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Nota à imprensa:

Apesar de orientações do meu advogado e de jornalista de outro veículo que, ao tomar

conhecimento da versão completa do incidente declarou: “...não vejo interesse público

neste fato isolado, espero que dê tudo certo para todas as partes envolvidas e vida que

segue, nem cheguei a procurar seu advogado”, venho a público esclarecer os fatos

ocorridos na sexta-feira, 22 de julho de 2022.

Diante do recente fato envolvendo um pervertido que compartilhava da mesma

profissão (esperamos que seja afastado dentro dos trâmites legais), o oportunismo dos

denunciantes apenas pareceu ter o intuito de comprometer ainda mais a reputação dos

médicos anestesiologistas e manchar minha imagem.

O que era para ser apurado e resolvido internamente, tomou proporções muito maiores

e optei por descrever o que ocorreu e rebater as acusações falsas feitas pelas

supostas testemunhas.

Inicialmente, a reportagem descreve: “Segundo informações de pessoas que estavam

no local no momento da confusão, o médico foi acionado pela equipe de enfermagem

da sala de recuperação para dar alta à paciente e teria se recusado a ir até lá”. Essa é

a primeira mentira absurda, pois eu estava em sala com um paciente grave e há outros

anestesistas no plantão, que poderiam ser acionados para fazer a alta e/ou atender
eventuais intercorrências.

Em seguida o relato das testemunhas refere: “Após algum tempo, quando o profissional

resolveu assinar a alta médica, ele teria passado a gritar com a equipe de enfermagem

e tratado mal o acompanhante da pessoa hospitalizada, de acordo com uma

testemunha que preferiu não se identificar. Logo em seguida, ainda segundo ela, os

dois começaram a bater boca, e o paciente entre eles deitado na maca”. O que ocorreu

foi que levei o paciente da sala de cirurgia para a sala de recuperação e mantive o

cuidado até estabilizá-lo, antes de fazer a alta de uma pessoa que estava estável,

monitorizada, segura e apenas com o inconveniente da espera.

O paciente que estava em sala de cirurgia tinha complicações da COVID, foi submetido

a uma cirurgia complexa de traquéia e precisou de nova traqueostomia. A intubação

traqueal foi difícil, tentamos com um tubo traqueal 6,5mm e precisamos usar um ainda

menor, tamanho 6,0mm. A traqueostomia foi realizada e colocado um filtro com

extensão para eventual conexão ao ventilador mecânico na sala de recuperação. Ao

chegar na sala de recuperação, um técnico de enfermagem começou a manipular o

filtro de forma inadequada, algo displicente. Falei com ele para colocar a mangueira de

oxigênio pelo lado do filtro em vez de mobilizar a traqueostomia, pois a manipulação

causa incômodo ao paciente e pode deslocar a cânula de traqueostomia

recém-colocada (ainda não “maturada”). Para minha surpresa, o técnico de

enfermagem jogou a mangueira em cima do paciente, disse: “coloca você”, virou de


costas e saiu de perto do paciente.

Quando ele retornou, foi advertido que essa conduta foi totalmente inadequada e

comprometia o cuidado ao paciente. Ele começou a retrucar, assim como outra técnica

de enfermagem que presenciou esse fato. Mantive o atendimento ao paciente e fiz o

relato no prontuário da anestesia e do episódio ocorrido, comunicando imediatamente à

chefe da anestesia sobre o problema, via whatsapp.

Neste momento, o acompanhante de outra paciente ( que aguardava alta da sala de

recuperação), começou a gritar perguntando quem era o médico que daria a alta da

mãe dele. Quando respondi que era eu, ele falou que eu não teria “dado boa noite” e

que teria recusado atender à sua mãe. Fiquei em silêncio, terminei a evolução do

paciente que estava atendendo, busquei a ficha da paciente para fazer a alta e me

dirigi a ela com todo o cuidado que uma pessoa idosa deve receber. A interpelei sobre

algum sintoma como dor ou falta de ar, como de costume e ela respondeu que estava

com fome. Enquanto eu completava a ficha de alta o acompanhante novamente me

agrediu verbalmente.

Neste momento foi advertido por mim de sua atitude inadequada, quando começou a

gritar, levantando a mão no meu rosto, me desferindo impropérios até o ponto de

xingamento, como mostrado no vídeo.

Fui obrigado a sair de trás da cama da paciente idosa para preservá-la e ter campo de
visão da cintura do agressor, caso tivesse conseguido burlar a segurança do IGESDF

(que é muito eficiente, mas pessoas mal intencionadas podem conseguir subterfúgios

inesperados) e estivesse com qualquer tipo de arma.

Nesse momento a equipe de enfermagem, que já tinha se posicionado numa atitude de

corporativismo inadequado, em detrimento do paciente, pois o corporativismo também

tem algum papel positivo na organização das profissões, quando utilizado para o bem

comum, virou as costas mais uma vez e se negou testemunhar a agressão ocorrida

dentro do hospital.

Quando fui comunicado da reportagem mantive a firmeza de propósito de testemunhar

a verdade, mas temi pelo que teria sido mostrado ao público. Graças à Deus e ao

profissionalismo do veículo de imprensa, foi mostrado o vídeo na íntegra, comprovando

que o acompanhante me agrediu e agi em legítima defesa, no estrito cumprimento do

meu dever.

Apesar de ter vínculo CLT com o IGESDF, estava representando o poder público

(agente público), de modo que a agressão se caracteriza, em tese, como desacato,

assim como a omissão da equipe de enfermagem pode também se caracterizar, em

tese, como prevaricação, ambos crimes previstos no código penal.

Espero que a direção do IGESDF e os órgãos competentes apurem o fato para que

não se repita. Já tive colegas médicos e enfermeiros agredidos no exercício do ofício


nos mais diversos ambientes (Postos de saúde, hospitais, ambulâncias, etc) e muito

me decepcionou a equipe de enfermagem do Hospital de Base, que tem alta qualidade

técnica e dedicação aos pacientes (ficam a noite inteira realizando os procedimentos

de enfermagem e trabalham junto com os médicos acompanhando prescrições,

pareceres e procedimentos), proteger uma atitude indevida de um dos seus

componentes, em vez de apenas solicitar que fosse feito o ajuste.

A sociedade deve proteger a todos, mas meu papel como médico é representar o

interesse de quem está vulnerável no momento, se recuperando de uma cirurgia e

anestesia, de modo que não vou me furtar a apontar melhorias assim como busco

melhora contínua do meu atendimento. Já propus e utilizei um sistema eletrônico que

pago do meu próprio bolso nos pacientes do hospital de base, levo um tablet para as

crianças brincarem e se distraírem na medida do possível antes da anestesia, entre

outras ações. Me sinto muito bem trabalhando no Hospital de Base pela organização e

compartilho decisões de triagem e de técnica anestésica com cirurgiões, enfermeiros,

residentes de medicina, etc. Já convidei um enfermeiro que é estudante de medicina a

participar comigo de procedimentos, entre outras ações que busco para integrar a

equipe.

Deste modo, espero que o responsável pela agressão e os omissos possam ser

convocados a refletir sobre suas ações. Por mim já estão perdoados, mas na justiça

dos homens devem ser repreendidos para evitar repetir o mesmo erro.
Cordialmente,

RAFAEL VILLELA SILVA DERRÉ TORRES CRM 14.234 - DF


ESPECIALIDADE: ANESTESIOLOGIA - RQE Nº: 6.558
TÍTULO SUPERIOR EM ANESTESIOLOGIA pela Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA/AMB)
Áreas de atuação: Dor - RQE Nº: 6.792 | Medicina Aeroespacial - RQE Nº: 20.158

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