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6.2 - CHAVETAS E ESTRIAS

140

- Chavetas e estrias são elementos utilizados para transmitir momento de torção de um eixo para um acoplamento; para uma engrenagem; para um polia; para uma luva deslizante ou qualquer componente de um equipamento ou vice-versa.

- A lógica de uma estria, é que a mesma na verdade equivale a “várias chavetas”,

portanto, uma estria com dimensões semelhantes pode transmitir um torque bem mais elevado que uma chaveta.

- Os acoplamentos, como as chavetas e as estrias, na verdade transmitem potência.

6.2.1 - Chavetas

- Têm-se diversos tipos de chavetas, abaixo estão indicados alguns:

Chavetas paralelas

Chavetas cônicas quadradas e retangulares

Chavetas Woodruff

Chavetas cilíndricas

- Na figura abaixo estão mostrados alguns tipos de chavetas.

Na figura abaixo estão mostra dos alguns tipos de chavetas. Figura 6.34 Chaveta Woodruff Figura 6.35

Figura 6.34 Chaveta Woodruff

dos alguns tipos de chavetas. Figura 6.34 Chaveta Woodruff Figura 6.35 Chavetas métricas cônicas – quadradas

Figura 6.35 Chavetas métricas cônicas – quadradas e retangulares Retirada do livro: Machinery’s Handbook – E. Oberg et al

141

141 Figura 6.36 Chavetas métricas paralelas – quadradas e retangulares Retirada do livro: M achinery’s Handbook

Figura 6.36 Chavetas métricas paralelas – quadradas e retangulares Retirada do livro: Machinery’s Handbook – E. Oberg et al

do livro: M achinery’s Handbook – E. Oberg et al Figura 6.37 Chaveta cilíndrica - As

Figura 6.37 Chaveta cilíndrica

- As chavetas e os rasgos nos eixos e nos cubos são padronizados: dimensões/ tolerâncias/ tamanho da chaveta x Ø eixo.

- Vamos analisar nesse item chavetas métricas paralelas retangulares – para os demais tipos de chavetas o procedimento para cálculo, naturalmente é semelhante.

- Tem-se uma recomendação que os materiais das chavetas métricas paralelas, devam

apresentar uma

sempre inferior ao do eixo e do cubo.

2 mas, é importante utilizar o material da chaveta

σ

r

55 Kgf / mm

- Dimensionamento de chavetas paralelas métricas retangulares:

- abaixo se tem uma ilustração de montagem de uma chaveta métrica paralela

ilustração de montagem de uma chaveta métrica paralela Figura 6.38 - A seguir nas tabelas 6.3

Figura 6.38

- A seguir nas tabelas 6.3 a 6.4, tem-se informações a respeito de rasgos e chavetas

métricas planas retiradas do livro “Machinery’s Handbook – Autores: Erik Oberg; F.D. Jones; H.L. Horton”.

142

142 Tabela 6.3 Chaveteiros métricos paralelos retangulares Retirada do livro: M achinery’s Handbook – E. Oberg

Tabela 6.3 Chaveteiros métricos paralelos retangulares Retirada do livro: Machinery’s Handbook – E. Oberg et al

143

143 Tabela 6.3 - continuação Chaveteiros métricos paralelos retangulares Retirada do livro: M achinery’s Handbook

Tabela 6.3 - continuação Chaveteiros métricos paralelos retangulares Retirada do livro: Machinery’s Handbook – E. Oberg et al

A) Força atuante:

144

A) Força atuante: 144 Figura 6.39 - O torque transmitido do eixo para o cubo é

Figura 6.39

- O torque transmitido do eixo para o cubo é efetuado através da chaveta.

- Considera-se que a força gerada na chaveta ocorra no raio do eixo, de tal forma que se tem:

F =

2 T

d

B) Tensões atuantes:

- Vamos ver o que ocorre com a chaveta

- Seja o sentido de rotação o indicado na figura 6.39, e que o eixo é que transmite o

torque ao cubo. Vamos considerar que o material da chaveta, em relação à resistência mecânica, seja inferior aos materiais do cubo e do eixo. - O modelo que segue é o adotado para o cálculo de uma chaveta.

inferior aos materiais do cubo e do eixo. - O modelo que segue é o adotado

Figura 6.40

145

- O eixo “empurra” a chaveta pela parte inferior (altura t).

σ comp

=

F

l . t

(6.18)

- A chaveta “empurra” o cubo pela parte superior (altura h-t).

σ comp

=

F

l .( h

t )

(6.19)

- A seção plana da chaveta, vide figura 6.40, sofre um cisalhamento na região indicada com hachura ondulada, tendo uma tensão cisalhante de:

τ =

F

b . l

(6.20)

- Para dimensionamento da chaveta no caso de torque constante, compare as tensões

calculadas pelas expressões indicadas de (6.18) a (6.20) com as tensões admissíveis

σ Adm

σ Adm

τ

Adm

e τ

Adm

=

σ

e

=

FS

τ

e

FS

.

e,

- Utilize FS = 1,5 a 2

- Para carga variável é muito comum o projetista utilizar a maior tensão atuante, aumentando o fator de segurança para FS = 2,5 a 4.

- Sendo mais rigoroso, utilize a equação (4.9) de Soderberg, sendo que deve ser utilizado o fator de concentração de tensões k = 1 e um FS = 1,5 a 2.

C) Comprimento das chavetas:

- Um valor comumente utilizado para o comprimento da chaveta está indicado na expressão abaixo:

1,25 d

- Onde

- Observe bem! Isso é uma recomendação e não uma obrigação.

L

efet

L efet

2d

(6.21)

é o comprimento de trabalho da chaveta.

Aplicação 1:

- A engrenagem indicada na figura 6.41 transmite um toque de 70kgf.m ao eixo, considerando torque constante, dimensione uma chaveta para essa aplicação:

146

146 A) Determinação da força: F = 2 T 2 70000 x =   d 40

A) Determinação da força:

F =

2

T

2 70000

x

=

 

d

40

F

= 3500

Kgf

B)

Determinação da chaveta:

Vide tabela 6.3

Ø 40

- Nas chavetas métricas, o valor de

tamanho b x h = 12 x 8

t

1

Figura 6.41

= t = h

2

/ 2

, logo t

1 =

4 mm

.

C) Tensões admissíveis:

- Vamos escolher um material com características inferiores ao material do cubo e do eixo.

Material ABNT 1020:

σ

τ

= 34

0,5

Kgf mm

σ

e

17

/

2

e

e

=

=

Considerando F.S. = 2,0

/

Kgf mm

σ

τ

Adm

Adm

= 17

= 8,5

/

Kgf mm

/

Kgf mm

2

2

2

D) Verificando compressão:

σ

Adm

=

17

=

F 3500

=

l

1

(

h

t

1

)

l 4

1

l

1

= 51

mm

E) Verificando cisalhamento:

τ

Adm

=

8,5

F 3500

=

=

l b

2

l 12

2

l

2

= 34

mm

147

- A pior situação naturalmente é devido ao esforço de compressão, nesse caso:

L l

ef .

=

1

L

=

l

1

+

L l

ef .

=

1

= 51

2 R

mm

51

=

= 51

mm

+

12

=

63mm

l 1 + L l ef . = 1 = 51 2 R mm 51 =

Figura 6.42

Verificando com a faixa citada em (6.21).

1,25 d

L efet

Conclusão:

2d 50 5180

Chaveta 12 x 8 x 63 comp.

Material: 1020

Espessura da engrenagem > 51 mm

Aplicação 2:

- Um eixo com diâmetro de 75 mm transmite torque para um acoplamento através da chaveta quadrada de 20 x 20 x 125mm de comprimento.

- Utilizando F.S. = 2 e sabendo-se que o material apresenta

σ =

e

34 Kgf / mm

2

se que o material apresenta σ = e 34 Kgf / mm 2 1) Figura 6.43

1)

Figura 6.43

Determine o máximo de torque que pode ser transmitido

Resposta

T = 80kgf.m

Aplicação 3:

148

- Calcule a chaveta conforme utilizado para aplicação 1, mas com torque variando de 70 a 100 kgfm.

- Considere F.S. = utilizado na aplicação 1.

- Considere k = 1

A) Torque médio e variável:

T

m

= 85

m Kgf

.

T

v

= 15

m Kgf

.

;

B) Tensão média e variável:

- Na aplicação 1 a solicitação a compressão foi bem superior ao cisalhamento, dessa forma verificaremos essa situação.

Área = l .4; Raio = 20; 85000 σ = m l .4.20 15000 σ
Área
=
l
.4;
Raio
= 20;
85000
σ
=
m
l
.4.20
15000
σ
=
v
l .4.20

C) Tensão de fadiga

- Observando a tabela 4.1:

σ

n axial

= 0,8

x

σ

n flexão

- Considerando como aço forjado

σ

n axial =

0,8 x 0,5 x 54

=

21,6 Kgf / mm

2 sem correção

C.1) Determinando os fatores de correção (figuras 4.18 e 4.19):

Superfície:

- Chaveta usinada e σ

54 Kgf / mm

2

c1= 0,85

r

=

Tamanho:

- Veja bem! A tabela é para barras circulares, como é esforço de compressão, faremos por equivalência de áreas - Vamos arbitrar inicialmente um comprimento de chaveta para termos a área do retângulo solicitado à compressão. Com essa área retangular calculamos um diâmetro com a mesma área.

- Arbitrando l = 80 mm, daí:

A

=

4 x80

=

320 mm

2

d 20 mm c2 = 0,9

C.2) Tensão de fadiga corrigida:

σ

n axial corrigida =

0,85 x 0,9 x 21,6

=

16,5 Kgf / mm

2

D) Cálculo do comprimento:

Reescrevendo a equação (4.12)

σ

e

=

+

K

σ

e

1

=

σ

m

+

K

FS

σ

m

σ

n

 

σ

v

FS

σ

e

σ

n

Substituindo valores:

 

1 =

85000

+

15000

l

= 85

 
 

mm

2 80

lx

34

lx

80 16,5

 

σ

v

149

- Verifica-se que o valor arbitrado para o comprimento está bem próximo do calculado, não há portanto necessidade de se rever o fator de correção de tamanho.

L

ef

= 85

mm

E) Cálculo simplificado:

- Calculando de outra maneira (menos precisa) apenas para comparação:

- Outra maneira é utilizando o torque máximo e fator de segurança mais elevado, como citado anteriormente.

A

=

4 l

34

σ

Adm

=

FS Utilizando os valores de FS entre 2,5 a 4, teríamos o seguinte intervalo para a tensão admissível.

σ Adm

σ Adm

= 8,5@13,6

, como:

 

=

T

100000

=

 

4

xlx

20

80

l

148mm.

o comprimento efetivo da chaveta irá variar de 92 a

- A título de exercício, verifique o comprimento da chaveta para uma carga com reversão total de 100m.Kgf utilizando carga variável e compare com os resultados obtidos nesse item E.

6.2.2 – Estrias

150

- Um eixo estriado na verdade é um conjunto de várias chavetas, que se encaixa num

cubo também ranhurado.

- As estrias são manufaturadas no próprio eixo naturalmente, sem necessidade de rasgos

para encaixes como ocorre com as chavetas. Os rasgos nos eixos reduzem a capacidade do eixo de transmitir potência.

- Quando há um movimento relativo entre o cubo e o eixo, ou seja, um deslizamento

entre cubo e eixo, utiliza-se normalmente estrias conforme mostrado na figura 6.44. Não se utiliza chavetas quando ocorre movimento relativo entre cubo e eixo.

qu ando ocorre movimento relativo entre cubo e eixo. Figura 6.44 Sistema sincronizador de uma caixa

Figura 6.44 Sistema sincronizador de uma caixa de mudanças veicular

- Nas figuras a seguir três tipos de perfis muito utilizados em estrias: com flancos retos paralelos, evolvental e perfil por entalhe.

estrias: com flancos retos paralelos, evolvental e perfil por entalhe. Figura 6.45 Perfil com reto –

Figura 6.45 Perfil com reto – DIN 5461 a 5464

151

151 Figura 6.46 Perfil por evolventes – DIN 5482 Figura 6.47 Perfil por entalhe – DIN

Figura 6.46 Perfil por evolventes – DIN 5482

151 Figura 6.46 Perfil por evolventes – DIN 5482 Figura 6.47 Perfil por entalhe – DIN

Figura 6.47 Perfil por entalhe – DIN 5481

A seguir cópia do capitulo do livro: “Órgãos de máquinas – dimensionamento” Autor: J.R. de Carvalho - Paulo Moraes, que trata de estrias c/ perfil de lados paralelos e com perfil evolvental.

Da página 152 até a página 158, as numerações de figuras, tabelas e fórmulas estão conforme original citado, não seguindo portanto as numerações dessa apostila.

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157

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158

6.3 – ANÉIS DE FIXAÇÃO

159

- Anel de fixação tem por objetivo tornar um eixo solidário a um cubo, para que

ambos trabalhem, dentro da capacidade do anel, sem deslizamento.

- A lógica de um anel de fixação é a utilização de sistema de cunha. Utilizaremos

um tipo de anel de fixação, mostrado na figura abaixo, para explicação do funcionamento básico de um sistema utilizando anel de fixação. Vejamos então:.

- O aperto dos parafusos acarreta uma aproximação dos flanges (anéis inteiriços de 360º).

- Essa aproximação empurra o anel externo, na verdade nesse modelo mostrado na

figura é um anel bi-partido composto de 2 anéis (semicírculos) de 180º cada, no sentido

de aumentar o diâmetro D. Naturalmente que essas duas partes são soltas.

- Da mesma maneira ocorrerá no anel bi-partido interno, a redução do diâmetro

interno d.

-

Com torques aplicados aos parafusos, ocorrerá uma pressão entre o anel externo

e

o cubo, e logicamente uma pressão entre anel interno e o eixo.

- Essa pressão gera um atrito, que naturalmente acarreta um torque de transmissão nesse sistema.

ente acarreta um torque de transmissão nesse sistema. Figura 6.48 Anel de fixação IMETEX – RFN

Figura 6.48 Anel de fixação IMETEX – RFN 7012

Vejamos as forças que ocorrem devido ao aperto de um parafuso:

F – aperto do parafuso;

N – Normal entre anéis e o cubo e eixo;

- essas duas forças estão indicadas no conjunto do anel de fixação indicado na figura

6.49.

- Isolando as partes envolvidas teremos as forças indicadas na figura 6.50, dessa forma

tem-se:

No flange:

F

x

F

2

= 0

µN

1.cos

α

2

1.

N senα

=

0

160 F N 1 = (6.22) 2 µ .cos α + 2. senα No anel:
160
F
N
1 =
(6.22)
2
µ
.cos
α
+
2.
senα
No anel:
= 0
F y
N
2
µ N senα
.
1.
+
2
N
1.cos
α
=
0
N
N
1
=
(6.23)
2cos
α
− 2
µ senα
.
Igualando (6.22) e (6.23) chegamos a:
1 −
µ α
. tg
N
= F
(6.24)
µ
+ tg
α

Figura 6.49

senα . Igualando (6.22) e (6.23) chegamos a: 1 − µ α . tg N =

Figura 6.50

161

- Observe que essa força N que ocorre entre anel externo e cubo e também entre anel

interno e eixo, é devido a um parafuso. Caso tenhamos um sistema de anel de fixação com 8 parafusos, conforme a configuração mostrada na figuras 6.51, onde os anéis bi- partidos estão mostrados em hachura negra, teríamos o modelo indicado na figura 6.52.

hachura negra, teríamos o modelo indicado na figura 6.52. Figura 6.51 Figura 6.52 Forças no eixo

Figura 6.51

teríamos o modelo indicado na figura 6.52. Figura 6.51 Figura 6.52 Forças no eixo - Naturalmente

Figura 6.52 Forças no eixo

- Naturalmente é gerada uma pressão nas faces de contato dos anéis, mas podemos utilizar esse modelo de força pontual que nos levará aos mesmos resultados logicamente.

A seguir cópia tirada do catálogo n o 2 da IMETEX de parte referente aos anéis de fixação modelo RFN 7012.

Da página 162 até a página 165 as numerações de figuras, tabelas e fórmulas estão conforme original citado, não seguindo portanto as numerações dessa apostila.

162

162

163

163

164

164

165

165

166

- É importante frisar que por trabalhar em regime dinâmico, devido à rotação, ocorrem

vibrações que podem afrouxar os parafusos e reduzir naturalmente o torque de transmissão. A utilização de uma trava química reduz essa possibilidade.

- A título de verificação do formulário desenvolvido, será verificado na aplicação 1, um

anel de fixação comercial.

Aplicação 1:

Verifique, utilizando a equação 6.24, o torque que pode ser transmitido através do anel de fixação RFN 7012 - 85x125.

No catálogo está indicado que:

O anel utiliza 16 parafusos M10

Torque de aperto dos parafusos: 70 Nm

Considerações:

Utilizaremos atrito aço/aço µ = 0,1 (varia de 0,1 a 0,15 à temperatura ambiente)

Utilizaremos a equação (6.16), roscas sem lubrificação, para determinação de F.

Consideraremos o ângulo α = 15º As duas primeiras considerações são conservativas.

Vejamos então:

- Conforme (6.16):

T

= 0,2.

d

.

F i

70

=

0,2.

10

1000

F

F

= 35000

N

Substituindo esse valor em (6.24):

N

=

F

1

. tg

µ α

µ

+ tg

α

N

=

92573

N

Essa força acarreta um atrito no raio de 42,5 mm, então o torque de transmissão por parafuso tem o seguinte valor:

de

transmissão será:

N

.

42,5

1000

T

=

393,5

Nm

,

parafusos,

torque

Transmissã o parafuso

= µ

como

são

16

/

o

T Transmissã o = 393,5 x 16 = 6295

Nm

- que representa praticamente o mesmo valor indicado na tabela do fabricante.

6.4 - PINOS E ANÉIS

6.4.1 – Pinos

167

- Há diversos tipos de pinos utilizados na indústria, vamos dar alguns tipos e

algumas aplicações usuais.

A - Pino cilíndrico:

- Têm-se vários tipos padronizados de pinos. Como exemplo, nos pinos que seguem a

norma ISO 2338, mostrado na figura 6.54, os diâmetros apresentam tolerâncias de ajuste m6; h8 e h11, sendo que cada tolerância é definida pela forma das extremidades

dos pinos. - Uma utilização comum para os pinos cilíndricos, é na união de peças onde é

necessário posicionamento com precisão, ou seja, os pinos são utilizados como guias.

- Na figura 6.53 é mostrada uma tampa, que após ajustada no local de trabalho, sofre duas furações (com tolerâncias).

- Primeiro monta-se à tampa na base; faz-se o ajuste; fixa-se a tampa através dos apertos dos parafusos e finalmente executa-se as furações em conjunto da tampa e da base.

- Com a colocação dos pinos, garante-se que após uma desmontagem, a tampa seja

novamente montada no lugar ajustado previamente.

- Geralmente nesse tipo de montagem, o pino fica travado (ajuste forçado ou trava

anaeróbica) na base e com ajuste deslizante na tampa.

- Geralmente nesse tipo específico de montagem (tampas) são utilizados dois pinos.

deslizante na tampa. - Geralmente nesse tipo específico de mont agem (tampas) são utilizados dois pinos.

Figura 6.53

168

168 B - Pino elástico Figura 6.54 Pinos cilíndricos normalizados - O pino elástico é manufaturado

B - Pino elástico

Figura 6.54 Pinos cilíndricos normalizados

- O pino elástico é manufaturado em aço mola beneficiado.

- O pino usualmente é utilizado para união de duas peças. Essas peças são furadas com Ø nominal igual a do pino e com tolerância H11 (furo broca). Apesar da recomendação

169

de alguns fabricantes de se utilizar à tolerância H12, a tolerância H11 é obtida através

de furação efetuada através de brocas.

- O diâmetro do pino naturalmente é maior que o diâmetro do furo.

- Devido ao efeito mola, e ao rasgo longitudinal no pino, o mesmo (por ter um diâmetro

maior que o furo) fica comprimido contra as paredes do furo quando montado, acarretando uma pressão entre a superfície externa do pino e a parede do furo. A

retirada desse tipo de pino do furo é feita através de impactos longitudinais (martelo e ponteira).

O pino elástico por ser manufaturado em aço mola, apresenta uma alta resistência ao

cisalhamento. Nas aplicações usuais, esse tipo de pino é utilizado para trabalhar ao

cisalhamento.

- Na figura 6.55 tem-se as dimensões de pinos elásticos entre os diâmetros 1e 50 mm,

onde estão indicados diâmetros nominais (furos); diâmetros e tolerâncias dos pinos e a capacidade de resistência ao cisalhamento.

dos pinos e a capacidade de resistência ao cisalhamento. Figura 6.55 Pinos elásticos pesados Retirada e

Figura 6.55 Pinos elásticos pesados Retirada e adaptada do catálogo Brooklin perfuração e fixação Ltda

C – Outros pinos

Outros tipos de pinos são mostrados nas figuras 6.56 e 6.57 (pinos cônicos;

pinos de posicionamento; pinos cilíndricos com rosca; pinos entalhados).

170

170 Figura 6.56 Pinos entalhados Retirada do catálogo Brooklin perfuração e fixação Ltda

Figura 6.56 Pinos entalhados Retirada do catálogo Brooklin perfuração e fixação Ltda

171

171 Figura 6.57 Retirada de manual da EMAQ Unidade Industrial

Figura 6.57 Retirada de manual da EMAQ Unidade Industrial

6.4.1.1 – Pressão entre corpos cilíndricos

172

- Quando se tem um contato entre corpos cilíndricos, a pressão de contato depende da posição e do ângulo de apoio.

- Vide a figura 6.58 para o desenvolvimento da formulação.

- Vide a figura 6.58 para o desenvolvimento da formulação. Figura 6.58 Retirada livro: Dinâmica das

Figura 6.58 Retirada livro: Dinâmica das máquinas – Olavo P. e Albuquerque

- Pela teoria da elasticidade, quando uma força concentrada atua pontualmente num eixo como indicado, a pressão em cada geratriz da interface eixo/mancal, tem o seguinte valor:

(6.25)

Sendo que para cada valor de F, tem-se um valor de k.

- Vamos desenvolver as equações de equilíbrio:

p

= k .cos β

F Z

− +

F

− +

F

F

= k

= 0

β 1 ∫ 2 p L rd . . β .cos β = 0 −
β
1
2
p L rd
.
.
β
.cos
β
=
0
β
1
2
β
1
2
2
k L r
.
.
.(cos
β β
)
.
d
=
β
1
2
β
1
2
.
L r
.
2
(cos
β β
)
.
d
β
1

0

2

F

=

1

2

k

.

(

L r β + senβ

.

1

1

)

(6.26)

k =

2 F

(

L r β

.

1

+ senβ

1

)

(6.27)

Substituindo (6.27) em (6.25) temos:

p =

2

F

cos

β

L r

.

(

β

1

+

sen

β

1

)

(6.28)

No caso específico, onde β =

1

180

o

= π

, teremos:

 

173

 

F

 

p

= 0,64

L

r

cos β

(6.29)

- Observe então que naturalmente a pressão máxima ocorre para β = 0 , desta forma:

p

max

=

0,64

F

L r

(6.30)

- É muito comum em projeto utilizar outro modelo, no qual dividi-se a força pela área projetada, que no caso daria o seguinte valor de p:

p =

F

F

Ld

L

r

= 0,5

Veja bem! Utilizando-se a área projetada, obtêm-se um valor de pressão superficial 21% inferior ao calculado pela expressão (6.28) na tensão máxima de compressão superficial (pressão).

- À proporção que o ângulo de apoio do mancal reduz, a relação entre a pressão

calculada utilizando a área projetada e a calculada utilizando a teoria da elasticidade também reduz como indica a tabela 5.

Valor de

β

1

Relação

p

AP

 

p

TE

180º

0,79

120º

0,85

90º

0,91

60º

0,96

Aplicação 1:

Tabela 6.4

- Uma articulação conforme mostrado na figura é fixado por um pino cilíndrico com entalhe conforme indicado.

- Determine as tensões atuantes no pino.

é fixado por um pino cilíndrico com entalhe conforme indicado. - Determine as tensões atuantes no

Figura 6.59

174

1) Pressão média na união com a peça espessura de 20 mm (compressão superficial) - Utilizando a expressão (6.30) em vez de área projetada.

σ

=

σ Sup

1,28

1000

1000

φ

Iino

xL

arg.

Chapa

25 20

x

= 1,28

= 2,6

/

kGF mm

2

2) Pressão na união com a peça espessura de 50 mm (compressão superficial) - Utilizando a expressão (6.30) em vez de área projetada.

σ

=

σ Sup

1,28

2000

2000

φ

Iino

xL

arg.

Chapa

25 x 50

= 1,28

= 2,0

kGF / mm

2

3) Cisalhamento

-

Quando o pino está bem ajustado no furo (sem folga radial), o que realmente ocorre é

o

cisalhamento.

A

τ

=

=

π d

2

4 1000
4
1000

491

= 491 mm

2

= 2

/

Kgf mm

4) Flexão:

2

- Considerando o pino folgado no furo.

- Considerando as forças de 1000 Kgf atuando nas partes centrais das chapas de 20 mm,

e a força de 2000 Kgf atuando na região central da chapa de 50 mm. Essa é uma análise conservativa.

- Dessa forma temos um modelo de carregamento conforme mostrado:

forma temos um modelo de carregamento conforme mostrado: M σ Max = 1000 x 35 =

M

σ

Max

=

1000 x 35

=

M 35000

=

=

w

d

π

3

/16

35000

Kgf . mm

= 11,4

Kgf / mm

2

Figura 6.60

- Sendo extremamente conservativo, consideraríamos as forças de 1000 Kgf atuando nas

extremidades das chapas de 20 mm, e a força de 2000 Kgf atuando na região central da

chapa de 50 mm, dessa forma o vão passaria de 70 para 90 mm.

- É importante analisar todas as formas de possíveis carregamentos.

175

Conclusão:

Utilizaremos a maior tensão, no caso = 11,4 kgf/mm² para compararmos com a tensão admissível a ser utilizada para o pino.

Aplicação 2:

- Um eixo com diâmetro 50 é fixado a uma polia através de um pino;

- O torque é transmitido pelo eixo para a polia;

- A tensão de cisalhamento máxima no eixo, devido à torção e fora da região onde

encontra-se o pino, não deve ultrapassar a 2kgf/mm².

- Sabendo-se que a pressão superficial admissível média no pino = 4kgf/mm²;

- Utilizando-se um diâmetro de pino compatível com a área transversal utilizada por uma chaveta métrica; Determine se a largura de 50 mm da polia é suficiente.

Determine se a largura de 50 mm da polia é suficiente. (c) Figura 6.61 Bem! O
Determine se a largura de 50 mm da polia é suficiente. (c) Figura 6.61 Bem! O

(c)

Figura 6.61

Bem! O eixo “empurra” o pino pressionando sua parte inferior, e o pino por sua vez “empurra” a polia pela sua metade superior.

- Com a tensão de cisalhamento máximo admissível no eixo, temos condição de determinar o torque máximo.

τ max

τ

max

=

=

T . R

16 T

2 =

=

3

16 T

J

P

π d

π 50

3

T

= 49

Kgfm

T

= 49087

Kgfmm

 

176

-

Força transmitida através do pino:

 

F

=

T

=

49047

=

 

d / 2

50 / 2

1962 Kgf

Para eixo com diâmetro 50 mm,

a tabela recomenda

uma

chaveta

14

x

9

φ

equivalente

=

4 x 14 x 9 π
4
x
14
x
9
π

= 12,7 mm

- Conforme explicitado no item 6.4.1.1. sobre a pressão entre corpos cilíndricos, a pressão tem um valor máximo no ponto até o valor nulo no ponto C, conforme mostrado na figura 6.61.c.

- Utilizando o cálculo supracitado têm-se: o ∫ 90 F = p L . rd
- Utilizando o cálculo supracitado têm-se:
o
∫ 90
F
=
p L . rd
.
β
.cos
β
=
0
0
o
∫ 90
2
F
=
k L r
.
.
.(cos
β β
)
.
d
=
0
0
o
∫ 90
2
F
= k L . r
.
(cos
β β
)
.
d
0
1
sen 2
β
π
/ 2
F
=
k
.
L r
.
.(
β
+
)]
0
2
2
1
π
F
=
k
.
L r
.
.
2
2
π
F
=
k L r
.
.
.
4

substituindo k pelo valor indicado na equação (6.25); p = k .cos β , sendo que a pressão máxima ocorre para β = 0 (ponto A);

p

p A

A =

=

k

, substituindo na expressão acima,

F

F

L . r .

π

L

. r

= 1,27

4

- Utilizando a pressão máxima de compressão, têm-se:

p

A

= 4 = 1,27

x

1962

Lx 12,7 / 2

L = 98,1

Vemos portanto que o comprimento de 50 mm é insuficiente.

6.4.2 – Anéis:

177

- Os anéis de retenção são utilizados para eixos e furos, abaixo temos uma figura que mostra esses dois tipos de anéis.

temos uma figura que mostra esses dois tipos de anéis. Figura 6.62 - Na figura mostrada,

Figura 6.62

- Na figura mostrada, os dois anéis utilizados no eixo assim como os dois anéis

utilizados na caixa, posicionam o rolamento.

- Os anéis são manufaturados em aço mola e padronizados, assim como as ranhuras,

para diversos diâmetros.

- Os valores de esforços axiais suportados pelos anéis, seguindo as dimensões de ranhuras especificadas, são padronizadas e indicadas pelos fabricantes.

- A figura 6.63 apresenta um tipo de anel muito utilizado industrialmente.

178

178 Figura 6.63

Figura 6.63