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INTRODUÇÃO

Os sabões e os detergentes são emulsificantes que utilizamos em nossa vida diária (usualmente, os emulsificantes sintéticos são chamados de detergentes). Eles agem não apenas em sistemas de gases dispersos em líquidos (espuma), mas também em sistemas de dois materiais que normalmente não se dissolvem um no outro (duas fases distintas), causando a formação de emulsões. A substância emulsificante age diminuindo a diferença de tensão superficial (isto é, a repulsão mútua) entre as duas fases, de modo que uma passe a ‘molhar’ a outra.

Os sabões e detergentes podem ser produzidos a partir de sais de diferentes substâncias, que podem ter ânions moleculares (sabões/detergentes aniônicos) ou cátions moleculares (detergentes catiônicos). A característica comum entre seus íons moleculares é possuir uma parte apolar, em geral uma longa cadeia hidrocarbônica, e uma extremidade polar.

Neste trabalho de conclusão de curso nos ateremos em estudar a fabricação de detergentes em pó abordando o conceito, história e o processo de fabricação. O objetivo de relatarmos a história é que desde tempos muitos antigos, a remoção de sujeira depositada sobre as roupas e/ou utensílios tem sido uma preocupação para o homem em função da higiene, saúde e estética.

Atualmente consumimos uma enorme quantidade de produtos derivados de sabões e detergentes em nosso cotidiano. Por esse motivo, saber como essas substâncias são produzidas, como agem e como são degradadas pela natureza, torna-se fator importante para que nossa interação com o meio seja mais consciente.

Estes produtos para serem vendidos ao consumidor, devem ser seguros e apresentarem resultados de aplicação conforme indicação de uso. Todos os fabricantes são obrigados a seguir normas legais e técnicas, e obter autorização do Ministério da Saúde para cada produto saneante colocado à venda.

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1 ALGUNS CONCEITO DE PRODUTOS PARA FABRICAÇÃO DE DETERGENTE EM PÓ.

1.1 Saneantes

As substâncias químicas têm a propriedade de interagir umas com as outras de várias formas e, quando associadas, podem somar estas propriedades e gerar produtos formulados que auxiliam nas mais diversas necessidades, como, por exemplo, os produtos de limpeza. (LIMA FILHO, 2007).

Estes produtos, tecnicamente denominados Saneantes, são definidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) como aqueles destinados à higienização, desinfecção ou desinfestação domiciliar, em ambientes coletivos e/ou públicos, em lugares de uso comum e no tratamento da água, e têm sua regulamentação sob a responsabilidade da Gerência Geral de Saneantes (GGSAN) daquele órgão.

Para a ANVISA (2003) todos os produtos usados na limpeza e conservação de ambientes (casas, escritórios, lojas, hospitais) são considerados saneantes.

Os saneantes são importantes na limpeza de nossas casas e de outros locais, pois acaba com sujeiras, germes e bactérias, evitando, assim, o aparecimento de doenças causadas pela falta de limpeza dos ambientes.

Segundo Lima Filho (2007), dentre as categorias de saneantes, podem ser destacados:

Os produtos de limpeza geral, como os sabões, os detergentes, os alvejantes, as ceras/lustradores/polidores, os removedores;

Os produtos com ação antimicrobiana, como os desinfetantes e os esterilizantes;

Os desinfetantes, como os inseticidas, os produtos para jardinagem amadora, os raticidas e os repelentes, que são aqueles produtos usados

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com o intuito de matar, controlar ou repelir vetores indesejáveis, como, por exemplo, baratas, mosquitos, formigas, dentre outros.

Nosso interesse, nesta monografia, é a fabricação de detergentes em pó.

1.2 Tensoativos

Conforme sabemos que tanto sabões como detergentes pertencem a um mesmo grupo de substâncias químicas - os tensoativos. Como vimos anteriormente, um tensoativo é uma substância capaz de reduzir a tensão superficial de um líquido devido a realização de interações intermoleculares entre as moléculas do líquido e as do tensoativo. Estas interações reduzem a tensão superficial do líquido, pois são de natureza diferente das interações entre as moléculas do líquido.

Existem quatro tipos de tensoativos. Os sabões e os e detergentes pertencem ao mesmo grupo de tensoativos, chamados de tensoativos aniônicos. Existem ainda os tensoativos catiônicos, não-iônicos e anfóteros. A utilização destes tipos de tensoativos abrange uma enorme quantidade de produtos, desde xampus até aditivos alimentares.

Grupo Grupo Lipofílico Hidrofílico (apolar) (polar)
Grupo
Grupo
Lipofílico
Hidrofílico
(apolar)
(polar)

Figura 1 Constituição dos tensoativos Fonte: Bezerra (2007)

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1.2.1 Tensoativos Aniônicos e não-iônicos

Os tensoativos não-iônicos (Figura 2) são caracterizados por possuírem grupos hidrofílicos sem cargas ligados à cadeia graxa. Possuem como características a compatibilidade com a maioria das matérias-primas utilizadas em cosméticos, baixa irritabilidade à pele e aos olhos, um alto poder de redução da tensão superficial e interfacial e baixos poderes de detergência e espuma. Estas características permitem que estes tensoativos sejam utilizados principalmente como agentes emulsionantes. (PEDRO, 2008).

Os tensoativos aniônicos possuem como grupo hidrófilo 1 um radical com carga negativa. Dentre os tensoativos aniônicos encontramos os sabões e os detergentes comuns. A Figura 4 que apresenta as partes hidrófilas da molécula de detergente.

(OCH 2 CH 2 ) n OH

Figura 2. Tensoativos não-iônicos Fonte: Shreve e Brink Jr. (1997)

Tensoativos não-iônicos Fonte: Shreve e Brink Jr. (1997) Figura 3 - Exemplo esquemático de tensoativos não-iônico

Figura 3 - Exemplo esquemático de tensoativos não-iônico Fonte: Silva; Ponzetto; Rosa. (2008)

1 Parte da molécula do tensoativo que interage com as moléculas de água.

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R-COO - Sabão R: Radical carbônico

R-SO - 3 R-O-SO - 3 Detergentes

Figura 4. Tensoativos aniônicos Fonte: Zago Neto e Del Pinho (Cop. 2008)

aniônicos Fonte: Zago Neto e Del Pinho (Cop. 2008) Figura 5 - Exemplo de tensoativos aniônicos

Figura 5 - Exemplo de tensoativos aniônicos Fonte: Silva; Ponzetto; Rosa. (2008)

1.2.2 Tensoativos Catiônicos

Os tensoativos catiônicos possuem como parte hidrofílica da cadeia um radical com carga positiva, ou seja, nestes tensoativos quem interage com a água é uma parte da molécula que possui caráter positivo, ao contrário dos tensoativos aniônicos. Por suas propriedades germicidas, estes são muito utilizados como desinfetantes. São produzidos a partir de derivados alquil ou aril 2 do cloreto, brometo ou sulfato de amônio. Também podem ser obtidos a partir da piridina, do imidazol e da isoquinolina. Os produtos obtidos são chamados de quaternários de amônio. A Figura 6 apresenta a parte hidrófila da estrutura dos detergentes catiônicos e um composto catiônico muito usado como bactericida.

2 Derivados alquil são aqueles derivados de hidrocarbonetos saturados de cadeia linear. Já os derivados aril são aqueles obtidos através de hidrocarbonetos aromáticos.

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R n X + Y -

R representa uma ou mais cadeias hidrofóbicas

Figura 6 - Tensoativo catiônico Fonte: Maniasso (2001)

Figura 6 - Tensoativo catiônico Fonte: Maniasso (2001) Figura 7 - Exemplo de tensoativo catiônico Fonte:

Figura 7 - Exemplo de tensoativo catiônico Fonte: Zago Neto; Del Pino. (2008)

1.2.3 Tensoativos anfóteros

Os tensoativos anfóteros são caracterizados por apresentarem, na mesma molécula, grupamentos positivo e negativo. O grupamento positivo é, normalmente, representado por um grupo de nitrogênio quaternário e o negativo por um grupo carboxilato ou sulfonato. Propriedades como solubilidade, detergência, poder espumante e poder umectante dos tensoativos desta classe estão condicionados, principalmente, ao pH do meio e ao comprimento da cadeia que os constitui. O grupo polar positivo é mais pronunciado em pH menor que 7 ao passo que o grupo polar negativo é mais pronunciado em pH maior que 7. (PEDRO, 2008)

é mais pronunciado em pH maior que 7. (PEDRO, 2008) Figura 8 - Exemplo de tensoativo

Figura 8 - Exemplo de tensoativo anfótero Fonte: Zago Neto; Del Pino. (2008)

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1.3 Detergência

Kissa (Apud Sanctis, 1997) define detergência como sendo o processo de remoção de uma substância indesejável (sujeira líquida ou sólida) de um substrato imerso em meio aquoso ou não aquoso, geralmente com aplicação de uma força mecânica, na presença de uma substância química (surfactante) com poder de diminuir a adesão da sujeira ao substrato. O processo se completa quando a sujeira é mantida em suspensão e removida através do enxágüe.

Ainda citando Kissa (1981), o mecanismo de detergência envolve a adsorção do tensoativo na interface sujeira/substrato permitindo a umectação das superfícies pela água com conseqüente remoção da sujeira na forma líquida emulsionada ou sólida dispersa Os tensoativos aniônicos e não iônicos atuam por diferentes mecanismos para evitar a redeposição da sujeira removida. Tensoativos aniônicos geram carga superficial concentrada que atrai os contra íons da solução formando duas camadas de polaridades opostas conhecidas como dupla camada elétrica que promove a repulsão das partículas sólidas dispersa e dos glóbulos coloidais emulsionados, deixando assim, a sujeira em suspensão. Já os tensoativos não iônicos não se dissociam em água, mas adsorvem-se sobre a superfície das partículas com seus grupos hidrófilos fortemente hidratados, via pontes de hidrogênio, formando uma camada espessa na solução, chamada barreira estérica. (Apud SANCTIS, 1997).

Com a dissolução de uma molécula de tensoativo em água, as moléculas de tensoativo migram para a superfície da água, acumulam-se e orientam-se nesta, com a parte hidrofóbica voltada para o ar e a parte hidrofílica voltada para a solução, reduzindo a tensão superficial, pois a atração mútua entre as moléculas de tensoativo é menor que a da água. Quando é atingida a concentração limite de moléculas de tensoativo na superfície tem-se a formação de agregados moleculares no interior da solução, de dimensões coloidais, chamados de micelas. (SANCTIS,

1997)

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As micelas são estruturas geralmente esféricas, de natureza coloidal, formadas de tal modo que as partes não polares do detergente se orientam para o interior da mesma, criando assim, uma superfície iônica. Podemos dizer que as soluções de tensoativos formam sistemas dinâmicos onde as micelas estão continuamente sendo formadas e destruídas. Essa característica das soluções de detergentes é importante para o processo de remoção das sujidades, que envolve o deslocamento das partículas de sujeiras de natureza lipofílica para o interior das micelas e a estabilização das mesmas de modo a mantê-las em suspensão, evitando que a sujeira volte a depositar-se sobre a superfície que está sendo limpa.

a depositar-se sobre a superfície que está sendo limpa . Figura 9: Representação de um agregado

Figura 9: Representação de um agregado micelar. Fonte: Oliveira (2007)

Em laboratório, a detergência é avaliada pela lavagem de tecidos sujos padrão (EMPA 101) 3 , determinando-se a quantidade de sujeira removida ou redepositada por medidas de reflectância 4 feitas antes e depois da lavagem. (SANCTIS, 1997)

3 A detergência é avaliada em tergotômetro utilizando-se o método ASTM D 3050 - 75, que compreende a lavagem de tecidos sujos padrões EMPA 101 (tecido de algodão impregnado com sujeira de óleo de oliva e negro de fumo) em solução de concentração de 0,2 g/l e temperatura de 25 ºC, com determinação da quantidade de sujeira removida através de medidas de reflectância feitas antes e depois da lavagem dos tecidos utilizando-se um reflectômetro.

4 Reflectância é a proporção entre o fluxo de radiação eletromagnética incidente numa superfície e o fluxo que é refletido.

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Quanto maior o valor da diferença da reflectância entre o tecido sujo e lavado, maior a detergência. O tecido de algodão branco é utilizado para avaliação de reposição de sujeira. Neste caso, quanto maior o valor negativo da diferença de reflectância, menor o poder do tensoativo em manter a sujeira em suspensão.

Segundo Sanctis (1997) os resultados de lavagem são afetados pelas propriedades e tipos dos substratos, tipo de sujeira, composição da água, técnica de lavagem (ação mecânica, tempo e temperatura) e, particularmente importante, pela composição detergente. Para dada temperatura e técnica de lavagem, a eficiência de limpeza depende da interação entre o substrato, sujeira e componentes do detergente.

As interações entre os vários componentes da sujeira também devem ser consideradas, sendo a água o solvente do sistema de lavagem, a sujeira pode ser solúvel ou insolúvel neste meio. A dissolução e remoção da sujeira em água são diretas. A remoção de sujeiras especiais de superfície por detergentes pode ser acompanhada por uma reação química.

É possível encontrar substâncias tensoativas que promovem a ação de detergência (limpeza) em xampus, óleos lubrificantes, detergentes, dentrifícios, sabonetes, etc. A detergência depende da eficiência da substância tensoativa em solubilizar a sujeira e transportá-la no meio aquoso. A facilidade de formar espuma em meio aquoso é também uma das características das substâncias que modificam a tensão superficial da água (agentes tensoativos). Contudo, a mesma substância pode ser excelente para formar espuma e ter baixa ação detergente, ou ser um eficiente detergente e não formar praticamente espuma. (MOITA NETO, 2006).

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2 DETERGENTE EM PÓ

2.1 A história do sabão

De acordo com Shreve e Brink Jr. (1977), o sabão, na verdade, nunca foi descoberto, mas surgiu gradualmente de misturas brutas de materiais alcalinos e matérias graxas.

Segundo Santos (2008) já nos primeiros anos da era cristã, os gauleses ferviam sebo e cinzas para fabricar uma forma primitiva de sabão. Conhecido pelos romanos e fenícios e artigo de luxo na Idade Média, o sabão tornou-se produto de uso generalizado a partir do século XIX. Desde a segunda guerra mundial, a fabricação de sabão a partir de materiais naturais vem diminuindo em benefício do detergente sintético.

Tecnicamente, a indústria do sabão nasceu muito simples e os primeiros processos exigiam muito mais paciência do que perícia. Tudo o que tinham a fazer, segundo a história, era misturar dois ingredientes: cinza vegetal, rica em carbonato de potássio, e gordura animal. Então, era esperar por um longo tempo até que eles reagissem entre si. O que ainda não se sabia era que se tratava de uma reação química de saponificação.

Os primeiros aperfeiçoamentos no processo de fabricação foram obtidos substituindo as cinzas de madeira pela lixívia rica em hidróxido de potássio, obtida passando água através de uma mistura de cinzas e cal. Porém, foi somente a partir do século XIII que o sabão passou a ser produzido em quantidades suficientes para ser considerado uma indústria. (CAMPOS, 2007)

Até os princípios do século XIX, pensava-se que o sabão fosse uma mistura mecânica de gordura e álcali. Foi quando Chevreul, um químico francês, mostrou que a formação do sabão era na realidade uma reação química. Nessa época, Domier completou estas pesquisas, recuperando a glicerina das misturas da saponificação. (SHREVE E BRINK JR. 1977).

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Durante 2.000 anos, os processos básicos de fabricação de sabões permaneceram praticamente imutáveis. As modificações maiores ocorreram no pré-tratamento das gorduras e dos óleos, na obtenção de novas e melhores matérias-primas, no processo de fabricação e no acabamento do sabão, por exemplo, na secagem por atomização para obtenção do sabão em pó. (SHREVE E BRINK JR. 1977).

2.2 Detergente

Sabão e detergente são compostos químicos destinados à limpeza. Os detergentes são produtos sintéticos destinados a remover detritos de superfícies sólidas, lisas ou porosas. O sabão é, na verdade, um tipo mais simples de detergente e compreende todos os sais de ácidos graxos. Os sabões se dividem em duros, ou sódicos, e moles, ou potássicos. Quando tanto o sódio como o potássio estão presentes em sua composição, o sabão se classifica segundo a base preponderante. (SANTOS, 2008)

O verbo detergir (do latim detergere) significa “limpar ou purificar por meio de

substâncias ou ingredientes químicos”. (MOITA NETO, 2006)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA - estabeleceu normas a

serem obedecidas pelos detergentes e seus congêneres (Resolução Normativa nº 1/78). Segundo esta resolução, a ação de detergência “é o processo de remoção de

sujidade usando um detergente ou tenso-ativo” e “detergente é um produto formulado para promover o fenômeno da detergência, compreendendo um composto básico ativo (agente tenso-ativo) e componentes complementares (coadjuvantes, sinergistas, aditivos e produtos auxiliares)”.

Os tensoativos ou surfactantes são substâncias que têm, em sua estrutura química, uma parte polar (hidrofílica) e outra apolar (lipofílica). Isto lhes confere propriedades especiais que permitem sua utilização em diversos campos, dentre os quais se destaca a detergência. Um dos agentes tensoativos mais conhecidos é o dodecil sulfato de sódio ou lauril sulfato de sódio, cuja fórmula é:

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CH 3 (CH 2 ) 10 -CH 2 -O-(SO 3 ) 1- Na 1+ .

Neste composto, a cadeia carbônica apolar auxilia na solubilização de compostos orgânicos presentes na sujeira e o grupo sulfato (polar) facilita o transporte no meio aquoso. É possível encontrar substâncias tensoativas que promovem a ação de detergência em xampus, óleos lubrificantes, detergentes, dentrifícios, sabonetes, etc. A detergência depende da eficiência da substância tensoativa em solubilizar a sujeira e transportá-la no meio aquoso. A facilidade de formar espuma 5 em meio aquoso é também uma das características das substâncias que modificam a tensão superficial da água (agentes tensoativos). Contudo, a mesma substância pode ser excelente para formar espuma e ter baixa ação detergente, ou ser um eficiente detergente e não formar praticamente espuma. (MOITA NETO, 2006).

A escolha do tensoativo que entra numa formulação de um produto comercial depende de sua finalidade e do desejo do consumidor. Para uma cerveja, o tensoativo deve formar espuma sem ter ação detergente. No óleo lubrificante, o tensoativo deve ser eficiente na detergência sem formar espuma. No xampu, em geral, formação de espuma e ação detergente são importantes no mesmo produto comercial, pois o consumidor quer a limpeza (detergência), mas acredita que é a abundância de espuma que a favorece. (MOITA NETO, 2006)

Segundo Oliveira, (2007), entre os álcoois primários de cadeia linear que se obtém das gorduras - ou de outros modos - os de C 8 e C 10 são utilizados na produção de ésteres de alto ponto de ebulição, usados como plastificantes (como por exemplo, o ftalato de octila). Os álcoois de C 12 a C 18 são utilizados em quantidades enormes na manufatura de detergentes (produtos tensoativos para limpeza).

5 A espuma é formada por um grande número de pequenas bolhas de gás espalhadas (dispersas) em uma fase líquida. Uma fina película de líquido separa as bolhas de gás entre si. Quando o líquido é a água, as bolhas não duram muito tempo, pois a película fina se rompe rapidamente, liberando o gás contido em seu interior. É o que se observa ao se dissolver um comprimido efervescente. A reação que libera o gás ocorre entre o bicarbonato de sódio e o ácido cítrico, presentes no comprimido. Um meio de estabilizar a película líquida é adicionar à água um emulsificante, isto é, uma substância que evite que a película se rompa muito rapidamente.

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Embora os detergentes sintéticos difiram significativamente uns dos outros quanto a estrutura química, as moléculas de todos têm uma característica em comum, também apresentada pelas de sabão comum: são anfipáticas, com uma parte apolar muito grande, de natureza de hidrocarboneto, solúvel em óleo, e uma extremidade polar, solúvel em água. Um tipo deles resulta da conversão dos álcoois de C 12 a C 18 em sais de hidrogenosulfato de alquila. Por exemplo:

1 8 em sais de hidrogenosulfato de alquila. Por exemplo: Neste caso, a parte apolar é

Neste caso, a parte apolar é a longa cadeia alquílica e a parte polar é o - SOO 3 - Na + .

Pelo tratamento dos álcoois com óxido de etileno, obtém-se um detergente não-iônico:

com óxido de etileno, obtém-se um detergente não-iônico: A possibilidade de formação de pontes de hidrogênio

A possibilidade de formação de pontes de hidrogênio entre as moléculas da água e os numerosos átomos de oxigênio do etoxilato tornam a parte terminal de poliéter solúvel em água. Os etoxilatos também podem ser convertidos em sulfatos, sendo utilizados na forma de sais de sódio. (OLIVEIRA, 2007)

Os sais de sódio dos ácidos alquilbenzeno-sulfônicos são os detergentes mais utilizados. Para obtenção destes detergentes, liga-se primeiramente o grupo alquil de cadeia longa a um anel benzênico pela utilização de um haleto de alquila, de um alceno ou de um álcool conjuntamente com um catalisador de Friedel-Crafts (AlCl 3 ); em seguida, efetua-se a sulfonação e, finalmente, a neutralização:

(OLIVEIRA, 2007).

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AlCl 3
AlCl 3

Figura 10 - Reação de alquilação por substituição nucleofílica aromática em haleto de alquila. Fonte: Oliveira (2007)

aromática em haleto de alquila. Fonte: Oliveira (2007) Figura 11 – Mecanismo da reação de sulfonação

Figura 11 – Mecanismo da reação de sulfonação Fonte: Oliveira (2008)

O primeiro passo, em que se forma o trióxido de enxofre (SO 3 ), eletrófilo, é simplesmente um equilíbrio ácido-base, desta vez, porém, entre duas moléculas de ácido sulfúrico. Na sulfonação utiliza-se geralmente o ácido sulfúrico fumegante, ou seja, aquele onde é dissolvido excesso de SO 3 ; mesmo quando se utiliza apenas ácido sulfúrico, crê-se que o SO 3 formado na reação (1) possa ser o eletrófilo. Na reação (2) o reagente eletrofílico, SO 3 , liga-se ao anel benzênico com formação de um carbocátion intermediário. Embora o trióxido de enxofre não tenha cargas positivas, tem deficiência de elétrons (carga parcial positiva) sobre o átomo de enxofre, pois os três átomos de oxigênio, mais eletronegativos, retiram-lhe elétrons por indução. Na terceira etapa o carbocátion cede um próton para o ânion HSO 4 - e forma o produto de substituição estabilizado por ressonância que é, desta vez, um ânion - o do ácido benzeno-sulfônico; este ácido, por ser forte, encontra-se

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altamente ionizado (na etapa 4, o equilíbrio está muito deslocado para a esquerda). Com alguns
altamente ionizado (na etapa 4, o equilíbrio está muito deslocado para a esquerda).
Com alguns substratos aromáticos e certos acidulantes, o eletrófilo pode ser HSO 3 +
ou moléculas que possam facilmente transferir SO 3 ou HSO 3 + para o anel aromático.
(OLIVEIRA, 2007)
Catalisador
Catalisador
Geração de SO 3
Geração de SO
3
Ar
Ar
(Conversão)
(Conversão)
Geração de ar
Geração de ar
Atmosférico
Atmosférico
Ar
Ar
Tratamento do ar
Tratamento do ar
Resfriamento do SO 3
Resfriamento do SO
3
Atmosférico
Atmosférico
Queima do Enxofre
Queima do Enxofre
Enxofre
Enxofre
(Geração SO )
(Geração SO 2 )
Alcane
Alcane
2
Produção de Ácido
Produção de Ácido
Sulfônico
Sulfônico
Ácido
Ácido
Sulfônico
Sulfônico
Ar
Ar
Gases
Gases
Atmosférico
Atmosférico
Resfriamento do
Resfriamento do
Residuais
Residuais
SO
SO
2
2
Tratamento de
Tratamento de
Ar Livre
Ar Livre
de
de
Gases
Gases
Resíduos
Resíduos
Para a
Para a
atmosfera
atmosfera

Figura 12 - Esquema mini-fábrica Sulfonação

O término da síntese do detergente dá-se pela neutralização do ácido benzenosulfônico, formando o sal hidrossolúvel.

do ácido benzenosulfônico, formando o sal hidrossolúvel. Figura 13 - Neutralização do ácido benzenosulfônico.

Figura 13 - Neutralização do ácido benzenosulfônico. Fonte: Oliveira, 2007

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Estes detergentes atuam essencialmente da mesma maneira que o sabão. A sua utilização oferece, entretanto, certas vantagens: Por exemplo, os fulfatos e sulfonatos mantêm-se eficazes em água dura devido ao fato de os correspondentes sais de cálcio e magnésio serem solúveis. Visto serem sais de ácidos fortes, produzem soluções neutras, ao contrário dos sabões que, por serem sais de ácidos fracos, originam soluções levemente alcalinas. (OLIVEIRA, 2007)

Na figura 14, pode-se ver a reação de formação de um detergente.

SUBSTITUINTE ORGÂNICO
SUBSTITUINTE ORGÂNICO

Figura 14 – Reação de formação de um detergente Fonte: Zago Neto, Del Pino, 2008.

Na figura 15, pode-se ter melhor visão da fabricação dos detergentes com as substâncias químicas acima relacionadas.

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OS DETERGENTES

OS DETERGENTES

OS DETERGENTES
OS DETERGENTES

PRODUÇÃO DOS DETERGENTES

ADITIVOS ALCENOS ANIÔNICOS
ADITIVOS
ALCENOS
ANIÔNICOS

TENSOATIVOS

ÁLCOOIS

ADITIVOS ALCENOS ANIÔNICOS TENSOATIVOS ÁLCOOIS CATIÔNICOS NÃO-IÔNICOS TENSOATIVOS ANFÓTEROS REAÇÃO DE

CATIÔNICOS

NÃO-IÔNICOS

ANIÔNICOS TENSOATIVOS ÁLCOOIS CATIÔNICOS NÃO-IÔNICOS TENSOATIVOS ANFÓTEROS REAÇÃO DE ALQUILAÇÃO REAÇÃO DE

TENSOATIVOS ANFÓTEROS

REAÇÃO DE ALQUILAÇÃO

REAÇÃO DE SULFONAÇÃO

DETERGENTE

Figura 15 – A química dos detergentes Fonte: ZAGO NETO, DEL PINO, 2008.

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2.2.1 Funções dos detergentes.

Conforme Evangelista (2003), por sua composição apresentar diferentes elementos químicos, os detergentes devem ser conhecidos quanto as suas características, bem como suas condições de emprego. Principais funções dos detergentes:

De abrandamento: possibilitam a alteração ou anulação da dureza da água. Os polifosfatos e os ortofosfatos alcalinos abrandam a água; os primeiros por sequestração e os segundos por precipitação dos agentes da dureza;

De dispersão: produzem a dispersão de aglutinados em flocos reduzindo-

os a pequenas partículas. Os dispersantes ou desfloculantes atuam de uma maneira que as películas de minerais não se depositem novamente, fornecendo a dispersão dos resíduos. Tornam assim a operação de limpeza muito mais fácil;

De

dissolução:

solúveis em água;

transformam

os

resíduos

insolúveis

em

substâncias

De emulsificante: reduzem as substâncias graxas a inúmeras partículas, possibilitando a formação de emulsão de água e glóbulos graxos. Esse novo estado facilita a operação posterior de limpeza;

De enxagüamento: tem por finalidade remover da superfície qualquer tipo

de suspensão ou de solução; tornando-as partículas de fácil remoção pela água;

De umectação: atuam por contato da água sobre as sujidades em toda a superfície do equipamento. Essa ação é permitida pela diminuição da tensão superficial do meio aquoso, conferindo a água melhor contato com a superfície dos resíduos e dos equipamentos;

De penetração: o líquido se introduz através de substâncias porosas, de orifícios, de fissuras ou de pequenas aberturas, nas sujidades. Sua ação é parecida com os dispersantes;

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De peptização: atuam sobre proteínas, dispersando-as e produzindo

colóides em parte solúveis;

De saponificação: por ação química entre os detergentes e as gorduras,

estas são saponificadas, dando sabões que, em seguida, são retirados do meio.

De seqüestro: por formação de quelantes, impedem a deposição de sais

minerais e, com isso a sua remoção das superfícies.

De suspensão: mantém as partículas insolúveis, impedem a sua deposição sobre as superfícies de contato. Isso acontece em razão de maior força atrativa existente entre os resíduos e a superfície do equipamento.

2.2.2 Composição básica

Segundo Santos, (2008) os componentes de um detergente de lavar roupa estão divididos em três grupos: Estruturais, Ingredientes para Alta Performance (aditivos) e Ingredientes Adicionais.

Estruturais:

Surfactantes: São os componentes mais importantes dos detergentes, pois tem a finalidade de diminuir a tensão superficial da água proporcionando o “molhamento“ das sujeiras.

Seqüestrastes: Sua função é a de amaciar a água através da desmineralização. Isso ajuda os tensoativos a trabalharem com mais eficiência. Eles também ajudam a emulsificar óleos e gorduras reduzindo-os a pequenos glóbulos. Além disso, são capazes de retirar sais que ficam incrustados nos tecidos provocando o seu encardido.

Branqueadores: Ópticos: São substâncias solúveis em água que aderem às fibras dos tecidos. Estas substâncias absorvem a luz ultravioleta (invisível) que incide sobre os tecidos reemitindo luz azulada (visível). Essa luz azulada neutraliza a

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cor amarelada típica de tecidos encardidos, proporcionando uma impressão de brancura e brilho.

Corantes e Perfumes: São aditivos que não tem ação sobre o processo de lavagem. Vários tipos de fragrâncias são usados na fórmula dos detergentes para perfumar as roupas. Além de diferenciarem os diversos tipos de detergentes pelo cheiro, elas bloqueiam o desagradável odor da água utilizada na lavagem, e podem deixar um leve aroma nos tecidos que foram lavados. Os corantes por sua vez, são utilizados apenas como um fator estético na visualização do produto quando este esta sendo utilizado. O pó pode ser azul, verde, branco, possuir grânulos coloridos, etc.

Ingredientes de alta performance:

Alvejante (bleach): São oxidantes à base de cloro ou de oxigênio, que atuam destruindo os corantes responsáveis pelas manchas. Na verdade as manchas permanecem, porém ficam invisíveis.

Enzimas: São proteínas que aceleram a ação química dos detergentes, atacando certos tipos de sujeira. Isto faz com que a sujeira seja mais rapidamente retirada pelo detergente e pela água.

Agente Anti-redepositante: A função principal desse componente é não permitir que a sujeira em suspensão na água, retorne ao tecido.

Ingredientes adicionais:

Inibidor de Espuma: Como o próprio nome diz, são componentes que controlam a formação de espuma. Nível de espuma menor facilita o enxágüe e ajuda a economizar água.

Amaciante: Os amaciantes normalmente são usados como produto separado, ma podem estar embutidos na fórmula dos detergentes. Eles reduzem a eletricidade estática deixando os tecidos macios.

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2.3 Processo de fabricação de detergente em pó

A fabricação de detergente em pó pelo método da atomização tem três

passos principais: (1) preparação da pasta; (2) secagem em torre de atomização e (3) tratamento de grânulos. (Figura 17) Os três principais componentes do detergente em pó são os surfactantes (que removem a sujeira e outros materiais indesejáveis), os abrandadores (que tratam a água de forma a se obter o máximo desempenho do surfactante) e aditivos, que melhoram o desempenho da limpeza. Dentre os possíveis aditivos, podem-se citar os alvejantes, os ativadores de alvejantes, os agentes antiestáticos, os amaciantes de tecidos, os branqueadores ópticos, os agentes de antirredeposição e cargas. A pasta de detergente é produzida pela mistura do surfactante líquido com materiais na forma de pós e grânulos (abrandadores e outros aditivos) em um tanque-misturador fechado chamado de crutcher. (UCHIMURA, 2006)

É feita uma pré-mistura de vários ingredientes menos importantes em uma

variedade de equipamentos antes de carregá-los no crutcher.

O surfactante líquido usado para se fazer a pasta é produzido in loco pela

sulfonação de um composto alquílico linear ou de um ácido graxo, que é em seguida neutralizado com uma solução cáustica contendo hidróxido de sódio. A pasta preparada é mantida em um vaso pulmão e bombeada continuamente à torre de secagem por atomização. (UCHIMURA, 2006).

As reações que usamos para a fabricação do detergente em pó, segundo Shreve e Brink Jr (1977). Serão apresentadas nos itens a seguir:

2.3.1 Sulfonação linear de um alquilbenzeno.

O Alquilbenzeno Linear Sulfonado-LAS é o precursor do LASNa (Linear

Alquilbenzeno Sulfonato de Sódio), o tensoativo mais utilizado no mercado mundial de detergentes. A sua utilização em uma extensa gama de formulações está ligada

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ao seu grande poder removedor de sujeiras, particularmente no algodão, sua boa solubilidade, seu elevado poder de espuma, sua irrestrita compatibilidade com o

meio ambiente e seu baixo custo. (DETEN, 2007)

O Alquilbenzeno Linear Sulfonado-LAS é o precursor do LASNa (Linear Alquilbenzeno Sulfonato de Sódio), o tensoativo mais utilizado no mercado mundial de detergentes. A sua utilização em uma extensa gama de formulações está ligada ao seu grande poder removedor de sujeiras, particularmente no algodão, sua boa solubilidade, seu elevado poder de espuma, sua irrestrita compatibilidade com o meio ambiente e seu baixo custo. O LAS é empregado em diversos tipos de formulações de detergentes para lavagem de roupas, incluindo pós de densidade moderada e alta, líquidos concentrados, pastas e barras. Ainda dentro do setor de limpeza doméstica, é utilizado na formulação de detergentes para a lavagem manual de louças. O LAS é também encontrado na formulação de detergentes do setor industrial e institucional (lavagem de roupa e limpeza de superfícies) com também em pesticidas agrícolas e em processos específicos de limpeza e na preparação de emulsões para fluidos lubrificantes, no processamento de metal e flotação de minérios. É utilizado ainda como agente emulsificante nas reações de polimerização no setor petroquímico. (DETEN, 2007)

de polimerização no setor petroquímico. (DETEN, 2007) Figura 16 – Estrutura molecular de um alquilbenzeno

Figura 16 – Estrutura molecular de um alquilbenzeno Suylfonado linear Fonte: Penteado, et al, 2006.

2.3.2 Álcool sulfatado

Álcool Sulfatado é obtido pela sulfatação de álcool graxo, com característica tensoativa, empregado principalmente na produção de detergentes.

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Para Shreve e Brink Jr. (1977), o alquilbenzeno (AB) é introduzido continuamente no sulfonador, com a quantidade necessária de óleum 6 , usando-se o mecanismo de banho dominante para controlar o calor da conversão de sulfonação 7 e manter a temperatura a cerca de 54ºC (Cq e Op). Na mistura sulfonada, são injetados o álcool graxo do talol e outra alíquota de óleum. O conjunto é bombeado para o sulfatador, que também opera no mecanismo do banho dominante, para que a temperatura seja mantida entre 49 e 54ºC (Cq e Op); assim é obtida uma mistura de agentes tensioativos.

2.3.3 Neutralização

Segundo Shreve e Brink Jr (1977) o produto sulfonado e sulfatado 8 é neutralizado por uma solução de NaOH em condições controladas de temperatura, para manter-se a fluidez da polpa de surfactantes. A polpa de surfactantes é dirigida para o depósito.

A polpa de surfactantes, o tripolifosfato de sódio e a maior parte dos diversos aditivos são introduzidos na máquina misturadora. Remove-se considerável quantidade de água e a pasta é espessada pela reação de hidratação de tripolifosfato:

Na 5 P 3 O 10 + 6H 2 O

Na 5 P 3 O 1 0 6H 2 0 5 P 3 O 10 6H 2 0

Tripolifosfato

de sódio

Tripolifosfato de sódio hexaidratadoNa 5 P 3 O 1 0 + 6H 2 O Na 5 P 3 O

6 Ácido sulfúrico fumegante é também conhecido como óleum e corresponde ao ácido sulfúrico não diluído em água, mas misturado a SO 3 .

7 Sulfonação é processo químico pelo qual o grupo ácido sulfônico (-SO 3 H) ou grupo haleto de sulfoníla (-SO 2 X)

é introduzido em um composto orgânico através da formação de ligações carbono-enxofre ou nitrogênio-enxofre (N-sulfonatos ou sulfamatos). (BARCZA, 2008)

8 Sulfatação envolve a introdução do mesmo grupo –-SO 3 H em álcoois, alifático ou aromático, através da

formação de ligação carbono-oxigênio produzindo sulfatos ácidos (R-OSO 2 OH) ou introdução de –SO 4 - entre

dois carbonos resultando em sulfatos de alquila (R-OSO 2 O-R). (BARCZA, 2008).

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A mistura é bombeada para um piso superior, onde é atomizada sob alta pressão, numa torre com 24m de altura, em contracorrente com o ar quente proveniente de uma fornalha. Assim, constituem-se os grânulos secos, com a forma e as dimensões aceitáveis e com a densidade apropriada. Os grânulos secos retornam ao piso superior, mediante transporte pneumático, que os resfria de 116ºC e os estabiliza. Os grânulos são separados num ciclone, peneirados, perfumados e embalados. (SHREVE; BRINK JR 1977)

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Figura 17 - Fabricação de detergentes em pó por processo de atomização. Fonte: UCHIMURA, 2006.

Figura 17 - Fabricação de detergentes em pó por processo de atomização. Fonte: UCHIMURA, 2006.

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CONCLUSÃO

Os detergentes desempenham papel básico nos processos de limpeza. Seu objetivo na higienização consiste em separar as sujidades das superfícies que estão em contato, reduzir seu tamanho e/ou dispersando-as no solvente e prevenir nova deposição sobre as superfícies já higienizadas.

A ação de limpeza da água melhora bastante com a adição de detergentes. Estas substâncias apresentam um comportamento dualístico em água, em virtude de sua estrutura. São genericamente cadeias hidrocarbônicas longas, em cuja extremidade encontra-se um grupo catiônico, aniônico, anfotérico ou simplesmente um grupo polar.

No estágio inicial do desenvolvimento de um produto, o profissional visa criar uma nova fórmula que atenda aos requisitos de marketing, que por sua vez, atenderão às necessidades ou expectativas do consumidor, este último podendo ser uma pessoa física ou mesmo uma empresa.

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