetiva. Você pode tratar, por exemplo, das principais características do fator de potência.

Legislação

Soluções Principais causas

FATOR DE POTÊNCIA

Significado Impactos nas instalações

94
1. Considerando a escolha de painéis elétricos e barramentos, analise as afirmativas a seguir:

I) Todo painel elétrico deve ser IP66, visto que ele é o coração das instalações elétricas. Sendo
assim, deve ter o maior nível de proteção.
II) Os painéis elétricos podem ser escolhidos em função do número de posições disponíveis a
serem utilizadas.
III) Os barramentos conhecidos como busway só devem ser utilizados em situações específicas,
devido ao alto custo, isto é, apenas em situações em que as cargas são muito elevadas.
É correto o que se afirma em:

a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) I e II.
d) I, II e III.
e) II e III.

2. Você foi contratado(a) como perito(a) para fazer a verificação do memorial de cálculo do dimen-
sionamento de cabos de uma grande máquina industrial. O motivo da solicitação da perícia
é que os condutores que alimentam o motor dessa máquina tiveram a isolação danificada,
derretendo e gerando um curto-circuito no sistema. Você observou que os condutores da má-
quina estão em uma eletrocalha, saindo do quadro de distribuição junto de outros cabos. No
entanto, no memorial de cálculo, você não encontrou os fatores de correção de temperatura,
agrupamento e fator de serviço do motor.

Com base na situação descrita e nas prescrições da NBR 5410, que trata das instalações elé-
tricas de baixa tensão, assinale a alternativa correta:

a) Para motores de grande porte, não é necessário aplicar os fatores de correção de agrupa-
mento, temperatura e fator de serviço do motor.
b) Não existe norma especifica para motores elétricos, logo, os fatores de correção de temperatu-
ra e agrupamento não se aplicam ao dimensionamento de condutores para motores elétricos.
c) Dadas as informações, ao menos, o fator de correção de agrupamento deveria constar no
memorial de cálculo, visto que os condutores estão na mesma eletrocalha em conjunto com
outros circuitos. Já o fator de correção de temperatura não pode ser levado em consideração
por falta de informações. Por fim, o fator de serviço é, de praxe, utilizado no dimensionamento
de condutores, porém não consta que deve ser levado em consideração na norma.
d) O problema na isolação é em função do mal contato de cabos.
e) Não é possível fazer uma avaliação com as informações dadas.

95
3. A Resolução nº 569, de 23 de julho de 2013, versa sobre a aplicação do fator de potência para
faturamento do excedente de reativos de unidades consumidoras, impactando diretamente
no faturamento da energia elétrica consumida por uma unidade consumidora.

Considerando o fator de potência, assinale a alternativa correta:

a) Os principais equipamentos responsáveis por um baixo fator de potência de uma instalação


elétrica em indústria são os motores elétricos indutivos e transformadores.
b) Apenas situações muito extraordinárias geram problemas com reativos na rede, como indús-
trias com mais de 2 MW de potência instalada.
c) Dado ao avanço das tecnologias nas indústrias e residências, os fabricantes de equipamentos
já colocam dispositivos que reduzem o problema com reativos.
d) Os motes síncronos são a principal solução dos problemas das indústrias com reativos.
e) A localização do local em que devem ser instalados os capacitores para redução de reativos
em uma indústria não tem relevância, pois não existe variação nos dispositivos complemen-
tares aos capacitores.

96
6
Fornecimento de
Energia Elétrica
Esp. Leonardo Tocio Mantovani Seki

Nesta unidade, você compreenderá os conceitos relativos ao forne-


cimento de energia às unidades consumidoras em baixa e média
tensão de distribuição pelas concessionárias de energia. Também
conhecerá os projetos elétricos prediais e comerciais, os projetos
de subestações de média tensão, a tarifação e os contratos de for-
necimento de energia elétrica.
UNICESUMAR

À medida que você avança na elaboração do projeto, é chegado o momento essencial para ele se tornar
realidade, isto é, para ele ser executado, que é a entrada de serviço. Voltemos ao exemplo da casa de
alto padrão. Qual seria o disjuntor de entrada dessa residência? Você sabe especificar a concessionária
e a execução da entrada de serviço?
Como engenheiro(a) eletricista projetista, você precisa conhecer as normas da concessionária que
atenderá ao seu cliente e projetar a entrada de serviço de acordo com as normativas dela, indepen-
dentemente de ser COPEL, ENEL ou CELPE, por exemplo.
Gostaria de te propor uma inspeção. Vamos lá? Faça uma inspeção na entrada de serviço do lo-
cal onde você mora. Verifique se a ligação é monofásica, bifásica ou trifásica. Caso seja um prédio,
a concessionária entrega rede secundária ou primária? A seguir, eu explico o motivo pelo qual esse
conhecimento será interessante para você!
Em sua inspeção, você deve ter compreendido a maneira como o local onde você mora é atendido
pela concessionária. Normalmente, temos entregas bifásicas ou trifásicas. Em prédios, normalmente,
há uma subestação aérea ou abrigada. Dela, vamos aos centros de medição. Com a inspeção, é per-
ceptível que falar sobre a entrada de serviços é um assunto gigante e que você, engenheiro(a), pode
crescer nesta área.
Registre, em seu diário de bordo, os principais detalhes sobre a entrada de serviço de sua residência.

98
UNIDADE 6

Em relação à entrada de serviço, existem variações de concessionária. Por isso, sempre que você for
fazer um projeto, o correto é buscar as normas técnicas atualizadas da concessionária que você está
utilizando, para que não tenha problemas vinculados à aprovação de projetos de entrada de serviço
na concessionária, na execução e, posteriormente, na vistoria e na ligação da entrada.
Como base, utilizaremos a Norma Técnica Copel (NTC) 901100, que trata do fornecimento em
tensão secundária da Companhia Paranaense de Energia (COPEL). No entanto, caso você faça projetos
para outras concessionárias, procure as normas técnicas dela. No decorrer desta unidade, entendere-
mos o fornecimento de tensão primária. Portanto, fique tranquilo(a), pois trataremos dos dois meios
de fornecimento.
Para iniciarmos os nossos estudos, devemos ter em mente que, quando falamos de entrada de ser-
viços, estamos nos referindo ao conjunto de materiais, equipamentos e acessórios situados a partir do
ponto de conexão com a rede de distribuição até o disjuntor da unidade consumidora.
A partir do disjuntor, a instalação exige a aquisição de materiais e a execução é do consumidor. Na
Figura 1, podemos observar uma entrada de serviço com medidor em muro frontal e com a saída da
caixa embutida ou subterrânea.

99
UNICESUMAR

Figura 1 - Medição em muro frontal (saída embutida ou subterrânea) Fonte: Normas... (2020, p. 76).

Descrição da Imagem: trata-se de uma ilustração do muro frontal de uma residência, com poste para rede elétrica. Há a chegada
dos cabos da concessionária do poste, descendo por um eletroduto, até a caixa de medição. Dela, temos a conexão com uma haste
de aterramento.

A COPEL estabelece alguns critérios para o fornecimento em tensão secundária:


• O limite de 75 kW de carga instalada.
• As unidades consumidoras com ligação de cargas especiais deverão seguir as orientações es-
pecificas da COPEL.
• O atendimento a uma unidade consumidora com mais de uma entrada de serviço constitui
uma situação excepcional e é necessária consulta prévia à COPEL.

A COPEL fornece quatro tipos de fornecimento:


• A de dois condutores: 127 V monofásico.
• A de três condutores: 254/127 V monofásico 3 fios (área rural).
• A de três condutores: 220/127 V bifásico.
• A de quatro condutores: 220/127 V trifásico.

100
UNIDADE 6

Neste vídeo, é feita uma passagem pela NTC da COPEL e mostrados os


tipos de entrada de serviço que você pode escolher à tensão secundária
de fornecimento.
Para acessar, use seu leitor de QR Code.

Com isso, já temos uma base para nos referen- matiza fornecia os parâmetros para o cálculo de
ciar em relação ao tipo de entrada necessária. demanda. Todavia, foi arquivada e, hoje, ela atri-
Contudo, como escolher o disjuntor correto bui a realização do cálculo ao próprio projetista.
para a edificação? Neste momento, ingressa- Diante disso, utilizaremos outra norma
mos em outro aspecto essencial em projetos técnica de uma concessionária para fazer esse
elétricos: o cálculo de demanda. cálculo: trata-se da NTC 04, que abrange o
De acordo com a NBR 5410, deve-se considerar fornecimento de energia elétrica em tensão
a possibilidade de não simultaneidade de funciona- secundária de distribuição. Ela foi produzida
mento das cargas (ABNT, 2004). Isso significa que, pela ENEL e apresenta, no item 13, o critério
durante o funcionamento normal de uma instalação para o dimensionamento da demanda.
elétrica, é comum perceber que nem todos os equi- Para edificações individuais ou com agrupa-
pamentos estão ligados ao mesmo tempo. mento, a NTC exibe duas situações. As unidades
A COPEL fornecia a NTC 841001, que trata consumidoras seguem requisitos pré-definidos
do projeto de redes de distribuição urbana. A nor- pela concessionária. Assim:

101
UNICESUMAR

• As unidades consumidoras com até 25kW de potência instalada devem seguir diretamente os
tipos de ligação que a concessionária indica.
• As demais unidades consumidoras devem calcular o valor de demanda provável (D), que será
apresentado a seguir.

D  a   b1  b2  b 3  b4  b 5  b6  b 7  b8   c  d  e

Cada uma das demandas a seguir precisa ser calculada com base nas tabelas indicadas:
Sendo:
D = Demanda total da edificação, em kVA.
a = Iluminação e tomadas de uso geral, Tabela 1.
b1 = Chuveiros elétricos, Tabela 2.
b2 = Torneiras elétricas, Tabela 2.
b3 = Máquinas de lavar louça, Tabela 2.
b4 = Aquecedores de passagem, Tabela 2.
b5 = Aquecedores de acumulação, Tabela 2.
b6 = Fornos e fogões elétricos, Tabela 4.
b7 = Máquinas de secar roupas, Tabela 2.
b8 = Fornos de micro-ondas, Tabela 2.
c = Aparelhos de ar condicionado, tipo split ou janela, Tabela 3.
d = Demanda de força (motores, bombas e máquinas de solda tipo motor-gerador) calculada apli-
cando-se os seguintes fatores de demanda:
d.1) Edifícios residenciais de uso coletivo:
• Para potência do maior aparelho FD = 0,8.
• Para potência dos demais FD = 0,5.
d.2) Indústrias e outros:
Adotar fator de demanda compatível com o tipo de atividade, determinado de acordo com o ciclo
de funcionamento dos motores. É, ainda, passível de aprovação por parte da CELG D e de inteira
responsabilidade do projetista.
e = Demanda individual das máquinas de solda à transformador conforme indicado a seguir:
- 100% da potência do maior aparelho, mais
- 70% do referente ao segundo maior aparelho, acrescido de
- 40% do terceiro maior aparelho, somado a
- 30% do referente aos demais aparelhos.
Notas:
1. Não deve ser computada, para efeito de dimensionamento, a potência dos aparelhos reservas.
2. Quando se tratar de máquinas de solda à transformador com ligação V.v invertida, a potência
deve ser considerada em dobro para o cálculo da demanda.
3. As ampliações para as cargas previstas ou prováveis devem ser consideradas no cálculo da
demanda a ser aplicado no dimensionamento dos condutores e dos eletrodutos, enquanto a

102
UNIDADE 6

medição e a proteção geral precisam ser redimensionadas na época em que a nova carga entrar
em operação.
4. No cálculo da demanda de aparelhos fixos de iluminação à descarga, a potência deve ser
considerada igual à nominal, levando-se em consideração o fator de potência e as perdas nos
auxiliares.
5. Para a demanda de força, pode-se, de maneira alternativa, utilizar as tabelas 5 e 6.

Descrição Carga mínima (W/m²) Fator de demanda (%)


Auditório, salões para exposições e
15 100
semelhantes
Bancos e semelhantes 50 100
Barbearias, salões de beleza e seme-
30 100
lhantes
Clubes e semelhantes 30 100
100 PARA OS PRIMEIROS 12
Escolas e semelhantes 30 kW 50 P/ O QUE EXCEDER DE
12 kW
100 PARA OS PRIMEIROS 20
Escritórios 50 kW 70 P/ O QUE EXCEDER DE
20 kW
Garagens e semelhantes 5 86
70 PARA OS PRIMEIROS 20
Hospitais e semelhantes 20 kW 40 P/ O QUE EXCEDER DE
20 kW
50 PARA OS PRIMEIROS 20
Hotéis e semelhantes 20 kW 40 P/ O QUE EXCEDER DE
20 kW
Igrejas e semelhantes 15 100
Lojas e semelhantes 40 100
Restaurantes e semelhantes 20 100
0 < P ≤ 1 ................... 86 1
< P ≤ 2 ................... 75 2 <
P ≤ 3 ................…. 66 3 <
P ≤ 4 ................... 59 4 < P
≤ 5 ................... 52 5 < P ≤
Residências 30 6 ................... 45 6 < P ≤
7 ................... 40 7 < P ≤
8 ................... 35 8 < P ≤
9 ................... 31 9 < P ≤
10 .................. 27 10 < P
....................... 24 (*)
Tabela 1 - Carga mínima e fatores de demanda para instalações de iluminação e tomadas de uso geral / Fonte: Norma...
([2022], p. 49).

103
UNICESUMAR

Notas
1. As instalações que, devido à natureza, a carga seja utilizada simultaneamente devem ser con-
sideradas com fator de demanda 100%.
2. A previsão de cargas de iluminação e tomadas deve atender às prescrições da ABNT NBR 5410.
3. Não estão considerados os letreiros luminosos e a iluminação de vitrines.
* Potência em kW.

tipo

Número de Torneira elétrica,


Chuveiro Aquecedor de Máquina Forno de
aparelhos máquina de lavar
Elétrico acumulação de secar micro-on-
louça e aquecedor
(%) (%) roupa (%) das (%)
de passagem (%)

1 100 100 100 100 100


2 68 72 71 95 60
3 56 62 64 90 48
4 48 57 60 85 40
5 43 54 57 80 37
6 39 52 54 70 35
7 36 50 53 62 33
8 33 49 51 50 32
9 31 48 50 54 31
10 a 11 30 46 50 50 30
12 a 15 29 44 50 46 28
16 a 20 28 42 47 40 26
21 a 25 27 40 46 36 26
26 a 35 26 38 45 32 25
36 a 40 26 36 45 26 25
41 a 45 25 35 45 25 24
46 a 55 25 34 45 25 24
56 a 65 24 33 45 25 24
Mais de 65 23 32 45 25 23
Tabela 2 - Fatores de demanda para equipamentos de uso residencial / Fonte: Norma... ([2022], p. 50).

104
UNIDADE 6

Fator de demanda
Número de aparelhos
Comercial Residencial
1 a 10 100 100
11 a 20 90 86
21 a 30 82 80
31 a 40 80 78
41 a 50 77 75
51 a 75 75 70
76 a 100 75 65
Acima de 100 75 60
Tabela 3 - Fatores de demanda de aparelhos de ar condicionado / Fonte: Norma... ([2022], p. 51).

Notas:
1. Quando se tratar de unidade central de condicionamento de ar, deve-se tomar o fator de de-
manda igual a 100%.
2. A tabela anterior se aplica aos aparelhos de ar condicionado tipo split ou janela.

Fator de demanda (%) Fator de demanda (%)


Número de Número de
POTÊNCIA POTÊNCIA
aparelhos POTÊNCIA aparelhos POTÊNCIA
Superior a Superior a
Até 3,5 kW Até 3,5 kW
3,5kW 3,5kW
1 80 80 16 39 26
2 75 65 17 38 28
3 70 55 18 37 28
4 6 50 19 36 28
5 62 45 20 35 28
6 59 43 21 34 26
7 56 40 22 33 26
8 53 36 23 32 26
9 51 35 24 31 26
10 49 34 25 30 26
11 47 32 26 a 30 30 24
12 45 32 31 a 40 30 22
13 43 32 41 a 50 30 20
14 41 32 51 a 60 30 18
15 40 32 61 ou mais 30 16
Tabela 4 - Fatores de demanda de fornos e fogões elétricos / Fonte: Norma... ([2022], p. 52).

105
UNICESUMAR

Seguimos com a tabela para demandas individuais de motores elétricos. Eles estão presentes em re-
sidências, contudo, em menor número e com potências mais baixas. Em determinados comércios e
pequenas indústrias, no entanto, há um número considerável, o que influencia diretamente os cálculos.

Valores nominais do motor


DEMANDA INDIVIDUAL ABSORVIDA DA
Corrente REDE (KVA)
Potência
(A)
cos φ η
Eixo Absorvida da 2 moto- 2 a 5 moto- mais de 5
220 V 440V 1 motor
(cv) rede (kw) res res motores

1/4 0,39 0,63 0,47 2,8 1,4 0,62 0,50 0,43 0,37
1/3 0,52 0,71 0,47 3,3 1,6 0,73 0,58 0,51 0,44
1/2 0,66 0,72 0,56 4,2 2,1 0,92 0,74 0,64 0,55
3/4 0,89 0,72 0,62 5,6 2,8 1,24 0,99 0,87 0,74
1,0 1,10 0,74 0,67 6,8 3,4 1,49 1,19 1,04 0,89

1,5 0,58 0,82 0,70 8,8 4,4 1,93 1,54 1,35


1,16
2,0 2,07 0,85 0,71 11,0 5,5 2,44 1,95 1,71 1,46
3,0 3,07 0,96 0,72 15,0 7,5 3,20 2,56 2,24 1,92
4,0 3,98 0,96 0,74 19,0 9,5 4,15 3,32 2,91 2,49
5,0 4,91 0,94 0,75 24,0 12,0 5,22 4,18 3,65 3,13
7,5 7,46 0,94 0,74 36,0 18,0 7,94 6,35 5,56 4,76
10,0 9,44 0,94 0,78 46,0 23,0 10,04 8,03 7,03 6,02
12,5 12,10 0,93 0,76 59,0 29,5 13,01 10,41 9,11 7,81
Tabela 5 - Demandas individuais - motores monofásicos / Fonte: Norma... ([2022], p. 53).

Notas
1. O fator de potência e de rendimento são valores médios referidos a 360 rpm.
2. Exemplo de aplicação da tabela:
2 Motores de 1,0 cv ........................................................ 2 x 0,89 = 1,78
3 Motores de ½ cv .......................................................... 3 x 0,55 = 1,65
1 Motor de 2,0 cv ........................................................... 1 x 1,46 = 1,46
6 = TOTAL DE MOTORES = 4,89 kVA
3. Caso existam motores monofásicos e trifásicos na relação de carga da unidade consumidora,
a demanda individual deve ser computada considerando a quantidade total de motores.
4. A presente tabela não deve ser aplicada em unidades consumidoras pertencentes às edificações
residenciais de uso coletivo.

106
UNIDADE 6

Valores nominais do motor


DEMANDA INDIVIDUAL ABSORVIDA
DA REDE (KVA)
Potência Corrente (A)

Absorvida cos φ η
2 a 5 mo- mais de 5
Eixo (cv) da rede 220 V 380V 1 motor 2 motores
tores motores
(kw)
1/6 0,25 0,67 0,49 0,9 0,52 0,37 0,30 0,26 0,22
1/4 0,33 0,69 0,55 1,2 0,69 0,48 0,38 0,34 0,29
1/3 0,41 0,74 0,60 1,5 0,86 0,56 0,45 0,39 0,34
1/2 0,575 0,79 0,65 1,9 1,10 0,72 0,58 0,80 0,43
3/4 0,82 0,76 0,67 2,8 1,61 1,08 0,86 0,76 0,65
1,0 1,13 0,82 0,65 3,7 2,13 1,38 1,10 0,97 0,83
1,5 1,58 0,78 0,70 5,3 3,06 2,03 1,62 1,42 1,22
2,0 1,94 0,81 0,76 6,3 3,63 2,40 1,92 1,68 1,44
3,0 2,91 0,80 0,76 9,5 5,48 3,64 2,91 2,55 2,18
4,0 3,82 0,77 0,77 13,0 7,50 4,96 3,97 3,47 2,98
5,0 4,78 0,85 0,77 15,0 8,65 5,62 4,50 3,93 3,37
6,0 5,45 0,84 0,81 17,0 9,81 6,49 5,19 4,54 3,89
7,5 6,90 0,85 0,80 21,0 12,12 8,12 6,50 5,68 4,87
10 9,68 0,9 0,76 26 15 10,76 8,61 7,53 6,46
12,5 11,79 0,89 0,78 35 20,19 13,25 10,6 9,28 7,95
15 13,63 0,91 0,81 39 22,5 14,98 11,98 10,49 8,99
20 18,4 0,89 0,8 54 31,16 20,67 16,54 14,47 12,4
25 22,44 0,91 0,82 65 37,5 24,66 19,73 17,26 14,8
30 26,93 0,91 0,82 78 45,01 29,59 23,67 20,71 17,76
50 44,34 0,9 0,83 125 72,12 49,27 - - -
60 51,35 0,89 0,86 145 83,6 27,7 - - -
75 62,73 0,89 0,88 180 103,86 70,48 - - -
Tabela 6 - Demandas individuais - motores trifásicos / Fonte: Norma... ([2022], p. 54).

Notas:
1. O fator de potência e rendimento são valores médios e referidos a 3600 rpm.
2. Exemplo de aplicação da tabela:
3 Motores de 5 cv .................................................................. 3 x 3,93 = 11,79
1 Motor de 3 cv ..................................................................... 1 x 2,55 = 2,55
1 Motor de 2 cv ..................................................................... 1 x 1,68 = 1,68
5 = TOTAL DE MOTORES = 16,02 kVA
3. Caso existam motores monofásicos e trifásicos na relação de carga da unidade consumidora,
a demanda individual deve ser computada considerando a quantidade total de motores.
4. A presente tabela não deve ser aplicada em unidades consumidoras pertencentes às edificações
residenciais de uso coletivo.

107
UNICESUMAR

Realizada a conta do valor da demanda provável, você pode escolher o tipo de fornecimento correto
para a edificação. Com isso, basta consultar a NTC da respectiva concessionária para observar os itens
necessários para a construção do padrão de entrada.
Agora, estudaremos a alimentação com rede primária. Em São Paulo, a rede primária de distribuição,
normalmente, utiliza as tensões de 13,8 e 34,5 kV, e alimentam as unidades consumidoras de médio
porte, as quais têm carga instalada entre 75 kW e demanda de até 2.500 kW.
Para esses clientes, o sistema de tarifação é diferente do sistema de tarifação destinado aos clientes
atendidos em baixa tensão. Nele, é efetuada a medição do consumo de energia, do fator de potência
e da demanda.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) estabelece, na Resolução Normativa (RN) nº
414, de 2010, as regras de fornecimento de energia e o sistema de tarifação.
Há o sistema convencional de medição e o horossazonal, compulsório para clientes com demanda
acima de 300 kW. Também existem as tarifas verde e azul. O valor a ser pago na energia elétrica e o da
demanda têm variações em razão da disponibilidade de energia.
Na tarifação horossazonal, o preço e a demanda são ajustados em função do horário. O horário de
ponta é o de 3 horas consecutivas entre 17 às 22 horas em dias úteis; do período seco no ano, entre os
meses de maio e novembro; e do período úmido, entre os meses de dezembro e abril.
“Subestação” ou “posto primário” é o local em que é realizada a medição do consumo de energia.
Ela também é utilizada para a instalação do transformador abaixador de tensão.
Existem os postos simplificados com uso de transformador, com potência máxima de 300 kVA,
nos quais a proteção é realizada com fusíveis no primário e dispensando o disjuntor primário geral e
relés. Nesse caso, a medição é feita em baixa tensão.

O posto convencional usa disjuntor e medição no primário e é


instalado em construção de alvenaria. Para a atuação do disjuntor
REALIDADE primário, são necessários relés de sobrecorrente primários em
AUMENTADA entrada consumidora com demanda de até 2.500 kW.
As construções de alvenaria precisam seguir os requisitos das
concessionárias. Normalmente, elas têm janelas para a iluminação
e a ventilação (conforme os tamanhos determinados). Na entrada,
os condutores de alimentação do posto podem ser aéreos ou sub-
terrâneos. Fica à critério do projetista determinar a melhor relação.
Além de observar as normativas das concessionárias para a
alimentação primária, o conhecimento e a aplicação da NBR
14.039/2005, que trata das instalações elétricas de média tensão,
de 1,0 kV a 36,2 kV, são requisitos mínimos para as entradas em
média tensão.
É possível expor algumas características gerais das subestações.
Contudo, lembre-se de que o ideal é sempre verificar as normas
Componentes de uma
subestação aérea. de cada concessionária.

108
UNIDADE 6

• O posto primário precisa estar no limite da propriedade com a via pública, em local de fácil
acesso ou, no máximo, recuado até o limite do alinhamento da primeira edificação no terreno.
• A área ocupada pelo posto primário não deve colidir com nenhuma passagem de tubulação,
independentemente de ser de gás, água, esgoto, telefone etc.
• As potências nominais dos transformadores geralmente usados nas entradas consumidoras são
45, 75, 112, 150, 300, 500, 750 e 1.000 kVA.
• A alimentação da bomba de incêndio, quando existir, será independente da proteção geral e
deve ser alimentada por transformador auxiliar.
• Não é permitida a instalação de caixas que contenham painéis de madeira.
• Sempre utilizar placa de aviso na porta de acesso, contendo a inserção: Perigo de Morte – Al-
ta-Tensão, e símbolos indicativos desse perigo.
• Todos os postos devem ter luvas de borracha isolante (para tensão superior à nominal do posto),
bastão de manobra e estrado de madeira isolado com tapete de borracha.
• Todas as massas não destinadas a conduzir corrente devem ser aterradas por meio de condutores de
cobre de seção mínima de 25 mm² e interligadas ao condutor de aterramento do mesmo tipo de seção.
• O(s) transformador(es) de serviço deve(m) utilizar a ligação dos enrolamentos do primário em
triângulo (delta); e o secundário, em estrela, com neutro aterrado.
• Os equipamentos de medição (transformadores de potencial, corrente e medidores) são dimen-
sionados e fornecidos pela concessionária.
• Quando necessária a instalação de capacitores para a correção do fator de potência, a ligação
deve ser efetuada na baixa tensão.
• O neutro da concessionária deve ser ligado à malha de aterramento.

A Figura 2 apresenta uma subestação abrigada.

Figura 2 - Subestação abrigada / Fonte: Robério Júnior (2020, on-line).

109
UNICESUMAR

Agora, estudaremos as tarifas para o fornecimento de energia elétrica. O faturamento dos consu-
midores do grupo A é baseado na aplicação de uma tarifação binômia composta por duas grandezas:
o consumo (kWh) e demanda (kW).
Esse grupo é subdividido em vários subgrupos, distinguidos pelo nível de tensão de fornecimento.
Cada um deles exibe valores definidos de tarifa. Para o grupo A, existem dois modelos de tarifação,
denominados convencional e horossazonal. A Tabela 7 mostra esse fato.

Subgrupo Tensão de fornecimento


A1 230kV ou mais
A2 88 a 138kV
A3 69 kV
A3a 30 a 44kV
A4 2,3 a 25kV
AS Baixa tensão *
*Artigo 63 da Portaria DNAEE n° 466/1997
Tabela 7 – Subgrupos e tensão de fornecimento / Fonte: Nery (2019, p. 389).

Já a tarifa convencional carrega uma estrutura diferente. Nela, é aplicado um preço para o componente
de consumo e outro para o de demanda. Aplica-se essa estrutura aos consumidores com demanda de
potência inferior a 300 kW, em que:
• Consumo (R$/MWh): fatura-se o valor total da energia consumida em período aproximado
de 30 dias.
• Demanda (R$/MW): fatura-se o maior valor entre:
• Demanda contratada: demanda contratada entre a AES Eletropaulo e o consumidor,
considerando-se o valor médio em um intervalo de tempo de 15 minutos.
• Demanda registrada: máximo valor de demanda, integralizado de 15 minutos durante
o período de faturamento.

A estrutura tarifária horossazonal, também chamada de THS, é composta por dois modelos tarifários,
definidos como tarifa azul e tarifa verde. Enquadramento:
• Os consumidores atendidos em tensão igual ou superior a 69 kV, independentemente do valor
de demanda, precisam estar enquadrados na tarifa azul.
• Os consumidores atendidos em tensão menor a 69 kV (tensão de distribuição primária), com
demanda igual ou superior a 300 kW, precisam estar enquadrados na tarifa azul ou verde.
• Os consumidores supridos em tensão menor a 69 kV (tensão de distribuição primária), com
demanda inferior a 300 kW, podem escolher se enquadrar na tarifa azul ou verde, excepcio-
nalmente na tarifa convencional.

110
UNIDADE 6

Os consumidores supridos em tensão menor que 69 kV e enquadrados em THS poderão mudar de


opção tarifária, de azul para verde, ou vice-versa, desde que a opção anterior tenha sido feita por um
período maior que de 12 meses consecutivos e completos de faturamento.
Também existem as tarifas diferenciadas. Nessa modalidade horossazonal, o preço de fornecimento
de energia é diferenciado, em função do horário e do período do ano de utilização.
• Horário de ponta (P): composto por três horas consecutivas e definidas pelo concessionário de
acordo com as características do sistema elétrico. Situado no intervalo compreendido diariamen-
te entre 17 e 22 horas, exceto sábados e domingos. Confirmar os horários com a concessionária.
• Horário fora de ponta (FP): composto pelas 21 horas diárias complementares ao horário de
ponta. Sábados e domingos são considerados horários fora de ponta.
• Período úmido (U): período de cinco meses consecutivos, compreendendo os fornecimentos
abrangidos pelas leituras de dezembro de um ano a abril do ano seguinte.

As demais tarifas de energia e componentes tarifárias podem ser consultadas diretamente na conces-
sionária, uma vez que podem ocorrer variações na data da consulta, além de mudanças nas bandeiras.

Neste podcast, falaremos sobre as bandeiras tarifárias. Você, prova-


velmente, já ouviu alguém falar delas. No entanto, você realmente as
entende? Esclareceremos este assunto para você!

Agora, estudante, você conhece a entrada de serviço da sua edificação. Com isso, você pode definir,
nos seus projetos, quais serão as opções possíveis e discutir com a equipe de engenharia e com o cliente
a melhor solução.
Esse conhecimento é essencial para todos aqueles que trabalham com projetos, desde edificações
pequenas até as grandes obras, afinal, ela é o um ponto essencial em sua edificação.
Você, como engenheiro(a) projetista, deve saber fazer a escolha da entrada de energia, verificando
a necessidade de alimentação em tensão secundária ou primária.

111
Para sintetizar todas as informações que estudamos ao longo desta unidade, minha sugestão a
você, caro(a) aluno(a), é a construção de um mapa mental, preenchendo-o e alimentando com con-
ceitos essenciais. Com certeza, a retenção de conhecimentos será muito mais efetiva. Você pode
seguir as dicas que deixo a seguir, incluindo as principais características das entradas de serviço em
tensão secundária e os tipos de subestações.

Abrigada Aérea
Subestação

ENTRADA DE SERVIÇO Principais características

Tipos de tarifação

112
1. Considere as afirmativas a seguir acerca dos conceitos relacionados ao fornecimento de
energia em tensão secundária:

I) Consumidor é toda pessoa física ou jurídica ou comunhão de fato ou de direito legalmente


representada que solicita à concessionária o fornecimento de energia elétrica e assume a
responsabilidade pelo pagamento das faturas e pelas demais obrigações legais regulamen-
tares e contratuais.
II) Unidade consumidora é o conjunto de instalações e equipamentos elétricos caracterizado pelo
recebimento de energia elétrica em um só ponto de entrega, com medição individualizada e
correspondente a um único consumidor.
III) Entrada de serviço é um conjunto de materiais, equipamentos e acessórios situados a partir
do ponto de conexão com a rede de distribuição da COPEL até o disjuntor da unidade con-
sumidora.
É correto o que se afirma em:

a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) I e II.
d) I, II e III.
e) II e III.

2. Considere a RN nº 414, de 9 de setembro de 2010, que estabelece as condições gerais de


fornecimento de energia elétrica de forma atualizada e consolidada. Depois, analise as afir-
mativas a seguir:

I) O ponto de entrega é a conexão do sistema elétrico da distribuidora com a unidade consu-


midora e se situa no limite da via pública com a propriedade onde está localizada a unidade
consumidora.
II) A definição dos postos tarifários ponta, intermediário e fora de ponta deve ser proposta pela
distribuidora para a aprovação da ANEEL, conforme disposto nos procedimentos de distri-
buição e procedimentos de regulação tarifária.
III) O medidor e demais equipamentos de medição devem ser fornecidos e instalados pela dis-
tribuidora, às expensas, exceto quando previsto o contrário em legislação específica.
É correto o que se afirma em:

a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) I e II.
d) I, II e III.
e) II e III.

113
3. Considere a RN nº 414, de 9 de setembro de 2010, que estabelece as condições gerais de for-
necimento de energia elétrica de forma atualizada e consolidada. Depois, analise as afirmativas
a seguir, que tratam do faturamento:

I) A definição de demanda é a média das potências elétricas ativas ou reativas, solicitadas ao


sistema elétrico pela parcela da carga instalada em operação na unidade consumidora durante
um intervalo de tempo especificado, expressa em quilowatts (kW) e quilovolt-ampère-reativo
(kvar), respectivamente.
II) A definição de demanda contratada é a demanda de potência ativa a ser obrigatória e conti-
nuamente disponibilizada pela distribuidora no ponto de entrega, conforme valor e período
de vigência fixados em contrato. Deve ser integralmente paga, independentemente de ser
usada durante o período de faturamento, expressa em quilowatts (kW).
III) A definição de demanda faturável é o valor da demanda de potência ativa, considerada para
fins de faturamento, com aplicação da respectiva tarifa, expressa em quilowatts (kW).
É correto o que se afirma em:

a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) I e II.
d) I, II e III.
e) II e III.

114
7
Telefonia
Esp. Leonardo Tocio Mantovani Seki

Nesta unidade, você terá a oportunidade de compreender os con-


ceitos de telefonia, tubulações telefônicas, projetos de telefonia
residencial/comercial, projetos complementares de dados, voz,
imagem, entretenimento, conforto e segurança.
UNICESUMAR

Até agora, desenvolvemos praticamente todo o projeto elétrico. Contudo, ainda não abordamos um
assunto fundamental ao seu projeto, que é o projeto de telefonia. Voltemos ao exemplo de uma casa
de alto padrão: onde seriam os locais para a instalação de pontos de rede e telefonia? Quais são os
cabos a serem utilizados?
Como engenheiro(a) eletricista projetista, você deve conhecer os projetos de redes, independente-
mente de serem circuitos fechados de televisão (CFTV), redes de comunicação Ethernet ou telefone.
Nem sempre você será o(a) responsável pelo projeto de redes, mas, ao menos, projetar a infraestrutura
de espera está dentro do escopo de um projeto elétrico.
Considerando o conteúdo exposto, quero te propor uma inspeção na sua casa. Ela tem um qua-
dro para os circuitos de lógica? Sobre os pontos de lógica, quantos existem na casa? Onde eles estão
posicionados?
Durante a sua inspeção, você deve ter se deparado com vários cenários. Você pode ter encontrado
um quadro ou vários pontos de lógica em sua casa. Também pode não ter encontrado nenhum. Infe-
lizmente, muitas instalações brasileiras não seguem um padrão quanto a esse tipo de projeto. Contudo,
você está aqui para fazer a diferença no mercado.
Registre, em seu diário de bordo, os principais detalhes relativos ao sistema de lógica da sua casa.

116
UNIDADE 7

No Brasil, existiam algumas Normas Técnicas Brasileiras (NBR) específicas para as redes telefônicas
internas em prédios, como a 13300, a 13301, a 13727 e a 13726. No entanto, essas normas foram
canceladas e, hoje, trabalhamos com a ABNT NBR 14565:2019, que trata do cabeamento estruturado
para edifícios comerciais.
Por isso, compreenderemos a infraestrutura das instalações de lógica e conheceremos as definições
de cabeamento estruturado. Você já sabe que o setor de comunicação vem se desenvolvendo rapida-
mente nos últimos anos. Desse modo, um estudo recorrente sobre o assunto é essencial, caso você
queira trabalhar na área.
Neste momento, utilizaremos, como base, um manual da Telebrás, a fim de saber como é realizada
a distribuição dos sistemas de telefonia em um edifício. Apesar de antigo, o sistema é utilizado até hoje,
embora a rede de comunicação seja estatal.
A seguir, são apresentadas algumas definições que serão essenciais para a sequência de nossos
estudos:
• Bloco terminal: é o bloco de material isolante usado para a conexão de cabos e fios telefônicos.
• Caixa: representa as partes da tubulação que têm condição de possibilitar a passagem, emenda
ou terminação de cabos e fios telefônicos.
• Caixa de distribuição: é a caixa da tubulação primária, que dá passagem aos cabos e aos fios
telefônicos, e abriga os blocos terminais.
• Ponto Terminal da Rede (PTR): é a caixa onde são terminados e interligados os cabos da rede
externa da concessionária e os cabos intensos do edifício.
• Caixa de entrada do edifício: é a caixa subterrânea posicionada na frente do edifício, com
alinhamento predial, para a entrada do cabo subterrâneo da rede externa da concessionária.
• Caixa de passagem: caixa usada para limitar o comprimento da tubulação, eliminar curvas e
facilitar o puxamento de cabos e fios telefônicos.
• Caixa subterrânea: caixa de alvenaria ou concreto instalada sob o solo, com dimensões neces-
sárias, a fim de permitir a instalação e a emenda de cabos e fios telefônicos subterrâneos.
• Caixa de saída: é a caixa designada a dar passagem ou permitir a saída de fios de distribuição
conectados aos aparelhos telefônicos.
• Canaleta: trata-se de um conduto metálico rígido e de seção retangular que substitui a tubulação
convencional em sistemas de distribuição no piso.
• Cubículo: tipo especial de caixa de grande porte que pode servir como caixa de distribuição
geral, de distribuição ou de passagem.
• Malha de piso: sistema de distribuição em que os pontos telefônicos são atendidos por um
conjunto de tubulações ou canaletas interligadas a uma caixa de distribuição.
• Poço de elevação: tipo especial de prumada de seção retangular que possibilita a instalação de
cabos de grande capacidade.
• Ponto telefônico: previsão de demanda de um telefone principal ou de qualquer serviço que
utilize pares físicos de um edifício.
• PRUMADA: tubulação vertical que se constitui na espinha dorsal da tubulação telefônica do
edifício e que corresponde, usualmente, à tubulação primária.

117
UNICESUMAR

• Sala do distribuidor geral: compartimento


apropriado e reservado ao uso exclusivo
da concessionária, que substitui a caixa de
distribuição geral em alguns casos.
• Tubulação de entrada: parte da tubulação
que permite a entrada do cabo da rede
externa da concessionária e que termina
na caixa de distribuição geral. Quando
subterrânea, abrange a caixa de entrada
do edifício.
• Tubulação primária: parte da tubulação
que abrange a caixa de distribuição geral,
as caixas de distribuição e as tubulações
que as interligam.
• Tubulação secundária: parte da tubulação
que abrange as caixas de saída e as tubu-
lações que as interligam às caixas de dis-
tribuição.
• Tubulação telefônica: termo genérico uti-
lizado para designar o conjunto de tubu-
lações destinadas aos serviços de teleco-
municação de um edifício.

As tubulações telefônicas em edifícios são divi-


didas em três partes:
• Tubulação de entrada: é a parte da tubu-
lação que dá entrada ao cabo da rede ex-
terna, compreendida entre a caixa de dis-
tribuição geral e o ponto terminal de rede.
• Tubulação primária: é a parte da tubulação
que compreende a caixa de distribuição
geral, as caixas de distribuição e as tubu-
lações que as interligam.
• Tubulação secundária: é a parte da tubu-
lação que abrange as caixas de saída e as
tubulações que as interligam às caixas de
distribuição.

118
UNIDADE 7

15º ANDAR Nº1 CAIXA DE SAÍDA


PRINCIPAL

CAIXA DE
14º ANDAR Nº1 Nº 4 Nº1 DISTRIBUIÇÃO

CAIXA DE
DISTRIBUIÇÃO
Nº1 Nº3 Nº1
13º ANDAR
TUBULAÇÃO PRIMÁRIA
TUBULAÇÃO
SECUNDÁRIA
Nº1 Nº1
12º ANDAR Nº3

Nº1 Nº 5 Nº1
11º ANDAR

2º ANDAR Nº1 Nº 5 Nº1

Nº1 Nº3 Nº1


1º ANDAR

Nº 6
TÉRREO Nº1

SUBSOLO
CAIXA DE ENTRADA
DO EDIFÍCIO
PONTO DE TERRA
CAIXA DE DISTRIBUIÇÃO GERAL TUBULAÇÃO DE ENTRADA

Figura 1 - Corte esquemático / Fonte: Creder (2016, p. 463).

Descrição da Imagem: trata-se de um corte esquemático de um edifício e a rede de distribuição de telecomunicação. Há uma caixa
de entrada do edifício, seguindo a caixa de distribuição geral, que é equipotencializada à terra. Dela, temos a seguinte sequência: caixa
de distribuição e/ou caixa de saída principal.

119
UNICESUMAR

A Figura 1 apresenta um corte esquemático de um edifício com os componentes. Em edifícios de


grande porte, com um grande número de pontos telefônicos, a tubulação da prumada precisa ser
substituída por um poço de elevação, que é basicamente uma série de cubículos alinhados e dispostos
verticalmente, interligados por meio de uma abertura na laje.
Os projetos de tubulação telefônica objetivam dimensionar e localizar o trajeto dentro do edifício
das tubulações de entrada, primária e secundária. O critério básico utilizado para o dimensionamento
das tubulações é o número de pontos telefônicos previstos para o edifício ou para qualquer uma das
partes. Em função disso, existem algumas recomendações que podem ser seguidas como critérios na
elaboração de projetos de tubulação.
As tubulações telefônicas são dimensionadas em função do número de pontos telefônicos previstos
para o edifício, acumulados em cada uma das partes. Cada ponto telefônico corresponde à demanda
de um telefone principal ou de qualquer outro serviço que use pares físicos e que é conectado à rede,
não estando incluídas nessa previsão as extensões dos telefones ou dos serviços principais.
Os critérios para a previsão do número de pontos telefônicos são fixados em função do tipo de
edificação e do uso a que se destinam. Assim:
• Residências ou apartamentos:
• De até 2 quartos — 1 ponto telefônico.
• De 3 quartos — 2 pontos telefônicos.
• De 4 ou mais quartos — 3 pontos telefônicos.
• Lojas: 1 ponto telefônico/50 m2.
• Escritórios: 1 ponto telefônico/10 m2.
• Indústrias:
• Área de escritórios: 1 ponto telefônico/10 m2.
• Área de produção: estudos especiais, a critério do proprietário.
• Cinemas, teatros, supermercados, depósitos, armazéns, hotéis e outros: estudos especiais em
conjunto com a concessionária, respeitando os limites estabelecidos nos critérios anteriores.

Já os critérios para a determinação do número de caixas de saída previsto para cerrar parte de um
edifício devem corresponder ao número de pontos telefônicos mais as extensões necessárias para
aquela parte do prédio.
O número de caixas de saída e a localização delas devem ser determinados de acordo com os se-
guintes critérios:
• Residências ou apartamentos: prever, no mínimo, uma caixa de saída na sala, na copa ou co-
zinha e nos quartos. Regras gerais devem ser observadas na localização dessas caixas de saída:

120
UNIDADE 7

• Sala: a caixa de saída deve ficar, de preferência, no hall de entrada, se houver e, sempre que
possível, próximo à cozinha. As caixas previstas devem ser localizadas na parede, a 30 cm
do piso.
• Quartos: se for conhecida a provável posição das cabeceiras das camas, as caixas de saída
devem ser localizadas ao lado dessa posição, na parede, a 30 cm do piso.
• Cozinha: a caixa de saída deve ser localizada a 1,50 m do piso (caixa para telefone de pa-
rede) e não deve permanecer nos locais em que provavelmente serão instalados o fogão, a
geladeira, a pia ou os armários.

• Lojas: as caixas de saída devem ser projetadas nos locais em que estão previstos os balcões, as
caixas registradoras, as empacotadeiras e as mesas de trabalho, evitando-se as paredes em que
estão previstas prateleiras ou vitrines.
• Escritórios:
• Em áreas em que estão previstas até 10 (dez) caixas de saída, elas devem ser distribuídas de
modo equidistante, ao longo das paredes, a 30 cm do piso.
• Em áreas em que estão previstas mais de 10 (dez) caixas de saída, devem ser projetadas
caixas de saída no piso, de modo a distribuir uniformemente as caixas previstas dentro da
área a ser atendida. Nesse caso, é necessário projetar uma malha de piso com tubulação
convencional ou canaleta.
• Indústrias, cinemas, teatros, supermercados, depósitos, armazéns, hotéis e outros: estudos
especiais.

Lembre-se de que as informações expressas eram as recomendações da Telebrás. Para residências,


elas já não são muito usuais, devido à redução drástica do número de telefones fixos em residências.
No entanto, em comércios e indústrias, a recomendação é realmente válida, tendo em vista que,
além das redes sem fio, a rede de telefonia fixa é necessária.

Neste vídeo, é feita uma análise de uma residência e dos pontos de


lógica colocados nela. A apresentação é feita em software BIM. Logo, a
visualização dos locais é bem mais fácil de ser feita.
Para acessar, use seu leitor de QR Code.

121
UNICESUMAR

A partir de agora, estudaremos os conceitos de ca- dados que têm nos terminais com conectores
beamento estruturado. Esse conceito surgiu para RJ 45. Outro sistema muito usado é o sistema
padronizar as instalações dos diversos sistemas de de circuito fechado de TV (CFTV), encontrado,
telecomunicações e automação presentes em pro- sobretudo, em comércios, a fim de auxiliar o sis-
jetos comerciais. A infraestrutura segue as normas tema de monitoramento e segurança.
que orientam a maneira como devem ser feitas as Os cabos utilizados em sistemas CFTV são
conexões, as distâncias e as frequências de operação. cabos coaxiais formados por um fio central (que
Telecomunicação é a “comunicação a distân- transmite o sinal) sob uma camada isolante. Por
cia” e essa comunicação tem sido estudada e evo- cima dessa camada isolante, passa uma malha
luído há mais de um século por vários cientistas e (aterramento) que é coberta por uma capa isolan-
empresas ligadas à tecnologia em conjunto com te. O sinal é transmitido por esse par fio-malha,
os avanços no campo da microeletrônica. impedindo interferências externas que sinais de
Um dos principais meios de comunicação a dis- áudio e vídeo são mais vulneráveis.
tância é o telefone. Esses sistemas chegam até os esta- O conector terminal é o BNC e existe uma
belecimentos por intermédio de troncos (conjuntos construção que acompanha a do cabo. As novas
de linhas telefônicas que atendem a um único núme- câmeras de alta definição conseguem se comu-
ro) que são centralizados em um aparelho de PABX nicar utilizando o protocolo TCP/IP. Com isso,
que realiza o atendimento principal e o distribui aos é possível se comunicar por rede Ethernet.
respectivos ramais para atendimento. Caso a rede escolhida seja a Ethernet, são
Os cabos utilizados, normalmente, são cabos du- usados cabos TP para switches dedicados e a
plos de pares trançados e com conector RJ11. Com rede é semelhante à rede de computadores. Um
a evolução da automação dos processos, o compu- aspecto importante é que o projeto desse sis-
tador pessoal foi se difundindo cada vez mais. Isso tema precisa considerar as larguras de bandas,
proporcionou um sistema de controle de dados, os do cabeamento, dos switches e das câmeras
quais passaram a ser centralizados em bancos de envolvidas na otimização da rede.
dados e gerenciados de forma automatizada. As- Grande parte dos sistemas de telecomunica-
sim, o controle de todos os setores é feito a partir ções e de automação que retratamos utiliza uma
de computadores centrais chamados de servidores. topologia de instalação denominada “estrela”.
A partir disso, foram criados os sistemas em Nela, vários periféricos são centralizados em um
rede. Neles, várias estações de trabalho acessam equipamento ativo, que faz a coleta e a distribui-
as informações em servidores de dados. A dis- ção da informação para os diversos dispositivos.
tribuição das informações dos servidores para as A diferença entre as ligações físicas de di-
diversas estações de trabalho é feita por meio de versos sistemas se dá na escolha da mídia para
switches, que são dispositivos ativos. A velocidade distribuição, que é desenvolvida para garantir
da transmissão de dados da rede está associada a eficiência e a otimização do sistema. Ótimo
ao desempenho dos servidores, componentes e exemplo são os cabos de par trançado, que têm
cabos e terminais de instalação. um desempenho satisfatório em sinais telefôni-
Para as redes de computadores, utilizamos cos com frequências de 20 Hz a 20 kHz. Con-
cabos UTP, constituídos por quatro pares de fios tudo, eles não têm um desempenho aceitável
trançados para a transmissão e a recepção de em transmissões de sinais de vídeo.

122
UNIDADE 7

Ao não se padronizar o modelo de comunicação e cabeamento, há várias desvantagens:


• Difícil organização dos sistemas.
• Gerenciamento dos pontos complicados.
• Infraestrutura robusta e especifica.
• Problemas de conexões nos terminais.

Por isso, surge o cabeamento estruturado, que padroniza todo esse sistema. Por cabeamento estruturado,
entendemos a disposição da rede de cabos e conectores padronizados que fazem parte e atendem aos
diversos serviços de telecomunicações de um local. Eles fornecem a condição de redirecionamento,
com o objetivo de prover a transmissão entre qualquer ponto da rede e suportar as mudanças de layout,
sem serem realizadas grandes alterações nas infraestruturas.
As seguintes normas devem ser observadas durante a instalação de um sistema de cabeamento
estruturado:
• NBR 14565/2013: cabeamento estruturado para edifícios comerciais e data centers.
• ANSI/TIA/EIA-568-B: commercial standard. building telecommunications cabling.
• ANSI/TIA/EIA-569: commercial building standard for telecommunications pathways and spaces.

Neste podcast, falaremos do mercado de projetos elétricos e projetos


de lógica. Como são oferecidos esses projetos? Um(a) engenheiro(a)
eletricista precisa saber fazer um projeto de cabeamento estruturado?

A característica do cabeamento estruturado se dá a partir de uma rede de cabos distribuída ao longo


de um local que se liga a uma central de distribuição. A central de distribuição permite a ativação ou
a desativação de cada ponto, além de modificar o tipo de comunicação que está sendo transmitido
para aquele ponto terminal ou alterar o ponto físico para o qual aquele sinal será transmitido, apenas
realizando manobras nas conexões dessa central, sem alterações físicas na instalação.
Um sistema de cabeamento estruturado tem as seguintes características:
• Padronização de conectores e cabos.
• Pontos de interconexão planejados.
• Cabeamento configurável de maneira fácil.
• Acesso facilitado.
• Confiabilidade.
• Atender aos padrões normativos.

123
UNICESUMAR

A NBR 14565/2013 especifica que uma instalação de cabeamento estruturado deve ter os itens citados
a seguir e ilustrados na Figura 2.
A Sala de Entrada de Telecomunicações (EF – entrance facility) tem, como foco, prover a interliga-
ção entre o cabeamento das diversas facilidades que chegam ao campus e ao distribuidor de campus.
Dentro dessa sala, estarão os equipamentos de conexão, como modems, receptores, conversores e
outros e cabos e dispositivos de proteção exigidos pela norma.
O Distribuidor de Campus (CD – campus distribuidor) tem os equipamentos para prover a distribui-
ção dos diversos sistemas de telecomunicações via backbone do campus aos distribuidores de edifício.
O backbone de campus é formado pelos cabos e dispositivos de hardware entre o Distribuidor de
Campus (CD) e o Distribuidor de Edifício (BD). O projeto dos elementos do backbone de campus
contempla proteções contra intempéries e condições extremas de uso.

(MUTO)

Tomada de
telecomunicações
FD (CP) multiusuários
Distribuidor
de andar (TO)
(TO)
Backbone de edifício
(MUTO) Ponto de
Cabeamento consolidação
horizontal

Tomadas de
FD (CP) telecomunicação
Distribuidor
de andar (TO)
(TO) Backbone de campus Sala de entrada de
telecomunicação
Backbone de edifício

Sala de
equipamentos

Telefone
BD CD Internet
Distribuidor Distribuidor
TV a cabo
de edifício de campus
Etc

Figura 2 - Topologia de um sistema de cabeamento estruturado / Fonte: Nery (2019, p. 394).

Descrição da Imagem: trata-se da topologia de um sistema de cabeamento estruturado que chega aos cabos de telefone, internet, TV
à cabo e outros no distribuidor de campus, seguindo ao distribuidor de edifícios. Depois, parte-se ao distribuidor de andar, passando
pelos pontos de consolidação e pontos de tomada de telecomunicação ou tomadas de comunicação multiusuários.

Na Sala de Equipamentos (ER – equipment room), fica o distribuidor de edifício. Nela, deve entrar o
backbone de campus e sair o backbone de edifício.

124
UNIDADE 7

O Distribuidor de Edifício (BD – building dis- solidação (CP), as tomadas de telecomunicações


tributor) recebe o backbone de campus e tem os multiusuários (MUTO) e as tomadas de teleco-
equipamentos ativos que controlam os sistemas municações (TO), incluindo os cabos, as toma-
(central telefônica, servidor de rede, central de das, as conexões cruzadas e as terminações.
vídeo, central de alarme, supervisor geral etc.). O Ponto de Consolidação (CP – consolidation
Nesse distribuidor, há a conexão cruzada prin- point) é um local projetado no andar do edifício que
cipal do backbone de edifício, que é um quadro dá a condição de realocação das tomadas de teleco-
que conecta a distribuição dos diversos sistemas municações de, no máximo, 12 áreas de trabalho.
aos andares do edifício. A Tomada de Telecomunicações Multiusuá-
O backbone de edifício é todo o conjunto de rios (MUTO – multi-user telecommunications
cabos primários e conectores de cruzamento que outlet) é um ponto que contém conectores dis-
interligam o distribuidor de edifício àqueles de poníveis para atender até, no máximo, 12 postos
andar, localizados em cada andar do edifício. de trabalho simultaneamente.
Os Distribuidores de Andar (FD – floor distri- A Tomada de Telecomunicações (TO – tele-
butor) representam os pontos estratégicos loca- communications outlet) é o ponto em que será
lizados em cada andar do edifício. Eles recebem, conectado o cabo do equipamento terminal que
de um lado, o backbone de edifício, provendo será usado no posto de trabalho a ser atendido
o cruzamento configurável de pontos por meio pelo sistema (computadores, terminais de dados,
de painéis e cordões de conexão cruzada (patch câmeras, telefones etc.).
panels e patch cords). Além disso, conectam ao Um longo caminho para se chegar até a TO,
cabeamento horizontal do andar, que leva a in- não é?
formação aos diversos postos de trabalho. Por isso, a NBR 14565/2013 especifica que,
O cabeamento horizontal forma o caminho em uma instalação de cabeamento estruturado,
entre o distribuidor de andar, os pontos de con- é preciso que:

• Os CP estejam localizados a uma distância máxima de 15 m do FD e 5 m da TO.


• Para o cabeamento horizontal, a distância entre o FD e a TO não deve ultrapassar 100 m. Nesse
ínterim, o comprimento dos cordões de conexão (patch cords) não deve ultrapassar 5 m e o
cabo horizontal permanente não deve ultrapassar 90 m.
• A distância total entre o CD e a TO não deve ultrapassar 2 km (cabeamento horizontal +
backbone de edifício + backbone de campus).

Outra questão importante é a possibilidade de realocação da TO em um determinado posto de traba-


lho. Isso é possível por meio da utilização de painéis (patch panels) e de cordões de conexões (patch
cords), conforme mostra a Figura 3. Os painéis centralizam todos os pontos de telecomunicações que
chegam a determinado distribuidor via backbone, interligando-se, por meio de cordões de conexão,
a outros painéis que realizam a comunicação com outro backbone e/ou cabeamento horizontal até os
postos de trabalho.

125
UNICESUMAR

Servidor

Linhas externas
(Concessionárias)

Tronco Central Hub Switch Hub


CFTV
PABX Painéis de
conexão

Cordões
de ligação

Armário de
telecomunicações

Postos de trabalho

Figura 3 - Armário de telecomunicações, painéis e cordões de conexão / Fonte: Nery (2019, p. 395).

Descrição da Imagem: temos a ligação de um sistema de telecomunicação. Chega-se às linhas externas da concessionária, conectando
aos cordões de ligação em um armário de telecomunicação. Dele, temos saídas para os postos de trabalho, como telefone, computa-
dores, câmeras e para central de CFTV, Hub e switchs do servidor.

Um exemplo de conexão que ocorre nesse sistema é a interligação por meio dos cordões de conexão
(patch cords) entre um painel de ramais e outro que liga o cabeamento horizontal às TO e aos pos-
tos de trabalho. Os cordões associam cada ramal a uma TO específica. Na necessidade de mudança
de postos de trabalho, a realocação dos pontos de telecomunicação é feita sem alterações físicas no
cabeamento horizontal, permanecendo apenas a manobra nos cordões de conexão, reconectando os
ramais aos novos pontos.

126
UNIDADE 7

É possível transformar um ponto de telefone em rede de computador ou desativar uma TO sem


qualquer readequação do cabeamento horizontal, já que os cabos e os conectores são comuns a todas as
facilidades que estão sendo utilizadas. Existe um painel de conexões cruzadas devidamente planejado.
A estrutura física da instalação de cabeamento estruturado é formada pelas mídias utilizadas, com
o intuito de que o sinal de telecomunicação chegue até o posto de trabalho. Vamos falar sobre os cabos
e a fibra ótica. Os cabos de cobre que são usados nos sistemas de cabeamento estruturado são do tipo
par trançado (TP – twisted pair). Eles são formados por 2 a 1.800 pares e o de quatro pares é o mais
utilizado no cabeamento horizontal. Os cabos com mais de quatro pares são utilizados na distribuição
vertical dos sistemas (backbone).
Os cabos do tipo TP têm os pares trançados, para que seja possível a redução da interferência por
meio do cancelamento eletromagnético dos sinais transmitidos. Como as transmissões são feitas por
pares diferenciais (sinais em contrafase), o campo magnético gerado pelo sinal transmitido em um dos
fios se cancela com o campo magnético contrário de mesma intensidade do respectivo par, eliminando
a interferência associada. Além disso, cada par é trançado com distâncias periódicas diferentes em
relação ao outro, reduzindo a interferência do sinal entre pares.
Os pares do cabo TP podem ser constituídos por fios que são usados nas ligações mais longas entre
os diversos pontos ou por cabos (lembre-se de que os fios são maciços). Os cabos são usados nos pai-
néis de conexão e são conhecidos como patch cords. Outro fator importante é a blindagem dos cabos,
havendo uma classificação para a existência, ou não, e o tipo. A blindagem melhora o desempenho e
impacta o custo do cabo. Os tipos de blindagem mais comuns no mercado são:
• Cabo UTP (Unshielded Twisted Pair): esse tipo de cabo não tem presença de blindagem.
• Cabo ScTP (Screened Twisted Pair): neste cabo, há uma blindagem interna conhecida como foil.
• Cabo STP (Shielded Twisted Pair): neste tipo de cabo, além de blindagem interna (foil), existe
outra blindagem metálica externa trançada.

Na escolha dos cabos, você deve observar a classe/categoria, a banda passante e a aplicação dele, a fim
de garantir a eficiência do sistema.
Exploraremos, agora, o material que vem transformando o mercado: trata-se das fibras óticas. Elas
são a melhor opção para evitar os problemas que limitam a transmissão dos dados pelos cabos de
cobre, como a atenuação, resposta em frequência e as limitações com distância.
As principais vantagens do uso de fibras óticas na transmissão de telecomunicações são:
• Baixas perdas na transmissão e na banda passante larga, o que significa que mais dados podem
ser enviados em distâncias mais longas.
• Pequeno tamanho e peso em relação aos sistemas com cabos de cobre.
• Imunidade a interferências eletromagnéticas.
• Isolação elétrica.
• Segurança do sinal, que se torna difícil de ser interceptado ou rastreado.

127
UNICESUMAR

As desvantagens fibras são:


• Fragilidade das fibras óticas sem encapsulamento.
• Dificuldade de conexões.
• Acopladores tipo T com perdas muito grandes.
• Impossibilidade de alimentação remota de repetidores.
• Alto custo de instalação e manutenção.

Caso a sua escolha seja as fibras óticas, verifique as classificações em multimodo ou monomodo. Por
outro lado, caso você escolha trabalhar com um projeto de cabeamento estruturado, você estará em
uma área que tende a crescer muito e que se desenvolve muito rápido. Atente-se às novas soluções
tecnológicas que o mercado oferece.
Agora, estudante, você conhece as redes de telefonia e o cabeamento estruturado. Com isso, você
pode definir, nos seus projetos, quais serão os pontos terminais para os circuitos de lógica e discutir
as soluções para a comunicação da edificação.
Esse conhecimento é essencial a todos aqueles que trabalham com projetos, desde edificações
pequenas até grandes obras, afinal, as redes de comunicação são uma parte inseparável da nossa vida.
Você, como engenheiro(a) projetista, deve saber fazer, ao menos, toda a infraestrutura destinada às
redes de comunicação.

128
Para sintetizar todas as informações que estudamos ao longo desta unidade, minha sugestão a
você, caro(a) aluno(a), é a construção de um mapa mental, preenchendo-o e alimentando com
conceitos-chave. Certamente, a retenção de conhecimentos por você será muito mais efetiva. Você
pode seguir as dicas que deixo a seguir, relativas aos principais aspectos da telefonia.

Redes

CFTV

TELEFONIA Cabos

Fibra ótica

Topologia

129
1. Considerando os conceitos relacionados às distâncias máximas segundo a NBR 14565/2013,
analise as afirmativas a seguir:

I) Os postos de consolidação devem estar localizados a uma distância máxima de 15 metros do


distribuidor do andar e 5 metros da Tomada de Operação.
II) Não existe distância máxima entre o centro de distribuição e a Tomada de Operação, em
função da dificuldade de controle dessa distância.
III) Para o cabeamento horizontal, a distância entre o distribuidor de andar e a Tomada de Ope-
ração não deve ultrapassar 100 metros.
É correto o que se afirma em:

a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) I e II.
d) I, II e III.
e) I e III.

2. Considerando os cabos de par trançado, analise as afirmativas a seguir:

I) Os cabos são trançados, a fim de reduzir o máximo possível as interferências eletromagnéticas.


II) Os cabos UTP não têm presença de blindagem.
III) Os cabos com mais de quatro pares são utilizados na distribuição vertical dos sistemas
(backbone).
É correto o que se afirma em:

a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) I e II.
d) I, II e III.
e) II e III.

130
3. Considerando os conceitos relacionados à fibra ótica, analise as afirmativas a seguir:

I) Dentre as principais desvantagens do uso de fibras óticas em transmissões de telecomunica-


ção, encontra-se a fragilidade na confiabilidade do sinal em longas distâncias.
II) Dentre as principais desvantagens do uso de fibras óticas em transmissões de telecomuni-
cação, encontra-se o alto custo de instalação e manutenção.
III) Uma das principais vantagens do uso de fibras óticas na transmissão de telecomunicações
é a baixa perda de transmissão e da banda passante larga, o que significa que mais dados
podem ser enviados em distâncias mais longas.
É correto o que se afirma em:

a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) I e II.
d) I, II e III.
e) II e III.

131
132
8
Harmônicos
Esp. Leonardo Tocio Mantovani Seki

Nesta unidade, você terá a oportunidade de compreender os con-


ceitos referentes aos harmônicos no sistema elétrico tanto em
relação à parte de fundamentos quanto à parte de indicadores,
regulamentos, normas, causas, efeitos e mitigação.
UNICESUMAR

Em um projeto elétrico, verificamos a necessidade de suprimento de energia elétrica em uma edifica-


ção para acionamento das cargas. Entretanto, com o acionamento de cargas, temos, como resultado,
algumas anomalias no sistema elétrico. Uma delas são as harmônicas no sistema elétrico. O que, de
fato, são as harmônicas? Quais são as causas e os efeitos delas?
Como engenheiro eletricista, você precisa conhecer as anomalias na rede elétrica e, dentro das
anomalias, temos as harmônicas. Elas têm impacto direto na qualidade da energia elétrica e podem
causar problemas de operação em equipamentos elétricos e redução de vida útil deles.
O termo “harmônico” é muito associado à área musical. Dessa forma, faça uma pesquisa sobre a
harmônica nas músicas e as séries harmônicas. Procure estabelecer uma relação entre ambas.
Em sua pesquisa, você deve ter encontrado a frequência fundamental das ondas sonoras. Podemos
fazer um paralelo aos sistemas elétricos, em função da qualidade da onda (senoide) de uma fonte de
corrente alternada. As harmônicas, em um sistema elétrico, podem causar muitos problemas em uma
instalação. Por isso, é essencial entender esse fenômeno.
Registre, em seu diário de bordo, os principais detalhes sobre as harmônicas.

134
UNIDADE 8

Provavelmente, você já ouviu alguém falar de ou alta-tensão). Todavia, a tensão deve se manter
harmônicos. Caso seja musicista, com certeza. dentro dos valores preestabelecidos, de acordo
Nos estudos de cálculo diferencial integral, prova- com cada modalidade. A corrente deve conservar
velmente, você também ouviu falar deles. Agora, a forma de onda da tensão, com deslocamento
conheceremos os fundamentos de harmônicos. angular mantido dentro de faixas padronizadas.
Iniciaremos com a Qualidade de Energia Elé- Já nos sistemas em corrente contínua (cc), o pa-
trica (QEE), que é a disposição do sinal elétrico drão de tensão e corrente é dotado de valor fixo
de tensão e corrente que dá a condição para que e polaridade constante.
equipamentos, processos, instalações e sistemas A qualidade da energia elétrica é um conceito-
elétricos funcionem de forma esperada, sem pre- -mãe que engloba uma variedade de fenômenos
juízos de desempenho ou de vida útil. Por isso, eletromagnéticos que levam ao desvio na forma
quando falamos de QEE, estamos falando da de onda da tensão e corrente. As perturbações
energia elétrica usada para acionar uma carga, elétricas podem ser separadas em duas categorias
de modo que ela funcione corretamente. de distúrbios: eventos e sustentados. A primeira
A descrição da tensão usada como padrão de abarca os fenômenos rápidos (curta duração) e
qualidade tem forma de onda alternada senoidal, que ocorrem ocasionalmente. Já os distúrbios
com frequência fixa e amplitude que varia confor- sustentados são variações na tensão e corrente
me a modalidade do atendimento (baixa, média de regime permanente.

Dentre os distúrbios da categoria de eventos, podemos citar:


• Transitório impulsivo.
• Transitório oscilatório.
• Interrupção.
• Afundamento de tensão.
• Elevação de tensão.

Dentre os distúrbios da categoria sustentados, temos:


• Sobretensão.
• Subtensão.
• Interrupção.
• Flutuação de tensão.
• Ruídos.
• Notches ou cortes.
• Harmônicos.

A presença de um ou de mais de um desses fenômenos é a condição para a perda de QEE. Outro fun-
damento sobre harmônicos é a interação entre carga e fonte. Uma das propriedades da energia elétrica
é a de que algumas características dependem não somente da eletricidade fornecida, mas também dos
equipamentos nas instalações dos clientes.

135
UNICESUMAR

Na apreciação da interação entre fonte e carga, existem perturbações do sistema que influenciam a ope-
ração da carga. As principais são expostas na Tabela 1. À fonte, estão relacionadas as distorções na forma
de onda da tensão. A natureza da carga pode levar às distorções na forma de onda da corrente e tensão.

Sistema-Carga Carga-Sistema
– Afundamento/Elevação de tensão – Correntes harmônicas
– Desequilíbrio de tensão – Corrente reativa
– Harmônicos de tensão – Corrente desbalanceada
– Interrupção de tensão – Notches de tensão
– Oscilações de tensão – Flutuação de tensão – flicker
– Impulso de tensão  
Tabela 1 - Interação sistema-carga-sistema / Fonte: Leão, Sampaio e Antunes (2013, p. 3).

A QEE é uma via de duas mãos. A qualidade da tensão de suprimento tem influência na forma da
corrente que circula na instalação. Além disso, a natureza da carga pode influenciar a forma da tensão.
As cargas lineares geram correntes não distorcidas, quando energizadas por uma fonte não distor-
cida (senoidal). Já as correntes não lineares geram correntes distorcidas (não senoidais) até quando
energizadas por uma fonte não distorcida.
As cargas não lineares têm a condição distorcer a tensão DVZ quando as correntes distorcidas
fluem por intermédio da impedância entre a fonte e a carga, podendo variar a identidade senoidal da
tensão na barra de carga ou no Ponto Comum de Conexão (PCC), cuja tensão é obtida em:

VPCC  V  DVZ

Em que:
VPCC , V e DVZ representam tensão no PCC, a tensão na fonte e a queda de tensão na impedância
equivalente à Z, respectivamente.
O efeito direto das cargas não lineares sobre a QEE é a distorção da corrente. O efeito indireto é a
distorção na tensão. A distorção de tensão no PCC acontece em função da impedância do sistema e da
corrente requerida pela carga. A tensão distorcida é propagada a todos os pontos a jusante. Correntes
harmônicas circulam por cargas lineares conectadas aos pontos alimentados por tensões não senoidais.
Quando expostas às tensões não senoidais, as cargas não lineares produzem correntes harmônicas em
proporções diferentes das alimentadas por tensão senoidal.
Em um sistema “robusto”, em que a corrente de falta é alta e a impedância do sistema é pequena,
o impacto das cargas não lineares sobre a distorção de tensão no PCC é, normalmente, pequeno, não
gerando problemas de QEE. Em um sistema “fraco”, em que a impedância do sistema é alta, a distorção
na tensão no PCC pode atingir proporções elevadas, com a condição de causar problemas de QEE.

136
UNIDADE 8

A qualidade da tensão indica a capacidade de tensão distorcida. Uma carga em diferentes locais
um sistema de potência operar cargas sem pertur- do sistema de potência pode resultar em diferen-
bá-las ou danificá-las e está associada às caracterís- tes valores de distorção de tensão.
ticas de todos os supridores a montante do PCC. A Um exemplo disso é um sistema em que há dois
capacidade das cargas em operar sem perturbar ou transformadores que alimentam cargas de mesma
reduzir a eficiência do sistema demarca a qualida- corrente eficaz e nível de distorção harmônica
de da corrente, que está associada às características total de corrente (DHTI), porém com impedân-
de todas as cargas a jusante do PCC. cias diferentes. O de maior impedância apresenta
A qualidade da tensão e da corrente tem efeito uma distorção harmônica de tensão (DHTV) mais
mutuo a partir da impedância do sistema e da elevada que o de menor impedância.
carga. Mesmo com a influência mútua entre su- Conheçamos o conceito de harmônicos. Leão,
primento e carga, esta não tem controle sobre a Sampaio e Antunes (2013, p. 5) explicam que:


A palavra “harmônico” tem origem na área de acústica e de instrumentos musicais, com
significado de múltiplo inteiro ou componentes de um tom, bem como múltiplos não
inteiros denominados sub e sobretons. Na engenharia, o termo “harmônico” ou “harmô-
nica” é usado indistintamente, notando-se maior preferência pelo último.

A presença de harmônicas em um sinal elétrico não é um fenômeno recente. A preocupação com a


distorção harmônica teve origem no início da história dos sistemas de potência em corrente alterna-
da. Em 1916, Steimetz publicou um livro, a fim de demarcar uma considerável atenção ao estudo dos
harmônicos em sistemas de potência trifásicos. A preocupação estava concentrada principalmente
nas correntes harmônicas de terceira ordem, causadas pela saturação magnética do ferro em trans-
formadores e máquinas. Steimetz foi o primeiro pesquisador a propor a conexão delta em transfor-
madores, com o intuito de confinar as correntes harmônicas de terceira ordem no interior do delta e
não transferi-las às correntes de linha.
As formas de ondas senoidais são condições almejadas nos sistemas elétricos, uma vez que os
transformadores, as máquinas e os aparelhos elétricos são projetados com base em um suprimento
senoidal. O sinal senoidal conserva as características de frequência única para tensão e corrente
quando observadas por intermédio de componentes passivos de circuitos, como resistores, indutores
e capacitores. A forma senoidal é invariável em relação à derivação e à integração, porém, uma forma
de onda desse tipo é uma idealização, raramente encontrada.
Uma onda periódica distorcida, deformada ou sem conformidade senoidal é o resultado da
sobreposição de uma série de ondas senoidais, que dispõe de um componente fundamental e
um conjunto de ondas chamadas “harmônicas”, encarregadas pelo maior ou pelo menor grau de
distorção da onda distorcida.

137
UNICESUMAR

A parte mais significativa de um conjunto de ondas que compõe o sinal distorcido e de menor
frequência de ordem inteira, em geral, determina a frequência de oscilação da onda distorcida. Cada
múltiplo inteiro da fundamental, em que a ordem é igual a 1, define a ordem do harmônico.
O sistema elétrico brasileiro opera com frequência de 60 Hz, que é a frequência fundamental do sistema.
A harmônica de segunda ordem equivale a 120 Hz, a terceira, a 180 Hz, e a h-ésima harmônica é (h x 60) Hz.
Os sinais com frequências que estão situadas entre as múltiplas inteiras da fundamental são chamados de
“inter-harmônicos” (p. ex. 100 Hz), ou seja, apresentam frequências não múltiplas inteiras da fundamental.
Sinais com frequências abaixo da fundamental são chamados de “sub-harmônicos” (p. ex. 30 Hz).
Os sub-harmônicos são casos específicos dos inter-harmônicos. Harmônicos, inter-harmônicos e
sub-harmônicos têm a propriedade de causar alteração em uma onda senoidal, distorcendo-a. A Ta-
bela 2 apresenta as classes de harmônicas, em que f 1 representa a frequência fundamental da onda.

Harmônica f = h.f1 em que h é um número inteiro maior que zero

Componente cc f = h.f1 em que h = 0

Inter-harmônica f = h.f1 em que h é um número não inteiro maior que zero

Sub-harmônica f = h.f1 em que 0 < h < 1


Tabela 2 - Componentes espectrais de formas de onda de frequência f / Fonte: Leão, Sampaio e Antunes (2013, p. 8).

A presença de harmônicos tem crescido pela aplicação, na indústria, no comércio, nas residências
e nos serviços, da eletrônica incorporada aos equipamentos elétricos para aumento da eficiência e
confiabilidade dos equipamentos. Alguns exemplos de formas de ondas distorcidas de corrente são
ilustrados na Figura 1.

Cargas não lineares Forma de onda Espectro de frequência

Acionamento de velocidade
variável

Carregador de bateria

Processamento de dados

Lâmpada florescente

Figura 1 – Exemplos de formas de onda de correntes distorcidas em cargas eletrônicas. / Fonte: Leão, Sampaio e Antunes
(2013, p. 8).

138
UNIDADE 8

Com o aumento dos equipamentos que fazem uso da eletrônica, vários problemas de qualidade de
energia começaram a surgir nas instalações, incluindo: disparos intempestivos de disjuntores, sobrea-
quecimento de transformadores e motores, corrente excessiva nos condutores neutros, explosões de
capacitores, entre outros. Esses problemas, em sua grande maioria, têm, como gatilhos, a presença de
harmônicos decorrentes do novo perfil da carga de natureza não linear, o que promove distorção em
forma de onda da corrente e da tensão em estado permanente.
A operação de cargas eletrônicas e de bancos de capacitores em conjunto para a correção de fator
de potência e regulação de tensão pode resultar na amplificação dos sinais de tensão e corrente por
quadro de ressonância, fenômeno causado pela associação de elementos capacitivos e indutivos na
rede ou circuito elétrico, proporcionando variações na impedância e modificações na forma de onda
da tensão e da corrente.
Estudos de harmônicos são realizados para averiguar o impacto de dispositivos não lineares,
calcular os níveis de distorção harmônica, detectar as condições de ressonância e determinar os
requisitos de filtragem em uma instalação ou sistema elétrico. Uma varredura em frequência é feita,
a fim de determinar a magnitude da impedância diagonal em diferentes barras de interesse versus a
variação de frequência, útil na identificação de ressonância. Uma redução significativa na magnitude
da impedância implica em ressonância em série. A ressonância paralela é identificada pelo aumento
acentuado na impedância.
Há algumas soluções para atenuar os efeitos dos harmônicos. No entanto, a mais aplicada é a
filtragem. Várias alternativas de filtros e de análises da resposta da filtragem podem ser examinadas
por simulação. Para identificar os componentes harmônicos presentes em uma onda não senoidal,
normalmente, é usada a análise de Fourier. A frequência, a amplitude e a fase de cada senoide são
determinadas por intermédio dessa ferramenta aplicada à onda não senoidal. Podemos citar também
a transformada de Wavelet para a caracterização das harmônicas.
Como nosso foco não é um estudo aprofundado da caracterização de harmônicas, não nos apro-
fundaremos nessas análises.

Se interessou pelos harmônicos em sistemas eletricos? Aconselho você


a conferir alguns vídeos disponibilizados por ótimos professores e que
estão acessíveis no YouTube. Um deles é indicado a seguir.
Para acessar, use seu leitor de QR Code.

139
UNICESUMAR

Com o intuito de quantificar ou qualificar parâmetros para identificação de comparação de sucesso


ou de falha, são feitas medições. As medições de harmônicos têm por objetivo:
• Diagnosticar incompatibilidades entre a fonte de energia elétrica e a carga.
• Medir desempenho de carga/processo.
• Analisar a causa principal dos problemas.
• Avaliar a conformidade com requisitos legais.
• Prever o desempenho futuro de equipamentos (carga) ou de dispositivos de mitigação de QEE.

A medição de grandezas elétricas é muito impor- simples chave que se fecha na cadência da frequência
tante para as concessionárias e os consumidores. de amostragem. Na sequência, um conversor ana-
Ela concede indicadores para possibilitar o acom- lógico-digital (A/D), um microprocessador (DSP)
panhamento do desempenho e da conformidade e um conversor digital analógico (D/A) são usados
das funções dos equipamentos e da rede elétrica. para processamento do sinal. Finalmente o sinal é
Os limites definidos para as distorções harmô- reconstruído em sinal contínuo.
nicas consideram os efeitos a longo prazo sobre os Agora, conheceremos os regulamentos e as
equipamentos, como o efeito térmico e o envelhe- normas sobre harmônicos. Quando falamos em
cimento. Entretanto, efeitos instantâneos devido Regulamento Técnico, referimo-nos ao docu-
aos eventos e aos surtos com harmônicos de alta mento aprovado por órgãos governamentais que
frequência podem gerar variação na QEE, sendo estabelece as características de um produto ou dos
também uma fonte causadora do mau funciona- processos e métodos de produção a eles relacio-
mento de equipamentos sensíveis, como as cargas nados, com a inclusão das disposições adminis-
eletrônicas. A natureza variante no tempo dos trativas aplicáveis, cuja observância é obrigatória.
harmônicos deve ser considerada nas definições As Normas Técnicas representam os docu-
de limites de distorção harmônica. mentos com especificações técnicas ou outros cri-
O prodist, no módulo 8, recomenda, para a me- térios precisos desenvolvidos para serem utiliza-
dição das características de um sinal elétrico, o uso dos consistentemente como regra, diretriz, limite
de equipamentos que operam com base no princípio ou definição. Toda norma é um trabalho coletivo
da amostragem digital. O processamento de medi- desenvolvido após um processo de consenso e
ção das grandezas elétricas tem início com a leitura aprovada por uma instituição reconhecida.
de sinais analógicos de corrente e tensão do sistema A avaliação da conformidade da QEE com-
elétrico, de forma direta ou indireta, esta última por preende todo procedimento utilizado, direta ou
meio de transdutores (transformadores de corrente indiretamente, para determinar que se cumpram
e de potencial), seguido do processamento dos sinais as prescrições pertinentes aos regulamentos téc-
no modo digital e a reconstrução em modo analógi- nicos ou às normas. Os procedimentos para a
co. Os sinais analógicos são contínuos e podem ser avaliação da conformidade compreendem, dentre
representados univocamente por um sinal discreto. outros, a amostragem, a prova e a inspeção; a ava-
Para assegurar que o teorema de amostragem seja liação, a verificação e a garantia da conformidade;
satisfeito, um filtro anti-aliasing é usado. O circuito o registro, a acreditação e a aprovação separada-
de amostragem que permite amostrar o sinal é uma mente ou em distintas combinações.

140
UNIDADE 8

Para aferir a QEE, padrões de referência são definidos por diferentes organizações para distintos tipos de
fenômenos elétricos. As principais organizações internacionais e nacionais que dispõem sobre a QEE são:

a. Grupos americanos de normas:

• IEEE – The Institute of Electrical and Electronics Engineers: as normas de QEE são
desenvolvidas por grupos de trabalho e forças tarefas, sob o subcomitê SCC-22 Stan-
dards Coordinating Committee on Power Quality.
• NEMA – The National Electrical Manufacturers Association: é uma associação comercial
de fabricantes de produtos de toda cadeia do setor elétrico, desde a geração até o
usuário final de energia elétrica. Essa associação tem mais de 500 normas publicadas,
guias de aplicação, white papers (minutas) e artigos técnicos.
• NEC – National Electrical Code: é uma norma voltada à segurança de instalações
elétricas.
• ANSI – American National Standards Institute: o instituto não desenvolve normas. No
entanto, a aprovação de uma norma nacional americana requer a verificação dele,
a fim de averiguar se os critérios para aprovação foram atendidos pelos respectivos
desenvolvedores.

b. Grupos europeus de normas:

• IEC – International Electrotechnical Commission: as normas de QEE são desenvolvidas


pelo Comitê de Estudo SC77A. O Grupo de Trabalho 1 é o responsável pelas normas
de emissão de harmônicas e inter-harmônicas aplicadas aos equipamentos individuais
conectados à rede elétrica.
• Cigré – Congres Internationale des Grand Réseaux Électriques a Haute Tension (In-
ternational Council on Large Electric Systems), com o comitê SC C4 (System Technical
Performance): responsáveis pelo estudo da QEE.
• EN – European Normalization: normas técnicas europeias desenvolvidas por diferentes
organizações como CEN e CENELEC.
• CEN – Comitê Europeu de Normatização: é uma organização sem fins lucrativos e
reconhecida oficialmente pela União Europeia para desenvolvimento de normas
técnicas europeias (EN).
• CENELC – Comitê Europeu de Normatização Eletrotécnica: organismo sem fins lucra-
tivos, responsável por normatizar no campo da engenharia eletrotécnica.

c. Organizações nacionais

• ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas.


• Aneel – Agência Nacional de Energia Elétrica.

141
UNICESUMAR

Leão, Sampaio e Antunes (2013, p. 173) sustentam que:



A fim de especificar níveis de compatibilidade, segundo termo usado pelas Normas
IEC, ou limites de distorção, segundo as Normas IEEE, para harmônicos, dois fatos
devem ser considerados. Primeiro, o número de fontes de harmônicas está crescendo.
Segundo a proporção de cargas puramente resistivas, que funcionam como elementos
de amortecimento, está diminuindo em relação à carga total. Portanto, níveis crescentes
de harmônicas são esperados nos sistemas elétricos de potência, até que limites sejam
impostos às fontes emissoras de harmônicas (IEC 61000-2-2, 2002).

Com isso, entender as causas e os efeitos é cada torções harmônicas, desequilíbrios, flutuação e
vez mais necessário. É preciso ter em mente que, afundamentos de tensão. Exemplos são as cargas
para estudar as características dos sistemas elétri- lineares e não lineares do tipo ferromagnéticas e
cos, é normal considerá-lo como o resultado da eletrônicas, como processos de retificação, fornos
interligação e da interação de diferentes compo- elétricos a arco e grandes motores.
nentes básicos, incluindo a fonte de alimentação Uma mesma carga pode desempenhar a
e os componentes de rede e carga elétrica. condição de crítica, sensível e perturbadora
Agora, conheceremos como e o motivo pelo simultaneamente.
qual as harmônicas são geradas. Também com- Agora, estudaremos as cargas lineares. A carga
preenderemos o modo como a presença das linear acontece quando a carga que por ela circu-
harmônicas afeta o sistema elétrico e os equipa- la é diretamente proporcional à tensão aplicada.
mentos. Primeiramente, é necessário conhecer Cargas lineares são, em geral, constituídas por
os grupos de cargas. As cargas podem ser classi- resistores, indutores não saturáveis e capacitores
ficadas em essenciais, sensíveis e perturbadoras. de valores fixos. Elas drenam correntes de mesma
Cargas críticas ou essenciais, devido à estrutu- forma de onda da fonte de alimentação.
ra, são indispensáveis, não devem sofrer interrup- Se a carga é um motor elétrico, embora haja
ção de fornecimento de energia ou operação in- um deslocamento de fase entre a tensão e a cor-
devida causada pela falta suprimento de energia, rente, isso não muda o fato de que são proporcio-
sob pena de colocar em risco as vidas humanas nais. Em um indutor com núcleo de ar ou mag-
ou resultar em prejuízos vultosos. Exemplos são nético ideal sem histerese, nem saturação, o fluxo
as do tipo linear e não linear, como as dos centros magnético varia linearmente com a corrente.
de controle de voos e servidores de TI e hospitais. As cargas reativas tipificam a condição de cargas
Cargas sensíveis não suportam variações de ten- lineares não críticas, porém perturbadoras. Em sis-
são, mesmo de curta duração. Nessa classe, estão temas de frequência constante, a tensão e a corrente
incluídas as cargas não lineares eletrônicas e digitais. variam linearmente. Sob condições de frequências
Exemplos são os CLPs, os robôs, os computadores múltiplas, as cargas reativas podem ser agentes per-
pessoais, os dispositivos de redes de computador, as turbadores do sistema ao entrarem em ressonância,
impressoras e os conversores de frequência. tornando-se sensíveis em decorrência dos efeitos da
Cargas perturbadoras são aquelas em que a ressonância pelo aumento da corrente e da tensão,
operação pode causar perturbações, como dis- levando, em certos casos, à própria avaria da carga.

142
UNIDADE 8

Agora, estudaremos as cargas não lineares. Os interruptores estáticos funcionam ba-


Tratam-se de cargas em que a corrente que por sicamente em dois estados: de condução e de
elas circula não é diretamente proporcional à bloqueio. Conforme há a definição das pala-
tensão fornecida. Desse modo, qualquer carga vras, podemos associá-las a um interruptor fe-
que requisita uma corrente não senoidal de uma chado ou aberto respectivamente. Os interrup-
tensão senoidal é não linear. tores eletrônicos podem ser não controlados e
Cargas não lineares causam correntes distor- controlados. Os primeiros são os diodos, que
cidas mesmo quando alimentadas por uma fonte funcionam de acordo com a autocomutação e
com tensão não distorcida (senoidal). Se uma a polaridade da fonte.
tensão distorcida é aplicada sobre uma carga li- Já nos interruptores controlados, a condução
near, a forma de onda da corrente na carga será se dá mediante o circuito de controle, que de-
distorcida como a tensão. No entanto, se uma termina o instante de disparo para a condução.
carga não linear é alimentada por uma tensão Dentre os dispositivos controlados, podemos
não senoidal, o perfil de onda da corrente será citar os transistores bipolares, IGBT (Isolated
distorcido por causa da tensão distorcida e da não Gate Bipolar Transistor), Mosfet (Metal-Oxide
linearidade da carga. Em qualquer caso, a relação Semiconductor Field-Effect Transistor), Tiristo-
entre tensão e corrente não é constante. res GTO (Gate Turn-Off Thyristor), MCT (MOS
As cargas não lineares podem ser divididas Controlled Thyristor), IGCT (Integrated Gate
em convencionais e chaveadas. As primeiras são Commutated Thyristor) etc.
caracterizadas pela ausência de interruptores está- Esses dispositivos mudam rapidamente de
ticos, com alguns componentes com característi- um estado a outro (condução e bloqueio). Com
cas lineares e outros não lineares, e pela presença isso, em um circuito alimentado por uma fonte
de harmônicas. Como exemplos de cargas não senoidal, os interruptores eletrônicos aplica-
lineares convencionais, encontram-se os dispo- dos para controlar a passagem de corrente na
sitivos saturáveis, como os transformadores, as carga podem fazer o bloqueio ou a condução
máquinas elétricas, os reatores de núcleo de fer- em intervalos de tempo. Com isso, a tensão na
romagnético e os fornos elétricos a arco. carga é interrompida e perde a forma senoidal.
A eletrônica de potência tem providencia- Com a circulação das correntes não senoidais
do vários equipamentos como conversores es- pelo circuito, temos, então, uma distorção har-
táticos de energia. Podemos citar retificadores mônica e cargas não lineares (considerando
(ca-cc), inversores (cc-ca), conversores buck um circuito de fonte senoidal, interruptores
(cc-cc), boost (cc-cc), ciclo-conversores (ca-ca), eletrônicos e cargas RL).
acionamentos eletrônicos de velocidade variável, Graças à grande eficiência e à controlabilida-
compensadores reativos estáticos (SVC, Statcom de, as cargas eletrônicas podem ser encontradas
etc.), fotocopiadoras, televisores, micro-ondas, em aparelhos de baixa tensão e em conversores
equipamentos de tecnologia da informação (TI), que operam em alta-tensão. Dentre as fontes de
computadores pessoais, equipamentos médicos harmônicos, os vários setores de produção estão
de imagem e outros. A eletrônica faz uso de dio- dominados por uma variedade de equipamentos
dos, transistores e tiristores. Praticamente todos com características não lineares. Eles se resumem
operam em modo interrupção ou bloqueio. em três categorias:

143
UNICESUMAR

• Dispositivos eletrônicos de potência: conversores estáticos mono e trifásicos.


• Dispositivos ferromagnéticos: transformadores e máquinas rotativas.
• Dispositivos a arco: iluminação a descarga e fornos elétricos a arco.

Não é o nosso foco nos aprofundar em cada uma das características. Observe os efeitos causados pela
presença de harmônicos:

• Baixo fator de potência.


• Correntes no neutro podem igualar ou exceder as correntes de fase.
• Sobreaquecimento de transformadores e motores.
• Atuação intempestiva de dispositivos de proteção (disjuntores, chaves seccionadoras)
sem causa detectável.
• Estresse, com possível avaria de capacitores de correção do fator de potência.
• Aumento de tensões neutro-terra.
• Aumento da temperatura nos condutores, devido ao aumento da corrente eficaz e
ao crescimento das perdas Joule.
• Estresse térmico, devido ao fluxo de correntes harmônicas.
• Estresse no isolamento, devido à ação de tensões harmônicas.
• Mudança no fator de crista.
• Aumento de vibração.
• Ruído audível (≈3 kHz).
• Capacidade de ruptura de disjuntores.
• Aumento de cruzamentos por zero.
• Influência nas reatâncias indutiva e capacitiva.
• Interferência em relés de proteção, cuja operação é baseada em tensão/corrente de
pico ou tensão zero.
• Dispositivos de medição exibem diferentes respostas aos sinais não lineares.
• Queima de fusíveis sem sobrecarga aparente.
• Queima de motores de indução.
• Perda de dados.
• Interferência nos sistemas telefônicos e de comunicação.
• Flutuação da imagem em vídeos.
Distinguem-se dois tipos de efeitos:

• Imediatos: disparos indevidos de relés, queima de fusíveis, flutuação de imagem, mau


funcionamento de controladores etc.
• De longo prazo: aquecimento dos capacitores, cabos, equipamentos, transformadores
e máquinas rotativas, e provocação de ruídos e vibrações.

144
UNIDADE 8

Agora que compreendemos os efeitos dos harmônicos, como diminuir ou fazer a mitigação de har-
mônicos? Conheçamos os principais meios de solução.
As distorções harmônicas estão presentes em todos sistemas de potência, em menor ou em maior
proporção. Desse modo, somente devemos nos voltar à mitigação deles quando os harmônicos de
tensão e corrente ultrapassam os limites normatizados e se tornam um problema.
O melhor momento para analisar as estratégias de mitigação de harmônicos é na fase de projeto
de novas instalações ou na compra de novos equipamentos. Quando nos referimos à solução de har-
mônicos, não há uma técnica padronizada para todos os problemas. Cada situação necessita de uma
solução customizada. Todavia, as mais comuns para controlar os harmônicos são:
• Reduzir ou eliminar as correntes harmônicas em equipamentos nos sistemas de potência, em
especial, nos conversores de potência, transformadores, geradores e capacitores.
• Modificar a resposta em frequência do sistema.
• Adicionar filtros para drenar as correntes harmônicas, retirando-as do sistema, bloqueando-as
ou impedindo-as de entrar no sistema, ou suprindo as correntes harmônicas localmente.

Neste podcast, falaremos dos filtros passivos para a mitigação de har-


mônicas. Entenderemos como é realizada a mitigação delas por meio
desses dispositivos e o local onde devem ser inseridos.

Os níveis de distorção harmônica do sistema são um resultado das funções de vários fatores, como a
impedância, a composição de cargas (linear e não linear), a distorção da tensão a montante, as condi-
ções de operação (percentual de cargas) e o tipo de conversor.
Vários métodos podem ser avaliados para atenuar harmônicos. No entanto, a nossa direção sempre
deve ser a qualidade de energia necessária para a instalação e o orçamento disponível. Em cada caso,
precisamos conhecer as fontes e a grandeza dos harmônicos, a distribuição das cargas lineares e não
lineares, os objetivos da qualidade da energia e as soluções técnicas disponíveis no mercado para a
mitigação de forma satisfatória e econômica.

145
UNICESUMAR

Dentre as opções mais usuais, temos:

• Usar o reator de linha com cerca de 4% de impedância para mitigar a distorção har-
mônica de corrente na entrada de cada acionamento de velocidade variável (AVV). A
medida reduz os harmônicos da carga para cerca de 35% a 38%, protege o retificador
do AVV contra elevação momentânea de tensão, reduz a distorção harmônica no
transformador ou gerador a montante e reduz o custo de qualquer filtro central que
pretenda ser instalado.
• Instalar filtros harmônicos sintonizados o mais próximo possível da fonte de corrente
harmônica. A medida concorre para melhorar a qualidade da energia da instalação
e dos pontos a montante. Tanto a instalação quanto o sistema de suprimento terão
benefícios. A distorção harmônica poderá ser reduzida em 5% a 35% de DHTI, depen-
dendo do projeto do filtro e do ponto de conexão.
• Usar filtro harmônico passa-baixa, quando necessitar de uma solução econômica para
atender à condição de limites muito baixos de distorção harmônica de corrente. A
eficácia do filtro passa-baixa é melhorada quando as indutâncias fase-fase de todos
os componentes magnéticos do filtro são balanceadas e mantidas dentro de uma
tolerância de cerca de 3%. O filtro harmônico passa-baixa é apropriado para uso
em uma ou mais cargas não lineares, como os AVV. Não se deve conectar as cargas
lineares, como motores, na saída de um filtro passa-baixa, devido ao alto conteúdo
harmônico no estágio do filtro.
• Usar conversores de 12 ou 18 pulsos com a saída retificada conectada em série para
alcançar o mais baixo nível de distorção harmônica dentro de uma larga faixa de
condições de operação.
• Reduzir o tamanho e o custo do filtro ativo inserindo um reator de linha com impedân-
cia de 4% para cada AVV individual do sistema. Assim, a necessidade de cancelamento
de corrente requerida do filtro é diminuída.

146
UNIDADE 8

Para um estudo mais específico de cada caso de


harmônicas, é necessário se aprofundar nesse
tema e conhecer as soluções de mercado. Mui-
tos profissionais não têm conhecimento sobre as
reais causas de harmônicos e os entendem como
o vilão de toda anomalia elétrica presente nas
instalações elétricas.
Você não será um desses profissionais! Con-
tudo, lembre-se de que essa foi apenas uma breve
introdução. Para uma atuação direta com a mi-
tigação de harmônicos, será necessário ir além.
Agora estudante, você conhece os harmôni-
cos em sistemas elétricos. Assim, pode pensar
em soluções para que não ocorram problemas
de qualidade de energia durante a elaboração dos
seus projetos.
Esse conhecimento é essencial a todos aqueles
que trabalham com projetos, principalmente in-
dustriais, e aqueles que trabalham com projetos
de sistemas embarcados, visto que a qualidade de
energia é um ponto fundamental para o funcio-
namento e a vida útil dos equipamentos.
Você, como engenheiro(a) projetista, deve
saber o conceito de harmônicos, os principais
problemas oriundos deles e as possíveis soluções,
a fim de auxiliar o seu cliente na mitigação das
problemáticas envolvidas.

147
Para sintetizar todas as informações que estudamos ao longo desta unidade, minha sugestão é a
construção de um mapa mental, com o intuito de preenchê-lo com conceitos-chave. Certamente,
a retenção de conhecimentos por você será muito mais efetiva. Você pode, por exemplo, expor os
principais aspectos dos harmônicos no sistema elétrico.

Regulamentos e normas

Mitigação de harmônicos Causas e efeitos


HARMÔNICOS

Principais métodos de caracterização

Descrição da Imagem: trata-se de um mapa mental em que, no centro, encontra-se a palavra “Harmônicos”. Dela, rami-
ficam-se as seguintes expressões: “Regulamentos e normas”, “Mitigação de harmônicos”, “Causas e efeitos” e “Principais
métodos de caracterização”.

148
1. Considerando os conceitos relacionados aos métodos de caracterização dos harmônicos,
analise as afirmativas a seguir:

I) Dentre os principais métodos para a caracterização dos harmônicos, temos a transformada


e a série de Fourier.
II) A transformada da Laplace e a transformada Z são os únicos métodos para caracterização
de harmônicos.
III) Dentre os métodos de caracterização dos harmônicos, é possível aplicar a transformada de
Wavelet em certos casos.
É correto o que se afirma em:

a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) I e II.
d) I, II e III.
e) I e III.

2. Considerando os conceitos relacionados às causas e aos efeitos de harmônicos no sistema


elétrico, analise as afirmativas a seguir:

I) Interruptores eletrônicos são dispositivos que geram harmônicos.


II) Máquinas rotativas, como motores elétricos, são consideradas fontes de harmônicos.
III) Fornos a arco elétrico são geradores de perturbações no sistema elétrico, como harmônicos
e outras anomalias.
É correto o que se afirma em:

a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) I e II.
d) I, II e III.
e) II e III.

149
3. Considerando os conceitos relacionados à mitigação de harmônicos, analise as afirmativas a
seguir:

I) Uma das opções mais comuns para controlar os harmônicos é a redução ou a eliminação
das correntes harmônicas em equipamentos nos sistemas de potência, em especial, nos
conversores de potência, transformadores, geradores e capacitores.
II) Ao se modificar a resposta em frequência do sistema elétrica, é possível controlar harmônicos.
III) O uso de filtros para drenar as correntes harmônicas, retirando-as do sistema, bloqueando-as
ou impedindo-as de entrar no sistema ou suprindo as correntes harmônicas localmente é
uma das soluções para a mitigação de harmônicas.
É correto o que se afirma em:

a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) I e II.
d) I, II e III.
e) II e III.

150
9
SPDA
Esp. Leonardo Tocio Mantovani Seki

Nesta unidade, você terá a oportunidade de compreender os con-


ceitos referentes à proteção contra descargas atmosféricas em
edificações. Além disso, conhecerá os conceitos avaliados no ge-
renciamento de risco, nos subsistemas de um sistema de proteção
e nos métodos de avaliação de proteção.
UNICESUMAR

Em um projeto elétrico, há todas as necessidades de acionamentos de cargas e proteções, tanto para


as instalações quanto para os indivíduos que vão usufruir delas.
Contudo, é necessário fazer uma proteção a mais em alguns casos, como a proteção contra descargas
atmosféricas. Você sabe como é realizada essa proteção? Quais são os recursos utilizados?
Como engenheiro(a) eletricista, você precisa conhecer os sistemas de proteção contra descargas
atmosféricas, também chamados de SPDA. Eles estão em conjunto com o projeto elétricos em diversas
situações. Por isso, um projetista deve dominar essas duas disciplinas.
Uma das partes mais características dos sistemas de SPDA são os mastros com captores Franklin.
Faça uma inspeção nas edificações próximas a sua casa ou do seu serviço: elas têm sistemas de SPDA?
Têm um mastro com captor ou descidas nas laterais com cabos de cobre nu ou com barra chata de
alumínio? A seguir, você entenderá o motivo pelo qual esse conhecimento é importante para você!
Durante a sua inspeção, você pode ter encontrando prédios comerciais ou residências com sistemas
SPDA. No entanto, também não ter encontrado esse sistema em casas baixas e pequenas. Isso se dá
em consequência de que, quando trabalhamos com SPDA, realizamos um gerenciamento do risco de
aquela edificação ser atingida por um raio e dos impactos que podem ser gerados. Dessa forma, nem
toda edificação necessita desse sistema.
Registre, em seu diário de bordo, os principais detalhes sobre a inspeção que você fez acerca dos
sistemas de proteção contra descargas atmosféricas.

152
UNIDADE 9

Sabemos que as descargas atmosféricas têm uma uma grande quantidade de cargas elétricas. De
grande quantidade de energia e que elas podem cau- maneira experimental, na maioria dos fenôme-
sar grandes perturbações nas redes de transmissão e nos atmosféricos, as cargas elétricas positivas se
distribuição de energia elétrica, além de danos mate- localizam na parte superior da nuvem e as cargas
riais e do risco a que pessoas e animais ficam sujeitos. elétricas negativas se posicionam na parte infe-
Em função disso, compreenderemos esse fenô- rior, o que gera uma migração de cargas positivas
meno. As descargas atmosféricas induzem surtos na superfície da Terra. Isso faz com que as nuvens
de tensão que podem chegar a centenas de kV. Por tenham uma característica bipolar.
isso, as redes aéreas de transmissão, as edificações Como se pode deduzir, a concentração de car-
e as partes estruturais de subestações devem ser gas elétricas positivas e negativas em determinada
protegidas com SPDA. região faz emergir uma diferença de potencial entre
SPDA é o sistema de proteção contra descargas a Terra e a nuvem. No entanto, o ar tem certa rigidez
atmosféricas. Ele é normatizado segundo a NBR dielétrica, que depende de certas condições ambien-
5419:2015 em quatro partes. Cada uma abrange tais. O aumento dessa diferença de potencial, que é
um tópico especifico. As partes 1 a 4 tratam dos chamada de “gradiente de tensão”, tem condição de
seguintes temas: princípios gerais, gerenciamento atingir um valor que ultrapasse a rigidez dielétrica
de risco, danos físicos à estrutura e os perigos à do ar entre a nuvem e a Terra, fazendo com que as
vida, e sistemas elétricos e eletrônicos internos na cargas elétricas migrem na direção da Terra em um
estrutura, respectivamente. trajeto tortuoso e cheio de ramificações conhecido
Várias teorias foram desenvolvidas para ex- como “descargas atmosféricas descendentes”. Elas
plicar o fenômeno dos raios. Atualmente, sa- são caracterizadas por um líder descendente da nu-
be-se que a fricção entre as partículas de água vem para a Terra. É de, aproximadamente, 1 kV/
que formam as nuvens, provocada pelos ventos mm o valor do gradiente de tensão ao qual a rigidez
ascendentes de forte intensidade, dá origem a dielétrica do ar é rompida.

153
UNICESUMAR

A ionização do caminho seguido pela descarga descendente que mais se aproxima do solo, também
conhecida como “descarga piloto”, proporciona condições favoráveis de condutibilidade do ar ambiente. Ao
manter elevado o gradiente de tensão na região entre a nuvem e a Terra, surge, em função da aproximação
do solo, em uma das ramificações da descarga piloto, uma descarga ascendente, formada por cargas elétri-
cas positivas, denominada “descarga ascendente”, de retorno da Terra à nuvem, originando-se em seguida
à descarga principal no sentido da nuvem para a Terra, de grande intensidade, responsável pelo fenômeno
conhecido como “trovão”, que é o deslocamento da massa de ar circundante ao caminhamento do raio em
função da elevação de temperatura e, consequentemente, do aumento repentino do volume.
Se as nuvens acumulam grande quantidade de cargas elétricas que não foram neutralizadas pela
descarga principal, são iniciadas as chamadas descargas reflexas ou múltiplas, com características
semelhantes à descarga principal. A Figura 1 é uma foto de uma descarga atmosférica. As descargas
reflexas podem acontecer várias vezes, depois de cessada a descarga principal.

Figura 1 - Descargas atmosféricas múltiplas / Fonte: Mamede (2017, p. 858)

Descrição da Imagem: trata-se de uma descarga atmosférica. Mostra-se, portanto, uma nuvem com a descarga líder tocando a su-
perfície do solo pelas ramificações dos raios.

Para se aprofundar mais nos estudos relativos às descargas atmosfericas,


eu indico o estudo o site do grupo de eletricidade atmosferica (ELAT).
Ele é o primeiro grupo de pesquisa sobre raios criado no Brasil e faz
parte do Centro de Ciências do Sistema Terrestre do Instituto Nacional
de Pesquisas Espaciais. É considerado referência mundial sobre o tema.
Nele, há vários artigos e informações úteis sobre o tema.
Para acessar, use seu leitor de QR Code.

154
UNIDADE 9

Segundo a NBR 5419:2015, as probabilidades de ocorrência de valores de pico das descargas at-
mosféricas são:
• 95 % ≤ 5 kA.
• 80 % ≤ 20 kA.
• 60 % ≤ 30 kA.
• 20 % ≤ 60 kA.
• 10 % ≤ 80 kA.

Foi comprovado que a corrente de descarga tem uma única polaridade, ou seja, uma só direção. Uma
onda típica de descarga atmosférica foi determinada para efeito de estudos específicos. A Figura 2
mostra o perfil dessa onda em função do tempo.

V(kV)

V2

V1

V0

T2 T1 T0 T(µs)
Figura 2 - Formato característico de uma onda de descarga atmosférica / Fonte: Mamede (2017, p. 859).

Descrição da Imagem: a onda atinge o valor máximo de tensão V2 em um tempo T2, entre 1 e 10 μs. Já o valor médio V1, referente
ao valor médio da cauda da onda, é obtido em um intervalo de tempo T1 de 20 a 50 μs, caindo para V @ 0 ao final de T0, no intervalo
de 100 a 200 μs.

A onda de tensão característica foi normalizada para valores de T1 = 50 μs e T2 = 1,5 μs, normalmente
conhecida como onda de 1,2 × 50 μs. Já a onda característica da corrente de descarga foi normalizada
para T1 = 20 μs e T2 = 8 μs, também conhecida como onda de 8 × 20 μs.
Conhecer a forma da onda, os valores típicos de tensão e tempo, e os percentuais de ocorrência
fornece condição para a realização de estudos destinados ao dimensionamento de para-raios de pro-
teção contra sobretensões nas linhas e redes elétricas e dos para-raios de haste, destinados à proteção
de construções prediais e instalações em geral.
Durante as tempestades, muitas pessoas ficam apavoradas e tomam atitudes não recomendadas,
colocando a segurança em risco. Segue uma breve recomendação sobre os cuidados a serem tomados
durante uma tempestade:

155
UNICESUMAR

• As pessoas devem se retirar da água, seja praia, seja barragens, pois as descargas
atmosféricas podem provocar, no espelho d’água, quedas de tensão acentuadas e
capazes de acidentar o indivíduo notadamente se ele estiver em posição de nado.
• Ao sair da água, não é permitido permanecer andando ou deitado na praia. Procure
sempre um abrigo que possa oferecer a melhor segurança.
• Se o indivíduo está no interior de um pequeno barco ou jangada, por exemplo, prati-
cando pescaria, é preciso recolher a vara de pesca, colocando-a no interior do barco.
Procure se deitar ou se abaixar. Se for possível, desembarque com segurança, ao
identificar um local seguro.
• Durante as partidas de futebol de várzea, o chamado “futebol de poeira”, é conveniente
interromper o espetáculo e procurar abrigo.
• Nas quadras de esporte abertas ou nos campos de futebol em que não há nenhuma
forma de proteção contra descargas atmosféricas, as pessoas devem se proteger sob
as arquibancadas, inclusive, os atletas. Em alguns momentos, a imprensa televisiva
registra e relata ocorrências de raios que atingem atletas em pleno jogo.
• Evite permanecer em lugares altos dos morros.
• Evite locais abertos, como estacionamentos e área rural.
• Os operários devem abandonar o topo das construções durante as tempestades.
• Evite permanecer debaixo de árvores isoladas. É preferível procurar locais com um
maior número de árvores, quando não encontrar um abrigo mais seguro.
• Nunca se deite debaixo de uma árvore, sobretudo, com o corpo na posição radial.
Caso uma descarga atinja a árvore, a corrente é injetada no solo no sentido radial. O
indivíduo pode ficar submetido à elevada queda de tensão entre as pontas dos pés
e os braços.
• Os melhores abrigos que as pessoas normalmente podem encontrar em situações
de tempestades são:
• Qualquer estrutura que tenha uma proteção contra descargas atmosféricas.
• Grandes estruturas de concreto, mesmo que não tenham proteção contra des-
cargas atmosféricas.
• Túneis, estações de metrô, passarelas subterrâneas ou quaisquer estruturas
subterrâneas.
• Automóveis, caminhões, carrocerias e congêneres, desde que devidamente fe-
chados e dotados de superfícies metálicas.
• Vias públicas nas quais haja edificações elevadas.
• Interior de lanchas ou de navios metálicos.

156
UNIDADE 9

Agora, conheceremos os métodos de análise dos componentes de risco. O risco é um valor que,
a partir dele, é possível determinar uma provável perda anual média de vidas e bens, por exemplo,
quando se projeta um sistema de descarga atmosférica para proteção de determinada estrutura.
Quando falamos em risco, estamos tratando dos danos e das perdas resultados de uma descarga
atmosférica que atinge uma estrutura (edificação, por exemplo), uma linha de energia, de sinal ou
áreas próximas à estrutura. A NBR 5419-2: 2015 codifica as fontes, os tipos de danos e as perdas para
identificação ao longo do processo de cálculo para a definição da necessidade, ou não, de implemen-
tação de medidas de proteção da estrutura.
O primeiro aspecto são as fontes de danos, que têm origem na corrente gerada por uma descarga
atmosférica. A severidade do dano está conectada ao ponto de impacto da descarga.
• S1: descarga atmosférica que atinge a estrutura.
• S2: descarga atmosférica que atinge áreas próximas à estrutura.
• S3: descarga atmosférica que atinge a linha de energia elétrica, linha telefônica e cabo de internet.
• S4: descarga atmosférica que atinge as proximidades da linha de energia elétrica, linha telefônica
e cabo de internet.

Também temos os tipos de danos. Eles estão conectados ao tipo de construção (edificação em concreto
armado, edificação em estrutura de aço etc.), ao tipo de serviço executado no interior e às medidas de
proteção existentes (DPS coordenados). Os riscos a serem considerados são:
• D1: ferimentos a seres vivos por choque elétrico.
• D2: danos físicos.
• D3: falhas de sistemas eletroeletrônicos.

Temos os tipos de perdas:


• L1: ferimentos a seres vivos por choque elétrico.
• L2: perda de serviço público.
• L3: perda de patrimônio cultural.
• L4: perdas de valores econômicos (estrutura, os bens nela contidos e perda de atividade desen-
volvida na edificação).

Para avaliação dos riscos a que ficam submetidas as estruturas diante de eventos decorrentes de des-
cargas atmosféricas, temos as seguintes questões a serem consideradas:
• R1: risco de perda de vida humana, incluindo ferimentos.
• R2: risco de perda de serviço público.
• R3: risco de perda de patrimônio cultural (museus, monumentos históricos etc.).
• R4: risco de perda de valores econômicos.

157
UNICESUMAR

Nesta unidade, exporemos os fatores a serem avaliados em um gerenciamento de risco e que são mais
voltados ao componente de risco R1, em que temos fontes de danos D1, D2 e D3 e tipo de perda L1.
Para esse tipo de análise, realizamos:
Avaliação do número anual de eventos perigosos decorrentes de descargas atmosféricas:
• Nessa avaliação, verificamos a área de exposição da estrutura.
• Também é observada a localização relativa da estrutura, considerando as edificações vizinhas.

Avaliação da probabilidade de danos:


• Para danos a seres vivos.
• Para danos físicos.
• Falhas nos sistemas internos.

Análises da quantidade de perdas:


• Perda de vida humanas.
• Perdas inacessíveis em serviço público.
• Perdas inacessíveis em patrimônio cultural.
• Perdas econômicas.

É feita uma análise de todas as quantidades de perda, verificando os componentes de risco e as divisões
das zonas dentro de uma edificação, a fim de que o risco seja aceitável.
Todos os parâmetros anteriores estão descritos na NBR 5419, com especificações de cálculos e
parâmetros. Uma leitura da norma é essencial para entender todos os gerenciamentos de risco.
Os Sistemas de Proteção Contra Descargas Atmosféricas (SPDA) são projetados para receber
as descargas atmosféricas que atingem diretamente a parte superior da estrutura ou as laterais. Eles
permitem que a corrente elétrica flua para a terra sem gerar perigos à vida e ao patrimônio por cen-
telhamento e efeitos térmicos e mecânicos danosos à estrutura.
Os SPDA podem ser projetados e construídos utilizando materiais condutores naturais (são partes in-
tegrantes da estrutura e que não podem ser alteradas), como armaduras de pilares e fundação, ou materiais
condutores não naturais, (não integram a estrutura, como cabos de cobre, alumínio, aço, aço cobreado e
outros), que são instalados, com a finalidade única de proteger a estrutura contra descargas atmosféricas.
Os sistemas de proteção contra descargas atmosféricas são feitos por três subsistemas intimamente
interligados: o subsistema de captação, o subsistema de descida e o subsistema de aterramento.
Os subsistemas de captação são os elementos condutores normalmente expostos e localizados na parte
mais elevada da edificação. Eles são os responsáveis pelo contato direto com as descargas atmosféricas.
Os captores podem ser classificados segundo a natureza construtiva:
• Captores naturais: constituídos por elementos condutores expostos, geralmente, partes da edificação
que se deseja proteger. As coberturas metálicas das estruturas são exemplos de captores naturais.
• Captores não naturais: constituídos por elementos condutores expostos e instalados sobre a
cobertura e a lateral das edificações, a fim de estabelecer o contato direto com as descargas at-
mosféricas. Cabos de cobre nu e barras chatas de alumínio são exemplos de captores não naturais.

158
UNIDADE 9

Os subsistemas de descida são formados por elementos condutores expostos, ou não, que permitem a
continuidade elétrica entre os captores e o subsistema de aterramento. Eles também podem ser clas-
sificados como naturais ou não naturais.
• Subsistemas de descida naturais: são elementos condutores, partes integrantes da edificação de
natureza condutiva que têm a condição de conduzir correntes para o subsistema de aterramento.
Exemplo: armaduras de aço interligadas aos pilares da estrutura.
• Subsistemas de descida não naturais: são elementos condutores expostos, ou não, para a con-
dução ao subsistema de aterramento da edificação. Exemplos: barra chata de alumínio e cabos
de cobre nu instalados nas laterais das edificações.

Por sua vez, os subsistemas de aterramento são elementos condutores enterrados ou embutidos nas
fundações das edificações. Eles são os responsáveis pela dispersão das correntes elétricas no solo.
Também podem ser classificados como:
• Subsistemas de aterramento naturais: são elementos metálicos embutidos nas fundações das
edificações e parte integrante delas. Exemplos de subsistemas de aterramento são as armações
das fundações de concreto armado das edificações, as armações das bases de torre de aeroge-
radores, as estruturas de concreto armado enterradas e outros meios equivalentes.
• Subsistemas de aterramento não naturais: são elementos condutores enterrados horizontal ou
verticalmente, com o objetivo de dispersar as correntes elétricas no solo. Exemplos: condutores
de cobre nu enterrados e hastes cobreadas.

Os materiais utilizados nos sistemas de SPDA são:


• Cobre: maciço ou encordoado. É utilizado como cobertura.
• Aço galvanizado a quente: maciço ou encordoado.
• Aço inoxidável: maciço ou encordoado.
• Aço cobreado: maciço ou encordoado.
• Alumínio: maciço ou encordoado.

Esses materiais, normalmente, podem ser instalados em vários tipos de ambientes. Contudo, é neces-
sário cuidado durante a instalação para evitar problemas de correção e destruição por meio galvânico.

Neste podcast, falaremos dos materiais usados nos sistemas de capta-


ção, descida e aterramento de sistema SPDA. Também abordaremos
os principais erros de instalação e exporemos as oportunidades de
mercado.

159
UNICESUMAR

Conheceremos mais um elemento relativo aos sistemas de proteção contra descargas atmosféricas: as
ligações equipotenciais. Elas são utilizadas para equalizar todos os potenciais elétricos no interior
de uma edificação, evitando choques elétricos, incêndios e explosões.
O SPDA deve ser conectado aos demais sistemas de aterramento e obedecer algumas regras básicas:

• A equipotencialização dos SPDA externos isolados deve ser realizada ao nível do solo.
• A equipotencialização dos SPDA externos não isolados deve ser realizada na base da
estrutura ao nível do solo.
• Os condutores de ligação equipotencial devem ser conectados a uma barra de ligação
equipotencial instalada no subsolo ou próxima ao nível do solo ou, ainda, próximo ao
quadro geral de BT, de forma a proporcionar fácil acesso.
• Os condutores de equipotencialização devem ser retilíneos e de menor comprimento
possível.
• Em grandes estruturas, deve ser instalada mais de uma barra de ligação equipotencial
devidamente interligada.
• A cada intervalo não superior a 20 m, deve existir uma ligação equipotencial (BEL)
para estruturas com mais de 20m de altura.
• As barras de ligação equipotencial local BEL (barramento de equipotencialização local)
devem ser conectadas ao anel horizontal que interligam os condutores de descida.
• O barramento de equipotencialização principal BEP (barramento de equipotenciali-
zação) deve ser ligado ao subsistema de aterramento.
• Todos os condutores não vivos dos sistemas elétricos e dos equipamentos de tec-
nologia da informação devem ser direta ou indiretamente conectados à ligação equi-
potencial.
• As luvas isolantes inseridas nas canalizações de gás ou de água devem ser curtocir-
cuitadas.
• A seção do condutor em aço inoxidável como condutor equipotencial deve ser igual
à do aço galvanizado a fogo.
• Em uma mesma edificação, é preciso projetar um só sistema de aterramento, no qual,
por meio de ligações equipotenciais, seriam conectadas todas as partes da instalação
que obrigatoriamente devessem ser conectadas à terra.
• As interligações equipotenciais podem ser realizadas pelos seguintes meios:
• Direto: utilizar condutores de ligação não naturais. Neles, a continuidade elétrica
não pode ser garantida pelas ligações naturais.

160
UNIDADE 9

• Indireto: utilizar dispositivos de proteção contra surtos (DPS) quando não for
possível executar a ligação direta por meio de condutores não naturais ou utilizar
centelhadores quando a ligação direta não for permitida.
• Quando não for possível ou aceitável uma ligação direta de equipotencialização, é
preciso utilizar um DPS que apresente as seguintes características técnicas:
• A corrente de impulso deve ser igual ou superior à corrente de descarga atmos-
férica que flui do SPDA externo aos elementos metálicos interligados.
• A tensão de impulso disruptiva nominal deve ser inferior ao nível de impulso
suportável entre as partes.
• Os condutores vivos dos sistemas internos que não sejam blindados, nem estejam
instalados no interior de eletrodutos devem ter equipotencialização ao BEP por meio
de um DPS.
• Os condutores vivos devem ser ligados ao BEP ou ao BEL somente pelo DPS.
• Os condutores PE e PEN de um sistema TN devem ser conectados diretamente ao
BEP ou ao BEL.
• A união dos segmentos das tubulações metálicas de água, gás, ar comprimido e óleo
que contenham anéis isolantes intercalados deve ser interligada por condutores ou
DPS dedicados a essa utilização.

Agora, estudaremos os métodos de proteção contra descargas atmosféricas. Existem três métodos
de proteção contra descargas atmosféricas definidos pela NBR 5419-3:2015:
I. Método do ângulo de proteção.
II. Método das malhas.
III. Método da esfera rolante.

A norma apresenta uma variação no ângulo de proteção em função da altura da estrutura e da classe
do sistema (SPDA). O raio da esfera rolante também sofre modificação em função da classe do SPDA,
como veremos a seguir.
O método do ângulo de proteção conhecido como método de Franklin é baseado na definição do
volume de proteção propiciado por um cone. Nele, o ângulo da geratriz com a vertical se dá em função
do nível de proteção e da altura da construção. A Figura 3 exibe o volume de proteção provido pelo
mastro do para-raios.

161
UNICESUMAR

HC
α

Mastro

B RP O C

Figura 3 - Volume de proteção provido pelo mastro do para-raios / Fonte: Mamede (2017, p. 913).

Descrição da Imagem: trata-se de um cone de altura Hc com ângulo alfa.

Utilizando a propriedade das pontas metálicas de propiciar o escoamento das cargas elétricas para a
atmosfera, chamado poder das pontas, Frankli concebeu e instalou um dispositivo que desempenha
essa função, denominado “para-raios”.
Nosso segundo método é o método das malhas ou método de Faraday, que método corresponde
ao envolver a estrutura com uma malha captora de condutores elétricos nus. As distâncias entre os
captores dependem do nível de proteção.
Esse método é indicado para edificações com uma grande área horizontal, visto que seriam neces-
sários vários captores do tipo haste, aumentando demasiadamente o custo da obra. A metodologia é
baseada na teoria em que o campo eletromagnético é nulo no interior de uma estrutura metálica ou
envolvida por uma superfície metálica ou por uma malha metálica.
Nosso último método é o método da esfera rolante ou método eletrogeométrico. O princípio é
delimitar o volume de proteção dos captores de um sistema SPDA, seja de hastes, seja de condutores
nus, ao rolar a esfera fictícia sobre o solo e o sistema de proteção.
Dessa maneira, a região em que ela não toca forma a zona protegida. Em outras palavras, a zona
protegida é definida como a região em que a esfera rolante não consegue tocar, exceto nos captores.
A Figura 4 mostra essa área.

162
UNIDADE 9

Captores
horizontais
transversais
Captores
horizontais
transversais

Captores
transversais
Raio da esfera girante – R0

Raio da esfera girante – R0


Captores
horizontais
transversais

50 m

Figura 4 - Aplicação do método da esfera rolante em uma superfície irregular / Fonte: Mamede (2017, p. 924),

Descrição da Imagem: trata-se de um edifício com diferentes alturas e esferas de raio Re tocando cada ponto entre os captores.

Esse método é muito utilizado em estruturas de formas arquitetônicas complexas.

Eu indico a aula em que o engenheiro Pablo Guimarães realiza um estudo


de caso relativo às inspeções de sistemas proteção contra descargas atmos-
féricas. Trata-se de um ótimo estudo sobre o mercado de projetos de SPDA.
Para acessar, use seu leitor de QR Code.

Poderíamos dedicar um livro todo para falar dos sistemas de proteção contra as descargas atmosfé-
ricas. Todavia, essa é uma base para que você saiba identificar um sistema e tenha noção dos pontos
essenciais em um gerenciamento de risco.
Agora, estudante, você conhece os projetos de proteção contra descargas atmosféricas. Com isso,
você pode abrir novas oportunidades de prestação de serviços na área de projetos, laudos e adequações
de sistemas.
Esse conhecimento é essencial para todos aqueles que trabalham com projetos, visto que, normal-
mente, o mesmo projetista do projeto predial assume o projeto de SPDA. Portanto, conhecer ambos
é essencial para quem deseja seguir como projetista.

163
Para sintetizar todas as informações que estudamos ao longo desta unidade, minha sugestão é a
construção de um mapa mental, a fim de preenchê-lo conceitos-chave. Certamente, a retenção de
conhecimentos será muito mais efetiva. Você pode, por exemplo, expor os principais aspectos
dos métodos de proteção contra descargas atmosféricas.

Métodos de malhas

Método Esfera Rolante


MÉTODOS DE PROTEÇÃO

Método de ângulo de proteção

Descrição da Imagem: trata-se de um mapa mental que tem, no centro, a seguinte expressão: “Métodos de proteção”. Dela,
saem as seguintes expressões: “Método de malhas”, “Método de ângulo de proteção” e “Método esfera rolante”.

164
1. Considerando os conceitos relacionados aos sistemas de proteção contra descargas atmos-
féricas, analise as afirmativas a seguir:

I) As classes de um sistema representam o quão robusto ele é, sendo IV o mais simples e I o


mais robusto.
II) As classes de um sistema representam o quão robusto ele é, sendo I o mais simples e IV o
mais robusto.
III) A altura de uma edificação é um dos fatores a serem avaliados no gerenciamento de risco.
É correto o que se afirma em:

a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) I e II.
d) I, II e III.
e) I e III.

2. Considerando os conceitos relacionados aos componentes de risco de um sistema SPDA,


analise as afirmativas a seguir:

I) Fonte de dano S1 é uma descarga atmosférica que atinge a estrutura.


II) Dano tipo D1 representa os ferimentos aos seres vivos por choques elétricos.
III) Perda L3 é uma perda de patrimônio cultural.
É correto o que se afirma em:

a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) I e II.
d) I, II e III.
e) II e III.

165
3. Considerando os conceitos relacionados aos subsistemas de um sistema SPDA, analise as
afirmativas a seguir:

I) O subsistema de captação é o responsável por receber a descarga atmosférica. Exemplos:


hastes com captores ou coberturas metálicas.
II) O subsistema de descida é o responsável pela conexão entre os captores e o subsistema de
aterramento. Exemplos: barras chatas de alumínio, rebar na estrutura ou a própria estrutura
metálica da edificação.
III) O subsistema de aterramento é o responsável pela dispersão da corrente elétrica no solo.
São utilizados cabos de cobre nu enterrado, hastes cobreadas e as fundações da edificação
para esse sistema, por exemplo.
É correto o que se afirma em:

a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) I e II.
d) I, II e III.
e) II e III.

166
UNIDADE 1

BRASIL. NR 10 — Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade. Diário Oficial da União, 6


jul. 1978. Disponível em: www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr10.htm. Acesso em: 8 abr. 2022.

BRASIL. A ANEEL. Agência Nacional de Energia Elétrica, 2022. Disponível em: https://www.
gov.br/aneel/pt-br/acesso-a-informacao/institucional/a-aneel. Acesso em: 11 abr. 2022.

ENERGÊS. (Cartilha do) Setor Elétrico. 2020. Disponível em: https://energes.com.br/cartilha-


-do-setor-eletrico/. Acesso em: 11 abr. 2022.

INSTITUTO E+ TRANSIÇÃO ENERGÉTICA. Panorama do Sistema Elétrico Brasileiro. Rio de


Janeiro: Instituto E+ Transição Energética, 2019. Disponível em: https://www.emaisenergia.org/wp-
-content/uploads/2020/04/PanoramaDoSistemaEletricoBrasileiro2019.pdf. Acesso em: 11 abr. 2022.

ONS. Sobre o ONS: o que é o ONS. [2022]. Disponível em: www.ons.org.br/paginas/sobre-o-ons/o-


-que-e-ons. Acesso em: 11 abr. 2022.

PINTO, M. de O. Energia Elétrica: geração, transmissão e sistemas interligados. 1. ed. Rio de Ja-
neiro: LTC, 2014.

Referência on-line:

¹Em: http://www.ons.org.br/. Acesso em: 11 abr. 2022.

UNIDADE 2

ABNT. NBR 5413: iluminação de interiores. Rio de Janeiro: ABNT, 1992.

ABNT. NBR 5461: iluminação: terminologia. Rio de Janeiro: ABNT, 1998.

ABNT. NBR 5410: instalações elétricas de baixa tensão. Rio de Janeiro: ABNT, 2004.

ABNT. NBR ISO/CIE 8995: iluminação de ambientes de trabalho. Rio de Janeiro: ABNT, 2013.

BRASIL. NR 10 — Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade. Diário Oficial da União, 6


jul. 1978. Disponível em: www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr10.htm. Acesso em: 8 abr. 2022.

MAMEDE FILHO, J. Instalações Elétricas Industriais: de acordo com a norma brasileira NBR
5419:2015. 9. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2017.

PARANÁ. NPT 018: iluminação de emergência. [S.l.]: Corpo de Bombeiros BM/7, 2014. Disponível
em: https://www.bombeiros.pr.gov.br/sites/bombeiros/arquivos_restritos/files/documento/2018-12/
NPT_018.pdf. Acesso em: 12 abr. 2022.

167
UNIDADE 3

ABNT. NBR 5410: Instalações elétricas de baixa tensão. Rio de Janeiro: ABNT, 2004.

UNIDADE 4

ABNT. NBR 5410: Instalações elétricas de baixa tensão. Rio de Janeiro: ABNT, 2004.

ABNT. NBR 5410: Instalações elétricas de baixa tensão. Rio de Janeiro: ABNT, 1997.

NERY, N. Instalações elétricas: princípios e aplicações. 3. ed. São Paulo: Érica, 2019.

UNIDADE 5

CREDER, H. Instalações elétricas. Rio de Janeiro: LTC, 2016.

UNIDADE 6

ABNT. NBR 5410: Instalações elétricas de baixa tensão. Rio de Janeiro: ABNT, 2004.

NERY, N. Instalações elétricas: princípios e aplicações. 3. ed. São Paulo: Érica, 2019.

NORMA técnica CELG D. Fornecimento de Energia Elétrica em Tensão Secundária de Distribuição.


NTC-04. Revisão 4. [S. l.: s. n.], [2022]. Disponível em: https://www.eneldistribuicao.com.br/go/
documentos/NTC04.pdf. Acesso em: 1 abr. 2022.

NORMAS técnicas COPEL. Fornecimento em tensão secundária de distribuição. NTC 901100.


Curitiba: COPEL, 2020.

ROBÉRIO JÚNIOR. A importância manutenção em subestações abrigadas. KVAR, 28 jul. 2020.


Disponível em: https://www.kvarltda.com.br/post/a-import%C3%A2ncia-manuten%C3%A7%-
C3%A3o-em-subesta%C3%A7%C3%B5es-abrigadas. Acesso em: 6 abr. 2022.

168
UNIDADE 7

CREDER, H. Instalações elétricas. Rio de Janeiro: LTC, 2016.

NERY, N. Instalações elétricas: princípios e aplicações. 3. ed. São Paulo: Érica, 2019.

UNIDADE 8

LEÃO, R. P. S.; SAMPAIO, R. F.; ANTUNES, F. Harmônicos em sistemas elétricos. São Paulo:
Grupo GEN, 2013.

UNIDADE 9

MAMEDE FILHO, J. Instalações elétricas industriais. 9. ed. São Paulo: Grupo GEN, 2017.

169
UNIDADE 1

1. B. Segundo a NR 10.3.8, o projeto elétrico deve ser assinado por profissional legalmente habilitado.

2. B. A geração de usinas eólicas tem previsão de aumento de 1,3%, enquanto o aumento da geração
solar tem previsão de aumento de 1,1%.

3. A. Por se tratar de uma instalação de pequeno porte — residência de tamanho médio —, torna-se
necessário o uso da NBR 5410 — instalações elétricas de baixa tensão — e da NR10, ao menos
durante a elaboração do projeto. Torna-se necessária a avaliação sobre o uso de outras NBR e NRs.

UNIDADE 2

1. D. Os projetos de iluminação em ambientes internos devem seguir a potência estabelecida pela


NBR 5410 e a iluminação estabelecida pela NBR 8995.

2. Com base nas áreas do ambiente, verificamos o número mínimo de pontos de iluminação, obser-
vando que a área é superior a 6 m². Então, deve ser prevista uma carga mínima de 100 VA para os
primeiros 6 m², acrescida de 60 VA para cada aumento de 4 m² inteiros.

Sala: 100 VA + 60 VA = 160 VA de potência para o circuito de iluminação.

O perímetro é de 3 m + 3 m + 3,5 m + 3,5 m = 13 m.

Verificamos, agora, o número mínimo de pontos de tomadas para o quarto: deve ser previsto, pelo
menos, um ponto de tomada para cada 5 m, ou fração, de perímetro. Totaliza três tomadas, pelo
menos, de 100 VA cada.

3. Com base nas áreas do ambiente, verificamos o número mínimo de pontos de iluminação, obser-
vando que a área é superior a 6 m²: 5,08 m x 4,92 m = 25 m, arredondando para mais.

Então, deve ser prevista uma carga mínima de 100 VA para os primeiros 6 m², acrescida de 60 VA
para cada aumento de 4 m² inteiros.

Cozinha: 100 VA + 60 VA + 60 VA + 60 VA + 60 VA = 340 VA de potência para o circuito de iluminação.

O perímetro é de 5,08 m + 5,08 m + 4,92 m + 4,92 m = 30,16 m.

A cozinha se classifica conforme o item 9.5.2.2.1 (b): um ponto de tomada a cada 3,5 m, ou fração,
de perímetro.

Então, teremos oito tomadas, sendo três de 600 VA cada — conforme item 9.5.2.2.2 —, e as outras
cinco são de 100 VA, totalizando 2300 VA.

170
UNIDADE 3

1. A.

Segundo a norma, deve ser de 16mm².

2. O fator de agrupamento será 0,8.

O fator de correção de temperatura será 1,06.

P( w)
Corrente de projeto IB = = 43,3ª.
V * FP
O primeiro dimensionamento sem correção seria para um cabo de 10 mm²
IZ = 57A

Fazendo as correções

I Z '  1, 06*, 8  57  48, 33A .

3.

Utilizando a equação

200 xr x ( Lc xI c )
S c
DVc xV fn
Sc = 7,61.

Como o padrão de mercado imediatamente superior é de 10 mm², essa seção atende às correções
em função da temperatura e do agrupamento e da queda de tensão.

UNIDADE 4

1. A.

Dispositivo de manobra e proteção capaz de estabelecer, conduzir e interromper correntes sob


condições nominais e interromper correntes sob condições não normais, como correntes de so-
brecarga e curto-circuito. A proteção de DR e DPS são complementares às outras situações, sendo
necessária a utilização de disjuntores ou fusíveis associados às chaves térmicas para proteger
contra sobrecargas.

171
2. C.

O uso de DR de alta sensibilidade é obrigatório para a situação.

3. B.

Para não ocorrerem desligamentos inesperados no DR causados por correntes de fuga pelo DPS,
o DPS deve ser instalado antes do dispositivo DR.

UNIDADE 5

1. E.

Os painéis elétricos são, de fato, o coração da instalação. Contudo, nem todo ambiente em que eles
são instalados realmente é agressivo, justificando que o grau de proteção seja IP66.

2. C.

Dadas as informações, ao menos, o fator de correção de agrupamento deveria constar no memorial


de cálculo, visto que os condutores estão na mesma eletrocalha em conjunto com outros circuitos.
Já o fator de correção de temperatura não pode ser levado em consideração por falta de informa-
ções. O fator de serviço é, de praxe, utilizado para o dimensionamento de condutores. Todavia, não
consta que deve ser levado em consideração na norma.

3. A.

Os principais equipamentos responsáveis pelo baixo fator de potência de uma instalação elétrica
em indústrias são os motores elétricos indutivos e os transformadores.

UNIDADE 6

1. D.

Os conceitos citados podem ter algum detalhe diferente e que varia em função da concessionária.
Todavia, a princípio, são corretos.

2. D.

Os conceitos citados estão em total conformidade com a REN 414.

172
3. D.

As definições estão de acordo com a REN 414.

UNIDADE 7

1. E.

A distância total entre o CD e a TO não deve ultrapassar 2 km (cabeamento horizontal + backbone


de edifício + backbone de campus).

2. D.

Os conceitos citados tratam dos cabos TP.

3. E.

As fibras óticas são confiáveis em grandes distâncias. Essa é uma das vantagens.

UNIDADE 8

1. E.

Não são métodos usuais: a transformada da Laplace e a transformada Z para caracterização de


harmônicos.

2. D.

Os conceitos citados estão corretos.

3. D.

Os conceitos citados estão corretos.

173
UNIDADE 9

1. C.

As classes de um sistema representam o quão robusto ele é, sendo IV o mais simples e I o mais
robusto.

2. D.

Os conceitos citados estão corretos.

3. D.

Os conceitos citados estão corretos.

174
175
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