A pintura brasileira do século XIX - Museu Mariano Procópio [1

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Vanda Arantes do Vale 
VALE, Vanda Arantes do. A pintura brasileira do século XIX - Museu Mariano Procópio. 19&20, Rio de Janeiro, v. I, n. 1, mai. 2006. Disponível em: <http://www.dezenovevinte.net/artistas/mprocopio.htm>.

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INTRODUÇÃO O objeto de nossa pesquisa é o acervo de pintura brasileira (143 telas), executadas por estrangeiros ou brasileiros nascidos durante o século XIX e que se encontram no Museu Mariano Procópio em Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil. Preocupou-nos na elaboração deste texto, o destaque da formação intelectual destes artistas, segmento social onde foram recrutados e a referendação ou não da sociedade da época aos seus trabalhos. Procuramos entender o contexto social onde estes trabalhos foram criados, circularam como mercadorias e o significado de suas presenças no museu em estudo. Pela exigüidade de espaço, faremos de forma sucinta a apresentação do contexto nacional do período, enfatizando as idéias dominantes na organização das instituições nacionais entre os anos de 1870 a 1930. O acervo em estudo, pertence ao Museu Mariano Procópio em Juiz de Fora, a "Manchester Mineira", epíteto dado à cidade por suas características industriais. Apresentaremos os aspectos essenciais desta sociedade que se organizou espacialmente e institucionalmente em oposição à sociedade colonial. Tentaremos fazer a leitura destes quadros, como um texto onde estão presentes elementos que explicam além de seus aspectos formais, a presença destes no museu de Juiz de Fora. O museu em estudo, organizado de 1900 a 1930, constitui-se em importante amostragem do universo simbólico na reordenação de relações sociais, econômicas e institucionais no Brasil de 1870 a 1930. Identifica ainda, o imaginário que os grupos dirigentes queriam fazer de si e do país. BRASIL - JUIZ DE FORA ( 1880 - 1930 ) A independência das Treze Colônias Americanas, em 1776, a Revolução Francesa, de 1789 a 1815, são os fatos mais conhecidos que evidenciam os traços de uma nova época, marcos factuais do mundo capitalista industrial. Novos símbolos visuais deveriam ser criados para o universo das revoltas coloniais, nacionalismos, rebeliões populares, anticlericalismo e racionalismo, elementos identificadores do Liberalismo. A arte sacra do universo formado pelo Pacto Colonial deveria ser laicizada. No Novo Mundo, as elites locais fizeram as independências nacionais, em sua maioria de 1811 a 1825, norteadas pelas idéias liberais

] Ao empirismo. Terminava a época antididática e iniciava-se a de caráter didático.] na pintura . Imprensa Régia. aumentou-se a circulação de mercadorias artísticas. [. O artesão-santeiro da colônia deveria ser substituído pelo artista intelectualizado do vice-reinado e posteriormente do país independente. Artistas europeus com formação nas Academias de Belas Artes foram contratados para a montagem das iconografias dos novos estados. substitutiva da colonial. sobre o período faremos algumas observações nos próximos parágrafos. Percebíamos no atrelamento ao estado da Missão Francesa . uma nova organização simbólica. graças ao lucro com o plantio e comércio do café. são de artistas atuantes de 1870 a 1930 e estas datas também identificam a industrialização de Juiz de Fora. p. instalação dos primeiros imigrantes. o que já existia na Europa desde o século XVI. permissão para a instalação de manufaturas. Segundo Taunay: [. O Brasil. Nos anos 70. 7) faz do mesmo: 1816 a 1826.encaminhamento. doações de Sesmarias em áreas despovoadas. Sinais do liberalismo no Brasil podem ser detectados em medidas administrativas tomadas após a transferência da Corte para o país em 1808. quando foi proclamada a República e a disciplina neoclássica entrou em declínio. identificam modificações substitutivas da organização colonial. A ligação do ensino acadêmico no Brasil com o Império pode ser percebida na divisão que Adolfo Morales de Los Rios (1942. 1983. uma imensa maioria negra-escrava e uma camada média sem expressão.. chamou-nos a atenção a quase total ausência de negros como temática. 49 ). a aquisição de obras de arte ficou na órbita do governo imperial.consolidação e de 1861 a 1890 como caracterização.Academia Imperial de Belas Artes. Até a década de 60. Contudo. 1841 a 1860. mudando-se o quadro no comércio de arte . ambos inadequados ao final do século XIX. até a década de 70 do século XIX foi uma sociedade de poucos homens livresbrancos. O ensino artístico atrelado ao Governo Imperial foi um de seus sustentáculos ideológicos. dentre vários aspectos detectados na mesma. em sua maioria.inglesas e francesas. Atos administrativos como a abertura dos portos. substituiu uma metodologia.. p. Esta organização retardou o aparecimento de um mercado de bens artísticos.. ou automatismo dos processos correntes de aprendizagem artística e profissional. Em nossos estudos sobre a pintura brasileira de inícios do século XIX (1995). Banco do Brasil. A contratação do grupo de artistas e estudiosos que ficou conhecida como Missão Francesa de 1816 assinala o desejo de se montar no país.Escola Nacional de Belas Artes. faltavam-nos informações que corroborassem nossas .o antigo. Escolas de Medicina do Rio e Bahia. 1827 a 1840.. a mitologia e a história substituíram a obra quase que exclusivamente sacra dos "santeiros"pictoriais da colônia e do último ViceReinado (TAUNAY.preparação. racional e branca do país. Como as telas por nós estudadas. o desejo de se montar uma iconografia laica.

gerando a necessidade e a capacidade de se importarem alimentos. e . na análise liberal da Escola de Direito de São Paulo. tornando-a farta através da imigração. constitui-se um ícone das forças econômicas e sociais que puseram abaixo. baixos salários. resquícios coloniais que adentraram no Brasil pelo século XIX. p. Neste quadro foi possível então. no meio católico evolucionista dos Institutos Históricos e Geográficos. nas questões eugênicas das Faculdades de Medicina e no ensino artístico da Academia Imperial de Belas Artes. descobriu. Os estudos de Schwarcz (1993) mostram que a Razão Científica. As instituições anteriormente mencionadas. As fraturas desta organização se fizeram visíveis com o movimento dos Tenentes em 1922. A industrialização da cidade deu-se no contexto denominado Capitalismo Monopolista por alguns economistas. a implantação de indústrias em cidades como Juiz de Fora é identificada como Industrialização Tardia da América Latina. em 1889 foram modernizações institucionais que garantiram a permanência no poder. funcionaram como instrumentos ideológicos para a inserção do Brasil na ordem capitalista. das oligarquias do Império até 1930. Esta questão foi resolvida com a leitura do livro O Espetáculo das Raças de Lilian Schwarcz. A discussão racial envolveu as instituições brasileiras de 1870 a 1930. apontado na época como caso único de miscigenação. 1984.observações. O assunto foi abordado nos estudos de Frenologia dos Museus Etnográficos. plantio do café após 1840 e industrializada de 1870 a 1930. meios de produção e bens de consumo. Em Juiz de Fora foram fatores da industrialização: a transformação da força de trabalho em mercadoria (assalariamento). porta-voz do Capitalismo Industrial. condições favoráveis de financiamento governamentais. em 1888 e a República. como João Manuel Cardoso de Mello (MELLO. "homens de ciência". postulada como neutra. surgirem indústrias de bens de consumo. a fundação do Partido Comunista e a Semana de Arte Moderna em 1922. "Manchester Mineira". nas características e peculiaridades étnicas. na leitura dos germânicos pela Escola de Recife. 35) . formularam teorias que. Em países como o Brasil. criação de um mercado interno. Cidade nascida em decorrência da abertura do Caminho Novo (século XVIII). organizada após a década de 60 do século XIX. A Abolição.Escola Nacional de Belas Artes como falamos anteriormente. na prática referendavam a dominação econômica e as desigualdades sociais. cidade industrial. Juiz de Fora. . no caso o café. isenção tarifária concedida à importação de máquinas e equipamentos. 1924 e 1926. Instituições criadas ou reorganizadas como parte do aparato urbano que se estava implantando e contemporâneas à preocupação da intelectualidade com o reconhecimento de uma identidade nacional. justificativas para as políticas expansionistas e nacionalistas de paises europeus.

não é de se estranhar a presença de um museu com as características do Mariano Procópio. Estes fatos fizeram da cidade um centro urbano não somente diferente. uma dia bando escuro vir desfilar desajeitadamente na Rua Direita. A história do Museu Mariano Procópio é indissociada à de Juiz de Fora. Nele estavam o Parque Halfeld e o Largo do Riachuelo. como um dos esforços para sua unificação. Em 1753. abriu suas portas à visitação pública e gratuita. não ficaria satisfeita e trataria ainda. Havia fábricas. com seus provedores. do morro do Imperador e vai desaguar na Praça da Estação. Já a margem esquerda da Rua Halfeld marcava o começo de uma cidade mais alegre. Nome ligado à construção da . se pudesse amordaçar a vida e suprimir o sexo. identificam a organização de uma sociedade industrial. o Forum. a cadeia com seus presos ( testemunhas de Deus-contraste das virtudes do Justo ). era o antro de treponemas. que pensei que fosse uma indecência igual às que tinha apreendido no Machado Sobrinho e corei até as orelhas (NAVA. A criação de museus como suportes visuais dos avanços do capitalismo e símbolos de formação de imaginários nacionais pode ser percebida nos estados germânicos do século XIX. com destaque em ordem cronológica. Ouvi pela primeira vez a palavra greve . Percebemos no mapeamento da industrialização. para os alemães. o Stela Matutina. mais despreocupada e mais revolucionária. o Museu Francês do Louvre.dita por uma das minhas tias. como na frase de Rui Barbosa de forrar de lã o espaço e caiar a natureza de ocre. mas oposto aos núcleos populacionais coloniais. 14 ). onde a escuridão noturna e a solidão favoreciam a pouca vergonha. Marca a cidade também o pluralismo religioso. As instituições mapeadas por Nava. cantos e bandeiras ( tão lento que parecia uma procissão ! ) e ser dispersado a espaldeiradas diante da casa de minha avó que aplaudia da janela a destreza dos policiais. com estandartes.toda uma estrutura social bem pensante e caferdenta que. a presença de diversas correntes imigratórias. Esta era mais desoladora ainda nas vizinhanças da linha férrea. O Juiz de Fora que se dirigia para as que conduziam a Mariano Procópio era. a Inglaterra abriu o estatal British Museum ao público. a criação de museus como parte do aparato institucional da mesma. a Matriz com suas irmandades. tão baixo e com um ar de tal escândalo. além de numerosos espíritas fazem parte da história educacional de Juiz de Fora: o colégio católico .Academia de Comércio e o metodista Granbery. a Santa Casa de Misericórdia. além dos descendentes de portugueses e africanos. Mariano Procópio Ferreira Lage (1821.especialmente a têxtil. a organização dos museus deu-se junto à elaboração dos marcos simbólicos da hegemonia burguesa . por força do que continha. a Academia de Comércio com seus padres. 1973. Cidade laica e possuidora de instituições necessárias a seu funcionamento. onde homens opacos se entregavam a um trabalho que começava cedo e acabava tarde no meio de apitos de máquinas e palmadas de couro nas polias. e a Mecânica. como a do Eugeninho Teixeira Leite. O memorialista Pedro Nava (1901-1983) identificou a Rua Halfeld como um divisor geográfico dos grupos sociais da cidade: A Rua Halfeld desce como um rio. onde a rua Hipólito Caron. Foi dali e do Largo do Riachuelo que vi. Cidade que. naturalmente oposto e inconscientemente rebelde ao Alto dos Passos. sírios e libaneses. No Ocidente. p. Em 1793. teve na formação de sua população. Pelas especificidades de Juiz de Fora.1871) foi um dos pioneiros da cidade. com suas freiras. estão a Câmara. italianos. Entre sua margem direita e o alto dos Passos.

p. tiveram atuação no Brasil após os anos 50 do século XIX. A pintura posterior à Missão Francesa (1835. mundo que se sobrepôs aos resquícios coloniais com suas curvas barrocas. a construção evoca a “Villa” romana como foi vista pela Renascença. imigrantes. ficando seu fundador como Diretor Perpetuo da instituição até sua morte em 1944. na mesma data da estrada União e indústria. 237-247) e formou-se em 1890 pela Escola de Direito de São Paulo. 1991.1890) e A República e a decadência da disciplina neoclássica (1890. A proposta arquitetônica renascentista usando linhas retas. O acervo do Museu Mariano Procópio quanto à pintura brasileira do século XIX. data de nascimento. a casa foi projetada pelo engenheiro alemão Carlos Augusto Gambs. A PINTURA BRASILEIRA DO SÉCULO XIX . portanto. A informação de que a construção foi projetada pelo engenheiro germânico Carlos Augusto Gambs indica para dois aspectos: a valorização da mão de obra intelectualizada e especializada e o primado da teoria sobre a prática dos mestres-de-obras. O acervo do museu possui caráter enciclopédico e foi doado ao município de Juiz de fora em 1936. A nacionalidade germânica de Gambs identifica a presença de trabalhadores livres. levando para ela suas coleções que já então constituíam um museu particular.MUSEU MARIANO PROCÓPIO O Professor Quirino Campofiorito (1983) reconheceu na pintura brasileira do século XIX. construiu a “Villa” sede do Museu que recebeu o seu nome. 1991. faz desta residência um dos ícones da industrialização da cidade. p. Alfredo Lage. Encontramos em sua biografia e na adoção de hábitos urbanos. faremos comentários sobre aspectos básicos das biografias dos . em 1915 recebeu a Villa como herança materna. centro difusor do Positivismo. morte e número de obras no museu em estudo. 14-19) para a qual contratou imigrantes alemães que marcaram profundamente a industrialização da cidade. formado pela Faculdade de Direito de São Paulo. Apresentaremos os nomes dos artistas. as seguintes fases: A pintura remanescente da colônia (1800-1830). A proteção do Imperador e os pintores do segundo reinado (1850. com materiais industrializados. que um dos representantes de sua elite se dedicasse ao colecionismo de objetos raros e artísticos.estrada União e Indústria ( BASTOS.1930). é formado basicamente por artistas das duas últimas fases. A Missão Francesa e seus discípulos (1816-1840). necessários à industrialização. Nas proximidades das oficinas ligadas à construção da estrada.1944 ) filho e herdeiro de Mariano Procópio. por uma série de especificidades já mencionadas.1870). Os estrangeiros incluídos no estudo. Ao final. Juiz de Fora. industrializou-se no período de 1870-1930. fez os primeiros estudos na Europa (Bastos. Herdeiro de imóveis no Rio e em Juiz de Fora. Alfredo Ferreira Lage ( 1865. Inaugurada em 1861. Estilisticamente. parece que teve nesta corrente de pensamento a influência maior na organização de suas coleções. Não é estranho. traços de uma nova maneira de viver da elite brasileira.

Henrique Bernardelli. Carlo Servi (1888. Alemanha) 2.artistas como: premiação.1906. Buscamos nas biografias dos artistas nascidos no século XIX. Edoardo De Martino (1838. Ad. Estevão Roberto da Silva (1844.1942) 2.1941) 5. Batista da Costa e outros já mereceram estudos dos mais diversos. possui o Museu Mariano Procópio telas de: João Zeferino da Costa ( 1840-1915)1. Brasil) 2.1942) 1. Armando Vianna (1897. Henrique Bernardelli ( 1858-1936) 13. Haydéa Santiago (1896. Francisco Manna ( 1869 . L. Pedro Alexandrino Borges (1856. Brasil) 7. Manuel Santiago ( 1897. Nicolao Antonio Fachinetti ( 1824. Francisco Aurélio de Figueiredo Mello (1854.Espanha .?. Leopoldo Gotuzzo (1887. ?) 1. Rinc (?) 1 e James Stewart (?) 3. João Batista de Paula Fonseca (18891960) 3.Brasil) 1. Augusto Luis de Freitas ( 1869-1912) 3. Alberto André Feijó Delpino (1863.1963) 1. França.1947.1926) 10. Portugal. Olga Mary (1891. 1877. Antônio Parreiras (1880-1937) 2. Edmond Viancin (1836. Belmiro de Almeida (1858. Paris. Benno Treidler (1857Alemanha. Zeferino da Costa. estrangeiros ou brasileiros presentes com suas telas no Museu Mariano Procópio. Italia. aceitação ou rejeição pela crítica e presença em publicações.1962) 1.Brasil) 2.1975) 1. 1931.1912. Rodolfo Amoedo ( 1857. Horácio Hora (18531885) 1. encontram-se no Museu Mariano Procópio: Eugéne Latour (1871.1894) 1. os estrangeiros presentes na coleção de pinturas do Museu Mariano Procópio são: Henry Nicolas Vinet (1817. Luis Fernando de Almeida Junior (18941970) 1. Priorizamos as informações sobre premiação.1980) 1. Georgina Albuquerque (1885. 1943 .1983) 1. Lecor (?) 2. período denominado por Campofiorito de A República e a decadência da disciplina neoclássica (1880-1918). França) 2. Em ordem cronológica e com número de telas. Decio Rodrigues Villares (1851. Hipólito Caron 1862.1992) 1. Oscar Pereira da Silva (1867-1939) 1.1929. Felix Bernardelli (18661905) 3. Pedro Américo. Enquanto alguns artistas como Amoedo.1969) 1. circulação de seus trabalhos e observações sobre o ensino artístico brasileiro no século XIX. João Batista da Costa (1865.Italia. Insley Pacheco (1830.1980) 1. estendido por nós até 1930.1900.1876. Luis Granner ( 1863 . Italia. muitos pintores do período foram esquecidos . Brasil) 1. Johan Georg Grimm (1846. Italia). Brasil) 1 tela . França.1942) 2. Antônio Correia e Castro (1848-1929) 1.1916) l. Lucílio de Albuquerque (1877-1939) 1. Com atuação profissional após os anos 90. Dentre os artistas brasileiros.1915. França) 4. (1830.1935) 1.1877. Anibal Mattos (1889. Pedro Américo de Figueiredo Mello ( 1843-1915) 2.1928) 37. o que estas significaram em nível nacional e na coleção em estudo.1931) 7. Manuel Faria (1895. Henry Langerock. Alemanha. Italia. Bélgica. pertencentes ao período denominado por Campofiorito de A proteção do imperador e os pintores do segundo reinado (1850-1890). Inglaterra) 3. Jules Balla ( ? .1892) 5.1987) 2 e Maria Pardos ( ? . Henrique Cavalleiro (1894.

Apud PEIXOTO. Junto com Grimm. e.181 ). negro. Espanha e Portugal. de alguns. Flores e Animais da AIBA. onde pintam paisagens ao ar livre. Lecor e Ad. Em 1884. Turquia. de 1878 a 1882 o artista percorreu as cidades de Petrópolis e Valença ( RJ ) e Minas Gerais. Como amostragem da pinacoteca em estudo. nove anos. Caron. no Liceu de Artes e Ofícios. Temos notícias de que entre 1870 e 1878 o pintor estava viajando pela Itália. Souza Lobo. Angelo Agostini.matriculou-se na Antikenerlasse da Akademie der Nildendor Kunste. Garcia y Vasquez. Nas florestas e montanhas dos arredores do Rio ensinou seus alunos a contemplarem as nastureza para bem saberem representar ( Karl Oberacker. Nova Lima e Sabará ( MG ).1887. Era uma grande personalidade artística que tinha um grande círculo de alunos talentosos. de 1885 a 1886. como L. Leopoldo Jardim de Faria. na exposição de Belas Artes. visitando as cidades de Teresópolis ( RJ ). Sobre a formação de Georg Grimm.constituindo-se em dificuldades de informações sobre os mesmos. Maria Pardos pela importância que teve na organização do Museu Mariano Procópio. em mostra coletiva na Sociedade Propagadora das Belas Artes. De Martino Pintor de Batalhas . Na permanência de Grimm no Brasil. como decorador de interiores. Rinc. limitar-nos-emos aos comentários dos dados coletados. Munique. expôs no Rio de Janeiro ( RJ ). Por limites do espaço disponível. destacaremos as biografias de quatro artistas. expuseram os artistas brasileiros Vitor Meirelles. exemplifica o segmento social dos artistas do período. Não renovando o contrato com a Academia por divergências quanto a métodos de ensino. Palestina. Johann Georg ( 1846.identifica uma das funções da arte do período. no Rio de janeiro ( RJ ). encontramo-lo fazendo estudos com Karl von Pilov e Franz Adam. GRIMM. possivelmente filhos de escravos. os quadros de Grimm estiveram . Quando chegou ao Brasil trabalhou junto com Driendl. e. fez novas viagens pelo Brasil. Francisco Ribeiro e Antônio Parreiras. e novamente retornou a Valença e Petrópolis ( RJ ). Alemanha) George Grimm foi talvez o pintor de maior sucesso entre os pintores alemães e a sua influência na pintura brasileira é considerável. norte da Africa. O alemão Georg Grimm destaca-se neste universo por sua contribuição para o paisagismo nacional. No período 1882/1884 foi contratado como professor interino da cadeira de Paisagens. Estevão Silva. não nos foi possível obter quaisquer notícias. p. Grimm retira-se com um grupo de alunos para Niterói. onde recebeu a Medalha de Ouro. Augusto Rodrigues Duarte. Revista Intercâmbio. Postumamente.Munique ( Alemanha ) . São João del Rei. Em 1868 . Belmiro de Almeida e Décio Villares. Alemanha . Os artistas alunos de Grimm foram os paisagistas Castagneto. Grécia. o artista expôs em 1882. 1989.180 . O artista bávaro iniciou o estudo rebelando-se contra as convenções e tradições antigas e transferiu as suas aulas da sala para o ar livre.

Um século de pintura.LEVY. Laudelino. ( LEVY. autor do livro O grupo Grimm.CAMPOFIORITO.BERGER.São Paulo ( SP ) . reuniu e suspendeu aos muros uma notável bagagem artística. História da pintura brasileira no século XIX. estradas de Tunis e vilas do Brasil.nas seguintes exposições: 1948 . 1980 . AYALA. Maria Elizabeth Santos. LIVROS: . Em duas. seus leilões.1916. comentando também a influência de Grimm como professor: ". Walmir.PEIXOTO. Quirino. uma mesquita de Constantinopla e um portão do Allambra.23 ). além da biografia do artista. no Museu da Casa Brasileira. João. REFERÊNCIAS: . 1980. Paisagens de Capri e vistas de Roma. em 1888..150 anos de pintura no Brasil: 1820 . três ou cinco horas fazia-se em frente às suas telas uma viagem à volta do mundo. Carlos. O grupo Grimm. o brilhante crítico de arte que foi Gonzaga Duque. no Museu Nacional de Belas Artes ( RIio ). A esse propósito. .MARINO. 1984 . contos da Alemanha e estudos da natureza da Africa. 1990.FREIRE.1970. escreveria mais tarde. . Dicionário brasileiro de artistas plásticos. Pinturas e pintores do Rio Antigo."Retrospectiva da Pintura no Brasil". 1953 . apresenta-nos dados sobre os demais participantes do grupo. Paulo.duas coisas que no Rio de Janeiro ninguém conseguiu fazer e Georg Grimm alcançou realizar: reunir em exposição cento e cinco ( sic ) quadros e fundar escola! Em uma das salas do Liceu de Artes e Ofícios. Tradição e ruptura: síntese de arte e cultura brasileiras. p. 1983. Carlos Roberto Maciel. . 1988 . pirâmides do Egito e panoramas de Portugal. Carlos Roberto Maciel Levy.II Bienal de São Paulo Sala "A Paisagem Brasileira". Pintores alemães no Brasil durante o século XIX.. seu mercado. as cores fortes e a maneira ampla que caracterizava as obras do artista alemão pareceram algo de exepcionalmente inovador. Artes plásticas.Rio de Janeiro ( RJ ) . 22 . 1980.CAVALCANTI. O Museu Mariano Procópio possui dois Retratos feitos por Grimm."O Grupo Grimm: Paisagismo Brasileiro no século XIX". Ali expôs ele tudo quanto possuia em trabalhos. Destacamos as seguintes observações de Levy sobre a Exposição de 1882: Ao público até então acostumado com o academicismo. 1989. . . apontamentos para a história da pintura no Brasil : 1816 .LOUZADA. 1980 . marinhas de Gênova e jardins de Florença. Julio.

Quirino. minucioso.REIS JUNIOR.. Dicionário das artes plásticas no Brasil. 1979. João. nomeado pintor da corte inglesa. porém. Londres. Inglaterra ) Foi tenente da Marinha italiana. da qual desertou. 1941. . 1969. Theodoro. Walmir. Em 1881 fez parte da comitiva do Príncipe de Gales em viagem à India. . AYALA. LIVROS: . amplamente reveladas nas inúmeras marinhas. Edoardo ( 1838. 1989. proclamando-o artista paciente. Arte no Brasil.1970. nele não distinguindo as qualidades indispensáveis de um bom pintor. Pequena história das artes plásticas no Brasil. sendo. Segundo Gonzaga Duque: Em começo da sua vida artística entre nós. Encontramos notícias de De Martino no Rio Grande do Sul no período de 1868 . REFERÊNCIAS: . Um século de pintura. .ABRIL Cultural.PONTUAL.Foi efetivamente na interpretação delas que se distinguiu o pintor italiano. Dicionário das artes plásticas no Brasil.MARINO. falho de desenho. História da pintura no Brasil. 1942. essa mesma crítica fez-lhe a devida justiça. 1984.RUBENS. 1983. o nosso melhor marinhista ( Instituto Cultural Itaú. síntese de arte e cultura brasileiras. Recebeu a Medalha de Ouro na Exposição Geral de Belas Artes de 1870 e expôs em 1872 e 1875. somente excedido por Castagneto. Carlos.BRAGA. O Museu Mariano Procópio possui quadro Marinhas do artista.1869. DE MARTINO. História da pintura brasileira no século XIX. 1983. no mesmo ano. Mais tarde.CAVALCANTI. . 107 ). Artistas pintores no Brasil. Carlos. p. vacilante e incorreto. Itália . a crítica não o acolheu bem. Meta. apontamentos para a história da pintura no Brasil: de 1816 . Tradição e ruptura.1916. 1973-1980. .CAMPOFIORITO. . e considerando-o de educação incompleta. Roberto. José Maria dos. correto e dotado de qualidades apreciáveis. .FREIRE.PONTUAL. Dicionário brasileiro de artistas plásticos. . 1969. Laudelino. Roberto. 1944. quando foi encarregado pelo governo brasileiro de retratar os combates que estavam ocorrendo com o Paraguai.150 ANOS de pintura no Brasil: 1820 . .1912.

convencera-se de que agira "por acanhamento da inteligência". tanto que. em 1890. A passos lentos atravessou o salão. Agostinho da Mota e Jules le Chevrel.França: 1881. esperava. o pintor levantou-se para protestar contra a premiação que lhe coubera. Dicionário crítico da pintura no Brasil. quase um ano mais tarde. Um século de pintura. Depois. p. e foi ficar atrás de todos.PARREIRAS. perante o próprio Imperador Pedro II. reconhecendo que praticara "um atentado sem exemplos nos anais da Academia". comovido. recebeu o Prêmio Aquisição na Exposição Geral de Belas Artes. SILVA. Estevão Roberto ( 1844. onde foi discípulo de Vítor Meirelles. História de um pintor contada por ele mesmo: Brasil . Luis Gonzaga.Estávamos convencidos de que o primeiro prêmio seria conferido a Estevão Silva. Laudelino. da qual só não foi expulso porque a mencionada comissão. possivelmente filho de escravos. . seus olhos se encheram de lágrimas. 1983. LIVROS: . após lhe ouvir a defesa. que assistiu ao acontecimento descreve o fato: . Antônio. passou entre nós. José Roberto Teixeira. Antônio Parreiras.FREIRE. O Museu Mariano Procópio possui uma Natureza Morta de Estevão Silva. onde estava o Imperador. Sabe-se ainda que o pintor trabalhou como professor do Liceu de Artes e ofícios e que. O escândalo foi enorme. dizendo-se injustiçado.DUQUE-ESTRADA. Contemporâneos: pintores e esculptores. Recuou. Ele trêmulo. uma comissão nomeada pelo diretor para apurar o incidente aplicava a Estevão a pena de suspensão por um ano. no Rio de Janeiro. . na sessão solene de entrega de prêmio àqueles que se distinguiram na Exposição Geral da Academia. Rio de Janeiro ) Negro.1836.1894. Rio de Janeiro. 476 ). Em sua autobiografia. foram sendo chamados os premiados. . Em 1864 matriculou-se na AIBA. A arte brasileira: pintura e esculptura. em texto sobre o pintor: A mais antiga referência a Estevão remonta a 1879 a um seu ato de altiva rebeldia.RUBENS. 1929. belo oh! muito belo! . o nome de Estevão Silva ecoou na sala.LEITE. .. . 1942. 1888. Calmo. Tão imperiosamente foram ditas estas palavras. por aquele homem que chorava.aquele negro ergueu arrogantemente a cabeça e forte gritou: Recuso! ( LEITE. 1942. Transcrevemos José Roberto Teixeira Leite. Um por um. que obedecemos. Aproximou-se do estrado. REFERÊNCIAS: . 1988. 1988.ACQUARONE. Pequena história das artes plásticas no Brasil. Finalmente.______________________________. A sua cabeça pendeu. Francisco Vieira. Íamos nos revoltar Silêncio! Eu sei o que devo fazer. RJ . Primores da pintura no Brasil. apontamentos para a história da pintura no Brasil: de 1816-1916. Adão de. 1941. a 20 de fevereiro de 1890. Carlos.

A artista foi premiada no Salão Nacional. em 1913. Enfim. Zina Aita e Tarsila do Amaral.1928. comentaremos brevemente sobre a presença feminina na pintura brasileira. Casada. Casada com Lucílio de Albuquerque. Roberto. Manuel Santiago. no entanto. pintor de grande reconhecimento social. O domínio de elementos básicos em desenho e pintura passou a fazer parte do universo feminino burguês. não oficialmente. com 500 mil réis. Foi aluna de Amoedo. Rio de Janeiro ) Antes de passarmos aos dados biográficos de Maria Pardos. a pioneira foi Emma Gabrielle Piltegrin Gros de Pranguey. A participação ativa feminina no ensino e em movimentos artísticos no Brasil só ocoreu no século XX. p. Das participantes das Exposições Gerais de Belas Artes ( LEVY. como a Senhora D. doados aos pobres. o que era corriqueiro na época. José Roberto Teixeira. Serenidade e Pensativa. artista com 37 trabalhos no acervo em estudo. fiigura presente e marcante de seu tempo. N. sendo pioneiras. 1973-1980. . 1988. conhecida nos meios artísticos de seu tempo e de quem falaremos a seguir. Georgina de Albuquerque em em São Paulo. Diversamente.CAVALCANTI. 240). deve-se ao fato de sua obra não ter sido comercializada. . com Medalha de Prata e em 1918. S. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Olga Mary teve mais reconhecimento social do que o marido. AYALA. Quando de seu falecimento a imprensa do Rio de Janeiro noticiou amplamente o fato. teve carreira própria. Diversas participantes destas exposições se escondiam no anonimato. Maria Pardos. Os trabalhos com que concorreu nestes salões foram: Flores. em 1848. 1990 ). Haydéa ficou à sombra do marido. o que nos leva a pensar que está aí a explicação de numerosos discípulos deste mestre na pinacoteca do referido museu (RUBENS. Raul Pedrosa.424 ) com a premiação máxima. em 1915. Dicionário brasileiro de artistas plásticos. Espanha . Dicionário das artes plásticas no Brasil. No Museu Mariano Procópio estão as telas de Georgina Albuquerque. com Menção Honrosa de Primeiro Grau. Conciliadora. PARDOS. 1969. Carlos.. Maria ( ? . em 1914. do qual não conseguimos quaisquer informações. Julgamos que o fato de Maria Pardos não ter se mantido presente nos estudos atuais de arte brasileira. encontramos apenas seis mulheres conseguindo esta honraria.PONTUAL. 423 . foi colaboradora deste na criação do Museu Mariano Procópio. no Rio. Consultando a lista dos contemplados ( LEITE. com Medalha de Bronze. . Walmir. 1988. artista e professora de destaque a seu tempo no Rio. Georgina. com Alfredo Lage.LEITE. 1941. com o capitalismo em expansão no século XIX. Anita Mafalti. p.

Os estrangeiros predominam entre os nascidos nas décadas de 10 a 30 do século XIX e continuam presentes nas posteriores. foram referendados socialmente com prêmios e estão presentes em livros sobre o assunto. Segundo o autor. 1989. na coleção em estudo. Os artistas acadêmicos brasileiros. nascidos na década de quarenta.Escola Nacional de Belas Artes ( República ). pode-se observar que os demais 42 tiveram aprendizado formal em academias ou ateliês.BASTOS. Não conseguimos notícias sobre a premiação de oito artistas e o exercício de atividades. Durand observou que. 1941. O Rio de Janeiro. Os artistas estrangeiros pertencentes à historiografia da arte brasileira. pois. Rinc. Ainda que não se obtendo informações sobre a escolaridade de seis artistas. e nos Salões Nacionais de Belas Artes na República. A coleção de pintura brasileira do século XIX do Museu Mariano Procópio é constituída por trabalhos de 48 artistas. 5). criou uma arte brasileira sem lugar para especificidades regionais. a reavaliação da arte do século XIX (DURAND. julgamos possível algumas observações sobre os mesmos nos parágrafos seguintes.LIVROS: . sua obra. no Império. este interesse seria fundamentado no esgotamento do mercado para as obras da primeira geração modernista. apenas em meados dos anos oitenta do século XX iniciou-se. As informações sobre os artistas estudados foram encontradas em publicações editadas até a década de 40 de nosso século. sua vida. como outros artistas estrangeiros. Os artistas estudados neste trabalho passaram pelo ensino oficial da época. Temos. p. Langerock. presentes no Museu Mariano Procópio não constituem um universos heterogêneo no reconhecimento social de seus trabalhos e qualidade dos mesmos. além das artísticas de 14 e quaisquer informações sobre dois: L. Pequena história das artes plásticas no Brasil. despontaram no mundo artístico nos anos 70 e seus trabalhos foram pilares do academicismo nacional. Ainda que contando com estas lacunas no levantamento de dados. 1992. descendência. Esta aprendizagem referendada nas Exposições Gerais de Belas Artes. a proposta modernista tornou-se dominante após 1950 e os estudos predominantes sobre a criação artística passaram a eleger como interesse prioritário. uma amostragem expressiva da pintura brasileira do século XIX. centralizou o ensino artístico no século XIX na Academia Imperial de Belas Artes ( Império). este período e o colonial. genealogia.RUBENS. nos meios acadêmicos e artísticos. . Na década de 50. como capital do país. sendo 15 estrangeiros e 33 brasileiros. foi . Wilson de Lima. Lecor e Ad. Os artistas por nós pesquisados nasceram entre as décadas de 10 e 90 do século XIX e foram dominantes no mundo artístico brasileiro até os anos 50 do século XX. Carlos. Mariano Procópio.

pela ambientação intimista e coloquial que dá aos retratados. Viancin. sendo a Cena de Exterior presente na coleção. L. mostra de interesse pelas cores locais. minuciosos e observador detalhista. Os Retratos feitos por Grimm diferem dos da maioria. como veremos a seguir. dentre os estrangeiros. Não faremos comentários sobre cada artista e obra. Carlo Servi deixou na paisagem encontrada na coleção. sabemos que o artista adotou o "plein-air". Fachinetti. Finalmente. Nome pouco conhecido ou estudado pela historiografia da arte brasileira é Granner. pois a proposta do trabalho é a apresentação da coleção. sua paisagem da coleção estudada é um bom exemplo desta abordagem acadêmica.andarilho na Europa e no Oriente. Nosso interesse é a identificação de características do período. graças à melhoria dos transportes. trazendo. além de fotógrafo e negociante de quadros. Francisco Manna destacou-se no período pela temática social e a busca de subjetividade. um exemplo desta segunda abordagem. cenas de exterior e interior e pintura histórica). James Stewart. A nova capital mineira atraiu profissionais . A geração de artistas nascidos na década de 40 estudou na Academia Imperial de Belas Artes já reformulada em 1855 e iniciou sua atuação após os anos 70. As paisagens do artista caracterizam-se pelo abandono do desenho acadêmico. uma inovação no momento. A coleção é formada por artistas nascidos nas décadas de 40 a 90 do século XIX. estão presentes dois Retratos feitos pelo pintor alemão. Rinc. como mostra do predomínio do mercado para este gênero artístico. No museu em estudo. Quanto aos 33 artistas brasileiros constituem um universo diversificado. A pintura do período tem maior diversidade temática (natureza morta. nascidos respectivamente no Chile e Espanha. A diversidade física e cultural do Brasil foi percebida de maneiras diferentes pelos estrangeiros. Ad. procurava captar os elementos "ao natural" e depois trabalhava-os no ateliê. marco da história da pintura do paisagismo brasileiro. Não podemos considerar como estrangeiros Henrique Bernardelli e Maria Pardos. Insley Pacheco. Estas décadas foram diversas em seus aspectos sociais e econômicos. colocando-o como um dos pioneiros do Impressionismo fora da França. pois que no Brasil tiveram suas formações e atividades artísticas. no período. radicou-se em Belo Horizonte. o que identifica o alargamento do comércio artístico. foi aquarelista. Na paisagem de Vinet nota-se o encantamento pela natureza brasileira. novas questões e necessidades para o meio artístico. Lecor e Balla estão no acervo do Museu Mariano Procópio com Retratos. portanto. Correia e Castro nasceu em Vassouras (cidade cafeeira fluminense) e após sua formação no Rio e Europa. o que nos parece raro em sua obra. percorrendo no Brasil novas regiões abertas ao povoamento no século XIX. destacando alguns artistas e telas que julgamos relevantes para a historiografia da arte brasileira. Contemporâneos do aceleramento da urbanização brasileira e do contato com a Europa. encontramos Grimm.

I Guerra Mundial e outros estes artistas tiveram em comum a aprendizado acadêmico e de especificidades. República. Não admira: formados nos ateliês europeus de representação já estabelecida. estabelecendo paralelo com a tela do pintor francês e mestre da pintura neoclássica JacquesLouis David ( 1748. entretanto a moderação de atitudes que o neoclassicismo determinava. Com a exceção de Hora.332). em Marat esta citação apenas eterniza o movimento da morte e seu significado. Trata-se de uma das telas brasileiras mais reproduzidas. Oriundos de famílias pobres em sua maioria. medeiam entre a emoção fria dos primeiros e a paixão dos segundos. servindo de elo entre um primeiro plano. mulatos e brancos pobres. não há. As artes plásticas. Horácio Hora. Segundo CHRISTO: Tanto David quanto Pedro Américo utilizam a citação do braço pendente da Pietá de Michelangelo. como Delpino e Aníbal Mattos. Estevão Silva. p. Decio Villares e Pedro Alexandrino. no Império. negro. aproximando os dois dramas. não entravam nossos jovens em contato com a arte mais avançada de seu tempo (COSTA. A autora historizou a montagem da imagem de Tiradentes pelos positivistas republicanos e identificou os elementos formais usados nesta abordagem sacralizadora. onde só era ensinado aquilo que o tempo consagrava. Nascidos nos anos 50 estão na coleção Belmiro de Almeida. Belmiro de Almeida colocou-se na contemporaneidade como aluno do pontilhista Seurat. 1993. Estevão Silva e outros artistas deste universo pesquisado foram alunos e professores do Liceu de Artes e Ofícios. buscavam no estabelecimento uma profissão de homens livres em uma sociedade escravocrata. A perspectiva e posição da cabeça. 331 . Lygia Costa comenta que com pequenas variações. p. a serem o universo possível de ascensão social para negros (minoria). onde se situa a figura do morto. p. propôs-se a fazer o estudo deste quadro e do venezuelano Arturo Michelena. Francisco Aurélio. como a precisão do desenho. Ainda dos nascidos na década de 40. neste ponto mais se aproximam dos românticos como temas escolhidos. ou do Sepultamento de Cristo de Caravaggio. Decio Villares. Rodolfo Amoedo. como o crucifixo paralelo à cabeça decepada. 1993. os demais atuaram até a década de 30 do século XX. Maraliz de Castro Christo (CHRISTO. Miranda en la Carraca. com a finalidade de formar mãode-obra especializada. com expressiva obra . onde convivem a faca assassina e a pena do revolucionário. possivelmente filho de escravos.liberais de todo o país e artistas necessários à sua organização sócio-econômica. Já no quadro de Pedro Américo esta citação se soma as outras referências utilizadas. que faleceu precocemente. Pedro Américo e Zeferino da Costa enfeixam em suas obras. destacaremos a tela Tiradentes Esquartejado (1893) de Pedro Américo. 331 .1825 ). Entretanto. sobriedade do colorido e cuidado na fatura ainda têm em comum Se há desvelo no desenho. 1952.333 ) em Pintura Histórica na América Latina. características do academicismo nacional. no quadro A morte de Marat (1793) . onde Cristo a fita. fundado em 1856. 9). é um exemplo da origem social dos alunos da Academia. continuaram como na colônia. colocada no eixo vertical e horizontal transformam o cadafalso em altar (CHRISTO. Henrique Bernardelli. Vítor Meirelles. a maneira como conviveram com as transformações artísticas do período. e um segundo plano. Contemporâneos de fatos como Abolição. Quanto à cor e à fatura.

Luis Fernando de Almeida Junior. pertencentes aos segmentos mais desfavorecidos da sociedade. Amoedo e Pedro Alexandrino mantiveram-se fiéis aos postulados neoclássicos. foram contemporâneos dos modernistas paulistas. Em sua maioria. Outro indicador constante nas biografias é o que. Percebemos neste trabalho certo encaminhamento para o realismo no uso de tonalidades mais claras e ricas. nascidos nas décadas de 70 e 80. para se alcançar notoriedade. Expandiu-se o consumo de objetos artísticos quando as províncias começaram também a se preocuparem com a formação de suas iconografias. embora em algumas de suas obras observemos aportes românticos no colorido. como vimos nas informações biográficas. Henrique Cavalleiro. Enquanto Caron. Como retratista. devia-se ser distinguida com encomendas oficiais. na coleção Museu Mariano Procópio. O alferes mineiro assemelha-se à litografia que o artista divulgou em 1890. Segue o rigor acadêmico no Cristo e em Tiradentes (1928).Escola Nacional de Belas Artes. paisagista do grupo Grimm. no entanto. dois nomes. de Henrique Bernardelli.no Museu Mariano Procópio (oito telas). Haydéa e Manuel Santiago. Após os anos 70. que Caron trata as Alegorias à maneira acadêmica. com a expansão da imprensa. Oscar Pereira da Silva permaneceu fiel a ela até a década de 30. Dentre os artistas nascidos na década de sessenta. onde o inconfidente é facilmente identificado com Cristo. Os artistas do universo artístico carioca. como fazem outros. Manuel Faria e Olga Mary tiveram suas carreiras artísticas ao longo do século XX. Observamos. executou telas oficiais do Amazonas ao Rio Grande do Sul. dependentes das encomendas oficiais e empregos públicos diferiam em muito dos paulistas no mesmo período. o desenho preciso e minucioso para conter o colorido suave. como na França. No entanto. buscou a ruptura com a rigidez neoclássica em suas paisagens. diversos artistas dedicaram-se à ilustração e à caricatura. apresenta diversidade em suas obras. destacamos a Ilha de Capri. Rupturas e acesso a essas propostas foram impossíveis aos egressos da Academia Imperial de Belas Artes . A também Alegoria de Oscar Pereira da Silva identifica seu apego ao s postulados neoclássicos. anexações de propostas realistas e impressionistas aos princípios neoclássicos. Ainda no período. Armando Vianna. pertencentes à elite econômica. Aderiram à temática do . permaneceram fiéis ao figurativismo. por exemplo. percebemo-lo procurando no universo feminino uma linguagem mais subjetiva. Em comum. o meio de sobrevivência mais comum foi o magistério. quando tratam de cenas históricas. Antônio Parreiras. tiveram acesso às vanguardas européias ligadas à burguesia industrial. Os modernistas de São Paulo. Encontramos nos trabalhos dos primeiros. direcionados para os ateliês acadêmicos italianos ou franceses. mostram orientações diferentes: Hipólito Caron e Oscar Pereira da Silva.

estabelecimentos onde os artistas na órbita dos estados nacionais criaram os suportes visuais dos mesmos para serem sacralizados nos Museus.Escola Nacional de Belas Artes e a organização dos primeiros museus no Brasil ocorreram junto com os avanços das revoluções burguesas. necessidade de um museu organizado no Novo Mundo.mortas. obrigatoriamente.ENBA se propôs o ser extensão da européia. usando recursos de períodos anteriores. nas coleções do período. procedimentos identificadores da formação acadêmica e característica da geração de modernistas do Rio. as populações negras e indígenas e o misticismo. deparamo-nos com a reorganização institucional do país no momento em que o capitalismo se estendia mundialmente. quando valorizou marinhas e paisagens. Juiz de fora teve seus suportes visuais importados da Europa. cidade organizada pela industrialização no século XIX. leva-nos a identificar a pintura como um dos símbolos do modus vivendi de nossas elites no período. um museu. a racionalidade. Alegorias. a exemplo. A coleção apresentada é uma ponta de iceberg do imaginário nacional no período de 1870 . nas cenas históricas e à tolerância. teve a necessidade de criar um universo simbólico e o fez. deveria ter. O estudo desta parte da pinacoteca do Museu Mariano Procópio. ao heroismo. BIBLIOGRAFIA . a criação dos museus no século XIX acompanhou a geografia da industrialização. nas alegorias. posteriormente o proletário. Cenas Históricas. sacralizando. o colorido muitas vezes fazendo a função do desenho. Quando destacamos alguns aspectos dos contextos nacional e local. com seus Retratos. Marinhas. no momento. desejo similar dos que queriam organizar institucionalmente o país como extensão do Velho Mundo. Paisagens. apreço ao lirisno. ao intelectualismo. Diríamos que a Europa obrigatoriamente deveria ser evocada na criação de um museu com as características do Museu Mariano Procópio. então.1930. presente no Museu Mariano Procópio. quando se propôs ser laico. com todas as instituições necessárias a seu funcionamento. nas cenas de gênero. No Velho Mundo. nas naturezas . A pintura brasileira alicerçada na AIBA . Mariano Procópio e Alfredo Lage foram pessoas ligadas à industrialização da cidade. representam uma marca autóctone. Cenas de Exterior e Interior.cotidiano. A pintura nacional. As Academias de Belas Artes foram. Juiz de Fora. Em suas biografias encontramos informações que mostram apego às inovações científicas e a adoção do hábito do colecionismo. A Academia Imperial de Belas Artes . Ocultando o trabalho escravo. ao realismo. O capitalismo. nas pinturas do período. a elite brasileira de então quis mostrar. nos palacetes ecléticos e fábricas de modelos ingleses. por isso denominaram-na "Manchester Mineira". Este grupo marcou visualmente sua posição na sociedade através dos Retratos.

1989. [ s. Brasiliense. Dicionário crítico da pintura brasileira. IN: BESSA. Imprensa Nacional. A arte brasileira: pintura e esculptura. Integração Latino-americana. genealogia.AYALA. BASTOS. O Ensino artístico . São Paulo. Rio de Janeiro: Benedito de Souza. Laudelino. Adolfo Morales. LOS RIOS FILHO. Um século de pintura.332 ). 1985. Juiz de Fora: UFJF/FAPEMIG. MASP. O Brasil por seus artistas . sua vida. LEITE. Antônio Parreiras.subsídio para sua história. ed. LEVY. CAMPOFIORITO. Rio de Janeiro: Nordica/ São Paulo: Círculo do Livro. João Manuel Cardoso de. Carlos Roberto Maciel. Juiz de Fora. Ligia Martins ( Org. apontamentos para a história da pintura no Brasil: de 1816 . Carlos. 1984. sua obra. Pinakoteke. 1983. Maraliz de Castro Vieira. 1973-1980. Dicionário brasileiro de artistas plásticos. São Paulo: Banco Itaú. Rio de Janeiro: Colorama. 331 . gênero e história. Rio de Janeiro. 1929. 1942. O capitalismo tardio. Contemporâneos: pintores e esculptores. 1980. Rio de Janeiro. FREIRE. COSTA. AYALA. CEM Obras Itaú. José Roberto Teixeira. CENTO e cinqüenta anos pintura no Brasil: 1820-1870.1916. Quirino. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Saúde. Walmir. 3º Congresso de História Nacional ( 1938 ). Pedro Pires. Ed. 1993 ( p. “Pintura histórica na america Latina”. Walmir. Artlivre. Wilson de Lima. 3ª ed. Rio de Janeiro: Pinakoteke. 1989. Rio de Janeiro: Pinakoteke. 1860. Rio: . Rio de janeiro: [ s. descendência. 1991. 1989.1937: pintor de paisagem. ) Um século da pintura brasileira. Luis Gonzaga. MELLO. História da pintura brasileira no século XIX. Paraiso. DUQUE-ESTRADA.Brazil through its artists. ]. CAVALCANTI. CHRISTO./d. ]. Mariano Procópio Ferreira Lage. Brasília: MEC/INL. 1952. 1888. ______________________________.

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