VIOLÊNCIA INFANTO-JUVENIL - VIOLÊNCIA E EXPLORAÇÃO SEXUAL CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES 1

CHILDREN AND YOUTH VIOLENCE - SEXUAL EXPLOITATION AND VIOLENCE AGAINST CHILDREN AND ADOLESCENTS

Evelin Steidel 2

Resumo: O presente artigo tem o escopo de compreender as condições sob as quais a infância e juventude foi submetida durante a história, no tocante aos tratamentos dispensados, e a forma como a família, a sociedade e o Estado encaravam as ilicitudes praticadas contra crianças e adolescentes. Além da compreensão histórica social, serão abordados quais meios de enfrentamento eram e são empregados no enfrentamento da violência infanto-juvenil e principalmente da violência sexual, fazendo um comparativo com a atual situação da problemática.
Dentro do foco central abordado, que é a violência de cunho sexual, serão explanados de que forma se procede o crime, quais as sequelas físicas deixadas nas vítimas e também os traumas e aspectos psicológicos pertinentes. Finalizando ainda com a abordagem da evoluçã o legislativa no enfrentamento dos crimes praticados contra crianças e adolescentes.

Palavras-chave: Violência, Abuso, Exploração Sexual, Criança, adolescente. ABSTRACT: This article has the target to understand the conditions under which children and young people underwent during the story, concerning the treatment provided, and how the family, society and the state viewed the illegal activity committed against children and adolescents. In addition to the historical understanding of social, which will be discussed were ways of coping and employees are facing violence in the juvenile and especially sexual violence, making a comparison with the current situation of the problem.
Addressed within the central focus, which is the violence of a sexual nature, are explained how to carry out the crime, which left physical sequelae in victims and also the trauma and psychological aspects relevant. Finally even with the approach of legislative developments in dealing with crimes committed against children and adolescents

Keywords: Violence, Abuse, Exploitation, Child, Adolescent.

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Nesse artigo procuro fazer um levantamento histórico da evolução do conceito de infância, bem como quais foram os tratamentos à elas dispensados durante a história. Após essa compreensão abordo quais são as formas de tratamentos violentos em especial a violência sexual e suas consequências no desenvolvimento infanto-juvenil. 2 Evelin Steidel, Acadêmica de Direito ± Universidade do Contestado ± UNC ± Canoinhas. Orientada por Salvador de Maio Neto, Advogado inscrito na OAB/SC Nº 4.133, com Especialização em Filosofiado Direito pela Faculdade Federal de Santa Catarina convenio com UNOESC, Mestre em Educação pela Unicamp São Paulo com convenio com a UNC.

Nesse diapasão. detentores de direitos e deveres. o Código de Menores de 1979 e finalmente. . órfãos. sendo elas: o Código de Menores de 1927. os direitos das crianças e adolescentes. prostitutos ou economicamente incapazes de suprir a prole.INTRODUÇÃO Historicamente no Brasil. pais ignorados. para serem cidadãos. Entretanto estas não foram às únicas legislações direcionadas à solução dos problemas enfrentados por crianças e adolescentes vítimas de violência. pais presos a mais de dois anos. de maus costumes. mendigos. o próprio Código Penal. onde crianças e adolescentes passaram a ter direitos. sem moradia certa. tiveram três legislações específicas. º 8. a Lei dos Crimes Hediondos. pais vagabundos. qual seja a Constituição Federal. que legislava especificamente sobre crianças de 0 a 18 anos em estado de abandono. a nossa lei basilar. faz-se necessária a compreensão dos fatores psicológicos que envolvem as vítimas e por consequência acabam por afetá-las com traumas e sequelas profundas. maus tratos e abusos sexuais. deixando de ser simples objetos de controle nas políticas sociais dos governos republicanos e de intervenção jurídica. à luz da década de 90 foi promulgada a Lei Federal n. É de grande importância mencionar. que vão desde a mudança de comportamento até casos mais graves onde a vítima acaba contraindo algum tipo de transtorno psiquiátrico e por vezes tornando-se também um futuro agressor.069.015 que deu nova redação as anteriormente citadas. a Lei da Tortura e a mais atual Lei 12.

1998 (Pollock) 3 . o protecionismo do Estado frente às atrocidades cometidas contra crianças e adolescentes seja amplamente aplicada e efetiva. Para que as medidas adotadas no enfrentamento de todo tipo de violência que essa categoria vem sofrendo desde os tempos mais remotos tenham eficácia. 1981 8 Caldeira. e a partir dos problemas já solucionados. é que o Estado. ``a evolução. Viviane Nogueira de Azevedo. 1998. Nesse período. Violência Doméstica: quando a vítima é criança ou adolescente 4 Guerra. indispensável à compreensão da forma como o conceito de infância e os cuidados a ela inerentes são praticados é de extrema necessidade para que cada vez mais. XVIII. juntamente com os novos padrões de desenvolvimento que deveriam ser aplicados às crianças para que deixassem de ser ``adultos imperfeitos´´8. porque segundo Ariès. sendo. para exercerem as mesmas atividades que os adultos. P. P. Viviane Nogueira de Azevedo. Cortez Editora. Violência de Pais Contra filhos: a tragédia revisada. Costa. Philippe Airès e Lloyd deMause chamaram de ``quarentena´´ . e principalmente. a história da infância saiu de um pesadelo onde as crianças sofriam as mais bárbaras formas de tratamento até a ideia contemporânea de que os pais se sacrificam pelos filhos. vieram castigos e os mais severos métodos de educação9. conceito esse que naquela época sequer existia. que embora essa fosse a maneira de demonstrar interesse na educação e futuro dos Veronese. bem como as características dos instrumentos jurídicos destinados ao controle dos menores devem ser interpretadas à luz da consciência social da época. O reconhecimento do conceito de infância. Josiane Rose Petry. 1998 7 ARIÈS. devendo comportar-se de forma equiparada àqueles. esses eram tidos apenas como ``pessoas pequenas´´ e assim que fossem capazes tomar conta de suas necessidades básicas ± em média aos 7 anos ± eram deixados ao convívio da coletividade.. Entretanto. História social da criança e da família. mesmo com toda a evolução. Violência de Pais Contra filhos: a tragédia revisada. 5 ARIÈS. 1981 6 Guerra. ainda atormentam a sociedade.. História social da criança e da família. desde o tratamento social e familiar até a legislação pertinente. Cortez Editora.. XVII. Para Lloud deMause. haja vista que nos séculos passados a infância não era vista como é atualmente. Cortez Editora. Laura Bianca. Essa compreensão histórica é necessária. portanto. isso ainda na época em que sua prole ficava enclausurada nos colégios.4 Em verdade. Marli Marlene Moraes. teve início nos séculos XVI. ressalte-se.´´3 No final do século XX. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. tendo em vista que o período que antecede o século XX. Violência de Pais Contra filhos: a tragédia revisada. isso ainda não significava que as formas de tratamento à elas fossem brandas e saudáveis. as crianças passaram a ser retiradas do convívio social onde viviam e eram deixadas no que alguns d outrinadores 6 como Colin Heywood. deixando claro que embora elas passassem a ter maior importância e também fosse dispensada uma atenção que antes não era. quando foi chamado de ``conceito moderno de infância´´5..) A família começou a se organizar em torno da criança e a lhe dar uma tal importância que a criança saiu de seu antigo anonimato(.)7 Ocorre que. O Conceito De Infância No Decorrer Da História 9 Guerra. Viviane Nogueira de Azevedo. (. porque. deve-se primeiramente compreender os fatos históricos em torno da temática abordada. compreendes quais fatores são fundamentais para a s olução dos que na luz do século XXI. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. ainda há um longo caminho a ser percorrido pela sociedade para que as crianças e adolescentes sejam vistos e tratados com ampla assistência e dignidade. a sociedade e a Igreja passaram a dar a importância e atenção necessárias às crianças e adolescentes. qual se dava em colégios onde as crianças deveriam se adequar aos padrões sociais da época. o que ocorria era o total descaso da infância.Evolução Histórica No decorrer da história a infância vem sofrendo constantes melhorias em relação à proteção que lhe é assegurada.

ainda sim eles sofriam diversas sevícias.) Estando as crianças privadas da capacidade de atuar. provenientes de castigos e lições para se adequarem aos padrões sociais e culturais então estabelecidos. sempre foram tratadas ± e. A Doutrina Da Proteção Integral . quanto mais cuidados médicos. além de serem torturados. escravos que não mereciam compaixão. modificando o conceito de família. nota-se que ambos estão certos. a educação passou a ser indispensável em seu desenvolvimento. era muito comum. Viviane Nogueira de Azevedo. antes disto. conforme ensina João Batista da Costa Saraiva. No tocante à evolução do tratamento da infância na legislação brasileira. haja vista que tanto a sociedade como o legislador ao buscarem ensino e educação de qualidade. eram todos meros escravos.. etc. atingindo os escravos. haja vista que dentro de ambas encontramos situações vivenciadas atualmente. porque só então. tradicionalmente nossa concepção jurídica dos direitos da criança aram absolutamente antagônicos. E a partir do momento em que a condição da infância foi invertida. realidade esta que infelizmente também vivenciamos atualmente em nosso país. crescendo solta sem que lhe fossem impostos demais limites à tornava feliz.12 O fato é que a negligência sempre seguiu nossas crianças. a forma de vida levada inicialmente pela criança.10 Para Ariès. Violência de Pais Contra filhos: a tragédia revisada. (. quais mencionados por Ariès. naquela época crianças abandonadas à própria sorte. assassinatos. ela foi tiranizada e deixou de ter a liberdade antes concedida. isso sem distinção entre adultos e crianças. teve início na história de nosso país com a colonização. uma vez que. De certa forma. Passavam fome. incestos. embora a humanidade tenha passado por um grande avanço na forma de melhor compreender e tratar a infância. entende que toda essa trajetória foi na verdade uma grande evolução no tratamento dispensado à infância com o passar do tempo. 1998 12 Saraiva. em todo o mundo continuam a existir inúmeros casos de infanticídios. efetivos e eficazes. Ariès ao entender a necessidade que as crianças possuem de terem a liberdade do convívio social.O principio do Superior Interesse e a Convenção dos Direitos da Criança: conteúdo e significado. não tinham alguma condição de higiene. Criança sempre foi associada ao conceito de incapaz. trabalhando como adultos para suprir sua inócua existência. pois eram considerados apenas animais. Inicialmente. tudo quando ocorreu foi parte de um processo de evolução no tratamento as crianças e adolescentes.estão devolvendo às crianças e adolescentes a liberdade que segundo o autor foi lhes retirada. 10 Guerra. Cortez Editora. Viviane Nogueira de Azevedo. abandono.filhos. trabalhavam por vezes até a morte. tratados com muita humilhação e desprezo. Ainda sobre a evolução e modificação do enredo que norteia a infância. Já DeMause entende que apesar das sevícias sofridas nos internatos. nada mais que isso.. naturalmente composta por adultos de todos os níveis sociais. 11 DeMause por sua vez. Mas não eram apenas as crianças e jovens escravos que sofriam esse tipo de barbárie. Cortez Editora. . os tratamentos covardes e desumanos dispensados a classe infanto-juvenil. mutilações. que eram transportados nos porões dos navios negreiros em condições abomináveis. missionários ou freiras. misturada entre toda a sociedade. e também com a aplicação da Doutrina da Proteção Integral ± essa inovação trazida pelo ECA. pois na época elas era internadas m em colégios apenas para um sexo e não tinham contato com demais pessoas a não ser seus professores que costumavam ser padres. inclusive pensadas ± muito mais como objetos que como sujeitos de direitos. Violência de Pais Contra filhos: a tragédia revisada. 1998 11 Guerra. João Batista da Costa. Esse parâmetro de comparação entre as teses de ambos se dá porque atualmente vemos certa inversão pormenorizada de valores antepostos. é de grande valia estabelecer um paralelo entre as teses de Ariès e deMause. Ressalte-se que para ele.

Posteriormente essa ideia de que ``a infância e juventude devem ser objetos de cuidados e garantias especiais por parte do Estado´´ (art. entretanto nesses institutos permaneceu a prevalência do combate a criminalidade infanto-juvenil frente a sua proteção contra o perigo moral. e sofreu maior abrangência com a Carta Constitucional de 1946 qual concedeu proteção também à maternidade. quando a Coroa instituiu o aviso de 10 de janeiro. não eram eficazes ao punir seus agressores. esses permaneciam sob domínio dos senhores de suas mães até os 21 anos. naquele contexto social. maus-tratos e exploração. em menor carente ou delinquente. esses ainda eram tratados com a mais bruta indiferença. mas seu objetivo central também não atendia as necessidades de proteção aos infantes. a sociedade divergia entre a defesa da criança e a defesa da sociedade contra a criança. que estabelecia a obrigatoriedade da educação religiosa e dos bons costumes. mas apesar dessa nova preocupação. Josiane Rose Petry. escravos e portadores de moléstia grave não eram admitidos nas escolas. haja vista que era resolver o problema dos menores. com a aplicação de medidas que embora pretendessem abranger as situações que deixavam crianças e adolescentes expostos ao perigo e a criminalidade. Costa. eram a única esperança. Em 1930 foi instituído o Código Criminal. com a consequente criação da Casa dos Expostos fundada em 1726 na Bahia e logo após com a criação da Roda dos Expostos no Rio de Janeiro. não eram específicas quanto aos agressores destes. no tocante á proteção desses. quanto o de 1979 com a chamada Doutrina Tutelar do menor. em nada dispuseram sobre classe infantojuvenil brasileira. surgiu à puericultura. quando o Ministro Sebastião José de Carvalho e Mello regulamentou o recolhimento das crianças órfãs e abandonadas nas cidades brasileiras. 41 13 . a realidade não era exatamente essa. O fato é que tanto o Código de Menores de 1927 com a Doutrina do Direito do Menor. devendo trabalhar para restituí los dos gastos com sua mísera criação. Marli Marlene Moraes. Violência Doméstica: quando a vítima é criança ou adolescente. Durante o período do Brasil República. em 1775. pois foi a partir daí que o Estado passou a preocupar-se com a infância. haja vista o imenso número de mortalidade infantil registrada. temos a Constituição de 1967. P. mais especificamente na segunda metade do sec. 127 CF 1937). Veronese. Apenas em 1828 que começaram a aparecer medidas voltadas ao controle social infanto-juvenil. limitava-se em atribuir ao Estado e à Igreja a responsabilidade recolher os enjeitados. que apesar de regular os crimes praticados por jovens infratores e jovens escravos. dentre outras tinham de sobreviver. A legislação explanada por Portugal foi consolidada no Brasil em 1927 com o Código de Menores. Na sequencia. mas ainda sim. E somente no Governo de Getulio Vargas com o advento da Constituição de 1934 que a situação da infância passou a ser tratada com seriedade. No tocante as normais constitucionais. que retrocedeu. devido ao grande índice de mortalidade infantil. ainda de forma muito branda. a única chance que crianças negras. ainda sim. na década seguinte. tem-se que as Constituições de 1824 e de 1881. mas embora abolisse os recém nascidos da escravidão. XIX. Embora o objetivo desses institutos fossem recolher e prover pela vida e bem estar das crianças enjeitadas. àquele em definir crianças e adolescentes. foi reforçada com a Constituição de 1937.Essa realidade começou a mudar. considerado revolucionário para a época. como as que sofriam negligê ncia. entretanto. quando então foram reguladas as normas de trabalho que a protegiam. pecaram. e esse ultimo que embora buscasse proteger a criança de situações irregulares. abaixando a idade mínima de aptidão ao trabalho de 14 para 12 anos. a roda dos expostos juntamente com as casas destinadas aos enjeitados. ciência que cuida da higiene física e social da criança. Maior proteção passou a ser dada a partir de 1850 com a criação da lei do ventre livre. 13 Em 1911 foram criados os Tribunais de menores.

necessitam profundamente da aplicação de medidas que busquem incumbir àqueles que violam seus direitos. proteção e garantia de seus direitos. passou a considerar todos os atos libidinosos tidos por delituosos como estupro. nossa Constituição Federal trouxe à criança e ao adolescente o direito fundamental de ser ouvida. . que mais adiante são explanados. que face à sua fragilidade. que juntamente com o Código Penal combatem essas atitudes com certa eficácia. Josiane Rose Petry.Com a promulgação da Carta Magna de 1988. Definindo todos os elementos necessários ao bem estar. sua integridade física e também moral. vieram diversos avanços. atualmente. a de maior relevância e que melhor atende o foco principal desse ensaio é a Lei 12. além de agravar a pena dos criminosos que praticarem os crimes nela previstos. educação. 51. Violência Doméstica: quando a vítima é criança ou adolescente 14 p. conforme a célebre citação abaixo.015/09. mas abrangeu uma gama de verbos. Esse instituto foi tão revolucionário pelo fato de não deter-se apenas a poucos aspectos que poderiam ser melhorados para o desenvolvimento da infância. Dentre as leis que entraram em vigor após o Estatuto. µ¶Assim sendo. µ¶14 Mas o ponto crucial na defesa desses. ainda foram promulgadas leis esparsas na busca de diretrizes que alcançassem as dificuldades que restaram no enfrentamento às sevicias e todo tipo de tratamento inadequado dispensado aos menores. priorizando sempre a proteção integral e a dignidade humana. Vale mencionar ainda o recente projeto de Lei apelidado de Lei das palmadas. entretanto o estudo desse projeto não será aqui aprofundado face as inúmeras contradições existentes e ao fato de ainda não ter sido sancionado. amada. saúde. Marli Marlene Moraes. Mais precisamente. que. protegida e cuidada. Posterior a Constituição ou o Estatuto. sem dúvidas foi o Estatuto da Criança e do Adolescente. com base no princípio da prioridade absoluta. que proíbe qualquer tipo de castigo físico à crianças e adolescentes. como pessoa em condição peculiar de desenvolvimento. Veronese. com reais e eficazes expectativas de melhoria em todo o contexto que abrange a infância e juvent de u brasileira. Costa.

provoca um grande e profundo sofrimento afetivo às suas vítimas. passamos a análise de quais são os tipos de violência. onde ocorrem e quem são os agressores. compreendida a história e a extensão da problemática estudada. cometem abusos. y Abuso/Violência Sexual: geralmente praticada por adultos que gozam da confiança da criança ou do adolescente. abandono e exploração perpetrados contra elas. quais estão explanados a seguir: y Abuso/Violência Física: são atos de agressão praticados pelos pais e/ou responsáveis que podem ir de uma palmada até ao espancamento ou outros atos cruéis que podem ou não deixar marcas físicas evidentes. de uma maneira ou de outra. em função da condição de desassistência de que a família é vítima. esganaduras. ridicularizações. Porém. hemorragias internas etc. y Abuso/Violência Psicológica: esta é uma forma de violência doméstica que praticamente não aparece nas estatísticas. que podem acompanhá-lo por toda a vida. Nesse tipo de violência. y Negligências: este tipo de violência doméstica pode se manifestar pela ausência dos cuidados físicos.. Manifesta-se na depreciação da criança ou do adolescente pelo adulto. que minam a sua auto-estima. novamente desconsiderando e violando os direitos de suas crianças e de seus adolescentes. apesar de que ela acontece. etc. serem incestuosos. que podem não deixar marcas físicas. exibicionismo. enquanto os adultos apenas recolhem os pequenos ganhos obtidos e. não recebem os cuidados necessários às boas . para satisfação de seus desejos. de não-merecimento. queimaduras. insegurança. gerando profundos sentimentos de culpa e mágoa. A violência psicológica pode se apresentar ainda como atitude de rejeição ou de abandono afetivo. dificultando o seu processo de construção de identificação-identidade. causando-lhe grande sofrimento mental e afetivo. sem valor. necessariamente. Mas também pode ser expressão de um desleixo propositadamente infligido em que a criança ou o adolescente são mal cuidados. inclusive. ou mesmo. já mencionado. praticar uma relação sexual genital para configurar o abuso. por sua condição de invisibilidade. resultando no processo de vitimação. deixam de ser abuso grave devido às consequências emocionais para suas vítimas. e. fazendo com que acredite ser inferior aos demais. causar até a morte. além de uma representação negativa de si mesmo. tendo também a característica de. qual compreende a evolução do conceito de criança e adolescente. que necessitam da participação dos filhos para complementar a renda familiar. assim como a forma que essa categoria vêem sendo protegida durante o tempo. Mas é comum a prática de atos libidinosos diferentes da conjunção carnal como toques. por humilhações. ameaças. o abusador pode utilizar-se da sedução ou da ameaça para atingir seus objetivos. hematomas. Tais agressões podem provocar: fraturas.Violências contra Crianças e Adolescentes ± Aspectos Gerais Uma vez. mas que nem por isso. y · Trabalho Infantil: este tipo de violência contra crianças e adolescentes tem sido atribuído à condição de pobreza em que vivem suas famílias. emocionais e sociais. A violência infanto-juvenil abrange diversos tipos. com uma incidência bastante alta. em sua maioria. mas as marcas psíquicas e afetivas existirão. dominando-as pelo sentimento de menos valia. carícias. impedimentos. quando não atendidos em suas exigências. não tendo que. se considerarmos que muitas dessas famílias obrigam suas crianças e adolescentes a trabalharem. podemos dizer que a exploração de que são vítimas essas crianças e esses adolescentes configura uma forma de violência doméstica/intrafamiliar tanto pela maneira como são estabelecidas as condições para que o trabalho infantil se realize como pelo fim a que se destina: usufruir algo obtido através do abuso de poder que exercem.

Isto porque. Corrêa. podendo vir a falecer de inanição.as necessidades de saúde de uma criança não estão sendo preenchidas. 5) Física . Entretanto. um resfriado crônico. mas levamao hospital para emergências . (Ferreira 2002) Saliente-se ainda que. pode haver uma presença relevante do uso de álcool. b) Moderada . 2002 15 . mas com balanceamento errado. psicológico. a forma como essa pratica é tratada varia de acordo com a classe social. Ferreira. por muitos dias. haja vista que é a mais brutal e que deixa sequelas mais graves. Editora Do Ministério Da Saúde. danças ou jogos sexuais. por 16 exemplo. moral. geralmente os vários tipos de violência estão presentes na mesma vítima. Violência Doméstica/Intrafamiliar Contra Crianças E Adolescentes . os alimentos nunca são providenciados. há sujeira nas casas. Saliente-se. como o acesso mais fácil a profissionais em caráter particular e sigiloso. de acidentes.nos lares de crianças. e o número de casos denunciados não corresponde à realidade. há algumas roupas limpas. de drogas pesadas. submetidas a essas práticas. portanto são tratados como violência doméstica ou intrafamiliar. cognitivo. 2002) A Violência/Abuso e a Exploração Sexual Infanto-Juvenil Vistos e relatados quais são os tipo de violência infanto-juvenil. o lixo se espalha no chão. Essas ocorrências conforme demonstrado anteriormente. histórias e justificativas mais convincentes quanto aos acidentes ocorridos com suas crianças e adolescentes. Maria Suely Medeiros. o que acaba dificultando a produção de provas materiais. estão inseridas em toda a sociedade e classes sociais. Maria Aparecida. sujeita a riscos.não há roupa adequada ao uso.quando a criança vivencia precárias condições de higiene. 2007). estão cozidos. Guimarães. não recebe alimentação suficiente. conforme as autoras. As praticas envolvendo esses crimes vão desde exposição de material erótico e ato sexual à criança/adolescente. em sua grande maioria se perpetram dentro da esfera familiar. mas sem as características do tipo anterior. existem alimentos. Kátia Maria Maia. não existe rotina para as crianças.Nossa Realidade. da mesma forma como aquela abusada sexualmente sofreu também negligência. A negligência física. cruéis e inadmissíveis. 2002 16 Beserra. há fezes e urina pela casa. p. as crianças são deixadas sós.os pais não providenciam o substrato necessário para a freqüência à escola. norm almente. Negligência Contra A Criança: Um Olhar Do Profissional De Saúde. não há roupas limpas. não precisando haver violência física ou penetração (TRINDADE. haja vista que a criança ou adolescente que é espancado. passamos à análise do foco central do presente artigo. 2) Educacional . Editora Do Ministério Da Saúde.nos lares das crianças. abuso psicológico e maus-tratos. pode ser classificada: a) Severa .a criança é deixada sozinha. são deixadas sós. Nesses lares. já sofreu negligência e abuso psicológico. submetidas a essas práticas. até mesmo podendo ocorrer de forma genital ou através de carícias e toques. Karine Nascimento. afetivo e educacional.condições de seu desenvolvimento físico. os pais ignoram. 4) De supervisão . que os diferentes tipos de violência praticados contra crianças e adolescentes. (Ferreira. pessoas socialmente mais favorecidas contam com recursos materiais e intelectuais mais sofisticados para camuflarem o problema. 15 Azevedo & Guerra (1989) descrevem a negligência contra a criança através de algumas modalidades: 1) Médica (incluindo a dentária) . por algumas horas. 3) Higiênica . de quadros psiquiátricos complicados e de retardos mentais. que é a violência sexual praticada contra crianças e adolescentes. 165.

que na verdade. Outro caso que também chocou o país foi mostrado no programa Fantástico da Rede Globo. Cerca de mil novos sites de pedofilia são criados todos os meses no Brasil. dos quais 52% tratam de crimes contra crianças de 9 a 13 anos. e também em locais que ela frequenta. foi realizado aborto. são casos como estes. atendeu a 1. e nos últimos cinco anos esse crime movimentou cerca de 10 bilhões de dólares em todo o mundo. em março de 2009. com fotografias. pelo deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT). no relatório do Disque 100 (central de denúncias de pedofilia) de 2009. que mesmo sendo legalizado. Conforme um ofício enviado a Embaixada Americana em Brasília.638 registros de abuso sexual. mas infelizmente acontece. que pesquisadores acreditam que essa mistura de incesto e pedofilia teria resultado na famosa lenda ribeirinha do boto. como o pai. o avô.A exploração e do abuso sexual de crianças vem aumentando 15% a cada ano. Sendo que o maior número de casos ainda é praticado dentro de seus lares e por familiares. de Pernambuco que após ter sofrido constantes estupros por seu padrasto.8 milhão de jovens sofrem esse tipo de ataque.org. E o mais vergonhoso é que a Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) divulgou que cerca de mil sites com conteúdo de pedofilia são criados mensalmente no Brasil e 76% dos pedófilos do mundo estão no Brasil. isso é monstruoso. a cada dia cerca de 165 crianças ou adolescentes sofrem abuso sexual e a maioria dentro de seus lares. Geralmente as vítimas sofrem o abuso por pessoas que estão muito próximas.safernet. inclusive ambientes religiosos. pois se levarmos em consideração o número de casos que ficam na obscuridade. no mundo. amigos da família. que esta repleta de sites voltados a divulgar tal ilicitude.18 Segundo fontes da Policia Federal. os índices são cada vez mais alarmantes. devido ao seu tamanho diminuto e a seu corpo estar totalmente despreparado para suportar a gravidez. Atualmente um dos principais veículos usados para a propagação da pedofilia. todos os anos.com.terra.br/site/noticias/pedofilia-perigo-est%C3%A1-mais-perto-que-se-imagina http://anjoseguerreiros. ainda essa semana ela foi presa. muitos pais tem como tradição iniciar suas filhas na vida sexual. houve 9. a porcentagem seria ainda maior. nosso país encontra-se em primeiro lugar no ranking mundial da venda de imagens de crianças e adolescentes pela Internet.19 17 http://odia. e 12% dos sites de pedofilia expõem crimes contra bebês de zero a três meses de idade.html l 18 19 . que mostrou o caso da mãe que aliciava e até mesmo vendia a filha de 17 anos. o vizinho.59 2 menores de idade. o padrasto.htm http://www. mostrou também. igreja e afins. Ano passado o programa Sentinela.com/2010/01/pastor-e-preso-em-mt-por-abusar-de.br/portal/ataque/html/2010/3/numero_de_casos_de_abuso_e_alarmante_66617. serviria para encobrir os verdadeiros responsáveis pelo grande número de gravidez em crianças e adolescentes da região. e pode pegar até 14 anos por exploração sexual e por tentar vender a filha. Em comunidades ribeirinhas e também no Pará em localidades como a Ilha de Carapajó. Não raros. médicos.blogspot. Ainda a revista veja de março de 2009. (9 anos). n°12 de 25 de março de 2009 estima-se que no Brasil. enquadrando-se nos casos em que a lei especifica. e com expressa previsão legal. e a Organização Mundial do Trabalho por sua vez aponta que 1.17 Mas esse ainda não é o número exato. Um dos casos que causou grande polemica foi o da menina G. o tio. engravidou de gêmeos. gera muito polêmica. professores. na verdade são mais comuns que se imagina. pelo grande apelo da sociedade. vem sendo a internet. De acordo com a revista veja.

a mudança de comportamento da vítima é bastante precisa e facilmente diagnosticada por um profissional que acompanhe e estude casos semelhantes em sua rotina. pois somente através de tratamento um indivíduo desses poderá ter consciência real de seus atos. 2.. 9. 10. ainda as vítimas são abaladas pelo dano psicológico causado pela violência contra elas praticada e que provavelmente irá segui-las por toda a vida. 6. orais ou anais.)a repercussão do crime de corrupção de menores atinge a vítima no âmbito emocional e físico. Crianças Vítimas de abuso sexual. E não só por isso.Achar que têm o corpo sujo ou contaminado. deve-se abordar não apenas as sequelas ocasionadas nas vítimas. 5. sua intensidade. e principalmente quando o ato praticado é mais severo ± entenda-se por aqueles que utilizam o corpo.Problemas com o sono ou pesadelos. sendo: estado de choque.org/infantil/abuso. Entretanto. as vítimas de sevícias sexuais. e a intensidade das sequelas deixadas vai depender do tipo de violência sofrida. 13. 4. 7. ruptura do hímen e gravidez.virtualpsy. na maioria das vezes o problema da violência. e a 20 Gabel. insônia. E na vítima criança ou adolescente.tende a adotar um comportamento anormal para sua idade20. uma espécie de cadeia que faz com que aquele que um dia foi vítima. 8. quais sejam: 1. acesso de pranto repentino. futuramente passe a ser um agressor. a necessidade do tratamento é maior ainda. 14. feridas ou hemorragias vaginais ou retais. 11. desesperança. contatos sexuais ou masturbação forçada. Mudanças súbitas de conduta 21 As chances dos traumas gerados na vítima poderão ter reflexos simbólicos no futuro.Ter medo de que haja algo de mal com seus genitais. não é correto afirmar que todo aquele que foi abusado se tornará abusador. Respostas ilógicas (para-respostas) quando perguntamos sobre alguma ferida em seus genitais.Depressão ou isolamento de seus amigos e da família.. mas porque. comportamentos auto-destrutivos. fluxo ou infecções genitais. Retirar-se ou não querer participar de esportes. Mas quanto o assunto é a saúde mental. 1997 http://www. futuras dificuldades na expressão da sexualidade. vergonha e culpa. 12.Agressividade excessiva. Nas palavras do doutrinador Gilberto Rentz Périas: (. Isso porque. Temor irracional diante do exame físico. dos abusos e da exploração sexual. destarte o acompanhamento psicológico se faz necessário na superação do trauma ainda recente. tais como. Summus Editorial. Como anteriormente mencionado. assim como nos casos de maus-tratos. participação em cenas pornográficas. depressão. Terror e medo de algumas pessoas ou alguns lugares. Marceline. 3. essa pratica é na verdade um círculo vicioso.As Sequelas Psicológicas Não bastasse o dano físico. a primeira mudança que deveria ser feita é no tocante à penalidade de reclusão de um a quatro anos. face ao fato não ter uma noção real do significado das condutas contra ela praticadas.html 21 . isso nos casos em que o agressor realmente apresenta sintomas de algum distúrbio psicossocial. Por isso. Diante da gravidade do delito esta pena é simbólica.Rebeldia e Delinqüência. Pois a fragilidade daquele é imensa. sexualização precoce da conduta. mas também promover tratamento e recuperação psiquiátrica nos agressores ou suspeitos.Interesse excessivo ou evitação de natureza sexual.Negar-se a ir à escola. relações sexuais impostas . angústia e medo de ser ridicularizada.Comportamento suicida.

da alimentação. dificuldade de aprendizagem. 2006 in TRINDADE 2007). que existem casos. a maneira como a vítima é acolhida pelos familiares.virtualpsy. crianças ou adolescentes portadores de Transtorno de Conduta fantasiam e criam falsas informaç ões em relação ao abuso sexual. vejamos: Em relação a quadros psiquiátricos francos. 23 Saliente-se. em que na verdade. amigos ou mesmo instituições.virtualpsy. Em relação aos fatores que implicam na recuperação e superação do trauma. quadros dissociativos ou conversivos (histéricos). além de outros fatores que serão abordados no transcorrer do trabalho.html 23 http://www. colhe-se da doutrina: Estudos revelam que o maltrato infantil lesões que rompem a conexão que permite ao córtex controlar a amígdala. anorexia e bulimia. É importante também mencionar. Em relação às sequelas. disfunções sexuais (aversão a sexo). transtornos do sono (insônia. é de extrema importância. se não. medo de dormir).org/infantil/abuso.forma como a criança/adolescente encara o acontecimento.html . não raros são os casos em que as sequelas produzidas na vítima evoluem para disfunções psíquicas mais sérias. tais como Transtornos de Personalidade e Fobias. convertendo a criança maltratada em psicopata (LABERT e KINSLEY. 22 http://www. o abuso sexual infantil se relaciona com o Transtorno do Estresse Pós-traumático. ansiedade e fobias. pois conforme compreendido pela psicologia.org/infantil/abuso. poderá acarretar no aparecimento de traumas mais sérios. com a depressão. 22 A falta de tratamento adequado à criança ou adolescente vítima de violência sexual. como por exemplo. que o trauma não interfere apenas na mudança de comportamento da vítima. obesidade.

à saúde. passou a considerar como hediondo os crimes de estupro e atentado violento ao pudor. 234B. de 1997.072.764 de 2003. todas as oportunidades e facilidades.).455. e principalmente sobre o poder da família. ao respeito. 82 a 85. a Lei dos Crimes Hediondos Lei n°. 3º. A referida lei tornou mais rigorosa a pena para crimes de violência sexual que afetem menores de idade. caput. 5º. da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente. 1o. 9. Destarte.1940. 231-A § 2º I. 228 § 1º. 149. direitos e deveres.015/2009 de 10 de julho de 2009 (acrescentou e alterou a redação e pena dos seguintes artigos do Código Penal: 213. à dignidade. A Lei 12.848. à profissionalização. 218-B. o Código Penal Decreto-Lei nº 2. V e § 4º. 213 a 229. art. sem dúvidas foi o ECA. 218. que vão desde a destituição do poder familiar. o legislador sentiu a necessidade de proceder com maior rigidez e eficácia no enfrentamento de atos criminosos contra a infância e juventude. 8. moral. . à educação. tem o dever de preservar todos os direitos assegurados pela lei. Mesmo com o disposto na Constituição Federal. no art. visando assegurar todos os direitos e garantias fundamentais. temos como lei basilar a Constituição Federal de 1988 (art. 230 § 1º. à alimentação. 8. embora a Lei ainda não seja capaz de erradicar as condutas nela tipificadas. o direito à vida.12. sua estrutura.069. 3º: A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana. em condições de liberdade e dignidade. com absoluta prioridade. e ainda acrescendo dispositivos no Código Penal. assegurando-se-lhes. de 1990. 227: É dever da família. 218-A. (arts. sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei. agravando ainda as penas para esses crimes e para o de ato obsceno. III.). crueldade e opressão. no Código Penal e no Eca. 234-A. Lei n. o Estatuto da Criança e do Adolescente Lei nº. Sobre o tema dispõe a Constituição da República de 1988. 250 e 255). IV.015 sancionada no dia 10 de julho de 2009. 228). III. (arts. à cultura. à liberdade e à convivência familiar e comunitária. além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência. 244-A §1º e § 2º) Dentre os dispositivos à cima citados o que sem dúvidas trouxe maiores inovações e abrangência na garantia de direitos das crianças e adolescentes e sua proteção. de 13 de julho de 1990.. (arts. 217-A. está sujeito às sanções legais. orientação e acompanhamento da criança/adolescente. 238 a 243. até mesmo a responder criminalmente pelos atos ou negligências praticadas. ao lazer. de 07. inovou ao alterar a parte especial ± denominada Dos Costumes para Dos Crimes contra a Dignidade Sexual . 225. 231 § 2º I. violência. a Lei da Tortura Lei nº. e 6o. (alterou a redação do artigo 241 do ECA). Pois quando quem deveria promover a segurança. 233 e 234). ainda é valorosa e de grande importância no enfrentamento da problemática. pois os responsáveis pela formação. no caso da vítima ter menos de 14 anos acrescendo pela metade. O ECA adotou a doutrina da proteção integral. discriminação. mental. educação e bem estar dos infantes deixa de fazê -lo. que legisla sobre os seus interesses. 1o.Legislação Pertinente No tocante a legislação brasileira pertinente aos crimes de violência e exploração sexual infanto-juvenil. por lei ou por outros meios. 227. § 1º. 216-A § 2º. a fim de lhes facilitar o desenvolvimento físico. espiritual e social.º 10. face à essa necessidade editou a Lei de Crime s Hediondos na qual além de outras previsões referentes à outros crimes. especificamente no art. exploração. O benefício trazido pela Lei de Tortura foi no sentido de aumentar a pena referente aos crimes nela tipificados se a vítima for criança ou adolescente. Alterou também dispositivos da Lei de Crimes Hediondos e do ECA. e 4o. podendo inclusive ser considerada a mais importante dentre as já sancionadas que tratam da matéria. (arts. Lei nº 12.

essa pena não era aplicada. a sociedade se dá conta da imensa fragilidade das nossas crianças. Agora. . é fato que todas as pessoas estão à mercê. o que quer dizer. as medidas adotadas no enfrentamento da violência não possuem eficácia relevante. pois sendo fisicamente e psicologicamente mais fracas. sendo uma importante alteração. sexual. de a qualquer momento sof rerem algum tipo de violência. pois. etc. que tipificava o crime de corrupção de menores..252 de 1º de julho de 1954. a revogação da Lei 2.As alterações trazidas são de suma importância. física. E embora a segurança seja uma garantia constitucional que deveria ser amplamente assegurada pelo Estado. possuem menos meios de defesa. e que todos buscamos a erradicação deste problema que está presente persiste desde os primórdios da humanidade. Houve nesta mesma alteração. pois garantem maior eficácia no combate à violência sexual praticada contra menores de idade. na maioria dos casos. e do dever que todos têm para com elas. o crime de corrupção de menores está previsto no próprio texto do Código Penal. induzir a criança ou adolescente a praticar algum tipo de crime. Mas o mais preocupante é quando a violência é praticada contra crianças e adolescentes. por se tratar de uma lei muito antiga e muitas vezes esquecida. E apenas quando ocorre algum caso de grande repercussão. seja ela. psicológica. Ademais.

. Entretanto foi com a promulgação do estatuto da criança e do adolescente que houve uma melhora realmente significativa no enfrentamento da violência. bem como as medidas adotadas em diferentes épocas para a solução de dos problemas entrentados por crianças e adolescentes. Ainda sobre o tema é de suma relevância a analise da questão psíquica resultando de maus tratos. abusos e negligências praticados contra a categoria.CONCLUSÃO O objetivo buscado nesse trabalho foi analisar e construir parâmetros de comparação sobre a evolução do conceito de infância no contexto brasileiro. Observe-se. Posterior ao Estatuto. taxativamente compreendidas como crimes contra os costumes pelo Código Penal. a Lei dos crimes Hediondos e a Lei da Tortura impuseram maior rigor a condutas violentas de cunho sexual. abusos e principalmente da violência sexual praticada contra a população infanto-juvenil. ainda sim. que a infância passou a ter maior segurança e proteção do estado. não foi o suficiente para erradicar tais ilicitudes. como é o caso do código penal. porque as sequelas e traumas gerados por tais condutas ilícitas irá afetar o comportamento da vítima e deixará resultados devastadoras em sua personalidade caso a mesma não receba tratamento adequado ao caso. foi possível concluir que somente após o advento da constituição da república federativa do Brasil. ainda sim. Destarte. porém que embora o ECA como lei especial com o fim de regulamentar os direitos inerente às crianças e adolescentes bem como impor sanções e coibir quem desrespeitasse as normas dispostas em sua redação. outras legislações cuidaram da temática.015 que modificou e acrescentou dispositivos das leis em epígrafe. E ainda tivemos em 2009 a promulgação da Lei 12. negligência. Através dessa analise.

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