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1.

A arte na educação - O Ensino de Artes no Brasil


Fundamental ao desenvolvimento cognitivo, temos hoje no país algumas escolas com
sua metodologia de ensino fundamentada em arte-educação, a exemplo da Escola de
Arte do Museu em Ribeirão Preto que há meio século traz uma proposta pedagógica
de incentivo a habilidades de raciocínio e expressão. “O potencial criativo, social e
perceptivo é cuidadosamente cultivado e orientado. O encontro com um universo
infinito de formas, texturas e linguagem que estimulam as habilidades emocionais,
cognitivas e a capacidade criativa. A arte desempenha um papel vital na educação; um
meio de expressão cujo significado, para a criança, é diferente do que para o adulto.
[...]” (https://artedomuseu.com.br/escola/educacao-infantil).
No entanto tais instituições de ensino não estão ao alcance de todos, a exemplo as
escolas Montessorianas que são 65 mil espalhadas pelo mundo, uma metodologia de
ensino que quando foi desenvolvida, era voltada a crianças menos favorecidas, porém,
hoje somente está ao alcance de famílias ricas, pois esse método de ensino tem um alto
custo (BBC News Brasil, A vida paradoxal de Maria Montessori). A formação de
professores especializados na área da arte educação não é uma preocupação em
escolas publicas principalmente, ou seja, ainda há a dificuldade de que a arte educação
chegue a todas as classes.

1.1 Antecedentes Históricos do ensino de artes

Linha Do Tempo Do Ensino De Arte No Brasil

1816 Durante o governo de dom João VI, chega ao Rio de Janeiro a Missão Artística
Francesa e é criada a Academia Imperial de Belas Artes. Seguindo modelos europeus,
é instalado oficialmente o ensino de Arte nas escolas.
1900 Até o início do século 20, o ensino do desenho é visto como uma preparação
para o trabalho em fábricas e serviços artesanais. São valorizados o traço, a repetição
de modelos e o desenho geométrico.
1922 Apesar da efervescência das manifestações da Semana de Arte Moderna, o
ensino segue as tendências da escola tradicional, que defende a necessidade de copiar
modelos para treinar habilidades manuais.

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1930 O compositor Heitor Villa-Lobos, no governo de Getúlio Vargas, institui o
projeto de canto orfeônico nas escolas. São formados corais, que se desenvolvem pela
memorização de letras de músicas de caráter folclórico e cívico.
1935 O escritor Mario de Andrade, então diretor do Departamento de Cultura do
município de São Paulo, promove um concurso de desenho para crianças com tema
livre. O ganhador recebe uma quantia em dinheiro.
1948 É criada no Rio de Janeiro a primeira "Escolinha de Arte do Brasil - EAB", com
a intenção de propor atividades para o aluno desenvolver a autoexpressão e a prática.
Em 1971, chega a 32 o número de instituições particulares desse tipo no país.
1960 As experimentações que marcam a sociedade, como o movimento da bossa nova
influencia o ensino de Arte nas escolas de todo o país. É a época da tendência da livre
expressão se expandir pelas redes de ensino.
1971 Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), a Educação
Artística (que inclui artes plásticas, educação musical e artes cênicas) passa a fazer
parte do currículo escolar do Ensino Fundamental e Médio.
1973 Criação dos primeiros cursos de licenciatura em Arte, com dois anos de duração
e voltados à formação de professores capazes de lecionar música, teatro, artes visuais,
desenho, dança e desenho geométrico.
1989 Desde 1982 desenvolvendo pesquisas sobre três ideias (fazer, ler imagens e
estudar a história da arte), Ana Mae Barbosa cria a proposta triangular, que inova ao
colocar obras como referência para os alunos.
1996 A LDB passa a considerar a Arte como disciplina obrigatória da Educação
Básica. Os Parâmetros Curriculares Nacionais definem que ela é composta de quatro
linguagens: artes visuais, dança, música e teatro.

FONTE https://www.arteducacao.pro.br/ensino-da-arte-no-brasil.html

Quando começou o ensino de artes no Brasil e quando se deu sua formalização?

As primeiras escolas no Brasil foram implantadas por padres Jesuítas segundo Luciana
Gouvêa Pimentel, eles tinham o trabalho de catequizar e educar os indígenas e as pessoas que
chegavam de Portugal, porém, essa educação era voltada ao ensino religioso e as artes
literárias, destinada aos filhos da elite ou a quem quisesse se dedicar a vida sacerdotal.

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Música, e teatro eram incluídos no ensino somente devido à ligação com as catequeses e era
esse o ensino de arte da época. Era uma educação voltada à formação de acordo com as
condições sociais e interesses da igreja. Apesar da existência de atividades manuais
(artesanato), elas não faziam parte da educação, pois eram voltadas apenas aos índios que já
os confeccionavam culturalmente e aos escravos para uso fruto da religião, ou comércio.

Em 1759 após dois séculos, centenas de Jesuítas foram expulsos do Brasil, pelo secretário de
estado português, Marques de Pombal, isso desestruturou a ordem dos jesuítas no Brasil,
gerando grandes prejuízos para os aldeamentos indígenas, para a educação e o ensino na
colônia, o estado assumiu a educação gratuita e agora não mais apenas religiosa,
estabelecendo suas diretrizes com uma política centralizadora criando as primeiras escolas
publicas no país. Apesar de o principal intuito ser ampliar o ensino com conteúdos antes
omitidos como artes anuais, desenho e pintura, não havia espaços físicos adequados para
ministrar as aulas e assim não alcançava a maioria da população, por isso, nesse começo o
ensino de artes foi focado apenas no ensino de desenho informal voltado à mão de obra de
assistentes, para auxiliar os artistas que vieram para o Brasil no período da colonização.

Oficialmente o ensino de artes começa no Brasil em 1826 quando é criada a Academia


Imperial de Belas Artes (ANA MAE; a historia do ensino da arte no Brasil, CEAD, EBA,
UFMG; https://youtu. be/GXJeJjmE4ns) trazida pela Companhia Francesa em 1816, onde o
intuito era criar uma “Escola de Ciências, Artes e ofício” com o foco em ensinar a arte do
desenho industrial voltado ao preparo para o trabalho, porém acabou mudando o foco e
criando a Academia Entre o período de 1816 a 1826, eles fizeram esculturas, arquiteturas,
desenhos, etc. E o ensino acabou sendo direcionado para a aristocracia.

Quando começou o ensino do desenho, não se falava em ensino da arte, mas em ensino do
desenho em suas diversas formas como: gráfico, industrial, artístico e etc. Somente em 1870
começa-se a discutir a necessidade do desenho na educação por conta da primeira
industrialização brasileira. Em 1890 o ensino do desenho é incluído no currículo e torna-se
obrigatório na escola primária e secundária, criado por Rui Barbosa, esse projeto é até hoje o
qual o ensino do desenho aparece com a maior relevância.

O ensino de arte para crianças.

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O modernismo começa com a criação das Escolinhas de Arte em 1930, a primeira instituição
realmente de ensino moderno, um movimento de ensino não formal voltada aos pequenos, no
modernismo o educador queria suscitar na criança a criação da expressão da interioridade do
ser humano sem preocupar-se com o realismo, com a reprodução real do mundo ao seu redor,
evitava-se imagens de arte na sala, para que não houvesse contaminação, a ideia era que
partisse da criança naturalmente. No entanto nesse período o movimento estava voltado
apenas ao ensino do desenho. Em 1948 com a oficial criação da ESCOLINHA DE ARTE DO
BRASIL (EAB), com foco em expressões artísticas como dança pintura, teatro, desenho, etc.,
começou-se a perceber a importância da arte no desenvolvimento cognitivo, na década de 70 a
EAB começou a utilizar materiais específicos para o ensino de arte e com técnicas pouco
conhecidas até hoje utilizadas pelas escolas. Augusto Rodrigues, artista plástico e arte-
educador pernambucano, (1913-1993) que dizia: “educação sem arte não é educação,
juntando-se a grandes artistas como a gaúcha Lúcia Alencastro (1921), e a escultora norte-
americana Margareth Spencer (1914), que comungavam do mesmo ideal, criou o
MOVIMENTO ESCOLAS DE ARTE DO BRASIL-MEAB, hoje espalhada em vários
estados.

Depois de 1971 a expressão “ensino da arte” começa a entrar na escola brasileira e em 1976
cria-se um curso para professores de EDUCAÇÃO ARTÍSTICA. (ANA MAE; a historia do
ensino da arte no Brasil, CEAD, EBA, UFMG; https://youtu.be/GXJeJjmE4ns).

Lucia Gouvêa Pimentel Professora Titular da Escola de Belas Artes da Universidade Federal
de Minas Gerais, diz que nesse período, o que se ensinava na escola como lembrancinhas
comemorativas de dia dos pais, bandeirolas, e etc., não são na verdade ensino de arte passa-se
por um período de livre expressão que quando se ensinava eram técnicas com giz de cera,
nanquim, vela, etc., supondo que se o aluno souber usar esses materiais saberá se expressar
artisticamente, criando assim uma educação tecnicista e a livre expressão influenciada pela
psicologia, onde a criança pode fazer o que quiser e tudo que fizer será bom por si só. (“A
historia do ensino da arte no Brasil”, CEAD, EBA, UFMG; https://youtu.be/GXJeJjmE4ns).

A arte e o desenvolvimento humano

Embora a expressão artística tenha sido reconhecida tardiamente como algo fundamental ao
desenvolvimento humano, na atualidade diversos estudos comprovam que ainda no ventre
ouvimos os sons que estão no mundo, os sons vibram com nosso corpo, eles são ouvidos e
sentidos, a música (expressão artística sonora), por exemplo, além de poder trazer conforto e

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segurança ao bebe, também é um meio de comunicação dele com o externo podendo a criança
responder por meio de movimentos, esse ato comunicativo e de expressão por meio da música
pode ser constatado após o nascimento quando os pais cantarolam a mesma música ou
repetem o mesmo som e o bebê reage, a percepção musical traz grandes benefícios para a
criança, a exemplo, a harmonia, melodia e ritmo desenvolvem na criança uma área no campo
emocional onde através da percepção sonora se pode observar um som após o outro e
percebendo a música a criança pode perceber o próprio som, e perceber a si própria.

Ana Mae em sua participação no Encontro Arte Educação e desenvolvimento Humano,


promovido pela coordenação de Licenciatura em Artes visuais da UFJF (youtube.com),
afirma que sua definição de artes é que, “a arte é fundamental, essencial para desenvolver
integralmente a capacidade comunicativa do ser humano. Pois como dizia Suzan landi, os
seres humanos se comunicam através de três tipos de linguagem, a linguagem teologal que é a
mesma verbal, a linguagem científica, que é a linguagem do experimento científico, da
ciência, e a linguagem pré-atencial, a linguagem da arte, pois, a arte se apresenta a nós quando
nos comunicamos por gestos, percepção visual, movimento do corpo inteiro, e essa
comunicação não pode ser substituída pela comunicação verbal apenas, o que se pode é criar
equivalências como olhar para um quadro e expressar o que essa imagem te passa, a arte é
importantíssima para o desenvolvimento humano, pois ela trabalha o racional, o emocional e
o afetivo ao mesmo tempo, ela integra todas essa áreas”. Ana Mae ainda afirma que quanto
mais nos envolvemos com a arte mais aumenta nossa capacidade de decodificar, sons, gestos,
imagens uma capacidade absolutamente importante em todas as profissões desde um médico
ao critico de arte. Ana Mae ainda relata que um especialista, passou toda sua vida pesquisando
pesquisas, um meta pesquisador, ele provava que a arte desenvolvia a inteligência racional do
indivíduo que é desenvolvida pela arte e que, cada um de nós que trabalhamos com a arte
seriamos menos inteligentes se não trabalhássemos com arte. Nos primeiros anos escolares, a
criança se comunica por meio do corpo em movimento, do desenho, da musica, antes de ler e
escrever a arte é a linguagem é a forma de expressar, de comunicar o interior, as emoções e
depois traduzir de varias formas, quanto mais cedo a criança tenha contato com expressões
artísticas melhor será seu desenvolvimento, quanto mais cedo estimular melhores serão os
benefícios a longo prazo em diferentes áreas esse contato é fundamental para o bom
desenvolvimento físico, social-cognitivo e afetivo das crianças, A educação deve
proporcionar aos estudantes meios e caráter necessário para participar ativamente da vida
publica e social oferecendo recursos para que elas criem suas próprias maneiras de se

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expressar e compreendam o mundo que as cerca (JOHN DEWEY 1929). Com a arte, as
crianças têm incentivo para que consigam ordenar e dar sentido à experiência humana desde o
começo da vida essa exposição na primeira infância, traz inúmeros benefícios, a criança vê a
atividade artística como uma brincadeira, devido ao aspecto lúdico, e por isso a evolução
acontece de forma natural e gradativa tornando-se um estimulante da evolução física
(coordenação motora) e intelectual (cognitivo e raciocínio), a dança e o teatro desenvolvem a
consciência corporal e motora, também auxiliam na noção espacial. Com a pintura, trabalha a
coordenação motora fina, a capacidade de distinguir e fazer escolhas de materiais, técnicas,
texturas e formas.
Além dessa dimensão, os aspectos social e cognitivo chamam a atenção. A arte é uma
importante ferramenta para que a criança faça uma leitura da realidade e de si mesma. Por
esse motivo, o contato com as mais diversas manifestações artísticas desenvolve
características como senso crítico, sensibilidade e criatividade. Quando em 1948, AUGUSTO
RODRIGUES criou juntamente com LUCIA ALENCAR VALENTIN e MARGARETE
SPENCE a primeira escolinha de arte do Brasil que mais tarde se tornaria um movimento em
vários estados do Brasil (MEAB), ele defendia exatamente estes conceitos, inspirado no poeta
anarquista e critico de arte e literatura, escritor do livro EDUCAÇAO PELA ARTE,
HEBERTE READ (1943) da Grã Bretanha que inspirado em Platão estudou sobre arte
educação e teve grande influência no seio educacional, transformando assim o sistema
educacional na Inglaterra.
A diretora pedagógica da Escolinha de Arte do Museu de Ribeirão Preto Maria Cecília
Migliorini diz: “O processo da arte educação foi um movimento de âmbito internacional que
começou em Bridston na Inglaterra e foi se espalhando, pois se vê que desenvolve na criança
aspectos como a oralidade, a socialidade, o senso estético e a ética através de varias
linguagens, oral, escrita, musical, plástica e corporal”.
Como um poderoso trabalho educativo, o ensino da arte procura, por meio de inclinações
individuais, amadurecer a formação do gosto pela arte, desenvolver a inteligência e contribuir
para a personalidade em formação. Essa inteligência desenvolvida ultrapassa os aspectos
estéticos, englobando também os emocionais e até mesmo a inteligência racional.
O papel da arte na infância tem destaque na evolução das habilidades sociais da criança.
Como grande parte das propostas de atividades artísticas acontece em grupo, os pequenos
acabam ganhando capacidade para trabalhar coletivamente aprendem a valorizar a diversidade
e a respeitar as diferenças. Isso porque a criança, em contato com as obras de vários artistas de

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correntes diversas, perceberá que não há uma maneira certa ou errada de pintar, de fazer uma
colagem, de combinar notas musicais, o que existe é um modo próprio, ao compreender que
seu jeito de fazer algo é legal, a criança entende que o jeito do seu colega é diferente, mas tão
legal quanto, mesmo quando o professor necessita ser um mediador dessa compreensão, há
um grande avanço em inteligência emocional e social.

4 e 5 ano
de vida
2 e 3 ano
de vida
1 e 2 ano
de vida
A Base Nacional Curricular (BNCC) divide a educação infantil em três
ciclos, pois a criança desenvolve muito em pouco tempo, ela precisa de estímulo e segurança
para desenvolver porque o cérebro responde a qualidade de estímulos recebidos que geram
sentimento de pertencimento, acolhimento. Os benefícios para o aspecto afetivo, aliás, são
muitos, por meio da arte, os pequenos podem reconhecer expressar e gerenciar seus
sentimentos e impulsos. É possível entender que as artes são linguagens diferenciadas que
complementam a linguagem verbal.
Então, o que muitas vezes não consegue ser processado e comunicado pela criança pela fala
vem à tona por meio da arte. Por meio do teatro, por exemplo, podemos trabalhar na criança a
dificuldades de dialogar e interagir com outras pessoas por timidez e falta de autoconfiança,
sejam peças onde eles representam, seja teatro de fantoches quando ela (a criança) dialoga
com os bonecos.
A arte como instrumento de avaliação do desenvolvimento
O papel da arte se amplia e vai até a função de avaliação de desenvolvimento da criança. Esse
é, aliás, um dos instrumentos mais potentes: se, em outros métodos, a criança consegue prever
o que se espera dela e agir de acordo com a avaliação, na arte, por ser mais livre e estimular
diferentes maneiras de olhar para a mesma coisa, as ações são bem sinceras e podem
desvendar significados profundos. JOHN DEWEY (1929) elaborou uma tese “DESENHO
ESPONTANEO DAS CRIANÇAS” baseando-se exatamente em estudos da arte educação na
educação infantil, posteriormente escreveu o livro a ARTE COMO EXPERIÊNCIA. Como já
se sabe, esse filosofo e pedagogo teve grande influencia na educação, pois trouxe a renovação
de ideias articulando um movimento de praticas educacional o MOVIMENTO NOVA
ESCOLA, uma tentativa de modificar a metodologia de ensino voltada a uma formação
limitada que impede o progresso de uma nação. O ensino de arte na educação infantil
proporciona uma educação humanizada onde a criança pode expressar suas sensações e

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emoções e conforme vai se desenvolvendo ela cria mecanismos para demonstrar suas
vontades e sentimentos, o desenho, por exemplo, desenvolve não somente habilidades
motoras como estimula expressões de sentimentos por meio das cores. Nem sempre o
professor tem conhecimento da realidade familiar de seus alunos em especial na Educação
infantil, porém, por meio de atividades artísticas coordenadas a criança pode expressar e o
professor assim ajudar a criança a compreender melhor o mundo a sua volta bem como a si
próprio. Com tinta, papel, lápis e música pode-se proporcionar um momento de relaxamento.
As cores e suas tonalidades podem causar sensações, segundo JOHANN WOLFGANG VON
GOETH, criador da teoria das cores, a percepção dos tons pode ser diferente para cada
pessoa, porém a sensação provocada é sempre a mesma. A psicologia das cores que é um
estudo detalhado traz observações sobre os efeitos que cada tonalidade causa ao cérebro
humano, vejamos de forma resumida, este exemplo citado pelo Professor Lino Macedo a
respeito das sensaçoes causadas pelas cores:
Intensidade, fúria, fome,
violência.
Vermelho
Bom humor, energia,
equilíbrio.
Laranja
Alegria, relaxamento,
felicidade.
Amarelo
Cura, perseverança e
natureza.
Verde
Emoções amenas e leves,

Azul contemplação, paz, paciência.

A cor das descobertas,


R nobreza, mistério,
oxo transformações.

Na educação infantil a criança prefere cores primarias, para este professor, arte com criança
pequena é o simples brincar com tinta e descobrir as cores, o desenho é algo espontâneo na
criança que o professor pode utilizar com uma intencionalidade pedagógica. Faz-se necessário

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que o professor tenha repertorio didático para observar, pois temos crianças com certas
dificuldades e o professor necessita ter recursos para estimular e propor atividades.
MARIA MONTESSORI (1870) conhecida em todo o mundo pela criação do MÉTODO
MONTESSORI (1920) de ensino, realizou um trabalho pedagógico baseado em dar as
crianças total liberdade de criação. Essa mulher foi a primeira médica Italiana, um ano após
sua formatura foi indicada a médica assistente da clinica psiquiátrica da Universidade de
Roma, ao ocupar o cargo, preocupou-se com as crianças deficientes mentais que ficavam
misturadas com os adultos loucos nos hospícios. Seu interesse pela educação começou aí
estudou então outros sistemas educacionais, empregados na Europa, Pedagogia e Psicologia,
formou novos conceitos e começou a criar seu próprio método. Criou um material especial
destinado a proporcionar uma educação sensorial estimulando a observação, com formas
muito atraentes e coloridos.
Reconhecendo a importância da aprendizagem na primeira infância Maria Montessori dedicou
sua vida a criação de seu método de ensino e ajudou no aprendizado de crianças que outros
especialistas julgavam incapazes de aprender, ela respeitou o tempo de aprendizagem de cada
indivíduo, seus materiais cativam o interesse da criança e conduzem a um aprendizado mais
natural explorando texturas, formas, cores que percebe no dia-a-dia á sua volta. O método
trabalha a harmonia, a beleza, os materiais têm cor e forma, as atividades de desenho, pintura
e colagem encantam. Arte e Montessori caminham sempre juntas, nos estudos que dão base
ao método vemos que o ser humano tem algumas tendências e uma delas é a busca por algo
espiritual no mundo, algo que vai além das suas necessidades física e básica e uma das formas
de suprir essa necessidade é a arte em suas diversas formas.
“Uma das coisas mais bonitas é que a arte não é necessária como imediaticidade ela não nos
dá o sustento do corpo no sentido de alimentar a nossa necessidade proteica como perguntava
Rubens Alves, porque plantamos jardins, fazemos poemas ou compomos musica?
Para deixar a nossa marca, para que a vida não se reduza a mera biologia, mera materialidade.
É possível na nossa mortalidade ficar com obras que ultrapassem nosso mero sobreviver.
(CORTELLA, Educar pela Arte, youtube).
A habilidade motora desenvolvida na educação infantil por meio das artes é fundamental no
Ensino Fundamental principalmente no desenvolvimento da escrita.
Por meio da arte, é possível avaliar o grau de desenvolvimento mental dos pequenos, entender
suas predisposições e sentimentos, inclusive suas queixas. É possível ter pistas de como essa
criança compreende a si mesma e sua realidade, perceber o quanto ela oferece de capacidade

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criadora e imaginação. Potenciais problemas afetivos, de cognição e de habilidades motoras
são facilmente percebidos, mesmo antes de aprender a ler e a escrever, uma criança
naturalmente reage de forma positiva aos estímulos artísticos, é uma criadora em potencial.
Por isso, antes que se possa perceber alguma dificuldade em alfabetização, por exemplo, a
arte fornece pistas para desafios na linguagem e mostra peculiaridades cognitivas, afetivas e
relacionadas à capacidade física (visão, audição) daquele indivíduo.
O contato precoce com as artes é bastante positivo, segundo CORTELLA, Mario de Andrade
trouxe a presença da arte para a área da educação no nosso dia-a-dia, ele entendia que se uma
criança desde pequena tem contato com o verde, a musica, a pintura, ela vai tendo uma
formação mais densa, mais estruturada.
É preciso, porém, que a abordagem em da arte respeite a faixa etária, o grau de
desenvolvimento da criança o pensamento, a capacidade imaginativa, a percepção, a
habilidade intuitiva, a sensibilidade e a cognição tudo deve ser trabalhados de forma integrada
e interdisciplinar. A colagem e a pintura, por exemplo, são duas das inúmeras formas de
trabalhar arte que se destacam como de grande ajuda para o trabalho com crianças de 0 a 4
anos na fase de coleta do material, por exemplo, a criança consegue identificar o que lhe é
familiar como objetos, animais, pessoas, elementos da natureza, que envolve escolhas e
desenvolve a noção de espaço e proporção. A pintura deve priorizar aspectos sensoriais como
a sensibilidade ao contato com a tinta e a textura. Nos primeiros trabalhos é bom que se faça
uma abordagem, tátil, sensorial, usando mãos e pés. Quando se trabalha com referencias, por
exemplo, uma atenção à escolha dos artistas é bem importante na fase dos quatro anos artistas
como Miró e Kandinsky têm trabalhos mais abstratos e bem coloridos o que facilita a
identificação já que as crianças gostam de cores e fortes. ANA MAE defende o ensino de arte
nas escolas de maneira ousada. Não somente como atividades básicas, mas a arte em seu mais
profundo conceito, onde a criança ao observar uma obra de arte possa não somente criar, mas
interpreta-la como propõe em sua Abordagem Triangular.
Porem, seja de forma sutil ou ousada uso de atividades artísticas plásticas, musica teatro, seja
como for, faz um grande diferencial no desenvolvimento da criança, cognitivo, social e ate
mesmo no relacionamento com si próprio a arte e a educação devem andar sempre juntas.

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