AÇAÍ

Açaí é o fruto bacáceo roxo que dá em cacho na palmeira conhecida como açaizeiro, cujo nome científico é Euterpe oleracea. É uma espécie nativa das várzeas da região amazônica, especificamente dos seguintes países: Venezuela, Colômbia, Equador, Guianas, e Brasil (estados do Amazonas, Amapá, Pará, Maranhão, Rondônia Acre e Tocantins ), assim como em Trinidad e Tobago e nas bacías do Pacífico na Colômbia e no Ecuador. A Festa da Juçara do Maranhão refere-se ao açaí. O açaí é um alimento muito importante na dieta dos habitantes do Pará, [1] onde seu consumo remonta aos tempos pré-colombianos. Hoje em dia é cultivado não só na Região Amazônica, mas em diversos outros estados brasileiros, sendo introduzido no resto do mercado nacional durante os anos oitenta e noventa.

Descrição
O açaizeiro é muito semelhante à palmeira juçara (Euterpe edulis Mart.) da Mata Atlântica, diferenciando-se porque cada planta de juçara tem somente um caule mas os açaís crescem em touceiras de 4 a 8 estipes (troncos de palmeira) cada um de 12 m de altura e 14 cm de diâmetro ponto-médio e podendo chegar até uns 20 metros.

Usos
Da palmeira, tudo se aproveita: frutos (alimento e artesanato), folhas (coberturas de casas, trançados), estipe (ripas de telhado), raízes (vermífugo), palmito (alimento e remédio anti-hemorrágico). Seu sumo é muito consumido como suco ou pirão e cujo gomo terminal constituí o palmito. Assim pode ser consumido na forma de bebidas funcionais, doces, geleias e sorvetes. O fruto é colhido subindo -se na palmeira com o auxílio de uma trançado de folha amarrado aos pés - a peconha. (Peconha é um utensílio rudimentar amazônico similar a um cinto, utilizado na escalada de árvores comumente fabricado a partir de fibras de Ubuçu (tururi), Ripeira ou Matamatá) Para ser consumido, o açaí deve ser primeiramente despolpado em máquina própria ou amassado manualmente (depois de ficar de molho na água), para que a polpa se solte, e misturada com água, se transforme em um suco grosso também conhecido como vinho do açaí. A forma tradicional na Amazônia de tomar o açaí é gelado com farinha de mandioca ou tapioca. [6] Há quem prefira fazer um pirão com farinha e comer com peixe assado ou camarão e mesmo os que preferem o suco com açúcar (ainda assim, bem mais grosso que qualquer suco servido no sudeste). [carece de fontes?] As sementes limpas são muito utilizadas para o artesanato.[7] Quando descartadas, servem como adubo orgânico para plantas. [carece de fontes?]

Nas demais regiões do Brasil, o açaí é preparado da polpa congelada batida com xarope de guaraná, gerando uma pasta parecida com um sorvete, ocasionalmente adicionando frutas e cereais, o que não é bem visto pelos habitantes da região Norte, que encaram a mistura como um desperdício de açaí. Conhecido como açaí n a tigela, é um alimento muito apreciado por freqüentadores de academias e desportistas.

Origem do nome
A etimologia da palavra açaí encontra-se no vocábulo tupi que significa fruto que chora, ou seja fruto que elimina água.

Importância comercial
O açaí é de grande importância para a sua região de cultivo em virtude de sua utilização constante por grande parte da população, principalmente os ribeirinhos. Nas condições atuais de produção e comercialização, a obtenção de dados exatos é quase impossível, devido à falta de controle nas vendas, bem como à inexistência de uma produção racionalizada, uma vez que a matéria-prima consumida se apoia pura e simplesmente no extrativismo e comercialização direta. No Pará, principal produtor, o consumo de açaí, em litros, chega a ser o dobro do consumo de leite. Neste sentido, constitui-se num item de alimentação fundamental para muitas pessoas. Entretanto, a exportação em larga escala tem acarretado uma diminuição significativa na qualidade do suco consumido pela população de baixa renda que para consumir o fruto com uma qualidade razoável necessita pagar mais caro. O que tornase inviável do ponto de vista da renda financeira que possuem. Consumindo um suco fino que as pessoas denominam de chula. A mistura com água e outros ingredientes, promovida fora da região Norte do Brasil, reduzindo a participação efetiva de açaí na mistura, é devido ao alto custo que seria exportar açaí do Norte, sobretudo do Pará, para ou tras regiões do país. Para se tornar econômicamente viável, comerciantes passaram a misturar o açaí original, adquirido a alto custo, com outros elementos de menor valor econômico, viabilizando a venda. O detalhe é que isso gerou uma distorção na concepção de consumo da fruta: muitos brasileiros não sabem que o fruto é nativo do Norte ou que é consumido puro. Na região Norte, tanto humildes ribeirinhos (moradores tradicionais das marge ns dos rios) como as classes economicamente mais favorecidas dos grandes centros urbanos consomem açaí sem os artifícios comumente empregados em outras regiões do país, considerando o açaí de duas classes: o açaí integral, sem tais artifícios, e o açaí misturado, que é aquele no qual se acrescenta água para dar mais volume e muitas das vezes até amido com intuito de obter mais consistência, comercializado com frequência em todo o país.

Valor nutricional
Por 100g (cem gramas) de polpa:

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Calorias: 69 K/cal (em média) Proteínas: 3,8g Lipídios: 12,2g Fibra: 16,90g Cálcio: 118 mg Ferro: 11 mg Fósforo: 0,5 mg Vitamina B1: 11,80 Vitamina B2: 0,36 Vitamina C: 0,01

Apesar do alto teor de gordura do açaí, trata-se em grande parte de gorduras monoinsaturadas (60%) e poliinsaturadas (13%),[9] também presentes no abacate. Estas gorduras são benéficas e auxiliam na redução do colesterol ruim (LDL) e melhoram o HDL, contribuindo na prevenção de doenças cardiovasculares como o infarto do coração.

Lenda
Conta a lenda que existia uma tribo indígena muito numerosa. Como os alimentos estavam escassos, era difícil conseguir comida para toda a tribo. Então o cacique Itaki tomou uma decisão muito cruel. Resolveu que a partir daquele dia todas as crianças recém nascidas seriam sacrificadas para evitar o aumento populacional da tribo. Até que um dia a filha do cacique, chamada Iaçá, deu à luz uma menina que também teve de ser sacrificada. Iaçá ficou desesperada, chorava todas as noites de saudades. Ficando vários dias enclausurada em sua oca e pediu a Tupã que mostrasse ao seu pai outra maneira de ajudar seu povo, sem o sacrifício das crianças. Certa noite de lua, Iaçá ouviu um choro de criança. Aproximou -se da porta de sua oca e viu sua filhinha sorridente, ao pé de uma grand e palmeira. Lançou-se em direção à filha, abraçando - a . Porém misteriosamente sua filha desapareceu. Iaçá, inconsolável, chorou muito até morrer. No dia seguinte seu corpo foi encontrado abraçado ao tronco da palmeira, porém no rosto trazia ainda um sorr iso de felicidade e seus olhos estavam em direção ao alto da palmeira, que se encontrava carregada de frutinhos escuros. Itaki então mandou que apanhassem os frutos, obtendo um vinho avermelhado que batizou de acaí, em homenagem a sua filha (Iaçá invertido ). Alimentou seu povo e, a partir deste dia, suspendeu a ordem de sacrificar as crianças.
Açaí (Euterpe oleracea Mart.): a extração de frutos da palmeira do açaí para produção de polpa é uma atividade de grande importância econômica. Está intimamente ligada à cultura e à dieta das populações da Amazônia. Seus produtos e subprodutos são utilizados há várias gerações como fonte de alimento e de renda. Da palmeira do açaí pode-se aproveitar praticamente todas as partes: o palmito é alimento nobre, o "tronco" pode ser usado na

como na torrefação de café. do fruto pode-se obter a polpa e o adubo. camarão ou carne. A polpa representa 15% e é aproveitada. os caroços limpos na industrialização de produtos A4. a partir da década de 1990. podendo ser aproveitado. com área estimada em 1 milhão de hectares. . adaptada às condições elevadas de temperatura. sendo o alimento básico para as populações de origem ribeirinha. associado ao peixe. pela sua abundância e por produzir. placas acústicas. do qual a borra é utilizada na produção de cosméticos.) é nativo da Amazônia brasileira e o Estado do Pará é o principal centro de dispersão natural dessa palmácea. Populações espontâneas também são encontradas nos Estados do Amapá. precipitação pluviométrica e umidade relativa do ar.html Sistema de Produção do Açaí Introdução e importância econômica O açaizeiro (Euterpe oleracea Mart. 2005). As mais recentes pesquisas mostram o novo organograma do aproveitamento do fruto do açaizeiro. Colômbia. Dos frutos do açaizeiro é extraído o vinho. com e sem irrigação. no consumo alimentar. em sistemas solteiros e consorciados. néctares e geléias. Também ocorre em áreas de terra firme. localizadas em regiões com maior precipitação pluviométrica. compondo ecossistemas de floresta natural ou em forma de maciços conhecidos como açaizais. indústria automobilística. carvão vegetal e adubo orgânico. Suriname e Guiana) e da América Central (Panamá). O caroço corresponde a 85% do peso total.com. xaxim. extração de óleo comestível. é na região do estuário do Rio Amazonas que se encontram as maiores e mais densas populações naturais dessa palmeira. além de ser a principal fonte de matéria-prima para a agroindústria de palmito no Brasil. além de uso na geração de vapor.fabricação de papel e como isolante elétrico. também. para a extração de corantes e antocianina. Mato Grosso. doces. O açaizeiro se destaca. O açaí é habitualmente consumido com farinha de mandioca. importante alimento para as populações locais. as fibras em móveis. Dados estatísticos comprovam que cerca de 80% da produção de frutos têm origem no extrativismo. Maranhão. sorvetes e outros produtos derivados (Tinoco. Tocantins. fitoterápicos e ração animal. http://ambientes. que provinha quase que exclusivamente do extrativismo. As maiores concentrações ocorrem em solos de várzeas e igapós. principalmente quando localizadas próximas às várzeas e igapós. entre outros. licores. compensados. além de ser fonte de álcool e servir como antidiarréico. enquanto os 20% restantes são provenientes de açaizais manejados e cultivados em várzea e terra firme. No entanto.ambientebrasil. e em países da América do Sul (Venezuela. passou a ser obtida. de açaizais nativos manejados e de cultivos implantados em áreas de várzea e de terra firme. de forma tradicional. entre os diversos recursos vegetais. panificação. também. Equador. Com o açaí são fabricados sorvetes. polpa ou simplesmente açaí. A produção de frutos. como é conhecido na região.br/gestao/artigos/desenvolvimento_sustentavel _na_amazonia_legal.

Ponta de Pedras e Mocajuba. antes destinado totalmente ao consumo local. Limoeiro do Ajuru. A produção anual de frutos se mantém por volta de 160 mil toneladas. com vistas ao incremento do desempenho do agronegócio. Furos de Breves (MRH 035) e Arari (MRH 036) que. e nutricional. ao longo dos últimos 10 anos. é estimado o envolvimento de 25 mil pessoas. responsáveis por cerca de 80% da produção paraense. mas é esperado sensível aumento quando as áreas de cultivo e de manejo apresentarem níveis satisfatórios de produtividade. para outros países. No agronegócio do açaí. o açaí representa a principal base alimentar da população. . contribuíram com mais de 90% da produção estadual. Do total colhido. vem aumentando significativamente com taxas anuais superiores a 30%. Composição química do açaí O açaí é considerado alimento de alto valor calórico. O reflexo imediato da valorização do produto resultou na expansão de açaizais manejados. em áreas de várzeas. à melhoria da renda e da qualidade de vida dos agricultores e extrativistas envolvidos na exploração comercial do açaizeiro. basicamente. podendo chegar à cerca de 12 mil toneladas. com elevado percentual de lipídeos. A composição química e o valor nutricional do açaí são discriminados na Tabela 1. gerando aproximadamente 2 mil empregos diretos. transporte. Igarapé-Miri. notadamente dos ribeirinhos da região do estuário do Rio Amazonas. Nas áreas de exploração extrativa. ter conquistado novos mercados e se tornado em importante fonte de renda e de emprego. manejo. Os dados mais recentes estimam em mais de 15 mil hectares de áreas manejadas e financiadas no Estado do Pará. ultrapassam a mil toneladas por ano. Abaetetuba. O valor anual da produção de frutos de açaizeiro. principalmente no período da entressafra. cerca de 20% é consumido pelas famílias no local de produção. de janeiro a junho.O interesse pela implementação da produção de frutos tem se dado pelo fato do açaí. estimados em 8 toneladas por hectare. e estimulou a implantação de cultivos racionais em terra firme. no Estado do Pará. processamento e comercialização. O incremento das exportações vem provocando a escassez do produto e a elevação dos preços ao consumidor local. às microrregiões homogêneas de Cametá (MRH 041). Embora o açaizeiro ocorra naturalmente em grandes concentrações em toda a região do estuário amazônico. para outros Estados brasileiros. Em termos de oferta de frutos. pois é rico em proteínas e minerais. no Pará. a produção econômica de frutos é creditada. Esta publicação reúne informações tecnológicas e socioeconômicas sobre os sistemas de cultivo. têm destacadas participações os Municípios de Cametá. A venda de polpa congelada. As exportações de polpa ou na forma de mix. é de aproximadamente 66 milhões de reais.

50 1.30 3.00 66.50 0.00 1.00 286.50 0. Composição Unidade Quantidade na matéria seca pH Matéria seca Proteínas Lipídios totais Açúcares totais Açúcares redutores Frutose Glicose Sacarose Fibras Brutas Energia Cinzas Sódio Potássio Cálcio Magnésio Ferro Cobre Zinco Fósforo Vitamina B1 -Tocoferol (vitamina E) % g/100 g(1) g/100 g(1) g/100 g(1) g/100 g(1) g/100 g(1) g/100 g(1) g/100 g(1) g/100 g(1) Kcal/100g g/100 g(1) mg/100 g(2) mg/100 g(2) mg/100 g(2) mg/100 g(2) mg/100 g(2) mg/100 g(2) mg/100 g(2) mg/100 g(2) mg/100 g(2) mg/100 g(2) 5.00 174.80 15.70 7.00 1.50 1.00 .00 124.00 0.00 34. Composição química e valor nutricional do açaí.00 1.Tabela 1.40 932.00 13.50 56.25 45.00 48.

400 a 2. As temperaturas médias anuais oscilam entre 22 oC e 27 oC. o que equivale a 90% das recomendações diárias e 12. O açaí é rico em minerais. A umidade relativa do ar varia entre 70% e 91%. onde as temperaturas médias dos meses não são inferiores a 18 oC. além da precipitação pluviométrica. pela sua posição geográfica. O açaí possui elevado teor de antocianinas.5 g de fibras alimentares totais. que apresenta amplitude anual um pouco acima desse limite. contém 65. sendo estes responsáveis pela cor do açaí. O açaizeiro encontra condições satisfatórias de cultivo nas faixas climáticas com regular distribuição de chuvas e em áreas que. em áreas da Região Amazônica. Ambiente edafo climático Clima O estuário amazônico. (2)Cálculo por diferença. principalmente potássio e cálcio e. de acordo com o balanço hídrico que se baseia. . O óleo extraído do açaí é composto de ácidos graxos de boa qualidade. Com relação às proteínas. o mais chuvoso e o menos chuvoso (Bastos. De acordo com a classificação de Köppen. o que corresponde a 66% da ingestão diária requerida. pode ser destacada a vitamina E.500 horas que. Bastos et al.300 a 3. 1986). Ami e Awi se diferenciam a partir do total pluviométrico do mês com menor precipitação em relação ao total anual (Fig.50%) e do ovo (12. MT. baixa latitude e clima quente. contendo cerca de 1. com 60% de monoinsaturados e 13% de poliinsaturados. a Região Amazônica está situada no grupo de clima tropical chuvoso A. pertencentes à família dos flavonóides. a variedade climática i se caracteriza por não ter verão ou inverno estacional. O consumo diário de um litro de açaí do tipo médio. Além disto.6 g de proteínas. causadores da arteriosclerose.000 mm anuais. é considerado como região tipicamente tropical. exceto a cidade de Cárceres. possuem função antioxidante. Os tipos climáticos. Fonte: Rogez (2000). 1). com oscilações inferiores a 5 oC. possui teor superior ao do leite (3. enquanto o perfil em aminoácidos é semelhante ao do ovo. 31. Afi. que assegura melhor circulação sanguínea e protegem o organismo contra o acúmulo de placas de depósito de lipídeos.02 /100 g de extrato seco. nas perdas de água pelo processo de evapotranspiração. distribuídos em 2 períodos. com as máximas variando de 28 oC a 33 oC e as mínimas de 17 oC a 23 oC. As antocianinas são pigmentos naturais.5% de matéria seca. 1972. e está estreitamente relacionada aos períodos pluviométricos. O total de brilho solar anual é de 1. um antioxidante natural que atua na eliminação dos radicais livres.(1)Matéria seca.8 g de lipídios. A região se beneficia com índices pluviométricos de 1. os períodos de insolação correspondem de 35% a 60% do total de horas. o que corresponde de 25% a 30% da quantidade nutricional diária necessária.49%). Segundo Bastos (1972). exige o conhecimento da disponibilidade de água no solo. dentre as vitaminas. com a alta nebulosidade. com 12. A definição das possibilidades ou limitações do cultivo do açaizeiro.

1972). Calzavara. dois padrões de solos: os de terra firme (87%). Solos Os solos são originados da decomposição de rochas superficiais e resultam de processos destrutivos. as chuvas alcançam mais de 60 mm. condições adequadas para o cultivo do açaizeiro.5 e. O tipo climático Awi se caracteriza por ter índice pluviométrico anual entre 1. com a formação de novos corpos químicos. floração e frutificação do açaizeiro. pois neles se fixam e extraem parte dos elementos necessários à sua sobrevivência e desenvolvimento (Falesi. normalmente. com pH variando de 4. nos períodos menos chuvosos.500 mm. pobres em .500 mm anuais. possui regime pluviométrico anual que define uma estação relativamente seca. que garanta a suplementação hídrica às plantas (Bastos. O tipo Afi apresenta abundância de chuvas durante todo o ano (acima de 2. Fonte: Bastos. Quando cultivado em áreas de terra firme. Distribuição de tipos climáticos na Amazônia Brasileira.mesmo com período seco definido. pela superfície que ocupam. com tipo climático Ami e Awi. relacionados com a decomposição e desintegração (física e química) dos minerais e de restos orgânicos (vegetais e animais). Desse modo. O Ami.500 mm anuais) e. Fig. 1972. estrutura e composição química que irão influir no desenvolvimento das plantas. intermediário entre Afi e Awi. 1. 1972). com vistas a evitar a redução ou paralisação do crescimento. com nítida estação seca. Na Amazônia brasileira predominam. a utilização de sistema de irrigação.000 e 2. como nas várzeas. no mês de menor precipitação. os solos apresentam textura. mas com precipitação total acima de 2.5 a 6. orgânicos e inorgânicos. disponham de umidade satisfatória no solo. é importante planejar. e construtivos. 1982.

Solos de terra firme Os solos latossólicos. segundo Falesi (1986) são: . respondem muito bem à adubação. ultrapassam os 200. Na implantação de açaizais em solos de terra firme. 1972). Vermelhoamarelo e Vermelho-escuro (Latossolo Vermelho). a unidade pedogenética de maior importância é constituída pelos Latossolos Amarelo. A grande intensidade e freqüência de chuvas ocorrentes na região podem causar a desagregação das partículas dos solos provocando a sua erosão. que margeiam os rios e apresentam extensões de alguns quilômetros de largura. As áreas desmatadas para uso agrícola. 1972). embora o açaizeiro seja espécie típica de áreas inundáveis. fortemente desgastados. Os solos de terra firme. Os solos concrecionários não são recomendáveis para o cultivo do açaizeiro. com características de cultura permanente. onde exerce proteção permanente do solo. Os principais solos hidromórficos encontrados na Região Amazônica. são distinguidas em várzea alta.Plintossolos ou Lateritas Hidromórficas: normalmente de baixa fertilidade. pois são obstáculos à penetração das raízes superficiais dessa espécie e concorrem para a redução do número de brotações. Por isso. ao longo do Rio Amazonas e seus afluentes. é indicado para as condições tropicais de grande precipitação pluviométrica e elevada temperatura. Dentre esses. Solos de várzea e igapó Esses solos hidromórficos ocupam áreas planas. bem drenados. são bem drenados. Apesar da baixa fertilidade natural. porosos. mas sob condições com baixa deficiência hídrica. no Estado do Pará. baixas. que ocorrem nas áreas não-inundáveis do estuário amazônico. 1984). várzea baixa e igapó (Falesi. é dada preferência aos solos planos e com baixa declividade.000 km2. baixa capacidade de troca de cátions e baixo índice de saturação. fortemente ácidos e de baixa fertilidade. 1972). é recomendável a utilização de áreas exploradas com plantios sucessivos. com reflexos na produção (Calzavara. muitas das quais são passíveis de serem utilizadas com sistemas produtivos. bem como utilizar coberturas viva ou morta nas áreas de plantio. que são solos profundos. são opções importantes para o cultivo dessa palmácea. com textura variando de leve (arenosa) a muito pesada (argilosa). baixa soma de bases. tais como os de açaizeiro. de formação sedimentar recente. e os de várzea (13%). situados às margens dos rios com influência constante das marés (Nascimento & Homma. Essas áreas. Por ser espécie florestal típica da região. em sistemas de cultivo solteiro e consorciado.cálcio. As áreas de pastagens degradadas ou as capoeiras finas (macegas) permitem menores custos de implantação do açaizal. crescimento lento dos estipes e redução do diâmetro. . o que faz com que os atributos físicos desses solos sejam mais importantes do que os químicos (Falesi.

como o açaizeiro que desenvolveu mecanismos de adaptações morfológica e anatômica. apresenta grande variação de tipos para os mais diversos caracteres de interesse. Nos igapós. por períodos superiores a 15 dias. Por isso. produtividade de frutos. entre outras.5 a 5. em ambiente anóxico da várzea baixa. solo e sistema de produção é o princípio fundamental para a obtenção de incrementos de produtividade e de qualidade de qualquer vegetal. As estratégias fisiológicas desenvolvidas pelas plantas desta palmácea. a densidade de açaizeiro nas populações nativas é maior nos solos de várzea alta. com a participação de açaizais nativos . tem fertilidade de média a alta. que requerem práticas de manejos específicas e maior volume de investimento. provocando os processos de oxidação e redução do ferro. Em condições naturais. que tenham valor econômico. representadas por raízes aéreas com lenticelas e aerênquimas. por ser espécie alógama (originária de cruzamentos). açaí-açu. as sementes germinam e as plântulas retomam o seu desenvolvimento. formas de inflorescências e cachos.Gleissolos háplicos. O regime de inundações periódicas nas áreas de várzea provocou a adaptação de algumas espécies vegetais. número de frutos por ráquila e diâmetro dos estipes. com ampla ocorrência na Amazônia Continental. rendimento de polpa e época de produção. que caracterizam esses solos de terras inundáveis. por isso. Os solos de várzea não apresentam boas propriedades físicas. e pH de 4. A partir dessas características resultaram. a produção de frutos de açaizeiro. O uso de cultivares adaptadas às diferentes condições de clima. permitem manter as sementes viáveis e as plântulas vivas. mas têm elevada fertilidade.5. havendo também considerável redução no número de perfilhos. por causa das sucessivas deposições de sedimentos. Quando o suprimento de oxigênio é normalizado.. como precocidade. A partir da década de 1990. Os vários tipos de açaizeiro foram definidos de acordo com a coloração de frutos. A redução do teor de oxigênio em solo de igapó. Gley Pouco Húmico ou Gley Húmico: resultante do acúmulo de sedimentos e. sem excluir as de igapó. as populações de açaizeiro são menos densas. também. responsáveis pelo aparecimento de mosqueados. . até então proveniente da exploração extrativa. Esses devem ser os preferidos quando da aplicação do manejo de açaizais ou enriquecimento de ecotipos produtivos dessa palmácea. ou com outras espécies de área inundável. As oscilações do lençol freático determinam a maior ou menor disponibilidade de água e oxigênio. açaí-branco. explica a menor freqüência de espécies arbóreas e de açaizeiro. Cultivar e produção de mudas O açaizeiro.Espodossolos ou Podzol Hidromórfico: são de baixa fertilidade e excessivamente ácidos. pois a germinação de sementes é limitada e o crescimento das plântulas é prejudicado. devem ser priorizados a implantação de cultivos racionais e o manejo de populações nativas nas áreas de várzeas. as denominações de açaí-roxo ou preto. passou a contar. açaí-espada e açaí-sanguede-boi. seguida das de várzea baixa.

em várzea e terra firme. Nesses cultivos foram usadas sementes de origem genética desconhecida. por resultar de plantas de polinização aberta ou cruzada. Nesse ciclo foram identificadas e selecionadas 25 plantas promissoras. no Município de Belém. provenientes de matrizes selecionadas. com bons níveis de produtividade de frutos. obrigatoriamente. para a produção de frutos por 3 anos consecutivos.2 m). obedecendo aos padrões técnicos exigidos para a certificação de sementes. selecionada para as condições de terra firme. em razão de não existir campos de produção de sementes. transformado em área de produção de sementes (APS) ou de população melhorada. apresentará plantas que. De cada planta selecionada foram colhidas e misturadas quantidades iguais de sementes para a produção de mudas. em área de terra firme no Município de Santa Izabel do Pará. Foto: João Tomé de Farias Neto . com produção acima de 25 kg de frutos/planta/ano. em sistemas solteiros e consorciados. PA. circunferência do diâmetro à altura do colo (58 cm). em 2004. plantadas num lote isolado. Aos 3 anos de idade. resultando em plantios heterogêneos quanto à produtividade e qualidade do fruto. O 1o visou à avaliação de 849 plantas da coleção de germoplasma. número de cachos/planta (4.4) e altura do 1o cacho (112 cm) foram considerados vantajosos em relação à população de origem (Fig. lançou. por meio de polinização livre. A cultivar BRS-Pará. 2005) resultou de 2 ciclos de seleção massal. 1). implantada em área de terra firme. a cultivar BRS-Pará. de forma a permitir o intercruzamento. As sementes utilizadas para o lançamento da cultivar BRS-Pará foram provenientes desse plantio. Antes do florescimento das plantas (3o ano). ocorreu à eliminação daquelas com padrão de desenvolvimento vegetativo e perfilhamento (estipe único) indesejável. O programa de melhoramento genético da Embrapa Amazônia Oriental.manejados e de cultivos. os valores médios de altura (4. A cultivar BRS-Pará (Oliveira & Farias Neto. com base na seleção fenotípica na coleção de germoplasma de açaizeiro. não reproduzirão as mesmas características das plantas matrizes. O 2o ciclo visou à seleção de plantas para as características de perfilhamento e vigor. apenas das plantas superiores.

Propagação assexuada Os perfilhos são emitidos na base do estipe do açaizeiro. além de sua baixa taxa de sobrevivência em viveiro ou no campo. Esse processo deve ter o seu uso restrito aos trabalhos de melhoramento genético. a produtividade possa chegar a 4 toneladas e. pelas dificuldades de serem obtidos perfilhos em número suficiente. 1. por meio de perfilhos. A produção de frutos tem início a partir do 3o ano. com tipo climático Ami. poderão sofrer algumas alterações em função da interação genótipo x ambiente. em pequena escala. é indicada para a propagação. de indivíduos que apresentem características desejáveis. mas com a tendência de uniformidade a partir do 5o ano. é estimado que. Vale ressaltar que as características produtivas da cultivar BRSPará. quando comparado com a propagação assexuada. produtividades de aproximadamente 3 toneladas por hectare/ano. No período inicial de produção. é comum a desuniformidade de lançamento de cachos produtivos. A produção de mudas a partir de sementes é o processo mais indicado para o estabelecimento de cultivos comerciais. a partir do 6o ano. ocorram aumentos progressivos que poderão alcançar a 10 toneladas de frutos no 8o ano. em número variável. sendo possível obter. De modo geral. avaliadas em um único local (Santa Izabel do Pará). elevado rendimento de polpa. dependendo do genótipo e das condições ambientais. Plantio de açaizeiro da cultivar BRS-Pará. A produção de mudas. A extração de perfilhos tem uso . Produção de mudas O açaizeiro pode ser propagado pelas vias assexuada (retirada de perfilhos) e sexuada (germinação de sementes). maturação uniforme dos frutos no cacho e período de frutificação na entressafra. nas 2 primeiras safras. com maior concentração da produção de frutos no 2o semestre.Fig. no 5o ano. pois possibilita produzir grande número de indivíduos com menor custo. como alta produtividade.

Os perfilhos devem ter a altura mínima de 50 cm e apresentarem. sendo possível extrair de 5 a 10 perfilhos por touceira a cada ano. resultando na formação de plantios heterogêneos. 2000). de forma arredondada. A extração de perfilhos da planta-mãe é realizada no período mais chuvoso do ano. quando são observadas maiores taxas de sobrevivência no viveiro. com produções desuniformes e de baixo rendimento de frutos e polpa. com base no tipo de estipe (touceira). estrutura utilizada na propagação sexuada do açaizeiro. para a obtenção de . recoberta por fina cutícula oleosa. Rogez. o perianto parcialmente fibroso. rico em sílica e pobre em lipídios (gorduras). Quando novos. apresenta um embrião diminuto. Os perfilhos estão intimamente ligados à parte basal do estipe adulto e emitidos abaixo do coleto. O açaizeiro por ser planta de fecundação cruzada (alógama) favorece a segregação de suas características morfológicas e produtivas. O epicarpo corresponde à fina camada externa do fruto. enquanto uma única planta pode produzir. Obtenção de sementes e preparo de mudas A maioria dos plantios comerciais implantados no Estado do Pará foi feita. Assim.restrito. de verde (açaí branco) a violáceo (açaí preto). os perfilhos não têm raízes em número suficientes que garantam o desenvolvimento normal das mudas. por causa do pequeno número de plantas que podem ser obtidas por esse processo (Oliveira et al. quando maduro. O endocarpo é lenhoso. O endocarpo. constituído de solo (60%) e matéria orgânica (40%). As sementes são obtidas de plantas-matrizes com características desejadas. para o completo desenvolvimento do sistema radicular. Essas mudas podem ser transplantadas para sacos de plástico preto (15 x 35 cm). com abundante tecido endospermático compacto. ou plantadas diretamente no campo. uma folha (flecha) ainda fechada. rendimento de frutos por cacho e de polpa por fruto. porém. anualmente. com diâmetro de 1 a 2 cm e peso de 0. comprimento do entrenó (cicatriz foliar). número de cachos emitidos. representa cerca de 73% do peso do fruto. séssil. quando a área de cultivo estiver próxima ao campo de matrizes. quando do desmembramento. a taxa de multiplicação é baixa. 1998. contendo substrato orgânico. pelo menos. proteínas e amido. a partir de sementes com características desconhecidas e nãoselecionadas. esses são mantidos junto à planta-mãe por cerca de 60 dias. não ultrapassando os 60%. até 10 mil sementes.8 a 2. 2000). quando comparada com a sexuada. São bons parâmetros de avaliação e seleção de plantas-matrizes. Propagação sexuada A semente do açaizeiro é envolvida por uma camada de fibras. e mantidas em viveiro com interceptação de 50% da radiação solar direta. Nesse processo de propagação. O mesocarpo ou polpa tem a espessura de 1 a 2 mm e corresponde de 5% a 15% do volume do fruto (Carvalho et al. produção de frutos. com coloração que pode variar.3 g. até recentemente.

garantindo a germinação de aproximadamente 100%. do mesocarpo e do epicarpo. Alternativamente. com a ajuda de máquinas despolpadoras ou batedeiras de açaí. é recomendável a semeadura de aproximadamente 1. Na impossibilidade de realizar a semeadura de imediato. A areia ou solo não são indicados para a estratificação das sementes do açaizeiro. O ideal é que sejam semeadas logo após a colheita e o despolpamento. aquelas com produção de frutos superior a 5 latas/touceira e com o rendimento mínimo de 8 litros de polpa/lata com 14 a 15 kg de frutos. dispostas em camadas estratificadas em serragem ou ainda sem este substrato. seguido de secagem superficial mantendo o teor de umidade entre 25% e 30%. Depois de colhidos. as sementes de açaizeiro podem ser acondicionadas em sacos de plástico sem substrato. dependerá do espaçamento a ser adotado. sobre papel jornal e mantê-las à sombra durante 24 horas. Após o despolpamento. O despolpamento m anual pode ser usado para pequenas quantidades de sementes e consiste da remoção. por serem demasiadamente pesados. com fungicida específico para sementes. Semeadura e Germinação de Sementes A semeadura pode ser feita diretamente em sacos de plástico preto ou em sementeiras preenchidos com substrato orgânico. as sementes são estratificadas em serragem (curtida ou esterilizada em água fervente por duas horas). não suportando a secagem nem o armazenamento a temperaturas abaixo de 15 oC. Em média. dificultando o manuseio das embalagens. Acondicionamento de sementes As sementes de açaizeiro perdem a viabilidade rapidamente. os frutos são submetidos ao processo de extração da polpa. As sementes também podem ser colocadas para germinar em sacos de plástico.000 sementes (1. Por esse motivo. e se inicia por volta dos 22 dias após a semeadura e se estabiliza aos 48 dias. A emergência de plântula do açaizeiro é desuniforme. Necessidade de sementes A quantidade necessária de sementes para a produção de mudas. com o auxílio de um estilete.7 kg) para cada hectare a ser implantado no espaçamento 5 x 5 m (400 mudas/hectare). não podem ser conservadas pelos processos convencionais de armazenamento. pois apresentam comportamento recalcitrante.sementes. por via úmida. O modo prático de ser obtido esse nível de umidade é dispondo as sementes. necessitando de tratamento prévio. e antes da semeadura. em camada única.4 a 1. Considerando que cada quilograma possui de 600 a 720 sementes e a necessidade de seleção de plântulas na sementeira e de mudas no viveiro. vermiculita ou carvão moído umedecidos previamente com água. visando à implantação de 1 hectare. cujos pressupostos básicos consideram a secagem e o armazenamento das sementes a baixas temperaturas. as sementes são lavadas com água potável. a germinação requer cerca de .

000 sementes ocupará somente 50 m2 na sementeira. com ajuda com a ajuda de um bastão.000 sementes. o que permite a concentração de 1. são feitas pequenas covas com profundidade aproximadamente de 2 cm. Por outro lado. na proporção volumétrica de 1:1. Quando necessário. no estádio denominado de "palito". para que contenha oxigênio suficiente às necessidades respiratórias das sementes e serem hermeticamente fechados para evitar o dessecamento muito rápido do . pois implica em considerável economia de mão-de-obra e possibilita a realização de criteriosa seleção de plântulas a serem transplantadas para os sacos de plástico com substrato. nem todas as sementes germinam. o que exigirá novas semeaduras. É necessário umedecer o substrato antes da semeadura e depois.000. além disso. no estádio "palito". 20% de serragem e 20% de esterco curtido ou ainda da mistura de 60% de solo e 40% de cama de aviário. previamente umedecido. O substrato para o preparo da sementeira é constituído da mistura de areia lavada com serragem curtida. 1998). é realizada a poda das raízes. Semeadura em sementeira Este método é indicado quando é grande a quantidade de mudas a serem produzidas. Estes sacos devem ter o dobro do volume ocupado pelas sementes estratificadas mais o substrato. preferencialmente. a repicagem das plântulas para o viveiro é efetuada antes da abertura do 1o par de folhas. entre 500 a 1. com ou sem substrato. a semeadura de duas ou mais sementes por saco implicará na eliminação das plântulas excedentes. Os sacos de plástico devem ter dimensões mínimas de 15 cm de largura por 25 cm de altura. As sementes são semeadas em sulcos distanciados de 4 cm. e o controle de plantas invasoras. A repicagem das plântulas para os sacos será efetuada. onerando os custos operacionais. Nessa condição. em quantidade adequada. normalmente com 5 a 7 cm de altura. por exemplo. As sementes germinadas são imediatamente repicadas para o viveiro. A área ocupada com a sementeira é bem pequena e permite o suprimento de água. A estratificação pode ser feita com serragem curtida. ocupará uma área de 500 m2 do viveiro. com dimensões compatíveis com a quantidade de sementes. A semeadura direta de 50. vermiculita ou carvão vegetal moído. A semeadura de 50. praticamente 100% das plântulas sobrevivem à repicagem e apresentam desenvolvimento normal. onde as sementes são depositadas e cobertas por uma fina camada de substrato. O substrato de enchimento dos sacos é constituído da mistura de 60% de solo. Pré-germinação de sementes estratificadas As sementes são colocadas para germinar dentro de sacos de plástico transparentes. antes da abertura do 1o par de folhas. onde são distribuídas 40 sementes por metro linear. Semeadura direta em saco plástico com substrato Este método é recomendado quando a quantidade de mudas a ser produzida é pequena.000 sementes por metro quadrado.30 dias e a aceleração do processo ocorre com a imersão das sementes em água morna durante 10 a 15 minutos (Carvalho et al. Quando a germinação das sementes é realizada em sementeira ou em sacos de plástico. na profundidade de 1 cm.

Deve ter boa drenagem e reduzida declividade. Os sacos de plástico a serem utilizados devem medir 15 x 25 cm. no início da manhã ou no final da tarde. estar situado próximo ao local do plantio definitivo. fixada com arame ou cordão de plástico.5 m de largura por 20 m de comprimento. As mudas de açaizeiro necessitam de cerca de 2 litros de água por dia. para a produção de mudas fiscalizadas de açaizeiro obtidas de sementes. para permitir a adaptação das mudas à radiação direta.substrato. No viveiro. cor e folhagem harmônicas. preferencialmente. se as chuvas não forem suficientes (2 mm/dia). solução de uréia a 0. haverá a necessidade de irrigação. aspecto vigoroso. que deve ser realizada. Esses sacos são perfurados no terço inferior para permitir a drenagem do excesso de água. é aplicada mensalmente. para a irrigação das mudas no período de menor pluviosidade. As mondas periódicas são realizadas para eliminar as ervas invasoras. assim. via foliar.5% (5 g de uréia para 1 litro de água). Os canteiros devem ter 1. Para cada 100 mudas são necessários 2 litros dessa solução ou 20 mL por saco. sadias e tratadas com mistura de inseticida e fungicida) ou sombrite (50% de interceptação da radiação solar) e com a altura mínima de 2 m. manutenção da cobertura e seu gradual raleamento a partir do 8o mês. .Apresentar altura uniforme. ou de 17 x 27 cm. A Comissão Estadual de Sementes e Mudas do Pará estabeleceu. para permitir a movimentação de pessoas. A cobertura do viveiro pode ser feita com palhas de palmeiras (verdes. mas que permita o escoamento dos excedentes pluviométricos e. caso sejam mantidas por período superior àquele período. Esse procedimento minimiza o excesso de movimentação das mudas e diminui os custos de transporte. Antes do transporte das mudas para o plantio no campo. as seguintes normas e padrões: . é realizado o toalete das mesmas. irrigação no período menos chuvoso. Viveiro O local para instalação do viveiro deve ser de fácil acesso e próximo de fontes de água. se as mudas permanecerem no viveiro de 6 a 8 meses. Essa cobertura é suportada por uma armação de colmos de bambu ou outro material de mais fácil obtenção no local. adubações (somente se o período de produção de mudas passar de 8 meses). manutenção dos drenos. Quando o período de produção de mudas passar de 8 meses. são realizados os seguintes tratos de manutenção: capinas manuais nos sacos (mondas). que consiste da eliminação de folhas secas e amarrio das folhas em torno da flecha. Os sacos são mantidos. e distanciados entre si de 50 cm. que exercem concorrência por água e luz. sempre que necessário. preferencialmente. até a germinação das sementes. protegidos da radiação solar direta e à temperatura ambiente. evitando aplicar jato muito forte sobre as mudas ou substrato.

para que as mudas se beneficiem da umidade do solo e possam ter um bom desenvolvimento inicial. com reflexos sobre o custo do processo de produção. a porção de terra da camada superior da cova (20 cm) é misturada com 200 g de superfosfato triplo e 5 litros de cama de aviário ou 10 litros de esterco de curral curtido. Para produção de frutos. Abertura de covas e plantio As covas devem ter as dimensões de 40 x 40 x 40 cm e podem ser feitas com draga. No plantio. no mínimo.Apresentar sistema radicular bem desenvolvido e ter suas extremidades aparadas quando ultrapassar o torrão. Essa operação é realizada no início do período mais chuvoso. alternativamente. medidos a partir do colo da planta. Cultivo solteiro O espaçamento entre as plantas tem influência sobre a taxa de sobrevivência. crescimento. com manejo de 3 a 4 estipes por touceira. O coleto deve apresentar a espessura da base maior que a da extremidade das mudas. após o plantio da muda. Essa mistura retornará à cova que. enxadeco ou perfuratriz acoplada à tomada de força de trator. início da produção e produtividade. Quando o cultivo do açaizeiro for em consorciação com culturas de ciclo curto. práticas culturais ou manejo. manual ou mecanizada. 15 cm de largura e 25 cm de altura. a muda é retirada do saco de plástico.Apresentar altura de 40 a 60 cm. Cultivo de açaizeiro em terra firme O preparo da área deve contemplar a roçagem. . acondicionadas em sacos de plástico.Ter de 4 a 8 meses de idade. com. de acordo com o espaçamento e o manejo de touceiras adotados. e as operações de limpeza e de preparo do solo executadas durante o período da estiagem. . no mínimo. preservando o torrão inteiro. pecíolos longos e as folhas mais velhas com folíolos separados. Na Tabela 1.. . visando à amortização de custos. são propostos os números de plantas e de estipes por hectare.A comercialização das mudas somente será permitida em torrões. . a partir da emergência das plântulas. é aconselhável o preparo do solo de forma mecanizada. . . No momento do plantio. os espaçamentos de 5 x 4 m e 6 x 4 m. cinco folhas fisiologicamente ativas (maduras). ou equivalentes. sob pequena pressão para evitar a formação de bolhas de ar e posterior apodrecimento das raízes. O coleto da muda deve ficar ao nível do solo. sanfonados e perfurados.Possuir.Isentas de pragas e moléstias (Regulamento da Defesa Sanitária Vegetal). será devidamente preenchida com o solo da camada inferior. o espaçamento recomendado para o açaizeiro é o de 5 x 5 m ou.

que permite a densidade de 460 plantas por hectare. considerando que nos cultivo solteiros são recomendados os espaçamentos de 5 x 5 m.248 1. aplicados para suprir as necessidades das culturas anuais e perenes. Por outro lado. é possível arranjar as plantas de açaizeiro no espaçamento de 5 x 5 m. A associação ou consorciação com outras culturas anuais ou semiperenes. no caso do açaizeiro. Ex-Spreng. com o plantio de outra cultura nas entrelinhas. pela ação de ventos fortes.). segundo o espaçamento e manejo adotados no plantio do açaizeiro. As linhas de plantio de açaizeiro devem ser dispostas no sentido nascente-poente. mantendo de 3 a 4 estipes por touceira. dispostas em forma de triângulos eqüiláteros (quincôncio). durante a fase de implantação e crescimento do açaizeiro.Tabela 1. garantindo bons níveis de produção do cupuaçuzeiro (cultura de porte mais baixo). tanto para o açaizeiro como para o cupuaçuzeiro (Theobroma grandiflorum (Willd. propicia renda ao produtor nos primeiros anos de estabelecimento do açaizal. para evitar a competição entre as raízes e as copas das plantas. e facilita a operação de colheita. pode ser adotado o espaçamento mínimo de 7 x 4 m (357 plantas/hectare). para que seja mantida a luminosidade necessária. racionalização do uso de mão-de-obra e maior equilíbrio ambiental.) Schum.600 2. minimizando os riscos de tombamento. notadamente quanto há diversificação e distribuição da produção. há a necessidade de ser aumentado o espaçamento entre as linhas de açaizeiro. Os arranjos de cultivos mistos de açaizeiro. o consórcio passa a ser uma associação de plantas. químicos e orgânicos. Enquanto isso. o arranjo que distribua as plantas dessas espécies nos espaçamentos de 5 x 10 m (Fig. Embora seja pouco utilizado. . nos consórcios são preservados os espaçamentos recomendados para a cultura principal que. Nesse caso. Cultivos associados e consorciados Nos plantios com associação de culturas. Para alguns especialistas.080 A adoção desses espaçamentos propicia bom desenvolvimento em diâmetro. a consorciação dessas culturas exige.664 2. reduz a altura das plantas. possibilitam situações mais vantajosas que na monocultura. é 5 x 5 m. Espaçamento Plantas por Estipes por Estipes por (m) hectare touceira hectare 5x5 400 5x5 400 5x5 400 6x4 416 6x4 416 6x4 416 Fonte: Embrapa Amazônia Oriental 3 4 5 3 4 5 1. 1). Esses arranjos permitem que essa palmácea se beneficie dos tratos culturais e dos fertilizantes. quando ocorre modificação dos espaçamentos das culturas envolvidas.000 1. quando duas ou mais espécies compõem o sistema agroflorestal.200 1. Número de plantas e de estipes por hectare.

) Merril) _ até o 3o ano. permitir o plantio de 20 a 25 essências florestais por hectare. em terra firme. 2). cacaueiro (Theobroma cacao L.). Associação de açaizeiro e cupuaçuzeiro. Fonte: Embrapa Amazônia Oriental Dentre os sistemas de associações e consorciações praticados e recomendados para a região.).Fig.). milho (Zea mays L. O açaizeiro também pode ser consorciado com espécies perenes. Croqui da associação de açaizeiro e cupuaçuzeiro. podem ser destacados os plantios. Croqui da associação de açaizeiro e cupuaçuzeiro. Essas práticas permitem a redução dos custos de implantação dos açaizais. 2. com o . com o maracujazeiro como cultura semiperene (Fig.) Walp. bananeira (Musa spp. Fig.) e abacaxizeiro (Ananas comosus (L. como o cupuaçuzeiro. 1. preservar e valorizar o ecossistema.) (e mandioca ou macaxeira) _ durante o 1o ano. contribuindo para recuperar. do açaizeiro com espécies anuais _ caupi (Vigna unguiculata (L. Os arranjos espaciais das culturas consorciadas podem. e semiperenes _ maracujazeiro (Passiflora edulis Sims.). mamoeiro (Carica papaya L.) e cafeeiro (Coffea spp. ainda.

com a bananeira como cultura semiperene (Fig. Fig. são eliminadas as bananeiras das linhas de açaizeiro. 5). em torno de 80%. 3). e do cupuaçuzeiro. sendo mantida a densidade de 700 plantas/hectare durante 1 ano e 6 meses. Croqui da associação de açaizeiro e cupuaçuzeiro. na direção nascente-poente (1). no período de junho a fevereiro. são mantidas 300 touceiras/hectare. garante incidência de luz. . O aumento do espaçamento. com a bananeira como cultura semiperene. e. com bom nível de produtividade do açaizeiro. Associação de açaizeiro e cupuaçuzeiro. sem nenhum prejuízo à frutificação das plantas de cupuaçuzeiro. Após o 2o desbaste. ao agricultor. 4a/4b). são eliminadas as bananeiras das linhas de cupuaçuzeiro.maracujazeiro como cultura semiperene. finalmente. 3. Associação de açaizeiro e cupuaçuzeiro. sentido norte-sul (2). com a macaxeira ou mandioca como cultura anual (Fig. dispor de receita durante o ano inteiro. entre as touceiras de açaizeiro. Consorciação de açaizeiro e maracujazeiro como cultura semiperene (Fig. de novembro a maio.Observação: Após o 3o ano. Fonte: Embrapa Amazônia Oriental . Fonte: Embrapa Amazônia Oriental Esse sistema possibilita.

4a.Fig. 4b. com o primeiro cultivo de macaxeira ou mandioca como cultura anual. Croqui da associação de açai-zeiro e cupuaçuzeiro. . 6). como cultura anual. com os cultivos (2 o ao 4o ano) de macaxeira ou mandioca. Fonte: Embrapa Amazônia Oriental Fig. Fonte: Embrapa Amazônia Oriental Consorciação de açaizeiro com bananeira (Fig. Croqui da consorciação de açaizeiro e maracujazeiro como cultura semiperene. 5. Fonte: Embrapa Amazônia Oriental Fig. Croqui da associação de açaizeiro e cupuaçuzeiro.

cultivos do 1o ano (A) e 2o ano (B). Fonte: Embrapa Amazônia Oriental Consorciação de açaizeiro com a macaxeira ou mandioca (Fig. como cultura anual. com desbaste). 7. 7). 6. . como cultura semiperene (A = cultivo até o 2o ano. B = cultivo após o 3o ano. Croqui da consorciação de açaizeiro e bananeira.Fig. Fig. Croqui da consorciação de açaizeiro e macaxeira ou mandioca. são apresentadas as estimativas de produtividades das espécies associadas ou consorciadas com o açaizeiro. Fonte: Embrapa Amazônia Oriental Na Tabela 2.

Tabela 2. Produtividades (t/hectare) estimadas de açaizeiro e de espécies associadas ou consorciadas. Anos após plantios Cultura Espaçamento 1 2 3 4 5 Açaizeiro (frutos) Cupuaçuzeiro (polpa) Maracujazeiro (frutos) Bananeira (cachos) 5 x 5 m (3)1 5 x 10 m (4)1 10 x 10 m (5)1 5x5m 5 x 10 m 10 x 10 m 2 (3 x 5 m) x 2 m 2,5 x 2,5 m 2,5 x 5,0 m 5,0 x 5,0 m 17,00 4,00 4,00 4,00 0,60 0,60 0,60 5,60 3,00 2,00 0,96 0,96 0,96 -

6

8,80 12,00 5,00 7,00 3,00 4,50 1,44 1,44 1,44 1,80 1,80 1,80 -

22,90a 41,70a 32,30a 17,50 b 31,00 b 12,30a 23,00b - 10,50a -

4 (1 x 1 m) x 2 m 20, 80 3 (1 x 1 m) x 3 15,10 15,10 15,10 m 1 Números de estipes por touceira. a b , Produtividades seqüenciais a partir de espaçamentos modificados por desbastes. Fonte: Embrapa Amazônia Oriental Macaxeira ou mandioca (raízes) Fatores que interferem nas associações e consorciações de plantas - Direção nascente-poente. Conhecido como caminho do sol, permite melhorar a eficiência no aproveitamento da radiação solar pelas plantas consorciadas. - Arquitetura e envergadura da copa. Nas espécies que crescem por lançamentos de ramos laterais ou plagiotrópicos (ex. freijó cinza, Cordia goeldiana Huber) com grandes dimensões, os ramos mais baixos são eliminados, gradativamente, à medida que surjam novos lançamentos. Com essa prática é facilitada a entrada lateral da luz solar. - Densidade da copa. Espécies de plantas com copa muito densa não se prestam para consórcio ou, quando muito, são usadas em pastagem, dispostas em grandes espaçamentos. - Altura. Geralmente as plantas perenes consorciadas devem ter alturas diferentes, para que as copas ocupem estratos diferenciados. - Exigência de luz. As plantas que suportam certo grau de sombreamento são as mais recomendadas para o estabelecimento de consórcios. O cupuaçuzeiro, por exemplo, não tem a sua produtividade afetada com até 20% de sombreamento. - Época de produção. As espécies consorciadas, preferencialmente, devem ter épocas diferentes de produção. No entanto, considerando a necessidade da geração de receitas

para o agricultor, é importante que uma dessas espécies possa ter a sua produção distribuída durante todo o ano (Fig. 8).

Fig. 8. Distribuição percentual da produção de frutos de açaizeiro e de cupuaçuzeiro durante o ano na microrregião de Belém, PA. Fonte: Bastos, 1972; Bastos et al. 1986 - Época de adubação. Quando há diferenciação de épocas de florescimento das plantas, as adubações são efetuadas três vezes por ano, sempre regida pelo período chuvoso. - Freqüência de adubação. As espécies que têm perfilhos em crescimento (bananeira) e com lançamentos mensais de folhas e cachos (açaizeiro), são adubadas a cada 2 me ses. - Doses de adubos a aplicar. O adubo é ministrado de acordo com a idade das plantas. As doses mais elevadas são ministradas gradativamente. - Manejo das espécies. Nos consórcios triplos há necessidade da realização de desbastes, retirada de folhas e podas, ou o raleamento (densidade menor) ou a eliminação de uma das espécies. Adubação As informações sobre a adubação do açaizeiro, em terra firme, ainda são de pouca consistência do ponto de vista de resultado conclusivo de pesquisa. Os agricultores pioneiros no plantio de açaizeiro, em terra firme, têm utilizado práticas de adubação de seus açaizais que, se não estão corretas sob o ponto de vista técnico, lhes permitem produzir frutos de açaizeiro de forma rentável. De acordo com o que vem sendo praticado nos sistema de produção, há certo desperdício de nutrientes, contornáveis por meio de resultados de análise de solo, técnica bastante difundida e adotada pelo segmento produtivo, e de análise de tecido foliar (técnica ainda em desenvolvimento), que permitem a realização de ajustes nas doses de nutrientes a serem aplicadas nos açaizais.

A princípio serão indicadas, com base nas informações disponíveis, no andamento dos estudos experimentais e nas experiências do setor produtivo, as doses de nutrientes teoricamente compatíveis com as necessidades do açaizeiro, em cultivos solteiros, associados ou consorciados. Adubação para cultivo solteiro Quando do plantio, são aplicados, na cova, 10 litros de esterco de gado e 200 g de superfosfato triplo. No decorrer do ano, são efetuadas mais 3 aplicações de adubos, constituídas de 100 g do formulado químico 10-28-20 (NPK), distribuídas em cobertura circular a 30 cm em torno da planta. No 1o ano após o plantio, são aplicados 150 g do formulado 10-28-20, à distância de 50 cm da touceira. Nessa ocasião, juntamente com a adubação química, distribuir, também, 10 litros de esterco de gado. No 2o ano após o plantio, as plantas de açaizeiro são adubadas com 3 aplicações de 200 g do formulado 10-28-20 e mais 20 litros de esterco de gado, distribuídos num raio a 100 cm da touceira. A partir do 3o ano após o plantio, quando as plantas tiverem iniciado a fase produtiva, é aumentada a oferta de potássio nas 3 aplicações (início, meio e final do período chuvoso), compostas de 290 g do formulado 10-28-20 (NPK), mais 110 g de cloreto de potássio e 20 litros de esterco de gado à distância de 150 cm da touceira. Na última aplicação anual, é recomendável disponibilizar de 10 a 20 g de bórax, por touceira, na área do coroamento. Adubação prática para cultivos associados e consorciados - Açaizeiro: Na cova de plantio, são aplicados 10 litros de esterco e mais 200 g de superfosfato triplo. No ano do plantio, a cada 2 meses, são aplicados 50 g da mistura composta de 5 partes do formulado 10-28-20 (NPK) e mais 2 partes de cloreto de potássio. Nos anos seguintes, a cada 2 meses, são feitas adubações com 100 g (1o ano), 150 g (2 o ano), 200 g (3o ano) e com 250 a 300 g (a partir do 4o ano) da mistura (5 partes do formulado 10-28-20 e mais 2 partes de cloreto de potássio). A partir do 3º de cultivo, não haverá a necessidade da aplicação de matéria organica, mas nas adubações químicas devem ser guardadas as mesmas distâncias das touceiras previstas para o 3º ano dos cultivo solteiro do açaizeiro. - Cupuaçuzeiro: Quando do plantio, são aplicados, na cova, 10 litros de esterco de gado e 200 g de superfosfato triplo. No decorrer do ano, a cada 2 meses, são aplicados, em torno da planta, 50 g do formulado 10-28-20 (NPK). No 1o ano, após o plantio do cupuaçuzeiro, são aplicados de 10 a 20 litros de cama de aviário, mais 100 g de FTE (Fritted Trace Elements) Br 13 (início das chuvas) e 6 aplicações, espaçadas de 2 meses, de 100 g do formulado 10-28-20 (NPK).

é colocado. principalmente do fósforo (P2O5). a argumentação básica de seu uso está associada ao custo de compra. divididos em 3 parcelas iguais. como os 14-14-14 ou 10-10-10. . Calagem Com antecedência mínima de 90 dias do plantio das mudas no campo. por cova.Maracujazeiro: Na cova de plantio são aplicados 10 litros de esterco + 200 g de superfosfato triplo. a cada 2 meses. aplicadas no início. meio e fim do período chuvoso. No entanto. . A partir do 2o ano. No entanto. e os aspectos ambientais que o desequilíbrio nutricional pode provocar. são usados de 10 a 20 litros de esterco aplicados a cada 6 meses. do Estado do Pará. 1 litro de esterco de gado e mais 25 g do formulado 10-28-20. são coletadas amostras compostas de solos. no final do período chuvoso. divididos em 3 parcelas iguais. são aplicados de 10 a 20 litros de cama de aviário e 100 g de FTE Br 13 (início das chuvas). aplicadas no início. pois a diferença é mínima em relação aos outros formulados disponíveis no mercado. e 30 g de bórax. T = S + (H + Al+3).200 g do formulado 10-28-20. são aplicados. 200 g da mistura constituída de 5 partes do formulado 10-28-20 e 2 partes de cloreto de potássio. T = capacidade de troca de cátions. ocorre certo desperdício de nutrientes. No 1o ano. A partir do 3o ano. meio e fim do período chuvoso.Macaxeira ou mandioca: Aos 30 dias do plantio. Adubação compatível às necessidades da cultura A seguir são descritas recomendações de ordem técnica. de modo que a saturação por bases atinja a 60%. . com a aplicação do formulado 10-28-20. para não haver distúrbios no crescimento e na produção. também é importante considerar os aspectos técnicos do equilíbrio entre os nutrientes. antes do plantio. a serem adotados em plantios de açaizeiro em área de terra firme.Bananeira: Na cova. e 30 g de bórax aplicados no final do período chuvoso. Nas adubações praticadas pelo agricultor.No 2o ano após o plantio. Do 10 ano após o plantio em diante.500 g do formulado 10-28-20. de 900 a 1. Para o cálculo da necessidade de calcário (NC) é utilizada a seguinte fórmula: onde: NC = Necessidade de calcário em tonelada por hectare. são colocados 10 litros de esterco e 200 g de superfosfato triplo. são aplicados de 10 a 20 litros de esterco a cada 6 meses. são aplicados de 10 a 20 litros de cama de aviário e 100 g de FTE Br 13 (início das chuvas). com indicações que possam definir os níveis de adubação. para análise e definição das recomendações de quantidades de calcário a serem aplicadas. . 1.

A época mais propícia para aplicação dos fertilizantes é no início das chuvas ou no final da estação chuvosa. A calagem deverá ser realizada pelo menos 2 meses antes do plantio. a partir do 2o ano. com dimensões de 40 x 40 x 40 cm. definidas com base nos resultados da análise do solo. Tabela 3. em função da análise do solo. Recomendação de adubação para o açaizeiro cultivado em terra firme. no início do período chuvoso.dm -3) Idade 0-10 11-20 P2 O5 g/touceira 1 ano 30 45 30 2 anos 60 75 45 3 anos 70 90 60 4 anos 80 100 75 5 anos 90 110 90 6 anos 100 120 105 7 anos 110 130 115 Fonte: Embrapa Amazônia Oriental 15 30 45 60 75 90 105 50 70 120 150 180 210 240 30 50 70 90 110 130 150 15 25 35 45 55 65 75 >20 0-40 41-90 K2O >90 É importante executar. A partir do 2o ano. 10 g por planta de FTE BR 13 e a dose de fósforo da Tabela 3 (1o ano). como também as condições de umidade do solo mais apropriadas. para melhor aproveitamento dos fertilizantes. A dose de magnésio (MgO) aplicada corresponde a 1/3 da recomendação da dose de potássio (K2 ) indicada na Tabela 3. conforme os resultados da análise do solo. . indicadas nessa tabela. para que os fertilizantes possam ser bem aproveitados. V2 = valor da saturação por bases desejada (60%). PRNT = Poder Relativo de Neutralização Total do Calcário. o coroamento das plantas. Os fertilizantes fosfatados são aplicados de uma só vez. 10 litros de esterco de curral curtido ou 3 litros de esterco de galinha. P e K. Adubação Incorporar na cova. é utilizado o superfosfato triplo como fonte de fósforo (P2O5 ) e. Até o 1o ano. A época de adubação está estreitamente relacionada com as características climática. quando a precipitação pluviométrica começa a diminuir de intensidade. as quais influenciam. é recomendável usar o fosfato natural. não só a absorção dos nutrientes pelas plantas.S = (K+Ca+Mg+Na). antes da adubação. são aplicados 20 g de FTE Br 13 por planta e as quantidades de N.dm -3) K no solo (mg. V1 = valor da saturação por bases do solo antes da correção. N P no solo (mg.

assim como para manter a cultura em condições de produzir satisfatoriamente. no caso dos potássicos é recomendada a aplicação de 35% do total no início das chuvas e. e deve ser executado antes do início da produção de sementes. dentro do período chuvoso. a adubação é realizada a cada 2 meses. como aeração. ao final do período chuvoso. a adubação é realizada a cada 2 meses e haverá a necessidade de irrigação das plantas. A primeira adubação anual coincide com o início da estação mais chuvosa. notadamente em áreas onde ainda persistem as plantas invasoras. no final da estação chuvosa. maquinas e implementos agrícolas. Alguns cuidados devem ser tomados. Nas áreas submetidas ao clima Afi. Em condições de campo. consistência. são comuns as capinas. Na fase inicial do crescimento do açaizeiro. e respondem bem às adubações com elementos nutritivos. proceder adequado preparo do solo. dão condições favoráveis à atividade microbiana no solo. Nas áreas de clima Ami e Awi. para a eliminação das plantas invasoras. Controle de plantas invasoras O controle das plantas invasoras pode ser realizado de forma integrada. drenagem. Aplicar 70% dos nitrogenados no início das chuvas e os 30% restantes. com a eliminação das plantas indesejáveis. é indicado para controlar as plantas invasoras que se reproduzem sexuadamente. mas possuem boas características físicas. Os adubos nitrogenados. os 65% restantes. a alta pluviosidade e temperatura elevada. Quando as invasoras se reproduzem por rebrotamento. acoplada ao trator. e consiste de atividade identificada como a monda. combinando os diferentes métodos de caráter prático com os tradicionais: Controle preventivo Devem ser evitadas as práticas que contribuam para espalhar as sementes de plantas invasoras. usar esterco ou matéria orgânica fermentados. com isso. efetuada em torno das touceiras. É aconselhável manter esse esquema de adubação nos 3 primeiros anos. após o plantio das mudas no campo. . Controle mecânico O uso de roçadeira rotativa ou grade.As áreas de terra firme da Amazônia possuem solos de baixa fertilidade química. provocando o desgaste da matéria orgânica e. roçagens e arranquíos. para propiciar a fixação dos elementos químicos. é aconselhável a realização do coroamento que consiste de capina ou roçagem baixa. evitando a concorrência e o sombreamento prejudiciais para as plantas novas. potássicos e magnesianos. Controle manual Prática realizada com maior freqüência sob condições de viveiro. como a limpeza dos tratores. são parcelados em duas aplicações. profundidade e estrutura. necessitando de aplicação de adubos orgânicos. Por outro lado. utilizar mudas isentas de plantas invasoras.

Entre os materiais orgânicos devem ser evitados os capins secos com semente. preferencialmente. o açaizeiro é muito exigente em água. Esses materiais são distribuídos em forma de coroamento. desde que haja a suplementação de água através de sistemas de irrigação nos períodos de menor precipitação pluviométrica. Visando reduzir custos de manutenção. hábito decumbente. deixando as entrelinha para serem roçadas. No caso específico de áreas cultivadas com o açaizeiro. o controle das invasoras deve ser realizado no início do período chuvoso.: glifosato a 1% que equivale a 200 mL diluídos em 20 litros de água). combinado com o controle mecânico no restante da área. nas entrelinhas de plantio. produzir sementes e. deve ser realizada somente nas linhas de plantio. mecanicamente.) ou outros materiais orgânicos. Por ser uma espécie de ambiente úmido. ciclo anual ou perene. Na associação com o açaizeiro. a leguminosa deve ter as seguintes características: boa adaptação às condições locais. quando as . somente no período menos chuvoso. pois contribui para aumentar a infestação nas áreas cultivadas. pois concorrem para aumentar a ocorrência de espécies de gramíneas e ciperáceas invasoras. Irrigação O plantio do açaizeiro é realizado. de modo a renovar constantemente a biomassa para cobrir e proteger o solo. principalmente. também pode ser realizado o coroamento em torno das touceiras. ocupando a área de projeção da copa da planta. a partir do 1o ano da implantação do açaizal. deve ser levada em consideração a época de aplicação. Para que essa prática seja eficaz. nas áreas de clima Afi. Controle químico Realizado com uso de herbicidas específicos para o controle de gramíneas que possam ocorrer na área (ex. Como cobertura viva podem ser utilizadas. das linhas de plantio. mas é possível cultiva-lo sob clima Ami e até mesmo Awi. Controle físico É realizado pela cobertura do solo utilizando serragem.raízes ou batatas. algumas plantas da família das leguminosas. Por outro lado. principalmente no período chuvoso. Um benefício adicional da utilização de leguminosa é a de possibilitar a fixação simbiótica de nitrogênio atmosférico. casca de arroz (Oryza sativa L. Essa prática é essencial no período de implantação da cultura. No comércio existem outros herbicidas e as dosagens são aplicadas de acordo com a recomendação contida nas embalagens dos produtos. a idade do plantio e a possibilidade de combinação com outros métodos de controle. porte herbáceo. Assim é aconselhável o uso de irrigação. deixando a roçagem geral para ser realizada durante o período de estiagem. sob o ponto de vista técnico-econômico. não deve ser utilizada a grade. A aplicação do herbicida. ter persistência após a roçagem. misturado a um espalhante adesivo. principalmente nos locais onde o período de estiagem é prolongado. pode ser realizada a roçagem. mecânica ou manual.

semiperenes e perenes. arroz. os primeiros perfilhos são normalmente emitidos entre 12 e 15 meses após o plantio das mudas no campo. a irrigação. mas podem ser encontradas plantas desprovidas dessas brotações e outras que apresentam até 10 perfilhos. em pequena escala (cana-de-açúcar. é conveniente adotar o sistema de irrigação por gotejamento ou aspersão. mas apropriadas aos cultivos de espécies anuais. 1 e 2). para utilização com agricultura de subsistência. é efetuada a limpeza da touceira. anteriormente cultivadas com espécies de ciclo curto ou que se encontrem com a cobertura vegetal característica de capoeira rala. de manejo e de enriquecimento florestal. a ser realizada durante o final do período chuvoso (abril/maio). as quais são abandonadas após um curto período de utilização. A partir do 3o ano. O preparo da área consistirá apenas de roçagem manual. Nos açaizais. no período de estiagem. Cultivo de açaizeiro em várzea Nas várzeas do estuário amazônico são encontradas quantidades expressivas de pequenas áreas desmatadas.plantas necessitam de umidade em quantidade suficiente para a absorção de nutrientes e para não sofrerem estresse hídrico. milho. pois nesse período as plantas ainda necessitam de pouca quantidade de água. pela exuberância de sua brotação que ocorre em sua base. que consiste da eliminação das brotações excedentes. quando é possível a implementação de práticas agrícolas em função do menor nível das águas das marés. por meio de plantios em áreas desflorestadas. (Fig. Quando do desbaste são mantidos somente os perfilhos bem desenvolvidos e em número compatível com o plano de manejo estabelecido. Por esse motivo. em sistemas de produção solteiro ou consorciado com espécies frutíferas e/ou florestais. são realizadas a prática de desbrota. geralmente. quando as plantas iniciam a floração. é incentivado e visto como uma das opções para tornar essas áreas ribeirinhas mais produtivas e ecologicamente melhor protegidas (Nogueira & Homma. mas que possibilite maior disponibilidade ou vazão de água. Desbaste e limpeza das touceiras O açaizeiro é uma espécie florestal que foge a regra geral das palmeiras. pastagem). em associação com outras espécies frutíferas e florestais. o que possibilita a maior longevidade das plantas e maior produção de frutos. Essas áreas desmatadas. O cultivo de açaizeiro em várzeas. . eliminando as bainhas das folhas que ainda persistirem após a queda das mesmas. Durante os 2 primeiros anos de cultivo. banana. pelos moradores ribeirinhos. Seleção e preparo da área Devem ser utilizadas as áreas de várzeas desmatadas. 1998). é feita por micro aspersão ou por gotejamento. anualmente. Por ocasião do desbaste. ocupam faixas de áreas de várzea alta. adaptadas a essas condições. Essas áreas podem ser reflorestadas com o plantio de açaizeiro. Essa prática favorece o crescimento das plantas em diâme tro.

no espaçamento de 6 x 4 m. 3). as mudas de açaizeiro são plantadas em covas. que permite abrigar a população de 420 touceiras/hectare. Ambos os casos provocam sensíveis alterações nos fatores que afetam a produtividade dessa palmeira. quando há a ocorrência de cobertura florestal. geralmente. conciliando. banana). normalmente. com intervalos de 15 dias. pela facilidade de reconstituir o revestimento florístico. com vistas à redução da concorrência por água.Plantio e tratos culturais Nessas áreas. cuja emissão. são eliminados os estipes de açaizeiro excedentes das touceiras e. No sistema consorciado. o açaizeiro tem se destacado como componente desse ecossistema. luz e nutrientes. com 420 plantas por hectare (Fig. pode ser cultivada a bananeira nas entrelinhas. Nas várzeas. No caso da opção pelo plantio de açaizeiro em sistema solteiro. Nesse período. Junto com essas espécies. também. com lâmina de água de aproximadamente 40 cm. O sistema também contempla o plantio de uma espécie de fruteira (cupuaçu ou cacau). mesmo durante a estiagem na região. ocorre entre 12 e 15 meses após o plantio das mudas no campo. impedindo que as plantas sejam submetidas a estresse hídrico. O croqui do sistema completo é apresentado na Fig. com a manutenção de 3 a 4 estipes por touceira. coroamento e limpeza dos estipes. guardando o mesmo espaçamento dos açaizeiros. algumas plantas de outras espécies. a proteção ambiental com o rendimento econômico. os espaços entre os açaizeiros podem ser aproveitados para o cultivo de espécies de ciclo rápido (hortaliças. arroz. de modo racional e equilibrado. como opções de aproveitamento das áreas limpas e de renda para o agricultor em curto prazo. Juntamente com o açaizeiro. . Manejo de açaizais nativos Dentre as possibilidades de exploração das áreas de várzeas. Os principais tratos culturais são os mesmos realizados nos cultivos em terra firme e constam de desbaste dos perfilhos. milho. no espaçamento de 12 x 8 m. que garante a população de 104 plantas/hectare. também podem ser cultivados o feijão caupi. obedecendo ao espaçamento de 6 x 4 m. roçagem. em decorrência das marés periódicas que cobrem essas áreas. com a população de 420 plantas/hectare e de uma ou mais espécies de essências florestais. além de ser importante fonte de alimento e de renda para as populações ribeirinhas. o plantio é realizado no início do período de estiagem (maio/junho). face as boas condições de fertilidade natural dos solos de várzea do estuário amazônico. é possível fazer o manejo da vegetação visando o aumento da população de açaizeiro ou o enriquecimento com o plantio de mudas dessa e de outras espécies de interesse comercial. os solos das áreas de várzea são permanentemente úmidos. o espaçamento a ser adotado é de 5 x 5 m entre covas. 4. Não é recomenda adubação química. Durante os 2 primeiros anos. Nas áreas destinadas para a produção de frutos. utilizando mudas de variedades adaptadas ao ecossistema de várzea. maxixe e abóbora.

Com o gradativo crescimento do mercado de frutos. a rentabilidade. cuja manutenção é considerada desnecessária pelos ribeirinhos. não garante a sustentabilidade econômica. como conseqüência indireta. O fato das áreas de ocorrência de açaizeiro sofrerem inundações diárias tem restringido a pressão de uso da terra para fins agrícolas.). a redução da biodiversidade de várzea. a taxa de extração biológica. a produtividade máxima sustentável (PMS) e o ponto ótimo econômico (Fig. No entanto. coleta de outros produtos extrativos etc. 1). se constitui um erro analisar as atividades extrativas considerando apenas do ponto de vista estático. mas de importância para a produção de pólen e produção de frutos nas plantas femininas. recomendam. cautela para determinadas propostas que procuram induzir a adoção da "colonização extrativa" na Amazônia. juntamente com o processo de crescimento de populações homogêneas de açaizeiro. Muito embora esta atividade provoque danos ambientais menores do que as atividades agrícolas. levadas a efeito nos últimos dois séculos e meio (extração de madeira. As conseqüências da formação dessas populações homogêneas devem ser bem avaliadas em todos os seus aspectos. permitindo a regeneração das populações de açaizais. equivalente a de um plantio racional. abertura de canais. as transformações e as inter-relações ao longo do tempo. O ribeirinho tem diante de si a alternativa de colher frutos ou extrair palmito do açaizeiro (Fig. por exemplo. As diferentes características quanto ao manejo dos recursos naturais. que sofre duplo extrativismo (colheita de fruto e extração de palmito). Por outro lado. outras transformações antrópicas. são eliminadas grandes quantidades de estipes de açaizeiro em decorrência da própria atividade. como as palmeiras masculinas de buritizeiro (Mauritia flexuosa L. O manejo tem sido enfatizado como a forma de garantir a extração sustentada dos recursos naturais. portanto. No caso do açaizeiro. Nos últimos 10 anos. muitas vezes. dependendo dos preços relativos destes dois produtos e do custo da . são alterados os custos de extração. obter taxas de extração que assegurem maior rentabilidade à atividade. No extrativismo da madeira. O manejo de açaizais visa o aumento da capacidade de suporte e. Com isto. esquecendo seu dinamismo. em comparação com as áreas de terra firme. 2). há a tendência de adensamento desta espécie e. é provável que grandes áreas do estuário amazônico sejam transformadas em populações homogêneas de açaizeiro ao longo das margens dos cursos d'água. com isso. com a eliminação de plantas não-produtoras de frutos.No caso da exploração do palmito.). decorrente da redução da extração de palmito. O manejo de açaizeiro tem a condição de modificar a capacidade de suporte Xc1 para a capacidade limite Xc2 . com a valorização dos frutos do açaizeiro. o crescimento do mercado de fruto proporcionou à formação de populações mais homogêneas nas áreas mais próximas dos grandes centros consumidores. devem ter os seus efeitos sobre a biodiversidade melhor analisada. pesca e caça. há a preocupação de serem igualadas as taxas de extrações com a capacidade de regeneração.

Se o preço do fruto sobe. Para muitos produtos extrativos. O cenário futuro para a expansão do cultivo do açaizeiro está relacionado com o crescimento dos mercados de fruto e palmito. bem como garantiria a sua conservação. Em áreas distantes do mercado e com dificuldades de transporte. na qual o produto extrativo está inserido. Isto asseguraria uma exploração por um período maior. mais que o do palmito. Para muitos produtos extrativos. Por outro lado. o manejo da floresta.). 2. como nos casos em que a extração de outros . babaçu (Orbygnia speciosa (Mart. a extração de palmito é mais vantajosa. a tendência da ação extrativa é de ser concentrada. para a coleta de frutos. proporcionalmente. a fim de não prejudicar a capacidade de suporte.K.B. conseqüentemente. Esse fato não deve ser considerado como regra geral. a tendência é de ser dada maior importância para a extração de palmito (B). na colheita de frutos (A). tais como madeira. A relação de preço mais desvantajosa para o palmito foi a principal causa que motivou a conservação dos estoques de açaizeiro. com maior ênfase. uma vez que depende das relações econômicas.) e açaí. Possibilidade de manejo de recursos extrativos no aumento da fronteira de produção e de eficiência. esforços devem ser efetuados para garantir a extração o mais racional/sustentável possível. quando comparada com as políticas ambientais restritivas e que não tiveram sucesso. tanto para aqueles que exigem o aniquilamento do recurso como apenas a coleta. quando o preço do fruto é menor. o aumento da produtividade da terra e da mão-de-obra. Os produtos extrativos que se encontram em grandes estoques. Fonte: Embrapa Amazônia Oriental Nas áreas mais próximas do mercado e com facilidades de transporte. Fig. fato que pode motivar a implantação de cultivos racionais. tal como o açaí no Estado do Pará. É bom lembrar que o manejo racional não implica na permissão de sua exploração ad infinitum.mão-de-obra. a extração é efetuada da forma mais racional possível. Rodr. tem como resultado os estoques mais homogêneos e. Apesar da grande disponibilidade de estoques de açaizeiro. a extração dos frutos do açaizeiro tem sido mais lucrativa e vantajosa. castanha-do-brasil (Bertholletia excelsa H.) Barb. estes podem ser aumentados com a prática de manejo. em outras regiões do Brasil.

por ser considerado planta pioneira. com destaque para a cidade de Belém e alguns municípios situados às suas proximidades. Essas populações. Mesmo com o processo de urbanização. as populações rurais que migraram para os centros urbanos. tradicionalmente consumidores do açaí. enquanto na floresta de várzea. 1973. além de elevadas. domina o ambiente. em condições naturais. rotineiramente. afetam as condições ambientais e. a espera de luminosidade para atingirem com mais rapidez a fase adulta. chegando a formar populações até 5 vezes maiores que aquelas observadas em áreas de várzea com a vegetação original pouco ou não-alterada. 1993). Pollak et al. 1974. depende. e de sementes que germinam espontaneamente nas áreas de várzeas. Calzavara. As práticas de manejo. Costa et al. são relativamente elevadas em comparação com a observada em regiões com reduzida densidade demográfica e. cuja dispersão ocorre das mais variadas formas. 1976. Essas condicionantes conferem vantagens à espécie em se tratando de estratégia e equilíbrio demográficos da população (Bullock. além de propiciar ao produtor ribeirinho a concentração de espécies de valor econômico (Brondizio et al. 1989). apresenta elevada taxa de germinação das sementes. no Município de Ponta de Pedras. são semelhantes quando comparadas com outras áreas com diferentes idades após o corte do palmito. conseqüentemente. segundo alguns autores (Costa et al. mesmo em áreas onde é praticado. a partir de touceiras remanescentes do corte do palmito. não abandonaram o hábito de consumo do açaí. Com isso. 1995). As populações de açaizeiro. fundamentalmente. O inventário da vegetação de floresta de várzea não-manejada. o açaizeiro. as plantas remanescentes. com a finalidade de produção de frutos. A principal razão para que os açaizais do estuário amazônico apresentem grande concentração de plantas de açaizeiro. aplicadas pelos ribeirinhos nas áreas de açaizais nativos. da localização do açaizal em relação aos principais conglomerados urbanos. capazes de sobreviver sob condições de sub-bosque. permitem aos açaizais manterem as características funcionais e estruturais da floresta. conseqüentemen-te. apesar de provocarem mudanças consideráveis na composição florística da floresta de várzea. baixa intensidade de exploração dos recursos naturais. o açaizeiro. As práticas de manejo desenvolvidas pelos produtores ribeirinhos para a formação de açaizais. possibilitou a identificação de 44 espécies. . dando origem a grande quantidade de plantas jovens. A grande capacidade de regeneração do açaizeiro.produtos pode levar ao desaparecimento ou perda de recursos genéticos importantes para o ecossistema. intensamente manejada para a formação de um açaizal. A forma de exploração sistemática dos açaizais nativos de várzea. é o fato dessas áreas serem intensamente exploradas pelos habitantes ribeirinhos. encontradas em áreas de florestas submetidas a constantes alterações. a ocorrência foi de apenas 15 espécies. 1980. tem possibilitado a formação de açaizais com elevada concentração de plantas. Ao contrário do que ocorre com algumas espécies de palmeiras nativas. os quais praticam a eliminação das espécies consideradas de baixo valor comercial que ocorrem naturalmente nas áreas de várzea. pelos habitantes ribeirinhos. Sist. o extrativismo do palmito.

a indústria palmiteira. com rendimento sustentável e exploração de forma cíclica. no mínimo. 3 representa o processo tradicional de exploração dessas florestas. e à coleta de frutos e extração de palmito. quando recorre à sua "poupança". 1997). 1994). pois. principalmente. 1993). tem a consciência de que o mesmo estará recomposto algum tempo depois. A partir de resultados experimentais e de informações obtidas junto aos ribeirinhos. Nessas áreas. na maioria das vezes. a adoção de práticas de manejo sustentável de recursos naturais. Entretanto. as taxas de incremento e a regeneração natural de cada espécie a ser explorada (Reis et al. permanecendo apenas as "fabriquetas" que extraem. industrializam e comercializam o palmito sem qualquer forma de controle. Brondizio et al. As florestas de várzea. considerando a facilidade quanto ao acesso a novos estoques de recursos naturais. para a produção de frutos. Para que seja garantido o manejo de floresta. Oliveira Jr. inicialmente instalada às proximidades de Belém. preferencialmente. maiores vantagens econômicas. é sabido que toda a produção obtida. 1992. em que o açaizeiro é um dos componentes mais importantes. & Nascimento. Modelos de manejo É bastante enfatizada na Amazônia. O diagrama da Fig. onde o tempo gasto com o transporte fluvial é superior a 12 horas. inviabiliza a conservação e comercialização dos frutos. pois. como Belém. a extração de palmito só ocorre quando o produtor ribeirinho necessita de capitalização imediata. que é o estoque de palmito disponível no açaizal produtivo. Nas localidades mais distantes. para as regiões onde a pressão pela coleta de frutos é ainda relativamente pequena. através de atividades extrativas (Anderson & Jardim. Anderson & Ioris. gradativamente. deverão ser observados os aspectos de avaliação do estoque disponível. 1989. mesmo que a preços menores quando comparados com os alcançados durante a entressafra. a consciência é quase geral para a preservação dos açaizais. Por essa razão. ao longo do período de safra. 1992. o extrativismo em áreas não-manejadas tem apresentado. ao plantio de enriquecimento de áreas. foram definidas algumas estratégias com vistas à melhoraria do rendimento dos sistemas de exploração das florestas de várzeas do estuário amazônico (Nogueira. destinando-os. que se dedicam ao extrativismo do açaizeiro e de outras espécies.Nas áreas circunvizinhas a grandes centros urbanos. lustração: Oscar Lameira Nogueira . foi deslocada. com ênfase para o extrativismo do açaizeiro visando às produções de fruto e palmito. os ribeirinhos exploram. como solução ecológica-econômica. é facilmente comercializada. em curto prazo. são exploradas das mais variadas formas. ou seja. quase que exclusivamente os açaizais nativos para a produção de palmito.

deve ser considerado que o manejo e a exploração do maior número possível de espécies. é possível propor. Fonte: Embrapa Amazônia Oriental Considerando a forma como os açaizais vêm sendo explorados. de modo racional e equilibrado. O pressuposto básico deve estar voltado para o estabelecimento de florestas diversificadas de várzeas . o risco da formação de maciços homogêneos de açaizais (tendência atual). que possam proporcionar aos ribeirinhos rentabilidade maior que a obtida com a forma atual de exploração. e também favorecer o ressurgimento de espécies vegetais nativas. Processo tradicional de uso do ecossistema de floresta de várzeas do estuário amazônico. porém. conciliando a proteção ambiental com o rendimento econômico. 3. O diagrama representado na Fig. manejo de exploração de açaizais nativos.Fig. com isso. constituirão em aspectos favoráveis para a manutenção da biodiversidade. Nesse contexto. consorciado com as espécies de ocorrência natural na própria área e com outras introduzidas. e algumas práticas bem sucedidas realizadas pelos ribeirinhos. Ilustração: Oscar Lameira Nogueira . caracterizando dessa forma o enriquecimento e a manutenção da biodiversidade. que praticamente desapareceram da região. propõe o manejo e a utilização das florestas de várzeas. tendo o açaizeiro como componente principal. evitando. 4.

nessas áreas de várzeas. dependendo do porte e da altura. A eliminação das plantas pode ser feita por anelamento. cacauzeiro. com enriquecimento da biodiversidade na formação de florestas econômicas Ilustração: Oscar Lameira Nogueira O processo consiste. derruba ou ateando fogo no tronco. com 4 a 5 folhas e altura média de 50 cm. havendo. oriundas de germinação espontânea de sementes e transplantadas de áreas próximas (Fig. como o taperebazeiro (Spondias mombin L.). também podem ser utilizadas plantas jovens.) e pau-mulato (Calycophyllum spruceanum L. basicamente. espontaneamente. em conjunto com o açaizeiro.).Fig.B. mangueira (Mangifera indica L. Proposta de exploração do ecossistema florestal de várzea do estuário amazônico. As espécies. há de ser destacado o aproveitamento do cupuaçuzeiro. jenipapeiro (Genipa americana L.). Dentre as espécies utilizadas no enriquecimento. 5). cujos espaços livres surgidos são ocupados com o plantio de mudas de açaizeiro e de outras espécies com importância econômica. buritizeiro. no entanto.). andirobeira (Carapa guianensis Aubl.) e seringueira (Hevea brasiliensis H. são encontradas. 4. No caso específico do açaizeiro.K. a .). na eliminação das plantas de espécies consideradas de baixo valor comercial. viroleira (Virola surinamensis L.

e as mais grossas por anelamento. por causa das facilidades de desenvolvimento das operações necessárias ao estabelecimento e à manutenção desses sistemas. As árvores mais finas e as palmeiras podem ser eliminadas por meio de corte. para a produção de frutos. constituído de aproximadamente 400 a 500 plantas adultas de açaizeiro e 100 a 150 plantas de espécies frutíferas e árvores de essências florestais por hectare. seguido do remanejamento do plantio do açaizeiro e de outras espécies. Na implantação de sistemas diversificados são recomendadas. para esse fim e devem levar em consideração todos os procedimentos mencionados anteriormente. essencialmente. induz à implantação de sistemas direcionados. com a eliminação de espécies consideradas de baixos valores comerciais. preferencialmente. frutos. bem como da retirada de galhos. Raleamento da vegetação Nessa etapa são identificadas e eliminadas as árvores sem valor de mercado. Operações necessárias ao manejo Limpeza da área A roçagem é o primeiro trabalho feito na área e consiste da eliminação das plantas de menor porte e de cipós. caracterizado como açaizal de várzea enriquecido com espécies nativas e introduzidas. fibras. em forma de anel de 25 a 100 cm de largura. Essas práticas possibilitam disponibilizar. mas é importante realizar o raleamento da vegetação. prioritariamente. estão representados os detalhamentos dos procedimentos iniciais de raleamento da vegetação de várzea. cujos solos permanecem quase sempre inundados. seguido do enriquecimento. Desbaste das touceiras . A grande vantagem econômica do manejo de açaizais. No caso de áreas de várzea baixa. Quando o interesse pela exploração dos açaizais manejados for. respectivamente. As árvores preservadas devem estar bem distribuídas. sementes.necessidade de compatibilizar a densidade em função da população total de plantas que possa ser ideal. óleos e fitoterápicos. facilitando o crescimento e o aumento da produção de frutos do açaizeiro e das outras espécies. permitindo a penetração da luz do sol na área. Ao final do processo de implantação será possível dispor de sistema agroflorestal. látex. para a produção de palmito é desaconselhável o plantio de outras espécies. é recomendado o enriquecimento por meio do manejo das touceiras de açaizeiro existentes. as áreas de várzea alta. e visa facilitar o deslocamento de pessoas que implementarão as demais práticas. nas áreas de baixa concentração. para a exploração racional. com mudas de açaizeiro. consistindo da retirada. Nas Fig. de parte do córtex em torno do tronco. mantendo aquelas produtoras de madeira. pois o plantio e a manutenção de outras espécies são praticamente inviáveis. dependendo da espécie. florestas de várzeas diversificadas e econômicas. 6 e 7.

quase o dobro nos açaizais manejados para fruto. também. que consiste da retirada das bainhas presas no estipe após a morte da folha.00/hectare. Com isso.00/hectare. em média 4. pela maior lucratividade proporcionada. defeituosos ou que apresentem pouca produção de frutos. geralmente. com a vantagem de possibilitar. no Estado do Pará. Essa prática é mais necessária nas plantas jovens. A prática de desbaste visa eliminar o excesso de estipes. naturalmente. São eliminadas as brotações novas. sem a ocorrência de mudanças espaciais nas áreas às proximidades dos principais centros urbanos. . deixando somente as que substituirão os açaizeiros grandes indesejáveis. para que o açaizal seja mantido limpo e mais produtivo. reduzindo os impactos ambientais. para plantios nas áreas com baixa concentração dessa espécie. a produtividade de frutos aumenta para 8. que serão cultivadas em associação com o açaizeiro. correspondendo a 75% de aumento. sendo eliminados aqueles muito altos. a cada 3 anos. foi o desestímulo para extração de palmito. podem ser obtidas a partir de plantas jovens oriundas da germinação natural de sementes ou produzidas especificamente para esse fim. Essa prática é realizada na entressafra. Os custos com a técnica de manejo são ressarcidos com a produção da primeira safra após o manejo. Manutenção do açaizal Anualmente é efetuada a eliminação das plantas de valor comercial desconhecido. ad infinitum. pois nas adultas as bainhas se desprendem.4 toneladas. indicando a existência de mais de 10 mil hectares de açaizais manejados. as touceiras apresentam número excessivo de estipes. Obtenção de mudas As mudas de açaizeiro. deixando de 3 a 4 em cada touceira. é possível obter. a partir do 4º ano. Para que os estipes do açaizeiro apresentem rápido crescimento em diâmetro. é indispensável a realização da limpeza das touceiras. que representa R$ 48 milhões. Com as técnicas de manejo. As mudas das outras espécies. podem ser produzidas às proximidades da área em manejo ou adquiridas junto a produtores credenciados. com vistas a manter a população recomendada. até R$ 700. com aproveitamento dos palmitos. junto com as folhas. a extração de palmito.2 toneladas de frutos. para que seja constituída a população aproximada de 400 touceiras por hectare. Considerando que 1 hectare de açaizal não-manejado produz. Outro aspecto importante. Após o desbaste. Com o manejado. há indicativo que algo em torno de 37 mil hectares estejam sendo explorados. são plantadas as mudas de açaizeiro nas áreas mais espaçadas. houve o acréscimo de 42 mil toneladas de frutos. Estimativas dos impactos positivos do manejo Impactos econômicos Os sistemas não-manejados propiciam a renda líquida de R$ 400. nas áreas mais próximas a Belém. com o apoio de financiamento oficial. finos. para a valorização do mercado do fruto de açaí.Nos açaizais não-manejados.

. comercialização e beneficiamento de frutos e palmitos de açaizeiro são as responsáveis pela geração de 25 mil empregos diretos. estão sendo financiados mais de 6 mil pequenos produtores. Eficiência tecnológica O emprego dessa técnica de manejo não requer o uso de insumos. A exploração do açaizeiro é de fundamental importância para a sustentação econômica das populações ribeirinhas dos Estados do Pará e Amapá. como corretivos e fertilizantes.5 milhões. para 156. maior rentabilidade que os açaizais nativos na forma como são explorados atualmente. A produção de frutos no Estado do Pará cresceu de 91. houve substancial aumento da extração para atender o crescente mercado exportador e de consumo local. decorre da competitividade com a colheita de frutos. as ações de manejo estão limitadas às áreas existentes. dessa forma. O pressuposto básico é o estabelecimento de florestas de várzea diversificadas. o que não ocorre com a mão-de-obra.Desse modo. com a adoção das técnicas de manejo. Como o sistema manejado implica no uso adicional de 46 dias/homem/hectare decorrente do aumento da produtividade e das técnicas de manejo. transporte. Impactos sociais Com o emprego da técnica de manejo.000 empregos diretos tenham sido criados com os 15. sem a possibilidade de se estender a novas áreas ou a de inserir novos recursos naturais. de modo racional e equilibrado. injetando anualmente mais de R$ 40 milhões na economia regional. mas em 1992 alcançou cerca de US$ 29. exigindo. o manejo e a exploração do maior número possível de espécies.581 toneladas. em 1994. Em 1999. As atividades de extração. a produtividade da terra é dobrada para a produção de fruto. correspondendo a mais de 15 mil hectares. Impactos ambientais O manejo dos açaizais nativos concilia a proteção ambiental com o rendimento econômico. em relação ao sistema não-manejado. Sob o ponto de vista ecológico. evitando assim o risco da formação de maciços homogêneos de açaizais e favorecendo o ressurgimento de espécies vegetais nativas que praticamente desapareceram da região.046 em 2000. pela impossibilidade de mecanização do processo de colheita.000 hectares manejados. além da destruição dos açaizais. tampouco. Essa perda de participação. proporcionando.3 milhões. as exportações de palmito do Estado do Pará. indica que pelo menos 2. a utilização de recursos energéticos modernos. aos ribeirinhos. são os aspectos favoráveis para a manutenção do equilíbrio da biodiversidade. Nesse contexto. Alcance da tecnologia No Estado do Pará. o dobro da necessidade de esforço humano. nem. produziram a cifra de aproximadamente US$ 7. para a extração de palmito e colheita de frutos. um aumento de aproximadamente 70%.

até . o controle é feito separando as mudas atacadas das sadias e os insetos retirados manualmente com auxílio de um pano umedecido em água. fato que dá importância às informações sobre o assunto. Bahia. que impedem a presença de inimigos naturais dessa praga. Paraíba. preferencialmente. Rio Grande do Sul. Piauí. Principais pragas a) Cerataphis lataniae Boisudval. Foto: Lindáurea Alves de Souza Fig. tornando-as raquíticas e com as folhas amareladas. tem a coloração quase preta e locomoção lenta. . desde a fase de sementeira at é o plantio adulto. Ataca. formigas. Com a expansão de cultivos comerciais na Região Norte do Brasil.Controle: No viveiro. Minas Gerais. por cerca de 10 dias. podendo ser de forma alada ou sem asas. mede cerca de 2 mm de diâmetro. . Pernambuco. . 1).Ocorrência: No Brasil. ataca mais intensamente o açaizeiro no viveiro e durante os 3 primeiros anos de vida no campo (Fig. Conhecida como o pulgão-preto-do-coqueiro.Pragas e métodos de controle Dentre os fatores que comprometem a produção racional do açaizeiro. principalmente. por causa da seiva que tanto as ninfas como os adultos sugam para se alimentarem. As mudas atacadas são mantidas isoladas fora do viveiro e observadas. Ataque do pulgão-preto-do-coqueiro (Cerataphis lataniae) em açaizeiro jovem. moscas e. Diversos insetos são capazes de atacar o açaizeiro. . ocorre nos Estados do Amazonas. Maranhão. As pragas que atacam o açaizeiro ainda são pouco conhecidas. os problemas causados por esses organismos têm surgido com maior evidência e aumentado a preocupação quanto aos prejuízos que vêm causando ao açaizeiro.Sintomas: Esse inseto provoca o atraso no desenvolvimento das mudas do açaizeiro. a flecha da palmeira e a inserção das folhas jovens ao estipe. Santa Catarina e São Paulo. Rio de Janeiro. 1867 (Heteroptera: Aphididae). Pará.Descrição: Esse pulgão tem o formato circular. 1. pode ser destacada a ocorrência de insetos. Excreta uma substância adocicada que atrai vespas.

tanajura e formigas-saúvas.Ocorrência: A mosca branca ataca um grande número de fruteiras e diversas palmeiras. A saúva-damata. 2). 1968). cephalotes (saúvacabeça-de-vidro) e A. mede cerca de 2mm de comprimento por 4mm de envergadura. onde se alimentam e se reproduzem.) e o dendezeiro (Elaeis guineensis Jack.Sintomas: Por se alimentar da seiva. . 1846) (Heteroptera: Alyrodiae). Esse inseto favorece o aparecimento do fungo fumagina. mas pode atacar essa palmácea nos primeiros anos de vida no campo. proporcionando o aparecimento de formigas e do fungo fumagina. Conhecidas popularmente por saúvas. O ninho é formado por dezenas ou centenas de câmaras ou panelas. atrasando o desenvolvimento e a produção. podendo causar a morte do açaizeiro no caso de ataque severo.que haja a certeza de que a praga foi completamente eliminada. Conhecida por mosca branca causa maior dano ao açaizeiro no viveiro.Descrição: O adulto se assemelha a uma pequena mosca. lataniae. atacam as plântulas do açaizeiro na sementeira. torna a planta amarelada. que provoca a diminuição na fotossíntese da planta. possui 4 asas membranosas e cobertas por uma secreção pulverulenta. as mudas no viveiro e as plantas nos primeiros anos de vida no campo. com comunicação entre si por meio de galerias. As ninfas medem cerca de 1mm de comprimento. laevigata (saúva-da-mata).Ocorrência: Essas saúvas são encontradas em todos os Estados do Brasil. É encontra de Norte ao Sul do Brasil (Silva et al. chamam a atenção. pois formam montes de terra solta com muitos orifícios (olheiros). deve haver o cuidado de não levar mudas atacadas para o plantio definitivo. 1893. sexdens sexdens (saúva-limão-do-norte ou formiga-da-mandioca). rodeada de serosidade branca e vivem na face inferior da folha. os ataques são mais drásticos na sementeira e no viveiro. . No entanto. tem a cor branca. na maioria das vezes. (Hymenoptera: Formicidae).) e a saúva-limão-do-norte ou formiga-da-mandioca ataca o açaizeiro e outras palmeiras e fruteiras. b) Alleurodicus cocois (Curtis. As saúvas se alimentam do fungo Gonylophora pholiota (Rhozitles) Moeller. as medidas de controle são as mesmas propostas para C. . As espécies mais comuns são: A. . ocupam toda a área dos folíolos. que são cultivados com folhas trazidas pelas próprias saúvas para o interior do sauveiro. No nível do solo. As ninfas e os adultos formam colônias e.Descrição: São insetos sociais que vivem em ninhos subterrâneos. c) Atta spp.Controle: Tanto no viveiro como no campo. além do açaizeiro ataca diversas fruteiras. quando então poderão retornar ao viveiro. . . A. onde excretam uma substância adocicada. Ainda não existe um método de controle dessa praga no campo. a saúva-cabeça-de-vidro também ataca diversas fruteiras. por isso. em virtude das folhas estarem muito tenras (Fig. têm coloração amarelada. . assim como o açaizeiro. coqueiro (Cocos nucifera L. debilitada e depois clorótica.

Ataque de saúvas (Atta spp. Outro fator a ser observado é se existem sauveiros às proximidades e. quando se tratar de áreas infestadas. . Devem ser evitadas as proximidades de áreas de matas.Sintomas: As saúvas cortam os folíolos do açaizeiro no viveiro. que são mais práticos.Controle: Como controle preventivo são observados os locais de instalações dos viveiros. esses são retirados e queimados.Foto: Lindáurea Alves de Souza Fig. pois são os ambientes preferidos das saúvas. O controle químico com gases liquefeitos (metil bromide) é o mais utilizado. . como antecedendo ao plantio do açaizeiro no local definitivo. mas podem ser aplicados produtos líquidos (termonebulizáveis _ fenitrothion e deltametrin) e iscas granuladas (diflubenzuron). 2. seguidos de tratamento do solo com inseticida. concorrendo para o atraso no desenvolvimento ou até mesmo a morte da planta. eficientes e econômicos. Essas providências são de grande importância. provocando o desfolhamento parcial ou total das mudas. não só antes da instalação do viveiro. .) em folhas jovens de açaizeiro .

Além do açaizeiro. tomando o formato de uma vassoura. 5 cm de comprimento. como fungos. A larva. formigas predadoras e um coleóptero da família Scarabaeidae. bloqueando a . 3). . onde é possível observar todos os membros do besouro adulto. 250 ovos durante o seu ciclo de vida.As saúvas também podem ser controladas por inimigos naturais. Ferreira et al. bicudo e broca-do-coqueiro (Fig. começa a voar à procura de fêmea para acasalar e uma palmeira para se alimentar. com o pecíolo bronzeado. essa praga ataca outras palmeiras. mede 75 mm de comprimento por 25 mm de largura. em média. inflorescências abortadas e estipe com furos enegrecidos junto à região da coroa. 3. Conhecida por broca-do-olho-do-coqueiro. nematóides. ataca o açaizeiro. Pode também ser feita a gradagem do terreno para destruir os ninhos no solo. a partir dos 3 anos de idade. Foto: Paulo Manoel Pontes Lins Fig. medindo. . 1993). 1746 (Coleóptera: Curculionidae). folhas mais curtas e amareladas.Ocorrência: O gênero Rhynchophorus é encontrado disperso por todo o Brasil. em média.Descrição: Essa praga possui hábito diurno e. quando as plantas estão com o estipe suficientemente desenvolvido.Sintomas: O açaizeiro atacado apresenta porte reduzido. Genty et al. Essa praga além de fazer enormes galerias no estipe e na região da coroa foliar. 1940. d) Rhynchophorus palmarum Linnaeus. sendo possível observar machos e fêmeas em constantes acasalamentos. pelo seu tamanho. . O adulto vive de 45 a 60 dias e as fêmeas põem. principalmente o coqueiro e o dendezeiro. A pupa tem a coloração amarelada. 1978. completamente desenvolvida. é facilmente vista voando dentro de plantações atacadas. possui corpo recurvado de coloração branco-cremosa. 1998). predador das rainhas (Della Lúcia. O adulto recém emergido. ácaros parasitas. redução do número de folhas. depois de algumas horas. redução ou ausência de cachos. tanto no campo como sob condições de laboratório (Bondar. no campo. Quando o açaizeiro está muito atacado. Na fase adulta é um besouro de cor preto-aveludada. Adultos (macho e fêmea) de brocado-coqueiro (Rhynchophorus palmarum). as folhas mais jovens são mais curtas e não se abrem completamente.

. no qual é fixado um funil feito com a parte superior de garrafa de plástico descartável de refrigerante (2 litros).Descrição: Seu corpo é curvo. no local. Além disso. é o vetor do nematóide causador. ataca o açaizeiro no viveiro e nos primeiros anos de vida no campo. 1998). bactérias e vírus. propicia a entrada de microrganismos como fungos. ocasião em que será feita a coleta dos insetos capturados (Silva et al.passagem dos nutrientes. a coloração varia de marrom-clara a marrom-violeta. O uso de armadilhas é o método mais seguro para o controle dessa praga e pode ser feita com o aproveitamento de recipientes descartáveis de plástico (20 litros). A parte superior dos recipientes é retirada e. Conhecida por escama vírgula e cochonilha escama vírgula. para que os adultos não sejam atraídos pela seiva exudada. Armadilha para captura de adultos de broca-do-coqueiro. A troca da cana deve ser feita a cada 15 dias. 1869) (Heteroptera: Diaspididae). No interior da armadilha deve conter iscas compostas por feromônio de agregação sintético rincoforol (trocados a cada 3 meses). 4. utilizados no envasamento de óleo para máquinas agrícolas. quando eliminadas concorrem para a redução da ocorrência dessa praga. que são focos e servem de criadouro para a broca-do-coqueiro.Controle: As plantas decadentes ou mortas. mais 6 roletes de cana de açúcar (20 cm cada. cortados transversalmente). Os estipes eliminados são cortados em pedaços e queimados fora da plantação. adaptada uma tampa de madeira. ou insetos secundários capazes de provocar novos danos. e) Mytilococcus (Lepidosaphis) bechii (Newman. do modo a facilitar a entrada do inseto. provocando o enfraquecimento ou até a morte da planta. As armadilhas (Fig. Também devem ser evitados ferimentos mecânicos acentuados durante a colheita dos cachos. da doença conhecida por "anel-vermelho". . Foto: Lindáurea Alves de Souza Fig. semelhante a uma vírgula ou um marisco. nas palmáceas. com um furo de aproximadamente 10 cm ao centro. 4) são colocadas em moirões de madeira com 1 metro de altura e distribuídas dentro do açaizal a cada 150 metros. A fêmea põe em média 50 ovos e mede cerca . com a parte afunilada voltada para dentro da armadilha.

ataca o açaizeiro no viveiro e. inicialmente. atrasando o seu desenvolvimento e sua produção. gafanhotão e tucurão (Fig. . g) Eutropidacris cristata (L. . . Foto: Lindáurea Alves de Souza Fig. . podem ser adotadas ações preventivas.de 3 mm de comprimento (Gallo et al. as plantas jovens no campo. é conhecida por mosca branca e o corpo é recoberto por uma serosidade esbranquiçada. ataca o açaizeiro no viveiro e as plantas jovens no campo. As fêmeas põem os ovos na face inferior da folha.Ocorrência: Encontrada dispersa por todo o Brasil. . pois são envolvidos por densa aglomeração flocosa. Em decorrência de sua constante sucção da seiva. Conhecida por gafanhoto do coqueiro. a planta fica.Descrição: O adulto dessa praga.Ocorrência: A mosca branca é encontrada em todos os Estados do Brasil. atrasando seu desenvolvimento e.Sintomas: Os folíolos. Conhecida por mosca branca ou piolho farinhento. chegando mesmo a cobrir toda a folha. inicialmente.Sintomas: Essa praga se fixa ao longo da nervura principal. formada por filamentos cerosos de cor branca.. pelo ao seu formato e a sua cor. Exudam um líquido açucarado. depois a planta fica debilitada. 5. na parte ventral dos folíolos. 1758) (Orthoptera: Acridiae). baseadas em cuidados de não instalar o viveiro próximo a plantas atacadas por esse inseto. com as folhas amareladas e depois cloróticas. Ninfa do gafanhoto do coqueiro. principalmente. f) Alleurothrixus floccosus (Maskell. para que não haja a possibilidade de ser levada planta atacada para o local de plantio definitivo. 1988). ficam amarelados. . moscas e do fungo fumagina. Tanto as ninfas como os adultos são facilmente observados. . conseqüentemente. favorecendo o aparecimento de formigas.Controle: Como não existe nenhum inseticida registrado para o controle dessa praga em açaizeiro. e depois de 10 dias ocorre a eclosão das ninfas. por causa do sugamento da seiva. a sua produção.Controle: Pode ser o mesmo descrito para Alleurodicus cocois. 5). 1895) (Heteroptera: Aleyrodiae). .

essa praga é conh ecida por gafanhotão. . . 1988). Conhecida por lagarta-verde-do-coqueiro ou lagarta -verde. preferencialmente.Sintomas: Provoca a redução no desenvolvimento da planta e. as posteriores. . esverdeadas com leve tonalidade azul. também. nas asas posteriore s. . esse abrigo para empupar (Bondar. 6) no viveiro e nos primeiros anos de vida no campo. cujo interior é revestido por um pó branco que também lhe reveste.Descrição: O adulto é uma borboleta com 4. conseqüentemente. verde-clara brilhante.8 kg de melaço. após atingirem certo desenvolvimento são chamados de "saltões". 0. 1988). quando o gafanhoto está. e 6. quando emergem. no estádio de "mosquito" ou mesmo "saltões". h) Synale hylaspes (Cramer. é pela observação de grande quantidade de folíolos severamente cortados. 1940). recebem o nome de "mosquitos". arroz ou milho.4 kg de açúcar mascavo. as asas anteriores são verde -pardacentas e. Outra maneira de ser detectado o ataque desse gafanhoto. 1782) (Lepidoptera: Hesperidae). de cor prata com manchas brancas e translúcidas nas asas anteriores. pois nesses estádios vivem agregados para se protegerem. constrói seu abrigo unindo as bordas do folíolo com fortes filamentos brancos.5 kg de triclorfon 50%. ataca o açaizeiro (Fig. e branca. permanece no abrigo durante o dia. sai à noite para se alimentar e usa. até que seja alcançada a consistência moldável de massa (Gallo et al. com a extremidade amarelo-dourada. As iscas são preparadas com a mistura de: 10 kg de farelo de trigo.5 cm de envergadura.gafanhotão e tucurão (Eutropidacris cristata).5 L de água. que ficam caídos no solo. 0. pela voracidade com que as ninfas e os adultos se alimentam. o atraso no início da fase produtiva.Descrição: No Estado do Pará. e só depois alcançam a fase adulta. 0. . cujas asas ainda são rudimentares.Ocorrência: É encontrado em todos os Estados da Região Norte e em extensas áreas das outras regiões do Brasil. As fêmeas põem os ovos no chão e. Ataca também outras palmeiras (Gallo et al.Controle: Deve ser feito com o uso de iscas colocadas na vegetação rasteira junta às palmeiras. Esses componentes são bem misturados. Foto: Lindáurea Alves de Souza . mede 110 mm de comprimento. A lagarta.

as lagartas são retiradas manualmente para não infestar as mudas sadias que estão próximas. ou trichlorphon a 0. . .16% i. Ainda não existe um método para controlar o ataque dessa praga. Por isso. corpo relativamente esférico com cerca de 4 mm de comprimento. . seco e com a coloração amarronzada. 7) Foto: Lindáurea Alves de Souza Fig. Danos provocados pela lagartaverde-do-coqueiro ou agarta-verde (Synale hylaspes). no campo.a. i) Hemisphaerota tristis (Bohheman. com o corpo coberto de seus próprios excrementos. tornando-o esgarçado. formando para se . A larva é brancoamarelada. em açaizeiro.1850) (Coleóptera: Crysomeliade).Ocorrência: É encontrada nos Estados da Bahia e Sergipe (Silva et al. (Ferreira et al.Descrição: O adulto é um besouro de cor azul escura.Sintomas: A lagarta se alimenta do limbo foliar. são imprescindíveis as inspeções mais intensas.2 mm de largura. 1968) e. o controle é feito com o uso dos inseticidas carbaryl a 0. 6. em coqueiro. por 3.a. quando da produção de mudas.Controle: Quando o ataque ocorre no viveiro.15 i. 7. . Conhecida por inseto-rodilha (Fig. foi encontrada atacando o açaizeiro nos Municípios de Belém e de Tomé-Açu. Entretanto. no Estado do Pará. 1998). Sintomas de ataque de insetorodilha (Hemisphaerota tristis) em açaizeiro.Fig.

1978). 8). ficando pendurado nas folhas. a ocorrência dessa espécie foi registrada na Bahia. em Sergipe. 1969) e. pela ação do vento. lagarta-das-folhas-do-coqueiro e brassolis (Fig. do estádio de ovo à fase adulta.5 cm. Bahia. no Brasil.Sintomas: O açaizeiro atacado tem os folíolos esgarçados longitudinalmente. é de cerca de 100 dias (Ferreira et al. j) Brassolis sophorae (Linnaeus. e.proteger uma espiral em forma de rodilha. facilmente. é controlada com inseticidas fosforados (Ferreira et al. (1968). Além desses Estados. Possui hábito gregário. possui bastante movimentação em relação ao corpo e é recoberta por uma fina camada de pelos. Seu hábito de voar é crepuscular vespertino. por Ferreira et al. nos Estados do Amazonas. No Brasil. anteriores e posteriores. Adultos e larvas alimentam-se da face inferior dos folíolos raspando os mesmos.Ocorrência: A sua distribuição foi feita através da Colômbia. há registros de ocorrência no Amazonas. . . Conhecida por lagarta-das-folhas. depois se torna marrom. inicialmente. Adulto de lagarta-das-folhas. por Silva et al. unindo vários folíolos em forma de sacos alongados. . (1998). Pará e Amapá. . Espírito Santo. Sua cabeça. Suriname e Brasil (Genty et al.Descrição: O adulto é uma mariposa cujas asas. fazendo ranhuras no sentido longitudinal do folíolo (Bondar. 1998). é verde-clara. com as cores marrons. 8. Maranhão. Em coqueiro. As palmeiras atacadas exibem desenvolvimento e produção reduzidos. que se rompem. Foto: Antonio Agostinho Müller Fig.Controle: Não existe nenhum tipo de controle para essa praga em açaizeiro. . O ciclo de vida. Minas . 1940).Ocorrência: Ocorre em quase todos os países tropicais da América do Sul (Lever. castanho-avermelhada. 1758) (Lepidoptera: Nyphalidae). constrói os seus ninhos para se proteger. são marromescuras. A crisálida. 1998). A lagarta é cremosa e apresenta listras longitudinais escuras ao longo do corpo. tornando-os secos. com uma faixa transversal de cor alaranjada e expansão média de 8. onde permanece durante a noite. lagarta-das-folhasdo-coqueiro e brassolis (Brassolis sophorae).

35% i.a. facilmente constatada pela presença de lagartas mortas e esbranquiçadas.Gerais. de dentro da plantação. Foto: Lindáurea Alves de Souza Fig. ou ainda a morte da planta. cuja coloração esbranquiçada. 1968) e Sergipe (Ferreira & Leal. Rio Grande do Sul. no caso de ser negativa. No Pará.a. para baixar a folha com o ninho. pode ocorrer o atraso no desenvolvimento da planta. podendo ser encontradas mais de mil lagartas em um único ninho. Como conseqüência. . Rio de Janeiro. . e do carbaryl a 0. queda prematura dos frutos e a redução da produção. . Outros agentes biológicos que se destacam são o fungo Bacillus thuringiensis. consomem grande quantidade de massa foliar. para que o fungo possa ser disseminado dentro da plantação. os ninhos não-parasitados são retirados e as lagartas eliminadas. Mato Grosso. no controle das lagartas (Ferreira & Leal. brongniartii. 1989).Sintomas: As lagartas são muito vorazes. são abertos. deixando somente as nervuras centrais dos folíolos e da ráquila. quando isso não for possível. k) Opsiphanes invirae (Huebner. com gancho na ponta. 1818) (Lepidoptera: Brassolidae). parcialmente. e os parasitóides. são verificadas as fezes amontoadas no solo. Conhecida por lagarta-desfolhadora e opisifane (Fig. pela presença dos esporos. parasitóides tanto em crisálidas como em ovos. ocorre a diminuição da absorção de nutrientes retirados do solo.4% i. Existe recomendação de uso do trichlorphon a 0. bastantes eficientes no controle das crisálidas. em casos de altas infestações em plantações de coqueiro.Consiste da retirada dos ninhos não parasitados por microrganismos. 9). os ninhos não são retirados do campo. Pará. São Paulo e Distrito Federal (Silva et al. . indica que as lagartas estão parasitadas dentro do ninho. . 9. Controle químico .Controle: A ocorrência dessa praga pode ser controlada da seguinte forma: . Controle mecânico . Controle biológico . 1989). é muito comum a ocorrência em plantações de dendezeiro e de coqueiro.Não existe nenhum inseticida registrado e liberado no mercado para essa praga em açaizeiro.Os ninhos examinados. Caso seja positiva. para a verificação da existência de lagartas parasitadas pelo fungo Beauveria bassiana ou B. Adulto de lagarta-desfolhadora ou opisifane (Opsiphanes invirae). e. Em plantas altas é usada uma vara. Dependendo da intensidade do ataque.

Na cabeça chama atenção . à distância uma das outras de 150 m. principalmente nos folíolos próximo ao estipe.. apresenta grande parte dos folíolos destruídos desordenadamente.Descrição: O adulto é uma mariposa cujas asas anteriores são negras. no entanto. sua cabeça é cor-de-rosa com dois cornos cefálicos em forma de espinho.1% do produto comercial. 1998). é verde-clara brilhante. em virtude da alta voracidade. quando está para empupar permanece dependurada em algum ponto da planta. pode ser feito com armadilhas feitas com o aproveitamento de latões cilíndricos. fixas em suportes de madeira. com duas listras finas longitudinais amarelasclaras ao longo do corpo. atacando açaizeiros jovens e adultos. na parte média das asas anteriores. é colocado o inseticida trichlorphon a 0. Lepidoptera: Castniidae). está presente em quase todos os Estados (Silva et al. Castnia dedalus. Alimenta-se dos folíolos causando danos à planta. inicialmente. a envergadura das asas da fêmea varia de 170 a 205 mm e dos machos de 170 a 185 mm. Devem ser realizadas inspeções periódicas. No interior das armadilhas. até a emergência do adulto. A lagarta é de cor verde-clara brilhante. . 10). Ferreira et al. Larva e adulto broca-do-estipe. Possui duas fileiras de pontuações amarelas esbranquiçadas acompanhando o contorno das asas posteriores e. mas. depois se torna marrom com listras transversais e longitudinais róseo-ferrugem. em 2003.1968. As armadilhas devem ficar suspensas a 1 metro do solo.Controle: O controle dessa mariposa. l) Eupalamides dedalus (Cramer. broca-da-coroa-foliar e broca-dos-cachos-do-dendezeiro (Eupalamides dedalus). cujo abdômen termina por dois prolongamentos caudais. 1947). A crisálida. há uma faixa amarela transversal com pontuações da mesma cor nas extremidades. quando atacado. e vivem na face inferior dos folíolos. 10. Não possui nenhuma proteção externa em seu corpo.Sintomas: O açaizeiro. ataca com maior freqüência o coqueiro e o dendezeiro. cortados transversalmente. no Pará. com 80 cm de comprimento e 15 cm de diâmetro. . com uma faixa larga amarela na parte mediana e duas pontuações da mesma cor na parte superior. só foi constatada. . . broca-da-coroa-foliar e broca-dos-cachos-do-dendezeiro (Fig. ou vasilhas de plástico cortadas de maneira a formar uma janela para entrada dos insetos adultos. quando a população é grande podem também empupar na vegetação rasteira junto ao açaizeiro. com vistas à constatação da ocorrência dessa praga e à avaliação dos danos causados. Conhecida por broca-do-estipe. 1775) (sin. Foto: Lindáurea Alves de Souza Fig.Descrição: O adulto é uma mariposa com asas marrom-escura e reflexos violeta.Ocorrência: Essa praga está distribuída por toda a parte setentrional das Américas do Sul e Central (Lepesme. No Brasil.

). A pupa é de cor castanho-escura brilhante e mede de 64 a 95 mm de comprimento. finalmente. e se realiza a uma altura entre 1 a 4 metros. semelhantes a um grão de arroz. A longevidade do macho. 1978. (Ray. o primeiro registro desta praga atacando diversas palmeiras foi por Silva et al. durante o dia. pousada no estipe próximo a copa da palmeira. escuro quando se aproxima a eclosão da larva. . O período pupal foi estimado por Korkytkowski & Ruiz (1979a) em aproximadamente 30 dias. Seu hábito de vida é do tipo "minador". em média (Korkytkowski & Ruiz. No período de 12 a 17 dias. junto à coroa. No final de seu desenvolvimento a lagarta passa por um período de pré-pupa. fortemente compactadas (Korkytkowski & Ruiz 1979b). Guiana. junto à coroa. em média. e o ciclo biológico completo é de aproximadamente 14 meses. Korkytkowski & Ruiz. 1973). A larva possui coloração branca leitosa. Genty et al. impedindo a circulação e o transporte de nutrientes para a região da copa. na Venezuela. Em 1996. com formato ovalado e provido de 5 estrias longitudinais proeminentes. danificando seus tecidos. o número de ovos postos pela fêmea varia de 200 a 500. caminham em direção ao estipe fazendo enormes galerias. que escorre por meio das galerias abertas externamente. Suriname. que varia de 144 a 403 dias. onde permanece durante todo seu desenvolvimento. cabeça fortemente esclerificada de cor castanha brilhante e com mandíbulas negras muito fortes. em plantações de dendezeiro. dos quais a maioria é colocada nos 5 primeiros dias e. 1979b). é de 12 a 13 dias e. Colômbia. Peru e Panamá. foi detectada a presença dessa praga atacando os estipes de açaizeiro e de bacabeiras (Oenocarpus maropa H. Karst e O. de 15 a 18 dias. causando grandes prejuízos à produção (Schuilling & Dinther. depois levemente rosado e. as folhas .Ocorrência: É encontrada. Inicialmente é esbranquiçado. durante 19 dias. constrói galerias no estipe do açaizeiro. (1968). fica totalmente perfurado e enegrecido em decorrência da oxidação da seiva. coqueiro e algumas palmeiras nativas. o vôo é rápido e silencioso. com uma média de 265. Após a emergência. transfere-se para a região superior do estipe onde empupa. com uma média de 233 dias. Equador. A incubação do ovo varia de 10 a 15 dias (Korkytkowski & Ruiz. minor Mart. mede aproximadamente 7 mm de comprimento e pode alcançar de 110 a 130 mm no último estádio de seu desenvolvimento. No final do ciclo. 1980). Ao emergir. Brasil (Região Norte).o tamanho grande dos olhos. 1973. O estipe. o casulo formado pela pupa é marrom escuro e é confeccionado com as fibras da palmeira. O ovo mede de 5 a 6mm de comprimento. palmeiras nativas da Região Norte. por 2mm de largura. a fêmea deposita de 2 a 30 ovos. o que indica a grande capacidade de dispersão da espécie (Korkytkowski & Ruiz. das fêmeas. permanecendo. Como conseqüência. inicialmente. . 1979b). 1979b). voando somente por um período de 10 a 15 minutos nas primeiras horas da manhã (6h às 6h15m) e nas primeiras horas da noite (18h às 18h15m).Sintomas: O ataque. 1979a). A postura é feita em grupos de 2 a 8 ovos (Ray. No Estado do Pará. A mariposa possui comportamento matutino e vespertino muito característico. ocorre na região da inserção da folha (axila foliar). em cada local de postura. as larvas se dispersam pela coroa da palmeira e na medida que crescem.

é possível encontrar danos simultâneos de larvas de Rhynchophorus palmarum atraídos pelo odor de fermentação dos tecidos danificados pelas larvas da broca-do-estipe (Risco. Alimentam-se raspando os folíolos mais jovens e as flechas. encontrados por toda a planta.ficam carcomidas ao nível dos pecíolos. pulverizado na coroa foliar do coqueiro. causam problemas à flora. Noções básicas para o uso de agrotóxicos Os agrotóxicos. Concomitantemente. São encontrados. da ação danosa de outros seres vivos considerados nocivos. b) Lesmas: São moluscos desprovidos de conchas. O inseticida carbosulfan. moluscidas (combatem as lesmas) e raticidas (agem sobre os ratos). com cerca de 10 mm de comprimento. são distribuídos em grupos de produtos classificados como inseticidas (controlam as pragas). Este autor estima que a forte incidência dessa broca no coqueiro pode reduzir a produção em até 50% e. . realizada periodicamente nas plantas jovens. principalmente nos 2 primeiros anos de vida no campo. Souza et al. Ocorrem. propiciando o ataque de broca-do-coqueiro. raspando os mesmos para se alimentarem. com maior freqüência. fungicidas (agem sobre os fungos).Controle: Não existem informações sobre o controle dessa praga em açaizeiro. quando aplicados de forma indiscriminada e inadequada. produtos e agentes químicos ou biológicos. como a poda das folhas infestadas e a coleta manual de crisálidas e adultos.a. . O controle pode ser feito por meio de catação manual. 1978). que pendem junto ao estipe e terminam por cair. acaricidas (eliminam os ácaros). bactericidas (controlam as bactérias). 1998). herbicidas (combatem as plantas invasoras). Pouco se conhece sobre a ação de agentes naturais que tenham ação efetiva de controle dessa praga no campo. nematicidas (agem sobre os nematóides do solo). Dependendo da população. Ohashi et al. Outras pragas a) Caracóis: São moluscos. podem causar sérios problemas às mudas de açaizeiro ou ainda nos primeiros anos de vida. à fauna e ao próprio homem. ecologistas e biólogos. na concentração de 0. (Lins et al. O uso de agrotóxicos tem sido questionado pelos ambientalistas. uma vez que se reproduzem em material vegetal úmido e em decomposição. tem sido eficiente no controle dessa praga. na época chuvosa e em lugares mais úmidos. cuja finalidade é a de preservar. concorrer para a ocorrência de problema mais sério. podem ser utilizadas algumas práticas de controle adotadas para o coqueiro e o dendezeiro. entretanto. Atacam o açaizeiro tanto no viveiro como palmeiras jovens no campo.02% de i. providos de conchas. na flecha e nos folíolos mais jovens. 1998. principalmente. 1998. com os prejuízos causados pelas larvas desse inseto. retirando os pedaços de madeiras podres. pois são produtos químicos que. O controle pode ser feito através da catação manual nas plantas e limpezas ao redor do viveiro. 1996). a flora e a fauna. mas com hábito alimentar semelhante ao dos caracóis. reduzindo consideravelmente a população da praga (Genty et al. principal vetor do agente causal da doença "anel-vermelho"..

pragas ou plantas invasoras que podem ser tratadas. a hora e a época de aplicações. Os agrotóxicos. caixa. contendo informações importantes sobre o produto. as doenças. concentrado emulsionável. associados às ações provocadas pela broca-do-coqueiro. até então referido em alguns trabalhos entomológicos. lata e vidro. tais como luvas. É importante avaliar. em sementeiras. pragas e plantas invasoras nas culturas de importância socioeconômica. para não se contaminar. os agrotóxicos devem ser armazenados ou guardados longe do alcance de crianças e de animais. como os usos de equipamentos de proteção individual (EPI). pó seco). o intervalo entre as aplicações. óculos e máscara para evitar o contato e a inspiração do produto. que devem ser sempre preservados. As embalagens devem ser mantidas sempre fechadas e os produtos conservados na embalagem original. como princípios básicos. pragas e plantas invasoras. quando da possibilidade e necessidade de se aplicar mais de um produto ao mesmo tempo. o produtos não deve ser tocado sem a observação dos cuidados necessários. para que o agrotóxico não contamine os alimentos. se a incidência de doença. assim como na manipulação das embalagens após o esvaziamento das mesmas. os cuidados a serem tomados pelo aplicador. no controle desses seres nocivos dentro da atividade agrícola. as doses recomendadas. Cuidados especiais no uso e manuseio de agrotóxicos O uso de agrotóxicos exige de seus manuseadores o conhecimento básico sobre o modo de ação. se o agrotóxico é recomendado para o controle desejado. a céu aberto e próximo das habitações. pois se restringem a poucas ações no controle de pragas. a classe toxicológica e sobre os cuidados durante e após as aplicações no controle de doenças. comercializados em embalagens do tipo pacote. não atingiram ainda estágios de comprometimento econômico à produção de frutos. são observados. vetor do nematóide causador dessa doença. Escolha do agrotóxico Para que sejam obtidos resultados eficientes. e evitados os lugares úmidos. e sobre a formulação do produto e a indicação do princípio ativo. a formulação do produto (pó-molhável. quando da decisão do combate à nocividade. e se o uso de agrotóxico provoca desequilíbrio à cultura e ao meio ambiente. . a compatibilidade. O uso de fungicidas praticamente inexiste. viveiros e no campo. tendo sempre em mente a preocupação de escolher produtos menos tóxicos. Quando houver a necessidade do uso de dois produtos é prudente verificar se não há incompatibilidade e não deve ser esquecido o respeito ao intervalo mínimo entre a aplicação e a colheita. praga ou concorrência de plantas invasoras justifica o controle. pois o "anel-vermelho". Nas propriedades.O uso de agrotóxicos nos cultivos de açaizeiro ainda são limitados. Quando do manuseio. após a abertura das embalagens. como: as culturas beneficiadas com a sua aplicação. são dotados de rótulos. a dosagem recomendada. a carência ou intervalo entre a última aplicação e a colheita. a melhor época para controlar as doenças.

mas sempre longe de rios. as aplicações do produto. Os agrotóxicos são poderosos contaminantes que necessitam. de 06 de junho de 2000. Pecuária e Abastecimento. e gasosas. As desvantagens da aplicação de pó estão relacionadas ao fato das partículas serem levadas pelo vento a longas distâncias. a classificação. a produção. Parte dessa lei. seus componentes e afins. que dispõe sobre a pesquisa. que comprometem a rentabilidade de suas lavouras. é maior. com vistas à redução do perigo da contaminação. de 21. pragas e plantas invasoras.As embalagens devem ser recolhidas e encaminhadas para terem o destino final. as mesmas devem ser mantidas em sacos de plástico. a embalagem e rotulagem. O maior problema com o uso de granulados é o fato de terem ação sistêmica. alimentos e ao ambiente. a inspeção e a fiscalização de agrotóxicos. os cuidados com o aplicador e o destino final dos resíduos e embalagens. que dispõe sobre a especificação das sanções aplicáveis às condutas e atividades lesivas ao meio ambiente e alterada pela Lei 9. nos casos de embalagens abertas ou rasgadas. mesmo quando são necessários poucos gramas de ingrediente ativo por hectare para controlar as doenças. o controle. As ações que devem ser postas em prática. líquidas (pó-molhável ou emulsionável).09. de acordo com a legislação regulamentada pelo Ministério da Agricultura. animais. a baixa aderência das mesmas. por unidade de área. e. Formulação e modo de aplicação Os defensivos são comercializados nas formulações sólidas (pó e granulado). sendo estas últimas de uso bastante restrito. Na impossibilidade de cumprimentos das normas de proteção. devem ser inutilizadas e enterradas em locais adequados. o destino final dos resíduos e embalagens. e dá outras providências. porém eficazes. a exportação. a comercialização. a utilização. pragas e plantas invasoras.802. a importação. por causa dos seus usos indiscriminados e inadequados. como a Lei n° 7. o registro. portanto.5% a 10% de ingrediente ativo e a aplicação é feita com polvilhadora ou polvilhadeira. quando usados. de 11 de julho de 1989. a propaganda comercial. que trata especificamente sobre o destino das embalagens vazias. foi regulamenta pelo Decreto nº 3. estão relacionadas com o uso e lavagens dos pulverizadores. As formulações granulares são aplicadas a lanço e oferecem maior segurança aos aplicadores. que o agricultor dispõe para o controle de doenças. No entanto. por isso vêm sendo . o armazenamento. a experimentação. e ao alto risco de inalação das partículas pelos aplicadores. de custo mais alto como ocorre com os pós-secos. As formulações na forma de pó seco contêm 0.1999. Técnica de aplicação Os defensivos químicos são os meios mais perigosos. Esses temas são regulamentados por leis específicas e detalhados quanto aos seus usos e aplicações. Essas formulações têm baixas concentrações.974. de cuidados que minimizem ou neutralizem os seus efeitos prejudiciais ao homem. Os grânulos também contêm baixa concentração de ingrediente ativo sendo. por isso o custo da aplicação. o que facilita a lavagem pela chuva. fontes e igarapés. o transporte. vêm causando danos ao ambiente e ao próprio homem.179.

De acordo com os volumes de agrotóxicos aplicados nas lavouras. distribui gotas com diâmetro médio do volume entre 50 e 100 micrômetros. respectivamente.Disco rotativo e gaiolas (energia centrífuga): usados para aplicação de herbicidas em volumes pequenos com gotas de tamanho quase uniformes. que reduz mais os riscos de contaminação do aplicador. . e espacial de aerossóis.Eletrohidrodinâmico (energia elétrica): utilizados na aplicação de produtos oleosos e volumes reduzidos (0. O tamanho das gotas. leque ou cone (energia hidráulica): são de baixa pressão e gotas grandes. As dosagens dos agrotóxicos usados nas lavouras podem ser expressas em quantidades do produto por unidade de área (hectare ou alqueire) ou pela quantidade do produto por 100 litros de água (180 g/100 L. . usados na aplicação de herbicidas. e . são classificados de acordo com a energia utilizada em: . pó-molhável ou concentrado emulsionável. médio volume.001 milímetro). baixo volume. .Bicos de impacto.Aerossol: distribui gotas com diâmetro médio do volume inferior a 50 micrômetros (1 micrômetro = 0. respectivamente.desenvolvidos produtos microencapsulados. uso em recinto fechado ou floresta. 210 mL/100 L. a saber: alto volume. foi definido ou classificado pela Organização Mundial de Saúde (1976) em: . são aplicadas em pulverizadores.Vibratório (energias cinética e térmica): empregados para produzir grandes gotas (herbicidas) e neblina ou fumaça. para plantas rasteiras e árvores/arbustos. As formulações líquida.Pneumático e vertical (energia gasosa): usados para as aplicações em folhagem de arbustos e árvores. de liberação lenta. 320 cc/100 L). constituídos de bomba de pressão e de bico. além do tipo universal. que têm grande importância na eficiência da aplicação de diferentes defensivos. Os bicos são usados para fracionar o líquido em gotas e.Pulverização grossa: distribui gotas com diâmetro médio do volume superior 400 micrômetros. de 200/600 a 600/1. quando também é levado em consideração o porte das culturas. pulverização fina. e ultrabaixo volume de 5 L/hectare. . normalmente são aplicados de 600 a 1. O bico é a parte mais importante do pulverizador. de 50/200 a 200/500 L/hectare.Nebulização: distribui gotas com diâmetro médio do volume inferior a 50 micrômetros.5 L/hectare). com o mínimo de contaminação ambiental. .000 L/hectare. .000 L/hectare. existem pelo menos 5 tipos de aplicações de defensivos. pois são usados diferentes tipos para que sejam conseguidos espectros de gotas desejados e mais eficientes.5 a 1. muito baixo volume 5/50 a 50/ 200 L/hectare.

têm a coloração roxo-escura. por isso muitas vezes é denominado de roxo ou preto. são necessários. assim é evitada a deposição do produto no fundo do tanque do pulverizador. principalmente. Cada cacho. para a obtenção de uma mistura mais homogênea. pois no caso de ocorrer vazamentos e respingos resultará em contaminação. daqueles que usarão a água para consumo e sobrevivência. o equipamento de distribuição. rios e igarapés. que não afete a concentração da calda de aplicação. antes há a necessidade de misturá-lo com um pouco de água. Após a abertura (antese) e fecundação das flores. para evitar a formação de espuma. freqüentemente. quando maduros. pulverizador costal (manual e motorizado). 1). após o preparo da calda. Colheita e pós-colheita O açaizeiro inicia seu ciclo de produção de frutos com a idade entre 3 e 4 anos. e da luminosidade. que pode provocar entupimento de bicos e provocar desgastes no equipamento. em balde ou outro tipo de vasilha. nesse período.Safra de inverno: Corresponde à época das chuvas e os frutos. normalmente são colhidos em diferentes estágios de maturação. com isso não haverá o entupimento e menor será o desgaste do equipamento. assim precisam ser substituídos para não haver prejuízos à pulverização. A produção anual de cachos frutíferos por touceira depende da fertilidade e umidade do solo. sendo exceção o açaizeiro do tipo branco. planta. é comum o desgaste dos bicos após algumas horas de trabalho. . é conhecido por cacho (Fig. Os principais cuidados no preparo da calda são: o pó não deve ser colocado diretamente no tanque do pulverizador. têm a coloração roxoazulada e o açaí produzido é considerado de qualidade inferior. aproximadamente. É importante observar que. etc. quando das aplicações de agrotóxicos.O preparo da calda é uma operação que oferece perigo ao aplicador e ao ambiente. abastecer antes com certa quantidade de água. considerada na operação. Na Região do Estuário Amazônico se destacam duas épocas perfeitamente diferenciadas para a produção de frutos de açaizeiro: . deve ser regulado. com o pico entre os meses de fevereiro e julho. o defensivo não deve ser colocado no pulverizador vazio. usar água limpa no preparo da calda. pois o defensivo químico está concentrado. Antecedendo à aplicação do agrotóxico. de 5 a 6 meses para os frutos atingirem a fase de colheita. e aplicar a mistura no mesmo dia em que foi preparada. adicionar o espalhante-adesivo. após o desenvolvimento dos frutos. pulverizador de barra ou atomizador. de modo a garantir a vazão correta da calda e o volume a ser aplicado na área. O florescimento ocorre durante todos os meses do ano. A sua inflorescência é formada por um conjunto de ramos com números variáveis de flores masculinas e femininas que. com a coloração verde. contém algumas centenas de frutos que. A preparação da calda não deve ser feita às proximidades de poços.

o cacho normalmente é depositado ao solo. Portanto. na sua base.Safra de verão: Ocorre no período de estiagem. com o perigo de quebra ou tombamento dos mesmos. No Estado do Amapá a produção de frutos é mais acentuada no período compreendido entre janeiro e junho. Durante a operação de colheita devem ser estabelecidos certos padrões. Após o corte. A colheita é uma operação onerosa e difícil. 2). O colhedor escala o estipe com auxílio de uma peconha e corta o cacho.. pois com essa prática é possível evitar a maior contaminação dos frutos. mas é recomendado faze-lo sobre lona ou toalha de plástico. a produção vai de janeiro a agosto. Os produtos rejeitados não devem ser mantidos sobre o solo por longos períodos. ambas recobertas por uma camada acinzentada. Os cachos apresentam maior homogeneidade quanto ao estágio de maturação e o açaí obtido tem a coloração vermelho-arroxeada. como realizá-la na época certa e de higiene ainda no campo. o qual é considerado de melhor qualidade sensorial. existem variações entre as diferentes regiões produtoras quanto ao período de produção de frutos. Foto: Marcus Arthur Marçal de Vasconcelos Fig. com a remoção de produtos indesejáveis à comercialização e ao processamento. tendo o cuidado para que não se desprenda uma quantidade elevada de frutos das ráquilas (Fig. no Estado do Amazonas. . pois os estipes atingem facilmente de 10 a 15 metros de altura. 1990). A colheita deve ser seguida de imediata seleção. com um volume de produção de duas a três vezes maior que a safra de inverno. com picos de produção de fevereiro a abril e. pois são focos de contaminação dos produtos sadios (Chitarra. ocasião em que o epicarpo apresenta uma coloração roxo-escura ou verde-escura. 1. Frutos de açaizeiros dos ecotipos preto e branco. Procedimentos de colheita A colheita se inicia aos 180 dias após a antese.

Foto: Marcus Arthur Marçal de Vasconcelos Fig. que ficam mais escorregadios. ainda no açaizal. A Embrapa Amazônia Oriental testou. Os frutos do açaizeiro são classificados em: Foto: Marcus Arthur Marçal de Vasconcelos . em uma mesma touceira. são realizadas as operações de debulha e de catação. sem descer ao solo. pode ser utilizado na otimização do processo de colheita de cachos de açaizeiro. em função do peso. preferencialmente. pois dispensa a necessidade de escalar o açaizeiro. para a depositação do cacho e uma roldana. deve ser realizada pela manhã.). que consistem da liberação dos frutos dos cachos e da seleção dos frutos de acordo com a coloração ou estágio de maturação (Fig. respectivamente. para o corte do cacho. Normalmente. coletando. certamente. Escalador com cacho de açaizeiro colhido e o detalhe do uso de peconha. ocorrem com maior freqüência no período vespertino e tornam mais difícil a escalada nos estipes. um bom escalador é capaz de colher de 150 a 200 kg de frutos numa jornada de trabalho de 6 horas. de 3 a 5 cachos em uma única escalada. A colheita. Procedimentos de pós-colheita Debulha Após a colheita dos cachos. 3). pois as chuvas. um recipiente. permitindo a descida e a subida desse recipiente. com 6 metros de comprimento. que. contendo na sua extremidade superior uma lâmina.B. facilitando a operação de colheita em áreas com exploração intensa e racionalizada. normalmente acompanhadas de ventos fortes.K. 2. dando maior segurança ao colhedor. um equipamento na colheita de cachos de pupunheira (Bactris gasipaes H. Um escalador habilidoso é capaz de passar de um estipe para outro. com sucesso. Consiste de uma vara de alumínio.

Tuíra: os frutos apresentam a casca com a tonalidade roxo-escura intensa. de animais domésticos. . Os frutos colhidos devem ser removidos do campo de produção. . como precaução à contaminação cruzada dos frutos. preferencialmente. quando da debulha dos frutos. Os frutos do açaizeiro devem ser debulhados. Na impossibilidade de imediata tomada dessa providência. . 4. como combustíveis ou produtos químicos. É prudente a não-permanência na área. Nessa operação. 3. . para tal.Fig. sobre lonas ou plásticos (Fig. folhas de açaizeiro ou de outras palmeiras. Debulha de frutos de açaizeiro em paneiros e amostra de frutos excluídos durante a seleção. não estando em condições de colheita. os frutos devem ser mantidos a sombras das árvores ou protegidos da radiação usando. o mais rápido possível. mas recoberta por uma camada de pó com a tonalidade branco-acinzentada. mas ainda não no ponto ideal de colheita. ou ainda diretamente nas caixas de plástico.Paró ou Parau: os frutos apresentam a coloração roxo-escura intensa. é feita a seleção visual e a eliminação de frutos atacados por insetos. 4). que caracteriza estádio adequado para a colheita dos frutos. Debulha de frutos do açaizeiro sobre plástico.Vitrin: os frutos apresentam grande parte da casca (epicarpo) com a coloração roxoescura e o restante a verde-escura. como medida preventiva à exposição desnecessária à radiação solar direta. doenças ou animais e daqueles contaminados por material fecal de aves. com brilho na superfície da casca. evitando o contato direto dos frutos com o solo ou com qualquer outro contaminante. Foto: Marcus Arthur Marçal de Vasconcelos Fig.

Marcus Arthur Marçal de Vasconcelos Fig. em cestos. são acondicionados. Após a debulha. melhora a qualidade do açaí. com a decomposição. mas podem ser utilizados na confecção de vassouras rústicas. e circulam entre as touceiras recolhendo as caixas de plástico contendo os frutos. após a colheita e debulha manual das ráquilas. com capacidade para comportar 14 ou 28 kg de frutos (Fig.Deve ser ressaltado que existem iniciativas para o transporte dos frutos dentro do açaizal. conseqüentemente. Fotos: Antonio Agostinho Müller.). Essa operação concorre para a redução de danos mecânicos nos frutos e torna o produto menos susceptível à deterioração e. . 5. Vagoneta usada no transporte de frutos de açaizeiro dentro da proprie-dade em área de várzea. servem de adubo orgânico. Os cestos ou rasas oferecem boa aeração. que se deslocam sobre trilhos (Fig. 6). 6.) Koern.) ou de guarumã (Ischinasiphon obliquus (Rud. os restos dos cachos são deixados no local e. confeccionados com fibras de jacitara (Desmoncus polyacanthus Mart. ou paneiros. rusticamente. favorecendo a conservação dos frutos. 5). feitos com fibras vegetais. através do uso de vagonetas. Acondicionamento Os frutos. Cestos usados para o acondicionamento de frutos de açaizeiro. Foto: Marcus Arthur Marçal de Vasconcelos Fig.

antes do transporte dos frutos para os locais de processamento. pois possuem encaixe perfeito quando sobrepostas.. resistentes e duráveis. 7) utilizadas na colheita e transporte de outras frutas. tão comuns nos frutos do açaizeiro quando acondicionados em cestos ou paneiros. quando comparado ao que possa ocorrer quando acondicionados em cestos ou paneiros. Entretanto. Armazenamento Os locais de armazenamento. pois aumentam a possibilidade de ressecamento e deterioração dos frutos. quando comparado aos cestos e paneiros. 7.O acondicionamento dos frutos também pode ser feito em caixas de plástico (Fig. Foto: Marcus Arthur Marçal de Vasconcelos Fig. devem ser tomados os cuidados necessários que evitem o contato desses recipientes com o solo. lubrificantes. e no início da próxima. devem ser exclusivos para a estocagem do açaí. os frutos. as quais possuem aberturas laterais facilitando a aeração. Ao final de cada safra. causado pelo empilhamento desses durante o transporte aos centros consumidores. Caixas de plástico usadas no acondicionamento de frutos de açaizeiro. Quando do acondicionamento dos frutos. direta ou indiretamente. sendo vetado a ambiência com outros alimentos. O uso de caixas de plástico minimiza a contaminação dos frutos. . mesmo se mantidas indevidamente em contato com o solo. Outra vantagem das caixas de plástico é de ocupar menor espaço e dar maior estabilidade à carga durante o transporte. além de exposições desnecessárias à radiação direta dos raios solares. insetos ou qualquer outro material estranho ou indesejável. peças de motores. eliminando as sujidades. esse tipo de acondicionador tem o custo mais elevado. combustíveis. além de proteger os frutos contra danos mecânicos. material de limpeza. O ambiente de armazenagem deve ser preservado da ocorrência de pragas que possam contaminar. Essas caixas são mais fáceis de higienizar. paneiros ou caixas de plásticos. maximizando a utilização dos espaços e diminuindo a pressão sobre os frutos. defensivos agrícolas ou qualquer outro material que possa concorrer para a contaminação da produção. é recomendável a limpeza do local de armazenamento. seja em cestos. o que torna a sua popularização mais lenta.

a exemplo do que ocorre com outras frutas tropicais. garante. os frutos do açaizeiro têm sido transportados em sacos de polipropileno. graxas. No entanto. por via rodoviária. para serem transportadas em barcos maiores. por isso devem ser despolpados no tempo máximo de 24 horas. No transporte fluvial. pode provocar a ocorrência de danos físicos aos frutos. Quando há a necessidade de transportar volumes maiores de frutos. acelerando a sua degradação. que pode provocar queimaduras no epicarpo. combustíveis. diminuindo a qualidade do produto e aumentando a área de exposição à contaminação por microrganismos. muito embora não existam estudos formais sobre a conservação desses frutos em ambientes refrigerados. pois provoca a diminuição do rendimento e o açaí obtido apresentará cor inadequada. com restrições da aceitabilidade quando da comercialização. o que facilita o escoamento da produção de frutos de açaizeiro provenientes das áreas de várzeas. o que torna a proteção contra radiação solar direta um fator importante para evitar a perda excessiva de água. na maioria das vezes. em caminhões ou pequenos veículos utilitários e os frutos são acondicionados em sacos de plástico. A preservação de pós-colheita dos frutos do açaizeiro pode ser prolongada. 8). os barcos que transportam pescados também podem ser usados. Transporte O horário matutino é fundamental para o transporte. Os pequenos produtores ribeirinhos muitas das vezes comercializam as suas produções. como Belém. O transporte em recipientes não-adequados. Quando o tempo entre a colheita e o despolpamento for superior a 48 horas. cestos. caixas de plástico ou a granel. com capacidade variando de 200 kg até poucas toneladas. o meio de transporte mais utilizado é o fluvial. após a colheita. paneiros. Na Região Amazônica. com capacidade para 60 kg. O transporte fluvial pode ser realizado em embarcação de pequeno porte (Fig. quando estocados sob temperatura ambiente. Esse tipo de embarcação cobre pequenas distâncias e a operação de transporte. com capacidade para até 60 kg. deve ser evitado o contato ou a ocupação de ambientes que transportem produtos químicos. deve ser evitado o contado direto dos frutos com o gelo. são utilizadas embarcações com capacidade entre 10 e 20 toneladas. realizada no período noturno e com o tempo entre 30 minutos a 3 horas. no dia seguinte ao da colheita. dependendo da distância. Durante o transporte dos frutos. em pontos distantes dos centros de consumo. principalmente.Os frutos de açaizeiro são muito perecíveis. a chegada dos frutos nos grandes centros consumidores. como cestos e paneiros. pois os frutos estão com a temperatura mais baixa. Quando o transporte é realizado nas primeiras horas do dia. mantendo-os em ambientes com temperatura em torno de 10 oC. desde que convenientemente higienizados. A produção originada de áreas de terra firme é transportada. pelas temperaturas elevadas nas áreas de produção e comercialização. O processo de degradação é acelerado. o que reduz o processo de degradação. recobertos com gelo. normalmente. prejudicial a despolpa. defensivos químicos e .

Nessa etapa. que os torne inadequados ao processamento. após ser filtrada. assim como qualquer outra substância capaz de contribuir para a contaminação dos frutos do açaizeiro.Açaí grosso ou especial (tipo A): a polpa extraída com a adição de água apresenta. o açaí processado é classificado em: . Processamento industrial A extração do açaí. de 8% a 11% de sólidos totais e a aparência é pouco densa. os processadores de Belém. utiliza barcos dotados de câmaras frias ou em compartimento de carga com gelo. paneiros. terra.Açaí fino ou popular (tipo C): a polpa extraída com a adição de água apresenta. A produção vinda do Maranhão é transportada por via rodoviária e a do Amapá.animais vivos. Seleção A seleção manual dos frutos. como os restos de sépalas. rasas ou caixas de plástico. Após a descarga. envolve as seguintes etapas: Recepção dos frutos Os frutos de açaizeiro chegam às unidades de processamento acondicionados em cestos. Durante a entressafra do açaizeiro. geralmente. após ser filtrada. após amolecimento obtido por processos tecnológicos adequados. Processamento embalagem e conservação O açaí é o produto extraído do epicarpo e do mesocarpo. no Estado do Pará. fragmentos de ráquilas. mais de 14% de sólidos totais e a aparência é muito densa. é realizada em mesas de aço inoxidável. como medida preventiva à propagação de microrganismos ou pragas. 1) e conduzidos para o processo de seleção. deixando passar as impurezas menores. principalmente. . frutos chochos etc. 2). os quais são pesados (Fig. após ser filtrada. dotadas de peneiras.Açaí médio ou regular (tipo B): a polpa extraída com a adição de água apresenta. partes comestíveis do fruto do açaizeiro. são supridos pelos frutos produzidos nos Estados do Maranhão e do Amapá. cujas dimensões possam reter os frutos. pelo processo industrial. de 11% a 14% de sólidos totais e tem a aparência densa. (Fig. os frutos verdes e em estado fitossanitário precário. muitas das vezes. evitando danos aos próximos lotes a serem transportados. ou que acondicionem peixes. deve ser limpo. ou mesmo com qualquer outro tipo de defeito. o veículo utilizado para o transporte de frutos de açaizeiro. . frangos e outras carnes. devem ser retirados do lote. Conforme legislação vigente. .

com 50 ppm de cloro ativo. por cerca de 20 a 40 minutos. A 3a lavagem é feita com água clorada (20 ppm a 50 ppm1 de cloro ativo). 4). 3) Na 2a. No primeiro estágio do processamento. Despolpamento e refino Após a lavagem e o amolecimento do epicarpo e do mesocarpo. do tipo rosca-sem-fim. pois não existem. os frutos passam por um equipamento dotado de ventilador para a retirada das sujidades adquiridas na colheita. Esses valores são empíricos.5 mL de hipoclorito de sódio a 2%. o produto obtido é transferido para o tanque de homogeneização. Constituída do epicarpo e do mesocarpo. quando. são necessários 2. No terceiro estágio. Após essa separação. de acordo com os processadores. tecnicamente. sem afetar as propriedades da matéria-prima. com a finalidade de facilitar o processo de despolpamento (Fig. o excesso de cloro é retirado por meio da lavagem por aspersão com água potável. em peneiras apropriadas. até a base do transportador. por gravidade. experiências comprovando. são despolpados. são retidos outros resíduos indesejáveis. A solução de cloro para a lavagem não deve ser utilizada para várias bateladas. As variáveis deste processo são a temperatura da água e o tempo de imersão. 5). os frutos. no transporte ou oriundas dos próprios frutos. por meio de esteira. A água pode estar à temperatura ambiente ou na de 40 ºC a 60 ºC. variam conforme a procedência dos frutos e de seu grau de maturidade. Pré-lavagem. Na 4a. quanto maior for o grau de maturação. os frutos são imersos em água para a retirada das sujidades aderidas aos frutos (Fig. os frutos são transferidos. com o auxílio de injeção de água. . onde é procedida a homogeneização do produto açaí (Fig. não devendo exceder a este valor. amolecimento e lavagem Os frutos de açaizeiro são transportados para um sistema composto de quatro lavagens em série: Na 1a. os frutos também são imersos em água para o amolecimento do epicarpo e do mesocarpo. para o tanque de refino (segundo estágio). O tempo de amolecimento varia de 10 a 60 minutos e. que os conduz até o despolpador. até o momento. cuja operação consiste da remoção da polpa do açaí.Em algumas indústrias de processamento. os caroços saem pela rosca transportadora de resíduo e a polpa obtida passa. qual a temperatura da água e o tempo de imersão adequados para que o epicarpo e o mesocarpo amoleçam o suficiente para favorecer o despolpamento. em que. Exemplo: Para preparar 1 L de solução. pois o poder desinfetante da solução diminui em virtude da oxidação e da evaporação do cloro. menor será o tempo de imersão dos frutos.

sendo normalmente empregados aqueles com capacidade para 100. após o tratamento térmico ou não. passando em peneira de malha fina. Tabela 1. seguido da progressiva adição de água.0 a 4. cujo movimento circular proporciona atrito com os frutos.5 a 7. construídas em aço inoxidável. precedida do acionamento das palhetas. O produto processado desce por gravidade. que procede ao despolpamento de bateladas de frutos de açaizeiro com a adição de água. No final do tratamento. tem como embalagem primária o saco de polietileno de baixa densidade.7 litros Cavalcante (1991) 6.0 litros 2.5 a 2. modelo vertical.000 g (Fig. e o açaí é depositado em bacias de aço inoxidável. durante 10 segundos. pois diminui a possibilidade de . o produto deve ser retirado com a temperatura de 5 ºC. Procedimentos de embalagem O açaí.0 litros Fonte: Rogez (2000).6). Redimento Guimarãe e Tipo Nascimento Henrique Poulet (1997) (1992) Fraham (1996) Açaí fino 4. estão descritos os valores de rendimentos de açaí processados em despolpadeiras tradicionais ou semi-industriais. cujo movimento circular proporciona atrito com os frutos. Esse tipo de congelamento proporciona melhor qualidade ao açaí.8). são utilizadas as tradicionais máquinas despolpadeiras ou. sob a temperatura de 80 ºC a 85 ºC. O processo tem início com a alimentação da batedeira com os frutos (Fig.5 litros Açaí médio 3. precedida do acionamento das palhetas. 500 e 1. o intervalo de tempo entre a colheita e o tipo de processamento dos frutos. seguido da progressiva adição de água. o produto é bombeado para o trocador de calor. Processamento tradicional ou semi-industrial Nesse tipo de processamento. O rendimento da extração de açaí varia de acordo com a procedência. do tipo tubular.0 litros 1. e o açaí é depositado em bacias de aço inoxidável alimentação da batedeira com os frutos (Fig. Redimento de extração de açaí. No tratamento térmico (pasteurização).7).O açaí obtido pelo despolpamento pode ser imediatamente embalado e congelado ou passar por tratamento térmico.5 litros 2. a partir da despolpa de 5 kg de frutos.5 litros 2. popularmente denominadas de batedeiras. regulado a -40 ºC. O produto embalado é conduzido a um túnel de congelamento rápido. o período de produção. Na Tabela 5. passando em peneira de malha fina.5 litros Açaí grosso 1. O produto processado desce por gravidade. e imediatamente resfriado no próprio trocador de calor.

principalmente. O tempo e a temperatura variam conforme o tipo de matéria-prima. pois tais condições reduzem a carga microbiana. por completo. salmonelas e outros microrganismos patogênicos são devidos ao seu manuseio inadequado. com destaque para a peroxidase que. O resfriamento pode ser feito imergindo-os em banho de água e gelo ou por meio de aspersão de água fria. Branqueamento O branqueamento é um tratamento térmico comumente aplicado após a colheita. o congelamento ou a desidratação do açaí. na superfície dos frutos de açaizeiro. no máximo 12 horas. fixar cor. porém não permitem inativar. seleção e lavagem dos frutos. com a temperatura entre -18 ºC e -20 ºC. transporte e processamento. Após serem submetidos ao branqueamento. além de diminuir a carga microbiana. devem ser evitadas as condições drásticas de branqueamento para não modificar as propriedades organolépticas do fruto. resfriados para evitar a contaminação por microrganismos termófilos e para não comprometer a sua textura. provocam a separação das matérias graxas. a dimensão e a forma do material a ser branqueado. 9). enquanto as contaminações por coliformes fecais. de ações enzimáticas. Essa operação consiste em mergulhar os frutos em água. por ser a enzima mais termorresistente. o açaí deve ser armazenado em câmara fria (Fig.ocorrência de alterações químicas. As temperaturas superiores a 80 ºC. remover gases dos tecidos. deve ser realizado um conjunto de etapas de procedimentos visando a obtenção de produto seguro e de qualidade. as enzimas termorresistentes presentes. Além desses fatores externos. . tais como o branqueamento dos frutos. No caso de frutos de açaizeiro. causada por condições inadequadas de colheita. responsáveis por mudanças nas suas propriedades organolépticas e nutricionais. Em adição BPA e BPF. Após o congelamento. contribuindo para a conservação do produto. a carga microbiana inicial. Além disso. o processo de degradação do açaí decorre. A sua alta perecibilidade pode estar associada. A adoção de boas práticas agrícolas (BPA) e de fabricação (BPF) minimizam a probabilidade de contaminação microbiológica dos frutos e do açaí durante o processamento. necessariamente. a sua inativação é utilizada como indicadora da eficiência nos tratamentos térmicos. os frutos devem ser. ou tempos mais longos que 10 segundos. mesmo sob refrigeração. naturalmente. à temperatura pré-determinada ou utilizar vapor fluente ou superaquecido. a pasteurização. à elevada carga microbiana presente no fruto. bioquímicas e microbiológicas. Processos de conservação O açaí quando não-submetido a processos de conservação. acondicionamento. o método de aquecimento e o tipo de enzima a ser inativada. por 10 segundos. também. com o objetivo de inativar enzimas. A degradação do açaí pode decorrer da ação da enzima polifenoloxidase. Os bolores e as leveduras estão presentes. o branqueamento pode ser feito pela exposição à temperatura de 80 ºC. tem a vida de prateleira muito curta.

Com isso. o mesmo é imediatamente congelado (Fig. entrando em contato com a corrente de ar quente. seu consumo ainda se restringe à compra do produto processado na hora. após a pasteurização. ocorre consideráveis perdas. tais como a refrigeração e o congelamento. onde o açaí é bastante . O produto é conduzido à câmara de secagem em finas gotículas. pois exige a necessidade da chamada "cadeia do frio". Desidratação A desidratação é o método de preservação de alimentos que utiliza energia térmica para remover parte ou a quase totalidade da água. Quanto menor a temperatura de armazenamento. Esse método de conservação é bastante oneroso. Por isso. Congelamento É o método comumente utilizado para a conservação do açaí. as atividades das enzimas peroxidase e polifenoloxidase. por 10 segundos.9 a 6. para a obtenção de açaí em pó. Para o açaí. É importante ressaltar que todos os métodos de conservação do açaí provocam modificações no seu sabor original. para a Região Amazônica. praticamente. também. O açaí pode ser desidratado por atomização (spray dryer). as indústrias costumam empregar temperaturas em torno de 80 ºC a 85 ºC. 1988). A pasteurização deve ser empregada em conjunto com outros métodos de preservação. armazenamento e manuseio do produto final. No entanto. o mesmo processo empregado para a fabricação de leite em pó. inibem. e. O açaí em pó. além de encarecer o produto. significativamente.2 kg/cm2. Para as antocianinas. Desse modo. sob temperaturas de -18 ºC a -20 ºC ou mais baixas. O congelamento do açaí. modelo Mobile Minor Unit AS0340D. em outras regiões do País e do exterior. Este processo se aplica a alimentos que não podem sofrer tratamentos mais rigorosos. A remoção da água proporciona. terá maior vida útil de prateleira quando embalado em cartuchos plásticos aluminizados (Melo at al.Pasteurização A pasteurização é um tratamento térmico. como é o caso das frutas. o tempo de secagem é curto (1 a 10 segundos). Nesse processo. o produto deve ser conservado à baixa temperatura desde a produção até o consumo. a secagem se processa de maneira rápida e o produto resultante se apresenta na forma de pó. assim obtido. Com esse procedimento é inibido o crescimento microbiano e retardado. mais lenta será a atividade enzimática. maior facilidade no transporte. que são pigmentos naturais responsáveis pela coloração roxa-avermelhada do açaí. é possível limitar ou evitar o crescimento de microrganismos ou outras reações de ordem química.10). isto é. Utilizando um spray dryer. por afetar suas propriedades organolépticas e nutritivas. todo o processo metabólico. cujo objetivo é a destruição de células vegetativas dos microrganismos presentes nos alimentos. temperatura do ar de saída 85 ºC a 90 ºC e pressão de trabalho de 4. podem ser aplicadas as seguintes condições operacionais: temperatura do ar de entrada de 135 ºC a 140 ºC.

mas as sementes (caroços) do açaizeiro são aproveitadas no artesanato e como adubo orgânico. Os grandes interesses pela . chamou a atenção para diversos frutos regionais. cupuaçu. Tem sido estimado que as atividades de extração. do seu enorme potencial de aproveitamento integral de matéria-prima. A planta fornece ainda um ótimo palmito e as suas folhas são utilizadas para cobertura de casas dos habitantes do interior da região. nos últimos anos. comercialização e industrialização de frutos e palmito de açaizeiro são responsáveis pela geração de 25 mil empregos diretos e geram anualmente mais de R$ 40 milhões em receitas. em 2002.000 toneladas. A valorização do fruto do açaizeiro contribuiu. Amapá. com o aumento da pressão internacional para a preservação da Amazônia. uma das mais rentáveis possibilidades comerciais proporcionadas pelo açaizeiro é a produção e comercialização de seu fruto "in natura". 30% podem ser cortados de 5 em 5 anos e destinados à fabricação de pastas e polpa de celulose para papel. Para a população ribeirinha. A produção de frutos de açaizeiro no Estado do Pará cresceu de 92. nos últimos anos.322 toneladas. a produção foi de 160. para consolidar o manejo de açaizais nativos como a principal atividade do Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Extrativismo (PRODEX). os ribeirinhos. e do aumento da fiscalização. cuja valorização teve efeito econômico e ecológico positivo sobre a conservação de açaizais. em 1997. pois responde pela sustentação econômica das populações ribeirinhas. açaí. portanto. quando foi atingido o ápice das exportações de palmito. A produção de frutos para o mercado local é uma atividade de baixo custo e de excelente rentabilidade econômica.apreciado. Com a expansão do consumo do açaí. O principal aproveitamento é a extração do açaí. Acre e Rondônia. na mídia mundial. o seu consumo só é viável se o mesmo passar por processo adequado de conservação. A importância socioeconômica do açaizeiro decorre. Maranhão.021 toneladas. especialmente para o primeiro e o terceiro. A partir da década 1990. motivado por melhorias nos preços. um aumento de quase 33%. Mercado e comercialização Mercado e comercialização A exploração do açaí é de fundamental importância para as economias dos Estados do Pará. Essa exposição da Amazônia. transporte. A partir de 1992. evitando a destruição maior dos açaizais. criado em junho de 1996. para 122. a produção de frutos de açaizeiro experimentou crescimentos anuais significativos. em função do aumento da competitividade da coleta de frutos. componente do Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO). entre os principais. os produtos florestais não-madeireiros ganharam importância como alternativa para evitar desmatamentos e queimadas. Em 2003. pupunha e o bacuri. Dos estipes adultos. como o guaraná. têm diminuído a extração e venda de palmito para as indústrias processadoras e concentraram as suas atividades na coleta e venda de frutos. que tiveram forte crescimento no mercado nacional e atraíram o interesse do mercado internacional.

816 hectares. tendo em vista que pessoas oriundas do interior acostumadas a tomar açaí regularmente. No Rio de Janeiro. Em Belém é estimada a existência de mais de 3 mil pontos de venda de açaí. o açaí é oferecido nas praias e se tornou muito popular entre os adeptos da "cultura da saúde" e entre os freqüentadores de academias. possibilita o aproveitamento permanente das áreas de várzea e igapó. evitando. No Estado do Pará. A concentração de açaizeiro no estuário amazônico. basicamente. Ao mesmo tempo. dos quais 92.223 hectares. preservando grande parte de suas propriedades. onde a demanda pelo produto. Nazaré. antes . anualmente. onde o açaí faz parte de sua cultura. entre outras (Melo et al. atendendo mais de 5 mil produtores. fizeram com que a área manejada e de cultivo passasse de 9. as populações de baixa renda.1% são do Estado do Pará. Em decorrência da facilidade de extração de seus frutos. torna a espécie um componente da floresta nativa. 1998. de celulose e papel. São Paulo. em 2002. como conseqüência do processo de congelamento utilizado pelo consumidor. O fruto e o açaí possuem um mercado regional muito forte. mantêm esse hábito quando imigram para as grandes cidades do Estado. Rogez.cultura e por esses recursos. com o produto tendo boas possibilidades de mercado. com custo baixo da matéria-prima e do transporte. Nas indústrias de sorvetes da região é comum submeter o açaí concentrado à temperatura de -40 oC. a espécie permite à indústria instalada na região o abastecimento seguro e fácil. formando maciços de açaizais naturais. por ser importante na alimentação diária das populações locais. após estudos demonstrando excelentes oportunidades para o aproveitamento integral dessa palmeira pelas indústrias alimentícias. A principal finalidade da utilização do açaizeiro ainda é para extração do açaí. Melo et al. de corantes naturais. em face do interesse despertado. 1974. de cosméticos. desde que seja explorado de forma racional. o abandono dessas áreas e a sua transformação em capoeira desprovida de espécies valorizadas. fato bastante comum na agricultura itinerante regional. Um dos grandes problemas do comércio do açaí é a sua característica de alta perecibilidade. O forte crescimento do mercado de fruto de açaí tem sido o indutor dessa expansão. o consumo vem aumentando no decorrer dos anos. 1988. Brasília. com o cultivo do arroz e cana-de-açúcar. mesmo sob refrigeração. de fármacos. comercializando diariamente 120 mil litros. Goiás e na Região Nordeste. pelos seus altos valores nutricionais e de unânime preferência popular por seu singular paladar. com a área estimada em 1 milhão de hectares. tanto para produção de frutos como para extração de palmito. A demanda pelo açaí fora da região também está em alta. A imigração rural é outro fator relevante para a ampliação do consumo urbano. em 1996. embora nos últimos anos tenha surgido um grande leque de alternativas para a cultura. principalmente no Rio de Janeiro. dessa maneira. O açaizeiro é uma espécie vegetal com grande potencial de aproveitamento por pequenos produtores e populações ribeirinhas. atendendo. exploradas. 2000). É também vendido diretamente ao consumidor. que faz com que o produto seja consumido durante todo o ano. para 18.

Em 2000. a exploração do açaizeiro (fruto. mas é de grande importância para a preservação da floresta amazônica. sob risco de infringir danos à saúde dos consumidores e a perda de mercados no futuro. registrado em março de 2001. Nesses locais. face ao aumento da demanda. o odor e até o valor calórico da fruta. é difícil quantificar o volume ofertado de açaí. não tem interesse para a indústria madeireira. A formação do preço se dá no momento da chegada do intermediário no local de comercialização. foi iniciada a exportação de polpa congelada de açaí para os Estados Unidos e para a Itália. No Pará. que motivará pendengas judiciais e entraves à comercialização. Em 2002. com a comercialização do açaí concentrado em latas e com a popularização da mistura com diversas outras frutas feitas em academias de ginástica. por não ser espécie arbórea. há variações importantes em função. principalmente. é freqüente o aumento da dosagem de água. Além da mistura com outros produtos. principalmente na época da entressafra. Por se tratar de um produto. O açaizeiro. a microrregião Cametá contribuiu com 77 mil toneladas. A abertura de novos mercados tem contribuído para o aumento do déficit de matéria-prima. Este aspecto realça a importância de se estabelecer critérios mais rígidos quanto ao teor de água em mistura com o açaí comercializado. Amapá. o primeiro preço do dia. em razão de incentivos financeiros e disponibilização de novas técnicas de cultivo e manejo. especialmente no Estado do Pará _ seu principal produtor. experimentou sensível crescimento. Com a chegada de barcos carregados de frutos esse preço começa a cair. perde o gosto. da distância do mercado consumidor e do tamanho desse mercado. Futuramente. da oferta local. O preço de "abertura". Salgado. na entressafra. mas poderia chegar a R$ 45. Cametá e Guamá. Acre e Rondônia. em alguns pontos de venda. ou 119 mil toneladas. uma rasa de 28 kg custava R$ 12.considerado exótico. Belém. é crescente e começa a ganhar popularidade entre os nativos e turistas. palmito e folhas) era feita somente de forma extrativa. as microrregiões Furos de Breves. No Município de Igarapé-Miri. cujo crescimento do mercado concorreu para o aumento dos níveis de preços. há necessidade de políticas públicas que ampliem a oferta para atender os consumidores locais. O produtor tem um maior ou menor retorno financeiro de acordo com a distância entre a sua propriedade e o mercado consumidor.00. Coeficientes técnicos. o que se consome é o açaí fino que. adequando de acordo com o preço oferecido. Quanto aos preços do fruto na região. Esse mercado externo vem crescendo 20% ao ano nos últimos 3 anos. o cultivo dessa palmácea na Região Norte do país. misturado com outros produtos. A oferta brasileira está concentrada na Amazônia.00 ou até R$ 60. no Pará. em São Paulo 150 toneladas/mês e outros Estados somam 200 toneladas/mês.00. em face do custo de transporte do produto até esse mercado. rendimentos e rentabilidade Até a década de 1980. em 2004. é sempre o último praticado no dia anterior. A partir de 1990. poderá haver problemas com o registro da marca "açaí". Arari. É estimado que no Rio de Janeiro sejam consumidas 500 toneladas/mês. dado o aumento da oferta. respondem por 97% da produção estadual. Como todo produto extrativo. com 92% da oferta _ vindo em seguida o Maranhão. custos. Para o . tanto na União Européia como nos Estados Unidos da América do Norte.

A decisão de plantar culturas perenes. Se for menor. O VPL é o valor atual de uma sucessão futura de benefícios líquidos. Os custos de produção e a rentabilidade foram analisados com base no cálculo dos seguintes indicadores financeiros: valor presente líquido. para poder comparar com o preço de mercado e decidir pela manutenção ou não do plantio e da área de exploração extrativa. Quanto maior é o VPL melhor será o empreendimento. pela irreversibilidade da sua introdução ao sistema de cultivo. deve ser bem planejada. Quando for maior que 1. sendo a relação ideal para os proprietários dos recursos produtivos. Os coeficientes técnicos e rendimentos do cultivo e da exploração extrativa do açaizeiro. convém investir em outras opções. aqui tratados. Bt = benefício em cada ano do projeto. até o presente. B/C= relação benefício/custo. através das seguintes fórmulas: onde: VPL= valor presente líquido. Ct = custo em cada ano do projeto. foi calculado o benefício líquido e o ponto de equilíbrio para cada nível de produção. então o empreendimento é viável. O benefício líquido é a diferença entre as receitas e os custos de produção e o ponto de . Quando a B/C é igual a 1 indica o equilíbrio ou equivalência entre os benefícios e os custos. Com a relação B/C podem ser comparados os diversos fluxos de benefícios e verificados se tem rentabilidade financeira. Foi feita a análise econômica dos três sistemas de produção considerados neste estudo.estabelecimento da cultura é necessário que o produtor rural conheça o custo de sua produção. desde o momento futuro em que essa renda ou despesa será realizada. t = número de anos do projeto. foram extraídos de trabalhos científicos e teses defendidas por pesquisadores da Embrapa Amazônia Oriental e obtidos em viagens às regiões maiores produtoras. relação beneficio/custo e taxa interna de retorno. É calculado com base na aplicação de uma determinada taxa de desconto sobre os lucros financeiros da atividade. Os cálculos foram executados em planilhas do programa Excel. significa que os benefícios ultrapassam os custos. E quando a relação B/C é menor que 1 indica que os custos são maiores que os benefícios. Se a TIR é maior que as taxas médias de remuneração do capital que o mercado paga. e i* = taxa interna de retorno. A TIR indica qual a taxa máxima de remuneração que o investimento paga como custo de oportunidade. i = taxa de desconto.

Já no 4° ano. Dessa forma. 69% e 96%. Foram estimados os benefícios líquidos do plantio até o 7° ano. Os dados dessa tabela mostram um fluxo de caixa bastante promissor. Com a taxa de desconto de 6% foram obtidos os seguintes índices financeiros: TIR = 44. o investimento feito nos 3 primeiros anos será pago. No 4° ano. Foram estimados os benefícios líquidos do plantio até o 7° ano.448.155.00 por hectare. quando essa margem é de 38%. O fluxo de caixa do plantio também é bastante promissor. quando essa margem é de 188%. de baixo custo.48. também. Também é feito um resumo dos custos de cada sistema. para tanto. Os investimentos iniciais. somam R$ 1. pode ser utilizada a irrigação por gotejamento.00.00. principalmente na fase de implantação do cultivo. até o 5° ano (Tabela 5). com facilidade. é recomendável o uso de sistema de irrigação.5%. quando é iniciada a produção. constam da Tabela 4. respectivamente para o 5°. VPL = R$ 9. Cultivo em área de terra firme Os coeficientes técnicos e os custos para a implantação de 1 hectare de açaizeiro para a produção de frutos em área de terra firme. pois para essas condições de cultivo não há necessidade de práticas de adubação em razão da maior fertilidade desses solos. o mesmo ocorre nos anos subseqüentes. a receita gerada supera os custos de manutenção em 98%.800. com facilidade. mas que oneram o investimento em cerca de R$ 1. constam da Tabela 1. somam R$ 2. sem também considerar o custo da terra. Em áreas onde for prolongado o período sem chuvas.40%. 6° e 7° anos. o investimento feito nos 3 primeiros anos será pago.666. A adoção de sistema de irrigação contribuirá. quando tendem a se estabilizar. relativos aos gastos de implantação e manutenção nos 3 primeiros anos. para a redução dos períodos de entressafras e. o mesmo ocorre nos anos subseqüentes. respectivamente para o 5°. que normalmente o produtor a possui recebida de herança de seus ascendentes. sem considerar o custo da terra. Os investimentos iniciais.equilíbrio mostra qual a quantidade mínima a ser produzida para que as receitas paguem os custos de produção. Dessa forma. quando tem início a produção. Cultivo em área de várzea Os coeficientes técnicos e os custos de produção para implantação de 1 hectare de açaizeiro em área de várzea para a produção de frutos. bem como para a sua manutenção a partir do 2° ano após o plantio. até o 8° ano (Tabelas 2 e 3). 222% e 241%. relativos aos gastos de implantação e manutenção nos 3 primeiros anos. Não há referências aos custos com adubos.65. 6° e 7° anos. a receita gerada supera os custos de manutenção em 4. e B/C = 2. quando tendem a se estabilizar. adaptado na Embrapa Amazônia Oriental. . bem como para a sua manutenção a partir do 2° ano após o plantio. pois as dimensões necessárias são aquelas que permitam colocar o torrão de terra para a preservação das raízes da planta. No cultivo em área de várzea não há abertura de cova padrão.

40% indica um retorno superior às taxas oferecidas pelo mercado para aplicações financeiras. Os coeficientes técnicos e os custos de produção foram estimados até o 4° ano. e B/C = 2. Pelos dados da Tabela 6. e. pode ser observado que desde o 1° ano a atividade apresenta superávit no fluxo de caixa. Pelos dados da Tabela 13.Benefício líquido acumulado / investimento inicial = 994% Mostra que o lucro líquido é quase 10 vezes o valor dos investimentos feitos (gastos com implantação e manutenção até o 3° ano). A partir do 4° ano os custos e receitas tendem a se estabilizar a níveis altamente satisfatórios.700 cachos. demonstrando que os benefícios são 168% superiores aos custos de produção.Benefício líquido acumulado / custo total acumulado = 172% Mostra que o lucro líquido é mais de 70% superior aos custos totais de produção. quando a produção deverá se manter estável a partir daí. tendo em vista que o manejo possibilita dobrar a produção de frutos a partir desse período. 87% e 87%. a relação Benefício/Custo é maior que 1. a partir do 4° ano. pode ser constatado que a colheita é o item de maior valor na composição do custo de produção. 900 estipes em produção e 2.68. Até o 3° ano a receita superou o custo em 90%. foi de 198%. indicando a viabilidade econômica da atividade. o valor presente líquido é positivo. seguido dos gastos com mão-de-obra.07. a relação benefício/custo é maior que 1. anualmente. Pelos cálculos dos indicadores financeiros efetuados foi observado que o valor presente líquido é positivo. Para a taxa de desconto de 6% foram obtidos os seguintes índices financeiros: VPL = R$ 16. outros indicadores econômicos vêm confirmar a viabilidade do plantio: a) Margem de lucro: . quando tendem a se estabilizar. indicando a viabilidade econômica da atividade. b) Rentabilidade: . respectivamente. Manejo de açaizais nativos Na composição dos custos foi considerado o manejo de 1 hectare de açaizal nativo com 800 plantas adultas.Pelos cálculos dos indicadores financeiros efetuados foi constatado que a TIR de 44. pois a produção inicia desde o 1o ano.Benefício líquido acumulado / receita total acumulada = 63% Mostra que o lucro líquido corresponde a mais de 60% do valor da receita total. demonstrando que os benefícios são 148% superiores aos custos de produção.026. e os dados constam da Tabela 8. e. . . Não há investimento inicial no manejo. O superávit. Considerando o horizonte temporal de 12 anos e a estabilização do plantio no 7° ano.

a margem de lucro vem confirmar a viabilidade do plantio: Margem de lucro: .htm .Benefício líquido acumulado / custo total acumulado = 172% Mostra que o lucro líquido é mais de 70% superior aos custos totais de produção. http://sistemasdeproducao.br/FontesHTML/Acai/SistemaProducaoAcai_2ed/ paginas/sp3. .embrapa.cnptia.Benefício líquido acumulado / receita total acumulada = 63% Mostra que o lucro líquido corresponde a mais de 60% do valor da receita total. Os dados da Tabela 7. seguido dos gastos com mão-de-obra. quando a produção deverá se manter estável a partir daí.Considerando o horizonte temporal de 12 anos e a estabilização do plantio no 7° ano. possibilitam constatar que a colheita é o item de maior valor na composição do custo de produção.

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