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Roteiro de Aula nº 02 _ Dir Const I _ Dir Const e Constituição

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Direito Constitucional I.

 

ü

Meirelles Teixeira: É o “conjunto de princípios e normas que regulam a própria existência do Estado moderno, na sua estrutura e no seu funcionamento, o modo de exercício e os limites de sua soberania, seus fins e interesses fundamentais, e do Estado brasileiro em particular”.

Roteiro de Aula n° 02

 

Assunto:

Unidade I – Direito Constitucional e Constituição

Ø Direito Constitucional positivo e a Ciência do Dir Const:

 

1.

Introdução.

 

ü Segundo Marcelo Caetano:

v

- Referência à aula anterior.

 

Direito Constitucional: São normas vigentes em uma dada sociedade política.

2.

Desenvolvimento.

“Pode se identificar o Dir Const com o conjunto de normas positivamente existentes em determinado Estado, em dado momento histórico”.

v

Direito Constitucional: Natureza Conceito Origem Evolução Posição no quadro das ciências jurídicas Relações com as demais ciências sociais em geral.

 
   

Ciência do Direito Constitucional: é “a disciplina científica que se ocupa do conhecimento, sistematização e crítica das normas constitucionais”.

 

v

Constituição: Conceitos; classificação; Classificação e estrutura da CF 88.

 

3.

Conclusão

XXXXXX

ü A ciência do Direito Constitucional pode ser dividida em duas ciências com pressupostos distintos:

2.

Desenvolvimento

 

A análise dogmática de um Direito constitucional historicamente concreto.

 
 

a. Direito Constitucional

A ciência voltada para conceitos teóricos constitucionais abstratos, com teoria pura, afastada de elementos circunstanciais.

Ø Noções iniciais

ü Apresenta-se como um dos ramos do Direito Público.

Ø Metodologia do Direito Constitucional:

ü O estudo adequado do Direito Constitucional envolve uma ciência própria, com métodos adequados ao objeto da ciência.

ü Metodologia do Direito Constitucional: É responsável por identificar os procedimentos e rotinas de interpretação da carta constitucional, assim como por analisar suas normas, do ponto de vista da eficácia e cumprimento.

ü Contribuem a ciência jurídica e a jurisprudência.

Dicotomia Dir Pub X Dir Priv

ü Fornece os contornos e limites de atuação do Estado

ü A partir do Séc XX, tornou-se o berço da positivação dos direitos humanos.

ü Identifica-se como a análise de um conjunto normativo do Estado: a Constituição. Isto é, tem por objeto o estudo da Constituição.

Ø Conceito:

ü Polêmica doutrinária (vários autores)

Ø Direito Constitucional comparado:

 

ü Esmein: É “a parte fundamental do Direito Publico que tem por objeto determinar a

ü

Promove o estudo comparativo de diferentes constituições e sistemas jurídicos.

Ø Fontes do Direito Constitucional:

 

forma do Estado, a forma e os órgãos do Governo e os limites dos direitos do Estado”.

ü Diretas (imediatas): Constituição, Leis, Decretos de conteúdo constitucional.

 

ü Marcelo Caetano: É “o conjunto de normas jurídicas que regula a estrutura do

ü Indiretas (mediatas): Costumes, a jurisprudência, a doutrina, princípios gerais do direito, convicções sociais, etc.

Ø Direito constitucional material e formal:

 
 

Estado, designa suas funções e define as atribuições e os limites dos supremos órgãos do poder político”.

ü Pontes de Miranda: É a parte do Direito Público que “fixa os fundamentos estruturais do Estado”.

ü O Dir Const (positivo) como a Constituição são conceituados a partir de seu conteúdo, tendo por critério a matéria.

ü Dir Const material: É a Constituição (o modo de ser do Estado).

 

ü Direito Const formal: é a reunião de normas (ordenamento jurídicos) reunidos em documentos solenes.

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Roteiro de Aula nº 02 _ Dir Const I _ Dir Const e Constituição

 

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b. Constituição:

 

Material:

Consiste

no

conjunto

de

normas

materialmente

constitucionais,

Ø Conceito

juridicizadas, que configuram determinada sociedade (regulam a estrutura de

ü Lato sensu: é o ato de constituir, de firmar, organizar. É o modo como se constitui uma coisa.

um Estado, a organização de seus órgãos e os direitos fundamentais), estando ou não reunidas em um único documento.

ü Juridicamente: É a lei suprema e fundamental de um Estado, que contém normas referentes à estruturação do Estado, poderes públicos, forma de governo e aquisição do poder de governar.

© Ferdinand Lassale: São os fatores reais do poder, que regem efetivamente

a

sociedade. Normas que devem estar contidas na Constituição.

© Meirelles Teixeira: Corresponde a concepção sociológica da constituição. É

ü Em Roma: a expressão “constitutiones principium” – eram meros atos de cunho normativo editados pelo Imperador e possuíam valor de lei.

a

Constituição como fato social.

 

ü Constituições escritas e não escritas:

ü Aristóteles: “POLITEIA” O modo de ser da polis.

   

Escritas: Decorre do processo de codificação do direito positivo e sistematização em um texto único.

 

É um conceito de constituição que já contém vestígios de uma Carta moderna.

ü Idade Média: Magna Charta Libertatus

Não escritas (Costumeiras): É a norma característica, de surgimento informal, desligada de qualquer solenidade.

 

Imposta ao rei João-Sem-Terra, em 1215.

Ø Classificação das Constituições:

© Originam-se da sociedade e não de qualquer órgão.

 

A doutrina apresenta vários modos de se classificar as Constituições, dependendo do entendimento dos juristas. Podem ser:

© Existiram até o Séc XVIII: Ex: Constituição da França.

© Compreende um conjunto de orientações normativas não positivadas,

 

Quanto ao conteúdo: Material e Formal Quanto à forma: Escritas e não Escritas Quanto ao modo de elaboração: Dogmáticas e Históricas (Codificadas/Legais). Quanto à origem: Populares e Outorgadas (/Outorgadas). Quanto à estabilidade: Rígidas, Flexíveis, Semi-rígidas (Imutáveis). Quanto à extensão e finalidade: Analíticas e Sintéticas.

 

oriundas, basicamente, da jurisprudência e dos costumes.

 

© Na Inglaterra, hoje, o sistema é outro. Compreende o Direito Estatutário e das convenções constitucionais, ao lado da jurisprudência e dos costumes (parlamentares).

ü Constituições dogmáticas e históricas (codificadas e legais):

 

Dogmática (Codificada): Sempre escrita, estão inseridas em sua globalidade em um único texto-base e sistematizam os dogmas e idéias fundamentais da política e do Direito dominantes no momento.

ü

Constituições formais, materiais e substanciais:

Formal: É o conjunto de normas jurídicas elaboradas de maneira especial

 

(forma escrita) e solene pelo poder constituinte e diz respeito ao modo peculiar de existir do Estado.

Histórica (Costumeira): Não escrita, resulta da lenta formação histórica, do evoluir das tradições, dos fatos sócio-políticos, que consubstanciam normas fundamentais do Estado e podem estar dispersas em vários documentos.

©

É o conceito mais relevante para o Direito Positivo brasileiro.

 

Substancial: Corresponde à norma que por sua natureza ocupa-se de matéria constitucional. (substancial).

© Segundo concepção constitucionalista moderna, é a norma que aborda a

Divisões internas das constituições codificadas: Um preâmbulo, uma parte

 

introdutória uma parte orgânica, um parte dogmática, uma parte final e uma parte de disposições transitórias.

 

© Preâmbulo: não integram o corpo Constitucional. Ex: Evocação a Deus.

 

composição interna do Estado, declara direitos individuais limitando os direitos do Estado, etc.

© É fundamental. Caso seja suprimida altera o próprio Estado. Pode estar na Carta ou em outro documento.

© Introdutória: Normas gerais como, divisão de poderes, objetivos supremos do Estado, organização genérica (forma e sistema de governo).

© Dogmática: Declaração de direitos e todas as limitações ao poder estatal.

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© Orgânica: Organização do poder, atribuições de competência. Diretrizes de

3. Conclusão

funcionamento do Estado.

 
 

4. Bibliografia:

© Parte final: conjunto de normas transitórias ou finais, pelo caráter efêmero, prazo certo.

ü Constituições promulgadas (populares), outorgadas e cesaristas:

BASTOS, Celso Ribeiro. Curso de Direito Constitucional. Ed. Celso Bastos CANOTILHO, J. J. Gomes. Direito Constitucional MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional. SILVA, José Afonso da. Curso de Direto Constitucional positivo. TAVARES, André Ramos. Curso de Direito Constitucional. Constituição Federal. Ed. Saraiva

 

Promulgada: São elaboradas por uma Assembléia Nacional Constituinte. Outorgada: São impostas. Não há participação popular e sim de um grupo. Ex:

1824, 1937, 1967/69.

 

Cesarista: Impostas por um ditador. Ex: Mediante plebiscito, no caso de Pinochet no Chile e Napoleão.

ü Constituição rígida, flexível e semi-rígida:

   

A diferença ocorre no processo legislativo de alteração.

 

Rígida: exige procedimento especial.

 

Flexível: altera-se por lei ordinária.

Semi-rígida: a alteração se faz por um processo misto. Exige um quorum de alteração diferenciado e o poder é limitado.

©

Ex: Constituição de 1824: é matéria constitucional apenas o que diz respeito aos poderes políticos e direitos políticos. O restante da Carta pode ser alterado.

Super-rígida: Ex: Cláusulas pétreas, art. 60 § 4º CF88.

 

ü Constituições analíticas e sintéticas:

 

Sintética:

são

breves

e

sumárias,

restritas

apenas

aos

elementos

substancialmente constitucionais.

 

Analíticas: são prolixas. Ex: Brasil de 1988 e Itália de 1950, c/ 400 artigos.

Ø Objeto e conteúdo das Constituições:

 

ü Objeto: Estruturar o Estado

 

ü Conteúdo: Pode ser documento único ou vários documentos.

 

Ø Posição hierárquica superior das normas constitucionais:

 

ü As normas no ordenamento jurídico formam uma pirâmide.

 

ü A Constituição ocupa o ápice da pirâmide legal.

 

ü A subordinação dá a idéia de prevalência.

ü Existe nos países que adotam Constituições formais.

 

ü O ato jurídico padecerá de vício de ilegalidade, se violar a Carta Const.

 

Ø Exercício:

 

Apresentar a classificação e estrutura da Constituição Brasileira de 1988.